Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16327.002222/2003-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.002222/2003-75
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5394837
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.156
nome_arquivo_s : Decisao_16327002222200375.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
nome_arquivo_pdf_s : 16327002222200375_5394837.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5693043
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254866067456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1.345 1 1.344 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002222/200375 Recurso nº De Ofício Resolução nº 1103000.156 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2014 Assunto Conversão em diligência Recorrente Fazenda Nacional Interessado Cabot Brasil Indústria e Comércio Ltda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. RELATÓRIO LANÇAMENTO O processo tem origem em dois autos de infração lavrados em 07/07/2002 para a exigência de débitos de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas de assistência técnica consideradas dedutíveis pela recorrida na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 02 22 2/ 20 03 -7 5 Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002222/200375 Resolução nº 1103000.156 S1C1T3 Fl. 1.346 2 Em suma, entendeu a autoridade fiscal que as despesas lançadas pela recorrida a título de assistência técnica estão em desacordo com o art. 354 do RIR/99 (antigo artigo 292 do RIR/94) porque (i) nos três primeiros trimestres do ano de 1998 a empresa sequer enviou as remessas declaradas e (ii) nos anos seguintes houve dedução de despesas que excederam ao valor estipulado no contrato de fornecimento de tecnologia, que em sua cláusula 5 fixa a remuneração em 4% do preço líquido de venda dos produtos. Também foi constatada pela autoridade autuante a insuficiência de recolhimento da CIDE (art. 2º, §4º da Lei nº 10.168/00) e aplicada multa de ofício isolada com fundamento no art. 357, I do RIR/99 porque antes do início da fiscalização a empresa efetuou espontaneamente o recolhimento da CIDE devida e não paga, mas não incluiu a multa de mora no pagamento. O respectivo crédito tributário, porém, não foi exigido nestes autos. IMPUGNAÇÃO Em 05/08/2003 a recorrida apresentou impugnação alegando: (i) Quanto à suposta falta de pagamento da assistência técnica nos três primeiros trimestres de 1998: - Foi lavrada autuação anterior na qual foram glosadas as despesas de assistência técnica relativas ao ano de 1997 também em razão da suposta falta de pagamento; - Ocorre que em 1997, assim como nos três primeiros trimestres de 1998, o pagamento foi feito por meio de encontro de contas, mediante compensação de débitos e créditos recíprocos, tendo a recorrida realizado a devida retenção do IRRF sobre o valor compensado, conforme documentos anexados aos autos; e - A autuação fiscal relativa ao ano de 1997 foi julgada totalmente improcedente pela 1ª Turma da DRJ Campinas (processo administrativo fiscal nº 16327.003301/200212); (ii) Quanto ao excesso de pagamento de assistência técnica no 4º trimestre de 1998, de 1999 a 2001 e nos três primeiros trimestres de 2002: - Não houve excesso de pagamento, pois a diferença constatada pela autoridade fiscal corresponde a mera variação cambial do valor devido, pois o pagamento ocorreu após o prazo estabelecido no contrato, de modo que, em alguns casos, foi necessário comprar mais moeda; - A variação cambial do rendimento de nãoresidente nada acrescenta ao rendimento, mas apenas mantém a respectiva cifra atualizada em termos de poder aquisitivo; - A variação cambial de obrigações contraídas em moeda estrangeira opera exatamente como a correção monetária de obrigações contraídas em moeda nacional; - Tendo natureza acessória, a variação cambial deve ser tratada como se trata o principal, ao qual indissociavelmente se liga (o acessório segue o principal). Se o principal é dedutível na apuração do lucro real, a variação também o será; e Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002222/200375 Resolução nº 1103000.156 S1C1T3 Fl. 1.347 3 - A variação cambial foi somada ao valor do rendimento de nãoresidente para fins de apuração do IRRF recolhido pela recorrida aos cofres públicos; e - Ainda assim, a recorrida adicionou a variação cambial na determinação do lucro real, conforme páginas dos Lalur e das DIPJ anexadas à Impugnação. (iii) Especificamente quanto à CSLL, embora os argumentos acima mencionados sejam suficientes para o cancelamento do respectivo Auto de Infração, a improcedência também decorre do fato de que o auditor fiscal apenas utilizou como fundamento dispositivos legais relativos à apuração do Imposto sobre a Renda, não tendo mencionado normas específicas da legislação de regência da CSLL como fundamento para a glosa das despesas de assistência técnica; e (iv) Ao final, arguiu a impossibilidade de aplicação da taxa Selic aos tributos exigidos nos autos de infração, devendo incidir, no máximo, juros de mora de 1% ao mês, conforme previsto no art. 161, §1º do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO DA DRJ Em 19 de novembro de 2007 foi proferido o acórdão de fls. 13151330, por meio do qual os membros da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – São Paulo decidiram, por unanimidade de votos, considerar improcedente o lançamento. De acordo com o referido acórdão: (i) Quanto à suposta falta de pagamento da assistência técnica nos três primeiros trimestres de 1998: - Não houve por parte da fiscalização qualquer questionamento quanto à efetividade ou não dos serviços e concluise que a glosa dos valores relativos aos 1º, 2º e 3º trimestres de 1998 deuse unicamente pela falta de remessas; - Para verificar se os valores deduzidos como despesas nos três primeiros trimestres de 1998 correspondem a valores pagos por meio de encontro de contas, foi elaborado o demonstrativo considerando os valores apontados pela fiscalização às fls. 1105 e os valores recolhidos conforme DARF acostados aos autos pela recorrida; - A defesa traz a peça de fls. 1237, denominada conta 1160.2140.1141 – Cabot Fee a Pagar, cujos registros podem ser confrontados com o Diário (fls. 12381255) e o Razão Contábil (fls. 12561268) e verificase que os valores devidos (valor líquido mais IRRF) foram escriturados a crédito da referida conta e o valor dos IRRF foi lançado a débito. A interessada efetuou nessa conta registros a débitos, a título de recuperação de despesas, apresentando saldo a seu favor ao final dos meses de janeiro a setembro/98; - Quanto à informação apresentada pela recorrida de que esse mesmo questionamento da fiscalização quanto à falta de remessas foi objeto de autuação abrangendo o ano calendário de 1997 (processo nº 16327.003301/200212), tendo sido o lançamento julgado improcedente em 1ª instância, verificouse que a segunda instância manteve o Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002222/200375 Resolução nº 1103000.156 S1C1T3 Fl. 1.348 4 acórdão da DRJ por unanimidade de votos, conforme o acórdão nº 10808099, assim ementado: IRPJ DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA FORNECIMENTO DO EXTERIOR COMPROVAÇÃO PAGAMENTO Há de ser aceita a despesa de assistência técnica proveniente do exterior quando se comprova a efetividade do serviço mediante implementação de diversos programas de controles e treinamentos de pessoal, todos para a operação da empresa no Brasil. O mero fato de a liquidação do preço da assistência técnica ocorrer pelo encontro de contas com débitos que o prestador tem com o tomador do serviço de assistência técnica, decorrentes de outras relações comerciais, não interfere na existência da prestação do serviço, ainda mais quando o IRFonte sobre a totalidade do valor do serviço de assistência técnica é recolhido. Recurso de ofício negado. (Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Relator Conselheiro José Henrique Longo, sessão de 1º de dezembro de 2004) - Por tais razões, deve ser cancelada a exigência no que tange aos débitos de IRPJ e CSLL correspondentes aos três primeiros trimestres de 1998; (ii) Quanto ao excesso de pagamento de assistência técnica no 4º trimestre de 1998, de 1999 a 2001 e nos 3 primeiros trimestres de 2002: - No que tange à dedutibilidade das despesas com royalties e assistência técnica, deve ser observado o limite do art. 355 do RIR/99, fixado em 5% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido: Art. 355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei n º 3.470, de 1958, art. 74, e Lei n º 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei n º1.730, de 1979, art. 6º). - Esse limite, porém, não foi analisado pela autoridade fiscal, que considerou apenas os valores líquidos da DIPJ e apurou excesso de remessa de royalties sem adentrar no mérito da cláusula contratual de conversão pela moeda americana, embora no curso da ação fiscal tenham sido apresentados relatórios/documentos que permitissem tal verificação. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002222/200375 Resolução nº 1103000.156 S1C1T3 Fl. 1.349 5 - A recorrida alega que a variação cambial foi considerada adição na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme documentos acostados aos autos, dos quais foram extraídas as seguintes informações pelo julgador de primeira instância: - O julgador de primeira instância verificou, ainda, que os royalties relativos ao 4º trimestre de 1998 foram remetidos em 30/03/1999, conforme aponta a fiscalização às fls. 1105, de modo que tal excesso não poderia ser autuado como sendo relativo ao quarto trimestre de 1998, razão pela qual há erro quanto ao fato gerador. O mesmo se verifica quanto ao fato gerador de dezembro de 2000, cuja remessa ocorreu em 30/01/2001 (fls. 1106) e aos trimestres de 2002 (fls. 1107), a saber: março/2002 (remessa em abril/2002), junho/2002 (remessa em julho/2002), agosto e setembro/2002 (remessa em novembro/2002); e (iii) Especificamente quanto à CSLL, concluiu o julgador de primeira instância que a respectiva autuação fiscal também deve ser cancelada, pois, como analisado quanto ao IRPJ, (iii.1) os valores apontados pela autuação no item falta de remessas foram considerados indevidos em razão do encontro de contras entre devedora e credora e (iii.2) no que tange aos valores apontados no item excesso de remessas, a matéria não foi corretamente apurada pelo auditor fiscal, uma vez que deixou de considerar em seus cálculos a cláusula contratual de conversão pela moeda americana. Desse acórdão foi interposto recurso de ofício nos termos art. 34 do Decreto nº 70.235/72 (fls. 1316). É o relatório. VOTO Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002222/200375 Resolução nº 1103000.156 S1C1T3 Fl. 1.350 6 Conforme relatado, os autos de infração de IRPJ e CSLL foram lavrados em decorrência da glosa de despesas de assistência técnica (royalties) pagas pela recorrida a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Em relação aos três primeiros trimestres do ano de 1998, a autoridade fiscal entendeu que não houve efetiva remessa dos valores devidos a título de royalties e que, portanto, os respectivos valores seriam indedutíveis. A recorrida, por sua vez, alega que tais valores foram pagos mediante compensação com créditos por ela detidos contra a prestadora da assistência técnica (Cabot Corporation, domiciliada em Delaware, Estados Unidos), argumento esse que foi acolhido pela DRJ. A Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, ao julgar recurso de ofício nos autos do processo nº 16327.003301/200212, também originado por autuação fiscal lavrada contra Cabot do Brasil para a glosa de despesas de assistência técnica pagas à Cabot USA com fundamento no mesmo contrato de fornecimento de tecnologia analisado nos presentes autos, entendeu, por unanimidade de votos, que os elementos levados àqueles autos durante o procedimento de fiscalização permitem concluir pela efetividade dos serviços e que quanto ao pagamento, o contribuinte trouxe demonstrativo sobre o encontro de contas entre as partes contratantes que também não foi dissecado pelo agente fiscal sendo suficiente para ele a divergência do modo de liquidação da obrigação frente à previsão contratual. Ora, a compensação entre crédito e débito entre duas pessoas tem previsão no Código Civil e é reconhecida como uma forma de cumprimento da obrigação. Apegarse de modo irracional à literalidade do contrato (de que o pagamento dos serviços será por remessas em dólares norteamericanos) é querer ser mais realista que o rei. Numa relação em que se envolve transferência de tecnologia, não seria esdrúxula a situação de pagamentos recíprocos internacionais, com custo financeiro do tempo e dos fees cobrados pelos Bancos? Enfim, o fato de ter havido compensação não corresponde a ausência de pagamento dos serviços de assistência técnica prestados. Pagamento houve; apenas não foi em “remessa de dólares”. Para arrematar, as guias de IRFonte relativo à liquidação da obrigação (ainda que diretamente por compensação) foram juntadas aos autos. Assim, não havendo reparo a fazer na decisão a quo, nego provimento ao recurso de ofício. (Acórdão nº 10808.099, Cons. Rel. José Henrique Longo, sessão de 1º de dezembro de 2004). Ocorre que, nos presentes autos, apesar da verossimilhança das alegações, a contribuinte não apresentou documentos ou informações que demonstrem a forma como foi realizado o encontro de contas entre os royalties devidos à empresa estrangeira e valores devidos pela empresa estrangeira à brasileira. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002222/200375 Resolução nº 1103000.156 S1C1T3 Fl. 1.351 7 Desse modo, e em homenagem ao princípio da verdade material, entendo pertinente converter o julgamento em diligência para que a contribuinte seja intimada a demonstrar como ocorreu o referido encontro de contas. Conclusão Em face das razões acima expostas, voto por converter o julgamento em diligência, para intimar a contribuinte a demonstrar como procedeu à compensação dos créditos por ela detidos contra a Cabot Corporation com os valores devidos à Cabot Corporation a título de royalties. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000556/2008-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2003
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPLEMENTAÇÃO DE VALOR. VENDA E ENTREGA NA CUMULATIVIDADE.
As mercadorias comercializadas e entregues durante o período da cumulatividade da contribuição não geram crédito caso haja complementação de valor já no período da não cumulatividade.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LISTA DE PRODUTOS.
Os insumos adquiridos de pessoas físicas, para gerarem o crédito presumido de que trata o § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 devem ser destinados à fabricação de produtos finais ali relacionados.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO.
Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda.
Numero da decisão: 3403-003.305
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti quanto à inclusão do ICMS no valor do estoque de abertura.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPLEMENTAÇÃO DE VALOR. VENDA E ENTREGA NA CUMULATIVIDADE. As mercadorias comercializadas e entregues durante o período da cumulatividade da contribuição não geram crédito caso haja complementação de valor já no período da não cumulatividade. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LISTA DE PRODUTOS. Os insumos adquiridos de pessoas físicas, para gerarem o crédito presumido de que trata o § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 devem ser destinados à fabricação de produtos finais ali relacionados. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.000556/2008-26
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395031
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.305
nome_arquivo_s : Decisao_13971000556200826.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13971000556200826_5395031.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti quanto à inclusão do ICMS no valor do estoque de abertura. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5694101
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254882844672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 724 1 723 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000556/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.305 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria AIPISINSUMOS Recorrente BUNGE ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPLEMENTAÇÃO DE VALOR. VENDA E ENTREGA NA CUMULATIVIDADE. As mercadorias comercializadas e entregues durante o período da cumulatividade da contribuição não geram crédito caso haja complementação de valor já no período da não cumulatividade. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LISTA DE PRODUTOS. Os insumos adquiridos de pessoas físicas, para gerarem o crédito presumido de que trata o § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 devem ser destinados à fabricação de produtos finais ali relacionados. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 05 56 /2 00 8- 26 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti quanto à inclusão do ICMS no valor do estoque de abertura. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração (fls. 501 a 506)1, lavrado em 25/02/2008 (com ciência em 26/02/2008 fl. 502) para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, no total de R$ 1.055.457,29 (a título de principal). No Termo de Verificação da Infração (fls. 507 a 529), narrase que a autuação decorre de Termo de Constatação relativo à análise do processo no 13971.000995/200324 (referente a DCOMP apresentada em 16/04/2003). A análise efetuada em relação ao primeiro trimestre de 2003 acabou restrita aos meses de janeiro e fevereiro (pois em março foi homologada a compensação do débito constante da DCOMP até o limite do crédito reconhecido). Por fim, são detalhadas as glosas efetuadas. Por razões didáticas, o detalhamento das glosas será feito, neste relatório, em conjunto com as argumentações em sede de impugnação, a seguir. A empresa apresenta sua impugnação em 26/03/2008 (fls. 536 a 574), argumentando que: (a) se dedica à industrialização e comercialização de produtos derivados de soja, trigo e milho, entre outros; (b) o presente processo é reflexivo do processo no 13971.000995/200324, pelo que requer a apensação e o julgamento em conjunto; e (c) ocorreu decadência, pois a ciência do auto se deu em 26/02/2008, o que extrapola em mais de cinco anos a ocorrência do fato gerador, aplicandose o art. 150, § 4o do CTN, pois não houve pagamento antecipado. No que se refere às glosas em espécie, acorda com algumas (informando que efetuará o recolhimento correspondente, acrescido de multa de ofício reduzida proporcionalmente e de juros de mora) e questiona outras, de acordo com o quadro seguinte: Glosa Efetuada/Fundamentos Razões de defesa 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 725DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 725 3 LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 510/511) Glosa 1 aquisições com fim específico de exportação: a fiscalizada foi intimada a se manifestar quanto à tomada de créditos na aquisição de bens com fim específico de exportação, apresentando notas fiscais nas quais comprova a não ocorrência de operações com tal fim específico, à exceção de duas notas fiscais (7308 e 8295). Como não houve efetiva incidência da contribuição, não há direito ao crédito. LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 542/543) Glosa 1 aquisições com fim específico de exportação: as duas notas (7308 e 8295) se referem a aquisição de soja/milho no mercado interno sem o fim de exportação, e não há razão para não deferir o crédito, não obstante a mercadoria tenha sido posteriormente exportada, pois o direito de crédito não é afetado na hipótese. LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 512/515) Glosa 1 aquisições com fim específico de exportação: a fiscalizada foi intimada a se manifestar quanto à tomada de créditos na aquisição de bens com fim específico de exportação, apresentando notas fiscais nas quais comprova a não ocorrência de operações com tal fim específico em alguns casos. Nos demais, como não houve efetiva incidência da contribuição, não há direito ao crédito. Glosa 2 complementos de valor: foram constatados créditos em notas fiscais de complementos de valor (após a tradição das mercadorias, e sem movimentação física) referentes a remessas ocorridas no regime da cumulatividade. Pela legislação das contribuições, tais complementos constituem receitas, e não geram novos créditos na nãocumulatividade, sendo devida glosa proporcional entre as remessas na cumulatividade e as complementações na não cumulatividade. Glosa 3 falta de comprovação: em relação à operação indicada. LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 543/554) Glosa 1 aquisições com fim específico de exportação: as notas fiscais selecionadas também se referem a aquisição de soja/milho no mercado interno sem o fim de exportação, e não há razão para não deferir o crédito, não obstante a mercadoria tenha sido posteriormente exportada. Glosa 2 complementos de valor: a comercialização de produtos agrícolas apresenta peculiaridades. Havendo oscilações de preço, criase um mercado futuro, no qual os grãos são negociados com base em expectativas de preço. Assim, não obstante a entrega, o preço definitivo pode ser fixado em momento futuro, demandando ajuste. E a complementação do preço está vinculada à aquisição (pois não se está a tratar de venda parcelada), não havendo base legal para a interpretação dada na autuação. Glosa 3 falta de comprovação: glosa acatada. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 516/519) Glosa 1 falta de informação da finalidade da operação: a fiscalizada foi intimada a se manifestar quanto à falta de informação de CFOP dos produtos transportados, deixando de responder em relação a alguns. Glosa 2 finalidade de “uso ou consumo”: falta de previsão legal para creditamento em relação a fretes na compra/transferência de materiais para uso ou consumo. Glosa 3 código CFOP inválido: conforme lista. Glosa 4 operações de venda: falta de previsão legal. Glosa 5 frete no envio/retorno para conserto ou reparo: falta de previsão legal. Glosa 6 frete na compra/transferência de imobilizado: falta de previsão legal. Glosa 7 outras operações sem previsão legal para tomada de crédito: listadas em demonstrativo. LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 554/555) Glosa 1 falta de informação da finalidade da operação: glosa acatada. Glosa 2 finalidade de “uso ou consumo”: glosa acatada. Glosa 3 código CFOP inválido: glosa acatada. Glosa 4 operações de venda: glosa acatada. Glosa 5 frete no envio/retorno para conserto ou reparo: glosa acatada. Glosa 6 frete na compra/transferência de imobilizado: glosa acatada. Glosa 7 outras operações sem previsão legal para tomada de crédito: glosa acatada. LINHA 09 Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (fl. 520) Glosa 1 deficiência na comprovação: falta de apresentação de fichas de controle individuais não permite identificar se foi descontado ICMS incidente, se houve depreciação acelerada ou incentivada, bens usados, bens adquiridos de pessoas físicas, ou construídos pela empresa. LINHA 09 Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (fls. 556/557) Glosa 1 deficiência na comprovação: os bens foram adquiridos há muito tempo, quando não havia controle eletrônico. No entanto, ficou comprovado que os bens estão agrupados em contas distintas segundo sua natureza e taxas anuais de depreciação ou amortização. LINHA 10 Encargos de amortização de edificações e benfeitorias em imóvel de 3os (fls. 520/521) Glosa 1 falta de comprovação: falta de apresentação de fichas de controle individuais não permite identificar data de aquisição, se houve aquisição de pessoas físicas, ou se os bens foram gerados/construídos pela empresa. LINHA 10 Encargos de amortização de edificações e benfeitorias em imóvel de 3os (fl. 557) Glosa 1 falta de comprovação: os bens foram adquiridos há muito tempo, quando não havia controle eletrônico. No entanto, ficou comprovado que os bens estão agrupados em contas distintas segundo sua natureza e taxas anuais de depreciação ou amortização. LINHA 11 Devolução de vendas sujeitas à alíquota de 1,65% (fl. 521) Glosa 1 falta de comprovação das vendas: para as notas fiscais de devolução indicadas, considerouse a tomada de crédito na alíquota de 0,65% (cumulatividade), glosandose o valor apurado à alíquota de 1%. LINHA 11 Devolução de vendas sujeitas à alíquota de 1,65% (fl. 557) Glosa 1 falta de comprovação das vendas: glosa acatada. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 726 5 LINHA 16 Bens adquiridos de pessoa física agroindústria (fls. 521/524) Glosa 1 complementos de valor: referentes a remessas ocorridas no regime da cumulatividade (sob os mesmos fundamentos da Glosa 2 da LINHA 02). Glosa 2 estorno de insumos adquiridos de pessoas físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3o, § 10: a produção de bens que não são destinados a venda, mas a utilização como insumos para outros processos produtivos da empresa, não está contemplada no inciso II do caput do art. 3o. Glosa 3 falta de comprovação: de operações em janeiro e em fevereiro. Glosa 4 registros em duplicidade: para as duas notas fiscais identificadas. LINHA 16 Bens adquiridos de pessoa física agroindústria (fls. 557/568) Glosa 1 complementos de valor: argumentação idêntica à da Glosa 2 da LINHA 02. Glosa 2 estorno de insumos adquiridos de pessoas físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3o, § 10: a produção de bens que não são destinados a venda sempre impactará em produto destinado a venda (em anexo, apresentamse os percentuais de soja e trigo em cada produto fabricado), sendo incabível a interpretação restritiva dada pelo fisco. Glosa 3 falta de comprovação: glosa acatada. Glosa 4 registros em duplicidade: glosa acatada. LINHA 17 Serviços prestados por pessoas físicas agroindústria (fls. 524/526) Glosa 1 falta de informação da finalidade da operação: a fiscalizada foi intimada a se manifestar quanto à falta de informação de CFOP dos produtos transportados, deixando de responder em relação a alguns. Glosa 2 finalidade de “uso ou consumo”: falta de previsão legal para creditamento em relação a fretes na compra/transferência de materiais para uso ou consumo. Glosa 3 operações de venda: falta de previsão legal. Glosa 4 outras operações sem previsão legal para tomada de crédito: listadas em demonstrativo. Glosa 5 frete (transportador pessoa física) na compra para comercialização: falta de previsão legal. LINHA 17 Serviços prestados por pessoas físicas agroindústria (fls. 568/569) Glosa 1 falta de informação da finalidade da operação: glosa acatada. Glosa 2 finalidade de “uso ou consumo”: glosa acatada. Glosa 3 operações de venda: glosa acatada. Glosa 4 outras operações sem previsão legal para tomada de crédito: glosa acatada. Glosa 5 frete (transportador pessoa física) na compra para comercialização: glosa acatada. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 LINHA 20 Crédito presumido relativo a estoque de abertura (fls. 526/529) Glosa 1 ICMS: o imposto não compõe o valor do estoque. Glosa 2 diferimento: utilização de crédito em janeiro de 2003 e ICMS contido no estoque de abertura dos produtos acabados e em elaboração, sem fundamento legal. Glosa 3 falta de informação dos documentos das aquisições: não houve informação dos documentos de aquisições relativos a devoluções de compras (cumulatividade 1,65%), aplicandose a glosa sobre a diferença de 1%. LINHA 20 Crédito presumido relativo a estoque de abertura (fls. 569/573) Glosa 1 ICMS: o “Ajuda” do DACON 1.1 traz orientação de que o ICMS integra o valor dos bens, exceto quando cobrado na condição de substituto tributário. Assim, integrará o valor do estoque, não havendo disposição legal em sentido contrário. Glosa 2 diferimento: “não procede a glosa”. Glosa 3 falta de informação dos documentos das aquisições: “reverter ajustes em função da defesa”. Em 18/05/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 592 a 618), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) o ônus da prova incumbe ao postulante do crédito, que não o exerceu a contento (na Glosa 1 da LINHA 01, na Glosa 1 da LINHA 02, Glosa 1 da LINHA 09, Glosa 1 da LINHA 10); (b) o conceito de insumo é o firmado pelas Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2004; (c) o presente processo tem existência distinta do processo no 13971.000995/2003 24; (d) o prazo decadencial das contribuições foi pacificado na Súmula Vinculante no 8, do STF, que estabeleceu que não tendo havido pagamento (como no caso em análise), aplicase a regra do art. 173, I do CTN; (e) os créditos presumidos do § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (Glosa 2 da LINHA 16) aplicamse somente a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados a venda que estejam classificados em uma das categorias descritas no parágrafo; (f) o ICMS não compõe o valor dos estoques (Glosa 1 da LINHA 20), de acordo com a legislação do IR (art. 289 do RIR) e a IN SRF no 594/2005, art. 48; e (g) nas glosas 2 e 3 da LINHA 20 o contribuinte apenas alega que a glosa é improcedente, sem contrapor o argumento da fiscalização. Cientificada do acórdão da DRJ em 12/06/2012 (AR à fl. 649), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 04/07/2012 (fls. 657 a 701), reiterando as considerações expostas na impugnação sobre o caráter “reflexivo” do auto de infração. A respeito da decadência, anexa DCTF (fls. 702 a 707), sustentando que se aplica o art. 150, § 4o do CTN quando houver pagamento parcial ou apresentação de DCTF. Em relação às glosas em espécie, reproduz a argumentação externada na impugnação. Em 28/01/2014, por meio da Resolução no 3403000.531 (fls. 713 a 719), esta turma unanimemente converteu o processo em diligência, tendo em conta que havia inegável vínculo do presente processo com o de no 13971.000995/200324 (não encontrado no sistema “eprocessos”), que trata do direito creditório, para que a unidade local informasse “a situação atual do processo, juntando aos presentes autos cópia integral daqueles”. Em 29/05/2014, a unidade local informa o cumprimento da diligência, com a digitalização e disponibilização nestes autos do processo no 13971.000995/200324 (fl. 722). É o relatório. Voto Fl. 729DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 727 7 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Do vínculo com o processo relativo a compensação A conversão em diligência objetivava, como relatado, que a unidade local informasse a situação atual do processo no 13971.000995/200324 (não encontrado no sistema “eprocessos”), juntando aos presentes autos cópia integral daqueles. A unidade local, apesar de não informar a situação atual do processo, efetua a juntada de seu integral teor, possibilitando a análise por parte deste colegiado. Compulsando os autos do processo no 13971.000995/200324, percebese que o despacho decisório de fls. 2046/2047 (e o Parecer SAORT/DRF/BLU que lhe dá amparo, datado de 28/12/2007 fls. 1957 a 2045) tratam de compensação de débito de COFINS (período de apuração 03/2003) com crédito da Contribuição para o PIS/PASEP referente ao mesmo período de apuração, com homologação parcial reconhecida. A manifestação de inconformidade apresentada em 31/01/2008 (fls. 2054 a 2091) a foi analisada pela DRJ em 17/02/2009 (fls. 2278 a 2329), que deferiu em parte a solicitação (no valor de R$ 35.370,71). Ciente da decisão da DRJ em 10/07/2009 (cf. AR de fl. 2332), a empresa apresenta recurso voluntário intempestivo em 17/08/2009 (fls. 2333 a 2361), havendo, à fl. 2384, despacho pela negativa de seguimento do recurso, com ciência à empresa em 27/08/2009 (cf. AR de fl. 2387). De posse das informações relativas ao processo no 13971.000995/200324, é possível concluir que foi solicitada compensação de débito de COFINS com crédito de Contribuição para o PIS/PASEP, ambos relativos ao período de apuração março/2003, no valor de R$ 8.745.875,26, posteriormente retificado para R$ 5.811.023,01 (em virtude de outra compensação). Como se informa no parecer SAORT/DRF/BLU (fl. 1978 daquele processo): Escopo deste Parecer: Verificase a ocorrência de saldo de crédito vinculado a “Exportações”, em janeiro, fevereiro e março/2003. Os créditos apurados, vinculados às operações no “Mercado Interno”, foram integralmente aproveitados no desconto da própria contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, dos correspondentes períodos de apuração. E em todos os meses do trimestre restou saldo da contribuição a pagar. Os saldos de créditos “Exportação” de janeiro e fevereiro não foram utilizados em compensação com outros débitos, mas transferidos para o mês seguinte. O de março (incluindo parcelas transferidas de janeiro e fevereiro) foi utilizado na compensação de débito da Cofins (valor parcial desta), conforme DCOMP apresentada nos autos. O processo em apreciação foi formalizado em decorrência da apresentação dessa DCOMP. Assim, a análise da procedência do crédito (de exportações), utilizado nessa compensação, o de março/2003, constitui o objeto desse Parecer. Haja vista a Fl. 730DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 conjugação da apuração desse crédito “Exportação” com o de “Mercado Interno”, no âmbito do mesmo período de apuração (mês) da contribuição (rateios), será também analisado o crédito “Mercado Interno” de março/2003. Não obstante, ainda que sem efeitos decisórios, serão também analisados os demais créditos “Mercado Interno” constantes do Dacon do trimestre, ou seja, os de janeiro e fevereiro/2003. Em decorrência do escopo deste Parecer, o saldo de crédito “Exportação” informado em fevereiro, de R$ 397.907,87 (inclui parcela de janeiro), e transferido para março, será tomado como legítimo, ainda que a referida análise mencionada no parágrafo anterior indique montante inferior.” (grifo nosso) Assim, aparentemente, toma a fiscalização como legítimos os saldos de créditos “Exportação” de janeiro e fevereiro/2003. Ao analisar as glosas, o mencionado parecer SAORT/DRF/BLU trata, na Glosa 1 da LINHA 01, de aquisições com fim específico de exportação, e enumera exemplificativamente 22 notas fiscais que afirmava incompatíveis com a escrituração da empresa, sendo várias dessas notas do mês de fevereiro/2003 (fl. 1982). Na Glosa 2 da LINHA 01, identificase nota fiscal não entregue, de 28/03/2003 (fl. 1984), sendo a glosa por falta de comprovação. E segue o parecer analisando, salvo melhor juízo, documentos dos três meses iniciais de 2003 (cf. se nota nas tabelas que enumeram glosas e documentos fiscais). Ao final do parecer, concluise (o que é aprovado no despacho decisório de fls 20146/2047), no sentido de que seja: a) reconhecido o crédito da interessada, da Contribuição para o PIS/PASEP, do período de apuração março/2003, no total de R$ 5.064.166,22, composto das seguintes parcelas: a.1) decorrente de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações´para o exterior: R$ 4.699.956,82; e a.2) decorrente de custos, despesas e encargos vinculados às receitas no mercado interno: R$ 364.209,40. b) homologada a compensação do débito constante da DCOMP, nos autos às fls. 09/10, até o limite do crédito reconhecido, decorrente de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações´para o exterior. (grifos no original) No despacho decisório, determinase ainda que se proceda à cobrança da parcela remanescente do débito compensado (COFINS). E se afirma ainda (fls. 2046/2047) que: O reconhecimento dos créditos assumiu, como legítimo, o saldo de “crédito Exportação” oriundo dos períodos de janeiro e fevereiro, de R$ 397.907,87. A eventual revisão dos valores dos créditos desses meses implicará o recálculo dos créditos reconhecidos neste despacho. Da mesma forma, haverá esse recálculo, em caso de eventual revisão de glosas, por efeito de recursos administrativos, haja vista a vinculação existente entre os créditos “Exportação” e do “Mercado Interno”, particularmente pelo efeito dos rateios.” Fl. 731DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 728 9 E, vejase que ambas as situações destacadas no despacho decisório de 28/02/2007 vieram a ocorrer. A DRJ acabou reconhecendo, em 17/02/2009 (fl. 2329), créditos da ordem de R$ 35.370,71, decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações para o exterior (R$ 16.663,75) e de custos, despesas e encargos vinculados às receitas no mercado interno (R$ 18.736,96). E a unidade local da RFB efetivamente revisou os períodos de janeiro e fevereiro de 2003, em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, nos autos do presente processo (no 13971.000556/200826), ao qual retornamos, remetendo ao Termo de Início Fiscal de fls. 4/5, cientificado ao sujeito passivo em 13/02/2008. Assim, resta clara a relação entre os processos. Contudo, mostrase afastado qualquer prejuízo pelo julgamento do presente processo, seja porque já houve julgamento definitivo do processo referente à compensação (não havendo pendência de julgamento naquele processo que possa afetar o resultado da apreciação deste), seja porque de qualquer modo incumbirá à unidade local, em último momento, tomar as providências para que não seja exigido nenhum crédito em duplicidade. Realmente, retornandose Termo de Verificação da Infração (fl. 507), percebese que a fiscalização informa que o Termo de Constatação se refere “aos fatos observados na análise do processo no 13971.000995/200324 (Declaração de Compensação – DCOMP, apresentada pelo contribuinte ... em 16/04/2003), o qual foi instruído com arquivos digitais referentes aos documentos fiscais e demonstrativos contábeis que compõem as linhas da DACON”. Não há, assim, qualquer óbice à apreciação imediata do presente processo, que se passa a levar a cabo. Da preliminar de decadência Há preliminar de decadência suscitada desde a impugnação, com fundamento no art. 150, § 4o do CTN, e na existência de declaração em DCTF. Afirma a recorrente (fl. 663) que “a posição majoritária e mais moderna é que se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação aplicase o art. 150, § 4o, do CTN, notadamente quando há pagamento parcial ou apresentação de DCTF” (grifo nosso). Como a ciência da autuação, instaurando o contencioso, se dá em 26/02/2008 (fl. 502), e o Auto de Infração trata de fatos geradores de 31/01/2003 e 28/02/2003, a recorrente alega ter havido decadência, com base no disposto no art. 150, § 4o do CTN. No julgamento de primeira instância, contudo, afastase a aplicação do comando citado do CTN, em favor do art. 173, I do mesmo Código, visto que não houve pagamento da contribuição. É de se destacar que eventual controvérsia entre a teoria albergada na autuação (art. 173, I do CTN) e aquela sustentada pela recorrente (art. 150, § 4o do CTN) não Fl. 732DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 afetaria o mês de fevereiro, pois em ambas as formas de contagem permaneceria hígido o lançamento em tal mês. O que se discute, então, é a existência de pagamento para janeiro de 2003, o que ensejaria a decadência do direito de exigir os créditos referentes a tal período. O julgador de piso informa (fl. 610) que “a contribuinte não traz qualquer documento de arrecadação de PIS no período”. E tal situação não é remediada em sede de recurso voluntário. A recorrente limitase a trazer DCTF referentes ao primeiro trimestre de 2003, percebendose que a DCTF de janeiro (fl. 704) indica na linha referente a pagamento o valor de R$ 0,00. Ao apresentar jurisprudência sobre a matéria, a recorrente acaba por fazer confusão entre os institutos da decadência e da prescrição em direito tributário. Após apresentar três julgados sobre prescrição para cobrança judicial de créditos tributários, com vínculo à entrega de DCTF, a recorrente apresenta distinção entre prescrição e decadência, para, na sequência (fl. 671), sustentar que: “Assim, fica evidente que os fatos geradores foram atingidos pela decadência, não mais podendo ser exigidos (sic), razão suficiente para extinguirse o crédito correspondente por ter transcorrido o prazo decadencial previsto no parágrafo único, do art. 150, § 4o, do CTN (sic). Como visto, não há como se deixar de observar a expressa posição do STJ a respeito da prescrição, o prazo para constituição do crédito tributário contase da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), ou seja, de 05 (cinco) anos, o que desde já se requer.” (grifo nosso) No caso concreto, continua a não restar comprovado nenhum pagamento. Ademais, não resta também argumentado e documentado que os débitos estivessem plenamente constituídos em DCTF, demandando providência distinta da autuação. Nesse aspecto, é de se destacar que o entendimento do julgador de piso é alinhado ao expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009. Assim, rechaçase de plano a preliminar de decadência. Das glosas em espécie É de se destacar que no curso do contencioso a empresa assume a correção de diversas glosas (Glosa 3 da LINHA 02, Glosas 1 a 7 da LINHA 03, Glosa 1 da LINHA 11, Glosas 2 e 3 da LINHA 16 e Glosas 1 a 5 da LINHA 17). No recurso voluntário, assim como na impugnação, há ainda ausência de questionamento específico em relação às Glosas 2 e 3 da LINHA 20, para as quais se alega apenas, respectivamente, que “não procede a glosa”, e “reverter ajustes em função da defesa”. Ausente, destarte, o caráter litigioso para tais itens. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 729 11 Em relação a tais tópicos, os valores já pagos durante o curso do contencioso, por óbvio, deverão ser abatidos na fase de liquidação do acórdão deste CARF pela unidade local da RFB. Assim, o presente contencioso se resume à Glosa 1 da LINHA 01 (bens adquiridos para revenda aquisições com fim específico de exportação), à Glosa 1 da LINHA 02 (bens utilizados como insumos aquisições com fim específico de exportação), à Glosa 2 da LINHA 02(bens utilizados como insumos complementos de valor), à Glosa 1 da LINHA 16 (bens adquiridos de pessoa física/agroindústria complementos de valor), à Glosa 2 da LINHA 16 (bens adquiridos de pessoa física/agroindústria estorno de insumos adquiridos de pessoas físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3o, § 10), à Glosa 1 da LINHA 20 (crédito presumido relativo a estoque de abertura ICMS), e a glosas por falta de comprovação (Glosa 1 da LINHA 09 e Glosa 1 da LINHA 10). Das aquisições com fim específico de exportação A glosa efetuada em relação a este item (Glosa 1 da LINHA 01) se refere a duas notas fiscais (7308 e 8295). Como narra o fisco (fls. 510/511), a empresa foi intimada a comprovar a não ocorrência de operações com fim específico de exportação, deixando de fazê lo especificamente em relação às referidas notas fiscais, sendo inexistente o direito ao crédito se houve efetiva incidência da contribuição. Na sua impugnação (fls. 542/543), a empresa alegou que as duas notas fiscais se referem a aquisição de soja/milho no mercado interno sem o fim de exportação, e não há razão para não deferir o crédito, não obstante a mercadoria tenha sido posteriormente exportada, pois o direito de crédito não é afetado na hipótese. A DRJ mantém a glosa (fls. 610/611), tendo em vista ter havido finalidade de exportação, e considerando o disposto no art. 5o, III da Lei no 10.637/2002 (não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP nas operações de venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação). No Recurso Voluntário (fls. 672/673), limitase a empresa a transcrever literalmente os argumentos expostos na sua impugnação, centrando sua defesa na nos códigos de natureza da operação e CFOP. Analisandose as referidas notas fiscais, percebese que na nota de no 7308 (fl. 398) consta a expressão “mercadoria destinada com fins específicos de exportação”, e que na nota de no 8295 (fl. 399) consta a expressão “mercadoria destinada a exportação, no pool Gransol/Paranaguá/PR”. E não logra a recorrente afastar a informação expressa nos documentos fiscais. Incabível, assim, o aproveitamento de créditos nas operações, tendo em vista restar inequívoca a destinação a exportação,o que evita a incidência da contribuição na etapa anterior. Procedente, assim, o lançamento efetuado, em relação a tal item. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Das aquisições de insumos com fim específico de exportação A glosa efetuada em relação a este item (Glosa 1 da LINHA 02) se refere apenas às notas fiscais para as quais não comprovou a empresa a ausência de operações com fim específico de exportação. Como narra o fisco (fl. 512), a empresa foi intimada a comprovar a não ocorrência de operações com fim específico de exportação, deixando de fazêlo especificamente em relação às notas fiscais listadas nos Demonstrativos III e IV do Termo de Constatação Fiscal (fls. 30/31, e fl. 32, respectivamente), com, valores mantidos na Tabela de fl. 512. Na sua impugnação (fls. 543/544), a empresa alegou que as notas fiscais também se referem a aquisição de soja/milho no mercado interno sem o fim de exportação, e não há razão para não deferir o crédito, não obstante a mercadoria tenha sido posteriormente exportada. A DRJ mantém a glosa (fls. 611/612), pelos mesmos fundamentos referidos no item anterior (Glosa 1 da LINHA 01). No Recurso Voluntário (fls. 673/674), também se limita a empresa a transcrever literalmente os argumentos expostos na sua impugnação. Da mesma forma em que no tópico anterior, cabe destacar que a natureza da operação e o CFOP foram tomados em conta pelo fisco (como se percebe dos demonstrativos, onde consta uma coluna como “CFOPForn” e outra como “CFOP”), que, contudo, afastou o direito creditório em função de haver menção à finalidade de exportação nas notas fiscais. E chegou a empresa a comprovar que não havia finalidade de exportação em algumas notas fiscais (total de R$ 200.916,45), o que fez o fisco reduzir tal valor do montante total das glosas efetuadas (Tabela de fl. 512). Assim, a autuação se refere exclusivamente àquelas notas para as quais não logrou a empresa afastar a finalidade de exportação, sob idêntico fundamento do item anterior (impossibilidade de crédito em relação a operação para a qual não houve incidência da contribuição). E novamente não traz a empresa elementos que afastem as razões da autuação. Igualmente procedente, assim, o lançamento efetuado, em relação a tal item. Dos complementos de valor A glosa efetuada em relação a este item (Glosa 2 da LINHA 02) se refere à constatação (fls. 512/515) de que houve créditos em decorrência de notas fiscais de complementos de valor (após a tradição das mercadorias, e sem movimentação física) referentes a remessas ocorridas no regime da cumulatividade (sendo que pela legislação das contribuições, tais complementos constituem receitas, e não geram novos créditos na não cumulatividade, sendo devida glosa proporcional entre as remessas na cumulatividade e as complementações na nãocumulatividade). Na sua impugnação (fls. 544 a 554), a empresa alega que a comercialização de produtos agrícolas apresenta peculiaridades: (a) havendo oscilações de preço, criase um mercado futuro, no qual os grãos são negociados com base em expectativas de preço; (b) não obstante a entrega, o preço definitivo pode ser fixado em momento futuro, demandando ajuste; e (c) a complementação do preço está vinculada à aquisição (pois não se está a tratar de venda parcelada), não havendo base legal para a interpretação dada na autuação. A DRJ mantém a glosa, mesmo sem indicação precisa dos Fl. 735DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 730 13 argumentos que levaram a isso (vejase que no item referente a complementos de valor fls. 612/613, a DRJ se limita a relatar as razões da autuação e da impugnação). No Recurso Voluntário (fls. 674 a 684), contudo, sequer se questiona a falta de análise específica pela DRJ. Pelo contrário, mais uma vez a empresa simplesmente se limita a transcrever literalmente os argumentos expostos na sua impugnação. É preciso, de início, destacar que assiste razão ao fisco quando este afirma que a apuração da Contribuição para o PIS/PASEP se dá, em regra, pelo regime de competência. A legislação do imposto de renda pessoa jurídica encampou as diretrizes contábeis da lei das sociedades anônimas, estendendoas às demais sociedades mercantis (Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto no 3.000/1999, art. 274, § 1o). Em decorrência, adotou, como regra geral, o regime econômico das mutações patrimoniais, denominado “regime de competência” (Lei no 6.404/1976, art. 177), em contraposição ao regime financeiro ou “regime de caixa”, pelo qual as receitas e despesas são de regra lançadas contra ingressos e saídas de caixa ou bancos. Pelo regime de competência, as receitas são reconhecidas quando realizadas ou ganhas, embora não recebidas, e as despesas são apropriadas quando incorridas, ainda que não pagas (Lei no 6.404/1976, art. 187, § 1o). Em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, tomase como ponto de partida a norma legal que rege a matéria (Lei no 10.637/2002): “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...)” (grifo nosso) Uma primeira leitura levaria à conclusão de que o auferimento de receita independe de haver a tradição da mercadoria. Contudo, tal raciocínio equivaleria a atribuir à contribuição sempre o “regime de caixa”, o que não parece guardar relação com a legislação que rege tais espécies tributárias. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, na sistemática não cumulativa, é a receita bruta, utilizandose, no citado art. 1o da Lei no 10.637/2002, a expressão “receita auferida”. Mas isso de forma alguma implica dizer que se está a impor o regime de caixa. Pelo contrário. No sítio web da Receita Federal, no tópico referente a “Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS”, encontrase a seguinte orientação: “423. Além das receitas decorrentes da venda de bens imóveis, em quais casos o PIS/Pasep e a Cofins são apuradas pelo regime de caixa? As pessoas jurídicas poderão adotar o regime de caixa para efeito de incidência dessas contribuições, quando estiverem submetidas ao regime de tributação do imposto de renda com base no lucro presumido e adotarem o mesmo critério em relação ao IRPJ e CSLL (MP no 2.15835, de 2001, art. 20; e IN no 247, de 2002, art. 85).” (grifo nosso) Fl. 736DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 A regra, assim, também para as contribuições, é o regime de competência. Em um contrato de compra e venda a propriedade só se adquire pelo comprador, sendo móvel o bem, com a tradição (Lei no 10.406/2002Código Civil, art. 1.267): “Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Parágrafo único. Subentendese a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico.” Destarte, no mesmo momento em que o vendedor deve registrar a operação de venda, surge para o comprador a obrigação de pagar pela mercadoria recebida, bem como de efetuar o registro dessa obrigação em sua contabilidade, tendo como contrapartida o ingresso dos bens no estoque e o respectivo crédito. É o que dispõe o inciso II do art. 3o da Lei no 10.637/2002. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (Redação dada pela Lei no 10.865/2004) (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei no 10.865/2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Em relação aos bens (e serviços) utilizados como insumo, esse dispositivo estabelece como marco temporal a data da aquisição, assim compreendida a data da tradição dos produtos (ou da prestação dos serviços) e não a do pagamento ou crédito em favor do fornecedor. No caso em análise, houve remessas no período da cumulatividade, e complementações no período da nãocumulatividade. E, como destacou o fisco (fls. 514/515): “45. Se as remessas e a(s) complementação(ões) ocorreram todas na nãocumulatividade, tanto às remessas quanto à(s) complementação(ões) serão apropriados créditos da contribuição para o PIS/Pasep, ainda que ocorridas em meses distintos. Mas deve restar claro que os fatos geradores do crédito terão sido a efetivação das remessas e A complementação terá sido apropriado crédito que na realidade representa um complemento aos créditos daquelas remessas. (...) Fl. 737DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 731 15 47. Se, de forma diferente, as remessas efetivaramse todas no regime anterior, da cumulatividade (anteriores a 1° de dezembro de 2002) e, por exemplo, tenha havido uma única complementação, em janeiro/2003, já no regime novo, não caberá apropriação de crédito da nãocumulatividade a essa complementação, haja vista referirse a aquisições (remessas) sem esse direito. Pretender reconhecer a existência de crédito nessa complementação equivale, pelo que foi exposto, a supor que havia créditos no regime cumulativo, o que improcede, ainda hoje. (...) 50. O cálculo do valor da glosa foi feito pela simples proporcionalidade entre as quantidades de remessas na cumulatividade e as respectivas complementações na não cumulatividade. (grifo nosso) Com base no critério exposto chega o fisco ao Demonstrativos V do Termo de Constatação Fiscal (fls. 33/34). A recorrente além de dispor sobre as peculiaridades das operações que realiza, defende que, pelo “caráter complexivo”, a complementação de valor também seria efetivamente uma aquisição, a ser contabilizada pelo regime de competência, e tratada já à luz da legislação sobre nãocumulatividade. E que a legislação não restringiu o direito a crédito em tais operações. A argumentação da recorrente sobre as peculiaridades do mercado de commodities, ou sobre a possibilidade de fixação futura de preços não afeta o direito creditório, se este era inexistente ao momento da contabilização pelo regime de competência do valor a ser (ainda que provisoriamente) pago. A complementação de valor se refere inequivocamente a uma mercadoria vendida e paga (ainda que com preço provisório) no período da cumulatividade. Ausente assim o direito creditório, por absoluta carência de fundamento legal. Também neste item, então, procedente o lançamento. Ainda em relação a complemento de valor, cabe mencionar a Glosa 1 da LINHA 16, com os mesmos fundamentos da aqui analisada, e à qual se aplicam as conclusões aqui externadas, sendo também procedente o lançamento. Da carência probatória As glosas efetuadas em relação à carência probatória (Glosa 1 da LINHA 09 e Glosa 1 da LINHA 10) se referem, respectivamente, a falta de apresentação de fichas de controle individuais, sem as quais não é possível identificar se foi descontado ICMS incidente, se houve depreciação acelerada ou incentivada, bens usados, bens adquiridos de pessoas físicas, ou construídos pela empresa (em relação a encargos de depreciação do ativo imobilizado fl. 520) e falta de apresentação de fichas de controle individuais, sem as quais não é possível identificar data de aquisição, se houve aquisição de pessoas físicas, ou se os bens foram gerados/construídos pela empresa (em relação a encargos de amortização de edificações e benfeitorias em imóvel de terceiros fls. 520/521). Na sua impugnação, a Fl. 738DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 empresa alega (fls. 555 a 557) que os bens foram adquiridos há muito tempo, quando não havia controle eletrônico, mas que ficou comprovado que estão agrupados em contas distintas segundo sua natureza e taxas anuais de depreciação ou amortização. A DRJ mantém as glosas (fls. 613/614) sob o fundamento de carência probatória. No Recurso Voluntário (fls. 684 a 686), novamente a empresa apenas transcreve literalmente os argumentos expostos na sua impugnação. Reparese que o que o fisco solicita não é necessariamente “fichas de controle individuais” (fl. 520): “84. A falta de fichas de controle individuais, ou controles equivalentes da depreciação dos bens do ativo imobilizado não permite identificar: 84.1. Ocorrência de depreciação acelerada ou incentivada; 84.2. Valor líquido de aquisição (se foi descontado o ICMS recuperável incidente); 84.3. Aquisição de bens usados, ou de pessoas físicas, ou gerados/construídos pela companhia;” (grifo nosso) Da mesma forma procede a fiscalização em relação a edificações (fl. 520/521): “89. A ausência de fichas de controle individuais, ou controles equivalentes, não permite identificar: 89.1. Aquisição de pessoas físicas, ou gerados/construídos pela companhia; 89.2. Data de aquisição (não necessariamente a mesma do início/entrada em operação).” (grifo nosso) É preciso recordar que a empresa demanda crédito em relação às operações, e quando intimada a pormenorizálas, de modo a permitir ao fisco a apuração efetiva do direito creditório, informa não mais possuir os dados/documentos, ou que os documentos (com a denominação referida pelo fisco) não são exigíveis. Houvesse a empresa demonstrado, de algum modo (com ou sem as referidas “fichas de controle individuais”) seus registros contábeis de forma a permitir ao fisco o discernimento das situações descritas nos itens 84.1 / 84.2 / 84.3, ou 89.1 / 89.2, por certo cabível seria o direito creditório. No caso, tal direito só não é reconhecido porque a empresa, como bem destaca a DRJ, não apresentou “qualquer fato ou documento novo que permita aferir se houve o correto aproveitamento dos créditos pleiteados”. E a situação persistiu em sede recursal. No presente processo, percebese que houve intimações à recorrente ainda antes da autuação, permitindo a prova do direito creditório pleiteado, em diversos itens que estavam preliminarmente glosados pelo fisco. E percebese que a empresa logrou afastar diversas das glosas (algumas até explicitamente referidas neste voto), apresentando documentos comprobatórios. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 732 17 Contudo, nas operações em análise neste item, permanece o fisco impossibilitado de discernir as operações de modo a apurar o correto valor do crédito, pela carência de apresentação de elementos probatórios justamente pela própria empresa que pleiteia o direito creditório. Assim, cabível também o lançamento em relação ao presente item. Dos bens adquiridos de pessoas físicas agroindústria A glosa efetuada em relação a este item (Glosa 2 da LINHA 16) se refere ao estorno de insumos adquiridos de pessoas físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3o, § 10 da Lei no 10.637/2002 (bens utilizados como insumos para outros processos produtivos da empresa). Sustenta a fiscalização que não geram direito ao crédito referido no § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (vigente à época dos fatos) as aquisições de bens que não são destinados a venda, mas a utilização como insumos para outros processos produtivos da empresa, por não estar a operação contemplada no inciso II do caput do art. 3o da mesma Lei. A empresa alega em síntese que tal restrição não existe na lei, e que sempre haverá, ao final (ainda que de sucessivos processos produtivos), uma venda. O dispositivo que concedia o crédito § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (vigente a partir de 01/02/2003, cf. Lei no 10.684/2003), assim dispunha: “§10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (grifo nosso) Assim, as pessoas jurídicas como a recorrente fazem jus ao crédito nas aquisições de pessoas físicas, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput do art. 3o (com a redação à época vigente): “II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. (grifo nosso) A recorrente, com os insumos, fabrica produtos relacionados na lista do § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002. Mas residualmente fabrica outros produtos como a borra de Fl. 740DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 soja (NCM 1522.00.00). E fabrica ainda produtos que constituem atividade fim da empresa, e possuem relevância comercial (como maioneses NCM 2103.90.11 e 2103.90.19) mas não estão relacionados no referido § 10. A recorrente alega que a maionese é produzida tendo como insumo o produto óleo de soja, obtido a partir da soja. É preciso esclarecer que não guarda coerência lógica entenderse do disposto no § 10 do art. 3o da Lei no 10.637/2002 que bastaria que a empresa produzisse um determinado produto relacionado na lista ali contida para que pudesse adquirir com créditos insumos destinados a produtos diversos. Por óbvio o crédito se refere a insumos adquiridos de pessoas físicas para fabricação de produtos finais ali relacionados (e não de subprodutos ou produtos obtidos a partir dos relacionados, ou de produtos intermediários que comporão produtos finais vendidos que não figuram na lista). Não faria sentido algum incluir uma lista de códigos NCM com produtos, se os produtos beneficiados pudessem ainda ser outros. Improcedente neste item, assim, a argumentação da recorrente. Do cômputo do ICMS no estoque de abertura Na composição do estoque de abertura em 01/12/2002, a empresa incluiu o ICMS. Com fundamento no art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1999), o fisco efetuou a Glosa 1 da LINHA 20: “Art.289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). §2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. §3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal.” (grifo nosso) A recorrente alega que o “Ajuda” do DACON 1.1 traz orientação de que o ICMS integra o valor dos bens, exceto quando cobrado na condição de substituto tributário. Assim, integrará o valor do estoque, não havendo disposição legal em sentido contrário. E complementa que o disposto do Regulamento do Imposto de Renda não pode se contrapor ao § 1o do art. 11 da Lei no 10.637/2002: “Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa Fl. 741DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3403003.305 S3C4T3 Fl. 733 19 jurídica domiciliada no País, existentes em 1º de dezembro de 2002. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque.” (grifo nosso) É de se destacar aqui que a relação entre os dispositivos mencionados (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda e § 1o do art. 11 da Lei no 10.637/2002) é de complementaridade, e não de contraposição. Enquanto este garante o direito ao crédito, o outro explicita como são registrados os valores na escrita fiscal. E não há também oposição em relação ao valor que compõe o estoque e a informação constante do “Ajuda” do DACON, ou a base de cálculo das contribuições. Assim já decidiu esta turma recentemente (Acórdão no 3403002.681, de 28 de janeiro de 2014). Improcedente, então, também nesse tema, a argumentação da recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 742DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004685/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP APRESENTADA EM DESCONFORMIDADE COM O MANUAL DE ORIENTAÇÃO. MULTA. CABIMENTO.
Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP com erros de cálculo acerca dos valores das contribuições dos segurados contribuintes individuais, há de ser reconhecido o descumprimento ao disposto no 32, IV, §1o e 3o, da Lei 8.212/91
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Ausente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP APRESENTADA EM DESCONFORMIDADE COM O MANUAL DE ORIENTAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP com erros de cálculo acerca dos valores das contribuições dos segurados contribuintes individuais, há de ser reconhecido o descumprimento ao disposto no 32, IV, §1o e 3o, da Lei 8.212/91 Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004685/2010-71
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395838
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.734
nome_arquivo_s : Decisao_19515004685201071.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 19515004685201071_5395838.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Ausente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5700294
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254904864768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 660 1 659 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004685/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.734 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de outubro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE DESCONTAR CONTRIBUIÇÕES Recorrente ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP APRESENTADA EM DESCONFORMIDADE COM O MANUAL DE ORIENTAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP com erros de cálculo acerca dos valores das contribuições dos segurados contribuintes individuais, há de ser reconhecido o descumprimento ao disposto no 32, IV, §1o e 3o, da Lei 8.212/91 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 85 /2 01 0- 71 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Ausente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004685/201071 Acórdão n.º 2401003.734 S2C4T1 Fl. 661 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS, em face do acórdão de fls. que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.312.6255, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação, tendo em vista que informou valores superiores aos devidos, referentes à contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que a contribuição dos segurados informada em GFIP foi calculada utilizandose a alíquota de vinte por cento quando deveria ter sido calculada sob a alíquota de onze por cento, sob os limites máximos, por não estar isenta das contribuições previdenciárias. O período apurado compreende a competência de 01/2004 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/12/2010 (fls.695). Em seu recurso, sustenta que a decadência deve ser aplicada com base no disposto no art. 150, §4o do CTN. Defende que deve ser reconhecida como entidade isenta das contribuições, de modo que em se tratando o presente processo de lançamento acessório ao principal, não há que se falar no lançamento da multa. Que está sendo duplamente apenada pelo mesmo fato, já que sofreu a aplicação de multas no lançamento principal, e, agora, no acessório. Aponta que de acordo com seu estatuto social se caracteriza como entidade filantrópica, sem fins econômicos, que tem por finalidade o desenvolvimento de atividades associativas, científicas, culturais, esportivas, assistenciais, sociais e de lazer, sendo que nenhuma de suas atividades remunera seus diretores e mesmo o patrimônio da associação não é partilhado entre os seus sócios em caso de dissolução da mesma, cumprindo, assim os requisitos do art. 14 do CTN. Argui que não possui finalidade econômica de forma a atrair a incidência das contribuições previdenciárias por não possuir faturamento, entendido como a receita proveniente da venda de bens e serviços, na forma da redação do art. 195, I, da Constituição Federal, mas apenas por auferir receitas decorrentes de recebimentos de caráter geral pelo exercício de sua finalidade filantrópica. Alega que diante de entendimento equivocado o CNAS cassou a isenção que possuía para o triênio de 2000 a 2003, sendo que tal providência não tem o condão de determinar a cassação da isenção para o período objeto do presente lançamento, nos anos de 2004 a 2006, período em que cumpria os requisitos legais. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Afirma que o indeferimento de seu pedido de isenção na data de 25/04/2007 não pode retroagir para reconhecer que esta não possuía o benefício da isenção para o período de 2004 a 2006. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004685/201071 Acórdão n.º 2401003.734 S2C4T1 Fl. 662 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, se trata do lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, de modo que outra não pode ser a conclusão, senão pela aplicação da decadência com base no art. 173, I do CTN, não havendo que se falar no reconhecimento da decadência da multa aplicada, uma vez que esta é de caráter único para o cometimento de uma, duas ou mais faltas. Rejeito, pois, a arguição. Passo ao mérito. MÉRITO Inicialmente, cumpre asseverar, que na hipótese de se admitir que a recorrente, no período do lançamento, reunisse todas as condições e estivesse no gozo da isenção prevista no art. 55, da Lei 8.212/91, mesmo assim, não estaria desobrigada de efetuar o recolhimento dos valores relativo às contribuições da parte relativa aos segurados. É que, conforme dispõe o art. 55 da Lei 8.212/91, a isenção referese somente às contribuições previstas nos artigos 22 e 23, ou seja, aquelas devidas pela empresa. Todavia, no presente lançamento, a multa aplicada referese À não arrecadação, mediante desconto de valores correspondentes à contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais previstas no art 21 da Lei 8.212/91. Portanto, não estão sendo discutidos nos autos valores ou obrigações correspondentes à quota patronal, motivo pelo qual, os argumentos referentes ao direito ou não à isenção, trazidos na defesa, são estranhos ao presente lançamento, de sorte que, por este motivo, não serão conhecidos. Sobre a multa aplicada, a recorrente resumese a apontar que sobre o bis in idem, na medida em que já sofreu a aplicação de multa em razão do não recolhimento das contribuições correspondentes à parte dos contribuintes individuais. De antemão há de se pontuar que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto a imputação fiscal no sentido de que apresentou as GFIP´s com indicação a maior dos valores de contribuições relativamente à parte dos segurados contribuintes individuais, tendo em vista o erro de cálculo apontado no Auto de Infração, de modo que tal fato é incontroverso nos autos. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004685/201071 Acórdão n.º 2401003.734 S2C4T1 Fl. 663 7 E de acordo com a legislação de regência o contribuinte é obrigado a apresentar a apresentar a GFIP com a correta informação acerca dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Vejamos: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. ... § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. ... § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. RPS – Decreto n.º 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: .... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. E referida obrigação legal se faz impositiva, sob pena de aplicação da multa inscrita no artigo 283, “caput” e parágrafo 3º e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Assim, é patente a sua obrigação em ter apresentado as GFIP´S com informações corretas acerca dos valores de contribuições previdenciárias devidas. Logo, não entendo que há se reconhecer o bis in idem, tendo em vista que a multa objeto do presente Auto de Infração tem seu fundamento de existir no descumprimento de obrigação acessória prevista em Lei, no caso a apresentação de GFIP de forma incorreta, ao passo em que a multa aplicada nos autos de infração de obrigação acessória são multas aplicadas pelo não recolhimento das contribuições devidas, de modo que não há se se confundir tais situações, na forma em que também já decidiu o julgamento de primeira instância. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a arguição de decadência e, no mais, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901280/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.901280/2009-11
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5399088
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.309
nome_arquivo_s : Decisao_10073901280200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10073901280200911_5399088.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5724853
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254906961920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.901280/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.309 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COFINS Recorrente ALTIPLANO EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 80 /2 00 9- 11 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O contribuinte, pelo presente Recurso Voluntário, insurgese contra Acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ2, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: 1. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 18229.62238.061005.1.3.04 8560, em 06/10/05, de crédito no valor de R$ 10.708,62, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em 15/03/05, a título de Cofins (cód. 5856), atinente ao período de apuração 02/2005, com débito(s) de Cofins (cód. 2172 e 5856) referente(s) ao(s) período(s) de apuração 06/2005, no(s) valor(es) de R$ 3.451,61 e R$ 5.947,36. 2. Por meio do Despacho Decisório n° 831247964, emitido eletronicamente (fl. 06), a Delegada da DRF/Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 05/05/2009 (fl. 10), a Interessada, inconformada, ingressou, em 03/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 15, acompanhada da documentação de fls. 16 a 40, na qual alega, em síntese, que: 3.1 O art. 1° da Portaria Intenninisterial n° 33, publicada no D.O.U. de 04/03/2005, estabeleceu que as receitas auferidas por pessoa jurídica, decorrentes da prestação de serviços de hotelaria ficam sujeitas ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; 3.2 O art. 5° da referida Portaria estabeleceu que esta entraria em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de maio de 2004; 3.3 O recolhimento da contribuição foi efetuado pelo regime não cumulativo, em relação a todas as receitas; 3.4 Quando o cálculo foi refeito, nos termos da referida Portaria, as diárias de hospedagens, segundo o regime Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.901280/200911 Acórdão n.º 3802002.309 S3TE02 Fl. 112 3 cumulativo, ficaram submetidas à alíquota menor, reduzindo o valor a pagar da contribuição; e 3.5 Com isso, o valor total da contribuição passou de RS 24.913,05 para R$ 14.204,43, sendo, R$ 10.411,44, pelo regime cumulativo, e R$ 3.792,99, pelo regime não cumumulativo, gerando um crédito de RS 10.708,62. 4. Com o intuito de comprovar as suas alegações anexou a planilha de fl. 39. 5.Em 07/07/2010, por meio da petição de fls. 43 a 45, foi informado que a empresa ALTIPLANO EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS LIDA, foi extinta em razão de incorporação societária pela empresa BRASTURINVEST INVESTIMENTOS TURÍSTICOS S.A., e que, em razão disso, operouse a SUCESSÃO PROCESSUAL da Incorporada pela lncorporadora. 6. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Foram por mim anexados às fls. 87 a 90, os extratos de pesquisa efetuada nos sistemas de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF (fls. 87/88) e CNPJCONSULTA (fls. 89/90). 7. É o relatório. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 4ª Turma da DRJ/RJ2 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelo quais julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na Manifestação de Inconformidade, e Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 reforçando a matéria de prova mediante a juntada de resumo da apuração e também seu balancete no período objeto do pedido. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como se verifica do relatório que acompanha o presente voto, a questão cingese à confirmação das receitas auferidas pelo Recorrente, no intuito de se verificar qual seria o valor devido pela sistemática de apuração da COFINS cumulativa, adequada às suas atividades. É incontroverso, nos autos, que o Recorrente deveria ser tributado pela COFINS mediante a sistemática cumulativa, e que, ao tributar pela sistemática nãocumulativa, gerou distorções no valor a recolher em favor do fisco. O problema todo passa a ser a materialidade dos créditos suscitados pelo sujeito passivo. Isso porque a sistemática de tributação não cumulativa da COFINS possui uma série de descontos que não são próprios do seu regime cumulativo de apuração. Diante da ausência de material probante, a DRJ negou acolhida ao pleito do contribuinte, frisando que seriam necessários documentos contábeis que lastreassem as informações apresentadas, conforme excerto transcrito abaixo: 13. Como pode ser observado, a documentação apresentada pela Impugnante não comprova qual seria o valor efetivamente devido da Cofins referente ao mês 02/2005. Para que esse fosse comprovado, a Contribuinte deveria ter trazido aos autos a documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na planilha de apuração apresentada. Sem isso, não se pode apurar qual seria o valor da contribuição efetivamente devida, tampouco se afirmar ser o valor recolhido maior que o efetivamente devido. Instado pela DRJ, o contribuinte trouxe a documentação contábil que entende como suficiente para comprovar suas alegações. Ao meu ver, o balancete não é suficiente para tanto. Entendo, como já julguei em diversos outros casos, que minimamente devem ser apresentados os documentos fiscais das operações ou prestações consideradas – no caso, as notas fiscais de serviço, ou o livro de saídas do ISS. A ausência de tal documentação é, portanto, causa suficiente para indeferir o pedido, pois é ônus do contribuinte demonstrar a materialidade de seus créditos, sendo excepcional a possibilidade de análise de material probante juntado após a manifestação de inconformidade (especialmente se o contribuinte for provocado pela DRJ para tanto). Ora, não somente as normas administrativas existem para regulamentar as leis e garantir sua fiel execução no caso dos decretos (art. 84, IV, da CRFB e art. 99 do CTN), como também o próprio CTN reconhece em atos normativos administrativos a função de norma complementar à legislação tributária (art. 100, I), como também o processo Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.901280/200911 Acórdão n.º 3802002.309 S3TE02 Fl. 113 5 administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao instituto da compensação, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, pelo que deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002465/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PASSIVO FICTÍCIO - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
A fiscalização não demonstrou ter havido o pagamento de obrigação sem sua baixa, mas considerou que o passivo contabilizado não tinha suporte em documentação, ou seja, seria verdadeiramente fictício, para justificar entrada de receitas no caixa sem submetê-las à tributação. Neste caso, a omissão de receita apenas pode ter ocorrido no momento da contabilização do empréstimo considerado como fictício, não se estendendo a presunção para os anos posteriores, ainda que o passivo permaneça na contabilidade indefinidamente.
NORMAS PROCESSUAIS - VALIDADE DA INTIMAÇÃO.
Tendo restada infrutífera a intimação por regularmente efetivada por via postal, é valida a intimação por edital.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso apresentado após decorrido o trintídio legal não produz efeito.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Aplicam-se aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos.
Numero da decisão: 1301-001.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso de ofício; 2) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. A fiscalização não demonstrou ter havido o pagamento de obrigação sem sua baixa, mas considerou que o passivo contabilizado não tinha suporte em documentação, ou seja, seria verdadeiramente fictício, para justificar entrada de receitas no caixa sem submetê-las à tributação. Neste caso, a omissão de receita apenas pode ter ocorrido no momento da contabilização do empréstimo considerado como fictício, não se estendendo a presunção para os anos posteriores, ainda que o passivo permaneça na contabilidade indefinidamente. NORMAS PROCESSUAIS - VALIDADE DA INTIMAÇÃO. Tendo restada infrutífera a intimação por regularmente efetivada por via postal, é valida a intimação por edital. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso apresentado após decorrido o trintídio legal não produz efeito. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicam-se aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.002465/2009-70
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395654
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.546
nome_arquivo_s : Decisao_19515002465200970.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 19515002465200970_5395654.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso de ofício; 2) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5699386
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254910107648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002465/200970 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.546 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria IRPJ Recorrentes Fazenda Nacional Countryserv Serviços Serviços Negócios Participações Promoção e Fomento Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. A fiscalização não demonstrou ter havido o pagamento de obrigação sem sua baixa, mas considerou que o passivo contabilizado não tinha suporte em documentação, ou seja, seria verdadeiramente “fictício”, para justificar entrada de receitas no caixa sem submetêlas à tributação. Neste caso, a omissão de receita apenas pode ter ocorrido no momento da contabilização do empréstimo considerado como fictício, não se estendendo a presunção para os anos posteriores, ainda que o passivo permaneça na contabilidade indefinidamente. NORMAS PROCESSUAIS VALIDADE DA INTIMAÇÃO. Tendo restada infrutífera a intimação por regularmente efetivada por via postal, é valida a intimação por edital. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso apresentado após decorrido o trintídio legal não produz efeito. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 65 /2 00 9- 70 Fl. 995DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso de ofício; 2) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em julgamento, recursos, de ofício e voluntário, interpostos em face da decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo (SP1), que acolheu em parte a impugnação do sujeito passivo Countryserv Serviços Negócios Participações Promoção e Fomento Ltda. Conforme consta dos autos, o contribuinte é pessoa jurídica que tem por objeto operações de factoring, e que apresentou declaração relativa ao anocalendário de 2005 pelo lucro real anual, tendo apurado prejuízo fiscal R$ 135.339,95. A fiscalização acusouo de, no anocalendário de 2005, ter omitido receitas, caracterizada por passivo fictício ou não comprovado, e de ter deduzido indevidamente perdas no recebimento de crédito. Em decorrência dessas irregularidades, foram lavrados autos de infração relativos a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), com ciência pessoal em 01/07/2009. Segundo o relato fiscal, a omissão de receitas, caracterizada por presunção nos termos do artigo 281, III, do RIR/99, recorreu da não apresentação da documentação comprobatória de empréstimo obtido junto à Pratt Holdings Ltd. no valor de R$ 3.195.817,92, que constava registrado no passivo da empresa em 01/01/2005, e que em 31/12/2005 constava na contabilidade no valor de R$ 2.799.652,10. Quanto intimada a comproválo, o contribuinte alegou que o negócio teria ocorrido em meados de 1997, e que não encontrou em seus arquivos os documentos comprobatórios. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 4 3 A segunda acusação referese a valor registrado em 01/01/2005 como “perda extraordinária”, lançada em 01/01/2005 no valor de R$ 850.000,00. Intimado a apresentar a documentação comprobatória, o contribuinte respondeu à fiscalização que se tratava de empréstimo realizado junto à UFS Participações e que teve como garantia recebíveis daquela empresa, que não foram “performados” no período, e que foram reconhecidos como perda em 01.01.2005. Apresentou relação de títulos da UFS Participações e Contrato de Prestação de Serviços de Cobrança entre a BK Cobranças S/C Ltda. e aquela empresa, bem como diversas correspondências entre a empresa de cobrança e a Unidas Rent a Car. A autoridade fiscal afirma que não foi apresentada nenhuma documentação entre o contribuinte e a UFS, nem em relação a tentativas de procedimentos judiciais para o recebimento do crédito. Por isso, considerou que a empresa descumpriu o artigo 340 do RIR/99, e glosou a dedução da despesa, tanto na apuração do IRPJ como na da CSLL. Os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL foram aproveitadas no lançamento. Em impugnação tempestiva o contribuinte alega vícios que provocariam a nulidade do auto de infração, quais sejam: 1 Falta de encaminhamento, juntamente com o auto de infração, dos elementos de prova utilizados pela fiscalização, em ofensa ao artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, com restrição ao seu direito de defesa; 2 Vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, que se extinguiu sem que tivesse a fiscalização se encerrado, o que só ocorreu em 01.07.2009. Alega não ter sido cientificado de prorrogação do MPF. Pugna pelo reconhecimento da nulidade por vício de forma do ato administrativo (artigo 2º, “b” da Lei nº 4.717/95), bem como por ter sido lavrado por pessoa incompetente (artigo 59 do Decreto nº 70.235/72). No mérito, afirmou que o passivo mantido na sua contabilidade é legítimo, por se cuidar de débito não saldado, que se trata de contrato de suprimento financeiro firmado com a empresa Pratt Holdings Ltd., que à época era sócia majoritária da impugnante, e para isso emprestoulhe recursos para fomentar a sua atividade, em regime de empréstimo de longo prazo. Aduziu que o empréstimo foi realizado em 1991, e juntou cópias dos Livros Diários desde 1997 para demonstrar que o contrato vem sendo mantido desde então, com oscilação do saldo credor devido à movimentação de crédito e débito entre as partes. Juntou também as DIPJ a partir de 1997 para demonstrar que tal passivo foi ali declarado, sob a rubrica “outras contas” do passivo circulante. Ponderou que não se pode exigir a documentação referente a fatos e negócios jurídicos entabulados em 1991, não havendo a obrigação legal para a guarda de documentos e livros fiscais por período superior ao prazo decadencial/prescricional, nos termos do artigo 195, parágrafo único do CTN. Reafirmou a validade e existência da dívida contraída, sustentando que, decorridos 5 anos desde o fato gerador, é vedado exigir prova de algo que, ainda que tacitamente, foi reconhecido pelo Fisco. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 5 4 Argumentou que a empresa credora há tempo não mais figura como sua sócia, tendo encerrado suas atividades no Brasil, e com ela não tem mais contato, sendolhe impossível demonstrar o débito por meio de documentação da credora. Disse desconhecer o paradeiro da empresa credora e as razões pelas quais suspendeu a cobrança da dívida. Afirmou que o passivo não foi pago, e que aguarda apenas o decurso da prescrição da relação jurídica, de dez anos, conforme artigo 205 do Código Civil, para darlhe baixa, estando o débito exigível. Acrescentou que a fiscalização está exigindo do contribuinte a prova de algo que não fez, isto é, que não pagou a dívida, e não se pode exigir a produção de prova negativa, que é impossível de ser realizada. Citou decisões do CARF, no sentido de que é imprescindível a prova, por parte do Fisco, da inexistência da dívida ou sua quitação, para a caracterização da omissão de receita. Ponderou que, caso mantido o lançamento nessa parte, as despesas respectivas ao pagamento do passivo deveriam ser consideradas, inclusive a variação cambial. Quanto à glosa de despesas, afirmou que não se trata da perda sobre um crédito de R$ 850.000,00, mas o reconhecimento da perda de inúmeros créditos de pequeno valor, adquiridos da empresa UFS Participações S/A. em 10 de janeiro de 2000, conforme “Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditícios”. Explicou que, por ser empresa de factoring, recebeu da empresa UFS Participações (que assumiu o controle acionário da empresa Unidas Rent a Car, que atua no ramo de locação de veículos) uma relação de títulos vencidos, pelos quais pagou valor com sensível deságio. Os títulos adquiridos referiamse a locações e multas não quitadas por centenas de locatários de veículos, perfazendo inúmeras pequenas dívidas. A cobrança foi contratada com a empresa BK Cobranças S/C Ltda., que prestava contas periodicamente, apresentando “Relatório de Borderô”, que consignava os títulos em cobrança, e “Relatório de Devolução de Títulos”, enumerando os títulos devolvidos e a solução dada – pagamento ou não. Os títulos inadimplidos, computado o deságio do investimento, foram deduzidos como “outras despesas operacionais”. Disse estarem atendidos os requisitos do artigo 340 do RIR/99, §1º, inciso II, “a” e “b”, pois cuidavamse de valores inferiores, em sua maioria, a R$ 5.000,00, e nunca superiores a R$ 30.000,00, e todos os títulos foram submetidos a cobrança administrativa. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo (DRJ SP1) rejeitou as preliminares e cancelou a exigência a título de omissão de receitas, embasada em passivo, recorrendo de ofício, mantendo a glosa da dedução a título de perdas extraordinárias. É a seguinte a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 6 5 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. A fiscalização não demonstrou ter havido o pagamento de obrigação sem sua baixa, mas considerou que o passivo contabilizado não tinha suporte em documentação, ou seja, seria verdadeiramente “fictício”, para justificar entrada de receitas no caixa sem submetêlas à tributação. Neste caso, a omissão de receita apenas pode ter ocorrido no momento da contabilização do empréstimo considerado como fictício, não se estendendo a presunção para os anos posteriores, ainda que o passivo permaneça na contabilidade indefinidamente. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. EMPRESA DE FACTORING. Mantémse a glosa de despesa alegadamente decorrente de perdas no recebimento de créditos adquiridos por empresa de factoring, uma vez que o contribuinte sequer apresentou os títulos adquiridos nem explicitou sua contabilização, tanto no que se refere à aquisição como à perda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 FORNECIMENTO DE DOCUMENTAÇÃO JUNTAMENTE COM O AUTO DE INFRAÇÃO. O artigo 9º do Decreto nº 70.235/72 não impõe ao Fisco que sejam fornecidos ao contribuinte, juntamente com os autos de infração, toda a documentação a ele correlata, mas exige, isso sim, que o processo administrativo no qual se insere o lançamento contenha as provas que levaram à autuação. Desde que o processo seja franqueado para vistas ao autuado, não se vislumbra nulidade no procedimento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. O MPF é meramente instrumento de controle administrativo da atividade fiscal, com vistas a proporcionar transparência ao trabalho do Auditor Fiscal e organizálo no âmbito interno da administração tributária. Não é requisito de validade do lançamento tributário, tampouco constrange a competência Fl. 999DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 7 6 outorgada pelo Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária ao agente fiscal. Impugnação Procedente em Parte Às fls. 951/955, cópia da intimação encaminhando a decisão. Às fls. 957, cópia do Aviso de Recebimento assinado em 10 de abril de 2013 (identificação do recebedor: Waleska E. da Silva). Às fls. 958 cópia do envelope, com devolução ao remetente (Secretaria da Receita Federal do Brasil) postada em 20 de abril. Às fls. 960, cópia do edital de ciência, afixado em 25 de abril e desafixado em 13 de maio. Às fls. 965, relatório dos Correios, com rastreamento do objeto enviado por Sedex. Em 16 de julho de 2013 foi protocolizado recurso voluntário, no qual o contribuinte levanta a preliminar de tempestividade, postulando nulidade da intimação via edital afixado na repartição. Relata que no “AR” relativo ao envio da intimação da decisão para o seu endereço consta assinatura do recebimento por uma pessoa desconhecida, identificada como “Valesca E. da Silva, e que no verso do envelope consta a informação de que a Recorrente teria se mudado do endereço em questão, novamente com aposição da assinatura de Valesca E. da Silva. Diz que, muito provavelmente como cosequência da informação fornecida de mudança de endereço, foi efetuada a intimação por Edital. Afirma que nunca mudou de endereço, conforme prova sua ficha cadastral emitida pela Junta Comercial, e que não houve uma segunda tentativa de intimação. Diz que se a Receita Federal tivesse o mínimo esmero ou até mesmo vontade de efetuar a intimação, teria consultado seus cadastros ou até mesmo os cadastros estaduais, e constatado que o endereço da Recorrente não foi alterado. Aduz que a Receita Federal ignorou a existência de procurador nos autos, com endereço apontado e conhecido, e que apresentaram requerimento para que todas as notificações/publicações fossem procedidas em seu nome, o que sequer foi indeferido. Invoca o art. 26, § 3º, da Lei nº 9.784/99. Diz que a intimação feita por edital malfere o primado da ampla defesa, porque a mera afixação na repartição é incompatível com a almejada ciência, quanto mais diante da possibilidade de fazerse a intimação por publicação em imprensa oficial, divulgação na Internet, intimação do procurador ou intimação dos sócios. Invoca jurisprudência do CARF (Acórdãos 280100.321 e 1202000733). Concluiu requerendo a nulidade da intimação e requer seja considerado como termo inicial a data em que efetivamente a Recorrente teve vista dos autos (03/07/2013). Quanto ao mérito, diz que a maioria dos títulos que compõem as perdas são de valor inferior a R$ 5.000,00, que foram cumpridos os requisitos constantes do art. 340 do RIR/99, reafirma que os documentos acostados nos autos revelam que nenhum dos títulos Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 8 7 creditícios possui valor superior a R$ 30.000,00, bastando o procedimento administrativo para que os valores possam ser deduzidos. Diz que a DRJ afirmou que a Recorrente não teria explicitado a forma de contabilização. Diz ser plenamente possível extrair do “Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditícios” quais foram os créditos adquiridos pela Recorrente, que consistem no faturamento de locação auferido pela “UFS Participações S.A. no período compreendido entre 07/97 a 06/2000. Afirma que o Relatório de Borderô juntado aos autos, que consigna os títulos em cobrança, e o “Relatório de Devolução de Títulos” tornam transparente a contabilização e consequente dedutibilidade da perda. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Do Recurso de Ofício O crédito exonerado supera o montante que obriga a revisão necessária, devendo ser conhecido o recurso de ofício. A matéria diz respeito à presunção de omissão de receitas lastreada na manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, conhecida como “passivo fictício”. No caso, tratavase de passivo que vinha de anos anteriores, e para o qual o contribuinte não apresentou prova documental de sua existência. Discorrendo sobre a presunção fundada e “passivo fictício”, argumentou a decisão recorrida: (...) Para entender a lógica da presunção legal, podemos imaginar duas situações possíveis: a) O contribuinte pagou a dívida, porém não tinha recursos contabilizados em caixa para justificar o pagamento, e por isso não deu baixa da obrigação. Presumese, portanto, que os recursos para quitação da dívida originamse de receitas sonegadas da tributação e não contabilizadas. b) O contribuinte contabilizou o recebimento de valores a título de empréstimo (valores estes que não são tributáveis), para justificar o que, na verdade, correspondia a receitas, que assim restariam à margem da contabilidade e da tributação. O caso em questão condiz com a hipótese “b”. A fiscalização não demonstrou ter havido o pagamento de obrigação sem sua Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 9 8 baixa, mas sim considerou que o passivo contabilizado não tinha suporte em documentação, ou seja, seria verdadeiramente “fictício”, para justificar entrada de receitas no caixa sem submetêlas à tributação. Ocorre que, neste caso, a omissão de receita, logicamente, apenas pode ter ocorrido no momento da contabilização do empréstimo considerado como fictício, não se estendendo a presunção para os anos posteriores, ainda que o passivo permaneça na contabilidade indefinidamente. Este é também o entendimento do CARF: “PASSIVO FICTÍCIO Não é possível presumirse, em face de não comprovação da existência da obrigação, omissão de receitas em ano calendário posterior aquele em que o lançamento contábil da obrigação foi efetuado. 1º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10323.063 em 13.06.2007. Publicado no DOU em: 25.09.2007.” No caso, a fiscalização considerou a receita como tendo sido omitida em 2005. No entanto, no próprio Diário de 2005 (fls. 63 e 64), analisado pelo Auditor Fiscal, percebese que a obrigação havia sido transportada do ano anterior, ou seja, a omissão não poderia ter acontecido em 2005. Ademais, o contribuinte junta à impugnação os Livros Diários de 1997 a 2007 (fls. 324 a 399), onde se pode constatar que: o suposto empréstimo remonta ao ano de 1997, no mínimo; de 1997 a 2004 foram contabilizados recebimentos e pagamentos do empréstimo da mesma empresa, além de juros e variação cambial; a partir de 2005 apenas foi registrada variação cambial, negativa no ano. Concluo, portanto, que as receitas apenas podiam ser consideradas omitidas nos anos anteriores a 2005, e por isso excluo do lançamento a receita considerada como omitida, no valor de R$ 2.799.652,10, com reflexos no lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Irretocável a decisão, que deve ser confirmada pelos seus judiciosos fundamentos, que subscrevo para negar provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário. A Recorrente postula pela nulidade da intimação efetivada por edital, para postular a tempestividade do recurso. Dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 10 9 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito). II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito). III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005). b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 11 10 c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” Consta dos autos comprovação do recebimento da intimação no domicílio fiscal do contribuinte (assinada por Waleska E. da Silva), em data de 10 de abril de 2013, o que é suficiente para considerar feita a intimação nessa data, independentemente da alegação de que o subscritor do recibo no “AR” ser pessoa estranha à empresa, conforme jurisprudência pacífica. Contudo, o envelope foi devolvido ao agente postal em 20 de abril, para restituição ao remetente (SRFB), com o carimbo dos Correios aposto no verso assinalando “mudouse”, informação dada ao serviço postal por Valeska Silva. Observo que a assinatura no “AR” de recebimento e no carimbo de devolução é, aparentemente, da mesma pessoa, porém no “AR” o primeiro nome parece estar grafado iniciando com a letra W, enquanto no carimbo de devolução está grafado com a letra V. Outro fato inusitado é a devolução ter se dado 10 dias após o recebimento, pela mesma pessoa. Ora, a Sra. Valeska, no dia 10 de abril recebeu a correspondência no endereço de entrega e assinou o recibo no “AR”, informando inclusive seu RG. Se ela tivesse a informação de que o destinatário havia mudado, não teria recebido, e o agente postal teria assinalado essa informação no próprio “AR”, onde consta campo próprio para essa situação. Estranho é, 10 dias após ter recebido a correspondência, a mesma pessoa têla devolvido Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002465/200970 Acórdão n.º 1301001.546 S1C3T1 Fl. 12 11 alegando que o destinatário mudouse, informação essa negada depois pelo contribuinte/destinatário. Assim, ao determinar a intimação por edital, a SRFB cumpriu o disposto no § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, pois resultou improfícua a intimação por via postal. Observo que as disposições (mencionadas pela Recorrente) da Lei nº 9.784/99), que rege o processo administrativo federal, só tem aplicação ao processo administrativo fiscal de forma subsidiária, conforme prevê seu art. 69. No que respeita à intimação, as normas aplicáveis são as previstas no Decreto nº 70.235/72, que tem disposição expressa a respeito. Pelas razões expostas, não conheço do recurso voluntário, por intempestivo. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900125/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.900125/2012-81
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392639
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.562
nome_arquivo_s : Decisao_10480900125201281.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10480900125201281_5392639.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5684688
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254923739136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.900125/201281 Recurso nº 001 Voluntário Acórdão nº 3801003.562 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente DELTA VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 01 25 /2 01 2- 81 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ RECIFE/PE, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, protocolizada aos 09/03/2012 contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife DRF/ RECIFE/PE, do qual a contribuinte tomou ciência aos 10/02/2012, por meio do qual foi indeferido o Pedido de Restituição PER aqui tratado, em que é indicado suposto crédito, no valor de R$ 2.143,62, a título de pagamento indevido ou a maior realizado a título da COFINS em relação ao período de apuração de julho de 2003, no valor de R$ 11.391,58. 2. O indeferimento se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. 3. No recurso, a defendente solicita a reunião dos processos administrativos que relaciona, os quais alega ter o mesmo objeto e causa de pedir (restituição de conjecturados créditos, apurados em diversos meses, decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS/COFINS, pautados na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998). 4. Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na sua visão, impediria o risco de que neles fossem proferidas diferentes decisões , o princípio da economia processual, a otimização dos trabalhos da recorrente e da Administração Tributária, a determinação constitucional de razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, estriba o pedido na disposição contida no art. 103, do Código de Processo Civil – CPC e, ainda, em opiniões doutrinárias e em precedente do então 1º Conselho de Contribuintes. 5. Na seqüência, critica a defendente que, contrariamente ao disposto no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida aos 30/12/2008 pela RFB1, não fora intimada a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição seria deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito. 6. Argumenta que, nos termos do art. 142, do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei. 7. Fala, ainda, que, como a Fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, imporseia a reforma do Despacho Decisório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900125/201281 Acórdão n.º 3801003.562 S3TE01 Fl. 12 3 8. Adiante, tece considerações quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte, após o que aduz que, conquanto a inconstitucionalidade haja sido reconhecida no controle difuso, foi a questão decidida em sessão plenária do STF, razão por que os órgãos da Administração Tributária devem afastar sua aplicação, aos moldes do que determina o art. 26A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 59, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, disposição esta que também estava encartada no art. 49, parágrafo único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes e, atualmente, está embutida no art. 62, §1º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 9. Destaca que o art. 62A, caput, do RICARF, vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B, do CPC, tal como ocorreu, na situação aqui tratada no RE nº 585.235 – o que reforçaria que o entendimento do STF quanto à citada inconstitucionalidade deve ser aplicado no caso dos autos. 10. Pondera, outrossim, que “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência” e que “seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento este que a recorrente escora em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que faz remissão. 11. Conclui a questão dizendo ser indubitável que o entendimento do STF nos recursos extraordinários por ela referidos deve ser empregado pelas autoridades administrativas em suas decisões. 12. Avante, diz a recorrente que na base de cálculo da contribuição aqui tratada “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços” e que, no caso concreto, tem direito ao crédito requerido no PER, correspondente ao valor desta contribuição que teria sido calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento. 13. Sustenta que, para que não pairem dúvidas, anexa documentos hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado. 14. No final da Manifestação de Inconformidade, a recorrente: (i) requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que a matéria discutida não foi submetida à apreciação judicial; e (iii) protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícias, a realização de diligência e a juntada de documentos. 15. Ao recurso a contribuinte anexou, além de documentos de representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído; e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 16. Este julgador anexou aos autos extratos emitidos no sistema DCTF/CONS. Analisando o litígio, a DRJ de Recife/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO.RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº9.718/98. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DEVENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em DCTF e pór ela recolhido a título da COFINS foi calculado sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, resta incomprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido sob o fundamento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada.Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900125/201281 Acórdão n.º 3801003.562 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte, invocando o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuição ao PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, requereu a restituição dos valores indevidamente recolhidos. Sendo indeferido o pedido administrativo de restituição, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, à qual juntou aos autos, além de planilhas que supostamente comprovariam o seu direito creditório, os balancetes, com a segregação das receitas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a delegacia de julgamento de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou a maior dos créditos tributários invocados no pedido de restituição. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensina o ilustre professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900125/201281 Acórdão n.º 3801003.562 S3TE01 Fl. 14 7 IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido.(Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil. Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da base de cálculo das mencionadas contribuições. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as conclusões da Delegacia de Julgamento de Recife (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao Fisco para que considerasse como base de cálculo da COFINS a receita bruta, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28/11/2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900125/201281 Acórdão n.º 3801003.562 S3TE01 Fl. 15 9 Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o tema, ser improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, voto por julgar procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000515/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos; I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14367.000515/2009-10
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391329
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.710
nome_arquivo_s : Decisao_14367000515200910.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14367000515200910_5391329.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos; I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5673299
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254930030592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 175 1 174 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14367.000515/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.710 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA HORAS EXTRAS Recorrente VIDEOLAR SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 05 15 /2 00 9- 10 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos; I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14367.000515/200910 Acórdão n.º 2401003.710 S2C4T1 Fl. 176 3 Relatório VIDEOLAR SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Belém/PA, Acórdão nº 0121.767/2011, às fls. 118/124, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim consideradas as verbas pagas a título de HoraExtra, em relação a competência 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 31/34, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração (Obrigação principal), lavrado em 29/12/2009, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário devidamente consignado na folha de rosto da autuação. De conformidade com o Relatório Fiscal, as contribuições previdenciárias ora lançadas foram apuradas por arbitramento, com esteio no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que o sujeito passivo não disponibilizou todos os documentos referentes às divergências dos valores informados na Declaração de Informações Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, como rendimentos do trabalho assalariado, e, as remunerações declaradas nas GFIP’s, solicitados através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e Termo de Intimação Fiscal – TIF. Informa, ainda, o fiscal autuante que no final do mês de dezembro, a contribuinte registrou as horas extras dos seus empregados, contabilizando um custo incorrido significando que os serviços já foram prestados e o valor a ser pago, mesmo que seja realizado em mês posterior, em respeito ao regime de competência, a despesa deve ser registrada no mês em que os serviços foram prestados. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 138/163, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente injustificado e imotivado. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela autuada, ainda que contendo pequenos erros, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Sustenta que as horas extras foram pagas aos funcionários da contribuinte por força de Acordo Coletivo, tendo sido provisionadas em dezembro de 2004, somente ocorrendo a baixa da provisão quando da disponibilidade econômica da empresa, em março de 2005, em observância ao regime de caixa. Ressalta que as contribuições previdenciárias, FGTS, SEFIP, etc, incidentes sobre as importâncias pagas a título de horas extras foram devidamente recolhidas, consoante restou devidamente comprovado mediante os documentos acostados aos autos junto à impugnação, os quais não foram corretamente analisados pela Turma recorrida. Neste sentido, defende que o presente crédito previdenciário encontrase extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja decretada a improcedência do feito. Alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição destinada ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5º, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei 8.212/91, não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória e abusiva, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão, sobretudo pela inexistência de qualquer infração incorrida pela contribuinte, entendimento que se presta, igualmente, para rechaçar os juros de mora. Mais a mais, argumenta que os juros de mora somente podem ser exigidos no momento em que o devedor realmente atrasa a prestação a qual se comprometeu, o que não se verifica na hipótese dos autos, onde não há crédito tributário definitivamente constituído, eis que ainda suspenso por força da discussão administrativa, com fulcro no artigo 151, inciso III, do CTN, sendo incerto e por isso não pode aceitar cobrança de juros de mora, senão quando da sua decisão final e imutável (irrecorrível). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14367.000515/200910 Acórdão n.º 2401003.710 S2C4T1 Fl. 177 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada em razão da constatação da ausência de recolhimento das contribuições sociais, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim consideradas as verbas pagas a título de HoraExtra, em relação à competência 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 31/34, e demais documentos que instruem o processo. De conformidade com o Relatório Fiscal, as contribuições previdenciárias ora lançadas foram apuradas por arbitramento, com esteio no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que o sujeito passivo não disponibilizou todos os documentos referentes às divergências dos valores informados na Declaração de Informações Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, como rendimentos do trabalho assalariado, e, as remunerações declaradas nas GFIP’s, solicitados através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e Termo de Intimação Fiscal – TIF. Informa, ainda, o fiscal autuante que no final do mês de dezembro, a contribuinte registrou as horas extras dos seus empregados, contabilizando um custo incorrido significando que os serviços já foram prestados e o valor a ser pago, mesmo que seja realizado em mês posterior, em respeito ao regime de competência, a despesa deve ser registrada no mês em que os serviços foram prestados. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, a qual demonstrou em sede de impugnação os erros materiais intransponíveis incorridos pela autoridade lançadora, que baseou a autuação em meras presunções. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD e o Relatório Fiscal da Autuação, além das demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, notas fiscais, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Destarte, é direito da contribuinte discordar da imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência, especialmente quando a recorrente não comprova o alegado. DO ARBITRAMENTO MÉRITO Em suas razões recursais, requer a contribuinte seja decretada a insubsistência do lançamento, por entender fundarse em simples presunções, afrontando os princípios do devido processo legal e da verdade real ou material, eis que não poderia ter sido utilizado o instituto da aferição indireta em detrimento aos documentos ofertados pela recorrente, que contém os elementos concretos para apuração das contribuições previdenciárias ora arbitradas. Aduz, ainda, que a autoridade lançadora não logrou comprovar suas alegações, na forma que exige a legislação previdenciária, sendo o lançamento fundado exclusivamente em presunções, não merecendo, assim, ser mantido. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a fiscalização utilizouse da aferição indireta na apuração do crédito previdenciário ora exigido, sem qualquer motivação para tanto, sendo referido procedimento medida extrema, somente passível de utilização em casos como inexistência de escrituração contábil, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não são capazes de macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, impondo seja mantida a autuação em sua integralidade, conforme passaremos a demonstrar. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor. Na hipótese de não refletir o movimento real das remunerações dos funcionários da empresa, ou quando o contribuinte deixar de apresentar os documentos solicitados, os quais seriam capazes de demonstrar a perfeita base de cálculo ou comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias, a fiscalização dispõe de instrumentos excepcionais, arbitramento, por exemplo, para lançar os tributos devidos, atividade esta vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade, como se vislumbra no caso sub examine. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14367.000515/200910 Acórdão n.º 2401003.710 S2C4T1 Fl. 178 7 Dessa forma, in casu, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, que assim preceitua: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.” Conforme se depreende do dispositivo legal encimado, bem como dos elementos constantes dos autos, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No entanto, tratase de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca. (CTN, art. 204 e parágrafo único). Na hipótese vertente, consoante se infere do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora ao promover o lançamento, imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por tratarse de presunção juris tantum, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido. A recorrente assim não procedendo com documentos hábeis e idôneos, é de se manter o lançamento na forma da peça vestibular do feito, não havendo que se falar em afronta aos princípios do devido processo legal e da verdade material ou real. Com efeito, restou devidamente demonstrado nos autos, especialmente Relatório Fiscal da Autuação, que a fiscalização solicitou à contribuinte documentos referentes às divergências dos valores na DIPJ, com rendimentos do trabalho assalariado e as remunerações declaradas em GFIP, não tendo a contribuinte apresentado aludida documentação, impondo ao AFRB promover o lançamento por aferição indireta nos precisos termos da legislação de regência, cabendo à autuada o ônus da prova em contrário. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Destarte, em que pese se insurgir contra o arbitramento, em momento algum a recorrente nega que tenha deixado de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, fixando seu inconformismo basicamente na data do pagamento das horas extras, que teria ocorrido em 03/2005, com o suposto recolhimento de todas as contribuições previdenciárias pertinentes. Neste ponto, aliás, repisa o argumento que as contribuições previdenciárias devem observar o regimento de caixa e não de competência, razão pela qual impõese admitir que os pagamentos somente ocorreram em março de 2005, com o respectivo recolhimento dos tributos devidos, não obstante o provisionamento ocorrido em 31/12/2004. Entrementes, melhor sorte não está reservada ao contribuinte, como passaremos a demonstrar. A uma, o fato gerador da contribuição previdenciária nada mais é do que o próprio saláriodecontribuinte admitido pela legislação de regência, representando a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados pelos serviços prestados no respectivo mês (competência), consoante se infere dos ditamos inscritos no artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).” Extraise daí, que, de fato, deve ser levado em consideração o regime de competência para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Ou seja, prestado o serviço no mês de dezembro, dando ensejo ao pagamento de horas extras, impõese seja lançado o eventual tributo devido naquela competência. É bem verdade que nos parece estranho à tributação sobre uma provisão contábil pertinente ao que será pago a título de horas extras aos empregados da empresa. Entrementes, uma vez chamada a explicitar aludida constatação a contribuinte quedouse silente, o que atraiu para o caso o procedimento do arbitramento, onde a autoridade lançadora lança as contribuições devidas, apuradas por aferição indireta, invertendo o ônus da prova ao contribuinte, como acima explicitado. Aliás, somente a título de esclarecimento, mister ressaltar que a discussão posta nestes autos se fixa, basicamente, no mês/competência a ser adotada para fins do lançamento das contribuições previdenciárias. Isto porque, a contribuinte em momento algum se insurgiu quanto ao não pagamento de horas extras ou mesmo contra a incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas. Limitouse a inferir que o pagamento de referida verba ocorrera em março de 2005, com os respectivos recolhimentos das contribuições previdenciárias devidas. No entanto, o importante e ter conhecimento de quando as horas extras ocorreram e, in casu, nos parece Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14367.000515/200910 Acórdão n.º 2401003.710 S2C4T1 Fl. 179 9 correto a afirmação da fiscalização no sentido que foi em dezembro de 2004, data da provisão contábil. Mesmo porque, causaria estranheza imaginar que a empresa, em dezembro de 2004, imaginou a totalidade de horas extras a serem cumpridas em março de 2005, registrando em sua contabilidade aludido provisionamento. E, ocorrendo as horas extras em dezembro de 2004, em razão dos serviços prestados pelos seus funcionários, aquela é a competência a ser adotada por ocasião do lançamento fiscal, na hipótese de não recolhimento das correspondentes contribuições previdenciárias, como procedeu corretamente o fiscal autuante. Por derradeiro, quanto as GFIP’s e GPS apresentadas pela contribuinte em sede de impugnação, como muito bem restou consignado na decisão de primeira instância, não se referem à competência 12/2004, mas, sim, 03/2005, não sendo possível identificar se os valores declarados e pagos nesta última competência se referem ao fato gerador das contribuições previdenciárias ora lançadas. Para tanto, se fosse o caso, deveria a contribuinte ter promovido a retificação das GPS’s para a competência 12/2004, com a respectiva alteração da GFIP’s de 12/2004 e 03/2005, de maneira a darlhe direito à restituição de pagamentos indevidos realizados em 03/2005. Assim não o tendo feito, não há como se acolher sua pretensão, impondo seja mantida a exigência fiscal em sua plenitude. Observese, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea, mormente tratandose de lançamento por arbitramento. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como as contribuições lançadas e os acréscimos legais ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14367.000515/200910 Acórdão n.º 2401003.710 S2C4T1 Fl. 180 11 dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002432/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.186
Decisão: Resolvem os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 12466.002432/2006-61
conteudo_id_s : 5385348
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-000.186
nome_arquivo_s : Decisao_12466002432200661.pdf
nome_relator_s : LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 12466002432200661_5385348.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
id : 5646271
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254934224896
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:09:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:09:38Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:09:39Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:09:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2de9211d-5361-4d81-860d-b768427653c6; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:09:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:09:39Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:09:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:09:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:09:38Z; created: 2011-03-10T13:09:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-03-10T13:09:38Z; pdf:charsPerPage: 911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:09:38Z | Conteúdo => Judith do Ainal areon( es A.rmando - Presidente 1 I Awl ano I ,opes de Alm i Ia aos - Relator Editado Em: 12 de janeiro de 2011 S3-C 21 I 1 , 1 132 MINISTÉRIO DA FA ZEN DA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS 1.1SCA1S " TERCEIRA SLI.,.'ÃO DL. RILGAM1N - 1 - 0 Processo n" I 2466.002432/2006-61 Recurso n" 341.605 Resolução n' 3201-00.186 -- 2." (-Amara / 1" Turtna Ordinária Data 09 de &zombi-0 de 2010 Assunto Sol icita06 de Di 1ig6neia Recorrente COTIA TRADING S.A. - H. STERN S. Recorrida FAZLNDA NACIONAL, Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos.. Resolvent os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento en diligencia Participaiam da sessão de julgamento Os conselheiros: Judith Do Amaral. Marcondes Armando, M{:Teia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo .Ribeito Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri., Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes De Almeida Montes. PlOeCSSO fl" 12166 002132/2006-0 I S3-C211 Rc;.solu(zIio ii " 3201-00..18'6 I I 33 Relatório Pot bem descrever os Ettios relativos ao contencioso, adoto o relato do Ougao julgadot de p rimeira instdacia ate aquela lase: Trani o presonto processo dos Auto do ITO aeCio do fly. 06 a 104, lavrado', para a evig&leia de RS 8.53 128,94, a find° de fmposio de Impoitaçáo (11), do R$ 1 066 9.55,63, relativamente ao Impost() sobre Produtos Indust, ializados (1P1), de 11$ 239.157,31, t.orro.spondante a C.'onnibuiçao para o 1, inanciamento da Segwidade Social (C()FINS), de. R$ 51.921,94, rejerente a Connibuio paia o PIS/PASP,P, aci osedo. do nitrite, de oficio qualificada (150%) a jui oy do moia, do 11$ 4 270 148,86, a litulo de multa do (:0011 0/0 adininiytraiivo day importaçâoY (100% solve a dikrem,:w entre o pi aço deelatado e aço arbitrado). e do 11$ 1 998 048,92, 001 respondente a multa pot entrega a con sumo ou CO1'I7UI110 01.0 111 CI OA/OH(' os/i angaiius impottaday de Jot ma droga/ai ou proviyta no ail 83, inciso 1 da Lei n" 4 502/1.964, com a rodaçCio dada polo art 1" do Docroto-lei it' 400/1968, regulamentada pelo art 631 do Deefeto it" 4 543/2002 (Regulamento Aduaneiro R1i/2002) Como se &preemie da pe(a acusatória, a cvigencia do credito tributái io, inlet° qualificado, enconna-ye finmalizada com pluialidade de sujeitos passivos. estando - na condiço de contribuinto, a emprcYa Cotia Trading 5.4 , CNP,! 72.891.955/0001- 97; a b) n 11 condt0o de devedoia solidária, a empresa H. Stern Comereio e Indnytria S A (..N.PJ 33 388 943/0001-92 0 lançamento foi motivado pelo fato do a fiscalização foi • entandido w.q• a empresa H.Stern Com/raio e Industria S A a peal adquirente da.y nmeroadoria.s despachadas modianto as _Doclaraçõos de Impoitaçjo (Ws) relat.lonaday a .)1. 12, regisirada.s (VIM) OperaOkti poi conta própria da Cotia Trading SA ,S'egundo 0 autoridado autuante, a 1-1 Stern negociou as metcadorias jurito aos ve)dadairoy exportadores no exterior, utilizando a 010/7? asa agenciamento de cargas AST pan, sublaturá-lay (eyooto no caw dos relógios (*Libidos da cmpreya 1(100 'Loup° SA)ciamete-lus ao Brasil, 0140 loria empregado a into-pos- 10o fraudulenta da Colic, Tiading yara dese.?inbaraçar oy bens pot' preços irrlyórios Na sapiencia, coin() a LI Stern 1010 foi equipaiada a estabelecimento induynial, teria revendido as mercadorias no mercado inferno sonegando o incidente sobro o valor agregado Devidamente cientilicadas, as inloyessadas aprayentaram as sag,nintes impugna(iies a) Cotia Trading SÃ à /is . 758 a 786; e 11 Stern Conil,voio o lndhstr iti S , às IlY 1. 7/16 a 1.824 A empresa Cotia Trading 54 alaga, alui sinteYe, qua 2 l'uoceso 11' I 2.166 0{)2432/20(16-61 S3 -C21 . 1 R.esolux,-.50 n 3201- 0 1.186 11 134 - ao contrario do que afirmou a lisealiza<:ão, no document° encaminhado pelo Sr Adido Aduaneiro da Prança /via a /10i7T1ca do não existe qualquer informa(ao cio sentido de que a empresa /1ST (pre CO r q01.1 Como exportadora nas 1)1s autuadets, nao teria pet /PIS para afttar como cmpi csa COrriel ( lcd, sido eonsignado, apenas, que a suer atividade principal 7 a organizeke'io de transportes mar iiimas e ac'Teas, o quo niio intphea, em principle), a proibieão de re'_alizacão transações comer eirtis - cabe ressahar , outrossim, tyre as afirmações do 5 Adido Aduaneiro, confir uvulas por depoimento do gerente da empresa _AST, rekrent-VC a um suposto envio de faturcis em Inane() da AST para a empresa 'Terranova, lato (pre nao tern relação ellgurna corn a impugnante„ nutiro menos corn as Ph olyelo da pc esente autua(lio; - a par de ne-io se poder c>ti air do referido document() a ilacao pretendida pela fisealiz(4'7lo, vet /11 ca-se clue as info/ Tila“.56'S COn/idel%, relativas (ulna empieSa, .for am tornados por ono c'?stinto para servir de elemento probatório no tocante u.s importações ealizadas pela impufrflante, pra lice( vedada pelo Direito 'Tr ibutario, - o Conselho Conn ibuintes tem reiteradamente rejeitado utilização de prova emprestada, como demonstram as ementas (le decisões transcrilas d.c fls 761 a 762, as empresas coou'; ciais importadoras habitualmente praticam duas for mas de opera (ito. a importa(iio poi conta pi6j.iria ocorTc quando hci aquiskdo incrcadin ias no exterior para revenda a qualquer interessado, ou para cumprimento de contrato de compra e venda previamente celebrado corn o proini.sst'irio comprador, coin° HO caso sob exame, a imporiacao por conta e ordem se verified quando a pessoa prridica importadota faz a intermediação entre exportador estrangeiro e (ulquirente nacional, agindo a mando e corn recursos deste; - em vista disso, c> passivei afirmar que, on importação por conta própria, hc ulna 'Mica figura, vie é! a do importador (que compra nl /eiCcldoria para cvcnti,icii revenda, suportando os. riscos do negócio), ao passo que, na 11flpor1a0o por contcm e ordem, hit duas pessoas envolvidas no operay'io o importador (prestador de sci 14(0 que promove a importacão de mercadoria para terceiro) e o adquirente (que compra ci nzereadoria e contrata o importador para traze-la do everior); - o Par eccr PG FIV/Cil 7 n" 1.316/2001 e o Ato Declaratório Interptetalivo ,SRF n" 07/2002 apontam a pos_.sibilidade da cwt .» eia comm.:la! importadora _ser a *fivei. proprieliiria das mercadorias importadas, quando preencher requisitos que configuram O importação pot. conta prc3puia, previslasno Citad0 ,- - a responsabilidade financeira do importador pela operação de comércio exterior- 7 elemento decisivo para configurar HMO open a(ão por conta prijpria ou por conto e ordem de terceiro, conforme se depreende do Lei n" 10,637/2002, que modificou disposições do Decrelo-Lei n" 1.455/19/6 e (1(11,0. n" 9 430/1996; 3 Proc_ww if' 12466 002432/M06-01 S3-( 211 ResohOo ti 32011)0.18G H 135 tend() o pessoa juridic-a importadoia adquirido a piopric-dade da incrcadoiia C C responstibilizado financeiramente jiela apeto00, TOO SC pode cogitor prOtica destinada O dissimular ulna "importay'io pot conla e ordem" corn o ol)jetivo de oeuhar o "real adquirente" da ineicadoria, - t1CS.Se .wizildo, 10i aprovado pelo Congress() Nacional o art. 11 da Lei a" 11.281/2006, com o claro propósito de dirimir as diverg(:?ncias interiaelativas causadoras dc eontrovJ'rsia entre importodoies e fiscalizaedo, - I econheceu 0 legislador, Jesse modo a distin(Cro olive as importações pot encomenda e as impormoTres poi (onta e 01 (Lem, em (/25 fl) corn nitido car (1 ter de( fat at°, io, - evidencia-se, (Jesse modo, a precariedade dos- af»,-umentos em que se susterna 0 Auto de Irrliaelio, fbI nao imh( wear qualquer elemento que denote icrein sido (15 (Tel 0e0e5 realLadas 1101 conta e ordern de tel .( eir 0, devoid() ser consider-ado itiStfbSistente a outuaefio fandomentai .-se em trulicios fi'a•eis e insuficientes, consoante jurist» mh2ncia reproduzida 771 a 772,- - a fiscaliaiecio deixou de investigar a capacidade económico do importador e a otif,reni, dispenibilidade e tionsfelência cloy recursos envolvidos, con/ame monda mento prcoettpando-se openers em inis(vi 0011'01 indícios que, no sett entender scriam suficientes para ("cm...also -or pretensa irregular ¡Wade no prOCediMCIlt0 iMpif.5V1(.1111e, - 1/1C1 -(1 pFe5'Ci7(V. (IC 11111 adquil erne predeterminado não desvaraeleriza maw e-z(1 inTi0 71.w da op:7a(ao de importacrio, tratando-se de modalidade de operaedo por (Anna ópr ia, a iinportaea.0 por encomenda. atualmente disciplinada pela Lei n" 1 1 281;2006; - diversamente do alegado pela armaidade amiunne, a impngnarne aSSUMItt OS fiscos cOMerChliS da.S operaecies, corifiame atestam OS document() S anevo.s (eontratos eambio C ac.'ordo comer.cial eelebrodo entre a (Arno c a 5IC3 n. - 0 fide de a encomendanie ter con/aios pr(vios coin os exportadores, negociar preeos C estabelecer vinculas COMO mais que incluem a Ía/li/Ca çO0 de produto.s COP! a sua alarm exdusiva ern nada alCia a natureza furidic..xt das import-U(6'es realizadas, - a° (0/11/ (0 io do que tentou 'Ozer crer a liscalialciio, houve liter° nas operações, decor-I-ewe da concessão (10.5 ineentivos financciros poi parte do Estado do Espirito ';'orno, li/ida CA:is-I/n(10 de irregular on ilegilim° fiesta forma de ganho; - 0 lino de a cncomendante exigir exchisividade para aquisicao dos produtos importado.s larn14:7n rido dc,v-araeletiza as importay)e.s por conta 0 procedimento da impugnaine esta e011fil rillidade COM iniefirreta(5° fiscal constante do ALV SR» n'' 07/2002, o que olOsta a 4 Procexso n' 12466 00243212 066-61 S3-C211 Resol cição 3201-00. 186 PI 1 . 36 aplicação de qualquer hpo de penalidade, do acordo com o disposto 00 art 610 do 1?egulamento 4duaneira/2002, - igualmente, não pode prevalecer a ac...usacão de subleituramento, pois ale'ln de 'ado ter sido observado O procedimento especial de valoração aduanelia, previsto fristrução Normative' SRF (IN,SR1 ,-) 327/2003, tell imputacão baseia-se em mera prestmeao calcada em provas emprestadas„ O que i ineuhnissivel, não tom conhecimento de supostas negociaeões envolvendo o subfaturamento das inercadorias, unlit° menos tem qualquer l'elacJo Coln 08 documentos apontados pela fiscalização, nunca tondo pago a empresa exportadora AST qualquer valor além daqueles (oustantos dos respective's COilirato) O r.C.111)1.0 relativos a cadet ulna das 1)1s em comento; - cousiderando que o ato lido (arm) fiaudulento consiste 1W imporiaçe'io coin preços aquém do realidade Cl que a impugnante 116111 sequel- negociou precos direlamente eom 0 elpor disto testifier., como conseqfiencia lógica, quo nenhum ato da Coll° ddlagrou o chino, de mod() que não pode ser responsabilizada pot - tributos ou penalidades, nos termos dos arts. 135 e 137 el° Tributário .Nacional. (C1N), - veil:tic:a-se que a lisealizaçao pretende impor di/as penalidades decor retneS do mesmo alegado ato /1/cito (multa majorada do 150% sobre as ditei onças de tributos e multa do .100% .sobre as dif(rcaças entre 0 preco dechirado e o cl edivamente pi ateado, o que configure' inaceitável "Ns in idciii ", - (den' disso, deve ser (onside' ado o carátor conliscatorio das mullets em quest:do, em li/tida violaeá0 ao w 1 150, inciso da Constituicão Federal. sua vez, a 11 Stern Contércio e hulástria A argunienta, em sua dc:fesa, que - preliminar memo, ressalta (pie não legiiima para figurar 00 p6/0 pa`NiVO do Auto de Infr' acao, - não á eablvel a iesponsabilizacão da impugnar/te coin base can suposto hue; esse comum 110 ocoirencia do fato gerador, urna n'T que tal conceit(' se refere a realização conjunta e a paiticipaciio ellieta na situacao quo constitua 0/ato gerador, o que não se ver//loa na hipolose sob caunic, - o encomendante predeterminado, que adquire mercadoria estrartgeira do pessoa juridic° importadora, como é o caso da H. Vern., somcnre U5 SOU a sor . respousabilizado solidariamente em rela cão a opereicócs na importação corn a c.,elicão da Lei n" 11,281/2006, que entrem em vigor após a oeorrencia dos . falos geradores °Net° dos presentes autos; - o relatório de fiscalização esta polvilhado de illeflOCS a operações lerc.viros operrAyieç que 11a0 firCtil park,. da autuação cm comento, invocadas coin o objetivo de Crnli 010(1 .verne..4-:&) generalizada, mas não 5 Process() 12466 002432/2006_61 S3 -C2•1 Rest) ItiOo ci" 3201-W118G 1.1 137 comprovado, de inidoneidade aeerca das emprosas quo adquirem meroaehflias da Cotia - adquiriu as mercadorias importadas, no mere ad° interno, da Co/ia Trading, empresa impoi tdoro e prom ietatia de tais liens, pois colohtou os resj.lectivos contratos de ceinibio e i ealizou OS pagamentos poc conta própria, motivo polo quell as impol tacões jamais podei tom Sc! considelodas como reedizadas coma o ordem da 11 Stern, segundo o disposto no al t .1111 SRE n' 225/2002, no Parecer PGTAI/CAT ii .316/2001 e no ADI SRF ri - c:uso as autoridados fiscais não roputem justo quo determinadas trading:, oq,,,ortizom VIGA Open4:()C1' de modo a (11,fkrir 111C105 em decortalcia do sisioma » IINTL4.P devem busear os meios p °pc iospill a questionar esse sistema, não .se admitindo quo o inconfoimismo fiscal sofa traduzido em acuseleão de »wale 000100 a impugnantc, - elosviando-so do (broil° positivo, sea !Loyd° buscou sustentar quo a aquisição me) (10401 105 polo (101). Trading não rellehria uma importação coma própTia, p01 oonla e ordain do forecitos, por haver 0111 determinado das mercadorias, qual seja, TT Stern, - o prómi° legislador recorthoce eyressamente que as impoi laçães a encomondante predetei minaret° não so conlimdcm coin as importações pO1 coma e ordem de toi coiros, sendo, isso snit, uma modalidade de imporlaya0 1201 COlIttl pr6p1i(1, COPP. )1. ma so depreende da simples !clima do art .11 da Lei 'I'll 281/2006, - 1-7en - °taro lado, a "esponsabilidade solidai ia c equipaiarao ii contribuirde' rio 111, (Me passaram a ali 00(01' as itnpoiniçães p0f- encomentla a !mull" . da publicaed° da moncionada Lei 77" 11 281/2006, »midis podetiam abrangel as operae,ijes objeto da azituarijo, 0001 /'idas nos anus de 2004 e 2005, - na impo.s.sibilidade a/Vie...or:do totroativa do releTirlo diploma baseecna fisealizaeão indovidamente ineluir a LI Stern no p6lo passive) do lançamento, mediania ii incompiovada ale,*reão do fiandes nos impormeãos, envolvendo a immigicanto no arbitrament° do valore.s aduaneiros, exigindo-lhe S11/20)10.5 ditei' onças do tributas devidos impondo-lhe elevadissimas multas, na suposta qualiciade do rosponsavol - resat cicuo quo a LI Stern 71(-10 poderio set abort cada elfi acusações do I; (ludo nas relar.-ões jwidicas winentes a importação de moreadorias, porquanto delas não participou, visto que as ttialSOOC1 P5M111 firmadas ontre a Cotia Trading ou 451',- polo quo c:cm.ste.' dos autos, amuando não estar demonstrado Jimmie 11011 mown° emia/ação e‘i Cotia Tradio:;, vist° que a informarão prestada polo Aduano Pianeesa, além de ser te/ativa a oub° procosso, é no sentido de que uma dos atividades incipais da AST c;" a pias/ação de serviços de transport(' 0 agenciamento do Ire/es, 0 (f1/0 permile conclusão do quo as faturas' em/ida', pela .451' polo a Cotia quo !Otani objeto dos Autos de [mi/ração, SOO11-1 invcdidas, 6 Proccsso n' I 2466 002132/2006-61 S.3-C2 I 1 Resolu0o n° 3201-00.186 11 1.3::; - a auto). idade aduaneira desconsiderou todas as aquisições de relógios (7entury realizadas pela Cotia Trading por encomenda S02.rn, presumindo que todas elas (feverfew) ter sido realizadas COM base 710 valor indict ido na suposta Invoice n ' 04- 713, - inaflmissivel 01 condmei fiscal, pois a referida Invoice, alein de ser estranha 00 process() em n analise, nao few' a sua ialidade reconhecida pelo seu suposto emitente, a Century Time Gems, con soante CO? a - de acordo corn as DA wicvas, O S preços pi (1/irados pela Century nas vendas direms a 11 Stern são absolutamente compativeis com os apontados nas ()Nero dc aibitrainerno, corroborando o deseabimento das acusaçOes fiscais, contirma-se assim que 08 preyA praticado.c pela Century 51.01/C / fl um padrão, independentemente da partic.4pação ou não da .45:1' e da Cotia Trwling na cadeia corm:yell)", infirmando pür . complem 0.5 aleg.facões /1 seats; - as infor1/U7ç5es telafivas ao site da empresa Century TiTiv Gems inteiramente ii relevantes para o arbitramento, pois a fabricação de produtos coin 0 mar ea 11 Stern nada it:71-1. de Ir audttlento, sendo confirm a participação dc distribuidorc .:.'s e tradings adquirindo e revendendo ( .1 s . prOdiffOS flOS CVOS inter mediarios da cadeia indusliial e comercial; - a discussão )117 iliCa a respeito das importações serem realizadas por conta própria ou poi conk) e ordem, ainda que fosse cabível, jamais poderia ser inlYocada como inilicativo de fraude, non tampouco como razão para proceder ao ai amemo dos vi/ores aduaneiros das illerUldOi (11. - iiuio tern conhecimento neiii reconhece a yalitlade &Is invoices dos . labricantes Baccarat, Bernardaud e Rosenthal, que confer lam mercadorias nas mesmas quantidades daquelas adquiridas pela Cotta Trading da AST, importadas por meio das TVs rt "s 04/0942610-0, 04/00.58137-4 e 04/090083-2; - adquiriu as inercadorias da Celia Trading, conforme Alotas Fisçais de Venda acostadas ao process°, as quais reputou legitimas e validas, demand() os devidos pagumentos a essa empresa; - solicitou informações li.emnpi esas Baccarat, .Bernardaud c Rosenthal acerca das alegações apresentadas pela fi,scalização„ não tendo logrado, ali o MOMen70, Obiel" OS esclarecimentos esperados . , - O arbitrament() e a imposição de elevadas mullets em relação aos prodmos fabricados pela einpre.-!_sa Tag Heuer foram levados a efi --!ito sem que a própria . fiscalização sequer alegasse haver - elementos que pudessem demonstrar a existe'ncia de fraude 00 caso c:Pncrelo: - portanto„ o arbitrament° foi etivado Unica e exclusivamente bas-e em valor es de importações realizadas por tereeiras, em operações comerciais distintas, o que, como já lartamente reconhecido pelo Conselho de Conti anilines, não pode ser admitido; 7 Process() n" I 2466 002432/2006-61 S3-C2 I 1 Rcso.11.100 ii 3201-00.186 1.1 139 - (10( firmado pela Tag Heuer, em anexo, in/»ma que o fate) de • impu,griante repcscruar 75`32. das vendas dos telogios (lesser marea 'call:A(1as no Brasil cr!. levado em conta paret a deleiminaceio dos pi ccos de vendas encomendadas pela 11. Stei Jr a tradings, não podendo as operacães destinadas a outras lojas OH dlititribuidoi as se, em tornados. coma parametro para a fivaccio desses pre(os, -. as planilhas que dernonstram us Latculo.s elatiados pela autoridade fiscal nao perillaeln (pie 50 compreenda e verifique a adequação dos • 1tc4los V calculo realizados, lei epee dos docutrientos acostados aos Autos de lair acao não e possivel &preemie,- se as importaçôes que se] 01i.11111 de parainctro (to arbitramento abrangem inercadorias id&nicas ou similar es-, se HA:taunm opetacVes realizadas no mesmo Java Lomercial, Hem 1411.11pOitC'0 se CI am fp.(0111 .1(.10(.1e ■ compativets. corn Os que fr)tanl Obje10 do lançamento, requisitos exigidos polo /Lord° (le Valoracao Aduaneba, - os vicios acima apontados em ao (..vit&io de "mercadorias identicas ou similares" tennbCin ali.utrant o coaiciente apurado coin base na dikrenca tulle os valor es deaatados e os arbifrados pela fiscalizae,.(Tio, err oneamente con siderado como to razoavel", - o "critc'Tio ier,oavel" do ai I 7' Acordo de Valcflação Aduaneira (Jere ser entendido corm) tuna flexibilLaçao na aplicação dos denims criterios. eyempliricada nos notary inierproativas ao tekrido ligo, nunça Irma cat la em branco concedida ao aplicador da not ma,- - a e011ellfSli3O„ pOilan10, O 11110j1a(1.0 (.1"i1C1 io de (.11 aincriw a partir da média aritineWca ()Nitta en/te o 1(11(11 dOS VC1101.C.S arbi rallOS O 1001 cio l'alOreN declarados não esia eompieendido pelo chamado "critério razoavel", pois o aludido eritc4io sequel- levou em con.sideracdo pecidiaridades das 111C1'eadOria', a brall,f_;ida5 pelo eel cimento, - no que lunge acts produtos Mum! halos pela (Oita Trading da empresa lace) Tempo, l'CC011heCelf-Se o integral recolhimento dos iii! mios devidos na Unpin lacão, todavla lo uive a imposição c/a multa do art 83, incise.) 1 da Lei n" 4 502/1964, aplicavel, segundo ci dieç:ão legal, nos easos de produtos int.roehtzidos no pals de !Vilna clandestine! ou Ji atuhilenta. - a aplicacao da mencionada penalidade, no entanto, é inteiramente descabida e abusiva, pois os próprios termos dos Autos de Infiacão FoConhece" am a validade do conteúdo dos docurnenlos que refletireun a inifiortacão das mercadorias, - non /1/estrio as invocadas a respeito da ASf' podem soc.yrrer as acu.sacóes fi.sears, nuna vez que, pat) que dos autos consta, os relógios labricado.s pela .1.(1c.V Teivo .forain conqvado.s pela Co/ia Trading do próprio fabricante, e não da AST,. - pellii1C711C1 Ou Fla° liS pOildeICIC6C\ fiSC(.1) aee7"ea Cif!u illy7011aCJO poi coma e ordein de ter cellos, ill/I odução clandestine! não houve, Ulna vez Tie as importaccies )1 (1111 declaradas, 8 Processo n" 121.66 002432/2006-61 S3-C2 1 Resolu0o a" 3201-00 . 1 86 1:10 - a jurisprudeneia do Couselho de Contribuiu/os c'! assente nos sentido dc que a in.ulta em re.Jerencia c! çabivel somente 008 oti sos ja dc recitar pela cristalina dicção da lei. Alc-rn do presente„ . fin fitrmalizado o processo de Relyesentação Fiscal para Fins Pt..!ntris sob o rt" 12466 002433/200613, rcl, c'Tente representação elaborada pelos Auditores que durante a ação fiscal verificaram a ocorrCnela de fit/os que, em tese, configutam crime contra a ordem i Naar ia . Na deeisdo de primeita instancia, a Delegacia da Reeeila Federal de Julgamento de Florianópolis/SC deferiu parcialmente o pleito das recorrentes, conforme Decisao DR.1/1'NS n0 1 O. 8 16. de 21/09/2007, Hs 2 023/2 045, assim ementada: Assunto (.)brig -tuites feessarias Período de apnra(ão 09112/2003 a 18/01/2005 INTERPOS100 FRAUDUI,ENTA.. DANO 110 ERÁRIO PEN -.A D.E PFROIMEN.20. MERCADORIA CONSUMIDA MUITA IGU4I„40 VALOR DA MERCADORIA Considera-se (Ian° 00 Evart() a ocultação do real sujeito y1m5ivo na operação de imp)/ faÇao, mediante interposição fraudulenta, infração punivel corn a pena de perdimetuo, substiluida pela mullet igual ao valor dalikl cattoria que forth(' sid° civic a constant() on C011S1111,7ida TiVERACÁO AO C'ONTROLE D7viINISTR4111/0 OAS 1114POR ( '6ES PENALIDA1.)E 1'LIC:',1C/I0 4.5 mullets telativas às infrações administrafivas ao controle das import:N.:5es somente podem ser /atiçadas (.1ille% da aplicação da pena de perdimento da mercadoria. A mint° Normas Gerais de Direito Tributario Período de apuração 09/12/200_1 it 18/01/200.5 V4I0RA(.'40 3.DU1NEY.R21 A1E1'01)0E0014 L.stando a inate"!ria dos autos subinetida a legislação aspect:flea, ar! 88 da .Aledida Provisar ia n" 2 158-35/2001, em virtude da caracterLação defraude, Testa inapheavel (10 caso o Acordo de Valaração Aduaneira - AI/A/GATT/1994 Cabível a exig,Cncia das diferenças de albinos aputadas em v,irtude do arbitramento dos preços das mercadorias e a imposição this titulars de oficio qualificadas. IN1RAC40 RESPONSARILIDADE Responde infiaçao, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de proeedc>neia estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por inte.rm&lio de pessoa juridic:a importadora. Lançamento Pi .ocedente em Palle. 9 l'wecsso n 12,166.002 , 1 22 /20004 S3-C211 ResoluOon " 3201-00.,186 H I)a decisao supra toi interposto recurso de o ficio em lace da exclusão da multa por con:11010 administrativo das importações, tls. 2.024. As lis,. 2.046/V o contribuinte CO [IA TRADING S.A_ é intimado da decisão supra, apresentando o recurso voluntitrio de fls2 051/2,079, As Us 2082/v o contribuinte Stern S/A intimado da decisão supra, apresentando o recurso voluntãrio de Cis 2.092/2.123 Após, foi dado andamento aos recursos interpostos.. E. o Relatório. Voto CollS01 heir() .I.A./C1a110 Lopes De Almeida Monies, Relator Os recursos s5o tempestivos e deles tomo conhecimento. O lançamento ora debatido teve como motivação importações realizadas nos anos de 2004 e 2005. A. fiscalização iniciou ern novenibro de 2003 um procedimento de revisdo aduaneira, quando tomou conhecimento de ql.!C a empresa francesa de agenciamento de cargas, AST, em somente prestadora de serviços, não uma empresa comercial. Em lace desta situação, e como a empresa AS 1' constava como vendedora de diversos bens importados, toi iniciada uma fiscalização mais aprofundada. naquelas operações. Nisto fbi descoberto que a referida empresa enviava laturas ern branco efillsas, o que determinou - 1111 -1 levantamento dc todas as operações por ela realizadas e, assim, iniciado procedimentos de revisão aduaneira ern todos eles . Dentre as pessoas jurídicas que inipoitavam produtos da AS - 1 . estava uma das oras recorrentes, Cotia 'rrading, bern como a outra recorrente, que adquiria Os produtos importados. Desta situação, a fiscalização entendeu ter ocorrido importação por conta e ordem de terceiro com ocultação do real adquirente, o que fez corn que todas as operações rossem analisadas e tidas como fraudulentas. Tomando . por base a ocorrCncia da fraud e na importação por ocultação do .real adquirente, a fiscalização passou a tomar todos os valores envolvidos corno subtaturados, 0 que a levou a revalora-los. Para tanto, não utilizou o Acordo de Valoração Aduaneita, AVA/GATI, mas sim a previsão legal constante do art 88 da MP 2.158-35/2001. Os produtos revalorados .14ram poled alias, cristais e relógios. 1 0 Procu,so « 1 2466 002432/2006-61 S3-C2T1 RcsoltiOo n 0 3201-00.186 PI 1/12 Basicamente neste processo ternos quatro situações distintas.. — 1mporta0es de porcelana e cristais — exportador AST Estas importações decorreram de compras dos fornecedores Baccarat, Bernardaud e Rosenthal Nestas Drs, foram encontradas as faturas originais junto com os produtos importados (doe.. 22), com o que restou configurado o subfaturamento e utilizado para calculi) do real valor aduaneiro o real valor da transa0o, conforme o 1 método de valoracao aduaneira. 2 — Importações de relóg,ios da Century Time Gems - exportadora AST Nestas operações, a fiscal i vou tomou como subfaturados os preços indicados nos documentos aduaneiros, tomando por base uma. fatura emitida pela empresa Century 'rime Gems obtida de (nitro processo administrativo, fl.s. 205. Este processo administrativo se deu em face de revisdo aduaneira das DI's 05/0080843-5 e 05/0028829-6, de n. 12466..002860/2005-11, onde tbrain lançados valores em decorrência de subfaturamento (auto de inliaçao com perdimento de mercadoria), por sido encontrada a l'atura original da empresa Century Times Gems, relativa A primeira DI, de n. 04- 71 .3 junto as .131CfeadOriaS. Assim, paru fins de valoraçao aduaneira neste processo, a fiscatizaçao tomou dois procedimentos.. Adotou como critério de valoracdo mercadorias iguais (2 . método) c, quando ado foi possível, adotou o 3 método (mercadorias similares). Nos casos em que nenhum dos dois métodos pode ser aplicado, foi utilizado o chamado "critério ra.zoavel", utilizando- se aqui a média de sulrfaturamento encontrado nos outros casos, Como nao foram encontradas mercadorias idênticas, muito menos faturas que comprovassem o valor da operaçao, for utilizado o 3 método de valoraçao, qual seja, mercadorias similares. Devo ressaltar que, em relaçao a esta parte do lançamento, além dos relógios que foram importados, existe Irma DI onde a irnportaçaO envolveu apenas caixas/ estojos de relógios. No mesmo sentido existem casos de relógios desmontados importados (2 casos), bem como de parafusos c pulseiras (1 caso).. Estes também foram tomados como subfaturados, 3 — Importações de relógios da Tag I - exportadora AST Nestas operações, a fiscalizou tomou como subfaturados os preços indicados nos documentos aduaneiros, tomando por base uma fatura emitida pela empresa Time Gems obtida de outro processo administrativo', ja explicitado no item anterior, lis. 205. . • I ,ste processo administtativo se (leu crn face de revisAo aduaneira das DT's 05/0080843-5 c 05/0028829-6, de 12466.002860/2005-11, onde tarain lançados valores cm decorrincia de sublaturamento (auto de infração com 11 Process° n'' 1216c) 0021 32/2006-0 I S3-C2 I II Result] 0() 3201-00086 il 143 Como irdo fOram encontradas mercadorias idênticas, muito menos faturas que pudessem comprovar o valor da operaciio, foi utilizado o '3 método de valorayao, qua! seja, Mercadorias similares„ Devo ressaltar que, ein relaçao a esta polio do lonyarnento, além dos relógios que foram importados, existe uma DI onde a importaç'ao envolveir apenas caixas/ estojos de relógios. Estes tambem for -urn tornados como sublaturados. 4 -- Impot taçtles relógios da Ideo Tempo - exportadora Ideo Tempo Nestas operações, a fiscalizou niTio entendeu ter ocorrido subtaturamento, apenas ocultacao do veal adquirente, como .ja in tormado, motivo pelo qual n.5o houve lançamento de tributos neste caso, apenas de multa. Como resultado da autuay5o, ocorreu o lanyamento sobre 34 DT's, em face de : • 14 DT's da Ideo lempo, na comma de relógios, com base na ocultaçao do real adquirenie; • 03 Di's da AST, na compra de porcelanas e cristais, em race de subtaturamento (encontrada a fatura original) e ocultaçilo do real adqiilrente; • 17 DT's da AST, na compra de relógios Century Times Gems e Tag Heuer, em lace de subtaturamento e ocultacOo do real adquirente (corn. base em fatura de outro processo). Como resultado, tivemos o lançamento de, 12, por: Interposi0o rfaLICillienta na importacao, mediante ocultayilo do real adquirente; 1)eclarac;z10 inexata do valor da mercadoria com evidente intuito de fraude; 3. Subtaturamento do preço ou valor da mercadoria na importacOo; 4.. Insulleiência dc recolhimento da C.!OFINS • e PIS/PASEP no importaçao; e, 5. Entrega a consumo de mercadoria eshangena importada. irregularmente Como conseqüência, o Auto de In froçaO lançou a exigência de: - Impost() de ImpottaçaO; perdimento de mereadoria), por sido encontrada a lat Ma original da cruptesa Centit.r ■, I Mies (jems. iclativa primcira 1)1, de n 01-7 13 junto its mercadoi ias 12 Processo ri" I 2466 002432/2006-6 I S3-C21 1 esol n " 3201-00:186 I I /14 - Imposto sobre Produtos Industrializados; - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social: - Contribuição para o PIS/PASEP; - „limos de mora; - Multa de oficio qualificada (150%) prevista no art. 44 II da I ,ei n.." 9..430/96, em face do subfituramento ocorrido na importação debatida; - Multa referente ao controle administrativo das importaçóes prevista no art, 633, I do RA/2002; e, - Multa por entrega a consumo ou consumo de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular ou fraudulenta, prevista no art. 83, inciso I da Lei n" 4.502/1964, com a redação dada pelo art, 1' do Decreto-lei n" 400/ .1968, regulamentada pelo art.. 631 do Decreto n" 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro — A/2002).. A decisão da DRI, ao analisar as defesas apresentadas, de oficio afastou a multa lançada prevista no art, 633, I do Regulamento Aduaneiro, cm face da previsão contida no parágrafo único do art. 644 do mesmo diploma legal, que veda a aplicação concomitante da multa do art.. 633 com o de perdimento de mercadorias, motivo pelo qual é interposto recurso de oficio. Da analise dos recursos voluntários interpostos, vemos que os contribuintes se insurgem quanto à forma de valoração das mercadorias, bem como das conclusões das provas carreadas aos autos.. Quanto à forma de valoração das mercadorias, as recorrentes se insurgem quanto a. questão da similaridade e identidade das mercadorias. Este relator, analisando os documentos juntados no processo, n.do conseguiu identificar a identidade e similaridade dos produtos para fins de valoracão aduaneira entre fatura apreendida e as DI's ora analisadas. Assim, entendo relevante que a autoridade preparadora demonstre a identidade poi ela encontrada entre as mercadorias, exemplificando esta situação em ao menos cinco exemplos por DI analisada. No mesmo sentido, entendo necessária ser explicitado qual o critério de similaridade adotado para. fins de enquadramento das mercadorias ora debatidas, também exemplificando esta situação em ao menos cinco exemplos por DI analisada.. Por fim, como este processo tem por base o processo administrativo n. 12466.00.2860/20054 I, do qual é dependente, entendo deve ser .juntada copia integral. deste, para que se possa realizar validamente este julgamento (a cópia pode ser feita ern meio magnético), Diante do exposto, voto por converter o .julgamento em diligência para que autoridade preparadora: 13 Proces!;o 11' 12466 002132/2006-61 53-C2T1 Re1uço 3201410..186 11 145 - Demonstie a identidade encontrada pela autoridade preparadora entre as ill el cadorws objeto deste lançamento e da [atura que o supoitou, exemplificando esta situacdo ern ao inenos dois exemplos por Dl analisada, 2 - Fxplicite qual o critério de similaridade adotado para fins de enquadramento das Inercadorias ora debatidas freute i latura utilizada como base do lançamento, tambem exemplificando esta situaedo ern ao ..tnenos dois exemplos por DI analisada. 3 Explicite se nos calculos realizados para tins de apruaçdo dos valoies dos tributos e multas lançados foram afastadas as imporiações de relógios desmontados, parafusos, pulsen as, caixas e estojos, que também iOnitll importados junto com os relógios ora em debate.• 4 — Junto aos autos copia integral do processo administrativo n. 12466.002860/2005-11, (We pode ser realizida em meio magnetic°, Realizada a dilig,eneia, devera ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de '30 dias, Apos, devem , so: encaminhados os autos para vista i PGFN da diligencia reaii inda Por lm , devem os autos retornar a este Conselheiro paia tins de julgamento. Luciaiio I ,opes 1 /1
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905536/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 1803-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Decisão Recorrida Nula
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10940.905536/2009-01
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5402481
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.438
nome_arquivo_s : Decisao_10940905536200901.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ARTHUR JOSE ANDRE NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10940905536200901_5402481.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5739411
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254968827904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.905536/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.438 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria Normas de Administração Tribitária Recorrente HOBI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 36 /2 00 9- 01 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa HOBI & CIA LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR) que não considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. 2. Os autos em questão cuidam de Declaração de Compensação Eletrônica, transmitida em 22/04/2009, na qual a empresa pretendia compensar débito de IRPJ – lucro presumido relativo ao 1º trimestre de 2009, com crédito de CSLL pago a maior referente ao 3º trimestre de 2007. 3. Após análise da declaração, a DRF de Ponta Grossa, por meio do Depacho Decisório nº 848588605, não homologou a compensação ados valores apresentados por entender qua o crédito informado pela empresa seria inexistente. 5. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 21/10/2009, e apresentou declaração ode inconformidade às fls. 02/09 em 19/11/2009. 6. Diante das razões apresentadas pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), emitiu o Despacho nº 30 – 1ª Turma da DRJ/CTA no qual propôs realização de diligência sob os seguintes argumentos: “4. Comparandose a DIPJ original, de fls. 40, corn a DIPJ retificadora, de fls. 60, constatase que o motivo da diminuição do valor da CSLL A PAGAR foi a representativa reclassificação da Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%, em Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 12%. 5. Assim, a decretação da procedência ou improcedência do Direito Creditório alegado pelo interessado passa necessariamente pela análise da reclassificação que o mesmo perpetrou em suas Receitas Brutas, quanto à submissão aos percentuais de tributação de 12% ou 32%. 6. Isto posto, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, para subsidio deste órgão julgador quanto ã apreciação das provas, proponho que seja realizada diligência pelo órgão preparador, para que se audite as Receitas Brutas em questão, aferindo a correção da aplicação das alíquotas de 12% c 32%, cm relação ã legislação regente da matéria, e, após, tragamse aos autos relatório fiscal fundamentado e conclusivo, quanto à procedência ou improcedência da tributação informada da DIPJ retificadora. (fls. 95/96)” 7. O resultado da diligência foi apresentado pelo Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 224/227), que concluiu pela improcedência da reclassificação da Receita Bruta Informada na DIJ e DCTF retificadoras para todo o período de apuração do ano de 2007. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10940.905536/200901 Acórdão n.º 1803002.438 S1TE03 Fl. 3 3 8. Na sequência a DRJ de Curitiba, considerou a manifestação de inconformidade apresente improcedente. O acórdão restou ementado nos seguintes termos: “PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREENCHIMENTO NA DCTF E DIPJ. MOTIVO ALEGADO DO ERRO NÃO PROCEDENTE. Não pode prosperar a alegação de erro de preenchimento na DCTF e na DIPJ, onde constou valor de débito que se pretende diminuir, quando o motivo alegado do erro não encontra guarida na interpretação da legislação tributária. (fls. 235/249)” 9. Cientificado da decisão em 05/03/2012, conforme AR de fl. 252, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 254/278), o qual em síntese tem como argumentos recursais o que segue: a) preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão de 1ª instância dada a ausência de intimação da recorrente quanto ao resultado da diligência fiscal realizada; b) no mérito, em busca da homologação da Declaração de Compensação e aplicação do percentual de 12% para o cálculo da CSLL a recorrente alega a existência de manifestação expressa da Receita Federal do Brasil no que tange ao resultado da consulta administrativa nº 13936.000173/200370, postulada pela recorrente; c) Que houve equívoco cometido pelos julgadores de 1ª instância ao afastarem a aplicação da IN nº 11/96, do ADN nº 06/97 e da consulta administrativa nº 13936.000173/200370; d) Argui que não deve existir tratamento diferenciado entre a atividade da recorrente e outras atividades de prestação de serviços, pois em ambas há o fornecimento de materiais; e e) Por fim, sustenta a existência do crédito objeto da declaração de compensação não homologada. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em sede de preliminar, a recorrente suscita a nulidade da decisão proferida pela instância a quo, sob o argumento de que não teria sido intimada da diligência realizada nos autos. Consta nos autos que às fls. 102/103 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerou necessária e imprescindível ao deslinde da controvérsia, a realização de diligência. Em resposta, a DRF de Ponta Grossa emitiu o Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 224/227) o qual concluiu pela improcedência da reclassificação da Receita Bruta informada na DIPJ e DCTF retificadoras para todo o período de apuração civil com fornecimento de materiais. Compulsando os autos, percebese que após a emissão do referido Parecer, não constam dos autos nenhum documento que ateste a ciência da recorrente, quanto ao resultado deste último ato. Tampouco houve a reabertura do prazo de defesa para que a empresa apresentasse sua defesa quanto à conclusão da diligência. Cumpre mencionar que segundo os artigos 26 e 28 da Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, o contribuinte deve ser devidamente intimado de quaisquer decisões ou diligências que ocorram no decorrer do processo. “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimações os autos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” O crédito fiscal cristalizado no ato de lançamento e notificado ao contribuinte exprime pretensão do ente tributante sobre o patrimônio do cidadão. Ressaltese que tal pretensão submete à clausula constitucional segundo a qual ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal e tal ato, somente será válido no universo jurídico quando obedecer às garantias materiais e processuais dos contribuintes. Um processo administrativo constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas a provas necessárias à comprovação de suas alegações. Assim, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa, manifestandose o Fisco após a impugnação, deve ser dada ciência desse ato ao contribuinte, com a consequente abertura de prazo para que, caso queira, apresente novos argumentos impugnatórios. Nesse sentido cumpre mencionar o que determina o artigo 59, inciso Ii, do Decreto nº 70.235/72, o qual considera nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa, como no caso dos autos. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10940.905536/200901 Acórdão n.º 1803002.438 S1TE03 Fl. 4 5 Dessa forma, quando patente a ofensa a princípios constitucionais, não resta outra medida, senão anular a decisão proferida de forma viciada. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para acolher a preliminar apresentada pela recorrente, a fim de ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por vício formal, haja vista a ausência de intimação da empresa quanto ao resultado da diligência efetuada pela Receita Federal. Assim, sejam os presentes autos, remetidos à origem para intimar a recorrente acerca do Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 224/227), com a consequente reabertura do prazo de defesa, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Fl. 302DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 15771.720411/2013-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/01/2013
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/01/2013 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15771.720411/2013-94
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5386254
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.481
nome_arquivo_s : Decisao_15771720411201394.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15771720411201394_5386254.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5650216
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254971973632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 302 1 301 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.720411/201394 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.481 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria II/IPI/PISCOFINSIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/01/2013 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/01/2013 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 04 11 /2 01 3- 94 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720411/201394 Acórdão n.º 3803006.481 S3TE03 Fl. 303 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/01/2013 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 23/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720411/201394 Acórdão n.º 3803006.481 S3TE03 Fl. 304 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720411/201394 Acórdão n.º 3803006.481 S3TE03 Fl. 305 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
