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Numero do processo: 10580.001109/2006-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. Aplicação da Súmula CARF nº 93.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS ANTERIORES A 2007.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fatos anteriores a 2007. Aplicação da Súmula CARF nº 105.
Numero da decisão: 9303-012.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: Rodrigo Mineiro Fernandes
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FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. Aplicação da Súmula CARF nº 93. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS ANTERIORES A 2007. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fatos anteriores a 2007. Aplicação da Súmula CARF nº 105. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 11 09 /2 00 6- 38 Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.263 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10580.001109/2006-38 Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência (fls. 321 a 353), interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 68 do antigo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 1402-00.370 (fls. 301 a 312), de 25 de janeiro de 2011, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de julgamento, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois, não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e, não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativas quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. O presente processo trata de Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, multa de ofício de 75% e multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativo ao ano-calendário de 2002. A DRJ (Acórdão nº 15-18288) manteve a exigência da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas, sob o argumento de que os balancetes de redução ou suspensão apresentados não foram elaborados em atendimento a todas as condições previstas na instrução normativa SRF 93/97, tais como transcrição no livro diário, elaboração prévia à fiscalização ou preenchimento do LALUR. Foi exonerado o valor da multa isolada correspondente ao que excedeu o percentual de 50% (percentual da multa isolada vigente à época do julgamento, pela edição da Lei nº 11.488/2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei n° 9.430/96). A decisão recorrida, reformando a decisão de primeira instância, entendeu que o mero descumprimento da formalidade de transcrição dos balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não seria condição suficiente para exigir a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais, e que a multa não seria cabível quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. A Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial quanto às seguintes matérias: (i) aplicação da multa isolada em razão da não transcrição dos balancetes; e (ii) Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.263 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10580.001109/2006-38 aplicação da multa isolada sobre as estimativas após o encerramento do período de apuração. Indica como paradigma os acórdãos 107-06.277 (matéria i), 108-09.355 e 193-00.018 (matéria ii). O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial, conforme despacho de admissibilidade às fls. 313 a 316. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e, após sorteio, posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme consta do Despacho de Admissibilidade às fls. 313 a 316, com os quais concordo e cujos fundamentos adoto neste voto. A questão a ser resolvida cinge-se a aplicação da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas. A autoridade fiscal e o julgador de primeira instância não consideraram os balancetes de suspensão ou redução devido a não transcrição dos mesmos no Livro Diário. A decisão recorrida entendeu que a falta de transcrição não seria condição suficiente para exigir a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais, e que a multa não seria cabível quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. A questão já foi pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a edição da Súmula CARF nº 93: A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 9101-001.578, de 24/01/2013; Acórdão nº 9101-001.325, de 24/04/2012; Acórdão nº 101-95.977, de 26/01/2007; Acórdão nº 1103-00.277, de 04/08/2010; Acórdão nº 1201-00.732, de 07/08/2012 Dessa forma, mantem-se a decisão recorrida, pela exoneração da multa isolada aplicada. Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.263 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10580.001109/2006-38 Destaca-se que foi lançado o imposto de renda anual devido, com a multa de ofício de 75% correspondente ao não recolhimento do tributo, de forma que também se aplica o disposto na Súmula CARF nº 105, visto que os fatos são anteriores à alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101-001.261, de 22/11/2011; 9101-001.203, de 17/10/2011; 9101-001.238, de 21/11/2011; 9101-001.307, de 24/04/2012; 1402-001.217, de 04/10/2012; 1102-00.748, de 09/05/2012; 1803-001.263, de 10/04/2012 Em face das razões e fundamentos acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso Especial de divergência da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005588/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, conforme o art. 2º da Portaria CARF nº 1/12, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, conforme o art. 2º da Portaria CARF nº 1/12, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) A Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício . (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, José Sérgio Gomes, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 669 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de autos de infração de PIS (fls. 368 a 380) e de COFINS (fls. 381 a 393), fundados nos mesmos suportes fáticos detectados para apuração de IRPJ e de CSL, ou seja, são exigências reflexas às de IRPJ e de CSL, as quais se encontram materializadas no processo administrativo nº 13389.005589/200711. Os autos de infração em dissídio se referem aos anoscalendário de 2002 e 2003, lavrados em razão de suposta omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. As exigências de PIS e de COFINS referentes ao anocalendário de 2001 foram apartadas deste feito, após o julgamento conjunto pela 5ª Turma da DRJ/Campinas, vez que não são reflexos de IRPJ – necessidade que foi prevista no próprio voto condutor do órgão julgador de origem. O contribuinte apresentou apenas parcela dos elementos solicitados pela autoridade fiscal. E, ainda, os elementos disponibilizados à fiscalização não se encontravam em conformidade com o que fora solicitado. A exemplo disso, a movimentação bancária entregue referiase a avisos enviados pelos bancos, e não aos extratos bancários requeridos. Intimado e reintimado diversas vezes para exigir o cumprimento integral dos itens faltantes, todas as intimações quedaramse sem sucesso. DAS IMPUGNAÇÕES Em 10/01/2008 a recorrente apresentou impugnação referente aos autos de infração de PIS, de fls. 399 a 424, na qual argui, em síntese, o que segue. Preliminarmente, alega ter ocorrido a decadência dos fatos geradores ocorridos entre 28/02/2001 e 11/12/2002, tendo em vista o auto de infração ter sido lavrado em 12/12/2007. Recorre, para tanto, ao art. 150, § 4º, do CTN, e ao art. 156, V, do mesmo diploma, para ser reconhecida a extinção do crédito tributário. Em seguida, a recorrente afirma ter sido “precipitada, indevida e injustificada” a quebra de seu sigilo bancário. Isso porque afirma nunca ter negado o fornecimento de seus extratos bancários. Para comprovar suas alegações, indica a entrega, em 20/07/2007, dos extratos do período de janeiro/2002 a dezembro/2004, através de meio magnético e mediante protocolo do próprio AFRF. Posteriormente, percebendo que havia faltado o extrato da contapoupança 93.4607, do Banco Bradesco, a recorrente protocolizou na DRJ de Jundiaí, em 27/07/2007, cópia da carta de solicitação do respectivo extrato. Bem como, no mês seguinte, entregou os extratos das contas mantidas nos bancos: Cidade, BBV, BCN, Bradesco, Nossa Caixa, BankBoston e Safra. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 670 3 E, em outubro, entregou, em meio magnético, as movimentações bancárias dos anos de 2005, 2006 e 2007, dos bancos: Bradesco, Safra, Nossa Caixa, BankBoston e Itaú. Ainda, em meio impresso, os extratos bancários dos bancos BBV e BCN. Sendo assim, acredita que, não tendo havido recusa da recorrente em fornecer os extratos bancários, tornase injustificada a medida “drástica e inconstitucional” da quebra de seu sigilo bancário. Ainda, respaldada pelo art. 5º, X e XXI, da Constituição Federal, a recorrente alega que o sigilo bancário somente pode ser quebrado através de ordem judicial, sendo vedada, constitucionalmente, qualquer outra forma de quebra de sigilo. Entende que, em hipótese alguma, poderá o sigilo bancário ser quebrado por meio de procedimento de fiscalização. No mérito. Argumenta que não assiste razão à fiscalização na aplicação de multa de 150%, que se baseia no argumento de que a recorrente deixou de atender algumas de suas solicitações. Afirma que todas as intimações foram atendidas desde o início da fiscalização, tendo sido a documentação solicitada pelo fisco devidamente disponibilizada em uma sala isolada na sede da empresa. De tal sorte que o AFRF poderia, conforme admite a lei, ter procedido à fiscalização, mas que não o fez. Acerca das reintimações, a recorrente afirma que, na verdade, foram realizadas diversas solicitações de novos documentos. Destarte, afirma que não se pode confundir complementação documental com pedido reiterado de documentos, conforme o fisco faz parecer a fim de justificar a aplicação indevida da multa de 150%. A recorrente afirma que os eventuais elementos e dados contábeis que, porventura, não tenham sido entregues, foram os mesmos contidos nos equipamentos de informática que lhes foram roubados. Assim como foi devidamente informado ao fisco por meio do Boletim de Ocorrência 1448, de 6/09/2004. E, além do mais, em carta protocolada pelo próprio AFRF em 19/07/2007, foi relatado que parte das informações contábeis se perderam em razão de substituição de sistemas de informática e infecção por vírus. Nesse sentido, alega que nenhuma culpa pode ser atribuída à recorrente, por tratarse de fatalidade decorrente da insegurança que ocorre no país há anos. De tal sorte que não pode o contribuinte ser multado por ter sido roubado e não ter tido oportunidade de reaver seus equipamentos de informática. Além do prejuízo que teve com o roubo, acredita não ser justo que haja punição pelo fisco com aplicação de “exorbitante multa de 150%.” Acrescenta, ainda, que protocolizou cerca de dez petições na DRJ de Jundiaí, que continham todas as informações e documentos que possuía, além dos que foram disponibilizados desde abril/2007 e que permaneceram à disposição do fisco. De forma que não há, sequer, que se cogitar que a recorrente tenha dificultado ou embaraçado a fiscalização. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 671 4 Ademais, caso restasse comprovado o embaraço, deveria ter sido lavrado termo específico neste sentido, o que não ocorreu. Ainda, assevera que não há prova de eventual dolo por parte da recorrente que ensejasse a aplicação da multa de 150%. Reportase ao entendimento do Conselho de Contribuintes e a textos doutrinários no mesmo sentido. Com referência à base de cálculo da contribuição, entende ser incorreta por corresponder à somatória de todos os depósitos realizados em suas contas. Tratarseia de mera suposição o fato de todos os depósitos bancários constituíremse em base de incidência daquele imposto. E, sendo presunção, entende ser indiscutível que a autuação não se baseou em elementos suficientes capazes de gerar um valor passível de ser lançado e exigido. Socorrendose do art. 114 do CTN, afirma que o fato gerador da contribuição exigida é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica que se realiza na ocorrência da elevação patrimonial de valores, bens ou direitos. Diante disso, os depósitos bancários não configuram sinais exteriores de riqueza, vez que da sua existência não se extrai qualquer ilação quanto a uma riqueza incontestável. Os depósitos bancários não constituem fato gerador da contribuição que aqui se trata por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos. Tratase, portanto, de lançamento ilegítimo, por se basear, exclusivamente, nos citados depósitos. Alega ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, uma vez que o referido tributo não constitui faturamento da empresa. Colaciona julgados no mesmo sentido. E acrescenta, por fim, que os valores do auto de infração estão sendo cobrados a maior. Devendo, portanto, ser julgada improcedente a cobrança. Ainda, pretende que seja excluída a inadimplência da base de cálculo da contribuição, dado que o inadimplemento absoluto resulta na inexistência do negócio jurídico de compra e venda. E, por consequência, não há faturamento como base de incidência da contribuição para o PIS. Por fim, requer seja julgado improcedente o auto de infração, extinguindose a cobrança, bem como quaisquer penalidades impostas à recorrente. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de novos documentos. Às fls. 484 a 509 foi juntada a impugnação contra a exigência da COFINS, nos mesmos termos da acima relatada. DA DECISÃO DA DRJ Em 16/04/2008, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ de Campinas, por unanimidade de votos, julgar procedentes as exigências fiscais, pelos motivos abaixo sintetizados. Inicialmente, acerca da alegação sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, há que salientar que, a lei, ao permitir a exclusão apenas do ICMS Substituição, implicitamente determina que o ICMS devido pelo interessado integra a base de Fl. 837DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 672 5 cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. O STJ e a jurisprudência administrativa têm o mesmo entendimento sobre o referido assunto. Sendo assim, não restam dúvidas de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Sobre a exclusão das receitas que corresponderiam a negócios jurídicos de compra e venda inexistentes, considerando seu inadimplemento absoluto, acrescentase que, em virtude do princípio contábil da competência, as receitas devem ser reconhecidas independentemente de seu recebimento. O inadimplemento do contrato de compra e venda é evento posterior, a ser registrado segundo os critérios contábeis e fiscais fixados, e não representa mero cancelamento de venda. Assim, firmada a insuficiência de declaração e recolhimento de débitos nos períodos de 2001, entendese regular sua exigência de ofício, com a aplicação da penalidade prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/96. No que se refere à arguição de decadência para os referidos períodos, deve ser observado o prazo de dez anos para a constituição do crédito tributário pertinente às contribuições para a seguridade social, conforme previsão do art. 45 da Lei 8.212/91. Quanto ao protesto genérico pela produção futura de provas é necessário observar que não possui efeitos no âmbito administrativo, tendo em vista a disposição do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. A impugnação deve mencionar as razões e provas que possuir, e seu pedido deverá ser expresso e específico. A recorrente afirma que a autoridade fiscal teria formulado diversas solicitações de novos documentos, que não podem ser confundidas com pedido reiterado de documentos. Após repasse dos fatos ocorridos na fiscalização, restou claro que as reintimações restringiramse exatamente ao que solicitado desde o dia 18/01/2007. Acerca da quebra de sigilo bancário, que se afirmou ter sido feita de forma precipitada e injustificada, tornouse evidente o contrário, tendo em vista ter ocorrido depois de transcorridos seis meses do início da ação fiscal. Neste período, não houve qualquer manifestação do contribuinte em apresentar sua movimentação financeira, “à exceção do tardio e precário fornecimento de informações bancárias em meio magnético no dia 20/07/2007”. Apesar de não ter havido recusa expressa de apresentação dos documentos exigidos, não há como negar a tentativa de embaraço à fiscalização, prevista pelo art. 33, I, da Lei 9.430/96. E, ainda assim, os demais instrumentos postos à disposição do fisco viabilizaram a constituição do crédito tributário decorrente dos fatos questionados. Diante da conduta do contribuinte no curso da ação fiscal e levandose em consideração a urgência em analisar os fatos pertinentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, concluise, portanto, regular a requisição de informações sobre movimentações financeiras diretamente às instituições bancárias. Inadmissível justificar a não entrega da documentação contábil solicitada com roubo de equipamentos de informática e substituição de sistemas de informática por ocorrência de vírus. Isso porque as intimações fiscais não se limitaram aos arquivos magnéticos, mas também recaíram sobre documentos da escrituração contábil que “minimamente estes deveriam estar guardados e conservados”, conforme exigência da legislação vigente. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 673 6 Acerca da necessidade de autorização judicial para quebra do sigilo bancário, cumpre observar que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento no art. 145, § 1º, da Constituição Federal, assim como já previsto pelo art. 197 do CTN e, posteriormente tratado pela Lei 8.021/90. E, ainda, o art. 1º da Lei Complementar 105/01, seguida pela Lei 10.174/01 e pelo Decreto 3.724/01. Ademais, assente está, nos Tribunais Superiores, que o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder em face de interesse público relevante. E, na sistemática estruturada pela Lei Complementar 105/02 e pelo Decreto 3.724/01, as circunstâncias em que presentes esse interesse são especificadas, inexistindo discricionariedade. Assim, uma vez presente o comando expresso em lei ordinária e complementar autorizando o exame de informações bancárias, deve a autoridade fiscal acatá lo. Não cabe, portanto, ao agente público questionar a constitucionalidade da legislação vigente, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa. Ainda, sobre as alegações de fundarse o lançamento em presunções ou indícios em nada o desabona. São os indícios, ou os fatos conhecidos, as bases para construção da prova. Em face de indícios veementes de ter ocorrido o fato jurídico, o lançamento deve ser formalizado, bastando à fiscalização a demonstração inequívoca dos fatos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração. Acerca da pretensão de ver declarada a decadência do crédito tributário decorrente das infrações verificadas de 1º/01/2002 a 11/12/2002, resta clara sua insubsistência, segundo art. 150, § 4º, do CTN, que excepciona as situações em que verificado dolo, fraude ou simulação. Os elementos reunidos pela fiscalização evidenciaram a conduta dolosa do contribuinte e, por se constituírem em indícios convergentes e consistentes, prestamse a provar, por presunção, a fraude. Por fim, na medida em que foram formalizadas nestes autos infrações decorrentes das tratadas no processo administrativo nº 13839.005589/200714 (2002 e 2003), e exigências autônomas nos períodos de 2001, cumpre à autoridade administrativa, em caso de interposição de recurso voluntário pelo interessado, atentar para a necessária transferência do crédito tributário pertinente aos anos de 2002 e 2003 para o processo principal. Isso pelo fato de caber ao Primeiro Conselho de Contribuintes a apreciação de tal recurso, ao passo que eventual recurso contra as infrações autônomas de 2001 seria de competência do Segundo Conselho de Contribuintes. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 17/06/2008, recurso voluntário de fls. 601 a 636, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 674 7 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, cuidase de lançamentos de PIS e de COFINS, fundados nos mesmos suportes fáticos detectados pelo autuante, para lançamento de IRPJ e de CSL – no caso, concreção da hipótese legal de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários de origem incomprovada. Tratase, pois, de lançamentos reflexos aos de IRPJ e de CSL, alcançando os anoscalendários de 2002 e de 2003. Os lançamento de IRPJ e de CSL estão materializados no processo administrativo nº 13389.005589/200711. A exigência de PIS e de COFINS relativa ao anocalendário de 2001 foi apartada deste feito, para constituição de processo autônomo, cuja competência para julgamento é da Terceira Seção do CARF. Pois bem. A recorrente articula ofensa a direito fundamental em face da aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Vale dizer, invocase agressão ao direito ao sigilo bancário, consumada pela aplicação do referido preceito legal. O art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º. O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. De seu turno, na dicção do art. 1º, parágrafo único, da Portaria CARF 1/12, o procedimento de sobrestamento “somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.005588/200761 Resolução n.º 110300.060 S1C1T3 Fl. 675 8 A questão deduzida nos autos é objeto do RE nº 601.314RG/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Na apreciação do Agravo de Instrumento nº 668.843, pelo STF, em 1º/02/10, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos de tal feito ao tribunal de origem para o sobrestamento do feito, conforme o art. 543B do CPC, em face do referido RE, sob repercussão geral, em que se discute idêntica questão. Também, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 765.714/SP, pelo STF, em 19/10/10, em decisão monocrática, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos de tal feito ao tribunal de origem para sobrestamento, em observância ao art. 543B do CPC, ex vi do RE supramencionado. Conforme o art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF, quando se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator determinará a devolução dos processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do CPC. Outrossim, nos termos do art. 2º, caput e § 2º, da Portaria CARF 1/12, identifico a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. É o meu voto. Sala das Sessões, em 14 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 841DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 11610.022726/2002-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.062
Decisão: acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator,
vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso que negou provimento ao recurso Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Resolução n.º 110300.062 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório O processo trata de compensação de crédito de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) do anocalendário 1997 com débitos relacionados nas declarações de compensação de fls. 1, 5, 8 e 11. O crédito alegado pela contribuinte decorreu de apresentação de DIPJ/1998 retificadora na qual houve alteração do coeficiente de lucro presumido de 16% para 8%, mantida a atividade da pessoa jurídica como “Construção – 45.2257 – Obras Viárias – Inclusive Manutenção”. O órgão local (Derat/SPO), mediante o despacho decisório de fls. 85, considerou intempestivo o pleito quanto aos pagamentos ocorridos até 28/11/1997, com fundamento no comando do art. 168, I, do CTN. No mérito, rejeitou o enquadramento da atividade declarada no percentual de 8%. Portanto, não foram homologadas as compensações tratadas neste processo e no de nº 11610.022808/200256, cuja compensação também utiliza o suposto saldo negativo de IRPJ. Informou a inexistência de DCTF retificadoras do anocalendário 1997 e PERDCOMP com utilização do crédito ora examinado. Em face de tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 95), a 5ª Turma da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação nos termos do Acórdão nº 1619.206/2008 (fls. 214), assim resumido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 DECADÊNCIARESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo/contribuição pago indevidamente e conseqüentemente, de compensálos, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.” Cientificada da decisão em 28/08/2009 (fls. 221/222), a contribuinte apresentou recurso no dia 23 do mês seguinte (fls. 293). Preliminarmente, defendeu a tempestividade do pedido tendo em vista a contagem do prazo de cinco anos a partir da data da entrega da declaração de imposto de renda. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Resolução n.º 110300.062 S1C1T3 Fl. 3 3 Também alegou homologação tácita da compensação declarada. No mérito, afirmou ter apresentado em 27/12/2002 declaração retificadora do IRPJ (DIRPJ) do anocalendário 1997 baseada na Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003 (fls. 119), alterando o percentual de lucro presumido de 32% para 8% em razão do “elevado percentual de materiais em relação à receita de faturamento”. O emprego de materiais estaria comprovado pela amostra de 10 (dez) contratos de prestação de serviços por empreitada juntados ao processo de consulta. Juntou contratos vigentes em 1997 apesar de considerar desnecessária tal prova, tendo em vista a documentação constante do processo de consulta. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Resolução n.º 110300.062 S1C1T3 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A recorrente suscitou preliminares de tempestividade da declaração de compensação, de ocorrência de homologação tácita da compensação e de impossibilidade de revisão da DIRPJ/1998 retificadora. A DRJ entendeu ser de 5 (cinco) anos o prazo para o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributos pagos a maior e considerou caduco o direito aos créditos até 28/11/1997. Também penso ser de cinco anos o prazo para repetição do indébito relativo a tributos submetidos à sistemática de lançamento por homologação prevista no art. 150 do CTN, conforme expus no voto condutor do Acórdão 10197.125/2009 (Recurso nº 156392), do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, assim resumido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Nos casos de tributos submetidos ao regime do lançamento por homologação (art. 150 do CTN), é de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento dito “antecipado”, o prazo para o contribuinte pleitear restituição de pagamento indevido ou maior que o devido. Tratandose do IRPJ anual, iniciase a contagem do prazo a partir da entrega tempestiva da declaração.” Entretanto, podese afirmar que o STJ acolheu definitivamente a tese dos “cinco mais cinco anos”, ao menos para períodos anteriores à edição da LC 118/2005, como se observa no seguinte julgado: “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.123.809 MG (2009/00285790) TRIBUTÁRIO – EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO– CONSUMO DE COMBUSTÍVEL – DECRETOLEI N. 2.288/86– REPETIÇÃO DE INDÉBITO – PRESCRIÇÃO – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos embargos de divergência no REsp 435.835/SC, em 24.3.2004, adotou o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos a homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de Fl. 507DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Resolução n.º 110300.062 S1C1T3 Fl. 5 5 pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 2. O STJ, por intermédio da sua Corte Especial, no julgamento da AI nos EREsp 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar n. 118/2005, a qual estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, porquanto ofende os princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. 3. Entendimento reiterado pela Primeira Seção em 25.11.2009, por ocasião do julgamento do recurso especial repetitivo 1.002.932/SP, oportunidade em que a matéria foi decidida sob o regime do art. 543c do CPC e da Resolução STJ 8/2008.” Com a pacificação no STJ da tese dos “cinco mais cinco”, passei a adotála, ressalvado o meu entendimento pessoal, acima exposto. Nestes autos, cujos supostos créditos dos anos calendários 1997 são anteriores à LC 118, de 09/02/2005, constatase que a declaração de 27/12/2002 deve ser tratada como tempestiva, tendo em vista que foi apresentada dentro do prazo dos “cinco mais cinco anos”. A alegação de homologação tácita é improcedente. Entre a entrega das declarações de compensação em 27/12/2002 (fls. 1, 5, 8 e 11) e a ciência do despacho decisório (fls. 85) pela contribuinte no dia 26/12/2007 (fls. 90) não transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 74, § 2º e 5º, da Lei 9.430/1996. A recorrente também afirmou que seria vedada a revisão do imposto apurado na DIRPJ/1998 retificadora (fls. 329): “O valor de imposto de renda pago a maior de R$ 163.408,40 foi informado na Declaração de Compensação apresentada no dia 27/12/2002. A declaração retificadora do anocalendário de 1997 foi entregue via Internet no dia 04/10/2002, conforme recibo. No dia 26/12/2007 quando a recorrente tomou ciência do despacho decisório da não homologação da compensação já havia decorrido o prazo de cinco anos, ainda que contado a partir da data em que a DIPJ retificadora foi entregue. Se a DIPJ retificadora não foi rejeitada, o imposto de renda pago a maior no valor de R$ 163.408,40 é inquestionável.” Presumo que a menção ao período de cinco anos para rejeição da declaração de rendimentos seja uma referência ao prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, a alegação de impossibilidade de revisão do imposto apurado é descabida em razão de o referido prazo ser limitador temporal do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento. No caso deste processo, que não trata de lançamento tributário, cabe ao Fisco verificar a liquidez e certeza do crédito alegado pelo contribuinte, independentemente do prazo decadencial do art. 150 do CTN. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Resolução n.º 110300.062 S1C1T3 Fl. 6 6 Ainda preliminarmente, alegou ter agido com amparo na Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003 (fls. 119 e 347), expedida em razão de consulta por ela formulada. A referida decisão apresenta a seguinte conclusão: “Entendese, assim, que, na apuração da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais (em qualquer quantidade) deve ser utilizado o percentual de oito por cento, previsto no art. 3.°, § 1.°, da Instrução Normativa SRF n.° 93, de 1997.” Vêse que inexiste qualquer afirmação acerca da situação de fato da contribuinte, limitandose o órgão competente ao fornecimento à consulente da interpretação dos dispositivos legais aplicáveis, como não poderia ser diferente no âmbito do processo de consulta. Pelo exposto, considero tempestiva a declaração de compensação e rejeito as demais preliminares suscitadas. No mérito, como matéria central, tratase de suposto crédito alegado pela contribuinte em razão de pagamento parcialmente indevido decorrente de apuração de lucro presumido a 32% quando seria correto o percentual de 8%, tendo em vista a atividade desempenhada de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Vêse que a documentação juntada aos autos com o recurso voluntário (fls. 388/476), cuja relação se encontra na fl. 387, é constituída de 1 (uma) proposta comercial com orçamento, 8 (oito) contratos e 4 (quatro) atestados de capacidade técnica. Em todos os casos, os serviços especificados são de sinalização viária com fornecimento de materiais, revelando bons indícios de presença dos pressupostos legais para enquadramento no percentual de presunção do lucro de 8%, o que, a princípio, vem ao encontro das afirmações da recorrente. Contudo, os elementos disponíveis no processo são insuficientes para obtenção de conclusão segura acerca da questão central em julgamento, inexistindo certeza quanto ao registro contábil das receitas correspondentes, da origem da totalidade das receitas do ano calendário 1997, da existência de outros contratos e do efetivo emprego de materiais na prestação do serviços. Assim, considero necessária a realização de diligência para perfeito conhecimento dos fatos, em observância do princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário, de tal forma a instruir adequadamente o processo para o julgamento. Nessa linha, o processo deve ser devolvido à unidade de origem para as providências e verificações adiante relacionadas: a) entregar cópia desta resolução à recorrente; Fl. 509DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Resolução n.º 110300.062 S1C1T3 Fl. 7 7 b) intimar a recorrente a comprovar documentalmente, conforme os registros contábeis, a composição das suas receitas no anocalendário 1997 e o fornecimento de materiais; c) com base na documentação apresentada pela contribuinte, especificar em planilhas demonstrativas as parcelas das receitas conforme os percentuais de presunção do lucro a que estejam submetidas, além de apurar o IRPJ devido e eventual crédito a compensar pela contribuinte. A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá elaborar relatório detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia à recorrente e concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre as suas conclusões, após o que o processo deverá retornar a este Conselho para continuação do julgamento. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 510DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904438/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 03/06/2003
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. ERRO. PROVA.
O alegado erro no preenchimento da DCTF somente pode ser superado no âmbito do contencioso administrativo quando este está devidamente comprovado nos autos.
Numero da decisão: 1201-005.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.411, de 16 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.904464/2008-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Neudson Cavalcante Albuquerque
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DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. ERRO. PROVA. O alegado erro no preenchimento da DCTF somente pode ser superado no âmbito do contencioso administrativo quando este está devidamente comprovado nos autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.411, de 16 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.904464/2008-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no julgamento de sua manifestação de inconformidade, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 38 /2 00 8- 81 Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.415 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904438/2008-81 O processo trata de declaração de compensação - DCOMP a qual aponta direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior de IRRF. A Administração Tributária verificou que o pagamento apontado estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação, de forma que a DCOMP foi não homologada, nos termos do correspondente despacho decisório. O interessado apresentou manifestação de inconformidade propugnando pela reforma da decisão da Administração Tributária, alegando, em síntese, que errou ao realizar o recolhimento de IRRF, pois o pagamento que lhe deu causa não está sujeito a retenção na fonte. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela autoridade julgadora a quo, nos termos do acórdão ora recorrido. O recurso voluntário apresentado em seguida propugna pela legitimidade do direito de crédito reclamado, conforme será detalhado e apreciado no voto que se segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O contribuinte apresentou declaração de compensação (DCOMP) em que aponta o direito crédito no valor de R$ 3.363,87, oriundo de alegado pagamento indevido de IRRF (código 5286) recolhido em 08/12/2003, por meio de DARF de mesmo valor. A Administração Tributária verificou que o pagamento estava totalmente utilizado, conforme os débitos declarados pelo contribuinte em sua DCTF e indeferiu o pedido. O contribuinte alega que errou ao realizar o referido recolhimento de IRRF. Segundo informado na manifestação de inconformidade, a retenção teve como motivação o ganho de capital em operação de compra e venda de ações em bolsa de valores realizada pela empresa estrangeira "Banque de Louxembourg S/A", situada em Luxemburgo. Todavia, essa empresa não estava sujeita a tal retenção, uma vez que esta é devida apenas para empresas de Luxemburgo que possuem a natureza de “Holding Company”, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 188/2002. Acrescenta que retificou a correspondente DCTF. A decisão recorrida não questionou a alegada não incidência do IRRF, mas não reconheceu o direito de crédito pelo fato de o contribuinte não ter demonstrado que as operações que deram causa ao IRRF apontado como indevido foram efetuadas pelo Banque de Luxembourg. No presente recurso voluntário, o recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.415 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904438/2008-81 1 Despacho decisório – motivação – nulidade O recorrente afirma que o despacho decisório que não reconheceu o seu alegado direito de crédito deixou de apontar os motivos que levaram a tal deliberação, assim prejudicando o contraditório e a defesa do contribuinte, conforme o seguinte excerto (fls. 182): Aqui, evidente que o mero apontamento do valor como "não comprovado" não demonstra a motivação do ato decisório. Durante todo o despacho, observa-se a alegação de que o valor do crédito haveria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, sem maiores informações. Diante de toda a documentação exposta no presente Recurso, estas afirmações diretas e pontuais não se mostram coerentes com o processo administrativo previsto para a compensação de créditos tributários. Inexiste qualquer justificativa fática ou legal sobre as conclusões negativas à DCOMP (Doe. 03). [...] Ora, como pode o contribuinte saber a razão da não homologação de seu Pedido de Compensação se no despacho é dito, meramente, que o auditor não concorda com a existência dos mesmos? É impossível, inclusive, que se defenda efetivamente, já que não se sabe onde a discordância do fiscal nasce. Não há argumentação fática e jurídica explícita nem congruente. O referido despacho decisório assim apontou o motivo do não reconhecimento do alegado direito de crédito (fls. 15): Verifico que o despacho decisório aponta como motivo para o indeferimento do pedido o fato de o DARF apontado pelo contribuinte (pagamento 4200681758) ter sido totalmente utilizado para quitar o débito de código 5286 do período de apuração 08/12/2003. Entendo que estas são informações suficientes para o exercício do contraditório e afasto a alegada nulidade. Ademais, como exaurimento desta constatação, verifico que o recorrente reconheceu que apresentou DCTF em que confessou o referido débito, defendendo-se com a alegação de que teria errado nessa declaração e que já a teria retificado. Portanto, o contribuinte entendeu plenamente o fundamento do despacho decisório, não havendo fundamento fático para a reclamação de nulidade, uma vez que esta é devida apenas quando houver prejuízo ao direito subjetivo de o contribuinte exercer o seu direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 59. São nulos: Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.415 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904438/2008-81 I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mais adiante, em novo tópico, o recorrente insiste na existência de cerceamento de sua defesa, apontando a ausência de um termo de verificação fiscal que apontasse a razão de não terem sido admitidos os créditos “declarados na DIPJ da empresa incorporada detentora do crédito” (fls. 186). Nesse ponto, o recorrente se desassocia totalmente do cenário fático do presente processo, uma vez que o presente feito não trata de créditos oriundos de sucessão de empresas. Não tendo ocorrido efetiva preterição do direito de defesa, a reclamação do recorrente deve ser afastada. 2 Direito de crédito - legitimidade O recorrente defende que o seu direito de crédito é legitimo, uma vez que a retenção que realizou sobre pagamento ao Banque de Luxembourg foi indevida. Acrescenta que reembolsou o seu cliente pelo valor indevidamente retido e que, agora, tem direito à repetição desse indébito, conforme o seguinte excerto (fls. 187): O crédito de IRRF objeto da PER/DCOMP em questão foi gerado por recolhimento a maior do tributo no montante de R$ 3.363,87 (Três mil, trezentos e sessenta e três reais e oitenta e sete centavos), sob o código 5286, decorrente de ganho de capital em operações de compra e venda de ações em bolsa de valores, onde a Recorrente reteve indevidamente imposto de renda da empresa Banque de Louxembourg S.A., empresa situada em Luxemburgo. [...] Ocorre que tal recolhimento foi realizado pois a Recorrente considerou a empresa, por ser situada em Luxemburgo, como residente em pais de tributação favorecida (paraíso fiscal). Isso, segundo os art. 40, §1°, inciso I e 43, da IN 25/019, implicaria na tributação da mesma. [...] No entanto, na lista de países com tributação favorecida descrita na IN 188/02 (Revogada pela IN 1.037/10)10 não existia previsão para considerar empresa sediada em Luxemburgo que não seja Holding Company como empresa sediada em paraíso fiscal. Dessa forma, como a Banque de Louxemburg não é uma Holding Company, conforme comprovado pela Declaração do Representante da Entidade (Doe. 04), não está sujeita à retenção de IR, motivo pelo o qual toda retenção de IR realizada no presente caso foi efetuada indevidamente. Uma vez identificado o erro, a Recorrente realizou a devolução dos valores à Banque de Louxembourg S.A. e procedeu com a compensação desse montante recolhido indevidamente, conforme se observa pela PER/DCOMP não homologada. Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.415 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904438/2008-81 Prossegue afirmando que “a documentação apresentada é mais do que suficiente para atestar o direito de crédito da Recorrente, inclusive presente na DCTF retificadora apresentada inicialmente”. Contudo, a decisão recorrida entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte sequer comprovava que a retenção do IRRF foi feita em face do apontado Banque de Louxemburg, conforme o seguinte excerto (fls. 170): No caso, não consta dos autos qualquer documento que comprove que as operações que deram causa ao IRRF apontado como indevido foram efetuadas pelo Banque de Luxembourg. No presente recurso voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer esforço para suprir essa deficiência probatória. Esta turma de julgamento vem adotando o entendimento de que o erro no preenchimento da DCTF pode ser superado, em homenagem ao princípio da verdade material. Contudo, para isso, é necessário que o recorrente demonstre, nos autos, por meio de provas, que a realidade fática não é exatamente o que foi declarado. Essa prova se faz necessária porque a inconsistência das informações prestadas pelo contribuinte afeta a própria constituição de um crédito tributário, dando ensejo à aplicação da regra contida no artigo 147, §1º, do CTN, verbis: § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Tal entendimento foi pacificado neste Tribunal Administrativo por meio da Súmula CARF nº 164, verbis: Súmula CARF nº 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Na espécie, o recorrente não traz qualquer evidência de que o apontado recolhimento de IRRF foi indevido, na medida em que não foi demonstrado que ele é congruente com a situação fática relatada no recurso. Não havendo o necessário elemento de conexão entre os fatos e os relatos, não se pode acatar a tese do recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.415 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904438/2008-81 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator. Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13851.901908/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES.
O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando-se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, b, e § 2º, do RICARF.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE).
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 3301-011.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Marco Antonio Marinho Nunes
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DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando- se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, “b”, e § 2º, do RICARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE). No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 19 08 /2 01 2- 13 Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão nº 14-41.661 – 5ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 031078552, às fls. 05-07, por intermédio do qual, foi indeferido o Pedido de Restituição objeto do PER/DCOMP nº 08344.86032.070308.1.6.04-3623, em razão de o pagamento indicado como origem do crédito encontrar-se integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte. No referido PER/DCOMP, nº 08344.86032.070308.1.6.04-3623, o tipo de crédito envolve Pagamento Indevido ou a Maior decorrente do recolhimento efetuado para a contribuição PIS Não-Cumulativo, código de receita 6912, período de apuração 12/2007, no montante de R$ 6.301,08, sendo pleiteado o mesmo valor como restituição. Por bem descrever os fatos, adoto, como parte de meu relatório, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Trata-se de Manifestação de Inconformidade, interposta pelos representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 045, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição eletrônico nº 08344.86032.070308.1.6.04-3623, protocolado em 07/03/2008, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 6.301,08. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido (fl. 004), o valor a ser restituído é correspondente ao DARF com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara - SP, que, em 04/09/2012, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificada do Despacho Decisório, em 14/09/2012 (fl. 009), a contribuinte ingressou, em 15/10/2012 (fl. 049), com a manifestação de inconformidade de fls. 010/022 e documentos anexos, considerada tempestiva nos Despachos de Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 Encaminhamento (fls. 050/051 - NÃO!!!), na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. De início, reconhece inexistir previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, o que fez com que originalmente houvesse incluído o ICMS em seus cálculos. 2. Posteriormente, identificou existir inconstitucionalidade nessa inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições e, em conseqüência, o valor pago a maior seria passível de compensação ou ressarcimento. Fundamenta esse seu suposto direito na argumentação de que originalmente a Constituição previa a possibilidade do PIS e da COFINS onerarem o faturamento e somente com o advento da EC nº 20/1998 é que passou a também admitir a receita das pessoas jurídicas como base de cálculo dessas contribuições. Acrescenta que os vocábulos “faturamento” e “receita” devem ter significado bem definido desde o nível constitucional, não se admitindo que a Constituição tenha deixado livre ao legislador infra-constitucional a definição desses termos, estando tais termos vinculados ao conteúdo semântico usado no mundo jurídico, proveniente da doutrina, da jurisprudência ou, ainda, do direito privado. Reforça que as leis nº 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003 seriam inconstitucionais por não terem excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições que regulam, ao conferir aos termos “faturamento” e “receita” conceito mais abrangente do que o consagrado na doutrina e na jurisprudência do STF, pois esses últimos entenderiam que o conceito de receita bruta a que se referem aquelas leis coincide com o de faturamento (ADIN 1.103-1 – Min, Néri da Silveira). Apresenta diversos elementos da doutrina na tentativa de comprovar que o ICMS não seria compatível com o conceito de receita, por não trazer bônus, benefício ou aumento patrimonial para a empresa e ser apenas um valor que transita pela sua contabilidade e não pode ser objeto de comércio. Defende que o ICMS seria receita do Estado. Insiste que não se configuraria a hipótese de incidência do tributo, pois o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento nem de receita, que caracterizam a base de cálculo. Aduz que a permissão dada pela Lei Complementar nº 87/1996 para que o ICMS integre sua própria base de cálculo é específica e não pode ser estendida para além do âmbito do ICMS para justificar a inclusão desse tributo na base de cálculo de outros tributos, o que não considera razoável. Reforça que a incidência de contribuições sobre um dispêndio da empresa acarretaria duplicidade de um ônus fiscal a um só título, em ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade. Traz jurisprudência, em especial o julgamento do RE nº 240.785 pelo Plenário do STF, ainda pendente, mas no qual 6 dos 11 Ministros já se manifestaram pela não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Conclui requerendo seja julgada procedente a manifestação para cancelar o Despacho Decisório Eletrônico e homologar o pedido de restituição e solicita que as intimações sejam direcionadas ao subscritor da manifestação. É o relatório. Devidamente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso e não reconheceu o direito creditório trazido a litígio, nos termos do voto do relator, conforme Acórdão nº 14-41.661, datado de 26/04/2013, cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, podendo dela ser excluído somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços na condição de substituto tributário. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do julgamento de primeiro grau, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em que reapresenta as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, com a seguinte estrutura: 1. DOS FATOS: 2. O ACÓRDÃO DRJ/RPO N° 14-41.661 DE 26/04/2013: 3. DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO - DO DIREITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: 4. DA MANIFESTAÇÃO DOS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REUNIÃO PLENÁRIA SOBRE A NÃO-INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: 5. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS - OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: 6. DO PEDIDO: Encerra o Recurso Voluntário com os seguintes pedidos: 6. DO PEDIDO: Face ao exposto, a Contribuinte requer que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário para reformar o Acórdão Recorrido, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto-SP, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, bem como em face da argumentação específica contida em cada um dos itens retro expostos. Requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 Termos em que pede deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. II FUNDAMENTOS II.1 Considerações Iniciais Na origem, o Pedido de Restituição da Contribuinte foi submetido à análise eletrônica, realizada pelos sistemas de arrecadação e cobrança da Receita Federal, que concluiu pela inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP como gênese do crédito, em razão de sua utilização integral para quitação de débitos da própria Recorrente. Sendo essa a motivação do ato administrativo original, entendo que o deferimento do pleito creditório em litígio nestes autos não depende apenas da procedência do direito em tese alegado (possibilidade jurídica do pedido - alegação de indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições), mas também da comprovação documental, por meio de conjunto probatório hábil e idôneo, do crédito requerido (existência e composição do crédito vinculado ao direito arguido). Isso porque, em processos de Restituição/Ressarcimento/Compensação, o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015, incumbindo ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Portanto, são importantes para a devida análise do pleito: i) A possibilidade jurídica do pedido; e ii) A comprovação documental do crédito dele decorrente. II.2 ICMS na Base de Cálculo da Contribuição Em síntese, a Recorrente defende que o crédito pleiteado decorre da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da Contribuição apurada no mês a que se refere seu Pedido de Restituição. Traz considerável arrazoado sobre o assunto, em que são destacados ensinamentos doutrinários e judiciais, os quais, segundo a Recorrente, ratificam sua tese. Aprecio. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706/PR, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, conforme ementa a seguir: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Ressalte-se que, contra tal decisão, até recentemente, pendia apreciação de Embargos de Declaração com o objetivo de esclarecimento de vários pontos, inclusive pleito de efeitos infringentes e modulação dos efeitos. No entanto, em julgamento datado de 13/05/2021, a questão foi definitivamente resolvida mediante a seguinte decisão: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Dessa forma, o STF modulou os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. Ademais, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer SEI nº 7698/2021/ME, com a seguinte conclusão: 16. Ante o exposto, nos termos expostos na ata de julgamento já publicada, conclui-se que cabe à Administração Tributária, consoante autorizado pelo art. 19, VI c/c 19-A, III, e § 1º , da Lei nº 10.522/2002, observar, em relação a todos os seus procedimentos, que: a) conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, “O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS”; Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 b) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e c) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. Quanto à aplicação dessa decisão judicial em sede de processo administrativo, dispõe o art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, como o pedido formulado nos presentes autos se deu em 29/02/2008 (transmissão do PER original), dentro do marco temporal estabelecido pelo STF para modulação dos efeitos do julgado, deve ser aplicado ao presente processo administrativo o entendimento do STF fixado no julgamento do RE nº 574.076/PR. Desta feita, o pedido é juridicamente possível. II.3 Comprovação Documental do Crédito De início, destaco ser jurisprudência consolidada neste Colegiado que a restituição/compensação tributária, via PER/DCOMP, não está vinculada à retificação de DCTF, Dacon, DIPJ, antes ou depois da emissão do Despacho Decisório, desde que a Contribuinte comprove a existência/legitimidade do seu crédito. Portanto, independentemente da caracterização de confissão do débito declarado em DCTF (destacado pela DRJ), encontra-se superada a questão da necessidade de retificação das declarações em causa como condição para deferimento do crédito pleiteado, importando, sim, a verificação da comprovação desse crédito. Ademais, ressalte-se que a comprovação do direito creditório não é feita apenas com meras alegações ou, até mesmo, retificação de declarações, mas primordialmente com documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos a tal intento. Isso porque o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015, como já mencionado no início deste Voto. Pois bem. A Recorrente não se preocupou em acostar aos autos quaisquer documentos tendentes a comprovar documentalmente a legitimidade do crédito requerido. No caso, a Recorrente não acostou a escrita contábil e fiscal que desse suporte à apuração da Contribuição com a suposta base de cálculo majorada, em razão da inclusão do ICMS. Ora, para deferimento do crédito apresentado em PER/DCOMP, faz-se necessária a apresentação do suporte contábil/fiscal que lhe demonstre, devidamente conciliado. Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.451 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901908/2012-13 Quanto aos diversos princípios dos quais se socorre a Contribuinte em seu Recurso Voluntário (proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade), nenhum deles se presta a suprimir a necessária comprovação do crédito em discussão. Portanto, há de ser improvido o Recurso Voluntário. II.4 Da Intimação ao Patrono Por fim, no que diz respeito ao pedido de intimações destes autos ao patrono da Recorrente, tal assunto encontra-se sumulado no âmbito deste Colegiado, conforme abaixo: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, o pleito de intimação do patrono da Recorrente deve ser indeferido. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
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Numero do processo: 15983.000091/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jan 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da interposição de recurso administrativo no rito do processo administrativo fiscal decorre de Lei (art. 151, III, do CTN), sendo a sua operacionalização efetivada pela Unidade da RFB com jurisdição fiscal sobre o sujeito passivo.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DÉBITO NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
A partir de outubro de 2002, a apresentação da Declaração de Compensação à Administração Tributária passa a ser requisito essencial da compensação, sem o qual reputa-se como inexistente o procedimento. Tratando-se de débito apurado em procedimento de ofício e não confessado em DCTF, correta sua formalização mediante auto de infração.
Numero da decisão: 3301-011.438
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Marco Antonio Marinho Nunes
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da interposição de recurso administrativo no rito do processo administrativo fiscal decorre de Lei (art. 151, III, do CTN), sendo a sua operacionalização efetivada pela Unidade da RFB com jurisdição fiscal sobre o sujeito passivo. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DÉBITO NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A partir de outubro de 2002, a apresentação da Declaração de Compensação à Administração Tributária passa a ser requisito essencial da compensação, sem o qual reputa-se como inexistente o procedimento. Tratando-se de débito apurado em procedimento de ofício e não confessado em DCTF, correta sua formalização mediante auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 91 /2 00 7- 19 Fl. 327DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 05-34.874 - 3ª Turma da DRJ/CPS, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada contra o Auto de Infração PIS, lavrado em 18/04/2007, para a cobrança de valores da contribuição em aberto, não compensados mediante DCOMP e não declarados em DCTF, relativos a fatos geradores dos meses de setembro a dezembro de 2002. Abaixo, a composição do crédito tributário lançado: Auto de Infração – PIS Contribuição (código 2986): 10.401,57 Juros de Mora (até 03/2007): 7.574,39 Multa Proporcional (75%): 7.801,16 Valor do Crédito Tributário: 25.777,12 Contribuição (código 6656): 11.441,11 Juros de Mora (até 03/2007): 7.896,65 Multa Proporcional (75%): 8.580,83 Valor do Crédito Tributário: 27.918,12 Total: 53.695,71 Por bem descrever os fatos, adoto, como parte de meu relatório, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório Trata-se de exigência fiscal relativa ao PIS formalizada no auto de infração de fls. 04/09. O feito refere-se ao período de setembro a dezembro de 2002 e formalizou crédito tributário no montante de R$ 53.695,71, incluídos principal, juros de mora e multa de ofício. No Termo de Verificação de fls. 10/12, a autoridade autuante relata a motivação do lançamento. A ação fiscal teve por foco a verificação do cumprimento das contribuições ao PIS e à Cofins no ano-calendário de 2002. Intimada, a empresa apresentou demonstrativo das bases mensais das contribuições, no qual indicava a realização de compensações ao longo do ano de 2002. Indagada, a contribuinte informou que o direito de crédito compensado tem origem no pagamento indevido da contribuição nos anos de 1999 a 2000. Tais recolhimentos, continua a empresa, deram-se sobre base de cálculo isenta, correspondente a receitas de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, cujo pagamento representou ingresso de divisas. Examinando a documentação apresentada, a auditoria reconheceu os pagamentos indevidos de PIS no importe de R$ 32.687,19, em valor original, dos quais R$ 19.520,49, foram indicados como compensados. Depois de confrontar os valores devidos e os pagamentos realizados a maior, a auditora responsável pela ação fiscal informou não haver encontrado irregularidades para as compensações efetuadas nos períodos de apuração 01/2002 a 08/2002. Ressaltou, contudo, que a compensação indicada pela contribuinte com relação aos débitos apurados nos períodos de 09/2002 a 12/2002 não pode ser admitida. Isto porque a contribuinte não apresentou a Fl. 328DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 Declaração de Compensação, instrumento que, a partir de 01 de outubro de 2002, passou a ser necessário para a efetivação do procedimento nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Informa ainda o termo fiscal que a contribuinte declarou em DCTF apenas os valores recolhidos e não os montantes devidos/compensados. Constituiu-se assim, o crédito tributário não confessado e não compensado referente aos meses de setembro a dezembro de 2002, com a imposição da multa de ofício. Notificada do lançamento em 24/04/2007, em 10/05/2007 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 134/138, argumentando em síntese que: a) recolheu PIS sobre receitas de exportação de serviços no período de 02/1999 a 11/2001, sendo certo que ditas receitas estavam isentas da contribuição nos termos do art. 14, III da MP nº 2.158-35, de 2001; o valor recolhido indevidamente foi inclusive reconhecido pela própria fiscalização; b) apresentou, no prazo legal, DCTFs dos 1º ao 4º trimestre de 2002 nas quais constaram os valores totais devidos para a contribuição e os valores compensados; c) necessitando de certidão negativa de tributos federais, consultou a Receita Federal e constatou que todos os valores compensados estavam sendo exigidos, conforme extrato de fls. 205/212; tendo em vista essa pendência, dirigiu-se à Delegacia da Receita Federal em Santos a fim de solucionar o problema das compensações efetuadas; d) após demonstrar os fatos, a pessoa que atendeu a Impugnante informou que para solucionar o problema era só retificar os DCTFs informando o valor devido igual ao valor pago pelo DARFs. A Impugnante, seguindo a orientação retificou os DCTFs, ou seja, do 1º., 2º, 3º e 4º trimestre de 2002, conforme faz prova o DCTF retificado do 4º trimestre (docs. nº 63 a 66). e) as compensações foram efetuadas entre débitos e créditos da mesma espécie, com recolhimentos indevidos que foram reconhecidos pela fiscalização; f) nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, quem tem que fazer e entregar os informativos de compensação é o sujeito passivo que apurar crédito. Em razão do que determina a Lei, quem já apurou crédito não tem a obrigação de fazer e nem de entregar os informativos de compensação. O sujeito passivo que já apurou crédito já tem o direito adquirido de compensá-lo.[...] Faz-se necessário salientar que a própria R. Fiscalização constatou e confirmou que a impugnante já tinha apurado o seu crédito e compensado nos quatro primeiros trimestres de 2002; g) O art. 21 da Instrução Normativa nº 210, de 2002, e seus parágrafos, dá a entender e interpretar que o sujeito passivo que APURAR crédito relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie não precisava fazer a Declaração de Compensação. O entendimento que dava o artigo 21 e seus (5) parágrafos era que a Declaração de Compensação somente seria feita em razão de ser de tributos ou contribuições de espécie de natureza diferentes; h) a própria Administração Tributária editou a Instrução Normativa nº 323, de abril de 2003, incluindo os parágrafos 6º e 7º ao citado art. 21 da IN nº 210, de 2002; o citado parágrafo 6º incluído dispõe: 6º A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição. i) em razão do que dispõe o §6º da IN-SRF nº 323, de 24/04/2003, a Impugnante não estava obrigada a fazer e nem apresentar o pedido de compensação, uma vez que o crédito utilizado era da mesma natureza do débito [...]; Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 Ao fim, diz ter novamente retificado as DCTFs do 1º, 2º e 3º trimestres de 2002 e não ter conseguido, por impedimento do programa, retificar a DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002. Contesta a indevida inclusão, no lançamento, do débito apurado em setembro de 2002, tendo em vista que a legislação tributária tem por base o regime de competência. Assim não poderia a auditoria ter formalizado a exigência relativa a setembro de 2002 pelo simples fato de que o correspondente vencimento, em outubro, se deu após a entrada em vigor do art. 49 da MP nº 66, de 2002. Devidamente processada a Impugnação apresentada, a 3ª Turma da DRJ/CPS, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o recurso, nos termos do voto do relator, conforme Acórdão nº 05-34.874, datado de 29/08/2011, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 Compensação não Declarada. Débito não Confessado. Lançamento de Ofício. Procedência. A partir de outubro de 2002, a apresentação da Declaração de Compensação à Administração Tributária passa a ser requisito essencial da compensação, sem o qual reputa-se como inexistente o procedimento. Tratando-se de débito apurado em procedimento de ofício e não confessado em DCTF, correta sua formalização mediante auto de infração. Cancela-se a parcela da exigência que foi compensada na contabilidade com crédito da mesma espécie, antes do advento da DCOMP. Impugnação Procedente em Parte Crédito tributário Mantido em Parte De acordo com essa decisão, foi excluído do lançamento a exigência relativa a setembro de 2002, por considerar efetivada a compensação desse mês, não na data de vencimento do tributo, 15/10/2002, mas ao fim do próprio período de apuração, 30/09/2002, antes, portanto, da entrada em vigor da necessidade de formalização da compensação por meio de DCOMP, a partir de 01/10/2002. Cientificada do julgamento de primeiro grau, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, com a seguinte estrutura: I - DOS FATOS II - DO DIREITO a) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário b) Do direito ao crédito em relação às compensações indicadas em DCTF III - DO PEDIDO O Recurso Voluntário é encerrado com os seguintes pedidos: III – DO PEDIDO Diante do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente ESPERA E REQUER que o presente recurso seja recebido, conhecido e provido, reformando-se a decisão proferida pela DRJ, para os fins de reconhecer o direito creditório, com a consequentemente homologação das compensações declaradas no presente processo. Pede deferimento, Fl. 330DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido, exceto quanto ao item II.1, pelas razões nele expostas. II FUNDAMENTOS II.1 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário A Recorrente afirma que os débitos relativos às compensações não homologadas deverão permanecer com a exigibilidade suspensa, até apreciação final do presente recurso voluntário, uma vez que, nos termos do art. 74 da Lei 9.430, de 27/12/1996, este apelo enquadra- se nas prescrições do art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). Analiso. Na presente situação, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre de lei, especificamente do art. 151, III, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, Código Tributário Nacional (CTN): CAPÍTULO III Suspensão do Crédito Tributário SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; [...] Não há, assim, qualquer manifestação a ser dada pelo CARF nestes autos quanto à suspensão da exigibilidade, uma vez que, reitere-se, esta decorre de lei e seu cumprimento é realizado pela competente Unidade da RFB. Dessa forma, não deve ser dado conhecimento a esta parte do Recurso Voluntário. II.2 Do direito ao crédito em relação às compensações indicadas em DCTF A Recorrente defende que, em momento algum, há a contestação sobre a existência de seus créditos e de sua compensação. Houve apenas a ratificação sobre a necessidade de cumprimento de obrigação acessória para a validação da compensação realizada. Diz estar ciente de que, de acordo com a legislação de regência da matéria, a compensação por ela perpetrada deveria ter sido objeto de lançamento em PER/DCOMP. Afirma que, antes de vigorar a Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, a compensação era informada em DCTF. Assim, ela cumpriu com esta exigência, ou seja, fez suas Fl. 331DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 compensações e as informou em DCTF. Além disso, também as informou em sua escrituração contábil, a fim de prevenir qualquer irregularidade. Alega que o PER/DCOMP entrou em vigor em outubro de 2002, de modo que não houve tempo hábil aos contribuintes para se adequarem ao novo determinado, motivo pelo qual continuou em todo o ano de 2002 a realizar as compensações em DCTF e em sua escrituração. Realça que o fato de não ter sido cumprida referida obrigação acessória, não afasta a realidade dos fatos: possuía créditos oriundos dos anos-calendários 1996 a 2001; utilizou-os para a quitação do PIS de janeiro a dezembro de 2002; e seu saldo credor foi diminuído com as compensações. Socorre-se do princípio da verdade material, segundo o qual deve ser prestigiada a realidade fática em processos administrativos, podendo-se relevar determinadas regras, importando verificar se houve ou não a ocorrência do fato gerador, a falta de recolhimento de tributos, a compensação etc. Cita ensinamentos doutrinários e julgados administrativos sobre o referido princípio, entendendo respaldarem sua tese. Reitera que quitou os valores devidos a título de PIS referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2002, via compensação, com crédito possuídos e não contestados pela Fazenda Nacional. Menciona que as compensações foram devidamente informadas ao Fisco em DCTF, de forma que a ausência de cumprimento da obrigação acessória, qual seja, de informe da compensação por meio de PER/DCOMP, não justifica a recusa do Fisco de reconhecimento de crédito tributário no período de 09/2002 a 11/2002 (sic). Traz lições de Paulo de Barros Carvalho sobre a estrutura das normas jurídicas em geral, para concluir pela existência de seu crédito, nos exatos termos da lei, por meio do qual foram quitados os débitos de PIS. Entende que irregularidade por ela cometida não tem o condão de desvirtuar a realidade dos fatos, comprovada, mais urna vez, por intermédio dos documentos já juntados (Manifestação de Inconformidade), cabendo ao Fisco Federal, tão-somente, a eventual imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória, e não a desconsideração de compensação efetivamente realizada pela Recorrente. Reafirma que não só utilizou a DCTF para informar os valores compensados, como também os certificou em sua contabilidade, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, de modo que não há motivos para a recusa da compensação dos créditos aqui guerreados, seja em razão da realidade material ter sido comprovada, seja em razão de os créditos terem sido reconhecidos pela Receita Federal e pelo acórdão recorrido. Ao final, considerando que os valores em cobrança foram devidamente quitados por compensação, há que ser reconhecido o crédito por ela possuído e, portanto, validada integralmente a compensação objeto dos presente processo administrativo. Aprecio. Inicialmente, esclareço que os presentes autos originaram-se de lançamento de ofício para constituir valores de PIS dos períodos de apuração 09/2002 a 12/2002, por não terem sido compensados mediante DCOMP e também não terem sido declarados em DCTF. Fl. 332DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 Vejamos como o Fisco tratou o caso, conforme Termo de Verificação Fiscal (principais trechos com alguns destaques acrescidos): Da apuração do PIS O contribuinte apresentou os Livros Diário e Razão de 2002 e demonstrativo da Base de Cálculo da COFINS e do PIS, sendo este composto da prestação de serviços, exportação de serviços, receitas financeiras e outras receitas. Verificamos que o demonstrativo elaborado pelo contribuinte está de acordo com o Livro Razão e Controle de Faturamento entregue pelo contribuinte onde está listado todas as notas fiscais. Conforme documentação apresentada pelo contribuinte, verificamos que o mesmo possui receitas provenientes de serviços prestados para empresas sediadas no exterior, as quais em face a legislação em vigor, são isentas. A isenção do PIS sobre receitas provenientes do exterior encontra seu fundamento na Lei 9.715/98, de 01/01/95, e cujo artigo 4° encontra-se abaixo trancrito, já estabelecia que, na determinação da base de cálculo do PIS, são também excluídas as receitas correspondentes aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil e cujo pagamento represente ingresso de divisas (artigo 4°, I). O referido diploma legal foi alterado pelas Medidas Provisórias 1858, 1991, 2037 e 2158, as quais preservaram em seus textos o beneficio fiscal. [...] Conforme documentos apresentados pelo contribuinte, o mesmo apresentou alguns contratos de câmbio e notas fiscais dos serviços prestados para empresas do exterior. Apresentou também demonstrativo de receitas destacando número da fatura, nome do cliente, data e valor, no qual se verifica as receitas Brasil/Exterior. Foram entregues também DARF recolhidos de PIS de 03/1996 a 11/2001, período em que a empresa recolheu indevidamente o PIS sobre as receitas de exportação, no valor original de R$32.687,19. O valor original utilizado para compensação do PIS no ano de 2002, foi de R$19.520,49, corrigido pela taxa selic até a data compensação efetuada pelo contribuinte no valor de R$33.953,61, mais DARF no valor de R$120,00, perfazendo o total de R$34.073,61, que era o valor devido no ano de 2002 conforme os cálculos efetuados pelo contribuinte. Analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, elaboramos uma planilha contendo as receitas de exportação, outras receitas, PIS total, PIS recolhido indevidamente receita exportação. Verificamos também os índices de correção utilizados pelo contribuinte. Consideramos como data do pedido de compensação a do vencimento do tributo mensalmente e atualizamos o crédito do contribuinte desde o dia do recolhimento indevido até o dia do vencimento com as respectivas Selic no período mais 1%. Para conferência dos cálculos efetuados pelo contribuinte nos valemos do Sistema SAPO — Coordenação Geral de Administração Tributária no qual se fornece o valor do débito, a data de vencimento, o valor do crédito, data do recolhimento e número de processo que foi fornecido apenas para fins de cálculo, sendo o mesmo irrelevante. Obtivemos estes dados da planilha fornecida pelo contribuinte intitulada Compensação PIS que contém o PA do débito, o valor compensado, o PA do crédito, o valor original compensado. Pelo PA do crédito, obtivemos a data do recolhimento indevido (Planilha Pagamento a Maior ou Indevido). Não encontramos irregularidades. Não encontramos irregularidades para os períodos de apuração 01/2002 a 08/2002. Foram utilizados pagamentos efetuados a maior de 15/03/99 a 15/06/00 conforme compensação efetuada pelo contribuinte. Ressalta-se que o período de apuração 08/2002 vence em 15/09/2002. Os períodos de apuração 09/2002 a 12/2002 não puderam ser aceitos por esta Fl. 333DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 fiscalização porque o art.49 da MP 66/2002 alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que passou a vigorar com a seguinte redação: [...] O artigo 63 da MP 66/2002 dispõe o seguinte: [...] A IN/210 de 30/09/02 dispõe em seu art. 21 o seguinte: [...] Verificamos que o contribuinte não entregou a Declaração de Compensação conforme legislação mencionada acima para os débitos compensados relativos aos período de apuração 09/2002 a 12/2002 que tem seus vencimentos a partir de outubro/2002 e conforme art. 63 da MP 66/02, a partir de out/2002 para que o contribuinte se utilize de compensação de seus débitos com créditos anteriores o mesmo deve entregar a declaração de compensação. O contribuinte declarou em DCTF valores apenas os valores recolhidos e não os valores devidos/compensados. [...] Como visto acima, o lançamento não foi motivado por ausência de saldo credor, mas, sim, pela: i) falta de entrega da DCOMP para a compensação dos débitos de PIS dos meses de 09/2002 a 12/2002, já exigida a partir de 01/10/2002 pela legislação tributária acima citada; e ii) falta de declaração dos mencionados valores na DCTF, uma vez que a Contribuinte declarou apenas os valores recolhidos. Portanto, até aqui, correta a Recorrente quando afirma inexistir litígio sobre o crédito utilizado para a compensação em sua escrituração. Quanto aos valores lançados, a DRJ exonerou a exigência relativa a 09/2002, por considerar efetivada a compensação desse mês, não na data de vencimento do tributo, 15/10/2002, mas ao fim do próprio período de apuração, 30/09/2002, antes, portanto, da entrada em vigor da necessidade de formalização da compensação por meio de DCOMP, a partir de 01/10/2002. Portanto, a lide remanesce apenas em relação às exigências de PIS dos períodos de apuração 10/2002 a 12/2002. E, neste ponto, perfeita a análise efetuada pela DRJ quanto à necessidade de apresentação do PER/DCOMP para a formalização da compensação e, consequentemente, extinção do crédito tributário compensado, bem como em relação aos demais pontos mencionados pela recorrente, razão pela qual adoto neste voto os correspondentes fundamentos da decisão de piso para decidir esta parte da contenda, conforme art. 50, §1º, da lei nº 9.784, de 29/01/1999, e seguintes trechos: [...] Como relatado, não há discussão a respeito da existência dos alegados pagamentos a maior da contribuição. A motivação do lançamento foi a falta de formalização, por meio de Declaração de Compensação, da pretendida compensação dos débitos para os períodos de apuração, setembro a dezembro de 2002, como estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação fixada pela MP nº 66, de 2002. Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 De fato, a introdução da figura da Declaração de Compensação, pela nova redação que a Medida Provisória nº 66, de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 2002), conferiu ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterou o panorama legal da compensação a partir de outubro de 2002. A apresentação da DCOMP passou a integrar a própria essência da compensação, assumindo condição necessária para sua efetivação. Confira-se a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de resto já mencionada nos autos: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Assim, no escopo da nova norma, devem ser considerados como não compensados os débitos cuja compensação não tenha sido declarada à administração tributária mediante a citada DCOMP, a despeito dos registros e controles que os contribuintes possam ter mobilizado no intuito de documentar a compensação. Nessa situação se insere o caso proposto: não houve apresentação do documento que é o próprio requisito de existência da compensação, sem o qual o instituto não se insere no mundo jurídico. Note-se que a introdução da DCOMP, de fato, como reclama a interessada, não afetou o direito referente a pagamentos indevidos efetuados antes de 1º de outubro de 2002, quando da entrada em vigor do art. 49 da MP nº 66, de 2002. O dispositivo, contudo, estabeleceu que, já a partir de sua vigência, as compensações necessariamente deveriam ser efetuadas mediante a entrega da declaração de compensação nele referido. Assim, a partir de 01/10/2002, não há que se falar em compensação de tributos administrados pela RFB sem a apresentação da DCOMP correspondente, independente da natureza entre o crédito e o débito. Isto é, a DCOMP é necessária, desde primeiro de outubro de 2002, mesmo no caso de compensação entre débito e crédito de tributo da mesma espécie. Veja-se que já no caput do seu art. 1º, a Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, estabelecia que a compensação de quantias recolhidas maior a título de tributo administrado se daria de acordo com que dispunha aquela IN. E o art. 21 da IN em tela, não fazia qualquer ressalva quanto à necessidade de entrega de declaração de compensação para que se efetuasse o encontro entre o débito e o crédito apurado, ainda que fossem ambos da mesma espécie. Nesse contexto, a introdução do §7º pela IN nº 323, de 2003, apenas explicitou uma conduta que já decorria do disposto no art. 49 da MP nº 66, de 2002 e na redação original da IN nº 210, de 2002. Voltando-se ao caso em tela, verifica-se que a auditoria, em relação ao período sob o escopo da MP nº 66, de 2002, se deparou com a existência de tributo em aberto, já que não compensado mediante DCOMP e não declarado em DCTF. Assim, era obrigatória a constituição do crédito tributário mediante o lançamento, independente das razões que teriam levado a contribuinte a retificar a DCTF originalmente apresentada. Por fim, importa reconhecer que a contribuinte tem razão quanto à improcedência do lançamento quanto ao mês de setembro de 2002. De fato, deve-se considerar a compensação deste mês como tendo sido efetivada, não na data de Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.438 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.000091/2007-19 vencimento do tributo, 15/10/2002, mas ao fim do próprio período de apuração, 30/09/2002, antes, portanto, da entrada em vigor da necessidade de formalização da compensação por meio de DCOMP. Isto porque, até o advento da DCOMP, a compensação entre débitos e créditos da mesma espécie efetuava-se na própria contabilidade da contribuinte, devendo-se entender que o encontro entre débito e crédito se verificava ao fim do próprio período base. Antes de concluir, esclareço, em relação ao princípio da verdade material, do qual se socorre a Recorrente em seu Recurso Voluntário, que tal princípio não se presta a suprimir uma condição necessária para a compensação (apresentação de PER/DCOMP), condição decorrente de lei (art. 74, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996). Ainda, sequer este Colegiado pode deixar de aplicar ao presente caso tal dispositivo legal, por duas razões conexas: i) por vedação regimental, conforme art. 62 do RICARF; e ii) porque o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. III CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10166.723048/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.054
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Em 13/12/2010, durante procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram lavrados, contra o sujeito passivo acima qualificado, autos de infração, todos referentes aos anoscalendários de 2005 e 2006, para a exigência dos seguintes tributos: a) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 2.967.630,19, compreendendo o valor relativo ao IRPJ, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício (fls. 4 a 40). Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 2 2 b) Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 2.057.228,39, compreendendo o valor relativo ao IRRF, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício (fls. 41 a 60). c) Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 846.712,68, compreendendo o valor relativo ao PIS, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício (fls. 61 a 94). d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 1.400.765,37, compreendendo o valor relativo à CSLL, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 95 a 129). e) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 3.907.906,68, compreendendo o valor relativo à Cofins, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 130 a 160). Consoante descrição dos fatos contida nos Autos de Infração acompanhados dos respectivos demonstrativos de apuração, os lançamentos decorreram de: • IRPJ – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) – REVENDA DE MERCADORIAS • IRRF – IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE BENEFÍCIOS INDIRETOS • IRRF – IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA • PIS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS • CSLL SOBRE O LUCRO ARBITRADO • COFINS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS A REAL IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Em 29 de junho de 2009, teve início o procedimento fiscal autorizado objetivando verificar a correta apuração de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins devidos no ano calendário de 2005 e 2006 pela pessoa jurídica ÂNCORA ATACADISTA LTDA, CNPJ nº 05.395.636/000101 (fls. 165 a 168), visto constar movimentações financeiras de R$ 26.903.471,70, em 2005, e R$ 31.460.024,34, em 2006, e a sociedade haver informado faturamento ZERO em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (fls. 169 a 196). A fim de dar ciência ao sujeito passivo, a fiscalização compareceu ao endereço da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA, entretanto, a empresa não mais existia ali. Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 3 3 Segundo informações colhidas no local, a empresa teria sido transferida para a QI 29, lotes 26, 27 e 28 em Taguatinga Norte DF. No endereço indicado, segundo informações de um empregado do local, funcionava a empresa ALFA ALIMENTOS LTDA, CNPJ nº 08.579.052/000176, dirigida por MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL. O contrato social da empresa ALFA ALIMENTOS LTDA indicava como contador o Sr. ANTONIO SABINO SOBRINHO, CPF nº 084.570.69187, coincidentemente, o mesmo contador da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA. Em atendimento ao Termo de Intimação nº 1 (fls. 1.552) o contador ANTONIO SABINO SOBRINHO informou em depoimento (fls. 1.549 a 1.551) que a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL seria a real dirigente da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA e responsável pelas fraudes apuradas pela fiscalização. Apontado pelo locador do antigo endereço da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA como pessoa com quem havia fechado o negócio da locação e como proprietário da empresa juntamente com a Srª MAGNA, o Sr. ERICO SOUZA FERREIRA, CPF nº 066.857.14115, conhecido como TITO, informou (fls. 1.554 a 1.556) que a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, sua esposa, teria vínculos sociais apenas com a empresa ALFA ALIMENTOS LTDA, não participando do quadro societário da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA. Intimada pelo Termo de Intimação Fiscal nº 3 (fls. 1.574), a Srª MAGNA confirma sua presença à frente das empresas ÂNCORA e ALFA, porém na condição de empregada e prestadora de serviços, respectivamente. Intimada novamente pelo Termo de Intimação Fiscal nº 44 (fls. 1.582) a apresentar carteira de trabalho que confirmasse seu vínculo empregatício com a empresa ÂNCORA, a Sr. MAGNA, quedouse silente e não apresentou o documento solicitado. A fiscalização intimou a prestar esclarecimentos o Sr. JOSÉ SÉRGIO DE SOUZA PIMENTEL, CPF nº 234.023.79120, irmão da Srª MAGNA, gerente do setor de compras e armazenamento de mercadorias da empresa ÂNCORA e atual sócio da empresa ALFA (Termo de Intimação Fiscal nº 4, fls. 1.592). Em depoimento (fls. 1.596 a 1.597), o Sr. JOSÉ SÉRGIO afirma ser sócio da empresa ALFA, informa ser alcoólatra crônico e que não teria vínculos empregatícios com a empresa ÂNCORA. Intimado a apresentar sua carteira de trabalho, não a forneceu à fiscalização. A filha da Srª MAGNA, a Srª CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA, que atuou como administradora da empresa ÂNCORA, por força de procuração lavrada no Cartório do 5º Ofício do Distrito Federal (fls. 2.158 e 2.159), declara (fls. 1.599 a 1.601) que esteve raras vezes na sede da empresa ÂNCORA, e afirma que sua mãe era apenas empregada de tal empresa. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 07 (fls. 1.606), a Srª AMANDA DA COSTA BEZERRA, CPF nº 009.279.05183, empregada do escritório de contabilidade que cuidou da redação dos contratos sociais das empresas ÂNCORA e ALFA, Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 4 4 confirmou que a Srª MAGNA era a efetiva gerente da sociedade ÂNCORA (fls. 1.604 a 1.605). Também foi ouvido pela fiscalização o Sr. EDUARDO RODRIGUES, contador e proprietário da empresa de Contabilidade Porto Seguro Ltda, que em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 19 (fls. 1.614), informou que os contratos sociais das empresas FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA e PISTÃO AUTO SHOPPING, teriam sido redigidos e levados a registro e arquivamento apenas com a apresentação de cópias de documentos apresentados por parentes da Srª MAGNA, sem a presença física simultânea dos sócios alienantes e compradores das quotas (fls. 1.608 a 1.610). A.1 IDENTIFICAÇÃO DOS SÓCIOS – INTERPOSTAS PESSOAS No esforço para identificar o real sujeito passivo, foram intimados, via postal, os sócios indicados no Contrato Social e alterações (fls. 200 a 219), a saber: • MARIA DILMA DA SILVA SANTOS – sócia e administradora, com 90% das quotas do capital da empresa, no período de 01/11/2002 a 13/10/2006 (Termo de Intimação Fiscal nº 14 – fls. 1.627); • HEBER ROCHA DA SILVA – sócio e administrador, com 10 % das quotas, no período de 01/11/2002 a 20/03/2007 (Termo de Intimação Fiscal nº 16 – fls. 1.648); • JOSÉ CARLOS FERREIRA – falecido em 20/04/2010, sócio e administrador com 90% das quotas, a partir de 20/03/2007 (Termo de Intimação Fiscal nº 10 – fls. 1.616 a 1.617); • JOSÉ ALVES BARBOSA – sócio, com 10% das quotas, a partir de 20/03/2007. A intimação de MARIA DILMA DA SILVA SANTOS foi recebida no endereço por LETÍCIA PIMENTEL, mas não foi atendida. Já aquelas dirigidas a HELDER ROCHA DA SILVA, JOSÉ CARLOS FERREIRA e JOSÉ ALVES BARBOSA retornaram com a indicação de serem pessoas desconhecidas nas endereços. O Sr. JOSÉ ALVES BARBOSA foi novamente intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 15 – fls. 1.621), por meio do advogado e procurador da empresa ÂNCORA, o Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, e apresentou atestado médico que o afastava do trabalho, por 6 meses, para tratamento de alcoolismo crônico, com evolução para cirrose hepática (fls. 1.622). Houve então o Termo de Intimação Fiscal nº 64 (fl. 304 a 305) para que o Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, procurador da empresa ÂNCORA, comparecesse à DRF Brasília em companhia das pessoas que configuraram o quadro societário da empresa. O Termo de Intimação Fiscal nº 111 (fl. 1.631), dirigido à Srª MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, recebido em sua residência por Jannsem Pimentel, intimavalhe a comparecer à Receita Federal, entretanto, não houve o atendimento à intimação. Houve apenas Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 5 5 a informação, por meio do Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO de que ela teria viajado para São Paulo (fls. 1.633 a 1.634). Novamente a Srª MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, por intermédio do advogado e procurador Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, foi intimada a comparecer à Receita Federal (Termo de Intimação Fiscal nº 136 – fls. 1.639) e finalmente atendeu à ordem fiscal, entretanto, reservouse o direito de permanecer calada ante as perguntas que lhe foram feitas (fls. 1.643 a 1.644). Também o Sr. HELDER ROCHA DA SILVA, atendeu ao chamado fiscal (Termo de Intimação Fiscal nºs 151 e 156 – fls. 1.651 e 1.653 a 1.654) e, em depoimento na presença do advogado Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, confessou ter sido usado como interposta pessoa (laranja), mediante remuneração e que (fls. 1.655 a 1.656): • Não tem parentesco com a Srª MAGNA, tendo ela sido casada com um primo seu, conhecido como TITO, e falecido em agosto de 2010. • Possui apenas um telefone celular, uma conta na Caixa Econômica Federal, com saldo médio nunca superior a R$ 1.000,00, e um carro Fiat. • Já forneceu cópia de sua identidade e seu CPF para registrarse como sócio da empresa ÂNCORA, mas que não colocou nenhum capital na empresa, apenas emprestou seu nome para constar no contrato social, e em troca recebia menos de um salário mínimo mensal por esse empréstimo. • Não trabalhava e era alcoólatra. • Havia emprestado seu nome também para constituir a empresa PISTÃO AUTO SHOPPING, por meio da Srª MARIA DILMA. • Nunca trabalhou na empresa ÂNCORA, estando lá apenas poucas vezes para receber a remuneração acertada em troca do seu nome no contrato social. • Não sabe informar o endereço da empresa ÂNCORA. • Não sabe informar o nome da pessoa que o substituiu na empresa ÂNCORA e nem o quanto essa pessoa recebeu. • Não conhece o nome do contador das empresas ÂNCORA e PISTÃO. • Já trabalhou como empregado, no regime da CLT, numa empresa de lavajato em Taguatinga. • Nem ele, nem a esposa, possuem ou possuíram imóvel. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 6 6 • Não sabe a razão de constar na DIPJ da empresa ÂNCORA informação com supressão de todos as receitas e despesas, pois nunca participou da sua administração. Pelo Termo de Intimação Fiscal nº 156 (fls. 1.665), a empresa ÂNCORA foi novamente intimada a apresentar os sócios JOSÉ CARLOS FERREIRA e JOSÉ ALVES BARBOSA. O Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO informou falecimento do Sr. JOSÉ CARLOS FERREIRA (certidão de óbito fls. 1.668) e que não sabia como encontrar o Sr. JOSÉ ALVES BARBOSA (fls. 1.667). A. 2 INVESTIGAÇÃO DA VERDADEIRA TITULARIDADE/GERÊNCIA A. 2. 1 JUNTO A CLIENTES Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 59 (fls. 1.669 a 1.675), a empresa MERCADO YOMA LTDA informa que o proprietário da empresa ÂNCORA atendia pelo nome de TITO (marido da Srª MAGNA). A. 2. 2 JUNTO A FORNECEDORES A empresa CARAMURU ALIMENTOS S.A., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 50 (fls. 1.676 a 1.689), apresenta a seguinte informação em na ficha de cadastro da empresa ALFA: “24/04/2003 – representante nos informou que este cliente é sucessor de Zeferino Souza e Souza Cód. 2958. NAA. “ALTERAÇÃO: ÂNCORA ATACADISTA PASSA A SER ALFA ALIMENTOS LTDA., o comprador/gerente genro do Sr. Tito, SÉRGIO, passa a ser acionista. NESTA EMPRESA, Sr. Tito (PROPRIETÁRIO) se licenciou da vice prefeitura de águas lindas de Goiás e voltou a administrar as empresas (Elismar conhece o Sérgio). 10/03/2007 – o cliente ÂNCORA a partir de agora estará desativado, não terá mais movimentação no mercado.” A. 2. 3 JUNTO A EMPREGADOS Em resposta a intimações, os empregados da ÂNCORA ATACADISTA LTDA afirmaram que a proprietária e gerente da empresa eram a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL. Segundo o Sr. APOLÔNIO BARBOSA DOS SANTOS, CPF nº 013.101.16180 (Termo de Intimação Fiscal nº 115 – fls. 1.695), carregador, o proprietário da empresa seria o Sr. TITO, que raramente ia à empresa; que a Srª MAGNA era quem dirigia a empresa; que o gerente era o irmão da Srª MAGNA, o Sr. SÉRGIO (fls. fls. 1.690 a 1.691). Segundo o Sr. HÉLIO SAMPAIO DE OLIVEIRA, CPF nº 788.266.91134 (Termo de Intimação Fiscal nº 118 fls. 1.701), auxiliar de escritório, a proprietária da empresa era a Srª MAGNA, esposa do Sr. TITO, que a via constantemente na empresa, enquanto raramente via o Sr. TITO (fls. 1.697). Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 7 7 A. 2. 4 JUNTO AOS CADASTROS BANCÁRIOS NO BANCO DO BRASIL As operações revelam a presença, de forma disfarçada, da Srª MAGNA à frente dos negócios da empresa ÂNCORA. Como garantia para a concessão de linhas de crédito foram apresentadas as seguintes escrituras (fls. 1.705 a 1.728): • Gleba de 10 alqueires em Luziânia – GO, de propriedade de NOVA AMÉRICA TRANSPORTES E AGROINDUSTRIAL LTDA, sociedade constituída por CARMO FERREIRA DE SOUZA, sogro da Srª MAGNA. • Propriedade rural de 6 alqueires em São Sebastião do Descoberto – DF, de propriedade de COTRAMA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E TRANSPORTES AMÉRICA LTDA, de propriedade de ÉRICO SOUZA FERREIRA, falecido em 2010, ex marido da Srª MAGNA. • Casa no Lago Sul – Brasília – DF, então residência da família da Srª MAGNA e de propriedade de FÊNIX TRANSPORTADORA E AGROINDUSTRIAL LTDA, razão social alterada para FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, que adquiriu o imóvel da Srª MAGNA. • Prédio em Taguatinga – DF, de propriedade da empresa FÊNIX, que na época era gerida pela Srª MAGNA. • Propriedade adquirida da Terracap pela empresa FÊNIX, que na época era gerida Srª MAGNA; • Galpão em Taguatinga – DF, de propriedade da empresa FÊNIX, que na época era gerida Srª MAGNA; No “Contrato para Desconto de Títulos – Cláusulas Especiais”, além dos sócios constantes no contrato social da ÂNCORA, figuram como fiadores, a Srª MAGNA e seu esposo ÉRICO, conhecido como TITO. O documento “Análise de Risco”, elaborado pelo Banco do Brasil, revela a gerência da empresa ÂNCORA pela Srª MAGNA, nos seguintes termos: “I) Grupo Empresarial: Na análise de 25/07/2003 (DICREBSB 2003/001752), a empresa ‘Âncora Atacadista’ formava Grupo Empresarial com outras três: Zeferino Souza & Souza Ltda., Brasil Beneficiamento e Empreendimento de Cereais Ltda., e Fênix Marketing e Transportes Ltda., em função do controle único, notadamente da área financeira, da Srª MAGNA José de Souza Pimentel. Ressaltese que, de acordo com informações da Srª MAGNA, a qual continua como procuradora e responsável pela área financeira da ‘âncora Atacadista Ltda’ e da Fênix Marketing e Transportes Ltda.’ Essas empresas continuam ativas e existe relação de parentesco, e embora distante, entre os sócios da ‘Fênix’ e da ‘Âncora Atacadista’. Informounos, Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 8 8 ainda, que foi efetuada alteração no contrato da ‘Fênix”, para que referida empresa possa avalizar operações de outras empresas, visando avalizar operações de ‘Âncora Atacadista’, quando necessário.” Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 9 9 A. 2. 5 JUNTO DOS GERENTES DE CONTAS BANCÁRIAS A. 2. 5. 1 BANCO REAL (SANTANDER) Foi ouvido o Sr. RONALDO NUNES DE RESENDE, reestruturador de crédito do Banco Real (Santander), da praça de BrasíliaDF, que revelou (doc 15 – fls. 1.788 a 1.790): • Realizou reestruturação de crédito da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA, em 30/04/2007 com data final de 30/04/2008, no montante aproximado de R$ 200.000,00 • A garantia da operação era aval da sócia da empresa e o da Srª MAGNA • Os contratos mantidos pela empresa durante o período de renegociação do débito foram efetuados, com a Srª MARIA DILMA DA SILVA e a Srª MAGNA JOSÉ SOUZA PIMENTEL. A. 2. 5. 2 BANCO RURAL/ABN Real Foi ouvido o Sr. JURANDIR SILVA REGO, que revelou que (fls. 1,794 a 1.795): • Foi gerente da conta da empresa Âncora durante o período em que trabalhava na agência da 502 Norte (678) do Banco ABN Real S/ª • Conheceu a Srª MAGNA e seu esposo, o Sr. TITO dos círculos sociais de Taguatinga – DF, por época de captação de clientes par ao Banco Rural, antes de abrir a conta da empresa no ABN Real. • Os contatos feitos no endereço da empresa ÂNCORA, na área administrativa e financeira, eram feitos quase sempre com a Srª MAGNA • Nos seus contatos com a empresa, não conheceu ninguém chamado HELDER. • É difícil saber, mas acha que conheceu a Srª MARIA DILMA. • Nunca tratou com o Sr. HELDER. A Srª MARIA DILMA assinada borderôs, mas não pode afirmar que os reconheceria se os visse. • Certamente reconheceria a Srª MAGNA e o Sr. TITO. A. 2. 5. 3 BANCO DO BRASIL Na oitiva do Sr. ROBERSON PATRÍCIO ALVES DA COSTA, gerente de contas no Banco do Brasil, agência nº 3383, localizada no Edifício Number One, no período de janeiro de 2005 a julho de 2007, foi declarado que (fls. 1.800 a 1.801): • Era o responsável pelo atendimento à conta da empresa ÂNCORA. Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 10 10 • Em junho de 2007, lembrase de que a liquidez da carteira de cobrança apresentada problemas de inadimplência, por isso visitou a empresa e foi informado que estavam operando outra empresa. Quando os visitou, constatou que as pessoas que operavam a empresa ÂNCORA eram as mesmas que estavam operando a nova empresa. • A Srª MAGNA era a responsável pelos relacionamentos da empresa com o Banco do Brasil. • Entre janeiro e fevereiro de 2005, visitou a empresa ÂNCORA, onde fez contato exclusivamente com a Srª MAGNA. • Periodicamente visitava a empresa no interesse do relacionamento com o Banco, e que sempre falava com a Srª MAGNA ou seu esposo, um político, que se apresentavam sempre como os donos do negócio. • Não conheceu e não fez contato com HELDER e MARIA DILMA, pessoas que constam como sócias da empresa ÂNCORA em seu Contrato Social. • Quando questionou a Srª MAGNA por ter constatado que a situação societária da empresa não constasse seu nome, ela lhe justificou que estaria com problemas fiscais oriundos de uma antiga empresa. Tal fato foi relatado a seus superiores. Na oitiva do Sr. MAURÍCIO CARVALHO CÉSAR DE MORAES, gerente do Banco do Brasil, agência nº 3383, localizada no Edifício Number One, no período de abril de 2003 a dezembro de 2004, foi declarado que (fls. 1.805 a 1.806): • Era o responsável pelo atendimento à conta da empresa ÂNCORA. • Visitou a empresa ÂNCORA várias vezes. • Os contatos com a empresa eram efeitos com a Srª MAGNA, pois ela se apresentava como proprietária da empresa ÂNCORA. • Não fez contato, nem conheceu as pessoas que se apresentavam no contrato social como sócias, HELDER e MARIA DILMA. • Tendo constatado a situação societária da empresa de não estar constituída em nome de MAGNA, mas de interpostas pessoas, que não se apresentavam perante o Banco do Brasil para efetuar os contatos e negociações, porém apenas quando apresentavam situações em que necessitavam de assinatura, quando quem assinava eram as pessoas que constavam do contrato social, questionou tal fato à Srª MAGNA, que justificou como tendo restrições em seu nome. Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 11 11 • Tal fato foi reportado a seu superior, o Sr. MARCELO FERNANDES DE ASSIS, que junto com ele visitou a empresa algumas vezes. • No processo de migração da conta de Taguatinga para a Agência Empresarial Brasília, a empresa foi visitada por funcionários das duas agências que apresentaram o modelo de atendimento e a proposta à cliente de migração de conta. A. 3 PROVAS SEGUNDO INSCRIÇÕES NOS VERSOS DE CHEQUES PAGOS Observase no verso de cheques emitidos pela empresa, inscrições e rubricas do gênero: Conf. C/MAGNA 9:55, Conf. C/MAGNA 10:51, etc. (fls. 1.870 a 1.894). A. 4 DESTINAÇÃO DE RECURSOS, DE FORMA DISFARÇADA, DA EMPRESA ÂNCORA PARA A SRª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL E SUA FAMÍLIA. A pesquisa fiscal identificou a destinação disfarçada de recursos da empresa ÂNCORA para a Srª MAGNA e sua família. As retiradas de patrimônio e lucro não têm qualquer registro contábil. Os casos encontrados foram os seguintes: • DALVA FERREIRA, CPF nº 224.590.14104, cunhada da Srª MAGNA. Recebeu R$ 246.070,42, em cheques. Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF da Srª DALVA. Intimada pelo Termo de Intimação nº 106 a comparecer perante a Receita Federal, a Srª DALVA ignorou a ordem legal. • JOTA CARMO FERREIRA, CPF nº 144.548.15100, cunhado da Srª MAGNA. Recebeu R$ 39.841,36, em cheques (fls. 1.897 a 1906) Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimado pelo Termo de Intimação nº 107 (fls. 1.895) a comparecer perante a Receita Federal, o Sr JOTA ignorou a ordem legal. • ERICO MARCELO DE SOUZA FERREIRA, CPF 000.288.291 40, filho da Srª MAGNA. Recebeu R$ 9.300,00, em cheques (fls. 1.909 a 1.910). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimado pelo Termo de Intimação nº 108 (fls. 1.907) a comparecer perante a Receita Federal, o Sr ÉRICO ignorou a ordem legal. • BRUNO DA SILVA MATOS, CPF n º 004.449.59190, Motoboy da empresa. Recebeu R$ 6.000,00 pelo cheque nominal nº DY 000214, do Banco Itaú (fl. 1.914). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 12 12 Intimado pelo Termo de Intimação nº 79 (fls. 1.913) a comparecer perante a Receita Federal, o Sr BRUNO prestou os seguintes esclarecimentos: o Sacou o dinheiro no caixa do banco por conta e ordem da Srª MAGNA, sua chefe. o Foi funcionário da empresa ÂNCORA por aproximadamente 6 meses entre 2005 e 2006. o Recebeu o referido cheque das mãos da Srª MAGNA, que em seu entendimento era a dona da empresa, pois eram quem despachava todos os serviços, dava ordem aos funcionários, conferia o dinheiro em espécie e os documentos recebidos pela empresa. o Já levou documentos da empresa ÂNCORA para o contador, Sr. TONINHO, a mando da Srª MAGNA. • MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, CPF nº 573.064.43100, cunhada da Srª MAGNA, utilizada como sócia ”laranja”. Recebeu R$ 1.123.218,58, em cheques (fls. 1.916 a 1.975). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimada a comparecer perante a Receita Federal, a Srª MARIA DILMA apresentouse à RFB acompanhada do advogado da empresa Sr. ELVIS DEL BARCO CAMARGO, e afirmou que não responderia a nenhuma pergunta, utilizando seu direito constitucional de permanecer calada. A. 5 DESTINAÇÃO DE RECURSOS, SOB A FORMA DE BENEFÍCIOS INDIRETOS, DA EMPRESA ÂNCORA PARA A SRª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL E SUA FAMÍLIA. • BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A – CNPJ 27.665.207/000131 Foi pago pela empresa ÂNCORA R$ 30.000,00 em cheques para “Seguro de Vida com Cobertura de Sobrevivência – VGBL e Coberturas de Risco”, em benefício da Srª MAGNA e de seus filhos CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA e ERICO MARCELO DE SOUZA FERREIRA e de sua cunhada MARIA DILMA DA SILVA SANTOS (fls. 1.998 a 2.002). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro nas DIRPF dos beneficiários. • GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A E TV GLOBO LTDA – CNPJ 27.875.757/000102 e 33.252.156/000119 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 392.279,50 (fls. 2.002 a 2.020) para pagamento de dívidas da Srª MAGNA, do Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 13 13 Sr. JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, de CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA, e da empresa PISTÃO AUTO SHOPPING COMÉRCIO DE VEÍCULOS, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. • KYOTO STAR MOTORS S/A – CNPJ 02.794.197/000103 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 33.700,00, mediante autorização de débito em conta do BB, agência 42056, c/c 132373 (fls. 2.048 a 2.050), pela compra de veículos para a empresa FÊNIX MARKETING E TRANSPORTE LTDA, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. • PISTÃO EVENTOS LTDA – CNPJ 05.470.648/000145 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 225.650,00, em cheques (fls. 2.057 a 2.067), para a empresa PISTÃO EVENTOS LTDA, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. • CVP COMERCIAL DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA – CNPJ 00.569.905/000187 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 20.990,00, pelo cheque 011354, agência 0678, c/c 57462399, do Banco Real (fls. 2.079 a 2.084), para a compra de veículo para a empresa PISTÃO AUTO SHOPPING COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. • MOTODANY PEÇAS E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 03.005.255/000135 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 4.290,00, pelo cheque 010770, agência 0678, c/c 57462399, do Banco Real (fls. 2.086 a 2.095). Tratase despesa contraída por CLÁUDIA FERREIRA, filha da Srª MAGNA, por conta da PISTÃO EVENTOS LTDA, de uma motocicleta faturada em nome de FC VEÍCULOS LTDA. Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. • TAGUAUTO TAGUATINGA AUTOMÓVEIS E SERVIÇO LTDA – CNPJ 00.101.378/000181 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 9.600,00, pelo cheque 010841, agência 0678, c/c 57462399, do Banco Real (fls. 2.097 a 2.111). Tratase despesa contraída por CLÁUDIA FERREIRA, filha da Srª MAGNA, para aquisição de veículo novo. Sem registro nos livros Diário e Razão. Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 14 14 A. 6 UTILIZAÇÃO PELA SRª MAGNA DE IMÓVEL ADQUIRIDO E VENDIDO POR ELA EM NOME DE EMPRESA TITULADA POR LARANJAS E SUA ALIENAÇÃO MEDIANTE SUBFATURAMENTO. O imóvel localizado na QI 08, conjunto 16, casa 7, Lago Sul, Brasília, DF, era utilizado como residência da família da Srª MAGNA, conforme pode ser apurado no depoimento de seu filho (2.113 a 2.114). Na escritura de tal imóvel (fls. 2.119 a 2.123), consta que foi adquirido por FÊNIX TRANSPORTES E AGROINDUSTRIAL LTDA, CNPJ 32.917.536/000162, cuja procuradora é a Srª MAGNA. Em 24/09/2007, o referido imóvel foi vendido para a Srª MARIA DE JESUS BANDEIRA ROCHA BARBOSA, CPF nº 076.838.20334, pelo valor de R$ 800.000,00. Atendendo aos Termos de Intimação Fiscal nº 67 e 74 (fls. 2.150 e 2.152), a Srª MARIA DE JESUS BANDEIRA ROCHA BARBOSA afirma que (fls. 2.130 a 2.149): • quem residia no imóvel era a SRª MAGNA e sua família; • os sócios da empresa “FÊNIX” só apareceram no cartório com a missão de assinarem a escritura; • o dinheiro da compra do imóvel foi entregue integral e diretamente à Srª MAGNA. • Os cheques para a compra do imóvel totalizam R$ 1.200.000,00 (fls. 2.132 a 2.149). A. 7 CONDUTAS PARA GERIR E CONTROLAR AS EMPRESAS: PROCURAÇÕES PÚBLICAS E SUBSTABELECIMENTOS A Srª MAGNA utilizase, de máfé, de pessoas pobres e simples de sua família para constituir empresas e praticar a supressão de tributos, fazendo com que recaia sobre eles a responsabilidade tributária e penal que vierem a ser apuradas. Seu modus operandi iniciase com a constituição de empresas, que canalizam suas sobras de caixa para a empresa FÊNIX MARKETING E TRANSPORTE LTDA, que tem como sócio o sogro da Srª MAGNA, pessoa simples de 80 anos, aposentado da Previdência Social, com endereço em Santo Antônio do Descoberto – GO. A empresa FÊNIX alberga os ativos, veículos e imóveis. A Srª MAGNA possui procuração com poderes amplos, gerais e ilimitados de gerência e, em alguns casos, substabelece tais poderes. Exemplos são as seguintes procurações (fls. 2.153 a 2.160): • 2º Tabelionato de Notas – Formosa – GO. o Data:13/08/2002 Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 15 15 o Objeto: FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, representada por seu sócio, CARMO FERREIRA DE SOUZA, nomeia e constitui sua bastante procuradora a Sr MAGNA, a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar livremente os negócios do outorgante. • 5º Ofício de Notas do Distrito Federal o Data: 16/12/2005. o Objeto: MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL substabelece parte dos poderes que foram conferidos por FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, para RENATA GOMES DE OLIVEIRA, nos termos da procuração lavrada no Cartório do 2º Tabelionato de Notas de Formosa – GO. • 5º Ofício de Notas do Distrito Federal o Data: 11/01/2005. o Objeto: ÂNCORA ATACADISTA LTDA, por sua administradora, MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, nomeia e constitui sua bastante procuradora CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA, com poderes para gerir e administrar a empresa outorgante, inclusive substabelecer. • 5º Ofício de Notas do Distrito Federal o Data: 21/12/2007. o Objeto: FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, por seu administrador CARMO FERREIRA DE SOUZA, nomeia e constitui seu bastante procurador JOSÉ SÉRGIO DE SOUZA PIMENTEL, a quem confere poderes para representar a empresa junto ao INCRA..., inclusive substabelecer. A. 8 CONCLUSÃO QUANTO À TITULARIDADE Concluise que a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL é verdadeira empresária e que vem desenvolvendo sua atividades sob a razão social de ALFA ALIMENTOS LTDA, que se utilizou ilicitamente de interpostas pessoas para figurarem como sócios no Contrato Social e alterações contratuais. Foi comprovada a existência de um pool de empresas fantasmas em nome de outras pessoas com parentesco com a Srª MAGNA, a quem sempre eram outorgadas procurações com poderes amplos e ilimitados de gestão. As empresas criadas passavam então a aplicar golpes no Fisco, uma vez que lançado o crédito tributário, descobriase que a empresa fantasma era desprovida de patrimônio garantidor de suas dívidas. Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 16 16 B MÉRITO DO LANÇAMENTO IRPJ Ao longo do trabalho fiscal, onde, além de se buscar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária conforme narrado no tópico A, foram solicitados e entregues, tanto pelo procurador da empresa, quanto por instituições financeiras, diversos documentos contendo os extratos bancários da empresa. Assim, foi constatada a existência de receitas não declaradas no valor de R$ 20.004.721,44, em 2005, e R$ 22.882.034,55, em 2006, cujos valores mensais constam no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). O lucro foi arbitrado tendo em vista que: • a autuada não possui escrituração regular ou caixa, • tendo sido intimada a apresentar sua documentação fiscal pelo Termo de Intimação Fiscal nº 161 (fls. 1.437 a 1.440), assim responde: “Sr. Auditor, não pretendo apresentar informações, escriturações e documentos complementares a vossa senhoria.” • A escrituração comercial da empresa ANCORA continha vícios e erros que não permitem a apuração pelo lucro real ou presumido, haja vista as omissões em suas escriturações das receitas Doc 35 (fls. 921 a 1.023) e Doc 02 (fls. 169 a 196) • Não escrituração da integralidade da movimentação bancária (pagamentos de benefícios indiretos e sem causa não escriturados) – Doc 36 (fls. 1.024 a 1.323) e Doc 37 (fls. 1.324 a 1.434) • Confissão de não escrituração de pagamentos a fornecedores (Doc. 11 – fls. 459 a 463). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. C MÉRITO DO LANÇAMENTO IRRF C. 1 – IRRF SOBRE BENEFÍCIOS INDIRETOS Foram considerados como remuneração indireta os valores pagos à Srª MAGNA ou à sua ordem referentes a: • plano de previdência privada para a autuada e pessoas de sua família; Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 17 17 • pagamentos efetuados A empresas da Rede Globo quitando passivo da PISTÃO AUTO SHOPPING e de sua filha CLÁUDIA MAYRA. • Pagamentos efetuados a MOTODANY, TAGUAUTO, KYOTO MOTORS E CVP LTDA (Doc 37 – fls. 1.324 a 1.434). Os valores entregues pela empresa ÂNCORA aos beneficiários foram considerados líquidos e a base de cálculo foi reajustada nos termos do art. 725, do Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. C. 2 – IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA Foram constatadas importâncias pagas, sem causa, conforme documentos em cópias de cheques, às seguintes pessoas: • MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, “laranja” e cunhada da Srª MAGNA, • DALVA FERREIRA, cunhada da Srª MAGNA • JOTA CARMO FERREIRA, cunhado da Srª MAGNA • ÉRICO MARCELO DE SOUZA FERREIRA, filho da Srª MAGNA • UMBELINA JOSÉ DE SOUZA SILVA, irmã da Srª MAGNA • JOSÉ SÉRGIO DE SOUZA PIMENTEL, irmão da Srª MAGNA • JOANA DARC DE LIMA FERREIRA • WILSON VIEIRA FIUZA Intimada a prestar esclarecimentos de diversos pagamentos, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 150 (Doc 36 – fls. 1.024 a 1.323), a empresa ÂNCORA comprovou apenas parte deles (já excluídos do feito fiscal), restando não comprovados aqueles que foram indicados apenas ”DOCUMENTO NÃO LOCALIZADO”, “PAGAMENTO A EQUIPE DE TREINAMENTO”, “PAGAMENTO DE TÍTULO NÃO LOCALIZADO”, etc, sem a apresentação de documento comprobatório. A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 18 18 D MÉRITO DO LANÇAMENTO DOPIS/PASEP Lançamento decorrente do arbitramento do lucro, nos anoscalendários de 2005 e 2006 Valor das receitas não declaradas, apuradas com base nos extratos bancários contendo a movimentação financeira nos bancos: Banco do Brasil, Banco Itaú, ABN AMRO Real, Banco Rural e Bradesco, não lançados nas declarações de renda, conforme pautados no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. E MÉRITO DO LANÇAMENTO DA CSLL Lançamento decorrente do arbitramento do lucro, nos anoscalendários de 2005 e 2006 Valor das receitas não declaradas, apuradas com base nos extratos bancários contendo a movimentação financeira nos bancos: Banco do Brasil, Banco Itaú, ABN AMRO Real, Banco Rural e Bradesco, não lançados nas declarações de renda, conforme pautados no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. F MÉRITO DO LANÇAMENTO DA COFINS Lançamento decorrente do arbitramento do lucro, nos anoscalendários de 2005 e 2006 Valor das receitas não declaradas, apuradas com base nos extratos bancários contendo a movimentação financeira nos bancos: Banco do Brasil, Banco Itaú, ABN AMRO Real, Banco Rural e Bradesco, não lançados nas declarações de renda, conforme pautados no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. G – PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO PARA DESCONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ÂNCORA E DA INSCRIÇÃO DE OFÍCIO DA SRª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL DO CNPJ Em atendimento ao disposto nos arts. 19, 28 e 30 da IN RFB nº 1.005, de 2010, foi efetuada a representação no processo nº 14041.00312/201021, procedida a baixa de Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 19 19 ofício da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA e a inscrição, também de ofício, da Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, no CNPJ. I – IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente dos lançamentos em 14/12/2010 (fls. 5, 42, 62, 96 e 131), a Srª MAGNA apresentada, em 13/01/2011, sua impugnação (fls. 2.167 a 2.185), onde contesta o feito fiscal apresentando os seguintes argumentos: a. É nulo o lançamento, por abuso de poder de fiscalizar, tendo em vista o excesso de prazo de fiscalização em virtude das sucessivas prorrogações, sem a devida fundamentação. Entre a data do início e a do término dos trabalhos fiscais, passouse mais de um ano. As prorrogações do MPF foram efetuadas arbitrariamente, sem qualquer fundamentação. Tendo em vista que o ato administrativo tributário não pode se afastar da fundamentação a que todo ato administrativo está sujeito, impõese a declaração de nulidade do lançamento. b. A multa aplicada é superior a 20% do valor do tributo e tem natureza confiscatória. c. O lançamento fiscal relativo ao anocalendário de 2005 está praticamente todo decaído, visto que o lançamento fiscal deuse em 13 de dezembro de 2010, já tendo passado mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. d. É ilegítimo que o fisco utilize como base de cálculo dos tributos exigidos os valores relativos à movimentação financeira da empresa autuada e não considere os valores constantes da escrita fiscal registrada na Junta Comercial. O Fisco não poderia simplesmente afastar os valores registrados nos livros fiscais da empresa ÂNCORA relativamente ao seu faturamento de ICMS decorrente do exercício da sua atividade societária. e. A fiscalização considerou como base de cálculo os valores decorrentes de empréstimos bancários e transferências entre contas de titularidade da empresa ÂNCORA (fls. 2.242 a 2,390). f. O feito fiscal deve ser anulado por foi lavrado com base em movimentação bancária obtida sem autorização judicial. Houve a quebra do sigilo bancário da empresa e a violação ao direito de privacidade e de intimidade do contribuinte. g. A equiparação da Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL à pessoa jurídica não deveria ter sido efetuada por auditor fiscal, mas somente por juiz, visto ausência de competência legal ou constitucional para tal. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 20 20 A fundamentação legal utilizada pela fiscalização são os arts. 150 e 836, do RIR, os arts. 121, 126 e 142 do CTN , os arts. 19, 28 e 30 da IN RFB nº 1.005, de 2010 e os art. 966 do Código Civil, ocorre que tais dispositivos tratam da despersonalização da pessoa jurídica e não a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. É inconstitucional o art. 11 do CTN que confere ao auditor fiscal a atribuição de equiparar pessoa física à pessoa jurídica. h. todo o período fiscalizado é objeto do parcelamento, solicitado antes da autuação fiscal, de que trata a Lei nº 11.941, de 2009. Vale ressaltar que tal parcelamento está sendo regularmente adimplido pela empresa. Por fim, requer que seja conhecida e julgada procedente a impugnação para fins de anular todos os autos de infração. A 2ª Turma da DRJ de Brasília por meio do acórdão nº 0342.915, decidiu (ementa): “NULIDADE. ABUSO DE PODER DE FISCALIZAR. MOTIVAÇÃO PARA A CONTINUIDADE DOS TRABALHOS. A fundamentação do MPF e suas prorrogações são a própria investigação a ser realizada descrita no Termo de Início de Procedimento Fiscal. A fundamentação para a prorrogação dos MPF foram os pedidos de prorrogação de prazos solicitados pela impugnante, o não comparecimento de intimados à Receita Federal, a recusa de intimados em prestar esclarecimentos e seu silêncio em situações de depoimento à autoridade fiscal. MULTA 150%. CONFISCO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que a contribuinte não efetuou pagamento dos tributos federais, não há que se falar em lançamento por homologação. A regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é a do art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Pertinente o arbitramento do lucro com base na movimentação financeira quando não merece fé a escrituração efetuada pelo sujeito passivo. ARBITRAMENTO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. VALORES DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS E TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 21 21 Constatado erro fiscal ao incluir no arbitramento do lucro os valores depositados nas contas correntes da autuada decorrentes de contratos de empréstimos bancários, valores decorrentes de transferências bancárias, de autoria da própria pessoa jurídica, entre contas que foram objeto do feito fiscal e os valores decorrentes de deposito decorrente de erro bancário, com estorno automático efetuado pela instituição financeira na mesma data e no mesmo valor. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DIREITO À INTIMIDADE, À VIDA PRIVADA, AO SIGILO DE DADOS E A INAFASTABILIDADE DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar nº 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo, nem afronta os princípios constitucionais da intimidade, vida privada ou ao sigilo de dados. Tratase de medida que prescinde de autorização judicial, quando promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal em curso no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. É correta a baixa de ofício no CNPJ de pessoa jurídica inexistente de fato. É atribuição exclusiva do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante lançamento. Ao efetuar o lançamento, a autoridade fiscal deve identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, no caso o contribuinte, tendo em vista sua relação pessoal e direta com as situações que deram origem aos fatos geradores e independentemente deste estar constituído ou não como pessoa jurídica. As pessoas físicas que em nome individual explorem, habitual e profissionalmente qualquer atividade econômica de natureza comercial, com o fim de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços equiparamse a empresas individuais, por força do disposto no art. 150 do RIR 99, sendo obrigatória sua inscrição no CNPJ. É correta a inscrição de ofício no CNPJ de pessoa física equiparada à pessoa jurídica, desde que seguidos os ritos previstos na IN RFB nº 1.005, de 2.010. Não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 22 22 PARCELAMENTO LEI Nº 11.941, DE 2009. INAPLICABILIDADE AOS DÉBITOS NÃO DECLARADOS COM VENCIMENTO ANTERIOR A 30 DE NOVEMBRO DE 2008. Não são incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, os débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, não declarados à RFB até 30 de julho de 2.010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase ao IRRF o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Aplicase ao PIS o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Aplicase à Cofins o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.” A contribuinte recorre (tópicos): Requer que seja declarada nula a equiparação de Magna José de Souza Pimentel a Pessoa Jurídica; Da nulidade de oitiva de testemunhas na instrução de procedimento de investigação fiscal; Da alegação do silêncio da sócia da empresa fiscalizada; Da alegação da destinação de recursos sob formas de benefícios indiretos da empresa âncora à Sra. Magna; Da nulidade da autuação por excesso de prazo do MPF Abuso do poder de fiscalizar; Da multa aplicada; Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 23 23 Da decadência; Da base de cálculo utilizada para o cálculo da movimentação financeira; Base de cálculo utilizada débitos que devem ser considerados; Da quebra do sigilo bancário sem ordem judicial A fiscalização tinha extratos bancários não fornecidos pela contribuinte. Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A recorrente articula ofensa a direito fundamental Vale dizer, invocase agressão ao direito ao sigilo bancário, consumada pela aplicação do referido preceito legal. De fato, fl. 420 e seguintes, consta a RMF utilizada pela fiscalização. O art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º. O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. De seu turno, na dicção do art. 1º, parágrafo único, da Portaria CARF 1/12, o procedimento de sobrestamento “somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. A questão deduzida nos autos é objeto do RE nº 601.314RG/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Na apreciação do Agravo de Instrumento nº 668.843, pelo STF, em 1º/02/10, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos de tal feito ao tribunal de Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.723048/201031 Resolução n.º 110300.054 S1C1T1 Fl. 24 24 origem para o sobrestamento do feito, conforme o art. 543B do CPC, em face do referido RE, sob repercussão geral, em que se discute idêntica questão. Também, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 765.714/SP, pelo STF, em 19/10/10, em decisão monocrática, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos de tal feito ao tribunal de origem para sobrestamento, em observância ao art. 543B do CPC, ex vi do RE supramencionado. Conforme o art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF, quando se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator determinará a devolução dos processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do CPC. Outrossim, nos termos do art. 2º, caput e § 2º, da Portaria CARF 1/12, identifico a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 18/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 15504.010822/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/10/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão
de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela
autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-002.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 31/10/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação. Decisão Recorrida Nula.
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente OSCAR FERREIRA DA SILVA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 31/10/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.010822/200941 Acórdão n.º 2402002.716 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada, para a competência 10/1996. O Relatório Fiscal (fls. 11/14 – Volume I) informa que se trata de lançamento fiscal substitutivo ao consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), DEBCAD n° 32.107.2430, anulada pelo Acórdão n° 00144/2005 (cópia de fls. 15/19 dos autos do processo n° 15504.010826/200920), proferido em 25/02/2005, pela 2a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), em razão de preterição ao direito de defesa do contribuinte. Esse Relatório Fiscal informa ainda que: 1. conforme despacho n° 20560, de 28/01/2005 (cópias de fls. 20/21 dos autos do processo n° 15504.010826/200920), foi negado (pelo presidente da 5a Câmara de Julgamento do Segundo Conselho de Contribuintes) o seguimento do requerimento de revisão da decisão contida no Acórdão n° 144/2005 de 25/02/2005 feito pela autoridade lançadora; 2. na NFLD anulada, DEBCAD n° 32.107.2430, haviam sido lançadas contribuições patronais devidas a Previdência Social, as Outras Entidades e Fundos/Terceiros (Salário Educação, SENAI, SESI, INCRA E SEBRAE) e contribuições para a Previdência referentes a parte dos segurados a seu serviço. Assim, em respeito ao procedimento de fiscalização atualmente adotado, procedeuse ao lançamento por meio de 3 Autos de Infração distintos: (i) Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.203.4225 que contém a parte patronal devida a Previdência Social; (ii) AI DEBCAD n° 37.203.4209 que contém a parte dos segurados para a Previdência Social; (iii) e o AI DEBCAD n° 37.203.4217 que contém a parte patronal devida às Outras Entidades e Fundos; 3. as contribuições lançadas neste Auto de Infração são decorrentes do valor de remuneração relativo à mão de obra empregada, no período de 03/1995 a 02/1996, na construção civil executada na Rua Alcântara n° 416, Quadra 20, Lote 6. Bairro Nova Granada, Belo Horizonte (MG), apurado com base na Declaração para Regularização de Obra (DRO), processada em 09/09/1996, sob o n° 381 (cópia de fls. 22/28), que gerou o Aviso de Regularização de Obra (ARO), emitido em 23/10/1996 (cópia nas fls. 30/31); 4. diante da inexistência de prova regular e formalizada da mão de obra utilizada na execução da obra de construção civil (pelo fato da não Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 apresentação da contabilidade da obra) as contribuições foram apuradas por aferição indireta, mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra. Para apuração das contribuições lançadas foram utilizados os critérios estabelecidos pela Ordem de Serviço INSS/DAF n° 116/94 (cópias de fls. 32/53 dos autos do processo 15504.010826/200920), vigente na época do pedido de regularização da obra; 5. para apuração do valor de mão de obra aplicado na construção, a obra foi enquadrada conforme segue: área construída 584,09 m2, área regularizada (mediante recolhimentos relacionados na DRO) 274,21 m2, área a regularizar 309,88 m2, Padrão Normal, competência de apuração (mês de recepção da DISO) 10/1996, valor do CUB/m2, utilizado R$ 521,24/m2, custo de mão de obra apurado R$ 29.073,93; 6. na época, o Serviço de Logística do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com base em projeto arquitetônico e vistoria no local, emitiu em 30/05/2001 Nota Técnica (cópias de fls. 55/57 dos autos do processo n° 15504.010826/200920) assinada pela engenheira Lilian Beatriz Freire Vidigal na qual consta: que a área real da construção é 859,88 m2, que a área equivalente da construção é 587,03 m2 (conforme subitem 4.1.2.2 da NBR 12.721/92 e o item 4.3.1.2 do Manual das Normas Administrativas de Engenharia e Patrimônio do INSS), que o Padrão da construção é Normal e que existe área de cobertura no terraço não contemplada no projeto arquitetônico apresentado; 7. a "área construída" considerada no ARO é menor que a "área equivalente" apontada na Nota Técnica. Contudo, por se tratar de lançamento substitutivo, no presente lançamento atevese a área originariamente considerada deixandose de lançar a contribuição referente à diferença entre as mesmas; 8. a contribuição recolhida durante a execução da obra não atingiu o percentual mínimo de 70% do valor apurado por aferição indireta e tendo em vista não ter sido exibida prova regular e formalizada da mão de obra utilizada na execução da obra foi apresentada ao sujeito passivo, o valor das contribuições devidas referentes a área não regularizada que não foi recolhida pelo mesmo. Em razão disso foi lavrada a NFLD, DEBCAD n° 32.107.2430 (anulada em razão de vicio formal); 9. a obra objeto desta autuação foi matriculada inicialmente com o CEI n° 11.062.09014/64, posteriormente, para lavratura da NFLD 32.107.2430, foi gerada (de oficio) a matrícula CEI n° 11.902.00376/99 e para proceder aos lançamentos substitutivos da mencionada NFLD foi cadastrada a matrícula CEI 41.330.00484/02. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/06/2009 (fls. 01 e 15), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 18/35) – acompanhada de anexos de fls. 36/522 –, alegando, em síntese, que: Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.010822/200941 Acórdão n.º 2402002.716 S2C4T2 Fl. 3 5 1. na interposição do Recurso Administrativo n° 35.097.007090/200121 alegou a ocorrência de cerceamento de defesa por não ter sido mencionado no Relatório Fiscal da Notificação anulada a OS INSS/DAF n° 116/94 que continha os critérios utilizados na aferição indireta e que na época era apenas de circulação interna. Inexistem equívocos insanáveis na adoção da Tabela CUB, imposta por tal OS que foram sanadas pela OSINSS/DAF n° 161/97; 2. não cabia aferição indireta uma vez que o notificado apresentou toda a documentação exigida no item 2 da OSINSS/DAF n° 116/94. Assim, só houve diferença apurada em razão de erro na OSINSS/DAF no 116/94 que contrariando as diversas possibilidades de classificação contidas na tabela CUB impediu a classificação adequada da obra; 3. as informações constantes no relatório fiscal do lançamento substitutivo atinentes a aplicabilidade ao caso de aferição indireta são totalmente improcedentes, pois tem toda documentação regular e formalizada da obra atendendo a toda a legislação trabalhista e previdenciária, principalmente as constantes no item 2 da OS INSS/DAF n° 116/94; 4. a Orientação de Serviço INSSDAF n° 116/94 é contraditória a ela mesma e ao que estabelece o § 4° do artigo 33 da Lei 8.212/1991 e ao que dispõe o artigo 53 do ROCSS (Decreto 612/1992) que prevê aferição indireta na falta de prova regular e formalizada. Tal Orientação de Serviço (OS) prevê que a aferição indireta deve ser tratada como exceção, entretanto, ela estabelece a regularização de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física somente através de Declaração de Regularização de Obra (DRO), que nada mais é do que a aplicação da aferição indireta independentemente de ter ou não documentação regular e formalizada. As alegações constantes do relatório fiscal são uma tentativa de convencer que a aferição indireta deuse pela ausência de documentação ou pela sua apresentação com deficiência o que não é verdade. Para ressaltar a contradição, disserta sobre Acórdão n 02.667 no qual consta que independentemente de documentação regular e formalizada a regularização de obra de construção civil de pessoa física, inclusive em nome coletivo, darseá sempre por aferição indireta. Tal OS não pode criar nova fonte de custeio para Previdência Social; 5. possui prova dos salários pagos, por meio de Folhas de Pagamentos, Livro de Registro de Empregados, guias de recolhimento. As pessoas físicas não estão obrigadas a escriturar o Livro Diário e ainda que tivesse interesse em fazêlo não poderia uma vez que a Junta Comercial não registrará tal livro; 6. a OS INSS DAF n° 116/94 apresenta diversos equívocos e que permite apenas, a partir de 03/1993, a utilização da classificação "Residencial H12Q", no programa DRO da Dataprev para regularizar qualquer tipo de obra. Cita o CTN para demonstrar não ser aplicável Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 ao presente caso a aferição indireta. A classificação conforme a tabela CUB adequada à obra em questão seria "Residencial H043Q". Disserta sobre as implicações da adoção da classificação, sobre a utilização de tal classificação "Residencial H12Q" e sobre os prejuízos ao impugnante. Não foi utilizada na aferição a área equivalente para fins de enquadramento, sendo que essa passou a ser a área utilizada segundo a OS INSS DAF 161/97 (editada após a OS 116/94). A utilização da classificação "Residencial H12Q" termina por levar a uma diferença superavaliada e até inexistente em desfavor do contribuinte, elevando de forma indireta os valores a serem recolhidos. Elaborou tabela contendo as conversões dos recolhimentos em m2 nos termos das OS INSS DAF 161 e 172/97 (posteriores a OS 116) para demonstrar que a aplicação dessas OS resultaria em área regularizada de 578,93 m2 o que representa 114,30% da área equivalente e 99,12% da área real; 7. tem pleno conhecimento das irregularidades contidas na OS 116/94, tendo inclusive procedido ao seu saneamento com a edição da OS — INSS DAF 161/97. Por tratarse de erro material a aplicação dessa OS, deveria retroagir. Cita jurisprudência; 8. requer seja declarada insubsistente e nula a aferição indireta ou que seja adotada a classificação correta da obra aplicandose "Residencial 3Q Padrão normal". Seja declarado nulo o débito apurado por não existir diferença a ser apurada por aferição indireta. Seja apensado aos autos do presente processo dos autos da NFLD 32.107.2430 substituída; 9. junta cópias de documentos (fls. 37/522), dentre eles cópia de procuração de fl. 37, datada de 29/06/2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0230.928 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 540/544) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 549/568), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.010822/200941 Acórdão n.º 2402002.716 S2C4T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo (fls. 546/549), CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR: Quanto às preliminares, há questão que merece ser analisada. Da análise inicial dos autos, verificase questão prejudicial ao julgamento do recurso encaminhado, face à ocorrência de cerceamento da garantia da ampla defesa, vício esse que deve ser saneado. Após a apresentação da peça de impugnação de fls. 18/25 – acompanhada de anexos de fls. 36/522 (cópias de vários documentos, dentre eles: Guias de Recolhimentos da Previdência Social GRPS; resumo de folhas de pagamento das competências 03/1995 a 02/1996; registros de empregados e documentos de identificação de pessoas físicas; contratos de subempreiteiros, acompanhados de notas fiscais) –, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG prolatou uma decisão, por meio do Acórdão no 0230.928 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 540/544), e considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. Contudo, essa decisão não analisou, de forma suficiente, todos os pontos abordados pela peça de impugnação, eis que não se manifestou à respeito de duas questões fáticas para o deslinde da controvérsia instaurada no presente processo, que são: 1. a classificação da obra e enquadramento na Tabela CUB, sendo que o Fisco enquadrou como Residencial H12Q (Padrão Normal) e o sujeito passivo alega que o enquadramento correto seria Residencial H43Q (Padrão Normal), conforme os seus documentos anexados aos autos (fls. 36/522); e 2. a Defendente (sujeito passivo) alega que apresentou toda a documentação regular e formalizada da mão de obra empregada, no período de 03/1995 a 02/1996, na construção civil objeto da presente autuação – conforme cópias de Guias de Recolhimentos da Previdência Social (GRPS); resumo de folhas de pagamento; registros de empregados e documentos de identificação de pessoas físicas; contratos de subempreiteiros, acompanhados de notas fiscais (fls. 212/522 – Volumes II e III). Tal decisão apenas registrou que (fls. 543/544): “[...] PROVA REGULAR DO MONTANTE DE SALÁRIOS Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Apesar de não ser aplicável ao presente caso, apenas a título de esclarecimento ao sujeito passivo, ressaltese que por prova regular do montante de salários pagos para execução da obra entendese aquela devidamente lastreada por escrituração contábil regular e formalizada (Livro Diário e Razão). Isso, pelo simples fato de que a norma contida no artigo 53 do Decreto n° 612, de 21/07/1992 não pode ser interpretada de forma isolada estando incluída na Seção V cujo titulo é "Do Exame da Contabilidade". DA IMPOSSIBILIDADE DE REGISTRO DE LIVROS CONTÁBEIS No mesmo sentido, ainda a título de esclarecimento do contribuinte convém ressaltar que os Livros Diário podem ser registrados em Cartório de Títulos e Documentos uma vez que os mesmo tem competência residual, nos termos da Lei n° 6.015/1973, artigo 127, parágrafo único, cabendolhe a realização de qualquer registro não atribuído expressamente a outro oficio. Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição (...) Parágrafo único. Caberá ao Registro de Títulos e Documentos a realização de quaisquer registros não atribuídos expressamente a outro oficio. Portanto, o presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante discriminado nos Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 07/08. [...]” Com a finalidade de afastar qualquer dúvida acerca do enquadramento da obra na Tabela CUB e da suposta regular documentação apresentada pela Recorrente, deveria a autoridade de primeira instância de julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, visando demonstrar que o Fisco cumpriu, ou não, a legislação de regência na época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes, entendo eficaz a baixa do processo em diligência para manifestação do auditor quanto aos argumentos apresentados. Dentro desse contexto da decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que tal decisão deve ser pautada dentro princípio da motivação. Esta motivação exige da Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os pressupostos fáticos e jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado da decisão e a lei. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.010822/200941 Acórdão n.º 2402002.716 S2C4T2 Fl. 5 9 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) Diante disso, entendo que a decisão de primeira instância não está devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as duas questões fáticas retromencionadas e sinalizadas na peça de impugnação (fls. 18/35), acompanhada de anexos de fls. 36/522 (Volumes I a III). A Recorrente possui o direito de verificação e análise de todos seus argumentos na primeira instância. Não procedendo dessa forma, ocorreu a supressão de instância do direito de defesa da Recorrente, motivo de nulidade. Da forma como foi prolatada a decisão de primeira instância, o direito do sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações”. Ressaltese, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos, nos termos do art. 2o da Lei 9.784/1999 e do art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Lei 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; ......................................................................................................... Constituição Federal/1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.) Assim, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.010822/200941 Acórdão n.º 2402002.716 S2C4T2 Fl. 6 11 Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve cientificar o sujeito passivo dessa decisão, emitir nova decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados (pronunciamentos da fiscalização e do órgão julgador), reabrir prazos e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vício apontado para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja proferida uma nova decisão consubstanciada em motivação fática e jurídica, presentes nos autos, bem como seja oferecido ao sujeito passivo um novo prazo para manifestação. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10880.973042/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/06/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3301-011.142
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.128, de 22 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.920169/2008-39, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adao Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-19T22:18:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-19T22:18:58Z; Last-Modified: 2022-01-19T22:18:58Z; dcterms:modified: 2022-01-19T22:18:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-19T22:18:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-19T22:18:58Z; meta:save-date: 2022-01-19T22:18:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-19T22:18:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-19T22:18:58Z; created: 2022-01-19T22:18:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2022-01-19T22:18:58Z; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-19T22:18:58Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 10880.973042/2009-01 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3301-011.142 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 22 de setembro de 2021 RReeccoorrrreennttee MOINHO AGUA BRANCA S A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.128, de 22 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.920169/2008-39, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adao Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 30 42 /2 00 9- 01 Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973042/2009-01 do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, em síntese: (1) a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito enseja Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, devido à inexistência de direito creditório do contribuinte. Foi apresentado recurso do contribuinte, no qual apresenta questões que serão analisadas no voto que segue. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente alega que transmitiu declaração de compensação relativa à compensação da COFINS, em decorrência de pagamentos indevidos ou a maior, cujo crédito foi reconhecido nos autos da Ação Ordinária n.° 96.0014837-6. Segundo a Recorrente, seu direito não foi reconhecido pelo Fisco sob o fundamento de que a ação judicial não havia transitado em julgado, e que a referida compensação necessitaria de prévia habilitação de crédito nos termos da IN RFB n.° 900/2008. Afirma que, apesar de não haver vedação de utilização de créditos reconhecidos judicialmente em decisão não transitada em julgado, o sistema não permitia essa utilização, de forma que foi compelida a “transmitir suas DCOMP's informando que se tratavam de ‘pagamento indevido ou a maior’, o que em verdade não deixa de ser, só que este pagamento indevido ou a maior é decorrente da ação judicial n.° 96.0014837- 6.” Defende que tinha direito à utilização dos créditos antes do trânsito em julgado e que esse mero erro material não pode inviabilizar seu direito. Assevera que não se aplica ao seu caso o art. 170-A do CTN. Compulsando-se os documentos juntados às fls. 169, verifica-se que a ação judicial foi impetrada em 1996 e nessa data realmente o artigo mencionado, introduzido pela Lei Complementar no. 104, de 10 de janeiro de 2001. Cumpre observar que a Recorrente juntou os documentos relativos a sua ação judicial, bem como planilhas nas quais indica seus créditos (fls 155 e seguintes). No entanto, a Recorrente não usou instrumento adequado nem logrou comprovar os créditos que foram objeto de PER/DCOMP, de forma que proponho manter a decisão de piso integralmente. Diante do exposto, proponho negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973042/2009-01 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.000773/2005-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jan 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos da súmula CARF número 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo o valor exonerado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento menor do que o valor estipulado em Portaria pelo Ministério da Economia, não deve ser conhecido o Recurso de Ofício apresentado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. LIBERALIDADE. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS IMPOSTO PELA LEGISLAÇÃO
Pagamentos de participação nos lucros realizados por liberalidade pela entidade e ao arrepio da legislação, não podem ser considerados como dedutíveis da base de cálculo do IRPJ.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2003
IRRF - PAGAMENTO BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Sendo demonstrado pela fiscalização que o contribuinte realizou pagamentos a seus empregados, utilizando-se de uma terceira empresa, e que, mesmo intimado para tanto, o contribuinte não identificou e individualizou os pagamentos realizados, correto é o lançamento de ofício do crédito tributário de IRRF, com base no que dispõe o parágrafo 1º, do artigo 61, da Lei 8.981/95.
Numero da decisão: 1302-006.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, quanto ao recurso voluntário, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourao, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: Flávio Machado Vilhena Dias
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NÃO CONHECIMENTO. Nos termos da súmula CARF número 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo o valor exonerado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento menor do que o valor estipulado em Portaria pelo Ministério da Economia, não deve ser conhecido o Recurso de Ofício apresentado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. LIBERALIDADE. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS IMPOSTO PELA LEGISLAÇÃO Pagamentos de participação nos lucros realizados por liberalidade pela entidade e ao arrepio da legislação, não podem ser considerados como dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 IRRF - PAGAMENTO BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sendo demonstrado pela fiscalização que o contribuinte realizou pagamentos a seus empregados, utilizando-se de uma terceira empresa, e que, mesmo intimado para tanto, o contribuinte não identificou e individualizou os pagamentos realizados, correto é o lançamento de ofício do crédito tributário de IRRF, com base no que dispõe o parágrafo 1º, do artigo 61, da Lei 8.981/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, quanto ao recurso voluntário, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 73 /2 00 5- 66 Fl. 502DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourao, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório O presente processo trata-se de Autos de Infração lavrados em face do ora Recorrente, Banco Santos S/A, através dos quais a fiscalização constituiu, de ofício, créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF. Como se observa dos Termos de Verificação Fiscal, foram apontadas 03 infrações cometidas pelo contribuinte, sendo que duas delas foram tratadas pelo mesmo TVF, que foi subdividido em parte “A” e parte “B”. Na primeira delas (Infração 01), a acusação fiscal, em síntese, foi no seguinte sentido: As pessoas jurídicas que possuem investimentos relevantes, avaliados pelo método de equivalência patrimonial, estão obrigadas por lei a registrar as perdas de capital decorrentes da variação de percentagem do investimento. Estas perdas não podem influenciar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Materializa-se a redução indevida destas bases de cálculo quando, por erro, o valor adicionado ao lucro líquido do exercício é inferior ao efetivo valor das perdas de capital por variação de percentagem ocorridas no ano calendário. Já no que tange às outras duas infrações (Infração 02 “A” e “B”), a acusação fiscal foi assim resumida no TVF: O instituto da gratificação a empregados foi absorvido pelo da participação nos resultados da pessoa jurídica, que imprime dedutibilidade aos gastos, somente, quando os negócios forem formalizados nos termos da Medida Provisória no 1769-55 de 1.999. Não são dedutíveis gastos acessórios visando levar a cabo programa de incentivo à produtividade quando o próprio programa não foi formalizado nos termos da norma de regência. Qualquer pagamento, ainda que efetuado por interposta pessoa, deve identificar a causa da operação e o respectivo beneficiário do rendimento. Não cumpridas de forma cumulativa as exigências da lei, o valor entregue será submetido ao regime jurídico próprio de tributação que tipifica pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Neste ponto, com se observa, o TVF aponta duas infrações: uma (“A”) é no sentido de que “pelo texto completo da MP no 1.769-55 de 1.999, que a negociação entre empresa e seus trabalhadores passou a ser contrato solene a ingressar no mundo jurídico e produzir os efeitos que lhes são próprios somente quando cumpridos os requisitos mínimos estabelecidos na norma da regência. A formalização do ato passou a ser requisito fundamental. Por isso não se pode assemelhar qualquer prêmio entregue, a empregado, como gratificação, nos termos do novo regime jurídico”. Fl. 503DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 Assim, entendeu-se que, como o contribuinte não comprovou o cumprimento dos requisitos da MP nº 1.769-55/99, este teria deduzido de forma indevida as despesas incorridas com o pagamento de participações nos lucros dos seus empregados. Já no que tange à “Infração 02 – ‘B’”, a fiscalização entendeu que os pagamentos realizados à empresa Incentive House, que seriam repassados aos empregados do contribuinte, em que pese estarem lastreados por contrato firmado entre as partes, seriam destinados a beneficiários indicados pelo contratante (contribuinte), como definido no instrumento contratual. Contudo, no curso da fiscalização, mesmo sendo intimado para tanto, o contribuinte não comprovou para quem seriam realizados os repasses dos valores, ou seja, para fiscalização, além dos (i) pagamentos não terem tido a casa comprovada, (ii) não foi possível identificar os beneficiários dos pagamentos realizados. Desta feita, foi constituído IRRF, com a alíquota de 35%, nos termos do então vigente artigo 674 do RIR/99. Devidamente intimado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação Administrativa combatendo, na integralidade, os Autos de Infração. Em sede de preliminar, alegou a nulidade do lançamento pelo cerceamento do direito de defesa, uma vez que a fiscalização não teria deixado devidamente claros os cálculos que fez para quantificar o crédito tributário relativo à Infração 01. Por outro lado, alegou que não houve a indicação correta do enquadramento legal, uma vez que houve a indicação genérica da legislação, o que também a impediria de se defender. Já no mérito, defendeu a improcedência do lançamento em sua totalidade A DRJ no Rio de Janeiro, ao apreciar o apelo do Recorrido, entendeu por bem julgar como parcialmente procedente o lançamento. Em síntese, foi afastado o lançamento com relação à infração 01 e mantido o lançamento da Infração 02 (“A” e “B”). O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. ENTENDIMENTO DA ACUSAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ALEGAÇÃO. AFASTAMENTO. Afasta-se preliminar de cerceamento de direito de defesa invocada pelo contribuinte sob alegação de não entendimento da motivação do auto de infração, quando ele demonstra em sua defesa ter entendido perfeitamente do que estava sendo acusado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 AVALIAÇÃO DE VALOR DE INVESTIMENTO. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO CORRETA. EFEITO TRIBUTÁRIO NULO. LANÇAMENTO. AFASTAMENTO. Comprovado que o contribuinte aplicou corretamente o método da equivalência patrimonial na avaliação do valor de seu investimento e de que o efeito tributário desta foi nulo, afasta-se o lançamento que avalia erroneamente esse investimento. MP 1769-55/1999. REQUISITOS MÍNIMOS NÃO CUMPRIDOS. PROGRAMAS DE INCENTIVO PARA AUMENTO DE PRODUTIVIDADE. PRESTADOR DE SERVIÇOS. PAGAMENTOS. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 504DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 Sao indedutiveis os pagamentos efetuados pelo contribuinte a prestador de serviços de planejamento, desenvolvimento e gerenciamento de programas de motivação e incentivo para aumento de produtividade e de programa de fidelidade, utilizando-se de sistema de premiação, se o contribuinte não comprova ter seguido os requisitos mínimos estabelecidos na Medida Provisória n° 1.769-55, de 1999. CONTRIBUINTE. UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERPOSTA PESSOA IDENTIFICADA. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INDEDUTIBILIDADE. A utilização pelo contribuinte de serviços de interposta pessoa identificada para ele efetuar pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa não tem o condão de transformar esses pagamentos em identificados ou com causa, de modo que também são indedutiveis. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito especificas a serem apreciadas, aplica-se aos lançamentos decorrentes, do IRRF e da CSLL, a decisão proferida no lançamento principal relativo ao IRPJ. Lançamento Procedente em Parte Como houve exoneração de parte do crédito tributário (R$685.071,00 de IRPJ e R$246.625,55 de CSLL), ou seja a totalidade dos valores consubstanciados na “Infração 01”, foi apresentado Recurso de Ofício, com base na então vigente Portaria MF nº 375/2001. Por outro lado, ao ser intimado do acórdão proferido, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa as preliminares de nulidade do lançamento. No mérito, depois de defender a manutenção do acórdão na parte em que se reconheceu a improcedência do lançamento (Infração 01), alega que os pagamentos realizados à empresa Incentive House “foram devidamente identificados e não se enquadram nas disposições do artigo 674 do RIR/99, conforme pretendeu fazer crer o Ilustre Auditor Fiscal. A dedutibilidadre de tais valores da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social encontra amparo na legislação por se tratar em gastos necessários à atividade da Recorrente e não estão sujeitos ao imposto de renda na fonte (IRRF) por não se tratar de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados”. Ato contínuo, os autos foram distribuídos a este relator para análise do Recurso de Ofício apresentado. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Relator. DO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO (“Infração 01”). Como se observa do relatório acima, foi apresentado Recurso de Ofício pelo Presidente da Turma de Julgamento a quo, uma vez que a decisão da DRJ exonerou parte da crédito tributário. O valor total exonerado foi de R$931.696,55 e se refere à denominada “Infração 01”. Fl. 505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 O Recurso de Ofício foi apresentado com base na Portaria MF nº 375/2001, que dispunha que o “Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).”. Ocorre, contudo, que aquela Portaria foi revogada e atual Portaria em vigor (Portaria MF nº 63/2017), fixou novo patamar monetário para apresentação e análise do Recurso de Ofício. O valor atualmente vigente é de R$2.500.000,00. Assim, não deve ser conhecido o Recurso de Ofício, uma vez que, nos termos da súmula CARF nº 103, “para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. Por todo o exposto, sem maiores delongas, VOTA-SE por NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO apresentado. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 18/01/2007, (AR de fls. 246), apresentando o Recurso Voluntário no dia 16/02/2007 (comprovante fls. 247), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DAS PRELIMINARES Em sede preliminar, o Recorrente invoca os argumentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa, para ratificar o pedido reconhecimento da nulidade. Quando se analisa o apelo inaugural, o que se observa é que ele está fincado no fato de ter havido (i) erro nos cálculos realizados pela fiscalização e (ii) falta de indicação dos dispositivos legais infringidos. Ocorre que a suposta nulidade do lançamento apontada seria com relação à infração 01. É que, na Impugnação apresentada, o contribuinte arguiu que “na primeira infração, mencionada no presente Auto de Infração, a D. Autoridade Fiscal apurou novos valores que implicaram em diferenças com os valores contabilizados pela IMPUGNANTE. Em nenhum momento, a D. Autoridade Fiscal explicou o motivo pelo qual os valores contabilizados a titulo de ganho e perda na variação de percentagem de participação estavam incorretos, limitando-se a apurar novos números, com base em valores que não estão contabilizados”. Todavia, como demonstrado, a Infração 01 foi julgada como improcedente pela Turma de Julgamento a quo e não pode mais ser revista por este colegiado, uma vez que, como demonstrado acima, o Recurso de Ofício não pode ser conhecido. Assim, não há que se prover no pedido preliminar do Recorrente e, por isso, REJEITA-SE, as preliminares de nulidade do lançamento. DO MÉRITO. DA INFRAÇÃO 02 “A” Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 No que tange à infração 02 “A”, como demonstrado alhures, a acusação fiscal é no sentido de que, em síntese, o contribuinte não teria comprovado o cumprimento dos requisitos da MP nº 1.769-55/99 e, por isso, não poderia ter deduzido, na apuração do IRPJ e da CSLL, as despesas incorridas com o pagamento de participações nos lucros dos seus empregados. Ocorre que, quando se analisa o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em que pese ter denominado um tópico do seu apelo como “Infração 02”, a única passagem que se observa com relação a “Infração 02 ‘“A”’ propriamente dita é quando o Recorrente relata a acusação fiscal e diz que esta está arrimada no fato de que “foram feitos desembolsos financeiros que implicam na indedutibilidade das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL (...)”. Não há qualquer defesa no sentido de desconstruir as ilações da fiscalização. Toda a defesa está fincada na impossibilidade de exigência do IRRF, à alíquota de 35%, uma vez que, ao seu sentir, os pagamentos realizados à empresa Incentive House estariam embasados em contrato firmado entre as partes, o que daria legitimidade aos pagamentos realizados. Ou seja, a defesa é, a princípio, com relação apenas à “Infração 02 ‘B”. Pois bem. A par de falta de insurgência específica do Recorrente quanto à “Infração 02 ‘A’”, que poderia suscitar o não conhecimento do Recurso neste ponto, na esteira do princípio do formalismo moderado, que norteia o processo administrativo tributário e também considerando que o contribuinte traz este ponto da acusação fiscal em seu apelo, mesmo que de forma bem simplória, deve-se registrar que não existem reparos a se fazer na acusação fiscal. Como se observa do TVF, invocando a redação da MP 1.769-55, a fiscalização demonstrou que o Recorrente não cumpriu os requisitos impostos pela legislação e, por isso, não poderia deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL eventuais despesas incorridas com o pagamento de bônus aos seus empregados. Veja-se o que constou da acusação fiscal: Vê-se, pelo texto completo da MP no 1.769-55 de 1.999, que a negociação entre empresa e seus trabalhadores passou a ser contrato solene a ingressar no mundo jurídico e produzir os efeitos que lhes são próprios somente quando cumpridos os requisitos mínimos estabelecidos na norma da regência. A formalização do ato passou a ser requisito fundamental. Por isso não se pode assemelhar qualquer prêmio entregue, a empregado, como gratificação, nos termos do novo regime jurídico. De fato, quando se analisa o texto daquela MP, que posteriormente foi convertida na Lei nº 10.101/2000, o pagamento de participação nos lucros e resultados será sempre objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, devendo ser formalizado instrumento específico com “regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo (...)” (§1, artigo 2º da MP). O Recorrente, como demonstrado, não apresentou, no curso da fiscalização, bem como no presente processo, elementos e, em especial, comprovação de que os benefícios pagos aos seus empregados, através da empresa Incentive House, estavam de acordo com a legislação em vigor. Não houve sequer uma tentativa de demonstrar a natureza daqueles pagamentos e que Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 estes estariam em consonância com as regras que regram a dedutibilidade das despesas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por outro lado, entende-se que o fato de existir um contrato com a empresa Incentive House, que, a princípio, teria lastreados pagamentos realizados, inclusive as despesas incorridas e posteriormente glosadas pela fiscalização, não é suficiente para tornar aquelas despesas como dedutíveis. O instrumento firmado entre as partes pode até surgir efeitos no âmbito privado, mas não pode gerar efeitos tributários (dedução das despesas incorridas), na medida em que foi firmado à margem da legislação que previa os requisitos necessários para referendar eventuais pagamentos de participação nos lucros e resultados das entidades e, por isso, não se pode admitir a dedução de despesas incorridas sem um respaldo legal. Neste sentido, entende-se que estas despesas não se enquadram no conceito de úteis e necessárias à atividade, uma vez que pagas por mera liberalidade do contribuinte e sem respaldo na legislação em vigor. Neste ponto, VOTA-SE por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à insurgência com relação à infração 02 “A”. DA INFRAÇÃO 02 “B” Por fim, cumpre analisar o Auto de Infração na parte que houve a constituição do IRRF, tendo em vista a constatação de que foram realizados pagamentos a beneficiários não identificados. Esta é a já denominada Infração 02 “B”. Como se denota do TVF, o agente autuante afirma que teve acesso ao contrato firmado com a empresa Incentive House e o Recorrente e que este instrumento tinha como objeto “a Implementação e o gerenciamento de programa de motivação e incentivo a aumento de produtividade, mediante concessão prêmios sob a forma de "Bônus" que poderiam ser utilizados, pelo premiado, como moeda corrente junto a estabelecimentos credenciados pelo sistema. Pelo contrato o Banco se obrigava a pagar à contratada comissão pelo serviços prestados bem como a entregar os recursos financeiros correspondentes às respectivas emissões dos referidos "bônus" materializados à semelhança de um cartão de crédito. Nesta diligência também foram obtidas as faturas duplicatas sacadas contra o Banco no período de janeiro a dezembro de 2.003”. De posse destes elementos, a fiscalização demonstrou que intimou o Recorrente, em mais de uma oportunidade, para esclarecer os pagamentos realizados. Em especial, na intimação consubstanciada no “Termo de Solicitação de Documentos nº 14” enviado ao Recorrente, entre outras solicitações, foi requerida a identificação individualizada “dos beneficiários do programa”. Contudo, nos termos constantes no TVF, “a fiscalizada, em resposta, a tal solicitação veio a apresentar, em 20 de abril de 2.005, somente cópia do contrato realizado, ou seja, documento já conhecido”. Por sua vez, em sua defesa, o Recorrente afirma, em síntese, que, “no caso concreto, o beneficiário está devidamente identificado, trata-se de pagamentos efetuados Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 DIRETAMENTE INCENTIVE HOUSE S/A, como demonstra o contrato juntado pela Recorrente em sua impugnação. Com base neste argumento – de que houve a identificação do beneficiário do pagamento –, aduz que “quem tem o dever de informar e descrever, um a um, quais beneficiários receberam os valores a titulo de premiação ou bonificação, é a própria Incentive House, que possui toda a documentação relativa a tais pagamentos. Não pode a Recorrente ser imputada por uma infração que simplesmente não cometeu”. O Recorrente requer, assim, que seja julgado como improcedente o lançamento do IRRF. Na análise deste ponto da autuação, em primeiro lugar, cumpre destacar que em recente decisão (acórdão nº 1302-005.387), este colegiado enfrentou uma discussão bastante semelhante à travada nos presentes autos, na medida em que naquele acórdão analisou-se acusação fiscal que envolvia pagamentos realizados a empregados do contribuinte através da mesma empresa, qual seja Incentive House. Naquele caso, por maioria de votos (inclusive deste relator), entendeu-se pela improcedência da autuação, na medida em que, em síntese, caberia “à autoridade fiscal haver aprofundado a investigação e constituído o crédito tributário em relação aos beneficiários”. O voto vencedor foi confeccionado pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Todavia, existe uma diferença crucial entre os dois processos, que impede que os autos ora analisados tenham a mesma sorte daquele outro. E a diferença daquela discussão e da presente é que a fiscalização teve acesso aos beneficiários dos pagamentos realizados, uma vez que o contribuinte apresentou a listagem destes quando intimado para tanto. No voto vencedor do acórdão nº 1302-005.378, deixou-se suficientemente claro que “cabia à autoridade fiscal haver aprofundado a investigação e constituído o crédito tributário em relação aos beneficiários, ou em relação à Recorrente, mas por fundamento diverso”. Demonstrou-se que foram juntadas planilhas com a discriminação dos beneficiários e os respectivos cartões, em consonância com as Notas Fiscais emitidas contra o contribuinte. Feita essa diferenciação, não se pode olvidar, por outro lado, que, neste ponto, a acusação fiscal é no sentido de que (i) houve pagamento sem causa e também (ii) a beneficiários não identificados, ou seja, a motivação do lançamento está fincada nas duas hipóteses prevista no dispositivo legal que indica a constituição de ofício do IRRF (artigo 61 da Lei nº 8.981/95). Todavia, não se concorda com a acusação de que haveria um pagamento sem causa, uma vez que existe sim uma causa para os pagamentos, que é justamente o repasse de valores a título de bônus aos empregados do Recorrente, mesmo que, como demonstrado, esses pagamentos tenham sido feitos ao arrepio da legislação. Além do mais, os pagamentos a Incentive House estariam lastreados por contrato e devidamente contabilizados. Já com relação à acusação de pagamento a beneficiário não identificado, não há como fazer reparos nas ilações do agente atuante. Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-006.035 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.000773/2005-66 É que, ao se recusar a indicar quais seriam os beneficiários dos repasses que deveriam ser realizados pela empresa Incentive House, mesmo a fiscalização tendo demonstrado que, nos termos do contrato firmado, essa obrigação era do contribuinte, entende-se que o Recorrente, de forma direta, impossibilitou à fiscalização de identificar os reais beneficiários dos valores, utilizando-se de um terceiro – Incentive House – para dificultar essa identificação. Não se pode deixar de mencionar que o instrumento contratual firmado entre a empresa Incentive House e o Recorrente não foi acostado ao processo. No TVF o agente afirmou que todos os “documentos foram reunidos em volume próprio, na forma de anexo ao presente processo”. Entretanto, o Recorrente, quando da apresentação da sua Impugnação Administrativa, anexou aos autos o Instrumento Contratual (fls. 175 e seguintes). E neste documento pode-se verificar na redação cláusula 3ª que era da contratante (ora Recorrente) a obrigação de requisitar os cartões à Incentive House e, posteriormente, distribuí-los aos favorecidos (seus empregados). Cabia ao Recorrente, inclusive, “orientar seus favorecidos para a correta utilização dos cartões” (item III da Cláusula 3ª). Ou seja, da análise do contrato firmado pelo Recorrente, não se tem dúvidas que ele tinha conhecimento dos beneficiários e respectivos valores, mas, mesmo intimado para tanto, não os apresentou à fiscalização. Ademais, não se pode esquecer que os pagamentos à Incentive House estavam devidamente contabilizados e o Recorrente não trouxe aos autos qualquer fundamento ou comprovação para desconstruir as ilações da fiscalização, que, reitere-se, identificou os valores pagos na própria contabilidade do contribuinte. Nestes termos, VOTA-SE por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário também com relação infração 02 “B”. Por todo exposto, vota-se por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso Voluntário, vota-se por REJEITAR a PRELIMINAR de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital
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