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Numero do processo: 13888.902811/2013-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.902811/201383 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.196 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Matéria Pedido de Restituição Recorrente GERALDO J. COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 28 11 /2 01 3- 83 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 13888.902811/201383 Acórdão n.º 3801005.196 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000026/2005-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO APLICAÇÃO.
O pedido de ressarcimento faz com que a Administração seja obrigada, ao analisá-lo, revisar toda a apuração da Contribuição realizada pela Recorrente, não havendo que se falar em decadência e muito menos na necessidade de lançamento de ofício, vez que a Administração apenas apurou que o valor levantado pela Recorrente encontrava-se incorreto.
EXPORTAÇÃO DE TERCEIROS. COMPRAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. RECEITA. SEGREGAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL.
As receitas de exportação consideradas na proporcionalidade com a receita bruta são aquelas decorrentes da produção própria do exportador, devendo ser segregadas daquele rol as receitas de exportação de terceiros, oriundas das compras com fim específico de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO DE PESSOAS FÍSICAS, DECORRENTES DE AQUISIÇÕES QUE TERIAM SIDO REALIZADAS ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI N10.833/2003, MAS O COMPLEMENTO FINAL DO PREÇO SE DEU POSTERIORMENTE.
O Contrato de Compra e Venda se verifica quando as partes se acerta quanto ao objeto e ao preço, de acordo com o artigo 482 do Código Civil, o que se verificou no presente caso, sendo, pois, a operação anterior à vigência do regime não-cumulativo.
CRÉDITO. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS.
De acordo com o artigo 9 da Lei n 9.718/1998 as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.
CRÉDITO. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALEGAÇÃO DE IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO.
As receitas de variações cambiais, de direitos e obrigações, de títulos diversos, inclusive de recebíveis de exportação, não são imunes por não configurarem receita de exportação, mas simplesmente receita de variação cambial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da proporcionalidade, incluindo-se tais valores no dividendo e no divisor (período posterior a 01/02/2004). Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que deu provimento quanto ao crédito presumido de pessoas físicas, decorrente de aquisições que teriam sido realizadas antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, cujo complemento final do preço se deu posteriormente. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569. Julgado no dia 26/02/215 a pedido da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO APLICAÇÃO. O pedido de ressarcimento faz com que a Administração seja obrigada, ao analisá-lo, revisar toda a apuração da Contribuição realizada pela Recorrente, não havendo que se falar em decadência e muito menos na necessidade de lançamento de ofício, vez que a Administração apenas apurou que o valor levantado pela Recorrente encontrava-se incorreto. EXPORTAÇÃO DE TERCEIROS. COMPRAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. RECEITA. SEGREGAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. As receitas de exportação consideradas na proporcionalidade com a receita bruta são aquelas decorrentes da produção própria do exportador, devendo ser segregadas daquele rol as receitas de exportação de terceiros, oriundas das compras com fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE PESSOAS FÍSICAS, DECORRENTES DE AQUISIÇÕES QUE TERIAM SIDO REALIZADAS ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI N10.833/2003, MAS O COMPLEMENTO FINAL DO PREÇO SE DEU POSTERIORMENTE. O Contrato de Compra e Venda se verifica quando as partes se acerta quanto ao objeto e ao preço, de acordo com o artigo 482 do Código Civil, o que se verificou no presente caso, sendo, pois, a operação anterior à vigência do regime não-cumulativo. CRÉDITO. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS. De acordo com o artigo 9 da Lei n 9.718/1998 as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. CRÉDITO. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALEGAÇÃO DE IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO. As receitas de variações cambiais, de direitos e obrigações, de títulos diversos, inclusive de recebíveis de exportação, não são imunes por não configurarem receita de exportação, mas simplesmente receita de variação cambial. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da proporcionalidade, incluindo-se tais valores no dividendo e no divisor (período posterior a 01/02/2004). Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que deu provimento quanto ao crédito presumido de pessoas físicas, decorrente de aquisições que teriam sido realizadas antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, cujo complemento final do preço se deu posteriormente. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569. Julgado no dia 26/02/215 a pedido da Recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO APLICAÇÃO. O pedido de ressarcimento faz com que a Administração seja obrigada, ao analisálo, revisar toda a apuração da Contribuição realizada pela Recorrente, não havendo que se falar em decadência e muito menos na necessidade de lançamento de ofício, vez que a Administração apenas apurou que o valor levantado pela Recorrente encontravase incorreto. EXPORTAÇÃO DE TERCEIROS. COMPRAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. RECEITA. SEGREGAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. As receitas de exportação consideradas na proporcionalidade com a receita bruta são aquelas decorrentes da produção própria do exportador, devendo ser segregadas daquele rol as receitas de exportação de terceiros, oriundas das compras com fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE PESSOAS FÍSICAS, DECORRENTES DE AQUISIÇÕES QUE TERIAM SIDO REALIZADAS ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI N10.833/2003, MAS O COMPLEMENTO FINAL DO PREÇO SE DEU POSTERIORMENTE. O Contrato de Compra e Venda se verifica quando as partes se acerta quanto ao objeto e ao preço, de acordo com o artigo 482 do Código Civil, o que se verificou no presente caso, sendo, pois, a operação anterior à vigência do regime nãocumulativo. CRÉDITO. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS. De acordo com o artigo 9 da Lei n 9.718/1998 as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 26 /2 00 5- 71 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 2 câmbio serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. CRÉDITO. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALEGAÇÃO DE IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO. As receitas de variações cambiais, de direitos e obrigações, de títulos diversos, inclusive de recebíveis de exportação, não são imunes por não configurarem receita de exportação, mas simplesmente receita de variação cambial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da proporcionalidade, incluindose tais valores no dividendo e no divisor (período posterior a 01/02/2004). Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que deu provimento quanto ao crédito presumido de pessoas físicas, decorrente de aquisições que teriam sido realizadas antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, cujo complemento final do preço se deu posteriormente. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569. Julgado no dia 26/02/215 a pedido da Recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 20 3 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins do 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 6.801.366,97, e Declarações de Compensação do processo nº 10840.003417/200428, que foi apensado ao presente. Conforme Informação Fiscal, a fiscalização da DRF em Ribeirão Preto apurou saldo de crédito no valor de R$ 1.709.230,16, divergindo da contribuinte nas seguintes questões: a) a aquisição de mercadorias com fim específico de exportação, na condição de comercial exportadora, não geram créditos (por não existir incidência da Cofins na operação), e a respectiva receita de exportação nessa condição não deve compor a base para rateio proporcional dos custos, insumos e despesas comuns vinculados às receitas sujeitas à incidência da Cofins não cumulativa; b) os valores das notas fiscais de “complemento cambial” não foram aceitos como receita de exportação direta, por se tratarem de receitas financeiras; c) houve inclusão indevida na determinação da base de cálculo de créditos de insumos adquiridos até 31/01/2004, antes portanto da vigência da Lei nº 10.833, de 2003. Nos termos do art. 93, I dessa lei, as aquisições anteriores à incidência não cumulativa da Cofins, correspondentes a “complemento de preços de frutas (laranjas) adquiridas” antes da referida data, não podem ser consideradas na apuração dos créditos; d) a contribuinte utilizouse incorretamente de crédito presumido da agroindústria em função do “indevido rateio deste crédito para o mercado interno e externo. Os créditos relativos à laranja adquirida de pessoa física não são passíveis de compensação a partir do período de apuração de agosto de 2004. O mesmo se aplica à laranja adquirida de pessoa jurídica, cujo crédito presumido é apurado da mesma forma que o da pessoa física, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8° da Lei 10.925/2004; e) a contribuinte deixou de considerar na apuração de suas receitas financeiras diversas contas com lançamentos de créditos. Com base nesse relatório, a autoridade a quo reconheceu parcialmente o direito creditório da interessada, homologando as declarações de compensação até o limite do crédito (fls. 302/303); Cientificada dessa decisão, conforme AR de fl. 312, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega em síntese o seguinte: i) O prazo que o Fisco dispõe para alterar a base de cálculo da Cofins fora ultrapassado, tendo ocorrido a decadência. Isso porque qualquer procedimento fiscal tendente a modificar um desses componentes da base de cálculo da contribuição em foco, seja para aumentar o valor das receitas, seja para reduzir o montante dos créditos, deve ser realizado no prazo de decadência do direito do fisco de efetuar o lançamento tributário, nos termos dos art. 149, parágrafo único, e 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional — CTN; ii) Acrescentou que, consoante jurisprudência do CARF, não é possível aumentar a base de cálculo da Cofins em pedidos de ressarcimento e/ou declarações de compensação, sendo necessário, para tanto, a formalização de lançamento de ofício; iii) Discordou da exclusão, para fins de rateio proporcional, das receitas auferidas na condição de comercial exportadora, por inexistência de previsão legal para tanto; iv) Apontou erro no demonstrativo de fl. 263, pois para o mês de julho, a quantia de R$1.215,00 (nota fiscal complementar n. 3707) foi considerada em duplicidade pela fiscalização – nos campos “() Var. Camb. Complementar como Trading a ser excluída da Receita de Exportação (*)” e () Var. Camb. Complementar das exportações diretas a ser Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 4 excluída da receita de exportação(*)”. Isso porque, no valor referente às exportações diretas daquele mês, R$5.016,52, ele estaria incluído, da seguinte forma: notas fiscais complementares “n. 3703 (R$ 246,56), 3707 (R$ 1.215,00), 3712 (R$ 187,60), 3713 (R$ 734,40), 3723 (R$ 1.262,14), 3724 (R$ 217,76), 3725 (R$ 295,66), 3726 (R$ 832,49) e 3727 (R$ 24,91), que estão relacionadas no anexo demonstrativo (doc. 2). O total da soma desses valores corresponde justamente aos R$ 5.016,52; v) Assim, o valor constante no campo "() Var. Camb. Complementar das exportações diretas a ser excluída da receita de exportação (*)” deve ser ajustado, excluindo se o montante equivalente a R$ 1.215,00; vi) Com relação à exclusão dos valores das notas de “complemento cambial” da apuração dos créditos, argumentou que tais valores representam meramente a diferença cambial entre a saída das mercadorias e o seu embarque para o exterior, momento em que se deve apurar a receita das exportações, consoante art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 23, de 2001. Sobre o momento de reconhecimento dessa receita, transcreveu ainda julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo o qual seria o embarque para o exterior; vii) Portanto, devendo ser reconhecida a receita de exportação na data de embarque da mercadoria, o complemento cambial a que se referem as mencionadas notas fiscais seriam nada mais do que receita de exportação. Citou ainda entendimento constante do Perguntas e Respostas – DIPJ 2009, disponível no sítio da Receita Federal; viii) Defendeu também que a variação cambial a ser considerada como receita ou despesa financeira é aquela ocorrida após o embarque da mercadoria ao exterior, até o fechamento do correspondente contrato de câmbio; ix) Discorreu sobre a imunidade constitucional das receitas decorrentes de exportação, prevista no art. 149, § 2º, I da CF, para concluir que as variações cambiais dos contratos de câmbio, por serem “receitas decorrentes” de uma exportação, também estão abarcadas por tal imunidade. Citou precedentes do STJ; x) No tocante ao crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas, ponderou que o preço de aquisição das laranjas só é conhecido quando da comercialização dessas frutas e/ou sua industrialização e posterior venda, conforme cláusula de contrato que apresenta com a manifestação, a título de exemplo; xi) Argumentou que, “no caso dos autos, o "preço final" das caixas de laranjas, correspondentes a safra 2003/2004, foi determinado em julho de 2004, razão pela qual foi nesse mês que a requerente, cumprindo as suas obrigações contratuais, procedeu ao pagamento do complemento de peço dessas matériasprimas, reconhecendo o correspondente valor em sua contabilidade.” E, se o complemento do preço compete ao mês de julho de 2004, devendo ser reconhecido nesse período, não há justificativa válida para a fiscalização indeferir o crédito presumido, apurado sobre os correspondentes valores; xii) Por fim, insurgiuse contra a inclusão de valores na base de cálculo da contribuição, a título de demais receitas financeiras, que não correspondem a receitas, definitivas e reais, da requerente, mas de meras contrapartidas contábeis de atualizações; xiii) Para exemplificar, apresentou quadro anexo, para demonstrar que diversos contratos, do mês de julho de 2004 correspondiam a supostas receitas financeiras, em função da “tendência” da moeda estrangeira acarretaram em perdas cambiais no momento de sua liquidação; xiv) Isso já seria suficiente para cancelar os ajustes realizados pela fiscalização, pois as normas que regem a incidência da contribuição, aliadas aos princípios que regem o Sistema Tributário Nacional, não autorizam a tributação de “receitas fictícias”; xv) Em síntese, defendeu que não se pode apurar a base de cálculo da COFINS levandose em conta todo e qualquer lançamento a crédito de resultado, realizado antes da liquidação dos contratos firmados em moeda estrangeira, que não representa receita efetiva da pessoa jurídica. Nesse sentido, da exigência da contribuição apenas quando da liquidação da operação cambial, transcreveu julgados do STJ. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 21 5 A Autoridade Fazendária em seu acórdão afirmou que, inicialmente, na análise da questão de “alteração” da base de cálculo pelo Fisco e o prazo para se fazer isso, não é o que a interessada quer fazer parecer; a autoridade administrativa tem o dever de examinar a liquidez e certeza do direito, o que significa calcular o valor devido a título de contribuição pra o período em exame, nesta portanto, é imprescindível a apuração da base de cálculo, não havendo o que se falar em prazo decadencial para este. A DRJ afirma que seria cabível a decadência se houvesse efetivo lançamento; no ressarcimento entretanto, não existe prazo para exame do direito creditório. O prazo que se aplicaria à espécie seria apenas no caso de declaração de compensação envolvendo tais créditos, prazo esse de homologação tácita, de cinco anos contados da data da transmissão da declaração. Aduz ainda que, portanto, não há que se falar em decadência do direito de “alterar” a base de cálculo; esclarece que não parece razoável para a Autoridade Fazendária que qualquer divergência apurada devesse ser objeto de lançamento de ofício; questiona a DRJ se deveria então a Fazenda Nacional não concordar com o ressarcimento e lavrar um auto de infração contra a mesma, e diz que, se tal acontecesse, não seria justificável, contrariando frontalmente a necessidade de liquidez e certeza do crédito para efeito de ressarcimento/compensação. Por tais razões discorda totalmente do entendimento esposado nos Acórdãos do CARF mencionados pela contribuinte. Por fim, afirma que é inaplicável o prazo descrito no art.º 150, §4º do CTN. No tocante à inclusão ou não das receitas na qualidade de trading (comercial exportadora), a Autoridade Fazendária decidiu com base no §4º, do artigo 6 da Lei n 10.833/2003, que veda a apuração de créditos vinculados ao fim especifico de exportação. Aduz que a razão de tal norma decorre do fato de não incidir a COFINS na operação de compra, motivo pelo não há o que ser desonerado na venda para o exterior. No tocante ao suposto erro no demonstrativo, a Autoridade Fazendária afirma que este não se confirma. A quantia de R$ 1.215,00 referente à nota fiscal complementar não se confunde com a quantia de R$ 1.215,00 referente à soma das notas ficais. No tocante ao montante das receitas de exportação para cálculo dos créditos para ressarcimento, transcreve a DRJ a portaria MF nº 356, de 1988, de acordo com o item I desta, a receita de exportação deve ser apurada na data de embarque dos produtos, e somente a diferença decorrente entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data de embarque, nos termos do item II, é que deve ser considerada variação monetária. Dessa forma, os valores correspondentes a “complemento variação cambial” devem compor as receitas de exportação do período em análise. Consequentemente, a proporção entre receitas do mercado interno e externo, da planilha 4 de fl. 273, deve ser refeita levandose em consideração tais valores. Também como corolário desse entendimento, diz a Autoridade Fazendária que a planilha 7 de fl. 275 deve ser ajustada, para excluir do total das receitas financeiras os valores de “Variação Cambial Ativacomplemento Excluída da Receita de Exportação Direta”. Realizados esses ajustes, os demais demonstrativos devem ser refeitos para apuração do novo direito creditório, passível de ressarcimento, a que faz jus a contribuinte. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 6 No tocante à imunidade constitucional das receitas decorrentes de exportação, esclarece a DRJ que tais receitas não se confundem com variações monetárias em função da taxa de câmbio. Como a própria contribuinte reconheceu em sua insurgência, a receita de exportação é aquela apurada na data de embarque da mercadoria para o exterior, “devendo ser, por conseguinte, considerada como receita ou despesa financeira, conforme o caso, a variação do preço de venda ocorrida após o embarque da mercadoria ao exterior”. Diz ainda que não há como reconhecer tal variação monetária como receita decorrente de uma exportação. Cita a Lei nº 9.718 de 1998, art. 9º, que reconhece expressamente a variação monetária em função da taxa de câmbio; diz por fim que a discordância quanto à exigência da contribuição, também não se sustenta. Além do mais, afirma a Autoridade Fazendária que a recorrente sequer apontou exemplos de lançamentos que poderiam se referir a “meras contrapartidas contábeis de atualizações”, devendo ser mantida a apuração efetuada pela fiscalização, com as exceções feitas neste voto. Relativamente às aquisições realizadas pela Recorrente, aduz a Autoridade Fazendária que somente aquelas efetuadas da data de 1º de fevereiro de 2004 em diante é que poderiam ser objeto de apuração de créditos para desconto. Se as referidas aquisições foram feitas antes do mês de fevereiro de 2004, não importa que tenha havido pagamento relativo a tais aquisições em períodos posteriores, mas sim que eles se refiram a períodos para os quais a sistemática da não cumulatividade sequer existia. No tocante à inclusão das receitas financeiras, a Autoridade Julgadora decidiu que o pleito da Recorrente não se sustenta, pois ela adota o regime de competência na determinação das variações monetárias ativas e passivas, sendo que o artigo 1 da Lei n 10.833/2003 determina que tais valores configuram receita, independente de sua denominação. Dessa forma, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente apenas para excluir o denominado "complemento de receita" da base de cálculo do PIS, que corresponde à variação monetária havida da data da saída da mercadoria do estabelecimento da Recorrente e a data do embarque. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reitera o conteúdo de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 22 7 O cerne da divergência nos presentes autos pode ser sumarizado nos seguintes pontos: i) preliminar de reunião deste processo ao processo 13854.000025/200527, que trata do PIS, pois ambos possuiriam o mesmo período e seriam idênticos; ii) suposta decadência incidente sobre os fatos geradores que se concretizaram antes de 20 de outubro de 2004 (a notificação do despacho decisório se deu em 20 de outubro de 2009), bem como a impossibilidade de majoração da base de cálculo senão por meio de lançamento de ofício, arguida em preliminar; iii) inclusão ou não nas receitas de exportação, no método proporcional de cálculo (rateio proporcional) de receitas decorrentes da exportação de mercadorias de terceiros, adquiridas com o fim específico de exportação; iv) crédito presumido de pessoas físicas, decorrentes de aquisições que teriam sido realizadas antes da entrada em vigor da Lei n 10.833/2003, mas o complemento final do preço se deu posteriormente; v) enquadramento ou não como receitas financeiras de títulos na base de cálculo do PIS, e a própria possibilidade de enquadramento, considerando ainda a aplicação da alíquota zero após 30 de julho de 2004, pelo Decreto n 5.164; vi) enquadramento ou não de valores relativos a adiantamento de contrato de câmbio e pré pagamento de exportação como imunes à contribuição ao PIS, em decorrência do inciso I, do parágrafo 2 , do artigo 149 da Constituição Federal. Decadência A Recorrente desenvolve tese no sentido de que tendo em vista que os fatos geradores do crédito se refere ao período compreendido entre 01 de julho de 2004 a 30 de setembro de 2004, e que a notificação do despacho decisório se deu apenas em 20 de outubro de 2009, teria havido a decadência em relação ao "crédito", sendo, pois, impossível a majoração "indireta" de base de cálculo pela Autoridade Fazendária, que, a seu turno, estaria obrigada a realizar novo lançamento de ofício. Tratase de um raciocínio interessante, que possui à primeira vista sustentação teórica e que inclusive foi reconhecido anteriormente pelo anterior Conselho de Contribuintes, nos termos dos julgados que foram trazidos à colação pela Recorrente. Contudo, em meu pensar, tal raciocínio não resiste a uma análise mais profunda da própria compensação. Apenas para que V. Sas. tenham a dimensão do quanto alegado pela Recorrente, basta analisar situação em que determinado contribuinte, fiandose na tese da decadência, dispondo de 5 (cinco) anos para exercitar o seu direito à recuperação do Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 8 crédito tributária a que faz jus, deixa para fazêlo apenas no último dia do quarto ano posterior ao fato gerador. Ora, admitido tal raciocínio, o crédito desse perspicaz contribuintes sequer poderia ser questionado, pois passado um dia da transmissão eletrônica de seu pedido o seu pedido de ressarcimento estaria tacitamente homologado. Não faz o menor sentido! No presente caso, o pedido de ressarcimento foi protocolado em 31 de janeiro de 2005, sendo que na análise do pedido de ressarcimento, ou melhor, no cálculo do valor do crédito a que o contribuinte faz jus, o Fisco tem o poderdever de rever todos os valores envolvidos na determinação do crédito da contribuição a ser repetida. Isso significa dizer que não se trata de majoração de base de cálculo, seja direta ou indireta, e muito menos de que há necessidade de lançamento de ofício para tanto, vez que o crédito da contribuição pleiteada passa justamente pela recomposição da base de cálculo do PIS. Ora, se o crédito surge da contraposição entre créditos e débitos da contribuição ao PIS e da consideração de valores sujeitos à contribuições e daqueles que se enquadram como receita de exportação e receita total, ao realizar pedido de ressarcimento a Recorrente tem a plena ciência que a homologação ou não de seu pedido constitui sinônimo de atividade fiscalizatória realizada acerca do crédito. E a fiscalização/análise do pedido formulado envolve a quantificação, a análise da legitimidade do crédito, que juntas configuram a liquidez do crédito, e a investigação da certeza do crédito em relação aos seus elementos formadores. Nesse sentido, não tenho como concordar com a alegação de decadência ventilada pela Recorrente, e sequer da necessidade de lançamento de ofício no presente caso, pois que a incorporação de valores na base de cálculo da COFINS se deu na tarefa de determinação do crédito objeto de ressarcimento, ao que a Recorrente se sujeita no momento em que formulada pedido de ressarcimento. Inclusão ou não de receitas de exportação de bens adquiridos de terceiros com fim específico de exportação A Autoridade Fazendária asseverou que a Recorrente não tem direito ao crédito das aquisições realizadas com fim específico de exportação, fundamentando o seu raciocínio no parágrafo 4 , do artigo 6 da Lei n 10.833/2003, in verbis: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 23 9 ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. De acordo com a Decisão, se é vedada a apuração de crédito do PIS e da COFINS, pela empresa comercial exportadora, de créditos vinculados à exportação, como consequência lógica ela não poderá incluir esta parcela de no cálculo da receita de exportação para fins de determinação do crédito a ser ressarcido. A esse respeito alega a Recorrente que não há disposição legal que, para fins do método do rateio proporcional, determine a exclusão do cálculo da receita de exportação, dos valores correspondentes ao resultado auferido em operações de comércio exterior, realizadas na condição de empresa comercial exportadora. E diante da ausência de norma legal, defende a Recorrente, outra não deve ser a conclusão a não ser que os respectivos valores compõem a determinação do percentual de rateio, para fins do disposto no parágrafo 3 , do artigo 6 da Lei n 10.833/2003. Compartilho do mesmo entendimento da Recorrente, vez que no cálculo da proporcionalidade do crédito presumido a medida mais adequada consistiria na adoção da receita de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor. Nessa forma de cálculo, as receitas decorrentes de aquisições com fim específico de exportação ingressam tanto no dividendo, integrantes da receita de exportação, como no próprio divisor, incluídas na receita bruta, evitandose, efetivamente, distorção pela exclusão desses valores do dividendo e manutenção no divisor. Nesse sentido, reconheço o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor, incluindo em ambos a receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros com fim específico de exportação. Crédito presumido de pessoas físicas, decorrentes de aquisições que teriam sido realizadas antes da entrada em vigor da Lei n 10.833/2003, mas o complemento final do preço se deu posteriormente Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 10 A Decisão da DRJ manteve o procedimento adotado pela Fiscalização, que excluiu do cálculo do crédito presumido os valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, inclusive produtores rurais, por terem sido realizadas anteriormente à vigência da Lei n 10.833/2003. Por entender que o complemento de preço pago pela Recorrente aos produtores rurais, no mês de julho de 2004, referiase às matériasprimas, laranjas, adquiridas antes de 31 de dezembro de 2004, o Fisco procedeu à exclusão do correspondente crédito presumido, previsto originalmente no parágrafo 5 , do artigo 3 da Lei n 10.833/2003. De acordo com a Recorrente, a Fiscalização não analisou os contratos relativos a tais aquisições, que contêm regras acerca da determinação do preço da laranja, ocorrida apenas em momento futuro, sujeitas ao momento da comercialização ou da industrialização da laranja. Segundo a Recorrente, seria apenas nesse momento que a compra e venda se completaria, pois o preço final do produto seria de conhecimento de comprador e vendedor e, por essa razão, como o preço final das caixas de laranja da safra 2003/2004 foi determinado em julho de 2004, momento em que a aquisição se torna efetiva, não haveria justificativa válida nem para a Fiscalização e sequer para a Decisão negarem o crédito presumido sobre os respectivos valores. O raciocínio da Recorrente não se sustenta. Inicialmente, há que se considerar que o crédito decorrente da aquisição de bens no regime da não cumulatividade se materializa no momento da aquisição, conforme determinam os incisos I e II, do artigo 3 da Lei n 10.833/2003, e o parágrafo 1 , do artigo mesmo dispositivo, abaixo reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 24 11 § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; Depreendese, pois, da redação acima transcrita, que o crédito não se dá quando da liquidação ou pagamento da operação, mas sim quando a operação de compra e venda, da qual decorre a aquisição, pelo titular do crédito, se concretiza. O artigo 481 do Código Civil trata da compra e venda, que se perfaz quando há um acorde de vontades, em que um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, por sua vez, se obriga a pagarlhe o preço certo em dinheiro. Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. A compra e venda, como toda a obrigação, para se realizar, não exige que o preço seja, desde já, certo, ou melhor, determinado, mas sim que seja determinável, bastando que as partes concordem com a condição de fixação do preço para se realizar, conforme dispõe o artigo 482 do Código Civil: Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Os artigos 485/487 do Código Civil apenas corroboram a afirmação de que o preço na compra e venda não precisa ser determinado, mas sim determinável, de modo que o raciocínio da Recorrente de que a compra e venda se completa no momento do pagamento do preço, em julho de 2004, não encontra fundamento nas regras de direito civil e no próprio contrato por ela citado: Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 12 Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Dessa maneira, a aquisição das caixas de laranja entregues anteriormente a 31 de janeiro de 2004, não se materializou em julho de 2004, que se refere apenas à determinação final do preço da laranja, mas sim anteriormente, quando as partes acordaram acerca das obrigações contrapostas de entregar a laranja antes mesmo da própria entrega da laranja e de pagar o preço avençado. Enquadramento ou não como receitas financeiras de títulos na base de cálculo do PIS, e a própria possibilidade de enquadramento, considerando ainda a aplicação da alíquota zero após 30 de julho de 2004, pelo Decreto n 5.164. A Recorrente insurgese contra o enquadramento realizado pela Autoridade Fazendária de valores correspondentes a variações monetárias ativas, que a Recorrente denomina como receitas financeiras relativas a adiantamentos de contratos de câmbio, pré pagamento de exportação e mútuos realizados com controlada no exterior. A Autoridade Fazendária julga esse tema em conjunto com a alegação de imunidade, observando que a Recorrente adota o regime de competência na contabilização das variações monetárias ativas e passivas em função da taxa de câmbio, e que por essa razão, diversamente do alegado pela Recorrente, o resultado não deve ser observado somente na liquidação da operação. Observa ainda que não há como reconhecerse tais variações monetárias como receita de exportação justamente porque, como constou na Decisão de primeira instância, as receitas de exportação são apurados até o momento do embarque e, por essa razão, que a Decisão considerou o complemento cambial havido entre a data da saída do estabelecimento e a data do embarque como receita de exportação, o que, inclusive contrariaria a própria tese defendida pela Recorrente, adverte. Pois bem. O Parágrafo1 , do artigo 30 da Medida Provisória n 1.85810/99 (atual art. 20 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) dispõe sobre a possibilidade do contribuinte adotar o regime de caixa ou de competência na apuração das receitas de variação cambial: "Art. 30. A partir de jq de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de cambio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 25 13 §1 À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2' A opção prevista no § aplicarseá a todo o anocalendário. § 3 No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal." Contudo, restou demonstrado nos autos, e a Recorrente seque discute tal ponto, que ela adota o regime de competência na apuração das variações monetárias ativas e passivas, sujeitandose, ao registro como receita das variações monetárias ativas, e despesa, das passivas. Por outro lado, a tese defendida pela Recorrente de que que a variação cambial positiva não importaria receita, não traduzindo riqueza nova, apenas espelhando a mutação de seu direito de crédito, não posso deixar de observar que o artigo 9 da Lei n 9.718/1998 a enquadra como receita ou despesa financeira, conforme o caso: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Por essa razão, qualquer reconhecimento, ainda que tangencial à tese da Recorrente, implicaria na negativa de vigência a dispositivo de Lei em vigor, o que é expressamente vedado ao CARF. Dessa forma, os valores relativos à variação monetária de direitos e obrigações detidos pela Recorrente constitui, por determinação legal, receita financeira para fins de cálculo das Contribuições ao PIS e COFINS. Enquadramento ou não de valores relativos a adiantamento de contrato de câmbio e pré pagamento de exportação como imunes à contribuição ao PIS, em decorrência do inciso I, do parágrafo 2 , do artigo 149 da Constituição Federal. Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente, nesse ponto, aduz que os valores decorreriam de variação monetária de receita de exportação e variação monetária de Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 14 valores relativos a adiantamento de contrato de câmbio e pré pagamento de exportação, portanto obrigações mantidas pela Recorrente junto a terceiro. Fazse importante tal esclarecimento, pois no Recurso Voluntário a Recorrente aduz que seriam valores de ACC e PPE, e não necessariamente a variação monetária decorrente desses mesmos valores, o que, em meu pensar, possui outra dimensão semântica e, por conseguinte, concreta nos autos. Em verdade, do conteúdo das alegações da Recorrente podese depreender que ela pleiteia a não inclusão desses valores específicos na base de cálculo do PIS porque, em sua óptica, seriam não apenas acessórios da receita de exportação, mas proveniente das próprias receitas de exportação. E nesse sentido gozariam da imunidade às receitas de exportação previstas no artigo 149 da Constituição Federal, não podendo, portanto, serem incluídos na base de cálculo do PIS. De fato, os valores estão relacionados, em sua maioria, às receitas de exportação, mas, como ressaltado logo acima, com ela não se confundem, pois constituem variações monetárias dessas receitas ou de obrigações vinculadas à exportação, e por esse motivo não se enquadram como receita de exportação propriamente dita, mas sim como receita financeira. Por essa razão não venho como cobrir como o manto da imunidade relativa às receitas de exportação, receitas financeiras, ainda que tais receitas estejam direta ou indiretamente vinculadas à exportação. Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da proporcionalidade, incluindose tais valores do dividendo e no divisor. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Minha divergência em relação ao voto do relator resumese ao cômputo, nas receitas de exportação da recorrente (utilizada para o rateio proporcional), das receitas de exportações de terceiros (mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, e remetidas ao exterior), em período posterior a 1o de fevereiro de 2004. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 26 15 Isso porque com o advento do § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003 (que insere vedação a tomada de crédito), passam, por decorrência, a serem excluídas das receitas de exportação, para cômputo do rateio, tais receitas. A discussão essencial nestes autos não é sobre o direito de crédito (que, no caso, é obviamente inexistente), mas sim sobre o que se deve computar como receita de exportação para efeito do rateio proporcional a que se referem os §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833/2003. “§ 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” (grifo nosso) E, para efetuar o rateio proporcional, é preciso discernir as operações de exportação efetivas daquelas que são mero cumprimento de exportação que já havia produzido efeitos quando da venda à recorrente na qualidade de empresa comercial exportadora. No mesmo sentido tem entendido reiteradamente este CARF: “RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação.” (Acórdãos no 3302002.654 e no 3302002.655, Rel. Cons. Walber José da Silva, maioria, sessão de 23.jul.2014)” “EXPORTAÇÃO DE TERCEIROS. COMPRAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. RECEITA. SEGREGAÇÃO. As receitas de exportação consideradas na proporcionalidade com a receita bruta são aquelas decorrentes da produção própria do exportador, devendo ser segregadas daquele rol as receitas de exportação de terceiros, oriundas das compras com fim específico de exportação.” (Acórdão no 3803006.524, Rel. Cons. Belchior Melo de Sousa, unânime em relação à matéria, sessão de 14.out.2014)” Assim, a vedação legal constante no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003 ocasiona a exclusão das receitas de exportação daquelas mercadorias nas quais a recorrente figura tão somente como empresa comercial exportadora, concretizando a operação que produz na verdade efeitos de “receita de exportação” para terceiro. Caso contrário teríamos mais de uma empresa computando as mesmas “receitas de exportação”. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 16 Pelo exposto, mantémse o critério de rateio adotado pelo fisco, que decorre de disposição legal expressa, o que nos leva a divergir do voto do relator, e, por consequência, a negar provimento ao recurso voluntário apresentado no que se refere ao tema. Rosaldo Trevisan Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti No que se refere aos direito de crédito pelo pagamento de complementos de preço, reitero o entendimento que manifestei no Acórdão nº 3403001.340, no seguitnes termos: Em maio de 2003 o contribuinte realizou pagamento aos seus fornecedores a título de diferença de preços (“REAJ. PREÇO Compl.ATR”) em relação a canadeaçúcar que foi adquirida no ano anterior. Explicou o contribuinte que “o valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ATR), que corresponde à quantidade de açúcar disponível na matériaprima subtraída das perdas no processo industrial, e nos preços do açúcar e etanol vendidos pelas usinas nos mercados interno e externo. A cada mês ao longo do ano é fixado um valor para o ATR, sendo certo que é somente ao final da safra que é fixado o índice que pode ser considerado como definitivo. Assim, temse que os pagamentos realizados ao longo do ano são considerados como adiantamentos (estimativas) do valor que será devido ao final da safra, após a fixação da ATR pelo Consecana, o que ocorre até o dia 15 de maio de cada ano” (fl. 147). A Fiscalização glosou os créditos referentes a este pagamento, por entender que se refere a insumos adquiridos em período anterior à vigência da Lei nº 10.637/2002, momento em que ainda não existia o regime não cumulativo e, portanto, quando as aquisições ainda não geravam direito de crédito. A Fiscalização explicou que, “de acordo com o art. 68, inciso II da Lei n 10.637 de 2002, o cálculo de créditos do PIS não cumulativo tem vigência a partir de DEZEMBRO DE 2002, portanto, só teria direito a crédito as aquisições de insumos a partir deste período” (fl. 166). Inferese, pois, que a Fiscalização considera que a “aquisição” a que se refere a Lei deve ser entendida como o momento em que foi fechado o negócio, ou ainda, o momento em que houve o ingresso da mercadoria no estabelecimento. O contribuinte, por seu lado, sustenta que seu direito de crédito decorre de um dispêndio incorrido em maio de 2003, cuja natureza é a de aquisição de insumos, argumentando que “O regramento contábil é claro ao determinar o confronto das receitas no período que foram verificadas (por exemplo, venda de mercadoria, aplicações financeiras) independentemente do respectivo Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13854.000026/200571 Acórdão n.º 3403003.592 S3C4T3 Fl. 27 17 recebimento de valor em caixa, como também, os referidos custos e despesas, quando incorridas” (fl. 149). O art. 3º da Lei nº 10.637/2002 dispõe sobre o direito de crédito nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; …………………. § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Nada obstante o legislador faça clara distinção entre em bens e serviços “adquiridos” e custos e despesas “incorridos”, parece claro que estes termos apenas procuram se adequar aos substantivos a que se referem. Com efeito, não seria adequado falar em “adquirir” custos e depesas, nem em “incorrer” em bens e serviços. Querse crer, portanto, que a utilização dos termos “adquiridos” e “incorridos” não pretende fazer uma distinção entre o momento diferentes de geração do crédito para uma e outra hipótese, ou que se pretendessem duas lógicas distintas, que colocasse em contraste estas duas categorias de insumos, senão, apenas, utilizouse a referência pertinente à natureza dos objetos referidos. Em qualquer destes casos – seja adquirir um bem ou serviço, seja incorrer em um custo ou despesa – o momento em que o crédito é gerado será o mesmo: aquele em que o lançamento contábil deve acontecer para o registro da aquisição do bem ou serviço ou do custo ou despesa incorrido. De outro lado, o crédito gerado pela nãocumulatividade não acompanha um determinado produto, ou seja, não depende da efetiva utilização daquele Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI 18 produto específico que gerou o crédito para permitir que o crédito possa ser utilizado para o abatimento do débito. A sistemática da nãocumulatividade considera o conjunto das entradas e das saídas ocorridas em um determinado período, não questionando se o insumo específico que gerou o crédito naquele mês teria sido efetiva e fisicamente utilizado em produto ou serviço ao qual foi dada saída naquele mesmo mês, sobre a qual houve a incidência do mesmo tributo. Ou seja, não se exige o vínculo físico entre (a) a receita obtida pela venda do serviço ou produto acabado e (b) o crédito gerado pela aquisição de bens ou serviços e as depesas ou custos incorridos. Assim, a nãocumulatividade se concretiza pelo confronto entre os créditos e o débito gerados no período. Como se vê, esta descrição do mecanismo aplicase indistintamente a todos os tributos nos quais se aplica a nãocumulatividade. Ocorre que, se em relação ao ICMS e ao IPI os créditos e os débitos se referem aos eventos de circulação de mercadoria, ou seja, na entrada e na saída de produtos, não parece que seja este mesmo critério possa ser usado para as Contribuições. A nãocumulatividade das Constribuições não está baseada no encadeamento de atos de circulação de produtos, mas no fenômeno econômico do faturamento, criando hipóteses de geração de crédito que, a grosso modo, busca identificar as aquisições, despesas e custos necessários para o processo produtivo que gerou o referido faturamento. De qualquer modo, no caso de complementação do pagamento pela entrada de mercadoria, o crédito deve ser gerado no momento em que foi realizado este pagamento. Entendo, com efeito, que o pagamento realizado a título de complemento de preço tem natureza de aquisição de um insumo necessário para a sua produção e, tendo sido efetuado em maio de 2003, aconteceu na vigência da Lei e, por isso, deve gerar crédito. Pelas mesmas razões, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao complemento de preços neste caso. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 po r IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 13808.006344/2001-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Diferença entre o declarado e o escriturado
Período de apuração: Dezembro de 1996.
VALOR ESCRITURADO MENOR DO QUE O DELARADO À RFB
Comprovando o Fisco que os valores declarados como base imponível são inferiores aos escriturados, e não demonstrando o contribuinte, nas várias oportunidades que teve, a origem dessa diferença, deve ser cobrado o tributo em função daquela.
TAXA SELIC
Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-000.034
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da
Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JORGE LOCK FREIRE
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ementa_s : Diferença entre o declarado e o escriturado Período de apuração: Dezembro de 1996. VALOR ESCRITURADO MENOR DO QUE O DELARADO À RFB Comprovando o Fisco que os valores declarados como base imponível são inferiores aos escriturados, e não demonstrando o contribuinte, nas várias oportunidades que teve, a origem dessa diferença, deve ser cobrado o tributo em função daquela. TAXA SELIC Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Matéria PIS Recorrente JOSÉ KESSADJIKIAN ARQUITETOS ASSOC. SC LTDA. Recorrida DRJ/SPO I Assunto: Diferença entre o declarado e o escriturado Período de apuração: Dezembro de 1996. VALOR ESCRITURADO MENOR DO QUE O DELARADO À RFB Comprovando o Fisco que os valores declarados como base imponível são inferiores aos escriturados, e não demonstrando o contribuinte, nas várias oportunidades que teve, a origem dessa diferença, deve ser cobrado o tributo em função daquela. TAXA SELIC Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente assinado digitalmente JORGE LOCK FREIRE - Relator ad doc Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13808.006344/2001-78 Acórdão n.º 3401-2202-00034 S3-C4T1 Fl. 367 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho, Sílvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz, Evandro Francisco Silva Araújo, Leonardo Siade Manzan e Ali Zraik Jr.(relator) Relatório Versam os autos exigência de PIS sobre a diferença entre o valor declarado em DCTF e o que consta do Livro Razão Analítico, relativamente ao período de apuração de dezembro de 2006. Mantido o lançamento pelo Acórdão DRJ/SPO I nº 08.442 (fls. 158/178), de 07/12/2005, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 190/218) contra o mesmo. Em suma, alega que faltou a devida motivação ao ato administrativo de lançamento, pelo que postula sua nulidade. Entende, ademais, que a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios é ilegal. É o Relatório. Voto De acordo com Despacho de folha 365, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, o presidente da atual Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF designou-me para formalizar a decisão não entregue à Secretaria pelo relator original, conselheiro Ali Zraik Jr., o qual não mais integra este Colegiado. Desta forma, a elaboração deste Acórdão reflete a posição adotada pelo relator original nos termos do que consta da Ata de Julgamento. Assim, o voto a seguir proferido, espelha o entendimento externado por ocasião do julgamento original, não tendo necessário vínculo com o entendimento deste redator designado sobre a matéria. Quantas às pugnadas preliminares, todas hão de ser refutadas. Não há vício algum no ato administrativo de lançamento. Ele decorreu de procedimento fiscal em que o Fisco propiciou a recorrente informar, contestar, explicar o porquê da diferença entre o valor de faturamento do mês de dezembro de 1996 escriturado e o declarado. Essa é a singela motivação do lançamento, estribado em irrefutável verdade material. Parece-me que a recorrente está se referindo a outra peça fiscal, dado o distanciamento entre o que articula e os fatos encetados nos autos. O que fica patente da peça recursal é que a sociedade civil autuada não tem o que dizer acerca da diferença entre o valor declarado em DCTF e o valor registrado em seu Livro. À fl. 40, cópia do Razão Analítico da empresa onde consta como faturamento no mês de dezembro de 1996 o valor de R$ 1.256.201,25. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13808.006344/2001-78 Acórdão n.º 3401-2202-00034 S3-C4T1 Fl. 368 3 De outro turno, no Termo de Reintimação e Prosseguimento de Ação Fiscal (fls. 8/11) a fiscalização cientifica a recorrente que "foi detectado divergências de informações de DIRF fornecidas por empresas que pagaram rendimentos, através do código nº 1708, ref. retenção de Imposto de Renda na Fonte s/prestação de serviços, comparativamente aos valores informados na DIRPJ ano base 1996 da empresa beneficiária de tais rendimento, que é o Contribuinte ora em fiscalização". Esses referidos valores estão arrolados nesse mesmo Termo à fl. 09, onde resta constatado, em relação ao exercício 1996, uma diferença de R$ 991.148,20 entre os valores declarados como pagos à autuada e o valor por ela declarado em sua DIPJ 1997. Neste mesmo Termo, o contribuinte, cientificado em 05/07/2001, foi "REINTIMADO a prestar esclarecimentos e fornecer prova documental, ..., que justifiquem a divergência detectada acima descrita, sob penas de, não o fazendo, sofrer tributação prevista em lei para a omissão de receita acima apontada". O contribuinte quedou-se silente ante tal intimação, e, em 12/12/2001, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 54/56), o qual consigna que analisando "demonstrativo das bases de cálculo e recolhimentos efetuados e declarados relativos ao PIS - preparados e assinados pelo Contribuinte" foi constatada a insuficiência de recolhimento, em relação ao mês de dezembro de 1996, daquela contribuição no valor de R$ 8.165,31, objeto do lançamento. Assim, inconteste que o lançamento foi devidamente motivado e que o contribuinte não se desincumbiu, em sua prolixa peça recursal, de inverter o que foi devidamente demonstrado e provado pelo Fisco. Dessarte, escorreita a exigência fiscal quanto ao valor da obrigação principal exigida. Quanto à aplicação da taxa SELIC como juros de mora, sem reparos a decisão recorrida, eis que a matéria está sumulada por este sodalício nos termos da Súmula CARF nº 4, que se aplica ao período abarcado pela exação e que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. JORGE LOCK FREIRE Conselheiro designado ad hoc para redação do acórdão. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13808.006344/2001-78 Acórdão n.º 3401-2202-00034 S3-C4T1 Fl. 369 4 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902829/2013-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 28 29 /2 01 3- 85 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 13888.902829/201385 Acórdão n.º 3801005.208 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000248/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2005
MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTE CONSELHO. SÚMULA CARF Nº 02. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não é competente o CARF para afastar a aplicação da legislação tributária com fundamento em sua inconstitucionalidade. Em razão da sua natureza constitucional, a violação ao princípio da isonomia não pode ser apreciada. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 02.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não cabe a apreciação, em sede de recurso voluntário, de matéria que não foi contestada expressamente na impugnação, por serem consideradas como não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235.
CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE.
A Súmula CARF nº 18, de observância obrigatória por este Egrégio Conselho, pacificou o entendimento de que a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.
CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
O plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do REAgr nº 592.917 reconheceu que matérias-primas, insumos e material de embalagem isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributados não geram créditos de IPI.
CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS A ALÍQUOTA REDUZIDA. CRÉDITO CORRESPONDENTE À DIFERENÇA DAS ALÍQUOTAS INCIDENTES NA ENTRADA E NA SAÍDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A forma de creditamento em relação à diferença de alíquota incidente na saída do produto industrializado e aquela cobrada na entrada dos insumos não encontra respaldo na sistemática de crédito adotada para o IPI, não havendo previsão legal. Adotar o creditamento pela diferença de alíquota seria atentar contra o princípio da essencialidade do IPI.
Numero da decisão: 3401-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator.
EDITADO EM: 07/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2005 MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTE CONSELHO. SÚMULA CARF Nº 02. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não é competente o CARF para afastar a aplicação da legislação tributária com fundamento em sua inconstitucionalidade. Em razão da sua natureza constitucional, a violação ao princípio da isonomia não pode ser apreciada. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 02. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não cabe a apreciação, em sede de recurso voluntário, de matéria que não foi contestada expressamente na impugnação, por serem consideradas como não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235. CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. A Súmula CARF nº 18, de observância obrigatória por este Egrégio Conselho, pacificou o entendimento de que a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. O plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do REAgr nº 592.917 reconheceu que matérias-primas, insumos e material de embalagem isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributados não geram créditos de IPI. CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS A ALÍQUOTA REDUZIDA. CRÉDITO CORRESPONDENTE À DIFERENÇA DAS ALÍQUOTAS INCIDENTES NA ENTRADA E NA SAÍDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A forma de creditamento em relação à diferença de alíquota incidente na saída do produto industrializado e aquela cobrada na entrada dos insumos não encontra respaldo na sistemática de crédito adotada para o IPI, não havendo previsão legal. Adotar o creditamento pela diferença de alíquota seria atentar contra o princípio da essencialidade do IPI.
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E COM. DE PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2005 MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTE CONSELHO. SÚMULA CARF Nº 02. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não é competente o CARF para afastar a aplicação da legislação tributária com fundamento em sua inconstitucionalidade. Em razão da sua natureza constitucional, a violação ao princípio da isonomia não pode ser apreciada. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 02. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não cabe a apreciação, em sede de recurso voluntário, de matéria que não foi contestada expressamente na impugnação, por serem consideradas como não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235. CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. A Súmula CARF nº 18, de observância obrigatória por este Egrégio Conselho, pacificou o entendimento de que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. O plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do REAgr nº 592.917 reconheceu que matériasprimas, insumos e material de embalagem isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributados não geram créditos de IPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 02 48 /2 00 7- 61 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS A ALÍQUOTA REDUZIDA. CRÉDITO CORRESPONDENTE À DIFERENÇA DAS ALÍQUOTAS INCIDENTES NA ENTRADA E NA SAÍDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A forma de creditamento em relação à diferença de alíquota incidente na saída do produto industrializado e aquela cobrada na entrada dos insumos não encontra respaldo na sistemática de crédito adotada para o IPI, não havendo previsão legal. Adotar o creditamento pela diferença de alíquota seria atentar contra o princípio da essencialidade do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator. EDITADO EM: 07/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima Relatório Tratase de auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados referente ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2005. O auto de infração foi lavrado em razão de a autoridade fiscal ter constatado que a Recorrente procedeu ao recolhimento do IPI realizando os seguintes ajustes indevidos na apuração do referido tributo: a) Exclusão do ICMS da base do IPI A empresa excluiu da base de cálculo do IPI o ICMS, do período 01/1994 a 01/2003, tendo aproveitado o crédito correspondente no livro registro de entradas nos períodos conforme consta no demonstrativo apresentado. (...) Além disso, caso fossem legítimos os créditos pretendidos pelo contribuinte, o direito de aproveitamento de créditos do IPI está sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, de que trata o artigo 1o do Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Assim, dos valores creditados com a tese em questão no 2° decêndio do mês de junho de 2003, ocorreu a prescrição do valor de R$ Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11516.000248/200761 Acórdão n.º 3401002.989 S3C4T1 Fl. 338 3 36.731,77 (fl. 45), pois referese a valores de exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI do período de 01/1994 a 06/1998. b) Correção dos saldos credores do IPI O contribuinte corrigiu os saldos credores constantes no Livro Registro de Apuração do IPI do período de 01/1994 a 01/2001 (...). O procedimento do contribuinte não tem amparo legal, portanto indevidos os créditos aproveitados no Livro Registro de Entradas e Apuração do IPI. Além do mais, caso fossem legítimos os créditos pretendidos pelo contribuinte, o direito de aproveitamento de créditos do IPI está sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, de que trata o artigo 1o do Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932. (...) Indevidos também, por falta de previsão legal a atualização monetária e juros pela taxa selic, conforme planilhas apresentadas pelo contribuinte (...). c) NãoCumulatividade do IPI A empresa utilizou crédito indevido do IPI na entrada de material de consumo, de bens intermediários que não integram o produto industrializado e de bens do ativo permanente e peças de reposição de bens destinados ao ativo permanente, tais como (cimento, prego, arame recozido, barra de ferro, impermeabilizante, formulário contínuo, impressora, microcomputador, chave Alien, luva de pvc cartões de visita, fita durex, sabão em pó, máquina de corte, etc), entrados no estabelecimento no período de setembro de 1993 a agosto de 1999 (...). Da análise do Demonstrativo apresentado, constatase que os bens ali relacionados, não são considerados insumos e nem materiais intermediários, conforme legislação do IPI e Parecer Normativo CST n° 65/79. Assim, para aproveitamento do crédito, os bens devem ser consumidos no processo de industrialização ou sofrer desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa e, ainda, não estarem compreendidos entre os bens do ativo permanente. O direito ao crédito do tributo, em atenção princípio da não cumulatividade, está ligado, salvo norma expressa em contrário, ao trato sucessivo das operações de entrada e saída que, realizadas com os insumos e o produto com eles industrializados, compõem o ciclo tributário. É o que se depreende do Parecer Normativo CST 65/79 (...). Ressaltese que o contribuinte, além de ter escriturado créditos extemporâneos indevidos, também desobedeceu ao prazo prescricional de 5 anos, contados a partir da data de entrada, Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 tendo diminuído seu imposto devido através da escrituração de créditos constantes em notas fiscais relativas a produtos cuja entrada ocorreu: entre 30/09/1993 e 30/07/1995, aproveitados no decêndio 301/2002, no valor de R$ 15.396,78; entre 09/04/1995 e 30/11/1995, aproveitados no decêndio 202/2002, no valor de R$ 11.652,08 e entre 10/12/1995 e 09/02/1997, aproveitados no decêndio 302/2002, no valor de R$ 8.783,21 conforme planilha de cálculos apresentada pelo contribuinte (...). De acordo com o artigo 168 do CTN, na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Entretanto, nos termos do Parecer Normativo CST n.° 515/71, embora o crédito implique em diminuir o imposto devido, não tem a mesma natureza deste. Conseqüentemente, ao crédito não utilizado na época própria não se aplicam as mesmas normas previstas para reclamação do imposto indevidamente pago. A natureza jurídica do crédito não utilizado na época própria é a de uma dívida passiva da União, sendo aplicável para a prescrição do direito de reclamálo a norma específica do artigo 1o do Decreto n.° 20.910, de 06/01/32, que a fixa em cinco anos da data do ato ou fato do qual se originarem. No presente caso, o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos no estabelecimento, acompanhados da respectiva nota fiscal. Assim, mesmo que o contribuinte fizesse jus a algum crédito extemporâneo, os valores oriundos de produtos cuja entrada ocorreu entre 30/09/1993 e 09/02/1997 não poderiam ter sido aproveitados, pois estavam prescritos. Indevidos também, por falta de previsão legal a atualização monetária e juros pela taxa selic, conforme planilhas apresentadas pelo contribuinte (...). d) Diferencial de alíquotas das vendas realizadas pelas saídas. A empresa creditouse, indevidamente, da diferença entre a alíquota média das saídas e a alíquota média das entradas, aplicada sobre as entradas de insumos, no período 12/1994 a 03/2001, alegando o principio da nãocumulatividade (...). Ora, a interpretação do contribuinte está equivocada, pois a nãocumulatividade permite a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. O valor cobrado na operação anterior é valor do IPI destacado na nota fiscal de entrada, e poderá ser escriturado pelo contribuinte somente quando for matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. A cobrança anterior depende do tipo de insumo e das alíquotas aplicadas em função do principio constitucional da seletividade. Assim, caso tenha sido cobrado na operação anterior alíquota de 5%, incabível o contribuinte creditarse de valor superior ao valor da base de cálculo X a alíquota do insumo, constante na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). e) Exoneração da multa de mora pela espontaneidade do pagamento Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11516.000248/200761 Acórdão n.º 3401002.989 S3C4T1 Fl. 339 5 O contribuinte creditouse de valores referente a multa de mora pelo pagamento em atraso do IPI apurado nos períodos 06/1995, 07/1995, 03/2001, 07/2001 (fl. 51), 01/2001, 03/2001, 05/2001, 12/2001, 02/2002, 03/2002, 04/2002 e 06/2002 (fl. 63). Em consulta ao sistema de pagamentos "SINAL09"(fls. 163 a 169), e aos Livros Registro de Apuração do IPI, foram identificados os pagamentos efetuados, sendo que alguns referemse a parte do saldo devedor apurado no Livro de IPI e alguns períodos de competência divergem dos informados pelo contribuinte. Os valores informados do saldo devedor do IPI foram declarados na Declaração de Débitos e Crédito Tributários Federais DCTF (...). Analisando o Decreto n° 4.544/2002 — RIPI/2002, no capitulo 10 – DOS CRÉDITOS, artigos 164, 165, 167, 174, 175, 176, 177 178 e 179 constatase que não há previsão legal para aproveitamento no livros fiscais, para abatimento do IPI devido nas saídas, de créditos referente a multa de mora. Portanto indevidos os créditos pretendidos pelo contribuinte (...), bem como a atualização monetária e juros pela taxa SELIC. Ressaltese, ainda, que no Superior Tribunal de Justiça é pacifico o entendimento de que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido em atraso, descabe o beneficio da denúncia espontânea. (...) Do valor escriturado na 1° decêndio de novembro de 2003 (fl. 51), ocorreu a prescrição do valor de R$ R$ 213,15, consoante o artigo 10 do Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932. f) Correção dos créditos pela entrada do IPI O contribuinte pretende a correção monetária e juros pela taxa SELIC dos créditos do IPI entre a data da emissão da nota fiscal e a data da entrada do insumo no estabelecimento industrial, cujas entradas ocorreram no período de 01/1996 a 05/2004 (fls. 54 a 56 e 59 a 62). (...) Assim pelo disposto no artigo 190, incisos I e II do RIPI/2002, são indevidos os créditos pretendidos pelo contribuinte, uma vez que a escrituração dos créditos do IPI somente pode ser efetuado na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial. Do valor escriturado na 1° quinzena de janeiro de 2004 (fl. 54), ocorreu a prescrição do valor de R$ R$ 1.280,23, consoante o artigo 1° do Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Indevidos também, por falta de previsão legal a atualização monetária e juros pela taxa selic, conforme planilhas apresentadas pelo contribuinte (...). g) Bens do ativo imobilizado e material de consumo Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 A empresa creditouse indevidamente do IPI na entrada de bens destinados ao ativo permanente e material de consumo (agendas). Em resposta ao termo de intimação datado de 18/12/2006 (fls. 144 e 145), a empresa apresenta cópia das notas fiscais das empresas Colorflex — Indústria e Comércio de Máquinas Ltda, Schulz S. A. e Agendas PomboLediberg Ltda (fls. 147 a 149). Os valores creditados indevidamente estão sendo glosados, uma vez que, nos períodos de apuração constantes do quadro abaixo, a empresa não efetuou o estorno dos créditos indevidos (fls. 160 e 161), e considerando que o IPI tinha como periodicidade de apuração o decêndio, logo, os saldos devedores reconstituidos na escrita fiscal do contribuinte são devidos e estão sendo cobrados através de auto de infração por infringência ao disposto no artigo 147, inciso I, combinado com os artigos 182 e 183, inciso IV, do Decreto n° 2.637, de25/06/98 (RIPI/98).” Apresentada impugnação pela ora Recorrente, esta foi julgada improcedente pela DRJ de Belém, em acórdão cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2005 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2005 IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS. VALOR DA OPERAÇÃO. A base de cálculo do IPI corresponde ao valor da operação de que decorrer a saída do produto do estabelecimento industrial, inexistindo autorização para a exclusão do ICMS que a integra. IPI. CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM. Somente geram direito a crédito de IPI matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11516.000248/200761 Acórdão n.º 3401002.989 S3C4T1 Fl. 340 7 IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. No direito tributário brasileiro, o princípio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase às aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização e no limite do valor em que foram efetivamente oneradas pelo imposto. PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Encontra explícita previsão normativa a imposição de multa moratória aos sujeitos passivos que, mesmo espontaneamente, venham a recolher o tributo devido após o transcurso do prazo de vencimento. IPI. CRÉDITO. DÍVIDA PASSIVA DA UNIÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. As dívidas passivas da União, como é o caso do crédito de IPI, prescrevem em cinco anos contados do ato ou fato do qual se originaram. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão, a Recorrente interpôs o competente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) direito de promover o crédito relativo às aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero e sujeitas a alíquota reduzida (diferença de alíquotas); b) direito ao creditamento do IPI sobre os insumos adquiridos de pessoa jurídicas optantes pelo SIMPLES; c) inconstitucionalidade da limitação ao crédito em relação à aquisição de bens do ativo imobilizado por violar o disposto no art. 153, §3º, inciso III da Constituição Federal; d) direito ao crédito de 50% previsto no art. 6º do DecretoLei nº 400/98 nas aquisições de comerciantes atacadistas, na hipótese de não reconhecimento do direito ao crédito sobre aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero e sujeitas a alíquota reduzida; e) direito à correção monetária dos créditos de IPI, aplicandose a taxa SELIC nos termos do art. 39, §4º da Lei nº 9.250/95; f) inaplicabilidade da multa de ofício de 75% por não ter havido dolo da Recorrente ao recolher o tributo a menor; e Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 g) natureza confiscatória da multa de ofício e utilização do tributo com efeitos de confisco. Voto Conselheiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1 Preliminarmente 1.1 DAS MATÉRIAS QUE NÃO FORAM CONTESTADAS EXPRESSAMENTE NA IMPUGNAÇÃO Dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97, que as matérias que não foram expressamente contestadas na impugnação serão tidas como não impugnadas: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso, verificase que diversas matérias trazidas pela ora Recorrente não foram objeto de contestação expressa em sua impugnação. Para esclarecer tal questão, vale elencar as matérias que foram objeto da impugnação: a) Exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI; b) Correção dos saldos credores do IPI e correção dos créditos pela entrada do IPI; c) Impossibilidade de limitação ao princípio da não cumulatividade do IPI; d) Direito ao creditamento nas aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou sujeitos a alíquota reduzida (diferencial de alíquotas); e) Exoneração da multa de mora pela espontaneidade do pagamento; e f) Não ocorrência do decurso de prazo para utilização dos créditos de IPI. Por outro lado, ao interpor o Recurso Voluntário, em suas razões recursais a Recorrente contestou as seguintes matérias: a) direito de promover o crédito relativo às aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou sujeitos a alíquota reduzida (diferença de alíquotas); b) direito ao creditamento do IPI sobre os insumos adquiridos de pessoa jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11516.000248/200761 Acórdão n.º 3401002.989 S3C4T1 Fl. 341 9 c) inconstitucionalidade da limitação ao crédito em relação à aquisição de bens do ativo imobilizado por violar o disposto no art. 153, §3º, inciso III da Constituição Federal; d) direito ao crédito de 50% previsto no art. 6º do DecretoLei nº 400/98 nas aquisições de comerciantes atacadistas, na hipótese de não reconhecimento do direito ao crédito sobre aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero e sujeitas a alíquota reduzida; e) direito à correção monetária dos créditos de IPI, aplicandose a taxa SELIC nos termos do art. 39, §4º da Lei nº 9.250/95; f) inaplicabilidade da multa de ofício de 75% por não ter havido dolo da Recorrente ao recolher o tributo a menor; e g) natureza confiscatória da multa de ofício e utilização do tributo com efeitos de confisco. Das matérias levantadas no Recurso Voluntário, verificase que somente o direito ao creditamento nas aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou sujeitos a alíquota reduzida (diferencial de alíquotas) e o direito à correção monetária dos créditos de IPI foram também contestados expressamente na impugnação. Assim, por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não conheço das matérias que não foram expressamente contestadas na impugnação. 1.2 DAS QUESTÕES RELATIVAS À INCONSTITUCIONALIDADE SUSCITADAS PELA RECORRENTE A Recorrente, em suas razões recursais, suscitou a inconstitucionalidade da vedação ao direito de promover o crédito relativo às aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero, sujeitos a alíquota reduzida e de empresas optantes pelo SIMPLES, a limitação do creditamento na aquisição de bens do ativo imobilizado e impossibilidade de correção monetária dos créditos de IPI, por entender que violariam o princípio da nãocumulatividade do IPI, insculpido no art. 153, § 3º, inciso II da Constituição Federal. Outrossim, a Recorrente suscitou a inconstitucionalidade da multa de ofício, alegando que houve violação ao princípio da vedação ao confisco previsto no art. 150, inciso IV da Constituição Federal, além de violar o direito à propriedade e à livre iniciativa, insculpídos nos arts. 5º, inciso XII e 170, inciso II, da Constituição Federal. Para que as alegações do Recorrente pudessem ser acolhidas, seria necessário afastar a aplicação da legislação tributária pautandose na sua inconstitucionalidade, o que é vedado a este conselho. Assim dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/76: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Da mesma forma determina o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por fim, a impossibilidade de análise da inconstitucionalidade da lei tributária por este Conselho foi consolidada na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante da impossibilidade de ser pronunciada a inconstitucionalidade de lei tributária, não conheço dos argumentos referentes à inconstitucionalidade acima mencionados. Ressaltese que a matéria relativa ao creditamento nas aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou sujeitos a alíquota reduzida deve ser conhecida, no que tange aos argumentos infraconstitucionais contidos nas razões do presente Recurso Voluntário. 2 Mérito 2.1 DO CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU ALÍQUOTA REDUZIDA Antes de adentrar ao mérito da questão, insta ressaltar que a questão do creditamento nas aquisições de insumos isentos e tributados à alíquota zero está relacionada ao item "4.1.4) Diferencial de aliquotas das vendas realizadas pelas saídas" (fls. 207), conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. A própria Recorrente apresentou às fls. 15/68 planilhas demonstrando como apurou o IPI no período autuado. Dentre estas planilhas, encontramse planilhas denominadas "Diferencial das alíquotas das vendas realizadas pelas saídas", nas quais constam os campos "Saída Alíquota", "Entrada Alíquota" e "Diferença Alíquota". Ora, após uma análise percuciente destas planilhas, verificase que não houve nenhuma aquisição de insumos sujeita à isenção ou alíquota zero. Apesar de ter alegado em suas razões recursais que adquiriu matériasprimas, insumos ou produtos intermediários sujeitos à alíquota zero ou isentos, não logrou comprovar a aquisição destes insumos, ônus que lhe cabia. Pelo contrário, durante a fiscalização apresentou planilhas que demonstram Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11516.000248/200761 Acórdão n.º 3401002.989 S3C4T1 Fl. 342 11 exatamente o contrário, que todos os créditos decorreram de aquisições tributadas pelo IPI, mas a alíquotas inferiores àquelas aplicadas nas vendas realizadas pela Recorrente. Mesmo que houvessem aquisições sujeitas à alíquota zero, a Súmula CARF nº 18, de observância obrigatória pelos membros deste Egrégio Conselho, pacificou o entendimento de que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Ademais, o STF decidiu que não cabe o desconto de créditos do IPI, com base na regra constitucional da nãocumulatividade, na aquisição de insumos com alíquota zero, isentos, não tributados ou não sujeitos ao pagamento do IPI: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da nãocumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os in sumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subseqüente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se d á sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) o u de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10 ). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10).5. Agravo regimental a que se nega provimento.(REAgR 592917, LUIZ FUX, STF.) A referida decisão plenária da Suprema Corte vincula o CARF, nos termos do art. 62A do RICARF, razão pela qual a sigo integralmente. Outrossim, no que tange à aquisição de matériasprimas, insumos ou produtos intermediários sujeitos a alíquotas inferiores àquelas aplicadas na venda dos produtos industrializados pela Recorrente, não há fundamentação legal para sustentar o direito ao creditamento da diferença entre estas alíquotas. A forma de apuração dos créditos de IPI pleiteada pela Recorrente não se enquadra na sistemática adotada pelo ordenamento pátrio na nãocumulatividade do IPI. Isto porque, a sistemática adota a apropriação de créditos incidentes sobre matériasprimas, insumos ou produtos intermediários para posterior utilização na saída do produto industrializado. Vale trazer à baila trecho do voto proferido pela Ministra do STF Ellen Gracie no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.816/RS, em razão da sua clareza em explicar a sistemática da nãocumulatividade do IPI: "A nãocumulatividade operase mediante a apropriação e utilização de créditos. Ocorre a compensação entre o valor devido e o cobrado na aquisição de insumos, nos termos do art. 153, §3º, II da Constituição. Seu foco não está no valor agregado pelo contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas no imposto por ele devido confrontado com o que já tenha efetivamente suportado na operação anterior. Daí porque se costuma definir essa técnica como de imposto sobre imposto e não de base sobre base. Notese, ademais, que a seletividade aplicada ao IPI faz com que cada saída de produto industrializado seja tributada em atenção à sua essencialidade. Quando é estabelecida alíquota zero para determinado insumo ou resta ele isento do IPI, tal desoneração se dá em atenção à sua essencialidade em particular e não à de eventuais produtos que possam ser produzidos a partir dele, até porque muitas vezes o mesmo insumo pode ser incorporado a produtos finais absolutamente distintos sob a perspectiva da essencialidade. Um Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11516.000248/200761 Acórdão n.º 3401002.989 S3C4T1 Fl. 343 13 insumo sujeito à alíquota zero pode ser utilizado na industrialização de um produto ao qual a TIPI (Tabela do IPI) atribua também alíquota zero e de outro ao qual seja atribuída alíquota elevada por tratarse de um produto não essencial, seja ele de luxo ou cujo consumo se pretenda até mesmo desestimular. Não é razoável, que, mediante o sistema de creditamentos, a desoneração do insumo implique desoneração do produto final não essencial." Concluise que a forma de creditamento adotada pela Recorrente, em relação à diferença de alíquota incidente na saída do produto industrializado e aquela cobrada na entrada dos insumos não encontra respaldo na sistemática de crédito adotada para o IPI. Além disso, adotar o creditamento pela diferença de alíquota seria atentar contra o princípio da essencialidade do IPI. Pelo exposto, não conheço das matérias referentes à inconstitucionalidade e que não foram contestadas na impugnação. Na parte que conheço, negolhe provimento, nos termos do voto. Relator Relator Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 04/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 18471.001588/2003-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
Ementa:
IRPJ. SUPRIMENTOS DE CAIXA. AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA ENTREGA DOS RECURSOS. ART. 282, DO RIR/99.
Deve ser mantida a acusação de suprimentos de caixa, quando não
demonstrada a efetiva entrega dos recursos, conforme art. 282, do RIR/99.
Numero da decisão: 1102-000.380
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: IRPJ. SUPRIMENTOS DE CAIXA. AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA ENTREGA DOS RECURSOS. ART. 282, DO RIR/99. Deve ser mantida a acusação de suprimentos de caixa, quando não demonstrada a efetiva entrega dos recursos, conforme art. 282, do RIR/99.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: IRPJ. SUPRIMENTOS DE CAIXA. AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA ENTREGA DOS RECURSOS. ART. 282, DO RIR/99. Deve ser mantida a acusação de suprimentos de caixa, quando não demonstrada a efetiva entrega dos recursos, conforme art. 282, do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. documento assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. documento assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma à época), João Carlos de Lima Júnior (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Frederico Moura Teophilo. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 18471.001588/200399 Acórdão n.º 110200.380 S1C1T2 Fl. 2 2 Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados sob acusação de omissão de receitas, nos anoscalendário de 2000 e 2001, com base nos artigos 282 e 528, do RIR/99, em razão da não comprovação da origem e efetiva entrega de numerários contabilizados a título de mútuo, a despeito de sucessivas intimações, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 56/60. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 94/113), pugnando pela nulidade do lançamento por erro na indicação da disposição legal infringida, e, no mérito, defende que teria sido afrontado o art. 142, do CTN, afirmando que inexistiria indicativo na contabilidade ou em outros documentos que apontassem pela omissão de receitas presumida pela fiscalização. Destaca a Recorrente que as contas contábeis alvo da tributação revelariam contascorrentes entre a sociedade e seus sócios quotistas, prática usual de mercado, sobretudo em se tratando de grupo de empresas familiar e que dispõe das comprovações das origens e entradas dos recursos, conforme apresentado às autoridades fiscais. Prossegue afirmando que a fiscalização teria invertido o ônus da prova, mesmo sem qualquer prova ou indício de falsidade ou inexatidão dos procedimentos e documentos apresentados, como exige o art. 894, do RIR/99, registrando que teriam sido comprovados os ingressos, e, quando não comprovada a origem, deveria o auditor munirse de elementos capazes de configurar os empréstimos como fictícios, através de diligências, o que não teria sido realizado. No tocante aos ingressos cujas origens e provas foram solicitadas pela fiscalização, a Recorrente apresenta demonstrativos, extratos e recibos e, por fim, defende o afastamento da Taxa Selic como taxa de juros. Distribuída a Impugnação na DRJ no Rio de Janeiro I, o julgamento foi convertido em diligência – Resolução DRJ/RJOI n.° 070/2006 – para confirmar a autenticidade da documentação acostada à Impugnação e juntada os autos os documentos comprobatórios das origens e naturezas de todos os ingressos no período. Nas fls. 462/466, a autoridade fiscal reconheceu a autenticidade dos documentos carreados, teceu comentários sobre as provas apresentadas e determinou a intimação da Recorrente, que apresentou manifestação nas fls, 470/478 e reiterou o pedido de improcedência do lançamento. A DRJ do Rio de Janeiro I afastou a preliminar de ausência de capitulação legal específica e, no mérito, julgou parcialmente procedente a Impugnação para afastar a tributação sobre valores lançados com base em presunção de omissão de receita por suprimento de caixa, quando feitos por pessoa estranha ao quadro societário da Recorrente, por se tratar de omissão de receitas, com base no art. 282, do RIR/99. Subsistiu, portanto, lançamento pela não comprovação da licitude dos aportes, quando não demonstrada a procedência e a natureza dos recursos utilizados, independentemente da demonstração da capacidade econômica dos sócios para prover a sociedade e dos registros contábeis, com base em julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 18471.001588/200399 Acórdão n.º 110200.380 S1C1T2 Fl. 3 3 Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, com o objetivo de afastar a omissão de receitas caracterizada pelos suprimentos de caixa que teriam como origem seu sócio – Rogério J. Zylbersztain – aduzindo, em síntese, que seus registros contábeis, os recibos relativos aos aportes de capital realizados em dinheiro apresentados e a comprobação da capacidade econômica do sócio demonstraria a origem e autorizaria o cancelamento do lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto, Relatora O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Pugna a Recorrente pelo cancelamento de lançamento efetuado com base em suprimentos de caixa, nos termos do art. 282, do RIR/99, verbis: “Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).” Defluise da leitura do artigo 282 utilizado como fundamento da acusação fiscal que a obrigação de comprovar o suprimento de caixa, quanto à origem dos recursos e à efetividade da entrega do numerário, é encargo que a lei atribui à pessoa jurídica suprida. A demonstração de capacidade econômica do sócio e a apresentação de recibos não se prestam a tal prova, salvo se acompanhados de extratos bancários, com coincidência de datas e valores. À míngua de comprovação da efetividade dos aportes que, segundo a Recorrente, teriam sido feitos pelo sócio Rogério J. Zylberstzain, não há como afastar a exigência tributária. Em reforço às razões acima, transcrevo ementa oriunda da 3ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção, deste Conselho, verbis: “Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 18471.001588/200399 Acórdão n.º 110200.380 S1C1T2 Fl. 4 4 ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem.”(Acórdão 110300.179, em 08/04/09) Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. documento assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO
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Numero do processo: 11128.000870/2001-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 04/10/1999
VÍCIO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, INOCORRÊNCIA.
O beneficiário do regime aduaneiro especial de trânsito Aduaneiro é, efetivamente, responsável pelo pagamento do tributo e demais encargos decorrentes do extravio da carga. Ademais, a não inclusão de pessoa jurídica que, em tese, deteria a condição de responsável solidário no pólo passivo não induz nulidade do procedimento fiscal.
IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 04/10/1999
FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO.
Nos termos da atual redação do § 2º do art. 1º do Decreto-lei n° 2.472, de 1988, considera-se entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 04/10/1999
FATO GERADOR, DESEMBARAÇO PARA TRÂNSITO ADUANEIRO, OCORRÊNCIA
Nos termos da legislação que disciplina o IPI vinculado, seu fato gerador é o desembaraço aduaneiro e este, segundo a legislação aduaneira, é o ato que se segue à conferência aduaneira, realizada no curso do despacho de importação, ainda que tal despacho culmine com o desembaraço para trânsito.
REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 04/10/1999
TRÂNSITO ADUANEIRO. DESISTÊNCIA DA VISTORIA
A desistência da vistoria anterior ao início do regime de Trânsito Aduaneiro impõe ao beneficiário o ânus de se assumir, para todos os efeitos, que a mercadoria transportada é aquela que constava dos documentos de instrução do despacho inerente a tal regime.
DESCUMPRIMENTO. CONSEQUENCIAS.
O descumprimento do compromisso de entregar a mercadoria beneficiada pelo regime na unidade da Secretaria da Receita Federal de destino impõe a cobrança de todos os tributos suspensos.
FORÇA MAIOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO
O Caso Fortuito ou a Força Maior são ciscunstâncias excepcionais, cuja caracterização exige prova inequívoca. Ausente tal comprovação, não há como recolhecê-las.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. INAPLICABILIDADE
A exigência da multa capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, em razão do não pagamento do imposto pressupõe o descumprimento do dever de adirnplir a obrigação tributária, Se esta obrigação só surge no momento da lavratura do Auto de Infração, não se pode imputar a multa em questão. Ademais, tratando-se de hipótese de avaria, na modalidade extravio, a multa a ser capitulada, em tese, seria a prevista no art. 106, II, "c", do Decreto Lei nº 37, de 1966.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.687
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar exclusivamente as multas de oficio de 75%, calculadas sobre o Imposto de Importação e sobre Produtos Industrializados. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negou provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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O beneficiário do regime aduaneiro especial de trânsito Aduaneiro é, efetivamente, responsável pelo pagamento do tributo e demais encargos decorrentes do extravio da carga. Ademais, a não inclusão de pessoa jurídica que, em tese, deteria a condição de responsável solidário no pólo passivo não induz nulidade do procedimento fiscal, ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 04/10/1999 FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO, Nos termos da atual redação do § 20 do art. 1 0 do Decreto-lei n° 2.472, de 1988, considera-se entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa, ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - Data do fato gerador: 04/10/1999 FATO GERADOR, DESEMBARAÇO PARA TRÂNSITO ADUANEIRO, OCORRÊNCIA Nos termos da legislação que disciplina o IPI vinculado, seu fato gerador é o desembaraço aduaneiro e este, segundo a legislação aduaneira, é o ato que se segue à conferência aduaneira, realizada no curso do despacho de importação, ainda que tal despacho culmine com o desembaraço para trânsito. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 04/10/1999 TRÂNSITO ADUANEIRO. DESISTÊNCIA DA VISTORIA A desistência da vistoria anterior ao início do regime de Trânsito Aduaneiro impõe ao beneficiário o ânus de se assumir, para todos os efeitos, que a mercadoria transportada é aquela que constava dos documentos de instrução do despacho inerente a tal regime. DESCUMPRIMENTO. CONSEQUENCIAS. O descumprimento do compromisso de entregar a mercadoria beneficiada pelo regime na unidade da Secretaria da Receita Federal de destino impõe a cobrança de todos os tributos suspensos. FORÇA MAIOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O Caso Fortuito ou a Força Maior são ciscunstâncias excepcionais, cuja caracterização exige prova inequívoca. Ausente tal comprovação, não há como recolhecê-las. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. INAPLICABILIDADE A exigência da multa capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, em razão do não pagamento do imposto pressupõe o descumprimento do dever de adirnplir a obrigação tributária, Se esta obrigação só surge no momento da lavratura do Auto de Infração, não se pode imputar a multa em questão. Ademais, tratando-se de hipótese de avaria, na modalidade extravio, a multa a ser capitulada, em tese, seria a prevista no art. 106, II, "c", do Decreto Lei if 37, de 1966. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar exclusivamente as multas de oficio de 75%, calculadas sobre o Imposto de Importação e sobre Produtos Industrializados. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negou provimento,. Luis Marce o G erra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 26/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). 2 Processo o° 11128.000870/2001-58 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00,687 Ft 209 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Autos de Infração, para a cobrança do imposto de importação (fls. 01 a 04) e do imposto sobre produtos industrializados (fls .0.5 a 08), por meio do qual é formalizada a exigência do crédito tributário do processo no valor de R$ 804,008,89 (17. 09), em razão da constatação de que: - a empresa autuada requereu Trânsito Aduaneiro através da DTA no. 80078, registrada em 04/10/1999; - a autoridade fiscal da repartição de destino constatou divergência no lacre de origem do contêiner MAEU 720,872-9 e, quando da abertura, verificou que havia areia em seu interior, em lugar das mercadorias manifestadas; - foi emitido Laudo de Perícia Papilascópica no. 02/2000, realizado pela Polícia Federal e Parecer Técnico CPT1 no. 028/2000, onde se constatou que houve violação do contêiner retro-mencionado e que há grande possibilidade de a violação tenha ocorrido em território brasileiro; Cientificada da exigência que lhe é imposta, em 23/03/2001, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, em 18/04/2001, aonde aduz, em síntese, que.' Dos fatos - que o 'container' MAEU 720.872-9, acobertado pelo conhecimento marítimo, MIA 723102 da 26/09/1999, foi embarcado no navio CCNI AYSEN no Porto de Miaini com destino ao Porto de Santos; - .foi requerido Trânsito Aduaneiro (DTAS no, 0080078, registrada em 04/10/99) dessa mercadoria do Porto de Santos para área alfandegada situada no Aeroporto Internacional de São Paulo; - o referido 'container' foi descarregado e ficou depositado em armazém do Terminal Libra (Santos) em 11 e 12/10/1999, sendo liberado para trânsito em 13/10/1999, sem qualquer ressalva, Na ocasião da liberação para trânsito nem a autoridade fiscal nem o depositário constatou qualquer irregularidade aparente no 'container' - a remoção do 'container' foi efetuado pela empresa Estrada Transporte Lula., acompanhado por escolta particular da empresa General!,' - após a conferência dos documentos relacionados à importação e do 'container', inclusive aos lacres de origem e o lacre aposto 07'3 pela Receita Federal (no. 08488), todos intactos, a fiscalização autorizou o rompimento dos lacres e abertura do `container',- - constatou-se, então, a existência de areia em substituição à carga manifestada, Foi lavrado Termo de Vistoria, com acompanhamento da fiscalização, promovendo-se o fechamento do 'container', lacrando-o (lacre MU-. no. 842553),- - posteriormente, em 27/01/2000, fbi realizada nova inspeção do 'container ' e coleta de 03 amostras do produto (areia) para fins de análise, na presença da fiscalização da Receita Federal, Polícia Federal, representantes da Brasil, seguradoras, transportadora Estrada, e técnicos certificantes; - foi emitido Laudo de perícia papilosrópica no 02/2000 pela Polícia Federal e o Parecer Técnico CPTI no. 028/2000,- - pelas peças constantes dos autos verifica-se que não houve apuração, nem a indicação pela Receita Federal, do responsável pela substituição de mercadoria, nem do local em que este fato ocorreu; - por força do disposto nos artigos 274 e 275 do Regulamento Aduaneiro vigente à época, os beneficiários do regime correspondem ao importador, ao exportador, ao depositante e, em qualquer caso, quando requerer o regime, o transportador e o agente credenciado para efetuar operações de unitização ou desunitização de carga em recinto alfandegado; Da inocorrência do fato gerador - entende que não ocorreu o .fato gerador dos tributos, pois da análise das provas acostadas ao presente auto, constata-se que não há qualquer evidência concreta de que o `container ' tenha sido violado em território nacional Não há como provar que a mercadoria foi extraviada no País (que a areia fora introduzida no 'container' ainda enz território alfandegado), logo, não há prova de que a mercadoria encomendada pela hilpugnante tenha entrado em território nacional Assim, não ocorreu o fato gerador do Imposto de Importação. No mesmo sentido, o IPI tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro, e no caso, desembaraço para admissão no regime de Loja Franca; - não está a autoridade .fiscal autorizada, presumindo a ocorrência do fato gerador, exigir da Impugnante os referidos tributos, O dever de pagar o tributo depende da materialização da obrigação tributária principal, a partir da ocorrência concreta do fato gerador legalmente definido Neste sentido cita doutrina do professor Paulo de Barros Carvalho,' - a Alfândega do Porto de Santos não apurou a responsabilidade pela substituição da mercadoria do 'container', apenas presumiu-a, lavrando os Autos de Infração contra a Impugnante. Assim, entende que a autuação fiscal deve ser julgada improcedente dada a ausência de demonstração inequívoca da ocorrência do fato gerador; Da ilegitimidade passiva da Implegnante Processo n° 11128,000870/2001-58 S3-CIT2 Acórdão n.°3102-00687 Fl. 210 - entende, ainda, que há ilegitimidade da impugnante figurar COMO sujeito passivo. Só teve contato .fisico com o `container' em 13/10/1999, e somente quando da abertura do mesmo na presença da fiscalização, em 14/10/1999, e que ficou constada a substituição da mercadoria; - há informação nos autos (do EQTRA/DIDAD da ALF Porto de Santos) que não houve a participação da transportadora Estrada no extravio da mercadoria. Assim, se foi constatada a inexistência de responsabilidade da Estrada pela substituição da carga do `container), conclui-se, que (a) ou a mercadoria .fin extraviada ainda quando embarcaria no navio, sob a responsabilidade do transportador internacional, ou (b) se a mercadoria de .fato entrou no território aduaneiro, a mesma foi extraviada quando se encontrava sob responsabilidade do seu depositário; - face à constatação de que os bens foram extraviados antes de o rcontaine • ' ser deslocado do armazém, em Santos, para Guarulhos, conclui-se pela ilegitimidade da hnpugnante figurar como sujeito passivo dos tributos ora exigidos; Do motivo de força maior e da inexistência de fraude - requer, ainda, a improcedência dos Autos de Infração, face à ocorrência de .força maior. Em decorrência do desaparecimento da mercadoria em circunstâncias desconhecidas e das quais a hnpugnante não teve qualquer participação, deve prevalecer o comando do art. 482 do Rei, não havendo tributo a ser pago; - requer, por .fim, que seja declarada a nulidade do lançamento .face à ilegitimidade para a hnpugnante .figurar como sujeito passivo ou, subsidiariamente, cancelar-se o Auto de Infração tendo em vista as razões de fino e de direito expostas, - não se pode admitir a alegação de prática de ,fraude por parte da hnpugnante. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 04/10/1999 TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO TOTAL DA CARGA, Não comprovada a conclusão da operação de Trânsito Aduaneiro, em decorrência do extravio das mercadorias, é correta a cobrança do Imposto de Importação e do hnposto sobre Produtos Industrializados, obrigações .fiscais suspensas e assumidas em Termo de Responsabilidade, conforme artigos 86, parágrafo único, 275, 280 e 281 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n" 91..030/8.5. (---2?s7 Multas de ofício - São devidas as multas de oficio, pela simples falta de pagamento do II e IPI vinculado, capituladas no inciso I do art 44, inciso 1 da Lei n" 9 430/96 e MC/30 Ido art. 80 da Lei ii" 4.502/64, com a redação dada pelo ai 1. 4.5 da Lei n°9430/96, respectivamente, vez que eram devidos e não foram recolhidos. Lançamento Procedente Conforme se extrai do voto condutor', essencialmente, entenderam as autoridades de piso que a legislação de regência elegeria, como responsável solidário, a pessoa jurídica beneficiária do regime, sustentando, ademais, que a desistência da Vistoria Aduaneira reforçaria essa responsabilidade, tomando inclusive a recorrente fiel depositária da mercadoria alvo do regime de trânsito aduaneiro e responsável pelo ônus decorrente de eventual extravio da carga. No mérito, julgou-se que a ocorrência do fato gerador restou efetivamente demonstrada e que os elementos carreados ao processo não foram capazes de infirmar essa convicção: a mercadoria constava de manifesto e restou caracterizada a sua falta. Entendeu-se, por outro lado, que existiria justo motivo para a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, na medida em que o desembaraço para trânsito se inseriria no universo das hipóteses de desembaraço com suspensão do referido imposto. Finalmente, entendeu-se afastada hipótese de força maior ou de alegação de fraude, que sequer teria sido ventilada na peça que substancia a exigência fiscal. Após tomar ciência da decisão recorrida, comparece a recorrente mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e acrescentar as alegações de voto divergente atinente à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto de Importação. Ou seja, defende a recorrente: a) que não estão presentes os aspectos material espacial e temporal necessários à identificação da exata e precisa ocorrência do fato gerador, caracterizado por recurso à presunção. Transcreveu pródiga doutrina que reforçaria a impropriedade dessa metodologia; b) que, em assim procedendo, violara-se o princípio da verdade material; c) que não se demonstrou sua responsabilidade pela violação do container ou eventual fraude e que a autoridade preparadora, por meio de despacho à fl, 119-v teria em princípio, condicionado a imposição da exigência à comprovação desta última circunstância; d) que o voto do i. Presidente da l a Turma trouxe à colação trecho do Parecer CST no sentido de que não seria possível exigir o IPI enquanto não configurado o seu fato gerador, no caso, o desembaraço aduaneiro; e) que o referido voto divergente igualmente acataria as alegações acerca da dúvida da ocorrência do fato gerador, na medida em que não se saberia onde o container teria sido violado, de modo que a imposição estaria efetivamente baseada em presunções e que a cobrança em questão seria penosa; 6 Processo n" 11128.000870/2001-58 S3-C1T2 Acórclão n " 3102-00687 Fl 2H f) que as dúvidas acerca do universo fático afastariam a incidência que se pretende imputar, bem assim sua legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação; g) que só teve contato físico com container em 13/10/1999, ou seja 2 dias após sua chegada no Porto de Santos, e apenas no dia 14/10/1999, perante a Fiscalização, promoveu o rompimento do lacre e identificou o extravio da carga e a sua substituição por areia h) que a assinatura do Termo de Responsabilidade somente obrigaria a recorrente a garantir a integridade do container e que essa obrigação teria sido cumprida; i) que não fora imputada à transportadora responsabilidade no extravio da mercadoria; j) que restara inequivocamente demonstrado que o extravio teria ocorrido antes do container deixar o Porto de Santos. Entende aplicáveis, por consequência, normas que afastariam a responsabilidade da Recorrente, em destaque o art, 128 do CTN, bem assim os arts, 77, 81, 478 e 479 do Regulamento Aduaneiro de 1985. Traz à colação doutrina e jurisprudência que respaldariam sue pretensão; k) que o Regime de Trânsito Aduaneiro não foi descumprido, mas devidamente concluído: um contêiner com areia fora embarcado no terminal alfandegado de origem, transportado pela rota autorizada e foi entregue no terminal de destino no prazo determinado; 1) que cumpriu fielmente o dever de provar o que estaria ao seu alcance; m) que, efetivamente, restara caracterizado motivo de força maior; É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relatar 1- Preliminarmete 1.1 - Admissibilidade Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção Em nome da clareza, analiso separadamente cada um dos fundamentos aduzidos. 1.2 — Ilegitimidade Passiva Não vejo configurada a alegada ilegitimidade passiva. 7 A recorrente era, ex vi do art. 257, 1 1 do Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto IV 91,030, do mesmo ano (RA/1985), beneficiária do Regime de Trânsito Aduaneiro, fato que aliás se comprova pela leitura da Declaração de Trânsito Aduaneiro objeto do litígio,. De se recordar, ademais, o que dizia o art. 275 do mesmo RA/1985: Art. 275 Em qualquer caso, os beneficiários a que se refere o artigo 257 e o tiansportador serão solidários, perante a Fazenda Nacional, nas responsabilidades decorrentes da operação de trânsito aduaneiro Parágrafo único Ao firmar o teimo de responsabilidade, o beneficiário assumirá a condição de fiel depositário da mercadoria, enquanto subsistir a operação de trânsito aduaneiro Poder-se-ia até indagar se o crédito tributário lançado estaria melhor amparado se ambas pessoas jurídicas, importador e transportador', constassem do pólo passivo, mas isso é circunstância alheia ao presente processo. Como é cediço, não é competência deste colegiado inovar o lançamento para imputar a exigência a terceiro não arrolado pelo Fisco. Nesta etapa, cabe apenas discutir se o contribuinte poderia ou não figurar no pólo passivo da obrigação, e a resposta a tal indagação é afirmativa. Ademais, não vejo que o parecer de fl, 119, de lavra da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo, tenha o efeito sustentado pelo sujeito passivo. A meu ver, dito documento tem como objetivo fixar a unidade administrativa da Receita Federal do Brasil que se responsabilizaria pela apuração do fato. De qualquer forma, ainda que se extraísse do documento a exegese pretendida, não alcançaria o efeito sustentado. Se o SEDAD/AIISP não era competente para apurar a infração, igualmente não lhe caberia definir os critérios que fixariam a responsabilidade tributária. Nessa ordem de consideração, não há que se falar em ilegitimidade passiva por parte da recorrente, motivo pelo qual afasto a alegada preliminar, 2 — Mérito 2.1— Impostos A exigência em debate está fimdamentada na convicção de que as mercadorias fbram submetidas a regime suspensivo, tanto do Imposto de Importação, quanto do Imposto sobre Produtos Industrializados e que a condição que resolveria essa suspensão não se aperfeiçoou. Analisando a legislação de regência, fbrçoso é concluir que, para ambos os impostos, há previsão para essa consequência. 1 Art. 257, São beneficiários do regime, nas operações de que trata o parágrafo único do artigo 254: I - o importador, nas hipóteses referidas nos incisos 1 e VI; 8 Processo ri" 11128 000870/2001-58 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-M687 F1 212 Com relação ao 11, confira-se o que diziam os art. 252, 253 e 276 do antigo Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985: Art. 252. O regime especial de trânsito aduaneiro é o que permite o transporte de mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro, com suspensão de tributos (Decreto-lei No 37/66, art. 73). Art. 2.53. O regime subsiste do local de origem ao local de destino e desde o momento do desembaraço para trânsito aduaneiro pela repartição de origem até o momento em que a repartição de destino certifica a chegada da mercadoria. Art. 276.. O transportador que realizar operação de transporte de mercadoria em trânsito aduaneiro responderá pelo conteúdo dos volumes nos casos previstos no § I" do artigo 478 e deverá comprovar, dentro do prazo estabelecido, a chegada da mercadoria na .forma indicada na Subseção II da Seção VI, § I" o transportador que não comprovar a chegada da mercadoria ao local de destino ficará sujeito ao cwnprimemo das obrigações fiscais assumidas no termo de responsabilidade, sem prejuízo das penalidades previstas neste Regulamento e demais sanções cabíveis. § 2" Na hipótese do parágrafo anterior, os tributos serão os vigentes à data da assinatura do termo de responsabilidade, acrescidos dos encargos legais (Decreto-lei No 37/66, art. 74, § 10). Já com relação ao IP1, onde o disciplinamento ficou por conta dos artigos 37, 38 e 39 do Regulamento aprovado pelo Decreto n° 2,6,37, de 1998; o primeiro que envia para a legislação aduaneira o disciplinamento do desembaraço com suspensão; o segundo, que trata da extinção da obrigação pelo implemento da condição; e o último, da exigência do tributo caso tal condição deixe de ser implementada. Confira-se: Art. 37. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos COm suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela SRF. Ail. 38. O implemento da condição a que está subordinada a suspensão resolve a obrigação tributária suspensa. Art. 39. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. (Lei n" 9.532, de 1997, art„ .37, inciso II). Nesse contexto, dúvida não há que a concessão de regime suspensivo dá ensejo à cobrança dos tributos caso não haja o seu encerramento, nos termos da legislação de regência.. •Y'r 9 Restaria discutir, na esteira do que vem sendo alegado em grau de recurso, se os elementos carreados ao processo permitem concluir se a hipótese abstratamente prevista se concretizou e se há elementos capazes de excluir a responsabilidade da recorrente. Analiso cada urna dessas vertentes a seguir: 2.1.1 - Fato Gerador do Imposto de Importação - Mercadoria Manifestada e Extraviada Há, efetivamente, hipótese prevista em lei que caracteriza o fato gerador da obrigação tributária principal em todas suas dimensões e, diferentemente do alegado, não se caracteriza violação ao art, 114 do Código Tributário Nacional2 Cabe aqui relembrar, em primeiro lugar, que constava do parágrafo único do art., 1' do Decreto-lei ri' 37, de 1966, posteriormente renumerado para § 2 0 do mesmo art. 1' do Decreto-lei n° 2.472, de 1988: ,"- Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerar-se-- á entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Inteiramente cabível, portanto, a regulamentação promovida pelo parágrafo único do art. 86 do RA/1985: Ari, 86 - O . fato gerador do imposto é a entrada da mercadoria estrangeira Parágtqfb único.: Para efeitos fiscais, será considerada como entrada no território aduaneiro a mercadoria constante de manifesto ou documento equivalente, cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira. Não admitiu o legislador, portanto, que se pretendesse condicionar a ocorrência do fato gerador a circunstância diversa das eleitas pelo Decreto-lei n° 37, de 1966: constar a mercadoria de manifesto e apurar-se o seu extravio. Explicando o fenômeno, pontifica Antonio Roberto Sampaio Dória (apud Geraldo Ataliba, Hipótese de Incidência Tributária, São Paulo, Malheiros. 2004, 6' edição, 99): "Ora, dada a natureza própria de cada imposto, determinada pela realidade econômica em que assenta, pode o legislador eleger, dentro de um espectro mais ou menos amplo de alternativas ou opções válidas, qual o momento em que um especifico .fato gerador se exterioriza, desprezando outras componentes de fato que integram a mesma realidade econômica e cuja In anifestaçâo, antes ou depois, é juridicamente irrelevante para caracterizar ou modificar a obrigaçâo tributária respectiva. A propósito, segundo dispõe o CTN, em seu art. 114, "fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência" (destaquei).. 2 Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei corno necessária e suficiente à sua ocotrência 10 /7 Processo n" 11128 000870/2001-58 S3-CIT2 Acórdào n 3102-00.687 Fl 213 Perfeitamente delineado, por outro lado, o aspecto temporal do fato gerador do Imposto de Importação, nos termos do comando gizado no parágrafo único do art 2.3 do Decreto-lei ir 37, de 1966: Parágrafo único, Na caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoridficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento. Na mesma linha, segue a regulamentação do dispositivo: Art, 87 Para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador (Decreto-lei No 37/66, art. 23 e parágrafo único): II - no dia do lançamento respectivo, quando se tratar de c) mercadoria constante de manifesto ou documento equivalente, cuja falta ou avaria for apurada pela autoridade aduaneira. À esta altura me permito discordar o i, relator do órgão julgador de piso, pois penso que, efetivamente, a lei presumiu a entrada da mercadoria no Território Nacional, mas isso, diversamente do que se alega, não viola o art. 19 do CTN, como, aliás, já se manifestou o Pretória Excelso nos autos do AI 110677 AGr/R.T3. "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO MERCADORIA EM FALTA ART 23, PARÁGRAFO ÚNICO DO DECRETO-LEI N 37/66 ART 19 DO CTN INEXISTE CONTRADIÇÃO OU ANTINOMIA ENTRE A NORMA GENERICA DO ART 19 DO CTN E A NORMA ESPECIFICA DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART 23 DO DL 37/66, AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO, " Trata-se, na espécie, de "verdade jurídica" que só é afastada se igualmente afastado o fato capaz de desencadeá-la. Ou seja, não caberia aqui discutir se a recorrente tem ou não culpa pela violação do container, em que momento tal violação ocorrera ou quaisquer das demais alegações já expostas anteriormente. Para a conclusão do fato gerador do Imposto de Importação, é suficiente que a mercadoria tenha constado de manifesto e que, posteriormente, tenha sido apurada sua avaria, fatos suficientemente provados nos autos e para os quais não foi feita prova em contrário, 2.1.2 — Imposto sobre Produtos Industrializados Peço vênia, mais uma vez, à recorrente, pois penso que, efetivamente, materializou-se o fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados e consequentemente, o não adimplemento da condição resolutiva (encerramento do trânsito), dá ensejo à cobrança desse imposto, 3 • Min RAFAEL. MAYER, julgado em 16/05/1986, D.T 06/06/1986 PP-09940 Confira-se, em primeiro lugar, o art 32, 1 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 1998, que regulamentou o art. 2', I da Lei n° 4.502, de 1964: Ar! 32 Fato gerador do imposto é (Lei n" 4.502, de 1964, art. 2").- 1 - o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou Ou seja, a condição "necessária e suficiente" 4 para o surgimento da obrigação é exclusivamente o desembaraço aduaneiro, definido no art.. 450, caput e §1", do Regulamento Aduaneiro vigente à época (aprovado pelo Decreto n° 91,030, de 1985): Art. 450. Concluída a conferência sem exigência fiscal ou outra, dar-se-á o desembaraço aduaneiro da mercadoria (Decreto-lei No 37/66, ali, 53) 1" Desembaraço aduaneiro é o ato final do despacho aduaneiro em virtude do qual é autorizada a entrega da mercadoria ao importador: Com relação ao conceito de despacho e de conferência, essenciais para que se fixe o conceito de desembaraço, recorre-se aos art. 411 e 445 do mesmo RA/85: Ari, 411 Despacho de importação é o procedimento fiscal mediante o qual se processa o desembaraço aduaneiro de mercadoria procedente do exterior, seja ela importada a título definitivo ou não. Art. 445 No despacho para trânsito aduaneiro a conferência poderá limitar-se à identificação de volumes, nos termos do artigo 267. Conforme se extrai dos dispositivos, a mercadoria submetida a Trânsito Aduaneiro é, efetivamente, submetida a despacho, conferência e desembaraço, de modo que, de fato, resta caracterizado o fato gerador do IN, 2.2 — Responsabilidade Objetiva Penso que, efetivamente, a não realização de vistoria aduaneira, por expressa decisão do beneficiário autoriza que se considere o extravio ocorrido no momento em que a mercadoria se encontrava sob a guarda do transportador por ele contratado. Ou seja, ao firmar tal compromisso, assumiu a recorrente, para todos os efeitos legais, que estavam sendo transportadas as mercadorias que constavam da fatura comercial e que tais mercadorias deveriam ser entregues na repartição aduaneira de destino. Entendo descabida, por outro lado, a pretensão de condicionar os efeitos da desistência à ocorrência de indícios de violação. A teor do art. 468, § 1', esses indícios só seriam condicionantes da vistoria de oficio. Confira-se a redação do dispositivo, 4 Art. 114, Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência 12 Processo n" 11128000870/2001-58 S3-C1T2 Acórdão n 3102-0(L687 Fl. 214 .5ç I" A vistoria será realizada a pedido, ou de oficio, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique Ou seja, sendo certo que, de acordo com o que dispõe o § 3 0 do mesmo art. 468 5 , após a entrega da mercadoria ao importador, não mais será possível realizar a vistoria aduaneira, a legislação faculta-lhe o direito de pleitear sua realização até esse evento, superado esse momento, sem que tal providência seja adotada, assume o importador ou, conforme o caso, o beneficiário, o ônus de eventuais diferenças apuradas. Correta, portanto, a exegese do art. 284, II do RA/1985 que constou do voto condutor do acórdão recorrido. Consequentemente, entendo não prosperar a alegação de que o trânsito aduaneiro de "sacos de areia" foi iniciado na unidade da RFB de origem e encerrado na de destino. Para todos os efeitos, a recorrente assumiu estar transferindo, sob sua responsabilidade, as mercadorias que constavam da cópia da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro para trânsito. Outra consequencia direta da desistência de vistoria, a meu ver, é a impossibilidade de se condicionar a caracterização da avaria à realização do referido procedimento fiscal. Com efeito, o art, 47.3, caput e § 2', do mesmo RA aprovado pelo Decreto n° 91.0.30, de 1985, previu: Art, 473 Poderá ser dispensada a realização da vistoria se o importador assumit; por escrito, a responsabilidade pelos ônus decorrentes da desistência, § 2°A desistência implicará na perda de beneficio de isenção ou redução do imposto, na proporção da avaria ou falta. Ora, se a recorrente assumiu os ônus desistência, efetivamente não se poderia condicionar tais ônus à realização desse procedimento, máxime quando o regulamento deixou clara a ausência de redução do imposto proporcional ao volume da avaria. 2.3 — Força Maior Não vejo demonstrada, por outro lado, circunstância capaz de caracterizar força maior, definida no parágrafo único do art. 1058 do Código Civil de 2002: Art. 10,58_ Parágrafo único. O caso .fortuito ou de força inaior, verifica-se no fato necessário cujos efeitos não era possível evitai ou impedir, 5 § 3° Não será efetuada vistoria após a entrega da mercadoria ao importador. 13 Acerca desses conceitos, esclarece Pontes de Miranda6 "Fato necessário está, aí, por fato cuia determinação se procede sem que o devedor possa afastai; em suas conseqüências. Se o fato é necessário, mas o devedor pode evitar ou impedir- os seus efeitos, não há caso fortuito por força maior". Ora, se a própria recorrente afirma não saber o momento em que a mercadoria foi extraviada (no porto de Santos ou quando se encontraria de posse do transportador internacional), não há como afirmar que esse extravio ocorreu em razão evento cujos efeitos não poderiam ser evitados, 3 — Multa Capitulada no art. 44 da Lei n" 9.430 Penso que não há justo motivo para a imposição da multa capitulada no art. 44, 1 da Lei n° 9.430 à conduta descrita no presente processo: Confira-se a redação do dispositivo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição.' 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Pedindo licença às autoridades de piso, entendo que a hipótese tratada nos autos não se confunde com a mera "falta de pagamento". Com efeito, no caso em tela, caracterizou-se o fato gerador dos impostos e a mercadoria foi alvo de isenção sob condição resolutória; no caso, o encerramento do trânsito. Vindo a isenção a não se aperfeiçoar, em razão do descumprimento da condição, não vejo como afastar, na hipótese, a regra do § 2 0 do art. 179, combinado com o art. 155 do Código Tributário Nacional, confira-se: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão, .sç 2" O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155, A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir- os requisitos 6 Tratado de Direito Privado, T XXIII, p. 84. 14 Processo u" 11128 000870/2001-58 S3-C1T2 Acórdão ° 3102-00.687 Fl 215 para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: 1 - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; 11 - sem imposição de penalidade, nos demais casos Sendo certo que, na hipótese do presente litígio, não consta acusação de que a recorrente teria incorrido em algumas das qualificadoras enumeradas no inciso I do art. 155, há que se aplicar o disposto no inciso H. Ademais, se a obrigação do pagamento só surge no momento da lavratura do auto de infração, o sujeito passivo simplesmente não estava obrigado solvê-la em data anterior. Se não há descumprimento da obrigação, evidentemente, não há que se falar em imposição de penalidade, Por outro lado, se toda caracterização da responsabilidade está ancorada na avaria da mercadoria, sob a modalidade extravio, o tipo em que a conduta do sujeito passivo teria incidido seria o Art. 106, II, "c", do Decreto-lei n° 37, de 1966, que reza: Art.106 - Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução,' 11 - de cinqüenta por cento: c) pelo extravio de mercadoria, inclusive o apurado em ato de vistoria aduaneira; Demonstrado o erro na tipificação da conduta, impõem-se o afastamento dessa fração do lançamento. 4. Conclusão Ante a essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para afastar da exigência exclusivamente a parcela correspondetente à multa de 75% dos impostos, capitulada no art. 44, da Lei ni) 9.430, de 1996. Luis arcelo Guerra de Castro 15
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009723/2005-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 26/09/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 26/09/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 02/11223527, em 18/12/2002 (fls. 6/10), no valor de R$ 3.294,49 (Três mil, duzentos e noventa e quatro reais e quarenta e nove centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias n's. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10:182, de 12de fevereiro de 2001:Tal beneficio consiste na redução de 40% (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 45), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 18/12/2002 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 02/11223527, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 24/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 3.294,49 (Três mil, duzentos e noventa e quatro reais e quarenta e nove centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 25 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009723/200576 Acórdão n.º 310200.986 S3‐C1T2 Fl. 149 3 O processo tramitou pela Secretaria da Receita Federal em São Paulo IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 48). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 48). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da. redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 49/50 Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 51/54). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 58/72, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do benefício. 03 Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação as CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 58/72 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009723/200576 Acórdão n.º 310200.986 S3‐C1T2 Fl. 150 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/09/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° .5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da. mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Códigos estáse referindo a aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009723/200576 Acórdão n.º 310200.986 S3‐C1T2 Fl. 151 7 I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13819.002482/2001-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
IRRF - PARCELAMENTO DO DÉBITO - EXTINÇÃO.
Deve ser extinto o crédito tributário quando o contribuinte demonstra que já havia quitado o débito mediante parcelamento.
Numero da decisão: 2102-001.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em decorrência da extinção do crédito tributário pelo pagamento, nos termos do relator.
ASSINADO DIGITALMENTE
José Raimundo Tosta Santos - Presidente à época da reimpressão em PDF
ASSINADO DIGITALMENTE
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Relator
Acórdão reimpresso em PDF, depois de formalizado em papel em 2010, por solicitação da Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF.
EDITADO EM 02/12/2010
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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Deve ser extinto o crédito tributário quando o contribuinte demonstra que já havia quitado o débito mediante parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em decorrência da extinção do crédito tributário pelo pagamento, nos termos do relator. ASSINADO DIGITALMENTE José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da reimpressão em PDF ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 24 82 /2 00 1- 59 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13819.002482/200159 Acórdão n.º 2102001.014 S2‐C1T2 Fl. 105 2 Acórdão reimpresso em PDF, depois de formalizado em papel em 2010, por solicitação da Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF. EDITADO EM 02/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 59 a 64, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 49 a 52, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF de fls. 11 a 15 dos autos, lavrado em 30/07/2001, relativo ao anocalendário 1999. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 121.080,03, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos de fl. 12, o lançamento teve origem na omissão de rendimentos recebidos da empresa Dânica Tupiniquim Termoindustrial LTDA., CNPJ nº 80.446.529/000172. Com o cruzamento das informações contidas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF fornecido pela fonte pagadora (fl. 46) com os dados da declaração de ajuste anual (fl. 45), a autoridade fiscal promoveu alterações nas seguintes linhas da declaração do RECORRENTE: (i) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas foi alterado de R$ 38.904,58 para R$ 285.514,40; e (ii) imposto de renda retido na fonte de R$ 0,00 para R$ 4.282,71. Assim, foi apurado saldo de imposto suplementar no valor de R$ 61.961,33 (vide extrato de fl. 43). DA IMPUGNAÇÃO Em 24/10/2001, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 01 a 10, através de procurador devidamente constituído à fl. 16, que teve a sua tempestividade atestada pelo despacho de fl. 39. Em suas razões, o RECORRENTE alegou, em sede de preliminar, o erro na descrição dos fatos, na identificação da matéria tributária e no enquadramento legal, tendo em vista que a autoridade lançadora descreveu a matéria tributável como “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício”, enquanto, na realidade, o RECORRENTE apenas prestou serviços sem qualquer vínculo durante o anocalendário 1999. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13819.002482/200159 Acórdão n.º 2102001.014 S2‐C1T2 Fl. 106 3 No mérito, o RECORRENTE reconhece que não apresentou a sua declaração de ajuste anual na forma devida. Contudo, alegou que somente parte do valor lançado era exigível tendo em vista que o RECORRENTE devolveu à empresa tomadora dos serviços parte do valor recebido. O RECORRENTE alegou que, em meados de 1999, prestou serviços de assessoria comercial para a empresa DÂNICA TUPINIQUIM TERMOINDUSTRIAL LTDA., e convencionou o recebimento da importância total de R$ 285.514,06, em cinco parcelas distintas, sendo que R$ 38.036,00 foram pagos em 11 de agosto daquele ano, na forma de adiantamento e o restante no final do mesmo mês, em quatro parcelas distintas, nos valores de R$ 28.083,81, R$ 56.218,00, R$ 162.335,00 e R$ 841,57, respectivamente. No entanto, afirmou que, por motivos econômicos e comerciais, o serviço não chegou a ser finalizado, fato que determinou a revisão do serviço e, inclusive, a devolução de valores já pagos anteriormente. Assim, a quantia de R$ 159.900,00 (valor líquido da parcela equivalente a R$ 162.335,02, em razão da retenção do imposto na fonte de R$ 2.435,02), correspondente à Nota Fiscal nº 004 (fl. 21), foi imediatamente devolvido à fonte pagadora, o que impossibilitaria a sua tributação, tendo em vista que tal quantia não se enquadra no conceito de renda previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, em decorrência do cancelamento da nota fiscal nº 004, o RECORRENTE reconheceu ser devido o imposto de renda apenas sobre os valores das quatro parcelas remanescentes, que foram efetivamente recebidas, quais sejam: R$ 38.036,00, R$ 28.083,81, R$ 56.218,00 e R$ 841,57. Por fim, alegou que a devolução da importância de R$ 159.900,00 deuse mediante depósito na conta da empresa, e esclareceu que, por não estar de posse dos respectivos comprovantes, solicitou extrato de sua conta corrente à agência do Banco Bradesco (conforme documento de fl. 22), o qual será juntado aos autos posteriormente. Posteriormente, em 29/10/2001, o RECORRENTE aditou sua defesa com a petição de fls. 23 a 25, que teve por objetivo juntar aos autos os extratos bancários de fls. 26 a 35. Desta maneira, solicitou a retificação do lançamento, para que conste como rendimentos tributáveis o valor de R$ 123.179,38, e como imposto de renda retido na fonte a quantia de R$ 4.282,60. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 49 a 52 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA IRPF Anocalendário: 1999 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13819.002482/200159 Acórdão n.º 2102001.014 S2‐C1T2 Fl. 107 4 MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E INCLUSÃO DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIRF. É de se excluir parte dos valores incluídos no lançamento, correspondentes a rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e a dedução do imposto de renda retido na fonte, uma vez evidenciado, pelos elementos constantes dos autos, ter havido erro no preenchimento da DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) entregue pela respectiva fonte pagadora, pessoa jurídica, que atribuiu, indevidamente, ao contribuinte, rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício relativos a serviços de assessoria comercial por ele não prestados e cujo correspondente numerário percebido foi devolvido dentro do próprio anocalendário. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora afirma que, ao analisar os documentos de fls. 24, 24, 35, 47 e 48 constatou que do total dos rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício informados pela fonte pagadora na DIRF de fl. 46, a quantia de R$ 162.335,02 (com imposto retido na fonte de R$ 2.435,02) correspondem a serviços de assessoria comercial que foram cancelados (e devolvido o pagamento dentro do próprio anocalendário setembro de 1999 no valor líquido de R$ 159.900,00). Desta forma, por constatar o erro no preenchimento da DIRF por pare da empresa Dênica Tupiniquim Termoindustrial LTDA., excluiu do lançamento as importâncias de R$ 162.335,02 (rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas) e R$ 2.435,02 (respectivo imposto de renda retido na fonte). Com isso, retificou o lançamento de fls. 11 a 15, da seguinte forma: Rendimentos Tributáveis R$ 123.179,38 (R$ 285.514,40 – R$ 162.335,02) Deduções R$ 28.917,86 Base de cálculo R$ 94.261,52 Imposto R$ 21.601,92 Imposto Retido na Fonte R$ 1.847,69 (R$ 4.282,71 – R$ 2.435,02) Imposto suplementar calculado R$ 19.754,23 Multa de ofício calculada R$ 14.815,67 Após o julgamento de primeira instância, foi realizado o seguinte demonstrativo do crédito tributário: Imposto suplementar exigido R$ 61.961,33 Imposto suplementar exonerado R$ 42.207,10 Imposto suplementar mantido R$ 19.754,23 Multa de oficio exigida R$ 46.470,99 Multa de oficio exonerada R$ 31.655,32 Multa de oficio mantida R$ 14.815,67 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13819.002482/200159 Acórdão n.º 2102001.014 S2‐C1T2 Fl. 108 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 29/12/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 58, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 59 a 64, em 28/01/2009. Em suas razões, o RECORRENTE alega que, em 25/10/2001, requereu o parcelamento do valor de R$ 21.639,21 (processo nº 13819.002489/200171), e que havia informado tal parcelamento mediante petição protocolada em 08/11/2001 na DRF de São Bernardo do Campo/SP, tendo solicitado, na ocasião, a juntada aos autos da respectiva “Autorização para Débito em Conta de Parcelas de Parcelamento”. Anexou aos autos cópias dos comprovantes mensais de pagamentos efetuados, através do quais é possível constatar a quitação da obrigação tributária (fls. 67 a 92), e cópia do extrato do processo de parcelamento nº 13819.002489/200171, onde consta informação de “arquivado” (fl. 94). Desta forma, alegou que houve erro no julgamento da DRJ, uma vez que esta desconsiderou o parcelamento promovido pelo RECORRENTE. Apontou que, no entendimento da DRJ, restaria ainda crédito tributário a favor do Fisco. Portanto, requereu a reforma da decisão de primeira instância a fim de que seja declarada a inexistência de qualquer tributo devido pelo RECORRENTE em relação ao presente processo. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razão por que dele conheço. A controvérsia nos presentes autos, apontada pelo RECORRENTE em seu recurso voluntário, diz respeito ao pagamento integral do débito em cobrança, que sofreu reforma após julgamento pela DRJ. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13819.002482/200159 Acórdão n.º 2102001.014 S2‐C1T2 Fl. 109 6 No caso sob exame, observase que o RECORRENTE tem razão ao afirmar que a quantia de imposto incontroversa encontrase devidamente paga mediante o parcelamento requerido pelo RECORRENTE (processo administrativo nº 13819.002489/2001 71). Ao analisar os autos, verificase que na mesma data em que protocolou a sua impugnação (24/10/2001), o RECORRENTE solicitou atendimento para tratar de parcelamento de débitos perante a DRF de São Bernardo do Campo/SP, conforme fl. 67 dos autos. Em 25/10/2001, o RECORRENTE realizou o Pedido de Parcelamento de Débitos – PEPAR (fl. 68), que recebeu o nº 13819.002489/200171, para pagamento de imposto de renda pessoa física, que entendeu devido, em 30 parcelas. Conforme exposto no demonstrativo de parcelas de fl. 69, o valor do principal do imposto parcelado foi de R$ 21.639,21 (R$ 721,47 de entrada + R$ 20.917,74) e o valor da multa de ofício foi de R$ 9.737,64 (R$ 324,66 de entrada + R$ 9.412,98). O parcelamento foi encerrado em razão de sua quitação integral, conforme indica o extrato do processo nº 13819.002.489/200171 de fl. 109, que está arquivado (fl. 94). Este mesmo extrato indica como origem dos débitos o presente processo (processo nº 13819.002482/200159). Ressaltese que, de acordo com o extrato do processo de fl. 38, a data de vencimento da multa de ofício apurada em decorrência do presente auto de infração foi 25/10/2001. Como o parcelamento do débito foi requerido nessa mesma data, o RECORRENTE teve direito à redução de 40% da multa de ofício, conforme disciplina o art. 963 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), que passou de R$ 16.229,40 para R$ 9.737,64. Ademais, este mesmo extrato de fl. 38 indica que parte do valor cobrado pelo presente auto de infração foi transferido para o processo nº 13819.002489/200171, que se trata do parcelamento solicitado pelo RECORRENTE, permanecendo em cobrança o saldo de imposto de R$ 40.322,12 e a respectiva multa de ofício de 30.241,59, fato este que passou despercebido pela autoridade julgadora de primeira instância. Este era, portanto, o valor em litígio na DRJ. Conforme demonstrativo do crédito tributário realizado pela autoridade julgadora de primeira instância (fl. 52), o valor do imposto suplementar exonerado após o julgamento foi de R$ 42.207,10, e a multa de oficio exonerada foi de R$ 31.655,32, valores estes superiores aos cobrados no presente processo, tendo em vista a transferência de parte dos valores em razão do parcelamento (fl. 38). Analisando os autos, percebese que existe erro no sistema da Receita Federal quanto à indicação do valor do crédito tributário exonerado após julgamento de primeira instância. De acordo com o extrato de fl. 99, há informação de que o valor do imposto suplementar exonerado foi de R$ 20.567,89 e o valor da multa de ofício exonerada foi de R$ 15.425,91, enquanto que o correto seria indicar os valores de R$ 42.207,10 e R$ 31.655,32, respectivamente, nos exatos termos da decisão da DRJ. Ao corrigir o erro existente no extrato de fl. 99, não restará saldo devedor remanescente a ser cobrado. Desta forma, entendo que o auto de infração em análise deve ser Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13819.002482/200159 Acórdão n.º 2102001.014 S2‐C1T2 Fl. 110 7 cancelado, visto que parte do débito foi exonerado pela DRJ e a parte remanescente foi devidamente paga pelo RECORRENTE através do processo de parcelamento nº 13819.002489/200171. Deste modo, a DRJ incorreu em erro, uma vez que consta nos autos a prova do pagamento do IRPF tido como incontrovertido, no exato valor de R$ 21.639,21, bem como da correspondente multa de ofício, mediante processo de parcelamento nº 13819.002489/2001 71. Em razão do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração, em face do pagamento. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10840.004396/2003-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 30/12/1993 a 10/12/1998
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados".
Numero da decisão: 9303-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 12/06/2015
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, Presidente à época do julgamento.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 43 96 /2 00 3- 87 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 12/06/2015 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, Presidente à época do julgamento. Relatório Insurgese a sociedade empresária acima contra decisão que apontou ter ocorrido a prescrição do seu direito a postular administrativamente restituição do PIS recolhido com base na Medida Provisória 1.212/1995 no período compreendido entre dezembro de 1993 e dezembro de 1998. Para tanto, entendeu o colegiado que o prazo prescricional é de cinco anos e se conta a partir de cada recolhimento efetuado, consoante disposições dos arts. 165 e 168 do CTN corroborados pelos arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005. O pedido administrativo deu entrada em 11 de dezembro de 2003. O recurso foi instruído com cópia de decisão que aplicou a tese dos cinco mais cinco, e pugna pela sua aplicação ao caso com concomitante afastamento da Lei Complementar. Tempestivas contrarazões postulam a manutenção do julgado pelos seus próprios fundamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi, a meu sentir, bem admitido, porquanto demonstrada a divergência de entendimentos. Dele conheço. E a ele cabe dar integral provimento. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10840.004396/200387 Acórdão n.º 9303002.417 CSRFT3 Fl. 6 3 Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. A situação deste recurso especial se ajusta exatamente àquela a que faz referência a douta Ministra: a Câmara recorrida considerou o dies a quo da contagem do prazo a data do recolhimento, quando o deveria ser a da homologação tácita, dado que o pedido é anterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118. Assim considerado, todavia, impõese a reforma do julgado, visto que nenhum período está afetado pela prescrição. Deveras, mesmo o mais antigo, dezembro de 1993, poderia ser postulado até 31 de dezembro de 2003. Como já informado, o pedido deu entrada vinte dias antes. Com essas considerações, voto por dar provimento integral ao apelo do contribuinte e determino o retorno dos autos à Câmara recorrida para exame do mérito da postulação. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10840.004396/200387 Acórdão n.º 9303002.417 CSRFT3 Fl. 7 5 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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