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Numero do processo: 10935.720451/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2007, 2008, 2009, 2010, 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DOS VALORES PERCEBIDOS PELO DEPENDENTE.
Ausente a declaração, pelo sujeito passivo, dos valores auferidos por seu dependente, comprovada a omissão de rendimentos.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTE MAIOR DE IDADE E INCAPACITADO PARA O TRABALHO. INOCORRÊNCIA.
Paciente portadora da Síndrome de Gilles de La Tourette. Ausência de comprovação, mediante laudo médico idôneo, que a dependente é incapacitada para o trabalho. Exclusão das despesas do dependente nas declarações de rendimentos da contribuinte.
DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. INDÍCIOS DE ADULTERAÇÃO EM RECIBOS.
A ausência da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, ainda que de forma indireta, conduz à glosa dos valores declarados, especialmente quando há indícios de adulteração em recibos médicos.
DESPESAS EDUCACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo havido a comprovação de apenas parte das despesas com instrução, é de se manter a glosa.
MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO.
Em havendo dolo por parte do sujeito passivo, cabível a incidência de multa qualificada. Manutenção.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-003.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva que davam provimento parcial ao recurso.
Assinado digitalmente
TÂNIA MARA PASCHOALIN - Presidente.
Assinado digitalmente
FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DOS VALORES PERCEBIDOS PELO DEPENDENTE. Ausente a declaração, pelo sujeito passivo, dos valores auferidos por seu dependente, comprovada a omissão de rendimentos. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTE MAIOR DE IDADE E INCAPACITADO PARA O TRABALHO. INOCORRÊNCIA. Paciente portadora da Síndrome de Gilles de La Tourette. Ausência de comprovação, mediante laudo médico idôneo, que a dependente é incapacitada para o trabalho. Exclusão das despesas do dependente nas declarações de rendimentos da contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. INDÍCIOS DE ADULTERAÇÃO EM RECIBOS. A ausência da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, ainda que de forma indireta, conduz à glosa dos valores declarados, especialmente quando há indícios de adulteração em recibos médicos. DESPESAS EDUCACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Tendo havido a comprovação de apenas parte das despesas com instrução, é de se manter a glosa. MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO. Em havendo dolo por parte do sujeito passivo, cabível a incidência de multa qualificada. Manutenção. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 04 51 /2 01 2- 11 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 299 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva que davam provimento parcial ao recurso. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN Presidente. Assinado digitalmente FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de processo administrativo instaurado em face da lavratura de auto de infração por conta de (i) omissão de rendimentos, (ii) dedução indevida de dependentes, (iii) glosa de valores declarados a título de despesas médicas, (iv) glosa de valores declarados a título de despesas com instrução. Lavrado o auto de infração, inclusive com a aplicação de multa qualificada de 150% em relação a alguns dos fatos geradores, a contribuinte ofertou impugnação administrativa, alegando, em síntese, que (i) não teria havido omissão de rendimentos; (ii) a filha Karen Joyce de Souza Bachette, muito embora tivesse mais de 25 anos, era incapacitada mentalmente para o trabalho, conforme laudo de psicólogo; (iii) as despesas médicas estariam devidamente comprovadas; e (iv) teria inexistido dolo quando da apresentação das declarações dos anoscalendário de 2006 a 2010. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão (nº 0637.434) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. Os valores informados em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF são hábeis para comprovar a Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 300 3 existência de rendimentos recebidos por pessoa física. Esses valores só podem ser desconsiderados se restar demonstrada a inexatidão das informações prestadas pela fonte pagadora. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. FILHO MAIOR. INCAPACIDADE PARA O TRABALHO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O filho com mais de vinte e quatro anos de idade só pode ser considerado dependente dos pais para fins de imposto de renda se houver prova inequívoca da incapacidade física ou mental para o trabalho. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que possam ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, as despesas com instrução tem de estar devidamente comprovadas e devem ser referirse à instrução do contribuinte ou dos respectivos dependentes. DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda são apenas aquelas relativas a tratamento do próprio contribuinte declarante ou dos respectivos dependentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTOS EXIGIDOS PARA COMPROVAÇÃO. As despesas médicas declaradas pelo contribuinte devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente, além de simples recibos, documentos que demonstrem o efetivo desembolso dos valores declarados. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Aplicase a multa de ofício qualificada de cento e cinqüenta por cento (150%) quando resta caracterizada a conduta dolosa do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a manutenção do crédito tributário suplementar lançado pelo Fisco, a contribuinte interpõe recurso voluntário, reiterando, em síntese, todos os termos da impugnação rejeitada. Junta documentos (declarações de profissionais da área médica), a fim de sustentar as suas alegações. Pugna pela reforma integral da decisão de primeira instância. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 301 4 É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. O recurso é tempestivo e reúne condições de admissão e julgamento. Omissão de rendimentos A fiscalização apurou omissão de rendimentos no valor de R$ 350,28 (fl. 42), percebido pelo dependente José Antônio Bachette Júnior, no anocalendário de 2006. Em relação a esse valor, a contribuinte, tanto em sua impugnação, quanto em seu recurso voluntário, limitase a afirmar que nunca houve a percepção de qualquer renda junto à fonte pagadora Banco ABN AMRO Real S/A. Afirma, ainda, a contribuinte que somente teria havido empréstimos consignados junto a tal instituição financeira, motivo pelo qual requer o afastamento da omissão de rendimentos apontada pela fiscalização. Como bem apontado pela Delegacia Regional de Julgamento, "a referida declaração serve como prova da existência dos rendimentos do contribuinte pessoa física, pois é feita por pessoa jurídica que a princípio é neutra em relação ao fato declarado e que fica sujeita a penalidades em caso de informações inverídicas ou inexatas". Logo, não tendo havido provas, por parte da contribuinte, de que a DIRF apresentada pelo Banco ABN AMRO Real é inverídica (como, por exemplo, cópias dos tais empréstimos consignados supostamente feitos junto à dista instituição financeira), é de se manter a omissão de rendimentos. Negado provimento ao recurso voluntário, neste particular. Dedução de despesas com dependente Em suas declarações de rendimentos dos anos de 2006 a 2010, a contribuinte, ora recorrente, declarou como sua dependente sua filha Karen Joyce de Souza Bachette, a qual, na data da concretização do fato gerador do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, contava com mais de vinte e quatro anos de idade. A dedução dos valores referentes à dependente em questão estava amparada em um laudo psicológico (fls. 323) que atesta, expressamente, que as condições psicológicas da Sra. Karen "interferem em seu nível geral de atividade, impedindo sua inserção regular e constante no Mercado de Trabalho". Somase a isso, ainda, o fato de que a Sra. Karen, declarada como dependente da ora recorrente, nos anos abarcados pela fiscalização, não possuiu contrato de trabalho anotado em sua CTPS (fls. 2323 dos autos), o que comprova que, nos anos de 2006 a 2012, ao que tudo indica, a mesma não laborou ao menos não regularmente, com vínculo empregatício reconhecido. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 302 5 A Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, prevê, em seu art. 35, as hipóteses em que é possível a dedução de dependentes para fins de apuração do IRPF: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. Em igual sentido, o RIR, em seu art. 77, e a Instrução Normativa nº 15 da Secretaria da Receita Federal, de 6 de fevereiro de 2001, em seu art. 38, verbis: RIR Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei n º 9.250, de 1995, art. 4 º , inciso III). § 1 º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4 º , § 3 º , e 5 º , parágrafo único (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35): (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 303 6 § 2 º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3 º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 2 º ). § 4 º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 3 º ). § 5 º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 4 º ). IN 15/2001 Art. 38. Podem ser considerados dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º As pessoas elencadas nos incisos III e V podem ser consideradas dependentes quando maiores até 24 anos de idade, se estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns podem, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, o contribuinte pode considerar, como dependentes, os que ficarem sob sua guarda em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º O responsável pelo pagamento da pensão de que trata o parágrafo anterior não pode efetuar a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano calendário. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 304 7 § 5º É vedada a dedução concomitante de um mesmo dependente na determinação da base de cálculo de mais de um contribuinte, exceto nos casos de alteração na relação de dependência no anocalendário. § 6º Para fins de desconto do imposto na fonte, os beneficiários devem informar à fonte pagadora os dependentes a serem utilizados na determinação da base de cálculo, devendo a declaração ser firmada por ambos os cônjuges, no caso de dependentes comuns. § 7º Na Declaração de Ajuste Anual pode ser considerado dependente aquele que, no decorrer do anocalendário, tenha sido dependente do outro cônjuge para fins do imposto mensal, observado o disposto no § 5º. § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. A leitura dos dispositivos legais deixa claro que é possível, sim, considerar como dependente o filho de qualquer idade que seja incapacitado mentalmente para o trabalho. No caso em comento, houve a apresentação de um laudo atestando essa incapacidade. Apenas não houve, por parte da fiscalização, a aceitação a esse laudo. A própria Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba, por meio de sua 7ª Turma, afirma que "a legislação não estabelece que tipo de documento deve ser apresentado para comprovar tal condição, mas é certo que o fato deve ser comprovado de forma inequívoca. Diante da falta de restrição legal à prova, entendo que não há óbice em considerar válido um documento emitido por psicólogo particular legalmente habilitado e devidamente inscrito no órgão profissional. Contudo, esse documento deveria concluir de forma expressa, afirmativa e congruente a respeito da incapacidade para o trabalho". Observo, portanto, que a motivação da decisão atacada não foi a forma do laudo apresentado pela contribuinte para amparar seu pedido de dedução, mas, sim, o conteúdo do mesmo. Dessa forma, passo à análise dos termos do laudo, assim como da declaração de fls. 2367 dos autos, datada de 8 de março de 2012, apresentada pela ora recorrente por ocasião da apresentação de impugnação administrativa. A análise do conteúdo de um laudo médico ou psicológico é algo que deve, sempre, ser feito com extrema cautela pelo órgão julgador. Falta a nós, leigos em termos médicos, o conhecimento necessário para infirmar as conclusões alcançadas por um profissional da área da saúde sobretudo um que, como no caso dos autos, vem tratando a paciente há mais de dez anos, pelo que se pode perceber, de forma ininterrupta. O laudo de fls. 323 refere, de forma clara: a Sra. Karen possui condições que impedem "a sua inserção regular e constante no Mercado de Trabalho". De fato, a psicóloga responsável pelo tratamento da paciente não utiliza a expressão "incapacidade laborativa". Para a DRJ/CTA, isso, contudo, não é suficiente para o enquadramento nos dispositivos legais que permitem que determinado filho seja, ou não, considerado dependente para fins tributários. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 305 8 Em rápida pesquisa junto ao Dicionário Médico na internet (http://medical dictionary.thefreedictionary.com/Tourettes+syndrom), verifiquei que a Síndrome de Gilles de la Tourette não é, por si só, incapacitante mentalmente. Seria necessário analisar, caso a caso, o paciente, a fim de confirmar essa eventual incapacidade laborativa. Não tenho condições, como já dito anteriormente, de analisar a questão técnica do laudo de fls. 323 ou da declaração de fls. 2367. Contudo, observo que, em nenhum momento, a psicóloga responsável pelo longo tratamento da Sra. Karen Joyce declarou que ela era incapaz. As expressões usadas foram em relação ao impedimento de "sua inserção regular e constante no Mercado de Trabalho" e quanto à dificuldade de "sua inserção no Mercado de Trabalho, provocando alta instabilidade quanto à permanência no emprego, mantendoa dependente financeira e emocionalmente de sua genitora". Se a legislação, em suas três normas de regência, fala especificamente em INCAPACIDADE física ou mental para o trabalho, então impedimentos a uma inserção regular e constante, ou, ainda, dificuldades de inserção no mercado de trabalho, a meu ver, não são fatos suficientes, por si só, para preencher o requisito legal para enquadrar um filho como dependente para fins de imposto de renda. Não pretendo, com isso, afirmar que a Sra. Karen Joyce é apta para o trabalho até mesmo porque tal conclusão não me seria dada ter. O entendimento ora sustentado diz respeito, exclusivamente, aos termos dos documentos utilizados pela contribuinte para sustentar o pleito de reconhecimento da dependente em questão. Diante de todo o exposto, nego provimento, no particular, ao recurso voluntário, mantendo, por conseguinte, as glosas levadas a efeito no que diz respeito à dependente da recorrente. Despesas médicas e de instrução com dependente excluído Com a exclusão da Sra. Karen Joyce de Souza Bachette da condição de dependente da contribuinte, os gastos tidos pela ora recorrente, a título de despesas com educação e despesas médicas, não podem ser utilizados para fins de dedução. Isso porque, na forma do art. 8º da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somente são dedutíveis despesas do próprio contribuinte ou de seus dependentes: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 306 9 ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: 1. R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos) para o anocalendário de 2007; 2. R$ 2.592,29 (dois mil, quinhentos e noventa e dois reais e vinte e nove centavos) para o anocalendário de 2008; 3. R$ 2.708,94 (dois mil, setecentos e oito reais e noventa e quatro centavos) para o anocalendário de 2009; 4. R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos) para o anocalendário de 2010; 5. (revogado); 6. R$ 2.958,23 (dois mil, novecentos e cinquenta e oito reais e vinte e três centavos) para o anocalendário de 2011; 7. R$ 3.091,35 (três mil, noventa e um reais e trinta e cinco centavos) para o anocalendário de 2012; 8. R$ 3.230,46 (três mil, duzentos e trinta reais e quarenta e seis centavos) para o anocalendário de 2013; 9. R$ 3.375,83 (três mil, trezentos e setenta e cinco reais e oitenta e três centavos) a partir do anocalendário de 2014; c) à quantia de R$ 1.516,32 (mil, quinhentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos) por dependente; Não sendo a Sra. Karen dependente da contribuinte, consoante anteriormente justificado, não há que se falar em deduções com educação ou despesas médicas. Nego, portanto, provimento ao recurso voluntário neste particular, mantendo as glosas levadas a efeito pela fiscalização. Dedução com despesas educacionais A fiscalização glosou parte do valor declarado pela contribuinte a título de despesas com educação, relativamente ao dependente José Antônio Bachette Júnior, no ano calendário de 2006, exercício 2007. Na DIPF, a ora recorrente informa o valor de R$ 2.691,71, porém só comprova o valor de R$ 391,71, conforme comprovantes de fls. 346 dos autos. Em seu recurso, a contribuinte afirma que o valor declarado "realmente foi pago na referida despesa a referida instituição sendo emitido somente comprovante no valor de R$ 391,71". Tal alegação soa absolutamente divorciada da realidade. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 307 10 Em se tratando de uma instituição de ensino, é obrigação da mesma emitir os competentes recibos, em caso de pagamento levado a efeito pelos estudantes. E, caso haja, porventura, extravio de vias originais de recibos de pagamento, basta que o estudante solicite uma segunda via, ou cópia autenticada da via que se acha no poder da instituição de ensino, ou, ainda, um relatório/extrato de pagamentos. Não há tal documento, o que me conduz à conclusão de que inexistiram os pagamentos declarados, salvo pelos já comprovados às fls. 346 dos autos. Diante do exposto, é de se manter a glosa, negandose, pois, provimento ao recurso voluntário. Dedução de despesas médicas Feitas as considerações retro, a respeito da manutenção das glosas com as despesas médicas da Sra. Karen que não foi considerada como dependente , restam, apenas, as despesas com (i) a Unimed, (ii) o profissional João Stefan Matos Bubna e (iii) o profissional Pedro Ivan Taffarel. Em relação às despesas com a Unimed, a glosa vai mantida, visto que os documentos trazidos pela contribuinte dizem respeito a um plano mantido por sua mãe. Isso consta do próprio recurso, fl. 285 dos autos: "a contribuinte declarou pagamento de despesa para UNIMED no valor de R$4.861,40 que contribui para o Plano de Saúde de sua mãe e não apresentou no momento da intimação pois a mesma não conseguiu localizar os recibos". Ocorre que a mãe da contribuinte não é sequer sua dependente, motivo pelo qual é inviável a dedução das despesas com seu plano de saúde, na forma pretendida pela recorrente. No que diz respeito às despesas com os profissionais João Stefan Matos Bubna e Pedro Ivan Taffarel, tenho como aplicável, à espécie, o art. 73 do RIR (Decreto 3.000/99): "todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora". Diante disso, tendo a contribuinte sido regularmente intimada a apresentar comprovantes dos pagamentos de tais profissionais, e não tendo apresentado provas capazes de sustentar os valores constantes dos recibos emitidos pelos profissionais, entendo serem pertinentes as glosas. Convém ressaltar que, se houvesse ao menos comprovação, nos extratos bancários de fls. 120 e seguintes, de saques prévios aos pagamentos em comento (fls. 46 e seguintes), em valores compatíveis com os desembolsos, seria possível presumir a veracidade dos recibos. No entanto, não vejo como se possa manter os ditos documentos, dada a ausência de mais elementos que comprovem o desembolso efetivo. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário nesse particular. A multa qualificada Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 308 11 Venho adotando o entendimento, via de regra, no sentido de que a aplicação da multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ocorrer apenas nos casos em que há indícios inequívocos da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, forte nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da leitura dos autos deste processo, contudo, convençome de que houve fraude por parte da contribuinte, na medida em que, de forma dolosa, ela visou a impedir a ocorrência parcial do fato gerador da obrigação tributária. A esse respeito, peço vênia para adotar, como razões de decidir, os fundamentos utilizados pela 7º Turma da DRJ/CTA: Além disso, observase que em relação a diversas despesas médicas a contribuinte apresentou um recibo ou uma nota fiscal de determinado valor e informou em sua declaração um valor bem maior, acrescentando ou alterando o primeiro dígito. Esses fatos demonstram a intenção de declarar despesas inexistentes com o objetivo de reduzir o valor do imposto de renda devido. Na tabela a seguir, é possível comparar os valores informados na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte e os valores constantes dos recibos ou notas fiscais apresentados. Na coluna “A” estão indicados os valores declarados pela contribuinte, na coluna “B” estão os valores constantes das notas fiscais e dos recibos, e a coluna “C” indica as Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 309 12 diferença entre os referidos valores, considerada pela fiscalização como despesas inexistentes: Ano Beneficiário do pagamento "A" "B" "C" 2006 Unilabor Laboratório de Análises Clínicas 1.160,00 160,00 1.000,00 2006 Hospital Policlínica Cascavel Ltda 1.708,34 708,34 1.000,00 2006 Ecodiagnose Serviços de Ultrassonografia 940,00 140,00 800,00 2006 Instituto de Radiologia Cascavel Ltda 1.355,00 155,00 1.200,00 2006 L. C. G. Vieira & Cia Ltda 980,00 80,00 900,00 2006 Unipam União Panamericana de Ensino 2.373,84 391,71 1.982,13 2007 Unimed 4.152,60 0,00 4.152,60 2007 Cenap Centro Educação Profissional 1.740,00 1.240,00 500,00 2008 Ivan Pedro Taffarel 2.500,00 1.200,00 1.300,00 2008 Unimed 4.861,40 0,00 4.861,40 2008 Cenap Centro Educação Profissional 2.250,00 0,00 2.250,00 2009 Ivan Pedro Taffarel 5.200,00 1.200,00 4.000,00 2009 Unimed 7.256,40 0,00 7.256,40 2010 Centro Avançado de Diagnóstico da Mulher 1.435,00 435,00 1.000,00 2010 Diagnóstico da América S/A 1.533,00 533,00 1.000,00 2010 Pró Cardíaco Ltda 1.105,00 105,00 1.000,00 2010 Luciane Hypolito dos Santos 1.650,00 650,00 1.000,00 2010 Anestevel Prestação de Serviços 1.400,00 400,00 1.000,00 2010 Unilabor Laboratório de Análises Clínicas 1.110,00 110,00 1.000,00 2010 Paraná Assistência Médica 3.149,20 149,20 3.000,00 Em relação às despesas médicas constantes da tabela acima, não há, sequer, início de prova produzido pela contribuinte. Pelo contrário: os indícios são de que a ora recorrente deliberadamente modificou o valor de diversos recibos sobretudo no ano calendário de 2010 , para, com isso, reduzir a base de incidência do IRPF. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10935.720451/201211 Acórdão n.º 2801003.881 S2TE01 Fl. 310 13 Há, inclusive, um padrão a ser observado: em 35% das glosas apontadas pela DRJ quando do julgamento da impugnação apresentada pela contribuinte, a inclusão de um dígito "1" em frente ao valor do recibo, fazendo com que se aumentasse em R$ 1.000,00 cada dedução. Pareceme evidente que não houve equívoco, nem tampouco erro de digitação dos valores. Há, sem dúvida, intenção da contribuinte em adulterar os valores, para que, com isso, haja redução do valor tributável. Entendo que se faz presente a hipótese prevista no § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, a justificar a incidência da multa qualificada exclusivamente sobre as despesas médicas que foram glosadas por absoluta falta de elementos capazes de sustentar a sua manutenção. Diante do exposto, é mantenho as glosas levadas a efeito pela fiscalização, negando, pois, provimento ao recurso voluntário. Conclusões Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, mantendo, integralmente, a decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Assinado digitalmente Flavio Araujo Rodrigues Torres Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES
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Numero do processo: 10855.001652/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 13/11/1997 a 18/01/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Importação de produtos descritos em geral como ceramais e hastes/barras de tungstênio e caracterizados como de carboneto metálico aglomerados por sinterização para fabricação de ferramentas de corte tem seu enquadramento no capítulo 81 da TEC/NCM, quando não se constituírem em artefatos prontos para compor ferramentas de corte..
Recurso provido.
Numero da decisão: 3401-002.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 09/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI.
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 656 1 655 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.001652/200315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.605 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria classificação fiscal de produto Recorrente HURTH INFER INDUSTRIA DE MAQUINAS E FERRAMENTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 13/11/1997 a 18/01/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Importação de produtos descritos em geral como ceramais e hastes/barras de tungstênio e caracterizados como de carboneto metálico aglomerados por sinterização para fabricação de ferramentas de corte tem seu enquadramento no capítulo 81 da TEC/NCM, quando não se constituírem em artefatos prontos para compor ferramentas de corte.. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 09/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 16 52 /2 00 3- 15 Fl. 3805DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/08/2002, contra o contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acrescidos de multa e juros, no valor de R$ 2.254.60702, em virtude da conclusão em sede de revisão aduaneira das Declarações de Importação registradas entre os anos de 1998 e 2002 pelo contribuinte e que submetia a despacho mercadorias por ele descritas em geral como hastes e barras de tungstênio. A Revisão Aduaneira concluiu que houve: declaração inexata de mercadoria; erro de classificação fiscal; e descumprimento de controle administrativo por falta de licenciamento da importação. A autoridade fiscal entendeu necessário alterar a classificação fiscal dessas mercadorias, pois o contribuinte havia adotado NCM da Tarifa Externa Comum (TEC) nas posições 81.01 (tungstênio e suas obras) ou 81.13 (ceramais (cermets) e suas obras), sendo que o correto seria na posição 82.09, no código 8209.00.90, pois essas mercadorias seriam do tipo barras, hastes, varetas, pontas ou objetos semelhantes para ferramentas e seriam constituídas de carboneto de tungstênio. A mudança de classificação implicaria em mudança de alíquotas desses tributos: tendo sido pago o imposto de importação com incidência das alíquotas de 3,5%, 4,5%, 5%, 7,5%, 8,5% ou 9%, em função da classificação fiscal adotada e da data do registro da Declaração de Importação; enquanto que, pela NCM definida pela autoridade fiscal, as aliquotas do imposto de importação seriam de: 19% para as Declarações de Importação registradas entre 13/11/1997 e 31/12/2000 (conforme Decreto 2376/1997); 18,5% para as Declarações registradas entre 01/01/2001 e 31/12/2001 (conforme Decreto 3704/2000); e 17,5% para aquelas registradas a partir de 01/01/2002 (Resolução CAMEX 42/2001). Conforme consta do Auto de Infração e do Acórdão, a autoridade lançadora, para a melhor caracterização da mercadoria solicitou ao importador, por ocasião do Termo de Inicio de Fiscalização, esclarecimentos relativos a composição, processo de produção e utilização do material. E em sua análise, ela obteve tabelas através da internet, nos sites dos fabricantes indicados nas declarações de importação, onde se pode verificar a composição dos materiais em função dos códigos fornecidos nas faturas. No caso dos autos, diante dos questionamentos da Fiscalização sobre o produto importado, a impugnante, pela correspondência de 02 de outubro de 2002 (fl. 94), prestou esclarecimentos: “1. O material importado tem sua composição a base de carbonetos metálicos aglomerados por sinterização? Qual sua composição? Sim, tratase de carbonetos aglomerados por liga metálica e processo de sinterização. Composição : WC + Co = Carboneto de tungsténio. 2. Para qual finalidade foram utilizadas as peças importadas? Tratamse de matéria prima básica para fabricação de ferramentas de corte, fornecidas em bruto. Fl. 3806DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10855.001652/200315 Acórdão n.º 3401002.605 S3C4T1 Fl. 657 3 3. A qual processo foram submetidas para obtenção do produto final? Explique. Corte da matéria prima, retifica, abertura de canais, geometria de canais, controle de qualidade. 4. Qual a aplicação do produto final? Utilizadas em máquinas para usinagem de metais em geral.” Assim, com as informações obtidas, a autoridade fiscal descaracterizou o enquadramento efetuado pelo importador na classificação da posição NCM 8101 tungstênio (volfrâmio) e suas obras, nas ocorrências onde ela foi utilizada, por que consta da Nota Explicativa do Sistema Harmonizado de Designação de Mercadorias (NESH) Seção XV, para a posição, textualmente: "A presente posição não compreende o carboneto de tungstênio utilizado especialmente para a fabricação de ferramentas de grande dureza (ferramentas de corte, fieiras, por exemplo). Este carboneto classificase como segue:” a) .... b) ..... “c) No estado puro ou em mistura, mas sob a forma de plaquetas, varetas, pontas ou objetos semelhantes sinterizados, não montados, para ferramentas: posição 82.09 (ver a Nota Explicativa correspondente)." De forma semelhante, ela descaracterizou o enquadramento efetuado pelo importador na classificação da posição 8113 (ceramais (cermets) e suas obras) nas ocorrências onde ela foi utilizada, por que consta da Nota Explicativa (NESH) Seção XV, para a posição 81.13: Excluemse desta posição: a)... b) As plaquetas, varetas, pontas e objetos semelhantes para ferramentas, constituídos de ceramais(cermets) à base de carbonetos metálicos aglomerados por sinterização (posição 82.09). A partir dessas ponderações, concluiu que as descrições das mercadorias nas Declarações de Importação estavam inexatas e que se devia cobrar a diferença de impostos e a multa pelo desatendimento do controle administrativo pela falta das licenças de importação. Fl. 3807DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 O importador impugnou alegando: · As matérias primas estrangeiras em referência sempre foram regulamente importadas pela ora defendente, na forma do disposto na legislação de regência, sem qualquer tipo de questionamento por parte da administração fazendária de fronteira, tendo sido os respectivos desembaraços aduaneiros formalizados com o tratamento tributário aplicável aos produtos classificados na Tarifa Externa Comum (TEC) nas posições 8101 ("tungstênio — volfrâmio e suas obras") ou 8113 ("ceramais —cermets' — e suas obras"). · ... não existe qualquer tipo de irregularidade ou incorreção quanto ao tratamento tributário originariamente dispensado às operações de aquisição de insumos importados objeto das declarações de importação mencionadas na peça acusatória com cópia em anexo. · Os bens importados ... são, na realidade, barras extrudadas de liga de tungstênio em estado bruto, obtidas por sinterização, com seção transversal circular maciça e constante, destinadas a serem utilizadas no processo de industrialização de ferramentas de corte, perfeitamente enquadráveis nos códigos TEC 8101 ou 8113. · As matérias primas estrangeiras outrora importadas pela defendente não são "plaquetas, varetas, pontas e objetos semelhantes para ferramentas, não montados, de ceramais", conforme especificado na posição TEC 8209. Os bens importados em referência são, como já anotado, barras de tungstênio perfeitamente amoldadas ao conceito de ceramais ("metais duros" — Nota 04 da Seção XV das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH), adquiridas em estado bruto para serem transformadas em ferramentas de corte, dentro do estabelecimento industrial da impugnante, cujas características, na hipótese, efetivamente excluem qualquer possibilidade de enquadramento das matérias primas em foco no código TEC 8209. · As matérias primas estrangeiras em comento, que, no estado em que são importadas, não são passíveis de serem fixadas, por soldadura ou aperto, para formação de ferramentas de corte, realmente não podem ser classificadas, portanto, no aqui referenciado código TEC 8209. · O entendimento manifestado na presente impugnação já foi oficialmente expendido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, na época em que era o órgão de cúpula da Secretaria da Receita Federal incumbido de trabalhos de solução de consultas sobre classificação fiscal de mercadorias, nos autos da Decisão Homologatória CST (DCM) n° 75/92 (DOU de 10.03.92), através da qual ficou definido que seria perfeitamente enquadrável no código TEC 8113 o "ceramal à base de carboneto do tungstênio e aço, obtido por prensagem e sinterização, próprio para fabricação de ferramentas, apresentados em barras maciças ou vazadas". O importador ainda alegou que não descumpriu o controle administrativo, pois providenciou o atendimento de todas as exigências necessárias para a obtenção dos desembaraços das declarações de importação em questão, atendendo o requisito dos licenciamentos de importação. E além disso argumentou: Fl. 3808DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10855.001652/200315 Acórdão n.º 3401002.605 S3C4T1 Fl. 658 5 · que, no caso dos autos, afigurase pertinente, ainda, uma segunda consideração com relação ao problema da falta de suporte de legitimidade para a imposição da multa administrativa ora atacada: nos documentos emitidos para acobertar as operações de importação de insumos em referência, com cópia em anexo, as barras de liga de tungstênio aqui enfocadas estão descritas de forma precisa e suficiente, de modo a permitir sua perfeita identificação e o seu adequado enquadramento tarifário, conforme previsto na legislação de regência, o que autoriza seja aplicado, à hipótese, o conteúdo do Ato Declaratório Normativo n° 12/97. · Não tendo havido má fé ou intuito doloso por parte da ora impugnante, com relação aos procedimentos fiscais adotados no desembaraço aduaneiro das barras de tungstênio em apreço, não devem restar dúvidas de que se afigura perfeitamente aplicável à hipótese dos autos o conteúdo do referenciado Ato Declaratório Normativo n° 12/97. · O contribuinte pediu a produção de perícia e apresentou proposta de questionamentos a ser submetido a compor o laudo técnico. A 1ª Turma da II (segunda) Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em 16 de fevereiro de 2012, proferiu o Acórdão 1757.684 DRJ SP2, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 13/11/1997 a 18/01/2002 Importação de produtos descritos em geral como hastes e barras de tungstênio. Caracterizados como carbonetos metálicos aglomerados por sinterização para fabricação de ferramentas de corte. Enquadramento tarifário na posição TEC/NCM 8209. Pedido de Perícia. Incabível por inexistência de dúvida quanto à natureza e finalidade. Importação desamparada de guia de importação. Inocorrência de descrição inexata da mercadoria. Inexigível a multa do controle administrativo das importações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sua análise, ela afastou a exigência da multa pela falta de licenciamento administrativo e, também, entendeu que não ocorreu declaração inexata, mas manteve a exigência dos tributos e acréscimos legais basicamente pela mesma razão constante do auto de infração: cada uma das posições pretendidas pelo contribuinte “não compreende o carboneto de tungstênio utilizado especialmente para a fabricação de ferramentas de grande dureza (ferramentas de corte, fieiras, por exemplo).” Este carboneto classificarseia na posição 8209 por que a mesma NESH prevê: “ Fl. 3809DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 c) No estado puro ou em mistura, mas sob a forma de plaquetas, varetas, pontas ou objetos semelhantes sinterizados, não montados, para ferramentas: posição 82.09 (ver a Nota Explicativa correspondente). (grifo nosso) Ela indefere o pedido de perícia por entender desnecessário para a convicção, graças à clareza e abrangência das informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. Explica que, para efeito da classificação fiscal, a informação sobre a composição do material já foi respondida, sendo ela suficiente para o deslinde das questões. O contribuinte recorre ao CARF e alega, em síntese, além do que já compunha sua impugnação: 1. A Solução de Divergência n. 04, de 13/04/2004, estabeleceu que ‘hastes cilíndricas, com ou sem furos de refrigeração, de carbonetos de tungstênio e cobalto, obtidas por sinterização, utilizadas para fabricação de ferramentas de usinagem classificamse no código 8113.00.10.’ 2. A revisão aduaneira deve observar o que dispõe o artigo 149 do CTN pois a declaração de importação é meio pelo qual se procede o lançamento por homologação. Tendo sido ela desembaraçada, houve a homologação. 3. Houve cerceamento de defesa e ofensa ao Princípio do Contraditório quando a Delegacia da RFB de Julgamento não deferiu o seu pedido de perícia e produção de provas. 4. Não ocorreu falta de pagamento de IPI nessas importações em tela face ao principio da não cumulatividade, uma vez que ela é contribuinte do IPI na venda dos produtos que produz e comercializa e não aproveitou o imposto com relação a essas aquisições de insumos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Atendidos os requisitos de admissibilidade. tempestivo o recurso. Afastadas, pela Delegacia de Julgamento, as imputações de declaração inexata e de infração ao controle administrativo por falta de licenciamento de importação, a questão central reside em determinar a afirmação de que a classificação fiscal correta para essas mercadorias seria contida na posição 8209 da TEC, segundo a autoridade fiscal e a Respeitável Turma de Julgamento de 1ª Instância. Sobre ela me debruço prioritariamente. Fl. 3810DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10855.001652/200315 Acórdão n.º 3401002.605 S3C4T1 Fl. 659 7 Pareceme que o auto de infração não pode ser mantido, ou seja, as mercadorias indicadas nas Declarações de Importação não podem ser enquadradas na posição 8209, ou mesmo no capítulo 82, da TEC. Senão vejamos. A primeira nota do capítulo 81 informa a definição de barra, que assim dispõe: Capítulo 81 Outros metais comuns; ceramais (cermets); obras dessas matérias Nota de subposição. 1. A Nota 1 do Capítulo 74, que define barras, perfis, fios, chapas, tiras e folhas, aplicase, mutatis mutandis, ao presente Capítulo. (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Seção XV Capítulo 74 Definições BARRAS Os produtos laminados, extrudados, estirados ou forjados, não enrolados, cuja seção transversal, maciça e constante em todo o comprimento, tenha a forma circular, oval, quadrada, retangular, de triângulo equilátero ou de polígono convexo regular (incluindo os “círculos achatados” e os “retângulos modificados”, em que dois dos lados opostos tenham a forma de arco de círculo convexo e os dois outros sejam retilíneos, iguais e paralelos). Os produtos de seção transversal quadrada, retangular, triangular ou poligonal podem apresentar ângulos arredondados ao longo de todo o comprimento. A espessura dos produtos de seção transversal retangular (incluindo os produtos de seção “retangular modificada”) excede a décima parte da largura. Também se consideram barras os produtos com as referidas formas e dimensões, obtidos por moldação, vazamento ou sinterização, que tenham sofrido posteriormente à sua obtenção um trabalho mais adiantado do que a simples eliminação de rebarbas, desde que tal trabalho não lhes confira as características de artefatos ou obras incluídos noutras posições. As notas do capítulo 81 reproduzidas a seguir informam, ainda, que esse capítulo abrange as obras de tungstênio (volfrâmio) [posição 8101] e os ceramais [posição 8113] e que nesta posição se inclui em sua forma bruta, em massas, lingotes ou barras obtidas por sinterização. Informa também que as obras de carboneto, no estado puro ou em mistura, MAS SOB A FORMA DE PLAQUETAS, VARETAS, PONTAS OU OBJETOS Fl. 3811DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 SEMELHANTES SINTERIZADOS, NÃO MONTADOS, PARA FERRAMENTAS SÃO ENQUADRADOS NA POSIÇÃO 8209. Capítulo 81 Outros metais comuns; ceramais (cermets); obras dessas matérias Nota de subposição. 1. A Nota 1 do Capítulo 74, que define barras, perfis, fios, chapas, tiras e folhas, aplicase, mutatis mutandis, ao presente Capítulo. (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) CONSIDERAÇÕES GERAIS O presente Capítulo compreende: A) Tungstênio (volfrâmio) (posição 81.01), molibdênio (posição 81.02), tântalo (posição 81.03), magnésio (posição 81.04), cobalto, incluídos os mates de cobalto e outros produtos intermediários da metalurgia do cobalto (posição 81.05), bismuto (posição 81.06), cádmio (posição 81.07), titânio (posição 81.08), zircônio (posição 81.09), antimônio (posição 81.10) e manganês (posição 81.11). B) Berílio, cromo, germânio, vanádio, gálio, háfnio (céltio), índio, nióbio (colômbio) e o tálio (posição 81.12). Este Capítulo abrange igualmente os ceramais (cermets) (posição 81.13). Os metais comuns não incluídos no presente Capítulo ou nos Capítulos precedentes da Seção XV incluemse no Capítulo 28. Os metais deste Capítulo, na sua maior parte, são poucas vezes usados no estado puro; entram, entretanto, na preparação de numerosas ligas, algumas das quais são incluídas no presente Capítulo por aplicação da Nota 5 da Seção XV, e dos carbonetos metálicos que, pelo contrário, não são classificados neste Capítulo. * * * No que diz respeito às disposições relativas à classificação dos artefatos compostos (obras, particularmente), convém reportar se às Considerações Gerais da Seção XV. A presente posição abrange o tungstênio (volfrâmio): A) Em pó; Fl. 3812DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10855.001652/200315 Acórdão n.º 3401002.605 S3C4T1 Fl. 660 9 B) Em forma bruta, em massas, lingotes ou barras obtidas por sinterização, bem como os desperdícios e resíduos (em relação a estes últimos deve reportarse à Nota Explicativa da posição 72.04); C) Em produtos semimanufaturados, isto é, em barras obtidas de forma diferente da sinterização, hastes, perfis, chapas, tiras, folhas e em fios; D) Em obras não abrangidas pela Nota 1 da Seção XV, ou incluídas nos Capítulos 82 ou 83 ou que não sejam mais especificamente classificadas em outros Capítulos da Nomenclatura. Na realidade, pelas utilizações especiais do tungstênio, a maior parte das obras deste metal com exceção, em especial, das molas incluise nas Seções XVI e XVII. É assim que um contato elétrico completo de tungstênio puro ou em liga se inclui no Capítulo 85; pelo contrário, uma simples plaqueta de metal destinada a entrar na fabricação de contatos classifica se aqui. A presente posição não compreende o carboneto de tungstênio utilizado especialmente para a fabricação de ferramentas de grande dureza (ferramentas de corte, fieiras, por exemplo). Este carboneto classificase como segue: a) No estado puro e em pó: posição 28.49. b) Em mistura preparada em pó, não sinterizada (por exemplo, em mistura com o carboneto de molibdênio ou de tântalo, com ou sem aglutinante): posição 38.24. c) No estado puro ou em mistura, mas sob a forma de plaquetas, varetas, pontas ou objetos semelhantes sinterizados, não montados, para ferramentas: posição 82.09 (ver a Nota Explicativa correspondente). GRIFOS NOSSOS Analogamente, para aposição 8113 da TEC, a NESH prevê a seguinte exclusão: Excluemse desta posição: a) Os ceramais (cermets) contendo matérias cindíveis ou radioativas (posição 28.44). b) As plaquetas, varetas, pontas e objetos semelhantes para ferramentas, constituídos de ceramais (cermets) à base de carbonetos metálicos aglomerados por sinterização (posição 82.09). Na visão da autoridade fiscal e da Turma de Julgamento de 1ª Instância, o fato das mercadorias serem compostas de carboneto metálico e serem destinadas à fabricação Fl. 3813DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 de ferramentas de corte levaria à aplicação das exclusões previstas na letra c das notas da posição 8101 e na letra b das notas da posição 8113. Entretanto, ocorre que a autuação não demonstrou que os bens importados através dessas declarações de importação se constituíam de plaquetas, varetas, pontas ou objetos semelhantes sinterizados, não montados, para ferramentas, muito embora fossem compostos de carboneto de tungstênio. A declaração prestada pelo importador e considerada suficiente para o despacho aduaneiro descreveu essas mercadorias, quanto á sua forma, como “ barras extrudadas de liga de tungstênio em estado bruto, obtidas por sinterização, com seção transversal circular maciça e constante, destinado a serem utilizados no processo de industrialização de ferramentas de corte.” Essa demonstração é essencial para o enquadramento na posição 8209. Não basta que o bem seja composto de carboneto de tungstênio, nem que seja destinado à produção de ferramentas e corte. É necessário que eles atendam aos outros aspectos da descrição da NCM e das suas Notas. O texto do capítulo 82 e o da posição 8209 da NESH esclarecem: Capítulo 82 Ferramentas, artefatos de cutelaria e talheres, e suas partes, de metais comuns As ferramentas do presente Capítulo devem corresponder, em princípio, ao critério de poderem ser acionadas manualmente sem apoio, durante a sua utilização, mesmo que possuam dispositivos mecânicos simples, tais como manivelas, engrenagens, êmbolos, parafusos de Arquimedes, alavancas ou semelhantes. (grifos nossos) Notas. 1. Ressalvadas as lamparinas ou lâmpadas de soldar (maçaricos), forjas portáteis, mós com armação e sortidos de manicuros ou pedicuros, bem como os artefatos da posição 82.09, o presente Capítulo compreende somente os artefatos providos de uma lâmina ou de uma parte operante: (grifos nossos). a) De metal comum; b) De carbonetos metálicos ou de ceramais (cermets); c) De pedras preciosas ou semipreciosas ou de pedras sintéticas ou reconstituídas, em suportes de metais comuns, de carbonetos metálicos ou de ceramais (cermets); d) De matérias abrasivas em suporte de metais comuns, desde que se trate de ferramentas cujos dentes, arestas ou outras partes operantes ou cortantes não tenham perdido a sua função própria em virtude da adição de pós abrasivos. Fl. 3814DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10855.001652/200315 Acórdão n.º 3401002.605 S3C4T1 Fl. 661 11 Para se classificarem no presente Capítulo, os artefatos acima devem ter, regra geral, a parte operante (ou lâmina) de qualquer metal comum, de carbonetos metálicos (ver a Nota Explicativa da posição 28.49) ou de ceramais (cermets) (ver a Nota Explicativa da posição 81.13), ainda que a armação (ou cabo), que pode ser de qualquer matéria (madeira, plástico, etc.), seja predominante em peso, como seria o caso, por exemplo, de uma plaina com o corpo de madeira e lâmina de aço. (grifos nossos) 82.09 Plaquetas, varetas, pontas e objetos semelhantes para ferramentas, não montados, de ceramais (cermets). (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Os artefatos especificados na presente posição são geralmente apresentados em plaquetas ou em peças de diversas formas (varetas, pontas, pastilhas, anéis, por exemplo) e possuem uma grande dureza a frio ou a quente e uma grande resistência à flexão. Em virtude destas qualidades particulares, os artefatos assim fabricados encontram um emprego muito vasto na construção de ferramentas sobre as quais são fixados por soldadura ou aperto que, devido a sua grande velocidade de corte são utilizadas para trabalhar metais e outras matérias duras (ferramentas de torno, fresas, fieiras de estiragem, puas, etc.). Estes artefatos podem ou não ter sido trabalhados ou de outro modo preparados para constituir partes de ferramentas, mas para serem abrangidos pela presente posição, não devem apresentarse montados. (grifos nossos) Como se pode ver, para ser enquadrada no capítulo 82 a mercadoria deve ser um artefato pronto para ser incorporado e compor uma ferramenta de corte, provido ou não de uma lâmina ou de uma parte operante. Entendo que nela não podem ser incluídos osbens que não atendam a essa condição, mesmo que constituídos de carboneto metálico. No caso tratado neste processo, a descrição dos produtos – aceita como suficiente para o despacho de importação – identifica a composição, a destinação, mas distanciase de corresponder à descrição da posição 8209 e aos critérios dados pelas Notas do capítulo e da posição. Em nenhum momento ficou demonstrado que os bens importados atendiam a esses requisitos para serem classificados nesse capítulo e posição. Por essa razão concluo que a revisão aduaneira não logrou demonstrar que as mercadorias importadas deveriam ter sido classificadas na posição 8209 da TEC e proponho que o auto de infração seja considerado improcedente. Com relação aos outros argumentos apresentados pelo recorrente, entendo que carece razão ao recorrente, pois: (a) a convicção dos Eminentes Julgadores para decidir Fl. 3815DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 pela não realização de perícia encontra respaldo em dispositivo de Lei, e que tal decisão não poderia ser considerada como conflitante com os princípios constitucionais e com os princípios do processo administrativo. (b) a revisão aduaneira respeitou os seus fundamentos legais e o disciplinamento que lhe reserva a legislação, não havendo motivo para ela seja invalidada ou não possa gerar autuação fiscal e (c) o contribuinte não demonstra concretamente o que supõe quando afirma que, no caso, a falta de pagamento de IPI não caracterizou fato gerador de prejuízo financeiro para o Estado, uma vez que imposto teria sido indiretamente recolhido ao Cofre Público pela não cumulatividade com base nas saídas dos produtos industrializados que utilizaram os insumos importados. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 3816DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000521/00-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/11/1995 a 28/02/1996
MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA.
É indevido o lançamento de multa de oficio e juros de mora (CTN - art. 100, parágrafo único) sobre recolhimentos a menor efetuados consoante as disposições da legislação em vigor.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Joel Miyazaki, que davam provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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É indevido o lançamento de multa de oficio e juros de mora (CTN art. 100, parágrafo único) sobre recolhimentos a menor efetuados consoante as disposições da legislação em vigor. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Joel Miyazaki, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 05 21 /0 0- 23 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 Relatório Tratase de recuso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20214.507, de 29/01/2003, alegando contrariedade à lei quanto ao provimento do recurso voluntário, por maioria de votos, no tocante à exclusão com fulcro no artigo 100 do CTN da multa de oficio e dos juros de mora aplicados. A decisão de primeira instância está assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/11/1995 a 28/02/1996 Ementa: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A retirada do mundo jurídico de atos inquinados de ilegalidade e de inconstitucionalidade restabelece a aplicação da norma indevidamente alterada. Destarte, mantémse a exigência do PIS relativa à diferença entre as alíquotas de 0,65% e 0,75%. LANÇAMENTO PROCEDENTE O então Conselho de Contribuintes decidiu pela aplicação da semestralidade da base de cálculo e exclusão da multa e dos juros. A ementa dessa decisão guerreada está assim redigida: CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS SEMESTRALIDADE. Na vigência da Lei Complementar nº 7/70, a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato gerado rt sem correção monetária, observadas as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 17/73 (alíquota de 0,75 %). MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. Tendo os recolhimentos a menor sido efetuados consoante as disposições da MP nº 1.212/95 e do Ato Declaratório SRF nº 39/95, é indevido o lançamento de multa de oficio e juros de mora (CTN art. 100, parágrafo único). Recurso voluntário parcialmente provido. A Fazenda Nacional ingressou com recurso especial arguindo a ilegalidade da dispensa da multa e juros. Requer “a revisão da decisão da instância 'a quo', no sentido de que seja parcialmente anulada a decisão, na parte que dispensou a multa de oficio e dos juros de mora aplicados pela Fiscalização, em virtude do não recolhimento espontâneo das diferenças devidas e não recolhidas das Contribuições ao PIS.” Pelo Despacho nº 2020.052, de fls. 115/116 sob o entendimento de que o recurso atende às formalidades legais, deuse seguimento. A contribuinte também apresentou recurso especial onde pede a nulidade do lançamento, eis que formalizado sem se atentar para os critérios da Lei Complementar nº 7/70 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13808.000521/0023 Acórdão n.º 9303003.122 CSRFT3 Fl. 212 3 (semestralidade da base de cálculo). O recurso não foi admitido por ausência de paradigma. Dessa decisão houve Agravo, o qual foi mantido o não seguimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em razão de alegado recolhimento a menor da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (exigência do PIS relativa à diferença entre as alíquotas de 0,65% e 0,75%). A matéria submetida à apreciação deste Eg. Conselho cingese tão somente à exclusão de multa e juros do lançamento, pela aplicação do art. 100 do CTN. Consta do voto do acórdão ora recorrido: Outra questão a ser enfrentada diz respeito à aplicação, ao caso, da norma inserta no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional, que estabelece o seguinte: "Artigo 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrarem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." Na espécie, como os recolhimentos a menor se deram em estrita observância de atos normativos, de sorte que, à luz do art. 100, parágrafo único, do CTN,tenho por indevido o lançamento de multa de oficio e juros de mora. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 Por todo o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar que as bases de cálculo do PIS sejam recalculadas, considerando que, na vigência da Lei Complementar n° 7/70, com as alterações introduzidas pela Lei Complementar n° 17/73, era o faturamento do 6° (sexto) mês anterior, em valores históricos, sem correção monetária, e, ainda, para cancelar o lançamento de multa de oficio e juros de mora. Penso não assistir razão à recorrente. Explico. Muito embora esta Conselheira defenda “data maxima venia”, que a declaração de inconstitucionalidade de uma lei gera efeitos desde o nascimento da norma declarada inconstitucional, tais efeitos, por óbvio, não podem levar à desconsideração de atos jurídicos perfeitos, constituídos sob a égide daquela lei, sob pena de violação ao disposto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 19881 e artigo 144 do Código Tributário Nacional, 2 . Discutese, no caso, a possibilidade de se exigir diferenças, com os consectários legais. Em face da presunção de constitucionalidade das leis, não se pode impor a ninguém penalidades pelo fato de haver se comportado nos termos de lei que vem a ser declarada inconstitucional. Após a publicação dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, foram também editadas normas complementares que regulamentaram a aplicação da legislação ao PIS, tais como a IN 126/88 ou a IN 62/89, citadas exemplificativamente, igualmente observadas pelos contribuintes. A aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN visa proteger o contribuinte que agiu em conformidade com a lei e normas complementares, que nada mais são do que atos administrativos expedidos para fiel e exata execução da lei. E mais: O art. 396 do Código Civil Brasileiro (antigo art. 963 do antigo CC) é expresso ao dispor sobre a mora, verbis: “Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora.” Vale dizer, não havendo inadimplemento culposo da obrigação, não há que se falar em mora, não podendo a recorrente responder por qualquer acréscimo que tenha nela a sua origem, nos exatos termos do dispositivo do Código Civil acima transcrito. Neste sentido, aliás, a lição de Caio Mário da Silva Pereira, verbis: Uma das circunstâncias que acompanham o pagamento é o tempo. A obrigação deve executarse oportunamente. A mora é este retardamento injustificado da parte de algum dos sujeitos da relação obrigacional no tocante à prestação. Mas 1 “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantidose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;” 2 “Art. 144 – O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13808.000521/0023 Acórdão n.º 9303003.122 CSRFT3 Fl. 213 5 não é apenas de considerarse o tempo, senão este e também as demais circunstâncias que envolvem a solutio. Não é, também, toda retardação no solver ou no receber que induz mora. Algo mais é exigido na sua caracterização. Na mora solvendi, como na accipiendi, há de estar presente um fato humano, intencional ou nãointencional, gerador da demora na execução. Isto exclui do conceito de mora o fato inimputável, o fato das coisas, o acontecimento atuante no sentido de obstar a prestação, o fortuito e a força maior, impedientes do cumprimento. A culpa do devedor é outro elemento essencial. O nosso Anteprojeto menciona a inexecução culposa como elemento integrante de sua etiologia (art. 189). Não há mora, se não houver fato ou omissão a ele imputável (Código Civil, art. 963). A regra não comporta dúvida, em nosso Direito, embora o contrário possa dizerse de outros sistemas legislativos, ... (in “Instituições de Direito Civil”, Forense, 1996, 15ª ed., vol. II, p. 215/218) No mesmo sentido, a lição de Carvalho Santos que, ao definir os elementos da “mora”, bem identifica a culpa como pressuposto necessário, fazendo referência ainda ao entendimento de outros ilustres doutrinadores: (...) Assim, DÉMOGUE, chamando ‘um retardamento não isento de culpa’ e AGOSTINHO ALVIM ‘o não pagamento culposo, bem como a recusa de receber, no tempo, lugar e forma devidos’, definição aceita, com ressalva da culpa na mora do credor, por SERPA LOPES. Preferimos definição mais simples ou seja: A falta de pagamento não justificada pelo devedor e de recebimento sem justa razão pelo credor, noção em que entra a culpa em ambas hipóteses: tratese de dolo ou de negligência, ou de omissão no cumprimento de algum dever imposto pela natureza da obrigação ou pelos termos da convenção, atendidas as circunstâncias de cada caso (quesito facti). ......................................................................................................... Mais simples ainda a definição de ORLANDO GOMES: ‘Impontualidade culposa’, in Obrigações, pág. 184. ......................................................................................................... 3 – Já vimos que o simples atraso não configura a mora em sentido jurídico, diferente do sentido comum, que poderia prevalecer pela interpretação literal do texto do art. 955 combinado com o art. 1.058, a que faz remissão, mas aqui se impõe a harmonização dos textos, com especial a dominante influência do disposto no art. 963, onde se diz: ‘não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora’.” (p. 276, destaques, não do original) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 6 Outro não é o entendimento do emérito doutrinador Silvio Rodrigues, cuja lição vale transcrever: “(...) 153. A culpa é elementar na mora do devedor. – Da conjunção dos arts. 955 e 963 do Código Civil se deduz que sem culpa do devedor não há mora. Se houve atraso, mas o mesmo não resultou de dolo, negligência ou imprudência do devedor, não se pode falar em mora. Com efeito, dispõe o art. 963: Art. 963. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora. E nisso é que a mora se distingue do simples retardamento. O retardamento é um dos elementos da mora, pois esta é o retardamento derivado da culpa. São inúmeros os julgados exonerando o devedor em atraso, das conseqüências da mora, por não se encontrar em seu procedimento qualquer resquício de culpa.” (in “Direito Civil”, Parte Geral das Obrigações, Ed. Saraiva, 1995, Vol. 2, p. 271, destaques nossos) Assim, se o contribuinte que age em conformidade com as normas complementares à lei fica resguardado da aplicação de penalidade, juros moratórios ou atualização monetária da base de cálculo do tributo, por óbvio com muito mais razão também não ficará sujeito a tais vicissitudes se agiu em perfeita conformidade com a legislação à época aplicável. CONCLUSÃO Em razão de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002408/2005-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - COMPROVAÇÃO
Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas, inclusive nos quantitativos em termos de área por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.399
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira declarou-se impedido de votar.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - COMPROVAÇÃO Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas, inclusive nos quantitativos em termos de área por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:38:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:38:41Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:38:42Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:38:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2fa15f67-086f-467e-9577-0b468c17dd12; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:38:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:38:42Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:38:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:38:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:38:41Z; created: 2010-12-21T10:38:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-21T10:38:41Z; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:38:41Z | Conteúdo => S3-Cni H. 120 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10640.002408/2005-57 Recurso n" 140 220 Voluntário Acórdão n° 3102-00.399 — la Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2009 Matéria ITR Recorrente MARIA DO CARMO NABUCO DE ALMEIDA BRAGA Recorrida DRJ-BRASÍLIA-DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - COMPROVAÇÃO Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas, inclusive nos quantitativos em termos de área por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos_ Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira declarou-se impedido de votar. 2à_ /0.~1A_ tércia Helena Trajan D'amorim - Presidente e Relatora EDITADO EM: 23/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Mar condes Armando Processo n° 10640 002408/2005-57 Acordão n,° 3102-00399 S3-C112 Fl. 121 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Por meio do auto de infração/anexos de fls. 01/06 e 16, a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 56.014,48, correspondente ao lançamento do ITR/2001, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 30/10/2005, incidentes sobre o imóvel rural "Fazenda do Cachoeirão", N1RF-L703.439-6, com área declarada de 672,7 ha, localizado no Município de Além Paraíba - MG A descrição dos fatos, o enquadramento legal da infração e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora constam às fls. 04/06., A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2001 (fls. 14/15) iniciou-se com o termo de intimação de fls. 09 recepcionado em 31/08/2005 (AR de .fls. 10), para a contribuinte apresentar o Ato Declarató rio Ambiental - ADA do IBAMA. Em atendimento, contribuinte apresentou a correspondência e os documentos de prova delis. 11/13. Na análise desses documentos e da DITR/2001, a fiscalização desconsiderou o protocolo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao MAMA, por conter rasuras, lavrando o auto de Infração com a glosa da área declarada de preservação permanente (450,0 hei), com conseqüentes aumentos da área/f/TN tributável e aliquota aplicada no lançamento, apurando imposto suplementar de R$ 22,588,31, conforme demonstrativo defls. 05.. Cientfficada do lançamento em 30/11/2005 (AR/fis.19), a interessada apresentou em 21/12/2005 a impugnação de fis. 22/24, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de .115..25/27, alegando, em síntese: - de inicio, faz um breve relato do procedimento .fiscal, dele discordando, pois o protocolo tempestivo do /IDA anexado Uh. 12/13 e 26/27), e aceito em processos anteriores, não contém rasuras, tendo apenas sido escrito à máquina e complementado à mão em alguns poucos números; - se o referido protocolo serviu para embasar autos de infração anteriores, por que não serviria para demonstrar os direitos da autuada? quais rasuras, não explicitadas pela SRF, estariam pondo em dúvida a veracidade e a autenticidade do documento? Processo n° 10640.002408/2005-57 S3-C1T2 Acórdão n°3102-003993102-00399 F1 122 - o art..14 da Lei n" 9,393/96 prevê que a .falta de entrega do DIAC/D1AT, bem como a sub-avaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas e fraudulentas, a SRF procederá ao lançamento de oficio do imposto; no entanto, nada disso ocorreu; - a 1N/SRF n° 043/97, com redação da IN/SRF n° 067, diz que a Receita Federal fará o lançamento suplementar se o requerimento não .for reconhecido pelo 1BAMA, que só não o reconhece se contiver declarações inexatas, incorretas ou .fraudulentas. Ao .final, requer seja o presente auto de infração julgado insubsistente, visto que o protocolo do ADA foi reconhecido pelo IBAMA, que passou recibo, bem C01110 pela Si?? nas autuações anteriores. Tendo em vista que, para comprovar a área ambiental declarada, a contribuinte apresentou o protocolo do requerimento do ADA ao IBAMA, com data de 21/03/2002 (fls. .26/27), com inclusões manuscritas no documento, além de divergências em relação à área de preservação permanente informada na DITR/2001, foi determinado, por meio da Resolução DRI/BSA — 1" Turma e 119/2006 (fls.. 29/31), que este processo ,fas.se devolvido em diligência ao Órgão de origem, para confirmar Junto ao 1BAMA os dados e a data do referido documento e intimar a contribuinte a apresentar, se fosse de seu - interesse, protocolo do requerimento retificador do ADA A Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora - MG enviou ofícios ao IBAMA (fls. 32 e 41), respondidos com as- correspondências e os documentos de lis.. 35/40 e 65/68, respectivamente; .foram também encaminhados relatório .fiscal (fly 69/71) e oficio para ciência da citada resolução (fls. 72) à contribuinte, que se manifestou às fls.. 74/79," O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSA ri2 03-20.729, de 09/05/2007, proferida pelos membros da l' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício: 2001 DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao MAMA - MG, deve ser restabelecida parcialmente a área de preservação permanente, informada na D1TR/2001 e glosada pela autoridade fiscal Lançamento Procedente em Parte " 3 Processo ri° 10640 002408/2005-57 S3-C112 Acórdão n 3102-00,399 F I 123 O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, constituído pelo auto de infração, para acatar a área preservação permanente de 134,4 ha, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$ 22388,31 para R$ 18.006,31, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora legais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça imptignatória, O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D'amotim, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento, Trata-se da exclusão da área de preservação permanente do ITR 2001, (450,0 ha), como descrito no Auto de Infração. O objeto do presente restringe-se ao exame da exigência do reconhecimento de tal área como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou de seu protocolo tempestivo, visto não ter sido declarada área de utilização limitada/reserva legal para o IT R/2001 Corno bem ressaltou a decisão a quo, o requerimento do ADA, protocolizado em 21/03/2002, às fls. 26/27, foi considerado tempestivo para a área de preservação permanente no quantitativo de 134,4 ha, conforme ratificação do IBAMA de fls.. 65/67, provocada pela Resolução DRT/BSA — 1' Turma n° 119/2006 às fls. 29/31 e pelo Oficio SAFIS/DRF/TFA n° 113/2006. Já quanto ao protocolo do ADA retificador, à fl. 68 foi desconsiderado, pois a área de preservação permanente dele constante (195,5 ha) refere-se à majoração da área total do imóvel para 750,62 ha, ocorrida em 01/11/2005, confoline certidão do registro de imóveis de tis, 51/52; posterior ao exercício (2001) aqui tratado. Ressalto que, além de não ter sido informada e nem delatada a área de utilização limitada / reserva legal na DITR12001, não há nos autos comprovação de averbação tempestiva da área constante do protocolo do ADA de fls,67 (315,6 ha) ou do Ato Declar atório Ambiental (retificador) de fls. 68 (189,9 ha), à margem da matrícula do imóvel. Assim sendo, não merece reparo a decisão de 1' instância que considerou comprovado parcialmente o cumprimento da área de preservação permanente de 134,4 ha. Destaco, ademais, que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10,165, de 28/12/2000. Dispõe o art. 17-0 daquela Lei, "in verbis": 4 ércia Helena Trajo D'amorim Processo n° 10640.002408/2005-57 S3-C1T2 Acórdão n '3102-00399 Fl 124 "Ari 17-" Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IRAM a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 0 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título da Taxa de Vistoria.. àç 1' - A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.. ) A administração tributária fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, definidas no Código Florestal e na legislação do ITR. No presente caso, a recorrente não comprovou nos autos a protocolização, ternpestiva,no montante de área de preservação permanente pretendida, tampouco a área de reserva legal, do requerimento do ADA junto ao IBAMA. Como já exposto, a decisão de P instância considerou comprovado parcialmente o cumprimento da área de preservação permanente de (134,4 ha). Pe3o exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, prejudicados os demais argumentos. 5
score : 1.0
Numero do processo: 10480.916061/2011-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 60 61 /2 01 1- 50 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita abaixo: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do procedimento fiscal, com o mesmo objeto do processo administrativo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 5 4 Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916061/201150 Acórdão n.º 3801004.700 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16561.000107/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALCANCE DA DESISTÊNCIA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. Constatado que se atribuiu à desistência alcance maior que a opção manifestada pelo sujeito passivo, aprecia-se a matéria que subsistiu em litígio.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. Mantém-se a glosa de perda não justificada por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original.
Numero da decisão: 1101-001.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no ponto omitido, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Joselaine Boeira Zatorre, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALCANCE DA DESISTÊNCIA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. Constatado que se atribuiu à desistência alcance maior que a opção manifestada pelo sujeito passivo, aprecia-se a matéria que subsistiu em litígio. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. Mantém-se a glosa de perda não justificada por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no ponto omitido, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Joselaine Boeira Zatorre, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Joselaine Boeira Zatorre.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000107/200717 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1101001.205 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ e Reflexos Lucros no Exterior e Outros Embargante ARCOM S/A (Sucessora de ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALCANCE DA DESISTÊNCIA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. Constatado que se atribuiu à desistência alcance maior que a opção manifestada pelo sujeito passivo, apreciase a matéria que subsistiu em litígio. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. Mantémse a glosa de perda não justificada por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no ponto omitido, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Joselaine Boeira Zatorre, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 07 /2 00 7- 17 Fl. 4271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Joselaine Boeira Zatorre. Fl. 4272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão de julgamento de 28 de agosto de 2014 foram apreciados os embargos opostos, nestes autos, pela recorrente ARCOM S/A. A Turma, por unanimidade de votos, decidiu CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para afastar PARCIALMENTE as glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de despesas de juros em empréstimos bancários. O correspondente acórdão, de nº 1101001178, restou assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original. No momento do julgamento esta Relatora foi alertada acerca da desistência parcial apresentada pela interessada, tendo por objeto as glosas de despesas mantidas no Relatório de Diligência Fiscal que precedeu o julgamento. Sob esta diretriz, declarou desnecessária a apreciação de todos os itens acerca dos quais houve parecer favorável à dedução das despesas ao final da diligência fiscal. Contudo, ao formalizar o acórdão, esta Relatora observou que o voto proferido não acompanhou integralmente o entendimento exposto no Relatório de Diligência Fiscal, e esta divergência foi desfavorável à interessada precisamente no que se refere ao item 8 das glosas de prejuízos na aplicação de fundos: ao final da Diligência Fiscal foi proposta a reversão parcial da glosa, admitindose comprovada a parcela de US$ 34,855.79, e o voto antes elaborado fora no sentido de manutenção integral da glosa de US$ 142,559.85. Desta divergência de entendimento, portanto, resultou a declaração de desnecessidade da apreciação do litígio em torno da integralidade da glosa em referência, muito embora a desistência não tenha alcançado a glosa de US$ 34,855.79, que assim deve ser apreciada pelo Colegiado. Cumpre, assim, recordar o que relatado no acórdão nº 1101001.178: ARCOM S/A, já qualificada nos autos, embarga o acórdão nº 110200.036, proferido pela 2a Turma desta 1a Câmara, em sessão de 27/08/2009, sob relatoria da Conselheira e Presidente Sandra Maria Faroni (fls. 2153/2160). A embargante argüiu omissão do julgado, por não ter apreciado documentos que, apresentados depois da decisão de 1a instância, mas antes da ciência desta, não estariam juntados aos autos. As provas se refeririam à glosa de perdas na aplicação Fl. 4273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 5 4 em fundos de investimentos e de despesas com juros de empréstimos bancários contabilizados por controlada no exterior, as quais foram mantidas integralmente no acórdão embargado (fls. 2182/2185). O Presidente desta 1a Câmara submeteu os autos à apreciação do Presidente da 2a Turma de Julgamento desta mesma Câmara, para deliberação sobre os embargos de declaração opostos pela Contribuinte e respectiva documentação que os instruem, enfeixada nos volumes 13 a 16 dos presentes autos (fls. 3154/3156). Apreciando os embargos, a 2a Turma de Julgamento desta 1a Câmara acolheu a proposta de diligência apresentada pela Presidente e Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, formalizandose a Resolução nº 110200.049, na qual foi determinado à autoridade jurisdicionante que juntasse aos autos os documentos alegados e conferisse seus efeitos probantes, cientificando a contribuinte para que esta se manifestasse sobre o resultado da diligência antes do retorno dos autos ao CARF (fls. 3157/3160). A autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar os documentos originais comprobatórios das despesas em referência (fls. 3163/3167), mas a autuada esclareceu que os documentos já integravam os autos na forma de quatro anexos, requerendo a conferência de seus efeitos probantes (fl. 3170). No relatório às fls. 3171/3176, a autoridade fiscal reconheceu que os documentos estão juntados aos autos, mas observou que sob o ponto de vista formal eles não estão registrados no Registro de Títulos e Documentos, como exigiria o art. 129, §6o da Lei nº 6.015/73, bem como não atendem ao que expresso no Manual de Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, em seu capítulo 4o, seção 7a, itens 4.7.1 e 4.7.2., qual seja, a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular. Já sob o aspecto material, reconheceu que os documentos apresentados pelo sujeito passivo são, ao menos em parte, pertinentes às despesas da controlada no exterior, Arcom Corporation, relativas aos prejuízos na aplicação em fundo de ações e juros decorrentes de empréstimos bancários. Na seqüência, relatou as verificações feitas por amostragem e concluiu: Quanto ao aspecto material, em que pese os documentos apresentados tenham pertinência com as despesas glosadas, não foram hábeis a comprovar na íntegra, as deduções objeto de glosa, ao menos em parte da amostra submetida a análise na presente diligência fiscal. Cientificada em 09/04/2012, a contribuinte contestou o relatório de diligência fiscal por meio da petição de fls. 3177/3185, apresentada em 04/05/2012. Inicialmente observou que os documentos originais apresentados haviam sido anexados aos autos antes de proferida a decisão recorrida, a evidenciar a desnecessidade das cópias que instruíram os embargos. Quanto ao relatório de diligência fiscal, asseverou que os documentos foram apresentados por meio de suas traduções originais e que não há exigência legal de seu registro em Cartório de Títulos e Documentos, a qual somente se verifica quando a validade do ato dependa dessa formalidade. No caso, tratarseiam de instrumentos de mútuo e de contratos de aplicações financeiras em ações, estes últimos, inclusive, usualmente pactuados por contrato verbal. Apresentou outros argumentos para desmerecer a suposta necessidade de registro e argumentou que tratou de fazer tudo aquilo que estava ao seu alcance para demonstrar as perdas e despesas incorridas com juros, juntando aos autos toda a documentação probatória, as traduções juramentadas, em vias originais, dos documentos redigidos em língua estrangeira, e a declaração da sua autenticidade pelos responsáveis das instituições financeiras com as quais foram contratadas as Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 6 5 operações, defendendo a aplicação do princípio do formalismo moderado, e reportandose a decisão judicial contrária ao excesso de rigor formal até mesmo no âmbito do processo civil. Por fim, discordou do método de amostragem aplicado pela autoridade fiscal, defendendo que a diligência solicitada deveria abranger cada um dos documentos anexados aos autos pela Recorrente. De toda sorte, anotou que na análise de prejuízos incorridos nas operações de renda variável somente houve ressalva à perda de US$ 5.562,00, e que na apreciação das despesas de juros afirmouse que elas correspondiam a apropriações em conformidade com os documentos apresentados. Afirmou incompreensível e contraditória a conclusão fiscal e pediu a apreciação do CARF acerca da regularidade de seus procedimentos, em face da sua conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos, como observado pela própria autoridade fiscal. Na sessão de 06 de março de 2013, este Colegiado converteu o julgamento dos embargos novamente em diligência nos termos do voto condutor desta Relatora, que integra a Resolução nº 1101000.065: A omissão recai sobre a apreciação de provas que se prestariam a desconstituir parte da glosa de despesas não comprovadas da Arcom Corporation, que resultaram na apuração de lucros na subsidiária integral, nos anos de 2003 e 2004, não oferecidos à tributação, nos valores de, respectivamente, R$ 6.828.516,92 e R$ 10.170.136,19. Tais lucros foram apurados a partir dos seguintes ajustes nos resultados produzidos pela controlada no exterior: Período da DIPJ 2003 (01/01 a 31/12) 2004 (01/01 a 01/02) 2004 (02/02 a 31/12) Resultado apurado a partir da escrituração (1.057.067,30) (412.740,23) 378.234,42 Glosa de despesas efetuadas pela fiscalização 3.420.530,17 334.399,91 3.531.531,53 Resultado da sociedade controlada estrangeira 2.363.462,87 (78.340,32) 3.909.765,95 As glosas alcançaram os seguintes itens contábeis: Período da DIPJ 2003 (01/01 a 31/12) 2004 (01/01 a 01/02) 2004 (02/02 a 31/12) US$ R$ US$ R$ US$ R$ Despesas de depreciação 1.199.952,00 3.466.901,31 99.996,00 294.078,23 1.099.956,00 2.919.723,20 Despesas com taxas bancárias 434,83 1.256,31 5,00 14,70 6.167,55 16.371,14 Despesas custódia e taxas diversas 27.728,30 80.112,60 44.510,06 118.147,50 Prejuízos aplic. Fundos de Ações 316.194,53 913.549,23 192.357,00 510.592,42 Despesas juros empréstimos banc. 1.061.196,51 3.066.008,95 73.710,95 216.776,53 876.271,49 2.325.975,04 Demais despesas 815.024,00 2.354.767,34 160.687,96 472.567,22 1.312.269,43 3.483.287,97 Valor total da glosa 3.420.530,17 9.882.595,74 334.399,91 983.436,68 3.531.531,53 9.374.097,27 As parcelas que a contribuinte buscou comprovar por meio dos documentos apresentados em 10/03/2008 referemse aos itens Prejuízos aplic. Fundos de Ações e Despesas juros empréstimos banc.. Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 7 6 Ao realizar a diligência solicitada, a autoridade fiscal inicialmente apontou irregularidades formais nos documentos, invocando o que dispõe a Lei nº 6.015/73: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: [...] 6º) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; [...] Invocou, também, o Manual do Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, transcrevendo o seguinte excerto de seu Capítulo 4o: 4.7.1 Para que um documento originário do exterior tenha efeito no Brasil é necessária a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular, seja por reconhecimento de assinatura, seja por autenticação do próprio documento. 4.7.2 Caso o documento não esteja redigido em português, a tradução deverá ser feita obrigatoriamente no Brasil, por tradutor público juramentado, após a legalização do documento original pela Autoridade Consular brasileira. Todavia, cumpre considerar que não se trata, aqui, de glosa de despesas que afetaram diretamente o resultado da pessoa jurídica fiscalizada, situada no Brasil, mas sim da de despesas contabilizadas por controlada da fiscalizada no exterior que interferiram na apuração do lucro considerado auferido por intermédio daquela investida, nos termos de normas tributárias específicas, que pouco abordam as obrigações acessórias dos contribuintes neste âmbito. De fato, a Lei nº 9.249/95, em seu art. 25, § 2o, inciso IV, diz que as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e, ao tratar dos lucros das coligadas, diz no §3o, inciso IV do mesmo dispositivo que a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. Para fins de compensação do imposto pago no exterior, o art. 26 da Lei nº 9.249/95 dizia que o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Contudo, a Lei nº 9.430/96 dispensou esta exigência quando a pessoa jurídica comprovasse que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (art. 16, §2o, inciso II), bem como condicionou a compensação do imposto à apresentação das demonstrações financeiras correspondentes, permitindo o arbitramento dos lucros das filiais, sucursais ou controladas quando não for possível a determinação de seus resultados. A Instrução Normativa SRF nº 38/96, por sua vez, assim disciplinou a prova a ser feita pelos contribuintes: Demonstrações Financeiras Art. 10. As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. § 1º Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. § 2º As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação da base de cálculo do imposto de renda no Brasil. Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 8 7 § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada. § 4º Caso a moeda do país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada não tenha cotação no Brasil, os valores serão primeiramente convertidos em Dólares dos Estados Unidos da América e depois em Reais. § 5º As demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil, deverão ser mantidas em boa guarda, à disposição das autoridades fiscais da Secretaria da Receita Federal, até o transcurso do prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir crédito tributário com base nas mesmas. § 6º As demonstrações financeiras em Reais das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, deverão ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil. § 7º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, as participações em filiais, sucursais, controladas ou coligadas, bem assim as aplicações em títulos e valores mobiliários no exterior devem ser escrituradas separada e discriminadamente na contabilidade da pessoa jurídica no Brasil, de forma a permitir a correta identificação desses valores e as operações realizadas. A Instrução Normativa SRF nº 213/2002 praticamente não inovou quanto às orientações acerca das demonstrações financeiras das investidas no exterior, mas abordou mais extensamente a prova para fins de compensação do imposto pago no exterior: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. [...] § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1 º de janeiro do ano subseqüente ao da compensação. [...] Não é razoável interpretar que os dispositivos invocados pela autoridade diligenciante prestemse a obrigar as pessoas jurídicas situadas no Brasil, que detenham investimentos no exterior, a registro no Cartório de Títulos e Documentos, ou legalização por Autoridade Consular, de todos os contratos ou outros documentos que resultem em itens redutores dos lucros auferidos por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. Para tanto, a lei tributária que estabeleceu a tributação em bases universais assim deveria ter determinado. Observese, ainda, que a autoridade lançadora não apresentou restrições formais aos documentos que lhe foram apresentados em língua estrangeira (fls. 984/997, 1014/1034, 1042/1044 e 1045/1166), analisando seu conteúdo e explicitando as razões para não admitilos como prova das despesas questionadas (fls. 1655/1661). Assim, não seria mais possível, durante o contencioso administrativo, adicionar requisitos prévios à análise iniciada pela autoridade lançadora. De fato, a autoridade julgadora poderia, apenas, exigir que os documentos estivessem traduzidos na forma do art. 224 do Código Civil, não podendo o litigante imporlhe a apreciação de fatos não vertidos em língua nacional. Contudo, observase que a Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 9 8 contribuinte buscou resguardarse desta exigência, juntando dentre os elementos apresentados após a impugnação, várias traduções juramentadas, na sua maioria assinadas entre 02/01/2008 e 06/02/2008, datas posteriores à impugnação, apresentada em 05/11/2007. Assim, este óbice formal não dispensa a autoridade diligenciante de conferir o conteúdo material probante dos documentos apresentados. Contudo, o relatório da diligência fiscal deixa claro que o auditor fiscal responsável não apreciou todos os documentos que integram os Anexos I a IV por ele referidos. Embora tais Anexos não tenham sido digitalizados para apreciação desta Relatora, foi reconhecido que a contribuinte apresentou novamente os mesmos documentos por ocasião dos embargos de declaração, e observase às fls. 2390/3150 que há documentos pertinentes a despesas glosadas que não foram apreciados durante a diligência, como por exemplo, aqueles relativos à glosa de prejuízos na aplicação em fundos de ações nos valores de US$ 41.784,04 (fls. 2395/2397) e de US$ 73.590,00 (fls. 2405/2410), e outros relativos à glosa de juros em empréstimos bancários nos valores de US$ 63.750,00 (fls. 2417/2421), e vários outros indicados à fl. 2552, que coincidem com as glosas apontadas nos itens 24, 31, 39 e 58. Os quadros abaixo demonstram os itens em litígio e a sua situação após a conclusão da diligência: [...] A amostragem feita pela autoridade fiscal não é suficiente para admitir ou rejeitar os elementos apresentados, tendo em vista as peculiaridades de cada operação e dos conjuntos probatórios juntados. Necessário se faz que seja apresentado parecer individualizado para cada item de despesa que a contribuinte pretendeu comprovar, de modo a permitirlhe contraditar tais razões. E isto também porque, nos termos do Decreto nº 70.235/72, embora a prova documental deva ser juntada à impugnação, o §4o do art. 16 admite sua apresentação em outro momento processual, desde que justificada a demora, o que se verifica nos autos, na medida em que os documentos referemse à escrituração contábil da controlada no exterior, e, ademais, encontravamse em língua estrangeira a exigir tradução que, como visto, somente foi concluída em 06/02/2008. Juntadas as provas depois de proferida a decisão de 1a instância, diz o §6o do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância, assegurandose melhor julgamento da lide se, antes da manifestação final da autoridade julgadora, a contribuinte tiver oportunidade de contraditar eventual interpretação equivocada dos fatos que pretendeu demonstrar. Por tais razões, o presente voto é no sentido de, novamente, CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade competente manifestese sobre todos os documentos apresentados pela contribuinte em 10/03/2008, indicando quais itens da autuação restaram por eles provados, e disto cientificando a contribuinte para complementação de suas razões de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, antes do retorno dos autos a este Conselho. Confrontando os documentos apresentados com as razões expostas pela autoridade lançadora para glosa das despesas, e destacando as parcelas cuja glosa foi admitida pela contribuinte, a autoridade fiscal individualizou no Relatório de Diligência Fiscal às fls. 4103/4114 as razões para admitir comprovadas parcialmente as despesas glosadas. Cientificada em 28/02/2014, a contribuinte manifestouse às fls. 4115/4117 apresentando esclarecimentos complementares acerca de prejuízos incorridos em aplicações em fundos de ações em 30/09/2003 (US$ 142,559.85), bem como indicando erro em ponto específico da abordagem fiscal acerca da glosa de juros, e reportandose ao efeito de operações anteriores ao anocalendário 2003. Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 10 9 A autoridade fiscal, então, prestou as informações de fls. 4174/4177, manifestando se acerca dos questionamentos apresentados pela contribuinte às fls. 4115/4117, admitindo parte da comprovação dos prejuízos incorridos em aplicações em fundos de ações e retificando o erro apontado na apreciação da glosa de juros, bem como juntando aos autos versão retificada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4178/4189), cientificado à contribuinte em 11/04/2014. A contribuinte novamente se manifestou às fls. 4190/4192, aduzindo que a autoridade fiscal não examinou os documentos juntados em sua petição anterior, e questionando outros pontos da abordagem fiscal, requerendo nova diligência para que sejam supridas as omissões e obscuridades daí decorrentes. Depois do retorno destes autos ao CARF, a autoridade local solicitou a juntada do despacho de fls. 4198, informando inconsistências no SIEF acerca dos débitos em litígio, com vistas a subsidiar o registro do resultado de julgamento quando do retorno dos autos à origem. Em 31/07/2014 e 20/08/2014 a autoridade local requereu a devolução dos autos para operacionalização de desistência parcial formalizada pela contribuinte (fl. 4201, 4204 e 4229/4230), porém, a notícia destes pedidos somente foi constatada no processo depois de iniciada a sessão de julgamento. Em 25/08/2014 a contribuinte requereu a juntada, aos autos, da petição de fls. 4207/4226, na qual noticia que optou por aderir ao Programa Especial de Parcelamento, na modalidade pagamento à vista, conforme comprovantes de pagamento e planilha de conversão/atualização anexados (doc. 1), somente e unicamente no que diz respeito às despesas cuja glosa foi mantida por serem consideradas não comprovadas pela Il. Autoridade Fiscal Diligente, quais sejam: (a) perdas incorridas nos investimentos em fundos de ações no valor da glosa equivalente a US$ 855,492.26 e (b) despesas com juros de empréstimos externos cuja glosa também foi mantida, em valor correspondente a US$ 109,184.54. Juntou, também, demonstrativos de cálculo dos valores recolhidos e correspondentes DARF de recolhimento nos quais observase que a desistência teve em conta parcelas glosadas em 2003 e 2004, na medida em que integram a base de cálculo dos recolhimentos glosas de perdas em fundos de ações no valor de US$ 179,621.36 em 2003 e US$ 109,184.54 em 2004, bem como despesas com juros de empréstimos no valor de US$ 109,544.31 em 2003, além das parcelas a este mesmo título nos valores de US$ 4.42 e US$ 20,779.23 em 2004. Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os embargos originalmente opostos pela recorrente tinham em conta, apenas, as glosas de despesas que afetaram os resultados da subsidiária integral Arcom Corporation, e assim evidenciaram insuficiência de adição, às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de lucros auferidos no exterior, nos anocalendário 2003 e 2004. Isto porque, ao apreciar o recurso voluntário antes interposto, a 2a Turma desta 1a Câmara afastou a glosa de despesas com depreciação e manteve as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações e de despesas com juros de empréstimos bancários por ausência, nos autos, de prova documental ou de demonstração de sua protocolização. No voto condutor do Acórdão nº 1102000.036, a Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni ressaltou que: Por outro lado, procedem as justificativas declinadas pela fiscalização para glosar os prejuízos/despesas contabilizados, quais sejam: não houve a apresentação de extrato que demonstrasse o valor da aplicação, impedindo aferir se a sociedade estrangeira incorreu em prejuízos; não comprovação de que a quantia identificada no documento é atinente a uma despesa incorrida; documento não oficial, que pode conter incorreções, segundo adverte o próprio banco; documentos que não fazem referência à sociedade estrangeira nem ao emissor; fichas de lançamento e extratos contábeis não comprovam dedutibilidade dos valores contabilizados, etc. ) Deve ser mantida a glosa. Ainda sobre essa terceira parcela (glosa de despesas da controlada estrangeira), na peça impugnativa a contribuinte alegou que a fiscalização considerou simplesmente os valores glosados como lucros distribuídos, mas não levou em conta os prejuízos auferidos pela Arcorn Corporation a partir de 2002. A decisão recorrida refutou essa alegação, afirmando que, ao contrário, a fiscalização não considerou simplesmente os valores glosados como lucros distribuídos, mas considerou os prejuízos apurados pela Arcom Corporation, como a seguir: [...] Perante esta instância, a Recorrente alega que a decisão não levou em conta os prejuízos auferidos pela Arcom Corporation no anocalendário de 2002. Todavia, o prejuízo auferido em 2002 não influencia a tributação dos anoscalendário seguintes, sendo computado no cálculo da equivalência patrimonial do período em que auferido, tal como fez a autoridade fiscal, conforme evidencia o demonstrativo às fls. 1642. De acordo com a lei, os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada ou controlada no curso do períodobase da pessoa jurídica (Lei 9.249/95, art. 25, § 3o, inc.II), os quais são considerados disponibilizados na data do balanço em que tiverem sido apurados (MP 2.15835, art. 74) Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 12 11 Assim, na sessão de julgamento de 28 de agosto de 2014 este Colegiado apreciou os efeitos dos documentos apresentados depois da impugnação para afastar a glosa de prejuízos na aplicação de fundos de ações e de despesas com juros de empréstimos bancários. A autoridade fiscal encarregada da diligência manifestouse pontualmente sobre as despesas glosadas, confrontando a acusação fiscal e os documentos apresentados pela defesa, razão pela qual a decisão foi fragmentada de acordo com o agrupamento apresentado no Relatório Fiscal de Diligência. Contudo, em razão da desistência parcial comunicada às fls. 4207/4226, não foram submetidas à decisão do Colegiado as glosas mantidas ao final da diligência acima mencionadas, aí incluída indevidamente a parcela de uma das glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações, a seguir tratada. Inicialmente cumpre recordar que consta do Relatório fiscal a abordagem acerca das provas apresentadas para afastar as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações: As despesas com Prejuízos na Aplicação em Fundo de Ações escrituradas na conta contábil 41102003 e glosadas no Auto de Infração IRPJ/CSLL, são as discriminadas na tabela que segue: Data Despesa (US$) Glosa (US$) 31/1/2003 9.985,00 9.985,00 31/1/2003 41.784,04 41.784,04 28/2/2003 40.735,00 7.670,00 31/3/2003 16.776,13 16.776,13 9/7/2003 92,39 92,39 30/9/2003 166.296,97 166.296,97 9/12/2003 73.590,00 73.590,00 Total das Despesas Glosadas no Ano de 2003 316.194,53 30/4/2004 142.559,85 142.559,85 30/9/2004 7.501,97 1.480,48 31/12/2004 48.316,67 48.316,67 Total das Despesas Glosadas no Ano de 2004 192.357,00 Quanto ao item acerca do qual houve omissão no julgamento de 28 de agosto de 2014, temse: Glosa de US$ 142,559.85 (30/04/2004) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "A necessidade de glosa também se estende à despesa contabilizada em 30/04/2004, no valor de US$ 142.559,85. Os documentos apresentados (fls. 1024/1026) também não permitem concluir a ocorrência do prejuízo contabilizado, justificando o procedimento ora adotado." Os documentos apresentados no curso da ação fiscal (fls. 1024/1026), efetivamente não são hábeis e comprovar inequivocamente a despesa, conforme concluiu a autoridade lançadora, bem como não foram apresentados quaisquer documentos adicionais, impondose a manutenção da glosa. Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 13 12 Cientificada, a contribuinte juntou outros demonstrativos e requereu sua apreciação (fls. 3225/3226). A autoridade fiscal então retificou o Relatório de Diligência para consignar que: Às fls. 3.234/3.255, foram juntados os extratos emitidos pelo J.P. Morgan Private Bank, relativos ao movimento financeiro da empresa Arcom Corporation, no período de 01/04/2004 a 30/04/2004, onde consta especificamente a página 2 de 22 (fls. 3.235), o resumo do portfólio de ativos financeiros, literalmente traduzido: dinheiro e curto prazo (cash & short term), renda fixa (fixed income), ações (equities), outros (other). Às páginas 5 a 9 de 22 dos extratos (fls. 3.238/3.242), constam informações individualizadas a respeito dos ativos financeiros, restando consignado na página 8 de 22 (fls. fls. 3.241), perdas líquidas relativas aos investimentos em ações no montante de US$ 34.855,79 (coluna unrealized/gain/loss/USD não realizado/ganho/perda/USD). Nos extratos apresentados, estas foram as únicas perdas claramente identificadas, pertinentes aos investimentos em aplicações financeiras em fundo de ações. Na planilha demonstrativa da apuração das referidas perdas, elaborada e intitulada pelo contribuinte como Anexo 1 (fls. 3.227/3.228), constam movimentações financeiras a débito e a crédito, cujos valores foram extraídos das informações constantes das páginas 14 a 16 de 22 dos extratos emitidos pelo banco J.P. Morgan (fls. 3.247/3.249), e extratos de fls. 1.024 e 1.026, resultando ao final, na apuração do prejuízo incorrido em aplicações em fundo de ações, no montante de US$ 142.559,85. Em que pese todos os valores consignados na planilha demonstrativa tenham sido extraídos dos extratos emitidos pelo banco J.P. Morgan, os cálculos apresentados pelo contribuinte não conduzem efetivamente à formação de convicção acerca da ocorrência do prejuízo em aplicações em fundo de ações, no valor de US$ 142.559,85, até mesmo porque os mesmos documentos atestam objetivamente a ocorrência do prejuízo no montante de US$ 34.855,79, em relação à referida aplicação, restando portanto parcialmente comprovada a despesa neste mesmo montante. A contribuinte novamente manifestouse afirmando a absoluta falta de disposição e interesse da I. Autoridade Diligente no exame dos documentos anexados aos autos pela Requerente e nos esclarecimentos por ela prestados, justificando a manutenção da glosa com base em critérios obscuros e subjetivos, sem explicar porque os documentos apresentados não provariam a ocorrência do prejuízo. Complementou que a falta de informação satisfatória e objetiva acerca dos esclarecimentos prestados e documentos apresentados pela contribuinte prejudicaria o exercício de seu direito de defesa. No julgamento realizado em 28/08/2014, esta Relatora entendera que como as glosas mantidas em diligência estariam alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, este Colegiado não mais precisaria apreciar esta matéria. Contudo, esta Relatora já firmara o entendimento, preliminar, de que a recorrente não tinha razão em suas alegações, pois a autoridade fiscal expôs com clareza o conteúdo que extraiu dos documentos juntados aos autos. Observou, ainda, que os registros contábeis dos correspondentes investimentos em abril/2004 apresentam várias naturezas (fl. 3230), e ainda consignam receitas de aplicação financeira concomitantemente com perda em aplicação financeira, sendo certo que nenhum dos documentos apresentados traz Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 14 13 explicitamente a indicação do valor da perda contabilizada, e todos estão em língua estrangeira. Ressaltou que outros extratos também foram apresentados, apenas, em língua estrangeira, mas a simplicidade das informações neles contidas permitiu concluir pela correspondência com os fatos alegados pela contribuinte. Já no presente caso, nem mesmo para a parcela US$ 34,855.79 era possível admitir a comprovação apresentada. De fato, considerando a multiplicidade de registros no período, para admitir que houve alguma perda ao seu final, necessário seria que a contribuinte justificasse os demais registros de receitas e perdas, com vistas a demonstrar que estas são superiores àquelas. Subsiste integralmente, portanto, a glosa em questão. Acrescentese, por oportuno, que a contribuinte teve a primeira oportunidade de apresentar a prova documental dos valores glosados durante o procedimento fiscal, e naquela ocasião juntou os elementos de fls. 1024/1026, nos quais a perda contabilizada somente era evidenciada na fita de calculadora anexada a documentos emitidos pela instituição financeira com a ressalva de sua imprecisão, como destacado na acusação fiscal (fl. 1655/1656). Na segunda oportunidade que lhe foi facultada para a produção da prova documental, a interessada nada juntou, e por esta razão, no primeiro relatório de diligência, reafirmouse a conclusão da autoridade lançadora. A contribuinte ainda teve uma terceira oportunidade de juntar prova documental, depois de cientificada do relatório de diligência, e assim o fez, mas para apresentar elementos com as deficiências antes mencionadas. Por fim, a contribuinte foi cientificada, no segundo relatório de diligência, acerca destas deficiências, e não usufruiu desta quarta oportunidade de produção de prova documental para suprilas. É certo que, ao final, desistiu do litígio relativamente à parte da glosa mantida no relatório de diligência fiscal. Mas, antes disso, limitouse a impropriamente afirmar a absoluta falta de disposição e interesse da I. Autoridade Diligente no exame dos documentos anexados aos autos, ignorando o empenho do agente fiscal justamente em sentido contrário, bem como a clareza de sua abordagem acerca dos elementos juntados naquela terceira oportunidade de produção de prova documental. Em tais condições, não há porque se cogitar de nova diligência para produção da prova não juntada aos autos. Embora a maioria dos Colegiados deste Conselho privilegie a verdade material, flexibilizando os limites estabelecidos no art. 16, §4o do Decreto nº 70.235/72, não há dúvida que esta flexibilização se verificou para além dos limites normais do contencioso administrativo, culminando na preclusão, que ora se declara. Assim, na medida em que a contribuinte desistiu do litígio relativamente à parcela da glosa mantida em diligência (US$ 107.704,06), o presente voto é no sentido de ACOLHER e PROVER os embargos opostos por esta Relatora para, relativamente à parcela remanescente de US$ 34,855.79, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter a glosa promovida pela autoridade lançadora. Por tais razões, o resultado final da apreciação das glosas de prejuízos na aplicação em fundos de ações é assim demonstrado: Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.205 S1C1T1 Fl. 15 14 Prejuízos na Aplicações em Fundos de Ações (valores em US$) Item Data Despesa Glosa Comprovado Desistência Não Comprovado 1 9/7/2003 92,39 92,39 92,39 2 31/1/2003 9.985,00 9.985,00 4.423,00 5.562,00 3 31/1/2003 41.784,04 41.784,04 41.784,04 4 28/2/2003 40.735,00 7.670,00 7.670,00 5 31/3/2003 16.776,13 16.776,13 16.776,13 6 30/9/2003 166.296,97 166.296,97 166.296,97 7 9/12/2003 73.590,00 73.590,00 73.590,00 Total em 2003 316.194,53 136.573,17 179.621,36 8 30/4/2003 142.559,85 142.559,85 107.704,06 34.855,79 9 30/9/2004 7.501,97 1.480,48 1.480,48 10 31/12/2004 48.316,67 48.316,67 48.316,67 Total em 2004 192.357,00 48.316,67 109.184,54 34.855,79 É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19515.000304/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADO EMPREGADOS - NATUREZA SALARIAL - ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - ARGUMENTAÇÃO TRAZIDA APENAS NA ESFERA RECURSAL - QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
Contudo a preclusão só incidirá sobre as questões cuja ausência de argüição na época oportuna, refira-se a assunto de disponibilidades das partes, ou seja, não afeta questões de ordem pública. Neste casos, entendo que não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido argüida.
A indicação da sujeição passiva é requisito básico de constituição do lançamento, razão pela qual enquadra-se no conceito de questão de ordem pública.
ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - REQUISITO BÁSICO DE FORMAÇÃO DO ATO. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
O erro na eleição do sujeito passivo, enseja afronta à própria substância do lançamento, de modo que resta violado o art. 142 do CTN.
EMPRESA INCORPORADA - LANÇAMENTO DEVE SER FEITO NA INCORPORADORA - NULIDADE FRENTE A INCORRETA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Ocorrendo sucessão, o AIOP será lavrado em nome do sucessor, identificando-se a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver débito relativo ao tempo destes, registrando-se no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão (fusão, incorporação ou transformação, dentre outros).
É claro o Manual que nos casos de empresa incorporada o lançamento deve ser feito na incorporadora, considerando que essa passa a ser a responsável direta pelas obrigações assumidas. A Assembléia Geral realizada em dezembro de 2007 deixa claro não apenas a incorporação, como a extinção da empresa TVA, razão pela qual não encontro fundamento para o lançamento em nome da incorporada, mesmo que no cadastro a situação encontra-se SUSPENSA.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que anulavam o lançamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADO EMPREGADOS - NATUREZA SALARIAL - ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - ARGUMENTAÇÃO TRAZIDA APENAS NA ESFERA RECURSAL - QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Contudo a preclusão só incidirá sobre as questões cuja ausência de argüição na época oportuna, refira-se a assunto de disponibilidades das partes, ou seja, não afeta questões de ordem pública. Neste casos, entendo que não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido argüida. A indicação da sujeição passiva é requisito básico de constituição do lançamento, razão pela qual enquadra-se no conceito de questão de ordem pública. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - REQUISITO BÁSICO DE FORMAÇÃO DO ATO. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O erro na eleição do sujeito passivo, enseja afronta à própria substância do lançamento, de modo que resta violado o art. 142 do CTN. EMPRESA INCORPORADA - LANÇAMENTO DEVE SER FEITO NA INCORPORADORA - NULIDADE FRENTE A INCORRETA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Ocorrendo sucessão, o AIOP será lavrado em nome do sucessor, identificando-se a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver débito relativo ao tempo destes, registrando-se no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão (fusão, incorporação ou transformação, dentre outros). É claro o Manual que nos casos de empresa incorporada o lançamento deve ser feito na incorporadora, considerando que essa passa a ser a responsável direta pelas obrigações assumidas. A Assembléia Geral realizada em dezembro de 2007 deixa claro não apenas a incorporação, como a extinção da empresa TVA, razão pela qual não encontro fundamento para o lançamento em nome da incorporada, mesmo que no cadastro a situação encontra-se SUSPENSA. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que anulavam o lançamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Contudo a preclusão só incidirá sobre as questões cuja ausência de argüição na época oportuna, refirase a assunto de disponibilidades das partes, ou seja, não afeta questões de ordem pública. Neste casos, entendo que não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido argüida. A indicação da sujeição passiva é requisito básico de constituição do lançamento, razão pela qual enquadrase no conceito de questão de ordem pública. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA REQUISITO BÁSICO DE FORMAÇÃO DO ATO. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O erro na eleição do sujeito passivo, enseja afronta à própria substância do lançamento, de modo que resta violado o art. 142 do CTN. EMPRESA INCORPORADA LANÇAMENTO DEVE SER FEITO NA INCORPORADORA NULIDADE FRENTE A INCORRETA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 04 /2 01 0- 85 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Ocorrendo sucessão, o AIOP será lavrado em nome do sucessor, identificandose a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver débito relativo ao tempo destes, registrandose no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão (fusão, incorporação ou transformação, dentre outros). É claro o Manual que nos casos de empresa incorporada o lançamento deve ser feito na incorporadora, considerando que essa passa a ser a responsável direta pelas obrigações assumidas. A Assembléia Geral realizada em dezembro de 2007 deixa claro não apenas a incorporação, como a extinção da empresa TVA, razão pela qual não encontro fundamento para o lançamento em nome da incorporada, mesmo que no cadastro a situação encontrase SUSPENSA. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que anulavam o lançamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob o n. 37.171.3420, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados, na competência 05/2005. Conforme relatório fiscal, fl. 13 a 15, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AI, os valores das contribuições apuradas do montante lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 ( Participações de Empregados ) e folha de pagamento ( SUPERAÇÃO ) apresentada e cujos pagamentos efetuados não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social. Foi utilizado o código de levantamento SI Base de Cálculo Sem Identificada Nominal e Não Declarada em GFIP. Motivos pelo qual o valor acima não foi considerado como PLR por não estar de acordo com a lei 10.101 de 19/12/2000 Art.2o .§1 Acordo referente ano de 2004 firmado em 01/06/2004, o acordo tem que ser pactuado previamente este foi no meio do ano. Os beneficiários do programa conforme de terminado na cláusula quarta e parágrafos primeiro ao sexto do presente acordo não foram identifica dos na sua totalidade, mesmo sendo solicitado por varias vezes. Nas cláusulas quinta , sexta e parágrafo único e sétima do presente acordo fala em participação nos resultados e é condicionado ao cumprimento de metas e o indicador para apuração será o EBITDA, que é calculado considerando o procedimento usual adotado na empresa : Margem Operacional expurgados os Valores da Depreciação, dos Impostos e das Despesas Financeiras e para medição será utilizado valores finais do ano 2004 em comparação com os valores constantes do Planejamento Operacional P O do RCCO Corporativo que será feita pela Diretoria de Finanças e Controle Corporativa , por tanto entendendo este auditor que as regras não são objetivas, e fica prejudicada a sua mensuração com base na documentação deficiente apresentada. As cláusulas oitava , nona e parágrafo único falam em valor do premio, base de pagamento usando média de comissões, horas extras, que ficaram impossibilitadas de análise visto que não foram apresentadas as folhas de pagamento com os referidos cálculos e valores motivo pelo qual f o r am lavrados A i s CFL 30 e 35, já na cláusula décima primeira é mencionado GRUPO ESPECIAL que também não foram identificados na sua totalidade mesmo sendo a empresa notificada por varias vezes conforme TIFs anexas. A empresa apresentou vários arquivos, planilhas, folhas de pagamento, (ano 2006 ou sem a verba de participação nos resultados paga em 2005 referente ao acordo de 2004) em diversos momentos porém sempre sem informar, esclarecer e justificar através de documentos os valores que deram origem e identificando nominalmente o montante de R$ 1.314.172,96 lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A i t em 48 como Participações de Empregados, mesmo sendo notificada especificamente para isso. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Destacase que realizou a autoridade fiscal o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando que o AI foi lavrado já na vigência da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 19/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 22/02/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 160 a 191. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 547 a 571. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. LIMITES. A competência da Justiça do Trabalho limitase a determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias provenientes das sentenças condenatórias em pecúnia que proferir, e dos valores objeto de acordo homologado, que integrem o saláriode contribuição. Nos casos extrajudiciais, é indiscutível a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para apuração e cobrança das contribuições previdenciárias e devidas a Terceiros, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 4 5 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. Existe motivação legal quando os dispositivos mencionados no auto de infração contêm as normas que a fiscalização entende deveriam ter sido respeitadas e não o foram. A motivação fática está contida no auto de infração que descreve os atos praticados pelo autuado que violaram a legislação tributária. O Relatório Fiscal, os Anexos do AI e demais documentos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA INFRAÇÃO. A norma atual somente se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 579 a 618. Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 1. Preliminarmente, Indica erro na sujeição passiva, já que o AI foi lavrado contra pessoa jurídica extinta desde 31.12.2007, conforme demonstrado por meio do cartão CNPJ. É entendimento pacífico desde Conselho que não pode ser lançado débito contra pessoa extinta, conforme acordão CSRF/0105.352 e outros que cita. 2. No mérito, afirma que mesmo estando regulares os procedimentos por ela adotados foram lavrados nesta ação fiscal 09 autos de infração, discriminandoos às fls. 165/166. 3. Considerando os critérios estabelecidos na lei, frisese que a empresa cumpriu todos os critérios, quais sejam: 3.1. O acordo de PLR da recorrente resultou de negociação entre empresa e seus funcionários, havendo representante sindical da categoria. Todas as partes assinaram devidamente o acordo, tendo o mesmo sido arquivado na entidade sindical. 3.2. Está claro que o acordo cumpriu também as exigências quanto a fixação dos direitos substantivos e regras adjetivas, onde deverão constar nas regras mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. (cláusulas de quinta a décima segunda). Fl. 942DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 3.3. Foi devidamente arquivado no sindicato conforme documento 10 da impugnação. 3.4. Não substitui, nem complementa a remuneração devida a qualquer empregado, considerando que o pagamento deuse n ano de 2005 em uma única vez, sem modificar a remuneração devida, inclusive sendo pago no mesmo momento do salário de abril. 3.5. Foi observada a periodicidade de um semestre civil, como determina a lei. 3.6. Não houve impasse, já que o acordo foi devidamente assinado por todas as partes envolvidas. 3.7. Quanto ao momento em que tem que ser firmado, entende a Câmara superior de Recursos Fiscais que há obrigatoriedade legal de se acordar antes do fim do período a que se refere o acordo, como ocorreu no presente caso. 3.8. Por fim, quanto individualização dos funcionários argumenta que a lei em momento algum exige a individualização de metas, razão pela qual a exigência da fiscalização quanto a identificação dos beneficiários. Ou seja, resta demnostrado quem são os beneficiários do plano: todos os empregados da recorrente e seus estagiários sem discriminação alguma. 4. Quanto a desconformidade da GFIP, é obvio que só se declara em GFIP valores passíveis de tributação. 5. Transcreve o art. 28, I, da lei 8.212/91 que conceitua o salário de contribuição, salientando que o legislador reconhece como tal o montante dos valores auferidos pelo trabalhador como contraprestação do trabalho por ele prestado e de forma habitual, independente de sua espécie, sendo tal montante a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que no §9° deste mesmo dispositivo legal estão discriminadas verbas que não compõe o salário de contribuição, pois tendo em vista sua natureza, não representam remuneração pela trabalho desenvolvido. Esse o caso da PLR (art.28, §9°, "j"). 6. Quanto à PLR, por ser um direito constitucional do trabalhador previsto no art. 7o , XI, da CF, de maneira alguma poderá ser suprimido, e não há que se falar em incidência de qualquer encargo fiscal. Explicitando o objetivo constitucional de proteção ao trabalhador e desoneração das verbas a ela destinadas a título de PLR, transcreve doutrina a respeito. 7. Diante do exposto, resta demonstrado que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos funcionários a título de PLR, pois não há amparo constitucional para a manutenção desta Autuação, mormente porque os valores em questão não trazem os requisitos necessários ao seu enquadramento na classe das remunerações sujeitas ao saláriodecontribuição, que são (i) habitualidade, (ii) periodicidade, (iii) regularidade e (iv) contraprestação pelo trabalho. 8. Ressalta que a contribuição ao GILRAT não poderia ter sido instituída com base na competência residual da União Federal de criar outras fontes de custeio para o financiamento da Seguridade Social,competência essa, expressamente, prevista no artigo 195, § 4 o , da Constituição Federal, cujo dispositivo, apenas pode ser utilizado se observado o disposto no artigo 154, inciso I, também, da Carta Magna. A União Federal só pode instituir novos tributos, não expressamente previstos, através da Lei Complementar. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 5 7 9. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 10. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 11. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 12. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 13. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 14. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 15. Requer que seja integralmente provido, com a reforma do acordão recorrido, sendo reconhecido o acordo PLR entre a recorrente e os funcionários. Considerando as alegações do recorrente quanto ao erro de sujeição passiva, o processo foi baixado em diligência, fl. 869, por meio da resolução 2401000.331 de 19 de novembro, no qual requer manifestação do recorrente nos seguintes termos: DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A INDICAÇÃO INDEVIDA DO SUJEITO PASSIVO Quanto ao lançamento referirse a pessoa jurídica extinta, note se que ditos argumentos não foram trazidos na impugnação, razão pela qual dita matéria não foi apreciada pelo julgador de primeira instância, tendo sido colacionados argumentos apenas quanto a nulidade do procedimento, pelo incorreta indicação do sujeito passivo na fase recursal. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 Todavia, a apreciação por parte deste colegiado, só se faz possível quanto a essa matéria, após a manifestação da autoridade fiscal sobre ditos argumentos, uma vez que o recorrente alega que, quando da realização do lançamento, a Pessoa Jurídica TVA, encontravase extinta pela incorporação. A apreciação dessa matéria, nessa oportunidade, sem que a DRFB tenha a possibilidade de apresentar seus fundamentos, importa violação ao amplo exercício do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual deve o processo ser convertido em diligência, a fim de que a autoridade fiscal se manifeste acerca das alegações trazidas pelo recorrente sobre encontrarse a empresa extinta no momento da realização do procedimento fiscal. Cumprida a diligência, retornam os autos para seguimento do julgamento, tendo a autoridade fiscal, fl. 891, assim concluído a diligência: Em consulta ao sistema da Receita Federal (CONSULTA CNPJ) o relatório das alterações cadastrais fica claro que: a empresa estava ATIVA até 05/03/2009 quando mudou sua condição para SUSPENSA e ficou assim até 12/07/2010 quando passou para ATIVA NÃO REGULAR e foi BAIXADA. Portanto, na ocasião da lavratura dos autos a empresa estava na situação de SUSPENSA (comprovante de inscrição cadastral emitido em 10/02/2010) e não baixada como alega a recorrente. (...) Diante do exposto, estamos procedendo ao encerramento da presente diligência mantendo os lançamentos dos autos na sua totalidade e dado ciência ao contribuinte supracitado, por via postal com AR, da diligência, do seu encerramento e do resultado da diligência, cientificando(...) Devidamente cientificado o recorrente manifestouse às fls. 901, tendo anexado as DIRPJ de 2007, para comprovar a data da incorporação e as informações prestadas a DRFB. É o relatório Fl. 945DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratandose de retorno de diligência em que já foi apreciada a tempestividade, passo a análise das questões pertinentes do processo . DAS PRELIMINARES AO MÉRITO PRECLUSÃO DO DIREITO DE ARGÜIR ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA O primeiro ponto que entendo pertinente a apreciação é a argumentação quanto ao lançamento referirse a pessoa jurídica extinta. Notese, assim, como comentado quando da baixa do processo em diligência, que ditos argumentos não foram trazidos na impugnação, razão pela qual dita matéria não foi apreciada pelo julgador de primeira instância. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Dita referência, consuma o conceito de preclusão no âmbito do direito processual. A mestra Ada Pellegrini Grinover leciona que “a preclusão “não apenas proporciona uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem a litigância de máfé”.2 Contudo, outro ponto relevante há se ser observado. A preclusão só incidirá sobre as questões cuja ausência de argüição na época oportuna, refirase a assunto de disponibilidades das partes, ou seja, não afeta questões de ordem pública. Neste casos, entendo que não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido argüida. Encontramse dentre matérias que não são alcançadas pela preclusão: Condições da ação, pressupostos processuais , nulidades absolutas, erros materiais e prescrição. Aliás esse posicionamento foi destacado por Galeno Lacerda “que defendia que a faculdade de reexaminar questões julgadas de interesse público não precluem por se tratarem de questões albergadas pela norma processual imperativa ou de ordem pública.” De acordo com Teresa Arruda Alvim Wambier: “podem ser alegadas, a qualquer tempo, e decretadas pelo juiz de ofício, inexistindo, pois, a preclusão. São vícios insanáveis, pois que maculam irremediavelmente o processo”. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Apreciada a questão da ausência de preclusão nas matérias de ordem publica, cabenos identificar se o argumento de erro na sujeição passiva, enquadrase em ordem publica ou matéria de disponibilidade das partes. A formação do crédito tributário passa por diversas fases, dentre elas podemos identificar primeiramente a competência do agente público responsável pela realização do procedimento fiscal e a identificação do sujeito passivo responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, afetando não apenas o interesse das partes, mas prejudicando a constituição do crédito em si. Sendo indevida a indicação do sujeito passivo, o prejuízo transcende o interesse particular do recorrente, alcançando a validade do próprio ato, razão pela qual entendo ser da competência desde colegiado a apreciação da matéria suscitada no presente caso, independente do momento em que a mesma ocorreu. DA NULIDADE PELO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Quanto a correta indicação do sujeito passivo, primeiro devemos identificar a alegação do recorrente: indica erro na sujeição passiva, já que o AI foi lavrado contra pessoa jurídica extinta desde 31.12.2007, conforme demonstrado por meio do cartão CNPJ. É entendimento pacífico desde Conselho que não pode ser lançado débito contra pessoa extinta, conforme acordão CSRF/0105.352 e outros que cita. Por outro lado, a autoridade fiscal, exercendo o direito ao contraditório (já que a matéria não havia sido apreciada anteriormente), assim se manifestou. Em consulta ao sistema da Receita Federal (CONSULTA CNPJ) o relatório das alterações cadastrais fica claro que: a empresa estava ATIVA até 05/03/2009 quando mudou sua condição para SUSPENSA e ficou assim até 12/07/2010 quando passou para ATIVA NÃO REGULAR e foi BAIXADA. Portanto, na ocasião da lavratura dos autos a empresa estava na situação de SUSPENSA (comprovante de inscrição cadastral emitido em 10/02/2010) e não baixada como alega a recorrente. (...) Diante do exposto, estamos procedendo ao encerramento da presente diligência mantendo os lançamentos dos autos na sua totalidade e dado ciência ao contribuinte supracitado, por via postal com AR, da diligência, do seu encerramento e do resultado da diligência, cientificando(...) Em apreciando, a constituição do crédito, realmente quando do início do procedimento fiscal em 2008, encontravase a empresa perante a receita federal na situação cadastral ATIVA, conforme documento anexado pelo auditor fiscal, fl. 944. Por outro lado alega o recorrente que antes mesmo do início do procedimento fiscal, a empresa havia sido incorporada pela empresa Abril Comunicações S/A, conforme cópia das alterações contratuais devidamente registradas na junta comercial e apresentadas ao auditor fiscal, o que denota encontrarse a mesma extinta o que impossibilita a lavratura do procedimento na empresa anterior. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 7 11 Já o auditor rebate dizendo que no momento do encerramento do procedimento fiscal, a situação cadastral da empresa perante a Receita não era EXTINTA (conforme argumentado), mas SUSPENSA, razão pela qual não há qualquer nulidade no procedimento realizado. Frente aos argumentos apresentados, entendo que razão assiste ao recorrente para que se decrete a nulidade de todo o lançamento fiscal realizado. No presente caso, não se trata de lavratura de procedimento fiscal em empresa que simplesmente deseja por fim as suas atividades. Caso fosse este o caso, entendo que o procedimento estaria correto, e a situação cadastral SUSPENSA, realmente não impediria a lavratura do procedimento em nome da TVA Sistema de Televisão. Contudo, os documentos colacionados aos autos pelo próprio auditor autuante demonstram não ser esse o caso. Conforme mencionado no relatório desse voto, a lavratura do AI deuse em 19/02/2010. A ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31 de dezembro de 2007, FL. 84, teve por objeto: ORDEM DO DIA: ( I) , ENTRE A ADMINISTRAÇÃO D A SOCIEDADE, D A A B R I L COMUNICAÇÕES S . A . E X A M E E APROVAÇÃO DO "PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE INCORPORAÇÃO D A T V A SISTEMA DE TELEVISÃO S.A.< E R E D E AJATO S . A . " F"PROTOCOLO"!, CELEBRADO NESTA DATA (...) ( I I ) APROVAR E RATIFICAR A NOMEAÇÃO DE PERITOS PARA PROCEDEREM À AVALIAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DA SOCIEDADE, TRABALHO ESSE JÁ INICIADO E CONCLUÍDO; ( I I I ) APROVAR O LAUDO D E AVALIAÇÃO DO P A T R I M Ô N I O L Í Q U I DO D A SOCIEDADE, ELABORADO PELOS PERITOS NOMEADOS(...) (V) APROVAR A EXTINÇÃO DA SOCIEDADE E DOS SEUS ESTABELECIMENTOS;, EM DECORRÊNCIA DA SUA INCORPORAÇÃO PELA ABRIL COMUNICAÇÕES. (IV) AUTORIZAR A AMNISTRAÇÃO DA SOCIEDADE DESDE JÁ, A PRATICAR TODOS OS ATOS COMPLEMENTARES E/OU DECORRENTES DA INCORPORAÇÃO ORA APROVADA, COM AMPLOS E GERAIS PODERES PARA PROCEDER A TODOS OS REGISTROS, TRANSCRIÇÕES,, AVERBAÇÕES OU COMUNICAÇÕES QUE SE FIZEREM NECESSÁRIOS PARA COMPLETAR TAL OPERAÇÃO. Já no PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE INCORPORAÇÃO D A TVA SISTEMA DE TELEVISÃO S A . E REDE AJATO S.A., capítulo VI, fl. 88, assim encontra se ajustado: C O N D I Ç Ã O G E R A L D A I N C O R P O R A Ç AO Fl. 948DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 12 CLÁUSULA 1 0 . Como resultado da incorporação, a ABRIL COMUNICAÇÕES será sucessora da TVA SISTEMA e da REDE AJATO em todos os direitos e obrigações relativos aos patrimônios ora incorporados, na forma da lei. A ABRIL COMUNICAÇÕES será responsável pelas obrigações que lhe forem transferidas, inclusive, mas não se limitando, aos débitos fiscais existentes em nome dos estabelecimentos da TVA SISTEMA ^ e da REDE AJATO, os quais incluem débitos dos estabelecimentos A, B, D, F, G, H, I e J do Anexo III do Protocolo e A, B e C do Anexo IV do Protocolo, sem qualquer solução de continuidade. Esses documentos demonstram que no momento da lavratura do presente AI deveria a autoridade fiscal, observar o procedimento fiscal em relação as empresas incorporadas, o que demonstra, ser incorreta a imputação a TVA como responsável principal pela obrigação tributária Ocorre incorporação quando uma ou mais sociedades são absorvidas, por uma outra sociedade, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Ou seja, quando há incorporação, a sociedade incorporadora passa a deter todo o patrimônio das incorporadas, todos os seus débitos e seus créditos. Neste caso, há a extinção das sociedades incorporadas. No Manual de Procedimentos Fiscais – Maprof, no TÍTULO: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 25 CAPÍTULO: Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP 1 SEÇÃO: Procedimentos Específicos de Emissão – 3, a lavratura dos AI em relação a Sucessão, encontrase assim descrito: 3 Sucessão 3.1 Ocorrendo sucessão, o AIOP será lavrado em nome do sucessor, identificandose a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver débito relativo ao tempo destes, registrandose no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão (fusão, incorporação ou transformação, dentre outros). B PROCEDIMENTOS FINAIS 1 Proceder à lista de verificações (check list de mera orientação do auditorfiscal): VERIFICAÇÕES DO PROCESSO FISCAL preenchimento pelo AFRFB autuante DEBCAD: ORDEM Itens Comuns aos AIOP Situações Especiais SIM Não se enquadra Fl. 949DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 8 13 Empresa com atividade encerrada foi lavrado em nome da pessoa física responsável pela empresa, identificandose a seguir o nome da empresa e a expressão "EXTINTA"? 2 Sucessão o lançamento foi efetuado em nome do sucessor, constando do Relatório Fiscal o(s) nome(s) do(s) antecessor(es), os dados cadastrais destes, bem como de seus responsáveis, a forma como se deu a sucessão (fusão, incorporação ou transformação, dentre outros), e ainda os lançamentos de débito relativos ao tempo do(s) antecessor(es), quando existirem para o mesmo período da ação fiscal? Da leitura do referido manual de procedimento, entendo que o procedimento fiscal encontrase viciado desde a sua origem pela indevida identificação do sujeito passivo, conforme acima descrito, razão pela qual deve ser declarada a nulidade do presente AI por VÍCIO FORMAL em sua constituição. É claro o Manual que nos casos de empresa incorporada o lançamento deve ser feito na incorporadora, considerando que essa passa a ser a responsável direta pelas obrigações assumidas. A Assembléia Geral realizada em dezembro de 2007 deixa claro não apenas a incorporação, como a extinção da empresa TVA, razão pela qual não encontro fundamento para o lançamento em nome da incorporada, mesmo que no cadastro a situação encontrase SUSPENSA. No Decreto 70.235, assim determina como requisitos de validade do Auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. QUANTO AO VÍCIO COMETIDO É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado devidamente o lançamento em relação a indicação do sujeito passivo Fl. 950DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 14 Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal aplicado a norma jurídica pertinente aos requisitos a serem observados em relação à época da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, entendo que a indicação imprecisa provaca a anulação do AI de obrigação principal e acessória correlatos por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na lavratura do AI, pela indicação indevida do sujeito passivo da obrigação tribu, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. CONCLUSÃO Face o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para declarar a NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 951DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.000304/201085 Acórdão n.º 2401003.555 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pese compartilhar do entendimento adotado pela Em. relatora, no sentido de reconhecer o erro na eleição do sujeito passivo da obrigação tributária, ouso dela divergir apenas quanto ao reconhecimento de que no presente caso houve a caracterização de vício formal. Pois bem. No caso em concreto, o motivo considerado à unanimidade por esta Turma que ensejou o reconhecimento da impossibilidade do lançamento, foi o equivoco da fiscalização na eleição do sujeito passivo, eis que a empresa autuada fora objeto de incorporação, conforme documentação juntada aos autos, em momento anterior à realização do lançamento. Assim, com as devidas vênias à nobre relatora, entendo que tal irregularidade, não pode ser considerada, apenas, como um mero vício formal. O lançamento, a meu ver, foi de encontro ao que determinado pelo art. 142 do CTN, uma vez que se trata de uma situação em que o lançamento efetuado da forma como o foi não possui qualquer condição de procedibilidade, tendo em vista que no presente caso, o lançamento em face da empresa incorporadora sequer poderia ser realizado, o que vai de encontro ao disposto no art. 142 do CTN, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, em não tendo havido a correta eleição do sujeito passivo da relação jurídicotributária, na medida em que a fiscalização elegeu na qualidade de responsável, quem, a toda evidência, não detinha essa condição. Desse modo, não há que se falar na possibilidade do lançamento, pois diante do equívoco, não há que se falar no aperfeiçoamento da obrigação tributária em si, devendo ser reconhecida a total improcedência do lançamento. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 16 Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, reconhecendo a improcedência do lançamento. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 953DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900361/2006-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/06/1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 61 /2 00 6- 31 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900361/200631 Acórdão n.º 3801004.583 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.000342/2003-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Ementa:
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo ou declaração constitutiva de crédito tributário, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-002.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso da fazenda.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Esteve presente e procedeu à sustentação oral o Patrono da Recorrida, Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior OAB-DF 36.531.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo ou declaração constitutiva de crédito tributário, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.000342/200317 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.082 – 1ª Turma Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARREPAR PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo ou declaração constitutiva de crédito tributário, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 42 /2 00 3- 17 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso da fazenda. (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Esteve presente e procedeu à sustentação oral o Patrono da Recorrida, Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior OABDF 36.531. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 10709.577, proferido pela Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que, deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte e acolheu a preliminar de decadência. Originariamente, o processo versa sobre Auto de Infração (fls. 253/259), do qual o contribuinte foi cientificado em 31/01/03 (conforme fls. 258), para exigência de IRPJ, devido a compensação superior a 30% de saldo de prejuízo fiscal anocalendário de 1997. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 263/286), argumentando, em síntese, que: (i) houve caducidade do direito do Fisco de proceder ao lançamento de ofício em relação aos fatos geradores supostamente ocorridos no ano de 1997; (ii) houve impropriedade quanto ao fundamento do suposto crédito apurado; (iii) legitimidade do contribuinte em proceder à compensação integral dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1996; (iv) inaplicabilidade dos juros de mora; e (v) inaplicabilidade da taxa SELIC. Em análise do recurso interposto pelo contribuinte, a DRJ entendeu, por unanimidade, julgar improcedente a Impugnação, em acórdão que restou ementado da seguinte forma (fls. 306/316): “IRPJ. DECADÊNCIA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que, em se tratando de lançamento tributário por homologação, seu prazo decadencial só se inicia quando decorridos 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a contarse da homologação tácita do lançamento. IRPJ. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. Não se tratando de inexatidão contábil, por inobservância do regime de competência no registro de mutações patrimoniais, nos termos do art.177, da Lei n° 6.404/76, a compensação indevida de prejuízos fiscais não configura hipótese de postergação do tributo, regulada pelo art. 6°, e §§, do Decretolei n° 1.598/77. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A atividade de julgamento nas DRI deve observância obrigatória às normas legais e regulamentares, bem como ao entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 5 4 Lançamento Procedente” O contribuinte, então, interpôs Recurso Voluntário (fls. 324/331) em que alegou estar decaído o direito do Fisco de lançar o suposto crédito tributário, tendo em vista que a aplicação do dies a quo do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, independe de pagamento prévio, tendo em vista que a atividade de lançamento não é apenas de se pagar o imposto, mas também de escriturar, calcular e, se for o caso, recolher o tributo devido. Nesse sentido, a mera falta de pagamento não pode deslocar da contagem do prazo para o art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Alegou também haver impropriedade do lançamento por qualificação errônea da infração, Sobreveio, então, o Acórdão nº 10709.577, que deu provimento ao recurso do contribuinte, acatando a decadência. O acórdão restou assim ementado: “IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM DESACORDO COM A LIMITAÇÃO DE 30% ESTABELECIDA PELAS LEIS 8.981/95 e 9.065/95. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO ESTABELECIDO NO ART. 150, § 4°, DO CTN. Nos termos do que prescreve o art. 150, § 4', do CTN, dispõe a Fazenda Pública do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do fato gerador, para formalizar o lançamento de oficio. A regra do 150, § 4°, do CTN, somente é afastada quando comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação.” Em face dessa decisão, a Procuradoria interpôs Recurso Especial (fls. 1287/1295) em que argumentou que, no presente caso, se deve aplicar o dies a quo do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois não houve pagamento antecipado. Assim, pela contagem do prazo decadencial deste dispositivo legal, o direito da Fiscalização de lançar o tributo não havia decaído. Em despacho às fls. 1306/1307, o r. recurso foi admitido. O contribuinte, cientificado do Acórdão e do Recurso Especial da Procuradoria no dia 14/04/2010 (fls. 1882 do processo digital) apresentou Contrarrazões às fls. 1310/1319 no dia 28/04/2010, em que alegou que o Recurso Especial da Procuradoria não pode ser admitido, tendo em vista que a tese objeto de interposição do recurso já foi superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo em vista que a questão foi elevada a julgamento no Pleno da r. Câmara, que manteve o entendimento que, tratandose de tributo sujeito ao auto lançamento, a contagem do prazo decadencial, em qualquer hipótese, obedece à regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, conforme julgamento do Recurso Extraordinário nº 105144784 no Processo Administrativo nº 10183.005241/200197. Asseverou, o contribuinte, que o lançamento por homologação não exige a realização de pagamento do tributo, e que o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional não impõe pagamento prévio ou outra medida como condição para a aplicação do prazo decadencial nele fixado. Subsidiariamente, alegou que adotou os procedimentos previstos em lei para apurar e informar o Fisco do montante de IRPJ devido com a entrega da DIPJ, o que ensejaria a aplicação da contagem prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 302/303, estando clara a divergência jurisprudencial, pelo que dele conheço e passo a dispor. Quanto ao Recurso da Procuradoria, requerse a aplicação do no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, alegando que se trata de tributo sujeito a homologação e não houve pagamento parcial do tributo. Já o contribuinte, em sede de Contrarrazões, argumenta que para a aplicação da contagem do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, não há a exigência de ter havido pagamento parcial, tendo em vista que a atividade do “autolançamento” não incorre, necessariamente, em pagamento de tributo. Subsidiariamente, o contribuinte alega que, se esta Turma não considerar que o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, não obriga que tenha havido o pagamento parcial para a sua aplicação, é necessário se verificar que houve a declaração do crédito tributário em DIPJ, o que é suficiente para a aplicação do dies a quo previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Importante mencionar que, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 8 7 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 9 8 Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Quanto ao pagamento parcial de tributo, cumpre ressaltar que ele se torna requisito para a aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional se não houver declaração prévia do débito pelo sujeito passivo. Isto porque, segundo a própria ementa do Recurso Especial nº 973.733/SC, repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, o prazo decadencial é sempre quinquenal, variando seu dies a quo. Aplicase o dies a quo previsto no art. 173, do Código Tributário Nacional, para os seguintes casos: (i) casos dos tributos não sujeitos ao lançamento por homologação; (ii) para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que se constatar dolo, fraude ou simulação; (iii) para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não se constatar dolo fraude ou simulação e não houver declaração prévia constitutiva do débito, tampouco pagamento. Noutras palavras, de acordo com o teor do julgamento proferido no recurso repetitivo, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, depreendese que será aplicável a regra do art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional para efeito da contagem do dies a quo do prazo decadencial sempre que, cumulativamente: (i) tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) não houver acusação de dolo, fraude ou simulação (iii) houver declaração prévia do contribuinte e/ou pagamento parcial. Voltando ao presente caso, temos que não houve pagamento do saldo devedor, já que a compensação de prejuízo fiscal não é a compensação, enquanto forma de quitação parcial, mas pertence à própria formação da base de cálculo do tributo devido. De fato, se de compensação de tributo se tratasse, para efeito de extinção do crédito tributário, então se estaria em situação equiparada a de pagamento parcial. Ocorre que a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acumulados não se equipara a uma compensação de tributo, porquanto pertence à própria formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, compondo, antes, a formação do lucro real tributável. Com efeito, a compensação a que se refere o art. 156, II, do Código Tributário Nacional, é, por exemplo, a compensação de saldo negativo de imposto, ou de imposto pago a maior, com tributo a pagar, não se assemelhando à utilização de prejuízo fiscal e base de calculo negativa, que simplesmente participam da formação do lucro real tributável. Contudo, verifico nos autos deste processo que, conforme DIPJ às fls. 36/69, houve pagamento antecipado de estimativa no anocalendário de 1997. Dessa forma, como há nos autos prova de que houve o pagamento parcial, por meio do recolhimento de estimativa de IRPJ, a contagem de prazo decadencial deve ser realizada pelo art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional. Assim, para o IRPJ referente ao anocalendário de 1997, o direito do Fisco de lançar os créditos já estava decaído em 30/01/2003 (ciência do auto, conforme fls. 258). Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que estava decaído o direito do Fisco de lançar os tributos referentes ao anocalendário de 1997, porquanto existe pagamento parcial. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.000342/200317 Acórdão n.º 9101002.082 CSRFT1 Fl. 10 9 Sala das Sessões, em 20/01/2015. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.002874/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. DECISÕES EM OUTROS PROCESSOS
Em sede de embargos declaratórios, não há que se falar em contradição entre a decisão embargada e decisões proferidas em outros processos.
Numero da decisão: 1202-001.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer dos embargos opostos, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002874/201057 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.232 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de fevereiro de 2015 Matéria Contradição Embargante Fazenda Nacional Interessado Fase 4 Comércio de Alimentos Ltda ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. DECISÕES EM OUTROS PROCESSOS Em sede de embargos declaratórios, não há que se falar em contradição entre a decisão embargada e decisões proferidas em outros processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer dos embargos opostos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima– Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Consta do Relatório do acórdão embargado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 28 74 /2 01 0- 57 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): “Relatório Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referentes ao anocalendário de 2007, cientificados à contribuinte em 26 de outubro de 2010, conforme AR de fl. 165, no valor total de R$ 4.686.164,97, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ: “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas especificadas no Termo de Verificação Fiscal desta data, que fica fazendo parte integrante do presente auto. A partir de 01/04/1999 – Art. 530, inciso II, do RIR/99. 001. Receitas Operacionais (Atividade Não Imobiliária) Revenda de Mercadorias Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal desta data, que fica fazendo parte integrante do presente auto. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2007 a 31/12/2007] Enquadramento Legal: Art. 532, do RIR/99.” 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal que se transcreve: “Descrição dos Fatos De acordo com a Cláusula Quarta da Consolidação do Contrato Social, lavrado no dia 04/09/2007, o objetivo social da empresa é o comércio atacadista de gêneros alimentícios, bebidas e acessórios para bares, restaurantes, pizzarias e similares, assim como operador logístico, podendo transportar e armazenar mercadorias em geral. No ano calendário de 2007, o epigrafado apresentou a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, com base no Lucro Presumido, totalmente “zerada”, ou seja, sem movimento. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 4 3 Entretanto, examinando os Demonstrativos de Apuração de Contribuição Social – DACON – constatamos que os valores que serviram de base para o cálculo do PIS/COFINS correspondem aos seguintes montantes: (...) Através do Termo de Início de Fiscalização de 06/11/2009, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte)dias, os elementos abaixo especificados: (...) No dia 11/11/2009, o contribuinte informou que estava encontrando dificuldades de obter os extratos em arquivo magnéticos, junto aos bancos Bradesco e Safra, os quais alegavam desconhecimento dessa forma de apresentação. E assim, solicitou orientação quanto ao procedimento a ser adotado. Dada a alegação do contribuinte, os extratos foram requisitados diretamente por esta Delegacia, conforme RMF (...). No dia 13/11/2009, o contribuinte expôs o seguinte: “... Por equívoco entregou a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Ano Calendário de 2007, na forma de Lucro Presumido totalmente zerada. Que obedece ao regime do Lucro Real, e assim pede, com a devida vênia, seja esta opção considerada, tendo em conta que pagou no 2º Trimestre de 2007, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e a Contribuição Social com os códigos, respectivamente, 3373 e 6012, o que demonstra claramente que optou de forma definitiva pela tributação com base no Lucro Real. Igualmente, em 5 de outubro de 2007 a 11 de dezembro de 2008, a requerente entregou, respectivamente, as DCTFs referentes ao 1º e 2º Trimestre de 2007, onde encontrase de forma destacada a sua opção pela tributação na forma do Lucro Real...” No dia 23/11/2009, o contribuinte solicitou 20 (vinte) dias, de prorrogação de prazo para atendimento do Termo de Início de Fiscalização. No dia 24/11/2009, o contribuinte foi reintimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, todos os livros, documentos e comprovantes solicitados pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal. No dia 05/02/2010, o contribuinte entregou todos os elementos solicitados pelo Termo de Início de Fiscalização, exceto as notas fiscais de entradas e notas fiscais de saídas. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 5 4 Considerando que o contribuinte não pagou nenhuma quota com o código 2089 – LUCRO PRESUMIDO, na verdade não houve a Opção pelo lucro Presumido. Tendo em conta as declarações do contribuinte de que obedece ao regime de tributação pelo lucro real, através do Termo de Declarações e de Intimação, de 08/02/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas: 1. Cópia da DIPJ, com base no Lucro Real; 2. Livro Registro de Inventário; 3. Livro de Apuração do Lucro Real; 4. Cópia dos recolhimentos efetuados por DARF com os códigos 3373 e 6012; 5. Cópias das DCTFs, referentes aos 1º e 2º Semestre de 2007. Decorrido o prazo concedido, o contribuinte apresentou todos os elementos solicitados pelo termo retro. No dia 07/04/2010 e 08/04/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, a composição da conta Fornecedores especificadas nos balanços de 31/03/2007 – 30/06/2007 –30/09/2007 e 31/12/2007, respectivamente, nos valores de R$ 5.607.996,69 – R$ 6.656.563,10 – R$ 7.753.831,56 e R$ 3.654.545,75, ficando ressalvado de que deveria juntar a comprovação respectiva (Notas Fiscais – Duplicatas, etc), e também um demonstrativo com os seguintes elementos: Nº Dup/NF – CNPJ do Emitente – Valor e Data de Pagamento. Decorrido o prazo concedido, o contribuinte não se manifestou. No dia 14/07/2010, através do Termo de Esclarecimento e de Declarações, constatamos que as Receitas de Revenda de Mercadorias no Mercado Interno, declarados pelo contribuinte na DIPJ do AC2007 (Fichas 06A) – correspondem aos valores abaixo especificados: TRIMESTRE VALOR 1º Trim/2007 6.585.121,56 2º Trim/2007 7.088.939,96 3º Trim/2007 9.519.275,92 4º Trim/2007 8.775.205,38 Total 31.968.542,82 Pesquisando o valor que serviu de base de cálculo do PIS/COFINS, no período de Jan/2007 a Dez/2007, especificados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, VERIFICAMOS que os mesmos correspondem aos montantes abaixo especificados: Fl. 831DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 6 5 Mês/Ano Receitas de Vendas Demais Receitas Total Trimestre jan07 2.290.043,38 2.290.043,38 2.297.827,02 Fev07 1.987.178,31 25.383,64 2.012.561,95 mar07 2.307.967,37 6.304,85 2.314.272,22 6.624.661,19 Abr07 1.915.752,05 13.661,82 1.929.413,87 Mai07 2.480.479,59 0,00 2.480.479,59 Jun07 2.692.708,32 14.583,03 2.707.291,35 7.117.184,81 Jul07 3.037.988,11 29.111,52 3.067.099,63 Ago07 3.472.320,97 43.464,24 3.515.785,21 Set07 3.008.966,84 10.007,27 3.018.974,11 9.601.858,95 Out07 3.120.702,41 7.822,42 3.128.524,83 Nov07 3.886.902,51 46.273,33 3.933.175,84 Dez07 2.767.600,46 17.721,55 2.785.322,01 9.847.022,68 Total 32.968.610,32 222.117,31 33.190.727,63 33.190.727,63 Diante do exposto, indagamos ao procurador da empresa para que esclarecesse as divergências entre os valores declarados na DIPJ do AC2007, com os valores declarados no Demonstrativo de Contribuições Sociais – DACON, do mesmo período. Em resposta, o citado procurador, que também é o responsável pela escrituração fiscal e contabilidade da empresa, declarou que os valores especificados no DACON estão corretos e são esses que devem ser considerados como receitas tributáveis. Diante da recusa do contribuinte de se manifestar sobre as reiteradas intimações para preenchimento do demonstrativo do passivo, notadamente os passivos de fornecedores, sem o efetivo cumprimento das mesmas pelo contribuinte, denotam hipótese de recusa de apresentação dos documentos que lastreiam a escrituração, procedemos ao arbitramento de lucros, com base nas receitas totais escrituradas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, no período de Jan/2007 a Dez/2007, abaixo reproduzido: (...) Fica o contribuinte através deste termo, INTIMADO a proceder aos ajustes no Livro de Apuração do Lucro Real –LALUR, para excluir da parte A e B, os prejuízos fiscais e as Bases de Cálculo Negativa da CSLL, declarados no AnoCalendáro de 2007. II – ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 530, inciso II – c/c o 532 do RIR/99, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. (...)” Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 169/188, em 17 de novembro de 2010, com as seguintes razões de defesa. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 7 6 Afirmou que no ano calendário de 2007 entregou, equivocadamente, a DIPJ em formulário utilizado para apuração do lucro presumido, totalmente em branco (sem informações), quando deveria ter apresentado a DIPJ pelo Lucro Real. Tratase de ato isolado e sem precedente, tendo em conta que recolheu, em DARF específico, seus tributos com base no Lucro Real. Em suas palavras: “No dia 13/11/2009, ou seja, 05 dias após o termo de intimação, a Impugnante, verificando o equívoco, apresentou justificativa quanto à apresentação da declaração sem movimento, esclareceu que é optante pelo Lucro Real, sendo certo que recolheu os tributos nos exatos termos da legislação quanto ao regime de tributação pelo lucro real. Fato este comprovado pela própria fiscalização. Ato contínuo e em homenagem ao princípio da verdade real, a empresa entregou todos os documentos solicitados pela fiscalização, inclusive as notas fiscais de saídas, conforme se constata do termo de devolução de documentos.’’ Disse que a própria autoridade fiscal reconheceu seu enquadramento no Lucro Real, a partir do relatado no Termo de Verificação Fiscal. Por conta disso foi intimada a apresentar diversos documentos dessa sistemática de apuração do base de cálculo do IRPJ. Foi intimada a apresentar a composição das contas Fornecedores especificadas nos balancetes findos em 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007 e 31/12/2007, juntamente com a comprovação respectiva (notas fiscais, faturas, etc). E continua: “Diferentemente do que constou nos termos de verificação fiscal, ou seja, que a empresa Impugnante não atendeu ao solicitado, houve a entrega de todos os elementos (inclusive das notas fiscais e composição dos fornecedores), sendo apenas deixado de registrar através de protocolo de recebimento a entrega das NF’s de aquisição de mercadorias em decorrência do volume elevado de documentos. Em nenhum momento o Sr. Agente Fiscal desclassificou, ou até apurou inconsistência, em qualquer dos muitos documentos apresentados pela Impugnante, os quais, juntos, sempre proporcionaram toda a consistência sobre as operações realizadas pela mesma. Mesmo assim, em desrespeito à verdadeira discricionariedade que envolve o ato, o Sr. Agente Fiscal inexplicavelmente procedeu ao Arbitramento do Lucro, com base nas Receitas Totais escrituradas na DACON e claramente evidenciado em vários outros documentos apresentados pela Impugnante, determinando ainda que a mesma procedesse ajustes no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, para excluir da parte A e B os Prejuízos e as Bases de Cálculo Negativa da CSLL declarada no anocalendário 2007”. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 8 7 Aduz que o lançamento lastreouse na ausência de análise de alguns ou de todos os documentos apresentados à fiscalização, pois há apenas ilações da autoridade fiscal, que presumiu a existência de irregularidades, sem apontar um único indício de vício, fraude, erro ou irregularidade capaz de tornar a escrituração imprestável, que justificasse o arbitramento dos lucros. Tanto que inexiste no TVF qualquer menção a irregularidade, indícios de fraudes, vícios, erros ou deficiências capazes de tornar a escrituração imprestável. Existe apenas a afirmação da autoridade fiscal sobre suposta recusa para o preenchimento de determinado demonstrativo, referido ao passivo de fornecedores, o que, segundo ela, caracterizaria recusa de apresentação de documentos. E continua: “O Sr. Auditor Fiscal, não obstante passar a remos surdos pela documentação apresentada, ao descrever no auto de infração que o arbitramento decorreu de erros e falhas especificadas no Termo de Verificação Fiscal, cujo documento faz parte integrante do auto de infração, está em última análise a afirmar que no Termo de Verificação Fiscal contém os elementos necessários para aferir quais os erros e falhas nos documentos apresentados que poderiam desaguar a uma medida extrema como a que foi tomada no ato administrativo de lançamento.” Reitera que para a utilização do arbitramento é necessário desclassificar a escrituração comercial e fiscal, o que não ocorreu no presente feito, pois a autoridade fiscal não apontou os vícios, erros ou deficiências da escrituração. Colaciona jurisprudência, fls. 8/9. Disserta sobre o conceito de provas. Aduz que a suposta falta de entrega da conta Fornecedores seria facilmente suprida com uma rápida análise dos documentos entregues, ou seja, por meio dos livros apresentados, GIAs, etc. Diz que as notas fiscais e os documentos referentes a conta Fornecedores foram entregues. No entanto, por um lapso seu e diante do grande volume de documentos, não houve o protocolo. Tanto que nunca ficou evidenciado pela autoridade fiscal que a empresa teria se colocado contrariamente à apresentação de tais informações. Em suas palavras: “Sobre a composição da conta fornecedores, pedimos vênia para anexar a presente impugnação planilha e documentos respectivos, a título de exemplo, no qual demonstra que não existe nenhuma falha ou irregularidade na escrituração, bastando em caso de eventual dúvida, consultar os livros já entregues ou solicitar esclarecimentos, já arbitrar o lucro com base em suposta ausência de entrega dos documentos. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 9 8 Não se está apresentando documentos novos, ou seja, não se pretende lançamento condicional, apenas demonstrando que os documentos apresentados já seriam suficientes para atender a fiscalização ou seja, preferiu a fiscalização de modo arbitrário simplesmente somar as receitas escrituradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais e sobre ela aplicar os percentuais, deixando sequer de abater impostos e contribuições recolhidos.” Afirma que a autoridade fiscal deveria ter se socorrido de outros elementos que pudessem dar embasamento à materialidade da conduta, com o requerimento de outros documentos, como por exemplo, o esclarecimento sobre os elementos constantes deles. Isso indica o caráter excepcional do arbitramento. Referese ao artigo 148, do CTN e diz que três são os pressupostos para a validade do arbitramento: (i) inexistência de escrituração; (ii) recusa de apresentação de escrituração; (iii) imprestabilidade da escrituração. Argumenta que a autoridade fiscal considerou a devolução de compras como demais receitas, no montante de R$ 222.117,31, o que caracteriza evidente erro de fato, o que impõe a nulidade do lançamento. Em suas palavras: “Senhor Julgador, apenas pelos Livros de Entrada e Saída já seria possível tal constatação. Não obstante, pedese vênia para anexar a presente impugnação cópia das GIA’s no qual facilmente o nobre julgador verificará o equívoco do lançamento. A GIA demonstra através do código CFOP as devoluções de compras. Registrese mais uma vez, não se trata de documento novo, pois tais documentos foram entregues para a fiscalização, conforme se verifica do termo de entrega de documentos (em anexo).” Pleiteia seja o julgamento convertido em diligência para apurar de fato, por meio de perícia, quais os erros ou falhas presentes em sua escrituração, de modo a dar suporte ao arbitramento. Reitera que não houve recusa de sua parte na apresentação da escrituração comercial e fiscal. Colaciona jurisprudência, fls. 15/16. Requer sejam excluídos os recolhimentos efetuados, cuja referência consta, inclusive, no Termo de Verificação Fiscal. Anexa guias de recolhimentos e pede a retificação das exigências. Aponta os quesitos de fls. 19, a darem suporte a seu pedido de diligência.” A 4ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas acordou, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação e manter parcialmente o crédito tributário formalizado, nos termos no acórdão transcrito a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 10 9 LANÇAMENTO. PROVAS. DILIGÊNCIAS. No tocante à diligência, ela reservase à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, necessária para o deslinde da questão controversa, não se justificando sua realização quando as provas e os documentos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção e elaboração da decisão no processo administrativo. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Tendo em conta que as exigências reflexas têm por fundamento os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada neste constitui prejulgado na decisão daqueles. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. Diante da caracterização, efetuada de forma detalhada e consistente, da falta de apresentação dos documentos que davam suporte à escrituração da conta Fornecedores, em valores expressivos e relevantes na apuração do resultado, efetuada pela contribuinte, correto o arbitramento dos lucros. Presentes indícios, nos documentos apresentados pela contribuinte, suficientes a indicar que houve erro de preenchimento nos DACON Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, excluemse os valores declarados pela pessoa jurídica como “Demais Receitas”, por se tratarem, possivelmente, de devoluções de bens e mercadorias. Excluemse das exigências fiscais formalizadas os débitos declarados em DCTF, apresentadas anteriormente ao início do procedimento de fiscalização, para os quais constam inclusive alocações de recolhimentos. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. Como não existe arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento, regularmente constituído, não pode ser modificado pela apresentação, na fase de impugnação ou recurso, de demonstrativos da conta Fornecedores, bem como das notas fiscais que lhes dão suporte. Cientificada da aludida decisão de primeira instância em 13/06/2012 (fl. 741), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/07/2012, às fls.743, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, contesta os fundamentos da decisão recorrida requerendo nulidade da autuação e, ao final, pleiteia: Fl. 836DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 11 10 "Face a tudo o quanto se expôs, requer o recebimento e pronto provimento do presente Recurso Voluntário interposto, reformandose a r. decisão exarada pela 4ª Turma da DRJ/CAMPINAS quanto aos termos ora apresentados, determinando o cancelamento da presente autuação, bem como seu arquivamento e consequentemente a extinção do crédito tributário respectivo. Em não sendo este o entendimento, REQUER seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para apurar de fato, através de perícia e outros esclarecimentos, quais os erros ou falhas na escrituração comercial e fiscal da Recorrente capaz de ser desclassificado e com isso realizar o arbitramento ora impugnado veementemente. Sem tal expediente estaremos diante de violação do direito de defesa, previsto na Constituição Federal, no artigo 5º, LV, apresentando novamente os quesitos a serem respondidos: c.1) queira informar quais os erros e falhas constantes da escrituração comercial e fiscal da Recorrente; c.2) queira informar se através dos livros Diário e Razão; Livro Registro de Entrada; Livro Registro de Saída; Livro Registro de Apuração do ICMS e das Gia´s é possível identificar a composição dos fornecedores; Por fim , protesta a Recorrente pelo direito de promover a sustentação oral do presente recurso, informando a data, hora e local ao patrono que ora subscreve.” Grifos do original.” Este E. Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: LUCRO ARBITRADO. EXISTÊNCIA DE ELEMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS NÃO DEMONSTRAÇÃO DE VÍCIOS, IRREGULARIDADES OU IMPRESTABILIDADE DA CONTABILIDADE.IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO. Uma vez não demonstrada, de maneira cabal e convincente, pela autoridade administrativa a existência de vícios, irregularidades e deficiências graves a macular irremediavelmente a validade probatória da contabilidade do contribuinte, não há que se adotar o regime de lucro arbitrado se existem elementos contábeis e fiscais exibidos pelo contribuinte e não invalidados para efeito de apuração do trabalho fiscal. O despacho de encaminhamento dos presentes autos à embargante ocorreu em 15/08/2014 (Fls. 805), a qual opôs os embargos em 11/09/2014 (Fls. 809), aduzindo em síntese (Fls. 806 a 808): DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da Fl. 837DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 12 11 data prevista no § 3° [30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN] mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN data de 15/08/2014. Desse modo, é manifesta a tempestividade deste recurso anexado ao eprocesso em 11/09/2014. Pela análise do acórdão 1202001.172, verificase que a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, em virtude de vício no método de apuração dos valores cobrados. (...) Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma sane a contradição existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Nesses termos, pede deferimento. Esta Presidência admitiu os presentes embargos para julgamento por meio de Despacho em 03/12/2014 (Fls. 811). É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, por meio do qual se alega contradição entre a fundamentação e a conclusão do acórdão n° 1202001.172. Segundo a Embargante, o referido acórdão incorreu em contradição, pois o argumento ligado a vício na metodologia aplicada para a determinação do tributo, ou seja, a violação do art. 142 do CTN, do art. 10, V do Decreto nº 70.235, etc enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento. Nesse sentido, a embargante citou Acórdãos do CARF favoráveis à sua tese e requereu o conhecimento e o saneamento da alegada contradição. Dispõe o art. 65, §1º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 13 12 § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Em relação à tempestividade, a Embargante cumpriu os requisitos dispostos no art. 7° da Portaria do Ministério da Fazenda n° 527, publicada no Diário Oficial da União de 10/11/2010, que trata dos prazos para intimação de processo digital à Procuradoria da Fazenda Nacional. Em relação à CONTRADIÇÃO, a Embargante indica o seguinte vício no Acórdão embargado (Fls. 806 a 808): Data venia, esse julgado incorreu em contradição, pois o argumento ligado a vício na metodologia aplicada para a determinação do tributo, ou seja, a violação do art. 142 do CTN, do art. 10, V do Decreto nº 70.235, etc enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento. Nesse sentido: Processo nº 37324.011679/200613 Recurso nº 244.481 Voluntário Acórdão nº 230201.020 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Em virtude da impossibilidade de saber como a fiscalização encontrou as bases de cálculo, há que se reconhecer o cerceamento do direito de defesa, devendo ser anulado o lançamento realizado. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a determinação da exigência (art. 10, inciso V do Decreto n º 70.235). Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso V do Decreto nº 70.235. Anulado o lançamento. (Destaque nosso) Processo n° 13971.001934/200716 Recurso n° 157.720 Voluntário Acórdão n° 2401 00.018 — 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Fl. 839DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 14 13 (...) NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoNFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO. (Grifos nossos) (...) Acórdão n° 320100.248: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Recurso de Oficio Negado” (Grifos nossos) Convém destacar que é indispensável o saneamento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifos nossos) (...) Segundo os ensinamentos do Prof. Bernardo Pimentel Souza ((Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória, Saraiva, 2013, 9ª ed., p.443): Fl. 840DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 15 14 Já a contradição consiste na incompatibilidade entre proposições constantes do julgado, com incoerência entre si. Com efeito, a contradição reside na existência de premissas ou conclusões inconciliáveis na decisão jurisdicional.Na verdade, só há contradição interna, ou seja, entre proposições lançadas pelo juiz ou tribunal no bojo da decisão jurisdicional. Em abono, vale conferir o preciso enunciado n. 172 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A contradição, para ensejar a interposição de embargos de declaração, deve estar contida no próprio conteúdo da decisão embargada” (...) Com efeito, a contradição podese dar entre o relatório e a fundamentação, entre a fundamentação e o dispositivo, entre o dispositivo e a ementa, bem como entre tópicos da própria ementa, da fundamentação, do dispositivo e até mesmo do relatório. Por sua vez, fundamentou o acórdão embargado: (...) Compartilhase também do entendimento que não existindo no lançamento tributário expressas descrições de irregularidade, erros ou falhas, nos documentos fiscais e escrituração do contribuinte a figura do arbitramento não pode ser utilizada sem critério objetivo da sua imprestabilidade para fins fiscais. (...) No presente feito restou claro que a fiscalização tinha condições de executar os trabalhos sem a necessidade da medida extrema do arbitramento. De fato existe dúvida quanto a entrega (ou não) do documento denominado de conta fornecedores, o que não pode deixar de ser analisado por esse julgador. A defesa afirma ter entregue a documentação exigida. Para provar, anexou aos autos alguns exemplos de documentos que foram entregues. Verificase que a juntada dos documentos não se cuida da pretensão de justificar lançamento condicional, mas demonstrar como o caso requer que a fiscalização poderia usar de outro expediente que não o arbitramento do lucro. Diante do exposto, votase no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. No caso, o Acórdão embargado não traz contradição entre o relatório e fundamentação, nem entre a fundamentação e o dispositivo, nem entre o dispositivo e a Fl. 841DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10882.002874/201057 Acórdão n.º 1202001.232 S1C2T2 Fl. 16 15 ementa, nem entre tópicos da própria ementa, fundamentação e dispositivo. Nesse ponto, a Embargante busca nova análise de conteúdo de mérito, pois, compara a conclusão do Acórdão embargado com decisões proferidas em outros processos. Por conseguinte, por não se indicar dentro da mesma decisão a alegada contradição, não conheço dos presentes embargos declaratórios. É como voto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 842DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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