Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11618.001593/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 1999
Ementa: ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. CSLL. NÃO INCIDÊNCIA.
De acordo com expressa previsão legal, as EPPFs não podem perseguir
atividades lucrativas. Dessa forma, não se subsumem à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88, que pressupõe a existência de lucro, típico do exercício de atividades empresariais.
Numero da decisão: 1202-000.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com expressa previsão legal, as EPPFs não podem perseguir atividades lucrativas. Dessa forma, não se subsumem à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88, que pressupõe a existência de lucro, típico do exercício de atividades empresariais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11618.001593/2004-21
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4848365
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.655
nome_arquivo_s : 1202000655_11618001593200421_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Carlos Alberto Donassolo
nome_arquivo_pdf_s : 11618001593200421_4848365.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4748270
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233113305088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 309 1 308 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.001593/200421 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 1202000.655 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO SAELPA DE SEGURIDADE SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com expressa previsão legal, as EPPFs não podem perseguir atividades lucrativas. Dessa forma, não se subsumem à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88, que pressupõe a existência de lucro, típico do exercício de atividades empresariais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11618.001593/200421 Acórdão n.º 1202000.655 S1C2T2 Fl. 310 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, André Almeida Blanco, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Contra a entidade acima identificada foi lavrado o Auto de Infração para exigir a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL, relativo ao anocalendário de 1999, cumulado com multa de oficio, no percentual de 75%, e dos juros de mora, totalizando o valor de R$ 1.920.285,12, fls. 04/05. A autuada é uma Fundação de Previdência Privada Fechada, sem fins lucrativos, com suas atividades reguladas pela Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977. Posteriormente, a Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, passou a regulamentar as atividades dessas entidades. A irregularidade apurada pela fiscalização diz respeito ao não oferecimento à tributação da CSLL, do resultado positivo auferido no programa previdencial, apurado no ano de 1999. Irresignada com a autuação, a interessada apresentou sua impugnação, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: a) aduz que o seu objetivo é gerir recursos que se destinam ao incremento de seus planos de benefícios de previdência e assistência social, em complementariedade com a atuação do Estado no âmbito da seguridade social; b) discorre a respeito da evidente distinção entre as entidades de previdência privada abertas e de previdência privada fechadas, estas últimas criadas sem o objetivo de lucro; c) dispõe que existe nítida distinção dentre superávit, obtidas pelas entidades de previdência privada fechadas, e lucro, perseguidas pelas entidades abertas. Salienta que o fato gerador da CSLL, previsto na Lei nº 7.689, de 1988, se refere a lucro no sentido comercial, não existindo qualquer previsão legal que pudesse autorizar o superávit como hipótese de incidência tributária. d) em apoio à sua tese, traz acórdãos proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes e pelo Ato Declaratório Normativo CST nº 17, de 30/11/1990. e) aborda o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada; f) ao final, postula por perícia contábil, a fim de que sejam revistos os valores apurados; e requer seja declarada a improcedência do Auto de Infração. Na sequência, a DRJ/Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0219.018, de fls. 227 a 249, cuja ementa abaixo se reproduz: Fl. 310DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11618.001593/200421 Acórdão n.º 1202000.655 S1C2T2 Fl. 311 3 ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA DA CSLL. A contribuição social é devida pelas Entidades Fechadas de Previdência Privada EFPP. A demonstração do resultado do exercício das EFPP e feita, consoante legislação especifica. As provisões a serem deduzidas do saldo disponível para constituições, no programa previdencial, são apenas as reservas matemáticas e a reserva de contingência. Somente a partir de 1° de janeiro de 2002, foi que a lei expressamente concedeu isenção da CSLL às EFPP. Em relação aos periodos anteriores, não existe beneficio fiscal que afaste a CSLL do resultado auferido pelas EFPP. MULTA DE OFICIO. Por expressa determinação legal, é exigível, nos caso de lançamentos de oficio, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), sobre as diferenças apuradas de impostos e contribuições. Lançamento Procedente Os fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: A Lei nº 8.212, de 1991 afastou quaisquer dúvidas acerca da incidência desse tributo sobre as EFPP, pois prevê no seu art. 23, § 1°, que as instituições citadas no § 1° do art. 22 dessa lei, pagam a CSLL com a alíquota de 15%. Afirma que o art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988 estabelece que a base de cálculo da contribuição é o resultado do exercício, nada mencionado sobre a apuração ou finalidade de lucro por parte do contribuinte. Aduz, ainda, que a isenção para entidades sem fins lucrativos, prevista na Lei n° 9.532, de 1997, perdurou até o advento da Lei n° 9.732, de 1998 que prevê o cancelamento de toda e qualquer isenção concedida em desconformidade com art. 55 da Lei n° 8.212, 1991. Ressalta, ainda, que o art. 5º da Medida Provisória nº 916, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei nº 10.406, de 2002, passou novamente a isentar as entidades fechadas de previdência complementar da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSSL), relativamente aos fatos geradores ocorridos somente a partir de 1° de janeiro de 2002. Defende que a apuração da base de cálculo da contribuição seja feita a partir do resultado superavitário obtido na Demonstração do Resultado do Exercício padrão, estatuída no Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, que trata da planificação contábil das EFPP. Nesse demonstrativo, são apenas deduzidas as reservas matemáticas e de contingência. A aplicação da penalidade, no percentual de 75%, seguiu estritamente a legislação que rege a matéria. O princípio contido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11618.001593/200421 Acórdão n.º 1202000.655 S1C2T2 Fl. 312 4 Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1° da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Não se pode cogitar na realização de perícia quando presente nos autos os elementos suficientes para a solução do litígio. Não satisfeita com a decisão proferida, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, de fls. 256 a 283, repisando praticamente as mesmas argumentações trazidas na peça impugnatória. Requer, ao final, o cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia principal do processo diz respeito em saber se o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração, daquelas sociedades reguladas sob a regência da Lei nº 6.435, de 1977, está sujeito à incidência da CSLL. Depreendese que o lançamento decorreu da falta de recolhimento da CSLL relativo ao ano de 1999. Já a recorrente afirma que o resultado positivo auferido não tem a característica de lucro, que é próprio das sociedades comerciais, portanto, encontrase fora do campo de incidência da CSLL. Inicialmente, cabível a transcrição do art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, norma legal que criou a CSLL na forma prevista no art. 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. De acordo com o dispositivo transcrito, verificase que a hipótese de incidência da CSLL é a existência de “lucro”, apurado de acordo com o resultado do exercício da pessoa jurídica. Na época da ocorrência dos fatos, anocalendário de 1999, as entidades de previdência privada eram regidas pela Lei nº 6.435, de 1977. Esse diploma legal definiu que as entidades de previdência privada são as que têm por objeto instituir planos privados de concessão de pecúlios ou de rendas, de benefícios complementares ou assemelhados aos da Previdência Social, mediante contribuição de seus participantes, dos respectivos empregadores ou de ambos. O legislador, à época da edição da lei, quis dar um tratamento especial a esse tipo de sociedade, com regramento próprio e distinto das demais pessoas jurídicas. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11618.001593/200421 Acórdão n.º 1202000.655 S1C2T2 Fl. 313 5 Para melhor análise, vejamos inicialmente a redação dos arts. 4º e 5º da citada lei: Art. 4° Para os efeitos da presente Lei, as entidades de previdência privada são classificadas: I de acordo com a relação entre a entidade e os participantes dos planos de benefícios, em: a) fechadas, quando acessíveis exclusivamente aos empregados de uma só empresa ou de um grupo de empresas, as quais, para os efeitos desta Lei, serão denominadas patrocinadoras;(Vide Decretolei nº 2.064, de 1983)(Vide Decretolei nº 2.065, de 1983) b) abertas, as demais. II de acordo com seus objetivos, em: a) entidades de fins lucrativos; b) entidades sem fins lucrativos; § 1° As entidades fechadas não poderão ter fins lucrativos. (...) Art. 5° As entidades de previdência privada serão organizadas como: I sociedades anônimas, quando tiverem fins lucrativos; II sociedades civis ou fundações, quando sem fins lucrativos. (grifei) Como se percebe da redação dada aos arts. 4º e 5º da Lei nº 6.435, de 1977, existe uma clara diferenciação entre as entidades de previdência privada fechadas em relação às demais entidades de previdência privada abertas e das sociedades empresariais. Entre elas podemos destacar que as entidades de previdência privada fechada têm “natureza civil” e devem atuar “sem objetivo de lucro”. Atuando sem finalidade lucrativa, tem como objeto a administração e a execução de planos de benefícios de natureza previdenciária, sendolhes vedada a prestação de quaisquer serviços que não estejam no âmbito de seu objeto, por isso, assim dispõem o art. 39 da citada lei: Art. 39. As entidades fechadas terão como finalidade básica a execução e operação de planos de benefícios para os quais tenham autorização específica, segundo normas gerais e técnicas aprovadas pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social. Já o art. 35, inciso I, letra “e” do referido diploma legal, delegou competência ao Ministério da Previdência e Assistência SocialMPAS para estabelecer normas gerais Fl. 313DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11618.001593/200421 Acórdão n.º 1202000.655 S1C2T2 Fl. 314 6 relativas às matérias contábil, atuária e estatística, de observância obrigatória por essas entidades. Por seu turno, foi publicada a Portaria MPAS n° 4.858, de 26 de setembro de 1998, que em seu Anexo C, item "3", estabeleceu o plano contábil da “Demonstração de Resultados do Exercício” padrão das entidades de previdência privada fechada. Com isso, a Demonstração de Resultados do programa previdencial prevê, que para essas entidades, serão apurados “Superávit/Déficit Técnico” ao invés da apuração de “lucros/prejuízos” como é característico das demais espécies de sociedade. Por esse motivo, os dispositivos regulamentares e legais tratam os possíveis resultados obtidos como “superávit/déficit”, não se referindo, em nenhum momento, no auferimento de “lucros/prejuízos”. Além disso, as operações da entidade não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou serviços, o que afasta o caráter mercantil presente nas sociedades em geral. No que se refere à destinação do resultado do exercício auferido, verificase que o art. 46 da referida lei, prevê que o mesmo tenha destinação específica na constituição de reservas: Art. 46. Nas entidades fechadas o resultado do exercício, satisfeitas todas as exigências legais e regulamentares no que se refere aos benefícios, será destinado: a constituição de uma reserva de contingência de benefícios até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) do valor da reserva matemática; e, havendo sobra, ao reajustamento de benefícios acima dos valores estipulados nos §§ 1° e 2º do artigo 42, liberando, se for o caso, parcial ou totalmente as patrocinadoras do compromisso previsto no § 3º do mesmo artigo. Assim, da leitura das normas legais que regem as sociedades de previdência privada fechada depreendese que os resultados obtidos por essas entidades são denominados “superávits”, com destinação própria definida em lei específica, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, que exige a ocorrência de “lucro”, termo de conteúdo diverso e bem definido em nosso ordenamento jurídico, que se relaciona à atividade mercantil. Dessa forma, as entidades de previdência privada fechadas encontramse fora do campo de incidência da CSLL, não podendo ser exigida essa contribuição da autuada. Essa matéria também encontravase pacificada no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos acórdãos nº 10709489, sessão de 16/09/2008, e nº 10194668, sessão de 12/08/2004, dentre outros, assim ementados (transcrição em parte): Acórdão nº 10709489: CSLL. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INEXIGIBILIDADE. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO Caracterizada a ausência de finalidade lucrativa da entidade de previdência privada fechada, inexigível a CSLL sobre o superávit, na disciplina da Lei n.° 7.689/88, além de inexistir base de cálculo para tal cobrança. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11618.001593/200421 Acórdão n.º 1202000.655 S1C2T2 Fl. 315 7 Acórdão nº 10194668: BASE DE CÁLCULO – ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades fechadas de previdência privada obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, não alcança o superávit obtido pelas entidades fechadas de previdência privada. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado de tais entidades se fosse descaracterizada a finalidade não lucrativa das mesmas, apurandose o lucro, base imponível da CSLL, na forma da legislação comercial e fiscal. Dessa forma, por se tratar de resultados positivos decorrentes de “superávit” originados de entidades “sem fins lucrativos”, é de se reconhecer a inaplicabilidade da incidência da CSLL, que foi exigida no Auto de Infração. Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 315DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.006390/2002-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercício: 1998
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. 0 resultado dos atos
cooperado estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição
Social sobre o Lucro Liquido.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9101-001.267
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercício: 1998 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. 0 resultado dos atos cooperado estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Recurso Especial do Procurador negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10860.006390/2002-25
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4970304
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.267
nome_arquivo_s : 9101001267_10860006390200225_201111.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio Carlos Guidoni Filho
nome_arquivo_pdf_s : 10860006390200225_4970304.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4748236
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233116450816
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-05-15T19:35:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-05-15T19:35:42Z; Last-Modified: 2012-05-15T19:35:42Z; dcterms:modified: 2012-05-15T19:35:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1414b713-dbfe-4cab-96d0-dc019c4e73a5; Last-Save-Date: 2012-05-15T19:35:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-05-15T19:35:42Z; meta:save-date: 2012-05-15T19:35:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-05-15T19:35:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-05-15T19:35:42Z; created: 2012-05-15T19:35:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2012-05-15T19:35:42Z; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-05-15T19:35:42Z | Conteúdo => Otacilio sidente. , 7 Antonio Ca is idoni ilho - Relator. CSRF-T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10860.006390/2002-25 Recurso n° 139.809 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.267 — la Turma Sessão de csll - cooperativa - atos cooperados Matéria 23 de novembro de 2011 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIMED DE LORENA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercício: 1998 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. 0 resultado dos atos cooperado estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. 1 Relatório Com base no Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial contra acórdão proferido pela extinta 7' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - OPERAÇÕES COM COOPERADOS - SOBRAS LIQUIDAS - NÃO INCIDÊNCIA - A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro liquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 10 e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764/71. Portanto, não • há que se cogitar de compensação de bases negativas acima do limite legal." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Contra a contribuinte nos autos identificada fora lavrado em 25.11.2002 auto de infração constante em fls. 03/06 para formalização e cobrança de créditos tributários relativos a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, perfazendo valor de R$ 14.221,02 incluídos multa de oficio e juros de mora pertinentes até a data de sua lavratura. Conforme descrição dos fatos constantes em fl. 04, em procedimento de revisão interna da DIRPJ/1998 (ano calendário 1997) apurou a fiscalização que a contribuinte procedera compensação indevida de bases de cálculo negativas de períodos anteriores sem a observância do limite de 30% do Lucro Liquido expresso na legislação vigente. Como enquadramento legal foram indicados os artigos 58 da Lei 8981 de 20 de janeiro de 1995, 16 da lei 9065 de 20 de junho de 1995,2° da Lei 7689 de 15 de dezembro de 1995 e 19 da lei 9249 de 26 de dezembro 1995. Cientificada da exigência fiscal em 25.11.2001, a contribuinte apresentara impugnação constante de fls. 17/20 onde requereu em suma: - a aplicação do artigo 183 do RIR/99 e do artigo 15 Medida Provisória 2085/32-2001 aduzindo que a referida contribuição seria devida apenas sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas a suas finalidades, não sendo tributáveis pela incidência os lucros derivados de operações que caracterizam atos cooperativos, nos termos da lei 5764/71 ern seu artigo 79; - a aplicação da jurisprudência proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em contraposição a lei 7689/88 e a Instrução Normativa SRF n° 198/88, posto que de acordo com o referido Colegiado os atos cooperativos não integrariam a base de calculo da CSLL. Afirma ainda que a 2 Processo n° 10860.006390/2002-25 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.267 Fl. 2 situação trata-se de uma não incidência decorrente de modalidade operacional típica das sociedades cooperativas, que não fora alcançada pela revogação do artigo 6°, 1° da Lei Complementar n° 70/91 e pela Medida Provisória n° 18/58. pleiteia a aplicação extensiva as Instrução Normativa n° 144/99. Apreciada pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas — SP, tal impugnação restou infrutífera, uma vez que nos termos do Acórdão DRJ/CPS n° 5.401 de 26.11.2003, optou o Colegiado a quo pela manutenção da exigência fiscal inicialmente imposta. Ao fundamentar sua decisão apegou-se a autoridade julgadora em um primeiro momento ao preceito constitucional contido no artigo 195 da Carta Magna, pelo qual cabe a toda a sociedade o financiamento da Seguridade Social, aludindo que a isenção prevista no parágrafo 7° do mesmo dispositivo lido faz menção a sociedades cooperativas. Prossegue afirmando que pelo fato da lei instituidora da CSLL (7689/88) ser posterior a lei 5764/71 que regulamenta as sociedades cooperativas, e não determinar qualquer forma de isenção a essa espécie societária, qualquer assertiva nesse sentido deve ser afastada. Sustenta ainda que os artigos 10, 2° e 4° da lei 7689/88 são bastante abrangentes e que tem como destinatários as pessoas jurídicas em geral, bastando o resultado positivo para a incidência da referida contribuição. Baseia-se também nos artigos 11 e 15 da lei 8.212/91 que dispõe sobre o orçamento da Seguridade Social e que sobremaneira procederam a exclusão das sociedades cooperativas do seu campo de incidência, aponta ainda, a Instrução Normativa de 29.12.1988. Por fim, conclui que diante do texto normativo apresentado não restam duvidas que a CSLL deve incidir sobre a totalidade do resultado positivo das cooperativas, afastando a possibilidade de aplicação ao caso de normas especificas a outras contribuições por possuírem fatos geradores e bases de calculo completamente distintas. Inconformada com o teor desfavorável constante da decisão de Primeira Instancia do qual conhecera ern 07.01.2004 AR de fls. 71, recorre a este Egrégio Primeiro Conselho através do Recurso Voluntário constante de fls. 73/84, aduzindo inicialmente que a autoridade julgadora não atentou para a inexistência da hipótese que ensejaria a cobrança do tributo, referia-se ao lucro. Alega que a própria constituição Federal estabelece tratamento tributário adequado em seu artigo 146, apresentando comentário doutrinário sobre este dispositivo, afirmando que não há que se equiparar a autuada a outras espécies societárias com fins lucrativos. 3 Argumenta ainda, que o Código Tributário Nacional em seu artigo 110 explicita que nem a lei tributária, e nem o ato administrativo podem alterar o conteúdo e o alcance de institutos utilizados pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados ou pelas leis orgânicas do Distrito Federal ou dos municípios. Afirma que a pretensão da administração, contrariamente ao estabelecido na Constituição procura desfigurar a natureza jurídica da autuada não lhe conferindo tratamento adequado. Aduz que nos casos das sociedades cooperativas incorre a hipótese incidência da CSLL, posto que não auferem lucro limitando-se a distribuir entre os associados as "sobras liquidas", invoca como fundamento legal o artigo 4°, VII, da lei 5764/71. Prossegue tecendo comentários sobre a inexistência de lucro, insistindo que não é contribuinte da CSLL, e que todo lançamento desta decorrente se faz irrelevante, procurando afastar a assertiva fiscal que o auto é oriundo de indevida compensação relacionada a citada contribuição. Colaciona julgados da esfera administrativa, enquadrando-os como pertinentes a matéria a ser examinada, primeiramente sobre a alegada descaracterizada da natureza jurídica da autuada e posteriormente sobre a não incidência da CSLL. Pleiteia, por derradeiro, sob a afirmação que a pretensão fiscal encontra-se prejudicada por não haver sequer tributo a ser recolhido, que se declare absolutamente insubsistente a exigência tributária. É o relatório." O acórdão acima ementado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento de CSLL lavrado contra a Contribuinte. Entendeu o acórdão, em síntese, que os elementos dos autos indicam não se tratar de compensação de bases negativas acima do limite legal (trava), mas sim de equivoco da Contribuinte no preenchimento de suas declarações, o que por si s6 seria suficiente para cancelamento do lançamento decorrente de malha fiscal. Superado tal aspecto por conta da natureza e limites do julgamento proferido pela DRJ, o acórdão recorrido afastou o lançamento de CSLL pelos fatos de que: (i) não há incidência de CSLL sobre sobras ou perdas das cooperativas, entendidas estas como resultado da prática de atos estritamente cooperados, por ausência de previsão legal; e (ii) não há nos autos elementos que mostrem resultados de operações com não cooperados. Em sede de recurso especial, sustenta a Fazenda Nacional dissenso entre O acórdão recorrido e o Aresto n. 105-13.855, o qual assenta o entendimento de que "ais resultados positivos apurados por cooperativas em decorrência de operações com seuS associados integram a base de cálculo para apuração da contribuição social sobre o lucro". Segundo a Fazenda Nacional, a divergência jurisprudencial estaria demonstrada pelos fatos de que: "(a) o acórdão ora recorrido posiciona-se no sentido de que os resultados positivais apurados por cooperativas em decorrência de atos cooperados não integram a base de cálculo da CSLL; e (b) por seu turno, o acórdão paradigma (cópia anexa) entendeu justamente em 4 Processo n° 10860.006390/2002-25 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.267 Fl. 3 sentido diverso: os resultados apurados por cooperativas em decorrência de atos cooperados integram, sim, a base de cálculo para a contribuição social sobre o lucro". 0 recurso especial foi admitido pela Presidente do Colegiado a quo por meio do Despacho n. DDF107139809_65 (150/151), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. 0 contribuinte apresentou contra-razões. o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Preliminarmente, releva destacar ser fato incontroverso nos autos o de que a matéria em exame cinge-se à incidência de CSLL sobre resultados auferidos pela cooperativa exclusivamente pela prática de seus associados (atos cooperativos), ordinariamente , denominados de sobras. Sobre o ponto, não bastasse a afirmação inatacada (pela Fazenda , Nacional) do acórdão recorrido nesse sentido, diga-se que a própria Recorrente atesta expressamente que a divergência jurisprudencial estaria demonstrada pois: "(a) o acórdão ora recorrido posiciona-se no sentido de que os resultados positivos apurados por cooperativas ern' decorrência de atos cooperados não integram a base de cálculo da CSLL; e (b) por seu turno, o acórdão paradigma (cópia anexa) entendeu justamente em sentido diverso: os resultados apurados por cooperativas em decorrência de atos cooperados integram, sim, a base de cálculo para a contribuição social sobre o lucro".. Em síntese, entende a Fazenda Nacional que "independentemente do alcance da definição do ato cooperativo, prevista no art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971, ou das características peculiares das sociedades cooperativas a CSLL incide sobre a totalidade dos seus resultados positivos", não havendo dispositivo legal que afaste a incidência da CSLIJ sobre o resultado das cooperativas. Em que pesem seus fundamentos, parece-me que a distinção entre atos cooperativos e atos não-cooperativos é condição para a incidência da CSLL sobre os resultados líquidos das cooperativas, uma vez que somente aqueles provenientes de atos não-cooperativos devem submeter-se A. referida tributação, conforme arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. 0 ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Tal assertiva assenta-se no fato de que as cooperativas não têm finalid cle lucrativa e não apuram lucro ao final de apuração respectivo. A lei de regência das cooperativas define o resultado positivo obtido pelas cooperativas como "sobras liquidas", que devem ser distribuídas aos cooperados na proporção da participação de cada qual nos atos cooperativos, ao contrário do lucro, que é distribuído via de regra na proporção do capital 6 Processo n° 10860.006390/2002-25 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.267 Fl. 4 investido. Nesse sentido, se dos atos cooperativos não resulta lucro, não se realiza o fato jurídico do qual decorre a obrigação de pagar a CSLL, visto que a materialidade desse tributo é justamente a percepção de lucro (CF, art. 195, I, c, e Lei n. 7.689/88, art. 1°). Este é o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, conforme precedentes abaixo transcritos, verbis: "DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - ATO COOPERATIVO — LEI N° — ISENÇÃO. 1. A não-incidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do STJ, em casos de cooperativas, restringe-se a atos cooperados praticados exclusivaniente entre a cooperativa e seus associados. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1190066 / SP (2010/0072796-0), STJ, 2' Turma, Relatora Ministra ELIANA CALMON, j. 08/06/2010, Die 28/06/2010). No mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO TIPICO. CSLL. NÃO-INCIDÊNCIA. ART 79, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 5.764/1971. PRECEDENTES DO STJ. 1. Nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, atos cooperativos são aqueles praticados entre a cooperativa e seus cooperados ou entre cooperativas associadas. 0 ato cooperativo, assim definido, não implica operação de mercado. 2. As cooperativas podem realizar negócios com terceiros não- cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, a própria Lei 5.764/1971 dispõe expressamente que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devein ser tributados (arts. 86 e 87). 3. In casu, o Tribunal a quo acolheu os Embargos à Execução, sob o fundamento de que a Autoridade Fazenddria, ao proceder ao lançamento fiscal, não fez distinção entre os atos cooperativos próprios e os não-cooperativos da cooperativa de eletrificação rural. 4. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de ser indevida a cobrança da CSLL sobre atos vinculados ci atividade básica da sociedade cooperativa. 5. Agravo Regimental não provido". (AgRg no REsp 499581 / SC (2003/0015084-0), STJ, 2" Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, j. 22/09/2009, DJe 30/09/2009). No mesmo sentido: "SOCIEDADE COOPERATIVA DE CRÉDITO. CSLL. ISENÇÃO SOBRE OS ATOS TIPICAMENTE COOPERATIVOS. LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N° 10/STF. INAPLICABILIDADE. I - Os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei n° 5.764/71), não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence 7 exclusivamente a cada um dos cooperados. Em face de tais peculiaridades, os atos das cooperativas de crédito, ressalvado o disposto nos artigos 86 e 87 da Lei n° 5.5764/71, não sofrem incidência tributária, inclusive de CSLL. Precedentes: AgRg no REsp n° 749.345/RS, Rel , Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 08/08/2005; AgRg no REsp n° 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; REsp n° 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004 e AgRg nos EDcl no Ag n° 980.095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008. II- Na hipótese dos autos não se cogita de incidência da súmula vinculante n° 10 do STF, porquanto não se está afastando a aplicação do parágrafo 1° do artigo 22 da Lei n°8.212/91, que determina para a cooperativa de crédito a contribuição de acordo corn o faturarnento ou lucro. A norma, ao imputar a sociedade cooperativa a contribuição sobre o faturamento e o lucro (art. 23 da Lei n° 8.212/91), criou hipótese de incidência tributária irrealizável, uma vez que os atos tipicamente cooperativos não produzem qualquer vantagem ou lucro para a cooperativa, não implicando ainda suas atividades em faturamento conforme definido na Lei das sociedades cooperativas (Lei n° 5.764/71). III - Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1057481/CE (2008/0104852-0), STJ, I" Turma, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, J. 21/10/2008, DJe 19/11/2008). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. 0 ato cooperativo tipico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submete-se a incidência da CSLL. Precedentes do STJ 4. Agravo Regimental parcialmente provido." (AgRg no REsp 653489/RS (2004/0058309-8), STJ, 2' Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, j. 15/09/2009, Die 24/09/2009). Por sua clareza, pede-se vênia para citar trecho do voto proferido pelo Ministro Herman Benjamim no julgamento do AgRg no REsp 653.489/RS, supracitado, em que marca a divisa entre atos cooperativos e não-cooperativos para os fins dos arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764/71 e da incidência da CSLL, verbis: "Prosseguindo, descreveu os vários tipos de atos cooperativos, nos seguintes termos (Jl. 181): I — ato cooperativo (ou negócio-fim, negócio cooperativo, ou ainda negócios internos) que retratam as relações estabelecidas entre a cooperativa e os cooperados. São os atos cooperativos básicos, fundamentais, que caracterizam a sociedade; 8 Processo if 10860.006390/2002-25 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.267 Fl. 5 2. — atos chamados negócios externos ou negócios de meio, necessários a realização do ato cooperativo, também chamados de negócios de contra-partida, que são em última análise as vendas dos produtos para terceiros; 3 — negócios acessórios ou auxiliares para a consecução dos fins da empresa, como por exemplo a contratação de empregados, o aluguel da sede, etc; 4 — atos vinculados à finalidade básica, negócios entabulados corn não associados, previstos na Lei das Cooperativas nos artigos 85, 86 e 88. Caracterizam-se pelas relações estabelecidas com os não- associados ou dizem respeito aos investimentos em sociedades cooperativas, com o intuito de melhor capacitar ou aumentar as potencialidades da sociedade. Assim, por exemplo, a lei autoriza a aplicação da sobra de caixa em investimentos que tragam retorno mais efetivo à cooperativa, de forma que possa atuar com mais eficácia na persecução de seus objetivos. 5 — por fim, existent os atos que não podem ser praticados pelas cooperativas, porquanto são vedados por Por derradeiro, concluiu que, do rol apresentado, apenas os atos descritos no item 4, por sua natureza mercantil, sofrem a incidência da tributação. Contudo, consoante a pacifica jurisprudência do STJ, as disposições previstas no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971 aplicam-se apenas aos negócios jurídicos diretamente vinculados a atividade fim das cooperativas, isto é, aos atos cooperativos próprios, de sorte que não só o resultado da aplicação de recursos no mercado financeiro, mas também os valores advindos dos negócios jurídicos descritos nos itens 2 e 3, por envolverem operação com não associados, suje itani-se incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro, conforme prevê o art. 87 do referido diploma legal, in verbis : Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados et conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Dessa forma, por ser legitima a cobrança da CSLL sobre os valores decorrentes dos denominados 'negócios externos ou negócios de meio', bem como dos 'negócios acessórios ou auxiliares', praticados pelas sociedades cooperativas, impõe-se a reforma parcial do acórdão recorrido nesse ponto." Tal entendimento encontra respaldo também em precedentes deste Colegiado e das extintas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: 9 "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - A proteção assegurada pelo art. 146, inciso III, alínea "c" da Constituição Federal impede a imposição de exação tributária ao amparo de legislação ordinária (Lei 8.212/91, art. 22, § 1°) sobre as cooperativas de crédito." (Acórdão n. CSRF/01-04.910, Sessão de 12/4/2004, Relator Conselheiro Victor Luis de Salles Freire) No mesmo sentido: "COOPERATIVA - SOBRAS - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - As sobras apuradas pelas cooperativas, resultado de atos exclusivamente cooperativos, não podem ser confundidas com o lucro. Os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 não ensejam o entendimento de que a CSL deva incidir sobre as denominadas "sobras", mas somente sobre a renda derivada de atos não cooperativos" (Acórdão CSRF /01-04.445, Sessão de 24/02/2003, Relator Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior) No mesmo sentido: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL - COOPERATIVA DE CRÉDITO - ATOS COOPERATIVOS - A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO NÃO INCIDE SOBRE 0 RESULTADO POSITIVO OBTIDO PELA SOCIEDADE NAS OPERAÇÕES QUE CONSTITUEM ATOS COOPERATIVOS. 0 ATO COOPERATIVO NÃO CONFIGURA OPERAÇÃO DE MERCADO, SEU RESULTADO NÃO É LUCRO E ESTA FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI N° 7.689, DE 1988. SOMENTE OS RESULTADOS DECORRENTES DA PRÁTICA DE ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ESTÃO SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO." (Acórdão n. 107-08.906, Sessão de 28/02/2007, Relator Conselheiro Hugo Correia Sotero) No mesmo sentido: CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO - REGIME DE TRIBUTAÇÃO DOS ATOS COOPERADOS - 0 resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas, negam as decididas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Somente os resultados decorrentes da prática de atos com não associados estão sujeitos et tributação. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso de oficio negado. (Acórdão n. 105-15.882, Sessão de 27/07/2006, Relator Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT) No mesmo sentido: "(..)Assunto:Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário:1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa :COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO - As sobras, entendendo-se como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se 1 0 Processo n° 10860.006390/2002-25 Acórdão n.° 9101-001.267 CSRF-T1 Fl. 6 enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição." (Acórdão n. 103-22.735, Sessão de 09/11/2006, Relator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto) No mesmo sentido: "BASE DE CÁLCULO - COOPERATIVAS - 0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades cooperativas não apuram lucros ou prejuízos, mas sobras que têm destinação especifica. A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, não alcança a sobra obtida pelas entidades cooperativas nas operações com cooperados. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado decorrentes das operações realizadas corn não cooperados." (Acórdão n. 101-95.004, Sessão de 20/05/2005, Relator Conselheiro Caio Marcos Cândido) No mesmo sentido: "CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - OPERAÇÕES COM COOPERADOS - SOBRAS LIQUIDAS Nj10 INCIDÊNCIA - A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro liquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts 79 e 111 da Lei n°5.764/71." (Acórdão n. 108-08.130, Sessão de 02/12/2004, Relatora Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO) Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sesse th 2 e povembro de 2011. ( Antonio Ca • kloni Filho II
score : 1.0
Numero do processo: 35464.003477/2004-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: -CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C
DO CPC. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
No presente caso, trata-se de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mão-de-obra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado
pela prestadora de serviços, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9202-001.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : -CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, trata-se de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mão-de-obra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado pela prestadora de serviços, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35464.003477/2004-14
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4782620
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.927
nome_arquivo_s : 920201927_35464003477200414_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 35464003477200414_4782620.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4747921
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233135325184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.416 1 1.415 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35464.003477/200414 Recurso nº 152.439 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.927 – 2ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WHIRLPOOL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, tratase de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mãodeobra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado pela prestadora de serviços, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.417 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. EDITADO EM: 09/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 20601.275, da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes (fls. 1.366 a 1.374), julgado na sessão plenária de 03 de setembro de 2008, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das contribuições apuradas. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. JUROS. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4o do CTN. Recurso Voluntário Provido. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 1.379 a 1.380) indicando omissão no julgado, que, apesar de afirmar que existiu pagamento antecipado que levou à aplicação da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, não teria identificado, com base na prova dos autos, qual era esse pagamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.418 3 Com base em informações da relatora, os embargos não foram conhecidos por não terem logrado demonstrar a pretensa omissão (fls. 1.383 a 1.384), sendo importante destacar a seguinte argumentação: Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, permitome não lhe atribuir razão, porquanto não houve a contradição apontada. A aplicação do artigo 150 § 4o do CTN, deveuse, em verdade, da falta de comprovação pela fiscalização de que não houve antecipação de pagamento. É nesse ponto que a embargante vislumbra a ocorrência de contradição entre o decisum e as provas dos autos, afirmando que o processo não revela a existência de antecipação de pagamento, o que deslocaria a contagem do prazo decadencial para a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN. Em que pese o esforço da Fazenda Nacional em demonstrar a ocorrência de contradição no decisum embargado, deixo de concordar com sua tese. É muito comum nesse tipo de lançamento o fisco lançar apenas as bases de cálculo relativas aos fatos geradores em relação aos quais o autuado não se reconheceu como contribuinte ou responsável pelo recolhimento. Nessas situações essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se posicionado pela aplicação da regra do art. 150, § 4.°, do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial deve ter como marco inicial a ocorrência dos fatos geradores. Também tem sido esse o entendimento adotado quando, compulsandose os autos, não é possível concluir pela ocorrência ou não de antecipação de pagamento. Cientificada do resultado dos embargos, a Fazenda Nacional manejou recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 1.387 a 1.392), com fulcro no artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, admitido pelo despacho de fls. 1.393 a 1.394 do Presidente da 4a Câmara da 2a Seção. Aduz o recorrente que a conclusão do acórdão recorrido, no sentido de reconhecer a decadência para a totalidade dos fatos geradores ocorridos, apesar de não encontrar nos autos qualquer prova de pagamento, viola o art. 173, I, do CTN, e que não é possível aplicar a regra do artigo 150, §4°, do CTN no caso em apreço como se estivéssemos diante de uma presunção de pagamento antecipado em favor do contribuinte, que sequer se empenhou em demonstrar o que lhe competia. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.405 a 1.413), onde afirma que não foi comprovada a divergência jurisprudencial para a admissão do recurso especial, e que ocorreu a decadência do crédito tributário lançado, pois houve a antecipação do pagamento. É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.419 4 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso por falta de comprovação da divergência jurisprudencial. Entretanto, há que se esclarecer que se trata de recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, com base no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, que ainda pode ser manejado contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009, nos termos do artigo 4° do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para esse tipo de recurso, a comprovação de divergência jurisprudencial não é prérequisito, sendo apenas necessário que a decisão seja não unânime e que se comprove possível contrariedade à lei, condições verificadas no despacho de admissibilidade. Assim, rejeito a preliminar de defesa suscitada. O mérito da discussão diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.420 5 DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.421 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. Foi esse o entendimento adotado no acórdão recorrido, e com ele está de acordo a Fazenda Nacional. A polêmica está na existência, ou não, de pagamento antecipado. No caso em tela, por se tratar de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mãodeobra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, devese verificar se houve algum pagamento referente às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa prestadora de serviços. Após intensa discussão na sessão de julgamento, fui convencido de que é possível se considerar, para fins de apuração da decadência, os recolhimentos de tributos da contratante, pois ela foi trazida à relação tributária como responsável solidária, o que faz com que o fato gerador seja único, raciocínio que poderia resolver a questão sob outros fundamentos. Opto, entretanto, por manter a fundamentação original, que chegará ao mesmo resultado sob outros argumentos. O acórdão recorrido percebeu que a inexistência de pagamento antecipado implica a aplicação de regra de decadência menos favorável ao contribuinte, sendo portanto obrigação do Fisco demonstrar esse fato. Desse modo, não existindo nos autos provas de que Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.422 7 não houve recolhimento antecipado, concluiu que deve se presumir a sua existência, e se utilizar a regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Já a Fazenda Nacional afirma que não se pode presumir a existência do pagamento, sendo ônus do contribuinte demonstrar o fato que lhe é favorável, e que, no presente caso, ele teve todas as oportunidades de trazer a prova do recolhimento antecipado, mas que não o fez. Em suma, a discussão se resume a saber a quem cabe comprovar a existência, ou não, de pagamento antecipado: se à autoridade lançadora ou ao sujeito passivo. Apesar da importância da discussão, por mim devidamente enfrentada em outros processos, creio que ela não se aplica ao presente caso, pois verifico que os autos trazem provas de existência de pagamento antecipado. Nas fls. 103 a 1293, consta recurso voluntário da prestadora de serviços, a empresa TRANSPORTE E TURISMO SANTO ANTÔNIO LTDA, CNPJ no 84.697.051/0001 04, afirmando que o débito já havia sido quitado, conforme cópias anexas ao recurso, e a 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social baixou o processo em diligência para que fosse realizada a análise desses documentos (fls. 1.294 a 1.298). Em resposta, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo – Sul informou que a empresa prestadora de serviço (fls. 1.307 a 1.311): a) apresentou folhas de pagamentos e Guias de Recolhimento GRPS genéricas para competências 07 a 12/1998, não atendendo a legislação que determina que as Folhas de Pagamento e as GRPS devem ser distintas por Tomador; b) esteve sob as seguintes ações fiscais: procedimento Fiscal n° 02269748, período 01/1999, fiscalização do tipo 'Total" e existência de lançamentos de créditos previdenciários; e procedimento Fiscal n° 09337440, período fiscalizado entre 07/1998 a 06/2006, fiscalização do tipo "Seletiva" com contabilidade e existência de lançamentos de créditos previdenciários. Desta forma, considero que os pagamentos efetuados pela empresa prestadora de serviço, apesar de não estarem separados por tomador, devem ser considerados como recolhimentos antecipados, com a consequente aplicação da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Isso porque o pagamento a que se refere o STJ deve ser entendido como qualquer recolhimento do tributo relativamente a todo o período de apuração e não aquele estritamente relacionado ao valor da receita omitida, como quer o recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003477/200414 Acórdão n.º 9202001.927 CSRFT2 Fl. 1.423 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001344/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações.
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.
“É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Súmula CARF no 9.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.260
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada para consequentemente não conhecer do recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Súmula CARF no 9. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10725.001344/2008-80
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 5017624
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.260
nome_arquivo_s : 210101260_10725001344200880_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Jose Evande Carvalho Araújo
nome_arquivo_pdf_s : 10725001344200880_5017624.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada para consequentemente não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4744578
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233138470912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 50 1 49 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.001344/200880 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.260 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria IRPF Recorrente ROBERTO GOMES BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Súmula CARF no 9. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada para consequentemente não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10725.001344/200880 Acórdão n.º 2101001.260 S2C1T1 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 6 a 8, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, para lançar infração de omissão de rendimentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.878,52, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 5), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 26), que: declarou Regina Guimarães Schott como sua dependente por mais de 10 anos, mas a união estável encerrouse em janeiro de 2005; o seu real dependente em 2005 é Mirian Pessanha Bastos, CPF 100.973.117 31; ele e sua excompanheira Regina sempre apresentaram declaração em separado; no ano de 2005 recebeu indenização do INSS no valor de R$ 13.537,74 tendo como fonte pagadora a Caixa Econômica Federal; por ter a CEF deixado de fornecer a informação destinada a instruir a declaração 2006/2005 entendeu tratarse de rendimentos com tributação exclusiva na fonte; tomou conhecimento pelo site da Receita Federal de que havia pendências em sua declaração e providenciou a retificação sem alteração dos valores dos rendimentos tributáveis, mas sendo a mensagem sucinta não obteve sucesso em sanar a divergência de valores informados pela fonte pagadora; o fisco antes de lançar de ofício o imposto deveria observar o art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda e também o art. 112 do CTN e o Decreto n° 70.235/72, dando ao contribuinte oportunidade de prestar os esclarecimentos e informações necessárias. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10725.001344/200880 Acórdão n.º 2101001.260 S2C1T1 Fl. 52 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 24 a 28): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. NÃO OBRIGATORIEDADE. Quando constatada infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Receita Federal, como no caso de apuração de omissão de rendimentos apurada com base em informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, será expedida Notificação de Lançamento, não sendo obrigatória a intimação ao contribuinte durante a fase procedimental de Fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELOS DEPENDENTES ANTERIORMENTE À AÇÃO FISCAL. Deve ser revisto o lançamento quando provado que os rendimentos considerados omitidos na ação fiscal foram tempestivamente oferecidos à tributação pelo dependente, em sua declaração de ajuste anual. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. É incabível a retificação das informações consignadas na declaração de ajuste anual, após o contribuinte haver sido notificado do lançamento de oficio. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 14/7/2010 (fl. 30), o contribuinte apresentou, em 26/8/2010, o documento de fl. 34, onde informa que tomou Fl. 56DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10725.001344/200880 Acórdão n.º 2101001.260 S2C1T1 Fl. 53 4 conhecimento do Acórdão 930025 no dia 23/08/2010, fixando como termo inicial para contagem de prazo para os eventuais recursos o dia 24/08/2010. Ressalta que a intimação 125/2010 foi remetida para o seu antigo endereço situado na Rua Waldemar Leite, 30, Parque Santo Amaro, Campos, RJ, sendo o atual endereço de correspondência localizado na Rua Oito, Quadra F n° 12, Bairro Liramar, Grussaí, município de São João da Barra, CEP. 28.200000. Em 24/9/2010, apresentou o recurso hierárquico de fls. 37 a 41, onde solicita a anulação do lançamento por falta de fundamento jurídico na aplicação da multa, pois ele não agiu com dolo, culpa ou máfé, pela preterição do recorrente a prestar esclarecimentos à autoridade administrativas e por conflito com o §5o do artigo 44 da Lei 9.430/96, inserido pela Lei 12.249/2010. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 48, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 49, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O contribuinte foi cientificado do julgamento de 1a instância em 14/7/2010 (fl. 30), uma quartafeira, e só se manifestou no processo em 26/8/2010 (fl. 34), uma quinta feira, ou seja, 43 (quarenta e três) dias após a ciência. Entretanto, o prazo legal previsto para a interposição desse tipo de recurso é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, sendo, portanto, o recurso intempestivo. O recorrente argumenta que a correspondência foi enviada para seu antigo endereço, e que só tomou conhecimento do acórdão em 23/8/2010. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, traz as regras para a intimação em seu art. 23, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10725.001344/200880 Acórdão n.º 2101001.260 S2C1T1 Fl. 54 5 a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Verifico que a correspondência foi enviada ao endereço que constava nas bases de dados da Receita Federal por ocasião de sua postagem (fls. 29 e 30). Equivocase o recorrente ao julgar que basta a simples informação posterior da mudança de endereço para deslocar o prazo de interposição do recurso. A atualização cadastral é um ônus do sujeito passivo, que deve arcar com as consequências de não têla efetuado. Observese ser esse o entendimento consolidado deste Conselho, estampado na Súmula CARF no 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada para consequentemente não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 58DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10725.001344/200880 Acórdão n.º 2101001.260 S2C1T1 Fl. 55 6 Fl. 59DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002900/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para comprová-las.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.277
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para comprová-las. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13819.002900/2008-84
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 5013340
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.277
nome_arquivo_s : 210101277_13819002900200884_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 13819002900200884_5013340.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4745226
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233170976768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 49 1 48 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.002900/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.277 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria IRPF Dedução de despesas médicas Recorrente SUELI APARECIDA CERVINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para comproválas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 53DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.002900/200884 Acórdão n.º 210101.277 S2C1T1 Fl. 50 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente justificadamente o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 31/38) interposto em 18 de junho de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 23/27), do qual a Recorrente teve ciência em 21 de maio de 2010 (fl. 30), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 16/19, lavrado em 28 de julho de 2008, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2006. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73 e §1°, 80, §1°, III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 23). Não se conformando, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 31/38, pedindo a reforma da decisão recorrida, para cancelar a notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.002900/200884 Acórdão n.º 210101.277 S2C1T1 Fl. 51 3 A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas médicas ou odontológicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma a Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas ou odontológicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está Fl. 55DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.002900/200884 Acórdão n.º 210101.277 S2C1T1 Fl. 52 4 obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Como se extrai dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado em virtude da suposta dedução indevida de despesas médicas ou odontológicas, no valor total de R$ 21.000,00. Intimada a comprovar os pagamentos e a prestação dos serviços, a Recorrente apresentou os recibos dos profissionais. Nenhum outro documento foi apresentado. Em casos como o presente, em que os valores gastos são expressivos, tenho entendido que o contribuinte deve apresentar outros documentos além dos recibos, como declarações dos prestadores, fichas médicas ou odontológicas, agendas do profissional, exames, extratos bancários para comprovação de saques etc., principalmente quando referidos recibos “não atendem a todos os requisitos exigidos no inciso III, do art. 80, do RIR/99, supra transcritos, eis que todos, sem exceção, não estão com endereço do profissional, os recibos emitidos por Silvely estão também sem o n° do CPF da profissional, o recibo emitido por Jaqueline informa ter sido recebido em 2007, enquanto o objeto do lançamento é ano calendário de 2006” (fl. 25). Como nenhum documento complementar foi apresentado, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da interposição do presente recurso, entendo que este deva ser improvido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 56DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.002900/200884 Acórdão n.º 210101.277 S2C1T1 Fl. 53 5 Fl. 57DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 15885.000220/2008-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 01/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. TERMO INICIAL.
No caso de entidades isentas, o termo inicial da decadência insculpida no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, é o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo, em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tal qual ocorre com os demais contribuintes, não se
cogitando na suspensão do prazo decadencial no período em que a entidade usufruir da isenção, sobretudo por continuar no decorrer desse lapso temporal sujeita à fiscalização por parte da autoridade fazendária e, conseqüentemente, ao lançamento fiscal, na hipótese de descumprimento de suas obrigações
tributárias
Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados.
Numero da decisão: 9202-001.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gonçalo Bonet Allage, que davam parcial provimento, para declarar a decadência da competência 12/2000.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 01/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. No caso de entidades isentas, o termo inicial da decadência insculpida no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, é o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo, em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tal qual ocorre com os demais contribuintes, não se cogitando na suspensão do prazo decadencial no período em que a entidade usufruir da isenção, sobretudo por continuar no decorrer desse lapso temporal sujeita à fiscalização por parte da autoridade fazendária e, conseqüentemente, ao lançamento fiscal, na hipótese de descumprimento de suas obrigações tributárias Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15885.000220/2008-68
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4839405
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.519
nome_arquivo_s : 920201519_15885000220200868_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Francisco Assis de Oliveira Junior
nome_arquivo_pdf_s : 15885000220200868_4839405.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gonçalo Bonet Allage, que davam parcial provimento, para declarar a decadência da competência 12/2000.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
id : 4746517
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233189851136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15885.000220/200868 Recurso nº 260.307 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 920201.519 – 2ª Turma Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrentes FAZENDA NACIONAL e INSTITUTO TOLEDO DE ENSINO Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 01/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. No caso de entidades isentas, o termo inicial da decadência insculpida no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, é o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo, em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tal qual ocorre com os demais contribuintes, não se cogitando na suspensão do prazo decadencial no período em que a entidade usufruir da isenção, sobretudo por continuar no decorrer desse lapso temporal sujeita à fiscalização por parte da autoridade fazendária e, conseqüentemente, ao lançamento fiscal, na hipótese de descumprimento de suas obrigações tributárias Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gonçalo Bonet Allage, que davam parcial provimento, para declarar a decadência da competência 12/2000. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela autoridade fiscal cujo sujeito passivo é a empresa em epígrafe., conforme Relatório Fiscal de fls. 44/49,, a notificação tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais, correspondentes aos pagamentos feitos a pessoas físicas caracterizadas como empregados. O lançamento compreende competências entre o período de : 03/1998 a 06/2004. O lançamento é decorrente da perda da isenção da entidade, conforme Ato Cancelatório nº 006/2002, de 30/07/2002, posteriormente confirmado pelo Acórdão nº 1.278/2005, proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recurso da Previdência Social. O crédito foi constituído, DEBCAD: 35.902.9906, e consolidado em 15/12/2006, tendo sido cientificado em 19/12/2006, fl. 60. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi julgado procedente conforme DECISÃONOTIFICAÇÃO N°21.423.4/0186/2007, exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária Delegacia em BauruSP MG, fls. 95/97. Irresignado, o sujeito passivou interpôs recurso voluntário, fls. 109/150 que, após apreciação pela 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, deulhe provimento em parte, conforme acórdão nº 240200.118, fls. 190/204 , cuja ementa transcrevo : DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15885.000220/200868 Acórdão n.º 920201.519 CSRFT2 Fl. 2 3 DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Tendo tomado ciência do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra decisão não unânime alegando contrariedade à lei ou à evidência da prova, tempestivamente, fls. 251/258, recebido em relação à matéria decadência. No entendimento da Fazenda Nacional o fato de o lançamento envolver entidade que no período era considerada isenta modifica o termo inicial da contagem do prazo decadencial para constituição dos créditos tributários, haja vista o artigo 175, I, do CTN, estabelecer que a isenção é causa de exclusão do crédito tributário, o que impede a própria constituição deste. Com efeito, considerando que a decadência é a perda do direito de constituir o crédito tributário pelo decurso de certo prazo, e que durante a vigência da isenção não há que se falar em direito para efetuar o lançamento, é imperioso concluir que sequer se iniciou a contagem de decurso de prazo para exercício de direito que, até então, afiguravase inexistente, resultando que o prazo decadencial somente iniciaria sua fluência após o cancelamento da isenção. O recurso foi admitido através de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista ter ficado demonstrado fundamentadamente que a decisão recorrida seria contrária à lei, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em contrarazões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. Além disso, interpõem recurso especial admitido apenas no tocante ao termo de início de fluência do prazo decadencial, pugnando pela aplicação do § 4º do art. 150. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator Ambos os recursos especiais são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.191/192. Considerando a estrutura lógica a ser apresentada no voto, passo, inicialmente, ao exame do recurso especial interposto pelo contribuinte. Não há dúvidas quanto à necessidade de reconhecimento de decadência do crédito previdenciário lançado e discutido no presente lançamento, considerando a edição da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Desse modo, o prazo decadencial a ser aplicado, considerando a inconstitucionalidade dos dispositivos retro mencionados, é o quinquenal nos termos do art. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15885.000220/200868 Acórdão n.º 920201.519 CSRFT2 Fl. 3 5 173 do Código Tributário Nacional, haja vista a entidade nada ter recolhido durante o período sob análise: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No presente caso, os fatos geradores ocorreram entre as competências 03/1998 a 06/2004, o lançamento foi realizado em 15/12/2006, tendo a cientificação ocorrido em 19/12/2006, dessa forma, em considerando não ter sido feita qualquer antecipação de pagamento dada a condição de isenção do sujeito passivo, encontramse alcançados pela decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/2000, razão pela qual negase provimento ao recurso do contribuinte. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao início da contagem do prazo decadencial que, conforme entendimento da recorrente, somente começaria a fluir após o cancelamento da isenção ocorrida em 30/07/2002. Ou seja, concedida a isenção, o prazo decadencial estaria suspenso em razão de ser esta uma das causas de exclusão do crédito tributário. No tocante à exclusão do crédito tributário é importante ressaltar algumas implicações com referência ao modo como se opera o instituto, tais como, praticado o fato gerador surge a obrigação tributária, contudo o cumprimento desta obrigação é dispensado, pois o crédito não será exigível. Conforme bem destacado pela Ministra Eliana Calmon, a exclusão do crédito tributário tem por finalidade gerar um benefício para o contribuinte de fato, desonerando o produto ou o serviço prestado. Em que pese a boa argumentação apresentada pela recorrente, verificase que a tese de suspensão do prazo decadencial durante a fruição de isenção não se sustenta por absoluta falta de previsão legal. Analisando os dispositivos que regulamentam a matéria não se verifica a hipótese sugerida na peça contestatória. Os termos de início do prazo decadencial são bastante claros, inexistindo espaço para interpretação novel no sentido de suspender a fluência do prazo durante eventual. Na hipótese de o prazo decadencial não fluir durante o gozo da isenção, haveria uma assimetria no tocante às contraprestações. O Estado, durante certo tempo autoriza a desoneração de um produto ou serviço e, posteriormente, retira a isenção mas cobra o produto ou serviço como se não tivesse ocorrida a desoneração anterior. Em meu entendimento tal procedimento não faz sentido, caracterizando, inclusive uma dupla penalidade, a perda da isenção e ainda a responsabilidade pelo pagamento por algo que foi usufruído sem o custo da tributação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ante o exposto, considerando a falta de previsão legal para suspensão do prazo decadencial durante a fruição de isenção VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL, pelas razões de fato e de direito acima descritas. Quanto ao recurso especial do contribuinte, considerando a ausência de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL para excluir até a competência 11/2000, dada a ausência de antecipação de pagamento. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000376/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2006
Ementa: LICENÇA PRÊMIO GOZADA DURANTE A VIGÊNCIA DO CONTRATO DE TRABALHO. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO.
A verba referente à licença prêmio somente não integrará o salário de contribuição caso seja indenizada. Ou seja, na impossibilidade de usufruir o benefício de não trabalhar e receber a remuneração durante a vigência do contrato de trabalho.
A indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Numero da decisão: 2302-001.300
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2006 Ementa: LICENÇA PRÊMIO GOZADA DURANTE A VIGÊNCIA DO CONTRATO DE TRABALHO. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A verba referente à licença prêmio somente não integrará o salário de contribuição caso seja indenizada. Ou seja, na impossibilidade de usufruir o benefício de não trabalhar e receber a remuneração durante a vigência do contrato de trabalho. A indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13886.000376/2007-22
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4986911
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.300
nome_arquivo_s : 230201300_13886000376200722_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 13886000376200722_4986911.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4743985
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233197191168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1996; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 97 1 96 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.000376/200722 Recurso nº 258.060 Voluntário Acórdão nº 230201.300 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria Prêmios. Recorrente GUARDA MUNICIPAL DE AMERICANA Recorrida DRJ BRASÍLIA DF Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2006 Ementa: LICENÇAPRÊMIO GOZADA DURANTE A VIGÊNCIA DO CONTRATO DE TRABALHO. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. A verba referente à licençaprêmio somente não integrará o saláriode contribuição caso seja indenizada. Ou seja, na impossibilidade de usufruir o benefício de não trabalhar e receber a remuneração durante a vigência do contrato de trabalho. A indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000376/200722 Acórdão n.º 230201.300 S2C3T2 Fl. 98 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados bem com a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, cujos valores constaram em folhas de pagamento e não foram declarados em GFIP, referente ao período compreendido entre as competências fevereiro a outubro de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 34 a 35. Referemse às verbas de licença prêmio gozada durante o contrato de trabalho. Inconformada, a entidade apresentou impugnação conforme fls. 41 a 49. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília proferiu a decisão de fls. 67 a 72, mantendo o lançamento em sua integralidade. Não concordando com a decisão a quo, a sociedade empresária interpôs recurso voluntário, fls. 83 a 93. Em síntese alega a seguinte: a) O relatório fiscal deixou de identificar os fatos geradores; b) Deve ser reconhecida a nulidade da presente NFLD; c) Houve ofensa ao princípio da legalidade; d) A verba foi paga de modo eventual, não integrando o saláriode contribuição; e) Não pode ser aplicada a taxa Selic; f) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 96. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto ao argumento recursal de que a NFLD deve ser declarada nula; pois não haveria discriminação clara dos fatos geradores; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 34 a 35; a forma para se apurar o quantum devido, por competência encontrase às fls. 04 a 05. Os valores foram apurados em folha de pagamento, que são registros elaborados pela própria recorrente. No relatório de lançamentos, às fls. 08 a 14, estão discriminados todos os fatos geradores, com indicação nominal dos segurados. Assim, não procede o argumento da recorrente de que não há clareza quanto aos fatos geradores. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como dos demais registros, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. A questão controversa reside no ponto de as verbas pagas a título de licença prêmio em pecúnia integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000376/200722 Acórdão n.º 230201.300 S2C3T2 Fl. 99 5 Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000376/200722 Acórdão n.º 230201.300 S2C3T2 Fl. 100 7 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A verba referente à licençaprêmio somente não integrará o saláriode contribuição caso seja indenizada. Ou seja, na impossibilidade de usufruir o benefício de não trabalhar e receber a remuneração durante a vigência do contrato de trabalho. In casu, conforme expressamente consignado no relatório fiscal (fl. 34), os segurados usufruíram do benefício da licença e receberam a remuneração correspondente. A indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Ao contrário do afirmado pela recorrente não se tratou de ganho eventual. Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal. Como é cediço, o aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado. Não importa se durante dez anos o segurado recebeu em um único mês um valor maior, haja vista a apuração das contribuições não ocorrer em período anual, quinquenal, ou decenal. Caso não se adotasse tal entendimento, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 poderia se chegar à construção teratológica de que o empregado que trabalhou somente um mês para a sociedade empresária não teria que contribuir para a Previdência Social. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000376/200722 Acórdão n.º 230201.300 S2C3T2 Fl. 101 9 A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002323/2005-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercícios: 2001, 2002, 2003
Ementa: RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES APÓS A EXCLUSÃO - POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM OS VALORES LANÇADOS.
Legitima a dedução (do montante lançado pela Fiscalização) dos valores recolhidos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES após a data de sua exclusão, observando-se, para tanto, as regras de imputação do regime simplificado para cada tributo.
Numero da decisão: 9101-000.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercícios: 2001, 2002, 2003 Ementa: RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES APÓS A EXCLUSÃO - POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM OS VALORES LANÇADOS. Legitima a dedução (do montante lançado pela Fiscalização) dos valores recolhidos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES após a data de sua exclusão, observando-se, para tanto, as regras de imputação do regime simplificado para cada tributo.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13971.002323/2005-15
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4851193
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.949
nome_arquivo_s : 9101000949_13971002323200515_201103.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio Carlos Guidoni Filho
nome_arquivo_pdf_s : 13971002323200515_4851193.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4746355
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233225502720
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-27T14:22:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-27T14:22:37Z; Last-Modified: 2011-06-27T14:22:37Z; dcterms:modified: 2011-06-27T14:22:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2c6cacd7-db81-41d0-8dcd-109674c2c345; Last-Save-Date: 2011-06-27T14:22:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-27T14:22:37Z; meta:save-date: 2011-06-27T14:22:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-27T14:22:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-27T14:22:37Z; created: 2011-06-27T14:22:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-06-27T14:22:37Z; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-27T14:22:37Z | Conteúdo => Acordam os membros do colegi provimento ao recurso. lop 0/. fi - Caio Mar os . dits \I Antonio •1 idoni ilho - Relator. por unanimidade de votos, negar Editado em: 25 M A I 2011 CSRF-Tl FL! MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13971.002323/2005-15 Recurso no 150.947 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.949 — la Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO COMPENSAÇÃO TRIBUTOS RECOLHIDOS ANTERIORMENTE Á EXCLUSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DEL MONDO CONFECÇÕES LTDA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercícios: 2001, 2002, 2003 Ementa: RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES APÓS A EXCLUSÃO - POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM OS VALORES LANÇADOS. Legitima a dedução (do montante lançado pela Fiscalização) dos valores recolhidos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES após a data de sua exclusão, observando-se, para tanto, as regras de imputação do regime simplificado para cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidom Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do art. 15, § 1° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de maio de 1997, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuinte assim ementado: • -SIMPLES. EXCLUSÃO. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE SUPRESSÃO DE PARCELA CONSIDERÁVEL DO FATURAMENTO. APLICAÇÃ 0 DE MULTA AGRAVADA. INTELIGÊNCIA DO ART. 44, II, DA LEI N°. 9.430/96. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES APÓS A EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM OS VALORES LANÇADOS. Recurso Parcialmente Provido." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: A Recorrente foi autuada por extrapolar o limite de faturamento do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPT,ES, sendo os créditos tributários concernentes ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), lançados por arbitramento, face a não manutenção de escrituração regular pelo contribuinte. Impugnação ao lançamento fls. 157-158, nestes termos: "Quanto aos anos-base 2000 e 2001, concordamos em parte com os lançamentos apresentados pela autuante, ressalvamos no entanto que o crédito referente aos pagamentos do simples não foram computados para efeito de cr&litos junto a SRF. Exercício 2003 ano base 2002 — Quanto a exclusão da empresa do simples relativamente ao exercício acima, temos discordância, ulna vez que não foi detectado pela atuante qualquer fato significativo corno nos anos base anteriores (2000 e 2001). Concluimos então que o trabalho apresentado, merece ressalvas quanto ao mérito e conteitdo, uma vez que o contribuinte não teve a compensação efetiva dos valores recolhidos no simples sobre a autuação em pauta." O lançamento foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC) nestes termos: 2 Processo no 13971.00232312005-15 CSR.F-T1 Acórdão n.° 9101-000.949 FL 2 "Exclusão de Oficio. Lucro Arbitrado. Lançamento Não Impugnado. Exclusão Definitiva. Pagamentos feitos sob o regime do Simples. Excluída do Simples, com efeito retroativo, em caráter definitivo, poderá a pessoa jurídica requerer à autoridade administrativa a restituição/compensação dos pagamentos indevidamente feitos ao Simples. Exclusão de Oficio. Pratica reiterada de infração legislação tributária. Inicio dos efeitos da exclusão.. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-ái, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis tis demais pessoas jurídicas. No caso de exclusão de (fide per prática reiterada de infração a legislação tribut& -ia, a exclusão produz efeitos a partir do Wes da ocorrência de tal fato. Lançamento procedente." Recurso voluntário às fis.186 e 187, restringindo-se à pugnar pela reducdo do percentual da multa aplicada (150%) e consideração dos valores recolhidos sob a sistemática do Simples para compensação dos valores lançados ern seu desfavor. Relatados. No que interessa a essa instância recursal, o acórdão acima ementado deu parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte para determinar a dedução dos valores por ela pagos na sistemática do SIMPLES com os tributos lançados sob o regime de arbitramento. Segundo o acórdão, (i) os pagamentos realizados após a exclusão (com efeitos retroativos) configuram pagamentos indevidos, devendo ser restituidos; (ii) para fins de lançamento deverá a autoridade fiscal deduzir eventuais créditos intimamente ligados ao fato gerador do tributo; (iii) é plenamente cabível a dedução dos recolhimentos efetuados na sistemática do SIMPLES para abatimento do credito tributário constituído pelo lançamento em foco; (iv) negar esse direito configura-se claramente lançamento em duplicidade, visto que existem valores efetivamente recolhidos sob a sistemática do SIMPLES_ Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido à lei (artigo 165 e seguintes do CTN) e à prova dos autos, sob o fundamento de que (i) o procedimento adequado para que a contribuinte pudesse postular a restituição seria perante o órgão fiscal de seu domicilio tributário e não perante o Conselho de Contribuintes, sob pena de violar o art. 165 do CTN; há interesse da União (Fazenda Nacional) na tese em comento, considerando que o art. 168, I do CTN é a regra matriz (temporal) para fins de restituição do tributo indevidamente pago. Assim, tendo em vista que os pagamentos foram realizados após a exclusão - por força de norma legal prevista no art. 14, V e art 15, V da Lei 9.317/96 - certo é que eles são considerados indevidos, dai porque restaria patente a prescrição do pedido de compensação, alias, fato plenamente reconhecível por esse Conselho dada a natureza de norma de ordem pública. O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho DEF 107-150947_146 (fls. 225 1226)), em vista da potencial violação do acórdão recorrido à legislação citada. Foram apresentadas contra-razões pela Contribuinte. o relatório. 4 Processo n" 13971.002323 12005-15 CSI4F-T1 Acórdão n.° 9101-000.949 FL 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Cinge-se a .discussão em saber se é legitima a dedução do valor dos tributos pagos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES do valor do lançamento realizado para a cobrança destes mesmos tributos (pelo regime do lucro arbitrado) em função da exclusão do contribuinte do regime simplificado de tributação. Do exame da legislação e das provas colacionadas nos autos, entendo que o acórdão recorrido andou bem ao reconhecer a possibilidade de dedução (do tributo lançado) dos tributos pagos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES após o ato de exclusão. 0 art. 23 da Lei n. 9.317/96 estabelece expressamente quais são os percentuais de correspondência entre os valores recolhidos pelo SIMPLES e os tributos abrangidos pela referida sistemática de recolhimento. Por sua vez, o art. 24 da referida lei estabelece que os "valores arrecadados pelo SIMPLES, na forma do art. 6°, serão creditados a cada imposto e contribuição a que corresponder". Tais dispositivos evidenciam ser possível a perfeita identificação dos valores recolhidos pelo contribuinte a titulo de IRPJ, CSL, PIS e COFINS no período autuado. Diante de tal fato, remanesce apenas a questão de se saber se os recolhimentos de IRPJ, CSL, P1S e COFINS sob a sistemática do SIMPLES seriam ou não aptos a extinguir, ainda que parcialmente, os débitos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS apurados em função da exclusão do contribuinte daquela sistemática. Neste particular, entendo que os recolhimentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS efetuados pelo contribuinte, ainda que de modo globalizado e por meio um único DARF e código de receita, mantêm a sua natureza e vinculação aos fatos geradores que lhe são correspondentes. Em outras palavras, os pagamentos efetuados a titulo de IRPJ, CSL, PIS e COFINS não se desnaturam por conta de sua inserção na sistemática do SIMPLES. Nesse sentido, a realização de lançamento fiscal para a apuração do IRPJ, CSL, PIS e COFINS não pode desconsiderar os recolhimentos efetuados pelo contribuinte a este mesmo titulo no mesmo período de apuração, ainda que de modo parcial e sob a sistemática do SIMPLES, uma vez que os tributos recolhidos tem por pressuposto os mesmos fatos e operações. Não procede o entendimento sustentado no recurso especial no sentido de que os pagamentos efetuados sob a sistemática do SIMPLES constituiriam indébito tributário, sob pena de violação do art. 165 do CTN. Ora, verifica-se que no caso não ha que se falar sequer em indébito passível de repetição, porquanto a Contribuinte deve ao Fisco os mesmos tributos 5 (relativos aos mesmos períodos de apuração) em montante superior àquele que teria potencialmente direito a restituir. Pela correção de seus fundamentos, e em complemento ao quanto asseverado neste voto, peço vênia para reproduzir trecho do voto vencedor do acórdão recorrido, os quais ora também adoto como razões de decidir neste processo, verbis: "Por fim, decidiu a Delegacia de Julgamento de Florianópolis que, excluída a Recorrente do Simples, .os pagamentos realizados após a exclusão (com efeitos retroativos) configuram pagamentos indevidos, devendo ser restituidos pelo procedimento descrito no art. 74 da Lei 17°. 9.430/96 — pedido de restituição. Ora, trata-se de regra matriz que para fins de lançamento deverá a autoridade fiscal deduzir eventuais créditos intimamente ligados ao fato gerador do tributo. Desta forma, entendo ser plenamente cabível a dedução dos recolhimentos efetuados na sistemática do SIMPLES para abatimento do crédito tributário constituído pelo lançamento em foco. Negar esse- direito configura-se claramente lançamento em duplicidade, visto que existem valores efetivamente recolhidos sob a sistemática do SIMPLES." Por tais fundamentos, vote no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, near-1h' ovimento. Sala das Sess o de 2011. Antonio Carl lho - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000076/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. RECUSA DO RECEBIMENTO DA
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua, em razão da recusa no recebimento da correspondência, devidamente atestada pelo agente dos Correios no Aviso de Recebimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, pois intempestivo.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. RECUSA DO RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua, em razão da recusa no recebimento da correspondência, devidamente atestada pelo agente dos Correios no Aviso de Recebimento. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10803.000076/2008-17
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 5020901
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.594
nome_arquivo_s : 210201594_10803000076200817_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10803000076200817_5020901.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois intempestivo.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4745599
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233296805888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 719 1 718 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000076/200817 Recurso nº 891.121 Voluntário Acórdão nº 210201.594 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2011 Matéria IRPF Acréscimo patrimonial a descoberto Recorrente NAGIB ELIAS ESPER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. RECUSA DO RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua, em razão da recusa no recebimento da correspondência, devidamente atestada pelo agente dos Correios no Aviso de Recebimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois intempestivo. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/11/2011 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 210201.594 S2C1T2 Fl. 720 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NAGIB ELIAS ESPER foi lavrado Auto de Infração, fls. 100/105, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 e 2003, exercícios 2003 e 2004, no valor total de R$ 707.831,86, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, fls. 78/99, foi acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de dezembro de 2002 e dezembro de 2003. A multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada, no percentual de 150%, pelas razões a seguir extraídas do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal: Durante o procedimento de fiscalização, constatamos a conduta do contribuinte no sentido de declarar em uma única linha os valores de numerário em caixa, saldos bancários, aplicações financeiras, empréstimos e títulos de crédito e instado a detalhar o montante de cada valor, comprovou somente os valores relativos a saldos bancários e aplicações financeiras, não obtendo êxito na diferença apurada na planilha a seguir. Esta prática reiterada não teve outro propósito senão impedir a ocorrência do fato gerador e/ou o não pagamento dos tributos. Neste diapasão, A multa é pena. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. A habitualidade na prática da infração detectada demonstra a intencionalidade daqueles erros, prejudicando, assim, a hipótese de erro escusável, vez que repetiuse por mais de um ano calendário. Isto posto, estando a conduta do fiscalizado, em tese, dentre as situações previstas nos artigos 1° e 2° da Lei nº 8.137/90, para os lançamentos do imposto de renda pessoa física, foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 e artigo 957 do RIR/99. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 111/126, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para reduzir o acréscimo patrimonial a descoberto, relativo Fl. 743DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 210201.594 S2C1T2 Fl. 721 3 ao mês de dezembro de 2002 para R$ 368.786,29, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1733.669, de 28/07/2009, fls. 479/505. Cientificado da decisão de primeira instância, por edital, fls. 510, afixado em 10/05/2010, o contribuinte apresentou, em 08/10/2010, recurso voluntário, fls. 517/580, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da preliminar de admissibilidade do recurso ao CARF Consultando o processo, observamos a existência de um AR, às fls 509, tendo o destinatário minha pessoa, enviado em 22/04/2010 e data de tentativa de entrega em 26/04/2010. Verificamos que o AR foi devolvido ao remetente com a informação de "recusado", sem minha assinatura. Foi posto, pelo correio, o nome de PEDRO TOLEDO como informante da recusa, sem o número do seu documento e sua assinatura. Posteriormente a este fato, consta do processo Edital nº 1.121/2010, fls. 510. A motivação do Edital foi pelo fato de o intimado encontrarse em lugar incerto e ignorado. O Edital foi feito ao arrepio da Lei. Os atos realizados no processo têm que ser comunicado ao interessado, que deve atuar ou dele tomar conhecimento. A citação pessoal é a forma mais adequada de comunicação dos atos, embora não haja ordem de preferência entre ela e a realizada por via postal. Para que seja possível a intimação por Edital é necessária a demonstração de que foi improfícua a tentativa de intimação por um dos meios ordinários ou que o sujeito passivo esteja com sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. A autoridade fiscal somente enviou uma intimação por AR, que voltou como recusada sem a devida identificação de quem a recusou. Requerse, pois, que as autoridades julgadoras considerem sem efeito a intimação por Edital, assim como a intimação por AR, considerando intimado o sujeito passivo na data de vista ao processo, 20/09/2010. Cerceamento do direito de defesa – É nulo o lançamento, pois imputou ao contribuinte a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, sem que fosse intimado seu cônjuge, que apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado e sem que fossem considerados os rendimentos do cônjuge. Entende, ainda, que do resultado da análise patrimonial de ambos, se houvesse acréscimo patrimonial a descoberto, deveria ser imputado a cada um dos cônjuges 50% da omissão apurada. Da decadência – Na data do lançamento encontravase alcançado pela decadência o crédito tributário referente ao anocalendário 2002. Do mérito – A autoridade fiscal incorreu em erro quando do levantamento do acréscimo patrimonial, tais como: 1Inserção (origem) no item 7 da planilha saldo em aplicações financeiras no inicio do mês incorretamente; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 210201.594 S2C1T2 Fl. 722 4 2 Falta da inserção (origem) os rendimentos mensais da esposa do fiscalizado; 3Falta da inserção (origem) os resgates das aplicações financeiras constante dos extratos bancários; 4Inserção (aplicação) no item 9 da planilha saldo em aplicações financeiras no final do mês incorretamente; 5Falta da inserção (aplicação) o desconto simplificado pleiteado na DAA da esposa, rateado mensalmente; e 6Falta de inserção (aplicação) de dinheiro novo em operações financeira decorrentes de venda de imóveis. É o Relatório. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 210201.594 S2C1T2 Fl. 723 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Colhese dos autos que o Acórdão da decisão de primeira instância foi encaminhado para o contribuinte por via postal, Aviso de Recebimento (AR), fls. 509. Do referido AR consta informação prestada pelo agente dos Correios, identificado por nome e matrícula, que a correspondência foi recusada. Diante de tal fato, a autoridade administrativa procedeu a ciência do Acórdão por Edital, fls. 510, que foi afixado em 10/05/2010. Nesse ponto, importa observar o disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 746DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 210201.594 S2C1T2 Fl. 724 6 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) No recurso, o contribuinte afirma que no presente caso a ciência por Edital não é válida por não constar a identificação da pessoa responsável pela recusa. Afirma, ainda, que os atos realizados no processo têm que ser comunicado ao interessado, que deve atuar ou dele tomar conhecimento. Do artigo acima transcrito, verificase que no que se refere à ciência por via postal a recusa em receber a intimação não é mencionada, entretanto, no inciso I, que trata da ciência pessoal, verificase que a recusa deve ser registrada mediante declaração escrita de quem intima e, não do intimado. Ora, se quando a ciência é feita pessoalmente, a recusa deve ser registrada por quem intima, no caso de a ciência se dar por via postal não poderia ser diferente. Logo, a recusa em receber a intimação por via postal deve ser registrada pelo agente dos Correios e não por aquele que se recusa a receber a correspondência. Importa frisar que no presente caso, a recusa em receber a intimação (correspondência), conforme já mencionado, encontrase devidamente registrada no AR pelo agente dos Correios, mediante aposição de rubrica e carimbo com nome e matrícula. E mais, devese ter em mente que cabe ao contribuinte diligenciar para que a recepção dos documentos entregues pelos Correios em seu domicílio fiscal seja procedida por si, ou em sua falta, por preposto de sua confiança. Logo, tal AR comprova que a tentativa de ciência por via postal foi improfícua, nos termos do §1º do art. 23, acima transcrito, estando, portanto, correto o procedimento da autoridade administrativa em proceder a ciência por edital. Nessa conformidade, considerando que o Edital, fls. 510, foi afixado em 10/05/2010, temse que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (quinze dias após a publicação do edital). Já o recurso voluntário foi apresentado em 08/10/2010, fls. 517, depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. É forçoso concluir, portanto, pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Fl. 747DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 210201.594 S2C1T2 Fl. 725 7 Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 748DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000846/00-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ.
Ano-calendário: 1995.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO NO SENTIDO DE QUE O TRIBUTO TERIA DE SER LANÇADO NO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995.
PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1996
E FINDA EM 31.12.2000.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido
julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-001.210
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. Ano-calendário: 1995. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO NO SENTIDO DE QUE O TRIBUTO TERIA DE SER LANÇADO NO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1996 E FINDA EM 31.12.2000. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10120.000846/00-38
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4812076
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-001.210
nome_arquivo_s : 91010001210_101200008460038_171011.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : SUSY GOMES HOFFMANN
nome_arquivo_pdf_s : 101200008460038_4812076.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
dt_sessao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
id : 4747039
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233309388800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.000846/0038 Recurso nº 153.099 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.210 – 1ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2011 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGM PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1995. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO NO SENTIDO DE QUE O TRIBUTO TERIA DE SER LANÇADO NO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1996 E FINDA EM 31.12.2000. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Fl. 881DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte foi autuado para o lançamento de IRPJ e PIS, relativos ao exercício de 1996, anocalendário 1995, glosandose prejuízos compensados indevidamente por não se ter observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 126/137 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: IRPJ E REFLEXO (CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS REPIQUE) LUCRO REAL DA ATIVIDADE RURAL E DA ATIVIDADE EM GERAL. PREJUÍZOS FISCAIS DA ATIVIDADE RURAL DE PERÍODOBASE ANTERIORES E DO PRÓPRIO ANOCALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE SEGREGAÇÃO DESSES RESULTADOSCOMO ATIVIDADE RURAL COM BASE NO LUCRO DA EXPLORAÇÃO FATO QUE INIBE O GOZO DO BENEFÍCIO DA NÃO LIMITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO AO PERCENTUAL DE 30%, PELA APLICAÇÃO DO LIMITE DA ATIVIDADE EM GERAL. DILIGÊNCIA FISCAL EX OFFICIO CONSTATAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO FISCAL. I — A não aplicação do limite de compensação de prejuízos fiscais da atividade rural, de períodosbase anteriores e do Fl. 882DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 3 3 próprio anocalendário previsto no art. 42 da Lei n° 8.981/95 e 'art. 12 da Lei n° 9.065/95, se subordina à demonstração do resultado da atividade rural, dada a natureza do incentivo fiscal, calculado com base no lucro da exploração; II O prejuízo da atividade rural é compensável com os lucros dos períodosbase seguintes da mesma atividade e com o lucro real das demais atividades somente no mesmo períodobase. O contribuinte deverá manter escrituração em separado dos demais resultados com o fim de segregar as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural de modo a permitir a determinação da receita líquida por atividade, bem como demonstrar, no LALUR, separadamente, o lucro ou prejuízo, da atividade beneficiada com incentivo das demais atividades não incentivadas; III — À compensação de prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural com lucro real da mesma atividade ou como lucro real das demais atividades, aplicas o disposto na IN SRF n° 39/96; IV — Por força de autorização contida no § 30 do artigo 2° da 114 SRF n° 39/96, é cabível a compensação de lucro real da atividade rural com prejuízo fiscal anterior das demais atividades, limitada a 30% do lucro líquido ajustado, conforme previsto nas Leis n's 8.981/95 e 9.065/95. V — Constatado pela diligência fiscal a existência de erro material na apuração do lucro real antes da compensação, é 'cabível a revisão exofficio do lançamento fiscal, para sanar o citado vício, desde que não implique majoração do crédito tributário originariamente lançado. VI LANÇAMENTO DECORRENTE — PIS REPIQUE — O decidido para o lançamento do IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 599/607). A antiga Terceira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS A não aplicação do limite de compensação de prejuízos fiscais da atividade rural, de períodosbase anteriores e do próprio anocalendário prevista no art.42 da Lei n° 8.981/95 e art.15 da Lei 9.065/95, se subordina à demonstração do resultado da atividade rural, dada a natureza do incentivo Fl. 883DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 4 4 fiscal, calculado com base no lucro da exploração. No caso da pessoa jurídica que explora a atividade rural também desenvolver outras de natureza diversa e desejar beneficiarse dos incentivos próprios concedidos àquela atividade, deverá manter escrituração em separado dos demais resultados com o fim de segregar as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural, de modo a permitir. a determinação da receita líquida por atividade, bem como demonstrar no LALUR, separadamente, o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas, atividades (IN LANÇAMENTO REFLEXO: PIS/Repique. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa SRF n° 39/96). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA Sendo o imposto de renda, tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação, o início das contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 644/656), com fundamento em divergência jurisprudencial. Defendeu a tese de que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário por parte do Fisco regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Segundo a recorrente: “No caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que, nos autos, não consta nenhum recolhimento do tributo. Portanto, em face da ausência de pagamento, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de oficio pela:autoridade administrativa. Ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de oficio (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de oficio da administração (CTN 149, V).” Desta forma, postulou pela reforma do acórdão recorrido. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 673/675 dos autos. Fl. 884DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 5 5 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. No presente caso, a exigência do IRPJ decorreu de revisão sumária da declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte para o exercício de 1996, constatandose compensação indevida de prejuízo fiscal apurado nos períodos anteriores, em razão da inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido ajustado. No que tange à decadência, o órgão a quo decidiu pela sua caracterização, em relação ao fato gerador ocorrido em janeiro de 1995. Aplicouse, ao caso, a aplicação do artigo 150, §4°, do Código Tributário nacional, por se tratar de tributos sujeitos a lançamento por homologação. A ciência da autuação ocorreu em 18 de fevereiro de 2000. A Fazenda Nacional sustentou a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, argumentando pela inexistência de pagamento antecipado. A discussão referese ao artigo de regência do prazo decadencial nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A discussão referese ao artigo de regência do prazo decadencial nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não se verificou o pagamento antecipado por conta do contribuinte. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 885DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 6 6 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos Fl. 886DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 7 7 imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Neste sentido, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte. Ocorre que há de ser observado que no julgamento citado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça restou expresso que o prazo decadencial passa a ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do fato imponível. Observese que o artigo 173,I dispõe que o prazo deve ser computado a partir do primeiro dia do financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, tendo em vista que o fato gerador ocorreu no ano de 1995, o prazo decadencial começou a correr no dia 01 de janeiro de 1996. A ciência do auto de infração ocorreu em fevereiro de 2000. De modo que é de se considerar que não se concretizou, de fato, a decadência. Diante do exposto, adotando o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no artigo 62A do regimento interno, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 887DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.000846/0038 Acórdão n.º 9101001.210 CSRFT1 Fl. 8 8 Fl. 888DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
