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Numero do processo: 10805.720870/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1993 a 30/11/1994, 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/08/1995
PIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL.
Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplica-se a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1993 a 30/11/1994, 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/08/1995 PIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL. Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplicase a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 08 70 /2 00 9- 33 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 481 a 545) apresentado em 17 de agosto de 2011 contra o Acórdão no 0531.512, de 26 de novembro de 2010, da 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 464 a 475), cientificado em 21 de julho de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de junho de 1993 a novembro de 1994, março, maio a agosto de 1995, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1995 PAGAMENTO INDEVIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. UFIR MENSAL. UFIR DIÁRIA. Para fins de atualização monetária, o valor recolhido indevidamente, expresso em Cruzeiros Reais, deverá ser convertido em UFIR mediante divisão pelo valor da Ufir diária vigente à data do recolhimento. A quantidade de UFIR apurada deverá ser multiplicada pelo valor da UFIR de R$ 0,8287, apurandose o valor recolhido indevidamente, atualizado até 01/01/1996. Confirmada a correta atualização nos cálculos efetuados pela unidade local, não se reconhece direito creditório adicional. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 20 de agosto de 2007 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório de fls. 387 a 392. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A interessada, em sua manifestação às fls. 412/420, bem resume os fatos relevantes nos presentes autos. Dela se extraem os seguintes trechos: “A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, estando sujeita ao recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. “Neste sentido, ajuizou a Ação Declaratória nº 2000.61.00.0427343, perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, visando à declaração de inexistência de relação jurídicotributária entre a autora e a Ré, consistente na exigência da contribuição para o PIS, com base no faturamento mensal nos anos de 1989 a setembro de 1995, reconhecendo o seu direito de recolhêla, neste lapso temporal, com base no faturamento do sexto mês anterior, nos termos da Lei Complementar nº 7/70, resguardando, consequentemente, o exercício da compensação dos valores indevidamente recolhidos no período especificado, com parcelas vincendas da mesma exação, devidamente atualizados desde a data de seu recolhimento, com a inclusão dos índices legais adotados, considerandose os expurgos inflacionários ocorridos em janeiro de 1989 (42,72%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%), Fl. 552DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 551 3 maio/90 (7,87%) e fevereiro/91 (21,87%), utilização do IPC/INPC no período de março a dezembro de 1991, onde havia determinação de correção monetária pela TR, de acordo com remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, acrescidos da taxa de juros SELIC, a partir de 1996, conforme determinado pela Lei nº 9250/95. “Ao analisar a demanda, o D. Juiz Federal de primeira instância houve por bem julgála parcialmente procedente, assegurando à Recorrente o direito de promover a compensação dos valores indevidamente recolhidos a partir de outubro de 1990 (fato gerador de setembro de 1990), em razão do período decenal. “Irresignadas, ambas as partes interpuseram Recurso de Apelação, tendo sido dado provimento à apelação da União, para reconhecer a ocorrência da prescrição do crédito tributário que se pretendia compensar, qual seja, os valores indevidamente recolhidos a título de PIS, que excederam o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70. “Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Especial cujo acórdão deu provimento ao seu pleito, propugnando expressamente pela inocorrência da prescrição, fundamentado no entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça firmado quando do julgamento dos EREsp nº 435.835/SC, in verbis: "no que tange ao prazo prescricional, a Colenda Primeira Seção, ao apreciar o EREsp nº 435.835/SC, buscando planificar as discussões em torno do prazo prescricional, decidiu pela tese da prescrição decenal". “Tendo em vista o trânsito em julgado do acórdão proferido pelo E. STJ, a Recorrente solicitou junto à Secretaria da Receita Federal a habilitação do aludido crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, referente ao período de julho de 1993 a agosto de 1995, no montante de R$ 176.736.728,74 (...), atualizados até maio de 2007. “Ocorre que o referido Pedido de Habilitação foi deferido no montante de R$ 136.357.961,19 (...) “A Recorrente, então, apresentou manifestação de inconformidade, a qual sequer foi analisada, sob a alegação de que tal defesa não seria cabível em face do despacho decisório proferido por falta de previsão legal. “Assim, a Recorrente efetuou as compensações utilizandose do crédito que entendia efetivamente possuir, tendo sido surpreendida com o recebimento do despacho decisório ora guerreado, o qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 136.357.961,19, homologando as compensações efetuadas até o limite do aludido crédito. “Inconformada, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade visando à comprovação da existência do direito creditório no valor de R$ 176.736.728,24. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 “Contudo, em 16/12/2008, o SEORT/DRF/SAE recebeu a manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Pedido de Habilitação de Crédito – PA nº 13820.000370/2007 10, como Recurso Hierárquico e o encaminhou para a apreciação da Divisão de Tributação da SRRF da 8ª Região Fiscal. A Divisão de Tributação, por sua vez, enviou o recurso para análise da unidade local, juntamente com a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, em face da decisão que não homologou parte das compensações efetuadas, já que trazem as mesmas alegações. Após a análise, foi proferido despacho decisório, julgando procedentes quase todos os argumentos esposados pela Recorrente e reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 162.647.549,35, bem como facultando à Recorrente a apresentação de nova manifestação de inconformidade. Assim, uma vez que o direito de crédito, mesmo após a revisão de ofício foi reconhecido em valor menor do que o pleiteado, outra opção não restou à Recorrente senão a apresentação de manifestação de inconformidade, pelos motivos de direito a seguir expostos. O citado despacho que reviu de ofício a decisão inicial do SEORT da DRF em Santo André encontrase às fls. 381/386. O feito examina as questões expostas pela contribuinte nas peças de fls. 207/219 e 316/329 apresentadas, respectivamente, contra a decisão que reconheceu direito creditório no montante de R$ 136.357.961,19 e contra o deferimento parcial do Pedido de Habilitação. Em sede de revisão de ofício o direito creditório reconhecido elevouse à cifra de R$ 162.647.549,35. O resultado da referida Revisão de Ofício foi cientificado à interessada em 25/05/2010 e em 22/06/2010 a contribuinte apresentou a peça de fls. 411/420, na qual, após resumir os fatos na transcrição acima, argumenta: Do despacho decisório ora recorrido, verificase que a D. Autoridade Fiscal entendeu: a) aplicável a Taxa Selic acumulada de janeiro de 1996 a junho de 2007, acrescida de 1% referente ao mês de julho de 2007, no valor de R$ 220,22% nos exatos termos em que defendido pela Recorrente; b) que a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos da Lei Complementar nº 7/70; c) que o débito de PIS compensado, referente ao mês de junho de 1994, deveria ser consolidado no cálculo do direito creditório e, por fim, d) que o Fisco não poderia ter efetuado a compensação de ofício dos débitos apurados nos meses de dezembro de 1994 a fevereiro de 1995 e abril de 1995, com os créditos pleiteados, pois tais débitos estariam fulminados pela decadência; Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 552 5 Portanto, a D. Autoridade Fiscal somente discordou com os cálculos da Recorrente no que tange à utilização da UFIR Mensal, pois entende que, no caso em tela, seria correta a utilização da UFIR no dia do pagamento do PIS. Tal entendimento, contudo, está equivocado, pois o índice correto a ser utilizado é a UFIR Mensal. Ora, como se trata de medida judicial, devem ser observados os índices de correção previstos pela sentença transitada em julgado, constantes no Provimento nº 26/2001, do Tribunal Regional da 3ª Região, com a redação dada pelo atual provimento nº 64/2005, em que se determina a correção pela UFIR mensal. Tanto que na própria sentença que concedeu a segurança pleiteada, posteriormente confirmada em sede de Recurso Especial, a ilustre magistrada determina que a correção monetária seja realizada nos termos do Provimento nº 26/2001. Assim, para que não haja descumprimento dos ditames da sentença transitada em julgado, não pode a D. Autoridade Fiscal efetuar a correção dos débitos em dissonância com o determinado no Provimento acima mencionado. Além disso, importante mencionar que não existe, atualmente, embasamento legal para utilização da UFIR diária como forma de correção monetária de créditos/débitos federais, tendo sido o referido índice expressamente extirpado do nosso ordenamento jurídico. Após sua extinção, os artigos 61 e 62 da Lei nº 9.069/95, determinaram a utilização da UFIR Mensal, como forma de atualização da moeda (...) Depois de transcrever jurisprudência em apoio a sua tese, finaliza a interessada pela necessidade de retificação dos cálculos realizados pela unidade local, a fim de que os valores em Cruzeiros Reais sejam convertidos para Reais utilizandose, para tanto, o valor da UFIR Mensal do mês de referência, nos termos em que calculados pela Recorrente. A DRJ, conforme ementa reproduzida, entendeu ser aplicável a Ufir do dia do pagamento. No recurso, a Interessada repetiu as alegações, reafirmando que, “como se trata de medida judicial, devem ser observados os índices previstos para correção de sentença transitada em julgado, constantes no Provimento n° 26/2001, do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, com a redação dada pelo Provimento n° 64/2005, em que se determina a correção pela UFIR mensal.” Cita ementas de decisões judiciais e administrativas. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, está em litígio somente a conversão dos indébitos para Ufir, defendendo a Interessada a Ufir mensal, que seria a adotada pelo Provimento n. 26 da Corregedoria Regional do Tribunal Regional Federal da 3ª Região; O citado provimento tem o seguinte teor (http : // www . trf3 . jus . br / NXT / gateway.dll?f=templates&fn=default.htm&vid=trf3_atos:trf3_atosv): DISPÕE SOBRE PROCEDIMENTOS PARA CONFERÊNCIA E ELABORAÇÃO DE CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO, NO ÂMBITO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO. O CorregedorGeral da Justiça Federal da 3ª Região, no uso de suas atribuições legais e , CONSIDERANDO a necessidade de orientar os Srs. Contadores da Justiça Federal da 3ª Região , tendo em vista a aprovação do MANUAL DE ORIENTAÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA OS CÁLCULOS NA JUSTIÇA FEDERAL, bem como a jurisprudência dominante relativa à aplicação dos índices integrais de inflação na atualização monetária das diversas espécies de créditos cobrados judicialmente, CONSIDERANDO que a edição de tabelas e a criação de programas de informática, em função de tais fatores, agilizará a conferência e elaboração dos cálculos de liquidação, RESOLVE I Adotar, no âmbito da Justiça Federal da 3ª Região, os critérios fixados no Manual de Cálculos aprovado, em 17 de fevereiro de 1997, pelo E. Conselho da Justiça Federal, a fim de que sejam elaboradas tabelas e criados programas de informática, com base em tais critérios e na jurisprudência relativa aos diversos expurgos inflacionários, para conferência e elaboração de cálculos de liquidação em execuções fiscais, ações que versem sobre benefícios previdenciários, ações condenatórias em geral e desapropriações , na forma do Anexo que integra o presente Provimento. II Aprovar as Tabelas de Índices de Correção Monetária elaboradas pela Diretoria do Foro da SJ/SP, por meio da Supervisão de Cálculos do Foro Pedro Lessa, em função dos parâmetros fixados no supra referido Anexo, bem como os respectivos programas de informática já desenvolvidos, sendo que tais Tabelas serão distribuídas, com os correspondentes roteiros de aplicação, às demais Supervisões de Cálculos da Justiça Federal da 3ª Região, atualizadas mensalmente. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 553 7 III Estabelecer que os critérios ora definidos e índices relativos aos expurgos inflacionários serão aplicados na forma do presente Provimento, inclusive no que tange aos cálculos pendentes de conferência junto às Contadorias desta 3ª Região, cabendo à Diretoria do Foro providenciar o equipamento de informática necessário para que todos os cálculos sejam elaborados via terminal ou microcomputador. Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário. Os casos não abrangidos no presente Provimento deverão ser submetidos a esta CorregedoriaGeral para apreciação e deliberação. Registrese. Publiquese. Cumprase. JUIZ JOSÉ KALLÁS CORREGEDORGERAL DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO ANEXO DO PROVIMENTO Nº 24/97 CONSIDERAÇÕES GERAIS A atualização monetária dos créditos em execução judicial é normalmente efetuada em função de critérios estabelecidos na legislação pertinente, a qual varia em função da natureza do crédito em cobrança, como, por exemplo, no caso do crédito tributário e créditos decorrentes de benefícios previdenciários em que se constata a existência de leis específicas disciplinando a atualização de cada um destes créditos não satisfeitos oportunamente pelo devedor. Todavia, a jurisprudência de nossos Tribunais está se firmando no sentido de que determinados créditos devem ser corrigidos por índices que melhor reflitam a variação da inflação, como no caso de créditos decorrentes de indenização por desapropriação, ante o princípio constitucional da justa indenização. Assim, considerandose a legislação que disciplina cada espécie de crédito e a respectiva jurisprudência, foram elaboradas as seguintes tabelas de índices de correção monetária: 1) para atualização de débitos em Execução Fiscal; 2) para atualização de débitos relativos a benefícios previdenciários; 3) para a atualização de débitos decorrentes de condenações em geral; 4) para atualização de débitos decorrentes de desapropriações. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Os programas de cálculos serão efetuados com base em tais tabelas, mas de forma que comportem alterações quando houver determinação judicial em outro sentido. I DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS EXECUÇÕES FISCAIS. a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos débitos em Execução Fiscal serão levados em consideração os seguintes indexadores: de 1964 a fev/86 ORTN (Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87, OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN(Lei nº7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de 01.02.91 a 31.12.91 não há incidência de correção monetária, mas em tal período incidem juros de mora equivalentes à TRD, nos termos do art. 30, da Lei 8.218/91. a partir de 01.01.92 UFIR (Lei nº 8.383/91), voltando os juros de mora a serem calculados à taxa de 1% ao mês. b) JUROS DE MORA E MULTA Observar a legislação pertinente. c) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Nas Execuções Fiscais ajuizadas pela Fazenda Nacional, bem como nos seus respectivos Embargos, não são arbitrados honorários advocatícios, uma vez que o encargo previsto no art. 1º do DL 1025/69 substitui tal verba (Súmula 168 do extinto E. TFR), nas demais Execuções Fiscais deverá ser observado o valor arbitrado judicialmente. d) CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS As custas processuais são calculadas integralmente por ocasião da elaboração da conta de liquidação, na forma da Tabela I, "a", da Lei nº 9289/96, deduzindose eventuais recolhimentos de custas já efetuados. Atualmente os Embargos à Execução não estão sujeitos ao pagamento das custas iniciais e da apelação ou Embargos Infringentes(art. 7º da Lei nº 9289/96 e Resolução nº 184/97 do E. Conselho da Justiça Federal). As despesas processuais serão incluídas no cálculo em função dos valores arbitrados pelo Juiz (perícias, traduções etc.), no caso de publicações e serviços postais será considerado o valor correspondente ao cobrado pelo órgão que efetuou a publicação e pela Empresa de Correios e Telégrafos ECT, respectivamente, sendo todos os valores devidamente atualizados. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 554 9 OBS Os débitos relativos ao FGTS são cobrados atualmente pela Fazenda Nacional em convênio com a CEF, sendo que para atualização monetária de tais débitos devem ser observados os critérios estabelecidos no Edital publicado mensalmente no DOU, a disposição na Supervisão de Cálculos do Foro das Execuções Fiscais da SJ/SP. II DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NOS PROCESSOS DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos créditos decorrentes de benefícios previdenciários serão observados os seguintes critérios: Súmula 71 TFR : é aplicada apenas quando houver decisão judicial nesse sentido, corrigindose as prestações anteriores ao ajuizamento da ação, desde as datas dos respectivos vencimentos, com base na variação do salário mínimo, até o ajuizamento da ação, adotandose, a partir de então, os seguintes indexadores: de 1964 a fev/86 ORTN(Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/JAN/89 deverão ser multiplicados neste mês por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87, OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN (Lei nº 7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de mar/91 a dez/92 INPC (art. 41 parágrafo 7º, Lei 8.213/91) de jan/93 a fev/94 IRSM (Lei 8.542, de 23.12.92, art. 9º, parágrafo 2º) de 01.03.94 a 30.06.94 conversão em URV (MP 434/94, Lei 8.880., de 27.5.94 art. 20, parágrafo 5º) de 01.07.94 a 30.06.95 IPCr (Lei 8.880, de 27.5.94, art. 20, parágrafo 6º) de 01.07.95 a 30.04.96 INPC (MP 1.053, de 30.6.95) de maio/96 em diante IGPDI (MP 1.488/96). Nota 1 Nos meses de janeiro de 1989 e março de 1990 será considerado o IPC integral de 42,72% e 84,32%, respectivamente, conforme entendimento jurisprudencial dominante. Nota 2 As prestações vencidas, ainda que anteriores ao ajuizamento da ação, serão atualizadas monetariamente a partir do mês da respectiva competência até o mês da elaboração da conta, em função dos indexadores supra mencionados( "A jurisprudência de nossos pretórios e em especial a do antigo Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 TFR(Súmula 71) já admitia , bem antes do advento da Lei nº 6899/81(art. 1º) a correção monetária das dívidas de valor, ainda que ilíquidas, a contar de quando devidas. A Lei nº 6899/81, na trilha dessa jurisprudência, apenas veio consolidar a correção monetária das dívidas de valor e admitir, por questão de justiça, também a correção monetária das dívidas de dinheiro(REspe 474205/SP DJ de 13.02.95 pág. 2249) . Verificase esta mesma interpretação nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 68.662/SP (Registro nº 96/00243956) Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro Cid Flaquer Scartezzini ("in" D.J.U. de 04.11.96, Seção I, pág. 42.425) Nota 3 O art. 18 da Lei nº 8870/94 não estabelece a UFIR como indexador de prestações relativas a benefícios previdenciários, pois tal dispositivo legal determina apenas a conversão do saldo apurado em UFIR, procedimento, aliás, questionável no caso de expedição de precatório. b) JUROS DE MORA: 6% ao ano ou 0,5% ao mês, contados a partir do mês em que ocorreu a citação até o mês em que a conta for elaborada, salvo determinação judicial em outro sentido (arts. 1.536, parágrafo 2º, 1.062, 1.063, 1.064, todos do Código Civil e Súmula nº 254/STF). Tais juros incidem também sobre a soma das prestações(atualizadas) devidas até a citação, embora sejam contados somente a partir de tal ato processual. c) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS Observar o estabelecido na sentença ou acórdão e o disposto na alínea "d" do item I retro, no que couber. III DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS AÇÕES CONDENATÓRIAS EM GERAL, INCLUSIVE REPETIÇÃO DE INDÉBITO a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos créditos decorrentes de sentenças condenatórias em geral serão observados os seguintes critérios: de 1964 a fev/86 ORTN(Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87 OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN(Lei nº 7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de mar/91 a dez/91 INPC(IBGE), uma vez que a TR (Lei 8.177, de 01.3.91), foi considerada inconstitucional pelo STF como critério de correção monetária, conforme ADIN nº 493/DF (RTJ 143); a partir de jan/92 UFIR (Lei 8383/91). Fl. 560DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 555 11 Nos meses de janeiro de 1989 e março de 1990 será utilizado o IPC integral de 42,72% e 84,32%, respectivamente , com a exclusão dos índices oficiais de inflação em tais meses. b) JUROS DE MORA: 6% ao ano ou 0,5 ao mês, contados a partir do mês da citação até o mês da elaboração da conta, salvo determinação judicial em outro sentido (Arts. 1.536, parágrafo 2º, 1.062, 1.063, 1.064, todos do Código Civil e Súmula nº 254/STF). Nas ações de Repetição de Indébito os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês e incidem a partir do trânsito em julgado(art. 161 e 167 do CTN). c) CUSTAS, DESPESAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATICÍOS observar o estabelecido na sentença ou acórdão e o disposto na alínea "d" do item I retro, no que couber. IV DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS AÇÕES DE DESAPROPRIAÇÃO a) CORREÇÃO MONETÁRIA Os indexadores utilizados na atualização monetária das indenizações decorrentes de desapropriação direta ou indireta são os mesmos mencionados no item anterior, inclusive no que tange à OTN "prorata", todavia, ante o principio constitucional da justa indenização, serão observados os seguintes índices integrais de inflação: janeiro de 1989 42,72%; março de 1990 84,32%; abril/90 44,80%; maio/90 7,87% e fevereiro de 1991 21,87%, com a exclusão dos índices oficiais de inflação em tais meses. b) JUROS COMPENSATÓRIOS 12% ao ano, contados a partir da da imissão na posse, incidindo sobre o valor atualizado da indenização, na conformidade das Súmulas: 110TFR, 12STJ, 69STJ e 113STJ, salvo determinação judicial em outro sentido. c) JUROS MORATÓRIOS 6% ao ano, contados a partir da data do trânsito em julgado da sentença e incidente sobre o valor atualizado da condenação, na conformidade das seguintes Súmulas: 70TFR, 70STJ e 254 STF. d) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Para o cálculo dos honorários advocatícios devese aplicar o comando emergente das Súmulas 141TFR, 141STJ e 617STF, ou seja, serão calculados sobre a diferença da oferta e do valor da indenização, ambos atualizados monetariamente. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Nota Os critérios acima referidos somente prevalecem se não houver determinação em outro sentido na sentença ou acórdão, tendo em vista o disposto no art. 610 do CPC. e) CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS observar o estabelecido na sentença ou acórdão e a alínea "d" do Item I retro, no que couber. O provimento, como se verifica de sua análise, nunca especifica que deva ser utilizada a Ufir mensal, sendo inaplicáveis, da pretensa forma automática defendida pela Interessada, os entendimentos adotados em outras decisões judiciais, cujos efeitos não ultrapassam as suas partes. Portanto, o mencionado provimento, ao contrário do afirmado pela Interessada, não dispõe que deva ser utilizada a Ufir mensal na reconversão para apuração do montante a ser restituído e, tendo a lei adotado o critério muito claro da Ufir diária, é esse o índice que deve ser empregado. De fato, a regra vigente à época dizia que o tributo apurado no mês seria convertido em Ufir pela Ufir diária do primeiro dia do mês seguinte e reconvertido em moeda pela Ufir do dia do pagamento. Notese que a medida favorecia o contribuinte, uma vez que a adoção da Ufir do mês de referência implicaria a apuração de um valor maior em quantidade de Ufir. Para efeito da restituição, obviamente, bastaria que se convertesse o valor à Ufir do dia do pagamento, de forma que, assim, o contribuinte receberia, em Ufir, exatamente o mesmo valor que teria pago. Adotar a Ufir do mês anterior implicaria a apuração de um valor maior em Ufir, o que não se justifica. Se, para efeito da apuração do valor a pagar a lei não adotou esse critério, exatamente para beneficiar o contribuinte, não faz sentido, na restituição, adotar injustificadamente um critério que prejudique o Fisco. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 562DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10880.904531/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 53 1/ 20 09 -1 3 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 26/11/2007 o PER/DCOMP eletrônico n° 40741.42477.261107.1.3.047082, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de CSLL, código 2484, no valor de R$ 782.183,11, onde consta: a) débito compensado CSLL estimativa mensal (código de receita 2484) Período de apuração: setembro/2007; vencimento: 30/11/2007 principal: R$ 383.857,50; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 383.857,50. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 18102.27693.110607.1.3.045958 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 782.183,11 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 251.726,34 Crédito Atualizado: R$ 383.857,50 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 383.857,50 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 251.726,34 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 A DERAT/DIORT/EQPIR/SPO emitiu Despacho Decisório (fl. 2), onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento discriminado como indébito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação, conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 251.726,34. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativamente ao anocalendário 2004, por estar submetida ao regime de apuração do lucro real anual, antecipou pagamentos do IRPJ e da CSLL, a título de estimativa mensal; que, nesse anocalendário 2004, realizou operações de exportação para clientes situados na América Latina; que a receita de exportação é imune da CSLL pela Constituição Federal (art. 149, § 2º, I), conforme redação dada pela EC nº 33/2001; que, em 09/08/2004, buscou a aplicação dessa imunidade, prevista constitucionalmente, para a CSLL sobre as receitas de exportação, impetrando Ação de Mandado de Segurança Preventivo (fls. 41/63), Processo Judicial nº 2004.61.00.0220237, sendo deferida liminar, em 26/08/2004, pelo TRF/3ª Região para todo o período do ano calendário de 2004; que, a partir da obtenção dessa liminar, excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação; que, entretanto, antecipara recolhimentos da CSLL – estimativa mensal dos meses anteriores à concessão da liminar sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL; que na DCOMP, objeto dos autos, utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior da CSLL – estimativa mensal do PA março/2004 (pagamento indevido, ocorrido antes da obtenção da liminar, sobre as receitas de exportação); que, porém, a DERAT/São Paulo não deferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação; que, diversamente do entendimento do fisco, tem direito de refazer os débitos informados da CSLL – estimativa mensal dos PA de janeiro/2004 a julho/2004 (períodos anteriores à obtenção da liminar); que, como já dito, a liminar foi concedida em 26/08/2004, nos autos de Agravo de Instrumento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Agravo sob n° 2004.03.00.048485 7; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 5 4 que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (fl. 38/40); que não efetuou o pagamento do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos, pois utilizou direito creditório para extinguilo mediante DCOMP, atinente a pagamento indevido ou maior da CSLL estimativa mensal do PA março/2004, em face desse provimento jurisdicional que amparou a não cobrança da CSLL do anocalendário 2004 acerca de receitas de exportação (pagamento indevido ou maior de CSLL estimativa mensal sobre receitas de exportação); que o débito da CSLL informada na DCOMP não homologada está sendo cobrado, com multa e juros de mora; que, entretanto, a compensação tributária configura modalidade de extinção do crédito tributário (CTN, arts. 156, II e 170) e art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, como visto, a lei autoriza a compensação tributária de débitos vencidos ou vincendos, com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; que, existindo lei disciplinando o procedimento de compensação tributária, o fisco não pode obstaculizar a concretização dessa forma de extinção do crédito tributário; Por fim, com base nessas razões da manifestação de inconformidade, a contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado, homologação da compensação tributária, extinção do débito confessado na DCOMP e arquivamento dos autos. A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. O crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o atributo da certeza, que é necessário à utilização do crédito pela contribuinte mediante restituição ou compensação na via administrativa. SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL. O crédito sobre o pagamento considerado indevido na esfera judicial deve ser reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido pagamento corresponde, de fato, à CSLL cuja exigibilidade restou afastada pela decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 6 5 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/02/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 40741.42477.261107.1.3.047082 (fls. 01/03), com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de CSLL (código 2484), no valor original de R$ 782.183,11, com débito de estimativa de mesma natureza, referente ao período de outubro/2007. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 251.726,34. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1627.818, de 17 de novembro de 2010, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 8 7 Desse modo concluiu que, somente a base negativa de CSLL apurada no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 9 8 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Inconformado com a decisão a quo, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a revisão da decisão recorrida, argumentando a existência de duplicidade de pagamento da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004 e que não se justifica a denegação do crédito pleiteado e não homologação da compensação informada/efetuada, nos presentes autos. Nas razões do recurso, a recorrente informou que a liminar, que estava amparando a exclusão da receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro do anocalendário 2004, foi revogada em setembro/2010. Porém, não juntou cópia dessa decisão aos autos, nem informou se desistiu da demanda judicial. Outrossim, a recorrente informou e comprovou nos autos que, em face da revogação da liminar, de imediato efetuou o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal dos períodos que estavam com exigibilidade suspensa desde 2004, inclusive efetuou, novamente, o Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 10 9 recolhimento do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, conforme cópia do DARF – data de arrecadação 29/10/2010. Como visto, aparentemente houve pagamento em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, pois, além da arrecadação de 29/10/2010 – cópia do DARF (fl. 94), o despacho decisório alude a recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004 – data de arrecadação 30/04/2004 (fl. 06). Por conseguinte, o fundamento do pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório, no caso, seria pagamento indevido ou a maior (duplicidade de pagamento) do débito do PA março/2004. Não obstante, compulsando os autos, observamse falhas de instrução processual que não permitem, neste momento, ao julgador a formação de convicção quanto ao mérito da lide objeto dos presentes autos, de modo que se torna necessário o saneamento do processo. Por isso, voto pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos à DERAT/São Paulo, para: a) confirmar o pagamento em duplicidade do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, valor do principal R$ 782.183,11, nas datas de arrecadação de 30/04/2004 e 29/10/2010; b) caso tenha sido efetuado o pagamento em 29/10/2010, confirmar se o mesmo foi suficiente para a quitação do crédito tributário; c) juntar aos autos cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 e da DCTF do período de apuração março/2004; d) intimar o contribuinte para juntar aos autos cópia da decisão judicial que revogou a liminar a qual amparava a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro/2004; e) intimar o contribuinte a informar a situação em que se encontra a demanda judicial que demandava o reconhecimento de imunidade de tributação pela CSLL às receitas de exportação, com a devida comprovação. Concluída a diligência fiscal, a DERAT/SP deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resulados apurados, mormente se houve, ou não, pagamento em duplicidade da CSLL Estimativa Mensal do PA março/2004, bem como da demanda judicial. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.720133/2007-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA. Ainda que integralmente reconhecido, a insuficiência do direito creditório pleiteado determina que as compensações dos débitos remanescentes, não absorvidos pelas compensações operacionalizadas, devem ser não homologadas.
Numero da decisão: 1801-000.880
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA. Ainda que integralmente reconhecido, a insuficiência do direito creditório pleiteado determina que as compensações dos débitos remanescentes, não absorvidos pelas compensações operacionalizadas, devem ser não homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa acima identificada protocolizou, em 12/05/2003, Declaração de Compensação relacionando diversos débitos a serem compensados com créditos de Saldo Negativo de IRPJ, anos calendários 2001 e 2002, e Saldo Negativo de CSLL, anos calendários 2000 e 2002 (fls. 01 e 02), originando o presente processo. Em seguida, transmitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas (DCOMPs) utilizando tais créditos. De acordo com a informação de fl. 3, optouse por baixar a DCOMP com crédito de Saldo Negativo de CSLL, anocalendário 2002, informando para tratamento manual este processo, criandose outros processos para tratar os demais créditos. Assim, este processo trata de Declarações de Compensação Eletrônicas pelas quais pretende a interessada a compensação de débitos de IRPJ e de CSLL com direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 111.185,04. Pelo Despacho Decisório n º 1.845/2008 (fls. 63/64, verso) a DRF em Belo Horizonte/MG analisou a composição do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, determinando um saldo negativo no valor de R$ 79.354,42 (fl. 64). O saldo negativo no valor de R$ 79.354,42 foi suficiente para quitar os débitos de estimativa de IRPJ dos PA 01/2003 e 02/2003, e uma parte da estimativa do PA 03/2003, como se vê no demonstrativo de apoio operacional (fl.55). Após estas compensações não restou saldo negativo do AC 2002 para se compensar com as Dcomp eletrônicas. Em razão da insuficiência do crédito as compensações foram parcialmente homologadas. Cientificada, em 07/11/2008, do conteúdo do despacho decisório (fl. 66), a interessada protocolizou, em 04/12/2008 manifestação de inconformidade (fls. 68/71), alegando a decadência do direito do Fisco em retroagir a análise do direito creditório ao ano calendário 1997, afirmando que todas as compensações formalizadas no período anterior a 07/11/2003 encontramse tacitamente homologadas. Afirma que não teria sido considerado um pagamento no valor de R$ 1.981,50 e esclarece que o reconhecimento parcial do direito creditório neste processo é decorrência do não reconhecimento integral dos saldos negativos de CSLL de períodos anteriores, em outros processos administrativos que se encontram em análise da manifestação de inconformidade. A DRJ em Belo Horizonte/MG apreciou o litígio (fls. 177/187) e afastou as alegações de decadência e de homologação tácita das compensações. Após identificar a existência de litígio em relação ao direito creditório pleiteado e em relação às compensações declaradas aquela autoridade julgadora consignou, em relação ao direito creditório, que a divergência entre a apuração efetuada pelo contribuinte na DIPJ e o apurado pelo fisco teria origem nas compensações declaradas em DCOMP, referentes a estimativas mensais apuradas nos meses de outubro, novembro e dezembro, objeto de análise no processo 10680.006299/200347. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.720133/200722 Acórdão n.º 180100.880 S1TE01 Fl. 282 3 Naqueles autos o contribuinte contestou a não homologação das compensações cujo crédito teria sido glosado neste processo. Esta contestação teria sido objeto de análise pela DRJ, resultando na prolação do Acórdão n° 22.414, aos 27 de maio de 2009, que reconheceu o direito creditório e homologou as compensações. Assim, foi efetuada nova apuração da CSLL referente ao anocalendário de 2002, incluindose as estimativas mensais apuradas nos meses de outubro/novembro e dezembro, cuja compensação foi homologada no processo 10680.006299/200317, através do Acórdão n° 0222.414, de 27 de maio de 2009. Acerca do recolhimento mencionado esclareceu que conforme documentos anexados ao processo, este somente ocorreu em 31/10/2006, data posterior à apresentação das DCOMP's em análise neste processo (a DCOMP apresentada em 31/10/2006 seria retificadora da DCOMP original apresentada em 25/07/2005). Neste contexto, um recolhimento somente efetuado em 31/10/2006 não poderia dar origem a pretenso indébito ocorrido no período entre 09/05/2003 e 07/10/2005. Constatouse, assim, a procedência do crédito advindo do Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002 no valor de R$ 111.185,04, para utilização nas compensações de débito declaradas nas DCOMP's em análise neste processo. Como já fora reconhecido pela DRF a importância de R$ 79.354,42, foi reconhecida pela DRJ a diferença do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 31.830,62. Ainda que tenha sido reconhecido integralmente o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 o valor não foi suficiente para fazer frente às compensações pleiteadas, conforme demonstrativo à fl. 186, razão pela qual foram parcialmente homologadas as compensações. Notificada da decisão, em 27/10/2010, como demonstra a cópia do AR à fl. 197, apresentou, a interessada, em 22/11/2010, o recurso voluntário de fl. 200, afirmando que na manifestação de inconformidade já havia apresentado um demonstrativo denominado “Controle de Crédito de CSL e Compensações” que demonstraria que o crédito consignado na DIPJ, de R$ 111.185,04, seria suficiente para homologar integralmente as compensações pleiteadas. Consignou, ainda: O acórdão, em fls. 09 (185 do PTA), admite que o crédito do contribuinte realmente é aquele pleiteado, todavia homologa parcialmente as compensações, apresentado carta de cobrança para aquelas não homologadas e homologada parcialmente. O contribuinte, pelo presente expediente, volta a afirmar que as compensações vinculadas ao crédito de CSL relativo ao saldo negativo da contribuição do ano calendário de 2002 são somente aquelas constantes do documento "Controle de Crédito de CSL e Compensações", QUE NOVAMENTE VOLTA A ANEXAR AOS AUTOS. Razões pelas quais pede a homologação total das compensações efetuadas. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. De acordo com a Declaração de Compensação de fls. 01/02, a empresa interessada pleiteia um direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 111.185,04. A DRF em Belo Horizonte analisou o saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002 informado na DIPJ da empresa no mesmo valor de R$ 111.185,04 (fls. 44 a 46), formado por antecipações a título de estimativas. As estimativas somaram R$ 111.185,04, sendo R$ 18.617,41 referentes à CSLL retida por órgão público e R$ 92.567,63 referentes à compensação com SN de períodos anteriores. O valor retido na fonte foi confirmado em DIRF, já as estimativas foram quitadas com saldo negativo de períodos anteriores. Na análise das compensações de estimativas com saldo negativo de períodos anteriores a DRF em Belo Horizonte/MG considerou que as estimativas dos meses de outubro/2002, no valor de R$ 10.740,20, novembro/2002, no valor de R$ 5.382,40, e dezembro/2002, no valor de 15.708,02, não foram compensadas pois não havia direito creditório de períodos anteriores suficiente para quitar tais valores, razão pela qual foi reconhecida a parcela de R$ 79.354,42 do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 [(111.185,04 – 31.830,62) = 79.354,42]. A DRJ em Belo Horizonte, entretanto, admitiu a procedência das compensações das estimativas dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002 e as incluiu, novamente, na apuração do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, reconhecendo, assim, a integralidade do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 apurado pela interessada na DIPJ e pleiteado para as compensações declaradas nestes autos, no valor de R$ 111.185,04. Entretanto, tal valor, ainda que reconhecido integralmente, não foi suficiente para suportar todos os débitos indicados para compensação, razão pela qual as compensações não foram integralmente homologadas. Tendo sido reconhecida a integralidade do direito creditório pleiteado pela interessada, de R$ 111.185,04, nada mais há que ser reconhecido, nestes autos, a título de direito creditório. Por esta razão as compensações remanescentes devem ser não homologadas. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.720133/200722 Acórdão n.º 180100.880 S1TE01 Fl. 283 5 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.720560/2008-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O arbitramento do lucro está previsto na legislação e é aplicável nas hipóteses previstas pelo art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. In casu, não apresentou o contribuinte os respectivos livros fiscais solicitados pela fiscalização, hipótese que permite o arbitramento para lançamento de ofício.
PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA.
A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, consoante art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autoridade fiscal está vinculada à Lei, de forma que deve aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
Consoante art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, a Fazenda possui 5 (cinco) anos contados do fato gerador para homologar o lançamento. Ultrapassado esse prazo, resta decaído o crédito tributário ainda não constituído. Para fins de aplicação do dispositivo legal, a data de ocorrência do fato gerador coincide com a data final do período de apuração do tributo, que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo.
Numero da decisão: 1802-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência apenas em relação a meses do PIS e da Cofins, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência também em relação à parte de IRPJ e CSLL, nos termos do voto vencido. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCIEL EDER COSTA - Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Ausente momentaneamente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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O arbitramento do lucro está previsto na legislação e é aplicável nas hipóteses previstas pelo art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. In casu, não apresentou o contribuinte os respectivos livros fiscais solicitados pela fiscalização, hipótese que permite o arbitramento para lançamento de ofício. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, consoante art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autoridade fiscal está vinculada à Lei, de forma que deve aplicála, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Consoante art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, a Fazenda possui 5 (cinco) anos contados do fato gerador para homologar o lançamento. Ultrapassado esse prazo, resta decaído o crédito tributário ainda não constituído. Para fins de aplicação do dispositivo legal, a data de ocorrência do fato gerador coincide com a data final do período de apuração do tributo, que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência apenas em relação a meses do PIS e da Cofins, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência também AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 05 60 /2 00 8- 02 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 3 2 em relação à parte de IRPJ e CSLL, nos termos do voto vencido. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCIEL EDER COSTA Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Ausente momentaneamente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração reclamando IRPJ e reflexos em CSLL, PIS e COFINS decorrente de exclusão do SIMPLES e que acarretou na imposição do Lucro Arbitrado por não ter o contribuinte, disponibilizado documentação exigida pela fiscalização. Por bem descrever os fatos que antecedem a análise do presente recurso voluntário, colaciono a seguir relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL, através do Acórdão n° 0122.281, constante às fls. 123/126: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referente ao anocalendário de 2003, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 29.08.2008). Da referida ação fiscal foi apurado o CRÉDITO Tributário abaixo descrito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 31.881,51 Programa Integração Social R$ 628,98 Contribuição p/Financiamento S. Social R$ 6.151,85 Contribuição Social s/Lucro Líquido R$ 11.499,96 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 23/09/2008.(fls. 95). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Preliminarmente, cabe destacar que o procedimento fiscal teve início com base no Parecer SECAT/DRF/BEL N9 578/2005 (sic), o qual serviu de fundamento ao Despacho Decisório de exclusão de ofício do contribuinte de sua opção pelo SIMPLES, com efeitos retroativos ao AC 2002, tudo conforme apurado no âmbito do processo administrativo 10280.003901/200440 (em anexo). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 5 4 Com efeito, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, sujeitarseá a pessoa jurídica (PJ) às normas de tributação aplicáveis às demais PJ (art. 16 da Lei nº 9.317/96) (sic). Desse modo, deveria o contribuinte proceder à elaboração da escrituração contábil de acordo com as leis comerciais e fiscais, como também, apresentar à RFB a DIPJ/DCTF/DACON, os quais foram objeto de intimação/reintimação da autoridade fiscal e não atendidos em tempo razoável concedido para tal, reprisese, desde a ciência do Termo de Início (26/05/2008). Nesse diapasão, não tendo sido disponibilizados os livros comerciais e fiscais, tão pouco transmitidos à RFB as declarações (obrigações acessórias) a que estava obrigado (em anexo), o regime de tributação a que estará sujeito o contribuinte é o do LUCRO ARBITRADO, ex vi do do art. 47 da Lei n9 8.981/95 (sic), ............................................................................ ........................... O percentual aplicável sobre a receita bruta auferida no período de apuração (trimestral) para fins de arbitramento do lucro é de 32%, majorada em 20% (art.15, § 1º, inciso III, alínea “a” e art. 16 da Lei nº 9.249/95) (sic), em face da atividade exclusiva desenvolvida pela sujeito passivo, qual seja, prestação de serviços em geral, conforme delineado no processo administrativo de exclusão. Na apuração da base de cálculo da CSLL, observouse as prescrições do art. 20 da Lei n° 9.249/95 c/c o art. 28 e 29 da Lei nº 9.430/96 (sic). Quanto ao PIS e COFINS, em face do arbitramento do lucro, obrigatório é o recolhimento dessas contribuições com base no regime cumulativo, aplicáveis as alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, calculadas sobre a receita bruta mensal, em conformidade com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 29 da Lei nº 9.718/98; art. 29 , inciso I, alínea “a”, inciso II e parágrafo único, arts. 39 , 10, 22 e 51 do Decreto ne4.524/02) (sic). Foram deduzidos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devidos os valores dos recolhimentos mensais unificados correspondentes ao SIMPLES, os quais foram partilhados proporcionalmente aos percentuais aplicáveis a cada tributo/contribuição, nos termos do art 23, inciso II (Empresa de Pequeno Porte EPP) da Lei n 9 9.317/96 (sic). As planilhas em anexo demonstram a receita bruta mensal/trimestral que servem de base à apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como, o rateio dos pagamentos efetuados pelo SIMPLES sob o código 6106. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 23/10/2008, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 105/117), e alega: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 6 5 4 IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS DIFERENÇAS DAS EXAÇÕES DE QUE TRATA O PERÍODO (AC 2003). O ato administrativo que não pode retroagir ao ano em questão diante do cancelamento da exclusão. Ato tempestivamente impugnado exegese do § 3º do art. 15 e art. 16 da Lei 9.317/96 c/c art. 42 do Decreto nº 70.235/72. Estabelecimento de confusão à contribuinte que não pode perpetrar vulneração a boa fé objetiva e segurança jurídica. Superior Tribunal de Justiça. Sinteticamente, a ora impugnante foi optante do SIMPLES desde 1997, data de sua constituição, mantendo essa condição até o Ato Declaratório n° 518884, datado de 02 de agosto de 2004, que a excluiu sistema de pagamentos com efeitos retroativos à 01.01.2002, mas que em seguida foi cancelado, tornando novamente à condição de contribuinte pelo sistema especial de pagamento de tributos, status mantido até dezembro de 2005, quando então foi cancelado o cancelamento (?!), decisão administrativa tornada definitiva somente em abril de 2007, data em que foi definitivamente julgado o processo administrativo alhures mencionado. Em que pese entendimento contrário, que vai escudado na IN SRF n.° 355/2003, pela qual os efeitos da exclusão podem retroagir no tempo, para alcançar o contribuinte em situação esdruxulamente pretérita, não prospera a interpretação, diante da dicção do art. 146 do CTN, do art. 16 da Lei 9.317/96, máxime, ademais, diante da obrigatória aplicação do art. 42 do Dec. 70.235/72, os quais aplicados exegeticamente ao caso concreto, somente vieram a tornar definitiva a exclusão envidada pelo fisco federal em abril de 2007. Diante do intrincado feixe normativo que envolve a matéria, a percepção objetiva da contribuinte agora autuada passou a ser, então, que sua situação perante o fisco federal era regular e definitiva, não se afigurando lícito subverter por meio de exclusão em tudo atabalhoada e vacilante, com efeitos pretéritos, aquilo que foi ocasionado com exclusividade pelo órgão tributário. Destaquese que não se está a discutir a questão fulcral daquilo que restou definitivamente decidido no Ac. n.° 8.025 da 3.a T. da DRJ/BEL, ou seja, a permanência ou não da impugnante no SIMPLES, mas antes os pretendidos efeitos retroativos dessa exclusão que somente vieram a se substanciar por meio da autuação levada a efeito. Convém ressaltar que era do conhecimento da Fazenda Nacional a atividade desenvolvida pela ora impugnante, posto que desde sua constituição foi incluída no simples, confrontandose com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça , por essa razão, a interpretação que administrativamente se pretende emprestar aos art. 15 e 16 da Lei 9.317/96. 5 ARBITRAMENTO DE LUCRO INADMISSÍVEL NA ESPÉCIE. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 7 6 O Contribuinte estava desobrigado a manter a escrituração contábil e relatórios impertinentes ao Simples. Inexistência, ademais, de cientificação que a não a apresentação dos documentos solicitados importaria em arbitramento do resultado da Empresa. 6 DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA PELA FAZENDA NACIONAL. PERCENTUAL DE 75% INCORRETO. MULTA LIMITADA AO PERCENTUAL DE 20% CONFORME § 2o DO ART. 61 DA LEI 9.430/1996. Em atenção ao princípio da eventualidade, deve ser destacada a nulidade da multa aplicada na autuação combatida. A multa aplicada no ato de lançamento ora impugnado importa no percentual de 75% sobre o valor do crédito suplementar que entende devido pela contribuinte a Fazenda Nacional. Contudo, no caso em espécie ante ao que foi ao norte aduzido, onde não houve máfé do contribuinte, elidindose o caráter punitivo, a multa de ofício conforme vaticina o § 2º do art. 61 da Lei n.° 9.430/1996 está limitado ao percentual de 20%, conforme reiterada jurisprudência dos Tribunais pátrios. Por essa razão, incorreta a penalização aplicada pela Fazenda Nacional, o que torna abusivo o valor exigido no ato de lançamento. 7 DO REQUERIMENTO Ante o exposto, requer a impugnante: a) seja anulada a autuação imposta e cancelado os lançamentos realizados, haja vista a regularidade dos recolhimentos envidados pela empresa contribuinte então admitida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES no AC 2003, alvo do relatório parcial referente do MPF n.° 02.1.01.002008003027, declarandose na oportunidade ainda a inexistência de diferenças de exações decorrentes de sua exclusão somente tornada definitiva ulteriormente ao período de apuração em questão, relativas ao IRPJ e seus reflexos, em razão da impossibilidade retroativa desta exclusão, conforme declinado no item 2 desta impugnação; ou b) seja anulada a atuação baseada em arbitramento do lucro da impugnante, deferindolhe prazo verdadeiramente razoável para apresentar demonstração de resultados que remonta mais de 5 anos, em tudo observados os princípios da razoabilidade e contraditório, na forma do expendido no item 3; e/ou c) seja reduzida a multa aplicada ex oficio pelo Fisco, no percentual de 75% sobre o valor apurado, haja vista a inexistência de máfé da contribuinte no recolhimento das Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 8 7 diferenças das exações, reduzindoa ao percentual de 20%, conforme vaticina o § 2º do art. 61 da Lei n.° 9.430/1996. Naquela oportunidade, entendeu a nobre turma julgadora em julgar pela improcedência do reclamo, conforme a seguinte Ementa (fls. 122): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO RETROATIVO. QUESTIONAMENTO. Já existe Decisão definitiva sobre o assunto. Não cabe reabrir a discussão a respeito na via administrativa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro não é uma penalidade tributária, mas, sim, uma modalidade de apuração do lucro necessária e obrigatória em casos de impossibilidade de apuração do lucro real e/ou lucro presumido. A não apresentação dos livros de escrituração obrigatória é motivo suficiente para a medida. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. DISPENSA. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do decisum em 28/11/2011, apresentou em 27/12/2011 Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos acerca da impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão do SIMPLES, da irregularidade no arbitramento do lucro e da aplicação da multa de 75% dissonante ao caso concreto. É o relato do essencial. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Inicialmente oportuno delimitar o objeto do presente processo: Auto de Infração reclamando impostos e contribuições não recolhidos/recolhidos a menor em decorrência de exclusão do SIMPLES. Neste sentido, não há mais que se falar da exclusão do SIMPLES e seus efeitos, tendo sido instaurado processo próprio para arrazoálo. Portanto, fica prejudicada a análise do ponto recorrido a seguir, eis que está restrito ao contraditório no processo n° 10280.003901/200440: DA IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO PARA COBRANÇA DAS DIFERENÇAS DAS EXAÇÕES REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 2003. CANCELAMENTO DA EXCLUSÃO OPERADO PELO PRÓPRIO ÓRGÃO TRIBUTÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE EXCLUSÃO DATADA DE ABRIL/2007. Mas caso tenha considerado a recorrente seu reclamo especificamente ao lançamento de ofício controlado nestes autos ao anocalendário de 2003, ressaltase que este é reflexo de imposição legal, relativo ao art. 15 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Ressaltase que tal Lei, hoje revogada pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, tinha eficácia plena aos fatos geradores de 2003, merecendo sua aplicação conforme interpretação da norma pelo direito tributário, trazido pelo Código Tributário Nacional: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Neste prisma, a decisão definitiva do processo n° 10280.003901/200440 que determinou os efeitos da retroatividade, devidamente amparada na Lei n° 9.317/96, não pode ser contrariada, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica das decisões administrativas – Consulta eletrônica ao Comprot confirma processo encerrado, no Arquivo Geral da SAMFPA. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 10 9 Neste ponto, o lançamento de ofício retroativo ao anocalendário de 2003 oferecido pelos presentes autos, em reflexo à decisão que confirmou a exclusão do SIMPLES da recorrente, não merece reparos. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO O arbitramento de lucro, previsto no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, é decorrente de fatores que tornem imprestável a escrituração e impeçam a efetiva identificação da movimentação financeira do contribuinte. Um desses indícios é retratado pelos incisos III e VI desse mesmo artigo acima, senão vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 11 10 Tal comando é senão positivado pelo teor do art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 12 11 b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. In casu, restou evidenciada a não demonstração dos documentos pertinentes e próprios à validação da escrituração da recorrente, o que obrigou a fiscalização a apurar o tributo via lançamento de ofício através do lucro arbitrado, assim como ordena a legislação. Ressaltase como imprescindível a demonstração dos livros Diário e Razão comprovando as movimentações realizadas pelos contribuintes na atividade de lançamento exercida pela fiscalização, conforme já decidido por este Conselho: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, mormente quando não comprovada a sua destruição em enchente, causadora de sinistro nas dependências da empresa, quando não atendidas as exigências contidas no art. 210 §1°, do RIR/94, com a comunicação à repartição fiscal e ao órgão de registro do comércio, a publicação tempestiva da notícia do ocorrido em jornal de grande circulação e a tentativa de reconstituição da escrita contábil. (1° CC, 8a Câmara, Acórdão n° 10807.624, julgado em 04.12.2003)(Grifouse.) Ressaltase ainda, que após a decretação do lucro arbitrado, incabível e sem validade a demonstração dos documentos que lhe conduziram a essa condição, conforme já sumulado por este Conselho: Súmula CARF n° 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Portanto, temse como válido o procedimento de apuração pelo lucro arbitrado procedido pela fiscalização, estando este em conformidade com a legislação, dada a constatação de que não demonstrou o contribuinte escrita fiscal e contábil regular capaz de satisfazer os trabalhos da fiscalização. DA MULTA DE OFÍCIO Novamente a Lei estabelece que ao lançamento de ofício é onerado multa de 75%. É senão o trazido pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 13 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Desta forma, sendo imposição legal a autoridade fiscal deve atender, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, respaldada em lei, devida é a multa no percentual de 75%, não se aplicando a multa de 20% de que trata o art. 61, que corresponde tão somente a acréscimo moratório no pagamento de tributo. DA DECADÊNCIA A recorrente foi intimada do lançamento de ofício em 23/09/2008, conforme constam às fls. 64/65 (IRPJ), fls. 70/71 (CSLL), fls. 76/77 (PIS/PASEP) e fls. 83/84 (COFINS). O Código Tributário Nacional, com status de lei complementar disciplina que os tributos cujo lançamento se dá por homologação, possui o prazo de 5 (cinco) anos para ser exigido, senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] §4° Se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 14 13 esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, o Auto de Infração realiza o lançamento de ofício nos períodos e débitos a seguir relacionados: TABELA 1 – Valores do Auto de Infração IRPJ FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL TRIBUTO DEVIDO TRIBUTO RECOLHIDO TRIBUTO A RECOLHER 30/09/2003 113.566,53 6.541,43 543,01 5.998,42 31/12/2003 140.261,70 8.079,07 849,45 7.229,62 CSLL 30/09/2003 113.566,53 3.270,71 1.135,66 2.135,05 31/12/2003 140.261,70 4.039,53 1.402,62 2.636,91 PIS/PASEP 31/07/2003 36.567,38 237,68 142,61 95,07 31/08/2003 32.454,58 210,95 168,76 42,19 30/09/2003 44.544,57 289,53 231,63 57,90 31/10/2003 47.883,19 311,24 248,99 62,25 30/11/2003 37.946,01 31/12/2003 54.432,50 COFINS 31/07/2003 36.567,38 1.097,02 731,35 365,67 31/08/2003 32.454,58 973,63 649,09 324,64 30/09/2003 44.544,57 1336,33 890,89 445,44 31/10/2003 47.883,19 1.436,49 957,66 478,83 30/11/2003 37.946,01 1.138,58 758,92 379,46 31/12/2003 54.432,50 1.632,97 1.088,65 544,32 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 15 14 Como se observa, existem tributos que recolhidos e abatidos do valor do lançamento, reforçam o afastamento da aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Assim sendo, os fatos geradores ocorridos anteriormente a 23/09/2003, estão decaídos, não podendo ser objeto de cobrança por parte da Fazenda Nacional, via lançamento de ofício. Neste sentido é de se ressaltar, que o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre no dia a dia. Confrontado com situação idêntica, assim já interpretou o STJ: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO EM DUODÉCIMOS. LEI N. 7.787/89. POSSIBILIDADE. A ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO DAS EMPRESAS, MEDIANTE O RECOLHIMENTO EM DUODÉCIMOS, NÃO É INCOMPATÍVEL COM O SISTEMA JURÍDICOTRIBUTÁRIO VIGENTE, NEM CONTRARIA A REGRA CONTIDA NO ART. 43 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A LEI, POR IMPOSIÇÃO DOS OBJETIVOS DA POLÍTICA FISCAL, ESTABELECE, POR VEZES, A APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO DO LUCRO POR UNIDADE DE FATO AQUISITIVO, COMO PRELECIONAM OS TRIBUTARISTAS. E OS FATOS AQUISITIVOS DA RENDA DAS EMPRESAS OCORREM NO DIA A DIA, CONQUANTO A SUA TRIBUTAÇÃO, ORA ISOLADA, ORA MENSAL, SEMESTRAL OU ANUAL, CONSTITUISE EM MERA TÉCNICA DE TRIBUTAÇÃO EM CONJUNTO DE INÚMEROS FATOS GERADORES SIMPLES OU COMPLEXOS. NÃO SE PODE, POIS, AFIRMAR, QUE O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA OCORRERA NO MOMENTO EM QUE O CONTRIBUINTE AUFERE A RENDA OU A DISPONIBILIDADE ECONÔMICA, E, COMO TAL CONSIDERADO O FINAL DO EXERCÍCIO INDICADO NA LEGISLAÇÃO. A LEI CONSIGNA EXPRESSAMENTE QUE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO (OU DA CONTRIBUIÇÃO) OCORRE NO DECURSO DO PERÍODO BASE, DE PRIMEIRO (1.) DE JANEIRO A 31 DE DEZEMBRO, AO TEMPO EM QUE SE REALIZAM OS CORRESPONDENTES FATOS AQUISITIVOS. RECURSO PROVIDO. DECISÃO INDISCREPANTE. (REsp 76935/PR, Rel. Ministro DEMÓCRITO REINALDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/1996, DJ 18/03/1996, p. 7540) (Grifouse) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 16 15 Como se observa, embora a legislação venha a definir periodicidade para que o contribuinte efetue a apuração do tributo, isso não altera o fato gerador do mesmo. Nesta esteira, não pode o lançamento de ofício em tela exigir o tributo cujo fato gerador ocorreu antes de 23/09/2003, tendo em vista que o mesmo já se encontra decaído. Esta interpretação por extensão também afasta a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora correspondentes sobre o tributo exonerado. Assim sendo, a unidade de origem deverá apurar e adequar o lançamento de ofício do mês de 09/2003, eis que só podem ser exigidos os valores cujos fatos geradores ocorreram a partir de 23/09/2003, acrescentandose aos valores que colaciono a seguir como parte que merece prosperar a cobrança – fatos geradores não decaídos quando do lançamento de ofício: TABELA 2 – Valores do Auto de Infração não exonerados IRPJ FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL TRIBUTO DEVIDO TRIBUTO RECOLHIDO TRIBUTO A RECOLHER 30/09/2003* 31/12/2003 140.261,70 8.079,07** 849,45*** 7.229,62 CSLL 30/09/2003* 31/12/2003 140.261,70 4.039,53** 1.402,62*** 2.636,91 PIS/PASEP 30/09/2003* 31/10/2003 47.883,19 311,24 248,99 62,25 30/11/2003 37.946,01 31/12/2003 54.432,50 COFINS 30/09/2003* 31/10/2003 47.883,19 1.436,49 957,66 478,83 30/11/2003 37.946,01 1.138,58 758,92 379,46 31/12/2003 54.432,50 1.632,97 1.088,65 544,32 * A Unidade de Origem deverá manter o lançamento somente aos fatos geradores supervenientes a 23/09/2003. ** presunção de lucro para o lucro arbitrado: 38,4% art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Alíquotas de 15% para IRPJ e 9% para CSLL. *** com base nas informações de fls. 91. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 17 16 Sobre os valores que permanecem, é de se manter a aplicação da multa de 75%, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora de acordo com as regras de atualização pertinente ao caso (SELIC). CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação dos fatos geradores anteriores a 23/09/2003. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa – Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir apenas quanto ao critério utilizado na contagem da decadência. A existência de pagamentos, ainda que parciais, realmente desloca o prazo de decadência do art. 173, I, do CTN, para o do art 150, §4º, do mesmo código: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo acrescido) O problema é que o Relator considerou os fatos geradores em questão como ocorridos diariamente, determinando a exclusão da tributação sobre as receitas auferidas antes de 23/09/2003, uma vez que o lançamento foi realizado em 23/09/2008. Para fins de contagem da decadência, não entendo correta a segregação feita entre a data de ocorrência do fato gerador e a data final do período de apuração do tributo (que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo). Sabese que um dos aspectos essenciais para a apuração do tributo é a base de cálculo, que, aliás, configura critério quantitativo da própria obrigação tributária. Assim, não há que se falar em ocorrência de fato gerador e surgimento de obrigação tributária antes da possibilidade de apuração da base de cálculo, e esta possibilidade só surge para o Fisco após o transcurso do período de apuração (que é outro elemento constitutivo da obrigação tributária – aspecto/critério temporal). A base de cálculo só se completa no final do período de apuração, e o texto da LC 70/1991 (art. 2º) é bastante esclarecedor a esse respeito, quando estabelece que a Cofins “incidirá sobre o faturamento mensal”, e não sobre a receita auferida em cada operação, ou sobre a saída das mercadorias, etc. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 19 18 Não é dado ao Fisco apurar tributo antes de encerrado o período de apuração. e se não há como apurar, não há também como constituir, e muito menos como exigir tributo antes desse marco temporal. Sendo assim, não seria razoável iniciar a contagem da decadência antes mesmo de o Fisco poder realizar a apuração do tributo, mediante a atividade inerente ao lançamento. O IRPJ e a CSLL apurados mediante arbitramento do lucro possuem período de apuração trimestral (Lei 9.430, art. 1º, c/c Lei 8.981/1995, art. 57), e é só depois de encerrado esse período que os coeficientes de apuração do lucro poderão ser aplicados sobre as receitas auferidas no trimestre, para aferição da base de cálculo (que, no caso, é o lucro arbitrado). Nestes termos, não há que se falar em decadência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos em 30/09/2003 (abrangendo todo o terceiro trimestre de 2003), uma vez que o lançamento ocorreu em 23/09/2008. Já no caso do PIS e da COFINS, que possuem períodos de apuração mensal (Lei 9.715/1998, art. 2º, e LC 70/1991, art. 2º), a decadência alcança apenas os meses de julho e agosto de 2003, pelas mesmas razões já expostas. Portanto, além das exigência de IRPJ e CSLL, ficam também mantidas as exigência de PIS e COFINS de setembro/2003 em diante, na sua integralidade. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, apenas para afastar as exigências de PIS e COFINS relativas aos meses de julho e agosto de 2003. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10650.902394/2011-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Cofins incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO.
Mantém-se o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Cofins incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO. Mantémse o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 23 94 /2 01 1- 01 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), transmitido em 29/3/2004, no valor de R$ 1.513,99, relativo a pagamento a maior que o devido da Cofins do mês de outubro de 1999, efetuado em 12/11/1999, decorrente de vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus (ZFM). Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 5, o pedido foi indeferido, por inexistência de crédito, com base no argumento de que o pagamento indicado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não crédito disponível para restituição. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou, em preliminarmente, nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não tinha certeza quanto ao motivo do indeferimento nem informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte. No mérito, alegou que tinha direito à restituição do crédito pleiteado, com base nos seguintes argumentos: a) as vendas para clientes situados na ZFM eram equiparadas à uma exportação para o estrangeiro, logo, todas as vantagens fiscais que a legislação tributária estabelecesse para as operações de exportação, seja por meio de imunidade, seja por meio de isenção, seria extensíveis à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a Medida Provisória nº 18586 determinara que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior eram isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no entanto vedara a isenção das vendas para a ZFM; c) a limitação constante da referida Medida Provisória fora contestada perante o Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio da Medida Cautelar nº 2.2161; d) o STF havia decidido que não era permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes; e e) o suposto erro formal contido na DCTF, não era capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior, sob pena de agressão aos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Para fim de comprovação da existência do crédito pleiteado, solicitou realização de diligência e apresentou quesitos. Sobreveio o acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões: a) a motivação do Despacho Decisório era perfeitamente clara e adequada ao descrever o motivo da inexistência do crédito solicitado, logo, não era cabível a sua nulidade; b) a realização da diligência proposta era desnecessária, uma vez que os quesitos formulados eram do conhecimento do Colegiado e as questões de fato eram irrelevantes para a solução do litígio, ademais, os elementos coligidos aos autos eram suficientes para o julgamento do litígio; c) no mérito, com respaldo no entendimento exarado na Solução de Divergência Cosit nº 22, de 2002, não acolheu o pedido de restituição formulado, com base nos argumentos, explicitados na ementa do acórdão recorrido, a seguir transcritos: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902394/201101 Acórdão n.º 3802001.651 S3TE02 Fl. 21 3 A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições. Em 26/3/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Em 25/4/2012, protocolou Recurso Voluntário de fls. 81/96, em que, apenas em relação ao mérito, reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) os efeitos fiscais da equiparação das vendas para a ZFM a uma operação de exportação para o exterior também valeriam para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, instituídas após a vigência do Decretolei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, pois, a expressão “constantes da legislação em vigor” constante do artigo 4º do citado Decretolei, não tinha o condão de conferir interpretação estática à isenção das vendas para a ZFM, de modo a alcançar apenas os tributos vigentes ao tempo em que referido diploma entrou em vigor, nem tampouco mitigara a equiparação entre as exportações para o exterior e as exportações para a ZFM; b) a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não incidiria para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, o que abrange a competência reclamada pela recorrente, haja vista (i) a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, § 2°, do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, e sucessivas reedições, e (ii) a equiparação dos efeitos fiscais das exportações para o exterior às exportações para a ZFM, contemplada no artigo 14, II, da referida MP e sucessivas reedições, conforme prevê o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967, e a jurisprudência dos tribunais superiores; e c) a restituição do indébito era sempre devida, sendo irrelevante a retificação ou não da DCTF, o que pode ser feita em qualquer momento no curso da homologação do crédito pleiteado, a menos que haja procedimento fiscal instaurado de ofício, o que não é o caso. Ademais, o direito da recorrente não poderia ser mitigado por eventual erro ou falha no preenchimento da DCTF, haja vista que o processo administrativo fiscal era informado pelos princípios da verdade material, prejuízo ou insignificância, razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Duas questões de mérito são relevantes no caso em tela. A primeira, diz respeito à isenção das receitas de venda para a ZFM da cobrança da Cofins, origem do suposto Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 crédito pleiteado pela recorrente. A segunda, referese à necessidade de retificação prévia da DCTF, para fim de reconhecimento do direito à restituição da parcela do valor crédito pleiteada e computada no valor total do débito declarado na DCTF. O deslinde da primeira questão prescinde da análise e decisão quanto a existência jurídica do alegado direito à isenção, que, caso não seja reconhecido, obviamente, torna desnecessária a análise da segunda questão. E a razão é evidente, se não há suporte legal para a alegada isenção, consequentemente, inexiste o alegado indébito, logo o valor total do débito declarado na DCTF está correto e é devido, não havendo motivo para a retificação da citada Declaração. Da isenção da Cofins incidente sobre as receitas de venda para a ZFM. Em relação a esse ponto, a controvérsia gira em torno da isenção da Cofins incidente sobre as receitas de vendas realizadas às pessoas jurídicas situadas na ZFM. A Turma de Julgamento a quo entendeu que não existia previsão legal para a referida isenção, enquanto que a recorrente alegou que a citada isenção existia desde 1º de fevereiro de 1999, por força do inciso II do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, que teve sucessivas reedições, até a redação definitiva da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que tem a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] Segundo a recorrente, como as receitas de venda para a ZFM foram excluídas da vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tais receitas passaram a ser isentas, desde 1º de fevereiro de 1999, nos termos do inciso II do art. 14 anteriormente transcrito, pois, para efeitos fiscais, as operações de venda para ZFM eram equiparadas às operações de exportação para o exterior, conforme estabelecido no art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, a seguir reproduzido: Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. De fato, antes da edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 14 de dezembro de 2000, o inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tinha a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902394/201101 Acórdão n.º 3802001.651 S3TE02 Fl. 22 5 § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] (grifos não originais) Após a edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, a expressão “na Zona Franca Manaus” do inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, foi excluída, conforme exposto no art. 11 da referida MP, a seguir reproduzido: Art. 11. O inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR) Em face dessa alteração, a partir da edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, a expressão “na Zona Franca de Manaus” foi suprimida do inciso I do § 2º do art. 14, passando a ter a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Após sucessivas reedições, essa nova redação foi mantida até a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e permanece em vigor até a presente data. Com a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do referido preceito legal, a partir 15/12/2000, data da vigência da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, às receitas das vendas para a ZFM foram excluídas da restrição legal quanto à extensão do benefício da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre as receitas de exportação, prevista no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. Em consequência dessa alteração, a partir de 15/12/2000, para fim de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, foi restabelecida a equiparação das vendas para ZFM às operações de exportação para o exterior, nos termos do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Da mesma forma, a isenção das receitas de exportação foi estendida às receias das vendas de mercadorias para ZFM, conforme estabelecido no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 O entendimento aqui esposado, está em consonância com decisão liminar unânime do pleno do C. Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em 07/12/2000, nos autos da ADI nº 2.3489, em que deferida medida cautelar, com efeito ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Essa decisão liminar foi mantida até 10/2/2005, quando foi revogada, por meio de decisão que, em face da ausência de aditamento da inicial, declarou prejudicado o pedido por perda de objeto. A proximidade das datas evidencia que a finalidade da novel redação do inciso I do § 2º do art. 14 fora adequar o texto normativo ao conteúdo da referida decisão liminar. Assim, em conformidade com teor da referida decisão, no período em que vigeu a vedação ao direito da isenção em apreço, este Colegiado, por expressa vedação legal, determinada no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), em relação às receitas de vendas para a ZFM, não tem competência para afastar a aplicação da vedação estabelecida no artigo 14, § 2º, I, vigente até o advento da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000. No caso em tela, o crédito pleiteado referese a receitas de vendas para a ZFM do mês de outubro de 1999, período em que tais receitas estavam sujeitas à cobrança da Cofins. Logo, se não havia isenção, não houve alegado pagamento indevido, portanto, inexistente o direito creditório pleiteado. Assim, demonstrada a inexistência do direito material, fica prejudicada a análise da questão formal concernente à necessidade de retificação da DCTF previamente ao pedido de restituição em apreço. No caso em tela, embora não exista fundamento jurídico para o direito creditório, entendo oportuno analisar a questão probatória, o que será feito no tópico a seguir. Da inexistência de prova do direito creditório. Com o fim de provar a existência do direito ao crédito pleiteado, a recorrente trouxe à colação dos autos, instruindo a Manifestação de Inconformidade, apenas as notas fiscais de vendas do mês de outubro de 1999 (fls. 34/44), realizadas para os clientes situados na ZFM. As referidas notas fiscais, embora necessárias para comprovar as receitas das vendas para a ZFM, são insuficientes para comprovar a parcela do pagamento maior que o devido da Contribuição para PIS/Pasep do mês de outubro de 1999. Na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de acostar aos autos a prova inequívoca do crédito requerido. Para tal finalidade, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. Assim, fica demonstrado que a recorrente não se desincumbiu adequadamente do ônus probatório determinado no inciso III do artigo 16 do PAF, logo, também em razão da ausência de comprovação do crédito pleiteado, deve ser mantido o indeferimento do pedido de restituição em apreço. Da conclusão. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902394/201101 Acórdão n.º 3802001.651 S3TE02 Fl. 23 7 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 11020.000767/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/03/2010
APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA.
Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.396
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o
voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA. Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire – Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.269.5248, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 80 a 81 em seu relatório, de acordo com o parágrafo único do art. 233 daquele Regulamento, " considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais , bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda , que omita informação verdadeira " , estando entre as formalidades extrínsecas a que sujeitos os instrumentos de escrituração notadamente o Livro Diário a autenticação no registro público competente. Não obstante, os Livros Diário n° 09, 10, 11 e 12, respectivamente de janeiro a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006, janeiro a dezembro de 2007 e janeiro a dezembro de 2008, apresentados pela empresa em 19 de fevereiro de 2010, só foram registrados no órgão competente, Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Farroupilha RS, em 10 de fevereiro de 2010. depois da ciência do início do procedimento fiscal, ciência ocorrida em 02 de fevereiro de 2010. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 102 a 106. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 137 a 148. Vejamos ementa da referida decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/03/2010 AUTO DE INFRAÇÃO . OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO . DOCUMENTOS RELACIONADOS COM A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS EXTRÍNSECAS . Constitui infração à legislação previdenciária a falta de apresentação, à fiscalização, de quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, bem como sua apresentação deficiente, sem atender as formalidades legais exigidas, tal como o registro no órgão competente em data posterior ao início do procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 186 a 190. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Afirma que não ocorreu a infração objeto desta autuação, eis que a verificação de sua irregularidade só poderia se dar quando da sua apresentação ao fisco, considerando que os livros Diário apresentados à fiscalização foram registrados após o início da ação fiscal, mas antes de sua exibição ao fiscal. Assim, quando da efetiva apresentação encontravam se regulares e legais. 2. Entende que da leitura da lei o contribuinte tem oportunidade de regularizar sua contabilidade até o momento em que a fiscalização estabelece o prazo para a sua apresentação, o qual não se extingue em nenhum outro momento anterior. A legislação diz que os Livros Diário devem estar regularizados quando de sua apresentação ao fisco, e não quando do início do procedimento fiscal. 3. A multa não está correta quanto à sua quantificação, por não atender aos limites estabelecidos no art. 283, II do RPS. O contribuinte não praticou qualquer ato capaz de provocar a agravante, nem com intuito de prejudicar a ação da fiscalização, nunca antes tendo sido multado. A dosagem da multa está acima dos limites legais. 4. Requer seja declarado nulo ou totalmente improcedente o auto, ou, alternativamente, seja limitado o valor da multa ao estabelecido no artigo 283, I I , c/c artigo 292 do RPS..^ A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, irrelevantes os argumentos de que em sendo associação estaria desobrigada de efetuar as devidas retenções quando da contratação de cooperativas. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Requereu a autoridade fiscal os livros diários porém ao apreciálos identificou que o mesmos foram registrados após o procedimento fiscal, o que tira do recorrente a espontaneidade. Contudo, dito argumento não é suficiente para afastar a autuação, posto que o fato que configura a infração restou configurado, qual seja “apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido.” Notese que os argumentos trazidos pelo recorrente são exatamente os mesmos já apresentados na IMPUGNAÇÃO, onde quando do julgamento de primeira instância apreciou o julgador os argumentos ali contidos, não tendo o recorrente contraposto qualquer novo argumentos capaz de alterar aquele julgado. Portanto, transcrevo trecho da referida decisão. Da Penalidade por Descumprimento de Obrigação Acessória 8. Inicialmente, destacase que a autuação ora sob exame foi imposta à impugnante pelo seu próprio descumprimento de uma obrigação acessória prevista em lei, qual seja, a de apresentar livros obrigatórios na forma exigida pela legislação. 9. Pelas leis civis, o empresário e a sociedade empresária estão obrigados a manter escrituração contábil idônea, consubstanciada no Livro Diário, cuja exigibilidade está prevista no artigo 1.180 do Código Civil (lei n.° 10.406/2002), o qual deve ser autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). Como se segue: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 4 7 Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (...) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. (...) Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis, (g. n.) 10. O livro Diário deve observar, portanto, certas formalidades extrínsecas e intrínsecas (artigos 1.183 e 1.184 do Código Civil), sob pena de autuação própria, nos termos da legislação tributária previdenciária. Vejase a Lei n.° 8.212/91: Art. 33. [omissis] (...) § 2° A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). § 3â Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). 11. Há ainda a previsão, no Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.° 3.048/99, de que a escrituração contábil seja exigida após noventa dias da ocorrência dos fatos geradores. Citase: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 12. Além disto, a Instrução Normativa SRF n. 16/1984 estabelece como prazo para registro e autenticação dos Livros Diário o último dia determinado para a entrega da DIPJ. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 13. Deste modo, verificando que o livro Diário, exigível de qualquer empresa nos termos da lei, não se encontrava registrado no órgão competente no início do procedimento fiscal, ficou caracterizada, pela fiscalização, a sua apresentação de modo deficiente, isto é, sem o registro em tempo hábil. Há, sim, infração, na medida em que as formalidades legais não foram atendidas no momento determinado pelas normas em vigor. 14. Não é somente a falta de apresentação de livro obrigatório que é capaz de ensejar a infração em tela. A sua apresentação deficiente, sem observância de formalidades legais exigidas, tal como o registro ou autenticação, também o é. Ora, sem a observância das formalidades, dentre as quais se inclui o registro contemporâneo dos livros contábeis, não se pode falar em regularidade na documentação da empresa, a qual deve merecer confiabilidade exatamente por se verificar ter atendido todos os requisitos estabelecidos nos normativos vigentes. Assim, fica estabelecida a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal para autuar a empresa, nos termos do artigo 33, § 2 o e 3o da Lei 8.212/91. 15. Portanto, a situação fática encontrada pela fiscalização quando do início da ação fiscal foi a de uma escrita contábil desprovida de registro, ou seja, sem regularidade. O inicio da fiscalização deuse em 02/02/2010, conforme AR que comprava o recebimento do TIPF, de fls. 72. Os livros Diário apresentados, de 2005 a 2008, contêm como datas de registro 10/02/2010; após portanto o inicio da auditoriafiscal, conforme documentos de fls. 82/99. O registro operado pela Autuada foi, assim, extemporâneo, desatendendo o que preconiza a legislação de regência, e imputando a sua escrita contábil o atributo da irregularidade. De nada adianta a empresa sob procedimento fiscal cumprir um dever instrumental somente após o termo inicial desse procedimento. 16. Isto porque o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade para os fins de retificar ou sanar infrações referentes às contribuições sociais e previdenciárias objeto do procedimento fiscal a que está submetido. Tudo nos termos do art. 138 e parágrafo único do CTN e art. 7.° e § 1.° do Decreto n.° 70.235/72. 17. Por outro lado, a jurisprudência assinala a impossibiliade desse aplicar o instituto da denúncia espontânea nas obrigações acessórias, puramente formais, como é o caso do Auto de Infração em tela. 18. O entendimento é corroborado na CSRF Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da transcrição abaixo, em que foi recorrida a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (julgado em 21.05.2001 do RD/2020.363, DOU, Seção I, p. 19, de 23/10/2002): "Acórdão CSRF/02.01,029. DCTF ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 5 9 A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138, do CTN.Precedentes do STJ. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Cons.Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva" 19. Nesse contexto, ao verificar o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33, § 2o da Lei n° 8.212/91, c/c art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, lavrouse corretamente o correspondente auto de infração, com aplicação da multa prevista no artigo 283, inciso I I , " j " do RPS, valor esse atualizado pela Portaria Ministerial vigente à época. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. VALOR DA MULTA Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria MPS/MF n. 350/2009 reajustou os valores da multa: Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências. Ademais, a alegação de que não tinha a intenção de praticar qualquer falta, também não afeta o lançamento, uma vez que a intenção do agente não interfere, ou seja o fato de ter agido com dolo ou culpa não interfere no lançamento. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 6 11 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, data vênia, vou dar razão à recorrente no que diz respeito à inocorrência da infração. Inicio por transcrever os termos do dispositivo legal que fundamentou a lavratura: Lei n.º 8.212/1991 Art.33.(...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Observe que fiz questão de grifar os vocábulos que encerram o núcleo da obrigação acessória supostamente desrespeitada. Sem maiores digressões, é de se notar que a conduta desejada do sujeito passivo é a apresentação de livros/documentos, sendo considerada infração a falta de exibição ou mesmo a sua apresentação deficiente, conforme se extrai do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Indo ao caso concreto, temse que o sujeito passivo, tendo sido intimado a apresentar os Livros Diário relativos os exercícios de 2005 a 2008 em 02/02/2010, registrouos no órgão competente em 10/02/2010, tendo feito a exibição dos mesmos ao fisco em 19/02/2010. Para a Auditoria, o registro dos livros em momento posterior ao início do procedimento fiscal, retiraria a espontaneidade do contribuinte, justificando, assim, a lavratura. Não vejo dessa forma. É que a infração sob cuidado somente se perfectibiliza no momento da exibição dos elementos. A conduta omissiva tem lugar quando da falta de apresentação dos elementos ou a sua apresentação deficiente. Na espécie, não há o que se cogitar da falta de apresentação, posto que os livros foram entregues, então, perguntase: os Livros Diário foram apresentados de forma Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 7 13 deficiente? A resposta é negativa, posto que o fisco recebeu os elementos com todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas cumpridas, conforme narrado no seu relato. Quanto à possível exclusão da denúncia espontânea em razão do registro dos livros haver sido efetuado somente após o início da auditoria, devese ter em conta que esta raciocínio poderia ser utilizado nas situações em que a obrigação consistisse em “registrar os livros contábeis em data X”, mas não é essa a obrigação que suposta mente foi descumprida, a qual, não custa reprisar, diz respeito à “exibição de documentos e livros”. Nesse sentido, tendo os livros sido entregues na data fixada pela Auditoria e estando os mesmos em conformidade com as normas aplicáveis, não há que se falar em ocorrência de infração à norma insculpida no § 2.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11065.905337/2011-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 53 37 /2 01 1- 38 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de março de 2004, no valor de R$ 2.088,42, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o crédito compensado era legítimo, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 16/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 48/64, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegalidade, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, alegou a recorrente a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegal, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação adequada à comprovação do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. O motivo e o fundamento da não homologação da compensação declarada, consignado no contestado Despacho Decisório, foi a inexistência do crédito compensado. Com base nessa informação, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no § Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.905337/201138 Acórdão n.º 3802001.697 S3TE02 Fl. 21 3 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), cabia ao contribuinte apresentar os elementos probatórios adequados com vistas a comprovação da existência do valor crédito informado, o que não feito. Por essa razão, fundamentadamente, a Turma de Julgamento a quo manteve a não homologação da compensação por ausência de “comprovação da liquidez e certeza do crédito”, que equivale a inexistência do direito creditório. Dessa forma, a decisão recorrida não só manteve o fundamento/motivo da decisão prolatada no Despacho Decisório guerreado (inexistência do crédito), como apresentou a razão pela qual concluíra que o direito creditório não inexistia, ou seja, a ausência das provas hábeis e idôneas para fim de comprovação do valor crédito pleiteado. Também a falta de intimação para apresentar a documentação comprobatória do crédito também não configura motivo suficiente para inquinar a decisão recorrida. Ônus probatória não é da incumbência da autoridade julgadora, mas da parte interessada, nos termos do art. 16 do PAF, combinado com o disposto no art. 333 do CPC. No caso do procedimento de compensação, quem tem que provar a existência do crédito é quem alega possuílo, ou seja, o sujeito passivo autor da declaração de compensação. Por essas razões, a autoridade julgadora não tem o dever intimar o contribuinte para produzir provas. Em consonância com o disposto nos arts. 18 e 29 do PAF, a autoridade julgadora, com vistas a formação de convicção, poderá determinar a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias e imprescindíveis para o esclarecimento de dúvidas acerca da prova apresentada, situação que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. Do mérito. Em relação ao mérito, a recorrente insiste na alegação de que a apresentação do Darf seria prova suficiente para comprovar a existência do crédito. Na verdade, o Darf comprova a realização do pagamento, mas, no caso em tela, tal prova era prescindível, pois, o pagamento já havia sido confirmado pelo Administração Tributária, conforme explicitado no Despacho Decisório. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, logo, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de carrear aos autos a prova inequívoca do crédito compensado, ao não se desincumbir adequadamente desse encargo, fica sujeita as consequências dessa omissão. É oportuno ressaltar que, mesmo ciente da necessidade da apresentação da documentação probatória adequada, nesta fase recursal, a recorrente insistiu na omissão, uma 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 vez que não trouxe à colação do recurso qualquer documento comprobatório do suposto indébito. No caso, como se trata de suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. A recorrente não apresentou nenhum dos referidos documentos, inclusive na atual fase recursal, conforme já mencionado. Com base nessas considerações, por falta de prova, resta não comprovado a existência do crédito compensado, logo, deve ser mantida a não homologação da compensação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 19515.000981/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL NA HIPÓTESE.
A presunção legal de distribuição disfarçada de lucros de que tratam os art. 464 e seguintes do RIR/99 somente se pode verificar na transferência de patrimônios que se efetiva no sentido da empresa investida para a sua respectiva investidora, não se podendo admiti-la no sentido inverso.
PESSOA LIGADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BENEFÍCIO.
Sendo a transferência de patrimônio (participações acionárias) realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico - e pelos respectivos valores constantes na contabilidade - para fim específico de integralização e/ou aumento de capital, não se verifica o benefício a ser auferido pela apontada pessoa ligada, sendo, portanto, inaplicável a hipótese do art. 466 na espécie.
Numero da decisão: 1301-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar os lançamentos constantes dos autos de infração, nos termos do voto Vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier.
(Assinado digitalmente)
PLÍNIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS - Relator.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL NA HIPÓTESE. A presunção legal de distribuição disfarçada de lucros de que tratam os art. 464 e seguintes do RIR/99 somente se pode verificar na transferência de patrimônios que se efetiva no sentido da empresa investida para a sua respectiva investidora, não se podendo admiti-la no sentido inverso. PESSOA LIGADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BENEFÍCIO. Sendo a transferência de patrimônio (participações acionárias) realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico - e pelos respectivos valores constantes na contabilidade - para fim específico de integralização e/ou aumento de capital, não se verifica o benefício a ser auferido pela apontada pessoa ligada, sendo, portanto, inaplicável a hipótese do art. 466 na espécie.
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INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL NA HIPÓTESE. A presunção legal de distribuição disfarçada de lucros de que tratam os art. 464 e seguintes do RIR/99 somente se pode verificar na transferência de patrimônios que se efetiva no sentido da empresa investida para a sua respectiva investidora, não se podendo admitila no sentido inverso. PESSOA LIGADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BENEFÍCIO. Sendo a transferência de patrimônio (participações acionárias) realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico e pelos respectivos valores constantes na contabilidade para fim específico de integralização e/ou aumento de capital, não se verifica o “benefício” a ser auferido pela apontada “pessoa ligada”, sendo, portanto, inaplicável a hipótese do art. 466 na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar os lançamentos constantes dos autos de infração, nos termos do voto Vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. (Assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 81 /2 00 9- 60 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 (Assinado digitalmente) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Relator. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo versa acerca de autos de infração lavrados em 02/04/2009 (fls. 158/167), atinentes: (I) ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), relativo a fato gerador do anocalendário de 2004, com crédito tributário total de R$ 470.747.409,90 composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 31/03/2009; e, MULTA ISOLADA constituída em face da configuração da falta de pagamento de antecipação mensal do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurada no mês de agosto do anocalendário de 2004, correspondendo ao importe de R$ 66.134.612,61. Apurada em verificação fiscal obrigatória (1) falta de adição ao lucro liquido do exercício de montante pertinente à diferença entre o valor de mercado e o de alienação realizadas entre pessoas ligadas, apurada no montante de R$ 601.539.851,77 decorrente de operação de integralização de ações transferidas do patrimônio da empresa CAMARGO CORREA CIMENTOS S/A, CNPJ n° 62.258.8841000136, cuja transação denotouse dentro do campo das hipóteses de presunção legal para caracterização de ocorrência de distribuição disfarçada de lucros (DDL), consoante descrito no aludido termo de verificação, demandando a tributação do IRPJ e CSLL sobre a base imponível apurada no encerramento do ano calendário de 2004, bem como o ajuste dos saldos de Prejuízos Fiscais e Compensação de Bases Negativas de CSLL (fls. 168/169 e 171/174); 2) Falta de pagamento da antecipação mensal do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao mês de agosto do anocalendário de 2004, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, face a inocorrência de adição da base imponível pertinente à distribuição disfarçada de lucros (DDL) acima circunstanciada; ensejando a constituição de multa isolada na proporção de 50% (cinqüenta por cento) da base tributável mensal apurada na forma redação atual do art. 44, inciso II, alínea b da Lei n° 9.430, de 1996, dada pelo art. 14 da Lei n°11.488, de 2007. 3) Certificação e glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais, no valor de R$ 533.128,46 ante a constatação de que o contribuinte manteve um estoque atinente a períodos anteriores no montante de R$ 2.898.789,24, conforme apurado em Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI (fl. 149), enquanto que, por outro lado, o contribuinte procedeu um abatimento no Lucro Real do ano de 2004, na importância de R$ 3.431.917,70, segundo revelado pela Ficha 09A Linha 44 da DIPJ/2005. Vale registrar, por oportuno, que a multa isolada decorrente da falta de pagamento da antecipação mensal da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) referente ao mês de agosto do anocalendário de 2004, calculada nos moldes da sanção imputada sobre a estimativa apurada em relação ao IRPJ, embora oriundo de resultado do encerramento dos trabalhos amparados por intermédio do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF n° 08.1.90.002007028791), encontrase controlada,em separado, através do Processo Administrativo 19515.000982/200912. Apresenta impugnação com os seguintes argumentos: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, antecipa juízo no sentido de reclamar que as exigências fiscais são de todo incorretas e desprovidas de respaldo legal ou jurídico, devendo ser objeto de apreciação na qual sejam declaradas integralmente improcedentes pelo órgão julgador de primeira instância; 2) Assim, em caráter preliminar, reivindica que ocorreu a decadência do direito da Fazenda Nacional realizar a glosa de compensação de prejuízos fiscais, ajustados no importe de R$ 533.128,46, bem como contesta a legitimidade das providências adotadas pela autoridade fiscal que ensejaram a alteração de oficio do saldo de computados em períodos anteriores; 3) Neste sentido, atesta que o procedimento efetuado pela Fiscalização não encontra base legal, visto que ajustou o resultado fiscal da entidade, atinente ao anocalendário de 2001, alterando a condição originária de Prejuízo Fiscal apurado no valor de R$ 7.542,85, consoante registrado na DIPJ e no LALUR do período base, para uma situação de Lucro Real no montante de R$ 1.751.952,05, cuja composição da base tributável inclui a compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, no importe de R$ 525.585,61. 4) Assinala que a glosa de R$ 533.128,46 corresponde ao somatório dos valores de R$ 7.452,85 e R$ 525.585,61, constante do demonstrativo elaborado no encerramento dos trabalhos de fiscalização. Subseqüentemente, reclama que, de acordo com os fundamentos fixados pelo art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, com a nova redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993, o procedimento deveria estar amparado por meio de auto de infração ou notificação de lançamento a fim de resguardar a oportunidade de a empresa exercer seu direito a ampla defesa mediante impugnação e recurso administrativo. 5) No intuito de sustentar suas argüições, finda a discussão preliminar, mediante citação de ementas proferidas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes que intenta reafirmar a inconsistência do procedimento realizado pela autoridade fiscal, como a ocorrência de decadência do direito da RFB promover revisão alteração do saldo de prejuízo fiscal; 6) No campo do mérito, inicia suas explanações sobre a autuação vinculada à Distribuição Disfarçada de Lucros, assegurando que no caso das empresas Camargo Corrêa S/A (CCSA), Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC) e Participações Morro Vermelho Ltda. (PMV), as participações societárias apresentamse arranjados conforme assinalados nas Fichas 49 da DIPJ/2004 (fls. 248/251), assim demonstrando que a PMV detém 99,96% do capital da CCSA que, por sua vez, possui 86,97% do capital da CCC; 7) Ante a configuração elencada, assevera que a alienação da da ITAUSA e da USIMINAS, a valores contábeis, realizada pela CCSA para a sua controlada CCC, para fins de integralização de capital social, não caracteriza a ocorrência da DDL, haja vista que a empresa CCC não se enquadra no conceito de pessoa ligada A empresa CCSA, em conformidade com os preceitos firmados pelos arts. 464, inciso I e 465, inciso do RIR/99, pelo simples motivo de que a primeira não é acionista da segunda, mas, sim, o inverso, circunstância que descaracteriza por completo a ocorrência da infração; 8) Acentua que o dispositivo legal estabelecido no art. 466 do RIR/99, reportado no enquadramento legal da autuação, aplicase a situações distintas daquela enquadrada pela Fiscalização, conforme exemplifica e ilustra às fls. 190/191; 9) Remata a fase inaugural da discussão de mérito, acentuando que as razões indicadas demonstram a insubsistência do auto de infração pautado na caracterização da Fl. 886DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 4 5 ocorrência de DDL, tendo em vista a desarmonia com a legislação de regência e sua incompatibilidade com os fatos descritos nos autos; 10) Dando seqüência às argumentações, afirma que a transação realizada entre as pessoas jurídicas não se destinou a transferir lucro para a CCC, na medida em que esses supostos lucros nunca foram realizados e que as ações incitadas na autuação permanecem, até hoje, intactas no ativo permanente da empresa controlada; 11) Sob este aspecto, reiterando a assertiva que visa refutar a qualificação das pessoas jurídicas na condição de empresas ligadas, faz citação de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes para fins de enfatizar que a jurisprudência em voga é incisiva em concluir pela imprescindibilidade da comprovação pela autoridade lançadora acerca da ocorrência de favorecimento do acionista controlador, objetivando evidenciar a infração que caracteriza a presença da DDL; 12) Completa que, não bastasse o referido erro, o Termo de Verificação Fiscal apresenta outra incongruência quando afirma que o beneficiário da suposta DDL teria sido a empresa Participações Morro Vermelho (PMV), sociedade que sequer tomou parte na transação, bem como não obteve qualquer beneficio da operação; 13) De toda sorte, atesta que a pretensão de tributar o negócio jurídico não se sustenta seja qual for o angulo sob o qual se enfoque a questão, visto que, em primeiro lugar, a suposta DDL seria irrealizável em face da inexistência de objeto (transferência de lucros imaginários) e, em segundo lugar, conforme sustentam conceitos assentados pela doutrina tributária, porque o caráter vinculado da atividade do lançamento não tolera simples ficções ou presunções, mas, sim, a atuação pautada em provas concretas, sendo vedada à Administração Tributária transferir o Onus probandi dos fatos alegados ao contribuinte; 14) Agrega que, diante do fato da operação ter sido concretizada em 13/08/2004, a Administração Tributária não poderia ter tomado como parâmetro para cotação das ações, valores unitários praticados em negociações posteriores àquela data, em desacordo com o art. 465, inciso III, §.3° do RIR/99, segundo o qual determina que a utilização de preço praticado em negociações anteriores e recente do mesmo bem; 15) Superadas as ilações anteriores, reclama que os lançamentos de oficio restaram prejudicados quanto a efetiva demonstração do valor de mercado da quantidade das ações da ITAUSA e da USIMINAS transferidas do patrimônio da impugnante (CCSA) para sua controlada (CCC), porquanto o quantitativo de ações transacionadas denotase extremamente superior ao acervo negociado na BOVESPA nos dias pesquisados pela autoridade fiscal, circunstância que indica descumprimento do dispositivo prescrito no art. 465, § 2° do RIR/99, cujo termos exigem que as quantidades comparadas sejam semelhantes; 16) Nesse sentido, relata que o Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais já proferiram inúmeras decisões nas quais estabelece que, para os casos de DDL presumida nos negócios de que trata o art. 464, inciso I do RIR/99, cabe ao Fisco a prova do valor de mercado do bem, para, então, demonstrar a inferioridade do preço da alienação em relação àquele importe, e eventual determinação da receita tributável; 17) Na seqüência, amparado em conceito definido pelo Parecer Normativo CST n° 449, de 1971 e em interpretação obtida de doutrina tributária, atesta que não há nos autos qualquer elemento que evidencie esforço do AFRFB na qual se perceba sua inclinação Fl. 887DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 em comprovar o valor das ações que se caracterizou notoriamente inferior de mercado, aliás, ao contrário, limitouse a proceder a juntada de cópia de pesquisa obtida no site Yahoo Finanças, realizada em 02/04/2009, abrangendo o período de transações na BOVESPA concernente ao interstício de 10 a 20 de agosto de 2004, visando embasar os preços de mercado informados no Termo de Verificação Fiscal, cujo procedimento não se coaduna com o disposto no art. 465, § 2° do RIR/99, bem como não respalda a atribuição da presunção legal pretendida nos autos de infração. Reforça que, diante do fato da entrega das ações para aumento de capital ter ocorrido em 13/08/2004, nos termos da legislação de regência, as negociações posteriores relacionadas ao mesmo bem não servem de parâmetro para aferir a existência de DDL, devendo, sim verificar o preço praticado nas negociações anteriores; 18) Reclama que a Administração Tributária não pode, à margem do quanto lhe é facultado pelo Regulamento do Imposto de Renda e pela própria Constituição Federal, criar conceitos e parâmetros próprios que não tem qualquer amparo na lei ou suporte na prova dos autos para definir o "valor de mercado" da transação no caso especifico, uma vez que o RIR/99 diz que o parâmetro a ser utilizado é o preço exercido nas negociações anteriores e, não, das transações posteriores; 19) Atesta a plena normalidade do ato praticado sob o prisma objetivo, haja vista que restou comprovado, no caso vertente, que as ações em causa não foram conferidas para aumento de capital por valor subavaliado, mas, sim, pelo seu valor patrimonial, qual seja, pelo seu valor contábil, enquanto que o parâmetro utilizado pela autoridade fiscal não tem amparo em lei, uma vez que negociações posteriores não servem para fins de comparação. Sustenta seus argumentos com base em jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes e cita o art. 189 do Decreto n° 85.450, de 1980; 20) Enfim, salienta que a tradição do Conselho de Contribuintes tem aceito a confirmação da DDL em alienações de bens por valores notoriamente inferiores aos de mercado, quando não é respeitado o valor patrimonial desses ativos, o que na espécie não ocorreu, tendo em conta que os valores de custo contábil e patrimonial foram rigorosamente atendidos; 21) Corroborado em ementa do Câmara Superior de Recursos Fiscais, assevera que o autuante incorreu em grave erro, capaz de invalidar o lançamento, pois, conforme se depreende da conclusão do procedimento, não observou a imprescindibilidade de instauração da avaliação contraditória, nos termos do art. 148 do CTN, visto que, tendo o Fisco estimado o valor das ações, tomando por base o preço de um número infinitamente menor de ações negociadas na Bolsa de Valores, pautandose em datas anteriores e posteriores A operação, caberia envidar providências a fim de apurar valor compatível para as ações questionadas, bem como viabilizar a constituição de oposição ao importe integralizado para aumento de capital na empresa controlada; 22) Ressalta, ainda, que, não bastassem as razões anteriores, as transações denotam falta de realização do lucro distribuído e inexistência de prejuízo ao erário público, haja vista que as ações conferidas pela impugnante (CCSA) ao patrimônio da empresa controlada (CCC), permaneceram no ativo permanente da CCC até a presente data, razão pela qual depreende inexistir qualquer circunstância que indique evidências acerca de lucro distribuído às pessoas jurídicas envolvidas, pois não foram objeto de qualquer alienação ou outra operação que importasse em realização de lucro ou lucros a distribuir; 23) Reitera, por mais esta oportunidade, que a PMV não obteve qualquer beneficio ou vantagem decorrente da alienação das ações da ITAUSA e da USIMINAS, mediante transferência do ativo permanente da CCSA para a CCC; Fl. 888DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 5 7 24) Fazendo menção a jurisprudência especifica prolatada no STJ, a qual entende aplicável à natureza da operação pertinente ao caso concreto, ressalta que a transação caracterizase em alienação que não se traduz valores em espécie, mas em ações correspondentes ao valor daqueles bens, hipótese que afasta a idéia de lucro. Assim, deduz imprestável a caracterização de DDL e convalida interpretação na qual a conferência de bens por valor inferior ao verdadeiros não importa em diminuição de ativo da empresa, mas, apenas, em aumento de capital, com eventual prejuízo dos acionistas não conferentes; 25) No que concerne à glosa dos prejuízos fiscais no valor R$ 533.128,46, renova a ocorrência de erro de apuração na apuração do resultado da empresa, cujo equivoco pode ser observado mediante observância das informações extraídas do LALUR e de cópia da DIPJ/2002, conforme detalhado nas preliminares do impugnação; 26) No tocante à multa isolada apurada em função de falta de pagamento base estimada do IRPJ e CSLL, apresentada em função do acréscimo de valor de pretensos lucros distribuídos disfarçadamente no mês de agosto de 2004, argumenta que a referida multa não se constitui em sanção tributária, mas em penalidade administrativa que visa garantir a incidência ou a integralidade da sistemática legal de apuração da base de cálculo do imposto e da contribuição; 27) Assevera que a apuração em períodos mensais com ajuste anual em 31 de dezembro é uma alternativa oferecida ao contribuinte, já que a legislação estabelece como regra a apuração trimestral do IRPJ e da CSLL. Assim, afirma que não faz nenhum sentido lógico ou jurídico a cominação da cobrança da multa sobre variações apuradas após o encerramento do período, em procedimento de revisão de lançamento após o encerramento do períodobase. Assegura, porém, que somente se admitiria a exigência da penalidade sobre as diferenças que porventura tivesse deixado de recolher, cuja constatação houvesse ocorrido durante o ano da autuação, circunstância que não se aplica em relação ao impugnante; 28) Contesta que a imposição de multa isolada somente teria lugar no caso de pagamento a menor do imposto ou contribuição durante o ano da autuação, sendo certo que, após o encerramento do período de apuração, a sanção não tem qualquer razão de ser, seja porque não atende sua finalidade, seja pelo motivo de acabar apenando duplamente o sujeito passivo defronte o descumprimento do regime de estimativa, configurando, assim, em autêntico bis in idem; 29) Sustentado em jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atesta a improcedência das autuações de multas isoladas correspondentes, ante a evidente constituição ao arrepio da legislação tributária, denotando afronta aos princípios dos atos administrativos, da legalidade, vedação ao confisco e, sobretudo, razoabilidade e proporcionalidade; 30) Em relação a tributação reflexa, baseado nas assertivas ligadas ao IRPJ, assegura que nada restara a ser cobrado nos procedimentos dele originários, por uma relação de causa e efeito; 31) Finalmente, protesta a juntada de novas provas, demonstrativos e outros elementos que venham demonstrar necessários à comprovação das alegações articuladas, especialmente a realização de perícia ou diligência. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPOI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1622.585, de 21/08/2009 (fls. 308 e s.s.), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. INOCORRENCIA. Comprovada a inexatidão da apuração da base imponível do imposto de renda, ante a redução indevida de prejuízo fiscal, outrora ajustado em procedimento de revisão de oficio regularmente constituído por autoridade fiscal competente, devidamente executado em simetria com o prazo decadencial previsto pela legislação de regência, inferese manter inalterada a autuação decorrente dos efeitos do ajuste do saldo de Prejuízos Fiscais acumulados. PRESUNÇÃO LEGAL. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIO REALIZADO POR INTERMÉDIO DE TERCEIRO OU SÓCIO CONTROLADOR DETENTOR DE CONTROLE DIREITO OU INDIRETO. Presumirseá distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, ainda que a transação seja firmada com esta por intermédio de outrem, ou mediante sociedade na qual a pessoa ligada tenha controle direto ou indireto. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL OBRIGATÓRIA. Constatada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa, cabe imputação de multa isolada prevista na legislação de regência, cuja incidência será apurada na proporção de 50% do montante do imposto não recolhido pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFICIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRENCIA. Descabe a alegação de existência de aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento das antecipações mensais obrigatórias e multa de oficio incidente sobre a base imponível do imposto apurado no ajuste anual, porquanto se tratarem de sanções de caráter distinto, passíveis de serem exigidas em conjunto ou separadamente, consoante preceitua a legislação tributária atinente às matérias. PEDIDO DE DILIGENCIA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos legais e impõese indeferir a solicitação que verse exclusivamente à busca e análise de documentação probatória, cuja anexação caberia ao próprio impugnante e deveriam constar dos autos no ato da interposição da defesa, independentemente de permissão da autoridade julgadora. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 6 9 DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão pertinente ao lançamento principal deve nortear as inferências correlatas ao auto de infração reflexivo, tendo em vista que provêm de infração legal análoga, mantendo intima relação de causa e efeito. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como se vê do relatório fiscal trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), bem como da Multa Isolada que decorreram de ilícitos caracterizados em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias perante o sujeito passivo em epígrafe. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) a autoridade fiscal descreve ter apurado que a ora Recorrente integralizou, em 13/08/2004, o aumento de capital na sua controlada Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC) através da transferência da titularidade de ações da Itaúsa e da Usiminas, empresas de capital aberto, pelo valor contábil total de R$126.643.893,87. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 10 Descreve, ainda, que o valor de mercado das ações transferidas pela Recorrente para a CCC, em 13/08/2004, data da Ata da Assembléia Extraordinária (AGE) que autorizou o aumento do capital da controlada, era de R$ 728.183.745,64. A diferença entre esses dois valores, contábil e de mercado, no montante de R$ 601.539.851,77, foi tributada como Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL), com fundamento nos artigos 464 a 469 do RIR/99. Para melhor elucidação da matéria transcrevo os seguintes excertos do TVF: “Fica claro, portanto, que o negócio jurídico efetuado tratase de uma das hipóteses que a legislação presume como de ocorrência de D.D.L., que se dá quando uma pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a sociedade, na qual a pessoa ligada tem interesse. No caso real a Camargo Corrêa S/A (Pessoa Jurídica) alienou, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo (ações da Usiminas e da Itausa) a Camargo Corrêa Cimentos S/A (sociedade), na qual a Participações Morro Vermelho (pessoa ligada) tem interesse. MULTA ISOLADA. Ao deixar de adicionar a "distribuição disfarçada de lucros" na apuração de suas bases de cálculo, tanto do IRPJ por estimativa, quanto da CSLL por estimativa, no período de 08/2004, o Contribuinte reduziu indevidamente os valores a recolher dessas estimativas, sujeitandose, dessa forma a multa isolada prevista no art. 44, inciso I e parágrafo único, inciso IV da Lei n° 9.430 de 1996, alterada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. Embora o contribuinte possuísse, no ano calendário de 2004, um estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$ 2.898.789,24, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI (anexo), abateu de seu Lucro Real o valor de R$ 3.431.917,70 (Ficha 09A Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$ 533.128,46) será glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período.” No recurso apresentado, em apertada síntese, alega a contribuinte que (I) na subscrição e integralização do aumento do capital social da empresa Camargo Correa Cimentos S/A, com ações subavaliadas que pertenciam ao seu ativo, não houve nenhum beneficio ou favorecimento à empresa ligada (Participações Morro Vermelho); (II) que o estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores declarado na DIPJ do ano calendário de 2004 está correto e, (III) que não é possível a aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada. Passo a apreciar as questões suscitadas na mesma ordem das matérias apresentadas na peça recursal. Primeiro Ponto: DA DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS (DDL). Alegações da recorrente: A DDL representa um ganho patrimonial oculto para a empresa controladora ou para a pessoa ligada, contudo, no caso em tela, não houve esse ganho, conforme ficará demonstrado a seguir. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 7 11 14. A Recorrente passará a demonstrar que, no caso concreto, a integralização de capital realizada pelo valor contábil das ações, mesmo inferior ao valor de mercado, não gerou contudo, qualquer beneficio ou favorecimento à pessoa ligada. 15. A r. Decisão recorrida transcreve o artigo 466, do RIR, de 1999, assim como fez o Termo de Verificação Fiscal, visto que foi este o dispositivo legal utilizado para fundamentar a lavratura dos autos de infração. 16. No TVF (v. fls. 132) a Fiscalização definiu que: i) a Participações Morro Vermelho S/A (PMV) é a pessoa ligada; ii) a Camargo Corrêa S.A. (CCSA) é a pessoa jurídica; iii) a Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC) a sociedade. 17. 0 artigo 466 do RIR/99 utilizado pelo Fisco para caracterizar a ocorrência da DDL e efetuar os lançamentos de oficio, somente é aplicável em negócios em que comprovadamente ocorra o favorecimento à pessoa ligada ou à empresa controladora. 18. É o que afirma o Parecer Normativo CST no. 43, de 01/11/1981, parcialmente transcrito na r. Decisão recorrida (v. Fls. 321 a 322). (...) 24. Portanto, não restam dúvidas que se o aumento de capital realizado pela CCSA na sua controlada CCC houvesse propiciado qualquer favorecimento, direto ou indireto, para a PMV (pessoa ligada), estaria comprovada a presunção legal da DDL prevista no citado artigo 466 do RIR/99. 25. Diante do acima exposto, admitindose, somente para fins de argumentação, que o valor de mercado fixado pela Fiscalização (R$ 728.183.745,64) esteja correto, concluise que a discussão acerca da caracterização ou não da DDL depende de saber se houve ou/não favorecimento à pessoa ligada (PMV). 26. Neste ponto reside a discordância entre a Recorrente e a r. Decisão recorrida: se a operação examinada pela d. Fiscalização gerou ou não favorecimento à pessoa ligada (PMV). 27. Para dirimir a mencionada controvérsia, que é o âmago deste contencioso administrativo, a Recorrente demonstrará, de forma inequívoca, que na operação examinada pelo Fisco não ocorreu qualquer favorecimento à pessoa ligada (PMV). 28. Após o aumento de capital social realizado na CCC, através da integralização das ações da Itausa e da Usiminas até então detidas pela CCSA, as participações societárias em 13/08/2004 se apresentavam como segue: A PMV possuía 99,99% do capital da CCSA; A CCSA possuía (diretamente 89,81% indiretamente 9,92%) 99,73% do capital da CCC (vide fls. 38); Conseqüentemente, a PMV detinha, indiretamente, 99,72% do capital da CCC (ou seja, 99,99% de 99,73%). Fl. 893DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 12 Supondo que a CCSA houvesse vendido as ações da Itausa e da Usiminas pelo valor de mercado (R$728.183.745,64) fixado pela Fiscalização, no dia 13/08/2004, mas antes do aumento de capital realizado na CCC, teria realizado um ganho de capital no montante de R$601.539.851,77, tendo em vista o valor contábil de R$126.643.893,87. Dessa forma, a PMV, via método de equivalência patrimonial (MEP), teria obtido um resultado positivo R$601.479.697,78, calculado como segue: 99,99% de R$601.539.851,77 = R$601.479.697,78. Por outro lado, supondo que a CCC houvesse vendido as ações da Itausa e da Usiminas pelo valor de mercado (R$728.183.745,64) fixado pela Fiscalização, no dia 13/08/2004, após o aumento do seu capital social, teria realizado um ganho de capital no montante de R$601.539.851,77, tendo em vista o valor contábil de R$126.643.893,87. 33. Dessa forma, a PMV, via método de equivalência patrimonial (MEP), teria obtido um resultado positivo de R$599.855.540,18, calculado como segue: 99,99% de 99,73% = 99,72% 99,72% de R$601.539.851,77 = R$599.855.540,18 34. Isso comprova que a PMV poderia ter obtido, em 13/08/2004, um resultado financeiro maior com a venda das ações pela CCSA do que com a venda das mesmas pela CCC. 35. Essa é a prova matemática de que a transferência das ações analisada pela d. Fiscalização não resultou em qualquer beneficio ou favorecimento à pessoa ligada (PMV). Ao contrário, essa transferência gerou para à mesma um desfavorecimento que, se calculado na data da operação em 13/08/2004, seria de R$1.624.157,60, a saber: R$601.479.697,78 R$599.855.5401 18 = R$1.624.157,60 A Recorrente salienta que, na hipótese da venda das ações por parte da CCC, em qualquer data após 13/08/2004, a pessoa ligada (PMV) sofreria desfavorecimento no resultado da venda de 0,27%, tendo em vista que a participação da PMV no resultado (MEP) obtido seria de: (+) Em caso de venda pela CCSA 99,99% () Em caso de venda pela CCC (99,99% de 99,73%) = 99,72% = Desfavorecimento da PMV 0,27% Esse percentual de desfavorecimento da PMV de 0,27% corresponde, na realidade, ao percentual de participação dos acionistas minoritários no capital da CCC (vide linha Outros no quadro "Após o Aumento de Capital" às fls. 38). Além disso, após a operação de integralização de capital realizada, a PMV sofreu desfavorecimento de fato no que tange aos dividendos e juros sobre o capital próprio, distribuídos pela Itaúsa e Usiminas para a CCC, a partir de 13/08/2004. Em suma, até 13/08/2004, a PMV tinha direito (via MEP) a 99,99% dos dividendos e juros sobre o capital próprio, distribuídos pela Itausa e pela Usiminas. Entretanto, após 13/08/2004, a PMV passou a ter direito, via MEP, a um percentual menor (99,72%) desses dividendos e juros sobre o capital próprio, ou seja, um desfavorecimento efetivo nesses rendimentos de 0,27%. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 8 13 Na realidade, se tratando, no caso concreto, de controle acionário vertical (vide quadro no item 29), não haveria favorecimento nem desfavorecimento à pessoa ligada (PMV) somente numa única hipótese : quando o percentual de participação da PMV na CCSA fosse de 100%, e da CCSA na CCC fosse de 100%. Nesse único caso, o resultado na venda das ações e nos rendimentos de dividendos e juros sobre o capital próprio, via MEP, seria o mesmo para a pessoa ligada (PMV). Entretanto, haveria sempre desfavorecimento à pessoa ligada (PMV) em qualquer hipótese de percentual de participação da PMV na CCSA inferior á 100%, e a CCSA na CCC inferior a 100%. Assim sendo, está demonstrado, de forma objetiva e incontestável, que não houve favorecimento à pessoa ligada (PMV) na operação examinada pela d. Fiscalização, relativa à integralização de capital na CCC, realizada pela Recorrente, através da transferência das ações da Itausa e da Usiminas. Consequentemente, constata se, de forma irrefutável, que não ocorreu a alegada DDL. (...) À vista dos inatacáveis fundamentos consignados no Acórdão do E. Superior Tribunal de Justiça supra transcritos, requer e espera a Recorrente que os doutos Julgadores ad quem reformem a Decisão recorrida e, em conseqüência, julguem improcedentes os lançamentos de oficio, porquanto tal como se verifica no caso lá examinado, também aqui se trata de conferência de bens para aumento de capital realizado pela lmpugnante (CCSA) em empresa por ela controlada (CCC), fato que, por não se traduzir em dinheiro, mas em ações correspondentes ao valor daqueles bens, resta afastada a idéia de lucro, sendo imprestável, por isso, para caracterizar a Distribuição Disfarçada de Lucros. Pois bem. No dizer da própria recorrente, no caso concreto, a integralização de capital realizada pelo valor contábil das ações, mesmo inferior ao valor de mercado, não gerou contudo, qualquer beneficio ou favorecimento à pessoa ligada. Diz mais, “Da mesma forma, a Recorrente está completamente de acordo com a d. Fiscalização e com a r. Decisão recorrida quando estas afirmam que a empresa Participações Morro Vermelho S/A (PMV) é controladora direta da empresa Camargo Corrêa S/A (CCSA), ora Recorrente, e controladora indireta da empresa Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC), razão pela qual é incontestável que a PMV tem interesse significativo (indireto) na CCC. A Recorrente também concorda com a Fiscalização e com a r. Decisão recorrida quando estas asseveram que a PMV é pessoa ligada da CCSA.” A recorrente, também afirma que com base no art. 466 do RIR/1999, a seguir transcrito e utilizado pelo Fisco para caracterizar a ocorrência da DDL, que o mesmo somente é aplicável em negócios em que comprovadamente ocorra o favorecimento à pessoa ligada ou à empresa controladora. Aqui subsiste a controvérsia. A distribuição disfarçada de lucros está prevista nos arts. 60 a 62 do Decreto lei n. 1.598/77 e nos arts. 20 e 21 do Decretolei n. 2.065/83, consolidada nos arts. 464 e seguintes do RIR/99, a saber: "Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: I — aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; Fl. 895DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 14 II— adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III — perde, em decorrência do nãoexercício de direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV — transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia; V — paga a pessoa ligada, aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI — realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. § 1o. O disposto nos incisos I a V não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei 9.249/95, art. 22); § 2°. A hipótese prevista no inciso II não se aplica quando a pessoa física transferir a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante na respectiva declaração de bens (Lei 9.249/95, art. 23); § 3°. A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (Decretolei n. 1.598/77, art. 60, § 2°.). Art. 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso IV): I o sócio ou acionista desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; II o administrador ou o titular da pessoa jurídica; III o cônjuge e os parentes até o terceiro grau, inclusive os afins, do sócio pessoa física de que trata o inciso I e das demais pessoas mencionadas no inciso II. § 1º Valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 4º). § 2º O valor do bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 5º). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 9 15 § 3º O valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 6º). § 4º Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§ 2º e 3º e o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 7º). Distribuição a Sócio ou Acionista Controlador por Intermédio de Terceiros Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI).” Como visto, o art. 464 do RIR/99, presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada. Tratase de presunção legal, por meio da qual há inversão do ônus da prova. Ou seja, cabe ao contribuinte a prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou nas mesmas condições que contrataria com terceiros, nos termos do § 3° daquele artigo. O inciso VI do mesmo artigo traz a mesma presunção quando a pessoa jurídica realiza negócio com pessoa ligada em condições de favorecimento. Já o art. 466 do mesmo regulamento presume, também, ocorrida a distribuição disfarçada de lucros se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse. Cristalino, portanto, que além das pessoas ligadas expressamente indicadas pela legislação, a distribuição disfarçada de lucros também se materializa quando o negócio em condições de favorecimento é realizado com interposta pessoa ou com sociedade (CCC) na qual o sócio ou acionista controlador (PMV) da pessoa jurídica que distribui o lucro (CCSA) tenha interesse direto ou indireto (art. 466 do RIR/99). Fl. 897DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 16 Quando o negócio é realizado com uma sociedade, a distribuição simulada dos lucros se pauta no interesse da pessoa ligada nessa sociedade que recebe o benefício. Nesta situação, o lucro distribuído disfarçadamente não é entregue diretamente à pessoa ligada, mas sim à sociedade na qual ela tem interesse. Seria como se a pessoa ligada recebesse disfarçadamente o lucro e, logo em seguida, o repassasse à sociedade onde tem interesse. Ao invés desse procedimento, a pessoa jurídica entrega o lucro diretamente à sociedade. Pois bem, como bem explicitou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, o caso concreto se amolda ao disposto no citado artigo 466. Para melhor compreensão transcrevo excerto da fl. 137: “Dessa forma, no caso de alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado, a legislação presume que há Distribuição Disfarçada de Lucros, por parte da pessoa jurídica, tanto no caso do bem ser alienado diretamente a pessoa ligada da alienante, como no caso de ser alienado a qualquer outra sociedade, desde que a pessoa ligada possua interesse nessa sociedade. A norma vai além, presume a D.D.L. inclusive quando esse interesse ocorre de forma indireta.” Nesta hipótese o legislador buscou através do art. 61 do DecretoLei no. 1.598, de 1977, aplicar a doutrina da desconsideração da personalidade jurídica, ou seja, mesmo naqueles casos em que a parte beneficiária com o negócio não é sócia ou acionista da pessoa jurídica, mas ambas possuem sócio controlador comum, presumese a DDL. Outro ponto a ser analisado diz respeito ao valor notoriamente inferior ao de mercado das ações negociadas. A autoridade fiscal afirma ainda no TVF: "No decorrer dos trabalhos de fiscalização, realizados junto a CAMARGO CORREA CIMENTOS S/A (C.C.Cimentos), CNPJ. n° 62.258.884/000136, verificamos que, conforme Ata de sua Assembléia Geral Extraordinária (AGE), realizada em 13 de agosto de 2004 e protocolizada na JUCESP em 20/08/2004, seus acionistas aprovaram, entre outras coisas, o aumento de seu capital social no valor de R$ 127.000.000,00 (...), passando de R$ 356.400.000,00 (...) para R$ 483.400.000,00 (...). Esse aumento foi realizado mediante a emissão de 17.7873 15 (...) novas ações, sem valor nominal e pelo preço de emissão de R$ 7,14 (..) cada uma, totalmente subscritas e integralizadas por sua sócia CAMARGO CORRÊA S/A (C.C), CNPJ no 01.098.905/000109 da seguinte forma: • R$ 356.106,13 em dinheiro e • R$ 126.643.893,87 mediante conferência de bens avaliados a valor contábil. Conforme Laudo de Avaliação, elaborado por Sanches & Carvalho Assuntos Contábeis S/C Ltda., os bens conferidos ao capital social da "C.C. Cimentos" constituíamse de 124.595.121 (...) ações escriturais da ITAUSA INVESTIMENTOS ITAU S/A, sendo 121.460.741 ordinárias e 3.134.380 preferenciais e 8.138.017 (.) ações ordinárias da USIMINAS USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A., avaliadas a valores contábeis apurados no balanço patrimonial da "C.C." em 31/07/2004. Ocorre que a época dessa integralização os valores de mercado dessas ações eram substancialmente superiores aos valores contábeis apurados através do referido Laudo de Avaliação. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 10 17 Conforme pesquisa junto a sítios eletrônicos especializados na Internet, encontramos os seguintes preços de venda para esses papéis no dia 13/08/2004: Itausa Ordinária R$ 3,64 e, preferencial R$ 3,51 por ação; Usiminas ordinária R$ 33,80 por ação. Dessa forma, os bens entregues pelo Contribuinte CC Cimento em 13/08/2004, que a valores contábeis somavam R$ 126.643.893,87 estavam cotados a valor de mercado em R$ 728.183.745,64. À época da operação a empresa "C. C. Cimentos" era controlada pelo contribuinte "C.C." que por sua vez era controlado por PARTICIPAÇÃO MORRO VERMELHO LTDA., CNPJ n° 43.080.228/000108 (P.M.V.). Ocorre que, ao subscrever essas ações por seu valor contábil, inferior ao valor de mercado, o Contribuinte, conforme se demonstrará a seguir, promoveu Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL), tributável conforme legislação em vigor.” De se ressaltar que as informações obtidas pela autoridade fiscal retratam expressamente o valor de mercado das ações da ITAUSA e da USIMINAS na data de fechamento da negociação em Bolsa de Valores e na mesma data de formalização do negócio jurídico em discussão, ou seja, na ocasião em que se configurou a realização da operação firmada entre a empresa autuada e a adquirente (13 de agosto de 2004), conforme se pode depreender das informações acostadas às fls. 305/307. Isto é, no que se refere a notória diferença entre o preço praticado e aquele de mercado, exigida no caso pelo inciso I do artigo 464, ela foi cabalmente demonstrada pela Fiscalização por meio da pesquisa do preço de mercado das ações da ITAUSA e USIMINAS anônimas de capital aberto. Ainda do voto condutor, cumpre esclarecer que, ante a situação evidenciada nos autos, o sujeito passivo deveria ter realizado os devidos ajustes da base imponível do ano base, objetivando estabelecer a tributação resultante da diferença oriunda do cotejo do valor de mercado e o valor patrimonial do ativo transacionado. Dessa forma, para não incorrer na configuração da infração legal, antes de alienar os investimentos permanentes, a autuada deveria ter procedido a sua avaliação, não ao preço preestabelecido pelos interessados, mas, sim, ao valor de mercado apurado pela cotação da negociação das ações em Bolsa de Valores. Ato continuo, caberia apurar a diferença entre o valor de mercado e aquele objeto da alienação, considerado disfarçadamente distribuído, e promover a adição ao lucro liquido do período, atendendo, assim, as premissas firmadas pelo art. 467, inciso I do RIR/99. Dessa forma, a presunção de distribuição de lucros implica na existência concomitante das situações: a) alienação por valor notoriamente inferior ao de mercado e, b) alienação para pessoa ligada ou se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse. No caso concreto, resta claro que a operação conforme descrita favoreceu diretamente a CCC a qual adquiriu ações sub avaliadas e incorporou ao seu capital social por valor notoriamente inferior ao de mercado, tanto é que o lançamento ora discutido não Fl. 899DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 18 decorreu do beneficio auferido diretamente pela pessoa ligada identificada (PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA), mas, sim, configura como legitima beneficiaria no negocio a CAMARGO CORREA CIMENTO S/A (CCC). Neste passo, concordo plenamente com a afirmação da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contra razões oferecidas ao presente recurso, a qual transcrevo: “Tal como aduz o recorrente em sua peça, realmente é indispensável que o lançamento demonstre inequivocamente o favorecimento decorrente do negócio que parece ser uma distribuição disfarçada de lucros. Tal favorecimento é caracterizado exclusivamente pela diferença entre o valor da operação realizada e aquele praticado no mercado. Por meio dessa diferença é que a pessoa ligada, ou a interposta pessoa, ou a sociedade na qual a pessoa ligada tenha interesse, recebe o lucro de forma disfarçada. No presente processo, o lançamento identificou de forma hábil e idônea o benefício conseqüente do negócio fiscalizado, porém esse benefício fora reconhecido como recebido pela CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, não pela PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA Ao embasar o lançamento no artigo 466 do RIR/99, o Auditor indicou que o favorecimento da alienação de bens subavaliados fora recebido pela sociedade na qual a acionista controladora do contribuinte fiscalizado (pessoa ligada) possuía interesse indireto. Não cabia, assim, a prova do benefício efetivamente recebido pela pessoa ligada. Esta é devida somente quando a pessoa ligada participa diretamente do negócio. O que não é o caso dos presentes autos. Em situações como a do presente processo, onde o negócio em condições de favorecimento é realizado com uma sociedade na qual o acionista controlador da pessoa jurídica que distribui o lucro (pessoa ligada) tem interesse, o artigo 466 do RIR/99, o qual repete o artigo 61 do DecretoLei nº 1.698/1977, prevê um caso excepcionalíssimo de presunção de distribuição disfarçada de lucros. Aqui, como se considera que o lucro é distribuído disfarçadamente à sociedade, basta que o Auditor comprove o interesse da pessoa ligada, como sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, na sociedade, o que no caso em questão é inegável (anuído pelo recorrente). O favorecimento direto da pessoa ligada não precisa ser provado, ele é presumido em face da configuração do interesse. Ao analisar a venda das ações realizada, notase que o contribuinte fiscalizado também não auferiu qualquer benefício com o negócio. Com a venda subvalorizada das ações da ITAÚSA e USIMINAS para integralizar o aumento de capital social da empresa CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, o contribuinte em epígrafe deixou de auferir o lucro decorrente da valorização das ações, reduziu sua participação nos resultados advindos delas, e, por fim, obteve como troca da conversão das ações porcentagem do capital social em montante inferior àquele a que realmente correspondia. Em suma, o contribuinte trocou R$ 728.183.745,64 em ações da ITAÚSA e USIMINAS por R$ 126.643.893,87 em ações da CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A. Sendo constatados apenas prejuízos ao sujeito passivo fiscalizado, claro se mostra que o negócio realizado visava satisfazer apenas o interesse oculto da empresa PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA de capitalizar a empresa CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, em detrimento do contribuinte em epígrafe (CAMARGO CORREA S/A). Tal capitalização pode apresentar inúmeras finalidades à sociedade que adquiriu as ações subavaliadas, dentre elas: propiciar a expansão da atividade empresarial, aumentar a garantia perante eventuais credores, sanear obrigações já adquiridas, ajustar a realidade patrimonial da empresa.” Fl. 900DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 11 19 Evidente, portanto, que o prejuízo auferido pela PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA com a alienação das ações, alegada em cálculos matemático pela recorrente é irrelevante no caso, em nada afeta o lançamento. O favorecimento identificado pela Fiscalização fora recebido pela CAMARGO CORREA CIMENTOS S/A, a qual se capitalizou com bens por valor notoriamente inferior ao de mercado e, é claro, no interesse da sócia majoritária (PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA) conforme já demonstrado. Concluindo, estou convicto que a uma: o fato indício está plenamente provado nos autos, não só quanto às características do negócio realizado, mas também quanto à condição de pessoa ligada conforme definido na lei; a duas: não restou, pois, comprovado que o negócio foi realizado em condições estritamente comutativas, ou em que a Recorrente realizaria com terceiros E essa circunstância é relevante, dada a ligação indireta entre os contratantes e, por fim, por força da inversão do ônus da prova, cumpria ao autuado demonstrar que a operação, pelas suas peculiaridades, está de acordo com a prática reiterada do mercado, ou que suas condições são idênticas às que pratica com outras pessoas jurídicas estranhas ao grupo. O que não logrou fazer. Finalizando, neste ponto, com relação a citada jurisprudência do STJ entendo não se aplicar ao presente processo. A situação enfrentada pela jurisprudência do STJ citada diz respeito a pessoa ligada que negocia diretamente com a pessoa jurídica distribuidora de lucros. Aqui, a Fiscalização averiguou o beneficio recebido pela sociedade cujo capital fora integralizado, o adquirente. Da mesma forma, os acórdãos do CARF citados pelo recorrente também não se aplicam ao caso em apreço. Compulsando os referidos julgados, vêse que neles não foram comprovadas pela Fiscalização as condições de favorecimento do negócio realizado, ou seja, a diferença entre o valor da operação fiscalizada e o que seria utilizado no mercado. Daí porque o favorecimento não teria sido demonstrado. Nos presentes autos, como já ressaltado, o favorecimento decorrente da diferença entre o valor de venda das ações e o de mercado é incontestável. À vista do exposto até aqui, entendo que não merece qualquer reforma a bem fundamentada decisão recorrida, a qual peço vênia para adotála como fundamentos de decidir. Segundo ponto: DA TRIBUTACÃO REFLEXA (CSLL) A recorrente assenta sua indignação com relação a tributação reflexa, nos seguintes termos: “baseado nas assertivas ligadas ao IRPJ, assegura que nada restara a ser cobrado nos procedimentos dele originários, por uma relação de causa e efeito” Sem dúvida com relação à tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), segue o decidido da autuação do IRPJ. Insta ressaltar que, a partir da vigência do artigo 60 da Lei n° 9.532, de 1997, restou estabelecido expressamente que “o valor dos lucros distribuídos disfarçadamente, de que tratam os arts. 60 a 62 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, com as alterações do art. 20 do DecretoLei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983, serão, também, adicionados ao lucro liquido para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido”. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 20 Terceiro ponto: DAS MULTAS ISOLADAS (IRPJ e CSLL) Insurgese a recorrente ao lançamento da multa isolada imputada em face de falta de pagamento de antecipação mensal obrigatória apurada em agosto do ano calendário de 2004, em função do acréscimo do valor do pretenso lucro distribuído disfarçadamente, reiterando as suas razões de fato e de direito arroladas na impugnação, citando decisões favoráveis a sua tese da CSRF. De se ressaltar que a multa isolada referente a CSLL é tratada em processo administrativo distinto de n°. 19515.000982/200912, (nesta data pendente de sorteio e distribuição nesta Corte Administrativa). Tratase de multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal, ao saber do art. 44, inciso II, e § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/96, com a redação modificada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, estabelece: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 902DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 12 21 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.” Vêse, portanto, que o art. 44, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor, no caso, da estimativa mensal. Neste sentido, com relação a alegada impossibilidade da aplicação da penalidade em comento, ao meu ver, não merece provimento tendo em conta que a multa de oficio e a multa isolada apresentam fundamentações jurídicas distintas, logo, não havendo que se cogitar de bis in idem. Neste panorama, compete elucidar que a primeira é aplicada em razão da falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ devido no encerramento do ano base, enquanto que a segunda é atribuída pela falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais do imposto, independentemente de ter havido ou não pagamento integral do IRPJ devido no final do anocalendário. À luz das disposições do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 acima transcritas, sempre que não ocorrer o recolhimento do IRPJ devido por estimativa mensal, é induvidoso que o contribuinte faltoso estará sujeito, no caso de lançamento de oficio, à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o montante inadimplido. Portanto, a multa isolada foi aplicada rigorosamente de acordo com a lei. Quarto e último ponto consignado no recurso voluntário: DA GLOSA DOS PREJUÍZOS FISCAIS DITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. A autuada recorre neste ponto aduzindo que a Fiscalização procedeu à glosa de parte dos prejuízos compensados em 31/12/2004, no montante de R$ 533.128,46, de forma equivocada. Alega que o valor dos prejuízos por ela apurado no ano calendário de 2001 e objeto da glosa, estava correto. A retificação da apuração do lucro real relativo ao ano calendário de 2001, por meio do processo administrativo fiscal no. 19515.000543/200659, decorreu de erro cometido pela própria Receita Federal, a qual não poderia ter compensado novamente o mesmo saldo de estoque de prejuízos fiscais já utilizado por ele. Compulsando os autos do presente processo extraio as seguintes informações: "Embora o contribuinte possuísse, no ano calendário de 2004, um estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$2.898.789,24, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI (anexo), abateu de seu Lucro Real o valor de R$3.431.917,70 (Ficha 09A Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$533.128,46) será glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 22 A Delegacia de Julgamento manteve na r. Decisão recorrida a glosa de prejuízos fiscais compensados em 31/12/2004, sob a alegação de que a redução de prejuízos fiscais inerentes ao ano calendário de 2001 foi legitimamente levada a efeito perante o estoque de Prejuízos Fiscais da Recorrente, mediante autuação formalizada através do Processo Administrativo n°. 19515.000543/200659, consoante se depreende das informações consignadas às fls. 280/289.” Neste passo, constatase que a discussão a respeito do prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 2001 encontrase no PAF no.19515.000543/200659, o qual fora instaurado em razão das infrações constatadas pela Fiscalização à época, e que segundo relatório de fl. 280, envolve basicamente a dedução indevida de despesas pelo sujeito passivo na apuração do lucro real. Ressaltese, por pertinente, que o citado processo administrativo encontrase, atualmente, arquivado na Procuradoria da Fazenda Nacional/SP. Assim, se o recorrente discordasse do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal quanto à retificação do lucro real apurado no ano calendário de 2001, deveria ele ter apresentado as correspondentes razões de sua insurgência naquele processo (19515.000543/200659). Neste, o que se discute é o reflexo da autuação fiscal promovida naquele primeiro processo. Constatase do Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI — de fls. 140/154, que a autoridade fiscal aferiu o estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores a 2004 desde o ano de 1996, transferindo de um ano para outro o saldo de prejuízo a compensar até o ano calendário de 2004. Analisando o demonstrativo de fl. 289 e o extrato do PAF no. 19515.000543/200659 de fls. 280/281, concluise que o lucro real do ano calendário de 2001 apurado pelo contribuinte à época (prejuízo fiscal de R$ 7.542,85) fora alterado pela Autoridade Fiscal em outubro de 2008 (para lucro real de R$ 1.751.952,05). Tal alteração decorreu do fato de parte das glosas discutidas naquele processo ter se tornado definitiva no âmbito fiscal (trânsito em julgado administrativo). Portanto, correta a adoção dos valores nele estipulados pelo lançamento. Ao contrario do que aduzido pelo recorrente, o prejuízo fiscal acumulado no ano calendário de 2004 adotado pelo fiscal não decorreu da primeira glosa efetuada pela Receita Federal no PAF no. 19515.000543/200659, assim como não fora compensado qualquer saldo em duplicidade. 0 Auditor Fiscal calculou corretamente o prejuízo acumulado até o ano de 2004 com base no lucro real do ano de 2001 determinado definitivamente por meio de outro processo administrativo fiscal. Neste ponto, pelos motivos acima e calcados nos documentos citados, demonstrase que o recorrente efetivamente compensou no ano calendário de 2004 estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior ao devido. Em conseqüência mantémse a glosa do valor compensado a maior. Por fim, registrese, como já assinalado, que a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu suas contra razões ao recurso voluntário apresentado, postulando pela manutenção integral dos lançamentos efetuados (doc. de fls. 393/418). A vista do todo acima exposto conduzo meu voto por negar provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 904DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 13 23 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. A questão central discutida nos autos, pelo que se verifica dos elementos aqui antes apresentados, referese à aplicação da presunção de Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL prevista nos artigos 464 a 466 do RIR/99 , à hipótese tratada na operação realizada, que é representada, conforme lucidamente demonstrado pelo ilustre Sr. Relator, pela integralização de capital feita pela autuada (Camargo Correa S/A – CCSA) em sua controlada Camargo Correa Cimentos – CCC, a partir da transferência de participações acionárias por ela mantida nas empresas ITAÚSA e USIMINAS, pelo valor contábil dos referidos direitos e não pelo seu respectivo valor de mercado. A caracterização da DDL, conforme apontado no Termo de Verificação Fiscal, decorreria do fato de que, o valor do registro contábil das referidas participações seria substancialmente inferior ao valor de mercado, o que acarretaria, então, segundo a visão da fiscalização, um “favorecimento” da empresa Participações Morro Vermelho – PMV (sócia majoritária da CCSA), na aplicação da hipótese apontada pelo Art. 466 do RIR/99. Em que pese os fundamentos adotados pelo ilustre Sr. Relator, com a devida vênia ouso discordar, sobretudo porque, a meu sentir, ao contrário do que apontado pelos ilustres agentes da fiscalização, a hipótese de Distribuição Disfarçada de Lucros somente se mostra possível – ao menos em tese , no sentido único que é o da transmissão de bens e/ou direitos da investida a seus investidores, especificamente, e não no sentido reverso (do investidor para a investida). A situação desenhada na hipótese aqui apresentada é curiosa, especificamente porque, conforme se verifica, com a utilização da presunção apontada, acabase por configurar uma ilicitude formada, exclusivamente, a partir de atos perfeitamente lícitos e admitidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Ora, as participações mantidas pela empresa CCSA nas investidas ITAUSA e USIMINAS configuramse como bens e direitos componentes de seu patrimônio, cuja utilização, para fins de integralização e/ou aumento de capital em empresas por ela controladas (Ex: CCC), pode, perfeitamente, ser realizada pelo seu valor contábil OU pelo seu respectivo valor de mercado. A empresa Camargo Correa Cimentos CCC, é empresa controlada pela Camargo Correa S/A, tendo dela recebido, como se verifica, a transferência – para fins de acréscimo patrimonial – das participações acionárias acima referenciadas, operação que, para a manutenção de sua completa e total neutralidade, foi realizada pelo seu exclusivo valor contábil, não possuindo, por isso, qualquer efeito fiscal. O ponto de fundamental destaque é que, sendo presunção, a configuração da Distribuição “Disfarçada” de Lucros somente seria possível como destacado , nas hipóteses em que a distribuição regular de lucros se mostrasse ao menos abstratamente possível, sendo presumida ante a verificação e o afastamento dos ardis legal e objetivamente apontados. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 24 Ora, nessa linha, a empresa Camargo Correa S/A – CCSA nunca “distribuiria lucros” à Camargo Correa Cimentos – CCC, o que, como destacado, somente poderia ser verificado no sentido especificamente contrário, que seria a CCC para a CCSA, não se verificando, com esse cenário, qualquer possibilidade de configuração da hipótese legal da DDL, da forma como apontada pela fiscalização. Apenas a título de destaque, não se pode supor que a “beneficiada” pelas operações apontadas fosse a empresa Participações Morro Vermelho – PMV, uma vez que sendo ela controladora da Camargo Correa S/A – CCSA, e esta, como demonstrado, controladora de Camargo Correa Cimentos CCC, as referidas participações acionárias, pelos valores a elas atribuídos, já se encontrava perfeitamente integrado ao seu patrimônio respectivo, não havendo, com a transferência realizada, qualquer vantagem objetivamente auferida e apontada. Ademais, todo o tributo eventualmente devido nas referidas operações seria então integralmente devido e pago pela empresa titular das apontadas participações no momento quem elas sejam/forem então devida e regularmente liquidadas, apurandose com isso o respectivo ganho de capital, com a diferença entre o valor de registro (valor contábil) e o respectivo valor da alienação, o que, entretanto, em momento algum restara aqui então especificamente demonstrado e/ou apontado pela fiscalização. Diante dessas considerações, com a devida e necessária vênia ao ilustre Sr. Relator, entendo inviabilizada a possibilidade de configuração das hipóteses da Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL de que tratam os art. 464 a 466 do RIR/99 na hipótese apresentada nos presentes autos, razão porque DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, com isso, a completa e total insubsistência do lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Redator designado. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10665.720359/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004, 01/01/2005 a 31/03/2006
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA NÃO OPOSTA NA ESFERA JUDICIAL As matérias não opostas na esfera judicial e suscitadas apenas na instância administrativa, juntamente com as discutidas naquela esfera, devem ser apreciadas e julgadas administrativamente.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RESSARCIMENTO.
O crédito presumido do IPI apurado com base nos custos dos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados no processo produtivo dos produtos industrializados e exportados, é passível de ressarcimento. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC.
Em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento do crédito presumido do IPI aproveitado extemporaneamente por óbice do Fisco, calculados a partir da data de protocolo do respectivo pedido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3301-001.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004, 01/01/2005 a 31/03/2006 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA NÃO OPOSTA NA ESFERA JUDICIAL As matérias não opostas na esfera judicial e suscitadas apenas na instância administrativa, juntamente com as discutidas naquela esfera, devem ser apreciadas e julgadas administrativamente. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RESSARCIMENTO. O crédito presumido do IPI apurado com base nos custos dos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados no processo produtivo dos produtos industrializados e exportados, é passível de ressarcimento. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento do crédito presumido do IPI aproveitado extemporaneamente por óbice do Fisco, calculados a partir da data de protocolo do respectivo pedido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004, 01/01/2005 a 31/03/2006 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA NÃO OPOSTA NA ESFERA JUDICIAL As matérias não opostas na esfera judicial e suscitadas apenas na instância administrativa, juntamente com as discutidas naquela esfera, devem ser apreciadas e julgadas administrativamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RESSARCIMENTO. O crédito presumido do IPI apurado com base nos custos dos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados no processo produtivo dos produtos industrializados e exportados, é passível de ressarcimento. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento do crédito presumido do Fl. 849DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 IPI aproveitado extemporaneamente por óbice do Fisco, calculados a partir da data de protocolo do respectivo pedido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andreá Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos presumido de IPI, às fls. 09/72, transmitido em 27/11/2006, e, conseqüentemente, não homologou as compensações dos débitos declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 704/707. A DRF em Divinópolis reconheceu parcialmente o direito de a recorrente se ressarcir de parte do valor pleiteado, contudo indeferiu o pedido e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados, em face da opção da recorrente, pela vai judicial, para discutir os mesmos créditos, mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288, conforme Despacho Decisório às fls. 708/710. Inconformada com essa decisão, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 715/746), insistindo no ressarcimento e na homologação da compensação dos débitos declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “(...) O despacho decisório remete ao artigo 20 da IN SRF n° 600/2005, em vigor à época do protocolo do pedido de ressarcimento, atualmente em vigor pelo artigo 25 da IN SRF n ° 900/2008... ...a norma referese à inexistência de processo judicial ou administrativo na data do requerimento do crédito, situação atendida pela Recorrente. Ainda, a norma não aplica ao caso em discussão, porque o processo judicial não está discutindo o crédito em si, mas a sua análise e, vale dizer, sua correta análise, sem qualquer das restrições impostas pela INs da Receita Federal que em Fl. 850DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.720359/200801 Acórdão n.º 330101.408 S3C3T1 Fl. 850 3 suas interpretações quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas e quanto às exportações de produtos NT extrapolam as determinações das Leis 9.363/96 e 10.276/2001. Assim, o crédito já reconhecido no processo deverá ser disponibilizado à Recorrente em espécie ou para compensação de débitos administrados pela RFB conforme prevê a legislação. (...). CORREÇÃO PELA SELIC A recorrente já poderia ter acessado ao benefício já que se passaram mais de dois anos contados da data em que protocolou seu pedido de ressarcimento, qual seja, 27.11.2006, restringindonos sempre à prescrição qüinqüenal, de tal sorte que o deferimento do beneficio ou sua restituição em valores nominais representa enriquecimento da Fazenda Pública em concorrente empobrecimento da Recorrente. O obstáculo posto pelo Fisco Federal, impedindo a impetrante, via IN, de acessar, de se creditar e verse ressarcida em valores deferidos pela lei ocasionou e ocasiona lesão ao seu patrimônio, que, por justiça merece ser recomposto com a pronta atualização monetária plena, sob pena da União valerse da própria torpeza e em beneficio próprio. O exposto já suficiente para garantir à Recorrente a correção dos créditos pleiteados a partir de cada período de apuração protocolado. No entanto, cabe ainda evidenciar os preceitos fixados pelo Decreto n" 2.138/97 que equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento e autoriza, portanto, a aplicação da laxa SELIC.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0934.521, datado de 15/04/2011, às fls. 752/758, sob a seguinte ementa: “IPI. RESSARCIMENTO. AÇÃO JUDICIAL INTERFERENTE. E vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 768/802), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento/ compensação do valor pleiteado, homologue as compensações dos débitos fiscais declarados e o saldo ressarcido, alegando, em síntese, que a Lei nº 10.276, de 2001, não veda a apuração de créditopresumido do IPI sobre aquisições insumos de pessoas físicas, utilizados na produção de mercadorias exportadas nem veda sua aplicação aos produtos classificados na TIPI como NT. Alegou, ainda, que as matérias discutidas nos processos, administrativo e judicial, são diferentes. Naquele não está discutindo o crédito, mas sua análise, sem quaisquer restrições impostas pela Receita Federal, via instruções normativas, quanto às aquisições de pessoas físicas e exportações de produtos NT; neste discute o ressarcimento do crédito. Defendeu também a incidência de juros compensatórios calculados à taxa Selic. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I) Das Razões de Reforma do Despacho Decisório; II) Da Ilegítima Exclusão de Insumos Adquiridos de Pessoa Física do Cálculo do Crédito Presumido; III) Exclusão da Receita de Exportação dos Valores Referentes à Venda para o Exterior de Produtos Classificados como não Tributados (NT) pelo IPI – Ilegalidade; IV) Discussão Judicial – Vedação de Ressarcimento e não Homologação de Compensação – Ilegalidade; e, V) Do Direito à Atualização dos Créditos Pleiteados à Taxa Selic, concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento dos créditos pleiteados, acrescidos de juros compensatórios à taxa Selic a partir do pedido de apuração do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, as questões de mérito se restringem a: I) concomitância entre este processo administrativo e o judicial; II) apuração de créditos presumidos de IPI sobre aquisições de pessoas físicas e de suas aplicações aos produtos classificados na TIPI como não tributados (NT); III) juros compensatórios sobre o ressarcimento, calculados desde o período de apuração; e, IV) homologação da compensação dos débitos declarados. I) concomitância entre este processo administrativo e o judicial Neste processo administrativo, a recorrente pleiteia o ressarcimento de créditos presumidos de IPI, apurados sobre aquisições de insumos de pessoas jurídicas, inclusive cooperativas e, principalmente de pessoas físicas, bem como sobre receitas de exportações de produtos, inclusive produtos não tributados (NT) por esse imposto, acrescidos de juros compensatórios à taxa Selic. No mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288, cópia às fls. 803/844, a recorrente, requereu, dentre outros pedidos, que se determine à autoridade coatora que no cálculo dos créditos presumidos do IPI sejam computados os insumos adquiridos de pessoas físicas e as receitas de exportação de produtos classificadas na TIPI como NT e, ainda, a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre os valores apurados. Portanto, há matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e não concomitante. As matérias concomitantes envolvem o direito de se apurar créditos presumidos de IPI sobre aquisições de pessoas físicas e, conseqüentemente, de cooperativas, receitas decorrentes de exportação de produtos NT e juros compensatórios à taxa Selic. Já a matéria não concomitante se refere aos créditos presumidos de IPI sobre aquisições de pessoas jurídicas, excluídas as cooperativas, utilizados na fabricação de produtos exportados e classificados na TIPI industrializados. Quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, a opção da recorrente por esta via implicou renúncia ao poder de questionálas administrativamente, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.720359/200801 Acórdão n.º 330101.408 S3C3T1 Fl. 851 5 Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser aplicada ao presente caso a Súmula nº 01 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, não se toma conhecimento das razões de mérito expendidas quanto ao direito de a recorrente se ressarcir dos valores de créditos presumidos do IPI sobre aquisições de insumos de pessoas físicas e, conseqüentemente, de cooperativas e sobre receitas de exportações de produtos NT, bem como a incidência de juros compensatórios sobre os valores apurados, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial assim que transitar em julgado. Já a matéria oposta somente na instância administrativa deve ser conhecida nesta instância. I créditos presumidos do IPI. Com base no Termo de Verificação Fiscal às fls. 678/383, a DRF em Divinópolis reconheceu à recorrente o direito ao ressarcimento/compensação de créditos presumidos de IPI, apurados sobre aquisições de insumos adquiridos de pessoas jurídicas, excluídas as cooperativas, aplicados no processo de fabricação de produtos industrializados e exportados, nos termos da Lei nº 10.276, de 10/09/2001, ou seja, utilizou como base de cálculo somente os custos de aquisições de insumos de pessoas jurídicas e as receitas de exportação dos produtos classificados na TIPI como industrializados, excluindo, portanto, as receitas de exportação de produtos NT e de mercadorias adquiridas para revenda. No entanto, equivocadamente, aquela DRF não autorizou o ressarcimento nem homologou as compensações dos débitos fiscais declarados até o limite do ressarcimento reconhecido por ela, sob o argumento de que os créditos eram objeto de discussão judicial, mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288. Também, a autoridade julgadora de primeira instância incorreu em equívoco, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que o total do ressarcimento pleiteado não pode ser fracionado por decorrer de somatório de saldos credores trimestrais. Este entendimento é equivocado. Tanto na instância administrativa como na judicial podem ser reconhecidos créditos sobre todos os custos dos insumos ou apenas sobre parte deles. Por exemplo, podeser reconhecer sobre aquisições de cooperativas e não reconhecer sobre aquisições de pessoas físicas; reconhecer ou não o direito de apurar o crédito presumido levandose em conta as receias de exportações de produtos NT. Caso a decisão, no mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288, seja contrária à recorrente, os créditos presumidos do IPI apurados sobre os custos dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas não serão ressarcidos e/ ou compensados, assim como em seu cálculo não será computada a receita de exportação de produtos NT. A parte do ressarcimento apurado e Fl. 853DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 reconhecido pela DRF deverá ser ressarcido/compensado ainda que a decisão judicial transitada em julgado seja contrária à recorrente. Dessa forma, a parte do crédito presumido reconhecido à recorrente, nos termos do Despacho Decisório às fls. 708/710 (fls. 547/548), no total de R$17.362,74 (dezessete mil, trezentos e sessenta e dois reais e setenta e quatro centavos), deverá ser ressarcido. II) homologação das compensações dos débitos declarados. A apreciação e julgamento desta matéria ficaram prejudicada, tendo em vista que a recorrente protocolou o requerimento às fls. 763, datado de 12/06/2011, requerendo a exclusão dos débitos da Dcomp nº 29879.79204.221208.1.3.01.0610 e informando que foram declarados em duplicidade na DCTF e naquela Dcomp e que os mesmos já foram liquidados. Consta também daquele requerimento que a DRF providenciou a alteração no Profisc. IV) Juros compensatórios Embora esta matéria tenha sido objeto da ação judicial, levandose em conta que parte do ressarcimento pleiteado sendo deferido nesta fase recursal, tornase necessário o julgamento da incidência ou não dos juros compensatórios sobre o valor deferido. O ressarcimento de créditopresumido de IPI, por ser benefício fiscal e não repetição de indébito, não está sujeito a juros compensatórios por atrasos decorrentes de análise dos respectivos pedidos por parte da autoridade administrativa competente. Assim, não se aplicaria ao ressarcimento ora reconhecido e deferido, as normas aplicadas à repetição de indébitos tributários, previstas na Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art. 39, §4º, c/c a Lei nº 9.532, de 10/12/1997, art. 73. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Carf, art. 62A, em face de óbice do Fisco ao aproveitamento extemporâneo do crédito presumido do IPI, são devidos juros compensatórios à taxa Selic, desde a data de protocolo do respectivo pedido de ressarcimento. A decisão do STJ naquele RESP foi prolatada nos seguintes termos: “O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...). A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a Fl. 854DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.720359/200801 Acórdão n.º 330101.408 S3C3T1 Fl. 852 7 partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. RESP 993164, Min. Luiz Fux.” Já o Regimento Interno do Carf, determina: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, não conheço das matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, ou seja, o direito de a recorrente se ressarcir dos valores de créditos presumidos do IPI sobre aquisições de insumos de pessoas físicas e, conseqüentemente, de cooperativas e sobre receitas de exportações de produtos NT, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado e, na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer e deferirlhe o crédito presumido do IPI, no valor de R$ 17.362,74 (dezessete mil, trezentos e sessenta e dois reais e setenta e quatro centavos), apurado nos termos do Despacho Decisório às fls. 708/710 (fls. 547/548), acrescido de juros compensatórios, à taxa Selic, calculados a partir de 27/11/2006, data de protocolo do pedido de ressarcimento. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 855DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014169/00-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poder-dever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazê-lo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos constitutivos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento.PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
O pedido de restituição de IRRF em valor que impacta o saldo negativo de IRPJ pode ser considerado como pedido de restituição do saldo negativo, parcial ou total. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. O deferimento do pedido de restituição que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condições: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Maria de Lourdes Ramirez acompanha pelas conclusões.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poderdever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazêlo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos constitutivos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O pedido de restituição de IRRF em valor que impacta o saldo negativo de IRPJ pode ser considerado como pedido de restituição do saldo negativo, parcial ou total. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. O deferimento do pedido de restituição que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condições: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Maria de Lourdes Ramirez acompanha pelas conclusões. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. . Relatório O presente litígio já foi objeto de exame desta turma julgadora e o julgamento foi convertido na realização de diligências para apuração dos fatos. Aproveito, por oportuno, o relatório da Resolução nº 180100.015 para resumir o histórico dos autos – fls. 571 e ss: “Tratase de pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ de 31/12/1999, no valor de R$ 126.859,32. Este valor foi atualizado pelo contribuinte para R$ 140.623,56, na data de protocolização do pedido em 03.08.2000. Foi juntado por anexação o processo de n° 10380.014648/0027, que trata de pedido de compensação, fls. 73, vinculado ao crédito em análise. Por meio do Despacho Decisório de fls. 339/341, proferido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza CE (SEORT/DRF/Fortaleza) foi indeferida a solicitação da Recorrente, haja vista que o Sefis emitiu o relatório de fls. 121 a 126, concluindo ser indevido o saldo de imposto de renda a restituir declarado no valor de R$ 126.859,32 (Linha 18/Ficha 13A) na DIPJ 2000. Ressaltando que em vez de restituição, resultou após a diligência saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 31.100,51, não exigido em razão da decadência do direito do fisco promover o lançamento do crédito tributário. O interessado, em 26/09/2005, manifestou sua inconformidade às fls. 348/366. O acórdão da 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza indeferiu o Pedido de Restituição, bem como não homologou o Pedido de Compensação, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: JUROS PASSIVOS E CORREÇÃO MONETÁRIA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS É correta a alteração do valor do saldo negativo de IRPJ, quando se constatam parcelas não dedutíveis, a título de juros passivos e correção monetária, cuja realização está pendente de evento futuro. Juros e Correção Monetária somente podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ se assim a lei expressamente o autorizar. Classificamse como tais os elementos do passivo cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. DÉBITOS OBJETO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. REGULARIDADE DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 915 3 A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO: CINCO ANOS. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não tenha sido objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado do protocolo do pedido. Incomprovada a procedência do crédito, não remanesceu direito creditório em favor do contribuinte, e, portanto, não se homologam os demais pedidos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS. JUROS E MULTA DE MORA. A extinção do crédito tributário mediante compensação efetivada em Declaração de Compensação é ato do contribuinte, sobre quem recaem os ônus advindos da não homologação daquele ato, entre os quais os juros e multa de mora relativos ao débito indevidamente compensado. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei n." 9.430, de 1996, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 Ementa: ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. NULIDADE. Somente considerase nulo Despacho Decisório de autoridade local que, ao examinar pleito de restituição/compensação, deixou de levar em conta documentos e elementos necessários e suficientes à solução do pedido formulado, implicando preterição do direito de defesa do contribuinte a ausência de sua consideração. Quando a decisão recorrida for lavrada por servidor competente e não houver preterição do direito de defesa, eis que presentes os fundamentos legais da referida decisão com ciência do contribuinte, não ocorrem as nulidades mencionadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA " Intimada da decisão em 05.04.2009, a empresa interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, fls. 43 a 45, com os seguintes argumentos: nulidade da autuação fiscal, ofensa ao direito à ampla defesa e ao contraditório, descrição deficiente dos fatos; decadência em relação ao valor de R$ 31.100,51 supostamente devido; Fl. 916DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 realizou contrato de mútuo com o Banco do Estado do Ceará, que previa mensalmente juros pela Recorrente, que foram oferecidos à tributação; mesmo que houvesse valores deduzidos dos rendimentos tributáveis, seriam relativos à atualização dos valores devidos e calculados, nos termos do contrato de mútuo firmado, com base na Taxa Referencial, após Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP; a TJLP é um indexador referente à taxa de juros; possibilidade de dedução dos juros; não deve prosperar a multa exigida visto que não é devido nenhum tributo ou contribuição pela Recorrente; a desconsideração da SELIC nos juros de mora; É o relatório.” Em sessão de julgamento, realizada em 08 de dezembro de 2009, aquela turma resolveu solicitar a realização de diligências. Reproduzo o votocondutor: “Discutidos os autos, por voto de qualidade, restou decidido, em preliminar, a necessidade da realização de diligência junto à recorrente, no sentido que os autos retornem ao Sefis de origem para o cumprimento dos itens 7.b.3 e 7.c.2 da diligência anteriormente solicitada, fls. 116 e 117. Isto porque é de suma importância para o julgamento da lide, a autoridade designada a diligenciar verificar: a) se houve oferecimento à tributação das receitas financeiras correlatas ao IRRF informado na DIRPJ pertinente, período objeto do litígio; b) se houve o efetivo pagamento das estimativas que compuseram o saldo negativo do IRPJ/CSLL naquele anocalendário; c) na contabilidade da recorrente, se os saldos negativos de IRPJ e CSLL ora discutidos não foram aproveitados posteriormente, com os tributos devidos em exercícios futuros (para quitação de futuras estimativas etc).” Em resposta à diligência solicitada, a autoridade fiscal intimou a recorrente às fls. 609 para: “01. Livros Razão e Diário (gerais e auxiliares) referentes aos anoscalendário de 1999 e de 2000. 02. A indicação das contas e dos lançamentos contábeis relativos à contabilização das receitas auferidas de que decorreu o montante de R$ 126.859,32, informado na linha 13/ficha 13A (Imposto de renda retido na Fonte) da DIPJ/2000. 03, Identificar na ficha 07A (Demonstração do Resultado) da DIPJ/2000, a(s) linha(s) em que foram informadas as receitas suprarreferidas, promovendo, caso necessário, a abertura de valor(es) informados nesta ficha para identificação das contas contábeis correspondentes. 04. Indicar a conta que recebeu os lançamentos referentes ao IRRF acima referido, ao longo do ano de 1999, bem como identificar a destinação do saldo final desta conta. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 916 5 05. Identificar os lançamentos contábeis referentes à constituição das obrigações referentes à contribuição ao PIS e à COFINS do período de apuração 31/08/2000, bem como eventuais lançamentos referentes à baixa dessas obrigações.” A recorrente apresentou a resposta às fls. 620 a 622: apresentou à fiscalização os Livros Razão e Diário (gerais e auxiliares) referentes aos anos de 1999 e 2000; indicou as contas e lançamentos contábeis relativos à contabilização das receitas correlatas ao IRRF pleiteado, que resultou no saldo negativo de IRPJ – linha 13/ficha 13A, DIPJ/2000; discriminou analiticamente, por conta contábil, os valores que compuseram o valor de R$ 790.779,56 informado na ficha 7A, linha 24 da DIPJ/2000 – “outras receitas financeiras”; indicou as contas contábeis onde estavam escrituradas os valores que compuseram o IRRF informado na DIPJ/2000, bem como a destinação do saldo final desta conta; indicou a contabilização da baixa do PIS e COFINS, nos valores informados no Pedido de Compensação. Foram juntados aos autos todos os registros contábeis em que se fundamentaram as respostas acima, bem como planilhas de valores analíticas, entre outros documentos – fls. 626 a 876. Às fls. 877 foi lavrado o Termo de Encerramento de diligências e, com fulcro em toda a documentação e livros apresentados, a autoridade fiscal elaborou o Relatório Fiscal juntado às fls. 605 a 608. Em suma: “Do acima exposto e da documentação apresentada pelo diligenciado verificase, relativamente ao requerido pelo CARF que: a) as receitas financeiras de onde se originou o IRRF correspondente ao saldo negativo de IRPJ objeto do presente processo foram contabilizadas e oferecidas à tributação; b) no caso sob exame não houve recolhimento de estimativas de IRPJ, sendo o valor sob discussão decorrente somente de IRRF incidente sobre receitas financeiras; c) o valor sob exame foi contabilizado inicialmente em conta de 1RF a compensar, posteriormente transferido para conta de IRPJ a compensar e finalmente baixado em 30/10/2000 quando do pedido de compensação com débitos de PIS e COFINS.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 No presente litígio constatase que a autoridade a quo ao analisar os pedidos de restituição e compensação protocolizados pela recorrente não se restringiu a verificar junto à sua contabilidade se as receitas financeiras que implicaram nas retenções de imposto de renda pelas fontes foram efetivamente oferecidas à tributação na DIPJ/00, nem com a efetiva contabilização dos impostos retidos (IRRF) que importaram no saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/00. A autoridade a quo foi muito além. Ordenou verdadeira fiscalização à empresa, como se depreende do Despacho de fls. 115 e 116 – solicitou ao setor de fiscalização que verificasse na contabilidade da contribuinte a lisura dos benefícios fiscais com exame da portaria que os concederam, verificação das atividades não beneficiadas da empresa, excesso de produção em relação a benefício concedido, vendas de produtos de outras firmas, verificação da conta “custos” da empresa e sua composição, de igual forma com o valor informado a título de “despesas operacionais” etc Ocorre que, além de fugir ao escopo dos pedidos protocolizados, a fiscalização ordenada ofendeu o prazo decadencial para verificar a contabilidade da recorrente e modificar a apuração do IRPJ devido, relativo ao anocalendário de 1999. Tal procedimento ofende o princípio da segurança jurídica protegido pelos artigos 150, §4º ou 173 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelecem o prazo de cinco anos para que a Administração Tributária altere a apuração do IRPJ devido pelos contribuintes (dependendo de qual termo de início para contar este prazo se enquadra aquele contribuinte diante da modalidade do lançamento). Ainda que haja impropriedades na contabilidade dos contribuintes, é necessário que haja um ato administrativo que modifique os resultados contabilizados pela empresa para que as modificações possam surtir efeito no mundo jurídico. Na Administração Tributária, o Estado, na qualidade de agente fiscal, deve emitir este ato pelo lançamento fiscal, assim definido pelo artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não pertencem ao original) O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), cuida das formas de formalização do lançamento fiscal em seus artigos 9, 10 e 11, de acordo com o determinado no artigo 142 do CTN: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Fl. 919DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 917 7 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Assim, sem a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento não há como modificar o resultado da contabilidade dos contribuintes por procedimento de fiscalização exercido a destempo. Sem dúvida, a apuração de infrações tributárias espelhadas em glosas fiscais ou adição de receitas omitidas devem ser veiculadas mediante os atos administrativos próprios do lançamento fiscal – Auto de Infração ou Notificação de Lançamento – para serem devida e regularmente formalizadas. E o Estado fiscalização tem cinco anos a contar do fato gerador, ou do primeiro dia do exercício seguinte (dependendo da situação de cada contribuinte), para exercer o seu poderdever de fiscalização, sob pena de irremediável ofensa aos princípios da segurança jurídica, e, indiretamente, do contraditório e da ampla defesa – os despachos não são regulados pelo PAF para o fim de o que devem observar para o contribuinte exercer estes direitos constitucionais. Se assim não se interpretasse a legislação tributária, de forma sistemática, ficariam os contribuintes ad eternum sob o risco de sofrer uma fiscalização e ter seus resultados modificados ex officio. No presente caso a fiscalização foi ordenada em 30 de julho de 2004 e as constatações fiscais foram apuradas em “Relatório de Diligência” firmado em 02 de setembro de 2005, ressaltando o autor fiscal do procedimento de diligência que não formalizaria o lançamento fiscal em virtude da decadência operada – fls. 116 e 121 a 126. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Esta turma julgadora adotou este entendimento na sessão anterior realizada, ainda que por voto de qualidade, vencidos os conselheiros que entenderam desprover o recurso, de plano. Daí a deliberação de converter o julgamento na realização de diligências porque justamente o objeto do Pedido de Restituição em questão não fora verificado na diligência, embora solicitado nos itens “7.b.3” e “7.c.1 e 2”: “7. Assim, da análise detalhada da DIPJ/2000 do contribuinte, identificase a necessidade de uma verificação mais aprofundada na escrita contábil e fiscal dos seguintes pontos: [...] b.3) Receitas financeiras Merece exame a contabilização e comprovação das receitas financeiras e das respectivas importâncias retidas a título de imposto de renda na fonte, relativamente aos valores informados pelo contribuinte. [...] c) Outros aspectos referentes ao direito creditório pleiteado c.1) Contabilização do crédito pleiteado Verificar se consta nos Livros Diário e Razão os lançamentos contábeis referentes aos registros em conta do Ativo dos valores correspondentes aos créditos pleiteados. c.2) Imposto de renda retido na fonte (IRRF) Visando confirmar os valores que influenciam na composição do saldo negativo, convém cotejar as importâncias referentes ao IRRF, bem como suas receitas correspondentes, nos livros Diário e Razão, nas DIRPJ e DIPJ, nas informações constantes das DIRF, exigindo a apresentação dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras.” A autoridade fiscal procedeu às verificações solicitadas e no bem elaborado “Relatório de Diligência” juntado às fls. 605 a 608, em vista de toda documentação contábil apresentada pela recorrente, cujas cópias fez constar dos autos, concluiu que: “Do acima exposto e da documentação apresentada pelo diligenciado verificase, relativamente ao requerido pelo CARF que: a) as receitas financeiras de onde se originou o IRRF correspondente ao saldo negativo de IRPJ objeto do presente processo foram contabilizadas e oferecidas à tributação; b) no caso sob exame não houve recolhimento de estimativas de IRPJ, sendo o valor sob discussão decorrente somente de IRRF incidente sobre receitas financeiras; c) o valor sob exame foi contabilizado inicialmente em conta de 1RF a compensar, posteriormente transferido para conta de IRPJ a compensar e finalmente baixado em 30/10/2000 quando do pedido de compensação com débitos de PIS e COFINS.” Diante do exposto, não há como não dar provimento ao recurso interposto e reformar o aresto de primeira instância. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 918 9 Voto em dar provimento ao recurso para reconhecer o crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999, no valor original de R$ 126.859,32, com os acréscimos devidos – formalizado no pedido de fl. 01 – e homologar a compensação pleiteada no pedido de fls. 73, até o limite do crédito ora reconhecido. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 922DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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