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Numero do processo: 19515.000126/2003-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997
PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO NÃO MATERIALIZADO. DATA DO FATO GERADOR. NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA LANÇAR.
A Contribuição para o PIS/PASEP, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento.
Diante da não constatação de pagamento antecipado, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial deverá observar a regra prescrita no artigo 173, inciso, I, do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos para a homologação, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Solon Sehn, que davam provimento por reconhecer a decadência.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO NÃO MATERIALIZADO. DATA DO FATO GERADOR. NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA LANÇAR. A Contribuição para o PIS/PASEP, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Diante da não constatação de pagamento antecipado, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial deverá observar a regra prescrita no artigo 173, inciso, I, do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos para a homologação, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Solon Sehn, que davam provimento por reconhecer a decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 26 /2 00 3- 63 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8a Turma da DRJ São Paulo I SP (fls. 476/497 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 1996, 1997, 1998, 1999 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa a renúncia à instância administrativa relativamente à matéria que foi levada a juízo. Se o impugnante aduz outras questões além daquelas que aguardam apreciação judicial; a',.impugnação administrativa há de ser conhecida apenas com relação à matéria não discutida no âmbito judicial. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante n°. 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que 0 crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é o instrumento adequado para formalizar o .lançamento do crédito tributário resultante de ação fiscal direta. AUTO DE INFRAÇÃO. INADEQUAÇÃO DO MEIO UTILIZADO. INOCORRÊNCIA. O lançamento do crédito tributário é formalizado mediante auto de infração ou notificação de lançamento, conforme seja efetuado por AuditorFiscal ou pelo dirigente do órgão que administra o tributo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da ' falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. JUROS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O valor da taxa dos juros calculados em procedimento . de ofício é aquele previsto nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo Fl. 555DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 555 3 crédito tributário, não havendo, portanto, qualquer razão em querer dar cunho confiscatório à aludida exigência. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. Lançamento Procedente em Parte Em conseqüência do julgamento em tela, observase que foi anulado o Acórdão nº 16. 15.311, de 30 de outubro de 2007 (fls. 445/464), motivado pela publicação da Súmula Vinculante nº 8 (STF), considerando que não havia sido dada ciência do Acórdão ao contribuinte, voltou o processo para compatibilizar a decisão com o disposto na citada Súmula, e também em razão da entrada da Recorrente ao PAES (Parcelamento Especial) de parte dos débitos, bem como foi exonerado parte dos valores lançados que foram atingidos pelo prazo decadencial. A lavratura do Auto de Infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: Tratase de impugnação (fls. 130 a 156) apresentada por COMPANHIA TÉCNICA DE ENGENHARIA ELÉTRICA, supra qualificado, contra Auto de Infração (fls.122 a 126) de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente a fatos geradores ocorridos no período de março de 1996 a janeiro de 1999. 2. No “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 112 e 113), integrante do Auto de Infração, o Auditor autuante relata que há uma Apelação em Mandado de Segurança (apelante é a União Nacional Fazenda Nacional), em função de decisão de 1° instância que concedeu a segurança pleiteada pelo ora impugnante para eximir o contribuinte de recolher o PIS com base . na Medida Provisória n° 1.212/95, subsistindo a obrigação nos termos da Lei Complementar n° 07/70. 2.1. O Auditor constituiu o crédito tributário correspondente com exigibilidade suspensa e sem aplicação da multa de oficio. 2.2. O crédito tributário lançado está assim constituído (fls. 122): PIS R$ 1.717.953,73 Juros (até 30/12/2oo2)z R$ 1.561.808,47 CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 3.279.762,20. 2.3. A base legal indicada no›Auto de Infração (fls. 112, 113, 124 e 125)é: artigo 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; art. 149, da Lei n° 5.172/66; art. 3°, alínea “b”, da Lei Complementar n° 07/70; art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73; titulo 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; artigos 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Medida Provisória n° 1.212//95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98; artigos 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 3. Tendo tomado ciência deste lançamento em 21/01/2003 (fls. 113; 122 e 126), o contribuinte, por intermédio de suas advogadas (docs. às fls.157, 158, 166 e 167) interpôs impugnação (fls. 130 a 156), protocolizada em 19/02/2003, relatando e alegando o que segue. 3.1. Após breve histórico, pugna pelo conhecimento da impugnação, l legando que na ação judicial em andamento apenas se discute a constitucionalidade as alterações perpetradas na sistemática de apuração do PIS, pela MP 1.212/95 e alega haver decorrido o prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos entre 31/03/96 e 31/12/97. 3.2. A seguir, informa que os recolhimentos efetuados a título de PIS Repique não foram levados em conta pela autoridade Fiscal, tendo sido lavrado o Auto de Infração sobre o valor total tributável. Por isso, acredita, o lançamento é improcedente, por não haver liquidez dos valores cobrados. Ressalta que, o fato de o recolhimento do PIS Repique ser feito usandose um código diferente não descaracteriza o pagamento, pois 0 tributo é 0 mesmo. 3.3. Ainda como preliminar, argüi a nulidade formal do lançamento.Mesmo reconhecendo a possibilidade de a autoridade fiscal não apurar a adequação de normas legais à Constituição e dever, face ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, efetuar o lançamento tributário, acredita que, no caso onde o tributo se sujeita ao lançamento por homologação, a autoridade fiscal deva se valer de um processo administrativo e não de um Auto de Infração. 3.4. Citando e transcrevendo os artigos 9°, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72 , argumenta que para se justificar “a existência de uma notificação fiscal ou de um auto de infração, bem como a penalidade neles cominada, mister se faz a existência de um ato ilícito”. E prossegue: "33. No presente caso, não foi praticada nenhuma infração, de sorte que não há nenhuma razão jurídica que justifique a existência de um auto de infração ou notificação fiscal, nem tampouco a aplicação de qualquer penalidade 3.5. E enfatiza: “34. E para estraçalhar quaisquer dúvidas. tanto e' verdade que o indigitado auto de infração e' improcedente,_que a própria autoridade fiscal. ao lavrálo. não aplicou à Impugnante nenhuma penalidade! " (destaques do original) 3.6. Citando jurista e ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes, encerra assegurando não haver “qualquer dúvida quanto à manifesta ilegalidade da manutenção do presente auto de infração, tendo em vista a sua vicissitude formal, pois tal ato foi expedido para o atendimento de uma finalidade que lhe é totalmente imprópria 3.7. Alega a nulidade material do Auto de Infração combatido porque, na ordem de intimação há a afirmação de que se for afastada a suspensão da exigibilidade, contribuinte deverá recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da dívida ativa. Entende que essa frase (“com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da divida ativa”) fere diversas normas legais (cita 0 art. 63, § 2°, da lei n° 9.430/96 e o art. 10, inciso V, do Dec. 70.235/72). Fl. 557DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 556 5 3.8. Ainda dentro do titulo por ele denominado de “Pre1iminares”, assaca argumentos a favor da nulidade do lançamento em si, por manifesta inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 1.212/95, defendendo a possibilidade de apreciação da constitucionalidade das leis em sede de processo administrativo. 3.9. Nessa toada, conclui seus argumentos: “59. Assim, o Estado tem o poder de autotutela sobre os atos que expede e, no momento em que verificar a inconstitucionalidade de um ato por ele expedido, estará autorizado para que, de sponte própria, promova a anulação do ato. 70. Bom frisar que o legislador constitucional, ao elaborar o artigo 5°, LV, da Carta Magna, assegurou como inviolável o direito ao contraditório e à ampla defesa e todas as i 'ferramentas " a estes inerentes. 71. Desta sorte, a Impugnante pode discutir, em sede de processo administrativo, todos os aspectos de fato e de direito respeitantes ao ato administrativo, não devendo se cingir única e exclusivamente a elementos de natureza fática ou formal. 72. Repitase, portanto, que, se o legislador constitucional assegurou o direito à ampla defesa e ao contraditório, em sede de processo administrativo e judicial significa que, em sede de processo administrativo, a Recorrente pode, também, discutir a constitucionalidade das leis. 3.10. No mérito, discute seu direito de efetuar o recolhimento do PIS com base na Lei Complementar n° 07/70, dizendo que esta foi "totalmente recepcionada no artigo 239, que expressamente constitucionalizou sua sistemática Por isso, entende que “os elementos da hipótese de incidência do PIS estabelecidos pela Lei Complementar n” 7/70 acabaram por assumir 'status' constitucional " e acredita que apenas uma Emenda Constitucional poderá alterar a forma de cobrança dessa contribuição. Portanto, em seu entender, a exigência de PIS sobre seu faturamento mensal durante 0 período definido no Auto de Infração é absolutamente inconstitucional. 3.11. Argumenta que a cobrança de juros, usando o índice SELIC é institucional e que a taxa deve ser limitada a 1%, conforme dispõe o artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional. Se permanecer essa cobrança, estarseá violando os princípios constitucionais da legalidade' e da isonomia. Considera, também, confiscatório o emprego dessa taxa de juros. 3.12. Requer o conhecimento da peça impugnatória e a declaração de nulidade do Auto de Infração por ser a lei n” 9.718/98 inconstitucional. Se assim não se entender, requer a anulação do Auto por inexistir qualquer infração e o lançamento deveria ser feito por meio de procedimento administrativo Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 próprio, com a exigibilidade suspensa do crédito tributário, enquanto vigente qualquer uma das hipóteses previstas no artigo 151, do Código Tributário Nacional. 4. Em 29/08/2003, o impugnante apresentou requerimento (fls. 372) onde informa ter renunciado a "parte do direito sobre o qual se funda a sua defesa, tão somente 'no que tange aos períodos de 01/98 à 01/99 " por ter aderido ao Parcelamento Especial previsto na Lei n° 10.684/2003. Ainda “Esclarece a requerente que permanecerá com a discussão no tocante aos períodos de 03/97 à 12/97". Em função disso, parte do crédito tributário inicialmente aqui discutido foi transferido para o processo administrativo 13807.007317/2005 56 (fls.417a425). 4.1. Vindo a julgamento, foi prolatado o Acórdão n°. 15.311, de 30 de outubro de 2007. Tendo em vista a publicação da Súmula Vinculante n°. 8 e considerando que não havia sido dada ciência ao contribuinte do Acórdão, voltou o processo para esta Turma, para compatibilizar a decisão com o disposto na citada Súmula. É o relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 27/04/2009 (fl. 513). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 27/05/2009 (fl. 514), o recurso voluntário de fls. 514/526, onde ressalta o seguinte: a) que conforme o Auto de Infração lavrado, a fiscalização apurou suposta divergências entre os valores escriturados e os valores declarados, referentes aos fatos geradores ocorridos em 31.03.96 a 31.01.99. A fim de evitar a decadência, lançou os valores que seriam devidos a título de PIS com base na Medida Provisória n° 1.212/95, sem, contudo, considerar os valores que já haviam sido recolhidos com base na Lei Complementar n° 07/70. b) isto porque, no momento da lavratura do presente auto de infração, a Recorrente possuía decisão judicial favorável, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 96.00311986, que assegurou o seu direito de recolher o PIS com base na LC n° 07/70, sem as alterações veiculadas pela MP n° 1.212/95. c) notificada, a Recorrente ofertou sua IMPUGNAÇÃO (fls. 130/156), demonstrando, em síntese, (i) a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos entre 31.03.96 a 31.12.97, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; (ii) a não consideração dos valores recolhidos a título de PIS, através da modalidade REPIQUE; e (iii) a inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98. Posteriormente, às fls 372, a ora Recorrente renunciou a parte do direito sobre o qual se funda a defesa , tão somente no que tange aos períodos de 01/98 a 01/99, de acordo com o que lhe permitia o § 2° do art. 11 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 1, de 25/06/2003, em razão do seu ingresso ao Parcelamento Especial (PAES), nos termos do art. 15, l, da Lei n° 10.684/2003. d) que em razão disso, permaneceram em discussão a Contribuição ao PIS dos períodos de 03/96 a 12/97. Ocorre que, a DRJ (SP I) houve por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo, preliminarmente, que os fatos geradores ocorridos entre 31.03.1996 a 31.11.1997, foram alcançados pela decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, devendo ser mantido o lançamento do fato gerador ocorrido em 12/97. e) que os Julgadores da DRJ, no que tange a ocorrência da decadência para os fatos geradores ocorridos entre 31/03/96 a 31/12/96, manifestaram entendimento no sentido de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 557 7 que, inexistindo pagamento antecipado, o lançamento passa a ser de ofício, tal qual previsto no art. 149, do CTN, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. Em razão disso, o lançamento fiscal foi julgado parcialmente procedente, restando mantida a exigência da referida contribuição no que tange ao fato gerador ocorrido em 12/1997. f) a Recorrente, no período abrangido pelo Auto de Infração, recolheu a contribuição ao PIS mediante a modalidade REPIQUE (ou seja, 5% sobre o imposto de renda devido), prevista na LC n° 07/70; Essa sistemática permaneceu até 29/11/2005, quando a contribuição para o PIS passou a incidir sobre o faturamento nos termos do art.2°, I, e 3° da Lei 9.715/98 (conversão da MP n° 1.212/95); g) que o Fisco, ao constituir o crédito tributário, exigiulhe todos os valores que seriam devidos a título de PIS, com base nas disposições contidas na MP n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, porem, simplesmente ignorou os valores já recolhidos pela Recorrente, na modalidade Repique, prevista na LC n° 7/70. ressalta que, as duas formas legais (tanto com base na LC n° 7/70 como na MP n° 1.212/95) nada mais são que contribuição ao PIS e o o fato da Recorrente ter realizado pagamentos de PISRepique é de suma importância para o deslinde do ieito, pois afasta o falacioso argumento de inexistência de pagamento a respaldar a aplicação do art. 173, l, do CTN; h) conforme decidido pela DRJ, o valor mantido a título de PIS, no período de 12/1997, no valor de R$ 48.347,28 sofreu a dedução do valor de Ft$ 4.606,68 anteriormente recolhido na modalidade repique (comprovante de recolhimento já acostado aos autos), restando a pagar RS 43.740,60; i) alega que houve o pagamento antecipado da contribuição e que, no que tange a contagem do prazo de decadência, equivocadamente, aplicaram as regras previstas no art. 173, I, do CTN, sob a alegação de inexistência de recolhimento do PIS e conforme já mencionado, não obstante as diversas modalidades de cálculo da contribuição que já existiram, há que se considerar que tanto a LC n° 7/70 como a MP n° 1.212/95 não previram contribuições diversas. Ambas dispunham acerca do recolhimento da mesma contribuição ao PIS. j) que seja efetuada a intimação pessoal dos procuradores da Recorrente, para comparecimento na sessão de julgamento do presente recurso, bem como para que lhes seja dada a oportunidade de sustentar oralmente as razões recursais, sob pena de nulidade. Diante de todo o exposto, a Recorrente servese do presente RECURSO VOLUNTÁRIO para, requerer que seja dado integral provimento ao presente recurso para fins de reformar em parte a decisão recorrida, anuladose o lançamento fiscal em relação ao fato gerador ocorrido em dezembro de 1997, que encontrase fulminado pela decadência nos termos do art. 150, § 4° do CTN e, portanto, extinto, nos termos do art. 156, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Da Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Antes de adentrarmos nas razões da manutenção da decisão ora recorrida, cumpre esclarecer que a defesa cingese somente quanto ao fato gerador de PIS ocorrido em 12/97, já que o lançamento do PIS do período remanescente de 03/96 a 11/97, foi julgado improcedente em razão da decadência declarada pelo Acórdão da DRJ. Conforme consta dos autos, a Recorrente, no período abrangido pelo Auto de Infração, recolheu a contribuição ao PIS mediante a modalidade REPIQUE (ou seja, 5% sobre o imposto de renda devido), prevista na Lei Complementar n° 07/70. Como se sabe, a LC nº. 7/70, que criou o Programa de Integração Social– PIS, instituiu duas sistemáticas de cálculo e recolhimento da contribuição, o PIS Faturamento e o PIS Repique, sendo a primeira prevista na alínea “b” e a segunda instituída no § 2º, conforme abaixo reproduzido. Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º, deste artigo, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: 1) no exercício de 1971, 0,15%; 2) no exercício de 1972, 0,25%; 3) no exercício de 1973, 0,40%; 4) no exercício de 1974 e subseqüentes, 0,5%. (Ver Lei nº 9.715/98, art. 8º) §1º A dedução a que se refere a alínea "a" deste artigo será feita sem utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor e calculada com base no valor do Imposto de Renda devido, nas seguintes proporções: a) no exercício de 1971, 2% b) no exercício de 1972 , 3% c) no exercício de 1973, e subseqüentes 5%. §2º As instituições financeiras, sociedades seguradoras; e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior (grifo nosso). Ocorre que, o Fisco, ao constituir o crédito tributário, exigiulhe todos os valores que seriam devidos a título de PIS, com base nas disposições contidas na MP n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, porem, ignorando os valores já recolhidos pela Recorrente, na modalidade de PIS Repique, prevista na LC n° 7/70. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 558 9 Como asseverado pela Recorrente em seu recurso, “ (...) vale ressaltar que, as duas formas legais (tanto com base na LC n° 7/70 como na MP n° 1.212/95) nada mais são que contribuição ao PIS”. Ressaltese que, o fato de o recolhimento do PIS Repique ser feito usando se um código diferente, já descaracteriza o pagamento, pois o tributo não seria da mesma espécie. Notese ainda, que nenhum valor de contribuição do PIS – Faturamento, foi declarado em DCTF, conforme se verifica no documento elaborado pelo Fisco e com ciência da empresa (fl. 115). Mesmo assim, como ordenado pela DRJ, o valor mantido lançado a título de PIS, no período de 12/1997, no valor de R$ 48.347,28 sofreu a dedução do valor de R$ 4.606,68 anteriormente recolhido na modalidade de PIS Repique (comprovante de recolhimento já acostado aos autos), restando a pagar RS 43.740,60 (conforme guia do DARF constante da Intimação n° 1. 614/2009 (fls. 510/512). Neste aspecto, vejase a forma que foi abordado pela DRJ (fl. 497): (...) 14. Quanto ao alegado sobre os recolhimentos do PIS Repique que não teriam sido levados em conta pela autoridade fiscal, considerando ser um só tributo, e, portanto, com a mesma destinação constitucional e considerando, ainda, que neste caso concreto, não houve lançamento de multa de oficio, deve ser acatado o seu pleito para, na cobrança, ser feita a compensação dos valores já recolhidos a título de PIS Repique. l3.l. O lançamento deve ser mantido, pois o valor total do tributo – PIS Faturamento não está declarado ou confessado. Em que pese o reconhecimento de que houve o pagamento do PIS – Repique, no que tange a contagem do prazo de decadência, na decisão foi aplicado as regras previstas no art. 173, I, do CTN, sob a alegação de inexistência de recolhimento do PIS, conforme trecho do Acórdão recorrido abaixo reproduzido (fl. 484): “8.3. Exvi do § 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN, o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, se a lei não fixar prazo diferente, a contar do fato gerador, para homologar o crédito lançado e pago antecipadamente ou complementálo. Entretanto, na situação versada nos autos, não há que se falar em homologação, em face da inexistência de recolhimento do PIS. lnexistindo pagamento antecipado, o lançamento passa a ser de ofício, tal qual previsto no art. 149 do CTN, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, inciso, I, do mesmo diploma, contandose o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazëlo” (grifouse). Portanto, restou caracterizado que o PIS – Repique recolhido, tratase de outra espécie de tributo, e como de direito, a autoridade administrativa autorizou a sua compensação, uma vez que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Administração Tributária, passível de restituição ou de Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos , relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Receita Federal do Brasil. O que define um tributo é a sua BASE DE CÁLCULO + Critério Material (conduta). Se um dos dois for diferente, estará diante de outra espécie tributária, conforme precedentes do STF. No mesmo sentido, vejase o que nos ensina PAULO DE BARROS CARVALHO, para se distinguir um tributo: “Entre nós, o tipo tributário é definido pela integração lógica semântica de dois fatores: hipótese de incidência e base de cálculo. Ao binômio, o legislador constitucional outorgou a propriedade de diferençar as espécies tributárias entre si, sendo também operativo dentro das próprias subespécies. Adequadamente isolados, os dois fatores, estaremos credenciados a dizer sem hesitações, se um tributo é imposto, taxa ou contribuição, bem como anunciar a modalidade que se trata”. Quanto a definição de tributos da mesma espécie a que se refere o § 1° do art. 66, da Lei n° 8.383/1991, cabe aqui reproduzir o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 30.03.1994: ADN Ato Declaratório Normativo do COORDENADOR GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT n°15 de 30.03.1994 D. O. U.: 04. 04. 1994 Dispõe sobre a compensação de tributos e contribuições, nos casos de pagamento indevido ou a maior. (...) (...) declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados, que a compensação de tributos e contribuições federais, nos casos de pagamento indevido ou a maior, só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie (§ 1°do art. 66. da Lei n°8.383/91), isto é, que tenham o mesmo fato gerador, não podendo o contribuinte compensar créditos relativos a um imposto com débitos de outro imposto; créditos de uma contribuição com débitos de um imposto; créditos relativos a uma contribuição com débitos de outra contribuição; nem mesmo créditos de contribuição extinta, como é o caso do FINSOCIAL, com débitos de contribuição vigente – COFINS, instituída pela Lei Complementar n” 70, de 30 de dezembro de 1991.(grifamos). A Lei Complementar nº 07, de 07 de setembro de 1970, ao dispor sobre a participação das instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias, no Programa de Integração Social (PIS), estabeleceu que as suas contribuições serão compostas de duas parcelas a serem pagas: a primeira, com recursos deduzidos do imposto de renda devido e a segunda, com recursos da própria empresa. Esta parcela, por força do disposto no § 2º do art. 3º da mesma Lei, deve ter valor idêntico ao da primeira. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 559 11 Como se vê, por óbvio, que se trata de espécie de tributos diferentes, uma vez que a apuração mensal não se aplica à sistemática do PIS – Repique (código de recolhimento: 8205) e mais, pois este era calculado como uma fração do Imposto de Renda devido, alíquota de 5% e o outro – PIS Faturamento (código de recolhimento 8109), objeto do lançamento, conforme as disposições contidas na MP n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, tendo como base o faturamento mensal da empresa, aplicandose a alíquota de 0,65%. Como conseqüência disso, em se tratando de tributos de espécie diferentes, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Essa questão, inclusive, já foi examinada pelo STJ no âmbito do REsp 973.733SC, acórdão o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, portanto, de observação obrigatória pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A de seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 – dispositivo inserido pela Portaria MF no 586/2010). Com efeito, referido julgado está em sintonia com a fixação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial nos termos acima defendidos, conforme se observa de seu teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). Fl. 564DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (Destaques do original) Como visto acima, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável que haja o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. Pelo exposto, temos que o recolhimento da contribuição ao PIS – Repique, deve ser considerada com outra espécie de tributo, e como tal, não restou caracterizado Fl. 565DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 560 13 pagamento antecipado da exação, razão pela qual não há que se falar em aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, para contagem do prazo decadencial e sim do art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, para o fato gerador ocorrido em dezembro de 1997, o prazo decadencial se esgotaria em 31/12/2003, após a data do presente lançamento, que se configurou em 21/01/2003 (fls. 123). Com isso, deve ser mantido o lançamento com referência ao fato gerador ocorrido em Dezembro de 1997. Quanto a intimação pessoal para apresentação de sustentação oral, não encontra previsão no Regimento Interno deste Conselho, devendo o contribuinte interessado e/ou seu representante legal acompanharem a publicação da pauta de julgamentos no Diário Oficial da União para, querendo, se fazerem presentes. (Arts. 55 e 58 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13971.003202/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000
COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETIVOS. APLICAÇÃO OBRIGÁTORIA PELO CARF.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.877-SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543-C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62-A do Regimento Interno do referido Conselho.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves declararam-se impedidos.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente INDÚSTRA DE POSTES INDAIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETIVOS. APLICAÇÃO OBRIGÁTORIA PELO CARF. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves declararamse impedidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 32 02 /2 00 7- 52 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.003202/200752 Acórdão n.º 3202001.481 S3C2T2 Fl. 523 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de pedido de restituição do PIS e da Cofins (efl. 2/ss), supostamente pago indevidamente pelo fato de ter incluído o ICMS na base de cálculo dos citados tributos, para o período de apuração de janeiro/2001 a 12/2006, no valor de R$ 686.739,62. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, por meio do qual a contribuinte intenta a repetição de recolhimentos à maior efetuados a título de PIS e de COFINS. Alega que recolheu os valores devidos com a inclusão, na base de cálculo da contribuição, da parcela relativa ao ICMS, o que seria indevido. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu indeferimento, fazendoo com base na afirmação de que a base de cálculo do PIS e da COFINS, como definida pelos artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998, "referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda". Alega, também que dentre as exclusões da base de cálculo previstas nos dispositivos acima elencados, não consta o ICMS. Irresignada com tal indeferimento, encaminhou à contribuinte manifestação de inconformidade, na qual contesta a decisão da DRF/Blumenau/SC, afirmando, em síntese, que: (a) o ICMS não é receita da empresa, mas mera parcela a ser repassada aos cofres públicos estaduais; (b) não sendo receita da empresa, a inclusão do ICMS na base de calculo do PIS e da COFINS fere o inciso I do artigo 195 da CF/1988. Produz a contribuinte digressões doutrinárias, ancoradas em precedentes jurisprudenciais, com o fim de deixar evidenciado que o ICMS não é faturamento/receita da pessoa jurídica. É o relatório. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0722.282, em 19 de novembro de 2010 (e folhas nº 498/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DO ICMS Fl. 523DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.003202/200752 Acórdão n.º 3202001.481 S3C2T2 Fl. 524 3 A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo da Cofins. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 28/12/2010 (efls. 505), interpôs Recurso Voluntário em 27/01/2011 (efls. 506/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Nos termos do despacho datado de 21/03/2012 (efls. 517), o processo foi sobrestado em decorrência do que dispunha, à época, o artigo 62A, §1º, do Regimento Interno do CARF (sobrestamento dos recursos administrativos sempre que o STF também houvesse sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC). Contudo, a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, de modo que o processo foi devolvido a este Conselheiro para prosseguimento (efls. 521). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A matéria discutida nestes autos é por todos sobejamente conhecida: a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. O nobre Conselheiro Francisco José Barroso Rios, no voto condutor do Acórdão nº 3802001.618, de 28/02/2013, expôs com admirável clareza a celeuma que envolve a questão. Assim, transcrevo trechos do seu didático voto, adotando seus fundamentos também como razões de decidir deste voto, verbis: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.003202/200752 Acórdão n.º 3202001.481 S3C2T2 Fl. 525 4 Conforme asseverado tanto no recurso como na decisão recorrida, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS é objeto ao menos de dois processos judiciais sob a responsabilidade do STF, no caso, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18 e o Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG. Nenhuma das duas ações foi ainda julgada até a presente data. Relativamente à ADC nº 18 (proposta pelo Presidente da República), o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852 MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC nº 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62 A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. A suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria, determinada pelo STF, motivou fosse também sustado, pelo STJ, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP, recurso o qual fora recebido na origem segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, conforme despacho proferido pelo Sr. relator, Min. Teori Zavascki, em 03/11/2009. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp no 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), entendimento o qual deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, abaixo transcrito: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Assim, não há como reconhecer direito creditório favoravelmente à recorrente, já que o STJ, no âmbito do REsp no 1.127.877SP, entendeu que o ICMS integra sim a base de cálculo da COFINS, conforme ementa do voto acima referenciado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Fl. 525DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.003202/200752 Acórdão n.º 3202001.481 S3C2T2 Fl. 526 5 Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. (negritei) Pois bem. Em 08/10/2014, foi concluído no STF o julgamento do RE nº 240.7852 MG, no qual se discutia a constitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Cofins. Os ministros, por maioria de votos, deram provimento ao recurso extraordinário, autorizando a redução do valor cobrado a título de Cofins. Contudo, a citada decisão produz efeito apenas para as partes envolvidas no processo. Confirase a ementa do julgado: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em dar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por maioria, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 8 de outubro de 2014. MINISTRO MARCO AURÉLIO – RELATOR Registrese que o julgado supra mencionado ainda não tem decisão definitiva em razão de estar sob análise os embargos de declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Ademais, está pendente de julgamento no STF o RE nº 574.706 – PR, este com repercussão geral reconhecida. Confirase a ementa da decisão que reconheceu a sistemática da repercussão geral, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia (julgamento em 24/04/2008): Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.003202/200752 Acórdão n.º 3202001.481 S3C2T2 Fl. 527 6 Destarte, em face de todo esse imbróglio jurídico (ou como preferia Alfredo Augusto Becker, “carnaval tributário”), o que resta definido, até o presente momento, é o REsp nº 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que firmou o entendimento de que o ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, o qual deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme dispõe o caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, abaixo transcrito: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Por esse motivo, não há como reconhecer direito creditório favoravelmente à recorrente, já que o STJ, no âmbito do REsp nº 1.127.877SP, entendeuse que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS (ao menos até que o STF profira decisão definitiva na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18 ou no RE nº 574.706 PR, com repercussão geral reconhecida). A jurisprudência do CARF vem trilhando nesse sentido. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 3202001.266, de 19/08/2014, Conselheira Relatora Irene Souza da Trindade Torres Oliveira; nº 3402002501, de 17/09/2014, Conselheiro Relator Fernando da Gama Lobo D’Eça; nº 3302002.370, de 26/11/2013, Conselheiro Gileno Gurjão Barreto; nº 3402002.454, de 19/08/2014, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Por fim, em relações as arguições de inconstitucionalidades aduzidas no recurso, cumpre esclarecer que este Tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre tais matérias, conforme Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante ao exporto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 527DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10715.006259/2010-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 59 /2 01 0- 41 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.006259/201041, contra o acórdão nº 0728.394, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 18 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 30.000,00 para R$25.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 15/03/2008,devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$ 25.000,00, para R$5.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.006259/201041 Acórdão n.º 3801004.895 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 18336.001208/2003-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 29/10/1998
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL.
A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9301-01.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos de votar. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fez sustentação oral o Dr. Luis Gustavo Vincenzi Silveira, OAB/SP nº 211.252, advogado do sujeito passivo.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararamse impedidos de votar. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fez sustentação oral o Dr. Luis Gustavo Vincenzi Silveira, OAB/SP nº 211.252, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 01/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no artigo 7º, inciso I, c/c art. 15, do Regimento Interno desse órgão — CSRF, insurgindose contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Adotaremos o relatório da DRJ,com as alterações pertinentes. 1. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75% . 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa registrou a Declaração de Importação, utilizandose da redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação prevista no Acordo de Complementação Econômica n°39 (ACE 39), assinado pelo Brasil no âmbito da ALADI, instituído pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. 3. Após análise dos documentos que instruíram a DI (fatura comercial, certificado de origem e conhecimento de carga), a fiscalização concluiu que em se tratando de urna operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas Ilhas Cayman, não haveria como a interessada invocar a redução tarifária prevista nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. 4. A negativa à redução tarifária nos termos do ACE 39, conforme pleiteada na citada DI, oi justificada pela fiscalização com base nos seguintes fatos e irregularidades: a) “no Certificado de Origem nº ALD 991219265 emitido na Venezuela , está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 734880 emitida pela Empresa PDVSA Petróleo y Gas, situada na Venezuela e não apresentada no despacho. Entretanto, a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de n° PIFSB 1163/99 (fls. 24), emitida pela empresa Petrobras International Finanee Company (PIFC0) situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALAD1, documento que a fiscalização aduaneira utilizou para fazer as verificações e procedimentos fiscais necessários para o desembaraço aduaneiro da mercadoria ...”; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001208/200371 Acórdão n.º 930101.556 CSRFT1 Fl. 245 3 b) quanto ao “conhecimento de embarque”, documento que assegura a propriedade da mercadoria, este foi consignado à empresa Petrobras International Finance Company (PIFC0), logo essa empresa situada nas Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria”; c) “a Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n° 3.325, de 30/12/1999, que trata de sua execução no seu artigo quarto, não prevê a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador caracterizada nesta operação"; d) conquanto o artigo nono da Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n°3.325, de 30.12.1999, "admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não houve interveniência de um operador, nos termos da Resolução acima mencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI"; e) "mesmo que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração ser faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu"; f) a indicação da invoice emitida pela PDVSÁ PETRÓLEO Y GAS S/A em um campo da fatura emitida pela Petrobras International Finance Company (PIFC0) não supre as exigências da citada Resolução n° 252, tampouco a referência feita à PIFCO neste documento, "visto que não identifica efetivamente a operação pretendida"; g) em função do disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpretase literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação), qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na legislação, se utilizada conforme estabelece na legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. 5. Deste modo, concluiu a fiscalização que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplam exclusivamente o comércio praticado entre dois países signatários, destinandose tal regime a coibir qualquer interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os paísesmembros, pois conforme a legislação de vigência á época, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro pais, nos moldes da operação de fato ocorrida, de que resultou a importação efetuada pela fiscalizada. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 6. Em função do constatado, foi lavrado o auto de infração de fls. 01/09 para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa de oficio de 75%. Da impugnação 7. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 12/08/2004, fl. 03, a autuada apresentou impugnação, nos termos a seguir resumidos: 7.1. após traçar um histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a impugnante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de uma triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 7.2. defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 7.3. reconhece a ocorrência de equivoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo à condição da PIFCO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda; 7.4. diz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil; 7.5. destaca ainda que a PIFC0 figura corno exportadora pelo fato da Receita Federal não prever o procedimento especifico nos casos de triangulação comercial; 7.6. defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução n°252; 7.7 opõese a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art. 425 do Regulamento Aduaneiro/85 inerentes à fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001208/200371 Acórdão n.º 930101.556 CSRFT1 Fl. 246 5 7.8. alega que a fiscalização laborou em equivoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, conforme razões apresentadas às fls. 40 a 49, onde aduz que a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada; 7.9. considera que a Resolução n°252 não definiu afigura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação; 7.10. rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução nº 252, ressaltando a conduta formalista do autuante, dando destaque aos princípios da razoabilidade e da instrumentalidade das formas; 7.11. ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; 7.12. discorda da aplicação da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13, de 10/09/2002, e ainda, destaca a inaplicabilidade da taxa SELIC. 8. Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente, protestando por lodos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Do Cabimento da Preferência Tarifária No presente recurso, a recorrente não logrou êxito em demonstrar o saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria objeto do presente litígio. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Ou seja, não foi apresentada a fatura comercial atrelada ao certificado de origem e, por essa razão, não há como se considerar cumpridas as exigências inerentes ao regime de origem da Aladi. Nesse ponto, preciso é o parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos: Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Nessa esteira, entendo aplicáveis, na espécie, as considerações formuladas por ocasição do voto vencido, prolatado quando do julgamento do recurso nº 137831, onde atuou como relator o conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, onde foram enfrentadas as alegações trazidas na jurisprudência da CSRF que apoiaria as considerações do sujeito passivo. Transcrevo: Por sintetizar o raciocínio que orienta esse entendimento, transcrevo ementa de acórdão da CSRF prolatado nos autos do Recurso Especial nº 302124323, que teve como relatora a i. Conselheira Anelise Daudt Prieto, no qual, por maioria de votos, decidiuse: CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERENCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232 Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso especial provido. Apesar de entender que tal decisão está em harmonia com a regra geral de origem estampada no art. 9º do Decretolei nº 37, de 19661, peço licença para discordar das conclusões consignadas no aresto. Penso que, na espécie, o dispositivo nacional deve ceder espaço ao regime da Aladi, onde não foram produzidos os documentos corretos para a concessão da preferência tarifária objeto do 1 Art. 9º Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001208/200371 Acórdão n.º 930101.556 CSRFT1 Fl. 247 7 presente litígio, nem suprida a sua ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 1 Tipicidade e Relação Jurídica Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem perfeitamente à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)2 Vejamos o que diz Alberto Xavier3 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges4, a seu turno, pontifica: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; 3 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal conseqüência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se pode recorrer à analogia a pretexto de colmatar supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloqüente do legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Tal ressalva é importante para a solução do presente litígio porque, como se verá a seguir, o regime de origem do ACE 39, que isola a aplicação do regime do DL 37, de 1966, definiu as formas de suprir eventual falha documental perpetrada na demonstração do cumprimento dos requisitos de origem. É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do art. 9º, que trata do Regime Geral de Origem. Conforme se observa na leitura do já transcrito art. 9º do Decretolei nº 37, de 1966, delimitou com razoável precisão o conceito jurídico de “origem”, que, aliás, muito se aproxima do significado coloquial da expressão (local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial). Assim, para efeito de aplicação da legislação, sempre que a delimitação da origem da mercadoria for relevante, caberia ao intérprete investigar o local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial Fl. 280DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001208/200371 Acórdão n.º 930101.556 CSRFT1 Fl. 248 9 Tratarseia então do emprego do que Alfredo Augusto Becker5, apoiado na doutrina de Emilio Betti, denominou Cânone Hermenêutico da Totalidade do Sistema Jurídico, que a unicidade dos conceitos jurídicos, independentemente do contexto em que o mesmo esteja sendo empregado. Diz o autor: “...uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão.” Ocorre que, segundo o próprio art. 9º, o conceito de origem ali consignado cede espaço aos critérios fixados em ato internacional de que o Brasil participe, hipótese que se verifica no presente julgamento, onde se encontra em discussão a aplicação de preferência tarifária outorgada nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut6, citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. (grifei) 5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3ª ed. p. 123 6 Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001 p. 85 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 87 do ACE nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. Com efeito, o Conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 17 não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho ao ACE 39: a mercadoria, segundo aquele documento, foi embarcada em Punta Cardon, Venezuela, com destino ao Território Brasileiro. Ou seja, a meu ver, assim como consignado no citado acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a regra em questão impõe restrições ao trânsito físico da mercadoria por um terceiro país, não à sua comercialização por um operador nele estabelecido. Tanto é assim que a Resolução nº 252 estabeleceu regra específica para a importação de mercadoria onde figure como exportador operador sediado em país nãoparticipante do ACE. Vejase o que diz o artigo nono da Resolução 252, incorporado ao Regime de Origem da Aladi por essa mesma resolução: NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (destaquei) Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (os grifos não constam do original) 7 Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da ALADI, salvo se as Partes Signatárias convierem diferentemente. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001208/200371 Acórdão n.º 930101.556 CSRFT1 Fl. 249 11 Notese que, a mesma resolução 252 estabelece, por via oblíqua, as conseqüências do descumprimento das regras inerentes ao certificado de origem, literalmente: SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. (destaquei) Com efeito, se a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação da declaração própria do Certificado de Origem, segundo os ditames do acordo, por óbvio, afasta o tratamento diferenciado se descumpridas as condições préestabelecidas. De se observar, ademais que, analisando o parágrafo único do artigo nono da mesma resolução, podese inferir que a norma definiu com clareza quais são as providências a adotar nas hipóteses em que a triangulação comercial impede o preenchimento na forma préestabelecida, rito que, conforme apontado pelas autoridades autuantes, não foi seguido. Nessa esteira, a meu ver, a tipicidade cerrada que norteia a avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo proíbe que se busquem outros meios para, supostamente demonstrar a observância do regime de origem. Ora, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas, saber o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Ou seja, não é suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria, aparentemente foi produzida e embarcada na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral gizada no artigo 9º do Decretolei nº 37, de 1966. Repisese que, em obediência ao princípio da tipicidade, não se pode partir do pressuposto que a sistemática definida na Resolução 252 contém lacunas. Ela simplesmente optou por não admitir, por exemplo, que a falha na adoção das providências elencadas no art. nono sejam supridas pela apresentação de uma fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de Origem. Finalmente, a meu ver, razão assiste às autoridades autuantes quando apontaram a impossibilidade de se cotejar a quantidade Fl. 283DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 da mercadoria amparada pelo certificado de origem coligido aos autos, que não contém essa informação. Sem que tal informação conste do certificado ou não for possível vincular certificado e fatura comercial, como saber se a totalidade das mercadorias desembarcadas no Brasil foi embarcada na Venezuela? Resta prejudicado portanto o cumprimento do requisito estabelecido no artigo oitavo da Resolução 252, literis: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) Logo, a certificação da origem é feita com base também em função da fatura comercial que acoberta a saída de mercadorias. Pelas normas internacionais vigentes (art. 4º do Acordo 91 do Comitê de representantes da Aladi), é necessário que haja a vinculação do certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente. O próprio formulário adotado para formalizar a certificação possui um campo específico destinado à clara e perfeita informação do número da fatura a que se relaciona. Assim, qualquer certificado de origem somente pode ser usado para amparar a mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. Com efeito, é o vínculo entre certificado de origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima a fruição do benefício tarifário quanto á mercadoria importada. No momento em que há divergência nas informações prestadas no certificado de origem e na fatura comercial, ou a ausência dos requisitos previstos nos acordos internacionais, O estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicado o regime normal de tributação previsto para os países não signatários dos acordos internacionais. Não se pode olvidar, por outro lado que a avaliação do cumprimento das condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o pelo art. 179, caput e § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (...) § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se Fl. 284DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001208/200371 Acórdão n.º 930101.556 CSRFT1 Fl. 250 13 apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Aplicar o art. 179 e, se for o caso, o art. 155, significa, a meu ver, avaliar, conforme o caso, o cumprimento das condições fixadas no Acordo, inclusive no que se refere ao cumprimento das exigências de ordem instrumental. Sobre a imperiosidade da coexistência dos aspectos instrumental e material, bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da obra de Alberto Xavier8: “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos do tipo tributário, nem sempre esse dever lhe cabe quanto aos fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmarse que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de um pressuposto processual, que é um requerimento ou solicitação expressa do particular, sem o qual a Fazenda não pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão”. (destaquei) De se reafirmar, portanto, que, como frisou o mestre lusitano, a regra isencional de caráter especial não gera efeitos ope iuris. É necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. De maneira semelhante, pondera Souto Maior Borges9: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o 8 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª ed., p. 103/104. 9 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Não existe, pois, como debater a incidência da norma isentiva de cunho material ignorando aquelas de natureza processual. Sem o cumprimento dos pressupostos de eficácia, a cargo do sujeito passivo. A norma simplesmente não produz efeitos sem a intervenção do beneficiário. Nesse contexto, à luz do fixado no caput do art. 179 do CTN, é imperioso que o sujeito passivo que pretende usufruir do benefício faça prova que reúne condições para tanto. Ausente a comprovação documental pelos meios estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica, incabível é a preferência tarifária. Voto pelo provimento do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000367/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 06/07/2006 a 24/01/2007
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora tem liberdade para forma sua convicção, bem como goza da prerrogativa de proceder a instrução probatória, quando entender necessária (art. 29 do PAF). Não configura cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que indefere a complementação de provas após a apresentação da impugnação, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção da autoridade julgadora.
ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 06/07/2006 a 24/01/2007
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
A falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V e no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada.
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE O USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. PREVISÃO. ART. 33 DA LEI 11.488, DE 2007. CARACTERIZAÇÃO.
A interposição ilícita na operação de importação praticada mediante o uso de recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), introduzida no direito positivo por meio do caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, caracteriza-se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do verdadeiro adquirente da mercadoria para a interposta pessoa (o importador ostensivo).
Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo real importador.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE CESSÃO DO NOME. INFRAÇÃO SANCIONADA COM MULTA. LEI NOVA MAIS
BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. MINORAÇÃO.
A multa aplicada, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, resultado da conversão da pena de perdimento, deve ser objeto de minoração, adaptando-se ao novel comando normativo veiculado no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em conformidade a norma da retroatividade benigna insculpida na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, na medida em que se impõe a quem comete a infração caracterizada por interposição fraudulenta na importação mediante cessão do nome uma penalidade pecuniária de valor menor, ou seja, de 10% (dez por cento) do valor da operação.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Por força do disposto no inciso V do art. 95 do Decreto-lei n° 37, de 1966, o real adquirente da mercadoria (o importador oculto) responde solidariamente com pessoa jurídica importadora (o importador ostensivo), no caso da importação realizada por sua conta e ordem.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.581
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio a 10% do valor aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento. As Conselheiras Nanci Gama e Beatriz Veríssimo de Sena votaram pela conclusão.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 06/07/2006 a 24/01/2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora tem liberdade para forma sua convicção, bem como goza da prerrogativa de proceder a instrução probatória, quando entender necessária (art. 29 do PAF). Não configura cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que indefere a complementação de provas após a apresentação da impugnação, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 06/07/2006 a 24/01/2007 OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V e no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE O USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. PREVISÃO. ART. 33 DA LEI 11.488, DE 2007. CARACTERIZAÇÃO. A interposição ilícita na operação de importação praticada mediante o uso de recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), introduzida no direito positivo por meio do caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, caracteriza-se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do verdadeiro adquirente da mercadoria para a interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo real importador. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE CESSÃO DO NOME. INFRAÇÃO SANCIONADA COM MULTA. LEI NOVA MAIS BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. MINORAÇÃO. A multa aplicada, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, resultado da conversão da pena de perdimento, deve ser objeto de minoração, adaptando-se ao novel comando normativo veiculado no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em conformidade a norma da retroatividade benigna insculpida na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, na medida em que se impõe a quem comete a infração caracterizada por interposição fraudulenta na importação mediante cessão do nome uma penalidade pecuniária de valor menor, ou seja, de 10% (dez por cento) do valor da operação. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Por força do disposto no inciso V do art. 95 do Decreto-lei n° 37, de 1966, o real adquirente da mercadoria (o importador oculto) responde solidariamente com pessoa jurídica importadora (o importador ostensivo), no caso da importação realizada por sua conta e ordem. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 06/07/2006 a 24/01/2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora tem liberdade para forma sua convicção, bem como goza da prerrogativa de proceder a instrução probatória, quando entender necessária (art. 29 do PAF). Não configura cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que indefere a complementação de provas após a apresentação da impugnação, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 06/07/2006 a 24/01/2007 OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V e no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da ,/ ir/ mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE O USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. PREVISÃO. ART. 33 DA LEI 11.488, DE 2007. CARACTERIZAÇÃO. A interposição ilícita na operação de importação praticada mediante o uso de recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), introduzida no direito positivo por meio do caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, caracteriza- se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do verdadeiro adquirente da mercadoria para a interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo real importador. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE CESSÃO DO NOME. INFRAÇÃO SANCIONADA COM MULTA. LEI NOVA MAIS BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. MINORAÇÃO. A multa aplicada, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, resultado da conversão da pena de perdimento, deve ser objeto de minoração, adaptando- se ao novel comando normativo veiculado no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em conformidade a norma da retroatividade benigna insculpida na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, na medida em que se impõe a quem comete a infração caracterizada por interposição fraudulenta na importação mediante cessão do nome uma penalidade pecuniária de valor menor, ou seja, de 10% (dez por cento) do valor da operação. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Por força do disposto no inciso V do art. 95 do Decreto-lei n° 37, de 1966, o real adquirente da mercadoria (o importador oculto) responde solidariamente com pessoa jurídica importadora (o importador ostensivo), no caso da importação realizada por sua conta e ordem. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio a 10% do valor aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento. As Conselheiras Nanci Gama e Beatriz Veríssimo de Sena votaram pela conclusão. „ Luis 7Iãlõrrãe Castro - Presidente \ \\,--/'2 • Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-O .81 • FL 1.809 Feman`des do Nascimento - Relator EDITADO EM: 01/03/2010 `, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de cobrança do crédito tributário, formalizado por meio do Auto de Infração de fls. 1.382/1.444, lavrado em nome da pessoa jurídica Empacotadora de Alimentos Santo Expedito Ltda, dorante denominada autuada, no qual foi exigido multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras importadas em nome da autuada, discriminadas nas Declarações de Importação (DI) relacionadas no Demonstrativo de fls. 1.358/1.381, sucedânea da pena perdimento das dita mercadorias em face da impossibilidade de sua apreensão, por não terem sido localizadas ou já terem sido dadas a consumo (comercializadas), com fundamento no art. 23, inciso V, e §§ 1 0 e 30, do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 2002. Apuraram as autoridades fiscais que a real adquirente das referidas mercadorias era a pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos América Ltda., inscrita no CNPJ sob 7.289.717/0001-44, daqui em diante denominada de responsável solidária, que por esse fato foi formalmente incluída no pólo passivo da obrigação tributário objeto da presente autuação, mediante a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 021/2008 (fls. 1.356/1.357), do qual foi cientificada em 10/03/2008 (fl. 1.446). Os fatos apurados pela fiscalização encontram-se relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 1.383/1.440 que integra o citado Auto de Infração, os quais foram assim resumidos pelo Relator do Acórdão recorrido: Segundo o sistema Radar da SRFB, a empresa Empacotadora de Alimentos Santo Expedito Ltda foi habilitada na modalidade simplificada para operações de pequena monta como comércio exterior (U$ 150.000,00 no período de seis meses), sendo que o registro de tal habilitação ocorreu no dia 20/06/2006 (fls. 189- 192). Mesmo sabendo estar habilitada da modalidade simplificada, a empresa efetuou operações de importação em montante superior ao permitido (fls. 190-191). Diante desse quadro, em fevereiro/2007, de forma automática, o sistema SISCOMEX efetuou a suspensão da empresa em operações de comércio exterior. Iniciou-se também procedimento fiscal de investigação da origem dos recursos utilizados no comércio exterior. Ao final do procedimento fiscal, descobriu-se uma série de irregularidades da empresa. 1 — Falta de capacidade econômico-financeira dos sócios, conforme (fls. 1390-1393). 2 - Falta de capacidade econômico-financeira da pessoa jurídica (fls. 1393-1395). 3 — Falta de ativo imobilizado aliada ao fato de que a empresa autuada funciona no mesmo local da empresa Cerealista Santo Expedito, sendo que o escritório e o galpão ali existentes estão em nome da outra empresa (fls. 1395-1396). 4 — Remessa direta das mercadorias importadas aos reais adquirentes (fls. 1396-1398). 5 - Não apresentação de garantias aos fornecedores estrangeiros (fl. 1399) 6 - Contabilização das importações realizadas em nome da empresa Empacotadora Santo Expedito, em que a fiscalização alega que foram os reais adquirentes que remeteram os recursos que usados nas importações pela empresa Empacotadora (fls. 1399-1405). 7— Simulação de vendas realizadas a prazo (fls. 1405-1413). A interessada autuada foi cientificada no próprio Auto de Infração (fl. 1.382) em 05/03/2008. Inconfollnada, apresentou a peça impugnatória de fls. 1.492/1.496, em que apresenta as alegações assim sintetizadas no relatório constante do julgado recorrido: "Durante os procedimentos de fiscalização, não houve a desclassificação contábil e fiscal da impugnante. Por isto, dúvidas não restam que a escrituração da impugnante foi considerada higida, boa, firme e valiosa, refletindo a realidade de cada uma das operações mercantis. Não pode prosperar a alegação do Fisco de que os sócios da impugnante em tão reduzido tempo de atividade empresarial estivessem obtendo retornos através de distribuição de lucros e efetuando novos investimentos. Contesta a apuração da totalidade das transações efetuadas no período de 2006-2007 e cotejadas somente com os números de 2006. A partir da folha 1462, divide a impugnante sua peça de defesa a partir da divisão do relatório fiscal que acompanha o auto de infração. Sobre a incapacidade econômico-financeira da empresa, alega que os recursos advinham de créditos a que a empresa e seu administrador tinham acesso, sendo que os créditos concedidos em favor da impugnante estão estampados nas faturas e declarações de importação homologadas pela Receita Federal. Sobre a alegação acerca da ausência de ativo imobilizado, alega que o sócio Éderson André Azzolini é sócio majoritário da empresa Cerealista Santo Expedito Ltda e decidiu constituir uma \ Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n°3102-00.581 Fl. 1.810 nova empresa (empresa autuada) e naturalmente decidiu-se utilizar as instalações já existentes da empresa mediante pagamento de locativos mensais em favor da mesma. Alega que tal fato não faria qualquer diferença ao Fisco, sendo que os ativos utilizados pelas duas empresas são do mesmo sócio. Apresenta foto dos ativos imobilizados. As fichas de entrada e saídas de mercadorias demonstram que, na maioria absoluta das vezes, as mercadorias permaneciam em estoque nas dependências da empresa, sendo que somente em poucas oportunidades elas eram imediatamente remetidas após o desembaraço aduaneiro. Alega que o Fisco conseguiu elencar no auto de infração exatas 34 "remessas diretas" dentro de um universo de mais de 400 operações. Foram 34 "remessas diretas" com 16 empresas destinatárias, sendo que somente 06 dessas empresas destinatárias foram autuadas. Sobre a alegação de não apresentação de garantias aos fornecedores estrangeiros, alega que declarações dos exportadores que acompanham a impugnação demonstram que a impugnante era detentora de crédito e dispunha de prazos razoáveis para liquidação de suas importações. Sobre a alegação de vendas simuladas para a Cerealista Santo Expedito para ocultar os verdadeiros adquirentes, alega que é equivocada a alegação de que tal empresa é somente uma empresa transportadora pois também atua no comércio de cereais e outras mercadorias. Questiona o porque das exigências fiscais serem em valores inferiores às importações? Apresenta questionamentos às folhas 1480-1481. Solicita a reunião dos processos em que a mesma é a autuada. Alega ausência de dano ao erário Solicita a aplicação do artigo 33 da Lei n°11.488/2007. Alega que a figura delituosa interposição fraudulenta somente pode ser argumentada em casos de recursos de origem ilícita oriunda de um crime antecedente. Pugna a empresa por produção de prova oral, documental e pericial. Apresenta às folhas 1489-1493 quesitos e questões acerca de cada um dos meios probatórios. Solicita a reunião dos processos administrativos e o deferimento das provas postuladas. , Solicita igualmente o julgamento da procedência da impugnação e, subsidiariamente, a aplicação do artigo 33 da Lei n° 11.488/2007". A responsável solidária, apesar de regularmente intimada do referido Termo de Sujeição Passiva e do presente Auto de Infração, por via postal (fls. 1.446/1.447), não apresentou impugnação à presente exigência fiscal. Em cumprimento ao despacho de fl. 1.743, os presentes autos foram enviados à DR3 — Florianópolis/SC. Na sessão de ... de 2.008, a 2 a Turma da referida DRJ julgou procedente o lançamento, mantendo, integralmente, a exigência do crédito tributário, confomie consignado no Acórdão n° 07-14.066 (fls. 1.628/1.640), cuja ementa segue transcrita: - -- "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 06/07/2006 a 12/12/2006 MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, sendo ineficaz pleito de produção extemporânea de provas. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. SUSTENTAÇÃO ORAL. PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Incabível, por ausência de previsão legal, a sustentação oral em primeira instância de julgamento administrativo. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante interposição fraudulenta e/ou com recursos de origem, disponibilidade e transferência não comprovados e que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 06/07/2006 a 12/12/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Lançamento Procedente". Inconformada com teor da referida decisão, a autuada interpôs o recursd de fls. 1.764/1.804, em que reapresenta as alegações aduzidas no peça impug,natório e, em aditamento, em síntese, apresenta as seguintes: ( \: Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.811 a) quanto à nulidade do julgamento de primeira instância por cerceamento direito defesa: o indeferimento da prova oral, documental e pericial, embora devidamente fundamentada, trouxe grave prejuízo à defesa e ao próprio feito, pois tais provas eram úteis para o deslinde da presente controvérsia. Outrossim, argumenta que a greve dos funcionários da Empresa dos Correios e Telégrafos impediu-lhe de apresentar tais provas, circunstância que foi menosprezado no julgado recorrido; b) quanto ao auto de infração: houve inconsistência e incoerência na presente autuação, posto que foram realizadas 276 (duzentos e setenta e seis) operações de importação destinadas a 66 (sessenta e seis) pessoas jurídicas distintas, no montante de R$ 7.586.025,62 (sete milhões, quinhentos e oitenta e seis mil, vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos), e apenas as operações realizadas com 6 (seis) delas, que representa apenas 9% (nove por cento) do total, foram consideradas fraudulentas. Assim, se todas as operações foram efetivadas da mesma forma e dentro da mesma sistemática, qual o motivo de apenas 27 (vinte e sete) das 52 (cinquenta e duas) operações realizadas com a responsável solidária integrarem a presente autuação. Por fim, requer a recorrente: a) a nulidade do julgamento de primeira instância, em decorrência da violação ao constitucional direito a ampla defesa; b) a improcedência do lançamento, em decorrência da equivocada aplicação da penalidade, ou, alternativamente, a limitação da multa à importância equivalente a 10 % (dez por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Em cumprimento ao despacho de fls..., os presentes autos foram enviados a este E. Conselho e distribuídos a este Relator, por sorteio, na sessão de 19 de outubro de 2009. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e trata matéria da competência julgadora deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. I- DA PRELIMINAR Alega a recorrente que, embora devidamente fundamentada, o indeferimento de produção de prova oral, documental e pericial pela Turma julgadora de primeira ' instância trouxe grave prejuízo à sua defesa e ao próprio feito, pois tais elementos probatórios seriam úteis para o deslinde da presente controvérsia. Analisando o inteiro teor do voto condutor do Acórdão recorrido, verifico que as preliminares suscitadas pela recorrente na peça impugnatória foram devidamente apreciadas e fundamentadas, com suporte em argumentos consistentes e acompanhados dos fundamentos jurídicos pertinentes. Senão vejamos. No que concerne ao indeferimento da produção de prova oral, assim argumentou o relator originário: (..) a sustentaçã o oral é procedimento não previsto para ter lugar na primeira instância de julgamento do processo administrativo fiscal. Isto é possível, no entanto, em juízo e na órbita do Conselho de Contribuintes ou na da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De fato, no âmbito do processo administrativo fiscal a previsão de sustentação oral só existe na fase recursal, por ocasião das sessões de julgamento realizadas pelas turmas ordinárias e especiais deste Conselho, conforme previsto nos incisos II e III do art. 58 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. No que tange produção de provas testemunhais, cabe esclarecer que não há previsão legal de sua produção em nenhuma das fases de julgamento do processo administrativo fiscal. Portanto, nenhum reparo há de ser feito neste ponto. No que concerne ao indeferimento da juntada de documentos, após entrega da impugnação, também não vejo reparo a ser feito ao entendimento esposado no Acórdão recorrido. Além disso, a autuada não se dignou em indicar quais os documentos estavam postados nos Correios até o prazo final da impugnação, nem trouxe aos autos nenhuma justifica que demonstrasse a alegada indispensabilidade das referidas provas, para instrução probatória dos autos. Em relação ao indeferimento da prova pericial, entendeu o relator que havia elementos nos autos que esclareceriam suficientemente a matéria objeto do presente controvérsia, portanto, seria desnecessária a realização de perícia, nos teillios do art. 18 do PAF. Neste ponto, não é demais enfatizar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora, na apreciação da prova, tem liberdade para formar livremente a sua convicção e a prerrogativa de proceder a instrução probatória, quando entender necessária (art. 29 do PAF). Dessa forma, não vejo caracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa no julgamento de primeiro grau, portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. II- DO MÉRITO. Inicialmente, cabe esclarecer que, conforme consignado na minuciosa e exaustiva Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 1.383/1.440, que integra o presente Auto de Infração, as autoridades fiscais constataram e relataram uma série de conduta, praticadas pela autuada que, em tese, configurariam infração a diversos comandos normatiWs 8 Processo n° 10925.000367/2008-11 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.812 insertos na legislação tributária e aduaneira, o que deu origem a 8 (oito) autuações e processos distintos, conforme relação de fl. 1.385. Neste processo está sendo exigida a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras discriminadas nas DI e notas fiscais de entrada e saída relacionadas no Demonstrativo de fls. 1.358/1.381, importadas pela recorrente e repassadas diretamente a responsável solidária, indicada como sendo a verdadeira responsável pelas referidas operações de importação. Das infrações apuradas no presente procedimento fiscal. No item 05 da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1.390/1.417) as autoridades fiscais, com base em provas robustas e dados coligidos durante a fiscalização, informam que: a) os sócios da autuada não tinham capacidade econômico-financeira compatível com o volume de transações de comércio exterior realizadas; b) a própria fisCalizada faltava capacidade econômico-financeira para realizar, com recursos próprios, tão elevado volume de importações; c) a fiscalizada não era detentora de bens no seu ativo imobilizado; d) a autuada realizava algumas remessas diretas das mercadorias importadas para os reais compradores; e e) os registros contábeis da autuada apresentavam várias irregulares, por exemplo, a simulação de vendas realizadas a prazo, resultando em saldo credor da conta do ativo Duplicata a Receber. Tais fatos, embora relevantes para definição da idoneidade societária, incluindo a interposição fraudulenta na composição do quadro social, ao meu sentir, não são decisivos para a configuração do ilícito de interposição fraudulenta de terceiros na esfera de sua atuação no comércio exterior, conduta que, de fato levou aplicação da penalidade pecuniária em apreço. Decerto, o dados relevantes para o deslinde do presente contraditório estão registrados no item 07 do citada Descrição dos Fatos (fls. 1.424/1.425), em que as autoridades fiscais relatam que: a) com o intuito de esclarecer o modus operandi da fiscalizada, analisaram, o ciclo completo das operações comerciais das importações por ela realizadas, desde o desembaraço aduaneiro, passando pelas notas fiscais de entrada e de saída, contratos de câmbio, até identificação nos extratos bancários dos recursos efetivamente usados no pagamento das importações; b) constataram, com base em tais informações, que, logo após o recebimento dos referidos depósitos, ocorria não só a liquidação da operação cambial, mas também o pagamento dos tributos incidentes na importação e demais despesas aduaneiras; À -,• \ • c) com base em tais confuniações, consideraram que a fiscalizada havia identificado os reais depositantes de maneira correta, logo, estava corroborada que as importações realizadas em seu nome não foram pagas com recursos próprios, mas sim de terceiros (reais adquirentes), o que caracterizava a presunção legal de interposição fraudulenta nas ditas operações; e d) com base nos dados coligidos na tabela de fls. 1.358/1.381, mostraram de maneira detalhada a vinculação entre os depósitos bancários, as respectivas DI, os fechamentos de câmbio e as notas fiscais de entrada e saída. Assim, com tais vinculações, concluíram que estavam comprovada que a autuada, mediante interposição fraudulenta, operou por conta e ordem de terceiros, dentre os quais a presente responsável solidária, se incluía, sendo acobertados do conhecimento das autoridades tributárias e aduaneiras, eximindo-os das obrigacionais tributárias e aduaneiras atinentes às mercadorias objeto dos despachos aduaneiros de importação processados com base nas DI relacionadas na referida tabela. Com base nas referidas informações e tendo em vista os dados constantes da tabela de fls. 1.358/1.381, corroborados pelas provas documentais carreadas aos autos, dentre os quais (i) a relação das pessoas jurídica que realizaram depósitos na conta da autuada, por ela mesma apresentada (fls. 20/24), (ii) notas fiscais de entrada de fls. 304/632, (iii) extratos da movimentação bancária (fls. 633/707), e os (iv) contratos de câmbio (fls. 905/1.355), entendo que está suficiente provado nos autos de que a origem dos recursos financeiros utilizados para pagamentos das importações objeto da presente autuação foram devidamente comprovados como sendo originários da responsável solidária. Assim, a comprovação de tais fatos, nos termos do art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002), conduz a presunção de que as ditas operações de importação foram realizadas por conta e ordem de terceiros, de forma ilegal, posto que omitida do conhecimento das autoridades tributárias e aduaneiras o real adquirente das mercadorias, descumprindo os requisitos e condições estabelecidos para a referida modalidade de importação. Da efetiva comprovação da interposição fraudulenta de terceiros. Dessa founa, configurada a importação por conta e ordem de terceiros, com base no inciso I do art. 80 da Medida Provisória tf 2.158-35, de 2001, autuada e a responsável solidária estavam sujeitas ao cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos nos arts. 2° e 30 da Instrução Normativa SRF O 225, de 2002, a seguir transcritos: Art. 20 A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculaçã o, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. 7-Art. 3 0 O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse / o Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.813 documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1° O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2° A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. O descumprimento de tais requisitos caracteriza a interposição fraudulenta da recorrente, haja vista que ela ocultou os reais adquirentes das mercadorias nos documentos utilizados no processamento do despacho aduaneiro, assim como nos documentos atinentes às operações cambiais, comerciais, transporte etc. Ademais, com tal procedimento, os reais compradores das referidas mercadorias foram eximidos da condição de sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes da operação de importação por conta e ordem de terceiro, especialmente, do IPI devido na operação interna, por equiparação a estabelecimento industrial, nos termos art. 79 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Da interposição fraudulenta na operação de comércio exterior: infração e penalidade aplicável. Até 15 de junho de 2007, a única infração por interposição fraudulenta no comércio exterior, existente no direito positivo aduaneiro do País, era a descrita no inciso V, combinado com o disposto no § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. A partir da referida data, com entrada em vigor do capuz' do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, ao lado da referida norma geral de interposição fraudulenta, passou a existir, concomitantemente, no ordenamento jurídico nacional uma norma especial de interposição fraudulenta, refimo-me à novel infração descrita no citado preceito normativo. Dessa forma, para facilitar análise sistemática das hipóteses fáticas descritas nos mencionados comandos legais, transcrevo a seguir, lado a lado, os dispositivos legais do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, e da Lei n° 11.488, de 2007, que dispõem sobre a matéria em apreço: Art. 23, V, c/c §§ 1° a 3°, do DL n° 1.455/76, com Art. 33 da Lei n° 11.488/2007, c/c art. 81 da Lei redação dada pela Lei n° 10.637/2002. n° 9.430/1996. Art 23. Consideram-se dano ao Erário as Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, infrações relativas às mercadorias: inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de (...) operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito de 10% (dez por cento) do valor da operação passivo, do real vendedor, comprador ou de acobertada, não podendo ser inferior a R$ responsável pela operação, mediante fraude ou 5.000,00 (cinco mil reais). simulação, inclusive a interposição fraudulenta / de terceiros. Parágrafo único. À hipótese previSta no caput § l O dano ao erário decorrente das infrações deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. - Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1966, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002. •§ Presume-se interposição fraudulenta na r operação de comércio exterior a não- Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos comprovação da origem, disponibilidade e termos e condições definidos em ato do Ministro transferência dos recursos empregados. da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de§ 3' A pena prevista no § 12 converte-se em P multa equivalente ao valor aduaneiro da imposto de renda em um ou mais exercícios e não mercadoria que não seja localizada ou que tenha for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que nãosido consumida. exista de fato. (...). (grifos não originais). § 1 2 Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (...). (grifos não originais) Com base nos citados preceitos legais, verifica-se que ambos os tipos descritos têm no núcleo da conduta vedada a ocultação ou acobertamento, expressões que têm o mesmo significado. As pessoa ocultas ou acobertadas também seriam as mesmas, a saber, o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou responsável pela operação de comércio exterior, que correspondem aos reais intervenientes ou beneficiários da referida operação. A diferença entre as hipóteses das infrações descritas está (i) na forma de ocultação ou acobertamento, (ii) na penalidade aplicável e (iii) nos possíveis destinatários da sanção (os sancionados), o que se demonstrará a seguir. Com o propósito de facilitar a conclusão ao final apresentada, no quadro comparativo a seguir reescrevo o texto dos referidos dispositivos legais, procurando evidenciar, isoladamente, o significado dos vários elementos que compõem a hipótese fática das infrações em destaque. Art. 23, V, c/c §§ 1° a 3 0, do DL n° 1.455/76, com Art. 33 da Lei n° 11.488/2007, c/c art. 81 da Lei redação dada pela Lei n° 10.637/2002. n° 9.430/1996. Núcleo da conduta: ocultar o sujeito passivo, o Núcleo da conduta: acobertar os reais real vendedor, comprador ou responsável pela intervenientes ou beneficiários da operação de operação de comércio exterior comércio exterior. Quem será ocultado: o sujeito passivo, o real Quem será acobertado: os reais intervenientes vendedor, comprador ou responsável pela ou beneficiários da operação de comércio operação de comércio exterior. exterior. Forma de ocultação: mediante fraude ou Forma de acobertamento: mediante cessão do simulação, inclusive a interposição fraudulenta de nome, inclusive mediante a disponibilização de terceiros. documentos próprios. Quem é o responsável pela fraude, simulação Quem é o responsável pela cessão do nome e/ou ou interposição fraudulenta (destinatário da documentos (destinatário da sanção): a sanção): a pessoa interposta (importador interposta pessoa (importador ostensivo ou de • ostensivo ou de direito) e a pessoa interponente direito), isoladamente. 7--\\ / 12 7/' \\\ Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.814 (importador oculto ou de fato), conjuntamente. Por serem estranhas a presente lide e apresentarem peculiaridades próprias, não será aqui analisado a conduta do acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante fraude ou simulação. Da mesma founa, por se tratar de operação de importação, não será apreciado os elementos do tipo atinentes à operação de exportação. Assim, a presente abordagem terá como foco apenas a figura da ocultação mediante interposição fraudulenta de terceiros na operação de importação. Do significado para o direito aduaneiro da expressão interposição fraudulenta de terceiros. O significado jurídico do termo interposição é definido por De Plácido e Silva', com a seguinte dicção, in verbis: Do latim "iterpositio", do verbo "interponere" (pôr entre, meter de permeio, interpor), sem que se afaste do seu literal sentido de ação de pôr de permeio ou entre duas coisas ou pessoas, possui o vocábulo na técnica jurídica duas especiais aplicações: a)- Quer significar a intervenção de uma pessoa em negócio alheio por ordem de seu dono ou a mandato dele. A pessoa interveniente diz-se interposta, isto é, posta ou colocada entre uma e outra, para cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pôde fazer. É, assim, a interposta pessoa representada por uma terceira pessoa que vai executar o ato, a mando ou ordem de alguém porque esteja este impossibilitado de o fazer, ou porque assim o tenha determinado. Por sua vez, Maria Helena Diniz2 , atribui a expressão interposta pessoa, o seguinte significado, ipsis litteris: Interposta pessoa seria aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindo-o e encobrindo-o. Tratar-se-ia do presta-nome ou testa-de-ferro. Age em lugar do verdadeiro interessado que, por motivos não de todo lícitos, deseja ocultar sua participação num ato negociai. Com base nas referidas definições, infere-se que, no âmbito jurídico, a figura da interposição de terceiro pode se dar de forma lícita ou ilícita. Será lícita quando a intervenção do terceiro em negócio jurídico alheio realiza-se em cumprimento de ordem ou mandato do terceiro. Neste caso, a pessoa posta ou colocada entre uma e outra, tem a função de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pôde fazer por impossibilidade fisica ou jurídica ou por conveniência. Por outro lado, a interposição ilícita ou fraudulenta é aquela em que a pessoa interposta realiza o negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de terceiro, substituindo-o e ocultando-o do conhecimento de terceiros. DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico. 20. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002. 2 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. São Paulo: Saraiva. vol. II, p. 885. No âmbito direito positivo aduaneiro, a interposta pessoa é aquela que se interpõe entre os órgãos de controle e fiscalização aduaneiros e o verdadeiro comprador/vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior. De acordo com a legislação aduaneira atualmente em vigor, a interposição de terceiros nas operações de importação, foco da presente análise, pode se realizar de forma lícita ou ilícita, conforme se verá a seguir. Das modalidades de importação atualmente previstas no direito positivo aduaneiro. A legislação aduaneira atualmente em vigor prevê três modalidades de importação de mercadorias estrangeiras, a saber: a) a importação por conta própria; b) a importação por conta e ordem de terceiros; e c) a importação por encomenda. A operação de importação por conta própria é aquela em que importador adquire a mercadoria no mercado externo, em seu nome e com recursos próprios, para posterior uso ou revenda a um comprador incerto no mercado interno. Neste tipo de operação é o próprio importador quem é o responsável pela transação comercial, a logística de transporte, o processamento do despacho aduaneiro, o pagamentos dos tributos e demais despesas aduaneiras, revenda das mercadorias no mercado interno e emissão de documentos fiscais, registro e contabilização da operação. Esta operação caracteriza-se por ser uma relação jurídica simples ou bilateral entre as partes (exportador estrangeiro e importador nacional), sem qualquer intermediação de terceiros. Em outros termos, caracteriza-se como uma compra e venda direta no mercado externo, pura e simples, sem intermediário, com vista a incorporação da mercadoria no ativo permanente do importador ou posterior comercialização no mercado interno, varejista ou atacadista. Esta modalidade de importação, normalmente, é realizada por empresa industrial ou por empresa comercial detentora ou distribuidora, com exclusividade, de marca no mercado nacional. A operação de importação por conta e ordem de terceiros 3 é aquela em que uma pessoa jurídica adquire (a adquirente) as mercadoria no mercado exterior, com recursos próprios, e contrata uma outra pessoa jurídica (a importadora) para realizar a operação de importação, incluindo o despacho aduaneiro de importação e outros serviços relacionados com a transação comercial, com realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Nesta modalidade de importação, as atividades de nacionalização da mercadoria são divididas entre duas pessoas jurídicas, a adquirente e a importadora. A adquirente realiza a compra direta da mercadoria no exterior, figurando o seu nome na fatura comercial (comercial invoice); fecha (contrata) e liquida (paga) o câmbio da operação (o fechamento e a liquidação do câmbio poderá ser feita pela importadora, porém, os recursos utilizados deverão ser fornecidos pela adquirente), enquanto que a importador realiza, em seu próprio nome, todos os atos necessários ao processamento do despacho aduaneiro de importação: obtém o licenciamento para a importação da mercadoria (se exigida), elabora e registra a Declaração de Importação (DI) no Siscomex, efetua o pagamento dos tributos devidos na operação de importação e demais despesas aduaneiras (com recursos fornecidos pelo adquirente) etc. Esta modalidade de importação, normalmente, é realizada por empresa comercial importadora, inclusive trading company, que age como agente do adquirente. A operação de importação por encomenda 4 (ou importação para revenda a encomendante predeterminado) é aquela em que a pessoa jurídica importadora (i) adquire a 3 Introduzida no direito positivo aduaneiro por intermédio do art. 79 e seguintes da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, com vigência a partir de 27 de agosto de 2001, data da publicação da referida MP. 4 Introduzida no direito positivo aduaneiro por intermédio do art. 11 da Lei n° 11.281, de 20 fevereiro de 200,67— com vigência a partir de 21 de fevereiro de 2.006, data da publicação da referida Lei. \ n 14 Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.815 mercadoria diretamente do exportador estrangeiro, em seu nome e com recursos próprios, seguindo as ordens e as especificações do encomendante predeterminado, e (ii) realiza o despacho aduaneiro de importação, introduzindo a mercadoria no País (operação nacionalização). Em seguida, nos termos do contrato de exclusividade, revende as mercadorias no mercado interno ao comprador predeterminado (o encomendante). Neste tipo de operação, há dupla relação jurídica comercial, a saber: (i) a primeira relação dá-se entre o exportador estrangeiro e o importador (relação jurídica de compra e venda no mercado externo); e (ii) a segunda entre o importador e o encomendante predeterminado, o destinatário da mercadoria (relação jurídica de compra e venda no mercado interno). Nesta última modalidade de importação, o relacionamento jurídico entre importador (comissário) e encomendante predeterminado (comitente) é regido por contrato de comissão, em que o encomendante ordena a compra da mercadoria ao importador, que em seu próprio nome e com recursos próprios, realiza a compra direta no exterior, assumindo os riscos inerentes à operação, bem como realiza os atos necessários ao processamento do despacho aduaneiro de importação, à contratação e liquidação da operação cambial, figurando o seu nome na fatura comercial (comercial invoice), emite nota fiscal de entrada e registra a operação nos livros fiscais próprios, revende a mercadoria ao encomendante, emite a nota fiscal de saída e registra a operação nos livros fiscais próprios etc. Da interposição licita de terceiros na operação de importação. A interposição lícita na operação de importação se caracteriza pela intermediação de uma terceira pessoa, além do exportador estrangeiro e o real responsável pela importação da mercadoria, realizada de acordo como as exigências legais. Esta terceira pessoa atuará como (i) um mero prestador de serviços de despachos aduaneiro e intermediação comercial, como ocorre na importação por conta e ordem, ou como (ii) um comissário do comprador predeterminado da mercadoria (encomendante), na importação por encomenda. No âmbito do direito aduaneiro, para que a importação por conta e ordem de terceiros seja reputada lícita, ela deverá atender as seguintes exigências legais5: a) a pessoa jurídica contratante (o adquirente da mercadoria) deverá apresentar à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição cópia 5 Com base no inciso I do art. 80 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, os requisitos e condições para realização da modalidade de importação por conta e ordem de terceiro foram fixados nos arts. 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 225, de 2002, a seguir transcritos: "Art. 2° A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato fumado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3° O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1° O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2° A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias". /' do contrato filmado com a pessoa jurídica importadora e estar identificada na fatura comercial (comercial invoice) na qualidade de adquirente da mercadoria; b) a pessoa jurídica importadora deverá: 1) estar habilitada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), como importadora por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato; 2) infoimar no despacho aduaneiro de importação, em campo próprio da Declaração de Importação (DI), o número de inscrição do adquirente da mercadoria no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e 3) estar identificada no conhecimento de carga como consignatária ou endossatária. Neste tipo de importação, como os recursos utilizados não são do importador, caso não sejam cumpridas as referida exigências, por força da presunção legal expressa no artigo 27 da Lei 10.637, de 2002, a operação será considerada irregular ou ilícita, conforme a seguir exposto, e o real adquirente da mercadoria será ainda considerado responsável solidário, juntamente com o importadora, por todas as obrigações tributárias e aduaneiras decorrentes da dita operação. Para fins aduaneiros, para que a importação por encomenda seja reputada lícita, ela deverá atender as seguintes exigências legais6: a) a pessoa jurídica encomendante (o real adquirente - encomendante) deverá: 1) apresentar à Unidade da RFB de sua jurisdição requerimento indicando (i) o nome empresarial e número de inscrição do importador no CNPJ e (ii) o prazo ou operações para os quais o importador foi contratado; e 2) estar habilitada no Siscomex, como importador exclusivamente por encomenda; b) a pessoa jurídica importadora por encomenda deverá: 1) estar habilitada no Siscomex, como importadora normal (importação por conta própria); e 2) informar no despacho aduaneiro de importação, em campo próprio da Declaração de Importação (DI), o número de inscrição no CNPJ do encomendante da mercadoria (o adquirente exclusivo no mercado nacional). Também nesta modalidade de importação, caso o importador por encomenda e o encomendante (adquirente exclusivo da mercadoria no mercado interno) não cumpram com os referidos os requisitos e condições legais, por força da presunção legal expressa no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006, a operação será considerada por conta e ordem de terceiros 6 Com suporte no inciso I do § 1 0 do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006, os requisitos e condições para realização da modalidade de importação por encomenda foram estabelecidos nos arts. 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 634, de 2006, a seguir transcritos: "Art. 2° O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1° Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I - nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II - prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2° As modificações das informações referidas no § 1° deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3° Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF n° 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3° O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha 'Importador' e indicar no campo 'Informações Complementares' que se trata de importação por encomenda". • • 161/ \ \.‘ Processo n° 10925.000367/2008-11 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.816 (irregular ou ilícita), conforme a seguir exposto, e o encomendante da mercadoria será considerado responsável solidário, juntamente com o importador, por todas as obrigações . tributárias e aduaneiras decorrentes da operação. Da interposição ilícita de terceiros na operação de importação. Na esfera do direito positivo aduaneiro, a interposição ilícita ou fraudulenta de terceiros na o?eração de importação, de que trata o inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976 , significa que o importador (ostensivo) atua no despacho aduaneiro de importação, parecendo ser o real adquirente ou responsável pela transação comercial, mas na verdade ele age no interesse deste último (o importador oculto), substituindo-o nos documentos que acobertam a referida operação, ocultando-o do conhecimento dos órgãos de controle e fiscalização aduaneiros e, por conseguinte, eximindo-o das exigências de natureza cambial, aduaneira, tributária e administrava atinentes à dita operação. Em suma, a interposição fraudulenta na importação caracteriza-se pelo acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da referida operação (o sujeito passivo, o real adquirente ou o real importador). No âmbito da legislação aduaneira, a interposição ilícita ou fraudulenta de terceiros divide-se em: a) importação sem comprovação da origem dos recursos próprios; e b) importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome). Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A não-comprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a não-comprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decreto-lei n 2 1.455, de 1976, a seguir reproduzido: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (-) ,sç 22 Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (.). 7 "Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (.-.) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...)" No segundo caso, o fato presuntivo da não-comprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996, a seguir transcrito: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNRI" da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) § l' Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Dessa forma, infere-se que, embora o fato-base seja o mesmo (a não- comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ. Neste sentido, dispõe os arts. 99 (caput) e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966, a seguir transcritos: Art.99 - Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam- se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (-) Art.100 - Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido. (grifos não originais) Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1 0, do Decreto-lei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não-patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. ( \, ia/ Processo n°10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.817 Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracteriza-se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicaçã o do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 10 deste artigo presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (...). (destaques não-originais) é ' 19 Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n9- 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por -conta e ordem de terceiro (ilícita). Neste sentido, dispõe o parágrafo único do art. 674 8 do vigente Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). Logo, por força das referidas presunções legais, tem-se que a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita) divide-se em: a) importação por conta e ordem de fato (com utilização de recursos de terceiros, sem atendimento das exigências legais); e (ii) importação por conta e ordem equiparada ou importação por encomenda de fato (com - recursos próprios, sem atendimento das exigências legais da importação por encomenda). Neste ponto, cabe ressaltar que, por força do disposto na parte final dos comandos legais em comento, tais presunções são "para fms de aplicação do disposto nos arts. 77 a 819 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001", que • Veja o teor do referido preceito legal, a seguir transcrito: "Art. 674. Respondem pela infração (Decreto-Lei no 37, de 1966, art. 95): (...) V- conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decreto-Lei n-°- 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória n' 2.158-35, de 2001, art. 78); e (---) Parágrafo único. Para fins de aplicação do disposto no inciso V, presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos deste, ou em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea "b" do inciso Ido § lo do art. 106 (Lei no 10.637, de 2002, art. 27; e Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 2o)". 9 Segure a transcrição dos referidos comandos legais: "Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 32. Parágrafo único. É responsável solidário: I - o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção oú redução do imposto; II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.' (NR) Art. 78. O art. 95 do Decreto-Lei n° 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: 'V - conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.' (NR) Art. 79. Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa juridi,7-;\ importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: \ / 20 411,, Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.818 • estabelecem, em suma, o seguinte: a) a responsabilidade solidária do real adquirente (adquirente de fato) e do adquirente predeterminado (o encomendante de fato) pelo imposto sobre a importação (art. 77) e pelas infrações à legislação tributária e aduaneira (art. 78); b) a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente e encomendante de fato (art. 79); c) a delegação a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fixar os requisitos e condições para atuação dos interessados nas ditas modalidades de importação e a exigência de prestação de garantias para entrega antecipada da mercadoria (80); e d) a equiparação do adquirente e encomendante de fato a contribuinte normal das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (art. 81). Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23; e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou .sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que 1- estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II - exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicam-se à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de inCidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador". tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Trata-se, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais deteuninadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). 7- Áljr- Processo n° 10925.000367/2008-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.581 Fl. 1.819 Em outros telinos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso. Neste sentido, dispõe o § 3 0 do art. 727 1 ° do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RAl2009). Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplica-se apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Trata-se, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplica-se apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RAl2009. Da infração cometida e penalidade aplicável na presente autuação: principio da retroatividade benigna. No presente caso, como as infrações foram praticadas no período de julho de 2006 a janeiro de 2007, portanto, anteriormente à vigência da norma enunciada no caput do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em princípio, a autuada seria punida na forma estabelecida nos §§ 1° e 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. Entretanto, como a infração cometida pela autuada se subsume à hipótese legal da infração denominada de interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior com recursos de terceiros, conforme demonstrado precedentemente, no presente caso, entendo que deve ser aplicado o comando normativo da retroatividade benigna das 10 O citado preceito legal tem a seguinte redação: "Art. 727. Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1° A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2° Entende-se por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às Mercadorias importadas ou exportadas". (grifos não originais) nounas que cominem penalidade menos severa para idêntica conduta e infrator, inserta na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do CTN, que dispõe o seguinte: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, o valor da penalidade pecuniária aplicada por meio do Auto de Infração de fls. 1.382/1.443, deve ser reduzida para 10% (dez por cento) do valor da operação, conforme estabelecido no caput do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007. III- DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, conheço do presente recurso e voto no sentido de: a) REJEITAR a preliminares de nulidade do Acórdão recorrido; b) MANTER no pólo passivo da obrigação tributária objeto da presente autuação a Distribuidora de Alimentos América Ltda., nos termos no inciso I do art. 124 do CTN, combinado com o disposto do inciso V do art. 95 do Decreto-lei n° 37, de 1966; c) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso, reduzindo o valor da penalidade aplicada para 10% (dez por cento), nos termos do caput do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007. _ José Fernandes do Nascimento
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000971/98-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1987 a 31/05/1997
NFLD SUPLEMENTAR. NFLD ORIGINAL ANULADA NO JUDICIÁRIO. PERDA DO OBJETO.
Não subsistindo mais a NFLD principal, também não há de subsistir a NFLD complementar, restando, assim, prejudicado o recurso voluntário, em razão da perda de objeto.
Recurso Voluntário não Conhecido
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 2803-004.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da perda de seu objeto. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1987 a 31/05/1997 NFLD SUPLEMENTAR. NFLD ORIGINAL ANULADA NO JUDICIÁRIO. PERDA DO OBJETO. Não subsistindo mais a NFLD principal, também não há de subsistir a NFLD complementar, restando, assim, prejudicado o recurso voluntário, em razão da perda de objeto. Recurso Voluntário não Conhecido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da perda de seu objeto. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 09 71 /9 8- 08 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PLACAS DO PARANÁ S/A, em face da decisão do Presidente do FNDE, que indeferiu em parte a defesa apresentada pela recorrente. Segundo relatório fiscal da autuação (fl. 5) a fiscalização procedeu levantamento de débito suplementar na empresa, referente a despesas da empresa com seguro de vida em grupo em sua unidade industrial localizada na cidade de Curitiba. O débito referese ao período de 10/87 a 05/97. Segue o inteiro teor do relatório fiscal elaborado pela autoridade fiscal: 1. Procedemos levantamento de débito suplementar, em fiscalização na empresa acima citada, referente a despesas pagas pela empresa a título de Seguro de Vida em Grupo. 2. Anexamos ao presente discriminativo com bases de cálculo e contribuições devidas. 3. A empresa mantém convênio com Salário Educação. 4. Lavramos a NFLD nº 32.490.3626/97, período 10/87 a 05/97. A empresa apresentou defesa, tempestiva, em 12/05/1998 às fls. 35/38 na qual pleiteia, em síntese, decadência do débito, a suspensão da exigência fiscal até que se dê a decisão definitiva no processo do INSS de n. NFLD 32.490.3626/97 e, subsidiariamente, que se julgue improcedente a exigência fiscal, à vista dos elementos contidos no recurso interposto junto ao INSS. Na sequência, por meio da Informação nº 1066/2005 – DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC, o Presidente do FNDE deferiu parcialmente a defesa, para excluir da cobrança as competências do período de 10/87 a 12/87 em virtude de decadência. Intimado da decisão do FNDE, em 19/05/2005, conforme aviso de recebimento da ECT de fl. 90, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE acostado às fls. 90/99, alegando em síntese: 1. Que juntou ao recurso o comprovante de recolhimento de 30% do valor do débito monetariamente corrigido e requer a determinação do regular processamento do recurso, para os devidos fins e efeitos de direito. 2. Que o AR foi entregue no dia 19/05/05 (quintafeira), iniciando o prazo recursal no dia seguinte. Segundo a recorrente, na data do termo final do prazo, dia 18/05/2005 (sábado), não houve expediente no FNDE, sendo assim considera que o prazo final seja o dia 20/06/05 (o primeiro dia útil subsequente). Diante disso sustenta que o recurso é tempestivo. 3. Acredita que a origem do suposto crédito reivindicado pelo FNDE encontrase viciado em sua origem. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 23034.000971/9808 Acórdão n.º 2803004.051 S2TE03 Fl. 156 3 4. Aduz que propôs a competente Ação Declaratória Anulatória de Débito Fiscal, perante o juízo da 1ª Vara Cível da Justiça Federal de Curitiba e respectiva Medida Cautelar Inominada de nº 99.00224990, com objetivo de anular a exigência fiscal contida no Auto de Infração NFLD n. 32.490.362 6/97 o qual exigia da recorrente o recolhimento do INSS sobre a parcela dos prêmios do seguro em grupo. 5. Ressalta que houve sentença parcialmente favorável à recorrente, para “reconhecer a decadência quanto às contribuições devidas por fatos geradores ocorridos antes de 1º de janeiro de 1992 e manter a exigência o quanto aos fatos geradores ocorridos após essa data”, o que comprova que a exigência fiscal do FNDE foi anulada parcialmente pelo Poder judiciário. 6. Considera que esta autuação deva seguir o mesmo destino dado ao auto de infração objeto da ação anulatória, visto trataremse de lançamento por decorrência. 7. Defende a prescrição do direito do lançamento, conforme a sentença prolatada. 8. Entende que o equívoco praticado pela Coordenação Geral de Arrecadação e de inspeção do FNDE deva ser reparado e a nulidade da exigência fiscal reparada. 9. Tendo em vista a sentença prolatada o auto de infração em questão deva ser arquivado, tendo em vista que a exigência fiscal perdeu a sua liquidez e certeza, o que acarretaria o dever da autoridade administrativa a proceder novo lançamento fiscal por meio da lavratura de novo auto de infração. 10. Ainda a respeito da decisão judicial, argumenta que a questão administrativa sob análise encontra “subjudice”, pois o auto de infração lavrado pelo INSS, resultou em processo judicial promovido pela recorrente. Naquele momento o processo encontravase em grau de recurso perante o Tribunal Regional Federal (por força de recurso “ex oficio”, e também de recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional). 11. Sustenta que o fato da questão estar “subjudice” deve determinar a suspensão do presente julgamento. 12. Para a recorrente basta cotejar as razões do recurso e os fundamentos da decisão recorrida para concluir pela improcedência do auto de infração, por diversos motivos que elenca. 13. Ademais o auto de infração não reúne as condições legais que justifiquem a sua manutenção, devendo ser declarada a sua nulidade, em face aos elementos de fato e de direito apresentados na peça recursal sob análise. 14. Por derradeiro, requer a devida intimação para realização de sustentação oral, quando da realização do julgamento e pede a liberação, desde logo, do depósito administrativo efetuado pela recorrente. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Os autos foram encaminhados à Procuradoria Jurídica para pronunciamento e após a emissão do Parecer nº 187/2007, que concluiu pelo encaminhamento imediato do feito à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRB) o processo foi transferido e passou a ser de responsabilidade do referido órgão, fl. 134, mais precisamente À DRF – CuritibaPR. O despacho determinou a remessa dos autos a este Conselho, fl. 143. Em 15 de maio de 2012, o Conselheiro do CARF Manoel Coelho Arruda Filho determinou que o processo fosse encaminhado à DRF de Alagoas, caso fosse o caso, proferir decisão quanto À defesa administrativa apresentada. Posteriormente, os autos retornaram ao CARF tendo em vista que já constava Recurso Voluntário às fls. 91/99. Sem apresentação de contrarrazões fiscais, eis o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 23034.000971/9808 Acórdão n.º 2803004.051 S2TE03 Fl. 157 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Tanto o relatório fiscal, quanto a recorrente em suas razões, aduzem que a presente NFLD foi lançada em complementação à NFLD nº 32.490.3626/97, a qual foi objeto de Ação Anulatória ajuizada pela contribuinte perante a 1ª Vara Federal de Curitiba/PR. Ocorre que, consultando o sítio virtual do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, observei que a ação em questão foi julgada procedente, ocorrido seu trânsito em julgado em 08 de junho de 2010. Assim, não paira dúvida de que se não subsiste mais a NFLD principal, também não há de subsistir a presente NFLD, restando, assim, prejudicado o represente recurso voluntário, em razão da perda de objeto. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em razão da perda de seu objeto. Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10280.005605/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 56 05 /2 00 8- 15 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 102 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O processo referese à Notificação de Lançamento nº 2006/602451134865136 de fls. 14/16, decorrente de procedimento da revisão de Declaração de Ajuste Anual nº 02/12.771.287, anocalendário 2004, que resultou no lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar no valor de R$ 30.576,04, mula de ofício de 22.932,03 e juros de mora de R$ 14.003,82 (calculados até 30/09/2008). Conforme relatado pela fiscalização na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14 e verso e 15), o imposto suplementar lançado é decorrente de: 1 Glosa do valor de 240,00, indevidamente deduzido a título de dedução de incentivo, por falta de amparo legal poderão ser deduzidas a título de Dedução de Incentivo apenas as doações realizadas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescentes, de incentivo à cultura e de incentivo às atividades audiovisuais até o limite de 6% (Seis por cento) do imposto apurado. 2Omissão de rendimento tributáveis recebidos acumuladamente decorrentes de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 110.312,85. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista auferidos pelo titular. O valor declarado pelo contribuinte referente ao processo trabalhista movido contra o CEFET foi de R$ 219.482,47. Porém, com base nos documentos apresentados (planilha da Justiça do Trabalho e recibos apresentados pelo contribuinte), o valor foi de 3129.795,32, assim discriminamos: base de cálculo do IRRF 374.74.767,40, menos 47.476,74 referente a honorários advocatícios, menos R$ 7.495,34 referente à contribuição sindical. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Redito na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Consta À fl. 13, o documento Resultado da SRL Solicitação de Retificação de Lançamento, referente à Notificação de Lançamento nº 2005/602420420832127, de fl. 12, informando: 1A solicitação foi deferida parcialmente; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 103 3 2Nos trabalhos de revisão de ofício do lançamento objeto da notificação de lançamento de nº 2005/602420420832127 (Fl.12) foram analisados os documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte restando comprovados parcialmente os valores que deram origem à autuação. 3 A parcela dos valores não comprovados está discriminada na nova notificação de lançamento em anexo, contendo os respectivos demonstrativos, descrição dos fatos e enquadramento legal; 4A nova notificação de lançamento nº 2005/602451134865136 (Fls. 14/16) substitui integralmente a notificação acima identificada. O despacho de fl. 27, emitido pela Agência da Receita Federal do Brasil, em Ananindeua, informou que o contribuinte impugnou tempestivamente a Notificação de Lançamento em questão e que, mediante pesquisa de fl. 26, foi constatado que o débito foi inscrito em DAU Dívida Ativa da União, por intermédio do processo eletrônico nº 10280.604532/200911, em 14/03/2009, mas que está sendo solicitado à PFN Procuradoria da Fazenda Nacional o cancelamento da inscrição. O contribuinte foi cientificado da Notificação em questão em 27/09/2008, conforme AR Aviso de Recebimento dos CORREIOS de fl. 25, e apresentou impugnação (fls. 01/08), com anexos de fls. 09/21, argumentando em síntese que: 1 Teve sua Declaração de Rendimentos, exercício de 2005, ano calendário 2004, revisada e em 04/08/2008, recebeu a Notificação de Lançamento nº 2005/602420420832127 sendo intimado a recolher o valor de R$ 85.596,29 no prazo de 30 dias; 2Inconformado com a cobrança, em 28/08/2008, ingresso com o pedido de Solicitação de Retificação de Lançamento SRL. 3Em 27/09/2008, recebeu a presente Notificação. 4Após analisar detalhadamente sua declaração de 2005, verificou que houve uma inconsistência nos dados informados no total dos rendimentos tributáveis, gerando assim saldo de imposto a pagar; 5O valor recebido de 374;767,40 foi proveniente de crédito trabalhista, tendo sido retido imposto de renda sobre o valor recebido pela própria Justiça do Trabalho, que recolheu para essa Secretaria o valor de R$ 52.272,63. 6 A própria Justiça do Trabalho apresentou cálculo errado da dedução do imposto de renda do impugnante, deveria ter retido o valor de R$ 95.701,02 e não o valor de 52.272,63, detectando uma diferença de 43.482,39, conforme se verifica pelos documentos anexos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 104 4 7O impugnante só tomou conhecimento dessa diferença após ter recebido a primeira Notificação. 8Foi informado pela Justiça do Trabalho que essa diferença de R$ 43.428,39 vai ser deduzida da próxima parcela do crédito trabalhista a receber, que será retida a título de imposto de renda, conforme documento anexo. 9Por essa razão, com base nas informações, se faz necessário que seja apurado se existe realmente algum valor de imposto a pagar. O que não se admite é que o impugnante seja condenado a pagar um valor que não é devido. 10O lançamento foi efetuado sem que a autoridade fiscal processe ao pedido de esclarecimento de que trata o §1º, do art. 845, do RIR/99: (...) 11O contribuinte, ao fazer sua declaração de imposto de renda do ano de 2005, contratou um "Contador" para fazer sua declaração, tendo imposto a pagar no valor R$ 1.024,16, o qual foi regularmente pago, conforme documentos em anexo. 12O valor do imposto de renda suplementar (R$ 67.511,89) é maior do que seus rendimentos anuais como aposentado, não tendo condições financeiras para pagar tal valor, sem ter que sacrificar sua família e seu próprio sustento, vez que seus rendimentos anuais são inferiores ao valor cobrado, conforme se comprova pelo contracheque em anexo. 13Multa aplicada (75%) é confiscatória (Art. 150, IV, da Constituição da República), sendo, portanto, inconstitucional. Neste diapasão, a pessoa não pode ser tributada num tal nível que a impeça de continuar a exercer atividade lícita, ou que lhe retire o indispensável ou que reduza o padrão do contribuinte capacidade contributiva como limite de contribuição. Neste sentido, cita a doutrina e decisões do STF Supremo Tribunal Federal. 14 A Taxa SELIC é calculada diariamente pelo Banco Central BACEN, a partir das negociações dos títulos públicos e das variações de seus valores de mercado, se revestindo das características de juro remuneratório e não moratório, e, como tal, sua aplicação como encargo tributário da União malfere o disposto no parágrafo 1º, do art.161, do CTN Código Tributário Nacional e o §3º, do art. 192, da Constituição da República. A título de ilustração, transcreveu decisão do STJ Superior Tribunal de Justiça. 15 A Fiscalização da Receita Federal em Belém não poderia proceder ao lançamento fiscal por controle remoto, ignorando os atos e termos processuais previstos na legislação processual que rege a espécie e à qual está plenamente vinculada art. 142 §único do CTN. Isto, por si só, invalida o lançamento em lide. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 105 5 16 Verificase que ao contribuinte não foi assegurado o princípio a ampla defesa e do contraditório, conforme dispõe o artigo 5º, LV, da Constituição Federal, ofensa essa que por si só invalida a notificação de lançamento do débito. O impugnante finalizou sua defesa requerendo seja(m): a) Expurgado do crédito tributário em lide a multa confiscatória de 75%, incidente sobre o imposto de renda considerado devido; b) Excluído da incidência tributária, o juro moratório calculado por incidência da Taxa SELIC; c) Considerado improcedente o procedimento fiscal de expedir Notificação de Lançamento pelo CORREIO, sem pedido prévio de esclarecimento consoante legislação processual retro indicada; d) Recepcionados os argumentos e elementos probatórios de que o impugnante não deu causa ao débito, pelo fato de ter recebido uma quantia considerada expressiva referente a créditos trabalhistas, sua declaração foi feita por um "Contador", tendo à época imposto a pagar, o qual foi regularmente pago; e) Abatido de sua declaração de 2005 o valor de R$ 43.428,39, à título de imposto de renda, uma vez que o mesmo foi retido pela Justiça do Trabalho, quando do recebimento do crédito trabalhista. f) Decretada a nulidade do lançamento fiscal, pelos vícios processuais e meritórios trazidos à colação, e por não ter o contribuinte impugnante condição financeira e econômica para arcar com o pagamento desse débito, sem que venha comprometer sua sobrevivência e de seus familiares. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mÊs do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, 1988, art. 12); DECISÕES JUDICAIS. EFEITOS. As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com restrita observância do conteúdo dos julgados. Isto porque a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros, em razão do disposto Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 106 6 na Lei nº 5;869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil CPC), em seu art. 472. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguíção de inconstitucionalidade ou de legalidade de dispositivos legais ou atos normativos. As leis regularmente editadas segundo o processo consitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Pode Judiciário. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. Não há se falar em cerceamento do direito de defesa durante ação fiscal, posto que se trata de fase préprocessual em que se verifica o cumprimento das obrigações tributárias. Somente com a impugnação é que se inaugura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Regularmente cientificado daquele acórdão em 01/02/2011 (fl. 61), o Interessado, representado por sua advogada, interpôs recurso voluntário de fls. 63/73, em 03/03/2011. Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O julgamento do referido Recurso Extraordinário (transitado em julgado em 09/12/2014) manteve a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 reconhecida pelo TRF da 4ª Região. A decisão foi assentada no fundamento de que ainda que Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 107 7 seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveriam ter utilizados, de acordo com o Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.005605/200815 Acórdão n.º 2801004.031 S2TE01 Fl. 108 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.015673/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. LIMITES.
São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia desde que o contribuinte comprove ter efetuado o referido pagamento e desde que o mesmo esteja devidamente previsto em decisão judicial (ou acordo homologado judicialmente). Os valores cuja comprovação não for feita pelo contribuinte não podem ser acolhidos como dedutíveis.
Numero da decisão: 2102-003.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. LIMITES. São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia desde que o contribuinte comprove ter efetuado o referido pagamento e desde que o mesmo esteja devidamente previsto em decisão judicial (ou acordo homologado judicialmente). Os valores cuja comprovação não for feita pelo contribuinte não podem ser acolhidos como dedutíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 56 73 /2 00 8- 97 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 07/11, no qual foi alterado o valor do Imposto de Renda Pessoa Física a restituir declarado de R$40.497,52 (quarenta mil, quatrocentos e noventa e sete reais e cinquenta e dois centavos), para Imposto a Restituir Ajustado de R$27.088,06 (vinte e sete mil e oitenta e oito reais e seis centavos), relativo ao exercício 2006, anocalendário 2005, motivado pela “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial”. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$48.761,67, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/06, por meio da qual alegou em suma – que: ao ser intimado, apresentou todos os documentos solicitados, inclusive cópia da decisão judicial que homologou o pagamento de pensão alimentícia para sua ex esposa, Marina Furlan Barsotti, além dos respectivos comprovantes de pagamento; alega que no anocalendário de 2005, o Contribuinte teria pago um total de R$77.892,72 pertinente a pensão alimentícia judicial; afirma não entender o motivo pelo qual o auditor fiscal entendeu que a glosa de lançamento deveria ser no montante de R$48.761,67, tendo portanto uma diferença de R$29.131,05; enfatiza que, após ser cientificado do lançamento, não conseguiu obter explicações sobre o motivo da glosa parcial na Repartição Fazendária, ferindo seu direito de ampla defesa previsto na CRFB e no CTN; o Contribuinte ressalta que desconhece o critério utilizado para a glosa e quais os itens da pensão não foram objetos de apropriação pelo Fisco; entende não haver previsão legal para tal apropriação da pensão alimentícia, pois apresentou cópia da decisão que determinou que todos os gastos com os alimentados deveriam ser considerados como itens de pensão alimentícia; por fim, o Contribuinte postula que a glosa lançada por ofício pelo Sr. Inspetor Fiscal seja anulada por falta de previsão legal, e que seja levada em consideração a integralidade da pensão alimentícia paga, conforme dispõe o RIR/99 e demais dispositivos legais. Na análise de suas alegações, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/CTA decidiram, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo a alteração na restituição de IR, em acórdão do qual se extrai a seguinte ementa: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.015673/200897 Acórdão n.º 2102003.204 S2C1T2 Fl. 72 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. LIMITE. Somente o valor da pensão alimentícia fixado em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente efetivamente pago pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados O Contribuinte teve ciência de tal decisão, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 45/50, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, apresentando novos documentos, e ressaltou ainda que: (...) cumpre salientar que as despesas lançadas na Declaração de Ajuste Anual do IR/PFEx. de 2006, anocalendário 2005, a título de pensão pagas aos filhos Bruno e Bárbara, foram objeto de ação judicial, e acordo celebrado entre as partes, com sentença homologatória proferida pelos MM. Juízos da 1ª Vara da Família desta comarca de Curitiba, nos autos dos Processos nºs. 00104/1992, 2.413/1999, conforme Certidões Explicativas juntadas no processo administrativo em epígrafe e ora anexadas novamente, para melhor elucidação e esclarecimentos. 7. Com referência à dedução do pagamento de valores a título de pensão alimentícia e os itens que a compõe, o art. 78, e seus parágrafos, do Decreto nº. 3000/99 – (RIR), são claros quanto aos abatimentos destes na base de cálculo do imposto (...) Assim, o Contribuinte defende que a pensão paga foi decorrente de decisão judicial, sendo dedutível integralmente da base de cálculo do imposto devido, e cita jurisprudências do Conselho de Contribuintes/MF. Alega ainda o Contribuinte quanto a existência de Processo Judicial nº500322154.2010.404.7000, proposta pelo Contribuinte contra a União Federal – PFN, em trâmite perante a 7º Vara Federal Cível de Curitiba, com decisão transitada em julgado, pertinente as glosas das pensões alimentícias pagas e declaradas nos Exerc. de 2008 – ano calendário 2007 , e Exer. de 2009 – anocalendário 2008, sendo a mesma questão da legalidade das deduções destas despesas nas Declarações de Ajuste Anual do IRPF, com reconhecimento da dedução das despesas pelo valor integral dos pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia. Por fim, o Contribuinte requer seja reformada a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, dandose provimento ao Recurso Voluntário e determinandose a devolução integral do imposto pertinente a pensão alimentícia judicial constante da DIRPF – Exercício 2006 – anocalendário 2005, tendo em vista a apreciação pelo judiciário da mesma matéria, diferenciandose apenas quanto ao exercício e anocalendário. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 08.08.2011, como atesta o AR de fls. 42. O Recurso Voluntário foi interposto em 02.09.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso interposto em face de decisão que manteve a glosa parcial do valor deduzido pelo Recorrente a título de pensão alimentícia relativamente ao anocalendário 2006. Em seu recurso, o Recorrente insiste que tem decisão judicial homologatória da pensão alimentícia que paga à sua exesposa e seus filhos, razão pela qual o direito à sua dedução não lhe poderia ser negado. No entanto, fato é que não se questiona nestes autos a possibilidade do Recorrente deduzir de sua Declaração de Ajuste Anual os valores efetivamente pagos a título de pensão alimentícia a sua exesposa e seus filhos. Diversamente, o que motivou a manutenção do lançamento pela DRJ foi a falta de comprovação integral do pagamento dos R$ 126.654,39, já que somente foram comprovados pelo Recorrente R$ 77.892,72 – daí a glosa da diferença (R$ 48.761,67). Com efeito, os recibos acostados aos autos pelo Recorrente demonstram os pagamentos dos seguintes valores no ano de 2006 a título de pensão alimentícia: valor fls. janeiro 5.895,92 16 fevereiro 5.542,46 17 março 5.801,52 18 abril 5.426,75 19 maio 6.672,05 20 junho 7.483,44 21 julho 6.805,01 22 agosto 6.849,80 23 setembro 6.970,71 24 outubro 6.814,92 25 novembro 6.511,59 26 dezembro 7.118,55 27 TOTAL 77.892,72 Assim, correto está o entendimento esposado na decisão recorrida, tendo em vista que não basta ao Recorrente ter uma decisão judicial que homologue a pensão paga, mas cabe a ele também comprovar que o valor cuja dedução pretende foi efetivamente pago a título de pensão. Na hipótese destes autos, não há a comprovação do pagamento dos R$ 126.654,39 declarados pelo Recorrente, mas somente de R$ 77.892,72 – como demonstra o quadro acima. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.015673/200897 Acórdão n.º 2102003.204 S2C1T2 Fl. 73 5 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721086/2012-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.105
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O presente feito, Proc. nº 16327.721086/201215, teve como origem a representação da Deinf/SPO/Dicat (fls. 2), a qual teria verificado, no processo 16327.720910/201210, a existência de lançamento de ofício de créditos tributários de CSLL dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, no montante total de R$ 70.066.034,53. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 08 6/ 20 12 -1 5 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.721086/201215 Resolução nº 1103000.105 S1C1T3 Fl. 143 2 Foi constatado pela Deinf/SPO/Dicat que foram questionados, na impugnação protocolada, os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010. Dessa forma, o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2008 está sendo tratado nos autos do Proc. 16327.720910/201210, enquanto o mais, ou seja, os créditos tributários referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, conforme termo de fls. 121, passaram a ser discutidos nestes autos (Proc. nº 16327.721086/201215). Conforme o lançamento de ofício, fls. 10/13), consta que a conduta ilegal da recorrida diz respeito a “001 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO / DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO” derivada da “Constituição de valores informados em DCTF como estimativa com exigibilidade suspensa em função de depósito judicial para controle do crédito uma vez que não houve a informação de CSLL no ajuste o que constituiria confissão de dívida” do período compreendido entre dezembro de 2008 a dezembro de 2010. Em sua impugnação (fls. 17/58), a recorrida informa que a Ação de Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0147631, tem por objeto da lide é o direito de pagar a CSLL com base na mesma alíquota aplicável às pessoas jurídicas em geral (9%), e não mediante a aplicação da alíquota diferenciada de 15%. Aduz, ainda, que em relação aos anosbase de 2009 e 2010, efetuou depósitos judiciais da diferença de CSLL discutida no processo judicial (6% sobre a base de cálculo mensal estimada), nos montantes totais de R$13.542.486,57 e R$41.346.995,49, respectivamente. Acrescenta que, ao final dos mencionados anosbase, apurou base de cálculo da CSLL nos valores de R$71.944.693,39 (2009) e R$478.248.426,37 (2010), de modo que, aplicada a diferença de alíquota discutida judicialmente (6%), a CSLL com exigibilidade suspensa seria de R$4.316.681,60 e R$28.694.905,58, respectivamente, sendo certo que os depósitos judiciais foram efetuados em valores superiores aos devidos. Dessa forma, argumenta a recorrida, que encerrado o período de apuração a exigência das estimativas mensais deixa de ter sentido, uma vez que prevalece o valor efetivamente devido com base no lucro líquido apurado ao final do exercício. Entendimento escorado no art. 16 da IN SRF nº 93/97, que estabelece que o lançamento de ofício, após o término do anocalendário, deve abranger o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro e a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos. Ademais, diz a recorrente, a jurisprudência administrativa não aceita o lançamento de estimativas após o encerramento do anocalendário. Por essas razões, requereu o acolhimento da impugnação, com a finalidade de reduzir o crédito tributário lançado ao valor efetivamente devido pela impugnante no caso de insucesso da ação judicial, i.é., R$ 4.316.681,60 para o anobase de 2009 e R$ 28.694.905,58 para o anobase de 2010. A DRJ/SPO proferiu acórdão, dando provimento à impugnação apresentada pela recorrida. Em decorrência, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.721086/201215 Resolução nº 1103000.105 S1C1T3 Fl. 144 3 Voto Inicio o voto por transcrever a razão de decidir do v. acórdão recorrido: “Tendo sido a impugnação apresentada com a observância do prazo estipulado no art. 15 do Decreto nº 70.235/72 e atendidos os demais requisitos legais, dela se toma conhecimento. Conforme consignado no relatório, o presente processo se refere apenas aos lançamentos de CSLL dos anoscalendário de 2009 e 2010, visto que o lançamento relativo ao anocalendário de 2008 não foi objeto de questionamento, estando o crédito tributário apartado no processo nº 16327.720910/201210. Cabe ressaltar também que a impugnante não requer o cancelamento integral do auto de infração, mas apenas a redução dos valores lançados para R$ 4.316.681,60 para o anobase de 2009 e R$ 28.694.905,58 para o anobase de 2010. O crédito tributário não contestado pela impugnante tornase definitivo no âmbito administrativo, pois não se instaurou o litígio administrativo em relação a ele, consoante o disposto nos artigos 14, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: (...) Portanto, o presente litígio administrativo versa apenas sobre as diferenças entre os valores lançados pela fiscalização e os reconhecidos pela impugnante como devidos em caso de insucesso na demanda judicial. Como consignado no auto de infração, os valores lançados de ofício correspondem à soma das estimativas de CSLL declaradas em DCTF com exigibilidade suspensa, nos valores de R$13.542.486,57 em 2009 e R$41.346.995,49 em 2010. Por outro lado, a impugnante alega que, tendo optado pela apuração anual do lucro real, somente podem ser lançados os valores de CSLL apurados ao final do anobase, sendo incorreto o lançamento da soma das estimativas mensais. Acrescenta que apurou base de cálculo de CSLL nos montantes de R$ 71.944.693,39 em 2009 e R$ 478.248.426,37 em 2010, de modo que, aplicada a diferença de alíquota (6%), a CSLL com exigibilidade suspensa seria de R$ 4.316.681,60 em 2009 e R$ 28.694.905,58 em 2010. A respeito da questão, cabe ressaltar que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem optar pela apuração anual da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devendo, nesse caso, pagar antecipadamente os valores apurados sobre uma base de cálculo estimada, a teor dos artigos 2º, 6º e 30 da Lei nº 9.430/96, verbis: (...) Por sua vez, o Código Tributário Nacional, em seus artigos 113, §1º, e 114, estabelece que ‘fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência’, sendo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.721086/201215 Resolução nº 1103000.105 S1C1T3 Fl. 145 4 que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. No caso da apuração anual do lucro real, o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre em 31 de dezembro, data em que nasce a obrigação principal. Sem a ocorrência do fato gerador, não há que se falar em tributo devido, sendo, portanto, uma impropriedade classificar os valores apurados mensalmente por estimativa como tributos devidos. Os valores apurados mês a mês são apenas estimativas, que podem ser iguais, superiores ou inferiores ao montante real do tributo devido quando da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro. (...)Assim, encerrado o período de apuração, não pode mais ser exigido da contribuinte o valor relativo aos débitos mensais por estimativa, mas apenas o valor do tributo apurado ao final do ano base. O art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 93/97 é expresso nesse sentido: (...) No presente caso, a impugnante apurou base de cálculo de CSLL nos montantes de R$ 71.944.693,39 em 2009 e R$ 478.248.426,37 em 2010, conforme informado na ficha 17 das respectivas DIPJ (fls. 52 e 57). Considerandose que, no mandado de segurança nº 2008.61.00.0147631, a impugnante pleiteia o direito de pagar a CSLL com base na mesma alíquota aplicável às pessoas jurídicas em geral (9%), e não mediante a aplicação da alíquota diferenciada de 15%, a contribuição objeto de discussão judicial corresponde a 6% da base de cálculo. Assim, os valores de CSLL a serem lançados de ofício para prevenção de decadência resultam em R$ 4.316.681,60 em 2009 e R$ 28.694.905,58 em 2010, como alegado pela impugnante. Por todo o exposto, voto no sentido de julgar procedente a impugnação, exonerando os créditos tributários nela contestados.” Nos termos do art. 151, II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário o depósito integral do crédito tributário, razão pela qual se faz necessária a exibição, nos autos, das DIPJ do período, bem como das DCTF, sem prejuízo da petição inicial da Ação de Mandado de Segurança e Certidão de Objeto e Pé. Dessa forma, escorado no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, e no art. 35, do Decreto nº 7.574/11, julgo por converter o julgamento em diligência, para que a recorrida exiba, nos autos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação: a) DIPJ’S e DCTF’S do período abrangido nestes autos; b) cópia da petição inicial; c) cópia da sentença e do recurso de apelação; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.721086/201215 Resolução nº 1103000.105 S1C1T3 Fl. 146 5 d) se houver interposto, também acoste aos autos a cópia do recurso especial e do recurso extraordinário; e e) existindo, cópia do trânsito em julgado e a respectiva decisão judicial. É como voto. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10580.723075/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
Ementa:
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas.
Numero da decisão: 1301-001.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 30 75 /2 00 9- 89 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 505 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 506 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e MULTA ISOLADA, relativas ao anocalendário de 2004, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) divergência entre os valores declarados em DCTF a título de devido no ajuste anual e os apurados com base no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); ii) divergência entre os valores declarados e os escriturados, ocasionando falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) no mês de dezembro de 2004. Em sede de impugnação (fls. 273/294), a contribuinte argumentou: que o lançamento a título de IRPJ não procedia, vez que: a) o valor utilizado por ela como dedução do PAT foi o correto (R$ 148.131,52); b) houve equívoco no preenchimento da DCTF, e o agente fiscal ao invés de deduzir do apurado o efetivamente recolhido (R$ 590.628,99), deduziu o informado no instrumento declaratório em referência (R$ 578.835,64) – esclareceu que ao preencher a DCTF informou o tributo devido após a dedução do imposto de renda na fonte do próprio ano calendário; que o valor de IRPJ apurado por ela seria incontroverso e que o ponto de discussão seria relativo ao PAT e à forma como foi recolhido o montante apurado, pois a Fiscalização não considerou os recolhimentos via DARF, as compensações via PER/DCOMP e o valor de IRRF utilizado para abater o total apurado em dezembro de 2004; que, da mesma forma que o IRPJ, o valor cobrado de CSLL também estaria equivocado, visto que não foi verificado que no mês de dezembro de 2004 ela recolheu o valor de R$ 217.579,30, enquanto a Fiscalização utilizou para dedução da contribuição devida o montante de R$ 213.229,40, informado na DCTF; que o Fisco estaria cobrando multa de ofício de 75% e multa isolada de 50% sobre o mesmo fato, qual seja, não recolhimento da estimativa de dezembro de 2004; que o estabelecimento de multa de 75% sobre o valor do imposto afrontaria os princípios constitucionais que veda o confisco e da razoabilidade (e proporcionalidade); que, restando dúvida acerca da aplicação e interpretação da norma que prevê a penalidade, que seja dada a interpretação mais favorável a ela, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas na defesa interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 15 21.407, de 21 de outubro de 2009, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 507 4 Consideramse não formulados os pedidos de diligência e/ou perícia feitos em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. INCONSTITUCIONALIDADE. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. DEDUÇÕES. PAT. IRRF. O pleito de deduções referentes ao PAT e ao IRRF deve ser instruído com os elementos que comprovam o atendimento dos requisitos impostos pela legislação fiscal. REGIME DE ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Verificada a falta de pagamento de estimativa mensal do Imposto de Renda e ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, após o término do anocalendário, é cabível a aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores devidos e não recolhidos, por expressa determinação normativa. MULTA DE OFÍCIO. Verificada a ocorrência de ilícito tributário em procedimento regular de fiscalização, é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Às fls. 369/370, consta informação, trazida pela fiscalizada em documento datado de 12 de fevereiro de 2010, no sentido de que, aproveitando parcelamento especial, quitou parcialmente os débitos objeto do presente processo, “restando apenas a discussão no tocante ao lançamento da multa isolada no processo”. Inconformada com a amplitude da decisão exarada em primeira instância, a contribuinte, em 15 de fevereiro de 2011, interpôs o recurso de fls. 1.876/1.890. Não obstante o registro feito no documento de fls. 369/370 de que restaria apenas a discussão acerca da MULTA ISOLADA, na peça recursal a contribuinte consigna: “o presente recurso somente se refere a parcela mantida pela DRJ Salvador”. Nessa linha, repisa argumentos no sentido de contestar o ato decisório recorrido, relativamente ao valor cobrado a título de IRPJ e à multa isolada aplicada. É o Relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 508 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com as peças de autuação de fls. 03/19, à contribuinte fiscalizada foram imputadas as seguintes infrações, relativamente ao ano calendário de 2004: i) FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, decorrente de divergências entre os valores declarados em DIPJ e os escriturados no LALUR, conforme demonstração abaixo. DIPJ/2005 LALUR DCTF LUCRO REAL 24.091.400,82 24.688.586,62 IR A PAGAR 0,00 159.225,10 0,00 O imposto de renda a pagar (R$ 159.225,10) foi assim determinado: LUCRO REAL 24.688.586,62 IRPJ – 15% 3.703.287,99 IRPJ – ADICIONAL (10%) 2.444.858,66 DEDUÇÕES PAT ( 144.548,40) ESTIMATIVAS ( 5.844.373,15) IR A PAGAR 159.225,10 ii) FALTA DE RECOLHIMENTO DE ANTECIPAÇÃO OBRIGATÓRIA DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2004 (MULTA ISOLADA), decorrente de divergências entre os valores declarados em DIPJ e os escriturados no LALUR, conforme demonstração abaixo. DIPJ/2005 LALUR DCTF LUCRO REAL 24.091.400,82 24.688.586,62 ESTIMATIVA 588.764,29 738.060,74 578.835,64 A estimativa que deveria ser recolhida no referido mês (R$ 738.060,74) foi assim determinada: LUCRO REAL 24.688.586,62 IRPJ – 15% 3.703.287,99 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 509 6 IRPJ – ADICIONAL (10%) 2.444.858,66 DEDUÇÕES PAT ( 144.548,40) IR DEVIDO EM MESES ANTERIORES ( 5.265.537,51) ESTIMATIVA – DEZ/2004 738.060,74 A multa isolada lançada foi de R$ 79.612,55, conforme determinação abaixo. ESTIMATIVA DEVIDA 738.060,74 ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF 578.835,64 DIFERENÇA 159.225,10 MULTA (50% DE 159.225,10) 79.612,55 iii) FALTA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, decorrente de divergências entre os valores declarados em DIPJ e os escriturados no LALUR, conforme demonstração abaixo. DIPJ/2005 LALUR DCTF BASE DE CÁLCULO CSLL 24.055.719,62 24.648.455,33 CSLL A PAGAR 57.008,45 0,00 A Contribuição Social a pagar (R$ 57.008,45) foi assim determinada: BC DA CSLL 24.648.455,33 CSLL – 9% 2.218.360,98 ESTIMATIVAS ( 2.161.352,53) CSLL A PAGAR 57.008,45 iv) FALTA DE RECOLHIMENTO DE ANTECIPAÇÃO OBRIGATÓRIA DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2004 (MULTA ISOLADA), decorrente de divergências entre os valores declarados em DIPJ e os escriturados no LALUR, conforme demonstração abaixo. DIPJ/2005 LALUR DCTF BASE DE CÁLCULO CSLL 24.055.719,62 24.648.455,33 ESTIMATIVA 216.891,61 270.237,86 213.229,40 A estimativa que deveria ser recolhida no referido mês (R$ 270.237,86) foi assim determinada: BC DA CSLL 24.648.455,33 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 510 7 CSLL – 9% 2.218.360,98 CSLL DEVIDA EM MESES ANTERIORES (1.948.123,12) CSLL A PAGAR 270.237,86 A multa isolada lançada foi de R$ 28.504,22, conforme determinação abaixo. ESTIMATIVA DEVIDA 270.237,86 ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF 213.229,40 DIFERENÇA 57.008,45 MULTA (50% DE 57.008,45) 28.504,22 Apreciando a impugnação interposta pela autuada, a Turma Julgadora de primeiro grau a julgou parcialmente procedente, eis que constatou que: a) embora a contribuinte tivesse declarado em DCTF o valor de R$ 578.835,64 a título de ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2004, efetivamente recolheu o montante de R$ 590.628,99; b) o efetivo recolhimento da estimativa mensal de CSLL do mês de dezembro de 2004 no valor de R$ 217.579,30. Em virtude de tais constatações, os valores das exigências formalizadas foram reduzidos pelo ato decisório recorrido. Na decisão prolatada em primeira instância consta registro no sentido de que a impugnação interposta pela autuada foi de caráter parcial, visto que não houve contestação em relação aos montantes devidos a título de IRPJ e de CSLL em razão das bases de cálculo consideradas, mas tão somente no que tange ao imposto de renda e a contribuição social a pagar. Na impugnação, a contribuinte contestou os valores considerados pela autoridade fiscal relativamente à dedução a título de incentivo fiscal (PAT); à estimativa de IRPJ do mês dezembro; e à estimativa de CSLL do mês de dezembro. Requereu, ainda, a dedução do IRRF no valor de R$ 93.783,37 da estimativa mensal de IRPJ do mês de dezembro. Conforme relato anterior, em documento protocolizado em 24 de fevereiro de 2010, a contribuinte apresentou DESISTÊNCIA PARCIAL da impugnação1. No referido documento resta consignado, in verbis: [...] De outro lado, diante do estímulo oferecido pelo Fisco Federal, as requerentes entendem que é interessante a adesão aos termos da Lei 11.941/2009 c/c Portaria 06/2009, por isto, efetuaram o pagamento do débito parcialmente para efetuar o 1 Embora o documento de desistência tenha sido protocoloda em 24 de fevereiro de 2010 e a decisão de primeira instância seja datada de 21 de outubro de 2009, a contribuinte só foi cientificada do referido ato decisório em 17 de janeiro de 2011. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 511 8 pagamento à vista do valor principal do débito, utilizando os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para pagamento da parcela de juros. Nesse cenário é que a Requerente, em cumprimento às disposições da transação a que adere, desistem parcialmente de forma expressa e irrevogável, tendo em vista o pagamento à vista do débito principal, utilizando a base negativa de CSLL para pagamento dos juros, renunciando ao direito em que se funda no tocante a parte reconhecida e paga do débito, remanescendo somente a parte referente à multa isolada lançada no referido processo, pelo que pedem seja homologada a desistência parcial nos termos da Lei nº 11947/2009. (GRIFEI) No recurso voluntário apresentado, entretanto, a contribuinte argumenta que suas razões são dirigidas para a parcela mantida em primeira instância, o que revela distinção em relação ao documento de desistência acima referenciado, eis que na referida parcela (mantida) é identificado débito de IRPJ que foi impugnado e parcialmente mantido pela Turma Julgadora de primeiro grau (R$ 97.366,19), enquanto na desistência a contribuinte assegura que a matéria não alcançada pelo pedido diz respeito exclusivamente às multas isoladas. O quadro abaixo, extraído das informações consignadas na decisão de primeira instância, clarifica a questão. IMPUGNADO ESPÉCIE FG REFERÊNCIA LANÇADO NÃO IMPUGNADO EXONERADO MANTIDO IRPJ 2004 159.225,10 50.065,56 11.793,35 97.366,19 CSLL 2004 57.008,45 52.658,55 4.349,00 0,00 MULTA ISOLADA IRPJ DEZEMBRO 2004 79.612,55 5.897,27 73.715,28 MULTA ISOLADA CSLL DEZEMBRO 2004 28.504,22 2.174,94 26.329,28 Conforme nota, apesar de a desistência ter sido protocolizada em data posterior a correspondente ao pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância, a ciência do ato decisório em questão só foi formalizada em 17 de janeiro de 2011 (aviso de recebimento às fls. 397), logo, não seria possível à contribuinte relacionar o pedido de desistência à parcela mantida em primeira instância, eis que desconhecida à época da sua apresentação. O extrato de fls. 436, indicativo da consolidação do parcelamento requerido, confirma que o valor de R$ 97.366,19 foi objeto de desistência por parte da Recorrente, embora integre a denominada PARCELA MANTIDA em primeira instância, como demonstrado no quadro acima. O que se constata, e os elementos reunidos ao processo confirmam (documentos de fls. 388 e 442/443), é que, em razão do fato de as parcelas não impugnadas do crédito tributário constituído terem sido apartadas, formando o processo administrativo nº 10580.720227/201114, elas não foram consideradas no parcelamento requerido pela Recorrente, o que motivou a interposição de pedido de regularização por parte dela (da Recorrente). Fl. 511DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 512 9 Diante de tais considerações, conheço o recurso voluntário tão somente em relação às razões relacionadas às multas isoladas aplicadas. Alega a Recorrente que o Fisco cobra multa de ofício e multa isolada sobre o mesmo fato, restando presente, assim, o bis in idem, o que impõe a desconstituição da exigência relativa à multa isolada. Requer, em caso de dúvida, a aplicação das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional. Em que pese o fato de o argumento da Recorrente encontrar lastro em densos pronunciamentos deste Colegiado, filiome ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição em razão de divergências entre os valores declarados em DIPJ e os escriturados; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes bases de cálculo. Penso que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Entendo que o simples fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Nessa linha, tomo por exemplo a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10580.723075/200989 Acórdão n.º 1301001.801 S1C3T1 Fl. 513 10 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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