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Numero do processo: 10380.006170/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/04/2006
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
PATROCÍNIO MODALIDADE
A lei não restringe o patrocínio apenas à modalidade de fornecimento de dinheiro, mas dispõe que a contribuição da
associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, bem como de qualquer forma de patrocínio recebido, cuja retenção e recolhimento cabe à patrocinadora
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-001.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2000, inclusive.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal PATROCÍNIO MODALIDADE A lei não restringe o patrocínio apenas à modalidade de fornecimento de dinheiro, mas dispõe que a contribuição da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, bem como de qualquer forma de patrocínio recebido, cuja retenção e recolhimento cabe à patrocinadora Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 365DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 333 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2000, inclusive. Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 366DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 334 3 Relatório Tratase do lançamento de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, referente a patrocínio concedido a associações desportivas que mantém equipe de futebol profissional. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 95/98), a empresa apresentou à fiscalização contratos de patrocínio, publicidade, licenciamento de uso de marca e símbolos, propaganda com as seguintes associações que mantém equipe de futebol profissional: São Paulo Futebol Clube, "Sport" Clube Internacional e Guarani Futebol Clube. A auditoria fiscal constatou, através da escrituração contábil e notas fiscais/faturas, o repasse de materiais esportivos e/ou utilidades às associações que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, apuradas nas seguintes contas: 50.560 — GUARANI FUTEBOL CLUBE — PROMOÇÃO, 50.559 — GUARANI FUTEBOL CLUBE — UNIFORMES, 50593 — FUTEBOL — SPFC, 50594 — FUTEBOL — INTER, 04034 — DESPESAS ANTECIPADAS SÃO PAULO, 04035 — DESPESAS ANTECIPADAS INTER. A auditoria fiscal ressalta que as referidas associações recebem materiais esportivos/utilidades, caracterizandose desta forma em uma modalidade de patrocínio, com incidência contributiva, apurandose as contribuições previdenciárias com base nos valores constantes em notas fiscais de saída de materiais esportivos/utilidades. Diante do exposto, a fiscalização considerou os valores lançados como despesas na contabilidade correspondentes aos repasses de materiais esportivos/utilidades as associações que mantém equipe de futebol profissional, mencionadas. A empresa teve ciência do lançamento em 24/11/2006 e apresentou defesa (fls. 163/182) onde alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do lançamento. Argumenta que é representante oficial da marca Reebok no País e com os contratos de patrocínio em questão, pretendeu e ainda pretende a Defendente divulgar a marca Reebok e, com isso, incrementar suas vendas. Alega que cabe ao clube patrocinado promover a marca do patrocinador e a este último pagar ao primeiro o preço estipulado pela publicidade e, sob esse enfoque, podese até dizer que o patrocínio existente entre a Defendente e os clubes aqui mencionados nada mais representa senão um contrato de publicidade. A Defendente paga ao clube para ter sua marca exibida em todos os eventos esportivos atrelados ao clube patrocinado e que tal patrocínio, de acordo com o contrato formalizado, é efetuado na forma de dinheiro e sobre tais valores retém e recolhe a contribuição previdenciária. No entanto, quanto aos uniformes e materiais esportivos recebidos pelos clubes para uso obrigatório em seus eventos, estes não podem ser considerados como recursos Fl. 367DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 335 4 recebidos pelos mesmos, mas antes devem ser vistos como o instrumento do cumprimento de seu dever, ou seja, como instrumento de veiculação da publicidade comprada pela Defendente. Aduz que os contratos de patrocínio firmados pela Defendente implicam uma obrigação de fazer por parte dos clubes (obrigação de uso de material esportivo fornecido pela Defendente), pela qual estes são devidamente remunerados. É a remuneração ajustada o único recurso disponibilizado aos clubes e, portanto, a única base de retenção e recolhimento observada pela Defendente. Entende que a remessa de bens materiais não permite a aplicação do instituto do desconto e da retenção que só poderia ocorrer quando se tratar remessa de dinheiro, não se afigurando, no caso, a hipótese delineada no §9° do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Alega que dentre as despesas tomadas para tributação, observadas nas contas contábeis mencionadas, não só foram considerados os valores relativos aos materiais transferidos como também despesas que a Defendente teve com seus empregados, notadamente daqueles investidos em função de marketing, as quais, de certo, não representaram qualquer repasse aos clubes. Cita exemplos de despesas consideradas como base de cálculo pela fiscalização, as quais apresenta elementos para demonstrar a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre as mesmas. Por fim, solicita que a defesa seja considerada procedente e a notificação anulada. Pelo Acórdão nº 1120.299 (fls. 277/285) a 7ª Turma da DRJ/Recife (PE) julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 292/313) onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 336 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser observada. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 03/1997 a 04/2006 e foi efetuado em 24/11/2006, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 369DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 337 6 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 370DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 338 7 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, segundo a auditoria fiscal, tratase do lançamento de contribuições incidentes sobre patrocínio oferecido pela recorrente a clubes de futebol sob a forma de uniformes e materiais esportivos, sobre os quais a recorrente entende não incidir Fl. 371DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 339 8 contribuições. Ou seja, a recorrente não reconhece tais fornecimentos como fatos geradores de contribuições previdenciárias, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2000, inclusive. No mérito, a recorrente entende que não estava obrigada à retenção de 5% a que se refere o artigo 22, § 9º da Lei n° 8.212/91 incidente sobre materiais esportivos enviados a associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional. Considera a recorrente que tal retenção só seria cabível sobre os valores repassados em dinheiro e sobre tais alega que efetuou a retenção e recolhimento das contribuições no percentual de 5%. A legislação que trata a matéria dispõe o que se segue: Lei nº 8.212/1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, Fl. 372DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 340 9 corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ... § 9º No caso de a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, esta última ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta Lei.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto nº 3.048/1999 Art.205. A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição às previstas no inciso I do caput do art. 201 e no art. 202, corresponde a cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. (...) §3º Cabe à empresa ou entidade que repassar recursos a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, a responsabilidade de reter e recolher, no prazo estabelecido na alínea "b" do inciso I do art. 216, o percentual de cinco por cento da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. Tanto a lei como o decreto são claros no sentido de que a contribuição da entidade desportiva que mantém equipe de futebol profissional, em substituição ás contribuições patronais previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, é de 5% incidente sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos esportivos dos quais participe e de qualquer forma de patrocínio. Como se vê, a lei não restringe a incidência de contribuição apenas sobre o patrocínio oferecido em dinheiro, pelo contrário, a redação do dispositivo determina que há incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer forma de patrocínio. No caso, além da transferência de numerário, a recorrente também concede aos clubes de futebol uniformes e materiais esportivos, fornecimento este que também é objeto do contrato formalizado entre a recorrente e os clubes, conforme se verifica das cláusulas Fl. 373DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 341 10 contratuais abaixo transcritas, cujos contratos encontramse anexados aos autos às folhas 210/241): CLÁUSULA SEGUNDA Constitui objeto acessório ao principal deste contrato o fornecimento pela VULCABRAS ao INTERNACIONAL, em cada ano de contrato, sem qualquer ônus financeiro, dos Produtos relacionados no ANEXO I (grade de material) do presente instrumento, que dele faz parte integrante, especificamente aqueles com a marca de fabricação REEBOK neles inserida. Como propaganda de fabricante nos moldes e tamanhos permitidos e aprovados pelo artigo 162 das Normas Orgânicas do Futebol brasileiro, editadas pela CBF, necessários às atividades esportivas das Equipes do INTERNACIONAL, no Território Nacional e no Exterior. A quantidade de material do ANEXO I será de 25.345 peças anuais. PARÁGRAFO PRIMEIRO: Em contraprestação do fornecimento dos Produtos previstso no caput desta cláusula, o INTERNACIONAL se obriga a utilizar e fazer com que todas as suas equipes (profissionais e categorias de base) treinadores e massagistas utilizem, com absoluta exclusividade, em seus jogos oficiais, treinamento e/ou quaisquer outras apresentações de suas equipes de Futebol Profissional e demais equipes/modalidades os Produtos de fabricação da VULCABRAS especificados (...) CLÁUSULA QUARTA Como parte da remuneração pelo licenciamento para fabricação e comercialização dos produtos da VULCABRAS, inseridos com suas marcas registradas associadas ao nome e simbologia do INTERNACIONAL, conforme relação constante no ANEXO II, pagará esta ao INTERNACIONAL em retribuição a tal exclusividade e peia permissibilidade de fabricação dos demais produtos já licenciados, 8% (oito porcento), sempre calculados sobre o valor total das vendas efetivamente realizadas desses produtos, excluindose das vendas as devoluções, descontos concedidos, impostos incidentes sobre as vendas. CLÁUSULA QUINTA A VULCABRAS pagará, ao INTERNACIONAL a título de Royalties Mínimos Garantidos, referente à Cláusula Quarta, o valor bruto de R$ 3.120.000,00 (três milhões, cento e vinte mil reais), descontandose as contribuições e impostos incidentes, nas seguintes condições: (...) CLÁUSULA SÉTIMA Além do fornecimento dos materiais e dos Royalties descritos nas cláusulas 4ª e 5ª a VULCABRAS pagará também ao INTERNACIONAL, nas formas e condições abaixo estipuladas o seguinte: (...) Fl. 374DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 342 11 Pelas cláusulas transcritas, podese observar que o fornecimento de materiais esportivos e uniformes é parte do contrato firmado entre a recorrente e os clubes. Além disso, não se pode olvidar que ao fornecer materiais e uniformes a recorrente está desonerando os clubes de futebol de despesas que seriam de sua responsabilidade. Tal fato aliado ao dispositivo legal que prevê incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer forma de patrocínio, leva à conclusão de que o lançamento deve prevalecer. Quanto à alegação de seriam a insubsistentes valores lançados sobre despesas incorridas pela Recorrente com seus funcionários, embora a recorrente tenha elencado em defesa e recurso uma série de valores segundo a qual não seria referente a qualquer patrocínio, a decisão de primeira instância esclarece que não houve a apresentação da documentação suporte para demonstrar que se tratava na verdade de equívoco na contabilização, conforme se verifica no trecho transcrito: A notificada defende que vários dos valores contabilizados nas mencionadas contas como repasse aos clubes de futebol identificados em seus títulos, não se tratam, na verdade de repasse a estes, e sim de apropriação aos centros de custo que tratavam de patrocínio. Afirma que tal proceder derivaria de legítima escolha sua quanto a melhor forma de registrar sua contabilidade. Tal argumentação já foi enfrentada em acórdão no Auto de Infração 37.050.971 4 que tratou de irregularidades verificadas pela fiscalização na escrituração contábil apresentada pela defendente. Destacouse no acórdão DRIRecife n° 1119.957, que não se trata, como alegou a defesa, de mero talante da empresa a forma de elaborar sua escrita contábil; seus registros devem atender os mandamentos legais com vistas a facilitar a fiscalização, independentemente do detalhamento dos lançamentos e dos esclarecimentos que sejam adicionalmente solicitados pela autoridade fiscal. Tal exigência encontra lastro no artigo 113, §2° do Código Tributário nacional CTN e na legislação previdenciária transcrita (artigo 32, II da Lei 8.212/91 e do artigo 225, §13 do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99). (...) A referida autuação foi, ao final, julgada procedente. Ainda assim, considerando que a contabilidade tenha, por equivoco, registrado em conta imprópria operações consideradas como fatos geradores de obrigação previdenciária, partiremos para, em observância ao principio da verdade material, proceder a análise dos documentos de defesa trazidos. Notese que apenas a apresentação robusta de provas é capaz de afastar escrituração, promovida pela própria defendente, de despesa sob a rubrica de pagamentos a clubes de futebol. Mister destacar que a defesa não aponta os documento e os lançamentos que pretender ver retificados: sua defesa restringe Fl. 375DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 343 12 se a anexar diversas cópias Na competência 01/2006 a notificada traz defesa justificando os lançamentos feitos na conta 04034 entitulada DESPESAS ANTECIPADAS SÃO PAULO como ajustes contábeis. Traz como prova apenas uma folha de Razão com os lançamentos sob o seguinte histórico : AJUSTE INTERFACE. Não há em tal defesa motivação hábil a afastar a classificação promovida pela própria notificada em sua escrituração contábil. Defesa não acatada. Nas competências 02/2006 e 03/2006 a notificada traz defesa justificando os lançamentos feitos na conta 50593 entitulada FUTEBOL SPFC como reembolso de despesas de empregados. Traz como prova apenas folhas de Razão (fls. 247 e 249) com os lançamentos, sem identificar o documento comprobatório de tal/tais despesa(s). Nas competências 04/2006 a notificada traz defesa justificando os lançamentos feitos na conta 50593 entitulada FUTEBOL SPFC como reembolso de despesas de empregados. Traz como prova apenas folhas de Razão (fls. 250) com os lançamentos, sem identificar o documento comprobatório de tal/tais despesa(s). Não se desincumbe a notificada do ônus de provar Deste modo, não há como se verificar se os documentos trazidos. E mais, nos documentos trazidos sequer são encontrados os lançamentos dos valores R$ 410,88 (03/2206) supostamente detalhados pela impugnante. Traz anexos comprovantes de despesa em nome dos Srs. Fernando Costa, Sidnei Siveira e Maria Clarice S Rodrigues. Tais comprovantes possuem identificadores não mencionados nos históricos contábeis e não estão acompanhados de todos os recibos a que se referem. Por exemplo, no comprovante de despesas n° 023460 inexiste a comprovação dos gastos que totalizaram R$133,20 (nomeados como "buffet"), assim como no comprovante 024114 inedste comprovação das despesas totais a título de pedágio (R$ 23,20). Por fim acrescentar que os comprovantes de despesa não possuem nenhuma informação acerca do registro contábil destes. Concluise, diante do verificado, não há no queixume trazido pela notificada motivação hábil a afastar a classificação promovida por ela mesmo em sua escrituração contábil. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006170/200717 Acórdão n.º 2402001.758 S2C4T2 Fl. 344 13 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para considerar que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive. É como voto Ana Maria Bandeira Fl. 377DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 19515.001661/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.149
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. RELATÓRIO Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17374.FMXP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Cuidam os autos de Recurso Voluntário em razão do r. Acórdão da DRJ em Recife/PE objetivando o afastamento do crédito tributário constituído por meio do auto de infração de número 0819000/00895/06, referente aos períodos de apurações 01/05/2003 a 31/12/2004 e 01/03/2005 a 31/05/2006 para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e/ou recolhidos e os valores escriturados conforme “Termo de Constatação Fiscal”. A base tributável são os valores constantes da planilha que compõe o Termo de Constatação Fiscal, registrando, que foram analisados os valores da contribuição para a COFINS e o PIS correspondentes aos fatos geradores compreendidos entre maio de 2003 e dezembro de 2006. A impugnação referente o PIS encontra às fls. 406/555 e à COFINS às fls. 274/389. Extraíse dos seus conteúdos que o fato gerador da obrigação tributária para incidência do PIS e COFINS incide unicamente sobre o faturamento, observando que o conceito de faturamento é definido como a “receita bruta decorrente da venda de bens e de prestação de serviços”, vedado ao legislador ordinário definir como faturamento algo além de tal limite. A insurgência dáse em relação ampliação da base de cálculo determinada por intermédio da Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998, precisamente em relação aos arts. 2o e 3o. Aduz também a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo na determinação do valor das referidas contribuições. Demonstra, ainda, o inconformismo em relação à imposição de juros moratórios com base na Taxa Selic, aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, sustentando, para tanto, ser inconstitucional. Em razões recursais reprisa os argumentos tecidos na fase de impugnação. Concluiu pedindo reforma do v. Acórdão recorrido e a insubsistência do crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração. É o relatório. VOTO Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente e atende os pressupostos de admissibilidade necessários ao seu conhecimento, assim sendo, conheço. Ao examinar os documentos acostados e as informações anexas ao auto de infração, surgiramme algumas indagações em relação às receitas que compõe a base de cálculo. Assim sendo, opino em converter o julgamento em diligência no sentido de que a fiscalização faça o detalhamento da composição da base de cálculo. Prestar outras informações que julgar necessárias ao deslinde da questão. Após a conclusão do levantamento seja a contribuinte intimada para se manifestar sobre os demonstrativos elaborados pela auditoria. Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17374.FMXP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001661/200765 Resolução n.º 340300.149 S3C4T3 Fl. 2 3 Assim sendo, recomendo que seja o feito remetido a origem para diligência e cumprimento das recomendações. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17374.FMXP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DOMINGOS DE SA FILHO em 02/03/2011 18:07:21. Documento autenticado digitalmente por DOMINGOS DE SA FILHO em 02/03/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 04/03/2011 e DOMINGOS DE SA FILHO em 02/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.17374.FMXP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 37B60716B16939432E305B06AD53AE184B08A82F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.001661/2007-65. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15374.001072/2006-05
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.116
Decisão: Resolvem os membros do colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-11T19:16:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 11062603.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-11T19:16:11Z; Last-Modified: 2010-11-11T19:16:11Z; dcterms:modified: 2010-11-11T19:16:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 11062603.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:6194bf78-e6b8-473e-94a5-38faeaff2b9d; Last-Save-Date: 2010-11-11T19:16:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-11T19:16:11Z; meta:save-date: 2010-11-11T19:16:11Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 11062603.doc; modified: 2010-11-11T19:16:11Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-11T19:16:11Z; created: 2010-11-11T19:16:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-11-11T19:16:11Z; pdf:charsPerPage: 1176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-11T19:16:11Z | Conteúdo => S3-C4T3 Fl. 1 1 S3-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001072/2006-05 Recurso nº 509.600 Resolução nº 3403-00.116 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 27 de outubro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LATASA NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação, cujos créditos teriam origem em pagamento a maior da COFINS. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por JOSE DE JESUS MARTINS COSTA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Assinado digitalmente em 11/11/2010 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREI RA Processo nº 15374.001072/2006-05 Resolução n.º 3403-00.116 S3-C4T3 Fl. 2 2 A unidade de origem decidiu não homologar o pedido de compensação, em razão de estarem os pagamentos supostamente realizados a maior, alocados a débitos da COFINS, conforme declarado em DCTF. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho alegando que houve um erro no preenchimento da DCTF, sendo o valor correto declarado em DIPJ. O erro teria origem no cálculo da COFINS para preenchimento da DCTF, quando não foram excluídas da base de cálculo as receitas relativas às vendas canceladas, IPI e ICMS-ST. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho, exarado pela unidade de origem. Decidindo que os débitos a serem considerados são os declarados em DCTF e não os valores declarados em DIPJ, que seriam meramente informativos. No seu julgamento, também entendeu a DRJ, não existir nos autos provas documentais que comprovassem o erro alegado pelo contribuinte quando do cálculo da COFINS informado na DCTF. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIUBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se comprova alegado erro material no recolhimento e na declaração da contribuição, a supostamente ensejar a repetição do indébito pleiteado para fins de compensação, mediante a apresentação dos documentos contábil-fiscais próprios. ELEMENTOS DE PROVA A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72.” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, alegando em síntese: a) Após a entrega da DCTF referente ao 3º trimestre de 2002, constatou que calculou e recolheu indevidamente a COFINS relativa ao mês de agosto de 2002, em razão de ter incluído, de forma equivocada, na base de cálculo, receitas relativas às vendas canceladas, IPI e ICMS-ST; b) Que obstante o equívoco ocorrido, não há que se falar em inexistência do direito creditório, visto que a existência desse mero erro material não afasta o seu direito creditório; c) Não é lícito ao Fisco conformar-se com informações de preenchimentos de declarações equivocados, ao contrario, compete à autoridade fiscal desconsiderar erros materiais, em atenção ao principio da verdade material, considerando à realidade dos fatos e não somente àquilo que foi declarado pelo contribuinte; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por JOSE DE JESUS MARTINS COSTA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Assinado digitalmente em 11/11/2010 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREI RA Processo nº 15374.001072/2006-05 Resolução n.º 3403-00.116 S3-C4T3 Fl. 3 3 d) Caberia ao julgador de primeira instância o ônus de verificar, a partir da DIPJ e da planilha juntadas aos autos, se os valores ali constantes, coincidem ou não com a realidade dos fatos, independente da planilha apresentada não se revestir de todas as formalidades descritas no acórdão da autoridade a quo. Finalizando, a Recorrente requer o acolhimento das suas razões, pedindo o provimento integral do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, trata-se de pedido de compensação não homologado em auditoria eletrônica de PERDCOMP. Em sua defesa, a autuada alega erro no preenchimento da DCTF e que a autoridade de primeira instância não procedeu à análise dos documentos apresentados que provariam o erro no preenchimento da DCTF e a procedência do crédito alegado, pois existiu o recolhimento indevido da COFINS relativa ao mês de junho de 2002, em razão da inclusão, de forma equivocada, na base de cálculo, das receitas relativas às vendas canceladas, do IPI e do ICMS-ST. A discussão sobre a não apresentação de provas, objeto da decisão de primeira instância é o ponto principal a ser analisado. A Recorrente, conforme consta do processo, não foi intimada em nenhum momento a apresentar as provas que seriam, segundo o entendimento, da Receita Federal, necessárias para comprovar o suposto erro no preenchimento da DCTF. Estamos diante de um procedimento adotado pela Receita Federal de auditoria interna, que consiste na revisão de declarações de forma eletrônica. Entendo não existir nenhum obste legal ou equivoco neste procedimento. Entretanto, quando a pessoa fiscalizada é cientificada de decisão que lhe é desfavorável tem o direito ao contraditório e que sejam analisadas as suas alegações. Caso a autoridade, responsável pela apreciação destes argumentos, entenda que as provas apresentadas não são suficientes para a convicção no julgamento poderá determinar a busca destas provas, por meio direto, se lhe for possível ou por determinação de diligência nos termos previstos no Processo Administrativo Fiscal – PAF. Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por JOSE DE JESUS MARTINS COSTA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Assinado digitalmente em 11/11/2010 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREI RA Processo nº 15374.001072/2006-05 Resolução n.º 3403-00.116 S3-C4T3 Fl. 4 4 indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso apresentado. No caso em tela, entendo que as provas constantes dos autos, quais sejam, cópia da DIPJ e planilha de cálculo da COFINS, não são suficientes para o deslinde da questão. Diante do exposto, entendo ser necessário determinar a baixa dos autos ao órgão de origem para que a autoridade preparadora proceda à verificação dos fatos alegados no recurso, verificando se o valor constante da planilha com demonstrativo de apuração da COFINS às fls. 72 e os valores informados na DIPJ 2003 estariam de acordo com os registros contábeis da Recorrente, confirmando, desta forma, o erro no preenchimento da DCTF. Do resultado da diligência, dê-se vista à reclamante para, querendo, manifestar- se, no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, sejam os autos devolvidos a este Colegiado para retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira . Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por JOSE DE JESUS MARTINS COSTA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Assinado digitalmente em 11/11/2010 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 11/11/2010 por WINDERLEY MORAIS PEREI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000260/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
PERÍCIA NECESSIDADE NÃO DEMONSTRADA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PERÍCIA NECESSIDADE NÃO DEMONSTRADA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva Recurso Voluntário Negado Fl. 146DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 137 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 138 3 Relatório Tratase infração pelo descumprimento do art. 32, Inciso IV, parágrafos 1º e 3º da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social em desconformidade com o Manual de Orientação. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 17/19), a empresa entregou a GFIP com valor de remuneração para segurado empregado maior que o constante na respectiva folha de pagamento de salários, conforme planilha anexa denominada CONFRONTO FP vs GFIP 13/2004 PARA AI CFL 91 (fls. 21). A infração foi constatada por meio do confronto entre a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço e de Informações à Previdência Social — GFIP, obtida por meio de consulta interna aos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB e a respectiva folha de pagamento de salários da competência 13/2004 entregue à fiscalização pelo sujeito passivo em arquivo digital no formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD da Instrução Normativa MPS/SRP número 12, de 20/06/2006, validado por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais sob o número 7021f8ee7694a1876c557f4a7ffb6la de 13 de agosto de 2008, referente ao período de setembro a dezembro de 2004 conforme cópia do respectivo recibo anexa (fls. 22 e 23). É informado que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes da penalidade previstas no artigo 290 e nem as atenuantes previstas no artigo 291, ambos do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. A autuada teve ciência do lançamento em 15/09/2008 e apresentou defesa (fls. 26/32) onde alega que não houve a pretensa infração apontada, uma vez que cumpriu todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária em vigor, devendo, por conseguinte o referido Auto de Infração ser cancelado. Argumenta que não constam no presente Auto de Infração os elementos suficientes para determinar a natureza da infração. Aduz que os elementos contidos no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, nesse caso, são insuficientes para se configurar a infração imposta, pois não se constatou e sequer se confrontou, como deveria, os dados ali contidos com a documentação pertinente à disposição do fisco, levandose à nulidade do Auto de Infração. Entende que não houve, pelo fato de terem sido examinados pelo Fisco somente arquivos digitais no formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, a famigerada infração, como também qualquer lesão ao Erário, descaracterizandose desse modo, a infração aos dispositivos legais apontados no questionado Auto de Infração impugnado. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 139 4 Informa que a contabilidade alega que mudou de sistema e houve a necessidade de se emitir novo arquivo digital e nisso pode ter havido uma duplicidade de informações o que pode ter levado o AuditorFiscal a desprezar, como afirma, "o terceiro arquivo digitar. Mas, data vênia, o AuditorFiscal não poderia, simplesmente, se basear em um exame superficial de arquivos digitais para autuar, deveria, isso sim, confrontar os dados dos arquivos com a documentação correspondente, se é que teve dúvidas, como parece, quando afirma que "rejeitou um terceiro arquivo digital" fornecido pela contabilidade. Argumenta que a confrontação entre os dados e os documentos que lhe deram origem eram fundamentais para a busca da verdade. Pelo Acórdão nº 0223.469 (fls. 649/654 – Vol III), a 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (MG) considerou o lançamento procedente informando que com a edição da Lei nº 11.941/2009, que alterou a forma de cálculo da multa para o tipo de infração em tela, a comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito previdenciário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da dívida. Contra tal decisão a autuada apresenta recurso tempestivo (fls. 109/125) onde alega que houve Violação dos "Princípios da Ampla Defesa do Contraditório e do Devido Processo Legal". Ressalta que a Impugnante, em momento algum, furtouse à obrigação de apresentar os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização. Porém, tratandose de documentos de diversos períodos, é compreensível que se demande um certo tempo na sua localização, sem que isso venha prejudicar os trabalhos fiscais. Considera que a ação fiscal, como procedido, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada pelos ilustres Julgadores, mediante declaração de nulidade procedimental. Repete a alegação de que não teria havido a ocorrência da pretensa infração e que a autuada teria cumprido com todas as exigências fiscais, de forma que o Auto de Infração deve ser cancelado por imperativo de justiça. Considera que a autuação seria nula vez que não constam no Relatório Fiscal desta elementos suficientes para determinar a natureza da infração. Inova nas alegações de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e de que a autuação seria nula por não conter a hora de sua lavratura. No mais, repete a argumentação de defesa. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 140 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que houve violação dos princípios da ampla defesa do contraditório e do devido processo legal Ressalta que, em momento algum, furtouse à obrigação de apresentar os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização e tratandose de documentos de diversos períodos, é compreensível que se demande um certo tempo na sua localização, sem que isso venha prejudicar os trabalhos fiscais. Assim, entende que a ação fiscal, como procedida, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada. Não há razão no argumento. Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” No entanto, por amor ao debate, não se pode deixar de observar que pelos argumentos da recorrente a mesma leva a inferir que o lançamento teria sido efetuado sem que esta tivesse tido a oportunidade de apresentar os documentos solicitados, o que não se verificou. O Relatório Fiscal é claro no sentido de que a recorrente apresentou a documentação solicitada em meio digital e tal apresentação está de acordo com o que dispõe a Lei nº 10.666/2003 em seu artigo 8º, in verbis: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 141 6 Ou seja, haja vista a tecnologia atual que oferece a possibilidade de se manter em arquivos digitais documentos cujo volume dificultaria ou mesmo impossibilitaria a guarda destes, o legislador tomou o cuidado de tornar legal tal forma de arquivamento. A auditoria fiscal informa que a documentação necessária à auditoria fiscal foi apresentada em meio digital, devidamente certificada, portanto, digna de fé. Da análise da documentação apresentada em meio digital, a auditoria fiscal apurou o descumprimento da obrigação acessória em questão. A recorrente busca amparo no princípio da busca da verdade material para afirmar que a documentação juntada por esta em sede de defesa poderia demonstrar a inexistência da obrigação. Considera ainda que a auditoria fiscal deveria ter confrontado as informações contidas nos arquivos digitais com os documentos que teriam dado origem aos mesmos e parece querer que se realize perícia com base na citada documentação. Há que se salientar que apresentando a empresa a documentação solicitada em meio digital devidamente autenticada, os dados ali contidos merecem a mesma credibilidade que aqueles extraídos de documentos em papel. Daí não há que se falar que a auditoria fiscal teria por obrigação efetuar comparações entre os arquivos digitais e os documentos em papel. Ademais, conforme bem observado na decisão recorrida, os documentos apresentados pela recorrente são cópias sem qualquer autenticação o que já levaria a sua desconsideração. Além disso, a decisão sobre a realização de perícia para a busca da verdade material como alega a recorrente cabe ao julgador caso pairassem dúvidas a respeito da forma como foram apuradas as contribuições lançadas por parte da auditoria fiscal, o que não se verifica. O argumento do parágrafo anterior encontra respaldo no Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 151DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 142 7 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que ser considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Tampouco se pode acolher o argumento de que a contabilidade da recorrente necessitou mudar o sistema de modo a emitir novo arquivo digital, o qual foi desprezado pela fiscalização e que poderia ter causado duplicidade de informações. Embora a auditoria fiscal tenha mencionado o fato no Relatório Fiscal de outras autuações, não o fez no presente caso. Porém, a auditoria fiscal informa claramente no Relatório Fiscal do processo nº 10976.000262/200866 que para o período de setembro ao décimo terceiro salário de 2004, a empresa apresentou arquivo digital com informações das folhas de pagamento. No entanto, para o mesmo período apresentou um terceiro arquivo que foi rejeitado por não conter os registros de pagamentos de todas as rubricas completas em comparação com o segundo fornecido, o qual conforme informado foi recebido e validado. A meu ver, agiu corretamente a fiscalização que diante da apresentação de arquivos devidamente validados contendo informações necessárias ao trabalho de fiscalização descartasse arquivos relativos aos mesmos dados, porém, incompletos. A recorrente inova em sede recursal com os argumentos de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e que o lançamento seria nulo por não conter a hora da autuação. Conforma já argüido ocorreu a preclusão do direito de discutir tais matérias uma vez que não foram apresentadas em defesa. No entanto, vale dizer que a multa aplicada obedeceu às disposições da legislação vigente. Quanto à possibilidade de retroação benigna da lei face à edição da Lei nº 11.941/2009 que alterou a forma de cálculo da multa, a decisão recorrida já tratou a matéria reconhecendo o direito da recorrente e sobre tal questão a recorrente nada apresenta em sua peça recursal. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000260/200877 Acórdão n.º 240201.742 S2C4T2 Fl. 143 8 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto nos sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 153DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 14751.000416/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2006
MULTA. FOLHAS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE TOTALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE MÁ-FÉ, DOLO, GANHO ECONÔMICO OU FINANCEIRO PELO CONTRIBUINTE NO DESCUMPRIMENTO DA
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IRRELEVÂNCIA. A ocorrência ou
não de dolo na prática de infração à legislação previdenciária ou mesmo o auferimento de vantagem pelo contribuinte que deixa de preparar suas folhas sem a devida totalização é irrelevante para fins de aplicação da multa objeto do auto de infração, pois não se constitui como condição legal a ser considerada pela fiscalização para apuração da infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. BIS IN IDEM. COMPETÊNCIAS JÁ LANÇADAS EM FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. EXCLUSÃO. Não merece ser mantido o
lançamento que compreende competências que já foram objeto de
lançamento em procedimento de fiscalização anteriormente levado a efeito junto ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Recorrente INTELIGÊNCIA EMOCIONAL COLÉGIO E CURSO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2006 MULTA. FOLHAS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE TOTALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE MÁFÉ, DOLO, GANHO ECONÔMICO OU FINANCEIRO PELO CONTRIBUINTE NO DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IRRELEVÂNCIA. A ocorrência ou não de dolo na prática de infração à legislação previdenciária ou mesmo o auferimento de vantagem pelo contribuinte que deixa de preparar suas folhas sem a devida totalização é irrelevante para fins de aplicação da multa objeto do auto de infração, pois não se constitui como condição legal a ser considerada pela fiscalização para apuração da infração. AUTO DE INFRAÇÃO. BIS IN IDEM. COMPETÊNCIAS JÁ LANÇADAS EM FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. EXCLUSÃO. Não merece ser mantido o lançamento que compreende competências que já foram objeto de lançamento em procedimento de fiscalização anteriormente levado a efeito junto ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 14751.000416/200813 Acórdão n.º 2402001.805 S2C4T2 Fl. 65 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INTELIGÊNCIA EMOCIONAL COLÉGIO E CURSO LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade da multa lançada no Auto de Infração 37.098.3513, por ter a recorrente deixado de preparar as folhas de pagamento de acordo com as normas e padrões do INSS, pois dela foram omitidas verbas devidas em rescisões de contratos de trabalho, recibos de férias, além de não conterem a totalização mensal das verbas sobre as quais incidem contribuições previdenciárias. O lançamento compreende o descumprimento da obrigação no período de 01/2002 a 10/2006, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 06/06/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 49/54), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 58/61, através do qual sustenta, em síntese: 1. que a circunstância de um simples equívoco não pode ser a causa de uma multa no valor exorbitante de R$ 7.529,34, o que ofendeu o Princípio Constitucional da Proporcionalidade e da Razoabilidade; 2. a não houve dolo ou máfé na ação do defendente, mas sim, um mero equívoco contábil, que não gerou qualquer prejuízo para a entidade de seguridade social; 3. que já sofreu a aplicação de penalidade pelo mesmo fato gerador, consubstanciada no auto de infração n° 35.610.1142, configurando, portanto, o presente auto nada mais que bis in idem, razão pela qual deve ser anulado; 4. que o período apurado nesta auto de infração coincide quase que na totalidade com o período apurado no auto de infração de n° 35.610.1142, que tratou de matéria idêntica; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo a análise do mérito. MÉRITO Conforme já relatado a multa foi aplicada ao recorrente em razão do mesmo ter deixado de preparar suas folhas de pagamentos de acordo com as normas e padrões determinados pelo INSS. Tendo agido dessa forma, a recorrente infringiu o disposto no art. 225, 9o do Decreto 3.048/99, incorrendo na multa tipificada no art. 283, I, “a” do mesmo diploma legal, a seguir indicado: Art.283 Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Além do mais, o multa aplicada foi majorada, por ter sido o contribuinte considerado como reincidente por reincidência genérica e específica, de acordo com as informações contidas no relatório fiscal da infração, tendo o seu cálculo obedecido aquilo o que disposto na legislação previdenciária em vigor à época dos fatos, em especial os arts. 283, I, “a” e 292, IV, ambos do Decreto 3.048/99, que aprovou o regulamento da Previdência Social – RPS, motivo pelo qual não hã que se falar em qualquer exasperação, exagero ou desproporcionalidade do fiscal na aplicação da multa, que simplesmente procedeu da forma determinada pela Lei. Entretanto, da análise dos demais pontos de insurgência contidos no recurso voluntário, creio que algumas considerações mereçam ser feitas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 14751.000416/200813 Acórdão n.º 2402001.805 S2C4T2 Fl. 66 5 Sustenta o contribuinte ter havido no presente caso o bis in idem em decorrência de ter sido efetuado contra si lançamento anterior o qual, inclusive, veio a ser considerado como circunstância agravante específica para majoração da multa aplicada. Depreendese de referido lançamento, cristalizado no Auto de Infração n. 35.61.1142, que de fato a multa lançada é exatamente a mesma lançada no presente Auto, sendo idênticas, inclusive, as competências lançadas, a exceção do período de 05/2006 a 10/2006, que não tinha sido objeto de fiscalização anterior. A meu ver, o que não pode subsistir diante das normas vigentes, é a inovação do lançamento já efetuado, situação esta que considero ocorrida quando em razão de nova fiscalização, vier a ser lançado tributo ou multa que poderia ter sido objeto de lançamento na fiscalização anterior e, por qualquer motivo, não o fora. Situação esta que não se identifica com o ocorrido nos autos, pois o lançamento compreendeu também a constatação do descumprimento da legislação previdenciária em período posterior ao que anteriormente fora fiscalizada a recorrente, situação que deve ser considerada como novo lançamento e não como retificação ou inovação do lançamento anteriormente efetuado, mesmo que se trata da continuidade do cometimento da mesma falta. Por outro lado, há de se reconhecer que o lançamento, de fato, não poderia ter sido efetuado considerando as competências que já foram objeto do lançamento anterior, sob pena do bis in idem, como bem sustenta a recorrente, o que merece o devido reparo a ser feito por este Eg. Conselho, reconhecendo a impropriedade do lançamento da multa no período compreendido nas competências já lançadas. Logo, devem ser excluídas do lançamento as competências lançadas até 03/2006, data da lavratura do Auto de Infração anterior. Assim, somente deve ser considerado válido o lançamento com relação às competências posteriores ao período da fiscalização anterior, ou seja, aquelas a partir de 05/2006, e não como concluiu o v. acórdão de primeira instância que reconheceu a decadência somente para excluir do lançamento as competências anteriores a 01/2003. Mesmo discordando do entendimento do v. acórdão de primeira instância acerca da exclusão do lançamento somente das competências anteriores 01/2003, estendendoo na forma do presente voto, até as competências de 03/2006, o resultado prático acerca do valor da multa lançada e da legalidade do seu lançamento mantémse o mesmo, pelo fato de que conforme se depreende da legislação supra mencionada, a multa pelo descumprimento da obrigação de preparar as folhas de pagamento em conformidade com a legislação é única, sejam quantas forem as competências em que a falta for verificada pela fiscalização. Por fim, entendo que não mereçam qualquer guarida as alegações acerca da inexistência de máfé ou mesmo de que a falta cometida não gerou quaisquer prejuízos aos cofres públicos para elisão da multa aplicada, simplesmente pelo fato de que a legislação previdenciária não determina que tal conduta ou condição deva ou possa ser considerada pela fiscalização para a caracterização da infração, para o cálculo da multa aplicada, ou mesmo como circunstância atenuante da falta cometida, que digase, por oportuno, não foi negada pela recorrente. . Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900429/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é o novo saldo apurado que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3402-009.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é o novo saldo apurado que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
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SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é o novo saldo apurado que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Ribeirão Preto (DRJ-RPO): Trata-se de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que deferiu parcialmente o ressarcimento do 2º Trimestre de 2008 (PER nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 04 29 /2 01 1- 31 Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.099 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.900429/2011-31 01649.50034.180708.1.1.01-0684), no montante de R$ 270.845,99 e homologou as compensações somente no limite deste valor, em razão dos seguintes motivos: a) Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. b) Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal, conforme demonstrativos abaixo: (...) A ação fiscal levada a efeito constatou a aplicação de alíquotas inferiores à exigidas na TIPI vigente à época dos fatos, conforme consta do Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento Fiscal anexo ao Despacho Decisório e decorrente da Fiscalização que deu ensejo ao auto de infração de multa isolada – PAF 10920.721965/2012-53, cujo crédito tributário foi extinto por pagamento. Em decorrência das constatações e da re-escrituração fiscal, constatou-se que o saldo credor do período era insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados nos PER/DCOMP de nº 36932.96120.290808.1.3.01-7490, 28706.51095.311008.1.3.01-9645 e 03581.96439.300908.1.3.01-3203, resultando na cobrança de R$ 186.179,03. Regularmente cientificada do deferimento parcial de seu pleito (ressarcimento/compensação), a empresa apresentou manifestação de inconformidade trazendo, em suma, as seguintes considerações: 1. Solicitou sobrestar o julgamento do processo para que aguarde o desfecho dos processos de crédito 10920.900.422/2011-10; 10920.900.425/2011-53; 10920.900.427/2011-l2; 10920.900.428/2011-97; 10920.900.424/2011-17. E, caso esse não seja o entendimento, que os processos sejam todos apensos para que possuam o mesmo julgamento, já que receberam Despacho Decisório único em relação a todas as PER/DCOMPs discutidas. 2. O Despacho Decisório foi lavrado com base em notas fiscais por amostragem, e realizado em conjunto com outros 7 processos administrativos. Importante também mencionar que a fiscalização não esteve in loco para verificar o processo produtivo da empresa, tampouco, mencionou os detalhes técnicos do produto comercializado pela empresa, atendo-se a conceitos e explicações literais, sem conhecer a funcionalidade dos produtos. 3. Assim sendo, embora tenha constatado a fiscalização a utilização de alíquotas inadequadas, a verificação não foi realizada In loco conforme mencionado anteriormente e tampouco se procurou esclarecimento com a contribuinte sobre a razão que levou a utilização equivocada da alíquota, pelo contrário, a dedução foi feita com base nos livros fiscais (passíveis de erro) e também das notas fiscais por amostragem. 4. Solicitou a aplicação do princípio da verdade material, ou seja apuração da ocorrência do fato jurídico tributário e alegou que não ocorreu falta de pagamento, mas sim HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, tendo em vista a recomposição do saldo credor efetuada pelo fisco e que a contribuinte discorda. Tanto é verdade que apresentou Manifestação de Inconformidade para todos os processos administrativos, a fim de reconhecer a totalidade do crédito pretendido. Reconhecido o crédito na totalidade discutida nos outros processos administrativos citados anteriormente, o saldo credor fará frente à compensação aqui declarada, não sobrevindo quaisquer exigências de IPI em aberto da contribuinte. Por fim, pugnou pela realização de todas as provas admitidas em direito em especial a realização de diligências a fim de comprovar a situação debatida e a constatação da Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.099 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.900429/2011-31 pretendido e requereu que, assim que reconhecida a totalidade dos créditos pleiteados nos processos administrativos 10920.900.422/2011-10; 10920.900.425/2011-53; 10920.900.427/2011-42; 10920.900.428/2011-97; 10920.900.424/2011-17, a compensação declarada na PER/DCOMP 11387.15736.140410.1.7.01-5130 seja homologada em sua integralidade. A 8ª Turma da DRJ-RPO, em sessão datada de 24/02/2015, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 14- 56.676, às fls. 293/298, com a seguinte ementa: RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é o novo saldo apurado que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 01/04/2015 (conforme Aviso de Recebimento - AR, à fl. 301), apresentou Recurso Voluntário em 30/04/2015, às fls. 304/319, basicamente reiterando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. I – DA APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS INFERIORES Na decisão da DRJ, ora questionada pelo Recorrente, os julgadores decidiram com suporte nos fundamentos a seguir: Quanto à alegação que o lançamento se deu por amostragem, discordo. A verificação inicial se deu por amostragem, mas no lançamento, foram levantadas todas as notas fiscais com erro de alíquota e sobre elas feita a imputação do débito que deixou de ser pago. (ver tabela: alíquotas com alíquota abaixo da exigida na TIPI, anexa ao Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal). Por outro lado, o contribuinte não questionou o lançamento dos débitos, nem mesmo defendeu a alíquota por ele adotada, se manifestando apenas de forma genérica e lacônica. Nenhuma prova documental, notas fiscais de saídas, livro de apuração do IPI, registro de estoque, detalhamento da industrialização ou dos produtos fabricados, foi apresentada pelo manifestante. Ademais, se erro houve na classificação fiscal adotada pelo contribuinte, esse erro deveria ser apontado e comprovado por este. O Fisco não verificou esse erro e sim que as alíquotas apontadas para a classificação adotada era indevida. Observe-se inclusive que o auto de infração (com respeito à multa isolada com cobertura de crédito) foi pago pelo autuado. Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.099 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.900429/2011-31 Esclareça-se que tendo sido verificada a ocorrência de lançamento de débitos de forma incorreta e refeita a escrita fiscal e a apuração do imposto devido, é o novo saldo credor do período (apurado pela fiscalização) que será passível de ressarcimento e compensação. Sobre a questão da utilização de alíquotas de IPI inferiores às estabelecidas na legislação para as mercadorias produzidas, o Recurso Voluntário apresenta os seguintes argumentos: A verificação se deu em relação aos seguintes produtos: painel de comando (8537.10.19); Cabos de aço (7312.10.90); perfil de borracha (4008.29.00) e silo para cimento e/ou agregados (7309.00.10). Da análise do Despacho Decisório emitido pela fiscalização é possível extrair que a conclusão que chegou o Auditor Fiscal foi de que, para tais produtos, a Recorrente utilizou de alíquota inferior àquela que efetivamente deveria ter sido aplicada. (...) Igualmente, ainda que tal situação seja admitida, importante mencionar também que a Recorrente, em relação aos cabos de aço, perfil de borracha e silos para armazenagem de cimento e/ou agregados, atribuiu a alíquota correta na tributação de tais produtos, de acordo com a sua colocação na tabela TIPI. (...) Nesse sentido, a Recorrente discorda plenamente da forma como foi conduzida esta fiscalização, pois no presente processo está a se discutir o crédito requerido e utilizado em compensações, sendo que o despacho decisório ora recorrido, não fundamenta qualquer posicionamento fiscal quanto à suposta aplicação errônea das alíquotas de IPI. Pode-se observar que em nenhum momento o despacho decisório justifica como correto o procedimento fiscal efetuado. (...) Rememora-se que o presente Despacho Decisório ora combatido foi lavrado com base em notas fiscais por amostragem, e realizado em conjunto com outros 7 processos administrativos, mencionados anteriormente. Importante também mencionar que a fiscalização não esteve in loco para verificar o processo produtivo da empresa, tampouco, mencionou os detalhes técnicos do produto comercializado pela empresa, atendo-se a conceitos e explicações literais, sem conhecer a funcionalidade dos produtos. Ora, como é possível a fiscalização questionar a aplicação de alíquotas de IPI que levam em consideração detalhes técnicos, sem fazer a devida constatação técnica para tal? Diz-se isso porque muitas vezes os contribuintes (de uma forma geral) utilizam alíquotas errôneas face ao que está sendo comercializado, indicando na nota fiscal um produto completo quando na verdade, o que se comercializa efetivamente pode ser apenas parte do produto e que, por equívoco dos contribuintes, acaba aplicando alíquota diferente daquela que verdadeiramente lhe caberia. Por essa razão é de suma importância entender a realidade fática a que está inserido cada contribuinte. Assim sendo, embora tenha constatado a fiscalização a utilização de alíquotas inadequadas, a verificação não foi realizada in loco conforme mencionado anteriormente e tampouco procurou o esclarecimento da Recorrente para obter qual a razão que levou a suposta utilização equivocada da alíquota, pelo contrário, a dedução foi feita com base nos livros fiscais (passíveis de erro) e também das notas fiscais colhidas por amostragem. Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.099 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.900429/2011-31 Pelo Princípio da Dialeticidade, o presente recurso deveria apresentar os fundamentos pelos quais entende que a decisão de piso estaria equivocada e precisaria ser reformada. Contudo, observo que o Recorrente limita-se a insistir nas mesmas teses de defesa já analisadas pela DRJ. De qualquer sorte, vejamos quais as alíquotas corretas para as classificações fiscais utilizadas pelo Recorrente nos produtos Cabos de aço (7312.10.90); perfil de borracha (4008.29.00) e silo para cimento e/ou agregados (7309.00.10). Abaixo, colaciono trechos da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) com a especificação das alíquotas respectivas: Logo, ao contrário do que afirma o Recorrente, está correta a apuração realizada pela Autoridade Fazendária, discriminada às fls. 32/37. Em relação à alegação de que o Despacho Decisório foi lavrado com base em notas fiscais por amostragem, a tabela de apuração acima mencionada prova o contrário, pois indica todas as notas fiscais que foram utilizadas para a reapuração dos débitos/créditos de IPI. Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.099 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.900429/2011-31 Sobre a afirmação de que a fiscalização não esteve in loco para verificar o processo produtivo da empresa, tampouco mencionou os detalhes técnicos do produto comercializado pela empresa, observo que tal procedimento não se mostrou necessário nesta ação fiscal. Com efeito, o procedimento da Fiscalização consistiu em conferir se as alíquotas utilizadas pelo contribuinte para fazer sua apuração do IPI estavam corretas. Identificando divergência entre as alíquotas utilizadas pelo contribuinte nas notas fiscais de saída e aquelas previstas na legislação (na TIPI), o Auditor-Fiscal refez a apuração do IPI, conforme a seguinte tabela, à fl. 38: O Despacho Decisório apresenta todas essas informações e indica os débitos resultantes desta reapuração, com o respectivo cálculo de juros e multa de mora. Portanto, totalmente desnecessária a visita in loco para verificar o processo produtivo da empresa, tampouco a análise de “detalhes técnicos do produto comercializado pela empresa”. Observe-se que não houve qualquer alteração na classificação fiscal dos produtos, tendo sido utilizada aquela indicada pelo Recorrente em suas notas fiscais de saída. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido do Recorrente. II – DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Alega o Recorrente que, no processo administrativo fiscal o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Em suas palavras: Portanto, não ocorreu falta de pagamento, mas sim HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, tendo em vista a recomposição do saldo credor efetuada pelo Fisco e que a Recorrente discorda. Tanto é verdade que no tocante a não homologação das compensações efetuadas relativa aos processos vinculados, apresentou Manifestação de Inconformidade para todos eles, a fim de reconhecer a totalidade deste crédito pretendido. Assim sendo, reconhecido o crédito na totalidade discutida nos outros processos administrativos citados anteriormente, o saldo credor fará frente à compensação aqui declarada, não sobrevindo quaisquer exigências de IPI em aberto da contribuinte. Contudo, tendo sido verificada a ocorrência de lançamento de débitos de forma incorreta e refeita a escrita fiscal e a apuração do imposto devido, é o novo saldo credor do período (apurado pela fiscalização) que será passível de ressarcimento e compensação. Quanto a Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.099 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.900429/2011-31 alegação de que não ocorreu falta de pagamento, mas sim HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, cabe esclarecer que a homologação parcial da compensação implica falta de pagamento do débito, pelo que incidente em sua cobrança juros e multa de mora. Além disso, verificando este processo administrativo, não identifiquei qualquer ofensa ao Princípio da Verdade Material. A Autoridade Fiscal apresentou planilha de apuração do IPI, às fls. 32/37, identificando todas as notas fiscais que foram objeto de análise. O contribuinte não apresentou qualquer prova de que as informações extraídas destes documentos estavam equivocadas, limitando-se a insistir que as alíquotas utilizadas estavam corretas, o que já se demonstrou neste voto não ser verdadeiro. Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.008963/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/03/1996
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de
pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-001.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso em face de decadência total.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Recurso Voluntário Provido Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10980.008963/200701 Acórdão n.º 2402001.698 S2C4T2 Fl. 96 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face de decadência total. Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10980.008963/200701 Acórdão n.º 2402001.698 S2C4T2 Fl. 97 3 Relatório Tratase de infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea ‘a’, na Lei nº 10.666/2003, art. 4º, caput e no Decreto nº 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea ‘a’, que consiste em a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 23), a empresa não apresentou documento comprobatório de ter arrecadado, mediante desconto das remunerações, as contribuições da segurada Sumaia Xavier de Souza Belasque, a qual apresentava vínculo com a empresa, verificado pela consulta do sistemas do CNIS Cadastro Nacional De Informações Sociais Consulta De Remunerações Do FGTS, porém não constava no livro de registro de empregados nas competências 02/1996 e 03/1996. A autuada teve ciência do lançamento em 05/01/2007 e apresentou defesa (fls. 29/35). Em primeira instância, o lançamento foi considerado procedente, pelo Acórdão nº 0616.832 (fls. 75/80) da 5ª Turma da DRJ/Curitiba (PR). Irresignada, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 84/91) onde, dentre outros argumentos, apresenta preliminar de decadência. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10980.008963/200701 Acórdão n.º 2402001.698 S2C4T2 Fl. 98 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser acolhida. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10980.008963/200701 Acórdão n.º 2402001.698 S2C4T2 Fl. 99 5 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que o direito de aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória encontrase completamente decaído, uma vez que a infração ocorreu nas competências de 02 e 03/1996 e a ciência do sujeito passivo ocorreu em 05/01/2007. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10980.008963/200701 Acórdão n.º 2402001.698 S2C4T2 Fl. 100 6 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, face à decadência verificada. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 10983.901057/2008-21
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.111
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, Fez sustentação pela recorrente o Dr. Arlysson George Gann Horta. OAB/DF nº 24 613.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 19515.000573/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2006
MPF NULIDADE INEXISTÊNCIA
A intimação do contribuinte da prorrogação da ação fiscal ocorrida posteriormente ao término da vigência do MPF anterior não representa qualquer nulidade, assim como não é nulo o lançamento cientificado ao contribuinte após o término da vigência do MPF MULTA APLICADA REAJUSTAMENTO PORTARIA
CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA
Não representa cerceamento de defesa, no caso de autuação por
descumprimento de obrigação acessória, o fato de a auditoria fiscal não ter informado ao contribuinte a portaria do reajustamento do valor da multa aplicável, uma vez que todos os dispositivos legais necessários para a validade do lançamento foram devidamente informados ao sujeito passivo como o dispositivo legal que define a conduta verificada como infração, o que trata da multa aplicada e aquele que prevê a possibilidade de reajustamento do valor da multa pelo órgão.
RESPONSÁVEIS LEGAIS PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES
Os representantes legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Co-Responsáveis não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária
ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso seja constatada a prática de atos com infração de leis.
DECADÊNCIA
Nas infrações em que a multa aplicada independe do período em que ocorreu o descumprimento da obrigação acessória, não há que se falar em decadência se pelo menos uma única irregularidade for verificada em período não abrangido pela decadência
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-001.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso acolher a preliminar quanto a co-responsabilidade para reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co-responsável” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem por si só atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiaria pelo crédito constituído.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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RESPONSÁVEIS LEGAIS PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os representantes legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de CoResponsáveis não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso seja constatada a prática de atos com infração de leis. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 96 2 DECADÊNCIA Nas infrações em que a multa aplicada independe do período em que ocorreu o descumprimento da obrigação acessória, não há que se falar em decadência se pelo menos uma única irregularidade for verificada em período não abrangido pela decadência Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso acolher a preliminar quanto a coresponsabilidade para reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co responsável” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem por si só atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiaria pelo crédito constituído Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 97 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 2), a empresa, embora intimada, deixou de apresentar a folha de pagamento dos trabalhadores autônomos. A autuada teve ciência do lançamento em 17/01/2007 e apresentou defesa (fls. 23/37) alegando nulidade da autuação em face da existência de interregnos entre o encerramento dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPFs e a ciência da empresa da prorrogação por meio dos Mandados de Procedimentos Fiscais Complementares. A empresa alega que somente teve ciência das prorrogações após o término de validade dos MPFs anteriores, quando já entendia que a ação fiscal havia se encerrado sem qualquer lançamento. Alega que o derradeiro Mandado de Procedimento Fiscal Complementar tinha como data de término o dia 22 de dezembro de 2006 e somente em 16/01/2007 foi postada a Notificação Fiscal (sic) com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 18/01/2007. De igual forma, argumenta que ainda não teria recebido parte das notificações constantes do TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal. Argumenta que o Relatório Fiscal da Infração seria incorreto e impreciso porque a empresa prepara folhas de pagamento de todos os segurados. Entende que o relatório fiscal despreza a redação da Lei 9.876 de 26/11/1999, a partir da qual é uma imprecisão falar de autônomos porquanto a autuada se adequou ao artigo 12, Inciso V da Lei 8.212/91, redação da Lei 9.876 de 26/11/1999 e prepara folha de pagamento de CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Como não existe a figura de "COLABORADORES AUTÔNOMOS" pretendida pela fiscalização, deixando de preparar tais folhas objeto do relatório fiscal da infração, o autuado não descumpriu o artigo 33 parágrafo segundo da Lei 8.212/91. Ressaltese ainda que o relatório é impreciso pois não indica as competências em que teria ocorrido o descumprimento da obrigação acessória. Considera cerceamento de defesa o não oferecimento ao contribuinte da portaria que atualizou os valores da multa aplicada, bem como da data de sua publicação. Alega que todo o período fiscalizado teria sido abrangido pela decadência. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 98 4 Considera outro equívoco cometido pela auditoria fiscal que constitui num vicio e diz respeito à circunstância de ter sido invocada responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário, para recair também nas pessoas dos sócios e procuradores da impugnante. Diante da alegação de que a recorrente não se sentia obrigada a apresentar folhas de pagamento a autônomos em razão da alteração trazida na Lei nº 8.212/1991que passou a se referir a tais contribuintes como contribuintes individuais, foi solicitado a auditoria fiscal que informasse se a recorrente teria demonstrado compreender o que lhe havia sido solicitado. Em resposta (fl. 48) a auditoria fiscal informou que foram solicitados documentos à empresa em duas oportunidades. No TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos emitido em 31/03/2006 (fls. 46/47), foi solicitado à empresa que apresentasse, dentre outros documentos, a “folha de pagamento de todos os trabalhadores (empregados e não empregados) e tabela de eventos gerada pelo sistema". Um segundo TIAD, de 23/11/2006, reiterando o primeiro, solicitoulhe a 'folha de pagamento de trabalhadores autônomos" — termo que era utilizado pela empresa em seus históricos contábeis. Por essa razão, a auditoria fiscal afirma que, diante das informações acima, a recorrente teria condições de compreender o que lhe fora solicitado. Pelo Acórdão nº 1726.129 (fls. 49/56) a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP), considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 62/78) onde efetua a repetição da argumentação de defesa É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 99 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega nulidade do lançamento que seria causada pelo fato de ter tomado ciência da prorrogação da ação fiscal por meio de Mandados de Procedimentos Fiscais Complementares quando o Mandado anterior já estaria vencido. Também alega que só tomou ciência do lançamento após o término do prazo previsto no último MPF emitido. Não se vislumbra a nulidade alegada. O MPF é documento emitido pela Administração para que o contribuinte, objeto de algum procedimento fiscal, seja intimado de que tal procedimento emana e será realizado por autoridade competente. O que se verifica é que o prazo previsto nos MPFs não foram suficientes para a conclusão da ação fiscal, o que levou à emissão de MPFs Complementares no sentido de prorrogar o prazo de fiscalização. A conduta de prorrogação dos MPFs é prevista na legislação e o fato de o contribuinte ser cientificado da prorrogação após terminado o prazo do MPF anterior não é razão para nulidade do lançamento. Segundo a recorrente ao término de cada MPF este imaginava que a ação fiscal havia sido encerrada sem qualquer lançamento e em seguida era surpreendida pela entrega do MPF Complementar. Ora, eventual prejuízo à recorrente decorreria da execução de uma ação fiscal não precedida de MPF, esta sim, situação que poderia ensejar nulidade. No entanto, os MPFs existem e ao recebêlos à época em que foram apresentados, a recorrente tomou ciência de que o procedimento fiscal não havia sido encerrado e permitiu que a auditoria fiscal continuasse os trabalhos de fiscalização, afastando qualquer alegação futura de prejuízo sob tal argumento. Tampouco se pode considerar que a ciência do lançamento efetuada após o prazo de encerramento do MPF seja motivo de nulidade, uma vez a finalidade de existência do MPF já teria sido cumprida. Ademais, há entendimentos no âmbito deste Conselho de Contribuintes no sentido de que supostas irregularidades no MPF não ensejam nulidade do lançamento, conforme se depreende do Acórdão nº 20402.502 referente ao Recurso nº 130.790, assim ementado: Fl. 103DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 100 6 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO. NULIDADE. DESCABIMENTO É de ser rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento baseada em supostas impropriedades no Mandado de Procedimento Fiscal, haja vista ser este um elemento de controle da administração tributária, sem força para afastar as competências legais atribuídas às autoridades fiscais, mormente quando se trata de auto de infração regularmente formalizado A recorrente também alega incorreção e imprecisão no Relatório Fiscal da Infração. Tal incorreção seria no sentido de o dito documento mencionar que a recorrente não apresentou a folha de pagamentos de autônomos quando tal termo já não mais existia na Lei nº 8.212/1991 que a partir da lei nº 9.873/1999 trata tais segurados como contribuintes individuais. Não se pode acolher um argumento dessa natureza a fim de desconstituir o lançamento. Conforme se verifica na cópia do TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos juntado à folha 46, a autuada foi intimada a apresentar as folhas de pagamento de todos os segurados a seu serviço, incluindo os empregados e não empregados. Ainda que a Lei nº 8.212/1991 tenha passado a denominar como contribuintes individuais os segurados anteriormente denominados como autônomos ou empresários, tal fato não muda a obrigação da recorrente em elaborar folha de pagamento para todos os segurados a seu serviço. Além disso, o termo autônomo é largamente utilizado para designar aquele trabalhador que presta serviço sem vínculo empregatício à empresa e a auditoria fiscal informa que a recorrente denomina tais segurados em seus registros contábeis como “autônomos”, portanto, a recorrente compreendeu perfeitamente as razões da autuação e efetivamente não apresentou até este momento as folhas de pagamento dos segurados autônomos ou contribuintes individuais. A recorrente também considera imprecisão do Relatório Fiscal, a ausência da especificação das competências em que a infração teria sido cometida. A meu ver, não procedo o argumento. O Relatório Fiscal é preciso na descrição da infração, qual seja, a recorrente não apresentou as folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais/autônomos. Nesse sentido, não há dúvidas de que a recorrente não apresentou os documentos solicitado em qualquer competência do período solicitado nos TIADs que são claros em definir o período a que se refere a documentação solicitada. Assim, não se vislumbra qualquer irregularidade pelo fato do Relatório Fiscal não ter especificado quais as competências não foram apresentadas as folhas de pagamento solicitadas. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 101 7 A recorrente também considera cerceamento de defesa o fato de não ter sido informada de qual Portaria teria reajustado o valor da multa aplicada, bem como a data de sua publicação no Diário Oficial da União. Da análise da folha de rosto do presente auto de infração, podese verificar que toda a legislação aplicável foi informada à recorrente, no caso, os dispositivos legais que tipificam a infração, a aplicação da multa, bem como a possibilidade de reajustamento do valor da multa aplicada. Como toda a fundamentação legal para a validade do ato foi devidamente informada à recorrente, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa pela não indicação da portaria de reajustamento do valor da multa A recorrente também apresenta preliminar de decadência que não merece acolhida. De fato com a edição da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, o cálculo da decadência passou a ser realizado com base nas disposições do CTN aplicáveis, art. 173, Inciso I ou art. 150, § 4º dependendo do caso. Como se trata de multa pelo descumprimento de obrigação acessória aplica se o art. 173, inciso I, do CTN. A autuação referese ao período de 01/01/1998 a 30/06/2006 e o lançamento ocorreu em 17/01/2007, data da ciência do sujeito passivo. Ocorre que para o tipo de infração em questão cuja multa é única e independente do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, basta uma única competência dentro de prazo não decadencial para a configuração da infração. A recorrente entendeu que foi invocada responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário às pessoas dos sócios e procuradores da impugnante. O relatório denominado de CoResponsáveis apenas elenca os responsáveis legais pela empresa sem, contudo, atribuirlhe qualquer responsabilidade, seja solidária ou subsidiária. O CORESP contém os responsáveis pela gerência da sociedade e os períodos correspondentes, dados obtidos do contrato social e alterações. Tal relatório serve para subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional – PFN na necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional art. 135, Inciso I e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5º art. 2º da lei nº 6.830/1980 que estabelece o seguinte: Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle Fl. 105DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 19515.000573/200827 Acórdão n.º 2402001.714 S2C4T2 Fl. 102 8 dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. ....................................................... § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Portanto, não há razão no inconformismo da recorrente, uma vez que não foram incluídas no pólo passivo as pessoas físicas que foram responsáveis pela gestão da empresa no período do lançamento conforme informação do contrato social da empresa e eventuais alterações. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para acolher a preliminar quanto à corresponsabilidade e reconhecer que a relação apresentada é apenas indicativa dos sócios e sem atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 106DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000923/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, sujeito à multa, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Considera-se
cumprida da obrigação se o contribuinte efetua contabilização em contas individualizadas por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços
FUNDAMENTO LEGAL EXISTENTE AUSÊNCIA DE NULIDADE
Não se vislumbra qualquer nulidade na autuação efetuada na estrita observância da legislação vigente à época de sua lavratura
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Considerase cumprida da obrigação se o contribuinte efetua contabilização em contas individualizadas por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços FUNDAMENTO LEGAL EXISTENTE AUSÊNCIA DE NULIDADE Não se vislumbra qualquer nulidade na autuação efetuada na estrita observância da legislação vigente à época de sua lavratura Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000923/200705 Acórdão n.º 2402001.693 S2C4T2 Fl. 63 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000923/200705 Acórdão n.º 2402001.693 S2C4T2 Fl. 64 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls 04/06), a empresa apresentou os Livros Diários n° 7, 8 e 9, relativos aos exercícios de 2004, 20005 e 2006 e os Livros Razão do período. No entanto,deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada fatos geradores de contribuição previdenciária. Analisando a escrituração contábil apresentada foi constatado que pagamentos de natureza diversa foram contabilizados em contas impróprias, sem uma seqüência no procedimento adotado, o que acabou impondo grande dificuldade no curso da ação fiscal. A auditoria fiscal verificou, dentre outras, as seguintes irregularidades. O agrupamento na mesma conta das verbas de férias gozadas e de férias indenizadas, impossibilitando a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias apenas pelo exame dos títulos das contas. Conta Salários e Ordenados no período de 2004 a 2005, agrega salários, férias, rescisões. E não discrimina as parcelas integrantes e não integrantes da folha de pagamento, que é composta por várias rubricas. Algumas parcelas que não integraram a folha de pagamento apresentada também constam lançadas na conta Salários como, por exemplo, ajuda de custo, comissões, sendo que em outro período apresenta conta específica para ajuda de custo e comissões de venda. Constam na conta Acordos Trabalhistas processos trabalhistas, ordenados e outro tipo de acordo que não discrimina os beneficiários e não se refere a processo trabalhista. A conta Indenizações Trabalhistas tem lançamentos de processos trabalhistas e também pagamentos por serviços prestados por advogados, embora em outro período a contabilidade apresente conta específica de Honorários Profissionais e outros pagamentos para advogados também lançados na Conta Serviços Técnicos. As importâncias relativas a ValeTransporte pago em dinheiro não são discriminadas a esse título na contabilidade, pois integram a conta Salários e Ordenados, sem a possibilidade sequer de se identificar pelo histórico que se trata desse tipo de pagamento, cuja origem foi verificada em razão de outro tipo de cruzamento — pelas Notas Fiscais de Serviço, cuja base de cálculo da retenção foi reduzida considerando destaque de valores muito Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000923/200705 Acórdão n.º 2402001.693 S2C4T2 Fl. 65 4 superiores ao total contabilizado como ValeTransporte (conta referente a parte que é paga de acordo com a legislação e não se refere a pagamento em dinheiro). É informado que não constam Autos de Infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores, bem como não ocorreram outras circunstâncias agravantes. A autuada teve ciência do lançamento em 07/11/2007 e apresentou defesa (fls. 29/32) alegando que o artigo 292, inciso I, do decreto n° 3.048, de 06.05.99 estabelece que: "caput" — as multas serão aplicadas da seguinte forma: inciso I — na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no parágrafo 3° do artigo 283 e nos artigos 286 e 288, conforme o caso. Assim, o inciso I, do artigo 292, do decreto n° 3.048/99, nos remete aos incisos I e II e ao parágrafo 3° do artigo 283 e aos artigos 286 e 288 do decreto n° 3.048/99, conforme o caso. Como a empresa não é reincidente e não há agravantes, seria enquadrada no inciso I, do artigo 283, do decreto n° 3.048/99 que estabelece multa a partir de R$1.195,13 (atualizada de acordo com a Portaria do Ministério da Previdência Social MPS/GM n° 142 de 11/04/2007). O inciso II, do artigo 283, do decreto n° 3.048/99, trata de empresas com agravantes, que não é o caso da recorrente. O parágrafo 3°, do artigo 283, estabelece multa para as demais infrações a dispositivos da legislação para as quais não haja penalidade expressamente cominada, o que, também, não é o caso da peticionaria. O artigo 286, do decreto no 3.048/99, trata de ausência de comunicação de acidente do trabalho e o artigo 288, do decreto n° 3.048/99 trata de multa por descumprimento ao disposto nos parágrafos 19 e 20 do artigo 225, do decreto n° 3.048/99, que, por sua vez, trata de trabalhadores portuários avulsos. Alega que, em nenhum dispositivo legal aplicado pela auditora fiscal consta um multiplicador que se possa chegar ao valor da multa aplicada de R$ 11.951,21. Dessa forma, concluise que o dispositivo aplicado para graduação da multa não está de acordo com a lei. Pelo exposto, solicita o arquivamento do presente auto de infração. Pelo Acórdão nº 1726.235 (fls. 39/42) a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 50/53), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000923/200705 Acórdão n.º 2402001.693 S2C4T2 Fl. 66 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente menciona uma série de dispositivos legais partindo do art. 292, Inciso I, do Decreto nº 3.048/1999 que trata da gradação da multa. No entanto, deixa de observar que os dispositivos legais que amparam a aplicação da multa, à época do autuação, estão informados na folha de rosto do auto de infração que faz referência à Lei n. 8.212/1991, arts. 92 e 102 e Decreto n. 3.048/1999, art. 283, inciso II, alínea "a” e art. 373, abaixo transcritos: Lei nº 8.212/1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social Decreto nº 3.048/1999 Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000923/200705 Acórdão n.º 2402001.693 S2C4T2 Fl. 67 6 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. De acordo com o dispositivo, a Administração deve efetuar o reajuste dos valores expressos em moeda corrente no regulamento e, com o reajustamento, o valor da multa vigente à época da autuação era de R$ 11.951,21. Como se vê, a aplicação da multa obedeceu a legislação vigente à época do lançamento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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