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Numero do processo: 13134.000019/2001-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1996
Ementa: ALÍQUOTA. Comprovadas, por meio de laudo, áreas que demonstram percentual de utilização efetiva da terra aproveitável que leva à alíquota de ITR de 0,4%, pleiteada pela recorrente. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do imposto relativo aos exercícios de 1994, 1995 e 1996 é o VTN mínimo e não o VTN tributado introduzido pela Lei nº 9.393/1996.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 303-34.166
Decisão: Acordam os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para acolher a alíquota de 0,4% pleiteada pela contribuinte, nos termos do voto da relatora, vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Sérgio de Castro Neves, Marciel Eder Costa e Nilton Luiz Bartoli, que excluíam também da tributação a área de reserva legal.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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Comprovadas, por meio de laudo, áreas que demonstram percentual de utilização efetiva da terra aproveitável que leva à alíquota de ITR de 0,4%, pleiteada pela recorrente. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do imposto relativo ao' exercícios de 1994, 1995 e 1996 é o VTN mínimo e não o VTN tributado introduzido pela Lei n° 9.393/1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para acolher a alíquota de 0,4% pleiteada pela contribuinte, nos termos do voto da relatora, vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Sérgio de Castro Neves, Marciel Eder Costa e Nilton Luiz Bartoli, que excluíam também da tributação a área de reserva legal. Presidente e relatora Processo n.o 13134.000019/2001-71 Acórdão n. o 303-34.166 CC03/C03 Fls. 83 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanei Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Tarásio Campelo Borges. L -, Processo n." 13134.000019/2001-71 Acórdão n.o 303-34.166 CC03/C03 Fls. 84 PARA(ha) 50,0 98,4 120,0 122,4 220,8 1.339,0 DE(ha) 0,0 48,4 0,0 2,4 50,8 1.509,0 HISTÓRICO Imprestáveis Não Isentas Total Inaproveitável Total Aproveitável Preservação Permanente Isentas Alterar: UADRO 04 - DISTRIBUIÇÃO DA ÁREA NO IMÓVEL Nos termos da Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nO 01/1995, itens 12.4 e 12.5, com base no laudo técnico (fls. 01/07), entendo que devam ser alteradas a distribuição da área no imóvel e sua exploração econômica na DITR processada (fls. 16), com o conseqüente aumento do grau de utilização da terra (GUT) e redução da respectiva alíquota de cálculo, como segue: Das Informações Cadastrais 'A contribuinte em referência, proprietária do imóvel rural "Fazenda Bela Vista e Poções ", com 1.559,8 ha, no município de Jaupaci - GO (código/SRF nO 4207727-3), foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 8.586,71, referente ao lançamento do ITR/96 e Contribuições vinculadas, fundamentado na legislação especificada na notificação de fls. 02. "Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: A interessada apresentou impugnação ao citado lançamento (fls. 01), alegando que a alíquota de cálculo está acima do índice devido e o grau de utilização do imóvel abaixo do índice atingido. Foram anexados os documentos de prova de fls. 03/20. " "(..) Fundamentou assim a sua decisão: A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília considerou o lançamento procedente em parte, mantendo o VTN utilizado no lançamento e efetuando alterações cadastrais relativas aos Quadros 04 e 05 da DITR, o que resultou em uma nova notificação de lançamento no valor de R$ 2.988,43. Para melhor compreensão dos fatos, adoto e transcrevo o relatório e o voto por ocasião do julgamento. io O Trata-se de retomo de diligência determinada pela Resolução n° 303-01.159, de 6, para que a repartição de origem se manifestasse sobre a tempestividade do recurso Relatór 25/05/200 voluntário. proferidos - e CAMP 22 26 27 30 31 32 Processo n.o 13134.000019/2001-71 Acórdão n.o 303-34.166 QUADRO 05-INFORMAÇÕES SOBRE ÁREAS DE CRIAÇÃO ANIMAL CC03/C03 Fls. 85 CAMPO HISTÓRICO DE(ha) PARA(ha) 33 Pastagem Nativa 814,5 0,0 35 Pastagem Plantada 726,0 910,0 As informações sobre a área de reserva legal e sobre a produção vegetal deverão ser mantidas, por falta de provas documentais para alterá-las, de acordo com os itens 12.4 e 12.9 da NE/SEF nO01/1995. A quantidade de animais de grande porte pretendida já se encontra acatada no Quadro 08 da DITR processada (fls. 17), com exceção dos bovinos em parceria, cujo total não foi comprovado, nos termos do item 12.8 da citada norma." Ciente da nova notificação e com ela inconformada, a recorrente apresenta recurso a este Conselho seguido de garantia de instância, contestando a alíquota utilizada para apurar o valor do ITR e solicitando a revisão do grau de utilização do imóvel no exercício de 1994. Apresenta novo laudo técnico de avaliação e comprovante de vacina do rebanho. Requer, por fim, a retificação do lançamento. Em seu recurso voluntário, datado de 15 de abril de 2003 a recorrente diz que foi cientificada da decisão de primeira instância em 17/03/2003. Tal data é exatamente a que consta do AR de fi. 37. A fi. 42 consta relação de bens e direitos para garantia de instância onde foi aposto um carimbo da Agência da Receita Federal de São Luis de Montes Belos/GO com data de 02 de maio de 2003 e à fi. 60 dos autos consta uma informação da mesma Agência dizendo que o recurso é tempestivo. Entretanto, não consta no referido recurso nenhum carimbo indicando a data de protocolização do mesmo na repartição de origem. Diante do exposto, tendo em vista não possuir elementos suficientes para apreciar a tempestividade do recurso, converto o julgamento em diligência para que a repartição de origem se manifeste sobre a data da interposição do referido recurso '. " Retomando o processo à origem, esta se pronunciou às fls. 79/80, informando que não possui subsídios suficientes para manifestar-se acerca da real data da interposição do recurso. Em seguida, o processo foi devolvido a esta Câmara para julgamento. É o Relatório.r Processo n.O 13134.000019/2001-71 Acórdão n.o 303-34.166 Voto Conselheira Anelise Daudt Prieto, Relatora CC03/C03 Fls. 86 Conforme informado no documento de fls. 79/80 a repartição de origem não pode precisar a data efetiva da interposição do recurso voluntário, tendo em vista que os servidores que trabalharam no processo não mais se encontram em exerCÍcio naquela unidade. Também intimada, a contribuinte não compareceu para prestar infonnações. Todavia, a meu ver, o ônus da prova, neste caso, não cabe à recorrente, já que a recepção deveria ter aposto carimbo com a data da interposição do recurso. Como isso não ocorreu, não pode a contribuinte ser penalizada por um lapso do agente público. Além do mais, consta à fl. 60 dos autos uma informação de que o recurso é tempestivo. Pelo exposto, não havendo como precisar a data da interposição do recurso e mediante a informação supracitada, conheço do recurso voluntário. No mérito, a contribuinte insurge-se contra a alíquota utilizada para apurar o valor do ITR, solicitando a revisão do grau de utilização e invocando os artigos 5° e 11 da Lei nO8.847/1994. Remete-se à cópia do laudo técnico trazido na impugnação, que anexa. Ele está acompanhado de ARTe remete-se à data de ocorrência do fato gerador. o laudo informa as seguintes áreas, acolhidas pela decisão de primeiro grau: preservação permanente: 50 ha; pastagens plantadas: 910 ha; inaproveitáveis: 120 ha; reserva legal: O ha. A DRJ entendeu que não estaria comprovada a área de reserva legal, mas a contribuinte somente havia colocado sua intenção de, no futuro, averbar área que chamou de "a ser explorada" como de reserva legal, informando também que seria possível a sua exploração com agropecuária. Sequer discriminou tal área como isenta no quadro próprio. Portanto, no que conceme às áreas supra citadas, não há divergência entre a decisão recorrida e o pleito do sujeito passivo. Quanto às áreas ocupadas com benfeitorias, construções e instalações, o laudo aponta 2,5 hectares, mas a DRJ manteve a área declarada de 2,4 hectares, por entender que o pleito não estaria devidamente comprovado. Também por falta de comprovação não aceitou área de 30 hectares de culturas anuais, constante do laudo, mantendo a declarada de 19,3 ha. A meu ver, não há porque deixar de aceitar o laudo, que está assinado por profissional habilitado, acompanhado da ARTe refere-se à data da ocorrência do fato gerador, como prova de tais áreas. Finalmente, merece destaque a informação sobre a qual já fiz menção, relativa à área de 447,30 ha, que se encontra assim descrita nos dois laudos: "Existe no imóvel um total de 447,30 ha de cerrado com árvores típicas desta vegetação. Sendo que esta se encontra destinada ao registro da reserva legal a ser efetuado posteriormente e possível exploração com agropecuária" No quadro de fl 09 a área é descrita como "pastagens, benfeitorias e área de cerrado a explorar". Como já dito, não vejo como acatar tal área como de reserva legal, qualificação que inclusive consta em branco no quadro de fl. 14. , . Processo n.o 13134.000019/2001-71 Acórdão n.o 303-34.166 CC03/C03 Fls. 87 Passando ao cálculo da alíquota, lembro que os artigos 4° e 5° da Lei n° 8.847, de 28/01/1994, rezam o seguinte: Art. 4° Para os efeitos desta Lei considera-se: I - área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas e as reflorestadas com essências nativas ou exóticas; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal; 11- área efetivamente utilizada: a) plantada com produtos vegetais e a de pastagens plantadas; b) a de pastagens naturais, observado o índice de lotação por zona de pecuária fixado pelo Poder Executivo; c) a de exploração extrativa, observados o índice de rendimento por produto, fixado pelo Poder Executivo, e a legislação ambiental; d) a de exploração de atividade granjeira e aqüícola; e) sob processos técnicos de formação ou recuperação de pastagens. Parágrafo único. O percentual de utilização efetiva da área aproveitável é calculado pela relação entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável total do imóvel. Art. 5° Para a apuração do valor do ITR, aplicar-se-á sobre a base de cálculo a alíquota correspondente ao percentual de utilização efetiva da área aproveitável do imóvel rural considerado o tamanho da propriedade medido em hectare e as desigualdades regionais, de acordo com as Tabelas /, II e II/, constantes do Anexo I (omissis). Com base no disposto, chega-se aos seguintes valores: a-) área aproveitável = 1559,8 ha (total) - 2,5 ha (benfeitorias) - 50,0 ha (preservação permanente) - 120,0 ha (inaproveitáveis) = 1.387,3 ha; b-) área efetivamente utilizada = 30,0 ha (lavouras) + 910,0 ha (pastagens) = 940,0 ha; c-) índice de utilização = (940,0 ha/1.387,3 ha) x 100 = 68% Tal índice corresponde a uma alíquota de 0,4 %, como pleiteada pela recorrente. I. '\.. " .. Processo TI.o 13134.000019/2001-71 Acórdão TI.o 303-34.166 CC03/C03 Fls. 88 Por outro lado, a base de cálculo, de acordo com o disposto no artigo 3° da Lei n° 8.847/94, é o Valor da Terra Nua, calculado multiplicando-se a área da propriedade pelo VTNm tabelado pela SRF, conforme efetuado no laudo à fi. 50. Portanto, não há que se falar, in casu, regido por aquela norma; no VTN tributável introduzido pelo inciso III do artigo 10 da Lei n° 9.9393/1996, utilizado no mesmo laudo para chegar ao imposto devido. Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a alíquota de 0,4% pleiteada pela contribuinte. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962355/2008-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/02/2001
PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2001 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-14T19:26:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-14T19:26:06Z; Last-Modified: 2014-07-14T19:26:06Z; dcterms:modified: 2014-07-14T19:26:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:28b2f95a-2676-43fb-a119-79bb4a6a34da; Last-Save-Date: 2014-07-14T19:26:06Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-14T19:26:06Z; meta:save-date: 2014-07-14T19:26:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-14T19:26:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-14T19:26:06Z; created: 2014-07-14T19:26:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2014-07-14T19:26:06Z; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-14T19:26:06Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 194 1 193 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962355/200845 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.561 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de setembro de 2012 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ARNO S/A (SUCEDIDA PELA EMPRESA GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2001 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório relativo à contribuição para o PIS, no valor de R$ 1.377,98, pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), e, por conseguinte, não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitar débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação, alegando que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidas pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Segundo ele, não foram poucas as saídas gratuitas a título de brindes ou amostras grátis no período do crédito almejado, conforme comprovaria o demonstrativo anexo à peça impugnativa, tendo incorrido em erro ao não retificar as declarações respectivas. Tal equívoco, ainda segundo o então Manifestante, não macularia o seu direito de obtenção dos créditos, que teriam sido facilmente apurados se a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida, nos termos propugnados pelo art. 24 da IN SRF n° 600/2005. Para o contribuinte, a emissão do despacho decisório da forma ocorrida violaria os princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Constituição Federal e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I, da Lei 9.784/1999. A decisão denegatória do pedido do Manifestante proferida pela DRJ Juiz de Fora/MG foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÁO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962355/200845 Acórdão n.º 3803003.561 S3TE03 Fl. 195 3 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que mesmo que o contribuinte tivesse retificado as declarações originalmente apresentadas, reduzindo o valor da contribuição, ainda assim, essa providência não teria sido suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados, conforme preceitua o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ainda segundo o julgador, a defesa apresentara apenas um demonstrativo e uma outra listagem intitulada "balancete", este destituído dos elementos mínimos exigidos (como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e número de registro no CRC), estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T.2.7, aprovada pela Resolução CFC n° 685/90, vigente à época do fato gerador. Consignou, ainda, o não acostamento aos autos dos documentos contábeis hábeis a comprovar a composição da base de cálculo da contribuição, como, por exemplo, Livro Razão, Livros de Registro de Entrada, Livros de Registros de Saída, ou Notas Fiscais, que evidenciassem o erro alegado. Quanto à afirmativa do contribuinte de que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal e diligenciado o estabelecimento, como determinaria o art. 24 da IN SRF n° 600/2005, salientou o relator que, ao contrário dessa alegação, a IN SRF nº 600/2005, em seu art. 24, não obriga, mas, sim, faculta à autoridade administrativa a determinação de diligência para verificar a exatidão das informações prestadas. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, reitera seu pedido de reconhecimento do seu direito creditório e de homologação da compensação e solicita a decretação de nulidade do despacho decisório, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentados os seguintes: a) a decisão recorrida não afirmou em nenhum momento que o crédito não existiria, tendo apenas alegado que ele não teria sido adequadamente comprovado, o que não se sustenta, bem como que a autoridade administrativa "poderia", mas não estava obrigada a realizar diligências para verificar a exatidão das informações prestadas pela Recorrente — diligências essas que, muito a propósito, não foram realizadas no caso concreto; b) nulidade do Despacho Decisório por ter se limitado a indeferir a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem mesmo o Recorrente ter sido intimado para apresentar os documentos comprobatórios dos créditos declarados ou determinado a realização de diligências em seu estabelecimento; c) o art. 4º da IN SRF nº 600/2005, ao estabelecer que a autoridade administrativa "pode" condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e realização de diligências, em nenhum momento deu poder à autoridade Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 administrativa para negar sumariamente o direito de crédito, sem realizar prévia investigação deste; d) os documentos apresentados na primeira instância e não acolhidos pela Delegacia de Julgamento, sob a alegação de não conter os elementos mínimos necessários, foram entregues juntamente com a Manifestação de Inconformidade, esta subscrita por representante legal da pessoa jurídica, atestando, implicitamente, a veracidade das informações ali contidas; e) “Não atribuir valor probatório aos documentos juntados à Manifestação de Inconformidade é partir do pressuposto de que a Recorrente os fraudou, com o objetivo de criar direito de crédito artificial, situação essa que não pode ser tolerada”. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos por ele identificados como (i) “demonstrativo de composição da base de cálculo”, (ii) balancetes idênticos aos anteriormente juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: o nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC”, (iii) “demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo, (...) com indicação de seus respectivos valores contábeis e Códigos Fiscais de Operação ("CFOP")” e (iv) Termo de Abertura, Termo de Encerramento e páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas”. Em 27 de setembro de 2011, o contribuinte protocolizou no CARF pedido de julgamento em conjunto de 78 processos versando sobre o mesmo objeto, qual seja, o direito a crédito da contribuição para o PIS e da Cofins decorrente da inclusão indevida na base de cálculo do valor das mercadorias saídas do estabelecimento a título gratuito. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto ao pedido de julgamento em conjunto de todos os 78 processos do Recorrente versando sobre o mesmo objeto, há que se registrar que as disposições regimentais que cuidam da distribuição e do sorteio de processos para julgamento no CARF não determinam providências nesse sentido, havendo previsão de sorteio de no máximo 15 processos por lote, condição essa que impossibilita o atendimento do pleito. I. Preliminar. Nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com Fl. 197DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962355/200845 Acórdão n.º 3803003.561 S3TE03 Fl. 196 5 base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente; pois, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, alegou que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidos pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Para comprovar os referidos valores dos brindes, o contribuinte trouxe aos autos, na fase de impugnação, um demonstrativo extremamente resumido, de uma folha, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 contendo valores globais de quatro contas, assim como uma relação por ele intitulada “balancete”, esta em duas folhas, contendo a identificação de algumas contas e colunas de débitos e créditos, elementos esses que foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instãncia, no meu entender corretamente, como insuficientes para comprovar o direito reclamado. Não trouxe o contribuinte aos autos a escrituração contábilfiscal, nem as notas fiscais, estas indispensáveis para se verificar a forma como as mercadorias tidas como brindes deram saída do estabelecimento. Em razão da total falta de prova, além da não entrega, ainda que após o despacho decisório, da DCTF retificadora, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. Devese ressaltar que demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao insinuar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962355/200845 Acórdão n.º 3803003.561 S3TE03 Fl. 197 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisidição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode ignorar que informação não suscitada na primeira instância administrativa, momento em que se instaura a fase litigiosa do PAF, vindo a ser demandada apenas na peça recursal, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento; precipuamente nos casos de pedidos de ressarcimento/restituição e de declarações de compensação, em que o interessado tem o dever de comprovar o direito pleiteado, sendo o procedimento administrativo da espécie inaugurado pelo próprio sujeito passivo, cabendolhe o ônus de comprovar sua alegação. A Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 3º, inciso III, estipula que o administrado tem direito de apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; contudo, tal dispositivo não se sobrepõe à regra do referido art. 16 do PAF, pois, conforme consta do art. 69 da Lei nº 9.784/1999, esta se aplica apenas subsidiariamente ao processos administrativos específicos regidos por lei própria. Nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, em que a Administração tributária exige do contribuinte determinado tributo e seus acréscimos legais, a ela – Administração tributária – cabe o ônus da prova, pois que o processo se inicia a partir de sua atuação, devendo, por conseguinte, o lançamento se encontrar embasado em elementos probatórios consistentes do descumprimento da obrigação tributária. Diferentemente dessa situação, temse o processo inaugurado por pedido do próprio interessado, pois aqui cabe a ele, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Conforme nos ensina José Antônio Savaris1, a exigência de um prazo previamente estabelecido para a apresentação de provas não afronta o direito de ampla defesa, pois a preclusão se afigura indispensável ao devido processo legal, configurandose a ampla defesa como direito vasto ou de grande extensão e não como um direito irrestringível. Não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da verdade material e da ampla defesa devem ser sopesados dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. “De acordo com Marcos Vinicius Neder, a concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo, como a proposição ilimitada de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento ou a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual, para a sua apresentação em momento posterior. A criação de 1 SAVARIS, José Antônio. O processo administrativo tributário e a Lei 9.784/99. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 94, p. 7997, julho 2003. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 regras de preclusão probatória, pois, decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo” 2. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 3 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos novos elementos que, segundo ele, não deixariam dúvidas quanto ao seu direito. Contudo, ainda que se abstraísse da preclusão consumativa, tais elementos não seriam suficientes para comprovar o indébito alegado. O denominado “demonstrativo de composição da base de cálculo” é o mesmo que havia sido apresentado na primeira instância, havendo nele informações que mais confundem do que esclarecem. Ali são identificados valores globais sob as seguintes rubricas: 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 65 e 205. In: BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012) 3 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962355/200845 Acórdão n.º 3803003.561 S3TE03 Fl. 198 9 “débito apurado”, “suspensão”, “pagamento”, “saídas grátis eletrodomésticos”, “saídas grátis assistência técnica”, “saídas grátis importados”, “saídas grátis diversas diversos”, “devoluções”, “total”, “valor apurado”, “correção” etc., sem haver qualquer explicitação quanto à origem de tais valores. No Recurso Voluntário, a relação que havia sido identificada como “balancete” na Manifestação de Inconformidade foi substituída por uma outra denominada “Relatório Notas Fiscais Saídas”, sendo relacionados vários números de notas fiscais, o estabelecimento emissor, a data de emissão, o CFOP, o valor contábil, o nº do livro e a página, sendo que as referidas notas fiscais não foram apresentadas nem mesmo por amostragem, ainda que apenas uma delas. Não se pode ignorar que tal documento (a nota fiscal) é imprescindível para se aferir a natureza da saída da mercadoria, precipuamente nos casos de saídas gratuitas. Se o contribuinte havia incluído as alegadas notas fiscais relativas a brindes no cômputo da receita bruta para fins de apuração da contribuição, é porque tais notas foram emitidas com um determinado valor, sem o qual inexistiria possibilidade de sua inserção no faturamento. Nessa situação, a apresentação da cópia da nota fiscal tornase condição sine qua non à comprovação pretendida, pois somente conhecendo o seu teor, pode se constatar a natureza e a extensão da operação. O mesmo se diga em relação ao livro Registro de Saídas, cuja cópia foi trazida aos autos juntamente com a peça recursal. Nele, além das informações constantes do relatório supra, há a indentificação dos débitos de IPI e de ICMS incidentes em cada operação, dados esses que nada acrescem à defesa do Recorrente, pois que, reafirmese, desacompanhados dos documentos a que fazem referência, quais sejam, as notas fiscais respectivas. Conforme preceitua o parágrafo único do art. 195 do Códito Tributário Nacional (CTN), evidenciando a necessidade de apresentação dos documentos fiscais que embasam os registros contábeis, “[os] livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente e, inexistindo prova material do direito pleiteado, não se vislumbra necessidade de se enfrentar o mérito, ou seja, as razões de direito alegadas, pois ainda que favoráveis à tese do interessado (não incidência da contribuição sobre brindes), quando desacompanhadas dos elementos Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 fáticos comprobatórios da ocorrência do evento, em nada favorecem a defesa da parte, dada a sua inocuidade. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962355/200845 Acórdão n.º 3803003.561 S3TE03 Fl. 199 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10880.962355/200845 Interessada: ARNO S/A (SUCEDIDA PELA EMPRESA GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA.) Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.561, de 27 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003606/2006-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.780
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Pará Pigmentos SA transmitiu, em 08/08/2006, Pedido de Ressarcimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 953.196,11, cumulado com Declaração de Compensação. A DRF/Belém deferiu parcialmente o ressarcimento em R$ 341.898,20 e homologou compensações até esse valor, tudo nos termos do Despacho Decisório de fls. 102. Sobreveio a Manifestação de Inconformidade de fls. 140 a 239, por meio da qual o requerente controverteu as seguintes questões: a) nulidade do Despacho Decisório por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal; b) inclusão das receitas financeiras no cômputo da Receita Operacional Bruta – ROB; c) direito de crédito dos gastos com óleo combustível, lubrificante e com serviços de terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento A 3ª Turma da DRJ/BEL julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, para autorizar o ressarcimento adicional de R$ 295.752,12, revertendo a glosa dos gastos com combustíveis e lubrificantes e autorizando a homologação de compensações até esse limite. O Acórdão nº 01023.065, de 28 de setembro de 2011, fls. 241 a 249, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizamse como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 295DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 380302.780 S3TE03 Fl. 295 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 254 a 292, após protesto de tempestividade e síntese da lide, devolve as seguintes questões: a) a argüição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Despacho Decisório, por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal; b) o direito ao crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa sobre os gastos com os insumos serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento. Requer provimento para o fim de homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 254 a 292 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ªTurma nº 01023.065, de 28 de setembro de 2011. Preliminar de nulidade A argüição não prosperará pelo só fato de não se constatar – e o recorrente não logrou demonstrar – qualquer comprometimento do direito de defesa. As eventuais incorreções existentes no Despacho Decisório de fl. 102 em nada dificultaram o exercício dessa garantia constitucional, que mostrouse pleno. Perguntome, ademais, que benefício adviria ao requerente a anulação do referido ato administrativo. Rejeito a preliminar. Creditamento dos gastos com insumos serviços de terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento Já está pacificado nesta 3ª Turma Especial o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é aquele deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, Fl. 296DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Serviços de levantamento topográfico, de terraplenagem e de sondagem do solo A ora recorrente é sociedade empresária, desenvolvendo processo produtivo de mineração integrada do caulim, composto por unidades de mina, planta de beneficiamento e porto, interligadas por um mineroduto. Nesse contexto, fazse necessária a lavra de grandes quantidades de minério cru, a matéria prima a ser beneficiada. A lavra do minério, extraído para a produção do caulim, compreende a supressão vegetal; remoção e salvamento do solo orgânico; decapeamento e disposição nos locais de descarte, escavação, carga e transporte do minério e alimentação do "blunger". Para a execução desses atos de lavra, a sociedade contrata serviços de levantamento topográfico, de terraplenagem e de sondagem do solo. Especificamente no que pertine às sondagens, segundo a prova constante dos autos, tratase de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matéria prima ao processo de produção e beneficiamento. Consta que o Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de quantidades comerciais do minério, fazendo se necessário o modelamento geológico com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra, os trabalho de sondagem não são paralisados e, a cada avanço da mina, um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio dos equipamentos de perfuração. Queda patente a subsunção desses itens no conceito de insumo esposado por este Colegiado. Tratase de serviços empregados no processo produtivo, guardando com ele relação de pertinência e essencialidade. Com base nessas considerações, revertamse as glosas dos créditos por gastos com esses insumos. Bombeamento Para dar escoamento à produção, empregase um sistema composto por bombas de deslocamento positivo, sala de controle operacional e mineroduto. O minério redisperso é transportado através de tubulação de aço carbono até a planta de beneficiamento, armazenagem e embarque dos produtos. O material a ser bombeado é estocado em tanques, que Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 380302.780 S3TE03 Fl. 296 5 alimentam as bombas de carga, necessárias para injetar, sob pressão, a polpa que alimentará as bombas de pistão. Da mesma forma, parece evidente que o bombeamento do produto redisperso, com vistas ao deslocamento do produto, é etapa inerente ao processo produtivo, e os gastos relacionados com esta específica atividade devem ser admitidos no cálculo do ressarcimento como insumo. Revertamse as glosas a esse título porventura procedidas no presente processo. Conclusões Pelo exposto, voto por que se admita o creditamento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa relacionados aos gastos com serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento, efetivamente comprovados nos autos. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Alexandre Kern Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10280.003606/200655 Interessada: PARÁ PIGMENTOS S A. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.780, de 24 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção. Brasília DF, em 24 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 299DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 380302.780 S3TE03 Fl. 297 7 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002703/2005-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO
CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
As variações cambiais ativas pertinentes a contrato de câmbio vinculado a exportação são receitas vinculadas ao ato de exportar, portanto, receitas decorrentes de exportação, conceito que se ajusta aos termos da não incidência constitucional, e, assim, não devem compor a base de cálculo da contribuição.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. DIREITO A CRÉDITO.
As despesas com estofamento de contêineres, cujo fim é preservar a qualidade do produto no transporte, gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO.
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMISSÕES SOBRE COMPRAS
INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO.
Gastos efetuados com combustíveis e lubrificantes em veículo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, e com o pagamento de comissões sobre as aquisições de couro, não configuram insumos na produção ou fabricação de bens, não sendo, por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. ESTOQUE DE ABERTURA
ADQUIRIDO DE PESSOA FÍSICA. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO
DE PROVAS. ÔNUS.
Cabe à interessada o ônus de apresentar comprovação no sentido de infirmar a glosa de créditos vinculados às despesas não comprovadas de estoque de abertura adquirido de pessoa física.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA
DE PREVISÃO LEGAL.
É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-002.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para 1) admitir as receitas de variação cambial no cômputo do montante da receita de exportação, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, e; 2) admitir o creditamento dos gastos com estofamento de contêineres, vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Vencidos, ainda, o Relator e o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues, ao admitirem também o creditamento das comissões pagas na aquisição de matérias-primas. Designado para a redação do voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. O Conselheiro Alexandre Kern, fez declaração de voto.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. As variações cambiais ativas pertinentes a contrato de câmbio vinculado a exportação são receitas vinculadas ao ato de exportar, portanto, receitas decorrentes de exportação, conceito que se ajusta aos termos da não incidência constitucional, e, assim, não devem compor a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. DIREITO A CRÉDITO. As despesas com estofamento de contêineres, cujo fim é preservar a qualidade do produto no transporte, gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMISSÕES SOBRE COMPRAS INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. Gastos efetuados com combustíveis e lubrificantes em veículo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, e com o pagamento de comissões sobre as aquisições de couro, não configuram insumos na produção ou fabricação de bens, não sendo, por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. ESTOQUE DE ABERTURA ADQUIRIDO DE PESSOA FÍSICA. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. ÔNUS. Cabe à interessada o ônus de apresentar comprovação no sentido de infirmar a glosa de créditos vinculados às despesas não comprovadas de estoque de abertura adquirido de pessoa física. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para 1) admitir as receitas de variação cambial no cômputo do montante da receita de exportação, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, e; 2) admitir o creditamento dos gastos com estofamento de contêineres, vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Vencidos, ainda, o Relator e o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues, ao admitirem também o creditamento das comissões pagas na aquisição de matérias-primas. Designado para a redação do voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. O Conselheiro Alexandre Kern, fez declaração de voto.
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VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. As variações cambiais ativas pertinentes a contrato de câmbio vinculado a exportação são receitas vinculadas ao ato de exportar, portanto, receitas decorrentes de exportação, conceito que se ajusta aos termos da não incidência constitucional, e, assim, não devem compor a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. DIREITO A CRÉDITO. As despesas com estofamento de contêineres, cujo fim é preservar a qualidade do produto no transporte, gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMISSÕES SOBRE COMPRAS INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. Gastos efetuados com combustíveis e lubrificantes em veículo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, e com o pagamento de comissões sobre as aquisições de couro, não configuram insumos na produção ou fabricação de bens, não sendo, por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. ESTOQUE DE ABERTURA ADQUIRIDO DE PESSOA FÍSICA. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. ÔNUS. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Cabe à interessada o ônus de apresentar comprovação no sentido de infirmar a glosa de créditos vinculados às despesas não comprovadas de estoque de abertura adquirido de pessoa física. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para 1) admitir as receitas de variação cambial no cômputo do montante da receita de exportação, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, e; 2) admitir o creditamento dos gastos com estofamento de contêineres, vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Vencidos, ainda, o Relator e o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues, ao admitirem também o creditamento das comissões pagas na aquisição de matériasprimas. Designado para a redação do voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. O Conselheiro Alexandre Kern, fez declaração de voto. (Assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (Assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, e Jorge Victor Rodrigues Relatório VANCOROS COMÉRCIO DE COUROS LTDA pleiteou o ressarcimento COFINS, com fulcro no art. 3° da Lei n° 10.833/2003, conforme se verifica na fl. 01, em função das operações da interessada com o mercado externo e relativos ao 2° trimestre do ano de 2005, no valor de R$199.203,19. Nesse mesmo pedido de ressarcimento, informa ter utilizado parte de seus créditos em compensações com outros tributos, no valor de R$ 131.123,05 somando créditos no valor de R$ 330.326,24. Em razão da utilização do referido crédito, apresentou as DCOMPs com o objetivo de promover a compensação de débitos de Imposto sobre a Exportação. A Recorrente possui como objeto social o comércio de couros, peles, prestação de serviços de salga de couros, importação e comércio de produtos químicos etc,. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10930.002703/200548 Acórdão n.º 380302.688 S3TE03 Fl. 411 3 O Despacho Decisório anexo na fl. 184 acolheu as conclusões da Delegacia da Receita Federal de Londrina, contida nos autos as fls. 179 a 184, uma vez que concluiu estar equivocado o posicionamento do contribuinte, quando este deixa de oferecer à tributação receitas brutas de exportação e de operações no mercado interno. Denotase ainda que o Despacho Decisório deixou de homologar créditos correspondentes a valores que entendeu não se enquadrarem no conceito de insumo, ou seja, despesas provenientes de comissão para a compra e comercialização de couros bovinos, estufamento de contêineres, despesas com combustível e crédito presumido referente a estoque de abertura adquiridos de pessoas físicas. Cumpre informar ainda ter sido indeferido a aplicação de juros compensatórios. As fl. 385 a 391 sobreveio a Manifestação de Inconformidade, por intermédio da qual o contribuinte assevera: A Fazenda Nacional considerou que integra a base de cálculo da COFINS as receitas de variação cambial ativa, ainda que estas sejam decorrentes de operação de exportação e conseqüentemente entendeu que as receitas financeiras não compõem a receita de exportação. E caso não se admita que as receitas financeiras decorrentes de variação cambial ativa, integrem o conceito de receita de exportação, então que as mesmas sejam consideradas para efeito de ressarcimento por decorrer de custos e despesas relacionados às vendas efetuadas com alíquota zero, por força do Decreto n.º 5.164/2004. Insurgese ainda contra as glosas realizadas e tece comentários a respeito da impropriedade do Despacho Decisório. Às fls. 394/408 foi exarada Decisão n.º 0620.1153ª Turma da DRJ/CTA em 26.11.2008, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DISTINÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com comissões na compra de matériaprima, bem como despesas com "estufagem de Fl. 491DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 containeres , sendo que esta última não se enquadra no conceito de despesas de armazenagem previsto no art. 3, IX, da Lei n.° 10.833, de 2003, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 10.865, de 2004. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. Gastos efetuados com combustíveis e lubrificantes em veículo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, não configuram insumos na produção ou fabricação de bens, não sendo por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. ESTOQUE DE ABERTURA ADQUIRIDO DE PESSOA FÍSICA. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. ÔNUS. Cabe à interessada o ônus de apresentar comprovação no sentido de infirmar a glosa de créditos vinculados às despesas não comprovadas o estoque de abertura adquirido de pessoa física. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. Conforme se depreende, a DRJ de Curitiba ratificou na íntegra o entendimento manifestado no despacho decisório, anexo fl. 183, e confirmou a incidência da COFINS sobre as receitas de variação cambial ativa, com fundamento no art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 e na Solução de Consulta SRRF/9º RF/DISIT n° 355/2004, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, e assim, fixou a premissa de que a referida lei determina que a base de cálculo da contribuição é a receita bruta auferida pela empresa. A decisão de primeira instância, negou ainda o direto aos créditos em relação as despesas já descritas anteriormente, pois firmou o entendimento de que o conceito de insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas apenas, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 415/422 no tocante à parcela não reconhecida do direito creditório e atacou ponto a ponto, com exceção das glosas referentes aos créditos de estoque de abertura. 1 Inclusão de Receitas não Consideradas pelo Recorrente Discorda do entendimento fazendário de que estaria correta a inclusão da variação cambial ativa no critério de proporcionalidade para verificação do percentual relativo às receitas de exportação em relação à sua receita bruta total, nos termos do art. 3.º, inciso II da Lei n.º 10.833/2003. Segundo o Recorrente, é absolutamente indevida a classificação da receita Fl. 492DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10930.002703/200548 Acórdão n.º 380302.688 S3TE03 Fl. 412 5 de variação cambial como receita financeira, uma vez que aquele é decorrente da operação de exportação. Nesta linha de raciocínio, requer que seja deferida a inclusão nas receitas de exportação das receitas financeiras resultante de variação cambial ativa, sob a justificativa de que estas receitas são encargos diretamente relacionados às receitas de exportação. Cita doutrina de José Antônio Minatel, o qual aponta no sentido de que a variação cambial ativa serve como base de cálculo para o Imposto de Renda e para a CSLL, mas não para a COFINS que possui imunidade em razão da exportação. Requer ainda que as receitas decorrentes de juros recebidos, descontos obtidos e rendas sobre aplicações financeiras fiquem fora do campo de incidência da PIS/COFINS, em razão de que estas receitas são custos de exportação e por isso a decisão a quo deve ser reformada. 2 – Comissões pagas em função da compra de couro Alega que a glosa de créditos correspondentes a custos e despesas está totalmente equivocada, seja em relação à exclusão dos créditos atinentes a comissões pagas em razão da compra do couro, que é um insumo para a sua atividade, seja em relação as despesas com combustível, ainda mais porque este é utilizado em seus caminhões que transportam o couro até a indústria. Na verdade em relação a este aspecto, o contribuinte faz uma análise abrangente do conceito de processo produtivo, justamente com o objetivo de obter os créditos em relação a despesas por ele suportadas durante a produção do seu produto final. 3 – Despesas de Exportação Em relação as glosas que recaíram sobre despesas de exportação, verificase a pretensão do contribuinte em se beneficiar do crédito previsto no art. 3º, inciso IX da Lei n.º 10.833/2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Argumenta o contribuinte que os serviços de "estufamento de containeres" estão relacionados intrinsecamente com o armazenamento de mercadorias, pois somente assim é possível acondicionar adequadamente seus produtos, razão pela qual se trata de um custo relacionado ao processo de produção. 4 – Despesas com Combustível Reclama também os créditos em razão dos gastos com combustível, por entender que estas despesas decorrem da utilização do caminhão que transporta as matérias primas até a indústria. Destaca que o inciso II, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, reza que é possível o creditamento em relação ao custo de bens e serviços, utilizados como insumo na Fl. 493DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN 6 prestação de serviços e na e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Por fim, com fulcro no Recurso n.º 31.665 da Terceira Câmara e julgado em 21/02/2006, requer ainda a atualização monetária, a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC. Cumpre novamente ressaltar que o Recorrente não pleiteou em seu Recurso Voluntário, créditos referentes a estoque de abertura, embora tenha o solicitado em sua Manifestação de Inconformidade. Voto Vencido Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário e tempestivo e por isso deve ser analisado. Inicialmente quero crer que deva ser afastada a pretensão da Fazenda que pretende ver incluído no campo de incidência da COFINS, valores relativos à variação cambial, pois considero que agiu bem a Recorrente quando não considerou estas receitas na composição da sua receita bruta, já que estes créditos são provenientes de receitas relacionadas a exportação. Data vênia, entendimento contrário, penso que realmente o contribuinte tem razão, pois as receitas decorrentes da variação cambial ativa, juros recebidos, descontos obtidos e rendas sobre aplicações financeiras não devem compor a receita bruta para fins de cálculo da contribuição. Em outras palavras, a variação cambial apurada no período compreendido entre a emissão da Nota Fiscal de saída do produto para exportação e o fechamento do câmbio não compõe a receita de exportação, conforme posicionamento do Superior Tribunal de Justiça a respeito do tema externada no AGRG no RESP 1104269RS, RESP 1059041RS, RESP 1004430SC, RESP 1124537SP e no AGRG NO RESP 828815MG, bem como no julgado que segue abaixo. REsp 982870 / PE Ministra Eliana Calmon Julgamento 02.09.2010 – Segunda Turma EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL COFINS PIS VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA NÃOINCIDÊNCIA MANDADO DE SEGURANÇA DECLARAÇÃO DE COMPENSABILIDADE DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS SÚMULA 213/STJ – TAXA SELIC INCIDÊNCIA A PARTIR DOS PAGAMENTOS INDEVIDOS – SUFICIÊNCIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1. (...) 2. (...) 3. Incide a Taxa Selic, como correção monetária e juros de mora, desde o pagamento indevido. Precedentes. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10930.002703/200548 Acórdão n.º 380302.688 S3TE03 Fl. 413 7 4. Segundo a jurisprudência desta Corte, a receita decorrente da variação cambial positiva relativa às operações de exportação não se sujeitam à tributação pelo PIS e pela COFINS. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. 6. Recurso especial do contribuinte provido. O outro ponto controvertido diz respeito do conceito de insumo. A decisão de primeiro grau manifestou entendimento de que não geram créditos as despesas com comissões pagas em razão da compra de couro, muito menos as despesas com transporte e estufamento de contêineres, despesas com combustível e crédito presumido referente a estoque de abertura adquiridos de pessoas físicas. Em relação as despesas com combustíveis e lubrificantes o Fisco afirmou que estes são utilizados em veículos próprios da empresa no transporte da matériaprima couro in natura entre seus estabelecimentos, não são matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem que sofram alteração em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou seja, os produtos advindos do processo produtivo da interessada não têm o combustível ou lubrificante como insumo para a sua fabricação. Deste modo, retirase que a decisão a quo adotou o conceito de insumo a partir do que dispõe a IN n.º 404/2004. Entretanto, tenho como verdade de que a citada instrução normativa não oferece a melhor interpretação ao art. 3º da Lei n.º 10.833/2003. Instrução Normativa n.º 404/2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Assim, analisando a redação da citada instrução normativa, fica a impressão de que esta se utiliza da legislação do IPI para construir o conceito de insumo para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos. Todavia, salvo engano, mostrase inadequado comparar materialidades distintas como ocorre entre o IPI, cujo critério material é a industrialização, com critério material da COFINS que é o auferimento de receita. Deste modo, creio que o conceito restrito de insumo não se concilia com a base econômica do PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN 8 produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção da receita com o produto ou serviço. Há quem defenda que o conceito de insumo aplicável ao PIS e COFINS deva ser o mesmo utilizado para o imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Aqueles que defendem esta tese argumentam no sentido de que o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ, bem como o de despesas operacionais, é bem mais próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS não cumulativos do que o conceito previsto na legislação do IPI. Por outro enfoque, o conceito amplo e irrestrito de insumo também não parecer ser a melhor interpretação da legislação, pois este visa incluir toda e qualquer despesa da empresa na obtenção do crédito da COFINS, ainda que totalmente desapegada de seu processo produtivo. Em outras palavras, compreendo que o conceito de insumos mais adequado é aquele em que se aceita como créditos as despesas relacionadas inseparavelmente aos elementos produtivos que proporcionam a existência do produto ou serviço, ou seja, um conceito intermediário entre aquele adotado para o IR e o IPI. Nesta ótica, entendo que as despesas com comissões pagas em razão da compra de couro estão relacionadas ao processo produtivo da empresa e por isso devem gerar direito ao crédito, ainda que estes serviços não tenham sido prestados diretamente sobre o produto fabricado pelo Recorrente, mas se mostrou necessário para a aquisição da matéria prima. Ora, serviços de representação comercial resultaram no pagamento de comissões para a aquisição de couro bovino, que por sua vez é utilizado como insumo da produção. Assim, ao meu sentir, estas despesas mostramse necessárias para o cumprimento do objeto social da Recorrente que comercializa produtos de couro e por isso e legitima a concessão do credito, pois sem o couro não há matériaprima. Ainda deve ser reconhecido o direito aos créditos em relação aos valores de estufamento de contêineres pagas a empresa Fortesolo, conforme DACON anexo às fls. 70, 72 e 74, pois configura despesa relacionada com armazenagem visando a exportação, nos termos do art. 3°, IX da Lei n° 10.833/2003, bem como deve ficar foram do campo de incidência da COFINS valores relativos à variação cambial, uma vez que não compõe a receita bruta. No entanto, no tocante as despesas com lubrificantes e combustíveis, entendo que não assiste direito ao contribuinte, pois a partir da análise das notas fiscais de aquisição destas mercadorias não e possível afirmar que foram consumidos exclusivamente no transporte de matériaprima. Por fim, não cabe a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10930.002703/200548 Acórdão n.º 380302.688 S3TE03 Fl. 414 9 Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa O presente voto vencedor é parcial, e focaliza o creditamento de Despesas com Comissões nas aquisições de couro efetuadas pela contribuinte, glosadas pela Autoridade Administrativa em despacho decisório mantido pelo Colegiado a quo, glosas essas desconstituídas pelo voto do d. Relator ao dar provimento ao recurso voluntário neste quesito. Dissentiu do entendimento a maioria deste Colégio, assentando que essas despesas não integram o preço dessas matériasprimas, não são despesas com serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação dos produtos pela empresa e destinados à venda, como não o seriam se direcionadas ao pagamento de salários do departamento de compras da empresa, a que equivale. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso neste tópico. Sala de sessões, em 22 de março de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern A tese de que as variações cambiais estão abrangidas pela imunidade tributária porque se equiparariam a receitas de exportação não pode prosperar. Tanto do ponto de vista contábil como fiscal as variações monetárias recebem tratamento distinto das receitas de vendas de mercadorias, sejam elas destinadas ao exterior ou não. O auferimento da receita decorrente da variação cambial não deriva da operação de exportação em si, mas do incremento patrimonial causado pela desvalorização da moeda nacional em relação à estrangeira. tratase, em última análise, de um verdadeiro ganho de capital originado da valorização de um ativo da empresa As variações monetárias dos direitos de crédito, em função da taxa de câmbio ou de outros índices ou coeficientes legais ou contratuais têm natureza de receita financeira, na data da liquidação do contrato e, como tal, são receitas sujeitas à tributação da Contribuição não cumulativa. Não são receitas de exportação e nem a elas se equiparam. A Lei nº 6.404, de 1976, discrimina, em seu art. 187, a forma conto deve ser apurado o resultado do exercício. Desse dispositivo, destacase: Art. 187 — A demonstração do resultado do exercício discriminará: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN 10 I — a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, Os abatimentos e os impostos; II — a receita líquida das vendas e serviços, custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III — as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; (...) Comentando esse dispositivo, mais especificamente seu inciso I. o FIPECAPI (Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável também às demais sociedades. 4ª ed. rev. e atual. — São Paulo: Atlas. 1994, pg.85) aconselha a segregação entre as contas de vendas de produtos e serviços no mercado interno e externo, e acrescenta, mais adiante, que o momento do reconhecimento dessas receitas deve ser o do fornecimento de bens. As despesas e receitas ,financeiras, como se pode observar no inciso III do art. 187, são dissociadas das operações mercantis (vendas no mercado interno ou externo) que geraram os direitos e obrigações passíveis desses ajustes. E essa distinção se justifica tendo em vista que a operação de compra e venda se esgota no fornecimento do produto e no recebimento do preço. A repercussão .financeira decorrente de pactuações efetuadas sobre a forma de pagamento constitui capítulo à parte, pois que a operação de compra e venda já se reputa perfeita e acabada. O que remanesce, nesse caso, é um direito de crédito que substitui o pagamento à vista, e esse direito está sujeito a oscilações em virtude de contrato, da lei ou, até mesmo, de eventos externos, tais como as variações na taxa de câmbio. Abstraindose, contudo, de qualquer valoração a respeito da correção ou incorreção das razões que lhe deram origem, o certo é que essa segregação encontrase consagrada pela legislação comercial e fiscal. Resulta disso que, quando a norma faz referência à 'receita decorrente de exportação', está a limitar o beneficio que institui à receita relativa ao ato de exportar, com a qual não se confundem as 'receitas financeiras'. O que a norma constitucional pretende estimular é sem dúvida, a operação de venda de mercadorias e serviços para o exterior. A maneira como o contribuinte utiliza o direito de crédito que lhe cabe após essa operação, e os resultados decorrentes desse emprego, são questões alheias ao beneficio em questão. Dessa forma, se fosse realmente intenção do legislador constitucional contemplar as receitas decorrente de ajustes em obrigações e direitos de crédito que tiveram como origem operações de exportação com o mesmo beneficio concedido às receiteis dessa índole, faloía expressamente, o que não ocorreu. Nesse sentido, o Acórdão nº 330200.643, de 27 de outubro de 2012, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, assim ementado (grifo na transcrição): ASSUNTO: C0NTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 VENDAS COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. COM PROVAÇÃO. Consideramse isentas da Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10930.002703/200548 Acórdão n.º 380302.688 S3TE03 Fl. 415 11 alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CONTRATO EM MOEDA ESTRANGEIRA., VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA RECEITA FINANCEIRA. INCLUSÃO NA BASE. DE. CÁLCULO DA COFINS Por determinação legal (Lei n° 10.833/2003), e para fins de apuração da Cofins, considerase receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato ou, mensalmente, na hipótese da opção a que se refere o § 1º, do artigo 30 da MP nº 1.85810/99 (MP nº.15835, de 2001). NÃOCUMULAT1VIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS, Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade da Cofins, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. RECEITA VENDA DE SUCATA, MERCADORIA. Mercadorias são as coisas móveis objeto do comércio. Sucata é mercadoria e sua venda constitui faturamento da empresa vendedora, base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado Tratandose de receitas financeiras, as receitas decorrentes da variação cambial ativa devem compor a receita bruta total, para fins de determinação dos percentuais de participação das receitas de exportação c das receitas relativas ao mercado interno. Com relação às glosas dos créditos por serviços de estufamento de containeres e por despesas de comissões pagas nas aquisições de matériasprimas, devem ser mantidas, já que tais itens não guardam qualquer pertinência nem são essenciais aos processo produtivo. É que, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, plasmada no REsp 1.246.317 (Min. Mauro Campbell Marques), os créditos de contribuições sociais não cumulativas por aquisições insumos somente podem ser calculados em relação àqueles bens e serviços que guardem relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo, caracterizadas, respectivamente, pela utilização, direta ou indireta, do bem ou serviço, e pela dependência do processo produtivo dessa utilização, a ponto de, subtraído o insumo, obstaculizarse a atividade ou provocarlhe substancial perda de qualidade. O ora recorrente tem como objetivo social a industrialização e comercialização nos mercados interno e externo de couros bovinos WetBlue curtidos ao cromo, de couros semiacabados (recurtidos) tingidos, de raspas curtidas em Wet Blue e raspas semiacabadas (recurtidas) tingidas. Ora, pareceme evidente, os gastos pelos serviços de estufamento de contêineres não guardam a relação de essencialidade requerida pela jurisprudência acima citada. Podese suprimir tal serviço, sem qualquer comprometimento da atividade da sociedade empresária. As comissões pagas na aquisição de matériasprimas, a seu turno, sequer são pertinentes à atividade, muito menos essenciais. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Friso que os requisitos para o creditamento estão corroborados também pela jurisprudência da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a teor o Acórdão nº 9303 01.740, de 09 de novembro de 2011 (Rel. Conselheira Nanci Gama), cuja ementa teve a seguinte redação: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. É como voto nestas matérias. Sala das Sessões, em 22 de março de 2012 Alexandre Kern Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10930.002703/200548 Acórdão n.º 380302.688 S3TE03 Fl. 416 13 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10930.002703/200548 Interessada: VANCOUROS COMÉRCIO DE COUROS LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.688, de 22 de março de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção. Brasília DF, em 22 de março de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 10/04/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11853.000726/2007-11
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 2003
Ementa:SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO
TRIBUTARIA. Restando incomprovada nos autos a alienação
do imóvel e sua conseqüente transferência de propriedade ao
abrigo da legislação em vigor, deve o reclamante figurar como
sujeito passivo da obrigação tributária.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 392-00.072
Decisão: ACORDAM os membros da segunda turma especial do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque que fará declaração de voto.
Matéria: ITR - Multa por atraso na entrega da Declaração
Nome do relator: MARIA DE FATIMA OLIVEIRA SILVA
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Restando incomprovada nos autos a alienação do imóvel e sua conseqüente transferência de propriedade ao abrigo da legislação em vigor, deve o reclamante figurar como sujeito passivo da obrigação tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda turma especial do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque que fará declaração de voto. .4 Ot/L- CArk JUDITH 'DO. AMARAL MARCONDES ARMANDO - Presidente MARIA DE FAT' OLIVEIRA SILVA - Relatora Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Por conter elementos indispensáveis à compreensão dos fatos e dos fundamentos de que cuida o presente litígio, adoto o relatório constante da decisão "a quo", que ora se transcreve: "Este processo de representação foi formulado (as fls.01), para tratar da impugnação da MAED/2003, referente ao NIRF 1.090.040-3(as fls. 07), formalizada inicialmente através do processo n° 10166.011350/2005-85. No que diz respeito a esse N1RF, verifica-se que foi emitido o auto de infração eletrônico, doc./cópia de fls. 07, intimando o requerente a recolher o crédito tributário de R$ 50,00, a titulo de multa por atraso na entrega da declaração (DIAC/DL4T) do exercício de 2003, incidente sobre o imóvel rural denominado "Chácara Recanto Maranatha I, n° 264", localizada em Brasilia-DF. Cientificado do lançamento, o contribuinte interessado postou, em 24/08/2005 (envelope de Ils. 08), a impugnação de fl. 03. Em síntese, alega que efetuou a venda de 03 (três) glebas de terras (Chácaras n"s 265, 263 e 264 do loteamento Quintas do Vale Verde), ao Sr. Cláudio Luiz de Souza (CPF 553.825.841-68), em 11/05/1999, conforme "Recibo de Venda de Imóveis" e instrumento de Procuração Pública, em anexos." O Acórdão DRJ/BSB/DF no 03-22.591 (fls.26/29) indeferiu o pleito do contribuinte, resumindo seu entendimento nos termos constantes da ementa abaixo: "DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGACA -0 TRIBUTARIA" Não comprovado nos autos, que o requerente não era, à época do fato gerador do ITR/2003, proprietário do imóvel rural objeto da multa exigida nos autos, cabe manter os lançamentos realizados em seu nome . A procuração, mesmo que em causa própria, não constitui espécie de titulo translativo da propriedade de bens imóveis." Ciente da Decisão em 09 /11/2007 (AR. fl. 34), o Interessado protocolizou em 26 de novembro do mesmo ano, Recurso Voluntário a este Colegiado (fl. 41), instruindo os autos com os documentos de fls. 42 /53, alegando: 1.o recurso foi negado, tendo sido acolhido o voto do relator de manter o lançamento da multa, alegando que os documentos apresentados, Recibo de Venda dos Imóveis e Procuração não constituem documento legal para comprovar a venda do imóvel; 2.a chácara em questão foi vendida por R$3.333,33, (o recibo de venda de R$10.000,00 se refere a três ch6caras), não estaria, segundo o art. 108, do Código Civil, obrigado a efetuar a transação através de Escritura Pública de Compra e Venda, uma vez que à época da venda, 15 de maio de 1998, o valor de 30 salários mínimos (R$130,00) correspondia a R$ 3.900,00; 2 Processo n° 11853.000726/2007-11 Acórdão n.° 392-00.072 CC03/T92 Fls. 58 Requer seja acolhida a impugnação feita em 12/08/2005 à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, cuja cópia anexou, à aplicação da multa por atraso na entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural 2003 incidente sobre o lote 264, constante do Auto de Infração 12/0110100/79814. Os autos foram distribuídos por sorteio a esta Conselheira, constando sua numeração até à fl. 56 (última folha). o relatório. Voto Conselheira MARIA DE FÁTIMA OLIVEIRA SILVA, Relatora 0 recurso é tempestivo, cuida de questão atinente à competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento passando a analisá-lo. Versam os autos sobre a autuação sofrida pelo ora Recorrente face a multa pelo atraso na entrega da Declaração do ITR — DIAC/DIAT, relativa ao exercício de 2003, incidente sobre o lote 264 do loteamento Quintas do Vale Verde II. Alega o contribuinte, em sua defesa, que a chácara em questão foi vendida por R$3.333,33 (o recibo de venda de R$10.000,00 se refere a três chácaras), que segundo o art. 108 do Código Civil, não estaria obrigado a efetuar a transação através de Escritura Pública de Compra e Venda, uma vez que, época da venda, 15 de maio de 1998, o valor de 30 salários mínimos (130,00) correspondia a R$ 3.900,00. Analisando os autos e confrontando os argumentos expostos pela decisão a quo e pelo recorrente, infere-se que o cerne para o deslinde da questão consiste no discernimento sobre a transferência do imóvel em questão, a par da documentação presentemente questionada, e legislação de regência, e, conseqüentemente, à identificação do sujeito passivo da referida obrigação tributária acessória. Dispõe o art. 122 do Código Tributário Nacional — CTN: "Art. 122.Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada as prestações que constituam o seu objeto." Por outro lado, a Lei n° 9.393/96, no bojo de seu art. 8°, determina o responsável pela entrega da Declaração do ITR, e, em seu art. 9°, trata da responsabilização do contribuinte pela multa por atraso na entrega da Declaração: "Art. 8° 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR — DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal." "Art. 9° A entrega da DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7; sem prejuízo da multa e dos A 3 juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota." Dos dispositivos legais acima há que se concluir ser de responsabilidade do titular da obrigação tributária principal o cumprimento da obrigação tributária acessória. Pelos documentos juntados aos autos, As folhas 04/06, verifica-se que em data de 11 de maio de 1998, através de Recibo de Venda de Imóveis o Sr.Luiz Roberto Parente Lins vende ao Sr. Cláudio Luiz de Souza imóvel objeto da presente lide, e através de Instrumento Público, confere amplos poderes em relação ao imóvel em questão, não anexando, no entanto, o Titulo de Propriedade do Imóvel, em nome do Sr. Cláudio Luiz de Souza, a par do art. 530 e 531 do Código Civil vigente Aquela data. Art. 530 do Código Civil—Lei n°3.071, de I" de janeiro de 1916: "Art. 530. adquire-se a propriedade I — pela transcrição do titulo de transferência do titulo de transferência no Registro do Imóvel." Por outro lado o art. 531, do mesmo diploma legal, ainda sobre a matéria reza: "Estão sujeitos a transcrição, no respectivo Registro, os títulos translativos da propriedade imóvel, por ato entre vivos". E o art. 676, ainda do mesmo ato legal, in litteris: "Art. 676. Os direitos reais sobre imóveis constituídos ou transmitidos por atos entre vivos só se adquirem depois da transcrição, ou de inscrição, no Registro de Imóveis, dos referidos títulos (..), salvo os casos expressos neste Código." Ora, os procedimentos legais a serem adotados, legitimando a propalada alienação do imóvel em questão não restou comprovado no presente trabalho. Observe o Decreto-Lei 4.657, de 4 de setembro de 1942 - Lei de Introdução ao Código Civil, art. 6°, caput e § 1°, expressamente: "Art. 6°. A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, § 1° Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou." Não há que se dizer, que na presente situação, cuidamos de um ato jurídico perfeito, pois ao desabrigo da legalidade da lei de então (Lei 3.071, de 1 de janeiro de 1916). No presente momento, o recorrente, traz a baila disposição constante do art. 108 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil 2002), que entrou em vigor em 11 de janeiro do mesmo ano, trazendo a seu favor a exigibilidade da escritura pública dever-se, nos negócios de que ora se trata, de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no Pais. Procedendo-se A. análise do alegado, esta não o socorre, porquanto, em assim al sendo, o bem alienado em 11/05/1998, não transferida a propriedade pela Lei vigente A époc 4 Processo n° 11853.000726/2007-11 Acórdão n.° 392-00.072 CC03/T92 Fls. 59 da transação, importa a necessidade de se atualizar o valor do bem em apreço ao valor de mercado aos dias atuais, confrontando-se ao vigente valor do salário mínimo. Inobstante a presente situação, carece seja definido a quem cabe a responsabilidade tributária. O Código Tributário Nacional — CTN, em seu art. 31, dispõe: "Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer titulo." A par da controvérsia suscitada, a Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, em seu art. 6°, caput e § 1°, III, trata a matéria da seguinte maneira: "Art. 6° 0 contribuinte ou o seu sucessor comunicará ao órgão local da Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR — DIA C, as informações cadastrais correspondentes a cada imóvel, bem como qualquer alteração ocorrida, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. I" È obrigatória, no prazo de sessenta dias, contado de sua ocorrência, a comunicação das seguintes alterações: III — transmissão, por alienação da propriedade ou dos direitos a ela inerentes, a qualquer titulo." Consulta efetuada ao sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil (fls. 11 e seguintes) reconhece o requerente como proprietário e conseqüente contribuinte do imposto, no que concerne ao bem em questão. Entenda-se que, em não efetivando comunicado determinado pela norma retro citada, através do DIAC, de forma a atualizar o cadastro no sistema eletrônico da Receita Federal, não há como se entender pela autenticidade da alienação posta em cheque na querela que ora se analisa, pois, como se depreende dos documentos constante dos autos, apesar, de como alega o recorrente, alienou o bem em maio de 1998, as declarações apresentadas anteriores e posteriores dão conta de que foram apresentadas em nome do ora recorrente. Ademais, ressalta-se, por imperiosa necessidade, que a informação prestada A. fl. 03 dos autos, no sentido de que "Reforçado a veracidade da venda, anexo, também, cópia do instrumento de Procuração Publica passado em nome do comprador para que ele transferisse a propriedade dos lotes, assim como os demais registros necessários, quando fosse de sua conveniência." (grifamos), não pode, referido acordo verbal entre as parte, se sobrepor aos ditames legais pátrios. In fine, registre-se o teor do art. 60 do Decreto 70.235/72: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirenz na solução do litigio." 5 Por todo o exposto, tendo sido identificado o recorrente como sujeito passivo da obrigação tributária e descumprido as disposições legais pertinentes ao prazo para a entrega da Declaração do ITR/1998, cabível é a exigência da multa ora questionada, e, portanto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de novembro de 2008 MARIA DE FATIWILIV SILVA 6
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Numero do processo: 11330.000972/2007-63
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2003
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-008.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
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GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2803-003.756, proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, em 9 de setembro de 2014, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 572: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 09 72 /2 00 7- 63 Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.866 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11330.000972/2007-63 MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 610 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 622 e seguintes, para rediscutir a aplicação da multa prevista no art. 32-A da Lei 8.212/91. Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada); b) com o advento da MP 449/2008, instituiu‑se uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32‑A e artigo 35‑A, ambos da Lei 8.212/91; c) o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32‑A, com a multa reduzida; d) o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto/contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); e) a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32‑A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão‑somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; f) toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35‑A da Lei 8.212/91; g) de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35‑A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96); h) a NFLD e o auto de infração de obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35‑A da MP 449. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, como se observa das fls. 634 e seguintes: a) os lançamentos de obrigação acessória e principal constam de processos distintos. Assim, tal situação fática não a argumentação fazendária no sentido de que seria aplicável à hipótese o art. 35-A da Lei nº 8.212/1991, para fins de aplicação cumulativa da multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, decorrente do não recolhimento ou pagamento a menor da obrigação principal; além da multa formal prevista no art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, aplicada por descumprimento da obrigação acessória relacionada à falta de declaração ou declaração inexata em GFIP; b) as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito nºs. 37.059.581-5 e 37. 059.582-3 contemplaram a exigência das contribuições previdenciárias e respectivos consectários Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.866 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11330.000972/2007-63 legais, motivo pelo qual a pretensa aplicação da multa de ofício capitulada no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 implicaria em verdade bis in idem; c) o entendimento esposado no Recurso Especial da União, quanto à suposta aplicação do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, citado no art. 35-A da Lei n° 8.212/91, implica em retroatividade prejudicial ao sujeito passivo; d) resta claro que a penalidade prevista no art. 32-A da Lei n° 8.212/91 aplica-se aos casos em que o contribuinte deixou de apresentar a GFIP e/ou entregou a respectiva declaração com omissões ou com incorreções, a despeito der ter recolhido integralmente as contribuições previdenciárias devidas; e) por outro lado, a multa de ofício do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no art. 35-A da Lei n° 8.212/91) incide em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicando-se apenas ao valor que não foi declarado e nem pago; f) deve ser mantido o acórdão recorrido nos pontos atacados, em especial, confirmar a substituição da penalidade pecuniária aplicada segundo os parâmetros estabelecidos pelo art. 32-A da Lei nº 8.212/91, por ser mais benéfica ao sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais pressuposto de admissibilidade. Da presente ação fiscal, foram lavrados os seguintes autos: AI 370595793 AI 370595807 NFLD 370595823 NFLD 371006066 NFLD 370595815 AI 370595785 O processo sob análise trata da obrigação acessória disposta no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n.º 8.212 de 24/07/99, acrescentado pela Lei n.º 9.528/97, combinado com o artigo 225, Inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. Posto o contexto fático, cabe reiterar que a matéria admitida para rediscussão pelo Colegiado, conforme narrado, refere-se à aplicação da multa (retroatividade benigna). Sobre o tema, o CARF sedimentou o entendimento esposado no âmbito do Enunciado de Súmula CARF n.º 119, como segue: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo Fl. 711DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.866 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11330.000972/2007-63 descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Verifica-se que assiste razão à Recorrente em seus argumentos quanto ao recálculo da multa, em consonância com a Súmula mencionada. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 712DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 37316.003021/2005-56
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/03/2005, 01/01/2000 a 30/06/2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. NÃO INSCRIÇAO NO PAT. INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIÁRIA.
1. A ajuda alimentação, ainda que fornecida in natura, para não ter natureza salarial para fins previdenciários, deve estar inscrita no Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos da alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
2. É devida a Contribuição Previdenciária sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária.
3. Incidência da LC nº 84/96, artigo 1°, inciso I e artigo 3°, até 02/2000.
4. Aplicação do Artigo 22, inciso III da Lei n. 8.212/91, com as alterações da Lei n. 6876/99. Vigência a partir de 03/2000. Não há ilegalidade na contribuição para o SAT, tendo em vista que estão definidos pela Lei n. 8.212/91 o fato gerador e alíquotas.
5. A regulamentação por Decreto da atividade preponderante e dos riscos em leve, médio e grave não implica em ofensa ao Princípio da Legalidade, artigo 5°, inciso II da Constituição Federal de 1988 e artigo 97 do Código Tributário Nacional.
6. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
7. A cobrança de juros incidentes sobre as contribuições sociais em atraso, deve ser equivalente a taxa SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.303
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitarar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DANIEL AYRES KALUME REIS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2001 a 31/03/2005, 01/01/2000 a 30/06/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. NÃO INSCRIÇAO NO PAT. INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIÁRIA. 1. A ajuda alimentação, ainda que fornecida in natura, para não ter natureza salarial para fins previdenciários, deve estar inscrita no Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos da alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 2. É devida a Contribuição Previdenciária sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária. 3. Incidência da LC nº 84/96, artigo 1°, inciso I e artigo 3°, até 02/2000. 4. Aplicação do Artigo 22, inciso III da Lei n. 8.212/91, com as alterações da Lei n. 6876/99. Vigência a partir de 03/2000. Não há ilegalidade na contribuição para o SAT, tendo em vista que estão definidos pela Lei n. 8.212/91 o fato gerador e alíquotas. 5. A regulamentação por Decreto da atividade preponderante e dos riscos em leve, médio e grave não implica em ofensa ao Princípio da Legalidade, artigo 5°, inciso II da Constituição Federal de 1988 e artigo 97 do Código Tributário Nacional. 6. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. 7. A cobrança de juros incidentes sobre as contribuições sociais em atraso, deve ser equivalente a taxa SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado.
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Siape 751683 sn.easí, MINISTÉRIO DA 'AGENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 37316.003021/2005-56 Recurso n° 141.573 Voluntário ,,wes Matéria SALÁRIO INDIRETO -ALIMENTAÇÃO C'°"at10.° Acórdão n° 206-00.303 ofswauneonoccPselv30259tõi 19.12-13"-.pover Sessão de 12 de dezembro de 2007 tte-s çtutea A*5 Recorrente SONDAMAR SERVICE LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A DE CAMPINAS-SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2001 a 31/03/2005, 01/01/2000 a 30/06/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. NÃO INSCRIÇAO NO PAT. INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIÁRIA. 1. A ajuda alimentação, ainda que fornecida in natura, para não ter natureza salarial para fins previdenciários, deve estar inscrita no Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos da alínea "c" do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/91. 2. É devida a Contribuição Previdenciária sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária. 3. Incidência da LC n° 84/96, artigo 1°, inciso I e artigo 3°, até 02/2000. 4. Aplicação do Artigo 22, inciso III da Lei n. 8.212/91, com as alterações da Lei n. 6876/99. Vigência a partir de 03/2000. Não há ilegalidade na contribuição para o SAT, tendo em vista que estão definidos pela Lei n. 8.212/91 o fato gerador e alíquotas. 5. A regulamentação por Decreto da atividade preponderante e dos riscos em leve, médio e grave não implica em ofensa ao Princípio da Legalidade, artigo 5°, inciso II da Constituição Federal de 1988 e artigo 97 do Código Tributário Nacional. • ÍSEOUNVO C0 147SEL110—DE CONTRIE. "IS CONFERE COM O ORIOINAL 2 , o, . ia) • Processo n Bruni& ik.° 37316.003021/2005-56 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 1!. Fls. 174 Maria de Mima el • e Carvalho Mat. Siape 751683 6. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. 7. A cobrança de juros incidentes sobre as contribuições sociais em atraso, deve ser equivalente a taxa SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitarar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente C.-9(à DANIEL AYRES 1CALUME REIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.. ME. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNTES Processo n. 37316.003021/2005-56 CONFEy.' COM O OR TONAL 4 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 Brasa Cl" A 1 , 0.111, Fls. 175 ileak k '41n, Maria de Fátima Ferreira de arvela Mat. 5 int 751683 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra a empresa Sondamar Service Ltda., relativas as contribuições patronais, do empregado, ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e terceiros. O débito foi apurado no período de 01/01/2000 a 30/06/2001 e 01/08/2001 a 31/03/2005. O crédito apurado pelo Fisco foi de R$ 49.742,20 (quarenta e nove mil setecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos), consolidado em 20.05.2005. Em 17.06.2005 foi apresentada defesa tempestiva pela Recorrente, às fls. 92/108. Às fls. 122/130, foi proferida Decisão-Notificação, julgando procedente o lançamento fiscal, para declarar o contribuinte devedor do valor de R$ 49.742,20 (quarenta e nove mil setecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos). Transcreve-se a ementa: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIABIAS - FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES SEM INSCRIÇÃO NO PA T. PARCELA DE SALÁRIO IN NA TUBA. COMPETÊNCIA FUNCIONAL TERCEIROS. SAT. LYCONSTITUCIONALIDADE. I - A parcela de salário "in natura", decorrente do fornecimento habitual de alimentação aos empregados, sem prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho, pela não formalização da adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, de que trata a Lei n°6.321, de 14/04/1976, integra a remuneração dos empregados para todos os fins e efeitos, inclusive incidência de contribuições previdenciárias. II - O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, emitido com amparo na Lei n° 11.098, de 13/01/2005, é documento hábil para delegar competência ao Auditor-Fiscal. 111 - As contribuições sociais, e outras importâncias arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas em atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065/95, incidente sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. IV - A inconstitucionalidade das leis que fundamentam o lançamento não podem ser discutida em sede administrativa. LANÇAMEIVTO PROCEDENTE." Inconformado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, desacompanhado do devido comprovante de depósito recursal, em razão de decisão judicial (fls. 132/148 e 162/169). As razões recursais foram as mesmas apresentadas em sede de defesa. Transcreve-se trecho da Decisão-Notificação, com as razões do contribuinte: • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1E. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 37316.003021/2005-56 CO32/06 Acórdão n.° 206-00.303 Ensina. )\ ma. I .R1001i) Fls. 176 çtí/ at-0 Maria de fátiw.. erretra c.e arco "Da Preliminar: Mat. Slot 751p83 a) a NFLD está fundamentada em dispositivo que não pertencia ao sistema jurídico pátrio na data da sua constituição, no caso, a MP n° 222, de outubro/2004, a qual perdeu sua vigência com a conversão da Lei n°11.098. de 13/01/2005; b) sendo o ato do lançamento plenamente vinculado à Lei (art.I 42, parágrafo único, do C7'N) a NFLD é nula; c)não se pode olvidar o disposto no artigo 201 do CTN; o inciso III do art. 202, do mesmo diploma legal, informa que a notificação será inscrita em divida ativa, indicando como elementos essenciais a origem e a natureza do crédito tributário; d) a ausência de fundamentação legal não é vicio possível de saneamento por limitação do sistema informatizado do INSS. Do Mérito: e) a esfera administrativa tem total competência para analisar as questões de ordem constitucional; j) indevidas as cobranças de contribuições sociais devidas aos denominados Terceiros e ao Seguro do Acidente do Trabalho; g) os acréscimos legais não poderão ser superiores a dois por cento, estabelecido pela Lei n°9.289/96; h) inconstitucional a cobrança da taxa SELIC; i) requer a suspensão da exigibilidade desta NFLD, nos termos do art. 151, III, do CTN." As contra-razões foram apresentadas às fls. 170/171. É o Relatório. gt. Processo n.° 37316.003021/2005-56 MI" - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEU,`" res1 CO32d206 Acórdão n.• 206-00.303 CONFERE COM O ORIGINAL 1 Fls. 177 Brunia. c9-\ I °G9-- MS 1Voto Maria de Fearna — cetra de Ca. CioMat. Srape 751M3 Conselheiro DANIEL AYRES KALUME REIS, Relator Processado regularmente o presente feito, sendo observados os princípios da ampla defesa e contraditório, artigo 5°, inciso LV da Constituição Federal, às fls. 122/130 foi proferida Decisão — Notificação julgando totalmente procedente a autuação fiscal. Depois de detida análise dos autos e estudo das questões atinentes ao caso, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida. O contribuinte não trouxe nenhum documento ou fato que pudesse descaracterizar o crédito apurado na presente NFLD, devendo, portanto, ser julgado procedente o lançamento fiscal. Primeiramente, vale ressaltar que a previsão contida no artigo 3° da Lei n. 6.321/76 e na alínea "c", do § 9°, do artigo 28, da Lei n. 8.212/91, exige o cumprimento das formalidades legais previstas para adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, com aprovação pelo Ministério do Trabalho. Transcrevem-se as alíneas "c" e "m" e o § 9°, do artigo 28, da Lei n. 8212/91, in verbis: 'Art. 28. ,f 9° - Não integram o salário de contribuição para fins desta Lei, exclusivamente: (4. c) as parcelas natura' recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de julho de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;" Vale citar, também, o artigo 6°, do Decreto n. 05/91, que regulamenta a Lei n. 6321/76: "Art. 6° Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga in natura pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador." r - \ LUMELki0 ú CONTR11). —ry CONFERE COM O ORIO1NAL Brasília, r2 X t • t .104 Processo n.° 37316.00302112005-56 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 Fls. 178 Maria de FM' -err de ouvaiho Mat. Siape 731683 Todavia, no presente caso concreto, apesar da clareza existente nas normas acima citadas, a Recorrente não cumpriu as formalidades legais e essenciais exigidas pela legislação, tendo em vista que não aderiu ao Programa de Alimentação — PAT, do Ministério do Trabalho. Diante disso, nos termos do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho, as prestações in natura fornecidas habitualmente pela empresa ao empregado, integram o salário para todos os efeitos legais e. nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n. 8.212/91 integram o salário-de-contribuição do empregado. Por tais razões, são devidas as contribuições de parte da empresa e dos segurados incidentes sobre a remuneração dos empregados, nos termos do inciso I do artigo 22 da Lei n. 8212/91, com vigência a partir de 03/2000. "CAPÍTULO IV DA CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Ver nota no final do art.) I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei n°9.876/99. Ver nota no final do art.)." Incide, também, os artigos 1 0 , incisos I e II da Lei Complementar n. 84/96, até a competência 02/2000. Mencionada lei tem o seguinte teor: "Ara' - Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: 1- a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autónomos, avulsos e demais pessoas fisicas; e II - a cargo das cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a titulo de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas." Diante disso, são devidas as contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração dos empregados. DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PARA TERCEIROS - ibbIDUNDO CONSELHO DE CORIMBO:: '"?'S coNF\ / ,9„toot REcomooRrim, 1 • Processo n. • 37316.003021/2005-56 CCOVC06 Acórdão n.• 206-00.303 Fls. 179 Maria de Fátima ira de *mak° Mat. Siam 751683 Nesta parte cumpre destacar que não há controvérsia sobre a legalidade da contribuição de Terceiros, nos termos do artigo 94 da Lei 8.212/91, in verbis: "Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social — INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicando-se a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei." INCRA No tocante à contribuição devida ao INCRA, primeiramente cabe esclarecer que o responsável pelo lançamento, arrecadação e fiscalização do recolhimento é o INSS. Andrei Pitten Velloso, Daniel Machado da Rocha e José Paulo Baltazar Júnior, todos Juizes Federais, in Comentários à Lei do Custeio da Seguridade Social (Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2005, pg. 414), tecendo comentários ao artigo 94 da Lei n. 8.212/91, assim se manifestam, in verbis: "Com base nesse preceito, o INSS fiscaliza e arrecada contribuições devidas a entidades autárquicas e de direito privado, tais como INCRA, SENAI, SESI, SENAC, SESC, SEBRAE, SENAR, SEST, SENAI', e o SESCCOP." Ao se manifestar a respeito desta questão, assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça, in verbis: "AgRg no RECURSO ESPECIAL N°614.427 - SC (2003/0223859- 5) RELATOR : MINISTRO FRANCISCO FALCÃO AGRAVANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADOR : MILENE GOULART VALADARES E OUTROS AGRAVADO : TÊXTIL FARFALLA LTDA ADVOGADO : ROMEO PL4ZERA JUNIOR E OUTROS EMENTA - TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. INSS. LEGITIMIDADE AD CAUSAM. RECONHECIDA. ÓRGÃO RESPONSÁVEL PELO LANÇAMENTO, ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. I - Na esteira da firme jurisprudência desta colenda Corte, o INSS é pane legitima para figurar no pólo passivo de demanda envolvendo a contribuição ao INCRA, por ser o órgão responsável pelo lançamento, arrecadação e fiscalização do recolhimento de tal tributo. II - Nada obstante releve o agravante a existência de julgado apenas desta colenda Turma a enfrentar expressamente o tema, não se pode deixar de considerar que, ao apreciar todo e qualquer recurso, cabe ao julgador verificar os seus pressupostos de admissibilidade, em que a legitimidade recursal se insere. Nesta perspectiva, são inúmeros os IS* - &VOANDO CONSELHO DE COMRIBrneç CONFERE COM O ORIONAL • Processo n.°37316.003021/2005-56 Brasília. ti \ * CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.303 (111NFls. 180 ' M13113 de Fáti «. eira e Who Mat. Siam 751683 recursos especiais julgados por ambas as Turmas que compõem a eg. Primeira Seção, nos quais figura como parte o INSS, a tratarem da Contribuição ao INCRA, não se tendo, em nenhum deles, reconhecido a ilegitimidade do órgão para tanto. III - Agravo regimental desprovido." Sem grifos no original (julgado em 07.10.2004 e publicado o acórdão no DJ de 22.11.2004). Destarte, indubitável a legitimidade do INSS para lançar, arrecadar e fiscalizar o recolhimento da contribuição destinada ao INCRA. Já a base legal da contribuição para o INCRA advém da Lei n. 2.613/55, com o Decreto-Lei n. 1.146/70 e Lei Complementar n. 11/71. Sérgio Pinto Martins, in Direito da Seguridade Social (Ed. Atlas. São Paulo. 22 ed. 2005. pág. 218), assim se manifesta a respeito da questão, in verbis: "A contribuição devida ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foi criada pela Lei n°2613 de 23-9-55. O art. 15 da Lei Complementar n° 11 estabeleceu a aliquota de 0,2% para o INCRA. Incide sobre a folha de pagamentos dos empregados e paga pelo empregador, de acordo com o seu FPAS." Com relação a sua incidência, esta deve ser paga pelas empresas em geral, independente do caráter urbano ou rural. O Augusto Superior Tribunal de Justiça, bem como as extintas Câmaras de Custeio do Conselho de Recursos da Previdência Social, tem como pacificada essa questão. Transcreve-se: "RESP 603267 / PE ; RECURSO ESPECIAL Ministro TEOR! ALBINO ZAVASCKI PRIMEIRA TURMA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL 2. Recurso especial provido." Sem grifos no original (julgado em 06.05.2005 e publicado o acórdão no IM de 29.05.2005). "RESP 636664 / PR ; RECURSO ESPECIAL Ministro LUIZ FUX PRIMEIRA TURMA , . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIFIL‘ •""Eç 11 CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 37316.003021/2005-56 Rnsilia. C9-‘ / 1 " CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.303 La Fls. 181 Mariz de Fát nekrae de rvalIQ 4 I S id;le 751683 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA. EMPRESA VINCULADA EXCLUSIVAMENTE À PREVIDÊNCIA URBANA. POSSIBILIDADE. 1. O C. Supremo Tribunal Federal firmou entendimento segundo o qual não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA. 2. Recurso Especial desprovido. "Sem grifos no original Galgado em 04.11.2005 e publicado o acórdão no D..1 de 24.11.2004). "- EMENTA - PREVIDENCIÁRIO - CUSTEI0.1 - Terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE): Constitui fato gerador de contribuições sociais às Terceiras Entidades, as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados Arrecadação autorizada pelo art 94 da Lei 8.212/91. 2. Inconstitucionalidade de Leis. A matéria foge a discussão em sede administrativa. Conhecido e improvido." Sem grifos no original (Conselho de Recursos da Previdência Social — 2' Câmara, NFLD n. 35.348.154-8/2003, Relatora Conselheira Representante dos Trabalhadores, Dra. Fernanda Elias Porto, julgado em 22.09.2004) "EMENTA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. SEBRAE. INCRA. MULTA. SELIC. As contribuições destinadas ao SEBRAE e INCRA são previstas por lei e abrangem o recorrente como sujeito passivo, cumprindo ao INSS arrecadar e fiscalizar nos termos do artigo 94 da lei &212/91. Lícita a cobrança de juros, incidentes sobre as contribuições sociais em atraso, equivalentes a taxa SELIC nos termos do artigo 34 da Lei 8212/91. Sobre as contribuições sociais em atraso incidirá multa de mora nos termos do art. 35 da Lei 8212/91. Recurso Conhecido e lmprovido." (Conselho de Recursos da Previdência Social — 4' Câmara, NFLD n. 35.367.365-0/2002, Relator Conselheiro Representante das Empresas, Dr. Fábio Fonseca Aires, julgado em 15.01.2005). Portanto, não resta dúvidas sobre a legalidade da cobrança destinada ao INCRA. FNDE No que se refere à contribuição devida ao Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação — FNDE, mais conhecido como salário-educação, esse Relator entende como legal a sua cobrança pelo INSS, nos termos do mencionado artigo 94 da Lei de Custeio. No presente caso deve ser aplicada a Constituição Federal, artigo 212, § 5° e Decreto-lei 1.422/75, artigo 1°, §§ 1° e2° e a aliquota prevista na Lei 9.424, de 24.12.96. Para elucidar a questão, transcreve-se ementas de julgados do Augusto Supremo Tribunal Federal, bem como voto do Ministro Eros Grau, proferido no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 393.036. (}ik -rq 11:12:4712 r ==="Wt Processo n.°37316.003021/2005-56 Brisilia/ / # • CCO2/C.06 Acórdão n.° 206-00.303 (a 114 Fls. 182 Maria de Fátima et de Carvalho Mat. Sinit 751683 "EMENTA: AGRAV NTAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO. - O Plenário desta Cone decidiu que a contribuição social do salário-educação não era incompatível com a Emenda Constitucional 1/1969 nem o é com a atual Constituição, permanecendo nos moldes fixados pelo Decreto-Lei 1.422/1975, com as alíquotas estabelecidas pelo Decreto 76.923/1975 e reiteradas pelo Decreto 87.043/1982, até sua nova disciplina pela Lei 9.424/1996. Despacho agravado fiel a precedentes do Plenário. Agravo regimental a que se nega provimento." (Recurso Extraordinário n. 288.113, Relator Ministro Joaquim Barbosa, 20 Turma, julgado em 14.09.2004 e publicado acórdão no DJ de 08.10.2004). "EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. SALÁRIO- EDUCAÇÃO. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTE. Contribuição para o salário-educação. Compatibilidade com a EC-01169 e com a Constituição do Brasil, que apenas alterou sua natureza jurídica para tributária. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental não provido. VOTO 2. Para que pairem dúvidas, recordo que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no precedente antes referido, firmou exegesse segundo a qual a contribuição para o salário-educação não era incompatível com a EC-01/69 e é compatível com a Constituição Federal de 1988, que apenas alterou sua natureza jurídica para tributária, mantendo sua disciplina, que, a partir de então, somente poderia ser modificada por lei. 3. Assentou o Tribunal que em face da EC-01/69 era válida afixação da alíquota por ato do Poder Executivo, tendo em vista o disposto no § 2° do artigo 1 0 do Decreto-lei 1.422/75, uma vez que não se tratava de delegação pura, mas, sim, de técnica de delegação legislativa adotada em virtude da variação do custo do ensino fundamental, que não permitia o estabelecimento, por lei, de uma aliquota fixa. Desse modo, somente a partir da promulgação da Constituição de 1988 restou vedada a alteração da alíquota por ato exclusivo do Poder Executivo, permanecendo aquela fixada segundo a ordem constitucional então vigente. 4. Na seqüência, considerou o Pleno desta Corte que, em face da disposição contida no seu artigo 212, § .5°, a Constituição de 1988 recebeu a legislação que disciplina a contribuição para o salário- educação, naquilo que é compatível com sua nova natureza tributária. 5. Por fim, agora em face da Lei 9.424/96 que veio disciplinar a contribuição para o salário-educação, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 17.10.2001, declarou a constitucionalidade do Decreto-lei 1.422/75, artigo 1 0, §§ 1° e2°, e recebida pela Constituição do Brasil a alíquota de 2,5% fixada pelo Decreto 87.043, de 22.3.82, que perdurou até a vigência da Lei 9.424, de 24.12.96 (RE 290.079-SC, limar Gaivão). SI?- SliaiNDO CONSELHO DE CONTRIBt ""T'S CONFERE COM O OR/OTNAL ; Bruf_/ O I b Processo n.• 37316.003021/2005- lik_n 56 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 11.-,d Ct. Fie ezril-Itho Fl. 183s • ' “isi3 Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental." (Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 393.036, Relator Ministro Eros Grau, 1' Turma, julgado em 17.08.2004 e publicado acórdão no DJ de 03.09.2004). Pelas razões expostas acima, verifica-se a total legalidade da cobrança do salário-educação. SEBRAE Quanto à contribuição destina ao SEBRAE, cumpre destacar que os beneficias concedidos pela citada entidade privada social abrangem as sociedades em geral, conforme se verifica pelo disposto no artigo 9° da Lei 8.029/90 com redação dada pela Lei 8154/90, in verbis: "Art. 9°- Compete ao serviço social autónomo a que se refere o artigo anterior planejar, coordenar e orientar programas técnicos, projetos e atividades de apoio às micro e pequenas empresas, em conformidade com as políticas nacionais de desenvolvimento, particularmente as relativas às áreas industrial, comercial e tecnológica." Por outro lado, cabe frisar que tal contribuição é devida, independente de contra- prestações especificas da entidade social, pois é considerada contribuição social geral, conforme entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a seguir destacado: "RESP 475749 / SC ; RECURSO ESPECIAL Ministro: LUIZ FUX PRIMEIRA TURMA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. I. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, RE n." I 38.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE 2. Deflui da ratio essendi da Constituição na parte relativa ao incremento da ordem económica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Recurso especial improvido." Ademais, as empresas que recolhem contribuições ao SESC e SENAC, por determinação do artigo 8°, parágrafo 3° da Lei 8.029/90, devem recolher o adicional ao SEBRAE, in verbis: _ _ _ MF SEGiOU14:2RECOCNOS:(LOHOORDEIGCOA TRNI, lE-"*" Processo n.• 37316.003021/2005-56 Brunia. 9. / 11/ CCOVC06 Acórdão n. • 206-00.303 - Fls. 184 Maria de Fatima • de Carvalho Siape 751683 "Art. 8° É o o a er ecu t zvo autoriza aIN d o a esvincu ar, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae), mediante sua transformação em serviço social autônomo. 3° As contribuições relativas às entidades de que trata o art. 1° do Decreto-Lei n° 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até três décimos por cento, com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas." DECRETO-LEI 2.318/86 "Art 1° Mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), para o Serviço Social da Indústria (SESI) e para o Serviço Social do Comércio (SESC), ficam revogados:" Segue entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça neste sentido: "RESP 608101/ RS; RECURSO ESPECIAL Ministro CASTRO ME1RA SEGUNDA TURMA TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3° do art. 8° da Lei n°8.029/90. 2.Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3.Embargos de declaração acolhidos, com efeito modificativo." "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÃO. SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÓMICO. LEI 8.029/90, ART. 8°, § 3°. LEI N° 8.154190. LEI N° 10.668/2003. C.F., ART. 146.111; ART. 149; ART. 154,1; ART. 195, §4°. I - As contribuições do art. 149, C.F., contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas, posto estarem sujeitas à lei complementar 11) MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTftlir' CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 37316.003021/2005-56 Bruna, 1\ / / D CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 1"f lik) 4 Fls. 185 Maria de Fátima • I, ,' • j Mo. Siape 751683 do art. 146, IH, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4°, C.F., decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, ex vi do disposto no art. 195, § 4°. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base impartível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Venoso, RTJ 143/313; RE I46.7331SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II — A contribuição do SEBRAE, Lei n° 8.029/90, art. 8°, § 3°, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003, é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1° do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 245, C.F. III — Constitucionalidade da contribuição ao SEBRAE. Constitucionalide, portanto, do § 3° do art. 8°, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10/668/2003." (STF, RE 396.266-3/SC, Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 27/02/2004). "TRIBUTÁRIO — PROCESSUAL CIVIL — EMPRESA DE MÉDIO PORTE — CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA DESTINADA AO SEBRAE — PRESCRIÇÃO — (..) 2. Nos termos do art. 8°, § 3° da Lei n° 8.029/90, com a redação dada pela Lei n° 8.154/90, c/c o art. 1°, do Decreto-Lei n°2.318/86, a contribuição destinada ao financiamento da política de apoio às microempresas e às pequenas empresas foi instituída como uma majoração às contribuições devidas às entidades do SESC/SENAC, SESI/SENAI e SESTISENAT, razão pela qual as empresas obrigadas ao recolhimento das contribuições devidas a essas entidades, também estão obrigadas ao recolhimento da contribuição destinada ao SEBRAE. 3. Possuindo a contribuição destinada ao SEBRAE. caráter acessório, não se apresenta como juridicamente relevante a sua destinação, finalidade e natureza, razão pela qual a circunstância de constituir, ou não, em contribuição parafiscal especial de intervencão no domínio econômico não tem o condão de afastar o seu caráter acessório, não se fazendo necessário. in casu, a existência de contraprestacão. 4. Inocorrência de afronta aos arts. 149 e 240, da Constituição Federal, que não devem ser aplicados de forma genérica, mas considerando a natureza da pessoa jurídica em questão. 5. Não se tratando, in casu, da instituição de "outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social" (art. 195, &4°. da Constituição Federal), não se verifica ser necessária a edicão de Lei Complementar para a instituição da contribuição destinada ao SEBRAE. 6. Apelação parcialmente provida. (7'RF I° R. — AMS . 38010014602 — MG — 4° T. — ReL Juiz Dalt; Fioravanti Sabo Mendes — DJU 11.04.2002 — p. 139) (Grifei). Devido é o pagamento das contribuições destinadas ao SEBRAE, SENAC, SESI e SESC. SAT 0)4 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTAI& -^s CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 37316.003021/2005-56 Brasília, n. 110 2,19rAl CCO2/C06 Acórdão n.'206-0O.303 Fls. 186 Maria de Fátima rrer de Carvalho Mat. Siape 751683 No tocante à alegação recursal, de suposta ilegalidade da cob E rança destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos de ambiente de trabalho — SAT, tendo em vista que sua regulamentação ocorreu por meio de Decreto, não há como prosperar. O artigo 22, inciso II da Lei n. 8.212/91 e o artigo 202 do Decreto 3048/99, dispõem o seguinte: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 11-para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme dispuser o regulamento, nos seguintes percentuais, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação alterada pela MP n° 1.523-9/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97). a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave." "Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (Ver MP n° 83/02, convertida na Lei n°10.666/03). 1 - um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. 12 As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. ,f 22 O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. (Ver art. I° da MP n°83/02, convertida na Lei n°10.666/03) 81F - SEGUNDO CONSW-10 DE CONTRil. CONFERE COM O oR1CINAI. _ — 9,Processo n.• 37316.003021/2005-56 FrasIlis,41\ 02 1 208 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 Fls. 187 Maria .1-4 arcua eira de arniko. Ma: Siape 751683 ,§ 32 Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na emfresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. g 4'A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Antro V. § 52 O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto-enquadramento em qualquer tempo. § 62 Verificado erro no auto-enquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notcação dos valores devidos. g 72 O disposto neste artigo não se aplica à pessoa fisica de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 92. g 82 Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9° REVOGADO pelo Decreto n°3.265/99." Primeiramente, cabe esclarecer que a constituição do crédito da presente NFLD foi apurado nos termos da legislação transcrita acima, ora em vigor. O enquadramento realizado na presente NFLD para cobrança do SAT é o entendimento da extinta 411 Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social que, por sua vez, está em consonância com o posicionamento pacifico do Augusto Supremo Tribunal Federal e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Veja-se. "EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAL Lei 7.787/89, arts. 3 0 e 4"; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art 154, II; art. 5°, II; art. 150, I. 1. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, 11; Lei 8.212/91, art. 12, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c./c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o £4 T. II. - O art. 3°. II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. - As Leis 7.787/89, art. 3°. II, e 8.212/91, art. 22. II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica (D/P MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL3INTES CONpEltE COM O ORIGINAL Processo n.° 37316.003021/2005-56 Brunia, 1_2a (:)1 CCOVC06 Acórdão n. • 206-00.303 a 61(1K) Fls. 188 Maria de Fátima - , alho - Mat. Siape 751683 ofensa ao princípio da legalidade genérica. C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, 1. IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. - Recurso extraordinário não conhecido. (Recurso Extraordinário n. 343.446, Relator Ministro Carlos Velloso, Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, julgado em 20.03.2003, acórdão publicado no Diário da Justiça de 04.04.2003). AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SAT. DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS NÃO EXAMINADOS NO LEADING CASE: RE 343.446. 1. A cobrança da contribuição ao seguro de acidente de trabalho encontra previsão no inciso XXVIII, do artigo 7° da Constituição Federal. Improcedência da alegação da agravante no sentido de que a Carta Magna não previu fonte de financiamento especifica para o seu custeio. 2. Os dispositivos constitucionais que, segundo a agravante, ainda não foram examinados pelo Plenário, na realidade, mostram-se apenas como reforço de argumentação para a tese já rejeitada por esta Casa: a instituição da contribuição ao SAT só seria possível se obedecidas as regras para o exercício da competência tributária residual. 3. Agravo regimental improvido. (Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 402.430, Relatora Ministra Ellen Gracie • 2° Turma do Supremo Tribunal Federal, julgado em 08.06.2004, acórdão publicado no Diário da Justiça 06.08.2004). "EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4"; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, L - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAI': Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAI'. 1f - O art. 3°, 11, da Lei 7.787/89 não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. IH. - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave" não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, L IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. - Caso em que deve ser a agravante condenada ao pagamento de multa: C.P.C., art. 557, § 2°, redação da Lei 9.756/98. VI. - Agravo não provido". (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n. 499.888, Relator Ministro Carlos Velloso, 2° Turma do Supremo Tribunal Federal, julgado em 22.06.2004, acórdão publicado no Diário da Justiça de 06.08.2004). (;)?"-- MINSEGUNDO N9EMCO E CONTRIBUINTES ÇONFERE COM O ORIGINAL Processo n." 37316.003021/2005-56 brasilla..1L/ O • Ot CCO2/C06 Acórdão n." 206-00.303 Fls. 189II e Maria de Fátima Fe o Mat. Siape 751683 "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. FIXAÇÃO DA ALIQUOTA POR DECRETO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA LEGALIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA AUTORA PREJUDICADO. I. Trata-se de mandado de segurança impetrado por CIVEC ENGENHARIA S/A objetivando o reconhecimento da inexigibilidade da Contribuição ao Seguro de Acidentes do Trabalho - SAT por meio de alíquotas, nos termos do art. 22, inciso II, da Lei 8.212/91 e suas modcações posteriores, além da compensação dos valores recolhidos indevidamente a esse título, ou, alternativamente que fosse assegurado o direito de compensar o que exceder a exação no percentual mínimo de I% No juízo de primeiro grau, o pleito foi julgado improcedente. Em sede de apelação, a empresa autora obteve êxito parcial ante o reconhecimento pelo Tribunal de origem da inexigibilidade da exação discutida, autorizando a compensação observando-se as limitações impostas pela legislação e a prescrição qüinqüenal. Insistindo pela via especial, o INSS alega negativa de vigência dos artigos 97 e 99 do CTN, além de divergência jurisprudencial, defendendo, em síntese, que a contribuição em debate está em perfeita conformidade com o princípio da estrita legalidade, sendo válida a definição por Decreto de matéria essencialmente técnica relativa ao enquadramento nos diversos graus de risco das atividades empresariais, segundo um critério de preponderância de ocupação dos segurados da Previdência. A empresa Autora também manejou recurso especial, consistindo a irresignação: a) no reconhecimento da correção monetária, com a inclusão dos expurgos inflacionários; b) no direito de compensar os valores discutidos, sem as limitações impostas pelas Leis es 9.032/95 e 9.129/95, nos últimos dez anos anteriores à propositura da ação. Alega-se, como fundamento do seu reclame, violação dos artigos 108, 150, ,55. 4 0, 161 e 168. I, do CI7V, bem como a existência de dissídio jurisprudencial. Contra-razões pela CNEC - Engenharia S/A (fls. 1227/1237), pugnando pelo desprovimento do recurso autárquico. Transcorreu, in albis, o prazo para o INSS arrazoar o apelo especial autoraL 2. A Primeira Seção do STJ firmou entendimento no sentido de ser possível se estabelecer, por meio de Decreto, o grau de risco (leve, médio ou grave), partindo-se da atividade preponderante da empresa, para efeito de Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), por inexistir afronta ao princípio da legalidade (art. 97 do C7'7V). Não ocorreu, com a edição da Lei n° 8.212/91, criação de nova contribuição. Também não há que falar em contribuição estendida ou majorada. Precedentes. 3. Com o reconhecimento da exigibilidade da exação discutida encontra-se prejudicado o pleito ren4rsal da empresa autora. 4. Recurso especial do INSS provido. Apelo especial da CNEC - Engenharia S/A prejudicado." (Recurso Especial n. 764.450, Relator Ministro José Delgado, 10 Turma do Superior Tribunal de Justiça, MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL 1:2-1 / Processo n.° 37316.003021/2005-56 CCO2/C.06 Acórdão n.° 206-00.303 !!h. Fls. 190 Maria de Fátima Fe de Carvalho Mat. Siape 751683 julgado em 23.08.2005, acórdão publicado no Diário da Justiça de 19.09.2005). "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO-SAT. FIXAÇÃO, MEDIANTE DECRETO, DO QUE VENHA A SER ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA E SEUS CORRESPONDENTES GRAUS DE RISCO. LEGALIDADE. FIXAÇÃO DAS ALIQUOTAS COM BASE NO RISCO A QUE CADA ESTABELECIMENTO ESTEIA SUBMETIDO, DESDE QUE POSSUA REGISTRO PRÓPRIO NO CNPJ. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO EM PARTE. 1. O entendimento desta Cone mantém-se firme no sentido de que o decreto que estabeleça o que venha a ser atividade preponderante da empresa e seus correspondentes graus de risco, leve, médio ou grave, não exorbita de seu poder regulamentar. Assim, não há falar em ofensa aos princípios da legalidade estrita e da tipicidade tributária. 2. Este Pretório, recentemente, firmou orientação no sentido de que para se fixar as alíquotas do tributo em comento, deve-se aferir o grau de risco com base em cada estabelecimento da empresa, se esse possuir registro próprio no CNPJ, que é um banco de dados por meio do qual o Fisco poderá identificar o sujeito passivo da obrigação tributária afim de constituir seu crédito (EREsp 478.100/RS). 3. Agravo regimental provido em parte, para consignar que as alíquotas da contribuição ao SAT sejam fixadas com base no risco a que estiver sujeito cada estabelecimento da empresa, desde que possua registro próprio no CNPJ ." (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n. 674.557, Relatora Ministra Denise Arruda, 1° Turma do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 18.08.2005, acórdão publicado no Diário da Justiça de 12.09.2005). "TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO PREWDENCIÁRIA — SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) - PRINCIPIO DA LEGALIDADE - CTN, ART. 97- GRAU DE RISCO - APURAÇÃO - ATIVIDADE DESENVOLVIDA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA - PRECEDENTES/STJ. - A eg. l a Seção de Direito Público desta Cone pacificou o entendimento no sentido de que não afronta o princípio da legalidade (CTN, art. 97) estabelecer-se, por meio de decreto, o grau de risco (leve, médio ou grave), partindo-se da "atividade preponderante da empresa", para efeito de Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). - Alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho - SAT - deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, mesmo quando esta possui um único CGC. - Recurso especial conhecido e provido." (Recurso Especial n. 641.118, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, 2° Turma do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 14.06.2005, acórdão publicado no Diário da Justiça de 08.08.2005). I NIF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUNTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 37316.003021/2005-56 Brunia. / o , Qoot CCO2/C06 Acórdão a° 206-00.303 Fls. 191 Maria de Fátima Fe ra e Carvalho Mat Sint 751683 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SAT. DEFINIÇÃO POR DECRETO DO GRAU DE PERICULOSIDADE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELAS EMPRESAS. OFENSA AO PRINCIPIO DA LEGALIDADE NÃO CARACTERIZADA. 1.A definição do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas, pelo Decreto n" 2.173/97 e pela Instrução Normativa n. 02/97, não extrapolou os limites insertos no artigo 22, inciso II da Lei n° 8.212/91, com sua atual redação constante na Lei n° 9.732/98, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer dos elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao principio da legalidade, posto no art. 97 do CT1V, pela legislação que institui o SAT - Seguro de Acidente do Trabalho. 2.Embargos de divergência parcialmente conhecidos e não providos." (Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 297.215, Relator Ministro Teori Zavascki, 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 24.08.2005, acórdão publicado no Diário da Justiça de 12.09.2005) Destarte, a regulamentação por Decreto da atividade preponderante e dos riscos em leve, médio e grave não implica em ofensa ao Principio da Legalidade, artigo 5°, inciso II da Constituição Federal de 1988 e artigo 97 do Código Tributário Nacional. Com relação a Taxa Selic, a sua cobrança é feita por disposição legal aplicável, artigo 34 da Lei n. 8.212/91, inclusive, sendo pacifico no Poder Judiciário sua aplicação. Transcrevem-se julgados: "RECURSO ESPECIAL - ALINEAS "A" E "C" - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRL4 - COMPENSAÇÃO - APLICAçÃo DA TAXA SEL1C - INCIDÉNCIA CUMULATIVA DOS JUROS DE MORA - IMPOSSIBILIDADE. A egrégia Corte a quo determinou a aplicação da Taxa SELIC a partir da vigência da Lei n°9.250/95, bem como de juros de mora a partir de janeiro de 1996. Nada obstante tenha o Tribunal denominado de juros compensatórios, a indigitada taxa ora tem a conotação de juros moratórios ora compensatórios, a par de neutralizar os efeitos da inflação, constituindo-se em correção monetária por vias obliquas. Com razão a autarquia recorrente, pois, ao sustentar a impossibilidade de incidência cumulativa dos juros de mora e da Taxa SELIC. Recurso especial provido, para manter a aplicação da Taxa SELIC e excluir a incidência cumulativa dos juros de mora do CTIV." Sem grifos no original (Superior Tribunal de Justiça - Recurso Especial n. 572823, Relator Ministro Franciulli Netto, r Turma, julgado em 26.10.2004 e publicado no DJ de 11.04.2005) "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRL4. COMPENSAÇÃO. PRÓ-LABORE. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI-MIS CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 37316.003021/2005-56 DnsIllo. 9,1 / / eit CCO2JC06 Acórdão n.° 206-00.303 ) Fls. 192 Maria de FM'. 'ra de Carvalho Mat. Mane 751683 I. A Primeira Seção pacificou o entendimento de que, na repetição de indébito, seja como restittição ou compensação tributária, é devida a incidência de juros de mora pela Taxa SELIC a partir de 01.01.96, a teor do disposto no art. 39, 5' 4°, da Lei n°9.250/95. 2. A taxa SELIC é composta de taxa de juros e taxa de correção monetária, não podendo ser cumulado com qualquer outro índice de correção. 3. Recurso especial improvido." Sem grifos no original (Superior Tribunal de Justiça - Recurso Especial n. 465.102, Relator Ministro Castro Meira, 2' Turma, julgado em 16.11.2004 e publicado no DJ de 04.04.2005). "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADMINISTRADORES, AUTÓNOMOS E AVULSOS. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. PRECEDENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. 1. Acórdão recorrido em sintonia com a jurisprudência desta Corte sobre a contagem do prazo prescricional para haver a restituição/compensação de tributo lançado por homologação; o critério de correção monetária dos créditos compensáveis e a aplicação da taxa SELIC. 2. Aplicação de entendimento sumulado desta Corte. 3. Recurso especial não conhecido." (Superior Tribunal de Justiça — Recurso Especial n. 476.417, Relator Ministro Francisco Peçanha Marfins, l' Turma, julgado em 16.09.2004 e publicado no DJ de 25.10.2004). Indiscutível, portanto, a aplicação da Taxa Selic. Por fim, transcrevo abaixo as razões que fundamentaram a Decisão-Notificação, que adoto como complementação das razões do voto, in verbis: "(4 De acordo com o art. 285 90 alínea "c" da Lei 8.212/91, não integram o salário de contribuição a parcela in natura recebida de acordo com o Programa de Alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos da Lei 6.321 de 14 de abril de 1976, condição esta que não foi satisfeita pela impugnante em relação ao período do lançamento ftscaL Para que se entenda o que seja fornecimento de parcela "in natura" em conformidade com a legislação espec(ica, é necessário esclarecer Impugnante o seguinte: a) a Lei n° 6.321/76, artigo 3°, determina que "não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho (g). glir` NIF - SEGUTRÇC-I-NrSE'1110- .1-iiCO-NTRIEWITES CONFERI: 0,11. ; (3 ORIGINAL Ca 111 2.15Dt Processo 11.'37316.003021/2005-56 Brunia, ' CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.303 Fls. 193 Maria de Fátima rreira de Carvalho Mat. Siape 751653 b) o Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, publicado no DOU de 15/10/91, que regulamenta a Lei n° 6.321/76 e revoga o Decreto n° 78.676/76, artigo 1°, § 4°, estabelece que "entende-se como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia. Fazenda e Planejamento da Saúde (g). c) a Portaria Interministerial MTb/MF/MS n°3. de 11/11/98, publicada no DOU de 11/12/98, atribui competência para gerir o Programa de Alimentação do Trabalhador — PAI', à Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho e aprova o formulário oficial de adesão ao PAT, a ser adquirido nas agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT, a partir de 2 de janeiro de 1999, sendo que os programas de alimentação do trabalhador ficam automaticamente aprovados mediante apresentação e registro do formulário na ECT. d) o artigo 3°, §§ 1° e 2°, previa que a adesão ao PAT deveria ser efetuada no período de 1 de janeiro a 31 de março de cada ano, para ter validade máxima de doze meses, até 31 de dezembro do mesmo ano. Para os programas de alimentação do trabalhador apresentados entre 1° de janeiro e 31 de dezembro, a validade se daria a partir da data do seu início efetivo, limitado a 1° de janeiro, e, quando a adesão ao programa ocorresse após 31 de março, o período de validade seria contado a partir da data de apresentação até 31 de dezembro do mesmo ano. e)a supracitada Portaria foi revogada pela Portaria Interministerial n° 05, de 30 de novembro de 1999 (assinada pelos Ministros de Estado do Trabalho e Emprego, da Fazenda e da Saúde), que manteve as mesmas determinações acima ressaltadas, exceto quanto ao prazo para adesão ao programa e de validade do mesmo, conforme o disposto no art. 3°, caput, que estabelece que "a adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e terá validade a partir da data do registro do formulário de adesão na ETC, por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da empresa beneficiária ou pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em razão da execução inadequada do Programa". O § único do mesmo artigo determina que excepcionalmente, para o ano de 2000, a validade mencionada no caput será retroativa a 1° de janeiro para as empresas que aderirem ao PAT até 31 de março do mesmo ano". Os Discriminativos Analítico, Sintético do Débito, Relatório de Lançamentos, Relatório de Documentos Apresentados, e Fundamentos Legais do Débito, às fls. 04 a 47, contêm os elementos necessários ao entendimento do fato gerador das contribuições devidas e do período a que se referem, conforme o disposto no art. 37 da Lei n° 8.212/91. Verifica-se a não participação dos segurados empregados no custo das referidas refeições (marmita). Sobre o valor atualizado das contribuições previdenciárias, assim como de outras importâncias arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária - SRP, não recolhidas dentro dos prazos legalmente estipulados para tal fim, incluídas em notificação fiscal de lançamento de débito, incidem juros e multa moratórias, de caráter irrelevável, IME - SEGUNDO CnNEELY10 DE cormtnwonts CONFERE COM O nRIGINAL a.rk oP- iooProcesso n.°37316.00302112005-56 %mia CCO2/036 Acórdão n.° 206-00.303 COA° Fls. 194 Maria de FMixVScin de Can/alho Mat. Siepe 751683 previstos nos artigos 34 e 35, II da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, lei específica que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano do Custeio, e dá outras providências, sobre a qual não prescreve o Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei n° 8078/90, com as alterações da Lei n° 9.298/96. Vale ressaltar, que a Impugnante equivoca-se ao tentar imputar às contribuições ora exigidas a aplicação do aludido Código, de vez que a SRP não lhe oferece bens ou serviços, mas sim, seguro social de caráter compulsório, não sendo, portanto, a empresa consumidora, mas sim, contribuinte do Regime Geral de Previdência Social. No mais, quanto a discussão em torno inconstitucionalidade da legislação que ampara a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, por ferir, como alegado, princípios esculpidos na Carta Magna vigente, cabe informar ao contribuinte que a controvérsia em torno da matéria proposta, não pode prosseguir estando o processo em sede administrativa. O artigo 48, da Lei no. 9.784, de 29/01/1999, publicada no DOU de 01/02/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (a qual aplica-se subsidiariamente ao contencioso administrativo fiscal no âmbito da Previdência Social, nos termos do artigo 43, da Portaria no. 520, de 19/05/2004), contém mandamento no sentido de que "a Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações em matéria de sua competência". (grijéi). A competência para processar e julgar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é privativa do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o contido no artigo 102, 1, "a", da Constituição Federal de 1.988 (na redação dada pela EC 3/93). Por outro lado, a suspensão da execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF, compete exclusivamente ao Senado Federal, conforme determina o artigo 52, X, da Carta Magna. De conformidade com o Parecer MPAS/CJ no. 2.547/2001, com aprovação ministerial em 23/08/2001, as leis e atos normativos nascem com a presunção relativa de constitucionalidade, a qual pode ser elidida pelos órgãos do Poder Judiciário, através de seu modo particular, quanto pelo Poder Executivo que, sob critérios bastante seguros, pode recusar o seu cumprimento. Assim sendo, a Administração deve abster-se de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos, que não tenham sido expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Além disso, o fato do agente público ter por obrigação o estrito cumprimento das disposições legais, assegura ao particular o respeito às suas garantias fundamentais, as quais, urna vez tidas por violadas, podem ser defendidas através de meios judiciais específicos. MF ShjUNDO CONRELHODE CONTRIELAMES CONFERI CO? 1 O nRIG1NAL Processo n.° 37316.003021/2005-56 Brasília, , 2C3et CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.303 Fls. 195 Maria de Fitiraárvalh&—:› Mat Siape 731683 O MPF - Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n° 3.969, de 2001, alterado pelo Decreto n° 4.058, de 2001, é a ordem específica dirigida ao Auditor Fiscal da Previdência Social — AFPS, para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais descritos. O MPF n° 09229660, emitido em 30 de março de 2005, às fls. 50, (disponível na Internet no endereço www.previdencia.gov.br) cientifica que, a partir da sua ciência, o sujeito passivo encontrava-se sob Auditoria-Fiscal Previdenciária, conforme o disposto no art. I° da Lei n° 11.098, de 13/01/2005, para verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos do art. 142, do Código Tributário Nacional - CTN. Esclareço a Impugnante, que a atualização do relatório Fundamentos Legais do Débito depende de adequação do sistema com liberação de versão do aplicativo, ainda não acontecido à época da lavratura desta notificação fiscal, em 20/05/2005. Como se vê, a presente notificação fiscal está suprida de seus elementos essenciais, na forma da lei, de modo que não procede a alegação da Impugnante no sentido de que, pela carência de elementos, a NFLD é nula por imprecisão e inexatidão, nos termos dos artigos 31 e 32 da Portaria n°520/2004. O Relatório FLD — Fundamentos Legais do Débito e das Rubricas, indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador, como determina o artigo 144, caput, do Código Tributário Nacional; portanto, também não procede a alegação da Impugnante, quanto ao prejuízo para inscrição em dívida ativa, haja vista que todas as rubricas estão fundamentadas para garantia da liquidez do crédito constituído (art. 201 do CT7V)." Por tais razões, CONHEÇO do Recurso Voluntário, mas no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 12 de dezembro de 2007 DIP /01/ DANIE AYRES KALUME REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000916/2010-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2006
Ementa: INSUMOS. TERMO. ALCANCE.
São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE
CREDITAMENTO.
Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3803-003.303
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Acompanhou o julgamento: Drª Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC nº 10264.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 Ementa: INSUMOS. TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-18T20:02:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-18T20:02:42Z; Last-Modified: 2014-07-18T20:02:42Z; dcterms:modified: 2014-07-18T20:02:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:0dafd3a9-6794-4560-bbe3-c91f56ca328c; Last-Save-Date: 2014-07-18T20:02:42Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-18T20:02:42Z; meta:save-date: 2014-07-18T20:02:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-18T20:02:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-18T20:02:42Z; created: 2014-07-18T20:02:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2014-07-18T20:02:42Z; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-18T20:02:42Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000916/201071 Recurso nº 939.237 Voluntário Acórdão nº 380303.303 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria PER/DCOMP Recorrente MADECAL AGRO INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 Ementa: INSUMOS. TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Acompanhou o julgamento: Drª Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC nº 10264. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação da contribuição para o PIS nãocumulativo, no valor de R$ 148.908,6, decorrente de operações no mercado externo, que remanesceram ao final do 3º trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno. A DRF em Joaçaba adotou como razão de decidir Parecer Fiscal elaborado por aquela Delegacia, homologando a compensação de parcela do crédito pleiteado, no valor de R$ 136.635,10. Ademais, a autoridade de piso se manifestou pela glosa da base de cálculo da contribuição, o crédito referente às operações de aquisição de embalagens de transporte; gastos com bens e serviços que não são considerados insumos e encargos com depreciação de bens do ativo imobilizado que não são diretamente utilizados no processo produtivo. Cientificado, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defende que a Receita Federal do Brasil passou a considerar como insumo todo aquele bem ou serviço aplicado no processo produtivo da empresa, de modo que geram créditos os gastos e despesas com todos os bens, produtos e serviços utilizados para a consecução da atividade da empresa, seja participando do processo produtivo efetivamente, desgastandose ou não, em contato ou não com o produto final industrializado, bem como com os serviços primordiais cuja contratação é necessária para a efetivação das atividades desenvolvidas pela empresa. Em relação aos materiais utilizados na embalagem dos produtos, a contribuinte afirma que para "efetuar a comercialização de seus produtos, bem como o transporte e venda dos mesmos, é indispensável realizar a sua proteção, por meio de insumos adquiridos especificamente para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras, entre outros". Defende, então, que "os materiais adquiridos para a confecção das embalagens participam da venda do produto, pois necessitam ser devidamente embalados, de forma a garantir a integridade da mercadoria que seguirá até seu destino final". No que concerne aos bens e serviços, cujos valores foram glosados por não consistem de insumo, a interessada reclama que os valores a estes relacionados não poderiam ser glosados em razão de sua descrição genérica e afirma que cabia a Autoridade Fiscal buscar Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 2 3 a verdade, não estando este obrigado a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado. Afirma que os serviços prestados por HEMERSON LEONILDO OLENKA ME, cuja atividade envolve o cultivo de pinus e o apoio à produção florestal, e por ZAMARI SERVIÇOS RURAIS LTDA, que atua na produção de serviços rurais, estão perfeitamente integrados ao seu processo produtivo, o que poderia ter sido verificado numa simples verificação in loco do processo produtivo. Quanto a glosa referente aos bens do ativo imobilizado, defende o direito a crédito em relação a: 1. equipamentos/máquinas adquiridos para manter usina termoelétrica, responsáveis pela produção da energia consumida no parque fabril; 2. equipamentos e máquinas que realizam o trabalho de exaustão, como os equipamentos filtrantes MIB 02 (Exautores) MCA Brandt, cavalete para o exaustor, e todas as peças de reposição adquiridas para a manutenção destes equipamentos; 3. equipamentos que realizam a medição de ruídos (como o decibilimetro ESC 35 a 130 DB Mod. DEC405), utilizado dentro das dependências da empresa, para realizar o trabalho de manutenção das condições locais, para o bom desempenho das atividades dos funcionários que estão em contato direito com o processo produtivo no parque fabril; 4. máquinas que efetuam os pacote das embalagens, qual seja a máquina de arquear Blancks, máquinas de prensar, aparelho CH 48 (utilizado para a realização do lacre das embalagens e tem por finalidade amarrar a madeira), aparelho esticador (utilizado para a aplicação do filme plástico nas embalagens); 5. máquinas que realizam o deslocamento dos produtos dentro das instalações da empresa, como é o caso das empilhadeiras Hyster Mod. H80J e empilhadeiras MCA Clark C interno 122, carro hidráulico para pallets; 6. equipamento controlador fitosanitário, utilizado na secagem de madeiras dentro das estufas, que realiza o trabalho de manter o produto (madeiras) sem a presença de fungos, sendo aplicado diretamente sobre ele. Ao final, requereu a atualização dos créditos pela taxa SELIC, a partir da data de protocolo do respectivo pedido administrativo de ressarcimento; a oportunidade de provar o alegado por meio de todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos e o reconhecimento integral do crédito pleiteado e homologação das compensações declaradas. A DRJ em Florianópolis indeferiu a manifestação e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Eis a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ONUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano calendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito A. crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos &retamente aplicados na produção de bem destinado A. venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado A venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo As suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a titulo de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais e incorporados ao ativo imobilizado, que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados A venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 3 5 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual, em apertada síntese repisa os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma do julgado hostilizado para que seja homologada a compensação declarada. Trouxe, ainda, notas fiscais de serviços prestados pela pessoa jurídica Zamaris Serviços Rurais LTDA e Empreiteira Pedroso LTDA, para contrapor os argumentos expostos pela DRJ em Florianópolis para manter a glosa efetuada pela DRF em Joaçaba. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A contribuinte já identificada acima buscou via Per/Dcomp a compensação de crédito, decorrente de operações no mercado externo, remanescentes após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno. Sua pretensão foi parcialmente reconhecida pela delegacia de origem o que ensejou o presente inconformismo. Quanto da análise do crédito, a autoridade fiscal entendeu que a contribuinte não faria jus à exclusão da base de cálculo das contribuições sociais concernentes a algumas operações realizadas por esta no mercado interno. Tais glosas foram objeto de impugnação no recurso voluntário, uma vez que foram mantidas pela DRJ em Florianópolis, e serão objeto de apreciação neste voto. DO CONCEITO DE INSUMOS No tocante ao mérito da lide, a qual desemboca para o conceito de insumos defendido pela receita federal e contraposto pela contribuinte, pedimos vênia para discordar da primeira e fazer as considerações iniciais que consideramos relevantes para a compreensão desta decisão. A Madecal Agro Industrial LTDA. tem por objeto social a implantação, manutenção e comércio de florestas e a exploração da indústria e comércio de madeiras, bem como a industrialização, comercialização, importação e exportação de resíduos e compostos de madeira e plástico na forma granulada, e de produtos na forma extrudada ou injetada. Busca a contribuinte através de declaração de compensação, compensar seus débitos com crédito de PIS nãocumulativo relativo ao 2º trimestre de 2007. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 4 7 § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 5 9 Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumos" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, jamais se conceberia. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais), conforme preceitua o RIR (Decreto 3000/99) nos arts. 290 e 299. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no Resp 1.246.317 MG de relatoria do Min. Mauro Campbell e foi adotado por esta Turma Especial para fins de interpretação do conceito de “insumos” na legislação das contribuições sociais. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. DA GLOSA REFERENTE ÀS EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DESTINADOS AO TRANSPORTE O Despacho Decisório sustentou que as embalagens para o fim de transporte não geram direito ao creditamento tendo em vista que a legislação de regência conceitua o processo de industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. No entender da autoridade fiscal atuante, as embalagens que se destinam ao transporte dos produtos elaborados não compõem o processo de industrialização, diferentemente das embalagens de apresentação. Muito embora a autoridade fiscal entenda que as embalagens de transporte possam eventualmente se prestar também à garantia da integridade de seu conteúdo, ainda assim, justificou que por não conterem rótulos indispensáveis ou indicações promocionais que impliquem despesas mais elevadas em sua elaboração, não possuem o objetivo de, por si só, motivar a compra do produto nelas acondicionado ou valorizálos em razão dos materiais e acabamentos nelas empregados, que é o que caracteriza uma embalagem de apresentação. A DRJ perfilhou o mesmo entendimento esposado pela DRF em Joaçaba e manteve a glosa referente às embalagens aplicadas aos produtos industrializados destinados ao transporte. Em sua defesa, a Recorrente aduziu que os produtos industrializados compõemse de madeira e para efetuar a comercialização e o transporte dos seus produtos, é necessário efetuar a proteção, o que somente é possível mediante a aquisição de insumo adquiridos para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras entre outros. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 6 11 Os insumos glosados pela autoridade administrativa foram: a) etiquetas adesivas; b) chapa de papelão ondulado c) cantoneiras d) filme stretch e) fita de aço A Madecal em seu recurso, explicou que todos esses produtos são necessário para a proteção do produto comercializado para que o mesmo chegue em bom estado ao consumidor final. As etiquetas adesivas são legalmente exigidas para produtos destinados ao exterior e coladas na madeira, a chapa de papelão ondulado é utilizada como proteção superior, inferior e laterais do produto embalado como proteção, as cantoneiras servem para proteger as laterais do pacote, o filme stretch e a fita de aço possuem a finalidade de amarrar este pacote. Não há como concordar com o posicionamento adotado pela delegacia de origem e de julgamento. Isto porque, a embalagem de transporte integra o custo de venda do produto e faz parte do processo de industrial, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final. A embalagem destinada ao transporte visa a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Se o serviço de transporte das mercadorias integra a operação de venda, com custos suportados pelo produtor, tais embalagens se mostram imprescindíveis para a proteção e manutenção da integridade da madeira durante seu transporte, bem como, para garantir que o consumidor adquira um produto de qualidade, devem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. No caso das contribuições sociais, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 deixaram bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no art. 195, §12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este destes tributos cobrados em toda cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem e de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS destes serviços da base de cálculo das contribuições sociais. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Turma Especial, julgados em 19/08/2009 e 23/05/2012, respectivamente.1 Da mesma forma, entendo que a IN SRF 358, de 09/09/2003 ao incluir no conceito de insumos o material de embalagem utilizado no processo produtivo, não fez qualquer distinção se para apresentação ou para transporte de mercadorias. Justamente por ser genérico, pretendeu o legislador com o art. 8º § 4º, I da IN SRF nº 404/04, autorizar o 1 Resp nº 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Acórdão nº 380302.983, da 3ª Turma Especial, da 3ª Seção. Relatoria do I. Cons. Jorge Victor Rodrigues. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 12 creditamento de todo e qualquer material de embalagem desde que comprovadamente utilizado no processo de produção do bem. Desta feita, voto para reformar as decisões hostilizadas no sentido de considerar as aquisições de materiais que compõem as embalagens utilizadas no transporte dos produtos industrializados pela empresa. DA GLOSA REFERENTE AOS DEMAIS BENS E SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS Compulsando o Parecer Fiscal que motivou o reconhecimento parcial do crédito pleiteado pela Recorrente, observase que os valores constantes do Quadro 2 foram glosados pela Receita Federal tendo em vista a descrição genérica da contribuinte, o que impossibilitou a identificação de certos bens e serviços como insumos do processo produtivo da madeira. O Colegiado a quo manteve o decisum, justificando que nos casos de repetição de indébito a incumbência do ônus probandi é do próprio contribuinte, o qual alega a existência de crédito a seu favor. Neste ponto, não há o que repreender na decisão proferida pela DRJ em Florianópolis. Como regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. De outro turno, em sede de Manifestação de Inconformidade entendeu aquele Órgão que não logrou a contribuinte comprovar o teor de suas alegações: “dos serviços glosados não constam serviços prestados pela empresa HEMERSON LEONILDO OLENICA ME; consta do campo DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS das notas n° 35 e 36 emitidas pela empresa ZAMARI SERVIÇOS RURAIS LTDA, que se encontram juntadas nos autos do processo 10925.001731/200860 (Cofins do mesmo período), a descrição "Locação de 03 máquinas c/ implemento"”. Para contrapor os argumentos até então expendidos em seu desfavor, trouxe a Madecal notas fiscais de prestação de serviços bem como comprovantes de situação cadastral das empresas Zamari Serviços Rurais LTDA. e Empreiteira Pedroso LTDA, com o fito de comprovar, por meio destes, que os serviços contratados destas pessoas jurídicas são insumos no processo produtivo da madeira comercializada pela ora Recorrente. Destarte, não se presta a instância recursal à analise de provas posto que tal feito já é realizado, a priori, pela SRF e em momento posterior pela DRJ. Competência esta delegada pelo art. 15, incisos I e V do Decreto 7.482, de 16 de maio de 2011 e art. 25, inciso I da Lei nº 70.235 de 06 de março de 1972. Vide: Art. 15. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 7 13 I planejar, coordenar, supervisionar, executar, controlar e avaliar as atividades de administração tributária federal e aduaneira, inclusive as relativas às contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor; V preparar e julgar, em primeira instância, processos administrativos de determinação e exigência de créditos tributários e de reconhecimento de direitos creditórios, relativos aos tributos por ela administrados; Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; Nesse sentido, o Contribuinte contou com dois momentos distintos e oportunos para apresentar a devida documentação que comprovasse suas alegações, visto que, por tratarse de repetição de indébito, incumbe ao próprio Contribuinte a prova de fato constitutivo de seu direito. Outrossim, reza o parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 que “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Preceitua, ainda, o mesmo artigo 16 que da impugnação constará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que comprovem o direito do impugnante. Como se percebe, o momento processual para a apresentação das provas que a Recorrente entendessem cabíveis foi a Manifestação de Inconformidade, de modo que não se conhecerá dos documentos acima elencados nesta instância recursal. Observese que não se presta esta instância à análise probatória, entendimento já consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da Glosa Referente aos Bens do Ativo Imobilizado A Autoridade Fiscal glosou encargos com depreciação de bens do ativo imobilizado não aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda. O argumento utilizado foi que “vários dos bens declarados na linha 09 não encontram relação com o processo produtivo da interessada”. A contribuinte contesta a glosa procedida pela Autoridade Fiscal alegando que “existem algumas máquinas/equipamentos nas dependências da empresa que participam do processo produtivo, embora a ele não se integrem”. Observase que a DRJ de piso manteve a decisão da DRF neste ponto, tendo em vista que a contribuinte não logrou êxito em comprovar nos autos a efetiva participação, no processo produtivo da madeira, das máquinas que compõem o ativo imobilizado da empresa. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 14 Considerou o Colegiado que a contribuinte deveria ter trazido junto à Manifestação de Inconformidade as notas fiscais de aquisição dos bens que menciona, o que possibilitaria a verificação da origem de cada um dos bens objeto da presente glosa (notese que da listagem de bens fornecida pela contribuinte não constam o nome e nem o CNPJ dos fornecedores) e a aferição da natureza (aplicação dentro da empresa) de cada um deles. Temendo a insuficiência da argumentação para reformar o julgado anterior, a ora Recorrente retificou o erro cometido em primeiro grau, apresentando no Recurso Voluntário novos instrumentos de prova, qual seja, cópias das notas fiscais de aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado e que ao seu entender participam ativamente do processo produtivo dos bens comercializados pela empresa. Cotejando as glosas realizadas pela autoridade atuante que constam no Parecer Fiscal com o conceito de insumos expendido mais acima, observamos de pronto que a decisão proferida pela DRJ merece reparos. Novamente reportome ao objeto social da ora Recorrente: a implantação, manutenção e comércio de florestas e a exploração da indústria e comércio de madeiras, bem como a industrialização, comercialização, importação e exportação de resíduos e compostos de madeira e plástico na forma granulada, e de produtos na forma extrudada ou injetada. Percebe se então que a renda e os lucros da empresa provém, basicamente, da comercialização de madeiras. De antemão observo que nem todos os bens glosados pela autoridade fiscal são passíveis de creditamento, ou tiveram sua participação no processo produtivo comprovados. Compulsando os autos é possível perceber que no Parecer Fiscal o parecerista tomou o cuidado de descrever a função de cada equipamento glosado no estabelecimento comercial da empresa. Por outra via, em seu recurso voluntário, a contribuinte defende o direito a crédito de equipamentos como a empilhadeira Hyster, carro hidráulico, máquina de arquear blanks, cortador de grama dirigível, roçadeira, aparelho CH 48, aparelho esticador, laminadora polaseal, kit controlador fitosanitário. Assim, entendo que o contribuinte faz jus ao desconto da base de cálculo da contribuição social em questão dos valores glosados constantes do Parecer Fiscal referentes ao encargo com depreciação dos bens do ativo imobilizado, com exceção dos seguintes bens e equipamentos: cortador de grama; equipamento para combate de incêndio; roçadeira; macaco; módulo solar; torres para comunicação; equipamento de proteção para incêndio; cancela automática; máquina para cortar asfalto; sistema para armazenamento de combustível. Conclusão Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que sejam descontados da base de cálculo da contribuição social em questão, os valores expendidos com embalagem de transporte e com despesas com bens do ativo imobilizado, com exceção dos seguintes bens e equipamentos: cortador de grama; equipamento para combate de incêndio; roçadeira; macaco; módulo solar; torres para comunicação; equipamento de proteção para incêndio; cancela automática; máquina para cortar asfalto; sistema para armazenamento de combustível, tendo em vista que não tiveram aplicação direta no processo produtivo ou cuja aplicação não foi comprovada. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 380303.303 S3TE03 Fl. 8 15 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN 16 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10925.000916/201071 Interessada: MADECAL AGRO INDUSTRIAL LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.303, de 19 de julho de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 19 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000378/2006-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS.FALTA DE MOTIVAÇÃO PARA DESCARACTERIZAÇÃO DOS RECIBOS
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos que atendam às exigências legais, glosadas sem a devida fundamentação para sua desconsideração no auto de infração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-000.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Relator. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 88/93, que considerou procedente o lançamento relativo a “Dedução indevida a titulo de despesas médicas, no valor de R$12.435,00,” do total informado na declaração de ajuste no valor de R$ 22.756,60 (fl. 24) . Da descrição dos fatos no auto de infração, destaco a resposta do contribuinte transcrita e a conclusão da fiscalização, a saber: “Em resposta, o contribuinte declarou: a) os serviços prestados por Dalva Mazzoni, dentista, foram feitos nele mesmo, em sua esposa Maria de Fátima Pires de Almeida Mazzoni e em sua filha Camila de Almeida Mazzoni. Enviou radiografias, fichas clinicas dos três interessados e uma declaração da dentista confirmando os serviços prestados. b)os serviços prestados por Rogério Marques Valente, foram para sua esposa. Maria de Fátima Pires de Almeida Mazzoni. O profissional apresenta uma declaração confirmando o tratamento de psicoterapia Individual durante todo o ano de 2002 Tendo em vista o acima exposto, o contribuinte declara haver efetuado os pagamentos em moeda corrente, não logrando comprovar, via documentação hábil e Idônea os efetivos pagamentos destas despesas. Para gozar as deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a disponibilidade de recibos ou declarações, cabendo a este, se questionado, comprovar, de forma objetiva tanto a efetiva prestação do serviço quanto o pagamento realizado. Desta forma, estes pagamentos no total de R$12.435,00 (R$7.435,00 R$5.000.00) foram glosados.” (grifei) A impugnação foi relatada na 1ª instância nos seguintes termos: “1) Apresentou todos os documentos e esclarecimentos exigidos pela autoridade fiscal; 2) "Todas as exigências do Fisco foram atendidas, logo o pedido de apresentação de extratos bancários ultrapassa os limites da lei, uma vez que não acatar o pagamento em dinheiro e exigir extratos bancários é entrar na esfera da individualidade do contribuinte"; 3) "A prestação de serviço foi paga em moeda corrente porque o contribuinte tinha dinheiro em seu, poder e não em depósito bancário, tudo conforme consta na declaração de bens"; 4) Segundo dispõe o artigo 80, parágrafo 1°, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda vigente, "o, que tem de ser provado é se houve o serviço, para quem foi pago e se este recebeu e emitiu o, recibo". (grifei) Na decisão de 1ª instância foi mantido o lançamento nos seguintes termos de ementa: “DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros Fl. 114DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO Processo nº 13637.000378/200672 Acórdão n.º 280200.756 S2TE02 Fl. 105 3 correspondentes por parte do contribuinte, não há justificativa para seu restabelecimento sem a confirmação do efetivo desembolso.” (grifei) A ciência de tal julgado se deu por via postal em 20/04/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 96. À vista da decisão, foi protocolizado, em 16/05/2009, recurso voluntário de fls. 97/102, no qual o pólo passivo informando ser médico, Funcionário Público Federal e Estadual, afirma nunca ter recebido restituição de Imposto de Renda. Na peça recursal, o contribuinte questiona a decisão, uma vez que a mesma foi embasada no livre convencimento, sem apresentar justificativa plausível, que pudesse desconstituir os documentos e argumentos apresentados. Continua por afirmar que “Exigir além do que é permitido em Lei, ultrapassa o poder do julgador, pois, em momento algum quis o fisco acreditar no que estava realmente acontecendo, colocoume em dúvida a origem do dinheiro para pagamento, entendendo em seu livre convencimento de que era necessário comprovar por meios de provas complementares, como as relacionadas às fls.91, parágrafo quinto..... Desta forma ficou patentemente provado e comprovado o que a Lei exige, os julgadores é quem querem exigir mais, ou quem sabe se mostrar acima da Lei. Falar de livre convencimento em matéria tributária, principalmente por parte de um órgão fiscalizador de segmento do Poder Executivo e não do Judiciário, onde é fácil constatar a veracidade dos fatos, como já disse, a Lei é cristalina no que quer, e nisso ,.foi mostrado limpidamente com a lisura dos documentos solicitados. .... Desta forma, equivocaramse os julgadores do Acórdão, quando do seu embasamento, já que não consta nenhuma irregularidade, assim também, não está a decisão enquadrada em nenhum dispositivo legal, capaz de ser aplicado qualquer tipo de penalidade, inclusive pecuniária, ferindose de morte o texto constitucional que, nitidamente o legislador consagrou em nossa Lei Maior vigente, em seu artigo 5° inciso II, como segue: "NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FAZER OU DEIXAR DE FAZER ALGUMA COISA SENÃO EM VIRTUDE DE LEI".” (grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relator O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de recurso voluntário em face da decisão que manteve o lançamento por glosa de parte da dedução de despesas médicas pleiteadas. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO 4 As deduções de base de cálculo encontram previsão legal no art. 8º, inciso II e §2º, da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a saber: “II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea “b” do inciso II deste artigo.” Ainda, dispõe o artigo 73 do Decreto 3000/1999 (RIR/99), abaixo in verbis, a necessidade da comprovação efetiva dos pagamentos efetuados ou justificação das despesas, a saber: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º).” (grifo nosso) Antes de adentrar na análise do caso em questão, quero registrar meu atual entendimento, desenvolvido com o desenrolar das discussões nas sessões, quanto à aplicabilidade do disposto no artigo 73 do RIR/99. Primeiramente devese observar que, na medida que tal dispositivo tem como base, o artigo 11 , § 3º do Decreto Lei n° 5.844, de 1943, fica a dúvida quanto à sua aplicabilidade após a Constituição de 1988, que consagrou o Estado Democrático de Direito, com observância do devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa. Ao mesmo tempo, como tal dispositivo continua sendo reproduzido, mesmo após 88, nos regulamentos que se sucederam, quer sejam no de 1994 e no de 1999, entendo que sua aplicabilidade deve ser considerada “constitucionalizadamente”. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO Processo nº 13637.000378/200672 Acórdão n.º 280200.756 S2TE02 Fl. 106 5 Não restam dúvidas que termos como “a juízo da autoridade lançadora”, pleiteadas deduções “exageradas”, deduções “incabíveis”, glosadas “sem audiência” do contribuinte, sem a devida fundamentação e esclarecimentos não se coadunam com o Estado Democrático de Direito, tampouco demonstram atendimento aos princípios constitucionais, pois, para que não pairem dúvidas quantos às exigências a serem comprovadas pelo contribuinte e a razão desse aprofundamento, fazse necessária a motivação da autoridade lançadora que não pode ao seu alvitre desconsiderar os comprovantes que apresentem os requisitos legais sem um mínimo de fundamentação para o não acolhimento. Assim, entendo que, em princípio, os recibos que atendam aos requisitos legais são os documentos hábeis à comprovação para efeito de dedução, salvo, quando a autoridade lançadora desconstituílos, apresentando a devida motivação e esclarecimentos minudentemente detalhados, para que o contribuinte possa se defender, inclusive, desse fundamento, contrapondose ou derrubando a motivação e as alegações que fundamentem a desconsideração dos recibos. Neste caso, observandose a descrição dos fatos, não encontro a motivação que levou a autoridade lançadora a desconsiderar os recibos, além do fato : no caso da odontológa, verificase, inclusive, a juntada de declaração (fl. 70), assim como da ficha dentária dos pacientes (fls. 71/75); da psicoterapeuta, Rogéria Marques Valente, a mesma ter declarado a prestação de serviços durante o ano para a esposa do recorrente. Desta feita, a não aceitação dos recibos que cumpram os requisitos legais, por discricionariedade da autoridade lançadora, sem a devida motivação que permita ao contribuinte a sua ampla defesa, não pode ser acatada; caso encontrássemos as devidas justificativas para a desconsideração desses documentos, aí sim, poderíamos entender que a autoridade fiscal agiu com base nos princípios constitucionais que regem e se espera dos representantes da Administração Pública. Com a devida vênia, valho me de trecho do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Sidney Ferro Barros, que assim fundamentou: “Insisto que o art. 8º da Lei nº 9.250/1995 dispõe (§ 2º, III) que a dedução: “limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Não me parece licito, em nome da tal “formação de convicção do julgador”, exigir a prova bancária que a lei não exige. Se a legislação contém falhas – e acho, mesmo que as tem – que dão margem até mesmo a abusos de forma lastreados em documentação de aparência formal lícita, que se modifique a legislação. Não se puna o contribuinte por lacunas nesta; não se tribute a dúvida.” (grifei) Fl. 117DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO 6 Por todo o exposto, a glosa no valor de R$12.435,00 a titulo de despesas médicas deve ser cancelada. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Fl. 118DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO
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Numero do processo: 10880.962346/2008-54
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para COFINS
Ano Calendário: 2004
PROVA. INTIMAÇÃO. OBRIGAÇÃO FUNCIONAL. NULIDADE.
IMPROCEDÊNCIA.
A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-003.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para COFINS Ano Calendário: 2004 PROVA. INTIMAÇÃO. OBRIGAÇÃO FUNCIONAL. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendêlas necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 23/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues E Eu, Areovaldo Mariano Tavares, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório O Grupo SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA., com sede na Av. Álvaro Guimarães, 1100, São Bernardo do Campo, inscrita no CNPJ nº 61.077.830/000101, é sucessor por incorporação da ARNO S/A. O contribuinte por meio do Per/Dcomp nº 20842.55702.101104.1.3.041958, transmitido em 10/11/04 (fls.), compensou créditos de COFINS (oriundos da saída de mercadorias gratuitas brindes) recolhidos a maior ou indevido, com débitos próprios de COFINS apurados em outubro/04, com vencimento em 12/11/04, buscando a correspondente homologação. O seu pleito foi analisado por meio de despacho decisório pela DERAT/São Paulo, em 11/12/08 (fl. 01), e não homologada a compensação declarada, por inexistência de crédito o suficiente à satisfação da pretensão. Insurgindose contra o feito o interessado manifestou a sua inconformidade aduzindo sucintamente: A base de cálculo do PIS/COFINS é o faturamento mensal/receita bruta de vendas e serviços, e os valores pagos sobre notas fiscais de saída de mercadorias (brindes), sem o correspondente auferimento de receita/faturamento não enseja a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária, ex vi do art. 24 da IN SRF nº 600/05; bem assim que a não homologação da DCOMP representa ofensa aos dispositivos contidos no art. 37, CF/88; e arts. 2º, 3ºI e 50I, da Lei nº 9.784/99. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.962346/200854 Acórdão n.º 3803003.545 S3TE03 Fl. 2 3 Esclarece que cometeu o equívoco de incluir valores que não constituíam receita/faturamento na base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS quando da transmissão do Per/DComp, e que não apresentou declaração retificadora para exclusão desses valores. Portanto, há erro de fato no seu procedimento. No mais, juntou aos autos o "Demonstrativo Cofins agosto de 2000" (fl. 18) e "balancete" da competência 08/2000 (fls. 21/22), informam os valores devidos de Cofins. Conclusos foram os autos a julgamento pela 6ª Turma da DRJ/SPI que, por meio do Acórdão nº 1630.910, de 14/04/11 (fls.41/), proferiu decisão sintetizada na forma da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS. Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito creditório Não Reconhecido. O pronunciamento pelo não reconhecimento do direito creditório deuse mediante a verificação de que o recolhimento supostamente indevido ou a maior constante do DARF (fl. ) e informado no PER/DCOMP, já houvera sido integralmente utilizado em pagamento de tributos devidos. Observou que o contribuinte não efetuou as devidas retificações nas declarações apresentadas e, mesmo que elas fossem feitas, isto não seria o bastante para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil, que dê suporte aos valores declarados, ex vi do § 1o do art. 147 do CTN, que admite a retificação da declaração por iniciativa do Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 próprio declarante, desde que reste comprovado o erro em que se funde, e antes de noticiado o lançamento. Observou que o interessado não acostou aos autos, documentos contábeis capazes de comprovar a composição da base de cálculo, como por exemplo Livro Razão, Livros de Registro de entrada, Livros de Registros de saída, ou Notas Fiscais, objetivando comprovar o erro que alega ter cometido ao incluir na base de cálculo valores que não constituíam sua receita ou faturamento, para assim respaldar o crédito alegado. Outrossim, consubstanciou a sua defesa apenas mediante um Demonstrativo de PIS da competência em análise, e um "balancete" que, se fôssemos considerar como sendo um balancete de verificação, sequer contém os elementos mínimos, como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e número de registro no CRC, estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T.2.7, aprovada pela Resolução CFC n° 685/90, vigente A época do fato gerador. Vale dizer que a defesa não comprovou a liquidez e certeza do crédito pleiteado, tendo em vista que não apresentou documentação hábil e idônea, necessária para assegurar o re ferido crédito. Concluiu, então, o julgamento pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, nos termos do despacho decisório. O sujeito passivo tomou ciência do teor do Acórdão retromencionado em 20/05/11 (sextafeira, e início da contagem do prazo em 23/05 (fl. 48), segundafeira, primeiro dia útil), conforme atesta o AR (fl. 48) e, irresignada com o seu desfecho contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 19/06/11 (fl. 50, vide protocolo), observando que a não incidência da Contribuição ao Cofins sobre tais montantes não foi em nenhum momento contestada pela decisão recorrida, que apenas entendeu não terem sido apresentados documentos que comprovam a liquidez e certeza dos créditos compensados, para aduzir, resumidamente: DA PRELIMINAR DE NULIDADE. O Despacho Decisório deve ser anulado, posto que não intimou o contribuinte a apresentar documentos comprobatórios dos créditos alegados, ou mesmo determinou a realização de diligência ao seu estabelecimento, afrontando o disposto no art. 4o da IN SRF nº 600/05, bem assim aos os princípios contidos no art. 37 da CF/88 e do art. 2º da Lei nº 9.487/99, posto que a autoridade administrativa tem o dever de investigar acerca da liquidez e certeza do direito creditório informado no Per/Dcomp pelo contribuinte. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.962346/200854 Acórdão n.º 3803003.545 S3TE03 Fl. 3 5 DO MÉRITO. Se ultrapassada esta preliminar, o Recorrente a sua convicção de que a manifestação de inconformidade foi instruída com documentos hábeis e idôneos à comprovação do direito creditório, tais como demonstrativo de composição da base de cálculo da Contribuição ao PIS, bem como balancetes de verificação, nos quais indicou claramente o valor das mercadorias que saíram do estabelecimento a título gratuito e que, portanto, não deveriam ter integrado a base de cálculo, havendo sido tais documentos amesquinhados pela decisão recorrida. A Manifestação de Inconformidade foi subscrita por representante legal da Recorrente, o qual no ato, ainda que implicitamente, atestou a veracidade e assumiu responsabilidade pelas informações contidas na petição e nos documentos a ela acostados, bem assim os documentos a ela colacionados são hábeis e idôneos à comprovação do direito creditório, a saber: demonstrativo de composição da base de cálculo da Contribuição ao PIS, bem como balancetes de verificação, nos quais indicou claramente o valor das mercadorias que saíram do estabelecimento a título gratuito. Salvo em sentido contrário – a cargo do Fisco , a presunção de boafé e de idoneidade dos documentos acostados à Manifestação de Inconformidade deve militar em favor da Recorrente. O Recorrente colaciona, em sede de recurso voluntário, documentos adicionais que corroboram as provas apresentadas na manifestação de inconformidade, a saber: (i) demonstrativo de composição da base de cálculo da contribuição ao PIS e balancetes idênticos aos anteriormente juntados à manifestação de inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: o nome e a assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC (03 e 04); (ii) demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da contribuição ao PIS, com indicação de respectivos valores contábeis, e Códigos Fiscais de Operação (“CFOP”) (doc. 05) (fls. 66/88); e (iii) cópia do Termo de Abertura, do Termo de Encerramento e das páginas do Livro de Registro de Saídas em que as referidas notas fiscais foram lançadas (doc. 06). Finalmente requer o provimento do recurso para que seja decretada a nulidade do despacho decisório nos termos do item II.1; ou não sendo este o entendimento, para que seja reconhecida a efetiva comprovação do direito de crédito e, conseqüente homologação da compensação objeto da lide. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 6 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O contribuinte pretendeu compensar crédito oriundo da saída de mercadorias gratuitas do seu estabelecimento (brindes), com débitos próprios de PIS, no período de apuração de agosto/2000, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela inexistência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência, sendo aqueles apresentados insuficientes ao mister. Documentos outros foram apresentados em sede de recurso voluntário, a título de complementação àqueles já colacionados, oportunamente, com o fito de comprovação do alegado na exordial. Cumpre observar que o tema “incidência ou não da contribuição ao PIS sobre a saída de produtos gratuitos (brindes) do estabelecimento do contribuinte”, não foi objeto de deliberação na instância a quo, nem do recurso aviado, razão pela qual não será abordado neste exame. O deslinde da querela circunscrevese à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. PRELIMINAR DE NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DO CONTIDO NO ART. 4º DA IN SRF 600/2005. O teor do decidido no aresto recorrido respaldouse nas razões de fato contidas no despacho decisório eletrônico de fls. 01, notadamente sobre o exame da documentação constante dos autos à época da ocorrência dos fatos geradores, inclusive aquela anexada à manifestação de inconformidade, quais sejam: o DARF), a DCTF referente à 07/2000 (fl. ) e DIPJ anocalendário de 2000 (fl.), que informam o valor devido do PIS. Da análise dos citados documentos o juízo recorrido constatou que o suposto recolhimento indevido ou a maior, informado no Per/DComp, foi integralmente utilizado na quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo a ser compensado, eis que o limite de crédito na data da transmissão da DCOMP em 10/11/04 era de R$ 7.933,77 (fl.), bem assim que os documentos acostados aos autos não foram suficientes o bastante para lograr a comprovação das assertivas formuladas pelo contribuinte, pois sequer continham os elementos mínimos para atestar a existência do crédito alegado, tais como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC, estabelecidos pelas Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.962346/200854 Acórdão n.º 3803003.545 S3TE03 Fl. 4 7 Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T. 2.7, aprovada pela Resolução CFC nº 685/90, vigente à época do fato gerador. A contestar tais argumentos fundados na decisão recorrida veio o Recorrente a formular assertivas no sentido de que a autoridade administrativa fiscalizadora ao constatar a insuficiência dos dados apresentados para o fim de reconhecimento do direito ao crédito alhures descrito, o deveria haver intimado à apresentação de novos documentos contábeis e fiscais, ou mesmo diligenciar junto ao seu estabelecimento, acerca da constatação de certeza e liquidez do aludido crédito. E tal procedimento deveria ser efetuado para dar cumprimento ao disposto no art. 4º da IN SRF nº 600/05. Portanto, assim não procedendo deve ser anulada o Despacho Decisório. Estas são as razões que levaram à conclusão pela não homologação da Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte à repartição preparadora, sob o argumento de inexistência de crédito para satisfazer a pretensão. Acerca desta questão, de discernir a quem cabe a obrigação de comprovação do seu direito, o Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. É inconteste que o contribuinte transmitiu eletronicamente DCOMP em face de crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DCOMP, decidiu por não homologálo. De acordo com o texto legal caberia ao contribuinte, então, por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito com vista à sua pacificação, restando demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada, fazendose necessário o apelo ao reexame da lide, com pedido de reforma daquilo que já fora decidido, mediante a apresentação de novos documentos para exame pelo juízo ad quem. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Na intenção de suprir essa lacuna, mediante a juntada de novos documentos além dos já existentes, alegou o contribuinte possuir convicção que não mais restaria dúvidas acerca da comprovação do seu direito ao crédito, conforme alegado na peça inaugural, eis que tais documentos conteriam as informações necessárias e suficientes, porém que não foram apresentadas à instância a quo para apreciação do direito creditório. As assertivas formuladas pelo contribuinte referemse ao demonstrativo de composição da base de cálculo da Cofins de agosto/00 (fl. 18), que registra as saídas de mercadorias gratuitas (eletrodoméstico, assistência técnica, importados e diversos), totalizando R$ 256.600,13, inobstante conste do Per/DComp o pagamento de R$ 140.984,16, informado por meio do DARF, código de receita 8109. Por sua vez no Balancete ARNO S/A, competência de agosto/2000, consta o código da conta vendas gratuitas nº 41201004, o valor de R$ 146.616,86. Outrossim, tais elementos não são o bastante para atestar a certeza e liquidez do crédito, notadamente porque não discrimina minudentemente a que nota fiscal corresponde a gratuidade. O artigo 29 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Para tanto, deverá indicar na sentença os motivos que lhe formaram o convencimento (CPC, art. 131). Nesta parte, por se encontrar escorreito, o aresto recorrido não merece reparo. OS DOCUMENTOS COLACIONADOS AOS AUTOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. No que atine à idoneidade dos documentos acostados aos autos, temse que em nenhum momento foi mencionado que tais elementos materiais de prova oferecidos pelo contribuinte seriam inábeis e/ou inidôneos, porém consta da decisão recorrida que os mesmos foram insuficientes à comprovação do alegado, portanto ineficazes. Da mesma sina padece aqueles documentos acostados após a decisão de primeira instância, senão vejamos: determina o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. E mais, dispõe o § 4º deste mandamus que a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.962346/200854 Acórdão n.º 3803003.545 S3TE03 Fl. 5 9 Inferese dos elementos contidos nos autos que o Recorrente não laborou para demonstrar a razão superveniente que o impediu de apresentar os documentos trazidos com o recurso voluntário, oportunamente, ou seja, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade. Ao colacionar aos autos o Demonstrativo das Notas Fiscais, com indicação de respectivos valores contábeis, e Códigos Fiscais de Operação (“CFOP”) (doc. 05) (fls. 66/88), e que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da contribuição ao PIS, o recorrente repetiu o mesmo equívoco de não fazer referência a que nota fiscal corresponderia cada saída de mercadoria com gratuidade. Do mesmo mal padece a cópia do Termo de Abertura, do Termo de Encerramento e das páginas do Livro de Registro de Saídas em que as referidas notas fiscais foram lançadas (doc. 06), pois elenca as notas fiscais emitidas no mês de agosto/00 e os valores correspondentes, bem assim aqueles provenientes de operações sem débito, isentas e não tributadas, o que faz por colunas, entretanto de forma genérica, ou seja, por não haver referência a que nota fiscal corresponderia cada saída de mercadoria com gratuidade. É certo que ao não atentar para este detalhe o recorrente incorreu em duas situações que lhe são desfavoráveis, quais sejam: (i) impediu que o juízo a quo pudesse analisar e se pronunciar acerca dos elementos de prova material, de forma a impactar diversamente no resultado da peleja e, para que não reste caracterizada a supressão de instância, fica este colegiado impedido de apreciar as provas sonegadas àquele Tribunal; e (ii) com a desídia ora assinalada deu azo ao surgimento do instituto processual denominado de preclusão temporal, que reside na perda do direito de apresentação de documentos em momento inoportuno, uma homenagem ao princípio da razoável duração do processo, que busca à celeridade dos deslindes das querelas, eis que o direito não socorre àqueles que dormem. Ademais, o contribuinte ao admitir a existência de erro de fato, mesmo que tardiamente não procedeu à retificação da DCTF e, tampouco, em momento algum impugnou a assertiva formulada no Despacho Decisório acerca da insuficiência de crédito na data de transmissão da DCOMP para satisfação da compensação. Finalmente, a corroborar com o entendimento ora profligado, cumpre mencionar aqui precedentes jurisprudenciais em relação à mesma matéria, tendo como parte interessada o mesmo contribuinte, que foram recentemente julgados por esta e. Corte, a saber: Processos nº 10880.962327/200828, 10880.962331/200896, 10880.962333/200885, Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 10 10880.962335/200875, 10880.962337/200863, 10880.962339/200852 e 10880.962341/200821. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10880.962346/200854 Interessada: ARNO S.A. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.962346/200854 Acórdão n.º 3803003.545 S3TE03 Fl. 6 11 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.545 , de 26 de setembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 26 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN
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