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Numero do processo: 16349.000369/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 69 /2 00 9- 68 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.112, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16349.000369/200968 Acórdão n.º 3401004.913 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 579DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.722263/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 225 1 224 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.722263/201118 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.694 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2018 Assunto IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida NETWORKER TELECOM INDUSTRIA,COM E REPRESENTACAO LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .7 22 26 3/ 20 11 -1 8 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10865.722263/201118 Resolução nº 3301000.694 S3C3T1 Fl. 226 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1051.065, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, [...], referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, conforme enquadramento legal discriminado no referido documento. De acordo com o Termo de Fiscalização e Constatação de Irregularidades Fiscais, que integra o auto de infração, a empresa tem como atividade principal a fabricação de torres e postes para instalação de antenas de telecomunicações, mais especificamente ligadas a área de telefonia celular, classificadas no Código de Nomenclatura do Mercosul NCM 7308.20.00 relativo a torres e pórticos, tributadas com alíquota zero quanto ao IPI. As diferenças de imposto apontadas no auto de infração decorrem das seguintes situações: a empresa deu saída a outros produtos utilizados como partes em manutenção de antenas e outros da área da construção civil e elétrica, classificandoos no código 7308.9010 do Decreto nº 6.006/2006 Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2007, então vigente, que se destina a chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, próprios para construções, igualmente tributado com alíquota zero, quando o correto seria utilizar a classificação fiscal relativa aos produtos vendidos, resultantes da industrialização desses materiais; foram realizadas diversas operações ditas como de revenda, sob os CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 5.102 e 6.102, que se referem a “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros”, porém a fiscalização considerou tratarse de vendas da produção do estabelecimento, tendo em vista as aquisições documentadas no Livro Registro de Entradas e as Notas Fiscais de Entrada de mercadorias. A discriminação destas operações encontrase nas planilhas I, II e III, que integram o Termo de Fiscalização e Constatação de Irregularidades Fiscais. Foi apresentada impugnação tempestiva, assinada por procurador habilitado nos autos, a seguir sintetizada. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10865.722263/201118 Resolução nº 3301000.694 S3C3T1 Fl. 227 3 Inicialmente, alega que o fiscal limitouse a mencionar a classificação que considera correta sem citar as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado que estariam sendo utilizadas, o que dificulta a defesa. Ademais a acusação fiscal deve ser lastreada de prova, sob pena de nulidade. Quanto aos produtos revendidos, ressalta que estariam todos amparados pelos respectivos documentos de aquisição, e para melhor esclarecimento, teriam sido especificados nas propostas, que junta ao processo. A fiscalização não teria solicitado nenhum esclarecimento a respeito. [...] O citado acórdão decidiu pela procedência parcial da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2010 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. SUSTENTAÇÃO ORAL. Indeferese o pedido de sustentação oral, dada a falta de previsão legal para sua apresentação, em primeira instância. REVENDA DE MERCADORIAS. Excluise da autuação o valor correspondente ao imposto nas saídas de mercadorias revendidas pelo estabelecimento industrial. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. A posição 73.08 da TIPI/2007 referese às construções metálicas, mesmo incompletas e suas partes. De um modo geral, as partes de obras que possam manifestamente reconhecerse como tais incluemse nas posições a elas referentes. Inversamente, as partes e acessórios de uso geral, quando se apresentem isolados, não se consideram partes e seguem o seu próprio regime de classificação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgamento de primeira instância decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar parcialmente procedente a impugnação. Recorre de ofício, "ultrapassado o limite de alçada de R$ 1.000.000,00". A Portaria MF nº 63, publicada em 10 de Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10865.722263/201118 Resolução nº 3301000.694 S3C3T1 Fl. 228 4 fevereiro de 2017, alterou o valor limite para interposição de recurso de ofício para R$ 2.500.000,00, o qual fora ultrapassado no presente caso. A Fazenda Nacional não se manifestou a respeito. Não foi identificado recurso voluntário. Fora formalizada representação (fl. 214), para prosseguimento na cobrança por força do acórdão recorrido, seguindo o processo origem a este CARF, para julgamento do recurso de ofício. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10865.722263/201118 Resolução nº 3301000.694 S3C3T1 Fl. 229 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. No mérito, o acórdão tratou de duas situações constantes da autuação1: 1) "valor relativo a imposto não lançado em decorrência de utilização de classificação fiscal incorreta nas saídas de mercadorias do estabelecimento, nestas computadas as vendas de sua produção"; e 2) "as operações contabilizadas como revendas de mercadorias adquiridas de terceiros, mas que a fiscalização considerou como vendas de produção do estabelecimento". Sobre o segundo tema, o acórdão de piso concorda parcialmente com a fiscalização, e termina por decidir pelo cancelamento de parte da exigência lançada, relativa aos produtos que arrola: [...] a reclassificação destas comercializações como vendas de produção do estabelecimento está amparada em presunção decorrente das inconsistências detectadas na escrita do contribuinte, especialmente no fato de que não foi possível relacionar as mercadorias revendidas com as respectivas aquisições de mercadorias para revenda, além da constatação de que teria havido diversas comercializações dos mesmos bens sob CFOP relativo à vendas da produção do estabelecimento (Anexos II e III ao TF). Tal situação denota a inobservância do regramento relativo à escrituração do IPI, mas não legitima a conclusão de que teriam sido industrializadas pela impugnante, especialmente se considerado que entre os produtos comercializados encontramse, por exemplo, aparelhos de ar condicionado, manta térmica, antenas para recepção e reprodução de som, bens cuja produção não condiz com a atividade de industrialização por ela exercida. A par disso, ao impugnar o lançamento, a empresa reitera que parte das mercadorias objeto da autuação não foi por ela fabricada, mas sim adquirida de terceiros, destinandose à revenda, conforme detalhado na planilha que anexou à impugnação (fl. 153 a 156). Essas mercadorias efetivamente constam dentre as apontadas no Anexo II, fl. 82 a 92 – “RELAÇÃO DE PRODUTOS CUJAS NOTAS FISCAIS FORAM EMITIDAS COM CFOP DE REVENDA, elaborado pelo autuante, sendo razoável sua exclusão do lançamento, em face da argumentação até aqui expendida e da justificativa apresentada pelo contribuinte. Dessa forma, deverá ser cancelada a exigência correspondente ao IPI e acréscimos de juros de mora e multa de ofício decorrentes das saídas dos produtos a seguir relacionados, que observa a descrição constante no TF: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10865.722263/201118 Resolução nº 3301000.694 S3C3T1 Fl. 230 6 E a autuação assim detalha: [...] e) Na planilha acima descrita constam também inúmeras vendas com o CFOP 5102 e 6102, que são utilizados na venda de mercadorias adquiridas de terceiros, também chamadas de revenda de mercadorias. Analisando os livros de registros de entradas de mercadorias e as notas fiscais de entradas de mercadorias, no período houve apenas 3 aquisições de mercadorias para revendas, que são as abaixo informadas: [...] Confrontando essas vendas de mercadorias adquiridas de terceiros com as aquisições de mercadorias para este fim, notase que não houve a saída desses produtos do estabelecimento, [...] Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10865.722263/201118 Resolução nº 3301000.694 S3C3T1 Fl. 231 7 Diante do acima exposto notase que todos esses produtos que foram lançados com o código CFOP 5102 e 6102 são de fabricação da empresa e estão sujeitos a tributação do IPI Se confrontarmos as duas planilhas, notaremos que as mercadorias constantes do anexo II (revendas) quase que na totalidade constam também do anexo III (vendas de produção própria), o que reafirma que todos esses produtos são fabricados pela empresa e tiveram seus CFOP – Código Fiscal de Operações informados incorretamente. Também dá para se notar que os containers vendidos pela empresa tem valores bem inferiores aos dois que ela adquiriu para revenda, o que pode ter sido um caso de produto específico que naquele momento não compensava ela fabricar. O contador da empresa, Sr. José Newton Cipriano repassoume algumas notas fiscais de aquisição de Ar condicionado, mas analisando as notas fiscais, foi outro estabelecimento da empresa que tem o CNPJ 71311021/000680 e endereço na cidade de São Paulo – capital, que os adquiriu e não houve nenhuma nota fiscal transferindo os produtos para o estabelecimento ora autuado. Se por um lado "entre os produtos comercializados encontramse, por exemplo, aparelhos de ar condicionado, manta térmica, antenas para recepção e reprodução de som, bens cuja produção não condiz com a atividade de industrialização por ela exercida", por outro "teria havido diversas comercializações dos mesmos bens sob CFOP relativo à vendas da produção do estabelecimento", como descreve o acórdão de base. As notas fiscais trazidas em sede de impugnação (fls 153 a 169), foram apenas seis, não abrangendo todas as operações excluídas pela Delegacia de Julgamento. Assim, considerando o que decidiu o acórdão de piso; os elementos levantados pela fiscalização; em homenagem ao princípio da verdade material; voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Verifique se a documentação juntada pela contribuinte em tempo de impugnação prestase a comprovar a revenda dos produtos elencados no "Demonstrativo 1 Revenda" da acórdão de primeira instância (fls 196 e 197); 2) Intime o contribuinte a apresentar esclarecimento e documentos complementares, se considerar necessário; e 3) Conceda prazo para a contribuinte e a Fazenda Nacional se manifestem, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000149/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
Numero da decisão: 3302-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9º-A e 9º-B ao art. 3º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/07/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9ºA e 9ºB ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 49 /2 00 3- 10 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 144 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 9395: Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da contribuição para o PIS do período de apuração fev./2003, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido do PIS, referente ao período de apuração jun/2002, crédito esse de valor declarado de R$ 472,14 — fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 64/66, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da base de cálculo do PIS o valor de R$ 417.213,24 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fls. 85) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 10/04/2008, fl. 69, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/05/2008, fls. 71/78, alegando, em síntese: Que a base de cálculo da Cofins é o faturamento nos termos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 30 da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins. Em 24 de novembro de 2008, a DRJ/RPO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação feita na manifestação de inconformidade e, manteve o despacho decisório que não homologou a compensação objeto dos autos, com base nos seguintes fundamentos: A manifestação é tempestiva e revestida das formalidades legais, pelo que deve ser conhecida. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 145 3 O § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, inserido pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, permitiu deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins às operadoras de plano de assistência à saúde, caso do interessado, somente das rubricas relacionadas no referido dispositivo legal, a saber: Art. 2°. O art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado. Do exposto, voto pelo indeferimento da solicitação, mantendo a decisão proferida pela DRF em são José do Rio Preto. Intimada da decisão em 10.03.2009 (fls.95), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.03.2009 (fls.101109), reproduzindo as alegações apresentadas em sua defesa. Em 26 de junho de 2012, o processo foi convertido em diligência nos termos da decisão de fls. 119131, a saber: Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 417 mil ou de R$ 412 mil, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. Intimada à fornecer documentos e prestar informações para cumprimento da diligência anteriormente citada, a Recorrente permaneceu silente, retornando os autos à este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 146 4 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.03.2009 (fls.95) e protocolou Recurso Voluntário em em 23.03.2009 (fls.101109) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Mérito A discussão sob análise já foi inúmeras vezes analisada por este Conselho, inclusive contra a própria Recorrente. Assim, por se tratar de matéria fartamente debatida neste Tribunal, adoto como razão de decidir o voto proferido no acórdão 3302002.012 (PA 10850.900093/200611) que, envolve a ora Recorrente e matéria idêntica a discutida nos presentes autos, a saber: Conforme se depreende do relatório acima transcrito, os pedidos de restituição e as compensações dele decorrentes foram considerados indevidos uma vez que a fiscalização entendeu como indevidas as deduções da base de calculo efetuadas pela recorrente. As divergências foram assim resumidas: Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. A recorrente entende que faz jus a exclusão do que ela denomina como sendo atos cooperativos auxiliares (hospitais, clinicas, etc) e os médicos não cooperados, mas que na verdade são valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. É bom destacar que tal benefício não está relacionado a atividade cooperativista, pois está direcionado as operadoras de plano de assistência à saúde. Sobre este tema são esclarecedores os argumentos externados pela ilustre Conselheira Fabiola C. Keramidas, nos autos do processo nº 13971.002373/200411, que com o brilhantismo de praxe assim pontuou: “Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 147 5 Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 148 6 ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais1, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 149 7 É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário;Janeiro /X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 150 8 setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 151 9 beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para pode atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE E ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, entendo que devam ser excluídos da base de calculo das contribuições os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, valores estes relacionados ao item III do dispositivo legal ora analisado. Neste contexto são indevidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relacionadas a pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, ente outros, devendo o processo retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. Nestes termos, entendo que é direito da Recorrente excluir, da base de cálculo da contribuição aqui tratada, os valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc..., outrora registrados na conta "Outras Exclusões", devendo, assim, o processo Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13866.000149/200310 Acórdão n.º 3302005.781 S3C3T2 Fl. 152 10 retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.910899/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.600
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 10 89 9/ 20 12 -9 2 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase o presente processo de Manifestação de Inconformidade referente ao PER/DCOMP nº 24770.56613.200308.1.3.045860. 2. O PER/DCOMP é relativo a pedido de compensação dos débitos discriminados com crédito de IRPJ decorrente de recolhimento com DARF no valor de R$ 6.604,18, efetuado em 28/04/2000. 3. No despacho decisório constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP o crédito já estava extinto em razão de terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF, 28/04/2000, e a data de transmissão do PER/DCOMP, 20/03/2008. Portanto, a compensação não foi homologada sob o fundamento legal dos artigos 165 e 170, do CTN, e artigo 74 da Lei 9.430/96. 4. A contribuinte, devidamente intimada do despacho, apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega, em síntese, que: (i) o despacho é nulo diante da ausência de análise efetiva da situação que ensejou o direito material da contribuinte, o que acaba por cercear do seu direito de defesa; (ii) o crédito é líquido e certo; (iii) ao realizar o pedido de compensação por meio do Programa PER/DCOMP versão 3.3, que já identificava a prescrição ou não do crédito, não houve nenhum aviso de “erro”; e (iv) o direito creditório não está extinto, pois o crédito utilizado na DCOMP, objeto do presente processo, já havia sido indicado em DCOMP anteriormente apresentada dentro do prazo legal de cinco anos. 5. Ao final, a contribuinte requer que (i) o despacho decisório seja declarado nulo; (ii) seja admitida a DCOMP; e (iii) homologada a presente compensação. 6. Em sessão de 14 de abril de 2015, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações em litígio, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0265.295, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido”. 7. A DRJ/ BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 7.1. O despacho decisório não é nulo, pois não se verifica nenhuma das hipóteses do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o despacho está devidamente motivado e não deixa dúvidas sobre o fundamento para a não homologação, que consiste na extinção do direito de utilização do crédito por ter se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do crédito e a data de transmissão do PER/DCOMP. 7.2. Por força do artigo 168, inciso I, do CTN, o direito de pleitear a restituição ou ressarcimento extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito, que ocorro no momento do pagamento. Tendo em vista que o crédito é referente a pagamento efetuado em 28/04/2000, o direito da contribuinte em pleitear a restituição se extinguiu em 28/04/2005. 7.3. A mera existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de requerer restituição não legitima compensações efetuadas com o mesmo crédito depois da extinção, pois a declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. 7.4. No presente caso, a contribuinte não escolheu a opção de “Pedido de Restituição” no primeiro PER/DCOMP, mas apenas consta a expressão “Declaração de Compensação”. Portanto, tendo em vista que a declaração de compensação não tem a mesma natureza do pedido de restituição, não há que se homologar a presente compensação transmitida após o dia 28/04/2005. 8. Cientificada da decisão em 11/06/2015, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/07/2015 reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade, em especial para alegar que o crédito em questão decorre de resposta à Solução de Consulta que reconheceu o direito à aplicação do percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ por exercer atividade equiparada a “Serviços Hospitalares”, com efeito retroativo por força do artigo 106 do CTN. Ademais, a Recorrente requerer: (i) que seja admitido o pedido de restituição e/ou Declaração de Compensação objeto do presente processo; (ii) que seja refutada a alegação de preclusão; e (iii) que seja admitido que a Recorrente exercia a atividade de prestação dos serviços hospitalares consoante às normas aplicáveis à época. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.598, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.910897/2012 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.598): 9. O recurso voluntário interposto pelo Recorrente é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Da Necessária Realização de Diligência 10. No presente caso, as doutas autoridades fiscais consideram que, mesmo sendo o valor suficiente, não se poderia homologar as compensacõ̧es do PER/DCOMP nº 17901.26282.300108.1.3.044602, porque efetuadas depois de extinto o direito de o sujeito passivo pleitear restituicã̧o do pagamento indevido ou a maior nele utilizado. 11. De fato, de acordo com o artigo 74, da Lei nº 9.430/96 e do artigo 168, inciso I, da Lei 5.172/66, o contribuinte pode utilizar na compensação de débitos próprios créditos passíveis de restituição ou ressarcimento e o direito de pleitear a restituicã̧o extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Confirase: Lei nº 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." CTN "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 6 5 seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;" 12. Por sua vez, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento, conforme dispõe o artigo 3º, da Lei Complementar nº 118/05: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 13. Sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 566.621, proferiu decisão definitiva sob o rito da repercussão geral, para definir o termo a quo do prazo estabelecido no artigo 168, inciso I, do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. 14. De acordo com a decisão, a interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (leia se pagamento). 15. Já os pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados antes de 09/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse sentido, é a própria Súmula CARF nº 91: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". 16. No caso em tela, estamos tratando de valor pago indevidamente ou a maior em 28/04/2000 à título de IRPJ 1º Trimestre de 2000, cujo PER/DCOMP original foi transferido em 30/01/2008. Logo, em uma primeira e isolada análise, poderia estar extinto do direito creditório do contribuinte. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 7 6 17. Contudo, quando da verificação dos autos, não é possível evidenciar se houve ou não pedido de restituição e/ou declaração de compensação apresentados entre 28/04/2000 e 09/06/2005, conforme orienta o citado precedente do STF. O próprio contribuinte traz essa alegação e aponta a existência de DCOMPs apresentados dentro do citado período. 18. Não é demais consignar que, o precedente em questão (RE nº 566.621) equipara as figuras do pedido de restituição e da declaração de compensação, visto que os efeitos práticos e jurídicos dos dois institutos são equivalentes, no primeiro caso o contribuinte irá reaver o valor pago a maior e no segundo vai ver compensado seu direito de crédito com débito de sua titularidade. Inclusive, a compensação evita que a Administração Pública tenha efetivo desembolso financeiro. Tanto é que a redação do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, mantém, em termos herméticos e técnicos tal, equiparação. 19. Não pode a autoridade fiscal "criar" distinção técnica onde nem a Suprema Corte e nem o legislador o fez. Adotar tal entendimento leva não só ao enriquecimento ilícito do Estado como afronta valores basilares como segurança jurídica, razoabilidade e eficiência administrativa. 20. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência. 21. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila1 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 22. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas2 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 2 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 8 7 23. No mais, os valores segurança jurídica e previsibilidade estão estampados no artigo 24, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB): "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas." 24. De acordo com o próprio autor do Anteprojeto da LINDB, Floriano de Azevedo Marques3, tal diploma normativo é plenamente aplicável ao CARF, verbis: "A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretaçãocontra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. 25. Portanto, diante dessas premissas técnicas, data máxima, vênia discordo do posicionamento da DRJ que busca aplicar efeitos distintos para o pedido de restituição e o pedido de compensação. Considero fundamental o julgador ter a ciência de eventual pedido de restituição e ou declaração de compensação apresentado entre 28/04/2000 e 09/06/2005. 26. No mais, conforme consignado pela Recorrente, o direito creditório em exame decorre do processo de consulta nº 10580.006591/200431 que reconheceu o direito a aplicação do percentual de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido, para fins do IRPJ apurado no respectivo trimestre, equiparandose, tais serviços, aos serviços hospitalares, cujo efeito retroativo se deu por força do artigo 106 do CTN. 27. Com isso, os valores de IRPJ apurados anteriormente com o percentual de 32% foram revisados o que motivou a retificação das respectivas DCTFs do 1º Trimestre de 2000, dentre outras Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 3 MENDES, Guilherme. CARF deve aplicar artigo 24 da LINDB, afirma autor da nova redação da norma. Jota, São Paulo, 06 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/phv85x. Acesso em: 07 ago. 2018. "Floriano de Azevedo Marques, que formulou as alterações da lei, afirma que o CARF não está imune à sua aplicação." Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10580.910899/201292 Resolução nº 1201000.600 S1C2T1 Fl. 9 8 retificadoras. Portanto, conforme também consignado pela douta DRJ, o direito creditório seria legítimo. 28. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. 29. Diante das circunstâncias fáticas e jurídicas aqui apresentadas, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Relacione eventuais pedidos restituição e de declaração de compensação que evolvam o direito creditório aqui em análise e indique as datas de transmissão de tais documentos, a fim de que seja confirmada a existência ou não de apresentação entre o período de 28/04/2000 e 09/06/2005; (ii) Instrua o presente processo administrativo com a decisão proferida no processo de consulta nº 10580.006591/200431; (iii) Verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; e (iv) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2000, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 30. Em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 31. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001274/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário.
LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE AO TEMPO DA LAVRATURA FISCAL. MULTA DE OFÍCIO SUPERVENIENTE. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA AO TEMPO DO PAGAMENTO/PARCELAMENTO.
Era aplicável a multa de mora ao tempo da lavratura fiscal. A superveniência da multa de ofício não pode ser analisada no âmbito do contencioso administrativo, cabendo a apreciação sobre a aplicação do princípio da retroatividade benigna (artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional - CTN) quando do pagamento/parcelamento do crédito tributário subsistente.
Numero da decisão: 2301-005.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE AO TEMPO DA LAVRATURA FISCAL. MULTA DE OFÍCIO SUPERVENIENTE. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA AO TEMPO DO PAGAMENTO/PARCELAMENTO. Era aplicável a multa de mora ao tempo da lavratura fiscal. A superveniência da multa de ofício não pode ser analisada no âmbito do contencioso administrativo, cabendo a apreciação sobre a aplicação do princípio da retroatividade benigna (artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN) quando do pagamento/parcelamento do crédito tributário subsistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 74 /2 00 7- 13 Fl. 386DF CARF MF 2 parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário abrangendo imposição de penalidade pecuniária consubstanciada no Auto de Infração DEBCAD nº 35.011.3777 A fiscalização, com fundamento no artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do artigo 293 do Regulamento, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrou o presente AI por ter a empresa apresentado documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita a informação verdadeira, conforme previsto no artigo 33, parágrafos 2o e 3o, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social Decreto nº 3.048/99. O contribuinte apresentou o Livro Diário nº 45/99 com a conta “Cesta Básica” (CONTA 3.1.2.01.2.060930) com informação diversa da realidade, uma vez que a partir de 09/99 a empresa aderiu ao Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT e estas despesas deveriam ter sido lançadas em uma conta específica com um subtitulo próprio, como por exemplo PATCesta Básica, e não junto com essa conta “Cesta Básica” que deveria ter recebido somente lançamentos até a competência 08/99, ou seja, somente lançamentos de alimentação que não fazem parte do convênio do PAT. Diante disso, a empresa infringiu o art. 33, parágrafos 2o e 3o da Lei nº 8.212/91 c/c com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A empresa contabilizou no dia 21/09/99, Livro Diário nº 044/99, uma despesa das Fazendas Santa Laura, Santa Luzia, Dona Laura e São Francisco, de propriedade do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, que é um dos sócios da empresa autuada, como sendo sua, desobedecendo o princípio da entidade e, portanto, infringindo o artigo 33, parágrafos 2o. e 3o. da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 233, parágrafo único, do RPS. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 3 3 A empresa contabilizou no dia 10/06/96, Livro Diário nº 28/96, uma despesa com salário indireto cesta básica a qual se referia a compra do dia 04/07/96, conforme verificação contábil e confronto com a sua respectiva Nota Fiscal nº 0097, desobedecendo ao principio fundamental de contabilidade da competência e, além disso, a empresa apresentou uma informação diversa da realidade ou omitiu informação verdadeira para a competência 06/1996, infringindo o artigo 33, parágrafos 2o e 3o, da Lei nº 8.212/91, c/c o art.233, parágrafo único, do RPS. Ressalta que, para os fatos contábeis especificados acima, a empresa agiu com dolo ou máfé, uma vez que sempre existiu na empresa um departamento contábil, com profissionais habilitados para tal finalidade e, mesmo assim, a empresa cometeu tais atos, não em conformidade com os princípios fundamentais de contabilidade: entidade e competência. A fiscalização traz um longo e farto trabalho sobre os fatos e circunstâncias verificados no procedimento fiscal, seja em relação ao sujeito passivo autuado, seja em relação às empresas a ele ligadas, denominandoo de Relatório Geral. Este Relatório (fls. 25/57), contém o contexto de fato em relação ao qual se apurou os institutos do lançamento por solidariedade e afastamento do fenômeno da personificação jurídica. Assim se manifesta a fiscalização: TÓPICO “INTRODUÇÃO” Ficou constatado através de provas documentais que as empresas envolvidas constituem entre si grupo econômico de fato. Há, porém, duas particularidades: a primeira diz respeito à constituição de empresas de "fachada" (ou fantasmas); e a segunda diz respeito aos sócios "laranja" das empresas de fachada. Os trabalhos foram desenvolvidos nos estabelecimentos das empresas que estavam em atividades comercias, que são: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda (encerrou suas atividades de fato em 05/2000), Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e O.C.A. Comercial Ltda. No município de Vila Rica, apesar da empresa Frigorífico Vila Rica Ltda ter paralisado suas atividades, a sua documentação em parte foi apresentada aos Auditor Fiscal da Previdência Social AFPS. As demais empresas situadas nos Municípios de São José dos Quatro Marcos, Alta Floresta, Colider, Cuiabá e Vila Rica desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da sua documentação, juntamente com os seus respectivos sócios. Houve a apreensão, pelos Auditores da Secretaria da Fazenda do Mato Grosso, de vários documentos das empresas Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda. Foram constatados, também, durante as ações fiscais, os fatos abaixo elencados: a) empresas de fachada e seus respectivos sócios "laranja"; b) diretor empregado sem registro; e, c) segurados empregados e sócio de empresa ao mesmo tempo. TÓPICO “CONSTATAÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” Fl. 388DF CARF MF 4 Da análise de vários documentos encontrados em poder dos Fiscais de Tributos EstadualFTE/MT e de outros documentos posteriormente apreendidos e verificados pela fiscalização previdenciária, esta última afirma os seguintes aspectos relativos ao funcionamento de um "esquema" montado pelo Grupo Quatro Marcos: O Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, conhecido como Sr. Douglas, é sócio gerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos (conhecido como "Sr. Luís Olavo"), pessoa de sua inteira confiança, é empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda na função de Diretor, conforme constatação documental e in loco através de várias diligências fiscais realizadas pelos AuditoresFiscais da Previdência Social AFPS. O Sr. Sebastião Bueno Xavier, conhecido na região como "SR. CHICO", é pai de Sebastião Douglas Sorge Xavier e fundador do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; a família "BIRTCHE" exerce suas atividades comerciais exclusivamente nos Municípios de Colider/MT e de Alta Floresta/MT, por intermédio do Sr. Creudevaldo Birtche, conhecido na região como “TUCURA". O "esquema" do Grupo Quatro Marcos assim funcionava, segundo a fiscalização: a) Preliminarmente, os sócios e diretores do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA escolheram quatro Municípios do Estado de Mato Grosso, provavelmente onde existia uma grande concentração de rebanho de bovinos, sendo eles os Municípios de Alta Floresta, Colider, Vila Rica e São José dos Quatros Marcos; posteriormente, em cada local desses, constituíam uma unidade frigorífica (empresa), normalmente tendo como sóciogerente efetivo o Sr. Douglas e/ou Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos. Estas empresas são denominadas pela fiscalização de empresas "quentes", ou seja, empresas que realmente existiram ou existem tanto de fato como de direito. b) Ao mesmo tempo, o Grupo Quatro Marcos constituía paralelamente as essas unidades frigoríficas outras empresas que atuavam no ramo de frigorífico, sem, no entanto, possuir qualquer instalação frigorífica nem capital de giro e financeiro para a prática comercial de suas atividades. A fiscalização chama estas empresas como empresas de "fachada" ou "fantasmas". Estas empresas "de fachada" simulam um contrato de arrendamento com as empresas que realmente construíram as unidades frigoríficas, as quais estão em nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e/ou do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos. c) Entretanto, os sócios das empresas "de fachada" (ou fantasmas) são pessoas que apenas emprestam o nome para fazerem parte do contrato social, denominados pela fiscalização de sócios "laranjas", sem jamais exercerem qualquer atividade de gestão, comercial ou administrativa nestas empresas. Constatouse que geralmente os sócios "laranjas" são empregados de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. Além disso, os supostos sócios (laranjas) residem em localidade diversa da sede (ou estabelecimento) das empresas de fachada (ou fantasmas), na maioria dos casos verificados. d) A administração e a direção das empresas de "fachada" (ou fantasmas), na realidade, eram exercidas pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a ajuda de uma empresa no Estado de São Paulo, a Phoenix Administração e Participações Ltda, onde o Sr. Luiz Carlos Caldereli Nanni enviava instruções de operação para todas as empresas do Grupo Quatro Marcos, tanto "as de fachadas" (ou fantasmas) como as verdadeiras (quentes), indistintamente. Com essa forma de funcionamento, as operações que geravam fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias eram realizadas pelas empresas de fachada Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 4 5 que, após qualquer procedimento de fiscalização, encerravam de fato suas atividades e seus sócios desapareciam misteriosamente, bem como sua documentação fiscal. Observa a fiscalização o curioso fato de que, tão logo encerrada a atividade da empresa, imediatamente era constituída outra empresa de fachada, com o mesmo objeto mercantil de atividade, mesmo quadro pessoal, mesma administração e gerência da empresa de fachada anterior, inclusive instalada no mesmo local. Este procedimento tornava inviável e infrutífera qualquer tentativa de satisfação do débito tributário. Cita o exemplo da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, que firmou um parcelamento junto ao INSS em 1996, decorrente da NFLD n° 32.344.9883, e, após a fiscalização iniciar seus procedimentos de auditoria fiscal, a empresa desapareceu misteriosamente, consequentemente a partir da competência 09/1999 até o momento de conclusão dos trabalhos não pagou mais nenhuma parcela daquele parcelamento. O Cartório de Registro de Imóveis em Colider/MT, este informou que não existia Registro de imóveis em nome de Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. O Grupo Quatro Marcos utilizouse das empresas de fachadas (ou fantasmas) com o intuito de efetivar a supressão ou redução dos tributos, então arrecadados pelo INSS, principalmente a contribuição social decorrente da comercialização dos produtos rurais referente à subrogação, usandose de ações ou omissões desonestas e contrárias às leis de regência, ou seja, tinha a vontade ou a consciente aceitação de lesar, total ou parcialmente, o Erário, ludibriando a Administração Tributária (INSS) e a fé pública, através da falta da verdade em declarações, documentos e atos, como, por exemplo, as figuras dos sócios "laranjas". Tal fato tinha o intuito de sonegar informações de conteúdo econômico, e, portanto, esconder da fiscalização o verdadeiro responsável pelos atos e fatos sujeito à incidência de normas de tributação, até mesmo mediante falsificação e alteração de documentos, como ocorreu na adulteração das formalidades extrínsecas de Livros Contábeis na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Livro Diário) verificado pelas fiscalizações anteriores do INSS (NFLD n° 32.345.3368/1996). TÓPICO “COMPOSIÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” A fiscalização traz a seguinte composição geral do Grupo Quatro Marcos: · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA – FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA CNPJ 01.311.661/000109; · AMAZONAS COM. IND. IMP. E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 00.923.654/000197; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 1 CNPJ 02.291.563/000292; · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FILIAL – CNPJ 01.311.661/000605; · PHOENIX ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 62.400.247/000152; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 2 CNPJ 02.291.563/000454; Fl. 390DF CARF MF 6 · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA – MATRIZ CNPJ 00.291.563/000101; · ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA – CNPJ 01.994.076/000142; · FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 02.630.132/000122; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA FILIAL 1 – CNPJ 02.974.627/000250; · FRIGORÍFICO COLIDER LTDA CNPJ 00.135.198/000110; · FRIGOLIDER IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 00.897.034/000120; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA – CNPJ 02.974.627/000179; · VILA RICA ALIMENTOS LTDA CNPJ 02.399.553/000194; · FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA CNPJ 02.977.200/000124. TÓPICO “DAS AÇÕES FISCAIS” FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA (FRIGORÍFICO QUENTE) Após análise da documentação da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA foi constatado pela fiscalização que esta empresa vinha praticando atos de sonegação de tributos, ao criar no Município de São José Dos Quatro Marcos/MT duas empresas fantasmas: Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, que funcionavam na realidade com suas atividades comerciais paralelas à empresa FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, constituído, tecnicamente na gíria contábil, um caixa "2" do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Para confirmar tal fato, a fiscalização procedeu a várias diligências fiscais nesse Município (São José dos Quatro Marcos), onde se situavam as empresas fantasmas, conforme Contrato Social, e, em nenhum momento, conseguiu detectar os sócios das supostas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazona Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, sendo que no endereço do Contrato Social os vizinhos informaram que jamais funcionaram tais empresas, inclusive, uma boa parte da população desse Município nos informou que as empresas procuradas pela fiscalização funcionaram dentro da unidade frigorífica da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Além do mais, os vários depoimentos (Termo de Declaração) prestados aos Ministérios Públicos de Mato Grosso, Federal e Estadual, por exempregados e outras pessoas ligadas ao Grupo Quatro Marcos, confirmam o entendimento da fiscalização. Verificouse também que os sócios dessas empresas fantasmas eram geralmente empregados de uma das empresas do Grupo Quatro Marcos. Outro fato marcante é que as empresas fantasmas exerciam suas atividades comerciais apenas por um lapso de tempo muito curto, em torno de 2 (dois) anos, sem nenhuma instalação frigorífica para realização de abate dos animais, firmando apenas um contrato de prestação de serviço entre as empresas fantasmas e a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, os sócios laranjas jamais Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 5 7 promoveram a dissolução de direito das empresas fantasmas perante a Junta Comercial nem comunicaram ao INSS a paralisação das empresas. Existiam outras empresas "fantasmas" (de fachada) estabelecidas no Município de São José dos Quatro Marcos/MT, que foram verificadas pela ação fiscal desenvolvida pelo INSS, ano 1996, ensejando inclusive um crédito tributário, o qual foi objeto da lavratura NFLD n° 32.345.3368, lançada no próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda, CNPJ 01.311.661/000109. As empresas Flamingo Alimentos e Amazonas, assim como as empresas fantasmas antecedentes, foram constituídas para funcionarem apenas por um período de tempo, onde uma substituía a outra, e com a finalidade exclusiva de burlar a arrecadação e a fiscalização do INSS. Portanto, a empresa fantasma que aparentemente estava em atividade comercial, de acordo com cada período de tempo, forjava a operação de compra de bovinos e venda de sua respectiva carne, e, posteriormente, depois de praticar a sonegação dos tributos, desaparecia misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação contábil ou de seus sócios. Diante disso, a carga tributária incidente sobre a produção rural, decorrente da sub rogação das contribuições sociais devidas à Seguridade Social e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre a comercialização do produto rural proveniente do produtor rural pessoa física e, na época, do produtor rural pessoa jurídica, era parcialmente sonegada, já que a empresa fantasma realizava um recolhimento pequeno para o INSS, apenas para constar nos arquivos do conta corrente desta instituição e, com esse expediente, não deixava qualquer suspeita de procedimento que ensejasse uma fiscalização. Coincidentemente as empresas fantasmas constituídas no Município de São José dos Quatro Marcos possuíam o mesmo objeto mercantil da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda e não possuíam capital de giro (conforme Contrato Social), no mínimo, condizente que respaldasse a grande movimentação de abate que empreenderam na sua curta existência, verificada nas Notas Fiscais de Simples Remessas e nos registros do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso INDEA/MT (Guia de Trânsito de Animais GTA). TÓPICO “PROVAS E FATOS QUE COMPROVAM OS RELATOS EXPOSTOS NESTE RELATÓRIO GERAL NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO Q. MARCOS” a) o abate dos animais das empresas fantasmas era feito com exclusividade nas instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; b) as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos, além do mais eram assinados pelas mesmas pessoas, sendo pelo "DIRETOR" Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos e pelo "FINANCEIRO" Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, ficando evidenciado que as empresas eram administradas financeira e gerencialmente pelos mesmos diretores do SX Frigorífico Quatro Marcos LTDA. c) as despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda são autorizadas também pelo Sr. Varderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, que são diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, inclusive os pagamentos das despesas relativas à remuneração dos empregados, do pro labore dos sócios, dos fornecedores etc. Fl. 392DF CARF MF 8 d) em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, respectivamente, gerente financeiro e diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas, referente aos serviços do Sr. Franklin, no valor de R$ 900,00. e) as testemunhas que aparecem nos contratos (contrato social e alterações; contrato de locação de imóveis) firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. f) o Sr. Nilton de Carvalho Júnior era procurador da empresa Amazonas e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. g) o Sr. Vagner Alberto Gouveia era procurador da empresa Flamingo Alimentos Ltda e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. h) as empresas fantasmas não possuem quaisquer bens imobilizados para realização de suas atividades. i) tanto a Flamingo Alimentos quanto a Amazonas, sempre estiveram com endereços ignorados, conforme diligências realizadas in loco e nos órgãos públicos municipais e estaduais. j) as duas empresas fantasmas sempre utilizavam as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos. k) o Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, assinou notas promissórias rurais da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, e era, ao mesmo tempo, a pessoa que tomava as decisões comerciais em nome Frigorífico Quatro Marcos Ltda. l) em 09/04/99, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, apôs sua assinatura em documento com o logotipo (emblema; marca) da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizando inclusive um desconto no preço da carne. m) o Sr. Nilton Carvalho Júnior era quem também fazia as vendas das mercadorias (carnes) relacionadas com a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação, inclusive utilizandose do telefone do Frigorífico Quatro Marcos Ltda 2511201. n) o capital social integralizado de constituição das empresas fantasmas é imensamente desproporcional para o volume de compras de animais realizados mensalmente, caracterizando um fato contábil muito vultoso em relação ao seu próprio capital de giro, ficando evidenciado que tanto a Flamingo Alimentos Ltda como a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda não possuíam patrimônio mínimo que lhes permitissem desenvolver as suas atividades. o) as empresas fantasmas não possuíam bens imobilizados para realização de suas atividades, nem ao menos um veículo, um telefone etc, tendo utilizado todos os bens imobilizados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 6 9 p) as duas empresas fantasmas utilizavam sempre as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos e venda de carnes; q) os supostos empregados da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, Sr. José Zagui e Sr. Jadir José de Oliveira, recebiam salário indireto Cesta Básica – do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda. r) o sócio "laranja" da empresa fantasma Amazonas Comércio Ind. Imp. E Exportação Ltda, Sr. Pedro Olinto Ribeiro, era na realidade empregado de outras empresas do Grupo Quatro Marcos, na cidade de Colider/MT. s) em depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (Termo de Declarações), datado de 05/04/00, a Sra. Rosa Pianezzer Ribeiro, que é esposa do Sr. Pedro Olinto Ribeiro, declarou desconhecer completamente que seu marido era sócio da empresa Amazonas, sendo que a empresa esteve formalmente ativa por mais de dois anos. t) em 06/12/96, a empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ao apresentar contestação da NFLD n° 32.344.9816, lançada pelos auditores fiscais do INSS, explica o fato do "sumiço" de documentos da empresa, afirmando a função de motorista do Sr. Pedro Olinto Ribeiro. u) em Termo de Declarações, a Sra. Rosimar Hoesker, expatroa do outro proprietário da firma Amazonas (Sr. Nelson Francisco Barbieri), declarou que ele foi seu funcionário por aproximadamente um ano e recebia um salário em torno de R$ 500,00; e no início de 1998 deixou a empresa. Afirmou, ainda, que conhece o Sr. Nelson Francisco Barbieri desde criança e que sua atual esposa trabalhava para ela como empregada doméstica; disse ainda que nunca tomou conhecimento que o Sr. Nelson tivesse sido proprietário de um Frigorífico, mas sim que ele tinha sido empregado de um Frigorífico; sabe, no entanto, que ele leva uma vida modesta e não tem bens em seu nome. v) foi constatado pela fiscalização que no período de 1997, quando o Sr. Nelson Francisco Barbieri trabalhava para Sra. Rosimar Hoesker, a empresa que estava em seu nome, Amazonas, fez a maior movimentação de compra de bovinos. Constatação verificada nas Notas Fiscais de simples remessa para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda: v.1) em 31/01/2000, a empresa Atlântica Brasil Industrial Ltda, CNPJ 60.398.914/000184, compradora de carne do Grupo Quatro Marcos, informou ao Ministério Público Federal e Estadual de Mato Grosso que o responsável pelos contatos para compra de carnes das empresas Amazonas era o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, e o telefone de contato era 251 1201, também de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; v.2) em 20/08/97, o Sr. Luiz Nanni, controlador das empresas do Grupo Quatro Marcos, enviou um Relatório Preliminar ao Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e ao Sr. Luís Olavo S. dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), mencionando claramente o movimento de caixa da empresa Amazonas AM, com seus respectivos relatos da conciliação bancária, explicitando inclusive as contas movimentadas pela Amazonas. Neste mesmo documento, também, contém instruções de procedimentos para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda; Fl. 394DF CARF MF 10 v.3) em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni, administrador e controlador do Grupo Quatro Marcos, enviou ao Sr. Vanderlei, diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, uma solicitação de um boletim financeiro completo, incluindo claramente as empresas: Amazonas e Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Este mesmo documento foi enviado por cópia para o Sr. Douglas Direção SP, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Os fatos narrados demonstram que as relações comerciais entre as empresas Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda possuem a essência, de fato, de um Grupo Econômico, onde as duas primeiras possuem dependência econômica fática em relação ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, dependência esta observada em diversos campos: dependência física/operacional, financeira e de recursos humanos, compreendidas as pessoas responsáveis pela administração, principalmente na pessoa do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, mantendo ligação administrativa umas com as outras, vinculandose aos negócios e aos interesses em comum das empresas envolvidas. TÓPICO “ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO SÓCIO O SR, DOUGLAS); E FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída, no Município de Alta Floresta/MT, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, em 24/07/97, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/06/98, foi constituída uma empresa de fachada, a Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. Esta firmou um contrato de arrendamento de toda a unidade frigorífica daquela. A empresa Alta Floresta jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no Contrato Social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente uma outra empresa (Frialto), com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sob administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que, na realidade, a Frialto foi constituída para servir de anteparo para a empresa Alta Floresta, ou seja, aquela era apenas uma empresa de fachada, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, ao chamar a carga tributária sobre si e desaparecendo posteriormente. Nesse contexto, apresenta os seguintes elementos de provas: 1) na empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda consta no seu contrato social, como um dos sócios fundadores, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). 2) apesar de existir um contrato de arrendamento somente das unidades frigoríficas, a firma Frialto é quem paga as várias despesas da Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. 3) em Romaneio de Abate, 30/11/98, da empresa Frialto, houve simulação de venda de 357 cabeças de bovinos para o Sr. Newton Vieira Barbosa; porém, o pagamento foi feito ao Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como adiantamento de R$ 47.946,40 e ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, Sr. Chico (pai do Sr. Douglas, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no valor de R$ 57.558,58. Esse é outro fato que evidencia a dependência da Frialto com o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, intitulada nas pessoas do seu diretor e do seu sócio. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 7 11 4) na administração da empresa fantasma Frialto o Grupo Quatro Marcos tinha a ajuda do Sr. Clodiomar Birtche (conhecido na região como "KOI"), que aparece ao mesmo tempo como sócio no contrato social da Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Diante disso, constatouse que a empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda faz parte de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão aos cofres públicos, utilizandose da criação de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas", com o fim exclusivo de servir de anteparo para a incidência de tributos e que após algum tempo se esvaem misteriosamente sem arcar com as contribuições sociais devidas à União. TÓPICO “O.C.A. COMERCIAL LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DO FRIGORÍFICO COLIDER LTDA), EMPRESA EM NOME DO DIRETOR E SÓCIO DO FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA; FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA); IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” A empresa Frigorífico Colider Ltda foi constituída no Município de Colider/MT, em 04/08/94, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/12/95, foi constituída uma outra empresa de fachada a Frigolider Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. A primeira empresa firmou um contrato de arrendamento de toda a sua unidade frigorífica com a segunda. A empresa Frigorífico Colider Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no seu contrato social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigolider) com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Na realidade, a Frigolider foi constituída para servir de anteparo ao Frigorífico Colider Ltda e ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização. No Município de Colider, assim que começaram a desenvolver as ações fiscais da Secretaria de Fazenda, acompanhadas pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso, no Grupo Quatro Marcos, em 04/99, a empresa de fachada Frigolider desapareceu imediatamente, juntamente com os seus sócios laranjas, sem deixar qualquer paradeiro, surgindo imediatamente outra empresa de fachada, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol, com mesmo objeto mercantil, mesmo endereço, mesmo quadro pessoal de empregados e com os mesmos diretores e administradores das anteriores, ou seja, o Grupo Quatro Marcos, com a ajuda da família "Birtche" (Sr. Creudevaldo Birtche), era quem administrava financeira e gerencialmente a Frigolider e a Fricol. Apresenta as seguintes provas sobre os fatos: 1) no período de 12/95 a 03/99 atuava uma empresa de fachada, Frigolider Indústria e Com. de Alimentos Ltda, que desapareceu misteriosamente, juntamente com os sócios, após o início dos trabalhos do fisco estadual SEFAZ/MT. O seu sócio laranja, Sr. Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Fricol. 2) de 04/99 em diante, após o desaparecimento da Frigolider Ind. e Com de Alimentos Ltda, surgiu imediatamente uma outra empresa de fachada, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol sendo que os seus sócios fazem parte da família Birtche que pelos elementos levantados, podese considerálos como "testa de ferro" do Grupo Quatro Marcos. Fl. 396DF CARF MF 12 3) o Sr. Pedro Olinto Ribeiro, sócio laranja da empresa fantasma Amazonas, que funcionou como um "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, sempre recebeu, no Município de Colider, remuneração das duas empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, quais sejam: Frigolider e Fricol. 4) as despesas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, referente à Fazenda Santa Laura eram pagas pela empresa de fachada Fricol. 5) o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, que desapareceu misteriosamente com a documentação da Frigolider, na qual era sócio laranja, recebeu dinheiro da Fricol referente à venda de bovinos. Os bovinos são de propriedades de outras pessoas, alternando entre pessoa física e jurídica, mas quem recebe o dinheiro é o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira. 6) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda. 7) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 3.648,97 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros. 8) Em 06/01/00, novamente o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 5.000,00 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Oscar Nunes da Silva. Após verificação dos documentos da Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, encontrouse um "cartão" da empresa “Círculo Quatro Compra e Transporte de Bovinos” onde se percebe que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O mesmo foi um comprador de bovinos na região de Colider, provavelmente do Grupo Quatro Marcos, e jamais dono de qualquer Frigorífico. A firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, caracterizando simulação do Grupo Quatro Marcos, pois uma pessoa empresta o nome para aparecer na nota fiscal e outra recebe o dinheiro. Estes documentos constatados pela fiscalização totalizaram um valor de R$ 183.964,36 depositados diretamente na conta do Sr. Luís Olavo. Novamente, a firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Sebastião Bueno Xavier, pai do Sr. Douglas sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 04/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de carne do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial de Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Em 09/11/99, a firma Fricol, realizou novo pagamento de despesas diversas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta corrente do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Estes dois documentos (doc. 6.2.g e doc. 6.2.h) evidenciam claramente que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, além de exercerem um controle na parte gerencial, também exerciam um controle na parte financeira das empresas de fachada. Ademais, esses documentos também comprovam que a contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda jamais espelhou a realidade, pois o fato do dinheiro ser depositado diretamente na conta corrente do diretor e não na conta corrente da empresa, evidencia um fato completamente contrário à legislação fiscal e comercial, constituindo motivo de desconsideração da contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, como deflui do § 6º Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 8 13 do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do art. 235 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A firma Fricol, em 15/07/99, efetuou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando despesas de todas elas indistintamente. Em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com os Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, encontrouse nas dependências da empresa Fricol vários documentos referentes aos Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios dos Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinou ao Sr. Tucura (Creudevaldo Birtche), um dos sócios da Fricol, que este efetuasse o depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível. Para explicar o fato de que uma empresa precede a outra, no caso em tela, a firma Fricol sucede à Frigolider; as despesas desta, referente ao mês de abril, foram pagas pela primeira. O fato comprovado nestes documentos é que as empresas de fachada foram constituídas para funcionarem apenas por um lapso de tempo e desaparecem misteriosamente, surgindo imediatamente outra empresa de fachada. Exemplificando, no início do mês abril/99 de fato a Frigolider deixou de exercer suas atividades comerciais e surge a Fricol, no mesmo endereço, mesmo objeto mercantil, mesmo quadro pessoal e administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 07/04/99, a firma Fricol depositou diretamente na conta corrente do Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, o valor de R$ 1.080,00 referente à despesa de manutenção do P.A.B.X. realizada pela empresa Telefonia Engenharia de Telecomunicações Ltda, comprovando que o Sr. Nilton do Amaral pagava as despesas das empresas de fachada na cidade de Cuiabá/MT e, posteriormente, prestava conta ao controlador do Grupo Quatro Marcos (Sr. Luiz Nanni) que autorizava o ressarcimento. No período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviços em Colider/MT, na firma Fricol. Este fato demonstra de maneira clara que se trata de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Alerta a fiscalização que a firma Fricol iniciou suas atividades comerciais a partir do mês 04/99 e o documento demonstra que os empregados foram admitidos no ano de 1998. O Sr. Ronaldo A. dos Santos da Rocha, empregado do Frigorífico Colider Ltda (posteriormente denominado de O.C.A. Comercial Ltda) enviou documentos da firma Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol para o Sr. Paulo Medeiros, o Sr. Gerson Medeiros e Audicontabil Auditores Independentes S/C, respectivamente, advogados e prestador de serviço da Fricol, caracterizando mais uma vez que tanto a Fricol como a O.C.A. Comercial Ltda pertencem aos mesmos sócios. Fl. 398DF CARF MF 14 A empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos foi constituída em nome de sócios laranjas, ou seja, pessoas físicas que emprestaram o nome para fazer parte do contrato social da empresa, quando, na realidade, eram apenas empregados da própria Frigolider ou de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. O suposto sócio Sr. Edson Carlos Padilha sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos. No notebook (máquina de informática) apreendido pelos Fiscais de Tributos Estadual MT existem arquivos onde pode se ver claramente que as suas despesas de remuneração (salários) estão registradas junto com os demais empregados da empresa; neste mesmo arquivo também existem registros específicos de pro labore para o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier juntamente com o seu pai Sr. Sebastião Bueno Xavier (Sr. Chico), que, de fato, eram sócios do Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Em 01/04/1996, o suposto sócio, Sr. Edson Carlos Padilha, foi admitido na empresa Frigolider com uma remuneração mensal de R$ 395,87, e em 02/12/1996 aparece como sócio dessa mesma empresa, onde, observando o princípio da primazia da realidade, verificase como sócio "laranja". Ademais, no período de 05/1993 até 02/1996 esse sócio "laranja" trabalhou na empresa Indústria de Móveis 3 Irmãos, CNPJ 82.767.641/000130, como empregado na função de auxiliar de produção e de lustrador, sendo que o seu último salário foi de R$ 314,60 mensais. Outro fato marcante foi a constatação de que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou recebendo remuneração (salário em pecúnia e salário indireto) de outra empresa de fachada, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, como segurado não inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o artifício de "FRICOL U", sendo que na competência 12/1999 recebeu R$ 1.035,00 e apôs sua assinatura no recibo de pagamento; os salários indiretos foram constatados na listagem do sacolão (cesta básica) onde também apôs sua assinatura. Os sócios efetivos das empresas relatadas no Tópico VI do Relatório Geral são: o Sr. Sebastião Bueno Xavier, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e o Sr. Creudevaldo Birtche. Diante disso, conclui a fiscalização que as empresas Frigorífico Colider Ltda (hoje O.C.A. Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda (Fricol) fazem parte de um mesmo grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão os cofres públicos, utilizandose de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas". TÓPICO “VILA RICA ALIMENTOS LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO UM DOS SÓCIOS O SR. DOUGLAS) E FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída no Município de Vila Rica/MT a empresa Vila Rica Alimentos Ltda, em 01/01/98, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 10/02/99, foi constituída a empresa de fachada Frigorífico Vila Rica. Aquela empresa firmou um contrato de arrendamento de toda sua unidade frigorífica com esta. A empresa Vila Rica Alimentos Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no contrato social e, assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigorífico Vila Rica Ltda), com o Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 9 15 mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que na realidade a empresa Frigorífico Vila Rica Ltda foi constituída para servir de anteparo à Vila Rica Alimentos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, já que aquela não tem qualquer bem econômico registrado em seu nome para pagar os tributos sonegados. Constatouse, através de diligência fiscal realizada no Município de Vila Rica/MT, que a empresa Vila Rica Alimentos Ltda nunca funcionou no endereço do seu contrato social. O proprietário do imóvel (Sr. José Manoel Garcia, RG: 11.636.844 SSP/SP) onde deveria funcionar a empresa informou "que apenas manteve um contato com os proprietários desta empresa em 1998, mas jamais a mesma funcionou neste endereço: Avenida Brasil 38 A, Centro, Vila Rica/MT, nem em outro endereço dentro da cidade de Vila Rica". TÓPICO “PROVAS GERAIS DO GRUPO QUATRO MARCOS” Depois de várias diligências fiscais nos Municípios de atuação do Grupo Quatro Marcos, arrecadouse diversos documentos que comprovam, de maneira lúcida e transparente, o envolvimento dos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com as empresas de fachadas (ou fantasmas) Amazonas, Frigolider, Flamingo, Fricol, Frialto e Frigorifico Vila Rica. Além disso, existem diversos documentos apreendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual de Mato Grosso FTE/MT, aos quais teve acesso a fiscalização do INSS, que confirmam os fatos relatados no Relatório Geral. A fiscalização lista as seguintes provas: 1) As despesas de manutenção das empresas de fachada (ou fantasmas) eram administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Em documento aprendido pelos FTE/MT (doc. 8.1), o Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma relação de prestação de contas há a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, respectivamente, empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, envia aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Vanderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada (ou fantasmas). Assim, considerando que o Sr. Nilton do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não há como entender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas (doc. 8.2.a e doc. 8.2.b) da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr . Nilton do Amaral, contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. Fl. 400DF CARF MF 16 No rodapé do documento consta a observação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção SP, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (doc. 8.2.a.). Salta aos olhos da fiscalização que a empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo, porém não está constituída em nome do Sr. Douglas ou qualquer outra pessoa de sua família. Diante disso, só existiria uma explicação : a Frigolider é uma empresa de fachada, sendo efetivamente administrada pelo Sr. Douglas. Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei Chefia de Escritório FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda e Amazonas. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção –SP (doc. 8.2.b.). Em carta datada de 01/04/97, proveniente da empresa Phoenix de Jandira/SP, consta o seguinte: "DE: Luiz Nanni Administração SP" para "Srs. Vanderlei Ger. Adm. Financeira FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA/AM e Newton – Depto Contabilidade Frigolider", envia instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento (doc. 8.2.c), além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas. Em 09/07/97, o Sr. Vanderlei enviou ao Sr. Luiz Nanni um documento, através de facsímile, com uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreveu um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com Carrefour (doc. 8.2.d.). 3) A extelefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmou que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche), administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni (doc. 8.3). 4) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo (doc. 8.4). O Sr. Nilton do Amaral é funcionário contratado pelas empresas do Grupo Quatro Marcos. 5) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações também o envolvimento do Sr. Sebastião Xavier ("Chico"), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas de fachada. 6) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações, prestados ao Ministério Público Estadual, os Srs. Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam a constatação e composição do Grupo Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 10 17 Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada (doc. 8.6). 7) Os contatos para compra de carnes das empresas que fazem parte do Grupo Quatro Marcos, ou seja, os clientes do grupo, eram feitos através de sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em diligência fiscal realizada na firma Frigorífico Quatro Marcos Ltda, constatouse na documentação contábil da empresa que o telefone (011) 7929 3588 pertencia à firma Phoenix Adm. e Participações Ltda, que tem como sócias as irmãs do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Porém, as despesas desse telefone são pagas pela filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, em Jandira/SP. Em ofício datado de 17/12/99, a COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmou que o contato para compra de carnes do Grupo Quatro Marcos, do qual fariam parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim. Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. de Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda em Jandira/SP e, ao tempo da fiscalização, Diretor da matriz Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588 (doc. 8.7.a). Em ofício datado de 25/02/2000, a empresa Saito & Saito Supermercado Ltda afirma que as compras de carne tanto da Flamingo como da Frigolider eram realizadas com o vendedor Sr. Tupanangil Magalhães (fone: 011 79293588) (doc.8.7.b). Em ofício de 28/02/2000, a empresa Ralimar Distribuidora de Miúdos Ltda atesta que as compras de carne das firmas Fricol, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda eram realizadas no mesmo telefone (011 79293588), com as seguintes pessoas: Cláudia, Davilson e Tupã (doc. 8.7.c). A empresa Carrefour atestou que o próprio Sr, Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588. Já as compras do Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone (doc.8.7.d). Em 09/03/2000, a firma Espetinho Churra Bom Ltda atestou que o entreposto das empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP) (doc. 8.7.e). Este endereço é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. Em 29/02/2000, a firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atestou que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. e Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone (11) 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã (doc 8.7.f). 8) Em carta datada de 27/05/98, o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirmou para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do Fl. 402DF CARF MF 18 FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA que estava enviandolhe a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. (doc. 8.8). A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996 (NFLD DEBCAD nº 32.345.3368). É inexplicável o fato do Sr. Vanderlei e do Sr Douglas receberem alteração contratual original de empresa que está com suas atividades de fato encerradas, não tendo nenhum vinculo com Frigorífico Quatro Marcos Ltda. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 9) A confusão entre as empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos era tão grande que o Frigorífico Colider, CNPJ 00.135.198/000110, identificase com o CNPJ da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 00.897.034/000120), ao apresentar demonstrativos contábeis para a obtenção de Certidão Negativa de Débitos CND junto ao INSS. (doc. 8.9). Neste mesmo documento o Sr. Nilton do Amaral assina como contador do Frigorífico Colider Ltda. 10) Em ofício de 04/07/2000, o Sr. Franklin Nogueira Hoyer, Cmt. Do CINDACTA I, atestou que a aeronave PTWSX de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda realizou vários vôos para Alta Floresta/MT, no período de 01/01/97 a 31/12/99 (doc. 8.10). A aeronave era utilizada pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) para a realização das visitas e vistorias das empresas de fachada nos Municípios de Alta Floresta/MT e Colider/MT. Neste Município não há aeroporto para pouso de aeronaves, por isso que no relatório do CINDACTAI não o consta. Ficou evidenciado que no mínimo uma ou duas vezes o Sr. Douglas e/ou algum Diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda iam a Alta Floresta e Colider. Corroborando este entendimento a respeito do uso da aeronave, o Sr. Napoleão Mendes Neto afirmou em Termo de Declarações (doc. 8.5) que: o Sr. Douglas e o Sr. Chico vinha para esta cidade (Colider) de avião. 11) A Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e ex empregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirma em Termo de Declaração que "...a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava...” (doc. 7.11). Neste mesmo documento a Sra. Adna Pereira da Silva afirmou que a empresa Flamingo era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 12) A imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, representada pelo Sr. Marco Antônio Tolentino de Barros, afirmou que a funcionária da Flamingo era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider. Em depoimento à Delegacia Especializada de Polícia Fazendária, o gerente de locação da Imobiliária Ancora declara que os aluguéis da sala da Amazonas e outros problemas eram resolvidos com a funcionária da Flamingo Alimentos Ltda, Sra. Adriana, e que era ela também que mantinha contato sobre qualquer problema com a sala alugada para a empresa Frigolider (doc.8.12). Neste mesmo documento, o referido gerente declarou, ainda, que quem procurou a Âncora para alugar uma sala para funcionamento da firma Amazonas foi Sr. Paulo Pitaluga e que jamais conheceu os seus respectivos sócios, como também não conheceu os sócios da Frigolider. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 11 19 13) Vários boletins financeiros, cartas e atas de reuniões, aprendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual/MT, comprovam o relacionamento do Sr. Luiz Nanni na controladoria do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, bem como o seu relacionamento direto com Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier no controle do Grupo Quatro Marcos (doc 8.13). 14) Outro fato que deixa transparente a formação do Grupo Quatro Marcos grupo econômico de fato foram dois fax urgentes enviados pela empresa Audicontábil, datados de 08/08/97 e 13/08/97, para a empresa Frigorífico Colider Ltda, à atenção do Sr. Nilton do Amaral Contabilidade, que era empregado da Ind. de Couros e Insumos Colider Ltda, onde o mesmo recebeu informações sigilosas referente aos projetos da SUDAM tanto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda como também do Frigorífico Colider Ltda (doc. 8.14). 15) Em fiscalização realizada pelo INSS na empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ano 1996, NFLD DEBCAD no 32.344.9883, o Sr. Nilton do Amaral já informava a dependência e o envolvimento desta empresa com Frigorífico Quatro Marcos Ltda, quando no Relatório Fiscal os Srs. Auditores Fiscais discorrem: "...entramos em contato com o Sr. Nilton do Amaral e este nos informou de que iria contactar com o Frigorífico Quatro Marcos para saber quem havia retirado tais documentos e onde estavam." (doc. 8.15). 16) Durante diligência fiscal desenvolvida pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, realizada em 27/05/99, o Sr. Nilton do Amaral foi flagrado tentando fugir com documentos das empresas Amazonas, Frigolider e Flamingo. A FTE Sra. Wilce flagrou o Sr. Nilton do Amaral, acompanhado de outra pessoa não identificada, tentando fugir com diversos documentos que já estavam no porta malas do carro que se encontrava no estacionamento ao lado do Edifício Master Center, onde a Amazonas alugava uma sala. Estranhamente, havia documentos de 03 firmas, aparentemente distintas, Amazonas, Frigolider e Flamingo (doc. 8.16). 17) Durante diligência fiscal realizada em 25/05/99 pela fiscalização estadual MT, na sala alugada pela firma Flamingo, também foi feita a apreensão de uma máquina de informática (notebook), que estava em poder do Sr. Nilton do Amaral, a qual tinha um programa específico para a contabilidade da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (doc. 8.17). 18) As empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos utilizam o mesmo modus operandi para dar sumiço misteriosamente em sua documentação fiscal. Em 30/07/1996, o Sr. Carlos Eduardo de Oliveira Sebim registrou um Boletim de Ocorrência afirmando que toda a documentação da Amazonas foi furtada de um veículo, sendo que este era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. É inexplicável o fato da documentação estar dentro de um veículo do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. (doc. 8.18). Em 11/05/99, o Sr. José Zagui compareceu ao Departamento de Polícia Militar DPM de São José dos Q. Marcos e relatou que todos os documentos da Flamingo foram furtados de um veículo. (doc. 8.18). No Relatório Fiscal da NFLD DEBCAD no 32.344.9883, os Srs. Auditores Fiscais relatam que a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda também não apresentou qualquer documentação fiscal (doc. 8.15). Fl. 404DF CARF MF 20 Em 20/12/96, a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda tornou público, em Diário Oficial de Mato Grosso, que foram furtados do interior de um veículo vários documentos fiscais e contábeis (doc. 8.18). Em 21/01/91, o Sr. Moisés Ferreira Borges, empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, compareceu à Delegacia de Polícia de São J. Q. Marcos e registrou uma Ocorrência Policial n° 20/91. Na época, afirmou que os documentos da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda tinham sido destruídos em acidente de veículo, seguido de incêndio (doc. 8.18). 19) Corroborando ainda mais com entendimento de que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda também administravam as empresas de fachada (ou fantasmas), em 28/10/98, a Sra. Adriana "DRI", exsecretária da firma Flamingo, mandou um bilhete ao Sr. Vanderlei (diretor financeiro do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA), para que o mesmo providenciasse o pagamento da energia elétrica da firma Amazonas (doc. 8.19). 20) A participação do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no comando das empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, é tão evidente que, em 18/12/97, o Fundo de Aperfeiçoamento dos Serviços Jurídicos da Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso FUNJUS ao receber a importância de R$ 50,00 da firma Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, incluiu também claramente o nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e da sua irmã Sra. Rosana Jorge Xavier (doc. 8.20). 21) Os elementos que comprovam o grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) são tão evidentes, que a firma Fricol chega a pagar as despesas de estadas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e do Sr. Francisco Sérgio B. Figueiredo (suposto sócio do Frigorífico Vila Rica Ltda) na cidade de Colider, quando estes vão administrar as unidades frigoríficas da região. Inclusive, no movimento de caixa (Banco c/c 06384), aparece de maneira expressa o débito dessas despesas (Saídas) referente às Despesas Adm. Viagens e Estadas, lançamento 6147 (doc. 8.21.a). Em 02/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de estadas do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), referente aos dias: 26 a 27/08/99 e 23 a 24/09/99; neste mesmo dia também pagou as despesas de estadas do Sr. Francisco S. B. Figueiredo (Frigorífico Vila Rica Ltda) referente aos dias 21 a 22/09/99 (doc. 8.21.b). Este documento demonstra uma agravante, uma vez que referente as despesas de estadas do Sr. Douglas passaram corretivo (tipo liquid paper) em cima do campo hóspede Palace Hotel para ocultar e alterar o seu nome, mas se colocar o documento em visualização sobre a luz percebese que está escrito "SR. DOUGLAS". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais da contabilidade e a legislação fiscal. 22) As despesas do Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como da aeronave PTVKW, referente aos vôos para cidade de Colider, levando o Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), também são pagas pela firma Fricol. Em 20/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis (doc. 8.22.a) e de táxi aéreo (doc. 8.22.b) da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider Ltda, pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral, em viagens do Sr. Douglas. Em 27/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider (O.C.A. Comercial Ltda), pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral em viagem do Sr. Douglas (doc. 8.22.c). Em 03/02/00, a firma Fricol pagou as despesas com alimentação do Piloto Sr. Aguiar Coelho do Amaral referente à Nota Fiscal 7615 Churrascaria Kaskata's (doc. 8.22.d). Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 12 21 Em 27/09/99, a Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW no valor de R$ 539,97 (doc. 8.22.e). Em 17/12/99, novamente a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade da O.C.A. Comercial Ltda, a qual era pilotada pelo Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) (doc. 8.22.f). 23) As despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) à cidade de Colider, também foram pagas pela firma Fricol (doc. 8.23), caracterizando mais uma vez que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), que administra a empresa Fricol. 24) As despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi contador do Grupo Quatro Marcos, também são pagas pela firma Fricol. Em 12/11/99, a firma Fricol pagou as passagens aéreas do Sr. Nilton do Amaral, cujo itinerário foi: SINOP/Cuiabá e Cuiabá/Sinop (doc. 8.24). Neste documento a firma, na pessoa dos seus responsáveis, cometeu um ilícito ao passar corretivo (tipo liquid paper) sobre o "nome" do boleto da empresa Passaredo e, por sua vez, alterando e ocultando o nome do Sr. Nilton do Amaral. Colocando este documento sobre a visualização da luz, percebese claramente o seguinte nome "AMARAL/NILTON". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais de contabilidade e a legislação fiscal. 25) Em 19/10/99, a firma Fricol recebeu dos fornecedores a matériaprima bovinos, e, ao realizarlhes o pagamento, depositou o valor pecuniário diretamente na conta corrente da empresa de fachada Frialto (docs. 8.25), caracterizando uma permuta do credor e evidenciando a composição de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), pois tal ato depende no mínimo de uma autorização expressa. 26) A situação é tão confusa que uma empresa de fachada chegou a pagar a sua despesa referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda em outra firma de fachada. Em 04/10/99, a firma Fricol, ao pagar despesas de fornecedores, referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda (SP), depositou o dinheiro diretamente na conta da firma Frialto (doc. 8.26). Este ato é contrário aos Princípios Fundamentais de Contabilidade (princípio da entidade e princípio da competência Resolução n° 750/93CRC) e, também, contrário à própria legislação fiscal e à comercial. 27) Outro fato que deixa transparecer a composição do Grupo Quatro Marcos é um depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que aquela é quem fornece os couros (matéria prima) para esta. Diante disso, evidencia que a segunda também faz parte das empresas que compõe o Grupo Quatro Marcos (doc. 8.27). 28) O Sr. Milton Zana Corbalan, que se diz sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, as quais fazem parte do Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Grupo Quatro Marcos, a seguir detalhado: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25 (docs. 8.28.a); no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74 (docs. 8.28.b). Estas duas últimas empresas onde o Sr. Milton Zana Corbalan trabalhou tinha como sócio o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Diante disso, percebese claramente que o Sr. Milton Zana Corbalan é mais uma pessoa que apenas Fl. 406DF CARF MF 22 emprestou o nome para fazer parte no contrato social das empresas de fachada explicitadas no item 8.28 do Relatório Geral. Durante a diligência fiscal realizada no município de Vila Rica, na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o próprio empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan. Além disso, nos documentos analisados, não se encontrou qualquer documento de ato do comércio assinado pelo mesmo (docs. 8.28.c), sendo que o contrato social dispõe na cláusula VIII que: "A sociedade será administrada pelo sócio Milton Zana Corbalan, na qualidade de gerente o qual assinará todos os atos relativos aos interesses da sociedade ..." (doc. 8.28.d). Dentre os fatos evidenciados e relatados, fica evidenciado que se trata de um grupo econômico de fato Grupo Quatro Marcos , o qual foi articulado e montado pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Assim, o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66) estabelece, nos incisos I e II do seu art. 124, que existe responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Além disso, a Lei de Custeio da Seguridade Social – Lei n° 8.212/91, em seu inciso IX do art. 30, também prevê expressamente a solidariedade entre si das empresas componentes de Grupo Econômico, sendo lícito ao Fisco cobrar de qualquer delas. Portanto, o Fisco, baseado no instituto da solidariedade, tem o direito de cobrar o crédito fiscal (crédito previdenciário) de qualquer pessoa que compõe o "Grupo Quatro Marcos", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta benefício de ordem. TÓPICO “CONCLUSÃO DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO QUATRO MARCOS" O Grupo Quatro Marcos, pelas evidências apresentadas, vem sonegando contribuições sociais à Fazenda Pública ao longo dos últimos anos, pois abre uma empresa "fantasma" ou de "fachada" (empresas que não existem de fato) em cada Município, onde já possui as suas unidades frigoríficas "quentes" (empresas em nome dos sócios ou dos diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e, após um determinado lapso de tempo de funcionamento comercial, a empresa de fachada (ou fantasma) desaparece, repentinamente, sem deixar qualquer paradeiro. Portanto, o esquema de sonegação fiscal funciona com a simulação da criação de uma empresa de fachada (ou fantasma), onde os empregados das empresas do Grupo Quatro Marcos, às vezes registrados em livro ou fichas de registro de empregados, ou não, são levados a emprestar seus nomes e passam a figurar como supostamente sóciosproprietários do frigorífico de fachada (ou fantasma), mas nunca praticam qualquer ato de gerência ou administração nesta empresa. Na realidade este ato é realizado pelos diretores e sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ocorre que a empresa de fachada (ou fantasma) geralmente recolhe apenas um valor simbólico dos tributos, passando então a praticar a sonegação e, a mesmo tempo, utilizandose de meios fraudulentos para a realização de tal intento, uma vez que essas empresas na realidade constituem um verdadeiro "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o qual possui uma movimentação financeira diferente da contabilidade apresentada ao fisco. De um modo geral, as empresas de fachada (ou fantasmas) funcionam ativamente em torno de 02 (dois) anos e, após este lapso de tempo, desaparecem, inclusive seus sócios, e imediatamente são substituídas por outras empresas de fachada (ou fantasmas), mudando a razão social e o CNPJ. Consequentemente aparecem novos sócios. Outro fato marcante é que, quando a fiscalização inicia seus trabalhos, geralmente a empresa de "fachada" (ou fantasma) desaparece, seus sócios não são encontrados e todos os documentos e livros contábeis são misteriosamente furtados ou queimados. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 13 23 Portanto, fica caracterizado que duas ou mais pessoas, no intuito de enganar o fisco, recorrem a um ato simulado, quer para esconder um outro negócio que se pretende dissimular, com a criação de empresas de fachada (ou fantasmas), quer para fingir de uma relação jurídica com o fato gerador da obrigação tributária, com a criação de sócios laranja. Tratase, portanto, de burla intencionalmente construída em conluio pelas partes que almejam disfarçar a realidade, enganando a Fazenda Pública e fraudando a legislação fiscal. Portanto, o Grupo Quatro Marcos utilizase de condutas dolosas e fraudulentas com fito específico de driblar a arrecadação dos Tributos (contribuição social), lesando simultaneamente a fé pública e a Administração Tributária desenvolvida pelo INSS. TÓPICO “NOTAS GERAIS” A empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda sofreu anteriormente ações fiscais pelo INSS, abrangendo até a competência 07/1996, no qual foram levantados débitos correlacionados com as empresas: Guaray Com. Ind. de Exp. e Importação Ltda, CNPJ 74.075.268/000129; e Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, CNPJ 00.923.654/0001 97. Porém, este levantamento feito pela fiscalização encontrase consolidado no DEBCAD no 32.345.3368/1996. Também foi verificado pela fiscalização anterior do INSS os mesmos fatos explicitados nos itens 4.1, 4.2, 4.3, 4.4 e 4.7 do Relatório Geral. Corroborando com o entendimento desta fiscalização, que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) constituído com fim específico de burlar à Fazenda Pública, é que as empresas de fachada (ou fantasmas), que têm como sócios a figura dos laranjas, jamais apresentaram os Livros Contábeis (Livros Diário e Livros Razão) à fiscalização, sendo que as empresas são obrigadas a têlos, já que pagam o Imposto de Renda com base no lucro real. As empresas de fachada (ou fantasmas) Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e a Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, que desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação fiscal e comercial, sempre alegam a mesma desculpa de que os Livros Contábeis e sua respectiva documentação foram furtados ou roubados de um veículo. As empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, Frigorífico Vila Rica Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol , também não apresentaram os Livros Contábeis (Livro Razão e Livro Diário), sempre com as mesmas alegações de que tiveram algum problema na informática ou que estão apontandoos e brevemente vão entregálos. Tendo apenas uma única exceção, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda, que também compõe o Grupo Quatro Marcos, foi a única a apresentar a contabilidade (Livro Razão e Livro Diário), porém, esta não espelha a realidade financeira nem contábil da empresa, já que existem várias irregularidades em seus documentos fiscais, conforme alguns relatos no Relatório Geral e conforme constatação de diligência fiscal anterior, realizada pelo INSS em 11/09/98, que na época evidenciaram a adulteração nas formalidades extrínsecas dos Livros Contábeis (Livros Diários) n° 24, 25, 26 e 27 do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, os quais foram encobertos com tinta corretora (tipo liquid paper) (doc. 11.1.a). O Laudo de Exame Documentoscópio n° 437/98 Departamento de Polícia Federal/MJ Instituto Nacional de Criminalística Seção de Criminalística/MT, confirmou as adulterações explicitadas anteriormente nos Livros Contábeis (doc. l l . l .b). Fl. 408DF CARF MF 24 A seguir, apresenta notas estatísticas referentes à unidade frigorífica de São Jose dos Quatro Marcos, quais sejam: 1) Aumento expressivo dos valores das contribuições sociais rural ocorridas após o início das ações fiscais desenvolvidas pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT , em 04/99. Constatouse através da análise do gráfico que as contribuições decorrentes da subrogação (comercialização de produtos rurais por pessoa física) efetuadas mensalmente no período de 01/99 a 04/99 não ultrapassam a casa dos R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) de contribuições, e, a partir da competência 05/99 a 12/99, os valores das contribuições chegaram a ultrapassar a casa dos R$ 119.000,00 (cento e dezenove mil reais) mensais, havendo, portanto, um acréscimo de 700 % no mês 12/99. Diante disso, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda utilizandose praticamente do mesmo número de empregados (na média), setor de matança, onde no período de 08/96 a 05/00 observase uma constante de 76 empregados e as mesmas instalações, aumentou sua capacidade de abate repentinamente na escala em que foi constatado. 2) Através de dados levantados na própria empresa, no mês 07/99, foi constatado que foram abatidos 19.669 (dezenove mil seiscentos e sessenta e nove) cabeças de bovinos, o que dá uma média diária de 819 (oitocentos de dezenove) animais abatidos, no caso em tela, considerando a semana de 06 (seis) dias, como foi constatado in loco durante as ações fiscais desenvolvidas na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em suma, a capacidade de abate de bovinos na unidade frigorífica do Frigorífico Quatro Marcos Ltda é em torno de 800 a 900 cabeças diariamente. 3) Fazendo um cotejamento no ano de 2000, até a competência 05/00, a menor contribuição ocorreu no mês 02/2000, onde o valor de R$ 71.726,77 (setenta um mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos) foi recolhido ao INSS decorrente da contribuição social referente à subrogação da comercialização dos bovinos por pessoa física, com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoas físicas feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 3.260.307,72 (três Milhões, duzentos e sessenta mil e trezentos e sete reais e setenta e dois centavos), foram abatidos 7.484 cabeças, sendo 6.224 cabeças decorrente da compra à pessoa física e 1.260 de pessoa jurídica; e, em tempo, no mês 05/2000 foram recolhidos R$ 119.242,03 (cento dezenove mil, duzentos e quarenta e dois reais e três centavos) com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 5.420.092,27 (cinco milhões, quatrocentos e vinte mil, noventa e dois reais e vinte e sete centavos), foram abatidos 14.541 cabeças, sendo 11.271 cabeças compra de pessoa física e 3.270 compra de pessoa jurídica. 4) Constatouse também que no período de 08/96 a 04/99, a maior contribuição social rural da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda ocorreu no mês 10/98, no valor de R$ 19.694,40 (dezenove mil, seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos), com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 865.199,79 (oitocentos e sessenta e cinco mil, cento e dezenove reais e setenta e nove centavos), neste mês foram abatidos 2.172 cabeças (compras exclusivamente de pessoa física), o que corresponde ao abate diário de 91 cabeças de bovinos. Neste período (08/96 a 04/99), o número de empregados do setor de matança é semelhante ao número de empregados dos meses 05/99 a 05/00, os quais foram constatados durante as ações fiscais. Além disso, na competência 07/99, maior mês de abate de bovinos verificado pela fiscalização (19.669 animais abatidos), o número de empregados do setor matança é praticamente igual ao número de empregados do mês 05/97, menor mês de abate de bovinos constatado pela fiscalização (419 animais abatidos) (doc. 12.e.). Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 14 25 5) No período de 04/96 a 02/98, há participação de uma empresa considerada e constatada pela fiscalização como de fachada (ou fantasma) Amazonas Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda, constituída pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. A firma Amazonas alega que se utiliza os serviços do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda no abate de animais. Mas a realidade é outra, sabendo muito bem disfarçar o verdadeiro objetivo para o qual foi constituída, objetivo este que é o de ludibriar à Fazenda Pública, recolhendo apenas parte dos valores devidos para que o conta corrente do mesmo, ao ser analisado, não denunciasse qualquer procedimento de fiscalização, no entanto, o verdadeiro volume de comercialização era outro. Ao analisarse os números de animais abatidos pela firma Amazonas (doc. 12.f), no período de 04/96 a 02/98 (período de sua existência), constatouse que o maior volume de abate de animais ocorreu no mês 12/97, onde 6.201 (Seis mil duzentos e um) animais foram abatidos, o que dá uma média de 258 animais abatidos por dia; no mesmo mês, o número de abate do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foi de 1.331 (512 pessoa física e 819 pessoa jurídica), o que dá uma média diária de 55 animais. Portanto, no mês 12/97 no total foram abatidos 7.532 animais, dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o que corresponde a uma média diária de abate de 314 animais. 5.1) Ao se trabalhar com estes dados em relação aos abates de animais feitos dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, onde este já chegou a abater no mês 07/99 a quantia de 19.669 animais, percebese claramente que do potencial de abate existente, apenas parte dele foi utilizado, ficando grande parte dos equipamentos em ociosidade, o que acreditase não ter ocorrido, e, portanto, conferindo maior segurança quanto ao levantamento do crédito fiscal com base nas informações do órgão oficial que controla o trânsito de animais que são encaminhados ao abate para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no caso, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso INDEA/MT (doc. 12.h). 6) Outra empresa que foi criada após a paralisação ou sumiço da Amazonas foi a Flamingo Alimentos Ltda, cujo início de atividade é 03/98, coincidência ou não, foi constituída com os mesmos prérequisitos da Amazonas e teve sua paralisação em torno do mês 05/99. O modus operandi da Flamingo foi idêntico ao utilizado pela Amazonas, ou seja, compra de bovinos em seu nome e o abate feito sob a forma de prestação de serviço pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Forma esta que desde o início, quando detectados pela fiscalização do INSS em ações fiscais realizadas no ano de 1996, não foi aceita e veementemente repudiada naquela ocasião. No período em que a Flamingo esteve em atividade 03/98 a 06/99 (doc. 12.g), ela afirma que o maior número de abate de animais ocorreu no mês 02/99, onde foram abatidos 9.304 (nove mil trezentos e quatro), média diária de 388 animais; no mesmo mês, o Frigorífico Quatro Marcos Ltda afirma que só abateu, decorrente de sua compra, 2.361 (dois mil trezentos e sessenta e um) animais, média diária de 98. Portanto, no mês 02/99 foram abatidos 11.665 animais, com uma média diária de 486 bovinos abatidos. Diante disso, aparentemente o Frigorífico Quatro Marcos Ltda estava com boa parte dos seus equipamentos e mãodeobra (setor matança) em ociosidade e com isso causando prejuízo para o mesmo, consideração lógica se analisarmos a capacidade dos equipamentos na demonstração da movimentação ocorrida a partir do mês 05/99. O contribuinte apresentou impugnação inicial (fls. 104/106), ainda sob a égide da Secretaria da Receita Previdenciária, aduzindo, em síntese: 1) Foi indevida a descaracterização da personalidade jurídica das empresas, pois manteve com elas relações temporárias estritamente comerciais. Fl. 410DF CARF MF 26 2) Solicitou às empresas citadas providências necessárias junto a esse Órgão; 3) Todos os documentos contábeis e fiscais foram apreendidos e remetidos para o MPF e MPE em Cuiabá, em atendimento aos Mandados de Busca e Apreensão emitido pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal do Mato grosso, nos autos dos processos 1999.36.00.0043865 (15/06/1999 MT) e 1999.36.00.00051937 (13/06/1999SP); 4) Os documentos foram disponibilizados de forma totalmente desorganizada e misturados entre si, praticamente impossibilitando sua conferência e reorganização. Porém foi detectada a falta de vários documentos, que ficaram sob a guarda do MPF/MPE, os quais segundo informações preliminares estariam extraviados. 5) Postulou pela suspensão da exigibilidade da exação; reabertura do prazo de defesa, depois de decorridos 90 dias da efetiva devolução dos documentos apreendidos; e, produção de prova pericial. Processado o feito, sobreveio o julgamento pela procedência do lançamento, consubstanciado na DecisãoNotificação nº 10.104.4/0193/2001, de fls. 256/260. Contudo, sobreveio a sentença n° 801/2002, exarada pelo julgamento da ação de Mandado de Segurança nº 2002.36.00.0020087, cujo objeto era a nulidade dos processos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Referido ato judicial assim determinou: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais... 35.166.2650, 35.166.2677, 35.166.2618, 35.166.2596, 35.166.2626, 35.011.3734, 35.166.2553, 35.166.2642, 35.011.3742, 35.166.2669, 35.011.3777, 35.011.3769, 35.011.3750, 35.166.2570, 35.166.2685, 35.166.2634, 35.166.2588, 35.166.2600 ... Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2a. Vara de Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. Interposto recurso de apelação pelo INSS, ao mesmo foi negado provimento. Os autos, que se encontravam inscritos em Dívida Ativa da União, então, retornaram à fase administrativa em 11/01/2007, para que o processo administrativo fosse reiniciado, tendo em vista a ausência de condições para o exercício do contraditório e da ampla defesa, atendendo a determinação judicial, a fim de que seja concedido o prazo legal de defesa/impugnação ao devedor. A Seção de Contencioso Administrativo em Cuiabá/MT, encaminhou os autos referenciados no Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087 à Seção de Contencioso Administrativo, em Osasco, tendo em vista a mudança do estabelecimento centralizador do sujeito passivo para o CNPJ 01.311.661/000605, localizado à Rua Pureza Marques de Oliveira, 83, Jandira/SP; A Delegacia da Receita Previdenciária DRP, em Osasco reabriu o prazo para apresentação de defesa. O contribuinte apresentou impugnação em 15/05/2007, onde informa que “os documentos administrativos, contábeis e fiscais, apreendidos, ainda não foram devolvidos”. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 15 27 Requer, ainda, que a impugnação seja admitida com efeito suspensivo “e, na sequência, a anulação das intimações questionadas e a devolução do prazo integral previsto em lei para a futura defesa de mérito, uma vez decorridos os 90 dias da efetiva entrega pelo MPF/DPF de todos os documentos de sua propriedade, prazo este imprescindível para a conferência, tentativa de reorganização e de análise dos mesmos, objetivando o oferecimento da Impugnação cabível.” Conforme Despacho, emitido pela 10a Turma de Julgamento DRJSPOII, em 07/01/2008, os autos retomaram à DRF jurisdicionante “para providenciar o cumprimento da ordem judicial e demais providencias.” Em 28/07/2011, os autos retornaram a DRJ Campinas. A então competente 7a. Turma de Julgamento exarou a Resolução de fls. 358/363, devolvendo os autos à DRF de origem e determinando que: Visto que, por força de sentença judicial, o lançamento fiscal está em fase de ciência ao contribuinte e, este procedimento só poderá ocorrer quando todos os documentos apreendidos forem devolvidos à empresa autuada; a DRF, em Osasco, por dever de ofício, deverá promover a devolução desses documentos à empresa, quer seja solicitando diligência fiscal ao Juízo 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso, quer seja acionando a Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN. Após a ciência do lançamento ao contribuinte, na forma da sentença prolatada pelo Juízo da 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso nos autos do Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087, os autos deverão retornar à DRJ em Campinas somente quando estiver comprovado nos autos que os documentos foram totalmente devolvidos e findo o novo prazo concedido à empresa para a impugnação, reitero, após ela estar com a posse dos documentos apreendidos. Ainda, atendidas as solicitações do parágrafo anterior, deverão ser cientificadas as empresas componentes do referido grupo econômico, sendolhes concedido prazo regular para impugnar este lançamento. (grifos no original) Aos autos foram juntados os elementos de fls. 401/413, consubstanciados em cópias dos elementos constantes dos autos dos processos judiciais nº 99.51937, ação cautelar preparatória de busca e apreensão em trâmite pela 2a Vara Federal da Seção Judiciária da Justiça Federal do Mato Grosso, e, 1999.36.00.0051937, ação penal em curso perante a 5a. Vara Federal da mesma Seção Judiciária. Ao contribuinte e devedor solidário foi dada nova ciência quanto ao lançamento, agora sob a égide da Receita Federal do Brasil, concedendolhe prazo de 30 dias para apresentação de impugnação administrativa, na forma do Decreto nº 70.235/72. Somente o autuado compareceu aos autos pelo instrumento de fls. 473/480, aduzindo, em síntese: Da Prescrição Intercorrente no Âmbito Administrativo A prescrição pode ser conceituada como “a perda do direito da Fazenda Pública de ajuizar ação de cobrança, mais propriamente execução fiscal, relativamente a crédito não pago, pelo decurso do tempo". Fl. 412DF CARF MF 28 No caso em tela, verificase que os créditos ora impugnados são originários do Auto de Infração n° 35.166.2677, datado de 02/10/2000, cujos fatos geradores referemse aos períodos de 06/99 a 12/99. Ocorre que estes créditos foram objetos de Ação Mandamental n° 2002.36.00.0020087, a qual pleiteava a nulidade de procedimentos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Menciona que em 15/10/2002 foi proferida sentença nos autos do Mandado de Segurança, sendo concedida a segurança, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais. A decisão foi questionada, por meio de recurso de apelação, o qual teve seu provimento negado. Salienta que em 13/09/2006 ocorreu o trânsito em julgado da decisão, oportunidade esta em que o INSS deveria aguardar a devolução integral dos documentos apreendidos e posteriormente, iniciar o processo administrativo, notificando o contribuinte do lançamento e oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Ocorre que somente no corrente ano, por meio do Edital 18/2015, foi reiniciado o procedimento, administrativo, conforme determinou sentença proferida nos autos da Ação Mandamental n° 2002:36.00.0020087, com trânsito em julgado em 13/09/2006. Desta forma vislumbrase a existência da prescrição do crédito ora impugnado, uma vez que o fisco autuante deixou transcorrer o lapso temporal superior a cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da Ação Mandamental, ou seja, 13/09/2006, até a expedição do Edital n° 108/2015, o qual determina a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para impugnação ou pagamento do Auto de Infração. Logo, caracterizado o desinteresse do autuante pela demanda. Conforme acima descrito, resta comprovado que o processo permaneceu pelo prazo superior a cinco anos aguardando diligência do fisco para ser reiniciar toda a fase administrativa, porquanto, consumada está a prescrição. Do Mérito Da Suposta Formação de Grupo Econômico e da Ilegitimidade Passiva Primeiramente, cumpre esclarecer que no caso em tela a fiscalização autuou a impugnante por fato supostamente cometido pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Alegando suposta solidariedade ante a formação de grupo econômico o fisco pretendeu ver a impugnante responsável pela quitação dos débitos. No entanto, nos autos não possuem provas robustas capazes de comprovar a formação deste suposto grupo, logo, os atos praticados pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, não podem ser imputados à empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, o instituto da solidariedade prescinde da concorrência de dois ou mais devedores ou dois ou mais credores na mesma obrigação. No caso em tela, a impugnante não detinha a mesma obrigação vinculada a empresa que supostamente cometeu o ilícito motivo pelo qual não pode ser considerada responsável solidária pelo débito. Assim ante a ilegitimidade passiva da impugnante deve o Auto de Infração ser anulado. Da Ausência de Vínculo Empregatício Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 16 29 Consta, ainda do Auto de infração, que a empresa supostamente deixou de inscrever no Regime Geral da Previdência o nome do senhor Pedro Olinto Ribeiro, no entanto, estes argumentos não possuem qualquer fundamento, eis que a empresa impugnante sempre cumpriu com todas as suas obrigações, principalmente no que concerne aos Registros de seus empregados no Regime Geral de Previdência Social. Frisase que até o presente momento o Fisco não foi capaz de comprovar, qualquer vínculo envolvendo a pessoa de Pedro Olindo Ribeiro com empresa Frigorifico Quatro Marcos ou mesmo com a Frigolider, quer seja a prestação do serviço, a continuidade da prestação, a subordinação, a onerosidade da relação ou, ainda o caráter pessoal da suposta prestação de serviço, conforme prescreve o art. 3o da CLT. Em suma o fisco, não foi capaz de comprovar a existência de qualquer vínculo empregatício entre o senhor Pedro Olindo Ribeiro e o Frigorífico Quatro Marcos nem com a Frigolider. Diante do exposto não resta argumentos para a manutenção do Auto de Infração. Quanto à Aplicação da Multa Exigida A multa aplicada mediante o indigitado Auto de Infração não pode prosperar. Nossos tribunais têm reconhecido a impossibilidade de cobrança de multas que se apresentem desproporcionais em relação ao valor do tributo. A título ilustrativo, transcreve julgado rechaçando a cobrança de multa acima de 60% (sessenta por cento), por ser confiscatória e desproporcional. Sendo assim, não pode subsistir a cobrança da multa em aplicada na autuação, por esta possuir caráter confiscatório. Mas ainda que se assim não se entenda, o percentual da multa deve ser reduzido para, no máximo, 2%. A jurisprudência de nossos tribunais não mais vem admitindo a imposição de multas em percentual exorbitante. Temse fixado que a multa a ser paga pelo contribuinte/responsável tributário não deverá ser superior a 2% (dois por cento). Nesse sentido, transcreve decisão proferida pelo MM. Juiz da 2a Vara Cível da Comarca de Ijuí, nos autos dos Embargos à Execução no 62.935/2000. Portanto, a seguir a corrente jurisprudencial, cujo entendimento se encontra consolidado na decisão anteriormente transcrita, não deve prevalecer o percentual de multa imposto à ora impugnante, sendo imperiosa a sua redução a, no máximo, 2%. Em suma, por todos os caminhos e a todos os títulos fica patenteada a improcedência da autuação, impondo se, por conseguinte, seu cancelamento. O Acórdão 1459.188 (fls. 291) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000 LANÇAMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 414DF CARF MF 30 Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório. A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixandoos serem destruídos pela Justiça Federal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. FATOS CONTÁBEIS REGISTRADOS EM DATAS DIVERSAS, BALANÇOS CONTÁBEIS DISTINTOS RELATIVOS AO MESMO PERÍODO, CONTABILIZAÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS. Constitui infração, passível de aplicação de penalidade pecuniária, a contabilização indevida de despesa pessoal de sócio como se fosse da pessoa jurídica, a contabilização de documentos fiscais de fornecedores de cestas básicas em momento anterior à data de emissão da nota fiscal, e, outrossim, a verificação de dois balanços distintos em seus valores para o mesmo período de apuração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 4 de dezembro de 2015, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 320 e seguintes), reiterando os argumentos trazidos na impugnação, isto é: (i) prescrição do Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 17 31 crédito tributário; (ii) ausência de irregularidade praticada pelo contribuinte; e (iii) inconstitucionalidade da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, o Recorrente argui a inconstitucionalidade da multa aplicada. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade supramencionada. Da Questão da Prescrição Intercorrente A Recorrente argumenta que teria ocorrido a prescrição no âmbito do processo administrativo fiscal, uma vez que decorreu o prazo de cinco anos entre a data do trânsito em julgado da ação de mandado de segurança no. 2002.36.00.0020087 (13/09/2006) e a data da intimação para apresentar novo instrumento de impugnação, após anulação do processo administrativo anterior pela referida ação mandamental. A prescrição consiste no decurso do tempo em relação ao exercício do direito de ação em face da pretensão titularizada pelo sujeito passivo. No âmbito tributário, a pretensão sobre a qual recai a prescrição consiste na execução do crédito tributário, promovendose a sua inscrição em Dívida Ativa da União. Nesse sentido, o contribuinte, em face de peculiaridades ocorridas em ações fiscais múltiplas às quais esteve sujeito, impetrou mandado de segurança, gerando o processo judicial nº 2002.36.00.0020087. Nesta ação, o contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável, determinando a nulidade dos processos administrativos fiscais instaurados pelo então competente INSS, e, dentre tais, o processo administrativo anteriormente instaurado em face da exigência tributária contida nos presentes autos. Nesse sentido, eis as palavras da decisão: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais 35.166.2570, 35.166.2588, 35.166.2553, 35.166.2685, 35.166.2642, 35.166.2618, 35.166.2626, 35.166.2600, 35.166.2596, 35.166.2634, 35.166.2669, 35.166.2677, 35.166.2650, 35.011.3750, 35.011.3785, 35.011.3734, 35.011.3742, 35011.3793 35.011.3777 e 3576171 determinando ao Impetrado que reinicie esses Fl. 416DF CARF MF 32 processos, desta feita concedendo o prazo legal de defesa/impugnação APÓS a devolução integral dos documentos que foram apreendidos. Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2° Vara da Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. É importante observar que a decisão não anulou o lançamento do crédito tributário em si mesmo, mas, somente, o processo administrativo instaurado a partir da ciência do contribuinte quanto ao próprio lançamento, justamente pelo fato de que o contribuinte não dispunha, à época, dos elementos materiais necessários ao pleno exercício de sua ampla defesa e contraditório. Assim, a decisão não subordinou a instauração de novo processo administrativo em face do mesmo lançamento à observância de qualquer interregno temporal; ao contrário, condicionou a sua instauração à demonstração efetiva da devolução dos documentos ao contribuinte. De outro lado, a demora quanto à nova intimação para apresentação de novo instrumento de impugnação não deve ser oposta à Administração Tributária. Com efeito, ao longo dos anos, vários foram os expedientes enviados à Justiça Federal como forma de se saber se houve ou não a devolução integral ao contribuinte dos documentos apreendidos. A certeza quanto a esta devolução somente veio ao conhecimento da Administração Fazendária em 01/10/2014, conforme elementos fls 1.937, de forma que somente a partir de então o Fisco poderia dar andamento ao processo administrativo, como o fez. Por fim, de rigor reconhecerse que a prescrição intercorrente não tem cabimento no âmbito do processo administrativo por duas razões. A primeira de ordem legal, no sentido de que não há previsão normativa de qualquer espécie que permita a sua adoção. A segunda, de ordem lógica, pois, a prescrição pressupõe a definitividade do lançamento do crédito tributário e enquanto pendente a esfera administrativa, não há esta definitividade, de forma que não há que se falar sequer da possibilidade de ajuizamento da execução fiscal, daí advindo a impossibilidade de transcurso do prazo prescricional. Este entendimento tem seu fundamento no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional – CTN que prevê a suspensão da exigibilidade (na verdade, inexistência preliminar dela) quando pendente recurso administrativo: Diante da ausência de exigibilidade do crédito tributário, uma vez que ainda não constituído definitivamente, não há que se falar em pretensão do Fisco, e, dessa forma, não se pode cogitar da prescrição, sequer sob a forma intercorrente. Vale citar ainda a Súmula CARF n. 11 que estabelece que a prescrição intercorrente não é aplicável no processo administrativo fiscal, conforme pode ser observado abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ante o exposto, não carece razão à Recorrente no tocante à prescrição intercorrente. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 18 33 Da Questão do Grupo Econômico A grande questão que se põe no relatório de fiscalização que deu origem ao presente auto consiste em saber se os fatos narrados pela fiscalização encontram respaldo em elementos de prova nele constantes, de forma a caracterizar a situação de grupo econômico de fato entre o antigo Frigorífico Quatro Marcos, atual Quatro Marcos Ltda, e as empresas indicadas pela fiscalização, em torno do qual gravitam praticamente todas as lavraturas fiscais, enquanto um contexto de abuso da personalidade jurídica de empresas criadas com o fim específico de afastamento dos efeitos tributários em relação aos fatos geradores praticados por elas. A par das considerações feitas pela fiscalização em relação a cada documento de constituição de crédito fiscal (Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e Autos de Infração – AI) a fiscalização apresentou Relatório Geral onde traz, de uma forma geral, todos os fatos e fundamentos pertinentes à conclusão pelo reconhecimento de grupo econômico de fato entre o contribuinte Quatro Marcos Ltda e empresas por ele criadas, algumas com atividade comercial efetiva, mas sob administração exclusiva do próprio contribuinte; outras, com existência apenas no plano formal. Segundo a fiscalização, as empresas envolvidas nas operações do Grupo Quatro Marcos são estas: Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, é importante notar que a Recorrente não traz qualquer elemento de convicção em seu favor. Ao contrário, limitouse a aduzir cerceamento ao seu direito de defesa, diante da impossibilidade de acesso aos documentos apreendidos. Ocorre, contudo, que o contexto dos autos permite uma conclusão mais abrangente. Ainda que a Justiça Federal tenha possibilitado ao contribuinte, desde 24/10/2000, ou seja, pouco tempo após a lavratura fiscal, datada de 02/10/2000, inúmeras oportunidades de acesso e retirada dos documentos apreendidos, verificase que o contribuinte, que seria o maior interessado naqueles elementos apreendidos, simplesmente remanesceu inerte diante do seu direito de retirada e permite, pela omissão, que os mesmos sejam destruídos pelo Poder Judiciário. Fl. 418DF CARF MF 34 No presente caso, cumpre ressaltar que a fiscalização traz longo e exaustivo arrazoado em relação a cada empresa verificada, vinculando as suas constatações a documentos nos autos. Assim, a fiscalização aponta a ausência de autonomia financeira e administrativa das empresas de fachada. Com relação às empresas AMAZONAS E FLAMINGO, verificase que os autos estão recheados de elementos que permitem concluir pela absoluta ausência de autonomia financeira e administrativa das empresas integrantes do Grupo Quatro Marcos. Com efeito, conforme elementos de fls. 1.195/1.211 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos. Em tais casos, as autorizações foram assinados pelas mesmas pessoas, o Sr. Luis Olavo Sabino Santos, na qualidade de diretor, e pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp, na qualidade de gerente administrativo, ambos do Frigorífico Quatro Marcos. Às fls. 1.158/1.159 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 constam documentos comprobatórios de pagamentos de despesas da empresa Amazonas firmados pelos mesmos sujeitos vinculados ao Frigorífico Quatro Marcos (Sr. Luis Olavo Sabino Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp). À fl. 1.161/1.162 consta autorização de pagamento emitida assinada pelos Srs. Luis Olavo Sabino Santos e Vanderlei Roberto Stropp quanto ao depósito relativo ao FGTS de dois segurados vinculados à empresa Flamingo Alimentos Ltda (R$ 104,00 – José Sagui e Jadir José de Oliveira – competência 04/1999). Às fls. 1.163/1.164 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta autorização de pagamento subscrita pelos mesmos Sr. Luis Olavo Sabino Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp relativamente ao pagamento de salário do Sr. Jadir José de Oliveira, na função de auxiliar administrativo da empresa Flamingo Alimentos Ltda, na competência 04/1999. Ainda em relação aos Srs. Jadir José de Oliveira e José Sagui, às fls. 1.129/1.130 constam documentos que demonstram inequivocamente que os referidos segurados, que eram vinculados à empresa Flamingo, receberam do Frigorífico Quatro Marcos, cestas básicas em várias competências entre 1996 a 2000. O mesmo fato transparece em relação às despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizadas também pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, inclusive os pagamentos das despesas de remuneração dos empregados, do prólabore dos sócios, dos fornecedores etc, conforme elementos juntados às fls. 1.166/1.193 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Neste mesmo plexo documental, consta que em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas. Assim, por estes fatos comprovados, resta induvidoso que as empresas tinham sua administração financeira nas mãos de pessoas físicas vinculadas ao Frigorífico Quatro Marcos. Ademais, conforme os elementos juntados às fls. 1.147/1.156 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, as testemunhas que aparecem nos contratos social e alterações e contrato de locação de imóveis firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos. Efetivamente, são elas: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 19 35 e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. À fl. 1.143 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, consta instrumento público de outorga de mandato (procuração) constituindo o Sr. Nilton de Carvalho Junior como procurador da empresa Amazonas, não obstante o mesmo ser empregado do Frigorífico Quatro Marcos. O mesmo Sr. Nilton consta como testemunha em contrato social da empresa Flamingo (fls. 1.142/1.152 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). O mesmo aconteceu em relação ao Sr. Vagner Alberto Gouveia, empregado não registrado no Frigorífico Quatro Marcos, recebendo outorga de poderes para agir em nome da empresa Flamingo (fls. 1.144/1.145 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). À fl. 1.138 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta solicitação de desconto emitida em papel timbrado da Flamingo, constando manualmente o nome do Sr. Vanderlei, como vinculado à referida empresa, destinada ao Sr. Julio Borges e ao Sr. Douglas. Às fls. 1.132/1.133 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta relação de empresas fornecedoras de carne para a empresa Proquimio Produtos Químicos Opoterápicos Ltda. No anexo a esta informação enviada ao Ministério Público do Estado do Mato Grosso, consta o nome das empresas fornecedoras e os contatos a elas respectivos. As empresas Amazonas e Flamingo aparecem na relação, vinculadas ao nome do Sr. Nilton Carvalho Junior com telefone de contato (065) 251.1201. À fl. 1.136 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta a fatura relativa ao número indicado, e à fls. 1.135 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta lançamentos contábeis de despesas relativas a telefonia do Frigorífico Quatro Marcos, e, embora com relativo prejuízo de leitura, o décimo primeiro lançamento corresponde ao valor da fatura constante à fl. 1.136, ou seja, R$ 2.952,45. No tocante às empresas FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA E ALTA FLORESTA, verificase que a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda tem em seu quadro social, como um dos sócios, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, que também é sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (fls. 1.251/1.253 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Às fls. 1.217/1.249 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 fica demonstrado que empresa firma Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda era a responsável pelo pagamento de várias despesas da empresa Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Às fls. 1.214/1.215 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta documento denominado de “romaneio de abate”, datado de 30/11/98, onde há a simulação de compra de cabeças de gado do Sr. Newton Vieira Barbosa, na qualidade de pecuarista. Ocorre que no mesmo documento há manuscritos relativos a pagamentos feito, na realidade, ao Sr. Luis Olavo em 14/12/98, a título de adiantamento, no valor de R$ 47.946,40, e outro saldo de R$ 57.558,58 ao Sr. Chico, alcunha atribuída ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, sendo que ao Sr. Newton, somente seria devido o valor de R$ 6.523,45, de um total de R$ 105.504,98. Ora, em primeiro lugar a data de “adiantamento” ao Sr. Luis Olavo encontrase dissociada da data do próprio documento, datado de 30/11/98. Além disso, não há explicação minimamente plausível que uma compra de cabeças de gado de uma pessoa, seja paga quase que 93,82 % a outras duas pessoas distintas (45,44 % ao Sr. Luis Olavo Fl. 420DF CARF MF 36 – sócio do Frigorífico Colider Ltda entre 03/08/1994 a 09/02/1998 e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda entre 02/03/1993 a 23/08/1993 e 54,56 % ao Sr. Sebastião Bueno Xavier – sócio do Frigorífico Quatro Marcos desde 01/12/1985, sócio da empresa Quatro Marcos Adm. E Particip. Ltda desde 23/12/1992, sócio da empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda entre 15/01/1997 a 02/08/1999, e sócio do Frigorífico Colider Ltda entre 10/02/1998 a 03/08/1999), e, somente 6,18 % àquele que supostamente seria o vendedor das cabeças de gado (Sr. Newton Vieira Barbosa). Outrossim, em relação à mesma operação, a cópia de cheque constante da fl. 1.215 demonstra que o lançamento a ser feito na contabilidade seria em nome de Newton Vieira Barbosa, no valor de R$ 57.558,59, quando o favorecido pelo cheque nº 639093 contra o então existente Banco Bamerindus foi “Bras Factoring”, supostamente uma empresa de fomento mercantil. Com relação às empresas FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA E IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA, notase que as relações das empresas de fachada se relacionam com o Frigorífico Colider Ltda, cuja razão social foi posteriormente alterada para OCA Comercial Ltda. Inicialmente, os documentos de fls. 1.404/1.413 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 demonstram que o sócio laranja, Sr. Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL. A Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL – é composta por sócios que fazem parte da mesma família (família “Birtche”), estando vinculados ao Frigorífico Quatro Marcos. Conforme elementos de fls. 1.377/1.385 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, recebeu quantias da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL relativamente à compra de bovinos, muito embora os documentos demonstrem que as rezes, em realidade, eram adquiridas de outras pessoas físicas e jurídicas, citandose como exemplo: (i) em 27/09/99, o Sr. Carlos R.D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma FRICOL, referente à compra de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda.; (ii) em 27/09/99, ocorreu outro recebimento da mesma empresa, no valor de R$ 3.648,97, referente à compra de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros; e (iii) em 06/01/00, novo pagamento ao Sr. Carlos R. D. Bandeira, no valor de R$ 5.000,00, relativamente à compra de cabeças de gado do Sr. Oscar Nunes da Silva. À fl. 1.385 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta pagamento no valor de R$ 4.715,98 feito pela empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda a Cleonice Birtche Bandeira ME. Ao lado do pagamento consta um controle de fretes. À fl. 1.383, consta um "cartão" da empresa CÍRCULO QUATRO COMPRA E TRANSPORTE DE BOVINOS, encontrado dentre os documentos da empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda. A fiscalização apurou que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira foi um comprador de bovinos na região de Colider e jamais dono de qualquer Frigorífico. Ademais, há diversos documentos nos autos demonstrando que a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos, caracterizando mais uma simulação do Grupo Quatro Marcos, de forma que uma pessoa empresta o nome para aparecer na Nota Fiscal e a outra recebe o Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 20 37 dinheiro (fls. 1.330/1356, 1.358/1.376 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Nestes documentos tornase flagrante os desvios de recursos que, embora formalmente sejam devidos aos pecuaristas que alienam suas cabeças de gado (Sr. Hygino H. Pitelli Junior, Newton Vieira Barbosa, Lenicio Pacheco Ferrira, Carlos A. Rios da Cruz), na verdade, são destinados a pessoas físicas integrantes do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Sr. Sebastião Bueno Xavier). Os autos também demonstram a existência de vários pagamentos feitos pela empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL relativamente a despesas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, pagamentos estes feitos diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, então diretor da unidade de Jandira – SP (fls. 1.323/1.328 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745), evidenciando uma completa ingerência administrativa e uma forte vinculação financeira entre as unidades que faziam com que seus recursos circulassem entre si, sem atenção à independência contábil e financeira de cada uma, demonstrandose, evidentemente, que a FRICOL nada mais era do que uma extensão administrativa do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Cumpre notar ainda outro aspecto interessante, que consiste nos documentos juntados às fls. 1.320/1.321 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Efetivamente, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL, em 15/07/99, realizou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando todas as despesas indistintamente. A fiscalização informa que em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com a fiscalização estadual, foram encontrados nas dependências da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL vários Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Estes documentos foram juntados aos autos às fls. 1.309/1.318 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, comprovando a utilização das pessoas físicas de veículos cujas despesas eram custeadas pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Mais um elemento que afasta a existência de autonomia gerencial da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL é o fato de, em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinar ao Sr. Creudevaldo Birtche, cuja alcunha atribuída é de “Tucunha”, um dos sócios da FRICOL, que efetuasse um depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível (fls. 1.304/1.307 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Ora, se a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL fosse efetivamente independente quanto ao seu gerenciamento operacional, não haveria como um terceiro, absolutamente estranho ao quadro social, e, ao contrário, expressamente vinculado ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinar que a primeira pagasse diferença de frete. É dizer, quem teria sido o contratante efetivo do frete: a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL ou o Frigorífico Quatro Marcos Ltda? Pelo contexto dos autos, resta induvidoso que este último utilizouse da formal constituição da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL para as operações inerentes ao seu objeto social, administrando e gerindo financeiramente a pessoa jurídica somente existente no plano formal. Fl. 422DF CARF MF 38 Ainda, há que se ter em mente que a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL é sucessora da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda., isto resta demonstrado às fls. 1.266/1.274 e 1.283/1.302 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 onde a firma FRICOL realizou os pagamentos de despesas da empresa Frigolider. Os documentos de fls. 1.279/1.281 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 demonstram que no período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviço em Colider/MT, na empresa Fricol, demonstrando de maneira clara a existência de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Contudo, a firma Fricol somente suas atividades comerciais a partir de 04/99 e os documentos demonstram que os empregados foram admitidos no ano de 1998, ou seja, perante o Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Outrossim, o documento de fl. 1.258 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, qual seja, página 169 do Razão Analítico da empresa Frigolider, demonstra que o Sr. Edson Carlos Padilha percebeu remuneração salarial na competência 12/1998. No mesmo documento ainda consta o pagamento de remuneração aos Srs. Cleonir Birtche (R$ 3.000,00), Creudevaldo Birtche (R$ 3.000,00) e Cláudio Birtche (R$ 1.200,00). Ocorre, contudo, que (a) o Sr. Cláudio Birtche foi sócio da empresa Frigolider somente até 02/12/1996; (b) o Sr. Cleonir Birtche, em 12/1998, era sócio das empresas Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda; e, (c) o Sr. Creudevaldo Birtche, na competência seguinte ao pagamento, ou seja, em 01/1999, passou a integrar os quadros sociais da empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, e, em 10/02/1999, os quadros sociais da empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense LTDA – FRICOL. E mais interessante ainda é o fato do documento de fl. 1.255 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 (página 005 do Razão Analítico da empresa Frigolider Ind. e Com. de Alimentos Ltda) registrar, nas competências 01 a 04/1999 vários pagamentos de retirada pro labore ao Sr. Sebastião Douglas S. Xavier. Ocorre que, como se vê do quadro abaixo, o Sr. Sebastião era sócio de várias outras “empresas” no período, mas não da empresa Frigolider: Diante do exposto, notase flagrante comunhão de participações das empresas, de forma a não se respeitar a distinção adequada entre vínculos de emprego e societário, havendo uma absoluta confusão quanto às responsabilidades pelos pagamentos. É dizer, qualquer empresa formalmente constituída realiza pagamentos a pessoas físicas, sem qualquer atenção se o favorecido é seu empregado, seu sócio, ou empregado ou sócio de outra empresa, de forma a provar que, na verdade, todas não passam de uma empresa só, formalmente separada por razões sociais e CNPJ tão somente no plano formal. Ademais, os elementos carreados aos autos (fls. 1.392/1.402 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) demonstram que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 21 39 recebendo remuneração, seja sob a forma de salário em pecúnia, seja sob a forma de salário indireto (cestas básicas) de outra empresa de fachada, qual seja, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, de forma a se reconhecer o mesmo na condição de segurado não inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o “código” de "FRICOL U", tendo recebido, na competência 12/1999, a quantia de R$ 1.035,00, e, ainda, salário indireto consubstanciado em cestas básicas, conforme assinatura aposta em controles de retiradas feita pela empresa. Diante disso, resta evidente que empresas Frigorífico Colider Ltda (posteriormente alterada sua razão social para OCA Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, constituem nítido grupo econômico de fato, denominado Grupo Quatro Marcos, tendo se utilizado de empresas formalmente constituídas, mas sem existência real no mundo dos fatos. Os autos contam com vários outros elementos de prova que demonstram claramente a relação indistinta entre as empresas integrantes do Grupo Quatro Marcos, de forma a validar as conclusões fiscais, ou seja: 1) Às fls. 1.666/1.671 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, constam várias despesas de manutenção das empresas de fachada, administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Pois: (i) o Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos, em 05/99, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do FQM: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma Relação de Prestação de Contas relaciona inclusive a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, que são respectivamente empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, enviou aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Varderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada conforme documentos juntados às fls. 1.662/1.664 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Assim, considerando que o Sr. Nilton do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não se pode compreender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr. Nilton do Amaral contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. No rodapé do documento consta a observação de que foi enviado cópia ao Sr. Douglas DIREÇÃO SP (sócio do Frigorífico Quatro Marcos). Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei CHEFIA DE ESCRITÓRIO FQM contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas FQM e AMAZONAS. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. DOUGLAS DIREÇÃO –SP. Fica claro que a Fl. 424DF CARF MF 40 empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo. 3) Em carta datada de 01/04/97, a empresa Phoenix de Jandira/SP assim se manifesta: "DE: Luiz Nanni ADMINISTRAÇÃO SP" para "Srs. VANDERLEI GER.ADM.FINANCEIRA FQM/AM e NEWTON DEPTO CONTABILIDADE FRIGOLIDER", enviando instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento, além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas (fls. 1.659/1.660 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 4) Às fls. 1.654/1.657 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta fac símile datado de 09/07/97, onde o Sr. Vanderlei envia ao Sr. Luiz Nanni uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreve um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com CARREFOUR. 5) Às fls. 1.643/1.646 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta depoimento prestado à polícia do estado do Mato Grosso da ex telefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmando que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche) administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni. 6) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração prestada à polícia do estado do Mato Grosso (fls 1.650/1.651 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo. 7) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações (fls. 1.624/1.636 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) o envolvimento do Sr. Sebastião Xavier (" Chico "), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas do Grupo Quatro Marcos. 8) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações de fls. 1.626/1.632 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestados ao Ministério Público Estadual do Mato Grosso, os Srs.: Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam de maneira lúcida a constatação e composição do Grupo Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada e evidenciam a presença de sócios laranjas. 9) Às fls. 1.623/1.624 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta ofício datado de 17/12/99 pela COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmando que o contato para compra de carnes do Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 22 41 Grupo Quatro Marcos, do qual faria parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. De Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial Frigorífico Quatro Marcos em Jandira/SP e Diretor da matriz do mesmo frigorífico, no telefone (011) 79293588. 10) Às fls. 1.616/1617 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 a empresa Carrefour atesta que o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos, no telefone 011 79293588. Já as compras da Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos eram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone. 11) Às fls. 1.609/1.614 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta correspondência datada de 09/03/2000, pela firma Espetinho Churra Bom Ltda atesta que o entreposto das empresas: Frigorífico Quatro Marcos, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP). Este endereço acima explicitado é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. 12) À fl. 1.607 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45 consta correspondência firmada em 29/02/2000 pela firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atesta que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. E Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone 11 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã. 13) À fl. 1.605 consta carta datada de 27/05/98 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, onde o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirma para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do FQM que lhe está enviando a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. Inclusive, neste mesmo documento (rodapé) consta o seguinte: com anexo original. A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 14) O depoimento de fls. 1.590/1.591 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestado pela Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e exempregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirmou que "... a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava”. No mesmo depoimento a Sra. Adna Pereira da Silva afirma que a empresa Flamingo era de propriedade do FQM e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também Fl. 426DF CARF MF 42 afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 15) Depoimento de fls. 15.86/1.588 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestado à Polícia Fazendária do Mato Grosso por Marco Antônio Tolentino de Barros, representando a imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, afirmando que a funcionária da Flamingo, Sra. Adriana, era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider e resolvia todas as questões. Ainda, quem procurou a imobiliária para alugar a sala da Amazonas foi o Sr. Paulo Putaluga, não tendo conhecido os sócios da Frigolider. 16) Informação dirigida para o Sr. Nilton do Amaral informando sobre o envolvimento de várias empresas em projetos de incentivos fiscais (Frigorífico Colider e Frigorífico Quatro Marcos) (fls. 1.553/1.557 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 17) Demonstrativo manuscrito de fls. 1.510/1.511 com carimbo da empresa Flamingo Alimentos Ltda, demonstrando valores devidos a título de energia da empresa Amazonas. Ainda, consta a apuração da então vigente, CPMF devida, no percentual de 0,20 % sobre o valor da conta. Ora, a CPMF era devida por quem realizada uma movimentação financeira, neste conceito incluído o pagamento de uma conta. Assim, na medida em que a Flamingo apura a CPMF devida sobre uma conta, e adicionalhe o resultado, reconhece ser o sujeito responsável pelo pagamento da conta de outra empresa. 18) Vários pagamentos de despesas com uso da aeronave PTVKW, e despesas de estada, decorrentes de viagens realizadas pelo Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), pagas pela empresa Fricol (fls. 1.475/1.506 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 19) Pagamento de despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do FQM) à cidade de Colider, pela firma Fricol (fls 1.468/1.473 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 20) Pagamento de despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, contador do Grupo Quatro Marcos, pagas pela firma Fricol (fls. 1.465/1466 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 21) Pagamento, realizado em 04/10/99, pela Fricol (carimbo aposto na cópia do cheque) relativamente a despesas de fornecedor (Frigorífico Quatro Marcos Ltda) da empresa Frialto (fl. 1.453). O mesmo acontece em pagamento realizado em 19/10/99, relativamente a despesas de aquisição de bovinos de pecuaristas pessoas físicas (fl. 1.455/1.461 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 22) Depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que esta fornece os couros (matéria prima) àquela, ambas constituindo empresas do mesmo grupo econômico (fl. 1.451 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 23) O Sr. Milton Zana Corbalan, suposto sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, integrantes do Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 23 43 Grupo Quatro Marcos: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25; no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74. Na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan, apesar de constar vários recibos de retiradas pro labore em nome do suposto sócio (fls. 1.439/1.449 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Em arremate, convém transcrever a manifestação da Fiscalização do Estado do Mato Grosso (fls. 1.531/1.546 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45) quanto ao contexto verificado: Em 25.05.99, em cumprimento ao estabelecido no Termo de Compromisso firmado com a Procuradoria da República e o Ministério Público Estadual, comparecemos à sala n° 403, do Edifício Conjunto Nacional, situada a Av. Isaac Póvoas, 1.177, no Centro de Cuiabá, endereço este que constava do SIC Sistema de Informações Cadastrais da Secretaria de Fazenda/SEFAZ, como sendo o da Matriz da firma FLAMINGO ALIMENTOS LTDA, Inscrição Estadual n° 13.178.9970. Nesse endereço fomos atendidas pelo Sr. NILTON DO AMARAL, que se apresentou como prestador autônomo de serviços de assessoria e auditoria. No local encontramos documentos que se referiam a diversas outras empresas, além da FLAMINGO ALIMENTOS, quais sejam: FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, FRIGORÍFICO COLÍDER LTDA, PHOENIX ADM E PARTICIPAÇÕES LTDA, FRIALTO IND COM ALIMENTOS LTDA, IND COUROS E INSUMOS COLÍDER LTDA, IND FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA, FRIGOLÍDER IND COM DE ALIMENTOS LTDA, VILA RICA ALIMENTOS LTDA, FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA, ALTA FLORESTA IND FRIGORÍFICA LTDA e AMAZONAS COM IND IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Em um primeiro momento, não compreendemos a razão de tais documentos se encontrarem no interior do escritório da FLAMINGO ALIMENTOS vez que, no Cadastro da SEFAZ, elas pertenciam a pessoas distintas e, aparentemente, não possuíam qualquer relação entre si, a não ser o fato de possuírem o mesmo ramo de atividade. No entanto, encontramos documentos que provavam que os donos do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA é que bancavam as despesas da FLAMINGO ALIMENTOS, da FRIGOLÍDER e da AMAZONAS, muito embora, seus nomes não constassem do Contrato Social de nenhuma delas. A partir da análise dessa documentação, pudemos constatar que a FLAMINGO ALIMENTOS era uma empresa fictícia ("fantasma"), de fachada, constituída em nome de terceiros para burlar a fiscalização. Descobrimos, também, que ela não era a primeira: outras firmas fantasmas a precederam e sumiram misteriosamente, bem como, a sua documentação. Todas do ramo de frigoríficos e, de alguma forma, relacionadas com o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Fl. 428DF CARF MF 44 Apesar disso, o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS alegou manter apenas uma relação contratual de prestação de serviços de abate com essas empresas. Mas, estranhamente, todas as firmas com quem ele havia mantido Contrato de Prestação de Serviços de Abate sumiam, ninguém encontrava os donos, ninguém conseguia ver os documentos fiscais... ... omissis ... I – DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO: O esquema de sonegação do Grupo funciona da seguinte forma: O FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA constitui uma firma fantasma, que só existe no papel, em nome de terceiros. Regra geral, esses terceiros são funcionários de um dos Frigoríficos do Grupo que se prestam a isso , muito provavelmente, para não perder o emprego. Como, para a constituição de um frigorífico (ou de qualquer outra empresa), não é necessária a comprovação de propriedade de bens, da existência de Unidade Frigorífica, ou algo compatível com essa atividade, fica muito fácil criar empresas que só existem no papel e cujos sócios não têm condição econômicafinanceira para serem seus proprietários. De posse do Instrumento de Contrato da empresa fantasma e de uma providencial procuração com amplos poderes em favor de uma pessoa de confiança do Grupo, passada pelo suposto proprietário da firma, o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS firma um também fictício Contrato de Prestação de Serviços de Abate. A partir de então, a maior parte do abate realizado nas dependências do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS é tratado como mera prestação de serviço e a carne resultante desse abate passa a ser comercializada com os documentos fiscais da firma fantasma. Ocorre que a firma fantasma recolhe, aproximadamente, 10% do imposto que deve ao Estado, praticando altíssimos índices de sonegação e utilizando se de artifícios fraudulentos para a realização desse intento. Este é o caso da AMAZONAS COM IND IMP EXP LTDA. Quando a Fiscalização dá inicio aos seus trabalhos, a firma fantasma desaparece, seus sócios não são mais encontrados e todos os documentos fiscais são misteriosamente "roubados". Essas empresas fantasmas atuam por aproximadamente 02 anos. Após o seu desaparecimento, são imediatamente substituídas por outras e, assim, o esquema continua sem que o Estado nunca consiga se ressarcir dos tributos sonegados. ... omissis ... No entanto, os documentos apreendidos nos mostram que as despesas de manutenção da AMAZONAS COM IND IMP EXP LTDA (tais como despesas de aluguel, condomínio do 'prédio onde está situada a sala da firma, conta Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 24 45 de telefone, ...) são pagas pelo mesmo "caixa" que paga as despesas pessoais do Sr. DOUGLAS e suas irmãs, ROSANA e SUSETE. O Sr. SEBASTIÃO DOUGLAS SORGE XAVIER, mais conhecido como DOUGLAS é sócio proprietário do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA e suas irmãs (ROSANA e SUSETE), são sócias dele em outras empresas, também ligadas a esse FRIGORÍFICO. Esse esquema não funciona apenas com o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS, mas com todos os outros Frigoríficos do Grupo que existem em Mato Grosso (nos Município de São José dos Quatro Marcos, Colíder, Alta Floresta e Vila Rica): todos eles possuem uma firmafantasma paralela, para acobertar a saída da carne sem pagamento de imposto, como veremos mais adiante. Dessa forma, há manifesta ingerência administrativa e financeira do contribuinte, por intermédio das pessoas físicas que nele atuam, sobre as atividades das demais empresas. Assim, a questão que se demonstra impede que se reconheça a autonomia administrativa das pessoas jurídicas, porquanto suprimidas pela atuação de pessoa externa. Ora, como já afirmado, o fenômeno da personificação assume relevância no contexto moderno justamente por conferir personalidade e distinção de existência ao ente formado a partir da convergência de interesses entre pessoas que celebram contrato de sociedade. Assim, se estas pessoas decidem unirse para a exploração de uma atividade empresária, tornase implícito que somente elas, as pessoas que celebram contrato de sociedade, possam gerir, dentro de seus interesses, como se dará a atividade empresária. Dessa forma, a outorga ou mesmo a permissão tácita de que pessoa alheia aos quadros sociais, não revestida da condição de administrador, passe a interferir nos negócios e atividades da pessoa jurídica, demonstra que, à margem do aspecto formal do contrato social, há uma ingerência de fato que contraria em essência o princípio da personificação a partir da inexistência de autonomia administrativa da própria pessoa jurídica. É dizer, partindose da premissa de que as pessoas que a compõem se constituem em sujeitos que atuam em nome e por conta da pessoa jurídica, representandoa, admitirse que terceiro a ela estranho o faça, sem a devida formalização efetiva destes poderes, é afirmar que, em realidade, o quadro social da pessoa jurídica não demonstra a realidade dos interesses nela depositados por aqueles que o compõem, mas sim, de terceiros, que buscam na pessoa jurídica apenas um acobertamento formal da sua efetiva responsabilidade patrimonial. Admitir que uma pessoa jurídica seja dirigida ou atue de acordo com os comandos de pessoas vinculadas a outra pessoa jurídica é suprimir por completo a autonomia administrativa da primeira, de forma a impedir que, no plano dos fatos, haja efetividade da personificação, disto decorrendo, como corolário, que a imputação da responsabilidade pelos atos praticados pela pessoa existente meramente no plano formal seja feita na pessoa que efetivamente praticam os atos. O mesmo se diga quanto à assunção, por parte de outra pessoa jurídica, da responsabilidade por diversos pagamentos de despesas realizadas pela pessoa jurídica constituída como empresa sob o plano meramente formal. Ora, revelase sobremaneira relevante que a pessoa jurídica tenha idoneidade e capacidade financeira para honrar as despesas por ela assumidas, pois isto revela justamente a autonomia financeira quanto ao exercício da atividade empresária de forma independente. É ilógico e absurdo admitirse que Fl. 430DF CARF MF 46 uma pessoa jurídica que se considere como tal no plano dos fatos, isto é, uma pessoa jurídica independente, tenha sua atuação financeira dependente de outra. Quanto ao aspecto das atividades das empresas constituídas os fatos narrados pela fiscalização chamam a atenção pela sua estranheza. Explico. O exercício de uma atividade empresária pressupõe em sua essência a organização dos fatores da produção, de forma habitual e com intuito especulativo. Assim, lhe é inato que o objeto social seja por ela exercido em seu estabelecimento. A fiscalização informa que as empresas constituídas não tinham qualquer patrimônio capaz de permitir o exercício das suas atividades, fato este comprovado pelos inúmeros aportes financeiros de outras empresas nas despesas das empresas de fachada. Dessa maneira, na medida em que o empresário pessoa jurídica não dispõe dos mínimos atributos materiais capazes de desempenhar seu objeto social, fazendoo, ainda que em seu próprio nome, nas dependências físicas de outrem, sem qualquer relação comercial que legitime este comportamento, resta induvidoso que à empresa falta a autonomia produtiva, enquanto esta se verifique impossibilitada faticamente de concretizar seu objeto social. A ausência de um patrimônio e uma estrutura mínima à consecução do objeto social retira da empresa validamente constituída sob o ponto de vista formal a sua real essência, transformandoa em nada mais do que uma mera repartição administrativa de outra, da qual depende. A isto se soma os aspectos já abordados e devidamente provados pela fiscalização quanto à ingerência administrativa e financeira de terceiros na condução da empresa constituída com idêntico objeto. Os depoimentos colhidos extraautos pelas autoridades do Ministério Público e da polícia deixam claro que as empresas nada mais eram do que meras fachadas para a realização do efetivo objeto social do contribuinte, que, adotando várias empresas normalmente constituídas com idêntico objeto social ao constante de seu contrato social, simplesmente atuavam como pessoas interpostas na qualidade de unidades administrativas de um conglomerado empresarial muito maior, este sim, o real sujeito passivo quanto aos fatos geradores praticados pelas empresas constituídas. Os relatos da fiscalização no sentido do inexplicável desaparecimento das empresas após curto período de constituição, a inexistência de bens rastreáveis em nome delas, e, ainda, os vários eventos de desaparecimento de documentação e contabilidade tornam a questão muito mais evidente. Ora, não é crível que (i) empresas nitidamente vinculadas a outra simplesmente desapareçam em circunstâncias tão parecidas, e (ii) que sempre haja a perda da documentação contábil e fiscal a ela pertinente. O encerramento de atividade de uma empresa pode acontecer, sem sombra de dúvida, pelos mais variados motivos, até porque o insucesso de uma atividade econômica constitui o próprio risco do negócio; mas aceitar como normal que em vários casos, ligados a um mesmo grupo de empresas, este fato se torne corriqueiro é absolutamente inadmissível. Por exemplo, no município de São José dos Quatro Martos – MT, a empresa efetiva era o Frigorífico Quatro Marcos Ltda – FQM – CNPJ 01.311.661/000109. Nesta localidade, foram constituídas duas empresas: Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda CNPJ 00.923.654/000197 (constituída formalmente em 01/11/95 mas sem atividade), tendo atuado efetivamente de 03/1996 a 02/1998. Curiosamente, cessadas as atividades da Amazonas, começou a realizar as atividades do objeto social do Grupo Quatro Marcos a empresa Flamingo Alimentos Ltda – CNPJ 02.291.563/000292 que, embora criada Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 25 47 formalmente em 01/11/1997, tem suas atividades materialmente realizadas de 03/1998 a 06/1999. No município de Jandira – SP o mesmo acontece. Nesta localidade existe a empresa efetiva Frigorífico Quatro Marcos Ltda Filial CNPJ 01.311.661/000605, constituída em 23/02/1999, com início de atividade em 05/1999, justamente a ocasião onde começou as atividades da empresa Flamingo Alimentos Ltda – Filial 2 – CNPJ 02.291.563/000454, apesar desta já estar constituída desde 23/12/1997. Interessante que no município de Alta Floresta – MT também ocorreu isto, ou seja, a empresa Frialto Ind. e Com. De Alimentos Ltda CNPJ 02.630.132/000122, embora constituída desde 06/1998, iniciou suas atividades em 10/1998 e as encerrou em 05/2000, justamente na oportunidade em que foi constituída a empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Filial 1, constituída formalmente em 10/05/2000 e com início de suas atividades em 01/06/2000. No município de Colíder – MT, o Frigorífico Colider Ltda – CNPJ 00.135.198/000110, constituído formalmente em 01/08/1994, teve sua razão social alterada para O.C.A. Comercial Ltda em 25/08/1999, justamente a empresa que incorporou, por sua filial, no município de Alta Floresta, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Ainda, a empresa Frigolider Ind.e Com. de Alimentos Ltda CNPJ 00.897.034/000120, constituída formalmente em 01/12/1995, encerrou suas atividades em 03/1999, justamente quando do início de atividade da empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda, em 04/1999, tendo sido esta constituída formalmente em 10/02/1999. Assim, o Grupo Quatro Marcos se utilizou de várias outras pessoas jurídicas para a prática do objeto social, seja constituindoas sucessivamente ao encerramento das atividades das anteriores, seja utilizandose de ente formalmente já criado em momento anterior. Com relação aos sucessivos sinistros em relação à escrita contábil e fiscal e outros documentos, a fiscalização junta aos autos (fls. 1.513/1.527 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) vários atos policiais que registram o relato dos sinistros. 1) 17/07/1996 –Boletim de Ocorrência 076/96 – Sinistro relatado: furto de documentos na Rua 15 de junho – São José dos Quatro Marcos – MT. Não consta descrição da res furtiva. 2) 10/05/1999 – Boletim de Ocorrência 095/99 – Sinistro relatado: furto em estabelecimento comercial Av. Mato Grosso, 999 – Centro. Empresa: Flamingo Alimentos Ltda. Objetos subtraídos: notas fiscais de 03/1998 a 08/05/99, livros fiscais. 3) 21/01/91 – Boletim de Ocorrência 020/91 –Sinistro relatado: capotamento de veículo e incêndio. Empresa: Frigorífico Quatro Marcos. Cumpre salientar, tal qual bem exposto no Acórdão da DRJ, o seguinte trecho: Em primeiro lugar, é sabido que a comunicação de um fato à autoridade policial não prova a efetiva ocorrência do mesmo, mas somente que alguém Fl. 432DF CARF MF 48 fez a comunicação à autoridade policial. Assim, em que pese a validade dos atos oficiais emanados da autoridade policial, os mesmos não têm qualquer cunho probatório quanto aos fatos nele narrados, até porque, a vingar entendimento contrário, terseia a produção de uma prova pela própria parte sem qualquer lastro em outros elementos. Em segundo lugar, os fatos são curiosos. Efetivamente, indivíduos afeiçoados ao patrimônio alheio não se interessam, na esmagadora maioria dos casos, em subtrair livros contábeis e fiscais e talões de notas, pois, convenhamos, não há qualquer utilidade nestes documentos ao fim a que se destina a atividade criminosa. Há, sim, interesse por equipamentos que podem ser alienados ou trocados, em flagrante proveito da empreitada criminosa, mas não consta que estes tenham sido subtraídos. Em terceiro lugar, neste contexto “criminoso” em relação ao qual as empresas foram “vítimas”, é bastante interessante um relato feito pela fiscalização estadual do estado do Mato Grosso, o qual se reproduz (fls. 1.532/1.533 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45): Dentre a documentação apreendida no escritório da FLAMINGO em Cuiabá, havia um comprovante de pagamento de aluguel de uma sala no Edifício Master Center, em nome de uma firma chamada AMAZONAS COM IND IMP E EXP LTDA. Como suspeitávamos que a documentação da FLAMINGO ALIMENTOS iria desaparecer, resolvemos investigar esse endereço que seria da AMAZONAS, pois os documentos poderiam estar escondidos nesse local e então nos dirigimos para lá no dia 27/05/99, no período da manhã, tendo encontrado esse escritório fechado". Nesse mesmo dia, aproximadamente às 11:00 horas, atendemos uma ligação telefônica de uma pessoa que se identificou como Dr. HUMBERTO de tal, Advogado da FLAMINGO ALIMENTOS nos pediu um prazo para entregar os documentos fiscais da FLAMINGO , os quais já estavam vindo de São José dos Quatro Marcos. Concordamos em aguardar, mas, entre nós, resolvemos continuar com nossas diligências, pois não acreditamos no que havia dito o Advogado. Decidimos, então, voltar às 14:30 horas, na sala que era alugada para a firma AMAZONAS. Ao chegar ao local, minutos antes do combinado, a FTE WILCE flagrou o Sr. NILTON DO AMARAL saindo do prédio, acompanhado de uma pessoa que não foi identificada, carregando algumas caixas de documentos e colocandoas no portamalas de um veiculo que se encontrava no estacionamento ao lado. Imediatamente, a FTE WILCE abordou o Sr. NILTON sobre que documentos eram aqueles e o que ele pretendia levando os para o carro, ao que o Sr. NILTON e a pessoa que o acompanhava fugiram Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 26 49 correndo, a pé, do local, abandonando o carro com chave e tudo, bem como, as caixas que carregavam. Contactamos, então a Promotora, Dra. Ana Cristina que acionou a Delegacia Especializada da Fazenda. As caixas continham documentos das firmas FRIGOLÍDER, alguns da FLAMINGO ALIMENTOS e grande quantidade de Notas Fiscais ,e os Livros da AMAZONAS. Os fatos narrados pela fiscalização do Estado do Mato Grosso são dignos de risos. Ora, se a fiscalização não chegasse a tempo, talvez fosse relatado à autoridade policial outro “furto de documentos”. Assim, percebese que o comportamento do contribuinte em relação às empresas que compõe o grupo econômico Quatro Marcos é flagrantemente de se subtrair a todos os efeitos tributários decorrentes das atividades empresárias, seja constituindo pessoas jurídicas que somente existem formalmente, seja sumindo com livros e documentos e depois alegando meros sinistros, como se fosse crível que criminosos tivessem interesses nestes elementos. O que se percebe nitidamente é que o proveito econômico auferido com o “empreendimento” das empresas de fachada é manifestamente proveitoso a quem dele se utiliza. Vale ressaltar que há outros fatos que merecem ser considerados. Às fls. 1.674/1.677 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta Laudo de Exame Documentoscópico no 437/98, emitido pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. Neste laudo as autoridades policiais concluem ter ocorrido adulteração nos seguintes livros periciados: Livro Diário 23, Livro Diário 24, Livro Diário 25 e Livro Diário 26. Em cada um destes Livros a autoridade policial relata fatos que demonstram que os livros não conferem à realidade que a princípio se espera de um livro de tamanha importância como o Livro Diário de uma empresa. Assim, os autos demonstram: (i) os supostos sinistros em documentação fiscal e contábil de empresas do Grupo Quatro Marcos; (ii) o desaparecimento misterioso das empresas, sem que se tenha bens à garantia de seus deveres; (iii) o flagrante, pela fiscalização estadual, de tentativa de subtração velada de documentação; (iv) a adulteração de Livros Diários; e, (iv) o farto conjunto de provas que demonstram a inexistência de autonomia administrativa, operacional e financeira das empresas de fachada. Estes aspectos já constituem elementos suficientes a formar a convicção no sentido de que o contribuinte efetivamente adotou um grupo de empresas de fachada como forma de se subtrair aos efeitos da lei, objetivando lograr benefício próprio mediante a adoção de expedientes destinados a impedir que as Administrações Fazendárias (federal e estadual) pudessem efetivamente apurar sua regularidade tributária. Por fim, a partir da análise da composição societária das empresas que integram o grupo, é possível observar que há nítida confusão societária entre as pessoas físicas sócias das empresas, principalmente, no que tange às pessoas integrantes da família Birtche (Cláudio, Claudenir, Cleonir, Clodiomar, Creudevaldo e Manoel), de forma que cada qual deles aparece como sócio de mais de uma empresa no período considerado, no todo ou em parte. É interessante observar o plexo de vínculos societários mantidos pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (comumente chamado de Sr. Douglas), figurando como sócio do contribuinte autuado e de outras três empresas vinculadas ao grupo no mesmo período entre Fl. 434DF CARF MF 50 1992 a 1999 (Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, Vila Rica Alimentos Ltda e Frigorífico Colider Ltda – OCA Comercial Ltda). Diante de todo o exposto, fica clara a existência de grupo econômico, sendo que nos termos do artigo 124, II, do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária pode decorrer de lei, tal qual acontece na regra de solidariedade das empresas que integram o mesmo grupo econômico prevista no artigo 30, IX, da Lei n. 8.212/91. Da Questão da Nulidade da Multa prevista no Regulamento da Previdência Social A Recorrente argumenta que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99 não seria aplicável à espécie, vez que os fatos geradores ocorreram anteriormente à sua entrada em vigência. O Decreto no. 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS, foi publicado no Diário Oficial da União em 07/05/1999, entrando em vigor nesta mesma data. Assim, a princípio, para os fatos geradores anteriores a esta data, pareceria correto alegar a sua inaplicabilidade. Ocorre, contudo, que a questão não pode ser vista com tamanha superficialidade. A obrigação de prestar informações relacionadas aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outros dados de interesse do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social – foi instituída pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997. O documento a ser utilizado para prestar estas informações – GFIP – foi definido pelo Decreto nº 2.803, de 20/10/1998, e corroborado pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e alterações posteriores. Decreto nº 2.803/98 – Regulamenta o artigo 32 da Lei nº 8.212/91. Art. 1º A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. ... omissis ... § 3º As informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. § 4º Os valores das contribuições incluídos na GFIP, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do INSS, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa. § 5º A entrega da GFIP deverá ser efetuada em meio magnético, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, ou mediante formulário, na rede bancária, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 27 51 § 6º A GFIP será exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 7º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da GFIP são de inteira responsabilidade da empresa. ... omissis .... Art. 2º A infração ao disposto no artigo anterior sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, em função do número de segurados, pela não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: ... omissis ... II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; III cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do auto de infração. Art. 3º Para efeito do disposto no art. 33 do ROCSS, a pessoa jurídica apresentará, ainda, os recibos de entrega da GFIP. Neste decreto há previsão da aplicação da multa idêntica ao Decreto nº 3.048/99. Com efeito, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, em seus artigos 225 (previsão de obrigações acessórias) e 283 a 289 (previsão das multas fixas para tipo de penalidade), apenas trouxeram a regulamentação das obrigações e penalidades já previstas na Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, possui seu fundamento de validade na Lei nº 8.212 (lei de custeio). Cita se: Lei nº 8.212 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 436DF CARF MF 52 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (CFL 67, 68, 69 e 81) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores; e Assim, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, nada mais fez do que disciplinar em caráter regulamentar, função esta permitida ao regulamento no direito brasileiro, as obrigações acessórias já devidamente previstas em lei formal, no caso, a lei de custeio (Lei nº 8.212/91), consistindo no instrumento normativo vigente à data de lavratura do Auto de Infração, devendo ser o fundamento legal a embasar o Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13896.001274/200713 Acórdão n.º 2301005.429 S2C3T1 Fl. 28 53 lançamento, vez que possui aplicabilidade imediata e estava em vigência ao tempo da lavratura fiscal. Ou seja, não foi o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99 que previu a infração, mas a própria lei de custeio ou a de benefício, conferindo ao Regulamento da Previdência Social – Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, a mera função de disciplina pormenorizada da sua ocorrência. Com relação à penalidade, o entendimento do contribuinte não merece melhor sorte. Com efeito, a Lei nº 8.212/91 é taxativa ao prever: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ora, vêse que a Lei nº 8.212/91 expressamente determinou a aplicação de penalidades às previsões contidas em Regulamento, cabendo a este graduar, conforme a infração, o valor aplicável. Outrossim, a atualização dos valores das penalidades foi devidamente autorizada pela Lei nº 8.213/91, que assim se posicionou: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Assim previa a própria Lei nº 8.212/91: Art. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. E o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, não se pode pretender a inaplicabilidade de uma penalidade expressamente prevista no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, quando validamente determinado pela Lei nº 8.212/91 que, ao prever as obrigações acessórias e suas respectivas infrações, sujeitou a previsão da penalidade a instrumento normativo hierarquicamente inferior, mas com força normativa suficiente para tal finalidade. Portanto, em que pese os fatos constados se referirem a momento anterior à vigência do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, de rigor verificarse que a violação da obrigação acessória já contava com previsão na Lei nº 8.212/91, de forma que não há violação ao princípio da legalidade tributária. Fl. 438DF CARF MF 54 Outrossim, quanto ao valor da multa aplicada em relação ao momento de ocorrência dos fatos geradores, o pensamento do contribuinte não assume procedência. Com efeito, a penalidade aplicável no caso de descumprimento de obrigações acessórias é aquela prevista no momento da constatação do seu descumprimento pela autoridade fiscal, ou seja, no momento da lavratura do Auto de Infração, não havendo ligação quanto ao momento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações principais. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005173/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Ementa:
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE
MÃO-DE-OBRA.
RECEITA BRUTA.
A exclusão dos custos trabalhistas e respectivos encargos sociais da receita bruta auferida pelas empresas de locação de mão-de-obra não tem amparo na legislação do Imposto de Renda apurado com base no Lucro Presumido.
Assim, a exclusão de tais valores da receita bruta tributada configura omissão de receitas.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, aplicase
integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS.
LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA.
MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Aplicação da Súmula CARF nº 1.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS/COFINS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO.
Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por ordem liminar em mandado de segurança, não cabe o lançamento de multa de ofício.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
IMPROCEDÊNCIA.
A compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior somente pode ocorrer mediante a entrega de declaração própria de compensação, sendo estranha a apreciação de tal pretensão formulada exclusivamente no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, não tem amparo legal a pretensão creditória amparada em sentença judicial ainda não transitada em
julgado e, ainda mais, que restou reformada posteriormente.
Numero da decisão: 1302-000.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ANSOLIN RECURSOS HUMANOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. RECEITA BRUTA. A exclusão dos custos trabalhistas e respectivos encargos sociais da receita bruta auferida pelas empresas de locação de mãodeobra não tem amparo na legislação do Imposto de Renda apurado com base no Lucro Presumido. Assim, a exclusão de tais valores da receita bruta tributada configura omissão de receitas. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS/COFINS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por ordem liminar em mandado de segurança, não cabe o lançamento de multa de ofício. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 906 2 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior somente pode ocorrer mediante a entrega de declaração própria de compensação, sendo estranha a apreciação de tal pretensão formulada exclusivamente no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, não tem amparo legal a pretensão creditória amparada em sentença judicial ainda não transitada em julgado e, ainda mais, que restou reformada posteriormente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 907 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2002 e 2003, no valor total de R$ 1.604.238,64, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/11/2006 efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 331 a 366. A principal infração apurada referese à omissão de receitas caracterizada, segundo o Termo de Constatação Fiscal de fls. 323/330, pelo não oferecimento à tributação das receitas especificadas nas notas fiscais como “reembolso de salários” ou “reembolso de despesas legais”, contabilizadas na conta “3.1.01.001.03.02.0 Vendas de Serviços Isentos a Prazo (reduzida 302175)”, relativa aos períodos de apuração: 03/2002, 06/2002, 09/2002, 12/2002, 03/2003, 06/2003, 09/2003, 12/2003. A autoridade fiscal identificou ainda que o interessado deixou de considerar, na apuração do IRPJ, a receita contabilizada na conta “venda de serviços tributados”, no valor de R$ 9.253,24, tanto na DIPJ, quanto na DCTF, no período de apuração 03/2003. Os valores foram acrescidos à base de cálculo do lucro presumido. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 12/12/2006, apresentou impugnação, em 09/01/2007, cujos principais argumentos estão sintetizados, conforme a relatório no acórdão da DRJRio de Janeiro I, in verbis: Atividade social – “As atividades sociais da empresa requerente consistem em intermediar, agenciar, locar e ceder mãodeobra temporária a terceiros, recebendo em contrapartida uma remuneração pelo serviço prestado denominado taxa de serviço.”; – “Os valores pertinentes aos salários e encargos sociais e benefícios correspondentes aos empregados contratados e cedidos a terceiros são pagos pela empresa Requerente, a qual é reembolsada juntamente com o pagamento da efetiva prestação do serviço.”; – não presta os serviços que serão executados pelos empregados contratados, mas apenas funciona como intermediadora; Base de cálculo – a base de cálculo correta para o caso em tela é a efetiva receita do interessado, que é representada pelo valor recebido a título de “taxa de administração ou intermediação”.; – os reembolsos de valores correspondentes a encargos e salários não podem ser considerados como receita do interessado, tampouco preço de seus serviços, na acepção jurídica dos artigos 2o. e 3o. da Lei nº 9.718, de 1998; Fl. 927DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 908 4 – as notas fiscais emitidas pelo interessado não representam o total de sua efetiva receita, apenas o valor pago pelo tomador com a denominação de taxa de serviços ou taxa de administração corresponde, efetivamente, à receita bruta; Confisco – com a Constituição de 1988 tornouse explícita a proibição da utilização de tributo com efeito de confisco (art. 150, inciso IV da CF), o que embasa a pretensão de recolher as exações para o PIS e para a COFINS sobre a taxa administrativa ou de intermediação; Lucro Presumido (IRPJ e CSLL) – é inadmissível não ser possível recolher o IRPJ e a CSLL sobre a efetiva receita da empresa de trabalho temporário, sob pena de não admitir a aplicação da regra dos dispositivos legais citados (art. 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 1o., 25 e 28 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995 – fls. 385/386); a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, do interessado, é o lucro presumido que corresponde à receita bruta mensal auferida na atividade, entendendo esta como o resultado financeiro, excluídos os valores destinados a salários e encargos da mão deobra cedida a terceiros. Às fls. 388/395, o interessado destaca alguns esclarecimentos quanto à peculiaridade das empresas de intermediação de mãodeobra temporária, alegando que têm uma forma de faturamento bastante diferenciada e que: – “A taxa de comissionamento é a quantia correspondente ao valor cobrado pela empresa de intermediação para administrar a mãodeobra. Corresponde à receita bruta do prestador de serviços, que deverá utilizar este valor para quitar suas despesas operacionais com folha de pagamento própria, luz, telefone, aluguel, material de expediente, bens para operacionalizar o serviço, seus tributos, seus encargos e seu lucro. Usualmente é aplicado o percentual de dez por cento da somatória dos dois primeiros itens, para se chegar ao valor da taxa de comissionamento.”; Prossegue o interessado argüindo que: – o fato gerador da CSLL é a ocorrência de lucro e do IRPJ é a constituição de renda e que os valores recebidos a título de salários e encargos dos trabalhadores temporários não geram nem lucro, nem renda, pois não geram qualquer acréscimo patrimonial e são meros reembolsos; – a fiscalização inclui as entradas referentes aos salários e encargos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas não efetua o desconto destes valores quando saem dos cofres da empresa, como despesas; Compensação – possui crédito perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrente de liminar em Agravo de Instrumento nº 2004.04.01.0445711/PR, confirmada em Mandado de Segurança, através do qual pretendia recolher PIS e COFINS utilizandose como base de cálculo o valor da taxa de administração constantes em suas faturas de prestação de serviços. Documentação comprobatória segue em anexo; Fl. 928DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 909 5 – o entendimento da Fazenda Nacional sobre o tema contraria o entendimento já pacificado perante o Egrégio TRF da 4a. Região; – “Ocorre que a empresa Requerente recolheu os tributos em apreço, utilizandose da taxa administrativa nos exercícios de 2002 e 2003, e, após a obtenção da medida liminar e obtenção de segurança em sentença, conforme visto, passou a recolher as exações referentes ao PIS, COFINS, CSLL e IRPJ nos moldes adotados pela Secretaria da Receita Federal, ou seja, sobre o total da fatura da prestação de serviços, mesmo tendo autorização judicial para recolher as exações do PIS e da COFINS sobre a taxa administrativa”, fato que gerou créditos, referentes aos valores de PIS e COFINS recolhidos a maior; – “pretende pois, a empresa ora Requerente, compensar os valores recolhidos a maior referente ao PIS e a COFINS” (exercícios de 2004 a 2006) “com as contribuições referentes a PIS, COFINS, CSLL e IRPJ” (exercícios de 2002 e 2003); – pela nova legislação é possível a compensação de quaisquer tributos, desde que sejam administrados/arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; – o Mandado de Segurança encontrase em trâmite no Egrégio Tribunal Regional Federa da 4a. Região, entretanto “a compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação não necessita de prévia autorização da autoridade fazendária ou de decisão judicial transitada em julgado para a configuração da certeza e liquidez dos créditos”, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; – assim, requer a compensação dos créditos referentes ao PIS e à COFINS, resultante da segurança obtida em apelação em Mandado de Segurança, com os débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, conforme planilhas elaboradas às fls. 410/415. Cita excertos doutrinários e jurisprudências. Encerra requerendo: – seja julgada procedente a impugnação, com a declaração de insubsistência e conseqüente anulação do referido auto de infração; – alternativamente, requer a compensação dos valores recolhidos a maior pelo interessado a título de PIS e COFINS (período 2004 a 2006) com os pretensos débitos fazendários decorrentes do exercício fiscal de 2002 e 2003. O relator do acórdão recorrido acostou aos autos a cópia de consulta processual unificada e de Decisão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 4a. Região, referentes ao Mandado de Segurança nº 2005.70.05.0024139/PR em que o interessado é parte (fls. 823/830). A Terceira Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro I manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1220.579, de 21/08/2008 (fls. 831/841), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECEITA NÃO DECLARADA. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 910 6 O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. Os valores destacados em nota fiscal relativos a salários e respectivos encargos compõem a receita bruta da empresa que exerce atividade de locação de mãodeobra. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A existência de ação judicial, em nome do interessado, importa renúncia às instâncias administrativas no que concerne à matéria objeto da ação. PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação deve ser efetuada na forma da legislação de regência, descabendo o pedido em sede de impugnação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A existência de ação judicial, em nome do interessado, importa renúncia às instâncias administrativas no que concerne à matéria objeto da ação. PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação deve ser efetuada na forma da legislação de regência, descabendo o pedido em sede de impugnação. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 12/09/2008 (AR – fls. 848), tendo interposto recurso voluntário em 01/10/2008 (fls. 851/890). Além de repetir os argumentos de mérito já trazidos na impugnação, a recorrente alega ainda em sua petição recursal que: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 911 7 a) Não existe renúncia às instâncias administrativas, no presente caso, em face do ajuizamento de ação perante o poder judiciário, pois o mandado de segurança impetrado tinha caráter preventivo e foi ajuizado apenas em 2005, não possuindo efeitos retroativos, com relação à tributos ou exigências fiscais pretéritas. b) É inaplicável a multa de ofício, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por ocasião da autuação fiscal, pois estaria abrigado por medida liminar concedida em 06 de junho de 2005, em sede de agravo de instrumento (no Mandado de Segurança nº 2005.70.05.0024139), perante o Tribunal Regional Federal da Quarta Região – TRF/4, confirmado mediante a concessão da segurança pleiteada, em sentença de primeira instância, exarada em 16 de junho de 2005, sendo que a autuação somente foi formalizada em 11/12/2006. Assim, de acordo com o art. 63 da Lei nº 9.430/1996, seria inaplicável a multa qualificada sobre os créditos com exigibilidade suspensa. No mérito, reafirma que na composição da base de cálculo dos tributos lançados deve ser excluída da receita bruta a parcela relativa aos salários e encargos trabalhistas e previdenciários referentes à mãodeobra fornecida às empresas tomadoras de serviço, que seriam meramente repassadas aos verdadeiros credores desses valores. Assim, de acordo com a legislação tributária, apenas a taxa cobrada dos tomadores de serviços como taxa de administração corresponderiam à receita bruta sujeita à tributação. Ao final a recorrente requer a insubsistência da autuação ou, alternativamente, caso mantida a exigência, a compensação de ofício, após apuração mediante perícia contábil, de valores recolhidos a maior pela empresa recorrente nos anos de 2004 a 2006 com os débitos lançados relativos aos anos de 2002 e 2003. Tais créditos a compensar, segundo a recorrente decorreriam do fato que conquanto estivesse amparada por medida judicial a recolher as contribuições ao PIS e Cofins apenas sobre a taxa de administração, efetuou os recolhimentos sobre a receita bruta total nos anos de 2004 a 2006, conforme o entendimento fazendário, resultando em indébitos que totalizariam R$ 454.836,19. É o relatório. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 912 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Analiso em primeiro plano os argumentos da recorrente relativos à não ocorrência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial e quanto à não aplicação da multa de ofício sobre os créditos tributários lançados. 1. Da Concomitância de Discussão nas Esferas Administrativa e Judicial (Pis/Cofins). O acórdão recorrido trouxe o entendimento de que em face da impetração de mandado de segurança por parte da interessada, tendo como objeto a mesma discussão de mérito que deram ensejo ao lançamento reflexo das contribuições ao PIS e a COFINS, falece competência à autoridade judicante no âmbito administrativo para se pronunciar sobre a matéria em face do princípio da jurisdição una albergado pela Constituição Federal. Tal impetração, segundo o acórdão recorrido, implica em renúncia às instâncias administrativas, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/19801 e da Súmula CARF nº 12. A recorrente alega que, no presente caso, não existe renúncia às instâncias administrativas em face do ajuizamento de ação perante o poder judiciário, pois o mandado de segurança impetrado tinha caráter preventivo e foi ajuizado apenas em 2005, não possuindo efeitos retroativos, com relação à tributos ou exigências fiscais pretéritas Não tem razão a recorrente. A matéria discutida no âmbito da ação de Mandado de Segurança nº 2005.70.05.0024139 é rigorosamente a mesma que ensejou a lavratura dos autos de infração relativos às contribuições ao PIS e a COFINS. A interessada propôs a ação judicial, tendo a decisão de primeira instância concedido a segurança pleiteada, “para o fim de autorizar o recolhimento da contribuição para 1 Lei 6.830/1980: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 2 Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula aprovada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes consolidada pela Portaria CARF nº 052 de 21/12/2010) Fl. 932DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 913 9 o PIS e COFINS, excluindose da base de cálculo os valores repassados pelas empresas tomadoras de serviço às impetrantes para pagamento dos salários dos trabalhadores e respectivos encargos sociais”. Não obstante o fato da ação ter sido proposta, em caráter preventivo, em maio de 2005, a impetração do writ deslocou a discussão da matéria do âmbito administrativo para o judicial, ficando inclusive a Fazenda, em face da liminar concedida, impedida de exigir de imediato as contribuições referidas com a base de cálculo apurada nos moldes que entende como devidas. Tal suspensão de exigibilidade alcançou não apenas os débitos de contribuições vincendos, como também os créditos tributários de Pis e Cofins vencidos, constituídos ou não, ainda não alcançados pela decadência. Assim, ao exigir as diferenças de contribuições nos moldes que entende como devidas a Fazenda havia que observar, a partir de então, os pronunciamentos emanados do Poder Judiciário em face da pretensão aduzida pela interessada no âmbito da referida ação judicial. Ante ao exposto, entendo que, ao impetrar o mandado de segurança, a interessada renunciou às instâncias administrativas na matéria pertinente ao lançamento reflexo das contribuições ao Pis e a Cofins, não cabendo o pronunciamento deste colegiado administrativo sobre a matéria. 2. Da Suspensão da Exigibilidade dos Créditos Lançados de Pis/Cofins e da Aplicação da Multa de Ofício. A recorrente alega que é inaplicável a multa de ofício, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por ocasião da autuação fiscal, pois estaria abrigado por medida liminar concedida em 06 de junho de 2005, em sede de agravo de instrumento (no Mandado de Segurança nº 2005.70.05.0024139), perante o Tribunal Regional Federal da Quarta Região – TRF/4, confirmado mediante a concessão da segurança pleiteada, em sentença de primeira instância, exarada em 16 de junho de 2005, sendo que a autuação somente foi formalizada em 11/12/2006. Assim, de acordo com o art. 63 da Lei nº 9.430/1996, seria inaplicável a multa qualificada sobre os créditos com exigibilidade suspensa. O acórdão da DRJRio de JaneiroI, embora tenha reconhecido a concomitância de discussão nas esferas administrativa e judicial, entendeu que “não há comprovação nos autos de que o crédito tributário exigido estava suspenso à época do lançamento, nos termos do art. 151, inciso IV ou V da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), razão pela qual a multa de ofício deve ser mantida”. Desta feita, embora o argumento da recorrente neste ponto seja contraditório com o que sustentou anteriormente, sobre a renúncia à esfera administrativa, entendo que lhe assiste razão, apenas no que concerne aos lançamento do Pis e da Cofins. De fato, a cronologia dos pronunciamentos que se verifica terem ocorrido no âmbito da ação judicial revelam que no momento da ciência da autuação (11/12/2006) para a constituição dos créditos tributários a exigibilidade dos tributos (Pis e Cofins) estava suspensa pela liminar concedida pelo TRF/4 em 06/06/2005 (fls. 442/443), confirmada pela sentença proferida em 16/06/2005 (fls. 445/449). Fl. 933DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 914 10 Somente em 18/12/2007 a sentença foi reformada pelo acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região (fls. 823/830). O art. 63 da Lei nº 9.430/1996, assim dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. No caso dos autos a liminar foi concedida antes do início do procedimento fiscal, que foi instaurado em 04/09/2006, conforme Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 03/05). Assim, não cabe a exigência da multa de ofício sobre os valores das contribuições lançadas a título de Pis e da Cofins. Por oportuno, cabe observar que também a incidência da multa de mora foi interrompida pela medida liminar. No entanto, tendo sido reformada a decisão de primeira instância, conforme acórdão publicado em 17/01/2008, a multa de mora tornou a ser exigível após o transcurso do prazo de 30 dias daquela decisão, sem o recolhimento dos valores devidos. 3. Da Omissão de Receitas. IRPJ. Lucro Presumido. A recorrente alega que suas atividades sociais consistem em intermediar, agenciar, locar e ceder mãodeobra temporária a terceiros, recebendo em contrapartida uma remuneração pelo serviço prestado denominado taxa de serviço e que paga os valores pertinentes aos salários e encargos sociais e benefícios correspondentes aos empregados contratados e cedidos a terceiros sendo reembolsada juntamente com o pagamento da efetiva prestação do serviço. Afirma ainda que não presta os serviços, que são executados pelos empregados contratados, e que funciona apenas como intermediadora. Diante disso, sustenta que a base de cálculo correta para o recolhimento dos tributos devidos é a sua efetiva receita, que seria representada unicamente pelo valor recebido a título de “taxa de administração ou intermediação e que os reembolsos de valores correspondentes a encargos e salários não podem ser considerados como receita, tampouco preço de seus serviços, na acepção jurídica dos artigos 2o. e 3o. da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 915 11 Aduz ainda que as notas fiscais emitidas não representam o total de sua efetiva receita e que apenas o valor pago pelo tomador com a denominação de taxa de serviços ou taxa de administração corresponderia, efetivamente, à receita bruta. Os argumentos da recorrente não podem prosperar. Verificase que a interessada optou, nos anoscalendário 2002 e 2003, ao regime de apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido. A base de cálculo do IRPJ devido pelo Lucro Presumido deve ser apurada mediante a aplicação do percentual específico de cada atividade sobre a Receita Bruta, conforme os arts. 518 e 519 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. O conceito de Receita Bruta é definido pelo art. 224 do RIR/99, in verbis: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Pelo que se depreende da atividade da recorrente os seus serviços consistem na contratação de mãodeobra a ser cedida em caráter temporário a uma terceira empresa, mediante o pagamento de uma remuneração suficiente para satisfazer o valor dos salários dos trabalhadores cedidos, os encargos sociais e trabalhistas inerentes, e os demais custos financeiros, tributários e administrativos, além da chamada taxa de administração ou intermediação pelos serviços (conforme cópias de notas fiscais – fls. 113/160). Ora, os custos e encargos trabalhistas e demais despesas administrativas, financeiras e tributárias são encargos da recorrente no desempenho de suas atividade de intermediação de mão de obra. A pretensão de deduzir os custos trabalhistas e respectivos encargos sociais da sua receita bruta não tem amparo na legislação do Imposto de Renda, quando apurado com base no lucro presumido. As únicas hipóteses de exclusão da receita bruta são aquelas previstas no parágrafo único do art. 224 do RIR/99, acima transcrito. Ao optar pelo lucro presumido a recorrente abriu mão de deduzir os custos e despesas de sua receita bruta, ficando também desobrigada de sua comprovação, mediante a apuração do resultado tributável por um percentual fixo. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 916 12 Como bem observado no acórdão recorrido, a recorrente confunde receita bruta com lucro bruto3, pretendendo que a base de cálculo do lucro presumido incida sobre aquele (lucro bruto) e não sobre a receita bruta, conforme determina a legislação. Neste diapasão, não merece reparos a conclusão do voto condutor do acórdão recorrido, que adoto integralmente, in verbis: Quisesse fazer as deduções pleiteadas do valor da receita bruta, o interessado deveria optar por apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSSL pelo lucro real. Tal como requerido, a dedução de valores da receita bruta auferida, relativos a salários e os respectivos encargos, antes da aplicação dos percentuais de presunção de lucro, resultaria em uma híbrida determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a combinação do lucro real com o lucro presumido, pois numa primeira etapa excluirseiam os custos reais (salários e encargos), para em seguida, com a aplicação dos percentuais de presunção, serem excluídas as despesas e os custos presumidos. Em outras palavras, o interessado pretende aplicar o percentual de presunção de lucro tributável sobre o lucro bruto, quando a legislação determina que a aplicação do percentual seja sobre a receita bruta. De fato, quando a apuração da base de cálculo é pelo lucro presumido não há amparo legal para se deduzir da receita bruta auferida pelo interessado os valores ora pleiteados. Além disso, ao emitir a nota fiscal pelo valor total cobrado, o interessado gera custos e despesas para terceiros em valor igual ao total da nota fiscal emitida. Caso ele escriture apenas parte do valor constante da nota fiscal como receita tributável, criar seia no sistema um desequilíbrio entre receitas e despesas tributáveis. Tal fato importaria em uma redução na apuração dos tributos no tomador do serviço, sem a contrapartida do aumento na apuração dos tributos devidos pelo prestador de serviço (interessado). Vale dizer, o interessado cria despesa para terceiros, sem reconhecer a receita correspondente. Pelas razões anteriormente expostas, o lançamento quanto a esse item é procedente. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso nesta parte. 3 Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Fl. 936DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 917 13 4. Lançamento Reflexo: CSLL. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente aos lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ. Assim, nego provimento ao recurso, em relação à CSLL, nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. 5. Do Pedido de Compensação. A recorrente pleiteia, em não sendo acolhidos os seus argumentos de mérito, que seja deferida a compensação de ofício, após apuração mediante perícia contábil, de valores que teriam sido recolhidos a maior pela empresa recorrente nos anos de 2004 a 2006 com os débitos lançados relativos aos anos de 2002 e 2003. Segundo a recorrente, tais créditos a compensar, decorreriam do fato que conquanto estivesse amparada por medida judicial a recolher as contribuições ao PIS e Cofins apenas sobre a taxa de administração, efetuou os recolhimentos sobre a receita bruta total nos anos de 2004 a 2006, conforme o entendimento fazendário, resultando em indébitos que totalizariam R$ 454.836,19. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê que o sujeito passivo que apurar crédito poderá utilizálo para compensar com débitos próprios, mediante entrega de declaração onde constem os créditos e os débitos compensados, nestes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (...) Fl. 937DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.005173/200621 Acórdão n.º 130200.884 S1C3T2 Fl. 918 14 (grifei) Assim, a compensação pretendida somente poderia ocorrer mediante a entrega de declaração própria de compensação, sendo estranha a apreciação de tal pretensão formulada exclusivamente no âmbito deste processo. Além disso, a pretensão creditória estava amparada em sentença judicial ainda não transitada em julgado, o que é vedado pela lei, e que restou reformada pelo TRF/4, conforme anteriormente descrito, sequer se configurando o direito creditório. Destarte, rejeito o pedido de compensação formulado. 6. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para excluir a multa de ofício da exigência do Pis e da Cofins. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 938DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13820.000352/2003-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOVAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE
Não se pode alterar o pedido original de declaração compensação em julgamento de 2ª instância para incluir novos períodos sob pena de supressão de instância administrativa.
Numero da decisão: 1003-000.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOVAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE Não se pode alterar o pedido original de declaração compensação em julgamento de 2ª instância para incluir novos períodos sob pena de supressão de instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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INOVAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE Não se pode alterar o pedido original de declaração compensação em julgamento de 2ª instância para incluir novos períodos sob pena de supressão de instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 03 52 /2 00 3- 12 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13820.000352/200312 Acórdão n.º 1003000.232 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0527.604, de 19 de novembro de 2009, da 4ª Turma da DRJ/CPS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. Aos 07 de maio de 2003, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação, que foi substituída pela PER/DCOMP de nº 38177.76211.010803.1.3.025078 em 01/08/2003. Por esse instituto, a Recorrente buscava a declaração de compensação das estimativas de IRPJ e CSLL dos meses de fevereiro e março de 2003 com saldos negativos do IRPJ e CSLL apurados em 31.12.2002, de R$ 19.925,00 e R$ 2.024,41, respectivamente, perfazendo o valor total de R$ 21.949,41. Através do Despacho Decisório (fls. 96 a 100), o direito creditório da Recorrente foi reconhecido parcialmente, na importância de R$ 6.574,36, base de 31/12/2002. Intimada, a Recorrente apresentou impugnação destacando que foi reconhecido apenas o direito creditório do Ano Calendário 2002, mas o direito creditório pleiteado é de anos anteriores (de 1998 a 2002), requerendo a análise dos exercícios anteriores. A DRJ/CPS analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Somente caracteriza o surgimento de saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica a hipótese em que as antecipações mensais, como o imposto de renda retido na fonte e as estimativas obrigatórias, se revelem em valor superior ao imposto apurado no período. ESTIMATIVAS MENSAIS. SALDOS NEGATIVOS ANTERIORES. Os saldos negativos de imposto de renda pessoa jurídica, de períodosbase anteriores, só podem ser utilizados, posteriormente, em compensação, até o valor das estimativas mensais obrigatórias, calculadas com base na receita bruta ou em balanços de suspensão/redução, ou para quitação de eventual saldo a pagar, ao final do período de apuração. Eventuais saldos remanescentes podem ser objeto de pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13820.000352/200312 Acórdão n.º 1003000.232 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) que a decisão da DRJ declara não poder ser recebida a petição da Recorrente como manifestação de inconformidade por não ter instaurado litígio quanto ao direito creditório e por ter inovado no requerimento realizado; (ii) que levantou argumentos não analisados na r. acórdão; (iii) que a realização de compensação de tributos não pode ser obstada por formalismo dos julgadores e das autoridades fiscais; (iv) por fim, requereu a reforma o r. acórdão, com o julgamento procedente do recurso voluntário , para homologar as compensações pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que sua petição nominada como "recurso voluntário" não teria sido recebido pela DRJ por não ter declarado tratarse a petição de "manifestação de inconformidade". Ocorre, contudo, que tal fato não corresponde à realidade. Já no primeiro parágrafo do voto é possível identificar que a petição foi recebida pela DRJ, conforme descrito abaixo: A manifestação de inconformidade é tempestiva, dotada dos pressupostos legais de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Ou seja, a petição, ainda que nominada de forma incorreta, foi recebida pela DRJ como manifestação de inconformidade, pois atendia a todos os pressupostos de admissibilidade. Sequer os trechos destacados no recurso voluntário que supostamente não reconheciam a petição como manifestação de inconformidade foi localizada no r. acórdão. Isto posto, resta ultrapassado esse argumento. Aduz ainda a Recorrente que levantou argumentos na manifestação de inconformidade que não foram analisados na decisão de 1ª instância administrativa. Na sua peça inicial, a Recorrente limitase a requerer a análise de anos anteriores (1998 a 2002), pois o despacho decisório apenas contemplava a análise do ano calendário de 2002 e prosseguiu destacando os documentos que colacionava para esse fim. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13820.000352/200312 Acórdão n.º 1003000.232 S1C0T3 Fl. 5 4 Acertadamente, a DRJ destacou no acórdão o seguinte: Na manifestação de inconformidade interposta, alega a requerente que a autoridade fiscal se limitou a examinar os saldos negativos do_ anocalendário de 2002, solicitando que sejam apreciados aqueles créditos relativos a anoscalendário anteriores, desde 1998 a 2002, totalizando o montante de R$519.925,00, a título de saldo negativo de IRPJ, não se pronunciando quanto à CSLL. Não é possível se atender o pedido da contribuinte, porque, em sede de julgamento administrativo de 1ª ou 2ª instâncias, alterar se o pedido original, seja em valores, seja em razão da motivação apresentada, seja para incluir novos períodos a serem analisados, equivale à supressão de instância administrativa competente, além de eventuais problemas que possam surgir com o instituto da decadência. Nestes termos, a alteração da fundamentação que embasou a Declaração de Compensação original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF jurisdicionante do domicílio fiscal da contribuinte, estando fora da alçada da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Assiste razão a DRJ. É possível haver a alteração da PER/DCOMP desde que se trate de erros formais, que não alterem significativamente o pedido. Ocorre que a Recorrente altera a declaração quando determina período diferente daquele lançado no DCOMP, o qual não foi submetido à análise da DRF. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no PER/DCOMP podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/CPS. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900123/2006-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. RESSARCIMENTO E/OU COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Lei nº 9.779/99 estabeleceu que o saldo credor acumulado em cada trimestre-calendário, resultante do abatimento de débitos do próprio imposto, deixou de ser um crédito meramente escritural, podendo, ao final de cada trimestre-calendário, ser objeto de pedido de ressarcimento ou de compensação.
É possível, atendendo-se ao princípio da não-cumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, observando-se o limite temporal estabelecido na legislação, qual seja, a partir de janeiro de 1999.
Numero da decisão: 9303-007.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer a possibilidade de aproveitamento do crédito básico acumulado de IPI a partir de janeiro de 99, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. RESSARCIMENTO E/OU COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 estabeleceu que o saldo credor acumulado em cada trimestre-calendário, resultante do abatimento de débitos do próprio imposto, deixou de ser um crédito meramente escritural, podendo, ao final de cada trimestre-calendário, ser objeto de pedido de ressarcimento ou de compensação. É possível, atendendo-se ao princípio da não-cumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, observando-se o limite temporal estabelecido na legislação, qual seja, a partir de janeiro de 1999.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer a possibilidade de aproveitamento do crédito básico acumulado de IPI a partir de janeiro de 99, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. RESSARCIMENTO E/OU COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 estabeleceu que o saldo credor acumulado em cada trimestrecalendário, resultante do abatimento de débitos do próprio imposto, deixou de ser um crédito meramente escritural, podendo, ao final de cada trimestrecalendário, ser objeto de pedido de ressarcimento ou de compensação. É possível, atendendose ao princípio da nãocumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, observandose o limite temporal estabelecido na legislação, qual seja, a partir de janeiro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para reconhecer a possibilidade de aproveitamento do crédito básico acumulado de IPI a partir de janeiro de 99, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 01 23 /2 00 6- 37 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 796 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 778 a 783), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.887 (fls. 746 a 753) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 26 de abril de 2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Incabível o cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/1996 em relação a insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, haja vista que o texto normativo, ao estipular a forma de apuração do incentivo, excluiu da base de cálculo respectiva as aquisições que não suportaram a incidência da Cofins e da contribuição ao PIS. IPI – CRÉDITO BÁSICO – ESCRITURAÇÃO – PERÍODO ANTERIOR O contribuinte possui direito ao crédito básico de IPI, ainda que a escrituração e apuração deste tenha ocorrido em relação a período anterior aquele que consta no PER/DCOMP, por inexistir vedação da Lei n.º 9.363/96. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 797 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. (grifouse) Interpostos embargos de declaração pela Contribuinte (fls. 760 a 768), alegando vício de omissão, os mesmos foram rejeitados nos termos do despacho s/nº, de 28 de junho de 2016 (fls. 787 a 789). Não resignada em parte com o acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário, ratificada pela decisão de rejeição dos embargos de declaração, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (fls. 778 a 783) alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade da Contribuinte, no que tange ao crédito básico de IPI, utilizar saldo credor de períodos anteriores em um único PER/DCOMP. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 3302001.845, restando demonstrada a divergência com relação ao alcance do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Nas razões recursais, sustenta, em síntese, que o saldo credor de IPI deve ser objeto de pedido relativo ao trimestre em que foi escriturado, não havendo permissão legal para utilização do saldo credor de períodos anteriores em um único PER/DCOMP. Por meio do despacho s/nº, de 28/06/2016 (fls. 785 a 786), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional pois comprovada a divergência jurisprudencial. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 798 4 Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos, inclusive aqueles não tributados ou sujeitos à alíquota zero, conforme previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, sendo tais créditos oriundos de transferência de trimestres anteriores. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 prevê a possibilidade de ressarcimento, nos moldes dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996, do saldo credor do IPI originado da aquisição de insumos aplicados na industrialização, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, entendendose, assim, a possibilidade de utilização do saldo credor acumulado de outros trimestrescalendário, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Além disso, foi só a partir de janeiro de 1999 que os Contribuintes passaram a ter direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos desonerados (isentos ou alíquota zero) na saída do estabelecimento industrial. Nessa perspectiva, os impostos passíveis de recuperação, como o crédito de IPI oriundo da compra de insumos empregados nos produtos que são tributados na sua saída do estabelecimento industrial, são escriturados no livro de apuração do IPI, descontandose dos débitos gerados na saída dos bens tributados. Conforme legislação do IRPJ, é vedada a inclusão dos "tributos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal" no custo dos produtos vendidos, de acordo com art. 289, §3º, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (correspondente ao art. 231, §3º, do Decreto nº 1.041/1994, vigente quando da entrada em vigor da Lei nº 9.779/99): Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 799 5 § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (grifouse) Para regulamentar o benefício fiscal inserido no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 33, de 04/03/1999, que dispõe sobre a apuração e aproveitamento do crédito do IPI e dá outras providências. O ato normativo encontravase vigente quando do protocolo do pedido de ressarcimento pela Recorrida, em 07/11/2001. Há previsão expressa permitindo a utilização do saldo credor remanescente no período de apuração subsequente, in verbis: [...] Art. 1o A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa. DO REGISTRO E DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS Art. 2o Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1o O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2o No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF No 21, de 10 de março de 1997. § 3o Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 800 6 DOS CRÉDITOS INERENTES AOS INSUMOS (MP, PI, ME) COM DESTINAÇÃO COMUM Art. 3o Poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (grifouse) Portanto, não havia à época qualquer norma impeditiva ao ressarcimento do crédito do IPI na forma como proposto pela Contribuinte. Poderseia dizer que o art. 5º da IN nº 33/99 estabeleceu espécie de vedação quanto ao ressarcimento/compensação ao estabelecer que os créditos acumulados na escrita fiscal somente poderiam ser aproveitados para dedução do IPI devido. Entretanto, a limitação é somente para os créditos acumulados existentes em 31 de dezembro de 1998. Para os créditos acumulados a partir de janeiro de 1999, é possível o pedido de ressarcimento. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 801 7 Na sistemática de apuração do IPI, mostrase compatível o acúmulo de créditos com a transferência do saldo credor para os períodos posteriores. Com o advento do art. 11 da Lei nº 11.9779/99, é facultado ao Sujeito Passivo, utilizar o saldo credor de IPI ao final de cada trimestre para compensação com outros tributos ou pedir o seu ressarcimento, não estabelecendo vedação à transferência do saldo credor ao período de apuração subsequente. Sobrevieram, ainda, as Instruções Normativas nºs 210/2002 (art. 14), 460/2004 (art. 16) e 600/2005 (art. 16), esta última com as alterações introduzidas pela IN nº 728/2007. À época dos fatos geradores do presente processo administrativo, estava vigente a IN nº 460/2004, na qual não havia qualquer restrição formal para que o pedido de ressarcimento se referise a um único trimestrecalendário. A limitação foi imposta pela IN SRF nº 728/2007, que introduziu o §7º, no art. 16 da IN SRF nº 600/2005, estabelecendo que cada pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI deve referirse somente a um único trimestrecalendário. Por ser posterior à data de transmissão do PER/DCOMP do presente processo, não é aplicável ao caso, sendo correto o procedimento adotado pela Contribuinte, em consonância com a IN SRF 460 de 2004. Nessa esteira, a Solução de Consulta Interna nº 22 Cosit, de 30 de setembro de 2014, expedida pela CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal, explicitou entendimento no sentido de que a possibilidade de aproveitamento de crédito de IPI a destempo, bem como o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, não são prejudicados pela influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização do IPI oportunamente. A ementa foi redigida nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITO DE IPI. CABIMENTO INDEPENDENTEMENTE DE EVENTUAL INFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização de crédito de IPI no momento oportuno, não prejudica, observados os prazos de prescrição, o direito à escrituração do crédito do IPI a destempo, bem assim o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, observadas as regras gerais aplicáveis à matéria. Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 153, IV, e § 3º; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 49; Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 225, 256 e 257; Parecer Normativo CST nº 515, de 1971. No referido ato administrativo, foi estabelecido como premissa que "[...] o ressarcimento ou a compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é um direito do contribuinte e será cabível desde que exista saldo credor do imposto e atendase ao Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 802 8 disposto na legislação. Observese que o direito ao crédito extemporâneo de IPI independe da forma de tributação do IRPJ adotada pela Contribuinte". Nessa linha relacional, a Solução de Consulta Interna nº 22 COSIT, de 2014, ao interpretar a legislação própria do IPI, ressalta ser possível, atendendose ao princípio da nãocumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial. No caso dos autos, conforme se observa do documento juntado à efolha 580, a composição do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, no valor de R$ 218.997,14 (duzentos e dezoito mil, novecentos e noventa e sete reais e quatorze centavos), dáse da seguinte forma: "[...] (i) crédito presumido do 1º trim/2003 — R$ 167.098,03; (2) crédito de IPI apurado no 1º trim/03 — R$ 20.057,57 ( jan/03 R$ 5.240,68, fev/03 — R$ 4.540,28 e mar/03 — R$ 10.276,61); e (3) créditos indevidamente estornados (de trimestres anteriores) no valor de R$ 31.802,35 ( maio a dez/98 — R$ 16.356,51, jan/99 a jun/99 — R$ 6.470,75 e R$ 8.975,09, referente à transposição a menor para o livro RAIPI)". Portanto, com relação ao "item 3" do crédito, tendo em vista que o período é anterior a janeiro de 1999, não é possível o aproveitamento extemporâneo do crédito, por expressa limitação na legislação art. 5º da IN nº 33/1999. Além disso, conforme se extrai da decisão da DRJ (fls. 535 a 537) a Contribuinte não logrou êxito em demonstrar que os valores constantes no "item 3" enquadrarseiam nas hipóteses de créditos incentivados acumulados até 31/12/1998, passíveis de ressarcimento, sujeitandose à limitação imposta para o crédito básico de IPI, in verbis: [...] Notese que na composição do crédito do item 3 (de trimestres anteriores) constam valores referentes ao período de apuração de maio a dezembro de 1998. Neste período o § 1°, da art. 171, de RIPI/98, dispensa a escrituração dos créditos em questão destinados a emprego na industrialização de produtos isentos, saídos com suspensão, não tributados ou alíquota zero, em face da impossibilidade de aproveitamento deles, o que tomava inócua sua escrituração. Assim, até 31.12.1998, somente os créditos incentivados, cuja manutenção e utilização estavam assegurados por lei específica, eram passíveis de ressarcimento. Portanto, para fatos geradores ocorridos até aquela data não existia qualquer previsão legal a contemplar hipóteses de aproveitamento de créditos básicos de IPI, relativos a insumos empregados na industrialização de produtos isentos, saídos com suspensão, não tributados ou com alíquota zero, seja através da escrituração deles nos livros fiscais, do ressarcimento, ou de compensação. Cabe esclarecer, ainda, que o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, admite na composição do saldo credor do IPI, passível de aproveitamento, os créditos relativos a insumos empregados em produtos desonerados da exação tão somente em relação aos isentos e com alíquota zero. Quanto aos demais valores desse item 3, cabe assinalar que a teor do art. 171, de RIPI/1998 e 190, do RIPI12002, os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais , à vista do documento que lhes Fl. 802DF CARF MF Processo nº 13502.900123/200637 Acórdão n.º 9303007.335 CSRFT3 Fl. 803 9 confira legitimidade. Portanto, é dever da contribuinte registrálos em sua escrita fiscal no Livro Registro de Entradas e detalhar os valores por período de apuração, no Livro Registro de Apuração do IPI. Ressaltese que a contribuinte não trouxe aos autos os documentos necessários à comprovação dos lançamentos alegados, tais como: cópias do livro registro de entradas, do livro registro de saídas, do livro registro de apuração e das notas fiscais de entradas, onde se poderia verificar a legitimidade dos valores, por período de apuração, referentes aos créditos de períodos anteriores, informações necessárias para comprovar o direito pleiteado, se a legislação assim o permitisse, o que não é o presente caso, por tratarse de crédito de trimestre anterior, matéria já analisada neste voto. Ressaltese ainda que a utilização de créditos do IPI pressupõe a devida escrituração em livro próprio, ou seja, seu aproveitamento não pode se dar a margem da escrituração. [...] Diante do exposto, dáse provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a possibilidade de aproveitamento do crédito básico acumulado de IPI a partir de janeiro de 1999. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010749/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
CONSTITUCIONALIDADE. Segundo já sumulado no âmbito administrativo, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula nº 2), razão pela qual não se conhece das questões suscitadas sob tal fundamento.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. A decadência, por dizer
respeito à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, constitui-se em óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, não cabendo suscitála
para invalidar constatação de situação configuradora de
vedação à permanência no Simples, no caso, o exercício de atividade vedada.
SIMPLES. EXCLUSÃO. PROVA. Os documentos constantes nos autos não
evidenciam de forma inequívoca que a Recorrente tenha auferido receita proveniente de prestação de serviços profissionais de engenheiro.
Numero da decisão: 1302-000.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 CONSTITUCIONALIDADE. Segundo já sumulado no âmbito administrativo, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula nº 2), razão pela qual não se conhece das questões suscitadas sob tal fundamento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. A decadência, por dizer respeito à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, constitui-se em óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, não cabendo suscitála para invalidar constatação de situação configuradora de vedação à permanência no Simples, no caso, o exercício de atividade vedada. SIMPLES. EXCLUSÃO. PROVA. Os documentos constantes nos autos não evidenciam de forma inequívoca que a Recorrente tenha auferido receita proveniente de prestação de serviços profissionais de engenheiro.
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Recorrida 2ª TURMA/DRJCURITIBA/PR ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CONSTITUCIONALIDADE. Segundo já sumulado no âmbito administrativo, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula nº 2), razão pela qual não se conhece das questões suscitadas sob tal fundamento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. A decadência, por dizer respeito à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, constitui se em óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, não cabendo suscitála para invalidar constatação de situação configuradora de vedação à permanência no Simples, no caso, o exercício de atividade vedada. SIMPLES. EXCLUSÃO. PROVA. Os documentos constantes nos autos não evidenciam de forma inequívoca que a Recorrente tenha auferido receita proveniente de prestação de serviços profissionais de engenheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010749/200464 Acórdão n.º 1302000.498 S1C3T2 Fl. 156 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório W A USINAGEM DE PEÇAS LTDA., CNPJ nº 04.071.156/000114, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 161, de 04/07/2007 (fls. 19), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba(PR), que excluiu a interessada do benefício do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, ao argumento de que exerce atividades vedadas, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Cientificada da exclusão (fls. 21), a interessada, tempestivamente, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 26/59, onde resume toda sua defesa em três pedidos a saber: a) o reconhecimento da decadência em expedir ato administrativo de exclusão ao Simples, declarando nulo ao ADE DRF/CTA n° 161, de 04 de julho de 2007; b) declarar a ilicitude da aplicação de analogia in pejus, bem como a ilegalidade de não se aplicar apenas à interpretação analógica de forma lícita e correta, tendo em vista que a atividade apontada no Contrato Social não é vedada, nem assemelhada às exceções taxativas prevista no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996 e; c) decalar nulo o ato de exclusão por afronta ao disposto no inciso II do artigo 150 da Constituição Federal. A Segunda Turma Julgadora da DRJ/CTA, através do Acórdão 0617.498 (fls. 100 e segs.) indeferiu a solicitação, cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. DIREITO ADQUIRIDO. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela SRF. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010749/200464 Acórdão n.º 1302000.498 S1C3T2 Fl. 157 3 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. A decadência, por dizer respeito à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, constituise em óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, não cabendo suscitála para invalidar constatação de situação configuradora de vedação à permanência no Simples, no caso, o exercício de atividade vedada. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. A Secretaria da Receita Federal, como órgão da Administração Direta da União, não é competente para decidir acerca da constitucionalidade de norma legal. Como entidade do Poder Executivo, cabe à Secretaria da Receita Federal, mediante ação administrativa, aplicar a lei tributária ao caso concreto. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA. Diversa da analogia, a interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo "assemelhados", presente no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Descabe, por falta de previsão legal, relevar a prática de atividade vedada para manter a pessoa jurídica no Simples ao argumento de que o princípio da isonomia tributária impõe dar tratamento tributário igual às pessoas jurídicas integrantes de uma mesma categoria econômica. Cientificada da decisão (fls. 118), a interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 112/152), tornando a suscitar os argumentos contidos na Manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. CONSTITUCIONALIDADE Segundo já sumulado no âmbito administrativo, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”(Súmula n° 2), razão pela qual não conheço das questões suscitadas sob tal fundamento. DECADÊNCIA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010749/200464 Acórdão n.º 1302000.498 S1C3T2 Fl. 158 4 A recorrente pretende o reconhecimento da decadência do direito de a Fazenda Pública excluíla do Simples. O argumento já foi apreciado, com propriedade, digase, pela Turma Julgadora, nos seguintes termos: (...) “No âmbito do direito tributário, a decadência é tratada pelo legislador como sendo uma modalidade de extinção do crédito tributário, conforme se deduz dos seguintes dispositivos do CTN: Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V a prescrição e a decadência; (Grifouse) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. & 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Grifouse) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (Grifouse) I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. “A decadência, portanto, constituise num óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, eis que se refere à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Não pode este instituto, como quer a reclamante, ser suscitado para afastar constatação de situações configuradoras de vedação à permanência no Simples e classificar como nulo o ato que determinou sua exclusão ao Simples. . Aos fundamentos da decisão recorrida acrescento que a exclusão do Simples se opera de forma automática, quer por iniciativa do contribuinte quer ex officio e apenas o lançamento decorrente desta mesma exclusão, eventualmente, poderá ser alcançado pela decadência. Assim, concordando com os termos da decisão recorrida, afasto o argumento. MÉRITO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010749/200464 Acórdão n.º 1302000.498 S1C3T2 Fl. 159 5 Segundo consta dos seus atos constitutivos, é incontroverso o fato de que a Recorrente se dedica à realizar atividades de fabricação, manutenção e reparação de moldes de injeção de Plásticos, usinagem de peças e representação comercial. De pronto deixo consignado que dentre os motivos da exclusão aqui tratada, em nenhum momento há qualquer alusão à atividade de representação comercial. O Despacho Decisório de fls. 15/18 discorre sobre as atividades da empresa e da profissão de engenheiro, cita a legislação específica e consigna expressamente: 5. Nesse contexto, a fabricação, manutenção e reparação de moldes de injeção de plástico, bem como a usinagem de peças, é (são) serviço(s) técnico(s) que, por definição legal, é (são) necessariamente desenvolvido(s) com o concurso de engenheiros, tecnólogos ou técnicos. 6. Destarte, mesmo quando tais serviços são desenvolvidos, apenas, com o emprego de pessoa(s) desprovida(s) de qualquer dessas titulações formais, ainda assim, legalmente, permanece inarredável a latente vinculação das atividades em comento com as atribuições legais daqueles profissionais. Os argumentos da recorrente estão no sentido da impossibilidade do emprego da analogia, particularmente na genérica expressão “assemelhados” tal como consta do art. 9°, XIII, da Lei n°9.317/1996. A decisão recorrida, ao enfrentar o argumento, assim se pronunciou: Assim, confrontando o consignado em seu objeto social (e declarado pela interessada) com o teor dos dispositivos legais, correto está o ADE em comento, fundamentado nas vedações da Lei 9.317/1996, em seu art. 9°, inciso XIII, pois a vedação à opção pelo Simples não abrange somente os serviços profissionais nele discriminados. Verificase que o impedimento também alcança a pessoa jurídica que preste qualquer serviço a eles assemelhado, e ainda aqueles cuja execução dependa de habilitação profissional legalmente exigida.(grifei) É de se ver, portanto, que a exclusão foi confirmada pela decisão recorrida com base no objeto social declarado nos atos constitutivos da recorrente e pela equiparação destes às atividades de engenheiro. Para aqui decidir, louvome em parte do voto proferido no acórdão n° 1701 00.217, tendo como relatora a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, que reproduzo com as adequações pertinentes ao caso em exame: O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei n° 9.317, de 1996, fixa: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010749/200464 Acórdão n.º 1302000.498 S1C3T2 Fl. 160 6 Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica. [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor,representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico,dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; A hipótese de indeferimento da opção da Recorrente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002, pressupõe a obtenção de receita proveniente da prestação de serviço profissional de engenheiro, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Tenho manifestado de que a simples previsão de determinadas atividades no objeto social das empresas não são, por si só, suficientes à caracterização do exercício de fato e de direito da atividade. O Contrato Social quer dizer previsão do exercício, mas não constituiu o fato gerador. Digo de fato e de direito, pois, o exercício in concreto de uma das atividades previstas dentre os objetivos sociais depende de tradução em linguagem competente. Ou seja, a fiscalização deve apurar e trazer aos autos comprovação da prática da infração, in casu o exercício de atividade vedada pelo regime simplificado. Não há óbice para as atividades da indústria e comércio na legislação do regime simplificado. Há restrição para serviços listados e assemelhados. Desde já registro minha crítica sobre a impropriedade técnica da legislação tributária que não pode lançar mão de expressões dúbias e/ou ambíguas — apesar de árduo trabalho, reconheço — sob pena de se verificarem zonas cinzentas como esta, seja para o contribuinte, seja para o aplicador da lei. Assim, me inclino a entender que a subsunção dos eventos (fatos in concreto) aos conceitos hipotéticos, deve ser analisada com vistas também à largueza do conceito que se impõe. Ora, a legislação que pretenda tributar os "assemelhados" a algo ou a alguém abre espaço para que as materialidades e as provas que as infirmam ou afirmam registre a subsunção do fato ao conceito da lei. Explico: A necessidade da contratação de engenheiro ("ou assemelhado") em matéria de empresas optantes pelo Regime SIMPLES deve ser verificada in concreto sob pena de impor penalidade a micro e pequenas empresas que desenvolvem seu objeto sem a necessidade efetiva de manutenção destes profissionais no quadro. O conceito de assemelhados nos abre duas frentes de interpretação uma extensiva e outra restritiva. Pela interpretação extensiva adotase que a classificação de uma atividade como profissional regulamentada é suficiente para vedação da adesão ao programa. Analisando restritivamente como devem ser as "conceitostipo" do direito tributário entendo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010749/200464 Acórdão n.º 1302000.498 S1C3T2 Fl. 161 7 que somente a constatação de que determinada atividade social desenvolvida in concreto, apesar da vedação legal imposta pode ensejar a exclusão do programa ou vedação da opção. No presente caso, a prova da atividade fática é nenhuma, pois nem mesmo foram acostadas notas fiscais capazes de comprovar a efetiva atividade da interessada. Portanto, não vejo nos autos a prova do exercício do fato impeditivo à opção pelo regime. DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de DARLHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720703/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/10/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
PREVIDENCIÁRIO. SÚMULA Nº1 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Na forma do previsto na Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RO Negado e RV Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-005.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. PREVIDENCIÁRIO. SÚMULA Nº1 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Na forma do previsto na Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 07 03 /2 01 2- 33 Fl. 250DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 228 e ss) opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2403002.416, proferido em 22/01/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, cuja ementa recebeu a seguinte redação: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 31/10/2010 PREVIDENCIÁRIO. SÚMULA Nº1 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Na forma do previsto na Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Não Conhecido”. Alega a Procuradora da Fazenda Nacional que o acórdão, ora guerreado, encontrase manchado pelo vício de omissão, uma vez que não foi apresentada a fundamentação para que o Recurso de Ofício fosse negado, constando apenas o seguinte parágrafo: “DO RECURSO DE OFÍCIO. Visto a decisão a quo e compulsada com os autos, conheço do Recurso para NEGARLHE PROVIMENTO”. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja apresentada a fundamentação referente ao recurso de ofício. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15586.720703/201233 Acórdão n.º 2301005.530 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A partir da leitura do Acórdão nº 2403002.416, notase que há a menção de que o Recurso de Ofício foi conhecido, mas a ele foi negado provimento. Vale ressaltar que o Recurso de Ofício foi oferecido em função do artigo 1º da Portaria MF n. 3, de 03/01/2008, sem que houvesse uma apresentação de seus argumentos, de modo que ao afirmar que: "Visto a decisão a quo e compulsada com os autos, conheço do Recurso para NEGARLHE PROVIMENTO", o conselheiro relator do Acórdão concordou expressamente com o Acórdão da DRJ, isto é, concordou com as razões de decidir do Acórdão da DRJ. Assim, em que pese possamos discutir que tal concordância poderia estar mais expressa na decisão, com a indicação das razões de decidir do Acórdão da DRJ no sentido de que quanto à falsidade da declaração não restou comprovada, como exige a lei, isto é, a autoridade fiscal não logrou êxito em demonstrar através dos meios disponíveis que o Impugnante inseriu nas GFIP informação diversa da realidade fática, e ainda, que o teria feito de maneira intencional, com fito de reduzir, afastar, retardar o recolhimento das contribuições previdenciárias, não há como negar que houve menção expressa de concordância com o Acórdão da DRJ no trecho já mencionado: "Visto a decisão a quo e compulsada com os autos, conheço do Recurso para NEGARLHE PROVIMENTO", de modo que não há omissão no acórdão. Dessa forma, voto por rejeitar os embargos. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 252DF CARF MF 4 Fl. 253DF CARF MF
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