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Numero do processo: 10845.000927/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
PROVA DOCUMENTAL JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. ELEVADO VOLUME FORÇA MAIOR. POSSIBILIDADE. AFERIÇÃO À LUZ DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DA AMPLA INSTRUÇÃO DA VERDADE REAL E DO FORMALISMO MODERADO.
A verificação de ocorrência de força maior, a permitir a juntada
de documentos após a impugnação nos termos do art. 16, §4°, inc.
"a" do Decreto n° 70.235/72, deve ser verificada à luz dos
princípios da ampla defesa, da ampla instrução, da busca da
verdade real, do formalismo moderado, ampliando-se ao máximo
a possibilidade de produzir provas pelas partes.
Dá-se provimento ao recurso a fim de que a instância a quo
conheça da documentação juntada após o protocolo da impugnação.
Numero da decisão: 1201-000.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeira instância, a fim de que sejam conhecidos os documentos juntados após a impugnação e
proferida nova decisão, vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que negavam provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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Recorrida DRJ Assunto: Processo Administrativo Fiscal PROVA DOCUMENTAL JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. ELEVADO VOLUME FORÇA MAIOR. POSSIBILIDADE.. AFERIÇÃO À LUZ DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DA AMPLA INSTRUÇÃO DA VERDADE REAL E DO FORMALISMO MODERADO. A verificação de ocorrência de força maior, a permitir a juntada de documentos após a impugnação nos termos do art. 16, §4°, inc. "a" do Decreto n° 70.235/72, deve ser verificada à luz dos princípios da ampla defesa, da ampla instrução, da busca da verdade real, do formalismo moderado, ampliando-se ao máximo a possibilidade de produzir provas pelas partes. Dá-se provimento ao recurso a fim de que a instância a quo conheça da documentação juntada após o protocolo da 1 impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeira instância, a fim de que sejam conhecidos os documentos juntados após a impugnação e proferida nova decisão, vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que negavam provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. cf. Processo e 10845.000927/2005-84 51-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 P1.. 2 t •tia CLAUDEMIR CISES QUIAS - Presidente. Wt REGIS MAGALHÃES S lv ih.41kUEIROZ - Relator. EDITADO EM: 1 6 ABR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). 2 Processo na 10845.000927/2005-84 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 Fl. 3 Relatório Conselheiro REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, relator: O presente processo cuida de auto de infração para lançamento de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, referente(s) a(os) ano(s) calendário(s) 2000 E 2001, ao fundamento de omissão de receita consubstanciada em depósitos bancários não contabilizados, conforme Termo de Constatação de fls. 159/178 Impugnação juntada a fls. 276 e seguintes. A fls. -310 está a petição da recorrente juntando relatórios e cinco volumes de documentos que comprovariam a contabilização dos depósitos bancários e sua oferta à tributação, cujo termo de anexação se encontra a fls. 313. A fls. 318 está outra petição da recorrente juntando a DEPJ de 2000 e 2001, comprobatórios da existência de prejuízo fiscal e base negativa, que deveriam ter sido compostos pela fiscalização quando do lançamento do IREI e da CSLL. Justifica o atraso na sua juntada no elevado volume de documentos que necessitaram de ser pesquisados, desarquivados e organizados para instruir o processo. A fls. 452 e seguintes, está o r. acórdão a guo que não conheceu dos documentos juntados após a apresentação da impugnação e deu provimento em parte à impugnação, cancelando parcialmente o lançamento para permitir o reconhecimento do prejuízo fiscal e da base negativa do próprio período, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 PROVAS. APRESENTAÇÃO. PRAZO LEGAL. EXCEÇÕES. NÃO CARACTERIZA çÃo. As sucessivas intimações efetuadas no curso da ação fiscal para a contribuinte apresentar documentos, cumulada com sua omissão em justificar à autoridade fiscal o motivo pelo qual elas não foram atendidas, descaracterizam a alegação de exigüidade de tempo para exibi-los, não configurando qualquer das hipóteses excepcionais previstas nas alíneas "a" a "c" do § 40 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, que autorizariam o recebimento de documentação depois de findo o prazo de trinta dias fixado em lei para a apresentação de CP impugnação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. 3 Processo o° 10845.000927/2005-84 S1-C21'1 Acórdão n.° 1201-00-221 P14 O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de MI?' implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - .11212J Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 PREJUÍZO FISCAL. PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. LANÇAMFJVTO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe compensar em lançamento de oficio prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores, pois a lei somente faculta ao contribuinte o exercido deste beneficio fiscal no momento da entrega da declaração e de apuração espontânea do imposto devido. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. Presume-se ocorrida a infração de omissão de receitas ou de rendimentos quando valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, não tenham sua origem comprovada por seu titular, mediante documentação hábil e idónea, depois de regularmente intimado. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O valor do imposto e do adicional relativo às receitas omitidas é lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe compensar em lançamento de oficio base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores, pois a lei somente faculta ao contribuinte o exercício deste beneficio fiscal no momento da entrega da declaração e de apuração espontânea da contribuição devida. A fls. 496 o recurso voluntário está juntado, aduzindo em síntese o seguinte: 1. Preliminar de cerceamento de defesa, em vista de a autoridade a quo ter desconsiderado a documentação juntada após a apresentação da impugnação e antes da decisão de primeiro grau, que comprovaria a origem dos recursos bem como a sua oferta à tributação. 4 Processo n° 10845.090927/2005-84 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 Fl. 5 2. Necessidade de anulação do MIM em razão de não ter a autoridade autuante abatido o prejuízo fiscal e a base negativa acumulada, ou a recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL reconhecendo- os. 3. Reconhecimento da existência de mútuo entre o recorrente e terceiro, excluindo os valores mutuados da base de cálculo dos tributos lançados. 4. Mudança, pelo julgador a quo, das razões do ato administrativo emanado pela autoridade autuante para a desconsideração do contrato de mútuo. (22 É o relatório. 5 Processo n° 10845.000927/2005-84 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 Fl. 6 Voto Conselheiro REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. Como O valor exonerado pela instância a quo é inferior ao valor de alçada, não há remessa oficial. 1. Preliminar de cerceamento de defesa por falta de conhecimento de prova De inicio, cumpre apreciar a preliminar de cerceamento de defesa pelo não conhecimento dos documentos juntados pelo recorrente ainda na instancia inferior, mas após o protocolo da impugnação. A solução desta questão demanda identificar qual é o melhor critério de interpretação da regra restritiva de produção de provas no Processo Administrativo Fiscal, contida no art. 16, § 4°, incs. "a", "b" e "c", do Decreto n°70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4°Á prova documental será apresentada na immtmacão. precluindo • direito de oi nte azé-lo em outro momento processual a menos (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de forca maior (Incluído pela Lei n°9532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) Sou dos que entendem que o processo administrativo insere-se na teoria geral do processo formando o núcleo comum da processualidade, 1 sendo o denominado procedimento administrativo o ordenamento dos atos processuais praticados no processo: "o que caracteriza o processo é o ordenamento de atos para a solução de uma controvérsia; o que tipifica o procedimento de um processo é o modo especifico do ordenamento desses atos". 2 Logo, conceitos tipicamente processuais como "lide", "litigante", "ampla defesa" (com todos os meios a ela inerentes), "devido processo", entre outros, aplicam-se Nessa linha, adverte Odete Medauar que "independentemente da disciplina legal especifica, a Constituição impõe a processualidade para cada caso de controvérsia, conflito de interesses e situações de acusados ante a administração", A processualidade no direito administrativo, SP, RT, 1993, p. 23. C:21952 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, SP, Malheiros, 1999, p. 614. Processo n° 10845.0009271200544 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 Fl. 7 amplamente ao processo administrativo, consoante, aliás, expressa determinação constitucional: Art. 5 0 Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; A característica autotutelar do processo administrativo não lhe retira a processualidade nem a litigiosidade, posto consubstanciar-se em mais urna forma de buscar a pacificação social, objetivo precípuo de todo processo (Dinamarco). Não obstante a incontestável ascendência dos princípios constitucionais processuais ao processo administrativo, inexiste ainda uniformidade doutrinária acerca do conjunto de princípios que se lhe aplicam, adverte James Marins, antes de sistematizar um quadro de princípios que, a seu ver, orbitam o procedimento e o processo administrativo fiscais. O autor sistematiza os princípios dos mais gerais — como aqueles aplicáveis ao direito tributário, administrativo e processual — aos mais específicos ao próprio processo administrativo fiscal. Os denominados "Princípios constitucionais gerais da administração pública" seriam os da (i) legalidade; (ii) finalidade, (iii) razoabilidade; (iv) proporcionalidade, (v) motivação; (vi) impessoalidade; (vii) publicidade; (viii) moralidade; (xix) responsabilidade; e (x) eficiência. Logo abaixo, identifica os "Princípios comuns ao procedimento e ao processo administrativo tributários" como sendo os da (i) legalidade objetiva; GO vinculação; (iii) verdade material; (iv) oficialidade; (v) dever de colaboração; e (vi) dever de fiscalização. Abaixo, os mais específicos do "Procedimento administrativo fiscal": (i) inquisitorialidade; (ii) cientificação; (ih) formalismo moderado; (iv) fundamentação; (v) acessibilidade; (vi) celeridade; e (vii) gratuidade; ao lado dos "Princípios do processo administrativo tributário": (i) devido processo legal; (ii) contraditório; (iii) ampla defesa; (iv) ampla instrução; (v) duplo grau; (vi) julgador competente; e (vii) ampla competência decisória.3 Esses princípios estão a iluminar o procedere administrativo e são de observação obrigatória não apenas no momento da criação das leis e normas processuais e procedimentais, mas também no ato de interpretar tais normas. Ou seja, aquele que exerce a função administrativa judicante deve — ao mesmo tempo em que respeita as limitações legais à sua competência para julgar — interpretar a norma 3 Direito processual tributário brasileiro, Si', Dialética, 2001, pp. 170 e ss. Processo n°10845.000927/2005-84 S1-C2T1 Acórdão n.°1201-00-221 Fl. 8 sem perder de vista aqueles princípios constitucionais processuais e os seus objetivos fundamentais devem permear a aplicação da norma abstrata ao fato concreto. A aplicação da norma processual — qual quer que seja — deve alinhar-se à preservação e, mais do que isso, à realização plena daqueles princípios que alicerçam o processo, seja ele judicial ou administrativo. Esses princípios constitucionais formam uma "ideologia constitucionalmente adotade4 que oferece parâmetros e fundamentos à interpretação da lei e impedem que a autoridade, na sua aplicação, descambe para o arbítrio. Interessam especialmente ao nosso raciocínio os princípios da (i) busca da verdade material, (ii) do formalismo moderado, (iii) do contraditório, (iv) da ampla defesa e (v) ampla instrução. Segundo James Marins, 5 o princípio da busca da verdade material é de observância indeclinável da administração tributária, que deve fiscalizar em sua busca, deve apurar e lançar com base nela e deve julgar com vistas a atingi-la. Já o princípio da formalidade moderada permite aplicação de certo grau de informalismo em favor do administrado, com escopo de facilitar a sua atuação, flexibilizando excessos procedimentais que não prejudiquem a formação do processo. O princípio do contraditório liga-se, naturalmente, aos princípios da ampla defesa e da ampla instrução e visa dar ao administrado reais e amplos poderes de se defender eficazmente contra a pretensão estatal ao seu patrimônio. O direito de defesa deve ser amplo e deve autorizar o uso de todos os meios de prova válidos, desde que pertinentes (eficiência). Vale dizer que "no âmbito do procedimento administrativo tributário, a prova há de ser feita em toda a sua exterzscio, consoante esquemas rígidos de aplicação das regras atinentes, de tal modo que se assegure, com todas as garantias possíveis, as prerrogativas constitucionais de que desfruta o contribuinte brasileiro, de ser agravado apenas nos exatos termos em que a lei tributária especificar".6 Em conclusão, o feixe de princípios em destaque indica que o exercente da função judicante administrativa deve interpretar as normas processuais no sentido de sempre favorecer a busca da verdade real e, nessa busca, pode flexibilizar o formalismo procedimental em beneficio do administrado, quanto mais se tratar de procedimento atinente à prova que possa influenciar na exação, uma vez que a regra geral de interpretação das normas que regulam a produção de prova devem sempre buscar ampliar os direitos instrutórios, jamais reduzi-los, consoante exigem os princípios da ampla defesa e da ampla instrução e da busca da verdade real. Indo mais longe, o interprete será ainda mais cauteloso, flexível e garantista dos direitos do administrado à ampla defesa e à produção de provas, quando a exação estiver Permito-me utilizar a feliz expressão de Whashington Peluso Albino de Souza, que orienta a interpretação da constituição econômica mas que, em verdade, se aplica à interpretação de todos os quadrantes constitucionais: Primeiras linhas de direito econômico, SP, LTr, 1994, p. 183 e ss. 5 Op. cit. pp. 175 e ss. 6 Paulo de Barros Carvalho, "Notas sobre a prova no processo administrativo tributário", in Direito Tributário, org. Luis Eduardo Sehoueri, Vol. II, SP, Quartier Latia, 2003, p. 859. Processo 10845.000927/2005-84 SI-C2T1 Acórdão n•° 1201-00-221 R. 9 fundamentada em presunção legal, p.ex., as que presumem serem receitas tributáveis os valores dos depósitos bancários não declarados ou contabilizados. Isso porque apesar de as presunções trazerem praticidade ao lançamento, perde- se em segurança e certeza.' Mas a praticidacle não pode ter primazia sobre a justiça (ou à verdade real), consoante adverte Mizabel M. Derzi.8 Perceba-se que não se está aqui defendendo a competência do julgador administrativo para declinar a aplicação de lei em face de sua inconstitucionalidade, o que seria vedado pela Súmula Unificada n° 2, cujo verbete declara que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". O que se está aqui a defender é a necessidade de interpretar a lei processual à luz dos princípios constitucionais que as iluminam. E, em matéria de prova, a diretriz principiológica manda _ampliar a extensão da esfera probante, buscando sempre a verdade real, em detrimento do formalismo, mitigado em beneficio do administrado. Jamais nos olvidemos, pois, da advertência de Liebman, de que as formas são necessárias, mas o formalismo é uma deformação. No caso concreto, o recorrente pretende juntar aos autos, após a protocolização da impugnação, documentos que poderiam, no seu dizer provar que os depósitos bancários supostamente omitidos teriam sido regular e oportunamente oferecidos à tributação. Aduziu, em justificativa, que o tempo não foi suficiente para que pudesse desarquivar, avaliar organizar e estruturar na forma de defesa o grande volume de documentos, que comportam mais de 5 volumes, anexos aos presentes autos. Reporto perfeitamente crível a alegação. É fato notório que as sociedades há muito terceirizam seus arquivos para empresas especializadas. Também é de conhecimento geral que o desarquivamento e entrega desses documentos, em regra, leva dias para ser concluído (vide o prazo médio de 30 dias que o Poder Judiciário leva para desarquivar autos de processos). Some-se o tempo despendido no necessário trabalho de análise e organização deles e facilmente se concluirá pela verossimilhança da alegação. Tais circunstâncias, em meu entender, configuram um fato necessário à pratica da empresa moderna e cujos efeitos, nas atividades empresariais, são inevitáveis e corriqueiros, não podem ser desconhecidos ou desconsiderados por qualquer um que precise valorar o dia a dia das empresas. O fato descrito pelo recorrente se enquadra, ainda que de maneira lata, no conceito de força maior ("fato necessário cujos efeitos não era possível evitar ou impedir" 9), que exclui a pecha de extemporaneidade da trazida dos documentos aos autos após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4 0, incs. "a", do Decreto n° 70.235/72 7 Nesse sentido, cfr. Paulo de Barros Carvalho, op. cit. p. 861. 8 "Legalidade material, modo de pensar `tipificante e praticidade no direito tributário" in Justiça Tributária, p. 650, apucl Eduardo Domingos Bottallo, Curso de processo administrativo tributário, 2' ed., SP, Malheiros, 2009, P . 95. C62 9 CC/2002, art. 393, parágrafo único. 9 Processo a° 10845.000927/2005-84 SI-C2T1 Acórdão is, 1201-00-221 H. 10 Não bastassem esses argumentos, convem, ainda, em reforço à possibilidade de apresentação dos documentos em questão após a impugnação, trazer à colação a Lei n° 9.784/1999, que, conforme o seu art. 1°, "estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração". Por seu caráter geral, a lei do processo administrativo federal tem aplicação a todos os processos desenvolvidos no âmbito federal, mesmo àqueles de natureza tributária, posto que uniformiza e dá garantias mínimas aos litigantes na esfera administrativa. A lei própria poderá sempre ampliar as garantias processuais fixadas na lei geral, ou regulamenta-las à minúcia. Mas não pode suprimi-las. O art. 30, inc. III, da Lei 9.784/1999, inscrito no capítulo intitulado "Dos Direitos dos Administrados", disp5e objetivamente o seguinte: Art. 32 O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; 11 - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; M - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. No capitulo X, atinente à Instrução, aduz o art. 38, verbis: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § r Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 22 Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protdatórias. Sendo normas gerais que ampliam as garantias processuais à ampla defesa e direito à instrução pelos administrados, essas regras prevalecem sobre outras normas processuais menos favoráveis — mesmo quando estejam em lei especial e especifica — justamente em virtude de sua maior inclinação em fazer valer os sobranceiros princípios da 10. • Processo n°10845.000927/2005-84 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 Fl. 11 ampla defesa, da ampla instrução, do informalismo em favor do administrado, mirando a busca incessante da verdade real. Em essência, essa rega vem reforçar o cabimento da juntada de prova pelo administrado até que seja proferida a decisão definitiva e veda ao exercente do poder judicante administrativo recusar provas, exceto nas hipóteses exaustivas citadas §2°, do art. 38, da Lei 9.784/99. Por fim, deixo registrado que na visão deste relatos, o argumento de que o contribuinte teve tempo suficiente para providenciar os volumosos documentos durante o decorrer da fiscalização, não se sustenta para afastar o mitigador da alínea "a", do § 4°, do art. 16 do Decreto 70.235/72, nem do disposto na lei acima citada. Esse argumento comete, segundo penso, o pecado de misturar a fase - - inquisitória, representada pela fiscalização, com a fase processual, que se inicia com a notificação do lançamento ao sujeito passivo. Tal confusão é imprópria. A fase inquisitória se presta à realização das atividades lançadoras e somente quando findas estas, havendo resistência do sujeito passivo, é que se abre a fase litigiosa, com os seus prazos próprios. Essa fase, por conter a efetiva litigiosidade, submete-se ao regime jurídico do processo com todas as suas garantias de raiz constitucional.1° O fato de a fiscalização ter solicitado os documentos que só foram juntados após a impugnação não autoriza a que, na fase processual, possa ser franqueado prazo exíguo ao administrado para apresentá-los ao julgador, porque os prazos de ambos os procedimentos não se somam nem se excluem. A insuficiência ou exigüidade dos prazos não se examina a priori nem isoladamente, mas, ao revés, se colhem à luz da relevância e dificuldade objetiva de cada fato em cada momento do iter de constituição do crédito tributário. Por fim, convém mencionar que a jurisprudência tanto do CAIU' quanto do Conselho de Contribuintes, ainda que não esteja pacificada, é pródiga em precedentes que interpretam com essa devida amplitude os princípios da ampla defesa e da ampla instrução, como se vê das ementas abaixo transcritas: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — RERRÁTIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO — PRELIMLVAR — JUNTADA DE DOCUMENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO — ADMISSIBILIDADE — PREVALÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE O RIGOR FORMAL. O objetivo do processo administrativo fiscal é a constatação da ocorrência (ou não) do fato gerador da obrigação tributária. Tendo a Administração ciência de que o ato administrativo de lançamento não seguiu os ditames da legalidade, ainda que através de documento juntado tardiamente, deve o Fisco, de oficio, rever o ato. (PAF rf 10283.005474/96-33, acórdão CSRF/03-04.382, Relator N1LTON LUIZ BARTOLI, j16/05/2005, 9evia) ..re" i o Crf. James Marins, op. de. pp. 169, 169. II Processo e 10845.000927/2005-84 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-221 Fl. 12 GLOSA DE DESPESAS — PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO — PROVAS - A verdade real é principio que não pode ser afastado do processo administrativo. Na busca da verdade e para a apuração do efetivo tributo devido, é assegurado ao contribuinte, em qualquer fase do processo, apresentar provas pertinentes e necessárias ao julgamento. - Ajuntada aos autos, ainda que após o julgamento de primeira instância, de documento que comprove a efetiva contribuição à Previdência Oficial, importa considerá-lo e, se for o caso, afastar a glosa - Demonstrado por meio de documentos as efetivas contribuições feitas à Previdência Oficial, afasta-se a glosa. Recurso provido. (..) (PAF ri° 1374g .000567/2001- 83, acórdão n° 102-47969, Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva, j. 18/10/2006, vu). Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2003 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO - IMPRESONDIBlZIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA - VERDADE MATERIAL - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao principio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrá-la aos autos, analisando-a, ou convertendo o feito em diligência. (..) (PAF 10120.003058/2005-15, acórdão ti° 106-16716, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho j 22/01/2008, v.m.). 2. Conclusão Isso ,osto, dou pro nento ao recurso para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora • o, a e .ue sejam conhecidos os documentos juntados antes do v. acórdão proferido pela B 'N. a • —"a proferida nova decisão considerando-os. Regis Mag.:1", eiroz 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA ti/25, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCA/S Processo : 10845.000927/2005-84 Recurso : 170573 Acórdão :1201-00.221 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria ME n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto - à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1201-00.221. Brasilia - DF, em 16 de abril de 2010 José Roberto Fran/Tr- Secree ' da r Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [J Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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Numero do processo: 10640.003192/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS
MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICENTE. GLOSA.
1. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência.
2. A argumentação nos autos desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento do imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICENTE. GLOSA. 1. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. 2. A argumentação nos autos desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi expedida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004 (fls. 58/63), no valor de R$ 7.080,12 (sete mil, oitenta reais e doze centavos) no código 2904, acrescido de multa de ofício, e R$ 2.529,84 (dois mil, quinhentos e vinte e nove reais e oitenta e quatro centavos) no código 0211, acrescido de multa de mora. Ambos os valores sofrem incidência de juros de mora. O imposto apurado referese à glosa de R$ 24.952,45 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e dois reais e quarenta e cinco centavos) de despesas médicas e de R$ 5.851,26 (cinco mil, oitocentos e cinqüenta e um reais e vinte e seis centavos) de compensação indevida de imposto retido na fonte. No dia 27 de abril de 2007, a contribuinte solicitou a prorrogação de prazo para a apresentação dos documentos, por sete dias, tendo em vista o envio das intimações para o endereço antigo, onde reside sua genitora. No dia 12 de junho de 2007, conforme termo nº 37/2007 (fl. 92), recepcionado por AR (fl. 93), a contribuinte foi intimada a comprovar “o efetivo pagamento das importâncias abaixo relacionadas, utilizadas como dedução a titulo de despesas médicas nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2004 e 2005, anos calendário de 2003 e 2004, respectivamente”. De acordo a intimação citada, a comprovação deveria “ser efetuada com ajuntada de cópias de cheques, extratos bancários, ordens de pagamento, transferências eletrônicas e documentos afins”. No dia 13 de agosto de 2007 foi lavrada a notificação de lançamento, sem que a contribuinte tenha apresentado as justificativas ou a comprovação de pagamento. A contribuinte, na impugnação ao lançamento, alega em sede de preliminar a nulidade da notificação, pois teria atendido a solicitação dos Termos de Intimação Fiscal nº 2005/606220906731006 e 2004/606124928671022. Portanto, não haveria o relatado desatendimento à intimação e o motivo da lavratura seria outro, diverso da “ausência de resposta”. No mérito, a requerente diz que: a) a omissão de receitas decorreu de lapso cometido pelas fontes pagadoras e a impugnante providenciará a quitação do imposto de renda correspondente; b) foram apresentados os recibos que comprovam a realização das despesas médicas e "o valor total das despesas realizadas é absolutamente compatível com o nível de rendimentos da impugnante"; c) não há razão jurídica plausível para se exigir que a impugnante apresente extratos bancários ou qualquer outro documento que demonstre movimentação financeira, pois é bastante e suficiente para a lei, para fins de dedução de despesas do imposto de renda, a apresentação de recibos com as indicações previstas no artigo 8° da Lei n° 9.250/95"; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003192/200717 Acórdão n.º 210201.988 S2C1T2 Fl. 2 3 d) as deduções declaradas têm expresso amparo legal e jurisprudencial e a contribuinte não pode ter obstado a um beneficio que lhe fora outorgado por lei, simplesmente porque a agente fiscal presume os recibos sejam inválidos, ao arrepio da prescrição legal; e e) a compensação indevida de IRRF apontada pela Auditoria Fiscal não existe. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, por meio do Acórdão nº 0927.107 (fls. 108), julgou a impugnação procedente em parte, para eximir a contribuinte do pagamento do IRPF (código 0211), no valor de R$ 2.529,84, e da parcela do imposto de renda suplementar (código 2904), no valor de R$ 3.321,42, lançados pela precitada Notificação, e para exigir o recolhimento da parcela restante do imposto de renda suplementar (código 2904), no valor de R$ 3.758,70 (três mil setecentos cinqüenta e oito reais e setenta centavos). No voto, o relator sintetizou o resultado na tabela abaixo transcrita: Imposto de Renda Pessoa Física / 2004 Demonstrativo de Apuração Valor (R$) (*) Total dos rendimentos tributáveis declarados: 55.502,68 (+) Omissão de rendimentos tributáveis apurada: 19.177,06 () Total das deduções declaradas: 26.322,98 (+) Dedução indevida de despesas médicas: 24.952,45 (=) Base de cálculo apurada: 73.309,21 (*) Imposto devido: 15.083,13 () Total do imposto pago declarado: 9.809,41 (+) Glosa do imposto pago declarado: 0,00 () IRRF sobre a inflação: 1.515,02 (=) Saldo do imposto a pagar apurado: 3.758,70 () Saldo do imposto a pagar declarado: 0,00 (=) Imposto de renda suplementar: 3.758,70 Cientificada em 30 de novembro de 2009 (fl. 115), a contribuinte postou o recurso voluntário no dia 22 do mês subsequente (fls. 117/129), alegando que não concorda com a manutenção da glosa das despesas médicas, argumentando que: a) o valor total das despesas médicas é absolutamente compatível com os seus rendimentos; b) apresentou todos os documentos e declarações que comprovariam a realização das despesas e sua adequação às possibilidades legais de dedução do imposto de renda; c) não houve motivação específica por parte da autoridade lançadora para a glosa efetuada; d) não há razão jurídica plausível par exigir que a recorrente apresente extratos bancários ou qualquer outro documento que demonstre sua movimentação financeira; e Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 e) a contribuinte não pode ter obstado um beneficio que lhe fora outorgado por lei, simplesmente porque a autoridade fiscal não considera os recibos apresentados ou presume que tais recibos sejam inválidos, ao arrepio da prescrição legal. Por fim, cita jurisprudências do Conselho de Contribuintes e pede a ilegalidade e a nulidade da glosa das despesas médicas. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003192/200717 Acórdão n.º 210201.988 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A requerente pede que sejam consideradas as deduções com as despesas médicas registradas na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004 (fl. 24): Beneficiário CPF/CNPJ Valor (R$) Unimed 03.320.944/000134 1.972,45 Patrícia Rocha Vieira 016.505.62748 2.200,00 Ana Beatriz de Carvalho Pereira 876.641.43691 280,00 Keny da Fonseca 039.885.77685 5.500,00 Pollyana Andrade Araujo 002.649.64616 8.000,00 Walquíria Bittencourt Muhad 001.780.28657 7.000,00 Em relação às deduções, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Assim, não há dúvidas que os pagamentos efetuados a psicólogos, fisioterapeutas e despesas com serviços dentários são dedutíveis. Despesas essas que se restringem aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes e limitase àqueles especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Em principio, admitemse os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, como prova idônea de pagamento. Entretanto, havendo dúvidas quanto à idoneidade dos documentos, podemse solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais, por meio de odontogramas, laudos etc. De acordo com o art. 73 e § 2º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se não forem cabíveis, e poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Verificase que as deduções, proporcionalmente, representam um valor significativo em relação aos rendimentos da contribuinte, e que alguns desses comprovantes apresentam inconsistências, tais como: a) o documento que se refere à Unimed Muriae (fls. 33 e 90), cuja soma de R$ 1.392,93 está registrada em uma fita de papel de máquina de calcular, não corresponde ao valor declarado, não está em nome da requerente e nem de dependente que conste em sua declaração, e sim em nome de Elisete Santos Cordeiro. Além disso, inexiste no documento assinatura, chancela, identificação de postagem ou qualquer outra característica que lhe dê oficialidade; b) o recibo emitido pelo prestador Márcio de Almeida Braga, referente a tratamento odontológico, no valor de R$ 1.445,00, foi emitido em 8 de dezembro de 2004, portanto, e não se aplica ao exercício analisado (fl. 37). c) os recibos emitidos por Ana Beatriz de Carvalho Pereira, em março e julho, nos valores de R$ 112,00 e R$ 400,20 (54) e R$ 10,00 e (fl. 55) estão em nome de Elizabeth Santos Cordeiro, que não é dependente da declarante. d) os recibos emitidos por Maria Adiles M. de Carvalho, em julho e março, nos valores de R$ 168,00, R$ 15,00 (56) e de R$ 600,30 (fl. 55), também se referem a Elizabeth Santos Cordeiro e não constam na relação de pagamento e doações. e) os recibos emitidos por Pollyana Andrade Araujo (fls. 44 a 47, repetidos na fls. 86 e 87), emitido nos meses de maio a dezembro, no valor de R$ 1.000,00 cada, não constam o nome da declarante, como pagadora ou recebedora dos serviços. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003192/200717 Acórdão n.º 210201.988 S2C1T2 Fl. 4 7 f) os recibos emitidos por Walquíria Bittencourt Muhad, referentes aos meses de janeiro a julho (fls. 39 a 41, repetidas nas fls. 88 e 89) também não constam o nome da declarante, como pagadora ou recebedora dos serviços. Assim, diante da imprecisão na maior parte das provas, caberia de fato ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Pesa, ainda, o fato de as deduções informadas pela requerente terem, proporcionalmente, valores significativos em relação à renda. O total das deduções (R$ 26.322,98) corresponde a 47,42% dos rendimentos declarados (R$ 55.502,68), sendo 44,95% de despesas médicas (R$ 24.952,45), conforme se extrai da Declaração de Ajuste Anual (fl. 26). Diante disso, a auditoria quando expediu o termo nº 37/2007, em 27 de abril de 2007 (fl. 92), recepcionado um mês antes da lavratura do imposto suplementar, para que a contribuinte apresentasse comprovação da efetiva realização do serviço ou do seu pagamento. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. Nesse caso, é responsabilidade do beneficiário do recibo fazer prova de que efetuou o pagamento do valor nele constante, ou de que o serviço fora prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A questão seria facilmente resolvida se a requente, atentando para a solicitação da auditoria, tivesse juntado aos autos outros elementos que reforçasse a efetividade do serviço prestado ou do pagamento, até porque, quando a fonte pagadora é pessoa jurídica, os pagamentos são quase que na totalidade das vezes efetuados por intermédio de instituição bancária. Portanto, ainda que as despesas médicas tivessem sido pagas em espécie, teria a interessada como comprovar pelo menos os saques, coincidentes ou aproximados em datas e valores. Entretanto, ao invés de juntar aos autos provas que dirimisse a questão, a requerente se limita a contestar a exigência de outros elementos probantes. Porém, nesse caso, não cabe ao fisco obter as provas da inidoneidade do recibo, mas ao recorrente apresentar elementos que dirimam as dúvidas a respeito dos recibos e permitam a convicção na apreciação da prova para acatar as deduções com as despesas médicas. Ante ao exposto, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 14751.000483/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:2005
LUCRO PRESUMIDO. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA.
PERCENTUAL SOBRE A RECEITA BRUTA. As receitas das atividades de
construção por empreitada, com emprego de materiais, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL no lucro presumido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.948
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. PERCENTUAL SOBRE A RECEITA BRUTA. As receitas das atividades de construção por empreitada, com emprego de materiais, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL no lucro presumido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COPAL ENGENHARIA E PLANEJAMENTO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972(PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 04/08 e 09/13, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente, respectivamente, ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 150.247,73, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 332.884,05, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 73/81), o lançamento decorreu de divergências verificadas entre a receita escriturada e a receita declarada no anocalendário 2005. Aduziu a fiscalização que, no caso da CSLL, houve também o recálculo do valor devido, de sorte a incidir o percentual de 32% sobre a receita auferida com a prestação de serviços com fornecimento parcial de materiais. 3. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração do crédito tributário, encontramse no auto de infração e em seus anexos. O crédito tributário total importa em R$ 483.131,78 (demonstrativo de fl. 03). 4. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 86/98), alegando, em síntese: a) que efetuou pagamentos do IRPJ dentro dos vinte dias subsequentes ao início da fiscalização e, quanto aos outros tributos, que estes já estavam regularizados quando do Mandado de Procedimento Fiscal MPF que os incluiu na ação fiscal; b) que a fiscalização teria sido contraditória ao aplicar o percentual de 8% da receita bruta para o IRPJ, enquanto para a CSLL considerou que o percentual seria de 32%. Afirma que todos os seus contratos preveem o fornecimento de materiais, pelo que o percentual para o cálculo da CSLL deveria ser de 8%. 5. Ao final, requereu a impugnante a decretação de improcedência do lançamento. A decisão recorrida está assim ementada: VALORES ESCRITURADOS E VALORES CONFESSADOS/PAGOS. DIFERENÇA. A falta de recolhimento do IRPJ enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. VALORES ESCRITURADOS E VALORES CONFESSADOS/PAGOS. DIFERENÇA. A falta de recolhimento da CSLL enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. LUCRO PRESUMIDO. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. PERCENTUAL SOBRE A RECEITA BRUTA. As receitas das atividades de construção por empreitada, com emprego de materiais, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL no lucro presumido. PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 3 TRIBUTO DECLARADO. AÇÃO FISCAL. PRAZO PARA PAGAMENTO ESPONTÂNEO. A pessoa jurídica submetida a ação fiscal poderá pagar, até o vigésimo dia subsequente à data do recebimento do termo de início da fiscalização, o tributo já declarado com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. Não estando os tributos declarados, os pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração não são considerados espontâneos e não têm o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. Nesse caso, o crédito tributário será lançado pelo valor total, devendo o pagamento ser utilizado na sua amortização quando da fase de cobrança. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido e ao final requer o provimento, nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário provas de suas alegações e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): Da Espontaneidade 8. Alega a impugnante que efetuou o pagamento do IRPJ dentro dos 20 dias subsequentes ao início da fiscalização e que, quanto à CSLL, teria efetuado o recolhimento antes do recebimento do MPF que incluiu a contribuição no procedimento fiscal. Pretende a defesa, assim, arguir que os recolhimentos foram efetuados ao abrigo da espontaneidade prevista no art. 47 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pelo que seria incabível o lançamento ora em questão. 9. O citado dispositivo, com a redação que lhe foi dada pelo art. 70 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelece que: “Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo.” (g.n.) 10. Como se observa, a premissa para que se cogite da espontaneidade é que os valore pagos tenham sido declarados pelo sujeito passivo, ou seja, o benefício alcança apenas os valores reconhecidos como devidos mas pendentes de pagamento. Não estando os valores declarados, seja em DCTF, seja em DIPJ, temse de plano por inaplicável a regra supratranscrita. 11. Recordese que o motivo do lançamento foi a diferença entre os valores escriturados e os valores pagos ou confessados do IRPJ e da CSLL, entendido como confessados aqueles valores declarados em DCTF. Assim é que, para o caso concreto, cumpre verificar se os valores pagos estavam declarados em DIPJ e se o recolhimento ocorreu dentro do prazo de vinte dias contados da deflagração do procedimento fiscal. 12. O Termo de Início de Ação Fiscal, que, ao contrário do que presume a impugnante, já mencionava tanto o IRPJ quanto a CSLL (item 3), foi cientificado à empresa no dia 06/09/2007 (fls. 14/15). Desta forma, os pagamentos efetuados pela contribuinte até o dia 26/09/2007, desde que acrescidos dos encargos legais e desde que se referissem a valores declarados, deveriam ter sido considerados pela autoridade fiscal quando do lançamento. Verificarseá, ao final deste voto, quais os valores que se enquadram em tal situação. A propósito, esclareçase que o MPF não configura início de ação fiscal, conforme entendimento expresso pela Receita Federal através da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 11 de julho de 2003, assim ementada: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 5 “Mandado de Procedimento Fiscal. Espontaneidade. Início de procedimento fiscal. A ciência do Mandado de Procedimento Fiscal, por si só, não configura o início de procedimento fiscal e, conseqüentemente, não afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos nele expressamente previstos.” Da Base de Cálculo da CSLL 13. O questionamento da impugnante diz respeito ao percentual de 32% utilizado pela autoridade fiscal no cálculo da contribuição. O dispositivo em discussão é o art. 20 da Lei nº 9.249, de 27 de dezembro de 1995, alterado pelo art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que se transcreve: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (g.n.) (...)” 14. O art. 15, § 1º, III, da Lei nº 9.249, de 1995, tem a seguinte redação: “Art. 15 A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). (...) 15. Ao interpretar o citado art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação expediu o Ato Declaratório Normativo nº 06, de 13 de janeiro de 1997, in verbis (grifos acrescidos): Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 6 “(...) I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (...)” 16. Estendendo a interpretação para a CSLL, temse que o percentual a ser aplicado no caso de empreitada com emprego de materiais é de 12%, aplicandose o percentual de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra. 17. No caso vertente, a autoridade lançadora, no Termo de Verificação à fl. 77, diz que a autuada adquiriu, de forma continuada, materiais de construção para emprego nas obras por ela executadas, em razão do que aplicou o percentual de 8% sobre a receita bruta no cálculo do IRPJ. Para a CSLL, entendeu o autuante que, tendo sido comprovado que a contribuinte fornecia parte do material, o percentual aplicável era de 32%, à vista do disposto no art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003. 18. Penso que a autoridade fiscal se equivocou. Os atos legais e tributários acima aludidos deixam claro que, em havendo o emprego de materiais, em qualquer quantidade, o percentual a ser aplicado é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. Já se houver apenas o emprego de mãodeobra, o percentual será de 32% não apenas para a CSLL mas também para o IRPJ. 19. Recalculo a CSLL devida, a partir dos demonstrativos elaborados pela fiscalização às fls. 32 e 34, desta feita considerando o percentual de 12% sobre a receita bruta: Período Receita Bruta CSLL Calculada* CSLL Paga /Declarada DCTF/ PAES Diferença 1º Trimestre 1.715.828,39 18.530,94 0,00 18.530,94 2º Trimestre 1.760.309,49 19.011,34 5.233,56 13.777,78 3º Trimestre 1.146.803,41 12.385,47 7.148,90 5.236,57 4º Trimestre 2.132.907,24 23.035,39 18.639,79 4.395,60 * CSLL = Receita X 12% X 9% Dos Pagamentos Efetuados Após o Início da Fiscalização 20. Estabelecida a premissa assente no item 10 deste voto, passase a examinar a espontaneidade dos pagamentos realizados pela contribuinte após o início da ação fiscal. IRPJ Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 7 1º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 07), o imposto apurado pela fiscalização foi de R$ 28.316,56, que, deduzido do IRRF de R$ 210,00, resultou no imposto lançado de R$ 28.106,56. O valor declarado em DIPJ foi de R$ 1.781,76 (fl. 42), e a contribuinte recolheu, dentro dos vinte dias do início da ação fiscal, valor superior a este montante (fls. 114/115). Assim, na forma do art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, considerase que o valor declarado foi recolhido espontaneamente, razão pela qual será deduzido do montante lançado, conforme demonstrativo ao final. Ressalvo que o valor a considerar como declarado é o saldo a pagar informado na DIPJ, que, reconstituído após deduzirse o IRRF, resultou em R$ 1.571,76 (R$ 1.781,76 – R$ 210,00). 2º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 07), o imposto apurado pela fiscalização foi de R$ 29.206,18, que, deduzido de pagamentos realizados anteriormente no valor de R$ 5.233,56, resultou no imposto lançado de R$ 23.972,62. Ocorre que, conforme DARFs de fls. 117/119, dossiê de fl. 71 e demonstrativo de fl. 37, o valor pago anteriormente foi de R$ 5.815,06, e não de R$ 5.233,56. Portanto, nada há mais a considerar dos pagamentos realizados após o início da ação fiscal, já que o valor declarado foi igual ao valor pago anteriormente. Será deduzido, do lançamento, o valor de R$ 581,50, correspondente à diferença de R$ 5.815,06 e R$ 5.233,56. 3º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 07), o imposto apurado pela fiscalização foi de R$ 16.936,06, que, deduzido de débitos declarados em DCTF no valor de R$ 7.533,81, resultou no imposto lançado de R$ 9.402,25. O valor declarado em DIPJ também foi de R$ 7.533,81 (fl. 43), de sorte que todo o valor declarado já foi deduzido no lançamento, não havendo mais pagamento a considerar como espontâneo. 4º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 07), o imposto apurado pela fiscalização foi de R$ 36.658,13, que, deduzido de débitos declarados em DCTF, no valor de R$ 17.199,41, e de IRRF, no valor de R$ 7.626,80, resultou no imposto lançado de R$ 11.831,92. O valor declarado em DIPJ foi de R$ 22.665,68 (fl. 43), que, deduzido do IRRF considerado pela fiscalização, resulta em R$ 15.038,88. Temse assim que o maior valor declarado, que foi o informado em DCTF, já foi deduzido no lançamento, não havendo mais pagamento a considerar como espontâneo. CSLL 1º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 11), a contribuição apurada pela fiscalização foi de R$ 49.415,85, nada tendo sido deduzido a título de retenção na fonte, nem de pagamentos anteriores, nem de débitos declarados em DCTF. O valor declarado em DIPJ foi de R$ 1.603,58 (fl. 44), e a contribuinte recolheu, dentro dos vinte dias do início da ação fiscal, valor superior a este montante (fl. 147). Assim, na forma do art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, considerase que o valor de R$ 1.603,58 foi recolhido espontaneamente, razão pela qual será deduzido do montante lançado, conforme demonstrativo ao final. 2º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 11), a contribuição apurada pela fiscalização foi de R$ 50.696,91, que, deduzido de pagamentos realizados anteriormente no valor de R$ 5.233,56, resultou na CSLL lançada de R$ 45.463,35. O valor declarado em DIPJ foi de R$ 5.233,56 (fl. 44), que é exatamente o montante pago anteriormente e já deduzido no lançamento. Portanto, em relação aos pagamentos efetuados após o início da ação fiscal, nada mais há a considerar como espontâneo. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 14751.000483/200749 Acórdão n.º 140200.948 S1C4T2 Fl. 0 8 3º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fls. 11/12 ), a contribuição apurada pela fiscalização foi de R$ 33.027,93, que, deduzido de pagamentos anteriores e de débitos declarados em DCTF no valor de R$ 7.148,90, resultou na CSLL lançada de R$ 25.879,03. O valor declarado em DIPJ também foi de R$ 6.780,43 (fl. 45), de sorte que todo o valor declarado já foi deduzido no lançamento, não havendo mais pagamento a considerar como espontâneo. 4º Trimestre – Conforme demonstrativo de apuração (fl. 12), a contribuição apurada pela fiscalização foi de R$ 61.427,72, que, deduzido de débitos declarados em DCTF, no valor de R$ 18.639,79, resultou na CSLL lançada de R$ 42.787,93. O valor declarado em DIPJ foi de R$ 15.479,47 (fl. 45), inferior, portanto, ao valor declarado em DCTF e já deduzido no lançamento. Não há, pois, nenhum pagamento superveniente a considerar como espontâneo. Conclusão Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10166.006081/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DE CSLL, PIS E COFINS, RETIDOS INDEVIDAMENTE E OS DÉBITOS DESSAS MESMAS CONTRIBUIÇÕES RETIDOS E CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE:
A Associação é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos à ela, pois além dela não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide às contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos às referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas
e passíveis de restituição. A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96.
DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS.
Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada.
Numero da decisão: 1201-000.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 462 2 (Documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias residente (Documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior, Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Em 05/07/2006 a Recorrente protocolou pedido de homologação de declaração de compensação de créditos retidos na fonte a título de CSLL, PIS e COFINS sofridas no valor de R$ 43.267,27 em junho de 2006, conforme DIRF´s acostada aos autos (fls. 38 a 58), com débitos de retenção na fonte dessas mesmas contribuições feitas pela Recorrente na segunda quinzena de junho de 2006, no código da receita 5952, ambos de mesmo valor. Todavia, o referido pedido de homologação de compensação de créditos de PIS, COFINS e CSLL com débitos da mesma espécie foi julgado como NÃO HOMOLOGADO pela DIORT/DRF/DF, uma vez que segundo a DIORT em relação ao PIS e a COFINS a Recorrente não observou o disposto no caput no parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008, já que de acordo com este dispositivo só é possível a compensação do crédito da retenção na fonte quando ocorrer a impossibilidade da dedução da retenção. Assim, tomandose a DCTF apresentada pela Recorrente no referido período, constam débitos de PIS e COFINS referente ao mesmo período de apuração do crédito indicado de retenção na fonte dessas contribuições, constatase que a Recorrente pagou PIS e COFINS, mediante DARF. Ou seja, como houve necessidade de pagamento dessas contribuições, concluise que não foi atendido o disposto no artigo 5, caput e parágrafo primeiro da MP 413/2008. Já no que tange a CSLL, caso as retenções sejam em valor superior ao devido, o contribuinte pode optar por apresentar a declaração de isenta do IRPJ e preencher no programa gerador da declaração o campo que indica que ele é contribuinte da CSLL, informando as retenções sofridas de CSLL a cada mês ou trimestralmente, conforme sua forma de apuração para que estas possam ser somadas e gerar um saldo negativo ao final do período, que daí sim poderá ser utilizada na compensação com outros tributos e contribuições. Em suma o motivo da não homologação foi de que é incabível a compensação diretamente da CSLL retida na fonte com o valor a recolher de retenções de CSLL, PIS e COFINS feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos. A legislação permite deduzir da base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS os valores retidos, sendo esta dedução feita diretamente na escrituração contábil da pessoa jurídica ou mediante a entrega da Declaração de Isenta ou DACON. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 463 3 Em 21/02/2008 a Recorrente foi intimada sobre a decisão de não homologação. Em 20/03/2008 a Recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese que: Embora a Recorrida tenha reconhecido expressamente o direito da Recorrente à compensação de valores retidos indevidamente a título de CSLL, PIS e COFINS, houve por bem não homologar a compensação, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente ao efetuar a compensação não observou os preceitos normativos contidos no parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008 e o artigo 5 da Instrução Normativa 600/2005. Os dispositivos normativos invocados não eram aplicáveis à compensação em tela, seja pelo fato de simplesmente não estarem em vigor no instante em que se deu a operação (caso da MP 413/2008), seja pelo fato de desconsiderarem especificidades fundamentais da situação tratada, seja, ainda, pelo fato de somente poderem ser cumpridos mediante a apresentação de declaração inexata da Recorrente ao Fisco (caso da IN 600/2005, se interpretada de acordo com a sugestão constante do parágrafo 13 do Despacho Decisório). O direito subjetivo à compensação tributária é assegurado pelo artigo 74 da Lei 9.430/1996, como reconhecido no próprio despacho decisório ora atacado, que entendeu pela não homologação. Ao assim proceder, o Fisco deixou de lado o principal aspecto da controvérsia, a saber, a existência de um direito legalmente assegurado, qual seja a compensação que enquanto direito subjetivo integra o patrimônio da Recorrente e que deve ser viabilizado e não obstado pelas autoridades públicas. A Recorrente é Associação que congrega os médicos que exercem sua profissão no Distrito Federal , colocando diversas facilidades à disposição de seus associados, dentre os quais destacase a intermediação de contratos de prestação de serviços médicos celebrados entre os seus associados médicos e os planos de saúde na condição de tomadores, inclusive no que tange ao recebimento dos honorários devidos e do seu repasse aos seus associados figurando como mera intermediária. Nessa operação os planos de saúde fazem o depósito da remuneração devida aos médicos associados diretamente à Recorrente, registrando a retenção de tributos como se fora pagamento para a Associação, o que tornava confusa a relação com os planos de saúde. Dessa maneira, em relação à CSLL, ao PIS e a COFINS a Recorrente sofre nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas dessas contribuições, pelo código 5992, no percentual de 4,65% nos termos do artigo 30 da Lei 10.833/2003. Diante dessa confusão o Superior Tribunal de Justiça um dos tomadores dos serviços médicos prestados pelos associados da Recorrente, por seu intermédio, formulou consulta à SRF, solicitando manifestação sobre a forma pela qual deveriam ser realizadas as retenções. Em reposta à referida consulta foi proferida a Solução de Consulta COSIT número 5, de 30 de março de 2004 que esclareceu que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços médicos fossem prestados por pessoa jurídica, o que não é o caso, uma vez que os serviços médicos são prestados pelos médicos associados e não pela Recorrente, conforme a seguir transcrita: Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 464 4 "Analisandose o documento de fls. 30 dos autos (Estatuto da Associação Médica de Hospitais Privados do Distrito Federal), verificase que os serviços são prestados direta e unicamente pelos associados, por conta e risco próprios, corno pessoas fisicas e jurídicas, evidenciando a condição de mera intermediária da Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal (AMHPDF) na prestação de serviços. 1 1 . Estabelece a Cláusula Nona que os valores devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas com discriminação dos serviços prestados para cada beneficiário no prazo de 30 (trinta) dias, e o § 3 prevê que os pagamentos serão recebidos pela Credenciada na qualidade de representante de seus associados, que poderá em nome destes envidar todos os esforços para a sua cobrança. 12.. Encontramse ainda acostados aos autos: cópia de Declaração de Isenção, a que se refere o inciso IV art. 26 da IN SRF n2 306, de 2003, firmada pelo Diretor Presidente da AMIIPDF, datada de 25 de março de 2003; cópias de Ternos de Filiação e Compromisso, à associação, de pessoas físicas e de uma pessoa júridica; e do Estatuto da Associação. 13. A IN SRF 112 306, de 2003, tem seu fundamento legal no art. 64 da Lei n 9.430, de 1996, estabelecendo o art. 1 2 da mencionada Instrução Normativa: "Art. 1 2 Os órgãos da administração federal direta; as autarquias e as fundações federais reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ), bem assim a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para ,o PIS/Pasep sobre OS pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa." 14. Dentre as hipóteses em que não haverá retenção, o art. 25, inciso IV, da referida Instrução Normativa arrola as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e às associações civis, a que se refere o art. 15 da Lei IV 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Estabelece o art 26 a obrigatoriedade de as entidades que se 'enquadrem no inciso IV do art 25 apresentarem declaração, informando que preenchem os requisitos ali exigidos... 15. De sua vez estabelece o art. 15 da Lei n2 9.532, de 1997, o seguinte: "Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem; os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 465 5 § 1 A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 22 Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável; § 32 às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2 2, alíneas "a" a "e" e § 32 e (o)s arts. 13 e 14." 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cingese ao 'correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação corno mera intermediária. 17. O art. 20, da IN SRF 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos às associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: a) imposto de renda na fonte à aliquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizandose do código de arrecadação 3280; b) CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, às aliquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais ou faturas,utilizandose o código 8863. 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado à AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestem serviço em nome próprio. 19.A AMHPDF atua Como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20..Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMIIPDF. Os pagamentos são efetuados à Associação, como intermediária, mas referemse a Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 466 6 pagamentos efetuados à conta de serviços prestado. diretamente por pessoas físicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço '(servidor do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. 22. Esclareçase que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas físicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa física como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos às retenções do art. 628 do RIR de 1999, no caso de profissional pessoa física; e as retenções de que trata a IN SRF 306 de 2006, no caso de pagamentos efetuados às pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, § 1 , da Lei 9.430, de 1996. Em que pese a existência da solução de consulta os planos de saúde continuaram realizando as retenções como se a Recorrente fosse a própria prestadora de serviços médicos, alegando dificuldades operacionais em implementar a referida solução. Diante dessa situação e das retenções indevidas que a Recorrente vinha sofrendo, uma vez que boa parte dos serviços que intermediou são prestados por médicos pessoas físicas e, na condição de associação sem fins lucrativos é isenta da incidência do PIS, da COFINS e da CSLL sobre suas próprias atividades, nos termos do que dispõem o artigo 13, IV e do artigo 14 ambos da MP 2.15834/2001 e do artigo 15, parágrafo primeiro da Lei 9.532/1997, passou a apurar créditos tributários e compensálos com tributos que deveria reter na fonte, como o PIS a COFINS e a CSLL incidentes sobre os repasses de honorários pagos pelos planos de saúde às clínicas, na qualidade de pessoa jurídica, prestadoras de serviços médicos, visto que estas é que são os contribuintes que realizam o fato gerador que motiva as retenções. Ou seja, no presente caso a compensação pleiteada referese à retenções indevidas de PIS, COFINS e de CSLL sofridas pela Recorrente como se ela fosse pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, quando na verdade é apenas intermediadora, e os valores que a Recorrente deveria reter dos seus associados estes sim na qualidade de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, no momento em que repassa às clínicas os honorários recebidos por ela na condição de intermediadora, sem qualquer redução nos valores das contribuições incidentes sobre a operação. Fato que em nenhum momento foi observado pela autoridade julgadora . A Recorrente ao proceder a compensação entre os créditos oriundos de retenção indevida e débitos relativos a retenções a serem realizadas nada mais fez do que seguir os dispositivos normativos que tratam da matéria, inclusive o artigo 7 da IN da SRF 480/2004 e o artigo 5 da IN 600/2005, ou seja, realizou os abatimentos devidos de créditos Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 467 7 apurados em um período mensal, já que a retenção é feita mês a mês com os débitos correspondentes ao período seguinte também mensal, relativo a retenções mensalmente exigidas. Ao assim proceder a Recorrente possibilitou ao Fisco a solução que melhor permite o monitoramento dos tributos incidentes e dos valores efetivamente recolhidos, isso porque todas as etapas do procedimento foram formalizados, inclusive por meio de Declarações de Compensação (DCOMP´s) e registros específicos na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). A forma de proceder da Recorrente não causou qualquer lesão ao Fisco, mas ao contrário, permitiu um controle e acompanhamento pelo Fisco muito maior do que se a Recorrente tivesse procedido às deduções apenas em sua contabilidade como deu a entender o Despacho Decisório ora combatido. Tanto a compensação quanto a dedução efetuada diretamente na escrituração fiscal do contribuinte são formas de extinção de obrigações tributárias a partir da contraposição de créditos que o sujeito passivo tenha em face do Fisco, sendo a compensação gênero, uma vez que contempla qualquer débito e crédito administrado pela SRF, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/1996, enquanto a dedução é uma espécie, visto que envolve apenas alguns tributos e em determinadas condições. Em relação às compensações de PIS e da COFINS não merece qualquer reprimenda o procedimento adotado pela Recorrente, pois a desqualificação da compensação promovida pelo Despacho Decisório DRF/BSA/DIORT, fundamentouse em ilegal aplicação retroativa da MP 413/2008, procedimento de todo inviável em face dos artigos 105 e 106 do CTN e do artigo 150, inciso III, “a” da CF/88, visto que como ressaltado na própria decisão guerreada, a compensação em tela foi realizada em junho de 2006, ou seja, muito antes do dia 03 janeiro de 2008, data em que foi publicada a MP 413/2008, não podendo, portanto, esse dispositivo legal ser invocado pelo Fisco para não homologar a compensação. Se não bastasse isso, ainda em relação a não homologação das compensações de PIS e de COFINS não poderia ser aplicado o artigo 5 da MP 413/2008, uma vez que esse dispositivo regulamenta a incidência das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, enquanto que no presente caso os créditos de PIS e da COFINS apurados pela Recorrente não decorrem do seu faturamento, mas dos rendimentos auferidos sobre as suas aplicações financeiras, que no caso das entidades sem fins lucrativos não se configuram como espécie do gênero faturamento. Esses tributos, muito embora tenham o mesmo “nomem juris” não são os mesmos juridicamente, pois de acordo com o previsto no artigo 4 do CTN o que define a natureza do tributo não é a sua denominação, mas o seu fato gerador. Nem mesmo a primeira parte do “caput” do artigo 5 da MP 413/2008 se aplica ao caso em tela. Isso porque a norma que trata das retenções de PIS e de COFINS a serem deduzidas dos valores apurados das contribuições a pagar no período, sendo claro que esse procedimento diz respeito às retenções devidas, que, naturalmente, são consideradas antecipações do pagamento devido ao final do período. Todavia, no caso em debate a Recorrente sofreu retenções indevidas que, portanto, não são antecipações do que é devido ao Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 468 8 final do período, mas crédito tributário em sentido próprio, uma vez que ao final de cada período não possui valores de PIS nem de COFINS a pagar, não sendo necessário que se faça a dedução antes de proceder a compensação. Por fim, em relação ao PIS e a COFINS, ainda que se admita a aplicação da MP 413/2008 ao caso dos autos o comando normativo que deveria ser observado pelo Fisco é o contido no parágrafo primeiro do artigo 5 da referida MP e não a regra geral contida no “caput”, pois os valores registrados pela autoridade fiscal como recolhidos no mesmo período em que foi apurado o crédito objeto da compensação são claramente inferiores aos montantes dos créditos. Assim, interpretandose o parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008 em conjunto com o parágrafo segundo do mesmo artigo, temse que, havendo excesso na comparação entre o montante retido e a contribuição a pagar no mês em que houve as retenções na fonte, configurase a “impossibilidade de dedução de que trata o “caput”. Essa situação por sua vez, faz com que seja possível nos termos do referido “caput” a compensação tributária efetuada. Quanto às razões que fundamentaram a não homologação da compensação em relação à CSLL, consubstanciada na alegação de que a Recorrente deveria ter apurado primeiramente o saldo negativo da CSLL é inaplicável ao caso em tela, pelo simples fato de que a Recorrente, na qualidade de Associação Civil sem fins lucrativos, é entidade isenta do IRPJ e da CSLL, não podendo apurar saldo negativo de CSLL nem proceder a declaração, como sugerida no despacho decisório, de que seria contribuinte da CSLL, devendo ser ressaltado mais uma vez que as retenções sofridas pela Recorrente são indevidas, sendo claramente descabido exigir que ela, não sendo contribuinte da CSLL em sua forma ordinária, apure os tributos incidentes no mês para que chegue à conclusão de que haveria saldo negativo. Não há saldo negativo de CSLL, mas crédito desse tributo oriundo de retenção indevida. Assim, é correto dizer que a disposição do artigo 5 da IN 600/2005, invocada na decisão para fundamentar a não homologação das compensações não é aplicável ao caso em tela, nem exclui a regularidade do procedimento adotado pela Recorrente, uma vez que se refere a obrigação do contribuinte da CSLL de apurar o valor do saldo negativo de CSLL antes de requerer a sua restituição. Ao fim explica que possui outros processos administrativos que tratam da mesma matéria, qual seja, de compensação não homologada referente ao PIS, a COFINS e a CSLL relativos a períodos diversos e pede que o presente processo administrativo seja julgado em conjunto com os seguintes: 10166.008138/200531 10166.010080/200595 10166.008748/200534 10166.010081/200530 10166.011080/200511 10166.013142/200511 10166.001565/200679 Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 469 9 10166.002417/200671 10166.004116/200682 10166.005076/200696 10166.006081/200616 10166.012290/200607 10166.001364/200752 10166.002384/200741 10166.002385/200795 10166.002566/200711 10166.012231/200540 10166.013141/200576 10166.003398/200609 10166.006925/200629 10166.008182/200621 10166.009380/200611 10166.010220/200614 10166.011326/200627 10166.003302/200785 10166.004219/200723 10166.005505/200714 10166.006615/200795 Em 22/12/2008 a Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ que, por unanimidade de votos indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente deduzindo em síntese que: Dentre os dispositivos legais que regem a matéria não existe previsão legal que permita a pessoa jurídica compensar diretamente valores de tributos ou contribuições sociais retidos na fonte com débitos dessas contribuições, como pretende a Recorrente. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 470 10 Para deduzir ou compensar os valores das contribuições retidas, a Recorrente primeiramente deveria ter registrado na sua escrituração contábil ou informado na declaração de isenta ou DACON. A declaração de compensação não é instrumento hábil para deduzir valores de contribuições retidos na fonte. Ademais, a Recorrente não é a real contribuinte dos valores retidos na fonte, razão pela qual indeferiu a manifestação de inconformidade. Ao interpretar a Solução de Consulta COSIT concluiu que no caso concreto a Recorrente na condição de intermediária não é contribuinte dos valores retidos na fonte, pois a retenção deveria ocorrer sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais pessoas físicas ou jurídicas. Nos termos do artigo 7 da IN SRF 600/2005, a restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo ou no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. De outro lado, consoante o artigo 8 da citada IN somente a pessoa jurídica que promoveu retenção indevida do tributo ou contribuição no pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, com o mesmo tributo ou contribuição devidos pela pessoa física, a título de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que a quantia retida indevidamente tenha sido recolhida. O fato de as fontes pagadoras terem retido na fonte valores de contribuições em nome da Recorrente quando o correto seria em nome dos reais prestadores de serviços, não autoriza à compensação realizada na declaração de compensação, pois, um erro não pode servir de justificativa para se cometer outro. Ademais as controvérsias existentes entre a Recorrente e os planos de saúde tomadores dos serviços dos médicos à ela associados não podem ser solucionados pelo Fisco, devendo a solução ser obtida na seara privada. Na solução de consulta a Recorrente, na condição de intermediária, foi orientada a emitir notas fiscais em nome dos associados reais prestadores de serviços médicos e apresentar as fontes pagadoras informando o CNPJ (pessoa jurídica), o CPF (pessoa física) e os valores a serem pagos, facultando as pessoas prestadoras dos serviços compensarem os valores dos tributos e contribuições retidos comprovados mediante comprovante anual de retenção fornecido pelas fontes pagadoras (Lei 7.450/85, art. 55, matriz legal do artigo 943 do RIR/1999 e IN SRF 306 de 2003, art. 28). Para provar o crédito compensado, a Recorrente junta ao presente processo demonstrativos de contribuições retidas na fonte DIRF´s as fls. 38 a 58, bem como DCTF com o valor do débito a compensar. Contudo a DRJ entendeu que esses documentos não constituiriam meios de provas hábeis. A isenção alegada pela Recorrente não a desobriga a efetuar a escrituração fiscal e a apurar a base de cálculo da CSLL e as demais contribuições. Com relação a MP 413/2008 não houve qualquer prejuízo a manifestante, uma vez que a autoridade fiscal apenas informou que a partir da entrada em vigor da referida MP poderia ser compensado o saldo dos valores retidos na fonte a título das contribuições para Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 471 11 o PIS e da COFINS apurados em períodos anteriores ou ser também restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela SRF. Deixou de analisar os demais argumentos deduzidos pela Recorrente por considerálos inapropriados para o deslinde da questão. Em 20/01/2009 a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior Versam os presentes autos sobre retenções indevidas sofridas pela Recorrente, na condição de associação civil sem fins lucrativos que apenas intermedeia os contratos e os pagamentos efetuados por tomadores de serviços aos médicos e às clínicas reais prestadoras dos serviços médicos, ou seja, erro quanto à identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, bem como, sobre a possibilidade de a Recorrente pleitear a compensação desses valores retidos indevidamente com os valores que ela reteve dos seus associados a título de pagamento de honorários médicos. Ao analisar a impugnação apresentada pela Recorrente a DRJ manteve a decisão que não homologou as compensações, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente não é o sujeito passivo da obrigação tributária e, portanto, não pode pleitear a compensação, bem como, no fato de inexistir norma administrativa que regulamente a compensação pleiteada pela Recorrente, qual seja, entre os valores que lhe foram retidos indevidamente pelos tomadores de serviços médicos, com os valores que ela reteve ao repassar os pagamentos aos seus associados, reais prestadores de serviços médicos. O primeiro ponto que deve ser ressaltado é que a responsabilidade pela retenção do recolhimento das contribuições ao PIS à COFINS e à CSLL é atribuída por lei aos tomadores de serviços para antecipar os referidos tributos, bem como, para facilitar a sua fiscalização. Ocorre que no caso em tela entre a tomadora dos serviços médicos e os reais prestadores de serviços existe a Recorrente que atua como intermediadora tanto dos contratos firmados, quanto dos honorários a serem recebidos pelos seus associados. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 472 12 Nesta condição o cerne da questão está em saber quem é que deve reter e recolher as contribuições sociais ao PIS, COFINS e à CSLL incidentes sobre a prestação de serviços médicos, e em nome de quem devem ser feitos esses descontos. A fim de melhor elucidar a questão imperioso se faz transcrever parte do Parecer COSIT número 5 na solução de consulta suscita pelo STJ à SRF, conforme a seguir transcrito: (...) 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cingese ao 'correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação corno mera intermediária. 17. O art. 20, da IN SRF 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos às associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: a) imposto de renda na fonte à aliquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizandose do código de arrecadação 3280; b) CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, às aliquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais ou faturas,utilizandose o código 8863. 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado à AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestem serviço em nome próprio. 19.A AMHPDF atua Como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20..Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMIIPDF. Os pagamentos são efetuados à Associação, como intermediária, mas referemse a pagamentos efetuados à conta de serviços prestado diretamente por pessoas Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 473 13 físicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço '(servidor do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. 22. Esclareçase que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas físicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa física como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos às retenções do art. 628 do RIR de 1999, no caso de profissional pessoa física; e as retenções de que trata a IN SRF 306 de 2006, no caso de pagamentos efetuados às pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, § 1 , da Lei 9.430, de 1996. Ora pelo que se depreende do acima transcrito apesar da Recorrente agir como intermediadora dos contratos firmados entre os seus associados e os tomadores de serviços, bem como, intermediar o repasse dos honorários pagos por esses aos seus associados, a própria SRF considerou que a única relação jurídica a ser tributada, é a efetiva prestação de serviços médicos que ocorre entre os médicos associados e os tomadores de serviços. Nesse passo, o referido parecer ainda deixa claro que quem deve efetuar a retenção e o recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a efetiva prestação de serviços médicos são os tomadores de serviços e, essa retenção deve ser feita em nome do médico pessoa física e ou da clínica pessoa jurídica que efetivamente prestou o serviço, sem mencionar a Recorrente. Ocorre que no caso em tela não é isso que as tomadoras de serviços estão fazendo, pois estas estão procedendo a retenção e ao recolhimento das contribuições incidentes sobre a efetiva prestação de serviços em nome da Recorrente, como se ela fosse o contribuinte, quando na verdade os contribuintes são os médicos associados da Recorrente que efetivamente prestaram serviços as tomadoras. Entretanto, as tomadoras de serviços ao identificarem a Recorrente, associação, como se fosse o contribuinte das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL incidentes sobre a prestação de serviços médicos, além de procederem indevidamente ao desconto desses valores do pagamento efetuado à Recorrente, ainda informam ao Fisco que o contribuinte desta retenção é a Recorrente, quando na verdade os contribuintes são os médicos associados da Recorrente que efetivamente lhe prestou os serviços médicos. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 474 14 Dessa prática advém duas consequências, primeiro a retenção errada por parte das tomadoras de serviços sobre os valores pagos à Recorrente, como se esta fosse contribuinte o que dá causa ao indébito e, portanto, a Recorrente se torna credora do Fisco, uma vez que o serviço que ela presta não está sujeito a retenção na fonte, a segunda consequência é que deixa de informar a ocorrência dos reais fatos geradores das contribuições sociais retidas, ou seja, simplesmente não constitui o crédito tributário incidente sobre os serviços médicos efetivamente prestados pelos associados. Passemos a análise da primeira consequência decorrente do erro das tomadoras de serviços em identificar a Recorrente como sendo a beneficiária das contribuições retidas e recolhidas sobre os serviços prestados pela Recorrente, os quais consistem somente na intermediação de contratos de prestação de serviços médicos e no repasse de valores recebidos a este título, que não se confunde com o fato gerador das referidas contribuições, qual seja, a efetiva prestação de serviços médicos pelos médicos associados. O erro das tomadoras de serviços em identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, como sendo a Recorrente, gera a distorção do fato jurídico tributário, pois a Recorrente é identificada como se fosse a real prestadora de serviços médicos, sobre os quais as tomadoras estão efetuando a retenção e o recolhimento indevido nos termos do inciso II do artigo 165 do CTN. Neste caso, é forçoso concluirmos que a Recorrente possui sim legitimidade para pleitear a devolução dos valores que lhe foram indevidamente retidos pelas tomadoras dos serviços, pois os serviços que a Recorrente presta consiste apenas na intermediação de contratos e valores firmados entre os tomadores de serviços e os seus médicos associados, os quais não estão sujeitos a essas retenções. Passemos agora a análise da segunda consequência que o erro das tomadoras de serviços acarreta, ao deixar de informar a ocorrência dos serviços efetivamente prestados e correlacionar com os reais prestadores, simplesmente não constitui o crédito tributário incidente sobre os serviços médicos prestados pelos associados. Ou seja, assim que a Recorrente efetuar o repasse aos seus associados dos valores recebidos a título de honorários pelos serviços médicos efetivamente prestados, esses caso não tenham oferecido a totalidade dos rendimentos à tributação, ficam sujeitos à autuação do Fisco, uma vez que não houve a correta imputação pelas tomadoras de serviços das contribuições sociais incidentes sobre os serviços médicos prestados, nesse caso ainda haverá bitributação dos serviços médicos prestados. Assim, no caso em tela, como as tomadoras não identificaram qual a prestação de serviço sobre a qual estão procedendo a retenção e ao recolhimento das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, bem como, à qual prestação de serviço e à qual sujeito passivo específico aquele pagamento se refere, o Fisco não tem como imputar corretamente aquele pagamento. A Recorrente ciente das consequências que o erro das tomadoras podem acarretar, apesar de ser mera intermediária dos contratos e dos valores recebidos em razão da prestação de serviços médicos prestados por seus associados às tomadoras, optou por cumprir ela a obrigação tributária imputada às tomadoras, qual seja, de reter e identificar com minúcias as contribuições sociais que estavam sendo retidas, em razão de qual prestação de serviço, identificando inclusive qual o associado que o havia prestado. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 475 15 Donde se constata que no caso em tela quem cumpriu a obrigação tributária imputada às tomadoras de serviços médicos foi a Recorrente e em razão dela ter assumido este ônus, tornouse devedora do Fisco no valor das contribuições sociais informadas e retidas de seus associados. Deve ser ressaltado ainda que o ordenamento pátrio não veda a possibilidade de um terceiro interessado no cumprimento de uma obrigação em assumila para si, tal prática não é comum, mas não é vedado pela legislação. Ou seja, por todo o exposto até aqui podemos concluir que a Recorrente é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos à Recorrente, pois além da Recorrente não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide às contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos às referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. E apesar de não ser a Recorrente quem deve cumprir a obrigação legal de reter e de informar ao Fisco os valores das contribuições sociais devidas em razão de cada prestação de serviço médico, identificando as minúcias de cada operação, não se pode olvidar que no presente caso foi a Recorrente quem adimpliu a obrigação e, portanto, tornouse devedora do Fisco em razão dos valores informados e retidos de seus associados. Donde se conclui que a Recorrente é credora e devedora do Fisco em relação ao mesmo valor do crédito tributário, razão pela qual ela pleiteou a sua compensação nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Todavia, o pedido de compensação foi indeferido pela autoridade administrativa sob o fundamento de que a Recorrente não seria contribuinte das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL incidentes sobre os serviços médicos prestados pelos associados, bem como, pela inexistência de dispositivo legal que regulamente tal hipótese. O primeiro fundamento utilizado pela autoridade administrativa de que a Recorrente não seria o contribuinte das retenções e recolhimentos não merece prosperar, visto que como já salientamos foi a Recorrente quem cumpriu a obrigação tributária imputada aos tomadores de serviços médicos, ou seja, foi ela quem constitui o crédito tributário e se tornou devedora do Fisco em relação à esses valores declarados e retidos. O segundo argumento utilizado pela autoridade administrativa de que inexiste norma legal que regulamente a compensação pleiteada também não merece prosperar, uma vez que tal possibilidade está expressamente prevista tanto no artigo 170 do Código Tributário Nacional quanto no artigo 74 da Lei federal nº 9.430/96. Ademais, a inexistência de norma secundária a regulamentar o procedimento de compensação expressamente previsto no CTN e no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que regulamente tal procedimento não pode ser utilizado como fundamento pela autoridade administrativa para embasar o indeferimento da compensação, uma vez que se trata de direito subjetivo, previsto em normas primárias. Processo nº 10166.006081/200616 Acórdão n.º 1201000.652 S1C2T1 Fl. 476 16 Deve ser ressaltado por fim, que as normas secundárias existentes em nosso ordenamento jurídico que dispõe sobre determinado procedimento a ser observado pela autoridade administrativa vinculam apenas essas para que procedam dentro desses limites, não podendo a inexistência de norma que regulamente determinado procedimento ser alegada como razão de indeferir um direito subjetivo assegurado pelo contribuinte por normas primárias, quais sejam as leis complementares e ordinárias. Por fim, quanto a alegação de que a Recorrente não observou os preceitos normativos quanto a forma para proceder a compensação, forçosa é a conclusão de que a Recorrente agiu de boafé nos presentes autos, uma vez que o procedimento adotado por ela, possibilitou ao Fisco apurar a veracidade de todas as informações prestadas, tais como a origem do débito e a origem do crédito, o período do débito e do crédito, os valores do débito e do crédito, os juros, dentre outros, isso porque todas as etapas do procedimento foram formalizados, inclusive por meio de Declarações de Compensação (DCOMP´s) e registros específicos na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), atingindo, assim, o fim para o qual foram criados, não podendo ser afastados apenas em razão do formalismo exarcebado. Isso posto, e tendo em vista que a Recorrente é credora e devedora do Fisco no mesmo montante voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da Recorrente para homologar a compensação. É como voto. (Documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator
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Numero do processo: 10920.001576/2004-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2003
Ementa: CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10920.001576/200406 Acórdão n.º 140201.054 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES EMBRACO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Por meio do Despacho Decisório às folhas 171 a 176, a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC declarou não homologadas as compensações de débitos de IRPJ (código 2362) pertinentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, consignadas em Declarações de Compensação (DCOMP), apresentadas pela interessada. Pelas DCOMP geradas pelo programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a interessada utilizou crédito originado de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, apurado no anocalendário de 2003, no montante de R$ 5.321.948,83 (cinco milhões, trezentos e vinte e um mil, novecentos e quarenta e oito reais e oitenta e três centavos). Em análise da apuração do IRPJ do anocalendário de 2003, a autoridade a quo manifestouse contrariamente à dedução da quantia de R$ 1.417,70, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, pelo fato desse valor corresponder ao anocalendário de 2002. Além disso, afirmou que do montante de R$ 16.181.483,38, a título de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002, e utilizado na compensação de estimativas de IRPJ de 2003, apenas a parcela de R$ 660.650,94 seria passível de reconhecimento, conforme consta do despacho decisório produzido nos autos do processo nº 10920.001580/200466. Os débitos indicados para compensação no referido processo foram encaminhados para cobrança, encontrandose em fase de julgamento. Em face dos mencionados valores, a autoridade recorrida alterou a apuração constante da ficha 12A da DIPJ do anocalendário de 2003, reduzindo o montante de imposto de renda mensal pago por estimativa de R$ 45.311.482,38 para R$ 29.789.232,24, conforme demonstrado no quadro abaixo: Linha Discriminação Valor (R$) De Para 01 À Alíquota de 15 % 24.176.081,28 24.176.081,28 03 Adicional 16.093.387,52 16.093.387,52 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte 279.935,25 279.935,25 17 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 45.311.482,38 29.789.232,24 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 5.321.948,83 10.200.301,31 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10920.001576/200406 Acórdão n.º 140201.054 S1C4T2 Fl. 0 3 No Despacho Decisório, foi também demandada a formalização do lançamento relativamente ao valor acima apurado, a título de IRPJ a pagar. Inconformada com a decisão que não homologou as compensações, a interessada apresentou manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento (fls. 180 a 199), na qual faz inicialmente uma síntese do procedimento fiscal e, em seguida, apresenta os seguintes argumentos de defesa: a) Da Duplicidade na Cobrança A recorrente alega que já está sendo compelida a pagar os débitos de IRPJ compensados durante o ano de 2003, os quais se encontram com a exigibilidade suspensa em face ao julgamento aguardado junto ao Conselho de Contribuintes, de modo que vem sendo cobrada em “duplicidade” pelos mesmos valores, parte deles, reflexamente através da não homologação das compensações de IRPJ realizadas em 2004 (R$ 5.321.948,83), e a outra parte, referente ao crédito constituído em função da mesma (R$ 10.200.301,31), através de auto de infração. Afirma que afora um pequeno valor de IRRF, o débito de IRPJ de 2003 já foi devidamente constituído e suspenso, não havendo no despacho decisório qualquer outro argumento que derrube o direito creditório da recorrente. Salienta que, caso o questionamento quanto ao uso do saldo negativo de CSLL seja julgado favoravelmente ao fisco, os valores em questão serão objeto de cobrança através do processo nº 10920.001580/200466, sem qualquer prejuízo ao fisco, pois passaria de situação de saldo negativo, para recolhimento efetivo do IRPJ de 2003. Desta forma, seja pela duplicidade no lançamento, seja pelo não cabimento de multa de ofício nos casos de lançamento de valores com exigibilidade suspensa, seria mister a exclusão dos valores lançados a este título no presente processo. b) IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras Acerca do IRRF no montante de R$ 1.417,70, a recorrente revela que se refere a rendimentos de aplicações financeiras ocorridos durante o ano de 2002, conforme consignado no comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados, fornecido pela instituição financeira (doc. 04). Alega que de acordo com a DIPJ do anocalendário de 2002, exercício de 2003, referidas retenções não foram deduzidas do IRPJ devido daquele ano, razão pela qual entende ter o direito a sua dedução nesse momento. c) Do Crédito de CSLL apurado em 2002 Por entender que toda a discussão até aqui tem origem nas compensações de IRPJ realizadas em 2003 com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2002, e não homologadas de acordo com o processo administrativo nº 10920.001580/200466, reitera os argumentos já apresentados nos recursos juntados no referido processo. Os argumentos apresentados não serão aqui relatados em face do que será exposto no voto. d) Pedido Requer o provimento da manifestação de inconformidade, ou se assim não for, que haja a suspensão do presente processo até julgamento final do processo nº 10920.001580/200466, para se evitar a cobrança em duplicidade de crédito de IRPJ de 2003, sendo ao final cancelada a presente cobrança por perda de objeto. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10920.001576/200406 Acórdão n.º 140201.054 S1C4T2 Fl. 0 4 A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INSTRUMENTO HÁBIL DE COBRANÇA Somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE JUROS E MULTA A apuração de postergação no pagamento de imposto enseja a exigência, de ofício, de acréscimos de juros e multa. Solicitação Indeferida A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: não foi considerada a suspensão da exigibilidade do crédito, que está sendo discutido no PA 10920.001580/200406. Tal fato é vício insanável; Há cobrança em duplicidade, pois o valor aqui não homologado está sendo cobrado por auto de infração. Além disso, no julgamento feito pela DRJ foram excluídos os valores relativos às Dcomp entregues a partir de 31/10/2003 sob argumento de que após esta data as Dcomp constituem confissão de dívida, documento hábil e suficiente para exigir os débitos compensados indevidamente. É defendido, ainda, que para as Dcomp entregues antes desta data o lançamento de ofício deve ser mantido. Tal decisão não pode prosperar. O débito compensado está com exigibilidade suspensa, não importando, portanto, se as Dcomp caracterizamse ou não como confissão de dívida.Tal conclusão pretende induzir a erro e confundir o julgamento do Conselho de Contribuintes. Além disso, não caberia ao julgador da DRJ proferir qualquer decisão acerca das Dcomp de 2003 que são objeto de discussão no PA 10920.001580/200466; quanto ao fato de que a declaração de compensação se caracteriza como confissão de dívida somente após a MP 135/03, devese mencionar que a cobrança de valores indevidamente declarados somente poderá ocorrer após exaurida a discussão na esfera administrativa; não restou apreciado o direito à imunidade veiculada pelo inciso I do §2º do art.149 da CF/88, com a redação dada pela EC nº 33/2001, no que concerne à CSLL, o qual existe e é detido pela recorrente, porque tal imunidade não alcança somente as receitas decorrente das exportações, mas também o lucro daí derivado. O caso veio a julgamento perante a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, tendose decidido, por despacho (Sessão de Julgamento de 09/11/2006), sobrestar o julgamento até que o STF julgasse o RE 564.4138/ SC (exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL), e que fosse também julgado o recurso nº 147.068. A seguir, mediante resolução 130200.126 foi determinada a redistribuição deste processo ao presente Conselheiro. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10920.001576/200406 Acórdão n.º 140201.054 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o presente processo é conexo ao 10920.001580/200466, julgado por este colegiado na reunião de 30/06/2011, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário, ou seja, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vejamos a transcrição dos fundamentos voto condutor daquele acórdão, de nº 140200.594: “(...) Em litígio a incidência da CSLL sobre os resultados da exportação ao exterior. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instancia: a divergência entre a DRF/Joinville e a contribuinte restringese à interpretação que dão ao inciso I do parágrafo 2.º do artigo 149 da CF/1988. Com efeito, a matéria de fundo limitase à questão de se saber se o dispositivo constitucional estende seus efeitos sobre a CSLL, ou seja, se as receitas de exportação podem ou não ser excluídas da base de cálculo desta contribuição social. Em análise da divergência posta, há que se dizer, de plano, que a posição acerca da questão já foi dirimida, em sede administrativa, por meio da Solução de Consulta Interna n.º 33, de 02/12/2003, que restou assim ementada: O inciso I do § 2º do art. 149 da CF, introduzido por meio da EC nº 33, de 2001, prescreve imunidade com fim de aliviar as receitas decorrentes de exportação da incidência das contribuições sociais cuja hipótese de incidência seja a receita. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, tendo em vista tratarse de contribuição incidente sobre o lucro. (grifouse) Como se percebe, a Administração Tributária expressamente dispôs que a CSLL incide sobre as receitas de exportação, e que a imunidade constitucional alcança apenas as contribuições sociais que têm a receita como base de cálculo. Assim, diante da manifestação exposta na SCI n.º 33/2003, nada pode esta instância julgadora fazer além de acatar o entendimento explicitado no ato administrativo, o que se faz em estrito respeito à vinculação dos julgadores administrativos ao entendimento expresso em atos tributários, expresso no artigo 7.º da Portaria MF n.º 28/2001: Art. 7.º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Como se vê, independentemente de qual seja a posição deste julgador acerca da matéria em discussão, verdade é que sobre ela prevalece a vinculação administrativa acima referida. A questão já foi objeto de diversas decisões deste Conselho, todas desfavoráveis a tese do contribuinte, a exemplo dos acórdãos 10197.077, 10323524, 10195.858, 10323.178, 10196.207. Vejamos a ementa do acórdão 10197.077 de 17/12/2008: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10920.001576/200406 Acórdão n.º 140201.054 S1C4T2 Fl. 0 6 CSLL RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, ao dispor que as contribuições sociais não incidiriam sobre a receita de exportação, alcança apenas as contribuições instituídas com base na alínea “b” do inciso I do art. 195, que são as que incidem sobre a receita ou faturamento, não alcançando a CSLL, que incide sobre o lucro. Ocorre que esta matéria já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 56413/SC, cuja ementa e decisão transcrevo abaixo. RE 564413 / SC SANTA CATARINA RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 12/08/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Além disso, na pretensão do contribuinte há um equivoco intransponível: ao invés de excluir o resultado com as exportações, sua pretensão é excluir toda a receita (demonstrativo de fl. 137), logo, as despesas com essas exportações afetam o resultado tributável. A contribuinte deveria, se fosse o caso, apurar o lucro da exploração. Porém, independentemente disso, o STF, assim com a RFB e este Conselho confirmou a incidência da CSLL sobre os resultados com exportação. (...)” No que tange as demais questões em litígio verificase que os fundamentos da decisão de 1a. instância são irretocáveis, pelo que peço vênia para adotálos aqui como razões de decidir. Reiterese que a Unidade de Origem deverá cuidar para que não haja cobrança em duplicidade em face dos sucessivos aproveitamento do direito creditório que deixou de ser reconhecido neste processo. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 725DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000334/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTOS N/T.
NÃO APLICAÇÃO.
O direito ao crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363/1996, não é aplicável aos produtos não-tributados pelo IPI (NT).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA
ELÉTRICA, COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NÃO INCLUSÃO.
Os insumos admitidos no cálculo do valor do beneficio são apenas as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IPI, aplicados na industrialização de produtos exportados.
RESSARCIMENTO. SELIC. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide juros Selic sobre ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.486
Decisão: Acórdão os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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RESSARCIMENTO. PRODUTOS N/T. NÃO APLICAÇÃO. O direito ao crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363/1996, não é aplicável aos produtos nãotributados pelo IPI (NT). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE. NÃO INCLUSÃO. Os insumos admitidos no cálculo do valor do beneficio são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IPI, aplicados na industrialização de produtos exportados. RESSARCIMENTO. SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide juros Selic sobre ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Alan Fialho Gandra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, adoto e ratifico o relatório da decisão de primeiro grau, abaixo reproduzido. “O estabelecimento industrial acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do Crédito Presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para ressarcimento das contribuições de que trata as Leis Complementares nº s 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados durante o 1° ao 4° trimestre(s) de 1998, no valor de R$ 2.955.701,78, tudo conforme pedido da(s) folha(s) 12. 1.1 De acordo com o Parecer SEFIS n° 006/2003, fls. 66 a 73, o requerente não faria jus ao benefício, pelas seguintes razões: a) o objetivo da lei instituidora do beneficio foi o de desonerar os contribuintes do IPI da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes nos insumos aplicados na industrialização de produtos tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posteriormente exportados; b) os julgamentos do CC não têm efeito vinculante; c) mesmo que o interessado fizesse jus ao favor fiscal, deveria ser excluído do seu cálculo o valor das aquisições de insumos que não se subsumem ao conceito de matériaprima MP, produto intermediário PI e material de embalagem defendido pela legislação do IPI, e; d) inexiste previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais. 1.2 O DRFVTA Lagoas acolheu a proposição da Fiscalização, e indeferiu o pedido de ressarcimento, tudo a teor do Despacho Decisório da(s) folha(s) 74. 2 Regularmente intimado da decisão (A.R. na folha 75), mas inconformado, o requerente formulou a reclamação das folhas 77 a 87, subscrita por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas folhas 13 a 38) e instruída com os documentos das folhas ÇL. A Defesa manifesta sua inconformidade nos seguintes termos: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11543.000334/200313 Acórdão n.º 330201.486 S3C3T2 Fl. 2 3 a) o benefício alcança todos os exportadores de mercadorias nacionais, haja vista que a.Lei n°.9.363, de 1996, em .seu artigo 1°:não faz .qualquer restrição, não cabendo ao.aplicador .restringir o que.a. lei não restringiu; b) a lei instituidora fixa que a:base de cálculo do benefício é o valor total das aquisições de MP, PI e ME, sendo, assim dispensável perquirir se o insumo se agrega, ou não, ao produto em fabricação, ou .ainda se há, ou não, contato do insumo com o mesmo, bastando que sejam consumidos no processo produtivo; c) ao contrário do alegado na decisão recorrida, tanto o Poder Judiciário quanto o.Conselho .de Contribuintes vêm admitindo a aplicação da taxa Selic aos créditos requeridos extemporaneamente. 2.1 Conclui, requerendo a reforma do Despacho. Decisório, para . que seja reconhecido o direito de ressarcimento do Crédito Presumido de que se julga titular”. O colegiado de primeira instância negou o direito creditório, sob as razões sintetizadas na ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT. A fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. BASE DE CALCULO Os insumos admitidos no cálculo do valor do beneficio são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IPI, aplicados na industrialização de produtos exportados. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Não incidem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual repisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão resumese em três pontos: i) se o direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1996, é aplicável aos produtos N/T; ii) se os gastos com energia elétrica, combustível e lubrificante integram a base de cálculo do referido benefício e iii) incidência da SELIC sobre ressarcimento. No tocante ao primeiro ponto, em síntese, a recorrente defende que o incentivo não se restringiria aos contribuintes de IPI e a decisão recorrida, ao contrário, entende que o legislador restringiu o benefício de que se trata, aos estabelecimentos produtores e exportadores de produtos sujeitos ao IPI, restando excluídos, portanto, os produtos não tributados, correspondentes à notação NT. Primeiramente, há que se considerar que o incentivo foi instituído como crédito fiscal do IPI, não fazendo sentido que tenha assim sido instituído, se também fosse dirigido a não contribuintes do IPI. O fato de dirigirse a produtores exportadores não altera esta realidade. O produtor exportador que não é contribuinte do IPI não faz jus ao benefício em tela, como bem assinalou o acórdão recorrido. Ademais, a própria lei nº 9.363/96 submete a definição de conceitos do incentivo, e especificamente o de produção, ao Regulamento do IPI (art. 3o, parágrafo único). Dessa forma, o conceito de produção deve corresponder ao de industrialização, que somente pode se referir a produtos tributados, ainda que de alíquota zero ou isentos. Entendo que a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o benefício em apreço, o de ser produtora. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11543.000334/200313 Acórdão n.º 330201.486 S3C3T2 Fl. 3 5 Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semi elaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos, quanto aos insumos da fase considerada industrialização. Corrobora esse entendimento o seguinte julgado, cuja ementa transcrevese: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Recurso Especial do Procurador Provido”. Acórdão: CSRF/02 02.805. Relator(a): Josefa Maria Coelho Marques Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. Relativamente aos dispêndios com energia elétrica e combustível, este Colegiado tem reiteradamente decidido no sentido de que a energia elétrica e os combustíveis não podem compor o cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, porque, legalmente, tais dispêndios não se classificam como matériasprimas ou produtos intermediários. Por esta razão, este CARF firmou jurisprudência no sentido de que a energia elétrica e os combustíveis não se enquadram no conceito de matériaprima ou produtos intermediários, nos termos da Súmula CARF nº 19, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 6 combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Devo, ainda, consignar que as súmulas deste Colegiado são de aplicação obrigatória e não cabe recurso especial para a CSRF de decisão que aplique súmula de jurisprudência do CARF, nos termos do § 2º do art. 67 e do art. 72, todos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, abaixo reproduzido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (grifei). [...] Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelas mesmas razões, a despesa com lubrificante não deve integrar a base de cálculo do benefício em análise. Em vista do exposto, entendo que deve ser mantida a glosa dos gastos com combustível, energia elétrica e lubrificante. Concernente a incidência da SELIC sobre o ressarcimento em baila, entendo que tal matéria resta prejudicada em razão do não reconhecimento direito creditório em questão. Entretanto, caso vencido nas matérias acima tratadas, entendo, pelos mesmos fundamentos já aduzidos na decisão recorrida, que não incide SELIC sobre ressarcimento de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11543.000334/200313 Acórdão n.º 330201.486 S3C3T2 Fl. 4 7 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 16327.000210/2003-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 03/09/2001
CPMF. DECLARAÇÃO TRIMESTRAL E MENSAL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega das declarações de CPMF após o prazo legal enseja a aplicação da multa prevista no art, 11, § 2º, da Lei n°9311/96.
MULTA, GRADAÇÃO. INFRAÇÃO CONTINUADA.
A infração pela falta de entrega de declaração de CPMF é única, devendo ser desta forma considerada para fim de aplicação da penalidade. Não é admissível, ou existente em nosso ordenamento jurídico, a imposição de multas indefinidas, sem limitação de valor (Acórdão 201-80,745, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, j. 20,11.2007).
DENUNCIA ESPONTÂNEA NÃO SE APLICA ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AUTÔNOMAS.
É entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça que "a
responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art, 138, do CTN Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo" (Recurso Especial n° 246.96.3, Rel. Min.
José Delgado, DJ 05.06.2000).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-000.266
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que a multa pela falta ou atraso na entrega das declarações da CPMF incida uma única vez por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo.
Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Winderley Morais Pereira, que negaram provimento. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pelas conclusões.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2001 CPMF. DECLARAÇÃO TRIMESTRAL E MENSAL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega das declarações de CPMF após o prazo legal enseja a aplicação da multa prevista no art, 11, § 2º, da Lei n°9311/96. MULTA, GRADAÇÃO. INFRAÇÃO CONTINUADA. A infração pela falta de entrega de declaração de CPMF é única, devendo ser desta forma considerada para fim de aplicação da penalidade. Não é admissível, ou existente em nosso ordenamento jurídico, a imposição de multas indefinidas, sem limitação de valor (Acórdão 201-80,745, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, j. 20,11.2007). DENUNCIA ESPONTÂNEA NÃO SE APLICA ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AUTÔNOMAS. É entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça que "a responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art, 138, do CTN Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo" (Recurso Especial n° 246.96.3, Rel. Min. José Delgado, DJ 05.06.2000). Recurso provido em parte.
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MORGAN CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2001 CPMF. DECLARAÇÃO TRIMESTRAL E MENSAL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega das declarações de CPMF após o prazo legal enseja a aplicação da multa prevista no art, 11, § 2', da Lei n°9311/96. MULTA, GRADAÇÃO. INFRAÇÃO CONTINUADA. A infração pela falta de entrega de declaração de CPMF é única, devendo ser desta forma considerada para fim de aplicação da penalidade. Não é admissivel, ou existente em nosso ordenamento jurídico, a imposição de multas indefinidas, sem limitação de valor (Acórdão 201-80,745, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, j. 20,11.2007). DENUNCIA ESPONTÂNEA NÃO SE APLICA ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AUTÓNOMAS. É entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça que "a responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculaçã o voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art, 138, do CTN Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo" (Recurso Especial n° 246.96.3, Rel. Min. José Delgado, DJ 05.06.2000). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos; Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que a multa pela falta ou atraso na entrega das declarações da CPMF incida uma única vez por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Winderley Morais Pereira, que negaram provimento, Os Conselhei!>-Robs,on José Bayerl e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pelas conclusões. Anffnio-Minks Mi:Afã- Presidente Partic" a ara oresente julgamento, os Conselheiros Robson José Bayerl,1 Domingos de 5 Filho, .nd- '.e Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atu . . Relatório Trata-se de Auto de Infração (fis, 01/06) por meio do qual foi aplicada multa ao contribuinte, em razão do atraso na entrega das declarações da CPMF. Segundo descrito no Auto de Infração "o contribuinte deixou de apresentar a Declaração da CPMF mensal dos períodos de 04 e 05/2001, assim como a trimestral do 2" Trimestre de 2001 no prazo legal, tendo sido a mesma apresentada espontaneamente em 03/09/2001, sendo, portanto, constituída a multa de oficio com redução de 50% do seu valor" (fl. 03). Ou seja, as declarações mensais que deveriam ter sido entregues em jul/01 e mai/01, bem como a declaração trimestral que deveria ter sido entregue em jun/01, apenas foram entregues em set/01, implicando assim em atraso de 2, 4 e 3 meses, sucessivamente. A notificação do lançamento aconteceu em 10/02/2003 (fi. 10). O contribuinte apresentou impugnação (fis. 15/41) sustentando, em síntese: (a) que o julgamento deste processo deveria aguardar o desfecho do procedimento administrativo n° 16327.001798/2001-53, por meio do qual o contribuinte formalizou sua denúncia espontânea; (b) ausência de respaldo legal para a aplicação da multa em relação às declarações mensais, tendo em vista (i) que tais declarações "recaem sobre dados contábeis e técnicos, informações estas, como asseverado anteriormente, muito além daquelas legalmente previstas (informações de identificação de contribuintes, valores globais das operações e do imposto)" (ti. 20), configurando violação ao art. 97 do CTN na medida em que evidencia uma aplicação de penalidade sem respaldo em lei, e também (ii) que "de acordo com o 2° do artigo 11 da Lei n" 9_311/96, anteriormente reproduzido, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda a prescrição das condições e dos prazos da informações solciitadas, ato este, todavia, inexistente no , caso da declarações mensais", pois "ao ( a) teor_ do voto condutor do acórdão, também merecem destaque os seguintes trechos: 3 Processo n° 16327.000210/2003-14 S3-C4T3 Acórdão o.' 3403-00.266 Fl. 146 contrário do ocorrido com as declarações trimestrais, as quais tiveram suas condições e prazos estabelecidos através da Portaria MF n°106, de 15 de maio de 1.997, não há qualquer ato do Ministro de Estado da Fazenda nesse sentido em relação às declarações mensais" (fl 21, itens 22 e 23), (c) excesso de multa, violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, inclusive porque "o valor cobrado da multa. Em montante superior ao da CPMF efetivamente paga pela Impugnante, evidencia de modo inquestionável, a desproporcionalidade e irrazoabilidade do ato administrativo refutado" (fl. 25, item 37); citou precedentes administrativos e judiciais (RE 983.393, DJ 17.08,94; ADI- MC 551, DJ 18.10,91); e (d) a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, que impediria a aplicação da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas — SP (DRJ), por meio do Acórdão n° 05-14.667, de 18 de setembro de 2006 (fls. 65/72), manteve integralmente o lançamento, conforme se confere de sua ementa: Assunto: Obrigações Acessórias. Data do fato gerador: 03/09/2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. O pedido administrativo de reconhecimento de denúncia espontânea não inibe a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de oficio, que é atividade administrativa vinculada e obrigatória. MULTA, CPMF, ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO, A não entrega da Declaração de CPMF no prazo legal, sujeita o contribuinte à multa prevista na legislação. DECLARAÇÕES ENTREGUES COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA, NÃO CARACTERIZAÇÃO. O instituto da "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente .formal do contribuinte de entregat; com atraso, as Declarações exigidas pela legislação tributária. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CT. N. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O cotnrole de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional Np ST. Lançamento Procedente.. a) em relação ao outro processo administrativo em que o contribuinte formalizou a denúncia espontânea, esclareceu que "naquele processo a contribuinte requer um beneficio; o indeferimento do pedido não importa, por si só, na cobrança de multa, que somente será possível se o correspondente crédito tributário tiver sido constituído mediante lançamento de oficio, o que se fez no auto de infração ora em exame" (fl. 69); b) quanto à alegação de inexistência de base legal, explicou que as declarações mensais encontram apoio no art. 11, §Pda Lei n° 9.311/96, o qual estabelece a competência da Receita Federal para a estabelecer obrigações acessórias; e c) que a previsão do art, 138 do C'fN não seria aplicável no caso, mas a do art. 142, que deixa claro o caráter vinculado do lançamento; por isso, referindo-se as declarações, entendeu que "o fato de tê-las entregue, por si só, não exime a contribuinte da penalidade, posto que está claramente definida, tanto para a hipótese de não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado" (fl, 71) . O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 79/106), no qual reitera os mesmos fundamentos contidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando apenas a alegação de nulidade do acórdão recorrido, por não ter apreciado alguns dos argumentos apresentados pela impugnante. Citou precedentes (Acórdão 101-94359, j. 10.09,2003; Acórdão 202-08520, j. 02,07,96; Acórdão 301-30018, j. 21.11,2001; Acórdão 203-07087, j. 21.02.2001). É o relatório, Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso é tempestivo (fls. 76 e 77), motivo pelo qual dele conheço. Trata-se da aplicação de multa por atraso na entrega de declarações mensais e semestrais de CPMF, com fundamento nos arts. 11 da Lei n° 9.311/96 e 47 da MP n° 2.037- 21/2000, e reedições posteriores, convalidadas pelas MPs n's 2.113-26 e 2.158-33 e alterações posteriores, bem como na Portaria MF n° 106/97, IN SRF n° 44/98, Portaria MF n° 134/99 e nas INs SRF n's 122/99, 131/99 e 45/2001. A obrigação de entrega das declarações está prevista nos arts, 11 e 19 da Lei n° 9.311/96, nos seguintes termos: Ar!, 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação, sç 1" No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. 4 Processo n° 16327.000210/2003-14 S3-C4T3 Acórdão n ° 3403-00,266 Fl. 147 ,sç 2" As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. Art. 19. A Secretaria da Receita Federal e o Banco Central do Brasil, no âmbito das respectivas competências, baixarão as normas necessárias à execução desta Lei. A penalidade pelo falta ou atraso na entrega foi estabelecida pela Medida Provisória n° 2,037-21, de 25/08/2000, da seguinte forma: "Art.. 47 - O não cumprimento das obrigações previstas nos artigos 11 e 19, da Lei 9311/96, sujeita as pessoas jurídicas referidas no art. 1" às multas de.: I - R$. 5,00 (cinco reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; - R$ 10.000,00 (dez nzil reais) ao mês - calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado/ora do período determinado. Parágrafo único: Apresentada a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio, ou se após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta .fixado, as multas serão reduzidas à metade." A Fiscalização, neste caso concreto, interpretou este dispositivo no sentido de multiplicar a multa pelo número de meses em atraso. Com efeito, conforme se verifica do demonstrativo de fl 3, a Fiscalização aplicou a multa de R$ 10.000,00, prevista no inciso II do art. 47, acima citado, multiplicando-a pelo número de meses em que o contribuinte permaneceu em atraso na apresentação das informações que deveria prestar naquele mês-calendário que ficou para trás. Entendo que este método configura uma aplicação cumulativa de penalidades em relação ao uma única infração, que embora perdure no tempo permanece sendo uma única infração. O valor de R$ 10.000,00 deves ser entendido corno limite paia a punição do atraso em relação às informações que deveriam ter sido prestadas em um determinado mês- calendário. Neste sentido, adoto como razão de decidir os mesmos fundamentos da declaração de voto do Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça, proferida no julgamento do Recurso Voluntário n° 1.33,971 (Acórdão 201-80.745, j. 20,112007), da qual extraio o seguinte trecho: Da mesma .forma, conforme o tipo de obrigação tributária violada e a gravidade do dano dela decorrente, distinguem-se claramente as infrações tributárias substanciais das infrações tributárias formais, configurando-se as primeiras (infrações substanciais), quando um dos sujeitos da relação jurídico- tributária (contribuinte ou responsáveis) violar ou deixar de cumprir a obrigação tributária principal, resultando em falta ou insuficiência do pagamento do tributo, e as segundas (infrações formais), quando o sujeito da relação jurídico-tributária violar ou deixar de cumprir uma das obrigações tributárias acessórias instituídas para tutelar o cumprimento da obrigação tributária principal, geralmente consubstanciadas no cumprimento de requisitos e formalidades na emissão de declarações, livros e documentos ,fiscais, que possibilitam a fiscalização e controles de arrecadação do tributo_ No caso especifico da multa prevista para a infração à obrigação meramente formal, em que comprovadamente não houve falta de recolhimento do tributo, não se justifica a pretendida aplicação indiscriminada de penalidades, simplesmente multiplicadas pela d. Fiscalização pelo número de meses em que o recorrente permaneceu inadimplente nas infbrmacões mensais que deveria prestar. De fato, exatamente para impedir a aplicação cumulativa abusiva das referidas penalidades o inciso Ido dispositivo penal excogitado limitou a aplicação da multa ao valor deR$ 5,00 por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, enquanto que o inciso II do mesmo artigo, no caso de persistência da infração, limita a multa agravada em R$ 10.000 00 ao mês - calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período deter minado. Em suma, da leitura atenta e conjugada dos dispositivos penais em comento, resulta claro que a própria lei pressupõe que as infrações se apresentem de forma seqüencial, ferindo o mesmo objeto da tutela jurídica e guardando afinidade com igual fundamento fatie° (falta de entrega das referidas informações), o que as caracteriza como comportamento de feição continuada, sujeitando-as a duas sansões subseqüentes, cujas respectivas aplicações se acham ambas legalmente limitadas: a primeira, ao valor de R$ 5,00 por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, e a segunda, na persistência da primeira infração, limitada ao valor de R$ 10.000,00 ao mês - calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o . formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado, Estes limites legalmente impostos às referidas multas (limites mínimos e máximos de valor e limites de períodos de apuração), visam exatamente impedir abusos que tomem a sua aplicação irrazoável ou desproporcional, tal como ocorre no caso concreto, onde se constata que a aplicação conjugada e indiscriminada das referidas penalidades, em decorrência de uma única falta de entrega de declaração num único mês, em face da multiplicação de seu valor pelo número de meses em que o recorrente permaneceu inadimplente na informação do referido mês, resulta na sua majoração artificial acima do limitç 6 Processo n° 16327 000210/2003-14 S3-C4T3 Acórdão n ° 3403-00.266 Fl. 148 legal (R$ 10.000,00 ao mês da inadimplência), na proporção de 1 900% do limite legal, como é o caso da falta de informação constatada no mês de agosto de 2000, à qual foi aplicada uma multa de R$ 190,000,00, Ora, se a própria lei prevê a aplicação das referidas multas até o limite máximo de R$ 10.000,00 ao mês da inadimplência de informação, não parece razoável que esse limite legal possa ser extrapolado pela d. Fiscalização, mediante a simples multiplicação de seu valor pelo número de meses em que o recorrente permaneceu inadimplente, mormente considerando-se que os referidos limites se encontram sob expressa reserva da lei (art. 97, inciso E do CTN), e que foram instituídos exatamente para refrear os abusos, a irrazoabilidade ou a desproporcionalidade na sua aplicação. Mas ainda que lei não tivesse limitado a aplicação das referidas multas, sendo pressuposto fálico da aplicação de ambas o fato de que as infrações sejam continuadas e persistentes, parece evidente que esse fato, por si só, já desautoriza cogitar de aplicação mensal cumulada em razão do número de meses em que o recorrente permaneceu inadimplente, pois, como já assentou a jurisprudência, "o STJ firmou o entendimento de que a seqüência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida " (cf. Acórdão da 2" Turma do STJ no REsp n" 252,095-PE, Reg. n° 2000/0026400-8, 06/12/2005, rel. Min. João Otávio de Noronha, publ. in DJU de 13/03/2006, p, 235). A evidente afinidade estrutural e Ideológica entre as sanções penais e administrativas, bem como aplicabilidade dos princípios dos informadores do Direito Penal ao Direito Administrativo, .já foram ressaltadas tanto pela doutrina (cf. Nelson Hungria in "ilícito Administrativo e Ilícito Penal", publ. na RDA Seleção Histórica Ed. Renovar Ltda. 1991, págs. 15/21) como pela jurisprudência (cf Acórdão da 1" Turma do STJ no REsp n" 75,730-PE, Reg. n" 1995/0049616-0, em sessão de 03/06/1997, rd Min. Humberto Gomes de Barros, publ. in DJU de 20/10/97, pág. 52.976), sendo certo que, na aplicação concreta desses preceitos às infrações tributárias, a .jurisprudência do Egrégio STJ recentemente proclamou a impossibilidade da aplicação cumulada de penalidades idênticas no caso de infração continuada a obrigações acessórias, demonstrando a irrazoabilidade da aplicação de um somatório de sanções pecuniárias para cada mês de apuração como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas:: "ADMINISTRATIVO - MULTA - FORMA DE COBRANÇA. 1. Sendo devida multa pela não-declaração ao .fisco das contribuições de tributos federais, no momento em que se .faz a declaração em bloco, não é razoável efetuar um, 7 somatório da sanção pecuniária para cada mês de atraso na declaração. 2, Princípio da proporcionalidade da sanção, que atende a outro principio, o da razoabilidade. 3. Recurso especial improvido." (cf Acórdão da 2" Turma do STJ no REsp 11" 601 .351-RN, Reg n" 2003/0193442-8, em sessão de 03/06/2004, rei, Min, Eliana ('almon, publ.. in DJU de 20/09/2004, p 259) "TRIBUTÁRIO, IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA, PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE PREJUÍZO DO FISCO, INEXISTÊNCIA, PRINCIPIO DA RAZOABILIDADE 1. A sanção tributária, à semelhança das demais _sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2_ A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar 3 A razoabihdade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser" A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins.. Os meios conducentes à consecução das .finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado, ( 9. Recurso especial provido, invertendo-se os ônus sucumbenciais." (CF Acórdão da I" Turma do STJ no REsp PI" 728.999-PR, Reg. n" 200.5/0033114-8, em sessão de 12/09/2006, rel. Min. Luiz Fui, publ. In DJU de 26/10/2006, p, 229) Também merece transcrição o seguinte trecho do voto da Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, no mesmo julgamento: Ainda em relação às penalidades aplicadas após 25/08/2000, o recorrente discute a am)possibilidade de a administração pública aplicar, para a mesma infração, mais de uma penalidade, resultando em multa de forma indefinida, posto que deforma sucessiva. O objeto em discussão refere-se apenas à interpretação do texto legal que culminou na penalidade, qual seja, o artigo 47 da MP 2113-26 e MP 2158-33, com alterações posteriores. Isto porqu 8 Processo n° 16327 000210/2003-14 S3-C4T3 Acórdão o.' 3403-00.266 EL 149 fi) entende a FiScalização que a penalidade é composta por uma multa que se repete em cada mês ou fração de mês, enquanto o contribuinte estiver inadimplente com sua obrigação; e ao o recorrente, por sua vez, analisa a norma de forma diversa defendendo a ocorrência da continuidade delitiva, o que impediria a repetição da multa pelos meses subseqüentes ao cometimento da infração. Para melhor compreender a questão, entendo ser relevante aclarar o que se entende por "continuidade delitiva" Tal conceito decorre de uma adaptação do instituto do "crime continuado", originário do Direito Penal. A definição pode ser observada do Vocabulário Jurídico, de De Plácido e Silva: ) Assim, em bem da verdade, considera-se a existência de um só crime e, conseqüentemente, autoriza a aplicação de uma só pena, quando diversas ações são praticadas, em ofensa ao mesmo bem jurídico, sob as mesmas circunstâncias de tempo, lugar e modo. Ao buscar o conceito na jurisprudência, a conclusão é a mesma.' "as infrações seqüenciais, violando o mesmo objeto da tutela jurídica, guardando afinidade pelo mesmo fundamento . fático constituindo comportamento de feição continuada, estão sujeitas à uma única sanção, aplicada e graduada conforme a sua intensidade, reiteração e conseqüências danosas à economia popular. Tipificação que deve ser demonstrada em um só auto de infração," (STL 1" T, REsp /7" 131,644/SE, rel. Min, Milton Luiz Pereira, DJU de 22/05/2000, p, 71 - destacamos) "O ST,1 firmou o entendimento de que a seqüência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida," (STJ, 2" T, REsp e 252.095/PE, rel. Mim:, .João Otávio de Noronha, DJU de 13/03/2006 - destacamos) "A jurisprudência desta Corte, em reiterados precedentes, tem entendido que há infração continuada quando a Administração Pública, exercendo o poder de polícia, constata, em uma mesma oportunidade, a ocorrência de infrações múltiplas da mesma espécie A caracterização da continuidade delitiva administrativa se dá em i uma única autuação (múltiplos precedentes)," (STJ, 2" T., REsp n" 616.412/MA, rel, Min, Eliana ('almai?, DJU de 29/11/2004) "A seqüência de várias infrações de mesma natureza, 3.......„apurados em uma única autuação, é considerada como de natureza continuada e, portanto, sujeita à imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da .\sç 9 infração cometida," (STJ, 1" T, REsp n" 191.991/PE, rel Min. José Delgado, DJU de 22/3/1999 - destacamos) Ao analisar o auto de infração e as infrações cometidas, parece- me claro o vínculo existente entre elas, de forma que seria injusto apenar como se houvesse mais de uma ilicitude. Ademais, a interpretação das normas está obrigatoriamente vinculada a todo o ordenamento jurídico, deforma sistemática. Não parece lógico admitir que o legislador tivesse a pretensão de que a multa pela não entrega da Declaração de CPMF .fosse infinita, ou mesmo que alcançasse valores tão de-proporcionais como os apresentados no auto de infração em apreço: . R$ 150..000,00,- R$ 160.000,00; R$ 170,000,00; etc. (. ) Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que seja reformada a r. decisão proferida pela DRJ em campinas - SP, com afina/idade de que seja reduzida a penalidade aplicada a uma multa por infração, independentemente dos meses de atraso. devidamente atualizada (4" (grifos editados) Adoto as razões acima, de ambos os julgadores, como fundamento de decidir também para este caso. De outro lado, entendo ser improcedente o argumento do recorrente no sentido de que a multa deveria ser integralmente afastada em virtude da denúncia espontânea, por força do art. 138 do CTN. Isto porque já se encontra consolidado o entendimento no administrativo e judicial no sentido de que "a responsabilidade de que trata o art. 138, do CTIV, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas.. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo" (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial n° 246.963, -Rel, Min: José Delgado, DJ 05,06.2000). Além disso, tem-se em questão um dispositivo com redação pouco clara, Nestas situações, em que urna redação confusão dá abertura a mais de urna interpretação, deve prevalecer aquela mais favorável ao contribuinte, conforme previsto no art. 112 do CTN: " Art, 112. A lei tributária que define, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais .favorável ao acusado, em caso de dúvida:" Por estas razões, firme no entendimento e na jurisprudência acima citados, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reduzir o valor total das referidas multas remanescentes para a importância de R$ 30,000,00, correspondente a R$ 10.000,00 por cada mês em que se constatou a falta de apresentação das Declarações a que estava obrigado o co , rib n ,7 ,maio, junho e julho de 2001), nos termos do art. 47, inciso I, da Medida Provisória ri` '!37-. / 1 de 25/08/2000. Iva ‘ \ \ 10
score : 1.0
Numero do processo: 13933.000038/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO.DUPLICIDADE
Correta a decisão denegatória de pedido de ressarcimento quando os valores já foram solicitados em processo anterior.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.954
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negado provimento ao recurso.
Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro (substituta convocada) e Luciano Lopes de Almeida Moraes (relator).
Designada para proferir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE Correta a decisão denegatória de pedido de ressarcimento quando os valores já foram solicitados em processo anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro (substituta convocada) e Luciano Lopes de Almeida Moraes (relator). Designada para proferir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO – Relatora designada. EDITADO EM: 15/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira e Adriana Oliveira Ribeiro. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS NãoCumulativo Exportação (fls. 01/32), protocolado em 14/04/2005, relativo ao 1°, 2°, 3° e 4º trimestre de 2003 e 2004, com fundamento na Lei nº 10.637/2002. Posteriormente, em 02/02/2006, a contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação de fls. 39/44, na qual consigna utilização de parcela do referido crédito. A DRF em Ponta Grossa/PR, em cumprimento à liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2006.70.09.004151 7/PR (fls. 45/49), determinando que se procedesse, no prazo de trinta dias, ao exame dos pedidos de ressarcimento formulados pela interessada entre dezembro de 2004 a abril de 2005, proferiu, em 14/11/2006, o Despacho Decisório de fls. 50/52, que resolveu por indeferir o pedido de ressarcimento, em face da falta de documentação comprobatória do crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologar as compensações constantes da DCOMP de fls. 39/44. A ciência desse despacho foi dada à contribuinte em 21/11/2006 (fl. 54). Em 20/12/2006, a interessada apresentou um pedido de revisão de ofício da referida decisão, à fls. 55/56, o qual foi indeferido, consoante despacho de fls. 64/65, vez que não se vislumbrou qualquer motivo que ensejasse a aplicação do art. 149 do CTN. Além disso, foi destacado que a contribuinte abdicou da faculdade que lhe foi concedida para apresentar manifestação de inconformidade ao despacho decisório de fls. 50/52, conforme previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72. Às fl. 68, consta o pedido de cancelamento da DCOMP de fls. 39/44, e às fl. 69, o encaminhamento do presente processo à GRA/ARQVO/PR para arquivamento. Prosseguindo, verificase, às fls. 70/75, que a contribuinte também impetrou o Mandado de Segurança n° 2009.70.09.0010560, em que foi deferida a liminar para determinar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa impulsionasse os dezenove processos administrativos relacionados na inicial (protocolados em 14/06/2007 e 23/11/2007 fls. 71/72), terminando sua instrução e proferindo decisão final em cento e vinte dias, sendo noventa dias para formulação de eventuais exigências necessárias à instrução e trinta dias para prolação de decisão final. Em cumprimento, foram expedidas as intimações de fls. 140/143 e 297/298, para que a contribuinte apresentasse a documentação solicitada necessária ao exame dos mencionados 19 pedidos de ressarcimento, protocolados em 14/06/2007 e 23/11/2007. O que foi atendido, consoante documentos juntados às fls. 145/302. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13933.000038/200516 Acórdão n.º 3201000.954 S3C2T1 Fl. 397 3 Ocorre que no curso da análise do direito creditório, constatou se que o crédito de PIS solicitado nos Pedidos de Ressarcimento 28886.8826.140607.1.1.087841, 0661.89701.140607.1.1.08 6970, 16320.15805.140607.1.1.089655, 08427.51899.140607.1.1.080096, 28478.86164.140607.1.1.08 5619, 25195.79348.140607.1.1.082803, 32255.06329.14067.1.1.081022, 20671.68177.140607.1.1.08 1282 (fls. 108/139), transmitidos em 14/06/2007, é o mesmo daquele formalizado à fls. 01/32, protocolado em 14/04/2005, qual seja, créditos de PIS NãoCumulativo Exportação, relativo ao 1°, 2°, 3° e 4º trimestre de 2003 e 2004. Diante disso, os retrocitados pedidos passaram a ser trabalhados neste processo, razão pela qual foi exarado o Despacho Decisório de fls. 303/305, cuja conclusão foi no sentido de indeferir os pedidos de ressarcimento de fls. 108/139, considerando que já houve a decisão administrativa definitiva quanto ao ressarcimento de PIS não cumulativo do primeiro ao quarto trimestre de 2003 e 2004, pois a interessada não apresentou a manifestação de inconformidade contra o indeferimento manifesto no Despacho Decisório de fls. 50/52, que originalmente analisou o mesmo pleito. Cientificada do Despacho decisório de fls. 303/305 em 25/09/2009, a contribuinte ingressou, em 23/10/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 307/311, na qual, em síntese, contesta o entendimento de que se repetiu o pedido anterior, indeferido por deficiência na documentação apresentada, sem que houvesse o julgamento do mérito da questão. Defende que o primeiro pedido, se fez coisa julgada, foi de natureza formal, podendo ser renovado a qualquer tempo, desde que não operada a decadência. Requer, assim, seja apreciado o mérito dos pedidos de ressarcimento e reformada a decisão guerreada. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n.º 25.121, de 20/01/2010, fls. 319/320: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. A duplicidade de pedidos, caracterizada pela apresentação de uma nova solicitação relativa ao mesmo direito creditório, impõe o indeferimento daquele mais recente em face da mencionada duplicidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo trata de pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo. O presente pedido foi negado em face da recorrente já ter apresentado o mesmo pedido anteriormente e o mesmo ter sido negado, nestes termos: O pleito foi indeferido, conforme Despacho Decisório de fls. 50/52, tendo em vista a falta de documentação comprobatória do crédito pleiteado. Como a contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade contra a referida decisão, ela tornouse definitiva no âmbito administrativo. Vemos então que na decisão ocorrida no primeiro processo, não foi analisado o mérito, já que a recorrente não apresentou os documentos que comprovassem seu crédito. Ocorreu neste caso a chamada coisa julgada formal, que ocorre quando o mérito da demanda não é analisado. Se o mérito dos referidos créditos fossem debatidos, ocorreria a chamada coisa julgada material, o que impediria nova análise do feito. Diante deste posicionamento, entendo que não há óbice para que o contribuinte ingresse novamente com o pleito, já que não foi analisado pela autoridade fiscalizadora o mérito de seus créditos, no que altero o meu posicionamento anterior. No vinco do exposto, voto no sentido de prover o recurso, para declarar a possibilidade de análise do pleito creditório da recorrente, determinando o retorno do expediente à Delegacia da Receita Federal de origem, onde devem ser analisadas as demais circunstâncias do pedido formulado pela Recorrente. Sala de sessões, 22 de março de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13933.000038/200516 Acórdão n.º 3201000.954 S3C2T1 Fl. 398 5 Voto Vencedor Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando O processo discute pedido de restituição de PIS. Como bem apurado pela decisão recorrida, a recorrente neste pleito busca em duplicidade valores já objeto de outro pedido de restituição: Com efeito, na medida em que a contribuinte apresentou novo pedido relativo ao mesmo direito creditório, não há outra medida a ser adotada que não o indeferimento do segundo pedido, com fundamento na verificação da duplicidade de pedidos. Assim, não pode ser dado provimento ao recurso interposto, muito menos debatido qualquer tema, já que inexiste crédito a ser ressarcido neste processo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Judith do Amaral Marcondes Armando – Relatora designada Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10830.009516/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1992
Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 19 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 1992, por superar o prazo decenal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-002.084
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 64 1 63 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.009516/200351 Recurso nº 154.235 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.084 – 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO. IRPF. Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado JOSÉ ROBERTO DA COSTA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1992 Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 19 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 1992, por superar o prazo decenal. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ELIAS SAMPAIO FREIRE, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.009516/200351 Acórdão n.º 9202002.084 CSRFT2 Fl. 65 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 040, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 031, que decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do direito de pedir da recorrente. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ANOCALENDÁRIO: 1992 PDV. RECONHECIMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. A contagem do interstício decadencial para a perda do direito A restituição do valor pago ou retido a maior, nos casos de reconhecimento expresso da não incidência de tributo, tem inicio na data da Resolução do Senado que suspendeu a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data da publicação do ato administrativo que reconheceu o indébito, in casu, a Instrução Normativa SRF n° 165, tornada pública por meio do DOU de 06/01/1999. Não ocorrido lapso de tempo superior a 5 (cinco) anos entre o marco inicial e a data de protocolização do pedido, não há que se falar em decadência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANOCALENDÁRIO: 1992 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANALISE DO MÉRITO EM TODAS AS INSTÂNCIAS, EM FACE DO AFASTAMENTO DE PRELIMINAR EM 2° GRAU. Para que não ocorra a supressão de instância, é de se retornar o processo à origem nos casos de afastamento de preliminar que impedia a análise do mérito. Preliminar de decadência do direito de pedir do recorrente rejeitada. Retorno do processo h origem para apreciação do mérito. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros da Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para AFASTAR a decadência do direito de pedir do Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 recorrente e determinar o retomo dos autos à DRF em Campinas/SP para apreciação das demais questões. Vencido o Conselheiro Sérgio Galvão Ferreira Garcia (Suplente convocado), que não acatou a preliminar suscitada. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que o pleito do recorrente ocorreu após o prazo fixado no Art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e por esse motivo solicita o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 058, deuse seguimento ao recurso especial. O interessado, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.009516/200351 Acórdão n.º 9202002.084 CSRFT2 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A questão em discussão referese aos efeitos da decadência no direito do interessado em obter restituição de tributo pago. Cabe esclarecer, pois importante para o deslinde da questão, que o pedido de restituição, fls. 002, foi protocolado em 19/12/2003 e os pagamento do tributo ocorreu em 1992, fls. 005. Essa turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) já apreciou caso análogo, com voto extremamente qualificado do competente Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Processo 10830.009341/200382), que demonstro abaixo e utilizo como razões de decidir: “Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendo se considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.009516/200351 Acórdão n.º 9202002.084 CSRFT2 Fl. 67 7 declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.009516/200351 Acórdão n.º 9202002.084 CSRFT2 Fl. 68 9 Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 12 de dezembro de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Portanto, adotando o voto acima no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 19 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 19 de dezembro de 1993. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.009516/200351 Acórdão n.º 9202002.084 CSRFT2 Fl. 69 11 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da PGFN, a fim de reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13909.000095/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU).
ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de
2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de
produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo
caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no
código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar,
beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor
(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos
determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº
11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e
Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor
o conselheiro Maurício Taveira e Silva.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
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PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Taveira e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Redator designado. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 95/96), que não reconheceu o direito de crédito relativo à contribuição ao PIS nãocumulativa do período de apuração de 01/10/2003 a 31/12/2003 (4º trimestre de 2003), decorrente da aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' (CAFÉ CRU) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 10.637, de 2002, § 10 do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria);sendo caracterizada como 'produção'. em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei n" 11.051, de 2004, com vigência a partir de 01/08/2004. 1NCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando incabível qualquer discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Segundo a decisão recorrida, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época dos fatos. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000095/200764 Acórdão n.º 330100.942 S3C3T1 Fl. 121 3 Ressalta ainda que o dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Portanto, mostrase correto o entendimento da unidade de origem, no sentido de que a contribuinte não poderia calcular créditos presumidos, nos períodos de OUTUBRO a DEZEMBRO DE 2003, vinculados à aquisição de café cru de produtores rurais, pessoas físicas, ainda que os tenha processado, mediante classificação, limpeza, secagem, padronização, beneficiamento e armazenagem para comercialização, pois não havia base legal que sustentasse a utilização desses créditos, a não ser que a contribuinte se enquadrasse na atividade de agroindústria que produzisse mercadorias de origem animal ou vegetal, nos termos do § 10 do art. 30 da Lei n° 10.637, de 2002, o que, como visto, não é o caso. Cientificada em 31/05/2010 (AR, fl. 100), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 101/118, em 08/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ressalta que mesmo antes da edição da Lei no. 10.637/02 já havia a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas, diante do disposto no § 5°. do art. 3°. da Medida Provisória nº 66, de 29/08/02, que instituiu a cobrança da contribuição para o PIS não cumulativo. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Entretanto, em que pese a Lei 10.637/02 não ter trazido em seu bojo as disposições constantes do art. 3°. § 5°. Da MP 66/02, a Lei no. 10.684, de 30/05/03, assim o fez, da seguinte forma: "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°A e com as seguintes alterações dos arts. 1°, 3°, 8°, 11 e 29: "Art. 3°. .... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, restabelecido o direito, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da Contribuição para o PIS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas, porquanto as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, ou seja, se beneficiar do crédito presumido. Ademais disto, a Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.633/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O cerne da questão diz respeito em saber se a recorrente, atende às especificações previstas no art. 29, § 6º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6º ao art. 8º da Lei º 10.925, de 2004, com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, que definiu o conceito de produção, justifica o aproveitamento de crédito de PIS não cumulativo, relativamente às aquisições de produtos rurais, pessoas físicas, no período de apuração de 01/10/2003 a 31/12/2003, in verbis: Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000095/200764 Acórdão n.º 330100.942 S3C3T1 Fl. 122 5 "Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a seguinte redação: 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). De fato, a Lei nº11.051/04 (§ 6° do art. 8°), com vigor retroativo, a partir de 01/08/2004, apenas explicitou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.637/03, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. A Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, através de seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Segundo consta do Contrato Social da empresa e Alterações (fls. 07/12 e 18/29), a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros, constando ainda, do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon (fl. 30) que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios". Fl. 144DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 A alteração introduzida através do art. 25, entrou em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2003, nos termos do art. 29, II, da citada Lei, abrangendo todos os créditos discutidos no presente processo. Ademais disto, as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, podendo se beneficiar do crédito presumido. Logo, faz jus ao pleito solicitado, a partir de 1º de fevereiro de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 145DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000095/200764 Acórdão n.º 330100.942 S3C3T1 Fl. 123 7 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada. O art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 alterou a redação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: LEI No 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. [...] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei; Fl. 146DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Portanto, há determinação expressa na lei prevendo que o disposto no art. 8º produza efeitos somente a partir de 01/08/2004. Tendo em vista que o pleito da recorrente referese ao período anterior ao precitado, não há reparos a fazer à decisão recorrida, negando se provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Fl. 147DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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