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Numero do processo: 13896.906440/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
COFINS. RECEITA DE SERVIÇOS PRESTADOS PARA O EXTERIOR. IMUNIDADE. PAGAMENTO INDEVIDO.
As receitas auferias com a prestação de serviços para o exterior estão imunes da incidência da Cofins, logo, se comprovado nos autos que o valor pagamento do débito da Cofins foi proveniente dessa modalidade de receita, resta demonstrada a existência do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). EXISTÊNCIA DO CRÉDITO PROVADA. HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Homologa-se a compensação declarada uma vez comprovado que, na data da entrega da DComp, o crédito utilizado apresentava os atributos da certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COFINS. RECEITA DE SERVIÇOS PRESTADOS PARA O EXTERIOR. IMUNIDADE. PAGAMENTO INDEVIDO. As receitas auferias com a prestação de serviços para o exterior estão imunes da incidência da Cofins, logo, se comprovado nos autos que o valor pagamento do débito da Cofins foi proveniente dessa modalidade de receita, resta demonstrada a existência do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). EXISTÊNCIA DO CRÉDITO PROVADA. HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Homologa-se a compensação declarada uma vez comprovado que, na data da entrega da DComp, o crédito utilizado apresentava os atributos da certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COFINS. RECEITA DE SERVIÇOS PRESTADOS PARA O EXTERIOR. IMUNIDADE. PAGAMENTO INDEVIDO. As receitas auferias com a prestação de serviços para o exterior estão imunes da incidência da Cofins, logo, se comprovado nos autos que o valor pagamento do débito da Cofins foi proveniente dessa modalidade de receita, resta demonstrada a existência do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). EXISTÊNCIA DO CRÉDITO PROVADA. HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Homologase a compensação declarada uma vez comprovado que, na data da entrega da DComp, o crédito utilizado apresentava os atributos da certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 64 40 /2 00 9- 23 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 3/9/2004, em que informada a compensação do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de junho de 2000, com débito do mesmo valor da Cofins do mês de junho de 2003. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 7, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o argumento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado nos sistemas dados de controle pagamento, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que a origem do crédito pleiteado era proveniente das receitas de vendas de serviços para exterior, contempladas com a isenção da Cofins, conforme explicitado nas notas fiscais de serviços carreadas aos autos. Sobreveio o acórdão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas/SP, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base no argumento de que a manifestante não havia apresentado prova documental adequada e suficiente para corroborar os argumentos suscitados na sua defesa. Em 20/6/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Em 11/7/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 53/56, em que reafirmou o argumento de defesa aduzido na manifestação de inconformidade. Em aditamento, apresentou as cópias autenticadas do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, registrado na Prefeitura de Burueri/SP, e dos extratos dos contratos de câmbio extraídos do Sisbacen. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O cerne do litígio limitase à questão atinente a comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. Segundo o voto condutor do acórdão recorrido, as notas fiscais apresentadas eram insuficientes para comprovar a origem do crédito informado, pois, não evidenciavam que os valores nelas explicitados estariam computados no faturamento, a base de cálculo do tributo. As cópias das notas fiscais, da folha do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados e dos extratos dos contratos de câmbio extraídos do Sisbacen, colacionadas aos autos, a meu ver, de forma congruente, comprovam que o total das receitas da prestação de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13896.906440/200923 Acórdão n.º 3802001.608 S3TE02 Fl. 101 3 serviços para exterior, auferidas pela Recorrente no mês de junho de 2000, representa o valor de R$ 40.429,58, que, submetido a alíquota 3%, resulta no valor de R$ 1.212,88, inferior ao do crédito informado no procedimento compensatório em apreço. Como as receitas decorrentes de exportação de serviços estão imunes da incidência da Cofins, nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, resta demonstrado que o pagamento da Cofins do mês junho de 2000 fora indevido, portanto, existente o direito creditório utilizado na compensação do debito da Cofins do mês de junho de 2003. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para homologar a compensação declarada na DComp colacionada aos autos. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 37318.004323/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. BATIMENTO GFIP X GPS. DIFERENÇAS CONTRIBUIÇÕES. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do
instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA.
A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal
denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou
ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005.
PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11% PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO EXIGÊNCIA FISCAL. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovada a retenção de 11% suportada pela contribuinte em razão da prestação de serviços mediante cessão de mão de obra,
a partir da apresentação das Notas Fiscais, corroboradas pela respectiva informação em GFIP’s, impõe-se à retificação do crédito previdenciário para deduzir da exigência fiscal aludidos valores.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à
legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.480
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I)
declarar a decadência até a competência 12/2000; II) rejeitar o pedido de retirada dos sócios do CORESP; e III) no mérito, dar provimento parcial para deduzir da exigência fiscal os valores
concernentes às retenções sofridas pela contribuinte e declaradas em GFIP's constantes da planilha de fl. 1.552. Ausência momentânea: Marcelo Freitas de Souza Costa. Outros eventos ocorridos: Julgamento realizado na sessão de 14:00hs do dia 19/06/2010, a pedido da recorrente.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. BATIMENTO GFIP X GPS. DIFERENÇAS CONTRIBUIÇÕES. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11% PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO EXIGÊNCIA FISCAL. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a retenção de 11% suportada pela contribuinte em razão da prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, a partir da apresentação das Notas Fiscais, corroboradas pela respectiva informação em GFIP’s, impõe-se à retificação do crédito previdenciário para deduzir da exigência fiscal aludidos valores. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 12/2000; II) rejeitar o pedido de retirada dos sócios do CORESP; e III) no mérito, dar provimento parcial para deduzir da exigência fiscal os valores concernentes às retenções sofridas pela contribuinte e declaradas em GFIP's constantes da planilha de fl. 1.552. Ausência momentânea: Marcelo Freitas de Souza Costa. Outros eventos ocorridos: Julgamento realizado na sessão de 14:00hs do dia 19/06/2010, a pedido da recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. BATIMENTO GFIP X GPS. DIFERENÇAS CONTRIBUIÇÕES. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida coresponsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11% PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO EXIGÊNCIA FISCAL. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a retenção de 11% suportada pela contribuinte em razão da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, a partir da apresentação das Notas Fiscais, corroboradas pela respectiva informação em GFIP’s, impõese à retificação do crédito previdenciário para deduzir da exigência fiscal aludidos valores. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 12/2000; II) rejeitar o pedido de retirada dos sócios do CORESP; e III) no mérito, dar provimento parcial para deduzir da exigência fiscal os valores concernentes às retenções sofridas pela contribuinte e declaradas em GFIP's constantes da planilha de fl. 1.552. Ausência momentânea: Marcelo Freitas de Souza Costa. Outros eventos ocorridos: Julgamento realizado na sessão de 14:00hs do dia 19/06/2010, a pedido da recorrente. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ausência momentânea Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.979 3 Relatório VILHENA AGROFLORESTAL S/C LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em São José dos Campos/SP, DN nº 21.437.4/0063/2006, às fls. 170/176, que julgou procedente o lançamento fiscal referente a diferenças de contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, constantes das GFIP´s, em relação ao período de 01/2000 a 06/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 140/146. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 20/01/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 979.216,12 (Novecentos e setenta e nove mil, duzentos e dezesseis reais e doze centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário ora exigido decorre das diferenças apuradas no confronto dos valores lançados em GFIP’s e os recolhidos em GPS’s. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 193/231, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4º, do CTN, sobretudo tratandose de lançamento por homologação. Traz à colação jurisprudência corroborando seu entendimento. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que os valores ora lançados encontramse divergentes com a realidade da empresa, mormente quando as retenções de 11% sofridas pela empresa, na condição de prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, não foram consideradas na apuração do crédito previdenciário em epígrafe. Quanto à multa moratória aplicada, pretende seja afastada com base na denúncia espontânea procedida pela contribuinte, especialmente tratandose de multa punitiva e não indenizatória. Opõese à contribuição previdenciária destinada ao INCRA, vindicando sua exclusão do presente lançamento, alegando que referida exação afronta de forma flagrante a Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 CF, notadamente por ser empresa urbana e inexistir dispositivo constitucional determinando a sua vinculação com outra categoria econômica (rural), sem qualquer benefício próprio. Argui a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Contrapõese à multa aplicada, por considerála confiscatória, sendo por conseguinte ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Após dissertar a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, conclui pela impossibilidade de responsabilização dos sócios em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Posteriormente à interposição do recurso voluntário, a autoridade previdenciária competente achou por bem baixar o processo em diligência, para que o fiscal autuante examinasse a documentação acostada aos autos pela contribuinte, promovendo as retificações que entendesse devidas, conforme documento de fls. 299. Em atendimento à diligência requerida, o agente lançador elaborou Informação Fiscal, às fls. 880/881, propondo a manutenção do crédito previdenciário, uma vez que as retenções já foram devidamente deduzidas, esclarecendo, ainda, que as demais Notas Fiscais deixaram de ser consideradas em razão de não se encontrarem autenticadas e/ou legíveis. Instada a se manifestar a propósito do resultado da diligência supra, a contribuinte apresentou suas razões, corroborando as alegações constantes da peça recursal, trazendo à colação cópias autenticadas das Notas Fiscais anteriormente ofertadas. A então Secretaria da Receita Previdenciária não apresentou contrarrazões, tendo simplesmente encaminhado o presente processo a esse Colegiado para julgamento em segunda instância. Incluído na pauta do dia 08/10/2008, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu por bem converter o julgamento em diligência, com a finalidade de a autoridade lançadora se manifestar a propósito das Notas Fiscais autenticadas colacionadas aos autos pela contribuinte objetivando comprovar as retenções sofridas em face da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Resolução n° 206 00.165/2008, às fls. 1.514/1517. Em atendimento à diligência requerida por este Colegiado, a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 1.551/1.552, esclarecendo que o lançamento em epígrafe decorreu de ação fiscal denominada “batimento de GFIP X GPS”, constatando que a empresa não se declarava na GFIP como prestadora de serviços e, por conseguinte, deixava de informar as respectivas retenções em notas fiscais. Ato contínuo, elucidou que as notas fiscais autenticadas ofertadas sanearam as dificuldades anteriores para a devida análise. Esclarece, Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.980 5 ainda, que referidas retenções somente foram informadas em GFIP retificadoras apresentadas somente agora, 05 e 06/2011, no decorrer da diligência determinada pela 6a Câmara. Instada a se manifestar a propósito resultado da diligência supra, a contribuinte assim o fez, às fls. 1.972/1.974, pugnando pela desconsideração do último documento elaborado pela Delegacia da Receita Federal, observandose os elementos trazidos em anterior diligência da D. Autoridade Fiscal. É o Relatório. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo decenal insculpido no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, em face de sua inconstitucionalidade, restando decaída a exigência fiscal relativa aos fatos geradores ocorridos fora de referido lapso temporal. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.981 7 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.982 9 escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de lançamento de diferenças de contribuições apuradas a partir do procedimento denominado “batimento GFIP x GPS, consoante restou assentado pela própria fiscalização no item 2 do Relatório Fiscal, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, senão vejamos: “2. O presente crédito previdenciário tem sua origem em diferenças apuradas entre o valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados, que foram declaradas pela empresa em [...] GFIP, e o valor das contribuições Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.983 11 efetivamente recolhidas pela empresa ao INSS em Guias da Previdência Social – GFP. [...] 9. Todos os valores declarados pela empresa em GFIP, a título de pagamento de quotas de salário família a seus empregados, salário maternidade, compensações, e retenções sofridas, foram devidamente considerados na apuração do presente crédito previdenciário, deduzindose do valor das contribuições mensais devidas.” Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 20/01/2006, com a devida ciência da contribuinte consoante se comprova do recebimento informado no “Histórico do Objeto” dos Correios, às fls. 156, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2000 a 12/2000, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Opõese, ainda, à notificação, inferindo que os sócios da recorrente não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a inexistência dos requisitos necessários para tanto, insculpidos nos artigos 134 e 135 do CTN. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seus argumentos, no entanto, não merecem acolhimento. Com efeito, a matéria objeto de julgamento nesta assentada referese à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. A questão suscitada pela contribuinte poderá ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais deste processo, não merecendo aqui fazer maiores considerações relativas a responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrente. Ademais, na hipótese contemplada nestes autos, além de não se responsabilizar diretamente, ainda, qualquer pessoa pela falta do recolhimento das contribuições ora lançadas, consoante se infere do anexo “CORESP – RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS”, inexiste atribuição da sujeição passiva pelo crédito tributário em discussão àquelas pessoas, uma vez que o lançamento fora efetuado contra a empresa e não contra eles. Conforme se verifica da notificação, são os sócios, tão somente coresponsáveis pelos créditos constituídos, na forma do artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005, não se cogitando na ilegalidade de tal procedimento por encontrar respaldo na legislação de regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na forma ali decidida. Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 MÉRITO No mérito, em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, argumentando que as retenções sofridas pela empresa, na condição de prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, não foram devidamente consideradas/deduzidas por ocasião da lavratura do presente crédito previdenciário. A corroborar seu entendimento, trouxe à colação inúmeras Notas Fiscais, as quais entende que não foram levadas em consideração quando da lavratura da Notificação Fiscal. Diante da farta documentação apresentada pela contribuinte, a autoridade fiscal competente achou por bem baixar o processo em diligência, para que o fiscal autuante examinasse tais documentos, promovendo as retificações que entendesse cabíveis, consoante se infere do documento de fls. 299. Em atendimento à diligência supra, a autoridade lançadora elaborou Informação Fiscal, às fls. 880/881, rechaçando a pretensão da contribuinte, aduzindo, ainda, que parte das Notas Fiscais não foram consideradas por não estarem autenticadas e/ou legíveis. Devidamente intimada a se manifestar a respeito do resultado da diligência requerida pela autoridade previdenciária, a contribuinte reiterou seus argumentos de fato e de direito em defesa de sua pretensão, colacionando aos autos cópias autenticadas de uma série de Notas Fiscais. Ocorre que, referidas Notas Fiscais, cujas cópias autenticadas só foram trazidas à colação após a diligência retro, não foram levadas ao conhecimento do fiscal autuante. E, como fora justamente este quem determinou que não considerou parte das Notas Fiscais por estarem desprovidas de autenticação e/ou ilegíveis, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu por bem converter o julgamento em diligência, com a finalidade de a autoridade lançadora se manifestar a propósito das Notas Fiscais autenticadas colacionadas aos autos pela contribuinte, às fls. 904/1.509, objetivando comprovar as retenções sofridas em face da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Resolução n° 20600.165/2008, às fls. 1.514/1517. Atendendo à diligência requerida por este Colegiado, a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 1.551/1.552, esclarecendo que o lançamento em epígrafe decorreu de ação fiscal denominada “batimento de GFIP X GPS”, constatando que a empresa não se declarava na GFIP como prestadora de serviços e, por conseguinte, deixava de informar as respectivas retenções em notas fiscais. Ato contínuo, elucidou que as notas fiscais autenticadas ofertadas sanearam as dificuldades anteriores para a devida análise. Esclarece, ainda, que referidas retenções somente foram informadas em GFIP retificadoras apresentadas somente agora, 05 e 06/2011, no decorrer da diligência determinada pela 6a Câmara. Instada a se manifestar a propósito resultado da diligência supra, a contribuinte assim o fez, às fls. 1.972/1.974, pugnando pela desconsideração do último documento elaborado pela Delegacia da Receita Federal, observandose os elementos trazidos em anterior diligência da D. Autoridade Fiscal. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, desde a defesa inaugural, a contribuinte vinha pleiteando a dedução das retenções sofridas em decorrência da Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.984 13 prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, o que ocorrera em parte com base nas informações prestadas em GFIP’s. Entrementes, quanto à parte das Notas Fiscais apresentadas pela contribuinte, a autoridade lançadora entendeu por bem não considerala em razão da ausência de declaração em GFIP de aludidas retenções, bem como pelo fato de as notas fiscais não terem sido apresentadas de maneira a conferir a sua validade, sem as devidas autenticações, o que, uma vez sanado, imporia a retificação pretendida. E foi precisamente o que ocorrera na hipótese dos autos, como elucidado acima, onde a contribuinte, após a primeira diligência fiscal, saneou o “vício” apontado pela fiscalização para não considerar parte das NF’s, as apresentando devidamente autenticadas, promovendo, ainda, a respectiva informação em GFIP’s, razão pela qual a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 1.551/1.552, fazendo constar quadro demonstrativo dos valores das retenções que devem ser deduzidos do presente crédito previdenciário. Na esteira desse raciocínio, impõese à adoção da planilha de fl. 1.552, para efeito de abatimento dos valores concernentes às retenções sofridas pela contribuinte, devidamente informadas em GFIP’s, de maneira a retificar a exigência fiscal em comento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 14 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 37318.004323/200611 Acórdão n.º 2401002.480 S2C4T1 Fl. 1.985 15 Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar o pedido de retirada dos sócios do anexo CORESP, acolher a decadência em relação ao período de 01/2000 a 12/2000 e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para deduzir da exigência fiscal os valores concernentes às retenções sofridas pela contribuinte e declaradas em GFIP’s constantes da planilha de fl. 1.552, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10166.900724/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO PARCIAL DOS CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
A apuração de saldo credor em favor da contribuinte, enseja a homologação parcial até o limite do crédito apurado pela unidade de origem.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3301-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente)..
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. A apuração de saldo credor em favor da contribuinte, enseja a homologação parcial até o limite do crédito apurado pela unidade de origem. Recurso Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 07 24 /2 00 8- 81 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão de fls. 128/132, da DRJ de Brasília DF, sintetizado na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP • Anocalendário: 2003 CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, com a devida ciência ao contribuinte, resta instaurado o litígio, não havendo, portanto, nenhuma previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Tratase de Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, n°10902.61013.250504.1.3.046073, em 25/05/2004, de crédito relativo a pagamento a maior de PIS/PASEP referente ao P.A. 31/01/2003, no montante de R$19.411,99, visando compensar débitos tributários no total de R$6.749,88, em valores originais. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasilia, em 05/05/2008 (SUCOP Imagem à fl. 76), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/06, em 03/06/2008 (carimbo de recepção à fl. 01), discorrendo, em síntese, que incorreu em erro de preenchimento na DCOMP, ao informar como crédito o correspondente ao recolhimento de R$41.915,36 do PIS de PA 31/01/2003, quando, na realidade, a origem do crédito seria do PIS de PA 31/12/2002 cujo valor pago foi de R$76.824,44. Assim, como o PIS apurado foi de R$57.412,45, teria havido um pagamento a maior de R$19.411,99, gerando crédito para a empresa, que foi utilizado para compensar com débito apurado no mês de fevereiro de 2003 no valor de R$6.749,88. De acordo com a decisão recorrida, para análise da questão, a principio, cumpre apreciar o artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, que ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições, informa no §14 que a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto àfixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensa cão. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10166.900724/200881 Acórdão n.º 3301001.797 S3C3T1 Fl. 517 3 Nesse sentido, tratandose da retificação da PER/DCOMP, observase que desde a IN SRF n° 460, de 2004, vem sendo adotada a orientação transcrita a seguir, mantida pelos atos normativos que a sucederam, a IN SRF n° 600, de 2006, vigente há época do Despacho Decisório e a IN SRF n° 900, de 2008: Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 57. 0 Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa ez data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrencia da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação a SRF. Pará grafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf IREClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Ao final conclui a decisão recorrida que a retificação da DCOMP somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais, para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF. Cientificada em 21/10/2010 (AR – fl. 135), a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 137/194, em 19/11/2010, em síntese, reiterou os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade. Na sessão de 07/11/2011, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 03000.082 (fls. 196/200), com a finalidade de analisar a existência dos possíveis créditos remanescentes da Recorrente, realizada a diligência, foi Fl. 518DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 esclarecido, resumidamente, que, em razão da Contribuinte não ter apresentado cópia das fichas do Livro Razão em que foi escriturado o suposto saldo credor, mesmo após ter sido intimada em 11/05/2012 (fls. 500 e 501) e reitimada em 04/06/2012 (fls. 502 e 503), a mesma não logrou atender à exigência, impossibilitando a confirmação do saldo credor de PIS/PASEP que possibilitasse a redução do valor devido referente ao PA de DEZ/2002, de R$70.520,79 para R$57.412,45, concluindo que o valor devido e declarado na DIPJ original de fato no valor de R$70.520,79. Entretanto, como o pagamento ocorreu na importância de R$76.82,44, restou saldo credor de ¨R$6.303,65, todavia, o mesmo foi integralmente utilizado na compensação efetuada na DCOMP nº10902.61013.250504.1.3.046073, nos autos do processo nº 10166.900724/200881 (fls. 507 a 509 do citado processo). Por fim, verificouse, em simulação no Sistema de Apoio Operacional – SAPO (fls. 504 a 506), que o crédito validado no montante de R$ 6.303,65, atualizado até a data da DCOMP n° 10902.61013.250504.1.3.046073, é insuficiente para a homologação total da mesma, restando um saldo devedor de R$ 1.176,44. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De fato, conforme consta dos autos, restou demonstrado pela Recorrente, através das DCTF's — original e retificadora) que se o seu débito para o período de 12/2003, era de R$57.412,45, a análise do DARF constante dos autos, conduz, invariavelmente, há um recolhimento a maior e indevido de R$ 19.411,99, permitindo aferir que o PER/DCOMP possui lastro a permitir a homologação da compensação, dado que o débito a compensar representa o valor de R$ 13.089,17. Consta ainda que o referido crédito de R$ 19.411,99 também foi utilizado, em parte, no PER/DCOMP no 10902.61013.250504.1.3.046073 (Doc. 05 — da manifestação), para compensar débito de PIS, relativo a 02/2003, no valor de R$ 6.749,88, sem que isso represente a utilização do mesmo crédito em relação a 02 (dois) débitos distintos. Entretanto, verificouse, em simulação no Sistema de Apoio Operacional – SAPO (fls. 504 a 506), que o crédito validado no montante de R$ 6.303,65, atualizado até a data da DCOMP n° 10902.61013.250504.1.3.046073, é insuficiente para a homologação total da mesma, restando um saldo devedor de R$ 1.176,44. Em face do exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, a fim de homologar as compensações apresentadas até o limite dos valores apurados pela unidade de origem através da diligência. Sala das Sessões, em 20 de março de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 519DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10166.900724/200881 Acórdão n.º 3301001.797 S3C3T1 Fl. 518 5 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000207/2007-23
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA.
Ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, a teor do disposto no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, não havendo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à contribuição não recolhida extingue-se em cinco anos, contados do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme disposto no art. 173, I, do CTN.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-19275
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Antonio Zomer
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, a teor do disposto no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, não havendo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à contribuição não recolhida extingue-se em cinco anos, contados do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme disposto no art. 173, I, do CTN. Recurso provido em parte.
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DECADÊNCIA. PRAZO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO--D0---SIF- FXTENSA0 ADMINISTRATIVA. Ao julgar os Recursos Extraordinários n 2s 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212/91. Assim, a teor - - do disposto- no art. 42, parágrafo único, do Decreto n 2 2.346/97, não havendo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à contribuição não recolhida extingue-se em cinco anos, contados do 1 2 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme disposto no art. 173, I, do CTN. -Recurso provido em parte. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até 19 de dezembro de 2001 em razão da decadência. Vencido o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso que contou o prazo de decadência pela regra do art. 150, § 4 2, do CTN, independentemente da existência ou não de 1• • Processo n° 19740.000207/2007-23 COO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.275 Fls. 318 pagamento antecipado.,Fez sustentação oral o Dr. Lauro de Oliveira Vianna, OAB/RJ n2 130.789, advogado da iecorrente. ANT6,0./ NIO ARLOS A IM IMF - mame COME= De cottnuararm CUME COM O ORIGINAL Pre*dente4 armania 320x)9( euei, AI Timão a rua Mat. S. 51751 • I inv ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório - Trata.se-de-auto-cle-infração-(fis,162/1-94)-lavndo-para-cobranaaão-. retida e não_recolhida_por_força_de medida judicialrposteriormente_revogada._0_1ançamento refere-scsaos-fatas—geradores ocorndos no -pen-Cf•do=de-7-12/0472000-:i 1-0707/2CRfl-foi -- - cientificado à contribuinte em 28/05/2007. Irresignada, a autuada apresentou impugnação, informando que estava procedendo ao recolhimento da contribuição relativa aos fatos geradores do ano calendário de 2002 e requerendo o cancelamento da parcela restante do lançamento, correspondente aos fatos ocorridos nos anos de 2000 e 2001, pois já haviam sido alcançados pela decadência no momento da lavratura do auto de infração, conforme disposto no art. 173 do CTN. A DRJ no Rio de Janeiro - RJ (DRJ/R.J01) julgou o lançamento procedente, aplicando para a decadência o prazo de dez anos, conforme previsto no art. 45 da Lei n2 8.212/91. No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa, pugnando pelo cancelamento da exigência relativa aos anos-calendário de 2000 e 2001. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. • 2 _ IQF - unisse comuto oe eartniatmits COMEU& CPI O OMODIAL s. Proce-sso n° 19740.000207/2007-23 T F.??.4141:11111, 0-1 ta'S CCO2/02 Acórdão n.° 202-19.275 -s.. ToliritUttr~a Cruz Fls. 319 Na Gap* •1751 Alega a recorrente que o lançamento correspondente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2000 e 2001 não podem mais ser exigidos por terem sido alcançados pela decadência antes da lavratura do auto de infração, conforme disposto no art. 173 do CTN. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n2s 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, na Sessão de 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 2 8.212/91. Ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão; na sessão de 12/06/2008, o STF determinou que ela se aplica a todos os casos em que os contribuintes tenham ajuizado ações até o dia 11/06/2008 ou que apresentaram pedido de restituição, bem como àqueles em que os contribuintes se encontrassem na situação de devedores da União. Conseqüentemente, a decisão alcança todos os processos em julgamento no âmbito dos Conselhos de Contribuintes. Na mesma data da declaração de inconstitucionalidade, o STF editou a Súmula Vinculante n2 8, publicada no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008, com o seguinte teor: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei- 1569/-77 e os artigos 45-e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." . . _ _ Desta forma, a partir da decisão do STF, a decadência de todas as contribuições sociais deve ser apreciada com fulcro nas renas estatuídas pelos arfo. 150, § 4 2, e 173, L dtLeL _ n2 5.1-72/66 ----CódigcrTributário-Naciortal — CTN. O STJ, em repetidas vezes, tem decidido que, na falta de pagamento antecipado por parte do contribuinte, deve ser aplicado, como fundamento legal para a decadência, o disposto no art. 173, I, do CIN, que desloca o dies a quo do prazo de 5 (cinco) anos para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado._ Este ettendimentO pode ser conferido na ementa do REsp n 2 395059/RS, assim redigida: "TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (Arts. 150, 4°, e 173 do CTIV). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, e, do CTN). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4.Recurso especial improvido." Destarte, a CPMF relativa ao ano-calendário de 2000 poderia ser constituída pelo lançamento até 31/12/2005 e a relativa ao ano-calendário de 2001, com exceção do fato gerador ocorrido em 26/12/2001, até 31/12/2006. Como o auto de infração só foi oficializado em 28/05/2007, deve ser cancelada a exigência decorrente dos fatos geradores ocorridos até o dia 19/12/2001. ,H\ 3 _ rto - mato comua De consuens CCIIFIllEC0110 moam Processo n° 19740.000207/2007-23 I .,..wstaita 3 In s / C072/CO2 Acórdão n.° 202-19.275 tiAz 4...034 4 T Fls. 320 91•M 91751 Além do lançamento relativo aos fatos geradores do ano de 2002, com o qual a empresa concordou e efetuou o recolhimento, é também devido o lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 26/12/2001, que só poderia ser exigido a partir de seu vencimento, que se deu em 04/01/2002. A decadência deste fato gerador, nos termos no art. 173, I, do CTN, só se daria em 31/12/2007. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos até o dia 19/12/2001, alcançados pela decadência. Sala das Sess&s, em 03 de setembro de 2008. - AN 'T‘P tip _ 4 Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.003282/2004-67
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed May 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 29/02/2000 a 30/09/2004
NULIDADE.
As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para sua ocorrência.
UNIVERSALIDADE DO FINANCIAMENTO À SEGURIDADE SOCIAL.
Dentro do princípio da universalidade do financiamento à Seguridade Social, consagrado no art. 195 da Constituição Federal, a imunidade prevista no § 3º do art. 155 da mesma carta não impede a cobrança da Cofins sobre o faturamento das empresas que realizem atividades relativas a energia elétrica, serviços de comunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O pedido de cancelamento da multa de ofício ou de sua redução, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes, a teor da Súmula nº 2. Ademais, existem dispositivos legais vigentes que permitem a exigência da multa de ofício a 75%.
TAXA SELIC. SÚMULA Nº 3.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-18963
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Nadja Rodrigues Romero
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 29/02/2000 a 30/09/2004 NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para sua ocorrência. UNIVERSALIDADE DO FINANCIAMENTO À SEGURIDADE SOCIAL. Dentro do princípio da universalidade do financiamento à Seguridade Social, consagrado no art. 195 da Constituição Federal, a imunidade prevista no § 3º do art. 155 da mesma carta não impede a cobrança da Cofins sobre o faturamento das empresas que realizem atividades relativas a energia elétrica, serviços de comunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O pedido de cancelamento da multa de ofício ou de sua redução, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes, a teor da Súmula nº 2. Ademais, existem dispositivos legais vigentes que permitem a exigência da multa de ofício a 75%. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso negado.
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CCO2/CO2 • Fls. 139 yme*:%,) MINISTÉRIO DA FAZENDA - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ----Processo n°- —19515.003282/2004-67- MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTNSUINTEC n Recurso n° 140.461 Voluntário CONFERECOM O ORIGINAL rt•‘ Brasília, AL, Matéria Cofins lvana Cláudia Silva Castroa.-. • Acórdão n° 202-18.963 Mat. Siae 92136 Sessão de 07 de maio de 2008 Recorrente USINA SANTA OLINDA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL de ContribuIntes 0,..; nd- oo CO esr, iet da Recorrida DRJ em Salvador - BA W-SeDuo no olk1q4-,,,c N21,54_ de Rueece ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 29/02/2000 a 30/09/2004 NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para sua ocorrência. UNIVERSALIDADE DO FINANCIAMENTO À SEGURIDADE SOCIAL. • Dentro do princípio da universalidade do financiamento à Seguridade Social, consagrado no art. 195 da Constituição Federal, a imunidade prevista no § 3 2 do art. 155 da mesma carta não impede a cobrança da Cofins sobre o faturamento das empresas que realizem atividades relativas a energia elétrica, serviços de comunicações, derivados de petróleo, combustíveis e • minerais. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. - O pedido de cancelamento da multa de oficio ou de sua redução, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser • conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes, a teor da Súmula n2 2. Ademais, existem dispositivos legais vigentes que permitem a exigência da multa de oficio a 75%. TAXA SELIC. SÚMULA N23. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic • para títulos federais. _ u • - - ' '• • . Processo n° 19515.003282/2004-67 ; CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.963 , . Fls. 140 Recurso negado. Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. ACORDdÍ os membros da segunda câmara do segundo conselho de ' contribuintes, por un midade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTGIkêélhihARLOS"A£44JLIM MF - SEGUNDO CONSELHO DE C'JN1 iciSUliniT ES , CONFERE COM O ORIGINAL Brasília OY Presidente Ivana Cláudia Silva Castro 3:,.n Mat. Sia se 92136 C--- NADjA RODRIGUES ROMERO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Zomer, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Relatório Contra a contribuinte retromencionada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 50/65, com exigência tributária da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativa aos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a setembro de 2004. A irregularidade fiscal apontada pela fiscalização é de falta de recolhimento e de declaração (DCTF) dos valores devidos da contribuição no período fiscalizado. Inconformada com o feito fiscal, a interessada, no devido prazo legal, apresentou a impugnação de fls. 72/80, na qual traz suas razões de defesa a seguir resumidas: - a atividade da empresa é a fabricação de álcool para fins carburantes e açúcar, únicos produtos de seu faturamento. Sobre as operações de produção, distribuição e comércio de combustíveis líquidos não incide qualquer tributo, por força do disposto no art. 155, § 3 2, da Constituição Federal, à exceção do ICMS, do Imposto de Importação e Exportação; - embora a Cofins tenha sido definida pela Carta Magna como contribuição, os tribunais admitem que sua natureza é tributária, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal acerca da Contribuição Social sobre o Lucro; - discorda da tese de que a exigência da Cofins se validaria em razão de a contribuição incidir sobre o faturamento e não sobre as operações, de modo que a vedação no art. 155, § 32, da CF/1988 não se aplica. Contra esse argumento, afirma que somente produz e comercializa álcool hidratado para fins carburantes e açúcar, sendo o seu faturamento representado exclusivamente por operações desse combustível, e a incidência do tributo sobre 2 • ME -4 SEGUNGO CONSELHO CECO 1R112UINTES. , • . Processo n° 19515.003282/2004-67 . CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO2 ' Acórdão n.°202-18.963 Brasília: olS. OY Cs't Fls. 141 Ivana Cláudia Silva Castro • Mat. Sia • e 92136 esse faturamento é vedada pela Constituição Federal e condenada pela Justiça Federal. Transcreve em reforço a sua tese os julgados dos Tribunais Regionais Federais da 4 2 e 52 Regiões; - alega nulidade do auto de infração, pois a -fisdalização, ao realizar o levantamento que deu origem ao lançamento, não fez de forma escorreita, não só porque os dados nele referidos não foram transportados corretamente, como também porque os cálculos estão totalmente errados; - aduz, ainda, que a maior parte do açúcar produzido é exportada, tem direito de se creditar da Cofins incidente sobre as matérias-primas adquiridas, e todos os créditos, regularmente escriturados e lançados na DIPJ anual, foram desprezados no levantamento que originou o lançamento de oficio, devendo, então, ser compensados nos termos da Lei n2 10.396, de 19 de setembro de 2001, alterada pela Lei n 2 11.636, de 30 de dezembro de 2002; - rejeita a aplicação da multa proporcional de 75%, pois revela-se confiscatória, bem como a dos juros de mora acima do percentual de 1%, por falta de permissão legal. A DRJ em Salvador — BA apreciou as razões de defesa da contribuinte postas na peça impugnatória e o que mais consta dos autos decidindo pela manutenção integral do lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão n2 07.740, de 29 de julho de 2005. li-resignada com a decisão proferida pela primeira instância de julgamento administrativo, a contribuinte interpôs recurso a este Colegiado, no qual repisa os mesmos argumentos de defesa da impugnação. É o Relatório. Voto . , Conselheira NADJA RODRIGUES ROMERO, Relatora O recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo o relato, o litígio está centrado nas seguintes matérias: a) nulidade do auto de infração por erro nos cálculos da exigência tributária; b) imunidade da Cofms nas operações de produção, distribuição e comércio de álcool carburante; c) natureza confiscatória da multa (percentual de 75%); e d) aplicação dos juros de mora acima de 1%. A nulidade do auto de infração argüida pela recorrente, em razão do suposto erro nos cálculos do lançamento, não merece acolhimento, em razão da simples alegação dos erros nos dados, sem que aponte onde estão os erros cometidos pela fiscalização. Ademais, o auto de infração contém as bases de cálculo da contribuição extraídas do demonstrativo "Informações Prestadas à SRF", fls. 22/39, preenchida pelo representante da empresa. Descabida, portanto, a argumentação de que a autoridade fiscal calculou as supostas contribuições sobre valores arbitrados. 3 •- .„ ' ":: - , . = , Processo n° 19515.003282/2004-67 • • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CON'T ka.1114iTES CCO2/CO2 • ' ' J, . Acórdão n.° 202-18.963 CONFERE COMO ORNAL. 142 ; Brasília, 35 n 40`‘ [varia Cláudia Silva Castro Mat. Sia • e 92138 No mérito, pretende a contribuinte que o art. 155, § 3 2, da Constituição Federal alcance as contribuições para financiamento da seguridade social previstas no art. 195 da Carta Magna. • O assunto já se encontra pacificado pelo Supremo Tribunal Federal ao proferir o entendimento de que a imunidade prevista no § 3 2 do art. 155 da Constituição Federal não impede a cobrança das contribuições sociais sobre o faturamento das empresas que realizam operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País, tendo em vista o disposto no art. 195, caput, da CF/1988, que prevê o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, de forma direta e indireta — • RE (AgRg) 205.355-DF, RE 227.832-PR e 233.807-RN, cujos julgamentos do Pleno foram proferidos em 01/07/1999. Assim, é cabível a exigência tributária decorrente das operações realizadas pela empresa, relativas à produção, distribuição e comercialização de álcool carburante. Como bem observou a decisão recorrida, apesar de a recorrente também produzir açúcar — o produto não se enquadra na imunidade prevista no § 32 do art.155 da CF/1988 — não efetuou nenhum recolhimento da Cofins. Quanto aos possíveis créditos da Cofins incidentes sobre matérias-primas utilizadas em produtos destinados à exportação, para os quais a recorrente solicita a • compensação com a contribuição ora lançada, não cabe a apreciação deste pedido por esta • instância recursal, pois os pedidos de compensação têm regramento próprio e cabendo sua apresentação perante a Unidade Receita Federal. A alegação de que a multa aplicada é confiscatória, está fundamentada na tese de que o confisco é vedado pela Constituição, assim a questão esbarra na constitucionalidade da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1995, que em seu art. 44, inciso I, prevê a aplicação da penalidade no percentual de 75% sobre o valor da contribuição devida lançada de ofício. Sobre o assunto, este Colegiado, , em Sessão Plenária realizada em 18 de setembro de 2007, pacificou o entendimento por meio da Súmula n 2 2 de que o Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade • de legislação tributária. Também não assiste razão à recorrente de que os juros de mora estariam limitados a 1% ao mês, o assunto foi objeto da Súmula n 2 3, editada na referida Sessão Plenária, que tem o seguinte teor: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administradós pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial • do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federais." Assim, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2008. z--. NADA RODRIGUES ROMERO 4 Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.934223/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo.
IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, deve-se manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Vencida.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo. IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, devese manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 42 23 /2 00 9- 92 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 447 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Vencida. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Ferramentas Gerais Comércio e Importação S/A, contra decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) que julgou como improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Pelo o que se denota dos autos, a Recorrente efetuou pedido de ressarcimento de IPI perante a Receita Federal do Brasil e, com os aludidos créditos, pretendia quitar outros débitos administrados pela RFB, através de pedido de compensação apresentado. Contudo, este foi indeferido, sob o argumento de que a Recorrente não fazia jus aos pretendidos créditos do IPI. Em sua decisão, a DRJ de Porto Alegre se ateve às argumentações da fiscalização, que, ao receber os pedidos de ressarcimento, entendeu que a Recorrente não faria jus aos créditos de IPI, uma vez que declarou, quando intimada para tanto, que não efetuava industrialização, realizando tãosomente comercialização de produtos. Com base nas declarações e escriturações da Recorrente, a fiscalização reclassificou créditos ressarcíveis informados no PER/DCOMP para não ressarcíveis e, assim, indeferiu o pedido de compensação analisado. Na decisão recorrida, a DRJ de Porto Alegre argumentou que: ‘Em que pese os argumentos acima expendidos, relativamente ao estabelecimento realizar ou não processo de industrialização, o fato é que a controvérsia neste processo limitasse a reclassificação de créditos ressarcíveis, informados no PER/DCOMP equivocadamente sob os CFOPs 1.101, 2.101 e 3.101 – compras para industrialização, para créditos não ressarcíveis, já que tratasse de créditos decorrentes das aquisições de produtos para comercialização, conforme notas Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 448 3 fiscais registradas nos livros do contribuinte sob os CFOPs 1.102, 2102 e 3102, que não geram direito a ressarcimento.” Mais a frente, concluiu: “No presente caso, o próprio interessado registrou em sua contabilidade aquisições de mercadorias nos CFOPs 1102, 2102 e 3102 (compras para comercialização). Assim, caberia a ele demonstrar que as mercadorias adquiridas para revenda, na verdade, não seriam para revenda, e sim para industrialização. Todavia, o interessado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova, ainda que indiciária, para demonstrar que efetuou erroneamente a contabilização destas operações. Alías, nem cogitou sobre a hipótese de erro de fato na escrituração das notas fiscais de aquisição de produtos sob os CFOPs mencionados no livro de IPI, o que poderia ensejar o direito ao ressarcimento de tais créditos.” Por outro lado, a decisão da DRJ de Porto Alegre considerou como não recorridas as glosas dos créditos ressarcíveis efetuadas pela fiscalização, quais sejam créditos de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES e créditos de produtos adquiridos de empresas consideradas inidôneas. Não concordando com as conclusões da decisão da DRJ, a Recorrida, Ferramentas Gerais Comércio e Importação S/A, apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) – a ilegalidades das glosas realizadas, face a idoneidade do procedimento realizado pela Recorrente; (ii) – em que pese ter omitidose quanto a idoneidade das Notas Fiscais que levaram ao legítimo creditamento do IPI, invoca os princípios da verdade material e da ampla defesa que devem nortear o procedimento administrativo fiscal (iii) por fim, invoca situação análoga de julgamento proferido pelo Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais do Rio Grande do Sul, que reconheceu créditos de ICMS da Recorrente em situação semelhante à travada nestes autos. É o relatório. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 449 4 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, uma vez que esta considerou como razões da decisão relatório da fiscalização realizada, que, por sua vez, não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o argumento de que esta não efetua industrialização e, por isso, não faz jus ao creditamento de IPI. Ocorre, contudo, que o Recorrente, ao apresentar a sua Manifestação de Inconformidade, informou o equívoco na informação prestada de que não efetua industrialização. Neste sentido, juntou aos autos extensa planilha com a classificação dos seus produtos (nos mesmos moldes requeridos pela fiscalização). Ademais, apresentou Notas Fiscais de fornecedores que, a princípio, comprovam que, de fato, a Recorrente faz industrialização e não só comercialização de produtos. Como se não bastasse, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que providenciou a retificação de suas declarações, para que haja identidade entre o que foi declarado em sua escritura fiscal e os pedidos de ressarcimento. Pelo cronograma apresentado pela Recorrente, todos os livros fiscais já foram retificados. Neste sentido, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) poderia, de ofício, independentemente da fiscalização anteriormente realizada, ter feito diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 450 5 Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 451 6 É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 452 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram os créditos passíveis de compensação. Por outro lado, também devem ser levadas em consideração as retificações dos livros fiscais. E só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF, é que se poderá ter certeza de que os créditos são mesmo passíveis de ressarcimento. De toda forma, é importante ressaltar que os créditos de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES não dão direito ao ressarcimento do IPI, uma vez que existe expressa vedação legal neste sentido. Esta era a orientação do Decreto 4.544/2002 (artigo 166), que tinha a mesma orientação do Decreto 7.212/2012, atualmente em vigor. Confirase: Art. 228. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo Simples Nacional, de que trata o art. 177, não ensejarão Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 453 8 aos adquirentes direito a fruição de crédito do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Este conselho já proferiu inúmeros julgados vedando o referido creditamento. Confirase julgado que foi proferido recentemente: CARF 3a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 3803 01.329 em 02/03/2011 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A aquisição de insumos de estabelecimento optante pelo Simples não enseja direito à fruição de crédito do IPI, por expressa vedação legal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Publicado no DOU em: 28.03.2012 Recorrente: USEAÇO CONSTRUÇÕES METÁLICAS LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL Portanto, caso haja pedidos de ressarcimento de créditos oriundos da aquisição de produtos de empresas optantes do SIMPLES, a glosa realizada pela fiscalização deverá ser mantida. Por outro lado, com relação às glosas de empresas consideradas inidôneas pela fiscalização, na apuração dos créditos ressarcíveis, esta deverá pautar sua análise no julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO. NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO DA REALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO COMERCIAL. SÚMULA 7/STJ. A jurisprudência desta Corte de Justiça, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 8/2008, Fl. 453DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 454 9 firmouse no sentido de que o "comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" (REsp 1.148.444/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 14.4.2010, DJe 27.4.2010). Incidência da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 91004/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 27/02/2012) Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF para que esta, considerando a vedação ao creditamento de IPI de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES, bem como o julgamento do STJ acima transcrito com relação ao creditamento de empresas consideradas inidôneas: 1. Apure os créditos de IPI da Recorrente, considerando a documentação já acostada nestes autos e, também, as retificações dos livros fiscais realizados, para verificar se os créditos indicados no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos apontados pela Recorrente; 2. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Divirjo do entendimento da Conselheira Relatora, com base nos seguintes fundamentos. Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, decorrente de saldo credor apurado com base no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, ao qual se vinculou declaração de compensação. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 455 10 O direito creditório não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em relação a créditos em duplicidade e outros decorrentes de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES ou cuja inscrição no CNPJ havia sido baixada. Também não foram admitidos créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que não se destinavam à industrialização. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA. Em sua decisão, a unidade de primeira instância administrativa assentou que apenas foi contestada pela contribuinte a glosa de créditos por aquisições de mercadorias que não se destinariam à industrialização. Após compulsar os autos, verifico ser verdadeira esta assertiva. Além disso, no Recurso Voluntário, a recorrente reconhece não ter contestado as glosas referentes a créditos em duplicidade e a aquisições de empresas do SIMPLES ou irregulares perante a RFB. Vejase o seguinte trecho deste recurso. “Poderia a Recorrente discorrer quanto à natureza de sua irresignação inicial, o pedido amplo de cancelamento do despacho decisório, que levaria, via reflexa, ao cancelamento das glosas tidas por não contestadas, mas nada supriria a ausência da demonstração do direito, mediante prova documental ou mesmo pericial. Com efeito, a Recorrente omitiuse em demonstrar a idoneidade das notas fiscais que a levaram ao legítimo creditamento do IPI que foi glosado, naquela oportunidade e, de forma direta, não contrapôs o resultado da ação fiscal, neste ponto.” Matéria não questionada na manifestação de inconformidade não integra o contencioso. Por isso, não pode ser objeto deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 6/3/72, norma com status de lei que rege o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União e que se aplica ao caso, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, dispõe: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Esta turma não pode decidir contrariamente ao disposto nestes artigos, tendo em vista o artigo 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF). Por se tratar de matéria que não pertence à fase litigiosa do processo, a ela não se aplica o art. 62A do RICARF, motivo pelo qual o julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), citado no voto da relatora, também não se aplica. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 456 11 Ainda que se entendesse aplicável o art. 62A do RICARF, a decisão do STJ trazida pela relatora não poderia ser reproduzida neste julgamento, porque diz respeito a outro tributo, o ICMS, e prescindiria de o contribuinte ter demonstrado a veracidade da compra e venda efetuada, o que não ocorreu. Portanto, devese manter a decisão de primeira instância quanto às glosas não contestadas. Sobre a matéria litigiosa, a recorrente nada diz contra o entendimento segundo o qual as compras para comercialização não geram direito ao crédito. Logo, neste julgamento, esta matéria não está em discussão. A única questão que cabe discutir é sobre a comprovação de que as aquisições foram para industrialização. Inicialmente, o pleito da contribuinte foi indeferido porque ela declarou não exercer atividade industrial e porque seus livros fiscais demonstravam que as mercadorias foram adquiridas para comercialização. A recorrente afirma ter errado ao prestar informação sobre sua atividade industrial, o que a teria levado a não entregar documentos substanciais para comprovar seu direito; diz que “está reprocessando todos os seus livros fiscais”, alterando os CFOP, de modo a demonstrarem que as aquisições se destinavam à industrialização; e “pede vênia para juntar parte do Livro de IPI do Mês de dezembro de 2007 reprocessado, com CFOP 2101 e 1101”. Requer que os autos sejam baixados em diligência para juntada de notas fiscais e que o resultado do reprocessamento seja objeto de nova auditoria fiscal, para que sejam confirmados os créditos de IPI, com a sua reclassificação para passíveis de ressarcimento. Por se tratar de pedido de ressarcimento, entendo que, no momento do pedido, a contribuinte deveria ser capaz de comprovar com documentos os créditos que declarou possuir. Se é verdade que os livros fiscais foram preenchidos incorretamente, conforme afirma a recorrente, então somente os documentos que acobertaram a entrada das mercadorias poderiam fazer prova em seu favor. Entretanto, a contribuinte não apresentou as notas fiscais referentes às aquisições de mercadorias que seriam utilizadas em processo industrial e que poderiam gerar o direito ao crédito do IPI na ação fiscal e em nenhum outro momento, na forma autorizada pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Vejamse os seguintes dispositivos deste decreto, que estabelecem momentos para apresentação de provas, observandose que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguem o rito nele estabelecido: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 457 12 “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A contribuinte não apresentou documentos comprobatórios dos créditos alegados e não demonstrou ter ocorrido alguma das condições que excluiriam a preclusão. Nem mesmo ao recurso voluntário foram anexadas notas fiscais referentes a compras de mercadorias para industrialização passíveis de ressarcimento. As notas fiscais constantes deste processo, na maioria, são referentes a retorno de mercadorias remetidas para industrialização; retorno de mercadorias remetidas para conserto; retorno de bem do ativo. Há algumas notas de venda de mercadorias para a contribuinte, mas estas se deram sem o destaque do IPI, porque a vendedora se enquadrava no SIMPLES. Tal matéria foi considerada não impugnada, por isso, não afeta este julgamento. Assim, não há aqui uma verdade material em contraposição a um formalismo exagerado. Simplesmente, a contribuinte que alegou ter um direito, não provou o fato constitutivo deste direito. A simples retificação de livros comerciais e fiscais não é suficiente para comprovação do direito, pois os lançamentos nestes livros devem estar amparados em documentos. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934223/200992 Acórdão n.º 3801001.343 S3TE01 Fl. 458 13 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10630.001571/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE APURAR SE OS VALORES FORAM RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. APURAÇÃO INDIRETA JUSTIFICADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO.
Se a interessada não apresenta tempestivamente a escrituração contábil solicitada pela fiscalização em prazo razoável, a apuração indireta encontra fundamento legal. Se como resultado da apuração indireta não ficar demonstrado o recolhimento indevido ou a maior de tributo, a restituição não pode ser deferida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE APURAR SE OS VALORES FORAM RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. APURAÇÃO INDIRETA JUSTIFICADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. Se a interessada não apresenta tempestivamente a escrituração contábil solicitada pela fiscalização em prazo razoável, a apuração indireta encontra fundamento legal. Se como resultado da apuração indireta não ficar demonstrado o recolhimento indevido ou a maior de tributo, a restituição não pode ser deferida. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 125 1 124 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10630.001571/200783 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.447 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria CONT. PREV. RESTITUIÇÃO Recorrente EPSON SERVICE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE APURAR SE OS VALORES FORAM RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. APURAÇÃO INDIRETA JUSTIFICADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. Se a interessada não apresenta tempestivamente a escrituração contábil solicitada pela fiscalização em prazo razoável, a apuração indireta encontra fundamento legal. Se como resultado da apuração indireta não ficar demonstrado o recolhimento indevido ou a maior de tributo, a restituição não pode ser deferida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10630.001571/200783 Acórdão n.º 230102.447 S2C3T1 Fl. 126 3 Relatório Tratase de Pedido de Restituição protocolizado em 29/06/2005, fls. 01, pleiteando restituição de contribuições retidas da recorrente nas competências 04/2005 a 05/2005, com total de R$ 2.135,76. A Chefia da Unidade de Atendimento em Timóteo deferiu a restituição requerida, fls. 73, mas recorreu de ofício da decisão para a Delegacia da Receita Previdenciária em Governador Valadares. A DRP/Valadares decidiu que o caso deveria ser encaminhado para pronunciamento fiscal, fls. 74/75, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 26/01/2009, fls. 91. A recorrente insurgius contra tal decisão, alegando que a contratante estava dispensada de efetuara retenção pois o serviço era prestado pessoalmente pelos sócios, segundo a IN 03/2005. A 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 98/101, decidiu que a manifestação de inconformidade era improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/08/2010, fls. 103. O recurso voluntário, apresentado em 24/09/2010, fls. 104/123, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que entregou os documentos solicitados em 25/06/2010 e os teve restituídos em 28/07/2010. Entende que ficou demonstrado que a contratante não tinha o dever de efetuar a retenção. Insiste que o fisco adotou a falsa premissa de que não tinha escrituração regular. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente teve indeferido seu pedido de restituição dada a apuração indireta feita pela autoridade da DRP/Coronel Fabriciano que apurou inexistência de contribuição recolhida indevidamente. A apuração indireta deveuse à não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. A própria recorrente admitiu que só entregou os documentos solicitados em 2010 ao passo que a fiscalização fez a apuração indireta em 2009. Ademais, o documento de fls. 122 aponta que somente em 05/2009 a contabilidade da recorrente foi autenticada na Junta Comercial. Assim, temos como fato incontroverso que na data do pedido de restituição, a contabilidade da recorrente não estava regulamente escriturada. Não tendo como apurar a contribuição devida de forma direta, a fiscalização adotou a apuração indireta, prevista no art. 33, §6º da Lei 8.212/91, de modo a certificarse se houve contribuição recolhida indevidamente ou a maior. Como resultado do procedimento, concluiu não haver direito à restituição. Em adição, a decisão a quo da DRJ/Belo Horizonte analisou os requisitos do art. 157 da IN 100/2003, fls. 100/101, e concluiu não terem sido preenchidos. Sobre o assunto a recorrente nada acrescentou. Logo, não tendo sido demonstrado que houve pagamento indevido ou a maior, nos termos da legislação, impõese o indeferimento do pedido de restituição com fulcro no art. 89 da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10630.001571/200783 Acórdão n.º 230102.447 S2C3T1 Fl. 127 5 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000898/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1994, 01/03/1994 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 31/07/1994, 01/11/1994 a 30/11/1994
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.261
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.000898/2007-28 Recurso n° 152.529 Voluntário Acórdão n° 2301-00.261 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria Decadência Recorrente COSNTRUBASE ENGENHARIA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1994, 01/03/1994 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 31/07/1994,01/11/1994 a 30/11/1994 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido k(\/ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • .; Processo n°35464.000898/2007-28 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00261 Fl. 132 ACORDAM os membros da 3 Câmara /1 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Viti:. aco .anilaram o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, l • .. . , V Vwi 'I* .1:" VIEIRA GOMES * id Ar'V OXa " • • • A O ' elatora . • _ Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vida! (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°35464.000898/2007-28 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.261 Fl. 133 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 17/12/2004, cuja ciência da Recorrente ocorreu em 03/01/2005 (fls.35), de contribuições destinadas a Seguridade Social da parte empresa e empregados relativo a prestação de serviços. De acordo com o Relatório Fiscal de fls.22/25, a empresa tomadora de serviços responde solidariamente com a prestadora de serviços pelas obrigações previdenciárias decorrentes de mão-de-obra colocada a sua disposição. Os serviços foram prestados nas obras de construção civil nas CEI 21.904.06430/75, 21.904.06429/79, 2L165.04927/74 e 21.345.05703/79 cujas notas fiscais foram lançadas na contabilidade. A Recorrente apresentou impugnação às fls. 37/46, e as co-responsáveis foram cientificadas da lavratura da NFLD através de edital (fls.62). Às fls.72/76 consta uma determinação de diligência fiscal para que a fiscalização se manifestasse em relação a alíquota mínima dos segurados considerando a redução da CPMF. Às fls.79181 consta a informação fiscal e às fls.82/92 a DN julgou o lançamento procedente. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso, alegando em síntese: Cerceamento de defesa; Precária fundamentação legal; A fiscalização não pode materializar e sustentar a existência de um débito sem ter efetuado a devida fiscalização junto ao prestador de serviços; Aferição indireta sem justificativa hábil. É o relatório. 11-5 3 Processo n°35464.000898/2007-28 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.261 Fl. 134 Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e aplico de oficio a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 em decorrência da edição da Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo Material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantemse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, conto os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CM. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: • "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 4 . e Processo e 35464.000898/2007-28 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.261 Fl. 135 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pelo Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei # 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões "sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. . § r O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a 1 interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre essas e a 1administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173,1 do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento em 103/01/2005, fls.34, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto da presente NFLD. Em razão do exposto, aplico de oficio a decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. SIS. , às Sessõ i , 06 de maio de 2009 P 1',Á • 0 A D • .-. . I ATO - RelatoraI, . _ - — _ _ s • Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10293.720040/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA - VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exige-se Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odmir Fernandes (Relator) e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA - VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exige-se Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exigese Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odmir Fernandes (Relator) e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Nelson Mallmann – Presidente e Redator (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF, que manteve a autuação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2003, acrescido de multa de 75% e juros de mora, no valor de R$ 9.091.143,98, tendo por objeto o imóvel denominado “Fazenda Catiana/Fazenda Cirópoli” cadastrado na RFB sob o nº 4.551.3112, com área declarada de 25.704,0 há, localizado no Município de Sena Madureira/AC., decorrente da revisão da DITR/2003. A autuação ocorreu porque o contribuinte, intimado, não comprovou a área de reserva legal e o VTN Valor da Terra Nua, declarado na DITR/2003. Houve glosa integral da área de utilização de reserva legal declarada, de 20.563,0 ha, e alteração do Valor da Terra Nua VTN declarado de R$12.000,00 (R$0,47/ha), que se considerou subavaliado, com arbitramento do valor de R$19.278.000,00 (R$750,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras SIPT, instituído pela Receita Federal, com aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, resultando imposto suplementar de R$3.855.120,00, conforme demonstrado às fls. 13. A decisão recorrida de fls. 143/169, com ciência em 08/09/2011, rejeitou as preliminares e não admitiu a exclusão da área da área ambiental declarada do ITR de 20.563 ha, pela falta de averbação na matrícula do imóvel e pela falta do Ato Declaratório Ambiental ADA. Manteve o VTN de R$ 19.278.000,00 (R$ 750,00/há), arbitrado com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT, pela ausência de comprovação do valor declarado. Recurso Voluntário a fls. 174/260, onde sustenta nulidade do procedimento administrativo. No mérito, pede a isenção da área de reserva legal e de preservação declaradas ao ITR; sustenta que o VTN arbitrado ao contrariar o valor declarado houve confisco pela impossibilidade da utilização da área de reserva legal e de preservação permanente, sem utilidade econômica. Pede o cancelamento da exigência ou a redução dos juros e da multa. É o breve relatório. Voto. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes, relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve e ser conhecido. Sustenta inicialmente nulidade do procedimento administrativo por falta de notificação do lançamento; cerceamento de defesa pela falta e oportunidade para apresentar os documentos comprobatórios das informações declaradas na DITR; e erro na capitulação da infração. As preliminares não procedem. Não há qualquer nulidade a sanar, cerceamento de defesa ou erro na capitulação da infração. Parte das preliminares envolve o mérito e assim serão decididas. Também não alegou e nem se demonstrou qual o prejuízo processual das supostas nulidades. Sem essa demonstração não cabe reconhecer qualquer nulidade, salvo se absoluta. No mérito, tratase de autuação do ITR relativo à glosa da área de reserva legal e do VTN – Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte, ora Recorrente, sem a devida comprovação no entender da autuação e da decisão recorrida. Passo ao exame de cada uma das infrações. VTN Valor da Terra Nua A glosa do VTN ocorreu por entender a fiscalização que o valor declarado pelo autuado estava subavaliado, com isso, sem outros elementos utilizou o sistema de preço da Receita Federal. O Recorrente juntou Laudo de avaliação para comprovar o valor declarado do preço da terra nua do imóvel em R$12.000,00 (fls.112). Contudo, referido Laudo foi elaborado em 2007, e a exigência é do ano de 2003 e não se especifica nesse Laudo se a avaliação alcança o ano de 2003. Mais. Sustentou a decisão recorrida, sem contrariedade, que o mesmo Laudo foi utilizado, com o mesmo preço da terra este o detalhe, nos três anos consecutivos, 2003, 2004 e 2005, com idêntico valor, sem qualquer justificativa desse procedimento da manutenção do preço, sem alteração de um ano para o outro. De fato, relatamos três processos do mesmo autuado e todos com o mesmo Laudo e com o mesmo valor da terra nua para os diferentes períodos de 2003, 2004 e 2005, são eles, 10293.720040/200761, ano de 2003; 10293.720043/200703, ano de 2004; e 0293.720047/200783, ano de 2005. Com isso, a prova técnica trazida aos autos nesse aspecto se tonou totalmente imprestável e sem qualquer crédito para comprovar o valor da terra nua. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 4 5 Em consequência, na ausência de outra prova segura do preço deve prevalecer o valor constante do Sistema de Preços de Terras SIPT, instituído pela Receita Federal. Diante disso, andou bem a decisão recorrida e deve prevalecer na apuração do VTN. Área de reserva legal A decisão recorrida não área de reserva legal por falta do ADA e da averbação na matricula do imóvel. Temos posição fixada sobre a matéria. Em nosso sentir, não é necessário o ADA para permitir exclusão das áreas de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico da tributação o ITR; e nem a averbação na matrícula do imóvel, se o contribuinte consegue comprovar, por outros meios de prova firmes e extreme de dúvidas, notadamente laudo pericial subscrito por profissional habilitado, a existência efetiva dessas áreas de exclusão do imposto. A exigência do ADA se fez pelo acréscimo do art. 17O, pela Lei n° 10.165, de 2000, alterando a Lei no 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, cujo artigo possui a seguinte redação: “Art. 17O”. ... § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR). Contudo, a Lei do ITR n° 9.393, de 1996, no art. 10 § 7o, com a redação dada pela Medida Provisória 216667 de 2001, posterior à lei 10.165, de 2000, estabelece: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Ora, a Lei no 6.938, de 1981, com a alteração da Lei n° Lei n° 10.165, de 2000, exige a prévia comprovação pelo ADA, mas a Lei n° 9.393, de 1996, com a redação da MP 216667, de 2001, não faz a prévia exigência. Deixa a critério do contribuinte a comprovação, da reserva legal, preservação permanente e servidão florestal ou ambiental, se questionado pela fiscalização. Há assim aparente conflito ou antinomia de normas no tempo, norma supletiva, especial e geral, que devem ser compatibilizadas pelo interprete e aplicador da lei. A Lei no 6.938, de 1981 é norma supletiva ou geral em relação ao ITR e a sua alteração pela Lei n° 10.165, de 2000. Por ser lei supletiva não pode derrogar ou revogar a Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 6 disposição normativa especifica da lei especial do ITR, sob pena de afronta à regra de aplicação e interpretação prevista na Lei de Introdução ao Código Civil. Vejamos. O Decretolei n° 4.657, de 1942 (com força de lei), com a redação dada pela Lei n° 12.376 de 2010, estabelece: “Art. 2o.”... § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Ofende ainda a cronológica das leis. A exigência do ADA veio com a Lei n° 10.165, editada no ano de 2000, enquanto a regra especifica do ITR que não faz a exigência é do ano de 2001 (MP 216667). Dessa forma, prevalece a regra da Lei do ITR, estabelecendo: “A declaração para fim de isenção do ITR, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. De outro lado, a tributação busca o aspecto material, os fatos reais praticados ou realizados pelo contribuinte, ou presuntivos, se previstos em lei. A obrigação principal – pagamento do tributo não pode se condicionar à formalidade “do ADA tempestivo”, apenas a existência do fato real comprovado por prova seguras da restrição ambiental, notadamente laudo firmado por profissional habilitado, sem contrariedade, no sentido de o imóvel possuir área de preservação permanente, sem utilização econômica. O ADA é mero ato declaratório ambiental, não se constitui sequer em obrigação acessória do ITR ou condição para dispensa do tributo. Contudo, feita a comprovação pelo ADA temos a dispensa da produção de outras provas. A averbação na matricula da Reserva Legal é registro da restrição do direito de propriedade, causa da limitação do domínio útil e da posse. Feita a averbação cabe à fiscalização demonstrar situação inversa, ou seja, a inexistência da área de reserva. Com a limitação, o proprietário passa a deter apenas o domínio direto ou a nuapropriedade, fica destituído de parte do domínio, dos poderes de usar e gozar a propriedade, mas permanece com obrigação de zelar e conservar o imóvel. O conflito do ITR entre fisco e contribuinte com a exclusão da base de cálculo ou isenção das áreas de restrição ambiental, seja de preservação permanente, utilização limitada, reserva legal, interesse ecológico e outras, desperta situação curiosa. De um lado a fiscalização, com exigência do ADA, tempestivo. De outro o contribuinte, comprovando por provas firmes que o imóvel é de preservação permanente, possui interesse ecológico, restrição de uso, reserva legal e mesmo assim, sem ADA tempestivo ou a matrícula contemporânea ao fato gerador, exigese a tributação. O ITR tem como fato gerador, na expressão constitucional, a propriedade em seu sentido amplo (art. 153, IV, da CF/88) do direito real na clássica definição do Código Civil Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 5 7 de usar, gozar, dispor e reivindicar (cf. art. 1228), mas o Código Tributário Nacional estendeu a tributação da propriedade ao titular do domínio útil e da posse, ao seu possuidor (art.29 e 31 do CTN). Domínio exige registro dominial dessa condição de dono no registro imobiliário. Posse ou possuidor, no alcance da tributação ao ITR, corresponde à posse aquisitiva com animus domini do domínio, ou ad usucapionen; posse com os poderes e atributos da propriedade para se submeter à tributação. Nas áreas de restrição, seja de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico, não se cuida de domínio útil, pois este se constitui pelo registro e a posse, com poder do domínio, por isso útil. É certo que o titular do domínio continua com a posse, mas esta posse, com a limitação não é a posse do possuidor com os poderes e atributos da propriedade para se sujeição ao ITR. Esta posse com restrição é posse precária, é detenção. O ITR, ao admitir a exclusão das áreas com restrição, reconhece a ausência da propriedade, do domínio útil e da posse ao seu titular, não podendo se falar em tributação das áreas de restrição, pela ausência do aspecto material e sujeição passiva do imposto. Na hipótese em exame, há averbação da Reserva Legal na matricula do imóvel (AV5 2085), realizada em 14.05.2004, com reconhecimento da área de 20.563,20ha de reserva legal (fls. 124, PDF), exatamente a área declarada pelo contribuinte recorrente. O Laudo pericial de fls. 98 a 113, elaborado em 31.08.2007, comprova a existência da área de reserva legal. Assim, é necessário admitir a exclusão da área diante da comprovação feita. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, mantida a autuação em relação ao VTN. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 8 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Odmir Fernandes, permitome divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da área de utilização limitada (reserva legal), acompanhando o voto do relator nas demais questões. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito à área de utilização limitada (reserva legal), o recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que as áreas de utilização limitada (área de reserva legal) sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas cobertas por florestas nativas), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 6 9 II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 10 IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 7 11 Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art.. 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 12 ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 8 13 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 14 providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 9 15 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 10.(...). § 1o (...). II –(...). d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 16 Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 220201.793 S2C2T2 Fl. 10 17 Não obstante a pretensão do requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de utilização limitada/reserva legal no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada à área de utilização limitada/reserva legal glosada pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de utilização limitada/reserva legal. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, acompanhando o voto do relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 314DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001026/2006-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:CUSTOS OU DESPESAS NÃO LIGADAS À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE.
As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL.
A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
Numero da decisão: 1301-001.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa:CUSTOS OU DESPESAS NÃO LIGADAS À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 10 1 9 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001026/200698 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.213 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2013 Matéria IRPJ/CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS Recorrentes SIMAB S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa:CUSTOS OU DESPESAS NÃO LIGADAS À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 26 /2 00 6- 98 Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de auto de infração com ciência ao interessado em 20/10/2006, para exigência de IRPJ de R$ 25.879.185,29 e CSLL de R$ 9.320.870,60 mais acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 85.356.867,23 (fls. 2). No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal IRPJ (fl. 334/338) e na descrição dos fatos do auto de infração, constatou as seguintes irregularidades: I — Custo ou despesas não comprovadas — glosa de despesas: caracterizada pela prática de operação mercantil que apresenta, conforme descrito no Termo de Verificação, "características distorcidas quando comparadas com o usual", no total de R$ 3.891.180,06; II — Custo, despesas operacionais e encargos não necessários: decorrente da apropriação ao resultado do montante de R$ 99.999.000,00 de despesas não necessária, cuja operação originária não foi comprovada. Anota a autoridade autuante que "a origem dessas despesas corresponde a disponibilidade inicial, de R$ 20.000.000,00 em 2001, cujo fluxo financeiro não foi comprovado"; Destaca ainda que "a partir de 01/01/1996, a legislação tributária realçou o conceito de despesa necessária, assegurando a dedutibilidade das mesmas tão somente quando estiverem intrinsecamente vinculadas com a área de produção ou comercialização". Conclui, constatando que "no caso efetivo, onde sequer o fato originário (entrada/utilização dos recursos disponibilizados em 31/012001) teve consecução — fls. 134, 209, 325, torna mais evidente a incompatibilidade da dedução desses valores..."; O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 335, 336, 340 e 348/349. O interessado, apresenta impugnação (fls. 368/397), na qual faz um relato sobre sua história e as circunstâncias que julga relevantes para o entendimento do caso alegando, em síntese, que: Custo, despesas operacionais e encargos não necessários Desde 1999, encontravase tecnicamente falida; em função da crise de 1999, decidiu ajuizar medida judicial requerendo o reconhecimento ao direito do crédito prêmio de IPI, a fim de afastar a crise financeira que atravessava, obtendo decisão em primeira. instância a seu favor; A dificuldade na venda desses créditos, fez com que aceitasse proposta do empresário/investidor, Alejandro Young Sienra, pela qual seria pago ao interessado R$ 20.000.000,00 por uma participação de 50% no eventual resultado da venda de créditos prêmio Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 13 4 de IPI a terceiros, até um total de R$ 100.000.000,00. O recebimento da quantia seria imediato e não haveria obrigação de devolver o valor recebido do investidor, se não lograsse êxito na venda dos créditos de IPI, sendo o negócio fechado em 31/01/2001; O investidor transferiu para o interessado R$ 20.000.000,00 em quotas do Fundo Italtrust Preference, custodiados no exterior (Montevidéu/Uruguai). O interessado alega ter dado, imediatamente, a INTERPART (credora do interessado no exterior) as referidas quotas em garantia de dívida, renegociando o prazo de pagamento de seus débitos com a referida empresa; Em cumprimento ao acordado, o investidor e o interessado constituíram em 2001 a sociedade denominada DACMO, cujo capital foi subscrito no valor de R$ 30.000.000,00 pelo interessado, sendo em seguida cedido 100% (menos uma quota) ao investidor; Para melhor esclarecer, registro que além da subscrição feita pelo interessado no montante de R$ 30.000.000,00 (R$ 29.999.000,00 cedidas ao investidor) em 2001 (fls. 126/131), ocorreram mais duas subscrições efetuadas integralmente pelo interessado e cedidas ao investidor nos valores de R$ 25.000.000,00 e R$ 45.000.000,00 em 2002 (fls. 191/206). Esses valores foram apropriados ao resultado a título de "Prejuízo na Cessão de Créditos", fato que resultou na glosa procedida pela fiscalização no montante de R$ 99.999.000,00, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal IRPJ (fls. 334/338); Continua o interessado em sua impugnação alegando que: As despesas foram necessárias, pois se tal procedimento não fosse feito, provavelmente o interessado não sobreviveria até hoje; é irrelevante a alegação do fiscal autuante de que os R$ 20.000.000,00 não ingressaram no Brasil. Tal fato ocorreu por exigência do credor no exterior, para quem a aplicação financeira foi dada em garantia. A dívida está reconhecida e registrada junto ao Banco Central e na contabilidade; As perdas tiveram origem no recebimento dos R$ 20.000.000,00 em janeiro de 2001. Essa receita foi tributada e integrada uma única e indissociável operação com as perdas; se as perdas não fosse dedutíveis, somente poderiam ter sido lançado o resultado da operação R$ 20.000.000,00 menos R$ 100.000.000,00 (receita — perdas); ao glosar as perdas vinculadas aos recebimentos, a fiscalização deveria retificar de oficio as receitas, para que os ingressos decorrentes das cessões de crédito prêmio de IPI passassem a ser classificados como meros adiantamentos contabilizáveis no passivo circulante ou realizável a longo prazo até o trânsito em julgado da ação judicial; Custo ou despesas não comprovadas — glosa de despesas É irrelevante a experiência prévia no tipo de serviço prestado (intermediação de cessão de créditoprêmio de IPI); As sociedades prestadoras de serviço estavam aptas no CNPJ, embora estivessem inativas em exercícios precedentes e tenham tomado a ficarem inativas em exercícios subseqüentes; Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 14 5 Os pagamentos feitos não divergem de qualquer outro padrão de comissionamento e foram condicionados ao auferimento de recursos pelo interessado; Há documentação de suporte (contratos, recibos e notas fiscais); Compensação de prejuízos e base de cálculo negativa de CSLL A apuração da exigência fiscal deve ser refeita, para considerar os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados. Pedido Encerra requerendo: o cancelamento integral do auto de infração ou; a retificação do lançamento para que somente a diferença do resultado da operação que gerou as perdas seja tributada ou; sejam compensados os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa de CSLL acumulados. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RIO DE JANEIRO I) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1213.388, de 28/02/2007 (fls.605), julgando procedente em parte o lançamento, tendo sido prolatada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. A dedução dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Não comprovada a necessidade das despesas glosadas, deve ser mantido o lançamento. GLOSA DE DESPESA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A glosa de despesa enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO Acatando as argumentações da recorrente que a apuração da exigência fiscal deve ser refeita, para considerar os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados a Turma julgadora de primeiro instância, verificando no auto de infração que a autoridade fiscal ao proceder às glosas objeto do auto de infração lançado, não efetuou a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL e, constatando a existência de saldos acumulados, entendeu que deve ser refeito o cálculo do montante apurado, para a realização das compensações até o limite de 30% sobre o valor das glosas efetuadas, desde que não ultrapasse 30% da nova base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, que revoga, a Portaria MF nº 375, de 2001, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Conheço do recurso. As inconsistências foram cuidadosamente analisadas pelo Relator do voto condutor do Acórdão recorrido e, considerando, assim, que a redução da matéria tributável conforme demonstrado no Quadro Demonstrativo Sintético ao final do voto, está em consonância com a legislação aplicável e com a jurisprudência deste Conselho, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal a autuada após relatar sobre sua história e as circunstância que julga relevantes para o entendimento do caso, em especial, a história do Crédito Prêmio de IPI, repete as argumentações iniciais (da impugnação) aduzindo sobre os tópicos (I) Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários – ITEM 002 do AI, e (II) Custos ou Despesas Não Comprovadas – ITEM 001 do AI, os quais passo a analisar (na mesma ordem): 1) DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (ITEM 002) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Neste tópico a autoridade fiscal constatou redução (baixa) no Passivo Circulante (financiamento de curto prazo) no montante de R$ 100.000.000,00 (Termo Fiscal de fl.323 e TVF as fls. 334). A recorrente alega tratarse de operação realizada com o empresário/investidor Sr. Alejandro Young Sienra, o qual pagaria a quantia de R$ Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 16 7 20.000.000,00 pelo direito de receber 50% da venda do Crédito Prêmio de IPI efetuado pela empresa recorrente a terceiro, limitado ao montante de R$ 100.000.000,00. A fim de dar cumprimento ao contrato, a interessada subscreveu quotas de capital da empresa DACMO Holding Ltda, no montante de R$ 30.000.000,00, em 2001 (fls. 126/131), de R$ 25.000.000,00 e R$ 45.000.000,00, em 2002 (fls. 191/206), cedendoas imediatamente ao investidor. Esses valores foram apropriados ao resultado do exercício pelo interessado a título de "Prejuízo na Cessão de Créditos" (débito) e registrado no passivo (crédito). Informa a interessada, que recebeu do investidor R$ 20.000.000,00, mediante transferência de quotas do Fundo Itautrust Preference, as quais foram dadas em garantia de dívida pelo interessado a um credor estrangeiro. A autoridade autuante em seu Termo de Verificação Fiscal informa que intimado a comprovar o ingresso no Brasil dos R$ 20.000.000,00, a interessada não o fez. Desta forma, o autuante concluiu que os recursos não foram internados no Brasil, não houve o efetivo trânsito de numerário e que os recursos nunca foram utilizados pelo interessado (fls. 334/338). Alega a interessada que é irrelevante o ingresso dos recursos no Brasil e que tal fato não ocorreu, por exigência do credor estrangeiro, para quem a aplicação financeira foi dada em garantia. Afirma que a dívida está reconhecida e registrada junto ao Banco Central e na contabilidade e que aceitou as condições especiais de negociação com o investidor, realizada em 2001, haja vista a delicada situação financeira que atravessava desde 1999. Com relação a este item do auto de infração, extraio a seguinte conclusão do voto condutor: “Da análise dos argumentos e da documentação acostada aos autos pelo interessado, verificase que de fato a operação financeira inicial recebimento pelo interessado do montante de R$ 20.000.000,00 que serviu de suporte ao registro das despesas/perdas, não restou comprovada. Quanto às quotas do fundo de investimento, no valor de R$ 20.000.000,00, a interessada, apesar de alegar, não traz aos autos documentos que comprovem a transferência de titularidade: nem do investidor para o interessado, nem deste para o credor estrangeiro. No que tange ao registro da dívida no Banco Central e na contabilidade, há de se esclarecer que esse fato não permite concluir que as quotas do fundo de investimento foram dadas em garantia da dívida com credor estrangeiro, tampouco que os recursos financeiros tenham sido entregues ao interessado. Ressaltese ainda que a referida dívida não tem relação direta com a glosa efetuada pela autoridade autuante. Ademais, o valor a ser pago pelo investidor (R$ 20.000.000,00) está intimamente ligado ao resultado obtido com a venda de créditoprêmio de IPI. Se o interessado subscreveu capital da DACMO Holding Ltda e em seguida cedeu ao investidor, assumindo perdas nessa cessão, essas jamais poderiam ser dedutíveis, por caracterizarem mera liberalidade do interessado. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 17 8 Ainda que se admitisse a apropriação dessa perda, é importante ressaltar que não há nos autos comprovantes de que a negociação do créditoprêmio de IPI, que ensejou a subscrição de capital da empresa DACMO Holding Ltda (item 2.a, fl. 122), efetivamente tenha ocorrido, assim como falta comprovação de que a referida receita de venda de créditoprêmio de IPI foi escriturada e oferecida à tributação. Nesse momento, devese registrar que a receita referente ao créditoprêmio de IPI (Linha 06A/02 da DIPJ) que integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não se refere à venda para terceiros. Decorre do valor de créditosprêmio de IPI concedidos pela exportação de produtos, conforme se observa na orientação contida no manual de preenchimento do IRPJ, a seguir transcrita: [...] Quanto à alegação do interessado de que ofereceu à tributação os recursos recebidos do investidor/empresário (R$20.000.000,00), devese esclarecer que esse fato não autoriza a apropriação ao resultado de perdas/despesas em montante equivalente a cinco vezes a receita reconhecida (R$100.000.000,00), sem que haja a comprovação da ocorrência efetiva da operação. Ademais, nos autos, não há como concluir que a referida receita compôs a base de cálculo do IRPJ e CSLL. Observando a DIPJ do anocalendário 2001, verificase pela informação mensal de faturamento/receita bruta do mês de janeiro da COFINS/PIS (obs: a operação ocorreu em janeiro de 2001 fls. 122/123) que o montante declarado está abaixo dos R$ 20.000.001,00 (fls. 95 e 101).” Ressaltese, que neste ponto, os membros da Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, julgando exatamente os autos do presente processo, resolve, por unanimidade, converter o julgamento em diligência (Resolução 1070707 as fls. 1045), para se verificar junto à escrituração contábil e fiscal da recorrente se o valor de R$ 20.000.000,00, de fato, foi ou não oferecido à tributação (ano calendário de 2001). Consta do Termo de Intimação Fiscal de fl. 1057: “Apresentar escrituração contábil e fiscal, acompanhada de documentação de respaldo, referente ao reconhecimento de R$ 20.000.000,00 como receita tributável no anocalendário 2001, ou seja, o intimado deverá apresentar toda documentação que julgue necessária para comprovar a efetiva tributação do mencionado valor; Identificar, caso proceda, a correlação desse valor (R$ 20.000.000,00) com a rubrica CRÉDITO PRÊMIO DE IPI — conta 3207001.00896 e com o declarado na DIPJ 2002 — ficha A. linha 03”. Conclusão do Relatório Fiscal de diligência de fls.1105/1106: “da análise efetiva do caso, em 31/01/2001 (fls. 329) foi apresentada cópia do RAZÃO onde o valor de R$ 20.000.000,00 é lançado à DEBITO da conta 1103062/ITAUTRUST S/A e à CRÉDITO da conta 3207001/ CRÉDITO PRÊMIO DE IPI; o lançamento contábil comprovaria, segundo o impugnante, o oferecimento desse valor à tributação, conforme documento datado de 12/12/2008 (fls. 1070 e seguintes). Nessa mesma peça, é apresentado quadro demonstrativo da apuração da conta Receita de Crédito Prêmio de IPI na DIPJ (fls. 83), no total declarado de R$ 76.898.910,36, sendo que neste quadro demonstrativo temos a totalização de R$ Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 18 9 76.765.853,38, diferente do declarado na DIPJ 2002 (apontado no VOTO do Conselheiro JAYME JUAREZ GROTTO Relator fls. 1050, 5o. Parágrafo). da Intimação fiscal de fls.1057, datada de 14/11/2008, foi solicitada "... documentação que julgue necessária para comprovar a tributação do mencionado valor...)"; no atendimento ao referido termo, não foram apresentados dados que justificassem a falta de tributação do valor de R$ 20.000.000,00 quanto ao PIS (fls. 95), bem como da COFINS (fls. 101), solução que pode ser configurada quando da reabertura de prazo para manifestação do impugnante referente à presente peça, e que daria maior respaldo a suas pretensões. outrossim, é de forte constatação o intento do contribuinte em pleitear a redução dos R$ 20.000.000,00 dos valores glosados e que seriam oriundos dessas aplicações financeiras no exterior (recursos esses que NUNCA ingressaram no país, NUNCA foram aqui aplicados tendo, entretanto, gerado deduções equivalentes a CINCO VEZES seu valor e cuja contrapartida dessas "disponibilidades" — vultosas despesas deduzidas — eram aplicadas ao belprazer do impugnante – na capitalização da DACMO HOLDING LTDA. Entendo, s.m.j., que o intento do legislador (art. 299 do RIR/99) em autorizar a dedução de despesas e encargos na pessoa Jurídica, seja que o empreendedor reduza o valor empregado no empreendimento, ou seja, que estabeleça o lucro agregado quanto ao valor aplicado na geração da riqueza tributável. No caso em questão NÃO EXISTE DÚVIDA que tal preceito não foi verificado. O lançamento de Oficio teve origem nas glosas das despesas oriundas desse numerário nunca internado no Brasil e que nunca gerou receitas; ainda, se o valor originário de R$ 20.000.000,00 foi oferecido à tributação no Exercício 2002 , como pode o impugnante pleitear a redução desse montante do valor glosado como despesa a ele referente? Como, também, pode pleitear dedução de um valor que nunca transitou no país? É o que tenho a relatar.” Manifestação da recorrente com relação ao Relatório Fiscal da diligência, trecho do essencial (fls.110): “06. A diligência em questão tinha por objetivo único verificar se o valor de R$ 20 milhões haviam sido oferecidos à tributação, como de fato foram. 07. Ocorre que, ao invés de apresentar resposta concreta à questão formulada, o r. fiscal que levou a diligência a efeito restringiuse a afirmar que o auto de infração estaria correto porque os R$ 20 milhões recebidos inicialmente não ingressaram no Brasil e nem foram aqui aplicados. Vale registrar que a diligência foi conduzida pelo mesmo fiscal que lavrou o auto de infração, o que não é vedado, mas não se trata de uma boa política. 08. Como se percebe, a sustentação do d. fiscal não responde à concreta pergunta formulada na Resolução: os R$ 20 milhões foram tributados? A resposta é sim. Como se pode averiguar isso? Respondese: mediante análise da conta em que o valor foi registrado, a conta de resultado 32.07.001 Crédito Prêmio de IPI. Se o valor nela creditado não restou posteriormente debitado e se não houve exclusão via Lalur, o valor foi oferecido à tributação. Para tanto, apresentase outra vez cópias dos Livros Diário e Razão, bem como do Plano de Contas e do LALUR. 09. Vale notar que é irrelevante a entrada do capital no Brasil. A RECORRENTE é uma Trading Company cujas operações com o exterior sempre foram a regra. Ademais, como já esclarecido, o valor foi dado em garantia de Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 19 10 vultosas dívidas acumuladas com os parceiros comerciais da RECORRENTE, no exterior. 10 . E, por fim, para que não fique sem registro, a RECORRENTE não conseguiu identificar a razão da diferença entre o saldo de R$ 76.765.853,38 constante da Conta receita de CréditoPrêmio de IPI e os R$ 76.898.910,36 que ofereceu à tributação, conforme mencionado no voto do relator de fls. 1050. Com efeito, isso resultou em um oferecimento a maior à tributação de R$ 133.056,98, ou 0,1733% do resultado dessa operação.” Retorna os autos a julgamento. Em que pese considerar irrelevante ao deslinde do ponto crucial neste tópico – Glosa de Despesas Desnecessárias, tenho para mim que não restou comprovado, nos autos, o oferecimento à tributação da receita no valor de R$ 20.000.000,00 contabilizada no Razão apresentado conta 32.07.001Crédito Prêmio de IPI. Na DIPJ do ano calendário de 2001, Ficha 06A, (Receita Crédito Prêmio de IPI), registrase o valor de R$ 76.898.910,36 (fl. 83), e no Quadro Demonstrativo apresentado consta o valor de R$ 76.765.853,38, cuja diferença a recorrente não consegue aclarar, muito menos identificar se os R$ 20.000.000,00, de fato, compõe este saldo, mesmo porque conforme já registrado a receita referente ao créditoprêmio de IPI (Linha 06A/02 da DIPJ) que integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não se refere à venda para terceiros. Nesta linha da DIPJ são registrados os valores de créditosprêmio de IPI concedidos pela exportação de produtos, conforme se observa na orientação contida no manual de preenchimento do IRPJ. Convém lembrar que, caso se trate de venda a terceiros ocorre a incidência da tributação da Cofins e da contribuição ao Pis. De se ressaltar que, quando um gasto não corresponder a algo recebido, a hipótese tributária caracterizarseá como redução indevida do resultado do exercício. Ademais, como bem assentado no voto combatido, o valor a ser pago pelo investidor (R$ 20.000.000,00) está intimamente ligado ao resultado obtido com a venda de créditoprêmio de IPI. Se o interessado subscreveu capital da DACMO Holding Ltda e em seguida cedeu ao investidor, assumindo perdas nessa cessão, essas (perdas) jamais poderiam ser dedutíveis, por caracterizarem mera liberalidade do interessado. Quanto à alegação do interessado de que ofereceu à tributação os recursos recebidos do investidor/empresário (R$20.000.000,00), devese esclarecer que esse fato não autoriza a apropriação ao resultado de perdas/despesas em montante equivalente a cinco vezes a receita reconhecida (R$100.000.000,00), sem que haja a comprovação da ocorrência efetiva da operação. Por pertinente, transcrevo o art. 299, do RIR/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 4.506, de 1964, art. 47). O Código Nacional da Atividade Econômica (CNAE) da empresa autuada traz como sua atividade “Representação Comercial a Agente do Comércio de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo”. Com alteração do objeto social, em 30/04/2007, da Companhia passando o Art.3° a ter a seguinte redação: "A Companhia tem por objetivo a exportação e importação, por conta própria ou de terceiros, comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, o transporte, o armazenamento, a comercialização e distribuição de matériasprimas, de produtos Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 20 11 manufaturados, industrializados e agropecuários, a prestação de serviços e representações comerciais por conta de terceiros, podendo ainda Companhia participar de outras sociedades, como sócia ou acionista." Como se vê, houve toda uma estruturação de negócios no sentido de reduzir a carga tributária. Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. No presente caso, a essência da acusação é de que a fiscalizada assumiu os ônus de perdas ao ceder quotas que integralizou na DACMO Holding Ltda. Apenas considerou que os encargos dele decorrentes são indedutíveis por desnecessários. Por todo o até aqui exposto, reputo legítima a glosa pois os valores decorrentes da assunção contratual pela pessoa jurídica recorrente, por fugirem aos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos na legislação de regência, e violarem os pressupostos de estrita conexão com atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. 2) DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (ITEM 001) CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Os argumentos da recorrente são os mesmos já trazidos em sede de impugnação, e que foram devidamente afastados pela decisão recorrida. Peço vênia para transcrever, a seguir, argumentos do voto condutor do acórdão, com os quais concordo e, desde já, adoto como razões de decidir. “No curso do procedimento fiscal a autoridade administrativa glosou o montante de R$ 3.891.180,06, apropriados como "despesas de vendas 3202108/comissões", referente às notas fiscais emitidas pelas empresas Vertex Empreendimentos S/C Ltda e Fronteira Assessoria e Empreendimentos Ltda. 63 Intimado a prestar esclarecimentos sobre os valores registrados na referida conta (fls. 258), o interessado informou que as citadas empresas prestadoras de serviços assessoraram o interessado na transferência de créditoprêmio de IPI para algumas empresas, auferindo comissão conforme contratos juntados às fls. 262/269. 64 Em procedimento de diligência junto à empresa Fronteira Ltda, a autoridade autuante solicitou diversos documentos e esclarecimentos (fl. 277), relatando em seu Termo de Verificação Fiscal IRPJ (fls. 334/338) os fatos constatados, que entendeu relevantes para a glosa da despesa, dentre os quais se deve destacar: 65 — a empresa Fronteira Ltda, constituída em 06/02/1998, auferiu receita apenas no ano calendário de 2003, emitindo somente 4 (quatro) notas fiscais, dentre as quais 2 (duas) em nome do interessado; essas totalizaram R$ 3.441.180,06. Nos anos calendários 2000, 2001, 2002 e 2005 apresentou DIPJ como Inativa; em 2004, como lucro presumido, declarou receita bruta igual a zero; Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 21 12 66 — a referida empresa intimada a descrever sucintamente os serviços que prestou, esclareceu que se referia a "comissionamento pela venda de crédito tributário autorizada judicialmente"; 67 através do Livro Registro de Empregados, o autuante constatou a ausência de empregados, destacando o fato de a empresa apresentarse como Fronteira Distribuidora de Combustíveis Ltda (fls. 314/316); 68 — dentre os documentos apresentados pela Fronteira Ltda, o autuante junta à fl. 320, cópia de cheque datado de 07/11/2003, no valor de R$ 28.451,70, nominal a SIMAB S/A (interessado); recibo de depósito, com mesma data e valor; documento onde se verifica o seguinte histórico: "devolução de retenção de IR". Cabe observar que R$ 28.451,70 corresponde a 1,5% de R$ 1.896.780,06, valor constante na nota fiscal emitida por Fronteira Ltda em favor de SIMAB S/A (fl. 318). 69 Da análise dos autos, verificase que de fato as despesas apropriadas a título de comissão estão respaldadas em documentos que deixam dúvidas acerca da efetiva prestação de serviços. 70 Em sede de impugnação, o interessado alega que a experiência prévia no tipo de serviço prestado é irrelevante, que as sociedades prestadoras de serviço estavam aptas no CNPJ e que os pagamentos feitos não divergem do padrão de comissionamento e foram condicionados ao auferimento de recursos pelo interessado. 71 Tais argumentos não afastam inverossimilhança apontada pela autoridade autuante. 72 O fato de estar ativa não impede que empresas emitam notas fiscais sem que a prestação de serviços tenha se efetivado. 73 Em se tratando de operação cujo volume financeiro do negócio envolvido ultrapassa R$ 70.000.000,00, conforme documentos juntados pelo interessado (fls. 496/529), entendo que é indispensável a experiência prévia no tipo de serviço prestado, mesmo que condicionado ao auferimento de resultados. 74 Difícil crer que a empresa Fronteira Distribuidora de Combustível Automotivo Ltda, inativa, depois de alterar o nome empresarial, repentinamente fatura em 4 (quatro) operações R$ 4.357.701,54, prestando serviços de "comissionamento pela venda de crédito tributário autorizada judicialmente" e posteriormente volta à inatividade, abandonando negócio de vultoso faturamento, o qual dispensa inclusive contratação de empregados (fls. 313/319). 75 Outro fato não menos curioso, destacado pela autoridade autuante, é a devolução de Imposto de Renda efetuada pela Fronteira Ltda em favor de SIMAB S/A (fls. 320). 76 O interessado alega que a devolução ocorreu em virtude de o pagamento da prestação de serviço ter sido efetuado integralmente à Fronteira Ltda sem a devida retenção do IRRF. Informa que em seguida procedeu ao recolhimento e que a prestadora de serviço lhe restituiu o valor, pois representaria pagamento em duplicidade. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 18471.001026/200698 Acórdão n.º 1301001.213 S1C3T1 Fl. 22 13 77 Embora alegue, o interessado não comprova nem o pagamento efetuado de forma integral (incluindo o IRRF), isto é, no montante de R$ 1.896.780,06, tampouco o recolhimento do IRRF de R$ 28.451,70. 78 Cabe observar que o interessado junta aos autos solicitações de transferências bancárias às fls. 526 e 528, referentes às notas fiscais juntadas às fls. 525 e 527 respectivamente, mas não acosta aos autos sequer o referido documento relativo à nota fiscal de R$ 1.896.780,06 (fl. 529). 79 Sendo assim, ante as características apontadas assiste razão à fiscalização a considerar inverossímil a operação realizada entre as empresas Vertex Empreendimentos S/C Ltda (contratada cedente), Fronteira Assessoria e Empreendimentos Ltda (contratada cessionária) e SIMAB S/A (contratante), implicando a glosa de despesas no montante de R$ 3.891.180,06 (fls. 260/275).” Entendo, neste item, que a fiscalização reuniu provas ou mesmo indícios, de que os serviços não foram ou não poderiam ter sido prestados. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face a legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Pelos fatos discorridos mantenho a glosa. LANÇAMENTO DECORRENTE À exigência reflexa (CSLL), aplicase o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito entre ambos. Por tudo o quanto exposto,conduzo meu voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, devendo permanecer as exigências discriminadas no quadro IRPJ MANTIDO e CSLL MANTIDA do voto condutor. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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