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Numero do processo: 10380.000929/2006-69
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CREDITO PRÊMIO DE IPI.
Possuindo natureza de benefício fiscal o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302.00.036
Decisão: ACORDAM os memebros da 3° câmara 2° turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.O Conselheiro Walber José da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CREDITO PRÊMIO DE IPI. Possuindo natureza de benefício fiscal o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10380.912654/2009-51
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRPJ. PAGAMENTO A MAIOR POR ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM DUPLICIDADE.
Em sessão de julgamento de 24/03/2015 a Recorrente apresentou pedido de desistência.
Numero da decisão: 1801-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque.
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 IRPJ. PAGAMENTO A MAIOR POR ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM DUPLICIDADE. Em sessão de julgamento de 24/03/2015 a Recorrente apresentou pedido de desistência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IRPJ. PAGAMENTO A MAIOR POR ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM DUPLICIDADE. Em sessão de julgamento de 24/03/2015 a Recorrente apresentou pedido de desistência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 26 54 /2 00 9- 51 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/07/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da 4a. Turma da DRJ de Fortaleza (CE), fls. 348/352, o qual não homologou Pedido de Compensação DComp nr. 29236.24773.300807.1.3.044151, decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ (R$537.835,52, em 31/06/2006; PA 12/2005). A conclusão fundamentouse no fato de que a Recorrente utilizou o crédito em duplicidade, em pedidos de compensação e na apuração do saldo negativo anual. Decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. A DRF de Fortaleza (CE) também havia considerado improcedente o pedido de compensação. No entanto, fundamentou seu Despacho Decisório (fls. 12/17) no sentido de que a Recorrente somente poderia utilizar seu crédito na dedução do IRPJ ou da CSLL, devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período. A DRF não se manifestou quanto à ocorrência de utilização em duplicidade do crédito. A Recorrente alegou (fl. 187) violação ao princípio da imparcialidade, por parte da DRJ; disse que o julgado "foi além da sua competência, procedendo como um verdadeiro auditor fiscal e negou a restituição/compensação por suposta duplicidade nas compensações". Alegou, também, que a conclusão do Acórdão caracteriza inovação. Disse que a DRJ não poderia adentrar na questão da utilização em duplicidade do crédito, pelo fato de que os procedimentos de fiscalização e o julgamento da DRJ não adentraram nesse ponto; que o Acórdão recorrido deveria "dizer o direito conforme o que fora requerido e jamais adentrar na seara dos Órgãos Fiscalizadores". A Recorrente ainda argumenta que teria havido supressão de instância e violação ao princípio da ampla defesa, em virtude do fato de que não houve oportunidade para apresentar manifestação de inconformidade a respeito da conclusão da DRJ, sobre a utilização em duplicidade do crédito. Cita ementa de Acórdão do Terceiro Conselho de Contribuinte (fl. 189) no sentido de que é nula a decisão que caracterize supressão de instância. Expõe suas razões e requer que prevaleça as disposições da IN 900, e não o art. 10 da IN 600. Invoca o princípio de que em caso de dúvida a interpretação da norma deve favorecer o contribuinte (In dubio pro contribuinte, art. 112, do CTN). Ao final, pediu provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido e declarar improcedente o despacho rescisório. Frisese que, não há requerimento para que seja homologado o pedido de compensação em questão. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/07/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H Processo nº 10380.912654/200951 Acórdão n.º 1801002.353 S1TE01 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil A Recorrente, em sessão de julgamento no Carf de 24/03/2014, apresentou petição, por meio da qual requereu a desistência do Recurso Voluntário em questão. Diante da expressa desistência, não conheço do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2015 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/07/201 5 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRIC H
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Numero do processo: 13811.000621/2002-61
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS.
Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Numero da decisão: 3102-01.102
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Paulo Celani e Ricardo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Almeida Filho.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
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RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtorexportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas nãocontribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Paulo Celani e Ricardo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Almeida Filho. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Redator do voto vencedor EDITADO EM: 11/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório A recorrente solicitou o ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em destaque, com base na Lei n.º 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97. O pleito foi deferido parcialmente, sendo que a parcela negada deveuse à exclusão, do cálculo do crédito presumido, das compras de bens de pessoas físicas e aquisições de bens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como estabelecido na legislação do IPI. Tempestivamente, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, ser ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não teria restringido, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas e de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo, e que teria direito à atualização dos valores pleiteados. Ampara sua análise da legislação em entendimentos dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000621/200261 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.593 3 legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 4 § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não serem relevantes para este julgamento as alegações de que esta norma seria ilegal. Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, ressalvadas apenas as hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. Além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000621/200261 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.594 5 conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/2002, RIPI/2002, e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/98, revogado pelo RIPI/2002, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 6 industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000621/200261 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.595 7 § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, energia elétrica e combustíveis, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 8 crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96, não reconhecidas pela fiscalização, não estão amparadas na lei 9.363/96, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Redator designado . Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o crédito presumido de IPI com base na lei nº 9.363/1997 teve seu crédito parcialmente reconhecido. Dentre os valores glosados se encontram aqueles referentes às aquisições de pessoa física não contribuintes da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, matéria sobre a qual se restringe nossa análise. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º2 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo com art. 6º da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria nº 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa nº 23/97, revogada pela nº 313/2003 posteriormente revogada pela nº 419/2004, restringindo a dedução do crédito presumido do IPI, às empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebese que a instrução normativa ao impor restrições a lei nº 9.363/96 ultrapassa seus limites, pois excluiu da base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. 2 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000621/200261 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.596 9 Sabese que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim, seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra “Norma Jurídica Produção e Controle”: 2.6.1.4 A revogação expressa e instrumentos normativos distintos. A revogação pode ocorrer entre instrumentos introdutores de normas diversos. Um instrumento normativo de hierarquia superior, que fundamente a validade do inferior, pode revogar uma espécie normativa que se encontre em patamar inferior. ...Assim, um instrumento superior pode modificar qualquer outra norma jurídica que emane de um instrumento normativo de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor de resistir em face de outros instrumentos de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por uma norma jurídica que emane de um instrumento normativo superior ou igual, em face do critério cronológico.3 Quanto ao tema o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 993.164 entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 3 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 10 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000621/200261 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.597 11 intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 12 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar, apesar da transcrição acima,. que o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, entretanto a decisão ainda não é definitiva. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000621/200261 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.598 13 Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos oriundos de aquisições a não contribuintes do PIS e da COFINS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Sala de sessões 07 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13530.000055/97-05
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-00.084
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan (Vice-Presidente Substituto).
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Processo n° 13530.000055/97-05 Recurso n° 302-126.799 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.084 — 3' Turma Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria FINSOCIAL - Repetição de indébito - Termo inicial da prescrição Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Guadêncio da Silva Duarte ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir _ daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Tercei a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provi ento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Na i Gama, S I Isy Gomes Hoffmann, Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manza ice-Presid èi te Substituto). 4 i j CARLOS ALBERTO F' TAS BARRETO Presidente . f r_,,, ydr,, f2---s-,Ce-e ENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator -: FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado). 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente feito de pedido, protocolado em 12/08/97, de compensação de Finsocial, relativa a pagamento feito acima da alíquota de 0,5%, no período de setembro de 1989 a outubro de 1991. A DRF/Feira de Santana negou o pleito (fls. 76/78), em 12/11/1997, conforme Despacho Decisório, cujo inteiro teor, leio em Sessão. O contribuinte impugnou o despacho decisório em 12/05/1998 (fls. 81/84), que leio em Sessão, alegando em síntese e fundamentalmente não haver referência ou vincula ção na legislação de restituição com a compensação e que a ilegalidade da cobrança do Finsocial em alíquota acima de 0,5% foi definida pelo STF, sendo que o que foi pago além desse porcentual é indevido e que existe o direito creditório. A DRJ/Salvador/BA, às fls. 88/96, em decisão de 1 8/06/99, que leio em Sessão, julgou procedente a solicitação, com a seguinte Ementa: Compensação. Declaração de Inconstitucionalidade Via Controle Difuso. Não há óbice na legislação tributária à compensação de valor pago a maior em virtude de declaração de inconstitucionalidade da norma que majorou o tributo, quando ato do Secretário da Receita Federal tenha adotado a decisão proferida pelo STF. Compensação dos Créditos de um Contribuinte com Débitos de Terceiro. É admitida a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, devendo o pleito ser formalizado a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito através do "Pedido de Compensação com Débitos de Terceiros". Solicitação Procedente. O processo foi remetido pela DRF/FST - SASAR a SASIT para providências pertinentes em 30/06/1999. Em 22/03/2000, quase nove meses depois, sem que se tenha dado ciência do decidido ao contribuinte, essa mesma SASIT, considerando o AD/SRF 96, de 26/11/1999, posterior ao decisurn que adotou a tese da PGFN no que tange à decadência do direito à restituição de valores pagos por força de Lei posteriormente declarada inconstitucional, devolveu o processo a DRJ/SDR, a qual considerando que a Decisão não se consumou por falta de intimação válida e eficaz, acolheu o r parecer do Chefe da sua DIADI, que propôs o desfazimento dela, mediante invalidação, diante do entendimento expresso no AD "posteriormente editado", pelo seu efeito vinculaszte. À fls. 102/1 08 foi prolatada nova Decisão pela DRJ/SDR, em 2 VORL2DDCL_a - • • • • , , - ;• • • 1 • • - inda_a_solieitação,-sob-o argumento de que o direito à restituição ou à compensação de tributo/ 2 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 172 ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive com base em Lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extingue-se após o transcurso de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Em Recurso Voluntário tempestivo de fls. 112/114, de 15/01/2001, que leio em Sessão, é manifestada a inconformidade com a decisão, aduzindo que a "legislação que rege a matéria determina o prazo de dez anos para que o Fisco possa apurar e constituir o crédito vinculado ao Finsocial. Ora, se este o é para constituir o crédito tributário, também o é para o Contribuinte pleitear a sua compensação quando pagos a maior". Este processo, por informação de fls. 118, é encaminhado a este Relator, nada mais havendo nos Autos a respeito deste feito. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao Recurso Voluntário mediante o Acórdão n° 302-35.917 (fls. 119/151), de 04/12/2003, cuja ementa transcrevo: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO. Reforma-se a decisão de primeira instância que aplica retroativamente nova interpretação (art. 2°, parágrafo único, inciso XIII, da Lei n° 9.784/99). RECURSO PROVIDO POR MAIORIA, AFASTANDO-SE A DECADÊNCIA E DETERMINANDO-SE O RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARÁ PRONUNCIAMENTO SOBRE AS DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando contrariedade à lei tributária, interpôs Recurso Especial (fls. 153/162) contra a decisão não unânime a quo. Por meio da informação técnica e respectivo despacho (fls. 163/166) deu-se seguimento ao recurso do Procurador. É o relatório./( 3 Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como relatado, trata-se de pedido de restituição cumulado com o de compensação referente a créditos pertinentes a valores recolhidos a título de Finsocial, no período de apuração compreendido entre setembro de 1 989 e março de 1992, que a contribuinte alega haver pago a maior. Por meio da decisão de fls. 102 a 108, a DRJ em Salvador - BA indeferiu in totum a solicitação do Sujeito Passivo, o qual, inconformado, apresentou recurso voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CTN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito — se decadencial ou prescricional — para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar n° 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos". Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar n° 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário_NacionaLà_nova_legislação_falimentar„pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168-do CIN, para tanto, em seu artigo 30, assim dis ôs: 4 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 173 Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso 1 do art. 168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3°. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4° da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4°. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3 2, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; De outro lado, os críticos da Lei Complementar n° 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a "interpretação" dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3° da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de urna década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a ,citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4° dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 10 Seção, que a Lei Complementar n° 118/2005, no tocante ao art. 3°, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário. para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3o E 4o. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTO- INTITULADA INTERPRETATIVA. "Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. Brasília, 18 de junho de 2008. RELATÓRIO _Trata-se _ de _recurso _ extraordinário interposto_ pela União _de - acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça em que se afastou a aplicação da segunda parte do art. 4° da Lei .f 6 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 174 Complementar 118/2005. Tal dispositivo estabelece que a interpretação dada pelo art. 3 0 da mesma lei acerca do marco inicial para contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário deve se submeter ao art. 106, I, cio Código Tributário Nacional, isto é, que deve ser retroativa. Transcrevo, para fins de registro, a ementa do acórdão prolatado por ocasião do julgamento de Embargos de Declaração, com os quais a União alegou que a decisão fora omissa quanto à aplicabilidade do art. 97 da Constituição ao julgamento: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMEN7'0 DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. (RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. LEI COMPLEMENTAR 118, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2005. JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO.). Acórdão embargado que assentou que "a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)". A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto-vista desta relatoria: 'a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada 'surpresa fiscal'. Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibi I idade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.' (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2004, pág. 295 a 300). (..) À míngua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucional idade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permita o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante,f 7 _ - sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucional idade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios." Deveras, é cediço que inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar o decisum, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. Ademais, impõe-se a rejeição de embargos declaratórios que, à guisa de omissão, têm o único propósito de pre questionar a matéria objeto de recurso extraordinário a ser interposto. 5. Embargos de declaração rejeitados."(REsp 709.805-EDcl, rel. min. Luiz Fox, Primeira Turma). Sustenta-se nas razões do recurso extraordinário que o acórdão prolatado pelo e. STJ afastou a aplicação da segunda parte do art. 40 da Lei Complementar 118/2005, por ofender o princípio constitucional da autonomia e independência entre as Funções do Estado {art. 2° da Constituição) e a garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (art. 5e, XXXVI, da Constituição), A norma afastada estabelece que a interpretação fixada no art. 32 da Lei Complementar 118/2005, segundo a qual a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado", deverá observar o disposto no art. 106, 1, do Código Tributário Nacional. Tratar-se-ia de norma meramente interpretativa e, portanto, de efeitos retroativos na contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário. Segundo a União, o referido dispositivo legal somente poderia ter sua aplicação afastada pelo C. Superior Tribunal de Justiça mediante sua declaração de inconstitucional idade, o que exige a observância do principio da reserva de plenário previsto no art. 97 da Constituição Federal' (Fls. 267 - grifos originais). Opina o Ministério Público Federal, em parecer subscrito pelo subprocurador-geral da República Dr. Paulo da Rocha Campos, pelo provimento do recurso extraordinário (Fls. 281-288). O recurso extraordinário foi afetado ao Pleno por decisão da Segunda Turma em 26.06.2007, É o relatório. VOTO O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4o, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgã o Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97=onstituiçãJ.Wii o se discute neste/ 8 Processo ri CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 175 recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBI TO, NOS TRIBUTOS S UJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3°. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4°, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1 a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTIV, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretá-las. O art. 3 0 da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente intemretativo, o art. 3 0 da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham 1a ocorrer a partir da sua vigência. 9 ~- 1~ 1 1 II 5. O artigo 4°, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3°, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2") e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, =VI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida." Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3' e 4o da Lei Complementar 118/2005: "Art. 3- Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,¢ 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.1 72, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional." Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;" Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3° da LC 118/2005, como determinam o art. 4° da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3° e 4° da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3° da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3° e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de—Justiça—firmara—orientação—segundo a qual o prcuo puru restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a, io Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 176 partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do C7N), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1° e 4°, do CIN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3° da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologacão. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3' e 4° da Lei 118/2005 e do art. 106, 1, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). O mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: "O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)". A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto-vista desta relatoria: "a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal." (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 O 04, pág. 295 a 300) . (..) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento 11 do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios". Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição". Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): "A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. - O distinguo - - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 30 e 40 da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo — com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da "reserva de plenário", do art. 97 da Lei Fundamental." É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição., 12 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 177 Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 40 da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 30 da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4°, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3 0, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer ICappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O "sistema difuso", isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concentrado", em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 10 de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8° e 9°). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, r ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 1 13 Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional n° 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá-las ao caso concreto submetido a seu julgamento; - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer- dos - critérios tradicionás,—segundo os quais: lex 2 O-Decreto-848rde-1-1-de-eutubrer-de-1-890, GJtabelcuvu quv, na guaida aplicaçãcr-da-Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte 14 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 178 posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF188) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2° da Lei n° 9_649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2 0. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificacão prévia da constituciortalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? i 15 A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, "a" e "b"), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fitica, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, • nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt 3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. (.) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercê-la 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutõres. Damo-lhe razão, Bittencourt,—Lúcio---0—Contrô1e-Jurisdiei e •Gi. • e.e- • ense,_198,2° edição, págs.91 a 96. /f 16 Processo n° 135 30.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 179 apenas quando rzega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob .aleg-ação de sua inconstituciorzalidad'e. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos _funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá- la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios nortea.dores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tanturn, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrçct _formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer_ Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relaçclo a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segz.zrança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição,. não seria possível _facilitar a quem quer que fôsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política_ A lei, enquanto não declarada inoperante, nôio se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sie) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirrrzada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O principio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da impercztividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimerzto ou não- 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e AplicaçAo da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3° edição, pp 1 70 e 171. ...?" 17 aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vicio haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por s-ua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membios do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III - Do Poder. Judiciário - do Título IV - Das Organizações dos Poderes da CF188). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. IVIissã.o atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei-por-vício de-inconstitucionalidade,-salvo as ex-ceçijes-nele previstas, o-que não é o caso dos autos Vide art. 26-A do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 - da-Lei-n°-14,941 /2009,-A-norma -inserta-nesse dispositivo -do- P-roe sso-Admini str-ati reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF.,K 18 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303 -00.084 Fl. 180 Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1°, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normalização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei complementar n° 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4° da Lei complementar n° 118/2005, passa-se à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1655do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "h" do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei n° 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I - da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; ./ff 19 b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 168 6 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário — aplica-se aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito — a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória — afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, "b", e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro7: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. 7 •julgamento do recurso voluntário no 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uniao, dos Estados, do Distrito Federal e dos — Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...., 20 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 181 jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5Q, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilhow, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: "O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois nutri Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebraçã o democrática do Estado (daí a reserva de lei,). De uma forma genérica, o principio da supremacia da lei e o principio da reserva de lei apontam para a vincula ção jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra, fontes de direito e estruturas normativas)". (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolaçã o dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemã", pontifica: "O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem- estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado 'princípio da proporcionalidade'..." (grifei). 9 11 - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;" I ° Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7' Edição, p. 256 I I STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3° da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www. sacha . adv. br/admin/arq_publ ica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf 21 Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da "força" do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalhol2, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto "mandatos de otimização "13, assim se distinguem das últimas: "El punto decisivo para la distinción entre regias y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y regias opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regia es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las regias contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y juridicamente posible. Esto significa que ia diferencia entre regias y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regia o un principio" (grifa) Como esclarece José Afonso da Silva", apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu como "possibilidade jurídica". Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: "Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia". 12 Curso de direito tributário_3 a edição, p_72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucionalr Porto Alegre, 1997, SérgiQ_Antanio Fabris_EditQr. p. 85. 'Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 22 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303 -00.084 Fl. 182 Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero l 5 que as regras: "constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado" Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CT1V, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto n° 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides i6, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastosi7 e Jorge Miranda/8. 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 16 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599.,f 23 Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei n°9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declarató ria de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF n 9- 54: "38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia Material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta." Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho l9, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: "...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na 'letra e na clara vontade do legislador', devendo 'respeitar a economia da lei' e não podendo traduzir-se na 'reconstrução' de unia norma que não esteja devidamente explícita no texto".(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: I Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de _ Constitucionalidade Fçtudos em Homenagem ao_Ministro José Augusto De/gado_Coordenação Cristiano Larvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 190p_cit., p-1265L1266 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004.1 24 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 183 "HL Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição." Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação nQ 1.417-721: "O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo. mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibi lizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. - No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica." (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o "remédio" contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos, direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5°, caput, inciso VXXI e §1'22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no ,f 2° do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. 22 DOC' - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1° - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 25 Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo lega1 23 , por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3° deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1°, da Lei n° 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n° 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4°, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que fispense—tis agentes públicos de—adotur—providências tendentes à uulnduya dos tiibutos declarados inconstitucionais. 26 - Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 184 divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de fc:prrna a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de inicio, sem qualquer pertinência com o estabelecido ern lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24 : CONSTITUCIONAL. TRIBU7'ÁRIa. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBC.TIÇÃO PREVIDEIVCL4-_RIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO_ PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do ST.T que, no caso ale lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia apó.s decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acr-escidos de mais urn qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acimcz delineados. 2.Não há que se falar em prazo presericional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF" ou da Resolução do Senado. A pretensão foi for-n-zulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora corno admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescriçã o, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo pr-escricional rios molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25 : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AIDMIN:1 STRAII) ORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO 131? INIDÉBIT'O. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR 1-140MOLOGAÇA-0_ PRESCRIÇÃO. PRAZO. I - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera q uando decorridos cinco anos . da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais- cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/0512007, publicado rio EM de 29.05.2007 27 termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionali da de da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentp-acio, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435. 83 _5/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/0312004.. REsp 841652 / PR 26 : TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇA-70. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propos-ia-ira da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar- do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco rrtais cinco '9, e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. _Pr-ecedent es. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal 5ob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do niundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra-se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, corno se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari 27, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Me1o 28 , leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais açkies de cunho declarat(Srio. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada etrz vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, 26 Relator Ministro-Castro Meira,julgada em 17/05/2007, publicado no DJ de-29.05.2007- 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5° ed., p. 205. 28 A Teona das Contituições Rígidas, apud Afeitos da Declaraçao de Inconstducionatzdczde_ Sad auto, Revista dos Tribunais, - 2004, 5' ed. 28 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303 -00.084 Fl. 185 portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com todcz sua carga de obrigatoriedade, e só a partis- do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme rncznifestação dos próprios ministros do Supr.-eme:3, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512.5.2' 2, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com cz razélo aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se riao podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera corno ela, já que - retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstituciona l pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva29, apoiado enri doutrin adores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Therriistocles Brandão Cavalcainti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tune, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. 1n.ro entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua e.xecutoriedade; essa . manifestação do Senado, (gize não revoga nem cznulcz a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só telrz efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei e.xistiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. OMinistro Teori Albino Zavascki 30, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculcznte da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionczlidczde em si: esta é ex tune, desde a edição da norma,- aquele só é viriculante a partir- do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos aulgarnento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por- incoristitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o irrz_pério da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão trczrzsitada em julgado só pode ser- declarada por -via de ação r-escisória'. Esclareceu o Min_ Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Seriado, tem efeito ex nunc7. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça31 , sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10 ed., p. 57. l'3° Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81 - 101 29 REsp n° 547.7441MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por- objeto direitos subjetivos decorrentes are lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os- direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitas subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de posi tivaçã o do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionaliclade dcz lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucicmalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicametz te o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente emn face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do principio da actio nata. Trata-se de petiçiído de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. G acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda ntia desconstituido pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados peias três- r-egr-as que construímos a partir dos dispositivos do CTIV. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de -voto proferida 110S autos EREsp n° 423.994/MG 33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito e.xtirztivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Tambémn nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que en-volve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade profer-ida em cxçcio de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. 31 • • jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, rio voto proferido no julgamento do_Recurso Voluntário n° 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no Dicle 99/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux, " Publicado no DJ de 05/04/2004. 30 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 186 A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de beneficio incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (.) Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede- se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) - Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35: Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5' edição, pp. 333 e 334. 55 Canotilho José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5° edição, p. 388. ./( 31 eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (..) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp n° 686.05836 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISORIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (..) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3°, I, da Lei 7.7 87B9, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado,- porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável. (grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: ( ..) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornou-se pacifico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com ( 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. 32 Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 187 aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se dificil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissivel o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo. (grifei) (.) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004/ 33 algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Eurico de Santi39 arremata o tema com seu magistério: Decadência e prescrição são regras que objetivam o princípio da segurança jurídica, como regras têm a função precípua de objetivar condutas: retratam a opção do legislador em prestigiar a justiça mediante a função segurança jurídica em detrimento da função legalidade, igualdade ou proporcionalidade. Aliás, "decadência" e "prescrição" são mecanismos que justamente restringem a realização concreta da legalidade da regra tributária, impedindo que a norma seja aplicada ao caso concreto. Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei n° 4.502/1964 — lei básica do IPI — que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. 39 Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — stu, os em 'omenagem ao ilustro ose ugzisto Sega•o. oo enaçao Cnstiano Carvalho eaIvrfEeTC)Ma—gilhIEPeixotoyr— Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178. 34 - _ Processo n° 13530.000055/97-05 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.084 Fl. 188 Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda40, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei n° 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia 41 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo42. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória n° 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3 0 do seu art. 1843. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial nQ 747.09144 "Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga' do próprio STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei" (RE 80.153/SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido: "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson 40 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. 41 Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. - 42Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 43 § 3° O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. " Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 35 Pereira. Prescrição: decretação de oficio em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345/35). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, n°40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.5222002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3° expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e declarar extinto o direito à repetição do indébito objeto destes autos. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009. ENRIQUE PINHEIRO TORRES 36
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Numero do processo: 13503.000001/88-12
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ - SUPRESSÃO PE INSTANCIA.
Quando a interessada somente após a decisão de
primeira instância toma conhecimento do que de
ve se defender, a defesa dirigida a este Corta
lho deve ser considerada como impugnação.
Numero da decisão: 103-08.749
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira amara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, devolver o ' processo ã repartição de origem para que a petição de fls. 38/44 seja recebida como peça impugnatória, e nova decisão seja profecia da em face das razões de defesa apresentadas pela interessada
Nome do relator: Richard Ulrich Kreutzer
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Processo n9 13503/000.001/88-12 a;t9s'e t:7;";4:NÉ14 ,,,—Sk-t• FR-124 -;n-n 1. MINISTÉRIO DA FAZENDA MFCT Sessao d. 22.de novembro de 1 988 ACORDA° N.•.103-08.749. Recurso n.• 92.684 - IRPJ - EX: DE 1986 Recorrente IPHACO - EXPORTADORA LTDA Fecoffld DRF em SALVADOR - BA IRPJ - SUPRESSÃO PE INSTANCIA. Quando a interessada somente apôs a decisão de primeira instância toma conhecimento do que de ve se defender, a defesa dirigida a este Corta lho deve ser considerada como impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IPHACO - EXPORTADORA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira amara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, devolver o ' processo ã repartição de origem para que a petição de fls. 38/44 seja recebida como peça impugnatOria, e nova decisão seja profe i- da em face das razões de defesa apresentadas pela interessada. I- Sala o as Sessões-DF, 22 de novembro de 1988. Or ra,40i DA Arts 12: # - PRESIDENTE ff.1 / f Ár Irasy • C RD ULRIC .:" UTZ:' - LATOR 1000010k VISTO EM MARIAJIWPaYíR15:',GUES ROCHA - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 1 5 D Wil• 88 NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, AMAURY JOSE DE AQUINO =ano, IARGIO RIBEIRO e SEB TIA() RODRIGUES CABRAL. Ausentes por motivo justificado, os Cons lheiros D/CLER DE ASSUNÇÃO e FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES. amico pcalcommx Processo n9 13503/000,001/88-12 Recurso n9 92.684 Acórdão n9 103-08.749 Recorrente: IPHACO - EXPORTADORA LTDA RELATÓRIO IPHACO - EXPORTADORA LTDA., inscrita no CGC sob n9 15,128.945/0001-60, recorre da decisão do Senhor Delegado da Receita Federal em Salvador, o qual manteve o crédito tributário constituido para o exercício de 1986 pelo lançamento suplementar de fls. 3, proveniente da glosa de exclusão correspondente ao lu- cro oriundo da exportação de produtos manifaturados e/ou serviços não calculada em conformidade com a legislação vigente. 2. A impugnação ao lançamento e as razões de decidir constam relatadas na decisão recorrida nos seguintes termos: "Tempestivamente, o contribuinte impugnou o Lançamento apresentando um pequeno demonstrativo do cálculo do valor do item 14/13 de sua declara- ção de rendimentos. Para a obtenção desse valorfo ram tomados a parcela do Lucro de Exploração cor respondente ã exportação incentivada e/ou a ela equiparada (item 04/18, do anexo 2) ea parcela re lativa a exportação incentivada utilizada pelas eu presas Comerciais Exportadoras (item 04/11 do ane- xo 2) e cujo valor refere-se a exclusão decorren- te da exportação de produtores-vendedores com o fim especifico de exportação de que tratam o arti go 293 do RIR/80 e a Portaria MF n9 191/84. É o relatório. Examinando a questão podemos constatar que a interessada faz jus somente ao incentivo criado pelo Decreto-lei n9 1.158/71, artigo 19, cuja re- dação foi modificada pelo artigo 19, do Decreto- -lei n9 1721/79, e que teve, ainda, sua vigência prorrogada pelo artigo 29, do Decreto-lei n9 2.134/84. O artigo 290 do RIR/80, que dispõe sobre o assunto diz que a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido do exercício, para efeito de de- terminar o lucro real, a parcela de lucro correspon dente ã exportação de produtos manufaturados nacio nais, relacionados pelo Ministro da Fazenda, cuja penetração no mercado internacional convenha promo ver. 10R."? . . SERVIÇO PÚBICO FEDERAL Processo n9 13503/000.001/88-12 2. Acórdão n9 103-08.749 O valor da exclusão será determinado median- te a aplicação, sobre o lucro da exploração, de percentagem igual ã relação, no mesmo período, en tre a receita líquida de vendas nas exportaçõesiE centivadas e o total da receita liquida de vendas da pessoa jurídica. Já o benefício estabelecido pelo Decreto-lei n9 1.248/72, em seu artigo 49, alterado pelo arti go 39, do Decreto-lei n9 1.721/79, cuja vigência foi prorrogada pelo artigo 29, do Decreto-lei n9 2134/84, pode ser utilizado apenas pelas empresas Comerciais Exportadoras. Esse incentivo está capitulado no artigo 293, do RIR/80, que estabelece que quando realizar ex- portações, a empresa comercial exportadora poderá excluir do lucro liquido do exercício, para efei- to de determinar o lucro real, quantia igual à di ferença entre o valor dos produtos manufaturados comprados de produtores-vendedores e o valor FOB, em moeda nacional, das vendas efetivadas no perlo do-base, dos mesmos produtos para o exterior. O parágrafo primeiro do mesmo artigo dispõe: "O dispositivo neste artigo aplica-se às em- presas Comerciais Exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: a) Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A. e na Se- cretaria da Receita Federal, de acordo= as normas aprovadas pelo Ministério da Fa_ zenda; b) Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser normativas as ações= direito a voto; c) Capital mínimo fixado pelo Conselho Mone_ tário Nacional". Se analisarmos a declaração de rendimentos da empresa, no quadro 08 - Natureza Jurídica, consta Sociedade por quotas de responsabilidade limita - da, o que por si s6 já a impediria de ser classi- ficada como comercial esportadora. Além disso no quadro 09 - Atividade Princi- pal, consta COMERCIO ATACADISTA DE FUMO, Código 60.26 e não EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA, código 60.90. Isto posto, e, of St/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 13503/000.001/88-12 3. Acórdão n9 103-08.749 Considerando estar o processo revestido de to- das as formalidades legais; Considerando que, com relação a exportação in- centivada, a exclusão que a interessada faz jus é • a prevista no artigo 290 do RIR/80, que, no caso, seria de CR.1.061.633.801; Considerando que a interessada não tem direito ã exclusão determinada pelo artigo 293 do RIR/80 por não se enquadrar como Empresa Comercial Expor- tadora; Considerando tudo o mais que do processo cons- ta, JULGO PROCEDENTE o Lançamento Suplementar, pa- ra autorizar o prosseguimento da cobrança do impos to no valor correspondente a 8.050,37 OTNs(oitomli e cinquenta inteiros e trinta e sete centésimos de Obrigações do Tesouro Nacional), e do PIS no valor . correspondente a 390,22 OTNs (trezentos e noventa inteiros e vinte e dois centésimos de Obrigações do Tesouro Nacional), com os devidos acréscimos le- gais." 3. Ciente da decisão de primeira instánciaem 26.04.88, a recorrente apresentou seu recurso em 16.05.88. 4. No recurso é alegado, inicialmente, que se a deci- são recorrida estivesse correta no tocante ao mérito, haveria um erro de cálculo no lançamento suplementar em razão de não ter si- do computado no lucro da exploração o valor do incentivo previsto pelo DL. n9 1248/72, convertido, neste caso, em receita "orne. Apresenta!. cálculo de quanto deveria ser o valor do lançamento suplementar, caso mantida a glosa do incentivo ã exportação de que trata este recurso. 4.1 No tocante ao mérito, após comentar os incentivos fiscais ã exportação, consolidados nos artigos 290 e 293 do Regu- lamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n9 85.450, de 04.12.80, alega a recorrente que se fossem considerados apenas esses dispositivos legais a decisão recorrida estaria correta, pois não é produtora de fumo e por ser sociedade por quotas de respon- iL sabilidade limitada, não se enquadra como comercial export ra. • SERVIÇO MUCO FF.OEIUL Processo n9 13503/000.001/88-12 4. Acórdão n9 103-08.749 Prossegue dizendo que, todavia, tais exigências se tornaram letra morta, isso porque o Decreto-lei n9 1.894/81 e a Portaria MF n9 191/82 estenderam a todas as empresas exportadoras, sem exceção, a possibilidade de excluir na apuração do lucro real a diferença entre o valor dos produtos manufaturados comprados, e o valor FOR em moeda nacional das vendas para o exterior. 4.2 Reporta-se ao item 2 da Portaria HF n9 191/84 e ao ADN-CST n9 01/85, objetivando demonstrar seu direito ao benefício do incentivo fiscal ã exportação. 4.3 Finaliza, pedindo provimento ao recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro RICHARD ULRICH EREUTZER, Relator. O recurso é tempestivo. 2. Examinando o processo percebe-se que a interessada somente após a decisão de primeira instância tomou conhecimento do que exatamente deveria se defender. A decisão de fls.31/35 cons titui um aperfeiçoamento do lançamento suplementar, pois somente nela é que a autoridade recorrida manifesta de forma expressa a fundamentação da glosa de parte do valor do incentivo ã exporta- ção. 3. Nestas condições, a questão tal como colocada na decisão recorrida é nova, dando ensejo a que a petição de fls. 38/44 seja apreciada como impugnação, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição. 4. Ante o exposto, voto no sentido de se devolver o processo ã repartição de origem para que a petição de fls. 38/44 k seja recebida como peça impugnatória, e nova decisão seja pr feri • . • sumo PUBLICO FEDERAL Processo n9 13503/000.001/88-12 5. Acórdão n9 103-08.749 da em face das razões de defesa apresentadas pela interessada. 401 a-DF 4000.-7-Áncro de 1988. . . RICHARD ULRIC- KREUT - RELATOR • • MFCT. Page 1 _0047500.PDF Page 1 _0047700.PDF Page 1 _0047900.PDF Page 1 _0048100.PDF Page 1 _0048300.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.001317/2009-11
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006
EMENTA: OMISSÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO A QUO. NÃO-CARACTERIZAÇÃO
A legislação exige que se enfrente os fundamentos da impugnação e do recurso, mas não define a forma. Não se revela omissa, portanto, a decisão que concentra em um fundamento resposta para mais de uma argüição produzida em sede de impugnação. Jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça.
Normas Gerais de Direito Tributário
PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006
EMENTA: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO.
Quem, de qualquer forma, contribui para a prática de ato tipificado como infração responde solidariamente pelo crédito lançado de ofício, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decreto-lei nº 37, de 1966.
IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006
EMENTA: MULTA QUALIFICADA.
A ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior, por meio de interposição fradulenta, atrai a aplicação da multa qualificada de 150% do valor do tributo que deixou de ser recolhido, máxime quando associada à apresentação de documentos ideologicamente falsos, que refletem valores de transação inferiores ao efetivamente praticados.
MULTA DE 100% DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE TRANSAÇÃO DECLARADO E APURADO.
Demonstrado que o preço declarado é inferior ao praticado, cabível é a multa de 100% da diferença entre dois valores, independentemente da comprovação da remessa de valores à margem dos controles legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.035
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006 EMENTA: OMISSÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO A QUO. NÃO-CARACTERIZAÇÃO A legislação exige que se enfrente os fundamentos da impugnação e do recurso, mas não define a forma. Não se revela omissa, portanto, a decisão que concentra em um fundamento resposta para mais de uma argüição produzida em sede de impugnação. Jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça. Normas Gerais de Direito Tributário PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006 EMENTA: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. Quem, de qualquer forma, contribui para a prática de ato tipificado como infração responde solidariamente pelo crédito lançado de ofício, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decreto-lei nº 37, de 1966. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006 EMENTA: MULTA QUALIFICADA. A ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior, por meio de interposição fradulenta, atrai a aplicação da multa qualificada de 150% do valor do tributo que deixou de ser recolhido, máxime quando associada à apresentação de documentos ideologicamente falsos, que refletem valores de transação inferiores ao efetivamente praticados. MULTA DE 100% DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE TRANSAÇÃO DECLARADO E APURADO. Demonstrado que o preço declarado é inferior ao praticado, cabível é a multa de 100% da diferença entre dois valores, independentemente da comprovação da remessa de valores à margem dos controles legais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1.673 1 1.672 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.001317/200911 Recurso nº 884.742 Voluntário Acórdão nº 3102001.035 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de junho de 2011 Matéria VALOR ADUANEIRO Recorrente DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA e TEC IMPORTS IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006 EMENTA: OMISSÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO A QUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO A legislação exige que se enfrente os fundamentos da impugnação e do recurso, mas não define a forma. Não se revela omissa, portanto, a decisão que concentra em um fundamento resposta para mais de uma argüição produzida em sede de impugnação. Jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006 EMENTA: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. Quem, de qualquer forma, contribui para a prática de ato tipificado como infração responde solidariamente pelo crédito lançado de ofício, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decretolei nº 37, de 1966. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II PERÍODO DE APURAÇÃO: 17/09/2004 A 10/10/2006 EMENTA: MULTA QUALIFICADA. A ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior, por meio de interposição fradulenta, atrai a aplicação da multa qualificada de 150% do valor do tributo que deixou de ser recolhido, máxime quando associada à apresentação de documentos ideologicamente falsos, que refletem valores de transação inferiores ao efetivamente praticados. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 MULTA DE 100% DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE TRANSAÇÃO DECLARADO E APURADO. Demonstrado que o preço declarado é inferior ao praticado, cabível é a multa de 100% da diferença entre dois valores, independentemente da comprovação da remessa de valores à margem dos controles legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de recurso voluntário onde se pretende a reforma do Acórdão 07 18.211, da e. 2ª Turma da DRJ Florianópolis. Segundo descrito no Relatório Fiscal, no cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão concedidos no bojo da cognominada “Operação Dilúvio”, restara demonstrado o pagamento dos tributos incidentes sobre a importação (Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição para o PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) em montante inferior ao devido, mediante o uso de artifícios fraudulentos (interposição fraudulenta de pessoas e uso de documento falso), além da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. Somadas, tais acusações geraram a exigência da diferença entre os tributos recolhidos e os que seriam devidos, acrescidos de multa de ofício de 150%, calculada sobre tal diferença, além da multa administrativa de 100%, sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. Tal conduta, alegadamente levada a efeito por meio da atuação conjunta das pessoas jurídicas apontadas como responsáveis solidárias, consistiria na apresentação reiterada de declarações de importação indicando como importador “por conta própria” a pessoa jurídica TEC Imports Importação Exportação e Distribuição Ltda. (TEC Imports), quando, segundo os documentos apreendidos, tratavamse de mercadorias adquiridas e quitadas pela pessoa jurídica Darck Technologies do Brasil Ltda. (Darck Technologies), bem assim pela apresentação de fatura comercial diversa da verdadeira, que não retratava a operação comercial entabulada, seja pela indicação de adquirente diverso do verdadeiro, seja pela fixação de valores aquém do que foram efetivamente pagos. Devidamente cientificadas, compareceram as autuadas ao processo para, em sede de impugnação, alegar essencialmente: Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.674 3 a) Darck Technologies: a ação penal atrelada à ação fiscal fora alvo de trancamento, deferido nos termos do Habeas Corpus nº 113.145PR, o que conduziria à improcedência da exigência fiscal; as empresas mencionadas na autuação foram declaradas inaptas, razão pela qual fora atribuída à autuada a realização de operações simuladas, apontandoa como a compradora das mercadorias no exterior e real importadora, conclusões descabidas, que podem seriam contrariadas por esses mesmos procedimentos; os fatos imputados à autuada carecem de comprovação, em flagrante descumprimento do princípio do ônus da prova, circunstâncias capazes de motivar a decretação da nulidade do auto de infração; igualmente motivadoras da nulidade do auto de infração seriam os relatos e as graves afirmações extraídos de procedimento da esfera policial e judicial, em flagrante inobservância dos limites previstos nos artigos 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) e 142 do Código Tributário Nacional (CTN); houve violação do sigilo de seus dados; não é contribuinte do IPI; foi aplicada indevidamente a taxa Selic; restara violada a vedação ao princípio do não confisco. b) TEC Imports: autoridade fiscal partira do pressuposto de que as operações alvo de exigência, em verdade, foram realizadas na modalidade “Por Conta e Ordem”, onde figuraria como adquirente a pessoa jurídica Darck Technologies, e que a ocultação desse fato caracterizaria simulação, premissa que sustentaria a integralidade das acusações, desamparadas de provas; após expor os contornos das modalidades de operação por conta própria e por conta e ordem, arguiu que suas operações se enquadravam na primeira modalidade, eis que realizou as operações com recursos próprios e posteriormente revendeu as mercadorias; as operações realizadas pela impugnante estariam perfeitamente enquadradas na modalidade “por encomenda”, criada pela legislação que entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores, que admitiria inclusive a participação do encomendante na operação e que seria fruto do reconhecimento da realização anterior de operações com esses contornos; se admitida, para efeito de argumentação, a ocultação do adquirente, seria o caso de aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007, devendo afastar as exigências de tributos e penalidades; diferentemente das demais pessoas jurídicas investigadas, inaptas ou inativas, a TEC Imports seria uma empresa atuante no comércio exterior há mais de dez anos, Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 estando devidamente habilitada junto aos Fiscos Federal e Estadual, sediada no mesmo endereço desde 1999, dotada de capital integralizado de R$ 650.000,00, e que apresentaria Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) mensalmente, manteria em seus quadros 38 empregados, estaria registrada junto ao BANCO DE DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO SANTO S.A., o qual fixara em R$ 2.242.500,00 o limite operacional da empresa para o período compreendido entre 01/07/2008 e 30/06/2009. Juntou comprovantes de tais alegações; alterara sua modalidade de habilitação no Siscomex de regular para simplificada, sendo esta última alvo de maior controle fiscal; repetitivamente, teria sido sustentado pela autoridade fiscal que somente teriam sido apurados indícios de subfaturamento, entretanto, nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira e de suas Notas Interpretativas, a apuração do Valor Aduaneiro deveria ser realizada com base em prova robusta e idônea. Por outro lado, a inviabilidade do método do valor da transação só seria possível após a exaustão da fase de instrução e mediante prova de que o valor da transação teria sido fraudado. Cita jurisprudência que respaldaria essas teses; nos termos da legislação que ainda viria a ser editada, disciplinando a importação por encomenda, a empresa Darck engendrara todos os atos comerciais e operacionais, seria a única responsável pelas fraudes detectadas por meio da realização de busca e apreensão em seu estabelecimento. Assim, não teria a impugnante, que agira de boafé, qualquer responsabilidade pelas informações supostamente inverídicas prestadas à RFB, na medida em que não teria conhecimento da alegada falsidade das faturas comerciais que lhes eram entregues. A fraude, ou mesmos os seus indícios, só se configurariam se demonstrado o dolo por parte do agente; a Administração Pública, ademais, teria plena consciência de que as irregularidades teriam sido perpetradas por teceiros; os pagamentos feitos ao exportador observaram o valor de transação constantes das faturas internacionais que lhe foram encaminhadas pela pessoa jurídica Darck Technologies. Assim, não restara demonstrada a prática de subfaturamento e, consequentemente, faltaria respaldo para arbitramento da base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação e para aplicação da multa por subfaturamento; ausente a demonstração do evidente intuito de fraude, deveriam ser igualmente afastadas as multas de ofício qualificadas e a multa por subfaturamento; não poderia ser responsabilizada pela prática de infrações perpetradas pela pessoa jurídica Darck Technologies. Por outro lado, não haveria como caracterizar o auferimento de benefício em razão de tais infrações: se os benefícios do Fundap são proporcionais ao valor do ICMS recolhido, quanto maior for o valor da operação, maior seria o benefício. presente o concurso formal, somente seria aplicável a multa de ofício calculada sobre o imposto que deixou de ser recolhido. Cita doutrina que respaldaria essa tese, sustentando, por outro lado, que não subfaturou o valor das importações; alternativamente, se se entender pela caracterização da ocultação de terceiro, pleiteia que seja aplicada exclusivamente a multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.675 5 Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instância pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/09/2004 a 10/10/2006 SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Nos casos de subfaturamento, aplicase a multa do controle administrativo, equivalente a 100% do valor da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, nos termos do art. 169, II e §6º do Decretolei nº 37 de 18 de novembro de 1966 (art. 631, I, do Decreto nº 4.543/2002 art. 88, parágrafo único da MP nº 2.15835/2001). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/09/2004 a 10/10/2006 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. FRAUDE DOCUMENTAL. PENALIDADES. AGRAVAMENTO DA MULTA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o subfaturamento nas importações e, uma vez caracterizada a fraude fiscal, é aplicável a multa de que trata o art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os tributos não recolhidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/09/2004 a 10/10/2006 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/09/2004 a 10/10/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Após regular ciência pela via postal, compareceu a pessoa jurídica TEC Imports ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Acrescenta, em sede de preliminar, a alegação de que acórdão de piso estaria eivado de omissão e obscuridade, pois deixara de enfrentar argumentos que, se conhecidos, conduziriam à insubsistência do lançamento. A pessoa jurídica Darck Technologies, apesar de cientificada pela via postal, na pessoa de seu sócioadministrador, não apresentou recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator. Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Em nome da clareza, analiso separadamente os fundamentos do recurso. 1 Preliminarmente Não vislumbro as alegadas omissão ou obscuridade no acórdão recorrido. Sabidamente, não é exigível que o julgamento enfrente separadamente todas as questões aduzidas, basta que, em conjunto, explicite sua convicção acerca da procedência ou não dessas alegações. Nesse sentido, remansosa é a jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do julgamento dos EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg nos Embargos de Divergência em REsp Nº 665.454 – CE, assim ementado1: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS. AÇÃO CAUTELAR. SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE. TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade 1 Ministro Luiz Fux, DJ: 25/05/2009 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.676 7 ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EDcl nos EREsp. 693.711∕RS, DJ 06.03.2008; EDcl no AgRg no MS 12.792∕DF, DJ 10.03.2008 e EDcl no AgRg nos EREsp 807.970∕DF, DJ 25.02.2008 2. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.”(negritei) Após a análise das infrações imputadas à recorrente, na qualidade de solidária, dos argumentos suscitados em impugnação e, finalmente, do voto condutor do acórdão de primeira instância, percebese que, o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado, na medida em que descreve e enfrenta todas as linhas da defesa, ainda que não refute expressamente os argumentos. Evidentemente, analisar as diferentes (e mutuamente excludentes) versões dos fatos e concordar com as conclusões do Fisco implica necessariamente discordar, ainda que por via oblíqua, das alegações da impugnante, mas isso longe está de caracterizar os vícios extrínsecos apontados. Feitas tais considerações, passo à análise do mérito. 2 Mérito 2.1 Caracterização da Interposição de Pessoas Sabidamente, no campo do Direito Tributário, a modalidade de simulação descrita no § 1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 20022 (Novo Código Civil), em sua forma mais grosseira, estaria normalmente ligada a empresas cujo quadro societário seria formado por “laranjas”, como se denominam esses sócios que muitas vezes até desconhecem sua condição de “empresários” ou, o que é pior, já faleceram. Entretanto, essa não é a única hipótese em que tal modalidade se configura. Com efeito, haverá simulação sempre que uma pessoa, física ou jurídica, se apresentar como responsável por uma operação que não realizou, na medida em que, de fato, estará se interpondo entre o exportador e o verdadeiro sujeito passivo – responsável pela promoção da entrada da mercadoria no Território Nacional, de modo a encobrir a participação deste último perante o Fisco. Nessa linha, em que pese a capacidade operacional e financeira da Recorrente TEC Imports, que, em tese, afastaria a qualificação de empresa “de fachada”, a meu ver, não restaria infirmada a acusação formalizada com base nos documentos apreendidos. Confirase o trecho do auto de infração em que a infração é descrita e quais são os elementos de prova colhidos pelo Fisco3: 2 § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; 3 Trecho à fl. 08. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 “As notas fiscais emitidas pela empresa TEC IMPORTS, foram vinculadas à Faturas Internacionais, tidas como efetivamente emitidas pelos reais exportadores e em alguns casos ao pedido formulado pela DARCK, diretamente ao real exportador, e aos processos de importação, que foram registrados como sendo por conta e risco da empresa TEC IMPORTS, cuja simulação, subfaturamento e outras irregularidades, foram comprovados documentalmente e onde foi identificada a empresa DARCK, como a compradora das mercadorias no exterior (REAL IMPORTADORA). A participação da empresa DARCK foi comprovada em diligência na empresa onde foram retidas, conforme termo próprio (fls. 402 a 428), além das Notas Fiscais em questão, inúmeras outras Notas Fiscais de entradas emitidas por diversas empresas tidas como sendo de fachada...” Mais adiante, no trecho que se inicia à fl. 35 e seguintes, elenca a autoridade fiscal, declaração a declaração, os elementos que comprovariam que a pessoa jurídica Darck foi o verdadeiro adquirente das mercadorias, dentre os quais se destacam as faturas comerciais apreendidas, onde restara demonstrada divergência entre o valor e as partes informados ao Fisco, com base em faturas ideologicamente falsas. À Guisa de exemplo, transcrevese o trecho relativo à Declaração de Importação 04/09351134: “DI 04/09351134 (fls. 453 a 462): A fatura internacional 420008679 apresentada à SRFB (que não foi localizada),conforme registrado em dados complementares da Dl (fl. 456), acobertou e serviu de base para as informações sobre a transação internacional declarada, é ao menos ideologicamente falsa, pois, além do que já foi descrito, registrou os mesmos valores constantes na Dl, em torno de 47,84%, dos valores registrados na fatura internacional, localizada na ação fiscal, nº 430013633 (fl. 460), identificada como emitida pela • exportadora BENQ AMÉRICA CORP. Essa fatura internacional indica em "Bill To e Ship To" a empresa DARCK. Sendo assim, foi desqualificada a fatura que registrou os valores declarados, e considerados os valores apresentados na fatura internacional localizada, mantendose o primeiro método de valoração, o valor de transação. Os novos valores indicam que as mercadorias foram declaradas com apenas 47,84% do seu valor real, isto é, com subfaturamento de aproximadamente R$ 196.053,83, provocando grave prejuízo ao erário, com o não recolhimento de em torno de R$ 89.433,41 em impostos, no registro da DI.” (original destacado) Nessa linha, pouco acresce o argumento de que a TEC Imports atuara como importador por encomenda. Em primeiro lugar, essa modalidade não estava contemplada no mundo jurídico no momento das operações, uma vez que somente foi criada pela Lei nº 11.281, de fevereiro de 2006 e, quando da sua criação, exigiu o cumprimento de requisitos, o que afasta a pretensão de considerála como um ato interpretativo. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.677 9 Em segundo, e mais importante, a característica principal dessa nova modalidade é justamente a integral responsabilidade do importador pelo pagamento da operação, fato que longe está de se verificar no presente processo. Conforme demonstrado, os valores que constaram dos contratos de câmbio não refletem o preço avençado. Resta clara, assim, que a atuação da pessoa jurídica TEC Imports como Importador teve, com efeito, o condão de simular as partes envolvidas na operação. 2.2 Diferença de Tributos e Imposição de Multa de Ofício Qualificada e por Divergência entre o Declarado e Praticado Demonstrado que o valor de transação declarado era inferior ao real, por meio do cotejamento entre a fatura apresentada e a que efetivamente corresponderia à transação, correta é a cobrança da diferença devida em razão de ajuste na base de cálculo dos tributos incidentes na importação. Por outro lado, há que se consignar que essa nova base de cálculo não foi fixada em razão de arbitramento, mas de acordo com o preço efetivamente praticado, apurado nas faturas comerciais apreendidas. Ou seja, a valoração aduaneira seguiu à risca o primeiro método de valoração, assim fixado no Artigo 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (original não destacado): “1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que:” A meu ver, com a máxima vênia, restando demonstrado o vício na identificação nas partes, perpetrado por meio da interposição fraudulenta de pessoas, bem assim que os preços foram declarados em patamares inferiores aos praticados, com respaldo na apresentação de documentos ideologicamente falsos, demonstrase aplicável a multa qualificada elencada no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 que, há época dos fatos geradores, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Outro ponto em que baseia a Recorrente é a suposta inaplicabilidade da multa capitulada no art. 633, I do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002, Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 que tem como matriz legal o parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória n° 2.15835, de 20014. Além dos argumentos relativos à necessidade de prova direta, sustenta o que a tipificação da conduta ali qualificada (subfaturamento) exigiria a comprovação da remessa de divisas em patamares diversos dos declarados. Junta julgados extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Com a devida vênia, não vejo como acolher tais argumentos. Em primeiro lugar, restou claramente configurada a diferença entre o preço praticado e aquele informado ao Fisco, por meio da apresentação de faturas diversas da que respaldara a transação. Em segundo, apesar da jurisprudência dos extintos conselhos de contribuintes fixar o norte no sentido de que o subfaturamento somente se revelaria na hipótese em que restasse demonstrada a remessa ilegal de divisas, tal jurisprudência formouse quando ainda vigia o art. 526, III do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 19855, que tinha como matriz legal o art. 169 do Decretolei n° 37/66, modificado pela Lei n° 6.562/78. Ocorre que, com a edição da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001, o inciso II do art. 169 do DL 37/66 foi tacitamente revogado, surgindo em seu lugar a infração tipificada no parágrafo único do art. 88 do ato novel. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Nos termos desse novo dispositivo, não mais se discute aspectos relativos à remessa de divisas, pagamento do preço ou outros controles cambiais. A infração materializa se quando se demonstra divergência entre o preço declarado e o praticado. Finalmente, em face da demonstração dos objetivos almejados com a interposição de pessoas, provavelmente por entender aplicável o princípio da consunção6, não foi cobrada a multa de conversão da pena de perdimento. Ou seja, diferentemente do alegado pela Recorrente, não caberia discutir a aplicação exclusiva da multa que apenaria a conduta de interposição fraudulenta, capitulada no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455/767, acrescentado pelo art. 59 da Medida Provisória 4 Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. 5 III subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: multa de cem por cento (100%) da diferença; 6 Vide Júlio Fabbrini Mirabete: "Pelo princípio da consunção ou da absorção, anulase a norma que já está contida em outra de âmbito maior, punindose o fato mais gravemente apenado. A absorção dáse no crimefim que absorve o crimemeio; no crime complexo, que absorve os crimes componentes..." (Código Penal Anotado. São Paulo. Atlas, 6ª ed. p. 580) 7 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.678 11 n° 66 de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02., ou de ceder o nome, capitulada no art. art. 33 da Lei nº 11.488, de 20078. Com efeito, como já me manifestei em outras oportunidades, como seria impossível prever, elencar e combater todas as conseqüências nefastas da ocultação do sujeito passivo, o legislador optou em combater esse meio de execução. Assim, entendendo que restara revelado o fim pretendido com a simulação das partes envolvidas (pagar tributo em montante inferior ao devido), deixou o fisco de impor a sanção imposta ao meio de execução e aplicou a que pune o prejuízo perpetrado. De fato, a meu ver, o que se poderia hipoteticamente cogitar, já que não é alvo do litígio, seria a aplicação concomitante dessas penalidades, jamais o afastamento das penalidades aplicadas em razão de suposta ausência de tipicidade. 2.3 – Solidariedade Não vejo, igualmente, como afastar a responsabilidade de ambas as pessoas jurídicas indicadas no auto de infração. Com efeito, afora a expressa previsão instituída pelo parágrafo único do art. 32, III do Decretolei nº 37, de 1966, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 20019, há a responsabilidade solidária que decorre da aplicação dos arts. 602 e 603 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, que regulamentam os artigos 94, caput e § 2º, e 95, I do Decretolei nº 37, de 1966. Dizem os dispositivos (original não destacado): Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 95): V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. 8 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). 9 Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; Acerca dos contornos da responsabilidade por infração, recorro à Doutrina, no caso, de Luciano Amaro10, que esclarece: “Com certeza, ninguém duvidará de que o contribuinte seja pessoa que recolhe tributo, mas é inconcebível a idéia de contribuinte referida a alguém não na condição de pagador de tributos, mas na de pagador de multas pecuniárias.... Aproveitando a linguagem do Código, se alguém que tem ‘relação pessoal e direta’ com o fato gerador é contribuinte, quem tem a ‘relação pessoal e direta’ com uma infração é infrator, nunca contribuinte” (...) A questão do vínculo entre o infrator (agente) e a infração (ação ou omissão) não se põe em termos de ‘relação pessoal e direta’ ou relação oblíqua com o ‘fato gerador’. O problema é de autoria, tout court. É infrator (agente) quem tenha o dever legal de adotar certa conduta (comissiva ou omissiva) e descumpre esse dever, sujeitandose, por via de consequência, à sanção que a lei comine. (...)Responsável, no que tange à responsabilidade por infrações, é a pessoa (não necessariamente o contribuinte de algum tributo) que, por ter praticado uma infração, deve responder por ela, vale dizer, deve submeterse às consequências legais do seu ato ilícito. Nessa linha, ainda que se discutisse a solidariedade da recorrente TEC Imports em razão da sua intervenção na operação de importação, registrando os despachos em seu nome, certamente não resta dúvida de que tal pessoa jurídica contribuiu para a perpetração da infração. Também não se argumente, ademais, que a solidariedade em questão se limita às penalidades, obstaculizandose, como conseqüência a cobrança de diferença de impostos decorrente da infração perpetrada. Evidentemente, na medida em que são solidariamente responsáveis pela infração devem igualmente responder por todas as consequências desta, incluindose, evidentemente, os tributos. Finalmente, caracterizada a préfalada solidariedade, não consigo vislumbrar que a ordem com que os sujeitos passivos foram indicados no auto de infração provoque o alegado vício procedimental. Notese, em primeiro lugar, que responsabilidade tributária, na modalidade solidária, não comporta benefício de ordem. Ou seja, pouco importa a seqüência empregada quando da identificação dos contribuintes: ambos estão ligados a uma obrigação indivisível. Nesse sentido, com a habitual clareza, ressalta Maria Rita Ferragut11: São, assim, características fundamentais da solidariedade: 10 Direito Tributário Brasileiro. São Paulo. 2010. Saraiva, 16ª ed. p.332 11 Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo. Noeses, 2005, p. 68. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.679 13 (i) pluralidade subjetiva (de credores, de devedores, ou de uns e outros simultaneamente); e (ii) unidade objetiva (ou seja, cada devedor responde pela totalidade da prestação, e cada credor tem direito à totalidade do crédito); A exigência fiscal, portanto, é uma só. Se cabível, obriga os dois, se indevida, desoneraos na mesma medida. Nessa linha, a alegada ausência de interesse na situação que constiua o fato gerador resta superada. Finalmente, vejo igualmente prejudicada eventual alegação de erro na qualificação das partes envolvidas. Nesse ponto transcrevo trecho do relatório fiscal à fl. 09 onde a autoridade autuante descreve o papel imputado à TEC Imports e à Darck Technologies: O fornecedor e a DARCK (REAL IMPORTADORA), foram os que acertam as condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes intentam ocultar. (destaque acrescido) Partiu a autoridade fiscal, portanto, do pressuposto de que o verdadeiro responsável pela introdução da mercadoria no Território Nacional12 é a pessoa jurídica Darck. Independentemente da forma pela qual foi declarada a intervenção da pessoa jurídica TEC Imports. Impende registrar, ainda, que o descumprimento dos preceitos da Instrução Normativa nº 225, de 2002, editada com base na delegação contida no art. 80, I, 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, conforme jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário, não representa uma “importação por conta e ordem não declarada”, mas interposição fraudulenta de pessoas. Confirase: 1 Acórdão n° 30239.91614: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. 12 Lembrar da redação do art. 31 do DecretoLei nº 37, de 1966, após a alteração promovida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988: Art.31 É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; 13 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e 142ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Conselheiro Luciano Lopes de Almeida, julgado em 12/11/2008, unânime Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 (...) OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do real responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive pela interposição fraudulenta de terceiros é considerada dano ao erário. 2 Acórdão nº 380200.24515: IMPORTAÇÃO, UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIRO OCULTO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, DANO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA. Caracteriza interposição fraudulenta a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro oculto na operação, real adquirente da mercadoria, que responde solidariamente pela infração. Dano ao Erário materializado, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. 3 AMS 20055001012400116,: 4 Tendo a autoridade alfandegária verificado que as disposições normativas vigentes acerca da importação por conta e ordem de terceiros não foram atendidas, correta a conclusão da ocorrência de ocultação fraudulenta do responsável pela operação, conduta esta prevista no art. 23 do Decreto Lei 1.455, de 1976, com a redação dada pela Lei 10.637, de 2002, que leva ao perdimento da mercadoria. Nessa linha, não se poderia anular o auto de infração sob a alegação de que o lançamento não observara os preceitos inerentes à responsabilidade solidária insculpidos no inciso III, do parágrafo único, do art. 31 do Decretolei nº 37, de 1966, acrescido pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que diz: Parágrafo único.É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Revelandose que operouse a interposição fraudulenta de pessoas e a redução indevida dos tributos incidentes por meio da apresentação de documentos que não refletiam a operação de importação, não vejo como exigir que a autoridade fiscal atribua à operação a qualificação inerente à interposição lícita de pessoas, mediante o cumprimento das exigências a ela inerentes. 15 2ª TE/3ª Seção, Francisco José Barroso Rios, julgado em 23/08/2010, unânime. 16 Desembargador Federal Leopoldo Muylaert, 6ª. Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, julgada em 05/04/2010 Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.001317/200911 Acórdão n.º 3102001.035 S3C1T2 Fl. 1.680 15 Confirase, a respeito, manifestação da Câmara Superior de Recurso Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/0105.543, de 19/09/200617, que ratifica validade do lançamento efetuado em nome do verdadeiro infrator, oculto por meio de interposição fictícia (ou fraudulenta) de pessoas: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA — INTERPOSTA PESSOA SIMULAÇÃO. Comprovada a interposição fictícia de pessoa jurídica, deve o fisco exigir o imposto do beneficiário da renda tributável auferida em nome da empresa individual. O artigo 149 do CTN, VII, autoriza realizar o lançamento de oficio diretamente naquele que agiu com dolo, fraude ou simulação, afastandose os sujeitos aparentes, cuja constituição formal visava apenas ocultar os reais titulares da renda. Correta, portanto, a qualificação das partes envolvidas na infração. Também não vejo como atribuir a condição de terceiro de boafé à pessoa jurídica TEC Imports. Ora, se tal pessoa jurídica apresentouse perante o Fisco como adquirente de mercadoria que, de fato, foi negociada por terceiro, no caso a Darck Technologies, não há como alegar desconhecimento de que a fatura comercial apresentada ao Fisco era ideologicamente falsa. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 2 de junho de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro 17 Marcus Vinicius Neder de Lima. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13884.003680/2001-56
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998
IRFONTE ILL TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (26/09/2001) aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Dessa forma, o presente pedido deu-se em período inferior a dez anos entre a data do fato gerador (exercícios 1995 a 1998) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem para análise das demais questões do pedido.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998 IRFONTE ILL TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (26/09/2001) aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Dessa forma, o presente pedido deuse em período inferior a dez anos entre a data do fato gerador (exercícios 1995 a 1998) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 36 80 /2 00 1- 56 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem para análise das demais questões do pedido. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial, tempestivo, com amparo inciso II do art. 7° da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, Regimento Interno da Câmara Superior de • Recursos Fiscais CSRF, contra o Acórdão n° 10249155, cuja ementa abaixo se transcreve: EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não—é—competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula I o CC n° 2, publicada • no DOU, Seção I, de 26, 27 e 28706/2006) DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucional idadeda legislação. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de imposto de renda, que é tributo cujo lançamento se sujeita à homologação, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. LEGISLAÇÃO INTERPRETATIVA. VIGÊNCIA. A lei expressamente interpretativa aplicase a ato ou fato pretérito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição deve demonstrar a base de cálculo efetiva o valor do tributo pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir. Recurso negado. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13884.003680/200156 Acórdão n.º 9202003.380 CSRFT2 Fl. 8 3 Seguem abaixo os paradigmas apresentados, seguidos de suas respectivas _ —ementas: Acórdão no 20311093 PIS. DECADÊNCIA. PRAZO: 5 °E 5 ANOS. TESE DO STJ. Segundo jurisprudência pacifica do STJ é de 10 (dez) anos (5 + 5) o prazo para postular a restituição de indébito de PIS. Recurso provido em parte. Acórdão n° 10807107 IRPJ IRFONTE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS DECADÊNCIA • ANO DE 1994 No caso desses tributos, que se sujeitam á sistemática de lançamento por homologação, o prazo para que o Fisco promova o lançamento ex officio é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do artigo 150, § 4 do Código Tributário • Nacional. CSL COF1NS DECADÊNCIA Por força do disposto no art. 45, I, da Lei n° 81212, de 24/07/1991, é de 10 (dez) anos o prazo de decadência das contribuições destinadas à Seguridade SociaL IRPJ IRFONTE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CSL COEM' OMISSÃO DE RECEITA Não questionado pelo contribuinte o levantamento fiscal que evidencia a prática de omissão no registro de receitas de revenda de mercadoria é de se manter a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Preliminar de nulidade rejeitada. Preliminar de decadência parcialmente acolhida Recurso negado no mérito. A Fazenda Nacional, em síntese, alega que o julgado contrariou as disposições contidas nos artigos 168, I c/c 165, I, ambos do Código Tributário Nacional, defendendo que o CTN fixa o prazo prescricional nos termos do citado art. 165. Instado a se manifestar, a i. Presidente da 1ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por meio do DESPACHO N°.920200.385/2009 [fls. 781/782], dar seguimento ao REsp interposto: No entanto, em relação ao primeiro paradigma, o Acórdão n o 20311098, a despeito de tratar de tributo distinto do acórdão recorrido, entendo que ficou configurada a divergência, posto que o lançamento de ambos se dá por homologação. O acórdão recorrido afirma que o prazo para a repetição do indébito se extingue em cinco anos a contar do fato gerador, enquanto o acórdão paradigma tal prazo se contaria de acordo com a tese dos 5 + 5. IV Conclusão Pelo exposto, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pelo • contribuinte. Encaminhese o presente processo para ciência da Fazenda Nacional deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões Fl. 829DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Intimado do decisum e do recurso interposto, a PFN apresentou contrarrazões que, em síntese, reitera os argumentos do Acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo o recurso e demonstrada a divergência, conheço do Recurso Especial interposto e passo a análise do mérito. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos Fl. 830DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13884.003680/200156 Acórdão n.º 9202003.380 CSRFT2 Fl. 9 5 contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN Fl. 831DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Fl. 832DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13884.003680/200156 Acórdão n.º 9202003.380 CSRFT2 Fl. 10 7 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (26/09/2001) aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Dessa forma, o presente pedido deuse em período inferior a dez anos entre a data do fato gerador (exercícios 1995 a 1998) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso especial e darlhe provimento, com retorno à DRF de origem para análise das demais questões do pedido. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 833DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10315.001381/2008-10
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005
PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVAS NOS AUTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VIOLAÇÃO DA REGRAS ESSÊNCIAS DO LANÇAMENTO. SITUAÇÃO QUE IMPEDE O JULGADOR DE FORMAR SEU LIVRE CONVENCIMENTO. NULIDADE MATERIAL.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que votam pela diligência fiscal.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVAS NOS AUTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VIOLAÇÃO DA REGRAS ESSÊNCIAS DO LANÇAMENTO. SITUAÇÃO QUE IMPEDE O JULGADOR DE FORMAR SEU LIVRE CONVENCIMENTO. NULIDADE MATERIAL. Recurso Voluntário Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVAS NOS AUTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VIOLAÇÃO DA REGRAS ESSÊNCIAS DO LANÇAMENTO. SITUAÇÃO QUE IMPEDE O JULGADOR DE FORMAR SEU LIVRE CONVENCIMENTO. NULIDADE MATERIAL. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que votam pela diligência fiscal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 13 81 /2 00 8- 10 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10315.001381/200810 Acórdão n.º 2803002.579 S2TE03 Fl. 98 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.175.5417, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – parte descontada dos contribuintes individuais, decorrente da remuneração/retribuição/rendimentos pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores contribuintes individuais, conforme Relatório de Lançamentos RL, de fls. 09 a 18. Não consta a cientificação do sujeito passivo em razão do lançamento. No entanto, seu comparecimento voluntário para impugnar supri a irregularidade, parágrafo 1º, do artigo 214, da Lei 5.869/73. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 28 a 43, recebida, em 30/10/2008, estando acompanhada dos documentos, de fls. 44 a 66. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 67. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0816.023 6ª Turma da DRJ/FOR, em 20/08/2009, fls. 68 a 74, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 19/10/2009, AR, fls. 54. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 77 a 91, recebida, em 16/11/2009, acompanhado dos documentos, de fls. 92 a 94. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminares. · que todas as atividades da recorrente são realizadas por quadro próprio de pessoal, não requerendo a contratação de autônomos ou de transportadores entre outros; · que parte do débito está fulminado pela decadência; · que o fisco no desempenho do procedimento fiscal tem o dever de atuar na busca da verdade material, estando o presente lançamento lastreada em mero indício, não sendo possível que a recorrente seja devedora de tamanha quantia, pois a tempos é deficitária e não aufere lucros e caso tivesse o agente atuado como maior prudência não teria realizado o lançamento; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10315.001381/200810 Acórdão n.º 2803002.579 S2TE03 Fl. 99 3 · que não só na fase contenciosa, mas, também, na fase de apuração o contribuinte pode exercer o contraditório e ampla defesa é o que ensina a Lei 9. 784/99, sendo o crédito ilegal, pois nem pode o contribuinte rechaçar uma alegação falsa, pois boa parte do crédito é decadente, sendo o ato administrativo excessivo, pois não pode a recorrente fazer provas no curso da instrução, o que o torna desproporcional, uma vez que o lançamento não buscou a verdade material; · que a não participação da recorrente na fase do procedimento administrativo o torna nulo; · que o lançamento se reporta a competência 01/2004, tendo sido emitido em 23/09/2009 e em relação aos fatos geradores fora do quinquídio decadencial não podem ser exigidos; · A recorrente exora: a) pelo provimento do recurso, com a reforma da decisão a quo; b) reconhecendose a nulidade do lançamento. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 96. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 95. É o Relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10315.001381/200810 Acórdão n.º 2803002.579 S2TE03 Fl. 100 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Esclareço, inicialmente, que não analisarei as alegações da recorrente expostas em seu recurso voluntário, pois para mim o autos padece de vício anterior que inviabiliza tal análise. O parágrafo 3º, do artigo 59, do Decreto 70.235/72 não se aplica ao caso, conforme observação perfunctória no curso do relatório. A constituição do presente processo fiscal, embora possa ter atendido as recomendações internas da Secretária da Receita Federal do Brasil – SRFB não o eximem de nulidade absoluta surgida no nascimento e configurada na tramitação dos autos. O Processo Administrativo Fiscal – PAF não existe apenas para atender aos interesses da arrecadação da Receita Federal, antes de tudo o PAF existe para dar transparência, legitimidade e segurança na constituição do crédito, tanto ao fisco, quanto ao contribuinte e principalmente à sociedade. O autos do processo deve conter elementos mínimos que assegurem a sua validade e que atendam as exigências legais, pois este não é um fim em si mesmo, devendo espelhar para a própria Administração Tributária, o contribuinte, o julgador, o judiciário e para o sociedade em geral sua conformação com os princípios gerais do direito, a justiça, a legalidade, bem como aos demais princípios informadores da Administração Pública. Os atributos acima citados estão ausentes do presente lançamento, consta as suas folhas vinte e cinco a transcrição que a seguir trago à baila. O RELATÓRIO E OS ELEMENTOS DE PROVA DESTE AUTO DE INFRAÇÃO ENCONTRAMSE ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO N°37.175.5387. Na decisão de primeiro grau o julgador, assim, se posiciona, observe a transcrição. Possível o ajuntamento dos elementos de prova em um mesmo processo quando estes se referirem a mais de um crédito. No caso em apreço, as contribuições incidentes sobre os fatos geradores relacionados nos levantamentos CID — contribuintes individuais diversos fora da GFIP e CIF — contribuintes individuais fretistas fora da GFIP foram inseridas em créditos diversos de acordo com o seguinte critério: a parte patronal integrou o processo n° 10315.001384/200853 e a parte dos segurados compôs o processo que ora se analisa (processo n° Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10315.001381/200810 Acórdão n.º 2803002.579 S2TE03 Fl. 101 5 10315.001381/200810). Tal fato fora mencionado pela Auditoria, As fls. 25 do presente, e tem por fundamento o item "6" da Nota Cofis/Difip n° 2008/94. Vale ressalvar que não obstante não citadas as folhas que se deixaram de reproduzir, estas são facilmente identificáveis a partir de menção às mesmas no Relatórios de Lançamentos – RL do processo que alberga os elementos de prova. Embora, tenha empreendido busca no site www.receita.fazenda.gov.br/SIJUTII nada encontrei sobre a nota citada. Entretanto, há um trabalho no site do sindifisconacional.com.br, que assim trata da questão. Dessas mudanças decorrem uma série de exigências procedimentais, seja para adequar os lançamentos previdenciários ao PAF, como traduzidas na Nota Cofis/Difip n° 2008/94,... Contudo, em virtude de os controles do sistema de cobrança do crédito previdenciário não estarem preparados para receber, em um único processo, mais de um auto de infração de contribuição previdenciária, a Nota Cofis/Difip n° 2008/94 orienta a formalização de processos distintos para cada auto de infração, que seguirão apensados. Mas, da análise dos autos em questão, verificase que este lançamento foi realizado sem supedâneo em provas ou que tenha sido este em algum momento apensado aos outros autos, pois não há em seu corpo o termo de juntada – principal e secundário, bem como o termo de disjuntada – principal e secundário, assim como o extrato COMPROT destas providências, nos termos do MAPROF, dando a entender que ele sempre caminhou sozinho e, ainda, que assim não tenha se dado, isso é irrelevante, pois o que interessa é que no momento do julgamento neste Conselho os autos estão sozinhos e desacompanhados de qualquer tipo de prova, inclusive o lançamento não tem Relatório Fiscal. Em que pese, os outros autos encontraremse neste conselho aguardando distribuição no SECOJ, tela anexa, não há a meu ver como regularizar a falha de instrução processual, especialmente no estágio em que os autos se encontram. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10315.001381/200810 Acórdão n.º 2803002.579 S2TE03 Fl. 102 6 Desta forma, há um completo e absoluto desrespeito ao artigo 9º, caput, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Além do que, a falta dos elementos de prova no processo, também viola o artigo 29, caput, ainda, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 58, parágrafo 6º, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, haja vista que não há como o conselheiro formar sua livre convicção sem tais elementos. Desta forma, terseia um processo de adivinhação e não de livre convencimento motivado. Posto isto, devido a ausência de elementos essenciais, reconheço a nulidade material do lançamento, pois entendo não demonstrada a configuração do fato a norma, isto é, a existência do fato gerador. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10315.001381/200810 Acórdão n.º 2803002.579 S2TE03 Fl. 103 7 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10494.001181/2004-72
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Período de apuração: 24/11/1999 a 07/02/2001
RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR
A responsabilidade da empresa importadora pelas obrigações tributarias decorrentes da operação de importação ou exportação é direta, salvo quanto houver previsão legal em contrário.
DIFERENÇAS DE IPI E II. MULTA AGRAVADA F JUROS SELIC
A recorrente não logrou desconstituir as provas colacionadas aos autos, que comprovam que há diferenças de Imposto sobre a Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados não recolhidas e que devem ser pagas, com juros pela Taxa Selic. Também comprovado o dolo da Recorrente, na prática dos atos que deram ensejo à fraude detectada pela Fiscalização, devem ser cobradas as multas agravadas de 150%.
MULTA SUBFATURAMENTO
Comprovado nos autos que a Recorrente praticou ou concorreu para a prática do subfaturamento, deve sei punida com a milha do inciso II do art. 169 do Decreto-Lei nº 37/1966
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.610
Decisão: Acordam Os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora), Nilton Luiz Bartoli e Nanci Gama, que davam provimento parcial para afastar a multa por subfaturamento e reduzir as multas de oficio a 75%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Celso Lopes Pereira Neto.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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V OUTRO Recorrida FAZEN DA NACION A I ASSUN 10: IMPOS10 SOBRE A IMPOk [AÇÃO - Período de apuração: 24/11/1999 a 07/02/2001 RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR A responsabilidade da empresa importadora pelas obrigações tributarias decorrentes da operação de importação ou exportação é direta, salvo quanto houver previsão legal em contrário. DIPERUNCAS DE IP1 II. MULTA AGRAVADA F JUROS SELIC A recorrente não logrou desconstituir as provas colacionadas aos autos, que comprovam que Irá difirenças de Imposto sobre a Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados não recolhidas e que devem ser pagas, com .juros pela Taxa Selic. Também comprovado o dolo da Recorrente, na prática dos atos que deram ensejo à fraude detectada pela Fiscalização, devem ser cobradas as multas agravadas de 150%, MULTA SUBF ATUR A MENTO Comprovado nos autos que a Recorrente praticou ou concorreu para a prática do subfaturamento, deve sei punida com a milha do inciso 1 .1 do art. 169 do Decreto-Lei n" .37/1966 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Acordam Os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora), Nilton Luiz Bartoli e Nanci Gama, que davam provimento parcial para afastar a 6„3, multa por sublaturarnento e reduzir as multas de oficio a 75%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Celso Lopes Pereira Neto. ç I Atts-M-arc, --Ciueria de Castro - Presidente .,,,,,,., .- _____,•_.,- . ..----,..._____ .. • -------. Betítíiz Veríssimo de Sena - Relatora )1.-- ‘A---7t Celso Lopes Pereira Neto - Redator Designado FDttADO EM: 15/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, losé Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, 'Narrei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz 13artoli. Relatório irata-se de autuação consubstanciado. nos Autos de Infração de fls. 1 .a. 41 e 42 à 66, integrado pelo "Relakii io de fluditoria-Ficar de fls. 67 a 150 e planilhas de fls. 151 a 197, lavrados pela fiscalização da Inspetoria da Receita federal em Porto Alegre/RS contra as empresas Commar Comércio Internacional Ltda , ora Recorrente, e a empresa New - I rends Importação e Exportação Ltda... de quem se cobra o crédito tributário a título de Imposto de Importação, hllposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, multa do controle administrativo, juros de mora e correção monetária. As mercadorias objeto da presente autuação foram despachadas pala consumo através de 16 (dezesseis) Declarações de Importação registradas CM nome da empresa Cominar Comércio Internacional Ltda. no período compreendido entre 24/11/1999 ail 07/02/2001, referente aos exportadores estrangeiros Lakiné (fis. 115 a 124), Aviou (11s. 124 a 138), Emmeei ([Is. 139 a .141) e S I. F: (11s. 142 ã 143), todas por conta e ordem da New Trends Comércio Importação e Exportação Ltd.a. Consta do Relatório de Auditoria Fiscal que nessas Declarações de Importação não roi. declarado o valor real das mercadorias importadas, o que veio a reduzir indevidamente a base de calculo do imposto sobre Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculados à importação. Assevera a 1 , iscalização que foram declarados preços de transação, em média, 20% (vinte por cento) inferiores aos valores reais, o que deu ensejo à aplicação de multa administrativa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço .1 declarado e o preço efetivamente praticado nas importações (art 526 do Decreto ir 91.030/85, combinado com o art. 89, II c/c art. 9:3 do Decreto n" 91.030/85), Chegou-se a tais conclusões a partir de fiscalização realizada, primeiramente, na empresa "New Ti ends- , em que se descobriu , que essa empresa praticava, reiteradamente, o subfaturamento de suas importações. Após a apresentação de impugnações por ambas as empresas Cominar Comércio Internacional Ltda. e .New Trends Comércio Importação e Exportação Ltda, a DR.1 , analisou a questão, julgando procedente o lançamento em acórdão assim ementado (11. 907)::.., 0.-4)\ ki 2 PI ()cesso /1" 10404 001151/2004-1/2 83-Cri 2 A cõicl5o 1 '' 3102-00.610 1.1 1 (140 Ementa: VALOR EPL171/0 11)1 MERCADORIA 14.1PORTAM SUBFAlfIRAMENTO DO PREÇO OCO R IdWilA PENALIDADES A PULA' VE1S AGRA VA MENTO Constatado gut.' os preços das mereadorias consigrrados nas declarações de importação e rp:tivas finuras mio correspondem à realidade das transações e são infiriores aos preços ektivamente pagos ou a pagar fica (a)i-klerLado subfaturamento, tornando-se exigíveis os tributos aduaneiros devidos Cabíveis OS multas de oficio agravadas, de /509 sobre o e o lEI apurado, por declaração inevala do valor das me; eador ias, c: .orn evidente intuito de fraude, em relação as contribuintes de fato e de direito, por ter restado comprovado nos autos o intuito doloso das opera y're 5 ililp01" iaç'IM objeto da ação fiscal (iliC se. discute Cabível, tarnhán, a multa administrativa no percentual de I009-; apurado sabia a diferença entre o valor real deehnado mercadoria, pelo subfinuramento Lançamento procedente Trresignada, a empiesa Cominar Comércio [Mei nacional Ltda. interpôs recurso voluntário argumentando que: 1- Houve cerceio de defesa, na medida em que foi indeferida diligência por ela pedida e indispensável a solução da conlrovásia. 2- Ela teria atuado como simples prestadora de serviço, na condição de numa importação por conta e ordem de terceiros (New 'Fremis), ni_io podendo ser responsabilizada por fraude realizada por esse terceiro., 3- As multas fiscal e administrativa, qualificada em decorrência de prática de ato doloso, não podem ser cobradas de quem não teve participação na prática delituosa, mas somente da New Trends, vez que sem sombra de dúvidas foi quem praticou tais ilícitos fiscais; 4- Não se pode admitir a solidariedade em ato doloso ilícito A empresa New Trends Comércio importação e Exportação Ltda, não apresentou recurso.. Remetidos os autos a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, tbi detei minada a realização de diligência, a fim de corrigir a numeração dos autos do processo administrativo, bem como para leal izar nova notificação da empresa New Trends Comércio Importação e Uxportação Ltda., nestes termos: Às fls. 852/851, consta que o Eiscal não localizou a New Trends no endereço constante do CNP.1 O »iscai constatou in loco que naquele endereço essa empresa ali não mais operava e propôs que ftita a intimação por edital, o que acatado pelo Chefe da ,SAF1/1 IREVP.4E. À ./.1 855 consta cópia do edital - datado de 9 de novembro de 2004 Observe-se que a New Tte/uis impugnou a .sua exigèneia, O que demonstra que devia estai acompanhando o andamento da autuaçao Na sua iinpugnaç.'ao (11s 889 a 903). c.'spet::ifíctimeine és fls. 894, há informaçâo CX/2l es .s a de que O novo endereço da New Trends é Rua Bernardino Silveira Pastorisq, n. 4.50, Fundos., Bairro Rubel, Benta, Porto Alegre, RS, ilWavia, a intimação da decisão de primeira instância .firi remetida (/ls. .928) pata a Rua Luiz; Só n" 55, apto. 101„ Peíropolis, Porto Alegre, RS, que vem a ser o endereço pessoal do sócio que assinou a illiptignaçãO Esta intimação recebida pot Veia ()macho, de (.1 lle 1 11 não há notícia nos autos que tenha qualquer relação com a cmpi esa. .Noto ainda (MV hé, pi anipeado na contra-capa do Ultimo volume dos autos, envelope endereçado é Neli! Dth, (.....0/7/ o respectivo comprovante do AR, com O elido eço é ii v Polónia, .356, São Geraldo, Porto Alegre, .R,S; ou seja, o primeiro endereço (que o fiscal já havia constatado não .ser o dessa ernpiesa) Dt'S se modo, verifico que a intimação da decisão de primeira 'M/( ia: ia 11C-i0 fi.)/ calLada corretamente quanto é empresa New :ticmis, uma are que não Jin dirigida ao endereço titilai que consta dos autos, ou S'c/a. Rua Bernardino Silveira Pastorisa, 450, Fundos, Bairro Rubro Beria, Porto Ale:wre, RS. . Assim, I/01'0 POR CONVERTER O JULGAMENTO EM D1L.I.GÉNO11 pata que .N'tjá .saniula a nulidade apontada acima, consistente no erre na intimação da empre.sa "New 'Fremis", de modo a intima-/a, agora, quanto é decisão de primeira insfancia no endereço Rua Bernardino Silveira Pastorisa n". 450, undos, Bairro Ruhen Recta, Porto Alegre, RS, permitindo que esta iecorra da decisao de primeira itvaaricia, se as Sim entender CO Tiver 1 Na. opor (unidade, solicito a retificação da numeração dos tiato deste processo, uma vez que depois da 898 a numeração dos autos retor na para a .11 889 e assim W. L,r ti C errada A diligência K.ti realizada. Os autos foram remunerados, conforme solicitado O Contribuinte "New Trends" foi notificado da decisão proferida pela 1.)R..1 no endereço que consta da resolução todavia, a intimação retomou sem recebimento, pois o Contribuinte não foi local i/ado naquele endereço. Ii o relatório. Voto Vencido Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Conheço do recurso voluntário interposto pelo contribuinte COMMAR Comércio 1 ntern rciot ia 1 Ltda., porque prcencir idos Os pressupostos extrínsecos ci c admissibil idade. - Cerceio de defesa em razão do indeferimento de diligência ‘il 4 Pro(ss:0 n I0,191 (5)11 51/2001-72 S3-C1 12 Acórdão n " 3102-00.610 H 1 050 Preliminarmente, o Contribuinte "COMMAR — Comércio Internacional Ltda.." protesta pela nulidade da decisão recorrida em razão do indeferimento do pedido de realização diligência, consubstanciado na expedição de oficio aos exportadores para que esses afirmem se tiveram contato com a empresa COM MAR. Entende o Contribuinte que essa seria a Única maneira de provar que ele não interveio nas operações de negociação dos produtos importados e, conseqüentemente, não teria colaborado no sentido de subtaturar os produtos e informar a menor os preços das transações à Receita Federal. No entanto, entendo que a rresignação do Contribuinte não deve prosperar, pois ele não demonstrou que não poderia produzir a prova pretendida por outro meio senão pela diligencia.. No caso, a diligência., que consiste na apuração de meras declarações, não seria. meio hábil e-suficiente para desconstituir as provas documentais encontradas pela fiscalização, em que pese a argumentação do Contribuinte. Na verdade, poderia o Contribuinte, por ele mesmo, providenciar a juntada das declarações por ele solicitadas em sede de diligência, no momento da. Impugnação. Não o fazendo, preclui o seu di reito de produzir tal prova.. Pelo exposto, indefiro o pedido do Contribuinte quanto à nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa, pelo indeferimento de realização de diligência. - Da participação e responsabilidade da Recorrente pelas diferenças de Imposto de Importação e 'Imposto sobre Produtos Industrializados — responsabilidade solidária Quanto à responsabilidade da Recorrente sobre as diferenças de impostos apuradas no auto de filhação e às multas aplicadas, cumpre Observar que a sua responsabilidade pelo seu respectivo recolhimento não é subsidiária, posto que a. responsabilidade do importador é direta. Com efeito, a lei é clara quanto à i_csponsabilida.de direta do importador papel exercido pelo ora Recorrente - sobre as operações de importação, incluindo eventuais fraudes que vierem a ser apuradas. Sobre o Imposto de Importação, o Decreto-I ei n" 37/66 dispõe o seguinte: Ari. 3 I - 17: contribuinte do imposto - o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadol ia é..strangeira no Te, IVacional, Art. 95 - Respondem pela infração. I - conjunta ou is .oladamente, quern qUef que, de qualquer fOrma„ concorra para sua prática. ou dela se beneficie, I V - a pessoa natural Ou jurídica, razão do de7s.pacho que promover, de qualquer niereadoria. ti"-- conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência e.stran,geira, no caso da importação realizada por sua coma e ordem, por intermállo de peswa jurídica impoi !adora. k U)\:" 5 ( ) Já o art.. 51 do Código Tributário Nacional, ao tratar do Imposto sobt e Produtos Indusiiializados, dispõe que: Afrl Cena ibuinte do imposto é. - o impo, todo/ ou quem o lei o ele equiparar, 11- O industrial ou quem a lei O ele equipai - o comerciante de produtos sn.feitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso ante" lor, 11/ - o airematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão PCUÓ,S._',1(7,6) dnieo PaUl 05 (.1L'ilWi deste Imposto, considera-.se contribuinte autônomo qualquer e.stabelecimerao de importado!, ndust id comeTeionle ou arv emala/11e Há, portanto, responsabilidade direta da Recorrente sobre o não recolhimento dos impostos ora em exame Cotejando os preços cobrados pelos fOrnecedores estrangeiros com os preços dos produtos declarados na aduana, a pártir de dados infOrmados pelos próprios . fornecedores e documentos encontrados nas diligências realizadas na sede da empresa Ne,,v Trend.s, a fiscalização verificou que os preços declarados foram subtaturados, A fiscalização apurou, ademais, rjue algumas das tabelas de preços utilizadas .pel.a. empresa -New Trends, que contratou Os serviços da ora Recorrente, foram elaboradas pela própria Newl rends. No que se refere ao fornecedor estrangeiro "Avlon", observou-se que era utilizada tabela específica para o Brasil (Brazil Price List), com preços abaixo de custo e que não conespondiam aos valores efetivamente pagos pelo exportador. As provas colacionadas aos autos não foram desconstituldas pelo Recorrente. O contexto probatório dos autos, somados às conclusões da fiscalização tributária, que não se fim possível desconsiderar neste ponto, dada a sua correção, demonstram, pelo contrario, que realmente houve subfáturarnento e conseqüente não pagamento de impostos. Deve ser mantido, portanto, o lançamento quanto às diferenças de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos industrializados, ambos tributos que foram recolhidos a menor pot que reduzida sua base de cálculo irregularmente pelo subfaturamento praticado. - Multa agravada sobre o 1P1 Dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional ((TFN) que "O responsabilidade por injiaçóes da legislação tributária independe da intenção do agonie ou do responsável e da efetividade, natureza O extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrario. No caso, o art. 80 da Lei n" 4.502/1964 prevê a aplicação de multa de oficio sem a necessidade de apuração de dolo do agente ia execução dos atos que levaram a falta de recolhimento do imposto,. Há, tão somente, previsão de aplicação de agravante quando constataria sonegação, fraude ou conluio / CL\ I Prx.seeso (e 10/194 .0011 51/2004-72 S3-(l F2 A.cól (lio o ." 3102410.610 H 1 051 Na hipótese presente, entendo que a multa do art. 80 da 1,ci n" 4..502/64 é aplicável, porém na forma simples e não qualificada, uma vez que O Recorrente, Commar, não incorreu Cl fraude. Isso porque falta o elemento volitivo necessário a configuração da fraude: O dolo. O art. 72 da Lei n° 4.502/64 define a fraude, assim entendida como uma das (Rdificadoras da multa do ar t. 80, II, da Lei n" 4_502/64, como "toda ação ou omissão dolas-a tendente a impedir ou retardar, total ou paalalmente, a ocorrência do tato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas característieas ess-enciair, modo a reduzir o montante do imposto devido a eVilar (ftt diferir o seu pagamento" (destacou- se). Por sua vez, para que haja dolo, deve haver vontade do agente em praticar o ato e consciência de que o está praticando Desse modo, em decorrência do elemento do dolo, não hasta a simples omissão em não verificar as informações repassadas para a. execução dos serviços de importação, é necessário que o agente queira praticar, conscientemente, O ato que Irá impedir ou retardar o fato gerador, total ou parcialmente. tu cusD, não foi demonstrado que o Recorrente atuou com dolo. Há, quanto muito, indícios de que não verificou completamente a documentação a que lhe foi confiada, o que demonstra falta de cautela, culpa, mas não qualifica o dolo.. Dessa forma, entendo que deve O Rec.-oriente responder pela multa do art. 80, inciso 1, da Lei n" 4.502/64, porque efetivamente deixou de recolher parte do Imposto sobre Produlos Industrializados sujo recolhimento lhe era de sua responsabilidade, independentemente de sua intenção, nos termos do art„ 136 do CIN. No entanto), não incorre na multa qualificada do inciso 11 (10 mesmo art. 80 da Lei n" 4;502/64, urna vez que não incorreu para a fraude cometida, por não ter agido com dolo. Há jurisprudência deste Terceiro Conselho nesse sentido: Imposto de impor/ação Base de cálculo A declaração a menor do valor aduaneiro de meieadorias infração que autoriza O lançamento officio da dikienca entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, calculado mediante o uso da alíquota ad valorem e do valor aduaneiro apuíado com contórundade com. os 'métodos definidos no Aeoi(10 de Valoiação Aduaneira (A VA) Imposto de importação Multa qualificada Legítima é a aplicação da omita de cento e cinqüenta por cento quando presente o evidente intuído de fraude lato sensu por ação OU omissão dolosa., prrssinfosto qualificador da pena materializado em ao menos moa de suas espéf..'ies. .sonegação, fraude stricio sensu ou conluio. fim/ração administrativa ao controle de importações. Guia de hnportação Licenciamento de impof fação. Guia e licenciamento de importação, documentos não- contemporâneos c com flatUrCZ.L .LS diVei"Sa5`. ES'te é condição prévia para a autorização de importações,- aquela era necessária puni o controle estatístico do comércio exterior. .4 falta de licença de importação não é fato típico para a da 7 400% 1/2' • multa do artigo 169, 1, "h"„ rio Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2'' da Lei 6.562, de 1978 Infração administrativa ao c.'onti ole do importações. Subfatni cimento Acarar:ter izaeão do subfaturamento de mercadorias importadas é lato nece.ssár J.o e suficiente para infligir a multa do ar figo 169, 11. do Decreto-lei .37, de 1966, alterado pelo artigo 2" da Lei 6 562, de 1.978 Imposto sobre Produtos InduNirtalLados vinculado à importação Base de cálculo /1 declaração a menor- do valor aduaneiro de mercadorias é infração que autoriza o lançamento ex o//leio da diferença entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, ealcIdado MCdlante: (...n USO da aliquota ad valorem e da soma dos tributos aduaneiro N. , do si ágio s e sabrelava !,-: cambiais e do valor admineiro apurado em conformidade com os métodos ddinido.s no Acw do de Valor ação Aduaneira (A VA) Impo S to ,501710 Produtos Industrializado.s vincar/acto à importação Multa qualificada e agravada Legítima é a aplicação da multa de cento e cinqUenta por cento majorada de- cem por vento . quando presente 0. evidente intuído1 de fraude lato senso por ação ou omissão dolosa, pressuposto qualificar/0r da pena„ materializado em mais de uma de suas1 1 espc'.,cies wilvgai,.(70, fiande síria° sensu ou conluio. ,S5quição passiva solidária por interesse 00/11010 nO pagamento da diferença entre tributo devido e o recolhido em cada imporim,..ão O lançamento ev officio da diferença entre tributo des)ido e o recolhido ern cada importação pode sei . levado O ekito tanto na , tradincr company qUardo na contratante das- importações-, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrI .,(_}aclio tributária principal, sem beneficio do ordem, nina corno contribuinte, a outra como reSpOn.SáVd SOhidáfr ia pOT iiiiCTeN- S'e COMIIM ,Sujeição passiva exclusiva do adquirente no pagamento das penalidades pec ti ti iár ias 4 imputabilidade pela prática de ilícitos fiscais exige necessai lamente a presença de dolo, o que só restou comprovado em relação à empresa .13.113 Brasil hnernenional Business S/C Lida, Normas gerais de Direito fr 'binário. Alro.S • inOl'alÓri0S- Se/te AXceto no mês do pagamento, na vigência ria Lei 9 430, de 27 de; dezembro de 1 996, os juros moratórios .são equivalentes à lava rejérencial do Sistema Especial de Liquidação e dc Custódia (Sebe) paia títulos iCyler- ais 1?1;CIIRSO PA R(' 1 4.1, ME NTE . PRO V IDO 1 \ \ij V ‘,.s. Proceso n" 10191 00 181/2001-72 53-C11-2 Acórdão n." 3102-00.610 H 1 0.52 (Recurso n" 131314, Processo n" 10494 002574/2003-12, Terreiro Ciimara do Tercen o Conselho de (7ontribuintes, rel C'ons Tarásio Campeio 13orge,s, ¡nig 18/10/2005) Dou provimento parcial, assim, ao recurso voluntário para reduzir a multa sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do imposto que deixon de ser lançado e recolhido, nos termos do inciso 1, art. 80, da Lei n" 4,50.2/64. - Multa agravada sobre o Imposto sobre Importação Dispõe o art. 44, I e H, da Lei n'' 9.4.30/96, com a iedação .vigoi a época do período de a.puracão e do auto de infraçao: ".1d. 44 ¡Vos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as „seguintes multas, calculadas sobre O ituiilidade ou diferença de tributo Ou romtibuirão: 1— dc setenta ",'211C0 pOP' cento, nos Casos de filha de pagamento Ou recolhimento, pagamento ou ircolhimento cipis o vencimento do prazo excetuada a hipOtese do inciso _seguinte, .11— cento c cinqüenta por cento, nos eas-o.s de evidente intuito de .fraude, definido nos ruis 71,7.2 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 01965, independentemente de Outras penalidades adminisn ativos 011 Cavilillaiti cabíveis. 1 - (destacou-se) Conforme exposto no itein anterior, entendo que não há, nesta hipótese, elementos que permitam afirmar que a empresa Cominar tenha agido em "evidente intuito de fraude", como exige o inciso II do art. 44 da Lei a' 9430/96. :De fido, não há provas de vineulacão societária entre a Cominar Comércio Internacional Ltda e a empresa New Trend, nem há ind.ícios de que a Commar participasse das negociações entre os Wrneeedores externos e a .New Trends. Frise-se, outrossim, que a .fiscalizacão localizou documentos que comprovam a fraude no escritório da empresa "New Trends, não tendo localizado documentos de igual ou semelhante teor junto a ora .Recorrente, pelo que consta destes autos. Ademais, a. Commar - Comércio Internacional Ltda não é unia "empresa de Cachada", porquanto possui existência autônoma. Assim, dá-se provimento parcial ao recurso voluntário para, neste item, reduzir a multa aplicada sobre as direi-eriças não pagas sobre Imposto de hnpostação para 75% (setenta e cinco por cento). - Muita Administrativa A Fiscalização Tributária aplicou ao Recorrente a multa do art. 526, II, d.o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.0.30/85, e cuja base legal reside no art. 169, II, do Decreto-Lei. n" 37/66, com a. redação do art.. 20 da Lei n" 6.562/78. Transcreve-se o arl. 169, II, do Decreto-Lei ri." 37/66, para melhor ilustrar a questão: G'onwituern 0i:ti-ações admitnstrafivaN ao .)nt.role LOTO' iaç:'Õe n ) 0.1?li1uror ou superfittural o peço 00 O valor rla mercado' ia Pena multa de 100% (cem por c(.nto) (la erença) De acordo com o referido diploma legal, a multa nele prevista está condicionada ao eletivo super ou subfannamento, ou seja, it realização do ato de diminuir ou aumentar os valores dos produtos apeiras para reduzir ilegalmente os impostos a serem recolhi dos. hill que pese o iárto contexto probatório dos autos, não há prova de que o Recorrente tenha concorrido diretamente para o super ou sublaturamento do preço ou valor da mercadoria importada Em outras palavras, não há provas de que o Recorrente tenha produzido atos promovendo o subfaturamento as mercadorias. Ainda que tenha incorrido em culpa, ou ter sido negligente quanto à verificação da regularidade da documentação que lhe foi confiada, a Recorrente não praticou o efetivo subtaturamento Entendo que o Recorrente limitou-se a intermediar operações de importação, tal qual já negociadas pela New 1 rends O subfaturarneriioÍoj praticado por esta ultima empresa Pot isso, dou provimento ao recurso volimiário neste ponto para afastai a aplicação da multa do art. 526-, 11, RA, aprovado pelo Decreto n" 91.030/85, e cuja base legal reside no aut 169, 11, do Decreto-Lei n" 37/66, com a redação do art. 2" da 1,ei n" 6.562/78 - juros de Mora sobre Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos industrializados Por fim, não merece reforma o v atesto recorrido quanto aos juros de mola aplicados, pois a laxa SELIC ioi corretamente aplicada, uma vez que a sua incidência encontra abrigo no art. 61, 3", da Lei n" 9.430/96. - Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa sobre o IPI não recolhido para 75% (setenta e cinco por cento) do imposto não lançado e não recolhido, nos termos do inciso 1, do art. 80, da Lei n" 4.502/64 (com a redação anterior a Lei n" 11.48812007), para reduzir para 75% (setenta e cinco por cento) a multa prevista no art. 44, I, da Lei n i) 9.430/96, bem como para afastar a multa administrativa aplicada de :100% (cento por cento) sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro c/c art. 169, II, do Decreto-Lei n" 37/1966. Julgo, assim, parcialmente procedente o lançamento, pelos fundamentos acima expostos. Relatora Heati iz Veríssimo de Sena Voto Vencedor Conselhen o Celso Lopes Pereira Neto, Redator-Designado Com o respeito e admiração de sempre, divirjo do entendimento da ilustre Conselheira-relatora Beatriz Veríssimo de Sena. _ . lu) de V'ri)ces; n -. n 10494.00112112004-72 S3-C1 12 Acó i dito 3102-00.6.10 Fl. 1 0151; A discordância em relação à ilustre relatora refere-se à aplicação das multas agravadas sobre ofleo IPI e sobre a aplicação da multa sobre o sub [aturamento, prevista no art. 169 ; 11 do Decreto-Lei n" 37/66, regulamentado pelo art. 526, Hl do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85 (vigente à época das importações). Cabe ressaltar, conforme já foi relatado pela i. relatora, que a empresa New -Fremis não apresentou recurso voluntário a este Conselho, de forma que, em relação a ela, o crédito é considerado definitivamente constituído na esfera administrativa. Também devo deixar claro que concordo com a i. relatora em relação aos pontos de seu voto em que: a) indeferiu o pedido do Contribuinte quanto à nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de d.efesa, pelo indeferimento de realização de diligência; b) considerou que ha responsabilidade direta da Recorrente sobre o não recolhimento dos impostos ora em exame, sobre o qual deve responder administrativamente; c)entendeu que deve ser mantido o lançamento quanto às diferenças de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, ambos tributos que Coram recolhidos a menor porque reduzida sua base de cálculo irregularmente pelo sublaturamento praticado; d)manteve a aplicação dos juros de mora pela. taxa Selic. Passemos, agora, a expor as razões de minha discordância em relação à ilustre relatora no que se refere à aplicação, à recorrente, das multas agravadas sobre o 11 e o IPI e da muita sobre o subfaturamento. Dos autos, verifica-se que a recorrente tinha ciência de que as faturas eram confeccionadas na New Trends e que havia divergência entre estas faturas fabricadas no Brasil e as originais expedidas pelo exportador: estrangeiro. Conforme já ressaltado pela i. Relatora, consta da.s fls. 821., e-mail encaminhado em 21 de dezembro de 2000 pela Sra.. Patrícia Aqui rio, da Conluiar, para o Sr .. Marcelo Caldas Garcia, tratando de uma divergência entre a fatura encaminhada pela New Trends para desembaraço das mercadorias importadas da SIE. e a fatura que acompanhava a carga, deixando claro, que a Commar tinha conhecimento do subi:aturamento promovido pela New Trends e, inclusive, alerta a "New Trends sobre o "perigo" de urna conferência doctunental e física pela Receita Federal. Vejamos trecho do e-mail: "„S'alietilamos que a Oura enviada pot voc,. ,:;.s consta urna valor divergente da fatura qz.u.. veio acompanhando a carga, nos enviada hoje pelo desconsolidador _Alertamos que a D.T terá conferéncia documental e física pelo AFLUI designado, caso o desconsolidador tenha apresentado via da /aura junto a All(ndega, podetá haver comparação pelo fiscal no ato da apresentação da fatia a que acompanhará a I) t Restou sobejamente demonstrado, pela documentação acostada aos autos, que a New ri.‘rends tábricava as aturas no Brasil, praticando o subfaturamento, o que foi reconhecido pela i. relatora_ Nos autos, tarnbém encontramos correspondências entre a (X)MMAR e a New Trends, que comprovam que a recorrente tinha pleno conhecimento da co.nfeeça.o de faturas no )•--/ . . J‘);;;' Brasil, tanto que recomenda a mudança de vários itens das taturas. Vejamos trechos destes documentos que dizem respeito à connmicação da recorrente (C:011./MAR) com a adquirente das mercadorias (New Tiends): .1- E-mail de fls. 342, encaminhado pelo SL José AntOnio Ciagetti, da Conluiar, para a Sia R.egina, da New Trends, em 12 de abril de 2000: -Prezada Regina, Coniiirirze nosso contato, solicitamos alteração nas fitarias N. PC 00.03/4 1. Incluir. Peso da mercadoria liquido hichni • o valor do frete, segue coiemplo rolai US$ XX V.VX, Pio! ç'Iit US'S xxx,,,cx Total C.'1 , R US$ iv v N, PC 00.0314 AMOSTRAS DE MER(',41WRIAS 1 /Wel ar o VIM/CIO da finura, esta igual a da mercadoria 2 O valor não podo sei- negativo 3 Colocar no corpo MARTE (100/.),S'14/1THOUT COMAILRCIA I, VALIA, 4 ketir•ar 120 dayy 5 Colocar poso líquido da mercadoria 6 Incluir valor do f 1-010 segui,- o evernplo do item 02 !atuiu 314." 2- E-mail de lis. 397 encaminhado pela Cominar para a New Trends cru 29 de junho de 2.000, com a intervenção da (.'.onlinat na labricaçã.o de faturas por parte da New Trends: -Fator verificai abaixo alguir comentários .sobre a fat/WaS cm r(Jeiência • hilum PC.99 0553 entendemos que fiala-so do finura 1 , 013, Pois O valor do trete não é mencionado na 0/05010 Patina Prolórma PC0.9 0553/1 solicitamos a reemissão desta ptolOrma. com (15 Se, White'i LlItCía0.3e1. — Inclusão da condição INCO7E1?Al. negociada- FOB 2 Ornisão do termo Discount Neste campo, mencione 'Total' F013 3- Resposta da "New Tiends (lis 398), em 4 de julho de 2000, à Cominar, sobre o e-mail de fls. 397: "Rej l'14TUT?,4S N"..s PC99.0553 1; PC99.0553/1 Damos (--in no.s• so poder WUN (101U(105 do 29 do junho o de hoje, sobre Os (/uais, tomamos a liberdade de tecer os seguintes . comentários. 1') -- t•oinai ritos conhecimento do sou h-M,411, de 29/6, as• 1,9 00 lis, fizemos contato tolelõinco 00111 O Sr .los.O /intorno, já que V Sa não se encontra Va na ocas•ião, O solicitamos ao mesmo um modelo de 001//o (I fatura devetja sor preenchida, porque nossas compras da LAKMÍ, .40 V 12 Pi ocess“) n' 1 0494 001151/2004- /2 S3-C112 Ac.ó/ dão Ti " 3102-00 Á.+10 H 1 054 com frete pago mi ort0111 e já incluso no preço de compra ou o Se José Antonio de fornecer-nos o modáo Aliás, • .empre que fazeino,s uma nova importação, nos é solicitado modiliações Fl 0.S ter s /(ts faturas Os modelos untei Urres não servem. paia as novas Daí ¡migue a nossa preocupação em recebermos o modelo, pois hoje 711i0 mais sabemos qual o que serve Es tas modificações passai am a acontecer depois que passamos a utilizai os serviços da C081j14.4/? 4- A correspondência de Es 399 mostra o encaminhamento das alterações feitas pela New Trends na faliu' a PC,99.0553: ''Confw me combinado encaminham() S novamente ir fatura em ilrigrajc.:', já com as modificai:6r, que pensamos sejam as solicitadas por VS Caso lenha que ser feita mais alguma modificação, solicitamos informar e orientar-nos.'' 5- E-mail de fls. 432, encaminhado pela Sra., Patricia Aquino„ da Cominar, para a .New Trends em 26 de setembro de 2000 revela que Coi a i ecorrente quem sugeriu a utilização do numeração diferenciada em ['aturas a serem conCeccionadas pela New Trends: " Corno são duas finuras, a de valor 1.1$ 176,34 vou utilizar o número paia esta fatura como PC 00 0840/A, para difeienciar da °inter okay 6- E-mail de lis. 434, encaminhado pela Sra. Patrícia Aquino ((',ormnar) para o Sr, Marcelo Caldas Garcia em 25 de outubro de 2000 mostra sugestões de alteração de dados nas faturas: "Estou retornando os arquivos . com as faturas, para que você providencie as devidas cor reÇõeS, de acordo Com O conhecimento de embarque, o freie é prepaid, portanto deve constar nas faturas. Favor atenrar Também-1 .1.)ara o peso Intuo, sendo que a soma dOS pesas - das dum finuras, diverge do peso do conhecimento 7- E-mail de Es. 642, encaminhado pela Quality para a New Trends, e e-mail de lis. 645, encaminhado por Roger Batista, da Commar, pata o Sr. Milton, da New Trends, também demonstram o processo de Fabricação de faturas por parte da New Trends, sempre com as sugestões da C.'ommar: "Aí vai as invoices modificadas de (1COrdo como o .10 sé Antonio pediu Imprimir e mandar para a COMAJA.R "Fazemos refi.Téneia a vossa conversa de minutos atrás com. o Sr José Antônio. Geniitera notar que para podermos registrar e nacionalizar o processo 943/00 4v/ou, precisamos receber a . fatura original para os itens que estão a maior Embora não se encontrem, nos autos, documentos que cornprovem contato direto entre a recorrente e Os exportadores estrangeiros, essas correspondências entre a Com mar e a New Trends demonstram que a recorrente tinha conhecimento da fraude e sua participação contribuiu para o resultado, pois, no mínimo, assumiu o r isco de produzi-lo. 13 Na melhor das hipóteses está caracterizado o dolo eventual da recorrente, que tinha não apenas o conhecirnento da conduta fraudulenta da New - 1 rends, como também se pôs de acordo com isso, na forma de conformar-se e de aceitar assumir O risco de sua produção. A 1 relatora já havia concluído pela responsabilidade da recorrente quanto ao não recolhimento dos h-opostos ora em exame, com multa não agravada de 75% No entanto, diante do lodo o exposto, entendo não haver como afastar a responsabilidade da recorrente pela prática de sublaturamento, estando a mesma, portanto, sujeita à multa agravada de 150% e à Multa por subfaturamento, prevista no art. 169, iT, do Decreto-1,LÁ n37/66. Voto, porr auto, poi negar provimento ao recurso voluntário. Celso Impes Pereira Neto
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Numero do processo: 16408.000121/2007-93
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
IRPF - OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - GANHO DE
CAPITAL.
As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos,
estão sujeitos a apuração do ganho de capital.
A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo.
O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado.
A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Goiacomelli Nunes da Silva , Francisco Assis de Oliveira Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Goiacomelli Nunes da Silva , Francisco Assis de Oliveira Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. C • s ALBE • 1 REIT1j(AS ARRETO- Presidente ELIA" 4 PAIO 1' EIRE — Relator EDITADO EM: 1 1 JUN. 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária, especificamente, aos artigos 117 e 132 do RIR/99, e, como decorrência ao art. 3°, § 3° da Lei n° 7.713/88, bem como o art. 23 da Lei n.° 9.249/95, em decorrência de o acórdão recorrido ter considerado que em operação de incorporação de ações não houve omissão de ganho de capital, assim ementado: IRPF - OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL Afigura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas fisicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, á' único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, a contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, 5S. 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. 2 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 2 Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço. Recurso voluntário provido. A Fazenda Nacional alega em síntese que as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital e, as pessoas fisicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização do capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado e, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. O contribuinte, cientificado do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que: a) a operação de incorporação de ações não tem a mesma natureza jurídica das operações de incorporação de sociedades ou de subscrição de bens de capital; b) não existe previsão legal para tributação dos atos praticados no âmbito de uma operação de incorporação de ações; c) quando muito, poderia ser admitido o tratamento de incorporação de empresas e não o de alienação a qualquer título; d) não podem ser aplicados dispositivos de tributação de pessoa fisica sobre atos praticados pela pesssoa jurídica; e) a substituição das ações operada em virtude da incorporação de ações foi realizada na proporção das ações anteriormente possuídas; e f) só há a obrigação de reconhecer eventual ganho de capital na operação de substituição de ações quando houver alienação a terceiros, ou seja, quando houver fluxo financeiro ou circulação de valores. É o relatório. 1(1. 3 Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF no . 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmarq Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Examinando-se o recurso especial apresentado com supedâneo no inciso I, verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Não há como discordar do relator do acórdão recorrido, no sentido de que: "A matéria que chega à apreciação deste Colegiado é nova e envolve a exigência de imposto de renda incidente sobre ganho de capital apurado em operação denominada "incorporação de ações", a qual se encontra disciplinada pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76" Para o deslinde da questão, faz-se mister transcrever o histórico das operações que ensejaram à fiscalização considerar a ocorrência do fato gerador da exação: 1) Neiry Galvão da Silva, e seu filho Rafael Gaivão da Silva eram os únicos sócios da empresa Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. Ltda., com participação de 92% e 8% no capital social da referida empresa, equivalentes a 1.380.000 e 120.000 ações, respectivamente, consoante 4' alteração contratual à fl. 208. A participação do autuado foi consignada em sua declaração de bens pelo valor de R$ 120.000,00, em 31/12/2003, consoante declarações de bens às fls. 23 e 28; 2) Em 02/07/2004, os sócios (Neiry e Rafael), aprovaram a transformação do tipo jurídico da sociedade empresarial limitada, para sociedade por ações, sob a denominação de Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, permanecendo inalterada a participação dos sócios no capital da sociedade no valor de R$ 1.500.000,00, que passou a ser representado por 1.500.000 ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, das quais 1.380.000 foram distribuídas à sócia Neiry Galvão da Silva, e 120.000 ao sócio Rafael Galvão da Silva, que pemianeceram sendo os únicos acionistas da empresa, conforme Ata da Assembléia Geral de fls. 218/226. 4 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 3 3) Por sua vez, em 15/09/2004, Marcelo Brunetta e Telvino Brunetta constituíram a empresa MSB Assessoria Empresarial Ltda, com capital social de R$ 3.000,00, dividido em 3.000 quotas de R$ 1,00 cada. 4) Em 29/12/2004, da Ata de Assembléia Geral de Quotista para Transformação da MSB Assessoria Empresarial Ltda. em Sociedade Anônima e Incorporação de Ações; constata-se as seguintes deliberações (fls. 235/248): a) Transformação do tipo jurídico da sociedade empresarial limitada, para sociedade anônima, sob a denominação de MSB Assessoria Empresarial SIA, mencionando que o capital subscrito e integralizado permaneceria o mesmo, convertido em 3.0000 (três mil ações , no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, assim distribuído: Marcelo Brunetta — 1.500 ações e Telvino Brunetta — 1.500 ações. b) Aprovação dos termos do "Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações para Conversão em Subsidiária Integral", que contém proposta de incorporação de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil) ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A. c) Aprovação do Laudo de Avaliação para Efeitos de Incorporação de Ações da companhia Insol, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404/76, elaborado pela empresa especializada ZHC Consultores S/S Ltda.,que avaliou o acervo líquido da a preço de mercado, da empresa Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, em R$ 45.000.000,00. d) Aprovação do Laudo de Avaliação para Efeitos de Incorporação de Ações da Companhia MSB, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404/76, elaborado pela empresa especializada ZHC Consultores S/S Ltda.,que avaliou o acervo líquido Companhia MSB com base em valores contábeis e que representam o valor de mercado em R$ 3.000,00. e) Aprovação do aumento do capital social da companhia MSB em R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais, em função da incorporação das ações da companhia INSOL, mediante emissão de 45 milhões de novas ações, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalmente subscritas pelos acionistas da INSOL, da seguinte forma: 41.400.000 com Neiry Gaivão da Silva e 3.600.000 com Rafael Galvão da Silva. 5) Assim, com a elevação do capital social, a MSB Assessoria Empresarial S/A passou a ter capital social subscrito e totalmente integralizado de R$ 45.003.000,00, mediante a subscrição de 45.003.000 ações ordinárias e nominativas, com valor nominal de R$ 1,00 cada ação, das quais 1.500 permaneceram com Marcelo Brunetta (subscritas e integfalizadas por transformação de tipo societário), 1.500 com Telvino Brunetta (subscritas e integralizadas por transformação de tipo societário), 41.400.000 com Neiry Galvão da Silva (subscritas e integralizadas por incorporação de ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A) e 3.600.000 com Rafael Galvão da Silva (subscritas e integralizadas por incorporação de ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A), de acordo com o boletim de subscrição de MSB Assessoria Empresarial S/A. Destarte, indubitavelmente, a situação acima descrita enquadra-se na denominada incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, in verbis: "Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao património de outra companhia brasileira, para convertê-la em subsidiária integral, será submetida à deliberaçã o da ('(' 5 assembléia-geral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § I°. A assembléia-geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirar-se da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2°. A assembléia-geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirar-se da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3°. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléia-geral da incorporadora, efetivar-se-á a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Por certo, como assevera o relator do acórdão recorrido, a "incorporação de sociedades" e a "incorporação de ações" reguladas pelos artigos 227 e 252 da Lei das S.A., respectivamente, são fenômenos distintos. A incorporação de ações é a operação societária por meio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. Diferentemente da operação de incorporação de sociedade, quando a incorporadora absorve ativo e passivo da incorporada, que deixa de existir, a incorporação de ações opera exclusivamente sobre as ações da companhia incorporada, que são integralmente absorvidas pela incorporadora. Os acionistas da companhia incorporada transferem a totalidade das suas ações para a incorporadora, que se toma a acionista única da primeira. A companhia cujas ações forem transferidas ao capital da outra sociedade - a incorporada - não se extingue, permanece como pessoa jurídica independente, com plena autonomia patrimonial, sem que ocorra sucessão de direitos e obrigações entre as companhias envolvidas. Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro, em seu livro "Das Sociedades Anônimas no Direito Brasileiro" (José Bushatsky, Editor, 1979, vol.2, p.727), leciona que: "Apesar da semelhança da operação em tela com o instituto regulado no artigo 227, parece-nos que a expressão escolhida pelo legislador — incorporação de ações — é, de certo modo imprópria, por suscitar confusões com aquele instituto. Na verdade, a incorporação de ações nada mais significa do que um aumento de capital social de determinada companhia brasileira, mediante a conferência, pelos subscritores, de todas as ações do capital de outra sociedade, que se converte em subsidiária 6 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 4 integral, recebendo seus ex-acionistas ações novas do capital da primeira". Por outro lado, não acolho o entendimento manifestado no acórdão recorrido, no sentido de que inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento, ao considerar que não há de se falar em "subscrição de capital em bens". Aliás, parcela da doutrina entende que na incorporação de ações há uma transferência de bens (no caso, ações), em realização de capital da incorporadora, acarretando a incidência de imposto sobre o ganho de capital. Fran Martins, em seu livro "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas", Forense, 1975, vol. 3, p. 316, leciona que na operação de incorporação de ações há um aumento de capital na sociedade incorporadora com a subscrição das ações pelos acionistas que vai tornar-se subsidiária integral: "Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornar-se subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro, mas com as ações dos acionistas da sociedade que vai ser incorporada". Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posiciona-se favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizar-se por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos 7 termos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizar-se por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável(..)" (GRIFEI) De acordo com a legislação tributária, as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital e, as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado e, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital, nos termos em que dispõe o artigo 3°, § 3°, da Lei 1107.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, in verbis: "Art. 3 0. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. ,55' 3°. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins." "Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. ,sç I°. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20. II, do Decreto-Lei n°2.065. de 26 de outubro de 1983. ,5S 2 0. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital" 8 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 5 Ademais, não merece prosperar o entendimento que só há a obrigação de reconhecer eventual ganho de capital na operação de substituição de ações quando houver fluxo financeiro ou circulação de valores. O fato de o sujeito passivo não ter recebido nenhum numerário não afasta a hipótese de incidência prevista no artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, que prevê justamente a tributação em situação em que, apesar de não haver recebimento de numerário, a pessoa física transfere a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens e direitos em valor superior ao constante da declaração de bens. Destarte, há de se concluir que ocorreram todas os fatos previstos na hipótese de incidência da exação: 1) houve alienação de bens: ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, na operação de incorporação de ações pela MSB Assessoria Empresarial S/A; 2) pessoa fisica transferiu a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens pelo valor de mercado: o sujeito passivo transferiu ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, por incorporação de ações, para a empresa MSB Assessoria Empresarial S/A, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Portanto, a diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Por todo o exposto, o o no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. • Elias Samp. o Freire - Relator 9
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