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Numero do processo: 10980.905655/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA.
Confirmado, após duas diligências, que o SNCSLL/AC 2003 era no valor pleiteado na PerDcomp, há que se reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. Confirmado, após duas diligências, que o SNCSLL/AC 2003 era no valor pleiteado na PerDcomp, há que se reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 56 55 /2 00 8- 07 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 Estes autos foram por duas vezes objeto de diligência, sendo que, na segunda Resolução (nº 1302000.278, a fls. 202 e segs.), o Conselheiro Relator Márcio Frizzo assim proferiu seu relatório e voto: Tratase de recurso voluntário. Na origem, a recorrente transmitiu PER/DCOMP n. 21707.04402.150704.1.3.039060, alegando ter crédito decorrente de “saldo negativo” de CSLL e requerendo a compensação destes com débito de IRPJ e CSLL relativos ao mês de junho de 2004. Em face do indigitado pedido, foi proferido despacho decisório (fl. 2): Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 77.091,67 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 169.135,38 CSLL devida: R$ 92.043,71 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas nu DIPJ) ( CSLL devida), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (grifo não original) Em razão da não homologação da compensação apresentada, foi constituído crédito tributário de CSLL no valor de R$ 83.544,24 (valor do principal). Após ter ciência do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 15/08/2008 (fls. 13 e ss.), na qual alega, em resumo, o seguinte: (i) Que apurou crédito de R$ 77.091,67, cujo valor atualizado na data o pedido de compensação era R$ 83.544,24; (ii) Que a autoridade fiscal confirmou o crédito no valor de R$ 57.413,46. Logo, o valor do crédito não reconhecido atinge a soma de de R$ 19.678,21; (iii) Que, além de não reconhecer parcela dos créditos, a autoridade também verificou que o crédito declarado é insuficiente para cobrir o débito de CSLL, nos termos do seguinte quadro: Descrição Valor – R$ Parcelas de crédito confirmadas 57.413,46 () CSLL devida – conforme DIPJ (92.043,71) Saldo disponível (34.630,25) (iv) Que houve equívoco no preenchimento da PER/Dcomp, pois a recorrente entendeu que “deveriam ser demonstrados [...] apenas os pagamentos/compensações suficientes a compor o valor do saldo negativo apurado, no caso em tela, no valor de R$ 77.091.67 [...].” (fl. 15). Apresenta a composição do crédito por meio dos valores recolhidos apurados em abril, maio, setembro, outubro e novembro de 2003; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 228 3 (v) Que a recorrente recolheu mais estimativas além das referidas acima, consoante comprova a DIPJ apresentada em 28/06/2004, donde se depreende que a CSLL recolhida mensalmente com base no balanço de redução/suspensão atinge o valor de R$ 169.135,38; (vi) Que a ficha 17 da DIPJ de 2004 (AC 2003), apresenta a seguinte formação do saldo negativo de CSLL: Descrição Valor – R$ 38. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Total 92.043,71 41. (‐) CSLL mensal paga por Estimativa (169.135,38) 48. CSLL a pagar 77.091,67 (vii) Anexa à manifestação de inconformidade o PER/Dcomp, comprovantes de recolhimento e DIPJ, além dos documentos de praxe; (viii) Ao fim, protesta pela procedência da manifestação de inconformidade, para que os créditos sejam reconhecidos e as compensações homologadas. Por seu turno, a DRJ entendeu pela total improcedência dos argumentos da recorrente, nos termos do acórdão de fls. 99, cuja ementa transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano calendário: 2003, DESCUMPRIMENTO À INTIMAÇÃO PARA RETIFICAR O PER/DCOMP. Não se homologa a compensação quando o contribuinte, intimado, abstémse de promover no PER/DCOMP as retificações necessárias ao exame da consistência de seu crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a DRJ argumentou que a recorrente foi intimada em 27/09/2006 a retificar a DIPJ ou apresentar PER/Dcomp retificadora para detalhar corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período, mas não realizou as diligências necessárias. Assim, somente em 18/07/2008 foi proferido o despacho decisório em combate, razão pela qual deve ser mantido, pois a recorrente não adotou as providências tendentes a demonstrar a consistência de seu crédito. Intimada da decisão supratranscrita em 27/07/2010 (fl. 105), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 26/08/2010 (fl. 106), para repisar o que foi dito na manifestação de inconformidade e acrescentar o seguinte, em resumo: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 (i) Que o art. 170 do CTN prevê o direito de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos; Que a Lei n. 9430/96, art. 74, regulamentou o instituto; Que o Dec. 70.235/72 é fonte supletiva do pedido de compensação; Que a IN 460/2004 previa as regras sobre a compensação, na época dos fatos; (ii) Que nenhuma das normas citadas estabelece a “perda do direito à compensação”, caso não se atenda à prévia internação para realizar correções. Portanto, o entendimento da DRJ não tem fundamento legal, razão pela qual o entendimento afronta o princípio da legalidade; (iii) Que há ofensa ao princípio da verdade material, o qual, inclusive, consta no art. 4º da IN SRF 460/04, que autoriza a realização de diligências em face dos contribuintes para verificar, “mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.”; (iv) Apresenta decisões deste Conselho e, ao final, pede a reforma da decisão em ataque. Remetido o processo para este Conselho, esta Turma entendeu pela conversão do julgamento em diligência, nos termos da ementa adiante transcrita (fls. 183): COMPENSAÇÃO – ERRO DE DECLARAÇÃO DILIGÊNCIA. A DRJ negou provimento à recorrente por erro na listagem de pagamentos que compuseram o saldo negativo na PER/DCOMP, considerando que tais informações constam de DARF, DCOMP, DCTF e DIPJ. Eventual erro formal isolado no preenchimento da PER/DCOMP não prejudica o direito ao crédito da CSLL paga a maior, desde que seja efetivamente apurada a existência dos pagamentos e inexistência de outras compensações correspondentes, para o que se pede diligência. Especificamente, foi determinado que a autoridade de origem realizasse as seguintes verificações: 1 – Verifique o andamento das Declarações de Compensação de folhas 33 e 34 nos sistemas da Receita Federal, verificando se as compensações foram homologadas ou não. Anexe ao processo as evidências dessa verificação. 2 Caso as compensações não tenham sido homologadas, anexe a este processo o despacho decisório, a manifestação de inconformidade e a última decisão disponível a respeito do litígio instaurado. 3 – Intime a contribuinte para se manifestar sobre os documentos 1 e 2 por escrito em 30 (trinta) dias, retornando o processo a este Conselho para decisão. Por fim, em cumprimento à resolução mencionada, foram oferecidas as informações constante no documento de fls. 194, o qual, em síntese, relata o seguinte: 1. Em atendimento à demanda da Sra. Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, conforme fl. 186, informo que os débitos constantes das Declarações de Compensação em formulário, constantes das fls. 34 e 35, cadastrados, respectivamente, nos processo nºs 10980.002116/200300 e 10980.002668/200318, foram extintos conforme comprovantes de fls. 190 a 193. 2. Uma vez atendido o Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 229 5 solicitado, proponho seja o processo encaminhado para o CARF. 3. À consideração superior. (grifo não original) É o relatório. (…) O juízo de admissibilidade do recurso voluntário foi feito por ocasião da Resolução de fls. 183. Passase a apreciar, portanto, os esclarecimentos prestados pela autoridade administrativa. A recorrente reclama em seu recurso voluntário que preencheu equivocadamente sua Per/Dcomp, pois, ao invés de apontar todas as estimativas pagas no anocalendário de 2003, fez menção apenas àquelas que seriam suficientes para pagar seus débitos. Nesse contexto, e após conhecer da integralidade do processo, esta Turma entendeu necessário, em um primeiro momento, converter o julgamento em diligência para o específico fim de que fosse esclarecido se as estimativas apuradas nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 foram efetivamente pagas. Isto porque o contribuinte, para comprovar que pagou mais estimativas no AC 2003 do que o informado na Per/Dcomp, juntou documentos demonstrando que (i) as estimativas de janeiro e fevereiro de 2003 foram pagas por meio de compensação (v. docs. fls. 34 e 35); (ii) as demais estimativas foram pagas por meio de DARF (v. docs. fls. 37 a 42). Como dito acima, a autoridade fiscal constatou (e juntou documentos), comprovando que o pedido de compensação de créditos com os débitos relativos às estimativas de janeiro e fevereiro de 2003 foram homologadas (fls. 190 a 194). Todavia, nada se afirma relativamente às estimativas de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro de 2003, muito embora a recorrente tenha juntado as DARF referentes aos pagamentos e, em alguns casos, apresente também extrato dos pagamentos agendados em sua conta bancária. Ademais, o tema recursal se restringe a discutir se é possível que a contribuinte comprove, de modo superveniente, que sua PER/Dcomp contém erros quanto à matéria de fato, e, em logrando êxito em comprovar a verdade de sua situação, possa alterar o despacho decisório não homologatório. Portanto, é preciso que sejam prestadas informações adicionais, razão pela qual converto o julgamento em diligência para que autoridade preparadora esclareça o que segue: a) Se todas as estimativas realmente foram recolhidas e qual seu montante; b) Qual o saldo negativo existente, considerando todos os pagamentos efetuados, bem como o valor do IRPJ apurado; c) Se está correto o saldo negativo informado na Dcomp e na DIPJ. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 Concluída a diligência, que seja intimado o contribuinte a se manifestar no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. Voto O recurso é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 177, razão pela qual dele conheço. A questão, conforme já bem relatada nas duas resoluções proferidas por esta Turma, teve origem no fato de que a recorrente se equivocou ao preencher a PER/DComp, especificamente na Ficha de Demonstrativo de Crédito, pois demonstrou apenas os pagamentos/compensações suficientes a compor o valor do Saldo Negativo apurado e pleiteado na referida PerDcomp (R$ 77.091,67). Conforme DIPJ/AC 2003 a fls. 29 a 32, a recorrente compensou/pagou CSLL/Estimativa no AC 2003 no valor de R$ 169.135,38, sendo que, no mês de dezembro de 2003, apurou CSLL com base em balancete de suspensão no valor de R$ 92.043.71, resultando assim em um SNCSLL/AC2003 no valor de R$ 77.091,67. A fls. 97, consta Termo de Intimação com o seguinte teor: “O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP é inferior ao somatório do crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. Apuração: EXERCÍCIO 2004 Crédito PER/DCOMP: R$ 77.091,67(Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, CSLL Retida na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas com outros tributos) Crédito DIPJ: R$ 169.135,38 (Somatório dos valores da FICHA 17, LINHAS 41 A 47) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Base legal: Art. 6º, Parágrafo 1º, inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005.” A DRJ/CTA negou provimento à manifestação de inconformidade do recorrente pela seguinte razão: “Deveria a contribuinte, portanto, ter adotado, antes da prolação do despacho decisório, que somente veio a ocorrer quase dois anos depois, em 18/07/2008, as providencias cabíveis para a retificação do PER/DCOMP. Entretanto, quedou inerte. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 230 7 Registro, a propósito, que os contribuintes detêm o direito a promover unilateralmente a compensação de seus créditos tributários. Todavia, devem fazêlo em conformidade com as normas disciplinadoras, baixadas pela Autoridade Fiscal. Aliás, caso intentem utilizar determinado credito e o façam de forma deficiente, poderão prosseguir declarando sucessivas compensações com aquele crédito, até que consigam fazêlo de forma adequada. Não há impedimentos de assim procederem. De sua parte, a Administração deve absterse de homologar cada uma dessas compensações, até que seja apresentado PER/DCOMP preenc *do em conformidade com as instruções pertinentes.” Inicialmente, alerto que nem o Termo de Intimação nem o voto condutor do acórdão recorrido apontam qual a norma que teria sido infringida pela recorrente ao fazer a demonstração apenas da parte dos créditos que extrapolaram a CSLL devida em 2003, nem a IN 210/02 era clara quanto a isso (vide a fl. 4 do Anexo IV). Por outro lado, o recorrente não traz qualquer justificativa para não ter atendido ao Termo de Intimação, porém isso não me parece que seja motivo para negarlhe o direito de demonstrar o crédito a que faz jus com a apresentação de documentação anexa à manifestação de inconformidade. Alerto, porém, que, em observância aos princípios da eficiência processual e da primazia da decisão de mérito (arts. 4º e 8º do novel CPC), mormente quando duas diligências já foram propostas pelos relatores que me antecederam, não cabe determinar o retorno dos autos à DRJ/CTA, para que prossiga na análise da documentação apresentada pela recorrente, mas, sim, voto por entrar no mérito do recurso e passar a analisar as respostas às diligências requeridas por essa Turma. A recorrente alega que as estimativas do anocalendário de 2003 foram assim quitadas: a) Estimativas compensadas: jan/2003...........R$ 23.965,13 fev/2003...........R$ 35.663,87 ___________________________ Total...................R$ 59.629,00 b) Estimativas pagas (DARF): mar/2003...........R$ 11.214,97 abril/2003..........R$ 40.877,95 set/2003................R$ 7.077,21 out/2003............R$ 28.408,72 nov/2003..............R$ 4.630,63 ___________________________ Total ....................R$ 92.209,48 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 A CSLL relativa à estimativa de maio de 2003, no valor de R$ 17.296,90 foi objeto de parcelamento. O Despacho Decisório a fls. 4 confirmou os seguintes recolhimentos: a) maio/2003, no valor de R$ 17.296,90; b) set/2003, no valor de R$ 7.077,21; c) out/2003, no valor de R$ 28.408,72; d) nov/2003, no valor de R$ 4.630,63. Por meio da Resolução nº 1302000.105, a fls. 188, esta Turma converteu o julgamento em diligência para apurar o resultado dos processos em que se discutem as Declarações de Compensação de folhas 33 e 34, pelas quais teriam sido quitadas as CSLL estimativas de janeiro e fevereiro de 2003. Conforme Informação Fiscal a fls. 199, os débitos constantes das Declarações de Compensação em formulário, constantes das fls. 34 e 35, cadastrados, respectivamente, nos processo nºs 10980.002116/200300 e 10980.002668/200318, foram extintos conforme comprovantes de fls. 196 a 197. Assim, restam também confirmadas as quitações das CSLL estimativas de: a) jan/2003, no valor de R$ 23.965,13; e b) fev/2003, no valor de R$ 35.663,87. Assim, nesse momento dos autos, restavam sem confirmação apenas as quitações das CSLL estimativas de março e abril de 2003. No entanto, entendeu o Relator da Resolução 1302000.278, a fls. 202, em converter o julgamento em diligência, para que a autoriade preparadora adotasse as seguintes providências: “a) Se todas as estimativas realmente foram recolhidas e qual seu montante; b) Qual o saldo negativo existente, considerando todos os pagamentos efetuados, bem como o valor do IRPJ apurado; c) Se está correto o saldo negativo informado na Dcomp e na DIPJ.”. Na Informação Fiscal a fls. 217, a Autoridade Preparadora assim se manifesta: “b. Tendo em vista o valor informado pelo interessado como devido de CSLL, relativamente ao período de apuração anual em 2003, no valor de R$ 92.043,71 (DIPJ original), e, levandose em consideração a soma dos valores quitados de CSLL mediante estimativa mensal no montante de R$ 169.135,38; o valor do saldo negativo existente de CSLL conexo ao anocalendário de 2003 e considerandose todos as quitações conforme declaradas em DCTF é de R$ 77.091,67. c o valor do saldo negativo informado tanto na DIPJ como na DCOMP (ver fl. 08) são iguais e estão corretos.”. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 231 9 Em face do exposto, voto por reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 77.091,67, referente ao SNCSLL/AC2003, e homologar as compensações declaradas até o valor do direito creditório reconhecido. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 11128.724284/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Exportação - IE
Data do fato gerador: 13/07/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO
A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação - DEs registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil.
LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA
Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita.
O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferro-nióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio.
Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afasta-se a incidência da multa regulamentar da exportação
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso de Ofício e NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Celso Costa, inscrito na OAB/SP nº. 148.255.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Exportação - IE Data do fato gerador: 13/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação - DEs registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil. LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita. O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferro-nióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio. Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afasta-se a incidência da multa regulamentar da exportação Recurso de Ofício Negado.
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MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil. LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita. O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferronióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio. Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afastase a incidência da multa regulamentar da exportação Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 42 84 /2 01 2- 55 Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Celso Costa, inscrito na OAB/SP nº. 148.255. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo1 (SP), em face do Acórdão nº 1668.074, proferido pela 23ª Turma, que por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. O recurso de ofício foi interposto em razão do contido no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, com a alteração da Lei nº 9.532/1997, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada fixado no art. 1º da Portaria do MF nº 3, de 2008. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31/07/2012, em face de infração da empresa ANGLO AMERICAN NIOBIO BRASIL LTDA (doravante denominada de ANGLO AMERICAN), atual denominação social da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA, formalizando a exigência de multa de exportação no valor de R$ 11.386.618,52, em virtude dos fatos a seguir descritos. Na época, a exportadora Mineração Catalão de Goiás Ltda, efetuou várias exportações do produto "ferronióbio" (liga de ferro e magnésio), através das Declarações de Exportação DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, após a obtenção dos Registros de Exportação RE’s correspondentes, instruindo os com uma via das Notas Fiscais, entre outros documentos exigidos pela legislação. O Fisco, durante o procedimento, providenciou para alguns despachos a coleta de amostra para fins de análise laboratorial (Laudo Técnico por entidade credenciada da RFB), em especial, para verificação da qualidade do produto exportado, tudo de conformidade com os procedimentos previstos na norma em vigor, registrando a ocorrência no sistema SISCOMEX da RFB. Após o resultado dos laudos, verificouse divergência qualitativa relativamente ao percentual de nióbio contido apurado pelo laboratório comparativamente ao percentual declarado nos Registros de Exportação (RE) e nas Notas Fiscais que acobertaram as transações internacionais. Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.555 3 Detectada as inconsistências, a fiscalização lavrou, então, o Auto de Infração de fls. 2/36. Cientificado do referido lançamento, via digital, em 19/10/2012, (fl. 573), a empresa protocolizou impugnação, tempestivamente, em 16/11/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 2011 (fls. 579/608), instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Em sua impugnação, a ANGLO AMERICAN alegou, em síntese, os argumentos a seguir, que por sua vez, foram muito bem pontuados pelo relator da decisão a quo (DRJ em SPI), que faço algumas adaptações pontuais: (i) Precariedade da autuação por ausência de manifestação da SECEX/MDIC: é de se observar que a multa ora combatida é manifestamente ilegal, uma vez que somente poderia ser aplicada após prévia manifestação da Secretaria de Comércio Exterior SECEX/MDIC; na interpretação dada pela fiscalização, a mera revogação do art. 74 da Lei n. 5.025/1966 seria o suficiente para dispensar a autoridade aduaneira de consultar a SECEX antes da aplicação de referida multa aduaneira; o dispositivo acima foi revogado pela Lei nº12.249, de 2010; não atentou a fiscalização ao fato de que o art. 722 do RA foi alterado pelo Decreto nº 7.213, de 2010. A atual redação do dispositivo dispõe que a aplicação de multa pela autoridade aduaneira sujeitase novamente á prévia manifestação da SECEX, conforme disposto na Lei nº 5.025, de 1966, art. 74, parágrafo único. o fato de o Poder Executivo ter alterado a redação original do art. 722 do Regulamento Aduaneiro após a revogação do parágrafo único do art. 74 da Lei n. 5.025/1966 indica claramente que houve intenção de manter o comando. Tanto é assim que, passados mais de dois anos desde a referida alteração, o dispositivo não sofreu novas mudanças, devendo, portanto, ser considerado norma cogente a ser observada pela Administração; estando a disposição em questão em pleno vigor, é por demais evidente que o seu descumprimento implica clara afronta ao principio da legalidade. (ii) Necessidade de demonstração inequívoca de fraude para aplicação de penalidade. ainda que se entenda que a multa ora discutida pode ser aplicada independentemente de manifestação da SECEX, a autuação não deve prevalecer. Isso porque, nos termos do art. 66 da Lei nº 5.025/1966 (a norma que embasa a presente autuação), a aplicação da penalidade imposta à Impugnante depende da demonstração inequívoca da ocorrência de fraude. Ocorre que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar a ocorrência inequívoca de fraude. a ANGLO AMERICAN atuava no Porto de Santos por meio de um prestador de serviços terceirizado (a empresa Logística Aduaneira "LPL"). As informações relativas às supostas divergências entre os laudos elaborados pela ANGLO e os laudos preparados pelo Laboratório da RFB ("Laudos Técnicos") foram transmitidas pela fiscalização apenas à empresa LPL, que não as retransmitiu à Impugnante. alega que tomou conhecimento do ocorrido quando a fiscalização estava em vias de ser encerrada. Porém, tão logo soube das divergências entre seus Laudos e os Laudos Fiscais, entrou em contato com o Fisco e também com o Laboratório a fim de esclarecer o assunto. Assim, não há como "excluir a possibilidade de alegação de boafé", como pretende a Fiscalização que acusa de fraude, haja vista que a manifestação prévia da Impugnante foi Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 totalmente impossibilitada, uma vez que esta não havia sido informada, nem pela Fiscalização, nem pela LPL, dos fatos narrados no Auto de Infração ora combatido. de acordo com a Fiscalização, a fraude também estaria caracterizada por estar sendo remetida ao exterior uma quantidade de nióbio superior ao declarado e também a operação de nióbio não está sendo real no que diz respeito ao preço (ou valor aduaneiro) da mercadoria, havendo uma perda de remessa de divisas para o país sem o pagamento do preço devido, podendo caracterizar também lavagem de dinheiro e sonegação de tributos sobre o faturamento e lucro. Nesse sentido, a boa fé da Impugnante é evidente ao se considerar que nenhum dos destinatários das exportações questionadas possui qualquer relação societária com a impugnante ou seus cotistas. Não há nenhum motivo minimamente plausível para que as exportações fossem efetuadas a valores inferiores ao de mercado. não há qualquer óbice legal ou regulatório que limite a exportação de ferro nióbio (ou nióbio). A ausência dessa regulamentação também ilustra a boa fé da Impugnante. Ora, se a Impugnante desejasse vender ferronióbio com teor superior de nióbio pelo mesmo preço pelo qual vende o produto de teor inferior, poderia muito bem fazêlo sem a necessidade de qualquer subterfúgio. quanto às alegações de "perda de remessas", "esvaziamento de reservas nacionais", "lavagem de dinheiro" e "sonegação de tributos sobre o faturamento e lucro", observa que a Fiscalização se limitou a fazer afirmações vazias, sem apresentar documentos comprobatórios do alegado. Enfim, alegações totalmente incompatíveis com os princípios da administração pública, tais como impessoalidade, moralidade, motivação, legalidade, etc. que a aplicação da multa ora combatida somente seria possível se presentes dois pressupostos: (i) consciência do conteúdo infracional da conduta e (ii) intenção de causar prejuízo tributário, comercial ou cambial; insiste que não houve conduta infracional e, consequentemente, não poderia haver consciência do conteúdo infracional. Como será demonstrado nos tópicos posteriores, a metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela Impugnante possui baixíssima margem de erro e é internacionalmente aceita, e que em momento algum tencionou lesar o erário (e nem teria como fazêlo, pois, como já esclarecido, a exportação de ferronióbio não é tributada) e tampouco fornecer informações incorretas ao Fisco. Não houve o dolo. Quanto ao MÉRITO: 1) A absoluta regularidade das informações prestadas pela Impugnante. Informa que cada uma das exportações foi acompanhada de certificado de qualidade, no qual a composição do ferronióbio exportado foi devidamente descrita. É de se observar que a aferição do teor de nióbio das ligas exportadas pela Impugnante foi cuidadosamente realizada por profissionais qualificados para tanto e com a utilização equipamentos de alta qualidade e manutenção regular. O método de aferição utilizado pela Impugnante (Análise Espectrográfica de Fluorescência) atende aos mais elevados padrões internacionais, tendo alta precisão e margem de erro significativamente inferior àquela utilizada para elaboração dos Laudos Fiscais. 2) Descrição dos equipamentos e metodologia utilizados. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.556 5 Equipamentos e materiais utilizados na análise: Primeiramente, é de se frisar que a aferição do teor de nióbio constante de liga de ferronióbio é procedimento de alta complexidade, havendo poucos laboratórios no Brasil com a expertise e equipamento necessário para a realização de tal análise. Dessa forma, diante da ausência de prestadores qualificados, a Impugnante se viu forçada a realizar diretamente a aferição do percentual de nióbio constante do produto exportado; demonstra estar plenamente qualificada para a realização de tal análise, possuindo inclusive registro junto ao Conselho Regional de Química da 12a Região, com indicação de profissional técnico responsável (doc. 9). A fim de realizar a referida análise, em dezembro de 2005, a Impugnante adquiriu da Empresa HBM do Brasil Ltda. um Espectrômetro de Fluorescência de RaiosX, modelo Axios (Marca Panalytical) (doc. 10). Referida marca é uma das mais confiáveis do mercado ("Espectômetro I"); visando o constante aprimoramento de seus controles, em julho de 2010, a Impugnante adquiriu da empresa Spectris do Brasil Instr. Elet Ltda. outro Espectrômetro similar, modelo Axios Fast (também da Marca Panalytical) (doc. 11) ("Espectômetro II"). o que se pretende demonstrar é que, no que diz respeito aos seus controles, o rigor da Impugnante é tamanho que sem qualquer determinação ou orientação externa nesse sentido ela adquiriu um caríssimo equipamento adicional (e redundante, uma vez que o Espectrômetro I estava e continua até hoje em perfeito funcionamento) com a única finalidade de garantir que a análise da composição da liga produzida por ela sempre fosse feita por máquinas no mais perfeito estado de manutenção; dessa forma, quando um dos equipamentos está passando por manutenção, a análise do produto vendido é efetuada pelo outro aparelho. É de se frisar que ambos os Espectrômetros passam por constante manutenção, a fim de garantir sua precisão, como atestam o contrato de prestação de serviços e as ordens de serviço relativas aos serviços de manutenção que ora são juntados a estes autos (doc. 12). Também com o objetivo de garantir sua precisão, a ANGLO permite que seus Espectrômetros sejam operados apenas por profissional qualificado e registrado no Conselho Regional de Química da 4a Região, o Sr. Ademir da Silva Januário (doc. 13). Nesse contexto, esclarece ainda que os Espectrômetros devem ser calibrados com base em amostras padronizadas. Isso é feito submetendo amostras de ferro nióbio cujo teor de nióbio é previamente conhecido à análise dos Espectrômetros, de forma a confeccionar uma curva de comparação. antes de se submeter á análise dos Espectrômetros, cada uma das amostras é tratada, fundida e transformada em uma pastilha. Isso é feito não apenas para permitir a análise do material pelo Espectrômetro (Que não consegue analisar amostras irregulares) como também para homogeneizar a amostra. Tais pastilhas (cujo teor de nióbio é previamente conhecido) são então submetidas á análise do Espectrômetro, que registra o teor de nióbio de cada amostra, utilizandoas como parâmetro para futuras análises. Esclareçase que a calibragem dos Espectrômetros é feita com base em amostras certificadas, adquiridas de fornecedores internacionais, conforme demonstrado pelos certificados ora juntados a estes autos, acompanhados de suas traduções juramentadas (doc. 14). As amostras atualmente utilizadas pela Impugnante possuem as seguintes especificações: Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Certificação Percentual de Nióbio da Amostra B.C.S. 362 62,70% JSS 7551 68,49 Por exemplo, poderia a Impugnante calibrar o equipamento com base em três amostras de ferronióbio: (a) com teor de 40%, (b) com teor de 60%, e (c) com teor de 80%. Dessa forma, a curva de comparação apresentaria estes três marcadores, que serviriam de parâmetro para futuras análises: JSS 7552 68,14% CECA 5761 43,90% CECA 5791 62,87% feita a calibragem, o equipamento pode então ser utilizado para a análise de amostras cujo teor exato de nióbio é inicialmente desconhecido. Cumpre esclarecer que a Associação Brasileira de Normas Técnicas editou, em 1981, a Norma NBR 6930, na qual descreve "o método para aferição de nióbio, silício, alumínio, fósforo, carbono e enxofre em ligas de ferronióbio, com teor de tântalo mais titânio não superior a 0,5%" (doc. 15). Tal metodologia, no entanto, é inadequada para os propósitos da Impugnante, uma vez que (i) é pouco ágil e (ii) depende excessivamente da ação humana, o que prejudica sua confiabilidade. Tanto é assim que o Laboratório de Análises Falcão Bauer LFB também não adotou esta metodologia. Dessa forma, frente a ausência de norma adequada editada por uma entidade nacional e visando garantir que seus procedimentos tivessem a maior credibilidade possível, a Impugnante diligentemente buscou padrões internacionais que pudessem orientála acerca da mais adequada metodologia de análise, até que por fim, tomou conhecimento da existência de norma técnica francesa (NF All 103) , que descreve os procedimentos para a análise química da composição do ferronióbio (doc. 16) . De acordo com tal norma, a metodologia adequada é a análise de fluorescência de raiosx. A técnica adotada pela Impugnante é baseada nas disposições da referida norma. Ressaltese que, a cada venda efetuada pela Impugnante, é extraída uma amostra do lote em questão, que, por sua vez, é submetida à supracitada análise, a fim de a verificar sua composição. Todos os dias, previamente à análise das amostras retiradas do produto a ser vendido, os técnicos da Impugnante aferem a precisão dos Espectrômetros. Isso é feito ao se submeter uma das amostras certificadas á análise do Espectrômetro. Se o resultado indicar o teor de nióbio específico daquela amostra (previamente conhecido), significa que a calibragem está adequada e podese prosseguir com as análises. Caso contrário, o equipamento será sujeito a uma nova calibragem e, eventualmente, passará por manutenção. Assumindo que a calibragem do Espectrômetro está correta, a Impugnante passa então a analisar as amostras retiradas dos lotes produtos a serem vendidos (notese que tais amostras também são fundidas e homogeneizadas antes de tal análise). Frisese que também são analisadas pelo menos duas amostras de cada lote vendido, a fim de garantir a homogeneidade do lote. Notese que, no caso de discrepâncias, mais amostras podem ser extraídas do lote para análise. Afim de demonstrar a veracidade de Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.557 7 suas alegações, a Impugnante junta laudos nota técnica elaborada por seus engenheiros químicos, na qual todo o procedimento ora descrito está devidamente detalhado (doc. 17). 3) Descrição dos equipamentos e metodologia utilizados pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer. ao tomar conhecimento das divergências entre seus Laudos e os Laudos Fiscais, a Impugnante imediatamente entrou em contato com o LFB a fim de entender as razões do ocorrido, chegando inclusive a solicitar ao referido laboratório a análise de amostras de alguns lotes vendidos; não obstante a diligência da Impugnante, que chegou até mesmo a visitar o Laboratório do LFB, este se recusou a fornecer maiores esclarecimentos sobre a metodologia utilizada nas análises referentes à composição das ligas de ferronióbio objeto da presente discussão. Após questionado algumas vezes acerca da metodologia adotada na análise da liga em questão, o Laboratório se limitou a responder, em 2.10.2012, via email (doc. 18), que a análise foi feita por meio de Espectroscopia de Emissão Óptica por plasma induzido ("ICP OES"). Nos termos postos pelo LFB (grifamos): Especificamente quanto ao Laboratórios de Metais, possuímos Internamente as técnicas analíticas de Espectroscopia de Absorção Atômica (AA), Espectroscopia de Emissão Óptica por plasma induzido (ICPOES) e Espectroscopia de Emissão Óptica (GDSLECO). Possuímos um Espectrômetro de fluorescência por RaiosX porém o mesmo não é calibrado para análise em minérios, tendo sido adquirido para outras aplicações. Desta forma, não será possível internamente a aplicação de outra técnica analítica além da utilizada no ensaio (ICPOES) a qual consideramos a mais adequada devido às características da matriz e composições relativas dos componentes. Questionamentos posteriores foram recebidos da mesma forma, como se aduz do trecho, extraído de email enviado pelo mesmo Laboratório em 18.10.2012 (doc. 19) : A metodologia que foi utilizada para a determinação em questão apresenta exatidão e precisão adequadas para este ensaio pois incluí a determinação de todos os contaminantes e componentes majoritários normalmente encontrados em ligas de ferronióbio, tal como preconizado por exemplo pelas normas NBR 5910 e NBR 6930. Desta forma, considerase que o método utilizado é adequado para a determinação solicitada. Segundo normas internas de proteção de propriedade intelectual, não é possível a divulgação da metodologia utilizada. Não obstante o LFB tenha mencionado a norma técnica NBR 6930, o método de análise utilizado pelo referido laboratório não é o preconizado pela referida norma. como fica claro da análise dos excertos transcritos, o método que embasou os Laudos Fiscais é o ICPOES, método que se vale de equipamentos eletrônicos para aferição do teor dos elementos presentes nas amostras analisadas. Já o procedimento descrito pela Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 norma técnica NBR 6930 independe totalmente da utilização de equipamentos eletrônicos, podendo ser executado com a utilização de aparelhagem usual de laboratório (béquer, funil, proveta e reagentes). de toda forma, não obstante o LFB tenha informado que sua análise foi feita com base na metodologia ICPOES, a Impugnante não teve acesso aos dados mais importantes para fins de aferição da precisão do método do Laboratório, quais sejam, as informações utilizadas para calibragem e configuração dos referidos equipamentos (por questões de "proteção de propriedade intelectual"). assim, diferentemente da Impugnante, que demonstrou exaustivamente a precisão de sua metodologia, o LFB não apresentou nenhuma informação que permita aferir a precisão de seu método. Ao contrário, os Laudos Fiscais são claros ao descrever que a aferição do teor de Nióbio foi feita por diferença, conforme o quadro "Resultados das Análises" constante dos Laudos Fiscais. diferentemente do que ocorre na metodologia adotada pela Impugnante, na qual o efetivo teor de nióbio é medido, o LFB verifica o teor de outros elementos da liga e assume que o IP restante (i.p.: a parcela não analisada) é nióbio. Em suma, o LFB não analisa o efetivo teor de nióbio, sendo os resultados de seus laudos baseados em presunções. Frisese que a Impugnante não questiona a idoneidade do LFB, mas apenas pontua que, neste caso específico, o referido laboratório não informou quais os padrões de calibragem utilizados em sua análise, o que impede a verificação da precisão do método. como já mencionado, tão logo a Impugnante foi informada acerca das divergências entre seus laudos e os Laudos Fiscais, ela contatou o LFB a fim de esclarecer o assunto. Para tanto, a Impugnante solicitou que o LFB analisasse amostras extraídas de três dos lotes cuja exportação foi questionada nestes autos. O resultado foi idêntico àqueles que já haviam sido obtidos quando da elaboração dos Laudos Fiscais (doc. 20) (i.e.:as novas análises realizadas pelo LFB indicaram uma divergência no teor de nióbio de, em média, 6,5% em relação aos laudos da ANGLO); solicitou que amostras extraídas dos mesmos lotes fossem reanalisadas por seu laboratório e também pelo renomado Laboratório Alfred H. Knight International ("AHK"), reconhecido internacionalmente por seu trabalho em consultoria e análise técnica nas áreas de metais e mineração. Os resultados obtidos pelo AHK foram muito divergentes daqueles obtidos pelo LFB e muito próximos daqueles obtidos pela Impugnante (divergência inferior a 1%); sendo o AHK um laboratório estrangeiro, a Impugnante junta a estes autos cópia do Laudo emitido pelo AHK acompanhado de tradução juramentada. A metodologia utilizada pelo referido laboratório também segue brevemente descrita em email, igualmente traduzido e juntado a estes autos (doc. 21). Os profissionais da Impugnante prepararam então um "Estudo de Análises Interlaboratoriais" (doc. 22), no qual descrevem detalhadamente as possíveis causas das diferenças entre as análises dos laboratórios. O Estudo levou à conclusão de que a análise efetuada pela Impugnante é mais precisa do que a do LFB. a fim de solicitar parecer acerca das metodologias de análise adotadas pelo LFB, pela AHK e pela Impugnante, a Impugnante contatou também uma das mais renomadas profissionais na área de análises químicas de produtos inorgânicos a Profa. Giuliana Ratti, professora da Universidade de São Paulo, com mestrado em Mineralogia e Petrografia, doutorado em engenharia mineral e pósdoutorado em instrumentação analítica, todos na mesma instituição (doc. 23). Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.558 9 As conclusões alcançadas pela Parecerista seguem a seguir transcritas: "Análises MCG usam padrões internacionais de ligas FeNb, usam equipamento adequado (FRX), tem rastreabilidade, apresentam teores da mesma ordem de grandeza da AHK. Análises AHK usam padrões internacionais, materiais de referência, tratamento adequado de amostras e calibração matrix matching, o que lhes confere alta credibilidade. Análises LFB mencionam referências bibliográficas pífias, não mostram rastreabilidade, padrões internacionais ou proficiência. Os valores para ferro parecem subestimados, o que faz com que suas análises de Nb por diferença não tenham consistência. Parecer Técnico Considero, diante dos argumentos expostos, que as análises de LFB pecam em credibilidade por falta de comprovação de qualidade técnica. Considero o Nb superestimado. Considero os resultados de MCG e AHK corretos." As conclusões da Parecerista atestam a precisão da metodologia de análise adotada pela ANGLO AMERICAN, razão pela qual deve ser cancelada a presente autuação. Caso a Fiscalização entenda que as análises supramencionadas são insuficientes para demonstrar a regularidade de sua metodologia, a Impugnante requer a realização de perícia técnica nas amostras extraídas dos lotes exportados mantidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, efetuada por laboratório que detenha o equipamento necessário para a realização da análise em questão. Informa que também possuí amostras de tais lotes. Entretanto, a fim de demonstrar cabalmente a precisão de sua metodologia, pede que a perícia seja efetuada especificamente nas amostras detidas pelo Fisco e que já foram submetidas á análise do LFB efetuada por laboratório que detenha o equipamento necessário para a realização da análise em questão. Encerra, afirmando que a realização de tal perícia irá pôr fim a qualquer dúvida quanto à precisão de sua metodologia de análise. 4) Impossibilidade de aplicação de multa quando a variação se refere apenas ao preço e ocorre em percentual inferior a 10%. aponta ainda que a multa aplicada deve ser recalculada nos termos do artigo 718 do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009. No caso em tela, não houve variações relativas ao peso, medida, quantidade ou classificação da mercadoria. E, ao contrário do que alegou a Fiscalização, tampouco houve divergência no que diz respeito à qualidade dos produtos vendidos (tratase de liga de ferronióbio). nesse sentido, a conclusão de que a metodologia do LFB é adequada para a análisa ora discutida, a qual se admite apenas para fins de argumentação, traz, para fins de aplicação de multa, apenas uma conseqüência: variação no preço da mercadoria. E, como visto, não há fraude se a variação relativa ao preço for inferior a 10%. Tal conclusão foi inclusive reconhecida pela 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Feitas tais considerações, cumpre esclarecer que, de acordo com os cálculos da própria fiscalização, haveria variação entre c preço declarado pela Impugnante e o valor calculado pelo Fisco em apenas 20 das 56 exportações questionadas. Nesse sentido, a Impugnante elaborou planilha demonstrando que, em relação à maioria das exportações questionadas pela Fiscalização, a suposta variação no preço apontada pela Fiscalização seria inferior a 10%. Dessa forma, somente seria cabível a aplicação de multa em relação aos casos remanescentes (doc. 25). Portanto, por todas as razões acima expostas, ainda que se entenda que a aplicação da multa ora discutida é cabível, ela deverá ser ao menos parcialmente cancelada. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer com fundamento nas razões de fato e de direito apresentadas, julgar procedente a presente Impugnação para o fim de determinar o integral cancelamento da exigência consubstanciada no Auto de Infração objeto dos presentes autos, extinguindo o processo administrativo. Por fim, protesta ainda pela realização de perícia técnica a ser realizada nas amostras extraídas dos lotes exportados mantidas pela RFB, a fim de aferir o efetivo teor de nióbio de cada amostra. Para tanto, indica o Laboratório de Caracterização Tecnológica da Escola de Engenharia Politécnica da Universidade de São Paulo, especializado na área de caracterização tecnológica de materiais, notadamente no setor mineral. Pois bem. A DRJ em São Paulo, decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16000.299, de 27 de março de 2013, para que a autoridade preparadora convocasse PERITO CREDENCIADO, para que esclarecesse os seguintes pontos: • Descreva o método de aferição utilizado pelo impugnante para apuração do percentual de nióbio (Análise Espectrográfica de Fluorescência). • Descreva o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio. • Essa apuração pode vir a variar dada a qualidade dos equipamentos utilizados e sua manutenção regular, assim como o modo de calibragem? • É correta a afirmação de que o método de aferição utilizado pela impugnante (Análise Espectrográfica de Fluorescência) está de acordo com os mais elevados padrões internacionais, ou pelo menos, em melhor sintonia com esses que o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer? • Essa distinção no método de aferição utilizado pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer acarreta margem de erro capaz de induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? • Procede a informação de que os Espectrômetros devem ser calibrados com base em amostras padronizadas de ferronióbio, cujo teor de nióbio é previamente conhecido à análise dos Espectrômetros, de forma a confeccionar uma curva de comparação. Esse procedimento confere uma precisão maior aos resultados quanto ao percentual de nióbio contido nas amostras? • É correto afirmar que a Norma NBR 6930, de 1981, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, na qual descreve "o método para aferição de nióbio, silício, alumínio, fósforo, carbono e enxofre em ligas de ferronióbio, com teor de tântalo mais titânio não superior a 0,5%, é Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.559 11 uma metodologia pouco ágil e depende excessivamente da ação humana, o que prejudica sua confiabilidade? Ela se mostra defasada em relação aos padrões internacionais? • No que difere a Norma NBR 6930, de 1981, da norma técnica francesa (NF All 103) , que descreve os procedimentos para a análise química da composição do ferronióbio (doc. 16 da impugnação)? A ultima se mostra mais precisa para a análise química da composição do ferro nióbio? É a técnica adotada pela Impugnante é baseada nas disposições da referida norma? Qual norma o Laboratório de Análises Falcão Bauer segue o ICPOES ou o procedimento descrito pela norma técnica NBR 6930? • Comente a seguinte afirmação feita pelo impugnante: “... os Laudos Fiscais são claros ao descrever que a aferição do teor de Nióbio foi feita por diferença, conforme o quadro "Resultados das Análises" constante dos Laudos Fiscais”. Essa constatação, se procedente, é relevante quanto à discrepância nos resultados obtidos nas amostras? • É pertinente a conclusão de que a na metodologia adotada pela Impugnante o efetivo teor de nióbio é medido, enquanto o procedimento adotado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer se verifica o teor de outros elementos da liga e assume que o IP restante é nióbio? Essa distinção de procedimentos é capaz de implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de nióbio nas amostras? • Com base nos documentos (doc. 20), (doc. 21) e (doc. 22) da impugnação, de folhas 991 à 1022 dos autos, como interpreta as conclusões alcançadas pela precerista Giuliana Ratti, (doc. 23), às folhas 1023? • Efetuar outras considerações que julgar pertinentes para endossar ou rechaçar a alegação de que a discrepância na metodologia utilizada interfere, de modo a induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? Em 07/05/2013, em petição direcionada ao grupo de acompanhamento de laudos técnicos da Alfândega do Porto de Santos, a autuada requereu a presença de seu assistente técnico, o que foi deferido; a Perita Credenciada pela Receita Federal do Brasil juntou seu PARECER TÉCNICO de folhas 1.109 à 1.170. Findada a instrução, intimouse a parte interessada, via eletrônica (fl. 1.178 ), concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei nº 9.784, de 1999, c/c art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011. A parte apresentou suas razões de folhas 1.182 a 1.192, no sentido de manifestar sua concordância com os termos dos laudos técnicos e apresentar breves considerações sobre o assunto. A DRJ fez nova diligência, através da Resolução nº 16000.416, de 26 de março de 2014, para que a autoridade preparadora INTIME o Laboratório L.A. Falcão Bauer para: Se manifestar sobre o PARECER TÉCNICO da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva, inclusive quanto aos seus 04 (quatro) anexos, juntado de folhas 1.109 a 1.170 do processo digital; Se pronunciar sobre a MANIFESTAÇÃO do impugnante a respeito do Laudo de Assistência Técnica da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva, juntado de folhas 1.182 a 1.192 do processo digital. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Esse procedimento se fez indispensável, porque ambos os documentos tecem comentários a respeito do método de trabalho realizado pelo Laboratório L.A. Falcão Bauer, principalmente quanto à imprecisões nos resultados apurados e no seu método de apuração. A manifestação do Laboratório L.A. Falcão Bauer foi juntada às fls. 1.224/1.225. Nos termos do art. 35, § único do Decreto 7574/2011, foi assegurado o direito da empresa autuada se manifestar a respeito da instrução produzida. A empresa ANGLO AMERICAN, manifestouse às fls. 1.231 à 1.237. A Delegacia de Julgamento em São Paulo decidiu, mais uma vez, baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16490, de 27 de agosto de 2014, para que a autoridade preparadora INTIMASSE a Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva para que esclareça os seguintes pontos (fl. 1.271/1.287): 1. Descrever os métodos e equipamentos utilizados pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio; 2. Apresentar em seu relatório os certificados de calibração do aparelho, o procedimento de análise e o contrato de manutenção do equipamento da Mineração Catalão; 3. Apresentar os certificados dos equipamentos utilizados na fabricação e nas análises das amostras, os certificados de calibração das balanças analíticas utilizadas na pesagem dos compostos adicionados nas amostras fundidas na Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de Lorena; 4. Descrever os procedimentos de análises e os certificados e documentos de manutenção dos equipamentos que avaliaram os teores nas amostras fabricadas e que foram utilizadas para avaliar as metodologias utilizadas pelos dois laboratórios. Tabela. Análise Quantitativa de Nióbio Correlação entre Métodos Considerando os dados constante das Tabelas acima comente as seguintes afirmações: I. Quanto aos Resultados das Análises e a forma que foi apresentada no relatório da Sra. Perita, observamos que, na tabela do Relatório da Sra. Perita; Análise Quantitativa de Nióbio Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.560 13 correlação de Métodos, existe uma pequena diferença na “média das diferenças”, MINREF, Nióbio (%), o resultado seria: 2,6%, considerando tratarse de uma somatória de todos os valores, sem considerar o sinal negativo ou positivo, pois os valores representam o quanto eles se “afastam” do valor de referência, no caso representado pelo zero. Um exemplo simples de se entender é o seguinte: nos resultados : 10 e +10, não posso considerar que a média entre eles é zero, pois estaria afirmando que os dois resultados estão exatos com relação ao ponto de referência I (zero), sendo que o resultados representam um afastamento de 10 para mais e para menos, com relação ao resultado esperado;e II. Na mesma tabela apresentada no relatório da Sra. Perita, podemos observar que na coluna Diferença MINREF Nióbio (pp) nos resultados obtidos pelo método analítico da interessada, os teores encontrados apresentaram uma variação de 0,06% a 3,97% dos valores de referência, onde podemos observar que a metodologia da interessada è restrita/específica para matrizes com teores próximos à 60%, ou seja, a variação do método não é uma constante, como podemos observar na metodologia da Falcão Bauer, onde na coluna Diferença FBAREF Nióbio (pp) a variação do método è de + 4,0%. Findada a instrução, procedase o seguinte: (i) INTIME a parte interessada – empresa Mineração Catalão, atual ANGLO AMERICAN e que seja concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei nº 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, em face do princípio do contraditório; (ii) INTIME o Laboratório de Análises Falcão Bauer para considerações que julgar pertinente quanto ao novo pronunciamento da Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva; A Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva se manifestou às fls. 1.274 à 1.285 do processo digital. O Laboratório de Análises Falcão Bauer se manifestou às fls. 1.352 à 1.354 do processo digital. A empresa Mineração Catalão – atual ANGLO AMERICAN NIÓBIO BRASIL LTDA, também se manifestou às fls. 1.364 à 1.370. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Dos recursos Como já relatado, a autuada ANGLO AMERICAN, foi devidamente cientificada do resultado do julgamento em 18/06/2015, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário (fls. 1.494/1.497). Neste diapasão, passaremos, então, a analisar somente o Recurso de Ofício apresentado pela DRJ em São Paulo1 (SP). Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 2 Do Recurso de Oficio O presente Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 3 Contextualização dos fatos Verificase que é ponto incontroverso a ocorrência de exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação – DE’s, relacionadas no corpo do Auto de Infração (fls. 2/36). Por outro giro, considerase pontos controvertidos: (i) em sede de PRELIMINARES: (a) a precariedade da Autuação por Ausência de Manifestação da SECEX; e (b) A necessidade de demonstração inequívoca de fraude para aplicação de penalidade; (ii) quanto ao mérito: (a) A metodologia utilizada pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer; (b) A impossibilidade de aplicação de multa quando a variação se refere apenas ao preço e ocorre em percentual inferior a 10%, frente ao disposto no artigo 718 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 2009; (c) A sustentação oral de suas razões de defesa em sede recursal; e (d) A realização de perícia técnica a ser realizada nas amostras extraídas dos lotes exportados mantidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 4 Da análise do Recurso de Ofício Considerando a minuciosa apreciação dos autos e elucidação de todos os fatos processuais ocorridos por parte da DRJ em São Paulo (SP), entendo que não há reparos a ser feito no voto do acórdão recorrido. Assim, adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos no voto condutor, que passam a fazer parte integrante do presente julgado, mesmo porque a recorrente não apresentou qualquer defesa em face deles. 5 Das PRELIMINARES 1) Quanto a precariedade da autuação por ausência de manifestação da Secretaria de Comércio Exterior, entendo perfeitamente pertinente o conferido na decisão a quo. Vejase: "(...) Logo, por mais que o impugnante se insurja contra essa constatação, o fato é que a alteração dada pelo Decreto nº 7.213, de 16.6.2010, não possuiu qualquer eficácia porque fazia referência a um dispositivo revogado desde 11/06/2010, lembrando que a data de registro da Declaração de Exportação mais antiga abarcada pela presente ação fiscal é de 13/07/2011. Ademais, corrigindo esse lapso, o legislador entendeu por bem revogar o próprio artigo 722 do Decreto n° 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro através do Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013. Logo, a argumentação do impugnante se apóia em fato inócuo". 2) Da necessidade de demonstração inequívoca de fraude para aplicação de penalidade. Para tanto, cita o artigo 66 da Lei nº 5.025, de 1966. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.561 15 Art. 66. As fraudes na exportação, caracterizadas de forma inequívoca, relativas a preços, pesos, medidas, classificação e qualidade, sujeitam o exportador, isolada ou cumulativamente, a: a) multa de 20 (vinte) a 50% (cinqüenta por cento) do valor da mercadoria (...) Nos itens (47), (48) e (49) da impugnação, é alegado que: 47. As informações relativas às supostas divergências entre os laudos elaborados pela Impugnante e os laudos preparados pelo Laboratório da Receita Federal ("Laudos Fiscais") foram transmitidas pela Fiscalização apenas à LPL, que não as retransmitiu à Impugnante. 48. Dessa forma, a Impugnante somente tomou conhecimento do ocorrido quando a Fiscalização estava em vias de ser encerrada. Porém, tão logo soube das divergências entre seus laudos e os Laudos Fiscais, a Impugnante entrou em contato com a Fiscalização Aduaneira e com o próprio Laboratório a fim de esclarecer o assunto. 49. Dessa forma, não há como "excluir a possibilidade de alegação de boafé", como pretende a Fiscalização, haja vista que a manifestação prévia da Impugnante foi totalmente impossibilitada, uma vez que esta não havia sido informada, nem pela Fiscalização, nem pela LPL, dos fatos narrados no auto de infração ora combatido. Por entender que é um assunto que se confunde com o próprio MÉRITO, postergase o exame dessa questão. 6 Quanto ao MÉRITO O exportador, Mineração Catalão de Goiás Ltda (atual ANGLO AMERICAN), efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação – DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, após a obtenção dos Registros de Exportação RE’s correspondentes, instruindo com uma via das Notas Fiscais, entre outros documentos. Todas as informações e dados contidos na DDE e RE são essenciais para fins de controle no contexto amplo (fiscal, administrativa, cambial e penal), cabendo ao exportador, por intermédio de terminal ligado ao SISCOMEX, prestar as informações de forma mais detalhada possível. A fiscalização providenciou para alguns despachos a coleta de amostra para fins de análise laboratorial, em especial, para verificação da qualidade do produto exportado, tudo de conformidade com os procedimentos previstos na norma em vigor, registrando a ocorrência no SISCOMEX. Após o resultado dos laudos, verificouse divergência qualitativa relativamente ao percentual de nióbio contido apurado pelo laboratório comparativamente ao percentual declarado nos Registros de Exportação e nas Notas Fiscais que acobertaram as transações internacionais. O acompanhamento dos despachos de exportação por certo lapso de tempo, verificouse que o padrão de desvio se manteve, o que significa que não foi um caso isolado. O desvio reiterado exclui a possibilidade de alegação de boafé, já que o resultado do laudo de cada despacho analisado é de conhecimento do exportador que, inclusive, efetuou pagamento Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 pela prestação dos serviços de perícia com base nas tabelas constantes do Anexo Único desta Instrução Normativa RFB nº 1.020, de 31 de março de 2010, sem qualquer tipo de impugnação. O que a fiscalização constatou é que a conduta infracional permaneceu sendo reiterada em várias transações internacionais, o que caracteriza a fraude inequívoca no que tange à qualidade e que tem implicação no preço dos produtos comercializados. Também foi verificado que o percentual de divergência causa impacto no valor de cada despacho, uma vez que o valor da nota fiscal varia conforme o percentual de nióbio contido no produto exportado. Assim, além de estar sendo remetida ao exterior uma quantidade de nióbio superior ao declarado, também a operação de exportação não está sendo real no que diz respeito ao preço (ou valor aduaneiro) da mercadoria, havendo uma perda de remessa de divisas para o país e esvaziamento das reservas nacionais de nióbio (altamente valioso e raro em outros territórios) sem o pagamento do preço devido, podendo caracterizar também lavagem de dinheiro, sonegação de tributos sobrefaturamento e lucro. Tendo sido identificado NIÓBIO em maior quantidade esse produto de notória importância e utilidades do que o efetivamente declarado nos documentos de exportação, conforme corroborado pelo laudo técnico, tal ocorrência caracteriza fraude inequívoca, em especial, no que tange a quantidade, qualidade e preço, sujeitando, portanto, a multa de 20% sobre o valor da mercadoria, conforme previsão do art.718, inc.II, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 05.02.2009. Às folhas 1.109 foi juntado PARECER TÉCNICO da Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva. Quanto as metodologias aplicadas, feita seguinte distinção (fls 1111 a 1114): Mineradora Catalão de Goiás: A determinação do percentual de Nióbio na liga terrosa se dá diretamente com a utilização do equipamento de Fluorescência de Raio X. A aferição no equipamento é realizada previamente á análise das amostras do produto a ser vendido, os técnicos da empresa aferem a precisão do referido aparelho submetendo uma das amostras certificadas á análise, se o resultado indicar o teor de Nióbio especifico daquela amostra certificada e previamente conhecida, significa que a calibragem esta adequada para a análise que se segue.Caso contrário, o aparelho deverá sofrer manutenção passando por nova calibragem. Laboratório de Análises Falcão Bauer: A determinação de percentual de Nióbio é realizada através dos Equipamentos de Espectrofotometria de Emissão de Plasma (ICP), para determinação de elementos minoritários à liga como Alumínio, Chumbo, Cobalto, Estanho, Fósforo, Manganês e Titânio, de Espectrofotometria Absorção Atômica (AA) para determinação de Ferro e Silício e Espectrofotometria Óptica para Carbono e Enxofre. Para o L.A. Falcão Bauer, enquanto organismo certificado e acreditado por órgãos competentes e credenciado da Receita Federal, é importante apontar possíveis elementos contaminantes ou impurezas, além do bem como percentual de Nióbio nas amostras. Assim estes métodos se mostram mais completos e adequados ao fim que se destinam. As análises seguem os requisitos de qualidade determinados pela norma ISO 17025 conforme demonstrados nos procedimentos de Análises Químicas de Ligas Ferrosas (Anexo 1), Esses equipamentos sofrem diariamente aferições por Curvas de Calibração baseadas em Cartas Controle confeccionadas a partir de Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.562 17 padrões de referência rastreáveis atendendo os requisitos da ISO Guide 34, conforme apresentados em fls. 1013 do Anexo 1. Esses equipamentos estão cobertos pelos contratos de manutenção preventiva e corretiva de acordo com as Copias dos contratos em Anexo 2. 2.2 Correlação entre Métodos em Utilização pelos Laboratórios. Com o objetivo de verificar existência de correlação entre os Laboratórios da Mineradora de Catalão de Goiás e da Falcão Bauer, foram produzidas cinco amostras de aproximadamente 5g cada, de liga FeNb de alta pureza, com composições químicas pós fundido conhecidas (Anexo 3). Estas amostras foram fundidas na Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de Lorena em Forno de Arco Voltaico, em atmosfera controlada de Argônio, em Cadinho de Cobre refrigerado a água. Foram efetuadas três fusões em cada liga, para garantir a homogeneidade do material. Depois de concluídas as etapas de fusão e solidificação o material foi solidificado em formato de esferas. O material foi embalado e identificado por códigos rastreáveis apenas por esta Perita, e entregue a análise nos citados Laboratórios. Após as respectivas análises os resultados foram recebidos e podem ser avaliados na tabela a seguir (Anexo 4): Tabela. Análise Quantitativa de Nióbio Correlação entre Métodos Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 As colunas destacadas em amarelo mostram as diferenças percentuais identificadas por cada Laboratório em cada amostra. Para melhor visualização, os dados destas colunas foram transferidos em forma de gráfico, abaixo. Levando em conta que no gráfico acima, a linha escura que passa pelo ponto Y=0% representa a referencia, ou seja, o valor exato de percentual de Nióbio constante em cada Amostra, algumas tendências podem ser observadas: A metodologia utilizada no Laboratório Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras referencia; Em média os resultados do Laboratório Falcão Bauer apresentaram valores 6,3% maiores do que os conhecidos nas referencias; Não pode ser observada tendência de variação dos resultados provenientes da metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão, nas diferentes faixas de percentual de Nióbio das amostras; Em média os resultados do Laboratório da Mineradora Catalão apresentaram valores 1,6% menores do que os conhecidos nas referencias; Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.563 19 No entanto, a metodologia aplicada pelo Laboratório da Mineradora Catalão tende a apresentar desvios menores (+0,55%) em relação a resultados esperados, quando as análises são efetuadas na faixa de trabalho próximo e abaixo de 65% de teor de Nióbio nominal; (Grifo e Negrito Nossos) Foram fornecidas as seguintes respostas aos quesitos: • Descreva o método de aferição utilizado pelo impugnante para apuração do percentual de nióbio (Análise Espectrográfica de Fluorescência). Entendendo por aferição como sendo a verificação por comparação com um padrão, a exatidão das indicações de um instrumento, e de acordo com fls. 1051 desses autos e como já descrito no item 2.1 Descrição dos Métodos de Utilização pelos Laboratórios e Aferição deste Parecer, a aferição no equipamento de Fluorescência de Raio X é realizada previamente á análise das amostras do produto a ser vendido, os técnicos da empresa Impugnante aferem a precisão do referido aparelho submetendo uma das amostras certificadas á análise, se o resultado indicar o teor de Nióbio especifico daquela amostra certificada e previamente conhecida, significa que a calibragem esta adequada para a análise que se segue. Caso contrário, o aparelho deverá sofrer manutenção passando por nova calibragem. • Descreva o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio. De acordo com os documentos solicitados e encaminhados a esta Perita na ocasião da visita ao Laboratório Falcão Bauer e mais uma vez, entendendo por aferição como sendo a verificação por comparação com um padrão, a exatidão das indicações de um instrumento. O método de aferição utilizado pelo laboratório em questão é por curvas de calibração e cartas controle, confeccionadas através de padrões de referência rastreáveis atendendo os requisitos da ISO Guide 34, conforme apresentados em fls. 1013 do Anexo 1 e no item 2.1 Descrição dos Métodos de Utilização pelos Laboratórios e Aferição deste Parecer Técnico. • Essa apuração pode vir a variar dada a qualidade dos equipamentos utilizados e sua manutenção regular, assim como o modo de calibragem? Sim, a apuração de quaisquer equipamentos laboratoriais pode sofrer variação de acordo com a qualidade do equipamento, manutenção regular bem como modo de caiibragem. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 • É correta a afirmação de que o método de aferição utilizado pela impugnante (Análise Espectrográfica de Fluorescência) está de acordo com os mais elevados padrões internacionais, ou pelo menos, em melhor sintonia com esses que o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer? Sim, o método de aferição utilizado pela impugnante está de acordo com os mais elevados padrões internacionais. No entanto, é importante salientar que a questão de adequação do método está naturalmente ligada ao fim que se destina a análise. Assim, importante salientar que ambos os métodos são adequados para os fins que se destinam, pois: • Enquanto produtora e exportadora do produto, para a Empresa Impugnante o seu objetivo é a determinação apenas do percentual da liga FerroNióbio. Para isso a Análise Espectrográfica de Fluorescência é necessária e suficiente. • Por sua vez, para o Laboratório de Análises Falcão Bauer, enquanto organismo certificado e acreditado por órgãos competentes e credenciado da Receita Federal, é importante apontar possíveis elementos contaminantes ou impurezas, além do bem como percentual de Nióbio nas amostras. Para tal, tanto o utilizase de método utilizado pelo é mais completo e adequado ao fim que se destina. • Essa distinção no método de aferição utilizado pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer acarreta margem de erro capaz de induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? Sim, esta distinção de métodos pode acarretar erros no percentual de Nióbio contidos nas amostras, porem, essa diferença não pode implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração deste percentual. • Procede a informação de que os Espectrômetros devem ser calibrados com base em amostras padronizadas de ferronióbio, cujo teor de nióbio é previamente conhecido à análise dos Espectrômetros, de forma a confeccionar uma curva de comparação. Esse procedimento confere uma precisão maior aos resultados quanto ao percentual de nióbio contido nas amostras? Sim, confeccionar curva de calibração de acordo com amostras padronizadas de FerroNióbio confere resultados mais precisos. • É correto afirmar que a Norma NBR 6930, de 1981, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, na qual descreve "o método para aferição de nióbio, silício, alumínio, fósforo, carbono e enxofre em ligas de ferro nióbio, com teor de tântalo mais titânio não superior a 0,5%, é uma metodologia pouco ágil e depende Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.564 21 excessivamente da ação humana, o que prejudica sua confiabilidade? Ela se mostra defasada em relação aos padrões internacionais? A Norma citada faz referencia a diversos procedimentos analíticos para a determinação de Nióbio em ligas ferrosas, onde a chance de falha humana é maior que se comparada com a medida direta do teor de nióbio efetivo por um único equipamento. • No que difere a Norma NBR 6930, de 1981, da norma técnica francesa (NF All 103) , que descreve os procedimentos para a análise química da composição do ferronióbio (doc. 16 da impugnação)? A ultima se mostra mais precisa para a análise química da composição do ferronióbio? É a técnica adotada pela Impugnante é baseada nas disposições da referida norma? Qual norma o Laboratório de Análises Falcão Bauer segue o ICPOES ou o procedimento descrito pela norma técnica NBR 6930? As normas NBR 6930, de 1981, são procedimentos analíticos de laboratório e a norma técnica francesa (NF All 103), faz uso de Espectrometria de Fluorescência de raio X ambas para o mesmo fim, se diferem basicamente pelo uso de equipamento. De acordo com a resposta ao quesito anterior, A Norma NBR 6930 faz referencia a diversos procedimentos analíticos para a determinação de Nióbio em ligas ferrosas, onde a chance de falha humana é maior que se comparada com a medida direta do teor de nióbio efetivo por um único equipamento como acontece na norma técnica mostra mais precisa e é a técnica adotada pela Impugnante. De acordo com visitas realizadas e documentos encaminhados as normas adotadas pelo L.A. Falcão Bauer seguem o ICP, AA e o CES. • Comente a seguinte afirmação feita pelo impugnante: “... os Laudos Fiscais são claros ao descrever que a aferição do teor de Nióbio foi feita por diferença, conforme o quadro "Resultados das Análises" constante dos Laudos Fiscais”. Essa constatação, se procedente, é relevante quanto à discrepância nos resultados obtidos nas amostras? Procede a constatação que a aferição do teor de Nióbio é feita por diferença dos outros elementos determinados na liga. E a discrepância nos resultados obtidos nas amostras pode ser considerada por esse fato, pois se a determinação de qualquer elemento presente na liga se mostrar incorreta isto implica diretamente no resultado de teor de Nióbio. • É pertinente a conclusão de que na metodologia adotada pela Impugnante o efetivo teor de nióbio é medido, enquanto o procedimento adotado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer se verifica o teor de outros Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 elementos da liga e assume que o IP restante é nióbio? Essa distinção de procedimentos é capaz de implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de nióbio nas amostras? Sim, é pertinente a conclusão de que a metodologia adotada pela Impugnante é de medir o teor de nióbio efetivo, enquanto o procedimento adotado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer se verifica o teor de outros elementos da liga e o restante é Nióbio. Assim, a interação de equipamentos utilizados, método, pessoas, mesmo que bem capacitadas, e procedimentos tem gerado a notada diferença entre resultados dos Laboratórios da Impugnante e da Falcão Bauer, conforme demonstrado no item 2.2 Correlação entre Métodos em Utilização pelos Laboratórios deste Parecer, embora aparentemente esta diferença de metodologia não deva implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de Nióbio, na prática foi verificado na rotina e confirmado pela correlação efetuada que na faixa de 54,99 74,99 % de Nióbio é esperado uma diferença de medição de até aproximadamente 6% (Anexo 4). • Com base nos documentos (doc. 20), (doc. 21) e (doc. 22) da impugnação, de folhas 991 à 1022 dos autos, como interpreta as conclusões alcançadas pela precerista Giuliana Ratti, (doc. 23), às folhas 1023? Esta Perita não pode tecer comentários sobre a interpretação e as conclusões da Ilustre colega Giuliana Ratti, pois por motivos de sigilo, a mesma não obteve todas as informações necessárias da parte do Laboratório de Análises Falcão Bauer. Portanto a confiabilidade dos laboratórios não pode ser exclusivamente avaliada pelas conclusões da Ilustre colega. No entanto, vale ressaltar que com base no trabalho de correlação efetuado por essa Perita e mostrado no item 2.2 Correlação entre Métodos em Utilização pelos Laboratórios deste Parecer, os restados deste Laboratório mostraram se consistentemente levados. • Efetuar outras considerações que julgar pertinentes para endossar ou rechaçar a alegação de que a discrepância na metodologia utilizada interfere, de modo a induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? DA CONCLUSÃO DA SRA. PERITA CREDENCIADA PELA RFB Às folhas 1.114 do processo digital é assinalado que: A metodologia utilizada no Laboratório Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras referencia; Em média os resultados do Laboratório Falcão Bauer apresentaram valores 6,3% maiores do que os conhecidos nas referencias; Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.565 23 Não pode ser observada tendência de variação dos resultados provenientes da metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão, nas diferentes faixas de percentual de Nióbio das amostras; Em média os resultados do Laboratório da Mineradora Catalão apresentaram valores 1,6% menores do que os conhecidos nas referencias; No entanto, a metodologia aplicada pelo Laboratório da Mineradora Catalão tende a apresentar desvios menores (+0.55%) em relação a resultados esperados E ainda acrescenta: Com base nos resultados obtidos pelas análises efetuadas podemos concluir que: A metodologia utilizada no L.A. Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras de referencia confeccionadas por essa Perita em torno de 6,3% maiores em média. A metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão apresentou valores em média 1,6% menores. Porem, na faixa de trabalho próximo aos 65% de teor de Nióbio esse valor cai para 0,55%. Não podemos considerar tendência de variação nos resultados obtidos pelo Laboratório da Mineradora Catalão. (Negrito Nosso) A empresa Mineração Catalão apresentou suas razões de folhas 1.182/1.192, no sentido de manifestar sua concordância com os termos dos Laudos Técnicos e apresentar breves considerações sobre o assunto. Assinala no item (9) a (13) de sua manifestação (fls. 1.188 à 1.192): 9. Como se verifica, a perícia realizada confirma o afirmado pela Requerente sua metodologia é significativamente mais precisa que a adotada pelo LFB, que, |por sua vez, produziu desvios relevantes na aferição do percentual de nióbio constante das amostras analisadas. 10. É de se destacar que a metodologia da Requerente apresentou variações maiores apenas na análise de ligas com composição bastante distinta daquelas exportadas pela Impugnante, enquanto a metodologia do LFB apresentou consistentemente desvios significativos em todas as análises efetuadas. 11. Ressaltese também que, ao responder os quesitos colocados por este colegiado, a Perita confirmou todas as informações apresentadas pela Requerente em sua Impugnação, esclarecendo ainda que, embora as diferenças entre metodologias possam, de Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 fato, implicar variações no percentual de nióbio apurado, tais variações deveriam ser mínimas. Nesse sentido, a variação excessiva verificada nas análises do LFB se deve a questões internas do Laboratório. A fim de demonstrar tal fato, a Requerente transcreve os seguintes trechos do Parecer Técnico: "Sim, esta distinção de métodos pode acarretar erros no percentual de Nióbio contidos nas amostras, porém, essa diferença não pode implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração deste percentual. ( ... ) Assim, a interação de equipamentos utilizados, método, pessoas, mesmo que bem capacitadas, e procedimentos tem gerado a notada diferença entre resultados dos Laboratórios da Impugnante e da Falcão Bauer, ( ... ) embora aparentemente esta diferença de metodologia não deva implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de Nióbio, na prática foi verificado na rotina e confirmado pela correlação efetuada que na faixa de 54,99 74,99% de Nióbio é esperado uma diferença de medição de aproximadamente 6%.(...) Com base nestes resultados, somado a constância das divergências identificadas, esta Perita sugere ao L. A. Falcão Bauer a utilização destes resultados para refinamento e confecção de curva de ajustes ao método utilizado pela mesma." 12. Resta definitivamente demonstrada, portanto, a regularidade dos procedimentos de análise da Impugnante. 13. Por fim, a Requerente reitera os termos de sua Impugnação e requer o cancelamento integral da autuação, eis que cabalmente demonstrada a improcedência das alegações fiscais. A manifestação do Laboratório L.A. Falcão Bauer foi a seguinte (fls. 1.224 e 1.225 do processo digital): De acordo com os dizeres constantes ao processo 11128.724284/201255, fls. 1.056 a 1.058, o perito credenciado convocado, deveria esclarecer alguns pontos, tais como: descrever os métodos e equipamentos utilizados pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio. Foram apresentado no Relatório da Sra. Perita somente os documentos da L.A.Falcão Bauer, não foram avaliados os métodos e equipamentos do impugnante. Seria importante que a Sra. Perita apresentasse em seu relatório os certificados de calibração do aparelho, o procedimento de análise e o contrato de manutenção do equipamento da Mineração Catalão, como foram anexados os certificados de calibração do aparelho, e demais documentos fornecidos à Sra. Perita pelo Departamento de Qualidade dos Laboratórios da Falcão Bauer, quando lá esteve em visita em função deste processo, atendendo assim por completo o solicitado pelo Sr. Relator, às fls. 1.056 a 1.058. Foram fornecidas pela Sra. Perita, tanto para o Laboratório da Falcão Bauer como para o Laboratório da Mineração Catalão, Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.566 25 amostras produzidas na Escola de Engenharia de Lorena USP, com a intenção de verificar existência de correlação entres os dois laboratórios, conforme consta no relatório. Seria importante que estivessem anexados ao relatório os certificados dos equipamentos utilizados na fabricação e nas análises destas amostras, os certificados de calibração das balanças analíticas utilizadas na pesagem dos compostos adicionados nas amostras fabricadas, assim como, os procedimentos de análises e os certificados e documentos de manutenção dos equipamentos que avaliaram os teores nas amostras fabricadas e que foram utilizadas para avaliar as metodologias utilizadas pelos dois laboratórios. Dessa maneira, poderíamos ter evidências de que os laboratórios que fabricaram as amostras utilizadas nesse processo para verificar a existência de correlação entre os laboratórios, tem processo de gestão da qualidade mesmo que ainda, possam não ter sido implantados oficialmente. Pois estas amostras fabricadas foram utilizadas para avaliar os dois laboratórios, porém não constam informações no relatório da validação e rastreabilidade dos procedimentos utilizados para determinação dos teores identificados como “Referência REF USP", na tabela do relatório. Quanto aos Resultados das Análises e a forma que foi apresentada no relatório da Sra. Perita, observamos que, na tabela do Relatório da Sra. Perita; Análise Quantitativa de Nióbio correlação de Métodos, existe uma pequena diferença na “média das diferenças”, MINREF, Nióbio (%), o resultado seria: 2,6%, considerando tratarse de uma somatória de todos os valores, sem considerar o sinal negativo ou positivo, pois os valores representam o quanto eles se “afastam” do valor de referência, no caso representado pelo zero. Um exemplo simples de se entender é o seguinte: nos resultados : 10 e +10, não posso considerar que a média entre eles é zero, pois estaria afirmando que os dois resultados estão exatos com relação ao ponto de referência I (zero), sendo que o resultados representam um afastamento de 10 para mais e para menos, com relação ao resultado esperado. Na mesma tabela apresentada no relatório da Sra. Perita, podemos observar que na coluna Diferença MINREF Nióbio (pp) nos resultados obtidos pelo método analítico da interessada, os teores encontrados apresentaram uma variação de 0,06% a 3,97% dos valores de referência, onde podemos observar que a metodologia da interessada è restrita/específica para matrizes com teores próximos à 60%, ou seja, a variação do método não é uma constante, como podemos observar na metodologia da Falcão Bauer, onde na coluna Diferença FBAREF Nióbio (pp) a variação do método è de + 4,0%. Ressaltamos que é importante a análise do teor de Ferro, como constam nos resultados dos Laudos; da Falcão Bauer, pois a posição é de "FERROLIGAS", e que, apesar do teor de Nióbio Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 ser expresso no Laudo, “ por diferença", este elemento também é lido pelo ICP, para confirmação do metal de base. Nesse sentido, a 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu, mais uma vez, baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.490, de 27 de agosto de 2014, para que a autoridade preparadora INTIMASSE a Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva para que esclarecesse tais seguintes pontos. A Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva se manifestou de folhas 1.274 à 1.285 do processo digital. Transcrevese fragmento relevante dessa manifestação, às folhas 1.282 à 1.284 do processo digital: "A também correta interpretação feita pela Falcão Bauer – Sra. Janete Pereira no Parecer Técnico 004/2014 pode ser utilizada, pois complementa a avaliação desta Perita, ou seja, o afastamento médio dos valores obtidos pela Mineradora Catalão, sem considerar os sinais, é sim de 2,6%. No entanto, é de entendimento desta Perita que a consideração dos sinais no cálculo da média das diferenças mostrou neste caso de forma objetiva a oscilação dos valores obtidos em torno dos valores referencia, conforme pode ser observado no novo gráfico abaixo que mostra a porcentagem absoluta obtida de Nióbio de cada amostra por laboratório, bem como a referencia. Assim, como pode ser visto no gráfico acima, a interpretação inicial do Parecer Técnico bem como a complementar feita pela Falcão Bauer não alteram a conclusão dos trabalhos. (...) Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.567 27 Os resultados obtidos pela Falcão Bauer tendem a se mostrar superiores ao da amostra referencia, enquanto que os resultados na Mineradora Catalão tendem a oscilar ao longo da referencia, sem mostrando menores que a referencia em amostras cujo percentual absoluto de Nióbio se aproximam se 65%". O Laboratório de Análises Falcão Bauer se manifestou de folhas 1.352/1.354, do processo digital. Transcrevese fragmento relevante dessa manifestação, às folhas 1.353 do processo digital: "Na Resposta ao Quesito 1. do Novo Pronunciamento da Sra. Perita, fls. 1292. podemos observar que realmente a metodologia da interessada é restrita/especifica para matrizes com teores próximos ã 60%, pois na resposta a este quesito a Sra. Perita confirma que o equipamento é calibrado com base em amostras padronizadas de FerroNióbio, onde de 5 amostras padronizadas. 4 apresentam teores entre 62.7 e 68.5%. O que confirma que os equipamentos estão padronizados para esta faixa de teor. (...) Observando o gráfico de Porcentagem Absoluta de Nióbio, constante na manifestação da Sr. Perita às fls. 1300, no método da Falcão Bauer há uma linearidade na variação, sendo constante para qualquer ponto da curva/teor. Porém, no método da interessada observandose o mesmo gráfico podemos confirmar, como já foi colocado no Parecer Técnico 004/2014, que a metodologia é específica para teores próximos a 60% e que a variação do método não é uma constante, pois para valores em torno de 60% a variação tende a zero, no entanto, para teores acima de 65% de Nióbio, os valores encontrados pela metodologia da interessada são inferiores de 3 a 4% com relação aos dos padrões, conforme também confirmado por esta Perita, onde informa ás fls. 1300 e 1301 que os resultados da interessada tendem a oscilar ao longo da referência". (Grifo e negrito nossos) O trecho de folhas 1.300 e 1.301, do Parecer da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva, que o fragmento se refere, é o seguinte: "Os resultados obtidos pela Falcão Bauer tendem a se mostrar superiores ao da amostra referencia, enquanto que os resultados na Mineradora Catalão tendem a oscilar ao longo da referencia, sem mostrando menores que a referencia em amostras cujo percentual absoluto de Nióbio se aproximam se 65%". Portanto, há uma convergência em ambas as análises que os resultados na Mineradora Catalão tendem a oscilar de 3 a 4% para amostras com teores acima de 65% de Nióbio. Nesse sentido, transcrevese um fragmento do Relatório de Procedimento Fiscal, às folhas 18 do Relatório de Procedimento Fiscal: "Nos casos em análise, tratandose de mercadoria cuja natureza exige assistência técnica para sua perfeita identificação, possibilitando o confronto do resultado com Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 as informações constantes do respectivo despacho e dos documentos que o instruem, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável providenciou para alguns despachos a coleta de amostra para fins de análise laboratorial, em especial, para verificação da qualidade do produto exportado, tudo de conformidade com os procedimentos previstos na norma em vigor, registrando a ocorrência no SISCOMEX". Transcrevese também parte relevante do laudo de assistência técnica n° 1.954/2.011, do processo digital. Portanto, o Laboratório de Análises Falcão Bauer assinala que as conclusões da Perita que a metodologia de aferição de Nióbio empregada pela ANGLO AMERICAN NIÓBIO BRASIL LTDA., atual denominação social da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA., é mais precisa do que a sua – só á válida para valores em torno de 60%. DA MULTA REGULAMENTAR DE EXPORTAÇÃO O artigo 718 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, assim dispõe: 718. Aplicamse ao exportador as seguintes multas, calculadas em função do valor das mercadorias: (...) II de vinte a cinqüenta por cento: a) no caso de fraude, caracterizada de forma inequívoca, relativamente a preço, peso, medida, classificação ou qualidade (Lei no 5.025, de 1966, art. 66, alínea “a”); e b) no caso de exportação ou tentativa de exportação de mercadoria cuja saída do território aduaneiro seja proibida, considerandose como tal aquela que assim for prevista em lei, ou em tratados, acordos ou convenções internacionais firmados pelo Brasil, sem prejuízo da aplicação da pena de perdimento da mercadoria (Lei no 5.025, de 1966, art. 68, caput). (grifo e negrito nossos) E também a redação do artigo 66 da Lei n° 5.025/66: Art. 66. As fraudes na exportação, caracterizadas de forma inequívoca, relativas a preços, pesos, medidas, classificação e Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.568 29 qualidade, sujeitam o exportador, isolada ou cumulativamente, a: a) multa de 20 (vinte) a 50% (cinqüenta por cento) do valor da mercadoria; b) proibição de exportar por 6 (seis) a 12 (doze) meses Ambos artigos estão transcritos no Relatório de Procedimento Fiscal. O Relatório de Procedimento Fiscal (fl. 19), assim fundamenta a FRAUDE. "E efetuado o acompanhamento dos despachos de exportação por certo lapso de tempo, verificouse que o padrão de desvio se manteve, o que significa que não foi um caso isolado. O desvio reiterado exclui a possibilidade de alegação de boafé, já que o resultado do laudo de cada despacho analisado é de conhecimento do exportador que, inclusive, efetuou pagamento pela prestação dos serviços de pericia com base nas tabelas constantes do Anexo Único desta Instrução Normativa RFB n° 1.020, de 31 de março de 2010, sem qualquer tipo de impugnação. O que se constatou é que a conduta infracional permaneceu sendo reiterada em várias transações internacionais, o que caracteriza a fraude inequívoca no que tange à qualidade e que tem implicação no preço dos produtos comercializados. De fato, verificase que o percentual de divergência causa impacto no valor de cada despacho, uma vez que o valor da nota fiscal varia conforme o percentual de nióbio contido no produto exportado. Assim, além de estar sendo remetida ao exterior uma quantidade de nióbio superior ao declarado, também a operação de exportação não está sendo real no que diz respeito ao preço (ou valor aduaneiro) da mercadoria, havendo uma perda de remessa de divisas para o pais e esvaziamento das reservas nacionais de nióbio (altamente valioso e raro em outros territórios) sem o pagamento do preço devido, podendo caracterizar também lavagem de dinheiro, sonegação de tributos sobre faturamento e lucro". O fato a ser analisado é que a Perícia realizada demonstrou que havia motivos técnicos para que resultados obtidos pelo Laboratório Falcão Bauer tendem a se mostrarem superiores aos da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA. Portanto, ainda que a amostra referente ao do laudo de assistência técnica n° 1954/20111 revele um teor de nióbio de 71.692%, foi demonstrado no Parecer da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível esse desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Assim, não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afastase a incidência da multa regulamentar da exportação. 16. Conclusão Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 Diante dos fundamentos acima expostos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio apresentado, mantendose a decisão recorrida em TODOS os termos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13116.720483/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES.
Inexistindo os vícios apontados pela embargante, rejeitam-se os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3402-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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OMISSÕES. Inexistindo os vícios apontados pela embargante, rejeitamse os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3402002.927, sob alegação de omissão, na parte em que o colegiado aceitou o abatimento do imposto debitado nas remessas de produtos sujeitos à tributação monofásica para outros estabelecimentos. Segundo a embargante, o colegiado se omitiu ao não justificar o afastamento do art. 488, § 1º, IV, do RIPI/2002. Entende a embargante que este colegiado violou o art. 488, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 04 83 /2 01 2- 59 Fl. 2674DF CARF MF 2 § 1º, IV do RIPI/2002, pois o destaque do imposto nas operações impugnadas pelo fisco constitui uma infração e existe procedimento próprio para repetição de indébito à disposição do contribuinte. Também teria havido omissão do colegiado ao não justificar o afastamento do então vigente art. 333 do CPC, que trata do ônus da prova, pois não é lícito ao julgador valerse de diligência e perícia para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Entende a embargante que para não haver violação do art. 333 do CPC, o contribuinte deveria ter comprovado o suposto indébito de IPI desde o início do procedimento, pois não caberia a realização de diligência para suprir obrigação sua. Ressaltou que não é pretensão da Fazenda Nacional alterar o entendimento do acórdão embargado, mas apenas buscar a manifestação do colegiado sobre esses pontos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Antes de iniciar a apreciação dos argumentos da Procuradoria da Fazenda Nacional, é preciso esclarecer que este processo não versa sobre repetição de indébito e o colegiado também não reconheceu nenhum direito de compensação. O processo versa sobre lançamento de oficio do IPI, resultante da glosa de créditos tidos como indevidos pela fiscalização. E no IPI, quando ocorre glosa de créditos, é imprescindível que se faça a reconstituição dos saldos da escrita fiscal, pois a apuração desse imposto ocorre no Livro Modelo 8. Esse livro fiscal encerra uma verdadeira contacorrente entre o fisco e o contribuinte. O confronto entre lançamentos a crédito e a débito no Livro de Apuração do IPI nada tem a ver com repetição do indébito, mas sim com a concretização do princípio constitucional da não cumulatividade, que rege a apuração desse imposto. Assim, com a devida vênia à ilustre Procuradora Fazendária, o fato de o Acórdão embargado ter determinado que a reconstituição dos saldos da escrita fiscal levasse em conta o IPI debitado nas operações com produtos monofásicos, não se confunde com uma repetição de indébito, constituindo mero acerto da contacorrente de IPI para que o imposto não se torne cumulativo. Feito esse esclarecimento, passase ao exame das duas omissões alegadas pela embargante. Relativamente à falta de justificativa para o afastamento do art. 333 do CPC, é necessário relembrar que a primeira diligência para segregar essas operações foi proposta pelo Conselheiro Alexandre Kern no processo nº 18470.731952/200169, conforme consignado na Resolução nº 3403000.570 (fl. 2190), in verbis: "(...) A situação versada nestes autos é semelhante à do processo 18470.731952/200169, relatado pelo Conselheiro Alexandre Kern, e baixado em diligência por meio da Resolução 3403000.542. (...)" Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 13116.720483/201259 Acórdão n.º 3402003.454 S3C4T2 Fl. 3 3 É fato público e notório a preocupação do Conselheiro Alexandre Kern com o princípio da preclusão e com a distribuição do ônus da prova nos processos. Apenas o rigor com que o referido conselheiro aplica esses institutos já seria razão suficiente para criar uma dúvida razoável quanto à existência de falta de justificação do colegiado em relação à não aplicação do art. 333 do CPC. E o exame dos documentos presentes no processo, elimina qualquer dúvida a respeito do quanto alegado pela embargante, pois tais documentos revelam que não houve violação do art. 333 do CPC e nem omissão na sua aplicação, uma vez que as provas das alegações do fisco e do contribuinte já se encontravam nos autos antes da impugnação, conforme se pode constatar no Livro Modelo 8 do anocalendário de 2008, juntado às fls. 1836/1952. Com base nessa prova, basicamente, o fisco alegou que o crédito básico tomado pelo contribuinte sobre produtos monofásicos era indevido e o contribuinte, por sua vez, alegou que o fisco não havia considerado que na saída desses produtos houve débito de IPI sobre tais operações. O colegiado entendeu que se uma parte do crédito indevido havia sido anulado por débitos também indevidos, então não houve falta de recolhimento do imposto, em virtude de o débito na saída ter anulado o crédito na entrada. É esse o espírito da contacorrente de IPI. A prova do fato alegado por cada uma das partes já estava no processo desde antes da impugnação. O problema é que o Livro de Apuração não apresenta os dados de forma analítica, sendo consolidado por período de apuração. Daí a necessidade de o colegiado converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fizesse a demonstração analítica da parte do crédito que havia sido anulada pelo débito na contacorrente de IPI. A prova já estava no processo. O problema é que o colegiado não tinha como segregar qual parte do crédito havia sido anulada pelo débito a fim de aplicar a sua interpretação ao caso concreto. Portanto, ao contrário do que entendeu a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, este colegiado não utilizou a diligência para suprir o ônus da prova das partes; este colegiado também não ignorou o art. 333 do CPC; e este colegiado também não precisaria ter justificado a não observância do referido dispositivo legal, pois a segregação das operações relativas aos produtos monofásicos surgiu de uma necessidade do próprio colegiado para poder abater do auto de infração o imposto que já havia sido debitado em época própria. Inexistente, o vício alegado quanto ao art. 333 do CPC. Relativamente à alegação no sentido de que o colegiado não justificou o afastamento do art. 488, § 1º, IV, do RIPI/2002, o esclarecimento é simples: não houve justificativa para o afastamento desse dispositivo regulamentar porque o colegiado não o afastou. O art. 488, § 1º, IV, do RIPI/2002 estabelecia o seguinte, in verbis: Fl. 2676DF CARF MF 4 Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45); ou II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45). § 1º Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º): I a III omissis... IV os que destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o destacarem com excesso sobre o valor resultante do seu cálculo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso V). A leitura desse dispositivo revela que são puníveis com a multa de ofício as seguintes condutas do contribuinte: a) não destacar o imposto nas notas fiscais; b) não recolher o imposto destacado (obviamente que o dispositivo se refere à falta de recolhimento do saldo devedor apurado no Livro Modelo ao final de cada período de apuração e não ao imposto destacado isoladamente em cada operação); c) destacar indevidamente o imposto na nota fiscal; e d) destacar o imposto em montante superior ao valor calculado. Ao contrário do alegado pela embargante, o colegiado aplicou o dispositivo regulamentar acima transcrito, apenas modificando o quantum debeatur apurado pela fiscalização. O colegiado, ao determinar que a reconstituição dos saldos da escrita fiscal considerasse os valores do imposto debitado na saída, prestigiou o art. 488 do RIPI/2002, uma vez que a sua aplicação não pode resultar na exigência de imposto indevido. Não existe apuração de IPI fora do Livro Modelo 8. No caso concreto, o contribuinte não incorreu isoladamente nas irregularidades descritas no inciso IV acima transcrito. Ele incorreu também no aproveitamento indevido de créditos. Só que essas duas irregularidades se anularam no âmbito da conta corrente de IPI e o que o colegiado fez foi ajustar o quantum debeatur apurado pelo fisco, sem violar o art. 488 do RIPI/2002 e sem violar o art. 333 do CPC. Não há como aplicar o disposto no art. 488 do RIPI/2002 sem efetuar a apuração do quantum debeatur no âmbito do Livro de Apuração de IPI. No caso concreto, não considerar o imposto debitado na saída (ainda que indevidamente debitado), significaria aumentar indevidamente o quantum debeatur e a própria Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 13116.720483/201259 Acórdão n.º 3402003.454 S3C4T2 Fl. 4 5 base de incidência da multa de ofício. Essa é a constatação cabal de que o colegiado prestigiou o art. 488 do RIPI/2002 em lugar de violálo. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2678DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726222/2009-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 22 /2 00 9- 72 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13227.720401/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o vinculo entre a receita da atividade rural informada e os depósitos bancários, deve-se afastar a presunção do art. 42 da Lei na 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado).
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 17/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Comprovado o vinculo entre a receita da atividade rural informada e os depósitos bancários, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei na 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 17/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 04 01 /2 01 2- 19 Fl. 1498DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Versa o presente processo sobre auto de infração pessoa física referente aos exercícios de 2009 e 2010, anoscalendário de 2008 e 2009, no valor total de R$ 1.605.237,03, (fls. 1258/1268, 870/933 e 1225/1257), a serem acrescidos de juros de mora e multa de ofício. 2. Foram descritas pela Autoridade Fiscalizadora as infrações – AC 2008 (Termo de Verificação Fiscal (fls. 870/933): a) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. O contribuinte apresentou DIRPF Exercício 2009, em 28/04/2009 (TIF em 02/05/2011, fl. 06), com valores auferidos zerados (fls. 239/252), mas durante procedimento fiscalizatório apresentou Livro caixa (fls. 53/238) que continha faturamento proveniente de atividade rural na ordem de R$ 8.639.342,01 (no conjunto com Adailton Sawaris = R$ 17.278.684,02, fl.878 ) e despesas na ordem de R$ 8.524.678,40. O Resultado Positivo da Atividade Rural, para cada um somou R$ 114.663,61. Apresentou notas fiscais referentes às receitas e despesas da atividade. Intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas corrente, que somaram em 2008 R$ 16.185.099,43, o contribuinte afirmou serem oriundos de atividade rural, mas alegou ser impossível fazer uma correlação individualizada dos depósitos com os lançamentos contábeis. “Dessa forma, os valores declarados como Receita de Atividade Rural nos Livros Caixa de ambos, valores efetivamente recebidos (Art. 18, Lei 9250/95), que puderam ser abatidos dos créditos mensais encontrados nas contas correntes conjuntas, foram considerados como Omissão de Receita de Origem Comprovada Atividade Rural, sendo tributados segundo o Art.42 § 2, da Lei 9430/96, em combinação com os Arts. 4º e 13 da Lei 8023/90 . “ b) Depósitos Bancários de Origem não Comprovadas. Segundo Tabela 2 (fls. 884/885), os contribuintes não conseguiram justificar depósitos em suas contas correntes conjuntas que somaram 3.826.662,02 (R$ 1.913.331,01 cada). R$ 1.542.354,09 de depósitos de origem não comprovada são oriundos das contas correntes titularizadas somente pelo fiscalizado (Tabela 3, fl. 885): “Todavia, a diferença mensal encontrada entre os valores constantes nos extratos e a Receita Bruta declarada foi considerada como Omissão de Receita de Origem Não Comprovada, sendo tributada de acordo com o art. 42, §4º, da mesma Lei.” Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 3 3 (...) “Convém ressaltar que o critério utilizado por essa fiscalização para a consideração dos valores oriundos de Atividade Rural baseouse na análise dos rendimentos recebidos dessa atividade em relação às contas correntes de titularidade conjunta, comparando os extratos bancários das contas com a soma da Receita Bruta Mensal declarada nos Livros Caixa de Nivaldo Jacinto dos Santos e Adaílton Sawaris. Tal critério foi adotado pois o sujeito passivo desse procedimento fiscal e Adailton não obtiveram sucesso em apresentar a relação comprobatória de créditos existentes em suas contas correntes INDIVIDUALIZADAMENTE, como exige o Art.42, § 3º da Lei 9430/96. Ademais, a análise se concentrou nas contas correntes conjuntas devido à maneira de exploração da Atividade Rural adotada por ambos, sob a forma de parceria (Art. 59, Decreto 3000/99).” (...) “Contudo, quando o sujeito passivo e o contribuinte ADAILTON SAWARIS, CPF: 434.056.14015, titular em conjunto com o fiscalizado nas contas correntes 76543 e 107872 do BANCO DA AMAZÔNIA, 101249 e 10197 do SICOOB CREDISUL, 14648 do BANCO DO BRASIL e 193755 do BRADESCO, foram chamados a esclarecer a origem dos recursos, comprovaram a origem de apenas parte dos depósitos como sendo oriundo de atividade rural, conforme item 3.1 deste relatório, e alguns valores referentes a financiamentos rurais, conforme quadro a seguir.” 3. Foram descritas pela Autoridade Fiscalizadora as infrações – AC 2009 (Termo de Verificação Fiscal (fls. 1225/1257). a) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. O contribuinte apresentou DIRPF Exercício 2010, fls. 1200/1223, em 23/08/2011 (TIF em 21/03/2012 (fl.934), com lucro apurado (atividade rural) de R$ 1.190.830,51 (compensado com prejuízos acumulados da atividade rural). e faturamento proveniente de atividade rural na ordem de R$ 16.356.157,01 (no conjunto com Adailton Sawaris = R$ 32.712.314,68, fl.1229 ) e despesas na ordem de R$ 15.165.326,50. O Resultado Positivo da Atividade Rural, para cada um, somou R$ 1.190.830,51. Apresentou notas fiscais referentes às receitas e despesas da atividade. Intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas corrente o contribuinte afirmou serem oriundos de atividade rural, mas alegou ser impossível fazer a correlação de cada depósito com o faturamento. b) Depósitos Bancários de origem não Comprovadas. Segundo Tabela 2 (fl. 1233), os contribuintes não conseguiram justificar depósitos em suas contas correntes conjuntas que somaram R$ 2.239.825,39 (R$ 1.119.912,70 cada): 4. O contribuinte apresentou a peça impugnatória, fls. 1274/1307, em 12/07/2012, para alegar, em resumo, que: Fl. 1500DF CARF MF 4 a) o Sr. fiscal glosou indevidamente prejuízos acumulados dos AnosCalendários anteriores, que podem ser deduzidos do resultado positivo da atividade rural, conforme Art. 11, § 1o da IN SRF n°. 83; no valor de R$ 4.391.542,72 (quatro milhões, trezentos e noventa e um mil, quinhentos e quarenta e dois reais e setenta e dois centavos), b) Não estão cometendo nenhum ato ilícito, estão agindo de boa fé, comprovada a sua atividade por documentos hábeis, portanto cabe à fiscalização comprovar que o mesmo contenha algum vicio ou máfé nos atos negociais. Fato que não foi nem suscitado pelo fiscal, motivo com que venho requerer a invalidade do auto de infração... A fiscalização não trouxe nenhum elemento comprobatório que justificasse a DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO PERFEITO, comprovado pela documentação e pela escrita do livro caixa. c) Salientamos que os prejuízos acumulados constam devidamente nos registros contábeis do livro caixa, e que os mesmos também são demonstrados nas Declarações de Imposto de Renda dos exercícios anteriores. Prejuízos estes oriundos de custeios e dos investimentos da atividade rural deduzidos das respectivas receitas. d) O art. 74 da Lei no 9.430/96, alterado pelo art. 49 da Lei 10.637/2002, determina que: o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. e) Assim, o Princípio da Razoabilidade exige que as decisões do administrador público sejam sensatas e coerentes com o raciocínio do cidadão médio comum. f) O Sr. Fiscal também equivocadamente apurou, no ano de 2008 e 2009, Rendimentos da atividade rural de origem não comprovada, por valores creditados em conta(s) de deposito ou de investimento da atividade rural não declarada, no valor de R$ 4.575.597,83 (quatro milhões, quinhentos e setenta e cinco mil, quinhentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), conforme a Tabela 2, 3 e 4 do Termo de verificação fiscal, correspondente ao anocalendário 2008 e Tabela 2 do Termo de verificação fiscal, correspondente ao anocalendário de 2009. Ocorre que o Sr. Fiscal, no seu relatório de fiscalização, lançou em duplicidade como sendo receita da atividade rural: primeiro a financiamentos rurais obtidos para custeio e investimentos rurais e em segundo o pagamento relativo aos produtos anteriormente entregues e/ou vendidos, conforme demonstra a escrita do Livro Caixa, já debatido anteriormente. Na sistemática de venda dos produtos agrícolas, o agricultor em primeiro lugar deposita sua produção em grãos, e em seguida, conforme o mercado e suas disposições financeiras de fluxo de Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 4 5 caixa, efetua a venda e/ou recebimento do referido produto. Não há como a entrega do produto e o respectivo recebimento servirem duas vezes de base de cálculo do mesmo tributo, ou tributase o faturamento pelo Livro Caixa ou o recebimento do respectivo faturamento que é única e exclusivamente efetuado por meio bancário, este último deve ser tributado, conforme artigos 4o e 6o da Lei 8.023/90. Desta feita NUNCA deve tributar em duplicidade a mesma operação do Contribuinte, é ilegal, não há base na legislação brasileira, só pode ter ocorrido erro e/ou lapso do Sr. Fiscal. g) o valor de R$ 2.239.825,39 (dois milhões, duzentos e trinta e nove mil, oitocentos e vinte e cinco reais e trinta e nove centavos), deve ser compensado com o excesso de receitas declaradas nos meses de 02, 03, 04, 05, 07 e 10, cujo montante chega ao valor de R$ 15.089.073,32 (quinze milhões, oitenta e nove mil, setenta e três reais e trinta e dois centavos). Uma, vez, que é sabido por todos que o saldo credor ou devedor da conta caixa é transferido para o período seguinte ou seja, o saldo e cumulativo. Ao diminuirmos R$ 2.239.825,39 (dois milhões, duzentos e trinta e nove mil, oitocentos e vinte e cinco mil e trinta e nove centavos) do saldo acumulado R$ 15.089.073,32 (quinze milhões, oitenta e nove mil, setenta e três reais e trinta e dois centavos), ainda resta um "estoque de saldo anterior" que é de R$ 12.849.247,93 (doze milhões, oitocentos e quarenta e nove mil, duzentos e quarenta e sete reais e noventa e três centavos). (...) Portanto não há o que se falar em omissão de rendimentos omitidos de origem não comprovadas nas contas bancárias no ano de 2008 e 2009, onde ficou comprovado, nos demonstrativos acima, que o valor das receitas declaradas no Livro Caixa, é infinitivamente superior à movimentação de depósitos em conta corrente. Pode sim, ter ocorrido um erro de interpretação no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda, o qual não traz prejuízo algum ao fisco. h) Tais depósitos bancários, conforme já demonstrado, foram reconhecidos e escriturados de forma indireta no Livro Caixa da Atividade Rural em conta "caixa" sem ter registro e ou anotações correspondentes e provas documentais da vinculação dos créditos nas contascorrente. Sendo mais claro, isto quer dizer que o contribuinte pecou por uma irregularidade de ordem formal e não material como quis demonstrar a autoridade fiscal. i) O não registro dos depósitos das contascorrente no presente caso não representa uma omissão de receita, mas sim, mero erro de formalidade quanto ao procedimento já que as mesmas, de forma indireta foram reconhecidas pelos Livros Caixa da Atividade Rural. Temos então que o numerário depositado nas Fl. 1502DF CARF MF 6 contas em questão possuem identificação e estão perfeitamente lastreados em operações comerciais. j) A simples presunção de omissão de renda tributável com base apenas nos depósitos bancários de origem não comprovada não pode levar a conclusão da existência de fato gerador do imposto de renda, para tanto deverá existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a presunção. Mesmo porque os valores detectados poderão ter si originado de renda não tributável ou até mesmo de renda já tributada.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 EMENTA ATIVIDADE RURAL A tributação favorecida implica que se deve apurar o resultado (declarado) da atividade rural através de escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reitera, em síntese, os argumentos discorridos em sede de impugnação no sentido de que não houve omissão de receita e que a origem dos valores apresentados está no exercício da atividade rural comprovada. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega o contribuinte que apenas há omissão, quando não há apresentação da documentação solicitada e, no caso dos autos, toda vez que intimado para apresentação de documentos, o contribuinte fez, conforme determinado. Além disso, sustenta o recorrente que os resultados da atividade rural apurado a partir dos registro no livro caixa foram informados na Declaração Retificadora. Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 5 7 Também questionou o contribuinte a consideração dos valores apresentados em livro caixa para o cômputo da infração imputada ao recorrente e se desconsiderou a existência de validade do mesmo livro para a compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores. Com relação às alegações, o acórdão recorrido consignou a impossibilidade de compensação do apontado prejuízo fiscal, considerando que tal concessão depende de uma escrituração regular. Observase que, de fato, foi feita Declaração Retificadora, fl. 1209 e incluída a receita bruta da atividade, as despesas e os prejuízos apurados, restando um resultado negativo de R$ 3.086.048,60. Contudo, o escopo da fiscalização assentouse na análise da movimentação financeira do contribuinte em relação aos rendimentos declarados em sua DIRPF, por meio dos extratos bancários. Dessa forma, os valores declarados como Receita de Atividade Rural nos livros caixa de ambos (contribuinte e parceiro), que puderam ser abatidos dos créditos mensais encontrados nas contas correntes conjuntas, foram considerados como Omissão de Receita de Origem Comprovada atividade rural. Todavia, a diferença mensal encontrada entre os valores constantes nos extratos e a Receita Bruta declarada foi considerada como Omissão de Receita de Origem Não Comprovada. Na DIRPF Retificadora, anocalendário 2009, consta como receita bruta total o valor de R$ 16.356.157,01 e de despesas de custeio e investimento tais de R$ 15.165.326,50, que correspondem a 50% do valor escriturado no livro caixa a título de receita bruta R$ 32.712.314,68 e de despesas R$ 30.330.653,00, em razão da parceria reconhecida com o senhor Adailton Sawaris. Também consta da declaração mencionada os prejuízos, de exercícios anteriores no valor de R$ 4.276.879,11, mas, na DIRPF Retificadora do anocalendário de 2008, não foi declarado rendimentos da atividade rural e, por consequência, não foram declarados prejuízos respectivos. Assim, em que pese a alegação do recorrente de que a fiscalização deixou de considerar os prejuízos apurados em períodos anteriores, não houve a comprovação dos suscitados prejuízos. Em verdade, como não houve escrituração regular do livro caixa, não é possível acompanhar a evolução dos prejuízos da atividade rural. Cumpre acrescentar que o Termo de Verificação Fiscal, fl. 1230, expressamente dispõe a apuração do resultado tributável levou em consideração a diferença entre a Receita Bruta Total e as Despesas de Custeio e Investimentos declarados em livro caixa e comprovados por meio de documentação hábil e idônea,nos termos seguintes: Diante do exposto, foram lançados de ofício os valores constantes na TABELA 1, referentes aos rendimentos omitidos na DIRPF do fiscalizado. A apuração do Resultado Tributável levou em consideração a diferença entre a Receita Bruta Total e as Despesas de Custeio e Investimentos (Art. 63, Decreto 3000/99), declarados em Livro Caixa e comprovados por meio de documentação hábil e idônea . Essa forma de apuração, “Receitas menos Despesas de Custeio e Investimentos”, resultou em um valor menor do que se tivesse sido aplicado o Fl. 1504DF CARF MF 8 montante de 20% da Receita Bruta auferida no anocalendário de 2009, opção dada pelo Art. 71 do mesmo Decreto. Considerando a similaridade dos presentes autos com o processo n.º 13227.720401/201219, no qual consta como contribuinte o parceiro do recorrente (Adailton Sawaris), de relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, julgado na sessão do dia 02/12/2014, adoto como razões de decidir o trecho do acórdão abaixo transcrito: No que tange à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cumpre transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1091): Após análise e revisão, por essa fiscalização, dos créditos a serem justificados, observouse que alguns depósitos inicialmente questionados não representavam efetivo ingresso de recursos nas contas, desonerando o sujeito passivo da comproválos. O valor final a ser comprovado foi de RS 14.642. 745,34, conforme ANEXO III desse relatório. De tal montante, foi comprovada, por Nivaldo Jacinto dos Santos, a origem de R$ 10.816.083,32 como sendo oriundo de Atividade Rural, restando o montante de R$ 3.826.662,02 como depósitos bancários de origem não comprovada. FI. 1256 Do exposto, verificase que do total de R$ 14.642.745,34, atinentes aos créditos de origem não comprovada, o recorrente logrou comprovar R$ 10.816.083,32. Em razão da diferença, entendeu a fiscalização que houve omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no montante de R$ 3.826.662,02. Por sua vez, como a receita de atividade rural representou o montante de R$ 17.278.684,02, fl. 1194, constata se que o valor ultrapassou, consideravelmente os créditos bancários apurados de origem não comprovada, razão pela penso ser razoável considerálo para fins de justificar a omissão de rendimentos relativa aos depósitos bancários, apesar da falta de coincidências em datas e valores. Esse entendimento' possui precedente neste Conselho, consoante se extrai das ementas transcritas: IRPF DEPÓSITOS BANCARIOS LEI N~ 9.430. DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive àqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. (processo nº: 13027.000651/200213 Acórdão nO:10419.845) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARAC1ERlZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese jazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançada. Comprovado a origem do depósito bancário, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. (CSRF, Segunda Turma, Processo nO 19515.002869/200378, Acórdão n° 920201.385, Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 6 9 Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgada em 11/04/2011) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS'' DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Ante a ausência de previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (ar/. 42 da Lei n° 9.430/96) e logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento. (Acórdão CSRF nO 9202002.655 Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 24 de abril de 2013) Assim, em razão do liame objetivo entre a receita de atividade rural e os depósitos bancários, deve ser excluído o item 2 do Auto de Infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. No caso dos presentes autos, temse o mesmo liame objetivo entre a receita de atividade rural e os depósitos bancários, a receita da atividade rural escriturada é consideravelmente maior que os depósitos bancários de origem não comprovada, razão que nos leva a crer na razoabilidade de considerar justificada a omissão de rendimentos relativa aos depósitos bancários. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1506DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000233/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 20/12/2001 a 30/09/2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
Tendo havido embargos considerados intempestivos é contra essa decisão que se deve voltar o recurso especial, não se podendo admitir recurso que se volta diretamente contra o mérito da decisão anteriormente embargada.
Numero da decisão: 9303-004.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LONDRINA BEBIDAS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/12/2001 a 30/09/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS Tendo havido embargos considerados intempestivos é contra essa decisão que se deve voltar o recurso especial, não se podendo admitir recurso que se volta diretamente contra o mérito da decisão anteriormente embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Rodrigo Da Costa Pôssas Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 33 /2 00 6- 11 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 O recurso especial da Fazenda Nacional, interposto em 16 de maio de 2012, busca reverter decisão da terceira câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, prolatada em 2008, cuja ementa consigna: "CITAÇÃO VÁLIDA E DECADÊNCIA A citação somente passa a ser válida a partir da data em que a recorrente tem acesso aos autos, caso contrário não sera perfeita, pois não atingirá o objetivo exposto no artigo 213 do CPC. Como o prazo para que a Unido constitua crédito referente ao IPI é de cinco anos contados da data do fato gerador, conforme, o §4° do art. 150 do CTN, está decaído o direito de a Fazenda Nacional cobrar os tributos referentes ao não lançamento /PI no período anterior a 27/12/2001. JUROS SOBRE MULTA Não há previsão legal para cobrança de juros sobre a multa, portanto, devem ser anulados tais juros." O recurso busca rediscutir os dois temas decadência e incidência de juros sobre a multa de ofício e apresenta acórdãos que decidiram contrariamente ao recorrido, um para cada matéria. No que tange à decadência, não ataca a interpretação da Câmara recorrida quanto à necessidade de acesso do sujeito passivo aos autos, limitandose a questionar a aplicação do art. 150 mesmo que inexistentes recolhimentos. O recurso foi integralmente admitido por despacho do Presidente da Terceira Seção do CARF, que o considerou tempestivo e comprovadas as divergências. Em contrarrazões que oferece, a recorrida aduz ser intempestivo o recurso especial consoante jurisprudência que colaciona. E isso porque antes da interposição do recurso especial, a Fazenda Nacional propusera embargos de declaração à decisão em dois momentos distintos. Na primeira ocasião, entendeu o colegiado (acórdão 220100310) que eles seriam intempestivos, porquanto teriam sido apresentados antes da ciência formal da decisão que se pretendeu embargar. Com efeito, consignouse no acórdão: Os embargos são intempestivos, já que a embargante, protocolizou os embargos no dia 09/02/2009 (fls.1009/1011), mas foi oficialmente cientificado do acórdão somente em 10/02/2009 (fl. 1006), ou seja, um dia depois de protocolizar os embargos, portanto, no momento dos embargos inexistia decisão, pois, como demonstrado, a embargante não tinha conhecimento da decisão, já que não havia sido cientificada. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça vêm decidindo no mesmo sentido, in verbis: 105087275 AGRAVO DE INSTRUMENTO EXTEMPORANEIDADE IMPUGNAÇÃO RECURSAL PREMATURA, DEDUZIDA EM DATA ANTERIOR À DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO RECURSO IMPROVIDO A intempestividade dos recursos tanto pode derivar de impugnações prematuras (que se antecipam publicação dos acórdãos) quanto decorrer de oposições tardias(que se registram após o decurso dos prazos recursais). Em Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 17883.000233/200611 Acórdão n.º 9303004.204 CSRFT3 Fl. 1.607 3 qualquer das duas situações Impugnação prematura ou oposição tardia , a conseqüência de ordem processual é uma só: o não conhecimento do recurso, por efeito de sua extemporânea interposição. (STF AlAgR 509077 Rel. Min. Celso de Mello DJ 05.06.2008) 1163923180 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ANTES DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO EXTEMPORANEIDADE CONFIGURADA 1 É inviável o conhecimento de recurso interposto anteriormente à publicação da decisão combatida, dada a sua extemporaneidade. 2 Embargos de Declaração não conhecidos. (STJ EDclAgRgREsp 1.025.529 (2008/00176070) 2" T Rel. Min. Herman Benjamin DJe 20.04.2009 p. 684) Outrossim, como consta nos autos, a ciência do acórdão foi posterior a interposição dos embargos de declaração, assim, extemporâneo o presente recurso. Ex posistis, não conheço dos embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou novos embargos, agora questionando a premissa adotada pelo colegiado para considerar extemporânea sua primeira peça aclaratória. Afirmou aí ter sido cientificada na mesma data da apresentação dos primeiros embargos, e não no dia anterior. Essa segunda peça, porém, não foi admitida por despacho por mim assinado e assim redigido: Com base nos arts. 25 e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, foram estes autos distribuídos para exame de admissibilidade de embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional em face do acórdão 220100.310, de 04/06/2009, que rejeitou embargos de declaração anteriormente apresentados, por entendêlos intempestivos. Sustenta a Fazenda Nacional que o aresto teria incorrido em erro ao partir da premissa que o aclaratório fora oposto antes da ciência, haja vista que a data a ser considerada não deve ser o protocolo do recurso, mas sim, a data da Relação de Movimentação — RM do processo administrativo, de modo que a cientificação ocorrera na mesma data de sua interposição. Pois bem, a peça aviada não aponta qualquer omissão, contradição ou obscuridade, requisito essencial para justificar a propositura do embargo de declaração, revelando, isto sim, a intenção de atribuirlhe um efeito infringente que não ostenta, não servindo, também, como instrumento de réplica h. opção exegética do Colegiado e tampouco se prestando a reabrir o debate em torno de questões já devidamente julgadas. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Pelo exposto, ausentes os pressupostos ensejadores, opino pela inadmissibilidade do embargo de declaração proposto, sendo o que submeto à apreciação do Presidente da Quarta Camara Ordinária da Terceira Seção de Julgamento. ROBSON JOSÉ BAYERL Conselheiro Substituto Tendo em vista a informação em epígrafe, que aprovo, nego seguimento aos embargos de declaração propostos e, nos termos do art. 65, §§ 3° e 4° do RICARF, determino o encaminhamento à representação da Procuradoria da Fazenda Nacional neste CARF para ciência, registrando desde logo que o despacho em tela é irrecorrível. À Secretaria desta Câmara para adoção das providência cabíveis. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara A recorrida afirma ainda em suas contrarrazões que ele não deve ser conhecido quanto à incidência de juros sobre a multa porque não teria sido comprovada a divergência. No mérito, que limita a essa matéria embora o especial também ataque a decadência reconhecida pelo colegiado recorrido, afirma não haver base legal para a incidência dos juros sobre a multa de ofício exatamente como decidido na decisão atacada. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Começo, como de praxe, pela questão da admissibilidade do recurso especial, a qual ganha ainda maior relevo no presente caso, dada a singularidade de seu andamento. É que bem apontado pela recorrida houve embargos da Fazenda Nacional que foram efetivamente considerados intempestivos, embora não porque apresentados após esgotado o prazo regulamentar, mas porque o teriam sido antes de iniciado aquele prazo. Consta da defesa também citação da jurisprudência tanto do STJ quanto do STF no sentido de que, em tais casos, tornase também intempestivo eventual recurso posteriormente apresentado. Defende que esse entendimento também tem aplicação no CARF dada a norma regimental que afirma somente ocorrer a suspensão ou interrupção do prazo para recurso especial por força de embargos tempestivos. De nada disso divirjo. Porém, há mais um detalhe neste processo que complica a análise do conhecimento do recurso especial da Fazenda. Deveras, não a rejeito pela razão apontada em contrarrazões. Explicome. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 17883.000233/200611 Acórdão n.º 9303004.204 CSRFT3 Fl. 1.608 5 É que a Fazenda não se quedou inerte quanto à acusação de intempestividade de seu primeiro aclaratório. Ao contrário, como procurei demonstrar no relatório, apresentou novos embargos, agora contra o acórdão integrador, que não foram considerados intempestivos exatamente porque respeitaram o prazo contado desta última decisão e contra ela voltado. Isso, a meu sentir, afasta a impossibilidade de apresentação de todo e qualquer recurso especial. Isso porque, embora não tenha ficado explícito no despacho que assinei, entendemos o dr. Robson e eu, que a contestação nele analisada não se subsumia a uma daquelas que ensejam a figura dos embargos. Em tais casos, o que se diz é que a matéria ali negada é passível de novo questionamento apenas em recurso especial. E assim o era no caso concreto porque, entendemos, não havia contradição no julgado, mas aparente má apreciação da regra de contagem de prazo para a Fazenda. Deveras, disse a Procuradora: Contudo, a data do protocolo da peça recursal, 09/02/2009, conforme registro do servidor, não é a data que deve ser considerada na contagem do correspondente prazo, tendo em vista que a Relação de Movimentação — RM, de fls. 1012, registrou como envio do processo a data de 10/02/2009 as 11h12. E a data da RM, consoante expressa disposição contida no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, que deve ser levada em conta para o fim de aferição da tempestividade do recurso: "Art. 64. A remessa de processos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aos Conselhos de Contribuintes será realizada mediante movimentação no sistema Comprot. §1º Será considerada como data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo for entregue no seu destino. § 2º Compete às Secretarias das Câmaras anexar aos autos cópia da RM emitida pelo Comprot, após o retorno dos respectivos processos." Ou seja, às escâncaras, os segundos embargos pretenderam discutir o cerne da decisão tomada, ou ainda mais claramente, o critério jurídico que embasou a conclusão pela intempestividade dos embargos anteriores. E, até redundante, eles não se prestam a tanto. Sublinho, mais uma vez: não afirmei que os segundos embargos eram intempestivos. E qual é, afinal, a conclusão de todo esse imbróglio? É ela que, a meu ver, o recurso especial da Fazenda que poderia ser admitido era, exclusivamente, um que se voltasse contra aquela decisão retratada no acórdão integrador. Em outras palavras, dois caminhos Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 restavam à Fazenda: ou requerer a nulidade da decisão que rejeitou os seus segundos embargos, reafirmando, agora, ter ocorrido alguma omissão, contradição ou obscuridade que não foi adequadamente apreciada; ou propor a rediscussão da regra de contagem do seu prazo, mais especificamente, o seu dia inicial. Neste que examinamos não há nem uma nem outra. Diversamente, pretende ele diretamente rediscutir o mérito da decisão original: decadência e juros sobre a multa. Dele não conheço, pois. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13899.001314/2006-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES EXCLUSIVAMENTE COM LUCROS, AQUISIÇÃO UNICAMENTE PELOS SÓCIOS. OPERAÇÃO NÃO USUAL E ANORMAL.
A remuneração de debêntures efetuadas exclusivamente com os lucros da empresa e oferecidas unicamente aos seus sócios, foge dos critérios de usualidade e normalidade a esse tipo de operação. Somente são admitidas corno dedutiveis para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa.
IRRFONTE. COMPENSAÇÃO COM O IRRJ,
Inexiste direito a compensação do IRRF retido e recolhido pela fonte pagadora com o seu próprio IRPJ.
Numero da decisão: 1202-000.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de oficio quanto à matéria compensação do IR Fonte, vencidos os conselheiros Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno, que negavam provimento ao recurso de oficio. Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, de decadência e de cerceamento ao direito de defesa e, quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno (relator), que davam provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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OPERAÇÃO NÃO USUAL E ANORMAL. A remuneração de debêntures efetuadas exclusivamente com os lucros da empresa e oferecidas unicamente aos seus sócios, foge dos critérios de usualidade e normalidade a esse tipo de operação. Somente são admitidas corno dedutiveis para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. IRRFONTE. COMPENSAÇÃO COM O IRRT, Inexiste direito a compensação do IRRF retido e recolhido pela fonte pagadora com o seu próprio IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de oficio quanto à matéria compensação do IR Fonte, vencidos os conselheiros Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno, que negavam provimento ao recurso de oficio. Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, de decadência e de cerceamento ao direito de defesa e, quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno (relator), que davam provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo, , 71'Nélson Ló o H ' o — Presidente .., 4 !,120Yi - - Orl uO Jose onçalves Bueno — Relator s,. " Carlos Al e o De assolo — Redator Designado, n 2 Sr i 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valeria Cabral Géo Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Buena, Áll Or 2 Processo n° 13899,001314/2006-16 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.335 Fl. 2 Relatório Trata-se de lançamento de oficio para exigência de IRPJ em face das acusações relativas a: (i) utilização, no ano-base de 2000, de incentivos fiscais (FINAM- FINOR-FUNRES) em valores que teriam excedido o que a legislação permite, e (ii) despesas não necessárias, em razão de glosa de despesas com remuneração de debêntures no ano de 2001. Lavrou-se também, no mesmo trabalho fiscal, o lançamento de CSLL acerca do item (ii) acima. No Termo de Verificação Fiscal, foram dedicados 2 parágrafos para a acusação de que a empresa se utilizou de incentivos em valores superiores conforme apurado em revisão interna e demonstrado em anexo. Com relação às debêntures, após pequena introdução teórica acerca de debêntures e de dedutibilidade de despesas, o AGENTE FISCAL narrou que a empresa emitiu debêntures em 1998 com remuneração de até 70% do lucro e que foram adquiridas pelos próprios acionistas mediante aproveitamento de conta-corrente da qual eles eram credores junto à empresa. Ademais, para sustentar sua acusação, afirmou: A emissão das debêntures da empresa infringe a legislação e conceito puro de debênture; As características das debêntures da autuada comprovam sua anormalidade e desnecessidade, o que tornam a despesa indedutivel; Não houve captação de recursos externos (o AGENTE FISCAL adverte que este é o "motivo primordial"); Os adquirentes das debêntures foram os acionistas da empresa, mediante transferência de crédito existente em suas contas correntes mantidas junto à empresa, cujos saldos eram oriundos de dividendos de anos anteriores não pagos; Não houve circulação monetária para a aquisição das debêntures (o AGENTE FISCAL indica como "fator fundamental"). Por conta de tais motivos, o AGENTE FISCAL desconsiderou a operação, tendo sido tais despesas reconhecidas como não necessárias às operações ou transações normais à atividade da empresa. Informou ainda no TVF que a empresa já havia sido autuada anteriormente pelo mesmo motivo (processo 19515.002923/2003-85), sendo que esse lançamento relativo ao ano de 1999 foi mantido pelo 1° Conselho de Contribuintes (Acórdão 101-94,986/2005), Em 18/04/2007, a 5' Turma de Julgamento da DRJ em Campinas cancelou em parte o lançamento por reconhecer a decadência do lançamento no que concerne à utilização excessiva de incentivo fiscal, e o IRFonte pago nas remunerações das debêntures para o fim de diminuir o valor do lançamento do IRPJ, 59!IP / 3 Como fundamento de sua decisão na parte que manteve o lançamento em relação à descaracterização das debêntures, a Turma Julgadora a qua utilizou argumentos apresentados tanto em 1" instância quanto em 2 8 instância de julgamento do referido processo decorrente da exigência do ano de 1999 em face da glosa das debêntures, mediante transcrição praticamente integral das decisões, dentre os quais se podem destacar os seguintes: Argumentos da 1" decisão no processo 19515.002923/2003-85: - com o aproveitamento dos valores em conta-corrente, não houve riqueza nova (recursos novos) para financiar o projeto; - ao reembolso do valor das debêntures acrescem-se, pelo menos, juros; a participação nos lucros deve ser vista como algo a mais além dos juros; - a lógica do instituto de debêntures é o financiamento de projetos de longo prazo, sendo que no caso foi deliberado um prazo exíguo para o início da remuneração; - a propriedade deve atender a sua função social, e nesse sentido está o fisco protegendo o bem da coletividade, ao cumprir seu dever de fiscalizar e arrecadar; - o intérprete da legislação tributária pode abstrair-se da validade jurídica dos atos e fatos efetivamente praticados, pata considerar os verdadeiros efeitos econômicos subjacentes deles. Argumentos da 2" decisão (CC) no processo 19515.002923/2003-85: - é inegável que a lei faculta a remuneração das debêntures mediante participação nos lucros; - todavia, não se pode dizer que é ela normal e usual; pode-se pelo menos dizer tratar-se de um aspecto controvertido; - o direito do contribuinte auto-organizar sua vida não é ilimitado; - o conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito; - se o negócio lícito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar; todavia, se adotada forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negociai, mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco pode se opor; - é pouco crível que a empresa abrisse mão de 70% de seus lucros para remunerar terceiros debenturistas, de modo que isso não é usual; - no caso, a remuneração das debêntures com até 70% dos lucros caracterizou ato de liberalidade, ainda que seja próprio da companhia captar recursos para fazer frente às suas necessidades; - não houve ingresso de novos recursos financeiros na empresa, apenas foi alterado o título da sua obrigação frente aos acionistas (o que era crédito de acionista foi transformado em crédito de debenturista); 3e) 4 Processo rf 13899 001314/2006-16 S1-C212 Acórdão n° 1202-00.335 Fl. 3 - não pode ser oponível ao Fisco uma operação que objetivou exclusivamente reduzir a carga tributária, mediante operação formalizada "em papel" que transformou lucros distribuídos em despesa dedutível. Acrescentaram-se ainda argumentos de que o questionarnento acerca do enquadramento legal em dispositivos da dedutibilidade de despesa operacional, sob argumento de existência de disposição específica sobre a matéria (RIR, art. 462), foi apreciado e afastado pelos acórdãos mencionados no voto e que o PN CST 99/78 fez constar o entendimento de que apenas as debêntures com natureza de juros são dedutíveis. Quanto ao custo financeiro do crédito dos acionistas, a DRJ sustentou que a tentativa da Recorrente não pode ser acatada, pois não restou comprovado que a empresa teria a obrigatoriedade de promover pagamentos aos acionistas, e que, portanto, necessitaria fazer empréstimo. Ademais, a contribuinte adotou como parâmetro taxas pré-fixadas do Banco Central, ao passo que o órgão divulga também taxas consolidadas de aplicação e captação, todas inferiores àquelas utilizadas. Por fim, acatou parcialmente o pedido de aproveitamento do IRFonte retido quando do pagamento das remunerações das debêntures aos acionistas para reduzir o valor do IRPJ, A Turma Julgadora recorreu de oficio em razão do reconhecimento da decadência e da redução do IRPJ por conta do aproveitamento do IRFonte. Inconformada com a decisão, a empresa Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário no qual traz as seguintes alegações: Em 02/05/98 a Recorrente emitiu 140,000 debêntures, no valor nominal de R$ 1.000,00 cada, sendo que cada debênture assegurava uma remuneração com base exclusivamente em participação de 0,0005% nos lucros trimestrais da Recorrente, e que o máximo de 70% jamais foi alcançado. Até janeiro/2001 foi integralizado um total de 130.659 debêntures, sendo a integralização inicial (66.801 debêntures) efetuada com referidos créditos em contas correntes e as demais mediante os rendimentos das próprias debêntures. No ano- calendário de 2001 o percentual de participação nos lucros pelas debêntures chegou a 65,32% em média. Os subscritores das debêntures foram acionistas da Recorrente, que efetivaram as integralizações das debêntures mediante compensação de créditos seus mantidos em contas correntes contra a empresa, oriundos de dividendos distribuídos e não pagos, mas há muito já creditados aos acionistas. Houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade fiscal limitou-se a afirmar que a emissão das debêntures teria infringido a legislação e o "conceito puro" às debêntures, bem como que não teria se revestido das formalidades legais, sem, contudo, apontar qual o dispositivo de lei que teria sido infringido e em quais circunstâncias isto teria ocorrido. Não se pode aplicar os requisitos de dedutibilidade das despesas operacionais (art. 299 do RIR199) à remuneração assegurada a debêntures de participação nos lucros. t 1111 5 Mesmo que a remuneração das debêntures, correspondente a participações no lucro, pudesse ser subsumida ao art. 299 do RIR/99, ainda assim a dedutibilidade das mesmas estaria assegurada, pois houve relação objetiva entre a despesa e as atividades da Recorrente. A autoridade fiscal também capitulou a exigência no artigo 300 do RIR/99, segundo o qual: "Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros". Assim, considerando-se que a remuneração das debêntures corresponde a rendimento pago a terceiros, a única norma específica aplicável ao caso concreto é a do art. 462 do RIR199, a qual expressamente determina a dedutibilidade das participações no lucro da pessoa jurídica "asseguradas a debêntures de sua emissão". O negócio jurídico atinente às debêntures foi motivado por razões empresariais legítimas e facilmente aferíveis com base nos indicadores econômico-financeiros da Requerente. Houve efetivo ingresso de recursos novos ria empresa. A ausência de circulação monetária, no sentido exclusivamente fisico desta circulação, não implica na inexistência de ingresso de novos recursos financeiros para a empresa. A situação acionistas/debenturistas, sendo as debêntures remuneradas com base em participação nos lucros, foi plenamente justificável no caso concreto da Recorrente, em função da sua realidade empresarial vivida à época. O empréstimo instrumentalizado pelas debêntures foi vantajoso para a Recorrente, pois seu custo ficou abaixo das taxas médias praticadas para empréstimos bancários à pessoa jurídica (34,88% para as debêntures e 40,99% para os empréstimos bancários). A estrutura de endividamento da Recorrente era absolutamente compatível e adequada às características de seu negócio, conforme se observa do resultado da pesquisa sobre endividamento de empresas, realizada por empresa especializada. A redução do lucro da Recorrente pela remuneração das debêntures não importou na eliminação total ou abusiva de tributação. Adicionalmente, caso o valor total da remuneração das debêntures fosse reconhecido pela Recorrente sob a forma de contas correntes remunerados com os seus acionistas a taxas de juros de mercado ou pudesse ser pago sob a forma de juros sobre o capital próprio (JCP), nenhuma dessas outras opções seria mais onerosa do ponto de vista tributário do que acabou sendo a opção das debêntures (apresentou quadros comparativos). Ainda que fosse mantido o lançamento do IRPJ, a dedutibilidade das participações no lucro asseguradas às debêntures não pode ser questionada quanto à base de cálculo da CSLL, na medida em que não há qualquer diploma legal determinando que as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real, em fimção do requisito de necessidade regulado no art. 299 do RIR/99, devam ser adicionadas à base de cálculo da CSLL. Caso fosse mantido o lançamento em sua integralidade, os valores recolhidos pela Recorrente a título de IRRF devem ser deduzidos do crédito tributário de IRRI, na medida em que a modificação dos efeitos fiscais de um negócio jurídico não pode limitar-se a apenas um de seus efeitos (a dedução das bases do IRPJ e CSLL), mas sim a todos eles, inclusive os pagamentos feitos em decorrência deste mesmo negócio a título de IRRF no período-base autuado. Encontram-se nos autos pareceres de Marco Aurélio Greco e de Ricardo Matiz de Oliveira que concluem pela regularidade da operação objeto deste processo e pela eficácia para fins fiscais, - 6 (.7(f Y-11) Nik Processo n° 13899 001314/2006-16 51-C2T2 Acórdão n 1202-00335 A 4 Cuida-se de retomo de diligência, nos termos da Resolução no. 1202-00.008, de 17 de junho de 2009, que teve a finalidade de esgotar a análise probatória sobre a documentação constante nestes autos, relativamente aos recolhimentos do IRRF referentes a abril, maio e dezembro de 2001, cotejadas às justificativas e demonstrativos elaborados pela Recorrente. Pois bem, a diligência foi executada e veio aos autos seu termo conclusivo, a fls. 1733 e 1734, que leio em sessão para elucidar o quanto diligenciado. Foi dada ciência a Recorrente que se manifestou no prazo concedido, aduzindo o seguinte: - que a diligência validou que os valores recolhidos, nos períodos de abril, maio e dezembro de 2001 do IRRF sobre emissões de debêntures e que devem ser deduzidos do IRPJ lançado originalmente neste auto de infração, alcançando os juros de mora e a multa de oficio, alegando igual tratamento conferido no julgado pela l n Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo administrativo no. 19515,00292.3/2003-85, em que é parte a própria Recorrente; - que, por autorizado pelo art. 3°, inciso III da Lei no, 9,784/99 requer que seja apreciado o argumento da não incidência dos juros "selic" sobre a multa de oficio, perante a exoneração pretendida em parte sobre a autuação, citando ementas deste órgão fazendário de julgamento, inclusive o acórdão CSRF/02-03.133 (processo no, 18471,001680/2004-30); - suscita, ademais a impossibilidade de o fisco exigir crédito tributário oriundo de negócio jurídico ou ato praticado há mais de cinco anos contados da data do lançamento de oficio, ainda que esses negócios ou atos tenham gerado repercussão em períodos-base subseqüentes, ou seja, suscita a decadência como questão de ordem pública, que deve ser conhecida a qualquer tempo e instância de oficio pelo órgão julgador, que implica no próprio controle de legalidade do lançamento. Reporto-me a manifestação da Recorrente a fls. 1748 a 1753, que leio em sessão para o fiel relato da ocorrência processual. Eis o relatório, , 11" 7 Voto Conselheiro Relator, Orlando José Gonçalves Bueno Quanto ao Recurso de Oficio, a decisão de primeira instância acolheu a decadência, considerando o ano-base 2000 e a ciência do auto de infração na data de 11122006, portanto, transcorrido 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, eis que deve ser mantida posto ter cumprido corretamente o quanto prescrito no § 4" do art, 150 do Código Tributário Nacional, mormente em se tratando de lançamento por homologação, na esteira da pacífica jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e em não se imputando à contribuinte qualquer fraude, simulação ou vício social que tenha contaminado a operação tributária auditada. Assim como, a decisão da DRJ também acolheu que deveria ser deduzido da exigência o valor recolhido a título de 1RRFonte cuja vinculação aos rendimentos de debêntures pôde ser identificada mediante confronto dos DARF apresentados e das DIRF enviadas pela contribuinte, parcialmente pois não acolheu os valores supostamente recolhidos nos meses de abril, maio e dezembro de 2001, objeto da relatada diligência, uma vez considerados não provados. Nesse sentido, a diligência mencionada traz aos autos, conforme relatório conclusivo, a validação dos mesmos, com que confirma o entendimento exarado pela autoridade julgadora de primeira instância, para manutenção de sua decisão, não havendo motivo pata qualquer modificação perante esta instância recursal, uma vez comprovados os recolhimentos do IRRF onte, fazendo a contribuinte jus as deduções do IRPJ como decidido. Nego, por esses fundamentos, provimento ao recurso de oficio. Quanto ao Recurso Voluntário, presentes os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da preliminar de decadência. Suscita, ainda que em momento superveniente ao prazo de interposição do recurso voluntário, a decadência do lançamento, entendendo não ser possível a autoridade fiscalizadora emitir juízo de valor sobre negócio jurídico causal ou de origem, que produziu efeitos em períodos subseqüentes, ultrapassados os cinco anos da revisão fiscal nos termos do art. 150, parágrafo 4' do CTN. Por tratar-se de matéria de ordem pública - o instituto da decadência - entendo necessário o pronunciamento de oficio sobre tal preliminar, perante esta instância recursal administrativa, o que não seria possível se outra fosse a argüição do sujeito passivo nesta fase processual. Portanto, em face aos argumentos apresentados pela Recorrente, sobre tal preliminar cabe serena análise. Fato comprovado e incontestável é que o negócio jurídico, qual seja, a emissão das debêntures, em competente forma legalmente exigida, mediante escritura pública, foi lavrada em 02 de maio de 1998 (fls. 113/117), momento em que, perante terceiros, e aí se , (.1 t* 8 , I N Processo n 13899 001314/2006-16 Sl-C2T2 Acórdão n 1202-00.335 Fl 5 inclui a Fazenda Pública, constituiu-se seus regulares e legais efeitos, geradores de sua validade, ou invalidade perante fatos jurídicos constitutivos, naodificativos ou extintivos desses mesmos efeitos, objeto inicial e principal da auditoria fiscal cometida pela autoridade administrativa lançadora. Desta feita, sendo termo inicial de auditoria e base documental originária das conclusões finais do trabalho fiscal, é de se indagar se teria a autoridade fiscal competência e poder para examinar, no que se refere a regular produção de efeitos tributários constitutivos, o negócio originário que causou a glosa, na base de cálculo do IRRI e CSLL, da remuneração assegurada a debêntures emitidas por aquele instrumento jurídico formal inicial. Indiscutível, também, que a lei tributária- o CTN — estabelece um limite para a auditoria/ revisão fiscal, qual seja, o prazo de cinco anos a contar do fato gerador. Diga-se, para conferir, analisar, perquirir, apreciar documentos e negócios que tenham efeitos fiscais/tributários, Veja-se o Termo de Verificação Fiscal para conferir a análise do aludido documento, no que diz respeito a seu juízo sobre considerar a operação de emissão de debêntures válida, ou inválida e o tratamento concedido para seus efeitos tributários futuros. Como já relatado, a autoridade fiscal verificou e concluiu o seguinte: a emissão das debêntures da empresa infringe a legislação e conceito puro de debênture; as características das debêntures da autuada comprovam sua anormalidade e desnecessidade, o que tornam a despesa indedutível; não houve captação de recursos externos (o AGENTE FISCAL adverte que este é o "motivo primordial"); os adquirentes das debêntures foram os acionistas da empresa, mediante transferência de crédito existente em suas contas correntes mantidas junto à empresa, cujos saldos eram oriundos de dividendos de anos anteriores não pagos; não houve circulação monetária para a aquisição das debêntures (o AGENTE FISCAL indica como "fator fundamental"). Dessas considerações se infere que a autoridade fiscal se debruçou para emitir juízo de valor relativamente ao mérito da própria e original emissão das debêntures, vale dizer, para desqualificar como inválidos os seus efeitos fiscais constitutivos relativos a dedutibilidade como despesa necessária à atividade operacional da Recorrente, nos períodos subseqüentes, dentro dos prazos das respectivas integralizações das mesmas, ou seja, dentro do período em que, tributariamente, competia sua auditoria. Ou seja, a autoridade fiscal interpretou o efeito — despesas operacionais — decorrentes do negócio jurídico causal como insustentáveis juridicamente, atribuindo-lhe efeitos extintivos em face aos critérios legais de dedutibilidade das despesas dele decorrentes, em períodos subseqüentes, vale dizer, dentro do período de cinco anos como permitido pela lei, quando atribui poder revisional à autoridade administrativa fiscalizadora, no regular exercício de suas funções. /IP 9 Portanto, uma vez colocada a premissa fática inicial de que a autoridade fiscal utilizou-se de documento legalmente válido para sua auditoria a partir de 02 de maio de 1998, qual seja, o negócio jurídico de onde se originou todo o tratamento fiscal/tributário conferido ao mesmo nos períodos subseqüentes, cabe examinar se tal negócio, sob o mesmo ângulo da discussão interpretativa da legitimidade, ou não, de auditoria retroativa sobre a composição cumulativa do prejuízo fiscal para o IRPI, ou da base negativa para a CSLL, pode ser considerado como base original para a auditoria fiscal como levada a efeito. Assim, sendo prescrito pelo art, 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional o prazo de cinco anos para a homologação do lançamento de tributos sujeito a esse regime, a contar do fato gerador, e, com a segunda premissa neste autos, qual seja, glosa das despesas consideradas indedutíveis do ano de 2001, por força da desconsideração dos efeitos do negócio jurídico de emissão de debêntures e respectivas integralizações, sobre as bases do IRPJ e CSLL, que são tributos já reconhecidos pela pacífica jurisprudência administrativa como submetidos ao regime de homologação, pode-se concluir que mediante a auditoria fiscal inicial sobre o negócio jurídico celebrado em 1998, porém para justificar a desconsideração dos efeitos de dedutibilidade nos anos subseqüentes, dentro desse período legal, podia a autoridade fiscal analisar a base negociai, a fim de configurar os efeitos apropriados em exercícios fiscais sem qualquer óbice pela decadência. Em outras palavras, o que a autoridade fiscal considerou foi a desnecessidade das despesas operacionais, dentro do período de cinco anos, ainda que decorrentes do negócio original de emissão de debêntures, ou seja, se ateve ao efeito fiscal da substância jurídica formal adotada pelo sujeito passivo na solução de seus investimentos empresarias, que não se confunde, de maneira nenhuma, com as operações de composição de prejuízo fiscal ou base negativa do IRPJ ou CSLL, posto que a autoridade fiscal pode avaliar e interpretar a natureza das despesas como ineficazes em face as circunstâncias subjetivas e objetivas elencadas pela mesma, sem qualquer desconsideração do negócio jurídico original, qual seja, a escritura pública de emissão de debêntures, que restou incólume e válida como de direito. A auditoria se deteve em glosar as despesas tidas como operacionais por entendê-las desnecessárias, inusuais e anormais para a atividade econômica do sujeito passivo e este foi o objeto desta autuação fiscal, dentro do período temporal que lhe competia tal verificação, o que não quer dizer que estaria impedida de avaliar, como o fez, a própria matriz de onde derivaram tais despesas tidas como operacionais, para justificar seu entendimento da desnecessidade. Cuida-se, impende reiterar, o presente processo de glosa de despesas consideradas desnecessárias, e não desconsideração do negócio jurídico por qualquer vício ou patologia jurídica, que repercute no efeito fiscal, em legítimo exercício do poder fiscalizatório da autoridade administrativa. Se, no mérito, a sua operação interpretativa pode ser passível de revisão ou reexame, em virtude de razões de outras naturezas, não há se falar em óbice por decadência quando se realiza a apreciação dos fundamentos originais para a caracterização da natureza das despesas, que é o objeto do lançamento de oficio, portanto, com efeitos dentro do período temporal legalmente válido. Outra coisa, bem distinta, como vem entendendo a jurisprudência citada pela Recorrente, é o poder revisional limitado ao cinco anos da composição do prejuízo fiscal e base negativa tributárias, posto que parte integrante da própria base de nascimento da obrigação tributária verificável, intrínseca para constituição do crédito tributário, o que, por sua natureza, encontra a barreira legal do limite decadencial. Não se trata do caso dos autos, pois examinam-se operações diferentes, aqui se analisa um efeito próprio,no âmbito fiscal, como adotado pela Recorrente — despesas operacionais — cujo entendimento fiscal foi no sentido negativo de sua validade, enquanto lá se verifica o cômputo ou cálculo de valores a formarem o prejuízo fiscal diretamente no IRPJ ou na base da CSLL, para se validar os seus efeitos fiscais em face o cumprimento de obrigações tributárias, limitadas tais auditorias de bases no tempo decadencial de cinco anos, \)çi lo Processo n't 13899001314/2006-16 SI-C2T2 Acórdão n ° 1202-00335 Fl 6 Pois bem, feita a distinção na interpretação dos julgados do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, citados pela Recorrente, para ajustes no passado e repercussão futura, compreendendo-se passado aquele que ultrapassa o limite temporal dos cinco anos do poder revisional tributário, sou do entendimento que a digna autoridade fiscal lançadora poderia emitir juízo de valor quanto ao negócio jurídico pretérito e original dos efeitos objetivos como despesas operacionais, para interpretá-los inválidos, como o fez nestes autos. Portanto, sou por rejeitar a decadência, conforme suscitada. A Recorrente alega também preliminar de cerceamento do direito de defesa, pois ela baseou-se apenas na suposição de que a autoridade fiscal teria entendido que as participações no lucro atribuídas às debêntures deveriam ser subsumidas ao art. 299 do RIR199, porém sem saber quais as razões que a levaram a tal conclusão, frente à existência de norma expressa do art. 462 do RIR/99. Não obstante a autoridade autora do lançamento de oficio não ter se esmerado na formação de uma linha de raciocínio na elaboração do Termo de Verificação Fiscal e ainda ter promovido glosa integral, é possível organizar sua acusação da seguinte maneira: para receberem o tratamento fiscal previsto em lei, as debêntures devem observar a emissão e a remuneração que se encontram no mercado com critério de razoabilidade, tendo em vista que os debenturistas são os próprios acionistas e não se admite o tratamento mais benéfico para eles em relação ao mercado; ademais, seria necessário aporte financeiro com trânsito fisico do recurso. Com efeito, parece-me equivocado o embasamento legal adotado pelo agente fiscal (tema tratado no próximo item), pois, se a leitura que se deve fazer da acusação é a do parágrafo acima, evidentemente que não se trata de despesa desnecessária. O dispositivo no artigo 299 poderia, no máximo, servir de subsídio em acusação de distribuição disfarçada de lucros ou mesmo de simulação na estruturação de debêntures para o fim de criar despesas inexistentes, o que viciaria a própria estrutura do negócio jurídico causal. Entretanto, não é o caso de cerceamento do direito de defesa, uma vez que tanto os fatos quanto a acusação — ainda que passível de aprimoramento (mas não por autoridade julgadora) — foram devidamente apresentados pelo Termo de Verificação Fiscal. Prova disso é que a Recorrente discorreu longamente em suas peças sobre o direito de emitir debêntures com participação no lucro da companhia, o direito de apropriar o valor alocado como remuneração de tais debêntures como redutor do lucro líquido, e a impropriedade da aplicação do art. 299 do RIR199 in casu. Assim, especificamente no tocante à preliminar de cerceamento do direito de defesa, não há como acolher a pretensão da Recorrente. Destarte, passo ao exame do mérito, Quanto ao Recurso Voluntário, presentes os pressupostos de admissibilidade , dele tomo conhecimento. A acusação fiscal de despesa indedutível da remuneração das debêntures — por desnecessária — baseia-se no "motivo primordial" e no "fator fundamental" indicados no TVF, quais sejam: (i) não houve captação externa de recursos, e (ii) não houve circulação monetária para aquisição de debêntures pelos acionistas. c)ya Ou seja, duas causas econômicas. O lançamento foi motivado também com a acusação de que a empresa infiingiu a legislação e conceito puro de debênture, e o enquadramento legal foi o art. 299 do RIR199, vale aduzir, questionada a estrutura jurídica da operação: o negócio estruturado mediante escritura pública de emissão de debêntures, com efeitos que se produziram no decorrer de mais de um ano-calendário fiscal. Pois bem, a análise do Recurso Voluntário seguirá adiante com os seguintes pontos principais do embate: (1) a base legal adotada, (2) a legitimidade das debêntures, (3) os recursos financeiros, (4) a remuneração das debêntures. Elementos esses extraídos do exame da operação, desde a motivação para emissão de debêntures, até a apropriação como despesas necessárias à atividade produtiva, ou mantenedora da fonte produtiva da empresa fiscalizada. A BASE LEGAL ADOTADA Como já adiantado acima, o embasamento legal — e, por consequência, a correspondente acusação — de despesa desnecessária, por não usual ou normal, não pode ser aplicada em especial no presente caso. É que, quando há um dispositivo normativo específico sobre a dedutibilidade de um determinado instituto, não pode a autoridade administrativa livremente lançar mão do dispositivo genérico, criado para situações que não tenham tratamento legal individual, posto que sua atividade, como é sabido, é vinculada a lei, não permitindo interpretação contrária ao disposto no preceito específico. O parecer de Ricardo Matiz de Oliveira, trazido aos autos pela Recorrente, é oportuno para elucidar a questão da utilização do art. 47 da Lei 4.506/64 — matriz legal do art, 299 do RIR199 — somente quando não houver regra específica, ao afirmar que "O art, 47 constitui-se em regra que se aplica a todas as despesas para as quais não haja uma norma especifica sobre a sua dedutibilidade, pois visa explicitar quando uma despesa, que não seja tratada expressamente na lei, pode ou não ser deduzida perante o lucro real tributável pelo IRPJ." (pág., 16). E, quanto ao art. 58 do Decreto-lei 1.598/77 (matriz legal do art. 462 do RIR199), arremata: "Vê-se claramente que tal disposição se integra naquela categoria de normas que não proíbem, limitam ou condicionam a dedução de uma despesa contábil, ou a transferem para outro período de apuração, mas, sim, pertence ela ao grupo de normas que admitem a dedução de algum valor por exclusão do lucro líquido após a sua apuração, e não como custo ou despesa," (pág. 18). Esse foi o entendimento unânime da E 7" Câmara do 1 0 Conselho de Contribuintes sobre esse mesmo tema particular, no Acórdão 107-08.029, onde no voto condutor do relator Luiz Valem constou: "O artigo transcrito [arL 242 do RIR/94, atual 299 do RIR/991 não serve como suporte à discutida exigência, posto que o caso em exame não tem a configuração de despesas desnecessárias, que é o substrato tático do referido dispositivo. No caso vertente, trata-se da dedutibilidade da participação conferida aos debenturistas que tem regra própria, assim definida no art. 430 do RIR194, atual art. 462 do RIR/99: 'Art. 430 . Podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido do período-base as participações nos lucros da pessoa jurídica (Decreto-lei n " 1.598/77, art. 58).- 1— asseguradas a debêntures de sua emissão; 12 Processo ri° 13899 001314/2006-16 Sl-C2T2 Acórdão a° 1202-00335 Fl 7 (—,), Portanto, o fato tributado deveria estar enquadrado no campo de exclusão indevida das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social e não no âmbito de despesas desnecessárias. (.,.)" Ou seja, devem ser diferenciadas as despesas — que se vinculam à manutenção da fonte produtora da riqueza — e a participação nos lucros — correspondente ao risco do negócio, mais especificamente do resultado do negócio. Convém fazer breve comentário no tocante ao voto da eminente conselheira Sandra Faroni, relatora do Acórdão 101-94.986/2005 (relativo à exigência do ano de 1999 contra a mesma contribuinte), em que discorre sobre a falta de demonstração da usualidade e normalidade de debêntures com participação nos lucros da ordem de 70% (Decisão a quo, 1041 dos autos). Aquela decisão se vale de lições de Ricardo Mariz de Oliveira (autor de um dos pareceres juntados a estes autos) para fundamentar seu entendimento de que as despesas de remuneração de debêntures com participação nos lucros em favor de acionistas são desnecessárias; mas, para o caso dos autos, a opinião desse jurista é contrária à conclusão da ln Câmara (vide o parecer às páginas 19 a 40). Com efeito, discorre o parecer no sentido de que é absolutamente pacífico que o IRP.1. incide sobre o acréscimo patrimonial, que é identificado com a situação em que os novos bens e direitos do patrimônio superarem os gastos incorridos para a sua produção. E é por isso que o comando do art. 47 orienta no sentido de que "todas as despesas relacionadas às atividades da empresa ou à sua fonte produtora têm a predestinação de serem deduzidas da base de cálculo do IRRI, somente se cuidando de acrescer a esta base as despesas para as quais algum dispositivo legal imponha uma exceção à regra da dedutibilidade" (pág. 21). Ou seja, existe uma relação objetiva entre a despesa e a atividade da empresa que gera receita, com intuito de formar o lucro tributável. Assim, uma despesa é dedutível quando for inerente à atividade da empresa, vista como um sociedade que, para o pleno exercício de seu objeto social, reúne todos os elementos produtivos, sejam diretamente para a produção de mercadorias, sejam os gerenciais/administrativos e financeiros, compreendendo desde a atividade operacional central produtiva — "chão de fábrica "- até a governança corporativa, regida pelos princípios científicos e técnicos das ciências da administração e da economia. Esta é premissa real importante, pois se trata de uma empresa industrial complexa, com modelo administrativo mais avançado que uma comum empresa industrial ou comercial, o que faz com que todos seus recursos disponíveis, sejam fisicos ou materiais produtivos, sejam financeiros e administrativos, devam ser manejados a fim de buscar a excelência e otimização nas respectivas rentabilidades. Impende ressaltar, no caso do negócio jurídico causal, a emissão de debêntures com remuneração nos lucros, em que pese todo o esforço justificativo e interpretativo da autoridade administrativa para descaracterizar o efeito fiscal de sua origem, por julgar desnecessária a despesa em comento, a mesma não reconheceu, nem revelou ou sustentou qualquer vício por simulação do negócio jurídico, corroborando, por via reflexa, que o mesmo é válido e apto a produzir os efeitos dele decorrentes. 13 A questão, de fundo, também importa trazer à análise, é a vetusta polêmica das causas dos planejamentos tributários, ou seja, causas econômicas e estrutura jurídica, forma e substância, para entendimento do efeito sob a ótica do intérprete, em se tratando de objeto lícito e não expressamente vedado por lei, Em suma, a discussão sobre o que deve ser considerado: o efeito econômico, ou o negócio jurídico causal, ou ambos em concurso de fatores produtivos, como aludido, tendo em vista o cerne do planejamento que é o tratamento do recurso financeiro sob a regência da legislação tributária. No caso em tela, os recursos correspondentes à emissão das debêntures impulsionaram a atividade empresarial da Recorrente (conforme argumentação da Recorrente), o que permite concluir com segurança que se relacionam objetivamente à captação dos recursos (que geraram a dedução da respectiva remuneração na apuração do lucro) e a atividade da companhia, ora Recorrente. Assim, ainda que a fiscalização se detenha na acepção comum do termo "necessidade" da despesa, resta evidente in casu que o critério da necessidade deve ser entendido pragmaticamente, ou seja, no contexto negociai da Recorrente, haja vista que em razão dos valores mantidos na empresa em contrapartida das debêntures, houve desenvolvimento das operações da mesma, portanto, incremento circulatório econômico/financeiro de manutenção da fonte produtora, como foi previsto pelo legislador do comando legal aludido, ao impor a condição da despesa necessária para tal desiderato. A LEGITIMIDADE DAS DEBÊNTURES No TVF, o agente afirmou que se infringiu a legislação e conceito puro de debênture sem, entretanto, apontar efetivamente qual dispositivo legal ofendido, Portanto, examina o mérito jurídico do instituto, formalizado em estrutura jurídica já considerada válida, porque não contaminada por qualquer patologia juridica,0 que, a meu ver, demonstra uma inconsistência lógica com a incompatibilidade patenteada, posto que se o negócio jurídico está conforme a lei, com objeto lícito, e validamente considerado, não tendo sido produzido com vício de consentimento ou vício social (simulação), a autoridade administrativa sustenta violação do instituto de debênture, sem descrever, no entanto, qual transgressão expressa da regra positiva do Direito que restou cometida pela Recorrente, na adoção da estrutura jurídica negociai sob exame. Em síntese, se vale o negócio jurídico causal, legítimo, porque seu efeito fiscal foi desconsiderado sem validade jurídica, apenas fundado em apreciação isolada sem conexão ao próprio contexto negociai celebrado eficazmente ? Na Decisão recorrida que se apóia no Acórdão da E. P Câmara (que apreciou lançamento contra a ora Recorrente e decorrente dos mesmos fatos, porém relativamente ao ano de 1999), foi sustentado que as debêntures devem ser remuneradas por juros e, eventualmente, com vantagem adicional de participação nos lucros da companhia, ainda que se tenha reconhecido que: "É inegável que a lei faculta a remuneração das debêntures mediante forma de participação nos lucros. Tal consta de disposição literal da lei. Também não há vedação expressa na lei a que essa forma de remuneração seja a única atribuída. (..,)" (fls. 1.036). E adiante concluiu-se naquele Acórdão 101-94.98612005 que "Não pode ser oponível ao Fisco uma operação que objetivou exclusivamente reduzir a carga tributária. Mediante operações formalizadas apenas 'em papel', a empresa transformou artificialmente lucros distribuídos em despesa dedutível," (fls. 1.042) Data vênia, refletindo melhor sobre o tema e com a oportunidade de analisar as circunstâncias que cercaram a operação da Recorrente, concluo que não há como manter o acompanhamento do raciocínio daquela eminente conselheira. tti , 14 Processo n° 13899.001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão n ° 1202-00335 Fi 8 Em primeiro lugar porque, se a lei prevê a possibilidade de a remuneração das debêntures ser apenas mediante participação nos lucros, então não se pode admitir a imposição de prática de ilegalidade o negócio jurídico que adota o previsto em lei. Caso contrário, estar-se-ia afrontando o comando do art. 5 0, II, da Constituição Federal, segundo o qual as pessoas somente estão obrigadas ou proibidas de praticar algum ato, se houver lei para tanto. Em segundo lugar, reitere-se, porque não se demonstrou (ainda que por indícios convergentes) tratar-se de simulação, já que a afirmação final transcrita acima indica que teria havido simulação na emissão das debêntures com intuito de esconder-se a realidade. E a justificativa para tal — exposta no referido acórdão — foi a de que não seria crível uma remuneração de 70% para quem não fosse acionista da companhia (mas debenturista) levando em conta que o principal objetivo da companhia é obter lucros para os detentores do capital; e, portanto, essa remuneração somente teria sido fixada porque favorecia exatamente os mesmos indivíduos que compõem o quadro de acionistas. Como conclusão, o reflexo de diminuição da base de cálculo do IRPJ e da CSL não seria oponível ao Fisco, com base na doutrina de Marco Aurélio Greco encontrada na sua obra "Planejamento Tributário" (Editora Dialética, 2004, pp. 179 e 180). A jurisprudência que vem se consolidando neste tribunal é que a simulação corresponde a atos jurídicos ou operações permeadas de artificialidade, e que deve ser reconhecida quando se identificarem indícios da desmontagem da operação apresentada a terceiros, em especial ao Fisco. Ou seja, a verdade é outra do que se apresenta em termos formais, e para efeitos fiscais deve ser considerado o que se escondeu que nada mais é do que o "fato jurídico tributário verdadeiro". Tais indícios geralmente correspondem a: (a) elaboração de inúmeras operações em curtíssimo espaço de tempo que terminam em situação favorável, do ponto de vista fiscal, (b) documentos que desdizem os documentos apresentados, (c) documentos ante ou pós-datados, (d) não submissão das partes às consequências do negócio aparente, e (e) não produção dos efeitos do ato jurídico. Ocorre que não se demonstrou nem no Termo de Verificação Fiscal nem em qualquer outra fase processual que teria havido tal desmontagem da operação, o que leva a não se compartilhar do entendimento de que a operação questionada é artificial e inoponível ao Fisco. Por tais motivos, foi reconhecida como válida a emissão das debêntures na forma da Assembléia Geral Extraordinária de 15/04/1998 e da Escritura de 02/05/1998. Vale comentar ainda a alegação contida no Acórdão da ia Câmara de que a remuneração foi deliberada a até 70% por conta da coincidência de acionistas e debenturistas nas mesmas pessoas. Essa alegação está mais no sentido de que a remuneração está acima do que praticado pelo mercado (o que será tratado no item específico adiante — "4 A Remuneração das Debêntures"). Isso, na verdade, reitera a legitimidade da estrutura jurídica de captação adotada, já que a patologia lá apontada é o guantum da remuneração e não a estrutura em si, ainda que o percentual da remuneração seja considerada como fundamento da patologia da estrutura. No TVF, aponta-se como "motivo primordial" o fato de que não houve captação externa de recursos. Ora, tratando-se de companhia de capital fechado, é razoável que os próprios acionistas — ou então pessoas de seu relacionamento — optem pela aqu'jsição das 15 debêntures. Além de não existir proibição na Lei 6.404/76, essa razoabilidade é confirmada pelo disposto no parágrafo 1' do artigo 57 do mesmo diploma que estabelece o direito de preferência dos acionistas para subscrição de debêntures conversíveis em ações da companhia. Ao contrário da afirmação do outro acórdão, estranho seria que os debenturistas de companhia fechada fossem apenas terceiros. Não há que se falar, pois, em planejamento tributário abusivo ou artificial por parte da Recorrente com estrutura jurídica apenas formal da operação, pois foi e está inteiramente a denotar que o propósito do planejamento foi econômico/financeiro/tributado, com o aproveitamento, ao máximo, de todas as possibilidades legítimas constantes da legislação para a adoção da estrutura jurídica conforme descrita. Como é cediço, a linha doutrinária que rompeu o entendimento que vinha tendo o Conselho de Contribuintes no sentido de respeitar as formalidades adotadas para fim de aplicação de normas tributárias, a partir da Lei Complementar 104/2001, é capitaneada por Marco Aurélio Greco, como expressamente constou de referência do voto da conselheira da 1" Câmara. Por isso, parece recomendável mencionar sua linha de raciocínio acerca da legitimidade das debêntures da Recorrente, contida no parecer dos autos, Para responder se os efeitos tributários gerados pelas debêntures são oponíveis ao Fisco, submete o jurista a operação a 4 crivos: (a) não haver ilegalidade ou ilicitude, (b) não haver patologia no negócio jurídico, (c) haver justificação por existência de motivo, finalidade e congruência, e (d) haver justificação por inserção no planejamento estratégico do empreendimento econômico (págs. 12 e 13). Após tratar detalhadamente sobre cada um deles, resume sua opinião na resposta ao quesito 4: "A análise das circunstâncias mostra a existência de um único motivo (real e aparente) que afasta a simulação; o exercício regular do direito de emitir debêntures participativas em sintonia com a finalidade do instituto (sem distorção do seu perfil objetivo, nem reiteração abusiva); e o fato de o resultado prático visado com a operação ter sido viabilizar a aceleração dos investimentos e não a menor carga tributária (esta é efeito lateral e não predominante da operação) afastam o abuso de direito e a fraude à lei tributária. Além de não padecer de patologias, a operação examinada encontra justificação suficiente, pois possui perfil compatível com o motivo em que se apóia e a finalidade a que visa, bem como está em sintonia com o planejamento estratégico do empreendimento e correspondeu à busca do interesse da companhia à luz, inclusive, da responsabilidade social que lhe cabe." (págs. 58 e 59). Ademais, a justificativa econômica da deliberação pela emissão das debêntures deve ser analisada diante das possibilidades que se apresentavam à época, levando em conta que o valor do saldo das contas correntes dos acionistas eram indispensáveis para o crescimento da Recorrente. As possibilidades eram: (a) manter em forma de empréstimo devidamente remunerado, (b) contrair empréstimo junto a alguma instituição financeira, (c) converter o passivo em capital social, ou (d) emitir as debêntures. Quanto ao item (a), manutenção de empréstimos dos acionistas devidamente remunerado, importa dizer inicialmente que tal remuneração poderia ser a de juros que a companhia estaria obrigada se obtivesse empréstimo no mercado, respeitando assim o disposto no att. 299 do RIR199. Não se pode supor que a companhia se beneficiasse de recursos de terceiros em qualquer contrapartida, pois haveria enriquecimento indevido, levando em conta (\30 16 Processo n° 1.3899.001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão n° 1202-00335 Fl. 9 que, enquanto não aplicado o artigo 50 do Código Civil (desconsideração da personalidade da pessoa jurídica), não se deve confundir as pessoas dos acionistas e da companhia. A remuneração do empréstimo representaria uma despesa financeira imediata, independentemente do resultado verificado em função dos valores tomados, o que poderia marcar as demonstrações financeiras com reduções de resultado e/ou prejuízos antes de encerrado o ciclo do projeto desenvolvido com aqueles recursos. O item (b), empréstimo junto a alguma instituição financeira, se equipara ao item (a) acima com o agravante de que a remuneração seria provavelmente superior por conta do spread dos bancos nas taxas de juros (a taxa cobrada pelos bancos é superior à taxa paga pelas aplicações financeiras). No tocante ao item (c), conversão do passivo em capital social, o ato possui caráter definitivo ou de prazo indeterminado, mas sempre de longo prazo, que representa perspectiva oposta às debêntures que possuem prazo de vencimento. A liberdade de escolha, que paralelamente traga algum beneficio fiscal ao contribuinte, não pode ser tolhida pelo Fisco com a justificativa de que se deve pagar mais tributo quanto possível. Além do respeito à liberdade de contratar (desde que não seja artificial), seria de se esperar que o aumento do capital social servisse também de maior base para cálculo de Juros sobre Capital Próprio, reduzindo-se da mesma forma a base de cálculo do 1RPJ e CSL e sofrendo retenção de Imposto de Renda na Fonte menor (15%) se comparado ao mútuo (20%). E o item (d), opção escolhida de emissão das debêntures, forneceu à Recorrente os recursos por um determinado período de tempo com a remuneração do principal condicionada à existência de lucros, afastando o risco de incorrer em despesa financeira enquanto não verificados os resultados esperados. Portanto, resta claro que a acusação de que a estrutura jurídica teve por único fim a redução da carga tributária e que, por isso, não seria oponível ao Fisco, não se sustenta diante das possibilidades que se apresentavam à Recorrente, nem mesmo na visão daquele que clama pela justificativa econômica e social das escolhas adotadas pela empresa na gestão de seus negócios. Ademais, em todas as hipóteses, haveria custo financeiro dos recursos em favor da Recorrente. (3) OS RECURSOS FINANCEIROS A não circulação monetária para aquisição de debêntures pelos acionistas corresponde ao "fator fundamental" do lançamento, indicado no TVF. O próprio agente fiscal aponta para o histórico (página 4 do TVF): "- Os adquirentes das debêntures, foram única e exclusivamente os sócios da empresa, Srs. os quais adquiriram as debêntures mediante transferência de crédito existente em suas contas correntes mantidas junto a empresa. - Os referidos saldos existentes em contas correntes, são oriundos de lucros não distribuídos de exercícios anteriores, 410 17 Por tais afirmações, verifica-se que os acionistas eram credores da Recorrente uma vez que mantinham contas correntes originadas de dividendos de anos anteriores, não pagos. E que os valores dos créditos dos quais eram titulares foram disponibilizados para a companhia para pagamento da subscrição das debêntures. Inicialmente, deve-se observar em qual relação jurídica encontravam-se de um lado os acionistas e de outro lado a companhia. A relação jurídica, que se denomina "conta corrente", é de dívida de curto prazo onde a companhia comparece como titular da obrigação e os acionistas como titulares do direito de exigir o pagamento de determinado valor. Essa relação jurídica tem como característica a movimentação e/ou liquidação em breve espaço de tempo. Assim, se os valores que se encontravam em poder da empresa (circulante ou pemianente) devessem — por questão de orientação de investimentos adotada pelos administradores e controladores da companhia — permanecer por prazo médio ou longo, era comportamento esperado que se formasse uma outra relação jurídica, com objetivo de que a companhia não se visse, de uma hora para outra, impelida a pagar a sua dívida de curto prazo. Como se viu acima, diante das possibilidades, a escolha dos dirigentes foi a de emissão de debênture que alterou basicamente dois aspectos se comparada à situação anterior: alongamento da dívida e remuneração condicionada ao lucro da empresa (isto é, sem remuneração caso a companhia operasse com resultado negativo). E a subscrição das debêntures gerou para os acionistas uma dívida; isto é, antes do pagamento da obrigação pela subscrição das debêntures, os acionistas encontravam-se no pólo devedor da relação jurídica e a companhia no pólo credor. Havia, nesse instante, duas relações jurídicas: uma, a da dívida de curto prazo em que a devedora era a companhia e credores eram os acionistas; e outra, a também de curto prazo pela subscrição das debêntures, em que os devedores eram os acionistas e a credora, a companhia. Poderiam ter ocorrido as seguintes movimentações financeiras, o que talvez satisfizesse o agente fiscal: a Recorrente pagaria a dívida aos acionistas, e, em seguida, os acionistas pagariam a subscrição das debêntures à Recorrente. Desnecessárias tais providências, pois, além de estarem sujeitas a duas incidências de CPMF e, eventualmente, a tomar recursos no mercado para tal movimentação, a legislação pátria prevê uma solução jurídica e prática. Nesse tipo de situação, aplica-se o disposto no artigo 368 do atual Código Civil (artigo 1009 do Código vigente à época): "Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde compensarem." Com base nisso, a relação jurídica da dívida de curto prazo (conta corrente) foi extinta e criou-se uma nova relação jurídica de dívida de longo prazo, suportada pelas debêntures, É correto afirmar ainda que houve ingresso de recursos novos na companhia, ou numa linguagem mais precisa, houve ingresso de recursos sob outro título jurídico na companhia Visto por outro ângulo, poder-se-ia dizer que os acionistas entregaram o seu crédito em dação de pagamento da sua dívida representada pela subscrição das debêntures,Não N:. co 18 Cjf Processo n° 1.3899,001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00335 Fl. 10 há qualquer óbice legal ou motivo oculto negociai para que assim não se fizesse, como ocorreu de fato e de direito, Com efeito, a Recorrente deixou de ter uma dívida de curto prazo e passou a ter uma dívida suportada em escritura e com remuneração condicionada a seu resultado, o que significa, neste sentido, claramente um tratamento jurídico próprio como um recurso novo: "A mudança de título jurídico pelo qual o dinheiro em si se encontrava com a Consulente é que tornou aquele recurso um recurso novo, posto que não mais sujeito a uma exigência instantânea. Desapareceu uma dívida que implicaria num desembolso presente e surgiu uma divida que enseja desembolsos futuros. Ter recursos atrelados a um desembolso futuro (definido pela própria Consulente ao emitir as debêntures) é fazer com que este recurso seja "novo" no sentido jurídico (título) e econômico (tipo de endividamento)," (parecer Marco Aurélio Greco, pág. 20). Em face das circunstâncias acima apontadas, a falta de circulação fisica dos valores do pagamento pela subscrição das debêntures não é justificativa juridicamente plausível para acusar como ilícita a operação sob exame. A alegação de ausência de substrato fisico financeiro em circulação remete a citada polêmica do entendimento do que deve ser considerado relevante para análise de um planejamento tributário, ou seja, se não se visualiza a movimentação da moeda legal, seria porque se abusou da forma jurídica para a realização do negócio jurídico, vale dizer, que se faz necessário fisicamente circular dinheiro para se demonstrar a validade da estrutura jurídica e seus efeitos, em relação ao que, não se constatando isso, por conseqüência, o negócio jurídico deve ser tratado limitadamente dentro da concepção do que interessa à Fazenda Nacional e não na plenitude de urna estrutura válida perante o Direito. Quer me parecer mais adequada e razoável a visão alinhada e de conformidade ao Direito, isto é, o negócio jurídico em comento para sua validade plena e eficaz, não precisa ter, como elemento essencial, a confirmação da movimentação do dinheiro, mas tem que contemplar e demonstrar toda as suas relações e implicações, seja no plano da estrutura de sua natureza e regime legal, seja no plano dos seus efeitos, econômicos, financeiros, societários, contábeis, patrimoniais, fiscais, enfim, todos os elementos que receberam influência direta, ou indireta do negócio jurídico adotado no planejamento examinado, de maneira a convalidar a licitude e eficácia jurídica do negócio modelado e praticado, como se observa nos presentes autos pela análise completa do negócio jurídico causal, seus efeitos jurídicos desejados e o contexto econômico interno da empresa e social/econômico da mesma, para a opção societária de investimentos da companhia, como formalizado na sua contabilidade. E mais, qualquer outra opção relacionada aos acionistas (formalização de empréstimo a longo prazo ou conversão do passivo em capital social da companhia) também teria essa mesma característica da aplicação da compensação prevista no artigo .368 do Código Civil, de modo que não se pode vincular a falta de circulação física de dinheiro à inexistência das debêntures, (4) A REMUNERAÇÃO DAS DEBÊNTURES cr 19 Aspecto que merece atenção é o percentual do lucro adotado como remuneração das debêntures, Como consta dos autos, o valor de cada uma das 140,000 debêntures emitidas era de R$ 1.000,00, cuja remuneração era a participação de 0,0005% nos lucros trimestrais da Recorrente. Portanto, o percentual máximo de participação nos lucros pelos debenturistas poderia chegar a 70% em contrapartida da captação de R$ 140.000,000,00, Não obstante esse máximo não ter sido alcançado (conforme infounação da Recorrente e também do cálculo contido no TVF, item 11), adotam-se aqui o valor de captação e o respectivo percentual de participação no lucro para as ponderações que se seguem. O que se deve concluir diz respeito à razoabilidade dessa remuneração frente ao capital (valor captado), Evidentemente que a conclusão não pode ser obtida apenas com esses dois fatores: capital (R$ 140 milhões) e participação no lucro (70%). Porque se a emitente das debêntures for de pequeno porte, cujo lucro é da ordem de R$ 1 milhão, a resposta será oposta ao caso de emitente com lucro da ordem de R$ 1 bilhão. Assim, devem ser trazidos outros fatores, tais como a relação da dívida da Recorrente em face de seu Patrimônio Líquido ou de sua receita, o custo que a Recorrente teria se tomasse os recursos em bancos e a remuneração resultante da aplicação do percentual sobre o lucro da Recorrente. A Recorrente trouxe em sua impugnação estudo da PriceWaterhouseCoopers em que indica comparações da situação da Recorrente em face de outras empresas, ou grupo de empresas, tendo como parâmetros: - Dívida Total / (PL + Dívida Total) - Receita / (PL + Dívida) - Dívida Total / EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) - Despesa Financeira / EBITDA - Despesa Financeira / Dívida Total E a conclusão foi no sentido de que a Recorrente não esteve, nas comparações, fora do parâmetro de mercado para favorecer os debenturistas em detrimento da companhia. O outro elemento fundamental para afastar a acusação fiscal é a comparação entre a remuneração praticada pela Recorrente e a que seria devida em caso de empréstimo tomado junto a bancos. A Recorrente apresentou percentuais, praticados no ano 2001, da remuneração das debêntures em relação ao capital aplicado (34,88%) e as taxas de juros do mercado financeiro em geral (40,99%). A decisão da turma julgadora da DRI não aceitou a taxa indicada, pois "adota como parâmetro 'taxas pré-fixadas de aplicação pessoa jurídica' divulgadas pelo Banco Central, sem justificar sua adoção, ao passo que se verifica que aquele k c7j) $20 Processo na 13899.001314/2006-16 51-C2T2 Acórdão n ° 1202-00.335 F1 11 órgão também divulga 'taxas consolidadas' de aplicação e de captação pessoa jurídica — todas inferiores àquelas utilizadas." Se é aceita como verdade a taxa apresentada pela Recorrente, resta evidente que não houve prejuízo da companhia por não ter se valido de empréstimo bancário, mas sim de financiamento via debêntures. Se, entretanto, os índices que seriam praticados para o financiamento da Recorrente fossem menores (como por exemplo, CDI ou Selic), poderia ficar evidenciado tratamento prejudicial à empresa. Todavia, nesse caso, não poderia a autoridade julgadora confirmar o lançamento de oficio, ainda que parcialmente. Mas, ainda assim, deveria ser considerado algum custo financeiro para a Recorrente, pois, como se disse acima, não é razoável supor 'financiamento de R$ 140,000.000,00 a custo zero. Se fosse comprovada pelo agente fiscal que a remuneração praticada teria sido em montante superior às taxas de juros de empréstimo encontradas no mercado, poder-se- ia enquadrá-la como distribuição disfarçada de lucros nos termos do artigo 60 do Decreto-Lei n° 1.598/77. Mas, para tanto, a iniciativa de tal enquadramento somente pode ser da autoridade lançadora e, além disso, com prova de qual seria o parâmetro de mercado, para o fim de identificar o quantum da disparidade e submeter apenas o excesso à tributação. A função do julgador administrativo é de verificar o trabalho do agente fiscal, para confirmá-lo ou cancelá-lo, total ou parcialmente. Desse modo, alterar, ajustar, reformular o lançamento de ofício está fora do âmbito da competência do julgador administrativo; ademais, a inovação do lançamento na fase final do processo cerceia evidentemente o direito da Recorrente à ampla defesa e contraditório. Outra razão para não admitir a confirmação do lançamento diz respeito ao critério. Com efeito, a remuneração com taxas de juros para empréstimo ocorre independentemente da tomadora apresentar lucro ou prejuízo, ao passo que a remuneração das debêntures em exame ocorre somente quando há lucro, o que justificaria uma taxa maior para contrabalancear o risco de não haver nenhuma remuneração em determinado período (prova disso é que no 3 0 trimestre/2001 não houve remuneração alguma às debêntures). Ou seja, são perfis de dívida absolutamente distintos cuja comparação direta de taxas seria, no mínimo, desaconselhável„ A Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, em recente julgado, no processo ri° 13820.000860/2002-10 — R.V. 163.754, em sessão de novembro„.2008, decidiu, por maioria, dar provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo a tese do Relator, Conselheiro Valmir Sandri, pelo que, a fim de elucidar o tratamento similar no caso do critério adotado pela remuneração de debêntures participativas a sócios acionistas, reproduzo trecho final do voto, a seguir: "De acordo com a lei societária - art. 56 da Lei n, 6404/76 -, as debêntures podem garantir ao investidor participação nos lucros da companhia emissora, não havendo em tal dispositivo qualquer limitação a determinado percentual do lucro líquido -r / apurado, Por sua vez, a lei tributária — art 58 do Decreto-Lei n. - 1,598/77 -, autoriza a dedução do lucro líquido do período de 21 c7Y apuração, os valores pagos a titulo de remuneração de debêntures efetuadas com base no lucro da companhia emissora, também, sem qualquer limitação a determinado percentual do lucro. Logo, a questão cinge-se em determinar até que ponto o percentual do lucro pago é usual, normal e necessário à atividade da empresa ou à manutenção da ,fonte produtora dos rendimentos. Isto porque, a questão acerca de remuneração de debêntures com base no lucro da empresa emissora é tormentosa, podendo, em alguns casos, mesmo considerando um percentual bem inferior ao que foi pago pela ora Recorrente ser considerado extremamente oneroso, e, portanto, desnecessário, inusual e anormal, ao passo que para outros casos, como o aqui discutido, serem perfeitamente admitidos e necessários à atividade da empresa. O fato é que, ao analisarmos questão acerca da remuneração de debêntures com base no lucro, deve-se levar em consideração cada caso especifico, pois não há parâmetro definido acerca de percentual "aceitável" para efeito de dedutibilidade." Também no caso julgado foi compreendida a necessidade sim de que a Recorrente tenha considerado todas as circunstâncias e motivos negociais que justificaram a opção de investimento adotado pela emissão de debêntures com remuneração vinculada aos lucros da companhia e não pode ser considerado, por carência de prescrição legal, portanto, apenas ernbasado na conclusão subjetiva de fundo econômico/financeiro da autoridade administrativa para deduzir inaceitável um critério quantitativo mercadológico, a fim de invalidar a caracterização da despesa como necessária para os fins colimados na atividade operacional da Recorrente. Não cabe ao intérprete criar algo que não esteja expressamente previsto em lei, como já se disse, a atividade administrativa é plenamente vinculada aos preceitos legais e, as causas externas ao direito positivo, como fundamento de decidir não podem desconsiderar, simplesmente por motivação econômica, a estrutura jurídica negociai válida e eficaz à luz do Direito. Alfredo Augusto Becker em sua clássica obra "Teoria Geral do Direito Tributário" criticando a interpretação do Direito Tributário segundo a realidade econômica, ou seja, aquela que oferece primazia aos fins econômicos da regra tributária em detrimento da estrutura jurídica, mesmo que válida, se aplica exatamente ao presente planejamento tributário, quando asseverou contundentemente: "Quem age (ilicitamente) é o intérprete que abstrai a estrutura jurídica para se fixar na realidade econômica..." (obra citada, 1998, p. 130). Nesse sentido cite-se o recente acórdão da Segunda Turma do ST.I (março de 2010), que, em decisão colegiada unânime, firmou, ao apreciar questão tributária relativa ao ISSQN, a preponderância do respeito a forma jurídica em relação ao fundamento econômico, cujo voto foi de lavra da eminente Ministra Eliana Calmon, com ementa a seguir: "Recurso Especial n"1.119405-RS (2009/0013663-3) Relatora, Ministra Eliana Calmon Recorrente: Município de Porto Alegre Procurador: Cristiano Silvestrin de Souza e Outro(s) E ; 22 ,/ Processo rf 13899.001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão o.' 1202-00335 Fl. 12 Recorrido,. Associação dos Médicos do Hospital Conceição Amehc Advogado: . Paulo Macedônia Pereira e Outro(s) Ementa Tributário — ISSQN — Contrato de Estipulação em Favor de Terceiro x Corretagem — Impossibilidade de Interpretação Meramente Econômica — Repercussão Jurídica do Tributo — Ausência de Norma Expressa — Legitimidade — Art,333 do CPC Prequestionamento — Ausência — Súmula 282/STF. É inadmissível o recurso especial quanto a questão não decidida pelo Tribunal de origem, por falta de prequestionamento.. O ISSQN é tributo de imposição direta ou indireta, a depender do tratamento normativo que recebe da legislação local. Em regra, assume o encargo do tributo o prestador do serviço, competindo-lhe a legitimidade para pleitear a restituição. Inexiste o fato jurídico tributário de corretagem ou agenciamento na intermediação por associação médica em defesa dos interesses de seus associados, ainda que cobrada sobretaxa dos associados para reembolso dos custos da representação. O elemento econômico, ainda que importante para aferição da capacidade contributiva, não prevalece frente à forma .jurídica empregada, salvo se evidenciada pelo Fisco a fraude, o dolo ou a simulação das partes no negócio jurídico. Recurso especial conhecido e, nessa parte, não provido, Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça 'A Turma, por unanimidade, conheceu em parte o recurso e, nessa parte, negou-lhe provimento, nos temias do voto do(a) Sr(a) Ministro(a) Relator(a),' Os Srs.. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjanzin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatara, Brasília-DF, 18 de março de 2010 (Data do Julgamento). (Dje de 26.3,2010)" (Revista Dialética e 177, Junho/2010, p 228 —grifo acima neste ato). Ora, no presente caso, se confirma e a Recorrente demonstra, conforme exposto, que não realizou a operação indigitada fora dos parâmetros do mercado, assim como incumbiria a autoridade fazendária produzir a prova cabal e inequívoca de que a operação foi desnecessária às atividades operacionais da Recorrente, na manutenção de sua fonte produtora / 23 o que, como corroborado pela citada decisão da Primeira Câmara, também não se efetivou no caso presente. Por derradeiro, sobre a dedução do IRRFonte, da remunerações pagas nas emissões da debêntures, como decidido pela decisão de primeira instância, pela legitimidade das respectivas deduções, uma vez comprovadas e sendo objeto da diligência a efetividade de tais recolhimentos referentes aos meses de abril, maio e dezembro de 2001, as quais, pelo resultado conclusivo da diligência da autoridade administrativa de origem, restaram comprovadas, ratifico e acolho, estendendo os efeitos sobre a legitimidade de dedução dos valores recolhidos, a titulo do IRRFonte, pertinentes aos meses de abril, maio e dezembro de 2001, posto que comprovados, como asseverado pela decisão "a que)", fls. 1047 e 1048: "34. Acrescente-se que a consideração do 1RRFonte no valor da exigência, nos termos em que admitido no Acórdão 101-94.986, de 2005, revela-se possível no presente processo uma vez que, com a exclusão da despesa indevida, resultou imposto de renda a pagar superior à retenção comprovada e, além disso, a autuação refere-se ao ano-calendário 2001 para o qual ainda não vigia a legislação que instituiu a Declaração de Compensação." Por todas as razões acima aduzidas, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, sou por dar provimento ao recurso voluntário, inclusive referente ao IRRFonte recolhido em 2001, para dedução do HM lançado. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2010 !lb P. Q-----f Orlanl o se onça ,vs Bueno 1 0 24 Processo n° 13899001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão n 1202-00.335 F 1 13 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo — Redator Designado. Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação ao mérito do litígio. De acordo com o resultado da votação, em relação ao recurso de oficio, pelo voto de qualidade, foi dado provimento quanto à matéria compensação do IRR Fonte e, por unanimidade, foi negado provimento em relação à decadência do ano-calendário de 2000. Já em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares suscitadas, de decadência do ano-calendário de 2001, e de cerceamento ao direito de defesa e, quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso. Assim, restaram duas matérias, vencidas pelo voto de qualidade, a serem enfrentadas por este redator designado: i) compensação do IRR Fonte retido dos beneficiários dos rendimentos de debêntures com o IRPJ lançado na autuação; e ii) dedutibilidade das despesas com remuneração de debêntures. Primeiramente, passemos à análise da dedutibilidade das despesas com a remuneração de debêntures. Como explicado no relatório do voto vencido, a empresa autuada era, à época da negociação, uma sociedade por ações de capital fechado e as debêntures por ela emitidas foram adquiridas exclusivamente pelos seus acionistas. A forma da remuneração dessas debêntures deveria se dar com até 70% do lucro da companhia. O litígio se formou em virtude da constatação pela fiscalização de que essa emissão não se deu de forma usual e normalmente praticada para esse tipo de transação. Quanto à forma usual de remuneração das debêntures, transcrevo trecho dos fundamentos utilizados no acórdão recorrido, em especial a menção feita pelo consagrado mestre Modesto Carvalhosa, em sua obra Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, a qual adoto também como minha fundamentação: "Modesto Carvalhosa (in Comentários à Lei das Sociedades Anônimas,Saraiva, SPaulo, pp. 532 e seguintes) leciona: "Lei n. 6.404, de 1976 A lei faculta a adoção de juros 'variáveis, além da participação nos lucros e prêmio de reembolso como forma de remuneração do capital debenturistico, Ao assim facultar, a lei não exige a cumulatividade de vantagens ou a alternatividade O caráter facultativo permite a atribuição de outras vantagens remuneratórias complementares, que façam as debêntures atrativas e com melhor colocação no mercado, Fica então reafirmado o principio da onerosidade e comercialidade da debênture, que não poderá deixar de oferecer u7a AI 25 vantagem pecuniária, compativelmente remuneratória do capital mutuado. .„.., os juros fixos constituem a remuneração básica e indeclinável das debêntures, sendo as demais modalidades acessórias daqueles, como a participação nos lucros da companhia e/ou o prêmio de reembolso.. Juros como remuneração necessária Os juros constituem, como referido, a forma necessária de remuneração dos recursos emprestados pelos debenturistas à companhia. Sendo a remuneração própria do capital. Os iuros serão sempre devidos. Participação nos lucros não é substitutiva dos juros, mas adicional A remuneração adicional de participação nos lucros da companhia emissora já estava prevista no Decreto-lei n° 718, de 1938, que admitia a emissão de debêntures com renda variável, ajustada à lucratividade da empresa A menção a essa faculdade na lei vigente prende-se mais à diversidade de remuneração das debêntures adotada no direito norte-americano, cujos usos, no entanto, pouco têm que ver com o nosso sistema As idéias fora de lugar ainda ai prevaleceram, como se percebe na canhestra redação do artigo, que dá a impressão de que a participação nos lucros poderia constituir remuneração substitutiva dos juros. Tal prática no direito norte-americano, ou seja, de substituição de juros por participação nos resultados das empresas, dá-se na reorganização de empresas insolventes (reorganization). Nesse caso, propõe a administração aos credores debenturísticos a substituição dos juros por uma remuneração advinda de lucros líquidos (net projits) ou de lucros líquidos do exercício (earned ofits).Criam-se assim, para esses casos de empresas insolventes sujeitas à reorganization, planos substitutivos de falência pura e simples, os famosos incorr bonus (cunudative e nom cunzulative incorr bonu_s). Pela razão mesma de surgirem no bônus de uma repactuação sempre dramática entre os credores debenturísticos e a empresa pré-falida, são também chamados Adjustment bonus. Entre nós, o instituto norte-americano assimilável é o participating bonus, que concede, além dos juros, a participação dos debenturistas nos lucros. A causa dessa dupla remuneração é óbvia, tanto aqui como lá, ou seja: visa atrair para a emissão dos títulos uma vantagem adicional, consistente na participação nos lucros sociais. Os participating bonus, com efeito, são a única modalidade que se pode admitir em nosso direito, em face do caráter oneroso e mercantil do empréstimo debenturístico, que não poderia sujeit ar pb , 26 Processo n° 13899.001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão n° 1202-00_335 Fl 14 o tornador ao não-recebimento de remuneração nos exercícios em que não houvesse lucros. A periodicidade da remuneração do capital integra a própria natureza do mútuo debenturístico, não se podendo admitir que a pretensão de recebê-los ficasse suspensa nos exercícios vários era que não houvesse ou fossem insuficientes os lucros apurados. Trata-se, pois, a participação nos lucros de remuneração adicional ou complementar àquela de juros periódicos. Criticas à participação nos lucros A inclusão na lei de emissão de debêntures com participação nos lucros da companhia, embora admitida no direito comparado, tem sido alvo de críticas. Argumentam tratar-se de empréstimo, sendo, portanto, a remuneração originada de lucros descaracterizadora do mútuo. Isto porque retiraria o requisito de certeza da dívida. Comenta-se, outrossim, que tal cláusula remuneratória afastaria a liquidez do título, requisito essencial à sua cobrança por via de execução, prevista no art. 596 do Código de Processo Civil. Haveria a descaracterização absoluta do título que, de certeza, passaria a tornar-se de risco, à semelhança das ações representativas do capital da companhia, Vantagens da remuneração adicional em participação nos lucros Não há, mesmo, como admitir substitutivamente a remuneração via lucros por aquela dos juros. Se assim fosse, estaria, com efeito, desfigurada a debêntures como título de dívida comercial, líquida e certa. Ocorre que a lei ao facultar a participação no lucro da companhia o faz como prêmio, adicional, portanto, aos juros fixos estabelecidos. E o faz como substitutivo do prêmio representado pela concessão de juros variáveis.....,.. .„,....,..,.„.._.„.„„ A causa desse prêmio é a mesma dos juros variáveis, ou seja,sustentar as debêntures de determinada classe no mercado, promovendo assim sua valorização e a sua liquidez. Isto posto, fica evidente que a participação no lucro da companhia constitui vantagem adicional, não podendo substituir a remuneração pecuniária certa, representada pelos juros fixos." (destaquei) Como se vê, não obstante prevista em lei, não parece ser tão pacifico que a remuneração das debêntures sob ,forma exclusiva de participação no lucro seja normal. Embora, talvez, legal, não há evidências de que essa forma de remuneração seja usual." De acordo com o texto acima transcrito, ficou claro que a operação executada pela autuada na emissão de suas debêntures, não pode ser considerado usual nem normal. Cf eit ___,/ iffW , 27 Por primeiro, porque a sua remuneração ficou atrelada unicamente nos lucros da empresa, em percentual elevado, de até 70%, quando o normal e usual para esse tipo de operação é que sejam p agos juros fixos, podendo ser oferecido, como atrativo para colocação do título de crédito, apenas uma vantagem adicional, um algo a mais, baseada no lucro daempresa, cujo percentual, em regra, jamais chegaria a 70% do lucro.. Em segundo lugar, porque foi oferecida e subscrita por um número limitado de pessoas, exclusivamente aos sócios da empresa, num típico ato de liberalidade, quando o normal e usual é que esse tipo de operação, é que as debêntures sejam oferecidas ao público em geral. A emissão de debêntures prevendo a remuneração de terceiros debenturistas exclusivamente com participação no percentual de até 70% não é usual. A produção de tamanhos lucros para terceiros é estranha aos objetivos sociais da empresa — a não ser que esses terceiros sejam os detentores do capital da empresa, quando não estariam abrindo mão de coisa alguma, já que tudo lhes pertence, Isso significa que a sociedade empresarial e os debenturistas optaram por uma recompensa ao capital emprestado diferente da forma usual de remuneraçãoda espécie de operação. Ora, para ser considerada uma despesa operacional e admitida como dedutivel da base de cálculo do IRPJ a despesa deverá ser usual ou normal para o tipo de operação. Não há como respaldar a dedutibilidade de uma despesa caracterizada pela liberalidade da empresa ao remunerar debêntures, subscritas exclusivamente por seus acionistas, com até 70% dos lucros, Portanto, não atendidos os critérios de usualidade e normalidade ao tipo de transação previstos no art. 299 do RIR/99, não resta outra alternativa senão glosar referida despesa. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 11" 4,506, de 1964, art. 47). § 1 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4 506, de 1964, art. 47, § 19, § 2" As des esas operacionais admitidas são as usuais ou normais no ti s o de transa ões operações ou atividades da empresa (Lei n" 4..506, de 1964, art. 47, § (grifei) Em relação ao aproveitamento do IRRFonte, retido por ocasião do pagamento da remuneração das debêntures aos seus beneficiários (acionistas), para fins de comp ensação/dedução do IRPJ exigido na autuação, entendo por discordar da posição adotadapelo acórdão recorrido. Em primeiro lugar, porque essa compensação/dedução carece de qualquer fundamento legal. E veja-se, que nesse ponto, o acórdão recorrido não apresentou qualquer base legal que justificasse a dedução do MEU lançado. E o fundamento legal para essa compensação não existe, porque se estaria deduzindo do imposto de renda da pessoa jurídica-IRPJ devido pela autuada, um imposto de renda na fonte-IRRFon que incidiu sobre rendimentos de terceiros, no caso os beneficiários da remuneração das debêntures, que são os sócios, o que, como já dito, carece de qualquer .fundamento legal. 28 Processo n" 13899.001314/2006-16 S1-C2T2 Acórdão n° 1202-00-335 F1, 15 No caso em tela, em que ocorreu a indedutibilidade da despesa com a remuneração das debêntures emitidas, o imposto de renda é exigido da autuada na condição de "contribuinte" do IRPJ. Já no caso da retenção do imposto de renda na fonte-IRRFonte, a autuada atua como "responsável" por essa retenção, uma vez que os contribuintes são os sócios beneficiários dos rendimentos das debêntures, Assim, não há corno efetuar a dedução do IRPJ de um contribuinte (autuado) utilizando-se do IRRFon pertencente à outro contribuinte (sócios). Além disso, o próprio Acórdão n" 101-94,986, sessão de 19/05/2005, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que foi utilizado para fundamentar parte da decisão de primeira instância, também não possui fundamento legal amparando a pretendida compensação do IRR Fonte com o IRPJ do autuado, o que só vem a reforçar a impossibilidade dessa pretensão, Por fim, ainda no que se refere à compensação do IRRFonte com o imposto a pagar, o artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 19990), exige que a receita, correspondente ao IRRFonte que venha a ser deduzido, tenha sido computada no cálculo do lucro real, fato que obviamente não ocorreu no caso ora analisado: "Art.231.Para efeito de determinação do saldo de imposto a a . ar ou a ser CO??? ensado a ressoa "uridica roderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n2 9.430, de 1996, art. 2.2, §42). dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II- dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III- do imposto pago ou retido na fonte. incidente sobre receitas computadas na cleterminacão do lucro real. IV- do imposto pago na forma dos mis. 222 a 230, (grifei). A respeito do reflexo na tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido-CSLL da glosa da despesa com remuneração de debêntures, entendo que a matéria foi muito bem decidida pelo acórdão recorrido, de acordo com a seguinte transcrição, da qual também adoto: "38. Referido resultado - ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL -, é apurado mediante a escrituração contábil, que deve observar postulados e princípios contábeis, Dispêndios efetuados por liberalidade não podem ser contabilizados como despesas, sob pena de ser apurado resultado incompatível com a realidade dos .fatos. Ademais, pelo Princípio da Entidade, uma despesa que não é necessária à empresa não deveria sequer estar na sua contabilidade, 39. como as despesas glosadas no Auto de Infração afetam o próprio resultado do exercício, conseqüentemente também alteram a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art, 2" da Lei 7489, de 1988, com as alterações do art, 2" da Lei 8,034, de 1990. /17 29 40, Assim, não se tratando, no presente processo, de mera indedutibilidade material oriunda da legislação do IRPJ, cabível é a repercussão da glosa das despesas também para a CSLL, Em face do exposto, é de se manter integralmente a exigência do IRP1 e da CSLL formalizados no auto de infração, relativamente ao ano-calendário de 2001, „ Carlos Alberto nassolo • 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13899.0013142006-16 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n'' 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de setembro de 2010. Maria Cone cao de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; []com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração..
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903592/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 27/12/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 92 /2 01 2- 18 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903592/201218 Acórdão n.º 3402003.562 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.934, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903592/201218 Acórdão n.º 3402003.562 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903592/201218 Acórdão n.º 3402003.562 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903592/201218 Acórdão n.º 3402003.562 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903592/201218 Acórdão n.º 3402003.562 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000984/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
RECURSO DE OFICIO
OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRATICADO PELO DE CUJUS - AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM NOME DO ESPÓLIO - MULTA QUE CONSTITUA SANÇÃO POR ATO ILÍCITO - INAPLICABILIDADE - A constituição de crédito tributário, através de auto de infração, em nome do
espólio, por irregularidades fiscais praticado pelo de cujus, sujeita o espólio à multa de mora, de dez por cento sobre o imposto apurado, estabelecida artigo 49 do Decreto-Lei 110 5.844, de 1943, sendo-lhe inaplicável as multas de oficio estabelecidas nos incisos I e 11 do artigo 44 da Lei n° 9430, de 1996, por constituir sanção por ato ilícito, não transferível para o espólio, em virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator.
RECURSO VOLUNTÁRIO
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA
BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" - LANÇAMENTO
TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO - OBRIGAÇÃO
PERSONALÍSSIMA - A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte - titular de fato-'a conta-corrente - era vivo,
cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FLUXO FINANCEIRO - INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS - A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses
bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a
imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos.
Recurso de oficio negado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-000.385
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFICIO OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRATICADO PELO DE CUJUS - AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM NOME DO ESPÓLIO - MULTA QUE CONSTITUA SANÇÃO POR ATO ILÍCITO - INAPLICABILIDADE - A constituição de crédito tributário, através de auto de infração, em nome do espólio, por irregularidades fiscais praticado pelo de cujus, sujeita o espólio à multa de mora, de dez por cento sobre o imposto apurado, estabelecida artigo 49 do Decreto-Lei 110 5.844, de 1943, sendo-lhe inaplicável as multas de oficio estabelecidas nos incisos I e 11 do artigo 44 da Lei n° 9430, de 1996, por constituir sanção por ato ilícito, não transferível para o espólio, em virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator. RECURSO VOLUNTÁRIO OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" - LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO - OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA - A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte - titular de fato-'a conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FLUXO FINANCEIRO - INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS - A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Recurso de oficio negado. Recurso voluntário provido.
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RECURSO VOLUNTÁRIO OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CLIJUS" - LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO - OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA - A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte - titular de fato-'a conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação especifiea. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FLUXO FINANCEIRO - INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS - A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo ,- - 1 patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Recurso de oficio negado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . , • I ______--------7( • / ‘ 'residenteMall/ yn residente e Relator/9 . -(.. .. ..... . .i: -.... . , . EDITADO EM: 1 2. MAR MU - Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan /.t Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo f Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Lf(liT : , • Relatório . O Presidente da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo — SP II recorre de oficio, nos Mimos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão prolatada de fls. 518/542, que (leu provimento parcial à impugnação, interposta pelo contribuinte, declarando insubsistente parte do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de lis, 416/423. Da mesma forma o ESPÓLIO DE FRANCISCO FERNANDES BERNARDEZ, representada pela viúva ELV1RA SANCHEZ PLUCHINO, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o n° 022.824.828-57, com domicilio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, a Rua Bahia, n° 720 — Apto 51, Bairro Fligienopolis, jurisdicionaclo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em Sio Paulo - SP, inconfonnada com ..------------ '‘--11 2 Processo n" 19515.000984/2007-3 S2-C2T2 Acórdão s.° 2202-00.385 Fl. 2 a decisão de Primeira Instancia de fls. 518/542, prolatada pela Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo — SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 561/587. Contra o espólio acima mencionado foi lavrado, em 23/04/2007, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fis. 416/423), com ciência pessoal da representante legal do espólio Sra Elvira Sanchez Pluchino, em 24/07/2007 (fls. 425), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 19.858.169,26 (Padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a titulo de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2002 a 2004, correspondente aos anos-calendário de 2001 a 2003, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem cm procedimentos de fiscalização dc Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: omissão de rendimentos tendo em vista a: variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados! comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do auto de infração. Infração capitulada nos artigos 1", 2', 3°c §¢, da Lei 110 7 .713 , de 988; artigos I" e 2°, da lei n° 8.134, de 1990 c artigo I° da Lei n°10.451, de 2002. 2 -- DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito ou de investimentos, mentidas em instituições financeiras, em relação aos quais ti contribuinte, regulannente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, confol ine descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto de infração. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; artigo 4" da Lei n°9.481, de 1997 e artigo 1° da Lei n°9.887, de 1999. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 402/415, entre outros, os seguintes aspectos: - que da leitura dos documentos analisados pelos membros da Equipe Especial de fiscalização verifica-se que: 1 — No documento HUB 0059019, intitulado "CERTIFICAT1ON OF BENEFICIAL OWNERSHIP", (FLS. 85), ALÉM DOS CONTRIBUINTES Elvira Sanches Pluchino, CPF 022.824.828-57 e Enrique Javier Rivas Blanco, CPF 033.320.178-70 consta, também como proprietário da Raintree Ltd. O contribuinte Francisco Fernandez Bemardez, CPIT 033.320.198-13, com domicilio em São Paulo — SP; 2 — Conforme o documento HUB 0057511 (fls. 103), o contribuinte Francisco Fcmandez Bernardez, CPF 033.320.198-13 consta, também, como diretor, sócio, etc; 3 — No documento HB 007515 (fls. 107), cópia do cartão de assinaturas, consta à assinatura de Francisco Fernandez Bemardez, CPF 033.320.198-13; 3 4 - O documento de n" IIIJB 0057518 (fls. 110), continuação do documento denominado "ACCOUT AGREEMEN1"' contém o nome e a assinatura de Francisco Fernandez Bemardez; 5 - O documento HUB 0057526 (fls. 118), é cópia do cartão de assinaturas dos titulares e contém o nome e assinatura de Francisco Femandez Bemardez. - que pelos fatos acima descritos e com base nos documentos que foram objeto de análise pelos membros da Equipe Especial de Fiscalização, que concluíram que Elvira Sanchez Pluehino, CPF 022.824.428-57 e Enrique Javier Rivas Blanco, CPF 033.320.178-70, sçao de fato titulares da conta n°30172829, denominada Raintrec Ltd. Pode- se afirmar, que Francisco Femandez Bemardez, CP17 033.320.198-13 era de fato um dos titulares da conta n" 30172829, denominada Raintree Ltd., mantida no MT13-CBC-1-TUDSON BANK de Nova Iorque; - que, diante do exposto, o contribuinte Francisco Femandez Bemardez, CPF 033.320.198-13 foi regularmente intimado, por via postal, através do Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 15/12/2006, com ciência em 22/12/2006 (fls. 350), a comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior no MTB-CBC-HUDSON UNITED BANK - HUB, a crédito da conta n" 030172829, cujos valores estão descritos nos Anexos ao Termo de Intimação (fls. 351); i• . - que em atendimento ao Termo de inicio de Fiscaiização, lavrado em 15/12/2006, foi apresentado, por Elvira Sanches Pluchino, espanhola, viúva, aposentada, inscrita no CPF/MF sob n° 022.824.428-57, na pessoa representante legalmente autorizado (fls. 374), o documento datado de 18/01/2007 (fls. $73), onde a mesma esclarece que o Sr. • Francisco Femanclez Bernardez, foi seu esposo e faleceu na data de 21 de março do ano de . 2005, conforme faz prova com o incluso documento (fls. 375), Atestado de Óbito expedido pelo Registro Civil - Repáblica Argentina; - que além dos esclarecimentos prestados pela viúva de Francisco Fernandez Bemardez, acima descritos, não foram apresentados outros esclarecimentos e documentos para a comprovação dos recursos movimentados no exterior, no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, no MTB-CBC-HUDSON UN1DET BANK - HUB, a crédito da conta ti' 030172829 por Francisco Femandez Bemardez, conforme solicitado no Termo de Início de Fiscalização; - que lendo em vista orfairos acima descritos, como crarrprovavarrido óbito-do fiscalizado Francisco Femandez I3emardez em março de 2005, e considerando os termos ao art. 131, inciso lido Código Tributário Nacional, que trata da responsabilidade dos sucessores e a Declaração Inicial de Espolio do Exercício de 2006, apresentada em 18/04/2006 onde consta como inventariante a Sra. Elvira Sanchez Pluchino, CPF 022.824.428-57, o espólio de Francisco Fernandez Bemardez, foi regularmente intimado, por via postal, na pessoa da inventariante, Sra Elvira Sanchez Pluchino, 022.824.428-57, com ciência em 01/03/2007, a comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior, no MTB-CBC-1-111DSON I.ENTITED BANK - HUB, a crédito da conta Raintree Ltd, n o 030172329, cujos valores constam dos Anexos ao Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 15/12/2006 com ciência em 22/12/2006 (fls. 351), tendo sido cientificado de que a não comprovação da origem dos recursos movimentados no exterior, no prazo e forma estabelecidos implicaria no lançamento de oficio do Imposto de Renda por Omissão de Rendimentos, conf io= previsto no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996; 4 Processo n° 19515.000984/2007-31 82-012 Acórdão n." 2202-00385 Fl. 3 - que a análise da Variação Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal dos Exercícios de 2003 c 2004 levou em conta como Origem dos Recursos os Rendimentos Omitidos provenientes de transferências a crédito da conta n" 030172829 no MTB-CDC- IIUDSON UNITED BANK — HUB cuja origem dos recursos não foi com provada e corno Aplicação de Recursos às transferências realizadas no exterior a Débito da conta n°030172829 no MTB-CBC-HUDSON UNITED BANK — HUB. Efetuados os lançamentos que se fizeram necessários foi apurado Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos valores de R$ 77.491,95; R$ 299.848,92 e R$ 7.806,63, correspondentes aos meses de fevereiro e março do ano de 2002 e abril do ano de 2003, respectivamente. • Em sua peça impugnatoria de fls. 427/454, apresentada, tempestivamente, em 22/05/2007, instruído pelos documentos de fls. 455/516 o espólio, através de sua representante legal, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que conforme ficou demonstrado a impugnante 'filvira é uma senhora com 75 anos de idade, de naturalidade espanhola, que mal conhece a língua portuguesa e, muito menos, a língua inglesa c, por tudo isso não conseguiu das as informações pedidas pelo fisco, esclarecendo que em suas respostas que desconhecia totalmente as acusações que o fisco fez; - que a impossibilidade tática e jurídica da impugnante Elvira se defender caracteriza cerceamento de defesa e, segundo o inciso II do artigo 59 do Decreto n" 70.235, de 1972, "São Nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa."; - que , quanto à ilegitimidade da parte, e de se dizer que o Auto de Infração não foi lavrado contra a pessoa jurídica Raintrec Ltd., mas sim contra a pessoa fisica do seu procurador falecido Francisco F. Bernardez, o qual somente possuía procuração da referida empresa e, aos olhos do fisco, movimentou valores sem prestar contas a este. A fazer tal escolha, ou seja, ao autuar a pessoa física do procurador e não a empresa, o fiscal autuante enquadrou a "responsabilidade tributária" do procurador no artigo 135 do CM; - que, neste processo administrativo, nenhuma importância tem o fato de tais documentos terem passado nas mãos de autoridades da policia, da justiça ou da administração. O simples fato de "passar pelas mãos de algumas autoridades" não dá a determinado documento estrangeiro o apanágio de "validade", porque, todo e qualquer documento lavrado em língua estrangeira deve, sempre, obedecer á legislação pátria, para, só assim, ser juntado ao processo. A tradução por tradutor público juramentado e a autenticação de cópias pela autoridade competente são requisitos mínimos e fundamentais para que o documento possa ser juntado ao processo e servir de indício ou prova; - que em relação ao mérito, verifica-se que o Auto de Infração exige Imposto de Renda Pessoa Física referente aos anos-base de 2001 a 2004, por omissão de rendimentos, tendo eu, vista a existência de acréscimo patrimonial a descoberto c depósitos bancários de origem não comprovada. A impugnante demonstrará, a seguir, que o fiscal formulou a exigência constante no Auto de Infração com base em mera presunção; que, irregularmente, transferiram, totalmente, o ônus da prova à impugnante Elvira, representante do espólio, c, além disso, fundamentaram o Auto de Infração em simples cópias de documentos estrangeiros não traduzidos ao vernáculo. Demonstrará, ainda, que não ocorreu o fato gerador e parte do crédito tributário exigido, referente ao periodo de 2001 e 2002, foi extinta pela decadência; s • - que analisando-se o Auto de infração e os Termos que os complementam, nota-se, nitidamente, que o fiscal autuante simplesmente relacionou, em demonstrativo de sua lavra, dólares que a seu ver, foram movimentados pelo Sr. Francisco Bernardez, já falecido, para suas contas bancárias, localizadas no exterior. Tais valores foram considerados "omissão de receitas", por não ter a viúva do Sr. Francisco, ora impugnante, apresentado explicações convincentes acerca de tais operações de movimentação de valores. Não podendo a viúva explicar os atos do marido falecido, o fisco efetuou uma soma de todos os dólares depositados na conta da empresa Raintree, e, pronto, lavrou o Auto de Infração, exigindo imposto de renda pessoa fisica do falecido Francisco (Espólio); - que não se provou o depósito e, muito menos, não se provou a titularidade, aliás, por não conseguir produzir tais provas, o fisco tentou transferir esse encargo à impugnante Elvira. Mas não teve sucesso e, por isso, deixou 'o presente procedimento sem qualquer fundamento fálico e, sobretudo, legal, pois não há qualquer documento idôneo demonstrando a existência de depósito bancário e a prova da titularidade; - que em relação a fatos geradores que o fisco alega terem ocorrido há mais de cinco anos antes da ciência do presente Auto de Infração (24/04/2007), já decorreu o prazo qüinqüenal de decadência, nos termos do Código Tributário Nacional. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo contribuinte a Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo - SP H conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção de parte do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: - que, quanto à decadência, é de se dizer que não ocorrendo à homologação, o único prazo decadencial possivel de se aplicar a tais casos, é aquele estabelecido no inciso 1 do art. 173, uma vez que algum prazo deve haver de forma a garantir a segurança jurídica; - que no caso em análise, em se tratando, assim, de lançamento de oficio, o direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física expiraria, no caso em tela, em 01/01/200S, para o exercício de 2002 e em 01/01/2009 para o exercício de 2003. Tendo o fisco efetuado o lançamento em 24/04/2007, ainda não terminara o prazo decadencial; - que uma vez positivada a norma legal, é dever da autoridade tributaria aplicá-la sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, ou promover quaisquer outra análises ou considerações sobre o terna. Dessa forma, o tratamento tributário dispensado ao coWibuinte segue estritamente os premeitusiegais-portiarealtesma-especiL, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade lançadora, cuja "atividade administrativa de lançamento e vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional", conforme preceitua o artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; - que, quanto aos exame das alegadas ofensas praticadas à Constituição Federal, falece competência a esta autoridade administrativa para análise. Sobre o assunto resta claro a esta autoridade julgadora o posicionamento de que não cabe aos órgãos administrativos do Poder Executivo, mesmo aqueles responsáveis pelo julgamento de processos de cunho administrativo, a apreciação da argüição de inconstitucionalidade, por lhes falecer competência para tanto, que constitui, sim, atribuição do Poder Judiciário; - que a presente tributação da omissão de rendimentos provenientes de - depósitos bancários pautou-se no art. 42 e parágrafos, da Lei n" 9.430, de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos; • Processo n° 19515.00098412007-31 S2-C2T2 Acórdão nP 2202-00.385 Fl. 4 - que não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de autuar a omissão do valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da Legalidade que rege a administração Pública, cabendo ao agente, tão somente, a inquestionável observância do diploma legal aplicável ao caso em espécie; - que, quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, é de se dizer que não houve impugnação quanto a essa infração, motivo pelo qual mantém-se o lançamento, nos exatos termos efetuados, por se tratar de matéria não impugnada, nos termos do art. 17, do Decreto n°70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n°9.532, de 1997; - que, quanto à multa de oficio, é de se dizer que, no caso em tela, tal multa não é exigível, por força do disposto no art. 23 da 118 SRF n° 81, de 2001 (com fundamento legal no art. 49 do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943), que estabeleceu que deve haver o lançamento de multa de mora a ser aplicada no caso da apuração de-omissão de rendimentos do de cujus e que tal multa deve ser arcada pelo espólio. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Ano-calendário:2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O prazo para efetuar o lançamento, no c‘rsos em que não ocorre a homologação, tendo em vista a construaçao de dolo, é aquele do art. 173, [do C711 isto é, cinco anos a contar do primeiro dia do exercício .seguMle àquele em que o lançamento podaria ser efetuado. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ILEGITIMIDADE DE PARTE. Existindo nos autos elementos que identificam o beneficiado de depósitos bancários, 12ãO há como prosperar a alegação de erro - na identBicação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR: APLICAÇÃO DO PRINCIPIO DA INTRANSCEDENCIA E A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. Há expressa previsão legal para a responsabilidade do espólio pelos tributos devidos pelo de cujos ate a data da abertura da sucessão. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. 7 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O Acréscimo Patrimonial a descoberto apurado não foi objeto de impugnação, devendo ter o tratamento de matéria incontroversa. MULTA DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO • APÓS A CONSTATAÇÃO DE FALECIVIENTO DA PESSOA FISICA. Afasta-se a multa de oficio, por falta de previsão legal, uma vez constatado o falecimento do contribuinte e referindo-se a apuração da omissão de rendimentos ao período anterior à abertura da sucessão. •Lançamento Procedente em Parte. Deste ato, a Presidência da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo — SP II, recorre de oficio ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3° inciso 11, da Lei n° 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei n° •9.532, de 1997 e da Portaria ME n°375, de 2001. Da mesma forma, após ser cientificada da decisão de Primeira Instância, em 24/06/2008, conforme Termos constantes às fls. 545/550, c, com ela não se conformando, a representante legal do espólio interpôs, em tempo hábil (23/07/2008), o recurso voluntário de fls. 561/587, no qual demonstra irresignação contra parte da decisão acima, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. • Processo n" 19515.000984;2007-31 S2-C212 Acórdão nY 2202-00385 Fl. 5 • Voto Conselheiro Nelson Mallmann, relatos — QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO = O presente recurso de oficio reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos se constata que a decisão de Primeira Instância decidiu tomar conhecimento da impugnação por apresentação tempestiva para, no mérito, deferi-la em parte determinando o cancelamento da multa de lançamento de oficio, sob o argumento de que constatado o falecimento não cabe multa punitiva, por falta de previsão legal. Ora, vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Dai porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade dc a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. É de se ressaltar, que na sucessão da pessoa fisica o Código Tributário Nacional se ocupa dos itens 11 e 111 do art. 131. O Código define dois momentos nos quais a responsabilidade por sucessão da pessoa física se põe: até a partilha ou adjudicação, a responsabilidade é do espólio (relativamente aos tributos gerados até a data da abertura da sucessão, ou seja, a data do falecimento); após a partilha ou adjudicação, a responsabilidade, tanto por tributos gerados antes do falecimento como pelos gerados após, até a partilha iou adjudicação, é do cônjuge meeiro, dos herdeiros e dos legatários. Assim, quando alguém falece, teoricamente seu patrimônio é imediatamente repassado para seus sucessores Contudo, a formalização da transferência depende da instauração e conclusão do processo de inventario (ou arrolamento) que conduzirá a sentença de partilha (ou adjudicação). No lapso de tempo compreendido entre a abertura da sucessão (morte) e a prolação da sentença de partilha ou adjudicação, o espólio (conjunto de bens, direitos e obrigações deixados pelo falecido, conhecido na expressão jurídica de cujus), responde pessoalmente pelos tributos devidos pelo de cidus. É óbvio, que somente após a sentença de partilha á que se pode aplicar a regra prevista no art. 131, H, do Código Tributário Nacional, unia vez que antes deste moinento à responsabilidade recai sobre o espólio. Como visto, a responsabilidade pelos tributos não recolhidos, verificados no lapso de tempo compreendido entre a abertura da sucessão (morte) e a proteção da sentença de partilha ou adjudicação, o espólio (conjunto de bens, direitos e obrigações deixados pelo 9 _ É falecido, conhecido na expressão jurídica de cujas), responde pessoalmente pelos tributos devidos pelo de atilas. Entretanto, verifica-se que, no presente caso, a autoridade lançadora entendeu ser procedente a aplicação da multa de lançamento de oficio normal de 75%. Multa esta que a autoridade julgadora de Primeira Instância cancelou. Fico com a decisão da autoridade julgadora, pois não posso acompanhar a - autoridade lançadora, pelas razões abaixo expostas. Como se vê nos autos, o processo refere-se a lançamento contra o espólio de Francisco Femandez Bernarclez, falecido em 21 de março de 2005, muito antes do inicio desta fiscalização que ocorreu em 15 de dezembro de 2006. Nota-se ás fls. 475/482, que sobre o imposto apurado foi aplicada à multa de lançamento de oficio normal de 75%. Multa que tem caráter punitivo, conforme previsão contida no artigo 44 da Lei n o 9.430, de 1996. • Ora, não há previsão legal, para que se efetue o lançamento de multa de oficio nos casos de lançamento contra o espólio ou quando há repasse de responsabilidade, por morte do contribuinte, sendo os herdeiros responsáveis apenas pelo imposto apurado, com a devida correção monetária, quando for o caso, e dos juros de mora, ou seja, descabida a aplicação de penalidade. É neste sentido, que se temi manifestado a jurisprudência deste Tribunal Administrativo, conforme pode ser observado nos julgados abaixo: MULTA DE OFICIO - A responsabilidade do sucessor cinge-se aos tributos não pagos pelo antecessor, não abrangendo as multas punitivas a teor do art. 133 do OW (Ac. CSRF/01.2.207/97 a 1111/97-DO 15/10/97) MULTA FISCAL - RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO - Não responde o sucessor pela multa de natureza fiscal que deva • ser aplicada em razão de infração cometida pelo de cujas. Inteligência do art. 133 da Lei 5172/66 (Ac. CSRF/01-1.328/92 -DO 10/01/95). MULTA DE OFICIO - DESCABIMENTO - Descabe a aplicação a espólio, após a abertura de sucessão, da multa de oficio de 75% (Lei n 9.430/96, art. 44, I), sendo cabível a multa tle 10% ~sia no RIR/99 art. 23& 1 c/c art. 964 L b." (Ac. 102- 45291). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Apurando-se, pela abertura da sucessão, que o de cujus apresentou declaração de rendimentos com omissão de rendimentos, a multa aplicável é a cio artigo 11 do RIR/80, o qual não contraria o disposto no artigo 129 do CIN. O crédito não inteiramente pago no vencimento é acrescido da juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, inclusive quando o lançamento é feito contra o espólio (Ac 1° CC 104-5.678/86 - DO 16/05/88). (obs: o art. 11 do RIR/80 equivale ao § I', do art. 23, do R1R/99). MULTA DE OFICIO - ESPÓLIO - Tendo em vista a previsão da Lei n.° 5.844, de 1943, o imposto apurado após a abertura da sucessão, mesmo quando relativo ao ganho de capital, somente está sujeito à multa de mora. Inteligência do art. 9 0, dc uris. 24 e 999,1 "c" do RIR, de 1994". (4c. 104-17300 e 104-18810). 10 Processo n° 1 95 15.000984/200 .7-3 E S2-C2T2 Acateio n.r 2202-00385 Fl. 6 MULTA DE OFÍCIO — Não cabe multa de oficio, quando há repasse de responsabilidade, por morte do contribuinte, sendo os herdeiros responsáveis apenas pelo imposto apurado, com a devida correção monetária e juros de mora, descabida a aplicação de penalidade (Ac. I' CC 106-4.182/92 — DO 15/06/924 • MULTA DE OFICIO (Ex. 85/6) -- Nos termos do op. 133 do CIA, o sucessor só responde pelo tributo devido pelo sucedido, descabendo a cobrança de multa de oficio, pois a penalidade não se transmite (Ac. 1 O CC 106-8581). MULTA - Não se nega que o espólio responde pelos tributos do de cuias, mas tão-só por tributos. Na exigência não se acresce a multa. imposta ao falecido, porque sua natureza jurídica não é a de tributo, e, sim, de penalidade imposta pelo descumprimento da obrigação principal. Sob uma interpretação restritiva da lei, a acepção de tributo, como figura o termo no inciso III do art. 131 do CdN não alcança as multas impostas ao de cupis, mas exclusivamente os tributos por ele devidos. Não é admissível sanção aos descendentes uma vez que responderiam por • comportamento ilícito alheio. O apenamento representaria, no caso, violação do principio da pessoalidade da pena, sendo descabida, pois, a cobrança da multa. Recurso parcialmente provido. (Ac 203-07611, 203-072994 ESPÓLIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - MULTA DE LANCI3MENTO DE OFÍCIO - O sucessor a qualquer liado e o cônjuge meeiro são responsáveis pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha, 'limitada a responsabilidade ao MOO tante do quinhão ou da meação, entretanto, nestes casos, não cabe o lançamento de multa de oficio, sendo os herdeiros responsáveis apenas pelo imposto apurado, com a devida correção monetária, quando fim- o caso, e dos juros de mora, descabida a aplicação de penalidade." (Ac 104-188834 A legislação de regência a época dos fatos sintetizada no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, se manifesta da seguinte forma: Art. 23 - São pessoalmente responsáveis (Decreto-Lei n°5.844, de 1943. art. 50, e Lei n°5.172, de 1966, art. 131, incisos 11 e III): I — o sucessor a qualquer titulo e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cupis até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; II —o espólio, pelo tributo de nAdo pelo de aqus até a data da abertura da sucessão. § I" Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de aipis não apresentou declaração para os exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos, cobrar-se-á do espólio o imposto respectivo, acrescido da correção TOO fICO-2ria e da multa II de mora prevista no art. 964, 1, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. 49). § 2° - Apurada a falta de recolhimento do imposto devido pelo de cuias até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio, acrescido de juros moratórias e da multa prevista no art. 950, observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 § 3" Os créditos tributários, notificados ao de atito antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, observado o disposto no inciso!. f•-)- - Art. 964 — Serão aplicadas as seguintes penalidades: 1—multa de mora b) de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § do art. 23 ( (Decreto-lei n" 5.844, 1943, art. 49). Portanto, a responsabilidade tributária dos herdeiros e cônjuge meeiro alcança o tributo cujo fato gerador tenha ocorrido até a data da partilha ou adjudicação, evidentemente excluída a penalidade (multa de lançamento de oficio) e na proporção do que lhes coube na partilha e no limite do montante herdado. Na ocorrência de evento da espécie, o art. 1384 do Código Civil Novo (Lei 10.406, de 2002) estabelece que, "aberta à sucessão, o domínio c a posse da herança transmitem-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários". Sobre a matéria, Maria Helena Diniz, in Código Civil Anotado, 5 1 edição atualizada, 1999, Editora Saraiva, pág. 1001, leciona que "no instante da morte do de cujus abre-se à sucessão, transmitindo-se, sem solução de continuidade, a propriedade e a posse dos bens do falecido aos seus herdeiros sucessiveis, legítimos ou testamentários, que estejam vivos naquele momento, independentemente de qualquer ato". Em face do exposto, verifica-se que a multa aplicável ao espólio, a época da ocorrência dos fatos, é a de mora de 10% dez por cento), prevista na letra "b", do inc. 1, do art. 964, do RIR/99, sendo descabida a penalidade estabelecida no inc. I ou II, do art. 44, da Lei te) 9.430, de 1996. Assim sendo e considerando que todos os elementos de prova que compõe a presente lide foram objeto de cuidadoso exame por parte da autoridade julgadora de Primeira Instância e que a mesma, na sua linha de raciocínio, deu correta solução à demanda, nesta parte, aplicando a legislação de regência à época da ocorrência do fato gerador, fazendo prevalecer à justiça tributária, VOTO pelo conhecimento do presente recurso de oficio, e, no mérito, NEGO provimento. • QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO = 12 Processo n" 19515.000984/2007-31 • S2-C2T2 Acórdão 11. 0 2202-00.385 • El. 7 O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A matéria em discussão neste colegiado administrativo, após os ajustes realizados pela decisão de Primeira Instância, se restringe as preliminares de decadência e nulidade do lançamento e, no mérito, à irregularidade de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes, mantidas nas instituições financeiras, em relação aos quais a representante legal do espólio, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, bem como sobre acréscimo patrimonial a descoberto. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a representante legal do espólio, apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância argüindo, em síntese, as mesmas razões da peça impugnatõria. Assim, a pedra angular da questão fiscal de mérito trazida à apreciação desta Turma de Julgamento, se resume, corno ficou consignado, anteriormente, à omissão de rendimentos em razão de depósitos bancários cuja origem não foi justificada (art. 42 da Lei . 9.430, de 1996) e acréscimo patrimonial a descoberto. Por outro lado, existe, ainda, as questões preliminares de decadência e de nulidades do lançamento por cerceamento do direito de defesa e ilegalidade na faltado observância à Lei Complementar 105, de 2001. Em razão da decisão de mérito favorável ao provimento do recurso voluntário, deixo de analisar as preliminares argüidas. Quanto à matéria de mérito, no que diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi justificada, não tenho dúvidas, que somente o titular de direito ou de . fato estaria, em principio, apto a comprovar estas origens, recorrendo a seus assentamentos e respectivos documentos, poderia colher e fornecer os comprovantes relativos às operações ou negócios particulares de que participou c que deram Origem aos recursos utilizados nos depósitos bancários efetuados e questionados pelo fisco. Essa é a prática que a jurisprudência administrativa testemunha. Pois como se sabe, desde remotíssima data tem-se entendido que a intimação deve ser feita ao próprio titular da conta . bancária, seja quanto à apresentação de documentação hábil e idônea seja quanto à origem dos recursos questionados. • • Com efeito, qualquer procedimento fiscal digno do nome há de estar • suficientemente instruido para possibilitar ampla defesa do contribuinte contra quem for instaurado. No caso, os elementos de prova, informações, etc., necessários e suficientes para embasar o lançamento contra o titular, de fato ou de direito, da conta bancária questionada está nos autos. Não tenho dúvidas de que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n" 9.430, de 1996, deve ser intupretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data c, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que titulo os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre cada crédito nu conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, 13 não sendo possível à comprovação de forma genética com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. Em outras palavras, esta comprovação deverá ser feita pelo titular de direito ou de fato com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, corno comprovação de origun de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já tributados, se não for comprovado a vinculação percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. • É fato, como já foi dito no voto do recurso de oficio, que o espólio não só responde pelos tributos relativamente aos bens deixados e pelos que se vencerem até a partilha, mas também pelos do de cajus antes da abertura da sucessão. Contudo, muito embora utilize o mesmo CPF, o espólio não se confunde com o de cujus. São entidades diferentes, valendo • lembrar que a Instrução Normativa SRF 110 81 , de 11 de outubro de 2001, assim conceitua o termo espólio:considera-se espólio o conjunto de bens, direitos e obrigaç5es da pessoa . falecida. Todavia, o dever do oficio nos arrasta, no sentido de que se restabeleça a justiça fiscal de que, nestes autos, está carente, não só por culpa da autoridade lançadora e sim pela situação peculiar estabelecida nestes autos. Ora, é fato inquestionável que na data do inicio da fiscalização o Sr. Fransciso F Bemardez era falecido, tanto é que a lavratura do Auto de Infração se deu contra o espólio. Da leitura do texto legal (art. 42 da Lei n°9.430, de 1996), depreende-se que quem se encontra obrigado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados é o titular da conta-corrente. Assim, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no legislação de regência, por ser urna obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito e/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte - titular de fato da conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação especifica. É evidente, que não sendo o espólio o titular da conta-corrente não há como lhe exigir que comprove os valores depositados nas contas-correntes do de cajus, a não ser que os depósitos se referissem a período posterior à data da abertura da sucessão. Ou seja, após o óbito. Ai sim, haveria que se averiguar quem era o responsável pela movimentação: se o espólio, se o inventariante ou qualquer outro sujeito passivo. Entendo, que não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas-correntes cm exame veio a óbito em data posterior a movimentação dos recursos c anterior ao procedimento fiscal, por encontrar-se, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito estabelecido no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 para que se caracterize a presunção legal. É inquestionável, que a melhor interpretação para a aplicação do estabelecido na norma legal (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), é no sentido de que se faz necessária à intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou do investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. 14 Processo n° 19515.000984/2007-31 R-CM Acórdão o.* 2202-00.385 Fl. 8 Ora, uma vez que o espólio não é titular das contas bancárias, nem tampouco o responsável pela movimentação no período fiscalizado, não poderia o agente fiscal ter-lhe autuado pela infração em questão, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. Não restam dúvidas, que a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve-se conformar aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei n°9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é obvio, que no caso de conta-corrente cujo titular já faleceu não possível se completar a previsão na norma lega de regência. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado através do "Fluxo Financeiro" de entradas e saldas de recursos, apurado através do Demonstrativo da Variação Patrimonial de Es. 512/514, é de se dizer que da análise dos autos do processo se verifica que a autoridade lançadora constatou, no seu entendimento, através do levantamento de entradas e saídas de recursos - fluxo financeiro, que o contribuinte apresentou, durante alguns meses dos anos-calendário de 2002 e 2003, saldos negativos, representando, no seu entender, presunção de omissão de rendimentos, já que, a principio, consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter entendido, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava c/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre o "acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo" cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura cle forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é licito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois 'Momentos distintos. No inicio do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período CIll comparação da mesma situação no seu inicio é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, irão tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e inicio do período, ou seja, na acepção do termo "acréscimo patrimonial". Portanto, não pode ser tratada cromo simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a derscoberto apurado na declaração anual de ajuste. 15 - Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no ••caso em pauta e a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). • Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita c da tipi cidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando Os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento se guro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão. Diz a norma legal que rege o assunto: Lei iz 7.713, de 1988: Artigo I° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de J0 de janeiro de 1989, por pessoas fisicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2" - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensanrieme, a medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3" - O Imposto incidira sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9" a 14 desta Lei_ 52 18 Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, as.sim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n."8.134, de 1990: Art. 1"- A partir do exercício-financeiro cie 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda • 16 , • Processo n" 19515.000984/2007-31 S2-C2T2 Aos:edil() n.° 2202-00.385 EI. 9 na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2' - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 4°- Em relação aos rendimentos percebidos a partir de de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8" da Lei n." 7.713, de 1988: 1 - será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n°8.021, de 1990: Art. 6"- O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, for-se-á arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § I" - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda dIsponivel do contribuinte. § 2" - Constitui renda disponível a receita aidérida pelo COR tiibtdrile, diminuida dos abatimentos e deduções admitidos . pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. Como se depreende da legislação, anteriormente citada, o imposto de renda das pessoas fisicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n." 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido corno o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou eomplexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento á obrigação tributaria pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de tenda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corpori fica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponivel. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo e o imposto de renda da pessoa fisica, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 17 - i 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É dose observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, I tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. • Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei n" 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9' e 11 da Lei n°8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal - exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. No presente caso, a tributação levada a efeito baseou-se em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio, constata-se que houve a disponibilidade económica de renda maior do que a declarada pelo supli cá nte, cá racterizandommissão_clecrendimentos-passíveis_cle_tributação. Por outro lado, é entendimento pacífico, nesta Câmara, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro ("fluxo de caixa") do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) c todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, tributados de oficio, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não, bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. • • Porém, no presente lançamento, não é isso que se constata. A autoridade lançadora simplesmente se baseou nas entradas c saídas registradas em conta bancária. A mistura de depósitos bancários na apuração de acréscimo patrimonial desvirtua totalmente o 18 • Processo ti' I 9515.000984/2007-31 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.385 Fl. 10 objetivo do "fluxo financeiro", que é para verificar se o contribuinte está aplicando ou consumindo mais do que tem de origem em recursos já tributados, não tributáveis ou isentos. Ora, nota-se, no levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto, que a autoridade lançadora considerou, tão somente, como origens os depósitos bancários e como dispêndios os repasses bancários. Este procedimento é incorreto, já que para os depósitos bancários existe urna legislação específica demonstrando a sua forma de tributar (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), não é razoável misturar depósitos bancários como sendo origem (entradas) no demonstrativo de acréscimo patrimonial e como dispêndios (saídas) os repasses bancários. O que é possível de se fazer . é tributar de oficio os depósitos bancários cuja origem não foi justificada c considerar os valores tributados de oficio no demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial como sendo origens de recursos passíveis de justificar acréscimo patrimonial a descoberto. A outra forma possível de apuração é considerar os débitos (gastos - saídas das contas bancárias) como sendo dispêndios, desde que fique comprovado a efetiva aplicação ou gasto do contribuinte, já que para efetuar estes gastos o contribuinte deverá demonstrar que tem lastro suficiente oriundos em rendimentos, retornos de investimentos, empréstimos ou doações (já tributados, tributados de oficio, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não. Ora, quando a autoridade lançadora promove o Fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) deve considerar, em seu levantamento, todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas). A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridítcte lançadora comprove gastos dou aplicações incompatíveis com a renda disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamentena fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os rendimentos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na Conte), abrangendo os declarados e os lançados de oficio pela autoridade lançadora. Ademais, a inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, tão somente, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (corno dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, idli relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Neste linha de pensamento, concluo que o lançamento, neste item, não foi realizado dentro dos parâmetros legais, portanto, da mesma forma, deve ser excluído da exigência tributária. . Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio c dar provimento ao recurso voluntário. . • /..._ .u. ,,,,,, 7_ T 19 41519 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 19515.000984/2007-31 Recurso n5: 174.377 • TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3' do att. 81 do Regimentb Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial a' 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ri' 2202-00.385. Brasília/DF, 1 AR 29B. (P(21)• EVELINE COELHO DE 'WEL° \ DOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: - ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001125/2004-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 25/05/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS.
A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ALADI. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETROBRÁS SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/05/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 11 25 /2 00 4- 62 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 347 2 Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial, tempestivo, interposto em 26/08/2008, contra o Acórdão n° 30134.250, cuja ementa abaixo se transcreve: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/11/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI TRIANGULAÇÃO. A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica ACE depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O referido acórdão foi proferido no recurso original n° 132.073 (3CC) na sessão plenária de 29/1/2008, e teve o seguinte resultado: Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso. Ausentes os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e João Luiz Fregonazz. O conselheiro Rodrigo Cardozo declarouse impedido. A Fazenda Nacional aponta divergência com o decidido pela Segunda Câmara do mesmo Terceiro Conselho de Contribuintes, acórdão nº 30236.741, nos seguintes termos IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — II PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Data do Fato Gerador: 21/08/1998 CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de beneficio de redução de aliquota do Imposto de Importação, decorrente de Acordos Internacionais firmados no âmbito da ALADI e MERCOSUL, quando as operações registradas nas Declarações de Importação não estão amparadas pelos Certificados de Origem pertinentes. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. A matéria nele versada, de amplo conhecimento deste colegiado, consiste em apontado descumprimento das condições para redução do imposto de importação prevista em acordos internacionais no âmbito da ALADI. Tal descumprimento decorreria do fato de a fatura comercial que instruiu o despacho de importação não ser a mesma referida no certificado de origem que atestaria o cumprimento dos requisitos. Nesta última, porém, constam o número do certificado e o número da fatura mencionada nele. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 348 3 Consiste a defesa, essencialmente, na alegação de que a Petrobrás adquire o petróleo da empresa PDVSA, conforme consta no certificado de origem (fl. 22 dos autos). Posteriormente, mas antes que ele deixe o território venezuelano, realiza uma venda e recompra, no mesmo dia, a uma subsidiária sua nas Ilhas Cayman, o que, aduz, lhe proporciona melhores condições de financiamento da compra. Por isso, é emitida uma fatura pela subsidiária para acompanhar a mercadoria, sendo esta que instrui o despacho. No presente processo, a empresa efetuou o recolhimento integral do II vindo a requerer a restituição da diferença correspondente à redução não fruída. Instruiu o seu pedido com cópias das faturas e do certificado de origem, entre outros documentos, mostrando que não há divergência entre eles, isto é, a fatura mencionada no certificado de origem é a mesma mencionada na segunda fatura, que também menciona, corretamente, o número do certificado de origem correspondente. O não deferimento do pedido de restituição decorreu de que, para este procedimento – conhecido como triangulação comercial –, os atos regulamentares dos acordos assinados pelo Brasil prevêem forma específica, que não foi seguida pela empresa. Concretamente, a necessidade de que, já no certificado de origem, seja citado que o produto será faturado por um terceiro operador, ou, em caso de impossibilidade, a elaboração de uma “declaração juramentada” apontando as causas e os procedimentos seguidos. Diferentemente, a empresa limitase a fazer constar na segunda fatura – aquela que instrui o despacho – os números do certificado de origem e da fatura original (fl. 20). Admitido o recurso consoante despacho de fls. 263/264, a empresa, intimada, apresentou contrarrazões em que repetiu as alegações presentes em todos os recursos versando esta matéria, quais sejam, em suma, a necessidade de realizar a operação de triangulação por razões financeiras, a ausência de qualquer prejuízo na forma como foi comprovado o cumprimento das condições previstas nos acordos internacionais ainda que não tenha sido seguido, à risca, o procedimento neles previsto para o caso de triangulação comercial. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator O recurso fazendário é tempestivo e apresenta a decisão contrária prolatada por outra Câmara. Dele conheço, pois. Examina este colegiado, mais uma vez, a possibilidade de a origem de mercadoria para efeito de redução de alíquota do II prevista nos acordos internacionais no âmbito da ALADI ser realizada por um meio diferente daquele previsto nos atos que a disciplinam. Especificamente, pretende a recorrida substituir a declaração juramentada prevista no art. 2º do ACE 91 pela mera referência cruzada nos documentos comerciais e no certificado de origem. Mais especificamente ainda, pretende que o certificado de origem possa mencionar uma dada fatura expedida por empresa sediada na Venezuela mas que outra fatura, agora já originada em empresa sediada em paraíso fiscal fora da ALADI, seja a que instrua o Fl. 348DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 349 4 despacho de importação, desde que nesta última haja menção à anterior, a qual, por sua vez, fora mencionada no Certificado. O que se tem nos presentes autos, e em outros tantos, é que uma dada quantidade de determinada mercadoria foi desembaraçada pela Petrobrás com base em uma fatura que não corresponde àquela mencionada no certificado de origem, mas que coincide completamente (a mercadoria) com a que lhe foi faturada pela empresa mencionada no certificado. E, ademais, na fatura que instruiu o despacho de importação há expressa menção tanto ao certificado de origem quanto ao número e data da fatura nele mencionada. Também incontroverso que a fatura que instruiu o despacho somente foi emitida após a data de emissão do certificado de origem, podendose depreender que seu número ainda não era conhecido quando da emissão deste último. Destarte, para que se obste o aproveitamento da redução tarifária o que está faltando é a declaração juramentada prevista no art. 2º da Resolução ALADI 232 e o que se decidiu foi que, à vista dos documentos exibidos, ela seria dispensável. Assim não penso, porém. Com efeito, embora não tenha mesmo sido cumprida a providência prevista nos atos regulamentares dos acordos, não vejo como não se possa, à vista dos documentos exibidos garantir que: 1) houve uma aquisição na Venezuela de uma mesma quantidade da mercadoria objeto do certificado de origem; 2) essa quantidade, nem mais, nem menos, está sendo desembaraçada no País. Nesses termos, e até onde consegui visualizar, a resistência fiscal parece escorada na possibilidade de que o mesmo certificado venha a ser utilizado em mais de uma operação de importação, especialmente em casos em que a “exportadora” pertence ao mesmo grupo empresarial importador. Naturalmente, isso requer que o mesmo certificado seja mencionado em mais de uma fatura, o que, por si só, já constituiria fraude. E ela ficaria ainda mais evidente se constasse de uma “declaração juramentada”. Seja por esse ou por qualquer outro motivo, o fato é que a Resolução ALADI a previu e sendo ela internalizada por meio de um decreto presidencial entendo que não pode ser por nós simplesmente considerada “letra morta”. Essas, em suma, as considerações expendidas no acórdão paradigma, que entendo mais bem embasadas do que a mera referência em alguns julgados favoráveis à empresa ao princípio do formalismo moderado que impera no âmbito do processo administrativo e que permitiria a “substituição” da forma de comprovação expressamente prevista no ato regulador. Ora, o princípio mencionado apenas autoriza a aceitação de forma não solene quando outra, mais específica e rigorosa, não esteja expressamente estabelecida. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 350 5 No caso em tela, ocorre exatamente a impossibilidade referida, pois a norma que regula o benefício tributário concedido no âmbito da ALADI traz expressa a providência a ser seguida, descabendo aos julgadores administrativos simplesmente ignorála, mormente porque, sabemos todos, são elas incorporadas ao ordenamento jurídico pátrio por meio de decreto presidencial que a todos nós vincula. Por fim, quero deixar claro que não estou aqui a dizer que a empresa recorrida, uma estatal e das mais importantes do Mundo, tenha praticado fraude, seja nesta, ou em qualquer outra operação comercial. Mas a Lei tem de valer igualmente para todos, e o reconhecimento de que ela pode descumprir a Resolução obriganos a aceitar esse descumprimento para qualquer outra, em que tais pretensões de lisura já não sejam tão fortes. Com essas considerações, voto pelo provimento do recurso fazendário de modo a restaurar a exigência afastada pela decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Do Cabimento da Preferência Tarifária O parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos: Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Nessa esteira, entendo aplicáveis, na espécie, as considerações formuladas por ocasião do voto vencido, prolatado quando do julgamento do Recurso nº 137.831 (Processo nº 18336.000413/200581), onde atuou como relator o conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, onde foram enfrentadas as alegações trazidas na jurisprudência da CSRF que apoiaria as considerações do sujeito passivo. Transcrevo: Por sintetizar o raciocínio que orienta esse entendimento, transcrevo ementa de acórdão da CSRF prolatado nos autos do Fl. 350DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 351 6 Recurso Especial nº 302124323, que teve como relatora a i. Conselheira Anelise Daudt Prieto, no qual, por maioria de votos, decidiuse: CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERÊNCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232 Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso especial provido. Apesar de entender que tal decisão está em harmonia com a regra geral de origem estampada no art. 9º do Decretolei nº 37, de 19661, peço licença para discordar das conclusões consignadas no aresto. Penso que, na espécie, o dispositivo nacional deve ceder espaço ao regime da Aladi, onde não foram produzidos os documentos corretos para a concessão da preferência tarifária objeto do presente litígio, nem suprida a sua ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 1 Tipicidade e Relação Jurídica Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem perfeitamente à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) 2 1 Art. 9º Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial. 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 352 7 Vejamos o que diz Alberto Xavier3 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges4, a seu turno, pontifica: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal conseqüência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se pode recorrer à analogia a pretexto de colmatar supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloqüente do legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese 3 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 353 8 contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Tal ressalva é importante para a solução do presente litígio porque, como se verá a seguir, o regime de origem do ACE 39, que isola a aplicação do regime do DL 37, de 1966, definiu as formas de suprir eventual falha documental perpetrada na demonstração do cumprimento dos requisitos de origem. É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do art. 9º, que trata do Regime Geral de Origem. 2Regime de Origem do ACE 39 Conforme se observa na leitura do já transcrito art. 9º do Decretolei nº 37, de 1966, delimitou com razoável precisão o conceito jurídico de “origem”, que, aliás, muito se aproxima do significado coloquial da expressão (local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial). Assim, para efeito de aplicação da legislação, sempre que a delimitação da origem da mercadoria for relevante, caberia ao intérprete investigar o local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial. Tratarseia então do emprego do que Alfredo Augusto Becker5, apoiado na doutrina de Emilio Betti, denominou Cânone Hermenêutico da Totalidade do Sistema Jurídico, que a unicidade dos conceitos jurídicos, independentemente do contexto em que o mesmo esteja sendo empregado. Diz o autor: “...uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão.” Ocorre que, segundo o próprio art. 9º, o conceito de origem ali consignado cede espaço aos critérios fixados em ato internacional de que o Brasil participe, hipótese que se verifica no presente julgamento, onde se encontra em discussão a aplicação de preferência tarifária outorgada nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não 5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3ª ed. p. 123 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 354 9 guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut (Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001 p. 85), citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. (grifei) No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 86 do ACE nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. Com efeito, o Conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 17 não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho ao ACE 39: a mercadoria, segundo aquele documento, foi embarcada em Punta Cardon, Venezuela, com destino ao Território Brasileiro. Ou seja, a meu ver, assim como consignado no citado acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a regra em questão impõe restrições ao trânsito físico da mercadoria por um 6 Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da ALADI, salvo se as Partes Signatárias convierem diferentemente. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 355 10 terceiro país, não à sua comercialização por um operador nele estabelecido. Tanto é assim que a Resolução nº 252 estabeleceu regra específica para a importação de mercadoria onde figure como exportador operador sediado em país nãoparticipante do ACE. Vejase o que diz o artigo nono da Resolução 252, incorporado ao Regime de Origem da Aladi por essa mesma resolução: NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (destaquei) Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (os grifos não constam do original) Notese que, a mesma resolução 252 estabelece, por via oblíqua, as conseqüências do descumprimento das regras inerentes ao certificado de origem, literalmente: SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. (destaquei) Com efeito, se a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação da declaração própria do Certificado de Origem, segundo os ditames do acordo, por óbvio, afasta o tratamento diferenciado se descumpridas as condições préestabelecidas. De se observar, ademais que, analisando o parágrafo único do artigo nono da mesma resolução, podese inferir que a norma definiu com clareza quais são as providências a adotar nas hipóteses em que a triangulação comercial impede o Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 356 11 preenchimento na forma préestabelecida, rito que, conforme apontado pelas autoridades autuantes, não foi seguido. Nessa esteira, a meu ver, a tipicidade cerrada que norteia a avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo proíbe que se busquem outros meios para, supostamente demonstrar a observância do regime de origem. Ora, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas, saber o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Ou seja, não é suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria, aparentemente foi produzida e embarcada na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral gizada no artigo 9º do Decretolei nº 37, de 1966. Repisese que, em obediência ao princípio da tipicidade, não se pode partir do pressuposto que a sistemática definida na Resolução 252 contém lacunas. Ela simplesmente optou por não admitir, por exemplo, que a falha na adoção das providências elencadas no art. nono sejam supridas pela apresentação de uma fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de Origem. Finalmente, a meu ver, razão assiste às autoridades autuantes quando apontaram a impossibilidade de se cotejar a quantidade da mercadoria amparada pelo certificado de origem coligido aos autos, que não contém essa informação. Sem que tal informação conste do certificado ou não for possível vincular certificado e fatura comercial, como saber se a totalidade das mercadorias desembarcadas no Brasil foi embarcada na Venezuela? Resta prejudicado portanto o cumprimento do requisito estabelecido no artigo oitavo da Resolução 252, literis: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) Logo, a certificação da origem é feita com base também em função da fatura comercial que acoberta a saída de mercadorias. Pelas normas internacionais vigentes (art. 4º do Acordo 91 do Comitê de representantes da Aladi), é necessário que haja a vinculação do certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente, o que foi deito no presente caso. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 357 12 Com efeito, é o vínculo entre certificado de origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima a fruição do benefício tarifário quanto á mercadoria importada. Não se pode olvidar, por outro lado, que a avaliação do cumprimento das condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o pelo art. 179, caput e § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (...) § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Aplicar o art. 179 e, se for o caso, o art. 155, significa, a meu ver, avaliar, conforme o caso, o cumprimento das condições fixadas no Acordo, inclusive no que se refere ao cumprimento das exigências de ordem instrumental. Sobre a imperiosidade da coexistência dos aspectos instrumental e material, bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da obra de Alberto Xavier7: “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos do tipo tributário, nem sempre esse dever lhe cabe quanto aos fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmarse que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de um pressuposto processual, que é um requerimento ou solicitação expressa do particular, sem o qual a Fazenda não pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do 7 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª ed., p. 103/104. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18336.001125/200462 Acórdão n.º 9303001.990 CSRFT3 Fl. 358 13 cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão”. (destaquei) De se reafirmar, portanto, que, como frisou o mestre lusitano, a regra isencional de caráter especial não gera efeitos ope iuris. É necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. De maneira semelhante, pondera Souto Maior Borges8: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 8 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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