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Numero do processo: 13028.000343/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO-PRÊMIO. RESTITUIÇÃO
No julgamento dos REs 561.485 e 577.348, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que o crédito-prêmio do IPI vigorou até 05/10/1990; assim, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), aplica-se ao presente julgamento, aquela decisão.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 CRÉDITOPRÊMIO. RESTITUIÇÃO No julgamento dos REs 561.485 e 577.348, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que o créditoprêmio do IPI vigorou até 05/10/1990; assim, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), aplicase ao presente julgamento, aquela decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de créditoprêmio do IPI apurado no ano calendário de 2002, com base no art. 1º do Decretolei nº 491, de 05/03/1969. Por meio do Despacho Decisório às fls. 21/27, a DRF em Santo Ângelo indeferiu o pedido de restituição sob o fundamento que no período, objeto do crédito apurado, aquele benefício fiscal já havia sido extinto. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 31/50), insistindo no deferimento do seu pedido, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional a extinção do créditoprêmio do IPI por portaria ministerial, motivo por que o beneficio ficou expressamente restabelecido. Diz que é ilegal e inconstitucional a Portaria MF Nº 176, de 12 de setembro de 1984, segundo a qual o créditoprêmio extinguiuse em 1 de maio de 1985. Sustenta que o beneficio em causa foi recepcionado pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e que a ele não se aplica a extinção prevista no § 1º do art. 41 do ADCT, por não ser um incentivo de natureza setorial. Expõe a razão pela qual deve ser aplicada a alíquota de 15% para o calculo do créditoprêmio, no caso dos seus produtos, aos quais corresponde a alíquota zero do IPI. Discorda da decadência (prescrição) do seu alegado crédito. Finaliza, pedindo a reforma do despacho decisório contestado, para fins de reconhecimento do direito creditório e de homologação das compensações realizadas.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1022.453, datado de 19/11/2009, às fls. 77/82, sob as ementas: “CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Exportações realizadas em 2002 não dão direito ao crédito prêmio do IPI, dada a anterior extinção do referido beneficio. PRESCRIÇÃO. 0 direito de aproveitamento dos créditos legítimos do IPI fica sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade de atos normativos baixados pelas autoridades do Poder Executivo.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 87/104), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de restituição, alegando, em síntese: i) a inocorrência da decadência/prescrição quinquenal do seu direito, defendendo a tese “dos cinco mais cinco”; ii) o Decretolei nº 1.894, de 1981, art. 1º, inciso II, restabeleceu expressamente o créditoprêmio do IPI; iii) o benefício continua válido ate os dias atuais em virtude de sua recepção pela CF/1988, não se aplicando a exigência de confirmação por lei contida no art. 41 do ADCT; e, iv) em virtude de sua vigência tem direito tem o direito de Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000343/200873 Acórdão n.º 330101.406 S3C3T1 Fl. 129 3 aproveitar o benefício fiscal calculado à alíquota de 15,0 %. Defendeu, ainda, o direito de compensar os valores pleiteados com quaisquer débitos fiscais administrados pela Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. As suscitadas razões, em relação à decadência/prescrição do seu direito à repetição dos valores reclamados ficaram prejudicados, tendo em vista que, no período, objeto dos valores apurados e reclamados, o benefício fiscal créditoprêmio do IPI já havia sido extinto. Os créditos reclamados foram apurados sobre exportações efetuadas no ano calendário de 2002. No julgamento dos REs 561.485 e 577.348, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que o créditoprêmio do IPI vigorou até 05/10/1990, sob as seguintes ementas: RE/56148: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido.” RE/577348 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 PRAZO. EXTINÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), art. 62A, determina a adoção, em seus julgados, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça, assim dispondo: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” Assim, em relação à vigência do créditoprêmio do IPI, aplicase a este caso, a decisão do STJ no RESP 929.521, que reconheceu a sua incidência naquelas receitas. Como os créditos apurados e reclamados pela recorrente correspondem ao anocalendário de 2002, quando não mais vigia aquele incentivo fiscal, não há que se falar em ressarcimento do valor pleiteado. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10469.000155/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.066
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Ivacir Julio de Souza.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10469.000155/200868 Resolução n.º 2403.000.066 S2C4T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (DEBCAD n. 37.054.2592), consolidado em 24/06/2008 (fl. 01), cuja notificação ocorreu em 27/06/2008 (fl. 01), por deixar de prestar ao INSS algumas informações por meio digital, na forma estabelecida pelo MANAD, por ocasião da fiscalização realizada pela receita federal. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fl. 12, a Recorrente não apresentou, na forma prevista no MANAD, as informações referentes às folhas de pagamento relativas às competências 04/2003 a 12/2007, infringindo assim o disposto no art. 32, III, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, de 06/05/1999. Em decorrência da supracitada infração, foi aplicada a multa nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91 e arts. 283, II, “b”; 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, no valor de R$ 12.548.77 (doze mil e quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), atualizado pela Portaria MPS/MF n. 77, de 11/03/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em RecifePE – por meio do Acórdão 1124.888 da 6a Turma da DRJ/REC (fls. 42/45) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. FALTO NÃO SANADA. A apresentação no prazo da impugnação de arquivos digitais não corrige a falta prevista no art. 32, III, da Lei n°8.212/1991. Lançamento Procedente” A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 50/54), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10469.000155/200868 Resolução n.º 2403.000.066 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator Conforme registro de fl. 67, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verificase que a Recorrente apresentou os arquivos digitais que ensejaram a autuação no dia 16 de julho de 2008, quando da apresentação de sua impugnação. A própria Delegacia Regional de Julgamento DRJ, em seu voto, nas fls. 43/44, do Acórdão de fls. 42/45, admite que os arquivos digitais foram apresentados, no entanto não aceita que essa entrega possa significar em relevação da penalidade aplicada, verbis: “VOTO (...) O autuado, em sua defesa, apresenta CD de dados que sanaria a falta apontada, requerendo, ao final, a extinção do auto. Traduziremos tal pedido como de relevação da penalidade aplicada, haja vista ser o instituto que se coaduna com a eliminação da penalidade, decorrente de eventual correção da infração No quesito relevação, temse que os requisitos estão previstos no § 1°, do art. 291, do RPS, a saber: a) pedido de relevação dentro do prazo de defesa; b) primariedade do infrator; c) correção da falta; d) ausência de circunstancias agravantes. Para a relevação da multa, portanto, é imprescindível a correção da falta Sem adentrar ao mérito dos dados apresentados junto com a impugnação, entendo que, ainda que os mesmos cumprissem as exigências do MANAD, essa conduta não corrige a infração. (...) Considerar que a apresentação de arquivos digitais exigidos durante a ação fiscal posteriormente ao seu encerramento corrija a falta de não apresentação no momento oportuno, é deixar ao alvitre da empresa sua apresentação. Se a ela for mais conveniente apresentála posteriormente, assim o fará, caso contrário, ficará o fisco sem os referidos arquivos. Outro ponto a ser ressaltado é que a fiscalização não pode ficar A disposição do contribuinte, haja vista o gasto com o deslocamento do aparelho fiscalizador, esperando que, ao alvitre do sujeito passivo, apresente os arquivos quando lhe convier. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10469.000155/200868 Resolução n.º 2403.000.066 S2C4T3 Fl. 4 4 A legislação não fala que a fiscalização deve estar à disposição da empresa para fiscalizála quando a esta for conveniente.” Como se pode constatar da transcrição, a DRJ não chegou a analisar o CD que a Recorrente afirma ter sanado a causa que originou o Auto de Infração em tela, por desconsiderar o teor do art. 291 do Decreto n. 3.048/99, vigente há época. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para baixar em diligência o processo administrativo para que seja analisado o CD apresentado no momento da Impugnação, para ver se o mesmo supre a exigência da Fiscalização, haja vista que há época o art. 291 do Regulamento da Previdência SocialRPS estava vigente. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
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Numero do processo: 19679.005746/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989 INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62-A, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, os pedidos de restituição/compensação de indébito tributário decorrente de pagamento a maior e/ ou indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados até 09/06/2005, em relação à decadência qüinqüenal do direito de se repetir/compensar o respectivo indébito, sujeitam-se à tese dos cinco mais cinco. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, os pedidos de restituição/compensação de indébito tributário decorrente de pagamento a maior e/ ou indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados até 09/06/2005, em relação à decadência qüinqüenal do direito de se repetir/compensar o respectivo indébito, sujeitamse à tese dos cinco mais cinco. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ São Paulo I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição de indébitos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referente às competência mensais de julho de 1988 a outubro de 1989, recolhidos entre as datas de 20/10/1988 e 12/03/1990. O indeferimento, por parte da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo, teve como fundamento a decadência qüinqüenal do direito de a recorrente repetir os valores reclamados, conforme Despacho Decisório às fls. 80/82. Inconformada com aquele despacho, interpôs manifestação de inconformidade (fls. 97/114), insistindo no deferimento do seu pedido, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... cabe aplicar a LC 7/70, até a edição da MP 1.212/95; dada a inconstitucionalidade, não se aplicam as regras do CTN ao caso; transcreve jurisprudência administrativa sobre o termo inicial do prazo para repetir; a LC não é aplicável e não retroage (transcreve doutrina e jurisprudência do STJ, esta versando sobre sua eficácia prospectiva e prazo decenal a partir do fato gerador; discute a semestralidade, transcrevendo decisões administrativas (súmulas e pareceres da PGFN) e judiciais e seu efeito sobre a contagem do prazo decorrente deste aspecto, concluindo que finda em 2011 e que ainda tem o direito á restituição.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme Acórdão nº 16 28.931, datado de 14/01/2011, às fls. 136/141, sob a seguinte ementa: “REPETIÇÃO. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear restituição do que alega indevido inexiste após 5(cinco) anos da data da extinção do crédito tributário (art. 106, 150, §1º, 168, I, CTN; art. 3º, LC 118/2005; AD SRF 96/99).” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (145/163) requerendo a sua reforma a fim que se defira seu pedido de restituição, alegando, em síntese, a inocorrência da decadência do seu direito, defendendo a contagem do prazo qüinqüenal a partir da data de publicação do Ato Declaratório PGFN Nº 08, de 07/11/2006, que dispensou a apresentação de contestação, a interposição de recursos e autorizou a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o parágrafo único do art. 6º da LC nº 07, de 07/09/1970, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento do PIS. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.005746/200588 Acórdão n.º 330101.459 S3C3T1 Fl. 172 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Ao contrário do entendimento da recorrente, inexiste amparo legal para se contar o prazo qüinqüenal da decadência/prescrição do direito à repetição de indébitos tributários a partir da data de publicação do Ato Declaratório PGFN nº 08, de 07 de novembro de 2006. A decadência do direito de se repetir/compensar indébitos tributários está regulada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõe: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…). Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (…). Assim, nos termos deste dispositivo legal, o prazo decadencial/prescricional do direito à repetição de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/ ou a maior, deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário. No presente caso, a extinção do crédito tributário mais recente e que teria originado indébito tributário ocorreu em 12/03/1990, pelo pagamento. Assim, na data de protocolo do pedido de restituição em discussão, em 08/06/2005, o direito de a recorrente já havia decaído. Também, adotandose a tese dos “cinco mais cinco”, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, que deve ser adotada por esta Primeira Turma Ordinária, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo Fiscal (RICARF), naquela data, o direito de a recorrente repetir os valores reclamados já havia decaído. O RICARF art. 62A, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 (...).” Já na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao recurso extraordinário nº 566.221 interposto pela União Federal contra decisão que reconheceu que a LC nº 118, de 09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, e que o prazo qüinqüenal para repetir indébitos decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por convalidação, até então, era de 10 (dez) anos, cinco para a extinção tácita e mais cinco para a repetição, tese dos “cinco mais cinco”, sacramentou a vigência desta tese até a entrada em vigor daquela lei complementar. Dessa forma, aplicandose a tese dos “cinco mais cinco” e levandose em conta que os fatos geradores das contribuições cujos indébitos a recorrente reclama neste processo ocorreram entre as datas de 31/07/1988 e 31/10/1989, o prazo limite para exercer o direito a repetição do indébito mais recente expirou em 31/10/1999. Como o pedido de repetição foi protocolizado em 08/06/2005, nesta data, seu direito se encontrava decaído/prescrito. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10940.000283/2004-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998 DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. De acordo com o art. 156, II, do CTN, a decadência é causa de extinção do crédito tributário, assim transcorrido o lapso temporal quinquenal previsto no art. 154, § 4º ou art. 173, I, do CTN, conforme o caso, o Fisco estará impedido de constituir o crédito tributário. Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.516
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. De acordo com o art. 156, II, do CTN, a decadência é causa de extinção do crédito tributário, assim transcorrido o lapso temporal quinquenal previsto no art. 154, § 4º ou art. 173, I, do CTN, conforme o caso, o Fisco estará impedido de constituir o crédito tributário. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Conforme constou do relatório do acórdão recorrido, tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do 4º trimestre de 1998, formalizada no auto de infração de fls. 44/45, lavrado em 20/02/2004, com ciência da contribuinte em 09/03/2004, totalizando o crédito tributário de R$ 3.238.926,38. Segundo a descrição dos fatos de fl. 45 e o relatório fiscal de fl. 46, houve falta de lançamento de IPI, no 1° decêndio de dezembro de 1998, porque a contribuinte teve o seu pedido de compensação do débito de IPI indeferido no processo administrativo n°13884.003820/9884. Conseqüentemente, procedeuse ao lançamento de oficio do IPI escriturado no Livro Registro de Apuração, constante também na DCTF do 4° trimestre de 1998 (fl. 40), na qual o débito foi informado como "Compensação em DARF”. De acordo com a decisão recorrida, o IPI é um imposto cujo lançamento ocorre por homologação, e por isso, o prazo decadencial é regido pelo art. 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, transcrito acima, ou seja, cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. No caso em questão, tratandose de IPI relativo ao 1° decêndio de dezembro de 1998, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário estaria totalmente extinto em 10/12/2003. Como o auto de infração foi cientificado em 09/03/2004, mesmo pela aplicação da regra do art. 173 do CTN, já havia decaído o direito para a constituição do crédito tributário. Sendo assim, reconhecese de ofício a decadência do direito da fazenda pública de constituir o crédito tributário objeto deste auto de infração, conforme sintetiza a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998 IPI. DECADÊNCIA. Caracterizado o lançamento por homologação, de iniciativa do sujeito passivo, e escoado o lapso qüinqüenal, as ocorrências fáticas são abrangidas pelo fenômeno jurídico da decadência. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CIN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10940.000283/200465 Acórdão n.º 330101.516 S3C3T1 Fl. 138 3 O recurso de ofício atende as condições legalmente estabelecidas devendo o mesmo ser conhecido. Tratase de recurso de ofício da decisão que julgou extinto, pela decadência, o crédito tributário exigido através de Auto de Infração relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, do 4º trimestre de 1998, formalizada em 20/02/2004 (fls. 44/45), tendo contribuinte sido notificado em 09/03/2004. Desta forma, quer seja pela aplicação do art. 150, § 4º ou art. 173, I, do CTN, quando o crédito tributário foi constituído o mesmo já havia sido extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004392/2004-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES -
É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
O não pronunciamento do Colegiado a quo sobre a procedência da exclusão com base na lei em vigor na época dos fatos exige o retorno do processo para complementação do julgamento.
Numero da decisão: 9101-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a retroatividade da Lei Complementar do simples e determinar o retorno ao Colegiado recorrido para exame das matérias questionadas no recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso que dava provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES - É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. O não pronunciamento do Colegiado a quo sobre a procedência da exclusão com base na lei em vigor na época dos fatos exige o retorno do processo para complementação do julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a retroatividade da Lei Complementar do simples e determinar o retorno ao Colegiado recorrido para exame das matérias questionadas no recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso que dava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
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O não pronunciamento do Colegiado a quo sobre a procedência da exclusão com base na lei em vigor na época dos fatos exige o retorno do processo para complementação do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a retroatividade da Lei Complementar do simples e determinar o retorno ao Colegiado recorrido para exame das matérias questionadas no recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso que dava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 43 92 /2 00 4- 07 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 9101001.602 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão de 16 de outubro de 2008 a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 30239.893, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE APLICÁVEL A ATO AINDA NÃO JULGADO DEFINITIVAMENTE. A exclusão do contribuinte do regime especial de tributação do SIMPLES não pode prosperar, uma vez que no curso do julgamento do ato administrativo sobreveio lei que trata da matéria, e nela consta, literalmente, que a atividade praticada pela recorrente (academia de dança, de atividades físicas e desportivas) não se constitui em vedação à opção pelo indigitado regime especial de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” O Procurador da Fazenda Nacional assegura que a interpretação assumida pelo acórdão recorrido colide com abraçada por outros colegiados em relação às matérias (i) Vedação ao SIMPLES de atividades relativas à academia de dança e (2) Irretroatividade da Lei Complementar 123/2006. Para confronto foram utilizados os seguintes julgados: 1 – Vedação ao SIMPLES de atividades relativas à academia de dança. Ac. nº 30237238 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. ACADEMIA DE GINÁSTICA E DE PRÁTICA ESPORTIVA Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que exerce atividades de academia de ginástica e Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 9101001.602 CSRFT1 Fl. 4 3 prática esportiva, por prestarem serviços assemelhados ao de professor, de fisicultor ou a este assemelhado, ou decorrente do exercício de profissão legalmente regulamentada. RECURSO NEGADO. 2 Irretroatividade da Lei Complementar 123/2006. Ac. nº 10514110 [...] IRRF RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI O instituto da retroatividade benigna, no âmbito tributário, está relacionado à aplicação de penalidade, não se confundindo com modificações produzidas na determinação da base de cálculo da exigência, onde dispositivos legais posteriores determinaram nova forma de apuração. Ac. nº 10194931 [...] CSLL ANISTIA. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA NORMAS TRIBUTÁRIAS. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela legislação então vigente sujeitandose à incidência de juros de mora o recolhimento, fora do prazo legal, de multa por lançamento de ofício referente a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Nos termos do artigo 106, inciso II. "c", a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, sendo devidos os juros de mora previstos pela legislação de regência em razão de sua natureza remuneratória. Recurso provido parcialmente. Amparado no Regimento Interno então em vigor, o representante da Fazenda Nacional postula a reforma da decisão, impetrando recurso especial de divergência (RD). A admissão do recurso especial está justificada nos seguintes termos: “ Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. O voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da LC nº123/2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente à época do fato julgado, a Lei nº 9.317//96, autorizaria a incidência do art. 106, do CTN. Em sentido inverso é o entendimento dos acórdãos paradigmas, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa da LC nº123/2006, devendo ser considerada a atividade exercida pela Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 9101001.602 CSRFT1 Fl. 5 4 empresa sob a égide da Lei nº9.316/97, aplicandose a restrição da opção ao SIMPLES para as pessoas jurídicas que prestem serviços de academia de ginástica (dança). Ante ao exposto, os acórdãos apresentados pela Fazenda Nacional, ao meu ver, cumprem a exigência de demonstrar, fundamentadamente, a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 94 e seguintes. É o relatório Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Antes de mais nada é preciso delimitar a matéria a ser apreciada neste Recurso Especial. A Fazenda Nacional alegou divergência em relação a duas matérias, quais sejam, vedação ao SIMPLES de atividades relativas à academia de dança e irretroatividade da Lei Complementar 123/2006. Contudo, o Colegiado Recorrido (2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes) não se manifestou sobre a primeira matéria, tendo decidido apenas com base na aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, que dispõe expressamente que a atividade de academia de dança, de atividades físicas e desportivas não se constitui em vedação à opção pelo regime especial de tributação nela tratado. Portanto, não pode esta 1ª Turma manifestarse quanto à questão de, na vigência da Lei nº 9.317/96, estarem ou não, as empresas cuja atividade seja academia de dança, impedidas de optar pelo SIMPLES. Assim, o recurso deve ser conhecido apenas quanto à aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. E essa questão não mais admite discussão na instância administrativa, eis que a matéria foi sumulada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 10 de dezembro de 2012, nos seguintes termos: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples Pelo exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar à Primeira Sessão de Julgamento, para decidir a questão proposta no recurso voluntário a luz da Lei nº 9.317/96. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2013. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 9101001.602 CSRFT1 Fl. 6 5 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003309/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE DULPLICIDADE DE LANÇAMENTO.
A empresa é também obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE DULPLICIDADE DE LANÇAMENTO. A empresa é também obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE DULPLICIDADE DE LANÇAMENTO. A empresa é também obrigada a preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 33 09 /2 00 8- 36 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela empresa IBERDROLA ENERGIA DO BRASIL LTDA em face da decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte. 2. Narra o relatório que a autuação de se deu em razão de “deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8212/91, art. 30, inciso I, alínea ‘a’ e alterações posteriores e na Lei n. 10.666/99, art. 216, inciso I, alínea ‘a’”. 3. O acórdão, ora vergastado, restou ementado nos termos que passo a transcrever: “INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS, AVULSOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS MEDIANTE 0 DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, a rigor do art. 30, I, a da Lei n" 8.212/91 c/c art. 216, I, a do Decreto 3.048/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. Em sede de recurso voluntário, com o objetivo de reverter o lançamento feito, o contribuinte aduz, em síntese: a) preliminarmente, a necessidade de lavratura de novo auto de infração, tendo em vista o cancelamento do procedimento anterior por decisão unilateral da Receita Federal; b) que diante do cancelamento do lançamento anterior, a autoridade administrativa estava obrigada a exonerar, de ofício, os gravames decorrentes da autuação fiscal; c) nãocaracterização da conduta da recorrente como descumprimento de obrigação acessória, considerando que nenhuma parcela de contribuição era devida relativamente ao pagamento de incentivos aos funcionários e contribuintes individuais da recorrente, nenhum valor deixou de ser retido e recolhido; d) duplicidade do lançamento, pois a multa imposta decore de conduta tida como infracional em outros lançamentos; Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003309/200836 Acórdão n.º 2301003.169 S2C3T1 Fl. 344 3 e) inexistência de previsão legal de multa, visto que a imposição de penalidade não pode ser atividade de Decreto, bem como não poderia a legislação ter delegado ao executivo a fixação da sanção. 5. Embora devidamente cientificado da apresentação do recurso por parte da empresa, o fisco limitouse a encaminhar os autos a este Conselho, sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Aduz o contribuinte a nulidade do presente lançamento tendo em vista que “diante da decisão que determinou o cancelamento do AI originário, a Autoridade Administrativa estava obrigada a exonerar de ofício a requerente dos gravames decorrente do lançamento tributário (...) em litígio” (f. 280). 3. Não obstante o bom arrazoado trazido pela recorrente na busca de ver seu pleito acolhido, razão não lhe assiste. Isso porque não foram acostados documentos que possam comprovar o extravio dos presentes autos, pois o boletim de ocorrência (ff. 207 a 210) não faz menção explícita ao processo ora em análise, bem como o documento de f. 206, que criou o grupo de trabalho, não especifica nenhuma medida que atinja o caso em questão. 4. Além disso, o artigo 156, do Código Tributário Nacional, não traz entre as modalidades de extinção do crédito tributário, o extravio de documentos, sendo, portanto, descabido o pedido de anulação do lançamento fiscal. 5. E conforme se depreende da decisão de primeira instância, inexiste qualquer óbice ao prosseguimento do procedimento fiscalizatório, posto que, conforme narrado pelo julgador a quo “consultando o sistema ‘ÁGUIA/SICOB’, verificase que o autode infração nunca foi cancelado, inexistindo qualquer decisão administrativa até o momento, encontrandose na fase ‘AGUARDANDO ANÁLISE P/EXPED DN’.” (f. 272) 6. Cabe salientar ainda que, o fato narrado pela empresa de que teria sido formalmente cientificada do cancelamento da notificação fiscal e da lavratura de uma nova, não está comprovado documentalmente, configurandose em uma alegação subjetiva. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 7. Além disso, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. Desta forma, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal. DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 7. No mérito, pareceme que razão na assiste à recorrente. Ora, conforme o relatório fiscal do auto de infração em epígrafe, a fiscalização constatou descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista que a empresa teria deixado de informar as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais nas respectivas folhas de pagamento no período de 10/2003 a 08/2006. 8. Sobre o dogmática de classificação de obrigações tributárias, pondero alguns pontos elementares, no entanto primordiais para o deslinde da controvérsia. 9. No art. 113 do Código Tributário Nacional, o legislador teve a preocupação de delimitar no próprio códex o que podese considerar para efeitos de obrigação principal e acessória. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 10. Quando o código tributário fala de obrigação principal, está se referindo à obrigação de pagar o tributo, é dizer, à obrigação tributária de dar. Ao passo que quando se trata de obrigação acessória o CTN as considera como aquelas que têm, por objeto, prestações positivas ou negativas, previstas em lei. Estas não fazem jus à finalidade última do direito tributário, que é a de propiciar arrecadação de recurso para o Estado, mas existe nelas deveres administrativos, que dará suporte à fiscalização tributária, a medida que auxilia no controle dos pagamentos efetuados pelo contribuinte. 11. Dito isso, cabe remissão à legislação previdenciária de regência que estabelece as obrigações acessórias as quais estão submetidos os contribuintes da Fazenda Nacional. Assim, o art. 32 da Lei 8.212/91 elenca em seus incisos inúmeras obrigações acessórias que devem ser cumpridas a rigor pela empresa. 12. Dentre as condutas que a Lei infraconstitucional exige consta a de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003309/200836 Acórdão n.º 2301003.169 S2C3T1 Fl. 345 5 II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.403, de 2002). VI – comunicar, mensalmente, aos empregados, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, os valores recolhidos sobre o total de sua remuneração ao INSS. (Incluído pela Lei nº 12.692, de 2012) 13. Sendo assim, não basta somente que o contribuinte demonstre ao Fisco as informações requisitadas, se faz necessário que tais informações estejam padronizadas e nos campos que a lei determina que estes estejam. 14. Insta mencionar que a própria recorrente em sua peça recursal, reconhece o descumprimento da obrigação acessória prevista em lei, visto que informa não haver a obrigatoriedade da obrigação assessória, sem, contudo, trazer qualquer argumento plausível para tanto, limitandose a afirmar que as obrigações principais serão impugnadas “oportunamente” (ff. 310). 15. In casu, ao analisar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, facilmente se percebe que esse não carreou aos autos argumentos pontuais ou técnicos que justifiquem a exoneração do crédito tributário. 16. É dizer, o fato da recorrente ter dado ao auditor fiscal o acesso aos livros fiscais e contábeis para averiguar todas as informações necessárias e os pagamentos constarem em tais documentos, não supre a necessidade das referidas transações constarem também nas folhas de pagamentos da recorrente, como exige o arcabouço legislativo pátrio. 17. Dessa forma, entendemos que não assiste razão à recorrente em suas argumentações tendo em vista que a autuação atendeu aos ditames legais e aplicou a multa única referente ao descumprimento verificado nos autos de maneira correta. DA INEXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO 18. No tocante à arguição de duplicidade de lançamento, melhor sorte também não assiste à recorrente, visto que, como restou amplamente assentado no v. acórdão da DRJ (fls. 268295), o processo ora em apreço referese às obrigações assessórias, enquanto que as NFLD mencionadas pelo contribuinte tangem às obrigações principais, não havendo, por consectário, qualquer óbice para a sua cobrança em autos próprios. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 CONCLUSÃO 19. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a multa aplicada. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13830.000300/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento, sem alterar o decidido. Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-000.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos tão somente para prestar esclarecimentos, mas negando-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento, sem alterar o decidido. Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos tão somente para prestar esclarecimentos, mas negandolhes provimento. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 03 00 /2 00 7- 42 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão/obscuridade no Acórdão nº 1401000.676, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal não impede o lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação efetuada nos termos da IN SRF n° 21, de 1997, além de ser declarada em DCTF, deve ser também registrada na escrituração da pessoa jurídica DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE. A partir de outubro de 2002, a compensação de débitos próprios, relativos a quaisquer tributos ou contribuições com crédito relativo a tributo ou contribuição, administrados pela RFB, é efetuada mediante a apresentação da Declaração de Compensação. IRPJ.CSLL. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Transcrevo parte do relatório do Acórdão embargado naquilo que é essencial: (...) Em procedimento de revisão interna efetuada contra a empresa acima identificada, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, no anocalendário Fl. 700DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.912 S1C4T1 Fl. 700 3 de 2002, insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos no período, constatada pelo cotejo dos dados declarados com os escriturados, bem assim com os recolhimentos feitos. Foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 9, exigindo IRPJ no valor de R$ 71.533,64, juros de mora de R$ 47.999,07 e multa proporcional de R$ 53.650,23, com fundamento no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), art. 841, III e IV, Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, com redação dada pela Medida Provisória (MP) n° 351, de 2007. Foi lançada, também, a multa isolada no valor de R$ 51.257,55, por insuficiência de recolhimento do IRPJ, em janeiro, março a junho, agosto e setembro, sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme encontrase registrado na DIPJ, nas fichas 11 (fls. 16 a 18). Referido lançamento teve como fundamento o RIR, de 1999, arts. 222 e 843, c/c Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1º, IV (alterado pelo art. 14, II, b, da MP n° 351, de 2007), c/c art. 106, II, c da Lei n° 5.172, de 1966. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 161 a 174, subscrita pelo procurador Luís Eduardo Diaz Toledo Martins (fl. 178), alegando: • Ocorreu cerceamento do direito de defesa, uma vez que, sendo intimada, providenciou todos os documentos necessários, além de informar as compensações. Em contrapartida, a Receita Federal ignorou a retificadora apresentada, assim como todos os documentos juntados e lavrou o auto de infração, intimandoa a recolher os tributos, sem confirmar os documentos da compensação em anexo e sem abrir prazo para resposta; • Houve ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa; • Quanto às DCTF retificadoras, a MP n° 2.189, de 2001 (antiga MP n° 199027, de 2000), art. 18, determina que elas possuem a mesma natureza das declarações originariamente apresentadas. No presente caso, houve o exame da retificadora, apenas seu resultado foi ignorado pelo Fisco, o que é fator impeditivo para que o auto de infração seja processado nos valores constantes nas declarações originais, devendo o pagamento ser reconhecido quando da imposição de infrações fiscais, pois gerará a cobrança de valores indevidos. Nessas situações, para que as retificadoras sejam questionadas o Fisco deve apresentar provas cabais de supostos erros, sendo absurdo a continuidade do auto de infração incidente sobre um crédito inexistente de fato, já que decorrente do erro comprovado no preenchimento da DCTF e já retificado em tempo hábil; • A autuação desrespeita a liberdade do cidadão de organizar licitamente seus negócios do modo mais econômico e fere os princípios da autonomia privada, da tipicidade e da segurança jurídica; • Efetuou a compensação de créditos que possuía, nos termos da Lei n° 8.383, de 1991, art. 66, e das Instruções Normativas (IN) SRF n° 21 e 73, ambas de 1997, cabendo ao Fisco abrir procedimento de cobrança, dando a chance de comprovação dos créditos. Está anexando a declaração de imposto de renda e as guias de pagamento de 2002, que demonstram a origem dos créditos passíveis de compensação. Somente depois da inscrição em dívida ativa é que se pode considerar o débito líquido e certo, e, portanto, exigível, nos termos do art. 204 do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei n° 6.830, de 1980, art. 3o; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 (...) Em sede de Embargos alega que: O acórdão embargado adotou premissa equivocada e acabou omisso quanto ao argumento trazido no Recurso Voluntário, ponto fundamental para o deslinde do litígio e inexatidão material devida a lapso manifesto, motivo pelo qual resta absolutamente cabível o presente recurso.Eis as suas próprias palavras, naquilo que é mais relevante; No Recurso Voluntário a Embargante defende a comprovação dos créditos declarados, inclusive com constatação da própria Autoridade Fiscal, fato esse que deveria ter sido considerado no Acórdão embargado. Tal argumentação decorre do fato de se ter entendido que a simples informação em DCTF dos débitos e de sua compensação não é suficiente, pois para fazer a compensação nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e das IN SRF n° 21 e 73, ambas de 1997, é necessário a comprovação na contabilidade do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 declarado na DCTF e da efetivação das compensações das estimativas mensais do IRPJ em 2002. E que ainda não teria sido verificada a compensação mensal das estimativas na escrituração, bem como não constaria no processo que tenha sido encaminhada à Receita Federal do Brasil declaração relativa à compensação do IRPJ do anocalendario de 2002 com o saldo negativo do período anterior (Dcomp) e por essa razão não teria sido alterado o lançamento que exige o suposto imposto devido. Entretanto, defende a Embargante que “(...) tais exigências impostas pela legislação são, nos termos do artigo 113, § 2°, obrigações acessórias, e seu eventual descumprimento não é razão para a desconsideração do adimplemento da obrigação principal, ou seja, o recolhimento do tributo devido, como entendeu a Autoridade Fiscal e a Julgadora.” Restou comprovado que, em que pese não ter sido realizada a compensação mensal das estimativas na escrituração, houve na contabilidade a comprovação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 declarado nas DCTFs, como foi, inclusive, constatado pela própria Autoridade Fiscal, quando da realização da diligência, em 17/11/2010. Vejase. “1.3.2. Levando em conta o saldo negativo de imposto de renda do ano calendário de 2001, apurado pela fiscalização no quadro acima (R$ 90.246,91), procedemos às compensações com os débitos informados às fls. 64 a 87, e constatamos que referido saldo negativo foi insuficiente para compensar os débitos relativos ao imposto de renda estimado, restando um saldo a pagar de R$ 2.742,77 referente ao mês de agosto/2002, conforme Demonstrativo Analítico de Compensações (fls. 425/428). (..)" Ressaltase ainda, que, na mesma diligência, a própria Autoridade Fiscal, verificou que a Recorrente compensou, contabilmente, o imposto de renda a recolher do ano calendário 2002, no valor de R$ 80.130,25, conforme consta no Livro Razão. "(...) 2.3. Verificamos que, em 31/12/2002, o sujeito passivo transferiu da conta "IRPJ ESTIMADO", o valor de R$ 105.746,59, que contém o saldo negativo de 31/12/2001, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.912 S1C4T1 Fl. 701 5 para débito da conta "IR A RECUPERAR", compensando, contabilmente, o imposto de renda a recolher do anocalendário 2002, no valor de R$ 80.130,25, conforme podemos constatar no Livro Razão (fls. 411.) (...)" É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. a) Omissão Alega a Embargante omissão, pois o Acórdão não se referiu ao resultado de diligência proposto pela DRJ, mantendo o lançamento por aspectos formais (ausência de Dcomp). Não prospera a alegada omissão, a uma porque o Acórdão recorrido tratou especificamente sobre a questão de forma substanciosa, abrindo tópicos específicos para fundamentar cada uma delas. Inclusive essas mesmas razões aduzidas pela Recorrente foram analisadas pela DRJ e pelo CARF, conforme se demonstrará mais abaixo; A duas, tratase de matéria onde o relator transcreveu minuciosamente os motivos que o levaram a negar provimento. Por fim, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Outrossim, conforme jurisprudência do STJ não é necessário que o Acórdão seja exaustivo analisando ponto por ponto da defesa quando os fundamentos alinhavados por ele são suficientes para a justificação da decisão. De toda sorte, vejase como o Acórdão embargado tratou minuciosamente da matéria: (...)Quanto a esse aspecto, o Fisco teve motivo, sim, para desconsiderálas ou considerar a sua retificação não suficiente. Em relação ao primeiro ponto, a sua desconsideração para o anocalendário de 2002 (1o, 3º e 4º trimestres), foram apresentadas sem espontaneidade, ex vi art. 138 do CTN, conforme muito bem demonstrou a decisão de piso, nada, portanto, a reparar nesta decisão: Com relação à alegação de que apresentou DCTF retifícadoras, temse, às fls. 414/415, que, relativamente ao 1º, 3º e 4º trimestres de 2002, tais declarações foram entregues somente em 03/02/2007, ou seja, depois do início do procedimento fiscal, que se deu em 19/12/2006 (fl.59). Portanto, para esses trimestres, quando da apresentação das DCTF retifícadoras, a contribuinte já havia perdido a espontaneidade, à luz do artigo 138 do CTN e do art. 7o do PAF, abaixo transcritos: Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.912 S1C4T1 Fl. 702 7 Art. 138 . A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF): Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...) Para o 2º trimestre/2002, apesar de teor ocorrido a entrega da DCTF retifícadora em 13/12/2004 (fl. 414, novamente retificada em 03/02/2007), na qual foram informados os débitos de IRPJ nos valores de R$ 17.853,74 (abril), R$ 22.970,10 (maio) e R$ 15.856,39 (junho) e a sua compensação com saldo negativo daquele imposto apurado em 31/12/2001 (fls. 606 a 608), entretanto, de fato a simples informação em DCTF dos débitos e de sua compensação não é suficiente. Como já se colocou retro, o feito foi convertido em diligência, tendo sido intimada a contribuinte a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur, tendo sido constatado que, apesar de possuir o saldo negativo de IRPJ, não foi feita a compensação mensal das estimativas na escrituração. A DRJ fez a seguinte ressalva: “somente em 31/12/2002 é que se compensou o IRPJ apurado na DIPJ (R$ 80.130,25) com o valor constante na conta "IRPJ a recuperar" (fl.411).” Porém, como é sabido, a partir de outubro de 2002, inaugurouse uma nova sistemática de compensação, onde qualquer tipo de compensação, mesmo a compensação de que trata a Lei 8.383/91, envolvendo tributos da mesma espécie, deve ser feita sempre através de Declaração de Compensação Dcomps: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo” (grifei) Não consta no processo que tenha sido encaminhada à RFB a citada declaração relativa à compensação do IRPJ do AC de 2002 com o saldo negativo do período anterior. Dessa forma, rejeitamse as alegações da Recorrente. Como se vê, o Acórdão embargado tratou exaustivamente da matéria, não deixando nada omisso. O ponto fundamental da negativa do Acórdão embargado é a falta da Dcomp em situação que a lei passou a exigila mesmo em se tratando de compensação com imposto da mesma espécie. O Acórdão fez referência, sim, ‘a diligência proposta pela DRJ. Mas, pela premissa teórica assumida (necessidade da Dcomp) o que o fiscal fez ou deixou de fazer passou a ser irrelevante para o deslinde da questão. A questão deixou de ser uma questão de fato, para ser uma questão de Direito. Ademais, este órgão julgador não fica adstrito ‘a conclusão do fiscal diligenciante. A diligência existe para formar a convicção do julgador, sendo deste último a palavra final. Embora de somenos importância, acrescentese ainda que a diligência nem ao menos foi solicitada pelo CARF, mas pela DRJ. Como se vê, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto, o que não é motivo para Embargos, mas sim, se for o caso, de Recurso especial. Afasto, portanto, com esses esclarecimentos afasto a omissão apontada. Por todo o exposto, conheço dos embargos tão somente para prestar esclarecimentos, mas negandolhes provimento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 706DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.912 S1C4T1 Fl. 703 9 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10935.007335/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007, 2008, 2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
RECEITAS DE TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. REQUISITOS LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
A possibilidade de suspensão da incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de frete no transporte de mercadorias destinadas à exportação deu-se a partir da publicação da Lei nº 11.488, em 15/07/2007. Compete ao contribuinte comprovar o cumprimento dos requisitos legais, com a juntada de nota fiscal com a indicação de que o produto transportado destina-se à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, comprovado mediante o Registro de Exportação - RE respectivo.
Numero da decisão: 1202-000.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 RECEITA DE PEDÁGIO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO. VALE PEDÁGIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O valor recebido por empresa prestadora de serviço de transporte para pagamento de pedágio pode ser excluído da receita bruta, desde que recebido sob a forma de ValePedágio, não bastando o mero destaque no conhecimento de transporte. Compete ao contribuinte o ônus de comprovar o preenchimento das condições da legislação de regência, o que inclui o registro, no documento comprobatório de embarque, do valor do Vale Pedágio obrigatório e do número de ordem do seu comprovante de compra ou a anexação do comprovante da compra disponibilizado pela operadora de rodovia sob pedágio ou pela empresa fornecedora do ValePedágio. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. AGENCIAMENTO. OPERAÇÕES DISTINTAS. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO. Tratandose de operações distintas, a emissão de conhecimento de transporte e não de notas fiscais de serviço de agenciamento, bem como o recolhimento integral do ICMS devido na operação, servem para atestar a ocorrência de subcontratação e não de agenciamento. Inexiste previsão legal para exclusão ou dedução das despesas de subcontratação de terceiros da receita bruta ou faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE. ALCANCE. A imunidade introduzida pelo inciso I, do § 2º , do art. 149 da CF, de 1988, referese apenas às contribuições sociais incidentes sobre receitas, não alcançando a contribuição incidente sobre o lucro (CSLL). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 73 35 /2 01 0- 41 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE. RECEITA DE TRANSPORTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988 referese à exportação de serviço que deve ser prestado para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, o que não abrange a receita de serviço de transporte realizado em território nacional. RECEITA DE TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. REQUISITOS LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. A possibilidade de suspensão da incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de frete no transporte de mercadorias destinadas à exportação deuse a partir da publicação da Lei nº 11.488, em 15/07/2007. Compete ao contribuinte comprovar o cumprimento dos requisitos legais, com a juntada de nota fiscal com a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, comprovado mediante o Registro de Exportação RE respectivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE. RECEITA DE TRANSPORTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988 referese à exportação de serviço que deve ser prestado para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, o que não abrange a receita de serviço de transporte realizado em território nacional. RECEITAS DE TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. REQUISITOS LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. A possibilidade de suspensão da incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de frete no transporte de mercadorias destinadas à exportação deuse a partir da publicação da Lei nº 11.488, em 15/07/2007. Compete ao contribuinte comprovar o cumprimento dos requisitos legais, com a juntada de nota fiscal com a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, comprovado mediante o Registro de Exportação RE respectivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008, 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 5 4 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, lavrados em razão de omissão de receitas, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, apuradas pela diferença entre as receitas constantes do livro Registro e Apuração do ICMS, as que constam do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e das Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregues na sistemática do lucro presumido e das Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), conforme fls. 161/169. As razões alegadas na impugnação são bem sintetizadas no relatório da decisão de primeira instância, cujo trecho, com a licença do colegiado, transcrevese abaixo: 5. Argumenta que parte da diferença apurada pela fiscalização não se trata de receita, mas recebimentos de vale pedágio, subcontratação e receitas de prestação de serviços de transporte de produtos destinados à exportação, do percentual de 75% da multa de ofício aplicada e de cobrança de juros de mora Selic sobre a multa de ofício. 6. Sobre a receita de valores recebidos a título de valepedágio, contesta a afirmativa fiscal de que, quando pagos em espécie e não na forma de “modelo próprio” conforme Lei n° 10.209, de 2001 e Resolução ANTT n° 2885, de 2008, não podem ser deduzidos da receita, argumentando que cumpriu a finalidade do vale pedágio e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – STF reconhece a validade da utilização da moeda corrente no cumprimento da obrigação de antecipar o valetransporte sem que isto constitua aumento patrimonial; assevera que presta serviços de transporte e recebe em moeda corrente o valor dos serviços e do pedágio, ambos destacados no "Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas"CTRC, conforme anexos; que esses serviços de transporte e os pedágios são escriturados nas contas de receita "40029 Fretes recebidos a prazo" e "40053 Fretes Exportação", conforme a natureza da carga transportada e ao final do mês, reduz dessas contas de receitas o valor recebido do valepedágio das empresas contratantes, que é lançado na conta de despesas com pedágio "55557 Despesas com Pedágios"; anexa cópias livros Razão e dessas contas; aduz que o art. 2º e parágrafo único da Lei nº 10.209, de 2001, dispõe que o valor do valepedágio não será considerado receita operacional, e a IN SRF nº 247, de 2002, art. 35, regulamentou que as empresas transportadoras podem excluir da receita bruta o valor recebido do valepedágio, quando destacado em campo especifico no documento comprobatório do transporte; por isso, apresenta às págs. 262/263, os valores referentes a valepedágio destacados nos CTRC que anexa, requerendo exclusão da receita autuada e destacando que os valores que recebeu de valepedágio são inferiores aos que gastou e foram Fl. 728DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 6 5 integralmente utilizados no pagamento dos pedágios gastos na prestação do serviço de transporte. 7. Sobre as receitas de subcontratações de fretes, afirma que, conforme provam os CTRC, atua às vezes como intermediária, repassando o frete a terceiros; que, neste caso, os valores recebidos não lhe pertencem e não podem ser considerados como receita sua; informa que registra tais valores na conta "40037 Agenciamento de Fretes", de onde deduz os valores dos pagamentos que repassa dos terceiros subcontratados; transcrevendo textos de autos; argumenta que receita são ingressos de valores que modifiquem o patrimônio da empresa, incrementandoo em decorrência direta ou indireta da atividade por ela exercida, mas que ingresso de somas pertencentes a terceiros, que apenas transitam pela empresa e não modificam seu patrimônio, não representam receita, mas apenas valores transitórios pertencentes ao patrimônio de outrem, que é o caso do recebimento de valores de serviços de transporte; por isso, acusa que este lançamento viola o princípio da capacidade contributiva do § 1º do art. 145 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988 e incorre em bis in idem, pois os valores da base de cálculo da autuação contra o impugnante também o são para os terceiros contratados. 8. Sobre a receita de transporte de produtos destinados à exportação, invoca imunidade constitucional em relação às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, do art. 149, § 2º, I da CF, de 1988, criada pela Emenda Constitucional n° 33, de 12 de dezembro de 2001, sobre as receitas decorrentes de exportação e disserta de que a imunidade deve ser interpretada com generosidade e de forma ampla ao se buscar o conteúdo e o alcance da imunidade, deve ser levado em conta, não só o sistema constitucional como um todo (método sistemático), mas principalmente sua teleologia (método teológico), que tem por objetivo perquirir o fim da lei, o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática, não procurando restringila; explica que presta serviços de transporte de produtos destinados a exportação até áreas portuárias, como o Porto de Paranaguá; contabiliza essas receitas na conta "40053 Fretes Exportação" conforme razão anexo; que os CRTC que emite e as "notas fiscais" emitidas pelas contratantes (anexas), provam que os produtos transportados foram destinados a exportação, pois consta das notas fiscais a natureza da operação de "remessa para formação de lote para exportação", sendo na maioria destinados ao Porto de Paranaguá, no terminal da empresa Cattalini, caracterizado como recinto alfandegado, conforme relação (anexa) de terminais portuários alfandegados pela 9" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil; transcreve jurisprudência sobre isenção tributária sobre transporte para exportação; invoca o art. 14, § 1º, V da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001 prevê a não incidência da Cofins/PIS sobre o transporte internacional de cargas; por isso, requer a exclusão dessas receitas da autuação, ou, pelo menos, a suspensão sobre da receita de transporte de produtos destinados a exportação a partir de Fl. 729DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 7 6 07/2007, em face da aplicação da suspensão das contribuições da Cofins/PIS pela Lei n° 11.488, de 2007, que inseriu o § 6A, ao artigo 40, da Lei n° 10.865, de 2004, instituindo a suspensão das contribuições da Cofins e do PIS incidentes sobre as receitas decorrentes do transporte de produtos destinados à exportação até a área portuária, uma vez que os CRTC e as "notas fiscais" que anexa atestam que o serviço de transporte realizado se amolda perfeitamente à suspensão prevista no art. 40, da Lei n° 10.865 de 2004, pois se refere ao transporte de produto destinado a exportação (remessa para formação de lote para exportação) do seu local de origem ate o local de saída do território nacional (área portuária — Porto de Paranaguá); e acrescenta ainda que, se eventualmente alguma condição dos termos da suspensão foi descumprida, a cobrança da Cofins/PIS deverá recair sobre as empresas contratantes da prestação de serviço de transporte. 9. Reclama do percentual de 75% da multa de ofício aplicada, que não pode ser utilizada com intuito arrecadatório ou tributo disfarçado, sendo inconcebível imposição de multa quando a conduta praticada está estribada na própria legislação; não se pode exigir que o contribuinte pratique ato afastandose da própria lei e, não havendo conduta ilícita não há porque impor de multas ainda mais quando se trata de autuação fundamentada em mera presunção e não decorrente de fato incontroverso.; mas, se mantida a multa, deve ser reduzida a percentual razoável, pois, num período praticamente sem inflação, esse percentual é confiscatório e colide com os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva; transcreve jurisprudência; reclama que o percentual de multa aplicada inviabilizaria qualquer pagamento e a continuidade da empresa, se devido fosse; cita o Código de Defesa do Consumidor em que o limite máximo é de 2% e reivindica a modificação do lançamento autorizada pelo art. 145, do CTN, nas hipóteses do art. 149 e incisos do CTN; e ainda a Súmula 473 do STF. 10. Taxa de ilegal cobrança de juros de mora acumulados mensalmente pela taxa Selic, que afirma que o fiscal autuante fez incidir sobre a multa de oficio, a partir do mês subseqüente ao do vencimento da impugnação; afirma que sanção por ato ilícito é a punição do sujeito passivo por descumprimento da legislação tributária e não se confunde com tributo, por isso, afirma, os juros só podem incidir sobre os tributos e contribuições; aduz que os juros moratórios tem por característica indenizar o sujeito ativo pela ausência de transferência aos cofres públicos da receita derivada do tributo, não existindo limitação temporal para sua incidência, pois enquanto não cumprida a obrigação, os juros continuarão a ser acrescidos; diferentemente a multa, que tem natureza de punir e coibir à prática da infração à legislação tributária. Desta forma, não procede à exigência de juros de mora sobre multa de oficio. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: Fl. 730DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 8 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora constantes dos autos foram calculados sobre o imposto/contribuições, não tendo incidido sobre a multa de ofício aplicada. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008 RECEITA DE PEDÁGIO. BASE DE CÁLCULO. Para que o valor recebido por empresa prestadora de serviços de transporte, para pagamentos de pedágios, não seja considerado receita bruta, nem constitua base de incidência de contribuições sociais, deverá ter sido recebido na forma de vale pedágio e preenchidas as condições da legislação de regência. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. A operação em que a transportadora contrata o serviço de transportes com o seu cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total lá constante, caracteriza a venda de serviços de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento; a operação posterior, em que a transportadora repassa a terceiros um valor inferior ao recebido sem a emissão de novo documento fiscal, referente à execução parcial do serviço de transporte, caracteriza subcontratação e não agenciamento. CONTRATO DE AGENCIAMENTO. CARACTERÍSTICAS. O contrato de agenciamento é aquele pelo qual uma pessoa ou empresa, o agente, assume, em caráter não eventual e sem vínculo de dependência, a obrigação de exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente; nesse conceito não se inclui a subcontratação, aleatória e eventual, de Fl. 731DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 9 8 terceiros, para executar serviço de transporte de carga que fora anteriormente contratado, em nome próprio e com emissão do respectivo Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga CTRC. BIS IN IDEM. RECEITAS DE TRANSPORTE. SUBCONTRATAÇÃO. Descabe a acusação de bis in idem, se a receita bruta sobre a qual foram calculadas as exações, no regime do lucro presumido para o IRPJ e a CSLL e incidência cumulativa para o PIS e a Cofins, é faturamento próprio da empresa. LANÇAMENTOS REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamentos reflexo de CSLL o decidido no referente ao de IRPJ, principal. PIS. COFINS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. DESPESAS DE SUBCONTRATAÇÃO. A base de cálculo do PIS e da Cofins das pessoas jurídicas de direito privado, na incidência cumulativa, é o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, não havendo previsão legal para exclusão ou dedução das despesas de subcontratação de terceiros. CSLL. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, tendo em vista tratarse de contribuição incidente sobre o lucro, porque a imunidade introduzida pelo inciso I, do § 2º , introduzido no texto do art. 149 da CF, de 1988, por meio da EC nº 33, de 2001, referiuse apenas às contribuições sociais incidentes sobre receitas. PIS. COFINS. IMUNIDADE. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da CF, de 1988, referese à exportação de serviço que deve ser prestado para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RECEITAS DE TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS A EXPORTAÇÃO. A previsão de suspensão da incidência do PIS e da Cofins, para as receitas de frete no transporte de mercadorias destinadas para exportação, somente foi inserida no ordenamento jurídico pela Lei nº 11.488, de 2007, fazendo efeitos depois da publicação no DOU de 15/07/2007, sendo inaplicável a fatos geradores anteriores a essa data. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 10 9 PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RECEITAS DE TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS A EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, a informação de que o PIS e a Cofins estão suspensos, citando a legislação, a exportação deve ser comprovada mediante o Registro de Exportação e a prestação de serviço deverá ser para pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Cientificado dessa decisão em 22/03/2012 (cfe AR, fl.684), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 27/03/2012 (fls. 685 e seguintes), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Do termo de verificação fiscal se extrai que a autoridade fiscal consubstanciou a autuação na apuração de receitas omitidas. Parte das receitas apuradas pela fiscalização decorreu da constatação de que os ressarcimentos de despesas de pedágio supostamente pagos pela recorrente foram efetivados em espécie, como ela própria esclareceu em resposta à intimação, não havendo comprovação documental de que o valor recebido foi efetivamente utilizado no pagamento dos pedágios. Em defesa, a recorrente sustenta que os recebimentos a título de vale pedágio, ainda que pagos em espécie, devem ser excluídos da receita tributável. Sem razão, como se verá. O valepedágio foi instituído pela Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, alterada pela Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002, com o objetivo de desonerar o transportador do pagamento do pedágio. Com isso, os embarcadores ou equiparados passaram a ser responsáveis pelo pagamento antecipado do pedágio e fornecimento do respectivo comprovante ao transportador rodoviário. A Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT regulamenta o vale pedágio obrigatório. No período autuado, vigia a Resolução nº 673, de 2004, e, a partir de 24.09.2008, a Resolução nº 2885, que revogou aquela, estabelecendo normas para o vale pedágio obrigatório e instituindo os procedimentos de habilitação de empresas fornecedoras em âmbito nacional, aprovação de modelos e sistemas operacionais, as infrações e suas respectivas penalidades, prevendo: Art. 3º O ValePedágio obrigatório de que trata esta Resolução somente poderá ser comercializado para utilização no exercício da atividade de transporte rodoviário de cargas, por conta de terceiros e mediante remuneração, por transportador inscrito no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga – RNTRC. (...) Art. 7º Compete ao embarcador: I adquirir e repassar ao transportador rodoviário de carga, no ato do embarque, o ValePedágio obrigatório, independentemente do frete, correspondente ao tipo de veículo, no valor necessário à livre circulação entre a sua origem e o destino, observando o disposto no parágrafo único do art. 3º desta Resolução; e Fl. 734DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 12 11 II registrar, no documento comprobatório de embarque, o valor do ValePedágio obrigatório e o número de ordem do seu comprovante de compra ou anexar o comprovante da compra disponibilizado pela operadora de rodovia sob pedágio ou pela empresa fornecedora do ValePedágio. (destacouse) Assim, o recebimento de repasse a título de valepedágio deve observar as normas constantes da legislação referida, competindo ao contribuinte o ônus de proválo, sob pena de se considerar receita bruta e base de incidência de contribuições sociais. A recorrente entende que bastaria destacar o valor respectivo no conhecimento de transporte, invocando o art. 35 da IN SRF nº 247, de 2002, que prevê: Art. 35. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte. Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. Equivocase a recorrente ao interpretar essa norma infralegal isoladamente, abstraindose do regramento constante da Lei nº 10.209, de 2001, que, por sua vez, o delegou para a ANTT, como visto anteriormente. A norma expedida pela Receita Federal apenas considera necessário para a exclusão da tributação que o valor seja informado destacadamente no documento. Vejase que o inciso II do art. 7º da Resolução ANTT nº 2885, de 2008, exige que seja registrado no documento comprobatório de embarque, o valor do ValePedágio obrigatório e o número de ordem do seu comprovante de compra ou anexado o próprio comprovante da compra. Nesse sentido, o parágrafo único do art. 35 da IN SRF nº 247, de 2002, inclusive, exige a manutenção dos comprovantes de pagamento. No caso concreto, a recorrente não logrou comprovar os requisitos legais para desonerar essa receita da tributação, pelo que se verifica correta a autuação. A recorrente ainda sustenta que realiza atividade de agenciamento e não de subcontratação, ao contrário do que concluíram a autoridade fiscal e a turma julgadora de primeira instância. Para o deslinde da questão, o que se deve verificar é qual a natureza da efetiva prestação de serviço: se de agenciamento de carga ou de subcontratação de serviço de transporte de carga, tendo em vista que o agenciamento de carga, na prática, engloba a cotação e a contratação de frete nacional e internacional junto às agências marítimas, companhias aéreas e transportadoras, podendo ainda abranger a consolidação e desconsolidação de cargas, enquanto o transporte de carga limitase ao serviço de conduzir pessoas ou mercadorias de um lugar para outro, mediante o pagamento de determinado preço, podendo ser subcontratado. Como visto, o serviço de agenciamento tem características próprias e distintas, inclusive quanto à forma de remuneração por comissões. Na prática, tal serviço não se confunde com o serviço de transporte subcontratado. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 13 12 A recorrente aduz que, às vezes, atua como intermediária, repassando o frete a terceiros, e que registra tais valores na conta "40037 Agenciamento de Fretes", de onde deduz os valores dos pagamentos que repassa dos terceiros subcontratados. De acordo com as provas dos autos, contudo, restou evidenciada a ocorrência de subcontratação e não de agenciamento, visto que houve a emissão de conhecimento de transporte e não de notas fiscais de serviço de agenciamento, tendo o contribuinte assumido o ICMS devido na operação total, o que não aconteceria caso se tratasse efetivamente de agenciamento, remunerado por comissão. Ademais, a natureza da operação de subcontratação é reforçada pela confissão indireta da própria interessada que se contradiz nos argumentos invocados em sua defesa. Competindo ao contribuinte o ônus de demonstrar a natureza não tributável da receita, nesse caso, dele não se desincumbiu a recorrente. Quanto à alegação de que a receita autuada se enquadra como receita de exportação imune, cabe referir, de início, que não há imunidade em relação à CSLL, visto que o dispositivo constitucional abaixo transcrito (art. 149, §2º, inciso II) referese às contribuições sociais incidentes sobre a própria receita, o que não é o caso da CSLL, que incide sobre o lucro líquido. Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. [...] § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) [...] (destacouse) De outro lado, em relação ao PIS e à Cofins, a imunidade alcança as receitas de exportação, ou seja, a receita recebida em troca da mercadoria ou serviço exportado, representando entrada de divisas no País. O frete realizado no território nacional, que é o serviço prestado pela recorrente, não se encaixa nessa condição. A recorrente pede a suspensão sobre da receita de transporte de produtos destinados a exportação a partir de julho de 2007, em face da aplicação da suspensão das contribuições da Cofins/PIS pela Lei n° 11.488, de 2007, que inseriu o § 6ª, ao art. 40, da Lei n° 10.865, de 2004. Sustenta “que os CRTC que emite e as "notas fiscais" emitidas pelas contratantes (anexas), provam que os produtos transportados foram destinados a exportação, pois consta das notas fiscais a natureza da operação de "remessa para formação de lote para exportação", sendo na maioria destinados ao Porto de Paranaguá, no terminal da empresa Cattalini,caracterizado como recinto alfandegado, conforme relação (anexa) de terminais portuários alfandegados pela 9ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil; (...)”. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 14 13 De fato, a Lei nº 11.488, de 15 de julho de 2007, previu a suspensão da incidência do PIS e da Cofins, para as receitas de frete no transporte de mercadorias destinadas à exportação, somente alcançando os fatos geradores posteriores à data de sua publicação, como se vê: Art. 31. Os arts. 8o e 40 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: ................................................... “Art. 40. ..................................................................................... § 6ºA A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas relativas ao frete contratado no mercado interno para o transporte rodoviário dentro do território nacional de: I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. § 7o Para fins do disposto no inciso II do § 6oA deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. § 8o O disposto no inciso II do § 6oA deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. § 9o Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, condição a ser comprovada mediante o Registro de Exportação RE.” (NR) (destacouse) Ocorre que, ao contrário do sustentado pela recorrente, as notas fiscais juntadas aos autos (fls.305 e seguintes) não comprovam o cumprimento das exigências legais. Nas notas fiscais de fls.353 a 419, consta apenas a informação “remessa para depósito em armazém geral”, o que sequer preenche o requisito legal de indicação de que “o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação”. Nas notas fiscais de fls.306 a 352, embora conste a informação “remessa para a formação de lote exportação”, inexiste a comprovação da condição de mercadoria exportada através da apresentação do Registro de Exportação – RE respectivo. Sendo assim, pela falta de atendimento aos requisitos legais para a suspensão da tributação das receitas de frete no transporte de mercadorias destinadas à exportação, deve ser mantida a autuação. Da Multa de ofício de 75% Alega a recorrente ser confiscatória a multa exigida nesse patamar. Todavia, para analisar os argumentos da recorrente sobre a inconstitucionalidade, o julgador deve, necessariamente, averiguar a constitucionalidade ou não da legislação tributária. Ocorre que Fl. 737DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 15 14 isso é prerrogativa do Poder Judiciário, visto que questões constitucionais não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, salvo raras exceções, nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 259, de 22/06/2009 (RICARF), que dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Acrescentese, ainda, o teor da súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF). Diante disso, não há razão para afastar a multa legalmente aplicada. Dos Juros sobre a multa de ofício Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos nº 910100539, de 11/03/2010, e nº 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, consoante a Súmula CARF nº 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão nº 910100539, de 11/03/2010. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 16 15 No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), “interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito”. Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: “Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação.” (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário “é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente.(destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 17 16 A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei nº 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3º do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). §1ºA multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). §2ºO percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §2º). §3ºA multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 18 17 JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINICIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Fl. 741DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.007335/201041 Acórdão n.º 1202000.941 S1C2T2 Fl. 19 18 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante disso, concluise que são devidos os juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. DISPOSITIVO Diante do exposto, negase provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 742DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10120.009175/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. INCORPORAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Deve-se excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos o valor da atualização monetária de custos diferidos das atividades imobiliárias (incorporação) por não se constituir receita ou, se equiparadas a receitas financeiras, terem alíquota zero.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. INCORPORAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Devese excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos o valor da atualização monetária de custos diferidos das atividades imobiliárias (incorporação) por não se constituir receita ou, se equiparadas a receitas financeiras, terem alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratam os autos de lançamentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), consubstanciados nos autos de infração às fl. 42/75, referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0334.974, de 21/12/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 ERRO DE ESCRITURAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A existência de erro na escrituração deve estar comprovada documentalmente. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. VARIAÇÃO MONETÁRIA DE CUSTOS. NÃO INTEGRA BASE DE CÁLCULO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO. A variação monetária referente à correção dos custos diferidos de empresa que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, não compõe a base de cálculo da Cofins por não representar receita. Na espécie, contudo, o sujeito passivo não comprovou documentalmente a inclusão deste montante na base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DE MESMOS ELEMENTOS FÁTICOS E PROBATÓRIOS. Aplicase ao lançamento do PIS o decidido para o da Cofins em função de decorrerem dos mesmos elementos fáticos e probatórios. Ciente desta decisão em 18/01/2010 (AR de fl. 223), a interessada ingressou, no dia 12/02/2010, com o recurso voluntário de fls. 224/235, no qual alega, em síntese, que toda a documentação foi apresentada e disponibilizada para a Fiscalização e apresenta os mapas de apuração de obras, com os valores referentes à atualização monetária. Junta cópia da documentação comprobatória dos lançamentos às fls. 236/1.802. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10120.009175/200916 Acórdão n.º 330201.468 S3C3T2 Fl. 1.736 3 Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Na sessão do dia 09/12/2010, por meio da Resolução nº 330200.084, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para a unidade da RFB tomar as seguintes providências: 1 atestar se os lançamentos das atualizações monetárias estão devidamente comprovados pela documentação juntada aos autos; 2 apurar a base de cálculo das exações (PIS e Cofins), à vista da documentação comprobatória apresentada, com as exclusões legais comprovadas; 3 informar o valor do crédito tributário a ser excluído de cada auto de infração, apurando o valor lançado que, no seu entender, deve ser mantido; 4 prestar as informações e os esclarecimentos que entender necessários ao deslinde da questão; 5 dar ciências à recorrente desta Resolução e do Relatório da Diligência, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Realizado a diligência a Autoridade Fiscal respondeu os quesitos da diligência nos seguintes termos: Cumprindo determinação do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0120100/2011009490, em que a 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, solicita diligência na empresa acima identificada, efetuamos o exame da Contabilidade da empresa, (livros Diário e Razão, ano calendário 2008), com as seguintes constatações: 1 As Atualizações Monetárias estão devidamente registradas na Contabilidade da empresa, (livros Diário e Razão), cópias dos livros em anexo, (fls. 1819 a 1835); 2 a nova base de cálculo apurada das exações do PIS e COFINS está demonstrada na planilha em anexo, (fls. 1836 e 1837 ), que é a receita de incorporação de imóveis deduzida das variações monetárias ativas, (que foram atestadas o registro nos livros contábeis), resultando na base de cálculo do PIS e COFINS. 3 Também está demonstrado mensalmente, na planilha em anexo, (fls. 1836 a 1837), o crédito tributário a ser mantido, do auto de infração, que representa o PIS e COFINS à recolher apurado sobre a nova base de cálculo deduzidos dos valores declarados em DCTF, e o crédito tributário a ser excluído de PIS e COFINS que foram lançados indevidamente, já que foram apurados sobre as variações monetárias ativas. Ciente do resultado da diligência no dia 16/09/2011, com prazo para se manifestar, a empresa recorrente mantevese em silêncio. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voltaram os autos para continuar o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O julgamento deste recurso voluntário teve início na sessão do dia 09/12/2010, quando a Turma de Julgamento resolver baixar o processo em diligência à unidade local da RFB, conforme acima relatado. O objeto da diligência foi atestar a veracidade das informações prestadas pela recorrente a respeito da efetiva existência e escrituração das receitas financeiras representadas pela variação monetária referente à correção dos custos diferidos de empresa que explore atividades imobiliárias (incorporação). A DRF apurou que as atualizações monetárias em tela estão regularmente apuradas e escrituradas na contabilidade da recorrente e, consequentemente, fez a exclusão das mesmas da base de cálculo do PIS e da Cofins, apurando um valor devido das exações, constantes dos demonstrativos de fls. 1.836/1.837 (folha digital 1729/1730). Intimada a se manifestar, a recorrente nada disse. Deduzse que houve concordância com a conclusão da diligência. Constatase que o único ponto de divergência da recorrente foi atendido. Na diligência foi apurado uma diferença a pagar de PIS menor que a informada pela recorrente na impugnação e uma diferença de Cofins maior que a informada pela recorrente em sua impugnação. Em conclusão, o lançamento é parcialmente procedente, devendo ser mantido e excluído os valores apontados dos demonstrativos de fls. fls. 1.836/1.837 (folha digital 1729/1730), relativos à atualização monetária das atividades imobiliárias, que não representa receita. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a recorrente do pagamento do PIS e da Cofins sobre as receitas financeiras. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10120.009175/200916 Acórdão n.º 330201.468 S3C3T2 Fl. 1.737 5 Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19647.007375/2005-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. LEI N° 7.689/88.
As Entidades Fechadas de Previdência Privada não possuem finalidade lucrativa, não sofrendo a incidência da CSLL, conforme o artigo 1° da Lei n° 7689/88, que demanda a existência de lucro. Recurso especial concernente à decadência que resta prejudicado.
Numero da decisão: 9101-001.432
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. LEI N° 7.689/88. As Entidades Fechadas de Previdência Privada não possuem finalidade lucrativa, não sofrendo a incidência da CSLL, conforme o artigo 1° da Lei n° 7689/88, que demanda a existência de lucro. Recurso especial concernente à decadência que resta prejudicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Conforme o Termo de Verificação Fiscal presente às fls. 18/29 dos autos, lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência de crédito tributário, relativo à CSLL, referente aos anoscalendário 1998 a 2001. Verificandose as respectivas DIPJs, constatouse, segundo o relatório da DRJ, que: “No referido item do Termo de Verificação fiscal às fls. 21 e 22 consta que das verificações efetuadas nas DIPJs apresentadas para os anos calendários de 1998 a 2001 observouse constar no campo "Apuração da CSLL" a expressão 'desobrigada' por entender, a fiscalizada, está amparada pela isenção e assim sendo, não ser contribuinte da referida contribuição, documentos às fls. 49, 78, 95 e 113. Não foram realizados recolhimentos da CSLL para os anos calendários de 1997 a 2001. Considerando que as Entidades Fechadas de Previdência Privada estão amparadas pela isenção da CSLL por força do art. 5° da Lei n° 10.426 de 24/04/2002, os exames da fiscalização para apuração da base de cálculo da contribuição a ser lançada concentraramse nos resultados apurados de 10/01/1997 a 31/12/2001. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 868/881 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 922/927) julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Na forma do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 931/949). A antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1113/1119) deu provimento ao recurso voluntário, conforme a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 42, DA LEI N° 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N°. 08 DO E.STF. Na dicção da súmula vinculante n° 08, do Egrégio Supremo Tribunal Federal, inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91 e, portanto, qüinqüenal o prazo decadencial para lançamento do CSLL. CSLL. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INEXIGIBILIDADE. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. Caracterizada a ausência de finalidade lucrativa da entidade de previdência privada fechada, inexigível a CSLL sobre o superávit, na disciplina da Lei n°. 7.689/88, além de inexistir base de cálculo para tal cobrança. Reconheceuse a decadência concernente à CSLL, apurada trimestralmente, referente aos fatos geradores ocorridos até 19 de julho de 2000, e declarouse inexigível a CSLL, no caso de entidades fechadas de previdência social, com base na Lei n° 7.689/88. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 1125/1148). Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 4 4 Sustentou, no que tange à decadência, a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado. Alegou que: “Ora, simples DIPJ não pode ser considerada como atividade do contribuinte passível de homologação. Isto porque, somente seria possível detectar os tributos não revelados pela declaração de rendimentos, através de ação fiscal direta, onde se analisam todos os elementos de prova capazes de ratificar o que foi declarado pelo contribuinte. Nesse raciocínio, se o autuado emite declaração inexata, deixando de recolher tributo devido, não há que se falar em homologação, e o prazo qüinqüenal deverá ser contado conforme prescreve o art. 173, inciso I, do CTN. (...) Portanto, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é, no presente caso, 10 de janeiro de 2001 e 10 de janeiro de 2002, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2005 para efetuar o lançamento referente à CSLL do anocalendário 2000, e até 31 de dezembro de 2006 para efetuar o lançamento, referente à CSLL de 2001. Tendo a Contribuinte Recorrida sido notificada do lançamento em 19 de julho de 2005, não há falar em decadência. Por outro lado, no que concerne à exigibilidade de CSLL das entidades fechadas de previdência privada, argumentou que: “Em relação à exigibilidade da CSLL das entidades fechadas de previdência privada, pautandose nos princípios da máxima efetividade das normas e da supremacia da Constituição Federal verificase correta a exação tributária, pois a base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 2° da Lei n° 7.689/88, é o “resultado do exercício”, este gênero, do qual lucro e superávit são espécies. Por harmonização entre a Lei n° 7.689/88 e o art. 72, III, dos ADCT, irrelevante para a tributação da CSLL a finalidade lucrativa. Todavia, ressaltese o acolhimento, pelo Supremo Tribunal Federal, no restrito grupo das instituições de assistência social, albergadas pela imunidade prevista no art. 195, §7° da Constituição Federal, daquelas instituições de assistência social observadoras dos princípios da generalidade e da universalidade, com concessão de benefícios a toda coletividade, independente de contraprestação, o que se diferencia das entidades fechadas de previdência privada que, com fulcro em relação contratual, contempla categoria específica, ficando o gozo dos benefícios dependente do recolhimento das contribuições acordadas.” Suscitou o disposto na súmula n° 730 do STF, segundo a qual: “A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, inciso VI, “c”, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários” Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 5 5 O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1212/1226. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Analiso, primeiramente, o objeto recursal relativo à decadência. O acórdão recorrido declarou a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, no que se refere aos fatos geradores ocorridos até 19 de julho de 2000. A recorrente sustenta que, na hipótese, deve incidir o artigo 173, inciso I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. Tratase de se definir, neste sentido, se, conforme o recorrente, na hipótese incide o artigo 173, inciso I, ou se incide o artigo 150, §4°, ambos do CTN. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 6 6 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 7 7 A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Discussões surgiram, no entanto, em relação a como se deveria dar tal aplicação, tendo em vista que, na determinação de incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, estabeleceuse, em discrepância com a previsão literal desse dispositivo legal, que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. Neste aspecto, após muitas idas e vindas, e profunda reflexão, consolidei o meu posicionamento no sentido de que a aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça tramitada no rito dos recursos repetitivos deve darse, analisandoo (o acórdão) em face da lei que trata do tema nele versado. Neste passo, é de se ter que o artigo 173, inciso I, do CTN, por diversas vezes citado no acórdão do STJ, dispõe expressa e inequivocamente que o prazo decadencial deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pois bem, superadas tais questões, uma outra acabou por assomar. Analisandose a decisão do STJ, temse que, em princípio, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, nada haveria que ser homologado, de sorte que dispositivo legal regente da decadência, em tal hipótese, é o artigo 173, inciso I, do CTN. Contudo, perquirindose mais detidamente o teor da decisão, podese extrair, expressamente, que: “Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” O que se depreende da passagem transcrita? Que o prazo decadencial contar seá do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: a) quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação; b) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação (porque havendo tais posturas por parte do contribuinte, mesmo a existência do pagamento antecipado não elide a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN); c) quando não existe declaração prévia do débito. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 8 8 Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, do CTN. Estas constatações, não se toma por base apenas a passagem mencionada da decisão do STJ. Deveras, analisandose ainda mais a fundo a decisão do STJ, verificase que, em seu bojo, citouse acórdãos do próprio Tribunal que respaldam o entendimento fixado. Ilustrativamente, citese o quanto decidido nos Embargos de Divergência no Resp. n° 276.142 SP, de relatoria do próprio Ministro Luiz Fux: “Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário.” Desta forma, não se pode desconsiderar aqui tais questões, pois que integram claramente o acórdão cuja aplicação se impõe no âmbito do CARF. Do modo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, devese aferir, no caso concreto, se o contribuinte efetuou o recolhimento antecipado ou se perpetrou declaração prévia do débito. Havendo um ou outro, o prazo decadencial terá início nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Caso contrário, o prazo regerseá pelo artigo 173, inciso I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, cuidase de exigência de CSLL, relativo aos exercícios de 1998 a 2001. Em análise dos respectivos DIPJ’s, verificouse, no campo “Apuração de CSLL” o preenchimento correspondente “desobrigado”. Daí lavrouse o auto de infração, até 31/12/2001, tendo em vista o disposto no artigo 5° da Lei n° 10426/2002, que prevê expressamente isenção da CSLL para as Entidades Fechadas de Previdência Privada. Neste sentido, verificase que o contribuinte não efetuou qualquer pagamento antecipado nem perpetrou qualquer declaração do débito, de sorte que, conforme acima exposto, incide o artigo 173, inciso I, do CTN. No caso, a ciência do auto de infração deuse em 19 de julho de 2005, de sorte que não haveria que se falar em decadência. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 9 9 Sucede, contudo, que a questão da decadência resta prejudicada ante o meu entendimento acerca do mérito (incidência da CSLL sobre resultados das Entidades Fechadas de Previdência Privada) do recurso especial, o qual passo a analisar. As Entidades Fechadas de Previdência Privada, essencialmente, não possuem finalidade lucrativa. Seu objetivo, por natureza, é de cunho “civil”, de administração de planos previdenciários. Este é o entendimento prevalente na Primeira Seção de Julgamento do CARF, conforme o seguinte julgado: Processo nº 11618.001593/2004 Acórdão nº 1202000.655 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO SAELPA DE SEGURIDADE SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com expressa previsão legal, as EPPFs não podem perseguir atividades lucrativas. Dessa forma, não se subsumem à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88, que pressupõe a existência de lucro, típico do exercício de atividades empresariais. Neste acórdão, ressaltouse que: Assim, da leitura das normas legais que regem as sociedades de previdência privada fechada depreendese que os resultados obtidos por essas entidades são denominados “superávits”, com destinação própria definida em lei específica, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, que exige a ocorrência de “lucro”, termo de conteúdo diverso e bem definido em nosso ordenamento jurídico, que se relaciona à atividade mercantil. Dessa forma, as entidades de previdência privada fechadas encontramse fora do campo de incidência da CSLL, não podendo ser exigida essa contribuição da autuada. Essa matéria também encontravase pacificada no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos acórdãos nº 10709489, sessão de 16/09/2008, e nº 10194668, sessão de 12/08/2004, dentre outros, assim ementados (transcrição em parte): Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 10 10 Acórdão nº 10709489: CSLL. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INEXIGIBILIDADE. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. Caracterizada a ausência de finalidade lucrativa da entidade de previdência privada fechada, inexigível a CSLL sobre o superávit, na disciplina da Lei n.° 7.689/88, além de inexistir base de cálculo para tal cobrança. Acórdão nº 10194668: BASE DE CÁLCULO – ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades fechadas de previdência privada obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, não alcança o superávit obtido pelas entidades fechadas de previdência privada. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado de tais entidades sefosse descaracterizada a finalidade não lucrativa das mesmas, apurandose o lucro, base imponível da CSLL, na forma da legislação comercial e fiscal. Dessa forma, por se tratar de resultados positivos decorrentes de “superávit” originados de entidades “sem fins lucrativos”, é de se reconhecer a inaplicabilidade da incidência da CSLL, que foi exigida no Auto de Infração.” Adoto este entendimento, pois que, para além de não se poder equipar a lucro o superávit, que tem regramento próprio, conforme se viu acima, também não se pode olvidar que este regramento próprio advém da natureza das Entidades Fechadas de Previdência Privada, que não têm finalidade lucrativa. Como a CSLL incide sobre o lucro, os resultados (superávits) das Entidades Fechadas de Previdência Privada não são objeto daquela incidência. Ressalto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já externou, recentemente, o posicionamento no sentido de que as Entidades Fechadas de Previdência Privada fazem jus à imunidade prevista no artigo 150, VI, c, mesmo sendo mantidas por contribuições dos empregadores e/ou patrocinadores, em interpretação da súmula n° 730 do STF. Primeiramente cito o julgado por unanimidade desta 1ª. Turma da CSRF, da relatoria do Conselheiro Antonio Guidoni Filho, Processo 10680.015441/200490, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 11 11 Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CSLL INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA INCIDÊNCIA 0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superavits ou deficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. 0 superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercicio apurado segundo a legislação comercial. 0 fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluidas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 10 da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes daCSRF. Recurso Especial do Procurador improvido. Neste mesmo sentido foi o julgado da 2ª. Turma da CSRF, em julgado da relatoria do Conselheiro Elias Sampaio Freire, Processo nº 16327.002535/200323, com a seguinte ementa: Recurso nº 156.362 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.125 – 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2012; Matéria IRF; Recorrente FAZENDA NACIONAL; Interessado SOCIEDADE PREVIDENCIÁRIA 3M PREVEME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 IRRF — APLICAÇÕES FINANCEIRAS IMUNIDADE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários (Súmula STF nº 730). A entidade de previdência privada fechada mantida, exclusivamente, por contribuição dos empregadores e/ou patrocinadores, assiste o direito ao reconhecimento da imunidade tributária expressa no artigo 150, inciso VI, alínea 'c', Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 12 12 da CF/88, equiparada a instituição de assistência social, consoante reiterada manifestação do Supremo Tribunal Federal. De acordo com a jurisprudência do STF o parágrafo 4º do artigo 150 da Constituição, ao determinar que a imunidade concerne apenas ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com suas finalidades essenciais, não exclui os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras. Reconhecendo a pacífica jurisprudência do STF, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu o Ato Declaratório nº 17/2011. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP 2.15835 de 24.08.2001, com vinculação de pagamento incorreta, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna. Recurso especial negado. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ART. 12, § 1º, DA LEI 9.532/97. INCONSTITUCIONALIDADE. ADI 1.802MC/ DF. COGNIÇÃO SUMÁRIA. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO IMEDIATO. AGRAVO IMPROVIDO. I – O Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu pela inconstitucionalidade formal e material do art. 12, § 1º, da Lei 9.532/97 (ADI 1.802MC/ DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence). Precedentes. II O Caráter provisório da orientação adotada pelo Pleno desta Corte, ainda que proferida em cognição sumária, não impede o julgamento imediato de causas que versem sobre idêntica controvérsia, nem dá ensejo ao sobrestamento do feito. Precedentes. III Agravo regimental improvido.” (RE 593358 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 09/11/2010, DJe056 DIVULG 24032011 PUBLIC 25032011 EMENT VOL0248902 PP00442 RET v. 14, n. 80, 2011, p. 3943) “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE ART. 150, VI, "C", DA CONSTITUIÇÃO do BRASIL]. ENTIDADE FILANTRÓPICA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. ARTS 12 A 14 DA LEI N. 9.532/97. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. A imunidade das entidades de assistência social prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição do Brasil, Pelo exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional no que se refere à incidência da CSLL e julgo prejudicado o recurso quanto à decadência, pois ainda que provido não trará conseqüências, vez que o lançamento tributário restará cancelado pela impossibilidade da exigência da CSL das entidades fechadas de previdência privada. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007375/200546 Acórdão n.º 9101001.432 CSRFT1 Fl. 13 13 Sala das Sessões, em 19 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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