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Numero do processo: 19515.003144/2005-69
Numero da decisão: 1202-00209
Decisão: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da pessoa física Jose Maria Passarele Filho a fim de afastar a responsabilização tributária. Dar provimento parcial ao recurso da pessoa física Gerson Coronado Polido para afastar a responsabilização tributária e, quanto ao lançamento, reduzir a base de cálculo dos tributos lançados nos meses de abril e maio de 2003 para os montantes de R$1.420.626,97 e R$868.131,63, respectivamente, e no quarto trimestre do ano de 2002 excluir da tributação o valor de R$68.857,76
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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Recorrida la. Turma / DRJ - São Paulo / SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DE SÓCIOS, PROCURADORES. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. . NECESSIDADE DE PROVA DIRETA E INDIVIDUALIZADA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO PRESUMIDO POR FORÇA DE LEI. Quanto a responsabilidade solidária e pessoal dos terceiros envolvidos, procuradores, não trazendo a fiscalização provas diretas e objetivas a corroborar a dolosa participação na infração de presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, tal caracterização não pode ser mantida apenas em indício isoladamente, com o que se afasta, por essa razão, a possibilidade de responsabilidade tributária, solidária e pessoal, de terceiros, pelo crédito tributário do sujeito passivo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso da pessoa física Jose Maria Passarele Filho a fim de afastar a responsabilização tributária. Dar provimento parcial ao recurso da pessoa física Gerson Coronado Polido para afastar a responsabilização tributária e, quanto ao lançamento, reduzir a base de cálculo dos tributos lançados nos meses de abril e maio de 2003 para os montantes de R$1.420.626,97 e R$868.131,63, respectivamente, e no quarto trimestre do ano de 2002 excluir da tributação o valor de R$68.857,76, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NELSON L S4AHO - Presidenteipl-- /// 1 , 1,,-T.A.2,.,, Co,i27,-,..t e;I:-.:, iLr.,---/--- - VALÉRIA CABRAL"GÉO VÉRÇOZA - Relatora. 1 EDITADO EM: O 8 JUL 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente da Tukkna), Cândido Rodrigues Neuber, Carmem Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Luciano Inocêncio dos Santos (Suplente Convocado), Valeria Cabral Géo Verçoza, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente de Turma) Cjf • 2 Processo n° 19515.003144/2005-69 Sl-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 2 Relatório Peço venha para adotar o relatório de 1 a. Instância, o qual passo a transcrever: Trata-se de Ação Fiscal junto à pessoa jurídica acima identificada que culminou com o lançamento das seguintes exigências fiscais: a título de IRPJ, R$ 276.547,98; contribuição para o PIS, R$ 89.234,77; CSLL, R$ 146.650,77; e, Cofins, R$ 411.853,86, neles incluídos a multa proporcional e os juros de mora, calculados até 31.10.2005, com os enquadramentos legais descritos nos autos de infração e no Termo de Constatação Fiscal e Responsabilidade Tributária (fls. 88/93). Segundo relatou a autoridade fiscal, a fiscalização foi provocada por representação efetuada pela Inspetoria de São Paulo que constatou divergências entre os valores devidos e os recolhidos pela contribuinte relativamente às contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal. A autoridade fiscal compareceu no endereço eleito pelo contribuinte como seu domicílio fiscal e constatou que ela não mais estava lá estabelecida. Em face dessa circunstância e de que o sócio remanescente da fiscalizada estar domiciliado no exterior, as ciências do Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 1 e do Termo de Início de Fiscalização de fl. 4 foram efetuadas mediante o Edital n° 56/2005 dell. 3. Constava do Termo de Início de Fiscalização a solicitação para que a contribuinte apresentasse os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal que não restou atendida, bem como o descumprimento de obrigações tributárias acessórias, fatores que levaram ao arbitramento de seu lucro. O autuante, todavia, teve acesso ao Livro de Registro de Saídas da contribuinte que, confrontado com as informações constantes de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF e Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DlPJ, indicou a ocorrência de omissão de receitas tributáveis, levando a urna falta de recolhimento ou recolhimento a menor de valores relativos ao WPJ, CSLL, PIS e Cofins, decorrentes da omissão de receitas tributáveis. O Auditor-Fiscal autuante apontou como pessoalmente responsáveis pelas infrações à legislação tributária, na condição de dirigentes da pessoa jurídica, Renato de Castro Ferreira, CPF n° 018.540.248-84; José Maria Passarelli Filho, CPF n° 028.011.888-08; Gerson CoronadO Polido, CPF n° 111.324.808-41; e Rogério Dantas da Silva, CPF n° 090.620.628-65, com supedâneo nos artigos 135, II e III, c.c. 137, I do Código Tributário Nacional. - - A pessoa jurídica foi intimada do auto de infração pelo Edital n° 81/2005 (fl. •125), uma vez que, conforme restou consignado no Termo de Diligência Fiscal de 02/0612005 (fl. 05), constatou-se que no endereço declarado pela autuada ao CNPJ, encontrava-se estabelecida pessoa jurídica diversa. As pessoas fisicas apontadas como pessoalmente responsáveis pelas infrações à legislação tributária também não teriam sido encontradas em seus domicílios tributários, razão pela qual foram intimadas do auto de infração, mediante o Edital n° 82/2005 (fl. 126), publicado nas dependências do órgão de lotação da autoridade autuante, em 18.11.2005. • - - 3 Responderam à intimação José Maria Passarelli Filho e Gerson Coronado Polido, quedando-se silentes, Rogério Dantas da Silva e Renato de Castro Ferreira. Em sua impugnação, de fls. 148/182, apresentada em 22.12.2005, Gérson Coronado Polido, apresentou, em síntese, as seguintes razões defensórias: (i) houve cerceamento de seu direito à ampla defesa, uma vez que não teve ciência do termo de início de fiscalização; (ii) o Impugnante alienara suas quotas sociais, formalmente, em 22.03.2003, sendo que já transcorreram mais de dois anos de sua saída da sociedade, pelo que não possuiria mais responsabilidade social, nos termos do art. 1.032 do Código Civil; (iii) no mérito, o autuante cometera dois erros: primeiramente, considerando que a receita bruta é o produto da venda de mercadorias, a mera saída de mercadorias e respectivos valores lançados em livro de saídas não poderiam dar ensejo à base de cálculo dos tributos em comento, uma vez que, pelo regime do lucro presumido, deve ser considerado o efetivo recebimento das receitas geradas pelas vendas das mercadorias que, no caso, ocorriam sempre, no mínimo, após trinta dias de suas saídas; (iv) em segundo lugar, em decorrência do exposto anteriormente, o autuante não poderia ter aduzido que o Impugnante deixou de declarar ou declarou a menor, haja vista que os valores do livro de saídas não poderiam coincidir com a DIPJ e DCTF; (v) a própria planilha elaborada pelo Auditor-Fiscal corrobora este entendimento, uma vez que demonstra que, em dezembro de 2002, o livro de saídas apresentou o valor de R$ 11.695,62, enquanto a própria contribuinte declarou R$ 37.458,67, atitude que não condiz com uma fraudadora, pois declarou receita maior que a efetiva saída de mercadorias; (vi) o Impugnante é responsável pelos tributos e fatos geradores ocorridos até a data de sua saída, considerando-os adimplidos e, como não é mais responsável pela administração da sociedade, requer seja oficiada a própria Receita Federal para - juntar os DARF's pagos pela WLT durante o período compreendido entre 10 de setembro de 2002 a 22 de maio de 2003; (vii) a responsabilidade prevista no artigo 135, III do Código Tributário Nacional é de índole subjetiva e necessita da prova da prática de atos com excesso de poderes e infração de lei, contrato social ou estatutos, vale dizer, com intuito doloso ou de fraudar, práticas que não constam dos autos, sendo certo que eventual ausência de recolhimento decorreu da falta de capacidade financeira da empresa; (viii) é falaciosa a conclusão de que houve simulação da alienação das quotas sociais, uma vez que o adquirente José Maria Passarelli Filho, auferiu rendimentos superiores a R$ 100.000,00 no ano-calendário de 2003, quantia suficiente para a aquisição das quotas sociais, vendidas por R$ 50.000,00, sendo certo que, eventuais incorreções na declaração de rendimentos do adquirente não são da responsabilidade do Impugnante; (ix) o Impugnante não possui a documentação necessária à impugnação do feito porque não é mais administrador da sociedade, sendo necessárias diligências a serem efetuadas pela Receita Federal, razão pela qual não pode lhe ser imposto o arbitramento do lucro; ademais, não há porquê arbitrar o lucro se o Auditor-Fiscal localizou a escrita fiscal no que se refere às saídas de mercadorias; 4 Processo n° 19515.003144/2005-69 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 3 (x) o autuante tributou, no 40 trimestre de 2002, tanto a saída de mercadorias quanto as receitas declaradas em DCTF o que caracterizaria bi-tributação; (xi)a multa aplicada de 150% é indevida, porquanto não ficou caracterizado o evidente intuito de fraude; (xii) nos meses de abril e maio de 2003, o Auditor-Fiscal, equivocadamente, não percebeu que no livro de registro de saídas havia lançamentos outros que não corresponderiam a saídas de vendas de mercadorias; (xiii)pede para que sejam realizadas as seguintes diligências: oficiar o Banco Bradesco para que sejam encaminhadas cópias de extratos bancários e avisos de créditos relativos ao período em que permaneceu na sociedade, bem como de fichas cadastrais de abertura e alterações de responsáveis pela conta-corrente e emissão de cheques, com o objetivo de provar que não houve simulação na transferência das quotas sociais; oficiar a própria Receita Federal para obter cópias de comprovantes de pagamentos dos tributos e contribuições sob a administração desse órgão; oficiar a Receita Federal para que seja encaminhadas informações referentes à CPMF, com o objetivo de provar grande movimentação financeira por parte dos sócios admitidos na empresa fiscalizada; oficio ao Departamento Nacional de Registro de Comércio e às Juntas Comerciais de cada unidade federativa com o objetivo de provar que os sócios adquirentes das quotas sociais da Impugnante possuíam outras empresas e, conseqüentemente, capacidade econômica; oficio ao Bacen para que determine que todos os bancos do sistema bancário nacional informem acerca da existência de conta-corrente ou aplicações financeiras que estejam em nome de Renato de Castro Ferreira e José Maria Passarelli Filho e empresas das quais eram sócios; oficio ao Colégio Notorial do Brasil para que encaminhe a estes autos para que se verifique a existência de certidões de casamento, bem como eventuais bens em nome das pessoas mencionadas e de seus respectivos cônjuges; e, oficio à Corregedoria Geral de Justiça para que se encaminhem certidões de bens imóveis em nome das mencionadas pessoas; e, por fim, (ix) pede para que, caso mantida a autuação, sejam compensados os valores recolhidos pelo Impugnante, conforme demonstrado em planilha anexa à impugnação. José Maria Passarelli Filho apresentou sua impugnação ao feito fiscal às fls. 200/204, em 27.12.2005, em que alega, em breve resumo, o quanto se segue: (a) a responsabilidade tributária prevista nos artigos 135 e 137 do CTN é subjetiva, exigindo-se, a prova da ação dolosa na administração da sociedade contribuinte, pela atuação com excesso de mandato, infringência à lei ou ao contrato, o que não se verifica no caso; (b)a sociedade do sócio, por outro lado é subsidiária e não solidária; c. o fato de o Impugnante não ter declarado a compra das quotas da sociedade, à luz do capta do art. 135 do CTN não constitui fundamento para atribuir responsabilidade tributária solidária; (c) há de ser considerado, ainda, o fato de o Impugnante ter permanecido na sociedade apenas por um curto período de quatro meses e, quando se retirou, a sociedade continuou sob a administração do sócio Renato Castro Ferreira; (d) o mencionado Renato de Castro Ferreira é também sócio de várias sociedades que atuam no ramo do comércio exterior, sendo conhecido no mercado .0:19 5 como controlador do grupo "Lobraus", tendo já sido publicadas matérias jornalísticas acerca das atividades dessa organização. (e) pede, ante os fundamentos expostos, sua exclusão do pólo passivo. Os autos foram encaminhados à Defic/SPO com o intuito de regularizar a intimação do sócio remanescente da fiscalizada, Renato de Castro Ferreira e do ex- sócio Rogério Dantas da Silva, conforme despacho de fls. 208/210. O autor do feito fiscal, às fls. 230/232, informou que a ciência a Rogério Dantas da Silva do Termo de Constatação e Responsabilidade Tributária e do Auto de Infração havia sido dada simultaneamente aos demais ex-sócios, sendo que o original do comprovante de recebimento — "AR" — estava juntado em outro processo, do qual transladou cópia e a acostou a fl. 215. Quanto a Renato de Castro Ferreira, sócio remanescente da fiscalizada, com domicílio nos Estados Unidos, o diligenciante deixou consignado que não foi possível localizá-lo e, tampouco, seu preposto; que as informações prestadas pelos ex-sóciOs acerca da capacidade econômica de Renato de Castro não são condizentes com aquelas constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal; que o sócio remanescente tem sob sua responsabilidade, perante o Ministério da Fazenda, sete pessoas jurídicas, sendo que apenas uma encontra-se em situação ativa perante o CNPJ. A intimação a Renato de Castro Ferreira para que tomasse ciência da presente autuação foi encaminhada ao endereço constante dos dados cadastrais da única empresa ainda em situação de atividade, OFF LIIMITS PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA., tendo sido devolvido o respectivo "AR", contudo, com a informação de que o destinatário havia se mudado. Em 12 de março de 2007 a l a. Turma da DRJ/SPOI acordaram, por unanimidade, considerar procedente o lançamento. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento de direito de defesa quando é facultada ao sujeito passivo a oportunidade para se defender plenamente, por ocasião da apresentação da impugnação, das imputações e documentos em que se baseia a autuação. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não será realizada diligência que se mostre prescindível em face dos elementos probantes que já instruem o processo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 - LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. INTIMAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. O imposto devido trimestralmente no decorrer do Ano- calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à 6 Processo n° 19515.003144/2005-69 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 4 autoridade tributária os livros e documentos comerciais e fiscais a que estiver obrigado a escriturar. •MULTA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. •QUALIFICADORA. A declaração ao Fisco de receita substancialmente inferior a efetivamente auferida caracteriza infração à legislação tributária, praticada com evidente intuito defraude, impondo-se a aplicação de multa de oficio qualificada. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato • gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, mas não exclusivamente, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado A fundamentação do voto condutor da decisão de 1 a . Instância, em resumo, é a que segue: 1) Admissibilidade das impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários: O i. relator de i a . Instância baseou-se no artigo 58 da Lei n° 9.784/99 sobre a legitimidade para a interposição de recurso administrativo e admitiu as impugnações apresentadas por dois dos responsáveis tributários. 2) Responsabilidade tributária: Segundo o relator, a responsabilidade tributária, ainda que pessoal do autor do ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos não afasta a responsabilidade da pessoa jurídica. Após citação doutrinária, conclui que (fls 242) ainda que seja imputada responsabilidade pessoal àqueles elencados nos incisos do art. 135 do CTN remanesce ilesa a responsabilidade do contribuinte autuado. Não se rompe o dever jurídico do contribuinte de cumprir sua obrigação tributária, em função da responsabilização pessoal de um seu diretor/gerente/representante que tenha agido com infração à lei, contrato social ou estatutos. (-) ... não só o próprio contribuinte autuado, mas também os responsáveis tributários possuem legitimidade para impugnar a 40 7 exigência fiscal. Assim sendo, resguarda-se a lógica do direito de defesa daqueles aos quais se atribui o dever jurídico de extinguir a obrigação tributária. E justamente por isso que se mostra plenamente justificável a conjugação do art. 135 do CIN - com os artigos 9°e 58 da Lei n°9.784/99. Em seguida analisa separadamente as alegações dos dois responsáveis indicados que apresentaram impugnação. Em relação a Gerson Coronado Polido, o relator de 1a Instância rejeitou a alegação de cerceamento de defesa por falta de intimação durante o processo fiscalizatório; considerou inoponivel ao Fisco o artigo 1.032 do Código Civil que dispõe sobre a responsabilidade do sócio que se retira da sociedade; discorreu pormenorizadamente sobre a possibilidade de ter havido ou não uma simulação de transferência de cotas sociais; concluiu pela responsabilidade pessoal do sócio Gerson em razão de haver ficado cabalmente caracterizada ofensa à legislação tributária e, ao final, indeferiu o pedido de diligência formulado pelo responsável tributário. Em relação a José Maria Passarelli Filho, o relator de 1'. Instância considerou estar caracterizada a responsabilidade tributária com base nos mesmos fundamentos relativos a Gerson Coronado Polido. Como Renato de Castro Ferreira e Rogério Dantas da Silva não apresentaram impugnação, foram aplicados a eles os mesmos fundamentos que caracterizaram a responsabilidade tributária dos demais sócios. Mérito Quanto ao mérito, considera adequada a utilização do arbitramento tendo em vista a não apresentação dos livros fiscais e comerciais por parte da autuada. O acesso ao Livro Registro de Salda de Mercadorias é insuficiente para que seja apurado o imposto devido pela sistemática do lucro presumido. Foi considerara improcedente a alegação de bitributação no 4° trimestre de 2002, uma vez que o imposto recolhido foi abatido do valor apurado como devido. A alegação de que nos meses de abril e maio de 2003 as saídas de mercadorias não corresponderiam a operações de vendas não restou provada e, portanto, não foi considerada. Não houve nenhuma comprovação de pagamentos de tributos realizados no ano de 2003 que pudesse abater o valor apurado na autuação. Multa de oficio • Segundo fundamentação do voto condutor da decisão de 1'. Instância, A autuada declarou receitas apenas nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, omitindo as auferidas no mês de setembro de 2002 e, durante todos os meses de 2003. É inegável, outrossim, que a prática reiterada do sujeito passivo de apresentar declarações desprovidas de quaisquer informações relativas às receitas auferidas revela sua intenção dolosa de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência dos fatos geradores. O dolo se revela pela intenção m ifesta, 55(7 8 Processo n° 19515.003144/2005-69 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 5 patente e deliberada do sujeito passivo em ocultar da Administração Tributária os fatos geradores de suas obrigações tributárias. Diante de tais ponderações, concluo que restou caracterizado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, definido nos termos do aludido inciso Ido artigo 71 da Lei n°4.502/64. Tributação reflexa A procedência do lançamento do IRPJ impõe a manutenção das demais exigências fiscais dele decorrente. Tomaram ciência da decisão de 1a Instância os indicados como responsáveis tributários, Srs. Gerson Coronado Polido e José Maria Passarelli Filho que interpuseram recurso voluntário no prazo regulamentar. O Sr. José Maria Passarelli Filho desenvolve sua argumentação (fls.277 a 280) no sentido de que não restou provado pela fiscalização nem demonstrado pela autoridade julgadora sua culpa pela alegada prática de atos de infração à lei, limitando-se, ambas autoridades, a mencionar o mero inadimplemento da obrigação fiscal, fato que não seria suficiente para a imputação da responsabilidade tributária bem como para a implicação penal. O Sr. Gerson Coronado Polido, por sua vez, apresenta extensa peça recursal (fls. 281a 313) ratificando todos os pontos já abordados na impugnação. Em 21 de outubro de 2008 o recorrente Gerson Coronado Polido juntou petição aditando o recurso voluntário para informar o ajuizamento de execução fiscal abrangendo créditos objeto do processo administrativo bem como para demonstrar suposta existência de erro na determinação na base de cálculo no auto de infração aplicado — tabelas juntadas às fls. 340 e 341. A Procuradoria da Fazenda Nacional manifestou-se contrariamente ao aditamento afirmando estar precluso o momento para o apontamento do suposto erro. O recorrente Gerson Coronado Polido requereu sustentação oral. • É o relatório. 11, 9 •• Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles tomo conhecimento. Trata-se de autuação decorrente de representação fiscal elaborada por Auditor Fiscal da Receita Federal em exercício na Inspetoria da Receita Federal de São Paulo que constatou divergências entre os valores devidos e os recolhidos pelo contribuinte relativamente às contribuições sociais, PIS, e Cofins, administradas pela Receita Federal. Da fiscalização realizada resultaram os autos de infração relativos ao IRPJ, PIS, Cofins e CSLL e a indicação dos sócios como responsáveis tributários pelo crédito apurado. Ressalte-se que ao constatar pela diligência realizada que a pessoa jurídica não se encontrava estabelecida no endereço constante do cadastro da Receita Federal, o auditor fiscal entrou em contato com o contador da empresa pelo telefone, que lhe enviou a cópia da alteração contratual da empresa e o seu novo endereço. Entretanto, a fiscalização continuou utilizando o endereço anterior (domicilio tributário) e fazendo as intimações por edital conforme se depreende da leitura dos autos. Assim, intimada por edital, a pessoa jurídica autuada não apresentou impugnação nem recurso voluntário. Apenas os sócios José Maria Passareli Filho e Gerson Coronado Polido apresentaram as respectivas impugnações e peças recursais. A seguir vamos analisar separadamente os recursos apresentados pelos responsáveis tributários. O Sr. José Maria Passareli Filho argumenta que não restou provado pela fiscalização sua participação nas infrações por ela apontadas_ Razão assiste ao recorrente. A fiscalização baseia-se no disposto no art. 135 e 137, II do CTN, sem especificar .a atuação do recorrente. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1- as pessoas referidas no artigo anterior; 11- os mandatários, prepostos e empregados; iii - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SEÇÃO IV Responsabilidade por Infrações C-Dy° ioÁ, I.- Processo n° 19515.003144/2005-69 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 6 (-) Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo especifico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. Em momento algum afirma precisamente qualquer ato praticado pelo recorrente com excesso de poder ou infração à lei. Pelo que consta dos autos o recorrente participou da sociedade no período de maio de 2003 a outubro de 2003, quando, com a sua saída, esta passou a ser uma sociedade unipessoal. Inexiste nos presentes autos qualquer prova robusta, objetiva e direta, que demonstre, de forma individual e precisa, a ação dolosa praticada pelo Recorrente. Aplica-se, nesse caso, a lição da professora Maria Rita Ferragut, em sua obra Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, Ed. Noeses, 2005, p.121, que, comentando a responsabilidade tributária à luz do art. 135, quando se refere aos administradores, sócios ou não, assevera: "Assim, para reconhecermos a recepção do artigo 135 pela ordem constitucional de 1988, é indispensável a aplicação de seu preceito em fiel harmonia com a necessidade da presença da conduta dolosa, de modo que a responsabilidade pessoal não atinja senão aqueles que cometeram dolosamente o ilícito típico." E mais adiante, na mesma obra, arremata na página 135: "Toda essa linguagem é fundamental, pois a responsabilidade pessoal não pode ultrapassar a pessoa do infrator. Insistimos no raciocínio que vimos desenvolvendo: a pessoa fisica não pode ser responsabilizada nos termos do artigo 135 do CIN. simplesmente porque é sócia ou administradora, deverá ser plenamente comprovada sua autoria na prática do ato que lhe está sendo imputado, ou ao menos sua decisão pela prática do ato. frfr II - Deverá, também, provar que o ato é ilícito e que foi praticado com dolo (e culpa, no caso do artigo 134) e o agente, se o quisesse, poderia ter agido de forma diversa." Quanto ao recorrente Gerson Coronado Polido, tem-se, ainda, a alegação de que não mais compõe a sociedade autuada desde 22 de maio de 2003, conforme faz prova o contrato social juntado aos autos (fls. 06 a 09). Assim, portanto, aplicável ao caso, o disposto no artigo 1.032 do Código Civil, a saber: Art. 1.032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação. O contrato social, datado de 22 de maio de 2003, que contém a saída do Sócio Gerson Coronado Polido da sociedade foi registrado pela Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o número 88.243/03-5, conforme se verifica à fl. 09 dos autos. Por sua vez, a lavratura do auto de infração se deu em novembro de 2005, sendo que a cientificação dos responsáveis tributários, por ter sido feita por intimação editalícia só se deu em dezembro 2005, passados, portanto, mais de dois anos da retirada do sócio da sociedade autuada. Assim, não mais poderia ser imputado ao recorrente a responsabilidade pelas obrigações da empresa, uma vez que a empresa se manteve em funcionamento posteriormente à sua saída. O recorrente alega a recusa injustificada do órgão julgador de l a Instância em determinar o fornecimento de informações acerca da quitação de tributos no período em que o mesmo compôs o quadro societário da autuada. Como já havia ocorrido a sua retirada da sociedade, é mais do que justificável que o mesmo não mantivesse os documentos da pessoa jurídica em seu poder. Entretanto, os documentos solicitados não se prestam a ilidir a omissão de receitas apontada pela fiscalização, base para lavratura dos autos de infração. Quanto à alegação de que a transferência das quotas da sociedade foi uma simulação, não há nos autos uma prova robusta que demonstre tal alegação. A fiscalização baseou-se apenas na declaração de rendimentos dos sócios e ex-sócios, sem, contudo, aprofundar-se em sua investigação. Não houve nenhuma prova que demonstrasse, por exemplo, por meio de movimentação financeira, a impossibilidade de realização do negócio. As declarações de rendimento representam indícios de que os responsáveis não teriam condições financeiras para a referida operação. Tal hipótese de simulação já foi, inclusive, descartada na decisão de 1 a . Instância. Uma outra questão a ser observada é a posição adotada pelo Superior Tribunal de Justiça quanto à responsabilização do sócio pelo inadimplemento da obrigação tributária. Trazemos, nesse ponto, decisões do STJ que demonstram que a simples inadimplência em relação ao pagamento de tributos não é suficiente para ensejar a responsabilização pessoal do sócio-gerente. Vejamos as decisões: RECURSO ESPECIAL N° 788.024 - MG (2005/0171099- 2)EIVIEIVTAPROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO-GERENTE. REDIRECIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 135 DO C7'N NÃO CONFIGURADA. PRECEDENTES- O redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente da empresa somente é cabível quando comprovado que ele agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. O simples inadimplemento de C,^ç 12 Processo n° 19515.003144/2005-69 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 7 • obrigações tributárias não caracteriza infração legal.- Recurso especial conhecido e provido. VOTO EXMO. SR. MINISTRO FRANCISCO PEÇANHA MARTINS (Relator): ... Neste diapasão, a recusa da Certidão Negativa de Débito em favor do Impetrante também seria justificável, se, apenas a sociedade estivesse em débito com o fisco, vez que o não recolhimento do imposto já importa infração à lei, além da presunção da utilização da pessoa jurídica, para fins contrários ao direito, circunstâncias que por si só já caracterizaram a responsabilidade do sócio. Portanto, aqueles que exercem a administração de uma sociedade são responsáveis por fazer cumprir as obrigações desta, entre elas a do pagamento de tributos e, deixando de recolhê-los a tempo e modo, infringem, a lei tributária, e nestas circunstâncias, pela interpretação do artigo 135 do CTN, os sócios respondem pelo débito fiscal da sociedade. "Este Tribunal firmou o entendimento de que os sócios-gerentes - são responsáveis, por substituição, pelos créditos referentes a obrigações tributárias decorrentes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, II!, do CTN, porém, dependente de comprovação. Por isso, o simples inadimplemento de obrigações tributárias não caracteriza infração legal. Nesse sentido: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-GERENTE. INADIMPLEMENTO. 1. A ausência de recolhimento do tributo não gera, necessariamente, a responsabilidade solidária do sócio-gerente, sem que se tenha prova de que agiu com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa.2. Embargos de divergência rejeitados." (ERESP 374.139/RS, Primeira Seção, Rel. Min. CASTRO MEIRA, 28.02.2005)." "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO-GERENTE. LIMITES. ART. 135,111, DO CTN: PRECEDENTES. I. Os bens do sócio de uma pessoa jurídica comercial não respondem, em caráter solidário, por dívidas fiscais assumidas pela sociedade. A responsabilidade tributária imposta por sócio- gerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infraçã o à lei praticada pelo dirigente. 2. Em qualquer espécie de sociedade comercial é o patrimônio social que responde sempre e integralmente pelas dívidas 41. 13 sociais. Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou da lei (art. 158, I e II, da Lei n°6.404/76). 3. De acordo com o nosso ordenamento jurídico-tributário, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do C77V.4. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falar-se em responsabilidade tributária do ex-sócio a esse título ou a título de infração legal. Inexistência de responsabilidade tributária do ex-sócio.5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Embargos de divergência rejeitados." (ERESP 260.107/RS, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, DJ 19.04.2004). Diante do exposto, conheço do recurso e lhe dou provimento. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543-C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS — GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1" Seçã o, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacifica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1° Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08.(REsp 1101728 / SP - RECURSO ESPECIAL 2008/0244024-6; Relator(a) Ministro TEOR! ALBINO ZA VA SCKI (1124); Órgão Julgador Si - PRIMEIRA SEÇÃO; Data do Julgamento 11/03/2009; Data da Publicação/Fonte DJe 23/03/2009) 14 Processo n° 19515.003144/2005-69 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.209 Fl. 8 Finalmente, quanto à utilização do Livro Registro de Saídas para determinação do montante tributável, caberia ao recorrente provar suas alegações. Já de início verifica-se a incorreção do procedimento da empresa uma vez que o recorrente afirma: O segundo erro, intrinsecamente ligado ao primeiro, é partir da presunção falaciosa de que o valor das mercadorias constantes do livro de saída deveriam confrontar rigorosamente com a DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, e DIPJ — Declaração de Informações da Pessoa Jurídica, na exata medida que as vendas eram sempre a prazo, este nunca inferior a 30 (trinta) dias. Por esta razão o Auditor Fiscal não pode aduzir que o Recorrente "deixou de declarar ou declarou a menor", haja vista que os valores do livro de saída jamais coincidiram com a DCTF ou DIPJ, na medida que o regime adotado não era de lucro presumido, assim como levava à tributação a efetiva receita auferida com a venda das mercadorias, e não a mera saída. (fls. 288)— grifo não está no original O recorrente, em suas alegações aponta, somente para os meses de abril/03 e maio/2003, valores que deveriam ser excluídos na consideração da receita bruta em função do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), uma vez que não representariam valores de venda de mercadorias. Vejamos abaixo os códigos para os quais a recorrente pleiteia a exclusão dos valores mencionados às fls. 19 e 20: 5.900 - OUTRAS SAÍDAS DE MERCADORIAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS 5.949 - Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado Classificam-se neste código as outras saídas de mercadorias ou prestações de serviços que não tenham sido especificados nos códigos anteriores. 7.000 - SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O EXTERIOR Classificam-se, neste grupo, as operações ou prestações em que o destinatário esteja localizado em outro país. 7.900 - OUTRAS SAÍDAS DE MERCADORIAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS 7.949 - Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado Classificam-se neste código as outras saídas de mercadorias ou prestações de serviços que não tenham sido especificados nos códigos anteriores." Nesse ponto entendo que razão assiste ao recorrente, devendo, por conseguinte, serem considerados os valores mencionados às fls. 312 (04/2003 — R$ 1.420.626,97 e 05/2003 — R$ 868.131,63) como base de cálculo para o imposto devido 15 Como já dito anteriormente, apesar de a empresa insistir na necessidade de juntada de cópia dos DARF's quitados, tal fato não seria suficiente para desconstituir o lançamento com base na omissão de receita. Além disso, conforme se verifica nos autos de infração, os valores recolhidos já foram considerados no cálculo de apuração do imposto devido. Quanto à alegação de que o valor do 4°. Trimestre de 2002 foi tributado - erroneamente, entendo que razão assiste à recorrente uma vez que a fiscalização não prova que o valor constante da DCTF não está contido na receita apurada com base no Livro Registro de Saídas da mercadoria. Assim sendo, deverá ser recalculado o valor do crédito relativo ao período após a exclusão do valor de R$ 68.857,76 devidamente declarado na DIPJ e DCTF. Quanto à aplicação da multa qualificada, entendo correta a decisão de 1a. Instância, uma vez caracterizada a prática reiterada de omissão da receita combinada com a falta de entrega de declaração Diante do exposto, dou provimento provimento ao recurso da pessoa física José Maria Passarelli Filho a fim de afastar a responsabilização tributária do mesmo. Quanto a pessoa física Gerson Coronado Polido, dou provimentos parcial ao recurso para afastar a responsabilização tributária e quanto ao lançamento, reduzir a base de cálculo dos tributos lançados nos meses de abril/2003 e maio/2003 para os montantes de R$ 1.420.626,97 e R$ 868.131,63 respectivamente e, no 4 0 . trimestre de 2002, excluir da tributação o valor de R$ 68.857,76. É como voto. 11/- 2„ Valéria Cabral Géo "Verçoza 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 19515.003144/2005-69 • TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1202-00.209. Brasília - DF, em 08 de julho de 2010 José Roberto França Secretário da 2a Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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Numero do processo: 14479.000421/2007-11
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/08/1996
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.112
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou-se a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Recorrente FBS CONSTRUÇÃO CIVIL E PAVIMENTAÇÃO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/08/1996 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidas - - e e s, em dar provimento ao recurso, pois declarou- se a decadência das contribuiçõ • n RCE 'EIRA Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Processo n° 14479.000421/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.112 Fl. 175 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo — Norte / SP, fls. 092 a 099, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 021 a 023, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviços, devido à recorrente não ter se elidido da responsabilidade solidária, conforme determina a legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 27/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 027 a 053, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0102 a 0155, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. (j) 2 Processo n° 14479.000421/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.112 Fl. 176 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). ' 3 Processo n° 14479.000421/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.112 Fl. 177 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I' - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2 0 - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. sç 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. 4 Processo n° 14479.000421/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.112 Fl. 178 Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 12/2005, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1996 a 08/1996, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Sala dasS s; - /e •, 18 e agosto de 2009 .•('' C §1 IVEIRA - Relator
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Numero do processo: 10768.004179/00-39
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1986
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.º 118, de 2005, aplica-se a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados a partir deste termo inicial, o prazo aplicável é de cinco anos, contado do pagamento indevido. Por outro lado, nos casos de ações e/ou pedido protocolados antes da citada data, ausente a homologação expressa do lançamento, o prazo é de cinco anos a contar do fato gerador, acrescido de mais cinco anos. Esta última hipótese corresponde ao caso dos autos, em que o pedido foi feito após o interstício decenal. Entendimento do STF que deve ser reproduzido por força da norma prevista no art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1986 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.º 118, de 2005, aplica-se a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados a partir deste termo inicial, o prazo aplicável é de cinco anos, contado do pagamento indevido. Por outro lado, nos casos de ações e/ou pedido protocolados antes da citada data, ausente a homologação expressa do lançamento, o prazo é de cinco anos a contar do fato gerador, acrescido de mais cinco anos. Esta última hipótese corresponde ao caso dos autos, em que o pedido foi feito após o interstício decenal. Entendimento do STF que deve ser reproduzido por força da norma prevista no art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário negado.
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RESTITUIÇÃO Recorrente JOSÉ CARLOS MASCARENHAS GEISE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1986 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.º 118, de 2005, aplicase a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados a partir deste termo inicial, o prazo aplicável é de cinco anos, contado do pagamento indevido. Por outro lado, nos casos de ações e/ou pedido protocolados antes da citada data, ausente a homologação expressa do lançamento, o prazo é de cinco anos a contar do fato gerador, acrescido de mais cinco anos. Esta última hipótese corresponde ao caso dos autos, em que o pedido foi feito após o interstício decenal. Entendimento do STF que deve ser reproduzido por força da norma prevista no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 41 79 /0 0- 39 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, protocolado em 02/03/2000, sob a alegação de que a retenção incidiu sobre rendimentos auferidos em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária da IBM Brasil Ltda referente a rescisão do contrato de trabalho ocorrida em 31/05/1986. O pedido foi indeferido pela DRF Curitiba sob o fundamento de decadência nos termos do inciso I do art. 168 do CTN e por não se aplicar ao caso concreto a isenção de que cuida a IN SRF 165/1998, pois se tratou de desligamento condicionado à contratação concomitante em outra empresa, sem prejuízo de atribuições ou salário, ainda que voluntário. Na manifestação de inconformidade sustentouse a natureza indenizatória da verba, seu enquadramento como PDV, independentemente da proposta de emprego junto à GERDAU e que a jurisprudência deste Conselho reconhece o direito a pedir a restituição de PDV até 06/01/2004. A 4ª Turma da DRJ Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, por reconhecer decaído o direito de pleitear a restituição, além de esclarecer que é entendimento da Turma Julgadora que não recebe o tratamento tributário de PDV a verba recebida em razão de desligamento vinculado à contratação concomitante por outra empresa, sem prejuízo de atribuições ou salário, ainda que voluntário. A ciência do acórdão deuse em 06/07/2009. A interposição do recurso voluntário, em 29/07/2009. Em síntese, após discorrer sobre a jurisprudência do STJ, o recorrente fundamenta seu recurso na alegação de que jurisprudência consolidada deste Conselho autoriza pedidos de restituição relativos a retenção sobre PDV até 06/01/2004. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10768.004179/0039 Acórdão n.º 2802001.849 S2TE02 Fl. 175 3 É fato incontroverso que a retenção que motivou este litígio ocorreu no ano calendário 1986, em razão do desligamento ocorrido em 31 de maio daquele ano. Do prazo para requerer a repetição de indébito. A questão do prazo para solicitar a repetição de indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser solucionada com o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal – STF no RE 566621/RS (que substituiu, como paradigma, o RE561908 na sistemática de RE com repercussão geral). O Recurso Extraordinário 566621 teve o trânsito em julgado em 27/02/2012. Vejamos a ementa do julgado. COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O STF considerou que a LC 118/2005 ao se referir à aplicação retroativa estava reduzindo o prazo de restituição de 10 para 5 anos, pois o prazo de 10 anos correspondia a jurisprudência consolidada no STJ. Do voto da relatora Ministra Ellen Gracie extraise: “Inexistindo direito adquirido a regime jurídico, não há que se advogar, pois, o suposto direito de quem pagou indevidamente um tributo a poder buscar ressarcimento no prazo estabelecido pelo CTN por ocasião do indébito. Isso não quer dizer, contudo, que a redução de prazo possa retroagir para fulminar, de imediato, pretensões que ainda poderiam ser deduzidas no prazo vigente quando da modificação legislativa. Ou seja, não se pode, de modo algum, entender que o legislador pudesse determinar que pretensões já ajuizadas ou por ajuizar estejam submetidas, de imediato, ao prazo, sem qualquer regra de transição.” (...) “o julgamento de preliminar de prescrição relativamente a ações já ajuizadas, tendo como referência novo prazo reduzido por lei posterior, sem qualquer regra de transição, atentaria, indiscutivelmente, contra, ao menos, dois destes conteúdos, quais sejam: a confiança no tráfego jurídico e o acesso à Justiça. Estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo, seja mediante requerimento administrativo ou, se necessário, ajuizamento de ação judicial, temse de reconhecer eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois tal resta resguardado pela proteção à confiança. (...) Reconheço, pois, a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da redução de prazo que alcance prazos já interrompidos, bem como da aplicação, imediatamente após a publicação da lei, às novas ações ajuizadas, sem assegurar aos contribuintes nenhum prazo para que, deduzindo suas pretensões em Juízo, pudessem evitar o perecimento do seu direito, ...” Buscouse, então, definir o momento a partir do qual se aplicaria o prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Foram apreciadas duas linhas de pensamento: a do acórdão do TRF da 4ª Região que aplicava a LC 118/2005 às ações ajuizadas após o período de vacacio legis da referida lei; e o entendimento da Primeira Seção do STJ, baseado na regra de transição do art. 2.028 do Código Civil, de modo que os indébitos anteriores à vigência da LC 118/2005 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10768.004179/0039 Acórdão n.º 2802001.849 S2TE02 Fl. 176 5 submetiamse ao prazo de 10 anos, limitado ao prazo máximo de cinco anos, a contar da vigência da nova lei. O STF sufragou o entendimento que aplica o prazo da LC 118/2005 às ações ajuizadas após a vacacio legis (120 dias), essencialmente por entender que o período de vacacio legis foi suficiente para que os contribuintes ajuizassem ações de repetição de indébito, destacando a existência de “significativa avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005” e que proteger o contribuinte que não ajuizou ação dentro desse prazo é proteger o contribuinte de sua própria inércia. Posteriormente, a Primeira Seção do STJ, ao apreciar o REsp submetido ao regime do art. 543C do CPC, inclinandose ao decidido pela Corte Suprema, reconheceu ter sido superado o entendimento que vinha adotando até então, passando a reconhecer que, para as ações ajuizadas a partir de 9/6/2005, aplicase o art. 3º da LC n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN (REsp 1.269.570MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23/5/2012) Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do STF em recurso julgado no rito do art. 543B do Código de Processo Civil é de observância obrigatório pelos membros do CARF, tornando superada a jurisprudência deste Conselho indicada pelo recorrente. O pedido em questão foi formulado em 02/03/2000, portanto antes de estar em vigor a Lei Complementar 118/2005 (09/06/2005), de forma que a aplicação do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal implica em contar o prazo para o pedido de restituição segundo a denominada “tese dos cinco mais cinco”, com prazo final em 31/12/1996. Portanto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002159/2003-12
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/
PIS/PASEP. DECRETOS-LEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/ PIS/PASEP. DECRETOS-LEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/ PIS/PASEP. DECRETOSLEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 21 59 /2 00 3- 12 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (fls. 01/ss), protocolado em 10/06/2003, no valor de R$ 851.342,15, combinado com pedido de compensação de tributos, por meio do qual a interessada pretende compensar supostos créditos do PIS (períodos de apuração: janeiro/1989 a março/1996), decorrentes de recolhimentos com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88. A empresa pleiteia a recuperação da diferença entre os recolhimentos realizados com base nos citados decretosleis e o que seria devido com base na Lei Complementar nº 07/70. Os demonstrativos de cálculo elaborados pela Recorrente foram anexados às folhas 9 a 19. O pedido foi indeferido, em preliminares, nos termos do Despacho Decisório DRF/SOR nº 417/2008, de 18/06/2008 (fls. 82 a 84), sob o fundamento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção crédito tributário. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 12/08/2008 (fls. 94/105), onde alega, em apertada síntese, que: apresentou tempestivamente o Pedido de Restituição frente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, inexistindo a decadência alegada pela fiscalização, por entender que o prazo para pedir a restituição é de dez anos contados da data do recolhimento indevido; realizou todos os registros da operação de compensação em seus livros contábeis e fiscais, tornando válidas as compensações realizadas; entregou as DCTF's dos períodos relativos as compensações, em data hábil, estando em dia com a entrega da obrigação acessória; por fim, requer a reforma da decisão que indeferiu a restituição pleiteada e, por conseguinte, o deferimento da compensação realizada. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto manteve o indeferimento do pedido do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 1422.381, de 02 de março de 2009 (folhas 132/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10855.002159/200312 Acórdão n.º 3202000.652 S3C2T2 Fl. 223 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1993 a 31/08/1995 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 do CTN. Solicitação Indeferida A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Ribeirão Preto, em 05/06/2009 – sextafeira (folhas 135/136), interpôs Recurso Voluntário em 06/07/2009 (fls. 181/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O presente litígio referese ao início da contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição/compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS advindos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs. 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal — STF no exame do Recurso Extraordinário nº. 148.7542/210/RJ, com extensão erga omnes dada pela Resolução do Senado nº 49, de 09 de outubro de 1995. Entendo que assiste razão em parte à Recorrente no tocante aos prazos para pedir a restituição de tributos recolhidos indevidamente. Vejamos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, o Pedido de Restituição foi protocolado em 10/06/2003, para o período de apuração de janeiro/1989 a março/1996, portanto, temos que apenas para os recolhimentos efetuados entre janeiro/1989 a 09/06/1993 já ocorreu a prescrição do direito do contribuinte para solicitar a restituição de tributos, considerandose o prazo de 10 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados antes 09/06/2005. Consequentemente, deve ser revista a decisão recorrida para os demais períodos. Os indébitos relativos aos períodos posteriores a 10/06/1993, considerando que o pedido foi protocolizado em 10/06/2003, portanto, antes de 09 de junho de 2005, devem ser aceitos como ainda não atingidos pela prescrição, devendo seu pedido ser apreciado, no mérito, pela autoridade fiscal competente. Neste sentido, citase a decisão proferida pela CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303002.127, em 13/09/2012, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1991 a 28/02/1995 PIS/PASEP. RESTITUIÇÃO. DECRETOSLEIS Nºs 2.445/88 e 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10855.002159/200312 Acórdão n.º 3202000.652 S3C2T2 Fl. 224 5 O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº. 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial do Contribuinte provido. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição dos indébitos cujos recolhimentos ocorreram posteriormente a 10/06/1993, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito do pedido. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19515.000774/2009-13
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA HIPÓTESE QUE DESENCADEOU A PRESUNÇÃO LEGAL.
Verificado pela prova dos autos que não houve saldo credor de caixa, afasta-se a hipótese que desencadeou a presunção legal de omissão de receitas.
IRRF. ART. 61 DA LEI 8.981/94 - PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Os pagamentos efetuados sujeitam-se ao IRRF, quando o contribuinte não comprovar o beneficiário e/ou a operação que lhe deu causa. Outrossim, devem ser canceladas as parcelas da exigência cuja documentação comprobatória da finalidade dos pagamentos e dos beneficiários foi apresentada.
Numero da decisão: 1301-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA HIPÓTESE QUE DESENCADEOU A PRESUNÇÃO LEGAL. Verificado pela prova dos autos que não houve saldo credor de caixa, afasta-se a hipótese que desencadeou a presunção legal de omissão de receitas. IRRF. ART. 61 DA LEI 8.981/94 - PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos efetuados sujeitam-se ao IRRF, quando o contribuinte não comprovar o beneficiário e/ou a operação que lhe deu causa. Outrossim, devem ser canceladas as parcelas da exigência cuja documentação comprobatória da finalidade dos pagamentos e dos beneficiários foi apresentada.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA HIPÓTESE QUE DESENCADEOU A PRESUNÇÃO LEGAL. Verificado pela prova dos autos que não houve saldo credor de caixa, afasta se a hipótese que desencadeou a presunção legal de omissão de receitas. IRRF. ART. 61 DA LEI 8.981/94 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos efetuados sujeitamse ao IRRF, quando o contribuinte não comprovar o beneficiário e/ou a operação que lhe deu causa. Outrossim, devem ser canceladas as parcelas da exigência cuja documentação comprobatória da finalidade dos pagamentos e dos beneficiários foi apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 74 /2 00 9- 13 Fl. 200645DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Observase que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao IRPJ, IRRF, PIS, COFINS, CSLL e a respectiva multa isolada, do anocalendário 2004, acrescido de multa e juros de mora (fls. 368 – 398). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 356 em diante), foram apuradas infrações relacionadas à omissão de receitas decorrente de “Saldo Credor de Caixa” e “Pagamentos Realizados a Beneficiários Não Identificados”. Em relação à omissão de receita decorrente do apontado “Saldo Credor de Caixa”, a Fiscalização a constatou pela auditoria da conta contábil nº 1.1.0.00.002 – Dinheiro – Venda a Vista, assinalando que diversos ingressos, registrados na citada conta, que totalizaram R$ 19.503.928,59, não teriam sido comprovados por documentação hábil e idônea. De acordo com a Fiscalização, a recomposição da conta contábil mencionada, nº 1.1.0.00.002, excluídos os ingressos considerados “não comprovados”, resultou nos seguintes saldos: Fl. 200646DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 3 3 Assentou a Fiscalização que em decorrência da apuração do saldo credor de caixa acima mencionado, foram constituídas as exigências fiscais sobre a receita omitida, sendo que, em decorrência, nos meses de novembro e dezembro de 2004, constatouse que a recorrente deixou de recolher corretamente as estimativas de IRPJ e CSLL destes períodos de apuração, motivo pelo qual, foi aplicada a multa isolada. Em relação à segunda parte da autuação, relacionada a pagamentos supostamente realizados a beneficiários não identificados “pagamentos sem causa”, destacou a Fiscalização que a recorrente foi intimada a comprovar os seguintes lançamentos contábeis: Destacou a Fiscalização, ainda, que de início a recorrente aduziu que “na conta Clientes não Identificados, são lançados valores que, em um primeiro momento, não Fl. 200647DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 seria possível identificar o pagamento registrado no extrato bancário e que, após a identificação, era feita uma reclassificação para a devida conta”. Registou a Fiscalização, contudo, que os lançamentos reportados, debitando a conta “fornecedores” e creditando a conta “clientes não identificados”, não expressariam pagamentos realizados por clientes, mas sim pagamentos realizados pela recorrente a seus fornecedores e, portanto, em relação a tais lançamentos, seria descabida a alegação da contribuinte e que os “Razões” apresentados demonstrariam meros lançamentos de conciliação contábil com sistemas informatizados utilizados pela contribuinte, não se revestindo de valor probatório. Em virtude das constatações acima, lavrouse auto de infração para exigência de IRRF para os pagamentos considerados a beneficiário não identificado (alíquota de 35%). Ciente das imputações fiscais (fls. 368, 375, 381, 386, 391 e 396), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 408 – 452), alegando que, em se tratando do “saldo credor de caixa”, os lançamentos “a crédito da conta Clientes NãoIdentificados” são realizados em contrapartida dos lançamentos “a débito da conta caixa”, que tem como origem a entrada de recursos decorrentes dos lançamentos “a crédito da conta Clientes”, em contrapartida do lançamento “a débito da conta Clientes nãoidentificados”. Afirmou ainda, que todos os recebimentos apurados estão devidamente escriturados em DACON e livros auxiliares e que a desconsideração do lançamento “a débito da conta caixa”, gera um saldo devedor na conta “clientes NãoIdentificados” que constitui uma conta transitória e tem por característica e finalidade ser uma conta redutora do ativo, fazendo com que todos os valores ali lançados, decorrentes de receitas verificadas pela empresa, fiquem de fora dos resultados, levando à falsa noção de “Estouro de Caixa”. Seguiu argumentando a recorrente que o Livro Registro de Saídas, cujos valores e saldos seriam idênticos àqueles declarados em DACON e DIPJ, se mostrariam suficientes para dar fundamento aos lançamentos contábeis glosados, mencionando que a DACON de 2004 revelaria uma receita auferida de revenda de mercadorias de R$ 49.772.080,55, com lastro devidamente registrado na conta patrimonial “Clientes” 1.1.1.01.001, no campo débitos. Mencionou ainda, que por falta de identificação dos clientes pagadores antes do fechamento do balanço, os lançamentos a débito (receitas de clientes), são contabilizadas temporariamente em contas provisórias, para serem reclassificadas às devidas contas de ajuste ao final do período, alegando que no último dia de cada mês, os lançamentos são reclassificados e zerados, motivo pelo qual não se poderia fazer qualquer levantamento de saldo antes desse ajuste. Na mesma ordem de ideias, referiu que o seu sistema de informática faz ajustes para mais ou para menos dos valores recebidos, originando algumas diferenças entre os valores contabilizados e os efetivamente recebidos, sendo que os montantes pagos fora do prazo, por depósito em conta corrente pelos clientes, também seriam de difícil identificação, solicitando prova pericial para elucidação da questão. Quanto à autuação relacionada ao IRRF (pagamento a beneficiário não identificado), sustentou a recorrente que todos os pagamentos estariam perfeitamente individualizados com a comprovação da efetividade dos pagamentos, sendo inverídica a asserção deduzida pelo Fisco de que não seria possível a identificação, via “extrato bancário”, dos pagamentos a fornecedores. Fl. 200648DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 4 5 Alegou ainda, que os documentos dos demais estabelecimentos, que comprovariam os fornecedores beneficiários de todos os pagamentos em questão, seriam juntados assim que possível e sustentou que a multa aplicada feriria o princípio da capacidade contributiva e nãoconfisco, fustigando a aplicação da Taxa SELIC e pugnando pela improcedência total da infração. Destacouse ainda, que os beneficiários dos pagamentos não identificados, apurados pela Fiscalização, foram os seguintes: Data Valor (R$) Débito Crédito Histórico Nº lanç. 31/12/2004 3.210.057,27 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pagto. De Fornecedores de Amoreiras 1790 31/12/2004 9.265.710,47 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores 1790 31/12/2004 1.701.672,72 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores 1790 31/12/2004 4.695.621,59 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores 1790 31/12/2004 2.739.857,51 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores de Guarapiranga 1790 31/12/2004 4.624.836,23 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores 1790 31/12/2004 15.283.649,15 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores 1790 31/12/2004 333.144.09 Fornecedores Clientes Vr. Ref. Pgto. De Fornecedores 1790 A recorrente, em sede Impugnação, apresentou elementos que comprovariam os pagamentos e, considerando que a Fiscalização não havia se manifestado acerca desses documentos, o feito foi convertido em diligência pela 2ª Turma da DRJ em São Paulo (fls. 560 – 564), para que a autoridade lançadora, em síntese, apreciasse os elementos de prova acostados na Impugnação e indicasse se foram devidamente comprovados os beneficiários dos pagamentos referentes aos lançamentos contábeis indicados e, no caso de ser verificada a necessidade de retificação do lançamento de IRRF, que fosse indicada a importância que Fl. 200649DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 merecia permanecer na presente autuação, determinandose que após as conclusões da Fiscalização fosse oportunizado à recorrente se manifestar sobre o feito. Em resposta às solicitações, a Fiscalização elaborou Relatório Conclusivo de Fiscalização e Diligência (fls. 943 – 950), atestandose, resumidamente, que todos os elementos de prova foram analisados (anexos I ao LVXXVI) e que não foi apresentado à Fiscalização a escrita auxiliar, a qual discriminasse todos os pagamentos, tanto os recebidos como os efetuados pela contribuinte e que a recorrente lançou na contabilidade os pagamentos de forma global e sem escrita auxiliar não se poderia identificar os beneficiários dos pagamentos e os pagamentos demonstrados não corresponderiam, numericamente, com os lançamentos contabilizados. Manifestandose acerca das conclusões fiscais (fls. 957 – 963), a contribuinte aduziu que as diferenças apontadas pela Fiscalização seriam ínfimas e não justificariam a manutenção do auto de infração e que toda a documentação foi apresentada de modo a comprovar os valores pagos e os beneficiários respectivos. A 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 970 – 989, julgou procedentes as acusações fiscais, concluindo que apesar de todas as justificativas da recorrente, não haveria nenhum elemento probatório apto a afastar o saldo credor de caixa constatado, porquanto a documentação apresentada (escrituração) não individualizaria os recebimentos, de sorte que não haveria possibilidade de se averiguar quais foram os valores recebidos e se de fato foram transferidos a outras contas contábeis de forma a “zerar” o saldo, destacando que a recorrente nominou de “reclassificação” uma operação que não estaria comprovada por meio de prova material, não logrando, portanto, comprovar a origem e o efetivo ingresso de recursos na conta “Caixa”, a qual levaria ao débito desta e ao crédito da conta “Clientes”. Segundo a decisão recorrida, cumpria à contribuinte apresentar um demonstrativo com a discriminação dos montantes recebidos acompanhados das notas fiscais emitidas, bem como a sua identificação na escrita fiscal de modo a possibilitar sua checagem, e que tal providência não foi atendida, o que impediria a verificação da veracidade das alegações. Cuidando, por fim, dos considerados “pagamentos a beneficiários não identificados”, sustentou a decisão recorrida, de acordo com o que atestado na comentada diligência (fls. 943 – 950), que não haveria escrita auxiliar que discriminasse todos os pagamentos efetuados pela contribuinte, considerando impossível a identificação dos numerários, ou seja, sua confrontação com os valores gastos e os registros contábeis, observando, que os pagamentos demonstrados não coincidiriam numericamente com os lançamentos contabilizados. Salientouse ainda, que de conformidade com o constatado pela autoridade fiscal, não haveria identificação individualizada dos registros dos pagamentos efetuados aos beneficiários na contabilidade bem como não se comprovou a causa dos pagamentos, concluindo não assistir razão à recorrente, presente a norma contida no artigo 674, do RIR/99, mantendo, destarte, a autuação relacionada ao IRRF. No mais, mantevese as multas de ofício e isolada, bem como a aplicação da Taxa Selic, e a tributação reflexa, decorrente da autuação de omissão de receitas. Devidamente cientificada em 15/08/2011, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/09/2011, reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. Fl. 200650DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 5 7 É o relatório. Fl. 200651DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. A Recorrente foi cientificada da decisão impugnada em 15 de agosto de 2011, protocolou seu Recurso Voluntário em 14 de setembro daquele mesmo ano, constatando se assim, a tempestividade do seu inconformismo. Como bem descrito no relatório acima minudenciado o Termo de Verificação Fiscal elaborado pela zelosa Fiscalização (fls. 356 em diante) constata duas infrações, a primeira relacionadas à omissão de receitas, por presunção legal, decorrente de constatado “Saldo Credor de Caixa”, sendo a segunda imputação atinente a “Pagamentos Realizados a Beneficiários Não Identificados”, cobrandose neste último caso o IRRF. Diante das distintas imputações, para os fins de facilitar a compreensão, o enfretamento da matéria será cindido no presente voto, iniciandose pela análise da “omissão de receitas”. I – Da Omissão de Receitas – Saldo Credor de Caixa Apenas para pontuar, relembrese que em relação à omissão de receita decorrente do apontado “Saldo Credor de Caixa”, a Fiscalização constatou, pela auditoria da conta contábil nº 1.1.0.00.002 “– Dinheiro – Venda a Vista”, que alguns ingressos registrados na citada conta, que totalizaram R$ 19.503.928,59, indicariam a existência de saldo credor de caixa, a autorizar a presunção legal de omissão de receitas, já que sua origem não teria demonstrada. De acordo com a planilha elaborada pela Fiscalização à folha 360, os lançamentos que indicariam o saldo credor de caixa foram os seguintes: 1.1.1.01.019 – Clientes não identificados x 1.1.00.002 – Dinheiro – Venda à Vista data Valor Débito Crédito Histórico nº lanc. 30/11/2004 R$ 291.951,88 Caixa Clientes Vr. Ref. Transf. de Caixa 1782 30/11/2004 R$ 7.670.497,74 Caixa Clientes Vr. Ref. Transf. de Caixa 1787 30/11/2004 R$ 1.528.828,36 Caixa Clientes Vr. Ref. Transf. de Caixa 1787 30/11/2004 R$ 3.249.750,47 Caixa Clientes Vr. Ref. Transf. de Caixa 1787 30/11/2004 R$ 143.744,85 Caixa Clientes Vr. Ref. Transf. de Caixa 1787 Total R$ 12.884.773,30 Fl. 200652DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 6 9 1.1.1.01.019 – Clientes não identificados x 1.1.00.002 – Dinheiro – Venda à Vista data Valor Débito Crédito Histórico nº lanc. 31/12/2004 R$ 5.686.435,14 Caixa Clientes Vr. Ref. Transf. de Caixa 1791 31/12/2004 R$ 284,439,31 Caixa Clientes VR. Ref. Transf. de Caixa 1796 Total R$ 5.960,874,45 Em complemento, após elaborar as tabelas acima reproduzidas, ainda à folha 360, assim concluiu a Fiscalização, verbis: (...) Ora, no caso concreto a conta Caixa é debitada, e a contra partida contábil (crédito) é a conta "clientes não identificados". Em nenhum momento é informado pelo contribuinte a origem e o efetivo ingresso de recursos à conta Caixa, que levaria ao débito da conta Caixa e ao crédito da conta Clientes, ficando identificados documentalmente tanto a origem (venda de mercadorias por exemplo) como a efetividade da entrega desses recursos. (...) (meus os destaques) O fundamento legal que hospeda a autuação foi extraído do artigo 281, inciso I, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; (...) Temse, portanto, autuação na qual se vale a Fiscalização de presunção legalmente fixada para a caracterização de omissão de receitas, constituindose, sabidamente, em presunção juris tantum¸ reclamando prova em contrário para seu afastamento. Ou seja, para afastar a presunção legal que desencadeou a autuação por omissão de receita, ou, melhor dizendo, afastar a aplicabilidade do supramencionado artigo 281, inciso I, do RIR/99, cabe à Recorrente demonstrar que não houve o “estouro de caixa”. Anoto que é precisamente este o esforço que empreendeu a Recorrente, que sustentou não ter havido qualquer “saldo credor de caixa”, e foi precisamente esta ‘comprovação’ que a decisão recorrida reputou insuficiente a elidir as constatações da Fiscalização, restandonos, pois, sopesar os elementos de prova trazidos aos autos para aferir se a decisão impugnada conferiulhes a correta valoração. Cumprindo o propósito noticiado no parágrafo precedente, de aferir o conjunto de provas, convém relembrar que a contribuinte, como destacado em seu Recurso Voluntário, é empresa atuante no ramo atacadista e varejista, e tem argumentado, desde os Fl. 200653DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 10 primitivos arrazoados, que de fato teria contabilizado equivocadamente os lançamentos nas contas “Clientes Não Identificados e Clientes Diversos”, mas que tais contas eram utilizadas como “contas transitórias”, nas quais se lançavam valores de origem desconhecida no momento do lançamento, mas que, posteriormente, no final de cada mês, foram lançadas nas contas corretas, ajustando e individualizando os lançamentos, situação que se justificaria pelo volume de operações realizadas diariamente. Ou seja, segundo sustenta a Recorrente não há falar em “saldo credor de caixa”, na apontada conta, porquanto a natureza transitória dela [conta “Clientes Não Identificados)] de onde se extraiu o saldo credor, destinada a reduzir o ativo, fazia com que os valores ali lançados ficassem fora dos resultados até que fosse realizada a reclassificação, sempre ao final de cada mês, tendo a Fiscalização efetivado o presente lançamento no penúltimo dia do mês, ou seja, antes de se proceder a reclassificação mencionada. De acordo com o que deduzido pela contribuinte, no mister de justificar o procedimento acima mencionado, o elevado volume das suas operações diárias impunha que os recebimentos fossem escriturados nas contas “Clientes e Clientes Não Identificados”, de forma que os coincidentes recebimentos, ao término de cada mês, eram lançados como contrapartida aos lançamentos da Conta “Caixa”, creditada diariamente em razão dos pagamentos a fornecedores e por transferência para a conta “banco”. Tal procedimento de ajuste, realizado no último dia de cada mês com a identificação dos clientes, redundava em “zerar” o saldo credor da conta caixa mediante aporte contábil realizado por partidas dobradas, já que os lançamentos a crédito nas contas de clientes funcionam como redutores do ativo. Por fim, considerando os valores apurados pela Fiscalização como saldo credor da conta “clientes não identificados” (R$ 12.884.773,30 e R$ 5.950.874,45), aduz a Recorrente que estes estão devidamente lastreados na contabilidade, tanto na DACON quanto na planilha auxiliar, e espelham receitas declaradas e tributadas, que não poderiam ter sido excluídas do cálculo da Fiscalização, já que na condição de redutoras do ativo, as partidas dobradas correspondentes anulam o considerado “Saldo Credor”. Se como dito acima a manutenção da autuação de omissão de receitas depende exclusivamente de se verificar a ocorrência do saldo credor, anoto que um detido e apurado confronto das provas trazidas a estes autos revelam que a decisão recorrida merece ser reformada. Afirmase isso, ao se verificar que de fato a Recorrente demonstrou que os valores tidos pela Fiscalização como formadores de saldo credor na conta “Clientes Não Identificados”, na realidade foram computados em seu resultado, e o referido valor zerado na mencionada conta. Ficou demonstrado, destarte, como abaixo evidenciarei, que as mencionadas receitas foram reconhecidas na escrita auxiliar da Recorrente, de forma a equivalerse com o que consignado no Razão Analítico e coincidirse com o que reconhecido em DACON e DIPJ. Ficou demonstrado nos autos, que os recebimentos diários de clientes, eram escriturados pela Recorrente nas contas de clientes (Clientes e Clientes nãoidentificados), e somente no último dia de cada mês, lançados como contrapartida aos lançamentos da Conta Caixa, que era creditada diariamente por conta de pagamentos a fornecedores e por transferências para a conta banco. Fl. 200654DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 7 11 Sendo assim, convém lembrar que os elementos que compõem o patrimônio e suas alterações são controlados por meio de “contas”, justamente para registrar e expor os bens, os direitos, as obrigações e a situação líquida patrimonial, além, é claro, das receitas e despesas, com base nas quais são apurados os lucros ou prejuízos, advindos das atividades sociais da empresa. Ora, verificado o objetivo do plano de contas acima referido, e tendo a conta transitória, sido “zerada” ao final da competência, resta claro que eventual saldo apurado antes da reclassificação é equivocado, porquanto o ajuste das contas feito no último dia do mês, com a identificação dos clientes, zerou o saldo credor da conta caixa, pelo aporte contábil via partidas dobradas, débito das contas clientes, reduzindo o ativo. A denominação “partidas dobradas” se deve justamente ao fato de o mesmo valor ser indicado duas vezes, a débito e a crédito, sendo inegável que as receitas aumentam o patrimônio líquido e, portanto, são credoras, enquanto que as despesas diminuemno e são por isso, devedoras. Tem razão a Recorrente, portanto, ao aduzir que tais lançamentos, a débito nas contas de clientes (nos valores de R$ 12.884.773,30 e 5.950.874,45) estando devidamente lastreados na contabilidade (DACON e planilha auxiliar de preenchimento da DACON), refletem receitas declaradas e já tributadas, de sorte que não poderiam ter sido excluídos do cálculo, de sorte que estas partidas, a débito da conta considerada com tendo Saldo Credor, anulam o suposto saldo credor. Outro ponto importante para se atingir a conclusão aqui preconizada, é o fato de a Fiscalização não ter considerado imprestável a contabilidade da Recorrente, ou seja, não houve qualquer arbitramento, os livros contábeis da Recorrente foram utilizados para instruir o auto de infração, a revelar que os dados ali constantes foram considerados pela Fiscalização para a constituição do crédito, no entanto, alguns lançamentos contábeis foram desconsiderados. Como bem descreveu a Recorrente, os lançamentos contábeis de ajuste da conta “Clientes Nãoidentificados” para a conta “ Caixa”, datados de 31/12/2004, com valores de R$ 5.666.435,14 e R$ 284.439,31, denominados “Vr (valor) Ref Transf. de Caixa”, foram desconsiderados na apuração realizada pela Fiscalização, enquanto que outros valores do mesmo dia foram mantidos, impossibilitando compreender o critério adotada na apuração do considerado “Saldo Credor”. Observase ainda, que no mês de novembro foram desconsiderados diversos lançamentos, situação que como dito acima, impacta na apuração de eventual saldo credor, pois os lançamentos a crédito da conta “Clientes Nãoidentificados” eram realizados em contrapartida dos lançamentos a débito da conta “Caixa”, que tinha como origem os recursos oriundos dos lançamentos a crédito da conta “Clientes”, em contrapartida do lançamento a débito da conta “clientes Nãoidentificados”. Temse, portanto, que alguns lançamentos de ajuste foram estornados de forma aleatória para se chegar ao "estouro de caixa", não havendo demonstração do critério do estorno de alguns e manutenção de outros. Reafirmo, por oportuno, a exemplificação dada acima e trazida também pela Fiscalizada, no sentido de que os lançamentos contábeis de ajuste da conta "Clientes Não Fl. 200655DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 12 identificados" para a conta "Caixa", datados de 31/12/2004, nos valores de R$ 5.666.435,14 e R$ 284.439,31, denominados "Vr (valor) Ref Transf. de Caixa" foram desconsiderados, enquanto que outros lançamentos do mesmo dia foram mantidos, a exemplo dos lançamentos de ajuste denominados "VT (valor) Ref Transf. de Caixa", da mesma data, nos valores de R$ 96.440,71, R$ 295.437,96 e R$ 23.668,47, conforme Livro Razão Analítico do período, juntado no anexo 1 do Recurso Voluntário (doc. Sem paginação). Ainda mais se evidencia tal situação, ao se verificar que com relação ao mês de novembro foram desconsiderados os lançamentos nos valores de R$ 291.951,88, R$ 7.670.497,74, R$ 1.528.828,36, R$ 3.249.750,47 e R$ 143.744,85. O Razão Analítico dos períodos de novembro e dezembro de 2004, espelha os lançamentos de entrada de recursos financeiros nos valores de R$ 38.519.816,64 e R$ 50.122.478,85. De se anotar ainda, que a metodologia utilizada pela Fiscalização possibilitou a autuação atinente aos períodos de novembro e dezembro de 2004 sem verificar que os recebimentos apurados estão devidamente escriturados em DACON e livros auxiliares, desconsiderando o lançamento "a débito" da conta "Caixa" e, por isso, mantendo um "saldo devedor" na conta "Clientes Nãoidentificados", que tinha a característica e finalidade de reduzir o ativo, fazendo com que todos os valores ali lançados, decorrentes de receitas verificadas pela empresa, ficassem fora dos resultados, surgindo daí o aparente "estouro de caixa". Em conclusão, considerando que a Fiscalização reputou que “em nenhum momento é informado pelo contribuinte a origem e o efetivo ingresso de recursos à conta Caixa, que levaria ao débito da conta Caixa e ao crédito da conta Clientes, ficando identificados documentalmente tanto a origem (venda de mercadorias, por exemplo) como a efetividade da entrega desses recursos”, não se pode ignorar o demonstrativo trazido pela Recorrente com a precisa finalidade de confrontar os valores autuados com os demais elementos de prova colacionados aos autos, como também não se pode ignorar, que para cada valor referido na tabela de folha 360, a Recorrente demonstra o correspondente cabedal de provas. A afirmação da zelosa Fiscalização não encontra respaldo nos autos. Com efeito, a contribuinte cuidou de demonstrar, lançamento por lançamento, o respectivo lastro de recebimento e escrituração, contrapondo os valores considerados pela Fiscalização, com o que escriturado e o respectivo recebimento, atentandose para a exata equiparação numérica de valores. Para esclarecer as conclusões acima delineadas não há como afastarse do quadro comparativo e elucidativo trazido pela Recorrente, que cuidou, detidamente, de aventar lançamento por lançamento, e para facilitar a compreensão, reproduzo as comparações abaixo relacionado as folhas dos autos nas quais se acham encartados os documentos. Valores indicados pela Fiscalização como formadores do “saldo credor” contrapostos aos lançamentos contábeis da Recorrente e provas do recebimento R$ 291.951,88 – vol II RV s/fls. De acordo com a prova dos autos o referido lançamento foi debitado na conta Caixa e creditado na conta Clientes, e a identificação do pagamento se dá pelo extrato Banco Itaú – Redeshop/Redcard, pelo valor exato de R$ Fl. 200656DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 8 13 R$ 291.95,88. A Recorrente demonstra ainda, que inicialmente os valores foram lançados equivocadamente no Livro Razão Contábil, mas foram corrigidos, debitando a conta “Banco Itaú” (1.1.0.01.017) e creditando a conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) R$ 7.670.497,74 – fls. 16.514 em diante Razão Analítico às fls. 16.516 a 16.532. Extraise dos autos que o valor apontado pela Fiscalização como componente do saldo credor, foi debitado na Conta Caixa e creditado na conta Clientes. Identificase o recebimento dos valores, mediante o extrato do Banco Itaú, de maneira dividida, mas numericamente exata, entre Movimentação de Título de Cobrança no valor de R$ 6.484.888,45 e Redeshop/Redecard no valor de R$ 1.185.609,29. Demonstra a Recorrente que no ajuste os valores foram lançados no Razão contábil da seguinte forma: a) Débito da conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) R$ 6.484.888,45; b) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) R$ 1.185.609,29. R$ 1.528.828,36 – fls. 16.535 a 16.554 Extraise dos autos que o valor apontado pela Fiscalização como componente do saldo credor, foi debitado na Conta Caixa e creditado na conta Clientes. Identificase o recebimento dos valores, mediante o extrato do Banco Itaú, de maneira dividida, mas numericamente exata, entre os extratos dos bancos Safra e Itaú, mediante Recebimento de Cheque Eletrônico/Safra – R$ 1.463.062,12 e depósito em dinheiro/Itaú – R$ 43.997,21 e Redeshop/Redecard – R$ 21.769,03. Demonstra a Recorrente que no ajuste os valores foram lançados no Razão contábil da seguinte forma: a) Débito na conta Banco Safra (1.1.0.01.018) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 1.463.062,12; b) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 43.997,21; c) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 21.769,03. R$3.249.750,47 – fls. 16.557 – 16.582 Extraise dos autos que o valor apontado pela Fiscalização como componente do saldo credor, foi debitado na Conta Caixa e creditado na conta Clientes. Fl. 200657DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 14 Identificase o recebimento dos valores, mediante o extrato do Banco Itaú, de maneira dividida, mas numericamente exata, entre Cobrança Itaúbba – R$ 2.896.911,65 e Redeshp/Redecard R$ 352.838,82). No Razão Contábil os valores foram assim ajustados: a) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 2.896.911,65; b) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 352.838,82. R$ 143.744,85 – fls. 16.585 a 16.588 Extraise dos autos que o valor apontado pela Fiscalização como componente do saldo credor, foi debitado na Conta Caixa e creditado na conta Clientes. Identificase o recebimento dos valores, mediante o extrato do Banco Itaú, em Redeshop/Redecard. No Razão Contábil os valores foram assim ajustados: a) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 143.744,85. R$ 5.666.435,14 – fls. 16.591 a 16.703 O citado valor foi debitado na conta Caixa e creditado na conta Clientes. Identificase o recebimento dos valores, mediante o extrato do Banco Itaú, de maneira dividida, mas numericamente exata, entre os extratos dos bancos Safra e Itaú, por meio de Movimentação de Título de Cobrança/Itaú – R$ 466.157,01, Redeshop/Redecard/Itaú – R$ 2.621.980,83, cobrança Itaúbba/Itaú – R$ 811.208,55 e recebimento de Cheque Eletrônico/Safra – R$ 1.767.088,75. No Razão Contábil os valores foram assim ajustados: a) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 466.157,01; b) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 2.621.980,83; c) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – R$ 811.208,55. d) Débito na conta Banco Itaú (1.1.0.01.017) e crédito na conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002) – 1.767.088,75. R$ 284.439,31 – fls. 16.706 a 16.708 Extraise dos autos que o valor apontado pela Fiscalização como componente do saldo credor, foi debitado na Conta Caixa e creditado na conta Clientes. Identificase o recebimento dos valores, mediante o extrato do Banco Itaú, em Redeshop/Redecard no valor total de R$ 284.439,31. Fl. 200658DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 9 15 No Razão Contábil os valores foram assim ajustados: Esclarece a Recorrente que os valores foram inicialmente lançados equivocadamente no livro Razão Contábil, mas os valores foram ajustados debitando a conta Banco Safra (1.1.0.01.018) e creditando a conta Caixa – Dinheiro à Vista (1.1.0.00.002). Ora, em vista do elucidativo quadro demonstrativo acima elaborado, corroborado pelos já referidos extratos bancários e Razão Contábil, desautorizam a conclusão de ter havido estouro de caixa, porquanto aos valores, utilizados para debitar a conta Caixa, foi apresentado o correspondente lastro. A Recorrente, como já destacado, se desincumbiu de demonstrar que os extratos bancários, foram devidamente contabilizados no Razão Contábil e os lançamentos analíticos foram discriminados no Razão Auxiliar. Não subsiste, portanto, o entendimento sufragado pela decisão recorrida segundo o qual “apesar de todas as justificativas dadas pelo contribuinte, não há nenhum elemento probatório capaz de afastar o saldo credor de caixa”, tal como visto acima, ao contrário do que argumenta a decisão recorrida, é perfeitamente possível averiguar os valores recebidos e atestar sua transferência a outra conta contábil de forma a ‘zerar’ do apontado saldo credor. Em vista de tais considerações, no tocante à omissão de receitas por presunção legal decorrente de constato saldo credor de caixa, encaminho meu voto no sentido de reformar a decisão recorrida, afastando o saldo credor de caixa e, por conseguinte, a hipótese de aplicação da presunção legal, motivo pelo qual julgo improcedente esta parcela da autuação. II – Dos Pagamentos a Beneficiários não Identificados Verificando a segunda imputação lançada em desfavor da contribuinte, melhor se pode imaginar os motivos que levaram a Fiscalização a considerar o saldo credor de caixa tratado no tópico precedente. Com efeito, a imputação de ter a Recorrente promovido pagamentos a beneficiários não identificados/pagamento sem causa, com a conclusão da existência de fornecedores não identificados, redundou no direcionamento de “estouro de caixa”, ou seja, de saldos credores na conta caixa, reveladores da existência de recurso financeiro não declarado, utilizado para quitação destes fornecedores tidos como "nãoidentificados". Tal como registrado no relatório acima minudenciado, em relação à segunda parte da autuação, relacionada a pagamentos supostamente realizados a beneficiários não identificados “pagamentos sem causa”, a Recorrente foi intimada a comprovar os seguintes lançamentos contábeis: Fl. 200659DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 16 A Recorrente, por seu turno, tem sustentado que todos os pagamentos estariam perfeitamente individualizados na conta contábil “Clientes NãoIdentificados”, com a comprovação da efetividade dos pagamentos, sendo inverídica a asserção deduzida pelo Fisco de que não seria possível a identificação dos pagamentos a fornecedores. Em vista do que deduzido pela contribuinte, que apresentou elementos que comprovariam alguns pagamentos (correspondentes aos valores reproduzidos nas linhas 1, 3 e 4, da segunda coluna da tabela acima reproduzida), a 2ª Turma da DRJ em São Paulo, como já anotado no relatório, converteu o julgamento em diligência (fls. 560 – 564), para que a autoridade lançadora, em síntese, apreciasse os elementos de prova acostados na Impugnação e indicasse se foram devidamente comprovados os beneficiários dos pagamentos referentes aos lançamentos contábeis indicados e, no caso de ser verificada a necessidade de retificação do lançamento de IRRF, que fosse indicada a importância que merecia permanecer na presente autuação, determinandose que após as conclusões da Fiscalização fosse oportunizado à Recorrente se manifestar sobre o feito. Em resposta às solicitações, a Fiscalização elaborou Relatório Conclusivo de Fiscalização e Diligência (fls. 943 – 950), atestandose, resumidamente, que todos os elementos de prova foram analisados (anexos I ao LVXXVI) e que não foi apresentado à Fiscalização a escrita auxiliar, a qual discriminasse todos os pagamentos, tanto os recebidos como os efetuados pela contribuinte e que a Recorrente lançou na contabilidade os pagamentos de foram e global e sem escrita auxiliar não se poderia identificar os beneficiários dos pagamentos e os pagamentos demonstrados não corresponderiam, numericamente, com os lançamentos contabilizados. Manifestandose acerca das conclusões fiscais (fls. 957 – 963), a contribuinte aduziu que as diferenças apontadas pela Fiscalização seriam ínfimas e não justificariam a Fl. 200660DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 10 17 manutenção do auto de infração e que toda a documentação foi apresentada de modo a comprovar os valores pagos e os beneficiários respectivos. Já a decisão recorrida, louvando o trabalho fiscalizatório, assim se manifestou em conclusão ao tópico analisado, in verbis: (...) Conforme constatado pela autoridade fiscal, não há identificação individualizada dos registros dos pagamentos efetuados aos beneficiários na contabilidade bem como não se comprovou a causa dos pagamentos. Dessa forma, não assiste razão à impugnante tendo em vista o previsto no art. 674 do RIR/99. O enquadramento legal, já reproduzido anteriormente, autoriza a cobrança do IRRF nos casos de pagamentos para os quais não haja a comprovação da operação ou sua causa. Fica, portanto, mantida a presente autuação. (...) Como bem colocado pela Fiscalização e pela decisão recorrida, presentes os pagamentos a beneficiários não identificados, incidirá o que disposto no artigo 674 do RIR/99, consagrador de que sujeita ao IRRF, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados por pessoa jurídica a beneficiário não identificado. Tal como fiz no tópico precedente, portanto, registro que remanesce para nosso enfrentamento a perquirição de ter havido ou não os precitados pagamentos a beneficiários sem causa, cuidando nesse mister de valorar a prova produzida tanto pela Fiscalização quanto pela Recorrente, porquanto se afirmativos forem os pagamentos, a irradiação do artigo 674 do RIR/99 será inarredável, ao contrário, contudo, sendo possível identificarse os fornecedores, por certo a autuação não subsistirá. Registro incialmente que em lançamentos tributários a exemplo do que ora se analisa, no qual se versa questão eminentemente fática, já que o panorama jurídico é relativamente singelo, assume papel extremamente relevante a atuação do contribuinte, que no caso concreto, como assinalado em sua peça recursal, buscou demonstrar que todos os pagamentos glosados pela Fiscalização como “pagamentos sem causa” encontramse devidamente escriturados e lastreados. A par da importância dada ao que produzido pela Recorrente como contraprova, também não se pode olvidar o resultado da diligência fiscal determinada nestes autos. Diante disso, necessário descortinar, por primeiro, as conclusões a que chegou a autoridade administrativa, por ocasião da diligência determinada. Após minudenciar os procedimentos realizados na diligência, relatando as intimações enviadas à Recorrente, seu comparecimento e juntada de arquivos, assim se manifestou a autoridade administrativa (fl.153 em diante), verbis: “(...)“ Quesito 1 Apreciar os elementos de prova acostados aos autos pela Impugnante, bem como os demais documentos eventualmente em posse do contribuinte que sejam relevantes para a apreciação do mérito da autuação. Fl. 200661DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 18 A diligência apreciou os elementos de prova acostados dos autos pela Impugnante, traduzidos pelas cópias pertencentes aos Anexos I a XXXIII do Processo. Idem referente aos elementos trazidos ao processo no decorrer desta formadores dos Anexos XXXIV a LVXXVI. Com esses elementos pretende a Impugnante restar provado os pagamentos a beneficiários, identificandoos. Bem lembrado pelo Nobre Julgador, ao mencionar que: "Ademais, é certo que não foi apresentado qualquer livro contábil que registrasse individualmente os pagamentos referentes aos elementos de prova anexados pela defesa, vez que, conforme demonstra o confronto do teor do quadro aposto no item 4 retro com os vultosos documentos acostados á defesa, resta induvidoso que cada lançamento contábil englobaria uma miríade de operações. Frisese que o contribuinte, para justificar a escrituração sintética destas operações mercantis, deveria apresentar a escrituração analítica lançada em registros auxiliares devidamente registrados (PN CST 127/75, item 3.3.1 e art. 258, par. 2° do RIR/99)". De fato, a legislação fiscal de regência é cristalina nesse sentido. Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individualizado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei ' n° 486/69, art. 5°, Par. 3°). Vai além o legislador, mencionando que no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares para o Diário, deve ser feita referência as paginas "em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. A impugnante, na fase de auditoria fls. 270 do processo justificou os lançamentos contábeis informando que os extratos bancários são registrados diariamente para garantir as operações da empresa. Que no momento do registro não é possível identificar a qual cliente (sic) pertence o pagamento e que, portanto, são largados na conta contábil de clientes não identificados. Após a identificação é feito uma reclassificação para a devida conta. Por esta sistemática descrita, induzse que há a escrita, auxiliar que registra o pagamento e/ou recebimento. Todavia, na fase de fiscalização, não foram identificados os beneficiários dos pagamentos. Posteriormente, na Impugnação, são apresentados vultosos documentos, anexos I a LVXXVI do Processo. Atesta a impugnante que os lançamentos são feitos de forma global, corroborado pelas informações constantes das mídias magnéticas, indicando que a maioria esmagadora dos pagamentos são lançados sinteticamente, de forma global. Observase que os pagamentos demonstrados em sua maioria não coincidem numericamente com os lançamentos contabilizados, conforme quadro abaixo, comparativo entre os dois valores para cada estabelecimento. Fl. 200662DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 11 19 Vejase que após tecer suas considerações a autoridade administrativa encarregada da diligência fiscal reputa que por não serem numericamente coincidentes, em sua maioria, os valores não refletiriam comprovação dos pagamentos e seus beneficiários, elaborando planilha (fl. 949), indicativa das diferenças numéricas. Antes mesmo de valorar a conclusão da respeitável autoridade, convém reproduzir suas considerações e relação ao segundo quesito formulado, verbis: “(...)” Quesito 2 Indicar se foram devidamente comprovados os beneficiários dos pagamentos referentes aos lançamentos contábeis arrolados no item 4 do despacho, que ensejaram a autuação do IRRF. Esta informação, s.m.j., deve considerar dois aspectos. O primeiro referese à prova material introduzida pela Impugnante através de sua impugnação e no decorrer dos trabalhos de diligência, quando complementou documentalmente suas alegações e prestou esclarecimentos pertinentes à metodologia contábil e fiscal as quais, acredito, terem sido perfeitamente esclarecidas neste relatório e demais elementos trazidos ao processo (mídias magnéticas, etc.). O segundo aspecto referese à análise da prova material. Entendo que, em atenção ao Principio do Livre Convencimento da Autoridade Julgadora, cabe a esta, com base nas provas existentes nos autos, levar em conta sua livre convicção pessoal motivada. Assim sendo, acreditamos que pudemos esclarecer os pontos trazidos para esta Diligência Fiscal, ficando prejudicada a resposta ao item 3 da solicitação para a diligência, uma vez que não há valor a indicar por esta fiscalização que mereça ser excluído ou permanecer na presente autuação, atendendo ao Princípio acima declinado. (...) Neste ponto específico a zelosa Fiscalização deixou de emitir seu juízo de valor acerca da prova, por entender ser tal valoração de competência do órgão julgador e, portanto, não reputando se os pagamentos foram de fato realizados. Rememoradas as disposições constantes na diligência fiscal, que com o maior respeito, afirmo que nada acrescentou e ainda assim serviu de fundamento a decisão recorrida, temse que duas são as premissas que delas se extrai: i) os pagamentos somente foram considerados como realizados a “beneficiários sem causa” porque numericamente não coincidiam exatamente com os beneficiários indicados pela Recorrente; ii) a autoridade declinou de manifestarse conclusivamente sobre as comprovações afirmadas pela contribuinte. Se como noticiado acima para o correto deslinde da questão é necessário cotejar as provas e contraprovas produzidas nestes autos, já tendo esquadrinhado a Diligência Fiscal, de bom alvitre sintetizar os principais argumentos da Recorrente, que sustenta não haver Fl. 200663DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 20 falta de identificação dos beneficiários, porquanto, consoante Relação de Pagamentos a Fornecedores, que compõem os documentos de nº 12 e 13 acostados aos autos (arquivos sem paginação), é possível identificarse todos os pagamentos realizados, aduzindo que a palmilha elaborada, traz todas as informações necessárias para individualização dos lançamentos, consistentes em: a) o anexo em que se encontra registrado o lançamento; b) o número da Nota Fiscal ou Boleto; c) a data da emissão do documento; d) a Razão Social e o CNPJ/CPF do emitente; e) qual o CNPJ do Destinatário; f) a data da contabilização; g) a página e o lançamento no livro diário; h) qual a conta contábil a crédito; i) qual a conta contábil a débito; j) qual o número do lançamento; k) o CFOP da operação; l) qual o número do livro de entrada ou livro de saída (no caso de devoluções) e a página do correspondente lançamento. Nessa toada, de afirmar a comprovação dos destinatários, a Recorrente cuidou de demonstrar, exemplificativamente, o seguinte pagamento (fl. 21 em diante do RV): “(...)” A título de exemplo, tomemos o caso da Nota Fiscal nº 0019351. Referida Nota Fiscal está demonstrada no Anexo XXXVIII, Página 11. O documento foi emitido em 30/11/2004 pela empresa AGRO INDUSTRIAL SOARES JUNIOR LTDA. CNPJ 36.934.834/0001 11, pelo valor de R$ 14.000, para a filial CNPJ 01.157.555/000619 (Guarapiranga). A contabilização ocorreu em 31/12/2004, tendo sido lançada no Livro Diário nº 71, páginas 554 a 555. O lançamento foi registrado na Conta Contábil a crédito nº 21211 e Conta Contábil a Débito nº 31211. O lançamento foi registrado pelos números 1774804 a 1774833, CFOP 2102 (Classificamse neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas). As mercadorias foram registradas no Livro de Entrada nº 6, página nº 247. (...) Com efeito, a Recorrente trouxe aos autos minuciosos demonstrativos, encartado por meio dos nominados “doc. 12 a 13”, encartados a partir das folhas 16.798, detalhando a relação dos fornecedores, com dados, para todos os lançamentos, a exemplo daqueles descritos na citação exemplificativa acima, de sorte que seria de pouco proveito transportálos para este voto, bastando referir, contudo, que a prova dos autos, que além da referida relação minuciosa se consiste ainda no Razão Analítico dos Fornecedores (fls 17.175 em diante) e no Cartão do CNPJ dos fornecedores fl. 17.475 em diante), não permitem a conclusão de que os pagamentos se deram a beneficiários não indentificados. A fortiori, o conteúdo da Diligência Fiscal já referida, ao contrário do que disposto na decisão recorrida, milita em favor do que sustentado pela contribuinte, pareceme um tanto contraditório que a autoridade repute que apenas os valores não coincidem numericamente, por diferença de algumas dezenas de reais, e conclua que os beneficiários não são identificados. No mínimo, a conclusão lógica levaria a improcedência da parcela coincidente dos valores, mantendose unicamente as diferenças. Fl. 200664DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000774/200913 Acórdão n.º 1301001.080 S1C3T1 Fl. 12 21 A propósito das tais diferenças, único fundamento utilizado para não afastar se a exigência, a Recorrente bem salientou que numericamente foram inexpressivas, estando em sua maioria abaixo de 1%, confirase a tabela elaborada para o confronto entre os valores que a Diligência Fiscal determinou e que a Recorrente considerou em sua contabilidade: Ao meu sentir, o fundamento utilizado para autuação dos considerados beneficiários não identificados, versando exigência do IRRF, não subsiste, porquanto os beneficiários estão perfeitamente indicados, no mínimo, nos valores reconhecidos pela Diligência Fiscal. Confirase o teor do dispositivo utilizada na autuação, verbis: Art. 674 – RIR/99 Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). Identificados os destinatários dos pagamentos, a despeito de os valores apresentarem variações mínimas, como registrado na Diligência Fiscal, na esteira dos inúmeros precedentes deste Conselho, em relação à parcela incontroversa, não subsiste a autuação. Sendo assim, neste tópico específico da autuação, encaminho meu voto no sentido de prover parcialmente o Recurso Voluntário, para reformar a decisão recorrida e determinar a exclusão da exigência em relação aos valores incontroversos entre o que consignado pela Recorrente e o que apurado pela Fiscalização na diligência fiscal, mantendo a autuação unicamente sobre as diferenças também consignadas na diligência fiscal. Fl. 200665DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 22 III – Conclusão Em vista de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, reformando a decisão recorrida para afastar integralmente a imputação relativa à omissão de receita, porquanto não caracterizada nos autos o “saldo credor de caixa”, hipótese servida para aclamar a presunção legal e no tocante ao item II, relativo aos pagamentos a beneficiários não identificados, manter parcialmente a exigência fiscal, subsistindo unicamente as diferenças apontadas na diligência fiscal. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 200666DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/12/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 12268.000257/2008-75
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/05/2008
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
RELEVAÇÃO.INAPLICABILIDADE
Somente com a entrega de GFIP sem irregularidades e obedecidas as condições do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tem o contribuinte direito ao favor da relevação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.119
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/05/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. RELEVAÇÃO.INAPLICABILIDADE Somente com a entrega de GFIP sem irregularidades e obedecidas as condições do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tem o contribuinte direito ao favor da relevação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/05/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. RELEVAÇÃO.INAPLICABILIDADE Somente com a entrega de GFIP sem irregularidades e obedecidas as condições do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tem o contribuinte direito ao favor da relevação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 57 /2 00 8- 75 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência das remunerações pagas por intermédio da empresa Incentive House S/A aos segurados empregados e contribuintes individuais, nos períodos 11/2003 a 12/2007 e 11/2003 a 02/2007. O r. acórdão – fls 1031 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Os Nobres Julgadores de primeira instância entenderam que a Recorrente teria deixado de cumprir um dos requisitos para que a multa aplicada fosse relevada, qual seja: não correção da falta, consoante o disposto no § 10 do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ocorre que, diferentemente do alegado, a Recorrente corrigiu a falta apontada no relatório fiscal da infração. · A multa foi aplicada pelo fato de que a Recorrente teria deixado de informado em GFIP as contribuições decorrentes de remuneração paga aos seus segurados empregados por meio da empresa Incentive House. Ocorre que a infração apontada foi regularizada por meio da apresentação de novas GFIP's contendo as referidas informações (comprovantes anexados à impugnação). Tal regularização se deu dentro do prazo determinado para a apresentação da impugnação. · Em que pese suprida a falta, os Ilustres Julgadores indeferiram o pedido de relevação da multa sob o fundamento de que a correção teria sido efetuada de maneira incorreta. E isto, porque ao efetuar a regularização conforme orientado pela fiscalização, as informações geradas nas GFIP's transmitidas anteriormente foram suprimidas, sendo substituídas pelas novas, fato já regularizado pela Recorrente, conforme se infere dos comprovantes os quais serão oportunamente anexados aos presentes autos. · Em que pese o erro apontado pelos Ilustres Julgadores no procedimento adotado pela Recorrente para o preenchimento das novas GFIP's é fato inquestionável que houve a correção da falta objeto do presente Auto de Infração, sendo prestadas todas as informações a este Órgão. · Tendo sido constatada outra irregularidade, qual seja, a supressão dos pagamentos já declarados anteriormente, deveria a fiscalização ter efetuado o lançamento de novo Auto de Infração. Vejase que o r. decisium informa que nas primeiras GFIP's haviam . sido informados Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 5 4 aproximadamente 300 segurados e que nas segundas este númeró não passou de 200. Assim sendo, o valor da multa aplicada neste Auto de Infração seria incompatível com o que determina a legislação previdenciária, devendo, portanto, ser apurado novo valor. · É fato inquestionável, portanto, que a exigência foi cumprida integralmente, o que basta para que a penalidade seja relevada. · Requer o provimento ao presente Recurso Voluntário, decidindo pela relevação da multa consubstanciada no presente Auto de Infração. Na improvável hipótese de manutenção do respectivo lançamento, o que se considera por força de argumentação e devido ao principio da eventualidade, espera a Autuada, que, no mínimo, a penalidade seja atenuada. · Por derradeiro, se entenderem os ínclitos Julgadores Tributários que a prova ofertada não é suficiente à comprovação do alegado, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela prestação de esclarecimentos que se fizerem necessários e a juntada de documentos comprobatórios da regularização. É o relatório. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA AUTUAÇÃO O contribuinte foi autuado por entregar GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. Buscando o favor legal da relevação – então vigente, alega que corrigiu a falta inquinada, pois elaborou novas GFIP´s com as informações faltantes. Acontece que, após a versão SEFIP 8.0, aprovado pela IN MPS/SRP n° 11, de 25/04/2006, ao entregar uma nova GFIP, todos os dados referentes aquela competência são substituídos pela última GFIP entregue e, pelo que constam nos autos, a recorrente entregou novas GFIP´s apenas com as informações faltantes – remunerações percebidas através de cartões eletônicos resultando assim em entrega de GFIP irregular, pois agora consta nos sistemas da seguridade social apenas as remunerações recebidas via cartão e não o total recebido pelos empregados como deveria. Em que pese a bem articulada defesa, a tese da recorrente, de que sanou a falta, pois entregou GFIP com as informações que o fiscal afirmou estarem faltando não deve prosperar. O decreto 3.048/99 tinha a seguinte redação em seu art. 291: § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) A falta apurada foi a entrega de GFIP “com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Obviamente que se buscava, ao oferecer a relevação, que a falta fosse corrigida com a entrega de nova declaração com TODOS OS FATOS GERADORES de contribuições previdenciárias, o que vai ao encontro de uma das finalidades mais expressivas da GFIP – alimentar o banco de dados da seguridade social garantindo o direito dos trabalhadores aos benefícios oferecidos pelo sistema. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 7 6 Entendimento contrário poderia autorizar a relevação ao contribuinte que transmitisse novas informações constando apenas as falhas pontuais apuradas pelo fiscal, que substituiriam as informações mais completas já existentes, dando assim como resultado uma premiação a quem ao invés de alimentar o sistema com novas informações, as subtrariu – o que certamente foge ao escopo da graça oferecida. Dessa feita, somente tem direito a relevação prevista no art. 291 §1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048/99, o contribuinte que corrigir a falta apontada, in casu, entrega de novas GFIP´s com TODOS OS FATOS GERADORES de contribuições previdenciárias. Uma vez não apresentada as GFIP´s na forma devida, descabe se falar em relevação da multa aplicada. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 8 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12268.000257/200875 Acórdão n.º 2803002.119 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.001467/2001-21
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 08/05/1987 a 13/07/1989
O prazo para requerer o quantum indevidamente recolhido aos cofres públicos em razão da incidência da contribuição para o Instituto Brasileiro do Café, instituído pelo Decreto-Lei n° 2295/1986, reputado não recepcionado pela Constituição Federal de 1988 segundo entendimento da Suprema Corte, é de 10 anos a contar do respectivo pagamento, de acordo com a interpretação dada ao artigo 168, I do Código Tributário Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: CSRF/03-06.257
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso aplicando-se a tese dos 10 anos contados da ocorrência do fato gerador - tese dos 5 + 5 anos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luiz Roberto Domingo e Antonio Carlos Guidoni Filho que negavam provimento, 0 Conselheiro Antonio Praga, vencido em primeira votação, acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões. Designado para Redigir o voto condutor o Conselheiro Antonio Praga, que apresenta declaração de voto.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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Numero do processo: 10620.000943/2002-69
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO
A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.210
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membr» s do colegi o, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 4 CARLO 'LBE' 1 O REITAS BARRETO — Presidente ELIAS S '11° O F' EIRE — Relator EDITADO EM: 18 SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado para fins da não incidência do ITR: a exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA no prazo normativamente disciplinado. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do ITR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; 2 Processo n° 10620.000943/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.210 Fl. 3 II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) compro vadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 3°, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Ç)Í 3 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 0, equivalente a 100% na linha de maior declive; J) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse 4 Processo n° 10620.000943/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.210 Fl. 4 § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições a) nas regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo-se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert - O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerando-se, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1° Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computar-se-ão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, ()( 5 a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) § 3° Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551-552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' ( 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CIN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado -'ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) -, demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principal. Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. 6 Processo n° 10620.000943/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.210 Fl. 5 A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declaratório Ambiental. Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1°, inc. H, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem . Com efeito, a exigência de ato declarat6rio se encontra tão-s6 nas alíneas Tb' e 'c' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da IN n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso II do § 1 0 da Lei n° 9.393/96, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89, que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Portanto, a irresignação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive, porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Colaciono os seguintes precedentes: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO - A comprovação da área de Preservação Permanente, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Não existe previsão legal que determine a necessidade de averbar, à margem da matrícula do imóvel, a área de Preservação Permanente. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03- 05.514 ) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) — ÁREAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO (PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL) — COMPROVAÇÃO — ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL (ADA) REQUERIDO FORA DO PRAZO REGULAMENTAR. - O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. Além disso, não é tal documento o único meio de prova da existência das referida áreas. Tendo o contribuinte carreado para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se excluí-las da base de cálculo do ITR.Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03-04.244) Precedentes do STJ também são no sentido de que se permite a exclusão da base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental: (1)1\7 7 • TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO DO IBAMA. I. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Deelaratário Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, ReL Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1112283 / PB, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 01/06/2009) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL DO IBAMA. 1. O Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Deelaratário Ambiental do IBAMA. 2. Recurso especial provido. (REsp 665123 / PR, SEGUNDA TURMA, Relatora Ministra EMANA CALMON, DJ 05/02/2007 p. 202) Por to o s exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias Sampai 'Wire - Relator • 8
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Numero do processo: 16327.904333/2008-22
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do Fato Gerador: 18/06/2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. O Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio votou pelas conclusões. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do Fato Gerador: 18/06/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. O Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio votou pelas conclusões. Ausente a Conselheira Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 33 /2 00 8- 22 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos de pagamento a maior do Imposto Sobre Operações Financeiras – IOF. Em auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado em razão dos créditos informados estarem integralmente alocados a débitos da Recorrente, conforme declarado em DCTF, não restando créditos a serem utilizados. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho, alegando que os créditos teriam origem em valores recolhidos indevidamente do IOF. Para justificar o recolhimento a maior, a empresa apresentou os seguintes esclarecimentos: “A Requerente, Instituição Financeira, efetuou operações de crédito (empréstimo) com diversos clientes (pessoas jurídicas). Para tais operações, o art. 7°, I, "b", 1. do Decreto n°4.494/02 previu a incidência do IOF: "Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do I0F são (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1°, parágrafo único, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia;” 0 mesmo Decreto, no art. 7°, § 1º, limitou a incidência do IOF sobre as operações de crédito financiamento ao "valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias" (365 dias x 0,0041%). Tal limitação ocorre, inclusive, quando há prorrogação da operação de crédito. É o que diz o § 7° do art. 7° do Decreto n° 4.494/02: Fl. 647DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102001.639 S3C1T2 Fl. 647 3 § 7° Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de divida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que lido haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar a anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. Conclusão: nas operações de credito (empréstimos) efetuadas pela Requerente com seus clientes, o IOF devido é aquele relativo ao valor objeto do empréstimo a alíquota diária de 0,0041% (limitada a 365 dias).” Detalhado o funcionamento dos contratos de mútuo a empresa alega que o recolhimento a maior, ocorreu sobre operações de crédito com as empresas AON Affinity do Brasil Serviço, BOC Cases do Brasil Ltda. e Danzas Logist Armazéns Gerais, quando, por erro de sistema, considerou novamente o IOF em cada prorrogação do prazo da operação, dessa forma não limitou o cálculo do IOF à alíquota máxima de 0,0041% x 365 dias. Informa ainda na impugnação, que por ser mera responsável pela retenção do IOF, apurou os pagamentos efetuados a maior e providenciou a devolução dos valores indevidamente retidos aos clientes, acrescidos de juros e correção monetária. Demonstrado dessa forma que a empresa assumiu o encargo financeiro, resta comprovado o direito a restituição do IOF. Ao apreciar a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, analisou todas as alegações constantes da impugnação e toda a documentação apresentada, concluindo pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. A não homologação do pedido de restituição/compensação foi assim descritos no voto da decisão da autoridade a quo: “Em relação às operações AON1 e as quatro envolvendo a empresa Danzas, o conjunto probatório ressentese da ausência do extrato bancário que apresente o depósito inicial dos recursos que teriam sido emprestados. A ausência desse elemento probatório compromete a força dos demais, uma vez que, sem o respaldo do extrato bancário, fica sem comprovação a própria efetividade do empréstimo, assim como a renovação que seria o motivo da existência do crédito. Sem a comprovação de que houve um empréstimo, os contratos e os documentos que seriam relativos à devolução feita ao cliente, perdem a coerência e, com isso, a força probatória e o necessário elo com a reivindicação de crédito. Nesse contexto, o que se extrai dos documentos trazidos aos autos é que, nas datas em que teria havido a contratação original dos empréstimos, houve um débito de IOF na conta corrente de um correntista da interessada, sem que haja qualquer vinculo com as operações de empréstimo que teriam originado o crédito reivindicado. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Por seu turno, a comprovação da existência dos empréstimos envolvendo a empresa BOC Gases do Brasil Ltda. e a operação identificada como AON2 ressentese da ausência dos contratos que comprovem a contratação e a renovação dos empréstimos alegados.” A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. 0 reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o direito ao crédito e que a documentação juntada seria suficiente para comprovar o indébito tributário. No Recurso, discorre sobre o contrato de mutuo e a que a sua prova não necessita de forma escrita, podendo ser feita por outros meios e no caso de mutuo bancário basta provar a ocorrência do crédito dos valores na conta corrente. As alegações sobre a efetividade da operação com base na documentação apresentada, foram assim detalhadas pela Recorrente: “Os contratos ou os extratos bancários, quando apresentados juntamente com as planilhas e as declarações, são elementos que demonstram suficientemente a efetividade dos empréstimos e suas prorrogações. Ademais, os débitos de juros sobre tais empréstimos, presentes nos extratos da contacorrente das empresas mutuárias, configuram mais um elemento a provar a efetividade do aludido negócio jurídico. Com efeito, nos casos em que os extratos bancários estão faltantes, mas os contratos foram apresentados, é de se notar que, embora a existência de contrato escrito não seja característica intrínseca ou essencial a essa espécie de contrato, Fl. 649DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102001.639 S3C1T2 Fl. 648 5 tal elemento comprova sua existência e efetividade — salvo prova em contrário, evidentemente — não se podendo afirmar que seria indispensável apresentar o extrato com o crédito inicial dos recursos, ainda mais diante dos demais elementos apresentados (planilhas rubricadas, notas promissórias, extratos com o débito do imposto na conta do cliente etc.). Já nos casos em que os contratos estão faltantes, temse que a essência do mútuo (a entrega da coisa mutuada, no caso, o dinheiro) prevalece sobre o instrumento formal de sua existência (o contrato escrito).” Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora intimasse a Recorrente à apresentar os extratos bancários comprovando o depósito inicial dos contratos de mutuo referente às operações com as empresas Danzas Logist Armazéns Gerais e da empresa AON Affinity do Brasil Serviço identificada como AON1. Na mesma diligência também deverá ser intimada a Recorrente, a apresentar os contratos de mutuo referente às operações com a empresa BOC Gases do Brasil Ltda. e da operação identificada como AON2 da empresa AON Affinity do Brasil Serviço. Atendendo a intimação realizada pela Unidade de Origem, a Recorrente apresentou extratos bancários com os depósitos da empresa Danzas Logistic e AON Affinity, contratos de mutuo da empresa BOC Gases do Brasil. Também foi apresentado vontrato de mutuo de mutuo da empresa AON Affinity no valor de R$ 2.400.000,00. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado o cerne da lide é a discussão sobre as provas apresentadas para comprovação do indébito tributário. A autoridade considerou que parte dos créditos foram comprovados por meio da documentação apresentada, restando. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A autoridade a quo de forma diligente analisou toda a documentação traga pela Recorrente e decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Para o restante, a não homologação ocorreu por entender estar ausente documentação essencial para comprovação do pagamento a maior do IOF. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso. Diante deste fato, resolveu a Terceira Turma da Quarta Câmara baixar os autos em diligência para unidade preparadora intime a recorrente a apresentar os documentos que poderiam suprir a necessidade de comprovação documental do indébito. As informações apresentadas pela Recorrente quanto as operações com as empresas Danzas Logistic e BOC Gases confirmaram o indébito tributário, resolvendo a falta de documentos que foi suscitada no julgamento da primeira instância. Quanto as operações com a empresa AON Affinity, o contrato não corresponde em valor, tampouco em data de realização. Portanto, não há como vincular os documentos apresentados na diligência àqueles informados pela Recorrente que justificariam o recolhimento a maior do IOF quanto a contrato de mutuo. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para homologar os créditos referentes às operações com as empresas Danzas Logistic e BOC gases Ltda. e negar provimento a parte que concerne aos empréstimos com a empresa AON Affinity. Winderley Morais Pereira Fl. 651DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102001.639 S3C1T2 Fl. 649 7 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 19679.016337/2004-26
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 1999
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE.
O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.424
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA "' • (101 )rol" '...... ; 3., CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, e .‘3, 4,-j".11)1. 7, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19679.016337/2004-26 Recurso n° 142.783 Voluntário Acórdão n° 3102-00.424 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2009 1 Matéria DCTF Recorrente CONFORTO REDE COMERCIAL DE COLCHÕES LTDA. Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999 1 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / 2' turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. . '. M 4: TRA 1----tu, Clor~A---- $ HE E A MO DAMORIM Pr..lis (i tl -,t)sil • ' • 4 0 • ULO ROSA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. o Processo n° 19679.016337/2004-26 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.424 Fl. 62 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Por meio do Auto de Infração de fl. 28, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 4.644,54, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, referente ao 1°, 2 0, 3° e 40 trimestre do ano calendário de 1999. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, sS 3" e 160 da Lei n" 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF 73/98; artigo 2" e 5 0 da Instrução Normativa SRF n" 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7' da MP n° 18/01 convertida na Lei n" 10.426/2002 . Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 12, na qual alega, em síntese, o seguinte: -que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória - apresentação de declarações (DCTF) - fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É o Relatório. 2 Processo n° 19679.016337/2004-26 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.424 Fl. 63 Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. A reclamante repisa, agora em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. Não há qualquer reparo a fazer na decisão a quo. A imposição de que aqui se trata tem origem no próprio Código Tributário Nacional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1' A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2 0 A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3 0 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A ocorrência que deu origem ao crédito tributário contestado está perfeitamente enquadrada nos parágrafos segundo e terceiro acima transcritos. Trata-se de uma obrigação de caráter acessório, que tem por objeto a prestação de informações no interesse da arrecadação tributária federal e que, não tendo sido observada, no tocante ao prazo definido para sua apresentação, deu origem à obrigação principal correspondente à penalidade aplicada. A base legal para a imposição da multa, a partir do ano-calendário de 2002, é a Medida Provisória n. ° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A aplicação desse dispositivo a fatos anteriores enquadra-se no conceito da alardeada retroatividade benigna, pois a obrigação acessória sub examine e a multa decorrente da inobservância de sua apresentação no prazo previsto já dispunham de base legal. Decreto-lei n0 1.968/82, com alteração introduzida pelo Decreto-lei n2 2.065/83. 2Q Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORIN para cada grupo de 5 (cinco) informaçOes inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. 3 Processo n° 19679.016337/2004-26 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.424 Fl. 64 § 3Q Se o formulário padronizado (§ 1') for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 (dez) ORTN ao mês-calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4' Apresentado o formulário, ou a informação, fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento "ex officio", ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado as multas serão reduzidas à metade." Decreto-lei no' 2.124/83. Art. 5". O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (.) § 3". Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2', 3°e 4° do art. 11 do Decreto-lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Lei n° 9779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Havendo previsão legal para imposição, não há como afastá-la. A responsabilidade tributária é objetiva, independe da intenção do agente, conforme preceitua o Código Tributário Nacional. Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazê-lo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração por entrega em atraso. 4 Processo n° 19679.016337/2004-26 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.424 Fl. 65 Parece-me incontroverso que o instituto da espontaneidade não aproveita aos casos de infrações tipificadas como atraso na entrega de declarações, quaisquer que sejam. Contudo, não será demais examinar a questão a partir de uma visão sistêmica do todo. Assim manifestou-se o STJ a respeito do assunto. "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. II. Ademais, "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um". (REsp n° 243.24I-RS, Rd Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000). HL Embargos de divergência rejeitados. A i , o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. f 1 S. i i. a. essões, em 19 de junho de 2009. ii N,ÀR • *.ii ' • ULO ROSA 1 5
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