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Numero do processo: 14337.000171/2010-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AUTUAÇÃO.MUNICÍPIO. LANÇAMENTO. LEGALIDADE.ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. JUSTIFICATIVA NÃO ACEITA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE FÍSICA DO PREFEITO.
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Tendo ocorrido a autuação contra um Município, enquadrado como sujeito passível de tributação, o lançamento só será anulado ou revisto caso haja ausência de algum requisito formal imprescindível para o ato do lançamento.
No caso em tela, o lançamento efetuado pelo agente fazendário preenche todas as formalidades legais do art.142 do Código Tributário Nacional, respeitando o Princípio da Legalidade, não vingando assim a alegação do Município em encontrar-se
impossibilitado de apresentar os documentos solicitados em auditoria por estes estarem sob a posse da antiga gestão, por
imperar na Administração Pública o Princípio da Impessoalidade, que consiste também na gestão do ente federativo sob a figura estatal e não pessoal do Prefeito, motivo pelo qual a cobrança será mantida.
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE
PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO EM ACORDO COM PADRÕES ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL.
A elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço do Município em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social ocasiona a lavratura de Auto de Infração por esse descumprimento legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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LANÇAMENTO. LEGALIDADE.ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. JUSTIFICATIVA NÃO ACEITA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE FÍSICA DO PREFEITO. PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Tendo ocorrido a autuação contra um Município, enquadrado como sujeito passível de tributação, o lançamento só será anulado ou revisto caso haja ausência de algum requisito formal imprescindível para o ato do lançamento. No caso em tela, o lançamento efetuado pelo agente fazendário preenche todas as formalidades legais do art.142 do Código Tributário Nacional, respeitando o Princípio da Legalidade, não vingando assim a alegação do Município em encontrarse impossibilitado de apresentar os documentos solicitados em auditoria por estes estarem sob a posse da antiga gestão, por imperar na Administração Pública o Princípio da Impessoalidade, que consiste também na gestão do ente federativo sob a figura estatal e não pessoal do Prefeito, motivo pelo qual a cobrança será mantida. AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO EM ACORDO COM PADRÕES ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL. A elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço do Município em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social ocasiona a lavratura de Auto de Infração por esse descumprimento legal. Recurso Voluntário Negado. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000171/201021 Acórdão n.º 2403001.180 S2C4T3 Fl. 87 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 68 a 76 contra decisão da 5 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fls.65 a 70) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n° 37.249.0670, sendo aplicada a multa no valor R$ 1.410,79 (hum mil, quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos). Conforme Relatório Fiscal e anexos apresentados, a autuação corresponde à atitude do recorrente em ter deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados, de acordo com os padrões estabelecidos pelo INSS. Em razão da conduta do Município, a fiscalização entendeu que houve infração ao disposto no art.32, I, da Lei n 8.212/91 combinado com o art.225, I, parágrafo 9 do RPS, estando sujeita à aplicação das penalidades previstas no art. 92 e 102 da Lei n°8.212/91, combinado com o art. 283, inciso I, alínea “a” e art.373 do Regulamento da Previdência Social (RPS),aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 05/07/2010 e apresentou impugnação às fls. 18 a 28 alegando: Que ficou impossibilitado de apresentar os documentos solicitados pela auditoria, em razão destes estarem de posse da exgestão, alegando ainda que impetrou Mandado de Segurança para obrigar a exprefeita a repassar os documentos solicitados, o que não se obteve; Ter ajuizado Ação de Improbidade Administrativa e Cautelar de Busca e Apreensão; Ser necessária que a autuação seja sustada até que seja garantido o acesso aos documentos de prestação de contas de 2006, de modo que possa exercer seu pleno direito de defesa ou que fosse aguardada a conclusão da Ação de Improbidade ou ainda a apresentação de documentos ao TCM; Alternativamente, postulou que as multa fosse minorada em respeito ao art.283 do Regulamento da Previdência Social; Em caso de manutenção da cobrança, que seja o débito incluído em parcelamento pela Lei n 11.941/2009; Por fim, requereu o recebimento da impugnação para que fosse acolhida a preliminar de impossibilidade de apresentação de documentos. Alternativamente, requereu a inclusão do débito em parcelamento, caso a cobrança fosse mantida. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 5ª Turma da DRJ de Belém/PA proferiu acórdão (n° 0120.864) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM AS NORMAS. Constitui infração, deixar a empresa de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos, de acordo com o art. 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 142 do C.T.N e art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 68 a 76, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000171/201021 Acórdão n.º 2403001.180 S2C4T3 Fl. 88 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA O ACOLHIMENTO DO PEDIDO: De início, vale destacar que o município, ora recorrente, encontrase vinculado ao Regime Geral da Previdência Social, de modo que o regime jurídico— previdenciário a ser adotado será o da Lei 8.212/91. Assim, após sofrer fiscalização, foi constatado que o Município deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados, de acordo com os padrões estabelecidos pelo INSS. O recorrente alegou tanto na impugnação como no recurso contra a decisão de 1 instância que ficou impossibilitado de apresentar os documentos solicitados pela auditoria na ação fiscal em razão destes estarem sob a posse da antiga gestão, entendendo, portanto, que a autuação não poderia prosperar. Além disso, afirmou que tomou todas as providências possíveis como o registro da ocorrência policial ao perceber que a documentação não se encontrava no prédio da Prefeitura; a convocação de Comissão de Transição de Cargo destinada a promover o lançamento das comissões administrativas; a impetração do Mandado de Segurança contra o antigo gestor; o ajuizamento da Ação de Busca e Apreensão; o ajuizamento da Ação de Improbidade Administrativa e a comunicação ao TCM/PA a situação degradante do Município, argumentando que tais fatos impediram o pleno acesso aos documentos exigidos, o que deve motivar o julgador deste Contencioso a sustar os efeitos da autuação ou a aplicação da multa minorada. Diante dos argumentos elucidados pelo recorrente, percebese que todos convergem para o mesmo ponto, qual seja, a impossibilidade de apresentar os documentos solicitados em ação fiscal por estes estarem sob a posse da outra gestão. Sobre essa alegação, entendo que seja necessário trazer aos autos alguns conceitos e postulados relativos à Administração Pública para que estes sejam aplicados no caso em tela, sendo alcançado, ao final, o objetivo maior desse julgamento pelo Contencioso Administrativo Tributário Federal, que é apreciar os litígios tributários com base na justiça fiscal e no controle da legalidade dos atos realizados pelos agentes fazendários. I.1 – DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: Vale destacar que a realização de fiscalizações nos estabelecimentos escolhidos pelo fisco ou ainda nos municípios que não possuem um regime próprio de previdência, ocorre para verificar o cumprimento das obrigações tributárias exigidas pela lei. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Tal fato ocorre com base no Princípio da Legalidade da Administração Pública, que determina que os atos praticados por agentes públicos (auditores fiscais) só serão praticados e exigidos se houver legislação anterior ao ato que autorize sua realização. É, na verdade, um princípio que obriga e garante direitos a ambas as partes (Administração x Administrado). De um lado o Poder Público que só atua de acordo/em respeito à lei. De outro, o administrado que só está obrigado a realizar aquilo que a regra legal exija, em face do preceito do art.5, II, da Constituição Federal, in verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Assim, estando o auditor fiscal (agente público) diante de uma situação que o faça a proceder ao lançamento do crédito tributário nos moldes do art.142 do Código Tributário Nacional, referido ato será realizado por estar o fazendário obrigado a cumprir a lei, sob pena inclusive de responder por eventual omissão, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesta esteira, a parte autuada, mesmo sendo órgão responsável para execução dos fins sociais de caráter público, enquadrase como administrada ao ser equiparada como empresa, pessoa jurídica de direito privado, por não contemplar e ter na sua estrutura um regime previdenciário próprio, sujeitandose assim ao Regime Geral da Lei n 8.212/91 e 8.213/91. Portanto, sendo considerada empresa, administrada e, por consequência, contribuinte, sujeitase às obrigações impostas pelo Código Tributário Nacional, o qual determina que os livros e demais documentos exigidos pela fiscalização sejam mantidos até que ocorra a decadência e prescrição desses créditos relativos às obrigações fiscalizadas: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000171/201021 Acórdão n.º 2403001.180 S2C4T3 Fl. 89 7 efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Tratandose de contribuições sociais previdenciárias, o prazo prescricional e decadencial previsto na legislação de regência da época era de 10 (dez) anos, só tendo sido esse diminuído para 5 (cinco) com o advento da Súmula Vinculante n 8 que declarou inconstitucionais os arts.45 e 46 da Lei n 8.212/91. Desse modo, em respeito também ao Princípio da Legalidade, é dever do Município manter guardados e conservados os livros e documentos inerentes às obrigações tributárias no prazo de 05 (cinco) anos. No caso em tela, a ciência da ação fiscal deuse em 05/07/2010 e a documentação exigida referiase ao ano de 2006, ou seja, o trabalho da auditoria ocorreu corretamente dentro do prazo decadencial. I.2 – DO PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE: Sobre o período relativo ao fato gerador (pagamentos realizados aos funcionários: empregados e contribuintes individuais do Município de Igarapé Miri), alega o recorrente que corresponde à época em que a gestão era de outro prefeito (01/01/2005 a 31/12/2008), não podendo, portanto, ser penalizado. Ressalto mais uma vez que a Constituição Federal, ao preceituar no seu art.37 a base principiológica da Administração Pública, teve a intenção de assegurar, além da moralidade da gestão da coisa pública, a supremacia do interesse coletivo. Dentre esses interesses, encontrase a arrecadação tributária que consiste na função estatal do Executivo em angariar receitas para gastos públicos já definidos que visem à efetivação dos direitos e garantias do cidadão, in verbis: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte Nesse diapasão, fundamentase a Administração Pública em postulados que devem ser interpretados da melhor maneira possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes. Na autuação em tela, o fisco, ao ter verificado a ocorrência de fato gerador, lançou o crédito tributário a um sujeito passivo determinado – Município de Igarapé Miri (pessoa jurídica de direito público) e não ao Prefeito (pessoa física), ou seja, a cobrança, no presente caso, será realizada contra o ente federativo, independentemente de estar o comando da Administração pelo Gestor A ou Gestor B, como sustentou o recorrente. Isso decorre em razão do princípio da impessoalidade, também um dos corolários da Gestão Pública, o qual estabelece, além do dever de imparcialidade do gestor para exercer o comando sobre os administrados, que a atuação dos agentes públicos é imputada ao Estado, demonstrando assim o caráter impessoal da Administração desvinculada da pessoa do seu gestor (Teoria da Imputação ou Teoria do órgão). Contudo, não pode o recorrente alegar a falta de cumprimento da obrigação tributária sob o argumento de que a documentação solicitada não foi apresentada por estar sob Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 a posse da antiga gestão, tendo em vista que o fisco atuou dentro dos parâmetros legais, ou seja, lançou crédito tributário por estar obrigado legalmente e por ter verificado as condições do fato gerador realizado por uma pessoa específica, no caso, o Município e não a pessoa do prefeito. Ademais, não seria razoável tampouco proporcional o Contencioso Administrativo anular o lançamento do Auto de Infração n° 37.249.0670, haja vista que este ocorreu nos moldes legais, não ferindo nenhuma garantia constitucional do sujeito passivo. Pelo contrário, a improcedência da autuação, caso fosse acolhido o pedido do Município recorrente, representaria um clima de insegurança ad aeternum ao fisco, que nunca poderia cobrar crédito de um ou outro Município quando o atual gestor alegasse que a dívida houvesse sido contraída em gestão passada, afastando sua responsabilidade pelo pagamento. Além disso, se esse argumento fosse acolhido, a decisão poderia tornarse um precedente para os “maus administradores” que, em conluio com futuros e antigos prefeitos poderiam “armar”contra o fisco para esquivar se de suas obrigações enquanto gestores e transferirem a dívida para a gestão futura, que alegaria a impossibilidade de apresentar documentos em razão da posse encontrarse com o outro prefeito e assim sucessivamente, gerando um ciclo vicioso, sendo, ao final, a coletividade a única prejudicada. I.3 – DA INFRAÇÃO COMETIDA: Assim, a violação cometida pelo Município encontra respaldo na Lei, in verbis: LEI N 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; DECRETO N 3.048/99 (RPS) Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000171/201021 Acórdão n.º 2403001.180 S2C4T3 Fl. 90 9 II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Pelo transcrito, percebese que a infração referese à obrigatoriedade da empresa/órgão equiparado preparar a folha de pagamento nos moldes do parágrafo 9 do art.225 do RPS. Uma vez havendo esse descumprimento, o infrator responderá ao pagamento de multa prevista nos moldes do art.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e art.283, I, “a”: c/c 373 do RPS, in verbis: Regulamento Previdência Social Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: Nota:Valores atualizados, a partir de 1º de junho 2003, pela Portaria MPS nº 727, de 30.5.2003, para R$ 991,03 (novecentos e noventa e um reais e três centavos). a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 92 que qualquer infração a dispositivo desta legislação, quando não esteja prevista expressamente, sujeitarseá a observância desse dispositivo. Então vejamos: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que o artigo acima foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Informo que não foram constatadas circunstâncias agravantes, de modo que a multa a ser aplicada deverá ser o valor mínimo com base no art.292, I, do Regulamento da Previdência Social. Cabe esclarecer que possível apuração de ato ilícito por um outro gestor deverá ser apurada na esfera competente, seja no Tribunal de Contas ou no Poder Judiciário, que poderá inclusive declarar a perda de mandato do prefeito, caso tenha ocorrido as hipóteses legais para tal ato, não cabendo, portanto, a esse Contencioso pronunciarse acerca desses fatos, visto que sua competência resumese à resolução de litígio tributário. Por fim, com relação ao pedido de parcelamento regido pela Lei n 11.941/2009, tal pleito deve ser formulado à Secretaria da Receita Federal do Brasil através do sítio (www.receita.fazenda.gov.br) ou ainda, caso não consiga por essa ferramenta, através de acesso físico à Receita Federal responsável pela jurisdição de Igarapé Miri. Diante de todo o exposto, entendo que a cobrança deve ser mantida em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000171/201021 Acórdão n.º 2403001.180 S2C4T3 Fl. 91 11 Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 35301.010570/2005-11
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1998
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. LEGALIDADE E
CONSTITUCIONALIDADE
A cessão de mão-de-obra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mão-de-obra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART.30, VI, LEI N 8.212/91.
CONSTRUÇÃO CIVIL. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO DE ORDEM. ART.124,II,CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Sendo constatada a ocorrência de cessão de mão-de-obra
no serviço de construção civil, a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário passa a ser solidária entre a tomadora e a prestadora do serviço, nos moldes do art.30, VI, da Lei n 8.212/91, não havendo a necessidade de ser respeitado o benefício de ordem, consoante o art.124, II, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências 08/1998, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART.30, VI, LEI N 8.212/91. CONSTRUÇÃO CIVIL. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO DE ORDEM. ART.124,II,CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Sendo constatada a ocorrência de cessão de mãodeobra no serviço de construção civil, a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário passa a ser solidária entre a tomadora e a prestadora do serviço, nos moldes do art.30, VI, da Lei n 8.212/91, não havendo a necessidade de ser respeitado o benefício de ordem, consoante o art.124, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências 08/1998, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 725 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 661 a 676 contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária de Duque de Caxias/RJ (fls. 618 a 622) que julgou PROCEDENTE EM PARTE a NFLD nº 35.566.2248 no valor originário de R$ 385.729,12 (trezentos e oitenta e cinco mil, setecentos e vinte e nove reais e doze centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 40 a 44, o crédito exigido na NFLD acima referese às contribuições previdenciárias (segurados, empresa e SAT/RAT), tendo a apuração do valor lançado sido realizada mediante o instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução da obra civil feita pela IBEG ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ 33.607.565/000190), uma vez que a contratante do serviço não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluídos em nota fiscal/fatura. Desta autuação, as responsáveis solidárias foram notificadas e apresentaram suas impugnações às fls.52 a 65 (SENDAS SA ) e 76 e 77(IBEG ENGENHARIA) alegando, respectivamente, em síntese: EMPRESA SENDAS SA A tempestividade da defesa; A decadência com base no art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional das competências 10/1995 a 10/1996; A ilegalidade do lançamento, por este tentar constituir crédito baseado em legislação posterior (Lei 9.711/98) à ocorrência dos possíveis fatos geradores (10/1995 a 10/1998); Ser necessário o concreto lançamento para que seja invocada a responsabilidade do solidário, de modo que a fiscalização deve primeiramente exigir do contribuinte (real praticante do fato gerador)para só depois cobrar do corresponsável; Que a fiscalização cometeu ilegalidades ao utilizarse de critério indevido para apurar o valor do crédito tributário, pois foi desprezado por completo o dispositivo legal da solidariedade e da aferição, uma vez que realiza cobrança contra pessoa que se encontra quite com as obrigações tributárias; Ser ilegal a incidência de juros e multa; Por fim, requereu a anulação integral do lançamento. EMPRESA IBEG ENGENHARIA Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Que sempre forneceu os documentos necessários à SENDAS, inclusive o comprovante de recolhimento, motivo pelo qual demonstra a inexistência de débito perante o fisco federal. Ao final, requereu o cancelamento da NFLD. Às fls.585 a 589, há despacho (n 17.422.4/0035/2005) da Seção de Análise de Defesas e Recursos da Delegacia da Receita Previdenciária em Duque de Caxias/RJ determinando o pronunciamento da autoridade fiscal com relação ao correto enquadramento legal do lançamento em razão dos serviços prestados; à documentação juntada pela empresa prestadora de serviço e aos percentuais utilizados para a apuração do saláriodecontribuição explicitado na tabela elaborada pela fiscalização. Em resposta à diligência, foi informado que os serviços são caracterizados como obras de construção civil; que a documentação juntada pela empresa prestadora não atesta vínculo com as competências levantadas, bem como algumas GPS’s não constam com o n das correspondentes notas fiscais; que o percentual utilizado foi 20% do valor da nota fiscal por não haver discriminação dos valores da mão de obra utilizada. O despacho 17.422.4/0031/2005, considerando os vícios sanados, ofertou prazo para a interposição de defesa. Assim, a empresa SENDAS S/A apresentou defesa complementar às fls.604 a 615, ratificando os pontos trazidos à baila em sua primeira impugnação. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Previdenciária de Duque de Caxias/RJ proferiu a DecisãoNotificação 17.422.4/0413/2005 nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.CONSTRUÇÃO CIVIL. A responsabilidade solidária não comporta beneficio de ordem, podendo o Fisco exigir o total do crédito constituído da empresa contratante, a teor do art.30, inciso VI, da Lei n 8.212/91, com a redação vigente à época dos fatos geradores, c/c art. 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (Lei n 5:172/66). Lançamento Procedente em Parte. Às fls.628 há despacho informando a retificação da NFLD n 35.566.2248. Às fls.633 a 638, a empresa IBEG ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA apresentou manifestação contra o despacho 17.422.4/0031/2005 alegando que tal decisão alterou o lançamento, mas que o mais prudente seria nulificar o ato administrativo. Irresignada com a decisão (DecisãoNotificação 17.422.4/0413/2005), a empresa SENDAS apresentou recurso voluntário às fls. 661 a 676, reiterando basicamente todos os pontos da impugnação, acrescentando, com relação à decadência, que devem ser declaradas como decadentes as competências anteriores a abril de 1998 e que houve desrespeito ao percentual da IN 18/2000. Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida e a anulação integral da NFLD em querela. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 726 5 Às fls.680 consta despacho informando que não houve a realização de depósito recursal, motivo pelo qual foi negado o seguimento do mesmo. Todavia, foi trazida aos autos a cópia de liminar em Mandado de Segurança (processo n 2007.51.01.4903550), deferida pela 2 Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, autorizando a interposição do recurso voluntário sem a comprovação do depósito prévio de 30% (trinta por cento) da quantia exigida. É o relatório. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.661 a 676. Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Considerando indevida a exigência, a recorrente impetrou Mandado de Segurança perante a Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro sob o n 2007.51.01.4903550 (cópia às fls.712 e 713) para não ter que cumprir a exigência legal de depositar 30% (trinta por cento) para fins de admissibilidade recursal. Entretanto, cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DA PRELIMINAR: I – DA DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL: A fiscalização entendeu que no caso em tela o dever do pagamento do tributo, por decorrer de cessão de mãodeobra em construção civil/empreitada, é solidário, ou Fl. 729DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 727 7 seja, tanto a prestadora de serviços como a prestadora poderão ser cobradas da exação, caso tenha se verificado sua ausência de recolhimento. Assim, inseriu no polo passivo da demanda a empresa SENDAS S/A e a IBEG ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA como solidárias pelo cumprimento da obrigação tributária. Compulsando atentamente os autos, percebo a ocorrência de hipótese de extinção do crédito tributário de modo parcial (a decadência). Senão vejamos: Sobre a decadência da cobrança de créditos tributários, cabe destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderiam ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos a contar do marco inicial estabelecido pelo CTN. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173, I e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Este entendimento é pacífico na doutrina pátria1: O início do prazo de decadência do direito de lançar, em se tratando de tributo ordinariamente sujeito a lançamento por 1 MACHADO, Hugo de Brito. Decadência e Prescrição no Direito Tributário Brasileiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.), Curso de direito tributário. 11ed. São Paulo. Saraiva,2009, p.208. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 728 9 homologação, começa na data do fato gerador do tributo a que se referir o lançamento. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. Tratandose o presente processo de solidariedade, entendo que a ciência da autuação deve ser dada a todos aqueles que foram indicados como corresponsáveis para o pagamento do débito. No caso em tela, a notificação ocorreu em 19/05/2003 somente com relação à empresa tomadora SENDAS, conforme data de assinatura do outorgado (procuração fls.48) José Vaz G. de Magalhães na capa da NFLD (fl.3). Com relação à ciência da prestadora de serviço (IBEG ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA), esta só ocorreu em 05/09/2003, mediante o recebimento do A.R às fls.74. Portanto, tratandose a presente autuação de quantia que, segundo a auditoria, poderia ser cobrada e adimplida por qualquer dos coobrigados (tomador ou prestador de serviço), em face da solidariedade constatada, entendo que o prazo de ciência da notificação a ser considerado para fins de decadência seja a data em que o último coobrigado teve ciência da lavratura da NFLD n° 35.566.2248. Pela contagem do art.150, o fisco só poderia cobrar crédito relacionado até a competência 09/1998, já pela contagem do art.173, I, o fisco poderia cobrar competência que houvesse sido lançada até 01/01/2004 (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito das competências de 1998 poderia ter sido lançado), para que o lançamento fosse considerado válido, e, a ciência da autuação do segundo coobrigado ocorreu em 05/09/2003, ou seja, só algumas competências foram acobertadas pela decadência, sendo estas as relativas ao período 10/1995 a 10/1996, que poderiam ser cobradas até 01/01/2002, o que ocorreu somente depois, em 2003. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Vale destacar que foi verificada a ocorrência de recolhimento antecipado, conforme atesta o TEAF. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, reconhecendo a decadência quinquenal com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional e passo ao exame do mérito das competências 09/1998 e 10/1998. DO MÉRITO: I – DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NOS SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL: Considerando que algumas competências (09/1998 e 10/1998) não foram acobertadas pela decadência, passemos a analisar o mérito destas: O primeiro fato que merece atenção e esclarecimento é a fundamentação correta que deve constar na autuação. Segundo o relatório fiscal, a autuação baseouse no instituto da responsabilidade solidária nos casos de construção civil, no qual tanto o prestador de serviço como o tomador ficam responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos empregados da prestadora, fundamentandose no art.31 da Lei n 8.212/91 Já o anexo FLD Fundamentos Legais do Débito apresenta como fundamento legal da responsabilidade solidária o exposto no art.30, VI, da Lei n 8.212/91. É certo que o contribuinte, em razão do princípio do contraditório e ampla defesa deve saber pormenorizadamente os motivos que levaram a fiscalização a lavrar Auto de Infração/Notificação Fiscal. Sendo assim, o erro na fundamentação do lançamento é hipótese que enseja a nulidade do ato administrativo por violar garantia constitucional do contribuinte (clareza dos fatos). No caso em tela, analisando os autos atentamente, verifiquei que o contribuinte não teve, todavia, seu direito de defesa cerceado, considerando que, não obstante o FLD possuir somente como fundamento legal o art.30, VI, da Lei n 8.212/91, o relatório fiscal, que também é um documento importante, quiçá o de maior relevância entre os anexos que acompanham o AI/NFLD, reportase ao art.31 da Lei n 8.212/91, dispositivo que trata da cessão de mãodeobra e da obrigatoriedade do tributo ser retido pela empresa tomadora, e menciona ainda que a solidariedade, no caso específico da prestação de serviço ocorrida, será aplicada. Portanto, não há o que se falar em ausência de clareza da autuação. Além disso, cabe ainda analisar a ocorrência de cessão de mãodeobra na prestação de serviços realizada. Vejamos, o que a legislação prevê acerca dessa tributação. A Lei n 8.212/91 preleciona que a prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, enseja a obrigação, para a contratante/tomadora, de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço a título de contribuição social previdenciária, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 729 11 temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Destacouse. Percebese que somente os serviços executados mediante cessão de mãode obra estão sujeitos à incidência da contribuição, mas, o que a legislação considera cessão de mãodeobra? Segundo a Lei n 8.212/91, a cessão de mão de obra é, ipsis litteris: Art.31 – (...) (...) §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).Destacouse. Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. No caso em tela, os serviços realizados pela prestadoras de serviço está ligado à área da construção civil (instalação elétrica e hidráulica), e a execução destes ocorreu mediante cessão de mão de obra, sendo provado pela documentação juntada que os empregados da empresa IBEG Engenharia estavam à disposição da SENDAS S/A (recorrente). Os serviços prestados enquadramse como cessão de mãodeobra, segundo a legislação (art.31, III, da Lei n 8.212/91; art.219, III, do Regulamento da Previdência Social), vejamos: Lei n 8.212/91 Art.31 – (...) (...) §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 734DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Decreto n 3.048/99 – Regulamento Previdência Social Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 730 13 XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde;e XXV telefonia, inclusive telemarketing. Diante de todo o exposto, percebese que para o caso em tela a cessão de mãodeobra ocorreu, motivo pelo qual a cobrança, ressalvadas as competências que estão acobertadas pela decadência, deve permanecer. Importante ainda é frisar que a retenção dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal e/ou fatura de prestação de serviços é matéria superada em nossos Tribunais Superiores que entendem ser essa tributação um mecanismo eficaz que auxilia e assegura a arrecadação federal, configurandose como substituição tributária, medida de recolhimento autorizada constitucionalmente e inclusive reconhecida pela recorrente. Nesse diapasão, a empresa prestadora de serviços realiza, através de seus segurados, o fato gerador da contribuição social previdenciária (prestação de serviço remunerado), motivo pelo qual seria o contribuinte da contribuição patronal. Todavia, é substituída (contribuinte – substituído) por terceiro (substituto – tomador do serviço), tomando este a atitude de reter 11% (onze por cento) ensejando uma posterior compensação ou restituição. Ora, nada melhor do que o tomador, que será responsável pelo pagamento dos serviços, reter esses 11% (onze por cento) a título de contribuição previdenciária, valor esse que poderá ser compensado ou restituído na forma da legislação. Assim, foi que o Superior Tribunal de Justiça ao analisar a legalidade dessa tributação decidiu sabiamente que a retenção dos 11% (onze por cento) nada mais é do que uma sistemática de arrecadação inovadora, in verbis: RECURSO ESPECIAL Nº 1.036.375 SP PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo sentido, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva publicada em 05/09/2011, apreciou o Recurso Extraordinário de relatoria da Ministra Ellen Gracie e decidiu pela constitucionalidade da exação (retenção dos 11% ) a ser feita pelo tomador de serviços, vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 603.191 / MT EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO DE 11% ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Na substituição tributária, sempre teremos duas normas: a) a norma tributária impositiva, que estabelece a relação contributiva entre o contribuinte e o fisco; b) a norma de substituição tributária, que estabelece a relação de colaboração entre outra pessoa e o fisco, atribuindolhe o dever de recolher o tributo em lugar do contribuinte. 2. A validade do regime de substituição tributária depende da atenção a certos limites no que diz respeito a cada uma dessas relações jurídicas. Não se pode admitir que a substituição tributária resulte em transgressão às normas de competência tributária e ao princípio da capacidade contributiva, ofendendo os direitos do contribuinte, porquanto o contribuinte não é substituído no seu dever fundamental de pagar tributos. A par disso, há os limites à própria instituição do dever de colaboração que asseguram o terceiro substituto contra o arbítrio do legislador. A colaboração dele exigida deve guardar respeito aos Fl. 737DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 731 15 princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não se lhe podendo impor deveres inviáveis, excessivamente onerosos, desnecessários ou ineficazes. 3. Não há qualquer impedimento a que o legislador se valha de presunções para viabilizar a substituição tributária, desde que não lhes atribua caráter absoluto. 4. A retenção e recolhimento de 11% sobre o valor da nota fiscal é feita por conta do montante devido, não descaracterizando a contribuição sobre a folha de salários na medida em que a antecipação é em seguida compensada pelo contribuinte com os valores por ele apurados como efetivamente devidos forte na base de cálculo real. Ademais, resta assegurada a restituição de eventuais recolhimentos feitos a maior. 5. Inexistência de extrapolação da base econômica do art. 195, I, a, da Constituição, e de violação ao princípio da capacidade contributiva e à vedação do confisco, estampados nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição. Prejudicados os argumentos relativos à necessidade de lei complementar, esgrimidos com base no art. 195, § 4º, com a remissão que faz ao art. 154, I, da Constituição, porquanto não se trata de nova contribuição. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 7. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. Diante de tudo o que foi exposto, é inegável que a retenção dos 11% (onze por cento) por parte do tomador de serviços é devida nos casos em que a cessão de mãode obra for constatada. Entretanto, vale destacar que, em uma tentativa de assegurar ainda mais o cumprimento das obrigações tributárias, previu a legislação (Lei n 8.212/91), em seu art.30, VI, que, em certos casos, além do responsável pelo recolhimento (tomador de serviços – incorporador, proprietário), o prestador (construtora) também ficará caso o primeiro não tenha procedido ao recolhimento: Art.30 – (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem Fl. 738DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Assim, considerando que o adimplemento parcial pela prestadora já foi apreciado e acolhido pela primeira instância e, considerando que está evidente a constatação de cessão de mãodeobra no presente caso, a obrigação para o pagamento do crédito tributário deve ser feita aos corresponsáveis pelo cumprimento da obrigação: IBEG ENGENHARIA e SENDAS S/A, face à solidariedade existente entre essas duas pessoas jurídicas no serviço de construção civil realizado nas competências 08/1998 a 10/1998. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança com relação a algumas competências (08/1998 a 10/1998), esta será acrescida de multa moratória e juros com base na taxa SELIC, em respeito à legislação vigente, entendimento já pacificado neste Colegiado: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 732 17 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das competências 10/1995 a 08/1998 com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que a cobrança seja mantida nas competências 09/1998 e 10/1998 com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.010570/200511 Acórdão n.º 2403001.227 S2C4T3 Fl. 733 19 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 14041.000896/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 22/09/2008
Ementa:
GFIP. FATOS GERADORES.
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Legislação.
Numero da decisão: 2403-001.147
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente APROLEITE ASSOCIAÇÃO DOS PROCESSADORES DE LEITE DO DF E ENTORNO Recorrida FAZENDA NACONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 22/09/2008 Ementa: GFIP. FATOS GERADORES. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro Da Silva, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0339.932 da 5ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento, mantendo a exigência do crédito previdenciário no valor de R$1.000,00. As razões para a alteração do valor da multa foram: exclusão da competência 01/2006 e recálculo da multa pela edição da MPV 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, que estabeleceu no artigo 32A novo critério para a multa. Tratase de auto de infração de obrigação acessória (DEBCAD 37.185.3168) lavrado em 22/09/2008, contra o contribuinte em epígrafe, por infração ao art. 32, inciso IV, combinado com os §§4° e 7° do mesmo artigo e com o artigo 92 da Lei n° 8.212/91, com alteração da Lei n° 9.528/97, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls. 11/14, a autuada não entregou as GFIP das competências 13°/2005, 01/2006 e 13°/2006. Constatouse posteriormente que para a competência 01/2006 foi entregue GFIP em 03/02/2006, antes, portanto, do inicio da ação fiscal (TIAF datado de 05/05/2008 — fls. 07/08). A ação fiscal foi focada no pagamento de prêmios a segurados e resultou em várias autuações conforme descrito abaixo: • AI OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 37.179.6490 empresa. Fato Gerador: Remuneração de trabalhador segurado empregado por meio de créditos oferecidos em cartão — contribuição parte patronal / Al OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 37.179.6504 Fato Gerador: Remuneração de trabalhador segurado empregado por meio de créditos oferecidos em cartão — contribuição parte segurados. • AI OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 37.179.6512 Fato Gerador: Remuneração de trabalhador segurado empregado por meio de créditos oferecidos em cartão — parte patronal / empresa para os terceiros (Sal. Educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE). • AI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 37.179.6520 (COD 30) Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. • AI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 7.1793 .6539 (COD 34) Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000896/200811 Acórdão n.º 2403001.147 S2C4T3 Fl. 221 3 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. • AI OBRIGAÇA 0 ACESSÓRIA 37.179.6547 (COD 35) Deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários 6 fiscalização, conforme previsto na Lei n°8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, combinado com o art. 225, inc. III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048, de 06/05/1999. Para empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III e na Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 8°, combinados com o art. 225, III e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, a partir de 09/05/2003. • AI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 7.1853 .3150 (COD 59) Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e alterações posteriores e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a". • AI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 37.185.3168 (COD 67) Deixar a empresa de informar mensalmente 6 RFB, por intermédio de documento definido em regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma, conforme previst na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV e §§ 3° e 9°, acrescentados pela Lei n°. 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e §§ 2°, 3° e 4° do "caput", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. • AI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 37.185.3176 (COD 68) Apresentar a empresa o documento a que se refere A Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Também há registro que foi lavrada Representação Fiscal Para Fins Penais. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • processo deve ser julgado junto com o processo da obrigação principal, por conexão; • somente se houver pagamento de salários, haverá a necessidade de informação mensal da GFIP; • abonos eventuais, ressarcimento de despesas de viagem e reembolso de veículo do empregado utilizado a serviço, como efetivamente praticava, nada é devido a titulo de salários; • a empresa de premiação foi contratada para desenvolver um "sistema de incentivo à produtividade" na recorrente, que se baseava em eficácia no desempenho das atividades dos empregados, os quais eram premiados com abonos eventuais; • a simples leitura do dispositivo legal supra transcrito deixa claro que a tributação prevista no inciso i do artigo 28 da lei n° 8.212/01 incide, tão somente, sobre o trabalho de qualquer espécie e pela habitualidade no seu pagamento, a qualquer titulo, definidos nos termos dos dispositivos acima, não alcançando outro tipo de pagamento, (qual seja a distribuição eventual de prêmios por produtividade ou o ressarcimento de despesas efetivamente incorridas pelos trabalhadores); • discute a premiação paga;. • representação fiscal para fins penais. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000896/200811 Acórdão n.º 2403001.147 S2C4T3 Fl. 222 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. GFIP A recorrente discute a questão da premiação, e afirma que somente se houver pagamento de salários, haverá a necessidade de informação mensal da GFIP. Inicialmente registro que este processo referese à autuação pela falta de entrega de GFIP. A obrigação de informar os fatos geradores (contribuições previdenciárias) ao Fisco foi estabelecido pelo artigo 32 da lei 8.212/91. O parágrafo 9º do referido artigo também previu a obrigação de informar mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, é a GFIP “sem movimento”. Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Em nenhum momento do recurso, a recorrente afirma que entregou as GFIPs de 13/2005 e 13/2006. Entendo caracterizada a infração. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 17460.000081/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003
PREVIDENCIÁRIO. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE
Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.154
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Fl. 922DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Peixoto, e Jhonatan Ribeiro da Silva. Convocada a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza.. Fl. 923DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 17460.000081/200716 Acórdão n.º 240301.154 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório que li , compulsei com os autos e corroboro razão pela qual abaixo transcrevo na íntegra com grifos de minha autoria: “ O AutodeInfração AI DEBCAD n° 35.806.9521, em exame, foi lavrado em 26.10.06 por ter sido constatado que a autuada apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas às competências arroladas, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que constitui infração às disposições contidas no art. 32, inc. IV, § 3° da Lei n° 8.212, de 24.07.91, com a 'redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97. Foi aplicada a multa no valor de R$ 4.399,25 (quatro mil, trezentos e noventa e nove reais e vinte e cinco centavos), fundamentada no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, com a redação outorgada pela Lei n° 9.528/97, e art. 284, inc. II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° . 1348/99. Por apresentar circunstância atenuante correção da falta durante a ação fiscal conforme art. 291 do RPS, e com fundamento no inc. V do art. 292 do mesmo Regulamento, a multa foi atenuada em 50% (cinqüenta por cento), passando para R$ 2.199,62 (dois mil, cento e noventa e nove reais e sessenta e dois centavos), tudo de conformidade com o contido no Feito, Relatório Fiscal da Infração, Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e Anexo, de fls. 19 a 22, do presente processo. Consta ainda dos autos do presente AI, Relatório Fiscal de Configuração de Grupo Econômico com a informação de que a Empresa Autuada SMAR COMERCIAL LTDA e as empresas SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA e STD INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS LTDA formam um grupo econômico de fato "GRUPO SMAR". A fiscalização expôs os motivos e as provas que a levaram a tal conclusão. Por se tratarem de empresas de um mesmo grupo econômico passa a existir entre elas uma obrigação solidária, no que diz respeito às obrigações decorrentes da lei previdenciária. Respondem solidariamente pela multa pecuniária aplicada através do presente Auto de Infração. Dentro do prazo regulamentar a Empresa SMAR Comercial Ltda apresentou Impugnação, através do instrumento de fls. 864 a 872, consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese: Dos Fatos. Quando da fiscalização procedida, foi autuada, por concluir a auditoria fiscal, após a análise de diversos documentos, de que apresentou documento a que se refere a Lei Fl. 924DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 n° 8.212/91, art. 32, inc. IV e § 3°, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Da Multa. Foi aplicada a multa na forma explicitada no AI. Entretanto, é o caso de se relevar a penalidade ora aplicada, pois a empresaimpugnante preenche, cumulativamente, os requisitos exigidos para obtenção de referida relevação. Assim, diante do exposto e tendo em vista o preenchimento dos requisitos exigidos, requer seja relevada a penalidade constante do presente AI. Da inexistência de Grupo Econômico Da Inconstitucionalidade do Art. 30, In. IX, da Lei n°8.212/91: Aduz que não exerce nenhum tipo de controle sobre as outras empresas, sendo que as mesmas exercem outra atividade e, quanto à STD é atualmente propriedade de um dos seus ex sócios, Sr. Antonio José Zamproni. Possui os mesmos sócios que a empresa Smar, porém, exerce atividade completamente diferente. Comercializa alguns de seus produtos com as referidas empresas, tratandoas como qualquer um de seus demais clientes. Demonstra (quadro) que o percentual do seu faturamento, para o exercício de 2006, representado pelas vendas efetuadas às aludidas Empresas é ínfimo, não havendo o que se falar em grupo econômico. O dispositivo legal que fundamenta o trabalho fiscal — art. 30, inc. IX da Lei n° 8.212/91 é manifestamente inconstitucional, pois segundo'h art. 146, III, "h" da Constituição Federal é matéria reservada à Lei Complementar dispor sobre responsabilidade no campo tributário. Transcreve. Não caberia ao INSS, para impor tal gravame, interpretar Lei do inc. II, do art. 124 do CTN, como lei ordinária e, assim, aplicar as disposições constante da Lei n° 8.212/91. Por expressa disposição constitucional não se poderia impor a responsabilidade tributária sob alegação de mesmo grupo econômico sem o advento de lei competente fazendo tal previsão. Transcreve Julgados. Conclui que pelas Decisões Judiciais transcritas ficou evidenciado a total impossibilidade da matéria ventilada nos autos ser veiculada por lei ordinária como é o caso da Lei n° 8.212/91, devendo de plano, ser desqualificada a atribuição de mesmo grupo econômico. As Empresas SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA e STD INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS LTDA, integrantes do Grupo Econômico — GRUPO SMAR, apresentaram Defesa, respectivamente às fls. 885 a 889 e 894 a Fl. 925DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 17460.000081/200716 Acórdão n.º 240301.154 S2C4T3 Fl. 3 5 912, onde questionam e refutam a configuração do Grupo Econômico. É o Relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos das então impugnantes, na forma do registro de fls. 927, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, DRJ RPC ,em 05 de julho de 2007, exarou Acórdão n° 1416.251 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente solidária interpôs Recurso Voluntário,fls. 944, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório Fl. 926DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS A titular não apresentou Recurso Voluntário. Somente o devedor solidário STD INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS LTDA apresentou e por reunir os pressuposto de admissibilidade, conheço do recurso. DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS Relevante destacar que desde a instância a quo a recorrente cingiuse tão somente a refutar a condição de solidário lhe atribuída na ação fiscal. Desse modo, na forma do artigo 17 do Decreto 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas são consideradas não impugnadas, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997).” Em sede de impugnação a titular do lançamento não negou a infração. Solicitou relevação da multa e refutou tãosomente a formação de grupo econômico. Na forma do decisium de fls 927, a instância a quo manteve o lançamento com relevação de multa: “ Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente a autuação com relevação da multa aplicada. ” DA IDENTIDADE DE ARGUMENTOS Às fls. 864, 885 e 894, contêm os argumentos interpostos em sede impugnação reiterados no presente Recurso. Destacandose trechos das aludidas peças e grifando os marcos das frases onde são guerreadas os mesmos itens das mesmas matérias, com variação insignificante, se verificamse literal e perfeita identidade de argumentos, senão vejamos: No item VI de fls. 866 da Titular Impugnante SMAR COMERCIAL LTDA, colacionando a planilha abaixo transcrita, esta utilizouse dos seguintes argumentos: “ V Destacase, ainda, os seguintes percentuais de faturamento entre as empresas STD, Smar Comercial e Smar Equipamentos Industriais no ano de 2006: Mês Faturamento Faturamento % Faturamento % SMAR para STD para Smar Comercial Jan/06 7.829.635,92 186.616,27 2,38 668.008,80 8,53 Fl. 927DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 17460.000081/200716 Acórdão n.º 240301.154 S2C4T3 Fl. 4 7 Fev/06 6.703.831,07 184.520,67 2,75 582.819,16 8,69 Mar/06 10.272.292,59 1.479.405,24 14,40 359.424,59 3,50 Abr/06 8.558.470,83 384.523,08 4,49 1.636.465,50 19,12 Mal/06 6.992.926,77 331.248,52 4,74 152.569,34 2,18 Jun/06 5.679.697,98 532.212,32 9,37 508.069,17 8,95 Jul/06 7.622.125,89 190.153,69 2,49 641.446,99 8,42 Ago/06 9.628.153,10 430.026,26 4,47 340.178,60 3,53 VI Percebese, claramente, que, o percentual de faturamento das empresas STD e Smar Comercial é ínfimo perto do faturamento da empresa Smar Equipamentos Industriais, não havendo que se falar em "grupo econômico". VII De outra banda o dispositivo legal que fundamenta o trabalho fiscal (art. 30, inciso IX da Lei 8.212191 com a redação que lhe foi dada pela Lei 8.620/93) é manifestamente inconstitucional. VIII Isto porque segundo art. 146, III, b, da Constituição Federal, é matéria reservada à lei complementar dispor sobre responsabilidade no campo tributário. Vejamos o dispositivo constitucional: Art. 146. Cabe à lei complementar: 111 estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; "omissis" IX Bem por isso, não caberia ao INSS, para impor tal gravame, interpretar o Inc. II, do art. 124, do CTN, como lei ordinária e, assim, aplicar as disposições constantes da Lei n. 8.212191. X Em suma, por expressa disposição constitucional não se poderia impor a responsabilidade tributária sob alegação de mesmo grupo econômico sem o advento de lei complementar fazendo tal previsão.” Por seu turno a impugnante SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LIDA, colacionando a mesma planilha, às fls 887 assim se manifestou : Mês Faturamento Faturamento % Faturamento % SMAR para STD para Smar Comercial Jan/06 7.829.635,92 186.616,27 2,38 668.008,80 8,53 Fev/06 6.703.831,07 184.520,67 2,75 582.819,16 8,69 Mar/06 10.272.292,59 1.479.405,24 14,40 359.424,59 3,50 Abr/06 8.558.470,83 384.523,08 4,49 1.636.465,50 19,12 Mal/06 6.992.926,77 331.248,52 4,74 152.569,34 2,18 Jun/06 5.679.697,98 532.212,32 9,37 508.069,17 8,95 Fl. 928DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Jul/06 7.622.125,89 190.153,69 2,49 641.446,99 8,42 Ago/06 9.628.153,10 430.026,26 4,47 340.178,60 3,53 Percebese, claramente que o percentual de faturamento para aludidas empresas é ínfimo perto de seu faturamento total, não havendo que se falar em "grupo econômico" docs. Anexos (Balancete Analítico por clientes). De outra banda o dispositivo legal que fundamenta o trabalho fiscal (art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91 com a redação que lhe foi dada pela Lei 8.620/93) é manifestamente inconstitucional. Isto porque segundo art. 146, III, b, da Constituição Federal, é matéria reservada à lei complementar dispor sobre responsabilidade no campo tributário. Vejamos o dispositivo constitucional: Art. 146. Cabe à lei complementar: (.) 111 estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; "omissis" Bem por isso, não caberia ao INSS, para impor tal gravame, interpretar lei do inc. II, do art. 124, do CTN, como lei ordinária e, assim, aplicar as disposições constantes da Lei n. 8.212/91. Em suma, por expressa disposição constitucional não se poderia impor a responsabilidade tributária sob alegação de mesmo grupo econômico sem o advento de lei complementar fazendo tal previsão ” Noutro plano, a Impugnante STD INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS LTDA, às fls 896, ao exortar o mesmo artigo 146, III, b, da Constituição Federal o fez literalmente igual às demais: “Nesse sentido, assim encontra disposto o artigo 146, III, b, da Constituição Federal: Art. 146. Cabe à lei complementar: () III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária,especialmente sobre: b obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; "omissis" Basta um raciocínio superficial para a constatação de que a matéria debatida nos autos é reservada à lei complementar, sendo que somente esta poderia trazer essa regulamentação, o Fl. 929DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 17460.000081/200716 Acórdão n.º 240301.154 S2C4T3 Fl. 5 9 que implica. reconhecimento de inconstitucionalidade da legislação ordinária. Bem por isso, não caberia ao INSS, para impor tal gravame, interpretar lei do inc. II, do art. 124, do CTN, como lei ordinária e, assim, aplicar as disposições constantes da Lei n. 8.212/91. Em suma, por expressa disposição constitucional não se poderia impor a responsabilidade tributária sob alegação de mesmo grupo econômico sem o advento de lei complementar fazendo tal previsão: ” Consultando a jurisprudência quanto a necessidade de lei complementar quanto ao disposto o artigo 146, III, b, da Constituição Federal , temse que: “Ementa:TRIBUTÁRIO.CONTRIBUIÇÕESPREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 30, IV, DA LEI N° 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. O art. 146, III a, da CF não exige lei complementar para dispor sobre novos casos de responsabilidade tributária, além do que sequer diz respeito a contribuições, restringindose à indicação dos contribuintes possíveis dos impostos nominados. Configurada a hipótese do art. 30, IV, da Lei 8.212/91, que diz que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações" porquanto restou evidenciado que se trata de empresas que atuam no mesmo endereço, com sócios ou mandatários em comum, no mesmo ramo de confecções, que há admissão e demissão de empregados com sucessiva admissão em uma das demais empresas deixando contribuições impagas, dentre outros fatos que revelam a unidade de atuação empresarial. Não conhecimento do argumento da decadência trazido pelo Autor em apelação, sendo que o art. 267, 3S. 3°, do CPC admite tal conhecimento quando matéria de defesa. Acórdão. Origem: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO. Classe: AG AGRAVO DE INSTRUMENTO. Processo: 200304010562371 LIF: SC Data da decisão: 03/08/2005 ” A identidade dos argumentos revela ARTICULAÇÃO SOLIDÁRIA. Assim, tal comunhão faz lícito presumir que a simbiose verificada representa muito forte indício da existência do GRUPO ECONÔMICO. Não bastasse a revelação supra, às fls. 23, consta o bem elaborado e convincente RELATÓRIO DE CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO SMAR onde se caracteriza que de fato ocorrera o GRUPO ECONÔNOMICO ora guerreado, demonstra de forma documentada que a Recorrente é parte integrante. Fl. 930DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Aduz que o procedimento fiscal revelando prudência, foi pautado pelo Principio da Verdade Material e investigou as atividades das empresas envolvidas colacionando elementos probantes. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, ocorrendo de estes se darem pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. Para a configuração de grupo econômico, não há necessidade das empresas formalizarem juridicamente união, nem manterem relação de subordinação, bastando a relação de coordenação entre as mesmas, sem que exista uma posição predominante, admitindose a administração comum pelas mesmas pessoas físicas. Corroborando tal entendimento , trago à lume o decisium abaixo: “EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO – Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2°, parágrafo 2° da CLT. (TRT 3ª R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal D.IMG 18/08/2001 P.14).” O conjunto fático probatório demonstra de forma manifesta que as empresas envolvidas combinam recursos e esforços para consecução de objetivos comuns, sob direção única pelos mesmos sócios, que coordenadas atuam economicamente como um grupo. CONCLUSÃO Desse modo, Em face de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 931DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 17460.000081/200716 Acórdão n.º 240301.154 S2C4T3 Fl. 6 11 Fl. 932DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.14013.MMKH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES em 21/03/2012 16:34:35. Documento autenticado digitalmente por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES em 21/03/2012. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI em 24/04/2012 e IVACIR JULIO DE SOUZA em 16/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0919.14013.MMKH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: FFE0A75C0BAB7FFF35FC1D874198240BDA270A9F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 17460.000081/2007-16. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10711.001893/85-00
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 301-00.322
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento. em diligência à Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO
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score : 1.0
Numero do processo: 15758.000341/2010-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RELATÓRIO DE VÍNCULOS SUBSÍDIO
PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
O Relatório de Vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, legislação vigente à época dos fatos geradores.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VALE TRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF PARCELA NÃO INTEGRANTE.
No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu-se que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa.
Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de vale-transporte não têm natureza salarial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.170
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de contribuição social previdenciária nos levantamentos relacionados ao Vale-Transporte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RELATÓRIO DE VÍNCULOS SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de Vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, legislação vigente à época dos fatos geradores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VALE TRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF PARCELA NÃO INTEGRANTE. No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu-se que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de vale-transporte não têm natureza salarial. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RELATÓRIO DE VÍNCULOS SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de Vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, legislação vigente à época dos fatos geradores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VALETRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF PARCELA NÃO INTEGRANTE. No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiuse que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de valetransporte não têm natureza salarial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de contribuição social previdenciária nos levantamentos relacionados ao ValeTransporte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 614 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 513 a 530, com Anexo às fls. 531 a 610, apresentado contra Acórdão nº 0531.476 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas SP, fls. 498 a 505, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.034.7706, no montante de R$ 6.430.634,25 (seis milhões, quatrocentos e trinta mil, seiscentos e trinta e quatro reais e vinte e cinco centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 32 a 40, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados que prestaram serviços (parte da empresa). Informa o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 40, que a Recorrente é uma pessoa jurídica de direito público instituída e mantida pela municipalidade, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde de Santo André, prestando serviços de assistência médicosocial à infância; 2. A FUNDAÇÃO DE ASSISTÊNCIA À INFÂNCIA DE SANTO ANDRÉ FALSA, com sede na cidade de Santo André, Estado de São Paulo, foi fundada aos 21 de Dezembro de 1966, através da Lei Municipal n° 2.600, que autorizou a sua instituição nos termos do Estatuto Social que faz parte integrante desta lei. 2.5 A Lei 7.717 de 31/08/1998 dispõe sobre a reorganização administrativa da Secretaria da Saúde e da FAISA. 2.6 0 artigo 18 desta lei estabelece que a Fundação fica vinculada à Prefeitura Municipal de Santo André, através da Secretaria da Saúde. 2.7 0 artigo 22 dispõe que o Conselho Deliberativo, órgão superior da Fundação, será nomeado pelo Prefeito Municipal e será presidido pelo Secretário da Saúde, conforme Portarias de Nomeação constantes do ANEXO II. 2.8 A Lei 8.704, de 22 de dezembro de 2004 dispõe sobre a reorganização da estrutura da Administração Pública Municipal de Santo André. 0 Art. 16 desta lei estabelece que os cargos de provimento efetivo da FAISA ficam acrescidos no quadro de cargos de provimento efetivo da Administração Direta, em face da incorporação pelo Poder Executivo de funções exercidas pela FAISA. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Em relação ao código FPAS, o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 40, informa que a Recorrente utilizou no campo "FPAS" o código 639 quando o correto é o código 582: Conforme Relatório GFIP Apresentadas antes do inicio da ação fiscal", extraído dos sistemas da RFB, constante do ANEXO IV, constatouse que o contribuinte, antes do inicio do procedimento fiscal, prestou informações em GFIP dos fatos geradores de contribuições, porém o fez com incorreção, qual seja: 10.3 0 código FPAS referese à atividade econômica principal do empregador/contribuinte e identifica as contribuições devidas ao FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social. 10.4 0 código 639 identifica a Entidade Beneficente de Assistência Social, em gozo de isenção de contribuições sociais, requerida e concedida pela Previdência Social, de que trata o artigo 55 da Lei 8.212/91. 10.5 0 código 582 identifica o Órgão do Poder Público (União, Estado, Distrito Federal e Município, inclusive suas respectivas Autarquias e as Fundações com personalidade jurídica de direito público). Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 40, todos os pedidos de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) formulados a partir de 1994 foram indeferidos pelo órgão competente. O Relatório Fiscal, às fls. 32 a 40, informa que, segundo o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, a isenção foi declarada cancelada desde 01/01/1995 e que o Ministério da Justiça cancelou o titulo de utilidade pública federal: De acordo com o Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, a natureza jurídica da instituição é 1155 FUNDAÇÃO MUNICIPAL. Segundo o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21 432/003/2004, foi declarada cancelada, a partir de 01/01/1995, a isenção das contribuições da FAISA de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Conforme informações obtidas junto ao Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social — SICNAS, a situação atual da entidade é CANCELADA, bem como, todos os pedidos de renovação do certificado foram indeferidos a partir de 1994. As fls. 642 dos Autos n ° 1.34.013.000305/200471, o Ministério da Justiça, através do departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, informou que através da Portaria n° 1.585 foi cancelado o titulo de utilidade pública federal conferido à Fundação de Assistência à Infância de Santo André, uma vez que a referida fundação é uma associação de direito público, não carecendo de titulo federal para caracterização de uma situação que lhe é inata, já que a mesma Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 615 5 foi criada por lei, seu patrimônio é público e seus objetivos visam a atender ao interesse público. O Relatório Fiscal, fls. 32 a 40, indica que as contribuições originaramse dos valores pagos aos segurados empregados a seguir discriminados: • CÓDIGO: FG – FOLHA DE PAGAMENTO – GFIP (Contribuição patronal à aliquota de 20% e GILRAT) ,Salários pagos ou creditados aos segurados empregados ativos/demitidos, conforme "Folhas de Pagamento Mensal", cujos Resumos constam do ANEXO IV. • CÓDIGO: TR – AUXÍLIO TRANSPORTE Valores pagos ou creditados aos segurados empregados, a titulo de AUXÍLIO TRANSPORTE E DIF. AUX. TRANSPORTE, conforme Resumos de Folhas de Pagamento Mensal, constantes do ANEXO IV. Foi emitido o Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 52, bem como o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0 08.1.14.002010001767. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 04, é de 01/2006 a 12/2008. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 10.08.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 329 a 346, com Anexos às fls. 347 a 495. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0531.476 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas SP, fls. 498 a 505, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP). A autoridade julgadora não é competente para decidir controvérsia acerca da RFFP. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. A Fiscalização, ao elaborar o Relatório de Vínculos, não imputou ao presidente e aos s diretores a condição de responsáveis solidários pelo pagamento do crédito exigido. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FUNDAÇÃO DE DIREITO PUBLICO. A fundação de direito público não tem direito isenção das contribuições Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 previdenciárias estabelecida pelo § 7o do artigo 195 da Constituição Federal. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que tinham direito adquirido isenção das contribuições previdenciárias, nos ditames do DecretoLei n° 1.572, 1 de setembro de 1977, devem observar as disposições do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para continuarem usufruindo do beneficio fiscal. VALETRANSPORTE. O pagamento do valetransporte em pecúnia é fato gerador de contribuição previdenciária. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). Consoante o disposto no Decreto n° 2.356, de 10 de outubro de 1997, as decisões do STF proferidas em caso concreto, em matéria tributária, poderão ter seus efeitos estendidos pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Não existe, no âmbito do processo administrativo fiscal, previsão para realização de sustentação oral, pela defesa, durante a sessão de julgamento administrativo de primeira instancia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão 95a. Sessão da 7a. Turma da DRJ Campinas Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação oferecida contra o Auto de Infração (AI) 37.241.7221, mantendose o crédito tributário exigido. DRF competente para ciência do Acórdão e demais providências de sua alçada. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 513 a 530, com Anexo às fls. 531 a 610, onde alega, em apertada síntese: Em sede Preliminar. (i) a ilegalidade da Representação Fiscal para Fins Penais. Com base na jurisprudência pátria e em súmula do Supremo Tribunal Federal, argumenta que não existe crime material contra a ordem tributária enquanto o crédito tributário não for definitivamente constituído. Requer a anulação da mencionada representação. (ii) é ilegal o arrolamento do presidente e dos diretores no auto de infração, os quais não foram intimados a se defender. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 616 7 No Mérito. (iii) Da imunidade constitucional da subjetiva da Recorrente é imune ao pagamento das contribuições previdenciárias. Entende ser equivocado o entendimento da Fiscalização de desconsiderar a sua imunidade por falta de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Defende que as entidades públicas já nascem com os atributos da assistência social, não sendo necessário que demonstrem tais qualificações ao CNAS. Conforme estabelece o art. 1º da Lei 12.101/09, a exigência de Registro e Certificação somente se aplica as entidades de direito privado, como hospitais, santas casas de misericórdia, hospitais escolas, universidades, fundações privadas, creches. Não se aplica às entidades públicas, que representam importantes meios para atuação estatal nas áreas fruto da expansão do modelo do bem estar social, e que não tem finalidade econômica lucrativa. A ausência de certificação das entidades públicas, todavia, se dá por uma razão lógica, ligada ao fato de que tais instituições já nascem com os atributos da assistência social, não sendo necessário que demonstrem tais qualificações ao CNAS, para, três anos após, serem declaradas beneficentes de assistência social e lograrem o reconhecimento da imunidade tributária. (...) Cabe ressaltar que o Registro e a Certificação da autuada não foi cancelado no sentido expresso da palavra, simplesmente não foi renovado em função da sua condição de entidade pública, portanto, da sua condição inata de entidade assistencial, reconhecida pela Resolução n. 51, de 17 de abril de 2001, expedida pelo Presidente do CNAS da época: "Processo n. 44006.005337/0734 — Entidade: Fundação de Assistência Infância de Santo André — Cidade/UF: Santo André — CNPJ 57.556.854/00176 — Assunto: Renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — Parecer: 0 processo n. 28996.021629/9418, referente ao pedido de Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, foi indeferido em Grau de Reconsideração. Tratase de uma instituição criada e que possui dependência econômica e administrativa com o Poder Público, conforme podemos observar na Lei 2.600/66. Apesar do seu registro em Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, notase que a alteração estatutária foi procedida por força de DecretoLei. 0 Ministério Público do Estado de São Paulo não aprovou seu estatuto, por tratar de instituição de direito público (folhas 20). O Registro e o Certificado de Filantropia, concedia pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, limitamse às instituições de direito privado, que não mantenham qualquer Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 dependência econômica e administrativa com o Poder Público." (g.n) (iv) Do status como entidade beneficente de assistência social Sua utilidade pública foi originalmente reconhecida no Decreto n° 70.440, de 1972, e após pelo Decreto de 27 de maio de 1992, o que a torna imune ao pagamento das contribuições exigidas. Defende que há norma vigente que lhe concede a imunidade, a qual não pode ser afastada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão subordinado à Presidência da República que não pode negar vigência a um decreto presidencial. Salienta que a utilidade pública foi reconhecida antes da publicação do Decreto Lei n° 1.572, de 1977, o que não a submete às disposições do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Enfim, o Decreto de 27 de maio de 1992 está em vigor e essa norma deve ser respeitada por este C. Colegiado, até porque, como sabido, a Súmula CARF 2 expressamente consigna que "0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Dessa maneira, não pode a Administração negar provimento a um Decreto Federal sob argumento de que é incompatível com a Constituição, em especial, ao art. 41, do ADCT: 'ADCT Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. § 2° A revogação não prejudicará os direitos que já tiverem sido adquiridos, àquela data, em relação a incentivos concedidos sob condição e com prazo certo.' Se não bastasse o quanto exposto, vejase que a declaração de entidade de assistência social da FAISA foi concedida antes da edição do Decretolei 1.572/77 (como dito, pelo Decreto 70.440/72) e, por isso, não se submetia aos requisitos contidos no antigo art. 55, da Lei 8.212/91 (hoje revogado pela Lei 12.101/2009) e nesse sentido possui imunidade inata. Nesse sentido, é a jurisprudência dos C. Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. (v) Sustenta que o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, que serve de fundamento à autuação é inconstitucional e foi revogado pela Lei n° 12.101, de 2009. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 617 9 Defende que deve prevalecer o disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, cujas determinações são cumpridas pela impugnante. (vi) Em relação ao auxíliotransporte, pago em pecúnia, assevera que a verba paga é isenta nos termos da alínea ‘f' do § 9º do artigo 28 da Lei no 8.212, de 1991. O artigo 5° do Decreto n° 95.247, de 1997, que serviu de suporte à autuação, não pode ultrapassar os limites da lei, consoante o artigo 84 da Constituição Federal. Defende que a isenção tributária independe da forma como é quitado o valetransporte. Transcreve parte do informativo 578 do STF que comunica a decisão da Corte Suprema reconhecendo que o pagamento em pecúnia do vale transporte não afasta a natureza nãosalarial da verba. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 612. É o Relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 612. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da regularidade do lançamento fiscal. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do AIOP nº 37.241.7221 de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada a AIOP nº 37.241.7221 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da AIOP nº 37.241.7221) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 618 11 IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA – Relatório de Documentos Apresentados este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificação anteriores. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal j. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. l. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a AIOP nº 37.241.7221, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 655DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 619 13 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Da inconstitucionalidade violação a preceitos constitucionais. O Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 656DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) a ilegalidade da Representação Fiscal para Fins Penais. Com base na jurisprudência pátria e em súmula do Supremo Tribunal Federal, argumenta que não existe crime material contra a ordem tributária enquanto o crédito tributário não for definitivamente constituído. Requer a anulação da mencionada representação. Analisemos. A Súmula nº 28 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca de controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (ii) é ilegal o arrolamento do presidente e dos diretores no auto de infração, os quais não foram intimados a se defender. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 620 15 Analisemos. Preliminarmente, quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de co responsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão para a exclusão do Relatório VÍNCULOS dos autos. NO MÉRITO. (iii) Da imunidade constitucional da subjetiva da Recorrente é imune ao pagamento das contribuições previdenciárias. Entende ser equivocado o entendimento da Fiscalização de desconsiderar a sua imunidade por falta de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Defende que as entidades públicas já nascem com os atributos da assistência social, não sendo necessário que demonstrem tais qualificações ao CNAS. Conforme estabelece o art. 1º da Lei 12.101/09, a exigência de Registro e Certificação somente se aplica as entidades de direito privado, como hospitais, santas casas de misericórdia, hospitais escolas, universidades, fundações privadas, creches. Não se aplica às entidades públicas, que representam importantes meios para atuação estatal nas áreas fruto da expansão do modelo do bem estar social, e que não tem finalidade econômica lucrativa. A ausência de certificação das entidades públicas, todavia, se dá por uma razão lógica, ligada ao fato de que tais instituições já nascem com os atributos da assistência social, não sendo necessário que demonstrem tais qualificações ao CNAS, para, Fl. 658DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 três anos após, serem declaradas beneficentes de assistência social e lograrem o reconhecimento da imunidade tributária. (...) Cabe ressaltar que o Registro e a Certificação da autuada não foi cancelado no sentido expresso da palavra, simplesmente não foi renovado em função da sua condição de entidade pública, portanto, da sua condição inata de entidade assistencial, reconhecida pela Resolução n. 51, de 17 de abril de 2001, expedida pelo Presidente do CNAS da época: "Processo n. 44006.005337/0734 — Entidade: Fundação de Assistência Infância de Santo André — Cidade/UF: Santo André — CNPJ 57.556.854/00176 — Assunto: Renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — Parecer: 0 processo n. 28996.021629/9418, referente ao pedido de Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, foi indeferido em Grau de Reconsideração. Tratase de uma instituição criada e que possui dependência econômica e administrativa com o Poder Público, conforme podemos observar na Lei 2.600/66. Apesar do seu registro em Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, notase que a alteração estatutária foi procedida por força de DecretoLei. 0 Ministério Público do Estado de São Paulo não aprovou seu estatuto, por tratar de instituição de direito público (folhas 20). O Registro e o Certificado de Filantropia, concedia pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, limitamse às instituições de direito privado, que não mantenham qualquer dependência econômica e administrativa com o Poder Público." (g.n) (iv) Do status como entidade beneficente de assistência social Sua utilidade pública foi originalmente reconhecida no Decreto n° 70.440, de 1972, e após pelo Decreto de 27 de maio de 1992, o que a torna imune ao pagamento das contribuições exigidas. Defende que há norma vigente que lhe concede a imunidade, a qual não pode ser afastada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão subordinado à Presidência da República que não pode negar vigência a um decreto presidencial. Salienta que a utilidade pública foi reconhecida antes da publicação do Decreto Lei n° 1.572, de 1977, o que não a submete às disposições do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Enfim, o Decreto de 27 de maio de 1992 está em vigor e essa norma deve ser respeitada por este C. Colegiado, até porque, como sabido, a Súmula CARF 2 expressamente consigna que "0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Dessa maneira, não pode a Administração negar provimento a um Decreto Federal sob argumento de que é incompatível com a Constituição, em especial, ao art. 41, do ADCT: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 621 17 'ADCT Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. § 2° A revogação não prejudicará os direitos que já tiverem sido adquiridos, àquela data, em relação a incentivos concedidos sob condição e com prazo certo.' Se não bastasse o quanto exposto, vejase que a declaração de entidade de assistência social da FAISA foi concedida antes da edição do Decretolei 1.572/77 (como dito, pelo Decreto 70.440/72) e, por isso, não se submetia aos requisitos contidos no antigo art. 55, da Lei 8.212/91 (hoje revogado pela Lei 12.101/2009) e nesse sentido possui imunidade inata. Nesse sentido, é a jurisprudência dos C. Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. (v) Sustenta que o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, que serve de fundamento à autuação é inconstitucional e foi revogado pela Lei n° 12.101, de 2009. Analisemos os tópicos (iii), (iv) e (v) conjuntamente. Não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Aplicação do art. 55, Lei 8.212/1991. Em que pese a argumentação do Recorrente, em relação ao art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988 – CRFB/1988, observemos que o Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 2.028 – 5 (vide também a ADI 2.0366, no mesmo sentido) assentou jurisprudência no sentido de que não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Neste sentido, pela clareza de suas lições, confirase o entendimento exarado no voto proferido pelo Ministro José Carlos Moreira Alves: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Ou seja, o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, remete a Lei ordinária, quanto à isenção das contribuições previdenciárias: "Art. 195 (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (gn) Por outro lado, lembremos que é vedado ao Conselheiro do CARF afastar a aplicação de lei ou ato normativo por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então, colacionando a decisão liminar julgada pelo Pleno do STF na ADI 2.028 – 5, na relatoria do eminente Min. Moreira Alves, de modo a implicar na restauração da redação original do art. 55, Lei 8.212/1991: Decisão : O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação Fl. 661DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 622 19 direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. O citado dispositivo, art. 195, § 7º, CRFB/1988, remete à lei ordinária a incumbência da definição das exigências a serem atendidas pelas entidades beneficentes para gozarem de isenção das contribuições previdenciárias, exigências estas insculpidas no art. 55 da Lei n° 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,. II — seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III —promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Da leitura do regramento legal acima, concluise que a entidade beneficente, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, todos os requisitos dos incisos I a V do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. A forma de apresentação do requerimento está disciplinada no art. 208 do Decreto n°3.048/1999, com a redação à época dos fatos: Fl. 662DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: I decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) III estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; IV ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; V comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda; VI relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; e VII resumo de informações de assistência social, em formulário próprio. §1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. §3ºA existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1º dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o §1º, o interessado poderá reclamar à autoridade superior, que apreciará o pedido da concessão da isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do servidor omisso, se for o caso. §5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 623 21 §6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista dos respectivos originais. Feito o requerimento, o órgão competente decidirá em 30 (trinta) dias sobre o pedido e, em caso de deferimento, emitirá Ato Declaratório, com efeitos a partir da data do seu protocolo. A titulo de esclarecimento o órgão competente era até 27/10/2004 o Instituto Nacional do Seguro Social INSS; de 28/10/2004 a 14108/2005 e 19/11/2005 a 01/05/2007 a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criada pela MP 222 de 04/10/2004, convertida na Lei 11.098/2005; de 15/08/2005 a 18/11/2005 e a partir de 02/05/2007 a Receita Federal do Brasil RFB, por força da MP n°258, de 21/07/2005 e da Lei n° 11.457/2007, respectivamente. Do cancelamento da isenção da cota patronal. Atestou o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 40, que a Recorrente teve o cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a partir de 01.01.1995, nos termos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21 432/003/2004. Desta forma, conforme o Relatório Fiscal, fls. 32 a 40, considerandose a ocorrência do cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/1995, por meio do Ato Cancelatório n° 21 432/003/2004, procedeuse à apuração das contribuições patronais, inclusive das contribuições de terceiros, devidas no período de 01/2006 a 12/2008, efetuando o lançamento do respectivo credito. Ainda assim, o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 40, destaca que informações obtidas junto ao Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social — SICNAS, indica que a situação atual da entidade é CANCELADA, bem como, todos os pedidos de renovação do certificado foram indeferidos a partir de 1994. Observase que o art. 55, Lei 8.212/1991, com a redação à época: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Fl. 664DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 Observase que não há direito à isenção enquanto estiver pendente de decisão o pedido de reconsideração encaminhado ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, pois não há qualquer efeito suspensivo em tal pedido de reconsideração ao CNAS. O Regimento Interno do CNAS, aprovado pela Resolução 177, de 08/12/2004, com a consolidação atual, aponta no art. 41 que o pedido de reconsideração e o recurso interposto na decisão do CNAS não terão efeito suspensivo: Seção IV Do Pedido de Reconsideração e do Recurso Art. 39. Caberá pedido de Reconsideração ao próprio CNAS, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da recepção do Aviso do Recebimento – AR notificatório, no caso de indeferimento de pedidos de Registro, Concessão ou Renovação de CEAS e Manifestação sobre Isenção de Impostos de Importação. § 1º Os pedidos de reconsideração aos indeferimentos do Registro e/ou concessão ou renovação do CEAS e Manifestação sobre Isenção de Imposto de Importação, terão suas Notas Técnicas submetidas à aprovação de uma junta composta pelo Secretário Executivo, pelo/a Coordenador(a) e Chefe do Serviço responsáveis pela elaboração das notas técnicas. § 2º Os processos referentes aos pedidos de reconsideração obedecerão ao mesmo trâmite de distribuição e julgamento relativos aos pedidos de Registro, de concessão ou renovação do CEAS. Art. 40. Mantido o indeferimento, pelo Plenário, caberá recurso ao Ministro de Estado do Ministério da Previdência Social MPS, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da publicação da resolução no Diário Oficial da União, sendo legitimados para interpor o recurso a entidade interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Art. 41. O pedido de reconsideração e o recurso interposto na decisão do CNAS não terão efeito suspensivo. Ainda assim, anotese que a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, nos termos do Parecer CJ nº. 3.093/2003, aponta a competência legal do INSS para o cancelamento da isenção relacionada ao art. 55, Lei 8.212/1991, ainda que possuam o CEBAS em vigor: PARECER/CJ n º 3.093/03 ASSUNTO: Isenção do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Cancelamento EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ARE 55 DA LEI N` 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL — INSS. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 624 23 Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8212/91. ainda que possuam CERAS em vigor. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitas previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Desta forma, perfeitamente válido o cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a partir de 01.01.1995, nos termos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21432/003/2004. Do enquadramento necessário de entidades beneficentes ao disposto no art. 1o. da lei 12.101/2009. Outrossim, a alegação da Recorrente de que os requisitos do art. 1º, Lei 12.101/2009 não são exigidos às entidades públicas não prospera porque a Mensagem de Veto nº 961, de 27.11.2009, mostra que os benefícios do art. 1o. Lei 12.101/2009 não são extensivos às fundações de direito público porque a Constituição Federal concede a isenção exclusivamente às entidades beneficentes de assistência social: MENSAGEM Nº 961, DE 27 DE NOVEMBRO DE 2009. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei nº 20, de 2005 (no 7.494/06 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social; altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória no 2.18713, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências”. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 Ouvido, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto aos seguintes dispositivos: Parágrafo único do art. 1º “Parágrafo único. Os benefícios de que trata o caput serão extensivos às fundações públicas que tenham como finalidade a prestação de serviços na área de saúde.” Razão do veto “O dispositivo estende às fundações públicas de direito público isenção que a Constituição Federal concede exclusivamente às entidades beneficentes de assistência social.” Desta forma, a Recorrente, fundação pública, pessoa jurídica de direito público, não se enquadra no disposto no art. 1o. lei 12.101/2009 por não ser entidade beneficente de assistência social. Da utilidade pública reconhecida antes da publicação do Decreto Lei n° 1.572, de 1977 Em relação à discussão acerca do direito adquirido pela Recorrente por ter sua utilidade pública originalmente reconhecida no Decreto n° 70.440, de 1972, há que se observar a legislação de regência: DecretoLei n° 1.572, de 1977 Art. 1° Fica revogada a Lei n° 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. §1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até data da publicação deste Decretolei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos COM validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. Lei n° 3.577, de 1959 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 625 25 Art. 1° Ficam isentas da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebam remuneração. Art. 2º As entidades beneficiadas pela isenção instituída pela presente lei ficam obrigadas a recolher aos Institutos, apenas, a parte devida pelos seus empregados, sem prejuízo dos direitos aos mesmos conferidos pela legislação previdenciária. Art. 3o Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. ADCT Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. § 2° A revogação não prejudicará os direitos que já tiverem sido adquiridos, àquela data, em relação a incentivos concedidos sob condição e com prazo certo. Lei 8.212/1991 (redação à época dos fatos geradores) Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 668DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Lei 12.101/2009 Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a Fl. 669DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 626 27 finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. Parágrafo único. (VETADO) Do cotejamento da legislação supramencionada, a interpretação que exsurge é a de que as entidades beneficiadas pelo direito adquirido reconhecido no DecretoLei n° 1.572, de 1977, estariam dispensadas do pedido de isenção ao INSS, mas observandose as demais condições para a fruição da isenção pois não possuem direito adquirido a regime jurídicofiscal. Tal entendimento está congruente com a jurisprudência assente no STJ – Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1197053 / SC; EREsp nº 982.620/RN; AgRg no REsp nº 868.391/RS; AgRg no REsp nº 848.126/RJ; MS nº 8.994/DF) no sentido da inexistência de direito adquirido a regime jurídicofiscal, de modo que a imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, prevista no art. 195, § 7° da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação superveniente, ou seja, a Lei 8.212/1991 e após, a Lei 12.101/2009: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE FILANTRÓPICA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI N° 3.577/59 E DECRETOLEI N° 1.572/77. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 128, 460 E 475 DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 284/STF E 211/STJ. I Hipótese em que a recorrente se diz detentora de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, concedido por prazo indeterminado e, por essa razão, afirma ter direito adquirido à imunidade tributária prevista no art. 195, § 7.º, da CF. I A jurisprudência do STJ está sedimentada no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídicofiscal, de modo que a imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, prevista no art. 195, § 7º da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação superveniente. Precedentes: EREsp nº 982.620/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 18/11/2010; AgRg no REsp nº 868.391/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 28/09/2010; AgRg no REsp nº 848.126/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/03/2009; MS nº 8.994/DF, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ de 12/11/2007. II Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1197053 / SC – Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 22/11/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 06/12/2011) Fl. 670DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IMUNIDADE. CEBAS. ENTIDADE CONSTITUÍDA SOB A ÉGIDE DA LEI 3.577/59 (DL 1.572/77). DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICOTRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE (LEI 8.212/91). 1. Não há direito adquirido a regime jurídicofiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes, para a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) e conseqüente fruição da imunidade concernente à contribuição previdenciária patronal (art. 195, § 7º, da CF), devem preencher as condições estabelecidas pela legislação superveniente (no caso, a Lei 8.212/91, art. 55). Precedentes do STJ: AgRg no REsp 848.126/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19/3/2009; MS 13.626/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, Dje 6/10/2008; AgRg no MS 10.757/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJe 3/3/2008. Precedentes do STF: RMS 26932, Relator Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 4/2/201; RMS 27093, Relator Min. Eros Grau, Segunda Turma, DJe 13/11/2008. 2. Incidência da Súmula 352/STJ: "A obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes". 3. Embargos de divergência providos. (EREsp 982620 / RN Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 10/11/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 18/11/2010) PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. IMUNIDADE. REQUISITOS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. PRECEDENTES. 1. Em relação a alegada violação ao art. 146, do CTN entendo pela ausência de prequestionamento, e a conseqüente incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção pacificou o entendimento de que as entidades que preenchiam os requisitos da Lei 3.577/1959 não têm direito adquirido ao benefício previdenciário. 3. Nos casos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação o dies a quo do prazo qüinqüenal decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 4. Recurso especial não provido. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 627 29 (REsp 1174900 / RS Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 05/08/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 01/09/2010) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente de que teria direito adquirido à isenção previdenciária por ter tido a sua utilidade pública reconhecida antes da publicação do Decreto Lei n° 1.572, de 1977 porque, por não haver direito adquirido a regime jurídicofiscal, conforme a jurisprudência assentada no STJ, se faz necessário o atendimento das condições previstas na legislação superveniente. Neste sentido, o cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a partir de 01.01.1995, nos termos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21432/003/2004, implica que a Recorrente não enseje aos benefícios da isenção de contribuições previdenciárias relacionadas à imunidade de entidades beneficentes. Então, conforme estabelece a legislação já mencionada, ou seja, art. 55, Lei 8.212/1991 c/c art. 208 do Decreto n°3.048/1999, a Recorrente está assim obrigada a recolher as contribuições previdenciárias integralmente, ou seja, relativas à parte dos segurados, da empresa e de Terceiros. Feitas essas considerações ficou demonstrado que, ao contrário da argumentação do Recorrente, ele não faz jus no período notificado à isenção de contribuições previdenciárias. (vi) Em relação ao auxíliotransporte, pago em pecúnia, assevera que a verba paga é isenta nos termos da alínea ‘f' do § 9º do artigo 28 da Lei no 8.212, de 1991. O artigo 5° do Decreto n° 95.247, de 1997, que serviu de suporte à autuação, não pode ultrapassar os limites da lei, consoante o artigo 84 da Constituição Federal. Defende que a isenção tributária independe da forma como é quitado o valetransporte. Transcreve parte do informativo 578 do STF que comunica a decisão da Corte Suprema reconhecendo que o pagamento em pecúnia do vale transporte não afasta a natureza nãosalarial da verba. Analisemos. A questão central é se determinar se o auxíliotransporte pago em espécie sofre ou não a incidência de contribuição social previdenciária. De plano, devemos observar o Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II: Fl. 672DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 30 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifo nosso) Outrossim, o RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao Fl. 673DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000341/201080 Acórdão n.º 240301.170 S2C4T3 Fl. 628 31 credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário, vencidos os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente, a Dra. Maria Leonor Vieira e, pelo recorrido, o Dr. Bruno de Medeiros Arcoverde, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 10.03.2010. Em que pese haver a distribuição de Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário 478.410/SP, pendente de julgamento, não há como deixar de observar que houve uma decisão plenária do STF nesta questão decidindo que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de auxílio transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição. Outrossim, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, temos então que no presente AIOP nº 37.241.7221 as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de auxíliotransporte não têm natureza salarial. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 32 Portanto, neste AIOP nº 37.241.7221 devese afastar a incidência de contribuição social previdenciária em relação aos levantamentos de AUXÍLIO TRANSPORTE. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para afastar a incidência de contribuição social previdenciária nos levantamentos relacionados ao VALETRANSPORTE. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 675DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.001712/87-47
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.659
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia ao INT, através da Repartição de origem (DRF-Santos- SP), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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Sessem de 14/maio de 19 91 ACORDÃO N.° Recurso n.° 112.946 Processo ng 10845-001712/87-47. Recorrente CIMENTOS ALUMINOSOS CIALMIG LAFARCE LTDA. Recorrid a DRF - SANTOS - SP. • RESOLUCAO Ng 301-659 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamen to em diligencia ao INT, através da Repartição de origem (DRF-Santos- SP), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presentejul gado. • Brasilia-DF, em 14 de maio de 1991. ITAMAR VIEIR Presidente. JO BAPTISTS MOREIRA - Relator. CONRADO Proc. da Fazenda Nacional. VISTO EM SESSÃO DE: 15 NIA 1 19 Participaram, ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, WLADEMIR CLOVIS MOREIRA, IVAR GAROTTI, LUIZ ANTONIO JACQUES e FLOVIO CASSIO DE MELLO E SOUZA (Suplente). Au- sentes os Conselheiros: FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ e JOSE THEO DORO MASCARENHAS MENCK. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, 1g CÂMARA. RECURSO Ng 112.946 RESOLUÇÃO Ng 301-659 RECORRENTE: CIMENTOS ALUMINOSOS CIALMIG LAFARCE LTDA. RECORRIDA : DRF - SANTOS - SP. RELATOR : CONSELHEIRO JOÃO BAPTISTA MOREIRA. RELATOR I 0 Adoto o Relatório integrante da decisão recorrida, fls.. 36, ut infra: "CIMENTOS ALUMINOSOS CIALMIG LAFARCE LTDA, despa chou pela D.I. 37.847 de 12/09/86, 9.000 Kgs do produto Cimento Hidráulico Aluminoso, de nome comercial - "SECAR 71", classificando-o na posição TAB 25-23-01-00, com ali quotas de 30% para o I.I. e 0% para o I.P.I. No ato de conferencia foi solicitado ao LABORAT6 RIO DE ANALISES da RECEITA FEDERAL EM SANTOS o competen- te exame químico da mercadoria com o objetivo do seu en quadramento tarifário. Pelo Laudo de Analise n-g 6819, de 31/10/86 consta- tou o referido Laboratório tratar-se a mercadoria despi chada de um CIMENTO REFRATÁRIO da posição 38-19-01-00 da TAB, com aliquotas de 45% para o I.I. e 10% para o IPI., Face ao exposto foi lavrado o Auto de Infração exi gindo-se impostos e multas conforme AI de fls. 01. A defesa apresentada e a sua contestação. Em sua defesa de fls. 17 aborda o interessado o problema de forma simplista, ou seja, pela denominaçãoge nérica do produto: "CIMENTO HIDRÁULICO ALUMINOSO - SECAR- 71, esquecendo-se da norma elementar de classificação a duaneira (Regras Gerais para a interpretação da NBM letra "a") que determina "que a posição mais especifica terá prioridade sobre a mais genérica". Ora, embora tendo o produto examinado composição comprovadamente à base de Oxido de Alumínio (Al2 03), ca racteristicas geralmente próprias dos Cimentos Alumino -3- Rec. 112.946. Res. 301-659 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL sos, tem o mesmo essenCialmente aplicação para fins refra trios, o que desloca a classificação aduaneira para a posição nominal de CIMENTOS REFRATÁRIOS (38-19-01-00 TAB), muito mais especifica. No bastasse essa norma de classificagão e, teria mos que aplicar a letra "c" das citadas REGRAS GERAIS DE INTERPRETA00 DA N.B.M, qual seja ":nos casos em que a classificagão no se possa efetuar aplicando o disposto nas Regras 3g "a" ou 3g "b", a mercadoria deverá ser clas sificada na posição que figure em Ultimo lugar na ordem numérica das posições suscetíveis de validamente serem tomadas em consideração". Esclareça-se que o critério adotado sobre Cimento Hidráulico Aluminoso da posição 25-23-01-00, é que esta ria ali classificado somente o CIMENTO FUNDIDO, também um CIMENTO ALUMINOSO, mas que seria obtido a partir de produtos naturais, como bauxita, pedra de cal, etc... como é o caso do CIMENTO FUNDIDO LAFARGE." A Autoridade a quo, 'as fls. 39, assim decidiu: "Classificação Fiscal de Mercadoria. Identificado pelo Labana que o produto analisado trata-se de um cimento 'a base de Aluminato de cálcio,com ca racteristicas refratárias, um produto diverso das Inds.Quimicas; sua classificação fiscal far-se-á no ccidigo NBM-TAB-TIPI 38.19.01.00." Com tempestividade, foi interposto o recurso de fls. 45, et seqs, que leio para meus pares. É o relatório. Sala das Sessões, Rec. 112.946 Res. 301-659 -4- SERVICO POSLIDO FEDERAL VOTO Trata- o litígio de o fato da Requerente ter classifi cado na posição TAB 25.23.01.10, o Produto descrito como "Cimento hi dráulico aluminoso, tipo SECAR 71',' de allquotas de 30% e 4%, respecti- vamente, para o II e IPI, o que foi desclassificado para a posição TAB 38.19.01.00, de aliquotas de 45% e 10%, respectivamente, para o II e o IPI, com arrimo no Laudo-Labana n 6819/86, que o tem por "cimento 'a base de aluminato de cálcio, com características refratárias". Para espancar dúvidas nascidas na contestação de fls.77, • foram pedidos esclarecimentos adicionais ao Labana que, na Informação Técnica ng 157/89, de fls. 32, aduz: 1t0 produto analisado trata-se de um cimento 'a base de aluminato de cálcio, com características refratárias, um produto diverso das indústrias químicas". Porém, como o cimento aluminoso encontra explicita clas sificagão na posição TAB 25.23.01.00 ecrendo temerário empregar a re gra 3-4 , como o fez a Fiscalizagão,quando a segunda regra manda que "qualquer mengão de u'a matéria numa determinada posigio da nomenclatu ra se refere a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou acrescida a outros materiais': voto no sentido que o julgamento seja convertido em diligencia, através da Repartição de origem, mediante en vio da amostra em poder do Labana ao Instituto Nacional de Tecnologia, para dirimir a questão da posição de enquadramento na TAB da mercado ria, intimada's ambas as Partes a apresentarem os quesitos que julgarem necessários ao deslinde da controvérsia. e maio de 1991. 41r."— 0A0 BAPT A MOREIRA - R4ator.
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Numero do processo: 11075.001947/88-50
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.736
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à BEFIEX, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ
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RESOLUÇÃO 301 - 73£ Relator sidente EV '1992 do presente julgamento, os seguintesConselhei- IT AMAR FLÁVIO V 1ST O S, relatados e discutidos os presentes autos, A C O R D A M os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contrib~intes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à BEFIEX, na forma do relató- rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília - D , I de out~bro de 1991 • • VISTO EM SESSÃO D : Participaram,ainda, ros: WLADEMIR CLOVIS MOREIRA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, LUIZ ANTÔ-, NIO JACQUES, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, SANDRA MIRIAM DE AZEVEDO MELLO (Suplente) • Ausentes,justificadamente,JOS~ THEODORO MASCARENHAS MENCK E IVAR GA ., ROTTI. •• • • ,. fls~02 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA RECU RSO: 11 3.230 -, gESOLU,ÇÃOjql ,-lé9. 736 RECORRENTE: AUTOLATINA BRASIL S/A - SUCESSORA DA FORO BRASIL S/A RECOR~lOA ORF - URUGUAIANA - RS. RELATOR FLÁVIO ANTÔNIO QUEIROGA MENOLOVITZ R E L A T 6 R I O A recorrente teve lavrado o Auto de Infração de fls. 1, em ato de conferência física das mercadorias (motores) constantes da 0.1. nº 9.598/88 (fls. 02 a 06), amparada pela G.I. nQ 001-88 / 21872-8, fls. 07, em razao da constatação, conforme Laudo Técni- co de fls. 10, de não serem os motores periciados os mesmos discri minados na referida G.l., razão pela qual referida importação foi considerada ao desamparo de G.I., motivando a aplicação da multa prevista no inciso 11, art. 526 do R.A., aprovado pelo Decreto, nº 91.030/85. A interessada apresentou garantias (fls. 12) e reque - reu' (fls. 11) e obteve o desembaraço da mercadoria com base na Portaria MF nº 389/76. Devidamente cientificada do lançamento em 10.11.88 (fls. 01), a processada tempestivamente Impugna a ação fiséal atr~' vés do arrazoado de fls. l~ a 16. A informação fiscal de fls. 20 a 2~ e pela manutenção da penalidade aplicada. O processo foi encaminhado a autoridade julgadora que, com base no art. 29 do decreto nº 70.235/72, baixou este à autori dade preparadora (fls. 25) a fim de diligenciar junto à BEFIEX,vi sando ~irimir qualquer dúvida com relação a possibilidade de ter havido, na G.I., um simples erro de datilografia, como alegado pe- la pro~essada em sua impugnação. ~s fls. 29, foi a interessada intimada a apresentar cQ pia legível da relação discriminativa dos bens importados vincula- dos ao certificado BEFIEX nQ ~51/87, Resolução 767, sob o amparo das B.I. nºs 001-88/021872-8 e 001-88/21715-2. Atendendo a referi- da intimação, a processada apresentou às peças de fls. 31 a 3'. Analisando a demonstração apresentada a autoridade pr~ paradora entendeu (fls. 35 e 36) que não esclareciamas dúvidas r~ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Recurso 113.230 Res. :.301 -0.]36 o'" • r o", .' '. ).' ~ J <: '.' •,. .i., • 1 ferentesao presente: litígio, e resolveu solicitar as informações diretamente a BEFIEX, o que fora feito pelo TELEX nQ 457/89 (fls. 38), tendo sido atendido pelo OF/BEFIEX/COBEN/Nº 021/89 (fls.39 e 40) • Como a autuada, na peça impugnatória, alegou nulidade do A.I., por imprecisão da descrição da infração, resolveu a autQ ridade preparadora (fls. 41) pela lavratura de A.I. Complementar para esclarecer em detalhes a infração praticada. Lavrado o A.I. Complementar (fls. 42) foi a autuada cientificada em 28.04.89 e teve o prazo para apresentação de im,- pugnação reaberto, do qual não fez uso. Foi lavrado o Termo de R~ velia de fls. 44 e erroneamente~flcaminhado o processo para inseri ção em dívida ativa (fls. 47 a 52). De volta o processo a autoridade preparadora, esta, ~ nalisando a manifestação do BEFIEX, constatou (fls. 56) que os mQ tores importados não faziam parte do Certificado BEFIEX 451/87,em razão do que lavrou novo A.I. Complementar, de fls. 57. A processada devidamente cientificada em 08.06.90,so- licitou cópia xerox de peças do processo (fls. 61 ) e requereu PLO rogação de prazo para apresentação da sua impugnação (fls. 63), o que fora deferido pela autoridade preparadora, as fls. 64 verso. Tempestivamente, a interessada apresentou suas razões de defesa através do arrazoado de fls. 65 a 71. A informação fiscal, as fls. 75 a 83, é pela manuten ção integral do Auto de Infração . A autoridade singular julgou procedente a ação fiscal representada pelos Autos de Infração de fls. Ol,e 57, determinan- do o prosseguimento da cobrança dos valores neles consignados,com os acréscimos legais devidos. O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, com o arrazoado da fase inicial, tentando induzir ter sido erro datilográfico a indicação de que os motores eram de 6 cilindros, e protestando p~la nulidade do auto, inclusive por imputar, multa baseada em legislação posterior. t o Relatório . Im r n N n I I''. SERViÇO PÚBLICO FEDERAl. v O T O - ~- Recurso 113~230 Res.30r - 0.736 • Este recurso tem a sua origem em processo administrA tivo fiscál bastante tumultuad9. O patrono da recorrente em sua sustentação oral, an~ xada ao processo requer, preliminarmente, diligência à C~missão PA ra Concessão de Beneficios Fiscais- BE~IEX. para tentar provar o que nao conseguiu na fase singular. O irtigo 5R, inciso LV da Constituição Federal diz; "LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em'geral são assegurados ci contraditório e ampla 'defesa, com os meios e recursos a ela inere~tes~n VOTO, para em acolhendõ- o requerido', converter o jul gamento em diligência à Comissão de Concessão de Beneficios Fiscais - BEFIEX, para responder aos ques' os da recorrente, de fls. '. •• OLS/CF Sala das FLÁVIO de 1991 Relator 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003732/89-67
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.702
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de origem (IRF-Porto -RJ), na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ
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ACORDÃO N.o 112.938 Processo nº 10711-003732/89-67. HERGA INDÚSTRIAS QU1MICAS LTDA. IRF - PORTO - RJ. • Recurso n.O Recorrente Recorrid R E S O L U C Ã O 301-702 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira C~mara do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julga- mento em diligência ao INT, através da Repartição de origem (IRF-Porto -RJ), na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o ~presehte julgado. VISTO EM SESSÃO DE: ITAM 21 de agosto de 1991. Presidente. /- Procurado~ da Fazenda Nacional. MELLO NETO. LUIZ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselh"eiros: PAULO C~SAR BASTOS CHAUVET (Suplente), SANDRA MIRIAM DE AZEVEDO (Suplente), WLADEMIR CLOVIS MOREIRA e FAUSTO FREITAS DE CASTRO Ausentes os Conselheiros: JOÃO BAPTISTA MOREIRA, IVAR GAROTTI, ANTO~IO JACQUES e JOS~ THEODORO MASCARENHAS MENCK. SERViÇO PÚBLICO FEOERAI. .~> :\ ./'-- ~. \ \ MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, 11 CÃMARA. \ RECURSO Nº 112.938 RESOlUÇÃO Nº 301-102 RECORRENTE: HERGA INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA. RECORRIDA : IRF - PORTO - RJ. RELATOR : F~AvIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ. R E L A T Ó R I O 2. A recorrente, através da Declaração de Import~ção (0.1.) nº. 7566/88 (fls. 03/07), submeteu a despacho 8.16~ quilos de SOAO-ARMEEN M2HT-TR ESTEARIL OIMETIL AMINA DEST. classe: Amina terci~ria, teor de,e pureza: m,ín.97%, ao amparo da Guia de Importaçãao (G.I") nº 1-88/12976-8 (fls. 09), classificando o produto no c6digo TAS 29.22.31.99,;com alí quotas de 30% para o Imposto de Importação (1.1.) e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.), assumindo, no quadro 24 da citádâ 0.1., o compromisso previsto na Instruç~o Normativa nº 14/85. Encaminhada a amostra do produto ao laborat6rio de An~lises, este emitiu o laudo nº 2666/88 (fls.13), declarando tratar-se de uma amlna graxa sem constituição química definida. Em ato de revisão, o produto foi desclassificado para o c6di. go TAS 38.19.99.00 com alíquotas de 30% para o 1.1. e 10% para o IPI., sendo exigido através do Auto de Infração nº 336/89 (fl.01), alterado pelo Termo Complementar de fls.49,0 recolhimento do IPI apurado e da _ multa prevista no art. 526, 11, do Regulamento Aduaneiro (R.A), aprov-ª. do pelo Decreto nº 91.030/85, e art. 80, 11, da lei 4502/64, com a r~ dação dada pelo Decreto-lei nº 34/66, afém dos encargos legais cabí- veis. Devidamente intimada (fls.25 e 50/51), a autuada, tempestiv-ª. mente, apresentou impugnação (fls.26/32 e 52/57), discordando do resul ta do do liaudo e alegando que: a) o produto em tela foi corretamente classificado no c6digo 29.22.31.00, quando da conferência aduaneira; b) a FAZENDA NACIONAL deixou transcorrer o prazo decadencial de 5 (cinco) dias, previsto no art. 50 do Dl 37/66, p/efetuar qualquer impugnação àquela classificação e, em conseq~ência, para cobrar even tuais diferenças a seu favor; Imprensa Nacional c) seria incabível a revisão de lançamento em virtude de m..!! ~.. ",..............,,, .0, /'i~ \ \ -3- Rec. 112.938 Res. 301-702 SERViÇO PUBLICO FEDERAL dança de critério fiscal (Súmula 542 do Tribunal Federal de Recursos), se não houver por parte do fisco inequávoca prova de dolo, fraude ou simulação cometida pelo contribuinte; d) o produto consiste de aminas graxas industriais obtidas a partir do ácido graxo do sebo e tem constituição química definida; e) não cabe a aplicação das multas previstas nos artigos 524 e 526 do Regulamento Aduaneiro, visto que não houve insufici~ncia na descrição do produto; ,or.f) deve ser solicitado pronunciamento do INT ou de outro gão técnico. Na réplica (fls.38/39 e 1001, as AFTN's autuantes nao acolh~e- ram as razões da defesa; propondo a manutenção do feito, em face do resultado laboratorial. o 6 rg ã o pr ep.ar ador sol ic ito u e sc 1arec ime ntos com pIe m ent ar e s ao lABANA (fls.39-v.,A3~e~5-v.) que, em atenção, emitiu as Informação (ões) Técnica (as) nº (s) 267/89, 09/90 e 91/~~ (fls.40741, 44/45 e 46) • Por solicitação do GREDA - Grupo de Revisão de Despacho AduA neiro (fls. 18 e 96), o lABANA emitiu as Informações Técnicas nºs ••••• 83/89 e 176/90 (fls.19 e 97/99), ratificando todos os termos do lAUDO' nº 2666/88 (fls.13) e Informações Técnicas nºs 91/90 e 267/89 (fls. 46 e 40/41). fiséal inciso além Instância julgou procedente a ação multas previstas nos~artigos 526, 11, da lei nº 4502/64 e Dl 34/66, A autoridade de 1ª para exigir o IPI e impor as 11 do R.A. e art. 80, inciso dos encargos legais. O recurso foi interposto em 10:01.91, sob a alegação de que fora intimado em 12 de d~zembro de 1990, não havendo na intimação de fls. 107 a data da ci~ncia do contribuinte. O recurso mantem as razões da inicial (fls. 108 a 116) requerendo ao final anulação da decisão r~ corrida, por preterição do direito de defesa~ nos termos do art. 59,in ciso 11, do Dec. 70.235/72, ~Jemrtaso~de:indefefimento, seja assegurA da à recorrente dilig~ncia para novo exame laboratorial. -tt ~ o relatório. Imprensa Nacional ) >1 \.. ~' " ./" i- .,.,;""l", ..,......óo /""\.. \ ! \ ( ( , l' SERViÇO PUBLICO FEDERAL:( , v O T O -4- Rec. 112.938 -.l'Res: ~301,::, 702 Preliminarmente, rejeito a tese da nulidade, por preteriçã'o. ao direito de defesa. Por outro lado, acato o pedido de novo laudo e voto -para transformar o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de origem, para providenciar a juntada da amostra e quesitos do Audi- tor Fiscal autuante, bem como da recorrente~ se o desejar. Sala das Sessões, 21 de agosto de 1991. FLÁVIO TZ - Relator. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10711.005551/90-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.667
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao LABANA/Rio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: WLADEMIR CLOVIS MOREIRA
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IFF - ESSÊNCIAS E FRAGRÂNCIAS LTDA. IRE - PORTO DO RIO DE JANEIRO - RJ. RESOLUCAO Ng 301-667 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Cimara do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamen- to em diligencia ao LABANA/Rio, na forma do relatório e voto que pas- sam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, 15 de maio de 1991. ITAMAR VIEIRA DA OSTA - Presidente. WLADEMIR CLOV S MOREIRA - Relator. V r4 CONRAD e LAES - Procurador da Fazenda Nacional. 1 (I JUN 1991 participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselherios: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, LUIZ ANTONIO JACQUES, IVAR GAROTTI e FLOVIO CASSIO DE MELLO E SOUZA, Suplente. Au- sentes os Conselheiros FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ e JOSE THEO DORO MASCARENHAS MENCK. VISTO EM SESSÃO DE: • • SERVICO PUBLICC FEDEPf L MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, 1@ CÂMARA. RECURSO N 2 113.093 RESOLUÇÃO Ng 301-667 RECORRENTE: IFF - ESSÊNCIAS E FRAGRÂNCIAS LTDA. RECORRIDA : IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO - RJ. RELATOR : CONSELHEIRO WLADEMIR CLOVIS MOREIRA. RELATÓRIO Trata o presente processo de exigencia fiscal decorrente de ato de revisão aduaneira da qual resultou mudança na classificação tarifária adotada nos documentos de importagio. Adoto, como parte deste relatório,a bem elaborada decisão recorrida: "A firma IFF ESSÊNCIAS E FRAGRÂNCIAS, através da Declara 60 de Importagio (DI) ng 500098/88 (fls. 03/07), submeteu a despacho 1.080 quilos deformiato de dihidro mircenila, 50% a 60% de pureza aproximada, liquido, 35% a 50% dihidro mircenol, nome comercial Dimir cetol, ao amparo da Guia de Importagão (GI) ng 081-87/002254-3, clas- sificando o produto no código TAB 29.14.07.99, com aliquotas de 30% para o Imposto de Importagão (II) e zero para o Imposto sobre Produ- tos Industrializados (IPI), obtendo o seu desembaraço com base na IN- SRF ng 14/85. Encaminhada a amostra do produto ao Laboratório de Análi- ses, este emitiu o Laudo ng 208/88 (fls. 08), esclarecendo tratar-se de mistura odorífera para uso em perfumaria, ã basede dihidromircenol e formiato de dihidro mircenila. Em ato de revisão, o produto foi desclassificado para o código TAB 33.04.01.00, com aliquotas de 60% para II e 12% para o IPI, exigido através do Auto de Infração ng 269/90 (fls. 01) o recolhimen- to da diferença de II, do IPI e das multas previstas nos arts. 524 e 526, inc. II, do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto ng 91.030/85, e no artigo 80, II, da Lei ng 4502/64, com redação modifi- cada pelo Decreto-lei ng 34/66, art. 2, 22g alteragão, alem dos en- cargos legais cabíveis. Devidamente intimada (fls. 11), a autuada, tempestivamen te, apresentou impugnação (fls. 12/14), anexando cópias de Resolugbes do 3 g Conselho de Contribuintes e de Pareceres do Instituto Nacional -3- Rec. 113.093 Res. 301-667 SERV I ÇO POSLICO FEDERAL de Tecnologia emitidos em processos relativos a produtos semelhantes ao do presente caso (fls. 18/24 e 25 135) e solicitando: a) apensamento dos processos relacionados as fls. 12; b) nulidade do auto de infração lavrado; c) perícia antecipada a ser efetuada pelo Instituto Nado nal de Tecnologia (TNT) e/ou por peritos técnicos no- meados, com formulação de quesitos; d) liminar revisão "ex officio" pela Tributação à presen- te imposição fiscal e aos processos que seriam apensa- dos, como neles requerido, resguardando-se a impugnan- te ã complementagão impugnatória, no momento hábil, na forma da Lei; e e) suspensão de quaisquer eventuais sançOes ã impugnante, ate decisão final dos mencionados processos. Alegou, ainda, a interessada: a) cerceamento de defesa, face ao art. 153, §§ 4g e 15g da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributd- rio Nacional; b) falta, por parte da fiscalização, do fornecimento de orientação temática ou técnica com a finalidade de evi tar decréscimo patrimonial à impugnante; e c) falta de definição do fato gerador (art. 144, CTN). Na replica (fls. 37), a AFTN autuante opinou pela manuten cão do Auto, em virtude de as alegagOes não caberem no presente caso. Isto posto, e CONSIDERANDO que se trata de exigência de credito tributd rio, formalizada através do Auto de Infração ng 269/90, em consequen- cia de ato ce revisão da DI ng 500098/88, em que se apurou erro na classificação adotada para o produto importado, em face do resultado do exame de amostra do mesmo; CONSIDERANDO que tal procedimento se refere especificamen te ao caso em foco, com todos os dados a ele pertinentes, não havendo, portanto, necessidade da anexação de outros processos para exame em conjunto; CONSIDERANDO que não se ajusta ao presente caso nenhuma -4- Rec. 113.093 Res. 301-667 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL das hipóteses de nulidade estabelecidas pelo art. 59 do Decreto ng 70.235/72, que rege o processo administrativo de determinação e exi- gencia dos créditos da União; CONSIDERANDO que o pronunciamento técnico, no qual foi ba seada a autuação, foi emitido pelo Laboratório de Anglises, órgão com petente para a emissão de laudos técnicos (art. 30 do Decreto 70.235/72 e Ordem de Serviço n 2 3/84 da SRRF - 7§ RF); CONSIDERANDO que, embora a autuada tivesse solicitado a audiência do INT, a autoridade preparadora entendeu prescindível tal diligência; CONSIDERANDO que a autuada estava ciente de que a homolo- gação do lançamento somente se efetivaria após revisão aduaneira, ba- seada no resultado da an61ise laboratorial, efetuada na DI 500098/88, conforme termo constante do quadro 24 da referida DI; CONSIDERANDO que a exigencia fiscal foi formalizada atra vés do Auto de Infração WI 269/90 (fls. 01), com abertura do prazo de 30 dias para apresentação da impugnação, durante os quais o interessa do teve vista do processo, conforme dispõe os arts. 9g, 10 e 15 do De creto ng 70.235/72; CONSIDERANDO que, observados os passos estipulados pela legislação, não é cabível a alegação de cerceamento do direito de de- fesa; CONSIDERANDO que, antecedendo o julgamento em primeira instância, o feito é analisado pelo órgão preparador, no caso desta Inspetoria, a Seção de Tributação; CONSIDERANDO que a suspensão de quaisquer sanções impua nante não é cabível, por não haver a mesma comprovada a existência do processo de consulta, anterior ao presente auto, sobre a classifica- çao do produto em foco; CONSIDERANDO que, para efeito de calculo do II e do IPI, considera-se ocorrido o fato gerador, respectivamente, na data do re- registro da declaração de importação de mercadoria despachada para consumo e na data do seu desembaraço aduaneiro (art. 87, inc. I, do RA. e art. 29, inc. I, do RIPI/82); CONSIDERANDO que a mercadoria despachada, de conformidade com os documentos de importação, foi formiato de dihidro mircelina, -5- Rec. 113.093 Res. 301-667 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL 50% a 60% de pureza aproximada, liquido, 35% a 50% dihidro mircenol, nome comercial: Dimircenol; CONSIDERANDO que o Laboratório de Analises esclareceu tra tar-se de uma mistura odorífera para uso em perfumaria, sa base de di- hidromircenol e formiato de dihidromircenila (Laudo ng 208/88 - fls. 08); CONSIDERANDO que a classificagão de uma mercadoria e de- terminada legalmente pelo texto das posições e das Notas de cada uma das Seções ou Capítulos e pelas regras seguintes sempre que no con- trariem os termos das referidas posições e Notas (1g Regra Geral para Interpretação da NBM); CONSIDERANDO que o produto se classifica no código TAB 33.04.01.00, relativo a "mistura entre si duas ou mais substancias odoríferas, naturais ou artificiais, e misturas sa base de uma ou mais destas substancias (inclusive as simples soluções em lcool) que cons tituam matérias-primas para a perfumaria, a alimentação ou outras in- dilstrias - para perfumaria", com alíquotas de 60% para o II e 12% pa- ra o IPI; CONSIDERANDO 'clue, se a discriminação da mercadoria na guia de importação for omissa, incorreta ou imprecisa quanto a elemen tos indispensáveis à identificação do produto, caracteriza-se declara gio indevida e falta de GI, ensejando a aplicação das multas previs tas nos arts. 524 e 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprova- do pelo Decreto ng 91030/85 (Parecer CST ng 477/88); CONSDIERANDO que o IPI que deixou de ser lançado ou que, devidamente lançado, no foi recolhido dentro de 90 dias do termino do prazo regulamentar sujeita o contribuinte à multa de 100% do valor do imposto (art. 80, II da Lei 4502/64, com a redação modificada pelo Decreto-lei 34/66, art. 2, 22g alteragão - Parecer CST ng 770/84); CONSIDERANDO tudo o mais que do processo consta, JULGO PROCEDENTE a ação fiscal, para declarar devidos a diferença do Imposto de Importagio, no valor de Cr$ 181,12, e o Im- posto sobre Produstos Industrializados, no valor de Cr$ 115,91, impon do, outrossim, sa autuada as multas capituladas nos arts. 524 e 526, II, do RA. 80, II, da Lei 4502/64, com a redação modificada pelo De- creto-lei ng 34/66, art. 2 2 , 22g alteração, alem dos encargos legais cabíveis. " -6- Rec. 113.093 Res. 301-667 SERVIÇO ROBLICO FEDERAL Tempestivamente, a empresa autuada interpõe recurso a es- te Conselho, reiterando,basicamente,as razes da impugnação para, afi nal, requerer a realização de perícia, a exemplo do que teria ocorri- do, em relagão ao mesmo produto, conforme antecedentes desta C5mara que cita 'as fls. 46. É 0 RELATÓRIO. • • SERVICO POBLICC FEDEPAL VOTO No caso sob exame parece estar configurada uma inequívoca divergência pericial. Enquanto o Laudo do LABANA (fls. 08), conclui ser o produto comercialmente conhecido como DIMIRCETOL "uma mistura odorífera para uso em perfumaria...". 0 INT, no Parecer de fls. 32/4, afirma que "o produto em exame no é uma mistura odorífera, mas sim um composto de composição química definida...". Em razão do conceito de idoneidade e competencia técnica de ambos laboratórios, no me parece justo, sob a ótica do julgador, fazer on -5o por qualquer um deles. Nestas condiçOes, atendendo, em termos, o requerido pela recorrente, voto no sentido de ser o julgamento do processo converti- do em diligencia ap LABANA/RJ, através da repartição de origem, a fim de que aquele Laboratório proceda ao reexame do produto em questão, vista dos pareceres do INT sobre o mesmo assunto. Sala das SessOes, 15 de maio de 1991. WLADEMIR CLOVIS MOREIRA - Relator. e -7- Rec. 113.093 Res. 301-667
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