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Numero do processo: 10835.000400/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/12/2002
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 2202-004.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.967,39.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/12/2002 a 30/12/2002 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.967,39. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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PRUDENTE COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/12/2002 a 30/12/2002 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.967,39. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 04 00 /2 00 3- 15 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10835.000400/200315 Acórdão n.º 2202004.111 S2C2T2 Fl. 426 2 Relatório Tratase de pedido de compensação no qual o Recorrente pleiteia a compensação de débitos do IRRF decorrente dos rendimentos pagos a seus cooperados, a partir de créditos do imposto de renda que lhe teriam sido retidos na fonte. A compensação pleiteada foi homologada parcialmente no valor de R$ 15.240,41, de um total requerido de R$ 17.269,04. A diferença não homologada deuse por falta de comprovação quanto ao efetivo pagamento do IRRF pelas fontes pagadoras que retiveram o tributo do Recorrente. Em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente pleiteou a juntada de documentação hábil a comprovar o seu direito à compensação. A decisão de primeira instância desconsiderou todos os documentos juntados pelo Contribuinte na manifestação de inconformidade, por entender que estava precluso esse direito, julgandoa improcedente. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 09/05/2007, por via postal, conforme A.R. de fl. 373, tendo apresentado em 08/06/2007 (envelope de fl. 379) o Recurso Voluntário de fls. 374/378, requerendo a realização de diligência para a apreciação dos referidos documentos. Na sessão de 19/08/2009, os membros da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal apurasse a existência de crédito apto à homologação da compensação pleiteada, considerando todos os documentos já juntados ao processo (fls. 382/384). Tendo em vista a extinção da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o processo foi sorteado para essa turma de julgamento, sob minha relatoria. A autoridade fiscal emitiu o Relatório de Diligência de fls. 398/400, com as conclusões da diligência, porém não consta que o Contribuinte foi intimado desse relatório. Na sessão de 09/02/2017, essa Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência (fls. 401/403), para que a Contribuinte fosse intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência anterior. A Contribuinte foi intimada em 16/03/2017 (A.R. de fl. 407) e apresentou a manifestação de fls. 419/422 em 17/04/2017. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10835.000400/200315 Acórdão n.º 2202004.111 S2C2T2 Fl. 427 3 Voto Conselheiro Relator Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Observase que a autoridade fiscal, em atendimento à determinada pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Resolução nº 28010009, de 19/08/2009 (fls. 382/384), emitiu o Relatório de Diligência de fls. 398/400. A Contribuinte manifestouse sobre a diligência, alegando que os vários equívocos cometidos pelas fontes pagadoras ao prestarem as informações ao Fisco demonstram que não correspondem totalmente à realidade dos fatos. Defende a Recorrente que a documentação acostada aos autos comprova a origem, existência e legitimidade dos créditos suficientes para a homologação da compensação. Sustenta que o fato de a fonte pagadora eventualmente não ter informado em DIRF a respectiva retenção ou têla informado com código de retenção equivocado não pode criar uma obrigação/punição para a Recorrente. Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal concluiu o seguinte (fls. 398/400): Pela leitura da planilha verificase que foi glosado o valor de R$ 2.028,63 (R$ 1.935,27 + R$ 93,36). Com a análise dos documentos juntados posteriormente, foi comprovado a retenção adicional de R$ 726,98. Vêse, portanto, que após a análise de toda a documentação acostada aos autos pela Recorrente, a autoridade fiscal reconheceu a comprovação adicional de R$ 726,98, totalizando um valor comprovado de R$ 15.967,39 (R$ 15.240,41 + R$ 726,98). Ressaltese que o ônus para a comprovação documental de direito creditório pertence ao interessado, dados os requisitos de liquidez e certeza para os valores pleiteados, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos incumbe ao requerente, que deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10835.000400/200315 Acórdão n.º 2202004.111 S2C2T2 Fl. 428 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Assim, considerando que o Contribuinte não logrou comprovar o crédito total alegado de R$ 17.269,04, conforme diligência efetuada, deve ser mantida a glosa de R$ 1.301,65. Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.967,39. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007770/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2009
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O registro de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-004.011
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/11/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O registro de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O registro de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 77 70 /2 01 0- 43 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 215 2 José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 59/69): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada deixou de prestar informação sobre a carga transportada no prazo fixado pela legislação, o que ensejou a aplicação da pena objeto do lançamento. Essa obrigação tem fundamento legal no art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, o qual foi regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 800/2007. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 216 3 5) A autuada protocolou pedido de desbloqueio de manifesto eletrônico, pois houve registro dele fora do prazo estabelecido, o que gerou o bloqueio automático no sistema. Consultandose o Siscomex Carga verificouse que consta como transportador responsável nesses manifestos a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. 6) A responsabilização da autuada tem amparo legal no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003; nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007; e no art. 136 do Código Tributário Nacional. Esses dispositivos se referem à definição de intervenientes aduaneiros, à atuação das agências de navegação no transporte internacional de cargas e à natureza objetiva da responsabilidade por infrações à legislação tributária, respectivamente. 7) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a prestação de informação sobre a carga transportada em desacordo com as exigências legais está sujeita à penalidade cominada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e quando for o caso, às prescritas no art. 76 desse mesmo Diploma Legal. No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 16/2/2011 e apresentou impugnação (fls. 3437) em 4/3/2011, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo do lançamento, pois não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. b) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. c) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, pois não causou nenhum embaraço à fiscalização e tampouco o descumprimento do prazo estabelecido para prestar informações sobre carga transportada. Portanto, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. d) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 217 4 pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.798 7ª Turma da da DRJ/FOR, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/11/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE MANIFESTO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA. O registro do manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas transportadas configura atraso no cumprimento dessa obrigação, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação tempestiva de informação sobre carga transportada é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada pela legislação no caso de prévia atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 77/86), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.288– 1ª Turma Especial (fls.117/125), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 218 5 intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 127/136), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100424 1ª Câmara (fls 138/139), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 146/154). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.633 3ª Turma (fls. 194/1202) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 202) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 219 6 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 77/86) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, há menção à decisão recorrida e é transcrita a sua ementa. O item IV faz referência à responsabilidade solidária, valendose da Súmula 192 do extinto TRF, e também a erro no lançamento, mas concentrase na caracterização da denúncia espontânea. A CSRF já se manifestou sobre a denúncia espontânea, cabendo aqui somente analisar as outras questões ainda pendentes. Por sua vez, no item V, o Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 17. De início, cabe esclarecer que, o e. relator do acórdão ora recorrido pretende impor ao agente marítimo responsabilidade tributária pela retificação de ofício de informações relativas ao Conhecimento Eletrônico já referido. 18. Para uma melhor análise da matéria e para evitar dispositivos legais que possam ser utilizados para tentar transferir a responsabilidade do transportador, do agente de carga e do operador portuário para o agente marítimo, convém transcrever a seguir dispositivos legais do Decretolei no 37/66, a fim de que se afastar qualquer possibilidade de assunção de responsabilidade com base nos artigos, 32, 37, § 1o, do referido diploma legal: "Art. 32 É responsável solidário pelo imposto:" 19. Com efeito, a responsabilidade tributária solidária está prevista expressamente em lei para o imposto de importação e não para multa isolada que a fiscalização pretende impor à Recorrente. Não há como a fiscalização pretender, por analogia, exigir da Recorrente a multa isolada ora em discussão. 20. O art. 37, § 1o, do DecretoLei no 37/66, dispõe: Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 220 7 "Art. 37 O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." 21. Como se observa em nenhum momento o dispositivo legal acima transcrito menciona a responsabilidade à agência marítima,deixando claro que essa responsabilidade é do transportador (caput), do agente de carga e do operador portuário. 22. O Código Tributário Nacional determina em seu artigo 121, II, que a responsabilidade tributária deve ser expressamente prevista em lei, já que o responsável tributário não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal. 23. Assim, sem previsão legal não pode a multa prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, ser aplicada à Recorrente. 24. Com efeito, representação também não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista no art. art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. 25. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 26. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora ou do agente de carga. 27. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 221 8 28. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, , art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 29. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à compração do ilícito. 30. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 31. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito no que tange à agência marítima. 32. Apenas para esclarecer que as pessoas citadas no parágrafo 1o, do art. 37 do DecretoLei no 37/66, agente de carga e operador portuário também devem prestar informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, bem como o transportador mencionado no "caput" do referido comando legal. Contudo, essas pessoas mencionadas pelo texto legal não se confundem com a agência marítima que tem personalidade e atividades próprias, por isto é, de atender as necessidades do navio no porto de destino. 33. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 222 9 (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 223 10 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão adotada no Acórdão no 0826.798 7ª Turma da DRJ/FOR (fl. 64/65), de que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do DecretoLei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11128.007770/201043 Acórdão n.º 3301004.011 S3C3T1 Fl. 224 11 Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000734/2010-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁCTICA PARA A CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E CONHECIMENTO DO RECURSO
Não é possível o conhecimento do recurso a respeito da aplicação do regime de competência quando a divergência se refere ao momento da consumação do negócio na cessão de créditos e o paradigma apresentado se limita à aplicação do referido regime às receitas relacionadas a contratos de seguros, faltando semelhança fáctica que permita a comparação das decisões apresentadas.
Numero da decisão: 9101-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁCTICA PARA A CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E CONHECIMENTO DO RECURSO Não é possível o conhecimento do recurso a respeito da aplicação do regime de competência quando a divergência se refere ao momento da consumação do negócio na cessão de créditos e o paradigma apresentado se limita à aplicação do referido regime às receitas relacionadas a contratos de seguros, faltando semelhança fáctica que permita a comparação das decisões apresentadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 558 1 557 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.000734/201005 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.869 – 1ª Turma Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria REGIME DE COMPETÊNCIA Recorrente B2T PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA (ATUAL DENOMINAÇÃO DE BENETTI PRESTADORA DE SERVICOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁCTICA PARA A CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E CONHECIMENTO DO RECURSO Não é possível o conhecimento do recurso a respeito da aplicação do regime de competência quando a divergência se refere ao momento da consumação do negócio na cessão de créditos e o paradigma apresentado se limita à aplicação do referido regime às receitas relacionadas a contratos de seguros, faltando semelhança fáctica que permita a comparação das decisões apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 34 /2 01 0- 05 Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 559 2 Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de autuação fiscal (Efls. 1365 ss.) cientificada à contribuinte em 24/03/2010 para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS, juros de mora e multa de 75% prevista no artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96., relativamente ao ano calendário 2005, em decorrência da acusação de (i) omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários sem origem comprovada e (ii) não oferecimento à tributação de resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios. Para uma leitura mais detalhada, ao que interessar, o Termo de Constatação Fiscal (Efls. 1337 ss.) assim descreve o objeto da autuação: “1. DA OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (…) Impende destacar que as receitas omitidas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada não foram regularmente escrituradas pela fiscalizada razão pela qual os respectivos tributos declarados em DCTF não devem ser deduzidos dos valores apurados incidentes sobre as receitas omitidas. Considerando, que a fiscalizada, relativamente ao anocalendário de 2005, optou pela sistemática do lucro presumido e que as atividades desenvolvidas pela fiscalizada, consoante seu Contrato Social, se caracterizam pela prestação de serviços diversos e pela comercialização e incorporação de imóveis, o imposto de renda incidente sobre as receitas omitidas deve ser apurado segundo o disposto no artigo 224 c/c arts. 518, 519 e 528 do Decreto n°3000/1999 (RIR), in verbis: (…). Considerando, outrossim, que dentre as atividades econômicas exercidas pela fiscalizada encontrase a prestação de serviços e a locação de bens, o percentual aplicável na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido é de 32% (trinta e dois por cento), conforme disposto no art. 29 da Lei n° 9430/1996 combinado com o art. 20 da Lei n° 9249/1995 com a redação dada pela Lei n° 10684/2003, in verbis: (…) 2. DOS RESULTADOS POSITIVOS APURADOS NA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS (…) Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 560 3 Examinando os documentos apresentados depreendese que a fiscalizada adquiriu de alguns professores os direitos individuais sobre créditos alimentícios oriundos da Reclamação Trabalhista n° VTBV054/90 que tramita perante a 10 Vara do Trabalho de Boa Vista — RR — 1 l a Região, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima — SINTER conta a União Federal, e vinculados ao precatório requisitório n° 0024/97. Posteriormente, transferiu e cedeu parte dos direitos creditórios adquiridos dos professores à diversas empresas, mediante a celebração de Contratos Particulares de Cessão de Direitos Creditórios Transitados em Julgados. Inferese, também, que a fiscalizada escriturou na conta n° 3.1.1.1.0001 — "Negociação de Precatórios — Venda de Precatórios" as receitas auferidas pela cessão de direitos creditórios na medida de seu recebimento (regime de caixa). Neste ponto, impende confrontar o objeto social desenvolvido pela fiscalizada com as operações de cessão de direitos creditórios realizadas, a fim de determinar a sistemática adequada prevista pela legislação pertinente para tributação dos resultados auferidos nestas transações comerciais. O art. 519 c/c art. 224 do RIR/99, acima transcritos, estabelece que a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Noutras palavras: receita bruta é a receita total decorrente das atividadesfim da sociedade, ou seja, das atividades para as quais a empresa foi constituída, segundo seu Contrato Social. Conforme consignado na Primeira Alteração do Contrato Social da fiscalizada firmada em 01/10/2004, o seu objetivo social consiste em: "SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE MAO DE OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL, SERVIÇOS DE CONSULTORIA NA ADMINISTRAÇÃO DE BENS ATIVOS, SERVIÇO DE ASSESSORIA E CONSULTORIA NA AREA TRIBUTÁRIA, RECUPERAÇÃO E INTERMEDIAÇÕES DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS, REESTRUTURAÇÃO TRIBUTARIA DE ATIVOS FINANCEIRO, PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS, LOCAÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS, CENTRO COMERCIAIS E LOTEAMENTOS" (sic) Outrossim, a Segunda e a Terceira Alterações do Contrato Social da fiscalizada efetuadas respectivamente em 03/03/2006 e 18/12/2006, não promoveram quaisquer alterações ou modificações no que tange ao seu objeto social. Assim, inferimos que as transações envolvendo a cessão de direitos creditórios realizada pela fiscalizada não se coadunam com as atividades enumeradas em seu Contrato Social, nem mesmo com a prestação de serviços de intermediação de créditos tributários. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 561 4 Na intermediação a relação jurídica entre uma das partes no contrato e o intermediário, que atua para a conclusão deste com relação a ela, é totalmente distinta da relação jurídica que se estabelece entre tais partes, com a interveniência do intermediário. Além disso, a intermediação implica o preço do serviço que é a comissão. Diferentemente, no caso concreto, a fiscalizada adquiriu de alguns professores os direitos individuais sobre créditos alimentícios oriundos da Reclamação Trabalhista n° VTBV 054/90, mediante Escrituras Públicas de Cessão de Direitos Creditórios, e posteriormente transferiu parte dos direitos adquiridos à diversas empresas, também através de Escrituras Públicas de Cessão de Direitos Creditórios, o que demonstra tratarse de operações similares à compra e venda. Destarte, podemos concluir que a receita auferida pela fiscalizada decorrente da cessão de direitos creditórios não se caracteriza como receita operacional bruta, devendo ser tributada nos moldes estabelecidos pelo art. 521 do RIR/99, in verbis: (…) Portanto, os resultados positivos apurados nestas transações, assim entendidos como os valores recebidos pela fiscalizada em decorrência da cessão dos direitos creditórios deduzidos dos respectivos valores de aquisição destes direitos cedidos, devem compor integralmente as bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) dos períodos de apuração correspondentes em que se consumaram as cessões destes direitos. Considerando, ainda, que a fiscalizada relativamente ao ano calendário de 2005 contabilizou e tributou equivocadamente as receitas decorrentes da cessão de direitos creditórios como se receitas operacionais fossem, dos tributos incidentes sobre os resultados positivos obtidos nestas transações devem ser excluídos os valores anteriormente declarados pela fiscalizada em suas DCTF. Pelos documentos apresentados pela fiscalizada em atendimentos às intimações fiscais, identificamos os créditos individuais adquiridos pela fiscalizada os quais foram posteriormente transferidos para as cessionárias abaixo mencionadas, cujas considerações e conclusões estão detalhadas a seguir. 2.1 MAKRO ATACADISTA S/A (…) Confrontando estes documentos com os extratos bancários das contas correntes de titularidade da fiscalizada mantidas junto ao Banco Bradesco S/A, concluímos que a cessionária (MAKRO) realizou diversas transferências financeiras para as contas correntes da fiscalizada. Outrossim, em 11/05/2005, mediante Escritura Pública de Subrogação de Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 562 5 Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, a cedente/fiscalizada cedeu e subrogou à cessionária (MAKRO) todos os direitos aos créditos bem como substabeleceu sem reserva, todos os poderes que lhe foram outorgados pelos credores originários enumerados na cláusula terceira daquele instrumento. Depreendese, portanto, que a cessão de direitos creditórios levada cabo pelas partes somente foi consumada com a celebração da Escriturada Pública de Subrogação de Direitos Credit6rios e Substabelecimento de Poderes, onde estavam identificados e especificados os créditos cedidos, e que estabelecia em sua cláusula nona que a partir daquela data (11/05/2005) a cessionária subrogada (MAKRO) poderia ingressar no pólo ativo da Ação de Reclamação Trabalhista JCJBV no 054/90 bem como requerer sua admissão como litisconsorte assistencial no referido processo. (…) 2.2 CERÂMICA URUSSANGA S/A CEUSA (…) Todavia, a Escritura Pública de Declaração não produz quaisquer efeitos na apuração dos resultados positivos obtidos com a cessão de direitos creditórios efetivada em 08/07/2005 porque (I) tratase de instrumento lavrado unilateralmente pela cedente/fiscalizada e; (II) conforme expressamente consignado no referido instrumento, existem ações judiciais pendentes de decisão transitada em julgado envolvendo as partes (cedente e cessionária) que tratam da inadimplência das obrigações contratuais pela cessionária e seus efeitos. Cotejando estes documentos com os extratos bancários do ano calendário de 2005 da conta corrente n° 6254 da agência n° 20125 do Banco Bradesco S/A, de titularidade da fiscalizada, concluímos que a cessionária (CEUSA) realizou diversas transferências financeiras para a referida conta corrente da fiscalizada. (…) 2.3 MARIMEX DESPACHOS TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA Depreendese, portanto, que o ato jurídico de cessão de direitos creditórios somente se tornou perfeito e acabado em 19/09/2005, com a protocolização da petição do SINTER nos autos da Reclamação Trabalhista JCJBV n° 0054/90 identificando e especificando os créditos cedidos pela fiscalizada. Confrontando estes documentos com os extratos bancários do ano calendário de 2005 das contas correntes de titularidade da fiscalizada mantidas junto ao Banco Bradesco S/A, concluímos que a cessionária (MARIMEX) realizou dezenas de transferências financeiras para as contas correntes da fiscalizada. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 563 6 2.4 METALTELA TECIDOS METÁLICOS LTDA Concluise, desta forma, que o ato jurídico de cessão de direitos creditórios somente se consumou em 19/09/2005, com a protocolização da petição do SINTER nos autos da Reclamação Trabalhista JCJBV no 0054/90 identificando e especificando os créditos cedidos. (…) 2.5 SIEMA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA (…) Depreendese, portanto, que o ato jurídico de cessão de direitos creditórios somente se tornou perfeito e acabado em 19/09/2005, com a protocolização da petição do SINTER nos autos da Reclamação Trabalhista JCJBV n° 0054/90 identificando e especificando os créditos cedidos. Considerando que os direitos creditórios dos 02 cedentes originários (professores) transferidos à SIEMA já haviam sido transferidos anteriormente CERÂMICA URUSSANGA e que, em consequencia, o valor de aquisição destes direitos credit6rios já foram considerados na apuração do ganho naquela operação (subitem 2.2), o resultado positivo apurado na cessão de direitos creditórios nesta operação corresponde à remuneração integral prevista no Contrato (…) 3. DOS VALORES DO PIS E DA COFINS DEVIDOS Os artigos 2° e 3° da Lei n° 9718/98 estabelecem que as contribuições para o PIS e COFINS devem ser calculadas com base no faturamento assim entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. No caso concreto, o faturamento mensal corresponde à soma das receitas omitidas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada —discriminadas no item 1 deste Termo — com a totalidade das receitas auferidas pela fiscalizada decorrentes da cessão de direitos creditórios nos respectivos períodos de apuração em que estas cessões foram consumadas — discriminadas nos subitens 2.1 a 2.5 deste Termo. Impende ressaltar que a fiscalizada apresentou DCTF retificadoras relativas aos 1° e 2° Semestres/2005 (ND 1000.000.2008.2020330501 e ND 1000.000.2008.2020331148) após a data do inicio da ação fiscal, 16/04/2008, alterando os débitos declarados do PIS e da COFINS, razão pela qual os valores consignados nestas declarações não podem ser deduzidos dos valores apurados pela fiscalização. Destarte, os valores declarados a serem considerados são aqueles consignados nas DCTF retificadoras entregues pela fiscalizada em Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 564 7 11/08/2007 (ND 1000.000.2007.2050251833 e ND 1000.000.2007.2020317903). (…)” Insurgindose contra o lançamento, a Recorrida apresentou Impugnação (EFls 1400 ss.), defendendo preliminarmente (a) a decadência e, no mérito, que (b) a existência de depósitos bancários não autorizaria a tributação, sendo necessária a comprovação da disponibilização da renda, ônus que caberia ao fisco; (c) os depósitos em questão corresponderiam a operações já declaradas e tributadas ou a devoluções de empréstimos; (d) a cessão de direitos creditórios sempre foi a principal atividade da empresa impugnante, ainda que não conste de seu contrato social, e as respectivas receitas devem ser tratadas como operacionais; (e) a cessão de precatórios poderia se encaixar na atividade de intermediação financeira e de créditos; (f) se bem analisado, poderia se submeter à alíquota de 8% ao invés de 32%, como recolhido o tributo na sistemática do lucro presumido; (g) alargamento da base de cálculo por desconsideração das despesas; (h) há cláusula contratual que prevê que a cessão do crédito só ocorre com o pagamento; e (i) o negócio com a CEUSA teria sido anulado e, portanto, o valor não corresponderia ao apontado pela fiscalização. O posicionamento da Administração Tributária foi confirmado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (Efl. 1748), em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Verificase que não há despachos e decisões com preterição do direito de defesa, de forma que não há que se falar, neste caso, em cerceamento do direito de defesa. O Auditor Fiscal da Receita do Brasil é autoridade competente para constituir o crédito tributário. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese, segundo o previsto pelo artigo 150 do CTN, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, em razão da ocorrência de pagamento (recolhimento) efetuado por parte do contribuinte. Não havendo recolhimento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme previsto no inciso I do artigo 173, do CTN. Exercício seguinte se refere ao exercício financeiro posterior àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento cientificado antes da Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 565 8 ocorrência da decadência. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei no 9.43011996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem e razão dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. RESULTADOS POSITIVOS. A venda de Precatórios não se relaciona com as atividades previstas no Contrato Social da empresa, nem mesmo com a prevista intermediação de créditos tributários. Não correspondendo a receita decorrente das atividades fim da empresa não pode ser tributada pelo lucro presumido. O resultado destas operações deve ser oferecido à tributação nos moldes estabelecidos pelo artigo 521 do RIR/99. AUTOS REFLEXOS PIS, COFINS e CSLL O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efl. 1800 ss.), basicamente reiterando as alegações deduzidas em sua impugnação administrativa, que podem ser assim sintetizadas com o resumo apresentado pelo acórdão recorrido (Efls. 18571858): “a) Em relação à decadência reitera a aplicação do art. 150 § 4º do CTN aos fatos geradores e tributos lançados, por se tratarem de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Assim, considera decaídos todos os fatos geradores ocorridos até 24/03/2005. Em relação aos lançamentos efetuados com base em depósitos bancários entende ter ocorrido a decadência dos meses de janeiro e fevereiro de 2005. Em relação aos resultados positivos decorrentes da cessão de direitos creditórios entende que decaíram os fatos geradores decorrentes das vendas de créditos para a empresa MAKRO e para a empresa MARIMEX, que teriam se concretizado em dezembro de 2004 e não no ano de 2005, como sustentou a autoridade fiscal na autuação. b) No mérito, no que concerne à omissão apurada com base em depósitos bancários, repete literalmente os argumentos trazidos na impugnação, deixando apenas de recorrer em relação ao valor de R$ 3.800,00, creditado em 27/01/2005. Alega em síntese que a mera existência de depósitos por si só não constitui fato gerador do imposto de renda e que ainda que seja considerado válido o lançamento efetuado com base nesses elementos, ele não deve prosperar na sua totalidade, pois foram originados em operações já declaradas ou tributadas ou decorrem de devoluções de empréstimos. Sustenta que ao contrário das razões trazida pela decisão de primeira instância, “os documentos juntados são mais do que suficientes para justificar os depósitos acima enumerados, devendo ser retirados da apuração fiscal, caso se aceite lançamento com base em meros depósitos bancários”. c) Também quanto ao mérito, repete parte das alegações trazidas quanto à tributação dos resultados positivos apurados na cessão de direitos creditórios. Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 566 9 Sustenta que, embora não prevista no seu contrato social, a atividade de compra e venda de direitos creditórios é a principal atividade exercida pela empresa, representando 99% de suas receitas, sendo, portanto operacional. Argumenta que o fato de não constar tal atividade do seu contrato social constitui apenas uma falha formal, e que o registro na Junta Comercial não é constitutivo da natureza jurídica da sociedade, mas meramente declaratória. Alega que não existe base legal para fundamentar a conclusão da autoridade fiscal de que o fato de uma atividade não constar do contrato social da empresa, torna tais receitas não operacionais. Entende que o Regulamento do Imposto de Renda define como não operacionais, basicamente, as transações com bens do ativo permanente, o que não seria seu caso e que sendo a atividade de cessão de direitos creditórios praticamente a única atividade da empresa, suas receitas são operacionais e devem ser tributadas pelo lucro presumido, calculado no percentual de 32% das receitas. d) Especificamente com relação à tributação das receitas decorrentes da cessão de direitos creditórios para a empresa Cerâmica Urussanga S/A CEUSA, alega que o valor efetivo da operação de cessão de direitos creditórios foi de apenas R$ 2.000.000,00 e não no valor apurado pela fiscalização de R$ 17.092.555,55, sustentando que a venda não se efetivou por este valor, pois a adquirente não honrou com os seus compromissos contratuais o que levou à anulação da venda dos créditos não pagos, mediante escritura pública por ela lavrada, e que teria sido reconhecido ainda em sentença judicial proposta pela empresa adquirente dos créditos. Argumenta que tal fato se equipara às vendas canceladas, que devem ser excluídas da Receita Bruta, nos termos do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda.” Na sequência, a empresa formulou pedido de sobrestamento do processo administrativo (EFls. 1848) até que transitasse em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal acerca da tributação com bases em depósitos bancários. A turma a quo então julgou o recurso voluntário para negarlhe provimento por unanimidade no que diz respeito à decadência e, por maioria de votos, dar lhe provimento parcial, com relação aos trechos sublinhados na ementa do Acórdão n. 1302000.919 (Efls. 1849 ss.), transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE RECURSO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Não se aplica o sobrestamento de recurso, previsto no art. 62A do RICARF, se o lançamento efetuado não tem por base a legislação objeto de repercussão geral perante o STF (LC. Nº 105/2001). DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial qüinqüenal para a constituição Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 567 10 do crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se a recorrente, regularmente intimada, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que o valor se origina da devolução de empréstimos feitos por pessoa jurídica ligada. Excluemse do lançamento os créditos comprovadamente originados de receitas tributadas. RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. O estatuto social define de modo preciso e completo o objeto social da pessoa jurídica. A cessão de direitos creditórios decorrentes de ações transitadas em julgado, adquiridos de terceiros, além de não integrar o objeto social da recorrente, não tem a natureza de serviços prestados. Os créditos judiciais foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Assim, não compõe a receita bruta operacional. O ganho efetivo apurado nas respectivas operações deve ser tributado na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda. RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. EXECUÇÃO PARCIAL DE CONTRATO. Se o contrato previa condições para a sua execução, não cumpridas pelas partes, o resultado positivo deve ser apurado sobre a parcela executada antes da rescisão contratual, requerida por ambas as partes à justiça estadual, com base na diferença entre o valor recebido e os créditos efetivamente cedidos, excluindo da base de cálculo do lucro presumido a parcela não executada. PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência alegada; por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos Paulo Roberto Cortez e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que davam provimento em maior extensão. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator.” A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão e informou que o estava devolvendo sem manifestação (Efls. 1879). Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 568 11 Dando continuidade, a recorrente opôs Embargos de Declaração (Efls. 1898 ss.) algando omissões e contradições do acórdão recorrido quanto à decadência em relação às vendas de créditos às empresas MARIMEX e MAKRO, afirmando, com referência à primeira, que a decisão embargada fundamentouse unicamente no fato de que a venda não poderia ter ocorrido no momento da escritura de cessão, porque os créditos teriam sido adquiridos após tal data, não sendo isso verdadeiro, já que os teria comprado anteriormente, em 11/11/2004, conforme escritura anexa ao recurso. No que tange à MAKRO, alega que o reconhecimento da venda apenas em maio de 2005 contradiz os documentos juntados ao processo e citados na decisão. A venda teria ocorrido em dezembro de 2004 e janeiro de 2005, data em que assinados os contratos de cessão de crédito, como demonstrariam os comprovantes de pagamentos, aduzindo que “se pagou é porque já se efetivou a venda”. Para reforçar a prova da alegação, junta também aos embargos cópia do pedido de habilitação do crédito adquirido pela Makro no processo que o originou, nas datas de suas aquisições, aduzindo que “se pede habilitação no processo é porque efetivamente já adquiriu o crédito”. Os embargos, porém, não foram conhecidos, segundo as razões resumidas na ementa do Acórdão n. 1302001.309 (Efls. 1898 ss.): “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se conhecem dos embargos apresentados por não preencherem os requisitos de admissibilidade, uma vez inexistente a omissão alegada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO COM AS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhecem de embargos cuja contradição apontada reside entre os elementos dos autos e à decisão embargada. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APRECIAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA. PRECLUSÃO. Se os elementos novos apresentados referemse aos fatos e razões discutidas no âmbito do processo em todas as suas fases e não foi demonstrada pela recorrente qualquer impossibilidade de força maior para sua apresentação oportuna, não cabe ao colegiado, em sede de embargos, reavaliar as provas dos autos em face dos novos documentos, tendo em vista a ocorrência de preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.” A contribuinte interpôs Recurso Especial (Efl. 1989 ss.) defendendo que a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado (Acórdão n. 1202 Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 569 12 001.016), porque este teria observado a legislação tributária que determina a aplicação do regime de competência para o reconhecimento de receita, enquanto o primeiro o teria condicionado ao cumprimento de obrigações acessórias dos contratos de cessão de créditos firmados com as empresas Makro e Marimex, que ocorreram somente em 2005, a despeito de o benefício econômico e a essência do contrato terem se materializado em 2004, com a tradição dos bens móveis que seriam os créditos. Assim, concluiu que o direito ao lançamento tributário relativo a essas receitas estaria integralmente decaído. O Despacho de Admissibilidade (Efls. 2000 ss.), cofirmado pelo Reexame da Admissibilidade (Efls. 2007 ss.), foi parcial, dando seguimento apenas com relacão à parte do recurso correspondente à empresa Makro, pois quanto à Marimex a recorrente não teria apresentado paradigma no que diz respeito à possibilidade de juntada de provas com os embargos de declaração, como fez para a comprovação da efetivação do negócio jurídico e aplicação do regime de competência, na medida em que o acórdão recorrido entendeu pela preclusão do direito de fazêlo nesse instante. Leiase: “No que respeita ao elemento de prova relativo à arguição da recorrente com relação aos contratos firmados com a empresa Marimex, documentos estes que servem de fundamento para a divergência suscitada sobre a aplicação do regime de competência, e a consequente decadência dos lançamentos tributários erguidos sobre esta matéria, importante ressaltar que no Acórdão nº 1302001309, restou explicitado que os referidos documentos não foram admitidos. Retranscrevo trecho do referido acórdão: ‘Alega que, conforme escritura pública que juntou aos autos junto com os embargos, resta comprovado que os créditos foram adquiridos em data anterior. Sustenta que a decisão deve conter manifestação sobre este fato. Conforme relatado, a embargante trouxe, na oportunidade da apresentação dos embargos, documento novo pelo qual comprovaria que os referidos créditos teriam sido adquiridos em data anterior ao de sua cessão para a empresa Marimex. Ou seja, os novos elementos de prova trazidos nos embargos não foram objeto de apresentação na impugnação e recursos voluntários interpostos.’ (grifos não pertencem ao original) Observo que a recorrente não apresentou qualquer acórdão paradigma que possibilite a apreciação destes documentos em fase de embargos declaratórios. Diante do exposto, depreendese que a recorrente, em relação à divergência suscitada sobre a matéria tributária decorrente dos contratos firmados com a empresa "Marimex": a) não está recorrendo do indeferimento da análise de documentos apresentados juntos aos Embargos de Declaração, considerados preclusos pela turma julgadora; salientese, portanto, que esta matéria não foi recorrida, Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 570 13 nem apresentado qualquer acórdão que comprovasse dissídio jurisprudencial, não sendo objeto do presente Recurso Especial; b) os documentos que comprovariam as alegações de que a tributação deveria aterse ao regime de competência e não de caixa, no que respeita os contratos firmados com a empresa "Marimex", por conseguinte: (i) não podem ser objeto de análise e, (ii) em vista de não constarem anteriormente dos autos e serem estes documentos que comprovariam o momento alegado como correto da tributação pelo regime de competência, concluise que a divergência jurisprudencial suscitada não se caracterizou; Por outro lado, no caso dos contratos de cessão firmados com a empresa "Makro", diferentemente, os contratos já constavam dos autos e, portanto, a recorrente logrou comprovar a dissensão jurisprudencial trazendo acórdão firmado no entendimento contrário ao esposado no acórdão recorrido, ou seja, neste a turma julgadora não se ateve ao regime de competências: foi constatado o valor de adiantamento de valores relativos à transferência de créditos em dezembro de 2004, mas atribuiulhes os efeitos tributários somente com o aperfeiçoamento do ato pela lavratura de escritura pública, subtraindo os efeitos do contrato particular de promessa de compra e venda firmado anteriormente; enquanto, no dissídio, a outra turma de julgamento posicionouse pela aplicação do regime de competência, considerando a implementação dos efeitos jurídicos e não propriamente do recebimento das receitas. Pelo exposto, restou comprovada, em parte, a divergência suscitada, devendo ser dado seguimento parcial ao Recurso Especial.” A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Efls. 2012 ss.) no intuito de demonstrar a ausência de cotejo analítico e similitude fáctica que autorizassem o conhecimento do recurso. Isso porque inferiu que tanto os acordãos recorrido e paradigma quanto o recurso especial defendem a aplicação do princípio da competência, a questão que verdadeiramente restaria para decisão referirseia ao momento em que se considera ocorrida a cessão de créditos na operação realizada com a empresa MAKRO. E, sendo assim, para que o paradigma fosse capaz de demonstrar a divergência, também deveria cuidar de cessão de crédito, não de receitas de corretagem de seguro, como foi o caso. No mérito, sustentou que a cessão de direitos creditórios realizada pelas partes somente teria sido consumada com a celebração da Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, em que identificados e especificados os créditos cedidos, e que estabelecia em sua cláusula nona que a partir daquela data (11/05/2005) a cessionária subrogada (MAKRO) poderia ingressar no pólo ativo da Ação de Reclamação Trabalhista JCJBV n. 054/90, assim como requerer sua admissão como litisconsorte assistencial no referido processo, de modo que não haveria decadência. Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 571 14 Passase, então, à apreciação do recurso da contribuinte. Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso. Identificase que a contribuinte foi intimada do acórdão que julgou os embargos de declaração em 16.05.2014 (AR à efl. 1949) e protocolizou Recurso Especial no dia 26.05.2014 (Efl. 1951), portanto, dentro do prazo de 15 dias definido pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do CARF, que assim dispõem: “Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão.” Assim, é tempestivo o Recurso Especial interposto pela contribuinte. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 572 15 Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Pois bem, voltandose ao caso concreto, verificase que o objeto do recurso especial referese ao apontamento de divergência entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma n. 1202001.016, porque este teria observado a aplicação do regime de competência para o reconhecimento das receitas, enquanto o primeiro o teria condicionado ao cumprimento de obrigações acessórias dos contratos de cessão de créditos firmados com as empresas Makro e Marimex, que ocorreram somente em 2005, a despeito de o benefício econômico e a essência do contrato terem se materializado em 2004, com a tradição dos bem móveis que seriam os créditos. Com esse raciocínio, se defende a decadência do direito ao lançamento tributário, cientificado à contribuinte em 24 de março de 2010. Primeiramente, é preciso se delimitar que o Despacho de Admissibilidade (Efls. 2000 ss.), cofirmado pelo Reexame da Admissibilidade (Efls. 2007 ss.), já restringiu a apreciação do recurso especial somente às alegações relativas ao negócio firmado com a empresa Makro, pois, como já detalhado no relatório acima, a parte referente à Marimex foi considerada não recorrida por ausência de apresentação de paradigma quanto à possibilidade de juntada de provas nos embargos declaratórios opostos em face do acórdão recorrido, o que foi negado pelo colegiado a quo e seria determinante para a comporvação do momento da ocorrência da referida cessão de créditos. Retomandose o presente processo, o Termo de Constatação Fiscal assim descreveu os fatos relacionados à parcela da autuação que envolveu a empresa Makro: “2.1 MAKRO ATACADISTA S/A Em 09/12/2004, a fiscalizada firmou Contrato Particular de Cessão de Direitos Creditórios e Outras Avencas com a empresa MAKRO ATACADISTA S/A, CNPJ n° 47.427.653/000115, objetivando a cessão de parte dos direitos creditórios vinculados ao precatório requisitório n° 0024/97, autuado no TRT 1 1 a Região sob n° 486/97, no valor de R$ 19.400.000,00 (dezenove milhões e quatrocentos mil reais). Em contrapartida aos direitos do crédito transferido, a cessionária pagaria à fiscalizada o valor de R$ 10.670.000,00 (dez milhões seiscentos e setenta mil reais) correspondente à 55% do valor dos créditos transferidos. Outrossim, em 14/01/2005, as mesmas partes firmaram novo Contrato Particular de Cessão de Direitos Creditórios e Outras Avencas tendo por objeto a cessão de parte dos direitos creditórios vinculados ao mesmo Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 573 16 precatório requisitório no valor de R$ 8.695.050,00 (oito milhões seiscentos e noventa e cinco mil e cinqüenta reais) sendo que a cessionária pagaria à fiscalizada o valor de R$ 4.782.227,00 (quatro milhões setecentos e oitenta e dois mil duzentos e vinte e sete reais) correspondente à 55% do valor dos créditos transferidos. Em 25/10/2005, as partes aditaram o Contrato Particular de Cessão de Direitos Credit6rios firmado em 14/01/2005, a fim de reduzir o valor a ser pago pela cessionária à fiscalizada para R$ 2.600.000,00 (dois milhões e seiscentos mil reais) bem como estabelecendo que este valor somente seria pago após a entrega pela cedente/fiscalizada de 80 (oitenta) termos de quitação originais comprovando os pagamentos feitos aos professores para aquisição dos direitos creditórios. Confrontando estes documentos com os extratos bancários das contas correntes de titularidade da fiscalizada mantidas junto ao Banco Bradesco S/A, concluímos que a cessionária (MAKRO) realizou diversas transferências financeiras para as contas correntes da fiscalizada. Outrossim, em 11/05/2005, mediante Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, a cedente/fiscalizada cedeu e subrogou à cessionária (MAKRO) todos os direitos aos créditos be como substabeleceu sem reserva, todos os poderes que lhe foram outorgados pelos 80 credores originários enumerados na cláusula terceira daquele instrumento. Depreendese, portanto, que a cessão de direitos creditórios levada a cabo pelas partes somente foi consumada com a celebração da Escriturada Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, onde estavam identificados e especificados os créditos cedidos, e que estabelecia em sua cláusula nona que a partir daquela data (11/05/2005) a cessionária subrogada (MAKRO) poderia ingressar no pólo ativo da Ação de Reclamação Trabalhista JCJBV no 054/90 bem como requerer sua admissão como litisconsorte assistencial no referido processo. Isto posto, elaboramos Demonstrativo do Resultado Positivo Apurado na Cessão de Direitos Creditórios ao MAKRO ATACADISTA S/A (Anexo l), parte integrante e indissociável do presente Termo, tomando por base os direitos creditórios dos 80 cedentes originários (professores) adquiridos pela fiscalizada e posteriormente cedidos à cessionária, através do qual apuramos que a fiscalizada obteve um ganho nesta operação no valor de R$ 11.741.190,65 (onze milhões setecentos e quarenta e um mil cento e noventa reais e sessenta e cinco centavos) que deve compor integralmente a base de cálculo do IRPJ do 2° Trimestre/2005, haja vista que a cessão de direitos creditórios foi efetivada em 11/05/2005.” Voltandose ao acórdão recorrido, observase que afastou a decadência por entender que o fatos geradores dos tributos exigidos pela fiscalização teriam ocorrido com a concretização do negócio de cessão de créditos representada pela lavratura da escritura pública em maio de 2005, condição para o seu perfazimento conforme o próprio Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 574 17 contrato firmado pelas partes em 09/12/2004, e não com a assinatura do contrato de promessa de compra e venda e recebimento do valor. Vejase o que consignado: “No entanto, a recorrente alega também que ocorreu a decadência no caso dos lançamentos relacionados com os resultados apurados nos contratos de venda dos créditos para as empresas MAKRO e MARIMEX. Afirma que os contratos foram firmados em dezembro de 2004 e não nas datas consideradas pela fiscalização, respectivamente, em maio de 2005 e setembro de 2005 e que os fatos geradores teriam ocorrido nessas datas. As duas situações comportam análises em separado. Com relação à Cessão de direitos à empresa MAKRO, verificase que existe nos autos um contrato formalizado em 09/12/2004 (fls. 429/435), pelo qual há o compromisso de cessão de R$ 19.400.000,00 em créditos, mediante o pagamento da importância de R$ 10.670.000,00 firmado entre a recorrente e a dita empresa. A recorrente alega que os valores foram pagos pela adquirente em dezembro de 2004 e que a operação teria sido reconhecida nas Demonstrações Financeiras da adquirente, conforme cópia de publicação de Demonstrações Financeiras relativas ao exercício 2004 e 2005 anexadas ao processo (fls. 364/365). Nas notas explicativas das referidas demonstrações há referência à aquisição de tais créditos em 2004 e 2005. No entanto, a recorrente não trouxe ao processo nenhum documento extraído de seus próprios livros contábeis e fiscais visando demonstrar que, em conformidade com seus argumentos, essa receita foi devidamente reconhecida no período em que alega ter sido formalizada a operação. Ocorre que de fato isto não ocorreu. De acordo com o balancete patrimonial transcrito na página nº 211 do Livro Diário de 2005 (fls. 62) a recorrente apenas registrou o valor de R$ 10.570.000,00, recebido da empresa Makro Atacadista S/A, em conta de Adiantamentos no seu passivo circulante do ano de 2004. Com efeito, em que pese o valor ter sido adiantado em dezembro de 2004, a transferência efetiva dos créditos somente se consumou em maio de 2005, mediante a lavratura de Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditório e Substabelecimentos de Poderes (fls. 452/453). Por este instrumento público, os créditos foram especificados um a um e transferidos à adquirente, num montante total de R$ 28.711.206,00, montante que incluiu a cessão de créditos contratadas em janeiro de 2005. Assim, conforme concluiu a fiscalização, somente após a celebração da Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, se consumou a cessão de direitos creditórios contratados anteriormente. Esse instrumento não foi “meramente um ato formal de indicar os nomes dos credores originais dos créditos já vendidos”, conforme alega a recorrente, mas o efetivo documento de transferência dos créditos, conforme se lê na cláusula quinta, in verbis: ‘CLÁUSULA QUINTA: que pela PROCURADORA CEDENTE me foi dito, Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 575 18 que pela presente cede, como cedido tem e subroga a CESSIONÁRIA SUBROGADA em todos os direitos aos créditos correspondentes bem como substabelece sem reserva, todos os poderes que lhe foram outorgados, de maneira irretratável, pelas referidas procurações à CESSIONÁRIA SUBROGADA’; (grifei). Conforme destacou a decisão de primeira instância, ‘nas Considerações Preliminares, do Contrato firmado entre a Impugnante e a MAKRO, está firmado que ‘as partes resolvem celebrar o presente instrumento particular de promessa de compra e venda, de acordo com as cláusulas e condições seguintes’. Uma das condições era a celebração da Escritura Pública de Subrogação de Direitos Creditórios e Substabelecimento de Poderes, onde deviam estar identificados e especificados os créditos cedidos’. Deste modo, tendo a operação sido concluída somente em maio de 2005, com a efetiva transferência dos direitos à adquirente, está correta a eleição do fato gerador feita pela autoridade fiscal na apuração dos tributos devidos em relação aos créditos cedidos à empresa Makro Atacadista em dezembro de 2004, não havendo que se cogitar da decadência do lançamento em relação a este fato.” Por sua vez, o processo no qual proferido o acórdão paradigma teve a seguinte situação fáctica objeto da autação: “Inobservância do regime de competência verificada a existência de uma provisão de receita no valor de R$ 400.000,00, constituída no dia 30/12/2003), o sujeito passivo foi intimado a esclarecêla, conforme TCF às fl. 187/196. Em resposta às fl. 198/203, o sujeito passivo informou que: ‘o valor de R$ 400.000,00 referese ao comissionamento do produto de Seguro do Ramo Global de Bancos Penhor (POS) referente ao ano de 2003, porém a ser financeiramente liquidado em 26 de janeiro de 2004. A comissão não foi repassada pela Caixa Seguradora dentro do exercício, motivo para a realização da provisão’. Com base nesta informação e em esclarecimento posteriormente prestado pelo sujeito passivo às fl. 236/252, onde informou que, por falta ‘de condições técnicas, muitas vezes procederam à contabilização pelo regime de caixa, a autoridade fiscal entendeu estar demonstrada a inobservância do regime de competência, capitulando a infração nos art. 251 e 273 do RIR/99;” Já o voto utilizado como paradigma, assim decidiu: “LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE CORRETAGEM DE SEGUROS. Na apuração do lucro real deve ser adotado o regime de competência para oferecimento à tributação as receitas auferidas, o que implica no reconhecimento dessas receitas no período em que ocorrerem, independentemente do recebimento ou pagamento dos serviços prestados.” Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 576 19 “Quanto à forma de apropriação das receitas, esclareçase à defesa as mesmas devem ocorrer segundo o ‘princípio da entidade e, no caso das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como é o caso da autuada, as receitas devem obrigatoriamente ser apropriadas segundo o ‘regime de competência’. Como é perfeitamente sabido, a possibilidade de constituição da pessoa jurídica advém do fato de que esse ente possui personalidade própria, com autonomia patrimonial, capaz de adquirir direitos, assumir obrigações, proceder judicialmente, tais quais são atribuídos às pessoas físicas, situação positivada no art. 1.022 da Lei nº 10.406, de 10 dejaneiro de 2002 e alterações (Código Civil Brasileiro). (…) Por seu turno, o princípio contábil da “Entidade” encontrase previsto na Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou os Princípios Fundamentais da Contabilidade. Referido princípio está definido no artigo 4º, a seguir transcrito: (…) De acordo com os dispositivos acima transcritos, concluise que a constituição, e funcionamento, da pessoa jurídica pressupõe a caracterização de que o patrimônio dessa pessoa deve ser tratado de forma autônoma em relação às demais pessoas, sejam elas pessoas físicas ou outras pessoas jurídicas. Com efeito, as receitas de comissões pela intermediação de seguros devidas pelas seguradoras, originadas de percentual aplicado sobre o valor do prêmio do seguro, fazem parte do patrimônio da pessoa jurídica que intermediou/prestou o serviço de venda do seguro. Já o princípio do reconhecimento das receitas pelo “regime de competência” encontrase disciplinado no art. 251 do RIR/99 c/c os arts. 177 e 187, § 1º, letra “a”, da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e alterações, abaixo transcritos, para melhor clareza: (…) Este regime considera o reconhecimento das receitas no período em que ocorrerem, independentemente do recebimento ou pagamento dos serviços prestados. Devido a esse princípio contábil (princípio da competência), os tributos oriundos das comissões de corretagem, e outras receitas, a que tem direito a autuada, deverão ser calculados no período de apuração em que incorrerem as respectivas receitas.” Avaliandose os fatos subjacentes aos acórdãos contrapostos e as decisões adotadas, anotase dois pontos fundamentais. O primeiro deles é que, muito embora o acórdão recorrido não tenha mencionado expressamente a aplicação do regime de competência, podese compreender que esse foi o racional tomado desde a autação até o Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 577 20 julgamento pelo colegiado a quo, confirmando a exigência fiscal. Não fosse assim, provavelmente se estaria considerando o pagamento para a tributação. O que ocorre, e aqui o segundo ponto, é que a divergência entre o que defendido pela recorrente – com a apresentação de um paradigma que não se aprofunda nesse ponto – em contraposição à decisão recorrida gira em torno, propriamente, do momento em que devido o reconhecimento da receita na operação de cessão de crédito, com base exatamente na aplicação desse critério da competência. Daí se concluir que não há divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, porque ambos adotam o regime de competência para o reconhecimento das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do momento do seu recebimento financeiro, considerando determinante a concretização do negócio jurídico em análise. A divergência que poderia se verificar, então, seria quanto ao evento que permitiria a caracterização da situação suficiente ao reconhecimento das receitas na sistemática desse regime. No entanto, isso requeriria, sim, a contraposição do acórdão recorrido a um paradigma que tratasse especificamente de operação semelhante à cessão de crédito realizada, com uma avaliação distinta do momento escolhido para a ocorrência dos fatos geradores dos tributos impostos. No presente caso, porém, o paradigma, que sequer explorou a questão de um momento específico, detendose na questão primeira da necessidade de aplicação do regime de competência, tratou do momento do reconhecimento de uma comissão relacionada à corretagem de seguro, que havia sido objeto de provisão registrada sob o regime de caixa, vale dizer, circunstância que não se presta à comparação necessária ao tratamento do recurso quanto ao momento da aplicação do regime de competência. Assim sendo, seja porque os acórdãos recorrido e paradigma convergem quanto à aplicação do regime de competência – linha de defesa da recorrente, seja porque não há a abordagem quanto ao momento de sua aplicação pela segunda decisão, o que também não caberia porque para isso seria necessária aproximação fáctica entre as questões sob exame, não se entende possível a comprovação da divergência necessária regimentalmente ao conhecimento do recurso especial. Por essa razão, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 19515.000734/201005 Acórdão n.º 9101002.869 CSRFT1 Fl. 578 21 Fl. 2066DF CARF MF
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Numero do processo: 15463.722323/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. CONDOMÍNIO E OUTRAS DESPESAS INCIDENTES SOBRE O BEM. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO.
Restando comprovado, por documentos emitidos pela administradora do imóvel, ter o contribuinte assumido os encargos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo ano-calendário, mantendo-se os demais lançamentos sobre IRPF que o Contribuinte não recolheu.
Numero da decisão: 2401-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar o rendimento de aluguel a ser tributado no valor de R$ 14.090,83.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar o rendimento de aluguel a ser tributado no valor de R$ 14.090,83. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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CONDOMÍNIO E OUTRAS DESPESAS INCIDENTES SOBRE O BEM. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO. Restando comprovado, por documentos emitidos pela administradora do imóvel, ter o contribuinte assumido os encargos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo anocalendário, mantendose os demais lançamentos sobre IRPF que o Contribuinte não recolheu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 23 23 /2 01 4- 91 Fl. 69DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial, para considerar o rendimento de aluguel a ser tributado no valor de R$ 14.090,83. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 15463.722323/201491 Acórdão n.º 2401004.963 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 5/8, foi efetuado o lançamento alterando o resultado da declaração de Imposto a Restituir de R$ 6.968,02 para R$ 2.606,08, relativos ao anocalendário 2012, exercício 2013. Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o lançamento foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 15.861,60, apurado com base na DIMOB apresentada pela administradora de imóveis Publio Imóveis Ltda. Cientificado do lançamento, o contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fl.2, alegando, em síntese, que o valor correto informado na DIMOB seria de R$ 14.090,83 e não de 15.861,60, como foi lançado, e admite ter cometido erro ao informar os rendimentos de aluguéis como sendo de tributação exclusiva, mas que prefere preencher a própria declaração, apesar da falta de conhecimento. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), por intermédio do Acórdão nº 0736.487 julgou improcedente a impugnação, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2012 DISPENSA DA EMENTA. Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 30/31), cujas razões, em síntese, admite que cometeu um simples erro de interpretação e movimentação de dados. E esclarece que: Na primeira declaração, enviada em 11/04/2013, recibo de número 37.01.15.99.7978, na cédula de Rendimentos Tributáveis, no lugar de informar o nome da Administradora Públio Imóveis, CNPJ 11.349.734/000105, colocou o nome do inquilino com o seu CPF e o valor constante no DIMOB, fornecido pela mesma, de R$ 14.090,83. Fl. 71DF CARF MF 4 Acredita que o valor de R$ 15.861,60 informado pela imobiliária à Receita não está correto, pois o DIMOB que possui, enviado pela administradora, é justamente o valor por ele declarado. Segunda Declaração Retificadora, enviada em 18/05/2013 recibo de número 30.37.75.51.6783, na cédula própria procurou corrigir os erros cometidos quando da primeira declaração, não entendendo a razão da sua não aprovação. Terceira Declaração Retificadora, enviada em 25/05/2013 recibo de número 37.32.21.23.6201, recebeu um comunicado da Receita informando que a declaração do contribuinte continha pendências. Em virtude disso, acessou o portal eCAC e procurou solucionar tais pendências. Quarta Declaração Retificadora, enviada em 30/04/2014 recibo de número 17.72.19.25.0451, novamente recebeu um comunicado da Receita informandoo que as discrepâncias continuavam, foi quando percebeu que não havia transferido os valores constantes na terceira declaração retificadora, referente ao ganho do DIMOB no valor de R$ 14.090,83. Quinta Declaração Retificadora, enviada em 23/05/2014 recibo de número 11.23.52.59.7063, recebeu a intimação fiscal nº 2013/104989867271678, de 02/06/2014, tendo comparecido à Receita, DRF Rio de Janeiro I, dentro do prazo estipulado em agendamento, levando todos os documentos comprobatórios exigidos, tendo sido informado por uma Auditora que não recorda o nome, que estava tudo correto e que posteriormente receberia um retorno da Receita Federal. Feitos tais esclarecimentos, informa que não está correta a informação contida no acórdão combatido quando afirma “E não tendo o contribuinte apresentado documento capaz de informar o valor dos rendimentos de alugueis pela fiscalização, há que manter inalterado o lançamento”. Questiona como pode prevalecer tal entendimento se o contribuinte esteve presencialmente na Receita Federal atendendo o termo de intimação e fornecido todos os documentos necessários solicitados. Com essas considerações requer a reforma do julgado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15463.722323/201491 Acórdão n.º 2401004.963 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 13/07/2015, conforme AR à fl. 27, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 07/08/2015 (fl.30) Do mérito Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o lançamento foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 15.861,60, apurado com base na DIMOB apresentada pela administradora de imóveis Publio Imóveis Ltda. O contribuinte se insurge contra o lançamento ao argumento de que o valor correto informado na DIMOB seria de R$ 14.090,83 e não de 15.861,60, como foi lançado. Sobre o tema, rezam os artigos 49 e 50 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º, Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; II locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento de pastos naturais ou artificiais, ou campos de invernada; III direito de uso ou aproveitamento de águas privadas ou de força hidráulica; IV direito de uso ou exploração de películas cinematográficas ou de videoteipe; V direito de uso ou exploração de outros bens móveis de qualquer natureza; VI direito de exploração de conjuntos industriais. § 1º Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao ano calendário da declaração, ressalvado o disposto no inciso IX do art. 39 (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). § 2º Serão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. Fl. 73DF CARF MF 6 Exclusões no Caso de Aluguel de Imóveis Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Assim, o locador pode deduzir o valor dos impostos incidentes sobre o imóvel, como as despesas de condomínio, que tenham sido do seu exclusivo encargo. No caso em apreço, verificase dos documentos juntados pelo contribuinte (fls. 10; 38 e 39) e fornecidos pela administradora do imóvel (Publio Imóveis), que além da taxa de administração, outras despesas foram deduzidas, tais como condomínio, no valor de R$ 1.770,77 (um mil setecentos e setenta reais e setenta e sete centavos), sendo, portanto, o valor de R$ 14.090,83 (quatorze mil e noventa reais e oitenta e três centavos) recebido pelo recorrente, valor este declarado por ele na sua DIRPF (fl. 14). Assim, entendo que agiu corretamente o contribuinte ao informar o valor de R$ 14.090,83 (quatorze mil e noventa reais e oitenta e três centavos) em sua declaração do imposto de renda, excetuados as deduções lançadas pela administradora do imóvel, e, ainda, que referidas deduções tem amparo na legislação de regência bem como no conjunto probatório coligido aos autos, ainda que não tenha realizado no campo apropriado, mantendo a cobrança do IRPF sobre o excedente a esse valor, porque ele não recolheu. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14116.000043/2009-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando os dispositivos legais que orientaram o acórdão recorrido sequer existiam quando da prolação dos paradigmas.
Numero da decisão: 9202-005.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando os dispositivos legais que orientaram o acórdão recorrido sequer existiam quando da prolação dos paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 6. 00 00 43 /2 00 9- 49 Fl. 247DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural, além de Contribuições, do Exercício 1994, referente ao imóvel denominado “Fazenda Brasilândia”, localizado no município de Sonora/MS. A lide foi inaugurada com a formalização do processo nº 10140.000509/9537. Em sessão plenária de 18/04/2002, foi julgado o Recurso Voluntário nº 122.017, prolatandose o Acórdão nº 30130.191 (efls. 97 a 104), assim ementado: "ITR. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. VÍCIO FORMAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Igual julgamento proferido através do Ac. CSRF/PLENO 00.002/2001." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, declarar a nulidade da notificação de lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Sérgio Fonseca Soares e Roberta Maria Ribeiro Aragão." Cientificada do acórdão em 15/07/2002 (efls. 105), a PGFN interpôs, em 17/07/2002 (carimbo aposto às efls. 106), o Recurso Especial de efls. 106 a 114, com fundamento no art. 5º, inciso II, do Regimento Interno dos antigos Conselhos de Contribuintes, visando rediscutir a nulidade da notificação de lançamento do ITR por falta de identificação da autoridade que a expediu. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de efls. 124. Cientificado em 02/02/2004 (AR Aviso de Recebimento de efls. 127), o Contribuinte ofereceu, em 13/02/2004 (protocolo de efls.128), as Contrarrazões de efls 128 a 133. Destarte, em sessão plenária de 08/11/2004, foi julgado o Recurso Especial nº 301122017, prolatandose o Acórdão nº CSRF/0304.213 (efls. 97 a 104), assim ementado: "ITR — NULIDADE — VÍCIO FORMAL — É nula por vicio formal Notificação de Lançamento que não contenha a identificação autoridade que a expediu, requinte essencial prescrito em lei. Recurso negado." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fl. 248DF CARF MF Processo nº 14116.000043/200949 Acórdão n.º 9202005.703 CSRFT2 Fl. 187 3 Henrique Prado Megda e Anelise Daudt Prieto que deram provimento ao recurso." Assim, o processo nº 10140.000509/9537 retornou à Unidade de Origem, que formalizou o presente processo, de nº 14116.000043/200949, com o objetivo de promover um novo lançamento do ITR/1994. Cientificado da nova Notificação de Lançamento em 20/03/2009 (AR Aviso de Recebimento de efls. 168), o Contribuinte apresentou, em 13/04/2009, a impugnação de e fls. 170 a 177, alegando, em síntese, que o lançamento não poderia prosperar, tendo em vista a existência de decisão do STF concluindo que a cobrança do ITR/1994 violaria o princípio da anterioridade tributária. Em primeira instância, foi prolatado o Acórdão nº 0418820 (efls. 185 a 187), considerandose improcedente a impugnação e mantendose a exigência do crédito tributário. Intimado do acórdão em 27/11/2009 (AR Aviso de Recebimento de efls. 190), o Contribuinte interpôs, em 22/12/2009 (efls.191), o Recurso Voluntário de efls. 191 a 198, reiterando a argumentação utilizada na impugnação. Em sessão plenária de 11/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário nº 933.497, prolatandose o Acórdão nº 2801002.580 (efls. 200 a 203), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. Não configurada nenhuma das exceções previstas na legislação. VTN MÍNIMO. O valor da terra nua mínimo, nos termos da Lei 8.847/1994, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator." Cientificado do acórdão em 27/06/2013 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 209), o Contribuinte interpôs, em 10/07/2013 (Protocolo de Documentos de efls. 210), o Recurso Especial de efls. 210 a 220, com fundamento nos arts. 64, inciso II, 67 e seguintes, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir Fl. 249DF CARF MF 4 a declaração da inconstitucionalidade do ITR/94 pelo STF, bem como critérios para alteração do VTN Valor da Terra Nua mínimo. Em seu apelo, o Contribuinte alega: ao inaugurar o litígio, o recorrente manejou sua impugnação em cujas razões perseverou perante essa c. Corte Administrativa, pleiteando o provimento do recurso voluntário por entender, como, aliás, tem entendido esse Colegiado e o antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, em sua grande maioria de julgados, ser insubsistente o lançamento do ITR/94 e constituir cerceamento ao direito de defesa do contribuinte o arbitramento do VTN sem que o mesmo tenha conhecimento dos parâmetros de avaliação adotados, posto que sem acesso às informações do SIPT; entretanto, o Recorrente persevera no discordar, agora perante a Colenda Câmara Superior desse e. Colegiado, com a injusta manutenção da exigência fiscal conforme posto na Notificação de Lançamento, que não encontra amparo legal diante da jurisprudência dessa Corte que milita em seu favor, tal como vem sendo decidido segundo os arestos paradigmas acima colacionados; conforme bem consignado pelo ilustre e douto Conselheiro Dr. Marciel Eder Costa, relator no julgamento do recurso n° 130723, pela CSRF (julgado acima ementado), ao se referir ao ITR/94: "... Com efeito, o parágrafo único do art. 4o do Decreto n° 2.346/97assim dispôs: ''Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal" este é exatamente o caso dos autos quanto ao ITR/94, declarado inconstitucional pelo STF; como bem demonstram as ementas transcritas alhures, diversamente e em homenagem à Justiça e ao Estado Democrático de Direito, questões de mesma índole foram decididas favoravelmente aos recorrentes, ao ser reconhecido pelos Senhores Conselheiros a insubsistência do procedimento fiscal; bem observados os argumentos fáticos e jurídicos consignados na impugnação e no recurso voluntário, os arestos paradigmas, representados pelas ementas trazidas à colação, não deixam dúvida nenhuma quanto ao acerto das teses esposadas pelo Recorrente desde a impugnação, até agora não acatadas pelas instâncias percorridas; tais julgados apontam na direção certa, a única a ser aplicada à questão, tal como há de ser decidido pela Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, rogando o Recorrente pela aplicação isonômica de seus fundamentos e para que possam robustecer as razões do Especial, o que, certamente, em muito contribuirá para a sua admissibilidade e provimento; sem sombra de dúvida, o evidente descompasso jurisprudencial ora demonstrado autoriza o recorrente a se socorrer sob o pálio da Superior Corte Administrativa; Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14116.000043/200949 Acórdão n.º 9202005.703 CSRFT2 Fl. 188 5 é, pois, induvidoso que ao Recorrente assiste razão sobre pretender a improcedência do lançamento de ofício, em face da flagrante ilegalidade praticada pelo fisco, na medida em foi penalizado injustamente, como também merece o presente recurso ser admitido por Vossa Senhoria, para apreciação pela colenda CSRF; para tanto e para que não se torne por demais exaustiva novel argumentação, o recorrente pede venia para remeter o ilustre Relator e demais Conselheiros às razões da impugnação e do recurso voluntário, nas quais persevera, bem como, para os fins de análise da divergência arguida e julgamento do Especial, às razões expendidas perante a Câmara recorrida, transcritas precedentemente, ambas autuadas no presente processo; requer, pois, o acolhimento integral de suas razões no que tange às divergências apontadas, para que o v. acórdão hostilizado seja reformado em seu todo, prevalecendo, portanto, o que foi decidido nos paradigmas, aplicandose, destarte, a salutar e costumeira justiça, que, como é por demais cediço, nunca foi negada por esse Superior Colegiado. Ao final, o Contribuinte pede que seja admitido e provido o recurso, para que seja reformado integralmente o acórdão recorrido. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à matéria declaração de inconstitucionalidade do ITR/94 pelo STF, conforme Despacho de Admissibilidade de 27/11/2015 (efls. 225 a 228), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 229/230. O processo foi encaminhado à PGFN em 15/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 241) e, em 29/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 246), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 242 a 245, contendo os seguintes argumentos: na hipótese, os acórdãos paradigmas entenderam adequado cancelar o lançamento relativo ao ITR do ano de 1994, considerando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 448.558/PR; ocorre, no entanto, que tal decisão foi proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, pela Segunda Turma do STF, inexistindo qualquer efeito vinculante; nesse contexto, cancelar o presente lançamento com respaldo em tal julgado enseja, via transversa, evidente declaração de inconstitucionalidade reconhecida por colegiado do CARF; o procedimento viola frontalmente a regra constante do Regimento Interno do CARF, que dispõe: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 251DF CARF MF 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” assim, considerando que tal atividade resta vedada ao órgão judicante da Administração, por ser atribuição restrita ao Poder Judiciário, inexiste respaldo para acolher o pedido do contribuinte no sentido de cancelar o lançamento do ITR/94 por "inconstitucionalidade da utilização das alíquotas constantes da Medida Provisória nº 399/93”; nessa esteira, a aplicação do diploma legal em comento mostrase indispensável nesta oportunidade, sob pena de evidente violação ao art. 62, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao Final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, mantendose o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural e Contribuições, do exercício de 1994, referente ao imóvel denominado “Fazenda Brasilândia”, localizado no município de Sonora/MS. A lide foi inaugurada com o processo nº 10140.000509/9537, cujo lançamento foi anulado por vício formal, formalizandose o presente processo, de nº 14116.000043/200949, que trata do novo lançamento. Relativamente ao novo lançamento, este foi mantido em Primeira e Segunda Instâncias, por unanimidade de votos. Quanto ao Recurso Especial, este teve seguimento apenas no que tange à matéria "declaração de inconstitucionalidade do ITR/94 pelo STF". O acórdão recorrido assim fundamentou a decisão: "De proêmio, quanto à argumentação posta na peça recursal, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei ou decreto, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, assim como no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14116.000043/200949 Acórdão n.º 9202005.703 CSRFT2 Fl. 189 7 Administrativo de Recursos Fiscais Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O caso sob exame não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior e assim definidas: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993." (destaques no original) Como se pode constatar, a decisão proferida no acórdão recorrido foi lastreada na Lei nº 11.941, de 2009, e no Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Nesse passo, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por um julgado que, interpretando essa legislação, chegasse a conclusão diversa da que chegou o recorrido. Não obstante, os paradigmas indicados foram os Acórdãos CSRF 0305.670, de 26/02/2008, e 303 33.374, de 13/07/2006, portanto anteriores à edição da legislação que orientou o acórdão recorrido. Assim, não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando os atos legais que orientaram o acórdão recorrido sequer existiam, quando da prolação dos paradigmas. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 253DF CARF MF 8 Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002564/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte.
E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
Numero da decisão: 3201-000.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Judith Amaral Marcondes Armando
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ementa_s : Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte. E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
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Numero do processo: 16707.005517/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003
COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003
PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da contribuição as outras receitas em face da inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso voluntário provido.
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 55 17 /2 00 4- 18 Fl. 773DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 772 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas” em face da inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 750 a 755) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1119.417 (fls. 738 a 743), de 28 de junho de 2007, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) – DRJ/REC – que julgou, por unanimidade de votos, procedente os lançamentos de que trata os Autos de Infração (fls. 10 a 14). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. de fls. 6/10 e 389/392 do presente processo, para exigência das Contribuições PIS e COFINS, do presente processo, cujos processos foram juntados por anexação em cumprimento à disposição contida no art. 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02.12.2005 (fl. 381), para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referente aos períodos já mencionados. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COFINS R$ PIS R$ CONTRIBUIÇÕES 566.316,93 95.752,97 JUROS DE MORA 277.795,71 52.511,18 MULTA 424.737,52 71.814,60 TOTAL 1.268.850,17 220.078,75 O procedimento fiscal concluiu com os lançamentos do crédito tributário diante da diferença constatada entre o valor escriturado e o declarado/pago das contribuições, conforme exposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 07/10 e Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 773 3 390/392. Os valores da base de cálculo apurados foram levantados considerando os valores escriturados nos livros, Diário e Razão, resultando em Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada, fls. 37/41 e 411/414. Uma vez ciente do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnações, de fls. 325/328 e 673/676, por seu representante legal, anexando cópias (fls. 329/377), requerendo a improcedência das ações fiscais, pelas razões expostas a seguir: 1. a Lei nº 9.718/98 aplicável ao PIS e Cofins alterou o conceito de faturamento ao entender como tal, a receita bruta nelas incluídas, também outras receitas além daquelas advindas do faturamento. Princípio comezinho o de que, faturamento diz respeito a vendas de produtos ou mercadorias, ou serviços que constituem objeto do estabelecimento comercial ou industrial. Dentro desse entendimento, a empresa impugnante não atrelou à constituição da base de cálculo do PIS, as suas receitas obtidas de quebra de caixa, descontos obtidos e resultantes de acordos comerciais, receitas de comissões, juros ativos, reversões e recuperações, receitas de aluguéis e variações monetárias ativas; 2. em recente decisão transcrita, do STJ, essa matéria parece resolvida, bem como nos Recurso Especial nº 501.628SC e nº 516.403RJ, de tal maneira que ficou muito claro que “ao advento da Lei nº 9.718/98, o STF já tinha estabelecido o alcance da expressão Faturamento como sinônimo da Receita Bruta, mas receita bruta no conceito estabelecido no DL nº 2.397/87, art 22, “a”, para efeito da base de cálculo do PIS e Cofins, ou seja, receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Em outras palavras, só seria válido falar em receita como sinônimo de faturamento, sendo este o resultado operacional da empresa; 3. também é curioso destacar que, mesmo ampliando o conceito de faturamento, a Lei nº 9.718/98, por força do § 2º do art. 3º, exclui da determinação da base de cálculo das contribuições: vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos, IPI, ICMS, reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda e outros mais, o que já conflita com a ampliação pretendida; 4. diante do que foi exposto, não já que se falar em diferenças apuradas resultantes de valores que não foram incluídos como receitas para constituição da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins. Tendo em vista a negativa do Acórdão ora analisado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, visando a reforma da referida decisão uma vez que alega que o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718 de 1998. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário, de 8 de agosto de 2007, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1119.417, de 28 de junho de 2007, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 774 4 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 31/5/2003 BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. É de se manter o lançamento fiscal quando efetuado com base em documentos disponibilizados pelo contribuinte ao Fisco Federal e regularmente documentado no processo. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/11/2002 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Lançamento procedente Por meio do já referido Recurso Voluntário, o Contribuinte argumenta no sentido de que a Fiscalização incorreu em erro ao alegar que houveram omissões de receitas referentes ao faturamento quando do recolhimento da PIS e Cofins, conforme se percebe no seguinte trecho extraído do recurso (fl. 751 e 752): O procedimento fiscal decorreu do entendimento de que, a ora recorrente omitiu da apuração para recolhimento da Cofins e do PIS, receitas que escapam a faturamento, este entendido dentro de seu conceito técnico como aquele decorrente da receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Não se deve perder de vista, logo aqui, do voto da eminente relatora na instancia a quo, a sua alegação de que também na impugnação “o contribuinte alegou não haver computado reversões e recuperações da sua receita bruta, exclusões previstas no art. 3º, §2º, II, da lei nº 9.718/98, inobstante não ter apresentado provas documentais que comprovassem sua argumentação.” Nem era imperioso fazêlo. O zeloso auditor fiscal a qual foi cometida a tarefa de fiscalizar a recorrente, instruiu seu trabalho com o demonstrativo das outras receitas destacandoas: quebra de caixa, descontos obtidos, descontos de acordos comerciais, recebimentos e comissões, juros ativos, reversões e recuperações, receitas diversas. E esse seu procedimento há de ter decorrido do fato de haver sido constatada a existência dos documentos que levaram a recorrente a fazer os lançamentos indicados. Não pode restar a menor dúvida de que o “Demonstrativo” elaborado pela fiscalização o foi diante de uma realidade, e não aleatoriamente. A matéria não pode escapar às consequências de uma inconstitucionalidade que, se não cabe à administração declarála, é óbvio, não a desobriga de sujeitarse e respeitar os seus resultados. Por outro lado é observar que a Lei nº 9.718/98 vem Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 775 5 sendo cumprida pela Receita Federal, exatamente por uma ótica que colide com a inconstitucionalidade consagrada pelo Supremo Tribunal Federal. E nesse mesmo sentido, o Contribuinte aduz pela inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, juntando inclusive a decisão do Supremo Tribunal Federal (fls. 758 a 766) que declarou tal inconstitucionalidade. Conforme se verifica no seguinte trecho (fl. 752): (...) O Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º, da Lei 9.718, sendo fora de propósito qualquer desobediência a esse julgado. Uma inconstitucionalidade que não pode servir somente àquele processo em que foi assim declarada, mas estendida a quantos processos se encontrem na mesma condição. A inconstitucionalidade declarada não o foi para servir a um só contribuinte. Assim, a administração segue à risca o disposto no §1º do seu art. 3º que entende por “receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Mas foi exatamente esse parágrafo que foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte do país, ao julgar o seu Plenário no dia 9 de novembro de 2005, o Recurso Extraordinário nº 390840 Minas Gerais, tendo como relator o Ministro Marco Aurélio, e do qual resultou a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (in Diário da Justiça de 15.08.2006. pp. 00372 – Os destaques não são do original). Decisão: O tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso Extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos parcialmente, os senhores ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os senhores ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o presidente (Ministro Nelson Jobim) que negavam provimento ao recurso. Ausente justificadamente, a senhora Ministra Ellen Gracie). Insta observar que, conforme demonstra o Acórdão ora analisado, o conceito atual de faturamento inclui todas as atividades precípuas da empresa, conforme posição da jurisprudência. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 776 6 Nesse mesmo sentido entendese que com a Emenda Constitucional n° 20/1998 o debate da diferenciação dos termos receita e faturamento perde relevância, pois cabe ao legislador a utilização de um ou outro termo na definição da base de cálculo. Portanto, declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, mantémse a base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das vendas de mercadorias, mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, isto é, o total das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. O acórdão ora analisado vem ao encontro deste entendimento, conforma demonstra este trecho que cito como forma de elucidar a questão (fl. 742): Convém salientar que as contribuições PIS e COFINS, devida pelas Pessoas Jurídicas de direito privado, é calculada com base no seu faturamento, observada a legislação vigente e as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/98 e que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, ou seja, a totalidade de suas receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme dispõem os artigos 2º e 3º da Lei nº 9.178/98. A autuada recolhe contribuições PIS e COFINS, nos termos da lei nº 9.718/98, porque tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, além do que não se enquadra em nenhum caso de isenção ou imunidade. Como dito, as bases de cálculo da COFINS consideradas na autuação espelham as informações prestadas pela própria contribuinte, que retratam o seu faturamento do mês, assim considerada a receita bruta da pessoa jurídica, deduzidas as exclusões previstas em lei. Em que pese os argumentos da decisão ora recorrida, o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º, da Lei 9.718 afastando as denominadas "outras receitas" que constam dos Demonstrativos de Outras Receitas (fls. 24 e seguintes) , por serem estranhas as atividades do contribuinte, não integram a base de cálculo das contribuições, portanto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 778DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979306/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 06 /2 00 9- 22 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002731/2006-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2003, 2004 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. DEMAIS RECEITAS. BASE DE CÁLCULO - Os valores que representam descontos financeiros quando não se caracterizarem como descontos incondicionalmente obtidos constituem receitas tributáveis, sendo devida sua adição à base de cálculo na determinação do IRPJ e da CSLL incidente sobre o lucro presumido. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC – MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO - Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – MATÉRIA SUMULADA – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - O lançamento reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 762 DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓPIA Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Exclui-se, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a receita financeira caracterizada pelo desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior . LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS/COFINS – DESCONTOS FINANCEIROS - O desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1802-000.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências do PIS e da Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se suspeito para votar o Conselheiro Marciel Eder Costa, de acordo com o art. 43 do RICARF.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DEMAIS RECEITAS. BASE DE CÁLCULO Os valores que representam descontos financeiros quando não se caracterizarem como descontos incondicionalmente obtidos constituem receitas tributáveis, sendo devida sua adição à base de cálculo na determinação do IRPJ e da CSLL incidente sobre o lucro presumido. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC – MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – MATÉRIA SUMULADA – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL O lançamento reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a receita financeira caracterizada pelo desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior . LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS/COFINS – DESCONTOS FINANCEIROS O desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências do PIS e da Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse suspeito para votar o Conselheiro Marciel Eder Costa, de acordo com o art. 43 do RICARF. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 703 3 Relatório SÃO LUCAS ECOMAX CENTRO DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM S/S LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte os lançamentos constantes dos Autos de Infração, fls.299/320, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo aos anos calendário de 2003 e 2004. Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Presumido) no valor principal de R$ 112.637,68, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 226.624,24 (fls.299/304); Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), no valor principal de R$ 3.015,26, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 6.088,12 (fls.305/309) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor principal de R$ 40.618,89, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 81.738,96 (fls.310/316); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor principal de R$ 13.916,67, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 28.099,28 (fls.317/320) De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o Termo de Verificação Fiscal (322 a 327) que faz parte integrante dos autos de infração, os lançamentos de ofício decorrem das seguintes irregularidades: a) Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em 2003, e que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações em 2003, nos termos do art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996. b) Valor referente a outras receitas, que não foram acrescidas à base de cálculo do lucro presumido, em 2004, proveniente do “perdão de divida”. A 3a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Florianópolis/SC) julgou procedente em parte os lançamentos, para excluir as exigências em relação a autuação que teve como fundamento a omissão de receitas baseada nos depósitos bancários de origem não comprovada de que trata o item “a” acima, conforme decisão proferida no Acórdão nº 07 17.631, de 25/09/2009 (fls.646/652). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 13/10/2009 conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.657, interpôs recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/11/2009 quanto à segunda irregularidade tratada acima no item “b”. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A empresa em sua peça recursal, essencialmente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que, por economia processual transcrevo a parte pertinente do relatório da decisão recorrida, fl.648, a seguir: I Perdão da divida — o desconto obtido pela impugnante por efetuar o pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior foi considerado receita tributável, não obstante a inexistência de qualquer acréscimo patrimonial a justificar sua cobrança; — não há como subsistir o entendimento da autuante, uma vez que a operação apenas representou diminuição no custo do equipamento destinado ao ativo permanente da empresa; — citando a lição de Hiromi Higuchi, afirma que tratase de aquisição de custo dedutível na apuração do lucro real, de modo que o registro do desconto, ainda que efetuado sob a indevida rubrica de "receita", será anulado pela despesa com fornecedores; — no caso da impugnante, optante pelo lucro presumido, o desconto obtido não poderia ser lançado como receita tributável, uma vez que não houve qualquer ingresso a justificar o lançamento fiscal; — o conceito de renda, base de cálculo do imposto, não dispensa a constatação de acréscimo patrimonial na pessoa jurídica, que não teria ocorrido no caso em exame. Quanto à impugnação ao lançamento da CSLL calculada a partir do desconto obtido, os argumentos são análogos aos apresentados contra o lançamento do IRPJ. Quanto à impugnação ao lançamento do PIS/Pasep e da Cofins, calculadas a partir do desconto obtido, os argumentos são similares aos apresentados contra o lançamento do IRPJ. No entanto, no caso dessas contribuições, a impugnante não discorre sobre o conceito de renda. Ataca, pois, a constitucionalidade e legalidade da Lei n2 9.718, de 1998, para então concluir que, ainda que a titulo de argumentação, caso o referido desconto possa ser considerado receita da pessoa jurídica, não poderá tal valor compor a base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Em sustentação A sua tese, cita lições da doutrina e precedentes do Supremo Tribunal Federal, todos em sede de recurso extraordinário. (...) III Impossibilidade de aplicação da Taxa Selic Neste tópico de sua petição, a impugnante contesta a aplicação da Taxa Selic como índice para calculo dos juros moratórios, sustentando sua inconformidade em alegada inconstitucionalidade e ilegalidade do § 32 do art. 61 da Lei n2 9.430/96. Ao final da impugnação, solicita a redução dos juros moratórios A taxa de 1% ao mês, caso seja mantida a exigência fiscal. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 704 5 IV Da multa Após afirmar que a multa aplicada é por demais excessiva, a impugnante suscita a inconstitucionalidade da multa ordinária de 75%, alegando possuir caráter confiscatório. Ao final da impugnação, caso seja mantida a exigência fiscal, solicita a exclusão da multa de oficio ou, no mínimo que seja reduzida a patamares razoáveis. Ao final requer provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Conforme relatado a 3a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Florianópolis/SC) julgou procedente em parte os lançamentos, para excluir as exigências em relação a autuação que teve como fundamento a omissão de receitas baseada nos depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, a discussão gira em torno da outra irregularidade, ou seja, do valor referente a outras receitas, que não foram acrescidas à base de cálculo do lucro presumido, em 2004, proveniente de desconto obtido/“perdão de divida”. Consta do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal o seguinte fato: 0 contribuinte comprou equipamentos para sua empresa, conforme notas fiscais n° 563691 e 563698 de Philips Medical Systems Nederiand, no valor de USD 1.294.850,00 = R$ 3.063.836,27. Em 03 de dezembro de 2004 a empresa Philips Medical envia correspondência para Banco Central do Brasil, fls.30, manifestando o perdão do saldo da divida, ou seja, USD 166.595,25, sendo USD 47.712,88 de juros e USD 118.882,37 de principal. A manifestação de concordância com o perdão do saldo da divida motivouse pela liquidação antecipada do valor de USD 897.000,00 = R$ 2.420.823,60. Pelo câmbio da época (20/12/2004), o valor do perdão de USD 166.595,25 correspondeu a R$ 449.607,26. 0 valor total do perdão de divida está sendo considerado como base de cálculo do IRPJ e reflexos, como demais receitas, nos termos da legislação vigente. A recorrente alega que o desconto obtido pelo contribuinte por efetuar o pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior foi considerado pelo autuante como receita tributável, não obstante a inexistência de qualquer acréscimo patrimonial a justificar sua cobrança. A recorrente alega que não há como subsistir o entendimento da autuante, uma vez que a operação apenas representou diminuição no custo do equipamento destinado ao ativo permanente da empresa, portanto, inexiste qualquer acréscimo patrimonial a justificar a cobrança de tributo. A tributação dessas receitas, encontra abrigo e visibilidade nas leis tributárias consolidadas no RIR/99 que assim dispõe: Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 705 7 Art.224.A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único.Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). (...) Art. 373. Os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem as receitas financeiras e como tal deverão ser incluídas no lucro operacional. Quando referidas receitas forem derivadas de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração poderão ser rateadas pelos períodos a que competirem. (...) Art.518.A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único (...) Art.521.Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no §3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (Grifei) Assim, à luz dos dispositivos acima transcritos (artigos 224 e 373 do RIR/99), depreendese a existência de dois tipos de descontos: o incondicional, que é uma parcela redutora do preço do negócio e é destacado na nota fiscal (de vendas ou de serviços) e sua concessão não depende de evento posterior à emissão deste documento, e o desconto financeiro, que é oferecido na duplicata de acordo com a política empresarial do proprietário do título. O desconto incondicional é um abatimento do preço (e não uma receita) a ser estornado do custo ou despesa, portanto não constitui uma receita, enquanto o desconto financeiro, por Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 ser obtido em fato posterior à emissão do documento fiscal é sim uma receita e como tal deve ser classificado e tributado, segundo o regime de tributação da empresa. Desse modo, não há razão para que o contribuinte adotando o regime de tributação com base no lucro presumido desconsiderar os descontos obtidos no pagamento de operações comerciais como receitas financeiras de sorte a excluílos da tributação para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Diante das observações acima é forçoso concluir que o desconto obtido na operação comercial de que tratam os presentes autos, constitui receita financeira tributável, sendo devida sua adição à base de cálculo do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. No tocante a aplicação da multa de ofício de 75%, a recorrente alega caráter confiscatório. O inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, não deixa margem a qualquer discricionariedade da autoridade administrativa ao assim determinar: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Com efeito, a aplicação da multa de ofício decorre de expressa disposição legal, não cabendo a autoridade administrativa deixar de aplicála, e, conforme o enunciado da súmula administrativa nº 2 do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal acima transcrita. Quanto aos juros de mora a recorrente discorda da utilização da taxa selic em matéria tributária. A questão não cabe discussão tendo em vista que o entendimento se encontra pacificado no âmbito desse Conselho Administrativo, expresso na Súmula CARF nº 4, que por si se explica, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamento reflexo da CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/COFINS – DESCONTO FINANCEIRO OBTIDO POR PAGAMENTO ANTECIPADO AO FORNECEDOR DO EQUIPAMENTO ADQUIRIDO DO EXTERIOR. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 706 9 Sobre os aludidos lançamentos, a alegação da recorrente é no sentido de que não são devidos os valores exigidos a titulo de PIS e COFINS no que se refere a dita receita à título de desconto obtido em 2004. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a Lei n° 9.718/98, bem como a Lei n.° 10.637/02, definiram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ampliando o conceito da Lei Complementar 70/91, de modo a abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A Lei n.° 10.637 de 30/12/2002 dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e a Lei nº 10.833 de 29/12/2003, instituiu o regime nãocumulativo de Cofins. No regime não cumulativo, exceto às alíquotas, as normas aplicáveis são idênticas em relação ao PIS e à Cofins, de modo que, não se aplicam as normas do regime nãocumulativo às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido. A exigência do PIS e da Cofins sobre o desconto obtido pela autuada (perdão da dívida) apurado pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da lei 9.718/98. Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007, in verbis: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Cabe ainda salientar que referida matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, com dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasdedispensade contestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98,eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet Com efeito, o desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências relativas ao PIS e à Cofins. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 707 11 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720848/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO.
Constatado vicio apontado pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção.
JULGAMENTO DE RECURSOS. LIMITES.
Inexistindo Recurso de Ofício, incabível o agravamento da situação do recorrente em sede de julgamento de 2ª Instância.
Numero da decisão: 2201-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP para, sanando o vício identificado, consignar que o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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VÍCIO. Constatado vicio apontado pelos embargos, devese promover sua imediata correção. JULGAMENTO DE RECURSOS. LIMITES. Inexistindo Recurso de Ofício, incabível o agravamento da situação do recorrente em sede de julgamento de 2ª Instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP para, sanando o vício identificado, consignar que o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 08 48 /2 01 3- 17 Fl. 111DF CARF MF 2 da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento nº 2009/712033894837861, fl. 10 a 14, a qual teve origem em procedimento de Revisão de Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2009, anocalendário de 2008. O mérito do lançamento foi objeto do Acórdão 2201003.529, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária deste CARF, de 16 de março de 2017, fl. 98 a 102. Ciente da Decisão do Colegiado de 2ª Instância, que concluiu, por unanimidade de votos, pelo provimento parcial do recurso voluntário para considerar os rendimentos decorrentes de ação judicial e respectivo imposto de renda retido na fonte, alterando o valor lançado para R$ 4.221,42, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP devolveu os autos a este Conselho para verificação de divergência entre os valores mantidos pela DRJ e pelo Carf. No Despacho de fl. 108 a 110, o Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, no uso de suas atribuições regimentais, após constatar que a as conclusões do Acórdão embargado agravaram a situação do recorrente, sem que houvesse recurso de ofício pendente de análise, admitiu os embargos. E o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por concordar com os pressupostos de admissibilidade contidos no Despacho de fl 108 a 110, conheço dos embargos propostos. A análise das informações contidas nos autos evidencia que a impugnação formalizada pelo contribuinte foi julgada parcialmente procedente pelo Julgador de 1ª Instância, que concluiu pela redução do imposto suplementar originalmente lançado de R$ 5.917,99 para R$ 3.696,16, tudo conforme tabela abaixo: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13819.720848/201317 Acórdão n.º 2201003.772 S2C2T1 Fl. 112 3 O provimento parcial decorre de não ter sido admitida, pela DRJ, a compensação de R$ 17.193,08, relativo a IRRF incidentes sobre rendimentos declarados tendo como origem o Banco do Brasil. Valores estes também oriundos de ação judicial. Ocorre que a autoridade lançadora, ao glosar o IRRF, de maneira pouco usual, também excluiu os rendimentos tributáveis correspondentes declarados espontaneamente pelo contribuinte, seguindose a lide administrativa em relação a esses dois valores. Na análise efetuada em 2ª instância, concluiuse pela procedência dos valores de rendimentos(R$ 63.706.06) e de IRRF (R$ 16.993,98) e efetuouse nova apuração, com a manutenção da exigência no montante de R$ 4.221,42, conforme cálculo abaixo: Assim, correta a preocupação DRF São Bernardo do Campo/SP, pois, de fato, a decisão exarada em 2ª Instância acabou por agravar a situação do contribuinte. O agravamento da pena quando somente o réu tenha apelado de uma sentença, está expressamente vedado no âmbito penal em razão do preceito contido no art. 617 do DecretoLei 3.689/41, que assim dispõe: Art. 617. O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena, quando somente o réu houver apelado da sentença. Na esfera judicial, de forma geral, a impossibilidade do agravamento da situação do réu decorre do Princípio da Adstrição, segundo o qual o juiz fica limitado pelo pedido formulado, não podendo proferir decisão que contrarie os limites da lide. Tal vedação constitui o Princípio do Non Reformatio in Pejus, cuja aplicação no âmbito no âmbito administrativo não apresenta o mesmo rigor, em particular por envolver, juntamente com o interesse de um administrado específico, o interesse coletivo relacionado à aplicação do Principio da Legalidade. Tal premissa tem lastro no poderdever da Administração Pública em anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais. Assim, no âmbito administrativo, o agravamento de exigência amparado no controle da legalidade de um ato administrativo não configuraria Reformatio in Pejus, sendo conduta que se impõe, sobe pena de estar a Administração Pública operando contra a lei. Tal entendimento tem lastro na Lei 9.784/99: Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Fl. 113DF CARF MF 4 Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. No âmbito tributário, da mesma forma, não há vedação para o agravamento da exigência no âmbito, não obstante, há que se observar o rito legal para sua efetivação. Vejamos o que diz o Decreto 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Ver tópico (4 documentos) § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a)apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. Desta forma, embora seja possível agravar uma exigência no âmbito tributário, incabível que tal majoração ocorra em sede de julgamento de 2ª instância, por restarem suprimidas as instâncias recursais que permitem o pleno exercício do direito de defesa e, neste caso, por configurar inovação do lançamento em que o Julgador, ainda que diante do claro equívoco da Autoridade Lançadora ao excluir do ajuste rendimento efetivamente Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13819.720848/201317 Acórdão n.º 2201003.772 S2C2T1 Fl. 113 5 recebido e declarado pelo contribuinte, estaria atuando fora dos limites de sua competência legal. Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração para consignar que, embora os fundamentos e as razões do Acórdão embargado sejam irretocáveis em seus aspectos quantitativos e qualitativos, em razão da impossibilidade de agravamento da situação do Recorrente, o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 115DF CARF MF
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