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Numero do processo: 14041.000843/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat May 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2003 a 31/08/2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO.
Tratando-se de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de 05 (anos) contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, quando houver, ainda que parcial, antecipação de pagamento efetuado pelo sujeito passivo.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3401-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário face a desistência e negar-se provimento ao recurso de ofício.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2003 a 31/08/2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Tratando-se de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de 05 (anos) contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, quando houver, ainda que parcial, antecipação de pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000843/200808 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401002.284 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrentes FAZENDA NACIONAL BRASÍLIA SOLUÇÕES INTELIGENTES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2003 a 31/08/2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de 05 (anos) contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, quando houver, ainda que parcial, antecipação de pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário face a desistência e negarse provimento ao recurso de ofício. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 08 43 /2 00 8- 08 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Em 01/09/2008, foram lavrados Autos de Infração, os quais são tratados no processo em epígrafe, almejando o recolhimento de Contribuição para o PIS (Fls. 17/23) e de COFINS (Fls. 41/48), que, juntos, somam o montante de R$ 22.639.810,15 (vinte e dois milhões seiscentos e trinta e nove mil oitocentos e dez reais e quinze centavos). Os referidos lançamentos foram efetuados com base nas diferenças apuradas para o PIS e a COFINS já deduzidas dos valores mensais, contidos nas DIRF Beneficiária, nos DACON e nas DCTF, dos anoscalendários de 2003 a 2007. Devidamente notificada, o sujeito passivo apresentou Impugnação a qual veio ser parcialmente acatada, nos termos do Acórdão nº. 0327.738, prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BSA, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2007 DECADÊNCIA PARCIAL. Tendo o sujeito passivo tomado ciência do auto de infração em 04/09/2008, devem ser canceladas as exigências relativas aos períodos de apuração de 31/01/2003 a 31/08/2003, alcançados pelo prazo decadencial fixado pelo art. 150, § 4º, do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste preterição do direito de defesa quando constatado que os demonstrativos de cálculo que fundamentam o auto de infração foram encaminhados previamente ao sujeito passivo. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2007 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da Cofins aplicase ao decidido em relação ao auto de infração da contribuição para o PIS, formalizado a partir da mesma matéria fática. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14041.000843/200808 Acórdão n.º 3401002.284 S3C4T1 Fl. 6 3 Em face da decisão supra, irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, de fls. 570/583, na qual pretendia a reforma do julgado para anular, também, o crédito tributário remanescente. Contudo, conforme fl. 595, a então Recorrente realizou pedido administrativo na qual requereu a desistência do recurso interposto, em face da sua adesão ao parcelamento celebrado nos termos da Lei nº. 11.941, onde albergou todo o crédito tributário remanescente discutido no presente processo administrativo. Deste modo, coube a este Conselho julgar o Recurso de Ofício, de modo a apreciar exclusivamente a matéria concernente à decadência do crédito tributário exonerado em sede de decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora Analisando os valores dos créditos tributários exonerados, dispostos nas fls. 19/20 e 44, vêse que a sua soma, afora os acréscimos legais, ultrapassa o valor mínimo considerado para interposição de Recurso de Ofício, nos termos do art. 1º da Portaria MF nº. 03/2008. Portanto, superada a sua hipótese de cabimento, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Código Tributário Nacional disciplina a matéria pertinente à decadência e seus prazos nos artigos 150, § 4º, 173 e 174, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, temse que os créditos tributários presentemente discutidos, por se tratar de contribuições sujeitas ao lançamento por homologação, possui o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nessa esteira, compulsando os autos, verificase que o lançamento efetuado pretende o recolhimento de diferenças apuradas nas competências fiscalizadas (Fls. 18 e 43), evidenciando, portanto, a existência de antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, entremostrandose suficiente para a aplicação do prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. Essa foi a forma julgada pela DRJ, conforme se percebe de trecho do voto do acórdão: DA DECADÊNCIA PARCIAL A respeito do questionamento sobre a decadência, a matéria foi objeto do Parecer PGFN/CAT n. 1.617, de 2008, aprovado pelo Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14041.000843/200808 Acórdão n.º 3401002.284 S3C4T1 Fl. 7 5 Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária e coincide com a tese defendida pela impugnante, no sentido de que, tendo havido pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo à contribuição para o PIS e à Cofins é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, parágrafo 4º., do CTN. Assim, no caso concreto, em que houve pagamentos espontâneos, tendo sido o sujeito passivo cientificado dos autos de infração em 04/09/2008, e, considerando ainda que os fatos geradores das contribuições ocorrem aos final de cada mês, estão alcançadas pela decadência as exigências relativas aos períodos de apuração de 31/01/2003 a 31/08/2003, cujos valores devem ser cancelados. Não há que se falar em prescrição, haja vista que se está enfocando o prazo para constituir o crédito tributário mediante lançamento de ofício, e não o prazo para a ação de cobrança de que trata o art. 174 do CTN. Logo, temse que foi correta a posição da 2ª Turma da DRJ/BSA ao exonerar os créditos tributários relativos às competências 01/2003 a 08/2003, eis que, tendo a notificação ao sujeito passivo ocorrida apenas em 04/09/2008, as referidas exações já estavam fulminadas pelo decurso do lustro decadencial. CONCLUSÃO Do exposto, não conheço do recurso voluntário por desistência e nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exoneração dos créditos tributários discutidos, em razão de sua decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Ângela Sartori Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914476/2009-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 10/05/2007
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 10/05/2007 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 76 /2 00 9- 23 Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914476/200923 Acórdão n.º 3801001.811 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Direito Creditório. Prova. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914476/200923 Acórdão n.º 3801001.811 S3TE01 Fl. 12 3 Direito de Crédito. Regime de Retenção. Ônus Financeiro. Comprovação. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos. Menciona que o crédito em questão decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou a retenção da CPMF, por equívoco, sobre diversas operações. Esclarece que os extratos das contas correntes dos respectivos clientes evidenciam os valores indevidamente retidos a título de CPMF, bem como os estornos correspondentes. Destaca que procedeu aos estornos dos valores relativos à CPMF indevida, e assim passou a suportar o ônus tributário. Outrossim, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior, a assunção do encargo financeiro. Colaciona doutrina e jurisprudências administrativa e judicial. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 10/05/2007, inclusive verificasse se, de fato, o ônus financeiro recaiu sobre a instituição financeira. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e confirmou parcialmente a legitimidade do crédito, visto que a documentação apresentada em atendimento à intimação fiscal (em especial a de fls. 155 a 214, e fls. 216 a 226) comprova a cobrança indevida da CPMF dos clientes listados, bem como o estorno destes valores na conta dos clientes, no valor total de R$ 46.692,99. Esclareceu, ainda, que a interessada deixou de detalhar os valores relativos aos demais clientes em virtude do seu elevado número (3.210 conforme informado às fls. 156). A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado no prazo que lhe foi concedido. Discordando dos cálculos da autoridade fiscal, a recorrente sustenta que foram comprovados os valores dos maiores contribuintes que totalizaram R$ 75.112,91, conforme quadro apresentado. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914476/200923 Acórdão n.º 3801001.811 S3TE01 Fl. 13 4 Esclarece que a interessada, por equívoco, informou no PER/DCOMP 27214.61529.250507.1.3.040800 que 4 (quatro) valores no total de R$ 25.419,92 estavam vinculados ao DARF de R$ 158.440.858,01, quando o correto seria vincular estes pagamento a outros DARFs. Insiste na tese de que o DARF de que a glosa em questão não deve subsistir sendo necessária a correção de ofício do equívoco cometido na respectiva PER/DCOMP. Argumenta o mero equívoco de ordem puramente formal não importa na vedação ao direito patrimonial do contribuinte. Alega que no processo administrativo tributário prevalece o princípio da verdade material, em detrimento do princípio da verdade formal. Por último, requer que seja dado provimento ao recurso voluntário interposto, convalidandose a compensação realizada pelo requerente. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914476/200923 Acórdão n.º 3801001.811 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Assiste razão parcial à recorrente, conforme será demonstrado. Ao realizar a diligência e confirmar parcialmente a legitimidade do direito creditório a delegacia de origem reconheceu que é parcialmente legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 49.692,99, relativo ao recolhimento realizado em 17/05/2007, utilizado na PER/DCOMP nº 27214.61529.250507.1.3.040800. É importante frisar que o simples erro no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, como ocorreu nestes autos administrativos. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914476/200923 Acórdão n.º 3801001.811 S3TE01 Fl. 15 6 No caso em discussão, o direito creditório se apresentou parcialmente líquido e certo nos termos da diligência fiscal, pois restou comprovado que a interessada indevidamente, na qualidade de substituto tributário, efetuou retenção e o respectivo recolhimento da contribuição CPMF sobre diversas operações praticadas pelos seus clientes, tendo procedido os respectivos estornos dos valores e suportado o ônus tributário nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional. Não se pode perder de vista que não tem razão à interessada em relação ao valor total de R$ 25.419,92 porque, como admitido pela recorrente, eles referemse a pagamento indevido de outros períodos de apuração. enquanto este processo tem por objeto recolhimento a maior do período de apuração 10/05/2007, DARF no valor original de R$ 158.440.858,01. De sorte que eventual repetição de indébito relativo a pagamento indevido ou a maior de outros períodos de apuração tem que ser pleiteada em processo administrativo fiscal específico. Não se trata de mero erro formal como quer fazer crer a recorrente, mas de inobservância das normas legais que regem a restituição e compensação de tributos. O litígio restringese ao pagamento do período de apuração 10/05/2007 como amplamente demonstrado. A restituição de tributos está condicionada ao requerimento do sujeito passivo e mediante a utilização do Programa Pedido Eletrônico ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Destarte, não basta comprovar o pagamento indevido ou a maior, é necessário requerer a restituição, o que não ocorreu com os pagamentos dos outros períodos de apuração. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, a contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da CPMF no valor do crédito original utilizado na DCOMP, R$ 49.692,99. Em remate, ficou caracterizado o direito creditório parcial vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914476/200923 Acórdão n.º 3801001.811 S3TE01 Fl. 16 7 Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.913225/2008-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 32 25 /2 00 8- 12 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório SÁ CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA SA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 39359.33847.130804.1.3.043261, visando à extinção de débito(s) de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 9.917,19. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781156543 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado explicou que o indébito originouse da falta de creditamento dos custos dos apartamentos construídos para venda, autorizado pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, mas não computados na apuração do pagamento do PIS do PA 01/07/2003 a 31/07/2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF retificada. A 5ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13040.271, de 8 de março de 2012, fls. 44 a 47, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ2. O arrazoado de fls. 51 a 62, após protesto de tempestividade e resumo dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material. Discorre sobre o referido princípio, cita e transcreve ementas de julgados administrativos, tudo para amparar a juntada de novas provas na fase recursal do procedimento. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913225/200812 Acórdão n.º 3403002.289 S3C4T3 Fl. 594 3 Na continuação, repete a gênese do indébito, que diz ser referente aos custos vinculados à unidade imobiliária, construída ou em construção incorridos no período de apuração na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, àqueles decorrentes de energia elétrica e água consumida em seus estabelecimentos, bem como da mão de obra utilizada na confecção dos bens produzidos, consoante planilha de apuração proporcional de custos, elaborada a partir dos documentos que diz acostar à peça recursal: a) Cópia da nota fiscal da concessionária de energia elétrica; b) Cópia da nota fiscal da concessionária de fornecimento de água; c) Cópia Folha de pagamento do mês; d) Cópia de Notas Fiscais dos bens e serviços utilizados referentes à atividade da empresa, e; e) Cópia do Livro de Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros – REMAS, autenticado pela Secretaria Municipal da Fazenda Município do Rio de Janeiro. Discorre sobre a não cumulatividade da contribuição social. Oferece cálculos. Entendendo estar cabalmente comprovado o direito creditório, requer que se julgue improcedente o despacho decisório da DERAT/RIO, homologando a compensação declarada, em homenagem ao princípio da verdade material que deve informar a atuação do Fisco. Subsidiariamente ao pedido acima, que se baixe o feito em diligência, a fim de que AFRFB autuante, que indeferiu a homologação, proceda à análise dos documentos apresentados no recurso voluntário, assim como permita o oferecimento de esclarecimentos e/documentos, com abertura em contraditório. Pugna, ainda, pela ulterior juntada de documentos, mormente aqueles que constituem início de prova ora apresentados em atenção ao princípio da verdade material. Por fim, solicita que o resultado do julgamento dessa impugnação seja pessoalmente comunicado ao patrono da causa, no endereço que transcreve. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 51 a 62 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13040.271, de 8 de março de 2012. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Mérito Compulsando os autos, constatei que a DCTF retificadora foi transmitida em 29/09/2008 (cf. fl. 16), antes da ciência do DDE nº 781156543, em 26/02/2009 (ciência editalícia, fls. 32 a 38). Nada obstante, a decisão recorrida manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação por falta de prova do indébito. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913225/200812 Acórdão n.º 3403002.289 S3C4T3 Fl. 595 5 Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 597DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10983.912720/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 27 20 /2 00 9- 01 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ – codigo 2362 – para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO Processo nº 10983.912720/200901 Acórdão n.º 1102000.563 S1C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO Processo nº 10983.912720/200901 Acórdão n.º 1102000.563 S1C1T2 Fl. 4 5 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001304/2004-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO.
Constatada contradição entre a ementa e o voto do julgado, decorrente de erro na primeira, cabe retificação em sede de embargos de declaração.
Numero da decisão: 3401-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a contradição no Acórdão nº 3401-00.298.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a contradição no Acórdão nº 3401-00.298. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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Numero do processo: 13896.001443/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006
RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao
percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos
de serviços executados com cessão de mão-de-obra, sem a comprovação dos
correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de
prestação de serviços.
Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de
11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos
legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mão-de-obra.
A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem
a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as
circunstâncias determinantes da cessão de mão-de-obra, o que acarreta
cerceamento de defesa na esfera administrativa.
Numero da decisão: 2301-002.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral: Fábio H. Higuchi. OAB: 118.449/SP.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral: Fábio H. Higuchi. OAB: 118.449/SP. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso de ofício interposto pelo fisco, para apreciação de decisão da 7ª Turma da (DRJCPS), que julgou nulo o crédito tributário constituído em desfavor de TV ÔMEGA LTDA. 2. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) julgou o lançamento nulo (ff. 920/926), após recebimento da impugnação do contribuinte (ff. 536/564), entendendo que ocorreu cerceamento de defesa, determinando a nulidade do lançamento fiscal, em face das disposições constantes do inciso II do art. 27 da Portaria RFB 10.875, de 16/08/2007. 3. Consta do relatório fiscal, que o lançamento de crédito referese às retenções destacadas sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de prestação de serviços, apurados nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, (ff. 273/276). 4. A ementa da primeira decisão restou vazada nos termos que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃODE OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Nulidade. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Cerceamento de defesa. A Simples enunciação da legislação aplicável, sem apresentação de documentos e fatos que caracterizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de discutir, caso a caso, a efetiva ocorrência das circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 2301002.699 S2C3T1 Fl. 934 3 Lançamento Nulo” 5. A autoridade administrativa declarou nulo o crédito tributário por não identificar precisamente os serviços e tampouco detalhar as condições e circunstâncias em que foram prestados, o lançamento fiscal não permite que o contribuinte possa realmente impugná lo (quanto à natureza dos serviços prestados), na medida em que não são apontadas, em cada caso, como eventualmente se constatou a efetiva ocorrência dos requisitos legais caracterizadores da cessão de mãodeobra, segundo os critérios estabelecidos seja no § 3º do art. 31 da Lei 8.212/1991, seja no § 1° do art. 219 do Decreto 3.048/1999, seja nos §§ 1° a 3° do art. 143, art. 144 e art. 153 da IN SRP 3/2005. 6. Os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso de ofício, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO DO RECURSO DE OFÍCIO 2. Nos recursos de ofício, cumpre a este Conselho verificar o acerto e a legalidade das decisões recorridas. No caso, o posicionamento da DRJ não merece reparos. 3. O julgador de origem julgou nulo o lançamento fiscal ao argumento de que sem a comprovação dos requisitos legais caracterizadores dos serviços executados com cessão de mãodeobra não há como se atestar a validade da cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991). 4. A falta de apresentação de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa (ff. 920 a 926 v.). Nada mais acertado. 5. Assim, vale a transcrição de trecho do voto que conduziu o acórdão recorrido: “Concluindo: a realização do lançamento fiscal, com fundamento na retenção de que trata o art, 31 da Lei 8.212, pressupõe, necessariamente, uma das seguintes premissas: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 • A constatação, com fundamentado relato, baseado em documentos e fatos, que demonstrem a ocorrência de serviços, mediante cessão de mãode obra ou por empreitada. • Relato fundamentado, eventualmente acompanhado dos autos de infrações (quando cabíveis) discorrendo pormenorizadamente sobre as evidências e circunstâncias que autorizem a presunção da ocorrência de cessão de mãode obra, não obstante a falta de cumprimento, pelo contribuinte, das respectivas obrigações acessórias. Em face de tais premissas, passase à análise do caso concreto e é forçoso concluir que, efetivamente, o lançamento fiscal não reúne os elementos necessários à sua plena validade. [...] Por não identificar precisamente os serviços e tampouco detalhar as condições e circunstâncias em que foram prestados, o lançamento fiscal não permite que o contribuinte possa realmente impugnálo (quanto à natureza dos serviços prestados), na medida em que não são apontadas, em cada caso, como eventualmente se constatou a efetiva ocorrência dos requisitos legais caracterizadores da cessão de mãodeobra, segundo os critérios estabelecidos seja no § 30 do art. 31 da Lei 8.212/1991, seja no § 1° do art. 219 do Decreto 3.048/1999, seja nos §§ 1° a 3° do art. 143, art. 144 e art. 153 da IN SRP 3/2005. Tal circunstância caracteriza a ocorrência de cerceamento de defesa, que determina a nulidade do lançamento fiscal, em face das disposições constantes do inciso II do art. 27 da Portaria RFB 10.875, de 16/08/2007.” (ff. 925 v. e 926 v.). 6. Como é cediço, a prestação de serviços, com a cessão de mãodeobra, ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). 7. Do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 8. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço em si deve ser contínuo, independentemente da rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 9. E considerando que, no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 2301002.699 S2C3T1 Fl. 935 5 10. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” Art. 31 (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 11. É assente no Superior Tribunal de Justiça que para se ficar configurada a cessão de mãodeobra, deve haver a colocação de empregados à disposição do contratante, com a submissão ao poder de comando no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros, verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, dos dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros. 3. Não há, assim, cessão de mãodeobra ao Município na atividade de limpeza e coleta de lixo em via pública, realizada pela própria empresa contratada, que, inclusive, fornece os equipamentos para tanto necessários. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido”. (REsp 488027/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 14/06/2004, p. 163) 12. No bojo desse acórdão, o Ministro Relator, Teori Albino Zavascki, foi categórico ao atestar que: “São, portanto, requisitos caracterizadores da cessão de mão deobra a colocação de empregados ("segurados") à disposição do contratante. Nesse sentido, os empregados ficam submetidos ao poder de comando do próprio contratante, não do cedente. Ainda, a execução das atividades deve ocorrer no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiro, ficando descaracterizada a cessão de mãodeobra caso a execução do serviço se dê no estabelecimento do contratado (cedente)”. 13. Considerando que cumpre à administração tributária apontar todos os elementos necessários à configuração do fato gerador, não há como deixar de considerar o lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da contribuição. 14 Até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. A doutrina sustenta o seguinte: “O lançamento é ato singular que se faz proceder de procedimentos preparatórios e que se faz suceder de procedimentos revisionais, podendo ser declarado, ao cabo, subsistente ou insubsistente, no todo ou em parte, em decorrência do controle do ato administrativo pela própria administração” (Sacha Calmon Navarro Coelho. Liminares e Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68) 15. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 16. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 17. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 2301002.699 S2C3T1 Fl. 936 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 18. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 19. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 20. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 21. Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 22. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, conforme acima delineado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 16004.000523/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2006
SALÁRIO INDIRETO. INEXISTÊNCIA.
BOLSA DE ESTUDO. EMPREGADOS E DEPENDENTES. BENEFÍCIO
SOCIAL. PRESTIGIO À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
ERRADICAÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL. PROVIMENTO DO
BENEFÍCIO SOCIAL EDUCAÇÃO. EDUCAÇÃO E PROTEÇÃO À
FAMÍLIA DEVER DO ESTADO. AUSÊNCIA DE CARÁTER
REMUNERATÓRIO À RUBRICA BOLSA DE ESTUDO.
INOCORRÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CRÉDITO
IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-001.398
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que vota pela exclusão somente das parcelas referentes as bolsas oferecidas aos segurados empregados.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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INEXISTÊNCIA. BOLSA DE ESTUDO. EMPREGADOS E DEPENDENTES. BENEFÍCIO SOCIAL. PRESTIGIO À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. ERRADICAÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL. PROVIMENTO DO BENEFÍCIO SOCIAL EDUCAÇÃO. EDUCAÇÃO E PROTEÇÃO À FAMÍLIA DEVER DO ESTADO. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO À RUBRICA BOLSA DE ESTUDO. INOCORRÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que vota pela exclusão somente das parcelas referentes as bolsas oferecidas aos segurados empregados. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Redator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 281 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 282 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — DEBCAD n° 37.110.2294/2007, de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, relativas às competências 11/2004 a 12/2006, correspondentes à parte do segurado (não descontada), à parte da empresa, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a titulo de bolsas de ensino, conforme Relatório Fiscal e demais Anexos. O pagamento de bolsas de estudos a segurados empregados e seus dependentes constitui acréscimo indireto à remuneração, compondo base de cálculo da folha de salários para fins de incidência de contribuição previdenciária, já que não se enquadra nas hipóteses que não integram o salário de contribuição previsto no § 9o do art. 28 da Lei n°8. 212/91. A Empresa Sociedade Riopretense de Ensino Superior enquadrouse no código FPAS n° 639 (entidades filantrópicas isentas), sendo o correto o código FPAS n° 574 (estabelecimentos de ensino). Consta nos Autos o anexo "Grupo Econômico", parte integrante do processo, onde a Auditoria Fiscal expõe os motivos e provas que a levou a conclusão de que a Sociedade Riopretense de Ensino e Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda formam um grupo econômico. As Empresas integrantes do Grupo Econômico foram devidamente cientificadas sobre o processo em epígrafe. DA IMPUGNAÇÃO E DECISÃO A Sociedade Riopretense foi cientificada da notificação fiscal em 25/09/2007, fl. 96 dos autos físicos, inconformada a recorrente apresentou impugnação. A Faculdade Dom Pedro II foi cientificada em 25/09/2007, fl. 97. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 209 a 232. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A Sociedade Riopretense e a Faculdade Dom Pedro II foram cientificadas da decisão em 11/02/2009, fls. 235/236, inconformadas interpuseram recurso voluntário único em 12/03/2009, fls. 238 a 269, alegando em síntese: a Sociedade Riopretense menciona um breve histórico sobre suas atividades educacionais, menciona que é entidade beneficente de assistência social e que preenche os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, sendo isenta da exigência das contribuições sociais patronais, pois possui imunidade tributária nos termos do art. 195, § 7o, da Constituição Federal de 1988; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 283 4 que as bolsas de estudos concedidas a empregados e seus dependentes não têm natureza remuneratória, citando jurisprudências. Inexistem os fatores retributividade e habitualidade os quais caracterizam a espécie remuneração e o salário; não existe grupo econômico entre a Sociedade Riopretense e a Faculdade Dom Pedro II. Não há movimentações financeiras mantidas entre as mesmas e não há cunho econômico entre ambas; por fim, requer a anulação da decisão de primeira instância, que seja reconhecida a não incidência das contribuições sociais patronais sobre bolsas fornecidas a empregados e seus dependentes e, caso assim não seja, reconheça o direito à imunidade constitucional prevista no artigo 195, parágrafo 7o da Magna Carta, relativamente às contribuições sociais. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 284 5 Voto Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fls. 278, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Os argumentos apresentados pelos recorrentes já foram objeto de análise quando a decisão de primeira instância administrativa fiscal que julgou procedente o lançamento fiscal. Entidade Beneficente de Assistência Social Para ter reconhecido o direito a imunidade/isenção, a Entidade Beneficente de Assistência Social, obrigatoriamente, além de cumprir todos os requisitos contidos nos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/91, deve requerer junto à Seguridade Social o reconhecimento da isenção, como determinado na Legislação Previdenciária. É o que consta expressamente no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e art. 208 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A entidade deve requer ao INSS/SRP que terá o prazo de 30 (trinta) dias para decidir se a imunidade/isenção deve ou não ser concedida, com base na verificação do regular cumprimento das exigências legais. Ocorrendo o deferimento, os efeitos passarão a vigorar a partir da data do protocolo do seu requerimento, como estabelece o Decreto n° 3.048/99. Não se trata tão somente de requer o pedido junto ao INSS, mas sim, de uma análise criteriosa do cumprimento dos requisitos impostos pela Lei nº 8.212/91 pelo órgão competente, bem como, a fiscalização e o controle da manutenção destes requisitos, que em caso de descumprimento, será objeto de cancelamento da concessão do benefício da imunidade/isenção das contribuições sociais patronais. O que se constata das fl. 218 dos autos físicos é que a Sociedade Riopretense não possui o direito de usufruir os benefícios concedidos às entidades beneficentes de assistência social, tendo seu pleito indeferido em 18/07/2000, conforme tela juntada aos autos, fl. 206 dos autos físicos. No tocante a alegação a respeito do reconhecimento pelo poder judiciário da condição de imune da Sociedade Riopretense em face da ação anulatória de crédito tributário n° 2004.61.06.0091612, nenhum reflexo causa no presente processo, uma vez que a notificação fiscal em epígrafe não se encontra abrangida pela decisão judicial de primeira instância, tampouco, a lide transitou em julgado. Bolsa de estudo Quanto à bolsa de estudo, as hipóteses em que a verba salarial será excluída da base de cálculo está expressa no parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 285 6 dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9o. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (destaquei) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (redação da Lei n° 9.711/98) Em conformidade com o Relatório Fiscal e anexo "relatório referente as Bolsas de Estudo", fls. 37/43, as Bolsas de estudo consideradas pela auditoria como salário indireto referemse a curso superior e foram destinadas a empregados e a seus dependentes. O artigo 21 da Lei n° 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispõe que a educação escolar compõese de educação básica (infantil, fundamental e médio) e superior: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Os recorrentes não demonstraram atender todos os requisitos legais de exclusão do salário de contribuição estabelecidos no art. 28, § 9º, “t”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, ser curso de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa; não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. São requisitos legais que, quando não cumpridos, não podem ser usados com parcelas de exclusão, passando a integrar o salário de contribuição nos termos do art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91. Grupo Econômico A auditoria fiscal desenvolvida nas Empresas Sociedade Riopretense de Ensino Superior e Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda constatou a formação de Grupo Econômico entre elas, imputando à Faculdade Dom Pedro II responsabilidade solidária pelo crédito exigido na notificação fiscal em epígrafe, com fulcro no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/91, que estabelece que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelas obrigações. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 286 7 Dentre as informações trazidas pela fiscalização, cabe ressaltar as seguintes, em conformidade com os documentos anexos aos autos (fls. 37 a 85): a) Utilização do mesmo espaço físico: Embora os endereços da Sociedade Riopretense de Ensino Superior e Faculdade de Comercio D. Pedro II sejam respectivamente Rua Penita n° 2.577 e Av. Bady Bassit, n° 3.777, tratase da mesma edificação, com acesso único às empresas, inexistindo identificação ou sinal que delimite o espaço físico de cada uma; b) Sitio Eletrônico referente à Sociedade Riopretense de Ensino Superior: no seu sitio, oferece vários cursos, inclusive o de técnico de contabilidade, curso este mantido pela Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda; denominase no sitio Faculdades Integradas Dom Pedro II, o que reflete inequívoca vinculação entre as mesmas; c) pagamento de Plano de Saúde Unimed pela Sociedade Riopretense de Ensino Superior a empregados da Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda: foi verificado pela Auditoria Fiscal que a Sociedade Riopretense de Ensino efetuou pagamento para a UNIMED na competência 02/05, tendo incluído como beneficiários segurados empregados da Faculdade de Comércio D. Pedro II; a inclusão de beneficiários de outra empresa deixa visível a unicidade de comando e deliberações. Sem uma estreita relação, uma empresa, mesmo reembolsada, não arcaria com obrigações da outra; d) segurados empregados da Sociedade Riopretense de Ensino que, além de realizarem o trabalho na citada empresa, prestam serviços para a Faculdade de Comércio D. Pedro II Ltda: os empregados do departamento pessoal e contabilidade laboram para o funcionamento da estrutura e consecução dos objetivos de ambas as empresas, mesmo estando os seus registros de empregados na Sociedade. Configurado simultaneidade na prestação dos serviços; e) administração una: a administração das empresas está vinculada às mesmas pessoas físicas: Antônio Roberto Ismael e Achilles F. C. Abelaira; f) guarda e apresentação dos documentos: o departamento pessoal é comum às duas empresas, ou seja, os documentos estão sob a mesma guarda e controle; g) pagamento de contribuições previdenciárias da empresa Faculdade de Comércio Pedro II Ltda efetuadas pela empresa Sociedade Riopretense de Ensino Superior: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 287 8 na auditoria contábil nos livros da Sociedade Riopretense de Ensino Superior, foi detectado na conta n° 1.1.3.1.00001 01053 (ativo) valores lançados de obrigações (INSS) da Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda nas datas de 30/06/05 e 01/12/06. Visualizase, assim, a movimentação financeira entre as mesmas, tendo sido constatado que a Sociedade arca com obrigações da Faculdade e lança em seus registros contábeis de forma explicita; nos balanços patrimoniais da Sociedade Riopretense de Ensino Superior e da Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda, constam a expressão "créditos P. J. ligadas pessoas jurídicas ligadas" na conta ativo circulante e passivo circulante respectivamente referentes a 2005 e 2006, o que evidencia claramente a ligação entre as empresas; i) responsabilidade e execução da GFIP: foi verificado que consta no campo "informa cão do responsável" na GFIP referente à Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda o CNPJ da Empresa Sociedade Riopretense de Ensino Superior; embora não exerça atividade contábil, a Empresa Sociedade Riopretense de Ensino Superior é responsável pela emissão e entrega de documento da Faculdade. Comprova se a dependência, unicidade de procedimentos e administração. Quanto à legislação referente a Grupo Econômico, temse: Lei n° 6.404/1976 Art. 243... § 2° Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capitulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1°. A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. Lei n° 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem ás seguintes normas: IX — as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 288 9 Ainda, a Auditoria Fiscal consigna no Relatório Fiscal que foi verificado na conta contábil no 1.1.3.00001 01053 o pagamento de contribuições previdenciárias da Faculdade de Comércio Dom Pedro II Ltda pela Sociedade Riopretense de Ensino Superior em 30/06/05 e 01/12/06. No tocante à administração das empresas, a Sociedade Riopretense e Faculdade Dom Pedro II reconhecem que são os mesmos sócios que exercem o cargo de direção, conduzindo suas funções de forma completamente diferente, pois, na Faculdade, exercem suas funções visando o lucro, já na Sociedade, visam prestação da assistência social em complementação a atividade do Estado. Deste modo, em que pese os argumentos trazidos pelo recorrente, não sendo demonstrado que os argumentos e fundamentos da autoridade fiscal estão em desacordo com a legislação mencionada na notificação fiscal, está caracterizado o grupo econômico de fato e a responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 e art. 121 e 124, inciso II, do CTN. Este é o entendimento da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça – STJ que reconhece a possibilidade da extensão da cobrança de contribuições previdenciárias ao grupo econômico em decorrência da solidariedade. São os transcritos dos julgamentos: Processo RESP 201001144730RESP RECURSO ESPECIAL – 1199080 , Relator(a) HERMAN BENJAMIN , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:16/09/2010 RET VOL.:00076 PG:00121 Ementa: TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PENALIDADE PECUNIÁRIA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE EMPRESAS INTEGRANTES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 265 DO CC/2002, ART. 113, § 1°, E 124, II, DO CTN E ART. 30, IX, DA LEI 8.212/1991. 1. A Lei 8.212/1991 prevê, expressamente e de modo incontroverso, em seu art. 30, IX, a solidariedade das empresas integrantes do mesmo grupo econômico em relação às obrigações decorrentes de sua aplicação. 2. Apesar de serem reconhecidamente distintas, o legislador infraconstitucional decidiu dar o mesmo tratamento – no que se refere à exigibilidade e cobrança – à obrigação principal e à penalidade pecuniária, situação em que esta se transmuda em crédito tributário. 3. O tratamento diferenciado dado à penalidade pecuniária no CTN, por ocasião de sua exigência e cobrança, possibilita a extensão ao grupo econômico da solidariedade no caso de seu inadimplemento. 4. Recurso Especial provido. Data da Decisão 26/08/2010 , Data da Publicação 16/09/2010 ........ Processo RESP 200901142420RESP RECURSO ESPECIAL – 1144884 , Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:03/02/2011 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 289 10 Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ.GRUPO ECONÔMICO.COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. 1. ..... . 2. .... . 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sócio gerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. .... . 7. ..... . 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Data da Decisão 07/12/2010 , Data da Publicação 03/02/2011 Os recorrentes não comprovaram que a tese da autoridade fiscal utilizada no lançamento estava errada, quais sejam, a utilização do mesmo espaço físico e sitio eletrônico, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 290 11 prestação de serviço de um mesmo empregado às duas empresas, plano de saúde pago por uma empresa a empregados da outra, unicidade de comando e deliberação e administração, departamento pessoal comum às empresas, pagamento de contribuições sociais de uma pela outra, responsabilidade e execução da GFIP sendo uma responsável pela outra, dentre outros. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamentos – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91, bem como, os diversos documentos anexados a título de amostragem, que embasaram o lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 291 12 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira – Redator. O presente voto ficará adstrito a questão da natureza remuneratória ou não da rubrica bolsa de estudo, uma vez que excluído esta todas as demais questões são irrelevantes, pois não subsistirá crédito a ser discutido. Em outras ocasiões e em outros créditos tive a oportunidade de tratar do assunto, isto é, rubrica bolsa de estudos, situação que considero similar, senão idêntica ao caso em vergasta. Nas ocasiões suscitadas sustentei a não incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica bolsa de estudos, pois entendo que um benefício social que o empregador faz ao seu trabalhador ou dependente deste com o intuito de possibilitar a melhora nas condição social deste e de sua família, buscando atender aos artigos 226; 205; 6º, 1º, III; 3º, III e IV, todos, da CRFB/88 não pode ser entendida como fonte de receita primária do Estado, pois se estaria a sentenciar de morte o benefício instituído pela empresa. Trago a colação neste voto os votos que proferi em situações análogas e que passa a integrar este como suas razões de decidir. A bolsa de estudo para filhos e dependentes de professores e funcionários, não sofre melhor sorte, observe, o que segue. Tenho para mim que as bolsas de estudo concedidas aos filhos e dependentes legais do funcionários da recorrente sejam eles administrativos ou professores, não representam ganhos salariais aos trabalhadores, pois estes não recebem numerário a mais, bem como o fato de não despenderem este valor não implica em ganho salarial indireto, pois não oferecido pelo trabalho do funcionário, uma vez que o relatório fiscal não informa que algo mais é exigido do trabalhador por conta da bolsa. Poderseia, também, dizer que outro fator que demonstraria tal situação com clareza seria saber se o trabalhador sem filhos e que portanto não usufrui de tal bolsa, exercente da mesma função de um trabalhador com filho bolsista, se aquele primeiro recebe algum adicional, para não ficar defasado em relação ao segundo trabalhador, que estaria beneficiado com o suposto ganho indireto. Outrossim, não podemos perder de vista que a instituição pode fornecer ao público em geral “descontos” em suas mensalidades, descontos estes que podem ser parciais ou totais, o que corresponderiam a verdadeiras bolsas de estudos. Ora porque motivos ficariam os funcionários da instituição proibidos de usufruírem destes descontos/bolsas, o fato destes descontos estarem assegurados em convenções coletivas de trabalho não Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 292 13 tem o condão de transformar tal desconto em salário. Visão diferente seria inverter a equação da igualdade. A CRFB/88 em seu artigo 205, diz logo de início que “A educação, direito de todos e dever do Estado...” que se complementa com outros dispositivos deste diploma, artigo 6º “São direito sociais à educação...”. O governo federal vem buscando de algum tempo para cá políticas que permitam uma maior promoção da igualdade de oportunidades em especial aos jovens pelas chamadas políticas afirmativas, que em muito aumentaram o acesso ao ensino em especial ao terceiro grau, reformulação do FIES, criação do PROUNI, cotas raciais e sociais (egressos de escola pública) portadores de necessidades especiais, extinção ainda que parcial do vestibular e utilização do ENEM e outras para aumentar o número de alunos no nível superior. Veja o diz o ExMinistro Paulo Renato de Souza. As propostas para uma política de ação afirmativa que reduza a extrema desigualdade racial em nosso país vêm ao encontro de uma justa aspiração não só de afrodescendentes, mas de todo brasileiro com consciência social e moral. A maior mortalidade infantil e materna, as altas taxas de desemprego, as diferenças salariais injustas, a pobreza e a fome, o tratamento desigual frente a justiça e a polícia, a falta de acesso aos postos de maior responsabilidade no mercado de trabalho são cargas pesadas que os brasileiros descendentes de escravos carregam até hoje. [...] Oxalá nossa sociedade não precise, como outras, chegar à instituição de cotas raciais na universidade. Temos metas de inclusão e as estamos cumprindo rapidamente. Pelo que tenho acompanhado, acredito na capacidade de desempenho do estudante brasileiro de qualquer origem social ou racial, quando estimulado e apoiado. Se isso não for suficiente, serei o primeiro a defender as cotas. Entretanto, desde que tenham condições para isso, não há por que imaginar que os estudantes pobres, negros ou pardos não entrem na universidade por seus próprios méritos (Folha de S. Paulo, 30 de agosto de 2001). 1 (grifo meu). O próprio MEC também tratou de implementar alternativas. Em fevereiro de 2004, o Ministério da Educação sob orientação do ministro Tarso Genro, na perspectiva de estabelecer uma arquitetura institucional capaz de enfrentar as múltiplas dimensões da desigualdade educacional do país, instituiu uma nova secretaria: a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad). A Secad surge com o desafio de desenvolver e implementar políticas de inclusão educacional, considerando as especificidades das desigualdades 1 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. UNESCO. Brasília. 2007. pág. 22. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13529:colecaoeducacaopara todos&catid=194:secadeducacaocontinuada>. Acesso em 08 set 2011. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 293 14 brasileiras e assegurando o respeito e valorização dos múltiplos contornos de nossa diversidade étnicoracial, cultural,de gênero, social, ambiental e regional. 2 (grifo meu). Tudo isto na busca de diminuir as desigualdades sociais e promover a justiça social em nosso país. Aliás, objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, artigo 3º, II e III, da CRFB. Necessário, também, se faz lembrar que a cidadania e a dignidade da pessoa humana, fundamentos da República são muitos mais tangíveis e palpáveis com um povo instruído culturalmente, politicamente e educacionalmente, um país e um povo não progride sem educação. O fato da entidade conceder aos filhos e dependentes de seus funcionários acesso a educação é um benefício social, que milita a favor do país, que não deve ser ignorado, mas sim ampliado, pois o poder púbico, ainda, não é capaz de suprir todas as necessidades nesta área e o exercício de atividade foi autorizado pelo Estado aos particulares, acabando, assim, a instituição a exercer longa manus deste Estado. Ora se ao Estado confere a obrigação de fornecer educação gratuitamente em nada se mostra desarrazoado que a entidade que desempenha a atividade educacional por autorização deste, também, possa conceder tal gratuidade, especialmente em favor do desenvolvimento da pessoa humana. Não estando caracterizado que tais bolsas funcionem como salário indireto aos pais do alunos beneficiados, quer sejam professores ou servidores administrativos, muito pelo contrário, estando mais que evidente o benefício social desta medida, não a entendo como verba sujeita a aplicação da contribuição social previdenciária, pois estas a meu ver não constituem remuneração e nem ficou isto aqui provado. Desta forma, tal rubrica deve ser excluída do presente crédito.PROCESSO 15983.000953/200993. ACÓRDÃO 2803 001.020 – 3ª TURMA ESPECIAL – 2ª SEÇÃO DO CARF/MF, 30/09/2011. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No entanto, tenho para mim que as bolsas de estudo concedidas aos filhos e dependentes legais do funcionários da recorrente sejam eles administrativos ou professores, não representam ganhos salariais aos trabalhadores, pois este não recebem numerário a mais, bem como o fato de não despenderem este valor não implica em ganho salarial indireto, pois não oferecido pelo trabalho do funcionário, uma vez que o relatório fiscal não informa que algo mais é exigido do trabalhador por conta da bolsa. 2 Ibdem, pág 215. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 294 15 Poderseia, também, dizer que outro fator que demonstraria tal situação com clareza seria saber, se o trabalhador sem filhos e que portanto não usufrui de tal bolsa, exercente da mesma função de um trabalhador com filho bolsista, se aquele primeiro recebe algum adicional, para não ficar defasado em relação ao segundo trabalhador, que estaria beneficiado com o suposto ganho indireto. Outrossim, não podemos perder de vista que a instituição pode fornecer ao público em geral “descontos” em suas mensalidades, descontos estes que podem ser parciais ou totais, o que corresponderiam a verdadeiras bolsas de estudos. Ora porque motivos ficariam os funcionários das instituições proibidos de usufruírem destes descontos/bolsas, o fato destes descontos estarem assegurados em convenções coletivas de trabalho não tem o condão de transformar tal desconto em salário. Visão diferente seria inverter a equação da igualdade. A CRFB/88 em seu artigo 205, diz logo de início que “A educação, direito de todos e dever do Estado...” se complementa com outros dispositivos deste diploma, artigo 6º “São direito sociais à educação...”. O governo federal vem buscando de algum tempo para cá políticas que permitam uma maior promoção da igualdade de oportunidades em especial aos jovens pelas chamadas políticas afirmativas, que em muita aumentaram o acesso ao ensino em especial ao terceiro grau, reformulação do FIES, criação do PROUNI, cotas raciais e sociais (egressos de escola pública) portadores de necessidades especiais, extinção ainda que parcial do vestibular e utilização do ENEM e outras para aumentar o número de alunos no nível superior. Veja o diz o ExMinistro Paulo Renato de Souza. As propostas para uma política de ação afirmativa que reduza a extrema desigualdade racial em nosso país vêm ao encontro de uma justa aspiração não só de afrodescendentes, mas de todo brasileiro com consciência social e moral. A maior mortalidade infantil e materna, as altas taxas de desemprego, as diferenças salariais injustas, a pobreza e a fome, o tratamento desigual frente a justiça e a polícia, a falta de acesso aos postos de maior responsabilidade no mercado de trabalho são cargas pesadas que os brasileiros descendentes de escravos carregam até hoje. [...] Oxalá nossa sociedade não precise, como outras, chegar à instituição de cotas raciais na universidade. Temos metas de inclusão e as estamos cumprindo rapidamente. Pelo que tenho acompanhado, acredito na capacidade de desempenho do estudante brasileiro de qualquer origem social ou racial, quando estimulado e apoiado. Se isso não for suficiente, serei o primeiro a defender as cotas. Entretanto, desde que tenham condições para isso, não há por que imaginar que os estudantes pobres, negros ou pardos não entrem na universidade por seus Fl. 15DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 295 16 próprios méritos (Folha de S. Paulo, 30 de agosto de 2001). 3 (grifo meu). O próprio MEC também tratou de implementar alternativas. Em fevereiro de 2004, o Ministério da Educação sob orientação do ministro Tarso Genro, na perspectiva de estabelecer uma arquitetura institucional capaz de enfrentar as múltiplas dimensões da desigualdade educacional do país, instituiu uma nova secretaria: a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad). A Secad surge com o desafio de desenvolver e implementar políticas de inclusão educacional, considerando as especificidades das desigualdades brasileiras e assegurando o respeito e valorização dos múltiplos contornos de nossa diversidade étnicoracial, cultural,de gênero, social, ambiental e regional. 4 (grifo meu). Tudo isto na busca de diminuir as desigualdades sociais e promover a justiça social em nosso país. Aliás, objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, artigo 3º, II e III, da CRFB. Necessário, também, se faz lembrar que a cidadania e a dignidade da pessoa humana, fundamentos da República são muitos mais tangíveis e palpáveis com um povo instruído culturalmente, politicamente e educacionalmente, um país e um povo não progridem sem educação. O fato da entidade conceder aos filhos e dependentes de seus funcionários acesso a educação é um benefício social, que milita a favor do país, que não deve ser ignorado, mas sim ampliado, pois o poder púbico, ainda, não é capaz de suprir todas as necessidades nesta área e o exercício de atividade foi delegada pelo Estado, nos termos da decisão judicial exarada no processo MEDIDA CAUTELAR INOMINADA N° 2009.01.00.019732 6/DF ao dizer o que abaixo transcrevo, acabando, assim a instituição a exercer longa manus deste Estado. Não ignoro, ademais, as restrições que os créditos em referência, enquanto exigíveis, representam para o regular desempenho das atividades a cargo da requerente, já que é condição, não só para a realização do, seu objeto social, enquanto, atividade delegada, bem como para qualquer, outra relação jurídica em face da Administração, não possuir situação fiscal irregular. (grifo meu). Ora se ao Estado confere a obrigação de fornecer educação gratuitamente em nada se mostra desarrazoado que a entidade que desempenha a atividade educacional por delegação, 3 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. UNESCO. Brasília. 2007. pág. 22. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13529:colecaoeducacaopara todos&catid=194:secadeducacaocontinuada>. Acesso em 08 set 2011. 4 Ibdem, pág 215. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 296 17 também, possa conceder tal gratuidade, especialmente em favor do desenvolvimento da pessoa humana. Não estando caracterizado que tais bolsas funcionem como salário indireto aos país do alunos beneficiados, quer sejam professores ou servidores administrativos, muito pelo contrário, estando mais que evidente o benefício social desta medida, não a entendo como verba sujeita a aplicação da contribuição social previdenciária. Desta forma, tal rubrica deve ser excluída do presente crédito. Tendo em vista que este crédito era composto inicialmente pelos levantamentos AD – ADICIONAL TEMPO SERVIÇO e BO – BOLSA DE ESTUDO DEPENDENTES, tendo sido o primeiro excluído pela decisão de primeiro grau, fls. 193 a 213 e o sobejante BO – BOLSA DE ESTUDO DEPENDENTES excluído neste decisum, declaro o crédito improcedente.PROCESSO 15983.000416/201069. ACÓRDÃO 2803.0001043 3ª TURMA ESPECIAL – 2ª SEÇÃO DO CARF/MF. 30/11/2011. Desta forma, com supedâneo no que foi dito nos votos transcritos e que passam a integrar este decisum, bem como com fulcro no item 35 da Lista da Jurisprudência Reiterada e Pacífica, do STF e do STJ, Desfavorável à Fazenda Nacional que regulamenta a Portaria 294/2010 artigo 2º, inciso I, e, abaixo transcrito, entendo que tal rubrica não é base de cálculo da contribuição previdenciária. Contribuição Previdenciária. Valores despendidos a título de bolsa de estudo dos empregados. Não incidência. Os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. Assim, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: RESP 479056/SC, RESP 1079978/PR, RESP 916208/ES, RESP 729901/MG, RESP 784887/SC, RESP 1079978/PR, RESP 676627/PR. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16004.000523/200731 Acórdão n.º 2803001.398 S2TE03 Fl. 297 18 Assim sendo, afasto o caráter remuneratório da rubrica, excluindoa do crédito. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento, reconhecendo que a rubrica bolsa de estudo não tem caráter remuneratório, determinando sua exclusão do crédito e por conseguinte reconhecendo a improcedência deste. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Conselheiro. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11128.000817/2004-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
i
Data do fato gerador: 30/07/1998
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
O produto cujo nome comercial é VITACEL WF 600, descrito como pasta
mecânica de celulose, fibra dietética de grande pureza e de alta concentração
de celulose, apresentada em pó e deve ser classificado na posição NCM
4706.91.00.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-00243
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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I Recorrida DRJ/São Paulo 11/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS i Data do fato gerador: 30/07/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O produto cujo nome comercial é VITACEL WF 600, descrito como pasta mecânica de celulose, fibra dietética de grande pureza e de alta concentração de celulose, apresentada em pó e deve ser classificado na posição NCM 4706.91.00. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. i Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2" Câmara/r. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. a AIL JUDITH DO A ' MARCONDES ARMAAL MNDO - Preside! e4 e, I,. . -.-,..,..,•._ MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - t elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. i I Processo n° 11128.0008 I 7/2004-08 S3-C21'1 Acórdão n.° 3201-00.243 Fl. 287 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 18/02/2004, em face do contribuinte em epígrofe, • formalizando a exigência de imposto de importação, IPI vinculado, multas de oficio e multa do controle administrativo das importações, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio dos itens 01 e 02 da adição 001 da declaração de importação n" 00/0041075-0, registrada em 17/01/2000 (cópia de ,f1s, 23 a 25), mercadorias, que classificou no código NCM 4706.9L00, sujeitas à alíquota de imposto de importação de 7% e IPI de 0%. Tais mercadorias foram descritas da seguinte forma: item 01: "VITACEL WF 200 (FIBRA DE TRIGO)"; e item 02: "VITACEL WF 600/30 (FIBRA DE TRIGO,) Parametrizaria a DI para o canal vermelho, em ato de conferência , fisica, amostras das mercadorias foram retiradas para análise laboratorial. Em ato de revisão aduaneira, da análise do Laudo LABANA n" 1059.01/2000, àsfls, 28/29, Pedido de Exame LAB 154/SETCOF às .11s. 26, esclarecendo que a mercadoria Vitacel WF 600/30 tratava-se de "Fibras de Celulose, em pó", e que, de acordo com Literatura Técnica Específica (cópia às fls. 30/31), a denominação V1TACEL refere-se à mercadoria constituída de celulose na forma de pó, utilizada como fibra dietética, a autoridade .fiscal enquadrou a mercadoria no código NCM 3912.90.40, sujeita à alíquota de 17% de e 12% de IPI. Informa ainda o laudo técnico oficial que, segundo referências bibliográficas, as . fibras obtidas dos vegetais, após tratamento e purificação, onde são removidos os outros constituintes da planta, são constituídas de celulose. Diante do não pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar n" 499/03, cópia às fls. 33, foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento das diferenças de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados apuradas em razão da mudança de classificação fiscal, acrescidas das multas de oficio (de 75% sobre o H e IP/) e da multa do controle administrativo • das importações, capitulada no art. 169, inciso I, alínea "b'' do Decreto-Lei n" 37/66, alterado pelo art. 2" da Lei n" 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inciso 11 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n" 91.030/85, totalizando, 2 Processo n" II 128.000817/2004-08 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.243 Fl. 288 com juros de mora calculados até 30/01/2004, o valor de R$ 34.566,54. Cientificado dos autos de MJ -ração em 09/03/2004 (l7s. 35-verso), o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador (Instrumento de Mandato de ,fls. 65 a 67,), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 06/04/2004, de .fls. 42 a 64, alegando que: I) de acordo com literatura técnica anexa aos autos, as mercadorias Vitacel WF 200 e WF 600/30, consistem num concentrado de fibra dietética, em pó, branco, com sabor neutro e sem odor, essencialmente formadas por um concentrado de libras originárias da planta do trigo, cujo processo de obtenção, termofisico especial, permite que as mesmas mantenham suas características naturais; 2) Vitacel é uma mistura de dois tipos de celulose: a-celulose e hemicehdose, como consta dos boletins e catálogos técnicos de fis. 69a 101; 3) aplicando-se a Regra 3.a. das RGI-SH e sendo excludente a posição 3912, que compreende somente a celulose não especificada nem compreendida em outras posições, as mercadorias em questão enquadram-se como uma Pasta Mecânica na forma de pó, unia Pasta de Fibras obtidas de Outras Matérias Fibrosas Celulósicas, no código 4706.91.00; 4) a autoridade .fiscal classificou erroneamente as mercadorias no código 3912.90.40, que compreende as Outras Celulose em pó, de alcance mais geral e, portanto, não deve prevalecer sobre a posição 4706 que é mais específica; 5) para dirimir definitivamente eventuais dúvidas, o contribuinte anexa aos autos laudo técnico elaborado pelo Dr. José Maia Dantas (fls. 103 a 110), que define o correto enquadramento tarifário das mercadorias no código adotado pelo importador; 6) a Instrução Normativa n" 281/2003 corrobora e ratifica integralmente o entendimento sustentado pela impugnante, no sentido de que os produtos em tela classificam-se corretamente 170 código 4706.91.00; 7) incabíveis as multas de oficio sobre o fie 1P1, em face da não ocorrência de qualquer fato que possa ser tipificado como declaração inexata; que a questão encontra-se solucionada no âmbito da Receita Federal, conforme Parecer CST n" 477/88 (cópia de .fls.119 a 124); no mesmo sentido, o ADI SRP n" 13/2002 (113..125); 8) a exigência de penalidade de multa pela suposta importação de mercadorias do exterior ao desamparo de Licença de Importação afronta, ,flagrantemente, o princípio da legalidade, na medida em que inexiste em nosso ordenamento jurídico previsão legal para a aplicação da penalidade da multa em questão, ainda mais, levando em consideração que o 3 Processo n° I I I 28.0008 I 7/2004-08 53-C2T I Acórdão n.° 320f -00.243 Fl. 289 licenciamento de importação da-se de forma automática no SiSCOlneX, quando do registro da respectiva declaração de Importação, tanto o código tarifário adotado pelo contribuinte bem como aquele eleito pelo Fiscal; 9) protesta pela flagrante ilegalidade dos juros de mora, na medida em que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, além de que somente podem ser computados após decisão final administrativa; 10) requer a conversão do julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia-1NT/RJ, a fim de que sejam respondidos os quesitos que formulou às fls. 61/62. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/07/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Mercadorias identificadas como Fibras de Celulose, em pó, utilizada como fibra dietética, classifica-se no código NCM 3912.90.40 como entendeu a .fiscalização. Correta a aplicação da multa de oficio, por declaração inexata, prevista no art. 44, inciso Ida Lei n°9.430/96, e disposições do Ato Dedal-otário Normativo COS1T n" 10/97. Cabível a multa do controle administrativo das importações, prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n" 91.030/85, com fulcro na alínea "b" do inciso I do art. 169 do Decreto-Lei n" 37/66, com a redação dada pela Lei n" 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, confOrme Ato Declaratório Normativo COSI?' 12/97. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 4 Processo n" 11128.000817/2004-08 53-C2T1 Acercllio n.° 3201-00.243 Fl. 290 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Deixo de apreciar as preliminares argüidas neste momento, por entender ser possível a solução da demanda de forma favorável ao contribuinte, na forma do disposto no parágrafo terceiro do art. 59 do Decreto 70.235/72. Em Novembro de 2007, a antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes julgou processo praticamente idêntico ao presente, e, naquela oportunidade o ilustre Conselheiro João Luiz Fregonazzi, que serviu como relator do recurso 135.076, assim decidiu a matéria: No mérito, forçoso reconhecer que falece razão à autoridade autuante, bem assim ao juízo de primeira instância. • De inicio, convém identificar corretamente o produto. Nesse ponto, tanto o laudo de análise do LABANA, n." 0476.01/2003, delis. 26 a 31, bem COMO o laudo técnico de/is. 88 a 95, trazido aos autos pela impugnava, são convergentes e permitem identificar corretamente o produto. O laudo do LABANA, às fls. 31, esclarece que: "Vitacel ivf 200 trata-se de celulose em pó purificada, mecanicamente moída, preparada pelo processamento de alfa- celulose, obtida como uma polpa de material fibroso do trigo, com comprimento de .fibra de 250 micra, não contendo ácido finco e nem glúten, indicada para ser utilizada em produtos de panificação, condimentos, massas alimentícias, produtos de queijo, produtos extrudados e embutidos. Essa fibra dietética tem a seguinte composição: 74% de celulose, 25% de hemicalusose e menos que 0,5% de lignina, sendo portanto um material especial de uma pureza muito maior do que as milhões de toneladas de polpa de madeiras produzidas anualmente para finais menos nobres" Também às fls. 31: "entendemos que o tratamento para a preparação de .fibras dietéticas não é proveniente de um processamento químico e nem de um processamento mecânico do tipo utilizado na obtenção de .fibras de celulose para a fábrica de papel, por exemplo, pois o que se verifica é que são mantidos os constituintes da fibra natural, só sendo alterado o tamanho das fibras que devem sofrer UM processo de moagem e peneira ção, antes de ser embalada e comercializada." 5 Processo n° li 128.000817/2004-08 S3-C21'1 Acórdão n.° 3201-00.243 Fl. 291 Por fim, ressalte-se que o referido laudo conceitua o produto como pasta mecânica de celulose, isto é, não há processamento químico. É ui?i concentrado de fibra dietética obtida pelo processamento da alfacehdose, portanto um processo termomecânico, com sucessivas etapas de lavagem e filtragem, que permite uni alto teor de alfa-celulose, isenta de micro organismos para que possa ser considerada também dietética e destinada ao consumo humano: "(11.s. . 28) A pasta é purificada por branqueamento com cloro ou &óxido de cloro para dar uma celulose branca (alfa-celulose). Além dos processamentos químicos, existe o processo mecânico que não envolve a utilização de produtos químicos para a obtenção da celulose, sendo basicamente o mesmo desde 1867, onde a madeira é cozida ou não, e moída por meio de dois cilindros hidráulicos equipados com rebolos de diversos tipos de materiais, que determinam o grau de .fineza da celulose desejada." "(fls.30, parte final do segundo parágrafo) Uma outra objeção é que mesmo contendo um alto teor de alfa- celulose, o material pode conter contaminação microbiológica não aceitável, e portanto não ser uma .fibra dietética." Assentado que o produto é um pasta 112CCânial de celulose, fibra dietética de grande pureza e alta concentração de celulose, apresentada em pó, cujo processamento especial permitiu a preservação dos constituintes da fibra natural, mister identificar a destinação e utilidade do produto para a correta classificação na NCM. Assim, alcança-se o perfeito conhecimento do produto, essencial para se identificar o código NCM apropriado: "(fls.31) Dentre as suas aplicações, podemos destacar: produtos de carne processada; molhos; temperos; alimentos líquidos concentrados; batatas fritas; produtos à base de farinha; produtos assados tenros; como suporte para fragrâncias; vitaminas; materiais corantes e outros aditivos; como auxiliar de filtração de banha, gelatina, bebidas alcoólicas e produtos farmacêuticos; como carga em plástico, borracha e impressão têxtil. Para .finalidades outras que não sejam alimentícia ou farmacêutica, graus de menor pureza podem ser usados." Da análise do parágrafo acima, constata-se que o produto é destinado à indústria alimentícia, podendo ser utilizado ainda na indústria farmacêutica. Atividades menos nobres podem utilizar produtos inferiores ao importado pela recorrente e estão, por conseguinte, descartadas. Identificado o produto, verifica-se que o mesmo não pode ser classificado na posição, especificamente 3912.90.40: • 39.12 Celulose e seus derivados químicos, não especificados nem compreendidos em outras posições, em formas primárias. 6 Processo n° 11128.000817/2004-08 S3-C2T1 Acórdiio n.° 3201-00.243 Fl. 292 3912.1 -Acetatos de celulose: 3912.11 --Não plastificados 3912.11.10 Com carga 3912.11.20 Sem carga 3912.12.00 --Plastificados 3912.20 -Nitratos de celulose (incluídos os colódios) 3912.2(110 Com carga 3912.20.2 Sem carga 3912.20.21 Em álcool, com um teor de não voláteis superior ou igual a 65%, em peso 3912.20.29 Outros 3912.3 -Éteres de celulose: 3912.31 --Carboximetilcehdose e seus sais 3912.31.1 Carboximetileelulose 3912.31.11 Com um teor de carboximetilcehdose superior ou igual a 75%, em peso 3912.31.19 Outros 3912.31.2 Sais 3912.31.21 Com um teor de sais superior ou igual a 75%, em peso 3912.31.29 Outros 3912.39 --Outros 3912.39.10 Metil-, etil- e propikehdose, hidroxiladas 3912.39.20 Outras metilceluloses 3912.39.30 Outras etilceluloses 3912.39.90 Outros 3912.90 -Outros 3912.90.10 Propionato de celulose 3912.90.20 Acetofiumnoato de celulose 3912.90.3 Celulose microcristalina 3912.90.31 Em pó 3912.90.39 Outras 7 Processo n° 11128.000817/2004-08 83-C2T1 Acórdão n." 3201-00.243 Fl. 293 3912.90.40 Outras celuloses, em pó 3912.90.90 Outros O capítulo 39 é dedicado aos plásticos e suas obras. A nota 1 do capitulo exclui qualquer produto que não seja considerado plástico da posição 3912, verbis: I.- Na Nomenclatura, consideram-se plásticos as matérias das posições 39.01 039.14 que, submetidas a uma influência exterior (em geral o calor e a pressão com, eventualmente, a intervenção • de UM solvente ou de um plastificame), são suscetíveis ou foram suscetíveis, no momento da polimerização ou numa fase posterior, de adquirir por moldagem, vazamento, perfilagem, laminagem ou por qualquer outro processo, unia forma que conservam quando essa influência deixa de se exercer. Outrossim, a classificação proposta pela autoridade autuante, e aceita pelo juízo a quo, diz respeito a produtos em formas primárias. Mas o que são formas primárias da posição 3912? Na acepção do Sistema Harmonizado, a teor das informações constantes da NE81-1, tratam-se de formas primárias de produtos considerados plásticos.' Formas primárias As posições 39.01 a 39.14 abrangem unicamente os produtos em formas primárias. A expressão 'formas primárias" encontra-se definida na Nota 6 do presente capítulo e apenas se aplica às matérias apresentadas sob as seguintes formas: 1) Líquida ou pastosa. Trata-se, geralmente, quer de polímeros de base que devem ainda ser submetidos a um tratamento, térmico ou outro, para formar a matéria acabada, quer de dispersões (emulsões e suspensões) ou de soluções de matérias não tratadas ou parcialmente tratadas. Além das substâncias necessárias ao tratamento (tais como endurecedores (agentes de reticulação) ou outros correagentes e aceleradores), estes líquidos ou pastas podem conter outras matérias tais como plastificantes, estabilizantes, cargas e corantes que se destinam, principalmente, a conferir ao produto acabado propriedades fisicas especiais ou outras características desejáveis. Estes líquidos ou pastas devem ser trabalhados por vazamento, perfilagem (extrusão), etc., e são igualmente utilizados como produtos de impregnação, como indutores, bases de vernizes ou de tintas, como colas, como espessantes, como agentes de ,floculação, etc. Quando, por adição de certas substâncias, os produtos obtidos correspondam à descrição dada numa posição mais especifica da Nomenclatura, excluem-se do Capítulo 39. Tal é o caso de, por exemplo: a) das colas preparadas - ver exclusão b) no .lim destas Considerações Gerais; 8 Processo n° I 1 I 28.000817/2004-08 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.243 Fl. 294 b) dos aditivos preparados para óleos minerais da posição 38.11. Convém também sublinhar que as soluções (exceto as coloidais) de produtos das posições 39.01 a 39.13 em solventes orgánicos voláteis estão excluídos do presente Capítulo e classificam-se na posição 32.08 (ver a Nota 2 d) do presente Capítulo) quando a proporção desses solventes excede 50% do peso dessas soluções. Os polímeros líquidos sem solventes, claramente reconhecíveis como próprios a serem utilizados apenas como vernizes (nos quais a formação da película depende do calo;; da umidade atmosférica ou de oxigênio, e não da adição de um endurecedor), classificam-se na posição 32.10. Quando esta condição não for observada, classificam-se no presente Capítulo. 2) Grânulos, flocos, grumos ou pós. Sob estas formas, estes produtos podem ser utilizados para moldagem, para fabricação de vernizes, colas, etc., como espessantes, agentes de floculaçào, etc. Podem consistir quer em matérias desprovidas de plastificantes, mas que se tornarão plásticas durante a moldação e tratamento a quente, quer em matérias às quaá já tenham sido adicionados plastificantes. Estes produtos podem, além disso, conter cargas (farinha de madeira, celulose, matérias têxteis„ substâncias minerais, amidos, etc.), matérias corantes ou outras substâncias enumeradas no número 1) acima. Os pós podem ser utilizados, particularmente, no revestimento de objetos diversos sob a ação do calor C0171 ou sem a aplicação de eletricidade estática. Como o produto importado encontra-se na forma de pó, poderia ser enquadrado no item 2 do parágrafo acima. Não é o que • ocorre, pois as formas primárias da posição 3912 podem consistir quer em matérias desprovidas de plasuficante.s ., mas que se tornarão plásticos durante a moldação e tratamento a quente, quer em matérias às quais já tenham sido adicionados plasfilicantes. Portanto, fica excluída definitivamente a posição 3912, em razão da utilização da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n." 1, consistente em afirmar que: "os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo, Para os (feitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes." Portanto, a Nota 1 cio capítulo 39, mais as considerações da NESH do mesmo capítulo, combinadas com a RGI 11." 1, são suficientes para excluir da posição 3912 o produto denominado V1TACEL PVF 200. A classificação proposta pela recorrente é a mais coerente: 9 Processo n° I 1128.000817/2004-08 S3-C2T1 Acerar) n.° 3201-00.243 Fl. 295 A RGI n." 2 expressa que qualquer referência a uni produto ou matéria em determinada posição, diz respeito a esse produto ou matéria. Assim é possível afirmar, conhecendo a priori o produto denominado VITACEL WF 200, que a posição proposta pela recorrente, NCM 4706.91.00, é possível: 47.06 Pastas de fibras obtidas a partir de papel ou de cartão reciclados (desperdícios e aparas) ou de outras matérias fibrosas celulósicas. 4706.10.00 -Pastas de limares de algodão 4706.20.00 -Pastas de libras obtidas a parir de papel ou de cartão reciclados (desperdícios e aparas) 4706.30.00 -Outras, de bambu 4706.9 -Outras: 4706.91.00 --Mecânicas 4706.92.00 --Químicas 4706.93.00 --Sennquimicas O produto encontra-se em forma primária e é uma pasta mecânica de outras matérias fibrosas celulósicas, em pó, que é uma forma primária, destinada à indústria alimentícia e dietética. Na acepção da NESH, considerações gerais do capitulo, tem-se que: CONSIDERAÇÕES GERAIS As pastas compreendidas neste Capítulo são pastas .fibrosas celulósicas obtidas a partir de diversos produtos vegetais ricos em celulose ou de determinados desperdícios têxteis de origem vegetal. Do ponto de vista do comércio internacional, as pastas mais importantes são as pastas de madeira, denominadas "pastas mecânicas", 'pastas químicas'', "pastas semiquímicas ou quimicomectinicas", segundo o modo de preparação. As madeiras mais utilizadas são o pinheiro, o abeto, o pinheiro-da- • noruega, o choupo e o álamo, embora se utilizem também madeiras mais duras, tais como a faia, o castanheiro, o eucalipto e algumas madeiras tropicais. Dentre as matérias-primas utilizadas na fabricação das pastas, citam-se, além da madeira: I) Os Ibiteres de algodão. 2) Os papéis e cartões de reciclar (desperdícios e aparas). 3,) Os trapos (principalmente de algodão, linho ou cânhamo) e outros desperdícios têxteis, tais como cordas velhas. Processo n° 11128.00081 7/2004-08 S3-C2T1 Acórdão 6.° 3201-00.243 Fl. 296 4) A palha, alfa (esparto), linho, rami, juta, cânhamo, sisal, bagaço de cana-de-açúcar, bambu, cana e diversas outras matérias lenhosas ou herbáceas. A pasta de madeira pode ser castanha ou branca. Pode ser semibranqueada ou branqueada com produtos químicos ou ainda apresentar-se no estado natural. Uma pasta considera-se semibranqueada ou branqueada quando, depois da fabricação, sofre Uni tratamento destinado a aumentar-lhe a brancura (brilho). Para além do seu uso na indústria do papel, certos tipos de pastas, especialmente as pastas branqueadas, constituem a matéria-prima celulósica de diversos produtos muito importantes: têxteis artificiais, plásticos, vernizes, explosivos, rações para anbllalS, etc. As pastas apresentam-se, geralmente, em filhas, mesmo perfuradas (secas ou úmidas), OH fardos prensados, mas podem, por vezes, apresentar-se na forma de chapas, rolos, pós ou .flocos. Considerando o acima exposto, bem assim as RG1 1 e 2, a RGC 1, bem como as disposições das "considerações gerais" do capítulo 47, da NESH, coladas acima, o produto deve ser classificado na posição 4706.91.00 Trata-se de uma pasta mecânica de fibra de celulose, dietética, em pó, que é uma .forma primária, destinada a consumo humano. Ademais, a posição mais especifica deve prevalecer, e o produto é uma pasta mecânica. Por todo o exposto, voto por dar provimento, no mérito, ao recurso voluntário." Adoto as razões acima como minhas para decidir o presente feito, feitas as devidas adaptações quanto aos fatos, e VOTO por conhecer do recurso para dar-lhe integral provimento, prejudicados os demais argumentos recursais. Sala das Sessões, em 09 de julho de 2009. n rakek a) ' • '",("1,00, • MARCELO RIBEIRO NOGUEI A, Relator im» MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t¡tie CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 11128.000817/2004-08 Recurso n.°: 141.276 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.243. Brasília, 18 de agosto • .2009. 11 LUIZ HU • 4,15fir UZ ERNANDES Chefe da • ara da 'erceira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 23034.003860/99-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1998
PREVIDENCIÁRIO.CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.VÍCIO MATERIAL.
O ônus da prova, tais como folhas de pagamentos recibos e outros documentos, compete àquele que constituiu o crédito em razão de constatar ocorrida a infração. O fisco obriga-se também a proceder às formalidades do lançamento tais como apresentar relatório fundamentado da ocorrência dos fatos geradores, Mandado de Procedimento, Termos de Início e encerramento, Relatórios de Fundamentos Legais. Não produzir provas caracteriza cerceamento de defesa implicando nulidade material.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar a nulidade do lançamento em razão de estar maculado de vício material. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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NULIDADE.VÍCIO MATERIAL. O ônus da prova, tais como folhas de pagamentos recibos e outros documentos, compete àquele que constituiu o crédito em razão de constatar ocorrida a infração. O fisco obrigase também a proceder às formalidades do lançamento tais como apresentar relatório fundamentado da ocorrência dos fatos geradores, Mandado de Procedimento, Termos de Início e encerramento, Relatórios de Fundamentos Legais. Não produzir provas caracteriza cerceamento de defesa implicando nulidade material. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar a nulidade do lançamento em razão de estar maculado de vício material. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 38 60 /9 9- 26 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 23034.003860/9926 Acórdão n.º 2403001.626 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Seção de Apuração de Débito da Gerência de Arrecadação e Cobrança do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, do Ministério da Educação – MEC, primeira instância de julgamento do referido organismo, produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ 1. Trata o presente processo de cobrança de débito contra a Empresa acima, procedida por esta Autarquia, por meio da Notificação para Recolhimento de Débito n° 116/99, fls. 10, consoante irregularidades apontadas pela Fiscalização do INSS, no período 01 197 a 06/98, conforme IF, fls. 02 e 03. 2. A empresa enviou defesa, fls. 14 e seguintes, na qual não acrescentou qualquer fato novo quanto aos valores não recolhidos, alegando inconstitucionalidade e ilegalidade do SalárioEducação. 3. Reportamonos quanto á questão da legalidade de se exigir a contribuição para o SalárioEducação, suscitada na defesa apresentada, ao Acórdão prolatado pelo Sr. Presidente do Conselho deliberativo do FNDE no processo 23034.000385/95 94, na qual foi reafirmada a inteireza da Contribuição do SalárioEducação em face do seu ordenamento jurídico, infraconstitucional e constitucional. 4. Desta forma, sugerimos o indeferimento da defesa que apenas argüiu inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança do SalárioEducação, argumentação imprópria à esfera administrativa, informandose que o débito importa, nesta data, em R$ 18.441,83 (dezoito mil, quatrocentos e quarenta e um reais e oitenta e três centavos), conforme Quadro Demonstrativo, às fls. 36. À consideração superior ” Às fls. 113/115, se verificam o Parecer n° 122/2007 da Procuradora do FNDE com a à aquiescência da Procuradora Chefe do SEDAT, Dra. Marta da Silva, à fl. 116. Baseados no art. 4° da Lei 11.457/2007 tiveram entendimento de que o processo em comento deveria passar para a competência da Receita Federal do Brasil: “ Portanto, a arrecadação e os demais procedimento administrativos para o recolhimento da contribuição social do salário educação, por óbvio, a partir da edição da Lei no 11.457, de 2007 são da competência da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SRFB, implicando, inclusive, na transferência dos processos administrativos fiscais, até mesmo os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, conforme se extrai da ordem legal emanada do art. 4° da referida Lei.” Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 O mencionado art. 4° da Lei n° 11.457, de 2007, de fato, referese aos créditos já constituídos ou em fase de constituição: “ Art. 4o São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei.” Regulando a transferência dos créditos, também, se verificam os incisos I/IV do § 2º,o art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB/PGF/FNDE nº 9, de 11 de junho de 2010: “ § 2º No processo de migração serão priorizados os créditos na seguinte ordem: I créditos inscritos e nãoajuizados; II créditos nãoinscritos; III créditos com parcelamentos rescindidos; e IV créditos inscritos e ajuizados.” É cediço que em havendo convênios estabelecidos entre as partes – FNDE e contribuinte a Receita Federal do Brasil não efetua o lançamento. No primeiro parágrafo da Informação Fiscal às fls. 02, o Auditor destaca que a empresa mantinha na oportunidade convênio com o FNDE: “ 1. A empresa em epígrafe foi por mim fiscalizada, nesta data, tendo sido constatado que a mesma mantém convênio como Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, em conformidade com o decretolei n° 1.422/75 e Decretos n° 87.043/82 e 88.374/83, encontrandose em débito com a referida entidade no período de 01/97 a"06198, inclusive em relação ao décimo terceiro salário/97, conforme demonstrado a seguir ” Em razão da sobredita Informação Fiscal o FNDE notificou o contribuinte mediante a emissão da Notificação para Recolhimento de Débito N° : 0000116/1999. DO RECURSO A Recorrente interpôs Recurso Administrativo Voluntário de fls. 83, Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, em Brasília, DF, reiterando as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. A fusão das então denominadas Receita Previdenciária e Receita Federal ensejaram o fim dos respectivos Conselhos dando origem este agora denominado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que , por conseguinte herdou todo o contencioso daqueles extintos. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 23034.003860/9926 Acórdão n.º 2403001.626 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Analisando os autos concluise que o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Às fls. 02, no relatório da Informação Fiscal, consta que a empresa foi fiscalizada e verificouse débito com o FNDE no período de 01/97 a 06/98, inclusive em relação ao décimo terceiro salário/97 : “ 1. A empresa em epígrafe foi por mim fiscalizada, nesta data, tendo sido constatado que a mesma mantem convênio com .o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, em conformidade com o decretolei n° 1.422/75 e Decretos n° 87.043/82 e 88.374/83, ericontrandose em débito com a referida entidade no período de 01/97 a"06198, inclusive em relação ao décimo terceiro salário/97, conforme demonstrado a seguir:” O auditor autuante , sem colacionar cópias por amostragem, afirma que : “ 2. Os salários de contribuição que deram origem ao debito foram apurados combase nos seguintes documentos: a). Folhas e Recibos de Pagamentos de Salários, b). Recibos de Rescisões do Contrato de Trabalho, c). Recibos de Férias ” O FNDE , baseado na Informação Fiscal, de ofício, sem complementar a motivação , lavrou Notificação de Débito exigindo o adimplemento das obrigações. A notificação de débito foi constituída sem as formalidades de levar ao contribuinte e juntar no processo relatório fundamentado da ocorrência dos fatos geradores bem como os documentos que deram origem à ação fiscal tais como Mandado de Procedimento, Termos de Início e encerramento, Relatórios de Fundamentos Legais. Não consta dos autos amostragem de cópias de folhas de pagamentos, recibos e outros. É regra determinada no art. 293 do Decreto 3048 de, 06 de maio de 1.999, que na ocorrência de infração fiscal, se deva descrever os fatos e a circunstância mediante provas indiscutíveis , verbis: ‘” Decreto 3048 de 06 de maio de 1.999. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes.” Também em obediência aos comandos dos artigos 9o e 10° do Decreto 70.235/72 bem como o preceituado no artigo 142, caput, do Código Tributário Nacional – CTN , verbis, destaco que a autuação deva observar os ditames legais : “ Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula ” ( grifos de minha autoria) Artigo 142 do CTN : “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” ( grifos de minha autoria) Cumpre ressaltar que transcrito na íntegra o documento de fls.10, revela que na sua lavratura , tais sobreditas determinações não foram observadas na formalização da Notificação para Recolhimento Ng : 0000116/1999, realizada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE : “ Processo: 23034.003860/9926 Fica essa EMPRESA notificada a recolher, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do recebimento desta, a crédito do FNDE, o valor de R$ 16.573,87 (Dezesseis mil, quinhentos e Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 23034.003860/9926 Acórdão n.º 2403001.626 S2C4T3 Fl. 5 7 setenta e tres reais e oitenta .e sete centavos) consoante "Quadro de Atualização de Débito", anexo, sob pena de ser promovida a imediata cobrança judicial. Dentro do mesmo prazo, de acordo com a Resolução CD/FNDE 02 e Portaria SE/FNDE 36, datadas de 14/06/93, poderá ser apresentada defesa, por escrito, junto a Diretoria Financeira do FNDE, anexando Provas das alegações apresentadas. O débito em questão, apontado pelo INSS de acordo com Relatários e Demonstrativos apensados, decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação consoante disposto na legislação em vigor: DecretoLei n 2 1.422/75, Decreto n 2 87.043/82, Decreto n 2 88.374/83, Lei n 2 9.424/96, Lei n 2 9.766/98 e demais instruções aplicáveis. Procedida a quitação, mediante Guia de Recolhimento anexa, deverá ser enviada cópia do respectivo comprovante ao FNDE, para as providencias cabíveis.” Os demonstrativos a que se refere o texto são os colacionados às fls. 11 e 12 seguintes à notificação com demonstrações de atualizações de crédito. Isto ocorrido o lançamento restou maculado de vícios formais e materiais que imperiosamente determinam a nulidade do lançamento. Aduz que o art. 61 do Decreto 70.235/72 determina que : “A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade” CONCLUSÃO Conheço do Recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE DO LANÇAMENTO em razão de maculado por VÍCIO MATERIAL. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 15504.018491/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. IMPUGNAÇÃO
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
A empresa deverá recolher a contribuição do segurado bem como a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal.
DECADÊNCIA.
Se não ocorrer a extinção do direito potestativo do titular em, razão de tê-lo exercido dentro do prazo legal prefixado, não há que falar em decadência.
PÓLO PASSIVO. CO-OBRIGADOS.
A indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo.
JUROS. INCIDÊNCIA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Na forma da súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Também na forma da súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
EMPRESA ADQUIRENTE DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, sucede e responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
A efetiva comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito.
Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Leôncio Nobre de Medeiros . Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. IMPUGNAÇÃO Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deverá recolher a contribuição do segurado bem como a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal. DECADÊNCIA. Se não ocorrer a extinção do direito potestativo do titular em, razão de tê-lo exercido dentro do prazo legal prefixado, não há que falar em decadência. PÓLO PASSIVO. CO-OBRIGADOS. A indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo. JUROS. INCIDÊNCIA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Na forma da súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também na forma da súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. EMPRESA ADQUIRENTE DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, sucede e responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. A efetiva comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deverá recolher a contribuição do segurado bem como a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal. DECADÊNCIA. Se não ocorrer a extinção do direito potestativo do titular em, razão de têlo exercido dentro do prazo legal prefixado, não há que falar em decadência. PÓLO PASSIVO. COOBRIGADOS. A indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo. JUROS. INCIDÊNCIA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Na forma da súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Também na forma da súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, “ A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 91 /2 00 8- 15 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 EMPRESA ADQUIRENTE DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, sucede e responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. A efetiva comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Leôncio Nobre de Medeiros . Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância ad quod produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda e Outros que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 17 a 36, referese à contribuição destinada a Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, descontada dos mesmos e não repassada aos cofres públicos, no período de 13/2003 a 13/2006. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008.00902, do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, fls. 182/183, dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 184 a 190, 227 a 231 e 238 a 242, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 243/244, tendo sido encerrada em 29/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 245 a 248. (As folhas citadas são do processo 15504.018494/200841 AI 37.166.1625). Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$77.118,04 (setenta e sete mil, cento e dezoito reais e quatro centavos). Conforme item 18 do Relatório Fiscal, fls. 28/33, fazem parte de grupo econômico, conforme Medida Cautelar Fiscal 2005.38.00.0388915, as empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ. 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/0001 20; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda, CNPJ. 23.840.945/000117. Foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva, fls. 361 a 437, cuja cientifícação se deu, Fl. 627DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 conforme documentos de fls. 446, 448 a 459 (As folhas citadas são do processo 15504.018494/200841 AI 37.166.1625). A Associação Educativa do Brasil SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 438 a 444 (processo 15504.018494/200841), uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Os novos estabelecimentos da SOEBRAS mantiveram em suas folhas de pagamento empregados da autuada, como professores, orientadores e supervisores educacionais. Cita a fiscalização, como exemplo, que dos 194 empregados da cedente, lançados na folha de pagamento de 11/2006, 176 foram informados na GFIP da SOEBRAS em 12/2006. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Quanto ao Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, como informa a fiscalização, fls. 35, não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último ato constitutivo a 9a Alteração Contratual, de 20/04/2007, registrada na JUCEMG em 27/04/2007, sob o n° 3.716.489. Acrescenta a auditora fiscal que no termo de conciliação relativo ao processo de reclamatória trabalhista ajuizado por Júnia Aparecida Rios Barcelos, n° 01074 200713703006, ficou definida a responsabilidade subsidiária entre as empresas CEMES e SOEBRAS. Dessa forma, concluiu a fiscalização, que a SOEBRAS responde subsidiariamente com o alienante pelos tributos devidos até a data do ato, nos termos do artigo 133 doCTN. O autuado teve ciência do auto de infração, em 03/11/2008, e apresentou defesa juntamente com Pampulha Ensino Fundamental Ltda, Promove Serviços Educacionais Ltda, Promove Participações Ltda, João Bosco Fontoura, Milton Fl. 628DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 4 5 Cabral Moreira, Cláudio Walter das Dores Assunção, Sociedade Educacional Sistema Ltda, Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda, Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, Curso ABC Letras da Educação Infantil e Ensino Fundamental Ltda e Carlos Alberto Moreira, fls. 40 a 60, em 04/12/2008 (informação às fls. 423). Esclarecem, inicialmente, que o Curso Promove Ltda promoveu alteração de sua razão social para Curso ABC Letras da Educação Infantil e Ensino Fundamental Ltda. Posteriormente, a empresa Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda incorporou o Curso ABC, ficando este extinto em decorrência do efeito previsto no art. 1.118 do Código Civil. Em suas razões alegam, em síntese: ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato. O mais grave é que foram incluídos na relação de coobrigados pessoas e empresas que sequer participaram do período questionado, de forma temerária, arbitrária e ilegal. PRESCRIÇÃO. São indevidos os lançamentos, multas e juros relativos a supostas infrações apuradas no período de 02/2003 a 09/2003, por estarem prescritos, conforme entendimentos jurídicos que cita. DA CONFISSÃO DE DÍVIDA E DO PARCELAMENTO REQUERIDO, CUMPRIDO E EM CURSO PELO IMPUGNANTE. Ressalta que o impugnante requereu em 29/04/2008, parcelamento de seus débitos, em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB 06/2007, que dispõe sobre o parcelamento de débitos das pessoas jurídicas de direito privado mantenedoras de instituições de ensino superior, em complementação à Lei 11.555, de 19/12/07. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Assim, o presente auto de infração deve ser cancelado, bem como, qualquer outro que tenha como objeto o período confessado e parcelado pelo impugnante. NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração, além de não atender aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789, de 1999, padece de inconstitucionalidade, por violação ao inciso LV do art. 5o da Constituição da República, pois quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada, deixando claro o propósito de penalizála com a cobrança de multa. O lançamento poderá ser alterado em virtude do artigo 145 do CTN. O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. O artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento como são as LDCs e uma confissão de dívida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. O auto de infração é nulo por não permitir ao contribuinte contestar a exigência fiscal. MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150. A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória. Não houve por parte do contribuinte omissão de fatos, dados e documentos. Impõese o cancelamento das penalidades aplicadas e percentuais abusivos contra a impugnante. DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que quanto aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria apesar de guardar identidade com a presente, especialmente no que se refere à amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações. ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS. Face a impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria já foram objeto de outros Autos de Infração. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 5 7 Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIEDADE DA SOEBRAS. O parcelamento efetivado pela CEMES, alteração de valores e negociação entre as partes ensejaram distrato parcial do trespasse noticiado no auto de infração, não devendo, desse modo, subsistir a solidariedade da SOEBRAS atribuída pela fiscalização. REQUERIMENTOS FINAIS. Requer o recebimento da defesa, declarando a procedência das alegações apresentadas, anulando o auto de infração e desobrigando a defendente do pagamento das penalidades aplicadas, ao arrepio da Lei. Requer lhe seja conferido a possibilidade de juntada posterior de outros documentos, bem como, que todas as notificações sejam em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço à Av. Raja Gabaglia 1093, 9o andar, Cidade Jardim B.Hte. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIA. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/0001 27, na condição de subsidiária, também, impugnou o lançamento, fls. 331 a 339, arguindo: A defesa apresentada é tempestiva; A SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove". O Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, inclusive com outros parceiros. A SOEBRAS não era sócia nem sucessora do Promove, mas apenas explorava sua marca. A impugnante existia muito antes de propor o citado arrendamento. Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária até aquele momento. Posteriormente, firmou contrato de trespasse para assumir as empresas da marca "Promove", porém, por desavença comercial, foi firmado o distrato para exclusão da Empresa CEMES (ensino superior), não remanescendo nenhuma responsabilidade para a SOEBRAS relativamente aos débitos dessa empresa. Assim, não pode a SOEBRAS ser responsabilizada pela empresa CEMES , eis que o trespasse não foi concluído. Além da desistência do trespasse, a empresa CEMES inscreveuse no Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 parcelamento destinado às Instituições de Ensino Superior IES, em conformidade com a Lei 10260/2001, alterada pela Lei 11.552/2007 e Portaria Conjunta PGFN/RFB 06/2007. Ainda, quanto ao CEMES, informa que houve transferência de cotas para novos sócios, dessa forma, o controle e responsabilidade de acompanhamento não são de competência da SOEBRAS. Requer a exclusão dos valores relativos a empresa CEMES. Diz que goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social, como provam os documentos que anexa. Contesta e impugna as alegações constantes dos DEBCADs, eis que não praticadas pela SOEBRAS e já resolvidas a tempo e modo, seja pelo parcelamento dos débitos, seja pelos pedidos de parcelamento já sob análise. A impugnante, pelo simples fato de ter arrendado a marca Promove não pode ser responsabilizada por tais obrigações. Ademais, o período da alegada obrigação não atinge o período de arrendamento que se deu no final de 2007, considerando que a autuação abrange competências a partir de 2003. As diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito. A SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal do grupo Promove para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, à exceção daqueles referentes a CEMES. Requer a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não reconhecendo a sujeição passiva subsidiária atribuída a impugnante ou que seja determinada diligência para adequar o MPF, anulandoo e emitindo outro para reabrir os procedimentos de forma correta, bem como, pede o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS. Alternativamente, no que tange a empresa CEMES, requer sejam excluídos os débitos da responsabilidade subsidiária da SOEBRAS, devendo a mesma responder por si, em face do contrato de distrato do trespasse, além de ser a autuada instituição de ensino superior.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.423 a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRJ/BHE, em 06 de julho de 2010, exarou o Acórdão n° 0227.487, mantendo parcialmente procedente o lançamento por reconhecer tãosomente a decadência da competência 12/2002. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 6 9 DO RECURSO Não obstante o êxito parcial, irresignados, a Recorrente e demais componentes do Grupo Econômico, bem como – mediante substabelecimento do patrono original a empresa ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL SOEBRAS, CNPJ n° 22.669.915/000127, incluída nos autos por sujeição solidária, interpuseram Recurso Voluntário de fls. 487, onde combatendo o decisium reiteraram em parte as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”, e argüiram : A decadência da competência 10/2003 e anteriores; A nulidade do auto de infração em decorrência da ausência de fundamentação legal para a incidência da penalidade; A exclusão de representantes legais da relação de coobrigados; O efeito confiscatório de juros e multas; A imunidade tributária da empresa solidária. É o Relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 513, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DA NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A Recorrente argüi nulidade do auto de infração em alegando a ausência de fundamentação legal para a incidência da penalidade. O Relatório FLD Fundamentos Legais do Débito às fls. 11 que lhe foi entregue conforme registro de fls. 01, faz prova inequívoca de que a empresa conhece dos fundamentos que ora afirma desconhecer. Assim descabe provimento. DA DECADÊNCIA De acordo com o relatório fiscal de fls.17, tratase de crédito lançado pela fiscalização apurado “ com base nas diferenças entre as Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais da matriz e da filial.... no período de 13/2003, 09/2006 a 13/2006 ” A empresa foi notificada em 03/11/2008. Assim, ainda que se considere os pagamentos antecipados em face das diferenças recolhidas e se busque lastro na forma do artigo 150, § 4° do CTN , ressaltese, mais benéfico ao contribuinte, somente se verificariam decaídas competências anteriores a competência 10/2003 que não foram motivo do lançamento em comento. Logo não há que falar em decadência. Por este motivo, não dou provimento ao pleito DO MÉRITO DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS Conforme Relatório Fiscal de fls. 17, item 4.7, “ A referida empresa, na condição de responsável pelo recolhimento ao INSS da contribuição previdenciária a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, arrecadou destes, mediante desconto e, posteriormente, não recolheu ao Instituto, no prazo legal estabelecido, contribuição incidente sobre a remuneração paga/creditada, constante em Folhas de Pagamento, conforme Anexo I (referente à matriz) e Anexo II (referente à filial inscrita no CNPJ sob o n° 02.636.995/0002 98) ao presente Relatório Fiscal.” Desataquese que no rol das alegações em sede de recurso, os Recorrentes não discutem a efetiva ocorrência dos fatos geradores razão do lançamento em apreço. Desse modo, de plano, é lícito inferir que tal atitude encerra admissão da infração lavrada. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 7 11 Não apontados os pontos suprareferidos, o mérito neste sentido, não há que ser analisado conforme preceitua o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março dc 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, abaixo transcrito: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” DA EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS. A exclusão de representantes legais da relação de coobrigados é matéria já devidamente enfrentada em sede de impugnação cujos argumentos anuí sem ressalvas. Às fls. às fls.427 se expressa o resumo do arrazoado “ad quod” nos quatro pertinentes parágrafos daquele decisium : “ Assim, a indicação dos representantes legais da empresa, pessoas físicas, na autuação é para instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo.” Portanto, não dou provimento. DA SOLIDARIEDADE Ao refutar que à empresa se impute solidariedade, a Recorrente não nega o contrato realizado entre a autuada e a solidária e assim conforme registra o Recurso Voluntário às fls. 502 confessa que : “ Certo é que as dívidas contraídas pelo grupo "Promove" foram sucedidas à SOEBRAS por ocasião do contrato realizado, assim como por disposições legais: art. 121 e 133 do CTN e Código Civil art. 1.146, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.” É relevante trazer à lume o conteúdo de um dos contratos onde a responsabilidade do devedor solidário fica caracterizada às fls. 863 no processo principal n° 15504.018494/200841, nos termos do objeto do CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL – TRESPASSE NIRE 3120 6B36797 quando a TRESPASSANTE pactua com o TRESPASSÁRIO, ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL – SOEBRAS, ora recorrente que: “Cláusula Primeira Do Objeto Este contrato tem por objeto a alienação inter vivos, translativa, a título oneroso, na modalidade de compra e venda, por parte do TRESPASSÁRIO, do estabelecimento empresarial do TRESPASSANTE, ou seja, de todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade.” “ Considerando ainda que a Trespassante não tem mais interesse em prosseguir em sua atividade negocial; E, por fim; considerando que o Trespassário tem interesse na aquisição de todo o estabelecimento, empresarial, firmase a presente cessão onerosa.” Se dúvidas restassem, no parágrafo segundo do referido contrato se transfere inclusive o passivo na forma da previsão do art. 133 do Código Tributário Nacional : “PARÁGRAFO Segundo São transferidos a titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, de todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e art. 10° e 448 das Consolidações das."leis do Trabalho), bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins, conforme lista exemplificativa anexa a este instrumento.” Como se nota, recorrente tem consciência do comando dos artigos supra posto que ela mesma os colaciona. Entretanto, sem negar o débito, quer excepcionálo mediante o argumento de que a SOEBRAS, empresa solidária que adquiriu o titular do lançamento, supostamente goza de imunidade tributária e argumenta: “Contudo, lembrase que a SOEBRAS sendo entidade que cumpre os requisitos do art. 14 do CTN, goza de imunidade tributária, ....” Às fls. 834 a 837, também do processo principal de n° 15504.018494/2008 41, consta colacionada uma cópia, sem autenticação, de documento intitulado Instrumento Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 8 13 Particular de Distrato e Quitação Geral e Recíproca apresentada pela SOEBRAS. Por esse instrumento, datado de 05/08/2008, as partes ficam liberadas de todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato ou de qualquer outro documento relativo à alienação do estabelecimento empresarial, do pagamento, sem a incidência de quaisquer ônus ou penalidades de quaisquer natureza. É relevante destacar que na forma do Termo de Início de Ação Fiscal e do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF de fls. 182 e 245, respectivamente, o procedimento fiscal teve início em 03/04/2008 e restou concluso em 29/10/2008. Do acima se destaca que o sobredito instrumento particular foi providenciado no curso da ação fiscal, cinco meses depois de iniciada, e bem próximo da sua conclusão. Ressaltando que não constam nos autos providencias neste sentido, aduz que para se operem os efeitos legais, o citado Instrumento Particular teria que ter sido registrado nos órgãos competentes, como exigido nos artigos 221 e 1154, ambos do Código Civil, verbis: “ Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades.” Às fls. 381 registram o bem elaborado Termo de Sujeição Passiva Solidária onde a Auditora Fiscal, em irretocável trabalho, demonstra com clareza a responsabilidade que a Recorrente refuta assumir. Tudo isto exposto, não dou provimento. DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Relevante realçar que nos autos, o sujeito passivo titular da obrigação tributária é o Centro Mineiro de Ensino Superior/CEMES. A Recorrente solidária pretende ser excluída da responsabilidade exortando ter direito a isenção de contribuição por ser entidade de fins filantrópicos. Não restou provada a isenção e ainda que o fosse, não se vislumbra na legislação comando legal que nas circunstância, aquisição de empresa inadimplente, se proceda à isenção das incidências tributária. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 Em prosperando tal hipótese, estaria sendo inaugurado no país uma forma de se conceder perdão de dívidas tributárias pela venda das empresas inadimplentes às sociedades filantrópicas.É insustentável o argumento. Como foi visto a solidária SOEBRAS , ASSUMIU CONTRATUALMENTE, na modalidade de compra e venda que é responsável pelo passivo da adquirida na forma do abaixo expresso: “PARÁGRAFO Segundo São transferidos a titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, de todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e art. 10° e 448 das Consolidações das."leis do Trabalho), bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins, conforme lista exemplificativa anexa a este instrumento.” Não bastasse o acima, às fls.388/399, registramse pedidos de parcelamento onde a Recorrente assume dívidas tributárias da titular CENTRO MINEIRO DE ENSINO SUPERIOR CEMES LTDA e das demais empresas que compõe o grupo econômico em comento coautor do presente Recurso. Pelo exposto, não dou provimento às alagações. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DOS JUROS Sobre a imposição de juros as autuações sucumbem aos comandos das súmulas abaixo: “ Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Face ao sobredito, descabe provimento. DA MULTA DE MORA Relevante ressaltar que Recorrente foi notificada em 03/11/2008 em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 12/2002 a 12/2006 . Aduz que na forma do registro de fls. 11, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. O artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, que determina que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos Fl. 638DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 9 15 previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Não há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas. A planilha supra haveria que permitir confrontar os valores calculados na forma do revogado artigo e respectivos incisos, 35, I, II, II da Lei n°8.212/91 com o artigo 35 da Lei 8.212/91, no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 639DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulada pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” Fl. 640DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.018491/200815 Acórdão n.º 2403001.617 S2C4T3 Fl. 10 17 CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso NO MÉRITO CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora observando o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 641DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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