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Numero do processo: 15521.000300/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PRELIMINARES DE NULIDADE
O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Trata-se de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPF-F e se concluiu com o segundo MPF-F. O fato de se ter emitido novo MPF-F, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPF-F e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela.
DECADÊNCIA - CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007
O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no ano-calendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o ano-calendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência.
PIS, COFINS - LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS
Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material.
IRPJ, CSLL - TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003
A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03.
IRPJ, CSLL, PIS, COFINS - TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003
Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas.
FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS - PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO - RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS
1 - Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas controladoras sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante.
2 - Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio.
Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos - as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constata-se a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente.
CSLL - FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004
Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do ano-calendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõem-se suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004.
Numero da decisão: 1103-001.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter as exigências de IRPJ e de CSLL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o ano-calendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do ano-calendário de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto e o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões quanto a PIS e Cofins relativos ao recurso de oficio.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINARES DE NULIDADE O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPFF e se concluiu com o segundo MPFF. O fato de se ter emitido novo MPFF, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPFF e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela. DECADÊNCIA CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007 O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o ano calendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência. PIS, COFINS LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material. IRPJ, CSLL TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003 A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 00 /2 00 7- 61 Fl. 5812DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.582 2 Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas. FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS 1 Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante. 2 Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio. Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constatase a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente. CSLL FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004 Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do anocalendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõemse suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter as exigências de IRPJ e de CSLL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o anocalendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, Fl. 5813DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.583 3 para o primeiro trimestre do anocalendário de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto e o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões quanto a PIS e Cofins relativos ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 5814DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.584 4 Relatório DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Tratase de autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e Cofins lavrados em 24/12/2007 e com ciência em 27/12/2007, referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, no montante de R$ 76.913.011,32, acrescido de multa de 75% e encargos moratórios. A autuação ocorreu, segundo a fiscalização, por omissão de receitas de reembolsos pelas controladas, mediante um fluxo triangular de rendimento, realizado entre a empresa contratante (Petrobras), as empresas controladoras no exterior e a controlada sediada no Brasil, com o intuito de reduzir os tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento da empresa controlada com sede no território nacional. Esse fluxo triangular foi realizado por meio da elaboração de dois contratos distintos, nos quais a Petrobras é a contratante. Em um, específico para afretamento de embarcações, há empresas estrangeiras figurando como controladoras, contrato esse que envolve cerca de 90% do valor de soma dos dois contratos firmados. No outro, que realiza efetivamente a prestação de serviços à contratante (Petrobras), há a empresa sediada no Brasil como controlada e envolve cerca de 10% daquele valor total. Desse modo, o que ocorreu foi a celebração de dois contratos com o objetivo de escoar para o exterior a maior parte do valor obtido, de modo a enquadrar quase a totalidade do valor dos dois contratos sob a alíquota zero, o que de acordo com o artigo 1°, I, da Lei 9.481/97, é permitido no caso de afretamento de embarcações. Afirmou que as empresas controladoras realizaram transferências bancárias para a empresa controlada sediada no Brasil, a fim de fazer com que a controlada no Brasil recebesse os valores dos serviços que ela efetivamente prestou à contratante – Petrobras que estão previstos, indevidamente, no contrato de afretamento firmado entre a Petrobrás e as empresas estrangeiras. Ressaltou também que estão inseridos, nos valores objeto da transferência, os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertencem às controladoras, pois, na realidade, é a controlada quem arca com esses custos. Sendo assim, em suma, o que motivou o auto de infração foi a omissão de receita nas DIPJs 2002, 2003 e 2004, pois a controlada não contabilizou como receita os valores recebidos como pagamento da prestação de serviço realizado por ela, os quais deveriam ter sido acrescentados ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSL. Colacionou quadro (fls. 1143) que demonstra a evasão fiscal resultante do fluxo triangular descrito: Fl. 5815DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.585 5 Com relação aos resultados desse fluxo triangular, a fiscalização constatou que houve a redução de tributos incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 1142, infratranscrito: “Concluindo, da presente fiscalizada, vultosos valores, saem do País para pagamento de afretamentos de embarcações sem imposto retido na fonte, por força de alíquota zero legalmente aplicável aos afretamentos, enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no Pais consignados na escrita contábil e fiscal de empresas que sempre dão prejuízo, da mesma forma implicando em nenhum recolhimento a titulo de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e em recolhimento reduzido de PIS e COFINS, incidentes sobre o faturamento. Isso é realizado mediante fluxo triangular do receita (empresa contratante, PETROBRAS, empresa controladora, no exterior, e empresa sediada no Brasil, controlada) que visa ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional. Importante destacar que a empresa fiscalizada é sediada em território brasileiro, presta serviços a uma empresa brasileira, a Petrobrás, dentro do território nacional, apenas com 'a conveniente interveniência de empresas controladoras e pessoas jurídicas ligadas residentes no exterior, de forma que na realidade tratamos de uma Receita de Serviços prestados no TERRITÓRIO NACIONAL e NÃO de uma receita de EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. Registrese que faz relevante diferença para a(s) contratada(s) evitar a tributação no Brasil, vez que pode(m) buscar tributação mais favorecida no Pais sede da controladora. A propósito, as duas empresas cotistas da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, a saber, TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LIMITED e SEDECO FOREX INTL. INC, são domiciliadas no exterior(fls. 894/896).” Asseverou que, de acordo com o que consta nos Livros Diário e Razão, a fiscalizada contabiliza os lançamentos de reembolsos/aumento de capital como forma de fazer frente aos custos e despesas pertinentes às empresas sediadas no exterior. Fl. 5816DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.586 6 Consignou que a recorrente já foi fiscalizada com relação ao anocalendário de 2000, em ação fiscal que envolveu os mesmos atores, fatos, modos operandi e que, assim como o presente processo, tratou de valores igualmente elevados que deixaram de ser oferecidos à tributação. Nesse sentido, apontou que essa fiscalização trouxe como conseqüência a lavratura de autos de infração, os quais integram o processo administrativofiscal 15521.000126/200595, que foi mantido integralmente pela DRJ/RJOI. Realizou uma breve síntese da infração, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 1147, infratranscrito: “A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJ's 2003 à 2005 (referentes aos anoscalendário 2002 à 2004) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater Drilling", "Transocean Offshore Limited", e "Sedco Forex Ind. Inc.", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem dessas pessoas jurídicas ligadas, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS).” Afirmou que a recorrente e a Petrobras apresentaram todos os documentos que foram requeridos pela fiscalização, o que possibilitou que essa extraísse algumas conclusões, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 1146 e 1147, infratranscrito: “1) Lançamentos contábeis dos reembolsos (fls.642/884) nas contas denominadas “Transocean Offshore Deepwater", "Transocean Offshore Limited", Sedco Forex International Inc. e de Integralização de Capital, registrados nos livros diário e razão da controlada – Foram identificadas transferências de numerário do exterior, para as contas nos Bancos Safra S/A e HSBC, da empresa fiscalizada; 2) Escrituração da movimentação bancária, especialmente dos Bancos Safra e HSBC– apresentados pelo fiscalizado em resposta ao termo de início de ação fiscal (fls.642/884); 3) Contratos de Câmbio realizados pela fiscalizada no anos calendário de 2002 à 2004, e apresentados pela mesma em resposta à intimação da Fiscalização (fls.226/640 ); 4) Receitas, custos, despesas e lucro real – Valores declarados nas DIPJ's.2003, 2004 e 2005(f Is.05/196); 5) Extratos bancários do Banco Safra e HSBC – apresentados pelo fiscalizado em resposta ao termo de início de ação fiscal (fls.897 e ss); Afirmou que, uma vez que a empresa controlada prestou serviços para as controladoras e recebeu remuneração por tal prestação, não há como negar que houve a Fl. 5817DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.587 7 percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo de CSL. Observou que não houve compromisso formal assumido entre a controlada e a controladora, mas que os pagamentos se concretizaram a vista das prestações dos serviços realizados pela controlada, em benefício da controladora. Dessa forma, afirmou que, tanto aqueles que entendem que as transferências realizadas entre elas possuem caráter de pagamento, quanto àqueles que entendem que estas possuem efeito de custeio, devem reconhecer as receitas e faturamentos nas datas das efetivas transferências. Neste sentido, colacionou as Resolução CFC 750/93 e Deliberação CVM 29/86. Consignou que houve preponderância dos interesses das controladoras nas atividades econômicas da controlada, de modo a fazer com que a firmação dos dois contratos trouxesse prejuízos para a controlada, dissimulasse o seu resultado operacional e trouxesse a fugacidade tributária em questão. Aduziu que, apesar de não ser possível exigir das empresas estrangeiras a sujeição à Deliberação CVM 26/86, que visa anular as disparidades decorrentes das transações feitas entre as partes relacionadas, as operações feitas entre as empresas mencionadas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos, foram observadas e são inegáveis. Com relação à tributação dos reembolsos, colacionou entendimentos das DRJs e do Conselho de Contribuintes, os artigos 117 e 245, da Lei 6.404/76, o artigo 9° da Convenção entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos, o Decreto 3.000/99, a Lei 4.506/64 e o Parecer Normativo CST 112/78. Afirmou que a falta ou insuficiência de recolhimento do CSL, do PIS e Cofins, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, fundamentase nas mesmas razões expostas para o lançamento do IRPJ retro mencionado. Quanto a isso, transcreveu os artigos 2° e 3°, da Lei 9.718/98. Sobre a tempestividade do lançamento de ofício, disse que não recai sobre ele a decadência, nos termos dos artigos 150 e 173, do CTN, e do artigo 45 da Lei 8.212/91. Por fim, colacionou quadro que demonstra o crédito tributário que é devido pela recorrente a titulo de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, incluídos os juros de mora e multa, e intimou essa a realizar os ajustes necessários em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 1167 a 1216, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, asseverou que a fiscalização realizou o lançamento dos tributos em questão com base em supostas omissões de receitas realizadas pela recorrente, o que não é correto, pois ela só poderia realizar tal lançamento se comprovasse a existência de uma grave inadequação no equilíbrio contratual através da análise do valor da embarcação afretada, do valor médio de mercado e do valor de mercado dos serviços que a recorrente realizou. Fl. 5818DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.588 8 Aduziu que a fiscalização está, na realidade, fazendo com que incidam tributos onde a lei os afastou, desconsiderando o caso concreto e tudo que o instrui. Afirmou que as despesas incorridas em seu próprio benefício, as em benefício de terceiro, a desvalorização do real frente ao dólar e os gastos com a exigência de nacionalização de mão de obra, foram fatores responsáveis pelo incremento dos custos incorridos. Isto fez também com que a lucratividade não fosse alcançada de imediato, o que acontece com muitas empresas que precisam realizar grandes investimentos. Acerca das demais questões preliminares e do mérito, aproveitase da síntese feita pela recorrente em sua impugnação de fls. 1172 a 1174, infratranscrita: “(a) manifesta nulidade do Auto de Infração lavrado, por ofensa cristalina ao disposto no art. 5 0, LV, da CF/88, na medida em que, (i) de forma açodada, sem observância ao consagrado e constitucionalmente assegurado direito de defesa (para que a Impugnante pudesse prestar os devidos esclarecimentos), foi lavrado o Auto de Infração em tela — considerando, outrossim e fundamentalmente, que foi concedido à empresa tempo exíguo (um dia) para providenciar determinados documentos, bem como, (ii) em diversas passagens do Termo de Verificação Fiscal, não foram corretamente apontadas as folhas do processo em tela, dificultando e obstaculizando que a Impugnante pudesse corretamente apresentar Impugnação consistente, posto não ter logrado êxito em aferir a quais documentos, especificamente, o Sr. AuditorFiscal se refere, e por último, (iii) pela ausência de intimação e/ou cientificação da ora Impugnante acerca da modificação de informações e dados do MPF originário, como manda a norma de regência; (b) manifesta decadência dos valores lançados, em relação a todos os tributos exigidos na autuação fiscal ora impugnada, cujo fato gerador tenha ocorrido entre o período de 1° de janeiro de 2002 até dezembro do mesmo ano, em razão da decadência prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), face à observância obrigatória do que reza o art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988 (CF188); (c) as empresas estrangeiras (TRANSOCEAN OFFSHORE LIMITED. E SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. CONCENTRATION) não são controladoras da Impugnante, o que fulmina a premissa, que está na raiz da autuação fiscal, de que a Impugnante aceitou figurar em contrato com a PETROBRAS que lhe seria financeiramente desvantajoso apenas para assegurar ganhos adicionais à(s) empresa(s) estrangeira(s) que seriam suas controladoras e por isso estas estavam sendo deliberadamente favorecidas; (d) a Impugnante e as empresas estrangeiras contratadas, ao contrário do que afirma o Sr. Fiscal, não tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação (que coube à empresa estrangeira, proprietária do bem) e aos serviços prestados (que coube à Impugnante), pois a estrutura do Fl. 5819DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.589 9 contrato foi previamente definida em edital de licitação da PETROBRAS, contratante, ora anexados (docs. nos 03 e 04); (e) os recursos que foram remetidos por empresas estrangeiras à Impugnante não representam remuneração por serviços — até porque não se prestou serviços remunerados à sociedade estrangeira, mas tão somente à PETROBRAS , pois refletiram (tais recursos) mero reembolso de despesas incorridas pela Impugnante em favor da(s) empresa(s) estrangeira(s), como a ora Impugnante demonstrará em perícia pela qual desde logo protesta, a ser produzida sobre a documentação a ser acostada ao processo administrativo, documentação esta capaz de atestar que efetivamente os recursos recebidos do exterior foram integralmente gastos em benefício da(s) empresa(s) estrangeira(s) (pois custearam despesas realizadas em favor do pessoal destas ou na conservação e armação das próprias embarcações afretadas); (f) sendo mero reembolso de despesas em que a lmpugnante incorreu em favor da(s) empresa(s) estrangeira(s) apontadas, os recursos provenientes do exterior não representam receita (pois tais valores jamais se incorporaram ao patrimônio da ora peticionária) e, por isso, não se sujeitam à incidência de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS, o que justifica o fato de que nem tais valores, muito menos as despesas incorridas em nome de terceiros, foram levadas a resultado. De todo modo, se tais recursos pudessem ser contabilizados como receita da Impugnante (do que se cogita por reverência ao princípio da eventualidade), seria obrigatória a conclusão de que também as despesas realizadas deveriam ser contabilizadas, as quais caracterizariam despesas operacionais que, como tal,necessariamente seriam oponíveis às "receitas" vislumbradas pela autoridade fiscal, anulandose, qualquer valor eventualmente tributável, levando à constatação de que, como antecipado, a Impugnante não apresentou lucro/renda suscetível de tributação pelo IRPJ/CSLL no período fiscalizado; (g) já no que diz respeito a algumas remessas, conforme apontado pela própria Fiscalização, referemse estas a aumento de capital social realizado por pessoa jurídica estrangeira diversa (Sedco Forex International Inc.), que não se confunde com as pessoas jurídicas estrangeiras que arrendaram embarcações para a PETROBRAS (Sedco Forex International Services S.A., inicialmente, e posteriormente, Transocean UK Limited. Transocean Holdings Inc., etc..). Por fim, a remessa de recursos para aumento de capital social não constitui receita tributável; (h) por fim, ainda que pudessem ser superados todos os argumentos supra (do que mais uma vez se cogita em observância ao princípio da eventualidade), não se afigura correto, e nem mesmo razoável, supor que do universo de todas as remessas realizadas todo o montante seria receita proveniente de remuneração por serviços prestados à sociedade estrangeira, Fl. 5820DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.590 10 mormente quando comprovadas as despesas realizadas em seu nome. Seria tolerável, no extremo, a ilação de que uma ínfima parcela do total recebido da empresa estrangeira seria destinada à remuneração por serviços a ela prestados, sendo de qualquer modo forçoso reconhecer que toda a enorme diferença estaria mesmo infensa a tributação (porque, reiterese, integralmente voltada à ressarcimento de gastos em favor de terceiros);” Sobre as preliminares de nulidade acima sintetizadas, a recorrente arguiu injuridicidade no uso de provas emprestadas, em face de uso da instrução procedimental e processual feita sob o MPF de final 00203/2006, para os lançamentos que se deram sob MPF de final 200700322. Outro vício foi o de a recorrente não ter sido cientificada das prorrogações do MPF. Sobre o novo MPF, invocou violação da Portaria RFB 11.307/07, que regulava o MPF, resultando na nulidade dos lançamentos. De acordo com o que foi exposto, alegou ser inexistente a omissão de receitas, de modo a fazer com que o auto de infração deva ser considerado improcedente e, consequentemente, as cobranças referente à CSL, PIS e Cofins, também. Quanto a isso, colacionou entendimentos do Conselho de Contribuintes. Por fim, requereu o acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, bem como da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e 25 de dezembro de 2002, a improcedência do auto de infração e o deferimento da perícia. Requereu também que, se os pedidos anteriores não forem acolhidos, seja realizado um arbitramento em módico percentual, a ser aplicado ao total dos recursos recebidos a titulo de antecipação das despesas em favor da controladora. DA DECISÃO DA DRJ Em 26/6/2008, acordaram os membros da 7ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, rejeitar a decadência e julgar procedente em parte os lançamentos de IRPJ e CSL efetuados e, por maioria de votos, julgar improcedente o lançamento de Cofins e PIS efetuados. Recorreu de ofício ao CARF, de acordo com o artigo 34 do Decreto 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei 8.748/93 e Portaria MF 375/2001, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade, apontando que a ausência ou erro do MPF, que é um instrumento de controle e planejamento interno, não é causa de nulidade do lançamento, e que não houve ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, porque além de esses só serem exercidos quando da instauração do devido processo legal, a descrição dos fatos presente nos autos de infração permite o correto entendimento da infração apurada. Rejeitou a preliminar de decadência para os lançamentos de IRPJ e CSL. Com relação à DIPJ/2003, apontou que o lançamento é tempestivo, tendo em vista que ocorreu a ciência em 27/12/2007 e, como a recorrente optou pelo lucro real e apuração anual, a data do fato gerador é o final do período, ou seja, 31/12/2002. No que tange a CSL referente ao anocalendário de 2002, consignou ser o lançamento tempestivo, uma vez que houve a ciência em 27/12/2007 e, como a recorrente optou pela apuração anual, a data do fato gerador também é o final do período, ou seja, 31/12/2002 Fl. 5821DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.591 11 Por conseguinte, rejeitou o requerimento de juntada posterior de documentos alegando que a inviabilidade de realizar o desarquivamento e o exame dos documentos não configura motivo de força maior que, segundo o artigo 16, § 4°, “a”, do Decreto n° 70.235/72, é essencial para que ocorra a apresentação intempestiva desses. Afastou a realização de diligências para a produção de prova pericial nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, afirmando que ela é desnecessária, tendo em vista que os documentos presentes nos autos são suficientes para formar a convicção do julgador. Aduziu que, diferentemente do que foi informado pela recorrente, as partes contratantes tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação e ao de serviços prestados, de acordo com o seu interesse e sua conveniência. Isso porque, de acordo com a análise do item 2.7 do Convite Internacional nº 187.8.002.017 (Volume VI, fl 1.288) e do Acórdão nº 1219452/2008 da mesma Turma da DRJRJ1(Volume XXVIII, fl 5.609), que discorreu acerca dos itens 1.71, 1.7.1.1, 1.7.2 e 1.7.2.1 do Edital de Concorrência Internacional n° 101.0.015.966, é possível concluir que a Petrobras não impôs nenhuma forma de pactuação. Afirmou que, por meio da análise dos contratos sociais e suas alterações apresentadas (Volumes IX e X, fls. 1.642 a 1.864), verificase que fizeram ou fazem parte do quadro societário da recorrente as seguintes empresas: Transocean Offshore Deepwater DrillingInc, Sedco Forex International Inc. e Transocean Sedco Forex Ventures Limited. Com relação à interdependência entre as empresas estrangeiras e a recorrente, apontou que parte dos recursos remetidos do exterior eram das empresas estrangeiras. Isso porque, além de os contratos de afretamento firmados com as empresas estrangeiras e de serviço celebrados com a recorrente, em todos eles havia cláusula prevendo que a contratada e a interveniente seriam responsáveis solidariamente pelo cumprimento do acordo. Verificase que, nos anoscalendário de 2002 e 2004, grande parte das remessas foram realizadas pela Transocean Offshore Deepwater Diling Inc e Sedco Forex International Inc. Ainda acerca da interdependência mencionada, ressaltou que, mesmo que as sociedades fossem independentes, o fato de a recorrente quitar as despesas das empresas estrangeira a título gratuito e utilizando recursos recebidos do exterior, não resta justificado. Nesse sentido, aduziu que não pode prosperar a afirmação da recorrente de que os valores recebidos não constituíam receita por ela ser apenas gestora dos recursos, não prestando serviços para a controladora, pois é de se estranhar que aquela realize essa gestão, a titulo gratuito, somente por ser uma comodidade operacional, e por não haver nenhuma prova de que as partes firmaram esse acordo de gestão. Registrou que a afirmação presente no laudo técnico elaborado pela Ernst & Young, no sentido de que os valores dos pagamentos de materiais e serviços, realizados pela recorrente em nome das empresas estrangeiras, foram registrados em contas correntes ativas em nome dessas empresas, não transitando em conta de resultado, não pode ser considerada, pois não há nada no presente processo que a comprove. Fl. 5822DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.592 12 Afirmou que o não oferecimento à tributação dos recursos recebidos pela recorrente das controladoras caracteriza a omissão de receita, pois, até que se prove o contrário, as remessas do estrangeiro serão tidas como reembolso das despesas que a recorrente teve com as embarcações das empresas estrangeiras, fazendo com que essas devessem ter sido computadas na apuração do lucro operacional. Quanto a isso, transcreveu o artigo 392 do RIR/99, que confere embasamento legal para o presente lançamento. Consignou que todas as despesas, inclusive aquelas que, segundo a recorrente, pertencem à empresa estrangeira, estão computadas no resultado do período. Acrescentou que o total das despesas retromencionadas, no montante de R$ 228.451.152,28, corresponde ao dobro do faturamento do mesmo período. Ponderou que, por meio da análise dos contratos de câmbio e das alterações contratuais, restou comprovado que as remessas do estrangeiro realizadas nos meses de outubro a dezembro de 2003, pela Sedco Forex International Inc. (sócia da recorrente), no montante de R$ 74.456,815,00, possuem natureza de aumento de capital, devendo ser esse valor exonerado da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2003. Quanto a isso, colacionou os seguintes quadros demonstrativos, de fls. 5.437: Registrou que a fiscalização cometeu um equívoco ao considerar que, para as remessas dos meses de janeiro a setembro de 2003, o fato gerador ocorreu em 31/12/2003 e não em 30/9/2003, devendo ser os valores referentes a essas remessas exonerados. Esclareceu que o equívoco supracitado ocorreu porque, devido à incorporação da empresa Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela recorrente ocorrida em 2003, essa (incorporadora) apurou no anocalendário de 2003, de forma correta, o IRPJ em Fl. 5823DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.593 13 dois períodos, quais sejam, de janeiro a setembro de 2003 e de outubro a dezembro de 2003. Isso, com suporte no art. 5º da Lei 9.959/00. Sendo assim, concluiu que deve ser tido como improcedente o lançamento do IRPJ referente ao anocalendário de 2003 e, conseqüentemente, o da CSL relativo ao mesmo período. Com relação à CSL, apontou que a fiscalização não compensou a base de cálculo negativa do período quando da apuração da contribuição devida para os trimestres do anocalendário de 2004. Quanto a isso colacionou quadro demonstrativo. Afirmou que os lançamentos de PIS e Cofins não devem prosperar, pois a fiscalização apurou as bases de cálculo e as contribuições devidas na forma anual para os anos calendários de 2002 e 2003, e trimestral para o anocalendário de 2004, o que está incorreto, uma vez que, para essas contribuições, o período de apuração é mensal. Por fim, consignou que o lançamento deve ser procedente em parte, devendo ser mantida a cobrança dos seguintes valores, de acordo com quadro demonstrativo de fls. 5.641: DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 5663 a 5713, reiterando o alegado em sede de impugnação, e acrescentando as alegações abaixo sintetizadas. Fl. 5824DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.594 14 Primeiramente, reiterou as preliminares de nulidade e decadência e, nesse sentido, afirmou que a decisão recorrida não analisou corretamente os vícios e falhas apontados na impugnação, os quais justificam a necessidade de os autos de infração serem considerados nulos e os lançamentos decaídos. Com relação ao indeferimento dos pedidos de produção de provas, alegou que isso acarretou o cerceamento de defesa, devendo ser nulo o processo, pois essas provas comprovariam exatamente o que os julgadores alegam que não foi provado. Consignou que, tendo em vista que as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras para a realização do afretamento de embarcações nunca foram controladoras da recorrente, resta claro que não houve a manipulação de um fluxo triangular de rendimento, estando assim combatida a premissa básica na qual se sustentava a fiscalização. Nesse sentido, discorreu acerca da 26ª, 27ª, 28ª, 31ª e 37ª alterações de seu Contrato Social. Ressaltou que a recorrente e as empresas estrangeiras contratadas, ao contrário do que afirmou fiscalização, não tiveram liberdade para definir o percentual do valor total dos contratos celebrados, pois a estrutura do contrato foi previamente definida em edital de licitação da Petrobras.Quando a isso, transcreveu o item 2.7 do edital nº 187.8.002.017 e o item 1.6 do edital nº 101.0.015.95.6, Alegou que, por meio da análise das alterações contratuais da recorrente e dos documentos juntados aos autos, é possível identificar que os recursos recebidos pela recorrente das empresas estrangeiras não correspondem à remuneração pelos serviços que essa prestou, pois esses representam a antecipação/reembolso das despesas sofridas pela recorrente em favor das empresas estrangeiras. Nesse sentido, descreveu algumas alterações contratuais, objetivando exemplificar essa alegação. Apontou que a fomentação da fiscalização acerca das remessas realizadas em 2004 decorreu de um equívoco cometido por ela em razão da similaridade do nome das empresas envolvidas, quais sejam, Sedco Forex International Inc. ConcentrationUSA e Sedco Forex International Inc. Por fim, a recorrente requereu a nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, a chancela da decadência do lançamento referente aos períodos anteriores a 27/12/2002, a realização de diligências antes do julgamento, e que seja julgada improcedente a autuação fiscal. Requereu também que, se tais pedidos não forem acolhidos, seja concedido o direito de se deduzirem os valores das despesas realizadas da suposta receita auferida. DAS CONTRARRAZÕES Tratase de contrarrazões ao recurso voluntário interposto pela recorrente contra a decisão da DRJ/RJ, que julgou parcialmente procedente o lançamento presente no auto de infração, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela recorrente, os autos de infração não devem ser tidos como nulos devido a ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Isso porque, além de o contribuinte não ter sofrido prejuízo e o uso de prova emprestada não ofender os princípios mencionados, a ausência ou erro do MPF não é causa de nulidade do lançamento, uma vez que a administração possui a faculdade de realizar a prévia expedição do MPF. Quanto a isso, colacionou jurisprudências. Fl. 5825DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.595 15 Consignou que é improcedente a alegação da recorrente no sentido de que recai a decadência sob os fatos geradores ocorridos entre 1° de janeiro e setembro de 2002, tendo em vista que o artigo 149, V, do CTN estabelece que a fiscalização pode realizar o lançamento de ofício, e que o artigo 173, I, do CTN prevê que o prazo decadencial dos lançamentos de ofício deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda nesse sentido, afirmou que outro aspecto que torna improcedente essa alegação do recorrente, referese ao fato de o IRPJ e a CSL, por serem apurados pelo lucro real, apresentarem saldo de imposto a pagar e de CSL a pagar no término do anocalendário, sendo esse o termo inicial do prazo decadencial. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Alegou que a presença ou ausência da relação de controle entre a recorrente e a empresa estrangeira Sedco Forex International Services S.A. não foi fator determinante para a realização do lançamento em questão. Aduziu que, mesmo que não exista relação de controle entre as empresas, essas estão vinculadas por pertencerem ao mesmo grupo. Portanto, não é possível reconhecer a alegação da recorrente de que não havia vinculação entre ela e a controladora, mas sim uma aliança devido à comodidade operacional, em que a recorrente atuava de forma gratuita como staff para “cumprir as exigências que o contrato lhe impõe”, não se importando com o grande prejuízo que ela vinha sofrendo. Afirmou que a realização dos dois contratos, nos moldes que eles foram elaborados, decorreu de um acordo entre as contratantes e não de uma imposição pela Petrobras, como foi alegado pela recorrente. Enfatizou que o que motivou o auto de infração foi à omissão de receitas e não o intuito de fraudar, como foi afirmado pela recorrente. Desse modo, alegou que a presente discussão baseiase na análise da natureza jurídica dos valores recebidos pela recorrente: se for comprovado que foi a título de reembolso, ela estará com a razão, mas se for comprovado que foi a título de recuperação de custos é o que indica a análise dos documentos quem estará com a razão será o Fisco. Sendo assim, afirmou que, como as notas fiscais e faturas juntadas pela recorrente foram faturadas em nome dessa, não pode ser deduzido que os valores recebidos por essa da empresa sediada no exterior foi a título de reembolso, devendo ser o lançamento mantido nesse sentido. Com relação à violação da verdade material alegada pela recorrente, afirmou que essa não ocorreu, pois a recorrente não comprovou que os custos não foram contabilizados em seu nome nos resultados apurados nos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004. Alegou que não houve o cerceamento de defesa, não devendo o indeferimento da perícia acarretar a nulidade da decisão, pois, nos temos do Decreto 70.235/72, o julgador pode indeferir a perícia quando entendêla desnecessária. Nesse sentido, alegou que a perícia requerida pela recorrente apenas retardaria o julgamento da lide, não trazendo nenhum aspecto relevante para esse. Fl. 5826DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.596 16 Por fim, requereu que fosse negado provimento ao recurso voluntário interposto e, por conseguinte, mantido o lançamento fiscal. DA PETIÇÃO DA RECORRENTE Tratase de petição interposta pela recorrente em 7/4/2014,em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, requereu a juntada dos anexos laudos elaborados pela conceituada empresa de auditoria independente Ernst & Young, e afirmou que esses demonstram o desacerto dos presentes autos de infração. Apontou que estão decaídos os valores autuados para o período de janeiro a dezembro de 2002, pois, tendo em vista que os tributos em questão são tributos sujeitos a lançamento por homologação, devese aplicar o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Consignou que o percentual das receitas provenientes do Edital de concorrência pública vencido pela recorrente e outras duas empresas estrangeiras foi estabelecido pelo ente licitante, não cabendo à recorrente ou às empresas licitantes a determinação desses percentuais. Entendeu que as receitas autuadas correspondem a reembolso de despesas para fazer frente a custos incorridos pelas empresas estrangeiras no Brasil, custos esses que foram assumidos perante o ente licitante, de acordo com o Edital de licitação pública em que foram vencedoras. Acentuou que a empresa Ernst & Young, por meio da análise da documentação contábil e fiscal da recorrente, concluiu que os valores autuados correspondem, para a recorrente, mero ressarcimento de despesas incorridas pelas empresas estrangeiras no Brasil, e que essas despesas não transitaram pelas contas de resultado da recorrente. Registrou a necessidade da alteração da parcela da decisão recorrida que manteve a autuação, ou a conversão do presente processo em diligência. Por fim, requereu o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 5827DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.597 17 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 5.662 e 5.663 – numeração, somente esta, é a do eprocesso neste voto). Dele, pois, conheço. Há também remessa de ofício, ou, na linguagem do PAF, recurso de ofício, que atende aos limites do art. 1º da Portaria MF 8/08, nos termos do art. 34, I, do PAF (Decreto 70.235/72). Recurso voluntário Principio com o exame do recurso voluntário. Preliminares de nulidade Há preliminares de nulidade dos lançamentos. A recorrente argui injuridicidade no uso de provas emprestadas, em face de uso da instrução procedimental e processual feita sob o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) de final 00203/2006, para os lançamentos que se deram sob MPF de final 200700322. Outro vício alegado é o de que a recorrente não fora cientificada das prorrogações do MPF. Sobre o novo MPF, argui violações da Portaria RFB 11.307/07, que regulava o MPF. Conforme o art. 4º da Portaria RFB 4.066, de 2/5/07, vigente e eficaz à época das instruções primárias dos lançamentos, devese dar ciência do MPF à fiscalizada, na forma do art. 23 do PAF vigente á época, no início do procedimento fiscal. E isso ocorreu, como se vê nas fls. 1, 2, 197 a 199. As prorrogações do MPF, que se devem dar por prazos máximos de 120 dias para o MPFF (Fiscalização), podemse ser feitas eletronicamente, com informação disponível à fiscalizada na internet, por código de acesso fornecido no próprio MPF. Essa é a interpretação extraível dos arts. 12, 13, caput e § 1º, c/c o art. 7º, VIII, da Portaria RFB 4.066/07: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º. A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. Fl. 5828DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.598 18 § 2º. Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Por outro lado, não diviso vício que acoime os lançamentos de nulidade, ao teor do art. 13, § 2º, da Portaria RFB 4.066/07, no fato de não se fornecer diretamente à fiscalizada demonstrativo de emissão e prorrogação efetuadas (reproduzidas a partir de informações colocadas na internet),no primeiro ato de ofício após cada prorrogação. O fim colimado não é vulnerado, desde que as prorrogações se deem a tempo, o MPF, que contêm a data limite de validade para prática dos atos de ofício e o código de acesso à internet, tenha sido entregue à fiscalizada, como descrito acima. É como vejo. O uso de informações coletadas no âmbito do MPF de final 00203/2006 para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob o MPF de final 200700322 não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou sob o MPFF de final 00203/2006 e se conclui com o MPFF de final 200700322. Despropositado se cogitar de vulneração ao contraditório e à ampla defesa, nesse passo. Nesse âmbito, não vejo vício na substituição do MPFF de final 00203/2006, pelo MPFF de final 200700322, comunicada e entregue à fiscalizada (fls. 213, 214, 1599 e 1600). A esse tempo vigia e tinha eficácia ainda a Portaria RFB 4.066/07 e não a Portaria RFB 11.371/07, invocada pela recorrente, e que só começou a ter eficácia em 1/1/08, i.e., após os lançamentos em dissídio. Seu art. 22 tinha a seguinte dicção – com as alterações das Portarias RFB 10.382/07 e 11.161/07: Art. 22. Os procedimentos fiscais iniciados antes de 2 de maio de 2007, no âmbito da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, deverão ser encerrados até 31 de outubro de 2007. § 1º. Na impossibilidade de cumprimento do prazo a que se refere o caput, os procedimentos fiscais terão continuidade, devendo ser prorrogados pela autoridade outorgante dos respectivos MPF, observado o disposto no art. 13. § 2º. Os MPF emitidos antes de 2 de maio de 2007, cujos procedimentosainda não tiveram início mediante ciência ao sujeito passivo, deverão ser objeto de emissão de novo MPF nos termos desta Portaria. O fato de se ter emitido novo MPFF, ainda que a fiscalizada tenha sido cientificada do MPFF e do início do procedimento fiscal, não representa ofensa ao art. 22, § 2º, da Portaria RFB 4.066/07. Fl. 5829DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.599 19 Cuidase, antes, de medida de cautela. Inclusive, a fiscalizada foi cientificada dessa substituição do MPFF, com entrega de cópia dessa (fls. 213, 214, 1599 e 1600). Não vejo, pois, injuridicidade na emissão de novo MPF (o de final 2007 00322, em substituição ao de final 00203/2006). Ainda, não diviso ilegalidade no fato de o novo MPFF (de final 200700322) emitido ter sido ter designado autoridade fiscal que participara do procedimento fiscal sob o MPFF substituído (de final 00203/2006) – fls. 2, e 1600. O art. 16, parágrafo único, da Portaria RFB 4.066/07 se destina à hipótese em que o MPF se extingue por decurso de prazo e, em função disso, há emissão de novo MPF. Situação diversa à dos pressupostos de fato do art. 22 da Portaria 4.066/07 acima transcritos, para o que não há tal previsão – para esses casos a norma se aproxima à de disposição transitória. Eis a redação dos arts. 15 e 16, da Portaria RFB 4.066/07: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. Quanto à concessão de prazo de 1 dia para apresentação de documentos, concordo ser de exasperada exiguidade o referido prazo (fl. 216). No caso, poderia a recorrente ter pedido dilações de prazo para o cumprimento da intimação. Ainda, efetivamente a intimação resultou cumprida (fls. 217 e seguintes). Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade dos lançamentos. Preliminar de mérito de decadência Sobre a aplicabilidade do prazo decadencial do CTN à CSL, ao PIS e à Cofins, em detrimento do prazo estabelecido no art. 45 da Lei 8.212/911, esse entendimento foi pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, e foi objetivado na Súmula Vinculante nº 8 do STF, nos termos do art. 103A da Constituição Federal2: 1 Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. 2Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 5830DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.600 20 Súmula Vinculante n° 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O art. 2º da Lei 11.417/06 é impositivo quanto à sua observância3. A ciência dos autos de infração se deu em 27/12/07 – fl. 1164. De plano, é de se afastar a decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSL, que tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme a DIPJ/03 (fls. 11 a 20) Embora a observação acima seja suficiente para derruir a alegação de decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSL, faço considerações adicionais, diante da juntada aos autos pela recorrente de supostos comprovantes de pagamento com fim de ver reconhecido o fenômeno decadencial. Os supostos comprovantes de pagamento juntados aos autos em 7/4/14, obtidos do eCAC (fl. 5778), são de estimativas de CSL – código de arrecadação 2484 – relativos aos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. Não por menos, na ficha 16 da DIPJ/03, não constam indicações de pagamentos de estimativas (fls., 16 a 19) e na ficha 17 dessa DIPJ não figura dedução de estimativas de CSL (fl. 20). Aliás, vêse pelas fichas 11 e 16 da DIPJ/03 que não foram pagas as estimativas de IRPJ e de CSL, por se as terem determinado com base em balanço de suspensão em todos os meses, apuradose prejuízo e base negativa – fls. 11 a 14 e 16 a 19. Em suma, não há consecução da decadência quanto a IRPJ e a CSL. Resta ver a decadência sobre os lançamentos de PIS e de Cofins. Fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 3Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 5831DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.601 21 homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto com nenhum termo inicial algum previsto no CTN. Na DIPJ/03 (fichas 19A e 20A), constam PIS a pagar e Cofins a pagar para todos os meses do anocalendário de 2002 – fls. 21 a 44. Não consta nos autos, porém, nenhum documento comprobatório de pagamento de PIS e de Cofins referente aos meses de janeiro a novembro de 2002. É de se ressaltar, por outro lado, que a exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o anocalendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, conforme os instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 1124 e 1128). Ou seja, os lançamentos compreenderam a materialidade que o autuante reputou tributável para todos os meses do anocalendário de 2002, como um fato gerador de PIS e de Cofins, aperfeiçoado em 31/12/02. Isso constato da planilha referente aos contratos de câmbio de 2002, que contém a discriminação de valores mensais, fornecida pela recorrente (fl. 218): o autuante coletou dessa planilha os valores tributados – simplesmente reproduziu os valores da e conforme a planilha: o que é comprovado do cotejo dos valores nela constantes com os contidos nos lançamentos. Outrossim, ainda que o julgamento fosse convertido em diligência para se aferir se há pagamentos de PIS e de Cofins de fatos geradores de janeiro a novembro de 2002, isso seria inócuo, em face do exposto acima – lançamentos feitos com fato gerador de 31/12/02. Por tais razões, rejeito a preliminar de mérito de decadência dos lançamentos de IRPJ, de CSL, de PIS e de Cofins. Mérito Preço (receita) de prestação de serviços – fluxo triangular de recursos Passo ao exame de mérito. Como se viu do relatório, o motivo central da autuação se funda no suposto fluxo triangular de recursos entre a recorrente, a empresa no exterior prestadora do afretamento de embarcações, e a contratante, a Petrobras. Fl. 5832DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.602 22 A recorrente e a empresa no exterior, que seria sua controladora, firmaram dois contratos com a Petrobras: um de afretamento de embarcações, e outro, de prestação de serviços de interesse da Petrobras, excetuado o de afretamento. Segundo o autuante, a recorrente e a empresa no exterior, por ser sua controladora, atribuíram com artificialidade os preços que ambas praticariam à contratante, a Petrobras, de modo que a maior parte do preço global ajustado com a contratante fosse imputável à controladora da recorrente no exterior – no caso, cerca de 90% do preço global. Dessa forma, a maior parte do preço global ficou com a empresa no exterior, sem a incidência de IR no Brasil, por aplicação da hipótese de alíquota zero do art. 1º, I, da Lei 9.481/97. A parcela residual do preço, atribuída à recorrente, não apresentava suficiência para que ela apresentasse lucros. O fluxo triangular artificialmente criado pela recorrente e sua controladora, a empresa no exterior, se completava, conforme o autuante, pelas remessas de recursos feitas pela empresa no exterior para a recorrente, a título de reembolso a essa de despesas antecipadas pela recorrente pertencentes à empresa no exterior. O autuante identificou nos recursos remetidos pela empresa no exterior à recorrente o preço de prestação de serviços por essa à aquela, dissimulado sob o rótulo de reembolsos. A recorrente alega que a empresa no exterior, prestadora do afretamento de embarcações à Petrobras, não é sua controladora. Mais, a empresa no exterior, sobre não ser controladora da recorrente, não possui nenhuma participação em seu capital social, tampouco alguma ingerência em sua atividade social. O que houve foi confusão cometida pelo autuante devido à parecença de denominação da empresa no exterior e da controladora da recorrente. Acentua também que a definição dos preços de afretamento de embarcações e da prestação de serviços, ambos à Petrobras, foi preestabelecida pela contratante, nos editais de licitação, sobre o que, portanto, as contratadas nenhum ingerência tiveram. Ou seja, não houve manipulação de preços por parte da recorrente e da empresa no exterior, pois foram estabelecidos em edital de licitação da contratante, a Petrobras. Do exame da documentação acostada aos autos, constato o seguinte. A Transocean Brasil Ltda. (recorrente, sucessora da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda.) tinha como sócios, em 2 de maio de 2002, a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., domiciliada nos EUA (Dellaware), com 9.199.982 cotas, Eric Brown, domiciliado nos EUA (Houston, Texas), com 9 cotas e Barbara S. Koucouthakis, domiciliada nos EUA (Houston, Texas), com 9 cotas – conforme a 26ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda. (fls. 1703 a 1713 – arquivada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA, em 9 de maio de 2002). Logo, em 2 de maio de 2002, a recorrente tinha como sócios: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. (9.199.982 cotas), Eric Brown (9 cotas) e Barbara S. Koucouthakis (9 cotas). Em 2 de outubro de 2002, Eric Brown cede suas 9 cotas da Transocean Brasil Ltda. (recorrente) para a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., e Barbara S. Fl. 5833DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.603 23 Koucouthakis cede suas 9 cotas para Paul Arthur King, domiciliado nos EUA (Hounston, Texas) – segundo a 27ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., arquivada na JUCERJA em 18 de outubro de 2002 (fls. 1714 a 1723). Assim, a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. passou a ter 9.199.991 cotas (9.199.982 + 9). Portanto, em 2 de outubro de 2002, a recorrente tinha como sócios: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. (9.199.991 cotas) e Eric Brown (9 ciotas). Vêse que, em 2003, a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. transfere suas 9.199.991 cotas para a Sedco Forex International Inc., domiciliada no Panamá.. Isso, consoante a 28º alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., datada de 1º de abril de 2003 e arquivada na JUCERJA em 2 de junho de 2003 – fls. 1724 a 1733. Assim, em junho de 2003, os sócios da recorrente passaram a ser: Sedco Forex International Inc. (9.199.991 cotas) e Paul Arthur King (9 cotas). Em 22 de setembro de 2003 é assinado o protocolo e justificação de incorporação da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente) – fls. 1764 a 1769. A Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. é incorporada pela Transocean Brasil Ltda., em 30 de setembro de 2003, com a aprovação do protocolo e justificação de incorporação e da avaliação do patrimônio da incorporada, a valor contábil, por empresa independente de contabilidade. Isso, conforme a 31ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., arquivada na JUCERJA em 13 de outubro de 2013 – fls. 1770 a 1785 (as 29ª e 30ª alterações contratuais da recorrente se limitam a abertura de filial – fls. 1734 a 1760). Notase que, em 3 de novembro de 2004, Paul Arthur King transfere suas cotas (9 cotas) na Transocean Brasil Ltda. (recorrente) para a Transocean Sedco Forex Ventures, Limited. Tudo, nos termos da 37ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., arquivada na JUCERJA em 3 de dezembro de 2004 fls. 1842 a 1852 (as 32ª a 36ª alterações contratuais da Transocean Brasil Ltda. se reservam a extinção de filiais, aumentos de capital e sua integralização e alterações de cláusulas contratuais– fls. 1786 a 1841). Logo, em 3 de novembro de 2004, os sócios da recorrente passaram a ser: Sedco Forex International Inc. (com 78.584.480 cotas, após a incorporação da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela recorrente), e Transocean Sedco Forex Ventures, Limited (com 9 cotas). Em suma, durante o período da autuação, figuravam como sócias da recorrente, sucessivamente: · a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc.; · a Sedco Forex International Inc., a partir de junho de 2003; · a Sedco Forex International Inc. conjuntamente com a Transocean Sedco Forex Ventures, Limited, a partir de novembro de 2004. Anotese, também, que, antes do período autuado, constava como sócia da recorrente a Transocean Offshore Inc. (no caso, antes de 2001), anteriormente denominada Fl. 5834DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.604 24 Sonat Offshore Drilling Inc. (conforme a 21ª alteração contratual, de 15 de setembro de 1999, arquivada na JUCERJA em 3 de dezembro de 1999; fls. 1642 a 1652). Ainda antes do período autuado, vêse, pela 25ª alteração contratual da recorrente, que passou a constar como sua sócia a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., nova denominação da Transocean Offshore Inc. – fls. 1691 a 1701 (nas 22ª a 24ª alterações contratuais da recorrente, figurava a Transocean Sedco Forex Inc., como nova denominação da Transocean Offshore Inc., retificada, por erro, no inciso I da 25ª alteração contratual – fl. 1692). Permaneceu como sócia a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. durante parte do período autuado até o início de junho de 2003, como descrevi acima. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), o autuante acusa que a contratada pela Petrobras era a controladora da recorrente. Não trouxe aos autos, contudo, os contratos firmados entre a Petrobras e a controladora da recorrente, como alegado. Transcrevo excertos do TVF que indicam ter sido a controladora da recorrente a contratada pela Petrobras: [...] Decompondo a situação fática real, podese ter uma visão analítica da simulação de prejuízos praticada, mediante atribuição forçada de prejuízos a empresa sediada no Brasil, contra resultados positivos auferidos por empresa ligada no exterior, de cujas receitas (da empresa estrangeira) não há sequer retenção de tributos e contribuições pela fonte pagadora (PETROBRAS): a) Há o interesse de empresa estrangeira em prestar serviços de prospecção, perfuração, avaliação, completação e "workover", para a PETROBRAS, em território Brasileiro; b) É criada uma empresa no Brasil cujo controle acionário ou de cotas pertence à empresa estrangeira; c) Na fase de elaboração do contrato de prestação dos serviços que interessam à PETROBRAS, são feitos dois contratos distintos, um com a empresa estrangeira, controladora, especifico para o afretamento de embarcações, e outro com a empresa criada no Brasil, controlada, e que alcança efetivamente a prestação dos serviços de que necessita a PETROBRAS, excetuado o afretamento; d) O contrato de afretamento envolve os grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados em conformidade com o item "c", anterior, enquanto o contrato firmado com a empresa sediada no Brasil, controlada, prevê pagamentos da ordem de 10% da soma dos dois contratos; e) Assim, uma mesma prestação de serviços é seccionada em duas com o propósito de escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que dessa maneira é possível enquadrar quase que a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a controladora e com a controlada) sob o alcance de alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei nº 9.481/97, art. 1º, inciso I); f) Como a titulo de custo para a PETROBRAS importa o valor global dos serviços e a sua efetiva execução, sendo indiferente como será registrado na contabilidade das contratadas os lucros ou prejuízos, essa não interfere nem apresenta obstáculos, ao que tudo indica, formatação contratual dupla citada no item "c"; g) E, uma vez criada artificialmente uma enorme defasagem entre os valores dos serviços a serem prestados e o afretamento da embarcação, cumpre à controladora no exterior reembolsar sua controlada no Brasil, para efeito de custeio operacional e não operacional pois Fl. 5835DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.605 25 de outra forma esta última não sobreviveria sem o apelo à falência ou concordata o que é feito através de transferências bancárias de contas no exterior para contas em bancos no Brasil, para que a controlada possa manterse regularmente em atividade; h) Dessa forma, fechase o ciclo, já que os rendimentos da empresa com sede no Brasil que realmente trazem correspondência com os serviços prestados de perfuração, avaliação, completação e "workover", e que são indevidamente inseridos no valor do contrato de afretamento celebrado com a empresa estrangeira, retornam para a empresa sediada no Brasil, controlada, por meio destas transferências bancárias (item "g"), cuja finalidade alcança, inclusive, remunerar serviços de manutenção muitas vezes executados pela controlada nas embarcações de propriedade da controladora afretadas; i) Outra situação revelada é a característica de reembolso dos valores transferidos do exterior para contas de empresas controladas no Brasil, pois que a controlada arca com os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertence à empresa controladora, remetente das transferências bancárias. (fls. 1142 e 1143, TVF, grifos e negritos nossos) Para que não haja dúvida, transcrevese outro excerto do TVF: Como as empresas envolvidas com os benefícios financeiros dos contratos firmados com a empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS serão citadas inúmeras vezes no presente Termo de Verificação, adotouse o critério de tratálas preferencialmente por controlada e controladora, conforme estejamos nos referidindo (sic.) as empresas estrangeiras (SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., e TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LIMITED, TRANSOCEAN OFFSHORE LIMITED, TRANSOCEAN OFFSHORE DEEPWATER DRILLING, etc.) – controladora , ou a empresa TRANSOCEAN BRASIL LTDA controlada. Por fim, quando não houver prejuízo interpretativo de qualquer natureza, será feita referência à empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS tão somente como PETROBRAS. (fl. 1143, grifos do original) De outra parte, a recorrente carreou aos autos cópia de cartas de decisão, de contratos de afretamento, seus anexos e aditivos, firmado entre a Petrobras e a empresa no exterior (fls. 1966 a 135, 2137 a 2289, 2388 a 2551, 2998 a 3215, 3224 a 3275 e 3341 a 3373, 3546 a 3676, 5048 a 5169). As cópias de contratos de afretamento são dos naviossonda Deepwater Navigator, Deepwater Frontier, dos navios semisubmersíveis Transocean Legend, Transocean Driller e, do navio Peregrine IV, das unidades Sedo 707 e Sedco 710 e Discoverer Sean Seas. Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc., e cessão da posição contratual de R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc. para Transocean Holdings Inc. (aditivo 1 do contrato de afretamento do naviosonda Deepwater Navigator – fls. 1979 a 1981 e aditivo 4 do contrato de afretamento do navio Deepwater Frontier – fls. 2140 a 2142). Fl. 5836DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.606 26 Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a Falcon Drillinig Co. Inc., cessão da posição contratual de Falcon Drillinig Co. Inc. para Falcon Atlantic Ltd. (aditivo 1 – fls. 3232 a 3234), e nova cessão da posição contratual de Falcon Atlantic. Ltd. para Transocean UK Limited (aditivo 4 – fls. 3224 a 3226). Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a Sedco Forex International Services S.A. (domiciliada no Panamá), e cessão da posição contratual de Sedco Forex International Services S.A. para Transocean UK Limited (aditivo 8 – fls. 3550 a 3553). Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a Sonat Offshore Drilling Inc. (fls. 5048 a 5168). Há também cópia de contrato de afretamento firmado entre Agip Oil do Brasil Ltda. e Transocean UK Ltd., da unidade Sedco Express – fls. 4087 a 4942. Em resumo, há cópias de contratos de afretamento entre a Petrobras e (ainda que por cessão da posição contratual): · R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc.; · Transocean Holdings Inc.; · Falcon Drillinig Co. Inc.; · Falcon Atlantic Ltd.; · Transocean UK Limited; · Sedco Forex International Services S.A.; · Sonat Offshore Drilling Inc. Repito. A autuante não trouxe aos autos cópia de nenhum contrato de afretamento firmado entre a Petrobrás e as empresas estrangeiras por ele indicadas como contratadas. Como se viu anteriormente, foram sócias da recorrente (Transocean Brasil Ltda.) nos períodos da autuação: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc.; Sedco Forex International Inc.; Transocean Sedco Forex Ventures, Limited. Nada há nos autos que indique que as empresas no exterior, contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações, R&B FalconDrilling (International & Deepwater) Inc., Transocean Holdings Inc., Falcon Drillinig Co. Inc., Falcon Atlantic Ltd., Transocean UK Limited, Sedco Forex International Services S.A., sejam sócias da recorrente nos períodos autuados. Ou seja, nada há nos autos que indique que as ora citadas empresas contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações sejam sócias da recorrente, e, pois, controladoras da recorrente ao tempo dos períodos autuados – diversamente ao exposto no TVF, conforme transcrição feita acima. Fl. 5837DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.607 27 Por outro lado, a cópia do contrato de afretamento entre a Petrobras e a Sonat Offshore Drilling Inc., cujas fls. indiquei acima, contém data de assinatura ilegível. Ao teor das cláusulas nele constantes, há fortes indícios de que tenha sido assinado entre dezembro de 1994 e fevereiro de 1995. Conforme descrevi anteriormente, antes do período autuado, constava como sócia da recorrente a Transocen Offshore Inc., anteriormente denominada Sonat Offshore Drilling Inc. E a Transocen Offshore Inc. passou a ser denominada Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., permanecendo como controladora da recorrente até início de junho de 2003, quando passou a ser controladora a Sedco Forex International Inc. Portanto, somente em relação ao contrato de afretamento com a Sonat Offshore Drilling Inc., podese afirmar que a contratada da Petrobras era controladora da recorrente (contratada pela Petrobras para prestação de serviços) até o início de junho de 2003. O que se vê é que, ainda que não se possa dizer que as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras tenham sido sócias e controladoras da recorrente nos períodos autuados, cuidase de empresas do mesmo grupo econômico. Nesse passo, reputo curial acentuar o seguinte. Análise atenta do TVF permite concluir que o motivo central da autuação repousa sobre o estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. Nesse motivo central, a artificialidade dos preços se põe entre os praticados entre a Petrobras, contratante, com as contratadas empresas estrangeiras, controladoras da recorrente, segundo o TVF, e os praticados entre a Petrobras, contratante, com a contratada recorrente, controlada das empresas estrangeiras, conforme o TVF. E, dessa artificialidade dos preços, emerge a parte do preço (receita omitida autuada) pela prestação de serviços pela recorrente à contratante Petrobrás: ela é representada pelos recursos transferidos pelas controladoras estrangeiras da recorrente para esta. Ou seja, houve artificialidade dos preços na contratação pela Petrobras: parte do preço estabelecido na contratação do afretamento – contratação das empresas estrangeiras controladoras da recorrente – em realidade, compõe o preço estabelecido na contratação da recorrente (pela Petrobrás) para prestação de serviços à Petrobras. Tal conclusão é extraível da apreciação cuidadosa do “conjunto da obra” do TVF e, especialmente, da decomposição da situação fática real, como é dito no TVF, cuja descrição já transcrevi neste voto, a que faço remissão. E se reforça com a transcrição do excerto do TVF que se segue à referida descrição nele contida: Importante destacar que a empresa fiscalizada é sediada em território brasileiro, presta serviços a uma empresa brasileira, a Petrobrás, dentro do território nacional, apenas com a conveniente interveniência de empresas controladoras e pessoas jurídicas ligadas residentes no exterior, de forma que na realidade tratamos de uma Receita de Serviços prestados no TERRITÓRIO NACIONAL e NÃO de uma receita de Fl. 5838DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.608 28 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. (fl. 1142, negritos do original, grifos nossos) Feita essa constatação, prossigo. A recorrente afirma que, por comodidade operacional, ela fazia os desembolsos de despesas incorridas pelas empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras, sendo por essas reembolsada. Isso evitava que as empresas estrangeiras contratadas instalassem aqui um staff, somente para atender ao cumprimento de tais despesas – e a verificação das contraprestações, os serviços contratados. Tratavase de uma aliança informal, ou uma parceria comercialadministrativa, de interesse da recorrente, pois seria uma porta aberta para novos contratos celebráveis pela recorrente, juntamente ou com a indicação das empresas estrangeiras. Faz sentido, e não há óbice a tanto, que se estabelecesse uma parceria informal, a viabilizar a contratação e execução de serviços em favor das empresas estrangeiras, sem que elas estabelecessem aqui uma filial ou um staff, de modo a que a recorrente desse viabilidade operacional a tanto, antecipando os desembolsos pelas despesas incorridas pelas empresas estrangeiras, para ser por elas reembolsada. Por outro lado, diversamente do alegado pela recorrente, não se trata de compartilhamento de despesas, o que implica um convênio de rateio de despesas, mas de simples antecipação dos desembolsos de despesas das empresas estrangeiras, em que os proveitos são dessas, para a recorrente ser reembolsada por elas. Uma aliança ou parceria informal de tal espécie, a dar comodidade operacional às empresas estrangeiras, sobretudo no contexto em que ela se põe, quando ambas são as contratadas para execução de atividades à Petrobras, no campo de atividades assemelhadas, faz sentido, pois potencializa à recorrente a obtenção de novos contratos juntamente com a SedcoForex International Services S.A., ou por meio dela. Pois bem. O edital de concorrência internacional nº 101.0.15.956, em seu item 1.6 (fl. 1553), é expresso ao dizer: 1.6. Como resultado da licitação, a PETROBRAS celebrará 2(dois) contratos, quais sejam, um de afretamento e outro de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover". Os preços propostos, mediante o preenchimento das Planilhas de Preços Unitários, constantes do ADENDO V, estarão limitados a 85% (oitenta e cinco por cento) em dólares norteamericanos (relativos ao Contrato de Afretamento), sendo o restante pago em moeda corrente nacional (relativo ao Contrato de Prestação de Serviços). (grifos nossos) Nos autos do processo administrativo 15521.00122/200779 (de autos de infração contra a recorrente), sob minha relatoria, localizei cópia integral nos autos do mencionado edital de concorrência – fls. 2452 e seguintes. Os itens 1.7.1, 1.7.1.1, 1.7.2 e 1.7.2.1 do referido edital de concorrência internacional não contêm exceção ao que prevê o item 1.6 supratranscrito, diversamente ao Fl. 5839DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.609 29 que sinaliza o acórdão a quo. Também não divisei em nenhum outro item de tal edital a exceção ou a abertura aos limites contidos no item 1.6 do edital de concorrência. Já, o edital de convite internacional nº 187.8.002.017, em seu item 2.7 (fls. 1288 a 1326) determina expressamente: 2.7 As taxas diárias de operação, Ref. 101 das Planilhas de Preços Unitários, deverão ser cotadas observandose o "split" de 90% (noventa por cento) a ser pago em dólares norteamericanos, no caso do Contrato de Afretamento da Unidade e de 10% (dez por cento), no caso do Contrato de Prestação de Serviços. Os editais em questão deixam claro que não havia margem para aumentar o preço de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou “workover” em relação ao preço global que envolvia tais serviços e o afretamento de embarcações (naviossonda, navios semisubmersíveis, unidades de perfuração). Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre os participantes do certame e a Petrobras. Disso tudo, a conclusão extraível é a de que não houve artificialidade na determinação dos preços de afretamento de embarcações pela SedcoForex International Services S.A., e de prestação de serviços pela recorrente, ambos contratados pela Petrobras. Resta, pois, derruído o motivo central da autuação, qual seja, o de estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. Importa registrar o seguinte. Como se viu, o motivo central se coloca na artificialidade de preços na contratação com a Petrobras, sendo parte do preço do afretamento das embarcações com as controladas da recorrente, a bem ver, valor que compõe o preço da prestação dos serviços da recorrente à Petrobras (receitas omitidas autuadas) – o tal fluxo triangular de recursos. O autuante incide em confusão, pois, depois dessas colocações, afirma que tais recursos recebidos pela recorrente são remuneração de serviços por ela prestados para suas controladoras (e não mais para a Petrobras), as quais transferiram os recursos à recorrente: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJs 2003 e 2004 (referentes aos anoscalendário 2002 e 2003) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominada “Transocean Offshore Deepwater Drilling”, “Transocean Offshore Limited”, e "Sedco Forex Intl. Inc.”, nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS. Ora, se a empresa controlada reconhecidamente prestou serviços para a controladora, e recebeu remuneração com a qual afirma Fl. 5840DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.610 30 haver correspondência com os citados serviços manutenção das embarcações de propriedade da controladora , por definição ocorreu percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo da tributação desse faturamento como fato gerador da tributação das contribuições PIS e COFINS, não importando a classificação contábil e fiscal ou a denominação que a empresa controlada pretenda atribuir ao que registra como "transferência de numerário" (fls. 649 e demais). Digase mais ainda, tais ingressos correspondem na verdade a repatriação de receitas, restabelecendose através de reembolsos parte do lucro que deveria harmonizarse com o contrato assinado pela empresa controlada e a PETROBRAS. (fl. 1147, TVF, negritos do original, sublinhados nossos) Pois bem. Sem prejuízo da demarcação ora pontuada, mesmo que se reputasse que a conclusão do autuante fora de que parte dos recursos recebidos pela recorrente foram por prestação de serviços às suas “controladoras” (que, como examinado, com a exceção indicada alhures, não controladoras, embora sejam do mesmo grupo), e parte por prestação de serviços à Petrobras, caberia deduzir o seguinte. Não houve por parte do autuante, nenhuma indicação de que os valores recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam maiores do que os valores das despesas dessas, a justificar que parte de tais valores foram por prestação dos serviços à Petrobras e parte por prestação de serviços às “controladoras” da recorrente. Tampouco houve indicação, muito menos discriminação, de quais valores seriam os de preço de serviços prestados à Petrobras, encobertos no preço de afretamento da SedcoForex International Services S.A., e quais seriam os de remuneração de atividade da recorrente para suas “controladoras”. Posto isso tudo, não se sustenta a conclusão de que os valores de transferência de recursos das “controladoras” da recorrente para esta são preço de prestação de serviços da recorrente às suas “controladoras”. E o mais importante. Não se sustenta a conclusão de que tais valores sejam preço de prestação de serviços pela recorrente à Petrobras (encobertos no preço dos afretamentos das empresas estrangeiras contratadas), pois já se viu que ficou incomprovada a artificialidade de preços praticados com a contratante. O motivo central resultou derruído, ante a imposição determinada pelos editais de licitação. Subvenção para custeio e recuperações de custos deduzidos Em que pese o motivo central da autuação analisado, e a conclusão dele decorrente, o autuante registrou que as transferências em comentário podem constituir, alternativamente, subvenção para custeio ou recuperações de custos deduzidos, em favor da recorrente (fls. 1147, 1153 a 1155, TVF e fls. 1106, 1115, 1124 e 1128, instrumentos específicos dos autos de infração). Transcrevo do TVF: Sendo assim, e considerando que não há compromisso formal assumido pela controladora com relação aos pagamentos Fl. 5841DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.611 31 (reembolsos), cumpre reconhecer as receitas e faturamentos nas datas dos efetivos pagamentos/transferências, tanto para a interpretação que lhes atribua caráter de pagamento quanto para a que lhe atribua caráter de subvenção para custeio. A irregularidade contábil cometida pela empresa controlada quanto à omissão na escrita contábil e fiscal dos reembolsos efetuados pela controladora como recuperação de custos, e quanto à falta de reconhecimento destas receitas, contextualizase nos textos normativos da Resolução CFC nº 750/93, Art. 1º, §§ 1ºe 2º, e Art. 9º, § 3º, inciso I e IV, transcritos a seguir: [...] De outra forma também se observa o cuidado legal acerca dos ingressos de valores recebidos por uma empresa com o objetivo de recuperação de custos ou subvenções para custeio ou operação, já que no caso da empresa fiscalizada os reembolsos transferidos da controladora têm natureza dupla. Como já exposto, tais reembolsos propuseramse simultaneamente a remunerara empresa sediada no Brasil — controlada — via devolução de custos e despesas dos serviços prestados por esta última, e a subvencionar a continuidade de sua operação, para que fosse possível ser perpetuada a evasão fiscal praticada. O caráter tributável dos valores utilizados com esta finalidade submetemse ao alcance dos textos legais a seguir. [...] Importante ressaltar que os valores ora tributados, oriundos de transferências de numerário com o intuito de Recuperação de Custos e/ou Subvenções para custeio ou operação, conforme descrito no presente item não foram oferecidos à tributação, haja vista não terem sido as remessas de "reembolsos" incluídas no Resultado do Exercício, por terem as mesmas sido contabilizadas basicamente em contas de obrigações da TRANSOCEAN BRASIL(p.e, TRANSOCEAN OFFSHORE, TRANSOCEAN DEEPWATER DRILLING, SEDCO FOREX INTL. INC.) ou de patrimônio líquido (capital a integralizar). (fls. 1147, 1148, 1153 e 1155, TVF, grifos e negritos do original) E dos instrumentos específicos dos autos de infração: 001 RECUPERAÇÃO OU DEVOLUÇÃO DE CUSTOS/DEDUÇÕES OMISSÃO Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. [...] 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Fl. 5842DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.612 32 Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. [...] 001 PIS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. [...] 001 COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. (fls. fls. 1106, 1115, 1124 e 1128, instrumentos específicos dos autos de infração – negritos nossos) Sobre isso, passo a fazer as considerações pertinentes. Noto que as cópias dos contratos de câmbio constam nas fls. 227 a 328, 331 a 358, 360 a 368, 370 a 373, 376 a 378, 380 a 382, 384 a 386, 389 a 391, 393 a 395, 397 a 399, 402, 404 a 406, 408 a 410, 412 a 415, 416 a 418, 421 a 424, 425 a 427, 429 a 431, 433 a 436, 438 a 440, 442 a 470, 472 a 480, 483 a 486, 488 a 491, 493 a 496, 498 a 500, 502 a 505, 507 a 509, 511 a 515, 517 a 521, 523 a 527. 429 a 531, 533 a 535, 537 a 547, 549 a 551, 553 a 555, 557 a 559, 561, 562. 564 a 566, 568 a 570, 572 a 574, 576 a 578, 580 a 583, 585 a 588, 590 a 592, 594 a 598, 602 a 605, 607 a 609, 611 a 617, 619 a 622, 624 a 627. 629 a 631, 633 a 635, 637 a 639. Verificandose essas cópias dos contratos de câmbio constantes nos autos, vejo que são todos contratos de câmbio de compra que têm como vendedor da moeda estrangeira a recorrente, e como remetente dessa moeda: a Transocean Offshore Ltd. (em relação a vários contratos de câmbio), a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. (quanto a outros tantos), a Sedco Forex International. Inc. (em relação a outros), a Sedco Forex International Inc. – Concentration (quanto a muitos outros), e a Transocean UK Ltd. Co Transocean Offshore Deep. (quanto a um contrato de câmbio). Ou seja, são remessas feitas pela Transocean Offshore Ltd., pela Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., pela Transocean UK Ltd., pela Sedco Forex International Inc. (domiciliada no Panamá) e pela Sedco Forex International Inc. – Concentration (domiciliada nos EUA), para a recorrente. Do exame das contas no Razão, observo o seguinte. Vejo que a conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” é conta transitória ou conta “ponte” entre a conta de ativo de “Banco Safra” e as contas do passivo em nome das empresas estrangeiras. Essa conta é assaz usada no anocalendário de 2002. Fl. 5843DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.613 33 Tanto a conta transitória ou “ponte” como a conta de “Banco de Boston” são contas do ativo (pois também são identificadas no Razão, respectivamente, como 1.1.101021.01000 e 1.1.101012.01165 – início com “1”). Embora nos lançamentos em cada conta no Razão não figure a indicação da conta na qual é registrada a contrapartida, a mencionada constatação a faço do cotejo dos lançamentos no Razão nas contas citadas. O registro contábil do ingresso de recursos na conta corrente de depósito à vista no Banco Safra é identificado pelo: Débito conta “46” de “Banco Safra S/A”(ativo) Y a Crédito conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” (ativo) Y Essa conta transitória ou “ponte” é zerada, com o registro no passivo da recorrente, como na conta abaixo: Débito conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” (ativo) Y a Crédito “9225 – Transocean Offshore Limited” (passivo) Y Assim, exemplifico, com os dados coletados das contas dos Livros Razão nos autos (anocalendário de 2002), mediante o cotejo que fiz entre as contas do Razão: Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.392.000,00 (fl. 647) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.404.000,00 (fl. 647) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 956.400,00 (fl. 647) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.392.000,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.404.000,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 956.400,00 (fl. 668) e Débito “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.392.000,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.404.000,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 956.400,00 (fl. 668) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 1.392.000,00 (fl. 672) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 1.404.000,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 956.400,00 (fl. 671) Depois: Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 588.720,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 385.920,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 576.800,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 904.400,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.328.100,00 (fl. 654) Fl. 5844DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.614 34 Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 386.560,00 (fl. 654) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 588.720,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 385.920,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 576.800,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 904.400,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.328.100,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 386.560,00 (fl. 668) e Débito “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 588.720,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 385.920,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 576.800,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 904.400,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.328.100,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 386.560,00 (fl. 668) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 588.720,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 385.920,00 (fl. 671) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 576.800,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 904.400,00 (fl. 671) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 1.328.100,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 386.560,00 (fl. 671) Mais outro exemplo (em que não se vê uso da conta transitória ou conta “ponte” “75 – Caixa em Trânsito Houston”): Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.028.720,00 (fl. 661) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 1.028.720,00 (fl. 671) Que as contas “36624 – Transocean Offshore Deepwater Drilling I”, “9225 – Transocean Offshore Limited” e “9219 Transocean Offshore Deepwater” são contas do passivo da recorrente, isso é identificado pelo nº completo dessas contas, respectivamente: conta 2.1.220776.00007, conta 2.1.220776.00169 e conta 2.1.220776.00054 (início com “2”). Do cotejo dos dados das contas dos Livros Razão nos autos, trago alguns exemplos, para o anocalendário de 2003: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.888.000,00 (fl. 764) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.621.600,00 (fl. 764) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 4.888.000,00 (fl. 781) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 2.621.600,00 (fl. 781) Depois: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 903.000,00 (fl. 773) Fl. 5845DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.615 35 Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.186.000,00 (fl. 773) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 903.000,00 (fl. 780) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 4.186.000,00 (fl. 780) Também: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.556.800,00 (fl. 778) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 4.556.800,00 (fl. 781) Também: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 1.967.000,00 (fl. 790) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.592.000,00 (fl. 790) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 1.967.000,00 (fl. 783) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 4.592.000,00 (fl. 783) Evidente que a conta “55870 Banco HSBC” é conta do ativo da recorrente (o nº completo da conta é 1.1.101012.01807, início em “1”). Do cotejo dos dados das contas dos Livros Razão nos autos, trago alguns exemplos, para o anocalendário de 2004: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 8.715.000,00 (fl. 851) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.906.000,00 (fl. 851) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 8.715.000,00 (fl. 852) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 2.906.000,00 (fl. 852) Depois: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.503.000,00 (fl. 863) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 8.596.000,00 (fl. 863) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 6.080.000,00 (fl. 863) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 4.503.000,00 (fl. 864) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 8.596.000,00 (fl. 872) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 6.080.000,00 (fl. 872) Também: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.909.500,00 (fl. 871) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.863.700,00 (fl. 871) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 5.266.080,00 (fl. 871) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 2.909.500,00 (fl. 872) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 4.863.700,00 (fl. 872) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 5.266.080,00 (fl. 872) Também: Fl. 5846DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.616 36 Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 5.464.000,00 (fl. 883) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.148.800,00 (fl. 883) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 9.397.500,00 (fl. 883) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.973.400,00 (fl. 883) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 5.464.000,00 (fl. 884) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 2.148.800,00 (fl. 884) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 9.397.500,00 (fl. 884) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 4.973.400,00 (fl. 884) Quer dizer, os valores de transferências do exterior para a recorrente são registrados primeiro a débito na conta “bancos”, em contrapartida aos lançamentos a crédito na conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston”, representando o registro contábil do ingresso de recursos na conta corrente de depósito à vista no Banco de Boston S.A. E, em seguida, há o lançamento a débito na conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston”, do mesmo valor creditado (zerandose essa conta), em contrapartida aos lançamentos a crédito nas contas passivas em nome das empresas estrangeiras. Isso, quando se usa a conta transitória ou “ponte” “75” de “Caixa em Trânsito – Houston”. Quando não utilizada a conta “ponte”, as transferências do exterior são registradas a débito na conta “bancos”, em contrapartida aos lançamentos a crédito nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras. Os lançamentos a crédito nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras significam que os recursos recebidos do exterior representam obrigações com as empresas estrangeiras, que, provavelmente, são baixados (debitados) contra as baixas (créditos) nas contas do ativo contra essas mesmas empresas estrangeiras (ativo da recorrente, pelos gastos por ela feitos em benefício de tais empresas estrangeiras). Ou seja, a exigibilidade das empresas estrangeiras contra a recorrente (passivo pelos recursos a ela transferidos) provavelmente é baixada contra a baixa do ativo da recorrente contra essas empresas estrangeiras (pelos gastos feitos a favor dessas). É isso que justificaria o registro da contrapartida dos recebimentos do exterior no passivo em nome de cada empresa estrangeira. A lógica diz isso. Na impugnação, a recorrente carreou aos autos documento da Ernst & Young, que atestaria não terem sido reconhecidos como despesas os gastos feitos em favor das empresas estrangeiras Transocean Offshore Ltd., Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., Sedco Forex International. Inc., e Transocean UK Ltd. Porém, tratase de mera carta, na qual é dito tais gastos em favor dessas empresas estrangeiras não transitaram por conta de resultado (despesa) da recorrente, mas registrados em contas correntes ativas, e que o trabalho da Ernst & Young ainda se encontra em andamento (fl. 5592). Fl. 5847DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.617 37 Posteriormente, em 7/4/14, a recorrente juntou aos autos laudos da Ernst & Young, em que constam as contas patrimoniais relativas às empresas estrangeiras acima descritas (fls. 5765 a 5777). Um dos laudos se refere aos registros contábeis dos valores recebidos das empresas estrangeiras e dos valores utilizados para pagamentos em favor das empresas estrangeiras, no período de 2002 e de janeiro a setembro de 2003. Ainda, tal laudo se refere aos registros contábeis feitos pela Transocean Sedco Forex do Brasil Ltda., incorporada pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente) em 30/9/03, não se tendo verificado valores inferiores a R$ 1.000,00. Referido laudo conclui que os valores gastos em favor das empresas estrangeiras não transitaram por conta de resultado (despesa) da recorrente, assim como os valores recebidos do exterior não transitaram por conta de resultado (receita). Os gastos tiveram como contrapartida o débito em conta do ativo, e os valores recebidos tiveram como contrapartida o crédito em conta do passivo. Assim, os lançamentos contábeis em questão se deram da seguinte forma exemplificativa. Pela transferência de recursos do exterior (quando utilizada a conta “ponte” “75”; quando não utilizada a conta ponte, a contrapartida do débito em “banco” se dá diretamente na conta do passivo em nome da empresa estrangeira): Débito – Banco (ativo) X a Crédito – conta 75 Caixa em Trânsito (ativo) X e, concomitantemente: Débito – conta 75 – Caixa em Trânsito (ativo) X a Crédito – Sedco Forex (passivo) X Pelo reconhecimento das despesas a pagar: Débito – Contas correntes ativas das empresas ligadas X a Crédito – Fornecedores a pagar (passivo) X Pelo pagamento das despesas Débito – Fornecedores a pagar X a Crédito – Banco X O outro laudo da Ernst & Young trata dos procedimentos contábeis adotados pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente), de 2002 a 2004, quanto aos registros dos gastos feitos em favor das empresas estrangeiras: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc, Transocean UK Ltd., Transocean Offshore International Ltd., Transocean Offshore Ltd., Sedco Forex International Services S.A. e Sedco Forex International. Inc. Foram selecionados lançamentos contábeis de dispêndios de valores superiores a R$ 50.000,00. Fl. 5848DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.618 38 A conclusão desse laudo é a de que, pelos documentos analisados os gastos registrados contabilmente, objeto de exame, guardam relação com a natureza das atividades exercidas pelas empresas estrangeiras acima descritas. E que a recorrente não registrou em conta de resultado (despesa) tais gastos, os quais foram registrados em contas do ativo individualizadas em nome de cada uma dessas empresas estrangeiras. O autuante tratou, alternativamente, como subvenções para custeio, as transferências do exterior das empresas estrangeiras que ele tratou como controladora da recorrente para esta, como suporte para a pretensão fiscal. De tudo o que já foi deduzido, com a exceção que será feita adiante, vêse que, a rigor, não há como se falar de subvenção para custeio. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em proveito das empresas estrangeiras, mesmo que eles tenham transitado por conta de resultado (como despesas) da recorrente, para se falar de subvenções para custeio, os valores transferidos para a recorrente teriam de ser maiores que os referidos gastos. Noutras palavras, se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio: só o que ultrapassar aqueles gastos seriam representativos de subvenções para custeio da recorrente. Ora, não se demonstrou, tampouco se indicou, que tenha havido transferências de valor superior às despesas imputáveis às empresas estrangeiras; também ficou incomprovada a artificialidade ou manipulação de preços dos afretamentos feitos pelas empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras e dos serviços prestados a essa pela recorrente. Daí não se poder cogitar de subvenções para custeio, na alternativa alvitrada pelo autuante, com a exceção de que tratarei adiante. Outra alternativa descrita pelo autuante é a de que se verse sobre recuperações de custos –as recuperações de custos deduzidos e as subvenções para custeio são reconhecíveis como receita operacional tributável, para fins de IRPJ, nos termos do art. 392 do RIR/99. Se os gastos que beneficiaram as empresas estrangeiras tratadas como controladora da recorrente tivessem sido reconhecidos como despesas dessa, o autuante as teria glosado. Em nenhum momento disse o autuante que houve indevida apropriação de despesas pela recorrente. Mesmo que não glosadas as despesas, o autuante não teria laborado em toda sua construção, se os gastos em questão tivessem sido reconhecidos como despesas pela recorrente, e, pois, deduzidas. Bastaria, nesse caso, louvarse simplesmente em recuperação de custos deduzidos, para dizer que os valores das transferências das empresas estrangeiras são tributáveis como receitas. Por outro lado, suponhase que os gastos em questão tenham sido reconhecidos como despesas. Já se viu que a contrapartida dos recursos transferidos do exterior Fl. 5849DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.619 39 para a recorrente (ingresso na conta “bancos”) se deu a crédito em conta do passivo em nome das empresas estrangeiras. Admitindose a hipótese colocada (gastos registrados como despesas), a baixa (débito) do passivo em nome das empresas estrangeiras teria de se dar em contrapartida a crédito em receitas. Não há nenhuma indicação de que se tenha baixado o passivo contra crédito em receitas. Mas o autuante não deduziu como motivo da autuação a omissão de receitas legalmente presumida, por passivo fictício, ou melhor, por passivo com exigibilidade incomprovada (art. 281, III, do RIR/99; art. 40 da Lei 9.430/96). Manter a autuação por passivo de exigibilidade incomprovada, seria inovar o lançamento, o que é vedado ao órgão julgador. Da junção disso com o constatado nos laudos suprarreferidos, só se pode concluir que não cabe falar de receitas de recuperação de custos deduzidos. Cabem ainda as seguintes ponderações. Os valores tributados foram coletados pelo autuante das planilhas referentes aos contratos de câmbio de fls. 218, 221 e 224, fornecidas pela recorrente, juntamente com cópias de contas do Razão e cópias de contratos de câmbio, em atendimento a intimação. Sendo mais claro: os valores tributados reproduzem os informados pela recorrente nas planilhas de fls. 218, 221 e 224, relativas aos contratos de câmbio, em atendimento a intimação. Isso é comprovado pelo cotejo dos valores acusados nos instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 1106, 1119, 1124 e 1128) com os das referidas planilhas. Anoto: ► O total do valor apurado para o anocalendário de 2002 é de R$ 56.261.236,46 (mesmo total da planilha de fl. 218, para o anocalendário de 2002); ► O total do valor apurado para o anocalendário de 2003 é de R$ 116.641.915,00 (mesmo total da planilha de fl. 221, para o anocalendário de 2003); ► Os totais dos valores apurados para os trimestres de 2004 são de R$ 51.325.115,00, R$ 49.200.000,00, R$ 50.167.230,00 e R$ 66.258.200,00. Sua somatória monta R$ 216.950.545,00 (mesmo total da planilha de fl. 224, para o anocalendário de 2004). Ainda, notese que o demonstrativo que corresponde ao Anexo I dos autos de infração (fl. 1104) contém exatamente os mesmos valores, linha a linha, aos das planilhas de fls. 218, 221 e 224 fornecidas pela recorrente durante o procedimento fiscal. Pois bem. No que interessa a este feito, as contas do Razão apresentadas pela recorrente juntamente com as referidas planilhas sobre os contratos de câmbio são as contas do passivo em nome das empresas estrangeiras, e as contas do patrimônio líquido de capital social. As contas do passivo são as mencionadas neste voto: Fl. 5850DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.620 40 · “3624 – Transcoean Offshore Deepwater Drilling I” (conta completa: 2.1.220776.00007); · “9219 – Transocean Offshore Deepwater” (conta completa: 2.1.220776.00054); · “44724 – Transocean Offshore Intern Ltda.” (conta completa: 2.1.220776.00061); · “9225 – Transocean Offshore Limited” (conta completa: 2.1.220776.00269); · “65927 – SedcoForex Internacional Inc” (conta completa: 2.1.220776.00607). As contas de capital social: · “9484 – Capital social” (conta completa: 2.3.280000.01000); · “9491 – Capital Social a Integralizar” (conta completa: 2.3.280000.01001). Do exame dessas contas do Razão, constato o seguinte. Para o anocalendário de 2002, os lançamentos a crédito, como contrapartida das transferências de recursos do exterior, são os registrados nas contas do passivo: “3624 – Transcoean Offshore Deepwater Drilling I”; “9219 – Transocean Offshore Deepwater”; e “9225 – Transocean Offshore Limited”. Na conta “44724 – Transocean Offshore Intern Ltda.” não há lançamento a crédito representativo de contrapartida de transferência de recursos do exterior (conforme históricos dos lançamentos); há baixas (lançamentos a débito) desse passivo em contrapartida a baixas (crédito) na conta do ativo em nome dessa empresa estrangeira. Somandose os lançamentos a crédito nas contas do passivo ora citadas, têm se, respectivamente: R$ 33.895.430,00, R$ 3.973.520,00, e R$ 20.329.193,00. O total dos lançamentos a crédito monta R$ 58.198.143,00. Para o anocalendário de 2003, os lançamentos a crédito, como contrapartida das transferências de recursos do exterior, são os registrados nas contas do passivo: “9219 – Transocean Offshore Deepwater”; e “9225 – Transocean Offshore Limited”. Somandose os lançamentos a crédito nessas contas do passivo, têmse, respectivamente: R$ 33.637.200,00, e R$ 12.066.400,00. O total monta R$ 45.703.600,00. Fl. 5851DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.621 41 Também, há lançamentos a crédito na conta do patrimônio líquido de “9491 – Capital Social a Integralizar”, como contrapartida das transferências de recursos do exterior. A soma desses lançamentos totaliza R$ 74.456.815,00. A somatória dos lançamentos a crédito nas contas do passivo e na conta de capital social do patrimônio líquido resulta em R$ 120.160.415,00 (R$ 45.703.600,00 + R$ 74.456.815,00). Para o anocalendário de 2004, os lançamentos a crédito, como contrapartida das transferências de recursos do exterior, são os registrados na conta do passivo “65927 – Sedco Forex Internacional Inc”. Sua somatória resulta em R$ 199.932.545,00. Já se viu que o total indicado na planilha dos contratos de câmbio (que, repitase, é o valor utilizado apurado nos instrumentos específicos dos autos de infração): para o anocalendário de 2002 é de R$ 59.261. 236,46; para o anocalendário de 2003 é de R$ 116.641.915,00; para o anocalendário de 2004 é de R$ 216.950.545,00. O total nas contas do Razão para o anocalendário de 2002, conforme indiquei, é de R$ 58.198.143,00. Há uma diferença de R$ 1.063.093,46, faltante nas contas do Razão. O total nas contas do Razão para o anocalendário de 2003, como indiquei, é de R$ 120.160.415,00. Não há diferença faltante; pelo contrário, há sobra. O total nas contas do Razão para o anocalendário de 2004, conforme indiquei, é de R$ 199.932.545,00. Há uma diferença de R$ 17.018.000,00, faltante nas contas do Razão. Analisei também as cópias dos Livros Razão contendo mais contas do Razão (do que os juntados com as planilhas), constantes nos autos. Foram sobre tais Livros Razão que indiquei alhures vários dos lançamentos contábeis. Dessa análise, não localizei, no anocalendário de 2002, lançamentos a crédito adicionais aos que figuram nas contas do Razão acima examinados – e que sejam representativos de contrapartida de transferências de recursos do exterior. Constam os mesmos lançamentos apresentados nas contas do Razão – fls. 642 a 672. Para o anocalendário de 2004, igualmente, não localizei lançamentos a crédito adicionais aos apresentados na conta passiva do Razão “65927 – Sedco Forex Internacional Inc”, e que sejam correspondentes a transferências de recursos do exterior. Há os mesmos lançamentos – fls. 883 a 884. O que encontrei foram lançamentos a crédito não na conta passiva em nome de empresa estrangeira, mas na conta do ativo “20038 – Sedco Forex Intern. Inc. Brasil”, de R$ Fl. 5852DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.622 42 5.626.000,00 e de R$ 11.392.000,00, em janeiro de 2004 – fls. 838 e 839. Sua soma totaliza os R$ 17.018.000,00. Nenhuma palavra a respeito foi dita pela recorrente. Aliás, as contas dos Livros Razão são as acostadas aos autos durante a fase de procedimento fiscal. Quanto ao anocalendário de 2003, também não localizei lançamentos a crédito adicionais nas contas do passivo aos que constam nas contas (de passivo) do Razão. Sobre as contas do capital social, há os mesmos lançamentos a crédito na conta “9491 – Capital Social a Integralizar” (total de R$ 74.456.815,00). Tudo, conforme fls. 736 a 831. Ainda em 2003, os lançamentos a crédito na conta “9484 – Capital Social” (contrapartida da baixa em “Capital Social a Integralizar”) totalizam R$ 68.992.614,24. A diferença entre R$ 74.456.815,00 e R$ 68.992.614,24 (= R$ 5.464.200,76), corresponde à absorção de débito nesse valor que constava como saldo da conta de “Capital Social a Integralizar”em outubro – fl. 796. Daí, em 27/10/03, o crédito nessa conta ter sido de R$ 14.591.610,00, e a baixa por transferência à conta “Capital Social” em 31/10/03, ter sido de R$ 9.127.409,24 (mesmo valor creditado em 31/10/03, na conta “Capital Social”). Isso também se constata nessas contas do Razão de fls. 209 e 210 (juntadas com as planilhas de contratos de câmbio). Já demonstrei o porquê de não se estar diante de subvenções para custeio. Também, ressaltei exceção que colocaria adiante. Estamos diante dela. Esclareço. Ainda que os gastos em benefício das empresas estrangeiras não tenham transitado por conta de resultado (despesa) da recorrente – e tudo leva a isso – vêse que há diferenças, nos anoscalendário de 2002 e 2004, entre os valores das planilhas dos contratos de câmbio (ingresso de recursos) e os registrados contabilmente nas contas de passivo em nome das empresas estrangeiras e nas contas de capital social. Como já apontei, no anocalendário de 2002, a diferença é de R$ 1.063.093,46 sem demonstração de lançamentos contábeis. E, no anocalendário de 2004, a diferença é de R$ 17.018.000,00; especificamente para janeiro de 2004 – a apuração de IRPJ e de CSL em 2004 foi trimestral. Reitero: localizei lançamentos a crédito de R$ 5.626.000,00 e de R$ 11.392.000,00, em janeiro de 2004, mas na conta de ativo “20038 – Sedco Forex Intern. Inc. Brasil”, sem nenhuma palavra da recorrente sobre isso. Significa dizer, a ausência de lançamentos contábeis do ingresso dessas diferenças nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras ou nas contas de capital social, permite tratálas como recursos de subvenções para custeio não reconhecidas como receitas. Ou seja, receitas de subvenções para custeio de R$ 1.063.093,46 e de R$ 17.018.000,00. Por todas as considerações deduzidas, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para manter as exigências de IRPJ e de CSL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para Fl. 5853DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.623 43 o anocalendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do anocalendário de 2004. Recurso de ofício O órgão julgador de origem exonerou as exigências de IRPJ, CSL, PIS e Cofins no valor de principal que monta R$ 59.241.652,04 (R$ 29.160.478,75 de IRPJ + R$ 15.742.013,40 de CSL + R$ 2.553.549,00 de PIS + R$ 11.785.610,89 de Cofins), por reconhecer: a) que os recursos transferidos pela controladora à recorrente, de outubro a dezembro de 2003, foram para o aumento de capital dessa; b) que as exigências de IRPJ e de CSL, em relação aos recursos transferidos para a recorrente de janeiro a setembro de 2003, encontramse fulminados por vício substancial, pois os fatos geradores se aperfeiçoaram em 30/9/03, por evento de incorporação, conforme a DIPJ/04 da recorrente; c) que as exigências de PIS e de Cofins também se encontram vitimadas de vício substancial por terem se dado em bases anuais, e não mensais; d) que o autuante deixou de compensar base negativa de CSL na apuração desse tributo para os trimestres do anocalendário de 2004. Examino as questões na ordem acima posta. Na 33ª alteração contratual da recorrente (Transocean Brasil Ltda.), de 21/10/2003, constam as integralizações do capital social de R$ 5.072.326,00 e de R$ 9.519.284,00 pela sócia SedcoForex International Inc., totalizando R$ 14.591.610,00 (fls. 1801 a 1810). Na 34ª alteração contratual da recorrente, de 4/11/203, é acusada a integralização do capital social de R$ 9.711.420,00 pela sócia SedcoForex International Inc. (fls. 1811 a 1821). Na 35ª alteração contratual da recorrente, de 18/12/2003, constam as integralizações do capital social de R$ 19.360.440,00 e de R$ 30.793.345,00 pela sócia Sedco Forex International Inc. (fls. 1822 a 1832). O contrato de câmbio de compra 3/04218, de 21/10/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 14.591.610,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 442 e 443. O contrato de câmbio de compra 3/044753, de 4/11/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 9.711.420,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 449 a 451. Fl. 5854DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.624 44 O contrato de câmbio de compra 3/048067, de 21/11/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 19.360.440,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 455 e 457. O contrato de câmbio de compra 3/051535, de 9/12/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 8.796.000,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 461 a 463. O contrato de câmbio de compra 3/053654, de 18/12/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 20.093.105,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 468 a 470. O contrato de câmbio de compra 3/053655, de 18/12/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 1.904.240,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 465 a 467. Notase que o contrato de câmbio de 21/11/2003 é de R$ 19.360.440,00, e a soma dos contratos de câmbio de 9/12 e 18/12/2003 totaliza R$ 30.793.345,00 (R$ 8.796.000,00 + R$ 20.093.105,00 + R$ 1.904.240,00). É o mesmo total de integralização do capital social em 18/12/2003, conforme a 35º alteração contratual da recorrente (acima descrito): R$ 19.360.440,00 e R$ 30.793.345,00. Não há dúvida, pois, que são transferência de recursos da controladora da recorrente, para integralizações de seus aumentos de seu capital. Isso totaliza R$ 74.456.815,00 (R$ 14.591.610,00 + R$ 9.711.420,00 + R$19.360.440,00 + R$ 30.793.345,00). E isso se encontra refletido devidamente nos registros contábeis. Assim, os lançamentos contábeis finais foram: Débito (27/10) – 5870 Banco HSBC R$ 14.591.610,00 (fl. 795) a Crédito (27/10) – 9491 Capital social a integralizar R$ 14.591.610,00 (fl. 796) e Débito (31/10) – 9491 Capital social a integralizar R$ 9.127.409,24 (fl. 796) a Crédito (31/10) – 9498 Capital social R$ 9.127.409,24 (fl. 796) Observação para os lançamentos acima: Havia saldo a débito anterior “9491 Capital social a integralizar” de R$ 5.464.200,76 (fl. 796); Esse saldo devedor da referida conta do patrimônio líquido foi absorvido pelo lançamento a crédito em 27/10 de R$ 14.591.610,00 nessa conta; Com esse lançamento a crédito, a conta “9491 Capital social a integralizar”, ficou com saldo credor de R$ 9.127.409,24, que foi debitado (baixado, transferido) para crédito na conta “9498 – Capital Social. Fl. 5855DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.625 45 Débito (26/11) – 5870 Banco HSBC R$ 9.711.420,00 (fl. 814) Débito (26/11) – 5870 Banco HSBC R$ 19.360.440,00 (fl. 814) a Crédito (26/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 9.711.420,00 (fl. 815) a Crédito (26/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 19.360.440,00 (fl. 815) e Débito (28/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 9.711.420,00 (fl. 815) Débito(28/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 19.360.440,00 (fl. 815) a Crédito (28/11) – 9491 Capital social R$ 9.711.420,00 (fl. 815) a Crédito (28/11) – 9491 Capital social R$ 19.360.440,00 (fl. 815) Débito (23/12) – 5870 Banco HSBC R$ 20.093.105,00 (fl. 830) Débito (23/12) – 5870 Banco HSBC R$ 8.796.000,00 (fl. 830) Débito (23/12) – 5870 Banco HSBC R$ 1.904.240,00 (fl. 830) a Crédito (23/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 20.093.105,00 (fl. 831) a Crédito (23/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 8.796.000,00 (fl. 831) a Crédito (23/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 1.904.240,00 (fl. 831) e Débito (31/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 30.793.345,00 (fl. 831) a Crédito (31/12) – 9491 Capital social R$ 30.793.345,00 (fl. 831) Esse resultado é igual ao chegou o juízo do órgão julgador recorrido. Sobre essa questão, portanto, nego provimento ao recurso. Quanto às exigências de IRPJ e de CSL, relativas aos recursos do exterior transferidos à recorrente de janeiro a setembro de 2003, observo o seguinte. Consta nos autos, a DIPJ/04 de evento especial de incorporação, para o período de 1/1/03 a 30/9/03 (fls. 52 a 90), e a DIPJ/04 normal, para o período de 1/10/03 a 31/12/03 (fls. 91 a 118). Aliás, DIPJs carreadas aos autos pelo autuante. O art. 5º da Lei 9.959/00 prevê que o fato gerador de IRPJ e de CSL da incorporadora também se aperfeiçoa na data do evento da incorporação, caso ela e a incorporada não se encontrem sob o mesmo controle desde o anocalendário anterior ao do evento. A razão desse preceito é evitar a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSL da incorporadora no mesmo período decorrido até a incorporação. O evento de incorporação é da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela recorrente (Transocean Brasil Ltda.). Ademais, nos autos do processo administrativo nº 15521.00122/200779 (de autos de infração igualmente contra a recorrente), sob minha relatoria, em que o julgamento foi convertido em diligência, vêse que no anocalendário de 2002 a controladora direta da Fl. 5856DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.626 46 incorporada era a Sedco Forex International Inc., conforme a 7ª alteração contratual dela, em 2/5/02, e assim permaneceu até a incorporação. E, como já visto alhures no presente voto, no anocalendário de 2002, a controladora direta da incorporadora era a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. É possível que tanto a incorporada como a incorporadora estivessem em 2002 sob o mesmo controle indireto, pois as controladoras diretas de ambas são do mesmo grupo. Não há, porém, elementos suficientes nos autos para afirmar que a incorporada e a incorporadora se encontravam sob o mesmo controle indireto. Mais do que isso, o determinante é que a DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente não foi rechaçada pelo autuante. A propósito disso, não há uma palavra a respeito no TVF. Por conseguinte, não merece reparos a decisão do órgão julgador a quo, de modo que sobre a questão, nego provimento ao recurso. Passo a apreciar a questão do PIS e da Cofins. Vejo que, segundo a DIPJ/05, carreada aos autos pelo autuante (fls. 119 a 196), a recorrente apurou no anocalendário de 2004 IRPJ e CSL trimestralmente – fichas 4A, 6A, 9A, 12 e 17. Nos instrumentos específicos dos autos de infração de PIS e de Cofins – fls. 1124 a 1126, 1127 a 1130 noto que as exigência se deram sob fatos geradores anuais para 2002 e 2003, e sob fatos geradores trimestrais para 2004 (daí ter me referido à apuração trimestral de IRPJ e de CSL para o anocalendário de 2004). O vício substancial que inquina os lançamentos de PIS e de Cofins é claro. Como já tive oportunidade de dizer, por ex., no voto do Acórdão nº 1103000.940, da sessão de 9/10/13, no que fui acompanhado pelos pares por unanimidade, não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Irreparável o decidido pelo órgão julgador de origem. Dessa forma, sobre a questão de PIS e de Cofins, nego provimento ao recurso. Resta a questão da compensação de bases negativas de CSL dos trimestres do anocalendário de 2004. No instrumento específico de lançamento do IRPJ, vejo que se procedeu à compensação de prejuízos fiscais apurados nos trimestres do anocalendário de 2004 fls. 1109 a 1112 conforme apurados na ficha 9A da DIPJ/05 (fls. 133 a 136). O que se constata também no demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais que integra o lançamento fls. 1133 e 1134. No instrumento específico de lançamento da CSL, não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do anocalendário de 2004 fls. Fl. 5857DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.627 47 1119 e 1120 como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05 (fls. 140 a 142). Igualmente não há essa compensação de bases negativas apuradas nos próprios trimestres de 2004 no demonstrativo de compensação de bases negativas que integra o lançamento fls. 1137 e 1138. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõese a seguinte compensação das bases negativas de CSL na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004: R$ 13.380.244,00 na apuração da base de cálculo da CSL do 1º trimestre; R$ 13.692.379,77 na apuração da base de cálculo da CSL do 2º trimestre; R$ 13.765.680,48 na apuração da base de cálculo da CSL do 3º trimestre; R$ 16.931.040,72 na apuração da base de cálculo da CSL do 4º trimestre. Não merece rechaço, pois, o decidido pelo órgão julgador a quo, quanto às compensações de bases negativas de CSL apuradas nos trimestres do anocalendário de 2004. Logo, sobre a questão, nego provimento ao recurso. Nos termos acima deduzidos, nego provimento ao recurso de ofício. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para manter as exigências de IRPJ e de CSL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o anocalendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do anocalendário de 2004, e nego provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 5858DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.628 48 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto ao exame do mérito do recurso voluntário. A situação apresentada aos autos trata de dois contratos, celebrados entre a Petrobrás, a recorrente e a sua controladora, empresa sediada no exterior. Um contrato dispõe sobre prestação de serviços entre a recorrente e a Petrobrás, que trata de atividades como prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover, dentre outros, excetuandose o serviço de afretamento. O outro contrato, celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás, dispõe sobre o afretamento. Somandose os valores dos dois contratos, noventa por cento do montante referese ao contrato de afretamento celebrado entre a controladora do exterior e a Petrobrás, sendo que as receitas de afretamento são albergadas por alíquota zero prevista no art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997. Os outros dez por cento correspondem ao contrato entre a recorrente e a Petrobrás, por prestação de serviços submetida à tributação regular. Diante de prejuízos sucessivos apurados pela recorrente (ordem de 14,5 milhões em 2002, 14,3 milhões em 2003 e 58,2 milhões em 2004), e de “reembolsos” recebidos da controladora no exterior sem contabilização em contas de resultado (na ordem de 59,2 milhões em 2002, 116,6 milhões em 2003 e 216,9 milhões em 2004) foi intimada pela autoridade fiscal a prestar esclarecimentos. A recorrente informou que havia celebrado uma “parceria” ou “aliança informal” com a sua controladora, no sentido de prestar suporte às operações da controladora no território nacional. E, nesse sentido, os “reembolsos” corresponderiam à despesas incorridas pela recorrente para dar suporte aos serviços prestados em favor da controladora. Ou seja, as remessas do exterior recebidas da controladora seriam reembolsos de despesas. São os fatos. A princípio, cumpre esclarecer que um lançamento contábil de remessas oriundas do exterior, atendendo aos princípios basilares da contabilidade, deveria ser de débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado. Ou seja, a situação tratada no caso em tela, no qual a contabilização a crédito ocorreu em conta de obrigações, constituise em lançamento atípico. Caso os fatos alegados pela recorrente pudessem conduzir a uma outra realidade, qual seja, de que seriam de reembolsos de despesas, o que justificaria a contrapartida do débito em conta de ativo a crédito em conta de obrigações, deveriam ser lastreados por elementos hábeis para comprovar a escrituração. Fl. 5859DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.629 49 Mero contrato informal celebrado com a sua controladora não é suficiente para fundamentar o registro contábil efetuado pela recorrente das remessas de divisas do exterior. Tratase de liberalidade que não pode ser oponível ao Fisco. Sequer houve preocupação da recorrente em segregar as despesas que foram incorridas por ela daquelas supostamente originadas do suporte dado à sua controladora. Não há como identificar quais despesas foram oriundas dos serviços prestados a título de prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover (decorrente do contrato celebrado entre a recorrente e a Petrobrás) e daquelas derivadas do afretamento (referentes ao contrato celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás). Ora, se o motivo dos alegados “reembolsos” (repitase, na ordem de 59,2 milhões em 2002, 116,6 milhões em 2003 e 216,9 milhões em 2004) seria precisamente as despesas incorridas em favor de sua controladora, mostrase inadmissível e inexplicável o procedimento da recorrente em optar por não segregar as suas despesas daquelas incorridas em favor da empresa no exterior. Registrese que a contabilização atípica da recorrente é fato incontroverso, inclusive confirmado por laudo de empresa especializada apresentado pela própria defesa. Por isso, mostrase preciso o Termo de Verificação Fiscal: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJ's 2003 à 2005 (referentes aos anoscalendário 2002 à 2004) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater Drilling", "Transocean Offshore Limited", e "Sedco Forex Ind. Inc.", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem dessas pessoas jurídicas ligadas, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS). (...) Importante ressaltar que os valores ora tributados, oriundos de transferências de numerário com o intuito de Recuperação de Custos e/ou Subvenções para custeio ou operação, conforme descrito no presente item não foram oferecidos à tributação, haja vista não terem sido as remessas de "reembolsos" incluídas no Resultado do Exercício, por terem as mesmas sido contabilizadas basicamente em contas de obrigações da TRANSOCEAN BRASIL(p.e, TRANSOCEAN OFFSHORE, TRANSOCEAN DEEPWATER DRILLING, SEDCO FOREX INTL. INC.) ou de patrimônio líquido(capital a integralizar).(grifos originais) Portanto, no caso concreto, caberia à recorrente, diante da contabilização atípica das remessas do exterior, lastrear a sua escrituração com elementos de provas hábeis e idôneos, conforme art. 923 do RIR/99. Fl. 5860DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.630 50 E, conforme já demonstrado, não é o que ocorre nos presentes autos. Assim, pelas razões expostas, apresento minha divergência em relação ao recurso voluntário, para negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5861DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13839.002169/2002-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 08/02/1999, 12/02/1999, 25/02/1999, 02/03/1999, 28/07/1999
DRAWBACK SUSPENSÃO.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.478
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim
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A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos tennos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei n" 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar 4 provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. • t !i ("--)\—• JUDITH 90 ' M g RAL MARCONDES ARMANDO Presidente i - 4 . D -,..1) ' 3---)---- / MÉ r IA HELENA TR 4ANO D'AMORIM — Relatora FORMALIZADO EM: 25 de junho de 2010. . li Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 575 Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ricardo Paulo Rosa, Mercia Helena Trajano D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 2 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1L Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 516 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, às fls. 448/450, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos das respectivas multas de oficio, no percentual de 75%, e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, créditos tributários nos valores de R$ 94.503,03 e R$ 60.638,03, objeto dos Autos de Infração fls. 01-06 e 07-29. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada importou mercadorias ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, com base nos atos concessários n" 2000-9 8/00066 7- 9 e 2000-98/000795-0, porém, descumpriu parcialmente o compromisso de exportação. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 14-29, inicialmente, são expendidas considerações genéricas sobre o regime de drawback, compreendendo sua base legal, definição, natureza jurídica, finalidade e princípios informadores. A seguir, a fiscalização expõe informações gerais sobre a concessão e fiscalização do regime drawback e a sistemática de comprovação. São feitas ainda considerações sobre o princípio da vincula ção física, a exigibilidade dos tributos incidentes na importação, as penalidades aplicáveis e a contagem do prazo decadencial no caso do regime drawback. Às fls. 24-26, constam os cálculos relativos à parcela de insumos cuja industrialização e exportação não foram comprovadas bem como a apuração dos impostos correspondentes. No tocante à infração constatada, a fiscalização expõe o seguinte: Falta de averbação do número do ato coneessório no RE - Base legal: art. 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985; art. 37 da Portaria Secex n° 4/1997; item 19.3 do Comunicado Decex n°21/1997. A averbação no Registro de Exportação (RE) do número do ato concessário visa o controle do incentivo, caso contrário, poderia o beneficiário do regime comprovar dois ou mais atos concessórios com os mesmo documentos de exportação e, assim, os insumos importados com suspensão de impostos poderiam destinar-se ao mercado interno sem o pagamento dos tributos; Processo n0 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 577 Existe campo próprio no RE para a informação do número do ato concessório (02-f ou 23); Nos REs relacionados na fl. 21, apresentados pelo contribuinte no intuito de comprovar o adimplemento do drawback, não consta o numero do ato concessório ao qual estariam vinculados; Os REs apresentados não fazem prova do cumprimento das exportações pactuadas nos atos concessórios por não atenderem a requisito legal; Tal obrigatoriedade se faz necessária para que o interessado comprove o preenchimento das condições e cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão do beneficio, conforme art. 134 do Regulamento Aduaneiro e art. 179 do CTN; Não enquadramento da operação de exportação de drawback no código próprio — base legal: art. 325 do Regulamento Aduaneiro; Decreto n° 661/1992; art. 10 da Portaria SCE n° 02/1992. os REs relacionados na fl. 22 foram enquadrados como exportação normal (código 80000), conforme se verifica no campo 2-a; o código de enquadramento da operação de exportação relacionada a drawback — suspensão, é 81101, conforme consta na tabela de código para preenchimento do RE; constata-se ainda nas Declarações de Despacho de Exportação (DDE) que no campo "regimes aduaneiros" consta "exportação normal" e não "exportação drawback"; "ao solicitar o enquadramento da operação no 'regime normal', o exportador fez com que todo procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com o tratamento de uma exportação no 'regime comum', sem que fossem adotadas as cautelas próprias para uma exportação no 'regime drawback-'"; "não pode o exportador, após concluídos todos os procedimentos de despacho de exportação, utilizar-se de uma exportação efetuada no 'regime comum' para comprovar um Ato Concessório Drawback-Suspensão"; somente exportações enquadradas nos códigos de operação de drawback são hábeis para comprovar o adimplemento do regime. Cientificado do lançamento em 04/07/2002, conforme fls. 01 e 07, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 370-384, em 02/08/2002, acompanhada dos documentos de fls. 385-445, por meio da qual expõe aá seguintes razões de defesa: 4. Processo n° 13839.002169/2002-63 s3-c2'ri Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 511 . conforme pode ser constatado nos REs anexos à impugnação e facilmente poderia ter sido verificado no Siscomex, quando da fiscalização, é flagrante o equívoco da digna autoridade fiscal, porquanto nos campos 23, 24 e 25 consta a devida averbação e vincula ção aos atos concessórios de drawback; consta no campo 2-a dos referidos REs o código 81101, relativo ao regime cirawback-suspensão; embora os REs tivessem sido tempestivamente retificados, a fiscalização não considerou tais documentos e sim os anteriores; no presente caso não há questionamento sobre a exportação da mercadoria e sim sobre a informação de códigos nos campos apropriados dos REs; ainda que os argumentos da autoridade fiscal fossem procedentes, os cofres públicos não tiveram nenhum prejuízo; detalhes acessórios e burocráticos não podem ter o condão de descaracterizar o instituto do drawback; mesmo que as infrações mencionadas pela fiscalização pudessem prevalecer, o montante exigido não foi calculado corretamente, conforme demonstrativos de cálculo expostos às fls. 3 74-3 77; os juros de mora não podem ser calculados utilizando-se a taxa Selic, mas sim a taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1°, do CTIV; o vício da taxa Selic se caracteriza pela ausência de lei que institua a referida taxa, definindo-a e estabelecendo como deve ser calculada e decorre também da aplicação de juros de natureza remunerató ria em tributos, bem como pela impossibilidade de se aferir o montante dos juros antes do fato gerador do tributo, conforme acórdão do Superior Tribunal de Justiça, que decidiu pela inconstitucionalidade da referida taxa de juros. Por força da Portaria SRF n° 956, de 08/04/2005, a competência para julgamento deste processo foi transferida para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza — CE." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos tennos Acórdão DRJ/FOR na 08-13.609, de 03/07/2008, proferido pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 08/02/1999, 12/02/1999, 25/02/1999, 02/03/1999, 28/07/1999 DRAW73ACK. MODALIDADE SUSPENSA- O. LVADIMPLEMENTO PARCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. • • Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 579 Somente comprovam o adimplemento do drawback Registros de Exportação vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação correspondente, não se admitindo Registros de Exportação alterados após a averbação com o intuito de promover a vincula ção ao drawback. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, às fls.467/489 e documentos às fls.490/569 onde repisa basicamente os tenuos da impugnação. O processo foi distribuído a esta Conselheira.. É o relatório. 6 Processo n° 13839.002169/2002-63 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 580 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa a matéria sobre a autuação decorrente da não comprovação de compromissos de drawback - suspensão, firmados através dos Atos Concessórios n OS 2000- 98/000667-9 e 2000-98/000795-0, porém, descumpriu parcialmente o compromisso de exportação., Constitui regime aduaneiro, o tratamento aplicável às mercadorias submetidas a controle aduaneiro, de acordo com as leis e regulamentos aduaneiros, segundo a natureza e os objetivos da operação. São chamados regimes aduaneiros especiais, de acordo com o Decreto lei 37/66 com redação do DL 2472/88, porque escapam à regra geral do regime comum de importação que, salvo exceções legais (isenção, Acordos Internacionais) implicam no pagamento do II. O regime Drawback é considerado um incentivo à exportação e pode ser aplicado em três modalidades: suspensão, isenção e restituição e tem como objetivo, dar poder competitivo à produção nacional, tendo por fundamento eliminar do custo final dos produtos exportáveis o ônus tributário relativo às mercadorias estrangeiras neles utilizadas. Acontecem, portanto, o incremento das exportações e o aumento da competitividade do produto final no mercado externo, uma vez que os produtos beneficiados, desonerados da carga tributária comum às importações, agregam-se ao processo produtivo de um pais, possibilitando o barateamento de custos. Criado para incentivar as exportações, o Drawback enquadra-se dentre os regimes especiais previstos no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/85. Para tanto, o beneficiário deve observar os termos, limites e condições estabelecidos pelo órgão concedente. Logo, são suspensivos, tendo em vista o aspecto jurídico da suspensão da exigibilidade da obrigação tributária que acarretam. Drawback suspensão é a modalidade que permite ao beneficiário importar, com suspensão de tributos, mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada, que foi o utilizado pela empresa. A competência para conceder o Ato Concessório é da Secretaria de Comércio Exterior - Secex, órgão pertencente ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio — MDIC. Assim como a solicitação do Ato Concessório, também deverão ser encaminhados à Secex, os pedidos de retificações e adendos, previstos em seus aditivos e anexos. Ressalte-se que o benefício de drawback, modalidade de suspensão, ese previsto no art. 78 do Decreto-lei n° 37/1966, verbis: 7 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 581 "Art. 78. Poderá ser concedida nos termos e condições estabelecidos no regulamento: I — Suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementaçã o ou acondicionamento de outra a ser exportada; Observa-se de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime, seja quanto à espécie, quantidade, valor e prazo, bem como ainda quanto ao beneficiário do regime e em conseqüência a imposição do cumprimento de vários requisitos de modo a tornar inequívoca a vinculação entre a importação e a exportação, para fins de controle do emprego e destinaç'ão dos bens. Como relatado, versam os autos sobre a inadmissibilidade dos Registros de Exportação-RE com fins de comprovação do adimplemento do compromisso relacionado ao Drawback, em virtude de não terem sido vinculados aos respectivos Atos Concessários. O art. 325 do Regulamento Aduaneiro dispõe: "Art. 325 — A utilização do beneficio previsto neste Capitulo será anotada no documento comprobatório da exportação." Como constatado pela fiscalização, não houve comprovação de parte das exportações relativas aos compromissos firmados por meio dos citados atos concessorios, haja vista que, através das tabelas de fls. 21/22, os Registros de Exportação -REs infoiiiiados pela empresa, no intuito de comprovar o cumprimento do regime, não se relacionam a drawback, pois se referem a exportações não enquadradas nos códigos próprios de drawback-suspensão e/ou não vinculadas ao ato concessorio, como se observa às fls. 156/186 e 262/291. A recorrente apresentou diversos REs. Compulsando esses documentos e confrontando-os com a tabela de fl. 22, verifica-se inicialmente que não abrangem todos os REs relacionados no auto de infração, faltando os REs nos 99/0817788-001, 99/0817805-001 e 99/0859083-001. Assim, ainda que os documentos apresentados com a contestação pudessem ser admitidos como comprobatórios do cumprimento do drawback, restariam exportações não comprovadas, relativas aos REs acima mencionados. Verifica-se, no entanto, que a mensagem de advertência existente no campo 26 desses documentos demonstra que foram alterados, posteriontiente à averbação das exportações, para inclusão do código referente a drawback e/ou para vinculação ao ato concessorio no campo 24 (dados do fabricante). Como não foi comprovada a relação entre as exportações e os Atos Concessorios, seja pela falta de vinculação da exportação ao Ato Concessário respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, no momento do despacho aduaneiro, não há como se demonstrar que 8 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 582 as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que a empresa cumpriu com o compromisso assumido. Por todo o exposto, e pela necessidade da vinculação, por ser uma exigência legal, não merece reparo o auto de infração, quanto à descaracterização das exportações correspondentes aos Registros de Exportação com o código de exportação comum e tampouco a vinculaçã.o a Ato Concessório. E, tampouco, não se admite RE alterado, após averbação, no intuito de promover a vinculação ao ato concessório. Quanto ao argumento da cobrança de juros de mora, a mesma está prevista no Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: "Art. 161 — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Confoune prevê o § 1° supracitado, a Lei 9.065195, por sua vez, de modo diverso, relativamente aos juros de mora, determinou: "Art. 13 — A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850 de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981 de 1995, o art. 84, inciso I e o art.91, parágrafo único, alínea a2, da Lei 8981 de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula n° 4 do Conselho Administrativo Fiscal, in verbis: Súmula 3°CC n° 4 - A partir de 1 0 de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. E, por final, não merece reparo a decisão a quo. Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso. Sala das Sessões, 26 de mit de 2010 1./iitue OtQ/n\J"\-) ME 1A H ENI-T JANO D'AMORIM 9 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 583 • 10
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014340/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE.
Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas físicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual.
DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO.
Somente são dedutíveis, para fins de cálculo do IRPF devido, as despesas escrituradas em livro Caixa, devidamente comprovadas, por documentação hábil e idônea.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, por maioria, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o valor de R$ 14.500,00 no ano-calendário 2000 e reduzir o percentual da multa de ofício aplicada sobre a referida infração de 112,5% para 75%. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que dava provimento em menor extensão, mantendo a multa de 112,5%.
Assinado digitalmente
JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 43 40 /2 00 5- 82 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.327 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas físicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual. DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de cálculo do IRPF devido, as despesas escrituradas em livro Caixa, devidamente comprovadas, por documentação hábil e idônea. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, por maioria, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o valor de R$ 14.500,00 no ano calendário 2000 e reduzir o percentual da multa de ofício aplicada sobre a referida infração de 112,5% para 75%. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que dava provimento em menor extensão, mantendo a multa de 112,5%. Assinado digitalmente JOÃO BELLINI JUNIOR – Presidente Substituto. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/03/2015 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.328 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra CLEBER JOSÉ GODINHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/22, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, exercícios 2001, 2002 e 2003, no valor total de R$ 1.495.703,61, incluindo multa de ofício (proporcional e isolada) e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 23/31, foram omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de despesas de livro caixa, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada). Sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a multa de ofício foi exigida na sua forma agravada, no percentual de 112,5%, em razão da falta de atendimento dos Termos de Intimação Fiscal nºs. 175/2005 e 189/2005, fls. 170/172 e 174/175. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 255/262, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%, conforme Acórdão DRJ/BHE n 0222.365, de 22/05/2009, fls. 272/280. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 283, o contribuinte apresentou, em 17/07/2009, recurso voluntário, fls. 288/319, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que houve cerceamento de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia. que é nulo o Auto de Infração em razão da ilícita quebra do sigilo bancário do contribuinte, posto que o art. 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, prescreve que a autoridade fiscal somente se encontra autorizada a conhecer a movimentação financeira do contribuinte, caso tal exame seja considerado indispensável. que diante da ilicitude da prova produzida no bojo dos autos, seja reconhecida a nulidade da autuação, na medida em que fruto da devassa desmedida e não amparada constitucionalmente da ação dos agentes fazendários, não podendo ser legitimada pela Lei Complementar nº 105, de 2001. que é preciso avaliar se os métodos probatórios indiciários são autorizados em lei e se são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.329 4 que necessário se faz analisar o caso concreto dos autos, sob a luz do princípio da verdade real, a fim de se comprovar que inexistiu qualquer omissão de rendimentos por parte do recorrente, não sendo válida a presunção fiscal de que todos os valores depositados nas contascorrentes do recorrente seriam rendimentos por ele omitidos à fiscalização. que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção simples de omissão de rendimentos, porquanto os extratos bancários traduzam movimentação financeira, os mesmos não representam individualmente matéria tributável, enquanto não provado pelo fisco a existência ou a ocorrência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica auferida pelo titular da conta bancária que o recorrente tem a medicina oftalmológica como sua principal fonte de renda e que o custo dos serviços médicos de implantação de lentes de contato é calculado da seguinte forma: (i) honorários médicos do recorrente, pela implantação das lentes de contato (ii) comissionamento pela utilização das dependências do Instituto de Oftalmologia de Belo Horizonte (iii) custo de elaboração das lentes de contato, valores esses integralmente repassados aos fabricantes das referidas lentes. que as notas fiscais em anexo, todas elas devidamente escrituradas no livro caixa do contribuinte, comprovam as aquisições das lentes de contato realizadas pelo recorrente no período de 2000 a 2002, lentes estas que foram aplicadas nos pacientes, e cujo custo de aquisição foi repassado a cada um dos pacientes por ele atendidos. que, logo, resta comprovado que dos valores cobrados dos pacientes, cujos recibos se requer a juntada, apenas uma pequena parte se referia aos honorários médicos devidos ao recorrente. que vale salientar, ainda, que não somente as despesas com a aquisição das lentes de contato eram deduzidas das receitas obtidas pelo recorrente, mas sim, todas as despesas de custeio da atividade de prestação de serviços do recorrente, como despesas com aluguel, telefone, tributos incidentes sobre a prestação de serviço, todas essas devidamente escrituradas no livro caixa do recorrente e, portanto, hábeis a serem deduzidas das receitas na forma do artigo 51 da IN 15/01 que a fiscalização considerou como base de cálculo do IRPF todos os valores depositados nas diversas instituições financeiras, nas quais o recorrente possuía contacorrente, tendo sido considerados valores em duplicidade, eis que se referem a meras transferências entre contas do mesmo titular, consoante comprovado através das planilhas anexas. que ocorreram créditos nas contas correntes do recorrente oriundos de empréstimos bancários, que jamais constituem renda do recorrente. A título exemplificativo, fls 60 dos autos, a fiscalização presumiu que o valor de R$ 14.500,00, cujo histórico do extrato bancário possui os dizeres liberação operação crédito , teria se traduzido em omissão de receitas (ver documentação anexa) que quanto às multas majoradas aplicadas pela fiscalização por suposta omissão do contribuinte no atendimento às intimações fiscais, verificase que a ausência de resposta do contribuinte aos termos de intimação fiscal não impediu em nada o trabalho fiscal, mormente pelo fato de que os extratos bancários, base do trabalho fiscal, foram enviados diretamente pelas instituições financeiras a pedido da Receita Federal. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.330 5 que a aplicação das multas, nos patamares em que foram exigidas é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada face às violações aos Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do NãoConfisco e Moralidade. Conforme Resolução n° 2102000.135, de 15/05/2013, fls. 3324/3325, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Ocorre que o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.331 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, devese examinar a alegação do recorrente de cerceamento do direito de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia. Em que pese o contribuinte tenha formulado os quesitos e indicado perito, verdade é que a autoridade julgadora de primeira instância entendeu desnecessária a realização da perícia, fundamentando suas razões de decidir nos seguintes termos: 4Pedidos de perícia e apresentação de provas posteriormente à impugnação: O impugnante solicita a realização de perícia contábil, tanto no Instituto de Olhos de Belo Horizonte, como na sua contabilidade. Cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, determinar a realização de diligências e/ou perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. No presente caso, não se cogita a realização de perícia, pois, como pode se verificar do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal a análise dos documentos pela fiscalização foi bem abrangente e está toda consubstanciada nos referidos Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal. Se o impugnante discorda da fiscalização, caberia ter feito a manifestação contrária, na condição de impugnante, trazendo provas aos autos e não procurando transferir o ônus da produção de provas que cabe a ele para a autoridade administrativa. No tocante ao pedido para posterior juntada de provas, cumpre lembrar que os §§ 4° e 5° do art.16 do Dec. n° 70.235, de 1972, e alterações, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A petição do interessado, contudo, não demonstra a ocorrência das condições acima. Aditese que, passados mais de três anos em que foi apresentada a impugnação o contribuinte não se manifestou sobre a pretendida apresentação de tais provas. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.332 7 Veja que cuidase das infrações de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de despesas de livro caixa, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada), sendo certo que alguns quesitos formulados pela defesa podem ser respondidos sem a necessidade de realização da perícia ao passo que outros, relacionados às infrações de omissão de rendimentos, deveriam ser demonstrados pela defesa, durante o procedimento fiscal ou nas fases de impugnação e de recurso. Como exemplo citese o primeiro quesito formulado pela defesa: Qual a origem do crédito tributário exigido? Ora a origem do crédito tributário são as infrações a ele imputadas. O que se faz necessário esclarecer é qual a origem dos créditos efetivados nas contas bancárias do contribuinte. Contudo, este esclarecimento jamais foi prestado pelo contribuinte. E mais, a decisão recorrida está devidamente fundamentada, sendo certo que estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. Nestes termos, devese confirmar o indeferimento do pedido de perícia, nos moldes em que negado pela decisão recorrida, razão porque afastase a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ainda, preliminarmente, devese examinar a alegação da defesa de nulidade do lançamento. Segundo entende o contribuinte a quebra do seu sigilo bancário seria ilícita, posto que o art. 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, prescreve que a autoridade fiscal somente se encontra autorizada a conhecer a movimentação financeira do contribuinte, caso tal exame seja considerado indispensável. Por oportuno, trazse a seguir o disposto no art. 6º da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Da leitura do referido dispositivo, resta claro que havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente, sendo certo que tal entendimento é reforçado pelo disposto no art. 4º, § 8º, do Decreto nº 3.724, de 2001, abaixo transcrito: Art.4oPoderão requisitar as informações referidas no § 5odo art. 2oas autoridades competentes para expedir o MPF.(Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007) (...) Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.333 8 §8oA expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Ou seja, cabe à autoridade administrativa competente, no caso, ao Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, a apreciação do indispensável exame dos extratos bancários do contribuinte para o prosseguimento da ação fiscal que estava em curso, sendo certo que a emissão das RMF, fls. 490, 592, 634 e 647, por si só, presume a indispensabilidade das informações requisitadas. Assim, alegações acerca do enquadramento do contribuinte nas hipóteses descritas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, não tem o condão de caracterizar quebra ilegal de sigilo bancário, tampouco pode comprometer o uso dos extratos bancários, obtidos mediante a referida RMF, para fins de lançamento da infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Nessa conformidade, afastase a alegação de nulidade do lançamento, suscitada pela defesa. No mérito, no que pertine à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada devese ter em mente que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu uma presunção legal, e não uma presunção simples, conforme afirma a defesa, de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Quando a origem dos depósitos não é justificada, tal circunstância permite inferir ter havido aquisição de renda omitida à tributação. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. Assim, com a edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autoridade fiscal está desobrigada de estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o sinal exterior de riqueza que represente omissão de receita. Aliás, este é o entendimento traduzido pela Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, nesse aspecto não se sustenta a tese defendida pelo recorrente. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.334 9 Ainda em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o contribuinte afirma que a autoridade fiscal considerou como base de cálculo do IRPF todos os valores depositados nas diversas instituições financeiras, nas quais o recorrente possuía contacorrente, tendo sido considerados valores em duplicidade, eis que se referem a meras transferências entre contas do mesmo titular, consoante comprovado através das planilhas anexas. Todavia, tais planilhas não foram acostados aos autos, seja quando da apresentação da impugnação ou do recurso voluntário, de sorte que carece de comprovação tal alegação. Noutro giro, assiste razão ao contribuinte em relação ao depósito efetivado em sua conta bancária, junto ao Banco HSBC, em 21/01/2000, no valor de R$ 14.500,00, fls. 60, cujo histórico no mencionado extrato bancário é liberação operação de crédito. Referido histórico corresponde a liberação de empréstimo tomado pelo recorrente, sendo, portanto, passível de exclusão da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, mormente diante do Instrumento Particular de Confissão, Composição de Dívida, Forma de Pagamento e Outras Avenças, fls. 338, juntados aos autos quando da apresentação do recurso voluntário. Nestes termos, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve ser mantida em parte, excluindose da base de cálculo o valor de R$ 14.500,00, no anocalendário 2000. No que se refere à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, cumpre dizer que a autoridade fiscal agiu com acerto, conforme se infere do trecho a seguir transcrito do Termo de Verificação Fiscal, fls. 23/31: As planilhas n°s 02, 03 e 04, referentes aos anos de 2000, 2001 e 2002, respectivamente DEMONSTRATIVO DOS VALORES MENSAIS RECEBIDOS DE CLIENTES (REAIS), doc.fl. 109 127, enviadas para o contribuinte com o nome dos 134 pacientes, foram preenchidas pelo fiscalizado e constam, em alguns meses, valores maiores do que os lançados no Livro Caixa, doc.fls. 09 a 98, anexo 1. No Livro Caixa e na DIRPF do ano 2000, nos meses de fevereiro e junho foram lançados os valores de R$ 824,00 e R$ 860,00, respectivamente, doc. fls.09 a 44, e na planilha n° 02 foram lançados os valores de R$ 940,00 e R$ 995,00, respectivamente doc. fls. 117. No Livro Caixa e na DIRPF do ano 2001, no mês de setembro foi lançado o valor de R$ 1680,51, doc. fls. 45 a 59 e na planilha n° 03 foi lançado o valor de R$ 1955,00, doc. fls. 122. No Livro Caixa do ano 2002, nos meses de janeiro, maio, julho, setembro, novembro e dezembro foram lançados os valores de R$ 1.324,00, R$ 1.330,00, R$ 1.320,00, R$ 1.330,00, R$ 1.290,00 e R$ 1.220,00, respectivamente, doc. fls. 60 a 98 e na planilha n° 04 foram lançados os valores de R$ 3.933,50, R$ 2.148,50, R$ 3.655,00, R$ 2.498,50, R$ 3.174,35 e R$ 3.462,50, respectivamente doc. fls. 127. Como os valores nos meses acima citados lançados nas planilhas apresentadas pelo fiscalizado foram maiores do que os valores lançados no livro caixa, consideramos como recebidos nestes meses os valores Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.335 10 maiores lançados nas planilha; fls. 117, 122 e 127. No "DEMONSTRATIVO DA DIFERENÇA APURADA PELA FISCALIZAÇÃO COM RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO DECLARADOS', doc. fls. 100,100v e 101, podese melhor visualizar os valores apurados como Omissão de Rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas, que ora lançamos no Auto de Infração do qual este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. No recurso, o contribuinte limitase a afirmar que dos valores cobrados dos pacientes, apenas uma pequena parte se referia aos honorários médicos devidos ao recorrente. Todavia, tal alegação carece de comprovação, sendo certo que a autoridade fiscal teve o cuidado de expurgar dos valores lançados todos os clientes que não apresentaram recibos ou apresentaram os recibos com compra de lente de contato, conforme bem observado pela decisão recorrida. Assim, devese manter integralmente a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas física. Quanto à infração de dedução indevida de despesas escrituradas no Livro Caixa, o contribuinte afirma que as notas fiscais de compras de lentes, devidamente escrituradas no livro caixa, comprovam as aquisições das lentes de contato realizadas pelo recorrente no período de 2000 a 2002, lentes estas que foram aplicadas nos pacientes, e cujo custo de aquisição foi repassado a cada um dos pacientes por ele atendidos. Todavia, do exame do Livro Caixa verificase que o contribuinte não registrou despesas com a aquisição da compra das lentes de contatos, sendo certo que restou apurado durante o procedimento fiscal que o contribuinte também não oferecia à tributação os valores recebidos dos clientes pela cobrança das referidas lentes. Ou seja, a transação das lentes de contatos não está registrada no Livro Caixa, seja no que se refere à despesa, seja no que se refere ao ressarcimento por parte dos clientes, de modo que tal operação não tem nenhuma influência no lançamento da infração de dedução indevida de despesas escrituradas no Livro Caixa. Já no que se refere às despesas escrituradas no livro Caixa, tais como aluguel e telefone, devese esclarecer que as mesmas foram glosadas em razão da falta de apresentação dos competentes comprovantes das despesas. Assim, na ausência da referida documentação, devese manter a infração, nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração. No que tange à infração de falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada) temse que a mesma não foi contestada pela defesa no recurso voluntário. Por fim, a respeito da multa de ofício o contribuinte afirma que houve violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, do não confisco e da moralidade. Nesse sentido, vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.336 11 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa aos princípios constitucionais. Ainda no que se refere à multa de ofício, devese analisar a pertinência da aplicação do percentual de 112,5% exigido em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Sobre o assunto a defesa afirma que a falta de atendimento às intimações fiscais não impediu em nada o trabalho fiscal, mormente pelo fato de que os extratos bancários, base do trabalho fiscal, foram enviados diretamente pelas instituições financeiras a pedido da Receita Federal. No Termo de Verificação Fiscal restou esclarecido que agravouse a multa de ofício em razão da falta de atendimento aos Termos de Intimação, nºs. 175/2005 e 189/2005, fls. 170/172 e 174/175. Referidos Termos cuidam exclusivamente da movimentação financeira do contribuinte, ocasião em que a autoridade fiscal solicita a apresentação dos extratos bancários e a comprovação da origem dos recursos lá movimentados. É bem verdade que o contribuinte deixou de atender aos referidos Termos. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Os extratos bancários foram obtidos, sem dificuldades pela autoridade fiscal e a falta de esclarecimentos sobre a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de titularidade do contribuinte não obstaculizou a atividade fiscal, pelo contrário, a facilitou, pois tal conduta teve como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido de 112,5% para 75%. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 14.500,00 no anocalendário 2000 e reduzir o percentual da multa de ofício aplicada sobre a referida infração de 112,5% para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.337 12 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000940/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
Ementa:
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Rejeita-se preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte.
LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência.
MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1102-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13, vencidos o conselheiro Jackson Mitsui, que negava provimento ao recurso, e o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, que dava parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício fosse aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/2012.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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NULIDADE. Rejeita-se preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência. MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13, vencidos o conselheiro Jackson Mitsui, que negava provimento ao recurso, e o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, que dava parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício fosse aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/2012. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, JACKSON MITSUI, MARCELO BAETA IPPOLITO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (SP1), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/04/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a alegação de cerceamento de defesa porquanto a recorrente teve acesso a todos os documentos elaborados no curso do procedimento fiscal, bem como do auto de infração consequente, o que lhe possibilitou o pleno exercício do contraditório. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESCABIMENTO. Incabível o pedido de realização de diligência e perícia, pois o presente litígio se resolve com o direito e os fatos comprovados por documentos já constantes dos autos. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. NÃO APRESENTAÇÃO. MULTA ISOLADA. A não apresentação de arquivos magnéticos requeridos pela autoridade fiscal enseja a aplicação de multa de dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/04/2010 CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 2 3 Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada em 12/04/2010 (fl. 26), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo a multa pela não entrega de arquivos magnéticos requeridos pela fiscalização. 2. Conforme descrito no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal Nº 01 – Meios Magnéticos (fls. 17 a 20), a empresa foi regularmente intimada, de acordo com as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, a disponibilizar seus arquivos magnéticos contábeis e de Notas fiscais, não tendo entregue aqueles pertinentes às Notas Fiscais. 3. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o seguinte Auto de Infração: 3.1. Multa Regulamentar e/ou Multa e Juros Isolados (fls. 21 a 25): 3.1.1. Multas Isoladas Multas de Valor Fixo – Falta/Atraso na Entrega de Arquivo Magnético – com base nos artigos 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, com redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.158-34/2001 e reedições. 3.1.2. O crédito tributário totalizou o montante de R$ 1.548.282,62. 4. Irresignada com os lançamentos, em 10/05/2010, a empresa apresentou, representada por procuradores (Procuração e documentos respectivos às fls. 70 a 84), a impugnação às fls. 43 a 69, acompanhada dos documentos às fls. 70 a 117, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Em 17/08/2009 a recorrente entregou à fiscalização, em cumprimento ao Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 06 de agosto de 2009, os Livros Registros de Entradas Anos 2005 e 2006; Registro de Saídas — Ano 2005 — Livros n.°s 15 e 16 e Ano 2006 — Livros n.°s 17 e 18; Registro de Inventário Anos 2005 e 2006; Registro de IPI Anos 2005 e 2006; Registro de ICMS — Anos 2005 e 2006; Registro Mod. 06, n.° 01; Livro Diário — Ano 2005 — n.° 37 e Ano 2006 — n.° 49. Os livros aqui elencados foram recebidos pessoalmente pelo Auditor Fiscal Autuante, conforme atesta o documento ‘Entrega de Documentos n.° 12045’ (anexou documentos às fls. 96 a 102). 4.2. Posteriormente, em 25/08/2009, a defendente, ainda em cumprimento ao Termo de Início de Fiscalização, encaminhou os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) nºs 04/2005 e 05/2006. 4.3. Evidencia-se, de pronto que a requerente deu pleno atendimento à solicitação da digna Autoridade Fiscal Autuante, ou seja, em nenhum momento procurou obstaculizar os trabalhos da auditoria fiscal a que foi submetida, e os livros apresentados já seriam suficientes para a verificação da situação econômica- Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 financeira-patrimonial da fiscalizada, independentemente da existência ou não dos arquivos magnéticos, que não é o caso presente como se verá adiante. 4.4. Além dos livros e documentos solicitados e ofertados conforme descrito, a autuante intimou a Impugnante a apresentar os arquivos magnéticos, na forma disciplinada pela Instrução Normativa SRF n.° 86/2001. 4.5. No Termo de Verificação Fiscal Nº 01 – Meios Magnéticos, parte integrante do AI, a fiscalização consigna ‘Lavrou-se no mesmo dia a Intimação relativa a apresentação dos arquivos magnéticos contábeis e fiscais previstos na IN 86/2001 e ADE COFIS n° 15/01’, sendo que ‘Até a presente data o contribuinte não apresentou os arquivos fiscais, não apresentando qualquer justificativa para o não atendimento à intimação’. 4.6. A afirmação do autuante é totalmente improcedente e não retrata a verdade material dos fatos face ao contido nos autos do Processo Administrativo Fiscal oriundo da exigência fiscal, posto que a Impugnante apresentou os arquivos magnéticos solicitados, os quais foram recepcionados pelo Auditor Fiscal em 08 de setembro de 2009 (anexou documentos às fls. 96 a 102). Acresça-se que, nesta mesma data, foram entregues à fiscalização 5 (cinco) pastas AZ contendo documentos comprobatórios de operações realizadas no curso do ano-calendário 2006, atestando a legitimidade dos registros contábeis e fiscais efetuados pela Impugnante (juntou documento à fl. 102). 4.7. Registre-se que após a entrega dos arquivos magnéticos, conforme acima provado e comprovado, o Auditor Fiscal autuante quedou-se em silêncio, não se manifestando se os mesmos estavam conformes com a sua exigência e se os referidos arquivos deveriam ser refeitos, corrigidos ou reconstituídos, ou seja, até o momento da lavratura do Auto de Infração ora questionado, aceitou como plenamente válidas as informações fornecidas pela Impugnante e contidas nos referidos arquivos magnéticos. 4.8. Não há como aceitar a imposição da cobrança dos juros moratórios pretendidos pela Administração Fazendária, calculado com base na Taxa Selic. A Impugnante, neste aspecto, manifesta seu protesto por ser simplesmente inconcebível que, ao tributo lançado, seja acrescida a cobrança de juros exorbitantes, calculados com base na Taxa Selic, posto que o artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. 4.9. É bem verdade que o § 1º deste artigo estabelece que ‘se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês’. No entanto, não se pode utilizar os juros remuneratórios como instrumento de sanção pelo inadimplemento do crédito tributário, dado que aqueles estão sujeitos a variação de um mercado específico, voltado exclusivamente para o mercado financeiro, o qual possui regras e objetivos próprios totalmente dissociados da tributação. 4.10. Assim, ainda que não sejam acolhidos os itens precedentes, os juros cobrados devem limitar-se ao percentual de 1% (um por cento) ao mês. 4.11. Sendo aplicada sobre o crédito tributário constituído através do AI ora impugnado, a Taxa Selic assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. 4.12. Independentemente do acolhimento da improcedência dos juros Selic, a recorrente protesta, adicionalmente, pela suspensão de sua incidência e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização desta Impugnação e a data Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 3 5 em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa, com fulcro no art. 151, inciso III, do CTN. 4.13. Não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto n.° 70.232, de 6 de março de 1972, incluído por força do disposto na Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da defesa até a decisão final da lide. 4.14. O AI que se discute foi lavrado em 07/04/2010, com ciência em 12/04/2010. Entretanto, a Divisão de Fiscalização encaminhou os autos à Equipe de Controle e Cobrança do Crédito Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo somente em 29/04/2010, conforme atesta o comprovante anexo (juntou documentos às fls. 112 e 113), quando passou a registrar a condição ‘em trânsito’. 4.15. A empresa, por meio de seus representantes legais, compareceu à Equipe de Controle e Cobrança do Crédito Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em 07/05/2010, com o objetivo de ter vistas dos autos, sendo informada que o processo ainda não havia chegado à aquele setor, conforme documento que lhe foi entregue pela mencionada equipe (acostou documento às fls. 114 e 115). Em 10/05/2010 compareceu novamente perante o mencionado órgão, sendo-lhe novamente informado que o processo ainda não havia sido entregue àquele setor, conforme atesta documento constante deste contraditório (anexou documento às fls. 116 e 117). 4.16. Assim, a Impugnante se viu privada de ter acesso aos autos, constituindo-se tal fato em verdadeiro e inquestionável cerceamento do seu direito de defesa, posto que, para interpor a presente impugnação, louvou-se única e exclusivamente dos termos lavrados pela fiscalização e das informações que lhes foram prestadas, desconhecendo até a presente data, 10 de maio de 2.010, o contido nos autos do referido processo administrativo. 4.17. Ante o exposto a recorrente se reserva o direito de, se necessário, novamente comparecer nos autos tão logo tenha vista do Processo Administrativo Fiscal oriundo da autuação ora contestada, apresentando novos argumentos de fato, de direito, prova, diligências e perícias, ao amparo do disposto no na Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, em seus artigos 2º, 3º, inciso III, e 69, inclusive em razão de fatos supervenientes que estejam intimamente relacionados com a autuação ora impugnada, em decorrência da auditoria fiscal que se encontra em curso, tendo em vista que, conforme noticiado, o Auditor Fiscal da Receita Federal Autuante encerrou parcialmente a fiscalização a que foi e está submetida a Impugnante. 5. Em 08/07/2010 a interessada solicitou a juntada de aditamento à defesa apresentada (fl. 122), que foi acostada às fls. 123 a 128 (anexos às fls. 129 a 135), na qual reitera os argumentos já expostos anteriormente, e pugna, com base no disposto na Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, em seus artigos 2º, 3º, inciso III, e 69, pela ‘produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias’.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação pelos motivos sintetizados na ementa descrita acima. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 Em recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de nulidade da decisão recorrida por não ter examinado aditivo à impugnação apresentando antes da data do respectivo julgamento e, no mais, reproduz suas alegações de impugnação relativas (i) à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e (ii) à improcedência da multa isolada imposta, ante (a) a apresentação dos arquivos magnéticos solicitados; (b) o erro de tipificação legal da multa incorrido pela Fiscalização; (c) a ausência de obrigação de apresentar os arquivos magnéticos requeridos; (d) a ilegitimidade de exigência concomitante de multa isolada por não entrega de arquivos magnéticos e de multa isolada por entrega deficiente de escrituração digital nos mesmos anos-calendário (objeto do Processo Administrativo n. 19515.002847/2010-37). Subsidiariamente, argui a ilegalidade da incidência de juros equivalentes à Taxa Selic sobre a multa. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Preliminar de nulidade do acórdão recorrido por alegado cerceamento de defesa Suscita a Contribuinte preliminar de nulidade do acórdão recorrido pelo fato de este (acórdão) não ter examinado os argumentos aduzidos em aditivo à impugnação (fls. 122 a 128 da cópia digital) apresentado antes da data do respectivo julgamento. A preliminar não procede. A par do fato de a Contribuinte não apontar em recurso quais as matérias de defesa teriam deixado de ser analisadas pelo acórdão recorrido e o conseqüente prejuízo ao seu direito de defesa e contraditório, nota-se do cotejo entre o citado aditivo e a fundamentação do acórdão recorrido que todos os argumentos aduzidos pela Contribuinte foram expressamente refutados pelo ato decisório impugnado. No aditivo, a Contribuinte alega a improcedência da multa isolada pelo fato de ter entregue os arquivos magnéticos requeridos pela Fiscalização por meio dos termos de intimação que instruem esse processo administrativo. Comprovaria o alegado pela juntada de comprovante de protocolo que teria sido omitido pela Fiscalização na narrativa dos fatos que justificaram o lançamento. Citada argumentação foi rejeitada pelo acórdão recorrido nos seguintes termos (fls. 148 da cópia digital): “Afirma a defendente que a afirmação da fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal Nº 01 – Meios Magnéticos , parte integrante do AI, que a contribuinte não apresentou os arquivos fiscais, não procede, pois a defendente apresentou os arquivos magnéticos solicitados, os quais foram recepcionados pelo Auditor Fiscal em 08 de setembro de 2009 (anexou documentos às fls. 96 a 102). 28. Nos documentos acostados pela requerente (fls. 96 a 102) realmente se constata registro manuscrito do auditor responsável pela fiscalização, de 08/09/2009 (fl. 97), atestando o recebimento dos arquivos magnéticos. Entretanto, trata-se de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 4 7 arquivos de Lançamentos Contábeis, Plano de Contas e Saldos Mensais, o que remete a questão ao item A da intimação recebida com ciência em 06/08/2009. Não há, portanto, qualquer menção ao recebimento dos arquivos magnéticos solicitados no item B da referida intimação, questão que já havia sido abordada no retrocitado Termo de Verificação Fiscal, que informa expressamente que empresa não entregou os arquivos magnéticos mencionados no item B da intimação.” Independentemente da procedência (ou não) do fundamento aduzido pelo acórdão recorrido, o que será objeto de exame linhas abaixo, é certo que as alegações de defesa argüidas em aditivo pela Contribuinte foram examinadas pelo acórdão recorrido. Rejeita-se, pois, a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. (ii) Preliminar de nulidade do lançamento por alegado cerceamento de defesa Aduz a Contribuinte cerceamento do direito de defesa pelo fato de que a Fiscalização teria levado 17 dias, após a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, para formalizar o procedimento administrativo, tendo os autos sido disponibilizados para consulta na DERAT apenas após o decurso do prazo de intimação. Confira-se (fls. 167 a 168 da cópia digital): “Conforme por ele atestado, o Autuante levou exatos 17 dias para formalizar o procedimento administrativo e encaminhá-lo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP – fls 143 dos autos. Este é um procedimento que deve ser reorientado no âmbito da Administração Fiscal/Tributária, posto que, lavrado o auto de infração, o processo deve estar disponibilizado de imediato ao sujeito passivo da obrigação tributária para que ele promova sua defesa. Nada justifica o Auto de Infração com ciência em 12/04/2010, e o processo ter sido movimentado pela Divisão de Fiscalização somente em 29/04/2010, e em 10/05/2012 não estar disponível para o contribuinte junto à DERAT/SP.” O acórdão recorrido reconhece a demora para a disponibilização do processo administrativo para consulta da Contribuinte. Contudo, considerou tal situação irrelevante para a validade do lançamento na medida em que todos os documentos e informações haviam sido disponibilizados à Contribuinte pela Fiscalização no decorrer da ação fiscal. Verbis: (fls. 143 da cópia digital): “10. A questão do acesso aos autos após a lavratura do AI, considerando-se a realidade dos fatos, é irrelevante, pois todos os documentos que a interessada poderia consultar já tinham sido a ela disponibilizados no decorrer da ação fiscal, com destaque para o Termo de Verificação Fiscal e o AI, a ela enviados com ciência em 12/04/2010 (fl. 26). 11. Portanto, rejeita-se a alegação de cerceamento de defesa arguida pela recorrente.” Novamente a preliminar de nulidade não procede. A uma, pois a Contribuinte não aponta em recurso quais documentos teriam sido omitidos e cuja falta de tempestivo exame teria causado prejuízo ao seu direito de defesa. A duas, pois os documentos e informações relevantes para a apresentação de impugnação eram de pleno conhecimento da Contribuinte. Prova inequívoca dessa assertiva é o robusto conteúdo Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 da impugnação apresentada contra o lançamento. A três e, principalmente, pelo fato de que eventual atraso na disponibilização do processo para consulta após a lavratura do auto de infração não teria o condão de invalidá-lo, mas, sim, fosse o caso, implicaria devolução de prazo para a apresentação de impugnação, tal como ocorre ordinariamente em processos judiciais. Rejeita-se, pois, a preliminar de nulidade do lançamento suscitada. (iii) Mérito Conforme se depreende do relatório supra, trata-se de lançamento para exigência de multa isolada pela ausência de entrega de arquivos magnéticos nos anos- calendário de 2005 e 2006, requeridos pela Fiscalização por meio do Termo de Intimação de fls. 13/14 da cópia digital. Cite-se, por relevante, trecho do termo de intimação e do Termo de Verificação Fiscal que bem sintetizam as razões da autuação, verbis: - Termo de Intimação Fiscal “No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, INTIMAMOS o contribuinte acima identificado para que, no prazo de 20 (vinte) dias, a contar da data da ciência do presente Termo, apresente os arquivos magnéticos contábeis e notas fiscais, especificados abaixo, previstos na IN 86/2001 e ADE 15/01, do ano—calendário de 2005 e 2006, com base nos artigos 904, §§ e 927 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.03.99, DOU de 29.03.99. I— IN 86/01 A — Arquivos Contábeis 1 — Arquivos : 4.1.1 (lançamentos contábeis); 4.1.2 (saldos mensais) , 4.9.2 (tabela de plano de contas), 4.9.3 e (Tabela de Centro de Custo/Despesa). B — Arquivos Notas Fiscais — por estabelecimento 1 — Arquivos : 4.2.1 — (Arquivos Fornecedores/clientes); 4.3.1 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — notas fiscais de saída ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.2 (arquivo de itens de mercadorias/serviços — notas fiscais de saídas ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.3 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros); 4.3.4 (arquivo itens de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros) ; 4.3.5 (arquivo mestre de notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.6 ( arquivo itens de notas fiscais de serviço emitidas pela pessoa jurídica) ; 4.5.1 (arquivo de controle de estoque); 4.5.2 (arquivo de registro de inventário — AC de 2004, 2005 E 2006);4.81(arquivo de folha de pagamento); 4.8.2 (arquivo cadastro de empregados); 4.9.1 (arquivo de cadastro de pessoas jurídicas e fisicas); 4.9.4 (tabela de natureza da operação) e 4.9.5 (tabela de mercadorias/serviços).” - Termo de Verificação Fiscal “2 — O procedimento fiscal foi iniciado em 06/08/2010, através da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, onde o contribuinte foi intimado a apresentar os livros fiscais e contábeis relativos aos períodos mencionados; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 5 9 3 — Lavrou-se no mesmo dia a Intimação relativa a apresentação dos arquivos magnéticos contábeis e fiscais previstos na IN 86/2001 e ADE COFIS n° 15/01; 4 — Até a presente data o contribuinte não apresentou os arquivos fiscais, não apresentando qualquer justificativa para o não atendimento à intimação; 5 — Com base das disposições dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.218/91, com redação dada pelo art. 62 da Lei no 8.383/91, e art. 72 da Medida Provisória n° 2.158-34/2001, é possível montar a seguinte tabela da penalidade aplicável pelo fisco, quando verificada infração as normas referentes à apresentação dos arquivos magnéticos: (...) 6 — No caso concreto, o contribuinte, decorrido o interregno de 244 (duzentos e quarenta e quatro dias) e vencido o prazo para apresentação, não entregou os arquivos magnéticos de notas fiscais, especificados no item "B" da Intimação lavrada em 06/08/2009, especificados pelo Anexo Onico do ADE COFIS n° 15/01: 4.2.1 — (Arquivos Fornecedores/clientes); 4.3.1 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — notas fiscais de saída ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.2 (arquivo de itens de mercadorias/serviços — notas fiscais de saídas ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.3 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros); 4.3.4 (arquivo itens de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros) ; 4.3.5 (arquivo mestre de notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.6 ( arquivo itens de notas fiscais de serviço emitidas pela pessoa jurídica) ; 4.5.1 (arquivo de controle de estoque); 4.5.2 (arquivo de registro de inventário — AC de 2004, 2005 E 2006);4.81(arquivo de folha de pagamento); 4.8.2 (arquivo cadastro de empregados); 4.9.1 (arquivo de cadastro de pessoas jurídicas e físicas); 4.9.4 (tabela de natureza da operação) e 4.9.5 (tabela de mercadorias/serviços). 7 - Assim, o contribuinte está sujeito à penalidade imposta pela legislação, cuja multa é equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento desta, aos que não cumprem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas (Lei n° 8.218/91, art. 12, inciso III, com a redação dada pela Medida Provisória no 2158-35, de 2001).” (grifos nossos) Em sua defesa, a Contribuinte sustenta que teria entregue os arquivos digitais requeridos por meio do citado termo de intimação fiscal (fls. 96 a 102 da cópia digital), fato esse que teria sido omitido pela Fiscalização no lançamento. O argumento não procede. Conforme se verifica do termo de verificação fiscal, o lançamento decorre da ausência de entrega, pela Contribuinte, de arquivos magnéticos que contivessem informações fiscais, notadamente arroladas no item B do termo de intimação fiscal acima transcrito. Por sua vez, os arquivos magnéticos recebidos pela Fiscalização (fls. 97 da cópia digital) referem-se às informações contábeis da Contribuinte, referidas no item A da intimação. Não são verdadeiras, pois, as alegações de que (a) teria havido omissão da Fiscalização no lançamento sobre o recebimento de arquivos magnéticos entregues (em parte) pela Contribuinte; e (b) citados arquivos teriam sido integralmente entregues. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 Também não procede o argumento da Contribuinte no sentido de que não estaria obrigada a apresentar a escrituração digital requerida pela Fiscalização. Trata-se de obrigação imposta pela Lei n. 9.779/99 (art. 16), regulamentada pela Instrução Normativa n. 86/2001. Ainda no mérito, a Contribuinte sustenta erro na tipificação da multa imposta e a impossibilidade de exigência concomitante entre as multas isoladas citadas nos incisos II e III, do art. 28 da Lei n. 8.218, de 1991, tal como ocorre no caso, nos seguintes termos (fls. 179 da cópia digital): “Senhores conselheiros, ante o acima exposto, não há como se aplicar concomitantemente as infrações previstas nos incisos II e III do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, pois: a) o inciso II impõe a penalidade quando o contribuinte omitir ou prestar incorretamente as informações solicitadas pela Autoridade Fiscal e, b) no inciso III a penalidade é imposta quando o contribuinte deixa de cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas.” Ora, se o contribuinte apresenta, ainda que parcialmente, os arquivos magnéticos exigidos pelo Auditor Fiscal Autuante, por óbvio, a única penalidade a ser aplicada, se procedente, é a contida no inciso II, do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991.” Lembre-se, por relevante, que a alegada concomitância decorre da imposição, nos anos calendário de 2005 e 2006, (a) de multa isolada pela ausência de entrega de arquivos magnéticos relativos às informações arroladas no item B do termo de intimação fiscal acima citado; e (b) de multa isolada pela entrega de arquivos magnéticos com omissões (campos em branco) e informações incorretas relativos às informações arroladas no item A do termo de intimação fiscal em referência. Essa última multa é objeto do Processo Administrativo n. 19515.002847/2010-37. A argumentação de concomitância não merece acolhida nesse processo administrativo, que versa sobre a penalidade imposta por força da não entrega dos arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Aplicando-se a teoria da consunção, é a penalidade imposta à conduta de “entregar arquivos digitais deficientes” que é absorvida pela conduta de “não entregar arquivos digitais”, e não o inverso. Se não houve entrega integral na forma da lei, conduta já punida por multa de ofício pela Fiscalização, é pouco relevante discutir (e apenar) a deficiência daquela parte que foi entregue em desconformidade com a lei. Ou seja, se se pune por “não entrega”, não é legítimo punir também por “entrega deficiente” de documentação digital no mesmo ano-calendário. A argumentação de concomitância pode ser relevante para o julgamento do caso em que se discute a multa por entrega deficiente dos arquivos digitais, mas não para este que versa sobre a conduta (mais genérica) de não entregar citada documentação. Procede, contudo, a nulidade do lançamento por erro de tipificação legal. Conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal, o enquadramento legal utilizado para a aplicação da multa foi o inciso III da Lei nº 8.218/91 (fls. 19). Citem-se os arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991, verbis: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 6 11 Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3 o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Art. 12 - A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I - multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III - multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo Auditor-Fiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/303.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/303.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 12 III - multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano-calendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) A imposição de penalidade no âmbito do direito tributário está pautada pela regra da tipicidade cerrada. A multa imposta pela Fiscalização à Contribuinte tem como fundamento “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas” ou, em termos mais simples, apresentar fora do prazo, em atraso, as informações pretendidas. Veja-se, no particular, que a multa prevista no dispositivo é calculada em função da demora na apresentação de arquivos digitais: “por dia de atraso”. É intuitivo que o “atraso” pressupõe que os arquivos tenham sido efetivamente apresentados à Fiscalização, contudo, a destempo. Não é a hipótese dos autos, conforme afirmação da própria Fiscalização, que atesta expressamente a falta de entrega dos documentos pela Contribuinte. Nesses termos, a multa adequada à hipótese seria aquela prevista no inciso II do referido art. 12, cabível para as hipóteses de “omissão” por parte da Contribuinte em relação às informações solicitadas, verbis: “Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” (grifei) Não seria possível transmutar um lançamento em outro, seja por força do mencionado princípio da tipicidade cerrada no direito tributário, seja pelo fato de as bases de incidência das penalidades serem distintas para cada uma das hipóteses (percentual da receita bruta por dia de atraso x valor da operação omitida). Não é possível alegar sequer que a penalidade aplicada, apesar de equivocada, seria mais benigna à Contribuinte, já que não há informação nos autos sobre as bases de incidência e cálculos respectivos. Em que pese esse entendimento pessoal, por ter ficado vencido em discussão travada pelo Colegiado em relação ao cancelamento integral da multa por erro de tipificação, suscito, de ofício, preliminar de retroatividade benigna nos termos abaixo. Retroatividade Benigna – Art. 106, II, “c”, do CTN Superado o argumento supra, ainda assim o lançamento não poderia prevalecer tal como lavrado, ante a aplicação retroativa da multa prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/2001, conforme nova redação dada pela Lei nº 12.766/12 e, posteriormente, pela Lei nº 12.873/13. Dispunha o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 o quanto segue: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 7 13 “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” O art. 16 da Lei 9.779/99 referido na norma dispõe que: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” A Lei nº 12.766/12 alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/01, cuja redação passou a ser a seguinte: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá-los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I - por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II - por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 14 por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III - por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012)” (grifei) A questão posta, quando da alteração da redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, promovida pela Lei nº 12.776/2012, era se o art. 12 da Lei 8.218/91 haveria sido revogado tacitamente ou não, já que o art. 57 da referida medida provisória passou a mencionar também a hipótese genérica de falta apresentação de escrituração digital. Analisando esta questão, a 3ª Turma Ordinária desta Câmara de Julgamento, em 10/04/2013, conforme acórdão nº 1103-000.844, decidiu que o art. 57, II da Medida Provisória nº 2.158-35/01 deve ser aplicado retroativamente, por força do art. 106, II do CTN, no caso de não apresentação de arquivos digitais. Veja-se: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao ano-calendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).” (grifei) A própria RFB analisando o tema, no Parecer Normativo RFB nº 3/13 entendeu pela revogação tácita do art. 12 na hipótese da falta de apresentação de arquivos Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 8 15 digitais, desde que a fiscalização não logre êxito em provar que a empresa não dispunha de escrituração digital. Confira-se: “4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressalte-se que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 2158-35, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 2158-35, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comprová-lo, aplica-se a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN).” (grifei) Considerando que a Fiscalização não comprovou que a Contribuinte não teria escrituração digital, não há como manter, nos termos do Parecer referido acima, a aplicação do art. 12, III da Lei nº 8.218/91, por força da retroatividade benigna, tendo em vista que a autoridade fiscal teria que ter comprovado a não escrituração dos arquivos. Não bastasse, note-se que a distinção das tipificações efetuada pelo Parecer Normativo RFB nº 3/13, conforme analisado acima, deixou de ter sentido com a publicação, em 24 de outubro de 2013, da Lei nº 12.873/13, a qual alterou novamente a redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01. Veja-se: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) II - por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013)” (grifei) Com o advento da referida Lei nº 12.873/2013, o tipo a ser penalizado não é mais “deixar de apresentar”, mas “deixar de cumprir as obrigações acessórias”, a qual é uma tipificação mais ampla do que a anterior. Não há que se distinguir, como pretendia o referido parecer normativo, a conduta de “deixar de apresentar” e a conduta de “não manter os arquivos”, para fins de aplicação da retroatividade benigna, pois a tipificação dada pela Lei nº 12.783/2013 é “deixar e Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 16 cumprir as obrigações acessórias”, o que incluiu tanto a conduta de não apresentar os documentos, quanto a conduta de não manter os arquivos à disposição. Também não há como se distinguir as obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n. 9.779/99 da escrituração digital (arquivos magnéticos) objeto de regulamentação pela Lei n. 8.218/91. É incontroverso que a realização e manutenção de escrituração digital são espécies do gênero “obrigações acessórias”, cuja base legal é o citado art. 16 da Lei n. 9.779/99. Trata-se de entendimento positivado pelo próprio legislador federal, por meio da citada Lei nº 12.766/12, que alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/01, do seguinte teor: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá-los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (grifou-se) Quisesse excluir a escrituração digital do alcance das obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n. 9.779/1999, o legislador o teria feito expressamente, mediante dispositivo específico, que ressalvasse a aplicação da nova legislação em relação às hipóteses de cumprimento (de obrigação acessória) de entrega de escrituração digital pelo contribuinte. Além disso, a penalidade, que era R$ 1.000,00 por mês-calendário, passou a ser de R$ 500,00, o que indica ser esta uma lei mais benéfica. Diante de todo o exposto, superado o vício da acusação fiscal acima referido, impõe-se ao menos o reconhecimento da retroatividade benigna ao caso em tela para que a multa seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para que a multa seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
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Numero do processo: 11128.007290/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Luis Eduardo Garrosino Barbieri declarou-se impedido.
Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Luis Eduardo Garrosino Barbieri declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IGREJA JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS contra Acórdão nº 17 31.730, de 7 de maio de 2009 (de fls. 147 a 158), proferido pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, que julgou por unanimidade de votos, pelo indeferimento da solicitação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 07 29 0/ 20 06 -0 4 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 217 2 “Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 17/8) de valores pagos a titulo de Imposto de Importação (II.) e Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.) na importação relativa à Declaração de Importação n°02/06131237, registrada em 12/07/02 (fls. 44/48) por entender a requerente que goza da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, para o II e INimportação, conforme reconhecido pela Secretaria da Receita (em determinadas circunstâncias) em resposta às Soluções de Consulta SRRF/83 RF/DISIT nos. 227 (fis.18/22) e 254 (fls. 23/27), de 02/08/2004 e 06/09/2004, respectivamente, levadas a efeito pela interessada. O pleito referese à restituição de R$ 412,42 (quatrocentos e doze reais e quarenta e dois centavos) de Imposto de Importação e R$ 194,36 (cento e noventa e quatro reais e trinta e seis centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados — vinculado à importação, num total de R$ 606,78 (seiscentos e seis reais e setenta e oito centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 12/07/02 a interessada importou as seguintes mercadorias (relacionadas apenas as relativas ao pleito atual), pela Declaração de Importação n° 02/06131237, selecionada pelo Siscomex para o canal verde conferência. ADIÇÃO TIPO DE MERCADORIA DESCRIÇÃO NCM QUANT. 002 Formulários – 31959000 1600 Outros Impressos Formulários 31966000 4911.99.00 5000 003 Outros papéis/cartões autoadesivos, em rolos/folhas Emblemas auto adesivos – etiquetas 36654000 9401.69.00 2000 Deixou de utilizarse do beneficio previsto na Constituição Federal de 1988, em seu art. 150, inciso VI, alínea "b", pelo qual é veda à União instituir impostos sobre templos de qualquer culto, sendo que tal vedação compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Recolheu os tributos cobrados, cuja restituição ora pleiteia (Pedido de reconhecimento de direito decorrente de retificação de DI às fis. 017/8). Visando dirimir dúvidas sobre sua• situação em relação às importações, apresentou as duas já mencionadas Soluções de Consulta SRRF/8 a RF/DISIT nos. 227 , de 02/08/2004 (fis.44148) , e 254 (fls. 49/53), de 06/09/2004. 41/ Pleiteou e obteve retificação da mencionada DI (fis. 71/72), após o que passouse à análise do pedido de restituição decorrente da mesma. A ALF/PORTO DE SANTOS SP expediu a Intimação n° 119/2008 (v. fls. 74/76, pela qual o interessado foi instado a apresentar documentos contábeis e fiscais comprobatorios de que as mercadorias amparadas pela DI n° 02/06131237 destinadas a integrar seu patrimônio e estão relacionadas à finalidade essencial da entidade. Em resposta (fls. 79/80), o interessado informou da dificuldade em obter a documentação contábil exigida, haja vista que a importação ocorrera há mais de cinco anos. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 218 3 Às fls. 84/86 foi proferido DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito (restituição), com base, em síntese, nos seguintes argumentos: / que a interessada não apresentou documentação contábil comprobatória da incorporação dos bens ao seu patrimônio, e que apenas juntou fotos do equipamentos instalado. 2 Como na descrição da mercadoria não há elementos suficientes para a precisa identificação dos mesmos "in loco", não há como confirmarse hoje (mais de cinco anos após vistoria ao local. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou o deferimento do pedido com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/07/2002 IMPORTAÇÃO. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. IMUNIDADE RELATIVAMENTE AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E AO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTAÇÃO. ABRANGÊNCIA. A importação, por entidade que se enquadra no art. 150, VI, b, da Constituição Federal de 1988, está abrangida pela imunidade constitucional, desde que atendidas duas condições, simultaneamente: devem os artigos importados serem destinados ao patrimônio da entidade, e devem também ser vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. Quando não comprovado o atendimento simultâneó das duas condições, a referida imunidade não pode ser invocado. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. De acordo com o art. 165 do CTN (Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional ) cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Quando não comprovado que o recolhimento do tributo por parte da entidade religiosa foi indevido ou a maior que o devido, descabe o reconhecimento do direito creditório respectivo. Solicitação indeferida” Cientificado do referido acórdão em 5 de junho de 2009 (fl. 160), a interessada apresentou recurso voluntário em 3 de julho de 2009 (fls. 161 a 177), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 219 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 5 de junho de 2009, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 3 de julho de 2009. Depreendendose da análise do recurso voluntário apresentado pela recorrente, temse que o cerne da discussão envolve a restituição da quantia total do principal de R$ 606,78 de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI relativo a Declaração de Importação Dl n° 02/06131237. Para suportar o direito ao crédito, traz a recorrente que: · é entidade religiosa que tem por objetivo a proclamação do Evangelho de Jesus Cristo através do aperfeiçoamento de seus membros por meio do ensino do Referido Evangelho, da disponibilização de ordenanças sagradas para os ancestrais identificados por meio de pesquisa genealógica, do desenvolvimento de programas religiosos, missionários, de caridade, humanitários etc; · Por entender ser imune aos impostos conforme previsão contida no artigo 150, inciso VI, alinea "b", da Constituição Federal de 1988, havia apresentado "Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório", requerendo a retificação da Declaração de Importação — Dl n° 02/06131237 e, consequentemente, a restituição das quantias indevidamente pagas a título de II e de IPI; · O pedido de retificação da Declaração de Importação foi analisado e deferido pela Inspetoria da Receita Federal de São Paulo — IRF/SP, por fazer jus à imunidade tributária visto que os bens importados (formulários e emblemas autoadesivos) foram identificados como bens vinculados às finalidades essenciais da Recorrente; · Posteriormente, as autoridades fiscais da Alfândega do Porto de Santos expediram Termo de Intimação Fiscal solicitando documentos fiscais e contábeis e declaração legal atestando que a entidade não se aproveitou e não transferiu créditos relativos ao IPI pago por ocasião do registro da citada Dl; · A r. exigência foi atendida parcialmente pela Recorrente ao juntar a declaração solicitada aos autos e considerando a dificuldade na obtenção da documentação solicitada no prazo assinalado, protestou pela realização de vistoria ao local onde os bens foram instalados; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 220 5 · Não obstante, foi proferido despacho decisório, indeferindo o pleito ao direito creditório por falta de comprovação da incorporação dos bens ao patrimônio da entidade religiosa; · sendo assim, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando ter havido cerceamento do seu direito de defesa e que os bens importados são utilizados nas suas finalidades essenciais; · Mas foi novamente surpreendida com o indeferimento do seu pedido de direito creditório. Após a descrição dos fatos, quanto ao acórdão recorrido, insurge a recorrente que as autoridades julgadoras concluíram que "não pode ser evocada a imunidade constitucional no caso da presente importação", tendo em vista, entre outros, que a recorrente, não logrou comprovar, por documentação contábil a incorporação dos bens em apreço ao seu patrimônio e os bens importados não podem ser consideradas como necessárias e indispensáveis aos seus objetivos. Em virtude das considerações feitas pela DRJ no r. acórdão, passa a recorrente a se manifestar: · Após trazer a baila doutrinas tratando do art. 150, inciso VI, alínea “b” da CF/88, que o objetivo precípuo desse dispositivo não fora outro senão assegurar que os impostos, em razão de seus efeitos econômicos, não desfalquem o patrimônio, nem diminuam a eficácia de seus serviços ou a integral aplicação das rendas da entidade imune; · Que, no caso vertente, revelase inegável que o pagamento do II e do IPI desfalcou o patrimônio da Recorrente, razão pela qual ela faz jus â restituição dos valores pagos a titulo dos referidos impostos; · Quanto à relevância da ausência de similar nacional – quando da menção pelas autoridades julgadoras no acórdão recorrido da citação pela Recorrente das Soluções de Consulta SRRF da 8a Região Fiscal n°s 227/2004 e 254/2004, de que os importados não teriam similares nacionais, o artigo 150 da Constituição Federal de 1988 não traz qualquer exigência de similaridade. · Nesse ponto, que toda evidência, de verdadeira e legitima "imunidade tributária", tem como amparo direto da CF/88 – o que não se trata de não mera "isenção fiscal, esta sim sujeita a possíveis requisitos de inexistência de similar nacional, na medida em que decorre diretamente de simples lei. Assim, superado esse ponto, combate a recorrente outros argumentos utilizados para o não reconhecimento da imunidade tributária, entre outros, que, quanto à avaliação das autoridades julgadoras de que um dos requisitos para fruição da imunidade tributária seria a destinação do bem importado ao "patrimônio" da entidade imune, traz que: · A documentação contábil poderia demonstrar que houve a incorporação dos bens importados ao patrimônio da entidade Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 221 6 religiosa, mas seu valor probatório não poderá ser considerado como único e exclusivo – pois, poderá ser feita essa prova por outros meios, como, por exemplo, a exibição de fotografias, apresentação de declarações especificas sob as penas da lei, diligência fiscal aos locais onde os bens importados estão instalados etc; · Apesar de a Recorrente não ter apresentado aos autos a documentação contábil relacionada à incorporação dos bens ao seu patrimônio, poderia a autoridade fiscal ter convertido o julgamento do processo em diligência para se verificar a utilização e destinação dos r. bens importados. Vêse, portanto, que o cerne da questão envolve a comprovação da certeza e liquidez do r. crédito tributário, haja vista que, para se fruir da imunidade referendada pela Carta Magna, devese vincular os bens importados pela associação à sua utilização nas finalidades essenciais da entidade. No caso vertente, foram apresentadas fotos que, ainda que não sejam suficientes para a individualização dos elementos, representam indícios que são efetivamente utilizadas em suas atividades essenciais. Não obstante, tal como ocorreu em outros processos de mesma similaridade, não foi demonstrada contabilmente o registro individual em seu patrimônio. Importante trazer que, conforme documentações acostadas aos processos: · o Processo n° 10814.004547/200586 — Alfândega do Aeroporto de Guarulhos — julgado pela DRJ/SP deparou com situação idêntica ao pedir restituição dos mesmos tributos junto à Alfândega do Aeroporto de Guarulhos, mas, independentemente, houve decisão favorável a recorrente quando da Manifestação de Inconformidade, sendo reconhecido o direito de crédito, com base apenas nas fotos juntadas; · o Processo n° 11808.0001331200520 — Alfândega do Aeroporto do Recife mediante vistoria e fotografias constantes dos referidos autos ao local constataram que os bens importados foram incorporados "à obra civil do templo ou compuseram as suas instalações físicas”; · outros 12 processos administrativos — Alfândega do Aeroporto de Porto Alegre, houve deferimento do pedido de restituição do II e IPI, sem apresentação de documentação contábil, mas com verificação da instalação e utilização dos bens importados. Independentemente das decisões envolvendo processos semelhantes, considerando que os bens importados, quais sejam: · o formulário 31959 é preenchido em nome do missionário quando ele termina sua missão religiosa (doc. 03); · o formulário 31966 é preenchido pelo missionário para fazer o teste de tuberculose antes de iniciar a missão religiosa (doc. 04); Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 222 7 · os emblemas autoadesivos 36654000 (doc. 05) são adesivos dourados que são colados no livreto "Progresso Pessoal Das Moças" (doc. 06) quando elas conseguem cumprir determinadas metas pessoais (vide página 68 do livreto). Em vista do exposto, é de se entender, para fins de fruição do benefício da imunidade dos impostos em questão, que podem ser tais bens, a princípio, considerados essenciais para a finalidade da entidade, visto o objeto constante do Estatuto da Associação Brasileira da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, considerando as alegações e os documentos trazidos no Recurso Voluntário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Analise, à luz da documentação acostada ao Recurso Voluntário, necessários ao deslinde da controvérsia em conjunto com a realização de vistoria à entidade, se há efetivamente ou não o r. crédito tributário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13409.000128/2006-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 9. 00 01 28 /2 00 6- 26 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 59 2 da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/REC (Fls. 31), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (fls.04/06 dos autos, inclusive demonstrativos), mediante o qual foi alterado o "imposto a restituir declarado" de R$ 2.654,08 para R$ 304,68. Cabe registrar que a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls.05) e o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO (fls.06) fazem parte integrante da NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como se nela transcritos estivessem. 2. De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, onde também se encontra a capitulação legal (fls.05), foi detectada omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Instituto Nacional do Seguro Social — INSS no valor de R$ 22.945,76, sobre os quais incidiu o Imposto de Renda Retido na Fonte — 1RRF de R$ 3.960,68, compensado na apuração do imposto devido, por ocasião do lançamento. 3. Regularmente cientificado do lançamento em 26/07/2006 (fls.09), o contribuinte autuado apresentou, em 11/08/2006, impugnação (fls.01/03), acompanhada tãosomente de cópias da NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO e de documentos seus de identificação (fls.04/08). Por meio dessa peça de defesa, alega o que a seguir se relata. 3.1. Não praticou qualquer omissão, uma vez que todos os seus rendimentos mensais são tributados na fonte. 3.2. As diferenças salariais pagas com atraso pela União e sobre as quais incidiu o "confisco" não são tributáveis, consoante entendido pelos tribunais regionais federais. Do contrário, restaria caracterizada "bitributação". Conseqüentemente, "(...) a mencionada retenção de R$ 3.960,68 é absolutamente abusiva e deve ser restituída ao contestante." Aduz, ainda : "A compensação de Imposto retido na fonte, processada pela RF, no valor de R$ 3.960,68 — data vênia — é infundada; ilegal e arbitrária (...)." 3.3. Pugna pela interpretação em seu favor do art. 46 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, no sentido de que "(...) só se Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 60 3 justifica a retenção, na fonte, de rendimentos salariais (alimentar) pagos em cumprimento à decisão judicial, quando, isoladamente, tais valores ensejarem o desconto do correspondente imposto. (...) O princípio da legalidade não admite tal ação administrativa definida como autentico (sic) confisco!" Entende que a Receita Federal decide, ao arrepio da lei, que o valor alimentar recebido 3.4. "CONTESTA (ou impugna) item por item relativos às alterações processadas em sua declaração de rendimentos pela Auditoria da Receita Federal (a título de Revisão) e registradas na Notificação de Lançamento n° 2005/604450007984015 (...)." 3.5. Requer seja recebida a sua defesa e desconstituído o lançamento, autorizandose a devolução do valor indevidamente retido (R$ 3.960,68) e do imposto a restituir apurado em sua declaração (R$ 2.654,08). 4. Foram por esta Julgadora anexados aos autos os seguintes documentos : 4.1. Extratos do sistema IRPF/CONS — ATENDE PLENO, relativos à DIRPF 2005 (original) e à declaração retificada de oficio (fls.11/19); 4.2. DIRPF 2005 (original), acompanhada da Ficha de controle e dos Dados de Controle (fls.20125); 4.3. Extrato do sistema GUIA — VISÃO INTEGRADA DO CONTRIBUINTE, em que constam os pagamentos totais efetuados no anocalendário 2004 por duas fontes pagadoras, quais sejam, COORDENAÇÃOGERAL DE RECURSOS HUMANOS — AGU e INSS — GERÊNCIA EXECUTIVA DO INSS EM GARANHUNS (fis.26); 4.4. DECLARAÇÕES DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — Dirf / RESUMO DO BENEFICIÁRIO, apresentadas pelas duas fontes pagadoras acima referidas (fls.27/28), cabendo ressaltar que na Dirf do INSS constam pagamentos em favor do contribuinte autuado nos meses de janeiro e novembro de 2004, totalizando, no anocalendário 2004, R$ 22.945,76 (fls.28). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/REC entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRPF SUPLEMENTAR. Devem ser oferecidos à tributação todos os rendimentos tributáveis auferidos. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos – inclusive juros e atualização Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 61 4 monetária, a teor do art. 56 do RIR/99 , os quais se sujeitam, ainda, ao ajuste na declaração. IRPF. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. O principio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, dirige se ao legislador e não à Administração Tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Cientificado em 10/06/2009 (Fls. 43), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/06/2009 (fls. 44 a 47), argumentando em síntese: (...) A compensação ( confiscatória ) imposta pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ora recorrida, não foi feita com amparo em nenhuma legislação constitucional em vigor ; motivo pelo qual deve a recorrida restituir – ao recorrente ( com a devida correção ) , o respectivo valor confiscado; principalmente porque não houve respeito ao principio constitucional do devido processo legal e muito menos ao principio da legalidade e do contraditório ! Ademais, a Notificação de Lançamento promovida pela Receita Federal ora recorrida , em desfavor do recorrente , não contem os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e muito menos no artigo 11 do Decreto 70.235/72 , devendo em conseqüência , ser , no todo, anulado; ex vi da Instrução Normativa n° 54/97 ainda em vigor ! III O rendimento recebido pelo recorrente, ao longo do ano de 2005, ( que sobre o qual houve o lançamento do debito e• a conseqüente compensação também feita pela Receita Federal recorrida ) não tem caráter salarial / remuneratório e sim . indenizatório . É fruto de ação ordinária perante a justiça federal e não de alguma gratificação ou complemento salarial entregue pela União Federal ! Em nenhum momento se caracteriza como acréscimo patrimonial em favor do mesmo recorrente . Tal verba indenizatória ( e sobre a qual recaiu o confisco / compensação ), assemelhase às hipóteses do Plano de Demissão voluntaria ; ao abono de férias e ainda sobre a conversão em pecúnia dos seguintes direitos não gozados férias , folgas , licençapremio, etc... (...) IV Os argumentos da ilustre 2' Turma da DRJ/REC , ( recorrida ), carecem de fundamento legal especifico ; baseiam se apenas em teses próprias ( alegando que decisões judiciais não vinculam a autoridade administrativa ); em interpretações superadas e conflitantes e em doutrinas arcaicas sem aplicações ao caso ora questionado ; principalmente porque se omitem no questionamento mais importante , que é o confisco sem o devido processo legal de valor pertencente ao patrimônio do ora recorrente ! Argumentos esses ( da recorrida ) vazios, infundados e violadores dos princípios da legalidade e do Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 62 5 contraditório e da razoabilidade ; motivos pelos quais deve , o acórdão ora atacado, ser , no todo, desconstituído ! A declaração anual firmada , em momento próprio pelo recorrente, ( ano base 2006 ), é a prova maior de que todos os rendimentos do recorrente ( de caráter remuneratórios ) foram tributados com o amparo na legislação em vigor . Tal hipótese não poderia ter sido aplicada ( como foi ), pela Receita Federal do Brasil, no caso especifico do rendimento único de caráter indenizatório , do qual resultou a efetivação do lançamento errôneo e a conseqüente compensação / confisco . Errou a recorrida e com tal erro causou prejuízos materiais ao ora recorrente , que teve seu patrimônio confiscado ilegalmente ! (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação intentada contra o Instituto Nacional de Previdência Social INSS, no valor de R$ 22.945,78 sobre os quais incidiu o Imposto de Rende Retido na Fonte — IRRF de R$ 3.960,68,. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 63 6 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 64 7 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 65 8 meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 66 9 benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 67 10 dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 18471.001546/2005-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
Ementa:
IRPJ - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 40 do CTN, operando-se cinco anos após a ocorrência do fato gerador. IRPJ - LUCRO REAL - OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL - ENCERRAMENTO DO ANO BASE - OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR - Tendo o contribuinte optado pelo regime de apuração anual do IRPJ a ocorrência do fato gerador só se dá no encerramento do ano calendário. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - NÃO COMPROVAÇÃO - Os valores creditados em conta corrente que não tenha a origem comprovada por documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 287 do RIR199.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 Ementa: IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 40 do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. IRPJ LUCRO REAL OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL ENCERRAMENTO DO ANO BASE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Tendo o contribuinte optado pelo regime de apuração anual do IRPJ a ocorrência do fato gerador só se dá no encerramento do ano calendário. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVAÇÃO Os valores creditados em conta corrente que não tenha a origem comprovada por documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 287 do RIR199. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 46 /2 00 5- 10 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS. Relatório Tratase de recurso interposto pela Fazenda Nacional, admitido, que versa unicamente sobre o instituto da decadência, em relação à aplicação ou não do artigo 150 do Código Tributário Nacional, na hipótese em que não há comprovação do recolhimento antecipado do tributo. A decisão recorrida assim: “IRPJ DECADENCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos: tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência é contada'dei acordo com os ditames do artigo 150, § 4" do CTN, operandose cinco arios após a ocorrência do fato gerador. | j IRPJ LUCRO REAL OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL ENCERRAMENTO DO ANO BASE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Tendo o contribuinte optado pelo regime de apuração anual do IRPJ a ocorrência do fato gerador só se dá no encerramento dokno calendário. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NÃO COMPROVAÇÃO Os valores creditados em conta corrente que não tenha a origem comprovada por documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 287 do RIR/99.” A douta Procuradoria, em seu recurso, alega divergência, aponta os paradigmas e pleiteia que “seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o acórdão proferido pela e. Câmara a quo, afastandose a preliminar de decadência no caso em exame, uma vez que efetuado o lançamento dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Alega que: “Com base nesse dispositivo, poderseia chegar, de modo precipitado, à conclusão de que a decadência teria alcançado os fatos geradores ocorridos entre maio e julho de 2000, pois decorridos 05 anos do fato gerador, nos termos do art. 150, §4° do CTN, considerando que o contribuinte foi notificado em 17.10.2005. Contudo, adotandose o cuidado necessário ao perfeito entendimento da legislação tributária, tornase imprescindível atentar para o que dispõe o art. 149, V, CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 591DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 3 V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (Grifos nossos) No caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V). (...)” O recurso foi admitido, conforme despacho às fls. 302. O contribuinte, em contrarazões, afirma haver pagamento antecipado. “(...) 12. No presente caso, ainda que a Recorrida discorde do entendimento manifestado no recurso especial interposto pela PGFN, por considerar correto o posicionamento defendido na decisão recorrida acerca da aplicabilidade do prazo decadencial aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não explorará esse aspecto, por não se fazer necessário. 13. Isto porque a Recorrida efetuou pagamentos antecipados de PIS e de COFINS nos meses de maio e julho de 2000, conforme se comprova pelos documentos de arrecadação DARF's anexos (doc. 01). 14. Esses débitos foram, inclusive, devidamente informados em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF') (doc. 02) (...)” Os documentos correspondentes foram juntados às contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Adoto, como raões de decidir, por conveniente e oportuno, o voto do brilhante Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator do recurso especial no processo de no, 10932.000569/200792, o qual a seguir transcrevo: “(...) Fl. 592DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, obtendo seguimento através do Despacho nº 140000.333, às fls. 246 e seguintes, merecendo ser conhecido. A questão se situa em torno do lançamento de ofício das Contribuições PIS e COFINS relativo a fatos geradores ocorridos nos meses de julho e agosto de 2002, cientificado ao contribuinte em 26/07/2007, que, de acordo com a decisão recorrida, teria sido alcançado pela decadência qüinqüenal prevista no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (fls. 225/226): Consta do voto condutor da decisão recorrida que: Embora a contribuinte não tenha alegado, constato que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição para o PIS e a COFINS dos períodos de apuração de 07/2002 e 08/2002, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 26.09.2007, ocasião em que já havia decorrido mais de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, a seguir transcrito. Por ser matéria de ordem pública, pode ser suscitada de ofício. (destaques acrescidos) Da leitura do trecho do voto acima transcrito vêse que naquela assentada não se cogitou de ter ou não havido pagamento antecipado das referidas Contribuições, o qual considero indispensável para ao caso ser aplicado o prazo decadencial do aludido art. 150, § 4º, do CTN. Esse, pois, é o ponto divergente a ser solucionado, porquanto, para a recorrente, amparada nas decisões paradigmáticas trazidas à colação, em não havendo pagamento não há falarse em homologação tácita. Com efeito, compulsando os autos não consegui identificar a existência do sobredito pagamento antecipado, necessário para possibilitar a aplicação do prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, levantada de ofício pelo Colegiado a quo. Sendo assim, entendo que não seria o caso de se acatar a decadência em causa, levantada de ofício, repitase, sem que haja absoluta certeza de que estaria embasada em documentação constante dos autos. Importante ressaltar que o voto condutor do acórdão recorrido fez por bem destacar que a decadência não fora alegada pela contribuinte e que, por ser matéria de ordem pública, poderia ser suscitada de ofício. Estaria correto esse entendimento se de fato a decadência estivesse perfeitamente demonstrada, não sendo essa a realidade que se extrai dos autos. Dessa forma, entendo que, na ausência de pagamento antecipado de tributo, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, tendo os fatos geradores ocorrido nos meses de julho e agosto de 2002, a contagem do prazo decadencial teve início, na conformidade do mencionado dispositivo do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte à sua ocorrência, ou seja, no primeiro dia do ano de 2003, porquanto, se no mês seguinte a cada apuração já se poderia proceder ao lançamento de ofício, o primeiro ano seguinte é o de 2003. Sendo assim, o lançamento poderia ser efetuado até o dia 31/12/2007, tendo o auto de infração sido cientificado ao contribuinte em 26/07/2007, portanto em data em que ainda não estava alcançado pela questionada caducidade. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 5 Para explicitar esse meu posicionamento, adoto e transcrevo os fundamentos do voto que proferi no Acórdão nº 910100.901, na sessão desta 1ª Turma da CSRF (processo administrativo nº 10805.000649/200451) realizada no dia 28/03/2011, conforme segue: “(...). Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 594DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 7 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO Fl. 596DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 597DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 9 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto.” (destaques acrescidos) Conforme já asseverado, no presente caso, houve antecipação de pagamentos e apresentação de DCTFs. Nessa ordem de juízos, nego provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN. E como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 11 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.001777/2007-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO.
Todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com objetivo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, portanto inexiste nulidade. Além disso, o MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE.
Em se tratando de prova colhida sob crivo do Poder Judiciário, eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente.
PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO CARTORÁRIO.
Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal e obtidas com autorização judicial e amparo em tratado de internacional de cooperação dispensam a tradução e registro em cartório, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA.
A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancela-se o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte tem o ônus de comprovar a alegação de recebimento de lucros. A apresentação das declarações de rendas das empresas e de ajuste anual do contribuinte não é suficiente, quando não é atendida a intimação para fazer outras provas que comprovem suas alegações, mormente porque o valor informado como recebido representa quase a integralidade da receita bruta das empresas.
SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS.
Na constância da sociedade conjugal, sob regime de comunhão parcial de bens, o demonstrativo de evolução patrimonial deve computar os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges. Apurado acréscimo patrimonial a descoberto o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, mesmo que tenham apresentado Declarações de Ajuste Anual em separado. Legítimo o lançamento que imputou a dívida integralmente a um dos cônjuges e a responsabilidade solidário ao outro.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00 (trezentos e setenta e três mil reais e duzentos e oitenta e sete reais), no mês de maio de 2002, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO. Todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com objetivo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, portanto inexiste nulidade. Além disso, o MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Em se tratando de prova colhida sob crivo do Poder Judiciário, eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO CARTORÁRIO. Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal e obtidas com autorização judicial e amparo em tratado de internacional de cooperação dispensam a tradução e registro em cartório, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancela-se o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte tem o ônus de comprovar a alegação de recebimento de lucros. A apresentação das declarações de rendas das empresas e de ajuste anual do contribuinte não é suficiente, quando não é atendida a intimação para fazer outras provas que comprovem suas alegações, mormente porque o valor informado como recebido representa quase a integralidade da receita bruta das empresas. SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal, sob regime de comunhão parcial de bens, o demonstrativo de evolução patrimonial deve computar os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges. Apurado acréscimo patrimonial a descoberto o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, mesmo que tenham apresentado Declarações de Ajuste Anual em separado. Legítimo o lançamento que imputou a dívida integralmente a um dos cônjuges e a responsabilidade solidário ao outro. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00 (trezentos e setenta e três mil reais e duzentos e oitenta e sete reais), no mês de maio de 2002, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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NÃO CABIMENTO. Todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com objetivo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF, portanto inexiste nulidade. Além disso, o MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Em se tratando de prova colhida sob crivo do Poder Judiciário, eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO CARTORÁRIO. Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 17 77 /2 00 7- 41 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 laudos da Policia Federal e obtidas com autorização judicial e amparo em tratado de internacional de cooperação dispensam a tradução e registro em cartório, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancelase o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte tem o ônus de comprovar a alegação de recebimento de lucros. A apresentação das declarações de rendas das empresas e de ajuste anual do contribuinte não é suficiente, quando não é atendida a intimação para fazer outras provas que comprovem suas alegações, mormente porque o valor informado como recebido representa quase a integralidade da receita bruta das empresas. SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal, sob regime de comunhão parcial de bens, o demonstrativo de evolução patrimonial deve computar os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges. Apurado acréscimo patrimonial a descoberto o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, mesmo que tenham apresentado Declarações de Ajuste Anual em separado. Legítimo o lançamento que imputou a dívida integralmente a um dos cônjuges e a responsabilidade solidário ao outro. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00 (trezentos e setenta e três mil reais e duzentos e oitenta e sete reais), no mês de maio de 2002, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 498 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, em virtude de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme demonstrativo de fls. 106, Termo de Verificação Fiscal de fls. 199/206 e auto de infração de fls. 209/2011, contra o recorrente e com atribuição de responsabilidade solidária à cônjuge Patrícia Alessandra Ferraz Venturini (fls. 217). O procedimento de fiscalização foi motivado pelas investigações relativas a Merchants Bank e Beacon Hill Services Corporation, do que decorreu o compartilhamento do material do MTBCBXHudson Bank e Lespan com a Receita Federal, com amparo em decisão Judicial no processo 2004.7000082670, em 29/04/2004, no que se tem denominado de Operação Beacon Hill. Os tópicos do Acréscimo Patrimonial a Descoberto que interessam diretamente ao julgamento do recurso voluntário são três: 1) remessa pelo recorrente de US$150,000.00 para exterior, sendo US$120,000.00 em 31/05/2002, a favor do próprio recorrente, com crédito no Bank of America, Miami; e US$30,000.00, em 03/05/2002, para o beneficiário Pietro Scamparini, com base na documentação de fls. 06/07; 2) atribuição de 100% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto ao recorrente, que se casou em regime de comunhão de bens e cuja cônjuge apresentou declaração em separado; e 3) origem de recursos: lucros recebidos das empresas Patain Informática Ltda e Patana Informática Ltda. Na impugnação, o contribuinte sustentou: a) ter havido decadência; b) inobservância à determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que resultou em nulidade das intimações; c) inexistência de remessas ao exterior; d) erro de eleição do sujeito passivo; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 e) inexistência de prova de que seja a pessoa indicada nos documentos arrolados como prova das remessas ao exterior; não juntada aos autos do Laudo de ExameEconômicoFinanceiro nº 1258, de 2004; f) ilegalidade e improcedência da prova emprestada; g) utilização de prova por meio ilícito uma vez que não observados requisitos previstos no Acordo de Assistência Judiciária em matéria penal promulgado pelo Decreto nº 3.810, de 2001; h) falta de tradução juramentada e registro notarial e consularização de documentos escritos em língua estrangeira; i) há depoimento do Dr. Roberto Morgenthau, promotor responsável pela condução da quebra de sigilo bancário em Nova York que fragiliza os documentos de fls. 6/7 como prova; j) ausência de menção pela fiscalização do nome de Carolina Nolasco, cujo nome consta nos documentos de fls. 6/7, e que poderia manobrar as contas de todas as formas; k) ausência de diligências em face de Antônio Pires de Almeida, titular da empresa Gatex Corporation que consta nos documentos de fls. 6/7; l) contestação dos itens do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto que deram causa à autuação. Houve diligência para esclarecer como foi feita a vinculação do nome constante nos documentos de fls. 6/7 (Alain Venturini) ao nome do impugnante (Alain Marcello Venturini), para juntada de cópia do Laudo Pericial que efetivamente embasou a ação fiscal e intimação do impugnante para manifestarse sobre os extratos de DIRF de fls. 289/291. O contribuinte alegou, como mais uma razão para nulidade do lançamento, a atribuição de 100% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto contra si em contrariedade à SCI nº 39/2008, que estipula a proporção de 50% para cada cônjuge. A impugnação foi indeferida. Em síntese, a fundamentação do acórdão recorrido é a seguinte: a) não houve decadência, pois não se aplica o §4º do art. 150 do CTN ao lançamento de ofício e sim o inciso I do art. 173 do referido Código; b) o MPF determinava instauração de procedimento fiscal acerca do IRPF e os procedimentos adotados pela autoridade fiscal são correlatos à tributação de omissão de rendimentos caracterizada por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, amparados pelo art. 806 do RIR1999; c) na qualidade de sócio da empresa o intimado poderia apresentar informações a ela concernentes, pois a ele cabia a produção das provas, além disso, nos termos dos art. 927 e 928 do RIR1999, todos estão obrigados a prestar informações ao Fisco, independente de serem sujeito passivo de obrigação tributária principal; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 499 5 d) não existe vedação na legislação reguladora do processo administrativo à utilização de provas colhidas em outro processo ou por outra autoridade administrativa, fiscal ou judicial, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332 e é reconhecido em precedentes do CARF (fls. 355); e) os documentos de fls. 06/07, que embasaram o lançamento, foram extraídos de Laudo Pericial produzido com base em minuciosas investigações levadas a efeito pelas autoridades dos órgãos envolvidos na investigação e possuem força probante suficiente para sustentar a ocorrência dos fatos nele apontados; f) o conjunto de indícios adiante resumido faz prova de que Alain Venturini indicado nos documentos de fls. 6/7 é o Sr. Alain Marcello Venturini, ora recorrente: f.1)consulta ao sistema CPF (fls. 336/337) evidencia que, pela conjugação dos dois nomes (Alain Venturini), o único nome encontrado na base CPF é Alain Marcello Venturini, ora recorrente; f.2) em consulta ao site da empresa Telefônica, com o nome Alain Venturini há três números de telefone, todos em nome de Alain Marcello Venturini, dois em seu endereço e o terceiro no endereço de sua sócia na empresa Patain (fls. 32/33); f.3) no site Google há diversos resultados para o nome Alain Venturini, sendo que no Brasil, todos se referem ao ora recorrente, bem como constatase que o mesmo se utiliza comercialmente do nome Alain Venturini (fls. 340); f.4) o recorrente assina documentos sempre como Alain Venturini (ex.: fls. 18, 70 e 111) f.5) o recorrente é procurador da empresa Sestela trading Corp, constituída no Panamá, que é sócia da GPA Participações com 899.998 das quotas, cabendo ao impugnante e sua esposa uma quota a cada um, não obstante, investido do cargo de Administradores possuem poderes para comprar, vender, hipotecar, independentemente de autorização da sócia majoritária, em valor de até R$450.000,00, o que equivale a metade do capital social; f.6) a vinculação do nome a um brasileiro foi feita previamente, na fase das investigações conduzidas pelo Departamento de Polícia Federal; e Carolina Nolasco, ao depor, informou que administrava contas de brasileiros, depoimento que é de conhecimento do impugnante, uma vez que, em tópico à parte, reclama da falta de menção deste depoimento; g) nas investigações evidenciouse que uma das formas utilizadas pelas pessoas envolvidas para dificultar o rastreamento das operações no exterior era a movimentação de recursos em contas mantidas no exterior, sem trânsito no Brasil, de forma a refutar a utilidade da argumentação de a sigla “ABA”, existente nos documentos de fls. 6/7, indicam que as transações ocorreram dentro dos EUA; h) os documentos obtidos por via judicial pelas autoridades americanas examinados pelo Instituto de Criminalística, que elaborou o Laudo de Exame Econômico Financeiro nº 1258/04INC, trabalhada de forma fartamente descrita nos autos, constituem prova das remessas, não deixando margem à dúvida que o impugnante suscitou; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 i) quanto às alegações de impossibilidade de utilização de provas obtidas com amparo no Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal, promulgado pelo Decreto nº 3.810, de 2 de maio de 2001, salvo em casos especificados, registrouse que os documentos foram utilizados com autorização da Justiça Federal do Paraná e da Justiça dos EUA, e no âmbito do Acordo de Assistência Judiciária (Mutual Legal Assitance Treaty – MLAT), alegações de ilegalidades nestes procedimentos devem ser apresentadas ao Poder Judiciário; o art. VII do Decreto 3.810/2001, prevê que o Estado requerido “pode solicitar” ao Estado Requerente condições de uso das provas, mas não determina que condições sejam sempre estabelecidas; ademais, a utilização dos dados é prevista no art. 7.3 do Acordo de Assistência Judiciária (fls. 365); j) a Lei 9.784/1999 não restringe a juntada de documentos em língua estrangeira, apenas exige que os atos do processo sejam produzidos no vernáculo; requisito obedecido por todos os atos deste processo administrativo (termos, relatório, auto de infração, mandados de procedimento fiscal, etc); os documentos de fls. 06/07, embora redigidos em língua inglesa, são de fácil compreensão, notadamente para um procurador de empresa sediada no exterior; não havendo prejuízo ao contribuinte, é prescindível a tradução a que se refere o art. 157 do CPC (RESP 616.103), entendimento que não difere do contido na Solução de Consulta Interna nº 33 da Cosit; l) a exigência de registro do Cartório de Títulos e documentos, prevista no art. 129 da Lei 6.015/1973 referese a eficácia de documentos perante terceiros; os documentos produzidos por órgãos oficiais e anexados aos autos pela própria repartição não se sujeitam a essa formalidade; m) a validade dos documentos, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, torna prescindível a diligência requerida; n) As alegações relativas aos depoimentos do Dr. Roberto Morgenthau, de Carolina Nolasco e de Gatex Corporation foram rejeitadas com emprego dos mesmos argumentos que sustentaram a validade dos documentos utilizados pela Fiscalização como prova; o) não houve comprovação no valor de R$11.872,00, relativamente ao alegado recebimento de rendimentos tributados exclusivamente na fonte (fls. 368/369); p) não podem ser considerados como origem de recursos os valores de R$86.612,40 e R$108.523,69, que o contribuinte alega serem lucros distribuídos pelas empresas PATAIN INFORMÁTICA LTDA e PATANA INOFRMÁTICA LTDA, pois faltou a comprovação dos respectivos lançamentos contábeis e da transferência do numerário da empresa para o beneficiário, com comprovação da data e do valor da operação, o que foi exigido nos Termos de Intimação, porém não atendido; q) quanto à falta de comprovação da origem dos recursos enviados ao exterior no valor de R$373.287,00, não houve erro na data da ocorrência do fato gerador, nem na data de conversão, nem na base de cálculo tributável, pois a conversão se deu com base no art. 1º da In SRF nº 41, de 1999 (cotação de venda correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si; e o art. 2º dispõe que a taxa de câmbio é obtida mediante acesso ao SISBACEN, transação “PTAX800, opção 05 – Cotações para contabilidade”; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 500 7 r) a Solução de Consulta interna, que considerou que a divisão do Acréscimo Patrimonial a Descoberto entre cônjuges se dá na razão de 50% não vincula as autoridades julgadoras na formação de convicção; a atribuição de 50% da omissão para cada cônjuge dependerá de cada situação analisada, não se trata de presunção prevista em lei, é uma forma de arbitramento e, como tal, devese mostrar o mais adequado a cada caso; o caso mais relevante para a apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, nestes autos, foi a remessa de valores para o exterior atribuída ao impugnante, os quais foram tratados como aplicações de recursos, sendo casado no regime de comunhão parcial de bens, o impugnante foi o declarante dos bens comuns do casal, razão pela qual o lançamento foi realizado em seu nome; a autoridade lançadora tomou o cuidado de intimar a esposa do contribuinte para comprovar os rendimentos isentos correspondentes à distribuição de lucros (fls. 99/101) , bem como manifestarse sobre o Acréscimo Patrimonial a Descoberto; ambos os cônjuges tem relação pessoal e direta com o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, fundamentalmente porque esse acréscimo patrimonial é constituído por bens adquiridos/remessas de valores ao exterior na constância da sociedade conjugal (fls. 115) e metade do patrimônio adquirido com os rendimentos omitidos pertence ao impugnante e a outra metade seu cônjuge, o que torna cada um deles relacionado diretamente ao fato gerador (inciso I do art. 121 do CTN) e com interesse comum que ambos têm pelos bens constituídos na constância do casamento, os quais deram causa à variação patrimonial a descoberto; dessa forma, o cônjuge é solidariamente obrigado, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN; a forma como foi efetuado o lançamento e a atribuição de solidariedade não prejudicou o casal, pois ambos os cônjuges não apresentavam base de cálculo para apuração de imposto devido na Declaração de Ajuste Anual e o valor dos rendimentos incluídos estaria sujeito à alíquota de 27,5%, ainda que fosse dividido entre eles. A ciência do acórdão deuse em 11/12/2009; a interposição do Recurso Voluntário, em 08/01/2010. A peça recursal de fls. 376/453 (que na numeração digital referese às fl. 385/461) constituise, em resumo, das seguintes alegações: 1. decadência, em virtude da incidência mensal do imposto, da previsão do §4º do art. 150 do CTN e de ter sido notificado do lançamento somente em 27/08/2007, passados mais de cinco anos dos fatos geradores relativos a janeiro, maio e junho de 2002; 2. nulidade do lançamento por infringência às prescrições do Mandado de Procedimento Fiscal e do Registro de Procedimento Fiscal – RPF; pois a operação fiscal teve por escopo verificar o fluxo de caixa, não estava prevista a verificação dos depósitos bancários do contribuinte, tanto que o AuditorFiscal, no Termo de Intimação datado de 04/07/2007, declarou sem efeito o item “a” do Termo de Intimação de 02/04/200, onde se requereu a comprovação da origem dos recursos depositados na conta 19.6686 da agência 0866 do Banco Itau, por fugir do escopo da operação 40.711 – IRPF Variação Patrimonial; 3. na mesma intimação de 02/04/2007, o AuditorFiscal intimou fiscalizado, nos itens “b” e “c” a apresentar cópia de cheque e extrato da conta corrente do fiscalizado e da empresa da qual é sócio, livro diário ou caixa das empresas Patain Informática e Patana Informática; 4. o recorrente não é sócio da empresa Patana Informática e quem recebeu os lucros dessa empresa foi a senhora Patrícia Alessandra Ferraz Venturini, que faz declaração em separado; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 5. em virtude da distinção entre a personalidade das pessoas jurídicas e dos seus sócios, as exigências feitas ao recorrente para apresentar documentos das empresas são ilegais; o acórdão recorrido baseiase na assertiva de que , na qualidade de sócio da empresa, o contribuinte poderia ter apresentado as informações a ela pertinentes, porém poder apresentar não significa estar obrigado a fazêlo; e o AuditorFiscal não dispunha de MPFD ou MPFEx sobre esse assunto; cometeu erro na identificação do sujeito passivo ao exigir do recorrente as informações das empresas, notadamente em relação à Patana Informática da qual nem sequer é sócio; 6. após discorrer sobre doutrina nacional e estrangeira acerca da prova, alega que é dever do Fisco provar a ocorrência do fato gerador; como foi esclarecido na resposta datada de 02/03/2007, o contribuinte não tinha conhecimento do que a Fiscalização lhe solicitara, pois “não há recordação de remessa de qualquer valor ao exterior”; a Fiscalização apresentou duas folhas em língua inglesa com várias informações desconhecidas do recorrente; a autoridade fiscal usou os termos “temos informação” de que o contribuinte “teria remetido”, mas em momento algum fez diligências para comprovar os indícios, baseouse unicamente nos documentos (fls. 6/7) escritos em língua inglesa; não há prova nos autos de que o nome Alain Venturini constante nos documentos de fls. 6/7 é o Alain Marcelo Venturini, ora recorrente; 7. os documentos de fls. 6/7 contêm informação relevante no “ABA TRANSIT NUMBER”, posto que, nas transações internacionais, é utilizado o sistema Swift (fls. 420), o número “ABA” somente é utilizado nas operações realizadas entre bancos americanos; a consulta pelo número (roteador) “ABA” (fls. 6/7) feita em http://routingtool.com/ comprova que os bancos remetente e recebedores estão realizados dentro dos Estados Unidos da América, logo não se pode imputar ao recorrente a conduta de ter remetido recursos ao exterior (do Brasil para os USA); a movimentação de dinheiro noticiada naqueles documentos se deu dentro dos EUA (outgpoing domestic money transfer form and funds transfer agreement – formulário de transferência de saída de valores em dinheiro nacional e ordem de transferência de fundos; 8. a autoridade fiscal menciona o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 1258, de 18/05/2004, que demonstra a consolidação da movimentação financeira de todas as contas e subcontas administradas pela empresa Beacon Hill (Laudo Global), o qual não fora acostado aos autos; somente, em 08/04/2009, foi solicitada a cópia desse laudo (fls. 293/294); o laudo às fls. 130/160 é o de número 1412/04INC, de 28/05/2004, que teve por objetivo identificar o(s) titular(es), procurador(es) ou representante(s) da subconta SINKEL FINANCIAL SA, nº 311197, assim como ratificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira”; ao passo que a conta constante nos documentos de fls. 6/7 é da empresa GATEX CORPO, nº 9008295 Merchants Bank; o laudo não tem valor probante em relação a pessoas ou transações não mencionadas expressamente na perícia; do contrário estar seia exigindo de terceiro a comprovação de que não perpetraram irregularidades, representando a condenada prova diabólica; 9. foi determinada diligência pela DRJ para esclarecer a forma como foi feita a vinculação do nome constante nos documentos de fls. 6/7 com o do impugnante; para juntar cópia assinada do Laudo Pericial que efetivamente embasou a ação fiscal e juntada dos valores dos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte; conforme relacionado nos 7 itens, às fls. 416 (numeração digital 424), os documentos juntados e enviados para ciência do contribuinte como sendo os que representam a motivação da exigência fiscal não fazem prova contra o recorrente, por razões a seguir discriminadas; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 501 9 10. o laudo pericial juntado não mencionou o nome do recorrente e nem contém prova de que este tenha movimentado qualquer quantia para o exterior e que haja vinculação entre o nome “Alain Venturini” e “Alain Marcello Venturini”, este o recorrente; 11. o memorando SRRF08/DIFIS/EQPAF nº 476/2006 não contém prova de que o recorrente remeteu numerário ao exterior e a representação e o dossiê mencionados nesse memorando que se encontra em CD (fls. 303) não foram apresentados ao recorrente; 12. no memorando EEF/Port. 463/04 nº 33/2006 (fls. 311) é mencionado que foram enviados dossiês dos contribuintes relacionados no anexo, sem assinatura ou qualquer documento que vincule o nome “Alain Venturini” a “Alain Marcello Venturini”; 13. a autoridade fiscal autuante esclareceu, em diligência, que a vinculação do nome aposto no documentos de fls.06/07 com o CPF do fiscalizado foi feita pelo Setor de Programação da Delegacia de jurisdição do contribuinte, que não participou nessa fase dos trabalhos; e que por se tratar de documentos obtidos de instituições financeiras sediadas no exterior, não teve condições de complementar e/ou vincular com outros elementos colhidos no curso da ação fiscal; isto demonstra que o AuditorFiscal que procedeu ao lançamento desconhece qual a vinculação existente entre os nomes “Alain Venturini” a “Alain Marcello Venturini”; 14. como o recorrente afirma que não é a pessoa citada nos documentos de fls. 6/7, é absurda a relevância que o acórdão recorrido deu ao fato de o impugnante não ter tomado, oportunamente, qualquer providência alusiva a denunciar às autoridades competentes o uso indevido de seus dados; 15. discorre sobre a teoria da análise combinatória, sobre a distinção entre assinatura e firma e sobre doutrina relativa à teoria das provas com intuito de refutar as conclusões contidas no acórdão recorrido sobre a vinculação entre o nome registrado nos documentos de fls. 6 e o do recorrente, pois (a) não se pode presumir que todos os brasileiros estão cadastrados no CPF nem que a combinação de duas partes de seu nome sejam suficientes para identificálo como a pessoa citada nos documentos de fls. 6/7; nem se pode afirmar que não existe, no mundo, outro Alain Venturini; (b) nem todas as pessoas no Brasil possuem telefone e as que possuem podem estar cadastradas em outras companhias telefônicas, porém a pesquisa da relatora limitouse à empresa Telefônica; (c) a relatora confundiu os conceitos de assinatura e firma; o fato de haver documentos em que o recorrente assina Alain Venturini não permite concluir que seja a pessoa indicada no documentos de fls. 6/7; e (d) a conclusão da relatora, baseada na pesquisa no site Google, de que, no Brasil, todos os resultados encontrados se referem ao recorrente e que comercialmente este utiliza o nome “Alain Venturini” não é prova, pois a pesquisa ao Google apresenta dezenas de Alain Venturini. 16. houve erro total na eleição do sujeito passivo por falta de prova; o Fisco tem o dever de provar cabalmente a responsabilidade do sujeito passivo e vigora a presunção de inocência do contribuinte; no campo tributário, a utilização de presunções deve ser feita com parcimônia para não violar os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade; os indícios não passam de começo de prova e no rol dos indícios consta a prova emprestada; o direito positivo não aceita a idoneidade da prova emprestada; precedente do STF e do CARF (fls. 431/433); suscita o art. 112 do CTN, o princípio do in dúbio pro reo e o art. 386 do Código de Processo Penal – CPP, especialmente, para demonstrar que não há elementos de prova de que a grafia de Alain Venturini é Alain Marcello Venturini; Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 17. o uso de informações obtidas com amparo no Acordo BrasilEUA em matéria penal, incorporado ao direito brasileiro com o Decreto nº 3.810, de 2001, está sujeito a restrições: a) solicitação em contrário e b) pedido de confidencialidade ou de utilização restrita de informações. Assim, as informações e provas não podem ser utilizadas para investigar – muito menos indiciar ou condenar – terceiros que não estão expressamente mencionados na “solicitação de assistência”, sendo invocáveis: a parêmia “exceptio este strictissimae interpretationis”; a inadmissibilidade, no processo, de provas obtidas por meios ilícitos; e a teoria dos frutos da árvore envenenada; 18. a produção de efeitos de documentos redigidos em língua inglesa tem como requisito a tradução para o português (art. 224 do Código Civil) e o respectivo registro no Cartório de Títulos e Documentos (art. 129 da Lei 6.015, de 1973), além disso, a SCI nº 33, de 21/10/2004, nos incisos 14 e 15, requer do acusador a tradução juramentada dos documentos de fls. 6/7 e a reabertura de prazo para o impugnante tomar ciência e exercitar seu direito; 19. discorre sobre as nulidades no processo administrativofiscal e sobre a distinção entre vício formal e material, transcreve os art. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/1972 e sustenta que há outras causas de nulidades esparsas na legislação e que não podem ser afastadas; 20. Relativamente ao mérito do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o recorrente alega que: 20.1. os lucros de R$86.612,40 e R$108.523,69 recebidos pelo recorrente e sua esposa das empresas Patain Informática e Patana Informática devem ser admitidos como origens de recursos, uma vez que a distribuição destes foi comprovada com as declarações das empresas (fls. 27/39) e dos sócios (fls. 121/126) e são nulas as intimações feitas aos sócios; não sendo acatada essa nulidade, requerse diligência ou perícia para comprovar, na escrituração contábil das empresas, a efetiva distribuição dos lucros; junta recibos firmados pelos sócios, atestando recebimento dos lucros; 20.2. contraiu matrimônio com a Senhora Patrícia Alessandra Ferraz, em 29/3/1995, sob regime de comunhão parcial de bens, e esta apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado, em 29/04/2003, portanto, o lançamento do Acréscimo Patrimonial a Descoberto está incorreto, uma vez que atribuiu integralmente ao recorrente a omissão de rendimentos, contrariamente ao que prevê os art. 6º e 8º c/c art. 798 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999 e a SCI nº 390 de 2008, esta última orienta e vincula os trabalhos fiscais, consoante art. 100 do Código Tributário Nacional – CTN, art. 48 a 50 da Lei 9.430, de 1996 e art. 12 da IN SRF nº 740, de 2007, além de ter sido emitida pela CoordenaçãoGeral de Tributação – Cosit em resposta à consulta formulada pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização – Cofis, esta na qualidade de órgão da administração pública a que alude o art. 46 do Decreto n° 70.235/1972, legitimada ao processo de consulta. Às fls. 494, o recorrente informa seu novo endereço. Consta despacho de apensação do processo 10882.001778/200796 (fls. 495). O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 502 11 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da decadência O lançamento consiste de omissão de rendimentos no anocalendário 2002, representada pelo Acréscimo Patrimonial a Descoberto, apurado mensalmente, porém com fato gerador consumado em 31/12/2002. Não há uma decadência mensal como defende o recorrente. Dessa forma, o lançamento notificado ao recorrente no ano de 2007, respeitou o prazo decadencial, quer se conte pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, inciso I do CTN. Da nulidade do lançamento por descumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Inexiste a alegada nulidade do lançamento por descumprimento a prescrições do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o qual juntado às fls. 01 (numeração digital 03) demonstra que o seu objeto era a fiscalização do IRPF do anocalendário 2002 e todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com esse objetivo, tais como exigência de extratos e de documentos de empresas que supostamente lhe teriam distribuído lucros. Ademais, o MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. Demais nulidades O conjunto de documentos obtidos pela Força Tarefa com amparo em decisões judiciais e no Acordo Brasil – EUA somente poderia ser desconstituídos em ação judicial e não no processo administrativo. Incabível, nessa instância, alegar que tais procedimentos contrariaram a legislação pertinente, porque o órgão administrativo não poderia sobrepor seu entendimento à decisão da autoridade judiciária. As normas que estabelecem o requisito da tradução para constituição de provas e do registro cartorário, como normas instrumentais, devem ser interpretadas sistematicamente, levando em conta, inclusive, os princípios que regem as nulidades, notadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa. Não havendo cerceamento do direito de defesa não se pode dizer que a falta de tradução contaminou o lançamento. Não houve cerceamento do direito de defesa, nem violação ao devido processo legal. Inegável a licitude de utilização dos Laudos Periciais como prova, nos exatos limites das informações neles constantes. Preliminares de nulidade rejeitadas. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Do mérito Analisase o Acréscimo Patrimonial a Descoberto sob três vertentes: a) remessa pelo recorrente de US$150,000.00 para exterior, sendo US$120,000.00 em 31/05/2002, a favor do próprio recorrente, com crédito no Bank of America, Miami; e US$30,000.00, em 03/05/2002, para o beneficiário Pietro Scamparini, com base na documentação de fls. 06/07; b) origem de recursos representada por lucros recebidos das empresas Patain Informática Ltda e Patana Informática Ltda; e c) atribuição de 100% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto ao recorrente, que se casou em regime de comunhão de bens e cuja cônjuge apresentou declaração em separado. Das remessas ao exterior A maior parte das razões recursais centrase na alegação de que o Fisco tem o dever de provar que o contribuinte foi a pessoa citada nos documentos de fls. 6/7 e que sem essa prova não se pode imputar ao recorrente o fato retratado nesses documentos, logo esse dispêndio não poderia constar do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Na primeira instância de julgamento, houve uma resolução para realização de diligência a fim de a Receita Federal esclarecer como foi feito o relacionamento do nome do contribuinte ao nome citado nos aludidos documentos e juntar o laudo que embasou o procedimento fiscal (fls. 294; numeração digital fl. 300). Foi juntado o laudo pericial nº 1.258/04 (fls. 296; numeração digital fl. 302) e os esclarecimentos de fls. 306 (numeração digital fl. 312) e 313 (fl. digital 319) e documentos de fls. 309/312 (fl. digital 315/318). Esses documentos foram encaminhados pelos memorandos de fls. 310 e 311 e correspondem aos documentos de fls. 06/07, do Valley National Bank, antigo Merchant Bank. O procedimento fiscal teve início para que se fiscalizasse o contribuinte em face do recebimento, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de documentos alusivos à transferência de recursos por meios dos Bancos Merchants Bank, Lespan e Safra Bank. No caso do recorrente, o Merchants Bank. As operações representadas nos documentos de fls. 06/07 são duas transferências de recursos em dólares; uma ocorrida em 05/03/2002 a crédito de Pietro Scamparini no Moody Bank, Austin Texas, outra, em 31/03/2002, a crédito de Alain Venturini no Bank of Amercia Miami, ambas debitadas da conta nº 900 82 95 em nome de GATEX CORP, tendo como referência o nome Alain Venturini. O laudo pericial nº 1258/04 somente foi acostado aos autos somente durante o contencioso administrativo. Esse laudo foi apresentado em razão da diligência que requereu a juntada do laudo que “efetivamente embasou a ação fiscal”, posto que o laudo até então juntado aos laudos não cumpria com essa finalidade. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 503 13 O recorrente tem razão quando contesta esse laudo como prova por não fazer menção a sua pessoa. O Laudo nº 1258/04 não faz qualquer menção ao nome do recorrente, nem ao Merchants Bank, nem ao Valley National Bank, nem à Gatex Corp, nem à conta nº 9008295. Este laudo consta às fls. 296/302 (numeração digital fl. 302/308) Nesse laudo foi consignado que o material examinado consistiu de mídias computacionais (CDR), contendo um arquivo de nome “Beacon.zip” e trinta outros no formato MS Excel, relativos às contas e subcontas que a Beacon Hill administrava junto ao banco JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, restrito às mídias de movimentação financeira, em meio computacional. A autoridade lançadora informou que não participou da tarefa de vincular o nome Alain Venturini ao recorrente, informa que já recebeu a vinculação elaborada pelo Setor de Programação da DRF e que, por se tratar de documentos obtidos de instituições financeiras sediadas no exterior, não teve condições de complementar e/ou vincular com outros elementos colhidos no curso da ação fiscal (fls. 306). Por sua vez, o Setor de Programação informou que a vinculação dos nomes constou da relação de dossiês anexa ao memorando nº 33/2006 (fls. 312/313), o que implica reconhecer que essa vinculação foi feita em momento anterior ao recebimento dos documentos pela DRF. Nesse contexto, os documentos de fls. 6 e 7 são um relevante início de prova, mas carentes de maiores investigações por parte do Fisco. Ausente qualquer registro de investigação do Fisco nesse sentido, implica reconhecerse que o Fisco não se desincumbiu do dever de provar que o recorrente foi o remetente dos recursos ao exterior. A argumentação do acórdão recorrido é relevante quanto a demonstrar que, se há um brasileiro que se denomina Alain Venturini, este é o recorrente, mas parte de um ponto inicial que tem por comprovado o que se precisa comprovar: Alain Venturini ordenou as remessas? Alain Venturini citado nos documentos é brasileiro? Ressaltese que, na denominada operação Beacon Hill, em suas diversas fases, há casos de operações das mais diversas, não raro com utilização de interpostas pessoas, denominadas de laranjas, o que é mencionado em diversas passagens destes autos (fls. 13, fls. 134, fls. 136, fls. 296) ou ‘smurfs’, no vocabulário empregado no Ofício nº 001/03 PF/FT/SR/DPF/PR, de 296/08/20003 (fls. 139). Esta hipótese não pode ser ignorada, à medida que o contribuinte não reconhece ser a pessoa mencionada nos documentos de fls. 6/7 e demonstra por meio de consulta à rede mundial de computadores que não é a única pessoa cujo nome completo possui o nome de Alain Venturini (fls. 246). O recorrente indicou o seguinte endereço na rede mundial de computadores: https://www.google.com.br/search?q=+%22ALAIN+VENTURINI%22&hl=pt BR&lr=&as_qdr=all%20&start=10&sa=N Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 O acórdão recorrido referese ao laudo nº 1258/04 como "prova emprestada" e descreve um histórico da sua origem (fls. 356) para justificar sua força probante. Admitese que laudos periciais tenham a força probante descrita no acórdão recorrido, todavia, o laudo nº 1258/04, indicado como o que “efetivamente embasou a ação fiscal”, neste caso concreto, não tem essa força, pois: (a) não faz qualquer menção aos nomes indicados nos documentos de fls. 6 e 7; (b) não há qualquer explicação da autoridade lançadora de como relacionar o recorrente ou a operação ao laudo; e (c) o documento que serviria de prova das transferências a cargo do recorrente não era uma mídia computacional, o laudo 1258/04 examinou, exclusivamente, mídias computacionais. Transparece que, a partir da menção do nome Alain Venturini, nos documentos de fls. 6/7, chegouse à identificação do recorrente, Sr. Alain Marcelo Venturini, pois era a única opção existente no Cadastro de Pessoas Físicas CPF. O procedimento fiscal implica um risco, que não pode ser ignorado, de por falta de maiores investigações, tributarse quem não foi ordenante da remessa de recursos ao exterior. Portanto, devese privilegiar o devido processo legal e considerar que faltaram provas nos autos que permitam ao Fisco computar como dispêndios no Acréscimo Patrimonial a Descoberto as remessas ao exterior no mês de abril de 2002 (fls. 106). Assim, é dispensável analisar demais alegações do recorrente que objetivavam excluir esses valores do lançamento. Do recebimento de lucros das empresas Patain e Patana Analisase, primeiramente, as alegações referentes à empresa Patain. Não há nulidade na intimação efetuada ao sócio majoritário e com poderes para representar a sociedade Patain Informática (fls. 34), ainda que a Fiscalização seja dirigida à pessoa física. A distinção entre as personalidades jurídicas, neste ponto, tem caráter meramente formal quanto ao endereçamento da intimação sem causar qualquer o prejuízo ao recorrente. Bastaria ter apresentado os documentos exigidos e se desincumbiria do ônus probatório. O recorrente amparase, exclusivamente, nas declarações de rendas dessas empresas e nas declarações de ajuste anual. Como se trata de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, que deve ser apurado mensalmente, as declarações de rendas apresentadas, ainda que tempestivas, não comprovam o mês de recebimento dos lucros, além disso, outras constatações fragilizam as declarações de rendas como prova do recebimentos de lucros nos valores informados, o que impossibilita computálos no demonstrativo de apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. O valor informado como lucros atribuídos aos sócios é de R$114.235,46, quase a totalidade da receita bruta declarada no anocalendário (R$118.375,00) (fls. 29 e 30). Quanto à empresa Patana, o recorrente alega que não é sócio, que sua mulher é sócia e que foi ela quem recebeu os lucros. Ocorre que sua esposa foi intimada a comprovar o recebimento dos lucros (fls. 99) mas não trouxe outros elementos de prova. Juntese o fato de que essa empresa declarou, exclusivamente, receita bruta no mês de dezembro (R$89.700,00) e Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 504 15 uma atribuição de lucro a sócios que representa quase toda a receita (R$88.380,00) (fls. 37 e 38). As intimações fiscais objetivaram permitir ao contribuinte esclarecer esses fatos e comprovar o recebimento de lucros, porém não foram atendidas. Outrossim, nem mesmo no curso do contencioso administrativo o recorrente faz essa prova. Dessa maneira, não se admite no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto a inclusão de origens com base nessas alegações. Do rateio da omissão de rendimentos O recorrente sustenta que não é correto atribuirlhe 100% da omissão de rendimentos, dadas as normas que estabelecem o rateio à razão de 50% em relação a cada cônjuge. O recorrente cita a Solução de Consulta Interna nº 39/2008 e sustenta que o entendimento nela expresso é vinculante para a administração tributária. As razões recursais confundem a Solução de Consulta Interna com a Solução de Consulta, somente esta última corresponde ao processo de consulta previsto no art. 48 e seguintes do Decreto n° 70.235/1972 e nos art. 48 e seguintes da Lei 9.430, de 1996. As Soluções de Consulta Interna representam a interpretação dada pela Receita Federal para o caso específico que foi consultado por órgãos da própria instituição. Ainda que tenha sido provocada por um Órgão Central da estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não possui força vinculante no âmbito destes autos. De todo modo, o CARF não está vinculado aos entendimentos manifestados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Está correto o acórdão recorrido ao reputar que na constância da sociedade conjugal em regime de comunhão parcial de bens, mesmo quando as Declarações de Ajuste Anual são apresentadas em separado, há o interesse comum no acréscimo patrimonial, que, não acobertado pelos rendimentos, caracteriza o fato gerador do imposto, na modalidade de omissão de rendimentos representada pelo Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Há, portanto, a solidariedade de ambos os cônjuges pela dívida como um todo, consoante prescrição do inciso I do art. 124 do CTN, e não há ilegalidade no ato administrativo de lançamento que imputou integralmente ao marido com responsabilidade solidária à esposa, computando na apuração os rendimentos e bens de ambos. Nesse sentido são os precedentes abaixo: (...) SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. Tratandose de contribuinte que faz parte de sociedade conjugal, excetuandose aqui apenas os casos de casamentos regidos pelo Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 regime de separação total de bens, não há como elaborar demonstrativo de evolução patrimonial sem que os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges sejam levados em consideração, sob pena de o demonstrativo não espelhar a realidade fática. Assim, apurado acréscimo patrimonial a descoberto, levandose em consideração os recursos e os dispêndios do casal, o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, salvo se o fato determinante do acréscimo patrimonial a descoberto recair sob bens gravados com cláusula de incomunicabilidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. (excerto da ementa do acórdão 2102002.335, de 17/10/2012). (...) INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PATRIMÔNIO COMUM DO CASAL. OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA QUE NÃO COMPORTA BENEFÍCIO DE ORDEM. CTN ART. 124. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O casal, nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na aquisição de bem comum e no patrimônio, e sua variação, auferido na constância da sociedade conjugal. Na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu pólo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados. Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem pela dívida integral. (...) (excerto da ementa do acórdão 2801003.682, de 09/09/2014). Diante do exposto, devese rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00, no mês de maio de 2002. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 505 17 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13005.720743/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Relatório
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Assinado digitalmente IRENE SOUZA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL contra Acórdão nº 1049.794, proferido pela 2ª Turma da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 74 3/ 20 10 -8 1 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 868 2 DRJ/POA, que, por unanimidade, julgou improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 19/10/2010, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita do mercado externo relativos ao 2º trimestre de 2010. A repartição fiscalizadora efetuou auditoria e produziu Relatório de Ação Fiscal (parte integrante do processo nº 13005.721311/201179 – lançamento de multa isolada de PIS/COFINS) onde dissecou, pormenorizadamente, os problemas encontrados, tendo apontado o valor passível de ressarcimento (Planilha PERD/COMP – fl. 4291 – anexa ao Relatório). Foi emitido Parecer em 24/06/2011 com propositura de reconhecimento parcial do direito creditório da contribuinte, sendo proferido, também, o Despacho Decisório de fl. 22, por meio do qual reconheceuse parcialmente o direito creditório relativo ao PIS nãocumulativo vinculado à receita do mercado externo (2º trimestre de 2010). Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 01/08/2011 (Termo de Intimação de fl. 34) e, não se conformando, apresentou, através de procurador, longa manifestação de inconformidade onde, de início, referiu aos fatos, para, a seguir, argumentar (de forma resumida): 1) Conceito de insumos: as INs SRF n°s 247/2002 e 404/2004 de produtos destinados à venda, incluindo a prestação de serviços, são insumos, visto que inerentes à materialidade do tributo, isto é, à obtenção de receita. 1.1) Transporte de funcionários: para o transporte dos seus funcionários, responsáveis pela mãodeobra aplicada no processo produtivo, a empresa contrata serviços de transporte de empresas de transporte privadas (fretamento) para o fim de proporcionar o transporte de seus funcionários, de suas residências às instalações da empresa e viceversa. Os serviços tomados das empresas de transporte de passageiros têm como finalidade viabilizar o acesso dos funcionários às instalações da empresa, sem os quais não seria possível a atividade produtiva. Assim, os serviços de transporte municipal e intermunicipal dos funcionários são serviços tomados com o objetivo de viabilizar a mãodeobra necessária ao processo produtivo. Por tal razão, tratase de serviço que se enquadra no conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Requer a reforma do DD para o fim de reconhecer o creditamento dos custos/despesas de transporte de funcionários, visto serem serviços de transporte tomados com o objetivo de viabilizar o acesso e o retorno dos funcionários ao setor produtivo da empresa, subsumindose, portanto, ao conceito de insumo de PIS/COFINS. 1.2) Locação de uniformes (indumentária): a empresa aluga uniformes próprios para o manuseio das carnes de aves e suínos, ou seja, indumentárias especiais. Tais indumentárias consistem em vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens necessários para que os funcionários possam manusear as carnes de aves e suínos, em condições sanitárias exigidas pela ANVISA. Considerando que a empresa, para estar apta a exercer a sua atividade econômica, necessita utilizar uniformes especiais para o manuseio das carnes de aves e suínos, atendendo assim os requisitos sanitários da ANVISA, concluise que as despesas de locação desses equipamentos são custos vinculados a sua atividade produtiva. O reconhecimento da legitimidade do creditamento dos custos com locação de indumentárias Fl. 868DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 869 3 (PIS/COFINS), conforme a inteligência dos arts. 3°, incisos II, § 3º, incisos II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c os arts. 290 e 299 do RIR/99 deve ser feito. 1.3) Limpeza e higiene: a limpeza e a higiene são requisitos básicos de qualquer empresa que tenha como atividade econômica o fornecimento de produtos alimentícios. Para que seja garantida a boa qualidade dos produtos, bem como eliminado o risco de qualquer tipo de contaminação às carnes de frangos, a empresa periodicamente toma serviços de empresas especializadas em limpezas de imóveis para a limpeza e higienização de seus frigoríficos. A contratação periódica de empresas especializadas em serviços de higienização e limpeza é indispensável ao processo produtivo. A tomada desses serviços são custos indispensáveis ao processo produtivo e como tal se subsume ao conceito de insumo para o PIS/COFINS, devendo ser reconhecida a legitimidade do seu creditamento. Mesmo que se entenda que a tomada de serviços de higienização e a limpeza não consistiriam em custos, mas sim em despesas, ainda assim o creditamento de tais serviços estaria albergado pelo art. 299 do RIR/99. Verificase que os dispêndios com os serviços de higiene e limpeza, que preparam os frigoríficos para a atividade produtiva da empresa, se subsumem ao conceito de insumo, com base nos arts. 3º, incisos II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Requer o afastamento da referida glosa. 1.4) Construção civil: no exercício da atividade produtiva, a empresa precisa, periodicamente, contratar empresas tercerizadas para a prestação de serviços de construção civil, seja para a ampliação de dependências de suas instalações frigoríficas, seja para realizar benfeitorias em suas instalações. Face a isso, a empresa creditouse dessas despesas para efeitos de PIS/COFINS. Todavia, o Fisco glosou essas despesas, por entender que não se subsumem ao conceito de insumo e, por conseguinte, efetuou a glosa do direito creditório pleiteado em relação a essa despesa. Ocorre que o creditamento das despesas de edificação e benfeitorias, como é o caso dos serviços contratados, é expressamente permitido pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, como se percebe na dicção dos arts. 3º, incisos VII. É medida de rigor que seja reconhecida a legimitidade do creditamento das despesas de construção civil creditadas pela empresa, visto tal possibilidade estar expressamente prevista na legislação de regência do PIS/COFINS regime nãocumulativo. 1.5) Tratamento de resíduos industriais: em todas as etapas do processo produtivo da empresa, seja o produto final que industrializa, há o descarte de resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima. Como os resíduos são orgânicos, por uma questão de saneamento e de procedimento sanitário, procedese a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS/COFINS, por força do art. 299 do RIR/99. 2) Despesas de energia elétrica: para a carga de frio a empresa contrata prestação de serviços de energia elétrica de empresas especializadas, que, dentro do próprio porto, procedem ao resfriamento dos containeres. Face a necessidade de cargas de frio nos containeres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados que estão aguardando o seu embarque nos portos, para que cheguem ao seu destino final com qualidade e aptas para o consumo, é medida de rigor reconhecer a legitimidade do creditamento dessas despesas para efeitos do PIS/COFINS. Por esta razão, o creditamento da tomada desse serviço (fornecimento de energia elétrica) deve ser reconhecido com fulcro nos arts. 3º, II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c o art. 299 do RIR/99. 3) Despesas com fretes: a) fretes de produtos em elaboração: nos casos em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade, Fl. 869DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 870 4 estáse diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas de industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, a empresa necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto nos arts. 3º, incisos II, das Lei n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo; b) fretes de produtos acabados: as carnes de aves, inteiras ou em cortes, são remetidas do frigorífico para outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos. Essa remessa de produtos acabados, é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, destinamse para entrega aos clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Dessa forma, essas operações de fretes de produtos acabados se enquadram no permissivo legal da Lei n° 10.833/2003, que garante o creditamento de COFINS/PIS. As despesas de fretes de produtos acabados entre filiais são despendidas com o propósito de viabilizar a atividade econômica de exportação dos produtos. Como tal, são despesas que se consubstanciam no conceito de insumo do PIS/COFINS, de modo que seu creditamento também pode ser reconhecido com base nos arts. 3º, II, § 3º, incisos II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Seja como frete na operação de venda, seja como despesa necessária à atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido, para que seja observada a não cumulatividade do PIS/COFINS. 4) Créditos extemporâneos/preclusos: nos períodos de apuração de janeiro, novembro e dezembro de 2010, a empresa adjudicou créditos de PIS/COFINS sobre itens do ativo imobilizado que não haviam sido aproveitados em meses anteriores. Tais créditos foram tratados pela fiscalização como extemporâneos. A empresa adjudicouse de forma extemporânea tão somente de créditos originários de cinco anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no artigo 1º do Decreto n° 20.910, de 1932. É ilegal a decisão do Fisco de vedar o aproveitamento de créditos extemporâneos que seriam passíveis de adjudicação – de cinco anos anteriores. A ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1º do Decreto 20.910/1932 com os dispositivos legais e normativos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e INs SRF nºs 287/2002 e 404/20), que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Nesse sentido, a empresa requer que o DD seja reformado, lhe sendo restituído o valor que lhe é de direito nos termos da legislação. 5) Crédito presumido: a) aquisições da Conab: sobre as aquisições de milho realizadas pela empresa, apurouse crédito presumido à alíquota de 4,56%, para fim de creditamento do referido insumo adquirido da CONAB. O DD glosou o creditamento dessa aquisição, entendendo que, como a CONAB era intermediária da União, não haveria direito a crédito de PIS/COFINS (não teria havido débito das contribuições na etapa anterior). Fundamentou seu entendimento com base no Comunicado CONAB/DIGES/SUOPE/GECOM n° 158, de 10/05/2006. Essa glosa não merece persistir, visto que o direito ao crédito de PIS/COFINS estão garantidos Fl. 870DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 871 5 pelos arts. 3º, incisos II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo limitação infralegal, quanto mais de um Comunicado que sequer foi objeto de publicação no DOU (art. 100 do CTN). O fato da CONAB ser uma intermediária da União, não quer dizer que o adquirente não faz jus ao creditamento na aquisição do milho. O fato da União Federal ser imune a incidência de PIS/COFINS, não quer dizer que não há incidência das contribuições na etapa anterior à aquisição do milho, mas tãosomente que a receita da União, assim como dos demais Entes da Federação, não será tributada. Não significa dizer que a empresa não pode usufruir da nãocumulatividade do PIS/COFINS e se creditar da aquisição do insumo, pois não se está diante de uma limitação de um benefício fiscal ao contribuinte, mas apenas de uma imunidade do Ente Federado. Requer o afastamento dessa glosa, assim como das demais, devendo ser reconhecida a legitimidade da aquisição do milho, visto a regularidade do cálculo do crédito presumido realizado; b) regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido: a empresa adquire animais para sua produção e os envia para os centros de criação. Até que os animais estejam prontos para o abate, a empresa procede à manutenção dos mesmos, enviando aos criadores, ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. Portanto, empresa a firma com os produtores Parceria Rural nos termos do Decreto nº 59.566/1966. A empresa entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente ao integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos. Toda a ração, medicamentos e todos os demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela empresa. O produtor integrado contribui exclusivamente com a mãodeobra. O percentual de 9%, mencionado no DD, representa a remuneração da mãodeobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. A empresa não realiza compra de parte de produção do produtor integrado, mas sim remunera a mãodeobra despendida pelo produtor durante o desenvolvimento dos animais. O fato de remunerar o produtor com valor em torno de 9% do que valem os frangos devolvidos, não significa que tais frangos não sejam da empresa, tampouco que tais frangos pudessem ser vendidos a terceiros. Tratamse de frangos e de insumos da empresa, sendo que o emprego de tais insumos na criação destes frangos em nada retira o direito ao crédito da empresa. A empresa remunera seus integrados pela mãode obra (cuidados e criação dos frangos), mas a totalidade dos insumos deve lhe ser reconhecida, pois 100% dos frangos são de sua propriedade. A Doux Frangosul paga pelo serviço em valor que importa em quantia em torno de 9% do valor dos frangos, mas isso não retira o caráter de propriedade dos mesmos; c) alíquota utilizada para calcular o crédito presumido: o cálculo levado a efeito pela empresa encontra guarida na legislação federal e merece ser mantido, face à estrita observância das normas de regência (art. 3º, § 10 da Lei nº 10.637/2002; Lei nº 10.833/2003; art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desses dispositivos depreendese que a utilização das alíquotas previstas nos incisos I, II e III (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária. Considerando que a empresa fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que esta se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; d) procedência dos créditos objetos do pedido de ressarcimento: disse o Fisco que o total do valor do crédito presumido não é ressarcível, podendo apenas ser deduzido do PIS/COFINS. Mas é expressamente permitido o ressarcimento do Fl. 871DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 872 6 crédito quando a pessoa jurídica, ao final de cada trimestre, não conseguir deduzir seus créditos com débitos próprios ou compensar com débitos próprios (art. 5º da Lei nº 10.637/2002; art. 6º, da Lei nº 10.833/2003). Além disso, a IN SRF n° 660/2006 alterou por completo a Lei n° 10.925/2004, usurpando competência de normas complementares (art. 8º); e) modificações ao texto da Lei nº 10.925/2004 pela IN SRF nº 660/2006: em momento algum o legislador ordinário determinou como condição para cálculo do crédito presumido a aquisição de insumos elaborados ou semielaborados. A IN SRF nº 660/2006 modificou indevidamente o texto da Lei nº 10.925/2004 ao estabelecer que o crédito presumido de PIS/COFINS fosse calculado com base nos insumos adquiridos pela PJ. Não merece amparo a glosa levada a efeito pelo Fisco, eis que ela se deu com base em ato de natureza complementar, que de forma indevida modificou a legislação de regência. Podese concluir que não merece amparo a fundamentação para a glosa da alíquota de 60% sobre 1,65% e 7,6% para o cálculo do crédito presumido de PIS/COFINS, visto que o critério determinado para cálculo do benefício não são os insumos e sim o produto que a empresa produz. Requer a reforma do DD, para ser reconhecido o direito creditório pleiteado na sua integralidade. 6) Pedidos: a empresa requer que sua manifestação de inconformidade seja recebida e acolhida, reformandose o DD combatido, deferindose totalmente os crédito pleiteados, visto a comprovação da legitimidade daqueles. Requer a possibilidade, durante o trâmite do processo administrativo, de juntada de outros documentos que possam comprovar a legitimidade dos créditos pretendidos e, caso seja entendido necessário, a determinação de diligência fiscal para comprovação dos fatos descritos. Remetido o processo a esta DRJ, foram os autos analisados. Em 14/03/2012 emitiuse pedido de diligência para, em especial, verificações quanto ao redutor aplicado nas glosas de insumos remetidos para os produtores integrados, devendo ser esclarecido se foi esta a parcela do total produzido pelos produtores parceiros que efetivamente coube a estes produtores (se pagos em dinheiro ou em frangos). Em atendimento, o Órgão preparador anexou documentos e produziu Relatório de Diligência Fiscal. Neste assentou (excertos): (...) Em consulta aos arquivos digitais contendo os documentos fiscais do ano de 2010, apresentados pelo contribuinte, verificouse entradas de produtos advindos dos integrados nos estabelecimentos do contribuinte, tendo sido registradas com CFOP 1451 (Retorno de animal do estabelecimento produtor) e CFOP 1101 (Compra para industrialização ou produção rural), de acordo com os valores constantes da tabela demonstrativa abaixo: Verificase que do total das operações de entradas de produtos advindos dos integrados (CFOP 1451 + CFOP 1101), aproximadamente 9% referiramse a aquisições destes produtos (CFOP 1101). Desta forma, concluise que a parcela de, aproximadamente, 9% do total produzido pelos produtores parceiros do contribuinte no ano de 2010 coube a estes produtores parceiros, que receberam esta parcela da produção em Fl. 872DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 873 7 mercadorias/produtos como pagamento pela prestação de seus serviços, tendo vendido sua parte da produção ao contribuinte fiscalizado, conforme operações de aquisições registradas com CFOP 1101, relacionados na tabela acima. (...) Cientificada do Relatório a contribuinte apresentou nova manifestação em 03/08/2012. Nela registrou (de forma sintética): 1) Valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pela empresa: o intuito do pedido de diligência era de verificar o entendimento do Fisco: como a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos pela empresa são entregues aos produtores integrados, tais insumos não se destinariam integralmente à produção própria, vez que parte do resultado desta produção supostamente cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo. No entendimento do Fisco, uma parcela dos insumos entregues ao produtor integrado não constituiria produção da PJ, não se destinando à venda desta e, portanto, não se enquadrando no dispositivo legal que autoriza a geração de crédito presumido. Conseqüentemente, o valor relativo a esta parte (9%), deveria ser excluído da base de cálculo dos créditos. A empresa entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo os aos integrados, para uso na alimentação e desenvolvimento de 100% dos animais. Esses são, posteriormente, utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos. Toda ração, medicamentos e demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela empresa. O produtor integrado, por sua vez, contribui exclusivamente com a mãodeobra. A empresa fornece 100% dos insumos, suportando o custo do produtor integrado em sua totalidade. Também utiliza 100% dos animais em sua produção. O percentual de 9% mencionado no DD representa remuneração da mãodeobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. A empresa não realiza a compra de parte de produção do produtor integrado, e sim remunera a mãodeobra despendida pelo produtor durante o desenvolvimento dos animais. O fato de remunerar o produtor com valor em torno de 9% do que valem os frangos devolvidos, não significa que tais frangos não sejam da empresa, tampouco que tais frangos pudessem ser vendidos a terceiros. Tratase de frangos e insumos da empresa, sendo que o emprego de tais insumos na criação destes frangos em nada lhe retira o direito ao crédito. Protesta pela posterior juntada de outros documentos que possam comprovar a aquisição de insumos em 2010. 2) Tabela demonstrativa: no Relatório de Diligência Fiscal não há qualquer referência que possa fornecer elementos que possibilitem à empresa, ao menos, deduzir os valores que seriam correspondentes a cada glosa, o que demonstra a nulidade do referido Relatório, bem como do DD, por ausência de fundamentação. O Relatório não descreveu a fundamentação de sua decisão, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. O DD sequer individualizou os valores das glosas realizadas pelo Fisco. Faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo pelo qual a glosa realizada pelo Fisco foi superior ao valor pleiteado. Retirouse, por consequência, a segurança jurídica e a possibilidade de defesa, visto que não há qualquer explicação, tanto no DD quanto no Relatório, para que o valor das glosas, somado ao valor deferido, seja superior ao valor pleiteado. Dessa forma, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal da empresa por cercear a sua defesa, vez que não foram respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Deve ser considerado nulo o ato administrativo pela falta de elemento essencial à sua formação. 3) Pedidos: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 874 8 a) requer seja recebida e acolhida sua manifestação complementar, reconhecendose a nulidade parcial do DD e a nulidade integral do Relatório de Diligência Fiscal, eis que não apresentaram as razões que justificassem as glosas combatidas, bem como o fato da soma das glosas realizadas, com o valor inicialmente deferido pelo Fisco, ser superior ao valor pleiteado pela empresa no período em análise; b) requer seja determinado que a autoridade fiscal de origem realize nova análise dos valores glosados, bem como reaprecie as referidas glosas, considerando os documentos juntados em anexo que demonstram a legitimidade do crédito pleiteado; c) requer, caso não seja acolhido o pedido anterior, o provimento integral de sua Manifestação de Inconformidade, com a consequente reforma do DD, para o fim de deferimento do total dos créditos pleiteados, vista a comprovação da legitimidade daqueles; d) requer a possibilidade de juntar outros documentos que possam comprovar a legitimidade dos créditos pleiteados, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal para comprovar os fatos antes descritos ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas. Posteriormente, em 18/10/2012, a contribuinte solicitou juntada de mídia eletrônica (CD). O processo retornou a esta DRJ.” A DRJ, por unanimidade, julgou improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando a contribuinte é regularmente cientificada do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade, na qual revela conhecer as razões da homologação parcial da compensação declarada. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 875 9 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou judicial, bem como a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL EPI. Somente os bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação é que geram direito ao crédito, sendo certo que os gastos com equipamento de proteção individual e uniformes estão fora deste universo, pois, embora sejam relevantes e até possam ser necessários, não são Fl. 875DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 876 10 empregados diretamente na produção, já que se tratam de materiais auxiliares, complementares ao processo produtivo e, por isso, estão fora da literalidade do dispositivo legal, ou seja, estão fora do alcance do conceito de insumo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA INDUSTRIAL. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços de manutenção e limpeza industrial, que não sejam comprovadamente empregados em máquinas e equipamentos utilizados na produção, por não se classificarem como insumos. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Somente dão origem a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) apenas quando as aquisições se tratarem de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. Na apuração do crédito presumido, o percentual a ser observado tem relação com a natureza do insumo adquirido, e não do bem/mercadoria Fl. 876DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 877 11 produzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA ÉPOCA PRÓPRIA. DACON. DCTF. É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do prazo decadencial de cinco anos, a autuada não retifica as declarações (DACON, DIPJ e DCTF) para demonstrar que efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer jus. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS REFERENTES À PARTE DA PRODUÇÃO PERTENCENTE AO PARCEIRO (INTEGRADO). A legislação somente autoriza a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos próprios destinados à venda, não podendo ser estendida à parcela das aves que cabe ao produtor integrado ou parceiro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 877DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 878 12 Cientificado do referido acórdão em 20 de maio de 2014, a Doux Frangosul S/A Agro Avícola Industrial apresentou recurso voluntário em 4 de junho de 2014, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL teve ciência da decisão de primeira instância em 20 de maio de 2014, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentandoo em 4 de junho de 2014. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que a lide envolve valores relativos aos créditos do PIS não cumulativo, vinculados às receitas de exportação, referentes ao 2º trimestre de 2010. Para melhor elucidar as questões trazidas no recurso voluntário, importante trazer os fatos descritos pela recorrente, quais sejam, entre outros, que: · A recorrente, com base no art. 5º, § 1º e § 2º, da Lei nº 10.637/02, transmitiu pedido eletrônico de ressarcimento (PER) de créditos de COFINS não cumulativo, vinculados às receitas de exportação, referentes ao 2º trimestre de 2010, o valor de R$ 1.785.841,67; · No entanto, a Receita Federal de Santa Cruz do Sul procedeu à fiscalização na sede da empresa, através da qual decidiu em reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 1.319.547,49; Fl. 878DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 879 13 · O despacho decisório não reconheceu parte dos créditos pleiteados, sob a alegação de supostas irregularidades fiscais, conforme breve resumo da Informação Fiscal anexada ao Auto de Infração do processo nº 13005.721311/201179; · O que, por conseguinte, fez com que a recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade visando o deferimento integral do seu crédito; · Sobreveio Acórdão da 2ª Turma da DRJ que julgou improcedente a Manifestação mantendo as glosas sobre os mesmos argumentos despendidos no despacho decisório. Descritos os fatos, passo a discorrer sobre as argumentações trazidas pela recorrente sobre cada questão contemplada no recurso voluntário. Quanto ao conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos, em síntese, a recorrente diz que: · As IN´s SRF 247/2002 e 404/2004 interpretaram o termo “insumos” em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI; · Os referidos atos normativos não oferecem a melhor interpretação ao art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tal conceito de insumo não se coaduna com a base econômica de PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita, vinculada à atividade fim da empresa; · Cumpre trazer a baila o recente entendimento do CARF, ao julgar o recurso voluntário interposto no âmbito do processo nº 11020.001952/200622, tendo em vista que nesse julgamento, a turma ampliou o conceito de insumo que gera o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa; · De acordo com o r. entendimento, o conceito de insumos seria mais amplo, devendose levar em conta o que é insumo segundo o Regulamento do Imposto de Renda, nos seus arts. 290 2 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas Fl. 879DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 880 14 nºs 247/02 e 404/04, as quais foram editadas com fundamento exclusivo na legislação do IPI; · Para que seja realizada a não cumulatividade das contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; · Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN´s, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; · Tal entendimento foi chancelado na esfera judicial, por meio do acórdão prolatado no julgamento da Apelação Cível nº 0029040 – 40.2008.404.7100/RS do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que, descreve, entre outros, que os critérios adotados pelo legislador para pautar o creditamento nos casos de IPI não são aplicáveis ao PIS e à COFINS; · No caso dos autos, além dos insumos glosados estarem plenamente de acordo com as INs SRF 247/02 e 404/04, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada, levando em consideração o conceito de insumo proposta pelo CARF e reconhecido pelo TRF da 4ª Região, visto que também existem custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica da recorrente, cujo creditamento deve ser reconhecido com base nos arts. 290 e 299 do RIR/99, e conforme o conceito de essencialidade ao processo produtivo. Ademais, após transparecer seu entendimento quanto ao conceito de “insumo” para fins de creditamento das r. contribuições, discorre sobre cada questão envolvendo os eventos que, por sua vez, não foram acatados pela autoridade fazendária como passíveis de instituição do r. crédito. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 881 15 Relativamente ao transporte de funcionários, aduz a recorrente que: · É responsável pela absorção de diversos trabalhadores residentes na Cidade de Montenegro e interior, bem como de municípios arredores; · Para o transporte dos seus funcionários, responsáveis pela mão de obra aplicada no processo produtivo, a recorrente contrata os serviços de transporte privadas, chamada fretamento, para o fim de proporcionar o transporte de seus funcionários, das suas residências às instalações da empresa e viceversa; · Os serviços tomados das empresas de transporte de passageiros, tem como finalidade viabilizar o acesso dos funcionários às suas instalações, sem o quais não seria possível a atividade produtiva da empresa; · Ainda que se entenda que os serviços de transporte de funcionários não ser custo, mas uma despesa, ainda assim, estaria o fretamento consubstanciado no conceito de insumo, razão pela qual seria permitido o seus creditamento, com base no art. 299 do RIR/99; · Tratase de atividade essencial para o processo produtivo, fato que sem ele não seria possível manter a produção da empresa. Quanto à locação de uniformes, traz a recorrente que: · O seu processo produtivo possui diversas etapas, entre as quais, a de abate, corte, resfriamento ou congelamento, para a comercialização dos produtos inteiros ou em cortes de aves e suínos, bem côo de produtos como empanados, pratos cozidos, embutidos, etc; · Deve cumprir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, alugando uniformes próprios para o manuseio das carnes de aves e suínos; · Tais indumentárias consistem em vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens necessários para que os funcionários possam manusear as carnes de aves e suínos; · Em outras oportunidades, a recorrente já teve os créditos decorrentes dessas indumentárias reconhecido pelo CARF – Acórdão 20181.724; · Considerando que a empresa, para estar apta a exercer a sua atividade econômica, necessita utilizar uniformes especiais para o manuseio das Fl. 881DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 882 16 carnes de aves e suínos, atendendo assim os requisitos sanitários da ANVISA, Quanto à limpeza e higiene, traz a recorrente que para que seja garantida a boa qualidade dos seus produtos, bem como eliminado o risco de qualquer tipo de contaminação às carnes de frangos, periodicamente toma serviços de empresas especializadas em limpezas de imóveis para a limpeza e higienização de seus frigoríficos. O que, portanto, traz que são custos indispensáveis ao seu processo produtivo e essencial e como tal se subsume ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, devendo ser reconhecida a legitimidade de seu creditamento. Quanto à construção civil, argumenta a recorrente que necessita contratar empresas terceirizadas para a prestação de serviços de construção civil, seja para a ampliação de dependências de suas instalações frigoríficas, seja para realizar benfeitorias nas suas instalações, como, por exemplo, reforma de uma caldeira. Além disso, discorre que o creditamento das despesas de edificações e benfeitorias é expressamente permitido pelas leis 10.833/03 e 10.637/01, conforme art. 3º, inciso VII, in verbis: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]VII – edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Relativamente ao tratamento de resíduos industriais, descreve a recorrente que: · O tratamento de resíduos industriais consiste no descarte apropriados dos materiais orgânicos, separado da matéria prima em decorrência da transformação do produto industrializado; · Como os resíduos são orgânicos, a recorrente procede a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em Fl. 882DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 883 17 despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS e COFINS, por força do art. 299 do RIR/99 e, também pela sua essencialidade ao processo a produtivo. Especificamente às despesas de energia elétrica, aduz que: · Exporta grande parte da sua produção, de modo que as carnes de aves, em parte ou inteiras, assim como os produtos derivados como empanados, embutidos ou pratos prontos, são acomodados em containeres dotados de grande capacidade de resfriamento e/ou congelamento, para o fim de que os produtos condições próprias para consumo; · Os produtos de origem animal devem ser armazenados em condições especiais para manter a sua qualidade e, principalmente, a sua aptidão para o consumo humano – o que inclui a manutenção da baixa temperatura nas câmaras frias; · Nas suas exportações faz monitoramento da temperatura dos seus containeres que acondicionam os seus produtos e quando percebe a necessidade de resfriamento procede a chamada “carga de frio” nas acomodações dos próprios portos; · Para a “carga de frio”, a recorrente contrata a prestação de serviços de energia elétrica de empresas especializadas que, dentro do próprio porto, procedem ao resfriamento dos containeres; · Face a necessidade das “cargas de frio” nos containeres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados, que estão aguardando o seu embarque nos portos, para que cheguem ao seu destino final com qualidade e aptas para o consumo, é medida de rigor reconhecer a legitimidade do creditamento dessas despesas para efeitos do PIS e da COFINS. Ademais, entende a recorrente que para que haja a devida exportação do produto, vêse ser indispensável que a “carga de frio” seja realizada no próprio porto, para que os produtos acondicionados nos containeres não percam a sua aptidão ao consumo humano. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 884 18 Quanto as despesas de frete de transferência de produtos acabados e em elaboração, a recorrente traz que especificamente aos: · Fretes de produtos em elaboração, quando o produto começa a ser elaborado em uma unidade da recorrente e tem o seu processamento final em outra unidade, estáse diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção; · Fretes de produtos acabados, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pela “montagem” da carga exportada no container – o que, dessa forma, as carnes de aves é remetida do frigorífico a outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos; Observa ainda que a remessa dos produtos acabados é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, os produtos já se destinam a serem entregues para os clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Em relação à discussão dos créditos extemporâneos/preclusos, traz que nos períodos de apuração de janeiro, novembro e dezembro de 2010, a recorrente adjudicou créditos do PIS e da COFINS sobre itens do ativo imobilizado que não haviam sido aproveitados em meses anteriores. No entanto, a autoridade fazendária considerou tais créditos como “extemporâneos”. Importante elucidar que a contribuinte adjudicouse de forma extemporânea somente os créditos originários dos 5 anos anteriores a creditamento. O que, segundo ela, seria ilegal a decisão da fiscalização vedar o aproveitamento dos créditos extemporâneos que seriam Fl. 884DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 885 19 passíveis de adjudicação dos 5 anos anteriores. E que tal ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1º do Decreto 20.910/32 com os dispositivos legais e normativos que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Quanto às aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB de milho, a recorrente apurou crédito presumido à alíquota de 4,56% para COFINS e 0,99% para PIS para o fim de creditamento do referido insumo adquirido da CONAB. No entanto, a autoridade fazendária glosou o creditamento da referida aquisição, por entender que, como a CONAB seria intermediária da União, não haveria direito ao crédito de PIS e COFINS, por não ter havido débito das contribuições na etapa anterior. Sendo assim, traz que o fato da CONAB ser uma intermediária da União, não quer dizer que o adquirente não faz jus ao creditamento da aquisição do milho pois o fato da União Federal ser imune a incidência do PIS e da COFINS, não quer dizer que não há incidência do PIS e da COFINS na etapa anterior à aquisição do milho, ou seja, que o produtor não tenha adquirido e aplicado insumos tributados, mas tão somente que a receita da União Federal, assim como os demais Entes da Federação, não terá a sua receita tributada. No sistema de integração com os produtores, a recorrente adquire os animais para sua produção e envia os mesmos para os centros de criação e até que o animal esteja pronto para o abate, a empresa procede à manutenção do mesmo enviando, aos criadores, ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. A recorrente subsidia a alimentação dos animais, através do fornecimento da alimentação necessária para o desenvolvimento dos mesmos para a posterior utilização em sua produção. De acordo com o entendimento da fiscalização, tendo em vista que a ora recorrente produz na sistemática de parceria, também conhecida por integração, onde a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos pela empresa são entregues aos integrados, no entender do fisco, tais não se destinariam integralmente à sua própria produção, uma vez que parte do Fl. 885DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 886 20 resultado desta produção cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo. Traz também que a recorrente fornece 100% dos insumos, suportando o custo do produtor integrado em sua totalidade e, utiliza 100% dos animais em sua produção. Entende a contribuinte que a fundamentação encontra suporte em ato de cunho eminentemente regulamentóro, que extrapola os limites da lei 10.925/04, instituidora do benefício do crédito presumido. Como se verá, o cálculo levado a efeito pela recorrente encontra guarida na legislação federal e merece ser mantido, face à estrita observância das normas de regência. Quanto à discussão da alíquota utilizada para calcular o crédito presumido, traz a recorrente que, no que tange ao ponto acima, sustenta a Autoridade Fazendária, em síntese, que a recorrente calculou equivocadamente créditos presumidos das contribuições ao PIS/COFINS, tendo utilizado o percentual de 60%, para todos os insumos adquiridos, enquanto, que deveria ter utilizado as alíquotas 60%, 50% e 35%, dependendo da natureza do insumo adquirido. No entanto, esclarece a recorrente que fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que esta se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos. Por fim, quanto à discussão da Selic, argumenta que, tendo em vista a Súmula 411 do STJ, o disposto no art. 62A do RICARF que vincula as decisões no STJ às decisões do CARF, a decisão do RESP 993.164 em sede de recurso repetitivo e, ainda considerando que houve vedação do Fisco ao ressarcimento tempestivo da parte do saldo credor do PIS/COFINS não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2010, sobre o valor suplementar reconhecido incidirão juros compensatórios, a taxa Selic, a partir da data de protocolo/transmissão do pedido de ressarcimento (PER) em discussão até a data do seu efetivo ressarcimento. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 887 21 Em vista de todo o exposto, e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, ou perito credenciado junto a Receita Federal do Brasil, que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou vinculados ao processo produtivo e/ou ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o Demonstrar a função de cada bem e/ou evento que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável e essencial ao processo produtivo e/ou para fins de cumprimento do objeto social da empresa; o Esclarecer o teor de cada um dos eventos observados pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; o Quanto à construção civil, esclarecer se as benfeitorias foram realizadas nas suas instalações, bem como se foram úteis e necessárias para a atividade da empresa; o Quanto ao frete de produtos em elaboração, demonstrar as etapas contínuas da industrialização nas unidades diferentes da r. empresa. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 888 22 Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10280.904359/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.655
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 59 /2 01 2- 54 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 24030.76975.161111.1.5.097472, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 3° trimestre de 2011, no valor de R$ 32761626,84. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 15341819,960000001. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 1022 (fls. 15 a 34), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 17419806,879999999, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 490 3 serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 4 (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.245, de 10/7/2014 (fls. 289 a 315), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 491 5 insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 320 a 366, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 6 O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 320 a 366 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.245, de 10/7/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 492 7 tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 8 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 493 9 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 10 destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 494 11 b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 12 ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 495 13 processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 14 para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade do ácido sulfúrico e do produto denominado AL200Carbomil para com o processo produtivo da Alumina, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Quanto ao inibidor de corrosão, compulsando o Parecer nº 1.022, fls. 26, contatei que não houve glosa de créditos tomados sobre este item. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 1022 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 496 15 edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 497 17 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN
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