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Numero do processo: 10680.013201/2006-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1801-000.063
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERANNDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0223.950/09 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, fls. 515 e seguintes, que manteve em parte a autuação sofrida, consubstanciada nos Autos de Infração lavrados para a exigência fiscal de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário de 2002, bem como multa isolada pelos não recolhimentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL – fls. 02 a 19, perfazendo o total de R$ 432.339,73, incluídos os juros e as multas pertinentes. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 Falta de recolhimento/declaração do Imposto de Renda: insuficiência de recolhimento ou declaração: insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) em anexo. Fl. 558DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Resolução n.º 180100.063 S1TE01 Fl. 553 2 002 Multas isoladas Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada: insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme TVF. No mencionado TVF, anexado às fls. 08/10, foi feito o detalhamento da exigência, contendo a análise da autoridade fiscal e os demonstrativos de apuração das infrações. Por sua vez, consta das fls. 11/16 o auto de infração para exigência de Contribuição Social s/ Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2006, além de multa isolada, no montante de R$132.235,16, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2003. Cientificado das exigências em 01/12/2006, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 92, o contribuinte apresentou impugnações distintas, em 28/12/2006, pertinentes aos lançamentos do IRPJ e da CSLL, às fls. 93/356. No tocante à impugnação referente ao IRPJ (fls. 93/103), inicia o autuado fazendo uma síntese do lançamento. Prossegue o impugnante salientando que, durante o anocalendário de 2002, efetuou a compensação dos valores que detinha para serem compensados, provenientes de créditos de IRPJ acumulados nos anos base anteriores, conforme documentos em anexo, notadamente cópias do Livro Razão Analítico, que demonstram nitidamente o saldo credor acumulado de IRPJ relativo aos anos de 1999, 2000 e 2001. Conforme pode ser observado nas anexas cópias do Livro Razão Analítico, em 31/12/2001, o saldo credor acumulado de ÍRPJ importava em R$ 205.437,62, do qual deduzida a provisão de R$ 82.437,62 restou, em 02/01/2002, um saldo credor remanescente de R$ 122.961,28. Observase, por outro lado, que este saldo credor de IRPJ foi utilizado justamente para a compensação do valor de R$ 139.177,04, equivalente ao Imposto de Renda, por estimativa, apurado durante o anobase de 2002, restando, por fim, em 31.12.2002, ainda um saldo credor de R$ 8.080,19. Assim, na referida operação, notase de forma muito clara a compensação tributária realizada com base no saldo acumulado dos anos anteriores, o que evidencia sobremaneira a ausência IRPJ a pagar. Salienta o defendente que o simples fato de o contribuinte não ter informado, por meio das DCTF, a efetivação da compensação acima descrita não autoriza a exigência fiscal sobre os valores compensados. Assevera que o erro no preenchimento de declarações e formulários a serem entregues ao Fisco não pode dar ensejo à exigência de tributo já quitado, uma vez que não há, nesta hipótese, qualquer prejuízo ao Erário. Não se pode perder de vista, ainda, que a compensação tributária nada mais é que um mero encontro de contas realizado pelo contribuinte que, até o advento da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, não dependia de qualquer formalidade ou mesmo pedido junto à Receita Federal, sendo certo que para sua realização bastaria ao contribuinte apurar o tributo e realizar o encontro de contas, recolhendo o eventual saldo encontrado aos cofres públicos. Fl. 559DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Resolução n.º 180100.063 S1TE01 Fl. 554 3 Considerandose, portanto, que os procedimentos de compensação foram efetuados antes da vigência da Lei n° 10.637, de 2002, não existia à época necessidade de pedido ou de atendimento a qualquer formalidade, incluindo o cumprimento de obrigação acessória, como condição de validade do próprio procedimento de compensação. Salienta que, para lavrar o Auto de Infração, a Receita se baseou em informações obtidas internamente, sem se ater à veracidade dos fatos envolvidos, afrontando o princípio da verdade material e os comandos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que prevêem que os atos e decisões administrativas devem ser fundamentados, com a indicação de todos os pressupostos que os determinaram, o que não ocorreu in casu. O impugnante, em respeito ao princípio da eventualidade, suscita ainda a ilegitimidade da exigência de multa de ofício no caso, tendo salientado que, a rigor, a ilicitude da aplicação da multa de ofício na hipótese dos autos em que os débitos são informados pelo próprio contribuinte, por meio de DCTF vem sendo reconhecida, reiteradamente, pelo Conselho de Contribuintes. Lado outro, mesmo que sejam ultrapassados todos os argumentos supra, não é de prevalecer a aplicação de multa isolada sobre o valor das antecipações de IRPJ, apuradas segundo o regime de estimativa, que teriam deixado de ser pagas pelo impugnante, em conjunto com a multa de ofício pelo não pagamento da exação, apurada ao final do exercício. Diante desse quadro, uma vez constatada a infração decorrente da falta de pagamento dos valores de IRPJ apurados ao final do anocalendário, não há que se falar em uma segunda infração pela ausência de recolhimento do tributo por estimativa, visto que esta última está, obviamente, contida na primeira, por se tratar de simples antecipação.” A empresa, analogamente, suscita as mesmas razões em relação à autuação de CSLL. A turma de julgamento a quo converteu o julgamento na realização de diligência objetivando que se verificasse junto à contabilidade da empresa a veracidade das informações e a existência do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL), bem como as alegadas compensações efetuadas na escrituração, tendo em vista que esta forma de compensação foi admitida até outubro de 2002 – Resolução nº 966/08, fls. 359 a 364. Em resposta a autoridade fiscal designada ao feito esclareceu: “Durante a diligência na sede da empresa em 21/01/2009 foi disponibilizado os livros Diário e Razão do anocalendário de 2002. Analisando estes livros verificase que as cópias do Livro Razão apresentadas refletem o que está escriturado no Livro Diário, o qual, está registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. As cópias autenticadas encontramse as fls. 383 a 389. Verificase, também, que as compensações das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL foram efetivadas através de lançamentos realizados no dia 31/12/2002, na fl. 609 do Diário Geral N° 35(documentos de fls. 383 a 385).Portanto, os lançamentos foram realizados em período no qual não era permitida a compensação na escrita fiscal e sim era obrigatória a apresentação de Declaração de Compensação.” A empresa devidamente intimada a se manifestar defendeuse dizendo que a norma tributária que modificou as regras da compensação – Lei nº 10.637/02 – instituindo a Fl. 560DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Resolução n.º 180100.063 S1TE01 Fl. 555 4 obrigatoriedade da entrega de Declaração de Compensação – Dcomp começou a vigorar somente a partir do anocalendário de 2003, uma vez publicada no DOU em 31/12/02. A turma julgadora de primeira instância afastou as nulidades suscitadas e esclareceu à recorrente que: “Segundo consta do TVF, na DCTF apresentada pelo autuado, não foram informadas as estimativas do IRPJ e da CSLL relativamente aos meses do ano calendário de 2002, não tendo sido informados também os pagamentos ou compensações efetuados. O impugnante sustentou que procedeu à compensação tributária com base no saldo acumulado dos anos anteriores, evidenciando a ausência de IRPJ e CSLL a pagar. Acentuou que a compensação foi efetuada antes da vigência da Lei n° 10.637, de 2002, inexistindo, à época, necessidade de pedido ou atendimento a qualquer formalidade. Primeiramente cumpre salientar que a compensação constitui uma modalidade de extinção do crédito tributário, porém o encontro de contas permitido no Código Tributário Nacional (CTN) é somente o previsto em lei específica, nas condições e sob as garantias que ela estipular (art. 170). Nestas circunstâncias, conforme foi evidenciado na Resolução DRJ/BHE n° 966, de 2008, o contribuinte anexou aos autos folhas do Razão Analítico (fls. 195/220 e 329/353), que evidenciariam a existência de saldos credores de IRPJ e de CSLL de períodos anteriores, suficientes para fazer face às estimativas mensais desses mesmos tributos no anocalendário de 2002. Nos demonstrativos de fls. fls. 221/222 e 354/355, o contribuinte consolidou as compensações efetivadas nesse período. [...] Nesse sentido, cabe ressaltar que no anocalendário de 2002, objeto do lançamento fiscal, a legislação pertinente à compensação sofreu alterações importantes, conforme se passa a explicitar em apertada síntese. Até então vigoravam as disposições do art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, segundo as quais, em se tratando de tributos da mesma espécie, era facultado ao contribuinte, por iniciativa própria, compensar seus débitos com créditos para com a Fazenda Pública decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior, sem que lhe fosse exigido, como requisito de validade da compensação, a anuência prévia da autoridade fiscal ou a comunicação do exercício da faculdade à repartição fazendária de sua circunscrição. Evidentemente, que a escrituração do contribuinte deveria retratar as compensações levadas a efeitos nessas condições. A matéria, à época, foi regulada pela Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, e alterações posteriores, que, em seu art. 14, estipulava que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Porém, com o advento da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, em seu art. 49, que deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as Fl. 561DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Resolução n.º 180100.063 S1TE01 Fl. 556 5 compensações ficaram condicionadas à entrega pelo sujeito passivo de declaração específica (DComp). Essa norma entrou em vigor a partir de 1° de outubro de 2002 e a citada MP foi convertida posteriormente na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passando o assunto a ser regulado ainda na IN SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002.” (grifos pertencem ao original) Saliento o seguinte trecho do votocondutor: “Nesse sentido, notese que, assim como para proceder à constituição do crédito tributário, a fiscalização deve observar os ritos legais pertinentes, notadamente os previstos no Decreto n° 70.235, de 1972, e o prazo decadencial, sob pena de ser imputado nulo ou improcedente o lançamento, também em relação a eventuais indébitos tributários devem ser observadas as normas vigentes e procedimentos específicos quanto à formalização da compensação e atenção aos prazos prescricionais do direito creditório. No caso em comento, no período em que foram feitos os registros da compensação das estimativas mensais na escrituração (31/12/2002), a apresentação da DComp era condição essencial para conferir validade ao procedimento do contribuinte. Portanto, é legítimo o lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente a fato gerador ocorrido em 31/12/2002, lembrando que, consoante disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Aquela turma julgadora segue no aresto tecendo considerações que justificam as aplicações das multas de ofícios incidentes sobre a ausência de recolhimento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, e, de igual forma, aplicadas devido à ausência dos recolhimentos das estimativas a que se obrigava durante o anocalendário de 2002. Apenas reduziu os percentuais desta última (75%) para 50% em vista da legislação posterior que reduziu e em observância ao princípio da retroatividade benigna. Inconformada, tempestivamente, a empresa apresentou o Recurso de fls. 537 e seguintes reprisando os argumentos da defesa inicial, argumentando de forma veemente que procedeu às compensações na forma permitida pela legislação tributária então vigente, que examinada a contabilidade a própria autoridade fiscal verificou a existência dos saldos negativos de períodos anteriores e IRRF mensais que compensou com as estimativas devidas a título de IRPJ e CSLL e que a Lei nº 10.637/02 que alterou as regras pertinente à compensação passou a vigorar somente a partir de 01/01/03. É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Cumpre, preliminarmente, esclarecer que após a implantação do sistema e processo neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf os processos são remetidos para apreciação digitalizados, ou seja, não é mais possível o acesso ao processo físico. Nos presentes autos, as folhas relativas ao Livro Diário da empresa juntadas nestes autos às fls. 383 a 389 estão completamente ilegíveis – em preto. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Resolução n.º 180100.063 S1TE01 Fl. 557 6 Justamente estas folhas serviram de fundamento para o relatório fiscal exarado em resposta à Resolução nº 966/08 de fls. 359 a 364. Verifico que está sendo exigido da empresa multa isolada pelas estimativas mensais não recolhidas de IRPJ e CSLL nos seguintes meses: Meses/2002 IRPJ CSLL fevereiro Sim Sim março Sim Sim abril Sim Sim maio Sim Sim junho Não Sim setembro Não Sim outubro Não Sim A autoridade diligente esclareceu: “[...] Verificase, também, que as compensações das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL foram efetivadas através de lançamentos realizados no dia 31/12/2002, na fl. 609 do Diário Geral N° 35 (documentos de fls. 383 a 385). [...]” (grifos não pertencem ao original) No voto condutor, ora atacado, restou dito: “No caso em comento, no período em que foram feitos os registros da compensação das estimativas mensais na escrituração (31/12/2002), a apresentação da DComp era condição essencial para conferir validade ao procedimento do contribuinte.” (grifos não pertencem ao original) Da análise destas informações, sem conseguir verificar os lançamentos registrados no Diário, não consigo entender o porquê da empresa, ou como, ter contabilizado as estimativas mensais (de fevereiro a outubro de 2002) em uma única data, em 31/12/2002. As assertivas neste sentido não parecem congruentes com os vencimentos das estimativas e com as normas contábeis. Parece que apenas o saldo do IRPJ e da CSLL anual é que foi compensado com saldos negativos anteriores e não qualquer das estimativas, conforme está escrito nos autos. Mas, a dúvida permanece. Destarte, proponho o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para que verifiquese: a) na contabilidade como as estimativas mensais, IRPJ e CSLL, foram registradas (em cada mês); b) juntar os balancetes de verificação mensais; Fl. 563DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Resolução n.º 180100.063 S1TE01 Fl. 558 7 c) se nos meses relativos às estimativas havia os saldos negativos respectivos para que não fossem efetivamente recolhidas, até setembro, devendo a autoridade designada fazer um quadro analítico abatendo os valores negativos de períodos anteriores até o saldo apurado no ajuste, tanto para o IRPJ como para a CSLL; d) esclarecer como a empresa contabilizou os saldos de IRPJ e CSLL devidos no ajuste (anocalendário de 2002, ex. 2003) e quais os valores informados a este título em DCTF. Os documentos que fundamentarem o relatório fiscal somente devem ser juntados de forma que, escaneados, se tornem legíveis. Do resultado desta diligência a empresa deve ser cientificada, sendolhe facultado manifestarse a respeito no prazo regulamentar. Após, os autos devem retornar a esta Conselheira Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 564DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000435/2010-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.074
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A
§ 2o do Regimento Interno do CARF e o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62A § 2o do Regimento Interno do CARF e o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 241.867,79, aí incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e os Fl. 908DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 828 2 juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas anocalendário 2006 (fls.513 a 576). De acordo com o relato constante do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 513 a 543), o presente procedimento decorre de auditoria fiscal iniciada na pessoa física de Paulo Rogério de Souza. No âmbito daquele procedimento verificouse que o contribuinte Paulo Rogério de Souza, doravante denominado simplesmente Sr. Paulo, movimentou em suas contascorrentes bancárias, no anocalendário 2006, a quantia de R$ 6.743.222,82, enquanto que declarou, na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física Simplificada, rendimentos totais para o mesmo período de R$ 18.488,00. No decorrer das investigações apurouse que o Sr. Paulo se utilizou de suas contascorrentes bancárias pessoais mantidas no Brasil e no exterior, para recebimentos decorrentes de atos típicos de comércio, pois atuava como representante comercial de diversas outras empresas, muitas delas do setor de distribuição de gasolina e derivados de petróleo, álcool e derivados de cana de açúcar em geral. Em procedimento de circularização junto a clientes foram obtidas inúmeras informações a respeito de clientes e valores pagos ao Sr. Paulo. As intimações para comprovação da origem dos recursos encaminhadas ao Sr. Paulo deixaram de ser respondidas, na sua maior parte. Informou o Sr. Paulo que ao final de 2005 celebrou contrato verbal com a empresa Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltda, para representação na venda de álcool etílico hidratado carburante; que em 02/05/2006, constituiu a empresa Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., cujo contrato foi registrado na Jucesp em 08/05/2006 e que a razão social foi alterada para P.R.F. Comércio de Roupas Ltda. ME, a partir de 09/05/2007; que, depois da constituição da pessoa jurídica formalizou contrato verbal de representação entre a Negrelli e a Petropalmas; que todas as operações advindas do referido contrato foram feitas por intermédio de suas contas bancárias. Consignou a auditoria que nenhum documento comprobatório das justificativas foi apresentado, além dos contratos sociais e alterações da Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., e um contrato particular de representação comercial feito entre a referida empresa e a Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ: 03.202.459/000166, sem a assinatura da contratante. Pesquisas realizadas indicaram que a Petropalmas não estava habilitada no sistema Sintegra Sistema Integrado de Informações Sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços. Informações obtidas na internet e advindas de outros órgãos revelaram inúmeras irregularidades e ilegalidades praticadas pela Petropalmas, inclusive com sua citação em Comissão Parlamentar de Inquérito e o cancelamento, em 03/04/2007, de sua inscrição pela ANP. O Sr. Paulo também teria realizado negócios irregulares com Geraes Brasil Petróleo Ltda., CNPJ: 01.460.940/000126 e com a Oilpetro Distribuidora de Petróleo Ltda, empresas que não foram localizadas em seus domicílios tributários. Foi providenciada circularização com os remetentes de recursos para as contas do Sr. Paulo pelas quais foram constatados inúmeros pagamentos decorrentes de relações comerciais. Tendo em conta o não atendimento da intimação para providenciar inscrição voluntária retroativa a 01/01/2006, foi efetuada, de ofício, a inscrição do contribuinte no CNPJ a partir dessa data e a auditoria passou a se desenvolver junto às pessoas jurídicas Paulo Fl. 909DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 829 3 Rogério de Souza e PRF Comércio de Roupas Ltda, sucessora da Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. Nestes autos foram formalizados os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos 2o., 3o. e 4o. trimestres de 2006 tendo como infração a omissão de receitas apurada pelos depósitos bancários de origem não comprovada. A apuração das bases de cálculo e dos valores devidos deuse pelo arbitramento dos lucros tendo em conta a inexistência de escrituração mínima obrigatória assim como documentos comprobatórios das operações. A multa de ofício foi qualificada, pois teria restado configurado o evidente intuito de fraude pela sonegação de 99% dos depósitos bancários, assim como pela apresentação de declarações (DIPJ) de inatividade e a apresentação de Declaração da Pessoa Física Simplificada. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais assim como o Termo de Sujeição Passiva Solidária ao sócio Paulo Rogério de Souza, nos termos dos artigos 121 e 124 do CTN. A pessoa jurídica foi cientificada das exigências na pessoa de seu representante legal e o Sr. Paulo Rogério Souza do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Ambos apresentaram impugnações tempestivas, por intermédio de procurador legalmente habilitado, A pessoa jurídica argüiu, em resumo: • Em 2006, foi representante comercial de várias empresas, dentre elas a Petropalmas. De 01/01/2006 a 01/05/2006 figurou como representante comercial autônomo, percebendo comissões sobre os produtos vendidos nessa atividade. Em 02/05/2006 constituiu uma sociedade "Negrelli & Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda.", CNPJ 07.993.346/000187, cuja denominação atual é "PRF Comércio de Roupas Ltda. ME"; • O lançamento foi feito, no período de janeiro a 05/05/2006, em nome de Paulo Rogério de Souza, CNPJ 11.933.948/000116, e, no período de 06/05/2006 a 31/12/2006, em nome de PRF Comércio de Roupas Ltda. ME. Assim, tratandose de autos de infração de período seqüencial, envolvendo as mesmas pessoas, pelos mesmos fatos, com a mesma acusação fiscal, devem ser julgados simultaneamente, porquanto interligados entre si, como preconizado nos arts. 103 e 105 do Código de Processo Civil, subsidiário do Processo Administrativo Tributário (Lei n° 10.941, de 25 de outubro de 2001) e do vigente Código Tributário Nacional (CTN). Requer, por essas razões, que seja apensado a este, para julgamento simultâneo, o processo 16004.000435/201034 formalizado em nome da PRF Com. De Roupas Ltda. ME. • Quando foi intimada a apresentar a sua inscrição junto ao CNPJ e seus livros Diário, Razão, Registro de Inventário, Lalur, bem assim a documentação correspondente, informou à fiscalização que, em 2006, mediante contrato verbal, era representante comercial em caráter não eventual da empresa Petropalmas para a comercialização de álcool etílico hidratado carburante, cabendo à citada empresa a emissão das notas fiscais e a entrega do produto no destino. A impugnante cabia emitir os pedidos de vendas, se encarregar do recebimento das duplicatas, cheques e outros títulos, depositandoos em sua conta corrente, e depois fazer a transferência dos valores das vendas para a Petropalmas ou para quem essa empresa indicasse; • Em 02/05/2006, constituiu a empresa de representação comercial Negrelli (atual PRF), tendo formalizado, em 23/05/2006, um contrato de representação comercial com a Petropalmas, no qual foram mantidas as condições antes entabuladas, recebendo os valores das vendas e, depois, fazendo o repasse ora em dinheiro ora em crédito para aquela empresa ou para quem ela indicasse, descontandose apenas a comissão; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 830 4 • Entretanto, no inicio de 2007, tendo em vista os prejuízos experimentados, paralisou a atividade de representação e rescindiu o contrato com a Petropalmas. Alterou, então, o nome da empresa e a sua atividade, passando a ser comércio de confecções e artigos de vestuário em geral. Dessa forma, não procede a alegação do Fisco de que utilizou as contas bancárias abertas em seu nome para acobertar operações mercantis praticadas pela Petropalmas; • O Fisco toma por base para a exigência do imposto de renda única e exclusivamente extratos bancários, utilizandose, assim, de uma presunção frágil e injusta. A Lei n° 9.430, de 1996, inseriu novas presunções dentre as quais a vinculada aos valores creditados em conta de depósito,. em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações; • Não há correlação lógica entre depósitos e rendimentos omitidos; depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Os depósitos devem representar o marco inicial de uma investigação fiscal e, como tal, não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da presunção legal, além de que para uma pessoa física é impossível comprovar cada um dos depósitos efetivados em suas contas ao longo de cinco anos; • O Fisco elaborou uma planilha, unilateralmente, sem quaisquer provas de que tenha advindo de instituição financeira, presumindo que os depósitos efetuados representam operações de vendas de mercadorias; • Cabe ao Fisco a prova da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; • Os depósitos existentes não significaram acréscimo patrimonial, nem operações de vendas próprias de mercadorias, mas créditos decorrentes de vendas procedidas pela empresa Petropalmas, que emitiu as notas fiscais e as entregou para as empresas destinatárias, por força do contrato de representação comercial acima mencionado; • Não é permitido ao Fisco proceder à inscrição de oficio no CNPJ estribado unicamente em presunção, sem que antes detenha elementos seguros de prova capazes de justificar a exigência; • O Fisco não pode fazer a inscrição de oficio no CNPJ e o lançamento por arbitramento, uma vez que a contribuinte não tem acesso à escrituração contábil da Petropalmas, que fez as vendas e recebeu os respectivos valores. Não se pode fazer o arbitramento sem fundamentação legal. A lei exige prova de que a escrituração contenha vicio ou omissão capaz de comprometela, da qual emergisse a sua invalidade, o que não ficou provado pela fiscalização. In casu, não se trata de escrita imprestável ou mesmo de omissão em ofertála à fiscalização, de maneira a justificar o arbitramento procedido, sendo totalmente ilegal a conduta do fiscal autuante; • O Fisco consultou os depositantes e todos confirmaram que a contribuinte agiu estritamente como corretor, representante comercial, chegando alguns a declinar formalmente que era representante comercial da Petropalmas. Planilhas relacionando uma infinidade de notas fiscais emitidas pela Petropalmas e assim como de outras empresas que, em tese, poderiam representar sonegação fiscal, instauração de CPI, não pode levar o Fisco a crer que os meros depósitos bancários sejam puramente renda não declarada; • É enganosa a informação do fiscal de que a Petropalmas estava cadastrada no Sintegra com a situação de "não habilitado". Em consulta ao Integra/ICMS verificase que a citada empresa encontrase "habilitada" desde 25/08/2004, assim como no cadastro da Receita Federal do Brasil (RFB) ela se encontra "ativa". Além disso, o alegado cancelamento do cadastro daquela empresa na ANP somente se deu em 03/04/2007, portanto, em 2006, ela estava apta para a prática de atos de comércio; • Não há como aplicar a penalidade agravada, porquanto não há certeza sequer do lançamento. Não houve fraude, nem conluio ou falsificação de documentos. Realizou seus depósitos Fl. 911DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 831 5 bancários de forma absolutamente regular. Foi corretor, mero representante comercial e nesta condição depositou, por força do contrato, os valores envolvidos na representação comercial estabelecida, repassandoos imediatamente a empresa contratante dos serviços de representação, com retenção das diminutas comissões sobre as vendas; • Ao longo da impugnação ficou evidente que o lançamento em sua essência não pode prosperar quando fundado em suposições, conjecturas e presunções. Assim, ainda que procedente fosse o lançamento não teria cabimento a manutenção da penalidade agravada; • Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas, e por decorrência da natureza característica de tais figuras, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o intuito de fraude. Mas, não basta ser qualquer intuito, há de ser evidente, demonstrado de modo concreto, sem deixar margem a dúvida; • Existindo dúvida deve ser aplicado o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), exigindose a multa de 75%. Paulo Rogério de Souza apresentou impugnação de fls. 584 608, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária, na qual alegou: • A solidariedade tributária está prevista nos arts. 134 e 135 do CTN, que estabelece a sua extensão aos sócios relativamente a débitos da sociedade, definindoa como subsidiária, tendo em vista que é restrita aos casos de impossibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da própria empresa; • Quanto à responsabilidade pessoal, está limitada aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados, comprovadamente pelo sócio com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese que não está tipificada no presente caso; • Em nenhum momento foi demonstrada a intervenção, pelo "responsável solidário" em algum ato ou suas responsabilidades por alguma omissão que desse causa ao pretenso crédito. Por outro lado, mostrase absolutamente possível exigirse o cumprimento da obrigação da empresa autuada, se fosse o caso, o que afasta de imediato a responsabilização de qualquer outra pessoa, a demandar a exclusão do tido "responsável solidário" do pólo passivo da presente relação tributária; • Para que se pudesse incluir o sócio no pólo passivo da exigência fiscal em epígrafe, como pretende a fiscalização, mister que tivesse a mesma obtido uma declaração eficaz de sua responsabilidade, o que somente teria sido possível mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado. Somente assim poderseia considerar tais pessoas físicas como coresponsáveis pelo crédito tributário; • A inclusão do sócio no pólo passivo da obrigação tributária afronta os art. 134 e 135 do CTN e a CF que garante o devido processo legal nas instâncias administrativa e judicial, consistindo em grave vicio de forma e conteúdo; • A fiscalização não comprovou a responsabilidade tributária da pessoa física em relação ao crédito tributário da empresa autuada; • O procedimento fiscal contrariou os princípios da legalidade, verdade material, da irretroatividade, bem assim a necessidade de motivação do ato administrativo do lançamento. As presunções só são admitidas quando estão expressamente previstas em lei; • Não há como prosperar a aplicação da penalidade agravada de 150%. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 832 6 A 3a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP proferiu o Acórdão 1431.226 e julgou os lançamentos procedentes (fls. 703/716). Em preliminares aquela autoridade observou que não teria havido equiparação de pessoa física à jurídica nem inscrição de ofício no CNPJ, motivo pelo qual as razões de defesa nesse sentido não foram conhecidas. O pedido de apensamento deste com os autos de n º 16004.000443/201081 foi rejeitado. No mérito sustentou a apuração de omissão de receitas pela presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n º 9.430, de 1996, justificou o arbitramento pela falta de manutenção de escrituração a amparar a apuração pelo lucro real e qualificou de reiterada a conduta da empresa em omitir receitas auferidas do Fisco Federal, o que implicaria na manutenção da penalidade qualificada. No que toca à sujeição passiva solidária consignou que o referido termo seria, apenas, mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição em dívida ativa do débito e que a discussão da questão deveria se desenrolar na esfera judicial a cargo de outra autoridade julgadora. A notificação para ciência da decisão foi encaminhada ao endereço da PRF Comércio de Roupas Ltda., e lá recepcionada em 08/11/2010, como indica a cópia do AR à fl. 724. Foram encaminhados, via correio, em 08/12/2010, os recurso interpostos contra as exigências, por meio de procurador, pela pessoa física de Paulo Rogério de Souza, anexado às fls. 726 a 750, e pela pessoa jurídica PRF Comércio de Roupas Ltda., anexado às fls. 751 a 824. O responsável solidário alegou, em preliminares, a tempestividade da peça e pediu pelo julgamento simultâneo com o processo n º 26004.000443/201081 e, no mérito, reproduziu as razões de defesa deduzidas na impugnação pleiteando, ao final, a sua exclusão do pólo passivo, na condição de responsável solidário, da relação jurídicotributária. No recurso interposto pela pessoa jurídica PRF Comércio de Roupas Ltda alegou, a recorrente, em preliminares a nulidade da decisão da DRJ em Ribeirão Preto, (i) pela caracterização de cerceamento do direito de defesa por não terem sido apreciadas as razões de defesa apresentadas na impugnação, no que respeita à equiparação da pessoa física em pessoa jurídica e contra a inscrição de ofício, retroativa, no CNPJ; (ii) pela ausência de fundamentação, ou seja, pelo não encaminhamento do voto do relator Antonio Carlos Trevisan, vencido na questão que julgou, por maioria de votos, não tomar conhecimento das razões de impugnação contra a sujeição passiva solidária. As demais questões preliminares levantadas na impugnação foram reproduzidas no recurso voluntário. No mérito, além de reproduzir as argüições de defesa deduzidas na impugnação, acrescentou, em suas palavras; O Superior Tribunal de Justiça em decisão recentíssima, publicada em 27/04/2010, decidiu de vez por todas, que se a empresa compradora consultar o cadastro SINTEGRA e o cadastro CNPJ e constatar que a empresa está regularmente HABILITADA e ATIVA, respectivamente, perante aqueles órgãos, as empresas destinatárias têm direito ao crédito do imposto e estão a salvo de qualquer penalidade, ainda que, ao depois, venha ser considerada "NÃO HABILITADA" ou "INATIVA". Fl. 913DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 833 7 Nesse sentido transcreveu ementa de acórdão de decisão do STJ, proferida no REsp 114844/MG, lª Seção, rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 14/04/2010 e publicado em 27/04/2010, ao qual, ressalta, se aplicam os efeitos do art. 543C do CPC. Ao final pugnou pelo acolhimento dos recursos. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Conforme se depreende dos presentes autos, notadamente às fls. 52/135, a Fazenda Pública obteve acesso aos dados da movimentação financeira da empresa contribuinte, por meio de RMF dirigida diretamente às instituições financeiras, mas sem autorização judicial. Sobre o assunto devem ser feitas as seguintes observações. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no Dje086 em 10/05/2011: Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob fundamento de inconstitucionalidade após o STF, por seu plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o STF reconheceu quanto à matéria a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: Fl. 914DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 834 8 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional, existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 542B, do CPC, e artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator da matéria, não determinou que os demais processos aguardassem na origem, conforme previsto no artigo 328, parágrafo único do Regimento Interno do STF. Porém, esta providência foi determinada em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº. 765.714, cuja decisão contém o seguinte teor: “Tratase de agravo de instrumento contra a decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11 § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitida o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos Fl. 915DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 835 9 ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11 § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144 § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314 RG/SP, de minha relatoria). Isso Posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Em resumo, o artigo 328, parágrafo único do RISTF, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765.714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314, nos processos que versam sobre a mesma matéria, está determinado o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, concluindose, assim, s.m.j., que tal procedimento corresponde ao sobrestamento dos demais processos, pois, do contrário, os Fl. 916DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16004.000435/201034 Resolução n.º 1801000.074 S1TE01 Fl. 836 10 demais processos não poderiam ser devolvidos à origem, como aconteceu com o AI 765.714/SP. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, assim dispõe no artigo 62A: 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tendo em vista que o presente processo envolve matéria discutida no âmbito jurisdicional em sede de repercussão geral reconhecida, qual seja, quebra sigilo bancário – Lei Complementar nº 105 / 2001 – como se vê do relatório, e considerando o que dispõe o artigo 62A, e parágrafos 1º e 2º do RICARF e, ainda, o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, que determinam o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que houver sobrestamento do julgamento jurisdicional dos recursos extraordinários da mesma matéria até decisão final – art.543B, do Código de Processo Civil – voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, encaminhandose o presente processo à SECAM/3ª CAM/1ªSEÇÃO, para providências cabíveis, nos termos do § 3º do artigo 2º da Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 917DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10640.002257/2007-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR PAT. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
Na forma do artigo 173, II do Código Tributário Nacional CTN,
não ocorre a decadência se a Fazenda Pública constituir o crédito tributário nos 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos beneficias fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária.
Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação de uma das empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico.
O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.616
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa mora e Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADORPAT. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Na forma do artigo 173, II do Código Tributário Nacional CTN, não ocorre a decadência se a Fazenda Pública constituir o crédito tributário nos 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos beneficias fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação de uma das empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido Fl. 438DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa mora e Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT. Ivacir Júlio de Souza – PresidenteSubstituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 439DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10640.002257/200707 Acórdão n.º 240300.616 S2C4T3 Fl. 440 3 Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento Débito, emitida em 08/12/2006 no valor consolidado de R$1.176.284,55 (Um milhão, cento e setenta e seis mil e duzentos e oitenta e quatro reais e cinqüenta e cinco centavos) e referese , conforme Relatório Fiscal de fls. 19 a refazimento da NFLD n° 35.069.2653, que foi declarada nula pela Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social 4ª Caj/CRPS, Acórdão n° 693/2006, em 28/04/2006. A nulidade foi baseada na constatação de que a notificação em apreço estava maculada por vício formal insanável, em razão da ausência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF no processo. A presente notificação substituta, foi cientificada à empresa em 08/12/2006, na forma do registro de fls. 01. Ainda conforme Relatório Fiscal, de fls. 19, o presente crédito destinase à Seguridade Social e tem sua origem na parcela "in natura", paga pela empresa por liberalidade, sem observância da legislação do Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, pois, a empresa não apresentou Termo de Adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador para o ano de 1999 e respectivo registro postal. Tal parcela, tendo natureza salarial, incorporase à remuneração para todos os efeitos legais, constituindo base de incidência das contribuições previdenciárias. DA IMPUGNAÇÃO A Impugnante contestou o lançamento através do instrumento de fls. 84/203 alegando em síntese: que ocorreu a decadência do direito do INSS de formalizar os créditos tributários; que a parcela em questão foi fornecida, durante o período autuado, através de bilhetes de refeição (Ticket), pela Empresa Brasileira de Telecomunicações S.A. EMBRATEL, a qual é detentora de 99% do capital social da empresa autuada, e esta , a Embratel, encontravase devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; que o § 2° do art. 2° da CLT, contemplou não só a solidariedade passiva, como a solidariedade ativa, pois dispõe claramente que as empresas de um mesmo grupo são solidariamente responsáveis "para os efeitos da relação de emprego", ou seja qualquer efeito; que, em sendo a Embratel a "empresa principal" e a Impugnante a "subordinada", eis que é controlada por aquela (documento 1), e assim, dúvidas não pairam quanto à solidariedade existente entre ambas, nos termos do § 2° do artigo 2° da CLT, por si só capaz de elidir a autuação realizada através da presente NFLD, diante do anteriormente exposto; Fl. 440DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 que quando a alimentação era fornecida pela própria empresa era indiferente se esta era consumida neste ou naquele estabelecimento, quando este, ao fim e ao cabo, pertencia a um mesmo grupo econômico; que importava era o fato de o estabelecimento fornecedor da refeição ser inscrito no PAT, a fim de permitir a fiscalização do Ministério competente; que nos dias de hoje, permitese que a prestação (alimentação) seja concedida através da entrega de tickets, sendo certo que, através da mesma lógica, o importante é que a empresa fornecedora dos tickets seja inscrita no PAT; que os fatos narrados não podem ser ignorados, sob pena de fulminarse o Princípio da Verdade Real; que os agentes fiscalizadores deveriam ter envidado esforços no sentido de verificar quem fornecia a parcela in natura, alimentação através de bilhetes próprios, se a empresa estava inscrita no PAT e se pertencia ao mesmo grupo econômico da Impugnante; que o percentual de multa aplicável para as competências de agosto a outubro de 1999 foi de 15% e para as competências de novembro e dezembro de 1999 foi de 30%(conforme DSD); que conforme registro no relatório FLD apenas a competência 12/1999 poderia conter o percentual de 30%. que para os períodos das competências de 08 a 11/1999 deveria ter sido utilizado o percentual de 12% e para 12/1999 o de 24%; e que assim, ainda que não se decida pela anulação total do lançamento, requer a nulidade parcial no que toca à multa lançada, no percentual que exceda a 12% (08 a 11/1999) e 24% (12/1999). Se não atendido, que ao menos à competência 11/1999 seja aplicado o percentual de 15%, conforme constante do FLD. requereu o acolhimento da preliminar argüida, para reconhecer a decadência dos valores lançados; que seja reconhecida a impossibilidade de majoração da multa para percentuais superiores a 12% (08 a 11/1999) e 24% (12/1999). Se não for o entendimento, que seja adequado o percentual de multa de 11/1999 para 15% (FLD). no mérito, considerando que a EMBRATEL, empresa solidariamente responsável, era fornecedora dos bilhetes de alimentação, inscrita no PAT, requer o cancelamento dos lançamentos; e protestou por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial _ documental e pericial. Fl. 441DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10640.002257/200707 Acórdão n.º 240300.616 S2C4T3 Fl. 441 5 DA DILIGÊNCIA Tendo em vista os argumentos apresentados pela Impugnante, os autos foram baixados em diligência à fiscalização em 14/02/2007, fls.206. Em resposta, em 10/04/2007, fls. 207, o Auditor Fiscal emitiu Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.048.8610, onde informa que no FLD, nos tópicos de ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA, as competências corretas a que se referem os mesmos são: 08/1999 a 10/1999 e 11/1999 e 12/1999 respectivamente, e não 08/1999 a 11/1999 e 12/1999. DA CONTESTAÇÃO DO RELATÓRIO COMPLEMENTAR A Impugnante protocolizou peça contestatória s de fls. 212, onde em síntese: Reportase a todos os argumentos aduzidos na peça de impugnação protocolizada em 22/12/2006, reiterandose a prejudicial de decadência. Requereu que o auto de infração seja cancelado por conta da preliminar argüida ou pelas sólidas razões de mérito apresentadas. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, em 09/11/2007, conforme fls. 221, emitiu o Acórdão n ° 0917.643 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 235, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” argüindo em preliminar, a decadência do lançamento. É o Relatório Fl. 442DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Consta documentado conforme abaixo, que a NFLD 35.069.2653 ora substituída, foi notificada à impugnante em 09/04/2002. Aduz que aquela notificação fora anulada por vício formal em 28/04/2006 na conforme Acórdão n° 693/2006 , da Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social 4ª Caj/CRPS. O período e os motivos da autuação anulada foram reiterados e compreendeu as mesmas competências ,08/1999 a 12/1999, ora sob nova autuação materializada através da Notificação de Lançamento de Débito – NFLD, n° 37.048.8610. Então, tendo sido a impugnante notificada da primeira autuação em 04/09/2002, o período lançado de 08/99 a 12/99, não estava decaído. Da mesma forma , no que Fl. 443DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10640.002257/200707 Acórdão n.º 240300.616 S2C4T3 Fl. 442 7 concerne à notificação substituta, tendo a impugnante sido cientificada da nulidade por vício formal da primeira autuação, em 28/04/2006, na forma do registro de fls. 01, ao assinar que tomou conhecimento da nova autuação em 08/12/2006, não se observou extinto o direito potestativo do fisco em proceder a lavratura do segundo lançamento substituto. Considerando o preceituado no artigo 173, II do Código Tributário Nacional – CTN, não há que falar em decadência para ambas autuações em comento, posto que se observa que naquele primeiro lançamento anulado os créditos não tinham sido alcançados pelo instituto da decadência e, ainda, que o novo lançamento ocorreu antes de transcorrerem 05(cinco) anos da decisão que determinou a nulidade do primeiro. Artigo 173, II do CTN “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Face ao exposto, concluo que não assiste razão à Recorrente no que tange à prejudicial de decadência do lançamento. DO MÉRITO Dos grupos econômicos e da solidariedade tributária Da Inscrição o Programa de Alimentação do Trabalhador No caso em tela, a Fiscalização verificou que a empresa efetuou pagamento com alimentação de seus empregados sem, no entanto, estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Considerando que o fornecimento de alimentação foi feito em desacordo com a legislação, este deve ser compreendido no conceito de remuneração, por força de lei, devendo sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Neste sentido é o pensamento do Superior Tribunal de Justiça, conforme acórdão a seguir transcrito: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCLÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE Fl. 444DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃOINCIDÊNCIA.TAXA SELIC. I. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos beneficias fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, Como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro ládo, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacifico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legitima a incidência, tanto na cobrança de divida fiscal, quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 476194 / PR ; RECURSO ESPECIAL 2002/01454530 DJ 23.08.2004 p.00121)( grifei) A empresa alegou solidariedade. De plano, ainda que se observasse o instituto da solidariedade, o fato de serem empresas solidárias não desnatura a infração uma vez que compete a empresa recorrente, em seu nome, e não à sua coligada, em nome daquela, providenciar a inscrição no PAT e promover o fornecimento das refeições dos empregados da autuada. Tratase pois de formalidade “intuitu personae”, intransferível portanto. A Lei n.º 8.212/91, que trata das contribuições previdenciárias, dispõe expressamente no artigo 30, inciso IX que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei". Consoante as disposições do Código Tributário Nacional (artigo 121), o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa jurídica obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, podendo ostentar esta condição o contribuinte (aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador) ou o responsável (aquele que, sem ser contribuinte, tem obrigação por expressa disposição de lei). Há, também, a figura da solidariedade (CTN, artigo 124), aplicável às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador, ou àquelas expressamente designadas por lei. Rubens Gomes de Sousa, com precisão, assim tratou o interesse comum: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas Fl. 445DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10640.002257/200707 Acórdão n.º 240300.616 S2C4T3 Fl. 443 9 pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributário" (in Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p 67). É relevante, ainda, a afirmação contida no julgado do STJ, quando acentua que a solidariedade se caracteriza quando ambas empresa do grupo realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador : “ Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico” (REsp 834044/RS, Rel. Min. Denise Arruda, 1.ª Turma, de 15/12/2008). Às fls 170, registra cópia de documento onde em lugar da autuada, a sócia – gerente credenciase ao PAT. Em conseqüência do tal credenciamento é relevante registrar que às fls. 196 e 202, no ANEXO IV do contrato de fornecimento de tickets de refeição consta que a empresa contratada deverá providenciar a entrega para os então 75 empregados lotados na Rua Rua José Calil Ahouagi, 722 em Juiz de Fora (MG), mesmo endereço da Recorrente: “ CONTRATO CDSA 048 / 97 Anexo4 Relação contendo os LOCAIS DE DISTRIBUIÇÃO dos Bilhetes Refeição e Alimentação e respectivas QUANTIDADES DE EMPREGADOS (...) LOCALIDADE NÚMERO DE EMPREGADOS (...) JUIZ DE FORA MG Rua José Calil Ahouagi, 722 75 ” Do exposto fica patente que a liberalidade não fora praticada pela empresa autuada conforme afirmara a Autoridade Fiscal e, também, entendera o julgador de primeira instância. O fornecimento e os PAGAMENTOS eram realizados, CONTRATUAL e ISOLADAMENTE com recursos da sócia – gerente, PARTE DO GRUPO ECONÔMICO, que de fato pagava pelas despesas. Assim, na forma do REsp 834044/RS, Rel. Min. Denise Fl. 446DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Arruda, 1.ª Turma, de 15/12/2008, por ser imprescindível que ambas realizem CONJUNTAMENTE a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado pela empresa coligada autuada, NÃO se caracterizou a SOLIDARIEDADE. DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTA – CLT A empresa exortou, subsidiariamente, a solidariedade prevista no artigo 2º, § 2º da Consolidação Trabalhista – CLT. Entretanto, ali se preceitua efeitos na relações de emprego e não nas tributárias : “ Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Face ao exposto não assiste razão à recorrente quanto à solidariedade exortada. DA MULTA Quanto ao valor da multa moratória, o seu cálculo teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35, da Lei 8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 447DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10640.002257/200707 Acórdão n.º 240300.616 S2C4T3 Fl. 444 11 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, não conheço da decadência e no MÉRITO, concedo PROVIMENTO PARCIAL determinando que se promova o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Ivacir Júlio de Souza Fl. 448DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Fl. 449DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 11330.000273/2007-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS INTEGRAIS ANTERIORES AO LANÇAMENTO.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A integralidade antecipada dos recolhimentos não admite lançamento de créditos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.630
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso. Fez sustentação oral Dr. Caio Alexandre Tanaguchi Marques OAB/SP 24.2279
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS INTEGRAIS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A integralidade antecipada dos recolhimentos não admite lançamento de créditos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral Dr. Caio Alexandre Tanaguchi Marques OAB/SP 24.2279 Ivacir Júlio de Souza – Presidentesubstituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11330.000273/200713 Acórdão n.º 240300.630 S2C4T3 Fl. 336 3 Relatório Conforme fls. 211, em 29 de abril de 2010, na forma da Resolução n° 2403 00.001, resolveram os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, relator e Carlos Alberto Mees Stringari. No voto Vencedor de fls. 218, o i. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Redator designado, manifestandose conforme o abaixo transcrito, propôs e obteve êxito em converter o julgamento em Diligência : “Em que pese a Recorrente ter alegado em sede de impugnação que houve o pagamento de créditos tributários, apenas em sede de recurso voluntário fez prova documental de tal alegação ao juntar cópias de GPS recolhidas em 28/12/2006, relativas ao período compreendido de 10/2003 a 12/2005, antes da ciência da NFLD DEBCAD n° 37.065.2320 ocorrida em 03/01/2007. Ao apresentar cópias de diversas GPS em sede de recurso voluntário, rebatendo os levantamentos realizados pela autoridade fiscal durante o procedimento fiscal, trouxe a Recorrente novos elementos, os quais entendo pertinentes e que deveriam ser avaliados pela autoridade fiscal notificante para que se possa identificar, de forma precisa, os fatos geradores e as correspondentes bases de cálculo de contribuições previdenciárias. Ao se avaliar com precisão os documentos apresentados pela Recorrente em confronto com os valores apurados durante a auditoriafiscal, buscase a verdade material no processo administrativo fiscal, o qual, anotase, não obstante, já está revestido de todas as formalidades legais para a sua constituição. Desta forma, a conversão do julgamento em diligencia possibilita que a autoridade fiscal notificante, no cumprimento do seu dever funcional, promova a análise e apropriação das GPS apresentadas, bem como as retificações de base de cálculo, se for o caso, de modo que se indique de forma precisa o crédito previdenciário a ser apurado. CONCLUSÃO Face o exposto, entendo deva o julgamento ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal notificante Fl. 337DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 promova a análise e apropriação das Guias da Previdência Social GPS apresentadas e, se for o caso, as retificações de base de cálculo. Outrossim, deve ser a Recorrente cientificada dos termos da diligência antes dos autos retornarem a este Colegiado.” Às fls.271, consta o TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA que aduz : “ Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, encerramos, nesta data, diligência fiscal iniciada em 17/01/2011 , prevista no MPF n°08.1.90.002011 001045, referente As contribuições sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "h" e "c", da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e contribuições por lei devidas a terceiros, provenientes de empresas, conforme prevê os arts. 2° e 3°, da Lei n° 11.457, de 16/03/2007. Objetivo da Diligência: Manifestação sobre NFLD 37.065.2320, solicitada pela CARF Resultado do Procedimento Fiscal: Esta auditoria concluiu pela procedência total das alegações do contribuinte conforme consta de informação que segue anexa ao presente Termo.” No despacho de fls 315, o Auditor Fiscal registrou que os valores encontravamse integralmente liquidados na data da ciência da notificação : “ PROCESSO: 11.330.000273/200713 INTERESSADO: CLARO S/A. CNPJ: 40.432.544/000147 REFERENCIA: NFLDDEBCAD 37.065.2320, de 28/12/2006. ASSUNTO: DILIGENCIA FISCAL 1 Atendendo ao solicitado as fls 266 informamos que: Tratase de NFLD Debcad 37.065.2320 lavrada em nome de ATL ALGAR TELECOM LESTA S.A., CNP.1 02.445.817/0001 07, sucedida por CLARO S.A., CNPJ 40.432.544/0001 47, em 28/12/2006 com ciência do lançamento em 03/01/2007 (fls 97) abrangendo as competências de 01/2000 a 12/2005. Analisando as UPS juntadas as fls 218 a 242, bem como as telas das mesmas obtidas nos sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil. fls 248 a 264, o resultado da analise consta Fl. 338DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11330.000273/200713 Acórdão n.º 240300.630 S2C4T3 Fl. 337 5 no Relatório RADARelatório de Apropriação de Documentos Apresentados, anexo ao presente, concluímos que: a) As Contribuições lançadas em 28/12/2006 através da NFLD acima citada, foram integralmente recolhidas em relação As competências 11/2001 a 12/2005, tendo inclusive a empresa utilizado a multa de 20%, sem desconto, uma vez que se tratam de valores não declarados em GFIP, de acordo com o Recapturo RADA, as contribuições devidas foram corretamente recolhidas em 28/12/2006, antes da ciência da NFLD que só ocorreu em 03/01/2007. b) Em relação As competências de 01/2000 a 10/2001, as mesmas foram alcançadas pelo instituto da decadência, na forma do § 4° do artigo 150 do CTN, conforme despacho de fls 214, razão pela qual nos abstemos de analisar referidas competências. c) Pelo exposto, concluímos que os valores das contribuições e os acréscimos legais das competências mencionadas no item a encontravamse integralmente liquidados na data de ciência da presente notificação.” É o Relatório. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DAS FORMALIDADES Na forma do registro de fls. 334, o contribuinte foi cientificado do Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal e de Diligência, bem como da reabertura de prazo de 10 (dez) dias para manifestação, conforme fls 331. Portanto, conheço do Recurso. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A preliminar de decadência foi enfrentada às fls. 213/216, antes da conversão do julgamento em Diligência, quando concluí que foram alcançadas pelo instituto da decadência, na forma do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, as competências compreendidas no período 01/2000 a 12/2001( inclusive, posto que vencida em 02/01/2002). No registro de fls. 315, o Auditor Fiscal revela que as contribuições lançadas em 28/12/2006 através da NFLD acima citada, foram integralmente recolhidas em relação as competências 11/2001 a 12/2005. Portanto, se o período lançado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD contemplou na sua totalidade as competências 01/2000 a 12/2005, o crédito resta extinto na sua integralidade. Assim, em razão do que foi relatado, entendo que a Diligência pôs termo ao Recurso Voluntário em apreço. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, RECONHEÇO E DECLARO alcançadas pelo instituto da DECADÊNCIA, na forma do § 4°do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, as competências compreendidas no período 01/2000 a 12/2001( inclusive) bem como, em razão das eloqüentes e conclusivas manifestações da Autoridade Fiscal condutora do Procedimento Fiscal de Diligência, determino PROVIMENTO TOTAL do Recurso Voluntário em tela. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 340DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 13896.001697/2004-82
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1801-000.039
Decisão: RESOLVEM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencido o Conselheiro José Sergio Gomes.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Numero do processo: 11474.000102/2007-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/12/2001 a 31/12/2006
GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.575
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, FAZENDA NACIONAL RECURSO
VOLUNTÁRIO Decisão: Mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando inicialmente a correção da multa da competência 05/2002 e na seqüência, determinando o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A
da Lei 8.212/91.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, FAZENDA NACIONAL RECURSO VOLUNTÁRIO Decisão: Mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando inicialmente a correção da multa da competência 05/2002 e na seqüência, determinando o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Fl. 663DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 664DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2403000.575 S2C4T3 Fl. 649 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0712.194 5ª Turma da DRJ/FNS, que julgou procedente o lançamento com relevação parcial da multa, no montante de R$ 95.835,34, mantendose o valor de R$ 33.112,03, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a empresa deixou de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. 1) Nas competências abaixo relacionadas, constatamos que o total das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais declarados na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social estão MENOR que o valor da Folha de Pagamento de Salários da empresa, desta forma o valor da contribuição para a Previdência Social apurado pelo sistema SEFIP também esta menor que o efetivamente recolhido e/ou notificado. Esta divergência é conseqüência de declarações incorretas, a saber: o contribuinte entregou inicialmente GF1Ps na versão “7...” e posteriormente entregou GFIPs complementares na versão para as mesmas competências ou apresentou mais de uma GFIP na versão "8..." para a mesma competência, segundo o Manual do SEFIP 8.0 a partir desta versão, o sistema da Previdência Social considera como certa apenas a última GFIP entregue, substituindo todas as anteriores, pois deve ser elaborado apenas uma única GFIP/SEFIP para cada chave informando todos os fatos geradores para a Previdência Social, portando sempre a última GFIP entregue que será validada no sistema da Previdência Social. A seguir o demonstrativo das bases de cálculos constantes das Folhas de Pagamentos de Salários e do Prólabore comparada com as bases de cálculos constantes do sistema da Previdência Social (GFIP — WEB) considerando a ULTIMA GFIP entregue e/ou válida no sistema, posição extraída na data de 07/03/2007 no "SISTEMA DE ARRECADAÇÃO — DATAPREV" no "CCORGFIP — CONSULTA VALORES A RECOLHER x VALORES RECOLHIDOS x LDCG/DCG". ... II) Deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP os valores pagos para a Cooperativa de Trabalho — UNIMED conforme Notas Fiscais de Serviços, vide demonstrativo a seguir: Fl. 665DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ... Ill) Deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP os segurados contribuintes individuais que lhes prestaram serviços, (exautônomos), com as respectivas remunerações, valores apurado na contabilidade da empresa: A infração, o dispositivo legal infringido e multa foram assim apresentados: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da • Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: 128.947,37 A recorrente, quando da impugnação alegou ter corrigido a falta durante a ação fiscal e, em face da ausência de circunstâncias agravantes, requereu a relevação e atenuação da multa. O processo baixou em diligência e transcrevo o relato presente no relatório da DRJ: Respondendo a diligência, na Informação Fiscal de fls. 610/615, a autoridade lançadora relata que o autuado corrigiu parcialmente a falta, acostando nova planilha demonstrativa do cálculo da multa remanescente A fl. 615, no montante de R$ 2.723,77 (dois mil e setecentos e vinte e três reais e setenta e sete centavos). Refere que levou em consideração para sua manifestação as GFIP constantes do Sistema Informatizado da Previdência Social na data de 13.09.2007, haja vista que o sujeito passivo teria inicialmente apresentado GFIP objetivando corrigir a falta no período de 29.03.2997 a 04.04.2007 e, posteriormente, substituiu as GFIP das competências 12.2001 a 04.2002, Fl. 666DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2403000.575 S2C4T3 Fl. 650 5 02.2003 a 07.2003, 09.2003 a 11.2003, 01.2005 a 01.2006, 11.2006 e 12.2006, conforme documentos de fls. 581/609 dos autos, que anexou. Ato superveniente, o despacho de fl. 617 requereu nova manifestação da autoridade lançadora quanto A correção das faltas, alertandoa de que na data da lavratura da autuação em análise já se encontrava em vigor o Decreto n° 6.032, de 01 de fevereiro de 2007, que alterou o art. 291, parágrafo 1°, do Decreto n° 3.042, de 05 de 06 de maio de 1999, e estabeleceu que para ter direito A relevação da multa aplicada, o infrator deverá formular o pedido e corrigir a falta até o termo final do prazo para a impugnação. Naquela oportunidade, verificouse que o autuado foi cientificado do AI em 16/03/2007, conforme o AR de fl. 21, e o prazo final para apresentação da defesa e saneamento da falta mediante a apresentação de GFIP retificadora encerrouse em 02/04/2007, devendo ser consideradas, para fins de relevação da multa aplicada, as GFIP apresentadas até 02/04/2007. A autoridade lançadora se pronunciou por meio da Informação Fiscal de fl. 071/2007, informando que analisou as GFIP apresentadas no prazo da impugnação, verificando a correção parcial das faltas e opinando pela alteração do valor da multa de R$ 128.947,37 (cento e vinte e oito mil e novecentos e quarenta e sete reais e trinta e sete centavos) para R$ 6.963,19 (seis mil e novecentos e sessenta e três reais e dezenove centavos). Consigna na mesma informação que quando o sujeito passivo informou na GFIP valor maior que a folha de pagamento, considerou o erro sanado. Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso, onde resumidamente, alaga o seguinte: • Recorrente corrigiu as faltas apontadas pela Autoridade Fiscal, enviando as GFIP 's com as informações necessárias. • Ocorre que, tendo em vista o volume de trabalho gerado e o tempo exíguo que a Recorrente teve para efetuar as referidas correções, acabaram ocorrendo alguns erros de digitação, quando da confecção das novas GFIP's. • Nas competências 05/2003, 12/2003, 02/2005, 01/2004 e 01/2006, os valores relativos ao 13° salário pago aos funcionários demitidos foram lançados tanto na base de salário (remuneração do mês), como na base do 13° salário, ocasionando uma majoração da base de cálculo das contribuições previdenciárias. • por simples erros de digitação, acabou declarando uma base maior Fl. 667DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 • a empresa, em consonância com o principio da boafé, procurou sanar as referidas faltas. • verificase nítido equivoco na multa referente à competência 06/2003, aplicada no valor de R$ 5.784,00. De fato, consoante se pode inferir do quadro constante da própria Decisão recorrida, a multa passível de incidir no caso deveria ser igual a R$ 126.41. • quanto às competências 05 e 12/2003, constatase que a multa foi aplicada considerado o número de funcionários superior a 50, sendo que nos referidos períodos a Recorrente possuía apenas 52 funcionários, ou seja, apenas dois acima do limite para a incidência de multa mais branda, no valor de R$ 2.313,90. É o Relatório. Fl. 668DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2403000.575 S2C4T3 Fl. 651 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. MÉRITO A multa aplicada decorre de ter a recorrente entregue GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5°. Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) §5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente e multa de cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. O crédito tributário lançado originalmente era de R$ 128.947,37 e no julgamento de primeira instância foi reduzido para R$ 33.112,03 devido à correção das faltas em algumas competências. Estabelecia o Regulamento da Previdência Social a possibilidade de relevação da multa quando corrigida a falta até o final do prazo de impugnação. Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Recorrente afirma que corrigiu as faltas apontadas pela Autoridade Fiscal, enviando as GFIP 's com as informações necessárias. Fl. 669DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Veremos que a correção foi parcial e que o recurso atemse às competências 05/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2005 e 01/2006, onde, na correção, foram declaradas bases de cálculo superior ao identificado pela fiscalização e à competência 06/2003, onde aponta erro de valor. Iniciarei pelas competências 05/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2005 e 01/2006, onde, na correção, foram declaradas bases de cálculo superior ao identificado pela fiscalização. Farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA Nº 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) O que se observa nessas competências é a constatação pelo fisco da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores e após o prazo da impugnação, mantida a situação de dados não correspondentes aos fatos geradores. Isso resulta, observada a legalidade, em multa, corretamente mantida pela autoridade julgadora de primeira instância. O segundo ponto do Recurso versa sobre a multa referente à competência 06/2003, onde aponta erro de valor, afirmando que o valor correto seria R$ 126,41. Conforme consta do Relatório Fiscal da Multa Aplicada, para a competência 06/2003, observado o limite previsto no ART. 32 § 4° da Lei N° 8.212191, foi aplicada multa de R$ 2.313,90. Conforme Informação Fiscal n° 071/2007, da DRF em Lages, o erro foi sanado parcialmente. Novamente se verifica situação onde a relevação da multa não se aplica, conforme exposto acima. De ofício, analiso um terceiro ponto que é a competência 05/2002. Fl. 670DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2403000.575 S2C4T3 Fl. 652 9 Consta do Relatório Fiscal da Multa Aplicada, para a competência 05/2002, aplicação de multa de R$ 63,75. No julgamento de primeira instância, a multa foi alterada para R$ 2.313,90. Analisando os demonstrativos que fundamentaram o lançamento e a decisão de primeira instância, verificase que, nesta competência, a multa aplicada referente aos valores pagos à UNIMED corresponde a R$ 33,75 e a multa aplicada referente aos valores pagos a contribuintes individuais corresponde a R$ 30,00. Disso resulta multa aplicada para a competência totalizando R$ 63,75. Entendo que houve equívoco e que o valor da multa da competência 05/2002 deve corresponder a R$ 63,75. Multa das competências 05 e 12/2003. Alega a recorrente que quanto às competências 05 e 12/2003, a multa foi aplicada considerado o número de funcionários superior a 50, sendo que nos referidos períodos a Recorrente possuía apenas 52 funcionários. Verificase o correto tratamento legal, visto que foi seguido o estabelecido na Lei 8.212/91, artigo 32, § 4º. § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo MULTA Fl. 671DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 672DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2403000.575 S2C4T3 Fl. 653 11 No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, determinando inicialmente a correção da multa da competência 05/2002 para R$ 63,75 e na seqüência, determinando o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 673DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10783.908089/2008-11
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.067
Decisão: resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.908089/200811 Resolução n.º 1802000.067 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro – RJ I (“DRJRJI”), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ADM do Brasil Ltda. (“Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, in verbis: “Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório nº 804812678 (fl. 24), homologou parcialmente a compensação declarada. Na fundamentação do Despacho Decisório, temse: A partir das características do(s) DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O interessado apresentou manifestação de inconformidade de fls. 1/12. Nesta peça, alega, em síntese, que: houve a transmissão de PER/DCOMP em que o tipo de crédito pleiteado para a compensação é Pagamento Indevido ou a Maior; a homologação parcial deve ter ocorrido por ter apresentado “DCOMP depois do prazo de vencimento do tributo compensado, sem a inclusão da multa”, conduta amparada no artigo 138 do CTN, por ter havido denúncia espontânea; além disso, possui crédito, conforme DARF anexo, que, por equívoco, deixou de ser discriminado individualmente, razão pela qual não pôde ser identificado – erro no preenchimento da declaração não pode tirar seu direito legítimo à compensação. Cita jurisprudência e finaliza solicitando a aceitação da compensação efetuada.” Em sua decisão, a DRJRJ1 houve por bem manter o Despacho Decisório através do Acórdão n° 1230.157, de 29 de Abril de 2010, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições. Anocalendário: 2003. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.908089/200811 Resolução n.º 1802000.067 S1TE02 Fl. 3 3 Ementa: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NOVO. Crédito que não consta no PER/DCOMP analisado não integra a lide. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a inobservância do art. 138 do CTN, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta a multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, aduzindo ser beneficiária do instituto da denúncia espontânea, motivo pelo qual o valor da multa de mora que lhe está sendo cobrado no presente processo seria indevido. E mais, segundo a Recorrente, muito embora a DCOMP tenha sido apresentado após o prazo de vencimento do tributo a ser compensado, tal ato configura denúncia espontânea e, por conseqüência, deveria ser afastada a multa de mora. Por fim, requer que o recurso seja totalmente provido, para reformar a decisão da DRJRJI, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Conforme relatado, tratase de analisar aplicação do instituto da Denúncia Espontânea sobre a CSLL recolhida por compensação, fora do prazo legal, sem a incidência de multa. De acordo com o art. 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”), a responsabilidade por infrações é “excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração”. Tal instituto visa estimular e beneficiar os contribuintes de boafé que, embora devedores, reconheçam seus débitos e cumpram suas obrigações tributárias sem a necessidade de qualquer provocação por parte das autoridades fiscais. Contudo, parte dessa Turma entende ser necessário que estejam presentes dois requisitos, quais sejam: (i) o desconhecimento do crédito em atraso por parte do Fisco e (ii) a inexistência de prejuízo ao Fisco. Oportuno notar que em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos da súmula no. 360, para que seja reconhecida a denúncia espontânea Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10783.908089/200811 Resolução n.º 1802000.067 S1TE02 Fl. 4 4 da exação, o débito não pode ter sido declarado anteriormente. Isso porque, nestes casos, a denúncia careceria do requisito relativo ao desconhecimento do crédito por parte do Fisco. Desta forma, tendo em vista que a CSLL, tributo tratado no caso concreto, está sujeita ao lançamento por homologação, entendeuse necessário verificar se os débitos objeto do presente processo já haviam ou não sido declarados anteriormente ao envio da DCOMP; tendo em vista que os documentos carreados aos autos não trazem essa elucidação. Frisese, inclusive, que embora a DCOMP possua o condão de constituir o crédito tributário, ela não exclui o caráter de espontaneidade da denúncia, pois o conhecimento do Fisco e a quitação ocorrem simultaneamente. Assim, já que, ao analisar os documentos acostados ao recurso voluntário objeto do presente processo administrativo, não identifiquei se os débitos correlatos haviam sido declarados antes do envio da DCOMP, para fins de aplicação automática do Parecer 2113, de 2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo necessário o saneamento do processo sobre essa questão. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, encaminhandose os presentes autos à DRF de origem – Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro – RJ I (“DRJRJI”), para que: a) informe se o débito objeto da compensação já havia sido declarado/confessado em DCTF, antes da quitação por compensação, para fins de análise, se for o caso, quanto aplicação do Parecer 2113, de 2011, da Procuradoria da Fazenda Nacional b) caso necessário, intime o Contribuinte para apresentar cópias da(s) DCTFs, recibo(s) de entrega da(s) DCTFs Após, formule parecer conclusivo sobre referido questionamento, retornandose os autos para esse Conselheiro. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10880.900832/2014-27
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2012
DECISÓRIO. ERRO DE FATO. PN Nº 2/2015. SÚMULA CARF Nº 164. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. ÔNUS DA PROVA.
A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, conforme aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e da Súmula CARF nº 164. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO.
Somente com a apresentação de documentos suficientes à análise do direito creditório e a comprovação da devolução da quantia retida ao beneficiário da fonte pagadora, pode ser autorizado o reconhecimento do direito creditório à empresa que reteve o imposto de renda na fonte indevidamente.
Numero da decisão: 1003-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 DECISÓRIO. ERRO DE FATO. PN Nº 2/2015. SÚMULA CARF Nº 164. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. ÔNUS DA PROVA. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, conforme aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e da Súmula CARF nº 164. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. Somente com a apresentação de documentos suficientes à análise do direito creditório e a comprovação da devolução da quantia retida ao beneficiário da fonte pagadora, pode ser autorizado o reconhecimento do direito creditório à empresa que reteve o imposto de renda na fonte indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 08 32 /2 01 4- 27 Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto relativamente ao acórdão nº 106- 002.441, proferido, em 23 de setembro de 2020, pela 4ª Turma da DRJ06, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente não reconhecendo o direito creditório em discussão. Por bem relatar os fatos até esse momento processual, reproduz-se o relatório efetuado pela DRJ no acórdão de piso, complementando-o adiante: Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) n 200813.1.3.04- 3830, apresentada pela interessada para utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de tributo de código 0561, correspondente ao IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado, do período de apuração 12/2012, no valor de R$ 35.906,97 (fls. 2 a 6). Por meio do Despacho Decisório de fls. 7, a autoridade jurisdicionante não reconheceu o crédito pleiteado, sob a fundamentação de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Concluiu-se, em consequência, pela não homologação da compensação declarada. Ciente da decisão em 19/02/2014 (fls. 9), a interessada apresentou, em 18/03/2014 (fls. 12), manifestação de inconformidade, acostada a fls. 12, alegando que retificou a DCTF, declarando corretamente o valor do débito. Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ06 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade interposta pela Recorrente, sob o argumento de insuficiência probatória do direito creditório em discussão. Cientificada e não se conformando com a referida decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 “(...) No último trimestre de 2012 a ora Recorrente incorreu em equívoco na apuração do imposto de renda retido na fonte de seus colaboradores celetistas, código de arrecadação 0561, e recolheu indevidamente aos cofres públicos o montante de R$ 35.906,97, como faz prova o documento de arrecadação de fls. 57. Além do pagamento equivocado a Recorrente recolheu o montante de R$ 84.426,83 relativo ao tributo efetivamente devido. Não obstante ter pago indevidamente o valor de R$ 35.906,97 a Recorrente cometeu um segundo equívoco ao preencher a DCTF e informou um débito equivalente ao tributo recolhido indevidamente. Posteriormente, em procedimento de auditoria interna, a Recorrente identificou o pagamento indevido e tratou de formalizar a declaração de compensação que enseja o presente processo administrativo. Devidamente declarada à compensação sobreveio o despacho decisório glosando o encontro de contas em razão “de que o pagamento já havia sido integralmente utilizado para extinção de débitos da contribuinte” (fl. 13). Devidamente intimada da glosa a Recorrente tratou de retificar a DCTF e interpor Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que glosou à compensação (fl. 12), mas o fez sem o recomendável acompanhamento jurídico, mediante uso de documento modelo, disponibilizado na internet, no qual limitou-se a noticiar que procedeu a retificação da DCTF e pedir a homologação da compensação. O recurso foi rejeitado sob o argumento de que a Recorrente não comprovou os fatos descritos na DCTF retificadora. Com o indispensável acatamento, entende a Recorrente que a decisão merece reforma, pois é impossível (ou pelo menos muito difícil) ao contribuinte acostar aos autos do processo administrativo documentos aptos a comprar a inexistência do fato gerador do tributo. A DCTF, ainda que retificadora, é o documento primário de constituição do crédito tributário e seus termos devem ser observados tanto pelo contribuinte e pelo Fisco. Cabendo ao último, em caso de discordância com os critérios adotados pelo primeiro, proceder ao lançamento de ofício. Mais do que isso, a informalidade que rege o processo administrativo, em especial nos casos em que o contribuinte dispensa a defesa técnica, exige que eventual ausência de provas seja sanada mediante intimação do sujeito passivo para complementar o conjunto probatório. No caso concreto a Recorrente acostou aos autos a DCTF retificadora (fls. 32/55) onde restou expresso a inexistência do débito. Portanto, caberia a Autoridade Julgadora acatar a declaração do contribuinte ou solicitar novos elementos de prova. A simples rejeição do pedido, por alegada ausência de provas, atenta contra a celeridade do processo e a eficiência da administração, pois impulsiona o contribuinte para uma demanda judicial que seria absolutamente desnecessária acaso adotados procedimentos simples e rápidos na esfera administrativa. Neste contexto, indispensável o presente recurso para que seja reformado o despacho decisório e homologadas as compensações. DOS FUNDAMENTOS PARA O PROVIMENTO DO RECURSO Os documentos acostados aos autos do processo administrativo mostram que a compensação glosada decorre de típico pagamento indevido. O crédito reclamado pelo contribuinte decorre de simples erro administrativo consubstanciado no pagamento de um DARF emitido indevidamente. Não há questionamentos jurídicos a respeito da possível exigibilidade do tributo, pelo contrário, o debate processual está restrito a aspectos formais, especificamente, a ausência de comprovação pelo contribuinte dos fatos descritos na DCTF retificadora (fls. 32/55). A obrigação tributária decorre da conjugação da hipótese legal de incidência com a prática do fato gerador pelo sujeito passivo. A ausência de qualquer dos pressupostos levará a inexistência de obrigação tributária com o consequente direito ao ressarcimento dos valores recolhidos aos cofres públicos. No caso concreto a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte atesta a inexistência do débito e aliada ao documento de arrecadação confirma o indébito tributário apto a instrumentalizar a declaração de Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 compensação. Eventual irresignação das Autoridades Administrativas quanto ao conteúdo da DCTF retificadora deve ser sandada mediante procedimento de fiscalização, voltado para a constituição do crédito tributário, e não através de glosa de compensação, pois a declaração do contribuinte, ainda que retificadora, serviu para constituir o crédito tributário e atestar o indébito dos valores recolhidos que superam o montante declarado. Acaso fosse possível superar a natureza jurídica da DCTF como instrumento de constituição do crédito tributário concluiríamos que a análise do mérito do direito creditório poderia ter sido realizada mediante conversão do julgamento em diligência para apuração do indébito reclamado pelo contribuinte. Tal procedimento homenagearia a busca pela verdade material e emprestaria celeridade e eficiência à cobrança do crédito tributário evitando procedimentos judiciais desnecessários. Neste sentido orienta a jurisprudência desta Corte Administrativa como demonstram os seguintes precedentes: (...) Diante do exposto, comprovado o indébito que ensejou a compensação, pela DCTF retificadora acostada aos autos, deve ser reformado o acórdão recorrido para fins de homologar à compensação. Alternativamente, há que ser convertido o feito em diligência para que as autoridades preparadoras confirmem a existência e suficiência do crédito utilizado nas compensações que ensejam o presente recurso administrativo. DO PEDIDO Diante do exposto, REQUER seja recebido, processado e provido o presente Recurso Voluntário, a fim de reformar a decisão recorrida para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação regularmente efetuada com base em qualquer dos fundamentos deduzidos acima e por ser medida que demonstrará a realização da JUSTIÇA FISCAL! Alternativamente, REQUER a conversão do feito em diligência para que as autoridades preparadoras confirmem a existência e suficiência do crédito utilizado nas compensações. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Como já relatado, o presente processo versa acerca de declaração de compensação apresentada pelo para utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de tributo de código 0561, correspondente ao IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado, do período de apuração 12/2012, no valor de R$ 35.906,97 (e-fls. 2 a 6). Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 A compensação não foi homologada pela DRF sob a fundamentação de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação dos débitos informados Per/Dcomp e, por consequência, não se deu a homologação da compensação. Tal não homologação foi mantida pela decisão de piso, cujos argumentos foram os seguintes: “(...) O artigo 165, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, CTN, assegura a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Com respeito à compensação de créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública, preceitua o artigo 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste sentido, a Lei nº 9.430, de 1996, dispôs sobre a compensação de créditos em seu artigo 74, do qual destaquem-se os dispositivos a seguir: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Como relatado, o não reconhecimento do direito creditório foi motivado pela constatação de que o pagamento já havia sido integralmente utilizado para extinção de débitos da contribuinte. Em sua defesa, a manifestante alega que retificou a DCTF, declarando corretamente o valor do débito. A DCTF foi instituída com fundamento no artigo 5o do Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, como instrumento hábil e suficiente para inscrição do débito confessado em Dívida Ativa da União, dispensando a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Assim, a princípio, a autoridade administrativa estaria autorizada a decidir sobre a existência do crédito alegado pelo sujeito passivo pelo simples confronto entre o comprovante de arrecadação e a DCTF. E é o que, em geral, efetivamente ocorre nos processamentos eletrônicos de PER/Dcomp formalizados por sujeito passivo que pleiteia a restituição ou a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo. Por sua vez, a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.110, de 2010, que dispôs sobre a DCTF, estabelecia em seu artigo 9º que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da original, substituindo-a integralmente, in verbis: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (g.n.) Como se vê, os §§ do artigo 9º trazem as hipóteses em que a retificação não produzirá efeitos. Ressalve-se que tal IN foi revogada pela IN RFB nº 1.599, de 2015, que preservou, todavia, as disposições acima transcritas. Com relação especificamente à possibilidade de retificação da DCTF e a seus efeitos no caso de procedimentos que envolvam a restituição ou a compensação de pagamentos indevidos ou a maior, a Cosit editou o Parecer Normativo nº 2, de 2015, do qual reproduzem-se os excertos abaixo, de interesse para solução do vertente litígio: 13. Ressalte-se, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão n° 3201-001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudino, 3/1/2015) Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão n° 3802-002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão n° 3302-002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) (...) Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF - original ou retificadora - que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6° do art. 9° da IN RFB n° 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010; (...) e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n° 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; (g.n.) Conclui-se assim que: não há impedimento para a retificação da DCTF após decisão que não reconheça indébito inteiramente alocado na DCTF retificada, respeitadas as restrições previstas na IN RFB nº 1.110, de 2010; mesmo que haja alguma restrição, a não retificação da DCTF não obsta a demonstração do crédito por outros meios; a comprovação do crédito pleiteado constitui ônus do sujeito passivo no caso de apresentação de PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF; a contrário senso, a prévia retificação da DCTF é suficiente para comprovar o crédito, na hipótese de o Despacho Decisório fundamentar o indeferimento exclusivamente na inexistência de crédito disponível em virtude da utilização do pagamento para extinção de débitos do sujeito passivo; Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora –, que confirmam a disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/Dcomp, podem tornar o crédito apto a ser reconhecido, desde que não sejam divergentes das prestadas em outras declarações apresentadas à RFB – a exemplo da DIPJ, do Dacon ou da Dirf, conforme o caso - ou então sejam confirmadas por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. No caso vertente, há de se ressaltar que não é possível confirmar as informações prestadas na DCTF retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório, em outras declarações apresentadas pela empresa à RFB. Por outro lado, a contribuinte não instrui sua manifestação de inconformidade com nenhum elemento comprobatório de seu crédito, sendo insuficiente para tanto, como demonstrado, a mera retificação da DCTF. Desse modo, não é possível reconhecer o direito creditório pleiteado”. Por outro lado, a Recorrente, em sede recursal, aduziu que acostou aos autos a DCTF retificadora (e-fls. 32/55) onde restou expresso a inexistência do débito e que caberia à Autoridade Julgadora acatar a declaração do contribuinte ou solicitar novos elementos de prova. Em seu entender, “a simples rejeição do pedido, por alegada ausência de provas, atenta contra a celeridade do processo e a eficiência da administração, pois impulsiona o contribuinte para uma demanda judicial que seria absolutamente desnecessária acaso adotados procedimentos simples e rápidos na esfera administrativa”. Ocorre que analisando os autos, entendo razão não assistir à Recorrente. Isso porque, de acordo com a decisão recorrida, ficou claro que a retificação da DCTF após o indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, ou mesmo sua não retificação.. não impede que o direito creditório no Per/Dcomp seja analisado, desde que, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015 1 , o contribuinte logre êxito 1 Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 em comprovar documentalmente as alterações promovidas, e, por conseguinte, a liquidez e certeza de seu crédito. Inclusive, sente sentido é a disposição da Sumula CARF nº 164 que deve ser aplicadas ao caso sob análise e assim dispõe: Súmula 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Portanto, a decisão recorrida foi explícita quanto à necessidade da comprovação do crédito em discussão, sendo insuficiente para tanto, a mera retificação da DCTF. Afinal, é do contribuinte, o ônus da prova de demonstrar explicitamente com os documentos necessários para tanto. A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ora, o pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Necessário é um cuidadoso exame dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 Especificamente, no caso em debate, diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados, uma vez que os autos não estão instruídos com outros assentos contábeis obrigatórios acompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal além daqueles já constantes nos autos e minuciosamente analisados. Ademais, em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Para tanto, estão obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Em tempo, o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Porém, a prova insuficiente impossibilita o reconhecimento do IRRF e a consequente homologação da compensação apresentada. Especificamente, no caso sob análise, o IRRF, código 0561, refere-se à pagamento de salário, inclusive adiantamento de salário a qualquer título e demais remunerações decorrentes de vínculo empregatício, recebidos por pessoa física residente no Brasil (art. 7º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Sujeita-se ao regime de tributação em que o imposto retido é considerado redução do devido na declaração de rendimentos da pessoa física à alíquota incidente conforme a tabela progressiva. O beneficiário é a pessoa física residente no Brasil, remunerada em virtude de trabalhos ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos e funções e o pagamento compete a fonte pagadora Até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. Destarte, em regra, o imposto retido pela fonte pagadora pode ser deduzido do apurado no encerramento do período a título de antecipação do respectivo tributo devido pela pessoa física calculado pela tabela progressiva incidente sobre rendimentos originários do código 0561 – trabalho assalariado (art. 3º e art. 12 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e art. 21 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Porém, sobre a legitimidade para pleitear o reconhecimento do indébito está registrado na Solução de Consulta Cosit/RFB nº 22, de 06 de novembro de 2013: Fundamentos [...] 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União - DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. Neste sentido, a devolução deve ser acompanhada do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior, da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais a referida retenção tenha sido informada, e da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Diante disso, não há outros documentos no processo que demonstrem que o valor inicialmente retido e recolhido não foi utilizado seja pela fonte pagadora seja pelo contribuinte (empregado), nem há documentos contábeis e fiscais que sustentem a tese da Recorrente. Nesse sentido, é a jurisprudência do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF. Ano-calendário: 2001. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO.. A apresentação de documentos suficientes à análise do direito creditório e a comprovação da devolução da quantia retida ao beneficiário da fonte pagadora autorizam o reconhecimento do direito creditório à empresa que reteve o imposto de renda na fonte indevidamente. (Acórdão nº 1301-003.835, data da sessão 17/04/2019). Caberia, pois, à Recorrente ter produzindo o conjunto probatório nos autos de suas alegações no tocante ao erro que motivou a retificação da DCTF e da legitimidade para pleitear a compensação em destaque, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. De fato, como sobejamente demonstrado, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do crédito pleiteado, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). De fato, a Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que comprovem o direito ao crédito alegado, o que não deu in casu. Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos documentos foram analisados em sede de primeira instância de julgamento e regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.883 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.900832/2014-27 Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário sob exame. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13811.003741/2007-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, consequentemente, manteve a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de maio do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 13.198,11. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Resolução n.º 1802000.061 S1TE02 Fl. 2 2 Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, subscrita por procurador devidamente habilitado, por meio da qual, em apertada síntese, alega o seguinte: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Resolução n.º 1802000.061 S1TE02 Fl. 3 3 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/10/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 84 a 88, em 25/10/010, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no anocalendário de 2005. A DCTF foi instituída pela IN SRF nº 126, de 30/10/1998, tendo posteriormente alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF nº 255, de 11/12/2002. Com periodicidade trimestral, foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no trimestre correspondente, além de outras informações relativas aos pagamentos, débitos, suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A partir do anocalendário de 2005, com a IN SRF nº 482, de 21/12/2004, posteriormente alterada pela IN SRF nº 532, de 30/03/2005, a DCTF passou a ter periodicidade mensal ou semestral. Estavam obrigadas a apresentação da declaração mensalmente: “Art. 2º A partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Resolução n.º 1802000.061 S1TE02 Fl. 4 4 I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 3 (três) milhões de reais.” As demais pessoas jurídicas estariam sujeitas a apresentação semestral da declaração: “Art. 3º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar, semestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz.” A ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins de eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. Pesquisando o site da Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/dipj/1999/Inf_Gerais/Conceito_de_Receita_ Bruta.htm), extraímos a seguinte informação: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Atenção: A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, poderá adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa ou de competência, observandose o disposto na IN SRF n° 104, de 1998. O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Resolução n.º 1802000.061 S1TE02 Fl. 5 5 I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Resolução n.º 1802000.061 S1TE02 Fl. 6 6 a) juntar cópia do LALUR do anocalendário de 2003; b) juntar cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003; c) elaborar um relatório circunstanciado, demonstrando o montante das receitas oferecidas a tributação no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10860.901261/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.058
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por maioria de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento ao Recurso.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento ao Recurso. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0530.542 proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, constante das fls. 122 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de PER/DCOMP, por meio dos quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, para a compensação dos débitos declarados. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901261/200838 Acórdão n.º 1803000.058 S1TE03 Fl. 175 2 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Despacho Decisório de fls. 16/18, que se transcreve: ‘Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 192.213,47 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 260.537,55 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 09984.91075.030305.1.7.039607 23589.57000.270807.1.7.038016 35546.97274.270807.1.7.034180 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/08/2008. Enquadramento Legal: Parágrafo 1° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 50, da IN SRF 600, de 2005. art. 74, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.’ 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 19, em 1° setembro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 30 de setembro de 2008, fls. 20/24, com as alegações que se seguem. ‘Informamos que o saldo apresentado na DIPJ 2005 — anobase 2004, no valor de R$ 260.537,55 está correto. No anocalendário de 2004 a Confab Montagens apresentou, ao final do exercício, base negativa de contribuição social no valor de R$ 869.038,40 (ficha 17 da DIPJ — anexo 2). Entretanto, no mês de janeiro de 2004, a Confab Montagens apresentou uma situação de base positiva de Contribuição Social de R$ 481.893,18, acarretando cm uma antecipação devida no valor de R$ 43.370,89. Este valor foi devidamente pago através do recolhimento de R$ 23.558,87 cm 27/02/04 c compensação de R$ 19.811,51 realizada em 27/02/2004 através do Per/Dcomp 26538.62249.270204.1.3.038277 (anexo 3). A partir do mês de fevereiro/2004 não houve antecipações mensais em decorrência da apuração de base negativa de contribuição social sobre o lucro, conforme demonstrativo em DIPJ (anexo 3). Além do valor antecipado cm janeiro de 2004, temos ainda, os valores correspondentes As retenções sofridas no ano de 2004 e não utilizadas para compensação, no decorrer do anocalendário de 2004, devido à situação de prejuízo fiscal apresentada. São elas (anexo 4): Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901261/200838 Acórdão n.º 1803000.058 S1TE03 Fl. 176 3 Assim, em dezembro de 2004 o valor total do saldo negativo de CSLL compensável em exercícios posteriores somam R$ 260.537,55, conforme informado na ficha 12 da DIPJ 2005 — base 2004 (anexo 2). 3. DO PEDIDO Ante o exposto, a Confab Montagens, respeitosamente, requer a reforma do r. despacho decisório e, consequentemente, sejam reconhecidos os créditos pleiteados (referentes ao saldo negativo de CSLL lançado na DIPJ/2005) e sejam homologadas as compensações levadas a efeito, cancelandose, por conseguinte, os lançamentos (glosas de tributos, multa e juros) objetos do presente processo.” A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, na sessão de 13/09/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0530.542 entendendo “por unanimidade de votos, em Julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada, RECONHECER EM PARTE o direito creditório pleiteado, na importância de RS 93.965,15, em valores originais referidos a 31/12/2004 e HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações declaradas, até o limite deste crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ONUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da CSLL Retida na Fonte levada à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, ou, alternativamente, no caso de retenção por Órgãos Públicos, pela apresentação das guias de recolhimento correspondentes, preenchidos nos termos da legislação aplicável, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações e recolhimento efetuados, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. ANTECIPAÇÕES DA CSLL. COMPENSAÇÕES. Apresentada/transmitida Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que consta débito de estimativa mensal da CSLL, considerada extinta sob condição resolutória, o valor dessa estimativa compensada deve compor o resultado final do Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901261/200838 Acórdão n.º 1803000.058 S1TE03 Fl. 177 4 período de apuração, como dedução do valor da contribuição devida, considerandose que as DCOMP constituem confissão de divida, passível de cobrança imediata, em caso de não homologação da compensação pleiteada. DIREITO CREDITÓRIO EM LITÍGIO. COMPENSAÇÃO. Diante das provas presentes nos autos e oferecidas pela interessada, reconhecese parcialmente o direito creditório pleiteado e homologamse as compensações declaradas, até o limite desse direito”. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/11/2010 (AR fls. 135), a CONFAB MONTAGENS LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0530.542, recorre em 16/12/2010 (152 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo direito creditório se refere a saldo negativo de CSLL do ano calendário 2004, não reconhecido em virtude de divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ do período. Alega a recorrente em síntese: a) Que o saldo negativo constante da DIPJ está correto, conforme documentos já apresentados na manifestação de inconformidade; b) Que a decisão de primeira instância deve ser reformada, pois deveria ter verificado todas as informações constantes dos sistemas da RFB conforme procedeu em relação às estimativas do mês de janeiro de 2004; e, c) Que deve ser confirmado integralmente o direito creditório, homologando se as compensações realizadas. Considerando o estado atual do processo não é possível a solução do litígio. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901261/200838 Acórdão n.º 1803000.058 S1TE03 Fl. 178 5 Com efeito, conforme se observa do despacho decisório originário (fls. 14), o direito creditório foi indeferido única e exclusivamente por divergência entre as PER/DCOMP apresentadas e a DIPJ do ano calendário 2004 que se encontrava maior. Já a decisão de primeira instância, embora tenha assumido para si a tarefa de analisar o direito creditório, decidiu conforme abaixo: Considerando os razoáveis indícios de que os valores informados pela contribuinte estavam corretos e que o motivo do indeferimento foi tão somente a divergência do PER/DCOMP com a DIPJ, deveria a teor do contido no art. 65 da Instrução Normativa RFB 900/2008, requerido os documentos e informações necessárias para o completo deslinde do litígio. Destarte, em homenagem ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem (DRF TAUBATÉSP) analise e requeira as diligências que entender cabíveis para confirmar o direito creditório pleiteado nas PER/DCOMP, informando: a) O valor integral do saldo negativo de CSLL do ano calendário 2004; b) Quais os montantes adicionais detalhados por fonte pagadora, devem ser reconhecidos como integrantes do saldo negativo para o ano calendário Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901261/200838 Acórdão n.º 1803000.058 S1TE03 Fl. 179 6 2004, deduzidos os valores já concedidos pela decisão de primeira instância, no montante de R$ 192.355,88; e, c) Quaisquer elementos adicionais que julgar pertinentes para a completa solução do litígio. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência à recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente suas razões adicionais caso queira. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes A meu ver, carece de lógica despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação que se fundamenta, exclusivamente, no fato de que o valor original do saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é inferior ao valor do saldo negativo informado na respectiva Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Ressalto, também, que a própria decisão recorrida reconheceu, expressamente, a existência de erro de preenchimento dos correspondentes Per/DComp (fls. 124): 10. Dessa forma, concluise que a interessada equivocouse no preenchimento de todos os PER/DCOMP apresentados, tendo em conta que deveria ter informado um único saldo negativo em todos eles, igual ao apurado na DIPJ (R$ 260.537,55). Por outro lado, divirjo do ilustre Conselheiro Relator na parte em que ele, em seu Voto, converte o julgamento em diligência, “para que a unidade de origem (DRF TAUBATÉSP) analise e requeira as diligências que entender cabíveis para confirmar o direito creditório pleiteado nas PER/DCOMP”. Em meu sentir, o despacho decisório eletrônico emitido é improcedente e, dessa forma, não comporta qualquer tipo de revisão, ainda que intentada por este Colegiado. Acatarse tal procedimento significaria, em última análise, admitirse que, inobstante a incorreção da motivação da não homologação da compensação pleiteada, possa o Fisco atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo contencioso, fazêlo acertar no que não viu. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901261/200838 Acórdão n.º 1803000.058 S1TE03 Fl. 180 7 Dou provimento integral ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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