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Numero do processo: 11080.918890/2012-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/02/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/02/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 90 /2 01 2- 23 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918890/201223 Acórdão n.º 3801005.073 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.001145/2005-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2101-000.012
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES
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Numero do processo: 15374.915845/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO.
O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 21/12/2004, aplica-se o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011)
Numero da decisão: 1102-000.682
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de prescrição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – SP, para que seja expedido novo despacho decisório com análise do mérito do PER/Dcomp, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 21/12/2004, aplica-se o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011)
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PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 21/12/2004, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de prescrição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – SP, para que seja expedido novo despacho decisório com análise do mérito do PER/Dcomp, nos termos do voto do relator. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Tomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 2 Relatório Trata o presente de PER/Dcomp formalizado pelo sujeito passivo que não foi homologado pela autoridade administrativa, pois já estaria extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do documento e a data de apuração do saldo negativo. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta argumentos que atestariam a tempestividade da peça de defesa e sustenta que o STJ teria consolidado entendimento quanto ao prazo decenal para pleitear a restituição. Afirma ainda que o STJ também teria se manifestado no sentido de que a LC nº 118/2005 só teria aplicabilidade a pagamentos realizados após o advento da referida norma. Para as demais situações, a contagem do prazo prescricional deveria seguir a regra decenal nos termos definidos por aquele Tribunal. Por fim, defende que teria sido caracterizada a decadência direito de o Fisco refazer a apuração do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1998. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1224.899, mantendo o entendimento pela ocorrência da prescrição nos termos exarados no despacho decisório. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 15374.915845/200896 Acórdão n.º 1102000682 S1C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Considerando que o mérito do Per/Dcomp não foi analisado, o cerne da querela cingese à definição da contagem do prazo prescricional para solicitar a restituição de valores do tributo indevidamente recolhidos. Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a questão teria ficado decidida pelo texto do art. 3º da referida norma ao estabelecer que, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Dirimido o tema quanto à contagem do prazo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu recentemente (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (Destaques acrescidos): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 4 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo. Se o pleito foi formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. Na presente situação o pedido foi formalizado em 21/12/2004, data anterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ. Sob esse prisma, considerando que o crédito referese a saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1998, o termo inicial a ser considerado é 31/12/1998 (data do fato gerador) e o termo final seria 31/12/2008. Como o pedido for formalizado em data anterior (21/12/2004), não se caracterizou a prescrição. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade do Per/Dcomp sob exame. Os autos devem retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – SP para que seja proferido novo despacho decisório com análise do mérito do Per/Dcomp, restabelecendose o trâmite processual a partir daí. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 15374.915845/200896 Acórdão n.º 1102000682 S1C1T2 Fl. 3 5 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000515/2005-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL-
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito. Em havendo pagamento, e na ausência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial da-se nos termos do artigo 150, parágrafo 4º., do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, CONHECER do recurso, para no mérito NEGAR-LHE provimento. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o Patrono da Recorrida, Dr. João Marcos Colussi OAB-RJ 2414-A.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente-Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rêgo, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL- Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito. Em havendo pagamento, e na ausência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial da-se nos termos do artigo 150, parágrafo 4º., do CTN.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito. Em havendo pagamento, e na ausência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial dase nos termos do artigo 150, parágrafo 4º., do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE provimento. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o Patrono da Recorrida, Dr. João Marcos Colussi OABRJ 2414A. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 05 15 /2 00 5- 97 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000515/200597 Acórdão n.º 9101002.128 CSRFT1 Fl. 3 2 Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rêgo, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). Relatório Na sessão plenária de 16 de abril de 2008, a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao julgar o Recurso n° 158.130, proferiu o Acórdão nº 10323.413, por meio do qual decidiu acolher a preliminar de decadência para o IRPJ, restando prejudicado o recurso de ofício, e declinou do julgamento do lançamento relativo ao IRRF em função da falta de competência regimental, nos termos do relatório e voto que integram julgado. A decisão encontra se assim ementada: DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o IRPJ e o IRRF, o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4° do CTN. Preliminar parcialmente acolhida. Recurso de oficio prejudicado IRRF. COMPETÊNCIA. Nos termos do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, este Colegiado não tem competência para apreciar insurgência relativa ao IRRF quando este não tiver qualquer vinculação com os fatos que motivaram o lançamento de IRPJ. Competência declinada. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência no que tange à regra aplicável na contagem do prazo decadencial. Argumenta a Fazenda Nacional que mesmo diante da ausência de comprovação da antecipação do tributo, o acórdão recorrido aplicou à espécie o art. 150, § 4º, do CTN. Alega a interpretação da Turma diverge da abraçada pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes consubstanciada no Acórdão 30238.565, segundo a qual se o contribuinte não antecipa o pagamento aplicase o art. 173, I, do CTN. Alega que, “contrariamente ao afirmado pela Autoridade Fiscal, houve o regular lançamento quando da adesão à anistia feita pela ora Recorrida, devidamente acompanhado do pagamento e ocorreu o decurso do prazo de cinco anos a contar da ocorrência dos fatos geradores, portanto não há que se falar em cobrança do crédito relativo ao período de janeiro a dezembro de 2000.”. Aduz, “ somente a título de argumentação, que ainda que fosse aplicável o disposto no art. 173, I, do CTN, verificarseia que o Imposto de Renda ora exigido é Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000515/200597 Acórdão n.º 9101002.128 CSRFT1 Fl. 4 3 tributação da modalidade definitiva, portanto com exercícios mensais definitivos, conforme se verifica do auto de infração, restaria da mesma forma, eivado pela decadência o lançamento dos créditos relativos às competências de janeiro a novembro de 2000.” É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os requisitos que o legitimam, devendo ser conhecido. O auto de infração que deu origem ao presente litígio, cuja ciência ocorreu em 26 de janeiro de 2005, acusa o contribuinte de não ter oferecido à tributação os ganhos líquidos auferidos nas aplicações financeiras sujeitas à renda variável, auferidos nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2000. O Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração aponta que: (i) o imposto incide sobre o ganho líquido, que corresponde ao resultado positivo auferido nas operações realizadas no mês, deduzidos os custos e despesas correspondentes; (ii) o período de apuração é mensal; (iii) o vencimento é no último dia útil do mês seguinte ao da apuração. A questão a ser dirimida por esta Turma diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência. Essa questão foi assim enfrentada pelo Acórdão recorrido: “ Em que pesem seus fundamentos, o acórdão recorrido não andou bem ao afastar a decadência do direito do Fisco de constituir parte o crédito impugnado nesse processo administrativo, visto que tal crédito decorre de fatos (geradores) ocorridos nos meses do anocalendário de 2000; portanto, a mais de cinco anos contados da ciência pelo contribuinte da lavratura dos lançamentos, ocorrida em 26.12.2005 (fls.210 e 514). Nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tais como o IRPJ e IRRF, o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal de decadência para constituição do crédito tributário é a própria ocorrência do respectivo fato gerador. De fato, não é recente em nossa jurisprudência o reconhecimento da decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 5 (cinco) anos contados da ciência do respectivo lançamento, diante do quanto dispõe os artigos 150, § 4° do CTN. Vejase, nesse sentido, entendimento assente nesse E. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DA FAZENDA NACIONAL, verbis: (...)” Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000515/200597 Acórdão n.º 9101002.128 CSRFT1 Fl. 5 4 Como visto, o acórdão ora recorrido (10323.413) não atribuiu qualquer relevância à questão do pagamento, o que resta em desacordo com a atual jurisprudência deste CARF que, em cumprimento ao art. 62A do Regimento Interno, aplica o entendimento do STJ adotado em decisão na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “ O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (REsp nº 973.333SC, Relator Ministro Luiz Fux). Dentro desse entendimento, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se tão logo ocorrido o fato gerador o sujeito passivo efetua o pagamento ou declara (confessa) o débito, o termo inicial se fixa na data da ocorrência do fato gerador. Se não exerce nenhum desses dois atos até o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o termo inicial fica automaticamente deslocado para essa data. No caso concreto, o auto de infração (fls. 606) aponta que os fatos geradores ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, junho, agosto, setembro outubro e novembro de 2000, e consta ter havido pagamento, conforme se depreende às fls. 315 e seguinte dos autos. Assim, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu em 26 de dezembro de 2005, operouse a decadência, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º., do CTN, eis que o fato gerador da exação ora guerreada era apurada mensalmente. Isto posto, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001084/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DOCUMENTOS JUNTADOS PELA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. PREJUÍZO À AMPLA DEFESA DO CONTRIBUINTE.
Não pode o Contribuinte ser prejudicado em seu direito de ampla defesa em razão de falha da própria administração pública que efetuou a juntada de documentos de defesa em processo diverso.
É nula a decisão de primeira instância administrativa que deixou de avaliar documentação comprobatória do direito do contribuinte, apresentada de forma tempestiva.
Numero da decisão: 1201-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a NULIDADE da decisão de primeira instância e DETERMINAR que seja proferida outra decisão pela DRJ de origem com apreciação dos documentos juntados aos autos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DOCUMENTOS JUNTADOS PELA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. PREJUÍZO À AMPLA DEFESA DO CONTRIBUINTE. Não pode o Contribuinte ser prejudicado em seu direito de ampla defesa em razão de falha da própria administração pública que efetuou a juntada de documentos de defesa em processo diverso. É nula a decisão de primeira instância administrativa que deixou de avaliar documentação comprobatória do direito do contribuinte, apresentada de forma tempestiva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-01T02:48:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-03-01T02:48:27Z; Last-Modified: 2015-03-01T02:48:27Z; dcterms:modified: 2015-03-01T02:48:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:e4d73ee5-14b2-4dfb-9343-a881509adec2; Last-Save-Date: 2015-03-01T02:48:27Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-01T02:48:27Z; meta:save-date: 2015-03-01T02:48:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-01T02:48:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-03-01T02:48:27Z; created: 2015-03-01T02:48:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2015-03-01T02:48:27Z; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-01T02:48:27Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2.570 1 2.569 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.001084/201030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.133 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente TECNOZEM ARMAZENS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DOCUMENTOS JUNTADOS PELA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. PREJUÍZO À AMPLA DEFESA DO CONTRIBUINTE. Não pode o Contribuinte ser prejudicado em seu direito de ampla defesa em razão de falha da própria administração pública que efetuou a juntada de documentos de defesa em processo diverso. É nula a decisão de primeira instância administrativa que deixou de avaliar documentação comprobatória do direito do contribuinte, apresentada de forma tempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a NULIDADE da decisão de primeira instância e DETERMINAR que seja proferida outra decisão pela DRJ de origem com apreciação dos documentos juntados aos autos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 10 84 /2 01 0- 30 Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 EDITADO EM: 28/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado Relatório Tratase de Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (R$ 3.126.522,03), ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (R$ 997.726,17), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (R$ 7.111,59), lavrados em 29/11/2010, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em ora recorrente, no valor total de R$ 4.131.359,79, incluindo multa de ofício proporcional (75% e 150%), multa regulamentar e juros isolados, bem como juros de mora calculados até 29/10/2010, devido às irregularidades identificadas no anocalendário 2005 e devidamente discriminadas e explicadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2060/2105. O IRPJ e a CSLL foram exigidos conforme a sistemática de apuração do Lucro Presumido e as contribuições para o PIS e COFINS segundo o regime cumulativo. Conforme TVF, a fiscalização foi iniciada em 25/03/2009. Consta que, ao longo da fiscalização, a empresa foi intimada a apresentar, entre outros, os livros e documentos de sua escrituração, tais como arquivos digitais dos registros contábeis, registros de fornecedores e clientes, documentos fiscais, controles de estoque e registro de inventário, controle patrimonial, notas fiscais de saída e extratos bancários. Os trabalhos de auditoria foram encerrados parcialmente, com a lavratura dos autos de infração relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/10/2004 a 31/12/2004, conforme processo nº 15983.001240/200929, continuando a ação fiscal, relativamente ao anocalendário de 2005. Em relação ao anocalendário de 2005 foram apontadas as seguintes infrações: 1 – Insuficiência de recolhimento do imposto no 1º trim/2005, identificada através da comparação entre os valores informados na DIPJ, anocalendário 2005, e os montantes efetivamente declarados e/ou recolhidos. 2 – Receita Escriturada e Não Declarada, apurada através de confronto entre os valores de receitas informados na DIPJ, anocalendário 2005, e os escriturados (livros Diário e Razão), do qual se verificou receitas de serviços de armazenagem e transporte escrituradas em valor muito superior ao declarado (fls. 1066/1074 e 1638/1958), como também refletido na DCTF e na DACON (fls. 1075/1082 e 1095/1122), tudo, tomando como base as declarações entregues antes do início do procedimento fiscal. 3 – Omissão de Receita, decorrente de saldo credor de caixa. A empresa foi intimada (Termo de Intimação Fiscal de fls. 862), especificamente, a apresentar documentação comprobatória da efetiva entrega e disponibilização de numerário dos sócios ao Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15983.001084/201030 Acórdão n.º 1201001.133 S1C2T1 Fl. 2.571 3 caixa, coincidente em datas e valores, conforme escriturado na contabilidade, bem como a capacidade desses para suprir a pessoa jurídica, o que não logrou ser atendido. 4 – Omissão de Receita, decorrente de suprimento de numerário não comprovado, identificado pelos lançamentos a crédito na conta “C/C – Sócios” – passivo, com contrapartida nas contas “BRADESCO S/A – 45/130793” e “BANCO ITAÚ”, listados no Anexo XII (fls. 2142), em um total de R$ 120.000,00. Ressalta a fiscalização que, com exceção do lançamento nº 0000000283, de 03/03/2005, no valor de R$ 6.000,00, os demais foram localizados nos extratos bancários apresentados (fls. 308/852). E que os históricos dos lançamentos não trazem informações suficientes para se concluir quem, de fato, disponibilizou os recursos à empresa; se provenientes dos sócios ou de terceiros. Nesse sentido, foi destacado o lançamento de nº 0000002073, de 25/01/2005, no valor de R$ 54.000,00, o qual possui, no histórico do extrato bancário, a informação: “TED TELET. DISP. 6544105 – REMET. S.A. CENTRAL I. CONSTR” (fls. 594), indicando que os recursos advieram de outra pessoa jurídica, terceiros, e não dos sócios da empresa fiscalizada. Acusa que a empresa fiscalizada, quando intimada, não apresentou qualquer documento comprobatório da entrega e da origem dos recursos supridos. Desta sorte, estando configurado que os suprimentos de numerários, sob a forma de empréstimos dos sócios, não existiram, nos termos do art. 282 do RIR/99, com exceção do mencionado lançamento no valor de R$ 6.000,00, todos os demais lançamentos especificados no Anexo XII (fls. 2142), foram considerados omissão de receita (fundamentação legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; artigos 279, 282, 288, 527 e 528 do RIR/99). 5 – Insuficiência de Recolhimento da CSLL, apurada na comparação entre o valor devido de CSLL, calculado com base nas informações de receitas declaradas para o 1º trim/2005, na FICHA 14 DA DIPJ/2006, pág. 03 (fls. 1068), e o efetivamente recolhido por DARF (fls. 1087). 6 – Multa de Ofício e Juros de Mora Isolados, devidos pelos pagamentos efetuados a sócio sem a devida retenção do IRRF. A infração foi apurada de acordo com as informações extraídas nos documentos de controle interno da fiscalizada, constando dos valores especificados nos Anexos II (fls. 2107), VI (fls. 2134/2135), VIII (fls. 2138) e XIII (fls. 2143) lançamentos referentes a pagamentos de despesas próprias do Sr. Haruo Oishi, as quais integram a remuneração, incidindo IRRF, nos termos dos arts. 620, 622 e 637 do RIR/99, sendo que a fonte pagadora deixou de cumprir com sua obrigação legal de implementar a referida retenção, sujeitandose à multa de ofício e juros de mora, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Informa a fiscalização que os juros de mora tiveram como termo inicial o prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido e, como termo final, a data prevista para a entrega da declaração pelo contribuinte pessoa física, em 30/04/2006. 7 – Rendimentos Pagos a Beneficiários não Identificados. Neste item, a fiscalização identificou pagamentos efetuados, através de cheques ou avisos de débitos em contascorrentes bancárias, a sócios não identificados. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 Na conta “C/C – SÓCIOS” – conta nº 112050001 – (fls. 1305/1307), foram identificado lançamento à débito com contrapartida em contas de disponibilidades (“Caixa” (fls. 1308/1323), “BANCO ITAÚ” (fls. 1191/1203) e “BRADESCO S/A – 45/130793” (fls. 1204/1363)), que, em tese, representariam direitos da empresa, por conta de empréstimos por ela concedidos a seus sócios, mas que, conforme informado anteriormente, ficou comprovado tratarse, de fato, de despesas da empresa para com seus sócios. O mesmo foi identificado na conta “C/C – SÓCIOS” – conta nº 212010001 – (fls. 1304), classificada no passivo, com contrapartida em contas de disponibilidades (“Caixa” (fls. 1308/1323), “BANCO ITAÚ” (fls. 1191/1203) e “BRADESCO S/A – 45/130793”), que, em tese, representariam pagamentos de dívidas da empresa, amortização de empréstimos obtidos de seus sócios; mas que demonstrouse, também, tratarse, de fato, de despesas da empresa para com seus sócios e não quitação de dívidas préexistentes. Também foram identificados lançamentos (Anexos VII fls. 2136/2137 e XIV fls. 2144), em que constam pagamentos de despesas próprias dos sócios ocultos, haja vista a informação, em diversos lançamentos, de nome de pessoas estranhas ao quadro social, que, nos termos do artigo 622 do Decreto 3.000/99, integra a remuneração. Nos Anexos IX e X (fls. 2139/2140), também encontramse lançamentos correspondentes aos pagamentos efetuados, através de cheques ou avisos de débitos em contas correntes bancárias, a beneficiários não identificados. A Recorrente intimada a apresentar esclarecimentos acompanhados de documentos que dessem suporte aos lançamentos nos Anexos VII (fls. 2136/2137), IX (fls. 2139), X (fls. 2140) e XIV (fls. 2144), contudo, decorrido o prazo estabelecido, no Termo de Constatação Fiscal (fls. 990/1046), não foram apresentados os esclarecimentos e documentos que identificassem o beneficiário dos pagamentos. Assim, entendeu a fiscalização que sobre os pagamentos representados pelos lançamentos especificados, nos Anexos VII (fls. 2136/2137), IX (fls. 2139), X (fls. 2140) e XIV (fls. 2144), houve a incidência do imposto de renda na fonte, de que trata o artigo 61 da Lei 8.981/95. Cabe ressaltar, os valores decorrentes desses pagamentos foram considerados líquidos de imposto, ou seja, sofreram reajustamento para se apurar a efetiva base de cálculo do IRRF. Responsabilidade da Gerência Foram inquiridos os sócios quanto à responsabilidade pela gerência e administração da empresa nos anos de 2004 e 2005, através dos Termos de Solicitação de Esclarecimentos de fls. 956/965, em função dos quais foram tomados depoimentos (fls. 967/989 de Sumiko Tominaga Oishi, Paula Mac’Arthur Marques Santana Santana, Haruo Oishi, Francisco Vasconcelos, Ioshihiro Nakasawa e Marli Sanae Enomoto Nakasawa. O Sr. Haruo Oishi foi arrolado como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, conforme as conclusões fiscais constantes dos itens 135 e seguintes do TVF. Segundo o TVF, os sócios de direito da sociedade foram IOSHIHIRO NAKASAWA (1998 a abril de 2010), MARLI SANAE ENOMOTO NAKASAWA (1998 a junho de 2009), SUMIKO TOMINAGA OISHI ( desde de setembro de 2004) e PAULA MAC’ARTHUR MARQUES SANTANA (desde abril de 2010). Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15983.001084/201030 Acórdão n.º 1201001.133 S1C2T1 Fl. 2.572 5 Contudo, a fiscalização identificou diversos lançamentos classificados em contas relativas a transações entre a fiscalizada e seus sócios, que possuíam, em seus históricos, os nomes HARUO e HARUO OISHI e, ainda, o termo “TIM”. Destaca a Fiscalização que o Sr. HARUO OISHI, também conhecido por “TIM”, nunca se apresentou como sócio da empresa, mas sim empregado com procuração (fls. 973) para exercer a gerência e administração desta, tendo sido registrado no livro registro de empregados (fls. 903) e informado pela empresa como empregado na Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, ano base de 2005 (fls. 916). Segunda o TVF, os depoimentos dados pelo Sr. IOSHIHIRO NAKASAWA (fls. 984/987 e 1056) demonstram que os pagamentos efetuados ao Sr. HARUO OISHI foram classificados em contas representativas de transações entre a empresa e seus sócios porque ele é e sempre foi sócio de fato da TECNOZEM ARMAZÉNS GERAIS LTDA. A condição do Sr. HARUO OISHI, como sócio de fato da Recorrente, ficou caracterizada no momento em que os sócios de direito (MARLI SANAE ENOMOTO NAKASAWA, IOSHIHIRO NAKASAWA e SUMIKO TOMINAGA OISHI), em nome da fiscalizada, conferiramlhe, através de procuração pública (fls. 855, 973, 986), os mais amplos poderes para gerir a empresa. Segundo a Fiscalização, restou clara a existência de uma fraude, a existência de um contrato social cujo texto contém uma declaração não verdadeira, um documento ideologicamente falso, em que a identidade do real sujeito passivo e responsável (Sr. HARUO OISHI) foi encoberta pela figura de terceiros de forma a tentar prejudicar interesses da Fazenda Pública. Em razão disso, foi aplicada multa qualificada, diante das apurações e fatos descritos, à exceção da Falta ou Insuficiência de Recolhimento do IRPJ e CSLL, por restar caracterizada “a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar informações acerca da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e, com isso, eximirse dos pagamentos dos impostos e contribuições devidos; e em evitar ou diferir pagamentos de impostos e contribuições devidos”. DO CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA Segundo ainda o TVF, existem fortes indícios de cometimento de crime contra a ordem tributária: “161. Acreditamos que as condutas informadas acima caracteriza, em tese, crimes contra a ordem tributária definidos no artigo 1º, inciso I, e no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, in verbis: [transcrição] 162. Pelos motivos expostos, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o número 15983.001085/201084, para cumprimento do disposto no artigo 1º do Decreto nº 2.730, de 19 de agosto de 1998, disciplinado pela Portaria SRF nº 665, de 24 de abril de 2008.” Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 A Recorrente e o responsável solidário foram cientificados dos autos de infração (fls. 1981/2059) e do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 (fls. 2182/2185), em 29/11/2010, na pessoa do mesmo representante legal. Em 02/12/2010 o representante legal da contribuinte solicitou cópia do Termo de Verificação Fiscal “haja vista que o que foi recebido não consta os números das folhas do processo, logo, portanto, incompleto, o que dificulta a apresentação de sua defesa”, bem como solicitou vista processual, conforme fls. 2195. E, em 07/12/2010, requereu “que a ciência total seja considerada, como ocorrida na data de hoje (7/12/2010)”, quando lhe foi dada vista processual (fls. 2196). Através de despacho datado de 10/12/2010, o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos indeferiu a pretensão da contribuinte, quanto à alteração da data da ciência da autuação. Inconformada, a contribuinte pleiteou, em 14/12/2010, a reconsideração do despacho de indeferimento (fls. 2213/2214), o que foi denegado pela autoridade competente, em despacho datado de 20/12/2010. Em seguida, a contribuinte apresentou Impugnação de fls. 2216/2238. Com a intenção de afastar a multa qualificada e arguir decadência, alega a contribuinte que, da leitura do Termo de Verificação Fiscal, não se encontra nenhum apontamento fiscal a respeito de qualquer circunstância a evidenciar a existência de dolo, fraude ou simulação. Em preliminar, alega cerceamento do direito de defesa com base no histórico acerca do seu pedido de alteração do prazo de ciência dos autos de infração e do correspondente indeferimento pela autoridade competente dizendo que o Sr. Delegado não se manifestou acerca do posterior pedido de reconsideração “o que por si só caracteriza cerceamento de defesa, posto que ao contribuinte seja dado o prazo de 30 dias para, se querendo, propor contestação, razão pela qual requer a devolução do prazo faltante, possibilitando assim que o contribuinte apresente as suas razões de mérito”. Também em preliminar aborda a questão da multa qualificada, dizendo que durante o período de quase dois anos forneceu todos os elementos solicitados pela autoridade fiscal, sendo que os sócios e o contador prestaram, inclusive, depoimento levado a termo, não havendo razão alguma por parte do Auditor em afirmar a existência de atitude deliberada para impedir ou retardar o conhecimento dos fatos. Conclui, assim, que a fiscalização não comprovou, no Termo de Verificação Fiscal, ter a contribuinte agido com o intuito de fraude ou máfé. Ainda em preliminar aborda a questão da decadência, tecendo um breve histórico da legislação pertinente à modalidade de apuração do imposto, a partir da Lei nº 8.383, de 1991, quando o lançamento passou a se dar por homologação. Transcreve Acórdãos e Súmulas das diversas instâncias administrativas de julgamento, no intuito de afastar a aplicação da multa qualificada nas hipóteses de falta de comprovação de lançamentos contábeis e de falta de comprovação do dolo e evidente intuito de fraude; bem como no intuito de se aplicar a regra de contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente do pagamento antecipado. Alega que, por dever de ofício e em razão do princípio da estrita legalidade e da moralidade administrativa, a fiscalização deveria ter reconhecido a decadência, abstendose Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15983.001084/201030 Acórdão n.º 1201001.133 S1C2T1 Fl. 2.573 7 de formalizar créditos tributários no período de 1º de janeiro de 2005 a 30 de setembro de 2005 (1º a 3º trimestres), para o IRPJ e a CSLL; no período de janeiro a outubro de 2005, para o Pis e a Cofins; dos fatos geradores de 18/01/05 a 06/09/05 para o IRRF; e da Cofins com fato gerador de 31/03/05, no valor principal de R$ 2.946,59, cujo encargo agora deve ser transferido ao julgador. Como última preliminar, argumenta que, conforme demonstrado no item “C – DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE”, mencionado na parte final desta impugnação, resta comprovado que a escrituração contábil tornouse imprestável e deficiente, impondose o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, inciso II, do RIR/99, resultando,conseqüentemente, a nulidade dos autos de infração. No mérito, argumenta que, prestandose a DIPJ, tão somente, a consignar informações e não a declarar os tributos devidos, cujo encargo é feito por meio da DCTF, os lançamentos referentes à CSLL e ao IRPJ do 1º trim/2005, nos valores originais de R$ 2.946,59 e R$ 5.667,08 (sem juros e multa de 75%), os quais tiveram como base a DIPJ e os valores recolhidos, não devem prosperar, além de restarem abrangidos pela decadência. Alega ainda, que os tributos declarados em DCTF e devidamente recolhidos, não foram considerados pela fiscalização para fins de abatimento dos tributos lançados. Além disso, a ora Recorrente apresenta em sua Impugnação inicial, argumentos pontuais relativos a lançamentos constantes de cada um dos Anexos utilizado pela Fiscalização no TFV, conforme abaixo destacado: “33) Analisaremos o ANEXO I: 34) O valor de R$ 29.048,47, que consta a transferência da conta 11020001 para a conta 111010001, foi efetuado para ajuste do saldo existente no Banco Itaú que soma em 31/01/05 a importância de R$ 7.161,59 conforme extrato bancário em anexo, idêntico valor constante do saldo existente na contabilidade. 35) Os demais valores são os efetivamente movimentados entre as contas Caixa e C/C Sócios (112050001), logo, portanto, devidamente comprovados. ANEXO II 36) Os quatros primeiros cheques listados no Anexo II, foram emitidos com o fim propósito de suprir o Caixa, com numerários para arcar com os compromissos da empresa, enquanto o último no valor de R$ 2.913,74, destinouse especificamente ao pagamento do INSS. ANEXO III 37) Os valores constantes do Anexo III, também foram lançamentos feitos para ajustes nos saldos entre a contabilidade e os extratos bancários, fato que poderá ser comprovado na checagem com os extratos em anexo. ANEXO IV Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 38) Os dois primeiros valores constantes do Anexo IV referemse à conta Funda (sic) Rotativo, que abriga os pagamentos efetuados, que são supridos pelos aportes efetuados desses valores lançados. O Valor de R$ 1.586,18, referese a ajustes dos saldos entre a contabilidade e os existentes nos saldos a compensar de cheques. ANEXO V 39) Assim, os valores de exclusões constantes do Anexo V, que deve destinarse a apuração de saldo credor de caixa, não deverão prosperar, posto que devidamente justificados anteriormente. 40) Analisando o item 83 do Termo de Verificação Fiscal temos: a) A não aceitação do saldo inicial da Conta Caixa, em que o senhor fiscal, entendeu ser igual a zero,jamais poderá prosperar, posto que no Balanço de Abertura, encontramos o valor de R$ 25.000,00. b) Não é nenhum favor considerar a periodicidade mensal; c) Igualmente, o saldo devedor deverá ser o maior dentro do mês; d) Não poderá realizar a exclusão dos valores constantes do Anexo I, posto que devidamente comprovado anteriormente; e) Igualmente quanto às exclusões dos anexos II, III e IV, pois devidamente comprovados. 41) Quanto aos itens 88 e seguintes do Termo de Verificação Fiscal, onde informa que o total apurado no Anexo XII de R$ 120.000,00, foram considerados como suprimentos de numerários não comprovados; 42) Estranhase o fato de ter o Sr. Fiscal excluído desse valor a importância de R$ 6.000,00, por não ter ele sido localizado no extratos bancários, assim chega a ser incompreensível de que não localizado no extrato, ou seja não comprovado, ser o mesmo retirado para apuração de suprimentos de numerários não comprovados, enquanto, que os que se acham devidamente comprovados através dos extratos serem eles tidos como suprimentos. 43) Isto é totalmente incompreensível, posto que todos os valores constantes do Anexo XII inclusive o valor de R$ 6.000,00, achamse inseridos nos extratos bancários, prova cabal e indiscutível das suas origens. 44) Talvez tenha ele se baseado apenas no depósito de R$ 54.000,00, porém advém de valor devido pela mencionada empresa em crédito que os sócios tinham com a mesma, que foi transferido diretamente para a impugnante, com a finalidade de fazer aporte ao capital de giro. . 45) O senhor fiscal através de simples presunção, sem a devida liquidez e certeza, constituiu o crédito tributário por saldo credor de caixa e suprimento de numerários não comprovados, o que não é o bastante posto ser necessário que o fisco esgote o campo probatório. (...) Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15983.001084/201030 Acórdão n.º 1201001.133 S1C2T1 Fl. 2.574 9 47) Em resumo, o item 001 Omissão de Receitas da atividade, que consta do Auto de Infração do IRPJ, achase devidamente comprovado e justificado em todo o seu inteiro teor. 48) Por outro lado, esses valores tidos como saldo credor de caixa e suprimento de numerários não comprovados,item 001, Omissão de Receitas da Atividade, constante no AI do IRPJ, foram levados para a apuração no coeficiente de 32%, para apuração do lucro presumido, quando o correto será o percentual de 8% (oito por cento). 49) Dos demais tributos que compõe o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, que totaliza a importância de R$ 3.126.522,03, temos serem eles reflexo do IRPJ, porém, existe excesso de exação nas suas apurações, como a seguir trataremos: Com relação ao lançamento da CSLL, argumenta a Recorrente que fora aplicada na autuação o coeficiente de 32% para apuração do Lucro presumido, quando o correto seria de 8% e 32%, como consta no AI do IRPJ. No tocante ao PIS e COFINS argumenta a Recorrente que a Fiscalização incorreu em lançamento em duplicidade um sob o título de FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, outro sob o título de OMISSÃO DE RECEITA, em ambos os casos com os valores idênticos. No que se refere ao PAGAMENTOS EFETUADOS A SÓCIO SEM A DEVIDA RETENÇÃO DO IRRF, traz os seguintes argumentos: 58) O Anexo II, traz no seu último registro valor que se refere a pagamento de INSS, portanto não devido. 59) Os itens anteriores, os valores foram devidamente transferidos dos Bancos para o caixa, para suportar as despesas nele lançada. 60) No Anexo VI, os valores encontramse devidamente comprovados posto se tratar de despesas dos sócios que foram debitados na conta 112050001, e não se trata de rendimentos. 61) No anexo VIII, encontramse os valores que foram levados a conta Fundo Rotativo 121010001, por não se tratar de rendimentos. 62) Finalmente no Anexo XIII, o único valor tratouse de um lançamento na conta C/C sócios 212010001, que não se trata de rendimentos. 63) Até que se venha admitir em tese de que tais valores seriam de rendimentos, mesmo assim a planilha apresentada no item 115 do Termo de Verificação Fiscal, merece alguns reparos, quais sejam:a) Na coluna A, encontramse os valores apurados mensalmente, sem, contudo, ter o senhor fiscal relacionado e individualizado os valores que resultaram nos valores ali lançados. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 b) Na coluna B, consta a dedução dos valores declarados em DIRF, o que não é aceitável, posto que a mesma serve apenas para informar os rendimentos sujeitos a incidência do IRFonte, ou seja de valores superiores ao limite de isenção e desde que a retenção seja inferior a R$ 10,00. c) Temos ainda que determinados valores constantes dos Anexos, serem inferiores ao limite de isenção, outros situados no patamar de incidência em 15% (quinze por cento), prejudicando assim o cálculo constante da coluna D. (...) 69) Além da falta desse Anexo VII e por mais que se queira chegar aos valores contidos no "Item 001 Outros Rendimentos Beneficiário não Identificado. Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Pagamentos a Beneficiário não Identificado", do Auto de Infração no valor consolidado de R$ 943.815,10, a tarefa é impossível, posto não existir uma relação pormenorizada e identificativa capaz de dar suporte a Descrição dos Fatos e ainda que pudesse proporcionar ao contribuinte oportunidade de apresentar elementos de prova por ocasião desta impugnação. 70) O Anexo IX, são lançamentos contábeis, da conta Fundo Rotativo 121010001, se referem a transferência a favor de terceiros de compromissos assumidos pelo contribuinte de custos pelos serviços prestados. 71) No Anexo X, foram despesas de Fretes pagos, conforme comprovantes através de cópias dos cheques e Recibos em anexos (doc. 14). Os cheques ns. 507611 compensado em 02/09/2005 e 507669 compensado em 06/09/2005, foram devidamente contabilizados nas datas de suas emissões, ocorridas respectivamente em 22 e 26/08/05, conforme cópia do razão (doc. 15 e 16). 72) Finalmente quanto ao Anexo XIV, os três primeiros itens nele constantes, referemse as transferências entre os Bancos Itaú e Bradesco, como bem consignado nos históricos constantes. Os demais itens são valores devolvidos pelo contribuinte pelos aportes que os sócios injetaram anteriormente na empresa. A Recorrente também argumenta que a escrituração contábil tornouse, segundo a conduta adotada pela Fiscalização, imprestável e deficiente, razão pela qual deveria ter sido utilizado o ARBITRAMENTO DO LUCRO, nos termos do que dispõe a alínea II do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda. Em sessão de 07 de junho de 2011, a DRJ/Campinas JULGOU PROCEDENTE EM PARTE as exigências fiscais, diante da retificação da base de cálculo da exigência reflexa à omissão de receita, concernente ao Pis, à Cofins e à CSLL, bem como diante do reconhecimento da decadência relativa à exigência decorrente da falta/insuficiência e Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15983.001084/201030 Acórdão n.º 1201001.133 S1C2T1 Fl. 2.575 11 recolhimento do IRPJ e da CSLL, nos termos do demonstrativo abaixo: abaixo: Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15983.001084/201030 Acórdão n.º 1201001.133 S1C2T1 Fl. 2.576 13 A contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 2383, no qual ratifica os argumentos trazidos na Impugnação. É o relatório. Voto Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, merecendo ser conhecida. (ver fls. 2.342) Da juntada de documentos Logo no inicio do voto vencedor da DRJ/Campinas, foi consignado que não teriam sido acostados à impugnação os documentos que a contribuinte alegava instruírem sua defesa. Em Recurso Voluntário, a Recorrente alega que tais documentos, especificamente, extratos bancários dos Bancos Itaú e Bradesco do ano de 2005, teriam sido juntados pela repartição pública, de forma equivocada, a um outro processo administrativo (15983.001086/201029), no qual o Sr. Haruo Oishi apresentou Impugnação na mesma data em que foram apresentada a Impugnação no presente processo. Assim, a Recorrente peticionou ao Delegado da Receita Federal em Santos, para que fosse verificada a real ocorrência desta situação e, em caso positivo, que fosse determinada a juntada de tal documentação ao presente processo. Conforme fls. 2453 e seguintes dos autos, mencionada documentação foi, de fato, juntada ao presente processo em 16/11/20111, contudo, em momento posterior ao julgamento na DRJ/Campinas, não tendo sido, portanto, apreciada pelo julgadores em primeira instância administrativa. Entendo que mencionados extratos bancários são importantes para a elucidação de parte relevante das autuações. Desta forma, buscando preservar o princípio da ampla defesa e devido processo legal e, também, evitar qualquer supressão de instância nesta esfera administrativa, entendo que o processo deva voltar à apreciação da DRJCampinas, para especial análise dos acima mencionados extratos bancários do Banco Itaú e do Banco Bradesco e seus efeitos modificativos (ou não) no acórdão proferido. CONCLUSÃO Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e voto por DECLARAR a NULIDADE da decisão de primeira instância e DETERMINAR a volta dos autos para nova apreciação pela DRJ/Campinas, em especial no tangente aos extratos bancários que foram posteriormente juntados aos autos. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11051.720193/2013-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3803-000.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte aos autos os documentos necessários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte aos autos os documentos necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte aos autos os documentos necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Fortaleza/CE que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada em decorrência da lavratura de auto de infração relativo à exigência da multa de 30% por falta de Licença de Importação (LI), no valor de R$ 67.624,72, e de 1% por erro no preenchimento da Declaração de Importação (DI) no valor de R$ 2.254,15, totalizando R$ 69.878,87. Segundo a Fiscalização, em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, verificouse que o contribuinte realizara, em 2008, 22 diferentes importações de proteína de soja classificada na NCM 3504.00.20, sendo que, dessas 22 importações, em uma, informouse na DI o destaque 999 ao invés do destaque 030, destaque este que indica a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 51 .7 20 19 3/ 20 13 -6 2 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11051.720193/201362 Resolução nº 3803000.636 S3TE03 Fl. 307 2 necessidade da anuência do Ministério da Saúde para as mercadorias “destinadas somente à indústria alimentícia”. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que, em relação à Declaração de Importação nº 08/13772553, datada de 03/09/2008, importaramse "proteínas de soja em pó, isolada, com teor de proteína superior ou igual a 90% em peso, em base seca, emulsão", tendo havido a classificação correta da mercadoria (NCM 3504.00.20), mas, por “erro humano”, indicouse indevidamente o destaque 999 ao invés do destaque 030. Informou, ainda, o Impugnante, que o requisito do deferimento da competente Licença de Importação (LI) fora rigorosamente cumprido, uma vez que o processo de importação se dera ao abrigo da Licença de Importação (LI) nº 08/18982303, datada de 07/08/2008, portanto em data anterior ao Registro da Declaração de Importação 08/13772553, a qual fora registrada em 03/09/2008. A DRJ Fortaleza/CE decidiu por cancelar a multa de 1% sobre o valor da mercadoria, por ausência de tipicidade, mantendose a multa de 30% por falta de vinculação da LI na DI respectiva, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2008 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Restando demonstrada a indicação indevida de destaque quando de indicação obrigatória, impedindo a anuência do órgão responsável tornase cabível a multa por falta de LI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2008 MULTA DE UM POR CENTO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. É incabível a exigência de penalidade quando constatado nos autos que os fatos ocorridos posteriormente às alterações promovidas pelo art. 69 e art. 81, inciso IV da Lei nº 10.833, de 2003 não se subsumem à referida base legal utilizada pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterou seu pedido de cancelamento do crédito tributário remanescente e protestou por eventual juntada posterior de qualquer meio de prova, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11051.720193/201362 Resolução nº 3803000.636 S3TE03 Fl. 308 3 Compulsando os autos, não se detecta a existência de documentos comprovando a data da ciência do acórdão da DRJ Fortaleza/CE e nem a data de recebimento do Recurso Voluntário na repartição de origem, constatações essas que impedem a verificação da tempestividade da peça recursal. Eis a dicção do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifei) Verificase, portanto, que a legislação processual tributária fixa um prazo peremptório para a interposição do recurso voluntário, prazo esse que, uma vez não observado, impede o conhecimento dos argumentos de defesa apresentados intempestivamente, acarretando o afastamento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário controvertido, pois referida suspensão só se mantém com a interposição tempestiva do recurso. Além disso, o recurso intempestivo torna a decisão de primeira instância definitiva, ex vi do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifei) Conforme nos leciona James Marins, devese ter um “elevado grau de cautela na aplicação das ficções criadas pelo legislador, como aquelas hipóteses previstas para os casos de omissão da data do recebimento postal ou telegráfico ou intimação por edital”, devendo “os meios utilizados para a intimação [...] assegurar a certeza da ciência do interessado”, dadas as “exigências de segurança jurídica no terreno das intimações” 1. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que se juntem aos autos o comprovante da data da ciência do acórdão da DRJ Fortaleza/CE, bem como o comprovante da data do recebimento do Recurso Voluntário, após o quê deverão os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 282283. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11051.720193/201362 Resolução nº 3803000.636 S3TE03 Fl. 309 4 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003541/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE ORIGEM NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Correta a imputação da multa isolada nos casos de pedido de compensação, quando o crédito informado tem natureza não tributária.
Numero da decisão: 1102-000.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE ORIGEM NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa isolada nos casos de pedido de compensação, quando o crédito informado tem natureza não tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2007 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE ORIGEM NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa isolada nos casos de pedido de compensação, quando o crédito informado tem natureza não tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Eduardo de Andrade e João Carlos de Lima Junior. Relatório Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 2 Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: O presente processo trata da lavratura do Auto de Infração para constituição da multa isolada sobre valor do débito tributário indevidamente compensado com crédito não tributário. 2. Foi lavrado o Auto de Infração (fls.143 a 146), em 13/11/2007, com ciência dada em 04/12/2007, por meio do qual foi constituída a Multa Isolada por Compensação Indevida no valor de R$ 1.823.488,86. 2.1. Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar a autuação estão informados no auto de infração fl. 145. 3. A fiscalização apresenta, através do "Termo de Verificação Fiscal" TVC (fls. 141/142), resumidamente, que. 3.1. O contribuinte apresentou, em 12/05/2005, Declaração de Compensação/DCOMP controlada no Processo n° 19679.004588/200549, onde buscou a utilização do crédito decorrente de ação judicial indenizatória n° 696/49 e do Recurso Especial n° 37056/PR do STJ. 3.2. Tratase de ação onde figura como requerente o espólio de José Teixeira Palhares e outros e como requerido o Estado do Paraná, constando ter havido condenação deste a devolver área de 460 Km2 composta de 25 municípios e 4 comarcas. 3.3. A DERAT/SP considerou "Não Declarada" a compensação, exarando o despacho com a seguinte ementa: "COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros e/ou não se refira a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74, § 12, inciso II, alíneas "a" e "e", incluída pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004)". 3.4. Informa que, em decorrência do apurado, cabe a aplicação da multa isolada de 75% sobre o montante indevidamente compensado, com créditos de natureza não tributária, conforme previsto no artigo 18, caput e § 2o da Lei n° 10.833/2003. 3.5. Destaca que, ainda hoje, com o texto legal da lei 10.833/2003 alterado pelas Leis n°s: 11.051/2004; 11.196/2005 e 11.488/2007 permanece o cabimento de aplicação de multa isolada nestes casos. 3.6. Abaixo está demonstrado o valor considerado, pela fiscalização, para efeito de cálculo da multa isolada. DÉBITO COMPENSADO R$ 2.431.318,48 ALÍQUOTA 75% MULTA ISOLADA R$ 1.823.488,86 4. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 28/12/2007 (fls. 150 a 156) contestando a lavratura do Auto de Infração, alegando, resumidamente, que. 4.1. Devido à conjuntura econômica do país enfrentou sérios problemas nos negócios que se refletiu na dificuldade de honrar os seus compromissos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 19515.003541/200701 Acórdão n.º 110200.606 S1C1T2 Fl. 2 3 4.2. Na tentativa de estabelecer uma relação justa com a Administração Federal, "tentou uma série de propostas de soluções para sua dívida, acumulada junto ao Ministério da Fazenda em seus dois níveis Secretaria da Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional". 4.3. Não tendo como pagar os seus débitos em espécie, se propôs a receber em cessão uma porção de terras localizadas no Estado do Paraná, porção esta que segundo o proprietário era objeto de uma ação judicial já transitada em julgado. 4.4. O que parecia líquido e certo não veio a concretizar e resultou além da cobrança dos débitos declarados em DCTF, objeto do pedido de compensação, imposição de multa isolada. Quanto à cobrança dos débitos, nada a opor, porém, não pode aceitar a imposição da multa isolada. 4.5. Alega que após o protocolo das declarações de compensações indeferidas, entrou em vigor a Medida Provisória n° 303, de 29 de julho de 2006, que afastou a aplicação da multa isolada. Deve ser levado em conta esta MP, em vista do princípio da RETROATIVIDADE BENIGNA. 4.6. Mesmo o fato de não ter sido feito o pagamento da dívida reconhecida em DCTF, não deve ser levado em consideração para a aplicação ou não desta multa, visto que enquanto não se chega ao julgamento final deste procedimento, não pode a Impugnante realizar o pagamento do saldo devedor de sua dívida. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 1626228 negando provimento ao pleito, por entender que a multa tem expressa previsão normativa e, para o caso sob exame, as alterações no texto legal que trata da matéria não implicaram em restrição a sua aplicabilidade. Devidamente cientificada da decisão, a interessada recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na defesa apresentada, a interessada admite ter efetuado uma compensação indevida e reconhece a dívida referente aos débitos indevidamente compensados. Contesta apenas a imputação da multa isolada, justamente a questão objeto destes autos. Pleiteia a recorrente a aplicação do princípio da retroatividade benigna em função da alteração efetuada no art. 44, da Lei n° 9.430/96, pela MP n° 303/2006 que, alega, teria excluído a aplicação da multa isolada para os casos como o presente. Confundiuse a interessada. A multa isolada excluída do mundo jurídico pela norma em comento envolvia situações genéricas nas quais o pagamento do tributo era feito com atraso sem que fosse recolhida a pertinente multa de mora. Nessa hipótese caberia, nos termos do dispositivo revogado, a imputação da multa isolada. Tratase de matéria distinta dos autos, motivo pelo qual não procede a alegação suscitada. Em relação à multa isolada objeto do presente, a decisão recorrida fez análise irretocável da questão através das cronologia da legislação pertinente de forma a demonstrar que, mesmo com as alterações na norma que implicaram em restringir o alcance de aplicação da multa, no presente caso ela se mostra corretamente imputável. Lembrando que a compensação foi considerada não declarada em função do crédito ser originado de ações judiciais envolvendo posse de terras e, portanto, ter natureza não tributária e não se referir a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil temse, em resumo (todos os destaques foram acrescidos): Lei n° 10.833, de 29/12/2003: "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. §lo Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. §2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. (...)". Lei n° 11.051, de 29/12/2004: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 19515.003541/200701 Acórdão n.º 110200.606 S1C1T2 Fl. 3 5 "Art. 4o O art. 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Ari. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3° deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros: b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. Io do Decreto Lei n° 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...)• Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) 'Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n" 9.430. de 27 de dezembro de 1996." (.......) Lei n° 11.196, de 21/11/2005: "Art. 117. O art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 6 •Art. 18. (...) § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: II no inciso II do caput do art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5° Aplicase o disposto no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4° deste artigo'." Lei n° 11.488, de 15/06/2007: 11 Art. 18. Os arts. 3° e 18 da Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(...) § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § Io, quando for o caso. § 5° Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2° e 4° deste artigo Verificase, portanto, que a aplicabilidade da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada, quando o crédito for de natureza não tributária, sempre esteve presente na legislação, desde o advento da Lei n° 10.833/2003. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 19515.003541/200701 Acórdão n.º 110200.606 S1C1T2 Fl. 4 7 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME
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Numero do processo: 10909.004208/2008-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. PROVA.
Cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto do Fisco na apuração do crédito tomado em relação aos custos dos insumos e serviços utilizados no processo de produção e os vinculados as vendas. Impõe-se o ônus da prova ao contribuinte que pleiteia o crédito.
CRÉDITO. AQUISIÇÃO. PESSOA FÍSICA. VEDAÇÃO.
A legislação pertinente veda a tomada de crédito decorrente de aquisição de pessoas físicas, inciso 3º, art. 3º da Lei nº 10.867/2002.
BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO STF.
Decidiu o STF que não há incidência sobre o ingresso numerário proveniente de transferência de crédito de ICMS a terceiros conforme restou decidido no RE 606.107.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições o valor da cessão de créditos do ICMS. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, quanto crédito decorrente de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim, - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Fenelon Moscoso de Almeida, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawya Batista.
Nome do relator: Relator
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto do Fisco na apuração do crédito tomado em relação aos custos dos insumos e serviços utilizados no processo de produção e os vinculados as vendas. Impõe-se o ônus da prova ao contribuinte que pleiteia o crédito. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. PESSOA FÍSICA. VEDAÇÃO. A legislação pertinente veda a tomada de crédito decorrente de aquisição de pessoas físicas, inciso 3º, art. 3º da Lei nº 10.867/2002. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO STF. Decidiu o STF que não há incidência sobre o ingresso numerário proveniente de transferência de crédito de ICMS a terceiros conforme restou decidido no RE 606.107. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições o valor da cessão de créditos do ICMS. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, quanto crédito decorrente de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Antonio Carlos Atulim, - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Fenelon Moscoso de Almeida, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawya Batista.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 7 1 6 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.004208/200893 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.434 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria COFINS Recorrente ITAPINUS IND E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto do Fisco na apuração do crédito tomado em relação aos custos dos insumos e serviços utilizados no processo de produção e os vinculados as vendas. Impõese o ônus da prova ao contribuinte que pleiteia o crédito. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. PESSOA FÍSICA. VEDAÇÃO. A legislação pertinente veda a tomada de crédito decorrente de aquisição de pessoas físicas, inciso 3º, art. 3º da Lei nº 10.867/2002. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO STF. Decidiu o STF que não há incidência sobre o ingresso numerário proveniente de transferência de crédito de ICMS a terceiros conforme restou decidido no RE 606.107. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições o valor da cessão de créditos do ICMS. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, quanto crédito decorrente de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Antonio Carlos Atulim, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 42 08 /2 00 8- 93 Fl. 861DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Fenelon Moscoso de Almeida, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawya Batista. Relatório Cuida de Recurso Voluntário em decorrência do Acórdão que manteve na integra a decisão contida no Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte tomar crédito da COFINS para deduzir dos débitos do período de apuração de 01.10.2007 a 31.12.2007, PER nº 23835.84181.010208.1.1.098752, de fls. 02 a 04, no montante de R$ 440.246,10 (quatrocentos e quarenta e duzentos e quarenta e seis reais e dez centavos), sendo deferido o valor de da quantia de R$ 391.985,98 (trezentos e noventa e um mil novecentos e oitenta e cinco reais e noventa e oito centavos), apurado na sistemática da nãocumulatividade, no período de 01/10/2007 a 31/12/2007; Reconheceu também o saldo de crédito da Cofins na quantia de R$ 9.522,33, que somente poderá ser utilizado para fins de dedução de valores apurados para a Cofins em períodos posteriores. Restou esclarecido que a requerente tem como objeto social a exploração de atividades madeireiras, a exploração de florestas próprias e de terceiros, a industrialização de toras de madeira ou de madeiras brutas e a exportação de madeiras e artefatos de madeira. Com relação ao processo produtivo da requerente, esse consiste na aquisição de toras de pinus, essas são extraídas e industrializadas por terceiros e transformadas em madeiras serradas e aplainadas com espessura maior que 6mm, classificadas na TIPI sob o cód. 4407.10.00, alíquota zero. Também, adquire no mercado interno madeiras aplainadas de pinus, com o fim especifico de exportação. Consta, ainda, que os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), a Itapinus elegeu como método de determinação dos créditos o rateio proporcional previsto no inciso II do § 8g do art. 3 9 da Lei no 10.637, de 2002, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total e/ou de receitas de operações no mercado interno e de exportação, auferidas em cada mês, tudo isso descrito no Despacho Decisório de fls. . Apresentado pelo empresa recorrente os demonstrativos dos créditos, a fiscalização procedeu ajustes, e, elaborou planilha de fls. 86/87 descrevendo a função dos insumos aplicados no processo produtivo, orientado pelo conceito trazido pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, é o desgaste, o dano ou a perda de propriedade físicas ou químicas, em função da sua ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação), com alterações da Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003, que tratando da incidência não cumulativa da contribuição, na forma estabelecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Assim, procedeu ajustes à base de cálculo do crédito apresentado pela empresa recorrente, excluindo: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10909.004208/200893 Acórdão n.º 3403003.434 S3C4T3 Fl. 8 3 a) aquisições de cantoneira plásticas, faca de aço, fitas , Jimo antimofo lixas cinta, madeiras de pinu serradas, pregos comuns, sacos plásticos, selos galvanizados, serras fitas, toras e toretes de madeiras, conforme planilha de fls. 638/639; b) aquisições de pessoas físicas, conforme memória de cálculo de fls. 636/637; c) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, parte dessas despesas decorrem de gastos com transporte de produtos nas transferências entre filiais, descrito pela requerente como transporte nacional, conta 42200054407, custos que não integram a operação de venda, os conhecimentos de transporte encontram vinculados às notas destinadas a outro estabelecimentoda mesma empesa, concluiu tratarse de despesas operacionais que não geramcrédito para dedução da contribuição para as contribuições PISe COFINS; No ajuste fez incluir, fazendo incidir as contribuições para o PIS e COFINS, receitas provenientes de “Transferência de Créditos de ICMS para Terceiros”. Em decorrências das exclusões de aquisição de insumos e inclusão de receitas de transferências de ICMS para terceiros, que o crédito apontado no inicio do relatório foi deferido. A irresignação se refere ao frete incorrido entre a matriz e as filiais que no entendimento do contribuinte deve ser computado no cálculo para tomada de crédito. Justifica afirmando que são em sua totalidade produtos a serem exportados, por deficiência de infra estruturar de armazenagem na área portuária, motivou e obrigou locar espaços físicos para guardar os bens a serem exportados, cujo dispêndio lhe assegura o direito de tomar crédito. A decisão recorrida afastou os argumentos da Recorrente em relação ao frete por ausência de prova, como se extraí da ementa: “APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, somente geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida quando houver prova de que se referem efetivamente a operações de venda já efetivadas pelo estabelecimento remetente. REGIME NÃO CUMULATIVO. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO No regime não cumulativo, o direito de crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, não se estendendo às aquisições efetuadas junto a pessoas físicas” CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.” Ciente da decisão em 04 de abril de 2012 protocolou o recurso em 03 de maio de 2012, conforme certidão de fls. 713. Demonstra seu inconformismo com a glosas dos insumos das aquisições de pessoas físicas e da inclusão como receita tributada os valores referentes transferência de crédito de ICMS para terceiros, antes apontada em Manifestação de Inconformidade. Assim, a irresignação se refere tãosó ao frete ao argumento de que trata de exportação de bens. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Cuida de recurso tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, impondo o seu conhecimento. Glosa do Crédito Tomado sobre Frete entre Matriz e Filiais. O inconformismo demonstrado pela Recorrente não merece prosperar. O relatório do auditor fiscal encarregado da diligência que culminou com o Despacho Decisório é minudente, contempla todos os aspectos materiais e jurídicos, descreve as etapas de apuração dos créditos e dá as explicações que motivaram as glosas. Especificamente quanto os custos dos fretes vinculados a exportação foram considerados os conhecimentos identificados com as respectivas notas fiscais destinadas armazenagem, mesmo fora da área portuária, assim como, a locação. São bastante claros os demonstrativos elaborados pela fiscalização, evidencia a exclusão do cálculo dos custos de frete do envio de mercadorias da matriz para filiais e entre filiais. Síntese, o entendimento da fiscalização uma das hipóteses prevista pela legislação: “Pois bem, feito este histórico, inferese que a legislação expressamente permite o creditamento de valores relativos a despesas com frete de mercadorias em três hipóteses. A Fl. 864DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10909.004208/200893 Acórdão n.º 3403003.434 S3C4T3 Fl. 9 5 primeira, estabelecida no inciso I do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, referese ao caso de bens adquiridos para revenda, onde o frete referente à aquisição de mercadoria pode ser somado ao custo da mercadoria. A segunda hipótese é a de se entender a despesa com frete como um bem ou serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002). A terceira hipótese é a do inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, que se refere ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Analisando as hipóteses previstas na legislação, concluise que, no caso de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, o pagamento de frete poderá ser creditado da base de cálculo da contribuição nãocumulativa quando se enquadrar em uma das três hipóteses acima relacionadas. Como no caso concreto que aqui se tem o transporte entre filiais somente ocorre quando o processo de industrialização (beneficiamento) das madeiras já finalizou e as mercadorias estão prontas para serem comercializadas, excluemse as duas primeiras hipóteses de creditamento das despesas com frete de mercadorias. Resta, então, a terceira possibilidadeo custo do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em interpretação literal da legislação, verificase que somente dará direito ao crédito o frete contratado relacionado a uma operação de venda. O mero deslocamento de mercadorias (prontas para a venda) de estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor, onde ocorrerá à efetiva venda, não integra a "operação de venda". Tratase tãosomente de transporte interno de mercadoria acabada e não de despesas com fretes utilizados na operação de transporte na venda de mercadoria ao cliente adquirente. Assim, no caso concreto que se analisa, se a venda das mercadorias transportadas ocorrer na filialarmazém, não pode esse frete ser entendido como frete na operação de venda. A contribuinte, em sua defesa, ao descrever seu modus operandi se limita a alegar que faz jus aos créditos correspondentes aos custos com fretes na operação de venda uma vez que se tratam de "frete de mercadorias para a exportação", as quais são armazenadas próximas ao porto de embarque, onde se dá a tradição. Em certo momento da manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que "[...] de modo a armazenar as mercadorias que fabrica próximas ao local de sua tradição por ocasião da venda", dando a entender que transporta as mercadorias (prontas para serem exportadas) para o armazém e, a partir desta filial é que as mercadorias serão vendidas.” O entendimento exposto pela decisão recorrida encontra ressonância na Solução de Divergência COSIT nº 11, de 27 de setembro de 2007: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 “Cofins – Apuração não cumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoa jurídicas domiciliados no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a crédito a serem descontados da Cofins devida. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida.” Há aqueles que entendem tratarse de equivoco do Fisco, pois quando a mercadoria é remetida previamente a um centro de distribuição, o que teria ocorrido, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Alegação é de que o desembolso do frete seria inerente a exportação, visto que, a deficiência portuária obrigou o exportador armazenar em local fora da zona portuária. No entanto, em momento algum o contribuinte cuidou demonstrar por meios de provas convincentes esse fato. A irresignação generalizada do modo desses autos é inaceitável, deve ser apontado o desacerto cometido pelo agente fiscal. O critério adotado na apuração dos custos a compor o cálculo restou claro, a discordância deve vir acompanhada de prova capaz de convencer o julgador que a determinação do quanto que serviu de base estava distorcido da realidade dos fatos, portanto, cabia somente ao Interessado realizar essa demonstração mediante documentos idôneos. Ao deixar de contrariar apuração realizada pelo Fisco, perdeu oportunidade de fazer prova contrária capaz de mudar o curso da decisão hostilizada. O que deve ficar certo é de que o direito de tomar crédito dos custos de fretes vinculados à exportação restou garantido. Assim, o descontentamento explanado pela Recorrente não encontra eco capaz de modificar o julgamento de piso, que deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. GLOSA DE CRÉDITO DE AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. Não assiste razão a Contribuinte, pois há vedação expressa pelo parágrafo 3º do artigo 3º da Lei nº 10867/2002. Assegura a tomada crédito somente das aquisições provenientes de pessoa jurídica. Assim, não vejo como acudir o pleito. Da Inclusão da Receita Proveniente de Transferência de Crédito ICMS a Terceiros. Essa matéria restou decida pelo Supremo Tribunal Federal no RE. 606.107, impondo, por força regimental, aplicar ao caso concreto: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10909.004208/200893 Acórdão n.º 3403003.434 S3C4T3 Fl. 10 7 HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I ‑ Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar‑lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. ‑ A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de ʺreceitaʺ constante do seu art. 195, I, ʺbʺ) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2°, I, e 155, § 2°, X, ʺaʺ, da CF). Em ambos os casos, trata‑se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. ‑ A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2°, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. ‑ O art. 155, § 2°, X, ʺaʺ, da CF ‑ cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos ‑, imuniza as operações de exportação e assegura ʺa manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anterioresʺ. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. ‑ O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, ʺbʺ, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1°) e Lei 10.833/03 (art. 1°), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, ʺindependentemente de sua denominação ou classificação contábilʺ. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das Fl. 867DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. ‑ O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida‑se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2°, X, ʺaʺ, da Constituição Federal. Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar‑se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1°, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam‑se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2°, I, da Constituição Federal. ‑ Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX‑ Ausência de afronta aos arts. 155, § 2°, X, 149, § 2°, I, 150, § 6°, e195, caput e inciso I, ʺbʺ, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicando‑ se aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543‑B, § 3°, do CPC.” Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar da base de cálculo a receita proveniente da cessão de crédito de ICMS a terceiros nos termos decidido pelo STF. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo das contribuições a receita proveniente da cessão de crédito de ICMS a terceiros.. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 868DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10909.004208/200893 Acórdão n.º 3403003.434 S3C4T3 Fl. 11 9 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11968.000491/2007-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/10/2006, 10/10/2006, 25/10/2006, 07/11/2006, 08/11/2006, 10/11/2006, 14/11/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/10/2006, 10/10/2006, 25/10/2006, 07/11/2006, 08/11/2006, 10/11/2006, 14/11/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 04 91 /2 00 7- 61 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11968.000491/200761, contra o acórdão nº 1140.923, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife (DRJ/REC), na sessão de julgamento de 20 de maio de 2013, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Tratase de auto de infração lavrado contra a interessada já qualificada nos autos, do qual resultou a exigência fiscal de R$ 85.000,00, relativa à multa por descumprimento de obrigação acessória referente à prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Descreve a autoridade fiscal que o sujeito passivo informara, depois de vencido o prazo de SETE dias estabelecido pela legislação, os dados de embarque relativos às Declarações para Despacho de Exportação (DDEs) nos 2061003496/0, 2061051721/0, 2061237438/6, 2061217022/5, 2061235722/8, 2061224950/6, 2061239178/7, 2061251122/7, 2061276124/0, 2061301094/0,2061297750/1, 2061332344/0, 2061327648/5, 2061332781/0, 2061354073/5, 2061331598/7,2061463621/3. Anota a autoridade fiscal que intimou, por meio do Termo de Intimação ALFSPE Saope nº 10/07 (fls. 113 do processo eletrônico), o terminal alfandegado Tecon a apresentar as datas de real embarque para o exterior dos contêineres objeto da autuação. Da análise dos dados fornecidos pelo operador portuário Tecon confirmouse defasagem superior a sete dias entre o efetivo embarque e a prestação da informação no Siscomex. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento de obrigação acessória, sujeitando o infrator, para cada Declaração para Despacho de Exportação – DDE, que não teve o registro dos dados de embarque no prazo legal de sete dias, à multa de R$ 5.000, 00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do Dl nº Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 5 4 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei n º 10.833/03. Observa ainda a autoridade fiscal que foram registrados com atraso os dados de embarque relativos a dezessete declarações para despacho de exportação. Registrese que, expressamente, afastou a autoridade fiscal a capitulação da infração prevista na alínea “c” do mesmo dispositivo (embaraço à fiscalização), por entender que a tipificação da alínea “e” (prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, fora do prazo previsto pela RFB) seria mais específica. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) solicita a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto na forma do art. 138 do Código Tributário Nacional, ao argumento de que o contribuinte tem um limite de tempo para declarar espontaneamente ao Fisco o descumprimento da sua obrigação e este é caracterizado pela anterioridade a qualquer procedimento administrativo ou medida fiscalizatória neste sentido. Cita doutrina b) apela ao bom senso da autoridade, tendo em vista que toda a documentação física relativa às DDE’s envolvidas foi entregue tempestivamente, que a fiscalização das cargas transcorreu normalmente, e que nenhum prejuízo ou embaraço foi causado ao erário, posto que recolhidos todos os tributos incidentes sobre a carga. Por fim, requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração em questão determinandose, consequentemente, o cancelamento da multa aplicada e definitivo arquivamento. É o relatório.” A DRJ de Recife (DRJ/REC), decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/10/2006, 10/10/2006, 25/10/2006, 07/11/2006, 08/11/2006, 10/11/2006, 14/11/2006, 12/12/2006 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 6 5 O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; 2 Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; 3 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; 4 Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº 800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de informação de mercadoria, conforme art. 37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada. Afirma se tratar de conduta diversa: não atualização das informações contidas na escala. Determina o dispositivo legal que: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga Cabe ressaltar que a conduta não atualização das informações contidas na escala não possui previsão típica. O Direito Tributário Sancionador não admite a existência de norma sancionatória em branco ou a aplicação de analogia punitiva. Devese observar obrigatoriamente o princípio da interpretação favorável ao acusado na aplicação de penalidades, assim determina o CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 8 7 Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 10 9 O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu § 3o que a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no § 3o , do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 11 10 No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 12 11 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000491/200761 Acórdão n.º 3801004.870 S3TE01 Fl. 13 12 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário pela falha na tipificação da conduta e pela presença de denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10510.724895/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para sobrestar o feito, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/ SP ) e RE 410.054 AgR/ MG. (sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmin Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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