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Numero do processo: 10680.006891/89-82
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPJ - EXERCÍCIO DE 1985/86 - INOVAÇÃO DO
LANÇAMENTO NA DECISÃO MONOCRÁTICA - NULIDADE
- PROCESSAMENTO DO RECURSO COMO IMPUGNAÇÃO
- Inovada parcialmente a matéria
W.Sariel na instância de origem, sem a
outorga oportunidade defensoria ao autuado,
em respeito ao principio do duplo
grau de jurisdição e para correção da anomalia,
deve o apelo, na inovação, ser processado
como impugnação.
Correção de instância.
Numero da decisão: 103-12.511
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a remessa dos autos ã repartição de origem para que a petição de fls 190/198, seja apreciada como impugnação na parte relativa ã inovação procedida pelo decisório singular, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Dícler de Assunção
1.0 = *:*
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ementa_s : IRPJ - EXERCÍCIO DE 1985/86 - INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NA DECISÃO MONOCRÁTICA - NULIDADE - PROCESSAMENTO DO RECURSO COMO IMPUGNAÇÃO - Inovada parcialmente a matéria W.Sariel na instância de origem, sem a outorga oportunidade defensoria ao autuado, em respeito ao principio do duplo grau de jurisdição e para correção da anomalia, deve o apelo, na inovação, ser processado como impugnação. Correção de instância.
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TECIDOS SANTANENSE ~ida: DRF EM BELO HORIZONTE (MG) IRPJ - EXERCÍCIO DE 1985/86 - INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NA DECISÃO MONOCRATICA - NULI- DADE - PROCESSAMENTO DO RECURSO COMO IM- PUGNAÇÃO - Inovada parcialmente a matéria W.Sariel na instância de origem, sem a outorga oportunidade defensoria ao au- tuado, em respeito ao principio do duplo grau de jurisdição e para correção da ano- malia, deve o apelo, na inovação, ser pro- cessado como impugnação. Correção de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CIA. TECIDOS SANTANENSE ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a remessa dos autos ã repartição de origem para que a petição de fls 190/198, seja apreciada como impugnação na parte relativa ã inova- ção procedida pelo decisório singular, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em 21 de julho de 1992 Cil a-ato '6DR U r'EUBER - PRESIDENTE 4' 101 n de(' D.A.0 f R f2 • SUNÇÃO RELATOR ("- JtfI VISTO DE ZAI kTO HOLANDA BAGA - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 17 suust NACIONAL v.v. 4( DAIAEFP/DF- SECO. Re 064/110a4. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUIS DE SALLES FREI RE, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, SONIA NACINOVIC, PAU- LO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e ILCENIL 'FRANCO. g 4.»kes 4'7* ti );,Itlath >Lt'n , 4r suivto púnico rema PROCESSO PO 10680/006.891/89-82 RECURSOS,: 98.822 ACOROUNIE: 103-12.511 RECORRENTE: CIA. TECIDOS SANTANENSE RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (f is. 190/198) ã de cisão de primeira instância do Sr. Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte - MG (f is. 181/186) que, acatando as ponderações con tidas na informação fiscal (fls. 176/179), houve por bem julgar parcialmente procedente a impugnação oferecida pela contribuinte (fls. 137/148) a auto de infração contra si lavrado (f is. 01), pe- los seguintes motivos: a) excesso de remuneração do Conselho Consultivo e Conselho Fiscal, não adicionados ao lucro líquido; b) dedução do lucro líquido de provisão para per- das permanentes de investimentos - Ativo Permanente, sem comprovar a perda de improvável recuperação; c) exclusão indevida do lucro liquido de ganho de capital por deságios apurados na alienação de certificados de in- vestimentos - FINOR; d) participação discriminatória nos lucro da empri- sa, não adicionada ao lucro líquido; e) correção monetária de ajustes devedores de e, anteriores decorrentes de provisão de imposto de renda, •/20 SERVIÇO Pu8L1CO FEDERAL Processo n9 10680/006.891/89-82 3. Acórdão n9 103-12.511 constituídas nas épocas devidas. Isso, nos exercícios de 1.985 e 1.986. Em sua impugnação (f is. 137/148), a contribuinte concordou com parte da autuação referente ao excesso de remunera- ção do Conselho Conclusivo e Conselho Fiscal, no valor de Cr$ ... 16.944.636, provisão para perdas na realização de investimentos no valor de Cr$ 56.266.974, ambos no exercício de 1985. No exerci cio de 1986, admitiu o ganho de capital na venda de certificados de investimentos - Finor no valor de Cr$ 5.993.442. Afirmou ter efetuado o recolhimento do imposto de renda e PIS devidos, confor me demonstram as cópias dos DARFs anexados às fls. 149 a 151. Em relação a parte litigiosa, objeto da impugna - ção, a contribuinte argumentou que: a) a tributação do excesso de remuneração do Con- selho Consultivo e Conselho Fiscal, no valor de Cr$ 165.670.181, no exercício de 1.986 e da participação dos empregados nos lucros da empresa, nos valores de Cr$ 77.178.816 e Cr$ 604.628.941, exer cicios de 1.985 e 1.986, respectivamente, já haviam sido adiciona das ao lucro líquido para compor o lucro real; b) Quanto à exclusão não admitida no valor de Cr$ 90.063.793, argumentou que embora tenham sido estitulados de "par ticipações nos lucros" possuem natureza salarial. Os beneficiá- rios dos pagamentos são os gerentes das fábricas. Sua remuneração seria constituída por um valor percebido mensalmente e por" per centagem nos lucro apurados pela empresa após a provisão de impos to de renda. Sendo impossível quantificar os valores que deveriam ser pagos e como tais valores integrariam o custo dos produtos fa bricados, decidiu-se provisioná-los, tributá-los e deduzi-los no período base em que fossem pagos; c) seria indevida a tributação sobre correção mo- netária a maior na conta de lucros acumulados. Os documentos jun- tados aos autos demonstram ter havido a retificação do património remmr~mt SEliviçO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10680/006.891/89-82 4. Acórdão n9 103-12.511 líquido, devido imposto postergado de exercícios anteriores; d) em relação ã conversão dos certificados de in- vestimentos - Finor em ações da empresa, não teria ocorrido alie- nação e sim conversão. A diferença apurada constituiria deságiona avaliação dos títulos havidos pela conversão e não ganhos de capi tal; e) o desãgio que seria devido ã avaliação pelo método da equivalência patrimonial imposta pela legislação, teria sido amortizado imediatamente e reconhecido como receita na apura ção do resultado do período-base da conversão; f) em observância a legislação fiscal, tal desã - gio, não foi computado na determinação do lucro real, sendo escri turado no LALUR para cômputo na determinação de ganho ou perda de capital em eventual alienação futura. A informação fiscal (fls. 176/179) propôs a manu- tenção parcial do auto de infração, excluindo os valores de Cr$ 77.178.816 e Cr$ 604.628.941 no exercício de 1985 e 1986, respec- tivamente, referentes ã participação dos empregados nos lucros da empresa. Cr$ 165.60 .181 no exercício de 1.986, tributado como ex cesso de remuneração do Conselho Consultivo e Conselho Fiscal. Ain da no exercício de 1.986, a quantia de Cr$ 204.949.006 referente a correção monetária dos lucros acumulados. A decisão de primeira instância (f is. 161/186), na mesma linha da informação fiscal, julgou o feito parcialmente pro cedente, consubstanciando-se na seguinte ementa, verbis: "IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS - PESSOA JURÍ- DICA. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO Não estando comprovada a adição ao lucro líquido, para compor o lucro real de pàrte da participação dos empregados no lucro da empresa, mantém-se a sua tributação. Exclui-se a parte comprovadamente adicionada. imprent~1 • SERMO PUBUCO FE". Processo n9 10680/006.891/89-82 5. Acórdão n9 103-12.511 GANHO DE CAPITAL O lucro apurado na venda de Certificados de In- vestimentos - FINOR constitui ganho tributável, não se confundindo com a concomitante aquisição de ações de empresa controlada, com deságio." Inconformada, a contribuinte interpôs recurso (fls. 190/198) alegando que, os artigos 317 e 388 do RIR/80, apon tados como infringidos no item referente ao ganho de capital, man tido pela decisão recorrida, tratam da matéria apenas genericamen te, enquanto que a previsão legal específica está contida nos ar- tigos 259 e 263 do mesmo regulamento. Dessa forma, a regra es- pecial prevalece sobre a geral. Além disso, não existe disposição especial sobre permuta no RIR/80. No mais, utilizou-se dos mesmos argumentos expen didos na fase impugnatória. Este, o relatório. /()\ A-- Imprense Nacional e SERVIÇO PUISLICO FEDERAL Processo n9 10680/006.891/89-82 6. Acórdão n9 103-12.511 VOTO Conselheiro DICLER DE ASSUNÇÃO, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 190/198), devendo portanto ser conhecido. A rigor inexistem preliminares. A discussão remanesce apenas quanto ã participa- ção discriminatória nos lucros da empresa, não adicionada ao lu- cro liquido e exclusão indevida do lucro liquido de ganho de capi tal por desãgios apurados na alienação de certificados de investi mentos FINOR. Volvendo-me para a parte remanescente da acusa - ção 4), verifica-se que a decisão monocrática (fls. 183), inovou parcialmente o lançamento ao incluir como fundamento da glosa, tam bém, a premissa de que "não está comprovada a sua adição no ano da provisão, constando apenas a sua exclusão às fls. 154". Ora, aperfeiçoado o lançamento no particular, ca beria ã sua decisão promovem a reabertura da instância singu - lar especialmente ã luz do principio do duplo grau de jurisdição. No sentido de negar o tramite processual nos de- vidos termos, voto no sentido de que a peça recursal de fls. 190/ /198 seja processada como impugnação apenas no tocante ã matéria inovada, a qual, por sinal, acha-se na segunda parte de fls. 197. Brasili -DF., em 21 de julho de 1992 DICLER ASSU O - RELATOR imprenso ~Mond Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000541/97-57
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS.
Não se conhece Recurso Especial que não tenha siso instruído com as decisões divergentes para os mesmos pressupostos fáticos, nos termos do RICARF.
NORMAS PROCESSUAIS - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - EFEITOS.
Com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis 2.445/1988 e 2.449/1988, a contribuição passou a ser devida nos termos da legislação por eles alterada, a qual voltou a viger plenamente, porquanto a declaração de inconstitucionalidade de uma norma jurídica tem natureza declaratória e produz efeitos ex tunc, como se o viciado diploma legal nunca tivesse existido no mundo do direito. Eventual diferença de tributo decorrente da legislação restaurada deve ser lançada, de ofício, corrigida monetariamente e acrescida de juros moratórios e multa de ofício, quando o sujeito passivo não a recolher espontaneamente
Recurso Especial do Procurador, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 9303-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial, nos termos do voto do Relator e, na parte conhecida, por maioria de votos, deu-se provimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas- Relator.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. Não se conhece Recurso Especial que não tenha siso instruído com as decisões divergentes para os mesmos pressupostos fáticos, nos termos do RICARF. NORMAS PROCESSUAIS - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - EFEITOS. Com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis 2.445/1988 e 2.449/1988, a contribuição passou a ser devida nos termos da legislação por eles alterada, a qual voltou a viger plenamente, porquanto a declaração de inconstitucionalidade de uma norma jurídica tem natureza declaratória e produz efeitos ex tunc, como se o viciado diploma legal nunca tivesse existido no mundo do direito. Eventual diferença de tributo decorrente da legislação restaurada deve ser lançada, de ofício, corrigida monetariamente e acrescida de juros moratórios e multa de ofício, quando o sujeito passivo não a recolher espontaneamente Recurso Especial do Procurador, na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial, nos termos do voto do Relator e, na parte conhecida, por maioria de votos, deu-se provimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas- Relator. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 356 1 355 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13706.000541/9757 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.131 – 3ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Telsist Indústria Eletrônica Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. Não se conhece Recurso Especial que não tenha siso instruído com as decisões divergentes para os mesmos pressupostos fáticos, nos termos do RICARF. NORMAS PROCESSUAIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI EFEITOS. Com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/1988 e 2.449/1988, a contribuição passou a ser devida nos termos da legislação por eles alterada, a qual voltou a viger plenamente, porquanto a declaração de inconstitucionalidade de uma norma jurídica tem natureza declaratória e produz efeitos ex tunc, como se o viciado diploma legal nunca tivesse existido no mundo do direito. Eventual diferença de tributo decorrente da legislação restaurada deve ser lançada, de ofício, corrigida monetariamente e acrescida de juros moratórios e multa de ofício, quando o sujeito passivo não a recolher espontaneamente Recurso Especial do Procurador, na parte conhecida, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial, nos termos do voto do Relator e, na parte conhecida, por maioria de votos, deuse provimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 05 41 /9 7- 57 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Tratase de Recurso Especial que deu provimento, por unanimidade de votos ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: LANÇAMENTO DE VALORES DECLARADOS EM DC117. CANCELAMENTO. Constatada a existência de declaração em DCTF, cujos débitos já se encontram inscritos em divida ativa, deverá ser cancelada a autuação, nesta parte. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA. É incabível a exigência da contribuição ou da diferença, com base na LC no. 7/70, quando a Fiscalização não comprova que houve falta de a recolhimento em relação ao que seria devido segundo a legislação declarada inconstitucional.Parecer Cosit/Dipac n2 156/96. Recurso provido em parte. Foi lavrado auto de infração de fls. 01/15, relativo ao não recolhimento do total devido para o PIS, referente aos fatos geradores no período de dezembro/1993 a outubro/1996, consubstanciando exigência de crédito tributário referente à contribuição no valor de R$ 128.658,37, multa de ofício de 75%, no valor de R$ 96.493,79 e juros de mora, calculados até 31/01/1997, no montante de R$ 35.382,93, em um total de R$ 260.535,09. Segundo a descrição dos fatos, de fl. 02, a impugnante foi autuada pela falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). O enquadramento legal baseiase no artigo 3°, alínea “b”, da lei Complementar n° 07/1970, art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/1973, Título 5, capítulo 1, Fl. 362DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13706.000541/9757 Acórdão n.º 9303002.131 CSRFT3 Fl. 357 3 seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82. Inconformada, a interessada apresentou, em 31/03/1997, a petição de impugnação, de fls. 27/31, alegando, em síntese, o seguinte: O crédito tributário referente ao presente auto de infração já se encontra devidamente lançado, e em fase de cobrança, na dívida ativa, por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, de acordo com documento em anexo “Relatório de Débitos”, emitido pela própria Receita Federal; os débitos constantes do referido auto de infração já foram confessados pelo contribuinte, através das Declarações de Tributos e Contribuições Federais (DCTF) pertinentes e na época própria; os débitos alocados no respectivo A.I. fazem parte dos processos administrativos n°s 10768.220941/9610, 10768.220943/9645 e 10768.220945/9671, em tramitação na PFN; a impugnante demonstrou tal fato e esclareceu a autoridade fiscal que tais débitos haviam sido levados a efeito com o número do C.G.C. da sua filial (28.268.233/0002 70), mas a autoridade fiscal ignoroua e lançou novamente com o C.G.C. da matriz; Solicita o cancelamento do respectivo auto de infração. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que foi provido por unanimidade de votos, conforme ementa transcrita acima. A PGFN interpôs recurso especial e o recorrido contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O Recurso Especial não merece ser conhecido pelo motivos expostos a abaixo. O Senhor Procurador Representante da Fazenda Nacional apresenta recurso para a Câmara Superior de Recursos Fiscais da decisão, proferida por unanimidade de votos, consubstanciada no Acórdão nº 20180.400, que está assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendório: 1993, 1994, 1995, 1996 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Ementa: LANÇAMENTO DE VALORES DECLARADOS EM DCTF. CANCELAMENTO. Constatada a existência de declaração em DCTF, cujos débitos já se encontram inscritos em divida ativa, deverá ser cancelada a autuação, nesta parte. DIFERENÇA DE ALIQUOTA. Incabível a exigência da contribuição ou da diferença, com base na LC nº 7/70, quando a Fiscalização não comprova que houve falta de recolhimento em relação ao que seria devido segundo a legislação declarada inconstitucional.Parecer Cosit/Dipae n°156/96. Recurso provido em parte A matéria discutida no presente feito referese a auto de infração relativo à falta da contribuição ao PIS, no período de dezembro de 1993 a outubro de 1996. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais constante do Anexo II da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, estabelece que cabe à PGFN interpôs Recurso de Ofício de divergência contra decisão unânime, desde apresente acórdão paradigma que tenha dado solução diversa em situações iguais as constantes no acórdão recorrido. Em análise ao recurso especial, sob o ponto de vista dos pressupostos de admissibilidade, verificase: • o Procurador da Fazenda Nacional ingressou com a petição tempestivamente; • com relação à comprovação da divergência, fez juntar aos autos cópias de acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e por outras Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes Acórdãos 20214.657, 20216.182, 20308.777 e CSRF/02 01.798, às fls. 281/296; • a demonstração da divergência não foi demonstrada A decisão recorrida entende que deverá ser cancelada a autuação, com relação aos débitos declarados na DCTF, os quais encontram inscritos em divida ativa, independente da opção da contribuinte pelo recolhimento centralizado de tributos e contribuições federais e, também, que não é cabível a exigência da contribuição ou da diferença, com base na LC n° 7/70, quando não há comprovação de falta de recolhimento ao que seria devido segundo a legislação declarada inconstitucional. Os Acórdãos nº 20214657 e 20216.182, apontados pelo representante da Fazenda Nacional como paradigmas de divergência, adotaram o entendimento de que a opção de recolher os tributos de forma centralizada deve ser manifestada pelo sujeito passivo, nos termos da IN SRF nº 128/92 e que as DCTF da filial não servem para quitar os débitos da matriz. Não tendo sido elegido pelo contribuinte o estabelecimento matriz como estabelecimento centralizador responsável pelo recolhimento das contribuições referentes as suas filiais, o lançamento deve ser efetuado de acordo com o estabelecimento que tenha relação pessoal e direta com os respectivos fatos geradores. Com relação a esta matéria, foi estabelecida, portanto, a divergência. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13706.000541/9757 Acórdão n.º 9303002.131 CSRFT3 Fl. 358 5 Porém a razão de decidir do acórdão recorrido é o fato de os valores lançados no Auto de infração já estarem inscritos em dívida ativa da união em fase de cobrança judicial, o que não ocorre com nenhum dos paradigmas. Assim não fica caracterizada a divergência, nos termos do RICARF. Quanto a segunda divergência, para contrapor à decisão recorrida, o Procurador apresentou como paradigmas os Acórdãos nº 20308.777 e CSRF/0201.798, nos quais houve o entendimento que a base de cálculo e a alíquota do PIS são determinadas pela Lei Complementar ri° 07/70, aos fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996. Em relação à diferença de alíquota o recurso deve ser conhecido. Porém não merece ser provido eis que a própria Receita Federal já dispunha de ato normativo dizendo que se o contribuinte agiu conforme previsto conforme o disposto nos Decretosleis º 2445/88 e 2449/88. Assim não houve a comprovação que o contribuinte agiu em desacordo com a referida legislação. Este entendimento consta do Parecer MF/SRF/Cosit/Dipac n 2 156, de 7 de maio de 1996, item "e", verbis: e) Em situação de cobrança (CAD), tendo o contribuinte efetuado o recolhimento com base nos DL 2.445 e 2.449/88 (aliquota de 0,65% e com Receitas Financeiras) e tal valor seja menor que o apurado com base na LC n2 7/70, devese cobrar a diferença? Considerando que a resposta seja negativa, e no caso de não ter pago sobre as receitas financeiras, deverá ser cobrado das mesmas? Resp.: Não, visto que o contribuinte efetuou o pagamento na forma determinada pela legislação aplicável à época. No caso de falta ou insuficiência de recolhimento de acordo com a legislação vigente à época, apurada após a Resolução SF nº 49/95, deverá ser efetuado lançamento de oficio com base na Lei Complementar na 7/70 e alterações posteriores." O Carf também tem decidido nesse sentido, conforme ementa do acórdão que se traz à colação: PIS. DIFERENÇA DE ALIQUOTA. É incabível a exigência da diferença da contribuição com base na LC n° 7/70, quando a Fiscalização não comprova que houve falta de recolhimento em relação ao que seria devido segundo a legislação declarada inconstitucionaL Parecer Cosit/Dipac n° 156, de 07/05/1996. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Recurso provido." (Acórdão n2 20177.835; Recurso n2 123.747; Relator: Antonio Carlos Atulin; Data da Sessão: 15/09/2004) Assim não conheço em parte o recurso da Fazenda Nacional e, na parte conhecida, nego provimento. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13706.000541/9757 Acórdão n.º 9303002.131 CSRFT3 Fl. 359 7 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres No que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir pelas razões seguintes: Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão que determinou a exclusão da exigência de crédito tributário pertinente à diferença de alíquota de 0,65% para 0,75%, lançado de ofício em razão da suspensão da execução dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e objetos da Resolução nº 49 do Senado Federal. A controvérsia gira em torno da aplicação da norma do artigo 100 do CTN, ao lançamento fiscal. Com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/1988 e 2.449/1988, a contribuição passou a ser devida nos termos da legislação por eles alterada, a qual voltou a viger plenamente, porquanto a declaração de inconstitucionalidade de uma norma jurídica tem natureza declaratória e produz efeitos ex tunc, como se o viciado diploma legal nunca tivesse existido no mundo do direito. Isso quer dizer que o tributo era devido, desde o início, nos termos da lei restaurada, como se as modificações introduzidas pela maculada norma tivessem sido apagadas, ou melhor, nunca tivessem existido. No caso concreto, a contribuição deveria ter sido recolhida, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, e posteriores alterações (válidas). Eventual diferença de tributo decorrente da legislação restaurada devia ser lançada, de ofício, quando o sujeito passivo não a recolheu espontaneamente. Com isso, se os recolhimentos efetuados com base nos viciados decretos não foram suficientes para cobrir o débito tributário calculado nos termos da legislação revivida, o sujeito passivo, deveria, por se tratar de tributo por homologação, recolher as eventuais diferenças advindas do restabelecimento da sistemática de cálculo prevista na norma restaurada. Se assim não procedeu, resta patente sua inadimplência fiscal, fato este, que, de persi, enseja a constituição, 1de ofício, do crédito tributário não satisfeito (da diferença), corrigido monetariamente. A este devem ser acrescidos juros de mora, bem como multa de ofício correspondente a 75% do imposto não recolhido ao Tesouro, como previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional (norma geral) e na legislação específica arrolada no enquadramento legal do auto de infração. De outro lado, entendo que o disposto no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional não se aplica ao caso em questão, porque a inadimplência do sujeito passivo, no tocante às diferenças havidas entre o recolhido, com base em lei declarada inconstitucional, e o devido em observância da norma inserta na legislação restaurada, não decorreu da observância, pelo sujeito passivo, de nenhuma das normas complementares listadas nos incisos componentes do mencionado artigo. Demais disso, no caso de declaração de inconstitucionalidade, diferentemente de qualquer das hipóteses tratadas nos incisos suso mencionados, desfazse, desde sua origem, o ato declarado inconstitucional, com todas as conseqüências dele derivadas, vez que as normas inconstitucionais são nulas, destituídas de 1 Sendo a obrigação tributária satisfeita extemporaneamente, ainda que de forma espontânea, os juros moratórios são devidos. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 qualquer carga de eficácia jurídica, alcançando a declaração de inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo, no dizer de 2Alexandre de Morais, os atos pretéritos com base nela praticados (efeitos ex tunc). Assim, a declaração de inconstitucionalidade “decreta a total nulidade dos atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito”. A norma prevista no artigo 146 do CTN é totalmente inaplicável no caso de declaração de inconstitucionalidade da lei tributária, pois, como visto, os efeitos dessa declaração, é ex tunc, como se a viciada lei nunca tivesse existido no mundo jurídico, já a norma trazida nesse dispositivo legal diz que as alterações somente produzirão efeitos ex nunc. Ora, por demais óbvio, as mudanças dos critérios jurídicos a que se refere o art. 146 do CTN, não são decorrentes de declaração de inconstitucionalidade de lei, pois os efeitos previstos para um caso e outro são diametralmente opostos, o que torna evidente não ser aplicável aos casos inconstitucionalidade de lei esse dispositivo do CTN. Por outro lado, a regra do parágrafo único do artigo 100 do CTN somente tem aplicação nas hipóteses em que o sujeito passivo vinha observando as normas complementares listadas nos incisos desse artigo e, com o novo entendimento ou alteração jurídica de tais normas, recolheu espontaneamente eventuais diferenças de tributo resultante da novel situação jurídica. Assim, mesmo que se pudesse estender, por analogia às hipóteses prevista nos incisos do artigo 100, os benefícios do citado parágrafo único ao caso de diferença de tributo a recolher surgida com a restauração de critérios jurídicos decorrente da revivida norma, ainda assim, ditos benefícios não alcançariam o caso em análise, porquanto a reclamante não recolheu espontaneamente a diferença do tributo apurada nos termos da Lei Complementar 07/1970 e alterações posteriores. Com essas considerações, nesse tópico, dou provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres – Redator designado. 2 Direito Constitucional. 11ª ed. São Paulo: Atlas, 2.002. pp. 624/625 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13662.000036/88-75
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 1989
Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA — IRFON — A nulidade da decisão proferida no processo principal, para apreciação do pedido de diligência requerida, por uma relação de causa e efeito, leva à nulidade 4a decisão proferida no processo decorrente.
Numero da decisão: 101-78.669
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro' Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à DRF em Varginha-MG, a fim de que seja prolatada nova decisão de primeiro grau, à vista do que for decidido no processo matriz, tendo em conta o Acórdão n9 101-78.643, de 22.05.89, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Celso Alves Feitosa
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Recorrid DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM VARGINHA — MG TRIBUTAÇÃO REFLEXA — IRFON — A nulidade da decisão proferida no processo princi pai, para apreciação do pediN0 de dili: gencia requerida, por uma relàçao de causa e efeito, leva à nulidade 4a deci são proferida no processo decorrente. — Vistos, relatados e discutidos os presentes autos' de recurso interposto por CAFEEIRA SABIÁ LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro' Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a re messa dos autos à DRF em Varginha-MG, a fim de que seja prolatada no va decisão de primeiro grau, à vista do que for decidido no processo matriz, tendo em conta o Acórdão n9 101-78.643, de 22.05.89, nos ter mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessóes(DF), em 22 de maio de 1989 URGEd,' / 'PRA •PES — PRESIDENTE ALVES ' EI rOSA — RELATOR - VISTO EM AFONSIMISO FERn-U-A-7E CAMPOS — PROCURADOR DA SESSÃO DE: !;1‘ 129.T - - FAZENDANACIMAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA,CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRI- GUES NEUBER e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. 2 ' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSON9 13662-000.036/88-75 RECURSON9: 52.960 ACÓRDÃO N9: 101-78.669 RECORRENTE: CAFEEIRA SABIA LTDA. RELATÓRIO Foi a Recorrente, autuada por tributação reflexa de lançamento IRPJ, assim deduzida a exigência a fls. "LUCROS - Considerados como automaticamente distri- buídos ao(s) titular(ou) sócio (s), decorrentes da fiscalização procedida na Empresa acima identifica da, que apurou OMISSÕES DE RECEITAS no(s) ExerciciS (s) de 1985, 1986 e 1988 Ano(s) - Base 1984, 1985 e 1987, conforme se demonstra abaixo,que serão tributados exclusivamente na fonte à aliquota de 25% (vinte e cinco por cento), por força do dis- • posto no artigo 89 do DL 2.065/83, IN SRF n9 52/84, c/c artigo 544, II do RIR/80XDecreto n9 85.450785 a saber: EXERCÍCIO OMISSÕES DE RECEITA VALORES - Cz$ 1985 Saldo Credor de Caixa 221.679,05 1986 'Não comprovação-supri nc nnn nn mento --Caixa Os Valores acima, já estão convertidos para Cruza- dos na paridade de Cr$ 1.000/Cz$ 1 (DL.2284/86) 1988 Não comprovação-Supri 458,20409 mento - Caixa TOTAL das OMISSÕES::':: Cz$ 775.882,14 (*) naxmo DE RENDA NA FONTE - 25% ... Cz$ 193.970,53 ,<,1) 'lh ON1F DFP 9 C-C Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13662-000.036/88-75 3 Acórdão n9 101-78.669 A fls. 05/08 apresentou Recorrente, então Impugnan- te, a sua impugnação ao lançamento, reportando-se o que havia dito no processo causa n9 13662.000.034/88-40, onde entendeu perfeitamen4- te comprovada a improcedência da exigência, pelo que deviam ser os recursos voluntários julgados simultaneamente, não havendo porque se falar em distribuição de lucros. Que a diligência referida anterior- mente era imprescindível. A manifestação fiscal de fls. 11 reportou-se ao pra - _ cesso principal, porque o presente dele decorre. A fls. 13/16 encontra-se a decisão proferida no pra cesso-causa, mantida a exigência. A fls. 17/19 a decisão recorrida assim se justifi - cou para manter o lançamento: a) que a decisão proferida no processo n9 13662.000.034/88-40-matriz julgou procedente a exigência; b) que, assim, era de ser mantida a tributação,dada a íntima relação de causa e efeito entre ambos. A fls. 24/27 se acha petição de recurso voluntário' da Recorrente, repetindo o já constante dos autos, reiteraildó por di ligência. É o relatório. 47 71) .-"Ç/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO n9 13662-000.036/88-75 4 Acórdão n9 101-78.669 VOTO _ Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator: O recurso é tempestivo, razão pela qual deve ser apreciado. No processo-principal foi proferida decisão unani- me, por esta Câmara, no sentido de nulidade da decisão recórridar AéOrdão n9 101-78.643 de 22.05.89, assim redigida a ementa: "NULIDADE - A falta de decisão pelo jul- gador singular, do pedido de diligência, torna nula a decisão, devendo outra ser por ele proferida, após deferimento ou não da referida." Por uma relaçãO de causa e efeito, o decidido no pro cesso principal se transmite ao processo decorrente, pelo que, nos termos da sólida jurisprudência firmada por este Conselho de Contri- buintes, voto no sentido da nulidade da decisão recorrida, retornan- do o processo ã repartição de origem para, após a apreciação do pedi do de diligência, proferir outra decisão. É o meu oto. - ,w-Á; • • e_ C Ser ALVE" =OSA - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000574/2007-10
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA
O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF).
Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.
RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO.
As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62-A do Regimento Interno.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarou-se impedida.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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MULTA DE MORA Recorrente ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO. As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarouse impedida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 74 /2 00 7- 10 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração eletrônico lavrado em 12/03/2007 (fls. 15/ss), para a cobrança da multa de mora no valor de R$ 13.394,54, pelo fato do contribuinte ter efetuado o recolhimento do PIS (em 12/02/2003), referente ao período de apuração de dezembro/2002, após o vencimento (15/01/2003) e sem o pagamento da correspondente multa de mora. Para melhor elucidar os fatos transcrevemos o relatório constante da decisão de primeira instância: Relatório Trata o processo de autuação eletrônica decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com as IN SRF 45/98 e 77/98, que constatou recolhimento de PIS do período de apuração 12/2002 após o prazo de vencimento sem o pagamento da correspondente multa de mora, conforme auto de infração de fls. 1516 e demonstrativos anexos, no qual se exige o recolhimento de crédito tributário (multa de mora) no valor de R$ 13.394,54, com base na capitulação legal descrita no campo 10 do auto de infração. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 20/03/2007 (fls. 23), a empresa apresentou em 17/04/2007 a impugnação de fls. 0107, documentos anexos às fls. 0821, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 2.1. Afirma que recolheu o PIS com juros de mora antes de qualquer ato de fiscalização da Receita Federal, sendo sua responsabilidade excluída por denúncia espontânea na forma do art.138 do CTN. Cita a doutrina e transcreve jurisprudência e decisões do Conselho de Contribuintes e CSRF a embasar sua tese. 2.2. Diante do exposto, requer o cancelamento do auto de infração. Protesta pela juntada dos documentos anexos e de outras provas admitidas em direito. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 1621.935 (fls. 26/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000574/200710 Acórdão n.º 3202000.930 S3C2T2 Fl. 61 3 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou cancelamento do auto de infração. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O pagamento extemporâneo de tributo ou contribuição, ainda que espontâneo, enseja a inclusão de juros e multa de mora, cuja natureza se caracteriza pelo caráter compensatório ou reparatório. Conclusão a que se chega também em razão da interpretação sistemática do CTN que, a par de prever o instituto da denúncia espontânea em seu art. 138, determina, em seu art.161, a imposição de penalidades cabíveis para as hipóteses de crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 23/07/2009 (fl. 36) e apresentou Recurso Voluntário, em 21/08/2009 (fls. 37/ss), onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de juntar aos autos cópia da DCTF entregue (fls. 53/54). O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lide centrase em decidir se o recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação acompanhado dos juros de mora, pago após o vencimento e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, exclui a responsabilidade pela multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. O artigo 138, no meu entender, prescreve que a responsabilidade deve ser excluída pela denúncia espontânea apenas em relação à infração de caráter punitivo. Assim, a finalidade desse artigo é estimular o contribuinte informar a ocorrência de eventuais infrações cometidas, sujeitas às penalidades desconhecidas do Fisco, tornando possível o arrependimento eficaz de forma a regularizar sua situação fiscal. Nesta linha de entendimento, a incidência da multa de mora não seria incompatível e nem restaria afastada pelo art. 138 do CTN, pois esse artigo não trata da exclusão de penalidades moratórias pelo atraso no pagamento, mas, repita se, apenas da responsabilidade por infrações punitivas. Nesta toada, não haveria justificativa para a legislação “premiar” o contribuinte em atraso, excluindo a multa de mora em caso de pagamento a destempo. Seria uma afronta ao princípio da isonomia, uma vez que o contribuinte em mora ficaria em situação Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 privilegiada em relação àquele que pagou o tributo pontualmente no prazo fixado pela legislação. Seria um estímulo ao não pagamento dos tributos no prazo fixado. Pareceme razoável que exista uma graduação na aplicação das penalidades: o contribuinte pontual recolhe seus tributos sem qualquer penalidade; o que o faz em atraso, mas sem qualquer iniciativa do Fisco, deve pagar a multa de mora (até 20%); aquele que espera a ação do Fisco, não buscando sua regularização, fica sujeito à multa de ofício (75%) e, no caso de conduta dolosa, com a intenção de fraudar, o contribuinte se sujeita a multa agravada (150%). Desta forma, fazendose uma interpretação sistemática do artigo 138/CTN, que trata da responsabilidade por infrações sujeita à multa punitiva (excluída pela denúncia espontânea), com o disposto no artigo 161 do mesmo Código, ao indicar que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, podese concluir pelo cabimento da multa de mora em todas as situações em que o pagamento tenha ocorrido fora do prazo previsto na legislação. Registrese que o próprio legislador do CTN diferenciou as multas punitivas das moratórias, conforme pode ser constatado no parágrafo único do art. 134, ao dispor que dos responsáveis tributários previstos nos incisos só pode ser exigida multa de caráter moratório. Em reforço a isso, citase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que dispõe, in verbis: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (negritei) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça decidiu de forma diferente. Vejamos. Ao julgar o Recurso Especial nº 962.379 – RS, em 22/10/2008, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, o Tribunal reconheceu que a denúncia espontânea fica afastada nos casos em que o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte (através, por exemplo, de DCTF) e seu recolhimento se deu fora do prazo estabelecido, a teor da Súmula 360/STJ: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Assim, o STJ reconheceu que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. Afirma que não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, desde que atendidos os demais requisitos previstos no artigo 138 do CTN. O presente Acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000574/200710 Acórdão n.º 3202000.930 S3C2T2 Fl. 62 5 Abaixo transcrevo a ementa do REsp 962.379 – RS e trechos do voto condutor do julgado para melhor elucidação da matéria, verbis: Ementa: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Voto: (...) 2. Sobre a questão da denúncia espontânea, esta 1ª Seção editou a Súmula 360, nos seguintes termos: ‘O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo’ . (...) 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator,que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: ‘(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a não configuração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese,o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.(...)’ (...)” (negritamos) Fl. 64DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Por sua vez, no Recurso Especial nº 1.149.022 – SP, julgado em 09/06/2010, Relator Ministro Luiz Fux, restou assentado que o instituto da denúncia espontânea excluiria as multas de caráter punitivo, incluindo também as multas moratórias. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C,DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação)acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’ 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias,decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000574/200710 Acórdão n.º 3202000.930 S3C2T2 Fl. 63 7 (negritamos) O critério adotado pelo STJ para a caracterização do instituto da denúncia espontânea foi a apresentação ou não de declaração, por parte do contribuinte, informando a existência de débitos: (i) Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ); (ii) A contrario sensu, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Como informado, o REsp 962.379 – RS foi reconhecido na sistemática de Recurso Repetitivo (artigo 543C, do CPC), por conseguinte, resta obrigatória a observância por este Relator das disposições nele contida, nos termos do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009, alterado pelas Portarias MF 446/2009 e 586/2010). Pois bem. No caso em tela, analisando os documentos acostados aos autos (folhas 62/65) verificase que o tributo foi recolhimento em 12/02/2003, referente ao período de apuração de 31/12/2003 (vencimento: 15/01/2003), e a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais foi entregue em 14/02/2003. É de se concluir, portanto, que a Recorrente, antes de qualquer procedimento fiscal e antes de declarar o tributo devido em DCTF, efetuou o pagamento do tributo em atraso, com os respectivos juros moratórios. Deste modo, em cumprimento ao Regimento Interno do CARF, aplicamos o entendimento do STJ ao caso concreto para afastar a incidência da multa de mora em face do instituto da denúncia espontânea. Este entendimento tem prevalecido em julgados nas Câmaras Superiores de Recursos Fiscais. Confiramse os Acórdãos nº 910101.463, sessão de 15/08/2012, Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, nº 9202002.571, sessão de 06/03/2013, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303002.148, de 17/10/2012, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10830.009345/2003-61
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 1993
IRPF. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIES A QUO.
Somente após a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 que
reconheceu o direito creditório é que se formou o indébito e, portanto, iniciou-se o prazo prescricional para sua repetição, "dies a quo".
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. D1ES A QUO. Somente após a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 que reconheceu o direito creditório é que se formou o indébito e, portanto, iniciou-se o prazo prescricional para sua repetição, "dies a quo". Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, cor maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fran.) sco Assis de Oliveira Junior, EEas Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barr o que dav.1 8 provimento. í4( CARL?S ACBERTO • E TAS : R' TO - Presidente UN" , JULIO ÇESA VIEIRA GE — Relltor EDITADO EM: 2 1 t ,/ A I 20 10 Participaram, do presente julgamento, os Conselhéiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Eiras Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual se decidiu por dar provimento ao recurso voluntário, adotando a contagem do prazo prescricional para pedido de restituição a partir da IN SRF n°165, de 31/12/98. Segue ementa: RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - ALCANCE - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 1998 (DOU de 06/01/99), o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário, sendo irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do • prazo extintivo. SUPRESSÃO DE INSTANCIA ADMINISTRATIVA - IMPOSSIBILIDADE - ANÁLISE DE MÉRITO EM FACE AO AFASTAMENTO DE PRELIMINAR - Para que não • - ocorra supressão de instância, afastada a preliminar que impedia a - análise do mérito, deve o processo retomar à origem para conclusão do julgamento. O recurso foi baseado no art. 7, 1, do Regimento Interno da CSRF. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que não foram observados os artigos 165 e 168 do CTN, pois o prazo para o pedido de restituição é de cinco anos contados da data do pagamento indevido e também o artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005. Por meio de despacho deu-se seguimento ao recurso especial, reconhecendo- se a contrariedade. Cientificado do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o interessado apresentou contra-razões, onde rebate as alegações trazidas no especial e reitera seus argumentos anteriores. É o Relatório. i;tv/H 2 Processo r61 10830.009345/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.723 Fl. 2 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator A controvérsia se instaurou em face de entendimentos divergentes quanto ao termo a quo" para contagem do prazo prescricional relativo ao direito de repetição do indébito: seria a partir do pagamento realizado pelo contribuinte ou da norma administrativa, decisão judicial ou resolução senatorial que reconheceram não ser devido o tributo? O tema tem disciplina no Código Tributário Nacional que, no entanto, não tratou dessa questão especifica: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp n' 118, de 2005) II - na hipótese do inciso III do artigo 165, datu e se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Entendo que a solução da controvérsia deve ser iniciada com a pesquisa do sentido da expressão indébito, eis que a restituição se refere ao pagamento indevido. É com a identificação do momento em que determinado pagamento se tomou indevido que se inicia o prazo prescricional para a ação de repetição do indébito. O Código Tributário Nacional dedicou à matéria a Seção III "Pagamento Indevido" do Capitulo IV "Extinção do Crédito Tributário", nos seguintes tuinos, a partir dos quais podemos extrair um sentido para a expressão "indevido": SEÇÃO III Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária apficável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 3 TU - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Nos exatos termos do artigo 165, I do CTN, o tributo é indevido em face da legislação tributária aplicável. ou seja, examinando-se o pagamento à luz da norma aplicável, constata-se urna incorreção, o tributo é indevido ou se pagou mais que o devido. E o que se tem por indevido não resulta da interpretação da lei pelo sujeito passivo em sentido contrário àquela adotada pela Administração. E indevido o tributo porque a legislação assim o considera, independentemente da interpretação empregada ou de sua constitucionalidade ou não. Até porque todas as leis em vigor gozam da presunção de constitucionalidade, que somente pode ser afastada nos controles concentrado e difuso: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão juriselicional competente. O principio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema.' No caso sob exame, temos a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 que dispensou a constituição do crédito sobre as aludidas verbas e autorizou a revisão de ofícios daqueles já constituídos: Art. lo Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do Imposto de Renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária. Art. 2o Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de oficio os lançamentos referentes a matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacional. E, em seguida, o Ato Declaratório SRF n° 3, de 07/01/1999, DOU de 08/01/1999, que declarou as aludidas verbas como indevidas, inclusive com orientação para a repetição do tributo pago: 1 - os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a titulo de incentivo á adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizataria, e assim reconhecidos por meio do Parecer PCFN/CRI/No 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual; ‘1\‘‘,, II \4•H‘ - a pessoa física que recebeu os rendimentos de que trata o ‘, inciso I, com desconto do imposto de renda na fonte, poderá solicitar a restituição ou compensação do valor retido, observado o disposto na Instrução Normativa SRF No 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF No 73, de 15 de setembro de 1997; / BARROSO, Luís Roberto. latespretação e ApIcação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 5 edição. São Paulo: Saraiva, 2003. página 176. 4 • Processo n° 10830.009345/2003-61 CSRF-T2- Acórdão n.° 9202-00.723 Fl. 3 Portanto, foram com os atos normativos do próprio órgão fiscalizador que se formou o indébito, com o reconhecimento pelo sujeito ativo de que o tributo não é devido desde o pagamento. Em razão do ej2tposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nad nal j , Julio Ce'sá Vieira Gomes - Relator • 5
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000354/2001-12
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Nulo o ato declaratório de exclusão do sistema do SIMPLES, por
não especificar a motivação de sua expedição
Numero da decisão: 303-30.621
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do ato declaratório por não especificar a motivação de sua expedição, fato que obsta o exercício da ampla defesa do contribuinte, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: João Holanda Costa
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E COM. LTDA. - ME RECORRIDA : DRJ/JUIZ DE FORA/MG PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Nulo o ato declaratório de exclusão do sistema do SIMPLES, por não especificar a motivação de sua expedição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do ato declaratório por não especificar a motivação de sua expedição, fato que obsta o exercício da ampla defesa do contribuinte, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de março de 2003 / JOÃ • fr" • DA COSTA 40 Presi. • te e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausentes os Conselheiros PAULO DE ASSIS e HÉLIO GIL GRACINDO. tinc 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.519 ACÓRDÃO N° : 303-30.621 RECORRENTE : SERRALHEIRA UNIÃO IND. E COM. LTDA. - ME RECORRIDA : DRJ/JUIZ DE FORAJMG RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO SERRALHERIA UNIÃO IND. E COM. LTDA. ME diz haver optado pelo REFIS e que a Receita Federal, com AD 239.917, determinou sua exclusão do SIMPLES em virtude de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN; havendo solicitado a revisão da vedação e juntado a CND dos sócios 41/ conforme da petição de 29/01/2001; a CND da empresa não foi anexada à SRS porque a PGFN não a emitiu embora o contribuinte tenha o direito de a receber positiva com efeitos de negativa na forma do art. 206 do MN devido sua opção pelo REFIS, em 30/03/2001. O pedido do SRS foi indeferido. Em julgamento de 26/11/2001, a Primeira Turma de Julgamento, na DRJ em Juiz de Fora-MG, decidiu manter a exclusão tendo em vista a documentação apresentada pelo interessado, pois faltavam documentos hábeis, inclusive a Certidão quanto á Dívida Ativa da União Positiva Com o Efeito de Negativa. É que o AD que comunica a exclusão fora emitido por pendências junto á Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em nome da pessoa jurídica da empresa. No seu recurso, a empresa diz que, como é optante do REFIS, todos os seus débitos inscritos na Dívida Ativa foram incluídos no pacelamento; mas, devido ser matéria nova, o acúmulo de trabalho e a complexidade, acredita que não foi possível a PGFN expedir a Certidão, com Efeito, Positivo. Na realidade, como a PGFN ainda não tinha feito na época a transferência de todos os débitos para a nova conta, logicamente constava no sistema os referidos débitos e assim não havia como conseguir a certidão negativa com efeito positivo, mesmo tendo-se empenhado a empresa em consegui-la. Pede seja declarada a improcedência da manutenção da exclusão do Simples. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.519 ACÓRDÃO N° : 303-30.621 VOTO O Ato Declaratório n° 239.917, através do qual foi feita a exclusão do SIMPLES, do que dão informação os documentos de fls. 25/27, não especifica com precisão o motivo da mesma exclusão do Sistema. De fato a indicação sumária a respeito de "pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN" não fornece ao contribuinte meios para que compreenda de pronto do que se trata, o que dificulta sua defesa. Por outro lado, este órgão de julgamento de Segunda Instância fica sem os dados informativos para formar um juízo sobre a questão que lhe cabe decidir. Voto, portanto, para declarar nulo o Ato Declaratório, para que outro, se for o caso, venha a ser emitido em boa e devida forma. Sala das sessões, em 19 de março de 2003 JOÃ t, I LA 'ACOSTA - Relator • 3 o .T.PUE 4to YR • •••• Cl) Fia. -c Z ••• , MINISTÉRIO DA FAZENDA o TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • MF 't I> TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10670.000354/2001-12 Recurso n° 124.519 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar • ciência do Acórdão n° 303.30.621. Brasília- DF 15 de abril 2003 Joã s da Costa Preside , te da Terceira Câmara Ciente em:
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Numero do processo: 10830.002674/92-11
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IMUNIDADE TRIBUTARIA - A imunidade tributária abrange os
impostos de importação e IPI vinculados.
Numero da decisão: CSRF/03.03.188
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada, e, no mérito por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda.
Nome do relator: Márcia Regina Machado Melaré
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela CASA DE SAÚDE DE CAMPINAS. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada, e, no mérito por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. • N PERE,- UES PRESIDENTE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATORA FORMALIZADO EM: 25 FE V 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. Processo n° : 10830.002674/92-11 Acórdão n° : CSRF/03.03.188 Recurso n° : RD1302-0.389 Recorrente : CASA DE SAÚDE DE CAMPINAS RELATÓRIO Contra o Acórdão proferido pela C. Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que • por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente, foi apresentado o presente Recurso Especial de Divergência, com fundamento no artigo 3, inciso II,do Decreto 83304/79. Aduz a recorrente que há de ser-lhe reconhecida a imunidade tributária, dispensando-a do pagamento do imposto sobre produtos industrializados - IPI. O V.Acórdão guerreado, por maioria de votos, entendeu de modo diverso, conforme sua ementa , ora transcrita : 'ISENÇÃO - IMUNIDADE 1- Reponde solidariamente com o contribuinte, no caso o importador, o cessinário de mercadoria importada com o benefício da isenção vinculada à qualidade do importador, podendo este ser eleito como sujeito passivo da obrigação principal, nos termos do art. 121 do CTN. 2- A imunidade constitucional é instituto limitado ao universo descrito no próprio texto constitucional que a contempla, não podendo, pois, estender-se a todo e qualquer tributo. 3- As ocorrências tributárias não alcançadas pela imunidade poderão ser objeto de benefício isencional, sempre que a lei assim o desejar. 4- As isenções instituídas alcançando pessoas imunes não são normas inócuas ou repetitivas de tratamento tributário preexistente. 5- A inexistência de um contrato formal garante, por si só, a ocorrência da cessão de uso a terceiro, de bem importado com isenção vinculada à qualidade do importador. 6- Recurso parcialmente provido, para exclusão da penalidade capitulada no art. 364, II, do RIPI, e da TRD incidente no período de fevereiro a junho de 1991." Preenchidos os requisitos legais, foi determinado o processamento do recurso especial de divergência. Em contra-razões, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional aduziu preliminar de impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial, por falta Processo n° :10830.002674/92-11 Acórdão n° : CSRF/03.03.188 Contra o Acórdão proferido pela C. Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente, foi apresentado o presente Recurso Especial de Divergência, com fundamento no artigo 3, inciso II, do Decreto 83304/79 Aduz a recorrente que há de ser-lhe reconhecida a imunidade tributária, dispensando-a do pagamento do imposto sobre produtos industrializados - I PI. O V.Acórdão guerreado, por maioria de votos, entendeu de modo diverso, conforme sua ementa, ora transcrita : 'ISENÇÃO - IMUNIDADE 1- Reponde solidariamente com o contribuinte, no caso o importador, o cessinário de mercadoria importada com o benefício da isenção vinculada à qualidade do importador, podendo este ser eleito como sujeito passivo da obrigação principal, nos termos do art. 121 do CTN. 2- A imunidade constitucional é instituto limitado ao universo descrito no próprio texto constitucional que a contempla, não podendo, pois, estender-se a todo e qualquer tributo. 3- As ocorrências tributárias não alcançadas pela imunidade poderão ser objeto de benefício isencional, sempre que a lei assim o desejar. 4- As isenções instituídas alcançando pessoas imunes não são normas inócuas ou repetitivas de tratamento tributário preexistente. 5- A inexistência de um contrato formal garante, por si só, a ocorrência da cessão de uso a terceiro, de bem importado com isenção vinculada à qualidade do importador. 6- Recurso parcialmente provido, para exclusão da penalidade capitulada no art. 364, II, do RIPI, e da TRD incidente no período de fevereiro a junho de 1991." Preenchidos os requisitos legais, foi determinado o processamento do recurso especial de divergência. Em contra-razões, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional aduziu preliminar de impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial, por falta Processo n° : 10830.002674/92-11 Acórdão n° : CSRF/03.03.188 de configuaração da divergência. No mérito, sustentou a correção do Acórdão recorrido e propugnou pela sua manutenção. É o relatório , • Processo n° :10830.002674/92-11 Acórdão n° : CSRF/03.03.188 VOTO CONSELHEIRA RELATORA MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Da Preliminar Rejeito a preliminar de mérito arguida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de falta de configuração da divergência, pois entendo que o Acórdão paradigma apresentado trata de matéria enfocada no Recurso Especial, qual seja : da abrangência do instituto da imunidade tributária sobre os impostos de importação e ipi vinculados. Efetivamente que o caso diz respeito a entidade de assistência social e o paradigma a entidade fundacional. Entretanto, o âmago da questão a ser debatida está fincado em outro ponto, já ressaltado, relativa à abrangência da imunidade tributária. NO MÉRITO Dispõe o artigo 150, inciso VI, letra "c", da Constituição Federal: " art 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios: VI- instituir impostos sobre: c)- património, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da ler A recorrente, pelo que consta dos autos, atende aos requisitos da lei, no que concerne à sua qualidade de entidade de assistência social e filantrópica, sem fins lucrativos. ij r Processo n° :10830.002674192-11 Acórdão n° : CSRF/03.03.188 Consta de seus Estatutos Sociais : • art. /° : A CASA DE SAÚDE CAMPINAS, assim denominada em homenagem à cidade de Campinas, é uma Sociedade Civil Beneficente, declarada de utilidade pública - Decreto Federal n. 63.557, de 06 de novembro de 1968 - lei Estadual n. 4523 de 31 de dezembro de 1967 e Lei Municipal n. 1973 de 24 de dezembro de 1958, com duração por tempo indeterminado e se constitui de número ilimitado de sócios." 'ti. 2° São objetivos da Sociedade: a)- prestação de assistência médica, hospitalar e farmacêutica a seus associados; b)- c)-prática de atos de filantropia. Disposto está, ainda, no parágrafo único do artigo 7° deste mesmo Estatuto que a Sociedade, não remunerará seus diretores e nem distribuirá qualquer parcela de seu património ou de suas rendas, a qualquer título. É , assim, a recorrente , "data maxima venia", típica entidade de finalidade assistencial de saúde, nos moldes preconizados no Texto Constitucional que goza, portanto, da IMUNIDADE TRIBUTARIA, sem qualquer restrição. " A imunidade insere-se nas vedações constitucionais à competência tributária e conceitua-se, na lapidar lição de Amficer de Araújo Falcão ( Fato Gerador da Obrigação Tributária, 2.ed., São Paulo, Revista dos Tribunais), como sendo 'uma forma qualificada ou especial de não incidência, por supressão, na Constituição, da competência impositiva ou do poder de tributar, quando se configuram certos pressupostos, situações ou circunstâncias previstas pelo estatuto supremo" (p. 239- Imunidade e Isenção - Prof. Edgard Neves da Silva - Curso de Direito Tributário, edições CEJUP, vo.1) Deste modo, não há que se impor às importações por ela realizadas de equipamentos que integrarão seu património, as regras pertinentes às isenções tributárias, posto que não lhe dizem respeito. A recorrente é garantida a IMUNIDADE TRIBUTÁRIA, inclusive no que diz respeito aos Impostos Aduaneiros (Imposto de Importação e I.P.I. vinculado) . . Processo n° : 10830.002674/92-11 Acórdão n° : CSRF/03.03.188 Assim sendo, a importação por ela realizada está acobertada pela IMUNIDADE, não se lhe aplicando as regras relativas às isenções tributárias, especialmente aquelas que tratam da cessão do uso de bens. De se ressaltar que a recente Lei n. 9.532/97, a despeito de "regular ( sic) as condições para o exercício da imunidade tributária, veio a fixar novos requisitos para o gozo desta, além daqueles já previstos no artigo 14 do Código Tributário Nacional. Tal norma legal, contudo, está eivada de inconstitucionalidade, tanto que já é objeto de ação direta de inconstitucionalidade ( ADIN n. 1802-3), com liminar concedida, em parte, para suspender a vigência do § 1° e alínea "f' do § 2°, ambos do artigo 12, do art. 13, "caput" e do art. 14. Por fim, com pertinência à abrangência da imunidade tributária aos impostos decorrentes do Comércio Exterior ( Impostos Aduaneiros), é de bom alvitre ressaltar que de há muito foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal que a imunidade tributária abrange, também, tais impostos. "Imposto de Importação. Bem pertencente a património de entidade de assistência social, beneficiada pela imunidade prevista na Constituição Federal.Não incidência do tributo. Recurso extraordinário não conhecido" ( STF n. 87913, DJ 29.12.77' "Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. Importação de Equipamento Hospitalar destinado ao uso dessa instituição de assistência social. Imunidade tributária. Recurso extraordinário conhecido e provido, para deferir o mandado de segurança." ( STF 92423 - DJ 16.5.80) "Imposto de Importação. Imunidade. A imunidade a que se refere a letra c do inciso III do artigo 19 da Emenda Constitucional n. 1/69 abrange o imposto de importação, quando o bem importado pertencer a entidade de assistência social que faça jus ao benefício por observar os requisitos do artigo 14 do CTN." ( RTJ 92/321 - STF 89.173) r te . , Processo n° :10830.002674(92-li Acórdão n° : CSRF/03.03.188 " Imunidade tributária das instituições de assistência social ( Constituição, art. 19, III, letra c). Não há razão jurídica para dela se excluírem os impostos de importação e o imposto sobre produtos industrializados, pois a tanto não leva o significado da palavra" patrimônio', empregada pela norma constitucional. Segurança restabelecida. Recurso extraordinário conhecido e provido." ( RTJ 90/263 - STF 88.671) " Constitucional. Tributário. Instituição de assistência social. Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados. Importação de produtos destinados à consecução dos fins institucionais. Imunidade. CF, art. 150, VI, c- A instituição de assistência social que atende os requisitos previstos no artigo 14 do Código Tributário Nacional goza da imunidade prevista no artigo 150, VI, c, da Constituição Federal, na importação de bens importados para consecução de suas finalidades essenciais - Precedentes do Supremo Tribunal Federal - Remessa oficial improvida (TRD- 3a. Região, REO em MS 752-SP, DJU 10.09.97) Veja-se, ainda, a ementa a seguir transcrita, proferida nos autos do MANDADO DE SEGURANÇA n. 98.142-SP, registrado sob n. 2294206, julgado em 21.09.83 e publicado no D.J. de 20.10.83, do extinto Tribunal Federal de Recursos: "Tributário. Imunidade - Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados - Instituição de educação e assistência social. - Imunidade do art. 19, item III, letra "c", da Constituição Federal. Preenchimento dos requisitos exigidos no art. 14 do Código Tributário Nacional. - Nessa imunidade estão abrangidos os impostos de importação e sobre produtos industrializados. Precedentes do STF. Sentença confirmada . Apelação improvida. " - Importante, ainda , transcrever parte do voto do Ministro CARLOS VELLOSO, proferido no Recurso Extraordinário n. 203.755-9-ES, julgado em 17.09.96: " Como o ICMS, tal qual o IR e o 10F, são classificados, no CTN, como impostos sobre a produção e a circulação ( CTN, Título III, Capitulo IV, &fs. 46 e segs.), costuma-se afirmar J. • Processo n° :10830.002674/92-11 Acórdão n° CSRF/03.03.188 que não estão eles abrangidos pela imunidade do art 154 IV, "C, da Constituição. A objeção, entretanto, não é procedente. É que tudo reside no perquirir se o bem adquirido, no comércio interno ou externo, é do património da entidade coberta pela imunidade. Se isto ocorrer, a imunidade tributária tem aplicação, às inteiras. Assim decidiu o Supremo Tribunal no RE 87.913-SP, Relator o Sr.Minisfro Rodrigues Alckmim, ao não acolher a tese sustentada pela União, de que as imunidades em apreço não abrangeriam o imposto de importação. O Supremo Tribunal reconheceu, então, à Senta Casa de Misericórdia de Birigui, a imunidade do imposto do bem por este importado. ...omissis O acórdão invoca Baleeiro, citado no RE 87.913, a lecionar que a imunidade deve abranger os impostos que, por seus efeitos económicos, segundo as circunstâncias, desfalcariam o patrimônio, diminuiriam a eficácia dos serviços ou a integral aplicação das rendas aos objetivos específicos daquelas entidades presumidamente desinteressadas, por sua própria natureza." Acrescentou o Relator, Ministro Moreira Alves, em seguida, que não há , pois, que aplicar critérios de classificação de impostos adotados pelas leis inferiores à Constituição, para restringir a finalidade a que esta visa com a concessão da imunidade. y RTJ 931234) Desta forma, preenchendo a recorrente os requisitos constitucionais e legais que lhe conferem imunidade tributária, os impostos de importação e sobre produto industrializado vinculado são inexigíveis, conforme inúmeros precedentes jurisprudenciais transcritos. Voto, assim, pelo conhecimento e provimento do recurso especial. Sala das Sessões - DF, em 20 de agosto de 2.001 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10215.720627/2009-65
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Numero do processo: 10215.000609/90-19
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS FATURAMENTO - ERRO DE FATO - Uma vez constatada a
existência de erro material no julgamento, a sua correção constitui
imperativo para a boa aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 102-30.417
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular o acórdão N° 102-29.754 e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Julio Cesar Gomes da Silva
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Numero do processo: 11516.006735/2007-38
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.661
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CONSULTORIA E ASSESSORIA EM PREVIDÊNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 67 35 /2 00 7- 38 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11516.006735/200738 Acórdão n.º 2803002.661 S2TE03 Fl. 3 2 considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11516.006735/200738 Acórdão n.º 2803002.661 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 18 de julho de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. As arguições de inconstitucionalidade constituemse em matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste processo administrativo fiscal, sendo de exclusiva competência do Poder Judiciário. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A requerente foi regularmente notificada por não recolher contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, apuradas sobre o valor das notas fiscais de Cooperativas de Trabalho, a qual gerou a Notificação Fiscal nº 37.001.1740. No período fiscalizado (março a dezembro de 2006) a requerente tomou serviços de cooperativa médica – UNIMED – sem que houvesse o recolhimento da contribuição previdenciária estabelecida no art. 22, IV da lei nº 8.212/91. Padece do vício de inconstitucionalidade, formal e material, o inciso IV do artigo 22 da lei nº 8.212/91, introduzido na legislação previdenciária pela Lei nº 9.876/99. Diante do exposto requer a reforma do julgado para cancelar a dívida apontada. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11516.006735/200738 Acórdão n.º 2803002.661 S2TE03 Fl. 5 4 Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11516.006735/200738 Acórdão n.º 2803002.661 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, constatouse que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11516.006735/200738 Acórdão n.º 2803002.661 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11516.006735/200738 Acórdão n.º 2803002.661 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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