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Numero do processo: 19515.003967/2008-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 30/11/2006, 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS.
O processo administrativo fiscal decorrente de auto de infração e imposição de multa, que se inicia com a apresentação de impugnação, por parte do contribuinte, é regido pelo império dos fatos, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o quanto alegado para desconstituir o auto de infração. Se o contribuinte não apresentar provas bastantes ou não contrariar faticamente o AIIM devidamente embasado, a sua ausência de provas determinará o destino do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 30/11/2006, 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. O processo administrativo fiscal decorrente de auto de infração e imposição de multa, que se inicia com a apresentação de impugnação, por parte do contribuinte, é regido pelo império dos fatos, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o quanto alegado para desconstituir o auto de infração. Se o contribuinte não apresentar provas bastantes ou não contrariar faticamente o AIIM devidamente embasado, a sua ausência de provas determinará o destino do lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrente MITUTOYO SUL AMERICANA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 30/11/2006, 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. O processo administrativo fiscal decorrente de auto de infração e imposição de multa, que se inicia com a apresentação de impugnação, por parte do contribuinte, é regido pelo império dos fatos, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o quanto alegado para desconstituir o auto de infração. Se o contribuinte não apresentar provas bastantes ou não contrariar faticamente o AIIM devidamente embasado, a sua ausência de provas determinará o destino do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 67 /2 00 8- 37 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório A contribuinte acima qualificada teve contra si lavrado o Auto de Infração, cujo total do crédito tributário foi de R$ 4.075.316,84, relativo à Cofins. Os juros de mora foram calculados até 31 de julho de 2008. Foi aplicada multa de ofício, no percentual de 75%. O lançamento ocorreu em virtude de diferenças entre os valores escriturados e os informados em DCTF, conforme Termo de Verificação de Infração. Em 15 de setembro de 2008 foi protocolado o documento de fls. 289 a 296 (anexos às fls. 297 a 619), firmado por procuradores, no qual é aduzido, em apertada síntese, que: a) o autuante incidiu em erro técnico no procedimento fiscalizatório desenvolvido; b) o mero cotejo entre os valores escriturados na contabilidade à data de encerramento de período de apuração (passivo) e os informados nas respectivas DCTFs não autoriza que, tecnicamente, daí se extraia que houve falta de recolhimento de tributo devido; c) a escrituração contábil está submetida ao dinamismo dos ajustes que se seguem e é sobre o resultado do cômputo desses ajustes que podem ocorrer até o dia de pagamento do tributo que se calcula o “quantum” deste, a ser lançado na DCTF, no DARF de arrecadação e, se for o caso, no DACON; d) “só a escrituração ajustada indica qual a base tributável do período de referência”; e) são apresentados documentos e demonstrativos nos quais podese vislumbrar que as “diferenças” constatadas pelo auditorfiscal são anuladas por ajustes de idênticos valores; f) “a Impugnante reconhece que dos d. Julgadores desta Impugnação não se pode exigir que sejam detentores de conhecimentos avançados de contabilidade e/ou disponham de tempo suficiente para conferir os cálculos aqui apresentados, até concluírem pela efetiva invalidade da ‘metodologia’ adotada pelo d. Auditor Fiscal e pela plena correção dos procedimentos que se propõem como alternativa capaz de desnudar a situação de regularidade da Fiscalizada quanto à COFINS no período de abril/2006 a dezembro/2007”, pelo que requer seja designado perito oficial para a análise tributária e contábil relativa ao presente processo, sendo disponibilizado tudo o que seja necessário para tanto. A Autoridade Fazendária em seu acórdão inicialmente, indefere o pedido de perícia, pois, no pedido não constam os quesitos nem a qualificação do perito; ainda cita o art. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 19515.003967/200837 Acórdão n.º 3403003.496 S3C4T3 Fl. 5 3 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, aonde é disposto que cabe a autoridade julgadora de primeira instância o poder para decidir sobre diligência e perícia. No mérito, aduz a impugnante, em resumo, que o autuante incidiu em erro técnico no procedimento fiscalizatório desenvolvido, uma vez que o mero cotejo entre os valores escriturados na contabilidade à data de encerramento de período de apuração (passivo) e os informados nas respectivas DCTFs não indica que houve falta de recolhimento de tributo devido, já que a escrituração contábil está sujeita a ajustes que, no presente caso, foram efetuados e estão justificados pelos documentos e demonstrativos juntados à impugnação. Contudo, de início, cabe esclarecer que, se erro ocorreu, o agente fiscal foi a ele induzido pela própria contribuinte. Como pode ser visto na fl. 193, a contribuinte foi intimada a “informar, por meio de planilhas, os valores contabilizados, no período compreendido entre 03/2006 a 04/2008, dos seguintes tributos: IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS e COFINS.” Ainda, que “as referidas planilhas deverão estar acompanhadas de cópias das folhas do livro razão correspondentes aos valores informados, as quais deverão estar autenticadas pelo representante legal da empresa.” A planilha foi apresentada por meio do expediente de fl. 196, de 7 de julho de 2008, firmado pelo Gerente Administrativo Financeiro, e foi juntada à fl. 197. Nela,constam, o valor do tributo segundo a contabilidade e o valor recolhido. Comparandose o quanto lançado no livro Razão com o demonstrativo de fl. 294, verificase uma incongruência no que se refere ao valor da diferença de R$ 439.816,73 entre os créditos e débitos da conta “Cofins a Recolher” em comparação com os R$ 435.588,68 do demonstrativo. Além disso, pelo demonstrativo, os créditos deduzidos foram no valor de R$ 270.968,69. Se a dedução ocorreu extracontabilmente, a contribuinte não teria valor de Cofins a pagar nesse mês, uma vez o saldo da conta ser de R$ 198.646,46. Assim, mesmo que o valor probante dos livros contábeis seja relativo, ele prevalece em face de a contribuinte, que tem o ônus probatório, não ter logrado comprovar o erro ou a necessidade dos ajustes efetuados (Código Civil, art. 226). Conclui por fim, que a contribuinte não teve êxito em comprovar o erro ou a necessidade dos ajustes efetuados; a impugnação é julgada improcedente, e mantido o crédito tributário lançado. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que reitera o quanto deduzido em sua Impugnação, requerendo, alternativamente, a aplicação da multa de ofício de 50%. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 665DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A alegação relativa à multa constitui inovação por parte Recorrente, não podendo ser conhecida nessa fase processual, pois não passou sob o crivo da DRJ, quando do julgamento da primeira instância administrativa. A alegação da Recorrente reside basicamente no lapso temporal entre a contabilidade e a entrega da DCTF, defendendo que a Autoridade Fazendária adotou os valores de sua contabilidade, os quais ainda estavam sujeitos a ajustes. De qualquer maneira, a Recorrente não trouxe nenhum elemento aos autos capaz de afastar a pretensão fazendária, nem ao menos para confortar as suas alegações, pois, como apontado pela Decisão da DRJ, os próprios registros contábeis da Recorrente estampam situação diversa daquela por ela alegada. E considerando que no Auto de Infração a Autoridade Fazendária fundamentou o lançamento tanto fática como legalmente, caberia à Recorrente o ônus de prova o quanto alegado, não tendo, ao cabo do presente processo, se desincumbido de tal dever probatório. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 666DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001717/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005
INCONSTITUCIONALIDADES.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1301-001.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Vencidos o relator e o Conselheiro Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADES. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Vencidos o relator e o Conselheiro Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
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Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Vencidos o relator e o Conselheiro Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 17 17 /2 00 7- 37 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 538 2 WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 539 3 Relatório Tratam os presentes autos de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, em decorrência da decisão exarada pela douta 3a Turma da DRJ de Ribeirão Preto que, apreciando as razões aduzidas em sua inicial impugnação, entendeu pela manutenção do lançamento, sobretudo porque, conforme se verifica, tratandose de lançamento decorrente de identificação de omissão de receitas pela contribuinte, contra ela foi então lavrado o auto de infração, com a majoração da multa de oficio aplicada (150%), sendo apenas contra esta majoração o inconformismo da contribuinte. Nos argumentos originariamente apresentados em sua impugnação, a contribuinte destaca o seguinte: • Que ficou surpreso com o auto de infração recebido e inconformado com a aplicação severa da multa de 150%, pois esta é imposta a quem frauda intencionalmente, o que não se aplica ao presente caso; • Que houve de imprevisto o bloqueio do sistema da Receita Federal — RF no momento da transmissão da declaração do Simples, devido haver questionamento da empresa com a Receita, decorrente do pedido de ressarcimento de crédito PIS/Cofins, o qual gerou um processo que até a presente data não houve conclusão. Em decorrência, foi enviada a declaração de inativa, com o objetivo de não bloquear o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica — CNPJ , mas com a intenção de substituição futura, como de fato foi feita, no formato de lucro presumido, no decorrer da ação fiscal; • Que foi fundada no ano de 1975, já rendeu bons frutos, contribuindo rigorosamente em dia com os compromissos fiscais, mas nos últimos tempos vem penando para suportar apuros financeiros, restando quase nada do patrimônio; • Que tentou reenquadrarse no Simples, mas encontrase impossibilitada, devido As pendências com o fisco, motivo pelo qual pede clemência para que a multa aplicada seja atenuada. Do acórdão exarado, destacamos os fundamentos apontados me sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CARÁTER SEVERO. Cabe à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Lançamento Procedente Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 540 4 Dos argumentos apresentados no acórdão lavrado pela Delegacia de Julgamento de primeira instância, destaco o seguinte e específico trecho, que, aqui, muito bem expressa o entendimento ali então esposado: Temse no presente caso, conforme demonstrado e comprovado, que os recursos financeiros que transitaram nas contas de depósitos apontadas pertenciam A. impugnante e sequer foram escriturados e oferecidos à tributação, tendo, inclusive, a empresa se declarado como "inativa". Este ato, por si só, configura, sem sombras de dúvidas, evidente intuito de fraude, sendo suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. A inserção de elementos inexatos na declaração de rendimentos encerra uma natureza comissiva. A outra conduta do sujeito passivo contém natureza omissiva, consistindo em não fazer constar determinada operação, efetivamente realizada, com o intuito de suprimir ou reduzir o tributo/contribuição devidos. O elemento subjetivo da conduta adotada pela empresa é o dolo genérico, que se apresenta como a vontade consciente e livre de omitir a informação, ou de prestála de forma adulterada, vale dizer, falsa, não verdadeira. Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão exarada, e, mais uma vez, o afastamento da penalidade pecuniária apontada, destacando, em seus fundamentos, a impossibilidade de configuração de quaisquer das hipóteses contidas nas disposições dos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei 4.502/64, e, por essa razão, a inexistência de fundamento para a admissão da qualificação da penalidade apontada. É o que se tem a relatar. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 541 5 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Conforme aqui antes destacado, a única insurgência apresentada pela recorrente diz respeito à pretensão de desqualificação da penalidade pecuniária apontada, pretendendo a sua redução do patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento), para o montante “simples” da multa, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Pela análise das circunstâncias fáticas que envolvem o feito, o que se verifica é que, identificando os agentes da fiscalização que a contribuinte, mesmo mantendo relevante movimentação financeira, encontravase registrada nos cadastros fazendários como “inativa”, não tendo ela apresentado qualquer registro contábil que fundamentasse os referidos montantes, entenderam pela inequívoca prática da omissão de receitas, impondo, assim, o lançamento apontado com a penalidade mencionada. A questão colocada então em análise, efetivamente, não se dirige à análise da excessiva penalidade, sobretudo porque, a rigor, a sua aplicação decorre das expressas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, cuja validade e/ou constitucionalidade é vedada a este Colegiado, nos termos, inclusive, expressamente dispostos na Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejamos, no que aqui nos interessa, a atual redação do dispositivo mencionado: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 542 6 (...) Em que pese a modificação da desde a data da lavratura do auto de infração, não se verifica a revogação do dispositivo, ou mesmo a minoração da penalidade apontada, sendo que a redação atual, apesar de dispor de organização diferente, representa ainda os mesmos comandos da redação originária, mantendose, portanto, em todos os seus termos, a imposição da penalidade apontada. A par dessas considerações, a questão que aqui se coloca, então, referese à possibilidade, ou não, de identificação, nas condutas praticadas pela contribuinte, de quaisquer das hipóteses contidas nas disposições dos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei 4.502/64 O lançamento efetivado, conforme se verifica, considera como efetivamente materializada a hipótese de “sonegação fiscal”, especificamente em face da divergência entre os montantes informados às autoridades fazendárias e aqueles efetivamente movimentados pela contribuinte, entendendo residir aí a configuração da hipótese apontada para a qualificação. Em que pese as razões apresentadas, é fato hoje completamente pacífico neste CARF que a simples “omissão de receitas” não se mostra suficiente para a aplicação da qualificação da penalidade pecuniária, sendo certo que, nesse sentido, assim se apresentam as Súmulas CARF no s 14 e 96 que, sobre o assunto, assim então especificamente apresentam: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Ora, como se verifica, a simples omissão de receitas, ao contrário do que entenderam os doutos agentes da fiscalização fazendária, não apresenta, por si só, hipótese suficiente de configuração da pretendida “Sonegação Fiscal”, não autorizando, assim, a qualificação da penalidade aplicada, da forma como então aqui considerado. A ausência de inclusão, nas informações fiscais, dos montantes movimentados pela contribuinte representa a essência do ato de “omissão de receitas”, sem a qual, efetivamente, de “omissão de receitas” aqui não se trataria, mas sim de mero inadimplemento tributário. Diante dessas razões, entendo que, em relação à multa aplicada, não havendo qualquer efetiva comprovação de ocorrência das hipóteses dos art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, baseandose a qualificação promovida, exclusivamente, na configuração da omissão de receitas, não pode ela então subsistir, devendo aqui, então, ser efetivamente desconstituída. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo, no caso, a impossibilidade de Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 543 7 qualificação da penalidade aplicada sobretudo porque, como se verifica, seria ela decorrente de exclusiva verificação da omissão de receitas pela contribuinte, nos termos, inclusive, expressamente vedados pelas disposições das Súmulas CARF no 14 e 96, aqui então apontadas. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 544 8 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Não obstante os fundamentos esposados pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu pronunciamento, o Colegiado, por maioria, entendeu de forma diversa. No caso vertente, a lide restringese à análise da procedência ou não da qualificação da penalidade aplicada pela autoridade autuante. De início, cumpre destacar que, na linha do argumentado pelo Relator, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre eventual inconstitucionalidade da lei tributária (súmula CARF nº 2). Perscrutandose os autos, é possível extrair as seguintes informações: i) a contribuinte fiscalizada apresentou à Receita Federal declarações informando que nos anos calendário de 2003 e de 2004 encontravase INATIVA; ii) não obstante do disposto acima, a Fiscalização identificou, a partir de extratos bancários fornecidos pela própria contribuinte, créditos bancários nos montantes de R$ 963.483,49 (2003) e R$ 747.566,18 (2004); iii) intimada a comprovar a origem dos créditos bancários em referência, a contribuinte, embora tenha declarado que não dispunha de meios para tal, admitiu que citados recursos derivaram de VENDAS em pequenas quantidades, em relação às quais não detinha controle; iv) a contribuinte fiscalizada não ofereceu qualquer valor à tributação e não apresentou à autoridade tributária a sua escrituração contábil e fiscal; v) os créditos bancários apurados por meio do procedimento fiscal indubitavelmente decorreram da atividade operacional da autuada, eis que, ainda que em parte, foram confirmados por notas fiscais apresentadas por ela; vi) a contribuinte, estando sob procedimento fiscal, elaborou e transmitiu declarações de informação referentes ao período fiscalizado registrando ter auferido receitas, confirmando, assim, a omissão apurada pela Fiscalização; vii) a autuada apresentou em períodos anteriores (1998 a 2002) declarações pelo regime do SIMPLES, embora já tivesse sido desenquadrada do referido regime com efeitos retroativos ao ano de 1997. Diante de tal quadro, o Colegiado rejeitou peremptoriamente o argumento do ilustre relator de que, no caso, estamos diante de “simples” omissão de receitas. Os fatos conduzem à conclusão diversa, vez que aquele que, na circunstância em que aufere receitas vultosas decorrentes da sua atividade operacional, declarase INATIVO ao Fisco, indubitavelmente age no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.001717/200737 Acórdão n.º 1301001.693 S1C3T1 Fl. 545 9 tributária das suas condições pessoais, revelando, assim, conduta tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, o que autoriza a exasperação da penalidade. Como bem destacado pelo ato decisório recorrido, “a contribuinte não contestou os valores apurados a título de omissão de receita operacional decorrente da venda de produtos de fabricação própria”, omissão esta que, considerada a sua grandeza, não é sequer razoável especular que tenha sido efetivada sem a intenção deliberada de evitar a tributação. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10320.900659/2008-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento.
Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3802-004.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausentes justificadamente os Conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausentes justificadamente os Conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
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INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausentes justificadamente os Conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 06 59 /2 00 8- 64 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0823.277, da 4ª Turma da DRJ/FOR (DRJ/Fortaleza CE fls. 58/62 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em DECOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório nº 759930861, que não homologou a compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 16399.20730.151204.1.3.045750. 2. O pedido de compensação objetiva compensar com débito(s) fiscal(is) o alegado pagamento a maior de PIS/Pasep, referente ao mês de junho de 2004 e efetuado em 15.07.2004. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação (fls 42/44): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 15.145,43. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 26.05.2008 (fl 45), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 25.06.2008 (fls 3/7), instruída com os documentos de fls 10/25, requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS/Pasep, configurado a partir da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. A retificação foi motivada por equívoco no preenchimento da DCTF original. 5. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram totalmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.900659/200864 Acórdão n.º 3802004.101 S3TE02 Fl. 105 3 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em uma sexta feira, 26/10/2012 (fl. 65 – despacho da Unidade preparadora e às fl. 66, cópia do AR). Inconformada, a mesma apresentou em 28/11/2012 (protocolo às fl. 70), o Recurso Voluntário (fls. 70/75), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, e que considerando os argumentos apresentados requer que seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da Admissibilidade do Recurso Cabe inicialmente verificar se foi atendido os pressupostos de admissibilidade, no caso concreto a tempestividade. Examinandose os autos, constatase que a ciência do Acórdão recorrido se deu em uma sexta feira, 26/10/2012 (fl. 65 – despacho da Unidade preparadora e fl. 66, cópia do AR). Assim, contase o prazo, prorrogado, a partir de segunda feira, 29 de outubro, 30 (trinta) dias. Portanto, o prazo findo para apresentação do recurso ocorreu em 27 de novembro de 2012. Porém, a petição de recurso voluntário só foi apresentada em 28/11/2012, quarta feira (conforme carimbo de protocolo às fls. 70), portanto, posteriormente ao prazo de 30 dias de que dispõe o sujeito passivo para formalizar sua contestação, tanto na primeira quanto na segunda instância de julgamento, nos termos dos artigos 15 e 33 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcritos: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como visto, notase que, no caso, a interposição do recurso aconteceu após o lapso temporal trintídio. Desta forma, o prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Logo, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10325.720024/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE.
Resultando improfícua as intimações e reintimações efetuadas após o a ciência pessoal do Termo de Início de Fiscalização ocorrida na sede da Delegacia, resta atendida condição imposta pela legislação tributária para que a intimação por meio de edital mostre-se válida.
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
MULTA QUALIFICADA. COMPLETA DISCREPÂNCIA ENTRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA APURADA E AS DECLARAÇÕES DIPJ E DCTF.
É dolosa e justifica a imposição de multa qualificada a completa divergência entre as declarações prestadas no ano-calendário de 2008, com valores iguais a zero, e a milionária movimentação financeira apurada pela fiscalização.
Numero da decisão: 1302-001.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Márcio Rodrigo Frizzo.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Márcio Rodrigo Frizzo. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Resultando improfícua as intimações e reintimações efetuadas após o a ciência pessoal do Termo de Início de Fiscalização ocorrida na sede da Delegacia, resta atendida condição imposta pela legislação tributária para que a intimação por meio de edital mostrese válida. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. COMPLETA DISCREPÂNCIA ENTRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA APURADA E AS DECLARAÇÕES DIPJ E DCTF. É dolosa e justifica a imposição de multa qualificada a completa divergência entre as declarações prestadas no anocalendário de 2008, com valores iguais a zero, e a milionária movimentação financeira apurada pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Márcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 00 24 /2 01 2- 11 Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.310 2 (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.311 3 Relatório OURO BRANCO LOGÍSTICA DE TRANSPORTES COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão nº 0643.927, de 30/09/2013, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), DRJ/CTA, recorre a este Colegiado, a fim de reformar o referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de autos de infração relativos ao imposto sobre a renda da pessoa jurídica – IRPJ – e reflexos, às fls. 1.1011.144, lavrado pela DRF Imperatriz/MA, para exigir de Ouro Branco Logística de Transportes Comércio e Rep. Ltda., sociedade empresária sediada em Balsas/MA, crédito tributário no valor de R$ 8.000.531,05, nele incluídos multa e encargos, conforme Demonstrativo Consolidado, às fls. 0203. 2. De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal – TCVF – às fls. 1.1451.163, a ação fiscal teve início em 02/03/2011 quando foi expedido Termo de Início de Procedimento Fiscal, às fls. 45, requisitando que a contribuinte apresentasse livros e documentos contábeis e bancários e indicasse representante para acompanhar esta fiscalização. 3. Após uma tentativa frustrada de intimar a pessoa jurídica que retornou em 17/03/2011, com a indicação de “Ausente”, no Aviso de Recebimento – AR – atestado pelos Correios, cf. documentos às fls. 67, a fiscalização providenciou nova intimação, recebida pela interessada em 01/04/2011, cf. AR às fls. 89, que resultou, desta feita, no comparecimento de representante da Ouro Branco à sede da DRF/Imperatriz/MA (Amarildo de Jesus Silva, técnico em contabilidade, dotado de poderes para representála, cf. procuração, substabelecimento e documentos de identificação às fls 1013), a quem foi entregue cópia do termo e início de procedimento fiscal, em 26/04/2011, cf. termo de constatação à fl. 14. 4. No dia seguinte, 27/04/2011, Antônio Teixeira Resende, advogado, OAB/MA nº 4.803A, representante da Ouro Branco, cf. procuração às fls. 1011, solicitou à autoridade fiscal dilação do prazo para apresentar a documentação antes referida, no que foi atendido cf. documento à fl 15 e, no mesmo documento, solicitou que a fiscalização providenciasse a “quebra” do sigilo bancário da contribuinte, vide item 2. 4.1 Uma vez mais, contudo, a correspondência que comunicava a concessão do prazo adicional – até 16/05/2011 – foi devolvida pelos Correios à DRF Imperatriz/MA com a indicação de: “Mudouse”, cf. AR à fls. 1617. 5. Sucederamse novas tentativas de intimação por via postal, às fls. 3438, e por edital, nos termos do art. 23, §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Edital/DRF/IMP/MA/NUFIS nº 18 de 06 de julho de 2011, afixado em 06/07/2011 e retirado em 01/08/2011, à fl 39. 6. A fiscalização apurou, por meio de DIMOF que a contribuinte movimentou, no anocalendário de 2008, R$ 33.205.182,08, cf. Solicitação de Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.312 4 Requisição de Informação Financeira – RMF, às fls. 1820, apesar de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DlPJ/2009, relativa àquele anocalendário, não conter informação sobre Receita Bruta da atividade (valores iguais a zero), vide fl. 21. Por esse motivo foi solicitada, por meio de RMF, informação sobre movimentação financeira da contribuinte a três bancos: Banco do Brasil, Banco Bradesco e Banco do Nordeste, cf. documentos às fls. 2233 e 112 567. 7. Em acréscimo, a autoridade lançadora solicitou às pessoas jurídicas ABC – Indústria e Comércio S/A – ABCINCO – CNPJ.: 17.835.042/002270; e Companhia de Alimentos do Nordeste – CIALNE – CNPJ.: 07.220.874/000799, com quem a Ouro Branco realizava transações comerciais, cópias das notas fiscais e comprovantes de pagamentos dos negócios realizados, vide fls. 8694 e 5681040. 8. Uma vez efetuadas as conciliações necessárias, na forma estipulada pelo art. 849, § 2º, I, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, reproduzido abaixo, a fiscalização intimou mais uma vez a contribuinte, em 14/10/2011, cf. Termo de Intimação às fls. 4864, e também por meio do Edital/DRF/IMP/MA/NUFIS nº 40, de 27 de outubro de 2011, afixado em 27/10/2011 e retirado em 21/11/2011, à fl. 65, a comprovar a origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias, e a esclarecer os motivos pelos quais, até aquela data, não atendera às solicitações anteriores. "Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n º 9.430, de 1996, art. 42). (...) § 2 º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados (Lei n º 9.430, de 1996, art. 42, § 3 º , incisos I e II, e Lei n º 9.481, de 1997, art. 4 º ): I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica." 9. Registrese que a contribuinte foi ainda reintimada a apresentar sua escrita contábil e fiscal e a proceder a atualização de seu endereço e demais dados cadastrais na base CNPJ, conforme dispõe o art. 22, da Instrução Normativa RFB N° 1.183, de 19/08/2011, sob pena de a respectiva inscrição cadastral vir a ser declarada inapta; e naquele mesmo ato, por fim, foi informada de que a não prestação de informações no prazo assinado, a sujeitaria ao agravamento em 50% das multas, cf. estipula o art. 44, I, e §1º, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 10. Mais uma vez a correspondência retornou à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA com a indicação de “Mudouse” e, até a data de lavratura dos autos de infração, a contribuinte se manteve inerte no feito. 11. Diante da ausência de comprovação da natureza e origem dos recursos verificados em sua movimentação financeira, a autoridade lançadora entendeu, Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.313 5 conforme de Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 1.1451.163, estar diante da hipótese de omissão de receita prevista no já citado art. 849 do RIR. 12. O demonstrativo abaixo resume como foi determinada a base de cálculo do IRPJ devido trimestralmente, a partir das informações obtidas por prova direta, das informações prestadas por pessoas jurídicas com as quais a realizava transações comerciais, e dos depósitos bancários sem origem comprovada obtidos das instituições financeiras antes referidas. A partir desses valores foi calculado o tributo com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos do art. 530, III, do RIR, em face da completa ausência de escrituração contábil. 13. Os autos de infração lavrados encontramse às fls. 1.101 a 1.144 dos autos. 14. Entendeu a fiscalização, ademais, que a diferença apurada alcança montante elevando o bastante para afastar qualquer possibilidade de a contribuinte vir a alegar erro em suas declarações, e, ao mesmo tempo, subsumirse às hipóteses de sonegação e fraude estipuladas pelos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Por esse motivo aplicou, ao caso concreto, a multa qualificada estabelecida no art. 44, §1º, da Lei º 9.430, de 1996, além de formalizar Representação Fiscal para Fins Penais com base nos art. 1º e 2º da Lei nº 8.137 de 27 de dezembro de 1990. 15. Restou configurada, igualmente, de acordo com o TVF, a hipótese de embaraço à fiscalização, prevista no art. 33, I, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o descumprimento da obrigação de manter atualizado o cadastro do CNPJ – fato que motivou processo de declaração de inaptidão – somado ao fato de que a pessoa jurídica, seus titulares e representantes, terem evitado responder às intimações antes mencionadas, e até mesmo os contatos telefônicos descritos à fl. 1.150 do feito terem sido improfícuos. Como conseqüência foi agravada a multa qualificada nos termos do art. 44, § 2º da Lei nº 9.430, de 1996. 16. Por fim, lavrouse termo de sujeição passiva solidária TSPS, às fls. 1.170 1.172, , nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional – CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, dirigido a Maurício Oliveira, administrador de fato da Ouro Branco, pelos motivos ali descritos, a saber, era o senhor Oliveira o responsável pela execução financeira e pela prática dos atos de manutenção e controle da atividade econômica, assinando cheques, faturas e duplicatas emitidas pela sociedade empresária. 17. Em 13/01/2012, a correspondência enviada à Ouro Branco retornou à DRF ImpetratizMA, mais uma vez com a indicação de “Mudouse”, cf. documentos às fls. 1.1661.168, providenciouse, então, intimação por meio do Edital/DRF/IMP/MA/NUFIS nº 03 de 16 de janeiro de 2012, afixado em 16/01/2012 e retirado em 02/02/2012, à fl. 1.169. 18. De modo análogo, o TSPS do senhor Maurício Oliveira retornou ao remetente com o carimbo de “Mudouse”, vide fls. 1.1701.175, o que levou à DRF Imperatriz/MA, a intimálo por edital afixado em 16/01/2012 e retirado em 02/02/2012 – Edital/DRF/IMP/MA/NUFIS nº 04 de 16 de janeiro de 2012 – à fl. 1.176. Impugnação 19. Em 01/03/2012, a sociedade empresária Ouro Branco apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1.1831.195, assinada pelo sócio administrador, Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.314 6 Murilo Oliveira, conforme 4ª alteração contratual às fls. 6870, e por Maurício Oliveira, representante com poderes concedidos por procuração às fls. 1.2001.201 Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa 20. De início, a impugnante informa que suspendeu suas atividades em 2011, “fechando provisoriamente suas portas”, sem, contudo, promover qualquer alteração em seus registros cadastrais da Receita Federal, porque estava sob fiscalização conforme determina a Instrução Normativa nº 1.183, de 2011, em seguida, acrescenta: (...) passado alguns dias. um conhecido da impugnante, em passagem pela Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA. olhou um edital de intimação afixado no hall daquela repartição, no qual constavam, entre outras informações, as seguintes: o nome da impugnante o número do processo, data de início da afixação (16/01/2012). carimbo e assinatura do chefe da NUFIS/DRF/IMP/MA. AFRFB Alex Cavalcante Nogueira, assinatura do responsável pela afixação, sobre carimbo com indicação do nome do AFRFB José Kennedv Rodrigues de Sales, lotado no NUFIS/DRF/IMP/MA e tratarse de ciência do auto de infração de IRPJ. CSLL. PIS e COFINS. (...) Devido ao exíguo prazo para pedir cópia/vistas dos autos e para apresentação da impugnação e. também, por não ter recebido cópia do(s) auto(s) de infração, não restou outra saída senão apresentar esta sucinta peça. que bem poderia ser acolhida como pedido de cópia do(s) auto(s) de infração e seus anexos, tendo em vista a impossibilidade de adentrar na questão meritória, consoante linhas a frente demonstraremos. 21. Em caráter preliminar, argumenta que, durante toda a ação fiscal, não foi devidamente intimada em seu domicílio fiscal, situado, segundo a dicção do art. 23, §4º, do Decreto 70.235, de 1976, na cidade de Balsas/MA, município onde existe uma agência da Receita Federal do Brasil, a quem caberia, de acordo com o art. 227 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil – Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010 – preparar e controlar os processos administrativos fiscais dos contribuintes domiciliados na sua circunscrição. Afirma que, em prejuízo da impugnante, todos os editais relativos ao feito foram afixados na cidade de Imperatriz/MA, sede da Delegacia a que a Agência de Balsas se subordina, localizada a 400 Km de distância desta. 22. Adicionalmente, fazendo remissão ao Código de Processo Civil, à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RE nº 140.6186), alega que as citações por meio de edital só poderiam ter sido manejadas pela Administração Tributária em caráter excepcional, caso outras modalidades de intimação se revelassem improfícuas. 23. Conclui, este ponto, argumentando que, à falta de intimação idônea da contribuinte, nos termos dos art. 142 e 145 do CTN, o próprio lançamento não se teria aperfeiçoado. Acrescenta que verificouse, por esse motivo, violação à garantia constitucional da ampla defesa. Termina por requerer que os autos retornem à unidade de origem a fim de que a impugnante possa ter acesso à cópia integral do feito e que seja assinado novo prazo de impugnação. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.315 7 24. Como corolário, dessa preliminar, requer que, caso haja dúvida a respeito da alegação de que os editais não foram afixados na Agência da Receita Federal em Balsas/MA, que as autoridades julgadoras baixem o feito em diligência nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou acatem a alegação da impugnante em respeito ao brocardo latino: in dúbio pro reo. Mérito 25. No mérito, a impugnação ataca, em primeiro lugar, a quebra de sigilo bancário reputada irregular por carecer de decisão judicial que a autorize, conforme respeitável jurisprudência trazida ao feito; em segundo lugar, discute o agravamento da multa de ofício, por ausência de enquadramento da conduta da impugnante em qualquer das hipóteses do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Lembra que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem restringido à aplicação dessas multas a situações em que o atraso ou não atendimento das requisições traga prejuízos ao Fisco – cf. Súmulas CARF nº 14 e 25, o que não se verifica no caso concreto. 26. Discute ainda a natureza confiscatória do patamar estabelecido para a multa de ofício que, segundo a impugnante, afronta ao art. 150, IV, da Constituição em vigor. 27. Conclui pedindo que o lançamento seja declarado nulo pelos motivos enunciados nas questões preliminares ou de mérito, que seja suspenso o crédito tributário em face do art. 151, III, do CTN e que seja reaberto o prazo de impugnação a contar de futura e regular ciência dos autos de infração. Devidamente cientificada em 10/10/2013, foi interposto recurso voluntário de fls. 1.2691.282, em 11/11/2013, onde são repisados os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.316 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A lide envolve a legitimidade do crédito tributário constituído por arbitramento em virtude de ausência de resposta a intimações da autoridade lançadora a pedidos de esclarecimento sobre omissão de receitas apuradas em parte por prova direta – no montante de R$ 7.634.109,30 – e, em parte, por depósitos bancários de origem não comprovada – na quantia de R$ 17.552.273,48 – totalizando R$ 25.186.382,78. Em caráter preliminar a impugnante ataca o lançamento sob o fundamento de que o seu direito à ampla defesa teria sido violado, em razão de as sucessivas intimações por via postal não a terem alcançado – dado que estava com suas atividades suspensas –, enquanto as intimações fictas por edital, seriam nulas, porque, em havendo unidade administrativa da Receita Federal no domicílio da impugnante, tais editais deveriam ter sido afixados no município em que a sociedade empresária está domiciliada. No mérito, o lançamento enfrenta alegações de nulidade em virtude do acesso irregular do Fisco a dados bancários sem autorização judicial e, finalmente, é atacado o agravamento e qualificação da multa de ofício, por ausência de situação típica que permita a aplicação das regras do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Insurgese também a respeito da sujeição passiva solidária estabelecida em desfavor do senhor Maurício Oliveira pelo TSPS, às fls. 1.1701.172. Toda impugnação diz respeito tãosomente à pessoa jurídica Ouro Branco. O fato de Oliveira ser um dos subscritores da impugnação, contudo, demonstra seu interesse comum no fato gerador da obrigação tributária principal, conforme estipulado pelo dispositivo legal. PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Antes de apreciar as alegações relativas à questão preliminar propriamente dita, convém consignar que não consta dos autos qualquer indicação de que os Editais DRF/IMP/MA/NUFIS nº 18, 33 e 40, de 2011, e 3 e 4, de 2012, tenham, de fato, sido afixados na Agência da Receita Federal em Balsas/MA. Por esse motivo, devese considerar procedente os argumentos da impugnante de que eles estiveram expostos tão somente na sede da Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA, situada a 400 Km de Balsas, e de que a Ouro Branco apenas por acaso teria tomado ciência da última dessas intimações por edital. Assentada essa questão prévia, devese dizer que não merece prosperar a alegação de cerceamento de direito de defesa, formulada pela impugnante. Em primeiro lugar, porque a fase contraditória do processo administrativo fiscal se inicia com a impugnação como Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.317 9 estatuí o art. 14 do Decreto 70.235, de 1972. É logicamente inconsistente, pois, pretender que pudesse ter havido cerceamento de defesa em momento anterior ao início da fase contraditória do procedimento de constituição do crédito tributário. Em segundo lugar, porque a própria apresentação da impugnação supre eventuais vícios formais na citação, conforme estipulam tanto o art. 26, § 5º, da Lei nº 9.784, de 1999, quanto o art. 214, § 1º, do CPC – Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, aplicáveis de modo subsidiário ao processo administrativo tributário, verbatim: LEI Nº 9.784 , DE 29 DE JANEIRO DE 1999. Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. (...) § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – LEI No 5.869, DE 11 DE JANEIRO DE 1973 Art. 214. Para a validade do processo é indispensável a citação inicial do réu. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 1º O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Em terceiro lugar, porque antes ainda de a fiscalização se iniciar, vide carimbo de “Ausente”, à fl. 6, sociedade empresária já promovera, de fato, alteração de seu domicílio fiscal, sem comunicar o evento à Receita Federal do Brasil, violando, assim, o disposto no art. 22 da IN RFB nº 1.193, de 2011, reproduzido abaixo, e tornando, por conseguinte, inaplicável o impedimento alegado pela autuada, contido no art. 23, III. Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subseqüente ao de sua ocorrência. Em quarto lugar, devese aduzir que a sociedade empresária Ouro Branco, tomou ciência do início da investigação em 26 de abril de 2011, conforme Termo de Constatação Fiscal, à fl. 14, na sede da Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA, e que o representante da empresa, advogado Antonio Teixeira Resende, OAB nº 4.803A, tem escritório profissional na cidade de Imperatriz, cf. procuração outorgada pela impugnante à fl. 10, e substabelecimento do representante, à fl. 12. Registrese que o senhor Antônio Resende compareceu à dependência da Receita Federal em Imperatriz/MA, em 27 de abril de 2011, para solicitar a concessão de prazo adicional para a entrega dos documentos requeridos no Termo de Início de Fiscalização, prazo este que, uma vez concedido, nunca veio a ser cumprido. Na mesma ocasião, pediu que a Receita Federal providenciasse a “quebra” dos dados bancários da contribuinte, matéria que será apreciado na análise de mérito da impugnação. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.318 10 Em quito lugar, restou comprovado nos autos que a Administração tentou por diversos meios intimar a sociedade empresária, vide fls. 417. A intimação por edital, nos termos do art. 23, §1º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, decorreu, justamente, de as correspondências terem retornado ao remetente com avisos de “Ausente” ou “Mudouse”, e de a contribuinte nunca ter respondido sequer ao pedido de dilação temporal formulado por ela mesma. Notese que a lei, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido abaixo, exige apenas que o edital seja publicado em dependência franqueada ao público, e que a Agência da receita Federal em Balsas/MA está subordinada à Delegacia, em Imperatriz/MA – cf. Anexo VIII, do Regimento Interno da Receita Federal, Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por todos esses motivos, devese concluir que não procede a alegação de nulidade, no caso concreto, posto os autos trazem provas robustas – às fls.617, 3465, 1.166 1.169 – que a autoridade lançadora tentou em diversas ocasiões, sem sucesso, estabelecer contato com a impugnante, cujo domicílio era desconhecido, por conduta irregular da pessoa jurídica, como visto, no Termo de Constatação Fiscal à fl. 14. De fato, a sociedade empresária Ouro Branco, quando julgou conveniente, a seu talante, procurou a autoridade lançadora na sede da Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA, tomou ciência do feito e formulou pedidos nesta cidade. Depois, voluntariamente, permaneceu em silêncio, até a apresentação da impugnação na qual alega que “passados alguns dias” [da suspensão de suas atividades], um conhecido a alertou do Edital/DRF/IMP/MA/NUFIS nº 03, de 2012, em 06/01/2012. Na verdade, transcorreram sete meses entre o pedido de dilação de prazo formulado em 27/04/2011, à fl. 15, e a fixação do referido Edital. No caso em tela, em face do comportamento evasivo da contribuinte, a intimação por Edital, à toda evidência, é legítima, decorreu da ineficácia do outros meios empregados para intimar a contribuinte, e, em conseqüência, a constituição do crédito tributário é legal, não estando maculada por qualquer vício. MÉRITO A primeira questão de mérito diz respeito ao acesso do fisco a informações protegidas por sigilo fiscal sem prévia autorização judicial. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.319 11 De pronto, devese notar que a autoridade lançadora fez prova, no caso em tela, de que houve omissão de receita financeira no anocalendário de 2008, como se conclui da confrontação entre o anexo do Termo de Intimação, às fls. 5062 e as declarações – DIPJ, DCTF e DACON – do período às fls. 1.0451.099. Ademais, em face, do silêncio deliberado da sociedade empresária Ouro Branco, a requisição de dados de movimentação financeira tornouse imperiosa à apuração do crédito tributário a ser constituído. As alegações de quebra de sigilo bancário, portanto, não merecem acolhimento, posto que o art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, abaixo transcrito, é claro ao condicionar o acesso, de modo direto pelo fisco, aos dados bancários, à existência de processo administrativo instaurado, ou procedimento fiscal em curso, e que tais acessos sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O ordenamento jurídico brasileiro, portanto, não exige autorização judicial para que as instituições financeiras enviem as informações sobre o movimento das contas correntes das pessoas fiscalizadas, quando requisitadas pela Administração Tributária, verbatim: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Importa também acrescer que esta matéria esta pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal, órgão que tem a última palavra em matéria da constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. Assim, até que a Corte Constitucional se manifesta sobre o tema de eventual direito constitucional ao assim chamado sigilo bancário, resta a mim, aplicador do direito, valerme das leis promulgadas, haja vista a impossibilidade deste Colegiado em se manifestar quanto a constitucionalidade de leis validamente emanadas pelo Congresso Nacional. Assim, a teor das legislações acima mencionadas, em que pesem opiniões pessoais divergentes, o ato administrativo é vinculado às determinações legais, e estas correspondem à concretização da vontade do legislador de, naquelas hipóteses específicas, submeter as informações bancárias ao crivo fiscal. Por fim, alega a fiscalizada que a requisição de extratos bancários representa uma violação do seu direito constitucional da privacidade, tornando ilegal a utilização dos levantamentos efetuados com base nestas provas. Cumpre observar, entretanto, que o acesso aos extratos bancárias, que serviram de base para a presente exação, foram franqueados pela própria impugnante, como se depreende do item 2 da petição apresentada na sede da DRF/Imperatriz em 27/04/2001, reproduzida abaixo: Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.320 12 (...) 2. Que seja solicitado por V. Senhoria, a quebra do sigilo bancário para adquirir (sic) extratos bancários, visto que, (sic) requerido pela empresa há uma grande demora para a entrega dos mesmos (sic). Assim, não me parece possível que, ao mesmo tempo, uma mesma pessoa autorize o acesso direto aos dados bancários para na seqüência impugnar o lançamento por essa mesma razão. É improcedente, portanto, esse argumento de mérito. MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA A recorrente não distingue precisamente as razões que a levaram a se opor à qualificação e ao agravamento da multa de ofício, sanções impostas sob fundamentos distintos: a primeira, em razão dos indícios apontados pela autoridade lançadora de sonegação e fraude, nos termos dos art. 41, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c os art. 71 e 72 da lei nº 4.502, de 1964; enquanto, a segunda, em razão do embaraço à fiscalização, cf. dispõe o art. 33,I, c/c 44, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996 c/c. De fato, na peça impugnatória, há uma sessão dedicada à multa agravada, entretanto os fundamentos apresentados em seu bojo atacam indistintamente as duas majorações. De acordo com a fiscalização, a impugnante apresentou declarações – DIPJ e DCTF – no anocalendário de 2008 com valores iguais a zero, omitindo a informação a respeito do vultoso trânsito de recursos em suas contas bancárias, e, em assim agindo, escamoteou do conhecimento do Fisco as operações por força das quais recebeu esses expressivos valores. Notese que a conduta da sociedade empresária Ouro Branco não se limitou a ocultar uma parcela de seus ingressos, ao contrário, todos as quantias recebidas naquele anocalendário foram escamoteadas. Tal conduta se verificou, ademais, em todos os trimestres do anocalendário de 2008. Nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A priori, poderia ter razão a contribuinte quando argumenta – munida da Súmula CARF nº 25 – que a presunção legal de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. No caso concreto, a aplicação da multa qualificada, contudo, não decorreu, de modo imediato, da presunção legal de omissão de receita, mas da discrepância entre os valores declarados em DCTF e DIPJ, relativos ao anocalendário de 2008, (zero, nihil) e a vultosa movimentação financeira de R$ 25.186.382,78 que a fiscalização provou ter passado pelas contas bancárias da sociedade empresária: R$ 7.634.109,30 dos quais por meio de prova direta, além de outros R$ 17.552.273,48 em virtude de depósitos de origem não comprovada. Em face das tais circunstâncias, fica claro que andou bem a autoridade lançadora quando afastou inteiramente qualquer veleidade de que a omissão dessas quantias milionárias das declarações da contribuinte pudesse decorrer de erro ou esquecimento. Ao contrário, restou claro que se tratou de estratégia deliberada de ocultação de receitas, com o propósito de reduzir encargos tributários. É correta, portanto, e deve ser mantida, a qualificação da multa de ofício prevista no art. 42, I, e §1, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10325.720024/201211 Acórdão n.º 1302001.656 S1C3T2 Fl. 1.321 13 Quanto ao agravamento da multa, aplicamse perfeitamente à análise alguns dos argumentos expostos quando da análise da legitimidade do lançamento, a saber: 1) a contribuinte alterou o seu domicílio fiscal antes do início da fiscalização, sem comunicar o evento à Receita Federal do Brasil; e 2) a Ouro Branco, cujo domicílio era, pois, desconhecido, solicitou, dolosamente, prazo adicional para prestar esclarecimentos, que nunca foi adimplido, repetemse, portanto, e servem para demonstrar, à toda evidência, a intenção da sociedade empresária e de seus sócios de se evadirem de suas obrigações acessórias, conforme estabelece o art. 44, §2º, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Nem é razoável alegar que o domicílio da sociedade era em Balsas/MA, porque no endereço situado naquele município a pessoa jurídica foi procurada diversas vezes, mas nunca encontrada, fato incontestável, demonstrado pelos carimbos dos Correios. Adicionalmente, o domicílio de seu representante, advogado Antônio Resende, OAB nº 4.803A, situase em Imperatriz/MA, vide fl. 10. Restou configurado, pois, a hipótese de não atendimento a intimações para prestar esclarecimentos que implica o agravamento em 50% da multa de ofício. CONCLUSÃO De tudo que foi exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade dos autos de infração por suposto vício na intimação do sujeito passivo e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 03 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10380.904972/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Opperman Thome Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 04 97 2/ 20 09 -4 8 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 3 2 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO AO PAGAMENTO A MAIOR. ART. 10 DA IN SRF 600/2005. CARÁTER VINCULANTE. Por força do artigo 10 das INs SRF no 460, de 2004, e 600, de 2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre compensação (PERJDCOMP n° 35465.57001.160508.1.7.047824), que objetiva compensar recolhimento a maior de estimativa de CSLL, pago em 31/10/2005. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$205.983,21. 2. O Despacho Decisório (fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os artigos 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o referido ato administrativo, alegando que: • No período em questão, o contribuinte declarou em DCTF débito tributário relativo a estimativa mensal de IRPJ/CSLL, pagandoo. Posteriormente, verificando erro, transmitiu a devida DCTF retificadora, diminuindo tal débito. Depois de encerrado o anocalendário em questão, apresentou PER/DCOMP, aproveitandose da diferença entre o valor pago .e a quantia declarada na DCTF retificadora. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 4 3 • Para sua surpresa, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP, sob o argumento de que tal crédito tratavase de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado como dedução do imposto de renda mensal da pessoa jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ao para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. • Pelo que está acima exposto, fica muito evidente que, ainda que o tributo recolhido em demasia fosse considerado estimava mensal da IRPJ/CSLL, logo, passível de compensa cão apenas após a constituição do saldo negativo ao final do período de, apuração, a compensação pleiteada pela requerente ainda seria legitima. • Ocorre que, quando a compensação foi pleiteada, o exercício já estava encerrado, logo, jamais o despacho decisório poderia ainda tratar tais recolhimentos como mera estimativa, tendo em conta que já era cediço o quantum devido no regime de apuração pelo lucro real anual. • Em síntese, por qualquer via tal recolhimento é indevido ou a maior, pois o montante da obrigação tributária já era conhecido quando a compensa cão foi pleiteada, sendo injustificável a motivação do despacho decisório, que alegou que o recolhimento por estimativa só poderia servir para compor o saldo negativo do IRPJ/CSLL ao final do período de apuração. • Ocorre que o Despacho Decisório ora impugnado ignorou completamente o fato da ocorrência do erro no recolhimento, como foi exposto, tendo a integralidade do valor recolhido como tributo pago por estimativa. Na situação considerada pelo fisco, o valor da compensação darseia com a posterior verificação da existência de pagamento indevido, passível apenas no final do exercício, ao comparar o valor recolhido com o montante devido ao fim do período de apuração com base no regime de Lucro Real Anual. • Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, fundamentase em regra geral sem considerar as particularidades do caso concreto, no qual o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF. Situação bem diversa, talvez a que tenha fundamentado a decisão impugnada, é aquela na qual o contribuinte realiza pagamentos por estimativa mensal e os declara ao fisco e, em dado período de apuração, vislumbra que os recolhimentos superam o lucro real até aquele momento, porém, antes mesmo do encerramento do exercício, quando apenas então teria a condição de contemplar se os recolhimentos efetuados e declarados ao fisco eram ou não indevidos. • O caso da impugnante é bem diverso, o valor declarado ao fisco como devido por estimativa mensal de IRPJ/CSLL é inferior ao que foi recolhido, logo, inegável a caracterização de pagamento indevido. • Ocorre que o Despacho Decisório fundamenta a decisão nele contida igualando o caso da impugnante com a metodologia de apuração por estimativa presente no regime de lucro real anual, onde, na declaração anual de ajuste, vislumbrase se os recolhimentos estimados são superiores ou inferiores ao devido, resultando na constatação de pagamento indevido. • Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que "por tratarse de pagamento ao titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 5 4 Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período". Como se vê, a decisão impugnada considera que o recolhimento efetuado pela impugnante era devido ao titulo de estimativa mensal, quando a DCTF do período de apuração em debate demonstrava valor inferior ao que foi efetivamente recolhido, constituindose assim em pagamento indevido. • A impugnante entende estar havendo um notório mal entendido por parte da SRF, quando pretende tratar de pagamento por estimativa o que não é, pois coma já foi exaustivamente exposto tratase de pagamento em excesso do recolhimento mensal por estimativa. De outra forma, pelo que pretende a SRF, jamais poderia haver pagamento indevido ou a maior quando o contribuinte fosse recolher a estimativa mensal, pois, em qualquer circunstância tal recolhimento seria considerado uma estimativa mensal, a ser totalizada ao final do exercício, e comparada com o quantum devido no Lucro Real anual. • A situação sobredita não pode merecer guarida jurídica, pois ignora completamente um fato da vida real de qualquer contribuinte, 'ão passível de ocorrer no cotidiano que há previsão legal para seu tratamento, que é o erro no cômputo do tributo devido pelo contribuinte, levandoo a recolher mais do que o exigido pela legislação. Pela decisão ora impugnada, tal realidade seria irrelevante quando tratase de recolhimento por estimativa, pois o contribuinte estimando certo ou errado o valor do tributo mensal, tal estimativa seria dada como efetiva para efeito de comparação com o valor anual devido. • Obviamente, tal entendimento não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente apurou e recolheu. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. • Diante do exposto, resta evidente tratarse de recolhimento indevido, visto realizado em monta superior ao declarado em DCTF, justificandose o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. • Ainda que a hipótese levantada no Despacho Decisório merecesse guarida, apesar da notória impropriedade da decisão em aplicar regra genérica a caso especifico circunstancialmente diverso, outros detalhes táticos merecem especial atenção, pois •de forma alguma poderiam ter sido completamente ignorados na motivação da decisão impugnada. Posteriormente, percebendo que havia recolhido valor a maior, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, tendose ainda retificado a DCTF. • Diante dos fatos ignorados no Despacho Decisório, resta evidenciado que o recolhimento gerador do direito creditório pleiteado já era passível de comparação com o valor efetivamente devido para o anocalendário em questão. Isso porque, no momento da entrega da DIPJ, já se sabia qual era o IRPJ/CSLL efetivamente devido pelo regime de apuração do Lucro Real Anual. • O valor do IRPJ/CSLL devido no ano em questão havia sido informado ao fisco, quando da transmissão da DIPJ. Nestes termos, já era possível determinar que os recolhimentos realizados por estimativa mensal ao longo do exercício superavam o valor efetivamente devido no calendário, motivando a composição do saldo negativo demonstrado na Ficha 12 A da DIPJ mencionada. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 6 5 • De outro modo, é logicamente inviável admitir que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, já após o encerramento do resultado do ano ern questão, ainda, se pudesse tratar os recolhimentos efetuados naquele ano como estimativas mensais, quando já havia o aperfeiçoamento do quantum devido, manifestadamente inferior ao total recolhido ao longo do exercício. • Tal ilógica acepção tragada no despacho decisório afronta qualquer hermenêutica, ou mesmo, a mera etimologia do instituto defendido pelo fisco, qual seja, o da estimativa. Por definição de nossa pátria linguagem, estimativa é a previsão de um valor, circunstância ou resultado. Desta forma, é irrazoável admitir ainda se tratar de estimativa de recolhimento de tributo devido, quando já se sabe, e não apenas se estima, o valor definitivo da contribuição devida. Em simples questionamento: Como se pode considerar recolhimento estimado da IRPJ/CSLL de determinado anocalendário, quando o pedido de compensação se deu posteriormente? • Em que pese a impugnante ter por certo, como já foi exaustivamente demonstrado, tratarse de recolhimento indevido, pois recolheu valor de estimativa mensal superior aquele declarado ao fisco, ainda que se admitisse a ilógica tese do fisco, considerando tratarse de recolhimento por estimativa, logo, restrito a composição de saldo negativo, no caso concreto em análise, também se trataria de saldo negativo, fato formalmente consignado na DIPJ transmitida pelo contribuinte. • Sabendo de tais fatos, a compensação pleiteada pela impugnante é devida por encontrar respaldo fático e legal, visto que, pelo que já foi fartamente exposto, a origem do crédito não homologado foi o pagamento indevido, seja por se tratar de recolhimento a maior quando comparado com o valor devido declarado em DCTF, seja pelo fato de já se ter, na época do pleito de compensação, a certeza de que tais recolhimentos excediam ao tributo devido no final do exercício em questão. • O direito a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontrase previsto no inciso II do art. 165 do CTN. • Para a fruição do direito, fazse necessária a ocorrência de pagamento indevido, decorrente de erro do contribuinte quando do recolhimento do tributo ou ainda, na extinção de decisão condenatória que cominava ao contribuinte o pagamento de tributo. • Dito isto, tendo em vista o que já foi relatado, resta evidente tratarse de recolhimento indevido. Ocorre que, em um primeiro momento, a impugnante declarou valor a titulo de estimativa mensal do IRPJ/CSLL devido. Em momento posterior, revisando o cômputo da monta devida, o contribuinte constatou erro da determinação do montante do débito, retificando a competente declaração (DCTF), informando que o valor correto seria outro menor. • Pelo exposto, fica notório que o fato descrito se alinha perfeitamente com a hipótese de recolhimento indevido prevista no art.165, II, do CTN, acima transcrito, por tratarse de inequívoco erro no cálculo do montante do débito, sendo importante salientar que o equivoco foi devidamente saneado e informado SRF através da retificação da DCTF do período. • Em relação a transmissão da DCTF retificadora é relevante relembrar o que dispõe o §10 do art. 90 da IN SRF n° 255/02, vigente it época dos fatos em debate, abaixo transcrito: Art. 9º. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 7 6 elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1° A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. • Da leitura da norma acima, se extrai que, ao transmitir a DCTF retificadora informando valor de débito relativo a IRPJ/CSLL devida por estimativa inferior ao originalmente declarado, o novo valor declarado substituiu o anterior para todos os efeitos, tendo em vista que a declaração retificadora substitui integralmente a retificada. Desta feita, é inegável que o valor devido ao titulo da exação em debate é inferior ao que foi declarado, logo, alinhandose plenamente na figura de pagamento indevido, prevista no art. 165, II, do CTN. • Pelo que decidiu o despacho da SRF em impugnação, o contribuinte jamais erraria no recolhimento estimado de IRPJ e CSLL, quando sujeito ao lucro real anual, pois qualquer que fosse a monta recolhida estarseia sempre diante de recolhimento por estimativa, negando o fato, até usual, de que o contribuinte pode erra no cálculo do débito. Se a própria norma (art. 165, II, CTN) previu a possibilidade de erro do contribuinte, jamais poderia o intérprete afastar tal comum, corriqueira e verossímil possibilidade. • Diante de tamanha impropriedade, parece ao contribuinte tratarse de mera confusão no trato das circunstâncias particulares do caso concreto por parte da SRF, que confundiu o recolhimento alvo do pedido de compensa cão com o valor mensal apurado com base no regime de estimativa, pois o valor recolhido foi superior ao valor da estimativa, logo, em parte indevido. O que não poderia ser alvo de compensa cão, pelas normas expostas como fundamento da decisão, é o valor do tributo calculado e recolhido ao titulo de estimativa, ou seja, o valor exato da exação devida sob o regime de estimativa e não eventuais recolhimentos a maior. • Sobre este fato, é importante analisar o que diz o inciso IV do §4° do art. 2° da Lei No. 9.430/96, abaixo transcrito, aplicável à IRPJ/CSLL, conforme art. 28 da Lei N°. 9430/96: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 ° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. • Como está claro na norma acima, o que está vinculado ao tributo devido no regime de apuração anual é o valor recolhido na forma do art. 2°, ou seja, o tributo calculado na forma ali prescrita, logo, o que foi pago em excesso não foi pago na forma prevista na lei, logo, não está inserido na vinculação sobredita. Sendo a norma omissa a qualquer valor eventualmente pago em excesso, por ausência previsão legal, jamais poderia a SRF pretender fazer tal vincula ção, uma vez que o legislador não o fez. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 8 7 • Neste exato sentido, o então Conselho de Contribuintes proferiu decisões pela possibilidade de compensa cão dos valores pagos a maior, de forma indevida, nos recolhimento de estimativas mensais de IR e CSLL já no mês subseqüente ao mesmo. Ainda mais flagrante é tal direito no caso em debate, quando a compensação foi feita apenas no exercício subseqüente, quando não mais há de ser falar em estimativa, visto que já era conhecido o quantum devido no exercício. • Tal entendimento pode ser exemplificado pelas seguintes decisões: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. (Acórdão 10516205, Processo No. 14033.000221/2005 28, 1 ° CC, Quinta Câmara, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves, Provimento por unanimidade). [O contribuinte aduziu outros atos administrativos em seu favor] • Por tudo que foi exposto, resta claro o direito da impugnante, configurado que está o pagamento a maior, logo indevido, tendo em vista que excedente ao que preconiza o art, 2° da Lei 9.430/96, desta feita, alheio a vincula ção dada aos recolhimentos por estimativa. Motivo este, pelo qual, o egrégio Conselho de Contribuintes tem reiteradamente reconhecido o erro da SRF ao vincular o pagamento excedente das estimativas mensais em debate. • Afora tudo o que 16 foi exposto, que deixa de forma induvidosa o direito da impugnante, o art. 858, §1°, II do RIR/99 • A justificativa trazida pelo fisco para negar neste e em outros casos a compensação de estimativas mensais de IR e CSLL seria o fato de não se saber, por ocasião do recolhimento, se haveria ou não recolhimento indevido, visto que ainda não se saberia a exação devida no regime anual. No caso em tela, tal justificativa não tem qualquer sentido pois, como já dito, a compensação foi pleiteada no ano seguinte, logo, quando já se sabia o valor da obrigação anual e, por conseguinte, já se tinha a certeza da impropriedade do recolhimento feito em demasia. Portanto, se o Fisco prefere fazer vista grossa à realidade do pagamento indevido, como já demonstrado, não pode negar que a hipótese levantada para negar a compensação não se aplica ao caso presente. • A própria SRF, através do Ato Declaratório SRF No. 3/00, reconhece o direito dos contribuintes em compensarem o saldo negativo do 1RPJ e CSSL já a partir de janeiro do ano calendário subseqüente, conforme se vê abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6º da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 9 8 compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (G.N). • Da simples leitura da norma acima se extrai que, ainda que diante de insensata visão de não reconhecer como indevidos os recolhimentos alvo do pleito de compensação, a impugnante teria o direito de compensar os valores recolhidos. No caso em análise, pleiteouse a compensação dos mesmos apenas posteriormente, quando a norma torna passível de compensação, quando negativo, o tributo recolhido ao titulo de estimativa mensal já a partir de janeiro do exercício subseqüente. • Como fica evidente, ainda que os valores recolhidos a maior não fossem considerados como indevidos, logo passíveis de restituição ou compensação, na época em que as compensações foram pleiteadas já eram passíveis de compensação ao titulo de saldo negativo de 1RPJ/CSLL em relação ao ano calendário em questão. • Do exposto, se extrai que não ha como negar o direito da compensação pleiteada pelo contribuinte, de outra forma, terseia a insólita situação do contribuinte ser obrigado a recolher o débito cuja compensação não foi homologada, tão somente para gerar novo direito creditório passível de restituição ou compensação. Isto é evidente, pois caso a compensação não seja homologada, o crédito fiscal usado na mesma, decorrente do pagamento a maior da estimativa ou na pior das hipóteses, constituinte de saldo negativo de IRPJ, ficaria novamente desvinculado, logo, passível de restituição ou compensação. • A absurda situação acima descrita parece há muito não mais existir no ordenamento jurídico pátrio, pois é de flagrante atentado ao principio da economia processual ou, em uma visão mais finalista, afronta o instituto da compensação, há décadas aplicável as relações obrigacionais e hoje prevista no art. 368 do Código Civil. • Em resumo, o fisco tem que restituir ou compensar os valores em debate de qualquer maneira, seja através da compensação já pleiteada, objeto do presente processo, ou em pedido futuro, pois ao negar a presente compensação, os valores recolhidos tornamse desvinculados de qualquer relação jurídica, devendo pois ser imediatamente restituídos ao contribuintes, pois de outra forma estaria caracterizado o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, possibilidade rechaçada pelo ordenamento pátrio. 5. Por fim, o administrado requereu: que fosse homologada a declaração de compensação, seja pelo fato do recolhimento objeto do pedido de compensação ter sido efetuado em monta superior ao que determina a lei, seja pelo fato deste valor, na época do pedido de compensação, já compor saldo negativo de IRPJ/CSLL; e que fosse cancelada a cobrança constante na intimação / despacho decisório. 6. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que não seria possível a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas em vistas à vedação contida na Instrução Normativa nº 600/05. Em sede de recurso, voluntário a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, requerendo a homologação da compensação, pois não haveria óbice legal para a compensação do pagamento a maior ou indevido de estimativas. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado em sede de relatório supra, a Contribuinte sustenta que em outubro de 2005 efetuou o recolhimento do valor de R$1.463.055,62 para pagamento do montante de estimativas de CSLL do mês de setembro de 2005. Citado montante, após a apresentação de DCTF retificadora (fls. 40/41), foi reduzido para R$1.232.800,35, razão pela qual restou caracterizado o recolhimento a maior de tributo devido naquele período (de R$230.255,17). O valor em referência, atualizado em 24.02.2006, totalizaria R$242.412,75. Notese que não foi juntada aos autos a Guia DARF correspondente ao recolhimento citado. Em 24.02.2006, a Contribuinte transmitiu a PER/DCOMP n. 29656.18898.240206.1.3.0488, retificada em 16.05.2008 pela PER/DCOMP n. 35465.57001.160508.1.7.04782 (fls. 1/5), por meio da qual pretendeu utilizar o crédito que entendia fazer jus para quitar débitos de IRPJ relativos aos meses de setembro e outubro de 2005 e COFINS relativa ao mês de dezembro de 2005, no valor total de R$ 216.859,23. São essas as compensações que são objeto desse processo administrativo. Consideradas tais compensações e o valor do crédito alegado, a Contribuinte entende ainda possuir saldo remanescente de direito creditório no valor de R$25.553,63. A pretensão da Contribuinte foi indeferida pela RFB (fls. 5/6), sob o fundamento de que eventuais créditos relativos ao recolhimento a maior de estimativas de CSLL apenas poderiam ser utilizados na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou na composição do respectivo saldo negativo após a entrega da declaração de ajuste. Pois bem. A possibilidade de compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior ao longo de determinado anocalendário, independentemente da formação do saldo negativo do período respectivo, não comporta divagações, ante a edição da Súmula CARF nº 84, do seguinte teor, verbis: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Contudo, em que pese a pacificação dessa questão jurídica, a caracterização do indébito de estimativas recolhidas ao longo do anocalendário pressupõe, além do recolhimento a maior, que o valor respectivo (das estimativas) não componham o saldo negativo apurado no anocalendário correspondente, sob pena de possibilitar ao contribuinte dupla restituição de tributos sobre o mesmo pagamento. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.904972/200948 Resolução nº 1102000.262 S1C1T2 Fl. 11 10 Nessa hipótese, em que o contribuinte considera (por opção) as estimativas recolhidas na formação do saldo negativo do período correspondente, a restituição que se deve deferir é a deste (saldo negativo) e não do eventual indébito decorrente daquele particular (e provisório) recolhimento de tributo, salvo em caso de retificação da DIPJ (quanto ao montante do saldo negativo) pelo contribuinte antes do respectivo pedido de retificação/compensação. No caso, embora os elementos dos autos não sejam suficientes para verificar se a estimativa de setembro compôs (ou não) o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, a Contribuinte sugere nos itens 19 e seguintes de sua manifestação de inconformidade que as estimativas cuja restituição se requer também compõem tal saldo negativo, informado na ficha 17 da DIPJ 2005 a fls. 58. Nesses termos, considerados (a) a pretensão da Contribuinte de compensar o valor do saldo negativo de CSLL informado em sua DIPJ e não o montante de estimativas recolhidas em outubro de 2005 (referentes ao mês de setembro/2005), já que fez constar dele (saldo negativo) o valor de tais estimativas; e (b) o provável erro de preenchimento da declaração de compensação respectiva, que se extrai do teor da própria manifestação de inconformidade e da alegada composição do saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2005; e (c) a ausência de elementos nos autos para reconhecer, desde já, o direito creditório da Contribuinte, orientase voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: (a) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005; (b) seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de CSLL com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 10580.728989/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PERÍCIA
O requerimento de perícia deve indicar os quesitos a serem formulados e o nome do perito, seu endereço e qualificação profissional, nos termos do Art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72. Ademais, pode ser dispensada quando não constatada sua necessidade para o convencimento do julgador.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA
Depósitos em conta corrente, cuja origem não for comprovada pelo contribuinte, após intimação para esta finalidade, com documentação idônea, são considerados omissão de receita por presunção legal, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM.
A prova da origem de recursos depositados em conta corrente deve ser produzida pelo contribuinte e consiste em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, relativos a cada operação bancária. Insuficientes alegações genéricas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL.
Caso o contribuinte que tenha seu lucro arbitrado possua atividades diversificadas, ante a impossibilidade de identificação da atividade relativa a determinada receita, deve ser aplicado o percentual mais elevado de determinação do lucro tributável, nos moldes do que determina o artigo 24, § 1º, da Lei nº 9.249 de 1995, consubstanciado no parágrafo único do artigo 537 do RIR/99
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS.
Da presunção legal de omissão de receitas decorre a inversão do ônus da prova.
Numero da decisão: 1202-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de perícia e negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (presidente em exercício), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (Suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PERÍCIA O requerimento de perícia deve indicar os quesitos a serem formulados e o nome do perito, seu endereço e qualificação profissional, nos termos do Art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72. Ademais, pode ser dispensada quando não constatada sua necessidade para o convencimento do julgador. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA Depósitos em conta corrente, cuja origem não for comprovada pelo contribuinte, após intimação para esta finalidade, com documentação idônea, são considerados omissão de receita por presunção legal, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM. A prova da origem de recursos depositados em conta corrente deve ser produzida pelo contribuinte e consiste em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, relativos a cada operação bancária. Insuficientes alegações genéricas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Caso o contribuinte que tenha seu lucro arbitrado possua atividades diversificadas, ante a impossibilidade de identificação da atividade relativa a determinada receita, deve ser aplicado o percentual mais elevado de determinação do lucro tributável, nos moldes do que determina o artigo 24, § 1º, da Lei nº 9.249 de 1995, consubstanciado no parágrafo único do artigo 537 do RIR/99 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS. Da presunção legal de omissão de receitas decorre a inversão do ônus da prova.
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Ademais, pode ser dispensada quando não constatada sua necessidade para o convencimento do julgador. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA Depósitos em conta corrente, cuja origem não for comprovada pelo contribuinte, após intimação para esta finalidade, com documentação idônea, são considerados omissão de receita por presunção legal, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM. A prova da origem de recursos depositados em conta corrente deve ser produzida pelo contribuinte e consiste em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, relativos a cada operação bancária. Insuficientes alegações genéricas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Caso o contribuinte que tenha seu lucro arbitrado possua atividades diversificadas, ante a impossibilidade de identificação da atividade relativa a determinada receita, deve ser aplicado o percentual mais elevado de determinação do lucro tributável, nos moldes do que determina o artigo 24, § 1º, da Lei nº 9.249 de 1995, consubstanciado no parágrafo único do artigo 537 do RIR/99 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 89 89 /2 01 0- 70 Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.859 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS. Da presunção legal de omissão de receitas decorre a inversão do ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de perícia e negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (presidente em exercício), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (Suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca elidir acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Contribuinte em face de Autos de Infração de IRPJ, Contribuições para o PIS/Pasep, COFINS e CSLL (AIIM’s e demonstrativos às fls. 02 a 53) lavrados em decorrência da constatação de movimentação financeira incompatível com a receita bruta informada na DIPJ/2008. Os autos de infração foram lavrados pelo regime do lucro arbitrado e acrescidos de multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, em decorrência do não atendimento à fiscalização (apresentação de livros), além dos acréscimos decorrentes dos juros legais. Resumidamente, constatouse que o Contribuinte havia declarado em sua DIPJ/2008 receita bruta de R$ 6.583.097,99. Entretanto, após análise de seus extratos bancários, observouse movimentação financeira de R$ 68.997.947,98, volume bastante superior ao declarado. Assim, por oportuno, complemento as informações com o relatório dos fatos apresentado pela DRJ: “Tratase de autos de infração pelo regime do lucro arbitrado, relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$5.983.624,95, à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$405.696,45, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.860 3 (Cofins), no valor de R$1.872.445,45, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$1.797.547,66, todos atinentes ao anocalendário de 2007 e acrescidos de multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, e juros legais. Na descrição dos fatos, no corpo dos autos, a autoridade tributária relata o seguinte: a Contribuinte tem como objeto social o comércio de produtos e derivados de petróleo, comércio de peças e acessórios para veículos e serviços mecânicos em veículos leves e pesados. Apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do anocalendário de 2007 pelo regime do lucro presumido; com base nas informações contidas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), constatouse que e Empresa teve movimentação financeira incompatível com a receita bruta informada na DIPJ/2008; a fiscalização iniciouse com Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (TIPF), cientificado em 22 de março de 2010. Transcorrido o prazo para a apresentação dos livros fiscais e contábeis, extratos bancários e demais documentação fiscal descritas no TIPF, nada foi apresentado. Reintimado em 20 de maio de 2010, solicitou prorrogação de prazo, que foi concedida. Passado o novo prazo, nada apresentou; em face do nãoatendimento sistemático das intimações, solicitamos os extratos bancários das contas correntes movimentadas pela Contribuinte nos anocalendário de 2007; da análise dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, foram elaborados Demonstrativos de Valores – Extratos Bancários, discriminando todos os valores representativos de depósito em dinheiro, depósito em cheques, descontos de cheques e demais créditos, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007, conforme procedimento fiscal narrado no Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos (TCSD), cuja ciência se deu em 03/08/2010 e é parte integrante deste auto de infração; ao final do TCSD, intimouse a Contribuinte a apresentar, caso possuísse, documentos que justificassem, contestassem, modificassem ou complementassem os fatos especificados, no prazo de vinte dias, da forma seguinte: 6.1. Justificar ou comprovar a origem dos valores creditados ou depositados em suas contascorrentes conforme relação abaixo, constantes da Planilha “Demonstrativos de Valores – Extratos Bancários; 6.2. Os esclarecimentos deverão ser feitos por escrito e comprovados mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nessas operações; 6.3. A não comprovação dos recursos utilizados nas operações de crédito relacionadas neste termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejará o lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento nos termos do artigo 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis; transcorrido o prazo da intimação, mais uma vez a Contribuinte deixou de apresentar qualquer justificativa acerca da origem dos depósitos e créditos movimentados nas suas contas bancárias; este fato constitui omissão de receitas, pois o contribuinte, no período sob fiscalização, informou na DIPJ/2008, exclusivamente, receita bruta sujeita ao percentual de 1,6%, decorrente do comércio de produtos derivados de petróleo, totalizando, no ano de 2007, o valor de R$6.583.097,99, incompatível com a movimentação financeira decorrente dos valores creditados em conta de depósitos no montante anual de R$ 68.997.947,98, vide “Demonstrativo de Valores – Extratos Bancários”, em relação aos quais, a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados, conforme dispõe o artigo 42 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 2006; conforme alteração e consolidação do Contrato Social, datada de 08/01/2004, a pessoa jurídica exercia atividades diversificadas (comércio e serviços). A não comprovação da origem dos recursos depositados/creditados, implica presunção de omissão de receitas no total dos créditos e depósitos bancários, no valor de R$68.997.947,99, presumindose que a parte da receita informada na DIPJ/2008, no montante de R$6.583.097,99, tributada com a incidência do percentual de 1.6% para fins de IRPJ e CSLL, estão inseridos nos créditos e depósitos não comprovados; assim, considerouse como receita omitida nãoidentificada, sujeita à tributação pelo percentual mais elevado de 32% (prestação de serviços em geral) a diferença entre o total de presunção de omissão de receitas apurada (R$68.997.947,99) deduzida de R$6.583.097,99, informado na DIPJ/2008 e tributado pelo percentual de 1.6%, resultando como receita omitida o valor de R$62.414.849,99, demonstrado, Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.861 4 mês a mês, na Planilha Resumo I, em anexo, conforme dispõe o art. 537 do RIR/99 e o art. 24, parágrafo 1º da Lei nº 9.249, de 1995; face ao exposto, procedemos ao lançamento de ofício, com base no lucro arbitrado, para fins de IRPJ e contribuições reflexas, mediante aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, do RIR/99 (1,6% e 32%), acrescidos de vinte por cento, incidentes, respectivamente, sobre as receitas de vendas de combustíveis (R$6.583.097,99) e de prestação de serviços em geral (R$62.414.849,99), em face de a Contribuinte, regularmente intimada e reintimada durante a ação fiscal, não ter apresentado os documentos e os livros fiscais e contábeis solicitados; acrescentese que o nãoatendimento das intimações e reintimações, no curso da ação fiscal, sujeitao ao agravamento da multa de ofício, do percentual de 75% para 112,5%, calculada sobre a totalidade da diferença de imposto, conforme dispõe o art. 957, I, c/c 959, I do RIR/99/ desta forma, procedemos ao arbitramento do lucro para fins de tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), com reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), na Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), deduzidos o IRPJ e a CSLL apurados sobre a receita informada na DIPJ/2008, ambos recolhidos pela Contribuinte conforme atesta o sistema SINAL da RFB, todos incidentes sobre receita apurada a partir de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, demonstrados na Planilha Resumo I (fl. 55), cientificandose a Contribuinte na pessoa de seu procurador, por via postal com aviso de recebimento (AR). A Autuada apresentou impugnação, alegando, resumidamente, o seguinte: A Empresa, em 2007, atuava como representante comercial, intermediando a venda de combustíveis derivados de petróleo, gasolina e diesel, e, ainda, álcool combustível e lubrificantes para pessoas físicas e jurídicas. Os combustíveis possuem o ICMS retido na fonte por substituição tributária e os tributos federais (PIS/Cofins/CSLL e IRPJ) calculados por ocasião da ocorrência dos respectivos fatos geradores; em março deste ano, iniciouse um procedimento de fiscalização, tendo sido solicitada a apresentação dos livros fiscais (Livro Caixa ou Diário e Razão, além do Livro de Registro de Apuração do ICMS) e extratos das contas bancárias em meio magnético e papel, com prazo de 10 dias, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de 18/03/2010, cientificado em 22/03/2010; em 07/04/2010, conforme Termo de Reintimação Fiscal, o Auditor solicitou, no prazo de cinco dias, que fossem apresentados os livros, documentos e comprovantes já solicitados, informando, ainda, que o nãoatendimento ensejaria o lançamento com as informações de que dispusesse; em 20/04/2010, a Autuada solicitou prorrogação do prazo de início do procedimento fiscal para o dia 20/05/2010, tendo em vista o impedimento do contador em apresentar todos os documentos solicitados, sendo concedido, em 29/04/2010, um prazo de vinte dias; depois de transcorrido o prazo concedido pelo Autuante, foi recebido o Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal, datado de 01/07/2010, informando a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) às instituições bancárias, com as quais a Autuada mantinha movimentações declaradas na DCPMF, obtendo, então, acesso aos extratos bancários solicitados. Assim, foi novamente reintimado a apresentar, no prazo de cinco dias, todos os livros e demais documentos, exceto extratos bancários já obtidos, sendo acompanhado, o referido Termo, de Planilha Demonstrativo de Valores – Extratos Bancários, individualizadas por banco, conta corrente, todos os depósitos e créditos a serem comprovados Ficando, também, cientificada, que o não atendimento, no prazo determinado, acarretaria, no caso de lançamento de ofício, o agravamento em 50% das multas a que se refere o inciso I e o § 1º do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; em 16/08/2010, por meio do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos, a Empresa foi cientificada que, da análise dos extratos bancários, foram elaborados Demonstrativos, discriminando todos os valores expressivos de depósitos em dinheiro, depósitos em cheque, descontos de cheques, e demais créditos, solicitando que, caso a Autuada possuísse documentos que justificassem, contestassem, modificassem ou complementassem os fatos, deveria apresentar os originais no prazo de vinte dias úteis, justificando/comprovando a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes conforme planilha Demonstrativo de Valores – Extratos Bancários. Informa, ainda, que a nãocomprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionadas na Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.862 5 planilha, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria o lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou rendimento, nos termos do art. 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais; transcorrido o prazo da intimação, a Contribuinte não pode apresentar nenhum documento devido à falta de organização contábil em que se encontrava. Então, foram lavrados os autos de infração, perfazendo um valor global astronômico e surreal de R$24.421.354,70, conforme Termo de Encerramento, que transcreve; o auditor chegou à conclusão de que a suposta omissão de receitas seria referente a serviços prestados pelo auditado, com base na alteração e consolidação Contratual nº 2, datada de 08/01/2004, vigente no período auditado, em que a pessoa jurídica exercia atividades diversificadas (comércio e serviços); desta forma, o autuante caracterizou a omissão de receitas no valor de R$68.997.947,98 e, presumindo que a parte da receita informada em DIPJ, no montante anual de R$6.583.097,99, tributada com o percentual de 1,6% para o IRPJ e CSLL, estaria inserida nos créditos e depósitos não comprovados, restou como receita omitida nãoidentificada o montante de R$62.414.849,99, demonstrada mês a mês; o Autuante aplicou nas receitas omitidas não identificadas o percentual mais elevado de 32% (prestação de serviços em geral) Da Verdade Material dobre os Depósitos em Conta Corrente cumpre informar que, no ano de 2007, apesar de constar na Alteração e Consolidação Contratual nº 2, acima mencionada, a possibilidade da realização de serviços, estes, na realidade, não ocorreram, pois a única atividade realizada nos últimos anos foi a comercialização de produtos e derivados de petróleo; a movimentação bancária ensejadora do auto ora impugnado foi originada através do sistema comumente utilizado em postos de gasolina, chamado de troca de CARTAFRETE, que é o meio de pagamento utilizado pelas empresas para a remuneração do caminhoneiro. Ela pode ser trocada nos postos credenciados, havendo, assim, o adiantamento do valor que o caminhoneiro receberia ao final do serviço. Essa modalidade de movimentação nada mais é, explicando, grosso modo, do que receber um cheque de R$10.000,00 referente a despesas efetuadas no posto (combustível) e devolver por meio de CHEQUETROCO R$8.000,00, representados por um único cheque ou vários; assim, é fácil perceber que os valores depositados foram retirados quase que imediatamente, ao analisar além dos créditos, também os débitos que foram efetuados nas contas, percebendose a movimentação constante; em anexo ao PAF, cópias de alguns demonstrativos do real recebido das empresas, planilha de utilização de CHEQUETROCO e cheques recebidos dos caminhoneiros. Portanto, há provas materiais da existência dessa movimentação bancária e de que estes valores não compõem sequer as receitas da Coelho e Godeiro Ltda, quanto mais poderiam ter sido consideradas como receitas omitidas; desta forma, fica já esclarecido que a Autuada realiza alta movimentação bancária por se tratar de algo inerente à atividade que desempenha (anexa reportagem sobre troca de CARTAFRETE); o único erro apresentado pela Sociedade Empresária foi a falta de escrituração dessas movimentações financeiras, onde constaria que estes valores eram meros repasses, e não constituem receita da Empresa; o Fiscal precipitouse e tomou os depósitos como receita omitida. Meros depósitos não são, e na verdade nunca foram, documentos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. Ademais, é absurda a alegação de que as supostas receitas omitidas eram oriundas de serviços, que, coincidentemente, possuem tributação mais elevada, o que levou o auto de infração a um valor absurdo, astronômico, impagável para qualquer grande empresa, imagine para uma pequena empresa que tenta sobreviver apesar de toda a carga tributária que é obrigada a pagar; transcreve excerto de obra de doutrinadora que afirma que os depósitos bancários são meros indícios, insuficientes para, por si só, ensejarem a conclusão de que houve omissão de receitas, servindo para indicar a necessidade de um aprofundamento na fiscalização (fls. 643/644). Conclui que os depósitos foram tomados como indícios de omissão de receitas e, ao se embaterem com a explicação e as provas aqui acostadas, não conseguem comprovar uma situação suficiente de presunção de omissão de receitas; Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.863 6 indício, para se tornar presunção válida, necessita, obrigatoriamente, de uma prova que o consubstancie, o que, no caso em pauta, não aconteceu (transcreve acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, fls. 644/645); utilizando o raciocínio contido em um nos acórdãos que transcreve, assevera que a autuação por omissão de receitas não sobreviverá: primeiro, o fiscal não levou em consideração que a atividade desempenhada pela Autuada depende de uma alta movimentação bancária, inerente à sua sobrevivência comercial, entretanto, a maioria dos valores movimentados não trata de receita da comercialização de combustível, muito menos da prestação de serviços, sendo, na realidade, meros repasses; segundo, a Contribuinte dá explicações de que era efetivamente um representante comercial e que a maioria dos valores que entraram e saíram das contas correntes se constituem em meros repasses e não decorrência de venda de combustível ou prestação de serviços, como o Autuante deseja caracterizar como omissão de receitas; por fim, o processo fiscal homenageia o princípio da verdade material, qual seja, de dar as provas aqui contidas na impugnação o peso e a veracidade comprobatória dos fatos alegados e, se necessário, abrir prova pericial; Do conceito de Receita ainda vale aqui apontar que estes valores jamais entraram no conceito de receita que permitisse a existência da dita autuação fiscal. Em sendo um vendedor, exclusivamente, de combustível, obtém apenas um percentual mínimo de receita. Ao lavrar a autuação, embasada nos depósitos bancários, está se autuando os valores auferidos com o mero repasse da utilização das CARTAS FRETE/CHEQUESTROCO. O conceito de receita agasalha, necessariamente, um direito a ser recebido. Há de existir um reconhecimento da importância na atividade da empresa e ou de seus desdobramentos (transcreve doutrina que conceitua receita, fl 1647). Concluímos, pois, que a receita é a entrada, para o ativo, de elementos que podem ser representados por espécie pecuniária ou direitos a receber, incluindose nesse rol até mesmo os juros bancários ou outros ganhos eventuais; analisando este conceito doutrinário se dessume que o conceito de receita, para efeitos tributários, vinculase às entradas pertinentes a atividade da empresa e seus desdobramentos; só podem ser considerados receita, para ser objeto de tributação e de autuação, os valores que sejam percebidos condizentes com a atividade fim da empresa e seus desdobramentos; ora, se a Empresa utiliza meros repasses/movimentação financeira para exercer sua atividade fim, apenas poderão ser consideradas receita as entradas que estejam vinculadas com esta atividade. Explicando melhor, receitas, aqui, serão, tãosomente, as entradas pertinentes à atividade de venda de combustível. Assim, qualquer autuação de IR deverá apenas incidir sobre a renda auferida a partir da receita com a venda de combustível, e não sobre os depósitos bancários (transcreve jurisprudência, fls. 1648/1649); ainda vale trazer a seguinte explanação: verificando os valores dos extratos bancários, podemos notar que existem vários valores altos, referentes aos recebimentos das cartasfrete, e outras de valores menores, referentes aos chequestroco prédatados repassados, comprovando que o dinheiro depositado não é proveniente de omissão de receitas; ao se fazer o cálculo e uma perícia nesses valores apontados nas contas correntes, se chegará a esta conclusão. Logo, as contas eram mesmo de mero repasse e não receitas omitidas de tributação, como atribui o Fiscal no auto de infração; Da Contabilidade embora a Contribuinte não tenha apresentado a documentação solicitada em tempo hábil, vem esclarecer que a falta de entrega não condiciona a severa penalidade aplicada pelo ilustre Autuante. É sabido que este tempo deferido pelo Fiscal é insuficiente para especificar todas estas movimentações apontadas, por maior boa vontade que se tenha; na realidade, a única irregularidade identificada pela autoridade fazendária resumese no fato de que o “contribuinte não apresentou em tempo hábil os livros e documentos contábeis, por falta de organização fiscal” (grifo do original), ou seja, não foi constatada nenhuma omissão real de receita na contabilidade – até porque não existe a dita ocultação de fatos econômicos à tributação de IR/PIS/COFINS/CSLL, como se verá com a verificação dos documentos contábeis; tais depósitos bancários, conforme já demonstrado, tratamse de meros repasses, que deveriam ser registrados no Livro Diário e Livro Razão. Sendo mais claro, isto quer dizer que a contabilidade pecou Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.864 7 por uma irregularidade de ordem formal e não material. O nãoregistro contábil das contascorrentes, no presente caso, não representa uma omissão de receitas, mas sim mero erro de formalidade quanto ao procedimento. Assim, tais depósitos não podem ser considerados ou taxados como omissão de receita, não sendo objeto de tributação pelo IR/CSLL/PIS/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Repasse não é faturamento, não é receita e muito menos é renda; Da Impossibilidade de Incidência da Alíquota de 32% dobre os Valores Supostamente Omitidos pelo princípio da eventualidade é forçoso que pontuemos a impossibilidade da incidência da alíquota de 32% sobre os valores supostamente omitidos. Não pode o Fiscal simplesmente supor que os valores movimentados nas contas correntes do Autuado referemse à receita obtida com a prestação de serviços, pois tal afirmação é por demais gravosa ao Impugnante, visto que a diferença entre a tributação sobre serviços é muito grande; para se ter idéia, levandose em consideração que tenha havido um suposto depósito de R$1.000,00 referente à receita obtida pelo posto, a diferença entre a tributação, caso fosse combustível e caso fosse serviços é de, respectivamente, R$16,00 (1,6%) e R$320,00 (32%), uma diferença, portanto, absurda e totalmente onerosa, pois tornaria a dívida impagável; assim, é de se levar em consideração que não se pode supor que todos os valores foram percebidos através de serviços, até porque o Autuado não os presta. Considerar que todas as receitas omitidas são de serviço ainda faz incidir PIS e Cofins, que não incidiriam se fossem consideradas apenas como venda de combustíveis, o que prejudica ainda mais o Impugnante. Em anexo, planilha exemplificando a brutal diferença entre a suposta tributação real e a imaginária apresentada pelo Auditor (fls. 1747/1753); Da Produção de Provas a contribuinte, em momento algum, deixou de esclarecer a origem e o destino do repasse dos valores. Só não o fez mais rapidamente, porque não conseguia encontrar as documentações necessárias. No entanto, a Contribuinte apresenta agora, com a Impugnação, todos os elementos probatórios, comprovando que os valores são meros repasses. Esses documentos devem ser obrigatoriamente analisados pelos julgadores e não isoladamente, mas abrindose e contrapondose as indicações contidas nas contas, os livros e documentos existentes (transcreve doutrina); é preciso verificar a escrituração dos livros, os documentos fiscais e os valores existentes nos extratos bancários, não permitindo o lançamento por omissão de receita, conforme demonstramos através da jurisprudência administrativa em caso de arbitramento, que guarda a devida similitude com o presente lançamento de ofício (transcreve ementa de acórdão do Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 1653/1654); e a doutrina só vem a reforçar os argumentos da jurisprudência transcrita, conforme excerto que reproduz (fls. 1654/1655); vêse claramente, pela doutrina e jurisprudência administrativa apontadas, que em se efetuando a perfeita e acabada investigação fiscal, esta omissão de receita não poderá prosperar; Necessidade de Prova Pericial inicialmente, cumprese dizer que os livros Diário e Razão são o raiox da empresa e demonstram o trânsito dos depósitos e repasses bancários citados no auto de infração, infelizmente, por lapso da contabilidade, não foram escriturados tais valores; porém, apenas com a checagem dos livros e documentos fiscais e com a simples noção do funcionamento dos postos de gasolina, podemos chegar à conclusão que o grande volume de movimentação bancária nada mais é do que meros repasses; por isso, apenas com uma perícia fiscal e com o auxílio de livros e documentos fiscais, será comprovado que aproximadamente 90% dos valores movimentados nas contas bancárias são de meros repasses; Do Requerimento diante do exposto, requerse seja julgada procedente a presente impugnação, reconhecendo a total improcedência do auto de infração, entendendo que não cabe o lançamento por omissão de receita no presente caso; seja realizado o julgamento simultâneo dos autos de infração de IR/PIS/Cofins e CSLL, todos pertinentes ao mesmo Mandado de Procedimento Fiscal, em razão da conexão e das provas acostadas ao presente auto de infração, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 1972; Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.865 8 por último, requer a produção de prova pericial, conforme motivação e quesitos apontados. A Contribuinte informa ter juntado ao processo os seguintes documentos: DOC 01 – Cópia do Contrato Social e Alteração nº 2 DOC 02 – Demonstrativo do Valor Real Recebido, planilha de utilização de ChequesTroco e cópias de Cheques DOC 03 Reportagens sobre troca de CARTAFRETE/CHEQUETROCO DOC 04 – Planilha exemplificativa da diferença entre a suposta tributação real e a imaginária DOC 05 – Cópia dos Livros de entradas, Saídas e Apuração do ICMS DOC 06 – Procuração e Cópia da identidade do sócio da Empresa DOC 07 – Cópia da OAB” Em 09/12/2010 foi prolatado o Acórdão nº 1525.610, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR, fls. 1812/1826, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PERÍCIA. O requerimento de perícia deve indicar os quesitos a serem formulados e o nome do perito, seu endereço e qualificação profissional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Depósitos em conta corrente, cuja origem não for comprovada pelo contribuinte, após intimação para esta finalidade, são considerados omissão de receita por presunção legal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM. A prova da origem de recursos depositados em conta corrente deve ser produzida pelo contribuinte e consiste em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, relativos a cada operação bancária. Insuficientes alegações genéricas com a juntada de documentos por amostragem. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Caso o contribuinte que tenha seu lucro arbitrado possua atividades diversificadas, ante a impossibilidade de identificação da atividade relativa a determinada receita, deve ser aplicado o percentual mais elevado de determinação do lucro tributável. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS. Da presunção legal de omissão de receitas decorre a inversão do ônus da prova. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1832/1849), merecendo destaque as seguintes alegações: Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.866 9 1 – Verdade Material sobre os depósitos nas contas correntes: As movimentações bancárias seriam originadas de um sistema comumente utilizado em postos de gasolina chamado de troca de CartaFrete; 2 – O conceito de receita não comporta o mero repasse da utilização das cartasfretes/chequestrocos; 3 – A impossibilidade de incidência da alíquota de 32% sobre os valores omitidos, uma vez que sobre tais valores, caso existentes, deveria incidir a alíquota de apenas 1,6%; 4 – A necessidade de produção de prova pericial; Oportunamente os autos foram remetidos a este E. Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos trazidos pelo Contribuinte. I – Pedido de Perícia: Requer o Contribuinte a realização de perícia, por entender imprescindível a análise técnica/contábil de seus livros Diário e Razão. Conceitualmente, perícia, nas lições de Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Saraiva, São Paulo, 1993, pág. 320), “nada mais é do que uma diligência a ser feita por quem tem o conhecimento de determinada matéria, ou seja, é diligência levada a cabo por um expert a fim de que certos fatos sejam esclarecidos. Supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo”. Neste sentido, não me parece que a questão demande análise de especialista, uma vez que a matéria contábil encontrase dentro da esfera de conhecimento e competência funcional dos ilustres julgadores deste E. Conselho Administrativo e, também, do ilustres julgadores de primeira instância. Notese, inclusive, que este é o posicionamento pacífico deste tribunal. Vejamos: (...) PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.867 10 que só depende de matéria contábil e argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(...) (Processo nº 10630.001571/200350; Acórdão nº 10322084; Primeiro Conselho de Contribuintes; Terceira Câmara Dj 12.09.2005 Em não sendo o suficiente, há que se atentar que o Contribuinte deixou de cumprir com o disposto no artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o pedido de perícia. Vejase: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes os exames desejados, assim como, no caso da perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. É de se notar, assim, que o Contribuinte deixou de cumprir com os requisitos legais necessários. Portanto, tornase inviável a realização da perícia por mais este motivo. Vide, em sentido análogo, os seguintes precedentes: (...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍCIA CONTÁBIL Insustentável o pedido de perícia contábil, de caráter genérico e sem a indicação e qualificação do seu perito, por não se coadunar às regras insculpidas no artigo 16, inciso IV, e § 1º, do Dec. nº 70.235/7. (...) (Acórdão nº 129.467; Processo Administrativo nº 16327.001011/0065; Primeiro Conselho de Contribuintes; DJ 19 de Junho de 2002). Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação. O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. (...) Acórdão nº 2201002.414; Processo Administrativo nº 10665.000562/200930; Segunda Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária; Dj. 14 de maio de 2014). Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de realização de prova pericial, uma vez não constatado o cumprimento do disposto no artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72 e por se tratar de matéria contábil, que se encontra dentro da esfera de conhecimento e competência funcional dos ilustres julgadores deste E. Conselho Administrativo, não demandando, portanto, de conhecimento técnico de um expert. II – Arbitramento – Alíquota de 32% Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.868 11 Superado tal ponto, passase às questões de mérito referentes ao aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Como se sabe, o arbitramento do lucro é meio excepcional pelo qual a Autoridade Fiscal se socorre para viabilizar a apuração do imposto devido por uma empresa, quando outra forma não é viável. Neste sentido, o Regulamento do Imposto de Renda estabelece que o arbitramento deva ser utilizado quando: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Conforme se extrai dos autos (fls. 1639), o Contribuinte deixou de apresentar os livros contábeis e fiscais obrigatórios, quais sejam, o Livro Caixa, com os documentos que lhe dão lastro, e/ou os Livros Diários e Razão. Assim, é indiscutível a aplicação do arbitramento como forma de apuração dos tributos devidos. Notese, ainda, que o próprio Contribuinte não ataca o arbitramento em si, mas tão somente o meio como este foi realizado, mais especificadamente a alíquota tomada por base. Neste ponto, explicou a D. Autoridade Fiscal que após a requisição dos extratos bancários, quando constatada a movimentação financeira bastante superior ao apresentado na DIPJ/2008, procedeu o lançamento da diferença atribuindo o percentual de 32% (prestação de serviços em geral) para obter o lucro tributável. A D. Autoridade Fiscal constatou movimentação financeira de R$ 68.997.947,98, abateu deste montante os R$ 6.583.097,99 devidamente declarados na DIPJ/2008 e, sobre o valor restante, valeuse da alíquota de 32% referente à prestação de serviços em geral. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.869 12 Dever entendido que a alíquota de 32% utilizada pela D. Autoridade Fiscal não foi escolhida ao seu bel prazer. Consta no contrato social do Contribuinte a previsão para de prestação de serviços. Nos moldes do que determina o artigo 24, § 1º, da Lei nº 9.249 de 1995, consubstanciado no parágrafo único do artigo 537 do RIR/99, no caso de atividades diversificadas, e não podendo haver a identificação ou segregação, a adição se faz na atividade de percentual mais elevado, in verbis: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado”. E no mesmo sentido: “Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado E em sentido análogo segue este colegiado: (...) LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTES APLICÁVEIS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. A base imponível do lucro presumido é apurada mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando demonstrado que se trata de pessoa jurídica que se dedica à atividade de prestação de serviços. LUCRO PRESUMIDO. PESSOA JURÍDICA COM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE. IMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MAIS ELEVADA. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder á percentual mais elevado LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. (...) Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.870 13 (Processo Administrativo nº 10280.720138/200687; Acórdão nº 1101 000.878; Primeira Seção de Julgamento, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária; Dj. 10 de Abril de 2013). Diante do exposto, devese concluir que a D. Autoridade Fiscal autuou o Contribuinte nos estritos termos da Lei nº 9.249/95 e do RIR/99, o que nem poderia ser diferente ante o princípio da vinculação inerente à atividade exercida. III – Omissão de Receitas Alega o Contribuinte que as movimentações bancárias consideradas como “Omissão de Receita” seriam decorrentes do sistema comumente utilizado em postos de gasolina chamado de troca de “cartafrete”. Esclarece o Contribuinte que a cartafrete é uma espécie de meio de pagamento utilizado pelas empresas para remuneração de caminhoneiros, onde tal carta pode ser trocada nos postos credenciados, havendo, assim, o adiantamento do valor que o caminhoneiro receberia ao final do serviço. Em linhas gerais, o caminhoneiro entrega ao posto credenciado uma carta frete de, digamos, R$ 10.000,00, o qual reterá R$ 2.000,00 referentes a despesas efetuadas no posto, devolvendo através de “chequetroco” R$ 8.000,00, o qual pode ser um único cheque ou diversos deles. Assim, entende o Contribuinte que estes valores não compõem sua receita, razão pela qual não poderiam ser considerados como receitas omitidas. A despeito disto, assume que errou ao faltar com a escrituração destas movimentações financeiras, que, segundo seu próprio entendimento, deveriam constar como meros repasses (fls. 1838). Conforme se sabe, a constatação de Omissão de Receita acarreta na chamada inversão do ônus da prova, que decorre da presunção legal trazida pelo Art. 42 da Lei nº 9.430, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Diante de referida disposição legal, caberia ao Contribuinte apresentar os documentos que comprovassem a origem dos depósitos/créditos, não bastando apenas alegar terem sido provenientes das operações envolvendo cartafrete. Buscando convalidar suas alegações o Contribuinte acostou aos autos a tabela de fls. 1767/1776, intitulada “cobranças de ordem de frete”. Ocorre, contudo, que os valores lá Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.871 14 constantes totalizam R$ 149.322,04, ou seja, muito inferior aos R$ 68.994.947,98, constatados como omitidos. Além do exposto, foi acostado aos autos outra tabela, intitulada “Cheque Troco” (fls. 1777/1784). Esta, não tem qualquer valor probante, como bem apontou a Delegacia de Julgamento, pois não se fez acompanhar dos cheques supostamente emitidos. Há que se notar, ainda, que outra tabela foi juntada às fls. 1785 a 1806. Estas se encontram acompanhadas dos respectivos cheques, os quais são de valores ínfimos se comparado ao montante em discussão (R$ 150,00 cada). Outro ponto chama atenção. Os cheques acostados aos autos, em sua grande maioria, são emitidos ao portador e têm, propositadamente (ao que aparenta), a assinatura não copiada. Outros, ainda, encontramse riscados aleatoriamente (fls. 1785; 1793; 1794) e, por fim, diversos demonstram coincidências de datas e valores. Tal documentação comprova a existência de operações com cartafrete, mas isso nunca foi matéria de discussão. O que não comprova a documentação acostada é a movimentação financeira próxima de 68 milhões de reais. Resumidamente, nenhum dos documentos juntados aos autos pelo Contribuinte é dotado de idoneidade e capacidade de sustentar a alegação de inexistência de Omissão de Receita. Este E. Conselho Administrativo, por diversas vezes, posicionouse no sentido de que a presunção legal inverte o ônus da prova, cabendo ao Contribuinte apresentar os documentos idôneos que comprovem a origem do crédito em discussão. Vejamos: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósitoou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da orig em sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção” (Processo nº 10665.000562/200930; Acórdão 2201002.414; Segunda Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária; Dj. 14 de maio de 2014) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: IRPJ OMISSÃO DE RECEITA FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DO NUMERÁRIO PRESUNÇÃO RELATIVA o ingresso de recursos em conta bancária do contribuinte, sem a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, implica presunção de omissão de Receitas. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.872 15 (Processo nº 18471.001079/200790; Acórdão nº 1101000.928; Primeira Seção de Julgamento, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária; Dj. 08 de Agosto de 2013). IV – Conceito de Receita Segundo o entendimento do Contribuinte, os valores que perfazem os presentes Autos de Infração discutidos não abrangem o conceito de Receita, adentrando, novamente, na questão de que os valores provenientes chequestroco e cartasfrete configuram meros repasses e não receita propriamente dita. A bem da verdade, a questão não se refere ao conceito de receita propriamente dito. Ocorre que, conforme exposto acima, o Contribuinte não logrou êxito em vincular, de forma idônea, os valores em questão com os tais chequestroco e cartasfrete, assim, a natureza de tais institutos não se tornam relevantes ao caso. Ademais, como bem aclarou a D. Autoridade Fiscal, é da própria natureza do fato presumido tratar o crédito/depósito em conta corrente como receita. Afinal, tratase de presunção. Na hipótese de assim não o ser, a presunção perde o sentido e a tributação não teria objeto. Ou seja, cabe ao Contribuinte, uma vez constatados os valores, afastar a presunção com a apresentação de comprovações (documentos hábeis e idôneos) que demonstrem que os valores considerados no lançamento não são renda ou não são tributáveis por qualquer motivo. Como explicado no tópico anterior, o Contribuinte tratou o tema dos depósitos como “mero repasse” (fls. 1648), considerando o ponto como pacífico. Entretanto, em nenhum momento buscou comprovar aludida afirmação, razão pela qual entendo válido o arbitramento aplicado pela D. Autoridade Fiscal, devendo ser mantida, neste aspecto, a decisão recorrida. V – Agravamento da Multa Aplicada Alega o Contribuinte que a falta de documentação solicitada não justificaria a severa penalidade aplicada, qual seja, o agravamento da multa. Diz o Contribuinte que o prazo não foi suficiente para especificar todas as movimentações bancárias e reconhece que deixou de registrar a movimentação bancária nos livros Diário e Razão, mas, a seu ver, tais fatos são meras irregularidades formais e não materiais. Ora, necessário notar que o a única manifestação do Contribuinte durante todo o procedimento fiscal se deu às fls. 502, pela qual, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, após reintimação, solicitou dilação de prazo, a qual foi deferida. Assim, me parece equivocada a alegação de falta de prazo para apresentação de documentação. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.873 16 E se não fosse o bastante, percebemos que o Contribuinte possuía tanto o livro Diário quanto o livro Razão, mas em nenhum momento registrou as movimentações bancárias nestes. Possivelmente por esse motivo deixou de apresentalos à D. Autoridade Fiscal quando solicitado. Conforme determinam os Artigos 957, inciso I c/c 959, inciso I do RIR/99, as questões aludidas fazem jus ao agravamento da multa. Transcrevase: “Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...)” Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; (...)” Entendo não ser o caso de aplicação da súmula nº 96 do CARF, segundo a qual: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. A meu ver o Contribuinte não deixou apenas de apresentar a documentação necessária, mas sim incorreu em claro óbice à fiscalização, na medida em que requereu dilação de prazo e não o atendeu. Conforme se observa da descrição dos fatos apresentada pela D. Autoridade Fiscal, houve um não atendimento sistemático das intimações. Com base em todo o exposto, e nos moldes do que determina a legislação vigente, imperiosa a manutenção da multa agravada. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.728989/201070 Acórdão n.º 1202001.244 S1C2T2 Fl. 1.874 17 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão de primeira instância em seus exatos termos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 15940.000292/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.274
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Kanamaru. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1426.408 da 2ª Turma da DRJ/RPO, o qual manteve integralmente o lançamento do crédito tributário. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Contra empresa acima identificada foi lavrado auto de infração (fls.4.780/ 1.826) que lhe exigiu multa regulamentar no valor de R$ 32.389.504,76. A base legal que suportou a imposição tributária tem fundamento no art. 83, inciso II, § 1º da Lei n° 4.502/1964 e art. 1º alteração 2ª, do Decretolei n° 400/1968, traduzidos para o art 490 do RIPI – 2002. Fl. 8037DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 2 2 O procedimento fiscal do qual resultou a presente imposição tributária decorreu em face das irregularidades detectadas na analise dos créditos de PIS e COFINS pleiteados pela interessada em epígrafe, verificandose a ocorrência de reflexos, os quais interferem sobre o cálculo do IRPJ, CSLL e IPI. Verificouse que a empresa acima identificada, durante o ano calendário de 2004, recebeu, registrou e utilizou em proveito próprio as notas fiscais inidôneas relacionadas na planilha de fls. 3.486/3.507. A autoridade fiscal relacionou no Termo de ação e Conclusão Final, fls. 4.827/4.840, as empresas fornecedoras com situação cadastral irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria de Fazenda Estadual e/ou omissa contumaz no cumprimento de obrigações acessórias, principalmente na entrega de DIPJ e DCTF. Além do mais, na maioria dos casos, a contribuinte não conseguiu comprovar o pagamento diretamente ao emitente da nota fiscal, sendo o pagamento transferido a uma terceira pessoa por cessão de crédito. Diante dos fatos não restou nenhuma dúvida que a empresa utilizouse de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato. Em razão disso, lavrouse o presente auto de infração para exigir multa igual ao valor comercial da mercadoria, incidente sobre os valores das notas fiscais relacionadas na planilha, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal. Procedeu a autoridade tributária à lavratura de representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal, em razão da utilização de documento inidôneos, cujo fato configura, em tese, crime contra a ordem tributária. Inconformada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 4.845/4.890, instruída com os documentos de fls. 4.891/7.425, em que alega, preliminarmente: a) cerceamento de defesa caracterizado pelo fato que durante procedimento de verificação de crédito relativos ao PIS/COFINS, incluiuse o tributo IPI relativo ao período de 01/2003 à 06/2007, sem qualquer intimação para que apresentasse documentos ou justificasse as supostas irregularidades; b) decadência dos fatos geradores ocorridos de 01/01/2004 a 09/06/2004, pois não tendo a lei fixado prazo específico para a homologação, relativamente as penalidades pecuniárias, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante determina o §4°, do art. 150 do CTN, sendo dies a quo fixado a partir da ocorrência do fato gerador. No mérito, argüiu que: Fl. 8038DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 3 3 1. Não merece prosperar a glosa referente a fornecedores (abaixo discriminados) em situação irregular, por motivos como inexistência de fato, inatividade, nãohabilitação no SINTEGRA, etc., pois a efetividade das operações de compra, assim como o recebimento das mercadorias, tem comprovação nos documentos anexados (RDA's e comprovantes de pagamento): a) Alexandra Naples G. dos Reis Rodrigues, CNPJ 05.542.612/0001 20—empresa com situação "ativa" no CNPJ desde 03/11/2005 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 31/12/2003; a inaptidão foi declarada em 06/11/2008 no âmbito do processo n° 15940.000452/200723 e não poderia alcançar fatos pretéritos; "habilitado" no SINTEGRA conforme consultas de 17/03/2004 e 07/10/2004; ~b) Comercial St Paul Ltda. , CNPJ 05.316.373/000190 — empresa com situação "ativa" no CNPJ desde 03/11/2005 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 16/01/2003; a inaptidão foi declarada em 27/02/2009 no âmbito do processo n° 15940.000489/200751 e não poderia alcançar fatos pretéritos; c) Frigoan Frigorífico Noroeste Ltda., CNPJ 70.435.383/000297 — empresa "ativa" desde 03/11/2005 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 02/09/2004 ("habilitado" conforme consulta de 19/10/2005); a inaptidão foi declarada em 13/06/2008 no âmbito do processo n° 15940.000402/200746 e não poderia alcançar fatos pretéritos; d) Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda, CNPJ 03.595.910/000152 — empresa com situação "inapta" quanto ao CNPJ desde 27/12/1999 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 03/06/2005; a inaptidão foi declarada em 28/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000032/2008 28 e não poderia alcançar fatos pretéritos; e) M J Aragão Crruz ME, CNPJ 00.432.430/000182 — empresa com situação "inapta" desde 24/04/2002 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 25/01/2006 (“habilitado” conforme consultas em 2004 e 2005); a inaptidão foi declarada em 27/03/2008 no âmbito do processo nº 15940.000030/20083916 e não poderia alcançar fatos pretéritos; f) Marfabi Agro Comercial Ltda. , CNPJ 05.724.387/000142 — empresa com situação "inapta" desde 04/03/2008 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 11/07/2003; a inaptidão foi declarada em 04/03/2008 no âmbito do processo n° 1594 ,000431/200716 e não poderia alcançar fatos pretéritos; g) Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda. , CNPJ 06.272.377/090186 —empre sa com situação "inapta" desde 31/01/2008 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 17/06/2004; a inaptidão foi declarada em 31/01/2008 no âmbito do Fl. 8039DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 4 4 processo n° 15940. 000389/200725 e não poderia alcançar fatos pretéritos; h) Montaria Comércio de Óleos Ltda. , CNPJ 06.198.938/000144 — empresa com situação "suspensa" desde 21/12/2007 e "não habilitada" no SINTEGRA, a partir de 20/04/2004; a inaptidão foi declarada em 13/02/2008 no âmbito do processo n° 1594.000435/200796 e não poderia alcançar fatos pretéritos; i) Pro Boi Comércio Importação Exportação Ltda , CNPJ 71.226.86/0001 28 — empresa com situação "inapta" quanto ao CNPJ desde 16/01/2008 e "não habilitada" no SINTGRA a partir de 15/10/2005; a inaptidão foi declarada em 13/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000019/200879 e não poderia alcançar fatos pretéritos; j) Trajano Comércio de Óleos Ltda. , CNPJ 06.341.411/000127 — empresa com situação "inapta" quanto ao CNPJ desde 28/02/2008 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 26/07/2004; a inaptidão foi declarada em 28/02/2008 no âmbito do processo n° 15949 000497/200706 e não poderia alcançar fatos pretéritos; k) WG Couros Ltda. , CNPJ 04.461.371/000121 — empresa com situação "inapta" desde 22/05/2001 e "não habilitada" no S INTEGRA a partir de 01 ),11/2006 ("habilitado" conforme consultas em 2001, 2004, 2005 e 2006); a inaptidão foi declarada em 24/03 2008 no âmbito do processo n° 15940.000022/20089216 e não poderia alcançar fatos I 1) Comércio de Couros Celeste Ltda. , CNPJ 06.859.837/00 177 —empresa, a com situação "ativa" desde 23/10/2004 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 06/08 004; "habilitado" no SINTEGRA conforme consultas em 27/09/2004; m) Nelore Couros Ltda., CNPJ 03.887.315/000190 — empresa com situa o "inapta" desde 17/07/2004 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 01 I08/2003 ("habilitado" conforme consulta de 05/02/2004); quanto à declaração de inaptidão, não consta o número do processo no sistema Comprot e a publicação do Ato Declaratório, sendo Ique não alcançar fatos pretéritos; n) Santos Soares Dias, CNPJ 02.200.033/000100 — empresa com situação "inapata " desde 11/02/1999 e "não habilitada" no SINTEGRA a partir de 06/07/2006; a inaptidão foi declarada em 23/11/2004 no âmbito do processo n° 10670.001046/200449 e não alcançar fatos pretéritos; o) Lacerda Couros Ltda., CNPJ 02.524.332/000109, e Karl Paim, CNPJ 03.203.117/000160 — absurdo afirmar que não se relacionam ao comércio de couros, tentando vincular os pagamentos de tais notas com a aquisição de um imóvel; não existi relação comercial entre a Sra. Virginia Célia Ramos Amorim e referidas empresas. O que existiu foi um ajuste financeiro, onde aquela adquiriu títulos de crédito destas últimas, sacados contra a Vitapelli. Fl. 8040DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 5 5 2. Nos termos da IN SRF n° 200, de 13 de setembro de 2002, art. 43, § 3°, I e II, a inidoneidade de documentos emitidos somente pode ser aplicada com a publicação do ADE no Diário Oficial; a nãolocalização dos contribuintes não pode ensejar as glosas das operações que se referem ao ano de 2004, sendo as inaptidões declaradas apenas a partir de dezembro de 2007; 3. Pelos documentos ofertados à fiscalização, está mais que comprovado o recebimento das mercadorias descritas nas notas fiscais. A suposta infração ao art. 490, inciso II do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), não pode prosperar, pois se os vendedores não recolheram os tributos devidos, não cabe à autuada qualquer providência, pois a ela não é dado o poder de fiscalização, sendo este decorrente de Poder de Polícia; 4. A requerente é adquirente de boafé, sendo as inidoneidades afastadas perante a comprovação da real ocorrência das operações, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ; 5. Tomou o cuidado prévio de contratar fornecimentos de empresas habilitadas no sistema SINTEGRA do Fisco Estadual e junta documentos comprobatórios da efetividade das operações, como cópias de depósitos bancários que comprovam os pagamentos, "tickets de pesagem" que comprovam o recebimento das mercadorias e RPAs que comprovam o transporte das mercadorias, tudo discriminado em planilha elaborada; 6. Argúi ainda que não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material que rege o Processo Administrativo Tributário; 7. A atuação é flagrantemente ilegítima e nula, pois à época das operações as empresas fornecedoras encontravamse devidamente habilitadas, tendo sido tornadas públicas as declarações de inidoneidade e de inaptidão em datas bem posteriores aos fatos. Por derradeiro, requer a realização de diligência e perícia para atender aos quesitos especificados na última página da manifestação de inconformidade. A Interessada, em momento posterior ao prazo legal de impugnação, trouxe, no que denomina ADITAMENTO, protocolada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto em 04 de setembro de 2009, os documentos de fls. 7.441 a 7.479. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela manutenção do lançamento, consoante se depreende da ementa abaixo: Fl. 8041DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 6 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01 /01 /2004 a 31/12/2004 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídico tributária da documentação reputada como inidônea. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos os casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Por se tratar de lançamento de ofício de crédito tributário, aplica se a regra geral de decadência ao lançamento de multa regulamentar, ou seja, o artigo 173 do CTN, independentemente da comprovação fraude ou dolo. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 – Como produtora de couro e artefatos adquire matérias prima em todos os Estado e exporta 95%(noventa e cinco por cento) de sua produção; 2 – Foi notificada em 09/06/2009, assim os créditos decorrentes dos fatos geradores ocorridos de 01/01/2004 a 09/06/2004 estariam decaídos em atenção ao § 4º do art. 150 do CTN; 3 – A multa regulamentar é inexigível, em atenção a lei nº 11.941/2009, que através do art. 1º § 3º, I, estabelece que os débitos pagos à vista, terão redução de 100%(cem por cento) da multa de ofício. Fl. 8042DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 7 7 4 – Ficaram demonstradas nos autos as operações de compras e o recebimento das mercadorias, comprovados através dos tickets de pesagem e dos recibos de pagamento de autônomo. A fiscalização afirma no termo de verificação(fls. 1627) que a matéria prima foi adquirida de fornecedores do Estado de São Paulo e de outros Estado; 5 Com fundamento no art. 82 da lei nº 9.430/96, não há formalidade para o pagamento ser realizado diretamente ao fornecedor ou a terceiro por ele indicado(banco, factoring ou pessoa física), portanto nos termos do, parágrafo único, do referido artigo inexiste restrição quanto ao pagamento, sendo necessário apenas sua efetiva comprovação, independentemente se o mesmo foi realizado ao fornecedor ou a outra pessoa. 6 – De acordo com a instrução normativa INSF 200 de 13/09/2002 vigente a época dos fatos, a inidoneidade dos documentos só pode ser atribuídas após a publicação do ADE, o que só ocorreu após as operações; 7 – O fato das diligências, realizadas a partir de dezembro de 2007, não terem sucesso não permite a glosa de operações realizadas em 2004; 8 – São válidas a cessões de créditos realizadas, já que foi realizado um negócio jurídico perfeito, com contrato de compra e venda e entrega da mercadoria, cumprida ainda a exigência do art. 290 do CC, através de cartas de cessão de crédito dando a ciência do devedor; 9 – Não procede a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e os beneficiáriocessionários, pois eles não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a recorrente. Designado o julgamento do presente para 19/03/2013, foi apresentado pedido de adiamento, o qual depois de atendido foi incluído na pauto do mês de abril. Acontece que o requerimento apresentado não se resumia apenas a um pedido de adiamento, pois a recorrente demonstra que o auto decorre de glosas de créditos de PIS e Cofins, e assim propõe que seja aplicado o mesmo posicionamento adotado nos processos que analisaram os pedidos de ressarcimento, os quais foram parcialmente providos, após posicionamento da 3ª Turma Especial da Terceira Sessão, anexando para tanto certidão de julgamento. O provimento parcial reverteu as glosas de créditos decorrente da aquisição de fornecedores considerados inexistentes de fato, os quais foram elencados pela recorrente, e assim sustenta que se as glosas foram revertidas não há como sustentar a imposição de multa regulamentar. Antes os argumentos apresentados pela recorrente e os documentos apresentados com o requerimento, foi realizada a digitalização dos mesmos para serem inseridos no e processo. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho, Relator Fl. 8043DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 8 8 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, quanto a análise da preliminar de decadência, relativa aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2004 e 09/06/2009, arguida sob o fundamento de que no caso em tela, a contagem do prazo tem início a partir do fato gerador, e portanto como a notificação ocorreu em 09/06/2009 estariam decaídos em atenção ao § 4º do art. 150 do CTN, deixase para apreciar em momento oportuno, em atenção a conversão do presente julgamento em diligência, como será abaixo delineado. Procura a recorrente legitimar a utilização das notas ao demonstrar que as operações de compras foram realizadas, defendendo ainda, que não há formalidades quanto ao pagamento, podendo ser diretamente ao fornecedor ou a terceiro. Acontece, que o auto foi lavrado, após a análise de crédito pretendido de PIS e COFINS, decorrente da utilização de notas fiscais emitidas por empresas fornecedoras com situação irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria da Receita Estadual e/ou omissa contumaz no cumprimento de obrigações acessórias. Assim, como a recorrente trouxe aos autos elementos que comprovam que em alguns processos, os pedidos de ressarcimento do PIS e de COFINS, que originaram o lançamento foram deferidos para alguns fornecedores que haviam sido considerados inexistentes de fato, o que afetará proporcionalmente a multa ora lançada, já que as especificas operações foram consideradas regulares fica, neste momento, prejudicado o julgamento o presente recurso voluntário. Neste diapasão, demonstrada a dependência do julgamento do presente litígio ao resultado final da decisão definitiva administrativamente a ser proferida no julgamento dos processos relativos ao pedido de ressarcimento, deve o presente ser sobrestado até que a mencionada decisão seja prolatada e o seu resultado informado nos autos. Em face do exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado das decisões definitivas, de que trata o art. 421 do Decreto nº 70.235, de 1972, proferidas nos autos dos seguintes processos nº 15940.000501/200758, nº 15940.000302/200710, nº 15940.000301/200775, nº 15940.000300/200721, nº 15940.000299/200734, nº 15940.000298/200790, nº 15940.000297/200745, nº 15940.000293/200767, nº 10835.003027/200427, nº 10835.002289/200555, nº 10835.001555/200522, nº 10835.000830/200591, nº 10835.000162/200500 e nº 10835.000068/200623, assim como proceda a juntada das cópias dos respectivos julgados, realizando o cálculo proporcional da multa em atenção ao resultado dos referidos processos. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) 1 "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício." Fl. 8044DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15940.000292/200984 Resolução n.º 3102000.274 S3C1T2 Fl. 9 9 Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Fl. 8045DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.906389/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.508
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 63 89 /2 00 9- 70 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.906389/200970 Acórdão n.º 3202001.508 S3C2T2 Fl. 388 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 389DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903971/2008-62
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do ano-calendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do ano-calendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 39 71 /2 00 8- 62 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 331 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 32400.08351.151204.1.3.025572 em 14.12.2004, 12793.05020.291205.1.3.026300 em 29.12.2005, e 13578.22740.300505.1.3.025090, em 30.05.2005, utilizandose de saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$242.815,18 do anocalendário de 2003, apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 5154, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO PAGAMENTOS SOMA PARC.CRED PER/DCOMP 242.815,18 242.815,18 CONFIRMADAS 242.815,18 242.815,18 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$242.815,18. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$2.166.619,71 IRPJ devido: R$1.965.628,13 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 32400.08351.1512 04.1.3.015572 12793.05020.291205.1.3.026300: 13578.22740.300505.1.3.025090 [...] Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 332 3 Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei no 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional),Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0218, com os argumentos a seguir discriminados: II DOS FATOS 2. A Manifestante realizou a compensação de débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, através do envio de 3 (três) Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento/ Declarações de Compensação Per/DComp, discriminadas adiante. PER/DCOMP n°. 32400.08351.1512041.3.025572 3. 3. O primeiro pedido, protocolado sob o n°. 32400.08351.1512041.302 5572, utilizou como crédito o Saldo Negativo de Imposto de Renda, apurado no encerramento do anocalendário de 2003, no montante de R$242.815,18 [...], conforme evidenciado inequivocamente na ficha 12A , da respectiva declaração de rendimentos (vide p. f. doc. 2 — Saldo Negativo de 2003) . 4. Esse valor foi utilizado para a realização da quitação (compensação) de débitos de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ (código 2362) relativo aos períodos de apuração de janeiro de 2004 (R$ 204.274,85 de principal e R$25.146,23 de juros) e março de 2004 (R$38.540,33 de principal e R$3.757,68 de juros). 5. A Autoridade Fiscal, ao avaliar o procedimento acima determinou através do Despacho Decisório ora impugnado a homologação, parcial, da compensação efetuada. Tal decisão baseouse, equivocadamente na alegação de que o valor das parcelas de crédito indicadas na DIPJ e o valor do débito apurado no mesmo período corresponderiam a iguais montantes, hipótese em que o resultado negativo seria igual a zero„ o que, de plano, pode ser afastado pela mera leitura da já citada ficha 12 A que aponta a existência e apuração do crédito utilizado para efeito das compensações indeferidas. 6. Tal equivoco, verificado no Despacho Decisório combatido decorreu, tão somente, da falta de compreensão das informações contidas na declaração de rendimentos e aquelas indicas na Per/DComp, o que, acredita a Manifestante, deverá ser superado por esta Autoridade Julgadora a partir dos documentos disponibilizados. 7. Digase, ainda, que a apuração do Imposto de Renda relativo ao ano calendário de 2003 foi corretamente realizada, evidenciando a composição de um Saldo Negativo de IRPJ legitimo, nos termos do artigo 231, do Regulamento do Imposto de Renda, conforme será demonstrado adiante, o que torna possível a realização de compensações nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430/96 e a Instrução Normativa RFB n° 600, de 28.12.05. DIPJ 2005 e PER/DCOMP n°. 13578.22740.300505.1.3.5090 8. 8. A segunda compensação protocolada junto à Receita Federal do Brasil em 30.05.2005 utilizou um crédito relativo ao Saldo Negativo do Imposto de Renda apurado no anocalendário de 2004, conforme será evidenciado adiante. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 333 4 9. E cediço que a compensação de Saldo Negativo de IRPJ deve ser realizada através de Per/DComp, com a devida composição do montante total do crédito apurado no respectivo período de apuração. 10. Neste caso, entretanto, a Manifestante incorreu em mero erro material, através do preenchimento incorreto das declarações acima destacadas, quando pretendia realizar a evidenciação do crédito (DIPJ) e a respectiva compensação de alguns débitos (Per/DComp), informando equivocadamente o valor do crédito apurado e o respectivo período (o ano de 2003 ao invés do ano de 2004). O valor total do crédito informado foi de R$196.5 04,85. 11. Isto porque, na ocasião do preenchimento da DIPJ 2005 (anocalendário 2004), foi informado na Ficha 12A, daquela declaração de rendimentos, os valores das antecipações apuradas e recolhidas entre os meses de janeiro a dezembro (Ficha 11), juntamente com os recolhimentos indevidos (de IRPJ), efetuados no mesmo período. 11. Esclareçase, portanto, que no ano de 2004 houveram recolhimentos indevidos (a maior) de IRPJ, os quais foram interpretados pela Manifestante como antecipações, razão pela qual foram informados na composição do saldo negativo do ano, gerando, conseqüentemente, a inconsistência de informações e impedindo a homologação da compensação, eis que majorado indevidamente o Saldo Negativo do tributo. 12. Em que pese tal equivoco, não se pode perder de vista, no entanto, que a compensação efetuada pela Manifestante, embora maculada pela inconsistência de informação, não acarretou qualquer prejuízo para a Fazenda Pública, na medida em que todos os créditos utilizados perfaziam indébitos efetivamente apurados pela Manifestante, seja através das antecipações a maior efetuadas no ano de 2004, seja pelos recolhimentos indevidos no mesmo período. Então, a compensação realizada com base neste montante, limitouse aos créditos efetivamente existentes. 13. Os valores recolhidos indevidamente estão representados pelos respectivos documentos de recolhimento, cujas respectivas DCTF's serão devidamente retificadas pela Manifestante, a fim de evidenciar o valor total do indébito que em valores históricos monta à R$474.563,69, adiante conciliado. 14. Destacase que este fato se deu por erro no lançamento dos valores pertinentes a Ficha 12A 17 (Imposto de Renda Pago por Estimativa), indicando um montante incoerente com aquele efetivamente recolhido/deduzido/compensado, conforme será demonstrado adiante. 15. Desta forma, a Manifestante possuía efetivamente o direito ao crédito oriundo do Saldo Negativo do Imposto de Renda relativo ao anocalendário de 2004, cujo montante total apontava R$195.408,40 (valor original sem atualização), de acordo com a reconciliação dos saldos abaixo: 1 Antecipações (janeiro/dezembro 04) 4.354.766,52 2 Valor apurado no encerramento (dez 04) 4.829.280,21 3 Saldo Negativo Apurado (1 2) 195.408,40 4 Valor informado na DIPJ 2005 669.922,09 5 Diferença Apurada (3 4) 474.563,69 6 Valores Recolhidos a Maior 474.563,69 7 Diferença (crédito indevido) (5 6) 0 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 334 5 16. Neste cenário, com a intenção de realizar a quitação do débito relativo a antecipação da estimativa mensal do Imposto de Renda das Pessoas jurídicas no período de apuração de abril de 2005, totalizando R$209.356,27 [...], a Manifestante enviou a Per/DComp n°. 13578.22740.300505.1.3.5090. 17. Desta forma, mesmo que se considere o erro material cometido pela Manifestante, é inquestionável, porém, a existência do crédito levado a efeito na compensação efetuada. Assim, considerando a impossibilidade de formalização de nova compensação para os respectivos valores, em face do indeferimento em questão, a Manifestante pugna pelo reconhecimento parcial do crédito compensado, até o limite do saldo negativo apurado no ano de 2004, e, adicionalmente, pela compensação de oficio dos demais créditos derivados do recolhimento indevido apurados também no ano de 2004, neste último caso com os respectivos acréscimos legais na forma da legislação aplicável. PER/DCOMP n°. 12793.05020.291205.1.3.026300 18. A PER/DCOMP n°. 12793.05020.291205.1.3.026300 foi formalizada perante a RFB com o intuito de compensar tributos federais valendose de um crédito constituído com base no Saldo Negativo do Imposto de Renda do ano calendário de 2004, apurado em um total de R$400.248,47 [...]. 19. Entretanto esta compensação foi preenchida incorretamente, e a Manifestante reconhece sua improcedência, não se obstando a quitação dos débitos a esta vinculados. Pugnando, entretanto, pela compensação de oficio dos débitos informados, com os créditos decorrentes dos recolhimentos indevidos efetuados no ano de 2004, mencionados no tópico anterior da presente Manifestação. III DO DIREITO III.1 Da composição dos créditos utilizados 20. Para afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade da origem do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2004, (R$195.408,40), o qual foi utilizado para efeito das compensações declaradas e que foram indeferidas pela RFB, mister se faz enfocar o ponto através da demonstração da apuração do Imposto de Renda do anocalendário de 2004, bem como a evidenciação do Saldo Negativo do Imposto de Renda utilizado para a compensação instrumentalizada através da Per/DComp nº 13578.22740.300505.1.3.5090. 21. O ponto de partida para a presente sustentação deve ser a análise e a verificação da própria natureza do crédito tributário em tela, bem como a demonstração de sua composição, para que seja possível entender a sequência de procedimentos que conduziram ao Despacho Decisório que indeferiu as compensações pretendidas e, portanto, combater os argumentos trazidos pela Receita Federal do Brasil. 22. A Manifestante apurou Saldo Negativo de Imposto de Renda no exercício de 2005 (anocalendário 2004), conforme demonstrado em apuração do Lucro Real junto à DIPJ do respectivo período, em conformidade com legislação aplicável. 23. Nos termos da legislação aplicável, art. 231, do Regulamento do Imposto de Renda„ consideramse como pagos, a soma dos valores devidos pelo imposto, recolhidos mensalmente por meio de DARF, ao Imposto de Renda Retido na Fonte Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 335 6 IRRF sobre receitas ou rendimentos computados na determinação do Lucro Real do período em curso, inclusive o relativo aos juros sobre o capital próprio, ao imposto de renda pago sobre os ganhos líquidos, à compensação de pagamento indevido, A compensação do saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, à compensação solicitada por meio de processo administrativo nos termos da IN n° SRF n° 21, de 1997, e alterações trazidas pela IN SRF n° 73, de 1997 (vigentes à época das compensações). 24. O Manual do Imposto de Renda, em seus itens 7.3 e 8.2.7.4, prescreve as hipóteses em que será possível a compensação do Saldo negativo do Imposto de Renda, [...] 25. Para fins de demonstração da composição do crédito, transcrevemse os valores abaixo e as informações destacadas na DIPJ 1999: IR à alíquota de 15% (Ficha 12A.1 ) R$2.701.336,51 IR à alíquota de 10% (Ficha 12A 3 ) R$1.776.891,01 Total devido: R$4.478.227,52 Operações de caráter cultural e artístico (Ficha 12A. 4) R$100.000,00 Fundos dos dir. da criança e do adolescente (Ficha 12A 8) R$23.461,00 Imposto de Renda Retido na Fonte (Ficha 13.13) R$195.408,40 IR mensal pago por estimativa (Ficha 13.16) R$4.829.280,21 Total do Imposto de Renda a pagar (Ficha 13.19) (R$669.922,09) 26. Conforme mencionado anteriormente, a Manifestante incorreu em erro material ao preencher os valores que integram a linha 17, da Ficha 12A da DIPJ 2005 (Imp. Renda Mensal Pago por Estimativa), indicando o montante de R$4.829.280,21, quando o correto seria R$4.354.766,52, correspondente ao total das antecipações efetuadas no período [...] 32. Insta ressaltar, que apesar do equivoco ao compor os valores do referido recolhimento de antecipação, e, consequente, majoração indevida do Saldo Negativo de IRPJ, a Manifestante apenas utilizou crédito realmente existente, ou seja, R$195.408,40. 33. Em suma, a Manifestante apresentou a Per/DComp n° 32400.08351.1512041.3.025572, indeferida pela autoridade, ainda que tenha sido comprovada corretamente a composição de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2003. Posteriormente foi realizada nova compensação, através da Per/DComp n° 13578.22740.300505.1.3.5090, evidentemente, baseada no Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2004, onde por equivoco, preencheu incorretamente a referência do ano ao qual deveria ser vinculado o crédito, indicando erroneamente o exercício de 2004 (anocalendário de 2003). III. 2) Do Princípio da Verdade Material/Possibilidade de Retificação de Erro de Preenchimento de Declaração 34. Conforme é cediço, o processo administrativo tributário prima pela incansável busca da verdade material [...]. 38. Com base nesse principio de direito administrativo tributário, inferese que a Administração Tributária, quando da aplicação de um juízo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização de novos exames, mediante a conversão do julgamento em diligência fiscal, sempre Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 336 7 que entender ser necessária a adoção desse procedimento, tendo em vista a complexidade dos assuntos envolvidos, agindo sempre em busca da verdade dos fato [...]. 40. Da assertiva acima se extrai, de plano, que o procedimento de análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte deverá ser pautado pela imparcialidade, sendo certo que a Autoridade Julgadora deverá, necessariamente, buscar os elementos de prova necessários formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independente da forma pela qual tais elementos foram exteriorizados. 41. No caso em apreciação, temos que ocorreu equívoco no tocante ao preenchimento da referência do exercício ao qual o crédito da Per/DComp n° 13578.22740.300505.1.3.5090 realmente se baseava, indicando erroneamente o ano de 2004 (anocalendário 2003) quando baseouse nos valores de 2005 (ano calendário 2004), exaustivamente demonstrado na presente Manifestação de Inconformidade. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 46. Por todo o exposto, protesta a Manifestante pela total procedência da presente Manifestação de Inconformidade, para que sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de cancelar os valores apontados como devidos no presente processo administrativo, com a conseqüente homologação dos procedimentos de compensação adotados pela Terminal de Vila Velha S.A, inclusive, quanto a compensação de oficio dos valores recolhidos indevidamente e que foram indicados na presente Manifestação, bem como, ao fim, seja determinado o arquivamento do feito, impondo o retorno a origem para que o departamento competente da RFB refaça todos os cálculos pertinentes as compensações em voga. 47. Outrossim, protesta por todos os meios de prova admitidos, mormente pela produção de prova documental para que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive a conversão em diligência fiscal, se for julgado necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. Está registrado como ementa e parte dispositiva do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que forem consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 337 8 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação, para efeito de determinação de liquidez e certeza. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de oficio, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. RETIFICAÇÃO DA DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. ANTERIORIDADE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. A legislação tributária estabelece, entre outras restrições, que a retificação de DCOMP somente pode ser efetuada pelo sujeito passivo na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, e desde que a declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO NA() CONFIGURADO. Constatada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, e já havendo decisão proferida pela autoridade administrativa competente, cabe à Delegacia de Julgamento a sua correção de oficio ou a pedido do sujeito passivo. Não se confirmando a existência desse tipo de erro, prevalecerão os dados constantes do PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte [...] Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade, os membros da turma, nos termos do relatório e voto, REJEITAR o pedido de realização de diligência e, no mérito: I) RECONHECER o direito creditório pleiteado através do PER/DCOMP n° 32400.08351.151204.1.3.025572, relativo ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 (AC 2003), apenas no valor de R$49.983,58, homologando as compensações declaradas no limite desse crédito reconhecido ; II) NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado através dos PER/DCOMP n's 13578.22740.300505.1.3.025090 e 12793.05020.291205.1.3.02 6300 ; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 338 9 III) DETERMINAR o prosseguimento na cobrança dos débitos não compensados em função deste voto. Notificada em 17.10.2013, fl. 274, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.11.2013, fls. 276298, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: III DO DIREITO III.a) Da Plena Comprovação da Existência do Crédito Saldo Negativo de IRPJ 2003/2004) DCOMP Final n° 5572. O ponto de partida para a presente sustentação não pode ser outro senão a confirmação da origem e formação do crédito tributário referente ao Saldo Negativo de IRPJ de 2003 (DIPJ 2004), o que permitirá que esses Ilustres Conselheiros avaliem a sua consistência, assegurandose, com isso, seu direito legítimo da ora Recorrente à compensação. Para afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade do aludido crédito, veja se que, no anocalendário de 2003, a Recorrente optou pelo recolhimento do IRPJ com base no Lucro Real anual, apurando e recolhendo mensalmente o tributo sob a forma de estimativa, nos termos do artigo 2º da Lei n° 9.430/96. [...] Por conseguinte, os recolhimentos que compõem as antecipações do IRPJ Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF e Declarações de Compensação DCOMP devem corresponder exatamente aos valores devidos em cada mês, guardando correspondência com a respectiva base de apuração. Da mesma forma, o valor a ser informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF também corresponderá àquele efetivamente apurado, vinculandose o pagamento até o limite declarado como devido. No caso em tela, as estimativas mensais apuradas ao longo do anocalendário de 2003, foram liquidadas mediante IR Retido na Fonte IRRF, DARF's pagos e DCOMP's instrumentalizadas. Tais parcelas compõem o Saldo Negativo de IRPJ 2003, [...] Composição do Crédito Saldo Negativo IRPJ 2003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ficha 11 Coluna A DCTF Mensal Coluna B Total Recolhido Coluna C IRRF Coluna D DARF Cód 2362 Coluna E Compensação Coluna F Jan 77.606,92 77.606,92 77.606,92 77.606,92 Fev Mar 334.591,83 334.591,83 334.591,82 334.591,82 Abr 221.475,53 221.475,53 221.475,54 768,65 221.475,54 Mai 409.602,84 409.591,71 409.591,71 2.882,20 409.591,71 Jun 442.767,82 442.767,82 442.767,83 1.983,91 261.182,65 181.585,18 Jul Ago Set 53.546,30 53.546,30 53.354,21 5.931,62 45.337,26 8.209,04 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 339 10 Out 232.151,97 232.151,97 232.151,97 1.620,38 232.151,97 Nov 302.164,57 302.164,57 302.164,68 1.000,81 297.358,97 4.805,71 Dez Total 2.073.907,78 2.073.896,65 2.073.704,68 14.187,57 836.030,85 1.237.865,92 Demonstrativo da Apuração IRPJ 2003 IRPJ Apurado 1.923.804,53 Deduções 0,00 IR Retido na Fonte 78.523,93 Estimativas 2.088.095,70* A Pagar (242.815,18) * R$92.711,93 (estimativas referentes ao IRRF) + R$836.030,85 (DARF's) + R$1.237.865,92 (DCOMP's) A apuração acima se encontra devidamente declarada na DIPJ/2004, já acostadas aos autos. Assim, terseá o Saldo Negativo de IRPJ 2003 R$242.815,18 formado pelas seguintes parcelas: Imposto de Renda Retido na Fonte AnoCalendário 2003 CNPJ NOME CÓDIGO RECEITA REND. BRUTO IRFonte 00.394.460/035956 Alfândega do Porto de Vitória 6190 322.211,73 30.449,01 00.537.004/000103 Novo Rumo Serviço de Topografia Ltda. 1708 16.033,70 240,51 01.701.201/000189 HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo 3426 386.948,11 77.389,52 33.592.510/000154 Companhia Vale do Rio Doce 3426 76.612,86 15.322,25 60.394.079/000104 Bankboston Banco Múltiplo S/A 3426 21.770,95 4.354.19 TOTAL 127.755,48 [...] Estimativas Compensadas Per/DComp's Período de Apuração Valor R$ Nº DComp Compensação 2362 Janeiro/2003 77.606,92 15791.80124.02100.31302.1096 77.606,92 2362 Março/2003 334.591,83 15791.80124.02100.31302.1096 334.591,83 2362 Abril/2003 221.475,53 15791.80124.02100.31302.1096 221.475,53 2362 Maio/2003 409.591,71 15791.80124.02100.31302.1096 409.591,71 2362 Junho/2003 442.767,82 15791.80124.02100.31302.1096 181.585,18 2362 Setembro/2003 53.546,30 15791.80124.02100.31302.1096 8.209,04 2362 Novembro/2003 302.164,57 15791.80124.02100.31302.1096 4.805,71 Total 1.237.865,92* * Total Confirmado pela RFB de pagamentos: R$1.040.431,52 Não Reconhecida R$192.639,51 [...] Estimativas Pagas DARF's Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 340 11 Período de Apuração Estimativa R$ Principal Pago R$ 2362 Junho/2003 442.767,82 261.182,65 2362 Setembro/2003 53.546,30 45.337,26 2362 Outubro/2003 232.151,97 232.151,97 2362 Novembro/2003 302.164,57 297.358,97 Total 836.030,85 [...] Conforme análise das parcelas de crédito realizado pela Autoridade Fiscal, resta claro que a parte das parcelas que compõem o crédito já foram reconhecidas pela própria RFB quando proferido o acórdão, perfazendo uma glosa no valor de R$192.876,60 [...] que se fundamenta na desconsideração de informações referentes a pagamentos (R$192,06) e compensações (R$192.639,51) ocorridas ao longo do anocalendário de 2003. [...] As parcelas de créditos não reconhecidas pela Autoridade Fiscal tratamse, principalmente, de compensações corretamente instrumentalizadas e transmitidas a RFB, não existindo motivo algum para tais parcelas serem desconsideradas. [...] Neste sentido, com objetivo de dirimir qualquer dúvida acerca da composição do crédito, seguem abaixo os esclarecimentos que demonstram a inequívoca comprovação da existência do crédito referente à parcela não confirmada pela RFB. III.b) Da Plena Composição do Saldo Negativo de IRPJ 2003 Da correta estimativa compensada Não obstante o entendimento manifestado pela Autoridade Julgadora, a situação fática ora analisada possui contornos detalhados que requerem análise especifica, sendo certo que, após tal análise, restará imperiosa a conclusão de que a compensação instrumentalizada pelo Per/DComp n° 32400.08351.151204.1.3.02 5572 obedeceu estritamente à legislação de regência, devendo, portanto, ser homologada pela Autoridade Fiscal. Como visto, a diferença questionada pela Autoridade Fazendária decorreu da análise de 02 (dois) Per/DComp's, não confirmadas pela RFB, por motivo inadequado ao presente contexto, já que as compensações encontramse válidas e liquidaram as estimativas de IRPJ 2003. Em verdade, no anocalendário de 2003 as estimativas apuradas de IRPJ, para os meses de Janeiro, Março, Abril, Maio, Junho, Setembro e Novembro foram integralmente ou parte delas liquidadas via compensação, tendo a Recorrente instrumentalizado 03 (três) Per/DComp's com o fito de liquidar as referidas estimativas. Inoportunamente, a Autoridade Julgadora quando da análise das referidas parcelas não confirmou a integralidade das compensações, pois em alguns casos, tais DComp's apresentamse com Despacho Decisório, sendo cobrado na lide de origem parte do débito nela compensado. Assim, quando da análise do Despacho Decisório referente às DComp's finais 1096 e 1123, foi externado o entendimento de insuficiência do crédito, sendo a suposta diferença, apurada na referida compensação, cobrada do contribuinte naquele processo. [...] Situação Per/DComp Entregue Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 341 12 Transmissão Per/DComp Tipo de Documento Tipo de Crédito Situação Per/DComp 02/10/2003 15791.80124.02100.31302.1096 Declaração de Compensação Saldo Negativo de IRPJ Despacho Decisório Emitido Situação Per/DComp Entregue Transmissão Per/DComp Tipo de Documento Tipo de Crédito Situação Per/DComp 02/12/2003 10001.53149.031203.1.3.021123 Declaração de Compensação Saldo Negativo de IRPJ Em Análise Assim é que todas as compensações deveriam ter sido confirmadas pela Autoridade Fiscal, pois não é um simples Despacho Decisório ou ainda em análise que descaracteriza ou invalida uma parcela de crédito compensada, pelo contrário, o fato de existir a emissão de Despacho Decisório é a garantia que tal estimativa será liquidada. Neste cenário, verificase que a Autoridade Fiscal responsável pelo presente processo, incorreu em erro ao não validar tais compensações, sob a alegação de que as mesmas já haviam sido objeto de outros questionamentos e glosas por parte da RFB, entretanto, em verdade, a parcela glosada para o ano calendário de 2003 já é objeto de regular cobrança naquele processo administrativo. Admitir tal possibilidade tem um único propósito: a cobrança em duplicidade, o gue, com todo o respeito, não pode prevalecer. Fazse mister ressaltar que as DComp's finais 1096 e 1123, [...] não poderão ser desconsideradas na composição do saldo negativo de IRPJ 2003, pois, qualquer compensação, mesmo que não homologada ou em análise, não pode prejudicar a composição do crédito em relação ao período subsequente, de utilização do crédito fiscal. Isto se deve ao fato de que tal compensação é tratada em processo distinto, e, conforme disposto no artigo 74, § 7°, da Lei n° 9.430/96, os valores compensados devem ser cobrados individualizadamente, ou seja, atrelados ao DComp nele vinculado, e ainda, na falta de pagamento ou de apresentação de defesa, tais débitos serão encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, com fundamento no § 8º, do artigo 73, da mesma Lei. Assim, glosar a parcela de crédito, neste momento, representa cobrar da Recorrente o mesmo débito em duplicidade, pois estará sendo exigido o alegado débito quando da instrumentalização do DComp, bem como sendo glosada a parcela de um crédito que já se encontra em cobrança. Logo, estarseia cobrando a mesma quantia através de duas vias diferentes e, ainda, com dois lançamentos diversos. Notese que, uma vez liquidado ou cancelado o alegado débito na DComp de composição de crédito, automaticamente estará confirmado o crédito utilizado neste processo. Ou seja, sendo o Per/DComp uma Declaração que representa a confissão divida, não há que se falar em não pagamento ou liquidação do débito, mas apenas, sendo o caso, a glosa das parcelas de crédito em sua origem. [...] Isso posto, temse como totalmente descabida a glosa da parcela do crédito representada pelos Per/DComp's final n°s 1096 e 1123 (no montante de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 342 13 R$192.639,51), de discussão em processo específico, devendo tal parcela ser considerada na composição do crédito de Saldo Negativo da IRPJ 2003, ante a sua inequívoca comprovação. Em suma, se considerados todos os aspectos legais, e, principalmente, as informações já trazidas aos autos quando do protocolo da Manifestação de Inconformidade, resta inequivocamente comprovada à plena existência do crédito da ora Recorrente, descabendo qualquer glosa. Assim, não restam quaisquer dúvidas de que a Recorrente está sendo penalizada por um equívoco cometido pela Autoridade Julgadora, pois, como esclarecido, desde o início, a origem da diferença questionada se deu, essencialmente, em razão das inconsistências apresentadas na análise das parcelas de crédito. III.c) Da Plena Composição do Saldo Negativo de IRPJ 2004 Crédito Utilizado pelas DComp's final n° 5090 e 6300 No que se refere às compensações n°s 13578.22740.300505.1.3.025090 e 12793.05020.291205. 1.3.026300 é notório que se referem ao Saldo Negativo de IRPJ 2004 (DIPJ 2005), subsistindo tãosomente mero erro material quando do preenchimento das aludidas declarações. O objetivo da Recorrente era vincular o valor do crédito apurado e o respectivo período, ao anocalendário de 2004, entretanto acabou por vincular o ano calendário de 2003, fato que acarretou a não homologação das compensações, uma vez que para o referido período (SN IRPJ 2003) não há saldo suficiente para liquidar a totalidade dos débitos objeto de compensação. Denotase que o referido equívoco cometido pela Recorrente pode ser claramente confirmado se consideradas as outras informações evidenciadas nas DComp's n°s 13578.22740.300505.1.3.025090 e 12793.05020.291205. 1.3.02 6300, [...]. Neste sentido fica óbvio que o equívoco cometido decorreu da diferença existente no significado do temo exercício e anocalendário, pois quando a Recorrente informou nos referidos Per/DComp's o Exercício de 2004, ela estava se referindo ao Anocalendário de 2004 e não ao anocalendário de 2003, conforme reconhecido pelo sistema. O que não pode prevalecer é este simples equívoco ser considerado como fã. preponderante para a não homologação das referidas compensações. Todavia, este lapso por parte da Recorrente em nenhum momento prejudicou a existência do Saldo Negativo de IRPJ 2004, portanto, uma vez sendo reconhecido o mero erro material quando da instrumentalização dos referidos Per/DComp's prevalecerá a mais pura justiça e sapiência ao ser analisado o respectivo crédito (SN IRPJ 2004). Entendimento contrário será uma afronta ao princípio da verdade material, tão almejado e respeitado no processo administrativo tributário. Frisase que o pleito da Recorrente, ao contrário do entendimento da Autoridade Julgadora, é demonstrar através de fatos e provas a veracidade do crédito, se sobrepondo até mesmo ao próprio equivoco cometido, na busca pela mais pura justiça ao requer à análise do crédito referente ao saldo negativo de IRPJ 2004. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 343 14 Sendo assim, para afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade da origem do Saldo Negativo de IRPJ 2004 (R$195.408,40), o qual foi utilizado para efeito das compensações declaradas e não homologadas pela RFB, mister se faz enfocar o ponto através da demonstração da apuração do Imposto de Renda do anocalendário de 2004, ora utilizado pelas compensações instrumentalizadas através dos Per/DComp's n°s 13578.22740.300505. 1.3.5090 e 12793.05020.291205. 1.3.02 6300. Tão logo, o ponto de partida para a presente sustentação, objetivando dirimir qualquer dúvida, deve ser à análise e a verificação da própria natureza do crédito tributário em tela, bem como a demonstração de sua composição que seja possível demonstrar a existência do crédito em comento (SN IRPJ 2004), assim como foi demonstrado em relação ao saldo negativo de IRPJ 2003. Seguindo a mesma linha de raciocínio já apresentada, conforme demonstrado na apuração do Lucro Real junto à DIPJ do respectivo período, e, em plena conformidade com legislação aplicável, a Recorrente apurou para o anocalendário de 2004 um Saldo Negativo de IRPJ no montante de R$669.922,09 [...]. Este Saldo Negativo de IRPJ 2004 é composto pelas estimativas mensais apuradas ao longo do anocalendário de 2004, as quais foram liquidadas mediante IRRF, DARF's pagos e DComp's instrumentalizadas. Tais parcelas, por sua vez, compõem o saldo negativo de IRPJ 2004, conforme pode ser verificado na planilha abaixo, [...] referente aos débitos declarados sob o Cód. 2362: Composição do Crédito Saldo Negativo IRPJ 2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ficha 11 Coluna A DCTF Mensal Coluna B Total Recolhido Coluna C IRRF Coluna D DARF Cód 2362 Coluna E Compensação Coluna F Jan 602.914,38 383.656,78 587.931,63 31.630,97 383.656,78 204.274,85 Fev 157.917,38 191.307,34 191.307,34 24.907,47 191.307,34 Mar 442.104,00 370.490,41 22.191,47 306.559,26 63.931,15 Abr 187.871,68 275.998,62 275.998,62 16.513,47 275.998,62 Mai 641.347,88 184.473,98 660.188,98 18.841,10 660.188,98 Jun 474.869,59 496.532,96 496.532,96 10.468,60 496.532,96 Jul 601.321,27 658.722,78 658.722,78 2.834,09 658.722,78 Ago 405.079,70 732.972,52 732.972,52 8.140,65 732.972,52 Set 636.500,57 636.500,56 275.503,13 360.997,43 Out Nov Dez 13.794,24 69.312,25 13.794,24 Total 4.149.926,45 2.937.459,22 4.610.645,80 204.840,07 3.995.236,61 629.203,43 Demonstrativo da Apuração IRPJ 2004 IRPJ Apurado 4.478.227,52 Deduções 123.461,00 IR Retido na Fonte 195.408,00 Estimativas 4.829.280,21 * A Pagar (669.922,09) * R$ 400.24,47 (estimativas referentes ao IRRF) + R$ 3.995.236,61 (DARF's) + R$ 629.203,43 (DComp's) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 344 15 A apuração acima se encontra devidamente declarada na DIPJ/2004, já acostadas aos autos. Assim, terseá o Saldo Negativo de IRPJ 2004 R$669.922,09 formado pelas seguintes parcelas: Imposto de Renda Retido na Fonte AnoCalendário 2004 CNPJ NOME CÓDIGO RECEITA REND. BRUTO IRFonte 00.394.460/035956 Alfândega do Porto de Vitória 1708 339.170,24 15.466,16 01.701.201/000189 HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo 3426 744.219,90 148.843,47 33.592.510/000154 Companhia Vale do Rio Doce 3426 941.388,04 188.277,46 59.588.111/000103 Banco Votorantim S/A 3426 238.307,31 47.661,38 TOTAL 400.248,47 [...] Estimativas Compensadas Per/DComp's Período de Apuração Valor R$ Nº DComp Compensação 32400.08351.151204.1.3.025572 204.274,85 2362 Janeiro/2004 602.914,38 32400.08351.151204.1.3.025572 38.540,23 2362 Março/2004 442.104,00 32400.08351.151204.1.3.025572 25.390,92 2362 Setembro/2004 636.500,57 360.997,43 Total 629.203,43 [...] Estimativas Pagas DARF's Período de Apuração Estimativa R$ Principal Pago R$ 2362 Janeiro/2004 602.914,38 383.656,78 2362 Fevereiro/2004 157.917,38 191.307,34 2362 Março/2004 442.104,00 306.559,26 2362 Abril/2004 187.871,68 275.998,62 475.715,00 2362 Maio/2004 641.347,88 184.473,98 2362 Junho/2004 474.869,59 496.532,96 2362 Julho/2004 601.321,27 658.722,78 2362 Agosto/2004 405.079,70 732.972,52 2362 Setembro/2004 636.500,57 275.503,13 2362 Novembro/2004 383.656,78 Total 3.995.236,61 [...] Consolidados todos os créditos vinculados ao Imposto de Renda do ano calendário de 2004, calculase um total de R$5.024.688,61 [...], que somando as Deduções (R$123.461,00) e diminuindo IRPJ Devido (R$4.478.227,52), terseá um Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 345 16 Saldo Negativo de IRPJ suficiente para garantir à homologação das compensações em comento. Logo, a não consideração do referido Saldo Negativo de IRPJ 2004 como crédito utilizado pelos DComp's final n°s 5090 e 6300, em razão da inconsistência no preenchimento, não poderá se sobrepor a verdade material. Entendimento contrário será enriquecimento ilícito por parte do Fisco Federal. Importante ressaltar, ainda, que a Autoridade Julgadora, desconsiderou por completo a origem do crédito, já que se ateve nas informações maculadas em equivoco quando da emissão do Despacho Decisório. [...] Denotase, acima de tudo, que a composição do crédito encontrase comprovada, tendo sido demonstrado toda a composição do Saldo Negativo de IRPJ 2004, por força da documentação e informações já acostadas aos presentes autos, por ocasião do protocolo da Manifestação de Inconformidade e mesmo assim, caso seja necessário qualquer outro documento, a Recorrente estará à disposição. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que o crédito tributário utilizado nos referidos Per/DComp's n°s 13578.22740.300505.1.3.5090 e 12793.05020.291205.1.3.026300, ora objeto de apreciação, se encontra devidamente comprovado e evidenciado, devendo, por essa razão, ser reformada o R. Acórdão e homologadas integralmente as compensações em referência. III.d Do Princípio da Verdade Material Como é cediço, o processo administrativo tributário prima pela incansável busca da verdade material, assegurando não só o pleno exercício do direito à ampla defesa, irredutível sob qualquer pretexto, como também permitindo o adequado equilíbrio da relação jurídicotributária estabelecida entre o Ente Político, por meio da Administração Tributária, e os seus administrados (contribuintes). Com base nesse princípio de direito administrativo tributário, inferese que a Administração Tributária, quando da aplicação de um juízo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização d «ovos exames, ainda que por intermédio da conversão do julgamento em diligência fiscal, agindo sempre em busca da verdade dos fatos. Ou seja, o procedimento de análise da Declaração de Compensação instrumentalizado pelo contribuinte em situações análogas deverá ser pautado pela imparcialidade, sendo certo que a Autoridade Julgadora deverá, necessariamente, buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados. [...] Conforme :á explicitado, no caso em apreciação, temos que ocorreu mero equívoco no preenchimento nas compensações, seja na compensação final n° 5772, que, inicialmente, não indicou a totalidade da composição do crédito, ultrapassado está fase, no presente Recurso somente está sendo questionado a composição do crédito (Saldo Negativo de IRPJ 2003), seja nas DComp's final n°s 5090 e 6300, que não evidenciaram corretamente a origem do crédito, qual seja Saldo Negativo de IRPJ 2004. Cumpre esclarecer que ambos os créditos (Saldo Negativo de IRPJ 2003 e 2004) são líquidos e certos, o que demonstra que os erros nas DComp's são Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 346 17 extremamente irrelevante ao processo e, decerto, sanável em razão do Princípio da Verdade Material. Os fatos relatados deixam claro que em momento algum a Recorrente agiu de máfé ou com intuito de lesar o Erário Público, mas apenas equivocouse ao preencher as DComp's especificamente no que diz respeito à indicação e composição do crédito. Portanto, diante de tudo aqui exposto e devidamente comprovado, resta claro que não poderá prosperar a conclusão exarada na r. decisão recorrida e, consequentemente, a cobrança de valores já liquidados, por tratarse de entendimento equivocado por parte da à julgadora ao analisar as compensações que compunham o crédito, ou, ainda, pelo mero erro de preenchimento de obrigação acessória, haja vista que um simples equívoco procedimental não poderá se sobrepor à realidade dos fatos, qual seja, a efetiva liquidação dos débitos tributários. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, vem a ora Recorrente requerer o que segue: (a) seja admitido, processado e julgada o presente Recurso Voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, em estrita obediência ao disposto no artigo 119, do Decreto n° 7.574, de 29.09.2011; (b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de cancelar os valores apontados como devidos no presente processo administrativo, com a consequente homologação das Declarações de Compensação formalizado pelos Per/DComp's n°s 32400.08351.151204.1.3.025572 (SN IRPJ 2003), 13578.22740.300505.1.3.02 5090 e 12793.05020.291205.1.3.026300 (SN IRPJ 2004); Por fim, protesta a Recorrente, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, pela posterior produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, especialmente a prova documental suplementar, que ratificará a total improcedência do acórdão ora guerreado, bem como a eventual realização de diligência fiscal, caso V.Sas, reputem necessário para formar vosso convencimento sobre a matéria versada nestes autos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 347 18 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 348 19 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 5154 e o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente suscita que devem ser analisados os meios de prova apresentados em sede de segunda instância de julgamento de modo a demonstrar seu direito líquido e certo e ainda requer a realização de diligência. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Privilegiando o princípio da verdade material, em sede de segunda instância de julgamento, cabe apreciar os assentos contábeis produzidos pela Recorrente em relação à comprovação das supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto constantes nos dados informados à RFB procurando evidenciar a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. Em relação ao pedido de realização dos meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova nesse particular. A Recorrente defende que o pedido de compensação foi alcançado pela homologação tácita. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 30.12.2003 ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 349 20 da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório7. No presente caso verificase que os Per/DComp foram formalizados em 14.12.2004, 29.12.2005 e 30.05.2005, fls. 5154, e a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório Eletrônico em 06.11.2008, fl. 54. Dessa sorte não transcorreu o prazo de cinco anos e assim não há que se falar em homologação tácita das compensações dos débitos confessados no Per/DComp. Além disso, tem cabimento a aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 11, que determina que "não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". A pretensão da defendente, por esta razão, não tem cabimento. A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 8. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais9. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 350 21 Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza10. Sobre a possibilidade jurídica de utilização do IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, objeto de extinção sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação, para dedução do IRPJ devido no cálculo do saldo negativo apurado no encerramento do período, a Procuradoria da Fazenda Nacional mediante Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 manifestouse no seguinte sentido: PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. I OBJETO DA CONSULTA Tratase de consulta cuja origem remonta a Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido encaminhada para manifestação acerca da ratificação ou retificação dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, os quais trataram da impossibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada. 2. A consulta, realizada por meio da Nota Cosit nº 31, de 20 de novembro de 2013, propugna pela revisão dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, nos seguintes termos: “a) dada a regra geral de que a estimativa não paga não é passível de cobrança, excepcionalmente a estimativa estaria sujeita a cobrança e inscrição em DAU, quando objeto de parcelamento inadimplido ou de compensação não homologada ou considerada não declarada; 10 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 351 22 b) se a lei permite a compensação de estimativa por meio de DComp, pode advir decisão administrativa de não homologação, com posterior manifestação de inconformidade, bem como de suspensão do débito; c) sendo possível, ao final da análise da DComp e do julgamento pela CRJ e pelo CARF, manterse não homologada a compensação de valores de estimativa, temse, por consequência lógica, a possibilidade de sua cobrança após o ajuste anual; d) se a lei especial admite o parcelamento de valores de estimativa informados em DComp não homologada, eventual inadimplência levará à sua cobrança e execução por parte da PGFN; e) do contrário, a manter o entendimento dos referidos pareceres, que se pronuncie quanto aos questionamentos constantes dos itens 48 e 52.” 3. A angústia dos consulentes reside na preocupação quanto ao fato de não saberem como proceder na hipótese de manutenção dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, como pode ser percebido do item (e) acima, o qual faz referência aos itens 48 e 52, cujo teor transcrevemos: “48. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que os valores de estimativas devidos foram confessados em DComp e que, após o encerramento do anocalendário, não há mais que se falar em estimativa, pois as antecipações passam a revestir o caráter de tributo, tanto que passam a compor o resultado apurado no final do anobase, questionase: a) Na hipótese de o contribuinte utilizar como dedução na apuração anual do tributo valores de estimativas que tenham sido confessadas em DComp, cuja compensação não tenha sido homologada, a RFB não pode efetuar a cobrança da diferença devida com base na DComp, cobrando esse valor como tributo e não mais como estimativa, mesmo que seja após a ocorrência do fato gerador (31 de dezembro)? b) Qual seria o marco para início da incidência dos acréscimos legais: (i) o vencimento da estimativa não paga (último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir), ou (ii) o vencimento do tributo (último dia útil do mês de março do ano calendário subsequente ao ano base)? c) Qual seria o termo inicial do prazo de que a Fazenda disporia para efetuar a cobrança dos valores confessados e indevidamente deduzidos do ajuste anual? Seria a data da confissão do débito de estimativa em DComp, considerando, ainda, que o prazo prescricional não corre no período que medeia a entrega da DComp e a não homologação da compensação? d) Em se mantendo o entendimento de que as estimativas não são créditos tributários, por isso não podem ser cobradas com base Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 352 23 na DComp não homologada, mas devem ser objeto de lançamento de ofício, perguntase: não sendo crédito tributário, as estimativas poderiam ser compensadas, uma vez que a legislação sempre trata da compensação entre créditos tributários líquidos e certos? ...omissis... 52. Importante mencionar, todavia, que dos R$169 bilhões relativos aos créditos de saldos negativos, R$930 milhões (0,55%) referese a estimativas parceladas. Sendo assim, diante da existência de permissão legal, tanto que existente crédito tributário nessa situação, questionase: a RFB pode, por ato infralegal, restringir o direito do contribuinte, vedando a inclusão de tais antecipações no parcelamento simplificado, com base no argumento de que, ao final do anobase, as estimativas são substituídas pelo tributo apurado? E quando o parcelamento for de estimativas cuja compensação não foi homologada e se der depois de 31/12 do anocalendário a que correspondem as antecipações?” 4. A grande diferença das consultas anteriores é que essa ressalta o questionamento em relação aos valores da estimativa que foram contabilizados após o ajuste anual, ou seja, não seriam mais estimativas, mas valores que foram contabilizados no ajuste como tributos efetivamente pagos ou compensados, portanto, os valores seriam parte do tributo que teve sua compensação não homologada, como é possível constatar em trecho da Nota Técnica Cosit n.º 31/2013: “Entretanto, a PGFN não considerou a possibilidade de que as estimativas parceladas fossem aquelas objeto de compensação nãohomologada e, quase sempre, efetuado o parcelamento depois de anocalendário encerrado. Ou seja, as estimativas parceladas podem ser aquelas que compuseram o ajuste anual do imposto apurado e deste foi deduzido por compensação que veio a ser nãohomologada” 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. II TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO 6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da Constituição Federal, estabelecendo princípios para sua regência no § 2º do mesmo artigo, além dos já previstos nos Arts. 150 e 151 da Carta Magna, porém, o delineamento do tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 353 24 “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” 7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer a lição a seguir a respeito do conceito de renda: “...o acréscimo de valor patrimonial, representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou simples aumento do valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente esta separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente líquido, e que pode ser de índole monetária ou em espécie.” 8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a renda, o interstício temporal, a partir da combinação de acréscimos e decréscimos patrimoniais relevantes, que vão apontar o ganho de renda do sujeito passivo num determinado período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado: “em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 354 25 de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo” 9. Mesmo o fato que enseja à incidência do imposto de renda ocorrendo apenas ao final do ano, a legislação estabelece o pagamento de valores mensais, cujo valor real se apresentará apenas no ajuste anual, com a apuração do lucro real, a qual ocorrerá em 31 de dezembro, consoante definido no Art. 2º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” 10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro, estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor, superando as antecipações de recolhimento designadas como estimativa. Vejamos o dispositivo: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 355 26 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subsequente.” 11. Esse pagamento a que nos referimos acima se assemelha a antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte, a qual tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de Aliomar Baleeiro: “Generalizouse a retenção do imposto de renda na fonte. Com o advento da Lei nº 7713/88, a partir de 01.01.1988, todos os rendimentos de pessoa física, recebidos de pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo quando pagos em juízo. Incluemse, portanto, no rol, os rendimentos pagos ao trabalho assalariado (salários, remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo, aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões. ...omissis.. Originariamente, o imposto de renda (fonte) incidia apenas sobre os rendimentos ao portador e dos residentes e domiciliados no exterior. Surgiu, portanto, por razões de praticidade ou pelas limitações territoriais da lei brasileira, como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores reter e recolher o tributo as repartições competentes. ...omissis... Posteriormente, estendeuse o imposto de fonte a outras hipóteses, até a ampla generalização que tem hoje. Não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido. Se, ao final do anobase em que está periodizado (ver comentários seguintes, no tópico 13), o Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 356 27 imposto não for devido, em decorrência de saídasdespesas elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.” 12. O entendimento quanto à natureza de antecipação do imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a seguir colacionadas: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS EFETUADOS PELO PODER PÚBLICO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. INSUFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA. DISCUSSÃO ACERCA DE SEUS REQUISITOS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do art. 21, § 1º do RISTF, cabe ao relator negar seguimento aos pedidos ou aos recursos manifestamente improcedentes. Nestes casos, devese preservar a possibilidade de recurso ao Colegiado, pela exposição precisa dos fundamentos da decisão monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a sistemática de retenção na fonte como instrumento de antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção na fonte como mecanismo de tributação definitiva), para que fosse possível bem compreender a alegada dimensão constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas a norma de retenção, mas também a contramedida de compensação, destinada a reconduzir a carga tributária ao patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente discussão sobre elemento essencial do modelo, as razões recursais são ineficazes para promover o debate constitucional da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviamse de outro elemento determinante para o controle da validade da tributação, que referese aos limites à mensuração da carga tributária que pode ser exigida em antecipação. Como há a previsão para o reequilíbrio da carga tributária com a compensação, a questão de fundo deixa de ser propriamente a violação imediata do conceito de renda, para se desdobrar em duas: (a) a razoabilidade e a proporcionalidade dos valores retidos, considerado o direito constitucional ao exercício de atividade econômica lícita e (b) a eficácia do mecanismo de compensação para reconduzir a carga tributária ao patamar permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe061 DIVULG 30032011 PUBLIC 31032011 EMENT VOL0249301 PP00194) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. ANTECIPAÇÃO. “DUODÉCIMOS”. VALIDADE. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem está devidamente fundamentado, ainda que com sua conclusão não concorde a parteagravante. Ausência de violação do art. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 357 28 93, IX da Constituição. 2. A orientação firmada por esta Corte considera válida a cobrança do IRPJ pela modalidade de antecipação conhecida como “duodécimos” (DecretoLei 2.354/1987 e Lei 7.787/1989). A suposta violação do princípio da vedação do uso de tributo com efeito confiscatório depende do exame de provas específicas, relativas ao caso concreto. Ausente quadro probatório capaz de confirmar a alegação da parteagravante. Impossibilidade de revisão de fatos e provas (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 255379 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011, DJe060 DIVULG 29032011 PUBLIC 30032011 EMENT VOL02492 01 PP00043) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2° c.c. art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 358 29 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no anocalendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 359 30 conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 360 31 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (grifos acrescentados) Podese concluir que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Per/DComp nº 32400.08351.151204.1.3.025572 Direito Creditório Atinente ao Saldo Negativo do AnoCalendário de 2003 Para elucidar a questão vale transcrever excerto do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271: Das Compensações Efetuadas I) Relativamente ao PER/DCOMP n° 32400.08351.151204.1.3.025572 Através do Per/DComp de n° final 5572, a interessada declara compensações efetuadas com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, do exercício de 2004 (ano calendário de 2003), no valor de R$242.815,18, indicando como origem apenas o pagamento efetuado a titulo de estimativa, do período de apuração de novembro/2003, no valor de R$297.358,97 (fl. 140). Conforme Despacho Decisório de f1. 37, o total das parcelas de crédito confirmadas totalizam exatamente R$242.815,18, enquanto que o IRPJ devido, no anocalendário de que se trata, é de R$1.923.804,53, ultrapassando, portanto, o mencionado total das parcelo confirmadas. A interessada argumenta, em sua manifestação, que a apuração do IRPJ foi corretamente realizada, evidenciando a composição de um saldo negativo legitimo. Compilandose os dados declarados pela interessada na Ficha 11 da sua DIPJ/2004 (AC 2003), transmitida em 29/06/2004 (fl. 175), e nas DCTF de 2003 temos, relativamente às estimativas de IRPJ, os seguintes valores: [...] Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 361 32 AC 2003 IRPJ Estimativa Mensal Código 2362 DCTF de 2003 (1º, 2º, 3º e 4º Trimestres) DIPJ/2003 Ficha 11 Compensação P.A. IRRF IRPJ IRPJ Apurado Pagamento com DARF Valor Nº da DComp Jan/03 77.606,92 77.606,92 77.606,92 15791.80124.021003.1.3.021096 Fev/03 46.838,42 Mar/03 334.591,83 334.591,82 334.591,82 15791.80124.021003.1.3.021096 Abr/03 768,65 221.475,53 221.475,53 221.475,53 15791.80124.021003.1.3.021096 Mai/03 2.882,20 409.602,84 409.591,71 409.591,71 15791.80124.021003.1.3.021096 Jun/03 1.983,91 442.767,82 442.767,83 261.182,65 181.585,18 15791.80124.021003.1.3.021096 Jul/03 418.580,12 Ago/03 311.063,20 Set/03 5.931,62 53.546,30 53.546,30 5.337,26 8.209,04 10001.53149.031203.1.3.021123 Out/03 1.620,81 232.151,97 232.151,97 232.151,97 Nov/03 1.000,81 302.164,57 302.164,68 297.358,97 4.805,71 29214.66447.090204.1.3.043523 Dez/03 164.291,25 [...] Analisandose esses dados, temse: 1°) Dos Pagamentos efetuados por DARF: Pesquisas efetuadas no sistema SIEF confirmam os seguintes recolhimentos/amortizações (fls.195/199): P.A. Valores recolhidos/amortizados Jun/03 261.182,65 Set/03 30.605,51 + 14.539,66 Out/03 232.151,97 Nov/03 297.358,97 Total 835.838,96 2°) Das Compensações Efetuadas Através de PER/DCOMP: a) Per/DComp de nos finais 1096 e 1123: essas compensações foram tratadas no Proc. n° 10783.900541/200627, já objeto de julgamento efetuado nesta sessão, no qual fui igualmente relatora; através do Per/DComp de n° final 1096, foi pleiteado o crédito de R$1.130.625,69, o qual, apesar de integralmente reconhecido não foi suficiente para guitar todas as compensações declaradas; entretanto, todas as compensações efetuadas foram homologadas, em face do reconhecimento da ocorrência de homologação tácita; como já mencionado nas Considerações Iniciais, o fato de ter ocorrido homologação tácita não implica no reconhecimento automático do saldo negativo apurado, formado a partir desses créditos; conforme consta no Acórdão proferido no Processo n° 10783.900541/2006 27 (cópia às fls. 214/219), os débitos a serem considerados efetivamente quitados, em vista do direito creditório pleiteado/reconhecido de R$1.130.625,69 são os seguintes: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 362 33 Per/DComp de nºs Finais 1096 e 1123 P.A. Extinção por Compensação Jan/03 77.606,92 Fev/03 Mar/03 334.591,83 Abr/03 37.055,89 Mai/03 409.602,84 Jun/03 181.585,18 Jul/03 Ago/03 Set/03 Total 1.040.431,52 b) PER/DCOMP de no final 3523: Conforme pesquisas efetuadas no sistema SIEF (fls. 203/206), foi reconhecido integralmente o crédito pleiteado de R$4.760,84. 0 processo de cobrança do valor de R$4.805,70, correspondente a parte da estimativa de IRPJ de nov/2003, foi encerrado, podendose considerar amortizada a referida parcela (fl. 207). 3°) Do Imposto de Renda Retido na Fonte Utilizado como Dedução Na sua DIPJ/2004 (AC 2003) a interessada utiliza como dedução, nas Fichas 11 (fls. 176/183) e 12A (fls. 184/185), os seguintes valores a titulo de IRRF: [...] Por esses dados, podese constatar que os valores de IRRF deduzidos na DIPJ/2004 (R$14.188,00 e R$78.523,93) são compatíveis com as retenções efetuadas/declaradas pelas fontes pagadoras, assim como o valor declarado pela interessada como "Outras Receitas Financeiras" (Linha 24 da Ficha 06A, fl. 176), que foi de R$951.040,03. Em face desses elementos, a Ficha 12A da DIPJ/2004 passa a ter os seguintes valores: [...] Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro Real Ficha 12A Valores Apurados Imposto à alíquota de 15% 1.168.682,72 1.168.682,72 Adicional 755.121,81 755.121,81 Deduções () IR Retido na Fonte 78.523,93 78.523,93 () IR Mensal Pago por Estimativa 2.088.095,78 1.895.264,18 IR a Pagar 242.815,18 49.983,58 [...] Valor das Antecipações Totais a serem considerados na Apuração Anual Antecipações pagas por DARF 835.838,96 Antecipações Extintas por Compensação: Per/DComp n°s finais 1096 e 1123 1.040.431,52 Per/DComp n° final 3523 4.805,70 IRRF utilizado como dedução de estimativas 14.188,00 Total 1.895.264,18 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 363 34 Por todo o exposto, reconheço, quanto ao crédito pleiteado através do PER/DCOMP de n° final 5572, oriundo de saldo negativo de IRPJ, do exercício de 2004, o valor de R$49.983,58. Verificamse diferenças entre os valores pleiteados pela Recorrente e reconhecidos em sede de julgamento de primeira instância de julgamento, a saber: Descrição (A) Recurso Voluntário R$ (B) DRJ R$ (C) IRPJ Devido 1.923.804,53 1.923.804,53 IR Retido na Fonte (127.755,48) (92.711,93) IR Mensal Pago por Estimativa DARF (836.030,85) (835.838,96) IR Mensal Pago por Estimativa Compensado (1.237.865,92) (1.045.237,22) Em relação ao argumento da Recorrente de que os débitos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada dos períodos de apuração abril e setembro do anocalendário de 2003 no valor total originário de R$192.639,51 foram homologados mediante compensação na decisão proferida no processo n° 10783.900541/200627, temse que esses autos se encontram arquivados. Indica também diferenças de valores a título de IRRF e DARF. No processo n° 10783.900541/200627, que trata das DComp nºs 15791.80124.021003.1.3.021096 e 10001.53149.031203.1.3.021123 a Recorrente efetuou a compensação de débitos de estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003 com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, no valor original de R$1.130.625,69., foi exarado o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1240.518, de 20.09.2011, em cujo excerto do Voto condutor consta: Da Homologação Tácita 0 dispositivo legal que rege a matéria em foco, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações legislativas supervenientes, [...] Em suma, no que tange ao julgamento de contenciosos administrativos de restituição/compensação, cabe As Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) a apreciação da Manifestação de Inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório e/ou a não homologação da compensação declarada, objeto de análise do processo em tela. No presente caso, foi reconhecido, através do Despacho Decisório de fl. 39, o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de n° final 1096, no valor nominal total de R$1.130.625,69, e homologadas, com base no crédito reconhecido, as compensações declaradas nos PER/DCOMP de nos finais 1096 e 1123. Entretanto, as compensações declaradas não foram homologadas na sua totalidade, tendo em vista que, conforme previsão expressa do §2° do art.74 já reproduzido, a declaração de compensação extingue o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Dessa forma, cabe A autoridade fazendária intervir na compensação declarada, podendo não homologála, caso reste inexistente a certeza e liquidez do crédito utilizado, ou quando esse crédito seja insuficiente para a homologação de todas as compensações declaradas, com os acréscimos legais porventura cabíveis. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 364 35 A interessada argumenta que, entre os débitos compensados, encontrase o valor de R$221.475,54 (IRPJ, cód.2362, abr/2003), objeto da presente cobrança, que já havia sido declarado na DCTF do mês de abril de 2003. Ora, a declaração em DCTF constitui confissão de divida. Assim, ainda que a Declaração de Compensação só tenha passado a constituir confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados a partir de 31/10/2003, com a publicação da Medida Provisória 135/2003, o questionado débito de R$221.475,54, cuja compensação, datada de 02/10/2003, não foi homologada, poderia, em principio, ser exigido, independentemente de lançamento de oficio, em face da confissão efetuada por DCTF. Por outro lado, os débitos em foco não poderiam ser cobrados no caso de terem sido objeto de homologação tácita, conforme arguido, também, pela interessada. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, conforme previsto pelo § 5° do art.74 da Lei n°9.430/1996 [...]. Os Per/DComp em lide, de nºs finais 1096 e 1123, foram transmitidos em, respectivamente, 02/10/2003 e 03/12/2003. Por sua vez, a ciência do Despacho Decisório de fl.39 somente ocorreu em 08/09/2009, data em que os débitos de que se trata já se encontravam extintos pela compensação tacitamente homologada, na forma da legislação vigente. Por essa razão, é de se reconhecer a homologação tácita dos débitos compensados através dos PER/DCOMP mencionados, razão pela qual a sua cobrança se torna incabível. Do Esclarecimento Acerca das Compensações a Serem Consideradas como Crédito em Possível Saldo Negativo Apurado A titulo de esclarecimento, vale destacar que, ainda que as compensações dos débitos de que se trata (estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003) tenham sido homologadas tacitamente, e não possam mais ser exigidas, isso não significa que o órgão administrativo deva simplesmente "homologar" o saldo negativo de IRPJ porventura apurado no anocalendário de 2003, com a inclusão das referidas estimativas, sem que seja aferida a certeza e a liquidez dos indébitos tributários que o fundamentam. A Instrução Normativa RFB n° 210/2002, vigente à época da transmissão dos PER/DCOMP em foco, assim disciplina a compensação de créditos com débitos do contribuinte: [...]. No caso em análise, através dos Per/DComp de n°s finais 1096 e 1123, a interessada efetuou a compensação de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, no valor original de R$1.130.625,69 (crédito efetivamente pleiteado), com os seguintes débitos: Fls. Per/DComp Nº Final Data Per/DComp Cód. Tributo/Contribuição Per. Apur. Vencimento Valor Originário Jan/03 28/02/03 77.606,92 04/03 1096 02/10/2003 2362 IRPJ Estimativa Mensal Mar/03 30/04/03 334.591,82 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 365 36 Mai/03 30/06/03 409.591,71 Jun/03 31/06/03 181.585,18 Abr/03 31/05/03 221.475,54 10 1123 03/12/2003 [2362] IRPJ Estimativa Mensal Set/03 31/10/03 8.209,04 Por esses dados podese verificar que todos os débitos foram compensados posteriormente às datas dos seus vencimentos, devendo, portanto, sofrer a incidência dos acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até as datas das entregas das DComp correspondentes (art. 28 da IN RFB no 210/2002, com a redação da IN SRF n° 323/2003, já reproduzido). [...] Analisandose os Per/DComp em foco, verificase que a interessada apurou corretamente os juros relativos ao crédito pleiteado, mas, na apuração dos débitos compensados, apenas incluiu os juros de mora devidos, quando deveria considerar, também, conforme determinação legal vigente, a inclusão da multa de mora. Por esse motivo, os débitos a serem considerados realmente quitados para compor possível saldo negativo de IRPJ, que traduza direito liquido e certo, tendo em vista o direito creditório pleiteado/reconhecido de R$1.130.625,69 e os Demonstrativos de Compensação (fls. 136/140), além do Extrato do Processo (fls. 42/43), são os seguintes: [...] Débitos Incluídos no Per/DComp de N° Final 1096 P.A. Vencim. Valor Principal Extinto por Compensação [Saldo Débito Remanescente (Valor Original)] 01/03 28/02/03 77.606,92 77.606,92 03/03 30/04/03 334.591,82 334.591,82 05/03 30/06/03 409.591,71 409.591,71 06/03 31/07/03 181.585,18 181.585,18 04/03 31/05/03 221.475,54 37.055,89 [184.419,65] Dessa forma, de acordo com extratos de fls. 42 e 43, os débitos não compensados com o crédito efetivamente reconhecido são as parcelas das estimativas dos períodos de apuração de abr/03, no valor de R$184.419,65 (Per/DComp de n° final 1096), e de set/03, no valor de R$8.209,04 (Per/DComp de n° final 1123), as quais não deverão compor um possível saldo negativo de IRPJ de 2003 porventura apurado/pleiteado, por falta de liquidez e certeza. Entretanto, como já mencionado, a sua exigência tornase indevida, uma vez que esses débitos encontramse extintos pela compensação, tacitamente homologada, na forma k‘da legislação vigente. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto no sentido de homologar as compensações efetuadas pela interessada, através dos PER/DCOMP de nos 15791.80124.021003.1.3.021096 e 10001.53149.031203.1.3.021123 (fls. 01/11) , em face das homologações reconhecidas tacitamente, abaixo relacionadas, razão pela qual, a sua exigência tomase indevida: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 366 37 Per/DComp Nº Final Código P.A. Vencimento Valor Original 1096 2362 04/03 30/05/2003 184.419,65 1123 2363 09/03 31/10/2003 8.209,04 Assim, os débitos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada dos períodos de apuração de abril e setembro do anocalendário de 2003 nos valores originários de R$184.419,65 e de R$8.209,04, respectivamente, foram homologados tacitamente mediante compensação, que tem o efeito jurídico de extinguilos nos termos expressos no inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional, e por essa razão devem compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, de acordo com o que se demonstra na Tabela 1. Tabela 1 Valores do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. Descrição (A) DIPJ Fl. 60 R$ (B) Decisão 1ª Instância R$ (C) Decisão 2ª Instância R$ (D) CSLL Devido 1.923.804,53 1.923.804,53 1.923.804,53 Imposto de Renda Retido na Fonte (78.523,93) (78.523,93) (78.523,93) IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada (2.088.095,70)* (1.895.264,18) (2.087.892,87) CSLL a Pagar (242.815,18) (49.983,58) (242.612,27) * R$92.711,93 (estimativas referentes ao IRRF) + R$836.030,85 (DARF's) + R$1.237.865,92 (DCOMP's) Por conseguinte, deve ser reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$192.628,69 (R$242.612,27 R$49.983,58), apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Pertinente às diferenças dos valores de IRRF e de DARF, temse que não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que não remanescem quaisquer quantias a serem reconhecidos nessa segunda instância de julgamento a esses títulos. A inferência denotada pela defendente é acertada em parte. Per/DComp nºs 12793.05020.291205.1.3.026300 e 13578.22740.300505.1.3.025090 Direito Creditório Referente ao Saldo Negativo do Ano Calendário de 2004 Ainda sobre o Per/DComp, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 367 38 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. No exercício da competência regulamentar, foi editada Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que fixava: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Adotando basicamente os mesmos critérios a respeito da retificação do Per/DComp, atualmente a matéria está prevista a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que prevê: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 368 39 Art. 87 . A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 88 . O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 89 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Art. 90 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. §1º Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. §2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. §3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 369 40 I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Art. 91 . Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 92 . A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 43, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. Em relação ao erro que a Recorrente alega ter cometido no preenchimento dos Per/DComp em que foi indicada como origem do saldo negativo o exercício de 2004, quando, o correto, seria anocalendário de 2004, temse que no Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271, consta: Através dos Per/DComp de nos finais 5090 (fls. 148/152) e 6300 (fls. 143/147), transmitidos em, respectivamente, 30/05/2005 e 29/12/2005, a interessada indicou possuir crédito resultante de saldo negativo de IRPJ, relativo ao exercício de 2004, nos valores de R$196.504,85 e R$400.248,47. Na sua defesa, a interessada argumenta que houve equivoco na indicação do exercício, o qual seria o de 2005 (anocalendário de 2004). Na realidade, segundo a interessada, o direito creditório pleiteado através do PER/DCOMP de n° final 5090, oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, era no valor de R$195.408,40, conforme Demonstrativo de fl.05. Já o direito creditório pleiteado através do Per/DComp de n° final 6300 referiase a créditos decorrentes de recolhimentos indevidos, efetuados durante o anocalendário de 2004, totalizando R$474.563,69. O art.77 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, assim como dispositivos anteriores, determina que a Declaração de Compensação somente pode ser retificada pelo sujeito passivo no caso de se encontrar pendente de decisão administrativa. Por sua vez, o art.147, § 2°, do CTN prevê: Art. 147. 0 lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 370 41 § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (grifouse) Assim, no caso de a DRJ verificar que ocorreu mera inexatidão/equívoco em algum dado que possa ser, facilmente, confirmado pelos elementos carreados ao processo, entendo que não existe qualquer óbice legal a que tal correção seja efetuada de oficio por esta instância. Entretanto, no caso em análise, em face das inconsistências apontadas pela própria interessada, não se pode considerar que ocorreu, no preenchimento dos Per/DComp em foco, mero erro de fato na indicação do exercício 2004, pois outros erros foram cometidos na indicação dos valores e da natureza dos créditos pleiteados. Por essa razão, não é possível efetuarse a retificação pleiteada. Por oportuno, é de se observar que o principio da verdade material, invocado pela interessada, está vinculado ao principio da legalidade. Assim, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, sem perder de vista a obrigação de atuar dentro dos limites legais, sendo esta uma garantia recíproca de que a lei será cumprida. A Recorrente instrui os autos com: DIPJ do anocalendário de 2004 onde está informado na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real o saldo negativo de IRPJ no valor de R$669.922,09, fl. 69; cópias dos DARF recolhidos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, dos período de apuração de janeiro, fevereiro, março, abril, junho, julho, agosto e setembro de 2004, fls. 7281; e cópias das Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) confessando os débitos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, do anocalendário de 2004, fls. 8398. Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo negativo de IRPJ deve ser analisado como se do anocalendário de 2004 fosse, porque ficou comprovado o erro pelos dados escriturados no Livro Razão. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão em relação ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novas peças de defesa, possibilitandolhe a Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 371 42 discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 197211. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp afastamento a preliminar do erro material do período do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido a fim de evitar a supressão de instância. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso12. A dedução esclarecida pela defendente, então, está evidenciada em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está conforme o princípio da legalidade, ao que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para: em relação ao Per/DComp nº 32400.08351.151204.1.3.025572, reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$192.628,69, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito; atinente aos Per/DComp nºs 12793.05020.291205.1.3.026300 e 13578.22740.300505.1.3.025090, determinar o retorno dos autos à autoridade competente (DRF) para apreciar o mérito do litígio no sentido da admissibilidade do acatamento da retificação do pleito inicial e ainda para reconhecer a possibilidade de formação do saldo 11 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 12 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 372 43 negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 no valor total de R$596.753,32 (R$196.504,85 + R$400.248,47) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, mas sem homologar a compensação por ausência de análise pela DRF que jurisdiciona a Recorrente. Consequentemente os autos devem retornar à unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido nos Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso14. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 14 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904910/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE - IRPF
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE - IRPF Fato Gerador: 25/04/2001 IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Recurso voluntário não conhecido.
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904910/200890 Acórdão n.º 210202.049 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 06957.35241.280404.1.3.047900, transmitida eletronicamente em 28 de abril de 2004, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904910/200890 Acórdão n.º 210202.049 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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