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Numero do processo: 10980.004686/2003-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO
TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 da referida Lei, sendo esse o termo inicial de contagem do prazo prescricional de repetição do indébito
Numero da decisão: 1301-000.421
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (Relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Ricardo Luiz Leal de Melo
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.004686/2003-26 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1301-00.421 — 3' Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria IRPJ - Compensação Recorrente MOINHOS UNIDOS BRASIL MATE SA Recorrida ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 da referida Lei, sendo esse o termo inicial de contagem do prazo prescricional de repetição do indébito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 1a turma ordinária da primeira 5E00 DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (Relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. oti SLL-lt coi LEONARDO DE ANDRADE COUTO — Presidente e Redator Designado 1 EDITADO EM: JO /0211 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jackson da Silva Lucas e André Ricardo Lemes da Silva. Relatório MOINHOS UNIDOS BRASIL MATE SA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 06-19.439, de 02 de outubro de 2008, da l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata-se de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 771, proferido pelo Chefe do Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, pelo qual foi homologada parcialmente a compensação pleiteada pelo interessado. A origem do direito creditório informado pelo interessado é o montante de IRPJ negativo apurado em 31.12.1998, no valor de R$ 512.260,98. A unidade de origem reduziu esse saldo negativo em R$ 21.134,06, correspondente à parcela não confirmada de IRRF do qual o contribuinte se considerava beneficiário. Foi também deduzido daquele saldo o valor de R$ 56.118,73, referente às compensações sem processo (art. 14 da IN SRF n° 21/97) de débitos do ano de 2002, informadas em DCTF. Ainda de se acrescentar que outra parcela do saldo do IRPJ negativo, no valor de R$ 188.229,29, fora utilizada pelo interessado em compensações informadas no processo n° 10980.013025/2002-19, pelo que o saldo remanescente do direito creditório pleiteado é de R$ 246.778,90. Os débitos a compensar encontram-se discriminados nas Declarações de Compensação de fls. 1 a 5 e nas 53 DCOMPs de fls. 92 a 652. Uma dessas DCOMPs (de fls. 101 a 118) visou retificar a DCOMP de fls. 119 a 138. Porém, o interessado aumentou o valor do débito, em desrespeito ao art. 59 da IN SRF n° 600/2005, o que levou a unidade de origem a não acatar tal retificadora e proceder imediata cobrança da parcela correspondente ao acréscimo do débito (R$ 46,80). Parte das DCOMPs eletrônicas foi apresentada após o transcurso do prazo decadencial, cujo termo de inicio foi considerado pela unidade de origem como 1°.4.1999, data a partir da qual o sujeito passivo poderia proceder à compensação do saldo negativo de IRPJ de 1998 com o imposto apurado a partir de abril do ano subseqüente. Assim, somente os débitos informados em DCOMPs apresentadas até 31.12004 foram compensados e os demais (à exceção daquele informado na DCOMP retificadora não admitida) tiveram a compensação não homologada. Remanesceu um saldo de imposto negativo de R$ 125.772,57, não utilizado para compensação em vista da decadência. Em 30.7.2007, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 789) e, em 23.8.2007, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 792 a 814, como seguinte teor: 2 Processo n' 10980.004686/2003-26 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.421 Fl. 2 a) que por um equivoco, utilizara em seu pedido de restituição o formulário de fl. 4 do Anexo VI da IN SRF n° 210/2002, que é destinado para pedido de compensação; porém, que não permanecera inerte com relação a seu direito e que deve prevalecer a verdade material, de modo a ser afastada a decadência; b) que deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial conhecida como 5 + 5, ou seja, a de que o prazo decadencial flui apenas quando decorridos os cinco anos da homologação do lançamento; c) que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 não deve retroagir a fatos anteriores à sua vigência pois, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, essa retroatividade ofende o principio constitucional da autonomia e da independência dos poderes; d) que as divergências existentes entre os números da RFB e os da interessada quanto as compensações sem processo no ano de 2002 podem ter se refletido na diferença apontada no processo no 10980.013023/2002-11, que também é objeto de manifestação de inconformidade, motivo pelo qual deve ser reaberto prazo para conciliação das citadas diferenças; e) que deve ser desconsiderada a carta cobrança emitida contra a interessada. A l a Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 06-19.439, de 02 de outubro de 2008, indeferiu a solicitação de compensação com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. DECADÊNCIA. 0 prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, mesmo os sujeitos a lançamento por homologação, é de cinco anos e se conta do pagamento indevido seja qual for a sua causa, nos temos do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINIS IRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de argüição de inconstitucionalidade de lei, por tratar-se de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada Ciente da decisão de primeira instancia em 15/10/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2008 conforme carimbo de recepção à folha 1060. çJ 3 E MELO - Relator RICARDO L S la das Sess 11 de vemb o ok No recurso interposto (fls. 1060/1084) a recorrente traz os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. E o Relatório. Voto Conselheiro RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. De inicio vale destacar que — no que se refere a uma série de equívocos praticados pela Recorrente quando dos pedidos de restituição/compensação — a Recorrente não logrou êxito em explicar o ocorrido e juntar documentação comprobatória para tanto. Todavia, no que se refere à suposta ocorrência de prescrição em decorrência da aplicação da Lei Complementar n ° 118/2005, este relator tem se posicionado de modo diverso a esse entendimento. Por estarmos diante de tributos lançados por homologação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, o prazo prescricional é de 10 anos. Não sendo aplicável a Lei Complementar n ° 118/2005 logo a partir de sua publicação conforme mansa e pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, aplicando a tese dos 10 anos para fins de contagem do prazo prescricional e consequentemente homologando as compensações relativas aos valores não prescritos quando considerado o prazo de 10 anos. 4 Processo n° 10980.004686/2003-26 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.421 Fl. 3 Voto Vencedor Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO — Redator Designado Na análise do prazo prescricional para requerer restituição, não se pode olvidar que o pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o § 1° do art. 150 do CTN deixa bem claro o momento em que ocorre essa extinção: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato ern que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ) A condição resolutória não impede que o evento produza efeitos de imediato. A posterior homologação visa apenas ratificá-lo caso, no prazo legal, não sejam apurados fatos modificativos. Claro, portanto, que a extinção do credito tributário dá-se com o pagamento e não com a homologação. Assim, as disposições do art. 168 do CTN limitam o pedido aos pagamentos feitos há menos de cinco anos do requerimento: Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido ( ) Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; ( ) (grifo acrescido) 5 Em manifestação irrepreensível, MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA L bem analisa a questão e, inclusive, faz perfeita critica ao prazo decenal sustentado em alguns julgados do STJ (destaques acrescidos): 1. A Constituição atribui valor, espaço e tempo ao conteúdo .fático das normas, ultrapassando a sua dimensão exclusivamente normativa. 2. A desconformidade da norma infraconstitucional com a Lei Fundamental encerra uma contradição em si mesmo. Entretanto, os sistemas jurídicos constitucionais em vigor nos Estados Democráticos, universalmente considerados, têm se visto as voltas com o tratamento a ser dado ás leis promulgadas de forma incompatível com a Constituição ou cujo procedimento de produção normativa não se ateve ao rito legislativo estabelecido, em face das conseqüências sociais advindas de uma posterior retirada da juridicidade de normas que já produziram efeitos ao tempo de sua vigência. 3. No estudo comparado dos sistemas constitucionais de diversos 'vises constata-se a firme tendência no sentido de flexibilizar e até mesmo impedir a produção de efeitos retroativos da pronuncia de inconstitucionalidade. 4. 0 sistema jurídico brasileiro combina dois métodos de verificação da constitucionalidade das leis e atos normativos federais e estaduais: o direto, que também é chamado concentrado, principal ou em tese ou abstrato; e o indireto, ao qual se aplicam igualmente as designações de difuso, incidental, por via de exceção ou concreto. 5. Os princípios constitucionais da legalidade e da segurança jurídica têm como escopo defender a existência do Estado Democrático de Direito. 0 principio da legalidade estrita no Direito Tributário visa, essencialmente, a segurança jurídica e a não-surpresa para qualquer das partes da relação jurídica. Antepõem-se como balizas os princípios da anterioridade e da anualidade, esta última mitigada no caso das contribuições, mas ainda suficiente para atender ao desiderato implícito na Constituição da não-surpresa em matéria tributá ria. 6. 0 constitucionalismo arrima-se, fundamentalmente, na ordem jurídica exsurgente do poder constitucional originário e, regra geral, aperfeiçoa-se, no fluir do tempo, pelas modificações que porventura sejam necessárias introduzir, o que é executado pelo poder constituinte derivado. A revisão posterior de norma produzida sem observância do rigor constitucional imprescindível à sua validade e eficácia, mas que mesmo assim adentra no ordenamento jurídico, é efetuada em momento diverso daquele em que ela foi gerada, o que faz com que ela deixe rastros indeléveis de sua existência no universo ftitico que juridicizou. 7. A Lei n" 9.868/1999, visando atingir o desiderato da segurança jurídica, sobrepôs o interesse social e o principio da . . aretto Tributário e Processo Administrativo Aplicados, Coordenação Heleno Taveira Torres, Mary Elbe Queiroz e Raymundo Juliano Feitosa; Quartier Latin, la ed., Sao Paulo, 2005, p.1721174. 6 Processo n° 10980.004686/2003-26 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.421 Fl. 4 segurança jurídica ao principio da legalidade, autorizando o STF modular a eficácia da declaração produzida restringindo seus efeitos ou estabelecendo-lhe o die a quo. 8. Os institutos da decadência e da prescrição em matéria de direito tributário alcançam, o primeiro, o exercício do direito potestativo (poder-dever) da Administração em praticar o ato administrativo do lançamento (CTN, art. 173) e o segundo, o crédito tributário constituído ou o pagamento efetuado (art. 150 CTN). 9. A homologação deve ser entendida como um dos elementos acessórios do negócio jurídico, qual seja, a condição. Portanto, a homologação do lançamento caracteriza-se por ser condição resolutiva do lançamento. Em face de a regra legal enkixar na atividade de pagamento do contribuinte todos os requisitos necessários ao nascimento e extinção do crédito tributário — prática da ação pertinente a ocorrência do fato gerador, nascimento da obrigação tributária, constituição do crédito tributário pela identificaçcio dos elementos da regra matriz de incidência, bem como a respectiva extinção, fazendo a ressalva da condição resolutiva, a qual atribui eficácia plena ao pdgamento no momento de sua realização, é forçoso concluir que os prazos de decadência e prescrição fluem simultaneamente. Tal conclusão derrui a tese prevalente no STJ da .sucessividade de tais prazos. 10. A norma do art. 173 do CTN constitui-se em regra geral de decadência no Direito Tributário. A norma do art. 150, § 4" constitui-se em regra especifica de decadência para uma espécie especifica de lançamento — opor homologação. 11. Na declaração de inconstitucionalidade, a imediata e instantânea supressão da norma do mundo jurídico (efeito ex tune) é o efeito conseqüente. Entretanto, no curso de sua trajetória para o passado no processo de anulação da juridicização que a norma irradiou sobre os fatos então ocorridos, sofre a atuação de outros institutos que, como vetores, se não lhe modifica a rota na direção do momento em que a norma foi editada, tira-lhe a força. 12. Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade subsistem, porém o exercício de tal direito fica impossibilitado a partir cio momento no tempo em que a prescrição e a decadência atuarem seccionando o tempo decorrido em duas partes: uma em que eles já operaram e outra em que eles ainda não atingiram. Na parte em que tais institutos já operaram seus efeitos encontram-se o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Os prazos judiciais operam a coisa julgada. 13. A não caducidade da possibilidade de se avaliar a conformidade da norma jurídica a Constituição não enseja, também, a não caducidade dos direitos quer subjetivos, quer potestativos. 0 direito, enquanto criação cultural, tem o escopo na previsibilidade e segurança das relações entre os indivíduos e entre estes e o Estado. pk/ 7 14. A presunção de constitucionalidade das leis não é absoluta. Com a adoção dos dois tipos de controle de constitucionahdade pelo sistema jurídico brasileiro — concentrado e difiiso, não é necessário aguardar uma ação direta de inconstitucionalidade para repetir o tributo indevido. A declaração de inconstitucionalidade posterior e em controle concentrado não tem o condão de reabrir prazos superados. 15. A retirada da norma do mundo jurídico no presente em razão da declaração de inconstitucionalidade obsta a produção de seus efeitos para o futuro. Inadmissível que atinja os efeitos produzidos no passado, que tenham sido consolidados pela decadência e pela prescrição. 16. A jurisprudência do judiciário, de forma ainda incipiente, tende a adoção do posicionamento ora defendido, vislumbrando- se o fato de ser inadmissível para o estudioso do direito, mormente para o seu operador cuja decisão produz norma individual e concreta, acatar a tese da não caducidade como regra do Direito. A questão foi definitivamente esclarecida através da Lei Complementar n° 118/2005 que estabeleceu: ( ) Art. 3' Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 da referida Lei. Art. 4' Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 39-, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No que se refere a manifestação do STJ, negando aplicabilidade aos dispositivos mencionados para fatos anteriores a edição dessa norma, o STF entendeu que aquele Tribunal desobedeceu a clausula de reserva de plenário. Assim, os artigos transcritos estão plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio (RE 498893 — AgR-ED/SP, sessão de 12/05/2009 — Relator Ministro Cezar Peluso): Ementa EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Lei Complementar n" 118/2005. Declaração de inconstitucionalidade por órgão fracionário. Violação ao art. 97 da CF/88. Súmula vinculante n° 10. Aplicação. Embargos de declaração acolhidos. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Ç ) , ..% 8 Processo n° 10980.004686/2003-26 S I-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.421 Fl. 5 Pelo exposto, voto por manter o entendimento no sentido de que ocorreu a prescrição do direito de pleitear a restituição, motivo pelo qual o recurso voluntário deve ser improvido. LEONARDO DE ANDRADE COUTO — Redator Designado 9
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001489/2005-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A norma jurídica que comina penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da conduta infracional tem aplicação pretérita sobre atos não definitivamente julgados.
DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFORMAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA.
DIF Papel Imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à pena cominada no artigo 57 da Medida Provisória 2.158-35, de 27 de julho de 2001, c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, caput e inciso II, da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para limitar a penalidade em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por infração.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros:Rodrigo Mineiro Fernandes,Mônica Garcia de los Rios e Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma jurídica que comina penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da conduta infracional tem aplicação pretérita sobre atos não definitivamente julgados. DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFORMAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel Imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à pena cominada no artigo 57 da Medida Provisória 2.158-35, de 27 de julho de 2001, c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, caput e inciso II, da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma jurídica que comina penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da conduta infracional tem aplicação pretérita sobre atos não definitivamente julgados. DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFORMAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel Imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à pena cominada no artigo 57 da Medida Provisória 2.15835, de 27 de julho de 2001, c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, caput e inciso II, da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para limitar a penalidade em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por infração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 89 /2 00 5- 17 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.001489/200517 Acórdão n.º 3101001.403 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros:Rodrigo Mineiro Fernandes,Mônica Garcia de los Rios e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório O presente processo já foi exaustivamente relatado em fls. 245 a 254 dos autos, pelo então conselheiro Nilton Luiz Bartoli, em sessão de 15.10.2008 da Terceira Câmara do, também, então Terceiro Conselho de Contribuintes, que através do acórdão de nº 303 35.690, por unanimidade de votos, declinaram da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria. Entretanto, com a transformação dos três Conselhos de Contribuintes no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e a nova disciplina na distribuição das matérias, a desse processo passou a ser dessa 3º Seção de julgamento e assim, a mim foi distribuído o presente processo para julgamento. É o relatório, no caso complementar. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Reportome ao relatório complementado acima de fls. 245 a 254, por entender desnecessário sua repetição, mas tratase o presente processo de aplicação de multa referente ao atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF – Papel Imune), relativa a todos os trimestres dos anos de 2002 e 2003 e 1º e 2º trimestre do ano de 2004. No que respeita à legalidade da exigência a DIF Papel Imune é obrigação acessória instituída pela IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001 [1], legalmente amparada no 1 IN SRF 71, de 2001, artigo 10: Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.001489/200517 Acórdão n.º 3101001.403 S3C1T1 Fl. 5 3 artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999 [2], em consonância com os artigos 96 [3], 113, § 2º [4], e 115 [5] do Código Tributário Nacional. Apesar disso, forte no princípio da retroatividade benigna6, entendo que o atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à penalidade indicada no artigo 12 da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009 [7], cuja base legal é o artigo 57 da Medida Provisória 2.158 34, de 27 de julho de 2001 [8], ao revés do artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001 [9]: a nova instrução normativa deixa claro que a penalidade é de R$ 2.500,00 por infração para as micro e pequenas empresas; apoiado na redação da instrução normativa que instituiu a obrigação tributária acessória, o fisco havia lançado multa equivalente a R$ 5.000,00 por mês de atraso na entrega da declaração, inclusive com a redução de 70% no cálculo da multa com 2 Lei 9.779, artigo 16: Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 3 CTN, artigo 96: A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 4 CTN, artigo 113: A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. [...]. 5 CTN, artigo 115: Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. 6 CTN, artigo 106: A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (I) em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (II) tratandose de ato não definitivamente julgado: (a) quando deixe de definilo como infração; (b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 7 IN SRF 976, de 2009, artigo 12: A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (I) 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e (II) de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (Parágrafo único) Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. 8 Medida Provisória 2.15834, de 2001, artigo 57: O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (I) R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (II) cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Parágrafo único) Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. 9 IN SRF 71, de 2001, artigo 12: A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.001489/200517 Acórdão n.º 3101001.403 S3C1T1 Fl. 6 4 base no parágrafo único do artigo 57 da MP 2.15834, por tratarse a Recorrente optante do SIMPLES. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para limitar a penalidade em R$ 5.000,00 (cinco mil e quinhentos reais) por cada DIF Papel Imune transmitida a destempo. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000415/2004-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
FÉRIAS INDENIZADAS, NÃO-INCIDÊNCIA.
Não há incidência do Imposto de Renda sobre férias indenizadas e abono pecuniário de férias pagos por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, da aposentadoria, ou da exoneração.
IRPF. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS, AVISO PRÉVIO E FGTS.
O art. 39, XX, do RIR/99 isenta do imposto a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho, bem como os valores correspondentes ao FGTS.
Numero da decisão: 2202-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 FÉRIAS INDENIZADAS, NÃO-INCIDÊNCIA. Não há incidência do Imposto de Renda sobre férias indenizadas e abono pecuniário de férias pagos por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, da aposentadoria, ou da exoneração. IRPF. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS, AVISO PRÉVIO E FGTS. O art. 39, XX, do RIR/99 isenta do imposto a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho, bem como os valores correspondentes ao FGTS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
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Não há incidência do Imposto de Renda sobre férias indenizadas e abono pecuniário de férias pagos por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, da aposentadoria, ou da exoneração. IRPF. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS, AVISO PRÉVIO E FGTS. O art. 39, XX, do RIR/99 isenta do imposto a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho, bem como os valores correspondentes ao FGTS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 04 15 /2 00 4- 42 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 13819.000415/200442 Acórdão n.º 2202002.291 S2C2T2 Fl. 74 3 Relatório A contribuinte acima identificada insurgese contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 45 a 51, relativo ao IRPF/01, por meio da impugnação de fls 01 a 05. O lançamento originouse da omissão de rendimentos tributáveis no montante de R$ 80.840,44 decorrentes de ação trabalhista movida contra a empresa Eldorado S/A (fl. 48). A contribuinte apresentou a impugnação alegando que: Recebeu em razão da ação trabalhista movida contra a empresa Eldorado S.A a importância de R$ 147.040,29. A empresa efetuou o recolhimento do imposto de renda devido no valor de R$ 14.361,29. Ocorre que parte significativa do montante recebido, referese a verbas indenizatórias, tais como aviso prévio, férias, acrescida do terço constitucional, FGTS e indenização por litigancia de mdfé , sobre os quais não incide imposto de renda, conforme comprovam as inclusas cópias da sentença judicial e parte do laudo contábil realizado naqueles autos. do montante de R$ 147.040,29 deve ser abatido o total de R$ 76.732,74 recebido a titulo de verbas indenizatórias, restando R$ 70.307,55 de verbas tributáveis que resultaria no imposto devido de R$ 19.334,58 conforme demonstrativo efetuado. Com o recolhimento de R$ 14.361,29 de imposto, resta somente R$ 4.973,29 de imposto a pagar. contesta, também o valor de multa e juros pois a base de cálculo é outra. é pessoa idosa com sérios problemas de saúde e não tem condições de responder pelo crédito tributário a ela imputado. Apresenta documentos para comprovação. Solicita o acolhimento da impugnação e prazo para o pagamento ou parcelamento dos valores frente ao estado precário financeiro e de saúde da requerente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, DRJ/SPII, ao analisar ao analisar o pleito, nega provimento a impugnação apresentada, através do acórdão 1744.772, de 27 de setembro de 2010, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não restando comprovado nos autos o montante de rendimentos não tributáveis, pleiteados como redução dos rendimentos considerados omitidos, é de se manter o lançamento de oficio. Devidamente cientificado, dessa decisão foi apresentado recurso voluntário, onde se reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A discussão dos autos, versa sobre a natureza indenizatória ou não da verbas referentes ao FGTS, Aviso Prévio e Férias paga por ocasião da rescisão do contrato de trabalho decorrente da Reclamação Trabalhista interposta pela Recorrente. Para tanto devemos aplicar ao presente caso o disposto no inciso XX, do artigo 39, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que representa o disposto nos artigos 6, da Lei 7.713, de 1988, e art. 28 da Lei 8.036, de 1990: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 13819.000415/200442 Acórdão n.º 2202002.291 S2C2T2 Fl. 75 5 Nos termos da referida norma legal, entendo que o FGTS, as Férias e o Aviso Prévio pagos quando da rescisão do contrato de trabalho, decorrentes de Reclamação Trabalhista, tem natureza indneizatória, portanto não seriam fato gerador do imposto de renda. A DRJ entendeu que a Recorrente não teria conseguido comprovar a natureza da tais verbas. Discordo de tal entendimento, uma vez que ao analisarmos o laudo pericial de fls. 24 a 40, que foi apresentado na Reclamação Trabalhista, o perito judicial faz a discriminação detalhada de tais verbas, ou seja R$ 1.582,77 se refere a férias, R$ 6.486,52 se refere a aviso prévio e R$ 77.041,23 se refere a FGTS, o que totaliza o montante de R$ 85.106,52. Desta forma entendo que assiste razão a Recorrente, tendo em vista que tais verbas tem natureza indenizatória. Neste sentido conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13807.012414/2002-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992
O direito de pleitear a restituição extingue-se em cinco anos contados da data
do trânsito em julgado sentença judicial por meio da qual foi pleiteada a
restituição.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-00197
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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MINISTÉRIO DA FAZENDA . g-41W ; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13807.012414/2002-18 Recurso n° 142.711 Voluntário Acórdão n° 3201-00.197 — r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MINUSA TRATORPEÇAS LTDA. Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 O direito de pleitear a restituição extingue-se em cinco anos contados da data do trânsito em julgado sentença judicial por meio da qual foi pleiteada a restituição. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. LUIS MARCE GUERRA DE STRO - Presidente '— ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Processo n° 13807.012414/2002-18 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.197 Fl. 1.079 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "O presente processo trata de declarações de compensação, cujo crédito decorre da decisão transitada em julgado proferida nos autos da ação judicial n° 94.0000579-2, que objetivou a restituição dos valores de FINSOCIAL recolhidos com base em alíquotas superiores a 0,5% nos períodos de apuração de 01/1988 a 03/1992. A DERAT/SP emitiu o Despacho Decisório de fls. 727/731, no qual não homologa a compensação pleiteada, devido à ocorrência da prescrição prevista no Decreto n°20.910/32. -O contribuinte, inconformado com o despacho decisório que indeferiu seu pleito, apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 737/752) alegando em síntese o que se segue: a) "O fato de ter havido a utilização do instituto da compensação se deu em prazo factível, posto que no CCivil de 1916, no direito pessoal o prazo prescricional era de 20(vinte) anos e o prazo no direito real era de 10 (dez) anos, até o advento da vigência do novo CCivil de 2002, quando o prazo passou a ser de 10 (dez) anos. Portanto, a recorrente procedeu a sua compensação dentro do que realmente prescrevia a legislação em regência, ficando evidenciado que não houve qualquer prescrição de seu direito". b) Segundo Súmula n° 150 do STF, a execução do julgado prescreve em prazo idêntico ao da decadência do direito à ação de conhecimento. O prazo decadencial para repetir o indébito só se inicia depois de decorridos cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, a partir da homologação expressa ou tácita, para os tributos que utilizam a modalidade de lançamento "por homologação", totalizando dez anos. Assim, sendo de dez anos o prazo prescricional para ter declarado o indébito, idêntico prazo deve ser observado para fazer uso do direito reconhecido por intermédio do respectivo titulo judicial. c) A Resolução n° 50/1995 do Senado Federal produziu efeitos ex tune ao direito da recorrente. Deste modo, a suplicante defende que o prazo de prescrição tem por termo inicial o ato normativo citado. d) São inaplicáveis as disposições contidas no DL n° 4.597/42, em face de que, a teor do art. 25, I, § 1°, dos ADCT, ficaram revogados na sua integralidade, a partir de 180 (cento e oitenta) dias da promulgação da CF/88, todos os dispositivos legais que atribuíam ou delegavam a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, fiCI9 ‘01 2 A Processo n°13807.012414/2002-18 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.197 Fl. 1.080 o que evidentemente não ocorreu, ficando, assim, a teor do que dispõe o § 1, do art. 25, dos ADCT, totalmente rejeitadas. Menciona em sua petição jurisprudência sobre o assunto, buscando sustentar sua tese e pleiteia que seja reformada a decisão da Delegacia da Receita Federal — SP. É o relatório." A 68 Turma da DRESPOI indeferiu a solicitação, em decisão que recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PRAZO EXTINTIVO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da homologação da sentença judicial em Ação de Repetição de Indébito. Já a prescrição dos débitos ocorre neste mesmo prazo, caso não ocorra nenhuma hipótese de interrupção da contagem prevista no art. 174 do CTN." Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, insistindo nos argumentos já trazidos na impugnação. Alega possuir outro titulo judicial transitado em julgado em 14/08/2006, referente à ação 92.70.00855-0, aforada em 17/02/1995. Aduz que, com a criação da Súmula vinculante, as decisões do Poder Judiciário devem ser seguidas no Administrativo. Faz considerações sobre o instituto da prescrição intercorrente, que não poderia ser aplicada em seu desfavor. Socorre-se da jurisprudência do STJ no sentido de que o prazo seria de dez anos contados do fato gerador (teoria dos cinco mais cinco), defendendo que, como a segunda parte do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005 foi declarada inconstitucional, somente a partir da sua edição é que se deve passar ao prazo de cinco anos. Solicita, finalmente, a insubsistência da decisão recorrida. É o relatório. fiR 3 4 Processo n° 13807.012414/2002-18 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.197 Fl. 1.081 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora Conheço do recurso voluntário, que é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma. A recorrente, por meio de ação judicial (ordinária de número 94.0000579-2) obteve resultado parcialmente favorável ao seu pleito de compensação da Contribuição para o Finsocial pago a uma alíquota superior a 0,5% com débitos da Cotins. A ação transitou em julgado em 23/05/1997. De posse desse título, deu entrada administrativamente a um pedido de restituição no valor de R$ 579.091,78, relativo a fatos geradores ocorridos no período de 01/1988 a 03/1992. Ocorre que o pleito está fulminado pela decadência. Com efeito, o código Tributário Nacional, em seu artigo 165, estabelece que: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." (grifei) O artigo 168, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." (grifei) Or 4 e Processo n° 13807.012414/2002-18 53-C2T1 Acórdão rt.° 3201-00.197 Fl. 1.082 O Mestre Aliomar Baleeiro já afirmava: " 1 0 inciso III, do art. 165, segundo nos parece, refere-se à hipótese de ter sido o crédito apreciado pelo Poder Judiciário, seja pela defesa do sujeito passivo em executivo fiscal (Decreto-Lei n° 960, de 17/12/1938) intentado pelo sujeito ativo, seja em ação movida contra este por aquele, para declarar a inexistência do débito ou relação jurídica (CPC de 1973, art. 4° e parágrafo único) ou anular o crédito tributário, ou mesmo em mandado de segurança nos limites restritos deste (CF, art. 153, par. 21; Lei 1.533, de 31/12/19512)." É esta também a jurisprudência que tem norteado as decisões dos Conselhos de Contribuintes. Destarte, no caso em apreço, começa-se a contar o prazo para a restituição do indébito a partir do trânsito em julgado da ação que a empresa moveu contra a União, ou seja, a partir 05/06/1997. Assim, como a empresa deu entrada no pedido no âmbito administrativo em 22/11/2002, já haviam se passado os cinco anos contados da data do trânsito em julgado da sentença. A empresa defende o prazo de dez anos para a restituição, socorrendo-se de jurisprudência do Superior Tribunal Eleitoral que, realmente, encontra-se pacificada e a qual esta Conselheira curvou-se. Ocorre que mesmo essa não a socorre. Com efeito, os últimos fatos geradores de seu pleito ocorreram em março de 1992 e seu pedido administrativo, protocolizado em novembro de 2002, também se deu fora deste segundo prazo, que venceu em março deste mesmo ano. Quanto ao outro processo, de número 92.70.00855-0, envolvendo Finsocial, PIS, ILL e Contribuição Social, que teve seu trânsito em julgado em 14/08/2006, não tem qualquer efeito para fins de contagem do prazo decadencial para a restituição do Finsocial, uma vez que o direito à sua restituição já havia sido decidido no processo número 94.0000579-2. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009. cisargyoL....Lra ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora Direito Tributário Brasileiro. 11 ed. Forense: Rio de Janeiro, 2000.p. 881.
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015676/2004-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Ementa:
CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional - CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
Numero da decisão: 9101-001.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Susy Gomesm Hoffmann e José Ricardo da Silva.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 Ementa: CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional - CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Susy Gomesm Hoffmann e José Ricardo da Silva. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Susy Gomesm Hoffmann e José Ricardo da Silva. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 56 76 /2 00 4- 81 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de recurso especial de divergência (fls. 252/261) apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fulcro no inciso II do art. 7° do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, contra o Acórdão n° 10800.099, de 30/01/2009 (fls. 235/247), da extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja matéria diz respeito à tributação da glosa de dedução da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL de tributo com exigibilidade suspensa por força de medida judicial. No lançamento de ofício, a autoridade de fiscalização considerou que não teria sido adicionado à base de cálculo da CSLL, no anocalendário de 2001, uma provisão indedutível, sob o entendimento de que o tributo com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN, é indedutível para efeito de determinação de base de cálculo da CSLL, por configurar provisão, fazendoo com fulcro no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/1995, c/c o art. 57 da Lei nº 8.981/1995, que veda a dedução de qualquer provisão, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. O aresto recorrido está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 2001 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DECISÃO JUDICIAL. A regra geral para a apuração de tributos é o regime de competência. Na sistemática adotada pelo Código Tributário Nacional CTN, o fato gerador é elemento não apenas necessário, mas também suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Assim, o tributo cuja exigibilidade está suspensa por decisão judicial configura obrigação no passivo da empresa e não mera provisão para riscos, restando prejudicada a aplicação da norma prevista no art. 13, I, da Lei 9.249/95. Por outro lado, a extensão de normas de apuração do IRPJ para a CSLL (art. 57 da Lei 8.981/95) somente seria cabível para regras gerais, que envolvesse todas as receitas e todas as despesas, mas não para regra específica de diferimento na dedução de uma determinada despesa (com conseqüência certa no aumento de tributação), e que é prevista exclusivamente para o IRPJ, nos termos do caput do art. 42 da Lei 8.981/95. Recurso Voluntário Provido. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015676/200481 Acórdão n.º 9101001.512 CSRFT1 Fl. 9 3 Para caracterizar a divergência foram apresentados os acórdãos nºs 101 96.680 e 10194.491, assim ementados: · Acórdão n.° 10196680 Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Anoscalendário: 2000 a 2004 DEDUÇÃO DA PROVISÃO — CSLL TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — REGIME DE CAIXA Para fins de apuração da base de cálculo da CSL, o valor correspondente à provisão para pagamento de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa deverá ser contabilizado pela pessoa jurídica pelo regime de caixa, em consonância com a legislação vigente. · Acórdão nº 10194491 CSLL – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS – TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. CSLL – ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS – TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – A dedutibilidade de tributos ou contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial, somente ocorrerá por ocasião em que houver decisão .final da justiça desfavorável à empresa. A recorrente aduz que (fls. 258): A jurisprudência administrativa é assente no sentido de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, constituem provisões (e não despesas incorridas), a serem contabilizadas pelo regime de caixa, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo de outro tributo, no caso específico, da CSLL, conforme comandos conjugados dos artigos 41, caput e seu § 1°, da Lei n.° 8.981/95 e 13,1, Lei n.° 9.249/95; a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho, no sentido de que as provisões que devem ser registradas no Passivo são aquelas de caráter contingente (cobertura de riscos de perdas potenciais) e as decorrentes de obrigações potenciais, assim consideradas aquelas que ainda não foram formalizadas ou consideradas incondicionais de acordo com o direito aplicável à espécie. Assim, o traço característico fundamental de uma provisão é a sua inexigibilidade, que decorre da natureza provisória ou potencial da obrigação". É o mesmo autor que completa: "a exigibilidade de uma obrigação afasta toda e qualquer cogitação acerca do caráter de provisão do valor que é imputado ao resultado do período. Diante de uma obrigação exigível, não cabe cogitar de provisão, mas, de despesa incorrida.” Destaquei. Igual visão é compartilhada por Rubens Gomes de Sousa, para quem "as provisões são inexigibilidades“; Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 sendo certo que, em caso de apresentarse exigível a obrigação, não se cogita de provisão, a contrario sensu, em se tratando de obrigação inexigível (por estar suspensa sua exigibilidade ou por outra causa), há provisão, indedutível, portanto, nos termos do art. 13, 1, da Lei n.° 9.249/95; Tal ordem de idéias, como visto, encontrase perfeitamente espelhada no Acórdão paradigma n.° 10194491, ao assentar, categoricamente, que "por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de Provisão; O acórdão paradigma n.° 10196680 confirma o entendimento, acrescentando que para fins de apuração da base de cálculo da CSL, o valor correspondente à provisão para pagamento de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa deverá ser contabilizado pela pessoa jurídica pelo regime de caixa, em consonância com a legislação vigente; Fixadas as premissas acima, convém salientar a total impropriedade de eventual alegação da empresa contribuinte no sentido de que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicarseia, exclusivamente, à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Assertiva desta sorte não encontra razão de ser, tendo em vista o disposto no art. 13, I, da Lei n.° 9.249/95, pelo qual restou vedada a dedução, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de quaisquer provisões, nestas incluídas as provisões constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuandose apenas as provisões para pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário e as provisões técnicas exigidas por legislações especiais. O art. 57 da Lei n.° 8.981/95 permite idêntica conclusão. Através do Despacho nº 12000.359/2009 2ª Câmara/Colegiado único, de 19/10/2009 (fls. 265/266), considerando a tempestividade e demais requisitos necessários à sua admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso especial. Cientificada, a recorrida apresentou contrarrazões (fls. 272/281), a seguir sintetizadas: que o acerto do acórdão recorrido é patente, ao reconhecer que o tributo suspenso configura efetiva obrigação tributária e não mera provisão para riscos, na medida em que ele possui base material (fato gerador), valor definido (base de cálculo e alíquota) e data certa de vencimento, restando prejudicada a aplicação da norma prevista no art. 13, I, da Lei 9.249/95. Também não merece reparo o entendimento de que a regra específica de indedutibilidade de tais despesas contida no art. 41, §1°, da Lei n° 8.981/95, aplicase, tãosomente, ao lucro real (base de cálculo do IRPJ); que embora a Fazenda considere como sendo provisão, na verdade se trata de contas a pagar; que não seria pelo fato de se estar discutindo se o tributo é ou não devido que lhe pode ser negada a característica de contas a pagar; que o fato de a RFB cobrar acréscimos legais de todo o período, tão logo a decisão judicial seja desfavorável ao contribuinte, prova que é devido, mas apenas não exigível naquele momento, o que não ocorreria se se tratasse de provisão; que não é a inexigibilidade temporária e revogável do crédito tributário que define a condição de provisão ou de efetiva despesa,. mas sim, a existência da obrigação por força de lei, seu reconhecimento por parte do contribuinte (e das autoridades fazendárias) e a precisão de seu valor; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015676/200481 Acórdão n.º 9101001.512 CSRFT1 Fl. 10 5 que não se enquadrando no conceito de provisão, não há se falar no seu enquadramento no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95; que a jurisprudência do CARF tem se posicionado pela imprevisibilidade legal da adição à base de cálculo da CSLL de todas as despesas que seriam indedutíveis na apuração do lucro real, fazendo referência a decisões nesse sentido; que chama atenção para o seguinte fato novo em relação ao Auto de Infração (já informado nos autos): em setembro de 2006 houve a reversão contábil do saldo da obrigação fiscal não adicionada no ano de 2001, e que motivou o lançamento ora combatido„ em virtude do encerramento do processo judicial n° 2001.38.00.0030900, com a conseqüente tributação desse valor para fins de apuração da CSL; que esse fato leva à conclusão de que como a suposta provisão, que não foi adicionada na base de cálculo da CSL no período autuado, foi revertida em período posterior ao do lançamento, sem que tenha havido sua exclusão da base de cálculo da CSL, o efeito da presente autuação passou a ser meramente temporal, ou seja, o tributo exigido já foi recolhido em período posterior; que em nome da verdade material fazse necessária a conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização de domicílio do contribuinte confirme que a obrigação referente ao pagamento da CSL já foi extinta através da tributação da reversão do passivo sem que houvesse a exclusão fiscal em setembro de 2006, após a qual, confirmada a ocorrência do efeito meramente temporal, conforme aqui alegado, a presente autuação somente poderá ser mantida no que se refere aos encargos moratórios, conforme já decidiu inúmeras vezes esse Conselho; que se esse não for o entendimento do colegiado, que seja preservado o seu direito à exclusão respectiva na base de cálculo da CSL no ano de 2006 (momento do trânsito em julgado da ação), como forma de garantir que a Recorrente não tribute em duplicidade a CSL objeto da presente autuação, prevenindose, ainda, contra a decadência desse direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. O recurso preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante Despacho nº 12000.359/2009 2ª Câmara/Colegiado único, de 19/10/2009 (fls. 265/266), merecendo ser conhecido. A matéria referese à não adição na base de cálculo da CSLL de tributos com exigibilidade suspensa em função de processo judicial movido pelo sujeito passivo, no caso contra a cobrança de contribuições em favor do INSS, em que foi requerida a não incidência dessa contribuição sobre os valores pagos a titulo de previdência complementar privada, por não integrarem o salário contribuição. Conforme informação trazida aos autos nas suas contrarrazões, a recorrida afirma que a supracitada demanda, objeto do processo judicial n° 2001.38.00.0030900, lhe foi favorável, mediante decisão transitada em julgado, e que, em face dessa decisão, em setembro de 2006 efetuara a reversão contábil do saldo da obrigação fiscal não adicionada no ano Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 calendário de 2001, com a conseqüente tributação desse valor para fins de apuração da CSL, asseverando que o efeito da autuação em causa passara a ser meramente temporal, porquanto o tributo exigido já teria sido recolhido em período posterior. Dessa forma, requer ainda nas suas contrarrazões, a conversão do julgamento em diligência para que seja averiguada a veracidade das afirmações acima delineadas, após o que, confirmado o pagamento da exação em período posterior, sua obrigação passaria a ser a de recolher apenas os encargos moratórios pela postergação do pagamento do tributo, mas que, em se admitindo a hipótese de não ser esse o entendimento do Colegiado, que lhe seja assegurado o direito à exclusão respectiva na base de cálculo da CSL no ano de 2006 (momento do trânsito em julgado da ação), como forma de garantir que a Recorrente não tribute em duplicidade a CSL objeto da presente autuação, prevenindose, ainda, contra a decadência desse direito. A propósito, comungo do entendimento de que os tributos discutidos judicialmente representam provisões, uma vez que ditas obrigações fiscais não têm data definida de pagamento, bem como possuem incerteza quanto à sua ocorrência, já que, para serem considerados devidos, dependem de decisão judicial transitada em julgado em favor do fisco, caso contrário, como no presente, nada há a deduzir em face da inexistência, declarada em Juízo, de relação jurídicotributária. Assim, diante da sua imprevisibilidade, entendo que se caracterizam como provisões fiscais, e não como despesa incorrida. Entendo, pois, que o trânsito em julgado ocorrido em ano posterior à dedução em causa evidenciou que, no momento em que foi deduzida, a situação era incerta, daí a sua indedutibilidade, cuja situação passou a ser certa e conhecida somente quando ocorreu o trânsito em julgado da ação judicial, externando, em caráter definitivo, o entendimento de que a questionada contribuição previdenciária não era devida, não havendo, pois, falarse na existência de obrigação, menos ainda em sua dedutibilidade. Feitas essas considerações iniciais, pertinentes em face do meu entendimento ser pela indedutibilidade dos valores questionados, contrariamente ao que fora decidido pela Câmara a quo, vislumbro a necessidade de se delimitar o litígio com vistas a uma análise do que realmente deve ser posto à nossa apreciação, enquanto instância especial uniformizadora da jurisprudência administrativa. Sendo assim, em termos de dissenso jurisprudencial a ser solucionado, se encontram em confronto duas teses: uma pela dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa por força de medida judicial (decisão recorrida), e a sua contraposição em relação ao acórdão divergente apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN no seu recurso especial de divergência. Portanto, entendo que qualquer outra discussão acerca de possíveis acertos que devam ser efetuados em relação ao que já teria ou não sido recolhido, e a que título, bem como sobre a realização de diligência com vistas a averiguações que no meu entender não teriam relevância alguma para o exercício da nossa competência de órgão julgador voltado para a uniformização da jurisprudência administrativa, não se constitui em matéria que deva ser objeto de apreciação em sede de recurso especial. Sendo assim, passo a discorrer sobre as teses em confronto, trazendo à baila decisão proferida por este Colegiado no Acórdão CSRF nº 9101000.592, sessão de 18/05/2010, no processo administrativo nº 16327.000670/200172, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015676/200481 Acórdão n.º 9101001.512 CSRFT1 Fl. 11 7 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Por bem traduzir o entendimento que considero correto para a abordagem do tema, peço vênia para transcrever voto proferido pelo i. Conselheiro Valmir Sandri no Acórdão nº 10194.491, sessão de 29/01/2004, relativo ao processo administrativo nº 10920.002057/200376, a cujos fundamentos me filio e adoto como razões de decidir: (...). Conforme se verifica do relatório, remanescem para ser analisada por esta E. Câmara as seguintes matérias: 1) Redução Indevida do Lucro Líquido para efeito de base de cálculo da CSLL no anocalendário de 1999 e 2000, pela utilização de parte da COFINS e da CPMF que se encontravam com a exigibilidade suspensa em virtude de antecipação de tutela; 2) Inobservância do Regime de Escrituração (a partir do AC 97) Antecipação de Custos ou Despesas, decorrente da não adição ao lucro líquido do exercício para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, de valores referentes ao PIS e COFINS (incluindo juros), que no anocalendário de 1999 estavam com sua exigibilidade suspensa por força de medida judicial; 3) (...). Em relação ao item 1, alega a Recorrente que a natureza da conta contábil em que a COFINS e CPMF foram escrituradas é de contas a pagar e não de provisão, por entender que o fato das referidas contribuições estarem com a sua exigibilidade suspensa, não significa que o crédito tributário correspondente não era devido, identificável ou mensurável, mas tão somente que o seu efetivo desembolso está postergado para o momento do término da ação judicial e que, portanto, até que não seja proferida decisão na ação judicial, são totalmente devidos. Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela Recorrente, entendo que o mesmo não tem como prosperar, até porque, se a Recorrente entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutífera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do anocalendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsumese a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Logo, decorre daí a necessidade da formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa em função de sua contingência passiva em exercício futuro, cujos, valores, apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei nº 9.259/95. Sendo assim, mantenho integralmente a decisão recorrida em relação a este item. Em relação ao item 2 (Antecipação de Custos ou Despesas), alega a Recorrente que o disposto no art. 41 e o parágrafo primeiro da Lei nº 8.981/95, prevê a indedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, unicamente para fins de apuração do lucro real, base de cálculo do Imposto de Renda e não para a Contribuição Social sobre o Lucro. De fato, a indedutibilidade dos tributos com a exigibilidade suspensa contida no art. 41, § 1°. da Lei nº. 8.981/95, era de aplicação exclusiva para efeito de apuração do lucro real, base de cálculo do Imposto de Renda, não encontrando fundamentação legal para fins da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro. Ocorre que, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei nº. 9.249/95, com exceção das provisões constituídas para pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário e das provisões técnicas exigidas por legislações especiais, ficaram vedadas para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, qualquer provisão, nesta incluídas as provisões constituídas em função de tributo e contribuição com exigibilidade suspensa. Logo, não há como prosperar os argumentos despendidos pela Recorrente, devendo, portanto, ser mantida integralmente a exigência em relação a este item. (...). Em suma, observo essa situação da seguinte forma: em 2001 a contribuição não era dedutível da base de cálculo da CSLL porque evidentemente não se podia prever qual seria o posicionamento judicial a respeito, enquanto que, quando do conhecimento do trânsito em julgado dessa decisão, que foi pela inexistência de Contribuição a recolher, restaria demonstrado, no mínimo, o acerto acautelatório da glosa procedida pela autoridade fiscal. A respeito dos ajustes pleiteados pela recorrida em suas contrarrazões, entendo que deverão ser encaminhados à repartição da RFB encarregada da execução do acórdão, que os analisará quanto à sua viabilidade. Pelos motivos acima expostos, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 326DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015676/200481 Acórdão n.º 9101001.512 CSRFT1 Fl. 12 9 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730851/2011-78
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTUAÇÃO RUBRICADA AO INVÉS DE ASSINADA. VÍCIO DE FORMA. FALHA NA IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DA COMPETÊNCIA. INEXISTE A NULIDADE SUSCITADA. ASSINATURA E RUBRICA. SINAIS GRÁFICOS QUE SE SUPREM. RELATÓRIO VÍNCULOS. MERA PEÇA INFORMATIVA. RENÚNCIA A PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. ATO DE AUTONOMIA DA VONTADE DA RECORRENTE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTUAÇÃO RUBRICADA AO INVÉS DE ASSINADA. VÍCIO DE FORMA. FALHA NA IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DA COMPETÊNCIA. INEXISTE A NULIDADE SUSCITADA. ASSINATURA E RUBRICA. SINAIS GRÁFICOS QUE SE SUPREM. RELATÓRIO VÍNCULOS. MERA PEÇA INFORMATIVA. RENÚNCIA A PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. ATO DE AUTONOMIA DA VONTADE DA RECORRENTE. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTUAÇÃO RUBRICADA AO INVÉS DE ASSINADA. VÍCIO DE FORMA. FALHA NA IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DA COMPETÊNCIA. INEXISTE A NULIDADE SUSCITADA. ASSINATURA E RUBRICA. SINAIS GRÁFICOS QUE SE SUPREM. RELATÓRIO VÍNCULOS. MERA PEÇA INFORMATIVA. RENÚNCIA A PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. ATO DE AUTONOMIA DA VONTADE DA RECORRENTE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 08 51 /2 01 1- 78 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.730851/201178 Acórdão n.º 2803002.398 S2TE03 Fl. 570 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração – AI DEBCAD 37.313.3758, que objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias relativa a parte patronal e descontadas dos segurados, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores contribuintes individuais, bem como do AI – DEBCAD 37.313.3782, que objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias relativa a parte descontadas dos segurados e a devida a outras entidades ou fundo terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados a título de alimentação sem PAT, e, ainda, do AI DEBCAD 37.313.3774, que objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias relativa a parte patronal e descontadas dos segurados, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores contribuintes individuais, por fim, encerra, também, o DEBCAD 37.313.3731, que objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias relativa a parte descontada dos segurados e a devida a outras entidades ou fundos terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados a título de alimentação sem PAT, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal PAF, de fls. 71 a 84, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 92 e 93. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 26/10/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 02; 14; 33 e 45. O contribuinte apresentou as suas defesas/impugnações, petições com razões, acostada, as fls. 366 a 372; 382 a 388; 398 a 404; 414 a 420, recebida, em 20/10/2011, conforme protocolo, de fls. 365; 381; 397; 413, estando acompanhada dos documentos, de fls. 373 a 380; 389 a 396; 405 a 412; 421 a 503. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 504 a 508, em relação a todos os créditos tratados nestes autos, remetidas ao órgão julgador de primeiro grau, fls. 508. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0823.023 5ª Turma da DRJ/CGE, em 15/03/2012, fls. 509 a 516, no qual a impugnação foi considerada improcedente. Porém, excluiu dos autos os créditos DEBCAD 37.313.3782 e 37.313.3731. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 28/09/2012, Termo de Ciência por Decurso de Prazo, de fls. 528 e 529. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 531 a 541, recebido, em 16/10/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 531, acompanhado dos documentos, de fls. 542 a 562, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas, relativas, exclusivamente, ao objeto dos créditos remanescentes nestes autos, DEBCAD’s 37.313.3774 e 37.313.3758. Preliminar. · que o lançamento contém vício que o leva a irremediável nulidade, uma vez que consta apenas a rubrica e não a assinatura do agente, o Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.730851/201178 Acórdão n.º 2803002.398 S2TE03 Fl. 571 3 que não permite verificar a legalidade do lançamento, pois o ato pode ter sido praticado por pessoa incompetente, cita Antônio da Silva Cabral, Marcelo Caetano, Hely Lopes Meirelles, situação esta incompatível com a segurança e a transparência que se espera do fisco; Mérito. · que o auto é nulo. Neste tópico o mérito confundisse com a preliminar, pois a recorrente alegou fato idêntico, porém apenas no mérito apresenta novos fundamentos, inclusive citando decisões de várias DRJ’s e doutrinadores, porém com a mesma tese como pano de fundo. Assim tais situações serão consideradas em conjunto. · que não se pode admitir inconstitucionalidade ou violação a princípios constitucionais praticados pela autoridade fiscal, como o Relatório de Vínculos, face a firme jurisprudência do STJ; · que as irregularidades são tão claras e evidentes que a recorrente renúncia ao artigo 7º, inciso IV, da PT 10.875/2007, no que toca a diligência e perícias, anexando documentos; · A recorrente requer: a) que o recurso seja acolhido e o débito cancelado. O órgão preparador reconheceu à tempestividade do recurso, fls. 568. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 568. É o Relatório. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.730851/201178 Acórdão n.º 2803002.398 S2TE03 Fl. 572 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os débitos 51.005.5737; 51.005.5745; 51.005.5753; 51.005.5761; 51.005.5770, não constituem o presente Processo Administrativo Fiscal – PAF, assim não serão objeto de consideração. Decisão quanto aos DEBCAD’s 37.313.3774 e 37.313.3758. Inicialmente, esclareço que a recorrente suscitou em preliminar e em parte do mérito, idêntica questão, qual seja nulidade da autuação pelo uso de rubrica no lugar de assinatura, o que violaria o artigo 10, VI, do Decreto 70.235/72, porém, apenas, com apoio em fundamentos distintos. Tal tese será julgada conjuntamente, a seguir. A substituição de assinatura por rubrica aposta, as fls. 02; 14; 33 e 45, não leva a nulidade do lançamento, como alega a recorrente. As teses, transcrições e julgados trazidos pela recorrente dão pela falta de assinatura e não pela sua substituição por rubrica ou a utilização de assinatura mínima, pois não há norma que determine o tamanho de uma assinatura ou o modelo desta, neste aspecto cada pessoa natural decide e escolhe o padrão que vai usar. Além do que já foi dito acima o judiciário na decisão a seguir colacionada não fez distinção entre o uso de rubrica ou assinatura sendo, ambas, válidas, observese a transcrição. ADMINISTRATIVO. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. PEDIDO DE LIBERAÇÃO. EXIGÊNCIA QUANTO À ASSINATURA DO IMPORTADOR. UTILIZAÇÃO DE CHANCELA. ACEITAÇÃO. 1. Cuida de apelação da Fazenda Nacional contra decisão singular que concedeu a segurança, confirmando a liminar determinando que a autoridade impetrada, aceite documentação que embora ausente de assinatura do importador, encontrase devidamente chancelada pelo exportador , e proceda, incontinenti, o desembaraço e a liberação das mercadorias da impetrante, descritas na Declaração de Importação nº 00/12215567. 2. Segundo o "Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda", o verbete "chancela", entre outros, significa "rubrica que se grava em sinete para suprir assinatura ou pôr marca em documentos". Se pela chancela ou por qualquer via informática se tem a segurança do documento, não como há discutirse sua validade por não acarretar prejuízo quanto à segurança, admitindose, portanto, sua utilização. 3.Apelação e remessa oficial improvidas. (AMS 200181000000644, Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.730851/201178 Acórdão n.º 2803002.398 S2TE03 Fl. 573 5 Desembargador Federal Petrucio Ferreira, TRF5 Segunda Turma, DJ Data::04/01/2007 Página::14 Nº::3.) (grifo meu). Não fosse o que foi dito acima suficiente, dos documentos que compõem o presente PAF, podese verificar que o agente autuante alternadamente usou o sinal gráfico menor e o sinal gráfico maior. Verificase do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 93 e 94, que a fiscalização iniciouse, em 22/03/2011, bem como pelo Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEPF, de fls. 100 e 101, que a fiscalização concluise, em 26/10/2011, onde o primeiro conta com a assinatura por extenso e o último com a reduzida. Aliás, durante o curso do procedimento fiscal, que durou um pouco mais de sete meses o contribuinte atendeu as diversas solicitações do agente tanto das assinadas, como das que supostamente são meramente “rubricadas” – como alega sem contestar a capacidade do agente fiscal para promover o procedimento fiscalizatório, pois deve ter exigido sua identificação quando do início dos procedimentos. Destarte, com os argumentos acima afasto a preliminar de nulidade, bem como rejeito as mesmas alegações, quando arguidas em mérito. O fato de haver nos autos o Relatório Vínculos não encerra nenhuma inconstitucionalidade ou violação a princípios constitucionais ou a firme jurisprudência do STJ, pois tal relatório é mero documento informativo no curso do PAF, assim, diz a súmula CARF, que transcrevo. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. O contribuinte tem o poder de renunciar e desistir do que ele bem entender na esfera administrativa e isto não afeta a validade do PAF. Posto isto, afasto todas as alegações da recorrente por falta de lastro fático e jurídico. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.730851/201178 Acórdão n.º 2803002.398 S2TE03 Fl. 574 6 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000452/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Esta pessoa jurídica não é aquela que decidiu realizar a importação, mas aquela que a operacionalizou, ou seja, aquela que trouxe o produto importado do exterior.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº. 85.746.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Charles Mayer de Castro Souza - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Jacques Maurício Ferreira Veloso, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Esta pessoa jurídica não é aquela que decidiu realizar a importação, mas aquela que a operacionalizou, ou seja, aquela que trouxe o produto importado do exterior. Recurso de Ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº. 85.746. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Charles Mayer de Castro Souza - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Jacques Maurício Ferreira Veloso, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 6.577 1 6.576 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000452/200970 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3202000.674 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria IPI Equiparação Recorrente L'OREAL BRASIL COMERCIAL DE COSMÉTICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Esta pessoa jurídica não é aquela que decidiu realizar a importação, mas aquela que a operacionalizou, ou seja, aquela que trouxe o produto importado do exterior. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº. 85.746. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Charles Mayer de Castro Souza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Jacques Maurício Ferreira Veloso, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 52 /2 00 9- 70 Fl. 6577DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, formalizado através de auto de infração (fls. 278/ss), lavrado em 17/07/2009, para a cobrança do IPI, multa de ofício e juros de mora, referente ao período de apuração 01/07/2004 a 31/12/2006, no montante de R$ 43.899.680,54. Segundo a fiscalização, a empresa L’OREAL BRASIL Comercial de Cosméticos Ltda. (atual denominação social da BELOCAP Produtos Capilares Ltda.) deve ser equiparada a estabelecimento industrial por força do disposto no artigo 39 da Medida n° 2.158 35/2001, uma vez que teria dado saída a produtos de procedência estrangeira classificados nas posições 33.03 a 33.07 da TIPI, adquiridos do importador, sem lançar nem recolher o IPI incidente nessas operações, tornandose, assim, devedora do citado imposto mais os acréscimos legais (vide Termo de Constatação n° 1, lavrado em 06/07/2009 e Termo de Constatação n° 2, lavrado em 14/07/2009 – fls. 233/ss). Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Em julgamento o auto de infração de fls.278/333, lavrado em decorrência das circunstâncias descritas no segundo Termo de Constatação de fls.233, que assim vai resumido: "A motivação para este procedimento foi a decisão do Recurso Especial n° 71.089 — RJ (2007/01678183) do STJ (cópia anexa) no contribuinte matriz, iniciado em 01/10/2008, em que cumprimos o estatuído nos MM/1235/2007/SRRF07/DIFIS e MM/COFIS/GAB/2007/1004, ou seja, verificamos se o estabelecimento comercial atacadista era equiparado a industrial ao adquirir de estabelecimento importador produtos de procedência estrangeira classificados nas posições 33.03 a 33.07 da TIPI, conforme nota COFIS/GAB/2007/279. (...) Considerando que a empresa em tela é distribuidora exclusiva da PROCOSA PRODUTOS DE BELEZA LTDA, CNPJ 33.306.929/000100, conforme consta no Ato DIAT n° 16, de 26/04/2004 [ato da Administração Tributária de SC]... Considerando que a Empresa PROCOSA é importadora e forneceu, conforme DIPJ/2005, fichas 34, a Empresa LOREAL (antiga BELOCAP), no anocalendário de 2004, praticamente a totalidade de suas vendas no mercado interno. Considerando que o estabelecimento que promover a importação, direta ou indiretamente (por encomenda ou por conta e ordem), de mercadoria com marca própria ou com marca de terceiros, será contribuinte do IPI, na qualidade de equiparado a industrial. Considerando que as empresas PROCOSA e LOREAL (antiga BELOCAP) pertencem ao mesmo grupo econômico conforme CADE/MF Considerando ainda que constam nos CDROM enviados até a presente data pela empresa LOREAL, filial 8, registros de notas fiscais de saída produtos com CST (Código de Situação Fl. 6578DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.578 3 Tributária) contendo como primeiro dígito o número 2, que indica a origem da mercadoria como sendo: estrangeira — adquirida no mercado interno. Intimamos a Empresa a, querendo, se manifestar no prazo improrrogável de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento, em relação ao presente termo e ao constante no CD ROM anexo, ficando, desde já, reintimada a apresentar os demais elementos constantes no item 1 retromencionado (anoscalendário de 2004 a 2006)." A exigência formulada foi assim discriminada: imposto: R$ 19.095.531,04 juros de mora: R$ 10.482.501,34 multa proporcional: R$ 14.321.648,16 valor do crédito tributário apurado: R$ 43.899.680,54 O lançamento foi contestado pelo arrazoado de fls.352/371: "(...) ... a Impugnante repisa que, de fato, ela e a PROCOSA integram o conglomerado econômico controlado pela sociedade francesa LOREAL. Esse fato é público e notório, porque está declarado nos atos constitutivos de ambas. ... a PROCOSA dedicase à fabricação, no Brasil, de produtos das marcas cujo direito de exploração detém, bem como a importação de outros produtos acabados, concentrando seus esforços na boa formação dos operários, na pesquisa e aquisição de matériasprimas e equipamentos mais adequados ao seu melhor desempenho, no aprimoramento dos produtos fabricados e no controle de qualidade. Já a Impugnante, empresa comercial, cuida da distribuição desses produtos no atacado, por todo o território nacional, da estocagem, do transporte, do marketing e das demais funções inerentes à atividade especial que exerce. O fato de existir interligação entre duas ou mais empresas não irradia para o estabelecimento comercial de qualquer uma delas a condição de equiparado a industrial, como se depreende de diversos na legislação reguladora do IPI, podendo, quando muito, caracterizarse interdependência, que legitima essa convivência e reconhece a autonomia e a especialização das atividades de cada uma delas, pois apenas estabelece regras de valor tributável mínimo nas operações entre elas, que são rigorosamente cumpridas pela IMPUGNANTE e pela PROCOSA, tanto que nenhum reparo foi feito a esse respeito no auto de infração. Já tinha sido alertado à fiscalização, ou seja, que as decisões exaradas nos autos da Ação Ordinária n° 2000.51.01.0180008, inclusive o acórdão proferido no julgamento do Resp n° 071.089/RJ (fls.163/165), em nada afetaram a situação da Impugnante nos períodos em questão. (...) Fl. 6579DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Mais relevante ainda é perceber que o Recurso Especial em tela foi interposto nos autos da Ação Ordinária n° 2000.51.01.01880008, proposta em 28.07.2000, quando a Impugnante comprava no mercado interno, para revenda no atacado, cosméticos, perfumes e produtos de higiene que a Cisa Trading S A (CISA), pessoa jurídica estabelecida no Espirito Santo, importava com recursos financeiros próprios, em seu nome e por conta e ordem dela mesma (nunca por conta e ordem da Impugnante). Posteriormente a Impugnante deixou de comprar produtos acabados da CISA, passando a PROCOSA a fazê1o, conforme exemplificam os documentos que instruem esta petição. Por conseguinte, nos períodos de julho de 2004 a fevereiro de 2006, a PROCOSA somente importou os produtos classificados nas posições 3303, 3305 e 3307 da TIPI constantes das planilhas em anexo, elaboradas com informações extraídas diretamente dos bancos de dados do SISCOMEX, ou seja, conforme consta da coluna descrições que reproduz ipsis literis as respectivas declarações de importação: insumos empregados na fabricação dos seus produtos, inconfundíveis com os produtos acabados sobre os quais versa a autuação: amostras de produtos acabados ou de insumos sem valor comercial, destinados execução de ensaios laboratoriais para verificação de garantia. Os produtos acabados de procedência estrangeira vendidos à Impugnante e compreendidos pelo auto de infração são outros, que a PROCOSA não importou, mas adquiriu da CISA, no mercado interno, a qual, por sua vez, os importou no nome e por conta dela própria, a exemplo dos documentos apensados a esta Impugnação (doc.7). Ora, a equiparação a industrial prevista no art. 39 da MP n° 2.15831/2009 somente se processa com relação aos produtos que o comerciante atacadista comprar do importador. O conceito de importador foi há muito elucidado pelo Parecer PGFN/CAT n° 1316/2001, anexado its fls.215/227, sendo inaceitável que o autor do procedimento fiscal o desconheça, ou não tenha percebido que a PROCOSA não foi importadora dos produtos sobre os quais ele exigiu recolhimento do IPI quando saíram do estabelecimento puramente comercial da IMPUGNANTE. Nada, então, justifica essa lamentável conduta da autoridade lançadora de ocultar, nas exposições feitas nos termos da sua lavra, a atuação da CISA, afirmando, às fls.160, que a PROCOSA era importadora e efetuou a quase totalidade de suas vendas para a Impugnante, com o propósito nítido de induzir V.Sas. a supor, de maneira equivocada, que os produtos acabados vendidos pela PROCOSA à IMPUGNANTE tinham sido por ela importados, quando, na realidade, a PROCOSA vendeu para a IMPUGNANTE: produtos que ela fabricou no Pais, com emprego de insumos de procedência nacional e de procedência estrangeira, estes adquiridos no mercado interno e produtos acabados que ela adquiriu do importador (CISA) no mercado interno. (...) Fl. 6580DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.579 5 ... nem a PROCOSA, nem a IMPUGNANTE jamais adquiriram mercadorias importadas por conta e ordem delas e, nos períodos fiscalizados, somente a PROCOSA adquiriu produtos acabados importados por encomenda pela CISA, tornandose, por essas operações, equiparada a industrial, tanto que lançou efetivamente o imposto nas revendas dessas mercadorias à IMPUGNANTE. Logo, no que diz respeito aos produtos acabados sobre os quais versa o auto de infração, equiparada a industrial não era a Impugnante, mas a PROCOSA, que vendeu à IMPUGNANTE no atacado, produtos de procedência estrangeira comprados no mercado interno, importados pela CISA, por sua encomenda, porque assim prescrevem o art. 39 da MP2.15831/200I e, a partir de março de 2006, o art. 13 da Lei n°11.281/2006. (...) Não fossem os argumentos acima suscitados bastantes para condenar o lançamento ao sepulcro, (...), ainda assim o lançamento deveria ser cancelado no que se refere a recusa do autuante de deduzir do montante do imposto apurado sobre as saídas das mercadorias em tela, os créditos relativos às entradas desses mesmos produtos no estabelecimento da IMPUGNANTE naqueles períodos, conforme se depreende da coluna intitulada "crédito apurado", do Demonstrativo de fls.326/329. Por derradeiro, vêse que o autor do feito, seguindo a orientação do item 10 da Nota COFIS/GAB no 2007/279, adicionou às bases de cálculo do IPI por ele apuradas os descontos que a IMPUGNANTE concedeu incondicionalmente aos seus clientes, (..), contrariando a CF e o CTN..." Foi o presente processo baixado em diligência de saneamento nos termos seguintes: “Senhor Chefe do DIFIS I/DEFISRJ, Encontrase em fase de análise por este relator o lançamento perpetrado contra a L'Oreal Brasil, inserto nos autos às fls.278/333. À parte várias questões suscitadas pela contribuinte em resposta ao Termo de Constatação de fls.158/ 162, foco aqui em dois temas presentes apenas na peça de impugnação de fls.352/371: 1ª. a presença na cadeia de importação e comercialização da empresa Cisa Trading S/A (CNPJ — 39.373.782/000140); 2ª. a ausência, na trilha de determinação do valor devido, dos créditos escriturais em favor da Interessada, provenientes das notas fiscais de compra de mercadorias para revenda emitidas pela Procosa Produtos de Beleza Ltda (33.306.929/000798). Quanto ao primeiro item, encontramse nos autos grande número de notas fiscais da Cisa para a Procosa, notas essas que, segundo a tese defendida pela contribuinte, comprovariam que as mercadorias estrangeiras objeto do lançamento teriam como verdadeiro importador a primeira empresa, e não a segunda. Quer dizer, a L'Oreal não adquiriria os produtos revendidos Fl. 6581DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 diretamente do importador, mas sim de um terceiro, que os teria comprado daquele. Com isso, teríamos a Cisa Trading como importador equiparado e a Procosa como revendedor atacadista, também equiparado, agora por força do inciso VIII do art. 9° do RIPI/2002. E ai se encerraria a equiparação, significando que o verdadeiro equiparado pelo citado inciso VIII é a Procosa, e não a Defendente. Como no termo de constatação não se encontra qualquer menção à presença da Cisa Trading como agente econômico interveniente nas vendas promovidas pela L'Oreal, deve, por conseguinte, ser cuidadosamente analisada tal situação e sua influência na exigência consignada no auto de infração. No que diz respeito ao segundo ponto — nãoreconhecimento de créditos — juntou a Interessada ao processo (f1s.1057 a 1138) notas fiscais que comprovariam o direito da L'Oreal caso juridicamente se comprove a equiparação realizada pela Fiscalização ao aproveitamento, como crédito escritural, do IPI destacado incidente na aquisição dos produtos adquiridos da Procosa. Segundo a planilha de fls.1138, tais créditos montariam a R$ 4.336.673,96. Em apertado resumo, esses são os pontos que devem ser esquadrinhados pela Difis I como resultado da baixa do presente processo em diligência com supedâneo no art. 18 do Decreto n° 70.235/72, com redação dada pela Lei n° 8.748/93. Em termos mais objetivos teríamos: 1. Que seja esclarecida a participação da Cisa Trading no fluxo operacional que culmina com a colocação no mercado consumidor dos produtos adquiridos pela L'Oreal Brasil, distribuidora exclusiva da Procosa ltda, segundo constatação da autoridade fiscal. Constatada a contaminação do crédito tributário por operações de compra de estabelecimento atacadista, e não de importador direto, que seja demonstrada a redução da exigência conseqüente aos fatos apurados e comprovados; 2. Uma vez mantida, mesmo que em parte, a equiparação pretendida pelo lançamento posto em julgamento, que se leve em conta a possibilidade de existência de créditos escriturais decorrentes das compras realizadas junto à Procosa, sobretudo a partir das notas fiscais já juntadas aos autos”. A diligência foi cumprida e prestou os seguintes esclarecimentos em apertadíssima síntese (arrazoado de fls.2001/2008): "A L’oreal Brasil importou vários produtos diretamente da CISA, exceção feita aos produtos classificados nesta autuação (vide resposta ao item 2 de 19/10/2010; Regularmente intimado o contribuinte alegou que já decorreram mais de 5 anos da realização dos pagamentos e não mais os localizou [sobre as importações diretas e sobre os serviços pagos]; Fl. 6582DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.580 7 Na resposta da CISA de 04/06/2010 foi informado no CD apresentado que as importações ocorreram na modalidade conta própria por encomenda no período de 01/01/2004 a 31/12/2006 enquanto que na resposta escrita afirmou que as importações se deram na modalidade conta própria. Em sendo a empresa contribuinte de IPI tem o direito de solicitar os créditos dentro do mesmo prazo estabelecido para a impugnação. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, concluímos que a participação das empresas CISA TRADING e PROCOSA no fluxo operacional da colocação das mercadorias importadas no mercado consumidor visou descaracterizar a equiparação, a contribuinte do IPI, a empresa LOREAL BRASIL. Destacamos que os produtos importados são de uso exclusivo pela LOREAL BRASIL desde o início da produtora que se dá no exterior ate o consumidor final no País. Também salientamos que a LOREAL BRASIL importa outros produtos diretamente através da CISA sem a necessidade de fazêlos pela PROCOSA. Além disso, a LOREAL BRASIL, na prática, está importando produtos da própria LOREAL — controladora — através da CISA. Salientamos, ainda, os diversos pagamentos feitos pela LOREAL BRASIL para a LOREAL, os quais a empresa, regularmente intimada, não quis esclarecelos. Finalmente, contrariando o que afirmou a CISA, esta não poderia, normalmente, realizar uma importação por conta própria, sem autorização da LOREAL/LOREAL BRASIL em virtude de os produtos importados, posições 3303 a 3307 da TIPI, serem de uso exclusivo da LOREAL; os produtos importados, de novo contrariando a empresa, foram repassados à PROCOSA. Concluímos pela manutenção do auto de infração deduzido do valor dos créditos de IPI requeridos pela empresa." Cientificado do resultado da diligência, manifestouse a Impugnante às fls.2010/2024 reiterando os termos da impugnação apresentada. É como relato. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG proferiu o Acórdão nº 0934.522 de 15 de abril de 2011 (folhas 2.026/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 Fl. 6583DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 IPI. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL EQUIPARADO. MP 2.15835, ART. 39. IMPROCEDÊNCIA. Não há de prosperar a equiparação a estabelecimento industrial fundada nos termos do art.39 da MP n° 2.15831/2001 e no art.13 da Lei n° 11.281/2006 quando não restar comprovada a aquisição, pelo revendedor atacadista, de produtos importados por ato negocial celebrado diretamente com empresa importadora. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da decisão proferida pela DRJJuiz de Fora (MG) foi apresentado Recurso de Ofício, nos termos do disposto na Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. A interessada foi cientificada do Acórdão em 11/05/2011 (folha 2040). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Do objeto do litígio A questão central a ser decidida neste litígio é se a empresa autuada L’OREAL BRASIL deve ser equiparada a estabelecimento industrial por força do disposto no artigo 39 da Medida n° 2.15835/2001. A fiscalização afirma que a L’OREAL BRASIL deve ser equiparada, uma vez que teria dado saída a produtos de procedência estrangeira classificados nas posições 33.03 a 33.07 da TIPI, adquiridos do importador, sem recolher o IPI incidente nessas operações, tornandose, assim, devedora do citado imposto mais os acréscimos legais, conforme relatado no Termo de Constatação n° 1, lavrado em 06/07/2006 (fls. 158/162) e no Termo de Constatação n° 2, lavrado em 14/07/2006 (fls. 233/239). A L’OREAL BRASIL, por sua vez, assevera (vide Impugnação – fls. 352/ss) que é fato público e notório que ela e a PROCOSA integram o conglomerado econômico controlado pela sociedade francesa L’OREAL. A PROCOSA dedicase à fabricação, no Brasil, de produtos das marcas cujo direito de exploração detém, bem como a importação de insumos e outros produtos acabados. A L’OREAL BRASIL é empresa comercial e cuida da distribuição desses produtos no atacado, por todo o território nacional, da estocagem, do transporte, do marketing e demais funções inerentes à atividade especial que exerce. Alega, também, que no passado já comprou no mercado interno, para revenda no atacado, cosméticos, perfumes e produtos de higiene que a CISA TRADING importava com recursos financeiros próprios e nunca por conta e ordem da L’OREAL BRASIL. Posteriormente, deixou de comprar produtos acabados da CISA, passando a PROCOSA a fazêlo. Prossegue a autuada assegurando que no período objeto da autuação (julho de 2004 a fevereiro de 2006), a PROCOSA somente importou os produtos classificados nas posições 3303, 3304, 3305 e 3307 da TIPI constantes planilhas anexadas (doc. 6), ou seja: Fl. 6584DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.581 9 (i) insumos empregados na fabricação dos seus produtos, inconfundíveis com os produtos acabados sobre os quais versa a autuação, e (ii) amostras de produtos acabados ou de insumos sem valor comercial, destinados execução de ensaios laboratoriais para verificação de garantia. Assim, argumenta a Recorrente, os produtos acabados de procedência estrangeiros vendidos à L’OREAL BRASIL e compreendidos pelo auto de infração são outros, que a PROCOSA não importou, mas adquiriu da CISA, no mercado interno, a qual, por sua vez, os importou por conta dela própria (documentos apensados doc.7). Conclui, deste modo, que a equiparação à estabelecimento industrial prevista no art. 39 da MP n° 2.15831/2009 somente se processa em relação à PROCOSA (empresa que adquiriu produtos acabados importados da CISA) e não à autuada. Da vinculação entre empresas A título de elucidação, registrese que há estreita vinculação entre as empresas L’OREALFrança, PROCOSA (Brasil) e L’OREAL BRASIL: a L’OREAL França detém 99,99% do capital total da PROCOSA (fl. 140), que por sua vez detém 99,99% do capital total da L’OREAL BRASIL (fl. 69). Portanto, como já afirmou a interessada estas empresas integram um único conglomerado econômico, controlado pela sociedade francesa L’OREAL. Das modalidades de importação Antes de avançarmos mostrase importante declinarmos quais as modalidades de importação estão previstas em nosso ordenamento jurídico. O sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamento do imposto, podendo ser contribuinte ou responsável, em outras palavras, o sujeito passivo direto e o indireto. O responsável, mesmo sem revestir a condição de contribuinte, é inserido no polo passivo da relação jurídicotributária por expressa disposição legal (art. 121/CTN). No caso específico dos tributos aduaneiros, o sujeito passivo pode ser o importador direto, assim considerado qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro, entre outros, ou o responsável/importador indireto, quando sua obrigação decorra de disposição expressa de lei (artigo 31 e 32 do DecretoLei nº 37/66 c/c artigo 121, I e II, do CTN). Muito bem. Nesse diapasão, o artigo 32, parágrafo único, do DecretoLei nº 37/66 incluiu como responsáveis, que respondem conjuntamente, uma vez que solidários, com o importador direto pela obrigação tributária, as seguintes pessoas: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 6585DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Temos, portanto, que o importador direto é o contribuinte do imposto nos termos do que prescreve o artigo 31 do DecretoLei nº 37/66, ou seja, a pessoa que promover a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; o importador indireto é qualquer das pessoas elencadas no parágrafo único do artigo 32 do mesmo decretolei, dentre elas o “adquirente” de mercadoria estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, e o “encomendante”, no caso de importação realizada por sua encomenda. Veja, é importante fazer a distinção das partes envolvidas na operação de importação e delimitação de responsabilidades quanto ao seu “aspecto físico”, no sentido de movimentação e processamento direto da operação, e seu “aspecto jurídico”, relativo à atribuição de responsabilidade decorrentes da relação jurídicotributária. Quanto a este último aspecto, a MP nº 2.15835/2001 (arts. 77 a 81) representou uma grande evolução normativa em relação à atribuição de responsabilidade às pessoas envolvidas no comércio exterior, nos seguintes termos: atribuiu ao adquirente da mercadoria importada por conta e ordem a condição de sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário; (enfoque tributário) estabeleceu que o adquirente responderá, conjunta ou isoladamente, por infração, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (enfoque tributário e sancionatório) equiparou os atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos importados por sua conta e ordem a estabelecimento industrial; (enfoque tributário) delegou poderes para a RFB estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. Após a edição da MP nº 2.15835/2001, vislumbramos as seguintes modalidades de importações e seus respectivos sujeitos passivos: i. Importações diretas: sujeito passivo é o próprio importador por conta própria; ii. Importações indiretas: sujeito passivo é o importador por conta e ordem (contribuinte) e o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem (responsável solidário). Posteriormente, a Lei nº 11.281/2006 (arts. 11 a 14) inseriu novas alterações ao ordenamento, dentre as quais destacamos: criou nova modalidade de interveniente, o encomendante, atribuindolhe a condição de sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário; (enfoque tributário) Fl. 6586DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.582 11 estabeleceu que o encomendante predeterminado responderá, conjunta ou isoladamente, por infração relacionada a mercadoria de procedência estrangeira que adquire de pessoa jurídica importadora (Enfoque tributário e sancionatório) equiparou a estabelecimento industrial os atacadistas ou varejistas que dessem saídas a produtos importados sob sua encomenda; (Enfoque tributário) delegou poderes para a RFB estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por encomenda. Portanto, após a edição da Lei nº 11.281/2006 temos as seguintes modalidades de importações e seus respectivos sujeitos passivos: i. Importações diretas: sujeito passivo é o próprio importador, por conta própria; iii. Importações indiretas: a. Sujeito passivo é o importador por conta e ordem (contribuinte) e o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem (responsável solidário); b. Sujeito passivo é o importador por encomenda (contribuinte) e o encomendante predeterminado da mercadoria importada por encomenda (responsável solidário); Muito bem, vejamos as implicações destas alterações normativas no caso em litígio. A legislação aplicável A fiscalização equiparou a empresa L’OREAL BRASIL a estabelecimento industrial com base no artigo 39 da MP n° 2.15831/2001, abaixo transcrito: "Art. 39 Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, classificados nas posições 3303 a 3307 da TIPI." (grifamos) A Lei n° 11.281, de 20/02/2006 (artigo 11), como já comentado, inseriu no ordenamento jurídico brasileiro “nova” modalidade de importação, qual seja a denominada “importação por encomenda”. Esta nova modalidade também foi inserida como hipótese sujeita à equiparação, conforme disposto no artigo 13 desta Lei, verbis: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Fl. 6587DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 13 Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (grifamos) O artigo 39 da MP n° 2.15831/2001 prescrevia que seria equiparado a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, sem especificar se importadores diretos ou indiretos, portanto, entendo o vocábulo “importadores” no sentido de pessoas jurídicas que importarem mercadorias de procedência estrangeria sob todas as modalidades, ou seja, importadores diretos e indiretos. A norma não especificou apenas uma das modalidades de importação, portanto, não devemos restringir o significado do termo “importadores”. O artigo 13 da Lei n° 11.281/2006, em 20/02/2006, ao criar a “nova” modalidade de importação indireta (por encomenda), corroborou o dispositivo legal constante do artigo 39 da MP n° 2.15831/2001 ao prescrever que também os importadores indiretos estariam sujeitos à equiparação, sejam eles os sujeitos à modalidade “importação por encomenda” ou “importação por conta e ordem”. A decisão do Poder Judiciário Registrese, ainda, que o Poder Judiciário já decidiu pela constitucionalidade do artigo 39 da Medida Provisória n° 2.15831/2001 nos autos da Ação Ordinária n° 2000.51.01.0180008, impetrada pela BELOCAP/L’OREAL, em acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª. Região. O STJ não tomou conhecimento do Recurso Especial n° 971.089 e o STF negou seguimento ao Recurso Extraordinário n° 586.496 – RJ (consulta ao site www.stf.jus.br, em 18/09/2012). Abaixo transcrevemos a ementa do acórdão proferido pelo TRF/2ª.: Processo: AC 344515 RJ 2000.51.01.0180008 Relator(a): Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA Julgamento: 16/08/2005 Órgão Julgador: QUARTA TURMA ESPECIALIZADA Publicação: DJU Data: 21/11/2005 Ementa: TRIBUTÁRIO. IPI. EQUIPARAÇÃO DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL AO EMPRESARIAL. ART. 39 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2581/35. OCORRÊNCIA. O artigo 39 da Medida Provisória 2158/35, de 24 de agosto de 2001, em vigor por força do estatuído na Emenda Constitucional 32/2001, dispõe que se equiparam a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de Fl. 6588DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.583 13 estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, classificados nas posições 3303 a 3307 da TIPI. O IPI é um tributo previsto no artigo 153, IV da Constituição Federal e de acordo com o artigo 46, I do Código Tributário Nacional possui como fato gerador o desembaraço aduaneiro de produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo, quando de procedência estrangeira. Não há qualquer inconstitucionalidade no disposto no artigo 39 da Medida Provisória 2581/35, uma vez que ele se coaduna e adequa ao disposto no artigo 51,I do Código Tributário Nacional, equiparando ao importador os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, classificados nas posições 3303 a 3307 da TIPI. O princípio da isonomia não se aplica ao IPI, o qual por força de sua própria definição constitucional estabelecida no artigo 153 parágrafo 3o. I da Constituição Federal é seletivo, podendo o legislador optar por conferir tratamento diferenciado aos produtos classificados nas posições 3303 a 3307 da TIPI. A apelada possui entre os seus objetivos sociais a importação de mercadorias, e, não restou comprovado, no âmbito dos presentes autos, através de quaisquer dos meios de prova permitidos em direito, que tenha adquirido produtos importados, classificados nas posições 3303 a 3307 da TIPI, de empresas nacionais. O fundamento da decisão do acórdão recorrido. A DRJ – Juiz de Fora julgou o lançamento improcedente, sob o argumento principal de que a fiscalização não provou suficientemente que a L’OREAL BRASIL deveria ser equiparada à empresa industrial (vide folhas 2.032/2.034). Conclui, assim, o votocondutor do acordão recorrido: “Ora, se a L'Oreal nada comprou da CISA Trading, e considerando que esta é a importadora dos produtos geradores da autuação, desfazse a possibilidade jurídica da equiparação pretendida, já que os produtos referidos não foram adquiridos do importador, mas sim no mercado interno por celebração de contrato negocial com a empresa PROCOSA. Toda a documentação trazida ao processo pela Impugnante corrobora a conclusão supra. Ao se compulsar as notas fiscais emitidas pela CISA Trading com os despachos de importação, as telas do sistema SISCOMEX e as resoluções da ANVISA, a conclusão, por juízo de probabilidade, é uma só: não há qualquer elemento fático ou documental que autorize a presunção de que a PROCOSA importou as mercadorias revendidas pela Autuada. Pelo contrário, provas documentais existem à exaustão no sentido de que as mercadorias foram trazidas do exterior pela contribuinte CISA Trading, real importadora citada em todas as DIs trazidas ao processo, sendo que não há uma só nota fiscal emitida por esta que aponte a L'Oreal como destinatária dos produtos importados”. Fl. 6589DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 A prova da equiparação Muito bem. Passemos à solução do litígio. No meu entender, empresa L’OREAL BRASIL Comercial de Cosméticos Ltda. deve ser equiparada a estabelecimento industrial por força do disposto no artigo 39 da Medida n° 2.15835/2001, pelos motivos que passo a expor. De antemão deixamos consignado que não há como concordar com o voto condutor de primeira instância quando afirma que a fiscalização não provou suficientemente a equiparação da L’OREAL BRASIL à empresa industrial. Se não existem mais elementos probantes nos autos, certamente, não foi por inércia da fiscalização. A meu ver, a interessada não cumpriu com o seu dever de prestar as informações a contento, quando solicitada pelas autoridades fiscais. Compulsando os autos verificase que, muito embora por diversas vezes intimada, a empresa deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização ou os apresentou de forma incompleta e “à conta gotas”, de forma a dificultar o desenvolvimento da ação fiscal. Refirome às seguintes intimações não atendidas integralmente nos prazos solicitados: 1ª. Termo de Diligência / Solicitação de Documentos, lavrado em 01/10/2008 (fls. 261/262): a empresa apresenta parcialmente os documentos solicitados (fls. 263); 2ª. Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 23/10/2008 (fls. 264): a empresa apresenta parcialmente os documentos solicitados (fls. 265); 3ª. Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 05/12/2008 (fls. 266/267): a empresa apresenta os documentos solicitados (fls. 265); 4ª. Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 07/01/2009 (fls. 271/267): a empresa apresenta os documentos solicitados (fls. 273); 5ª Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência em 30/04/2009 (fls. 150/153): a empresa solicita prorrogação de prazo para atendimento (fl. 154) e, posteriormente apresenta parcialmente os documentos solicitados (fl. 157); 6ª. Termo de Constatação n° 1, lavrado em 06/07/2009 (fl. 158/162), onde a fiscalização adverte que a empresa deixou de apresentar diversos documentos solicitados. A empresa tece vários comentários sobre o Termo de Constatação (fls. 193/199), entretanto, deixa de apresentar documentos solicitados sob a seguinte justificativa: 5.1 A propósito da apresentação dos documentos solicitados, é relevante que fique expresso que não há negativa ou subterfúgio da signatária em fornecêlos, e isto ela sempre deixou evidente. 5.2 Efetivamente, há limitações técnicas que impactam momentaneamente a geração de toda a documentação solicitada, haja vista que se acumulam prazos fatais para o atendimento de plúrimas obrigações acessórias provenientes da legislação, e os serviços de consultoria e maquinário disponibilizados estão dedicados a preparação de SPED, notas fiscais eletrônicas, dentre outras.) 5.3 A L'Oréal não está indene a este quadro geral e, por força disso, vem prestando os esclarecimentos e Fl. 6590DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.584 15 fornecendo a documentação na medida em que a vem obtendo, tudo dentro de práticas das mais transparentes. (grifamos) 7ª. Termo de Constatação n° 2, lavrado em 14/07/2009 (fls. 233/239), onde a fiscalização adverte que a empresa, mais uma vez, deixou de apresentar parte da documentação solicitada. Destaquese, que no atendimento ao Termo de Constatação n° 1 foram apresentadas pela empresa apenas duas notas fiscais de emissão da PROCOSA para a BELOCAP/L’OREAL BRASIL (fls. 231 e 232). Portanto, restou evidenciado que a fiscalização tentou por diversas vezes obter os documentos que se encontravam em poder da empresa, em busca de elucidar os fatos, mas não houve a colaboração da autuada na elucidação desses fatos, durante o desenvolvimento do procedimento de fiscalização. Entretanto, quando da instauração da fase processual, por fim, as provas vieram aos autos juntamente com a Impugnação apresentada (fls. 352 a 1.998 – volumes II a volume X). O grande volume de provas apresentadas neste momento, no meu entender, é mais do que suficiente para demonstrar a equiparação da L’OREAL BRASIL a estabelecimento industrial, como passamos a destacar. Está comprovado nos autos que a PROCOSA é importadora direta de insumos, amostras e de produtos acabados, e, também, importadora indireta por meio da CISA TRADING. As importações diretas efetuadas pela PROCOSA podem ser provadas ao confrontarse a informação trazida na Impugnação de que “nos períodos de julho de 2004 a fevereiro de 2006, a PROCOSA somente importou os produtos classificados nas posições 3303, 3304, 3305 e 3307 da TIPI constantes das planilhas em anexo (doc. 6)”, quando afirma que importou insumos e amostras (item 4.2.2 da folha 360 – volume II), e os documentos constantes do citado “DOC. 6” (fls. 990 a 1055 – volumes V e VI). A título ilustrativo, transcrevemos algumas destas operações de importações: Folha: Número da declaração de importação Qte de produto Descrição Valor NCM 1005 04/03978143 28.500 Colorama Maybelline Pó Compacto Super Natural 11.400,00 3304.9100 1011 04/05981498 13.350 Colorama Maybelline Pó Compacto Super Natural 5.340,00 3304.9100 1017 04/09620682 34.200 Condicionador – Radiant Color Conditioner 13.680,00 3304.9100 1020 04/09795105 20.000 Condicionador Fructis Ash Cheveux Secs. 15.918,00 3305.9000 1020 04/10145887 12.000 Condicionador El’vital Alpha jojob 10.220,40 3305.9000 1023 04/10974433 20.000 Condicionador Fructis Ash Cheveux Secs. 15.918,00 3305.9000 Fl. 6591DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 1027 04/12475205 27.600 Colorama Maybelline Expert – refil de sombra 11.040,00 3304.0210 Uma simples leitura da extensa lista de produtos importados pela PROCOSA (“DOC 6” – fls. 990 a 1055) já é suficiente para demonstrar que não foram importados apenas insumos/amostras, mas também os próprios produtos acabados, seja pela quantidade de operações efetuadas, pelo volume de itens importados ou pela mera descrição de alguns destes produtos. Resta, assim, plenamente comprovado que a PROCOSA é também uma importadora direta, inclusive de produtos acabados. A autuada afirma, ainda, nos itens 3.4 e 3.5 da Impugnação (fl. 356), que a PROCOSA “dedicase à fabricação, no Brasil, de produtos das marcas cujo direito de exploração detém, bem como à importação de outros produtos acabados...” e a “IMPUGNANTE, empresa comercial, cuida da distribuição desses produtos no atacado, por todo o território nacional,...”. O próprio Contrato Social da PROCOSA (fls. 184/ss – volume I) confirma que a empresa tem por objeto a importação, dentre outras atividades. Em outro giro, analisandose a DIPJ ano calendário 2006 da PROCOSA (CNPJ 33.306.929/000100) verificase que a empresa dá entrada (compras) de diversos produtos acabados (vide folha 128/volume I) e, posteriormente, dá saída (vendas) desses mesmos produtos acabados (vide folha 122/volume I), tais como os relacionados abaixo: Classificação fiscal Descrição Valor das entradas: (fl. 128 – volume I) Valor das saídas: (fl. 130 – volume I) 3303.00.20 Água de colônia R$ 10.032.897,74 R$ 11.064.686,66 3304.10.00 Produtos Maquilagem p/ os olhos R$ 6.234.318,81 R$ 14.298.057,72 3304.20.10 Sombra, delineador, etc. R$ 2.796.566,70 (não informou saída) 3304.30.00 Preparações p/ manicures e pedicuros R$ 5.235.737,74 R$ 47.458.208,01 3304.99.10 Cremes de beleza e nutrição, loções tônicas. R$ 18.912.762,19 R$ 19.831.570,87 3304.99.90 Outros, preparados bronzeadores. R$ 7.922.716,15 (não informou saída) 3305.10.00 Xampus R$ 27.177.217,94 R$ 185.135.484,29 3305.90.00 Tintura e descolorante R$ 26.778.315,90 R$ 114.996.968,67 Com isso, mais uma vez, fica evidenciado que a PROCOSA não é uma mera fabricante de produtos que revende à L’OREAL, mas também que adquire produtos acabados, importados diretamente ou indiretamente (via CISA TRADING, como veremos a seguir). E mais, da análise da documentação acostada aos autos podese concluir, também, que a PROCOSA é importadora indireta, nas operações conduzidas por meio da CISA TRADING. Em um primeiro momento a autuante afirma em sua Impugnação (vide item 4.2.1 – folha 358 – volume II) que “... a PROCOSA era, e continua sendo, a única que, há décadas, fabrica produtos de higiene e de toucador no Brasil (vide contrato social de fls.184/190), empregando nos seus processos industriais alguns insumos de procedência Fl. 6592DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.585 17 estrangeira comprados no mercado interno da mesma CISA, que também os importava com recursos financeiros próprios, em seu nome e por sua conta e ordem (nunca por conta e ordem da PROCOSA, nem da IMPUGNANTE)”. Entretanto, em um segundo momento, quando se manifestou sobre o resultado da Diligência efetuada a pedido da DRJ – Juiz de Fora, afirma (vide itens 4.6.3 e 4.6.4 – fls. 2019) “... a PROCOSA é a detentora dos registros, na ANVISA, dos produtos que a CISA importa e lhe revende, o que significa que somente a PROCOSA poderia encomendar da CISA a importação das mercadorias arroladas no auto de infração”. E prossegue no item 4.6.4 asseverando “inverídica, então a assertiva do autor do procedimento fiscal de que a CISA ‘não poderia, normalmente, realizar uma importação por conta própria, sem autorização da Lóreal/Lóreal Brasil’, assertiva esta que nem precisaria estar sendo contrariada nesta petição, porque, como é indiscutível, aquelas mercadorias foram de fato importadas pela CISA por encomenda da PROCOSA”. E mais, à folha 2023 a autuada volta a afirmar o que segue: “Logo, repisese, no que diz respeito aos produtos acabados objeto da exigência fiscal equiparada a industrial não era a IMPUGNANTE, mas a PROCOSA, que vendeu à IMPUGNANTE, no atacado, produtos de procedência estrangeira comprado no mercado interno, importados pela CISA, por sua encomenda, porque assim prescrevem o artigo 39 da MP 2.15831/2001 e, a partir de março de 2003, o artigo 13 da Lei n° 11.281/2006”. E não é só. Foram apresentadas pela CISA TRADING, em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal e Solicitação de Documentos (fls. 1281/1282 – volume VII), planilhas (folhas 1321/ss) contendo extrato das operações de importações efetuadas pela CISA para a PROCOSA, onde consta a seguinte informação: “Importação realizada na modalidade conta própria por Encomenda – Lei n° 11.281/2006 e IN SRF no 634/2006” e, ainda “Nome do Encomendante” e “CNPJ do Encomendante”. Todas estas informações e declarações podem, ainda, ser confirmadas ao verificarmos que é a PROCOSA quem detém a autorização/anuência da ANVISA para os produtos importados pela CISA TRADIND (vide documentos de folhas 176 e 178 a 183). A própria autuada afirma que apenas a PROCOSA possui instalações adequadas para a realização de controle de qualidade dos produtos (perfumes e cosméticos), com “Autorização de Funcionamento Especial expedida pela ANVISA” (fl. 358 – volume II) e, mais, que “a legislação sanitária exigia (exigindo ainda), que, após o desembaraço aduaneiro, o importadas de mercadorias dessas categorias as destinasse unicamente a pessoa detentora de documento de regularização da mercadoria perante a ANVISA” (fl. 359). Todas estas informações, a meu sentir, vêm corroborar o entendimento de que a PROCOSA, além de importadora direta, é também importadora indireta em operações conduzidas por meio da CISA TRADING. Portanto, é cristalino concluir que a PROCOSA é a fabricante e importadora (direita e indireta) dos produtos que a L’OREAL distribui no atacado (posições 3303 a 3307), o que torna essa última equiparada a estabelecimento industrial por força do artigo 39 da MP 2.15835/2001. As notas fiscais, emitidas pela PROCOSA, comprovando as vendas dos produtos importados pela CISA TRADING, por encomenda da PROCOSA, para a L’OREAL/BELOCAP estão anexadas às folhas 1058/1134 “DOC 7”(volume VI). Registrese, por fim, que consta da Ficha 25 – Destinatários de Produtos/Mercadorias/Insumos – DIPJ (fl. 129) que a L’OREAL (CNPJ raiz 30.278.428) é a Fl. 6593DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 destinatária de aproximadamente 80% dos produtos vendidos pela PROCOSA (estabelecimento CNPJ 33.306.929/000100). Dos créditos a serem descontados dos valores lançados Por outro lado, assiste razão à interessada quando alega que devem ser abatidos dos valores cobrado por meio do lançamento de ofício objeto deste processo os valores relativos aos créditos escriturais decorrentes das entradas desses produtos na L’OREAL BRASIL. Neste ponto, inclusive a própria autoridade autuante acabou por concordar com a autuada, na oportunidade em que se manifestou sobre o resultado da diligência efetuada a pedido da DRJ – Juiz de Fora, por meio do Termo de Constatação, datado de 16/12/2010 (fls. 2001/2008), em trechos que transcrevemos abaixo: “Consideração quanto ao crédito de IPI solicitado: Em sendo a empresa contribuinte de IPI tem o direito de solicitar os créditos deste dentro do mesmo prazo estabelecido para a impugnação. (...) Concluímos pela manutenção do auto de infração deduzido do valor dos créditos de IPI requeridos pela empresa." Assim, entendo que estes créditos escriturais devem ser considerados e abatidos dos valores do IPI cobrados neste auto de infração, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade (inciso II, § 3º, artigo 153, CF/88) e no disposto no inciso VIII do artigo 164, no artigo 191, no inciso IV do artigo 200, todos do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos, Para tanto, a unidade lançadora – DRF Rio de Janeiro, quando da execução do Acórdão, deverá descontar dos valores constantes do Auto de Infração lavrado (Demonstrativo fls. 326/329) os valores dos créditos apurados com base na documentação probante apresentada pela empresa (Notas Fiscais emitidas pela PROCOSA para a L’OREAL BRASIL e Livro de Registro e Apuração do IPI da PROCOSA, entre outros). Dos descontos incondicionais concedidos pela empresa Por fim, alegação da interessada que a fiscalização adicionou às bases de cálculo por ela apurada os descontos concedidos incondicionalmente aos seus clientes não deve prosperar. A interessada alegou, transcreveu ementas de decisões do STJ sobre a matéria, entretanto, não trouxe elementos probantes capazes de confirmar suas afirmações. Juntou, apenas, cópias de notas fiscal (DOC 11 – fls. 1181/1199) que nada provam em relação, especificamente, a natureza dos alegados descontos concedidos. Conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício para manter o crédito tributário exigido no lançamento de ofício efetuado, reduzido do valor do crédito escritural decorrentes das entradas dos produtos na L’OREAL BRASIL, a ser apurado pela unidade de jurisdição – DRF/Rio de Janeiro quando da execução do Acórdão. Fl. 6594DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.586 19 É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 6595DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 20 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia do il. Relator, com razão está a instância de piso, que entendeu não caber à L’OREAL a condição de estabelecimento equiparado a industrial, mas à PROCOSA, aquela que lhe vendeu os produtos importados (embora, como se verá, por motivo diverso, já que a DRJ fala em falta de provas, como indica a ementa de sua decisão). Antes do mais, vale lembrar que o caso envolve três pessoas jurídicas: a CISA, comercial exportadora e importadora (trading company); a PROCOSA, estabelecimento atacadista (de produtos acabados importados pela CISA) e industrial (adquire insumos para posterior industrialização); e a L’OREAL, que opera exclusivamente como comercial atacadista dos produtos adquiridos da segunda (os de fabricação própria e os por ela importados). A exigência direcionada à L’OREAL fundamentouse, grosso modo, nos seguintes fatos: o primeiro, a PROCOSA e a L’OREAL pertencem a um mesmo grupo empresarial; o segundo, a L’OREAL teria dado saída a certos produtos de procedência estrangeira adquiridos do importador, que, no entender da fiscalização, foi a PROCOSA, não a CISA. Para dirimir a questão e aclarar no que consiste a discordância apontada, aqui também se reproduzem os dispositivos legais que deram esteio ao lançamento: MP n° 2.15831/2001: "Art. 39 Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, classificados nas posições 3303 a 3307 da TIPI." (grifamos) Lei n° 11.281, de 20/02/2006: “Art. 13 Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (grifamos) Notese que entre a primeira e a segunda regra, há, em substância, apenas o acréscimo de que a equiparação a estabelecimento industrial também estenderseá ao varejista e de que se dá quanto a qualquer produto importado, já que, segundo me parece, a expressão “importados por encomenda ou por conta em ordem”, encartada na Lei n.º 11.281, de 2006, visou apenas deixar cristalino o que já se continha na MP n.º 2.15831, de 2001. Fl. 6596DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12897.000452/200970 Acórdão n.º 3202000.674 S3C2T2 Fl. 6.587 21 Pois bem. Em que pese bem tecidos os argumentos apresentados no voto vencido, a verdade é que o uso dos termos “importador direto” ou “importador indireto” não solucionam o litígio. A figura presente nas normas jurídicas referidas, e que consiste no ponto fulcral da equiparação, é a do importador por encomenda ou por conta e ordem – o que só pode indicar por encomenda ou por conta e ordem de outrem (do atacadista, claro! conforme indica o pronome possessivo “sua”), pois, do contrário, as figuras do importador e do atacadista se confundiriam na mesma pessoa jurídica. Portanto, ao equiparar a L’OREAL, atacadista que é, a estabelecimento industrial, a fiscalização atribuiu à PROCOSA a qualidade de importador por encomenda ou por conta e ordem, como se a CISA jamais tivesse existido ou participado das importações, muito embora tenha trazido do exterior os produtos destinados à PROCOSA. Tudo está a indicar tenha sido este o motivo pelo qual a fiscalização sequer mencionou a CISA na fundamentação do lançamento – considerou a sua participação de importância nenhuma! Ora, se, no entendimento da fiscalização, o importador por encomenda ou conta e ordem não é a trading, mas a PROCOSA, o que se dirá daquela situação em que esta não existisse, ou seja, daquelas importações que fossem realizadas pela CISA, posteriormente enviadas para a L’OREAL e por esta vendidas no mercado interno? Não sendo nunca a trading o importador por encomenda ou por conta e ordem – mas aquela pessoa jurídica que toma a decisão de importar, portanto não a que operacionaliza a importação (a que traz o produto do exterior) –, somente a L’OREAL o seria, caso em que se chegaria à inconsistência antes apontada: não se configuraria a equiparação, porquanto o importador por encomenda ou por conta e ordem e o atacadista seriam exatamente a mesma pessoa. Tributação não haveria, muito embora nem a Receita Federal nem os contribuintes contestem que, nesse cenário, o imposto é devido. A razão pela qual há incidência do IPI no caso em exame é manifesta: como a legislação atribuiu ao importador (aquele que importa produtos diretamente do exterior e os revende ao mercado interno) a condição de equiparado a industrial (art. 9º, I, do Decreto n.º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI; art. 4º, I, da Lei n.º 4.502, de 1964), também àquele que importa por intermédio de outrem (a trading) o legislador, muito apropriadamente, também resolveu atribuir a mesma responsabilidade, tudo com o claro desiderato de igualar, no que respeita aos efeitos tributários, a situação de ambos. Não fosse assim, absolutamente nenhuma empresa promoveria, por ela própria, importações do exterior, mas sempre através de trading companies, porque, ao promover a posterior revenda no mercado interno dos produtos assim importados, não haveria a incidência, na hipótese aventada, do IPI por equiparação (o imposto apenas incidira na operação de importação e na saída da trading, mas não na saída do estabelecimento que a encomendou; neste caso, não haveria a incidência do IPI sobre o valor que este agregasse na venda do produto importado). Em conclusão, o importador por encomenda ou por conta e ordem só pode ser a CISA. Ao invés de autuar a L’OREAL, a fiscalização deveria ter auditado a PROCOSA – o estabelecimento atacadista de que tratam os dispositivos legais que embasaram o lançamento –, a fim de verificar se, nas saídas dos produtos importados de seu estabelecimento, respeitou se o valor tributável mínimo exigido na legislação (art. 136, I, do RIPI; art. 15, I, da Lei n.º 4.502, de 1964, e art. 2º, alteração 5ª, do Decretolei n.º 34, de 1966). Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 6597DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 22 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 6598DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13982.000095/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Valdecir Regoso foi lavrado o auto de infração de fls. 03/06, objetivando a exigência de IRPF dos anoscalendário de 2000 a 2002, tendo sido apurada omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10423.725, que se encontra às fls. 250/260 e cuja ementa é a seguinte: “DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 40, do CIN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação do dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 2 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula n° 04, 1° CC).” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 2000 e, no mérito, por unanimidade, deu parcial provimento para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Intimada pessoalmente do acórdão em 01/07/2009 (fls. 261) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 266/278, em que sustenta divergência jurisprudencial em relação (i) à contagem do prazo decadencial, o qual deveria observar o disposto no artigo 173, I, do CTN (acórdão nº 10195.282), e (ii) à desqualificação da multa de ofício (acórdão n. CSRF/0203.103). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2201 004/2009, de 28/08/2009 (fls. 307). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 312/320. Em 18/12/2009 o contribuinte apresentou a petição de fls. 324 por meio da qual pleiteou a desistência parcial do recurso em relação aos anoscalendário de 2001 e 2002, tendo em vista a quitação do crédito tributário ao amparo da Lei nº 11.941/2009. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A discussão no presente recurso está limitada (i) ao dispositivo legal aplicável para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN) e (ii) ao restabelecimento ou não da multa qualificada aplicada ao contribuinte. No presente caso, entendeu a autoridade fiscal autuante caracterizado o evidente intuito de fraude, ante a conduta reiterada da contribuinte em omitir rendimentos e no valor dos rendimentos omitidos em comparação com os rendimentos declarados, conforme se verifica às fls. 17, razão pela qual aplicou a multa qualificada de 150%. O v. acórdão recorrido afastou a multa qualificada imposta pela autoridade fiscal autuante, e, no tocante à decadência, determinou a aplicação da regra do § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150 – (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (destacamos). Em seu recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional requer a aplicação da sistemática de contagem do prazo decadencial do artigo 173, I do CTN, bem como o restabelecimento da multa qualificada. Considerando que a qualificação da multa implica o afastamento da aplicação da sistemática do artigo 150, §4º do CTN optei por primeiramente examinar referido aspecto. Qualificação da multa A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 3 5 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades no sentido de que, a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é amplamente reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, o recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia o restabelecimento da multa qualificada de 150% tendo em vista a conduta reiterada e sistemática do contribuinte que omitiu rendimentos nos exercícios de 2001 a 2003 (fls. 17). Entendo, no entanto, que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários exercícios e em valor superior ao rendimento efetivamente declarado pelo contribuinte, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Em se tratando de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, cuja caracterizada é objeto de presunção legal relativa, não bastam as alegações de relevância econômica dos valores envolvidos e reiteração de conduta para a demonstração do evidente intuito de fruade. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito. Decadência Por outro lado, no tocante à decadência, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 4 7 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso a decisão recorrida reconheceu a decadência em relação ao anocalendário de 2000. Nada obstante, como se verifica da declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte constante às fls. 67/68, em relação ao anocalendário de 2000 não ocorreu a antecipação e/ou pagamento de imposto de renda. Logo, aplicase no presente caso a teor da exigência regimental acima referida o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo que o início do prazo de decadência deve se dar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que os depósitos bancários ocorreram durante o anocalendário de 2000, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º/01/2002. Assim, quando o contribuinte foi notificado do lançamento em 06/04/2006 (fls. 149) não havia transcorrido o prazo de decadência. Afastada a decadência, cabe verificar se haveria outras alegações no recurso voluntário que ainda não teriam sido enfrentadas, hipótese em que os autos deveriam ser devolvidos para a turma de origem. No presente caso o Contribuinte sustentou em seu recurso voluntário que os depósitos bancários, incluindo os valores recebidos durante o anocalendário de 2000, decorrem de operações da empresa Regoso Com. Ind. e Transp. de Madeiras, sendo que tal alegação já foi objeto de exame por parte da decisão recorrida quando restou consignada a falta de provas relativas às alegações do contribuinte para afastar a incidência tributária. Dessa forma, como todos os argumentos de defesa foram analisados pelo E. Colegiado a quo, entendo desnecessária a devolução dos autos à segunda instância para novo julgamento. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a decadência em relação ao anocalendário de 2000. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10831.013447/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada
EDITADO EM: 28/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber Jose da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Fabia Regina Freitas, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Gileno Gurjao Barreto, Jose Antonio Francisco.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora designada EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber Jose da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Fabia Regina Freitas, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Gileno Gurjao Barreto, Jose Antonio Francisco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 31 .0 13 44 7/ 20 04 -5 1 Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.013447/200451 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.276 S3C3T2 Fl. 11 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário referente a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria exportada, prevista no § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/02 (Art. 689, inciso XXII, e § 1º, do RA/2009 Decreto nº 6.759/2009). Pela descrição dos fatos (fls. 6/23), a empresa autuada: (i) operou sem a presença de funcionários na maioria de suas filiais (cópia GFIP e RAIS); (ii) não apresentou documentação probante do armazenamento, tampouco fez menção aos meios de transporte do produto até os armazéns ou até o ponto de desembaraço para exportação; (iii) não apresentou elemento de convicção quanto à capacidade financeira de adquirir as mercadorias no mercado interno; (iv) não justificou a consistência do patrimônio e renda da pessoa jurídica e dos sócios da empresa; (v) conforme declaração de seu preposto, utiliza galpões da empresa IRMÃOS RIBEIRO EXP. IMP. LTDA, CNPJ 54.226.717/000185, para guarda e preparo dos cafés crus em grãos de sua propriedade; (vi) funciona no mesmo endereço da empresa IRMÃOS RIBEIRO, de quem aluga uma sala; (vii) as contas telefônicas, de valores irrisórios, provam que a empresa não fez nenhuma ligação telefônica para clientes no exterior; (viii) os lançamentos contábeis da empresa, por não estarem acompanhados de documentação, não provam a origem dos recursos utilizados para adquirir no mercado interno as mercadorias exportadas; (ix) não atendeu a intimação para apresentar o contrato de compra e venda de café firmado com a empresa BISCAYNE COFFEE COMPANY. INC, importador das mercadorias, situada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no mesmo endereço onde funciona outra empresa, a SNAPPER CREEK HOLDINGS LTDA; (x) encaminhou as mercadorias exportadas para empresa BISCAYNE COFFEE para os EUA e para diversos países da Europa. Tempestivamente a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 471/493, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido às fls. 1180/1181. A DRJ em São Paulo SP manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 17 54.251, de 29/09/2011, cuja ementa apresenta o seguinte teor: Exportação. Não comprovação da origem dos recursos. Presunção de interposição fraudulenta de terceiros. Dano ao Erário. Pena de Perdimento. Impossibilidade de apreensão da mercadoria. Conversão em multa correspondente ao valor aduaneiro. Ciente da decisão de primeira instância em 07/11/2011, conforme AR de fl. 1188, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 05/12/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, resumidos pelo acórdão recorrido nos seguintes termos: 1 nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo, se considerar que a real empresa exportadora é a Irmãos Ribeiro, contra quem deveria ser lavrado o auto de infração, tornandoo nulo; 2 nulidade do auto de infração pela falta de responsabilização do “real vendedor” da mercadoria, partícipe necessário da infração, ao qual caberia informar a localização da mercadoria para aplicar a pena de perdimento. Cita jurisprudência do CARF. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.013447/200451 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.276 S3C3T2 Fl. 12 3 3 com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a multa a ser aplicada é a de 10% do valor da operação, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07; 4 nulidade do auto de infração por inobservância do rito estabelecido pelo art. 73 da Lei nº 10.833/03 e não na incapacidade do autuante para imposição da penalidade. Há necessidade de autorização prévia do Inspetor para a emissão do auto de infração; 5 nulidade do auto de infração por ter aplicado disposições penais previstas na Medida Provisória nº 66/2002. Ocorre que a referida medida provisória não tem aplicação imediata, nesta parte, porque em matéria penal, quando a Constituição fala em “lei” o termo é usado em sentido estrito; 6 não se configurou a alegada interposição fraudulenta de terceiros porque as exportações foram ultimadas com recursos próprios. A correta interpretação do § 2º, do art. 23, da Lei nº 10.637/02, exigese que se prova a transferência, por terceiros, dos recursos empregados na operação de comércio exterior e a motivação escusa para o anonimato do terceiro. No caso, nenhuma dessas condições se fez presente. Os recursos utilizados são oriundos de empréstimo concedido pela empresa Irmãos Ribeiro, devidamente contabilizado, que foi obrigada a viabilizar a liquidação dos ACC da empresa Recorrente. Explica as razões pelas quais foi realizada esta operação; 7 discorre sobre o conceito de “dano ao erário” para concluir que no caso vertente não houve intenção de fraudar a lei, tampouco de causar dano ao erário. Ao contrário, a operação evitou o dano na medida viabilizou as exportações anteriormente compromissadas pela Recorrente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório do essencial. Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado por interposição fraudulenta em virtude de terse considerado que a Recorrente (COMERCIAL DE CAFÉ E CEREAIS NR LTDA – “COMERCIAL NR”) ocultou o verdadeiro exportador de mercadorias (IRMÃOS RIBEIRO EXP. IMP. LTDA – “IRMÃOS RIBEIRO”). A questão é sui generis, porque em sua defesa, a Recorrente reconhece a relação “incestuosa” com a empresa IRMÃOS RIBEIRO e alega, justamente, a regularidade desta relação. Explica que estava em dificuldades financeiras que a levaram a utilizar o crédito – e o dinheiro – da empresa IRMÃOS RIBEIRO, dado o grau de parentesco entre os proprietários das empresas (pai e filho). Não há mais nos autos, portanto, dúvida sobre o envolvimento da empresa IRMÃOS RIBEIRO na operação da COMERCIAL NR. A questão em análise é que a Recorrente nega a ocultação do sujeito passivo e o alegado dano ao erário, defendendo Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.013447/200451 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.276 S3C3T2 Fl. 13 4 que a participação da IRMÃOS RIBEIRO ao possibilitar financeiramente a atividade da Recorrente neste período foi imprescindível, justamente, para se evitar o dano ao erário. Neste sentido defende a inaplicação do artigo 23, §2º do Decretolei 1.455/75, visto que para a ocorrência de interposição fraudulenta é preciso “...a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”. De acordo com o que se depreende dos autos, a Recorrente trouxe à colação às fls. 1046/1055, Laudo Técnico, no qual o contador auditor fornece algumas informações e conclusões. Concordo com a autoridade julgadora de primeira instância quando diz que o Parecer Contábil não pode afirmar ou concluir acerca da ocorrência ou não da fraude, esta conclusão é possível apenas aquele que analisam e interpretam os fatos comprovados contabilmente e o contexto no qual estes fatos estão inseridos. Não é esta conclusão que me interessa. O que considero relevante para o deslinde da questão são as informações contábeis que comprovariam que o dinheiro utilizado nas exportações vieram da empresa IRMÃOS RIBEIRO. É que se os recursos utilizados pela Recorrente tiverem origem lícita, como em empréstimos, por exemplo, podese entender por elidida a presunção legal de fraude. Os documentos dos autos mostram, claramente, que a IRMÃOS RIBEIRO patrocinou a Recorrente. A que título isso foi feito? Existem contratos de mútuo? Existe a comprovação do pagamento destes mútuos? Havia alguma razão para que a IRMÃOS RIBEIRO precisasse exportar via COMERCIAL NR, se a própria IRMÃOS RIBEIRO era também exportadora de Café? Em virtude destas dúvidas, voto por converter o presente julgamento em diligência para que: (i) a Recorrente seja intimada a apresentar em 30 dias a documentação necessária para comprovar a regularidade do empréstimo dos recursos pela IRMÃOS RIBEIRO, respondendo ainda as seguintes questões: (i.a) A que título a IRMÃOS RIBEIRO transferiu dinheiro para a COMERCIAL NR? (i.b) Foram realizados contratos de mútuo? Se sim, devem ser apresentados. (i.c) Comprovar a devolução dos valores emprestados, bem como qualquer outro fato que justifique ou comprove a veracidade do empréstimo dos valores. (ii) Após, a autoridade administrativa competente deverá analisar os documentos e informações trazidos pela Recorrente, bem como o Parecer Contábil juntado às fls. 1046/1055, manifestandose sobre ele. (iii) Especialmente, deverá a autoridade administrativa analisar – compondo com a contabilidade da empresa e com os documentos já trazidos aos autos – as informações acerca dos valores recebidos pela COMERCIAL Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.013447/200451 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.276 S3C3T2 Fl. 14 5 NR, informando se os valores estão todos contabilizados e se houve comprovação de empréstimo ou qualquer outra figura jurídica civil. (iv) Ainda, deverá ser verificada a condição de exportação – pelas informações constantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil – da empresa IRMÃOS RIBEIRO à época da ocorrência da suposta interposição fraudulenta, tinha RADAR? Qual limite? Capacidade de exportação? Quantidade de exportação mensal/anual? (v) Após, a autoridade administrativa deverá elaborar Parecer Conclusivo, intimando a Recorrente a se manifestar sobre este parecer no prazo de 30 dias. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 12269.001362/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/01/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridas em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Bianca Delgado Pinheiro acompanhou pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridas em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 13 62 /2 00 9- 01 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Bianca Delgado Pinheiro acompanhou pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/06/1998 a 31/01/1999 Data de lavratura da NFLD: 27/10/2003. Data da Ciência da NFLD: 25/11/2003. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 413 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRP em Porto Alegre/RS que julgou procedente o crédito tributário lançado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.572.8966, de 27/10/2003, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, calculada por aferição indireta mediante a aplicação da alíquota da alíquota mínima prevista no art. 20 da Lei nº 8.212/91 sobre o montante de mão de obra contida nas notas fiscais /faturas, na forma da legislação previdenciária, devidas pelo Autuado em referência em razão da responsabilidade solidária da empresa contratante com o executor de obra/serviço de construção civil, Rocha e Lira Instaladora Elétrica ltda, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 25/29. Informa a Autoridade Lançadora que as bases de cálculo foram apuradas a partir do exame dos lançamentos contábeis do Livro Diário e Razão na conta 13.21.9000 Obras em Andamento. Como o contribuinte não apresentou os documentos de caixa que embasavam tais lançamentos durante o período considerado, sobre tais valores assim apurados foram aplicados os percentuais de 40% (somente mãodeobra) ou 20% (mão de obra e material sem discriminação) para determinação montante da mão de obra. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 59/103. Devidamente intimado mediante editais a fls. 123 e 129 a respeito da NFLD em debate, o devedor principal Rocha e Lira Instaladora Elétrica ltda – deixou transcorrer in albis o prazo normativo que lhe fora assinalado sem apresentar contestação aos termos do lançamento. A Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Notificação a fls. 169/185, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa mediante editais a fls. 241, 367 , o devedor principal não interpôs Recurso Voluntário em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre/RS. O Sujeito Passivo – devedor solidário foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/02/2006, conforme Avisos de Recebimento a fl. 195. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 249/273, deduzindo seu inconformismo em face da decisão guerreada em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Decadência; · Que a prestadora de serviços Rocha & Lira Instaladora Elétrica Ltda procedeu corretamente os recolhimentos previdenciários, parte dos empregados, no período de 06/98 a 01/99; Aduz que o contrato realizado entre a tomadora e a prestadora permitia a realização de serviços da prestadora simultaneamente a mais de uma empresa, fato previsto para a aceitação da guia de recolhimento previdenciário (GRPS), de forma global Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e não específica, devidamente autenticada, conforme disposto no art. 21 da Ordem de Serviços nº 165/97; · Que o INSS vem efetuando ilegalmente cobrança de contribuição previdenciária em face dos incorporadores e proprietários de construção civil, considerando estes como devedores solidários, sendo que a apuração dos valores é feita através de arbitramento, utilizando como parâmetro as notas fiscais pagas; · Que a Santa Casa é entidade beneficente e assistencial, sem fins lucrativos e, como tal, merecedora inclusive da assistência judiciária gratuita, com dispensa de custas, despesas processuais e demais emolumentos legais; · Requer a produção de todas as provas em direito admitidas até julgamento do presente processo administrativo, especialmente, testemunhal, documental e pericial Ao fim, requer a declaração de insubsistência do lançamento ou, alternativamente, a retificação do valor do débito. Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fl. 321. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/02/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22/03/2006, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que a Santa Casa é entidade beneficente e assistencial, sem fins lucrativos e, como tal, merecedora inclusive da assistência judiciária gratuita, com dispensa de custas, despesas processuais e demais emolumentos legais. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 414 5 Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 415 7 relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O devedor solidário pondera que, “considerando que a notificação de lançamento se operou em 13/10/2003, retroagindose cinco anos, verificase que os débitos lançados até 1998 estão fulminados pela prescrição”, O Recorrente demonstra, dentre outras coisas, desconhecer o discrimen entre decadência e prescrição tributárias, tratadas respectivamente nos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional CTN. Não se olvide: A violação de um direito subjetivo faz nascer para o seu titular a pretensão, conceituada como o poder de, através de uma ação judicial, fazer valer em juízo a prestação devida, o cumprimento da norma legal ou contratual ou a reparação de um mal causado. Para tanto, o titular do direito violado deve obedecer prazos legalmente fixados. Se deixa transcorrer tal prazo sem o ajuizamento da ação judicial adequada, sua inércia dá ensejo à prescrição do direito de tal ação. Assim, a prescrição é a perda do direito de ação de que dispõe o titular de um direito subjetivo. Dito de outra forma, a prescrição causa a extinção do poder de exigir uma prestação devida, em razão da inércia do titular, que deixou escoar o prazo legal para o seu ajuizamento. Código Tributário Nacional CTN Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. De outro eito, a decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. Código Tributário Nacional CTN Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O caso vertente trata, a todo saber, da constituição do crédito tributário mediante o procedimento administrativo do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ao cabo de tal procedimento, cuja primazia é convolar a obrigação tributária, nascida concomitantemente com os fatos geradores, em crédito tributário, o direito creditório do Fisco encontrarseá líquido, certo e exigível. Nessa esteira, com o Trânsito em Julgado administrativo do vertente Processo Administrativo Fiscal, o crédito tributário da Fazenda Pública restará definitivamente constituído, deflagrandose, então, o início da contagem do prazo prescricional para que a administração tributária promova a competente ação de execução fiscal, consoante o rito fixado na Lei nº 6.830/80. Vale lembrar que o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 do STF “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 416 9 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá, tão somente, o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, havendo recolhimentos antecipados dos valores devidos em relação a uma determinada rubrica, apena é objeto de homologação o crédito tributário biunivocamente correspondente ao exato montante recolhido, nenhum centavo a mais! Tratandose de lançamento por homologação, o vencimento do prazo assentado no §4º do art. 150 do CTN homologa ex lege o ato jurídico consubstanciado no recolhimento antecipado do tributo devido como se fosse o próprio ato jurídico administrativo do lançamento tributário, isto é, lançamento por homologação do recolhimento efetuado. Notese que somente o crédito tributário é dotado dos paramentos de liquidez, certeza e exigibilidade. A obrigação tributária não. Qualquer recolhimento pautado, unicamente, em obrigação tributária é inexigível, ensejando sua repetição por ser indébito. Nessa perspectiva, a operação ficta legal do lançamento por homologação tácita faz convolar a obrigação tributária, até então existente, em crédito tributário, fazendo com que os montantes recolhidos passem a corresponder, a contar de então, não a uma obrigação tributária, mas, sim, a um crédito tributário. Por tal razão, a homologação do recolhimento efetuado em lançamento tributário tem que ocorrer necessariamente antes que se escoe o prazo decadencial correspondente, como de fato acontece no caso do Direito Tributário Brasileiro: art. 150, §4º vs art. 173, I ambos do CTN. Caso contrário, se a homologação ocorresse em data posterior ao dies ad quem do prazo decadencial, o lançamento tributário não mais poderia se consolidar, eis que caduco o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. Neste caso, os valores antecipadamente recolhidos teriam como causa de pagamento não um crédito tributário, mas, sim, uma obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Logo, cabível sua restituição por repetição de indébito. Assim, nas hipóteses de lançamento por homologação, apenas os valores efetivamente recolhidos pelo Sujeito Passivo são homologados como lançamento tributário com o decurso do prazo previsto no §4º do art. 150 do CTN. Nos casos em que o recolhimento efetuado por apenas parcial, a obrigação tributária correspondente à parcela não recolhida não se convola em crédito tributário, de forma alguma, inocorrendo qualquer metamorfose em sua natureza jurídica. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 417 11 Notese que a obrigação tributária principal surge simultaneamente com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e somente se extingue com o crédito tributário dela decorrente. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ora, havendo sido gerada a obrigação tributária, e não tendo sido esta convolada em crédito tributário, tampouco havendo sido este extinto pelo pagamento, há que se concluir que as obrigações tributárias correspondentes às parcelas não contempladas pelo recolhimento antecipado permanecem vívidas e solteiras no mundo fático/jurídico, à espera de um lançamento de ofício que às convole nos seus correspondentes créditos tributários para, somente então, os valores a elas associados poderem ser exigidos de seus devedores pela Fazenda Pública. Assim, em relação às obrigações tributárias correspondentes às parcelas não recolhidas, ainda dispõe a Fazenda Pública do prazo consignado no art. 173 do CTN para, mediante lançamento de ofício, ornálas com as vestes de crédito tributário, tornandoas certas, líquidas e exigíveis. Cumpre ainda ressaltar que também se sujeitam ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamentos de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos que, em favor da rubrica objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito, não consta qualquer crédito a favor do Notificado. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o presente crédito tributário ter sido lançado em desfavor do Recorrente por responsabilidade solidária com as empresa prestadoras de serviços de Construção Civil, com a qual não concorda o ora Notificado, não havendo que se falar na existência de recolhimentos antecipados em relação a tais rubricas. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências da empresa Notificada é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ter sido apurados, evento que atrai à espécie a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN, de acordo com o entendimento defendido, majoritariamente, por esta Corte. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 418 13 I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 1997 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 1999, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2003, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 25 dias do mês de novembro de 2003, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1997, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 01/06/1998 a 31/01/1999, não demanda áurea mestria concluir que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento correspondem a fatos geradores ocorridos em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de decadência. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Alega o Devedor Solidário que o INSS vem efetuando ilegalmente cobrança de contribuição previdenciária em face dos incorporadores e proprietários de construção civil, considerando estes devedores solidários, sendo que a apuração dos valores é feita através de arbitramento, utilizando como parâmetro as notas fiscais pagas. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 419 15 A razão não lhe sorri, porém. A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No plano infraconstitucional, no ramo do direito previdenciário, a matéria sob foco foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI do art. 30, na redação que lhe fora outorgada pelas Leis nº 8.620/93 e 9.528/97, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do proprietário, do incorporador, do dono da obra ou do condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Sem ultrapassar os umbrais que lhe foram erguidos pelo CTN e pela Lei nº 8.212/91, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2.173/1997, estatuiu, sem vias laterais de escape, que a responsabilidade solidária em realce somente seria elidida na exclusiva hipótese em que o executor da obra comprovasse o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Regulamento da Previdência Social Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 420 17 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. (grifos nossos) §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifos nossos) §3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Mas não parou por aí. Disse mais. Sem deixar margens a dúvidas, o Regulamento da Previdência Social pavimentou o caminho a ser seguido pelos contratante e contratado na persecução da elisão em tela, ao impor ao executor da obra o dever jurídico tributário de elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas e individualizadas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Inúteis se revelam, portanto, qualquer outro meio diverso, eventualmente engendrado pelos atores em foco, contribuinte e responsável solidário, para se elidir do instituto da solidariedade ora em apreciação, eis que a lei define, de maneira cristalina, ser aquela a única hipótese aceitável para que se proceda à elisão tributária em realce. Nesse panorama, havendo verificado o auditor fiscal a execução de obra de construção civil e não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela legislação previdenciária, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre o dono da obra e o executor, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex tributário: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 30, VI , culminou por atribuir ao contratante de obra de construção civil a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas construtoras, fazendo com que aquele exija destas cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Não procede, portanto, a alegação do Recorrente de inexistência de prejuízo. O prejuízo fiscalizatório é flagrante. Não se mostra despiciendo salientar que as obrigações acessórias têm por objeto prestações, positivas ou negativas, estabelecidas pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do art. 113, §2º do CTN. Nessa perspectiva, da fiel observância das obrigações assim impostas pela solidariedade resulta que tanto a empresa construtora quanto o dono da obra passam a ter, à sua disposição, toda a documentação indispensável e necessária para fiscalização sindicar, pelos meios ordinários, o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias referentes aos serviços assim contratados. Registrese que o poder conferido pela lei ao dono da obra de exigir do executor cópias autenticadas das folhas de pagamento e das guias de recolhimento acima pontuadas não se consubstancia numa mera faculdade do tomador, mas, sim, num ônus que lhe é avesso, o qual lhe assegurará a elisão da comentada responsabilidade solidária. Em reforço às diretivas ora enunciadas, o item 27 da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 dispõe expressamente que a responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada pela Fiscalização na forma do disposto no seu Título V, quando Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 421 19 este não apresentar as cópias de GRPS correspondentes às notas fiscais de serviço/fatura de empresas de construção civil a seu serviço. Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 27 A responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada pela fiscalização na forma do disposto no Título V, quando este não apresentar as cópias de GRPS correspondentes às notas fiscais de serviço/fatura de empresas de construção civil a seu serviço ou, no caso das atividades relacionadas no Anexo I, não apresentar as cópias da GRPS a que se refere o item 21 ou não constar recolhimento de suas contribuições ao INSS no conta corrente. 27.1 A aceitação de GRPS com salário de contribuição inferior ao disposto no Título V desta OS fica condicionada à apresentação de comprovante de que a contratada possui contabilidade (cópia do balanço extraído do livro Diário e/ou declaração firmada pela empresa e contador para o exercício em curso). Consoante abordagem jurídica levada a lume em parágrafos precedentes, a responsabilidade solidária do contratante de obra de construção civil somente pode ser elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Para efeito de tal comprovação, o executor da obra tem que elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e da respectiva folha de pagamento. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse a fiscalização conjunta do dono da obra e do construtor ou o lançamento primeiramente em face deste e, subsidiariamente, em face daquele, configurarseia um verdadeiro contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, VI da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.528/97, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 422 21 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. O Egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Com efeito, o arcabouço normativo dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Nesse particular, como fruto do mecanismo fiscalizatório da solidariedade, a empresa tomadora passa a dispor da folha de pagamento dos trabalhadores cedidos e as GPS correspondentes, situação que somente não ocorrerá caso a contratante se descuide da obrigação acessória em realce, explicitamente imposta pela lei. Tal inobservância frustra os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, obrigandoos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos destacados no parágrafo precedente, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, Custo Unitário Básico da obra, etc. Como consequência, nas ocasiões em que o conhecimento fiel da ocorrência de fatos jurígenos tributários e/ou do montante tributável a eles associado não for viável pelo exame direto dos documentos específicos indicados adrede pela lei, o ordenamento jurídico admite e legitima o emprego excepcional da aferição indireta da base de cálculo, transferindo se para os ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, conforme previsão taxativa expressa nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 423 23 a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Salientese que o próprio CTN prevê a prerrogativa do agente fiscal de arbitrar, mediante processo regular de aferição indireta, o valor ou preço de bens, direitos, serviços e atos jurídicos, sempre que estes sejam tomados por base para o cálculo do tributo, e sejam omissas, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. No caso em debate, a Notificada, contratante, foi intimada, mediante termo próprio, a exibir tais documentos e não os apresentou. A não apresentação objetiva de documentos ou mesmo a sua apresentação deficiente constituemse motivos justos, bastantes, suficientes e determinantes para que a Fiscalização inscreva de ofício o montante de tributo reputado como devido, ainda que mediante aferição indireta de sua base de cálculo, revertendo em desfavor da empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos permissivos encartados nos §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 No caso sub oculi, a empresa contratante não logrou elidir a responsabilidade solidária com o executor de serviços de Construção Civil, uma vez que não apresentou à Fiscalização as indispensáveis cópias autenticadas das folhas de pagamento e respectivas guias de recolhimento distintas para a empresa contratante, as quais deveriam ter sido exigidas do executor da obra, pelo Notificado, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, conforme assim determinam as normas tributárias inscritas nos §§ 1º e 2º do art. 43 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 2.173/97, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 2.173, de 5 de março de 1997 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. §3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta a serem empregados pela fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 424 25 Em outros casos, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. No caso em apreciação, tratandose os fatos geradores da remuneração paga a segurados obrigatórios do RGPS empregados em obra de construção civil, a autoridade fiscal procedeu à apuração do valor da mão de obra utilizada valendose dos percentuais aplicados para a determinação do salário de contribuição contido nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviço, conforme dispostos na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165/97, então vigente e eficaz. Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165, de 11/07/1997 31 E fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mãodeobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinquenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinquenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por canto) do valor da nota fiscal de serviço. Nessa esteira, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura do presente lançamento, estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Não procede, portanto, a alegação de que o arbitramento efetivado pelo INSS seria regulado apenas por uma Ordem de Serviço, sem qualquer previsão legal, ferindo o principio da legalidade. A apuração da base de cálculo por arbitramento, bem como as situações em tal procedimento é autorizado, encontramse previstas tanto no CTN quanto na Lei nº 8.212/91, conforme acima demonstrado. Reiterese que os procedimentos e metodologias estampados na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165/97 possuem âmbito de regência interna corporis, direcionados exclusivamente às autoridades fiscais, instituindo procedimentos para a apuração indireta da base de cálculo nas situações em que os documentos primários de apuração direta não houverem sido disponibilizados à Fiscalização, ou forem apresentados de maneira deficiente, com assim e revela o presente caso. A matéria em relevo já foi bater às portas da Suprema Corte, em precedente específico sobre o tema, proferido quando do julgamento do RE nº 579.281/PR, da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, DJe de 14/3/08, assim ementado: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA ANULATÓRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. Não padece de vício de legalidade a Ordem de Serviço nº 083/93, que estabelece percentuais a incidirem sobre o valor bruto de nota fiscal de serviço ou fatura, na hipótese de aferição indireta do salário de contribuição. Tratase de regulamentação do procedimento de arbitramento, a estabelecer critérios para tanto. Do contrário, não existiriam parâmetros objetivos para o Fisco proceder ao levantamento do débito nos casos em que não dispusesse de elementos concretos para fazêlo, ante a imprestabilidade ou inexistência de escrita contábil relativa a mãodeobra empregada pelo contribuinte’ (fl. 308). A recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, alega violação ao disposto nos arts. 5º, II; 37; 146, III, a; e 150, I, da Constituição Federal. Inadmissível o recurso. E não se menospreze o poder normativo das Ordens de Serviço acima revisitadas. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 425 27 VI dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros de Estado a competência para expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: I exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (grifos nossos) III apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; IV praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Depreendese do exposto que as Ordens de Serviço e Instruções Normativas expedidas pelos órgãos da administração direta defluem da competência constitucional do Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Por via de consequência, os instrumentos normativos expedidos pelos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliam se para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assentado que os instrumentos normativos suso citadas são dotados de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência e Assistência Social e do Ministério da Fazenda, deflui daí que, na apuração por aferição indireta da mão de obra empregada em obra ou serviço de construção civil, o Salário de Contribuição será fixado em 40%, no mínimo, do valor bruto consignado nas notas fiscais de serviço/faturas correspondentes. Tivesse a Notificada cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação previdenciária, e assim exigido as cópias autenticadas das folhas de pagamento e das respectivas guias de recolhimento elaboradas de maneira distinta por tomador pelo executor de obra/serviço de Construção Civil, a responsabilidade solidária da Contratante Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 estaria, definitivamente, neste comenos, devidamente elidida, nos termos da lei, sem a necessidade de se enveredar pelo árduo e hostil caminho do arbitramento. Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea "b", além de folha de pagamento. Mas assim não ocorreu. A não observância das obrigações tributárias em foco quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias devidas, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Nessas circunstâncias, as omissões perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração a contento das contribuições previdenciárias de que é legítima titular a Fazenda Pública. Nas oportunidades que teve para se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do presente lançamento, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Não procede a alegação de que a prestadora de serviços Rocha & Lira Instaladora Elétrica Ltda tenha procedido corretamente aos recolhimentos previdenciários, parte dos empregados, objeto desta NFLD nº 35.572.8966, nos períodos de 06/98 a 01/99. Conforma já reiteradamente esclarecido, a apresentação de cópias autenticadas das folhas de pagamento cortejadas pelas respectivas guias de recolhimento elaboradas de maneira distinta e individualizada por tomador configurase condição sine qua non para a elisão da responsabilidade solidária ora em debate. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 426 29 Também não merece prosperar a alegação de que o contrato realizado entre a tomadora e a prestadora permitia a realização de serviços da prestadora simultaneamente a mais de uma empresa, fato previsto para a aceitação da guia de recolhimento previdenciário (GRPS), de forma global e não especifica, devidamente autenticada, conforme disposto no art. 21 da Ordem de Serviços nº 165/97. De fato, o art. 21 da OS INSS/DAF nº 165/97 estatui que a responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no Anexo I dessa Ordem de Serviço poderá ser elidida à vista de apresentação de cópia autenticada de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa. Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 21 A responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no Anexo I poderá ser elidida à vista de apresentação de cópia autenticada de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa, ou mediante a consulta ao conta corrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço, não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2. No caso em apreço, o Recorrente não logrou comprovar que a atividade empresarial por ele desenvolvida no casoespécie efetivamente se enquadra no rol de atividades elencadas no Anexo I do já referido ato normativo. Não foi coligida aos autos cópia do contrato pactuado entre a Recorrente e o prestador em realce. Assim, a se julgar pelo objeto social registrado no contrato social da Prestadora – “Serviços de instalações Elétricas” – verificase que tal atividade não figura expressamente no rol numerus clausus de atividades contido no Anexo I da OS INSS/DAF nº 165/97. Além disso, as cópias das GRPS acostadas aos autos não se encontram devidamente autenticadas, circunstância que lhe esvazia o conteúdo probatório. Registrese, ainda, que o Recorrente faz desfilar extensas laudas a respeito de suas atividades sociais, as quais, nos termos da lei, não se mostram suficientes para a elisão da responsabilidade solidária, conforme já abordado anteriormente. Aditese que o fato de o Recorrente gozar de isenção de contribuições patronais não o exime do cumprimento das obrigações acessórias a todos impostas, tampouco da responsabilidade solidária. Código Tributário Nacional CTN Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Nesse mesmo sentido, o art. 18 da OS INSS/DAF nº 165/97 estabelece, expressamente, que a entidade beneficente de assistência social em gozo de isenção da cota patronal responde solidariamente com empreiteiro/subempreiteiro pelo pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados, com o assim se mostra o presente caso. Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 III RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 17 O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. 18 A entidade beneficente de assistência social em gozo de isenção da cota patronal responde solidariamente com empreiteiro/subempreiteiro pelo pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados, exceto a cota patronal, qualquer que tenha sido a forma de contratação, observado o item 30. (grifos nossos) 30 A empreiteira e/ou subempreiteira será responsabilizada pelas contribuições patronais, inclusive as destinadas a terceiros e a multa moratória, em decorrência de débito apurado por responsabilidade solidária do contratante de que tratam os itens 18 e 19. 3.2. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Por derradeiro, o Recorrente requer a produção de todas as provas em direito admitidas até julgamento do presente processo administrativo, especialmente, testemunhal, documental e pericial. Hummmmm .... A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 427 31 No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.001362/200901 Acórdão n.º 2302002.597 S2C3T2 Fl. 428 33 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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