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Numero do processo: 13558.000984/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTIMAÇÃO POR EDITAL APENAS PARA COMPARECIMENTO À REPARTIÇÃO. Se o contribuinte não tomou ciência do conteúdo do Termo de Início de Fiscalização, não se pode acusá-lo
de não ter atendido à intimação para prestar esclarecimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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INTIMAÇÃO POR EDITAL APENAS PARA COMPARECIMENTO À REPARTIÇÃO. Se o contribuinte não tomou ciência do conteúdo do Termo de Início de Fiscalização, não se pode acusálo de não ter atendido à intimação para prestar esclarecimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1516.834, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 72), que, por unanimidade de votos, julgou Fl. 94DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 procedente em parte o lançamento, que efetuou glosas nas deduções com dependentes, despesas com instrução e despesas médicas. Foi aplicada a multa agravada de 112,50% pela falta de atendimento às intimações durante a fiscalização. Em seu apelo ao CARF, à fl. 80, o recorrente requer a redução da multa de ofício de 112,5% ao percentual da multa de mora, argumentando que todas as correspondências enviadas para o seu endereço são recebidas normalmente. Este fato causou estranheza e foi um caso isolado – em nenhum momento em toda sua vida deixou de atender a qualquer fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato – é o que dispõe o artigo 136 do CTN. A redução indevida do recolhimento, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é causa para a aplicação da multa de ofício em seu percentual básico de 75% (setenta e cinco por cento), e não há previsão na legislação tributária para a sua redução ao percentual da multa de mora, conforme pleito do recorrente: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 95DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13558.000984/200830 Acórdão n.º 210101.050 S2C1T1 Fl. 87 3 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) Por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade nela prevista. Do exame das peças processuais, verificase que duas intimações foram endereçadas ao domicílio eleito pelo contribuinte, sendo recusadas o seu recebimento, conforme anotação efetuada pelo agente postal às fls. 07 e 08. Por não ter havido intimação ao contribuinte, foi utilizada a via editalícia (fls. 09/10) – procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, quando improfícuas as tentativas de notificação pessoal ou por via postal. Com efeito, o referido Edital/DRF/ITA/SAFIS/ N° 09, de 16 de maio de 2008, intimou o contribuinte, indicado em relação anexada, tãosomente a comparecer no endereço citado para tomar ciência de Termo de Início de Fiscalização. Sendo assim, somente poderia se cogitar em não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, se este houvesse comparecido à repartição e tomado ciência do Termo de Início de Fiscalização, pois até aquele momento nada sabia sobre o conteúdo e período fiscalizado. Ademais, cabe ressaltar que a intimação por edital é ficta e, portanto, não serve de suporte à aplicação da multa agravada. Por fim, resta consignar que a autoridade fiscal não indicou na descrição dos fatos do auto de infração (fls. 18/20) os motivos que o levaram a agravar a multa de ofício, majorandoa de 75% para 112,5%, o que impõe seja esta reduzida ao percentual de 75%. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 96DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Fl. 97DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000537/2007-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o
dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo
para o contribuinte, que pode refutála
mediante oferta de provas hábeis e
idôneas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplicase
à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal
em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1103-000.511
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003, 2004 Ementa:MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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LOCAÇÃO EQUIPAMENTOS PAINEIS ELETRON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 Ementa:MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75% Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário da decisão da DRJ de Campinas/SP que julgou procedente o lançamento. Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 25 de setembro de 2007, no valor total de R$ 190.882,59, conforme demonstrativo de fl. 03, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 05/07: “001. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Valor referente a depósitos bancários junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no subitem 4.4 (Informação 4) do Termo de Informação Fiscal n.º 002, em anexo, e que faz parte integrante deste auto de infração. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2003 a 31/12/3003, valor tributável ou imposto e percentual da multa (75%)] Enquadramento legal: arts. 25 e 42 da Lei n.º 9.430/96; art. 528 do RIR/99. 002. RECEITAS DA ATIVIDADE. A PARTIR DO AC 93. RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Receita da prestação de serviços escriturada/lançada e não declarada, apurada conforme item 4.3(INFORMAÇÃO 3) e seus subitens do Termo de Informação Fiscal no. 002, que faz parte integrante deste auto de infração. A multa de ofício está sendo qualificada (150%), tendo em vista os motivos expostos no item 5 do Termo de Informação Fiscal no. 002. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, no ano calendário de 2003, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 150%] Enquadramento legal: arts. 224, 518 e 519, & 1º, inciso III, alínea “a”, e §§ 4º a 7º, do RIR/99. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 2 3 003. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. A PARTIR DO AC 93. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. Aplicação incorreta do coeficiente de 16% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria 32%, conforme apurado no item 4.1 (INFORMAÇÃO 1) do Termo de Informação Fiscal no. 002, que faz parte integrante deste auto de infração. A multa de ofício está sendo qualificada (150%), tendo em vista os motivos expostos no item 5 do Termo de Informação Fiscal no. 002. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, no ano calendário de 2003, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 150%] Enquadramento legal: arts. 518 e 529 do RIR/99.” 2. Em 25 de setembro de 2007, por meio do Termo de fl. 258, foram juntadas as peças que compõem os autos de infração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, referentes ao ano calendário de 2004, decorrentes da exclusão do Simples sofrida pela contribuinte, formalizando um crédito tributário total de R$ 58.629,33, incluídos juros de mora e multa de ofício, a saber: 2.1. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ: R$ 34.673,63; 2.2. Contribuição para o PIS/PASEP: R$ 3.372,13; 2.3. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS: R$ 8.140,26; 2.4. Contribuição Social s/Lucro Líquido – CSLL: R$ 12.443,31. 3. Na descrição dos fatos de fl. 263, auto de infração do IRPJ relativo ao ano calendário de 2004, estão detalhadas as infrações ocorridas, nos seguintes termos: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos do art. 926, do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 (...), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período (s): 03/2004 06/2004 09/2004 12/2004 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude do que está descrito a seguir. O contribuinte foi excluído de ofício pelo regime de tributação pelo SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo no. 10, de 31/07/2007, com efeito, a partir de 01/01/2004. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 O contribuinte foi formalmente intimado a apresentar a escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis comerciais e fiscais, que possibilitasse a apuração do lucro real, conforme subitem 6.1.1 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001 em anexo a este auto de infração. No entanto, em sua resposta datada de 07/05/2007, o contribuinte declara que “... devido ao fato de o profissional que realizava a escrita contábil/fiscal não ter entregue diversos documentos quando da rescisão do contrato, a empresa não possui documentos que comprovem seu enquadramento.” E que “... por estar, à época, enquadrada no regime do SIMPLES, não possuía escrituração contábil de acordo com a legislação do lucro real.” Enquadramento legal: a partir de 01/04/1999 – art. 530, inciso II, do RIR/99. 001. RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS. Valor apurado conforme item 6 e seus subitens do Termo de Informação Fiscal no. 002 em anexo que faz parte integrante deste auto de infração. Contribuinte excluído do SIMPLES através do Ato Declaratório executivo no. 10, de 31/07/2007, com efeito a partir de 01/01/2004. [Demonstrativo com fatos geradores em 31/03/2004 e 31/12/2004, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 75%] Enquadramento legal: art. 532, do RIR/99. 002. RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. Valor apurado conforme item 6 e seus subitens do Termo de Informação Fiscal no. 002 em anexo e que faz parte integrante deste auto de infração. Contribuinte excluído do SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo no. 10, de 31/07/2007, com efeito a partir de 01/01/2004. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais anocalendário de 2004, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 75%] Enquadramento legal: art 532, do RIR/99.” 4. Consta nos autos o Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal n.º 01, fls. 57/67, por meio do qual a contribuinte é intimada da seguinte forma: “Fica o contribuinte intimado a, no prazo de 20 (vinte dias) a contar do recebimento deste termo, sob as penas previstas na Lei 8.137/90 que trata dos crimes contra a ordem tributária: 5. Em relação ao anocalendário 2003, exercício 2004 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 3 5 5.1. Justificar a diferença tributável na receita de prestação de serviços, apurada e constatada no subitem 4.1.5. Essa diferença é caracterizada pela divergência entre os valores escriturados nos livros Caixa e livros fiscais e os constantes da DIPJ/2004. 5.2. Comprovar a origem dos recursos que justifique as diferenças existentes entre os créditos efetuados na C/C e o faturamento declarado na DIPJ/2004 ou escriturados nos livros Caixa/Saídas (dos três valores de faturamento, o maior), conforme apuradas e constatadas no subitem 4.1.7. Todo crédito/depósito bancário cuja origem dos recursos não seja comprovada poderá ser considerado como sendo de receita tributável e omitida. 5.2.1. Apresentar documentos comprobatórios da origem desses recursos, separando os originados de prestação de serviços daqueles de vendas/revendas de mercadorias. 6. Em relação ao anocalendário 2004, exercício 2005 6.1. Justificar as diferenças tributáveis na receita bruta conforme apuradas e constatadas nos subitens 4.2.5 e 4.2.6. Comprovar o correto enquadramento para o SIMPLES, uma vez que a sua comprovação poderá ensejar o seu desenquadramento pelos motivos já observados anteriormente. 6.1.1. Caso não haja comprovação do seu correto enquadramento ao regime do SIMPLES, apresentar escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais que possibilite a apuração do lucro real. Caso contrário, poderá a tributação ser feita pelo lucro arbitrado. 6.2. Em relação aos valores informados na PJSI 2005 – SIMPLES, itens 01 e 02 da ficha 04A e consolidados no quadro do subitem 4.2.4, fica evidente a inversão desses valores, influenciando diretamente no cálculo do percentual entre a receita bruta acumulada da prestação de serviços e a receita bruta acumulada total, e conseqüentemente, na correta aplicação do percentual de determinação do SIMPLES. (...) 6.3. Comprovar a origem dos recursos que justifique as diferenças existentes entre os créditos efetuados na C/C e o faturamento escriturado nos livros Caixa/Saídas (dos valores de faturamento, o maior), conforme apuradas e constatadas no sub item 4.2.8. Todo crédito/depósito bancário cuja origem dos recursos não seja comprovada poderá ser considerado com sendo de receita tributável e omitida. 6.3.1. Apresentar documentos comprobatórios da origem desses recursos, separando os originados de prestação de serviços daqueles de venda/revenda de mercadorias. (...)” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 5. Em resposta a tal documento, cientificado à contribuinte em 19 de abril de 2007, a contribuinte apresentou a petição de fls. 299/305, datada de 07 de maio de 2007, nos seguintes termos: 5.1. Tratando da diferença existente entre seu Livro Caixa e a DIPJ do ano calendário de 2003, reitera não ser possível detectar a razão de a escrita fiscal/contábil não estar conciliada, afirmando que: “...frente ao completo desconhecimento do ocorrido, restanos impossível justificar as divergências existentes.” 5.2. Afirma que celebrou contrato de prestação de serviços com entidade desportiva autorizada a explorar jogos de bingo, repetindo parcialmente seus argumentos anteriores, acrescentando que: “Ressaltese, por importante, que todos os recolhimentos foram feitos (e são, ainda hoje) em nome (e com o CNPJ) da entidade desportiva, uma vez ser dela a responsabilidade pela exploração do jogo, sendo, a contratada, simplesmente uma prestadora de serviços de administração. (...) Desta forma, é a entidade desportiva que está obrigada a escriturar os valores relativos à exploração do jogo de bingo, uma vez que, nos termos da legislação da regência do jogo, é dela a responsabilidade pela exploração. Quanto à fiscalizada, na condição de prestadora de serviço, simplesmente contabilizava sua receita, ou seja, o valor referente ao pagamento pelo serviço prestado (28% do valor total arrecadado) de acordo com as notas fiscais emitidas, conforme determina o artigo 519, do Regulamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica.” 5.3. No que se refere aos valores depositados na conta corrente mantida no Banco Real, esclarece: “• R$ 346.534,60 (...) se referem à receita bruta da fiscalizada (composta pelo valor recebido pela administração do jogo de bingo e por outros valores referentes a outras prestações de serviços, devidamente escrituradas no Livro Caixa; • R$ 128.426,87 (...) se referem aos pagamentos feitos aos jogadores (incluídos os impostos), à União, à CEF e à Liga Valeparaibana de Ciclismo (entidade desportiva) (documento anexo); Por fim, em relação ao valor remanescente ingressado na mencionada conta corrente, esclarece a fiscalizada que, devido ao decurso do tempo, não se recorda a razão da diferença.” 5.4. Repete que não tem como explicar as diferenças levantadas entre a escrituração efetuada no Livro Caixa e os montantes declarados, no anocalendário de 2004, acrescentando que não possui os documentos necessários a comprovar seu enquadramento no SIMPLES, pois o profissional que realizava sua escrita fiscal não os entregou. Ademais, por estar, à época, enquadrada naquele programa, não possuía escrituração contábil de acordo com a legislação do lucro real. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 4 7 5.5. Por fim, assim diz: “Em relação ao valor remanescente ingressado na mencionada conta corrente, esclarece a fiscalizada que, devido a decurso do tempo, não se recorda a razão da diferença. Nestes termos, espera o fiscalizado ter atendido satisfatoriamente o solicitado e, de outra parte, se coloca à disposição para novos esclarecimentos que se façam necessários.” 6. No Termo de Informação Fiscal n.º 002, fls. 41/48, referente às infrações detectadas nos dois anoscalendário (2003 e 2004) a autoridade fiscal faz um histórico e detalha os fundamentos da autuação: “1. Termos lavrados anteriormente: Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal n.º 001, de 11/04/2007. 2. Informações prestadas pelo Contribuinte: 2.1. Informações prestadas pelo contribuinte, por escrito, em 07/05/2007. 3. Outras fontes de informações: 3.1. DIPJ/2004 3.2. PJSI 2005 SIMPLES 3.3. Ato Declaratório Executivo n.º 10, de 31/07/2007, da DRF/TAUBATÉ/SP, excluindo a empresa CDN (...), do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), a partir de 01/01/2004. 4. As informações a seguir prestadas foram baseadas nas constantes dos itens 1 a 3, e se referem ao anocalendário 2003, exercício 2004. 4.1.1. O contribuinte aplicou o coeficiente de determinação do lucro presumido de 16% em relação à prestação de serviços, ao invés de 32%, em todos os trimestres do anocalendário 2003. A aplicação do coeficiente reduzido de 16% só é permitida para as pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços e, mesmo assim, com receita bruta anual de até R$ 120.000,00. 4.1.2. No caso, o contribuinte, além da prestação de serviços, obteve receita bruta sobre a revenda de mercadorias, tendo atividade mista durante todo o anocalendário de 2003, fato este corroborado pelas informações contidas nos livros fiscais e contábeis e na DIPJ/2004. 4.1.3. E, mesmo que fosse prestadora exclusiva de serviços, a sua receita bruta superou o limite de R$ 120.000,00 no ano calendário de 2003, conforme demonstra o quadro 1 a seguir: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 [Quadro 1 – onde constam os totais de receitas, anocalendário de 2003, a saber – revenda: R$ 1.899,04; P. Serviço: R$ 178.494,39; Total: R$ 180.393,43] 4.1.4. A diferença de coeficiente de 16% (32% 16%) será objeto de lançamento de ofício, e aplicado sobre os valores referentes à prestação de serviços informados na DIPJ/2004 (Fichas 14A). 4.2. Informação 2. Aplicação indevida do percentual para a apuração da base de cálculo da CSLL, a partir de 01/09/2003. 4.2.1. O contribuinte aplicou o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL em 12% em relação à prestação de serviços, ao invés de 32%, a partir de 01/09/2003. As pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral, enquadradas no inciso III, do parágrafo 1º, do art. 15, da Lei n.º 9.249/95, estão sujeitas ao percentual de 32%, a partir de 01/09/2003, conforme art. 20, da Lei n.º 9.249/95, com redação data pelo art. 22, da Lei n.º 10.684/2003 e IN SRF n.º 390/2004, art. 89. 4.2.2. Para o mês de setembro/2003 e para o 4º trimestre/2003, será lançado de ofício a CSLL de 9% sobre o percentual de 32% aplicado sobre a receita de prestação de serviços, conforme quadro 2, e compensada a CSLL declarada na DIPJ/2004, conforme quadro 3 [Demonstrativos: Quadro 2 CSLL com base de cálculo a 32%, incidente sobre a prestação de serviços; Quadro 3 CSLL a compensar (declarada pela contribuinte) e Quadro 4 – Diferença de CSLL a ser lançada de ofício, relativa aos meses de setembro a dezembro de 2003, num total de R$ 926,56] 4.3. Informação 3: Receita Operacional de Prestação de Serviços lançada e não declarada. 4.3.1. Foram constatadas diferenças de valores entre a receita bruta proveniente da prestação de serviços escriturada nos livros fiscais e/ou livro contábil (Caixa) e a informada na DIPJ/2004 e que não foram oferecidas à tributação, conforme subitens 4.1.1 a 4.1.5 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001. 4.3.2. Em resposta ao termo acima mencionado, o contribuinte alegou que “... frente ao completo desconhecimento do ocorrido, restanos impossível justificar as divergências existentes, conforme se pode verificar em sua correspondência datada de 07/05/2007.” Quadro 5 – Diferença tributável da receita operacional lançada e não declarada mês/ano DIPJ/2004 Livro Caixa Dif. Tributável jan/03 16.091,67 28.591,67 12.500,00 fev/03 15.323,69 23.523,69 8.200,00 mar/03 17.156,33 26.800,00 9.643,67 1º trim 48.571,69 78.915,36 30.343,67 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 5 9 abr/03 16.473,53 18.300,00 1.826,47 mai/03 28.171,03 28.171,03 jun/03 12.872,08 22.572,08 9.700,00 2º trim 29.345,61 69.043,11 39.697,50 jul/03 18.698,53 9.698,53 0,00 ago/03 13.784,61 43.084,61 29.300,00 set/03 16.617,40 27.917,40 11.300,00 3º trim 49.100,54 80.700,54 40.600,00 out/03 15.187,53 29.387,53 14.200,00 nov/03 15.839,55 33.939,55 18.100,00 dez/03 20.449,47 43.649,47 23.200,00 4º trim 51.476,55 106.976,55 55.500,00 Totais 178.494,39 335.635,56 166.141,17 4.3.3.As diferenças (vr. Escriturado e não tributado) apuradas conforme o quadro 5 acima serão objeto de lançamento de ofício. 4.4. Informação 4: Depósitos Bancários não contabilizados e cuja origem não foi justificada. 4.4.1. O contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos relacionados e consolidados no Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001, subitens 4.1.6 e 4.1.7, uma vez que: 4.4.1.1. Em sua resposta contida na carta datada de 07/05/2007, subitem II.IV, o contribuinte deixa claro que não escriturou no seu livro Caixa a totalidade de sua movimentação financeira, inclusive bancária, mas apenas 28% do valor arrecadado. 4.4.1.2. Apresentou uma planilha de movimentação mensal, com valores de arrecadação e pagamentos efetuados no ano calendário 2003, sem, no entanto, comprovar a vinculação desses valores com os créditos e débitos bancários. 4.4.1.3. Não há lançamentos a título de pagamento de prêmios, IRRF s/prêmio e repasses no seu livro Caixa, do anocalendário de 2003. Se houvesse lançamentos a esses títulos no livro Caixa, estes seriam deduzidos dos créditos bancários a serem justificados, a exemplo do que ocorreu no anocalendário de 2004. Quadro 6 – Depósitos bancários de origem não justificada Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 4.4.2. Os valores constantes da coluna “Créditos não Justificados” serão objeto de lançamento de ofício como omissão de receitas, de acordo com o art. 42, da Lei n.º 9.430/96. 4.4.3. E o coeficiente de presunção do lucro presumido sobre esta omissão será de 32%, uma vez que os valores registrados como entradas (CFOP 1.102) no livro Registro de entradas no. 06, subitem 4.1.3 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal no. 001, não justificam considerar o montante de créditos não justificados como sendo de saídas com revenda de mercadorias (presunção de 8%). 4.4.4. O contribuinte também não comprovou a origem desses recursos e tampouco os separou em originados de prestação de serviços de venda/revenda de mercadorias, como foi intimado a fazêlo através do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001, subitem 5.2.1. 5. Os fatos relatados nos subitens 4.1, 4.2 e 4.3 analisados em seu conjunto, com os valores declarados nas DCTF dos quatro trimestres de 2003, cujos valores coincidem com os declarados na DIPJ/2004, denotam omissão ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, cujo resultado é a supressão ou redução do valor dos tributos devidos, razão pela qual será aplicada a multa qualificada de 150% no lançamento dos créditos tributários apurados conforme subitens 4.1, 4.2 e 4.3, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. 6. As informações a seguir prestadas foram baseadas nas constantes dos itens 1 a 3, e se referem ao anocalendário de 2004, exercício 2005. mês Receita declarada/escriturada Pagamentos (Livro Caixa) Créditos Créditos ano revenda prest. Serv. total prêmios IRRF s/prêmios Repasses Bancários não justif. jan/03 691,09 28.591,67 29.282,76 0,00 0,00 0,00 73.227,21 43.944,45 fev/03 95,98 23.523,69 23.619,67 0,00 0,00 0,00 68.808,60 45.188,93 mar/03 26.800,00 26.800,00 0,00 0,00 0,00 66.810,24 40.010,24 1º trim 787,07 78.915,36 79.702,43 0,00 0,00 0,00 208.846,05 129.143,62 abr/03 18.300,00 18.300,00 0,00 0,00 0,00 93.669,77 75.369,77 mai/03 336,85 28.171,03 28.507,88 0,00 0,00 0,00 48.525,22 20.017,34 jun/03 775,12 22.572,08 23.347,20 0,00 0,00 0,00 75.457,89 52.110,69 2º trim 1.111,97 69.043,11 70.155,08 0,00 0,00 0,00 217.652,88 147.497,80 jul/03 18.698,53 18.698,53 0,00 0,00 0,00 73.414,06 54.715,53 ago/03 43.084,61 43.084,61 0,00 0,00 0,00 42.020,12 0,00 set/03 27.917,40 27.917,40 0,00 0,00 0,00 76.968,62 49.051,22 3º trim 0,00 89.700,54 89.700,54 0,00 0,00 0,00 192.402,80 103.766,75 out/03 29.387,53 29.387,53 0,00 0,00 0,00 70.289,81 40.902,28 nov/03 33.939,55 33.939,55 0,00 0,00 0,00 87.253,23 53.313,68 dez/03 43.649,47 43.649,47 0,00 0,00 0,00 52.029,64 8.380,17 4º trim 0,00 106.976,55 106.976,55 0,00 0,00 0,00 209.572,68 102.596,13 Totais 1.899,04 344.635,56 346.534,60 0,00 0,00 0,00 828.474,41 483.004,30 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 6 11 6.1. Tendo em vista que o contribuinte foi excluído do Sistema SIMPLES a partir de 01/01/2004, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo no. 010, de 31/07/2007, e publicado no Diário Oficial da União em 02/08/2007, e não apresentou, mesmo sob intimação (vide subitem 6.1.1. do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001) os livros contábeis e fiscais elaborados de acordo com as leis comerciais e fiscais que possibilitassem a apuração do lucro real, será adotado o LUCRO ARBITRADO para o anocalendário de 2004, exercício 2005, tendo como base de cálculo dos tributos a soma da receita bruta declarada/escriturada com a receita omitida devida a depósitos bancários não justificados, conforme demonstrado no quadro 7 a seguir. Quadro 7 – apuração da base de cálculo do Lucro Arbitrado para o anocalendário 2004, exercício 2005. 6.1.1. A receita declarada/escriturada é a que foi demonstrada nos subitens 4.2.1 a 4.2.6 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001. 6.1.2. A receita omitida corresponde à coluna “Diferença a Justificar” constante do quadro inserido no subitem 4.2.8 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001, e que foi intimado a justificar conforme subitem 6.3 do mesmo Termo. Mês Receita declarada/escriturada Receita Base cálculo Lucro Arbitrado Ano Revenda Prest. Serviços Omitida Revenda Prest. Serviços jan/04 3.634,00 22.281,04 0,00 3.634,00 22.281,04 fev/04 9.342,26 0,00 9.342,26 mar/04 15.740,00 0,00 15.740,00 1º trim 3.634,00 22.281,04 25.082,26 3.634,00 47.363,30 abr/04 2.084,00 0,00 2.084,00 mai/04 2.712,56 0,00 2.712,56 jun/04 29.051,88 0,00 0,00 29.051,88 2º trim 0,00 29.051,88 4.796,56 0,00 33.848,44 jul/04 25.757,47 0,00 0,00 25.757,47 ago/04 24.534,56 0,00 0,00 24.534,56 set/04 37.883,56 0,00 0,00 37.883,56 3º trim 0,00 88.175,59 0,00 0,00 88.175,59 out/04 210,00 36.908,32 0,00 210,00 36.908,32 nov/04 37.302,67 0,00 0,00 37.302,67 dez/04 725,00 37.681,88 0,00 725,00 37.681,88 4º trim 935,00 111.892,87 0,00 935,00 111.892,87 Totais 4.569,00 251.401,38 29.878,82 4.569,00 281.280,20 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 6.1.2.1. Em sua resposta datada de 07/05/2007, o contribuinte informa que “...devido ao decurso de tempo, não se recorda a razão da diferença.” 6.1.2.2. Como o contribuinte não comprovou a origem desses recursos e nem informou se de revenda ou de prestação de serviços, a receita omitida foi adicionada à receita declarada/escriturada referente à prestação de serviços, por corresponder ao percentual mais elevado de arbitramento do lucro (parágrafo 1º, do art. 24, da Lei n.º 9.249/95). 6.2. O SIMPLES recolhido no anocalendário de 2004 será compensado, após partilha de cada qual com o imposto ou contribuições, conforme quadros demonstrados a seguir: 6.2.1. A partilha do SIMPLES em seu imposto e contribuições abrangidos, será efetuada conforme quadro abaixo. [Quadro 8 – demonstrativo dos percentuais utilizados na partilha do SIMPLES, relativo ao IRPJ e demais contribuições] 6.2.2. De acordo com o SIMPLES declarado na PJSI 2005 – SIMPLES, a compensação do imposto e contribuições recolhidos como SIMPLES será efetuada conforme quadro a seguir. Quadro 9 – partilha do SIMPLES para compensação do imposto e contribuições. [Demonstrativo com os montantes de cada tributo e contribuição, mês a mês, recolhidos como Simples, para o anocalendário de 2004] 6.3. A apuração do PIS a lançar, após compensação do PIS partilhado do SIMPLES está demonstrada no quadro a seguir. [Demonstrativo de apuração do PIS a lançar, mês a mês, descontado dos montantes declarados no SIMPLES] 6.4. A apuração da COFINS a lançar, após compensação da COFINS partilhada do SIMPLES, está demonstrada no quadro a seguir. [Demonstrativo de apuração da COFINS a lançar, mês a mês, descontado dos montantes declarados no SIMPLES] É A INFORMAÇÃO.” 7. Inconformada com as exigências fiscais, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls.166/194, em 24 de outubro de 2007, com as seguintes razões de defesa. 7.1. Afirma que, intimada em 04 de agosto de 2006, apresentou prontamente os documentos solicitados. 7.2. Por sua vez, no que se refere à intimação de 30 de novembro de 2006, relativa às diferenças encontradas em sua escrituração e sobre a razão de seu enquadramento no SIMPLES, informou que nos anos de 2003 e 2004 sua escrituração era efetuada por profissional diferente do atual, razão pela qual não foi possível detectar o motivo de sua escrita Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 7 13 não estar conciliada, sendo impossível justificar as divergências levantadas pela autoridade fiscal. 7.3. E continua: “Esclareceu, ainda, como prestava serviços de administração de jogos de bingo para a Liga Valeparaibana de Ciclismo, pelo qual recebia 28% do valor total arrecadado, somente estava obrigada a escriturar (e oferecer à tributação) tal percentual, pois os demais valores não eram suas receitas. Em relação aos créditos remanescentes, esclareceu que, devido ao decurso do tempo, não se recordava a razão da diferença. Por fim, esclareceu que, em relação ao enquadramento no SIMPLES, devido ao fato de o profissional que realizava a escrita contábil/fiscal não ter entregue diversos documentos quando da rescisão do contrato, a impugnante não possuía os documentos que comprovassem a razão do seu enquadramento. Feitos os esclarecimentos, a fiscalização entendeu como receita omitida todos os valores, referentes aos anos de 2003 e 2004, que a impugnante, devido ao decurso de tempo, não se recordava a origem.” 7.4. Insurgese contra a multa de ofício qualificada, por não encontrar no processo provas capazes de demonstrar qualquer conduta dolosa assumida pela empresa, ou seja, em nenhum momento a fiscalização comprovou, de forma inequívoca, que a impugnante determinava ao seu contador agisse dessa maneira. Em suas palavras: “Vale dizer que não comprovou porque jamais conseguiria! Ora, a impugnante sequer entende de contabilidade! Somente se limitava a entregar toda a documentação para o escritório de contabilidade. Em assim sendo, não tinha conhecimento de que as declarações eram feitas de maneira incorreta.” 7.5. Transcreve jurisprudência sobre a multa qualificada, do Conselho de Contribuintes. 7.6. Sobre a exploração de jogos de bingo, entende que, a teor da Lei nº 9.615, de 1998, e do Decreto n.º 3.659, de 2000, a responsabilidade era exclusiva das entidades desportivas, podendo, entretanto, a administração ser entregue à empresa comercial idônea, acrescentando que: “Verificase, portanto, que, se a entidade desportiva optasse por ceder a administração do jogo à empresa comercial idônea, deveria repassar 28% do valor total arrecadado, para que a mesma cobrisse as despesas de operação, divulgação e, ainda, retirasse seu lucro. (...) Conforme se depreende da leitura do contrato social da fiscalizada, tem, a mesma, como um de seus objetos sociais, a administração especializada para “Bingos Permanentes” e afins. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 Desta forma, celebrou com a Liga Valeparaibana de Ciclismo, inscrita no CNPJ/MS (...) um contrato de prestação de serviços, cujo objeto era a administração do jogo, mediante o recebimento de 28% do valor total arrecadado, nos termos da legislação de regência dos jogos de bingo. (...) Resta comprovado, portanto, que, dos valores que circularam pela contacorrente da impugnante, nos anoscalendário de 2003 e 2004, somente 28% podem ser considerados como seus, um vez que, todos os demais valores foram repassados, nos termos da legislação. Requer, pois, desde já, a anulação do lançamento ora guerreado, tendo em vista a utilização de base de cálculo não correspondente à receita operacional da impugnante.” 7.7. Faz ampla dissertação sobre o artigo 43, do Código Tributário Nacional, citando doutrina a respeito, para concluir que somente é considerada renda tributável a riqueza que gere acréscimo patrimonial e esteja disponível para ser disposta livremente por quem a detenha. 7.8. Continuando sua exposição sobre a regra matriz de incidência do IRPJ, afirma que somente ocorre o fenômeno da subsunção de um fato à previsão hipotética descrita em lei, se o contribuinte auferir receita que, após passar pelas etapas legais se transforme em renda, assim entendida como a riqueza que gerou acréscimo patrimonial e pode ser disposta livremente. 7.9. Em suas palavras: “Ocorre que, os depósitos bancários, por si próprios, apesar de indicar recebimento de renda, não se prestam a demonstrar se houve acréscimo patrimonial (critério material da hipótese de incidência da regramatriz do Imposto sobre a Renda). Sendo assim, de forma alguma podem ser tomados como base de cálculo do imposto sobre a renda. Por conseqüência, cabe à fiscalização, demonstrar a existência do nexo de causalidade entre os depósitos e a omissão de receitas. Em outras palavras, cabe a ela demonstrar se os depósitos bancários resultaram em acréscimo patrimonial e, ainda, qual o montante do acréscimo. Se assim, não proceder, não poderá efetuar o lançamento.” 7.10. Menciona jurisprudência a fundamentar seus argumentos, fls. 188/193. 7.11. Conclui, requerendo a improcedência do lançamento. 8. Foi juntado, por apensação, nos termos do despacho de fl. 164, o processo administrativo n.º 16045.000538/200712, em 27 de setembro de 2007, relativo à Representação Fiscal para Fins Penais. 9. Em 01 de novembro de 2007, esta DRJ, por meio do despacho de fl. 209, retornou o processo à DRF de origem, para que se atendesse o disposto na Portaria SRF n.º Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 8 15 6.129, de 02 de dezembro de 2005, e juntado por anexação o processo de número 16045.000379/200756, de exigência de crédito tributário, relativo ao anocalendário de 2004. 10. Consta dos autos a Representação elaborada pela DRF/Taubaté, fl. 210, onde se propõe a exclusão de ofício do SIMPLES, abrangendo o período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 11. Há também nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo n.º 10, de 31 de julho de 2007, editado pela DRF/Taubaté, por meio do qual a contribuinte é excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), fl. 254, publicado no DOU de 02 de agosto de 2007, fl. 255. 12. Foi também anexado o processo administrativo n.º 16048.000047/2007 41, relativo à exclusão do SIMPLES. 13. Em 12 de fevereiro de 2008, esta Delegacia de Julgamento encaminhou os autos à DRF de origem, por meio da Resolução de n.º 1.927, para que a contribuinte fosse cientificada de sua exclusão do Simples, facultandolhe a apresentação de Manifestação de Inconformidade. 14. Intimada e cientificada por meio do documento de fl. 494, a contribuinte não se manifestou. A DRJ decidiu: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ANO CALENDÁRIO DE 2003. A forma de tributação utilizada no Lucro Presumido, a partir de percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, considera a maior parcela dos depósitos bancários não identificados como custos ou despesas, respeitando os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. ANO CALENDÁRIO DE 2003. É cabível a exigência dos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas escrituradas pela contribuinte, mas não Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 16 oferecidas à tributação, seja por meio da declaração de rendimentos ou da DCTF. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ANOCALENDÁRIO DE 2003. Comprovado que a contribuinte, optante do Lucro Presumido, na qualidade de Empresa de Pequeno Porte, obteve receitas sobre a revenda de mercadorias, além da prestação de serviços, que superaram o limite de R$ 120.000,00, correta a utilização do coeficiente de 32% sobre todas as receitas omitidas, para fins de apuração do imposto devido. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. ANOCALENDÁRIO DE 2004. A empresa optante pelo SIMPLES, por restar desobrigada legalmente da manutenção de escrituração regular completa, está sujeita ao arbitramento do seu lucro, nos períodos em que se operarem os efeitos da exclusão, mormente quando não comprova manter facultativamente a escrituração requerida para a apuração do lucro real. O fato gerador do tributo é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, comprovada, no presente caso, pela apresentação da Declaração Simplificada e pela apuração de omissão de receitas relativa aos depósitos/créditos bancários não justificados. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 ATIVIDADE VEDADA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. Comprovado o exercício de atividades cuja inclusão no SIMPLES encontrase vedada pela legislação aplicável, seguese a exclusão dessa forma de tributação, com efeitos desde o início do anocalendário em que efetuada a opção, quando a interessada sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 MULTA QUALIFICADA. Diante da escrituração de receitas operacionais, não declaradas e não oferecidas à tributação, temse caracterizada a omissão ou prestação de declarações falsas à Administração Tributária, cujo resultado foi a supressão ou redução dos tributos e contribuições devidos, suficiente para o agravamento da multa no percentual de 150%. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 9 17 Anocalendário: 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.” A contribuinte recorre fls. 522/548: DA MULTA AGRAVADA EM RELAÇÃO AO ANOCALENDÁRIO DE 2003: Notase que, ao decidir sobre a aplicação da multa agravada, limitouse a Turma Julgadora em aduzir que "em vista da aplicação de coeficiente de determinação do lucro presumido da base de cálculo da CSLL, bem como da escrituração de receitas operacionais de prestação de serviços, não declaradas e não oferecidas à tributação, mostra se correta a exigência de multa qualificada no percentual 150%, pois plenamente caracterizada a omissão ou prestação de declarações falsas à autoridade fazendária, cujo resultado foi a suspensão ou redução dos montantes dos tributos e contribuições devidos" Apóiase o Acórdão ora guerreado nas informações constantes no Termo de Informação, onde alega a fiscalização ter agravado a multa de ofício por entender que o fato de a contabilização não estar conciliada, ou seja, as informações constantes do livro caixa não estarem de acordo com as informações constantes na DIPJ/2004, "denotam omissão ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, cujo resultado é a supressão ou redução do valor dos tributos devidos". Contudo, imperioso ressaltar, novamente, que não encontramos no processo provas capazes de demonstrar qualquer conduta dolosa assumida pela empresa, ou seja, em nenhum momento a fiscalização comprovou, de forma inequívoca, que a recorrente determinava ao seu contador que agisse desta maneira. Resta comprovado, portanto, que a fiscalização simplesmente presumiu uma conduta dolosa praticada pela recorrente, o que, de forma alguma, se admite em direito tributário. Anexa jurisprudência. DA RECEITA OPERACIONAL DA RECORRENTE NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2004: EXPLORAÇÃO DOS JOGOS DE BINGO: DO OBJETO SOCIAL DA FISCALIZADA E DO SEU CONTRATO COM A ENTIDADE DESPORTIVA: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 18 Conforme se depreende da leitura do contrato social da fiscalizada, tem, a mesma, como um de seus I objetos sociais, a administração especializada para "Bingos Permanentes" e afins. Desta forma, celebrou com a Liga Valeparaibana de Ciclismo, inscrita no CNPJ/MF sob n° 50.437.789/000110 (entidade desportiva autorizada a explorar jogos de bingo) um contrato de prestação de serviços, cujo objeto era a administração do jogo, mediante o recebimento de 28% do valor total arrecadado, nos termos da legislação de regência dos jogos de bingo. Conforme demonstrado no item anterior, a fiscalizada somente prestava serviços de administração do jogo para a entidade desportiva, recebendo, para tanto, 28% do valor total arrecadado. Resta comprovado, portanto, que, dos valores que circularam pela conta corrente da recorrente nos anoscalendários de 2003 e 2004, somente 28% podem ser considerados como de seus, uma vez que, todos os demais valores foram repassados, nos termos da legislação. Requer, pois, desde já, a anulação do lançamento ora guerreado, tendo em vista a utilização de base de cálculo não correspondente à receita operacional da recorrente. DO ARTIGO 43, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: DO SENTIDO E ALCANCE DAS DEFINIÇÕES CONTIDAS NO I ARTIGO 43, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: DO SENTIDO E ALCANCE DA DEFINIÇÃO "RENDA E PROVENTO, , DE QUALQUER NATUREZA": Desta forma, fixarmos o sentido e o alcance das definições de "renda e proventos de qualquer natureza", contidas no artigo 43, do Código Tributário Nacional, frente aos princípios constitucionais que informam a incidência do Imposto, concluímos, facilmente, que, no Brasil, somente será considerado "renda" e "provento", para fins de tributação, a riqueza que revelar acréscimo patrimonial, ou seja, um plus que se juntou ao patrimônio, obtido através da diferença entre os ingressos e os gastos tidos com a sua obtenção. DO SENTIDO E ALCANCE DA DEFINIÇÃO "AQUISIÇÃO" DO SENTIDO E ALCANCE DA DEFINIÇÃO "DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA" DA CONSTRUÇÃO DA REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA: DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO NEXO CAUSAL ENTRE OS DEPÓSITOS E A OMISSÃO DE RECEITA: Os depósitos bancários, por si próprios, apesar de indicar recebimento de renda, não se, prestam a demonstrar se houve acréscimo patrimonial (critério I,, material da hipótese de incidência da regramatriz do Imposto , sobre a Renda). Sendo assim, de forma alguma podem ser tomados, como base de cálculo do imposto sobre a renda. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 10 19 Anexa jurisprudência Vale dizer que, no presente caso, em momento algum a fiscalização logrou provar que os depósitos bancários realizados nos anoscalendários de 2003 e 2004 caracterizaram aumento do patrimônio da recorrente, fato que demonstra a não ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. DA MULTA AGRAVADA EM RELAÇÃO AO ANOCALENDÁRIO DE 2003: Quanto a este item, a justificativa para a qualificação da multa foi apenas a infração em sí, ou seja, a diferença entre os valores escriturados e os declarados, e a diferença de alíquotas na determinação do lucro presumido. No caso, mesmo sendo em todos os períodos de 2003, entendo que não foi caracterizado o caráter doloso das infrações deste ano calendário de 2003. Assim, não vejo como manter a qualificação da multa para este ano calendário. DA RECEITA OPERACIONAL DA RECORRENTE NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2004: EXPLORAÇÃO DOS JOGOS DE BINGO: DO OBJETO SOCIAL DA FISCALIZADA E DO SEU CONTRATO COM A ENTIDADE DESPORTIVA: Do acórdão da DRJ transcrevo: “23 Sobre a argumentação da autuada, no caso da exploração dos jogos de bingo, de que a Entidade Desportiva é que estava obrigada a manter em boa e devida forma a escrituração, cabendolhe apenas contabilizar os 28% do total arrecadado, previsto em legislação específica, equivocase novamente a contribuinte. 24. Isso porque após o advento da Medida Provisória n.º 1.926, de 1999, no caso de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, a responsabilidade pelo pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas rendas e receitas obtidas com a exploração do jogo de bingo, passou a ser, exclusivamente, da empresa comercial contratada, observadas as bases de calculo previstas na legislação, tão bem detalhadas pela contribuinte. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 20 25. No entanto, enfatizese, competia à autuada escriturar todas as receitas auferidas, com as necessárias repartições, nos percentuais previstos. 26. Ressaltese que a autuação só alcançou fatos geradores do anocalendário de 2003, ocorridos após a edição da Medida Provisória n.º 1.926, de 1999. 27. Nesse sentido, assim dispunha o Decreto n.º 3.659, de 14 de novembro de 2000, ao regulamentar a autorização e a fiscalização dos jogos de bingo, em vista do disposto nas Leis n.º 9.615, de 24 de março de 1998, e 9.981, de 14 de julho de 2000: “Art. 12. A entidade desportiva autorizada e a sociedade comercial contratada para administrar o sorteio deverão manter à disposição da CAIXA, durante cinco anos, toda a documentação relativa à prestação de contas, com os nomes dos respectivos ganhadores, endereço completo e CPF, assim como o original dos recibos de entrega dos prêmios, qualquer que seja sua natureza ou espécie.”[grifouse] 28. Dessa forma, como a administração do jogo de bingo foi entregue à autuada, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as rendas e receitas auferidas no jogo de bingo, inclusive o IRPJ, as Contribuições para o PIS, COFINS e a CSLL, bem como a escrituração não só do percentual de 28%, previsto em legislação específica, mas de todas as receitas, inclusive para a apuração, retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, também da responsabilidade da empresa administradora. 29. Portanto, não prospera a pretensão da impugnante de atribuir à entidade desportiva a responsabilidade exclusiva pelo controle e escrituração da movimentação financeira correspondente à exploração dos jogos de bingo.” Como bem votado no acórdão da DRJ, a responsabilidade é da contribuinte, de acordo com a MP n.º 1.926, de 1999, não tendo , pois, razão a recorrente neste item. Quanto às argumentações restantes, notadamente conceito de disponibilidade, definição de renda e proventos, ou ainda, nexo causal entre depósitos e omissão de receitas, tudo foi lançado de acordo com a legislação em vigor não tendo como definições alterar, neste caso, o alcance da lei. Quanto ao nexo entre os depósitos e a omissão de receitas pedido pela recorrente, este é presumido pela lei, não precisando a fiscalização provar este nexo. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reduzir de 150% para 75% a multa para o ano calendário de 2003. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 11 21 Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13727.000476/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.179
Decisão: Acordam os Membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termo do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e di ntes autos. Acordam os Me por unani 'dade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termo do voto da Rei t,t a . Gio idente Acd EDITA 0 1 Participaran a sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Nilbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. i Relatório Assim, contra MARIA DO CARMO MARQUES DE SOUZA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 02/06, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano-calendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatou-se omissão de rendimentos sujeitos A. tabela progressiva, no valor de R$ 12.372,16 percebido das fontes pagadoras; sendo que na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 10 da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 07/21. A DRJ em acordão tombado sob o no. 13-18.907 - P. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 28/02/2008, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 28/32, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificado, por AR em 22/10/2008, fls. 35v, o contribuinte apresentou, em 30/10/2008, recurso voluntário, fls. 36/37, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acacia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. 2 Processo n° 13727.000476/2007-81 S2-C I T2 Acórdão n.°2102-01.179 I' I. 64 De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: "C..) O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, Ill, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa ffsica. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155,978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 3 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, a. mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências Desta fo merecendo reparos a debisã o correto o lançamento e, por conseguinte, não nstância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. kasugi - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000796/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
E cabível excluir de ofício do Simples Nacional a microempresa ou a
empresa de pequeno porte que possua débito inscrito em Dívida Ativa da União, em fase executória, ainda que tenha ocorrido nomeação de bens à penhora
Numero da decisão: 1401-000.459
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exclusão do SIMPLES efetivada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 53.649, de 22 de agosto de 2008.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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E cabível excluir de ofício do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito inscrito em Dívida Ativa da União, em fase executória, ainda que tenha ocorrido nomeação de bens à penhora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter a exclusão do SIMPLES efetivada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 53.649, de 22 de agosto de 2008. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 38DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 33 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0225.003, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: A interessada foi excluída de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por força do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 53.649, de 22 de agosto de 2008, como segue: (A) DELEGADO(A) DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL [...] declara: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa [...]: Nome Empresarial: GARDENHOTEL LTDA CNPJ: 00.056.238/000139 Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia I" de janeiro de 2009, conforme disposto no inciso IVdo art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica sejam pagos ou parcelados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE). [...] Ciente em 9 de setembro de 2008 (fls. 14), a interessada apresentou, em 29 de setembro de 2008, a manifestação de inconformidade de fl. 1, em que alega: A empresa [...] foi excluída do simples nacional por possuir débito previdenciário, conforme consta no sítio da Secretaria da Receita Federal, cujos débitos estão inscritos em Dívida Ativa da União. Os débitos são da Previdência Social que estão sendo discutidos judicialmente. Os dois débitos inscritos na União cuja inscrição são 6050600212598 e 6050600212679 foram executados num só processo na Ia vara do trabalho de João Monlevade, conforme número de processo 01154200706403006, distribuído em nov/2007. O processo encontrase em andamento e foram dados bens em penhora. Com base nisto, a empresa diz contestar sua exclusão e requerer o cancelamento do ADE DRF/BHE n° 53.649, de 2008. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 34 3 Juntaramse cópias dos relatórios de consulta tanto dos débitos que fundamentaram o ADE acima (fls. 17), quanto do valor remanescente destes mesmos débitos, decorrido o prazo para sua regularização (fls. 18), que mencionam expressamente aqueles números de inscrição citados pela interessada em sua peça de defesa. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Exclusão E cabível excluir de ofício do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito inscrito em Dívida Ativa da União, em fase executória, ainda que tenha ocorrido nomeação de bens à penhora. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, nos seguintes termos: foi excluído de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidas pelas Microempresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por força do ato declaratório Executivo de 22 de agosto de 2008, em virtude de possuir débito com a Fazenda Pública Nacional, com exigibilidade não suspensa. porém, tal decisão merece reproche, eis que, o requerente não possui débitos Previdenciários, ou seja, o processo de n° 01154200706403006 da 1ª Vara do Trabalho de João Monlevade foi devidamente quitado, conforme se denota dos despachos do processo ora referenciado. o requerente necessita continuar no SIMPLES NACIONAL e a sua exclusão seria injusta, tendo em vista o pagamento do seu débito junto à União, portanto, o requerente pugna pela conhecimento do presente recurso e, que o mesmo seja julgado procedente, por ser medida da mais lídima e escorreita justiça. Anexa aos autos dois despachos do Juiz da 1a Vara do Trabalho de João Monlevade, nos autos do processo 01154200706403006: às fls. 26, despacho de 22/09/2009 extraído do sítio do TRT da 3ª Região1, com seguinte teor: “Oficiese à_CAIXA, solicitando a conversão em pagamento definitivo da União, o numerário existente na conta única do tesouro, código 7525, Identificador do Depósito no. 4045635.245 , efetuado nos presentes autos, conforme documento de f. 129.” às fls. 27, despacho de 05/10/2010 extraído do sítio do TRT da 3ª Região, com seguinte teor: “Oficiese à Fazenda Pública solicitando que proceda à averbação no Registro da Divida Ativa, face ao Pagamento transformado em definitivo, conforme documento de fl. 158, encaminhandose os autos.” É o relatório. 1 http://as1.trt3.jus.br/consulta/detalheProcesso1_0.htm?conversationId=153050 Fl. 40DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 35 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe ressaltar que o cerne da questão, encontrase na exclusão de contribuinte que tendo optado pelo simples, tenha tido débito inscrito em Dívida Ativa junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, ou junto ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. A exclusão do contribuinte se deu por meio de Ato Declaratório nº 053649, de 22 de agosto de 2008 (fl.02), emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG e trouxe como motivo, “em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa”. No caso, conforme relatado, tratase da constatação da existência de dois débitos inscritos na União cuja inscrição são 6050600212598 e 6050600212679 foram executados num só processo na 1ª vara do trabalho de João Monlevade, conforme número de processo 01154200706403006, distribuído em nov/2007. A infração em consonância com o art. 17, V da Lei Complementar n.º 123/06, foi enquadrada no art. 9º, XV da Lei n° 9.317/96: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:: ... XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; De fato, como muito bem esclareceu a DRJ, a nomeação de bens a penhora em sede de execução fiscal não implica na suspensão da exigibilidade dos débitos: No caso ora em exame, constatase que a interessada admite, textualmente, a existência de processo de execução fiscal em seu desfavor, correspondente aos débitos que motivaram a lavratura do ADE DRF/BHE n° 053649, de 2008, afirmando, porém, que sua exigibilidade encontrarseia suspensa por força de nomeação de bens à penhora. Entretanto, tal nomeação não tem efeitos suspensivos, limitandose a indicar quais haveres o devedor prefere sejam entregues em garantia do pagamento da dívida, em louvor ao princípio de sua menor onerosidade. Acrescentese, por oportuno, que a interessada não comprovou acharse beneficiada por decisão judicial que lhe outorgasse a suspensão destes débitos A Recorrente traz dados novos que ensejam uma melhor análise. Anexa aos autos dois despachos do Juiz da 1a Vara do Trabalho de João Monlevade, nos autos do processo 01154200706403006: Fl. 41DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 36 5 às fls. 26, despacho de 22/09/2009 extraído do sítio do TRT da 3ª Região2, com seguinte teor: “Oficiese à_CAIXA, solicitando a conversão em pagamento definitivo da União, o numerário existente na conta única do tesouro, código 7525, Identificador do Depósito no. 4045635.245 , efetuado nos presentes autos, conforme documento de f. 129.” às fls. 27, despacho de 05/10/2009 extraído do sítio do TRT da 3ª Região, com seguinte teor: “Oficiese à Fazenda Pública solicitando que proceda à averbação no Registro da Divida Ativa, face ao Pagamento transformado em definitivo, conforme documento de fl. 158, encaminhandose os autos.” Em pesquisa ao sítio do TRT da 3ª Região atesto a autenticidade das informações acima. Resta claro, portanto, que a interessada só comprovou a liquidação dos débitos que motivaram a exclusão, no bojo do processo judicial posteriormente ao prazo de 30(trinta dias) contados a partir da ciência do Ato Declaratório em comento.Sem prejuízo, é claro, de o contribuinte solicitar nova inclusão no Simples a partir do exercício (2010) em que ficou demonstrado que o presente impedimento não mais subsiste, salvo haver outro impedimento legal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto 2 http://as1.trt3.jus.br/consulta/detalheProcesso1_0.htm?conversationId=153050 Fl. 42DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 15954.000192/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.
Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Segundo dispõem os arts. 43, XIV e 633 do RIR/99, o resgate de
contribuições à previdência privada sujeita-se à incidência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) a título de antecipação, razão pela qual os valores devem ser informados, oportunamente, na declaração de ajuste do anual do contribuinte. Não tendo sido tais rendimentos oferecidos à tributação, cabível a exigência in casu.
MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. MANUTENÇÃO.
A aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, com fulcro no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, decorre da atividade vinculada de lançamento, uma vez constatadas as hipóteses no dispositivo previstas. Não há que se cogitar de ofensa a princípios constitucionais, nem de inaplicabilidade da taxa SELIC,
porquanto foram editadas as seguintes súmulas por este Conselho:
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.224
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Segundo dispõem os arts. 43, XIV e 633 do RIR/99, o resgate de contribuições à previdência privada sujeitase à incidência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) a título de antecipação, razão pela qual os valores devem ser informados, oportunamente, na declaração de ajuste do anual do contribuinte. Não tendo sido tais rendimentos oferecidos à tributação, cabível a exigência in casu. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. MANUTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, com fulcro no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, decorre da atividade vinculada de lançamento, uma vez constatadas as hipóteses no dispositivo previstas. Não há que se cogitar de ofensa a princípios constitucionais, nem de inaplicabilidade da taxa SELIC, porquanto foram editadas as seguintes súmulas por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Fl. 158DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 155 2 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado) e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 136/153) interposto em 14 de outubro de 2010 (fl. 135) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 124/132), do qual o Recorrente teve ciência em 23 de setembro de 2010 (fl. 134v), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 33/39, lavrado em 04 de março de 2008, em decorrência de (i) omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício; (ii) omissão de rendimentos de aluguéis; (iii) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada e (iv) compensação indevida de IRRF, verificadas no anocalendário 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 159DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 156 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO COM OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Cabível a revisão do lançamento, quando o sujeito passivo comprova que não incorreu na infração, por ter informado os rendimentos com identificação equivocada da fonte pagadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. Comprovado nos autos que os rendimentos de aluguel de imóveis pertencentes ao casal foi tributado na declaração da esposa, cabível a revisão do lançamento, para manter tão somente a diferença não declarada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Constitui rendimento tributável, sujeito à incidência do imposto de renda retido na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, o valor dos benefícios mensais recebidos de entidades de previdência privada. GLOSA DE FONTE. Restabelecese a compensação do imposto de renda retido na fonte, objeto de glosa pela fiscalização, quando o contribuinte logra comprovar ter sofrido o ônus durante o anocalendário, com documentação hábil e idônea. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 124). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 136/153, no qual basicamente repisa os argumentos ventilados em sua impugnação, quanto ao débito remanescente. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, cumpre salientar que, em que pese ao fato de a decisão recorrida ter exonerado o Recorrente de grande parte do crédito tributário exigido, o valor Fl. 160DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 157 4 combatido não atinge o valor de alçada de R$ 1.000.000,00, estipulado na Portaria MF n.º 03/2008, não se sujeitando, portanto, a recurso de ofício, no termos de seu artigo 1º.: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).” Os motivos de insurgência do Recorrente cingemse, essencialmente, à análise dos seguintes tópicos: (i) diferença subsistente de R$ 612,14, relativa à omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no que tange à fonte pagadora Instituto de Previdência dos Municipiários de Ribeirão Preto; (ii) diferença dos rendimentos de aluguéis constantes da declaração da esposa do Recorrente, Sra. Marilena Porto Vianna Roseiro, no valor de R$ 814,96; (iii) responsabilidade exclusiva da fonte pagadora de proceder à retenção e recolhimento dos rendimentos derivados de resgate de contribuições à previdência privada, pagos pelo Bradesco Vida e Previdência S/A; (iv) incidência da taxa SELIC sobre os juros de mora e (v) caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. Com relação ao primeiro tema apontado, qual seja, omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, alega o Recorrente ter incorrido em erro com relação à identificação da fonte pagadora, porquanto indicou o recebimento de R$ 42.227,92 da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (CNPJ 56.024.581/000156) em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 84), quando na verdade a quantia correta – R$ 42.840,06 – proveio do Instituto de Previdência dos Municipiários de Ribeirão Preto (CNPJ 00.118.735/000114), consoante se comprova da DIRF acostada à fl. 42, resultando na aludida diferença de R$ 612,14. Nesse esteio, havendo recolhimento a menor de tributo e, igualmente, sendo a atividade de lançamento plenamente vinculada, à luz do que dispõe o art. 142 do CTN, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento uma vez constatada inexatidão da declaração, mantendose, por conseguinte, a exigibilidade da multa de ofício, prevista na forma do art. 44, I da Lei n.º 9.430/96. No que tange à alegada omissão de rendimentos de aluguéis, de fato parte da tributação se deu com base na declaração entregue pela esposa do Recorrente, Sra. Marilena Porto Vianna Roseiro. Ocorre, entretanto, que, cotejandose as declarações apresentadas pelo Recorrente e por sua cônjuge, verificase, no que concerne aos rendimentos provenientes da fonte R.G.W. Indústria e Comércio Ltda., uma divergência com o valor informado em DIRF (fl. 67). De fato, enquanto a esposa do contribuinte declarou (fl. 29) o valor de R$ 10.827,28, esta última aponta o montante de R$ 11.642,24, fl. 67, restando diferença no importe de R$ 814,96, igualmente exigível. Já com relação à omissão de rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada, breves esclarecimentos devem ser tecidos. Segundo o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), mais especificamente em seu art. 633, a tributação do resgate dos rendimentos pagos por entidades de previdência privada se dá por meio de retenção na fonte, mas tal tributação não é definitiva, sujeitandose à necessária inclusão na declaração de ajuste anual, o que nos remete para o art. 43, XIV, do mesmo diploma legal, com a ressalva da hipótese do art. 39, XXXVIII, que isenta “o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa Fl. 161DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 158 5 física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995”, o que não se amolda ao caso em tela. Por oportuno, transcrevemse os dispositivos ora aludidos: “Art. 633. Os benefícios pagos a pessoas físicas, pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, ressalvado o disposto nos incisos XXXVIII e XLIV do art. 39 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33). Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33);” Esse é o entendimento perfilhado por este CARF: “IRPF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ISENÇÃO Sujeitamse à incidência do Imposto sobre a Renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. DECISÕES JUDICIAIS Conforme determinação contida nos artigos 1º e 2º do Decreto nº 73.529/74, vinculam apenas as partes envolvidas no processo, sendo vedada a extensão administrativa dos efeitos judiciais contrária à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ou ordinários. Recurso negado.” (1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Acórdão n.º 10614.056, Relatora Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, DOU de 23/09/2004) Na realidade, o Recorrente não ofereceu os R$ 12.000,00 recebidos do Bradesco Vida e Previdência S/A (fl. 47) à tributação, porquanto não o informou em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 83/87). O Recorrente muito embora alegue que sofreu retenção na fonte, não traz elementos hábeis a refutar os documentos de fls. 47 e 82, que apontam para o fato de estarem os montantes no limite de isenção para o anocalendário 2004 (R$ 1.058,00, ex vi da IN SRF n.º 118/2002). De fato, consoante se infere do Parecer COSIT n.º 01/2002, no caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. A situação em tela, como se salientou adrede, não se sujeita à tributação exclusiva na fonte, devendo ser os valores recebidos oferecidos à tributação, constando, por conseguinte, da declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, sendo certo que eventual penalidade atribuível à fonte pagadora pela falta de retenção só é cabível quando há efetivo descumprimento desse dever legal, o que não ocorreu in casu, posto que tanto o Bradesco Vida e Previdência S/A e a Caixa Vida e Previdência S/A não efetuaram, acertadamente, a retenção, haja vista os limites isentivos legalmente previstos. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 159 6 Por derradeiro, imperioso analisar os pleitos de inaplicabilidade da taxa SELIC para remunerar os juros moratórios, assim como eventual caráter confiscatório da multa de ofício. A aplicação da multa de ofício, com supedâneo no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, é dever da autoridade fiscal uma vez constatada alguma das hipóteses nela previstas, in casu a falta de recolhimento do imposto incidente sobre a diferença declarada, por parte do contribuinte, em consonância com o art. 142 do CTN, que aduz ser o lançamento uma atividade vinculada e obrigatória. Confirase, neste esteio, a redação do dispositivo em comento: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Situação diversa do inciso I, entretanto, é a retratada pelo §1º do mesmo dispositivo legal, em que a comprovação da existência de dolo, fraude ou simulação enseja a aplicação de multa qualificada de 150%, o que não ocorreu no presente caso, tanto é que a multa foi corretamente aplicada no percentual de 75%. A jurisprudência deste Conselho se pacificou no sentido de afastar a multa de ofício apenas quando se tratar de erro escusável incorrido pelo contribuinte, em situações provocadas pela própria fonte pagadora, que o leva a classificar indevidamente os rendimentos recebidos como isentos e não tributáveis. Confirase, por oportuno, o seguinte precedente da a 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 IRPF MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 160 7 Tendo a fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) prestado informação equivocada aos deputados estaduais com relação à natureza dos valores pagos a título de ajuda de custo, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento das declarações de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. Recurso negado” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Recurso Especial n° 10.414.5376, Acórdão n. 920200.007, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 17/08/2009). Tal situação, contudo, não se amolda ao presente caso, uma vez que não houve qualquer erro imputável à fonte pagadora, e sim única e exclusivamente à Recorrente, com a divergência entre os valores declarados e recebidos. Ad argumentandum tantum, ao CARF é vedado se pronunciar sobre matéria de cunho constitucional, motivo pelo qual as alegações no sentido de que a multa de ofício ofende os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e legalidade não podem ser analisados, cumprindo trazer à baila a Súmula n.º 02: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por derradeiro, não remanescem quaisquer dúvidas quanto à aplicabilidade da taxa SELIC, tendo motivado inclusive a edição de outra súmula deste Conselho: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 164DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 14041.001452/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Constitui infração a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme previsto na alínea “a” , inciso I, do art. 30 da Lei n.º 8.212/91 e Lei nº10.666, de 08/05/2003.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14041.001450/200722 Acórdão n.º 230201.205 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 05/12/2007, por infração ao art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, contra o sujeito passivo acima referido por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, no período de 05/2004 a 12/2006, relativamente às remunerações recebidas através de cartões de premiação, operacionalizados pela empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. A multa pela infração praticada é a prevista no capítulo III DAS INFRAÇÕES do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inciso I, alínea “g”, reajustada na forma do art. 373 do citado Regulamento, em conformidade com a Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007. O Relatório Fiscal, de fls.08/09, diz que a premiação era concedida sob a forma de valores em espécie, comissões e pontos de fidelização pagos diretamente pela CEF, por intermédio de empresas de marketing e endomarketing, para o público interno. Aduz o relatório que também eram pagos aos funcionários, pelas empresas do GRUPO CAIXA (formado pelas empresas CAIXA CONSÓRCIOS S/A, CAIXA VIDA PREVIDÊNCIA S/A, CAIXA CAPITALIZAÇÃO S/A E CAIXA SEGURADORA S/A ) e a FENAE CORRETORA DE SEGUROS E ADMINISTRAÇÃO DE BENS S/A, comissões creditadas em contacorrente ou por cartões de crédito/débito ou ainda de outros tipos, relativas aos produtos comercializados das empresas do GRUPO CAIXA, cuja atividade de corretagem está a cargo da FENAE Corretora, responsável pelo repasse dos valores aos empregados da CEF. Os funcionários também recebiam pontos de fidelização nos programas de incentivo de marketing das empresas do GRUPO CAIXA denominados como “Programa PAR e Programa de Relacionamentos do Grupo Caixa Seguros – Sempre Ao Lado”, creditados em conta fidelidade administrada pela empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. O resgate dos pontos ocorria pela aquisição de bens junto a empresas como : Produtos Americanas.com; CVC; Pão de Açúcar; C&A; Cinemark; Abril e Carta Capital. Após a impugnação, Acórdão de fls. 293/301, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega que a multa deve ser excluída, pois a obrigação principal ainda está pendente de julgamento e que deve ser deferido o pedido de perícia porque dele pode resultar o cancelamento do auto de infração. Por fim, requer o provimento do recurso para cancelar o auto de infração ou que seja reconhecida a nulidade apontada. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. .A recorrente foi autuada por ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, pagas a título de prêmio incentivo, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, no período de 05/2004 a 12/2006. Tal conduta, infringiu o disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 8.212/91 : Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n.º 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de sofrem o desconto da contribuição previdenciária relativa a parte do segurado, por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14041.001450/200722 Acórdão n.º 230201.205 S2C3T2 Fl. 3 5 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar das GFIP’s, nas competências correspondentes ao pagamento efetuado, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade. Ademais, os fatos geradores da obrigação principal já foram objeto de julgamento por este colegiado, que os entendeu como passiveis de incidência contributiva previdenciária, em sessão realizada em dezembro de 2010. Em razão da natureza do lançamento e dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Quanto ao mérito do lançamento, já é matéria pacificada por este colegiado que a premiação recebida através de cartões operacionalizados por empresa de marketing, se constitui em salário de contribuição, sendo totalmente prenscindível a realização de perícia para a convicção do julgado. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13838.000190/2003-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 30/04/1998, 31/05/1998,
30/06/1998, 31/07/1998, 30/11/1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF.
COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA.
Nos termos do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/
2001, vigente à
época do lançamento de ofício, as diferenças apuradas decorrentes de
compensação indevida ou não comprovada deveriam ser objeto de
lançamento de ofício.
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE OFÍCIO. CONVERSÃO EM
MULTA DE MORA. FALTA DE COMPETÊNCIA.
Falece competência à autoridade administrativa julgadora para converter a
multa lançada de ofício em multa de mora, dados os dispositivos legais
distintos que as fundamentam. Anulada a conversão, com base no princípio
da retroatividade benigna, cancelase
a multa de ofício então restaurada.
Nada impede, contudo, que, em eventual procedimento de cobrança, se venha
a exigir do sujeito passivo a multa de mora decorrente do pagamento
extemporâneo do tributo devido.
Numero da decisão: 3803-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a conversão da multa de lançamento de
ofício em multa de mora promovida pela decisão recorrida e para cancelar integralmente a
aplicação da multa de lançamento de ofício, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
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DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA. Nos termos do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, vigente à época do lançamento de ofício, as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida ou não comprovada deveriam ser objeto de lançamento de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE OFÍCIO. CONVERSÃO EM MULTA DE MORA. FALTA DE COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para converter a multa lançada de ofício em multa de mora, dados os dispositivos legais distintos que as fundamentam. Anulada a conversão, com base no princípio da retroatividade benigna, cancelase a multa de ofício então restaurada. Nada impede, contudo, que, em eventual procedimento de cobrança, se venha a exigir do sujeito passivo a multa de mora decorrente do pagamento extemporâneo do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a conversão da multa de lançamento de ofício em multa de mora promovida pela decisão recorrida e para cancelar integralmente a aplicação da multa de lançamento de ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente ALEXANDRE KERN Presidente. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Assinado digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. EDITADO EM: 03/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência de decisão da DRJ Campinas/SP que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte em face do auto de infração eletrônico da Contribuição para o PIS relativo a todos os meses do anocalendário 1998. O auto de infração, presente às fls. 6 a 17, fora emitido em 14/06/2003, com ciência do contribuinte em 08/07/2003 (fl. 71), e se refere a parcelas da Contribuição para o PIS declaradas em DCTF como compensadas, sendo que tal situação não se confirmara após cruzamentos internos da Receita Federal, sendo informado que os processos administrativo e judicial declarados não teriam sido localizados. Em sua Impugnação (fls. 1 a 5), o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que os valores da contribuição declarados em DCTF teriam sido compensados no âmbito do processo administrativo nº 10830.002276/9683 e, parte deles, com base em tutela jurisdicional concedida na Medida Cautelar nº 97.03.0113028. Informou, ainda, o então Impugnante, que optara pelo parcelamento denominado Refis, encontrandose amparado pelo art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 44, de 25 de abril de 2000, que lhe asseguraria o direito de ter os débitos inscritos de ofício no parcelamento nos casos de pendência de apreciação dos pedidos de compensação por parte da autoridade administrativa. Quanto às compensações amparadas em medida judicial, informou que desistira da ação judicial, tendo aderido ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Além dessa alegações, ressaltou o Impugnante que os valores exigidos já se encontravam declarados em DCTF e, portanto, autolançados, dispensandose o lançamento de ofício, dado que devidamente constituído o crédito tributário. Recebida a Impugnação, a Agência da Receita Federal em Capivari/SP emitiu o despacho presente à fl. 102, informando que, em relação aos débitos que constavam do processo administrativo informado pelo contribuinte, inexistia pedido de compensação e que, quanto aos débitos objeto da ação judicial, estes teriam sido consolidados no Refis. Em 4 de abril de 2008, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP informou que, efetivamente, havia débitos da Contribuição para o PIS do anocalendário de Fl. 186DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13838.000190/200315 Acórdão n.º 380301.290 S3TE03 Fl. 168 3 1998 nos processos administrativos de controle do parcelamento, mas que os valores seriam “completamente diferentes dos lançados no Auto de Infração” (fls. 116 a 117). Por fim, em 28 de abril de 2008, a DRF Campinas/SP (fls. 135 a 137), ao analisar o teor da Impugnação apresentada antes do envio à Delegacia de Julgamento, decidiu por cancelar parte do auto de infração, considerando, em síntese, o seguinte: a) “assiste a razão em parte ao contribuinte, pois quanto à possibilidade de inclusão dos débitos suspensos em medida judicial constatase que houve desistência tempestiva para recepcionar tais débitos no parcelamento REFIS. Como de fato se verifica, os débitos confessados foram incluídos na consolidação do REFIS controlados pelos processos de parcelamento nº 10830.450870/200104 e 10830.450865/200193, fls.130/132” (fl. 136); b) quanto ao processo administrativo, “ainda que o contribuinte tivesse indicado corretamente a compensação controlada no processo nº 13838.000208/200389, os débitos ali indicados, f1.119, não incluem PIS do ano calendário 1998 mas somente o ano 1996” (fl. 136); c) “o montante do AI que prefigurava parcelada pelos processos nº 10830.450870/200104 e 10830.450865/200193 é improcedente, porquanto a exigibilidade de tais valores se encontrava suspensa quando da emissão do AI” (fl. 136); d) “Os autos de infração eletrônicos foram emitidos em cumprimento, ao art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que determinou que a SRF promovesse o lançamento de ofício de todas as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pelo órgão” (fl. 136); e) “assiste a razão ao contribuinte, pois os débitos em comento estão aptos a integrar a consolidação do REFIS pela Lei nº 9964 de 10 de abril de 2000” (fls. 136) f) “ainda que incluído no REFIS, permanece a multa lançada de ofício, conforme se verifica em fls.1/5, o contribuinte fundamenta a impugnação não somente em vista dos débitos lançados de ofício integrarem o parcelamento REFIS. Mas insurgese, contra a constituição da multa de ofício sobre o débito confessado, conforme Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72” (fl. 136). Ao julgar a Impugnação, a DRJ Campinas/SP decidiu pela procedência parcial do lançamento (fls. 149 a 153), sendo exonerada a multa de ofício com base no princípio da retroatividade benigna. Nos termos ressaltados pelo relator a quo, em “revisão de oficio, conforme fls. 137, a autoridade preparadora decidiu por afastar parte da exigência já consolidada no REFIS antes do lançamento, formalizar representação para inclusão, no REFIS, do principal remanescente (processo 10830.003985/200871, fls. 138/139) e submeter à apreciação desta DRJ/CPS a diferença entre a multa de oficio lançada e a multa de mora incidente sobre os valores tratados na representação referida” (fl. 151). Contudo, amparada no extrato do processo (fls. 146 a 147), decidiu a autoridade julgadora a manter parte do principal lançado, fundamentandose na argumentação Fl. 187DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 de que os “valores principais remanescentes, conforme se vê nos elementos juntados aos autos relatados na decisão da DRF, não tiveram sua exigibilidade suspensa confirmada pelo processo judicial indicado na DCTF, já que dele o contribuinte desistiu, nem foram objeto de pedido de compensação no processo administrativo 10830.002276/9683. Ressaltese que o contribuinte apenas alegou tal vinculação, mas não fez prova documental de sua existência” (fl.152). Ao final, decidiu a DRJ nos seguintes termos: Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a impugnação e considerar PROCEDENTES EM PARTE as exigências relativas a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), para exonerar a multa de ofício aplicada na parcela relativa ao percentual de 55%, atentando se, quando da cobrança, que os valores principais mantidos, de acordo com decisão da autoridade preparadora de fls. 137 já foram objeto de representação para inclusão no REFIS (processo 10830.003985/200871, fls. 138/139). fls. 152 a 153. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 158 a 162) e requer o total cancelamento do auto de infração, repisando parte dos argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o auto de infração relativo à Contribuição para o PIS emitido eletronicamente, após a revisão de ofício, teve parte do crédito tributário cancelado pela autoridade administrativa da repartição de origem e a multa de ofício remanescente exonerada pela autoridade julgadora de primeira instância, com base no princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, “c”, do CTN). Nos termos apontados pela autoridade administrativa da repartição de origem (fl. 137), em revisão de ofício, em relação à qual o contribuinte devidamente intimado não se pronunciou (fls. 142 a 148), após as verificações pertinentes quanto à compensação e à inclusão dos débitos no Refis, parte do auto de infração foi considerada procedente, sendo submetido à apreciação da Delegacia de Julgamento a impugnação da multa de ofício incidente sobre a parcela considerada procedente. Não tendo havido contrariedade do contribuinte quanto ao resultado da revisão de ofício, temse que suas conclusões foram acatadas por ele, submetendose à autoridade julgadora de primeira instância administrativa tão somente o teor do despacho decisório presente às fls. 135 a 137. Como bem destacou o relator a quo, o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, então vigente, determinava o lançamento de ofício de diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida ou não comprovada, em razão do que não se acolhia o argumento do Fl. 188DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13838.000190/200315 Acórdão n.º 380301.290 S3TE03 Fl. 169 5 contribuinte relativamente à impossibilidade de lançamento de ofício de valores declarados em DCTF. Dessa forma, considerando que o Recorrente não traz aos autos nenhum outro elemento probatório que contradiga as constatações até então pronunciadas e embasadas nos dados constantes dos autos, concluise pela escorreita decisão da DRJ Campinas/SP, ora reafirmada, salvo em relação à multa que restou aplicada. A autoridade julgadora a quo, com base na retroação de norma penal benigna e considerando o despacho da repartição de origem, converteu a multa de ofício originalmente lançada na multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No entanto, tal procedimento se deu à revelia dos dispositivos legais que regem a matéria, pois, à autoridade administrativa julgadora, falece competência para a conversão de multa de ofício em multa de mora, tendo em vista que tais gravames possuem fundamentações legais distintas, sendo passíveis de aplicação somente por parte da autoridade administrativa competente para tal. Nada impede, contudo, que, em eventual procedimento de cobrança, se venha a exigir do sujeito passivo a multa de mora decorrente do pagamento extemporâneo do tributo devido. Dessa forma, restaurada a multa de ofício originalmente lançada, com base no princípio da retroatividade benigna, tal acréscimo legal deverá ser expurgado do crédito tributário, nos termos a seguir delineados. A Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, em sua redação original, restringiu o lançamento de ofício previsto na Medida Provisória n° 2.15835/2001 à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, e apenas nas hipóteses ali especificadas, nenhuma delas coincidente com o caso ora sob análise, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Posteriormente, tal dispositivo veio a sofrer sucessivas alterações, conforme se depreende das transcrições a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 189DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) Conforme acima demonstrado, com a edição da Lei n° 10.833/2003, a multa isolada, que substituiu a multa proporcional originalmente prevista para os casos da espécie, constituiuse em penalidade nova, aplicável nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações de sonegação, fraude ou conluio no uso da declaração de compensação. Ressaltese que as alterações posteriores do citado art. 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda que, em tese, possam ser consideradas restauradoras da hipótese de infração original, não influem no presente julgamento, em face da impossibilidade de retroação de penalidade mais gravosa, cujo comando passa a ser aplicável somente após a vigência do respectivo texto legal. Portanto, em face da alteração legislativa superveniente que alterou a aplicação da multa de ofício, não abrangendo aquela objeto do auto de infração, e tendo em vista o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa de ofício inserida no total do crédito tributário deve ser exonerada pela aplicação retroativa do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para anular a conversão da multa de lançamento de ofício em multa de mora realizada pela autoridade julgadora a quo e cancelar a aplicação da multa de ofício em face da retroação de norma penal mais benigna. Saliento, da mesma forma como fizera o julgador de primeira instância, que as parcelas do auto de infração remanescentes após a revisão de ofício já foram objeto de representação da autoridade preparadora no sentido de incluílas no Programa de Recuperação Fiscal (Refis). É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 190DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13838.000190/200315 Acórdão n.º 380301.290 S3TE03 Fl. 170 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 13838.000190/200315 Interessada: INDÚSTRIA AÇUCAREIRA SÃO FRANCISCO S/A TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380301.290, de 01 de março de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 01 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 191DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 8 Fl. 192DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000777/2003-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Numero da decisão: 2102-001.083
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 169DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 149 2 EDITADO EM: 09/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BELINI MOSER foi lavrado Auto de Infração, fls. 25/32, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 21.071,66, incluindo multa de ofício no percentual de 112,5% e juros de mora, estes últimos calculados até 30/01/2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração, foram dedução indevida de previdência oficial (R$ 1.639,00), dedução indevida de dependentes (R$ 6.480,00), dedução indevida de despesas médicas (R$ 2.119,04), dedução indevida de despesas com instrução (R$ 8.500,00), dedução indevida de previdência privada/FAPI (R$ 6.957,00) e dedução indevida do imposto com contribuição de incentivo à cultura (R$ 481,02). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 41, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0713.399, de 15/08/2008, fls. 136/140, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento, para restabelecer as seguintes deduções: previdência oficial (R$ 1.639,00), dependentes (R$ 5.400,00), despesas médicas (R$ 1.801,21), despesas com instrução (R$ 1.700,00) e previdência privada/FAPI (R$ 4.957,35) e reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/08/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 142, o contribuinte apresentou, em 04/09/2008, recurso voluntário, fls. 144, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Despesas com instrução – Solicita o restabelecimento das despesas com instrução do cônjuge, pois a apresentação de declaração em separado não evidencia que fez uso da dedução. A referida despesa é comum ao casal, de sorte que optou em deduzila em sua declaração. Multa de ofício – Solicita a exclusão total da multa de ofício, pelos seguintes motivos: (i) a DAA/2000 já havia sido processada desde 12/03/2001, logo entendeu não haver pendências com o Fisco; (ii) não houve intenção do contribuinte em produzir os fatos que deram causa ao lançamento, descaracterizandose assim culpa ou dolo (iii) a existência de débitos impediu a emissão de certidão negativa, fato que gerou constrangimentos ao contribuinte. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 150 3 É o Relatório. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 151 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No que se refere à dedução de despesas com instrução, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) assim estabelece: Despesas com Educação Art.81.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). (grifei) Como se vê, o dispositivo legal acima transcrito dispõe que o contribuinte pode deduzir despesas com instrução próprias ou de seus dependentes. No presente caso, o contribuinte apresentou declaração em separado, contudo, pleiteou dedução de despesas com instrução de sua esposa. Tal procedimento não encontra amparo na legislação, ainda que o cônjuge do contribuinte não tenha se beneficiado da referida dedução. Nessa conformidade, devese manter a glosa de despesas com instrução, conforme consubstanciado no Auto de Infração. Já quanto à multa de ofício, cumpre esclarecer que a mesma foi aplicada conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se vê, o contribuinte sujeitase a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, pelo simples fato de incorrer em declaração inexata, o que foi o caso. Por outro lado, insta frisar que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade Fl. 172DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 152 5 funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN). Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício no percentual de 75%, conforme exigido no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 173DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13005.900586/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO.
Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.
PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO.
Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase
inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado.
DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO.
A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
Numero da decisão: 1202-000.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Fl. 321DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 5.2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório A interessada transmitiu, em 27/08/2004, PERD/COMP eletrônico (fls. 11 a 16) visando utilizar o crédito da estimativa mensal da CSLL do período de apuração de setembro de 2003, pago mediante DARF, no valor de R$ 5.805,22, para compensação de débito nele declarado, relativo à CSLL do período de apuração de julho de 2004, no valor de R$ 6.523,33. Na sequência, a DRF/Santa Cruz do Sul emitiu Despacho Decisório Eletrônico, em 24/04/2008 (fl. 04), não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da CSLL relativo à setembro de 2003, não restando assim crédito disponível para a compensação. Cientificada da decisão, em 05/05/2008, a interessada protocolizou a manifestação de inconformidade, de fls. 01 a 03, aduzindo que: a) por lapso, informou no PER/DCOMP que a origem do crédito seria "pagamento indevido ou a maior", tendo indicado o DARF recolhido no valor de R$ 5.805,22, código de receita 2484, PA: setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003; b) na verdade, deveria ter indicado como origem do crédito "base de cálculo negativa da CSLL", apurada ao final do ano de 2003; c) o cruzamento de informações acabou constatando que o referido DARF acabou sendo utilizado duas vezes. Primeiro, pagando o débito de R$ 5.805,22 (PA setembro/2003), e, depois, buscando extinguir parcialmente o débito de R$ 6.523,33 (PA julho/2004), o que acabou resultando na nãohomologação da declaração de compensação pretendida; d) a partir da comunicação de nãohomologação do PER/DCOMP, a requerente tratou de proceder à retificação da DCTF do 3° trimestre de 2004, informando em tal documento um débito para a CSLL, PA: julho/2004, no valor de R$ 28,20, com indicação de que o pagamento se deu por DARF. O valor original informado na DCTF era de R$ 6.551,53, fl. 99. A fim de conciliar os novos valores, também foi retificada a DIPJ/2005; Após a análise da manifestação, foi emitido o Acórdão DRJ/Santa Maria, fls. 292 a 296, com o seguinte ementário: CSLL POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. As estimativas da CSLL recolhidas devem ser levadas à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando recolhimento da CSLL em montante superior ao devido no exercício de apuração, compensar ou restituir o saldo negativo, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao da apuração. COMPENSAÇÃO. INCABÍVEL EXTINÇÃO DO DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE PROVAS. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 6.2 3 Incabível reconhecer a extinção do débito referente à estimativa mensal da CSLL em sede de manifestação de inconformidade, especialmente quando o contribuinte não apresenta provas que fundamente o seu alegado direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A fundamentação utilizada no referido Acórdão foi no sentido de que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, o que possibilita ao contribuinte aproveitar o saldo negativo, mediante compensação ou restituição, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. No caso dos autos, não haveria comprovação do direito creditório passível de compensação com débitos do contribuinte. O acórdão também aborda a alteração do valor do débito da CSLL de junho/2004, por meio de retificação da DCTF feita após o recebimento do Despacho Decisório Eletrônico. Sustenta ainda que, nos termos da IN SRF nº 11, de 1996, dita alteração deverá ser registrada com a transcrição do balanço ou balancete no livro Diário e no livro LALUR, comprovando que o valor do tributo pago até o mês do balanço/balancete é igual ou excede o valor do tributo devido. Dessa forma, o contribuinte não poderia, diante da nãohomologação da compensação, simplesmente reduzir o valor do débito da CSLL informado na DCTF, período de apuração julho de 2004, de R$ 6.551,53 para R$ 28,20, sem comprovar o seu direito. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, fls. 299 a 301, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça a tese de erro de preenchimento do PER/DCOMP, salientando que existe saldo negativo da CSLL, ao final do ano de 2003, passível de compensação no ano de 2004. A respeito das retificações das declarações DCTFs e DIPJs, menciona que tal procedimento se fazia necessário, a fim de conciliar os valores nelas informados. Alega, por fim, que encontrase suficientemente provado nos autos a alteração dos valores devidos, com a juntada de cópias das respectivas declarações originais e retificadoras. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à existência do crédito de R$ 5.805,22, informado na PER/DCOMP como sendo pagamento indevido ou a maior da CSLL relativo ao PA setembro/2003, para quitar parcialmente um débito em aberto de R$ 6.523,33, relativo à CSLL, PA julho/2004, informado nessa mesma PER/DCOMP. Alega a recorrente que houve erro de preenchimento do PER/DCOMP e que o crédito seria originário do saldo negativo da CSLL apurado ao final do ano de 2003, ao invés de setembro de 2003. Menciona, ainda, que após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico Fl. 323DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 7.2 4 DDE, providenciou na retificação do valor devido da CSLL do período em análise, julho de 2004, mediante entrega de DCTF e DIPJ retificadoras, cujo débito de R$ 6.551,53 passou para R$ 28,20, quitado mediante pagamento em DARF. Assim, o débito não compensado, de R$ 6.523,33 não mais existiria. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, cabe analisar a situação do crédito informado no pedido PER/DCOMP. Do exame do Despacho Decisório Eletrônico, consta que a interessada teria efetuado um pagamento da CSLL, referente ao PA setembro/2003, no valor de R$ 5.805,22. Após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, a interessada apresentou DCTF retificadora, em 12/05/2008. Segundo a recorrente, a DCTF retificadora referese ao débito originalmente compensado no PER/DCOMP, período de apuração junho/2004, cujo valor original informado na DCTF, passou de R$ 6.551,53 para o valor retificado de R$ 28,20, fls. 99 e 115. Como se percebe, a interessada reduziu o débito informado na DCTF relativo ao período em análise. Entretanto, no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida. O interessado confessou originalmente em DCTF que apurou débito de CSLL em setembro de 2003. E foi ao débito assim confessado que o DARF que indicou na PER/DCOMP está alocado, de sorte que não poderia ter sido utilizado para a quitação de outro débito, em julho de 2004. De fato, o débito da CSLL encontravase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.(grifei) Além disso, a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal.(destaquei) Fl. 324DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 8.2 5 Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito da CSLL referente a setembro/2003 efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao respectivo débito de setembro/2003, declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. O fato é que, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN). Por seu turno, a não homologação da compensação está conforme o art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, que tenha por objeto a redução ou a exclusão de tributos, como é o caso, só é possível mediante a comprovação do erro alegado: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(destaquei) Como mencionou o acórdão recorrido, as retificações pretendidas foram indeferidas, porque desacompanhadas das provas documentais correspondentes, entre elas a apresentação dos livros Diário e LALUR e demais documentos que lastreassem a alteração. Não houve a comprovação de que o valor da CSLL paga até o mês do balanço/balancete excedeu o valor da contribuição devida. Juntou apenas DCTFs originais e retificadoras dos períodos em análise e DIPJs original e retificadora do anocalendário de 2004, insuficientes para que se aceitasse as retificações pretendidas. Assim, também por esse motivo, não há como acolher a pretensão da contribuinte em reduzir a CSLL declarada sem elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Por fim, é de se registrar que as reduções da CSLL informadas nas DCTFs, acarretariam a alteração/cancelamento da própria PER/DCOMP ora examinada, que somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento. O erro de identificação do indébito tributário na formulação do PER/DCOMP é insanável, já que se trata de alteração do próprio direito. Não pode ser considerado erro material o fato da recorrente ter pleiteado a compensação de débito cujo crédito já havia sido utilizado para quitar outro débito, confessado em DCTF pelo próprio contribuinte. Em verdade, sob a forma de retificação da DCTF original (sem nenhuma comprovação documental), pretende a recorrente formular novo pedido PER/DCOMP ( com outro crédito e com outro débito) aproveitandose da data do pleito original. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do antigo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 09/08/2007 pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sobre a possibilidade de alteração do pedido após o Despacho Decisório: “Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das Fl. 325DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 9.2 6 relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, pautado em declarações e em documentos apresentados pela própria recorrente, uma vez que as alterações efetuadas pela contribuinte, com a entrega da DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, não têm o condão de tornar irregular a decisão administrativa que pretende ver reformada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 326DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009890/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS.
O “crédito de ICMS transferido a terceiros”, por representar um meio de
pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, fora do campo de incidência da COFINS.
Não há a subsunção do evento/fato concreto (“transferência de
crédito de ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”),
portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico tributária / obrigação tributária).
Numero da decisão: 3201-000.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Vencido o conselheiro Robson José Bayerl.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito de ICMS transferido a terceiros”, por representar um meio de pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, fora do campo de incidência da COFINS. Não há a subsunção do evento/fato concreto (“transferência de crédito de ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Robson José Bayerl. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 12/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice Fl. 113DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 2 presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa (fls. 1/4), em relação a créditos da Contribuição, referentes ao 4° trimestre de 2006, vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 6º da Lei n° 10.833/2003, no valor de R$ 403.720,32. A DRF – Porto Alegre, por meio do Despacho Decisório No. 500/2008, reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 381.837,83, restando indeferido um saldo no valor de R$ 21.882,49 (fls. 28). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação, relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa. 0 interessado discorda da glosa parcial, oriunda do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros. Alega que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, que se tratariam de mera recuperação de gastos/custos, que em função da sistemática de apuração do imposto seria absurda a apuração de débitos da contribuição nas transferências de ICMS e ainda que por conta de serem conexas A exportações, tais operações seriam isentas da incidência da contribuição. Aponta, também, a ausência de lançamento formal, pois entende que a análise de declaração de compensação, para fins de homologação, não seria o local apropriado para a constituição de crédito tributário por parte do Fisco. Isso posto, requer a reforma do Despacho Decisório em questão, para que seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações realizadas, cancelandose a compensação de oficio levada a efeito no presente processo. Requer, ainda, o recebimento de sua manifestação com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o impedimento de sua inscrição em divida ativa e a produção de todos os meios deprova em direito admitidas. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre RS, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da empresa, proferindo o Acórdão nº 1019.606 (fls. 80/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 114DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 100 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. A Recorrente, inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário (fls. 84/ss), por meio do qual reitera os argumentos já trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos, em apertada síntese: (i) Nãoincidência da Cofins sobre as operações de cessão de créditos de ICMS decorrentes de exportações, pelos seguintes motivos: com a nova redação do artigo 1 0, §3°, inciso VI da Lei n. 10.833/03, dada pela conversão da Medida Provisória n. 451/2008, as transferências/cessões de créditos de ICMS apurados por conta de operações de exportações passaram ser expressamente excluídas da base de cálculo da Cofins, situação esta que veio a corroborar o entendimento já firmado pela Recorrente; da ausência da hipótese de incidência da Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS — Ausência de ingresso de receita; (ii) Da impossibilidade de se constituir obrigação tributária em análise de declaração de compensação, sendo que haveria a necessidade de Auto de Infração para veicular o lançamento tributário. Requer, assim, seja provido o Recurso para excluir os créditos de ICMS referidos da base de cálculo das contribuições e sejam consideradas homologadas as compensações efetuadas. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente requereu o ressarcimento e compensação de créditos da COFINS não cumulativa, com base no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, que abaixo transcrevo: Fl. 115DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 4 “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (grifei). A priori, devemos entender qual é a natureza do crédito de ICMS transferido a terceiros. Este crédito, gerado em função das operações de exportações efetuadas sem incidência da Cofins, configura uma transferência entre contas patrimoniais da contabilidade da empresa, da conta “tributos a recuperar” para a conta “caixa” ou “estoques” (no caso de aquisição de insumos). A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. A nãocumulatividade é uma técnica que tem por objeto evitar o "efeito cascata" da incidência de alguns tributos (como é o caso do ICMS), permitindose, em cada uma das etapas do processo produtivo, a dedução do imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias e/ou matériasprimas necessárias a sua industrialização. O princípio da nãocumulatividade encontrase insculpido no próprio texto constitucional (artigo 155, § 2º , inciso I, alínea "a"), que assim dispõe: “§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose a que foi devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou Fl. 116DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 101 5 prestação de .serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores” Destaquese, ainda, que a Constituição Federal assegurou ao contribuinte do ICMS o direito à recuperação do imposto pago nas etapas anteriores, quando sua atividade é exclusiva ou preponderantemente exportadora (inciso X). Neste sentido, a Lei Complementar n° 87/1996 (Lei Kandir), em seu art. 25 e parágrafos, prescreveu a possibilidade de transferência dos créditos acumulados de ICMS, permitindo que o contribuinte exportador cedesse o saldo remanescente de créditos de ICMS à terceiros domiciliados no mesmo Estado da Federação, verbis: Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado. Fazendose uma interpretação sistemática dos dispositivos supra mencionados, podese construir o seguinte entendimento: em decorrência da imunidade do ICMS conferida às exportações gerase um crédito relativo ao imposto pago nas etapas Fl. 117DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 6 anteriores da cadeia produtiva. Não sendo possível a compensação com débitos próprios do ICMS, o crédito pode ser transferido à terceiros. Neste caso, ocorre a mera recuperação de um custo tributário já incidente nas etapas anteriores, não restando configurado o ingresso de receita. No caso em tela, portanto, não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizouse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. A troca de um ativo (“créditos de ICMS”) por outro (insumos) não representa vantagem patrimonial. A operação, portanto, é de compra de insumos e não de venda de mercadorias (que geraria, aí sim, receita). A Lei 10.833/2003 dispõe que a COFINS, nãocumulativa, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entendo, assim, que os “créditos ICMS transferidos à terceiros”, no caso em discussão, utilizados para a aquisição de bens destinados ao processo produtivo da Recorrente, por não se tratarem de receitas auferidas pela empresa, estão fora do campo de incidência da COFINS, não devendo, portanto, compor a sua base de cálculo. Veja que não há a subsunção do fato concreto (“crédito de ICMS transferido à terceiros”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), logo, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Houve, no caso, uma economia no pagamento de fornecedores (redução de custos ou despesas incorridos pela empresa), que obviamente não gera receita. O que ocorreu foi a simples transformação de Impostos a Recuperar em Estoques, mas não a alegada obtenção de receita. Os recursos (receita) virão quando estes estoques forem vendidos pela empresa, aí sim, neste momento, deverá haver a incidência da COFINS. Ressaltese, por fim, para corroborar este entendimento, que a Medida Provisória 45/081, convertida na Lei 11.945/09, veio autorizar expressamente a exclusão da base de cálculo da COFINS (cumulativo e não cumulativo) do valor do crédito do ICMS Exportação transferido para terceiros. Logo, podese concluir que o entendimento que se fazia, interpretando sistematicamente os dispositivos legais, agora se pode extrair, diretamente, mediante uma simples leitura do texto da Lei. Vejamos as transcrições abaixo, do artigo 15 e 17 da Lei 11.945/2009: Art. 15. Os arts. 3o e 5o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3o .................................................................................. § 2o ...................................................................................... V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. Art. 17. Os arts. 1o, 2o, 3o, 10, 58J e 58O da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 118DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 102 7 “Art. 1o ................................................................................. .............................................................................................. § 3o ...................................................................................... ............................................................................................. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) (Produção de efeitos). Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuinte e do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Recurso No. 262.320– Acórdão No. 340100.774, sessão de 26/05/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. RESSARCIMENTO. REGIME NÃO CUMULATIVO, ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso No. 130.419 – Acórdão No. 20179.967, sessão de 24/01/2007: PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 8 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou juros sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa. Recurso provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ: AgRg No. REsp 1229134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não Fl. 120DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 103 9 havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos objetivos de admissibilidade para o fim, no mérito, de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de cessão de crédito do ICMS à terceiros/fornecedores. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 121DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 10 Fl. 122DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE
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