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Numero do processo: 15374.920767/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2001
Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE
INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito
do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter
preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser
conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos
aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros
no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao
reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente
acolhimento do pedido de compensação.
ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há
divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se
queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração
ou através das circunstâncias em que a declaração é feita.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO
POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA
ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação
formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido
negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em
verdade, apresentação de novo pleito.
Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado
à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito
creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária.
Numero da decisão: 1102-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DIPJ e determinar à unidade de origem o exame da procedência do direito creditório informado na PER/DCOMP originária.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DIPJ e determinar à Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 unidade de origem o exame da procedência do direito creditório informado na PER/DCOMP originária. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Plínio Rodrigues Lima, João Otávio Opperman Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ 1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DERAT/RJO, através do Despacho Decisório n° 783770944 (fl. 9), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$60.940,50 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15374.920767/200841 Acórdão n.º 110200.750 S1C1T2 Fl. 2 3 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 02/09/2008 (fls. 7/8), apresentou, em 26/09/2008, manifestação de inconformidade (fls. 11/17). Nesta peça, alega, em síntese, que: embora tenha informado as retenções na fonte na Ficha 43 da DIPJ, deixou de informar os valores de estimativa e IRRF na ficha 12 A, fatos já reparados na DIPJ retificadora; o saldo informado no PER/DCOMP é incorreto (possui saldo negativo de R$ IRPJ no total de R$ 167.468,21); o despacho decisório foi motivado por preenchimento incorreto da DIPJ e do PER/DCOMP, estando a administração presa ao Princípio da Verdade Material (cita jurisprudência). E o relatório.” O acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que: (i) a DERAT/RJO, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero); (ii) na manifestação de inconformidade, o contribuinte não elide os fatos apontados no Despacho Decisório (reconhece ter deixado de informar os valores de estimativa e IRRF na ficha 12 A), ao contrário, informa a retificação da declaração; (iii) a DIPJ deveria ter sido retificada antes da apresentação do PER/DCOMP ou antes da emissão do Despacho Decisório. Por sua vez, a retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN n° 600/2005); (iv) o contribuinte havia sido cientificado das inconsistências apuradas pela DERAT e, nesta data, lhe foi dada a oportunidade de efetuar a retificação na DIPJ antes da emissão do Despacho Decisório (foi intimado, através do Termo de Intimação n° 621528307, com ciência em 06/09/2006, fls. 82/83, a retificar a DIPJ ou a apresentar PER/DCOMP retificador); (v) cabe à DRF de origem a análise do crédito pleiteado e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação. A ausência de informação na DIPJ, declaração própria para este fim, fez com que não houvesse a análise, pela DERAT/RJO, de eventual saldo negativo (posto que não restou configurado o direito creditório pleiteado saldo negativo de IRPJ); (vi) o julgamento pela DRJ decorre de mera revisão do ato praticado pela DERAT, sendo a matéria impugnada tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso; (vii) por conseguinte, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título.. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, no sentido de que teria direito à restituição dos valores pretendidos, por intermédio de compensação, em vista da (i) aplicação dos princípios da verdade material e da moralidade ao caso; e (ii) da efetiva existência de crédito consubstanciado em saldo negativo de IRPJ de R$ 167.468,21, proveniente de (a) retenção de tributos na fonte; (b) recolhimento de estimativas no mês de março do anocalendário de 2001 e (c) prejuízo fiscal apurado na DIPJ 2001, no valor de R$1.014.487,84. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Depreendese do relatório supra que são três as questões controvertidas nesse procedimento, quais sejam: (i) a existência (ou não) do erro material alegado pela Recorrente na Declaração de Compensação originária, que seria suscetível de mera retificação; (ii) a legitimidade (ou não) da retificação da Declaração de Compensação levada a efeito pela Recorrente mesmo após o proferimento de decisão administrativa que a indeferiu; e (iii) a possibilidade de o contribuinte ver examinadas as razões e documentos que justificam o direito creditório informado em PER/DComp, nada obstante tais documentos e razões não tenham sido examinado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem por força de erros no preenchimento de DIPJ. A resposta às duas primeiras questões é negativa. Não há como sustentar (tal como o fez a Contribuinte) que teria ocorrido “erro material” (suscetível de retificação) na Declaração de Compensação originária apresentada à SRF. Conforme é de conhecimento geral, o erro material suscetível de retificação ocorre quando o sujeito escreve coisa distinta daquela que queria declarar. É a divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito. Trata do simples erro de cálculo ou de escrita, revelado no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Do exame dos autos, resta inequívoco que, na data da formulação do pedido de compensação originário (14.02.2005), a Contribuinte pretendia efetivamente compensar débitos de IRRF (relativos ao anocalendário de 2004) com supostos créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ apurados no anocalendário de 2000, no valor de R$ 60.940,50. De fato, ao par da clareza meridiana da declaração respectiva, o pedido de compensação apresentado pelo contribuinte em 15/02/2002 continha relação dos valores retidos na fonte que caracterizariam seu direito creditório. Não pode ser considerado erro material, (reiterese: susceptível de retificação), o fato de a Recorrente ter pleiteado a compensação de crédito em montante eventualmente inferior ao seu pretenso direito quando a declaração respectiva não traz qualquer indício a esse respeito. Em verdade, sob a alcunha de “retificação de erro material” pretende a Recorrente formular novo pedido de compensação (outro crédito) aproveitandose da data do pleito originário para afastar eventual alegação de prescrição. Não bastasse tal fato, que por si só seria suficiente para rejeitar o pleito da Contribuinte nessa parte, é de se destacar que não é legítimo ao contribuinte pretender a retificação de Pedido (Declaração) de Compensação quando já proferida decisão administrativa sobre seu mérito. Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15374.920767/200841 Acórdão n.º 110200.750 S1C1T2 Fl. 3 5 procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador. Entendo, contudo, que o recurso voluntário da Contribuinte merece ser provido na parte em que pretende seja examinado o direito creditório expressamente pleiteado na PER/DComp. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. A informação contida na DIPJ original (de inexistência de saldo negativo no período) tem caráter de presunção simples, que admite prova em contrário pelo contribuinte por meio de documentos e de sua própria escrituração ao longo do processo administrativo. No caso, particularmente, há fortes indícios de que o crédito informado em PER/DComp seja procedente, ante (i) os lançamentos feitos na escrituração fiscal acostada aos autos; (ii) o significativo prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário de 2000 e (iii) a provável existência de tributos retidos e recolhidos pela fonte pagadora, cuja constatação pela RFB prescinde inclusive de diligência específica em vista das informações contidas em seus sistemas informatizados. Por conseguinte, entendo que devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, darlhe parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015542/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. LAUDOS MÉDICOS DIVERGENTES. LAUDO MÉDICO QUE APRECIOU A DIVERGÊNCIA MÉDICA E PROLATOU DECISÃO. VALORIZAÇÃO DO ÚLTIMO POSICIONAMENTO MÉDICO, POIS EM HARMONIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS
AUTOS.
A instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua
decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas ao processo, pode o julgador solucionar
diretamente a lide.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. LAUDOS MÉDICOS DIVERGENTES. LAUDO MÉDICO QUE APRECIOU A DIVERGÊNCIA MÉDICA E PROLATOU DECISÃO. VALORIZAÇÃO DO ÚLTIMO POSICIONAMENTO MÉDICO, POIS EM HARMONIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS AUTOS. A instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas ao processo, pode o julgador solucionar diretamente a lide. Recurso negado.
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ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. LAUDOS MÉDICOS DIVERGENTES. LAUDO MÉDICO QUE APRECIOU A DIVERGÊNCIA MÉDICA E PROLATOU DECISÃO. VALORIZAÇÃO DO ÚLTIMO POSICIONAMENTO MÉDICO, POIS EM HARMONIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS AUTOS. A instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas ao processo, pode o julgador solucionar diretamente a lide. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. Relatório Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza as razões do indeferimento do pedido de restituição na DRFB e da manifestação de inconformidade dirigida à Turma de Julgamento da DRJ (fls. 77 e 78): O contribuinte precitado manifesta inconformidade com o Despacho Decisório n° 1.502 DRF/BHE, às fls. 55 a 56, que deferiu em parte o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o 13° salário recebido nos anoscalendário de 2005 a 2007. A autoridade a quo justifica o deferimento em parte do pleito com base no Parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda n° 09510, fl. 41, que declara que "o contribuinte é portador de moléstia especificada em lei desde 01.07.2007" Cientificado em 12/07/2010 (fl. 57), o contribuinte apresenta, em 11/08/2010, fl. 65, o recurso às fls. 58 a 60, com as seguintes alegações, em síntese: o contribuinte apresentou pedido de isenção e restituição de imposto de renda em 14/09/2009, tendo anexado documentação comprobatória do seu direito; em 22/10/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil solicitou à Assembléia Legislativa informações sobre seu direito à isenção por ser portador de moléstia grave; A Assembléia, em resposta, informou que reconheceu o direito à isenção a partir do dia 30/07/2007 até 29/07/2012; em maio de 2010, recebeu notificações de lançamento, nas quais constavam que os proventos percebidos nos exercícios de 2005, 2006 e de 2007 teriam sido recalculados como tributáveis, tendo como base o Parecer Médico Pericial nº 09510, emitido pela Junta Médica do Núcleo de Perícia da Gerência Regional de Administração do Ministério de Minas Gerais, que reconheceu o direito do contribuinte definitivamente a partir de julho de 2007; ficou surpreso com a postura da Delegacia de Fiscalização que, além de não convocar o contribuinte para comprovar suas alegações, fez uma ponte com a fonte pagadora, sem sequer analisar outras provas subsidiárias; independente de ver ferido seu direito de ampla defesa, apresentou impugnações, que estão aguardando julgamento, juntamente com exames utilizados pelo Centro de Saúde Tia Amância para fixar o início da patologia; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.015542/200920 Acórdão n.º 210202.144 S2C1T2 Fl. 2 3 Da Preliminar o contribuinte é aposentado desde 15/03/1993 e, segundo laudo médico fornecido pelo Centro de Saúde Tia Amância, é portador de moléstia grave desde 2003 e faz jus à isenção por tempo indeterminado, devido à fase em que se encontra; Do Mérito segundo o acórdão emanado pelo Conselho de Contribuintes, SUS é competente para emissão de laudo médico oficial e se a patologia é atestada por manifestações médicas, inclusive por órgão oficial municipal, incabível a tributação dos proventos de aposentadoria, falecendo competência à autoridade tributária para questionar quanto às formal idades de atestados, pareceres e diagnósticos médicos; segundo processo de consulta, não existe nenhuma preferência à obrigatoriedade de vinculação entre a fonte pagadora dos rendimentos e a instituição pública emitente do laudo pericial. Ao final, requer o reconhecimento do direito, o expurgo do processo do ofício S7/2009/GPE/ASS, a retificação do Parecer Médico Pericial n° 09510 no tocante à data de início e o processamento dos créditos apurados nas declarações retificadoras. A 5ª Turma de Julgamento da DRJBHE (MG), por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0228.645, de 17 de setembro de 2010. A decisão rejeitou a pretensão do contribuinte com a seguinte motivação (fls. 78, 79 e 81): Compulsando os autos, verificase que o contribuinte protocolizou pedido de restituição relativo à retenção incidente sobre o 13° salário dos anoscalendário 2005 a 2007 em 12/09/2009, tendo acostado aos autos documentos de fls. 05 a 22, entre estes, laudo médico com carimbo "C.S Tia Amância", que consigna que o contribuinte é portador de moléstia grave desde outubro de 2003 por tempo indeterminado, fl. 05. A fiscalização, por meio do ofício n° 514/2009 /DRF /BHE /SEFIS /EQU1MALHA, solicitou à fonte pagadora dos proventos de aposentaria do contribuinte, no caso, Assembléia Legislativa de Minas Gerais, pronunciamento a respeito de sua isenção de imposto de renda por ser portador de moléstia grave. Esta se manifestou, por meio do oficio nºt 87/2009/GPE/ASS, fl. 35, tendo declarado que consta nos assentamentos funcionais do contribuinte laudo médico para fins de isenção de imposto de renda emitido pela Coordenação de Saúde e Assistência da Casa, com validade para o período de 30/07/2007 a 29/07/2012. Em face da divergência entre o laudo médico de fl. 05 com as informações prestadas pela diretoria de recursos humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, foi solicitado Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 pronunciamento da Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, fl. 36. Esta exarou o Parecer n° 09510. à fl. 41, após avaliação pericial em domicílio em 09/03/2Q10 e análise documental de interesse para o exame médico pericial. no_qual conclui ser o interessado portador de moléstia grave prevista em lei, definitivamente, a partir de julho de 2007. Ressaltese que a Junta Médica, para emitir o Parecer n° 095 10, analisou documentação de interesse para o exame medico pericial e fez avaliação pericial no domicílio do contribuinte. (...) Da análise dos documentos supratranscritos, inferese que a Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, mediante o Parecer n° 09510, e a Coordenação de Saúde e Assistência da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, mediante laudo médico, constataram que o diagnóstico de adenocarcinoma acinar invasivo da próstata se deu com o exame anatomopatológico datado de 26/07/2007, fl. 75. Anteriormente a este, havia hipóteses de diagnóstico e o reconhecimento inequívoco da doença, neoplasia maligna, somente ocorreu com base no referido exame. Assim, não há como considerar para fins de concessão da isenção data anterior a do exame anatomopatológico de fl. 75. Observese que o próprio centro médico no qual o contribuinte realizou a medição de PSA, no caso Instituto Hermes Pardini, consignou nos documentos de fls. 72 a 74, em parte acima transcritos, que o exame, de forma isolada, não permite o diagnóstico de neoplasia benigna. Assim sendo, acatase o Parecer da Junta Médica, com fulcro no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 07/10/2010 (fl. 82). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/11/2010. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. preliminarmente, os profissionais de hospitais vinculado ao SUS têm competência para expedir laudo pericial para fins de isenção do imposto de renda, conforme jurisprudência desse CARF, hipótese que se aplica ao presente processo, com Laudo proveniente de profissional vinculado ao Centro de Saúde Tia Amância, pois, “Segundo a Lei Municipal n.° 8.425 , de 05 de agosto de 2002, o Centro de Saúde Tia Amância é unidade municipal subordinada à Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Distrito Sanitário CentroSul, sendo portanto, incontestavelmente, competente para emissão do laudo medico”; II. considerou como início da moléstia o mês de outubro de 2003, a partir de alterações do PSA, como se vê pelos exames acostados aos autos, atestado pelo Laudo acima referido, sendo certo que, “... Independente de observação pelo Instituto Hermes Pardini, aposta em medição de PSA, informando que somente um único resultado, de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.015542/200920 Acórdão n.º 210202.144 S2C1T2 Fl. 3 5 forma isolada, não permite o diagnóstico de neoplasia maligna, os exames sucessivos, realizados com pouco espaçamento, permitiram à perita concluir, pelo desenrolar da doença e o sequenciamento dos resultados, que o início da patologia se deu em outubro de 2003, conforme laudo. Reforça e embasa o diagnóstico expedido pelo Centro de Saúde Tia Amância PBH, o fato de estar o contribuinte, ainda, em estado terminal, motivado por metástases múltiplas que atacaram os ossos, a bexiga, e por quatro vezes o crânio, o que pode ser constatado na documentação apensa ao presente”; III. não há gradação entre os laudos médicos emitidos pelas diferentes esferas da administração, sendo que o laudo do SUS somente poderia ser contestado com decisão fundamentada, que levassem a concluir pela imprestabilidade dele. Por tudo, o recorrente pede o reconhecimento da moléstia grave desde outubro de 2003, procedendose o cancelamento da exigência tributária, autorizando o crédito das restituições, conforme as declarações de rendimentos retificadoras apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 07/10/2010 (fl. 82), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/11/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 08/11/2010, segunda feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, encontramse em debate nestes autos apenas as restituições do IRRF sobre o 13º salário, conforme pedido de restituição de fl. 01, não sendo objeto de apreciação qualquer controvérsia sobre as restituições decorrentes das declarações de ajuste anual DIRPF retificadoras, até porque o IRRF incidente sobre o 13º salário não é objeto de ajuste na DIRPF, ou seja, eventual restituição de IRRF incidente sobre o 13º salário somente pode ser restituído por fora da DIRPF, via processo administrativo, como neste caso, ou mais recentemente via Pedido Eletrônico de Restituição. Dessa forma, como já dissera a decisão recorrida, o pedido para que sejam processadas as declarações retificadoras mostrase estranho à presente lide, esta que trata apenas do pedido de restituição do imposto retido incidente sobre o 13º salário referente aos anoscalendário de 2005 a 2007. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Assim, todo o cerne da controvérsia resumese a definir a data em que o contribuinte passou a ser portador da moléstia especificada em Lei para fazer jus à isenção do imposto de renda. Pelo que se vê pelo Laudo emitido por profissional médico do Centro de Saúde Tia Amância, datado de 30 de abril de 2009, o recorrente seria portador da doença grave desde outubro de 2003 (fl. 112). De outra banda, a fonte responsável pelo pagamento dos proventos do contribuinte, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, informou que o laudo médico para fins de isenção do imposto de renda fora emitido pela Coordenação de Saúde e Assistência dessa Casa Parlamentar, com validade para o período de 30/07/2007 a 29/07/2012 (fl. 35). Para solucionar a contradição acima, a autoridade da DRFBBelo Horizonte solicitou parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, que, após avaliação pericial em domicílio (em 09/03/2010) e análise documental, concluiu que o recorrente preencheria os critérios para enquadramento do benefício pleiteado a partir de julho de 2007 (fl. 41). Com o quadro acima, à luz da divergência original nas instâncias médicas, parece claro que houve um pronunciamento unificador, a partir do Laudo da Junta Médica do Ministério da Fazenda, definindo a data para gozo do benefício a partir de julho de 2007. Devese ficar claro que esta instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas aos autos, pode o julgador solucionar diretamente a lide. Voltando a estes autos, parece claro que o contribuinte logrou somente demonstrar alterações de exame PSA a partir de 2003, o que não é suficiente por si só para afirmar a existência de um carcinoma (neoplasia maligna), como inclusive anotado nos exames médicos. Certamente, não por outro motivo, o contribuinte somente teve o reconhecimento da moléstia grave por parte de sua fonte pagadora a partir de julho de 2007, a partir da biópsia de sua próstata, quando se identificou um adenocarcinoma acinar invasivo da próstata Na linha acima, as demais provas dos autos indicam o acerto do Laudo Pericial da Junta Médica do Ministério da Fazenda, que solucionou a divergência no âmbito da instância médica, indicando que o contribuinte seria portador da moléstia grave a partir de julho de 2007. Com as considerações, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.015542/200920 Acórdão n.º 210202.144 S2C1T2 Fl. 4 7 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10907.000679/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002
ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS.
A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária.
Numero da decisão: 3101-001.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária.
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TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 19/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 79 /2 00 5- 08 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O processo epigrafado foi inaugurado para recepcionar auto de infração relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 18/22) que se prestou a constituir crédito tributário devido em face de constatação de infração à legislação tributária, descrita no lançamento nos seguintes termos: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA ISENÇÃO PELO RECEBEDOR DO PRODUTO. Alienação de veiculo adquirido com isenção para taxistas antes de três anos da sua aquisição, sem a autorização da unidade da SRF. Automóvel GM/ASTRA GL SEDAN 1.8 L, 110 CV, 5 passageiros, 4 portas, adquirido em 19/03/2002 e alienado em 31/01/2005, conforme Nota Fiscal e Certificado de Registro de Veiculo anexados ao processo do auto de infração. O crédito tributário exigido foi composto dos seguintes montantes: COMPONENTES DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO VALOR (R$) IMPOSTO 4.503,18 JUROS DE MORA 2.360,11 MULTA PROPORCIONAL 3.377,38 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 10.240,67 O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do lançamento por meio de correspondência enviada pelos Correios com Aviso de Recebimento (AR), recebida em 31/03/2005 (fl. 25), tendo apresentado sua impugnação em 02/05/2005 (uma segunda feira), conforme peça de fls. 27/28 (e anexos), firmada por procurador regularmente estabelecido (fl. 29), por meio da qual aduziu que “alienara o veiculo em questão, desonerandoa de todos os encargos fiscais que gravavam o referido bem, como faz prova a cópia do certificado em apenso, cujo registro ocorreu em 20/03/2005, ocasião em que a postulante promovera sua efetiva tradição ao adquirente”, não obstante “a autorização para transferência do veículo tivesse sido preenchida em 31/01/2005”. Asseverou, ademais, que “no Brasil, a transmissão de bens móveis, dos quais o veículo é uma de suas espécies, só se legitima através da entrega da coisa ao adquirente, ou seja, com a tradição”, conforme entendimento pacífico da “doutrina pátria” (citação). E assim está disposto no art. 1.267 do novo Código Civil brasileiro (Lei nº 10.406/2002). Concluiu requerendo o cancelamento do lançamento, uma vez que “o ato que consumou a alienação do veículo objeto do presente procedimento fiscal ao seu adquirente” (tradição), só Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000679/200508 Acórdão n.º 3101001.346 S3C1T1 Fl. 3 3 ocorreu quando já transcorrido o prazo de três anos previstos na lei de regência para a não incidência do imposto na operação. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a impugnação improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos esgrimidos na peça vestibular de defesa e ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja cancelado o auto de infração. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Nada de novo veio aos autos, bem por isso não devo alongar na fundamentação deste voto, que somente deve sufragar o quanto decidido pela órgão judicante de primeira instância: Consta dos autos que o sujeito passivo teve deferido seu pedido de isenção de IPI na aquisição de veículo destinado ao uso na atividade de taxista em 01/03/2002 (fls. 04/06). De posse dessa autorização, adquiriu o veículo GM/ASTRA GL SEDAN 1.8L, em 19/03/2002, como fazem prova os documentos de fls. 13/14. Naquela época, encontravase em vigor a Instrução Normativa (IN) SRF nº 31, de 2000, que fundamentou o deferimento do pedido, cujo artigo 9º normatizava a questão ora litigada, verbis: Art. 9o A alienação de veículo adquirido com o benefício de que trata esta Instrução Normativa, efetuada antes de três anos da sua aquisição, dependerá de autorização da Secretaria da Receita Federal, que somente a concederá se comprovado que a transferência será feita para pessoa que satisfaça os requisitos estabelecidos neste ato, ou que foram cumpridas as obrigações a que se refere o inciso II do § 1o. (...) § 3o A alienação do veículo adquirido com isenção do IPI, sem prévia autorização da SRF, antes de transcorridos três anos da sua aquisição, ainda que efetuada a pessoa que satisfaça os requisitos necessários à fruição do benefício, implica a perda do direito à isenção. (...) E ao tempo da alienação do veículo de que trata o caso sub analisis, vigorava a Instrução Normativa (IN) SRF nº 353, de 2003, que continha os mesmos dispositivos normativos recém transcritos. Não há dúvidas na espécie de que a alienação do veículo tratado nos autos deuse por ocasião do preenchimento, pelo sujeito passivo, da Autorização para Transferência de Veículo (recibo de venda), ocorrida em 31/01/2005. A própria impugnante anexou ao recurso uma cópia desse documento (fl. 34), que já havia sido acostado aos autos pela autoridade fiscal (fl. 08). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000679/200508 Acórdão n.º 3101001.346 S3C1T1 Fl. 4 5 O fato de o Certificado de Registro de Veículo (CRV) ter sido emitido em nome do novo adquirente (fl. 35) apenas em 20/03/2005, ao contrário do alegado no recurso, não tem o condão de transferir a data de alienação do bem, a qual, como dito, ocorreu em 31/01/2005. A expedição do novo CRV é ato que se processa após a alienação, de responsabilidade do novo proprietário (o que pode não ocorrer, não obstante a alienação ter ocorrido), o qual inclusive tem prazo de 30 dias para tomar as providências de atualização cadastral junto ao Órgão de Trânsito (Detran), ex vi do disposto no art. 123, § 1º, da Lei nº 9.503, de 2007, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, verbis: Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo quando: I for transferida a propriedade; (...) § 1º No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as providências necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias, sendo que nos demais casos as providências deverão ser imediatas. Demais disso, a alegação da impugnante no sentido de que a tradição (entrega) do bem só ocorreu na oportunidade da atualização do registro no Detran, além de ferir o bom senso (já que a praxe é a emissão do recibo de venda no momento da entrega do bem), não vem acompanhada de qualquer prova. E, como diz a hermenêutica jurídica, alegar e não provar é o mesmo que não provar. Ante o exposto, voto por DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004459/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA.
Comprovada através
de documentação hábil e idônea trazida aos autos a
existência da moléstia grave devidamente prevista em lei, e restando comprovado que os rendimentos cuja omissão foi imputada ao contribuinte eram rendimentos de aposentadoria, é de se reconhecer a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2102-002.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Comprovada através de documentação hábil e idônea trazida aos autos a existência da moléstia grave devidamente prevista em lei, e restando comprovado que os rendimentos cuja omissão foi imputada ao contribuinte eram rendimentos de aposentadoria, é de se reconhecer a isenção pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 10/12 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos totais de R$ 25.996,81 recebidos de pessoas jurídicas no Exercício 2005. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a Solicitação de Revisão do Lançamento – SRL de fls. 01, por meio da qual informou ser portador de tetraplegia, razão pela qual deveria ser revisto o lançamento. A SRL foi indeferida através da decisão de fls. 18, que assim foi fundamentada: Tendo em vista que o interessado não apresentou laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, reconhecendo a doença prevista na lei 7713, de 1988, art. 62, inc. XIV, foi rejeitada a SRL. Cientificado o contribuinte de tal decisão, o mesmo apresentou a Impugnação de fls. 23, por meio da qual afirmou que seriam isentos os proventos das suas aposentadorias precoces, provenientes de paralisia irreversível e incapacitante. Afirmou ainda que a paralisia já havia sido reconhecida pelo Hospital das Clinicas do Estado de São Paulo, bem como pela União (INSS) e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Afirmou ainda que sua condição de isento já fora reconhecida para os anos anteriores e posteriores ao aqui discutido, e por isso o lançamento deveria ser revisto. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção do lançamento, ao entendimento de que não restara comprovada a existência da moléstia grave alegada através de laudo médico. Eis o trecho da decisão que esclarece sua motivação: No caso em análise, cabe destacar que o contribuinte apresentou o laudo médico pericial do Instituto Nacional do Seguro Social, a fl. 47, em que consta que: "...NOTA: Considerandose a Legislação vigente que regulamenta o Sigilo Médico.... a Perícia Médica da Previdência Social considerase impedida de divulgar o CID 10 e/ou diagnóstico do requerente em questão." Acrescentese que a declaração, de fl. 05, emitida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo do Hospital das Clinicas, a despeito das doenças ali descritas, não comprovou ser o interessado portador de doença especificada em lei como isentiva do pagamento do imposto de renda, conforme prescrito pela legislação de regência acima reproduzida. Não há como interpretar de modo diferente, pois, de acordo com o estabelecido na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributaria que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. No que tange a outra condição cumulativa, ou seja, a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.004459/200776 Acórdão n.º 210202.040 S2C1T2 Fl. 77 3 aposentadoria ou reforma e pensão, verificase ser o contribuinte aposentado do Instituto Nacional do Seguro Social —INSS desde 01/09/1978, conforme documento de fl. 08, e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, nos termos da fl. 06. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 72/74, por meio do qual alegou ter sido a decisão recorrida contraditória no que diz respeito à imprestabilidade do laudo trazido aos autos, tendo em vista que o mesmo esclarece detalhadamente qual a moléstia da qual padece. Esclareceu ainda que a referida moléstia lhe impede de exercer os atos cotidianos necessários à sobrevivência, e que o julgado recorrido não passava de um emaranhado de transcrições, merecendo ser revisto. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.09.2010, como atesta o AR de fls. 71. O Recurso Voluntário foi interposto em 11.10.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão de alegada omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, por parte do contribuinte Recorrente. A decisão recorrida deixou de acolher a Impugnação ofertada, mantendo o lançamento por omissão, ao argumento de que o Recorrente teria deixado de comprovar o preenchimento de um dos requisitos da lei para a fruição da isenção sobre os rendimentos tidos como omitidos, pois não teria comprovado ser portador de moléstia grave, através de laudo pericial. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera que os documentos trazidos por ele comprovam sim a existência da moléstia grave, e que a decisão recorrida estava se baseando na nota de rodapé do laudo apresentado para negar o seu pleito. Sustenta que a moléstia está plenamente demonstrada e que a decisão recorrida estaria sendo contraditória, já que o mesmo laudo que foi considerado imprestável para atestar o seu bom direito também atestava ser ele portador de paralisia incapacitante. Assim, em resumo, a matéria aqui tratada diz respeito ao direito – ou não – do Recorrente de gozar da isenção prevista no art. 6º da Lei nº 7.713/88, cujo inciso XIV assim dispõe (cf. redação atual, que ampliou o rol das moléstias): Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) (destacamos) Decorre desta norma que todos aqueles que sejam portadores de uma destas moléstias e que, ao mesmo tempo, recebam rendimento de aposentadoria ou pensão, terão o direito à isenção do Imposto de Renda sobre tais rendimentos. Voltando ao caso que ora se examina, o Recorrente trouxe aos autos no intuito de comprovar o seu direito à mencionada isenção – os documentos de fls. 47 (laudo emitido pelo INSS), bem como de fls. 05 (declaração de Hospital das Clínicas em São Paulo, descrevendo os procedimentos médicos pelos quais se submeteu, e atestando que o mesmo saíra do hospital com tetraplegia). Com base nestes documentos, é inquestionável o fato de que o Recorrente é portador de paralisia incapacitante, patologia que, como visto acima, está entre aquelas previstas na lei como passíveis de isenção. Aliás, ainda que os referidos documentos não atestassem a paralisia incapacitante da qual padece o Recorrente, ela pode ser corroborada pelo fato de que o mesmo foi aposentado por invalidez, conforme documento de fls. 08. Por tudo isso, merece reforma o entendimento esposado na decisão recorrida, no sentido de que o referido documento (laudo de fls. 47) não seria hábil à comprovação de que o Recorrente fosse portador da moléstia grave alegada. Comprovada a moléstia grave, restaria ainda analisar se o Recorrente preenche o segundo requisito legal para que possa fruir da isenção pretendida. Tratase da comprovação de que os rendimentos em questão são decorrentes de aposentadoria. Neste ponto, porém, a própria decisão recorrida já o reconheceu, razão pela qual há que ser reconhecida a isenção aqui pleiteada, nos termos do disposto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.004459/200776 Acórdão n.º 210202.040 S2C1T2 Fl. 78 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10711.004067/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/01/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.235
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/01/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/01/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de duas autuações. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 350 2 A primeira das autuações (fls. 0106) trata de Imposto de Importação (II), Juros de mora, Multa por lançamento de ofício/não recolhimento de tributos e Multa do controle administrativo, totalizando créditos no valor total de R$ 34.869,90. A segunda autuação (fls. 0711) trata de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Juros de mora e Multa por lançamento de ofício/não recolhimento de tributos, totalizando créditos no valor total de R$ 18.561,29. Alega a fiscalização que a empresa autuada/importadora, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 01/00107154 submeteu em despacho para consumo mercadorias descritas como “cerâmica econoprop 20/40 – qualidade de uso: poços de petróleo – teor de pureza: não aplicável – estado físico: pó – embalagem: bags 3.200lbs”. A empresa classificou a mercadoria no código NCM/SH 2529.10.00, correspondente ao produto feldspato. Tal código sofria tributação de 6,5% de II e 0% de IPI. Foi retirada amostra do produto para análise e o órgão de análise emitiu o laudo técnico nº 2014/01, concluindo que a mercadoria se trata de “preparação química à base de óxidos de alumínio, sílica, titânio e ferro”, classificável na TEC no código 3824.90.79, tributável em 16,5% de II e 10% de IPI. Lavrado o auto de infração e intimada a contribuinte (fl. 33v), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 3664. Seguem as alegações da empresa. Desde o início de suas operações, importou mercadorias sob o código NCM/SH 2529.10.00 sem qualquer questionamento por parte da Alfândega, sendo que a classificação adotada se deu com base em informações repassadas pelo fabricante do produto; A importação é nula tendo em vista que já foi objeto de anterior processo da Inspetoria de Macaé. A classificação como feldspato se deveu ao fato de que a cerâmica em questão possui em sua composição metais alcalinos, característicos da Posição 2529 da TEC; A classificação pretendida pelo fiscal elimina a possibilidade da cerâmica ser tipificada em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capítulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capítulo 25, mormente, como mulita, ainda que não se admita a classificação como feldspato; Inconformada com a classificação pretendida pela fiscalização que, equivocadamente enquadraram os produtos no Capítulo 38 da TEC, a impugnante, demonstrando sua boafé em definir a Fl. 435DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 351 3 natureza do produto, encomendou dois laudos técnicos de laboratórios e profissionais distintos. Requer, nos termos do artigo 30, §3º, do Decreto nº 70.235/1972, que seja determinada a translação dos referidos laudos, os quais se encontram anexados ao processo administrativo nº 10726.000068/200407. Apresenta às folhas 4243 trechos dos referidos laudos técnicos. A simples análise da composição química da cerâmica importada pela empresa demonstra que a empresa adotou a classificação referente ao estado mais rudimentar do produto, e não a mais precisa correspondente ao produto mulita, com efeito um dos derivados do caulim, sendo este último proveniente do feldspato. Defende que, pelo fato de ter sido detectada a presença de mulita nas análises, o produto deve ser classificado no Capítulo 25 da TEC, sob o código 2508.60.00 (mulita), sendo que, conforme exposto no laudo A, a cristobalita, uma das formas de sílica, foi encontrada em quantidades ínfimas, não devendo prevalecer para fins de classificação do produto. Defende a classificação das mercadorias no código NCM/SH 2508.60.00 (mulita) pela aplicação da Regra 3b do Sistema Harmonizado, sendo iguais às alíquotas de II e IPI para a mulita e o feldspato. Não há prejuízos ao Fisco. O feldspato é um precursor mineralógico da mulita, sendo ambos utilizados na indústria de cerâmica, sendo que tanto o feldspato como a mulita encontramse tipificados no Capítulo 25 da TEC e possuem a presença da mesma substância: aluminosilicato; Alega a impugnante que, diante dos exames laboratoriais por ela realizados e antes da lavratura do Auto de Infração, começou a classificar, a partir da DI 04/03063323, as mesmas mercadorias sob o código NCM/SH de mulita (2508.60.00) sem qualquer objeção da fiscalização aduaneira, sendo que esta DI (04/03063323) foi parametrizada para o canal vermelho e a DI seguinte (04/03321039) foi parametrizada para o canal verde. A lavratura de auto de infração após a realização de uma coleta mais de quatro anos depois da ocorrência do fato gerador viola direitos do contribuinte, como o da celeridade processual. Durante muitos anos importou as mercadorias como feldspato, sempre com a concordância do Fisco, sendo que declarações de importação foram parametrizadas para canal amarelo e vermelho; posteriormente, tendo em vista o início do procedimento fiscal, procurou novamente profissionais capazes, que entenderam mais apropriada a classificação como mulita, embora seja o feldspato um precursor da mulita. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 352 4 Defende a aplicação do artigo 146 do Código Tributário Nacional. Afirma que a fiscalização sempre acatou a classificação adotada pela empresa, o que constitui norma complementar da lei, o que afasta a imposição de quaisquer penalidades e correção monetária, conforme artigo 100 e seu parágrafo único, do CTN; Solicita, também, a aplicação do artigo 112, CTN, que prevê a interpretação benigna ao acusado em caso de dúvidas. Incabível a multa do controle administrativo uma vez que a declaração foi correta (como confirma a própria fiscalização) e que havia licença de importação. Se houvesse infração, a mesma já estaria incluída na multa da Lei nº 9.430/1996. Defende a aplicação do artigo 112 do CTN A própria fiscalização de Macaé não aplicara esta multa. Alega que a multa é confiscatória. Solicita a nulidade do auto. Subsidiariamente, solicita que sejam considerados insubsistentes os Autos de Infração, com o conseqüente cancelamento dos débitos neles constantes. Protesta pela intimação no escritório de advocacia. À folha 160, encaminhouse o processo para julgamento. À folha 161, há pedido de diligência no sentido da unidade de origem (Rio de Janeiro) informar se são autênticos os documentos de folhas 97137, especificamente no que concerne à DI nº 01/00107154. Foi também solicitado que se informasse se a DI do presente processo já foi objeto de auto de infração e, se positiva a resposta, quais verbas foram lançadas. À folha 164, o processo é remetido à Delegacia de Macaé para atendimento da diligência. À folha 165, há despacho da Delegacia de Macaé, que informa que: os documentos de folhas 97/137 são cópia fiel do original; a matéria tributável tratada no auto de infração lavrado pela Alfândega do Porto do Rio Janeiro (o presente processo) é a mesma do auto de infração lavrado pela IRF/Macaé no que diz respeito à DI nº 01/00107154; entretanto, a multa por falta de licença de importação (lançada no presente processo) não foi exigida no procedimento da Inspetoria de Macaé. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 353 5 Na mesma folha 166, foi o processo devolvido à unidade do Rio de Janeiro, que devolveu os autos a esta Delegacia de Julgamento (fl. 167). Nova diligência de folhas 168169, solicitava intimação da empresa impugnante para complementar a defesa acerca dos novos elementos trazidos aos autos. Aditamento à impugnação de folhas 173178. Renova a empresa o pedido de nulidade haja vista a duplicidade da autuação. Contesta a possibilidade de prosseguimento do julgamento tão somente em relação à multa relativa ao controle administrativo uma vez que tal análise ensejaria a análise do mérito da classificação fiscal, que neste momento está sob análise do Conselho de Contribuintes. À folha 211, retornouse o processo para julgamento Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/01/2001 LANÇAMENTO. NULIDADE Anulase o lançamento no tocante às exigências anteriormente lançadas em processo distinto. LAUDO PERICIAL Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/01/2001 MULTA POR AUSÊNCIA LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. É devida a multa por ausência de licença de importação, quando a mercadoria efetivamente importada difere da mercadoria autorizada à importação Lançamento Procedente em Parte Fl. 438DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 354 6 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que não havia certeza com relação ao tratamento administrativo dispensado à mercadoria e que tal fator seria relevante para a solução do litígio, decidiu esta 2ª TO, por meio da Resolução nº 310200.116, relatada pela então Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, converter o julgamento em diligência. Em cumprimento, respondeu a autoridade autuante que a mercadoria alvo do litígio estava sujeita a licenciamento automático e que o auto de infração foi lavrado com base na orientação consignada no Ato Declaratório Normativo nº 12, de 1997. Em face do encerramento do mandato da relatora original, o processo foi alvo de nova distribuição, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Sendo certo que não se ventilou, nem no auto de infração nem na decisão de 1ª instância a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte da importadora, a meu ver, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do 169 do Decretolei nº 37, de 1966 às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; e 3 se implicar tal falha, a descrição da mercadoria reúne as condições necessárias à aplicação da excludente instituída pelo ADN Cosit nº 12/97; Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que tem como matriz legal o art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 355 7 Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas exigências inerentes ao processo de nacionalização1, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. 1 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 356 8 Penso, entretanto que, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além desse plano meramente semiótico e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 526, II do RA de 1985, quais eram os interesses por ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 1732 do Decretolei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 2.Regime de Licenciamento Os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram, ao menos parcialmente, tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/2002 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, 2 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 357 9 de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Ocorre que, a meu ver, o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 358 10 Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 359 11 b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI3 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, na égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. 3 Classificação Fiscal e Licenciamento Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. 3Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 360 12 Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Nesse contexto, restando claro que o erro de classificação, conforme informação trazida ao processo pela autoridade fiscal, não alterou o regime de licenciamento da mercadoria, não vejo como manter a exigência. 4 Alcance do ADN nº 12, de 1997 Importa esclarecer, finalmente, que não consigo extrair do ADN nº 12, de 1997 a interpretação que orientou a lavratura do auto de infração litigioso. Vejamse redação do dispositivo: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado...” A meu ver, a aplicação do ADN 12 tem como antecedente lógico a caracterização da ausência de licença de importação. Ou seja, em primeiro lugar há que se caracterizar a infração para, em seguida, discutirse a tal conduta deixa de ser apenada em razão da exatidão da descrição. Nessa linha, não vejo como pretender, por meio de raciocínio a contrário senso, apenar qualquer hipótese de descrição inexata, ainda que, como se verifica no presente litígio, não se configure falha no licenciamento. 5. Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 7 de outubro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 361 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 18471.001309/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
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Numero da decisão: 2101-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101-001.348, sem alteração de resultado.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Quando a fiscalização não demonstrar, de forma inconteste, a existência dos pressupostos legais para sua qualificação, de rigor seja a multa reduzida ao patamar de 75%. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES. NULIDADE ABSOLUTA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EX OFFICIO. A nulidade do lançamento por ausência de intimação dos cotitulares configura nulidade processual absoluta, e, destarte, verdadeira matéria de ordem pública, motivo pelo qual deve sempre ser analisada pelo julgador quando invocada pelas partes, podendo, inclusive, ser cognoscível ex officio, a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ex vi dos art. 113 c/c art. 301, II e §4º do CPC, sem que sobre ela se opere preclusão ou que se caracterize como decisão extra petita. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101001.348, sem alteração de resultado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 09 /2 00 7- 11 Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.529 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fls. 1519/1526 – numeração digital) interposto contra o acórdão de fls. 1388/1395, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para (i) desqualificar a multa de ofício e (ii) excluir da base de cálculo do imposto os depósitos bancários efetuados nas contas conjuntas e, quanto às contas individuais, os depósitos realizados nos anoscalendário de 2003 e 2004, de valor individual inferior a R$ 12.000,00. O acórdão ora embargado teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada. Não havendo a comprovação de que os depósitos realizados na conta corrente do contribuinte possuem relação com os rendimentos declarados em sua DIRPF, ou, ainda, que pertencem a terceiros, deve prevalecer o lançamento efetuado com base na presunção legal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.530 3 De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afastase a multa de ofício qualificada de 150%. Recurso provido em parte.” A União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração alegando, em síntese: (i) ausência de fundamentação para reduzir a multa de ofício aplicada; (ii) ausência de manifestação sobre a conta corrente nº 175070, agência 229, mantida junto ao Banco Itaú e (iii) inexistência de alegação de nulidade da autuação por ausência de intimação do cotitular, tema que estaria precluso e não poderia ser conhecido ex officio, configurando uma decisão extra petita. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tão somente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. Na hipótese dos autos, a Embargante aduz, em primeiro lugar, que a decisão recorrida estaria eivada de nulidade em razão de deficiência de fundamentação para a redução da multa de ofício qualificada aplicada. Ao assim proceder, a União visa, claramente, conferir efeitos infringentes aos embargos em tela. Entretanto, tal argumento não procede. O afastamento da multa qualificada foi suficientemente analisado e fundamentado, inclusive com menção ao imóvel tido como omitido na declaração do AC 2004, haja vista que sua aquisição e alienação se deram ao longo de 2004, motivo pelo qual não seria necessário declarálo na Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.531 4 DIRPF, eis que não integrava mais o patrimônio do Recorrente em 31/12/2004, a não ser que tenha gerado ganho patrimonial, conforme se observa das seguintes passagens: “Quanto à aplicação de multa qualificada no anocalendário de 2004, a partir de uma breve análise do termo de verificação fiscal (fls. 1282/1284), verificase não ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude ou sonegação no caso vertente, pressupostos estes indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, a teor do que consta do art. 44, II, da Lei 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados, principalmente porque, no caso específico, tanto a aquisição do bem imóvel como sua subseqüente alienação ocorreram no anocalendário de 2004. Assim sendo, os fatos narrados não qualificam a condição de conduta dolosa, razão pela qual deve ser afastada a multa qualificada de 150% nos termos aplicados pela autoridade fiscal.” De todo modo, a partir da análise dos autos, verificase não ter a fiscalização se desincumbido do ônus de demonstrar, de forma inconteste, a existência de fraude (qualificada, ainda, pelo dolo e simulação), conluio ou sonegação no caso vertente. Não se vislumbra, inicialmente, a existência de conluio na forma descrita pelo art. 73 da Lei 4.502/74. É dizer, não há nos autos qualquer prova de que efetivamente houve um ajuste entre partes visando sonegar ou fraudar o Fisco. Do mesmo modo, também não logrou a fiscalização comprovar a existência de fraude, seja a partir da omissão na declaração ao Fisco de evento subsumível à regramatriz de incidência do imposto de renda, seja a partir da tentativa de redução ou exclusão do montante tributável. Em outros termos, não restaram provados os pressupostos indispensáveis à configuração da “fraude”, na forma estatuída pelo regramento aplicável à espécie. No que atine à sonegação, por sua vez, definida ex vi legis como “tôda (sic) ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”, admito que, eventualmente, poderia até ser aviltada pela fiscalização como pressuposto da qualificação da multa de ofício, desde que efetivamente explicitasse ações ou omissões dolosas do contribuinte, o que não ocorreu. Não restando, pois, comprovada pela fiscalização quaisquer condutas do Recorrente que pudessem ser entendidas como dolosas, visando à ocultação do fato gerador do imposto de renda, entendo que igualmente não se poderia utilizar a “sonegação” como pressuposto necessário à configuração da hipótese de incidência da multa qualificada. A corroborar o quanto exposto, visando impedir a aplicação indiscriminada de multas qualificadas, sem a necessária comprovação de seu suposto normativo, este CARF consolidou o entendimento consubstanciado na Súmula nº 14, in verbis: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Passemos, agora, à análise do segundo argumento, qual seja, de que não houve manifestação, no acórdão recorrido, acerca da contacorrente de nº 175070, agência 229, mantida junto ao Banco Itaú pelo Recorrente. Ocorre, porém, que desde o Termo de Início de Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.532 5 Verificação Fiscal o contribuinte foi intimado tãosomente a comprovar a cotitularidade da referida conta. A fiscalização, à fl. 1284, constatou ser a exesposa do Recorrente, Sra. Deise de Souza Soares, sua cotitular, de modo que deveria têla intimado, o que não ocorreu, portanto a situação se enquadra nas demais hipóteses de insanável nulidade do presente auto de infração, relativamente às contas correntes mantidas no Banco do Brasil (25.0201), Citibank (65006046 e 65016653), Itaú e Bradesco (39743, 1005570 e 1212). Por fim, deve ser analisada a afirmação de que sobre tal matéria, ou seja, sobre a nulidade do lançamento em razão da nãointimação dos cotitulares das contas fiscalizadas, teria se operado a preclusão e, mais, que o julgador estaria impedido de analisála ex officio, eis que se trataria de decisão extra petita. Neste contexto, estáse a discorrer sobre nulidade processual absoluta, que constitui verdadeira matéria de ordem pública, motivo pelo qual deve sempre ser analisada pelo julgador quando invocada pelas partes, podendo, inclusive, ser cognoscível ex officio, a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ex vi dos art. 113 c/c art. 301, II e §4º do CPC pátrio1. Em dissertação a respeito do tema, RICARDO APRIGLIANO bem aponta que as nulidades processuais absolutas, tal como ocorre in casu, são verdadeiras objeções processuais: “As matérias de natureza processual que o juiz pode conhecer ex officio e que dizem com a regularidade do processo compõem o núcleo das matérias de ordem pública processuais. São as objeções processuais, entre as quais os pressupostos processuais, as condições da ação e as nulidades processuais absolutas”.2 Com efeito, em se tratando de matéria afeita à legalidade do lançamento (nulidades absolutas), resta assente “a regra segundo a qual as nulidades absolutas devem ser analisadas de ofício e a qualquer tempo pelo juiz, não gerando preclusão às partes”.3 Ainda nesse diapasão, é estreme de dúvidas que o órgão competente para apreciar o recurso (in casu, este CARF), pode e deve examinar questão de ordem pública, ainda que não se trate de matéria impugnada, ou cuja devolutividade tenha sido restringida pelo contribuinte. A este respeito, PAULO HENRIQUE DOS SANTOS LUCON4, Professor Doutor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, ao traçar um paralelo com o recurso especial interposto perante o Superior Tribunal de Justiça, houve por bem aduzir que o efeito 1 “Art. 113. A incompetência absoluta deve ser declarada de ofício e pode ser alegada, em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de exceção.” “Art. 301. Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (...) II incompetência absoluta; (...) § 4º Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo.” 2 APRIGLIANO, Ricardo. A ordem pública no direito processual civil. Dissertação apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2010, p. 143. 3 LOPES DE OLIVEIRA, Gleydson Kleber. Recursos de efeito devolutivo restrito e a possibilidade de decisão acerca de questão de ordem pública sem que se trate da matéria impugnada. In: ARRUDA ALVIM, Eduardo Pellegrini de; NERY JR., Nelson; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (coords.). Aspectos polêmicos e atuais dos recursos. São Paulo: RT, p. 232. 4 LUCON, Paulo Henrique dos Santos. Recurso especial: ordem pública e prequestionamento. In: COSTA, Hélio Rubens Batista Ribeiro; RIBEIRO, José Horácio Halfeld Rezende; DINAMARCO, Pedro da Silva (coords.). Linhas mestras do Processo Civil – Comemoração dos 30 anos de vigência do CPC. São Paulo: Atlas, 2004, p. 481. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.533 6 devolutivo comporta análise sob dois prismas distintos, quais sejam, a extensão e a profundidade, na vertente objetiva. A profundidade é medida pelo material jurídico e fático devolvido ao órgão ad quem, valendo destaque o fato de, no recurso especial judicial, a devolução propiciada pelo recurso ser vertical, do que se extrai serem plenos a devolução e o conhecimento, motivo pelo qual o tribunal pode conhecer de questão suscitada ainda que a parte não a tenha questionado5. Nesta senda, temse que as chamadas matérias de ordem pública “dizem respeito às condições da ação e aos pressupostos de constituição e de desenvolvimento do processo”, em clara referência ao §3º do art. 267 do CPC6, relacionandose, destarte, com o amplo espectro dos requisitos de admissibilidade da tutela jurisdicional. E prossegue o abalizado autor7 afirmando que “as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional, não se operando a preclusão (CPC, art. 301, §4º e art. 303, inc. II).”8 O fenômeno da preclusão, seja temporal, lógica ou consumativa, implica que, em grau de importância para o processo, os efeitos superam o acontecimento, significando que, ao prever a possibilidade de afastála, quis o legislador efetivamente tutelar o resultado do processo. Em que pese ao fato de a doutrina não ter se pacificado acerca de um conceito de ordem pública, haja vista tratarse de conceito amplo e indeterminado, GLEYDSON DE OLIVEIRA9 aponta que “implica a precedência do interesse geral, público ou social sobre o individual”, consistindo em um dado – seja de fato ou de direito – controvertido pelos litigantes, sobre o qual deve o juiz proferir decisão. Impende salientar, ainda, a intrínseca relação com a teoria das nulidades, porquanto a questão de ordem pública se refere a toda matéria atinente aos requisitos de admissibilidade da tutela jurisdicional que, quando violada, tem o condão de viciar – nulidade absoluta ou inexistência jurídica – o processo, não se sujeitando à preclusão exatamente por não concernir a interesse disponível das partes, mas sim à regularidade do exercício da função jurisdicional. Ainda que assim não fosse, em atendimento ao brocardo iura novit curia, é cediço que o julgador não fica adstrito às alegações apresentadas pelas partes. Considerando, 5 LUCON, P. H. S., op. cit., p. 479. 6 “Art. 267 Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (...) IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; VI quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; (...) § 3º O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nºs. IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que lhe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento.” 7 LUCON, P. H. S., op. cit., p. 482. 8 “Art. 301 Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: I inexistência ou nulidade da citação; II incompetência absoluta; III inépcia da petição inicial; IV perempção; V litispendência; VI coisa julgada; VII conexão; VIII incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; IX convenção de arbitragem; X carência de ação; XI falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar. (...) § 4º Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo.” “Art. 303 Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: (...) II competir ao juiz conhecer delas de ofício;” 9 LOPES DE OLIVEIRA, G. K., op. cit., p. 239. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.534 7 ademais, que o julgador conhece o direito, uma vez descritos os fatos a ele, cumprelhe aplicar a norma ao caso concreto (da mihi factum dabo tibi ius), de modo a resolver o litígio, não necessariamente observando os fundamentos deduzidos pelas partes, mesmo porque no processo civil judicial e administrativo vige o princípio do livre convencimento motivado. Desta feita, a partir do momento em que houve impugnação específica, pelo Recorrente, do aspecto do lançamento relativo à omissão de rendimentos com base em depósitos não justificados, o julgador pode utilizar qualquer argumento para refutar a pretensão fazendária. Aliás, os embargos de declaração da União se insurgem contra a aplicação de matéria sumulada por este CARF (mais especificamente, Súmula n.º 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”), que, consoante o Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, é de observância obrigatória pelos conselheiros (art. 72), inclusive sob pena de perda do mandato (ex vi do art. 45, VI). Compulsando os acórdãos paradigmas que deram ensejo à sobredita súmula (Acórdãos n.os 10617009, 10248460, 10248163, 10422117 e 10422049, todos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes), verificase que os principais fundamentos utilizados pelos relatores para declarar a nulidade do lançamento efetuado com depósitos de origem não comprovada, sem a intimação dos cotitulares das contas conjuntas, decorrem (i) da própria presunção estabelecida pelo art. 42, caput e §6º, da Lei n.º 9.430/96, cujo critério confere liquidez e certeza ao lançamento, sob pena de ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 150, I, da CF; e (ii) da adoção de base de cálculo distinta da regramatriz prevista pelo citado art. 42, §6º. Diante do exposto, temse que a nulidade do lançamento por ausência de intimação dos cotitulares é verdadeira questão de ordem pública, que podia, sim, ser conhecida de ofício por este julgador. Ainda que o Recorrente tenha limitado o pedido formulado no recurso voluntário, a aferição da legalidade do lançamento é medida que se impõe, não estando o julgador adstrito aos fundamentos jurídicos levantados pelas partes, de modo que resta afastada a cogitação de decisão extra petita, tal como aventado pela União. Eis os motivos pelos quais ACOLHO os embargos para rerratificar o Acórdão 2101001.348, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001309/200711 Acórdão n.º 2101001.999 S2C1T1 Fl. 1.535 8 Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.004482/2006-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE
QUESTÃO ESSENCIAL.A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto daimpugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratando- se de questão preliminar, passível de
ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário.
Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar
Numero da decisão: 1103-000.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 107-09.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE QUESTÃO ESSENCIAL. A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 10709.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. EDITADO EM: 08/08/2012 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Este Conselho, através do Acórdão nº. 10709.191, de 17/10/2007 (fls. 241/246), deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, desconstituindo lançamento de ofício que lhe exigia o pagamento de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fundado o lançamento na inobservância da regra limitadora de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas (Leis Federais nºs. 8.981/95 e 9.065/95). O Acórdão tem a seguinte ementa: “IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a consequente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho.” Contra a decisão interpôs a Fazenda Nacional recurso especial (fls. 251/256), sendo este admitido pelo Despacho nº. 162 – 4ª. Câmara (fls. 257/258). Intimado em momento posterior do teor do referido Acórdão, opôs o contribuinte embargos de declaração (fls. 272/275), suscitando omissão deste Conselho quanto à análise de questão essencial, qual seja, a exceção veiculada na impugnação, e debatida pela Delegacia de Julgamento, tocante a configuração de erro na identificação do sujeito passivo. Aduz o contribuinte: “Como visto no tópico que relatou os fatos, desde sua primeira manifestação defensiva a ora Embargante vem insistindo que o lançamento de oficio não deveria ter sido centrado unicamente na sua pessoa, já que na operação de cisão em foco o acervo vertido não lhe foi integralmente destinado, ou seja, recebeu somente o acervo discriminado no correspondente "PROTOCOLO DE CISÃO", documento esse devidamente acostado aos autos, cuja análise foi franqueada a todos os Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 3 3 órgãos estatais, primeiro os de fiscalização e depois os de julgamento. Destarte, alicerçada na conclusão de que sua responsabilidade deveria ter ficado limitada à sua participação no rateio do acervo vertido, a então Recorrente pugnou pela nulidade do lançamento de oficio, haja vista o manifesto equívoco na identificação do sujeito passivo.” Com base nestes argumentos, defendendo a existência de omissão embargável, pugna “para que essa Câmara enfrente as questões em que o Acórdão restou omisso, analisando tais questões sob todos os aspectos possíveis, em especial para que essa matéria não deixe de ser apreciada pela instância superior sob a alegação de supressão de instância e para os devidos fins de préquestionamento”. É o relatório. Voto Hugo Correia Sotero Relator Embargos tempestivos. A admissibilidade dos embargos de declaração demanda a existência, na decisão objurgada, de omissão relevante, assim entendida a ausência de debate acerca de aspecto essencial ao deslinde da controvérsia objeto do processo administrativo. No caso, defende o contribuinte ter esse Conselho silenciado, quando do julgamento do recurso voluntário, acerca de aspecto relevante (arguição de erro na identificação do sujeito passivo) na medida em que, conhecido, ensejaria a nulidade do lançamento, aspecto este abordado em todas as suas manifestações e analisado expressamente pela Delegacia de Julgamento de Campinas (SP). Assiste razão ao Embargante. De fato, a questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento de Campinas, e, tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Nesse contexto, merecem ser conhecidos os embargos de declaração, para integração do julgado. A questão foi deduzida pelo contribuinte no recurso voluntário nos seguintes termos: “Insiste a Recorrente que os lançamentos de ofício não deveriam ter sido centrados unicamente na sua pessoa, já que na Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 4 4 operação de cisão em foco o acervo vertido não lhe foi integralmente destinado, ou seja, recebeu somente o acervo discriminado no correspondente “PROTOCOLO DE CISÃO”, que foi juntado à impugnação. No rigor jurídico, a sua responsabilidade deve ficar limitada à sua participação no rateio do acervo vertido.” Em sequência, afirma que “tratandose de cisão total, como é o caso vertente, a sociedade cindida desaparece – é extinta”. O tema foi tratado pela Delegacia da Julgamento de Campinas da seguinte forma: “Confirmase, pois, pela Ata da Assembléia Extraordinária que aprovou a cisão da Sumatra Cafés e pelos seus anexos, que, além de ter recebido mais de 92% dos ativos da cindida e todo o seu passivo, a contribuinte autuada assumiu direitos e obrigações que viessem a ser apurados. Considerando que, ao deduzir integralmente os prejuízos fiscais acumulados na última apuração do IRPJ antes da cisão, não foi declarada a obrigação tributária que existiria caso respeitado o limite de 30% para compensação de prejuízos, tal divida, somente agora apurada, cabe à Itapuã (Sumatra Comércio Exterior), única sucessora do passivo da cindida, não só o contabilizado, como também o que viesse a ser apurado. ... Como se vê, ainda que a autuada não tivesse se responsabilizado pelas obrigações que viessem a ser apuradas, a própria Lei lhe impõe a responsabilidade solidária por tais dividas em caso de extinção da sociedade cindida. Não se cogita, pois, do alegado erro de identificação do sujeito passivo.” Não há dúvidas quanto à formalização de cisão total, com consequente extinção da pessoa jurídica cindida (fato afirmado pela própria Embargante), bem assim de ter a Embargante recebido a quase totalidade do acervo patrimonial da cindida, assumindo os respectivos passivo e obrigações, constituídas ou não. Nesse sentido, inquestionável ostentar a Embargante a condição de sucessora e de responsável tributário pelo crédito constituído através do lançamento de ofício em debate. Eventual “partilha” da responsabilidade, proporcional ao acervo patrimonial recebido, é questão inoponível à Administração Tributária (art. 123 do Código Tributário Nacional) que, diante da extinção da pessoa jurídica, deve imputar aos seus sucessores, ou qualquer deles, dada a natureza solidária da responsabilidade, os ônus do cumprimento da obrigação tributária (art. 132 do CTN). Com estas considerações, conheço dos embargos de declaração opostos, para darlhes provimento, reconhecendo a existência de omissão no Acórdão nº. 10709.191, Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 5 5 retificando a decisão nele contida para: “rejeitar a ´preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário”. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000926/2004-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Numero da decisão: 2102-001.022
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Presente o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira em substituição ao Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
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CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Presente o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira em substituição ao Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 14/03/2011 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.000926/200459 Acórdão n.º 210201.022 S2C1T2 Fl. 390 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra NELSON DOS SANTOS foi lavrado Auto de Infração, fls. 06/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 763.222,32, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal, fls. 10/11, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 284/295, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1727.402, de 10/09/2008, fls. 339/358, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento. O imposto devido foi reduzido para R$ 43.813,83, em razão da exclusão da base de cálculo do imposto dos depósitos bancários correspondentes a transferências entre contascorrentes da mesma titularidade e de 50% dos créditos havidos nas contascorrentes conjuntas. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 363, o contribuinte apresentou, em 12/11/2008, recurso voluntário, fls. 364/371, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Violação aos princípios do contraditório da ampla defesa, devido processo legal, sigilo bancário, duplo grau e direito de petição Ainda que julgado parcialmente procedente, não pode a Fazenda Pública lançar e exigir o crédito tributário lançado, o qual deve ser alvo de anulação até decisão transitada em julgado, nesta esfera, valendo lembrar ainda do direito de petição junto ao Poder Judiciário, para discutir a matéria. Mérito Nas contas auditadas, houve somente de cheques devolvidos o montante de R$ 195.572,27, os quais não foram considerados seja pelo Auditor Fiscal, seja pelo acórdão recorrido. Na decisão recorrida somente foi acatado um total de transferências no importe de R$ 496.709,52, quando o correto é R$ 505.000,00. Não foram considerados também os rendimentos tributáveis no importe de R$ 19.821,00, recolhidos em carnêleão. Reportandonos a questão dos créditos oriundos de I.P.T.U. e Condomínios, temse que houve recebimentos na ordem de R$ 191.297,60, sendo de I.P.T.U., o valor de R$ 126.437,88, e de Condomínios o valor de Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.000926/200459 Acórdão n.º 210201.022 S2C1T2 Fl. 391 3 R$ 64.859,72, os quais foram alvo de depósitos junto as contascorrentes auditadas, mas que, reiterese, não podem ser considerados como renda liquida. O recorrente detinha dinheiro em espécie e tal valor pode ter sido alvo de entrada e saída diversas vezes, o que não foi alvo de consideração na totalidade na decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.000926/200459 Acórdão n.º 210201.022 S2C1T2 Fl. 392 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes de analisar as alegações do recorrente, cumpre observar que o lançamento imputa ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e a autoridade fiscal adotou o seguinte procedimento para calcular o valor da base de cálculo do imposto, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal, fls. 10/11, e planilhas, fls. 12/22: do total dos depósitos bancários com origem não comprovada (R$ 1.838.268,79) subtraiu os recursos e disponibilidades financeiras conforme declaração IRPF do contribuinte (R$ 698.962,39), chegando a base de cálculo de R$ 1.139.962,39. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte, excluindo dos créditos não comprovados os valores correspondentes a transferências entre contas correntes de mesma titularidade e 50% dos depósitos havidos nas contascorrentes conjuntas, de sorte que, depois das exclusões, os depósitos com origem não comprovada alcançaram a cifra de R$ 860.897,04. Para chegar à nova base de cálculo adotouse o mesmo procedimento utilizado pela autoridade fiscal, ou seja, dos depósitos não comprovados (R$ 860.897,04) subtraiuse os recursos e disponibilidades do contribuinte (R$ 698.962,39), reduzindose a base de cálculo do imposto para R$ 161.934,65. Importa, ainda, ressaltar que na decisão recorrida foram consideradas conjuntas as seguintes contascorrentes mantidas no HSBC Bamerindus: 0076334, 0559475 e 0210065, extratos, fls. 140/210, 211/239 e 240/278, respectivamente. Contudo, verificase que a contacorrente HSBC Bamerindus 0342565, extrato, fls. 69/92, também é conjunta. Feitas estas explicações, importa observar o disposto no parágrafo 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito: § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo acima transcrito foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratura do Auto de Infração, que foi cientificado ao contribuinte em 13/10/2008, fls. 363. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.000926/200459 Acórdão n.º 210201.022 S2C1T2 Fl. 393 5 Como é sabido, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada é uma presunção legal. No entanto, para validar a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve conformarse aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam utilizarse das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, não poderia o agente fiscal ter deixado de intimar os outros titulares das contas conjuntas, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. A intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto. A presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que, regularmente intimados, os titulares das contas bancárias não comprovem, com documentação hábil e idônea, a origem dos créditos havidos em suas contas de depósitos e investimentos. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Tal entendimento é pacífico neste colegiado, conforme se depreende da Súmula nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 29 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Assim, no presente caso, no que se refere aos valores creditados nas contas correntes, mantidas em conjunto, devese afastar a presunção de omissão de rendimentos, no que diz respeito a totalidades dos créditos e não somente a 50%, conforme decidido pela autoridade julgadora de primeira instância. Nessa conformidade, a tributação não pode incidir sobre a totalidade dos créditos havidos nas contascorrentes conjuntas, quais sejam HSBC Bamerindus nºs. 0076334, 0559475, 0210065 e 0342565. Ocorre que na decisão recorrida, depois de feitas as exclusões consideradas pertinentes pela autoridade julgadora de primeira instância, os depósitos bancários com origem Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.000926/200459 Acórdão n.º 210201.022 S2C1T2 Fl. 394 6 não comprovada totalizaram a quantia de R$ 860.897,04. Deste valor devese, ainda, excluir os 50% dos depósitos efetivados nas contas HSBC Bamerindus nºs. 0076334, 0559475 e 02100 65 (R$ 480.662,24) e a totalidade dos créditos ocorridos na conta HSBC Bamerindus 0342565 (R$ 106.725,00), de sorte que os depósitos bancários com origem não comprovada se reduz para R$ 273.509,80. Para chegar à base de cálculo do imposto, seguindose o mesmo critério adotado pela autoridade fiscal e pela autoridade julgadora de primeira instância, devese excluir dos depósitos bancários não comprovados (R$ 273.509,80) os recursos e disponibilidades do contribuinte (R$ 698.962,39), de sorte que a base de cálculo encontrada é negativa. Logo, a conclusão que se impõe é de que o crédito tributário exigido no lançamento é improcedente. Dessa forma, tornase desnecessária a análise das argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15922.000556/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-001.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, que votou por dar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor da contribuinte MARIA JOSÉ BERALDI BELLINAZZI foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 24 a 28, na qual foi apurado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao anocalendário de 2003 (exercício 2004), no valor total de R$ 4.290,55 (quatro mil, duzentos e noventa reais e cinquenta e cinco centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/09/2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 10.150,15 (dez mil, cento e cinquenta reais e quinze centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 25 e 26. A Fiscalização alega ter havido dedução indevida de despesas com instrução, o que resultou na glosa do valor de R$ 600,00 e de despesas médicas, com a conseqüente glosa do valor de R$ 15.002,00, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução. A Fiscalização sustenta que os recibos apresentados pela contribuinte, emitidos pelos profissionais abaixo discriminados, não atendem aos os requisitos previstos no artigo 80, § 1.°, III do Decreto 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda: Fernanda Lopes Antonio, CPF: 328.799.33803, R$ 10.002,00 Soraya Ayoub, CPF: 163.077.35813, R$ 5.000,00. Em 3 de outubro de 2008 foi apresentada Impugnação (fls. 2 a 3), na qual a contribuinte alega, em síntese, que: a) baseandose nos Art 8.° inciso II. alínea "a" e §§ 2.° e 3.°, da Lei n.° 9.250/95; artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001; artigos 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n.° 3000/99, as despesas médicas com os profissionais Fernanda Lopes Antônio e Soraya Ayoub podem ser deduzidas na declaração de ajuste anual, e, para comprovar, acosta documentação que atende ao disposto no art. 80, §1.°, III, do Decreto n.° 3.000, de 1999; b) com fulcro no artigo 8.°, inciso II, alínea "b", e § 3.° da Lei n.° 9.250/95, artigos 1.°, 2.° e15 da Lei n.° 10.451/2002, artigos 39 a 42 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, artigos 73, 81, 83, inciso II, e 841, inciso II, do Decreto 3000/99, a despesa com instrução de nível superior referente a curso inerente a formação profissional pode ser deduzida na declaração de ajuste anual, e, para comprovar, anexa documentação. Pede, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Ao examinar o pleito, a 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela procedência parcial da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1742.836, de 27 de julho de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15922.000556/200837 Acórdão n.º 210101.424 S2C1T1 Fl. 50 3 Exercício: 2004 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Restabelecese a dedução na parte comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ em São Paulo 2 aceitou a comprovação de despesas com instrução no valor de R$ 230,00 e restabeleceu também a dedução do valor de R$ 50,00, porque glosado indevidamente, conforme consta do voto da Relatora: “Em razão da documentação de fls. 03 e 04 verifico o direito a se deduzir, a titulo de despesa com instrução, o valor de R$230,00. Na oportunidade, verifico que a fiscalização glosou o valor de R$600,00 quando, na verdade, pretendia glosar o valor de R$550,00 (fls. 23 e 25). Por esta razão, restabeleço o valor de R$280,00 (R$230,00 + R$50,00) do valor glosado a titulo de despesa com instrução.” As demais glosas foram mantidas. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20 de outubro de 2010, no qual reitera as razões de impugnação e apresenta declarações dos profissionais emissores dos recibos. Pede, ao final, a revisão do processo e o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Em sua peça recursal, a contribuinte insurgese apenas contra a glosa de despesas médicas, integralmente mantida na decisão de primeira instância, nada alegando quanto à glosa de despesa com instrução mantida pela DRJ, no valor de R$ 320,00. Na Decisão recorrida, a Relatora, em seu voto, assim justificou não ter aceito os recibos apresentados pela Recorrente para fins de dedução do imposto sobre a renda: “Os documentos de fls. 05 a 07 (Soraya Ayob) e 08 a 10 (Fernanda Lopes Antonio) não podem ser aceitos para fins de comprovação do direito a dedução declarada pois não estão acompanhados de prova do seu efetivo pagamento (art. 8°, II, "a" da Lei n° 9.250/95), desenvolvendose o argumento mais a frente. A prova definitiva da realização das despesas médicas deve ser feita com a prova do pagamento das mesmas. Também não podem ser aceitos pois não indicam os beneficiários dos serviços (art.80, §1° do Decreto n° 3.000/99).” E complementou, mais adiante: “Observo que a prova definitiva e incontestável da despesa médica é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e de documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só não tem esta capacidade.” O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15922.000556/200837 Acórdão n.º 210101.424 S2C1T1 Fl. 51 5 O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Das normas deduzidas do caput e do § 1.º do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas e glosar, mesmo sem a audiência do contribuinte, deduções consideradas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Depreendese, do dispositivo acima transcrito, que os comprovantes de despesas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 A Recorrente não logrou comprovar o efetivo pagamento dos serviços médicos aos profissionais emissores dos recibos trazidos aos autos. Após a decisão de primeira instância, apresentou declarações dos profissionais envolvidos, documentos esses que, no caso, não apresentam valor probante maior do que o dos recibos anteriormente apresentados. Tanto os recibos quanto as declarações dos profissionais são documentos particulares, que fazem prova somente entre o prestador e o recebedor do serviço. Conforme suscitado pela DRJ, se o contribuinte pretender beneficiarse da dedução de despesas médicas na declaração de rendimentos, ele deve considerar que existem três partes envolvidas: o próprio contribuinte, o profissional de saúde e o Fisco. Entre o contribuinte e o profissional de saúde comprovamse a prestação dos serviços e o pagamento correspondente por meio de recibos e declarações. Perante o Fisco, entretanto, a comprovação da despesa, para fins de dedução do imposto sobre a renda, deve ser feita de acordo com o que determina a legislação que rege a matéria. Recibos podem ser aceitos, desde que preencham os requisitos previstos inciso III do § 1.° do artigo 80 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda e estejam acompanhados da prova do pagamento, conforme exige o inciso II do mesmo dispositivo. Sendo assim, no caso de pagamento em dinheiro, para se beneficiar da dedução do imposto sobre a renda, é necessário demonstrar ao Fisco que houve a efetiva transferência do numerário: do contribuinte para o profissional de saúde. Essa prova pode ser feita, por exemplo, por meio da apresentação de extratos bancários nos quais constem saques em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados. No presente processo, a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento dos serviços aos profissionais de saúde, razão pela qual há que se manter a decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10909.000847/2002-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997
REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO.RECOLHIMENTOS DE FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL
Dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN).
Acórdão transitado em Julgado antes da vigência da L.C nº 104/2001.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 3101-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o óbice da falta de trânsito em julgado da decisão judicial e determinar o retorno dos autos à DRJ para analisar os demais requisitos do pedido de compensação.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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COMPENSAÇÃO.RECOLHIMENTOS DE FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL Dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN). Acórdão transitado em Julgado antes da vigência da L.C nº 104/2001. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o óbice da falta de trânsito em julgado da decisão judicial e determinar o retorno dos autos à DRJ para analisar os demais requisitos do pedido de compensação. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 08 47 /2 00 2- 94 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.000847/200294 Acórdão n.º 3101001.298 S3C1T1 Fl. 4 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 233 verso dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto do relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, nos seguintes termos: “Por meio do Auto de Infração as folhas 4 a 11 exigemse do sujeito passivo acima qualificado a importância de R$ 86.218,24, relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para compensação com os débitos declarados para os períodos de apuração de abril a dezembro de 1997. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. O sujeito passivo apresenta impugnação, de fls. 1 e 2, argüindo, em síntese, o abaixo exposto. Argumenta que efetuou a compensação em conformidade com o Processo Judicial n° 96.20044452, tendo o acórdão concessivo do crédito transitado em julgado em 06/12/1999. Requer, por fim, o cancelamento do lançamento.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0718.951 de fls. 233 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em fls. 239 a 242 onde alega em síntese o seguinte: I – Que a legislação aplicável ao caso concreto é aquela regente ao tempo em que foi promovida a compensação administrativa; II – A compensação levada a efeito foi com base no art. 66 da Lei 8.383/91 – independia sequer de autorização administrativa ou judicial; III – Somente com a entrada em vigor da L.C nº 104/2001, de 11/01/2001, que passou a ser vedada compensação objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do transito em julgado da decisão judicial (CTN, art. 170A); Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.000847/200294 Acórdão n.º 3101001.298 S3C1T1 Fl. 5 3 IV – que dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência – (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN); V – Cita jurisprudência que entendeu lhe favorecer; VI – Pedido Em vista do exposto, REQUER a reforma do Acórdão n° 0718. 951 — 4a Turma da DRJ/FNS, de 19 de fevereiro de 2010, especialmente para que seja homologada integralmente a compensação de créditos do FINSOCIAL indicada nos autos, extinguindose o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do Código Tributário Nacional, cancelandose o auto de infração impugnado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase de auto de infração lavrado em razão de constatação de falta de pagamento de COFINS, uma vez que não foi homologada a compensação informada em DCTF, relativa ao período de abril a dezembro de 1997. Conforme a Recorrente alega em seu recurso, os valores em aberto do COFINS foram compensados com créditos do FINSOCIAL, apurados em processo judicial informado na DCTF, de 09 de 1989 a 03 de 1992. A Recorrente recebeu o correspondente auto de infração sob alegação de que efetuou compensação de Cofins, período de apuração de 04/97 a 12/97, amparado em processo judicial (n° 96.20044452), entretanto, a empresa deixou de comprovar documentalmente a existência do referido processo. Com a apresentação da impugnação, toda documentação judicial foi apresentada e inclusive foi confirmado o seu trânsito em julgado em 06/12/1999. A decisão recorrida, por sua vez, através do seu voto condutor, observou que o sujeito passivo, à época em que informou em DCTF as compensações (27/03/98 e 14/04/98), ainda não possuía decisão transitada em julgado concedendo o crédito pleiteado. Entendendo que em se tratando de compensação, o artigo 170 da CTN estipula como condição os requisitos de liquidez e certeza dos créditos, claramente inexistentes em relação a créditos requisitados por meio de ação judicial antes de seu transito em julgado. Ocorre, que apenas com a entrada em vigor da Lei Complementar nº 104/2001, de 11/01/2001, passou a ser vedada compensação objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do transito em julgado da decisão judicial, com a introdução da letra ‘A’ no artigo 170 do CTN. No caso concreto, inclusive o acórdão transitou em julgado em 06.12.1999, portanto, antes da entrada em vigor da referida L.C 104/2001. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.000847/200294 Acórdão n.º 3101001.298 S3C1T1 Fl. 6 4 Contudo, tem razão a Recorrente, quando alega que dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN). Também, Nota Técnica COSIT nº 07/2007, Nota PGFN/CDA nº 1140/2007 orientam para que quando tal falta seja apurada após o transito em julgado da ação (desde que o mesmo tenha ocorrido antes da LC nº 104/2001, as compensações devem ser homologadas). Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a prejudicial de falta de trânsito em julgado, retornando o processo a DRJ para analisar demais condições para a homologação da compensação. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.000847/200294 Acórdão n.º 3101001.298 S3C1T1 Fl. 7 5 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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