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Numero do processo: 11020.002799/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. FUNDAMENTO LEGAL REVOGADO. Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplica-se a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Não atinge o direito à restituição do PIS decorrente da majoração da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, declarada inconstitucional, o erro de preenchimento do PERDCOMP no qual o contribuinte informou, equivocadamente, que o crédito foi reconhecido por decisão judicial em ação promovida pelo contribuinte. Se necessário, o PERDCOMP pode ser retificada de ofício ou pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. FUNDAMENTO LEGAL REVOGADO. Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplicase a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Não atinge o direito à restituição do PIS decorrente da majoração da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, declarada inconstitucional, o erro de preenchimento do PERDCOMP no qual o contribuinte informou, equivocadamente, que o crédito foi reconhecido por decisão judicial em ação promovida pelo contribuinte. Se necessário, o PERDCOMP pode ser retificada de ofício ou pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 14/07/2006, a empresa INSTALADORA SÃO MARCOS LTDA., já qualificada nos autos, transmitiu os PERDCOMP nº 06497.03792.140706.1.3.548078 e 19591.38540.140706.1.3.545212 e no dia 11/08/2006 transmitiu o PERDCOMP nº 34436.39253.110806.1.3.547664. O primeiro e terceiro destes PERDCOMP tratam da mesma restituição/compensação de Cofins e foram tratados como um único PERDCOMP. O segundo PERDCOMP trata da restituição/compensação de PIS. Para todos estes PERDCOMP a empresa declarou que os créditos pleiteados foram reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado e habilitados regularmente junto a RFB. No Despacho Decisório nº 405 (fl. 122/124), a DRF/CXL, reconheceu o direito creditório da Cofins e homologou as compensação dos débitos de Cofins e não homologou a compensação dos débitos de PIS sob o argumento de que a decisão judicial autorizava a compensação do crédito reconhecido com débitos de Cofins. Ciente da decisão supracitada, a empresa interessada não se conformou e apresentou manifestação de inconformidade, cujas alegações estão sintetizadas no relatório da decisão recorrida às fls. 204/205. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS indeferiu o pleito da recorrente, nos termos do Acórdão nº 0425.731, de 23/08/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. COFINS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O direito à compensação de supostos créditos de Cofins pleiteados junto ao Poder Judiciário, com débitos de PIS, somente se mostrará cabível se restar comprovada a existência de autorização judicial para a sua efetivação. DEFERIMENTO DO PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO. EFEITOS. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou ressarcimento da importância nele quantificada. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002799/200812 Acórdão n.º 330201.688 S3C3T2 Fl. 2 3 Ciente da decisão de primeiro grau no dia 19/09/2011 (AR à fl. 216), a empresa interessada ingressou com o recurso voluntário de fls. 217/227, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 os créditos pleiteados de PIS e de Cofins foram reconhecidos em recurso extraordinário impetrado pela recorrente. Esta decisão transitou em julgado. 2 a autoridade da RFB criou obstáculos à compensação baseado unicamente na petição inicial da ação judicial que, à época, não existia o regramento de compensação de tributos e contribuições dados pelo art. 49 da Lei nº 10637/02, podendo este ser aplicado imediatamente. Cita decisões administrativas admitindo a aplicação deste dispositivo. 3 o Poder Judiciário tem decidido que o contribuinte pode efetuar a compensação dos seus créditos tributários decorrentes de ação judicial transitada em julgado com quaisquer tributos administrado pela Receita Federal. Transcreve jurisprudência. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente impetrou mandado de segurança pleiteando que à Cofins não fosse aplicado a majoração da alíquota e da base de cálculo introduzida pela Lei nº 9.718/98 e que os valores pagos indevidamente fossem compensados com débitos da própria Cofins. A decisão que resultou transitando em julgado reconheceu a legalidade da majoração da alíquota da Cofins e a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins e autorizou a recorrente a compensar os indébitos da Cofins somente com débitos também da Cofins. No mandado de segurança não foi contestado a majoração da base de cálculo do PIS e nem pleiteado o reconhecimento de direito creditório desta contribuição. Nem a petição inicial e nem as decisões consignam que a Recorrente estivesse pleiteando a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, também promovido pela Lei nº 9.718/99. Isto é fato inconteste. Equivocadamente, a Recorrente incluiu os indébitos do PIS pleiteados neste processo como se tivessem sidos reconhecidos na mesma ação judicial que reconheceu os indébitos da Cofins. No PERDCOMP que trata do pedido de restituição e da declaração de compensação do PIS (nº 19591.38540.140706.1.3.545212) a Recorrente informa que o crédito pleiteado foi reconhecido na mesma ação judicial que questionou a Cofins, devidamente Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 habilitado também no mesmo processo administrativo. Por este motivo, o crédito pleiteado não foi reconhecido. Os efeitos e as conseqüências da habilitação de crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado foram muito bem colocados pela decisão recorrida. Portanto, o fato de a recorrente ter incluído, indevidamente, crédito do PIS no seu pedido de habilitação não obriga a Administração reconhecer que o mesmo é líquido e certo e, portanto, passível de restituição ou compensação. Por outro lado, também o fato de a Recorrente ter errado no preenchimento do seu pedido de restituição ao informar que o crédito pretendido havia sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, quando não o foi, não é razão para o seu indeferimento quando, de fato, pode ter ocorrido pagamento indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Em conclusão, o crédito de PIS pleiteado no PERDCOMP nº 19591.38540.140706.1.3.545212 deve ser apurado e, existindo, deve ser reconhecido. Consequentemente, a compensação vinculada a este crédito deve ser homologada até o limite do crédito apurado e reconhecido. Quanto a possibilidade do contribuinte efetuar a compensação de um débito específico com um crédito reconhecido em decisão judicial que autorizou a sua compensação com tributo diverso, através da Solução de Divergência nº 2/2010, a RFB/COSIT assim se manifestou: Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. No caso dos autos, a decisão judicial autorizou a compensação exclusivamente de débitos de Cofins e fundouse no § 1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91 (fls. 40/41), sendo que a legislação superveniente autoriza a compensação com qualquer tributo administrado pela RFB, especialmente a Lei nº 10.637/02. Portanto, o crédito da Cofins decorrente de pagamento indevido pode e deve ser utilizado para compensar débitos de PIS, devidamente declarado, até o limite do crédito reconhecido pela autoridade da RFB. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado na PERDCOMP nº 19591.38540.140706.1.3.54 5212, cujo valor deve ser apurado pela RFB, e para reconhecer o direito de a recorrente compensar créditos de Cofins com débitos seus de PIS. (assinado digitalmente) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002799/200812 Acórdão n.º 330201.688 S3C3T2 Fl. 3 5 Walber José da Silva Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688659/2009-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO NÃO COMPROVADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO NÃO COMPROVADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO NÃO COMPROVADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 86 59 /2 00 9- 16 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 22/8/2006, em que informada a compensação do crédito proveniente do pagamento indevido da Cofins do mês de agosto de 2002, no valor de R$ 2.130,49, com débito CSLL do mês de julho de 2006. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 5, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que, embora o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários (RE) nºs 377457 e 381964, tenha reconhecido a constitucionalidade da cobrança da Cofins das sociedades civis de prestação de serviços, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, em razão do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consolidado na Súmula 276, que reconhecia a isenção da Cofins para as referidas sociedades, ainda aguardava uma futura decisão do STF sobre modulação de efeitos, no sentido de que a exigência da referida contribuição somente se iniciasse a partir de 17 de setembro de 2007. Sobreveio o acórdão da 13ª Turma de Julgamento da DRJ – São Paulo I/SP, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base no argumento de que a mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não era suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Quanto a modulação dos efeitos da decisão do STF, proferida no âmbito dos RE nºs 377457 e 381964, esclareceu que, em consulta ao sítio do STF, os referidos RE já foram definitivamente julgados, assim como a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta por um partido político com o mesmo objetivo, não restando nenhuma pendência julgamento sobre o tema no âmbito do STF. Em 5/9/2011, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 30/9/2011, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 51/54 em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que ainda estava pendente de definição o julgamento dos citados RE. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como justificativa da existência do crédito utilizado na compensação em apreço, a recorrente alegou uma possível e futura decisão do STF, a ser proferida no âmbito dos RE nºs 377.457 e 381.964, sobre modulação de efeitos do julgado, ou seja, um direito potencial incerto quanto a existência e indefinido quanto a liquidez. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10880.688659/200916 Acórdão n.º 3802001.668 S3TE02 Fl. 21 3 Em relação às referidas ações judiciais, as provas existentes nos autos informam que a recorrente não é a parte autora nem substituída processual em nenhum dos referidos recursos. No caso, o resultado final do referido julgamento, a meu ver, não tem qualquer relevância para fim de comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, haja vista que, nos termos do art. 170A do CTN, é vedada a compensação mediante aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nesse sentido, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, para fim de compensação, o crédito deve preencher os requisitos da certeza e liquidez na data da realização da compensação. Em consonância com esse mandamento normativo, a compensação de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado é considerada não declarada, nos termos do art. 74, § 12, II, “d”, da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, no âmbito do processo de compensação, por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), era do contribuinte o ônus de comprovar a existência do crédito compensado, mediante a apresentação de provas inequívocas, hábeis e idôneas, que demonstrassem cabalmente os requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado. A simples alegação de um direito em abstrato, desacompanhado de qualquer elemento probatório idôneo, constitui evidência cabal de que o crédito compensado não existe, o que é suficiente para ser mantida a não homologação do procedimento compensatório em tela. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10783.903260/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.215
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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(Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10783.903260/200898 Resolução n.º 330200.215 S3C3T2 Fl. 141 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 117 a 137) apresentado em 19 de agosto de 2010 contra o Acórdão no 1329.446, de 25 de maio de 2010, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 110 a 114), cientificado em 22 de julho de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de recolhido em 31 de janeiro de 2003, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2003 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 13 de outubro de 2006 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório de fl. 31, que considerou não haver saldo de crédito relativamente ao Darf informado. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 32284.98743.131006.1.7.040733, em 13/10/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior em 31/01/2003, a título de Cofins, no valor original de R$ 1.201,42, com débito de PIS relativo a julho de 2004. A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 31, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude da não localização do DARF informado nos sistemas de controle da Receita Federal. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados (fl. 108). Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10783.903260/200898 Resolução n.º 330200.215 S3C3T2 Fl. 142 3 denominação ou classificação contábil”, conforme dispõe o artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 3º, §1 , da Lei n 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP de nº 32284.98743.131006.1.7.040733, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10783.903260/200898 Resolução n.º 330200.215 S3C3T2 Fl. 143 4 Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1) queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 104 a 106 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. No recurso, a Interessada reafirmou as alegações de que os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10783.903260/200898 Resolução n.º 330200.215 S3C3T2 Fl. 144 5 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à matéria discutida nos autos, a CSRF, no Acórdão CSRF/02 02.428, de 16 de outubro de 2006, decidiu o seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins [...] Ementa: BASE DE CÁLCULO. VALORES FATURADOS EM NOME PRÓPRIO REPASSADOS A TERCEIRO COMO COMISSÃO DE AGÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO COMO "DESCONTOS DE AGÊNCIA". PROVAS. As comissões de agência, assim denominados os valores recebidos pelos veículos de comunicação para repasse, por determinação legal, às agências de publicidade e propaganda, tal qual os "descontos de agência", não se caracterizam como receitas próprias daquelas entidades. Recurso do Procurador Negado Em seu voto, a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques esclareceu o seguinte: A diferença entre o tratamento contábil dado aos dois casos, conforme apurado pela fiscalização, era que, quanto às comissões, as notas eram emitidas pelo valor bruto, com indicação do valor da comissão, que era excluído, posteriormente, da base de cálculo da contribuição, enquanto que, no caso dos descontos, a nota era emitida pelo valor líquido. A apuração, entretanto, era idêntica, em regra, pela aplicação do percentual de 20%. Presumivelmente, quando o pagamento era efetuado pela agência, em nome do anunciante, o valor do "desconto" já era retido e havia repasse pelo valor líquido. Quanto, entretanto, o pagamento era efetuado pelo anunciante, a interessada recebia o valor da "comissão", para repasse à agência. Em ambos os casos, o pagamento da "comissão" ou "desconto" era efetuado com base nos mesmos princípios legais e contratuais, uma vez que a legislação determina que a agência faz jus ao "desconto", ainda que não contrate diretamente o veículo de divulgação. Na verdade o que foi constatado e aceito pela fiscalização foi o caso em que a agência de propaganda faz o pagamento, "por conta e ordem" do anunciante, já pelo liquido, retendo a parte que lhe cabe. Se o anunciante contrata diretamente com o veículo a divulgação o valor recebido referente ao desconto de agência tem que ser repassado Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10783.903260/200898 Resolução n.º 330200.215 S3C3T2 Fl. 145 6 á agência publicitária, por imposição legal, e nesse caso não deve integrar a base de cálculo da COFINS. Vejase que, no caso, não se trata da "comissão" a que se referiu o Parecer Cosit 8, de 2001, que especificamente dizia respeito a comissões pagas a agenciador de propaganda, que é agente autônomo remunerado pela prestação de serviço pelo veículo. A comissão de que tratam os presentes autos referese a remuneração devida pelo veículo à agência e tem a mesma natureza do que a lei chama de "desconto de agência". Portanto, não se justifica a distinção efetuada pela fiscalização, com base exclusiva no tratamento contábil. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Portanto, ao contrário do considerado pela Primeira Instância, era indevida a contribuição sobre o desconto padrão de agência. Entretanto, no caso dos autos, não é possível decidir a matéria sem a apuração do montante do indébito. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização apure o montante do desconto padrão de agência que fez parte da base de cálculo da contribuição, seguindo as determinações do Decreto n. 7.574, de 2011. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11543.002516/2003-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/09/1998 a 31/12/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COMISSÕES DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. DESTAQUE INDEVIDO EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO RECEBIMENTO. EXCLUSÃO.De se retirar da base de cálculo da contribuição o valor das comissões creditadas à agência de publicidade que, de forma equivocada, foram destacadas pela autuada (empresa jornalística que veicula anúncios) na nota fiscal de prestação de serviços emitida aos clientes, não tendo referido valor, de forma comprovada, ingressado em seu Caixa.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.
Ausente o representante da empresa no julgamento em face de prévia retirada de pauta do processo, prejudicada restou a defesa ampla. O formalismo moderado do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aliado aos princípios da eficiência administrativa, da economia e lealdade processuais e, especialmente, o da verdade material, permitem que a via estreita dos embargos de declaração sirva para restabelecer a observância do contraditório e da ampla defesa.
Numero da decisão: 3401-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, dando-se-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/09/1998 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COMISSÕES DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. DESTAQUE INDEVIDO EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO RECEBIMENTO. EXCLUSÃO.De se retirar da base de cálculo da contribuição o valor das comissões creditadas à agência de publicidade que, de forma equivocada, foram destacadas pela autuada (empresa jornalística que veicula anúncios) na nota fiscal de prestação de serviços emitida aos clientes, não tendo referido valor, de forma comprovada, ingressado em seu Caixa. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Ausente o representante da empresa no julgamento em face de prévia retirada de pauta do processo, prejudicada restou a defesa ampla. O formalismo moderado do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aliado aos princípios da eficiência administrativa, da economia e lealdade processuais e, especialmente, o da verdade material, permitem que a via estreita dos embargos de declaração sirva para restabelecer a observância do contraditório e da ampla defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, dando-se-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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OMISSÃO. Constatada omissão no Acórdão, caracterizada pelo não enfrentamento de argumentação relacionada à disposição legal que trataria da matéria em discussão, cabe admitir os embargos declaratórios para saneála. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Ausente o representante da empresa no julgamento em face de prévia retirada de pauta do processo, prejudicada restou a defesa ampla. O formalismo moderado do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aliado aos princípios da eficiência administrativa, da economia e lealdade processuais e, especialmente, o da verdade material, permitem que a via estreita dos embargos de declaração sirva para restabelecer a observância do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/1997 a 31/08/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO REGIMENTO DO CARF. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/PASEP nos casos em que se confirma a existência de pagamento antecipado dessas contribuições é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador, consoante, inclusive, decisão do STJ proferida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 25 16 /2 00 3- 29 Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil. Aplicação ainda do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. No caso, a ciência do lançamento se deu em 10/9/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/09/1998 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COMISSÕES DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. DESTAQUE INDEVIDO EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO RECEBIMENTO. EXCLUSÃO. De se retirar da base de cálculo da contribuição o valor das “comissões” creditadas à agência de publicidade que, de forma equivocada, foram destacadas pela autuada (empresa jornalística que veicula anúncios) na nota fiscal de prestação de serviços emitida aos clientes, não tendo referido valor, de forma comprovada, ingressado em seu “Caixa”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/09/1998 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COMISSÕES DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. DESTAQUE INDEVIDO EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO RECEBIMENTO. EXCLUSÃO.De se retirar da base de cálculo da contribuição o valor das “comissões” creditadas à agência de publicidade que, de forma equivocada, foram destacadas pela autuada (empresa jornalística que veicula anúncios) na nota fiscal de prestação de serviços emitida aos clientes, não tendo referido valor, de forma comprovada, ingressado em seu “Caixa”. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, dandoselhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.002516/200329 Acórdão n.º 3401002.223 S3C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente interpostos pelo contribuinte acima identificado contra os termos em que elaborado o voto vencedor de minha lavra no Acórdão nº 3401001.756, de 21/3/2012, relativamente a este processo, de nº 11543.002516/200329. Para inteirálos da matéria de fundo tratada no referido acórdão, reproduzo sua ementa, bem como o entendimento de cada um dos senhores aqui presentes, que também participaram daquele julgamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1999 a 31/12/2001 COFINS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÀS EMPRESAS DE DIVULGAÇÃO DOS ANÚNCIOS. Durante o regime da cumulatividade da Cofins não havia a previsão legal para que fossem retiradas da base de cálculo os valores que, incluídos no valor total da nota fiscal de prestação de serviços, correspondiam aos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/09/1997 a 31/12/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÀS EMPRESAS DE DIVULGAÇÃO DOS ANÚNCIOS. Durante o regime da cumulatividade do PIS/Pasep não havia a previsão legal para que fossem retiradas da base de cálculo os valores que, incluídos no valor total da nota fiscal de prestação de serviços, correspondiam aos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido (sic) o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho para elaborar o voto vencedor. [...] Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. Para a Embargante, o referido acórdão teria sido omisso ao não levar em conta a existência de legislação especial que rege a questão controvertida, notadamente para as disposições constantes do art. 11 da Lei nº 4.680, de 1965 e do art. 15 do Decreto nº 57.960, de 1966. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Mas, antes mesmo de referirse à omissão, a interessada pediu a decretação da nulidade do acórdão embargado e do seu correspondente julgamento, argumentando, primeiro, que, não obstante no dia 21/3/2012 tivessem sido julgados conjuntamente os processos administrativos nºs. 11543.002516/200329 ( este processo, que trata de auto de infração da Cofins) e 11543.002517/200373 (auto de infração do PIS/Pasep), na pauta de julgamento publicada no Diário Oficial da União, na Seção 1, do dia 8/3/2012, não constou qualquer informação acerca do segundo deles. Nesse ponto, considerou a Embargante que não teriam sido respeitadas as regras dos artigos 55, 56 e 58 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256, de 23/06/2009, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21/12/2010, as quais estariam alinhadas com o art. 37, caput, da Constituição Federal e com os dispositivos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, especialmente o art. 2º, parágrafo único, incisos V, VIII, X, e 3º, II e III. Em resumo, teriam sido ofendidos os direitos da embargante à publicidade, à informação precisa e ao contraditório e à ampla defesa, o que demandaria a anulação do acórdão proferido e a realização de outro julgamento, previamente indicado em pauta publicada com a menção expressa do julgamento dos dois processos administrativos acima referidos. O segundo argumento lançado pela ora Embargante para a decretação da nulidade do julgamento e do acórdão foi o de que, tendo sido previamente deferido seu pedido de retirada da pauta do dia 21/3/2012 do processo nº 11543.002516/200329, ou o seu adiamento, não se fez representar na referida Sessão e, por isso, deixou de encaminhar memoriais a serem distribuídos aos julgadores, bem como, e, principalmente, de fazer a sustentação oral da defesa. Essas circunstâncias, ao ver da Embargante, caracterizam a violação de direitos de cunho processual da parte, tais como a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal, ainda mais se se levar em conta que o resultado do julgamento lhe foi desfavorável. Aproveitando o ensejo dos embargos, a Embargante, inovando em relação ao que fizera constar de seu Recurso Voluntário, colacionou julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais e de outras Câmaras do Conselho de Contribuintes, todos na linha de que o PIS/Pasep e a Cofins não podem ser calculados sobre os totais das faturas emitidas pelo veículo de comunicação/divulgação, mas sim, única e simplesmente, sobre o montante cabível ao referido veículo depois de deduzidas as importâncias devidas às Agências de publicidade/propaganda. Ainda aproveitandose dos embargos, a Embargante trouxe um laudo elaborado por auditores independentes por meio do qual pretendeu demonstrar e comprovar que sequer teria recebido valores dos seus anunciantes para que fossem repassados às agências de publicidade, não obstante tivesse emitido faturas englobando justamente os montantes cabíveis às referidas agências. É o Relatório. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.002516/200329 Acórdão n.º 3401002.223 S3C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Relator Odassi Guerzoni Filho Nulidade do acórdão e do julgamento O primeiro argumento da Embargante não se sustenta, haja vista que, não obstante, de fato, a pauta publicada no Diário Oficial da União não tivesse feito menção expressa ao julgamento do processo nº 11543.002517/200329 (auto de infração do PIS/Pasep), sabia ela, ou deveria saber, primeiro, que os débitos desse processo haviam sido transferidos para este, de nº 11543.002516/200329, conforme se verifica no Termo de Transferência de Crédito Tributário, às fls. 664/668, bem como, e, especialmente, que a decisão da DRJ (ensejadora de seu Recurso Voluntário) fora prolatada levando em conta a existência dos dois autos de infração, um do PIS/Pasep e o outro da Cofins. Já o segundo argumento merece ser acatado, visto que anexou aos embargos cópias das mensagens eletrônicas (email) trocadas entre o Presidente desta 1ª Turma Ordinária e sua Secretária, no dia 16/3/2012 (bem antes, portanto, da sessão do dia 21/3/2012), dando conta do deferimento do pedido de adiamento do referido processo nº 11543.002516/200329. Ou seja, não participou da sessão em que foi julgado o processo e, desta forma, sua defesa não foi exercida da forma ampla como preceitua o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e as disposições regimentais do Carf. Mas, esse vício poderá ser superado neste julgamento por força da aplicação da regra contida no § 3º do art. 59 do PAF, segundo a qual “Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”. Vêse, portanto, que estou adiantandolhes o meu entendimento quanto ao julgamento do mérito, que será reapreciado por força da admissão dos embargos trazidos pela interessada no bojo de sua reclamação pela nulidade do Acórdão. Admitindo tratarse de situação pouco usual em nossos julgamentos, entendo que, em observância aos princípios da economia processual, da eficiência administrativa, da lealdade processual e, especialmente, da verdade material, bem como, ainda, do formalismo moderado que regula o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, devamos admitir, mesmo pela via dos embargos, o conhecimento de toda a matéria trazida pela ora Embargante, como se tivessem feito parte do Recurso Voluntário. Voto, pois, pela admissão dos embargos e pelo conhecimento de todos os argumentos trazidos pela Embargante, mesmo aqueles adicionados na via dos declaratórios. Mérito Decadência parcial de oficio Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Certamente passou despercebido de todos nós, participantes do julgamento, que os lançamentos do PIS/Pasep e da Cofins dos períodos de apuração de setembro de 1997 a agosto de 1998 foram atingidos pela decadência, haja vista que a ciência de ambos os autos de infração se deu em 10/9/2003. O entendimento já sedimentado no Carf, a teor, inclusive, do posicionamento do STJ em recurso repetitivo, é de que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição de oficio de crédito tributário relacionado a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em havendo pagamento antecipado e em não envolvendo dolo, fraude ou simulação, é de cinco anos contado da data do pagamento, nos termos do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. No caso, é incontroverso ter havido pagamentos antecipados, haja vista que os lançamentos referemse apenas às diferenças de recolhimento. Pelo exposto e não obstante a decadência não tenha sido suscitada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, voto pela sua aplicação, de oficio, por se tratar de matéria de ordem pública, de forma que devem ser canceladas as exigências do PIS/Pasep e da Cofins dos períodos de apuração de setembro de 1997 a agosto de 1998. Abatimentos – comissões das agências de publicidade. A reabertura do caso permite que se analise com mais rigor as suas especificidades, o que, admito, não o fizera quando da elaboração do “voto vencedor”, pois detiverame apenas na questão de direito. Eis, à propósito, o meu “voto vencedor” no referido Acórdão nº 3401 001.726: Não obstante as argumentações do ilustre Conselheiro Relator quanto à inclusão na base de cálculo da totalidade dos valores recebidos dos clientes, delas divirjo e entendo não poder ser provido o Recurso Voluntário. Consoante relatado, o procedimento da autuada, uma empresa jornalística, era o de emitir suas notas fiscais de prestação de serviços aos seus clientes (anunciantes) de forma tal que, do valor bruto indicado, era feita uma dedução a título de “descontos incondicionais”, descontos esses que corresponderiam aos valores que seriam repassados às agências de publicidades a título de “comissão”. Assim, defende a Recorrente que essa parte retirada do valor bruto não seria receita sua, mas, sim, de terceiros, e, portanto, não poderia sofrer a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Não há, contudo, que se falar que devam ser retirados da base de cálculo ou nela não incluídos os valores que os órgãos veiculadores de anúncios entregam ou repassam às agências de propaganda e publicidade, sob pena de a Cofins e o PIS/Pasep se fazerem incidir apenas sobre a margem de lucro, possibilidade essa, digase, de passagem, que só se pode considerar a partir do ingresso em nosso ordenamento jurídico das leis nºs. 10.637, de 30/12/2002, e nº 10.833, de 29/12/2003, que instituíram o regime da nãocumulatividade para o PIS/Pasep e Cofins, respectivamente. Essa exclusão representaria o mesmo que se excluir da base de cálculo de uma nota fiscal de venda de mercadorias, as parcelas que, embutidas no preço final do produto, correspondem aos custos com pessoal, aluguel, depreciação de ativos, combustíveis, energia elétrica etc. Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.002516/200329 Acórdão n.º 3401002.223 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, de se lembrar que, de acordo com os parágrafos 1º e 2º do art. 20, da Lei nº 5.474/68 [dispõe sobre a fatura e a duplicata], “A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados” e “A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados”, respectivamente. Em face de todo o exposto, voto por manter a decisão da DRJ. (grifei) Todavia, nesta fase do processo observei, por exemplo, que a situação em questão difere de tantas outras com as quais deparei envolvendo as tais receitas de agências de propaganda e publicidade e em que proferira o voto nos termos em que o “vencedor”, ora em debate. Naquelas, o que se tinha por vezes é que a empresa veiculadora dos anúncios (por exemplo, uma emissora de rádio, televisão ou um periódico) recebia do anunciante, digamos, $ 100, e a nota fiscal da prestação de serviços (veiculação da propaganda) era emitida nesse mesmo valor. O argumento dessas empresas era o de que nesses $ 100 estaria incluída a comissão da agência e que, por isso, essa parte, não poderia compor a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Neste caso, repito, revendo as informações contidas no relatório da auditoria encomendada pela Recorrente, o qual, frisese, apenas ratificou informação prestada pela autuada ainda no curso da ação fiscal (vejase sua resposta ao termos de intimação, às fls. 18/21), a situação é diferente, visto que ela emitia a nota fiscal de prestação de serviços aos anunciantes discriminando, digamos, $ 100 a título de veiculação do anúncio, dos quais $ 10 eram diminuídos sob a justificativa de se tratarem de “comissão da agência de publicidade”. Recebia do anunciante apenas $ 90, e não os $ 100 pela veiculação do anúncio. Dito de outra forma: não recebia $ 100 para entregar $ 10 à agência de publicidade; recebia apenas o valor de seus serviços, qual seja, $ 90. De outra parte, a motivação do lançamento, segundo consta expressamente do auto de infração às fls. 285/286, é que não existiria previsão para a retirada da base de cálculo das contribuições dos valores recebidos pela empresa e repassados a terceiros. Ora, conforme agora se vê, não houve recebimento algum e, consequentemente, muito menos repasse a terceiros, de sorte que a situação fática descrita pelo Fisco não se subsume ao dispositivo que invocou para capitular a infração, qual seja, o inciso III, do § 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, posteriormente revogado (sem ter entrado em vigência, digase, de passagem) pela MP 1.9918, e tampouco aos argumentos que eu lançara no “voto vencedor”. Assim, devem ser retirados da base de cálculo os valores incluídos de oficio pela fiscalização e que se referem às “Comissões de Agências” destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços. Quanto ao fato de eu não ter enfrentado no voto vencedor os argumentos da Recorrente de que o artigo 11 da Lei nº 4.680, de 1965, é que a obrigaria a fazer o destaque das “comissões”, o mesmo se deu por entender que tal norma se prende a relações comerciais, não produzindo qualquer efeito na seara tributária. Dito de outra forma, o que interessa para o Fisco é que as disposições constantes das regras do PIS/Pasep, da Cofins e do Código Tributário Nacional sejam cumpridas à risca, pouco ou nada importando para esse fim as disposições da referida Lei nº 4.680, de 1965 e de seu decreto regulamentador. Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Mas, ainda que fosse o caso, referida norma trata apenas da forma com que são fixados os valores das comissões pagas aos agenciadores de propaganda, e não da forma com que isso deva ser reportado na documentação fiscal e contábil. Pelo exposto, acolho os embargos declaratórios e doulhes provimento apenas parcial, com efeitos infringentes, para modificar a decisão embargada no sentido de que, em vez de negar provimento ao recurso, passo a darlhe provimento, para que sejam retirados da exação, os valores do PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre as “comissões de agências”, destacadas nas notas fiscais e não recebidas pela empresa autuada. O provimento é parcial, ou seja, não é pelo cancelamento integral da exação contida neste processo, pois, no auto de infração, o Fisco esclarece que em seus “demonstrativos da Base de Cálculo PIS/Cofins”, às fls. 237/269, além de desconsiderar a exclusão das “comissões Creditadas” (ora revertida), também retificara, verbis: [...] alguns valores representantes de outras contas por não condizerem com os valeres apontados nos balancetes apresentados e, também foram incluídos os valores das contas das demais receitas operacionais, que num primeiro momento não estavam sendo considerados pelo contribuinte por estarem sendo discutidos em ação judicial, da qual o contribuinte veio a desistir. [...] Isso implica em que existem outros valores incluídos pelo Fisco na base de cálculo, procedimento esse contra o qual a Recorrente quedouse inerte e devem ser mantidos. Conclusão Voto pelo acolhimento dos embargos, com efeitos infringentes, sanando a omissão, e, no mérito pelo cancelamento dos lançamentos dos períodos de apuração de setembro de 1997 a agosto de 1998, em face da decadência reconhecida de ofício, e, determinar a retirada da base de cálculo do auto de infração os valores das receitas de “comissões de agências de publicidade”. Relator Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10380.903430/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para alterar a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 3301-00.039, de 09/08/2011, passando a ter a seguinte ementa: Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenha sido efetuado após a entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se o respectivo prazo qüinqüenal, contado da data do pagamento, em conformidade com o art. 3º da novel Lei Complementar.
Embargos Acolhidos e Providos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos de declaração com efeitos infringentes, alterando-se a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 3301-00.039, de 09/08/2011, passando a constar como recurso voluntário negado, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EFEITOS INFRINGENTES. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para alterar a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 330100.039, de 09/08/2011, passando a ter a seguinte ementa: Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenha sido efetuado após a entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o respectivo prazo qüinqüenal, contado da data do pagamento, em conformidade com o art. 3º da novel Lei Complementar. Embargos Acolhidos e Providos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos de declaração com efeitos infringentes, alterandose a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 330100.039, de 09/08/2011, passando a constar como recurso voluntário negado, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de FortalezaCE, de fls. 33/39, que indeferiu o pedido de restituição cumulado com compensação de valores da Cofins do período de apuração de 28/02/1999, recolhido em 10/03/1999, através da PER/DCOMP de fls. 01 a 04, transmitida em 12/08/2005, por entender aquele colegiado, ter decaído o direito da Recorrente, conforme sintetiza a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a da realização do pagamento na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1º do CTN. SÚMULA VINCULANTE . DECADÊNCIA. • 0 artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, considerado inconstitucional pela Súmula Vinculante nº 8, tratava do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, e não do prazo decadencial para repetição do indébito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada em 23/12/2009, conforme AR à fl. 42, a recorrente aduz, em síntese, através de seu recurso de fls. 44/86, protocolizado em 22/01/2010, que o prazo de decadência, à época do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação era de dez anos, conforme disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, e, de acordo com a Súmula Vinculante nº 8, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10380.903430/200958 Acórdão n.º 330101.341 S3C3T1 Fl. 93 3 do E. STF, que apenas os créditos pleiteados na via judicial ou administrativa, antes da data do julgamento, ou seja 11 de junho de 2008.(0 grifo é nosso) podem ser beneficiados com seus efeitos, conforme, inclusive o Parecer PGFN/CAT no 1617/2008 disciplinando administrativamente, os efeitos da Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal, que decretou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24 de junho de 1991. Em 09/08/2011, este Colegiado julgou parcialmente favorável o recurso voluntário da contribuinte, conforme sintetiza a ementa do Acórdão nº 330101.039: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999 Em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, contados da data do fato gerador, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.” . Recurso Parcialmente Provido. Tempestivamente a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, aduzindo que o acórdão embargado padece do vício da contradição, vez que aplicou a decisão proferida no RE nº 566.621, do E. STF, sobre a irretroatividade da Lei Complementar nº 118, de 2005, todavia, decidiu pelo deferimento da compensação de indébito pagos em 10/03/1999, via PER/DCOMP, transmitida em 12/08/2005. É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Os embargos são tempestivos e atendem aos requisitos do art. 65, e incisos do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com a redação dada Portaria MF nº 586, de 2010, tendo em vista a contradição apontada nos v. embargos. De fato, o acórdão embargado está fundamentado na decisão do E. STF, nos autos do RE nº 566.621, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que determinava a aplicação retroativa do seu artigo 3º – norma que, ao interpretar o artigo 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), fixou em Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 cinco anos, desde o pagamento indevido, o prazo para o contribuinte buscar a repetição de indébitos tributários (restituição) relativamente a tributos sujeitos a lançamento por homologação. A decisão do E. STF, é assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) De acordo com a embargante, o acórdão embargado padece do vício da contradição, vez que aplicou a decisão proferida no RE nº 566.621, do E. STF, sobre a irretroatividade da Lei Complementar nº 118, de 2005, todavia, decidiu pelo deferimento da compensação de indébito pagos em 10/03/1999, via PER/DCOMP transmitida em 12/08/2005, quando já era aplicável o art. 3º da referida LC, limitando o prazo para a restituição na hipótese do inciso I, do art. 168, do CTN, qual seja, “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido”, em cinco anos contados da data do pagamento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10380.903430/200958 Acórdão n.º 330101.341 S3C3T1 Fl. 94 5 Portanto, como o referido dispositivo entrou em vigor em 09/06/2005, por força do art. 4º acima transcrito, quando a PER/DCOMP, foi transmitida, em 12/08/2005, o prazo para a restituição/compensação, na hipótese de pagamento espontâneo indevido, isto é, hipótese previsto no art. 168, I, do CTN, já era aquele previsto na LC nº 118, de 2005, razão pela qual não caberia a restituição/compensação de indébito pago em 10/03/1999 Em face do exposto, voto no sentido de acolher e prover os Embargos de Declaração, para em seguida negar provimento ao recurso, em razão da extinção do direito da contribuinte à época do pleito da restituição/compensação. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 36514.000038/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REGIME PRÓPRIO Somente é excluído do RGPS o servidor amparado por regime próprio de previdência social que assegure pelo menos os benefícios previstos no art. 40 da CF. ÓRGÃO PÚBLICO Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. O aposentado que voltar a exercer atividade abrangida pelo RGPS está sujeito às contribuições previdenciárias
Numero da decisão: 2301-002.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão, a fim de, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REGIME PRÓPRIO Somente é excluído do RGPS o servidor amparado por regime próprio de previdência social que assegure pelo menos os benefícios previstos no art. 40 da CF. ÓRGÃO PÚBLICO Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. O aposentado que voltar a exercer atividade abrangida pelo RGPS está sujeito às contribuições previdenciárias
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REGIME PRÓPRIO Somente é excluído do RGPS o servidor amparado por regime próprio de previdência social que assegure pelo menos os benefícios previstos no art. 40 da CF. ÓRGÃO PÚBLICO Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. O aposentado que voltar a exercer atividade abrangida pelo RGPS está sujeito às contribuições previdenciárias Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão, a fim de, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 93 a 96), contra o Acórdão nº 240100.309, de 22 de junho de 2009, da Primeira Turma Ordinária, Quarta Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A embargante alega, em apertada síntese, que houve vícios no bojo do acórdão proferido por esta Câmara em relação ao prazo decadencial, uma vez que a decisão não considerou o AR acostado à fl. 35, que atesta a ciência da NFLD em 26/12/2005, pela ProcuradoriaGeral do Estado, responsável pela defesa do órgão público. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36514.000038/200714 Acórdão n.º 2301002.833 S2C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra o Acórdão 2301 00.472, por entender que houve vícios em seu bojo. Alega que a decisão não considerou o AR acostado à fl. 35, que atesta a ciência da NFLD, em 26/12/2005, pela ProcuradoriaGeral do Estado, responsável pela defesa do órgão público. De fato, verificase foi considerado, no voto condutor do aresto, de forma equivocada, o AR de fl. 36 como sendo a ciência do sujeito passivo da NFLD. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos os embargos opostos pela Fazenda Pública, para corrigir o acórdão no sentido de que seja declarada a decadência dos valores lançados nas competências 01/1999 a 11/1999, inclusive 13o salário de 1999, nos termos do art. 173, do CTN, já que a ciência do contribuinte se deu em 26.12.2005, conforme AR de fl. 35. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para fazer constar, na conclusão do voto, o provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídos do débito, por decadência, os valores lançados relativos às competências 01/1999 a 11/1999, inclusive décimo terceiro salário de 1999. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 15889.000691/2007-55
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. PRESUNÇÃO DE LUCRO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRECEDENTES NO STJ.
A prestação de serviços de radiologia, compõe o conceito de serviços hospitalares, de que trata o art. 15, III, a da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Como a legislação não define o conceito de serviços hospitalares, não pode Instrução Normativa restringir ou interpretar o conceito legal, devendo sua definição possuir aplicação objetiva. Neste contexto, serviço de radiologia merece constar em regra de exceção da aplicação da alíquota de 32%, nos termos do dispositivo questionado, conforme interpretação representativa da controvérsia do STJ, nos autos do REsp n° 1.116.399/BA..
Numero da decisão: 1802-001.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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RADIOLOGISTAS ASSOCIADOS S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. PRESUNÇÃO DE LUCRO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRECEDENTES NO STJ. A prestação de serviços de radiologia, compõe o conceito de “serviços hospitalares”, de que trata o art. 15, III, “a” da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Como a legislação não define o conceito de “serviços hospitalares”, não pode Instrução Normativa restringir ou interpretar o conceito legal, devendo sua definição possuir aplicação objetiva. Neste contexto, serviço de radiologia merece constar em regra de exceção da aplicação da alíquota de 32%, nos termos do dispositivo questionado, conforme interpretação representativa da controvérsia do STJ, nos autos do REsp n° 1.116.399/BA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. PRESUNÇÃO DE LUCRO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRECEDENTES NO STJ. A prestação de serviços de radiologia, compõe o conceito de “serviços hospitalares”, de que trata o art. 15, III, “a” da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Como a legislação não define o conceito de “serviços hospitalares”, não pode Instrução Normativa restringir ou interpretar o conceito legal, devendo sua definição possuir aplicação objetiva. Neste contexto, serviço de radiologia merece constar em regra de exceção da aplicação da alíquota de 32%, nos termos do dispositivo questionado, conforme interpretação representativa da controvérsia do STJ, nos autos do REsp n° 1.116.399/BA.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 06 91 /2 00 7- 55 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 222 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração lavrado pela fiscalização, em face da constatação de que o contribuinte vinha recolhendo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) a menor, pela adoção de alíquotas de presunção de lucro em desconformidade com a legislação tributária para a atividade desenvolvida. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/POR, através do Acórdão n° 14 33.525, constante às fls. 185/186: No âmbito do procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08.1.03.002007007977 (fl. 01), contra a contribuinte, submetida à tributação pela sistemática de apuração do resultado pelo lucro presumido, foi lavrado o auto de infração (fls. 02/35) que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurados nos termos dos demonstrativos de cálculo, anexados sob fls. 32/35 e descritos no quadro abaixo: Tributo Lançado Multa Juros Total IRPJ 43.887,61 32.915,64 19.283,87 96.087,12 CSLL 20.822,16 15.616,56 8.969,54 45.408,26 Total, 64.709,77 48.532,20 28.253,41 141.495,38 A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme assentado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 27/35) a atividade econômica declarada pela contribuinte em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais é de prestação de serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante serviços radiológicos (CNAEFiscal 86.402/05). Os sócios da impugnante, todos médicos, são os responsáveis pela elaboração de dos laudos relativos aos serviços radiológicos prestados. Sua base operacional está assentada nas instalações do Hospital de Base, pessoa jurídica distinta da contribuinte. No período objeto do lançamento a contribuinte considerou seu resultado como serviços hospitalares e aplicou a alíquota de 8% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido e 12% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Acrescentou que para efeitos tributários a Lei n. 9.249, de 1995, arts. 15, III, "a", e 20 e o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB n. 19, de 07/12/2007, explicitam a definição de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo e tributação, que não alberga a atividade da contribuinte. Valeuse da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para concluir que Com efeito, apenas a existência de uma estrutura organizada com instalações físicas, equipamentos e recursos humanos, com condições apropriadas para assistência e internação de pacientes, visando a garantir lhes um atendimento básico de diagnóstico e tratamento de saúde, com equipe de profissionais qualificados nas mais diversas áreas e que funciona de forma ininterrupta, justificaria o recebimento de um tratamento tributário diferenciado. Devese ter em mente que os coeficientes de presunção do lucro são variáveis em função da margem de lucro obtida em cada tipo de atividade, levando em conta, de forma abstrata, os custos que, em geral, são suportados pelas empresas. O serviço hospitalar teve seu coeficiente fixado em patamares mais baixos do que o aplicável aos serviços meramente médicos, clínicos, laboratoriais, pelo fato de a lei ter levado em consideração os custos mais abrangentes que envolvem a primeira atividade. O serviço de internação hospitalar traz implícita a idéia não só dos custos profissionais especializados e materiais empregados no atendimento, como também aqueles relativos à ocupação predial (em geral maior), aos profissionais auxiliares (camareiras e cozinheiros), às refeições oferecidas, à lavanderia, e aos demais encargos necessários a fornecer hospedagem. Da leitura dos fatos e atos acima transcritos, concluise que as prestações de serviços de radiologia não podem, generalizadamente, ser consideradas como prestações de serviços hospitalares, embora na prestação de serviços hospitalares concorra a realização daqueles serviços e de muitos outros. Regularmente notificada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 139/152 com alegação de que o Ato Declaratório Interpretativo n. 19/2007 não pode retroagir para reger fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição; a IN 480/2004, que revogou a IN 306/2003, não se aplica às hipóteses previstas na Lei n. 9.249/1995, art. 15, por força do que prescreve seu art. 32; a Solução de Divergência n. 11, de 2003, editada com base na IN 306/2003, assegura que a execução de serviços de exames radiológicos encontrase enquadrada no conceito de serviço hospitalar; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 223 5 a nova redação dada ao art. 27 da IN 480/2004, decorrente do advento da IN 539/2005, estabelece que atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia são considerados serviços hospitalares. Ao final, relacionou decisões administrativas e jurisdicionais em apoio às suas alegações, ao mesmo tempo em que propugnou pelo cancelamento das exigências veiculadas no guerreado ato de infração. Naquela oportunidade, entendeu a nobre turma julgadora pela improcedência do Auto de Infração, mantendo o total da exigência tributária, sob entendimento de que os serviços prestados pelo contribuinte não eram de natureza hospitalar, conforme Ementa assim transcrita (fls. 184): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do Acórdão em 30/05/2011, restou inconformada e apresentou Recurso Voluntário em 17/06/2011, reapresentando seus argumentos de que seu serviço prestado deve ser tributado na sistemática pelas alíquotas reduzidas, juntando sobretudo jurisprudências que relacionam o caso concreto. É o relatório do essencial. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto pela Recorrente é tempestivo e está em conformidade com os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como se constata do relatório, a origem do lançamento de ofício está na interpretação do serviço prestado pelo contribuinte frente à legislação, quanto à aplicação das alíquotas de IRPJ e CSLL no lucro presumido. Inaugurando este tema, colaciono a seguir o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, adicionando os serviços de “imagenologia” (imaginologia ou imagiologia), que podem perfeitamente ser entendidos como serviços radiológicos. Neste sentido, já houve consulta e definição pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais, de que imaginologia, compreende os serviços radiológicos na forma em que exposto: REFERÊNCIA: PARECERCONSULTA 3687/2009 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 224 7 CONSULENTE: DR. XXX CONSELHEIRO: RENATO ASSUNÇÃO RODRIGUES DA SILVA MACIEL CRMMG 9527 Ementa: O termo Imaginologia ou Diagnóstico por Imagem, por Resolução do CFM, referese aos procedimentos diagnósticos da área da Radiologia ("strito senso"). Pode também ser usado de forma ampla ("lato seensu") para designar outros procedimentos, especialidades médicas ou áreas de atuação que elaboram propedêutica armada com uso de imagens. I PARTE EXPOSITIVA Tratase de consulta encaminhada a este Conselho por sócio administrador de clínica de gastroenterologia e endoscopia digestiva, nos seguintes termos: "vem solicitar parecer deste Conselho Regional sobre a definição do que seja um exame efetuado na condição de imaginologia e sobre a utilização de imagem nos exames de endoscopia. O parecer solicitado tem como objetivo o enquadramento na Lei 11.727 de 23 de junho de 2008, publicada no Diário Oficial de 24 de junho de 2008 que em seu artigo 29, alterou a alínea "a" do inciso II, § 1º do artigo 15 da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, que permite a algumas clínicas que prestam serviços de imaginologia e radiologia, entre outras, a optarem por uma tributação perante a legislação do Imposto de Renda com pagamento em percentual menor que outras clínicas médicas. Entendemos que a endoscopia digestiva é um método de diagnóstico e/ou terapêutico que se utiliza da imagem, portanto, é uma prestação de serviço de diagnóstico por imagem, se enquadrando na imaginologia. Entendemos ainda, que também o são, todos os métodos que usam a imagem ou através de Raio X, ou através de ultrassom, ressonância magnética, densitometria, cintilografias ou imagens geradas por fibra óptica ou eletrônica. Assim, consideramos que todas as clínicas que utilizam destes métodos devam ser consideradas clínicas que se utilizam de métodos de imagem." II PARTE CONCLUSIVA Imagem é uma "representação gráfica, plástica ou fotográfica de pessoa ou de objeto" (Dicionário Aurélio, Editora Nova Fronteira, 1999). O termo imaginologia foi introduzido nos últimos anos na nomenclatura médica em função do grande avanço e diversificação nos processos propedêuticos que utilizam aparelhagens para visibilizar aspectos morfológicos da Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 economia humana. Em seu sentido estrito (stricto sensu) imaginologia, imagiologia ou diagnóstico por imagem é conceituado como: "conjunto de métodos que usa a imagem como meio de diagnóstico (radiologia convencional, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, desitometria óssea, medicina nuclear, etc)." ("Glossário de termos médicos e exames de imagem", Sandro Fenelon, 2008) Ou seja, "imaginologia" referese a técnicas diagnósticas afeitas à especialidade "radiologia". É também com este sentido que o Conselho Federal de Medicina CFM utiliza o termo, já que na Resolução CFM nº. 1785/2006 na qual se relacionam as especialidades e as áreas de atuação reconhecidas, a especialidade "radiologia" é citada como "radiologia e diagnóstico por imagem", devendo os postulantes à obtenção de tal título de especialista ou das respectivas áreas de atuação cursar Programa de Residência Médica credenciado em "Radiologia e Diagnóstico por Imagem" ou serem aprovados em concurso do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem vinculado à AMB. Portanto, na área afeita às normatizações éticas e administrativas de responsabilidade do CFM, a expressão "imaginologia" encontrase intimamente associada à "radiologia". Não cabe a este Conselho opinar em assuntos de natureza tributária, porém, podemos acrescentar que a expressão "imaginologia" pode, dentro do contexto dos métodos de diagnóstico, ser interpretada de uma forma mais ampla (lato sensu), no sentido de englobar todas as especialidades, áreas de atuação ou procedimentos diagnósticos que, armadas com aparelhagem apropriada, elaboram diagnósticos morfológicos por métodos de análise de imagem. Assim sendo, pensamos que seriam naturalmente contempladas com este conceito alargado (lato sensu) outras especialidades médicas e áreas de atuação reconhecidas pelo CFM, por exemplo: Especialidades: endoscopia, medicina nuclear e patologia. Áreas de atuação: citopatologia, densitometria óssea, ecocardiografia, ecografia vascular com Doppler, endoscopia digestiva, endoscopia ginecológica, endoscopia respiratória, hemodinâmica e mamografia (especialidades e áreas de atuação reconhecidas, que elaboram propedêutica com diagnóstico por imagem, desvinculadas da "radiologia"). Este é o parecer que submetemos à apreciação da douta plenária. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 225 9 Belo Horizonte, 17 de maio de 2009. Cons. Renato Assunção Rodrigues da Silva Maciel Relator Aprovado na Sessão Plenária de 23/05/2009. Fonte: http://sistemas.crmmg.org.br/pareceres/ Ainda que assim não fosse, atestase que tal situação não afeta o caso em tela em virtude de (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste lume, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 226 11 orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 227 13 dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltase que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares, assim como consta às fls. 194/195: Nesse sentido, a IN 306/2003 tem eficácia desde sua publicação até 29/12/2004; a IN 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005; a IN 539/2005, de 28/04/2005 até 12/12/2007; deve ser observado o que dispõe o ADI 18/2003 acerca da abrangência do conceito de serviços hospitalares, no que diz respeito a consideraremse enquadrados os estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias, com a ressalva de que não são considerados serviços hospitalares aqueles excepcionados pelo art. 2 do referido ato declaratório. [...] Assim, no anocalendário de 2003 e 2004 vigem as regras instituídas pela IN 306/2003; para o primeiro e o segundo trimestres do anocalendário de 2005, as estatuídas pela IN 480/2004; para o segundo e o terceiro trimestres de 2005 e o anocalendário de 2006, as normas da IN 539/2005. Aduziu ainda, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei (fls. 197): Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Há que se considerar que o fato de a contribuinte ter instalações incrustadas no hospital não tem o condão de transferir a ela as características aptas a definir como serviços hospitalares aquelas atividades que exerce. Afinal, os serviços hospitalares são prestados pelo hospital onde está instalada; não pela contribuinte. Conforme dito anteriormente, não basta apenas ter natureza jurídica de empresário ou sociedade empresária. E necessário que a pessoa jurídica tenha em seu quadro funcional servidores com competência técnica para realizar sua atividadefim sem a necessidade de atuação dos sócios. O que efetivamente caracteriza a pessoa jurídica como sociedade simples ou empresária será o modo de explorar seu objeto. O objeto social explorado sem empresarialidade (isto é, sem profissionalmente organizar os fatores de produção) confere à sociedade o caráter de simples, enquanto a exploração empresarial do objeto social caracteriza a sociedade como empresária. No que diz respeito aos anoscalendário de 2005 e 2006, valem as mesmas considerações antes expendidas sobre tratarse de sociedade simples. Há que se observar que para o primeiro e o segundo trimestres de 2005 a IN 480/2004 determina explicitamente que somente seriam considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares, atributo que a impugnante não ostenta. Quanto ao terceiro e ao quarto trimestres de 2005 e o ano calendário de 2006, em que vigem as regras da IN 539/2005, além do requisito relativo ao caráter empresarial, há que se levar em conta que a legislação estabeleceu outro, de ordem material, a saber, adequada estrutura física do estabelecimento, atestada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal que a impugnante, intimada a apresentar, não atendeu (fl. 36). Nesta exigência está implícita a necessidade de que o ambiente em que realizadas as atividades seja apropriado para que a pessoa jurídica exerça as atividades caracterizadas como hospitalares. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos Atos do Ministério da Fazenda, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15889.000691/200755 Acórdão n.º 1802001.459 S1TE02 Fl. 228 15 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 35423.000422/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.258
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no artigo 150, §4° do CTN, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso.
Nome do relator: LIÉGE LACROIX THOMASI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:56:55Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:56:55Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:56:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:56:55Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:56:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:56:55Z; created: 2009-09-09T16:56:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:charsPerPage: 750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:56:55Z | Conteúdo => S2-C3TI 00‘ 19. 251 2-It• 2••• , . MINISTÉRIO DA FAZENDA 1?*;?...W CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35423.000422/2006-92 Recurso n° 146.268 Voluntário Acórdão n° 2301-00.258 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria Decadência Recorrente FUNDAÇÃO DE CIÊNCIA TECNOLOGIA E ENSINO Recorrida DRP/ARAÇATUBA/SP • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. : 9 Processo n° 35423.000422/2006-92 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.258Fl. 252• ACORDAM os membros da r Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda nit;;Seção de Julgamento, por imidade de votos, com fundamento no artigo 150, §4° do CTN, acatar a preliminar de decad ci * ara provimento do recurso. 'I k_vti JULIO A i lEIRA GOMES President iecala., • LIÉGE LA ROIX THOMASI Relatara • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Ausente o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. 2 "f Processo e 35423.000422/2006-92 52-C3TI Acórdão n, 2301-00258 Fl. 253 Relatório Trata a notificação de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados tidos pela notificada como autônomos, mas considerados empregados pela fiscalização, por preencher os requisitos necessários para tanto, no período de 06/1995 a 12/1998. Após a impugnação, Decisão-Notificação julgou o crédito procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: que o depósito administrativo é ilegal; que o crédito é decadente frente as disposições contidas no Código Tributário Nacional; que não estão presentes os requisitos inerentes a uma relação de emprego; que o fornecimento de bolsas não cria vínculo empregaticio de qualquer natureza; cerceamento de defesa, porque não constam os índices da correção e dos juros aplicados. Requer o provimento do recurso, que seja reconhecida a decadência e a anulação da Notificação. É o relatório: 3 Processo n• 35423.000422/2006-92 52-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.258 Fl. 254 Voto Conselheira LIÉGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar De acordo com os elementos constantes do processo, a NFLD foi cientificada ao sujeito passivo em 14/10/2005, com Manado de Procedimento Fiscal com ciência em 13/06/2005 e compreende o período de 06/1995 a 12/1998. A recorrente alega a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Ermo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se /rígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § I° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 4 Processo n°35423.000422/2006-92 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.258 A. 255 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei rie 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua • publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. la O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4°, uma vez que Processo C 35423.000422/2006-92 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.258 Fl. 256 comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulaç ão Do Mérito Em vista do instituto da decadência quanto aos valores lançados na notificação, o exame do mérito resta prejudicado. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. . Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009 detae,o;,.- LIÉGE LACROIX THOMASI - Relatora 6 Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10935.001766/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 28/02/2008
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos, necessários ao recebimento da participação nos lucros ou resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.501
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva Ribeiro da Silva, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições decorrentes de pagamento realizados a título de PLR, por entender cumpridos os requisitos legais.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ECOCATARATAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 28/02/2008 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos, necessários ao recebimento da participação nos lucros ou resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva Ribeiro da Silva, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições decorrentes de pagamento realizados a título de PLR, por entender cumpridos os requisitos legais. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001766/201185 Acórdão n.º 2401002.501 S2C4T1 Fl. 332 3 Relatório Tratase de quatro Autos de Infração – AI lavrados contra o contribuinte acima identificado na mesma ação fiscal, os quais decorreram dos mesmos fatos geradores. Eis as lavraturas: a) AI n.º 37.298.2980: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; b) AI n.º 37.298.2999: contribuição dos segurados; c) AI n.º 37.298.3006: contribuição patronal para outras entidades e fundos; d) AI n.º 37.298.3014: aplicação de multa em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Explica o relato do Fisco que os fatos geradores das contribuições lançadas foram os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, os quais não teriam atendido aos critérios estabelecidos pela Lei n.º 10.101/2000, passando, em razão disso, a integrar o saláriodecontribuição. Afirmase que no instrumento de negociação para pagamento da verba não constam as regras claras e objetivas fixando a PLR a ser repassada a cada trabalhador. Para exemplificar, é citado dispositivo dos regulamentos apresentados pela empresa, cuja redação vale a pena transcrever: "O programa será desenvolvido em coerência com a política de remuneração da empresa, a qual caracteriza como variável todo e qualquer pagamento efetuado a titulo de PLR, baseada fundamentalmente em: atingimento dos resultados, metas e prazos estabelecidos voltados para os indicadores gerenciais da empresa (econômico, financeiros, satisfação do cliente, melhoria de aspectos organizacionais, programa de produtividade, redução de despesas, etc.), nível funcional do empregado sendo que os diretores da empresa estarão incluídos no programa cujo valor global/individual será atribuído pelo conselho de administração da empresa; quanto aos demais empregados será definido ano a ano um valor global a ser compartilhado com os mesmos, em função de uma taxa/ percentual sobre o resultado econômico que melhor represente a geração de riqueza para a empresa." Assevera a Autoridade Fiscal que, embora tenha solicitado insistentemente da empresa a apresentação em detalhes das regras de pagamento da PLR, bem como de quem seria a competência para definir os critérios de pagamento aos empregados, a empresa não apresentou qualquer demonstrativo acerca da forma de quantificação dos repasses. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O Fisco ressalta ainda que, analisando os pagamentos de PLR, pode verificar grande disparidade entre os valores recebidos pelos vários graus hierárquicos da empresa, sendo que tais diferenças eram, inclusive, desproporcionais às diferenças de salário base. Apresenta tabela para demonstrar essa afirmação. Sustenta que os valores pagos a diretoria a título de PLR representaram quase metade do que receberam da empresa, além de que o valor distribuído ao presidente e ao diretor operacional suplantou o valor pago aos demais trabalhadores. Conclui o Fisco que os valores pagos aos diretores e aos gerentes da empresa representam mais uma gratificação de que uma verba destinada a incentivar a produtividade. Para efeito comparativo foi acostado o regulamento da PLR de 2009, no qual o Fisco afirma ter encontrado as regras claras e objetivas que faltaram nos regulamentos dos anos precedentes. Com relação ao AI relativo à aplicação de multa por omissão na GFIP, o Fisco informa que o mesmo também está relacionado à falta de declaração dos valores decorrentes de serviços prestados por cooperativas de trabalho. A aplicação da multa, conforme demonstrado em tabelas acostadas, foi efetuada levandose em consideração as alterações legislativas promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2008, utilizandose o valor mais favorável ao contribuinte, quando se comparou a multa calculada nos moldes da legislação da época da ocorrência dos fatos geradores com aquela fixada pelas normas hoje vigentes. O sujeito passivo apresentou impugnação, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) o seu Programa de PLR preenche todos os requisitos legais, posto que tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; define os empregados beneficiários do programa e teve a intervenção do sindicato; b) além do mais, possui um Programa de Avaliação de Metas, por meio do qual cada funcionário é informado das metas que deve ser atingir no ano para fazer jus à participação nos lucros ou resultados. Junta documentos para comprovar; c) a participação foi percebida dentro da periodicidade estabelecida em lei, não havendo que se falar em antecipação ou pagamento contínuo, caso em que se revestiria de natureza salarial; d) a regra contida no inciso XI, do artigo 7.º , da Constituição, é de eficácia plena e imediata, sendo, pois, autoaplicável, independente de lei que a regulamente; e) este dispositivo se constitui num princípio de direito constitucional, representado pelo direito dos trabalhadores à participação nos lucros desvinculada da remuneração, e assim, não poderia ser limitado ou negado por lei infraconstitucional, como as Leis n° 8.212/1991 e n° 10.101/2000; f) lei nova, editada após a Constituição Federal de 1988, somente poderia obrigar as empresas a promover a participação dos empregados nos seus lucros; mas não poderia jamais retirar a faculdade de, por liberalidade do empregador, ser concedida a referida participação desvinculada da remuneração; Fl. 334DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001766/201185 Acórdão n.º 2401002.501 S2C4T1 Fl. 333 5 g) o acurado exame do inciso XI, do artigo 7.º, da Constituição, indica que a lei a que se reporta o preceptivo dirigese à participação na gestão da empresa, e não à participação nos lucros; h) a participação nos lucros auferidos pelo empregador não se amolda à hipótese jurídica do salário ou da remuneração, mormente porque o lucro está condicionado a evento futuro e incerto, que independe da força laboral do empregado, daí decorrendo que não se cuida de salário ou remuneração; i) A participação em lucros e resultados deve ter em conta as diferenciadas contribuições na geração desses lucros e resultados. Tendo isso em mente, é perfeitamente admissível que os níveis mais elevados de administração recebam valores maiores a esse título, além de que, a lei não traz qualquer vedação quanto a esse aspecto do pagamento da verba; j) a própria Lei n.º 10.101/2000 (§ 3.º do art. 3.º) reconhece a possibilidade do empregador efetuar pagamento de PLR espontâneo, portanto, há a autorização legal para a utilização de critérios diferenciados daqueles previstos na lei; k) não houve omissão de dados na GFIP, posto que os valores pagos a título de PLR não integram a remuneração. As razões defensórias não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Curitiba (PR), que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente os quatro lançamentos incluídos no processo sob julgamento. A DRJ entendeu que os Programas de PLR dos exercícios de 2006, 2007 e 2008, não atendem aos requisitos da lei de regência, no que tange ao estabelecimento de regras claras e objetivas para aquisição e recebimento do benefício. Assim, por desatender a esse ponto, deveria a verba ser submetida à tributação para a Seguridade Social. Acrescenta o voto condutor do acórdão que o pagamento desproporcional entre os diversos níveis hierárquicos da empresa, denota a existência de gratificação salarial extra, disfarçada de PLR. Também ficou assentado que o próprio STF reconhece que o inciso XI do art. 7.º da Constituição dependeria de norma regulamentadora. Segundo a DRJ, quando o legislador constituinte fez menção a “conforme definido em lei”, o mesmo estava se referindo também a participação do trabalhador nos lucros da empresa, cita doutrina de Sérgio Pinto Martins. Não foram enfrentadas pelo órgão a quo as teses de inconstitucionalidade da Lei n.º 8.212/1991 e da Lei n.º 10.101/2000. Quanto à aplicação da multa, a DRJ manifestou que o Fisco atuou dentro das balizas legais. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, no qual apresenta as mesmas argumentações lançadas na impugnação. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Participação nos lucros e resultados Não posso concordar com a recorrente quando afirma que a desvinculação da participação nos lucros e resultados é norma constitucional de eficácia plena. Ao defender tal tese, o sujeito passivo, por via oblíqua, defende que os regramentos da Lei n. 10.101/2000 que estipulam condicionantes ao pagamento da verba são inconstitucionais, além de que a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também representaria uma contrariedade Carta Magna. Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a Auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n.º 10.101/2000. O art. 1.º desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer normatização infraconstitucional que venha a lhe impor restrições, a Fl. 336DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001766/201185 Acórdão n.º 2401002.501 S2C4T1 Fl. 334 7 recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n.º 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estarseia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. Para enfrentar essa questão é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de leis trazidas pela recorrente. Para arrematar essa questão apresento decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, na qual explicitamente o Pretório Excelso posicionase pela necessidade de legislação infraconstitucional para dar eficácia ao inciso XI do art. 7.º da Lex Mater. Esse entendimento coloca por terra, a um só tempo, dois argumentos da recorrente, quais sejam, o de que o dispositivo constitucional teria eficácia plena e de que a expressão “conforme definido em lei” albergaria apenas a participação dos trabalhadores na gestão das empresas. Vejamos a ementa do Acórdão exarado no bojo do RE 398.284/RJ (23/09/2008, Primeira Turma, Rel. Min. Menezes Direito): EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Assim, partindose do pressuposto que os dispositivos da Lei n.º 8.212/1991 e da Lei n.º 10.101/2000 que tratam da participação nos lucros e resultados das empresas por seus empregados são constitucionais, vejo que a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação, não merece censura. A empresa alega que nos Programas de PLR dos anos de 2006, 2007 e 2008 cumpriu com todos os requisitos da Lei n. 10.101/2000, portanto descabem os lançamentos ora discutidos. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001766/201185 Acórdão n.º 2401002.501 S2C4T1 Fl. 335 9 A causa das lavraturas, conforme relato do Fisco, seria a ausência, nos Programas de PLR, de regras claras e objetivas quanto à aferição do direito ao benefício e quanto a forma de pagamento do mesmo. Argumenta a Autoridade Fiscal que também feriria o espírito da norma regulamentadora do PLR a disparidade de distribuição da verba entre os diversos níveis hierárquicos da empresa, chegando a supor que, na verdade a PLR seria uma gratificação disfarçada para as pessoas situadas no topo da pirâmide organizacional da recorrente. Começo pela análise desse segundo argumento. Entendo que o Fisco, ao querer estipular critérios que não constam da norma para fazer incidir contribuições sobre a verba denominada PLR está extrapolando o seu poder legal inserto no art. 142 do CTN. Sendo o lançamento uma atividade plenamente vinculada, a Autoridade Fiscal deve se ater aos estritos ditames da legislação aplicável, não podendo colocar palavras na boca do legislador, para alargar a base de incidência tributária. Fazendo uma varredura minuciosa nos termos da Lei n.º 10.101/2000 não encontro uma linha que dê margem a interpretação de que haja obrigação para as empresas de estabelecerem algum tipo de proporção entre os ganhos advindos da participação nos lucros para os diversos postos de trabalho existentes na sua configuração organizacional. Se o legislador tivesse enveredado por esse caminho iria recair numa grave intromissão nos assuntos interna corporis das organizações empresariais, metendo a colher num tacho que deve estar restrito aos atores do processo patrões e empregados. Sabiamente, a Lei do PLR deixou as partes decidirem a melhor forma de pagamento da verba, exigindo apenas que a definição das regras a presidirem o pagamento de participação nos lucros seja decorrência de processo negociado. Esse aspecto a empresa cumpriu, negociando com comissão de empregados. Outra preocupação do legislador foi a de determinar que as tratativas entre capital e trabalho gerassem um documento no qual fossem apresentadas as regras de aquisição do direito e a forma de distribuição dos lucros. Vejamos agora o que diz a Lei que regulamenta o pagamento da verba: Art. 2.º (...) §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Embora os critérios e condições para que o empregado faça jus ao recebimento da verba tenham sido postos na norma a título exemplificativo, entendo que decorre do texto legal a imprescindibilidade da fixação dos requisitos necessários à fruição do benefício trabalhista. Essa estipulação legal visa garantir que a verba não será paga em substituição ao salário, mas se constituirá em efetivo mecanismo de incentivo ao aumento da produtividade das empresas nacionais. São necessárias essas normas para que os trabalhadores sintamse motivados atingir os objetivos que lhe trariam o direito à participação nos resultados da empresa. Não fosse assim, os empregados não teriam como aferir se estariam alcançando os objetivos que lhe dariam direito à PLR. A lógica intrínseca ao sistema de pagamento da PLR exige que os seus beneficiários conheçam as regras que presidem o processo e, assim, possam contribuir com seu esforço para o atingimento das condições fixadas no ajuste com o patrão, de modo a poderem amealhar a sua fatia dos lucros da empresa. Tem sido esse o entendimento prevalente nessa turma de julgamento, como se pode ver do entendimento exarado no voto condutor do Acórdão n.º 240100.839, da lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, em sessão realizada no dia 03/12/2009: Entendo, que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros ou resultados alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, antes do início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Voltando ao caso concreto, não custa repetir a transcrição da literalidade do dispositivo regulamentar da PLR, vigente no período da apuração fiscal: "O programa será desenvolvido em coerência com a política de remuneração da empresa, a qual caracteriza como variável todo e qualquer pagamento efetuado a titulo de PLR, baseada fundamentalmente em: atingimento dos resultados, metas e prazos estabelecidos voltados para os indicadores gerenciais da empresa (econômico, financeiros, satisfação do cliente, melhoria de aspectos organizacionais, programa de produtividade, redução de despesas, etc.), nível funcional do empregado sendo que os diretores da empresa estarão incluídos no programa cujo valor global/individual será atribuído pelo conselho de administração da empresa; quanto aos demais empregados será definido ano a ano um valor global a ser compartilhado com os mesmos, em função de uma taxa/ percentual sobre o resultado econômico que melhor represente a geração de riqueza para a empresa." De fato, o que se vê no texto acima é uma mera carta de intenções, no entanto, não encontro aí as regras claras e objetivas exigidas no texto legal. É certo que a norma não exige que seja adotado esse ou aquele parâmetro, as citações legais são meramente exemplificativas, mas em absoluto poderia o regulamento prescindir da estipulação de quais Fl. 340DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001766/201185 Acórdão n.º 2401002.501 S2C4T1 Fl. 336 11 metas teriam sido eleitas como condição para pagamento da PLR e quais os ganhos efetivos dos trabalhadores adviriam do seu atingimento. Os documentos colacionados, consistentes em fichas de Programa de Metas, seriam instrumentos para calcular o valor de PLR a que faria jus cada trabalhador em função das metas fixadas no instrumento de negociação para pagamento na participação no resultado da empresa. Assim, esses papéis seriam mais um elemento a ser cotejado para verificar se o pagamento da verba estaria em consonância com o que foi negociado. Nesse sentido, as referidas fichas, por si só, não têm o condão de suprir a ausência das regras nos regulamentos. Observese que foi juntada cópia do instrumento de negociação para pagamento da PLR no ano de 2009, o qual o Fisco reconheceu estar em perfeita consonância com a norma regulamentadora. Isso é mais uma comprovação de que a empresa, ciente das lacunas dos programas anteriores, efetuou os ajustes devidos. Assim, tendo concluído que os pagamentos de PLR nos exercícios de 2006 a 2008 foram efetuados ao arrepio da Lei n.º 10.101/2000, a aplicação da alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, já transcrito, conduz inexoravelmente à conclusão de que sobre a verba sob enfoque incide as contribuições sociais. Nesse sentido, são procedentes os Autos de Infração n.º 37.298.2980; n.º 37.298.2999 e n.º 37.298.3006. AI n.º 37.298.3014 Essa lavratura, conforme já mencionamos, diz respeito à aplicação de multa pela omissão na declaração de GFIP das remunerações acima tratadas, bem como, dos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, pelos serviços prestados pelos cooperados. A multa total atingiu a cifra de R$ 60.942,80 (sessenta mil, novecentos e quarenta e dois reais e oitenta centavos). A falta de declaração dos valores pagos a título de PLR em desconformidade com a lei específica é, fora de dúvida, conduta que fere o art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) Nesse sentido, a autuação está perfeitamente justificada no tocante a falta de declaração da PLR. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Quanto à falta de declaração dos valores pagos às cooperativas de trabalho, não tenho dúvida de que também ocorreu a infração, posto que nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, sobre esses valores há incidência de contribuições para previdência, conforme se pode ver do dispositivo: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (...) Ocorre que o processo relativo à exigência das contribuições decorrentes desses fatos geradores não se encontra sobre a relatoria desse Conselheiro e essa Turma de Julgamento tem entendido que o processo em que são lançadas as contribuições tem caráter de prejudicialidade frente ao que trata da multa decorrente da falta de declaração dos fatos geradores em GFIP. Nesses casos, devese julgar primeiro o crédito relativo à obrigação principal e, de posse do resultado, concluir pela procedência ou não da penalidade por descumprimento da obrigação acessória. Nesse caso, todavia, entendo que posso continuar no julgamento do AI n.º 37.298.3014, conforme justificarei. Nos AI que compõem o processo sob relevo constam apenas quatro competências, quais sejam: 04/2006; 02/2007; 04/2007 e 02/2008. Em todas a multa foi aplicada com esteio no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 (vigente quando da ocorrência dos fatos geradores), pelo fato desse cálculo ter se mostrado mais favorável do que se fosse utilizado o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, regra atualmente em vigor. Ocorre que em todas as competências envolvidas a multa foi aplicada no limite legal de R$ 15.235,70 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e setenta centavos). Como a multa decorrente da falta de declaração da PLR (cem por cento da contribuição não declarada), sem considerar o limite, seguramente é superior ao referido teto, na prática, a falta de declaração dos valores pagos às cooperativas em nada está contribuindo para a fixação da penalidade. Vejamos a tabela: COMP CONT TOTAL R$ CONT COOPERATIVAS R$ 04/2006 217.648,07 2.513,68 02/2007 115.207,08 2.430,48 04/2007 110.561,55 2.441,77 02/2008 238.789,36 4.123,77 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001766/201185 Acórdão n.º 2401002.501 S2C4T1 Fl. 337 13 Isso me deixa à vontade para declarar também procedente o AI n.º 37.298.3014. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 36900.001833/2005-12
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/10/2005
Ementa: PREVIDENCIÁRIO – AUTO DE INFRAÇÃO – DECADÊNCIA – CERCEAMENTO DE DEFESA.
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias.
A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos por intermédio de NFLD, de acordo com o art. 45, da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00104
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/10/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO – AUTO DE INFRAÇÃO – DECADÊNCIA – CERCEAMENTO DE DEFESA. Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos por intermédio de NFLD, de acordo com o art. 45, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T21:10:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T21:10:57Z; Last-Modified: 2009-08-05T21:10:57Z; dcterms:modified: 2009-08-05T21:10:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T21:10:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T21:10:57Z; meta:save-date: 2009-08-05T21:10:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T21:10:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T21:10:57Z; created: 2009-08-05T21:10:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-05T21:10:57Z; pdf:charsPerPage: 923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T21:10:57Z | Conteúdo => • Mi' - SEGUNDO CONSELHO DE CONT8113i innis CONFERI. COM o oluortim CCO2/C06 Mn de FitimaSCervelhoé)" Els. 78 Me1- Sten 751683 MINISTÉ • 1113 • • A ..• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 36900.001833/2005-12 Recurso n° 141.431 Voluntário contribuintes Matéria AUTO DE INFRAÇÃO "F-Segunde era ihelotan da Ur o dePtir Acórdão n° 206-00.104 Ronca . Sessão de 20 de novembro de 2007 Recorrente COMERCIAL CITRICOLA UNIÃO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/10/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO — AUTO DE INFRAÇÃO — DECADÊNCIA — CERCEAMENTO DE DEFESA. Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos por intermédio de NFLD, de acordo com o art. 45, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEGUNDO CONS r! ”n DE CONTRIEL r.S• CONTE— . •r ! r !M.A, Processo 36900.001833/2005-12 Brasília, O 2- i_aPPS CCO2JC06 Acórdão n.• 206-00.104 Fls. 79 .4•4• Maria de Fátima ermita de MM. Sinpe 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente -5 AS BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. NIF _ sEtuNDO crémw°• •-/n of. CONTATE. Processo n.° 36900.001833/2005-12 CONFER .1 1(11NAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.104 B -Ba. A O 2- 2.00 %Fls. 80 Manado Fátima Ferreira de Carvalho Mat. S . 751683 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 28/10/2005, por ter deixado a recorrente de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2° e 3°, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fl. 08), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitados por intermédio de TIA]), os livros Diário/Razão rrs 01 e 02, os documentos de caixa relativos aos transportadores autônomos (RPA), e as Notas de Produtor dos meses de 01 a 07/1997, 12/1997 e 01 a 11/1998. A recorrente impugnou o Auto (fls. 18 a 28), alegando, em síntese, decadência do direito de constituir o crédito tributário, cerceamento de defesa e improcedência do lançamento por se apresentar em desacordo com a realidade dos fatos e direito aplicado à espécie. A Secretaria da Receita Previdenciária em Florianópolis, por meio da Decisão- Notificação n° 20.401.4/0162/2006 (fls. 47 a 52), julgou o Auto de Infração procedente, defendendo o prazo decadencial de 10 anos e afastando a preliminar de cerceamento de defesa, alegando que a autuada teve tempo suficiente para apresentar a documentação solicitada. Entende que as argumentações de mérito não procedem, pois o fato de a documentação solicitada ser ampla não exime o contribuinte da obrigação de tê-la sobre guarda e alertando para o fato de que a autuada teve duas oportunidades de sanar a falta, o que não se verificou. Indefere o pedido feito pela recorrente para que o julgamento do auto seja obstado até decisão final nos autos da NFLD correlata, esclarecendo que a obrigatoriedade ou não da entrega dos documentos de caixa relativo aos transportadores autônomos será devidamente analisada na NFLD 37.001.465-0, não prejudicando o julgamento do presente auto de infração, pois mesmo que tais documentos fossem inexigíveis, subsiste a infração pela ausência de entrega dos livros Diário e Razão, haja vista que o valor da multa é único para infração, independentemente do número de documentos não apresentados. Inconformada com a Decisão, a autuada interpôs recurso voluntário tempestivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS (fls. 57 a 70), requerendo, preliminarmente, o sobrestamento da apreciação do presente recurso voluntário até o julgamento da NFLD 37.001.465-0, tendo em vista que a efetiva existência dos alegados fatos geradores, objeto do auto, está condicionada à prolação de decisão final da referida notificação. Insiste na decadência do período anterior a 11/ 2000, alegando que a contagem do prazo decadencial para os lançamentos por homologação desloca-se da regra geral do art. 173, inciso I, do CTN para o art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal, sendo, portanto, de cinco anos contados do momento da ocorrência do fato gerador. Ainda em preliminar, alega cerceamento de defesa tendo em vista os prazos exíguos estipulados pela fiscalização para apresentação dos documentos e reitera que a contabilidade de uma empresa é extremamente complexa, não havendo condições para a ME - SEGUNDO enNsruto D CONITUBLNTES CONFLF:. v:10 03t1024.4L Processo n.°36900.001833/2005-12 P„. 5- (LO cg Brunia - la CCO2/C06 Aoárdão n.° 206-00.104 e Fls. 81 r" Maria de Fátima Ferreira de Carvalho MM. Some 751683 contribuinte disponibilizar, de um dia para o outro, toda sua escrita contábil, sobretudo a documentação que a recorrente não tinha a obrigação legal de manter em seu poder, uma vez que transcorrido mais de cinco anos. No mérito, alega que cabe ao fisco o ônus de provar que a documentação não foi entregue e afirma que entregou os documentos de que dispunha, fato comprovado pelos atos fiscais emitidos com base nessa documentação, e que, em verdade, o que se consignou foi o exíguo espaço de tempo para a entrega da documentação exigida. Defende que a decisão, ao adotar indícios e não as provas para firmar seu convencimento contrariou a doutrina e a jurisprudência e que o procedimento adotado é inconsistente, pois elementos estranhos, obtidos em outro seguimento empresarial, não podem se constituir em elemento de prova capaz de justificar o lançamento fiscal. Reafirma que os livros Diários solicitados pela fiscalização foram devidamente apresentados, consoante protocolo de entrega acostado aos autos e que o simples fato de o fiscal desconsidera-los não significa dizer que não foram entregues na forma requerida, mesmo porque a lavratura da NFLD 37.001.465-0 foi fundamentada, em parte, na escrita contábil da recorrente. Reitera que o fisco exigiu da recorrente documento que não existiam, pois presumiu a existência dos RPA's ou Conhecimentos de Fretes que, como restou demonstrado no recurso voluntário interposto nos autos da NFLD supra citada, não existem, já que não houve a contratação de transportadores de mercadorias pela recorrente, mas sim pelos produtores rurais. Em contra-razões (fls. 76 e 77), a SRP informa que houve negativa ao seguimento do recurso administrativo interposto na NFLD 37.001.465-0, devido à ausência de depósito recursal. É o Relatório. • MF - SEGUNDO CONSCI.IF) DE CONTRIBt 'S •Processo n.° 36900.001833/2005-12 CCOVC06CONFERI.. COM O ORIGINAL 1Acórdão n." 206-00.104Fls. 82 Bramia. 7 41 , o 2 , uos( cg,(» Maria de F • de Cavalo k Voto MatSiapel5I6S3 Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e a recorrente efetuou o depósito recursal (fl. 71). Inicialmente, a requerente solicita o sobrestamento da apreciação do presente recurso voluntário até o julgamento da NFLD 37.001.465-0, por entender que a efetiva existência dos alegados fatos geradores, objeto do auto, está condicionada à prolação de decisão final da referida notificação. A recorrente afirma que não existem os documentos de caixa relativos aos transportadores autônomos (RPA) e as Notas de Produtor, motivo pelo qual não foram apresentados à fiscalização, ensejando a lavratura do auto em questão e argumenta que a inexistência de tais documentos ficou comprovada nos autos da NFLD 37.001.465-0. Porém, também é objeto do presente auto a não-apresentação dos livros Diário/Razão n''s 01 e 02. Assim, mesmo que venha a ser julgado improcedente o lançamento efetuado por meio da NFLD citada, basta a não apresentação de um documento para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. O auto em questão foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante à determinação contida no art. 33, § 2°, da Lei 8.212/91: "Art.33. (..). sç 2°A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei". (grifei). A penalidade pela infração ao dispositivo transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de documentos não exibidos. Portanto, a procedência ou não da NFLD 37. 001.465-0 não interfere no julgamento do AI. Ainda em preliminar, a recorrente alega que a contagem do prazo decadencial para os lançamentos por homologação desloca-se da regra geral do art. 173, inciso I, do CTN para o art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal, sendo, portanto, de cinco anos contados do momento da ocorrência do fato gerador. Porém, o referido § 40 remeteu à lei a função de fixar o prazo para a homologação, o que foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário ao editar a Lei 8.212/91, que instituiu o prazo decenal para as contribuições previdenciárias. Quanto ao argumento de que o art. 45 da Lei 8.212/91 reporta-se tão somente ao lançamento de oficio, sendo omisso em relação ao de homologação, cumpre ressaltar que o referido dispositivo legal se refere ao prazo que a Seguridade Social dispõe para apurar e n -) ME - SEGUN:1, r ‘' : 1-0" COHTFJrL rrEs Cora.: • .. : Processo n.• 36900.001833/2005-12 enata I ' 02. / 9-00% CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.104 31,0A Fls. 83 Maria de Fátima er¥;?Weira de Carvalho Mat. Siape 731683 constituir seus créditos, independentemente da antecipação do pagamento do tributo devido, já que o art. 37 da Lei 8.212/91 determina que, constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições, a fiscalização lavrará notificação de débito Ora, atraso parcial significa que houve pagamento antecipado de parte do tributo. E notificação de débito é um dos meios de se constituir o crédito da seguridade social, conforme o parágrafo 7° do art. 33 do mesmo diploma legal. Ou seja, a Lei 8.212/91 previu o pagamento antecipado do tributo e determinou, nesses casos, a constituição do crédito por meio da NFLD. E o prazo que a Seguridade Social dispõe para constituir seus créditos está bem definido no art. 45 da Lei 8.212/91. Com relação à preliminar de cerceamento de defesa pelo exíguo prazo para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, vale ressaltar que até 26/04/2006, data da ciência da decisão recorrida, ou seja, mais de um ano apôs a primeira solicitação feita por intermédio do TIAD de 01/02/2005, a recorrente ainda não os havia apresentado. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, já que a recorrente poderia ter trazido a documentação aos autos para fazer prova de suas argumentações, conforme exposto no IPC — Instrução Para o Contribuinte, às fls.02/03. A afirmação feita pela recorrente de que não existe a obrigatoriedade de manter a documentação previdenciária pelo prazo de 10 apenas demonstra desconhecimento da legislação previdenciária. O art. 32, § 11, da Lei 8.212/99, assim dispõe: "Art. 32 (..). (4. f 11. Os documentos comprobatório do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pela MP n°1.596-14, de 10/11/97, convertida na Lei n°9.528. de 10/1 2/97, remunerado do parágrafo único. Ver art. 8° da MP n° 83, de 12/12/02, convertida na Lei n°10.666, de 08/05/03)". Pelo exposto acima, rejeito as preliminares trazidas em sede recursal. No mérito, a autuada alega que cabe ao fisco o ônus de provar que a documentação não foi entregue e afirma que entregou os documentos de que dispunha. Contudo, é obrigação de toda empresa exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, e não apenas aqueles documentos "de que dispõe", como entende a recorrente. O fato de a empresa entregar os documentos "de que dispunha" não a exime da obrigação legal a todos imposta. A recorrente entende que cabe à fiscalização comprovar que os documentos não foram entregues. O auto foi lavrado pela não-apresentação dos Livros Diário/Razão nt's 01 e 02, dos documentos de caixa relativos aos transportadores autônomos (RPA), e das Notas de Produtor dos meses de 01 a 07/1997, 12/1997 e 01 a 11/1998. MF - SEGUNDO CONSFI.HO rffi CONTEGBUNTEs CONF *.•"4 C.) CM;INAL 9,.odd Processo n.°36900.001833/2005-12 Bragais, ' CCO2C06 Acórdão n.° 206-00.104 tio Fls. 84 Maria de Fátima 'ermita de Carvalho Mat. Sigpe 731683 A empresa não nega que deixou de exibir os documentos de caixa relativos aos transportadores autônomos (RPA) e as Notas de Produtor. Apenas alega que tais documentos não existem. Com relação aos livros Diário/Razão n°s 01 e 02, a autuada afirma que foram devidamente apresentados, conforme protocolo de entrega à fl. 40. Contudo, consta de tal recibo a observação de que a fiscalização sentiu falta de alguns documentos descritos no TIAD. Também, no TEAF assinado pelo representante legal da recorrente, a fiscalização deixa claro que foi examinado apenas o livro Diário n° 05. Ademais, como já exposto acima, a autuada poderia ter trazido, aos autos, os livros contábeis mencionados para fazer prova de suas alegações. Portanto, entendo que restou comprovado, nos autos, que tais livros não foram exibidos pela empresa à autoridade autuante. E, como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: "Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes".(grifez). Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto do sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2007 ."› 0C-À BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1
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