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Numero do processo: 10730.009013/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.009013/200738 Acórdão n.º 2101001.217 S2C1T1 Fl. 94 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infrações de omissão de rendimentos e de glosa de dedução de incentivo, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.131,90, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva., alegando que apresentou declaração retificadora informando como isentos rendimentos anteriormente declarados como tributáveis, com base nas Leis nos 7.713/88 e 8.852/94, art 1o, inciso III, alíneas "b", "j" e "n". ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 41 a 45): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17). Lançamento Procedente Fl. 99DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.009013/200738 Acórdão n.º 2101001.217 S2C1T1 Fl. 95 3 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 14/2/2008 (fl. 49), o contribuinte apresentou, em 4/3/2008, o recurso de fls. 50 a 51, onde reafirma os argumentos da impugnação, ressaltando a natureza isenta dos rendimentos declarados. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 91, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, contendo ainda a fl. 92, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte declarou originalmente, em sua declaração anual de ajuste do exercício de 2005, ter recebido R$44.639,05 de rendimentos tributáveis, e R$ 574,15 de rendimentos isentos (fls. 22 a 24). Mas, em 19/11/2006, enviou declaração retificadora reduzindo os rendimentos tributáveis para R$38.586,76 e aumentando os isentos para R$6.626,65 (fls. 35 a 37). Entretanto, a Companhia Municipal de Limpeza. Urbana – COMLURB, CNPJ no 42.124.693/000175, informou ter pago R$25.876,69 ao recorrente nesse exercício (fl. 6v), enquanto a declaração retificadora continha o valor de R$ 19.824,40 como recebido dessa fonte pagadora (fl. 36), tendo a diferença sido lançada como omissão de rendimentos neste processo. O sujeito passivo argumenta que a diferença lançada corresponde a rendimentos isentos nos termos das alíneas "b", "j", "n" e “p”, do inciso III, art 1o da Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, e dá outras providências. Transcrevemse os dispositivos legais: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) Fl. 100DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.009013/200738 Acórdão n.º 2101001.217 S2C1T1 Fl. 96 4 b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; (...) j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; (...) Em suma, defende o recorrente que a ajuda de custo, a indenização de transporte, e os adicionais de férias, por tempo de serviço, e de insalubridade são isentos do imposto de renda por terem sido excluídos do conceito de remuneração da Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.009013/200738 Acórdão n.º 2101001.217 S2C1T1 Fl. 97 5 Assim, as verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Esse entendimento já está consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68, que determina que “a Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 102DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000124/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO.
A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural.
IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS.
A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.192
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 08/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 08/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2001 Declarado, fl. 16 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 29 03 Área de Utilização Limitada 1.960,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 29 a 43 da instância a quo, in verbis: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11 a 19, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2001, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Porto Alegre, Uruguaiana e Boa Esperança”, localizado no município de Almeirim PA, com área total de 6.534,00 ha, cadastrado na SRF sob o nº 3.072.0362, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total de R$ 7.241,81. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR e da documentação apresentada pela contribuinte no curso da ação Fiscal, a fiscalização apurou falta de recolhimento do ITR, em virtude de glosa integral dos valores declarados a título de Área de Utilização Limitada. Ciência do lançamento em 05/10/2005, conforme AR juntado à folha 22 do processo. Não concordando com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de folhas 23 a 25, alegando, em síntese: I – preliminarmente, que por ter seu domicílio fiscal em Santarém – Pará, fica difícil se deslocar até a localidade de Monte Dourado – Almerim – Pará para dar vistas ao processo, enquanto que na cidade de seu domicílio existe uma Delegacia Especializada, que oferece melhores condições para tal procedimento. Diante da falta de condições financeiras para tal deslocamento, solicita a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa; II – no mérito, que o Auto de Infração não pode prosperar tendo em vista a falta de interesse de agir por parte do Auditorfiscal, que não requereu junto ao Ibama e ao Incra informações detalhadas quando tomou ciência de que as terras, além de várzea, são consideradas riquezas naturais, protegidas pelo Interesse Ecológico, conforme determina o art. 37 da Lei 9.784/99; III – que, com as condições criadas pelo Governo Federal para conseguir os documentos necessários de preservação ecológica, já que os órgãos envolvidos não demonstram interesse em agir e servir, fica difícil para a impugnante obter os documentos para tal comprovação, enquanto o AuditorFiscal possui todas as condições necessárias para obtêlos ao Incra e ao Ibama, se atendesse o que determinam os artigos 1º, 2º, 36, 37 e 38 da Lei 9.784/99 (transcreveos). Acresce que, se o Auditor tivesse interesse em agir e conhecer a região, logo perceberia que as terras são mata virgem, todas protegidas pelo interesse ecológico; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 08/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10247.000124/200579 Acórdão n.º 210201.192 S2C1T2 Fl. 13 3 IV que, com a enchente do rio, as águas ultrapassam e fazem as terras caírem, diminuindo sua extensão, o que pode ser comprovado em diligência in loco ou via georreferenciamento, onde se constatará que o valor do crédito tributário está acima da realidade; V – que requer que sejam notificados o Incra e o Ibama, para vistoria in loco do que foi afirmado acima, que sejam requisitados os comprovantes de pagamento do ITR para a comprovação de que foram recolhidos os valores de acordo com a realidade física da terra existente e que seja julgada procedente sua impugnação, com o cancelamento do Auto de Infração e seu arquivamento. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a contribuinte não junta ao processo um único documento emitido por órgão público, seja federal ou estadual, que comprove que a área glosada seja de interesse ecológico, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, mas apenas as declaradas, através de ato emitido por órgão competente, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 08/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia, mormente quando se trata de matéria que depende de comprovação documental, a qual deveria ter sido apresentada pelo contribuinte junto com sua impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 45 a 53, alegando em síntese: A teor do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, o ITR sobre a área de preservação ambiental, para fim de isenção do Imposto em comento, basta a simples declaração do contribuinte, respondendo este pelo pagamento e consectários legais, se configurada falsidade. Assim, nos termos da legislação aludida, não são tributáveis as áreas de preservação permanente, nem de reserva legal; O ITR é considerado tributo com nítido caráter extrafiscal, sendo utilizado para desestimular latifúndios improdutivos, mas também para promover e incentivar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente.Deste modo, destaquese principalmente aquelas que beneficiam áreas rurais destinadas à preservação ambiental, seja em razão da manutenção da vegetação nativa ou pela utilização ecologicamente sustentável; Apesar de a legislação pertinente condicionar o aproveitamento do beneficio fiscal do ITR ao averbamento das mencionadas áreas no cartório de registro de imóveis competente, a jurisprudência sobre a matéria vem mostrando entendimento, segundo aduz, de que a isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal deve ser exercida independentemente de existência do averbamento correspondente; É imperioso perceber que o objetivo da legislação pertinente .é o de criar um mecanismo de controle para a manutenção da vegetação nativa. Assim, não parece ao contribuinte ser esta 1 averbação de caráter essencial para o aproveitamento da isenção; Segundo o Código Florestal (Lei n°. 4.771/65), é perfeitamente possível, se diante da necessidade de comprovação, que o contribuinte utilize outros meios que não o referido averbamento para demonstrar as condições de sua propriedade rural no momento de ocorrência do fato gerador do ITR; Não obstante o legítimo propósito do ADA, este se apresenta na maioria dos casos como desnecessário, já que o contribuinte, de acordo com o já citado art. 10, § 7° dá Lei n°. 9.393/96, ou está dispensado, ou tem a seu favor o reconhecimento oficial por parte do órgão ambiental competente relativamente à relevância ambiental de parcela ou totalidade de sua propriedade rural. Neste sentido apresenta decisões dos Conselhos de Contribuintes, requerendo seja declarado procedente seu recurso, insubsistente o Auto de Infração lavrado e a inexigibilidade do crédito apurado. Apresenta jurisprudência para suportar as suas razões, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Em julgamento vistos, relatados e discutidos os presentes autos resolveram os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 08/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10247.000124/200579 Acórdão n.º 210201.192 S2C1T2 Fl. 14 5 votos, converter o julgamento em diligência, via Resolução nº 30301.365, fls. 57 a 65, remetendose os autos à repartição de origem para que o Ibama com jurisdição sobre a área do imóvel fosse intimado a vistoriar o local e informar as áreas existentes de interesse ambiental. Processada a diligência, a contribuinte não respondeu as intimações do Ibama, retornando os autos para julgamento sem nenhuma informação adicional. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Tratase desse processo de glosa de Área de Utilização Limitada, especificamente Área Interesse Ambiental. Ocorre, conforme previsto no art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c", da Lei nº9.393, de 1996; as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, devem ser comprovadas mediante ato do órgão competente federal ou estadual além da apresentação do ADA. Conforme já observado pela autoridade anterior, a contribuinte não junta ao processo um único documento emitido por órgão público, seja federal ou estadual, que comprove que a área glosada seja de interesse ecológico. E mesmo tendo uma outra oportunidade para isso através da diligência promovida pelo Conselho de Contribuintes, via Ibama, o recorrente não sequer respondeu as 2 (duas) intimações do órgão ambiental, fls. 72. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 08/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências cobradas. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Não tendo o contribuinte durante as fases processuais de fiscalização, contencioso de primeira e segunda instância, além especialmente da diligência, apresentado qualquer prova para suportar a sua alegação, rejeito a argüição, por falta de provas Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 08/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19647.005223/2003-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS — LANÇAMENTO DE OFÍCIO — DECADÊNCIA
SUSCITADA — IMPROCEDÊNCIA - 0 direito da Fazenda Pública de
constituir o crédito tributário extingue-se com o decurso do prazo de cinco
anos, conforme determina o art. 173, do Código Tributário Nacional.
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. MULTA POR ATRASO NA
ENTREGA - E devida a multa por atraso na entrega da declaração a que
estava obrigado o contribuinte, quando provado que o cumprimento desta
obrigação acessória se deu após o prazo determinado pela legislação.
Numero da decisão: 1101-000.481
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, REJEITAR a
argüição de decadência e NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior.
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - E devida a multa por atraso na entrega da declaração a que estava obrigado o contribuinte, quando provado que o cumprimento desta obrigação acessória se deu após o prazo determinado pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Camara / la Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de decadência e NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior. Francis de Sale eiro de Queiroz Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva (Relator), Nara Cristina Takeda Taga. . i Relatório DIM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., recorre a este Colegiado (fls. 41/47) contra decisão proferida pela 3 a Turma da DRJ/Recife (fls. 27/28), que julgou procedente o lançamento tributário. Em procedimento fiscal levado a termo, foi lavrado em o Auto de Infração de fls. 21, cuja ciência se deu em 17/11/2003, em desfavor da Recorrente para recolher multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos - DIRPJ, exercício de 1998, ano-calendário de 1997, no valor de R$ 30.081,55, com aplicação de multa de mora por atraso de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, com enquadramento legal no art. 88 da Lei 8.981/95, art. 27 da Lei 9.532/97, art. 7 0 da Lei 10.426/2002 e art. 106, II, C, da Lei 5.172 (CTN. 0 contencioso administrativo foi instaurado tempestivamente pela apresentação de Impugnação ao lançamento de oficio (fls. 01/03), com os seguintes argumentos: a) a declaração de rendimentos entregue em 27/10/99 trata-se de uma declaração retificadora, pois a declaração original foi entregue em 26/05/98, respeitando, assim o prazo de entrega estabelecido pela legislação fiscal (IN SRF 25, de 18/03/97), visto que o prazo para entrega da declaração de rendimentos das empresas optantes pelo Lucro Presumido no ano-calendário 1997 foi até 29/05/98; b) a declaração de rendimentos retificadora foi elaborada após ter sido constatado que a declaração original havia sido preenchida equivocadamente sob o regime do Lucro Presumido Trimestral, enquanto os recolhimentos foram efetuados mensalmente com base na sistemática da estimativa ou em balancetes de redução/suspensão do imposto, IRPJ e CSLL, com códigos da Receita Federal apropriados ao Lucro Real anual no decorrer do ano-calendário 1997; c) caso considere que o prazo para a entrega da declaração retificadora seja o de 30/04/98, apenas a fração de 26 dias (entre 1 e 26/05/98) deverá ser imputada como atraso (um por cento) na entrega da Declaração Original, e não dezoito por cento como assinalado no Auto de Infração, pois sua Declaração Retificadora evidencia claramente sua opção pelo regime de Lucro Real. Ao apreciar a defesa inicial, a Colenda Turma da DRJ/Recife julgou procedente o lançamento, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Ano-calendário: 1997 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. MULTA POR ATRASO NA EIVTREGA. (N\ 2 Processo n°19647.005223/2003-47 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.481 Fl. 2 .A. devida a multa por atraso na entrega da declaração a que estava obrigado o contribuinte, quando provado que o cumprimento desta obrigação acessória se deu após o prazo determinado pela legislação. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 11/04/2005 (fls. 33), e com ela não se conformando, a Recorrente encaminhou a este Colegiado Recurso Voluntário (fls. 41/47), apresentando, em partes, as mesmas razões de fato e de direito, tendo como novo que: d) do prazo final para que a Recorrente providenciasse a apresentação da declaração de ajuste anual ao ano-calendário de 1997, ocorrida em 30/04/98, e a data do lançamento de oficio da multa, efetuado em 07/11/2003, passaram-se cinco anos e seis meses, ocorrendo, assim, a decadência, pois o marco inicial da fluência do prazo decadencial é o primeiro dia após a data prevista para a entrega da respectiva declaração, conforme o art. 115 do CTN; e) é indevida a aplicação da multa de 18% sobre o imposto devido, decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, ano- calendário 1997, uma vez que a Recorrente entregou a Declaração de Rendimento Original A. Receita Federal em 26/05/1998, passando-se, assim, 26 dias do termo final da entrega da declaração, que se deu em 30/04/98, ensejando multa de 1%; f) o objetivo da Declaração Retificadora não foi de modificar o regime de tributação, pois a Recorrente já havia optado pelo regime de apuração pelo Lucro Real ao efetuar seus recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL, no decorrer do ano-calendário de 1997, com os códigos da receita apropriados ao Lucro Real Anual, com base na sistemática da estimativa ou em balancetes de redução/suspensão do imposto; g) a opção feita pela Recorrente foi pelo regime de Apuração pelo Lucro Real, tendo a opção se concretizado no momento em que pagou o imposto referente ao riles de janeiro de 1997, nos termos do parágrafo único do art. 3 0 da Lei 9.430/96; h) ao tempo da infração apontada, a sociedade Recorrente era composta por sócios outros, que se desde 2003 se retiraram regularmente da sociedade; i) o art. 133 do CTN dispõe que o adquirente de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, que continuar a respectiva exploração, é responsável tributário apenas pelos tributos devidos e não pelas multas; 3 j) como o lançamento não é anterior a aquisição, não se pode imputar a multa diante da sucessão da sociedade; k) ao final, requerer o provimento do Recurso Voluntário, ou, na dúvida, se interprete a norma jurídica de forma mais favorável à Recorrente conforme preceitua o art. 112 do CTN. o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Como visto do relato, trata-se de exigência de multa pelo atraso na entrega da DEPJ relativa ao ano-calendário de 1997, cujo prazo estabelecido encerrou em 30/04/1998. A recorrente suscita preliminar de decadência, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 07/11/2003, portanto, mais de cinco anos após a data da entrega da declaração. 0 marco inicial para a fluência do prazo decadencial nos casos de lançamento de oficio é o art. 173 do CTN, ou seja, o prazo contar-se-á do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tratando-se de obrigação formal, a multa de oficio pela não apresentação da declaração só pode ser constituída após o termino deste prazo, ou seja, 30 de abril de 1998, e, assim, a decadência só ocorreria a partir de 10 de janeiro de 2004, caso a constituição do crédito não se materializasse até 31/12/2003. Como o lançamento ocorreu em 07/11/2003, não se configurou o instituto da decadência. No mérito. A recorrente efetuou a entrega da D1RPJ relativa ao ano-calendário de 1997 pelo Lucro Presumido em 26/05/1998. Posteriormente, em 27/10/1999, efetuou a entrega de declaração retificadora, na qual houve mudança de regime de tributação para o Lucro Real. A Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, assim dispôs sobre a retificação de declaração efetuada pela pessoa jurídica: "Art. 1° A retificação da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, dar-se-6 mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. (-) § 2°A declaração renficadora referida neste artigo: 4 Processo n° 19647.005223/2003-47 S1 -C1T1 Acórcldo n.° 1101-00.481 Fl. 3 I - terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997; II - será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (.) Art. 4° No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Nessas condições, entendeu a turma julgadora de primeiro grau, que não é admitida a apresentação de uma nova declaração com o objetivo de substituir uma outra entregue com regime de tributação diferente daquele a que está submetido o contribuinte por força de disposição legal ou de opção anteriormente formalizada. Consta do voto condutor da decisão recorrida que a empresa efetuou recolhimentos mensais por estimativa com o código correspondente ao lucro real anual. A Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu que, a partir de 01/01/97, a opção pela tributação com base no lucro real seria irretratável para todo o ano-calendário. Assim sendo, a opção adotada pela ora impugnante foi definitiva para o ano de 1997, em face do que não poderia alterar o regime de tributação mediante declaração retificadora. Cita ainda aquela decisão que a Receita Federal, em sua página na internet, assim esclarece na seção "Perguntas e Respostas" da Pessoa Jurídica: "021. Como proceder quando, após a entrega da declaração, a pessoa jurídica constatar que houve falhas ou incorreções nos dados fornecidos? A declaração anteriormente entregue poderá ser retificada, nas hipóteses em que admitida, independentemente de autorização da autoridade administrativa, e terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada. (MP n° 2.189-49, de 2001, art.18, e IN SRF n° 166, de 1999, art. 1°). NOTAS: (.) Será considerada intempestiva a DIPJ retificadora com base no lucro real, entregue após o prazo previsto, ainda que a pessoa jurídica tenha entregue, dentro do prazo, declaração com base no lucro presumido, quando vedada por disposição legal a opção por este regime de tributação. " (g. n.) 5 Portanto, apesar da entrega tempestiva da declaração pelo lucro presumido, o mesmo não aconteceu com a declaração pelo lucro real a que estava obrigada a contribuinte, tendo sido esta última recepcionada como declaração original e não retificadora, pois envolveu alteração de regime de tributação, o que não é admitido na legislação de regência. Em relação ao questionamento do valor da multa, determina a norma legal a aplicação do percentual de 1% por mês ou fração em atraso, estando o calculo de acordo com a legislação aplicável visto que a declaração pelo lucro real deveria ter sido entregue até 30/04/1998. Como foi apresentada em 27/10/1999, tem-se o atraso de 18 meses no cumprimento da obrigação acessória. Dessa forma, acolho os argumentos proferidos no Acórdão da turma julgadora de primeiro grau para manter a multa exigida referente ao atraso na entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica do exercício de 1998, ano calendário de 1997. como voto. Sala das Sessões, em 27 DE MAIO DE 2011 6
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001137/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL.
Demonstrada pelo sujeito passivo a existência de crédito, referente a parcela do saldo negativo de CSLL que ainda não havia sido utilizada, homologa-se a compensação pleiteada até o limite do crédito.
Numero da decisão: 1102-000.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente YAMAHA ADMINISTRADORA DE CONSORCIO SC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Demonstrada pelo sujeito passivo a existência de crédito, referente a parcela do saldo negativo de CSLL que ainda não havia sido utilizada, homologase a compensação pleiteada até o limite do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.001137/200305 Acórdão n.º 110200.508 S1C1T2 Fl. 257 2 O presente recurso versa sobre a inconformidade da recorrente com a decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos/SP, o qual por sua vez, embora tenha reconhecido integralmente o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 2001, não homologou a compensação sub judice. Esclareceu a autoridade administrativa, no Despacho Decisório de fls. 39 a 42, que, apesar de confirmada a existência de saldo negativo de CSLL de R$ 66.363,64 em 2001, tal saldo já havia sido integralmente absorvido em compensações anteriores, conforme as informações constantes nas DCTF relativas ao ano calendário de 2002 (fls. 34 a 38). Foi elaborada a seguinte planilha para demonstrálo: Data Valor Selic Juros Débito Débito Débito Saldo Saldo Saldo Principal Selic Principal Juros Principal Juros Total 31/12/2001 66.363,64 66.363,64 ... 66.363,64 jan/2002 66.363,64 1,00% 663,64 ... ... ... 66.363,64 663,63 67.027,27 fev/2002 66.363,64 1,53% 1.015,36 30.764,70 30.005,56 759,13 36.358,08 919,86 37.277,94 mar/2002 36.358,08 1,25% 454,48 17.573,83 16.933,73 640,09 19.424,35 734,24 20.158,59 abr/2002 19.424,35 1,37% 266,11 12.362,24 11.756,76 605,47 7.667,59 394,88 8.062,47 mai/2002 7.667,59 1,48% 113,48 ... ... ... 7.667,59 508,36 8.175,95 jun/2002 7.667,59 1,41% 108,11 ... ... ... 7.667,59 616,47 8.284,06 jul/2002 7.667,59 1,33% 101,98 1.181,80 1.080,55 101,24 6.587,04 617,20 7.204,24 ago/2002 6.587,04 1,54% 101,44 ... ... ... 6.587,04 718,64 7.305,68 set/2002 6.587,04 1,44% 94,85 ... ... ... 6.587,04 813,49 7.400,53 out/2002 6.587,04 1,38% 90,90 ... ... ... 6.587,04 904,39 7.491,43 nov/2002 6.587,04 1,65% 108,69 7.600,11 6.587,04 1.013,07 ... ... ... Nesta conformidade, a DRF/Guarulhos não homologou a compensação do referido crédito com o débito de estimativa de CSLL afeta ao período de apuração de fevereiro de 2003, no valor de R$ 8.066,47. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 47 a 53, fundada nas razões de fato e de direito a seguir sinteticamente descritas. A empresa incorreu em erro no preenchimento de algumas DCTF, o que teria levado a fiscalização a incorrer em erro no encontro dos débitos e créditos, quando da análise do pleito. Neste sentido, o valor de R$ 7.600,11, constante da planilha elaborada pela autoridade fiscal, foi compensado, na verdade, com saldo negativo de IRPJ e não de CSLL. Apresenta as informações que constaram da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002, em que o valor de R$ 7.600,11, compensado sem DARF, foi informado como tendo origem em saldo negativo próprio de CSLL de 31/12/2001, vinculado ao processo administrativo nº 10875.006037/200286. Informa que apresentou DCTF Retificadora, encaminhada via internet na data de 22/02/2008, na qual corrigiu a informação para saldo negativo próprio de IRPJ de 31/12/2001, naquele mesmo número de PAF. Apresenta também as informações que constaram da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2003, em que o valor de R$ 8.066,47, “outras compensações”, foi informado como tendo origem em saldo negativo próprio de CSLL de 31/12/2002, vinculado ao presente Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.001137/200305 Acórdão n.º 110200.508 S1C1T2 Fl. 258 3 processo administrativo (nº 10875.001137/200305). Informa que apresentou DCTF Retificadora, encaminhada via internet na data de 22/02/2008, na qual corrigiu a informação para saldo negativo próprio de CSLL de 31/12/2001, mantido o mesmo número de PAF. Cópias das DCTF originais e retificadoras encontramse nos autos. Acrescenta ainda, embora nesta parte reconheça não dizer respeito ao objeto da presente compensação, que, devido à alteração da versão do programa para apresentação das DCTF retificadoras, não houve “permissão de inclusão da compensação de R$ 159,30 e R$ 30,00, no total de R$ 190,00, montante este compensado sem processo, ou seja, somente com base nos códigos de receita, conforme autorizado pela versão 2.0, razão pela qual, na DCTF retificadora constatamos um saldo a pagar de R$ 190,00, o qual é totalmente inexistente e não deve ser considerado pela fiscalização, pois já foi totalmente compensado, conforme DCTF de origem.” Finaliza requerendo seja julgada totalmente procedente a defesa apresentada. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP indeferiu a solicitação da contribuinte ao entendimento de que a retificação da DCTF, efetuada em 22/02/2008, quando já vigia o disposto na Medida Provisória nº 66, de 2002, não tem o condão de comprovar a alegada compensação da CSLL devida em novembro de 2002 (R$ 7.600,11) com o crédito de IRPJ, em vez de crédito de CSLL, vez que para isto seria necessária a apresentação de Declaração de Compensação. A compensação declarada em DCTF só era válida, na sistemática anterior a MP 66/2002, quando relativa a tributos de mesma espécie, no caso, CSLL com CSLL, como havia sido feita. Portanto, a contribuinte não tinha mais saldo negativo de CSLL de 2001 disponível para compensar com o débito de CSLL do período de apuração de fevereiro de 2003 (R$ 8.066,47). O Acórdão nº 0523.028, fls. 214 a 216, está assim ementado: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não apresentadas provas capazes de refutar a constatação da autoridade da DRF de que, à época da apresentação da Declaração de Compensação, o crédito de CSLL de 2001, indicado para compensar débito de 2003, já havia sido utilizado integralmente para amortização de débitos de 2002, não há como homologar a compensação. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM OUTRO CRÉDITO. Para comprovar a alegação de que débito de CSLL de 2002 havia sido compensado com crédito de IRPJ, necessária era provar a formalização de pedido na sistemática anterior a MP 66/2002 e de Declaração de Compensação, após a vigência da referida MP.” Cientificada desta decisão em 11.09.2008, conforme AR de fls. 218, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 13.10.2008, fls. 220 a 230, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e pede que a decisão de primeira instância seja totalmente reformada, pois está desprovida de justificativa jurídica que possa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.001137/200305 Acórdão n.º 110200.508 S1C1T2 Fl. 259 4 legitimála. Isto porque tanto a Declaração de Compensação do PAF nº 10875.001137/20003 05, do valor de R$ 8.066,47, como a do PAF nº 10875.006037/200286, do valor de R$ 7.600,11, foram efetuadas sob a égide da MP 66/2002, vez que foram protocolizadas em 31/03/2003 e 18/12/2002, respectivamente. Assim, não há que se falar em formalização de pedido na sistemática anterior a MP 66/2002, como tentou fazer crer o i. Julgador. Requer, portanto, seja reconhecido o seu crédito e homologada a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Entendo que assiste razão a recorrente. Verifico, no caso, a mera existência de erro de fato no preenchimento de algumas de suas DCTF. Vejase que a recorrente apresentou Declaração de Compensação, em 18.12.2002, informando ter utilizado crédito de saldo negativo de IRPJ para compensar com a CSLL do PA 31.10.2002, vencimento 29.11.2002. Isto encontrase no âmbito do PAF nº 10875.006037/200286. Assim, na DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002, embora este débito tenha sido vinculado a crédito descrito como sendo de saldo negativo de CSLL, a informação precisa do número do processo administrativo correspondente (10875.006037/200286) nesta mesma DCTF é suficiente para demonstrar ter havido mero erro de fato no preenchimento de um único campo, posto que o crédito era de IRPJ, e não de CSLL. Neste sentido, tenho para mim que a indicação do número do processo administrativo em que o referido crédito — que é de IRPJ — foi objeto de análise é mais relevante do que a simples menção ao nome abreviado do tributo no campo que descreve a natureza do crédito utilizado na DCTF. Portanto, o valor de R$ 7.600,11 — o confirma a Declaração de Compensação de fls. 249 a 251 — não foi compensado com crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001, de sorte que esta parcela de saldo negativo de CSLL ainda estava disponível para uso pelo contribuinte. Nesta conformidade, a recorrente apresentou Declaração de Compensação, em 31.03.2003, que é a de que trata os presentes autos, informando ter utilizado crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 para compensar com a CSLL do PA 28.02.2003, vencimento 31.03.2003, no valor de R$ 8.066,47. Assim, na DCTF relativa ao 1º trimestre de 2003, embora este débito tenha sido vinculado a crédito descrito como sendo de saldo negativo de CSLL de 2002, a informação precisa do número do processo administrativo correspondente (10875.001137/200305, que é o presente) nesta mesma DCTF é suficiente para demonstrar ter havido mero erro de fato no preenchimento de um único campo, posto que o crédito era de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.001137/200305 Acórdão n.º 110200.508 S1C1T2 Fl. 260 5 CSLL, mas de 2001, e não de 2002. Neste sentido, tenho para mim que a indicação do número do processo administrativo em que o referido crédito — que é de CSLL de 2001 — foi objeto de análise é mais relevante do que a simples menção ao ano, no campo que especifica a data de apuração do saldo negativo, na mesma DCTF. Para concluir, registrese que a parcela de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 ainda disponível para compensação (R$ 7.600,11), consoante a tabela elaborada pela autoridade fiscal, correspondia, em valores de 31.12.2001, data de apuração do saldo negativo em questão, a R$ 6.587,04. Tal valor, acrescido da taxa Selic acumulada de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003, mais 1% relativo a março de 2003, ou seja, 22,46%, totaliza exatos R$ 8.066,47, valor do débito compensado no presente processo. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário, homologando a compensação declarada às fls. 1 a 2. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 13602.000494/2007-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF – DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No caso de infração formal
(inobservância de obrigação acessória), sem qualquer vínculo com o fato gerador de tributo, não se aplica o instituto da denuncia espontânea.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual é o Imposto Devido, apurado antes da compensação com o tributo.
Numero da decisão: 2102-001.210
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 34 1 33 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13602.000494/200770 Recurso nº 500.075 Voluntário Acórdão nº 2102001.210 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2011 Matéria IRPF Multa por atraso na declaração Recorrente NILO SERGIO DOS REIS NEIVA SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF – DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No caso de infração formal (inobservância de obrigação acessória), sem qualquer vínculo com o fato gerador de tributo, não se aplica o instituto da denuncia espontânea. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual é o Imposto Devido, apurado antes da compensação com o tributo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 30/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 7), em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2004, com aplicação da multa de R$ 7.088,31 (sete mil, oitenta e oito reais e trinta e um centavos). O contribuinte apresentou impugnação na primeira instância em 21 de novembro de 2007 (fls. 1 a 4) argumentando que: (i) entregou a declaração denunciando espontaneamente o atraso na entrega, e por força do artigo 138 do CTN não cabe aplicação de penalidade; (ii) como estudante, pensionista, não possui fonte de renda; (iii) que a multa foi lançada, mesmo com a retenção na fonte por órgão do governo federal (INSS); (iv) a autoridade administrativa optou pela forma mais severa de punir o contribuinte; (v) que não há base de cálculo para imposição da penalidade, pois se não há imposto a recolher, não se pode falar em multa de mora; e (vi) cita o entendimento da doutrina acerca dos efeitos da denúncia espontânea, juntando acórdão do Conselho de Contribuintes. Requer a liberação da restituição retida com as devidas atualizações por entender que a multa devida é a mínima, no valor de R$ 165,74. A 2ª Turma da DRJ/BHE decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário. Em síntese, no voto o relator fez a seguinte fundamentação: a) A Lei nº 7.713, de 1988, no que se refere a incidência, prescreve que a tributação independe da denominação dos rendimentos; b) No exercício 2004 a Declaração de Ajuste Anual deveria ser entregue, conforme o disposto na Instrução Normativa nº 393, de 2 de fevereiro de 2004, até 30 de abril de 2004, e que o contribuinte se enquadra na condição de obrigatoriedade elencada no artigo 1º da referida IN. c) No caso da penalidade (obrigação acessória), convertida em principal, não se aplica a exclusão da responsabilidade pela denuncia espontânea. Cientificado do julgamento, o requerente interpôs recurso no dia 04 de junho de 2009 (fls. 29 e 30). O recorrente alega que entregou a declaração em atraso, mas de forma espontânea e, portanto, que se aplica a denuncia espontânea, conforme posicionamento já adotado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça. Cita os acórdãos CSRF/020.732, de 9/11/1998, 10243.211, de 17/07/1998, 20171.208, de 8/12/1997, 20168.995, de 7/2/1994. Afirma que os elementos que caracterizam a exclusão da multa estão presentes no caso em questão, saber: (i) comunicação formalizada à autoridade administrativa da existência da infração (declaração por exemplo); (ii) comunicação espontânea, isto é, não provocada por procedimento fiscal; e (iii) pagamento do tributo, dos juros e da correção monetária (imposto retido na fonte e compensado). Requer, por fim, que seja “recebido e provido o presente recurso, para que, por imperativo de direito e de justiça, seja afastada a multa inquinada”, devolvendose o valor compensado. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 13602.000494/200770 Acórdão n.º 2102001.210 S2C1T2 Fl. 35 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004. A obrigatoriedade da entrega da declaração está amparada na Lei nº 9.250, de 1995, conforme segue: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. A base legal para o lançamento da multa por atraso na entrega é determinada pelo art. 88 da Lei nº 8981, de 1995. Seu valor foi convertido em reais pelo art. 27 da Lei nº 9.532, de 1997, conforme abaixo transcrito: Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. (...) Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 A entrega da Declaração de Ajuste Anual é regulamentada por norma editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe a Lei nº 9779, de 1999: Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. De acordo com a legislação corrente, a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa. Os valores correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, ainda que integralmente pago, com limite máximo de 20% e valor mínimo previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. No exercício 2004 a Receita Federal editou a Instrução Normativa Instrução Normativa nº 393, de 2 de fevereiro de 2004, que dispõe sobre a obrigatoriedade da Declaração de Ajuste Anual para os contribuintes que auferiram rendimentos cuja soma foi superior a R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais), conforme transcrito: Art. 1º Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao exercício de 2004 a pessoa física residente no Brasil, que no anocalendário de 2003: I recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais); [...] O requente declarou rendimentos no valor de R$ 156.739,84 (cento de cinquenta e seis mil, setecentos e trinta e nove reais e oitenta e quatro centavos), portanto superior ao limite estabelecido. Assim, De acordo com a legislação corrente, a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa. Os valores correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, com limite máximo de 20%, que, conforme cálculo constante da Notificação de Lançamento é: 1 Prazo legal para entrega da declaração (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 7º) 30/4/2004 2 Data para a entrega da declaração (DAA fl. 14): 25/4/2007 3 – Número de meses em atraso (8 em 2004 + 12 em 2005 + 12 em 2006 + 4 em 2007) 36 meses 4 Limite máximo aplicável (art. 27 da Lei nº 9532/1997): 20%, 5 Valor do imposto devido na declaração: R$ 35.441,55 6 Valor da multa por atraso na entrega (20% de R$ 35.441,55): R$ 7.088,31 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 13602.000494/200770 Acórdão n.º 2102001.210 S2C1T2 Fl. 36 5 Não sustenta a argumentação da denuncia espontânea, pois o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vem decidindo que, no caso de infração formal (inobservância de obrigação acessória), sem qualquer vínculo com o fato gerador de tributo, não se aplica o instituto, como registrados no RESP 246.960/RS, de 09/10/2001 e no ERESP n° 246.295/RS, de 18/06/2001. O entendimento desta Corte foi modificado em relação aos acórdão citados. Várias decisões administrativa, como no Acórdão CSRF/0103.767, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sedimentaram que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Somente é aplicável a multa mínima quando o valor calculado é inferior limite mínimo estipulado, conforme previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000410/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.949
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez
sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 57 a 77) apresentado em 26 de março de 20100 contra o Acórdão no 1624.068, de 26 de janeiro de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 45 a 55), cientificado em 02 de março de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de Cofins do primeiro trimestre de 2007, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da não cumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3 , I, da lei nº 10.833/2003. Em razão disso, não se aplica a esses produtos — notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente — o art. 17 da lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000410/200904 Acórdão n.º 330200.949 S3C3T2 Fl. 0 3 compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos de Cofins apurados no 1o trimestre de 2007. 5. Em despacho decisório de 26/05/2009 (fls. 6/8), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pleito, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 13/33, cujo teor resumo a seguir. 5.1) Observa inicialmente que, com o advento da lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições. 5.2) Afirma que a lei nº 10.865/2004, ao alterar a lei nº 10.485/2002 — com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações. 5.3) Depreende daí que as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 16). 5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. 5.5) Alega que a Fazenda Pública, ao indeferir o pedido de ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 do inconformismo que traz o recorrente a esta Delegacia de Julgamento” (fl. 17). 5.6) Passando a discorrer sobre o princípio da não cumulatividade, reafirma que o entendimento da DIORT a impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 20). 5.7) Invocando o art. 195 da Constituição Federal e alegando que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, assevera que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero. Acrescenta que tal vedação — sobre ser ilegal e inconstitucional — constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. 5.8) Afirmando que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática, declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fl. 29). 5.9) Assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a Delegacia de Arrecadação de São Paulo respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendolhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado. 5.10) Discorrendo ligeiramente acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência” (fl. 31), uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero. 5.11) Acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033/2004, não se aplica, excepcionalmente, à revenda de veículos e peças, o chefe da DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 32). 5.12) Rematando o arrazoado, requer que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000410/200904 Acórdão n.º 330200.949 S3C3T2 Fl. 0 5 ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 33). No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. 1. Violação à não cumulatividade Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000410/200904 Acórdão n.º 330200.949 S3C3T2 Fl. 0 7 Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000410/200904 Acórdão n.º 330200.949 S3C3T2 Fl. 0 9 descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000410/200904 Acórdão n.º 330200.949 S3C3T2 Fl. 0 11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000410/200904 Acórdão n.º 330200.949 S3C3T2 Fl. 0 13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 15586.000511/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou
de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o
titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,
mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados
nestas operações.
Numero da decisão: 1102-000.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente CAPIXABA DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 395DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 15586.000511/200740 Acórdão n.º 110200.496 S1C1T2 Fl. 305 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados Autos de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 11.659.596,46, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. A ação fiscal foi motivada pela verificação de aparente inconsistência entre os valores da movimentação financeira, obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB pelas instituições financeiras, e os valores da receita declarada à RFB em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ .Por meio do Termo de Início de Fiscalização de 21.12.2006 (fls. 4/5), a fiscalizada foi intimada a apresentar, entre outros elementos, os livros de sua escrituração comercial e fiscal, relativos ao ano calendário 2003, e os extratos bancários de todas as suas contas bancárias neste mesmo período. Em 16.01.2007, o contribuinte apresentou cópia autenticada dos atos constitutivos e alterações posteriores, e dos pedidos de extratos às instituições financeiras Banco Alvorada S/A, Banco BCN S/A, e Banco Rural S/A, além de cópia das publicações no jornal Diário de São Paulo, referente ao extravio de todos os documentos fiscais e contábeis da empresa, relativos aos amos de 2000, 2001, 2002 e 2003. Posteriormente, apresentou à fiscalização os extratos bancários solicitados. Por meio do Termo de Intimação de fls. 188 a 203, a contribuinte foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica mantidas naquelas instituições, cujos créditos foram discriminados em planilha anexa. Em 24.07.2007, a contribuinte solicitou prorrogação de 20 dias para atendimento da intimação, que lhe foi concedido, entretanto, passado o prazo, não respondeu à intimação. A contribuinte foi então autuada com base na presunção de omissão de receita prevista no artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Em virtude da falta de apresentação de sua escrituração comercial e fiscal, ou sequer o Livro Caixa, teve o seu lucro submetido ao arbitramento, sendo considerada como receita conhecida a receita por ela declarada em sua DIPJ, e como omissão de receita a diferença entre esta e a soma dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Do valor do imposto de renda assim apurado, foi deduzido o valor Fl. 396DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 15586.000511/200740 Acórdão n.º 110200.496 S1C1T2 Fl. 306 3 apurado pelo contribuinte em sua declaração na qual utilizara a forma de tributação pelo lucro presumido. Inconformada, a empresa apresentou impugnação, às fls. 265 a 271, contrapondo, em síntese, o seguinte. O auto de infração é nulo porque o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, inova o rol das presunções, sendo tal presunção inadequada como meio de prova, urna vez que entre os depósitos bancários e a omissão de receita não há urna correlação lógica segura e direta, que não deixe dúvidas. A movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda. Para usar uma linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial. Cita jurisprudências administrativas e judiciais, que são uníssonas neste sentido. Não restou comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente a omissão de rendimentos, pois que é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais de riqueza. No caso em tela, com a aparência de “sinais exteriores de riqueza” o fisco lavrou o Auto de Infração e arbitrou o lucro sob a forma estipulada no art. 27 inciso I da Lei 9.430/96. A 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I – RJ decidiu a lide por meio do Acórdão 1218.346, fls. 282 a 288, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. IRPJ. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. ALEGAÇÃO DE EXTRAVIO. Rejeitase a alegação de extravio, como causa excludente do arbitramento, quando a empresa deixa de comunicar o fato, em tempo hábil, à Secretaria da Receita Federal (art. 210, §1°, do RIR/1994), não envidando, ademais, qualquer esforço no sentido de reconstituir sua escrita. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. Subsistindo a matéria tributária que gerou o lançamento de IRRI, objeto do processo matriz, igual sorte colhe o que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele.” Fl. 397DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 15586.000511/200740 Acórdão n.º 110200.496 S1C1T2 Fl. 307 4 Cientificada desta decisão em 25.03.2008, conforme AR de fls. 295, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 11.04.2008, fls. 296 a 302, no qual reprisa os mesmos argumentos já expostos por ocasião da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Com relação à alegação de nulidade do auto de infração, por inadequação da presunção aplicada aos fatos, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, nem mesmo após o advento da Lei nº 9.430/96, e que teria de ficar caracterizado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos, mediante prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Não lhe assiste razão. Se tal raciocínio podia ser considerado válido enquanto vigente o artigo 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/1990, com base no qual, aliás, firmouse a jurisprudência invocada pela recorrente, esta realidade foi diametralmente alterada com a revogação daquele dispositivo pela Lei nº 9.430/96, cujo artigo 42 estabeleceu o seguinte, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 15586.000511/200740 Acórdão n.º 110200.496 S1C1T2 Fl. 308 5 Tratase, como é cediço, de presunção legal relativa, i.e., que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia ter afastado a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em sua contacorrente, mas não o fez, aliás, simplesmente silenciou a respeito. Deste modo, restou perfeitamente caracterizada a omissão de receitas perpetrada pela recorrente, a qual foi corretamente tributada pelo lucro arbitrado, tendo em vista a falta de apresentação ao fisco de sua escrituração contábil e fiscal, e o noticiado extravio de todos os documentos fiscais e contábeis da empresa, relativos ao período fiscalizado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 399DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002135/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL
Ano calendário: 2000, 2001, 2002 e 2003
COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃOCOOPERATIVOS.
TRIBUTAÇÃO. Confirmada a prática de atos tidos como cooperativos, na forma descrita na Lei nº 5.764/71, não configura hipótese de incidência da CSLL sobre tais atos; caracterizando-se,
conseqüentemente, indevida a cobrança perpetrada pelas autoridades autuantes.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-000.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Junior que negava provimento ao recurso. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ATOS COOPERATIVOS E NÃOCOOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Confirmada a prática de atos tidos como cooperativos, na forma descrita na Lei nº 5.764/71, não configura hipótese de incidência da CSLL sobre tais atos; caracterizandose, conseqüentemente, indevida a cobrança perpetrada pelas autoridades autuantes. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Junior que negava provimento ao recurso. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 13971.002135/200597 Acórdão n.º 140200558 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUARIA DO VALE DO ITAJAI, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa. Tratase de Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.04.002005002452, em que ficou constatado que a Recorrente, excluía, sistematicamente, da base de cálculo da CSLL a totalidade dos valores relativos ao Resultado Operacional dos atos cooperativos. Além disso, a fiscalização faz ajustes nos saldos de base de cálculo negativa da CSLL de que a cooperativa dispunha em 31.12.2003. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 52 a 60) em que pleiteia a isenção tributária de todos os valores tidos como "atos cooperativos" no período objeto do lançamento, fundamentando seu pleito no artigo 79 da Lei nº 5.764/71. A DRJ/FNS entendeu por bem manter o Auto de Infração, alegando que somente à partir de 1º/01/2005 entrou em vigor a disposição isencional do art. 39 da Lei nº 10.865/2004. Nos períodos anteriores a esse, a incidência da CSLL sobre atos cooperativos e nãocooperativos estaria justificada pela Solução de Consulta SRRF/ 4ª RF/DISIT nº 39, de 16/09/2002, disposições das INSRF nº 198/88 revogada pela INSRF nº 390/2004 (art. 6º), bem como "Perguntas e Respostas" da Receita Federal na Internet, relativas ao anocalendário de 2004. Em razão do julgamento da DRJ/FNS foram retificados os lançamentos, para correção dos valores apurados como base de cálculo já que teriam sido indevidamente compensados com base de cálculo negativa da CSLL. Inconformada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em que repisa os argumentos utilizados na sua Impugnação, além de trazer à colação vasta doutrina e jurisprudência sobre a matéria. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 13971.002135/200597 Acórdão n.º 140200558 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator A incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro, CSLL, sobre atos cooperativos, traduz, em essência, a controvérsia destes autos. Nada obstante os argumentos da decisão recorrida, entendo que não existe base legal para cobrança de CSLL sobre os resultados das operações de cooperativas com cooperados. Pelo contrário, entendo que a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei nº 5.764/71, art. 79) deixa claro que os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence exclusivamente a cada um dos cooperados. Nesse passo, o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas decorrentes de atos cooperativos, ordinariamente denominados de "sobras", não podem ser confundidos com lucro e não integram a base de cálculo da CSLL. Cumpre esclarecer também que o ato cooperativo é aquele praticado pela cooperativa e seus cooperados ou entre as cooperativas entre si. Ou seja, para a caracterização do ato cooperativo é necessária a presença de um associado (cliente ou prestador de serviços) em uma das extremidades da relação negocial. Confirmada a prática de atos tidos como cooperativos, na forma descrita na Lei nº 5.764/71, não configura hipótese de incidência da CSLL sobre tais atos; caracterizando se, conseqüentemente, indevida a cobrança perpetrada pelas autoridades autuantes. Esse é o entendimento pacífico deste Conselho. Vide os acórdãos 10191.487 no dou de 09.12.97, 10703.813 no DOU de 10.02.98, 10192.790 no DOU de 16.02.00, 103 19.974 no dou 280599, 10705.702 no DOU 26.11.99 e 10805.997 no DOU de 18.05.00, 10517.222, 10517.193 e 10517.179 todos no DOU de 06.03.2009, 10517.026 e 10516.989 no DOU de 05.03.09, 10709.461 no DOU de 02.03.09, 10323.618 no DOU de 12.11.08, 103 22.777 no DOU de 21.02.07; e, ainda, acórdãos do CSRF: 910100.308 no dou de 25.08.09, 40105.874 no DOU de 25.06.08, 40105.645 no DOU de 27.03.07, 0104.381 no DOU de 07.03.05. No mais, o Superior Tribunal de Justiça, apenas interpretando a Lei nº 5.764/71, firmou posicionamento de que os atos tipicamente cooperativos não sofrem a incidência de CSLL: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ATO COOPERATIVO – LEI Nº – ISENÇÃO. 1. A não incidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do STJ, em casos de cooperativas, restringese a atos cooperados praticados exclusivamente entre a cooperativa e seus associados. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp Fl. 158DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 13971.002135/200597 Acórdão n.º 140200558 S1C4T2 Fl. 4 4 1190066/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/06/2010, DJe 28/06/2010) SOCIEDADE COOPERATIVA DE CRÉDITO. CSLL. ISENÇÃO SOBRE OS ATOS TIPICAMENTE COOPERATIVOS. LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 10/STF. INAPLICABILIDADE. I Os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei nº 5.764/71), não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence exclusivamente a cada um dos cooperados. Em face de tais peculiaridades, os atos das cooperativas de crédito, ressalvado o disposto nos artigos 86 e 87 da Lei nº 5.5764/71, não sofrem incidência tributária, inclusive de CSLL. Precedentes: AgRg no REsp nº 749.345/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 08/08/2005; AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004 e AgRg nos EDcl no Ag nº 980.095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008. (...) III Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1057481/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/10/2008, DJe 19/11/2008) Esclareçase, entretanto, que a nãoincidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do STJ, em casos de cooperativas, restringese a atos cooperativos praticados exclusivamente entre a cooperativa e seus associados. Nada impede que as cooperativas realizem negócios com terceiros não cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, existe previsão expressa na Lei nº 5.764/71 dispondo que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados (arts. 86 e 87). In casu, não está demonstrado nos autos que a fiscalização tenha qualquer dúvida de que os atos tidos como cooperativos pela contribuinte não fossem, de fato, atos cooperativos. Sendo assim, sobre estes valores não pode incidir a contribuição. Logo, diante de tal delineamento fático, é de se concluir que a prática de atos cooperativos, realizados na forma descrita na Lei nº 5.764/71, não configura hipótese de incidência da CSLL sobre tais atos. Posto isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para considerar correta a exclusão, da base de cálculo da CSLL, dos valores relativos ao Resultado Operacional dos atos cooperados, cabendo à Unidade de Origem a recomposição das bases de cálculo negativas dos anos anteriores. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 159DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10831.013186/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/11/1999
CARGA MANIFESTADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Tendo o recorrente logrado comprovar que não houve falta de mercadoria, mas mero erro de preenchimento do MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do trânsito e do Armazenamento), não pode prevalecer o lançamento impugnado.
Numero da decisão: 3201-000.689
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Tendo o recorrente logrado comprovar que não houve falta de mercadoria, mas mero erro de preenchimento do MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do trânsito e do Armazenamento), não pode prevalecer o lançamento impugnado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para cobrança Imposto sobre a Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEP, COFINS, e multa do artº 106, inciso I, alínea “d” do DecretoLei nº 37/66 regulamentado pelo art. 521, inciso II, alínea “d”, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. Ficou constatado o não armazenamento da seguinte carga no armazém de importação da alfândega do aeroporto internacional de Viracopos. 1) 01 (um) volume, peso 177,500 Kg, sob o Termo de Entrada nº 990058689, de 21/11/1999, com o documento de carga MAWB 020 9730 2951 HAWB 91119030, no vôo GEC8264. O documento de carga supracitado foi devidamente informado pelo contribuinte no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento – MANTRA, instituído pela IN SRF nº 102/94. O disposto no artº 4º, caput e incisos, art. 6º , caput e incisos e art. 8º da IN SRF nº 102/94, determina que: “As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador” (grifou), logo, o transportador poderia ter solicitado a exclusão do documento de carga supracitado, dentro do prazo previsto, caso esse documento tivesse sido informado errônea ou indevidamente, e não o fazendo, a carga foi, para todos os efeitos legais, considerada manifestada junto a unidade da SRF da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos. Destacou ainda a fiscalização: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Consoante o art. 72, § 1º do Decreto 4.543/2002 (DecretoLei nº 37/66, artº 1º, § 2º, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, art 1º), é considerada como entrada no território aduaneiro a mercadoria constante de manifesto, cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira, devendose considerar, por presunção legal, ocorrido o fato gerador do imposto de importação. Constatada a falta dos volumes manifestados, pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passa a ser exigido, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei nº 37/66, art. 105, inciso II (DecretoLei nº 37/66, art. 32, inciso I, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/1988, art. 1º) c/c os artigos 72 e 73, inciso II, alínea “c”, todos do Decreto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM Processo nº 10831.013186/200470 Acórdão n.º 3201000.689 S3C2T1 Fl. 2 3 4.543/2002, o imposto de importação referente à(s) mercadoria(s) faltante(s), acompanhado da multa prevista no artigo 628, inciso III, alínea “d”, com inteligência dos artigos 602 (Decretolei n 37/66, art. 94), a 604, inciso IV, todos do mesmo Decreto. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Consoante o art. 2°, § 3º da Lei 4.502/64, com redação dada apelo art. 80 da Lei 10.832/03, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela autoridade fiscal. Constatada a falta dos volumes manifestados, pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passa a ser exigido, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei nº 37/66, o imposto sobre produtos industrializados que incidiria sobre as mercadorias faltante quando de seu desembaraço aduaneiro. PIS/PASEP E COFINS Consoante art. 3, § 1º da Lei 10.865/04, para efeito de incidência das contribuições socais PIS/PASEP e COFINS, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. Dispõe ainda o artº 4º, inciso II da mesma Lei, que para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador no dia do lançamento correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio for apurado pela autoridade aduaneira. Constatada a falta dos volumes manifestados, pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passam a ser exigidas, nos termos do art. 60, parágrafo único do Decretolei nº 37/66 c/c o art. 6º, inciso II da Lei 10.865/04, as contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS, que incidiriam sobre as mercadorias faltantes na data do registro da declaração de importação. A fiscalização juntou como elementos e prova, extratos obtidos do sistema MANTRA relativos ao documento de carga, cópia das intimações lavradas contra o contribuinte em que solicitam esclarecimentos sobre volumes extraviados, cópias das respostas das referidas intimações, nas quais não são apresentadas provas excludentes de sua responsabilidade pelo extravio apurado. Destacou a fiscalização que, tendo em vista a impossibilidade de identificação e valoração da mercadoria importada e cujo extravio foi apurado, para fins de determinação dos tributos arbitrouse a base de cálculo do imposto de importação em valor Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM 4 equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas, a título definitivo e pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas, no 1º semestre de 2004, pela empresa ROBERT BOSCH LIMITADA, CNPJ nº 45.990.181/000189, informada pelo transportador aéreo como sendo a consignatária das mercadorias acobertadas pelo documento de carga em tela, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico, nos termos do artigo 67, caput e § 1º da Lei nº 10.833/2003. Ciente do Auto de Infração, o contribuinte impugnou o lançamento, fls. 35/41, alegando que: este volume de carga, especificamente, pesava 177,50 kilogramas, e fora devidamente registrado sob o Termo de Entrada nº 990058689. Conforme constatase com a singela análise do extrato do SISCOMEX – MANTRA IMPORTAÇÃO (doc. 01), o termo de abertura do registro de chegada destas cargas deuse em 21 de novembro de 1999, tendo as mesmas por procedência o Aeroporto Internacional de Frankfurt, na Alemanha, e como destino, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas; todavia, apesar de não constar o registro de armazenagem (vinculação) do mencionado volume de carga, não podese ter, como verdade absoluta, que o mesmo não fora atracado e devidamente desembaraçado junto a Aduana do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas; a Impugnante fará prova de que o volume de carga tido como “extraviado”, fora devidamente desembaraçado pela consignatária da mercadoria (empresa ROBERT BOSCH LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob o nº 45.990.181/000189), em consonância a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos; por questões de otimização, a IMPUGNANTE, ao realizar o trânsito de importação das mercadorias amparadas pelo conhecimento aéreo MAWB nº 020 9730 2951, acondicionou, a este, 106 (cento e seis) volumes de cargas; entretanto, ao registrar os dados correlatos as mercadorias que estriam sujeitas ao trânsito de importação , a IMPUGNANTE, erroneamente, inseriu mais um volume de carga, constante no WAWB nº 91119030, o qual, na pratica, não faria parte daquele transporte; assim, a Impugnante, certificandose do equívoco cometido, imediatamente providenciou a importação do questionado volume de carga em vôo posterior, o qual fora devidamente manifestado em outro conhecimento aéreo (máster) – MAWB nº 042.9864 4081, tendo tais mercadorias chegado oficialmente ao aeródromo de Viracopos em 25 de novembro de 1999; com base na análise da documentação anexa (doc. 02), comprovase, claramente, que estas mercadorias, ao contrário do disposto pela autoridade autuante, foram devidamente atracadas junto aos armazéns alfandegados da Aduana, sendo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM Processo nº 10831.013186/200470 Acórdão n.º 3201000.689 S3C2T1 Fl. 3 5 posteriormente visadas pela própria Inspetoria local, e, ao final, entregues a empresa consignatária; todos estes fatos ocorreram a posteriore, mais especificamente no dia 30 de novembro de 1999, e tiveram por base a Declaração de Importação de n° 99/10316277, registrada no sistema integrado da Secretaria da Receita Federal (doc. 02); com isso, ilidida está a presunção de que o volume de carga, amparado pelo conhecimento aéreo AWB nº 91119030, tenha sido extraviado pela IMPUGNANTE, na medida em que há prova robusta de que tais mercadorias foram regularmente desembaraçadas junto a Alfândega do Aeroporto de Viracopos, em Campinas; as operações de importação realizadas pela IMPUGNANTE deuse em ato anterior à vigência da norma (lei) que fundamentara toda a cobrança fiscal, sendo, por certo, inteiramente impertinente (nula) a presente imposição legal; as operações de importação foram realizadas no anobase de 1999 quando nem se cogitava a existência e, muito menos, a vigência da Lei nº 10.865, de 2004; no caso sob análise, ocorridos em finais do anobase de 1999, não havia (existia) as circunstâncias materiais (fato gerador) necessárias para que se produzisse os efeitos que lhes são próprios (artigo 116, I, C.T.N); não havia norma (legal) que previsse a incidência das contribuições nas operações de importação; requer seja anulado o lançamento dos créditos tributários impugnados, em sua integralidade, em razão de ter sido devidamente comprovado que o volume de carga amparado no conhecimento aéreo MAWB nº 020 9730 2951 HAWB 91119030, e devidamente registrado sob o Termo de Entrada nº 99005868 9, fora posteriormente atracado e desembaraçado junto as dependências da própria Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, tendose como suporte a Declaração de Importação nº 99/10316277, emitida em nome da consignatária das mercadorias. BOSCH LTDA., inscrita no CNPJ/MF Nº 45.990.181/000189); caberá a insigne autoridade julgadora apreciar, ao revés, a aplicação do caso in concreto tendose por base a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores constituídos nos Autos de Infração anexos, situação em que, por certo, não havia previsão legal para a incidência das contribuições nas operações de importação realizadas no País; necessário, também, que seja anulado (ou retificado) o lançamento originário em relação a cobrança do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, de modo que seja averiguado se há, com o exame da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, a possibilidade de existir crédito tributário suplementar. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM 6 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/11/1999 CARGA MANIFESTADA. Para todos os efeitos legais, a carga será considerada manifestada junto à unidade local da SRF quando ocorrer, no MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do trânsito e do Armazenamento) o registro de chegada de veículo procedente do exterior, relativamente à carga previamente informada (Artº 6º, inciso I, da IN 102/94). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O manifesto será submetido a conferência final para apuração de responsabilidade por eventuais diferenças quanto a falta ou acréscimo de mercadoria. A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria será de quem lhe tenha dado causa. PIS/COFINS o Artº 150, III, “a”, proíbe a cobrança de tributo em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da lei que os houver instituído ou aumentado. Lançamento procedente em parte. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria nº 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Relator O recurso atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM Processo nº 10831.013186/200470 Acórdão n.º 3201000.689 S3C2T1 Fl. 4 7 A alegação da recorrente é que, por erro do agente de carga, o HAWB nº 91119030 foi incluído no MAWB nº 020 9730 2951, datado de 18.11.1999, do qual não faria parte, em seu recurso e em sua impugnação, apresentou cópia do MAWB nº 042 9864 4081, alegando que o HAWB nº 9119030 foi importado através daquele Máster, sendo desembaraçado pela DI nº 99/10316277. A decisão de primeira instância valorou a prova da seguinte forma, verbis: Juntou para tanto o MAWB nº 042.9864 4081, como prova. Entretanto, a única relação entre estes documentos é: l volume/peso 177,50 Kg. Destaquese que, anteriormente ao Auto de Infração, intimada a prestar esclarecimentos sobre esta carga, INTIMAÇÃO CFM nº 90/2003, fls. 23, a interessada se manifestou através do expediente de fls. 25, onde claramente afirmou: “AWB020/97302951/HAWB9111930 – Carga nunca chegou em Viracopos.” Portanto, o que temos de concreto é que o volume constante do HAWB nº 91119030 foi devidamente informado pelo contribuinte no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto do Trânsito e do Armazenamento – MANTRA. A interessada deveria ter solicitado a exclusão dos documentos de carga supracitados, dentro do prazo previsto, 2 horas, caso esse documento tivesse sido informado indevidamente; desse modo, para todos os efeitos legais, a carga foi considerada manifestada junto à unidade da Secretaria da Receita Federal – Alfândega de Viracopos. Discordo desta valoração da prova produzida pela recorrente, isto porque diferentemente do que consta da decisão recorrida, entendo que há vários indícios nos autos, quais sejam: 1 – a cópia da tela do SISCOMEX – Mantra Importação (fls. 48) traz a informação que vincula o HAWB nº 9111903 ao MAWB nº 042 9864 4081, indica como consignatário Robert Bosch Ltda., informa tratarse de um único volume com o peso de 177,500kg; 2 – a cópia da tela do SISCOMEX – Mantra Importação (fls. 48) traz a informação que vincula o HAWB nº 9111903 ao MAWB nº 020 9730 2951, indica como consignatário Bosch Ltda., informa tratarse de um único volume com o peso de 177,500kg; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM 8 3 todos os 106 volumes do MAWB nº 020 9730 2951 tem como consignatário a empresa BCE Cargo Ltda. e o único volume incluído naquele Máster destinado a outra pessoa foi exatamente o que consta como faltante; e 4 – Nos dados complementares do registro da DI nº 99/10316277 (fls. 44) consta expressa referência ao MAWB nº 9111903 ao HAWB nº 042 9864 4081. Diante destas evidências pareceme que o recorrente conseguiu comprovar que não houve a importação das mercadorias consideradas faltantes, portanto, VOTO por conhecer do recurso para darlhe provimento. Marcelo Ribeiro Nogueira Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM
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Numero do processo: 10435.001867/2002-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL RECOLHIDAS A MENOR.
Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazê-lo ou fazê-lo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário
correspondente.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A legislação tributária aplica-se a ato ou fato pretérito, não definitivamente
julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 1202-000.480
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Nereida Miranda Finamore Horta e Orlando José Gomes Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL RECOLHIDAS A MENOR. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo ou fazêlo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A legislação tributária aplicase a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Nereida Miranda Finamore Horta e Orlando José Gomes Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Jaci de Assis Junior, Valéria Cabral Geo Verçoza, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse os Autos de exigência de multa isolada sobre o não recolhimento das antecipações mensais de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativos aos anoscalendários de 1997 a 2001, na importância de R$ 295.119,30 e R$ 117.598,61, respectivamente. Essas antecipações foram consideradas devidas com base na receita bruta e outras receitas, ou como disposto no Relatório de Auditoria com base em estimativas mensais (fls. 347). O fundamento legal dos lançamentos foram: Para o IRPJ os artigos 2°, 43, 44, §1°, inciso IV, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996; e artigos. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999. Para a CSLL artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996. Em sua Impugnação, a recorrente: contestou a legalidade da base de incidência das multas aplicadas, uma vez que não houve falta de recolhimento de IRPJ e CSLL; alegou que a única justificativa para a autuação é um mero equívoco formal, decorrente provavelmente de alguma falha nos registros fisco/contábeis da recorrente, fato que não consta convenientemente esclarecido, cerceando seu direito de defesa alegou que como os lançamentos em questão dizem respeito à aplicação exclusiva de penalidade, caberia, no caso, valerse do artigo. 112 do Código Tributário Nacional – CTN, alegou que a multa isolada aplicada é incompatível com qualquer noção de Justiça, com qualquer princípio moral, violando claramente o preâmbulo da Constituição Federal de 1988. argumentou que mantém a escrituração da contabilidade regular e que apresentou regularmente as declarações de rendimentos, demonstrando com transparência a apuração do IRPJ e da CSLL devidos. concluiu que, após encerrado o anocalendário, não mais prevalece a aplicação de multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, e que deveria verificar as outras normas que lhe dão complementação e cita o artigo 35, da Lei n° 8.981/1995, artigo 230 do RIR/99, a Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 3 3 alegou que como não se pode exigir parcela adicional de IRPJ como poder seia exigir alguma penalidade sobre essas antecipações.. Logo, tratase de multa punitiva. citou decisões administrativas e doutrina sobre o caso. Ao final, solicitou que: sejam acolhidas as preliminares suscitadas, anulando totalmente a exigência, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. seja ofertada a interpretação que mais favorecer a recorrente com base no disposto no artigo 112 do CTN. aceitasse o seu protesto por juntada posterior de provas, e todos os outros meios de provas em direito permitidas, bem como perícia, diligência. Em seu Acórdão de nº 0217.879, a DRJ julgou procedente em parte a autuação, como segue: sobre a nulidade do Auto de Infração, com base no artigo 59, II, do Decreto n° 70.235/1972, pela alegação de preterição do direito de defesa, entende que não cabe razão à recorrente, pois o enquadramento legal às fls. 09 e 16, os demonstrativos 32/41 anexos, as partes integrantes do Auto de Infração, bem como o descrito no item 2.1.1.2 do Relatório de Auditoria (fls. 347/348), foram devidamente cientificados em 6/12/2002 e permitem a identificação da abrangência da exigência fiscal com base no artigo 44, §1°, inciso IV da Lei n° 9.430/1996. indefere o pedido de produção de provas, perícia e diligência, uma vez que os fatos tributáveis foram evidenciados e são suficientes e, portanto, não há necessidade de adicionar algum conhecimento especial de técnico ou de diligência e/ou perícia. esclarece que as autoridades administrativas não são competentes para dizer sobre inconstitucionalidade da lei que introduziu a multa isolada; sobre a multa isolada, esclarece que foi aplicada tendo em vista que a obrigação principal, isto é, a antecipação, não foi recolhida, aplicandose, assim, o artigo 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.430 de 1996, o qual não faz qualquer restrição ao momento da aplicação da multa pela falta de recolhimento ou o recolhimento a menor por estimativa. Essa mesma orientação está disposta na Instrução Normativa n° 93/1997. entende que o percentual de multa é de 50% sobre o valor não recolhido, com base no artigo 106 do CTN, pelo Princípio da Retroatividade Benigna. A recorrente foi cientificada da decisão em 23 de junho de 2008 (conforme AR constante na fl. 411) e apresentou seu Recurso Voluntário tempestivamente, reiterando os argumentos levantados na Impugnação, declinando apenas dos argumentos feitos em preliminar (nulidade do Auto de Infração e Cerceamento de Defesa). É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 4 4 Voto Vencido Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Relatora. O Recurso Voluntário apresentado preenche as condições de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como disposto no relatório, tratamse os Autos de aplicação de multa isolada sobre a insuficiência de recolhimento de antecipações de IRPJ e CSLL nos anoscalendários de 1997 a 2001. A autoridade lançadora verificou, através das declarações apresentadas pela recorrente, que as antecipações calculadas com base na estimativa (receita bruta e outras receitas) não estavam conforme os valores recolhidos (fls 347 – Relatório de Auditoria). Constatada a diferença que resultou em recolhimento a menor, aplicou a multa com base no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9430/1996, in verbis: “Art 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: .................. IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” Como citado pela recorrente, temos várias decisões desse colegiado concordando com a não aplicação dessa multa de ofício isolada sobre a insuficiência de CSLL e IRPJ devidos com base nas antecipações mensais ou bases estimadas. Para esse meu voto valhome do racional descrito no voto proferido pelo relator Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no Acórdão nº0105.875, na sessão de 25 de junho de 2008, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No seu voto, o relator pondera, inicialmente, que, com a edição desse artigo 44 retrotranscrito, esse Conselho de Contribuintes vem tecendo grandes debates sobre a aplicação dessas sanções previstas. Esclareceu que alguns tem o entendimento de que deve ser Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 5 5 aplicada a multa isolada em todos os casos que não houver recolhimento da estimativa, a fim de assegurar a efetividade do regime da estimativa e preservar o interesse público. No seu voto, o relator diz que: “Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos.” Continuando, o artigo 44, parágrafo 1º, inciso IV, da Lei nº 9430/96, dispõe que está sujeito à aplicação da multa de 75% quando, apesar de estar sujeito ao recolhimento do IRPJ e CSLL com base na estimativa, não faz esse recolhimento ou faz a menor, sem acréscimo de multa. Por outro lado, o artigo 35, parágrafo 2º da Lei nº 8981/95, o qual dispõe que o recolhimento por estimativa está dispensado se, através de balanços ou balancetes mensais, estiver provado que o valor já recolhido anteriormente for maior que o devido calculado com base no lucro real do período. Ou seja, caso fique comprovado que o recolhimento feito com base no lucro real sobre determinado período está maior ou igual ao tributo devido, o contribuinte está dispensado do recolhimento com base estimada. Devese ter em mente que o tributo só se torna devido ao final do ano calendário, por isso o recolhimento antecipado tem que é coincidente com o devido ao final do anocalendário. “Assim, caso a pessoa jurídica não promova o correspondente recolhimento da estimativa nos meses próprios do respectivo anocalendário e não apresente os balancetes de suspensão no curso do período ainda que tenha experimentado prejuízo ou base de cálculo negativa ficará sujeita à multa isolada de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96. A lei estabelece uma presunção de que o valor calculado de forma presumida (estimada) coincide com o tributo que será devido ao final do período, partindo da constatação de que a estimativa não foi recolhida e de omissão do sujeito passivo em apresentar os balanços ou balancetes. Esse não é caso, contudo, da empresa que, após o término do anocalendário correspondente, apresenta o balanço final do período ao invés de balancetes ou balanços de suspensão. Nesse caso, a exigência da norma sancionadora para que se comprove a inexistência de tributo é atendida. Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 6 6 posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa Resta examinar, então, qual seria a hipótese em que, na presença de prejuízo fiscal, se deveria aplicar a multa isolada. Nesse caso, a interpretação sistemática dos dois enunciados prescritivos dispostos no mesmo artigo aqui comentados (caput e § 1°, inciso IV, do art. 44) conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade devem obrigatoriamente ocorrer no curso do anocalendário, pois a conduta objetivada pela norma (dever de antecipar o tributo) é descumprida e, nesse momento, o efetivo resultado do exercício não está evidenciado mediante balancetes. Assim, em virtude da inobservância da pessoa jurídica dos dispositivos legais reitores, o agente fiscal não tem como aferir a situação fiscal corrente do contribuinte. O legislador concede a fiscalização, durante o transcorrer do períodobase, o poder de presumir que o valor apurado de forma estimada a partir da receita da empresa coincide com o tributo devido, desde que demonstrada a omissão do dever probatório atribuído pela lei ao contribuinte. Essa presunção legal da existência de tributo não poderia ser desfeita após a aplicação da multa de lançamento de oficio pela posterior apresentação de balanço na fase de defesa administrativa, pois tornaria o arbitramento do tributo sob base estimada condicional.. Chegamos, portanto, a poucas, mas importantes conclusões: 1. as penalidades, além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. 2. a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas normas sancionadoras faz pressupor a identidade do critério material dessas normas; 3. tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 7 7 4. a base de cálculo predita no artigo 44 da Lei n°9.430/96 referese à multa pela falta de pagamento de tributo; 5. o tributo devido ao final do exercício e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício; 6. não será devida estimativa caso inexista tributo devido no encerramento do exercício; 7. os balanços ou balanceies mensais são os meios de prova exigidos pelo Direito, para que o contribuinte demonstre a inexistência de tributo devido e a dispensa do recolhimento da estimativa. 8. após o final do exercício, o balanço de encerramento e o tributo apurado devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada; 9. antes do final do exercício, o fisco pode considerar para fins de aplicação de multa isolada o valor estimado calculado a partir da receita da empresa, desde que a inexistência de tributo não esteja comprovada por balanços ou balanceies mensais. 10. não se pode aplicar a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas e exigir a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício.” No caso sob análise,o relatório indica que não foram recolhidas antecipações de IRPJ e de CSLL durante os anoscalendários de 1997 a 2001, o que resultou em exigência de multa equivalente a 75% sobre a insuficiência de recolhimento. Todavia, ao final desses anoscalendários, a recorrente cumpriu com o recolhimento da totalidade dos tributos devidos, não estando, portanto, no meu entender, sujeita à aplicação da multa em comento tanto para o IRPJ como para a CSLL. Com a conclusão acima, restou prejudicada a análise da redução da multa de 75% para 50%, com base na nova redação dada ao artigo 44, inciso I pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, bem como do disposto no artigo 112 do CTN aventado pela recorrente., por acrescidos). Por todo o exposto, o meu voto é por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 8 8 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator Designado. Em que pese os valiosos argumentos apresentados pela ilustre relatora, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação à aplicação da multa de ofício isolada pelo recolhimento a menor das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL nos anoscalendários de 1997 a 2001. Em seu recurso, a recorrente contesta, em síntese, a legalidade da aplicação da multa isolada, uma vez que os recolhimentos definitivos do IRPJ e da CSLL foram feitos quando do ajuste definitivo de apuração do imposto e da contribuição ao final do ano calendário. A respeito do recolhimento das estimativas mensais do IRPJ ao longo do ano calendário, cabe dizer que o mesmo deve ser feito obrigatoriamente pelo contribuinte que optou pela forma de tributação com base no lucro real, nos termos do art. 2º da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1oe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Uma vez que a obrigação de recolhimento das estimativas mensais não foi cumprida de acordo com o que determina o dispositivo legal acima transcrito, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, nos seus artigos 43 e 44 e alterações, estabelecem a imposição de uma penalidade isolada para coibir a prática do não pagamento dessa estimativa, conforme redação dos dispositivos que se transcreve: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Multas de Lançamento de Oficio Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 9 9 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei na 11.488, de 15 de junho de 2007) (Grifei). Dessa forma, estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento do IRPJ, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e deixando de recolher o imposto de renda, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida nos arts. 43 e 44 acima transcritos, que deve ser aplicada e cumprida integralmente pelas autoridades administrativas. Sobre esse último aspecto, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não cabe à autoridade administrativa usar do poder discricionário para aplicação da norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ocorrido o fato e estando ele perfeitamente enquadrado no dispositivo legal, a autoridade deve obrigatoriamente aplicar a lei ao caso concreto. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade. Os dispositivos da lei que exigem a cobrança da multa isolada (penalidade) não podem ser negados pelo Tribunal Administrativo, a quem não cabe substituir o legislador. Ademais, registrese que é mais do que razoável se admitir a existência de uma penalidade para desencorajar os contribuintes a não cumprirem a obrigação de pagar corretamente os seus tributos, sob pena de se estabelecer uma desigualdade com aqueles contribuintes que cumprem suas obrigações tributárias nos prazos legais, de cujos recursos financeiros depende o Estado para poder funcionar e que os aguarda no momento certo para o cumprimento de suas obrigações orçamentárias. Salientese que a apuração de prejuízo fiscal ao final do anocalendário, em nada altera os fundamentos acima expostos. O raciocínio aplicado ao IRPJ se estende à CSLL, face ao disposto no art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995, ao dispor que aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração estabelecidas para o IRPJ. Por outro lado, em razão da aplicação do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "c", do CTN, fica reduzido o percentual de aplicação da multa isolada Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT Processo nº 10435.001867/200204 Acórdão n.º 120200.480 S1C2T2 Fl. 10 10 para 50%, incidente sobre o valor não recolhido, tendo em vista a nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 pela Lei n° 11.488, de 15 de dezembro de 2007. De acordo com o exposto, é de se manter a exigência da multa isolada pelo recolhimento a menor das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, devendo ser negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 11/05/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT
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