Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.004685/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1995 a 30/09/1998
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DA MATÉRIA CONFRONTADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma,
a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que não contempla precisamente a matéria objeto do recurso especial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 30/09/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DA MATÉRIA CONFRONTADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que não contempla precisamente a matéria objeto do recurso especial. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10580.004685/2007-18
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4875780
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.942
nome_arquivo_s : 920201943_13502000107200812_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580004685200718_4875780.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4749878
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358618415104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 428 1 427 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13502.000107/200812 Recurso nº 258.557 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.943 – 2ª Turma Sessão de 14 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRIFFIN BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DA MATÉRIA CONFRONTADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que não contempla precisamente a matéria objeto do recurso especial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório GRIFFIN BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.604.9515, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte da empresa, dos segurados e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mãodeobra cedida pela empresa J&J MONTAGEM E MANUTENÇÃO LTDA. em relação ao período de 10/1996 a 12/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 39/45. De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa &J MONTAGEM E MANUTENÇÃO LTDA. mediante cessão de mãodeobra, que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Salvador/BA, DN nº 04.401.4/0146/2007, às fls. 307/330, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 02/12/2009, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO, o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13502.000107/200812 Acórdão n.º 920201.943 CSRFT2 Fl. 429 3 fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 240200.389, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA INTIMAÇÃO De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 Ementa:. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA OCORRÊNCIA Nos lançamentos referentes à responsabilidade solidária, deve restar clara nos autos a ocorrência da cessão de mão de obra, requisito essencial para a realização do lançamento com amparo no art. 31 da Lei IV 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 381/396, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão nº 240100.269, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que admite como termo inicial para contagem do prazo decadencial a data da cientificação do tomador de serviços (primeiro coobrigado) e não do responsável solidário, ao contrário do defendido pela decisão recorrida. Infere que da leitura da ementa do decisório paradigma não se vislumbra a divergência suscitada, o que somente ocorre com o exame do inteiro teor do Acórdão, confirmando que o marco utilizado pala Turma Julgadora para contagem do prazo decadencial fora a data da intimação do primeiro coobrigado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 4 Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que os artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional, os quais tratam da responsabilidade solidária, não estabelecem que o marco para verificação da decadência é a notificação do último coobrigado, sendo defeso ao intérprete legislar positivamente. Defende que a ausência do benefício de ordem, permitindo a União cobrar o tributo de qualquer um dos devedores, bem demonstra que o prazo decadencial poderá ser contado individualmente em relação a cada coobrigado. Assevera que o fundamento utilizado pelo relator subscritor do voto condutor do Acórdão recorrido não se presta a amparar a sua pretensão, uma vez dispor sobre prazo processual para apresentação de impugnação (direito processual), em nada interferindo na contagem do prazo decadencial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma a respeito do termo de início do prazo decadencial nos casos de lançamento por responsabilidade solidária, consoante se positiva do Despacho nº 2400325/2010, às fls. 399/400. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 411/424, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 4a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram entendimento levado a efeito pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão nº 240100.269, a respeito da mesma matéria. Em defesa de sua pretensão, infere que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que admite como termo inicial para contagem do prazo decadencial a data da cientificação do tomador de serviços (primeiro coobrigado) e não do responsável solidário, ao contrário do sustentado pela decisão recorrida. Arremata, defendendo que da leitura da ementa do decisum paradigma não se vislumbra a divergência suscitada, o que somente ocorre com o exame do inteiro teor do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13502.000107/200812 Acórdão n.º 920201.943 CSRFT2 Fl. 430 5 Acórdão, confirmando que o marco utilizado pela Turma Julgadora, para contagem do prazo decadencial, fora a data da intimação do primeiro coobrigado. Não obstante o esforço da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Fazenda Nacional não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 6 § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Procuradoria ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais câmaras, turmas de câmara, turmas especiais ou a própria CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Com efeito, perfunctória leitura da peça recursal da Procuradoria, conjugada com os Acórdãos confrontados, é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Isto porque, o Acórdão recorrido, ao analisar a preliminar de decadência, admitiu como termo final de referido prazo a data da cientificação do responsável solidário, inscrevendo longo arrazoado a respeito do tema para se chegar a aludida conclusão, inclusive buscando fundamentos na legislação de regência. Com mais especificidade, o nobre subscritor do Acórdão guerreado foi por demais enfático ao afirmar que “Questão a ser analisada referese a data a ser contada como ciência do lançamento, na questão da solidariedade, pois, como no presente caso, o contribuinte foi cientificado em data diversa do solidário [...]”, se aprofundando, portanto, na matéria. Por seu turno, o Acórdão n° 240100.269, utilizado como paradigma para efeito da comprovação da divergência pretendida, não contempla absolutamente nada a propósito de tema em referência, não se prestando, assim, a caracterizar a divergência, na forma do artigo 67 do RICARF. Destarte, como a própria Procuradoria afirma em sua peça recursal a confrontação das ementas é bastante para se concluir que a questão objeto do recursal não fora aventada no decisum paradigma. Entrementes, ao contrário do que sustenta a recorrente, no bojo do voto vencedor de aludido Acórdão não se disserta sequer uma linha sobre a matéria em comento, qual seja, data a ser admitida como termo final do prazo decadencial nos casos de cientificação dos sujeitos passivos em datas diferentes. Melhor elucidando, no Acórdão adotado como paradigma, a decadência parcial do crédito previdenciário fora acolhida por maioria de votos, aplicandose o artigo 150, § 4°, CTN, em razão da constatação de antecipação de pagamento. O tema que fora discutido e ensejou o voto divergente diz respeito exclusivamente à existência ou não de recolhimentos, não se adentrando em nenhum momento na questão da data da cientificação dos solidários. Dessa forma, inexistindo qualquer manifestação no decisório paradigma a propósito da matéria objeto do recurso especial e, por conseguinte, fundamento do Acórdão recorrido, não se pode admitir a comprovação de divergência de maneira a justificar o conhecimento da peça recursal. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, não entendemos ser Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13502.000107/200812 Acórdão n.º 920201.943 CSRFT2 Fl. 431 7 possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000273/2005-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00,024 de 21/04/2005).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00,024 de 21/04/2005). Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 14041.000273/2005-03
anomes_publicacao_s : 201008
conteudo_id_s : 4909013
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.040
nome_arquivo_s : 920201040_14041000273200503_201008.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Manoel Coelho Arruda Junior
nome_arquivo_pdf_s : 14041000273200503_4909013.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
id : 4751954
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358620512256
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-14T13:23:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-14T13:23:56Z; Last-Modified: 2011-09-14T13:23:56Z; dcterms:modified: 2011-09-14T13:23:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:da45954e-538a-4edb-9c00-adfab5e7bb2d; Last-Save-Date: 2011-09-14T13:23:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-14T13:23:56Z; meta:save-date: 2011-09-14T13:23:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-14T13:23:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-14T13:23:56Z; created: 2011-09-14T13:23:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2011-09-14T13:23:56Z; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-14T13:23:56Z | Conteúdo => Carlos Alberto Fr •esidente ,anoe oelho Ann& a. i ior CSRF-T2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo 14041.000273/2005-03 Recurso n" 152.879 Especial do Contribuinte Acórdão n" 9202-01.040 — 2" Turma Sessão de 18 de agosto de 2010 Matéria IRPF Recorrente ADMILSON JOSEMAR ZAMBONI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades ern matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00,024 de 21/04/2005). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso do Contribuinte. Vencidos os onselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas a reto, que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provim o ao recu o. EDITADO EM: 07 DEL 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 29 de março de 2007, a então Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 106-16268 [fls.102 – 115] que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada. Ementa IRPF — RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR — RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. No caso de rendimentos recebidos do exterior; a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5 0, da Lei n° 4.50611964, o funcionário Internacional dos quadros de Agência Especializada da ONU, coin vinculo estatutário e não apenas contratual, sendo que tal beneficio não aproveita os técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja por hora, por tarefa ou corn vinculo contratual permanente. Precedentes da Cintara Superior de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E DE OFICIO CONCOMITANCIA — BASE DE CALCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de I ecolhimento do IRPF devido a titulo de came-leão, na hipótese em que cumulada corn a nitrite de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fonte no exteriot, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas Recurso pai .cialmente provido Inconformado com o acórdão, o Contribuinte protocolizou Recurso Especial [fls.122 – 131], com fincro no art. 7 0, II, do Regimento Interno h. época, 0 Recorrente apresenta como paradigma de divergência inúmeros acórdãos, entre eles o acórdão n° CSRF 01.05.056. [ Ementa do acórdão n" CSRF 0].05 056] IRPF RENDIMENTOS PERCEBIDOS EM DECORRENCIA DE EXE,RCICIO DE FUNÇÃO ESTA VEL JUNTO AO PNUD — IMUNIDADE — Poi , força das disposições contidas no Acordo Técnico regulador das atividades do PNUD e da Convenção sobre Imunidades e Privilégios, não pode ser exigido imposto de 2 Processo n° 14041 000273/2005-03 CSRF-T2 AcOrddo n ° 9202-01.040 2 renda do contribuinte, uma vei que beneficiário da imunidade conferida par estas normas, Recurso negado. Requer o Contribuinte o provimento do seu recurso, urna vez que, havendo o reconhecimento administrativo da isenção fiscal em apreço, nos termos da funclamentação supra, com o conseqüente arquivamento do procedimento fiscal, além da inconsistência da multa de oficio de 75%, seja reformada em parte decisão recorrida Em 05 de junho de 2008, a então Presidente Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de no DDC106152879_184 {fis.133 — 136], dando seguimento ao recurso do Contribuinte por entender preenchido os pressuposto de admissibilidade . Ciente do acórdão e do recurso especial do Contribuinte, a r. PGFN protocolizou, tempestivamente, contra-razões [fis,139 — 142] que pugna pela manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Quanto a divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTA ÇÃO — Silo tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por ,faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais; este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária MULTA ISOLADA - NÃO CUMULATIVIDADE COMA MULTA DE OFÍCIO - Se aplicada a multa de oficio ao tributo. apurado em langamento de oficio, a auséncia de anterior recolhimento mensal (via carnê-leão) do referido imposto não deve ocasionar a aplicação cumulative da multa isolada, já que esta somente e aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penaliza cão sobre a mesma base de inciddncia. Recurso parcialmente provido. Em relayo ao acórdão paradigma apontado corno caracterizador da divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF — RENDIMENTOS PERCEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE EXERCÍCIO DE FUNÇÃO ESTÁVEL JUNTO AO PNUD — IMUNIDADE — Por força das disposições contidas no Acordo Técnico Regulador das atividades do PNUD e da Convenção sobre Imunidades Privilégios, não pode ser exigido imposto de renda do corm ibuinte, unia vez que beneficiário da imunidade conferida por estas normas . Recurso negado Do confronto das ementas acima referidas, tern-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de tenda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta forma, flea caracterizada a divergência, razão pela qual admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Turma da Camara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão n" 104-20.451 de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": "( ) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rage a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a unia conclusão precipitada, divorciada da 'ultimo ratio' que norteia a concessão da isenção cut tela. O artigo 5" da Lei n" 4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR194 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece • t. .5" Estão isentos do imposto os endimentos do trabalho attire,' idos por. - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros,- .11 Servidores de organismos internacionais de que o Brasil Java parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado on convênio, a conceder isenvdo, - ill - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros poises no Brasil, desde que no pais de sua nacionalidade seja as.segur ado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas fiinções. Parágralb único As pessoas referidas nos liens II e Ill des-ta artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro ern relação a outros rendimentos produzidos no pais ' Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a as trangeiros, se/uni eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros poises. 4 Processo n" 14041 000273/2005-0.3 Acórchio o 0 920201.040 No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicilio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliadas no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro, Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no Pais, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5" da Lei n" 4..506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente brasileiro residente no Brasil, Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no Pais- - o que se admite apenas para argumentar o dispositivo legal em .foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo PNUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica- se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agencias Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n" 59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: ARTIGO Facilidades, Privilégios e Imunidades I. 0 Governo, caso ainda não esteja obrigado afazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus- funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito a Organização das Nações Unidas, 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unida b) com respeito as Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas'; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atómica o 'Acordo sobre Privilégio s e Imunidades da Agencia Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades- das Nações (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidade.s- das Agências Especializadas', são: Organização Internacional dorrabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, CSRF-T2 FL 3 5 Ciência e Cahill a, Organiza cão Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Coipoiagão Financeil a Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Intemacional, Unido Internacional de Telecomunicações, União Postal Universal, aganização Meteorológica Mundial e Organização Maritima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um prow ama especifico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem segub os ditames, con/b; me comando do artigo VI a, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas' Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n" 27.784, de 16/02/1950. Dita Convenção assim prevê. 'ARTIGO Funcionários Seção 17 0 Secretário Gei al determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. 0 nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Memln os. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas; a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos), b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; • serão isentos de todas as obrigações- referentes ao ser yip nacional; d) não serão submetidos, assim COMO _suas esposas e denials pessoas da família que deles dependam, às restrições ias e as formalidades de registro de estrangeiros; e) itsuf ubão, no que diz respeito à .facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os ,funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado, f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repoti fomento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando dct pm illicit a instalação no pais interessado. Processo nn 14041 000273/2005-03 Acendilo o 9202-01.040 Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos, '(grifei) De piano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: inillnidade de jurisdição, isenção de serviço militar; .facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, inclusive para sua ,[mui/ia, privilégios cambiais equivalentes aos ,funcionários de missões diplomáticas; facilidades de repatriamento idénticcts (is dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no pais interessado. Embora a Convenção ora enfocado utilize a expressão genérica . funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados pet-mite concluir que o termo lido abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no Pais, benefícios tais como facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Pais. .fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sabre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO Funcionários Seção 17.. 0 Secretário Geral determinara as categoria,s- dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias it Assembléia Geral e, em seguiria, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governor dos Membros.' A exigência de tal. formalidade, aliada ao conjunto de bengficios de que se cuida, nit° deixa dávidas- de que o funcionário a que se refere o artigo V do Convenção da ONU — e que no inciso II do art. 5" da Lei n" 4 .506/64 é ohainado de servidor o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONU com CSRF-T2 Fl 4 vinculo estatutário, e não apenas conti atual Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5", da Lei n" 4 506/64 (transci ito no inicio deste voto), já que ambos pi evêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui- se que os servidores/Ancioncirios neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em i elação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos pm ocluzidos no Pais como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliáriolbens de uso pessoal quando da primeno instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no Pais, dai a justificativa para esse tratamento diferenciado Quanta aos técnicos brasileiros, i esidentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico porn que usufiaam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pingado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto soln e salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação -7_ de uma.. categoria de funcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que deforma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos fiincionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos pm ivilegios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais,. imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos verbais e escritos) Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos,. 3 Processo a" 14041 000273/2005-0.3 Acórcifia a.' 9202-01.040 d) direito de mar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organizacão das Nações Unidas,. e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missiio oficial temporária. 0 no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juizo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sent ti -azerprejitizo aos interesses da Organização. ' Corno se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de beneficios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de beneficios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vincula contratual permanente, não é albergada por esses beneficios, Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público' (lia edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729).: Os funcionários internacionais são um pi oduto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, COMO já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionárIos. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim ulna categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. í Os , funcionários internacionais constituem unia categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a tuna organização internacional de modo pet manente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem . funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da . função que ele CSRF-T2 Fl 5 9 desempenha, isto 6, ela visa a atender ás necessidades' internacionais e foi estabelecida internacionalmente. ) A admissão dos funcionários internacionais 6 . feita pela própria ganização internacional sem inter far &car dos Estados Membros. ( .) 0 fimcioncirio é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano Depois disto, há a nomeação a titulo permanente, que é revista após 5 anos (. ) A situagdo jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (..) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seas funcionários, Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.* a vencimentos). ) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. ( ) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, C0111 independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes ás dos agentes diplomáticos„ Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretor es-gerais etc.). É o Sec, etário-Geral da ONU quem declara quais são os . fiincionch ias que gozam destes privilégios e imunidades, Cabe ao Secretario-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozai-ão de privilégios e imunidades . A lista destas categorias sera submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas refer idas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: 'imun'idade de jurisdição pain os atos praticados no exercício de suas funções oficiais»; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; D ,fircilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes, g) direito de impor tar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no pais interessado'. Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecrekirios-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e fitei/idades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, liras que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 10 corno voto. Manoel ho AnurtiEior Processo o" 14041 000273/2005-03 CSRF-T2 Acórdiio ri 920241.010 Fl 6 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais': b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas sfung5es'; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; 1) quanto ás 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e ,facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos — funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficias com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emohunentos não figura dentre, os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (. )." Aos findamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência uniforme da CSRF, compartilho do entendimento de que não hi fundamentos legais que justifiquem a não incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Desta forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, para manter a exigência tributária. 11
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001685/97-15
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 26/03/1997
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN.
Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal.
Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-001.069
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB/PE nº
25.620, advogada do sujeito passivo.
Nome do relator: Rodrigo Cardo Miranda
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/03/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN. Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
turma_s : Terceira Turma Superior
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11128.001685/97-15
anomes_publicacao_s : 201008
conteudo_id_s : 4914304
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-001.069
nome_arquivo_s : 930301069_111280016859715_201008.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Rodrigo Cardo Miranda
nome_arquivo_pdf_s : 111280016859715_4914304.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB/PE nº 25.620, advogada do sujeito passivo.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4752019
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358625755136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 899 1 898 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.001685/9715 Recurso nº 323.557 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.069 – 3ª Turma Sessão de 24 de agosto de 2010 Matéria EXPORTAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/03/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN. Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB/PE nº 25.620, advogada do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA Processo nº 11128.001685/9715 Acórdão n.º 930301.069 CSRFT3 Fl. 900 2 Rodrigo Cardozo Miranda – Relator EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 834 a 840) com fulcro no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, publicada no DOU de 28/06/2007, contra o v. acórdão prolatado pela Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 804 a 830) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Os presentes autos dizem respeito, em síntese, ao lançamento de II e IPI decorrente do descumprimento de ato concessório de drawback. Consoante exposto no relatório da r. decisão de primeira instância, adotado pelo v. acórdão recorrido, a autuação se deu em virtude dos seguintes fatos, verbis: (...) Tratase de exportação feita por Trading Company (SAB Trading Comercial Exportadora S/A), descrita como “álcool etílico não desnaturado retificado com graduação alcoólica mínima de 95,1 GL a 15 graus Celsius”, classificada na posição 2207.10.9901, decorrente do Programa DrawBack da Usina Açucareira Ester S/A. O fisco, à vista do ato concessório DrawBack 5256/001 de 2/1/96, solicitou Laudo Técnico para identificar os bens. O ato concessório (fls. 38) previa a importação de álcool etílico hidratado (de origem sintética para fins carburantes) e a exportação de álcool etílico não desnaturado (com graduação mínima de 95,1 GL a 15 graus Celsius) após processo de industrialização (reprocessamento do álcool). A Resolução 2638/95 do Banco Central fixou à época da exportação, uma alíquota de 40% de imposto de exportação para álcool etílico não desnaturado em volume superior a 80% da posição 270710 com todos os seus desdobramentos. Foram excetuadas da tributação apenas as exportações resultantes de industrialização de álcool etílico importado sob o regime de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA Processo nº 11128.001685/9715 Acórdão n.º 930301.069 CSRFT3 Fl. 901 3 drawback. Segundo o laudo do LABANA, o álcool era hidratado (álcool etílico não desnaturado hidratado com teor de álcool de 95%), conforme se vê às fls. 20. E não se tratava de álcool para fins carburantes. Como o álcool importado sob o regime drawback era álcool hidratado para fins carburantes, que deveria ser reprocessado para tornarse álcool etílico não desnaturado com graduação alcoólica de 95,1 GL a 15 graus Celsius, a fiscalização concluiu que não poderia tratarse do mesmo álcool, e que o exportador não tinha sua mercadoria incluída no benefício do DrawBack, sujeitandose à alíquota de 40% do imposto de exportação, além da penalidade de falta de pagamento do tributo (DL 1578/77, artigo 7º, RA artigo 531). (...) (grifos e destaques nossos) A Colenda Câmara a quo, ao julgar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, entendeu pela análise da prova que a mercadoria compromissada foi exportada. A ementa do referido julgado, que bem resume os fundamentos da decisão, é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/03/1997 Ementa: IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO – DRAWBACK – ÁLCOOL ETÍLICO Excetuamse da tributação à alíquota de 40% do Imposto de Exportação, prevista pela Circular do Banco Central do Brasil nº 2.638/95 (álcool etílico não desnaturado com teor alcoólico em volume igual ou superior a 80% vol.), as exportações de produtos resultantes da industrialização de álcool importado sob o regime aduaneiro especial de drawback. Comprovado nos autos que a mercadoria exportada correspondeu, em sua materialidade, àquela compromissada no Ato Concessório de Drawback, não há que se falar em incidência do Imposto de Exportação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (grifos nossos) A Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em síntese, na esteira do voto proferido pela Ilustre relatora, Conselheira Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, entendeu que restou comprovado nos autos que o produto exportado apresentava as mesmas características do que foi contratado no ato concessório de drawback. Sendo assim, por se tratar de produto fungível, não havia que se requerer obediência absoluta ao princípio da vinculação física. Isso é o que se depreende do seguinte excerto, extraído do voto proferido pela ilustre Conselheira relatora, verbis: (...) O problema é que a autuação se deu porque o Fisco entendeu que o álcool exportado pela SAB TRADING S/A não era Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA Processo nº 11128.001685/9715 Acórdão n.º 930301.069 CSRFT3 Fl. 902 4 aquele que havia sido compromissado no regime aduaneiro especial de Drawback. Esta foi a motivação original que fundamentou a lavratura do Auto de Infração. (...) No processo sub judice, como destacado, o produto a ser exportado foi descrito como “álcool etílico não desnaturado com graduação alcoólica mínima de 95,1 GL a 15ºC”. Desta feita, para que, qualitativamente, o produto exportado fosse, efetivamente, o compromissado, teria que atender, obrigatoriamente, a três requisitos: (a) ser álcool etílico; (b) ser não desnaturado; e (c) possuir graduação alcoólica mínima de 95,1º GL a 15ºC. Não resta qualquer dúvida que o produto exportado foi álcool etílico não desnaturado. Inclusive no Auto de Infração ele assim está identificado. O problema, destarte, se resume ao terceiro quesito exigido: graduação alcoólica mínima de 95,1º GL a 15ºC. (...) Um dos requisitos essenciais para a fruição deste regime aduaneiro especial, sob um enfoque macro, é a obediência ao princípio da vinculação física, ou seja, que o produto exportado seja o mesmo que foi importado, após o beneficiamento contratado. Contudo, para alguns produtos, considero que este requisito pode vir a não apresentar relevância absoluta. Em outras palavras, ele pode não ser imprescindível. É o caso dos produtos fungíveis e mesmo daqueles que mantém características idênticas, quando de sua aplicação/transformação/beneficiamento. Todavia, mesmo neste caso, o produto exportado deve apresentar as mesmas características daquele que foi contratado, como ocorreu na hipótese desses autos. Pelo exposto e por tudo o mais que consta do processo, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, prejudicados os demais argumentos. (grifos e destaques nossos) A Fazenda Nacional, ao seu turno, interpôs o já mencionado recurso especial, apontando divergência jurisprudencial com precedente oriundo da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em que se aponta que a legislação aduaneira aplicável ao drawback não veda a utilização de bens fungíveis na comprovação do regime, desde que esses bens tenham sido importados ao amparo do regime e que sejam compatíveis as datas de entrada dos insumos e as exportações correspondentes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA Processo nº 11128.001685/9715 Acórdão n.º 930301.069 CSRFT3 Fl. 903 5 A Fazenda Nacional asseverou, outrossim, que, verbis, o regime aduaneiro especial foi descumprido, simplesmente, porque o ato concessório de fl. 38 previa a importação de álcool etílico hidratado (de origem sintética par afins de carburantes) e a exportação de álcool etílico não desnaturado (com graduação mínima de 95,1 GL a 15 graus Celsius), após a industrialização, enquanto que o laudo do Labana (fls. 20) atestou que o álcool não era desnaturado hidratado, retificado, com teor alcoólico de 95%, e não tinha fins carburantes. Assim visível o descumprimento. Mais adiante, concluiu que, dessa feita, considerando que o laudo do labana foi expresso ao mencionar que o álcool a ser exportado era diferente do referido no ato concessório, isso, por si só, já autorizaria a cobrança dos impostos e multa devidos. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 854 a 857. Contrarazões às fls. 865 a 885, em que se propugnou pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, pela manutenção da r. decisão recorrida, na esteira de diversas decisões administrativas prolatadas em autuações decorrentes do mesmo ato concessório de drawback ora em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator No tocante à admissibilidade do recurso especial de divergência, é de se ressaltar, inicialmente, que a recorrente não realizou a demonstração analítica do dissenso, fazendo o cotejo da r. decisão recorrida e do aresto paradigma, apontando a identidade das premissas fáticas e adoção de teses jurídicas diversas, se bastando na transcrição da ementa do paradigma. Além disso, é de se destacar, ainda, que a principal premissa de fato adotada no recurso especial para fins de reforma da r. decisão recorrida foi o seguinte, verbis: o regime aduaneiro especial foi descumprido, simplesmente, porque o ato concessório de fl. 38 previa a importação de álcool etílico hidratado (de origem sintética par afins de carburantes) e a exportação de álcool etílico não desnaturado (com graduação mínima de 95,1 GL a 15 graus Celsius), após a industrialização, enquanto que o laudo do Labana (fls. 20) atestou que o álcool não era desnaturado hidratado, retificado, com teor alcoólico de 95%, e não tinha fins carburantes. Assim visível o descumprimento. Mais adiante, concluiuse no recurso especial que, dessa feita, considerando que o laudo do labana foi expresso ao mencionar que o álcool a ser exportado era diferente do referido no ato concessório, isso, por si só, já autorizaria a cobrança dos impostos e multa devidos. Ocorre, todavia, que ao contrário do que foi asseverado no recurso especial, o que se verifica no v. acórdão recorrido, e, por sinal, no próprio laudo, acostado às fls. 20 e seguintes dos autos, é que tratase de Álcool Etílico Não Desnaturado Hidratado com teor alcoólico de 95,0% v/v. A Ilustre Conselheira relatora, aliás, com base nas provas acostadas aos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA Processo nº 11128.001685/9715 Acórdão n.º 930301.069 CSRFT3 Fl. 904 6 autos, apontou que conforme consta dos laudos do LABANA, as amostras analisadas apresentaram 95,0 vv (e, portanto, 95,0º GL) (fls. 829). Entendeuse, assim, que o álcool exportado foi aquele efetivamente compromissado. Por conseguinte, é de se concluir, ab initio, que o recurso especial se fundou em premissa fática equivocada. Demais disso, por outro lado, mister notar que o lançamento não se deu por questão atinente ao princípio da vinculação física e ao princípio da equivalência/fungibilidade no drawback. De acordo com o auto de infração, o lançamento se deu apenas e tão somente porque entendeuse que o produto exportado não era aquele que havia sido compromissado. Isso é o que se constata pelo seguinte excerto do auto de infração (fls. 1, verso): (...) Em ato de revisão, constatamos à vista dos resultados fornecidos pelo Laboratório Nacional de Análises (LABANA) desta Unidade Local que o produto efetivamente exportado ao amparo da referida DDE era diverso daquele submetida a despacho, ou seja, constatouse que na realidade não se tratava de álcool etílico não desnaturado retificado, classificação NBM 2207.10.9901, como descrito nos registros de exportação supracitados e nas respectivas notas fiscais. (grifos nossos) Assim, além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada no recurso não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Não se cuidou, em nenhum momento no auto de infração, da aplicação ou não do princípio da fungibilidade. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. Tal procedimento, a propósito, já foi reiteradamente rechaçado pela jurisprudência administrativa, sendo de se destacar, dentre vários julgados, os seguintes: DIVERGÊNCIA PRESSUPOSTOS PREQUESTIONAMENTO Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial, em face de inequívoco prequestionamento e divergência de julgados, é de se admitir o recurso interposto pelo sujeito passivo. IRF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA INOVAÇÃO DO FEITO Não compete à segunda instância alterar o feito, aplicando legislação distinta daquela constante na autuação e apurando nova base de cálculo, ainda que a decisão seja parcialmente favorável ao sujeito passivo. Comprovado flagrante equívoco na aplicação da norma legal e conseqüente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA Processo nº 11128.001685/9715 Acórdão n.º 930301.069 CSRFT3 Fl. 905 7 apuração de base de cálculo inadequada, incabível o lançamento assim constituído. (CSRF/0103.369 – Relatora Leila Maria Scherrer Leitão – DOU 23.10.2002) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (CSRF/0104.535 – Relator Candido Rodrigues Neuber DOU 09.06.2003) IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Òrgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado. (CSRF/0104.490 – Relator Verinaldo Henrique da Silva DOU 14.04.2003) (grifos nossos) Cabe notar, por outro lado, que o voto condutor da r. decisão recorrida tratou, ainda que de modo desnecessário para o deslinde da controvérsia, sobre a questão da fungibilidade, veiculada no recurso especial. Impõese entender, no entanto, que referida menção não muda os fundamentos do lançamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 30/06/2011 por RODRIGO CARDO ZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 18108.001054/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 20/12/2005, 01/12/2006 a 20/12/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO GFIP FALTA DA ENTREGA
Constitui infração deixar de informar, mensalmente ao INSS, por meio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, os fatos geradores e outras informações de interesse do Instituto. Art. 32, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91.
RELEVAÇÃO
A multa somente será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta no prazo para impugnação. Redação do Decreto n.º 6.032, de 02/02/07.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 20/12/2005, 01/12/2006 a 20/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO GFIP FALTA DA ENTREGA Constitui infração deixar de informar, mensalmente ao INSS, por meio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, os fatos geradores e outras informações de interesse do Instituto. Art. 32, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91. RELEVAÇÃO A multa somente será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta no prazo para impugnação. Redação do Decreto n.º 6.032, de 02/02/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 18108.001054/2007-34
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4877792
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.569
nome_arquivo_s : 230201569_18108001054200734_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 18108001054200734_4877792.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4749104
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358627852288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.001054/200734 Recurso nº 271.986 Voluntário Acórdão nº 230201.569 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente R.T.P. COMÉRCIO DE REVESTIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 20/12/2005, 01/12/2006 a 20/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO GFIP FALTA DA ENTREGA Constitui infração deixar de informar, mensalmente ao INSS, por meio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, os fatos geradores e outras informações de interesse do Instituto. Art. 32, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91. RELEVAÇÃO A multa somente será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta no prazo para impugnação. Redação do Decreto n.º 6.032, de 02/02/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 08/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Ausência Momentânea : Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001054/200734 Acórdão n.º 230201.569 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 23/10/2007, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso IV da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter comprovado a entrega, na rede bancária, das GFIP’s Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social das competências 13/2005 e 13/2006, relativas ao décimoterceiro salário. Após a impugnação, Acórdão de fls. 42/50, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso onde alega que a multa deve ser relevada em vista da aplicação do artigo 112, do CTN, pois a não entrega das declarações não resultou em prejuízo à fiscalização; que a multa deve respeitar o princípio da proporcionalidade e deve vir definida na lei. E, por fim, requer a admissão do recurso independentemente do arrolamento de bens e o seu provimento para declarar improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente a tempestividade do recurso, conheço do mesmo e passo ao seu exame. Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a falta de entrega das GFIP’s relativas ao décimoterceiro salário de 2005 e 2006. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Por conseguinte, caracterizada está a infração por descumprimento de legislação previdenciária, ensejando a lavratura do auto de infração. Vejamos o que dispõem os diplomas legais sobre o assunto em comento, in verbis: Lei n 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a : IV informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do INSS. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse daquele Instituto. A multa punitiva foi aplicada de acordo com o previsto no art. 32, § 4º, da Lei n.º 8.212/91 e art. 284, inciso I, § 1º e § 2º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, levando em consideração número de segurados por mês em que não foi entregue a GFIP, na forma estabelecida pelo Instituto, à época da autuação. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, temos a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001054/200734 Acórdão n.º 230201.569 S2C3T2 Fl. 3 5 administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precípua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. Nos processos de aplicação de sanção, o princípio da proporcionalidade impõe a perfeita correlação na qualidade e quantidade da sanção com a grandeza da falta e o grau de responsabilidade do infrator, com a verificação de circunstâncias atenuantes ou agravantes e dos antecedentes do infrator. Ademais, ao julgador administrativo não é permitido a aplicação subjetiva da norma, vigorando o princípio da tipicidade cerrada da lei, não podendo o julgador perdoar o contribuinte ou discordar da norma imposta pela legislação vigente. Quanto à solicitação de relevação da multa aplicada, não pode ser atendido o pleito da recorrente, pela falta de implementação dos requisitos legais para tanto, senão vejamos, o artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.48/99, que trata do assunto: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) Pelo exame da legislação é de se notar que para ter a multa relevada é necessária a correção da falta, primariedade, ausência de agravantes e formulação do pedido. Assim, embora a recorrente seja primária e não tenha ocorrido circunstâncias agravantes, não foi comprovado nos autos a correção da falta no prazo da impugnação para, que se implementassem todas as condições necessárias à relevação da multa. Portanto, não há como acolher a pretensão da recorrente de ter a multa relevada porque não houve a correção da falta. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso II, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001054/200734 Acórdão n.º 230201.569 S2C3T2 Fl. 4 7 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000427/2005-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 15/06/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL„ INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional,
caracterizam o inadimplemento dessas condições.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 9303-001.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luciano Lopes de Almeida Moraes, que negavam provimento. A Conselheira Nanci Gama declarou-se
impedida de votar. 0 Conselheiro Leonardo Siade Manzan votou pelas conclusões.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 15/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL„ INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10209.000427/2005-48
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 4896049
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-001.162
nome_arquivo_s : 930301162_10209000427200548_201009.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 10209000427200548_4896049.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luciano Lopes de Almeida Moraes, que negavam provimento. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar. 0 Conselheiro Leonardo Siade Manzan votou pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
id : 4751791
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358642532352
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-13T12:23:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-13T12:23:51Z; Last-Modified: 2011-10-13T12:23:52Z; dcterms:modified: 2011-10-13T12:23:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:70c61356-1194-4ad2-8a3f-d75fdc1592e5; Last-Save-Date: 2011-10-13T12:23:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-13T12:23:52Z; meta:save-date: 2011-10-13T12:23:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-13T12:23:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-13T12:23:51Z; created: 2011-10-13T12:23:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-10-13T12:23:51Z; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-13T12:23:51Z | Conteúdo => CSRF-13 Fl 1 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10209.000427/2005-48 Recurso n° 338.846 Especial do Procurador Acórdão n" 9303-01.162 — 3" Turma Sessão de 28 de setembro de 2010 Matéria AI II e IPI Redução Tarifaria - condições para fruição do beneficio não atendidas Recorrente Fazenda Nacional Interessado Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador': 15/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL„ INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. E. incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luciano Lopes de Almeida Moraes, que negavam provimento. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar. 0 Conselheiro Leonardo Siade Manzan votou pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres — Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 09/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. 1:20 ft.1 I .) Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão de primeira instância_ Do lançamento Tiata-se de lançamento inerente ao Imposto sobre as Importações - 11, acrescido dos juros de mora previstos no art. sç 3°, da Lei 9.430, de 27/12/1996, e da multa capitulada no ar t 44, inciso I, do mesmo dispositivo legal, perfazendo, na data da autuação, um crédito oibtacirio no valm total de RS 89.082,60, objeto do Auto de Infiacão fl.K 01/10. 2. Segundo relato das autoridades i esponsciveis pela law antra do Auto de Infiação em evidência, o lançamento foi motivado pelo fato do Certificado de Origem apresentado pelo importador (n" ALD-1000830345 — vide fls. 20), objeto da Declaração de Importação — DI n'' 00/0.542967-0, registrada em 15/06/2000 (fls. 11/14 e 21/25), não ter atendido aos requisitos constantes dos artigos 4° e 9° da Resolução n" 2.52 da Associação Latino- Americana de Integração ALADI, aprovada pelo Decreto n" 3 325, de 30/12/1999, Resolução a qual consolidou as disposições contidas no Acordo no 91, aprovado pelo Dem cio n" 98.836. de 17/01/1990, assim como na Resolução n" 78, aprovada pelo Decreto n" 98.874/90, de 24/01/1990 (dentre outras nm mas c/a ALADI), de forma que a suplicante não poderia ter se beneficiado da redução da al/quota do Imposto sobre Importações — prevista no Acordo de Complementavao Econômica 11039 (4CE-39), firmado entre o Brasil, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Venezuela, acordo este apt ovado pelo Decreto n° 3.138, de 16/08/1999. 3.De forma Incas detalhada, afirnia a fiscalização que, na transação comercial eni tela, teria ocorrido a inter veniência de um terceiro pais não signatário do ACE-39, em desarmonia com os acordos inter nacionais acima especificados, conforme disci iminado abaixo. a) c/c acordo com o Ceraficado de Or igem n" ALD-1000830345 (f/s. 20), o produto importado seria pi °calcine da empresa PDVSA Petróleo y Gas S/A, situada na Venezuela, cuja Tana a, embora tivesse sido declarada no Co tificado em evidência (fatura n" 102258-0), não fora apresentada na ocasião do despacho aduaneiro; b) todavia, uma terceita empresa, a Petrobras Inter tuitional Finance Company — PIECO, situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALAD1, fora indicada, na Declaração de Importação, como empesa exportadora do produto; ademais, fatura emitida pela PIFCO —!antra n" PIFSB-679/00 (As, 19) — feria insbuido a DI em evidência , . assevera ainda que, no conhecimento de embarque ('lis. 18), a inercadoria /bra consignada à empr esa Petrobras International Finance Company — P1FCO; tal info; mação, segundo a 1 I 2 ; 1:1 Processo n° 10209 000427/2005-48 CS121, -1 3 AcOrcliio o '9303-01.162 autoridade lançados a, indicaria que a pi oprietária da mercadoria seria a citada empresa situada nas Rhos Cayman. 4.Ressalta ainda o Fisco que a Resolução n" 252, do Comitê de Representantes da ALADI não prevê a intervenção de um tercel, o pais não membro da ALADI na qualidade de exportador; conforme disposto no ar tigo 4" da mencionada Resolução, muito embora o artigo 9" da norma de Direito Internacional em evidência admitisse a participação de um operador de uni terceiro pais, nzembro ou não da ALADI mas desde que atendidos os requisitos prescritos pelo citado twig°, o que não teria ocorrido no caso em apreço. 5.Assitn, embora o artigo 9" da Resolução n°252 admitisse que a mercadoria objeto de intercâmbio pudesse set faturada por um operador de um ter ceiro pals, tal não teria se observado nos terliTOS da citada esolução, unia vez quo, no caso em exame, teria havido a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador. Ressalta que mesmo que a empresa situada nas Ilhas Cayman se enquadrasse como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, no campo 'daily() a "observações", que a mercador ia objeto de sua declaração iria ser faturada por um terceiro pals, identificando o respectivo operador, ou ainda, se no momento de expedir o Certificado de Origem não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria api escutam' declar ação juramentada que justificasse o fato, o que lido teria ocorrido. 6 Continuando a descrição cloy fatos que ensejaram a formalização da exigência contra o sujeito passivo, destacam as autuantes que a indicação do n" da invoice emitida pela PDVSA em campo da invoice expedida pela PIFCO não supriria as exigências da Resolução n°252 da ALADL Da mesnia farina, a refer &raja ir Pea obras International Finance Company — PIFCO no campo "observações" do Certificado de Origem não atenderia as disposições exigidas pela Resolução em comento, posto que tal providência não per-with-la a identificação efetiva da operação pretendida. Assevera ainda que a empresa expedira correspondência à SRF (fls. 29/31) wide teria confirmado que adquire a mercadoria da Venezuela, a revende para sua subsidica ia — a empresa Petrobras International Finance Company — PIFCO — e, posteriormente, a recompra, fato este que, segundo a autoridade administrativa, caracteriza a participação de um terceiro pals na qualidade de exportador, situado nas- Ilhas (J'ayman, não respaldado ern Certificado cio Origem, 7-Corn base em tais fatos, foi efetuado o lançamento da diferença do Imposto de Importação não recolhido, acr esc ida dos jur os de mar a e da multa de oficio já discriminadas ante, ior mente. Da irriptoração 8. Cientificada do lançamento em 30/05/2005 (f1s 02 e 10), a recorrente insurgiu-se contra a exigência, tendo apresentado, em .1. ;:c.1 p!, • .. '.!'?• 1 1.2i: Fl 213 3 29/06/2005, a impugnação de .113. 3.5/45, onde, após fazei uma sinopse dos fatos que rechindaram no lançamento, alega o seguinte: que a operação de niangulação comercial realizada entre a autuada, a Pett obras International Finance Company — PIFC0 (Ilhas Cayman), empresa esta integrante do gr upo económico da autuada, e a PDVSA — Petróleo y Gás SÃ (fornecedora venezuelana do produto importado), não impediria a aplicação de redução tatiftir ia prevista em acordo finnado no âmbito da ALADI,• b) que ci transação comercial °con era, de faro, com a Venezuela, pais integrante da ALADI, »unto embora a impugn cinte, por equivoco, tenha infOrmado na DI que a exportadora seria a subsidicir ia da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, a qual ter ia par ticipado da transação como mera operadora comercial, urna vez que esta segue, teve a posse da mercadoria ou luclou com a revenda; c) que as próprias autuantes teacart reconhecido que a mercadoria teria sido transportada diretamente da Venezuela paia o Brasil; d) que o fato de a PIFCO constar como "expo, tadora" na Declaração de Imp°, tação e apenas a fatura emitida por ela ter sido apresentada par ocasião do despacho aduaneiro teria ocorrido "1.] devido ao fato de a própria Receita Federal não prever procedimento especifico a ser seguido para os casos de triangulação comercial, mesmo após a edição da Resolução 252 da ALADI"; e) ressalta ainda que não teriam ocon ido as alegadas irregular idades apontadas no preenchimento do Cer tificado de Origem e da fatura comercial, tuna vez que o Certificado em tela conteria declaração da produtora e exportadora do produto (PDVSA) e a certificação do Ministério da Inchisa ia e Comércio do pais de origem, atendendo, dessa forma, aos ditames do artigo 10 da Resolução n°252; D defende que não procede a alegação do Fisco quanto a inexistência de con espondência entre o Certificado de Or igem e a fanner expedida pela PIFC0, "[„] vez que esta fatura traz infonnaçães condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referencia a ele em seu próprio corpo", o que estar ia em sintonia corn o artigo 8" da Resolução ,i" 252; g) contesta a exigência da multa regulamentar poi descumpr Mimic das exigaincias estabelecidas nas alíneas "a", "h", "i" e "in" do art 425 do Regulamento Aduaneiro à época vigente (Decreto n" 91.030/85), ao argumento de que "1,.1 essa suposta "Uregularidade" está claramente vinculada à questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulacdo comercial e que "»a ausência de 1101111(75 especificas, a Impugnante apr escutou somente uma fanu a, por ocasião do despacho aduaneiro, mas diligenciou para que no corpo desta ,fatura .fossem anotados os minieros do Certificado de Origem e da fatura oi iginciria correspondentes"; finaliza sua contestação quanta a querela jazendo exegese no sentido de que • • - 1' 4 ; ( 1 Processo ri" 10209.000427/2005-48 Acerd5o n.° 9303-01.162 CSRF-T3 Fl 214 a imposição em tela seria improcedente, tuna vez que as regras impostas pelo art, 425 do Regulamento Aduaneho estariam restritas ao exportador; e que, no caso presente, a empresa PIFCO teria par ticipado da importação C01110 Mel a "operadora"; 1r) faz ainda breve comentário .sobre o caráter exit ofi.scal do imposto solne as importações, sem, todavia, cons!? uir nenhuma argumentação relativa à citada observação; alternativamente, na hipótese do não acolhimento da tese acima arrazoada, se contrapõe à cobrança da multa de 75% tipificada no art. 44, incisor, da Lei 9.430/96, ao argumento de que o Ato Declaratório Interpretativo SRF (ADI) n° 13, de 10/09/2002, teria deixado de considerar conto infração punível a solicitação feita no despacho de importação, embora incabível, de reconhecintento de redução do imposto de importação e preferência percentual negociada ern acordo internacional; segundo defende, citado ADI, embora vigente somente após a ocorrência do fato gerador do lançamento, poderia ser aplicado retroativantente por fowl do disposto nos a, ligas 100, I e 106, I, do Código Tributado Nacional, questão que, ern situação semelhante, já teria sido decidida favoravelmente c reclanzante pelo TRF da 3" Região, j) por fim, a impugnante se insurge contra a exigência dos juros de morn baseados na taxa SEL1C, ao argumento de que dita taxa, por ser decorrente cia Lei Ordinária n° 9,065/95 e, portanto, não ter força de Lei Complemental ., jantais poderia alterar o disposto no art. 161, § 1°, do Código Tributário Nacional; assever a ainda que a taxa SELIC não teria sido instituída por lei, mas "somente foi referida na lei", cabendo a resoluções do BACEN a definição de sua metodologia de cálculo; continua sua argumentação re,ssaltando que a taw SEL1C encontra óbices do panto de vistafinalistico, posto que, embora destinada a remunerar o capital investido em títulos públicos, estaria sendo erroneanzente utilizada paw atualizar créditos em atraso; tais argumentações já temiam sido acolhidas pelo Superior Tribunal de Justiça. 9. Finalmente, apoiado nos finulamentos acima elencados, requer que o auto de infração seja julgado insubsistente ou, em não Se aceitando tal entendimento, que seja "[ ..] excluída a aplicação da multa proporcional e da taxa SELIC j..1", nos felinos dos argumentos acima aduzidas, protestando, ainda, por todos os meios de prova ern direito admitidos [...]". Julgando o feito, a turma julgadora de primeira instAncia manteve parcialmente o lançamento em acórdão assim ementado: Assunto Imposto sobre a importa cão -II Data do fato gerador; 15/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÁMBITO DA ALADI INTERMEDIACÁO DE OPERADOR DE TERCEIRO PAI'S ■ .2 ,..)):') 5 ' 1'.. ■ ;11 `• 1 ! is 1 NÃO ATENDIMENTO AS CONDIÇÕES PRESCRITAS NO REGIME DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferencia tar ifatia quando o produto importado 6. comercializado por terceiro pals, não signatário do Acordo Internacional, sew que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Nor mas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador 15/06/2000 MULTA DE OFICIO. INEXIGIBILIDADE Incabível a exigência da multa de oficio capitulada no ar ligo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encomia conetamente descrita na declaração de importacão, corn todos os elementos necesstitios a sua identificação e enquadramento tar ifário, em consonância corn Ato Declaratário lute: pretativo SRF n" 13/2002. JUROS DE MORA, TAXA SELIC ARGÜIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS, FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANALISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação cio cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável 4 análise de questões atinentes a supostas incongr uências formais existentes no texto legal ou no process° legislativo. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes, onde repisa, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação Julgando o feito, o Colegiado a quo deu provimento ao recurso, em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sabre a Impor fação - li Data do fato gerador: 15/06/2000 PETROBRAS TRÂNSITO DE MERCADORIA - ALADI Conclui-se haver houve trânsito direto da mercadoria em face da aquisição original quando a mercador ia é enviada diretamente do pais przghno pra o Brasil. Irresignada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, postulando o restabelecimento da exigência fiscal, ja que teria demonstrado não ter a autuada direito A redução tarifaria, por não haver atendido aos requisitos estabelecidos nos acórdãos internacionais, O recurso foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 199/200. Contrarrazões As fls 206 a 210. o relatório, ..*:i . ,; t• t• - •••• • i • c.fr• ; Processo if' 10209 000427/2005-48 CSR17-1-3 Acórti5o n 9303-01.162 Fl 215 Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate giram em torno dos efeitos da divergência entre certificado de origem e Fatura Comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro pais, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo beneficio de redução tarifária entre os países membros da ALADI para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresenta-se como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no hmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dá-se, exclusivamente, por meio do Certificado de Origem. Por conseguinte, 0 Fisco s6 pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador.. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta o Certificado de Origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. De outro lado, a teor do artigo 10 do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução 232 da ALAD1, apensa ao Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, não deixa margem dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO - A descrição dos produtos incluidos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que coffesponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e coin a que se legistra na latura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.. (Destaquei). A seu turno, o ACE 27, firmado entre Brasil e Venezuela, incorporado legislação brasileira por meio dos Decretos n 1.381/95 e 1.400195, adotou o Regime de Origem previsto na Aladi, consubstanciado na Resolução 78 e no Acordo 91, 0 Art. '7" dessa resolução assim dispõe: Artigo 7" — Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiar-se dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de run (word() celebrado de confounidade com o Ti atado de Montevida 1980, os pares - membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulátio — padrão adotado pela Associação, de uma 1 1.2i: ;;J 7 i 1: declaração que acredite a cumprimento dos requisitos de o, igem que correspondam, de conformidade com a disposto no Capitulo anterior, Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe corn personalidade juridica, credenciada pelo Governo do pais exportador. E de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais inserias nos dispositivos transcritos linhas acima, é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o Certificado de Origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formulario-padrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona . Por conseguinte, cada Certificado de Origem refere-se, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. Assim, não resta a menor dúvida de ser o vinculo entre Certificado de Origem e a fattna comercial o que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima o gozo do beneficio tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão do ilustre relator do acórdão da DRJ, com as quais comungo. Inicialmente, cabe ressaltar que a relação lurid/ca decorrente da operação de importação se estabelece entre a União e o importador, sendo deste a r esponsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária Assim, a »lactic) do beneficio de redução tarifciria importa a observância das condiça es e equisitos estabelecidos no acordo internacional. E claro o entendimento de que o reconhecimento pelo Fisco de um beneficio tributário pactuado en tic poises implica a constatação de que a importação °colter) pelos exatos termos acordados, cuja prom documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável, 44. Moi mente em se tratando de pleito de redugiio de aliquota por aplicação de acordo da ALADI, em que se deve observar o cumprimento de vários requisitos, o que somente pode ser verificado em coda caso concreto. Ademais, neste ponto, não se pode descartar a existância de julgados divergentes acerca desta matória, quanto ao direito pleiteado, sendo possível, ainda, que em algumas das importações tenham sido efetivamente atendidos todos os requisitos legais porn gozo da redução e dai, obviedade, o reconhecimento do pleito formulado, embora em minas não, o que justificaria o ind(ferimento do beneficio fiscal Portanto, a apreciação que ora se desenvolve deve se concentrai' no exame das informações, dos fatos e das playas diretamente relacionados com a importação em causa e da legislação aplic-ável ao caso concreta. 45. Observe-se que Tzarinas que dispjer» sobre a certificação de origem, no âmbito na A.LADI, trazem, como pressuposto mandamental, a ()tiger') da mercadoria acober toda pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato este que, repise-se, deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peps que I i • Processo n° 10209 000427/2005-48 CSRF-T3 AcOrd5o n '9303-01.162 Fl 216 instruern o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto element() probatório perante o pais importador, a i egularidade da utilização do beneficio pleiteado. Esclareça-se, por oportuno, que não há contrariedade entre a posição aqui adotada e a Nota COANA/COLAD/INTEG n°. 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrario do alegado no recurso voluntário, a nota ern apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendaria sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje preconizados na Resolução 232 acima citada. Em outro giro, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comer dial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer as demais regras determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa as importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela Aladi é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o beneficio fiscal as importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro pais, para que haja o beneficio fiscal, deve-se demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do pais produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o Pais- membro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4 0 da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO - Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador, Para esses efeitos, considera-se como expedição di, eta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não panicipante do acorda b) As mercadorias transportadas em trânsito pox um ou mais países não participantes, corn ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses paises, desde que: i)o trânsito esteja justVicado por motivos gcogreVicos ou pm - considerações referentes a requerimentos do transporte; ii)não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no pais de treinsita. e iii)não sofram, durante sett transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio pa, a mantê-las em boas condiçãe.s ou assegurar sua conservação. De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Representantes da ALAD1 editou a Resolução 232, que veio a ser incorporada na legislação brasileira I 9 11 :II • tr. pelo Decreto n° 2 865, publicado em 0811211998. Essa resolução alterou o Acordo 91, no sentido de modificar o regime de origem, passar a permitir a participação de um operador de um terceiro pais, membro ou não da ALADI, da seguinte forma: SEGUNDO - Quando a me, cadoria objeto de interceimbio for faturada por um °per ador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, a pi -odium ou exportackr do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "abseriações", que a mercadoria objeto de sua Declaração sei á faturada de um ter ceir o pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino." Na situação a que se refere o parágrafb anterior e, excepcionalmente, se no nwmento de expedir o certificado de or igem lido se conhecer o nárnero da fauna comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a áz ea C011espondente do certificado não deverá ser preenchida Nesse caso, o importador apesentará ri administr ação aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deterá indicai, pelo mows, os maned-as e datas da fatura comercial e do co tificado de or igem que ampar am a operação de impoi tacão. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a par ticipação de urn operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita A uma porque a falta de vinculação entre Certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro pais A rinica evidência extraída da documentação juntada pela autuada e de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifatias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no Ambit() da ALADI A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressalte-se que, como bem anotou o acórdão de primeira instância, não cabe ao interprete decidir pela prescindibilidade ou não de atendimento aos requisitos previstos no acordo internacional Como já ressaltado ante, iormorte neste voto, em se ti atando de redução tarifária no âmbito de acordo bilateral, as regias são rígidas e eleven: ser atendidas expressamente, sob pena de inviabilizar o acordo comercial e econômico entre os paises- membros. Ademais, sendo a norma tributária de natureza cogente e considerando as regras do Regime Geral de Origem, não cabe ao intérprete ou julgador decidir pela prescindibilidade deste cm daquele requisito, ao argumento de que se trata de meal formalidade, ou mesmo, entender que tal informação (domicilio do emissor da jatura) poderia ser sup ida por dados contidos na declaração de importação que regisu a a operação, sob pena de atentar contra o próprio acordo inter nacional De tudo que aqui foi exposto, pode-se concluir que a importação realizada pela impugnante não esta amparada pelos referidos acordos internacionais, conseqüentemente, inaplicável ao caso o tratamento preferencial pretendido. Isso porque, frise-se mais uma vez, trata-se de operação comercial realizada entre sociedade empresária brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo ern certificado de origem to Dr' r: A PI Processo II" 10209 000427/2005-48 CS12F-T3 Acórao n, 9393-01,162 Fl 217 Assim, não há como invocar a redução tarifária prevista no ACE 27, firmado no âmbito da ALADI, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, a vedação pretensa redução tarifária, quando não atendidos os requisitos previstos nos Acordos de regência. Em outro giro, deve -se ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Ern razão disso, toma-se bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material De outro lado, lido se pode olvidar que, no presente caso, ainda que a empresa Petrobras International Finance Company - Pifco se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução n° 232, acima citada, que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na Area relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identi ficando além do nome, denominação ou razão social do operador, o domicilio do mesmo, ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar â administração alfandegária correspondente urna declaração juramentada que justifique o fato, na qual devera indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação.o que não ocorreu. Demais disso,como bem observou a decisão de primeira instância: A questão analisada no presente processo se direciona pain a hipótese de expedição da fatura por terceiro pais em data anterior a data de emissão de cer tificado de origem (a fault a comercial de 17s, 19 que teria sido apresentada à alfeindega brasileira foi emitida antes do Certificado de Origem de Its 20), conforme definido na primeira parte do artigo 9" da mencionada Resolução 11 " 252, a qual estabelece que, o produtor ou exportador do pals de origent devera indicar no certificado de origem, "[..] na área relativa a "observações", que a mercado; ia objeto de sua Declaração será faturada de tun terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo ser á o que fature a operação destino" (grifo nosso) 49 Da análise do COI tificado de Origem objeto dos autos (11 20), vê-se claramente no campo "observações" a indicação da razão social da empresa que emitiu a fatura comercial de 11s. 19 (Petrobras International Finance Company), todavia, observa-se tare não consta do re&rido campo qualquer informação acerca do seu domicílio. Deste modo, deixou a interessada de atender expressa exigência contida na Resolução n" 252 Por último, mas não menos importante, aos autos não foram juntadas as faturas comerciais que pudessem comprovar a alegada triangulação. A única fatura juntada foi a emitida pela PIFC0 para a Petrobras brasileira, não se junto a que serviu de base para a emissão do certificado de origem, in castt, a emitida pela PDVSA para a Petrobrás, nem a desta para a PIFCO. Assim, mesmo que se admitisse a comprovação da transação por outro I r1.•'' 1 r:;; j documento que não o Certificado de Origem, ainda assim, neste caso, não teria como se comprovar a triangulação, posto que os elementos cornprobatórios não foram juntados aos autos De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres 12
score : 1.0
Numero do processo: 36378.002800/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casei, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda
aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.013
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casei, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 36378.002800/2006-28
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5016364
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.013
nome_arquivo_s : 240101013_143579_36378002800200628_009.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 36378002800200628_5016364.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
id : 4753139
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358657212416
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:43Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:43Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:43Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:43Z; created: 2010-03-30T23:57:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:43Z; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:43Z | Conteúdo => ' S2-01TI El. 155 MINISTÉRIO DA FAZENDA -'- <-, .•- .in - ' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ..... ; . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36378.002800/2006-28 Recurso u° 143.579 Voluntário Acórdão n° 2401-01.013 — C Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - DECADÊNCIA Recorrente METFORM S/A E OUTRO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casei, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, * 4° ou 173, do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / I Tunna Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das ....\contribuições apurada1s „. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente 1 ki i Laranja RYCARDO E"rt MAGALHAES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente Igarn -Mo, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Peneira de Araújo, Cleusa Vieira de Sbua Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 36378.002800/2006-28 S2-C411 Acórdão n.° 2401-01.013 Fl. 156 Relatório METFORM S/A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Belo Horizonte/MG, DN n° 11.401.4/0130/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31, da Lei n°8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra cedida pela empresa SHOCK MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA., apurada por aferição indireta com espeque no artigo 33, § 3", da Lei n° 8.212/91, em relação ao período de 01/1995 a 08/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 33/43. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 11/08/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 14.169,02 (Quatorze mil, cento e sessenta e nove reais e dois centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços de manutenção industrial de máquinas, de instalações e de equipamentos elétricos, eletrônicos, hidráulicos e pneumáticos, prestados pela empresa SHOCK MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA, que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3°, da Lei n°8.212/91, utilizando-se o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço prestado contido nas Notas Fiscais ; Faturas ou Recibos, nos termos do artigo 600, inciso I, da Instrução Normativa SRP n°03/2005. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Aviso de Recebimento-AR, às fls. 38. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 87/99, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. I Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em I vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao contlitar com norrnatização de e \<hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o - \ 3 crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4°, do CTN, sobretudo tratando-se de lançamento por homologação. Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, por entender que deveria o INSS ao constituir o crédito previdenciário, sobretudo por se tratar de responsabilidade solidária, promover o cruzamento de informações sistematizadas objetivando verificar de forma evidente o não recolhimento das contribuições objeto da notificação, acostando-se tais informes aos autos e dando ciência às partes, no intuito de evitar a duplicidade da cobrança das contribuições ora lançadas. Assevera que o Parecer CVMPAS n° 2376/2000, bem como a legislação previdenciária oferece proteção ao pleito da contribuinte, determinando que a fiscalização adote procedimentos prévios ao lançamento com o fito de minimizar as chances de bi- tributação, não servindo para tanto o simples argumento da necessidade de existência de guias especificas. Requer a nulidade do lançamento, alegando que a fiscalização deixou de verificar primeiramente, junto à prestadora dos serviços, a existência dos créditos previdenciários ora lançados. Opõe-se à pretensão fiscal, especialmente quanto ao arbitramento levado a efeito na constituição do crédito previdenciário, inferindo que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador de primeira instância, não lograram comprovar que os serviços prestados pela empresa arrolada nos autos, de fato, o foram mediante cessão de mão-de-obra, tendo baseado o lançamento em meras presunções. Sustenta que o simples fato de não apresentar as guias especificas vinculadas aos serviços prestados, por si só, não tem o condão fundamentar a presunção de existência de passivos previdenciarios, mormente a partir de arbitramento (medida excepcional) sem a devida análise da escrituração contábil da empresa. Contrapõe-se ao arbitramento, notadamente em relação às aliquotas aplicadas, alegando que necessitam de lei para sua regulamentação, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde o fundamento utilizado fora uma mera Instrução Normativa, editada posteriormente à ocorrência do fato gerador, contrariando os princípios da legalidade e da irretroatividade. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 105/107, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Incluído na pauta do dia 10/04/2008, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendària informasse, relativamente ao período objeto da notificação, se a empresa prestadora de serviços fora submetida à ação fiscal total (com contabilidade) ou parcial; se detém CND de baixa emitida; se encontra-se incluída em algum Parcelamento; ou mesmo se existem recolhimentos de contribuições previdenciárias relacionadas com os fatos geradores em comento, conforme Resolução n°206-00.111, às fls. 108/113. Em atendimento à diligência suso mencionada, a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 153/154, elucidando as questões suscitadas por esta Egrégia Câmara, 4 Processo n° 36378.002800/2006-28 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.013 EL 157 ressaltando a publicação da Sumula Vinculante n° 08, rechaçando o lançamento fiscal em sua plenitude. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. Em que pesem os esclarecimentos da fiscalização a propósito da diligência determinada por esta Colenda Câmara, bem como a falta de intimação da contribuinte do seu resultado, há nos autos questão prejudicial/preliminar decorrente de fato superveniente ao primeiro julgamento, capaz de ensejar a improcedência total do lançamento, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão, como passaremos a demonstrar. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I— do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Com mais especificidade, o artigo 150, § 4°, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.I50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 117 Processo n° 36378.002800/2006-28 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-04.013 Fl. 158 • § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simUlação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, posteriormente à interposição do recurso voluntário e, bem assim, da diligência determinada por esta Câmara, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. "Súmula n' 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tune para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante n° 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4 0, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. lá o • lançamento por declaração ou misto, e aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4°, do C1N quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4°, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez que os fatos geradores das contribuições previdenciárias encontram-se alcançados pela decadência sob qualquer fundamento legal que se pretende aplicar, artipos 150, 0 4°, ou 173, inciso I, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 11/08/2005 com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 0111995 a 08/1998 fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAR-LHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das `• ões, em 24 de fevereiro de 2010 Aink...mitts......_.,_ _ RYCA •ill lil . ENRIQUE MAGALHAES I OLI v IRA — Relator KN..... , e MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -1--,;''&;, QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 36378.002800/2006-28 Recurso n°: 143.579 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.013 Brasília, 2 de arço de 2010 Á. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000348/2005-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004,
30/07/2004
DIF PAPEL IMUNE. .
Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de
DIF Papel
Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da
multa prevista no art. 507 do RIPI/2002.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004,
30/07/2004
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O auto de infração eivado de vício material deve ser considerado nulo.
NOTIFICAÇÃO DOS JULGAMENTOS DO CARF. CIÊNCIA PESSOAL
DO INTERESSADO.
Não há previsão legal para ciência pessoal dos julgamentos do CARF. O
conhecimento dáse
pela publicação no Diário Oficial da União.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.487
Decisão: Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido a conselheira Fabiola Cassiano
Keramidas.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIF PAPEL IMUNE. . Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O auto de infração eivado de vício material deve ser considerado nulo. NOTIFICAÇÃO DOS JULGAMENTOS DO CARF. CIÊNCIA PESSOAL DO INTERESSADO. Não há previsão legal para ciência pessoal dos julgamentos do CARF. O conhecimento dáse pela publicação no Diário Oficial da União. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10930.000348/2005-72
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 4941548
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.487
nome_arquivo_s : 330201487_10930000348200572_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ALAN FIALHO GANDRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930000348200572_4941548.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4750365
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358659309568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1790; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.000348/200572 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330201.487 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2012 Matéria IPI Recorrente CREARE ADMINISTRAÇÃO DE BENS MÓVEIS E IMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIF PAPEL IMUNE. . Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O auto de infração eivado de vício material deve ser considerado nulo. NOTIFICAÇÃO DOS JULGAMENTOS DO CARF. CIÊNCIA PESSOAL DO INTERESSADO. Não há previsão legal para ciência pessoal dos julgamentos do CARF. O conhecimento dáse pela publicação no Diário Oficial da União. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 2 (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos até a impugnação, adoto e ratifico o relatório da decisão de primeiro grau, abaixo reproduzido. “Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 16/21, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 2° trimestre de 2003 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 300.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999; art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 368 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 10, 11 e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.02.002004 005121 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação A entrega das DIF — Papel Imune relativas ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 03). Em atenção à intimação fiscal, a fiscalizada apresentou cópias dos recibos de entrega das declarações solicitadas, entregues a destempo, em 17/01/2005 (fls. 06/14). Na oportunidade, requereu a baixa dos seus Registros n° UP — 09102/07300 e GP — 09102/07300, "pois deixou de operar com essa atividade" (fl. 05). 0 sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 31/01/2005 (fl. 22), tendo protocolado sua impugnação em 23/02/2005, conforme peça de fls. 30/72 (firmada por procuradores regularmente estabelecidos, fls. 74/105), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 330201.487 S3C3T2 Fl. 2 3 a) que "é sociedade empresária que tem por objetivo o ramo de administração de bens móveis e imóveis próprios, serviços de manutenção, limpeza, conservação, jardinagem, informática, reprografia, artes gráficas, digitação e serviços gráficos". E, "no exercício de sua atividade, a Impugnante realizou operações com papel destinado A impressão de material didático (livro, revista, jornal, etc.), os quais se encontram abrangidos pela imunidade da alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal", tendo requisitado sua inscrição no regime especial para realização de operações com papel imune; b) que apresentou, tempestivamente, todas as declarações relativas as "ocasiões das movimentações de compra e movimentação de saída de papel imune, o que se comprova pela documentação anexa". Neste sentido, não procede a imputação descrita no auto de infração; c) que "a autuação laborou em equívoco quanto à exata compreensão e finalidade das normas infralegais, nas quais pretende sustentar a imputação". Isto porque, "não é possível interpretarse a norma administrativa pelo absurdo, de que fosse a obrigação vitalícia, perpétua, sem fim, nem objetivo ou finalidade. O que pretende a norma em que se baseia o auto é que haja a prestação de informações, enquanto houver o que informar". Neste caso, ha que se respeitar o disposto no art. 2°, incisos I, IV, VI e XIII, da Lei n° 9.784/99. "Verificado, como foi, pelo Fisco que não havia omissão, pelo pronto atendimento à intimação inicial, não havia fundamento para se impor uma penalidade exacerbada, destituída de qualquer finalidade ou objetivo"; d) que não consta prescrito "na lei, nem na Medida Provisória, nem nos atos administrativos (INs)", a necessidade de apresentar "declaração negativa de movimento"; e) que "tanto a Instrução Normativa como o Decreto (Regulamentar) são instrumentos normativos impróprios para estabelecerem obrigações", nos termos disposto no art. 5° da Constituição Federal (CF) e art. 99 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim já estabeleceu a jurisprudência judicial. E, "não obstante a R. Autuação citar o artigo 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, para tentar validar a transcrita Instrução Normativa e Decreto, consignase que tal dispositivo de Lei somente se refere as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nada mencionando sobre os deveres instrumentais para a fruição da imunidade". E, nesta toada, "a penalidade cominada não tem qualquer relação com os impostos e as contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil"; f) que "a entrega extemporânea das Declarações de Informação de Papel Imune (DIF), nenhum prejuízo causou ao erário, de vez que abrange período em que a Impugnante não usufruiu da imunidade"; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 4 g) que o art. 2° da Emenda Constitucional n° 32 vedou que matéria penal fosse objeto de medidas provisórias, e a penalidade aplicada no auto de infração está prescrita em Medida Provisória; h) que "a multa aplicada contraria e nega vigência aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da legalidade, se não fosse confiscatória". A respeito da desproporcionalidade da multa, "o benefício fiscal alcançado pela imunidade concedida, não se aproxima de R$ 20.000,00". E o STF já decidiu "pela inconstitucionalidade de penalidades tributárias no percentual de 300% (trezentos por cento) sobre o valor da mercadoria no caso de não emissão de nota fiscal no ato de venda (ADInMC 1.075)". "No presente caso, a penalidade imposta (R$ 300.000,00 —Trezentos mil reais) ultrapassa 300% de todas as notas fiscais de compra da Impugnante, que totalizam R$ 25.868,05, conforme se pode verificar das Declarações de Infrações de Papel Imune — DIF's anteriormente apresentadas e das notas fiscais que agora se encarta"; i) que a multa deve ser reduzida, "pela fixação da penalidade pelo seu mínimo legal, dado a continuidade da suposta infração, em homenagem ao artigo 71 do Código Penal". Neste sentido, "como se pode extrair da própria peça fiscal, a conduta da autoridade não foi pautada pela regra basilar do artigo 112 do Código Tributário Nacional, o que resulta em ato administrativo desviado das finalidades que o motivou, porque não atentou para a natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos e, muito menos, pela interpretação mais benéfica"; j) que "se tratando de apenas um ato administrativo que dá conta da prática de várias infrações da mesma natureza, caracterizada se encontra a infração continuada, impondose a aplicação de uma única multa". E assim sendo, "neste tipo de infração continuada (SEQUENCIAL), conforme assente Jurisprudência das Cortes Superiores (STF e STJ), considerase consumado um único ilícito, de vez que nosso Código Penal adotou a teoria da ficção jurídica, para fins exclusivos de aplicação da pena, visando atenuar a sanção, como prescreve o artigo 71 do Código Penal". Neste caso, aplicável é o mínimo legal de R$ 5.000,00, conforme art. 57, inciso I, da MP n° 2.158 35/2001; k) que a multa deve ser reduzida também em face da aplicação de lei mais benéfica, nos termo dos artigos 106, inc. II, alínea "c", e 112, do CTN. Neste caso, pugna pela aplicação da multa prescrita no art. 7°, inciso IV, da Lei n° 10.426/2002, por informações supostamente omitidas, apesar de este dispositivo legal "não mencionar expressamente as Declarações de Informações de Papel Imune, por ser mais benéfica e se referir também, a prestação de informações de deveres instrumentais". E se entender que não é o caso de se aplicar o inciso IV do referido comando legal, há que se aplicar o inciso II do § 2° do mesmo artigo 7°, observado o disposto em seu § 3º, inciso II; Conclui a impugnante requerendo a decretação da nulidade e a improcedência do auto de infração, "cancelandose a Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 330201.487 S3C3T2 Fl. 3 5 confiscatória penalidade aplicada, dada a sua inconstitucionalidade e ilegalidade". Sucessivamente, pede pela redução da penalidade para o mínimo legal estabelecido no inciso IV do art. 7° da Lei n° 10.426/2002, observado o limite do parágrafo 3°, inciso II, do mesmo artigo, ou, ainda, pela aplicação do valor único de R$ 5.000,00, nos termos do inciso II do § 2° do art. 7° da Lei n° 10.426/2002. O colegiado de primeira instância negou o direito creditório, sob as razões sintetizadas na ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial esta obrigada a apresentar a DIF Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mêscalendário de atraso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 INFRAÇÃO TRIBUTARIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. INAPLICABILIDADE. Na interpretação ou integração da legislação tributária, os princípios gerais de direito privado podem ser utilizados para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. Descabe falar de retroatividade benigna quando a penalidade aplicada no lançamento não foi alterada por norma posterior. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento i legislação vigente. Lançamento Procedente. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual repisa todos os argumentos formulados na impugnação. Adicionalmente, pede seja cientificada da data de julgamento de seu recurso para fins de sustentação oral. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Consoante ventilado no relatório acima, o cerne da questão consiste em saber qual a penalidade aplicável aos casos de não apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O auto de infração e a decisão recorrida consideram que a multa aplicável é a prevista no art. 57, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, sob os fundamentos das disposições contidas no art. 16 da Lei n° 9.779/1999, no art. 368 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) e nos arts. 10 a 12 da Instrução Normativa SRF n° 71/2001. Do outro lado, a Recorrente sustenta que a penalidade prevista no art. 57, I, da MP no 2.15835/2001 referese a descumprimento de fornecimento de informações e esclarecimentos solicitados pelos agentes do Fisco ou pela RFB. Tal não é o caso dos autos, eis que não houve conduta que se subsuma a este preceito legal e, por conseguinte, autorize a aplicação da multa lançada. Subsidiariamente, sustenta que faz jus a redução da multa aplicada ao mínimo legal, previsto no inciso IV do Artigo 7°, da Lei n° 10.426/02, observado o limite do seu § 3°, inciso II, ou, pelo princípio da eventualidade e da concentração das razões recursais, então que seja atendida a prescrição mínima, quanto à infração de natureza continuada, ao mínimo legal de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), reduzindoa nos termos do inciso II do § 2° do artigo 7° da Lei n° 10.426/2002. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 330201.487 S3C3T2 Fl. 4 7 No que interessa ao deslinde da questão e ressalvando que os grifos não constam no original, o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos, assim dispõe: “Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei nº 9.779, de 1999, art.16). Art. 368. Os documentos de declaração do imposto e de prestação de informações adicionais serão apresentados pelos contribuintes, de acordo com as instruções expedidas pela SRF. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (Decretolei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º). § 2º As diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativas ao imposto, serão objeto de lançamento de ofício ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 90). Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). Art. 506. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas ( Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7º ): I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, inciso I) ; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 8 DCTF ou na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, inciso II); e III – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, inciso III). § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 1º). § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 2º): I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 2º, inciso I) ; e II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 2º, inciso II). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 3º): I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996 (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 3º, inciso I); e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 3º,inciso II). § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela SRF (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 4º). § 5º Na hipótese do § 4º , o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contado da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos § 1º a § 3º (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 5º). Art. 507. Serão punidos com a multa de R$ 31,65 (trinta e um reais e sessenta e cinco centavos), aplicável a cada falta, os contribuintes que deixarem de apresentar, no prazo estabelecido, o documento de prestação de informações a que se refere o art. 368 (Decretolei nº 1.680, de 1979, art. 4º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Parágrafo único. As disposições do caput aplicamse exclusivamente aos contribuintes do imposto não sujeitos ao disposto no art. 506. Art. 508. As infrações para as quais não se estabeleçam, neste Regulamento, penas proporcionais ao valor do imposto ou do produto, pena de perdimento da mercadoria ou outra específica, serão punidas com a multa básica de R$ 21,90 (vinte e um reais e noventa centavos) (Lei nº 4.502, de 1964, art. 84, Decretolei Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 330201.487 S3C3T2 Fl. 5 9 nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 24ª, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Art. 509. A inobservância de normas prescritas em atos administrativos de caráter normativo será punida com a multa estabelecida no art. 508, se outra maior não estiver prevista neste Regulamento. Art. 510. Em nenhum caso a multa aplicada poderá ser inferior à prevista nos arts. 508 e 509 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 86, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 25ª).” Da análise dos excertos legais relacionados ao tema notase que no RIPI/02, o art. 212 está no Capítulo I do Título VIII, que trata das disposições preliminares das obrigações acessórias. Por sua vez, o art. 368 está na Subseção IV, da Seção II (dos documentos fiscais), do Capítulo IX (do documentário fiscal), também do Título III (das obrigações acessórias), que trata dos documentos de declaração e de prestação de informações. Estes dois dispositivos, e as respectivas penalidades a eles vinculadas, tratam de obrigação acessória instituída pela RFB, sendo que o art. 368 trata especificamente de declaração de informação e o art. 212 trata de toda e qualquer modalidade de obrigação acessória. Existindo legislação específica no RIPI/02, entendo que esta deve prevalecer sobre a legislação que alcança toda e qualquer obrigação acessória vinculada a qualquer imposto ou contribuição administrado pela RFB. Entendo que a DIF Papel Imune classificase como um documento de prestação de informação a que se refere o art. 368 do RIPI/2002 (como o era a DIPI) e, conseqüentemente, ao descumprimento de sua apresentação aplicase a penalidade prevista no art. 507 do RIPI/2002, acima transcrito, e não a penalidade do art. 505, reproduzido no art. 12 da IN SRF no 71/2001. Tal raciocínio está em consonância com a Lei de Introdução ao Código Civil que dispõe que norma específica prepondera sobre a norma de caráter geral. Tem guarida, também, no art. 112, I, do CTN eis que, havendo dúvida na capitulação legal do fato, devese aplicar a penalidade mais favorável ao acusado. Destarte, entendo que o fundamento da multa aplicada ao caso concreto é o art. 507 e não o art. 505, ambos do RIPI/2002, sendo, portanto, improcedente o lançamento por enquadramento legal equivocado e exigência de penalidade diversa da aplicável à espécie, merecendo ser cancelado de ofício. Salientese que o § 4o, do art. 1o, da Medida Provisória no 451, de 15/12/20081 (convertida na Lei nº 11.945/2009), estabeleceu uma multa específica para a 1 Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil, a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição; e II adquirir o papel a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. (. . .) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 10 apresentação fora do prazo da DIF Papel Imune e para erro no seu preenchimento. Tal dispositivo, no meu entendimento, não significa redução da penalidade para a referida infração fiscal. Ao contrário, houve um agravamento da multa antes prevista para o referido delito fiscal. Deve, portanto, o lançamento ser cancelado de ofício por vício material. Quanto ao pedido da Recorrente para ser notificada pessoalmente da data, hora e local do julgamento do recurso voluntário, por pretender realizar sustentação oral, registrase que para ciência dos interessados, especialmente dos recorrentes, a pauta de julgamento do Conselho Administrativo Fiscal CARF é publicada, com dez dias de antecedência, no Diário Oficial da União e divulgada no site do CARF na Internet (www.carf.fazenda.gov.br), nos termos do parágrafo único2 do art. 55 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009. Os pedidos de sustentação oral são feitos no ato do julgamento, via oral e sem nenhuma formalidade adicional. Portanto, não há previsão legal para notificação pessoal dos interessados da data de julgamento de recurso voluntário. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, por vício material. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O nãocumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º será reduzida à metade. 2 Art. 55. A pauta da reunião indicará: (...) Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 330201.487 S3C3T2 Fl. 6 11 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002428/2003-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Ano-calendário: 1998
Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. AMPLIAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. APLICAÇÃO.
Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para o reexame necessário. Assim, perdem o objeto os recursos de ofício cujo crédito tributário exonerado seja inferior ao novo limite.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento que obedeceu às
disposições do art. 142 do CTN, bem assim o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, quando não se verifica cerceamento do direito de defesa e, ainda, inocorrendo qualquer das previsões de nulidade existentes no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA.
É legítimo o lançamento efetuado na repartição, com os elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração, sem a prévia intimação a contribuinte para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO EFETUADO PARCIALMENTE EM DUPLICIDADE. ALTERAÇÃO.
O lançamento efetuado parcialmente em duplicidade, por si só, não enseja sua nulidade.
A fase litigiosa visa exatamente à correta exigência do crédito tributário, verificando-se a ocorrência do nascimento da obrigação e o quantum a ser exigido, estando a autoridade julgadora autorizada a alterar o lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, conforme dispõe o art. 145, I e II, do CTN.
MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se lei posterior, que deixe de definir como infração, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgados (CTN, art. 106, inciso II, "a").
Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-000.797
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de oficio isolada, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano-calendário: 1998 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. AMPLIAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. APLICAÇÃO. Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para o reexame necessário. Assim, perdem o objeto os recursos de ofício cujo crédito tributário exonerado seja inferior ao novo limite. Recurso de Ofício Não Conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento que obedeceu às disposições do art. 142 do CTN, bem assim o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, quando não se verifica cerceamento do direito de defesa e, ainda, inocorrendo qualquer das previsões de nulidade existentes no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o lançamento efetuado na repartição, com os elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração, sem a prévia intimação a contribuinte para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO EFETUADO PARCIALMENTE EM DUPLICIDADE. ALTERAÇÃO. O lançamento efetuado parcialmente em duplicidade, por si só, não enseja sua nulidade. A fase litigiosa visa exatamente à correta exigência do crédito tributário, verificando-se a ocorrência do nascimento da obrigação e o quantum a ser exigido, estando a autoridade julgadora autorizada a alterar o lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, conforme dispõe o art. 145, I e II, do CTN. MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se lei posterior, que deixe de definir como infração, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgados (CTN, art. 106, inciso II, "a"). Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13819.002428/2003-75
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4964508
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-000.797
nome_arquivo_s : 330100797_13819002428200375_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MAURICIO TAVEIRA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13819002428200375_4964508.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de oficio isolada, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
id : 4752348
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358676086784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 166 1 165 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.002428/200375 Recurso nº 248.848 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 330100.797 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2011 Matéria Cofins Recorrentes KENPACK SOLUÇÕES EM EMBALAGENS LTDA. E FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. AMPLIAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. APLICAÇÃO. Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para o reexame necessário. Assim, perdem o objeto os recursos de ofício cujo crédito tributário exonerado seja inferior ao novo limite. Recurso de Ofício Não Conhecido PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento que obedeceu às disposições do art. 142 do CTN, bem assim o art. 10 do Decreto 70.235/72, quando não se verifica cerceamento do direito de defesa e, ainda, inocorrendo qualquer das previsões de nulidade existentes no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o lançamento efetuado na repartição, com os elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração, sem a prévia intimação a contribuinte para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO EFETUADO PARCIALMENTE EM DUPLICIDADE. ALTERAÇÃO. O lançamento efetuado parcialmente em duplicidade, por si só, não enseja sua nulidade. A fase litigiosa visa exatamente à correta exigência do crédito tributário, verificandose a ocorrência do nascimento da obrigação e o quantum a ser exigido, estando a autoridade julgadora autorizada a alterar o lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, conforme dispõe o art. 145, I e II, do CTN. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 167 2 MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase lei posterior, que deixe de definir como infração, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgados (CTN, art. 106, inciso II, "a"). Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de oficio isolada, nos termos do voto do relator. Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator MAURICIO TAVEIRA E SILVA Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório KENPACK SOLUÇÕES EM EMBALAGENS LTDA, devidamente qualificada nos autos, recorre a este colegiado, através do recurso de fls. 118/124 contra o acórdão nº 12.817, de 10/04/2006, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, fls. 104/110, que julgou procedente em parte o auto de infração nº 0004069 (fls.37/38) relativo à Cofins, referente aos períodos de janeiro a junho de 1998, decorrente de auditoria interna na DCTF, em razão de que os créditos vinculados aos Processos nºs 98.00029494, 98.00001930 e 13819.000184/9886, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc jud não comprova” e “Proc inexist no Profisc”, respectivamente, e ainda, pelo recolhimento em atraso, sem acréscimo de multa de mora, do débito referente a agosto de 1998, conforme fls. 39/42, cuja ciência ocorreu em 18/07/2003 (fl. 101). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/118, aduzindo os argumentos sintetizados pela instância a quo, nos seguintes termos: 2.1. Argüi a nulidade do lançamento em face da duplicidade de exigência com os Autos de Infração formalizados sob nº 13819.000884/200208 e 13819.000881/200266, e também em virtude da ausência de procedimento fiscal para demonstração Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 168 3 das infrações que lhe são imputadas. Acrescenta que desistiu do recurso apresentado nos autos do processo administrativo nº 13819.000881/200266 (períodos de maio e junho/98) para vêlo parcelado nos moldes da Lei nº 10.684/2003. 2.2. Subsidiariamente, caso se admita regular o lançamento efetuado, entende ser confiscatória a penalidade aplicada, porque não guarda qualquer proporcionalidade com a infração imputada. 2.3. No mérito, defende seu direito a créditos decorrentes do pagamento de multa em parcelamentos, por se tratar de denúncia espontânea, ante a ausência de qualquer ato de fiscalização anterior ao pagamento. Aborda também a possibilidade de sua compensação. 3. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora confirmou a correspondência dos valores aqui autuados com aqueles exigidos nos autos dos processos administrativos referidos pelo impugnante, e também no lançamento formalizado sob nº 13819.000650/200252, com ciência em 26/02/2002. Ressalvou, apenas, divergência quanto ao débito de junho/98. Ainda, consignou que os débitos que deveriam ser controlados por este processo foram incluídos no PAES, por rotina informatizada, processo 13819.459606/2004 17, o que impediu o seu cadastramento nestes autos. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento para: a) ANULAR INTEGRALMENTE as exigências de janeiro/98 a maio/98; b) ANULAR PARCIALMENTE a exigência de junho/98, no valor de R$ 46.882,15; c) JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a exigência de junho/98, para manter a parcela de R$ 18.458,13, mas exonerandose a multa de ofício sem prejuízo da aplicação da multa de mora; e d) DECLARAR NÃO IMPUGNADA a multa isolada de R$ 45.676,21. Em vista do valor exonerado, a primeira instância recorreu de ofício. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Ementa: DCTF. REVISÃO INTERNA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA EM AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Evidenciada a formalização do crédito tributário, mediante veículos de mesma espécie, cancelase a segunda exigência. COMPENSAÇÃO NÃO Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 169 4 COMPROVADA. Mantémse a parcela do débito não alcançada por lançamento anterior, mormente se o contribuinte não apresenta justificativa para a falta de seu recolhimento e, demais disso, já havia desistido da discussão acerca da compensação à qual estava vinculada a outra parcela da contribuição devida no período. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNANDA. Consolidase administrativamente a matéria não expressamente impugnada pelo contribuinte. Lançamento Procedente em Parte. Tempestivamente, em 17/11/2006, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 118/124, apresentando as seguintes alegações: a) nulidade do auto de infração por afronta ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, visto ser imprescindível a presença do fiscal nas dependências da empresa para a fiscalização e lavratura do auto de infração e inexistindo prova da existência do crédito tributário lançado; b) lançamento em duplicidade ensejando sua nulidade; c) diferente do decidido, recorreu da multa no montante de R$45.676,21, ao aduzir seu efeito confiscatório, a inaplicabilidade de multa em parcelamento, bem assim, o efeito da denúncia espontânea. Por fim, requer seja cancelado o auto de infração. Às fls. 151/152, a contribuinte apresentou bens para arrolamento. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator Inicialmente, de se registrar a desnecessidade do arrolamento recursal como condição para seguimento do recurso voluntário, consoante Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 9/07. Este processo envolve recurso de ofício e voluntário. Analisase, inicialmente, a matéria objeto do recurso de ofício, em face de decisão prolatada pela DRJ em Campinas, por haver exonerado a contribuinte do pagamento de contribuição e multa, em valor superior ao seu limite de alçada, conforme estabelece o inciso I do art. 34 do Decreto nº Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 170 5 70.235/72, alterado pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, combinado com o art. 2º da Portaria MF nº 375/01, posteriormente revogada pela Portaria MF nº 03/08. De acordo com o auto de infração à fl. 37, o lançamento da contribuição foi no valor de R$330.119,34, multa de ofício no importe de R$247.589,51 e multa isolada de R$45.676,21. Da Cofins lançada, a DRJ/CPS manteve parcialmente a exigência de junho/98 no valor de R$18.458,13 e a multa isolada de R$45.676,21 (fl. 110). Portanto, à época da decisão a quo, abril de 2006, momento em que vigia a Portaria MF nº 375/01, a DRJ deveria recorrer de ofício, vez que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de contribuição e/ou encargos de multa em valor superior a R$ 500.000,00. Posteriormente, houve a edição da Portaria MF nº 03/08 elevando tal valor para R$1.000.000,00. Embora a primeira vista possa se entender que, à época da decisão do recurso, independentemente de quem fosse o recorrente, seus requisitos de admissibilidade haviam sido cumpridos devendo, portanto, ser apreciado por esta instância, outras questões relevantes merecem ser consideradas. Valendome das razões de decidir citadas no voto condutor do acórdão nº CSRF/0105.234, Recurso nº 103132069, de 13/06/2005, de relatoria do ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, apresento uma síntese de questões pertinentes a esta matéria. Consoante as regras contidas no Decreto nº 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF, com fulcro no duplo grau de jurisdição é garantido ao particular a interposição de recurso voluntário na hipótese de decisões que lhes sejam contrárias. Contudo, decisão de primeira instância é definitiva quando contrária à Fazenda Nacional por ausência de previsão legal para interposição de recurso. Tendo em vista a necessária tutela do interesse público e a segurança do ato praticado, estabeleceuse a obrigatoriedade de duplo exame por autoridades julgadoras quando o valor exonerado ultrapassar determinado limite preestabelecido. Assim, a decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo CARF, tão somente quanto à matéria relativa à parcela exonerada de crédito tributário. Tratase, portanto, de um ato complexo em que a decisão é formada por dois atos de autoridades distintas. Nessa toada, o recurso de ofício determina a condição de eficácia da decisão não se caracterizando propriamente como um recurso, visto que a autoridade ad quem toma conhecimento da matéria por um ato de impulso, impropriamente chamado de “recurso”, realizado obrigatoriamente pela turma de julgamento ao final de sua decisão, eis que não se afigura possível o julgador impugnar suas próprias decisões, manifestandose inconformado com elas e postulando a sua substituição. Desta forma seria mais adequada a expressão “reexame necessário”. Nessa condição o CARF não atua como segunda instância de cognição, mas como copartícipe do julgamento em primeira instância que necessita de confirmação para ter eficácia. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 171 6 Assim, o ato proferido pela DRJ é uma decisão interlocutória que não tem natureza de sentença, eis que não tem eficácia, vez que não põe termo ao processo. Apenas quando aprovado ou reformado pelo CARF, se transformará em decisão apta a produzir efeitos. Destarte, a decisão da DRJ e do Conselho compõe o primeiro grau de jurisdição. Postas estas considerações, passase ao exame de edição de ato superveniente elevando o valor relacionado ao recurso de ofício. A partir do momento em que a Administração opta por elevar o valor para exigência de recurso de ofício, significa que perdeu o interesse em encaminhar ao reexame necessário processos cujos valores sejam aquém daqueles agora fixados. Assim, tal procedimento se configura ato superveniente e prejudicial ao conhecimento do recurso ainda pendente de apreciação tornando imprópria a possibilidade de prosseguimento e conhecimento do recurso, pois, neste passo, tratase do titular do direito renunciar à sua prerrogativa de recorrer, configurandose uma desistência tácita e perda do objeto. Ademais, neste sentido vêm decidindo este Conselho, conforme ementas dos acórdãos que se transcreve, parcialmente: RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA – TEMPUS REGIT ACTUM – RETROATIVIDADE LEGÍTIMA – É legítima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. LIMITE DE ALÇADA – PORTARIA MF 333/97 – O limite de alçada estabelecido pelo citado ato normativo é de R$ 500.000,00, sendo que o valor do crédito tributário do presente processo não o alcança.Recurso de ofício não conhecido. (Acórdão 10807485; Recurso 132494; Relator Mário Junqueira Franco Júnior; Data da Sessão 13/08/2003). EXERCÍCIO: 2001PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REEXAME NECESSÁRIO LIMITE DE ALÇADA AMPLIAÇÃO CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008).Recurso de Ofício não conhecido. (Acórdão 10423484; Recurso 165003; Relatora Maria Helena Cotta Cardozo; Data da Sessão 11/09/2008). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 1999RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA Tem aplicação imediata, alcançando os processos pendentes de julgamento, a norma que elevou o limite de alçada para a interposição de recurso de ofício. Assim, perdem objeto os recursos cujos créditos tributários exonerados são inferiores ao novo limite.Recurso de ofício não conhecido. (Acórdão 104 23002; Recurso 154050; Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa; Data da Sessão 24/01/2008). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 172 7 RECURSO ESPECIAL – ADMISSIBILIDADE – RECURSO DE OFÍCIO A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de ofício. Nesse caso, o Tribunal não decide recurso simplesmente complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tornar definitiva (art. 42 do Decreto nº 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão nãounânime proferido em remessa ex officio.Recurso especial não conhecido. (Acórdão CSRF/0105.234; Recurso 103 132069; Relator Marcos Vinícius Neder de Lima; Data da Sessão 13/06/2005). Portanto, neste caso, deve ser aplicado o novo limite de alçada para o reexame necessário, acarretando a perda de objeto do presente recurso de ofício, vez que o valor exonerado é inferior ao atualmente vigente. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Na sequência, passase à análise do recurso voluntário. Conforme mencionado anteriormente, da Cofins lançada, a DRJ/CPS manteve parcialmente a exigência de junho/98 no valor de R$18.458,13 e a multa isolada de R$45.676,21. A interessada aduziu a nulidade do auto de infração por afronta ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, visto ser imprescindível a presença do fiscal nas dependências da empresa para a fiscalização e lavratura do auto de infração e inexistindo prova da existência do crédito tributário lançado, e ainda, lançamento em duplicidade ensejando sua nulidade. De se ressaltar que a arguição de nulidade não encontra respaldo dentre as previsões existentes no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, enganase a contribuinte quanto ao fato de que o procedimento de fiscalização pressupõe a necessária requisição de documentos. O procedimento de fiscalização, tal qual o inquérito policial, caracterizase pela inquisitoriedade, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, pois ainda, nada foi imputado ao contribuinte que venha a ensejar sua defesa ou qualquer explicação. Somente após a lavratura do auto de infração, momento em que lhe é imputado o descumprimento de obrigação é que poderá se instaurar o litígio, quando então, a interessada terá trinta dias para se defender, de acordo com os arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72, sendo lhe assegurada a possibilidade de impugnar e, caso entenda conveniente, apresentar recurso. A intimação à contribuinte poderá ser dispensada, a juízo do auditor, se a infração estiver claramente demonstrada e apurada. Do momento que a administração detém os elementos necessários ao lançamento, inclusive a clara demonstração da infração, promover a intimação prévia, afrontaria os princípios da razoabilidade, eficiência e proporcionalidade, pois, no caso de eventual erro, à contribuinte é assegurado o direito à ampla defesa. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 173 8 Sobre o tema, assim lecionam os ilustres autores, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, 2004, p.157), tecendo os comentários abaixo: 11.23. Lavratura do Auto de Infração Quando o auto de infração comporta a exigência de crédito tributário, tem a natureza de lançamento de ofício; quando, ao contrário, simplesmente, registra a infração, a apreensão de mercadorias ou coisa semelhante tem a natureza de ato administrativo como outro qualquer. O auto de infração decorre de um procedimento de fiscalização. Como regra, o agente fiscal vai até o estabelecimento do contribuinte ou o intima na repartição fiscal onde inicia os trabalhos de fiscalização. Após a análise dos documentos e fatos, se ele concluir pela ocorrência de falta ou recolhimento a menor ou infração a dispositivo legal tributário, lavrará o auto de infração desde que dentro do prazo decadencial. A lei determina que a lavradora deve ser feita no local de verificação da falta, o que não implica a obrigatoriedade de efetuar o ato nas dependências da empresa fiscalizada. Os agentes do Fisco podem detectar algum fato antijurídico a partir dos elementos de convicção que dispõem no local de trabalho. A jurisprudência administrativa, neste sentido, tem entendido que não é nulo o auto de infração lavrado na sede da Delegacia da Receita Federal se a repartição dispunha de todos os elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário. (grifei) Ademais, estão presentes todos os elementos necessários à lavratura de auto de infração relacionados, tanto no art. 142 do CTN, quanto no art. 10 do Decreto 70.235/72. Destarte, não há como prosperar a arguição de nulidade aduzida pela recorrente, assim como não se verifica nenhum óbice ao lançamento eletrônico. Do mesmo modo o lançamento efetuado parcialmente em duplicidade, por si só, não enseja sua nulidade. É precisamente para corrigir e alterar os lançamentos imperfeitos que existe o contencioso administrativo, possibilitando aos contribuintes pagarem os tributos na exata medida do devido. Sobre o tema em relevo, elucidativos são os esclarecimentos prestados pelo ilustre doutrinador, Antonio da Silva Cabral1, donde se extrai o esclarecedor excerto: “O que importa, na fase litigiosa do procedimento, é saber realmente o que diz a lei e verificar se o fato gerador ocorreu e, portanto, se a obrigação já nasceu (an debeatur) e em que medida essa obrigação deve ser satisfeita, ou seja, qual é o crédito tributário a ser pago ou não (quantum debeatur).” (...) 1 in “Processo Administrativo Fiscal”, Ed. Saraiva, 1993, p. 258/259 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 174 9 “Já em processo fiscal, a pretensão do Estado se confunde com a lei, de tal sorte que o julgador não se aterá propriamente ao que disse o impugnante, mas o que disse a lei. Daí certas decisões irem extra petita, baseadas na célebre "contestação geral" a que aludem certos acórdãos, para que se dê maior valor ao princípio da legalidade. Não há lide, no sentido carneluttiano da palavra, mas fase litigiosa, pois o que visa o processo fiscal, na verdade, é saber se a obrigação é devida ou não.” (...) “Quando o sujeito passivo contesta, dáse o início da fase litigiosa do mesmo procedimento. O lançamento regularmente notificado ao contribuinte e por este validamente impugnado faz com que a fase interna do procedimento de lançamento tenha continuação, até o surgimento de um crédito tributário definitivo, que é aquele não mais sujeito a recurso na área fiscal. Embora, por princípio, todo lançamento seja definitivo (já que não existe lançamento provisório, nem lançamento condicional), o ato administrativo está sujeito a alteração, nas hipóteses previstas no art. 145 do CTN.” Por fim, esclarecedora a anotação consignada na obra do ilustre jurista, Leandro Paulsen2, a qual se transcreve: “Reexame. ‘Este retorno ao lançamento não significa que ele deixe de ser procedimento definitivo e válido. Não, ele continuará definitivo e válido, apenas com sua eficácia paralisada para possibilitar o reexame que poderá reafirmálo in totum, corrigir defeitos ou invalidálo integralmente.’ (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 293)” Portanto, correto o procedimento da instância a quo em cancelar as parcelas exigidas em duplicidade. Todavia, tal fato, por si só não enseja a nulidade de todo o lançamento. Resta, ainda, apreciar as alegações da interessada de que havia recorrido da multa isolada no montante de R$45.676,21, ao aduzir seu efeito confiscatório, a inaplicabilidade de multa em parcelamento, bem assim, o efeito da denúncia espontânea. Ainda que não tenha sido apresentado argumento específico conta a multa isolada aplicada, entendo que o tema foi abordado pelos argumentos apresentados pela interessada, ensejando sua apreciação, até porque, um dos princípios norteadores do Processo Administrativo Fiscal é o da Formalidade Moderada. Nessa toada, a contribuinte argumenta que efetuou o pagamento espontaneamente, com supedâneo no art. 138 do CTN. Portanto, a questão a ser analisada referese a interpretação da denúncia espontânea, prevista no artigo supradito, ensejar o pagamento de multa moratória nos casos de recolhimento extemporâneo, por iniciativa voluntária da contribuinte, ou de sua inaplicabilidade . 2 Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8ª edição, Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, p. 1085, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 175 10 É certo que no nosso diaadia, caso não se pague os compromissos na data de seu vencimento, devese fazêlo com os devidos acréscimos, apesar de não sermos notificados do atraso. Sendo a multa moratória uma realidade inconteste nas relações obrigacionais privadas, não há razoabilidade para tratamento diverso no caso de dívidas tributárias. A vigorar a tese da denúncia espontânea para pagamentos a destempo, sem os acréscimos devidos, seus vencimentos passarão a ser meras referências. Todos os tributos com vencimento no mês poderiam ser pagos no último dia do próprio mês, sem qualquer acréscimo. A certeza de imposição de penalidade estipulada em lei (multa e juros) àqueles que ignoram o vencimento é que faz os contribuintes recolherem os tributos com a multa de mora, para os vencimentos dentro do mês. Não há como ignorar a multa instituída pela Lei n° 9.430/96, destinada ao pagamento espontâneo e extemporâneo, sendo de 0,33% ao dia, limitada a 20%, consignada no art. 61 e §§. A não observância deste preceito ensejava a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I. Conforme se observa, o legislador elaborou uma sistemática visando motivar a contribuinte ao recolhimento dos tributos nos respectivos vencimentos. Aduzir o instituto da espontaneidade a quem paga intempestivamente seus tributos, além de violentar o ordenamento vigente e estimular a desobediência aos prazos de vencimento e a concorrência desleal, se funda em argumentos falaciosos, pois, considerando a quantidade de informações, hoje a disposição do fisco, e as diversas possibilidades de cruzamentos dessas informações e de outros dados, decorrentes do avanço tecnológico da informática, é pouco razoável imaginar que a administração tributária permanecerá inerte durante os cinco anos de que dispõe para enquadrar aquele contribuinte que recolheu seus tributos em desacordo com o que determina a legislação. Porém, é razoável que, pela inércia decorrente da magnitude do universo de contribuintes, o fisco demore a efetivar essa cobrança, o que, pela leitura desvirtuada da teoria da espontaneidade, a qual se combate, haveria a possibilidade de permanência no inadimplemento por mais tempo, pelo sujeito passivo, estimulando cada vez mais o atraso nos recolhimentos tributários. A multa de mora, portanto se constitui em um encargo menos oneroso que a multa aplicada em procedimento de ofício, a qual, por se tratar de penalidade, está sujeita ao contraditório e a ampla defesa. A iniciativa do contribuinte em efetuar o pagamento de seus débitos em atraso, com observância dos juros e multa de mora, portanto de natureza indenizatória, tem a função de afastar a aplicação de multa punitiva. A multa moratória sempre funcionou como encargo decorrente do recolhimento do tributo a destempo, de modo espontâneo efetuado pelo contribuinte, sem o concurso do fisco. A vigorar a tese da recorrente, a multa de mora seria inaplicável, pois, sendo efetuado o recolhimento antes de qualquer procedimento de ofício, com base nesse entendimento ela se torna indevida e, por outro lado, se o recolhimento fosse efetivado após o inicio de procedimento fiscal, somente a multa de ofício, mais gravosa deveria ser exigida. Portanto, não haveria aplicabilidade à multa de mora, a despeito de sua previsão pelo legislador. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 176 11 Conforme demonstrado, contrariar o instituto da denúncia espontânea contido no art. 138 do CTN, com suas previsões sancionatórias elaboradas de modo sistêmico como fixou o legislador pátrio, além de retirar a eficácia das normas que determinam os prazos de vencimentos dos tributos, desorganizando a arrecadação tributária do Estado, ainda teria extirpado a multa de mora do ordenamento jurídico, pela sua total inaplicabilidade. Registrese que os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Cabe à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Conforme mencionado anteriormente, o pagamento extemporâneo deverá ser acrescido da multa de mora, sendo de 0,33% ao dia, limitada a 20%, a qual se encontra prevista no art. 61 e §§ da Lei nº 9430/96. A inobservância deste comando enseja a aplicação de multa de ofício exigida isoladamente, de acordo com a legislação vigente à época, qual seja, o art. 44, inc. I e § 1º, inc. II, conforme se depreende da regra abaixo reproduzida: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Entretanto, o artigo acima transcrito foi modificado pelo art. 18 da MP nº 303 de 29/06/2006, passando a vigorar com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Embora esta MP nº 303 não tenha sido convalidada pela Casa Legislativa e, portanto, não convertida em lei, na legislatura seguinte foi editada a MP nº 351 de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, ratificando o assunto, nos termos da MP anterior, assim dispondo: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 177 12 Art.14.O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2oOs percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Iprestar esclarecimentos; IIapresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; IIIapresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. ...................................................................................................... ” (NR) Desse modo, configurada a existência de lei posterior mais benéfica à recorrente, passemos a analisar a hipótese de sua aplicabilidade. Conforme preceitua o art. 106, II, “a” e “c” do CTN, a lei aplicase a fato pretérito, não definitivamente julgado, “quando deixe de definilo como infração” ou “quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Conforme se verifica, estão presentes os elementos necessários à aplicação da retroatividade benigna, quais sejam: a edição da MP nº 351/07, deixando de definir como infração; o processo não se encontra definitivamente julgado; e Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13819.002428/200375 Acórdão n.º 330100.797 S3C3T1 Fl. 178 13 plena sujeição dos preceitos do art. 106, II, “a”, do CTN. Corroborando o exposto, valhome do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 2.237/2006 que trata da “Perda da eficácia da Medida Provisória nº. 303, de 29 de junho de 2006. Validez e eficácia das relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência. Aplicação do §11 do art. 62 da Constituição Federal combinado com o art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Redução de penalidades.” Em seu parágrafo 9º, temse que: “9.Como se depreende das transcrições, a nova redação dada pela MP nº. 303/2006 aos dispositivos suso mencionados suspendeu a eficácia da multa proveniente de lançamento de ofício de valor de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, aplicável nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. O que implicou na exigência somente do valor da multa de mora faltante, calculada na forma do art. 61, da Lei nº. 9.430/96, até um máximo de 20% (vinte por cento).” (grifei) Conforme se depreende, em procedimento próprio, deverá ser cobrada a multa de mora. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito da contribuinte à aplicação da retroatividade benigna, cancelando a multa de ofício isolada. É como voto. MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005685/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006
IMUNIDADE DO ART. 149, § 2.º, I, DA CONSTITUIÇÃO. ABRANGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMPOSSIBILIDADE.
A contribuição ao SENAR é da espécie contribuição de interesse de
categorias profissionais e econômicas, não sendo abrangida pela regra imunizante prevista no art. 149, § 2.º, I , da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.242
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006 IMUNIDADE DO ART. 149, § 2.º, I, DA CONSTITUIÇÃO. ABRANGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMPOSSIBILIDADE. A contribuição ao SENAR é da espécie contribuição de interesse de categorias profissionais e econômicas, não sendo abrangida pela regra imunizante prevista no art. 149, § 2.º, I , da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11020.005685/2008-24
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4882834
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.242
nome_arquivo_s : 2401002242_11020005685200824_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11020005685200824_4882834.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4748883
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358680281088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 229 1 228 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.005685/200824 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.242 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A SUCESSORA DE J. N. TIMBER EXP. E IMP. LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006 IMUNIDADE DO ART. 149, § 2.º, I, DA CONSTITUIÇÃO. ABRANGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMPOSSIBILIDADE. A contribuição ao SENAR é da espécie contribuição de interesse de categorias profissionais e econômicas, não sendo abrangida pela regra imunizante prevista no art. 149, § 2.º, I , da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.142.4747, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando à exigência da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR incidente sobre a receita bruta com a comercialização da produção rural própria e de terceiros realizada pela empresa J. N. TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, sucedida pela autuada. Afirma o Fisco que a venda da produção se deu no mercado interno e que as bases de cálculo foram obtidas pela análise da escrita contábil da empresa que efetuou as operações. Foi incluída no polo passivo a empresa ELIEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA, detentora de 17,24% do patrimônio líquido da J. N. TIMBER. As autuadas apresentaram defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ em Porto Alegre (RS), que declarou improcedente a impugnação. Inconformadas com a decisão, as empresas interpuseram recurso voluntário, no qual asseveraram que: a) o entendimento expresso pelo Fisco e confirmado pela decisão da DRJ não deve prevalecer, posto que a produção foi destinada ao mercado externo pelas empresas que a adquiriram da J. N. TIMBER; b) a Instrução Normativa – IN n.º 03/2005 não pode retirar a eficácia do dispositivo constitucional inserto no art. 149, § 2.º; I, da Carta Magna; c) a intenção do legislador constitucional foi de desonerar as exportações como se vê nas palavras do relator da Proposta de Emenda Constitucional que resultou na EC n.º 33/2001; d) não pode prevalecer a tributação das exportações indiretas, que devem receber o mesmo tratamento das vendas efetuadas diretamente a destinatário no exterior; e) apresenta textos de vários doutrinadores acerca da imunidade, os quais coincidem com o seu posicionamento; f) o crédito tributário lançado é inexigível, posto que decorrente de incidência sobre operação imune; g) as regras que tratam da imunidade devem ser interpretadas de forma a dar maior eficácia possível ao seu conteúdo; Ao final, pede o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005685/200824 Acórdão n.º 240102.242 S2C4T1 Fl. 230 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A imunidade da contribuição ao SENAR Toda a argumentação das recorrentes centramse na questão da imunidade que alcançaria as vendas efetuadas no mercado interno, mas destinadas à futuras exportações. Todavia, a questão da destinação das mercadorias não tem relevância para o deslinde da contenda, posto que o entendimento que será apresentado no desenvolvimento do voto é o de que a imunidade invocada não abrange as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. As recorrentes não contestam os valores lançados, todavia, insurgemse contra a exação, por entenderem que a contribuição ao SENAR, mesmo nas operações de exportação indireta, é alcançada pela imunidade prevista no inciso I do § 2.º do art. 149 da Carta Magna, o qual carrega a seguinte redação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). (...) No julgamento de primeira instância entendeuse que a regra imunizante somente é aplicável para as exportações feitas diretamente para o exterior, uma vez que as operações abarcadas pelo lançamento foram vendas a empresas nacionais, assim, o resultado do julgamento a quo foi pela procedência do AI. O relator do processo justificou a tributação também no art. 245, § 1.º, da IN SRP n.º 03/2005, o qual dispõe que a tributação somente não ocorre para as vendas diretas a Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 adquirente domiciliado no exterior,o que não é o caso das operações realizadas.Eis o dispositivo invocado: Artigo 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2° do artigo 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1.º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2.º A receita decorrente da comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Na elaboração do meu voto seguirei outra trilha, iniciando pela investigação da natureza jurídica das contribuições lançadas para chegar a uma conclusão segura acerca da procedência ou não do lançamento. Nos termos do art. 149 da Constituição Federal, são três as espécies de contribuições: a) contribuições sociais – vinculadas ao custeio da Seguridade Social; b) contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas – instituídas para financiar os conselhos de fiscalização e regulação de determinadas atividades profissionais ou para custear entidades que atuam em benefício de atividades econômicas; c) contribuições de intervenção no domínio econômico – instrumentos de que dispõe a União para favorecer ou restringir as diversas atividades econômicas. Após esse breve comentário já se percebe que no art. 149 da Constituição Federal trouxe uma distinção clara entre as três espécies de contribuição, apresentando a possibilidade da União instituir as chamadas contribuições especiais, que se dividem em sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais e econômicas. Por sua vez ao traçar a abrangência da imunidade direcionada as receitas com exportação, o legislador constitucional apenas relacionou as contribuições sociais e as de intervenção no domínio econômico, deixando de fora aquelas de interesse de categorias profissionais e econômicas. Para chegarmos ao nosso objetivo de fixar a natureza jurídica da exação em tela, não devemos esquecer que a natureza jurídica de uma contribuição e, por consequência, o regime jurídico a que está submetida depende da destinação dada pela Constituição aos recursos arrecadados. Sobre essa questão, no julgamento da ADIN nº 3.1287/DF, que tratou da contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas, o Ministro Cezar Peluso expressou: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005685/200824 Acórdão n.º 240102.242 S2C4T1 Fl. 231 5 Mas, independentemente a sua aplicação dogmática como espécie autônoma, ou como subespécie de imposto ou taxa. Não há nenhuma dúvida de que as contribuições são tributos que obedecem a regime jurídico próprio, e cuja propriedade vem da destinação constitucional das receitas e da submissão às finalidades específicas que lhes impõe o art. 149 da Constituição Federal: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.” Desse texto vêse claro que as contribuições podem ser instituídas pela União (e também pelos Estados e Municípios, na forma do §1º) como instrumento de atuação na área social (a), de intervenção no domínio econômico (b) e no interesse de categorias profissionais ou econômicas (c). Ou seja, a Constituição predefinelhes, de modo expresso e categórico, a competência, as finalidades e o destino da arrecadação. (grifos nossos) Podese ver que o art. 149 da Constituição trata, portanto, de contribuições bem distintas e cada uma das espécies visa à arrecadação de recursos para a atuação nas respectivas áreas. As contribuições sociais visam garantir recursos para a Seguridade Social (saúde, previdência e assistência social), assim, vêse que essas contribuições derivam do princípio da solidariedade, sendo os seus recursos aplicados em benefício da coletividade, sem levar em conta a capacidade contributiva ou o grupo a que pertençam os destinatários do tributo.Não visam ao interesse de uma categoria, mas, norteiase pelo interesse público. As contribuições de intervenção no domínio econômico CIDE caracterizam se por servir de instrumento para uma atuação da União no domínio econômico. Por sua instituição é feita intervenção na economia, controlandoa e incrementandoa com tal tributação. O Estado ingressa nessa esfera apenas para atender aos interesses coletivos em setores descompassados ou desregulados do mercado, nos quais se esteja inviabilizando a livre iniciativa ou outros princípios com os quais esta deva conviver equilibradamente. A intervenção realizada pela CIDE deve ocorrer tanto através de sua incidência, de forma extrafiscal, como através do custeio de órgão estatal incumbido dessa intervenção. Diferentemente das duas outras espécies do gênero contribuições, naquelas instituídas no interesse de categorias profissionais e econômicas, há a necessidade de vinculação entre a atividade profissional ou econômica do sujeito passivo da relação tributária e a entidade destinatária da contribuição, mesmo porque o objetivo dessas contribuições é proporcionar maior desenvolvimento à atuação dessas categorias específicas, estando diretamente relacionadas ao interesse desse grupo econômico ou profissional contribuinte. Da categoria (profissional ou econômica) podem fazer parte os sujeitos mais diferentes, desde que exerçam a mesma atividade de produção ou explorem o mesmo Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 empreendimento econômico, estando os seus interesses econômicos suficientemente entrelaçados para que possam ser entendidos como interesses de uma categoria econômica. Essas contribuições destinamse a promover o interesse das categorias profissionais ou econômicas abrangidas pela instituição credora dos recursos, como leciona Hugo de Brito Machado1: “as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas devem constituir receita nos orçamentos das entidades representativas dessas categorias, enquanto as contribuições de seguridade social constituem receita no orçamento da seguridade, de que trata o art. 165, § ºCF. são, portanto, nitidamente parafiscais A jurisprudência tem se inclinado em definir a contribuição ao SENAR como pertencente a essa categoria, como se pode ver desse julgado do TRF – 3.ª Região: "TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA CONTRIBUIÇÕES À CNA (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA), À CONTAG (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA) E AO SENAR (SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL) NATUREZA JURÍDICA CONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. 1 A natureza jurídica das contribuições em questão caracterizase como a de Contribuição de interesse da categoria profissional ou econômica conforme disposto no artigo 149 da 20 Constituição Federal, sendo de competência da União Federal sua instituição. 2 Aplicase a esta obrigação pecuniária, os princípios constitucionais orientadores do Sistema Tributário Nacional. 3 Reconhecida em precedentes do Supremo Tribunal Federal a recepção das contribuições para custeio das atividades dos sindicatos rurais pelo artigo 10, §2º, da ADCT e artigo 8º, IV, ´in fine´ da Carta Magna, sendo exigida nos termos do artigo 578 e seguintes da CLT, de todos os integrantes da categoria, independentemente de sua filiação a sindicato. (ADIN n.1076 Medida Cautelar; negado provimento ao Recurso em MS; Rel. Min.Sepúlveda Pertence, RMS.n.002175894). (...)” (Ap. em MS 98.03.0424769, TRF 3ª Região, julg. em 11/11/98) É fácil concluir que para as contribuições de interesse de categoria econômica ou profissional, o sujeito passivo da exação deve estar sempre inserido no campo de atuação do sujeito receptor, que é sempre ligado a uma entidade que atua em benefício da classe econômica em que está inserido o sujeito passivo. Sendo um dos integrantes do chamado sistema “S”, no qual estão incluídos ainda o SESC/SENAC, o SESI/SENAI, o SEST/SENAT e o SESCOOP, os recursos destinados ao SENAR, recolhidos pelos integrantes do grupo econômico que paga a contribuição 1 "Contribuições de intervenção no domínio econômico”, Pesquisas Tributárias, Nova Série 8, São Paulo: RT, 2002, p. 4344,. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005685/200824 Acórdão n.º 240102.242 S2C4T1 Fl. 232 7 respectiva, possuem essa vinculação aos serviços contraprestados pela entidade: as ações de Formação Profissional Rural e Promoção Social exercidas junto ao seu público alvo exclusivo (produtores e trabalhadores rurais). Ou seja, há a correlação entre o grupo específico dos beneficiários e os contribuintes. Agora já não tenho mais dúvida de que a contribuição para o SENAR está no rol das instituídas no interesse de categorias profissionais e econômicas. Assim, tendose em conta que o artigo 149 da CF permite uma distinção bem nítida entre contribuições sociais, contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas e contribuições de intervenção no domínio econômico e, ainda, considerandose que o § 2º desse art. 149 prevê a imunidade sobre as exportações apenas das contribuições sociais e das de intervenção no domínio econômico, não há, portanto, como se afastar a incidência da contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica que é devida ao SENAR. Sobre esse tema a Receita Federal do Brasil se pronunciou através da NOTA COSIT Nº 312, de 17/09/2007, assim dispondo: (...) Com efeito, para se dizer a quais contribuições se aplica a imunidade a que se referem o iciso I do §2º do art. 149 da CF e o art.245 da IN 03/2005, é suficiente ler os dispositivos e deles extrair a informação, que naturalmente deflui. Ora, o art. 149 da Constituição defere à União, de maneira exclusiva, a competência para instituir contribuições que se dividem em três especialidades: a) sociais; b) de intervenção no domínio econômico; c) de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Conquanto possa acontecer de o objetivo essencial das três espécies desembocar num mesmo viés social, uma não se confunde com outra, eis que suas finalidade se acham bem definidas pelo legislador ordinário. As contribuições sociais se destinam, em regra, ao financiamento da seguridade social, como previsto no art. 195 da Constituição. As de intervenção no domínio econômico, ou interventivas, têm função extrafiscal, servindo de instrumento de que se vale o Poder Público para induzir, estimular ou disciplinar comportamentos, objetivando fins econômicos ou sociais. As de interesse imediato das categorias econômicas destinamse, principalmente, ao custeio de entidades privadas de serviços sociais e de formação profissional referidas no art. 240 da Constituição. As de interesse de categorias profissionais são as corporativas, destinadas ao custeio de atividades de fiscalização de profissões regulamentadas. A par dessa distinção, devese concluir que as contribuições destinadas ao SENAR, tanto a incidente sobre a comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários classificamse como contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a isenção a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Constituição não lhes alcança, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. (...)(grifei) A pretensão das recorrentes de ver a regra constitucional interpretada de forma abrangente, de modo abarcar na imunidade a contribuição ao SEBRAE não pode ser acatada. É que a imunidade configura uma exceção ao princípio da universalidade e da generalidade da tributação. Essa interpretação restritiva da regra imunizante é adotada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme se pode ver da ementa do Acórdão proferido no bojo do RE n.º 566.259/RS (Rel. Ministro Ricardo Lewandowski) DJ n.º 179, 24/09/2010: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I – O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II – Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III – A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV – Recurso extraordinário desprovido.(grifei). Portanto, o pedido de cancelamento do AI não merece acolhimento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720006/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2004
Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CSLL. COMPROVAÇÃO.
COMPENSAÇÃO.
A base de cálculo negativa da CSLL pode ser compensada com débitos tributários de titularidade do sujeito passivo, desde que comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Os valores devidos a título de estimativas só podem ser utilizados na apuração da base de cálculo da CSLL quando demonstrada sua quitação à época da análise do pleito.
Numero da decisão: 1102-000.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Silvana Rescino Guerra Barreto que dava provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 310.174,93. Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CSLL. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. A base de cálculo negativa da CSLL pode ser compensada com débitos tributários de titularidade do sujeito passivo, desde que comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Os valores devidos a título de estimativas só podem ser utilizados na apuração da base de cálculo da CSLL quando demonstrada sua quitação à época da análise do pleito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19740.720006/2010-41
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 4997773
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.683
nome_arquivo_s : 110200683_19740720006201041_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Leonardo de Andrade Couto
nome_arquivo_pdf_s : 19740720006201041_4997773.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Silvana Rescino Guerra Barreto que dava provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 310.174,93. Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4750082
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358683426816
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-28T18:07:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-03-28T18:07:15Z; Last-Modified: 2012-03-28T18:07:15Z; dcterms:modified: 2012-03-28T18:07:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:37f5a762-6411-46a7-8d77-5233b5a0c525; Last-Save-Date: 2012-03-28T18:07:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-03-28T18:07:15Z; meta:save-date: 2012-03-28T18:07:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-03-28T18:07:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-03-28T18:07:15Z; created: 2012-03-28T18:07:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2012-03-28T18:07:15Z; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2012-03-28T18:07:15Z | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.720006/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110200683 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15/03/2012 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO INVESTCRED UNIBANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CSLL. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. A base de cálculo negativa da CSLL pode ser compensada com débitos tributários de titularidade do sujeito passivo, desde que comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Os valores devidos a título de estimativas só podem ser utilizados na apuração da base de cálculo da CSLL quando demonstrada sua quitação à época da análise do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Silvana Rescino Guerra Barreto que dava provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 310.174,93. Declarouse impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Tomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. 2 Relatório Trata o presente de pedido de compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada no anocalendário de 2004 no valor de R$ 4.875.565,58; com débitos diversos de titularidade do sujeito passivo informados nos integrantes dos autos. A autoridade administrativa que primeiro apreciou a solicitação emitiu Despacho Decisório acatando parcialmente o pleito. No referido despacho, a autoridade informou a divergência, no que se refere aos valores devidos a título de estimativa da CSLL no período sob exame, entre as informações constantes da DIPJ e aquelas informadas em DCTF, que também apresentaria divergência em relação ao PER/Dcomp. O valor das estimativas informado na DIPJ foi de R$ 10.319.099,15 que, diminuídos da base de cálculo informada (R$ 5.443.840,27) gerou o valor pleiteado (R$ 4.875.565,58). A interessada informou em DCTF o valor de estimativas no montante de R$ 9.729.274,08; sendo que foram confirmados recolhimentos no montante de R$ 9.419.099,15. A diferença de R$ 310.174,93 (R$ 9.729.274,08 – R$ 9.419.099,15) representa a parcela do valor devido a titulo de estimativas no mês de outubro de 2004 que teria sido quitada mediante compensação nos autos do processo 13707.002687/200100. Tendo em vista que essa compensação não foi homologada, a autoridade desconsiderou o valor de R$ 310.174,93 na apuração do saldo negativo da CSLL no ano calendário de 2004, deferindo a solicitação nos seguintes termos: CSLL devida............................................................R$ 5.443.840,27 CSLL recolhida a título de estimativas....................(R$ 9.419.099,15) CSLL retida na fonte p/ outras PJs...........................(R$ 306,70) CSLL a pagar/restituir..............................................(R$ 3.975.565,58) Em manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, a interessada afirma que nos autos do processo 13707.002687/200100 foi glosado não apenas o valor de R$ 310.174,93; mas sim o montante de R$ 900.000,00; pois seria esse o valor da estimativa no mês de outubro de 2004. Sustenta que, dado o indeferimento, já teria ocorrido a constituição do crédito referente à CSLL do mês em questão. Assim, estaria caracterizada a cobrança em duplicidade. Registra que o débito compensado de R$ 900.000,00 corresponde justamente à diferença entre o valor pleiteado (R$ 4.875.565,58) e o valor homologado (R$ 3.975.565,58) e acrescenta que peticionou no processo 13707.002687/200100 com vistas à adesão ao parcelamento estabelecido na Lei nº 11.941/2009, formalizando a desistência do processo administrativo. Argumenta, por fim, que diferença de valores tidos como compensados em outubro (R$ 310.174,93 e R$ 900.000,00) devese ao fato de que na época da transmissão da DIPJ e da DCTF (fls. 148) foi declarado o valor da estimativa de outubro como sendo de R$ 943.720,12 (R$ 43.720,12, pago com Darf; e R$ 900.000,00 compensado), ao passo que foi verificado posteriormente que o valor correto de estimativa daquele mês era de R$ 353.895,05, quando apresentou DCTF retificadora. Processo nº 19740.720006/201041 Acórdão n.º 110200683 S1C1T2 Fl. 2 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1234.750 negando provimento à manifestação de inconformidade. No entendimento da autoridade julgadora, a parcela do valor devido a título de estimativas referente ao mês de outubro/2004, objeto do pedido de compensação no processo 13707.002687/200100, não poderia se considerada como quitada para efeito de compor a base de cálculo negativa da CSLL, tendo em vista a não homologação da compensação pleiteada. Afirma ainda que não há cobrança dúplice de débito, como alegado, pois o que se cobra nestes autos não são os R$ 900.000,00, mas sim uma outra parcela de estimativa de CSLL, do mês de março de 2005, em virtude de o valor do crédito deferido não ter alcançado a totalidade daquele débito informado na PER/DCOMP 22865.00751.260405.1.3.031574, conforme fls. 70. Conclui que nem mesmo há certeza acerca do real valor devido de estimativa de CSLL de outubro de 2004, isso porque o valor de R$ 943.720,12 (R$ 900.000,00 confessado na PER/DCOMP fls. 130, mais R$ 43.720,12 recolhido) não seria, segundo o próprio interessado, o correto, pois efetivamente declarou a esse título em DCTF e na DIPJ (fls. 167) um outro valor, qual seja, R$ 353.895,05. Devidamente cientificado do acórdão, o sujeito passivo apresenta recurso a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na apreciação do pleito, importa delimitar os limites da lide tendo em vista a divergência ente os dados informados pelo sujeito passivo. A origem da divergência está no valor da estimativa correspondente ao mês de outubro/2004. Originalmente, foi informado no pedido de compensação constante do processo 13707.002687/200100 o valor de R$ 900.000,00. Esse valor, somado aos pagamentos confirmados de R$ 43.720,12 relativo a esse mês e R$ 9.375.379,03 referentes às estimativas dos demais meses, monta a R$ 10.319.099,15, valor este declarado na DIPJ. Tendo em vista que a compensação de R$ 900.000,00 pleiteada no processo 13707.002687/200100 não foi homologada, o valor das estimativas aceito pelo despacho decisório e confirmado pela decisão recorrida correspondeu apenas aos pagamentos demonstrados, ou seja: R$ 9.419.274,08 (R$ 9.375.379,03 + R$ 43.720,12). Assim, temos: CSLL devida............................................................R$ 5.443.840,27 CSLL recolhida a título de estimativas....................(R$ 9.419.099,15) CSLL retida na fonte p/ outras PJs...........................(R$ 306,70) CSLL a pagar/restituir..............................................(R$ 3.975.565,58) De acordo com as informações constantes da DCTF referente ao 4º trimestre de 2004, o valor da estimativa referente ao mês de outubro corresponde a R$ 353.895,05. Apesar de o sujeito passivo construir uma linha de defesa usando o montante de R$ 900.000,00 como referência, conclui a peça recursal admitindo que o valor correto da estimativa seria R$ 353.895,05, nos termos da DCTF que, segundo afirma, teria sido retificada para corrigir o equívoco. Assim, excluindose o valor pago de R$ 43.720,12; o valor de estimativa do mês de outubro/ 2004 compensado no bojo do processo 13707.002687/200100 seria de R$ 310.174,93. Considerando que a compensação de que trata o processo mencionado não foi homologada, o equívoco não teria impacto na apuração efetuada pelo despacho decisório e acima reproduzida, pois continuaria prevalecendo no cálculo o valor das estimativas com pagamentos demonstrados. Isso porque o total informado em DCTF monta a R$ 9.729.274,08. Deduzindose o valor de R$ 310.174,93 correspondente à estimativa quitada por compensação não homologada, chegase ao valor de R$ 9.419.099,15; a ser considerado na apuração. Portanto, a discussão gira em torno da possibilidade de utilizar na composição do saldo negativo da CSLL o valor de estimativa mensal da contribuição (R$ 310.174,93), quitado mediante compensação posteriormente não homologada. Processo nº 19740.720006/201041 Acórdão n.º 110200683 S1C1T2 Fl. 3 5 De imediato, registrese não haver qualquer impedimento legal à quitação do valor devido a título de estimativas do IRPJ ou CSLL mediante compensação com crédito líquido e certo de titularidade do sujeito passivo. Assim, extinto o débito da estimativa mediante compensação, o valor correspondente pode integrar a composição do eventual saldo negativo apurado no ajuste do período. Por outro lado, não se pode olvidar que as normas regulamentadoras da compensação estabelecem a condição resolutória de ulterior homologação do procedimento. Assim, manifestandose a autoridade pela não homologação, o débito anteriormente compensado passa a ser exigível. No caso da estimativa adimplida mediante compensação, a não homologação pela autoridade retira do valor em questão as condições de compor a apuração do saldo negativo da CSLL no ajuste ao final do período. Aqui, temse ainda a situação particular do sujeito passivo, segundo afirma, ter desistido formalmente do processo onde se discutia a compensação da estimativa. Nesse caso, sequer poderia ser suscitada a possibilidade de reversão da decisão não homologatória. Como conseqüência, apenas o pagamento do valor em questão em momento anterior à análise destes autos permitiria que fosse utilizado na apuração da base de cálculo negativa da contribuição. Quanto a esse ponto, não consta dos autos alguma indicação de que o valor em comento foi quitado ou mesmo parcelado. Aliás, nas razões recursais a interessada afirma que a estimativa “será objeto de parcelamento”, indicando apenas uma possibilidade. Sendo assim, entendo que o despacho decisório e a decisão recorrida atuaram corretamente ao excluir, na apuração da base negativa da CSLL, a parcela do valor correspondente à estimativa da contribuição referente ao mês de outubro/2004 compensada indevidamente no processo 13707.002687/200100 no valor de R$ 310.174,93. Em relação à suposta cobrança em duplicidade, nestes autos discutese o valor do crédito pleiteado, a ser compensado com os débitos informados nos PER/Dcomp formalizados pelo sujeito passivo. A lide consistiu fundamentalmente em avaliar não a cobrança, mas a possibilidade de o valor mencionado no parágrafo anterior ser utilizado na composição da base negativa da CSLL ao final do período de apuração. Apenas os débitos informados no PER/Dcomp poderiam ser eventualmente cobrados como decorrente da não homologação ou homologação parcial e foi exatamente o que ocorreu. Como decorrência da homologação parcial restou pendente o valor da CSLL devida a título de estimativas no mês de março de 2005. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator 6
score : 1.0
