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Numero do processo: 10660.001142/2003-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/05/1993 a 30/04/1998
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para o lançamento da contribuição para o PIS é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, na hipótese de ocorrência de pagamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Deve ser cancelado auto de infração efetuado sob a égide do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, nos termos do art. 62, do Regimento do CARF e art 26A,
§ 6º, I, do PAF, introduzido pelo art. 25 da
Lei nº 11.941, art. 69.
Numero da decisão: 3803-001.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência do direito de constituição de crédito tributário relativamente aos períodos de apuração de maio de 1993 a abril de 1998, e, no mérito, por unanimidade de votos,
em cancelar o lançamento referente aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2002, mantendo-se a exigência das demais parcelas não decaídas, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/05/1993 a 30/04/1998 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da contribuição para o PIS é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, na hipótese de ocorrência de pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Deve ser cancelado auto de infração efetuado sob a égide do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, nos termos do art. 62, do Regimento do CARF e art 26A, § 6º, I, do PAF, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.941, art. 69.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 400 1 399 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.001142/200325 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803001.015 – 3ª Turma Especial Sessão de 09 de dezembro de 2010 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente AUTO MÁQUINAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/05/1993 a 30/04/1998 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da contribuição para o PIS é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, na hipótese de ocorrência de pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Deve ser cancelado auto de infração efetuado sob a égide do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, nos termos do art. 62, do Regimento do CARF e art 26A, § 6º, I, do PAF, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.941, art. 69. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência do direito de constituição de crédito tributário relativamente aos períodos de apuração de maio de 1993 a abril de 1998, e, no mérito, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento referente aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2002, mantendose a exigência das demais parcelas não decaídas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ALEXANDRE KERN, 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis e Daniel Maurício Fedato, e os suplentes, Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio e Antônio Mário de Abreu Pinto. . Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1216.482, de 05 de outubro de 2007, da DRJRio de Janeiro I/RJ, fls. 357 a 365, que decidiu pela procedência do lançamento. O lançamento diz respeito a débitos: a) em aberto relativos aos períodos maio/93 a setembro/95 consignados como “Débitos Remanescentes” da imputação do crédito decorrente de decisão judicial relativo a PIS pago a maior com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88, no Mandado de Segurança n° 1998.38.00452343; b) decorrentes de “Receitas Não Incluídas na Base de Cálculo”, referente ao período de janeiro/99 a junho/2002, de acordo com a Lei 9.718/98, art.3°, e os créditos tributários constituídos resultaram de “Compensação Indevida”, que se serviu do mesmo crédito aplicado nos períodos de apuração em destaque na letra acima; tudo constante da “Descrição dos Fatos”, doc. de fl. 276 a 278, e conforme relatório da DRJ/Rio de Janeiro I. Em sua impugnação alegou, em síntese: a) preliminarmente, que decaiu do direito de a Fazenda Pública lançar a maior parte do PIS/Pasep lançado nos autos; b) que, no mérito, é inaplicável a Lei Complementar n° 17, de 1973, pois o legislador constituinte, no art. 239 da Constituição Federal de 1988, só recepcionou a Lei Complementar n° 07, de 1970; dessa forma, não há que se falar em majoração da alíquota de 0,50 % (LC 07, de 1970) para 0,75% (LC 17, de 1973), consoante jurisprudência que cita; c) que, consoante doutrina e jurisprudências administrativa e judicial que cita, o PIS/Pasep só poderia ter sido apurado conforme a Lei Complementar n° 07, de 1970, a qual determina semestralidade de sua apuração, uma vez que sua base de cálculo é sempre o sexto mês anterior ao do fato gerador. A DRJ/Rio de Janeiro I, fundouse no art. 105 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, para rebater o argumento preliminar da decadência do direito de o Fisco lançar o referido tributo, ali fixado em dez (10) anos, aferindo que o lançamento abarca legalmente todo o período lançado. No mérito, refutou o argumento de que a LC 17/73 não foi recepcionada pela Constituição Federal, mesmo por incompetência para apreciálo, e não acolheu sua contestação quanto ao aumento da alíquota de 0,5% para 0,75%. Fl. 406DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ALEXANDRE KERN, 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10660.001142/200325 Acórdão n.º 3803001.015 S3TE03 Fl. 401 3 Ainda no mérito, rejeitou a tese da “semestralidade”, consubstanciada no argumento segundo o qual “as diferenças entre os valores devidos e os depositados devemse ao fato de o Fisco não ter aplicado correta e exclusivamente o art. 6° da citada LC n° 7, de 1970, ou seja, o Fisco não levou em conta que o PIS/Pasep do período era calculado aplicando a alíquota sobre a base de cálculo do sexto mês anterior ao mês do fato gerador.”. Assim, manteve a integralidade do lançamento. Cientificada da decisão em 22 de abril de 2008, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls.375 a 395, em 15 de maio de 2008, reitera as os argumentos relativos à inaplicabilidade da lei complementar n° 17/73, e reforça o seu argumento quanto ao direito recolher PIS com base no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Decadência O auto de infração foi cientificado em 29 de maio de 2003. Relativamente aos períodos de apuração de maio/93 a setembro/95, houve imputação dos créditos de PIS pago a maior, decorrente da decisão no Mandado de Segurança n° 1998.38.00452343. Logo, pode se considerar que houve pagamento, para o efeito de definir o critério jurídico da contagem do prazo decadencial, concluindose pelo art. 150, § 4º, do CTN. Desse modo, os débitos dos fatos geradores até abril de 1998 estão decaídos. Compensações Indevidas e Outras Receitas com base no art. 3º, § 1º, do art. 9.718/98 Registrese que os débitos decorrentes das “compensações indevidas” e os que decorrem das “outras receitas” dizem respeito ao mesmo período, janeiro/99 a junho/2002. Estas “outras receitas” estão sendo consideradas no auto de infração por força do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Tratandose de tal matéria nos deparamos com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Esta, há pouco ainda era controversa nos julgamentos deste Conselho. Contudo, no marco de tempo em que nos encontramos, a declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 346.046 tomada pelo Pleno daquele Tribunal, em novembro de 2006, vem sendo entendida como aquela que configura a excludente constante do § 6º, inciso I, da norma de vedação constante da cabeça do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.941, art. 69, literalmente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 407DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ALEXANDRE KERN, 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Esta norma foi incorporada pelo art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, e o seu texto direto e claro, não dando ensejo a que se busque fora dele requisitos ou condições para se moldar o seu conteúdo, sentido e alcance, , autorizando a que o julgadores, na hipótese, afastem a aplicação do dispositivo legal inquinado inconstitucional, tal o §1º, art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Vejo como robusta a argumentação jurídica que se pode expender para justificar a adoção deste entendimento, e de que já me servir noutros julgados. Entretanto, despiciendo dado o consenso que se tem construído nesta Casa. Sob essa consideração, reduzo me a fundamentar nas disposições legal e regimental supra, o acolhimento da declaração de inconstitucionalidade do ditame legal alvo do Juízo do Supremo Tribunal Federal, o indigitado art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 em que se baseou o lançamento dos períodos de apuração janeiro/99 a junho/2002 e considerálo improcedente. Pelo exposto, sendo a matéria contestada apenas a decadência, voto por dar provimento ao recurso para declarála relativamente aos períodos de apuração anteriores a maio de 1998, e cancelar o lançamento relativo aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a junho de 2002, por se tratar de tributação sobre receitas financeiras,esclarecendo que fica mantida a exigência dos períodos de maio a dezembro de 1998. Sala das sessões, 09 de dezembro de 2010 Belchior Melo de Sousa Fl. 408DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ALEXANDRE KERN, 06/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720406/2007-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.408
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Andréa Medrado Darzé. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório TELEMAR NORTE LESTE S.A formulou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 31608.38655.311003.1.3.04 0988, transmitida eletronicamente em 31/10/2003, anexa às fls. 4 a 8, de crédito proveniente do pagamento de COFINS, período de apuração de jan/02, sob a alegação de que este pagamento teria sido efetuado a maior ou indevido, com débito de Cofins, período de apuração set/03, no valor toal de R$ 98.966,76. A autoridade administrativa com jurisdição sobre o declarante indeferiu o pleito de restituição e não homologou a compensação, tendo em vista que o valor devido da Cofins, período de apuração janeiro/2002, informado pela interessada, é de R$ 38.563.039,98, tendo sido o valor de R$ 13.387.847,71 suspenso por medida liminar, restou, dessa forma, saldo a pagar de R$ 25.175.192,27, parcialmente extinto pelo recolhimento por meio de DARF no valor de R$ 25.127.819,14. O Parecer Conclusivo 13/2008, fls. 53/55, sobre o qual se apoiou o Despacho Decisório de fls. 56, deu conta de que: a) o valor original do crédito pleiteado, R$ 74.584,94, corresponde à parcela do recolhimento, efetuado por meio do Darf (R$ 25.127.819,14), discriminado à fl. 06, confirmado à fl. 14, concernente à COFINS, código recolhimento 2172, período de apuração janeiro de 2002. b) a fim de verificar a liquidez e a certeza do créditos almejado, empreendeuse diligência fiscal, por meio da qual se anexaram aos autos os documentos de fls. 23 a 48, nos quais a interessada anexa demonstrativo de apuração do PIS e COFINS, período de apuração janeiro/2002 a novembro/200, bem como informa (fl. 23) que "o período abrangido na intimação já foi objeto de auto de infração”; c) a interessada apresentou DCTF em 14/02/2002, informando o débito de COFINS, período de apuração janeiro de 2002, no valor total de R$ 38.563.040,03, conforme consulta fl. 16, e, posteriormente, diversas DCTF retificadoras, sendo a última apresentada em 20/10/2006 (fl. 19), alterando o valor do débito para R$ 38.420.920,43; d) a interessada sofreu ação fiscal, resultando no lançamento do crédito tributário, com suspensão de exigibilidade em virtude da medida liminar concedida na ação judicial nº 99.00120159, que constituiu objeto do processo administrativo n° 18471.000442/200679, atualmente aguardando julgamento do recurso voluntário pelo Segundo Conselho de Contribuintes; e) considerando que o valor devido de COFINS, período de apuração janeiro/2002, informado pela interessada, é de R$ 38.563.039,98, tendo sido o valor de R$ 13.387.847,71 suspenso por medida liminar, restou, dessa forma, saldo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720406/200779 Acórdão n.º 380301.408 S3TE03 Fl. 238 3 a pagar de R$ 25.175.192,27, parcialmente extinto pelo pagamento por DARF no valor de no valor de R$ 25.127.819,14, remanescendo débito em aberto no valor de R$ 47.373,13, inexistindo portanto saldo a restituir; Sobreveio reclamação. A Manifestação de Inconformidade, fls. 64/70 foi julgada improcedente.O Acórdão 1327.668 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 23 de dezembro de 2009, fls. 121/124, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância. O arrazoado de fls. 140/153, após protesto de tempestividade, sintetiza a lide, explicando que o crédito oposto na compensação decorre de erro na apuração da base de cálculo da COFINS de janeiro de 2002, considerandose que na DCTF original se incluíram indevidamente as receitas relativas à "4ª conta", em suspensão total dos serviços prestados pela Recorrente a seus usuários e, ainda, receitas diferidas de órgãos públicos. O valor inicialmente declarado como devido foi reduzido para R$ 8.420.920,43. Tal débito foi pago com DARF no valor de R$ 5.127.819,14, além da suspensão da exigibilidade de parte do débito, em razão da ação judicial nº 99.00120159, no valor de R$ 13.387.847,71. Considerandose o valor total arcado pela Recorrente para o débito da COFINS em janeiro de 2002, de R$ 38.515.666,85, e o valor do efetivo do débito, tal qual apresentado na DCTF retificadora, verificouse o crédito de R$ 94.746,427 do qual foi utilizado o montante de R$ 74.584,94 no pedido de compensação ora discutido. Quanto aos valores atinentes ao "cancelamento de 4ª conta", aduz referirem se a supostas receitas ponderadas pela Fiscalização que, contudo, não podem ser caracterizados como tal, por tratarse de valores cujas cobranças dos usuários foram devidamente invalidadas, em face da inexistência da correspondente prestação de serviço, conforme permissão da Anatel, consubstanciada no § 2º do art. 51 do anexo à Resolução nº 477 da ANATEL, de 7 de agosto de 20071. 1 Art. 51. Havendo situação de inadimplência, a prestadora pode tomar as seguintes providências: I transcorridos 15 (quinze) dias do vencimento da conta de serviços: suspender parcialmente o provimento do serviço, com bloqueio das chamadas originadas e das chamadas terminadas que importem em débito para o Usuário; II transcorridos 30 (trinta) dias desde a suspensão parcial: suspender totalmente o provimento do serviço, inabilitandoo a originar e receber chamadas; (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Em relação à inclusão das receitas diferidas de órgãos públicos na respectiva base de cálculo, assinala que tais valores são decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações a órgãos públicos ou sociedades de economia mista, oferecidos à tributação pelo regime de caixa, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e que tal peculiaridade foi desconsiderada pela Fiscalização, que as tributou segundo o regime de competência. Entende assim que esses valores não poderiam compor a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em questão. Sintetiza as reduções da base de cálculo (fl. 146), que diz ter demonstrado por ocasião da realização da diligência empreendida pelo órgão de 1ª instância, às fls. 24: Em face dessas exclusões, exsurge o pagamento a maior, conforme cálculo que apresenta (fl. 147): Acrescenta que, não obstante os valores declarados, o fato é que a Recorrente, em sua DCTF, registrou valor maior do que o realmente devido a titulo de COFINS em janeiro de 2002, motivo pelo qual a Receita Federal do Brasil, com base exclusivamente na análise das DCTF's, não encontrou o crédito utilizado. No entanto, entende ser evidente que o crédito existe, de maneira que o erro no preenchimento dos documentos fiscais não possui o condão de afastar o direito à compensação. §2° Quando da suspensão total do provimento do serviço é vedada a cobrança de assinatura ou qualquer outro valor referente à prestação de serviço. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720406/200779 Acórdão n.º 380301.408 S3TE03 Fl. 239 5 Refuta o fundamento da decisão recorrida no sentido de que a Recorrente não teria demonstrado a redução do valor devido para o Cofins no período de dezembro de 2002, ignorando a dedução da base de cálculo de valores indevidos de "4ª conta", tal qual demonstrado no documento de fls. 24 dos autos "4ª conta" e "ajuste receita órgãos públicos", documento oficial da Recorrente, elaborado com base nas informações de seus Livros Contábeis e Fiscais, devendo ser levado em consideração para o julgamento do caso concreto. Argumentas que o Fisco não pode se limitar a analisar as informações da DCTF original e do auto de infração objeto do processo Administrativo n° 18471.000442/200679, sem empreender a devida análise dos documentos fornecidos pela Recorrente, que evidenciam a redução da base de cálculo da contribuição para o período em análise. Invoca o princípio da verdade material. Entende que o erro de preenchimento pode ser retificado pela apresentação de DCTF retificadora e que a Autoridade Fiscal, ao se deparar com qualquer incerteza ou dúvida, deveria intimar o contribuinte para esclarecer fatos ou apresentar elementos de prova. Transcreve doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. Diz que a verdade material deve prevalecer sobre a formal e que acaso tivesse diligenciado efetivamente junto ao estabelecimento da Empresa, a fim de verificar as informações lançadas em seus livros contábeis, teria esclarecido as imprecisões apontadas e constatado as deduções que ocasionaram a redução da base de cálculo da COFINS. Cita e transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ e doutrina de Hely Lopes Meirelles, Alberto Xavier, Ippo Watanabe e Luiz Pigatti Júnior. Conclui, requerendo recebimento do recurso com efeito suspensivo, sustandose quaisquer atos tendentes ao prosseguimento da cobrança administrativa ou judicial dos débitos debatidos no presente Processo Administrativo até ulterior decisão definitiva em contrário, nos termos do artigo 151, III do Código Tributário Nacional, bem como à inscrição de seu nome no CADIN ou outro órgão de proteção ao crédito. Postula seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendose o seu direito creditório na integralidade, devidamente atualizado, bem como a insubsistência da decisão recorrida e a extinção dos débitos de COFINS apurados em setembro de 2003 e consubstanciados na declaração de compensação não homologada, a teor do artigo 156, II do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 140/153 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 1327.668 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 23 de dezembro de 2009. Compulsando os autos, constato, às fls. 15, que o contribuinte, ora recorrente, apresentou as seguintes DCTFs: Data da entrega Nº da DCTF Valor do débito de Cofins PA 02/2002 (R$) 14/05/2002 0000.100.2002.11028039 38.563.040,03 17/12/2003 0000.100.2003.91597950 38.563.040,03 18/03/2004 0000.100.2004.11976360 38.420.920,43 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 6 20/10/2006 0000.100.2006.52002634 38.420.920,43 Constato ainda que, em 06/06/2008 (fl. 22), o contribuinte foi intimado a apresentar Demonstrativo que identificasse a composição dos valores dos Débitos do PIS da que constam das DCTF's do Período de Apuração de Janeiro de 2001 a Dezembro de 2002. Em resposta, o contribuinte, em 20/06/2008, apresentou o demonstrativo solicitado, ao qual se juntou Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração da COFINS, datado de 30/06/2006 (fls. 23 a 46). No referido TVF, constatase que o procedimento fiscal debruçouse sobre os mapas demonstrativos de bases de calculo do PIS e da COFINS, para o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2005 e contribuições devidas e sobre as páginas dos balancetes (Demonstração do Resultado) para o grupo do contas 311 e 312 para o mesmo período e sobre as DCTFs apresentadas, identificadoras das contribuições devidas. De plano, emerge a conclusão de que, no procedimento de ofício, que subsidiou a análise do pleito de restituição de que se trata, a Fiscalização considerou a DCTF então vigente. Em 30/06/2006, a DCTF ativa era retificadora, nº 0000.100.2004.11976360, fl. 18. Portanto, é absolutamente improcedente a argumentação recursal no sentido de que a DCTF retificadora não foi considerada. O TVF detectou que as bases de cálculo (receitas operacionais) dos balancetes e valores devidos a título de PIS e de COFINS informados nas DCTFs eram inferiores aos valores informados nos mapas demonstrativos. Em face dessas inconsistências, o contribuinte foi novamente intimado, desta feita, para esclarecer qual a base de calculo a ser considerada pela Fiscalização, justificando e demonstrando o motivo pelo qual o valor informado nos mapas eram superiores, inclusive justificando o motivo da retificação para menor das DCTFs retificadoras. Em sua resposta, o contribuinte justificou que as diferenças detectadas pela Fiscalização decorreram de preenchimento incorreto das DCTFs, solicitando inclusive a possibilidade de alterar as DCTFs mais uma vez de modo que as diferenças apontadas pudessem ser sanadas. Ainda conforme o indigitado TVF, analisada a resposta apresentada, a Fiscalização concluiu que a sociedade fiscalizada não apresentou qualquer documento ou lançamento contábil que comprovasse a alegação de erro, consignando que, por estar sob procedimento de oficio, não caberia nova retificação das DCTFs ativas, providência que requereria a espontaneidade de que o contribuinte não mais dispunha, consoante o art. 833 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99, e ADISRF nº 5, de 2002, art. 1º, razão pela qual se procedeu à tributação das diferenças de PIS e de COFINS apuradas por meio de lançamento de ofício, consolidadas no demonstrativo da fl. 26 (excerto abaixo reproduzido): De se destacar que, no referido lançamento de ofício, a Fiscalização tomou por base de cálculo o valor constante do mapa demonstrativo elaborado e apresentado pelo próprio contribuinte. Tomando emprestadas as conclusões do TVF, a autoridade administrativa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720406/200779 Acórdão n.º 380301.408 S3TE03 Fl. 240 7 competente para a apreciação da restituição e da compensação analisou o pleito sob a premissa de que o valor da COFINS para o mês de janeiro de 2002 é R$ 38.563.039,98, emergindo diferença de R$ 142.119,55, visàvis o valor declarado na DCTF retificadora. Contra essa diferença o manifestante e o recorrente nada opuseram. Em sede de recurso voluntário, o interessado retoma o argumento de que a documentação acostada aos autos é suficiente para a comprovação do direito creditório, invocando o princípio da verdade material. Ora, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de restituição/compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, não se venha a alcançar sucesso em sua pretensão. Inversamente do que ocorre nos casos em que se trata de lançamento de ofício, nos processos envolvendo restituição/compensação o ônus da prova do direito é do sujeito passivo, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito. A jurisprudência administrativa emanada do Conselho de Contribuintes é firme nesse sentido, conforme exemplificam as ementas dos seguintes Acórdãos: VALORES A REPETIR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Pedido de Restituição deve ser acompanhado da demonstração dos' valores pagos a maior ou indevidamente e da comprovação respectiva, de modo a permitir a regular apuração do quantum a repetir sem a qual os créditos não podem ser reconhecidos, ainda que o direito se apresente plausível. (Acórdão n° 203 11.106, de 30/06/2006 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) PIS. FATURAMENTO. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. O pedido de restituição ou compensação deverá vir acompanhado da prova ou elementos suficientes para possibilitar a apuração do valor recolhido a maior, sob pena da inviabilização da determinação da liquidez e da certeza do valor a repetir. (Acórdão n° 20310.937, de 23/05/2006, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) Assim, a natureza da relação processual própria dos processos de restituição/compensação atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito que pleiteia, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da pleiteante. Quanto ao poder probante do documento apresentado pelo interessado, à fl. 24, como enfatizaram tanto a Autoridade Administrativa competente para apreciar o pleito quanto à decisão recorrida, tratase de meros demonstrativos que não têm o condão de comprovar a efetividade do demonstrado, principalmente para efeitos fiscais, e não a documentação hábil e idônea solicitada. Neste contexto, a falta de comprovação dos créditos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 8 que a contribuinte alega possuir, além de enfraquecer a defesa, é razão suficiente para que a compensação não seja homologada, pois a simples menção do valor creditório, sem a devida comprovação, inviabiliza o reconhecimento do direito creditório. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O interessado, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Omitiuse em trazer ao processo qualquer prova conclusiva a propósito das bases de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório. Ao contrário, em vez de tentar comprovar a regularidade das deduções procedidas na base de cálculo Cofins em janeiro de 2002, o recorrente preferiu tergiversar, invocando o princípio da verdade material. Em fim, inexiste nos autos qualquer prova conclusiva da base de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório, não se podendo operar, portanto, a liquidez e certeza de seus eventuais créditos. Conclusão Com essas considerações e com os fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Alexandre Kern Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720406/200779 Acórdão n.º 380301.408 S3TE03 Fl. 241 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10768.720406/200779 Interessada: TELEMAR NORTE LESTE S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.408, de 6 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 6 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19679.009070/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
REQUISITOS LEGAIS DE LANÇAMENTO VERIFICADO AUSENTE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Verificado o cumprimento dos requisitos legais obrigatórios do auto de infração e não verificado nos autos preterição do direito de defesa não há que se aventar nulidade no processo administrativo fiscal.
MULTA POR ENTREGA DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO POSSIBILIDADE
A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Sum. Carf nº 69)
INAPLICABILIDADE DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA PARA PENALIDADE DECORRENTE DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Sum. Carf nº 49)
Recurso Voluntário improcedente
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 2402-010.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Duarte Firmino - Relator
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Honorio Albuquerque de Brito (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira, Vinicius Mauro Trevisan, Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: Denny Medeiros da Silveira
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 REQUISITOS LEGAIS DE LANÇAMENTO VERIFICADO AUSENTE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Verificado o cumprimento dos requisitos legais obrigatórios do auto de infração e não verificado nos autos preterição do direito de defesa não há que se aventar nulidade no processo administrativo fiscal. MULTA POR ENTREGA DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO POSSIBILIDADE A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Sum. Carf nº 69) INAPLICABILIDADE DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA PARA PENALIDADE DECORRENTE DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Sum. Carf nº 49) Recurso Voluntário improcedente Crédito Tributário mantido
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MULTA POR ENTREGA DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO POSSIBILIDADE A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Sum. Carf nº 69) INAPLICABILIDADE DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA PARA PENALIDADE DECORRENTE DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Sum. Carf nº 49) Recurso Voluntário improcedente Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino - Relator (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 90 70 /2 00 4- 11 Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.785 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19679.009070/2004-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Honorio Albuquerque de Brito (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira, Vinicius Mauro Trevisan, Francisco Ibiapino Luz (Presidente). Relatório AUTUAÇÃO Em apertada síntese, foi constituído em 20/05/2004 crédito tributário contra o contribuinte em razão de MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA – PESSOA FÍSICA, no valor de R$ 8.478,28, referente à DIRPF nº 08/10.862.344, Exercício 2001, Ano Calendário 2000, conforme fls. 20 e ss. O documento em referência descreve o fato e apresenta os fundamentos legais, regulamentares e normativos, além de identificar o sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO Irresignado com o lançamento, o interessado apresentou defesa, fls. 02 e ss, inaugurando o contencioso fiscal, alegando preliminar de cerceamento de defesa e ausência dos pressupostos de validade do ato administrativo; distinção entre multa moratória e multa punitiva; descumprimento de mero dever instrumental sem a exigência da obrigação principal; ilegalidade da lavratura do auto de infração e aplicabilidade da denúncia espontânea. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRO GRAU A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPII considerou o LANÇAMENTO FISCAL PROCEDENTE, conforme Acórdão nº 11.543, de 27/01/2005. O contribuinte foi regularmente notificado em 13/12/2007, fls. 33/34. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte interpôs em 08/01/2008 Recurso Voluntário, fls. 38 e ss, representado por advogado, instrumento de cópia a fls. 14, repetindo seus argumentos iniciais, bem como suas teses apresentadas na impugnação, com as seguintes alegações: a) Cerceamento de defesa e da ausência dos pressupostos de validade do ato administrativo – Sustenta que o auto de infração deve seguir elementos e requisitos de validade do ato administrativo, compreendendo que NÃO HOUVE EMBASAMENTO ADEQUADO DA INFRAÇÃO E SUA CORRELAÇÃO COM A PENALIDADE APLICADA, compreendendo que o fundamento utilizado, art. 964 do Decreto nº 3000, de 1999, relaciona duas multas de natureza e valores distintos, especificamente quanto aos incisos I e II, e que o auto de infração NÃO relacionou de forma clara, induvidosa qual a multa aplicável, in casu; Fl. 58DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.785 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19679.009070/2004-11 b) Descumprimento de mero dever instrumental sem a exigência da obrigação principal e falta de distinção entre multa moratória e multa punitiva – Aponta que a decisão a quo não individualizou, a seu ver, de modo adequado a infração, especialmente quanto a penalidade aplicada e respectiva capitulação legal. Sustenta que não houve o descumprimento de qualquer obrigação tributária principal, posto que no momento da entrega da declaração o recorrente nada devia a título de imposto e, por esse motivo não houve prejuízo diante da inércia momentânea do contribuinte, com acréscimo de que considera a multa desproporcional e excessiva, sobretudo diante da ausência de prejuízo ao erário público; c) Aplicabilidade da denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) – Ataca o recorrente a decisão de piso, compreendendo que o acórdão de primeiro grau não considerou a denúncia espontânea do recorrente, em razão deste proceder à entrega da declaração de rendimentos antes da lavratura do auto de infração. Voto Conselheiro Rodrigo Duarte Firmino, Relator. Primeiramente cumpre informar que o recurso voluntário apresentado obedece aos requisitos de admissibilidade e é tempestivo, motivo pelo qual o conheço e passo a apreciá-lo. Quanto à preliminar posta no recurso apontando para cerceamento de defesa e da ausência dos pressupostos de validade do ato administrativo, cumpre informar que o auto de infração de fls. 20 e ss, foi constituído nos estritos preceitos do art. 10 do decreto nº 70.235, de 1972, descreveu CLARAMENTE a infração, qual seja, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO, apresentou seu fundamento legal, portanto, não vislumbro, nem de longe, cerceamento de defesa, tanto assim que se percebe que o contribuinte, por seu patrono, apresentou amplo conhecimento da infração aplicada, tanto que exauriu seu direito à defesa, postulando claramente suas teses. Diante do exposto, compreendo inexistir razão quanto à preliminar em apreço. Vencida a preliminar, passo a examinar o mérito. Quanto ao alegado descumprimento de mero dever instrumental sem a exigência da obrigação principal, cumpre destacar que a obrigação tributária acessória distingue-se de outras obrigações acessórias encontradas em ramos diversos do direito, vez que se trata de obrigação acessória autônoma, convertendo-se em principal por sua simples inobservância, nos termos em que encerra o art. 113, §3º do Código Tributário Nacional - CTN, Lei nº 5.172, de 1966. Em relação à alegada falta de distinção entre multa moratória e multa punitiva e a não individualização adequada do dispositivo legal, cumpre destacar que a Súmula Carf nº 69, de efeito vinculante, diz claramente: Fl. 59DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.785 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19679.009070/2004-11 Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Destaque-se que a autuação foi realizada nos estritos dizeres da súmula acima referida, sob o comando legal do art. 27 da Lei nº 9.532, de 1997, c/c art. 88, I da Lei nº 8.981, de 1995, ambos os dispositivos regulamentados pelo art. 964, I do Decreto nº 3000, de 1999: (Lei nº 9.532, de 1997) Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Parágrafo único. A multa a que se refere o art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. (Lei nº 8.981, de 1995) Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Decreto nº 3000, de 1999) Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I - multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); Portanto, não há que se falar em desvio ou falha na capitulação legal, tanto da autuação como também da decisão administrativa de primeiro grau, vez que obedece ao comando da súmula acima examinanda, bem como também aos dispositivos legais supra mencionados. Quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, mister destacar que a Súmula Carf nº 49, de efeito vinculante, diz taxativamente que o instituto jurídico em referência não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração: Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.785 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19679.009070/2004-11 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por tudo posto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino Fl. 61DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13826.000374/2006-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício. 2005
IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA APLICADA EM RAZÃO DA PRÁTICA DE ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA. INADMISSIBILIDADE.
Não incide imposto de renda sobre multa aplicada pela prática de ato atentatório à dignidade da Justiça, na medida em que tal penalidade é determinada a fim de indenizar o contribuinte pela prática de ilícito processual cometido em sede de ação judicial.
Numero da decisão: 2802-000.637
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO por maioria de votos em DAR PROVIMENTO ao recurso
interposto para excluir da tributação o valor de R$31.915,74 (trinta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e quatro centavos). Vencido os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Valéria Pestana Marques que negavam provimento.
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICACIO
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INCIDÊNCIA SOBRE MULTA APLICADA EM RAZÃO DA PRÁTICA DE ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA. INADMISSIBILIDADE. Não incide imposto de renda sobre multa aplicada pela prática de ato atentatório à dignidade da Justiça, na medida em que tal penalidade é determinada a fim de indenizar o contribuinte pela prática de ilícito processual cometido em sede de ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO por maioria de votos em DAR PROVIMENTO ao recurso interposto para excluir da tributação o valor de R$31.915,74 (trinta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e quatro centavos). Vencido os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Valéria Pestana Marques que negavam provimento. Assinado digitalmente Valéria Pestana Marques – Presidente Assinado digitalmente Fl. 207DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO 2 Carlos Nogueira Nicacio – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: VALÉRIA PESTANA MARQUES, CARLOS NOGUEIRA NICACIO, ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN, SIDNEY FERRO BARROS, JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO E LÚCIA REIKO SAKAE. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Foi lavrado Auto de Infração em face do Recorrente em razão da omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$31.915,74 (trinta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e quatro centavos), recebidos do Banco do Estado de São Paulo S/A – BANESPA em virtude de reclamação trabalhista proposta em face deste. Tais rendimentos haviam sido classificados pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual anocalendário 2004 na seção correspondente aos rendimentos isentos ou não tributáveis. Em sede de impugnação, o Recorrente propugnou pela improcedência do lançamento, pelas razões abaixo expendidas: a) Que o valor de R$31.915,74 (trinta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e quatro centavos) recebido do Banco do Estado de São Paulo S/A – BANESPA – decorre de multa aplicada pela Justiça do Trabalho em face deste último, pela prática de ato atentatório à dignidade da Justiça, cometido no curso de ação trabalhista; b) Que conforme documentos acostados aos autos quando da apresentação da peça impugnatória, resta comprovado que a mencionada multa foi aplicada em face do BANESPA em razão de atos abusivos praticados pelo supramencionado Banco, a fim de retardar o pagamento de verbas trabalhistas devidas; c) Que tal multa tem caráter indenizatório, não podendo, portanto, ser considerada rendimento bruto auferido no curso do anocalendário 2004, bem como seu pagamento constituir fato gerador de imposto de renda; d) Que ainda que tais montantes viessem a ser considerados tributáveis pela Autoridade Fiscal, o lançamento deveria ser realizado em face do BANESPA, o qual, conforme legislação aplicável, seria o responsável pela retenção do imposto de renda devido e seu consequente recolhimento; e) Que a metodologia de cálculo utilizada pela Autoridade Fiscal na determinação do crédito tributário supostamente devido está incorreta, na medida em que os montantes de imposto de renda deveriam ter sido apurados mensalmente, e não somente considerandose a data de recebimento da multa. O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, considerou o lançamento procedente, na medida em que o imposto de renda, por ser informado pelo princípio da generalidade, tem como hipótese de incidência a totalidade de Fl. 208DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Processo nº 13826.000374/200667 Acórdão n.º 280200.637 S2TE02 Fl. 3 3 rendas e proventos auferidos pelo contribuinte, à exceção daqueles expressamente excluídos por via de isenção, a qual deve ser determinada através de lei específica. Ainda, nos termos do acórdão, a multa recebida pelo Recorrente é tributável para fins de imposto de renda, conforme o disposto na Lei n° 9.430/1996, por se tratar de multa ou vantagem recebida de pessoa jurídica em virtude de rescisão de contrato de trabalho. Relativamente à metodologia de cálculo adotada pela Autoridade Fiscal, entendeu o Colegiado que o crédito tributário do imposto de renda deverá ser apurado conforme o total de rendimentos percebidos pelo contribuinte, na data de seu recebimento. Por fim, a Delegacia de Julgamento afirmou que após a edição da Lei n° 8.134/1990, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda devido, a apuração definitiva deverá ser efetuada pelo contribuinte do tributo, em sede de Declaração de Ajuste Anual. Dada a decisão da Delegacia, houve a interposição de Recurso Voluntário, propugnandose pela desconstituição do lançamento, com base nos mesmos argumentos apresentados quando da impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Nogueira Nicacio, Relator. O Recurso é tempestivo e preenche as formalidades legais, por isso dele conheço. A matéria ora em litígio referese ao lançamento do imposto de renda incidente sobre multa recebida do Banco do Estado de São Paulo S/A, no curso do ano calendário 2004, em sede de reclamação trabalhista. A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 153, em seu inciso III, atribui à União competência para instituir impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Art. 153 – Compete à União instituir impostos sobre: (Omissis) III – renda e proventos de qualquer natureza (Omissis) Fl. 209DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO 4 Ao assim dispor, o legislador constituinte definiu categoricamente a hipótese de incidência do imposto de renda, não podendo o legislador ordinário, bem como a Administração Pública, avançar sobre estas diretrizes para abarcar situações não compreendidas na definição constitucional. Desta forma, apenas deverá incidir o imposto de renda sobre a parcela que, em termos jurídicos, realmente tipifica renda e proventos de qualquer natureza. O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/1966, em seu artigo 43, estabelece que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Art. 43 – O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (Omissis) Logo, não há renda ou provento sem que haja acréscimo patrimonial, na medida em que o Código Tributário Nacional expressamente adotou tal conceito. Assim, não seria admissível a tributação para fins de imposto de renda de valor que, embora tenha ingressado no patrimônio do contribuinte, não represente fluxo de renda, mas sim fluxo de capital. Frente a tal entendimento, forçoso concluir que o fato gerador do imposto de renda ou provento de qualquer natureza é todo acréscimo patrimonial angariado pelo contribuinte. A fim de ilustrar o entendimento acima esposado, transcrevemos as palavras do Ilustre doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira, em sua obra Fundamentos de Imposto de Renda: As indenizações, por princípio, não tem qualquer vocação para produzir acréscimo patrimonial, mas, mesmo quando acarretem uma entrada de novos direitos no patrimônio, sem correspondência à saída (pelo ato que motiva a indenização) de um outro bem de igual valor, não tem as características pelas quais podem ser enquadradas como receitas. (...) Assim, as indenizações somente podem ser consideradas como proventos de qualquer natureza se puderem ser enquadradas como rendimentos. É claro que somente podem ser rendimentos as indenizações que tiverem relação com alguma posição patrimonial específica, à qual venha a se acrescer, com ou sem substituição. É necessário, também, para que as indenizações possam ser rendimentos, que tenham alguma relação com um bem do patrimônio, tomados ele Fl. 210DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Processo nº 13826.000374/200667 Acórdão n.º 280200.637 S2TE02 Fl. 4 5 e seu valor como referenciais para identificação do acréscimo à posição anterior. Ora, isto afasta por completo qualquer possibilidade de considerar como rendimento e como provento de qualquer natureza os valores das indenizações obtidas em condenações judiciais, ou através de transação judicial ou mesmo de pagamento espontâneo por reconhecimento da obrigação legal, por exemplo, nos casos de danos morais ou de ofensas a direitos sem cunho econômico. Estes casos, no fundo, e na sua essência, são casos de transferência patrimoniais, eis que nem todas as transferências patrimoniais decorrem de ato voluntário, mas todas são contraprestacionais. Assim, são transferências patrimoniais forçadas pela sentença condenatória ou pelo reconhecimento da necessidade do cumprimento da lei, independentemente de prévia condenação. (...) De acordo com as informações contidas no Auto de Infração, foi efetuado lançamento de imposto de renda em face do Recorrente por não ter sido a multa recebida no valor de R$31.915,74 (trinta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e quatro centavos), considerada por este rendimento tributável: Complementação da Descrição dos Fatos Valor de R$31.714,74, recebido pelo contribuinte do Banco do Estado de São Paulo – BANESPA S/A, na ação trabalhista 867/1997 da 1ª Vara do Trabalho de Assis, referente à multa de 20% sobre o valor da condenação atualizada, que o contribuinte declarou como rendimento isento. Verificando cópias das páginas 697 e 710 do processo referido, a multa foi caracterizada como ato atentatório à dignidade da Justiça, nos termos do artigo 600 e 601, do Código de Processo Civil. Verificamos que a referida multa se enquadra no artigo 55, inciso IX, do Decreto 3.000/1999, que diz que são também tributáveis as multas ou indenizações, pagas por despedida ou rescisão de contrato de trabalho até o limite previsto pela lei trabalhista. Conforme exposto acima a multa é do Código de Processo Civil e não da CLT e de acordo com o art. 111, do Código Tributário Nacional, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Assim, o rendimento é tributável. (Grifos nossos) Fl. 211DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO 6 Da leitura do demonstrativo de infração acima, depreendese que durante o procedimento de fiscalização, a Autoridade Fiscal constatou que o valor de rendimento supostamente omitido pelo Recorrente decorria da cominação de multa em face do BANESPA, pela prática de ato atentatório à dignidade dá Justiça, com fulcro nos artigos 600 e 601, da Lei n° 5.869/1973 – Código de Processo Civil e alterações posteriores. Nos termos do supramencionado Código, são considerados atos atentatórios à dignidade da Justiça: Art. 600 – Considerase atentatório à dignidade da Justiça o ato do executado que: I – frauda a execução; II – se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; III – resiste injustificadamente às ordens judiciais; IV – intimado, não indica ao juiz, em cinco dias, quais são e onde se encontram os bens sujeitos à penhora e seus respectivos valores. Art. 601 – Nos casos previstos no artigo anterior, o devedor incidirá em multa fixada pelo juiz, em montante não superior a 20% do valor atualizado do débito em execução, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material, multa esta que reverterá em proveito do credor, exigível na própria execução. Da análise dos autos, conforme documentos de fls. 103 a 106, a Quarta Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Quinta Região, condenou o Banco do Estado de São Paulo ao pagamento de multa de 20% do valor atualizado da condenação em favor do Recorrente, haja vista sua patente litigância de máfé, conforme excertos abaixo transcritos: Patente que o agravante está litigando de máfé, posto que, em se tratando de instituição financeira de tão grande porte, não se justifica vir a Juízo, em várias oportunidades, com argumentações que demonstrem tão pouco conhecimento de aritmética. Os critérios de cálculo foram suficientemente esclarecidos pelo Juízo de origem, inclusive de forma exemplificada, tendo o agravante insistido com seus falsos argumentos. Caracterizado o ato atentatório à dignidade da Justiça, nos termos do artigo 600, II, do CPC, condeno o agravante a pagar ao agravado multa de 20% do valor atualizado da execução, além de honorários advocatícios em favor do sindicato assistente no montante de 10% do valor da multa. Desta feita, vislumbrase que contrariamente ao disposto no Auto de Infração lavrado, bem como no acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a multa aplicada em benefício do Recorrente não tem correlação com o contrato de trabalho, ou com qualquer verba devida em decorrência da rescisão. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Processo nº 13826.000374/200667 Acórdão n.º 280200.637 S2TE02 Fl. 5 7 Contrariamente, analisandose as provas trazidas aos autos pelo Recorrente, restou comprovado que a cominação de multa em face do BANESPA decorreu da prática de ilícito processual cometido por este, o qual utilizouse de meios para procrastinar o pagamento dos valores em litígio em sede de ação trabalhista, o que, claramente, acarretou dano ao Recorrente. Logo, a multa aplicada pela Justiça do Trabalho tem evidente caráter indenizatório, na medida em que tal penalidade foi cominada a fim de que fosse promovida a recomposição patrimonial do Recorrente. Assim, a multa prevista no artigo 600, do Código de Processo Civil não pode ser incluída no conceito de renda ou proventos de qualquer natureza, restando fora, portanto, do campo de incidência do imposto de renda. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado na forma da lei e voto no sentido de darlhe provimento, para desconstituir o lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$31.915,74 (trinta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e quatro centavos). Sala das Sessões, em 08 de fevereiro de 2011. Assinado digitalmente CARLOS NOGUEIRA NICACIO Fl. 213DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO
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Numero do processo: 15889.000120/2006-30
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
DESPESAS MÉDICAS.
Nos termos do art. 8° da Lei n° 9.250/95, os recibos emitidos por
profissionais de saúde, nos quais constem o nome do profissional, endereço e CPF, devem ser considerados idôneos até prova em contrário. Caso o fisco desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2802-000.219
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso interposto para restabelecer as despesas médicas glosadas nos valores de R$ 5.020,00; R$ 12.008,00; R$ 13.000,00 e R$ 12.999,99, relativas, respectivamente, aos anos-calendários de 2001, 2002, 2003 e 2004, ressalvando-se que sobre aquelas declaradas como pagas no ano de 2001 a Elisangela Pires do Prado (R$ 5.000,00) e a Vanir Alexandre Caviciolli (R$ 4.100,00) há de ser mantida a exação procedida, incidindo sobre o último valor a multa qualificada de
150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento parcial em menor extensão.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN
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Nos termos do art. 8° da Lei n° 9.250/95, os recibos emitidos por profissionais de saúde, nos quais constem o nome do profissional, endereço e CPF, devem ser considerados idôneos até prova em contrário. Caso o fisco desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso interposto para restabelecer as despesas médicas glosadas nos valores de R$ 5.020,00; R$ 12.008,00; R$ 13.000,00 e R$ 12.999,99, relativas, respectivamente, aos anos- calendários de 2001, 2002, 2003 e 2004, ressalvando-se que sobre aquelas declaradas como pagas no ano de 2001 a Elisangela Pires do Prado (R$ 5.000,00) e a Vanir Alexandre Caviciolli (R$ 4.100,00) há de ser mantida a exação procedida, incidindo sobre o último valor a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento parcial em menor extensão. Valéria Pestana Marques - Presidente Ana Paula Locosellr, schsen - Relatora EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Carlos Nogueira Nicácio e Valéria Pestana Marques (Presidente). • 2 • Processo n° 15889.000120/2006-30 82-TE02 Acórdão n.° 2802-00.219 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 126/131) interposto contra Acórdão proferido pela 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP, que julgou procedente o lançamento relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, ano-calendário 2001 a 2004. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/11/2006 (fls. 125) e- interpôs recurso voluntário em 08/12/2006. Quanto aos fundamentos da decisão acima referida, segue abaixo transcrita a ementa que sintetiza o entendimento da DRJ: GLOSA DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condiciona-se à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da lei 4.502/64 relaciona como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzi-los, como presente nos autos tais elementos. MULTADE_OFÍCIO-DE-75%,—APLIGABILIDADE. A multa de oficio é prevista em disposição legal especifica e tem como suporte fatie° a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. O recorrente, em seu apelo recursal, repetiu os argumentos da impugnação, alegando, em síntese: que os comprovantes das despesas médicas foram devidamente apresentados e, com relação ao dentista Vanir Alexandre Cavicioli, ao saber do problema do referido profissional com a Receita Federal, retificou sua declaração excluindo tal dedução. É o relatório. kit 3 Voto Conselheiro Ana Paula Locoselli Erichsen, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a analisá-lo. Alega o contribuinte que apresentou os comprovantes de despesas médicas entretanto o fisco manteve a glosa. - ' Foram declaradas as seguintes despesas médicas: MÉDICO VALOR ANO Elisangela Pires do Prado R$ 5.000,00 2001 Dalmo Benedito de Oliveira Prado R$ 5.020,00 2001 declaração fls.98 Van.ir Alexandre Caviciolli R$ 4.100,00 2001 sumulada, Alline Batistussi França R$ 5.000,00 2002 recibos fls. 21/25, declaração fl. 104. Vinicius Tadeu Bedin França R$ 7.008,00 2002 recibos fls. 26/31, declaração fl. 101. Vinicius Tadeu Bedin França R$ 5.000,00 2003 recibos fls. 34/38, declaração fls. 102. Ana Claudia Silva Batistussi R$ 6.000,00 2003 recibos fls. 39/44, declaração fls. 97. Vera Maria Polito da Silva R$ 2.000,00 2003 recibos fls. 32/33, declaração fls. 99. Vera Maria Polito da Silva R$ 8.500,00 2004 recibos fls. 48/55, declaração fls. 100. Vinicius Tadeu Bedin França R$ 4.499,99 2004 recibos fls. 43/45, declaração fls. 103. 4 Processo n° 15889.000120/2006-30 S2-TE02 Acórdão n.° 2802-00.219 Fl. 3 E, o contribuinte apresentou os documentos abaixo: - ALLINE BATISTUSSI.FRANÇA: recibos médicos referente ao ano de 2002 que totalizam R$ 5.000,00 (fls. 21/25); - VINICIUS TADEU BEDIN FRANÇA: recibos médicos referente ao ano de 2002 que totalizam R$ 7.008,00 (fls. 26/31); - VERA MARIA POLITO DA SILVA: recibos médicos referente ao ano de 2003 que totalizam R$ 2.000,00 (fls. 32/33); - VINICIUS TADEU BEDIN FRANÇA: recibos médicos referente ao ano de 2003 que totalizam R$ 5.000,00 (fls. 34/38); - ANA CLAUDIA SILVA BATISTUSSI: recibos médicos referente ao ano de 2003 que totalizam R$ 6.000,00 (fls. 39/44); - VINICIUS TADEU BEDIN FRANÇA: recibos médicos referente ao ano de 2004 que totalizam R$ 4.499,99 (fls. 45/47); - VERA MARIA POLITO DA SILVA: recibos médicos referente ao ano de 2004 que totalizam R$ 8.500,00 (fls. 48/59). Além dos recibos, apresentou, também declarações com firma reconhecida onde os profissionais atestam os recibos emitidos e confirmam o recebimento dos valores em moeda corrente: - ANA CLAUDIA SILVA BATISTUSSI: declaração que recebeu o valor em moeda corrente referente serviços fisioterápicos realizados em 2003, fls. 97; - DALMO BENEDITO DE OLOVEIRA PRADO: declaração que recebeu o valor total de R$ 5.020,00 em_moeda_corrente -referente-serviços -fisioterápicos-realizados em 2001, fls. 98; - VERA MARIA POLITO DA SILVA: declaração que recebeu o valor total de R$ 2.000,00 em moeda corrente referente serviços de terapia ocupacional realizados em 2003, fls. 99; - VERA MARIA POLITO DA SILVA: declaração que recebeu o valor total de R$ 8.500,00 em moeda corrente referente serviços de terapia ocupacional realizados em 2004, fls. 100; - VINICIUS TADEU BED1N FRANÇA: declaração que recebeu o valor em moeda corrente referente serviços odontológicos realizados em 2002, fls. 101; - VINICIUS TADEU BEDIN FRANÇA: declaração que recebeu o valor em moeda corrente referente serviços odontológicos realizados em 2003, fls. 102; - VINICIUS TADEU BEDIN FRANÇA: declaração que recebeu o valor em moeda corrente referente serviços odontológicos realizados em 2004, fls. 103; - ALLINE BATISTUSSI FRANÇA: declaração que recebeu o valor em moeda corrente referente serviços odontológicos realizados em 2002, fls. 104. Com relação a dentista VANIR ALEXANDRE CAVICIOLI foi expedido o Ato Declaratório n° 14, de 25/06/2004 que declarou a inidoneidade dos recibos emitidos pela profissional no período de 01/01/1999 a 31/12/2002 (fls. 67) e o contribuinte não contestou a sua glosa. Não apresentou, ainda, qualquer documento que comprovasse a despesa médica declarada em nome da profissional ELISANGELA PIRES DO PRADO. Portanto, verifica-se que o litígio versa sobre a aceitação, ou não, dos documentos apresentados pelo contribuinte, em sede de impugnação, e novamente em sede de recurso voluntário, que confimiam os pagamentos efetuados, tendo em vista que a DRJ manteve integralmente o crédito tributário, com a justificativa de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar o efetivo pagamento e a prestação de serviços realizados por estes profissionais. Para a DRJ os recibos médicos de emissão dos respectivos profissionais não foram aceitos por falta de comprovação documental inequívoca dos pagamentos, uma vez que as simples declarações ou recibos destes profissionais não constituem meios de prova hábeis e suficientes para a comprovação das alegadas despesas. No entanto, discordo do entendimento da DRJ tendo em vista que entendo serem os documentos apresentados pelo contribuinte hábeis para comprovar os dispêndios e embasar a sua dedutibilidade, nos termos da legislação de regência desta matéria, a seguir transcrita. A possibilidade de dedução de despesas médicas está prevista na Lei n° 9.250/95. Vejamos: Art. 8' A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 1- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeito's à tributação definitiva; - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (-) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro 6 Processo n0 15889.000120/2006-30 S2-TE02 Acórdão n.° 2802-00.219 Fl. 4 de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifei) Da análise da legislação verifica-se que esta expressamente prevista a possibilidade de dedução, na declaração de ajuste anual, das despesas efetuadas com o pagamento de dentistas e médicos. Dessa forma, os recibos emitidos por profissionais de saúde, nos quais constem o nome do profissional, endereço e CPF, devem ser considerados idôneos até prova em contrário. Caso o fisco desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade. No presente processo o contribuinte apresentou recibos acompanhados de declaração dos profissionais que reconhecem sua autoria e confirmam a prestação dos serviços e o respectivo recebimento. Assim, são documentos hábeis nos termos da nowia em vigor. Portanto devem ser restabelecidas as deduções com despesas médicas efetuadas pelo contribuinte, exceto as despesas não comprovadas em nome dos seguintes profissionais: Elisangela Pires do Prado e com relação às despesas com Vanir Alexandre Caviciolli, deve-se manter a qualificação da multa, nos termos do voto da DRJ que aqui adoto. Por todo o exposto, dou provimento parcial—ao—Recurso Voluntário, restabelecer as despesas médicas glosadas no valores de R$ 5.020,00 (ano-calendário 2001); R$ 12.008,00 (ano-calendário 2002); R$ 13.000,00 (ano-calendário 2003) e R$ 12.999,99 (ano-calendário 2004), devendo ser mantida a exação procedida com relação às despesas referentes ao ano-calendário de 2001 em nome de Elisangela Pires do Prado no valor de R$ 5.000,00 e em nome de Vanir Alexandre Caviciolli no valor de R$ 4.100,00, incidindo sobre o último valor a multa qualificada de 150%, por se tratar de profissional sumulado. .-'2 Ana Paula Loa-$..4 • richsen 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARA/2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 15889.000120/2006-30 ---- • Recurso n°: 155.816 ----- TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2802-00.219 - Brasília/DF, 25 JU,N 2010, AG"( 1,7 k../- EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda-Câmara da-Segunda-Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 13804.002993/2001-30
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: “IRF - RESTITUIÇÃO DE IR FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - Com a publicação da Resolução do Senado Federal nº 82/1996, declarando a inconstitucionalidade do art. 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é que se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a apresentação do requerimento de restituição. Na constância deste prazo, a restituição dos valores pagos deverá alcançar os recolhimentos realizados em qualquer data pretérita.”
Decadência afastada.
Numero da decisão: 106-14.052
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à Repartição de origem para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI
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Recorrida : 3a TURMA/DRJ em SÃO PAULO - SP I Sessão de : 17 DE JUNHO DE 2004 Acórdão n°. : 106-14.052 "IRF - RESTITUIÇÃO DE IR FONTE SOBRE O LUCRO LIQUIDO - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - Com a publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/1996, declarando a inconstitucionalidade do art. 35, da Lei n° 7.713, de 1988, é que se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a apresentação do requerimento de restituição. Na constância deste prazo, a restituição dos valores pagos deverá alcançar os recolhimentos realizados em qualquer data pretérita." Decadência afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIÃO BRASILEIRA DE VIDROS S.A. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à Repartição de origem para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. JOSÉ RIBAM(( E(A‘• PENHA PRESIDiEN JOS • á KLOS • A RI I RELAT • R FORMALIZADO EM: 16 AGO 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, ROMEU BUENO DE CAMARGO, LUIZ ANTONIO DE PAULA, GONÇALO BONET ALLAGE, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 Acórdão n° : 106-14.052 Recurso n° : 137.335 Recorrente : UNIÃO BRASILEIRA DE VIDROS S.A. RELATÓRIO União Brasileira de Vidros S/A pleiteou, em 14.11.01 (fls. 10 a 15) a restituição/compensação de valores que considerava recolhidos indevidamente ou a maior a titulo de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL). O pedido foi formalizado tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88 pelo STF, cuja execução foi suspensa por força da Resolução do Senado Federal n° 82/96, publicada em 18.11.96. A EQPIR/DIORT/DERAT, às fls. 37/39, não tomou conhecimento do pedido motivado pelo interregno decadencial. Inconformada, a Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, basicamente, alegando que: (i) Inquestionável tratar-se de indébito tributável; (ii) O Ato Declaratório n° 96/99 fere o Principio da Isonomia, uma vez que privilegia quem ingressou em juizo discutindo o pagamento do tributo; (iii) O inicio de contagem do prazo deve se dar a partir da publicação da Resolução do Senado, á luz das decisões do STJ e do próprio Conselho de Contribuintes; Em vista do exposto, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, houve por bem indeferir Solicitação do Recorrente, em decisão assim ementada: "Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRF 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 Acórdão n° : 106-14.052 Exercício: 1991, 1992, 1993 — - -- Ementa: ILL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição do tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida." Intimado em 05.09.2003 acerca da referida decisão, o Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando, em farta argumentação, os motivos expostos em Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. dia 3 7 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 Acórdão n° : 106-14.052 VOTO Conselheiro-JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e, tendo em vista que não a matéria discutida não envolve exigência fiscal, não há que se falar em depósito recursal ou hipótese de arrolamento, devendo, portanto, ser conhecido. O presente Recurso versa sobre o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito a pleitear restituição dos valores retidos indevidamente a titulo de ILL, na hipótese de não haver previsão expressa no contrato social para distribuição do lucro apurado aos sócios, ainda mais tratando-se de Sociedade Anônima. _ De fato, da leitura dos artigos 165, I e 168, I do Código Tributário Nacional se depreende que o termo inicial para contagem do prazo decadencial para o direito de pleitear a repetição do indébito é de 5 (cinco) anos a contar da extinção do crédito tributário. Entretanto, na hipótese de declaração de inconstitucionalidade ou reconhecimento por meio de ato administrativo da improcedência da exação tributária, não parece aplicável tal entendimento, uma vez que o indébito tributário apenas se verificará (aperfeiçoará) após o reconhecimento da não-incidência tributária. Até que seja reconhecido que determinada exação não é devida, seja por decisão erga omnes (Adin), seja por controle difuso do qual resulte Resolução do Senado, seja por decisão inter partes transitada em julgado, seja por meio de ato administrativo reconhecendo como indevida tal exigência, permanecem válidas em nossiristema as normas introduzidas por meio da legislação tributária que determinam 4 ( e--",/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 Acórdão n° : 106-14.052 sua cobrança. Ora, não se pode admitir a hipótese de que a contagem de prazo para o exercício de um direito tenha início antes da data de sua aquisição, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica. Diante disso, vê-se que não procede o entendimento exarado pela Secretaria da Receita Federal através do Ato Declaratório 96/99, fundamentado no Parecer PGFN 1.538/99, ao eleger como termo inicial para a contagem de prazo decadencial a data na qual se operaria a extinção do crédito tributário. Ora, não merece prosperar tal posicionamento, uma vez que, com a Resolução do Senado n° 82/96, e, ressalte-se apenas após a publicação deste ato, reconheceu-se a não incidência do ILL sobre os lucros apurados pelas Sociedades cujo contrato social não previa expressamente a distribuição automática aos sócios dos lucros apurados, e só então se caracterizaram como indevidos os valores retidos a este título. Neste aspecto, vale lembrar que a Secretaria da Receita Federal, no Parecer COSIT n° 4/99, manifestou-se no sentido de que o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o que no caso ora em tela, seria a Resolução do Senado n° 82/96. Da mesma forma, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao analisar a questão, Manifestou o mesmo entendimento, como se depreende da ementa abaixo transcrita: "IR S/ LUCRO LIQUIDO - RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 Acórdão n° : 106-14.052 b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso conhecido e improvido. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva e lacy Nogueira Martins Morais. EDISON PEREIRA RODRIGUES — PRESIDENTE" (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01- 03.239) Referida matéria resta pacificada no Conselho de Contribuintes, seguindo o mesmo entendimento acima mencionado, conforme se depreende das ementas abaixo transcritas: "ILL - DECADÊNCIA - O prazo decadencial para o pedido de restituição do ILL começa a contar a partir da publicação da Resolução do Senado que concedeu efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal. No caso em tela, tendo em vista que se trata da mesma questão de mérito em períodos diversos, não há prejuízo em ser superada a alegação da DRJ quanto à decadência para alguns desses periodos e ser apreciada toda a matéria, inclusive a de fundo (mérito)." ILL - PROVA DE NÃO DISTRIBUIÇÃO - Quando o contribuinte consegue comprovar, por qualquer meio, como por exemplo as Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, que não houve a efetiva distribuição dos lucros, a restituição do ILL é imperiosa, -- não sendo relevante o fato de haver ou não transferência do encargo financeiro. Decadência afastada." (Ac. 1° CC n° 106-12410) "DECADÊNCIA — RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO — NORMA SUSPENSA POR RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL — ILL — Nos casos de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, ocorre a decadência do direito à repetição do indébito depois de 5 anos da data de trânsito em julgado da decisão proferida em ação 6 f MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 -Acórdão n° : 106-14.052 direta ou da publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu a lei com base em decisão proferida no controle difuso de constitucionalidade. Somente a partir desses eventos é que o valor recolhido torna-se indevido, gerando direito ao contribuinte de pedir sua restituição. Assim, no caso do ILL, cuja norma legal foi suspensa pela Resolução n° 82/96, o prazo extintivo do direito tem início na data de sua publicação. Recurso provido." (Ac. 1° CC n° 108-06808) "IRF - ILL - IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LIQUIDO - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - Conta-se a partir da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/96, em 19 de novembro de 1996, o prazo para a apresentação de requerimento para restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido. Recurso provido." (Ac. 1° CC n° 102-46173) "IRF - RESTITUIÇÃO DE IR FONTE SOBRE O LUCRO LIQUIDO - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - Com a publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/1996, declarando a inconstitucionalidade do art. 35, da Lei 7.713, de 1988, é que inicia-se a contagem do prazo - - - decadencial de cinco anos para a apresentação do requerimento de restituição. Na constância deste prazo, a restituição dos valores pagos deverá alcançar os recolhimentos realizados em qualquer data pretérita. ILL - Sociedade por quotas de responsabilidade limitada em que o contrato social não prevê a distribuição automática dos lucros no final do período base, estando na dependência da deliberação dos sócios, torna indevida a exigência do recolhimento a título de ILL. Tudo na conformidade do entendimento do STF que decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 35, da Lei 7.713, de 1988. Recurso provido. » (Ac. 1° CC n° 104-19652) Assim, errou a Autoridade Julgadora em considerar que o direito do Recorrente de pleitear a restituição do ILL, uma vez que não o termo inicial para contagem é o ato que reconheceu a não incidência do ILL, assistindo razão ao Recorrente. 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13804.002993/2001-30 Acórdão n° : 106-14.052 Diante do exposto, afasto a decadência do direito de pedir do Recorrente e determino a remessa dos autos à Repartição de origem para apreciação do mérito. Sala das S ssões - , em 17d ho de 2004. _ RLOS DA MATTA ITTI 8 Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1
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Numero do processo: 15374.940134/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Toca às turmas ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que sobejem o valor de alçada das turmas especiais.
Numero da decisão: 3803-001.430
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Toca às turmas ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que sobejem o valor de alçada das turmas especiais.
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Toca às turmas ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que sobejem o valor de alçada das turmas especiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Andréa Medrado Marzé. Relatório TELEMAR NORTE LESTE S.A formulou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 9338.43904.031006.1.7.04 3409, transmitida em 09/10/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/01/2001, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 12/2000, com débito da Contribuição par CSLL, referente ao período de apuração 10/2004, no valor de R$ 17.077,67. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por A LEXANDRE KERN 2 A autoridade administrativa com jurisdição sobre o declarante deferiu parcialmento a resatituição e homologou as compensações até onde o valor do crédito as suportou (Despacho Decisório nº 808245376), porque o pagamento aventado foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. O Acórdão no 1329.005 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 27de abril de 2010, fls. 56/59, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE Prescindível é a realização de perícia quando se consubstancia o pedido em elemento cuja demonstração já era ônus do contribuinte ao apresentar a manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário, fls. 64/70, contra a decisão administrativa de primeira instância. É o relatório do que interessa para o presente julgamento. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Considerando (a) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (b) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (c) que o valor original deste processo é de R$ R$1.351.923,11, voto pelo não conhecimento do recurso de fls. 64/70, declinandose a competência para seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Alexandre Kern Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 15374.940134/200850 Acórdão n.º 380301.430 S3TE03 Fl. 115 3 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 15374.940134/200850 Interessada: TELEMAR NORTE LESTE S/A À Secretaria da 3ª Câmara da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 6 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10820.000517/2005-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO
TRIBUTADOS (NT).
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20.
Numero da decisão: 3803-001.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20.
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FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa (Relator), Hélcio Lafetá Reis, e a suplente Andréa Medrado Darzé. Relatório Fl. 194DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1428.760, de 5 de maio de 2010, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 206 a 269, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade e decidiu pelo indeferimento da solicitação de ressarcimento do saldo credor de IPI, referente ao terceiro trimestre de 2005, e não homologou as compensações. Os produtos que a empresa produz e comercializa, jornais, são classificados como NT (nãotributado) na TIPI, razão que ensejou o indeferimento. Em sua manifestação de inconformidade, alegou que a) tem direito ao ressarcimento por força dos princípios da seletividade e da nãocumulatividade previstos no artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal; b) o direito pleiteado encontra amparo na Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, e que a própria IN SRF n° 33/99 corrobora o entendimento de que os produtos imunes possuem direito à utilização e manutenção do crédito do IPI, independentemente de serem classificados na TIPI como NT, conforme consultas, julgados e acórdãos que cita. Na apreciação do pleito, a DRJ/Ribeirão Preto: a) ressaltou, quanto ao direito ao crédito, que tanto a Lei n° 9.779, de 1999, em seu artigo 11, como a IN/SRF n° 33, de 1999, em momento algum autorizaram o crédito em relação às .entradas de insumos aplicados na industrialização de produtos nãotributados pelo IPI. b) assentou que se o produto é nãotributado ele está fora do campo de incidência do imposto, não havendo de se cogitar da atuação do princípio da não cumulatividade e do regulamento do IPI, e, neste caso, o IPI destacado nas notas fiscais de entrada de insumos deve ser contabilizado como custo. c) defendeu a natureza material da norma do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, para consignar o seu efeito prospectivo; d) referiu que tal norma condicionou a fruição da faculdade nele prevista, de utilização do saldo credor que contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, à observância de normas expedidas pela SRF, cuja disciplina foi fixada pela Instrução Normativa SRF n° 33, de 1999, Permaneceu obrigatório, no entanto, o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados e) considerou explícito os limites do direito posto e não acolheu as posições doutrinárias favoráveis à pretensão da então impugnante, enfatizando estar a ele vinculado, assim como ao entendimento a ele dado pelo Poder Executivo, consoante o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, e na Portaria MF n° 58/2006, afastandose de emitir juízo acerca da sua inconstitucionalidade e validade. f) pontuou a distinção, feita pela legislação anterior do IPI, entre os créditos básicos mecânica por meio da qual se concretizava o princípio da nãocumulatividade e os incentivados aqueles que garantia o direito à manutenção e utilização, portanto passíveis de ressarcimento do saldo não utilizado na compensação do IPI devido nas saídas tributadas. O benefício deste jamais fora estendido aos casos de imunidade objetiva, classificados na TIPI como não tributados (NT). Fl. 195DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10820.000517/200511 Acórdão n.º 3803001.443 S3TE03 Fl. 216 3 g) destacou que a inovação trazida pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99 não revogou o direito ao crédito, bem como ao ressarcimento do saldo credor, no caso dos produtos tributados que gozem da imunidade constitucionalmente prevista nas exportações. Aduziu, porém que isto não implica em que a IN SRF n° 33/99, bem como a de n° 21/97, tenham permitido o crédito e o ressarcimento do imposto pago na produção dos casos de imunidade objetiva, tais como: energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País, livros, jornais. h) apontou ainda que o RIPI/2002 e soluções de Consulta da Sexta e Sétima Regiões Fiscais consolidam e ratificam o entendimento constante da IN/SRF n° 33/99, no sentido de que, a partir de 01 de janeiro de 1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de todos os produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. i) reproduziu ementas dos Acórdãos 20218290/2007, 20218291/2007 e 20218399/2007do então Conselho de Contribuintes que sustentam o mesmo entendimento sobre o qual lavrou a decisão. Cientificada da decisão em 23 de junho de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 216 a 242, em 12 de julho de 2010, em que: a) pede a declaração, por esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da nulidade da decisão pelo fato de o douto Julgador singular, conquanto tenha indeferido os pedidos feitos na impugnação, não fundamentou sua decisão em relação a diversos argumentos nela expostos, não tendo apreciado todas as questões debatidas na impugnação assim como as alegações de estar sob a incidência tributária do IPI e sujeita à alíquota zero, e de mudança de critério jurídico acerca da extensão da expressão “inclusive imune” constante do art. 4º da IN SRF n° 33, de 4 de março de 1999; b) afirma que o nosso ordenamento jurídico permite o crédito do IPI resultante da compra de insumos utilizados em jornal; c) defende que, pelo princípio de hierarquia das normas, não há necessidade de que regra constitucional seja replicada em lei, se é autoaplicável. Exigir isso redunda em destituir de eficácia a Constituição Federal; d) alega que a vedação do direito ao crédito implica contrariedade ao princípio da isonomia, já que o princípio da nãocumulatividade, pela natureza do Imposto sobre Produtos Industrializados, de regra, aplicase às empresas, gerando a possibilidade de crédito. Contudo, pelo entendimento externado no despacho decisório e na decisão de primeira instância, a recorrente, cuja atividade é agraciada pela imunidade, não pode creditarse do imposto que suportou. e) sustenta que a dicção do referido art. 11 da Lei n° 9.779/99, pode ser entendida de forma diferente da interpretação dos servidores fazendários, como seja: se o saldo credor decorrente de aquisição de insumos aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero pode ser utilizado, muito mais o poderá se aplicados em produtos imunes; que o termo “inclusive” é exemplificativo, não excetuando a aplicação em produtos imunes. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 f) pronunciamentos da SRF pela INSRF n° 33/99 e consultas respondidas favorecem o entendimento da recorrente. Ao fim, requer que: a) seja declarada a nulidade do acórdão recorrido, pela referida omissão; b) caso não seja declarada tal nulidade, decidase o mérito a favor da recorrente, c) considerem que o jornal se enquadra na hipótese de "aliquota zero" na Tabela T1PI, o que afasta os fundamentos da r. decisão impugnada, segundo o exposto na seção "alíquota zero" da impugnação; d) considerem possível o crédito, porque houve modificação nos critérios jurídicos utilizados pelo Fisco que não alcançam fatos geradores anteriores, consoante razões apresentadas na seção "Artigo 146 do Código Tributário Nacional" da impugnação; e) julguem procedente a compensação, como exposto nas subseções da seção. "Ordenamento Jurídico Permite o Crédito do IPI Resultante da compra de Insumos Utilizados em Jornal", da impugnação e deste recurso administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminares de Nulidade Não pode prosperar a acusação de que a decisão recorrida deixou de enfrentar alguns pontos da manifestação de inconformidade. Gizese que a inconformada e ora recorrente enceta na maior parte de sua defesa argumento em favor de interpretação diferente do entendimento dado pela Administração Tributária para o art. 11 da Lei n° 9.779/99, inadmitindo que sua norma tenha excluído o direito ao crédito de IPI incidente sobre insumos aplicados em produtos imunes. A defendente visualiza na norma um benefício fiscal todoinclusivo, que não elide os insumos aplicados em produtos imunes, ao atribuir caráter exemplificativo a inclusão de categorias de desoneração de menor grau de importância, os produtos isentos e os de alíquota zero. Reforça o argumento referindo que a regulamentação pela art. 4° da IN SRF n° 33/99, ao incluir o termo “imune” na expressão “inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero”; apenas veio explicitar o que em sua matriz legal, o art. 11 da Lei n° 9.779/99, estava implícito, e que por meio da edição do ADI SRF n° 5/2006 a Administração Tributária introduziu mudança no critério jurídico ao delimitar o alcance do termo “imune” para vinculá la à imunidade incidental, não intrínseca, a decorrente da exportação para o exterior de produtos tributados na TIPI. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10820.000517/200511 Acórdão n.º 3803001.443 S3TE03 Fl. 217 5 Ao aduzir, sem a ênfase do argumento antecedente, que o jornal que edita classificase na TIPI na exceção “Ex 01” do código 49.02.10.00, com alíquota zero, levanta um argumento contraditório ao da militância pelo direito ao crédito, por gozar seu produto de imunidade objetiva. São argumentos mutuamente excludentes. Apenas na manifestação de inconformidade, não mais no presente recurso, fez a inconformada menção a documentos numerados de 6 a 12, com que pretendeu demonstrar estar sujeito à tributação do IPI. Nas folhas seqüenciais destes autos constam anexos à defesa os documentos 1 a 5 e 13, não existindo os documentos indicados como de 6 a 12. Do que, não se eximindo a manifestante de comprovar o que alegara, não vejo instalada a controvérsia neste ponto. Ante essa alegação incomprovada, embora sem explicitála andou corretamente a DRJ/Ribeirão Preto em contrapor apenas os extensos argumentos da defendente atinentes à imunidade que, sobretudo, afirmou gozar seu produto. Sem embargo da imprecisão que, via de regra, caracteriza os textos normativos, a ensejar dubiedade de sentido, aquela instância de julgamento, em seu percuciente acórdão lecionou acerca da legislação do IPI, desde a Lei n° 4.502/1964. Expôs acerca do cumprimento do ditame constitucional quanto à efetivação da técnica da nãocumulatividade, sobre os créditos básicos e os incentivados, o que era mantido e o que era estornado, e ao que era passível de ressarcimento em espécie. Ao fim, concluiu que a linha mestra das disciplinas anteriores à Lei n° 9.779/99, nela mantida, no tocante à necessidade de o produto estar sujeito à incidência do IPI, para que a pessoa jurídica faça jus ao ressarcimento do saldo credor, foi apenas externada pela ADI SRF n° 5/2006, deixando claro que não houve neste Ato mudança de critério jurídico pela Receita Federal em contraposição ao estabelecido no art. 4º da IN SRF nº 33/99. Portanto, ausente nos autos a comprovação que protestou anexar já na impugnação de que o jornal que edita a interessada encontrase sob a incidência do IPI, e pela abordagem extensa sobre as sendas da legislação desse imposto pela decisão recorrida, considero que não houve omissão rejeito as preliminares de nulidade. Mérito Corolário da rejeição da preliminar de nulidade quanto a estar o produto em discussão sujeito à alíquota zero, e aceito como centro da controvérsia o direito ao crédito de IPI incidente sobre insumos destinados à fabricação de produto beneficiado com a imunidade objetiva, e, portanto, constante da tabela TIPI com notação NT, em que pesem bem manejados argumentos da Defesa, deixo de enfrentálos no mesmo campo de argumentação de lógica jurídica, em face da natureza da matéria, reiteradamente decidida neste Conselho de forma desfavorável à recorrente, que reclama a aplicação sumária da Súmula CARF Nº 20, verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 06 de abril de 2011 Fl. 198DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 199DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10820.000517/200511 Acórdão n.º 3803001.443 S3TE03 Fl. 218 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10820.000517/200511 Interessada: EDITORA FOLHA DA REGIÃO DE ARAÇATUBA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.443 , de 06 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 06 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 200DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004444/2006-27
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA.
A competência para fiscalizar e cobrar o imposto de renda é da União que a exerce por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS.
Na impossibilidade de discriminar a natureza e os respectivos montantes de cada verba recebida no bojo de acordo trabalhista, para identificar a natureza indenizatória ou não, ou hipótese de isenção, a incidência do Imposto de Renda ocorre sobre o valor total recebido. Precedente do STJ. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.651
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR
as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. A competência para fiscalizar e cobrar o imposto de renda é da União que a exerce por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS. Na impossibilidade de discriminar a natureza e os respectivos montantes de cada verba recebida no bojo de acordo trabalhista, para identificar a natureza indenizatória ou não, ou hipótese de isenção, a incidência do Imposto de Renda ocorre sobre o valor total recebido. Precedente do STJ. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Valéria Pestana Marques Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator. EDITADO EM: 22/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente da turma), Jorge Claudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen, e Lúcia Reiko Sakae. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio e Sidney Ferro Barros. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001 exigindo Imposto de Renda Pessoa Física,com fulcro em Omissão de rendimentos recebidos de Televisão Record do Rio de Janeiro, CNPJ 27906734/000190, no valor de R$180.000,00 (fls. 05). Já na impugnação afirmava o interessado que esse valor decorre de Reclamatória Trabalhista processada na 31ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, sendo apenas a parcela de 30% (trinta por cento) corresponde à rendimentos tributáveis nos termos do item 6 da conciliação realizada em 06/02/2001, pleiteando o abatimento de valores pagos de honorários advocatícios conforme recibos juntados aos autos. Na primeira instância de julgamento o lançamento foi tido como parcialmente procedente, pois foi acatado o abatimento do valor dos honorários advocatícios de forma proporcional aos rendimentos tributáveis orecebidos, rejeitandose, porém, o pleito de que apenas 30% do valor da omissão apurada era tributável, sob o fundamento de que, na ação judicial trabalhista, não houve juízo de mérito sobre a natureza das verbas auferidas. Ciente do acórdão da DRJ em 11005/2009 (fls. 61), na peça recursal apresentada em 10/06/2009 foram apontadas as seguintes alegações: 1) o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) é que a Justiça do Trabalho é competente para fixar a natureza das verbas recebidas pelo reclamante, citando diversos precedentes da Justiça do Trabalho; 2) a responsabilidade pelo pagamento é exclusiva da fonte pagadora, consoante inteligência do §1º do inciso I do art. 7º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; 3) a determinação legal para que seja feita a retenção na fonte é um incidente da execução trabalhista de competência do juiz da causa, e findo o processo judicial carece de competência a União para lançar ou promover Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.004444/200627 Acórdão n.º 280200.651 S2TE02 Fl. 91 3 a execução do tributo, nesse sentido é o provimento nº 1 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho, de 12/01/1993; 4) o provimento TST/CG nº 1, de 05/12/1996, atribuiu ao empregador, com exclusividade, o ônus de calcular, deduzir e recolher à União o imposto de renda sobre as importâncias pagas ao reclamante, e a jurisprudência do TST reconhece a competência da Justiça do Trabalho para executar o imposto de renda que decorre de suas decisões, o que foi ratificado pela Lei nº 11.457/2007; 5) o INSS não se manifestou contrariamente à competência da Justiça do Trabalho para fixar a natureza das verbas, e com a unificação dos Órgãos arrecadadores feita pela Lei nº 11.457/2007 a prevalecer o entendimento esposado no acórdão recorrido haverá afronta à unidade do sistema; 6) ainda não tendo sido autorizado o desarquivamento do processo judicial, protesta pela juntada posterior de documentos em homenagem ao princípio da verdade material; 7) a interpretação dada pela Receita Federal fere a legítima confiança do contribuinte que pautou sua conduta nos termos fixados no acordo homologado pelo Poder Judiciário; e 8) requer a integral anulação do auto de infração; É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. PRELIMINARES 1. Ilegitimidade passiva Há uma questão preliminar que consiste na ilegitimidade passiva. No que tange às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção e de que houve retenção no pagamento das verbas trabalhista, confundese o contribuinte ao identificar a retenção do imposto de renda com o pagamento definitivo, posto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 que a retenção do imposto de renda no caso de recebimento de salários e de verbas trabalhistas tributáveis é mera antecipação do imposto, motivo pelo qual a Declaração Anual de Imposto de Renda é chamada de Declaração de Ajuste Anual, na qual após serem considerados os rendimentos obtidos, as deduções e as antecipações de imposto chegase à apuração de imposto a pagar ou a restituir. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Não assiste razão ao recorrente nesse ponto. 2. Ilegitimidade ativa Em matéria de execução de ofício pela Justiça do trabalho a competência da Justiça do Trabalho está restrita às contribuições sociais, regulamentadas, por força do artigo 114 da CF, no artigo 195, incisos I, alínea “a” e II, da Lei Maior, além de seus acréscimos legais, o que não alcança a exigência de contribuição social com base em decisão que apenas declare a existência de vínculo empregatício conforme assentado no RE 569056 / PA, julgado em 11/09/2008, com deferimento de repercussão Geral e proposta de edição de Súmula Vinculante. Com muito mais razão a competência da Justiça do Trabalho não alcança o imposto de renda, portanto, a competência para fiscalizar e cobrar o imposto de renda é da União (inciso I do art. 153 da Constituição de 1988 c/c art. 142 do CTN) que a exerce por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Dessarte, a interpretação empregada pela Receita Federal não fere a legítima confiança do contribuinte. Igualmente sem razão o recorrente nesse tópico do recurso. MÉRITO Da natureza jurídica das verbas trabalhistas A questão central desse litígio é a incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas em decorrência de acordo trabalhista que em as partes convencionaram que 70% seriam de natureza indenizatória e somente 30% possuiriam caráter remuneratório. De início, frisese que os julgados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não possuem efeito erga omnes e, assim como demais atos normativos da Justiça do Trabalho não tem efeito vinculante, de forma que, ainda que viessem a tratar de situação fática idêntica, não vinculariam as decisões desse Conselho. O acordo possui natureza jurídica de transação e seus efeitos restringemse às partes, não são oponíveis a terceiros, como é o caso da União. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.004444/200627 Acórdão n.º 280200.651 S2TE02 Fl. 92 5 Evidenciase para deslinde desse julgamento que o imposto de renda regese pelo princípio constitucional da universalidade, a prescrever a incidência sobre todas as fontes de riqueza, e seu fato gerador é a aquisição de renda ou proventos de qualquer natureza, cujo núcleo é o acréscimo patrimonial. Se o contribuinte recebe alguma verba de natureza indenizatória, que implique em inexistência de acréscimo patrimonial ou em caso de isenção, deve comprovar indubitavelmente a natureza da verba. Ocorre que, no caso desses autos, o acordo não discrimina as verbas, apenas reparte o todo em percentuais de 70% e 30%, em autêntica convenção entre as partes, o que impossibilita a identificação da natureza e respectivos valores das verbas que foram pagas. Destarte, deve ser tributado o valor integral. Nesse mesmo sentido é o precedente do Superior Tribunal de Justiça abaixo: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO SOBRE A RENDA IRPF. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA.CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE VERBAS DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE LIQUIDAÇÃO DOS VALORES. ACORDO FIRMADO ENTRE AS PARTES. IMPROCEDÊNCIA DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. ACORDO DAS PARTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. A isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente e, a fortiori , restritivamente (CTN, art. 111, II), não comportando exegese extensiva. 2. O Imposto sobre a Renda incide sobre o produto da atividade que implique o auferimento de renda ou proventos de qualquer natureza, que constitua riqueza nova agregada ao patrimônio do contribuinte e deve se pautar pelos princípios da progressividade, generalidade, universalidade e capacidade contributiva, nos termos do arts. 153, III e § 2º, I e 145, § 1º da CF. 3. O conceito do art. 43 do CTN de renda e proventos, sob o viés da matriz constitucional, contém em si uma conotação de contraprestação pela atividade exercida pelo contribuinte, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. 4. A norma isentiva do Imposto de Renda, por sua vez, insculpida no art. 6º, inc. V, da Lei n.º 7.713/88, assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; 5. A regra, portanto, aponta no sentido de que advinda disponibilidade econômica ou jurídica, incide, sobre a renda ou provento, o tributo correspectivo, sendo certo que qualquer exceção deve decorrer de lei, que por seu turno reclama interpretação literal. 6. In casu, em reclamação trabalhista, houve condenação da ex empregadora ao pagamento de verbas rescisórias de contrato de trabalho, em que parte das parcelas era passível de incidência do imposto de renda e outras não, porquanto abrangidas pela norma isentiva. Não obstante, supervenientemente, as partes homologaram acordo na Justiça do Trabalho, em um "montante global", que incorporou as diversas verbas devidas, houve recolhimento do imposto de renda, que o autor pretende restituir. 7. Na impossibilidade de separar os valores no tocante a cada verba, para aferir o caráter indenizatório ou não, impõe a incidência do Imposto de Renda sobre o todo, porquanto a isenção decorre da lei expressa, vedada a sua instituição por vontade das partes, através de negócio jurídico. 8. Inteligência, ademais, do art. 123, do Código Tributário Nacional, no sentido de que "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes" . (...) 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (RECURSO ESPECIAL Nº 958.736 SP Relator : Ministro Luiz Fux, Julgado em 06 de maio de 2010). Por fim, a juntada de provas deve ser feita junto com a impugnação, no caso dos autos o conjunto probatório é suficiente à formação da livre convicção do julgador. Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.004444/200627 Acórdão n.º 280200.651 S2TE02 Fl. 93 7 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11050.002019/2003-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
NORMAS PROCESSUAIS. PEREMPÇÃO.
0 prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de
Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2802-000.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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S2-TE02 FL 81 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11050.002019/2003-72 Recurso n° 157.004 Voluntário Acórdão n° 2802-00.459 — 2 Turma Especial Sessão de 19 de agosto de 2010 Matéria IRPF Recorrente REIMIR NICOLAU SAUSEN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 NORMAS PROCESSUAIS. PEREMPÇÃO. 0 prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se torna conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente), Carlos Nogueira Nicácio, Jorge Claudio Duarte Cardoso, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Lúcia Reiko Sakae e Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente a Conselheira Ana Paula Locoselli Erichsen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na la instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 66/69, que considerou procedente o lançamento.decorrente omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregaticio recebidos de pessoa jurídica informados em DIRF para o CPF do interessado, tendo em vista que o mesmo é omisso na entrega da declaração de ajuste nos exercícios 1999 a 2003. Consta do relato da decisão, que o contribuinte alegou: "em síntese que está ciente dos valores por ele omitidos e que já providenciou na apresentação da declaração dos exercícios em questão, utilizando-se do modelo completo por lhe ser mais benéfico lendo em vista as deduções pleiteadas de pensão alimentícia, dependentes e contribuição previdenciária oficial as quais lido foram consideradas no auto de infração. Junta cópias das DIRPFs e comprovantes das despesas realizadas, fls. 40/64, solicitando o cancelamento dos lançamentos e a conseqUente restituição do imposto nelas apurados." Na decisão de la instância (fis.66/69) foi mantido o lançamento nos seguintes termos: " Verifica-se, inicialmente, que o contribuinte concordou com os rendimentos apurados pela _fiscalização, conforme demonstrativos de fls. 22/29. 0 litígio versa sobre o direito de deduzir desses rendimentos apurados as despesas a titulo de contribuição previdenciária oficial, dependentes e pensão alimentícia, não obstante ser ele omisso na apresentação da DIRPF dos anos-calendário de 1999 a 2002. De conformidade corn os artigos 74, 77 e 78 do Regulamento do Imposto de Renda - Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, esclareça-se que o contribuinte, na declaração de rendimentos poderá deduzir os pagamentos efetuados, no ano-calendário, as mencionadas deduções, desde que devidamente comprovados mediante documentos hábeis. A _fiscalização ao efetuar o lançamento de oficio concedeu o valor do desconto simplificado correspondente 20% dos rendimentos do trabalho assalariado, C0171prOvadamente omitidos pelo interessado. Necessário esclarecer que a apresentação no modelo completo, trata-se de opção do contribuinte na declaração de ajuste anual, o que não ocorreu na espécie, tendo em que não foram apresentadas as declarações dos anos-calendário correspondentes. Incabível, portanto, a concessão de deduções no caso de lançamento de oficio por omissão de rendimentos na 2 Processo n 0 11050.002019/2003-72 S2-TE02 Acórddo n.° 2802-00.459 Fl. 82 hipótese de falta de apresentação das declarações de ajuste anuais. Por outro lado, o lançamento do imposto é tratado nos artigos 836 e seguintes do Decreto citado, sendo especificamente o "lançamento de oficio" previsto nos arts. 841 a 850 (do Decreto n'" 3000/1999), dos quais transcrevo alguns: "Art. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo (Decreto-Lei Na 5.844, de 1943, art. 77, Lei No 2.862, de 1956, art. 28, Lei No 5.172, de 1966, art. 149, Lei No 8541, de 1992, art. 40, Lei No 9.249, de 1995, art. 24, Lei No 9317, de 1996, art. 18, e Lei No 9.430, de 1996, art. 4V: 1- não apresentar declaração de rendimentos,. II- deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; 111 -fizer declaração inexata, considerando-se corno tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto apagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte, V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; Vi - omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único. Aplicar-se-á o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o.favor fiscal." "Art. 845. Far-se-6 o lançamento de oficio, inclusive (Decreto- Lei No 5.844, de 1943, art. 79): 1 - arbitrando-se os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de/alta de declaração; II - abandonando-se as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, fbrem recusados ou não forem satisfatórios; III - computando-se as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. sÇ 2 0 Na hipótese de lançamento de oficio por falta de declaração de rendimentos, a não apresentação dos 3 esclarecimentos dentro do prazo de que trata o art. 844 acarretará, para as pessoas .físicas, a perda do direito de deduções previstas neste Decreto (Decreto- Lei n 05.844, de 1943, art. 79. § 3°)" (grifei) Diante desses dispositivos legais fica evidenciado que o lançamento de oficio é realizado entre outras .formas incluindo na base de cálculo declarada os rendimentos omitidos, não cabendo a fiscaliza cão conceder deduções que são prerrogativas do contribuinte pleitear no momento próprio da realização da declaração e nem cabe ao contribuinte retificar sua declaração quando já sob ação .fiscal nos estritos termos do ,sç 1°, art. 7° do Processo Administrativo Fiscal PAF. Assim, procede o lançamento, não sendo a impugnação o momento próprio para pleitear deduções. Diante do acima exposto, VOTO no sentido de considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido." A ciência de tal julgado se deu por via postal em 21/12/2006, consoante o AR — Aviso de Recebimento — de fl. 72 A vista da decisão, foi protocolizado, em 25/1/2007, recurso voluntário de fls. 73, no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte, declarando não ter sido intimado a prestar esclarecimentos sobre a falta de apresentação de sua declaração de ajuste, nos períodos relacionados, não entende por que não pode requerer qualquer dedução, dado ao fato do lançamento ter lhe concedido o desconto simplificado. Questiona se tal fato não conflitaria com o disposto nos artigos 836, assim como nos artigos 841 a 850 do RIR/99., transcrevendo o § 2° do artigo 845, acima citado. Ao final, requer sejam aceitas as deduções pleiteadas nas " declarações retificadas e aceitas pelo sistema SRF", corn o cancelamento do lançamento. Encontra-se ã. fl. 74 a lavratura do Termo de Perempção o relatório.. Voto Conselheira Lucia Reiko Sakae, Relatora Primeiramente, cabe analisar a tempestividade da apresentação do recurso voluntário. 0 Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, prevê, no art.33, o cabimento de recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 dias seguintes à ciência da decisão, sob pena de perempção deste direito do contribuinte, a saber: 4 Processo n° 11050.002019/2003-72 S2-TE02 Acórdão n.° 2802-00.459 Fl. 83 " Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes a ciência da decisão. § 10 (Revogado pela Medida Provisória n°465, de 2009) § 2 (Incluído pela Lei n° 10.522, de 2002) Men00: (Vide Adin n" 1.976-7) § 3 0 arrolamento de que trata o § 2-̀2 sera realizado preferencialmente sobre bens imóveis. (Incluído pela Lei le 10.522, de 2002) § 4' 0 Poder Executivo editará as normas regulamentares necessárias a operacionalização do arrolamento previsto no ,f 2'. (Incluído pela Lei n°10.522, de 2002)" Passados os trinta dias sem qualquer manifestação, a decisão de primeira instância torna-se definitiva, a teor do artigo 42 do Decreto n° 70.235/72 - PAF "Art. 42. Sao definitivas as decisões: I - de primeira instancia esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III - de instancia especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instancia na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. "(g.n) Cientificado da decisão de primeira instância em 21/12/2006, o contribuinte apresentou o recurso em 25/01/2007, ou seja após o prazo estabelecido, tornando -se definitiva a decisão de primeira instância. Conclusão. Ante o exposto, com a apresentação intempestiva do recurso voluntário, voto por Nik0 CONHECER DO RECURSO, por perempto. 5
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