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Numero do processo: 10925.907013/2011-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso em análise: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, assim especificados pela empresa.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.637/2002, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.551
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente. No que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, o provimento parcial é para reconhecer o cálculo com a alíquota determinada em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho, que deram provimento em maior extensão para reconhecer o crédito também em relação a uniformes. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões quanto aos pallets e aos fretes entre estabelecimentos. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Sucessora de SADIA S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso em análise: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, assim especificados pela empresa. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 70 13 /2 01 1- 02 Fl. 5019DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.637/2002, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente. No que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, o provimento parcial é para reconhecer o cálculo com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho, que deram provimento em maior extensão para reconhecer o crédito também em relação a uniformes. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões quanto aos pallets e aos fretes entre estabelecimentos. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre PER de no 36353.19863.131008.1.1.086828 (fls. 4620 a 4623)1, transmitido em 13/10/2008, para demandar crédito de Contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa / Exportação (§ 1o do art. 6o da Lei no 10.833/2003) relativo ao 3o trimestre de 2008, no valor de R$ 7.589.441,87. As declarações de compensação (DCOMP) correspondentes constam às fls. 4624 a 4986 (e são relacionadas no quadro de fls. 4687/4688). Na Informação Fiscal de fls. 4687 a 4729, que se presta ainda à análise da COFINS (processo administrativo no 10925.9070123/201150) no mesmo trimestre, e culmina na lavratura de auto de infração para exigência de multa isolada, levado a cabo no processo administrativo no 11516.722096/201308, narrase que: (a) foram glosados nas linhas 02 (“Bens Utilizados como Insumos”) e 03 (“Serviços Utilizados como Insumos”) das fichas 06A e 16A os créditos contabilizados nas contas contábeis indicadas na tabela de fl. 4695 a 4697, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 5020DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.967 3 individualizados no relatório “02NICTBNF” (“cuja contabilização indica não se enquadrarem no conceito de insumo ou serviço com direito a crédito”), e os materiais de ativo permanente (glosados por conta e listados exemplificativamente às fls. 4697 a 4700), com informações individualizadas (item a item) nas planilhas arroladas às fls. 4700/4701; e (b) nos casos de duplicidade de registro nas linhas 02/03 (v.g., aluguéis, foi considerado o crédito nas linhas 05 e 06. A síntese das glosas é detalhada na tabela que figura após o relato da manifestação de inconformidade (coluna da esquerda). A fiscalização encontrou ainda incorreção no rateio proporcional de receitas tributadas no mercado interno, não tributadas no mercado interno e de exportação, por não terem sido consideradas as vendas para a Zona Franca de Manaus e algumas receitas tributadas (mas não efetuou correções, admitindo o declarado, tendo em vista que após as glosas, a totalidade de créditos foi insuficiente para pagamento dos débitos informados em DACON, restando saldo devedor lançado em autuação). Com base na Informação Fiscal é proferido o Despacho Decisório de fls. 4730 a 4732, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações vinculadas. Cientificada do despacho decisório em 15/07/2013 (AR à fl. 4749), a empresa apresenta manifestação de inconformidade postada em 14/08/2013 (fls. 4836, e 4751 a 4794) sustentando que o conceito de insumos na legislação que rege as contribuições é mais amplo que o presente na legislação do IPI, e abarca “todas e quaisquer aquisições para emprego na produção de bens e serviços objeto da atividade fim, bem como os custos incorridos e as despesas necessárias ao processo produtivo”, conforme jurisprudência do CARF (o que abrange, v.g., a indumentária de utilização obrigatória na agroindústria). Em relação às glosas em espécie, as razões de defesa estão expostas, por razões didáticas, na coluna da direita na planilha a seguir. Cabe ainda registrar a demanda por perícia (fls. 4792/4793), para possibilitar investigação mais apurada, tendo em vista aspectos técnicos envolvidos no processo industrial, e a solicitação para juntada posterior de laudo técnico. GLOSAS DEFESA Fl. 5021DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 FICHA 16A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 4701/4708) a) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., pallet, luva de látex, avental); b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 2, por se tratarem de gastos para manutenção predial e aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado; c) aquisições de pessoas físicas, sem direito a crédito na linha 2; d) fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, tendo sido oportunizado o detalhamento de contas que tratavam indiscriminadamente de fretes de produtos acabados e matériasprimas; e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003; f) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; e g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições, em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006. FICHA 16A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 4766 a 4773, 4775/4779, e 4790/4791) a) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo: os custos com uniformes (vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular) e materiais de limpeza, desinfecção e higienização (para manutenção das condições exigidas pela legislação) são obrigatórios pelas normas do Ministério da Saúde, em relação a estabelecimentos que industrializam alimentos para o consumo humano. Da mesma forma, são imprescindíveis as despesas com aquisição de produtos para utilização no laboratório, para análise de controle de qualidade. No que se refere a “pallets”, também são essenciais às atividades da empresa, tendo em vista as rigorosas normas de higienização e manutenção da qualidade. Também sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis (como GLP e lenha para combustão) são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições. b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 2, no que se refere a aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado: pedese a reformulação da decisão, para que seja tomada em consideração na glosa a parcela de depreciação dos bens do ativo imobilizado (1/24), conforme art. 3o, § 1o, I das leis de regência. (...) d) fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa: os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em relação a custos com armazenagem. e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero: em tais aquisições, a empresa faz jus ao crédito presumido de que trata a Lei no 10.925/2004. E quanto ao demais produtos, a não manutenção do crédito fere o princípio da nãocumulatividade. (...) g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições: a suspensão somente se tornou obrigatória com a Instrução Normativa RFB no 977/2009, que incluiu o vocábulo “obrigatória”. E ao menos o crédito presumido deve ser reconhecido, com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004. Fl. 5022DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.968 5 FICHA 16A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 4708/4710) a) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., válvula, transporterefeições); b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 3, por se tratarem de gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, ou sem relação com o processo produtivo; c) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens ou serviços nem outra operação com direito a crédito; e d) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003, e de a linha 03 tratar de serviços. FICHA 16A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fl. 4789) (...) b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 3: a empresa se insurge contra glosas referentes a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção e suporte de software e manutenção predial, por entendê las como essenciais ao processo produtivo. (...) FICHA 16A LINHA 05 Despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (fls. 4710/4711) aluguéis pagos a pessoas físicas e pagamentos a restaurantes e centros esportivos. (...) FICHA 16A LINHA 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica (fls. 4711/4712) aluguéis de veículos (caminhões, carros, veículos de transporte de funcionários, de transporte de ovos etc) e locação de software, locação de toalhas, aluguel de som, guincho, Sky TV por assinatura etc. FICHA 16A LINHA 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica (fls. 4779/4780) a exigência legal de que o bem seja “utilizado nas atividades da empresa” não implica, como entendeu o fisco, que estejam necessariamente vinculados ao setor de produção da empresa. FICHA 16A LINHA 10 Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição ou construção (fl. 4712/4715) aplicação indevida do desconto de créditos à razão 1/48 para edificações e benfeitorias, quando a legislação o prevê somente para máquinas e equipamentos (glosandose somente as diferenças em relação ao que seria a depreciação correta), bens erroneamente classificados como ativo imobilizado (v.g., óleo lubrificante sintético, locação andaime, diárias serviços gerais), e bens cuja descrição não permite a identificação (tendo a empresa sido intimada a detalhar os bens, sem retorno). FICHA 16A LINHA 10 Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição ou construção (fl. 4773/4775, e 4790) aplicação indevida do desconto de créditos à razão 1/48 para edificações e benfeitorias, quando a legislação o prevê somente para máquinas e equipamentos: a empresa sustenta que a legislação ampara seu direito expressamente no art. 3o, § 1o, III das leis de regência, e que a Lei no 11.488/2007 (art. 6o) proporcionou ainda a opção pela depreciação à razão de 1/24 (não havendo impedimento para o crédito em tais moldes a partir de janeiro de 2007). Fl. 5023DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 FICHA 16A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 4715/4721) crédito solicitado com base no inciso incorreto do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, e notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda. FICHA 16A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 4781/4789) de acordo com a Exposição de Motivos da Medida Provisória convertida na Lei no 10.925/2004, o crédito presumido tem por finalidade anular os efeitos da incidência das contribuições nas etapas anteriores. Portanto, legítimo o crédito ainda que os produtos tenham sido adquiridos com alíquota zero. E o valor do direito aos créditos presumidos é conferido pelos percentuais (60%, 50% e 35%) do valor das alíquotas “cheias”, dependendo da classificação do produto fabricado. Assim, o crédito é calculado pela aplicação dos percentuais do valor do insumo adquirido, sendo que o percentual a ser aplicado depende da NCM do produto elaborado, conforme jurisprudência do CARF. Sobre as aquisições para revenda, informa que geram direito a crédito, conforme inciso I do art. art. 3o da Lei no 10.833/2003. FICHA 16B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 4721/4722) a) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., ventilador, engrenagem, gerador); e b) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003. (...) Em 05/02/2014 (fls. 4857 a 4913), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) o conceito de insumo é o estabelecido nas Instruções Normativas no 247/2002 e no 404/2004, que apenas esclareceram o conteúdo das leis de regência; (b) nos processo administrativos relativos a ressarcimento/compensação, o ônus probatório é do postulante, não tendo se desincumbido de tal ônus a empresa, em relação a diversos itens; (c) para reconhecimento do crédito pelos encargos de depreciação, a empresa deveria ter registrado os itens glosados como ativo imobilizado, em linha própria do DACON (ou efetuada a retificação correspondente); (d) não existe previsão normativa para tomada de créditos em relação a fretes de produtos acabados entre estabelecimento da empresa; (e) é vedada a tomada de créditos em aquisições com alíquota zero, não cabendo a análise pela DRJ de demanda que sequer consta no DACON correspondente (crédito presumido); (f) o fato de as vendas à empresa terem sido efetuadas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permitem a tomada de créditos pelo adquirente, novamente descabendo a análise de pedido alternativo não expresso em DACON; (g) não há previsão para tomada de créditos em relação a aluguéis de veículos; (h) o § 14 do art. 3o da Lei no 10.833/2003 não se aplica a edificações e benfeitorias, e o REIDI (Lei no 11.488/2007) somente se aplica a pessoas jurídicas previamente habilitadas pela RFB; (i) para fins de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria, o percentual a ser aplicado depende do produto adquirido; (j) a legislação não prevê crédito presumido no caso de bens para revenda; e (k) os elementos constantes dos autos são suficientes ao julgamento, sendo prescindível a perícia demandada. Fl. 5024DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.969 7 Cientificada da decisão de piso em 17/03/2014 (fl. 4923), a empresa apresenta recurso voluntário em 09/04/2014 (fls. 4925 a 4963), reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade, e acrescentando jurisprudência e considerações no sentido de que: (a) não pode ser negado o direito ao crédito sob o simples fundamento de que houve equivocado preenchimento de DACON (erro no cumprimento de obrigação acessória); (b) a DRJ entende ter havido ausência de contestação em relação a diversos itens que a empresa expressamente trata em sua manifestação de inconformidade; e (c) não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. No mais, não renova os questionamentos em relação a energia elétrica e material para laboratório, e insere discussão nova sobre embalagens de transporte. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe de início destacar que verifiquei que a análise referente aos três primeiros trimestres de 2007, em relação à mesma empresa, e basicamente às mesmas matérias, foi efetuada em 24/09/2013, no âmbito desta Terceira Turma, em nove processos, todos sob minha relatoria, assim detalhados: Período Processos Acórdãos 1o trimestre de 2007 10925.720046/201212 (auto de infração); 10925.905351/201100 (DCOMPPIS); e 10925.905352/201146 (DCOMPCOFINS) 3403002.469, 3403 002.472 e 3403002.473, respectivamente 2o trimestre de 2007 10925.720686/201222 (auto de infração); 10925.905353/201191 (DCOMPPIS); e 10925.905355/201180 (DCOMPCOFINS) 3403002.470, 3403 002.474 e 3403002.476, respectivamente 3o trimestre de 2007 10925.721257/201272 (auto de infração); 10925.905354/201135 (DCOMPPIS); e 10925.905356/201124 (DCOMPCOFINS) 3403002.471, 3403 002.475 e 3403002.477, respectivamente As ementas dos acórdãos correspondentes asseveraram que: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. Fl. 5025DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em Fl. 5026DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.970 9 função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê lo.”(Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, exceto em relação a lavagem de uniformes e incidência de juros de mora sobre multa de ofício, este último tema presente apenas nas autuações, sessão de 24.set.2013) (grifo nosso) Tal verificação é relevante e pertinente, pois as matérias analisadas nestes autos são majoritariamente as mesmas, e sob os mesmos fundamentos, resguardadas algumas especificidades que serão anotadas ao longo deste voto. E, de lá para cá, alteramos nosso posicionamento somente em relação a um tópico, como também se destaca no voto. 1. Considerações iniciais sobre ônus probatório nos processos referentes a ressarcimento/compensação As presentes considerações inicias sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação são necessárias à análise da demanda por diligência, e de alguns itens para os quais a empresa não tratou de carrear aos autos documentos que amparariam seu direito a crédito. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, inclusive, no caso de insumos, a forma de vinculação dos bens ao processo produtivo. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador, cabível seria a demanda pericial. No entanto, não se pode acolher pedido de perícia para produzir no processo elementos probatórios a cargo de uma das partes (no caso, a postulante do crédito), elementos esses que já deveriam figurar nos autos, e cuja ausência tem por implicação a negativa de reconhecimento dos créditos correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente esta Terceira Turma, inclusive nos citados processos da mesma recorrente: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” Fl. 5027DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Desse modo, incabível acolher o pleito de realização de diligência, pois restam claras nos autos as motivações das glosas, que foram compreendidas a contento pela recorrente, que, por sua vez, ao invés de trazer ao processo elementos probatórios de seu direito, inclusive no que se refere ao processo produtivo, posterga a discussão para eventual diligência. Assim, tendo em conta as considerações iniciais sobre o ônus probatório em processos do gênero, indeferese a realização de diligência/perícia. 2. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP Também a título de considerações preliminares, pois a matéria só é alegada de forma transversa nas peças recursais, incumbe esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Fl. 5028DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.971 11 Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 3. Do conceito de insumos na COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. Fl. 5029DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos. Seguiremos a ordem das glosas constante em nosso relatório, apenas alterandoa para reunir o primeiro e o último tema, que guardam identidade: bens utilizados como insumos (fichas 16A e 16B do DACON). E, sobre tal ordem, acrescentaremos os argumentos de defesa, nos tópicos em que eles efetivamente tiverem sido apresentados. Por 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 5030DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.972 13 exclusão (em verdade, por preclusão), deixam de ser reconhecidos os direitos de crédito em relação a matérias e itens sequer especificamente questionados pela recorrente. 4. Das glosas em espécie As glosas em espécie, como relatado de início, foram subdivididas, de acordo com as fichas do DACON, em seis grupos: bens utilizados como insumos; serviços utilizados como insumos; despesas de aluguéis e prédios; despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; bens do ativo imobilizado; e crédito presumido de atividade industrial. 4.1. Bens utilizados como insumos Em relação aos bens glosados por não se enquadrarem no conceito de insumos adotado pelo fisco (relacionados nas planilhas de fls. 308 a 536, 537 a 1346, 1347 a 1359, 1360 a 1410, e 1411 a 2021), a recorrente questiona apenas alguns: custos com uniformes (vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular) e materiais de limpeza, desinfecção e higienização (para manutenção das condições exigidas pela legislação). Assevera que ambos são obrigatórios pelas normas do Ministério da Saúde, em relação a estabelecimentos que industrializam alimentos para o consumo humano. Em manifestação de inconformidade chega ainda a questionar despesas com aquisição de produtos para utilização no laboratório, para análise de controle de qualidade, mas não mantém o tema contencioso em seu recurso voluntário. E questiona ainda a glosa sobre pallets, acrescentando no recurso voluntário argumentação sobre a improcedência das glosas em relação a embalagens de transporte (tema que não restou especificamente contencioso em sua manifestação de inconformidade), versando ainda sobre combustíveis. Assim, diante da preclusão que opera em relação às matérias que não foram devidamente questionadas tanto na instância de piso quanto na peça recursal após a decisão da DRJ, passase a analisar somente a pertinência das glosas em relação a uniformes (vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular), materiais de limpeza, desinfecção e higienização (para manutenção das condições exigidas pela legislação), pallets e combustíveis, assim como temas específicos (v.g., aquisições com alíquota zero e fretes de transferência entre estabelecimentos). Cabe destacar ainda que há ainda um tópico da defesa destinado a questionar as glosas sobre bens importados utilizados como insumos, nos quais se confunde a motivação das glosas externadas pelo fisco. Não há nenhuma glosa no presente processo que tenha sido motivada pelo simples fato de os bens serem importados. As glosas estão ligadas a razões como o não enquadramento no conceito de insumos ou ao fato de a aquisição ser efetuada com alíquota zero (todos temas a serem tratados neste tópico 4.1). Incumbe derradeiramente esclarecer que a DRJ, ao delimitar a lide, ao início do voto condutor do acórdão de piso, efetivamente relacionou itens sobre os quais a empresa não se manifesta especificamente em sua peça inaugural de defesa. No recurso voluntário, alegase que a empresa teria efetivamente se defendido em relação aos temas. Contudo, não era Fl. 5031DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 aos temas que se referia a DRJ, mas aos itens específicos dentro dos temas (a empresa não questiona, por exemplo, especificamente, itens da glosa de notas fiscais com CFOP que não representam aquisições de bens ou outras operação com direito a crédito). Portanto, estão as partes a conversar sobre coisas diferentes. Esclareçase, assim, que todos os temas e itens efetivamente tratados na manifestação de inconformidade foram enfrentados pela DRJ, não havendo qualquer prejuízo à defesa. 4.1.1 Uniformes Os itens glosados especificamente questionados pela recorrente nesta categoria são: vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular. A recorrente entende que tais bens são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da ANVISA. Os precedentes do CARF em favor de tal argumento estão longe de constituir posicionamento dominante no tribunal. Vejase, a título ilustrativo, acórdão decidido por maioria, em turma especial desta terceira sessão, e acórdão, também por maioria, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo): “Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos.” (Acórdão no 3803 004.025, Rel. Cons. Alexandre Kernvencido, maioria em relação ao tema, sessão de 19.mar.2013) “Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.” (Acórdão no 930301.741, Rel. Cons. Nanci Gama, maioria, sessão de 9.nov.2011) Esta terceira turma não tem comungado de tal entendimento, e negou recentemente, por unanimidade, o direito a creditamento das contribuições em relação a uniformes e equipamentos de proteção tanto em relação a industrial calçadista (Acórdãos no 3403.001.893 a 896, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2013), quanto em relação a fabricante de fertilizantes (Acórdãos no 3403.001.937 a 944, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimeem relação ao tema, sessão de 19.mar.2013). E negou também unanimemente o direito ao crédito sobre luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete e japona nos nove processos da mesma recorrente aqui citados, referentes a períodos anteriores (Acórdãos no 3403002.469 a 477). Fl. 5032DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.973 15 No caso concreto, a nosso ver, todos os bens relacionados podem até ter relação indireta com a produção (seja pela exigência sanitária, ou por poder sua ausência afetar a qualidade do produto final, ou a segurança dos funcionários), mas não são diretamente empregados no processo produtivo/fabril, ou necessários à obtenção do produto final. Correta, assim, a glosa efetuada para tais bens. 4.1.2. Materiais de limpeza, desinfecção e higienização Alega a recorrente que os materiais de limpeza, desinfecção e higienização se prestam à manutenção das condições exigidas pela legislação no processo produtivo. Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. E, em relação às despesas com higienização, matéria na qual fui vencido nos processos anteriormente julgados por esta Terceira Turma, revejo meu posicionamento, acordando com o colegiado que efetivamente sem a higienização também dificilmente se chegaria ao produto final fabricado pela empresa. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza, desinfecção e higienização. 4.1.3. Pallets Ativo Imobilizado A recorrente sustenta que os pallets são essenciais às atividades da empresa, tendo em vista as rigorosas normas de higienização e manutenção da qualidade, e afirma que os pallets, além de exercerem função primordial para a movimentação de cargas, são fundamentais para impedir o contato do produto com a superfície do chão”. Narra também que os pallets “são ainda utilizados no processo produtivo, pois nas diversas das suas etapas são necessários para o deslocamento das matériasprimas, em condições de higiene, sendo ainda utilizados para armazenagem de produtos acabados, até que sejam transportados para comercialização”. Há que se destacar, contudo, nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que os pallets são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da Fl. 5033DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 16 COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente por este colegiado nos nove processos citados, mantémse a glosa em relação aos pallets. E o raciocínio externado em relação a pallets se aplica ainda aos demais bens considerados como insumos pela recorrente e que constituem, na verdade, aquisições destinadas ao ativo imobilizado. Não se pode admitir o crédito integral em relação a tais bens, por absoluta carência de amparo normativo. E avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso). Nesse sentido a decisão unânime da turma nos multicitados nove processos da mesma empresa julgados em 2013: “A nosso ver, restaria preliminarmente bem explicada a utilização no processo produtivo, cabendo o creditamento, não fosse o fato de constituírem os bens/semoventes (como informa a própria recorrente) ativo imobilizado. E não parece seguir em sentido diferente o julgador de primeira instância, que refuta o enquadramento como insumo tãosomente pelo fato de constar o bem no ativo imobilizado. E, estando no ativo imobilizado, o enquadramento seria no inciso VI, e não no inciso II do art. 3o das leis que tratam do creditamento para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (grifo nosso) É preciso alertar, contudo, que a forma/quantificação de creditamento do inciso VI é diferente daquela constante do inciso II, como esclarece o § 1o do art. 3o das leis: “§ 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;” Como destaca o julgador a quo, tal posicionamento deveria ter sido informado em DACON pela recorrente, antes do procedimento fiscal. Flexibilizando tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, consideramos que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaque Fl. 5034DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.974 17 se, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. Vale, assim, a mesma máxima expressa no tópico anterior: ou os bens são enquadrados no inciso II, como insumos (e aí não devem constar do ativo imobilizado), ou constam do ativo imobilizado, aplicandose a regra do inciso VI. Assim, procedente a glosa em relação a tais bens/semoventes.” Pelo exposto, são também mantidas as glosas em relação a bens indicados, escriturados e declarados ao fisco como insumos (inciso II do art. 3o das leis de regência) que na verdade se tratavam de aquisições destinadas ao ativo imobilizado. 4.1.4. Combustíveis Em relação às glosas de combustíveis, sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis como GLP e lenha para combustão são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições. A DRJ mantém as glosas diante da impossibilidade de se saber se os combustíveis foram efetivamente utilizados no processo produtivo. No recurso voluntário, a empresa revela que não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. Há, aqui, que se acordar com a empresa em relação ao hexano, ao óleo de xisto e a GLP, seja pela dificuldade em imaginar utilizações outras para tais bens que não no processo produtivo, seja pela descrição de como se utiliza cada bem na peça recursal (fl. 4942). No mesmo sentido nosso raciocínio sobre a lenha. E, em relação ao diesel, parece pouco crível também que seja utilizado em veículos de transporte de pessoas. Nesse sentido, essa Terceira Turma já decidiu unanimemente, em caso no qual havia dúvidas sobre a utilização de combustíveis em veículos de propriedade de empresa: “Pelo teor do recurso voluntário, notase que a empresa possui um caminhão Mercedes Benz placa IND 4688, um GOLF placa IYM 2222, e uma KOMBI placa IMH 3302. E utilizou os veículos locados de placas ILS 3241, IMS 2985, ILX 0497, IMA 4137, IND 8997 e INL 8932. A empresa afirma que “todos os veículos são ou foram utilizados nas operações de transporte de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem entre os diversos estabelecimentos da empresa e por empregados vinculados aos departamentos comercial e industrial”. E acrescenta que “em alguns períodos, o GOLF e a KOMBI também são utilizados Fl. 5035DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 18 para o transporte de funcionários da produção, que fazem horas extras”. Como a empresa não detalha quais são os veículos locados, referindose no recurso somente a suas placas, efetuei, em nome da verdade material, buscas às referidas placas, na web, em sítio que informa dados do DETRANRS (www.checkmeucarro.com.br), obtendo os seguintes resultados: placa ILS 3241 (YAMAHA/YBR 125K Roxa, à gasolina, ano 2003/2004), placa IMS 2985 (FIAT/Uno Mille Fire Flex branco, gasolina/álcool, ano 2005/2006), placa ILX 0497 (GM/Celta 3 portas branco, gasolina, ano 2004/2004), placa IMA 4137 (VW/GOL 1.0 branco, gasolina, ano 2004/2005), placa IND 8997 (FIAT/Uno Mille Fire Flex branco, gasolina/álcool, ano 2006/2006) e placa INL 8932 (VW/GOL 1.0 branco, gasolina/álcool, ano 2005/2006). Não se entende como atividade relacionada ao processo produtivo, necessária à obtenção do produto final, o transporte de passageiros (ainda que funcionários da empresa, e ainda que eventualmente) pelas KOMBIS, nem aqueles efetuados por veículos de passeio e motocicletas. Assim recentemente decidiu esta turma, de forma unânime (Acórdãos no 3403002.783, e 784). Por carência probatória (detalhamento da forma de utilização no processo produtivo), então, afastase o direito creditório em relação ao combustível utilizado para abastecer tais veículos. No entanto, é perfeitamente crível que o caminhão Mercedes Benz, placa IND 4688 (Mercedes Benz/MBAtego 2425, azul, diesel, ano 2006/2006), movido a óleo diesel, tenha efetivamente sido utilizado para transportar materiais necessários à obtenção do produto final gerado pela empresa. Assim, afastase somente a glosa referente às despesas de abastecimento do caminhão Mercedes Benz, placa IND 4688. Como não se tem detalhamento preciso dos abastecimentos nos presentes autos, incumbe à autoridade responsável pela liquidação intimar a empresa a apresentar as referidas notas de abastecimento, que só poderão ser computadas para efeito de crédito se vinculadas estritamente a óleo diesel ou ao citado caminhão.” (Acórdãos no 3403000.912 a 917, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, 24.abr.2014) Assim, incumbe afastar as glosas em relação a hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente (escrituração, notas fiscais de aquisição do período etc.). Caso a documentação da recorrente trate genericamente de “despesas de combustíveis”, incabível o direito ao crédito, pela ausência de comprovação do direito, conforme esclarecido no tópico 1, referente a ônus probatório. 4.1.5. Aquisições de pessoas físicas Também clara a ausência de fundamento normativo para demanda de créditos de aquisições de pessoas físicas com base no inciso II do art. 3o das leis de regência. E a recorrente não questiona especificamente tal item, restringindo sua argumentação a pedido Fl. 5036DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.975 19 alternativo para que se acate o crédito presumido da agroindústria de que trata a art. 8o da Lei no 10.925/2004. O pedido alternativo e inovador, além de contradizer a escrituração e a declaração da empresa prestada ao fisco, e o pedido de ressarcimento que motiva o despacho decisório (peça cuja ciência inaugura este contencioso), demandaria análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecidos no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. Assim, múltiplos são os motivos para manutenção das glosas em relação a aquisições de pessoas físicas que demandaram crédito com base no inciso II do art. 3o das leis de regência, mantendo a linha unânime já adotada quando da apreciação dos nove processos da mesma empresa aqui reiteradas vezes citados. 4.1.6. Fretes entre estabelecimentos São glosados os fretes de transferência de produtos entre unidades da empresa (em conta relacionada a produtos acabados). E narra o fisco que oportunizou à empresa detalhara se se tratavam de fretes de matériasprimas, produtos intermediários ou produtos acabados. E a empresa não logrou comprovar que os fretes glosados se tratavam de operações com direito a crédito. Assim, a glosa é por carência probatória. Em sua defesa, a empresa alega que os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em relação a custos com armazenagem. Contudo, não detalha nem comprova a quais vendas se referem os fretes. Persiste, assim, a carência probatória ensejadora da glosa, que deve ser mantida. 4.1.7. Aquisições com alíquota zero As glosas em relação a tais aquisições são motivadas pela vedação expressa constante no art. 3o, § 2o da Lei no 10.637/2002. A empresa, em sua defesa, sustenta que em tais aquisições, a empresa faz jus ao crédito presumido de que trata a Lei no 10.925/2004. E, quanto ao demais produtos, a não manutenção do crédito fere o princípio da nãocumulatividade. Em relação à primeira alegação, remetase às razões para negativa expressas no tópico 4.1.5 deste voto, que trata das aquisições de pessoas físicas, diante de pedido inovador do crédito presumido em sede contenciosa. Recordese que haveria necessidade de análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecidos no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e Fl. 5037DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 20 documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. No que se refere à segunda alegação, reiterese que não há possibilidade de, em nome da nãocumulatividade, afastar dispositivo legal vigente (em função da Súmula CARF no 2), como já exposto no tópico 2 deste voto. Devem ser mantidas, então, as glosas em relação a aquisições com alíquota zero, também na linha do que já decidiu unanimemente a turma nos nove processos anteriores da mesma empresa. 4.1.8. Aquisições com suspensão A fiscalização aponta que as notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições, em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006, não são ensejadoras de créditos. A recorrente, por sua vez, alega que a suspensão somente se tornou obrigatória com a Instrução Normativa RFB no 977/2009, que incluiu o vocábulo “obrigatória”. E ao menos o crédito presumido deve ser reconhecido, com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004. Tanto o apontamento do fisco quanto as razões de defesa são idênticos aos presentes nos citados nove processos da mesma empresa já apreciados por esta Terceira Turma, aos quais remetemos: “Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadramse nas situações previstas no art. 9o da Lei n o 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF n o 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” Fl. 5038DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.976 21 De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa.” Aliás, em diversos julgados recentes (e unânimes) desta Terceira Turma, inclusive com a formação atual do colegiado, concluise que a suspensão é aplicada bem antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009: “SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.” (Acórdão no 3403003.507, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 15.out.2014) Não há, assim, o direito de aproveitamento do crédito em relação à operação, diante das disposições normativas vigentes. 4.2. Serviços utilizados como insumos As considerações efetuadas ao longo do tópico 4.1 deste voto por certo se alastram à disciplina dos serviços como insumos. Por decorrência, são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Não há, nas peças de defesa, questionamentos específicos em relação aos itens glosados com enquadramento de serviços utilizados co mo insumos, mas as considerações sobre aquisições com alíquota zero, CFOP incompatível e não enquadramento no conceito são idênticas às expostas no tópico 4.1., não demandando qualquer complementação. E nos únicos itens questionados especificamente no que se refere a serviços (glosas referentes a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção e suporte de software e manutenção predial), a empresa se defende com a alegação de que tais serviços são essenciais ao processo produtivo. Em relação a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, não faz prova a recorrente de que efetivamente as máquinas e equipamentos são utilizados no processo produtivo. Sequer cita uma glosa específica para documentar eventual equívoco do fisco. Limitase a laborar a defesa de forma genérica, crendo que todo e qualquer gasto registrado como manutenção de máquinas e equipamentos, e não detalhado, seria ensejador do crédito integral, o que não é admissível. Fl. 5039DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 22 E é da mesma forma genérica que a defesa questiona as glosas referentes a manutenção e suporte de software e manutenção predial, ainda mais distantes, e igualmente de vínculo não comprovado ao processo produtivo. No que se refere às despesas com manutenção predial, é preciso destacar que o fisco glosou aquelas nas quais a própria empresa demandou crédito integral (com base no inciso II do art. 3o das leis de regência), não estando o presente item a tratar do crédito a que se refere o inciso VII do art. 3o das leis de regência (que trata de créditos com base nos encargos de depreciação). Assim, corretas as glosas em relação a serviços utilizados como insumos. 4.3. Despesas de Aluguéis de máquinas e equipamentos Não havendo questionamento específico na defesa em relação à motivação das glosas sobre despesas de aluguéis de prédios (aluguéis pagos a pessoas físicas e pagamentos a restaurantes e centros esportivos), trata o presente tópico somente das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, efetuadas sob o fundamento de que os aluguéis de veículos (caminhões, carros, veículos de transporte de funcionários, de transporte de ovos etc) e locação de software, locação de toalhas, aluguel de som, guincho, Sky TV por assinatura etc. não constituem gastos com “máquinas e equipamentos” utilizados nas atividades da empresa de que trata o inciso IV do art. 3o das leis de regência. Na Informação Fiscal que ampara o despacho decisório o fisco afirma que as condições para a tomada de crédito, no caso, são duas: a primeira relativa à natureza do bem locado (máquina ou equipamento) e a segunda com relação à utilização (utilizado nas atividades da empresa). E que diante da descrição genérica das contas, intimou a empresa a esclarecer seu conteúdo, tendo sido, após as respostas, glosadas (fl. 4712): “notas fiscais relativas a aluguel de veículos (caminhões, carros, veículos de transporte de funcionários, de transporte de ovos, etc), fretes, locação de toalhas, aluguel de som, guincho, entre outros, por não se enquadrarem na condição de serem máquinas ou equipamentos e máquina de café, Sky tv por assinatura, entre outros, por não serem utilizados nas atividades da empresa”. (grifo nosso) Em relação ao primeiro motivo de glosa (não ser máquina ou equipamento), aplicável a veículos e toalhas, som, guincho etc., sequer se manifesta a empresa no recurso voluntário, mesmo após as considerações específicas sobre o tema efetuadas pela DRJ. No que se refere à segunda motivação (aplicável às glosas de máquina de café, Sky tv por assinatura etc.), a recorrente se defende no sentido de que a exigência legal de que o bem seja “utilizado nas atividades da empresa” não implica, como entendeu o fisco, que estejam necessariamente vinculados ao setor de produção da empresa. Há que se acordar, nesse aspecto, com a recorrente, no sentido de que a expressão utilizada no inciso IV do art. 3o das leis de regência é “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. A expressão não se confunde, por exemplo, coma a empregada no inciso VI do mesmo artigo: “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou Fl. 5040DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.977 23 fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Utilizar “na atividade da empresa” não se confunde, de fato, com utilizar “na produção”. Ademais, por certo, seria difícil um prédio, por exemplo, ser efetivamente utilizado na produção. A diferença seria clara se o bem glosado, por exemplo, fosse uma impressora ou uma máquina fotocopiadora locada. Por certo, tal equipamento seria utilizado nas atividades da empresa (mas não no setor produtivo). Mas não é isso que se vê pelos bens glosados: locação de máquina de café e pagamento de TV por assinatura “Sky”. Além de tais “equipamentos” não se destinarem a atividades produtivas da empresa, também não se destinam a atividades da empresa. Não vejo necessidade de a atividade de uma empresa agroindustrial incluir uma máquina de café ou TV por assinatura (ou ainda outros bens relacionados na lista de glosas de fls. 4615 a 4619, não questionados especificamente pela recorrente, como “mesas Totobol” e “mesas jogos”). Assim, corretas as glosas efetuadas pelo fisco, que devem ser mantidas. 4.4. Bens do Ativo Imobilizado As glosas efetuadas em relação ao ativo imobilizado se referem a aplicação indevida do desconto de créditos à razão 1/48 para edificações e benfeitorias, quando a legislação o prevê somente para máquinas e equipamentos (glosandose somente as diferenças em relação ao que seria a depreciação correta), bens erroneamente classificados como ativo imobilizado (v.g., óleo lubrificante sintético, locação andaime, diárias serviços gerais), e bens cuja descrição não permite a identificação (tendo a empresa sido intimada a detalhar os bens, sem retorno). Não há questionamento específico em relação às razões das glosas para incorreta classificação como ativo imobilizado e bens cuja descrição não permite a identificação. No que se refere à depreciação de 1/48, a recorrente sustenta que a legislação ampara seu direito expressamente no art. 3o, § 1o, III das leis de regência, e que a Lei no 11.488/2007 (art. 6o) proporcionou ainda a opção pela depreciação à razão de 1/24 (não havendo impedimento para o crédito em tais moldes a partir de janeiro de 2007). Vejamos o conteúdo (na redação vigente à época) do referido art. 3o da Lei no 10.833/2003, aplicável à Contribuição para o PIS/PASEP por força do art. 15 da mesma lei: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 5041DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 24 (...) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) §14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2 o desta Lei.” (grifo nosso) Cristalino, pelo texto do artigo, que a depreciação de 1/48 aplicase a máquinas e equipamentos, e não a edificações e benfeitorias, como pretende a recorrente. Assim, não há a opção que a empresa acredita existir, da depreciação prevista no § 14 do art. 3o. E a depreciação normal, no caso, já foi reconhecida pela fiscalização. Por fim, a demanda recursal pela aplicação da depreciação prevista na Lei no 11.488/2007 dependeria de prova de que a empresa faz jus a tal benefício, cumprindo os diversos requisitos estabelecidos em tal lei, o que sequer é ventilado no presente processo pela recorrente, que novamente não se desincumbe de seu ônus probatório. Também nesse tópico, então corretas as glosas, que devem ser mantidas. 4.5. Crédito presumido agroindústria Em relação a créditos presumidos da agroindústria, previstos no art. 8o da Lei no 10.925/2004, a fiscalização alega que a demanda foi efetuada com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos. E informa ainda que há notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, e não há crédito presumido em operações para revenda. Sobre este último tema, defendese a recorrente indicando que a base para o crédito na revenda é o inciso I do art. 3o das leis de regência. Confunde, assim, os créditos básicos (nos quais incidem diversas vedações, como em relação a aquisições de pessoas físicas, etc) com os créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004. Se houvesse demandado créditos básicos, e comprovado que cumpre os requisitos para obtêlos, cabível seria a tomada em relação a revenda, por força do invocado inciso I. Mas não é o que consta no presente processo, em que a empresa demanda crédito presumido com base no art. 8o da Lei no Fl. 5042DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.978 25 10.925/2004 (sequer cogitando de comprovar que não incide nas vedações para a obtenção de créditos básicos). Assim, corretas as glosas de notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados. No que se refere ao argumento do fisco de que teria a recorrente demandado o crédito com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, a questão merece melhor detalhamento. Tanto o fisco quanto a recorrente reproduzem o mesmo dispositivo legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), cada um afirmando que sua própria interpretação é a correta. A fiscalização defende que a alíquota aplicável (ou o inciso com a alíquota aplicável) varia em função dos insumos, enquanto que a recorrente defende que é em função dos produtos elaborados/fabricados. Vêse que aqui a discussão não envolve aspectos probatórios, sendo a matéria exclusivamente ligada à interpretação do art. 8o da Lei no 10.925/2004. O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Fl. 5043DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 26 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (a Lei no 11.488/2007 incluiu um inciso, com alíquota de 50%, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI) (grifo e atualização nossos) A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi originalmente empreendida por esta turma em junho de 2013, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo Fl. 5044DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.979 27 percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. (...) Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através (sic) do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores Fl. 5045DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 28 da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” E nos nove processos da mesma recorrente julgados em setembro de 2013 chegou a turma à mesma conclusão: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo.” (Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 24.set.2013) A endossar o entendimento da turma a Lei no 12.865, de 09/10/2013, que acrescentou (art. 33) o seguinte § 10 ao art. 8o da Lei no 10.925/2004: “§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Contudo, desnecessário cogitar de interpretação benigna retroativa da Lei no 12.865/2013, pois esta turma já entendia, antes do avento da referida Lei, que as alíquotas são aplicadas em função do produto fabricado, e não do insumo adquirido. Concluise, então, neste tópico, que deve ser reconhecido o crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente. No que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, o provimento parcial é para reconhecer o cálculo com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Rosaldo Trevisan Fl. 5046DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907013/201102 Acórdão n.º 3403003.551 S3C4T3 Fl. 4.980 29 Fl. 5047DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10865.908902/2009-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2004 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 89 02 /2 00 9- 16 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.157, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908902/200916 Acórdão n.º 3802003.921 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908902/200916 Acórdão n.º 3802003.921 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000292/2011-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE. INCORRÊNCIA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE AO FISCO.
Descabida arguição de nulidade por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos de conta-corrente objeto de exame pela fiscalização foram entregues pelo próprio contribuinte.
PEDIDO DE PERÍCIA. REJEIÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Concluindo fundamentadamente ser desnecessária a realização de perícia, a decisão de primeira instância atuou nos estritos termos dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/72, não havendo falar em nulidade pela rejeição do pleito.
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE CINGE-SE À REMISSÃO ÀS RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE CONFORMIDADE COM AS PRESCRIÇÕES DOS ARTS. 16 E 17 DO DECRETO 70.235/72.
Não prospera recurso interposto que traz como fundamentação a mera remissão às razões da impugnação, face às regras dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE. INCORRÊNCIA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE AO FISCO. Descabida arguição de nulidade por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos de conta-corrente objeto de exame pela fiscalização foram entregues pelo próprio contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. REJEIÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Concluindo fundamentadamente ser desnecessária a realização de perícia, a decisão de primeira instância atuou nos estritos termos dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/72, não havendo falar em nulidade pela rejeição do pleito. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE CINGE-SE À REMISSÃO ÀS RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE CONFORMIDADE COM AS PRESCRIÇÕES DOS ARTS. 16 E 17 DO DECRETO 70.235/72. Não prospera recurso interposto que traz como fundamentação a mera remissão às razões da impugnação, face às regras dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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INCORRÊNCIA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE AO FISCO. Descabida arguição de nulidade por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos de contacorrente objeto de exame pela fiscalização foram entregues pelo próprio contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. REJEIÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Concluindo fundamentadamente ser desnecessária a realização de perícia, a decisão de primeira instância atuou nos estritos termos dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/72, não havendo falar em nulidade pela rejeição do pleito. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE CINGESE À REMISSÃO ÀS RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE CONFORMIDADE COM AS PRESCRIÇÕES DOS ARTS. 16 E 17 DO DECRETO 70.235/72. Não prospera recurso interposto que traz como fundamentação a mera remissão às razões da impugnação, face às regras dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 02 92 /2 01 1- 35 Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 144.443,42, relativo ao anocalendário 2007. Por bem resumir o litígio, peço vênia para reproduzir o seguinte trecho do relatório do acórdão recorrido: A exigência é decorrente das seguintes infrações: 1) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; 2) omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas; 3) omissão de ganho de capital obtido com a alienação de bens. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, os rendimentos recebidos de pessoa física e jurídica são decorrentes da atuação da contribuinte como advogada em diversos processos judiciais, tendose apurado a omissão de R$ 7.911,62 recebidos de pessoas jurídicas e de R$ 182.896,72 recebidos de pessoas físicas (nos meses de março, abril, maio, julho, setembro, novembro e dezembro). Já o ganho de capital foi verificado nas alienações dos apartamentos nº 501 e 1002 do Edifício Shangrilá, na cidade de Foz do IguaçuPR (sendo o primeiro adquirido em 03/07/2006 por R$ 63.000,00 e vendido em 22/05/2007 por R$ 85.000,00; e o segundo adquirido em 26/09/2007 por R$ 45.000,00 e vendido em 23/11/2007 por R$ 95.000,00). A contribuinte apresentou impugnação tempestiva, com as alegações a seguir sintetizadas: Alega que a fiscalização buscou somente reconstituir as receitas auferidas, e não adotou o mesmo peso e medida para as despesas. Afirma que essa atitude é errônea e representa, no mínimo, falta de diligência. Esclarece que após o procedimento de fiscalização contratou um profissional técnico que, numa análise mais elaborada, apurou que a receita auferida realmente foi maior do que a declarada, mas que as despesas também foram maiores, resultando assim em uma base de cálculo menor e recolhimento de tributo a maior. Ressalta que apresentou à fiscalização a documentação hábil e idônea relativa às suas despesas, contudo não houve qualquer apreciação quanto a esse fato. Argumenta que no procedimento administrativo fiscal devem ser respeitados os Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10945.000292/201135 Acórdão n.º 2802003.340 S2TE02 Fl. 1.334 3 princípios da equivalência ou equidade, de acordo com os quais os procedimentos para aferição das receitas devem os mesmos para aferição das despesas. Menciona ainda o princípio da verdade material ou real, segundo o qual as decisões devem ser tomadas com base em todos os dados, informações e documentos relativos à matéria tratada. Apresenta quadro contendo resumo analítico de todas as receitas e despesas mensais, o qual aponta que no ano de 2007 o total de receitas foi de R$ 241.858,72 e o total de despesas foi de R$ 107.106,90, resultando numa diferença de R$ 134.751,82. Afirma que está anexando comprovantes hábeis e idôneos das despesas, e destaca que tais documentos foram apresentados desde o início do procedimento de fiscalização. Alega que é imperioso o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração, uma vez que a falta de apreciação das despesas dedutíveis constitui vício formal que impede o desenvolvimento da ampla defesa. Menciona acórdãos da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis e conclui que resta comprovado que não ocorreu prejuízo aos cofres da Fazenda, pois se houve omissão de rendimentos, houve também omissão de despesas pelo contribuinte. Em relação ao ganho de capital, alega que o agente fiscalizador não levou em consideração o comprovante de pagamento de imposto efetuado, pois verificase que além do Darf no valor de R$ 26.308,40 (apurado na declaração de ajuste anual), o contribuinte recolheu Darf no valor de R$ 6.995,87 sob o código 0211, na data de 31/10/2008. Afirma que por desconhecer os códigos utilizados pela Receita sempre imaginou que esse segundo recolhimento se destinaria à quitação do imposto sobre ganho de capital, pois essa é a única razão que explicaria o recolhimento desse valor pago a mais a título de imposto de renda naquele exercício fiscal. Assevera que mesmo com o código errado, o pagamento do IR sobre ganho de capital resta comprovado, e destaca que não são raros os erros de preenchimento, pois os códigos da Receita Federal não são de fácil entendimento. Para ilustrar que qualquer pessoa pode cometer erros, menciona reportagem segundo a qual no ano de 2009 a atual Presidente da República (na época Ministra da Casa Civil) e o Ministro da Fazenda tiveram suas declarações retidas em malha por erro de preenchimento. Ainda em relação ao ganho de capital, alega que houve equívoco do agente fiscalizador ao considerar que o custo de aquisição do Apartamento nº 1002 do Edifício Shangrilá, situado na cidade Foz do IguaçuPR, foi de apenas R$ 45.000,00. Esclarece que conforme se verifica pela declaração de renda do cônjuge da impugnante, o valor dado ao imóvel foi de R$ 50.000,00. Alega que cometeu equívoco quanto à informação do imposto de renda retido na fonte relativo aos honorários sucumbenciais (código 0588), pois em vez de declarar o valor correto de R$ 3.201,83, declarou o valor de R$ 2.876,86. Assim, pugna pela revisão do lançamento, considerandose o pagamento a maior de R$ 324,97. Afirma que devem ser consideradas para o levantamento da base de cálculo, além do Livro Caixa, os dependentes da impugnante, bem como as despesas com plano de saúde e despesas com instrução, conforme legislação que rege a matéria. Para tanto, junta certidão de nascimento de seus dois filhos, bem como comprovantes dos pagamentos de plano de saúde e de tratamento dentário, e comprovantes de gastos com a educação dos filhos. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Contesta a Representação Fiscal para Fins Penais, afirmando que não houve a prática de qualquer conduta maliciosa no sentido de omitir rendimentos. Alega que pela falta de conhecimento técnico para o preenchimento da declaração do imposto de renda pode até ser responsabilizada tributariamente, mas não penalmente. Pugna pela realização de perícia técnica para que se procedam às correções necessárias, com apuração não só das receitas do período fiscalizado, mas também dos Darf de recolhimento, das despesas para manutenção do trabalho da contribuinte e das demais despesas dedutíveis que não haviam sido apresentadas. Indica como perito o contador Sr. Vanderlei Miranda. Invoca a Lei 12.249/2010, aprovada através da sanção da Medida Provisória nº 472/2010, afirmando que essa norma evita a penalização de contribuintes pessoas físicas apenas por terem cometido erro no preenchimento de declarações. Afirma que a lei em questão alterou o art. 44 da Lei 9.430/96, estabelecendo que “a multa só deverá ser aplicada nos casos em que seja comprovado pela Receita Federal dolo ou má fé do contribuinte no preenchimento da declaração tributária”. Ao final, com base nesses argumentos, o contribuinte requereu o seguinte: a) declaração de nulidade/improcedência do lançamento; b) consideração de todas as despesas, da mesma forma que foram consideradas as receitas; c) reconhecimento de que já foi efetuado o pagamento do imposto sobre ganho de capital, ou ao menos que o valor recolhido seja usado para compensação com eventual multa aplicada pelo não recolhimento do carnêleão; d) atribuição de efeito suspensivo à impugnação; e) reconhecimento de que houve impugnação expressa de toda a matéria ventilada no lançamento; f) que não seja adotado qualquer procedimento para fins penais até o julgamento final do procedimento; g) produção de provas, especialmente a realização de diligência e perícia. A instância recorrida manteve integralmente a autuação, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. LIMITAÇÃO TEMPORAL. A retificação da declaração só é possível enquanto não for iniciado o procedimento de fiscalização (art 832 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99). OPÇÃO PELO DESCONTO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE DE TROCA DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não se admite a troca de modelo da declaração de ajuste anual. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital relativo a alienação de imóvel, deve ser considerado o custo de aquisição constante do registro imobiliário, a não ser que haja prova em contrário. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Na declaração de ajuste anual do imposto de renda só pode ser compensado o imposto retido devidamente comprovado, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10945.000292/201135 Acórdão n.º 2802003.340 S2TE02 Fl. 1.335 5 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DA DRJ. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) não abrange a análise de representações fiscais para fins penais. MULTA DE 75%. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO CONTRIBUINTE. A multa de ofício de 75% aplicase independentemente da intenção do agente. O dolo é exigido apenas para aplicação da multa qualificada de 150%. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 7/11/2012, arguindo, em síntese, ser nulo o lançamento, dada a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, e também a decisão de primeira instância, face à rejeição do pedido de realização de perícia. Sob o epíteto "razões de direito", discorre que o lançamento baseouse em meras conjecturas e presunções, manifestandose ao final da seguinte forma: Na hipótese dos autos, iniciouse o lançamento com base em depósitos bancários de origem incomprovada. A partir dos esclarecimentos e provas apresentadas para justificar a origem dos depósitos o fisco promoveu o lançamento na forma descrita rechaçado com especificidade em sua impugnação, cujas razões de mérito, juntamente com provas planilhas, etc... COMO SE AQUI ESTIVESSEM TRANSCRITOS. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das nulidades. A contribuinte afirma que o Fisco requereu junto às instituições financeiras os extratos bancários relativos ao período fiscalizado, e alega que tal quebra de sigilo teria sido ilegal, visto que realizada sem autorização judicial, o que levaria à decretação da nulidade do lançamento. Compulsando os autos, entretanto, verificase que a própria contribuinte entregou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante intimação (fls. 10/120), não havendo sido comprovada a existência da aventada requisição de informações do gênero às instituições financeiras. Sem relação alguma com a realidade fática do presente litígio essa postulação de nulidade, devendo ser ela rejeitada de plano, portanto. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Melhor sorte não favorece à recorrente quando demanda a nulidade do decisão de primeira instância, a qual teria indeferido o pedido de realização de diligência formulado na impugnação sem a devida motivação, e de modo insensível, prejudicando o seu direito de defesa. A alegação não se sustenta, quando se pode verificar que aquela decisão está devidamente fundamentada nos termos do art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, havendo considerado que os elementos constantes dos autos eram suficientes para a formação da convicção do julgador, consoante respectivo trecho do Voto abaixo reproduzido: Portanto, seja pela impossibilidade de retificação da declaração, seja pela impossibilidade de troca do modelo simplificado para o modelo completo, mostrase totalmente inviável a dedução de despesas necessárias à percepção dos rendimentos (livro caixa), bem como as deduções a título de dependentes, despesas médicas e despesas com instrução. Assim, deve ser considerada correta a atitude da fiscalização, que não levou em conta nenhuma das despesas invocadas pela contribuinte. Isso não configura inobservância ao princípio da verdade material, nem implica cerceamento de defesa, e sim representa tão somente a observância do princípio da legalidade, mais especificamente das regras relativas à declaração de ajuste anual do imposto de renda. Por força do descabimento das deduções pretendidas pela contribuinte, o pedido de perícia constante da impugnação deve ser indeferido, pois tratase de medida inócua. Além disso, ainda que as deduções fossem viáveis, tratase de questão que não demanda nenhum conhecimento técnico especializado e poderia ser examinada diretamente pela autoridade julgadora, mediante simples análises dos documentos comprobatórios das despesas, não havendo a mínima razão para a realização de perícia. Cabe lembrar que a decisão sobre os pedidos de diligência e de perícia está no âmbito da discricionariedade do julgador, conforme regram os arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, sendo que no caso dos autos não se vislumbra a necessidade de conhecimentos técnicos especializados para a formação de convicção acerca dos fatos. Ademais, a contribuinte demonstrou na peça recursal conhecer perfeitamente o teor das infrações que lhe foram imputadas, não havendo falar em qualquer prejuízo a sua defesa que acarrete a nulidade do lançamento, na forma do art. 59 do mencionado Decreto. Mérito No que denomina de razões de direito, após tecer considerações sobre os lançamentos baseados em presunções, a autuada, como transcrito no relatório parágrafos acima, assevera que o lançamento iniciouse com base em depósitos de origem não comprovada, e que a partir dos esclarecimentos apresentados para justificálos o fisco promoveu o lançamento rechaçado especificamente na impugnação. Depois, simplesmente acrescentou que são adotadas no recurso voluntário as razões daquela peça, como se nele estivessem transcritos. Ora, cabe conhecer do recurso no mérito, apenas para rejeitar a alusão de que o auto de infração teria de alguma forma se respaldado em presunções, o que de maneira alguma ocorreu. De acordo com o relatado, a autoridade lançadora não se baseou na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou em qualquer outra, Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10945.000292/201135 Acórdão n.º 2802003.340 S2TE02 Fl. 1.336 7 mas sim na constatação, via exame documental e análise jurídica, das infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e de omissão de ganho de capital obtido com a alienação de bens, como minuciosamente circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 822/826. Sem substância as aduções da contribuinte nesse sentido, por conseguinte. Por outro lado, inviável acatar a mera referência aos termos da impugnação, para fins de dar algum suporte de mérito adicional à contestação da recorrente. Não obstante a regra geral aplicável ao processo administrativo fiscal seja a do informalismo moderado, a irresignação da contribuinte quanto ao lançamento deve atender aos requisitos mínimos indicados no art 16 do Decreto nº 70.235/72, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus da autuada, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação da decisão atacada; tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Por sua vez, o art. 17 do precitado Decreto giza que: Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vejase, assim, que recursos administrativos que não apresentem expressamente as razões de fato e de direito do pedido de reforma da decisão atacada não se consubstanciam em recurso aptos a serem conhecidos, ou, caso conhecidos, não reúnem as condições necessárias para o seu provimento, no tocante à parte não fundamentada. Nesse sentido, oportuno trazer o seguinte precedente do CARF, o qual rejeita com veemência a possibilidade de a peça recursal cingirse à mera remissão aos argumentos da impugnação (Acórdão nº 2102001.397, j. 28/7/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos): RECURSO VOLUNTÁRIO. MERA REMISSÃO AOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO PER RELATIONEM. IMPOSSIBILIDADE. O recorrente deve expressamente trazer as razões da insurgência no recurso voluntário, por aplicação analógica do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante), não sendo possível a argumentação per relationem, como feita pelo recorrente, a impingir o ônus ao relator para compulsar as defesas deduzidas na primeira instância, extraindo aquelas que eventualmente Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 fossem compatíveis com o julgado recorrido e o recurso voluntário. Ora, é ônus do recorrente apontar expressamente os pontos para os quais pretende que a Turma julgadora aprecie, não sendo viável a mera remissão aos argumentos da impugnação. Anotese que a defesa da contribuinte foi conduzida por escritório de advocacia, não carecendo este, em tese, das condições de apresentar peça recursal em conformidade com as prescrições legais. Ante o exposto, voto pela rejeição das preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10380.726438/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
Ementa:
LANÇAMENTO. NULIDADE. Não são nulos os lançamentos que atendem aos requisitos formais previstos na legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar dos lançamentos e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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NULIDADE. Não são nulos os lançamentos que atendem aos requisitos formais previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir- se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar dos lançamentos e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, MARCOS Fl. 417DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 VINICIUS BARROS OTTONI, JACKSON MITSUI, MARCELO BAETA IPPOLITO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Décima Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE CLAREZA NA TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não dá causa à nulidade do lançamento fiscal o fato de a capitulação legal da irregularidade não se referir especificamente à mesma, se os fatos estão corretamente descritos no Auto de Infração, e se o contribuinte demonstra haver compreendido perfeitamente o teor da acusação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário:2008, 2009, 2010, 2011 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APURADO NA DECLARAÇÃO (DIPJ, DACON). DCTF’S RETIFICADORAS “ZERADAS”. Correto o lançamento de ofício do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, quando se verifica a existência de imposto ou contribuição a pagar, apurado na DIPJ ou DACON, sem que o débito correspondente tenha sido confessado em DCTF. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A conduta que tenha por finalidade impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador, por parte da autoridade fazendária, obtendo como resultado a redução ou supressão de tributo devido, está sujeita à aplicação da multa qualificada de 150% sobre a totalidade ou diferença do valor omitido. Enquadra-se nesta hipótese o contribuinte que, após entregar suas DCTF’s com os valores corretamente declarados, passa a retificá-las, de forma sistemática e injustificada, zerando os respectivos débitos, Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados Autos de Infração para exigir da interessada o IRPJ, a CSLL, a COFINS e o PIS sobre fatos geradores ocorridos no período de outubro de 2008 a dezembro de 2011, nos montantes abaixo descritos, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 2 3 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4 a 82) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 83 a 88) foram apurados os fatos abaixo descritos: DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO TRIBUTOS O presente lançamento abrange o período de outubro de 2008 a dezembro de 2011. O ano de 2011 teve somente lançamentos de PIS e COFINS, não tendo sido verificados os valores devidos a título de IRPJ e CSLL. A empresa atuou no ramo industrial, no setor de confecção. A tributação do lucro, nos anos calendário de 2008, 2009 e 2010, foi feita pelo Lucro Presumido, e a apuração do PIS e COFINS foi feita pelo regime cumulativo, nos anos de 2008, 2009 e 2010, e pelo regime não-cumulativo no ano de 2011. A empresa, no período de outubro de 2008 a dezembro de 2011, vinha apresentando DCTF retificadoras, anulando todos os débitos referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não tendo também efetuado qualquer recolhimento dos referidos tributos. No ano de 2011, cuja tributação se deu pelo lucro real anual, a empresa apresentou prejuízo fiscal, não tendo as DCTF retificadoras abrangido o IRPJ e a CSLL. No Termo de Intimação Fiscal nº 02, emitido em 23/04/2013, a empresa foi intimada a informar porque as DCTF referentes ao período de outubro de 2008 a dezembro de 2011 foram retificadas, tendo sido eliminados todos os débitos referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Na Planilha 1, em anexo ao Termo, foram evidenciadas as DCTF originais e as retificadoras que anulavam os tributos efetivamente devidos. A empresa apresentou esclarecimentos, conforme documento emitido em 23/05/2013. No mencionado documento a empresa informa: "1) A Peticionante desconhece quaisquer procedimentos em que tenham suas DCTF referentes ao período de outubro de 2008 a dezembro de 2011 sido zeradas. Os valores corretos dos tributos devidos são aqueles constantes nas DCTF originais, transmitidas pelo Sr. José Teixeira de Souza Filho, contador da empresa, e devidamente apuradas por esta Autoridade Fiscal, ratificando a Peticionante a exatidão de tais valores; 2) A Peticionante, por intermédio e através do escritório de advocacia que cuida de sua assessoria jurídica, e a fim de que fossem realizados estudos tributários Fl. 419DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 com vistas à realização de um planejamento tributário, procurou profissionais de mercado, tendo sido oferecidos à empresa Peticionante serviços de planejamento tributário que consistiram em apurar a existência de créditos em favor da empresa Peticionante e utilização destes para o pagamento de tributos. A Peticionante esclarece que nos serviços de planejamento tributário contratados jamais se teve como objeto qualquer espécie de retificação de DCTF. Prova maior disto é o fato de que todas as DCTF originais sempre foram geradas pelo Contador da empresa Peticionante, conforme esclarecido no item 1, desconhecendo qualquer alteração procedida por qualquer outra pessoa nas mesmas; 3) A Peticionante outorgou procuração às pessoas elencadas no item 3 do Termo de Intimação Fiscal por exclusiva orientação dos profissionais de mercado que realizaram os estudos de planejamento tributário em nome da empresa, a quem cabia a efetivação do serviço de planejamento tributário contratado, não tendo a empresa qualquer relação contratual (formal ou mesmo verbal) com as pessoas elencadas; 4) Quanto aos itens 4 e 5 do Termo de Intimação Fiscal, reitera a Peticionante que os valores corretos dos tributos devidos são aqueles constantes das DCTF originais, apuradas pela Autoridade Fiscalizadora, devendo-se efetuar o lançamento dos mesmos para pagamento e/ou parcelamento;" O Diretor Administrativo, Dr. Fernando Sampaio Trajano, informou que o escritório de advocacia prestador dos mencionados serviços foi a firma Bezerra e Guedes Advogados Associados. A empresa ainda apresentou os seguintes esclarecimentos: "2) Para a realização dos serviços de planejamento tributário mencionados na resposta ao Termo de Intimação Fiscal N° 02 a empresa buscou, através da Bezerra e Guedes Advogados Associados, profissionais de mercado, para apurar a existência de créditos em favor da empresa Peticionante e utilização destes para o pagamento de tributos, tendo o escritório iniciado relação profissional com a Sra. Eliane Sousa Araújo, portadora do CPF/MF de n° 371.613.00100, residente e domiciliada no Distrito Federal, a quem cabia realizar o serviço de planejamento tributário. Quanto aos pagamentos realizados, estes eram feitos ao escritório Bezerra e Guedes Associados, que por sua vez era responsável por efetuar os pagamentos a Sra. Eliane. 3) A Peticionante outorgou procuração às pessoas elencadas no item 3 do Termo de Intimação Fiscal n° 02 por exclusiva orientação da Sra. Eliane de Sousa Araújo, a quem cabia a efetivação de todas as medidas do serviço de planejamento tributário contratado, não tendo a empresa ou o escritório de advocacia mencionado no item 1 qualquer relação contratual (formal ou mesmo verbal) com as pessoas elencadas." No mencionado documento, a empresa ratificou o que foi informado na resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, declarando que os valores corretos dos tributos devidos são os constantes das últimas DCTF transmitidas pelo Sr. José Teixeira de Souza Filho, contador da empresa, ressaltando que efetuou os recolhimentos do IRRF e CSRF (Imposto de Renda e Contribuição sobre o Lucro retidos na fonte). A empresa reiterou que as DCTF com os valores zerados foram transmitidas sem o seu conhecimento ou do escritório de advocacia. Foram juntados aos autos comprovantes de parte dos pagamentos realizados pela empresa ao escritório de advocacia, Bezerra e Guedes Advogados Associados, e aos sócios deste. Dentre estes, há pagamentos efetuados diretamente à Sra. Eliane Fl. 420DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 3 5 Sousa Araújo e pagamentos efetuados pelo escritório de advocacia à referida Sra. Eliane. As bases de cálculo dos tributos devidos apurados foram as informadas pela própria empresa nas DIPJ, DACON e DCTF originais que foram retificadas, tendo também sido evidenciadas nas planilhas em anexo. A multa aplicada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), foi qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c o art. 71, inciso I, da Lei 4.502/1964. A empresa, primeiramente, enviava as DCTF originais contendo os tributos efetivamente devidos, com o intuito de não incidir nas malhas. Posteriormente, a empresa apresentava DCTF retificadoras zerando os tributos devidos, com o intuito de evitar que os débitos informados em suas DCTF originais fossem inscritos em Dívida Ativa. A empresa não efetuou qualquer recolhimento a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no período fiscalizado, o que demonstra a sua intenção de sonegar a totalidade dos mencionados tributos. A existência de contrato com terceiros, supostamente responsáveis por um dito "planejamento tributário", não pode ser oposta à Fazenda Nacional para eximir o contribuinte de suas obrigações para com o Fisco, nos termos do art 123 do CTN. As retificações de DCTF realizadas pelas pessoas apontadas no Termo de Intimação Fiscal n° 2 só puderam ser realizadas porque a empresa outorgou poderes a estes procuradores, conforme se depreende das procurações anexadas aos autos. Portanto, através destas procurações, foi possível operacionalizar a sonegação dos tributos. Restou clara a ação do contribuinte, acarretando a qualificação da multa ora imposta. Tais condutas do contribuinte também configuram, em tese, crime contra a ordem tributária nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/1990. Inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada em 14/08/2013 (fl.71), a interessada apresentou, em 13/09/2013, a impugnação de fls. 196 a 217, na qual alega, em síntese, que: DA CONTRATAÇÃO DE TERCEIROS E DO DESCONHECIMENTO DAS ANULAÇÕES DOS DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. • No que tange às indagações pelos supostos serviços contratados a terceiros, referidas no Termo de Intimação Fiscal n° 02, a impugnante informou que foi em busca de realizar estudos na esfera fiscal, no sentido de elaborar um planejamento tributário para otimizar sua carga tributária, nos termos da lei e de forma legítima. • Neste sentido, foi em busca de profissionais para prestar tais serviços, os quais jamais tiveram o objetivo de retificação de DCTF, vez que todas as declarações originais sempre foram geradas pelo contador oficial da empresa; portanto, desconhece totalmente quaisquer alterações posteriores aos valores inicialmente declarados. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 • A impugnante afirmou que concedeu poderes aos terceiros citados, por exclusiva orientação dos profissionais de mercado que realizaram as análises necessárias para o planejamento tributário, não tendo, portanto, qualquer relação contratual com tais terceiros. • A impugnante reiterou que os valores corretos dos tributos devidos são os que, de fato, constam nas DCTF originais apuradas pelo agente fiscal. Informou que as planilhas requeridas já haviam sido apresentadas ao auditor fiscal. • Nas informações prestadas pela contribuinte, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 03, a impugnante afirmou que mantém relação contratual com seus advogados desde 2006, através da pessoa jurídica que atende todas as demandas jurídicas. • Em relação aos serviços de planejamento tributário, conforme itens "1.9" e "1.10" da impugnação, a empresa informou que procurou, através de seu escritório de advocacia, profissionais de mercado para apurar existência de possíveis créditos em favor da empresa e utilização destes para o pagamento de tributos, ocasião em que o escritório iniciou relação profissional com a Sra. ELIANE SOUSA ARAÚJO, a quem coube realizar os estudos para o planejamento tributário. Os pagamentos pelos serviços sempre foram feitos ao escritório de advocacia. • Sobre a indagação das procurações, a contribuinte afirmou que outorgou tais poderes aos terceiros apontados no Termo de Intimação Fiscal n° 02 por exclusiva orientação da Sra. Eliane, não tendo qualquer relação contratual (formal ou verbal) com as pessoas elencadas. Sustentou que os valores corretos dos tributos devidos são aqueles constantes nas últimas DCTF transmitidas pelo contador da empresa, Sr. José Teixeira de Souza Filho, e reiterou que jamais foram transmitidas declarações "zeradas" com o seu conhecimento, conivência ou concordância. • Esses valores foram declarados nas DCTF que foram retificadas, as quais foram levantadas no procedimento fiscal e apontadas nas planilhas anexadas pelo agente do fisco. Assim, com o pagamento dos referidos tributos retidos, não há em que se falar de beneficio ou motivo para que a Impugnante anulasse seus débitos, uma vez que já haviam sido retidos na fonte. DA PRELIMINAR DE NULIDADE ABSOLUTA POR VÍCIO FORMAL NA TIPIFICAÇÃO DA SUPOSTA INFRAÇÃO, DO ERRO MATERIAL E DO CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. • O Processo Administrativo Fiscal é albergado pela teoria da prova abraçada pelo Código de Processo Civil Brasileiro, em razão do seu art. 333, inciso I. O dispositivo afirma que incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. O Fisco apresenta as razões consubstanciadas da autuação e a contribuinte tem o direito de dar a sua versão dos fatos, em face da versão do agente fazendário. • A documentação que instruir o Processo Administrativo deverá conter provas inequívocas, concisas, que comprovem, de maneira satisfatória, a relação de causalidade entre os três momentos da geração do crédito tributário, quais sejam, a infração cometida, o fato gerador da obrigação e a constituição do crédito tributário, o que não ocorreu no presente caso. • O Decreto n° 70.235/1972 prevê, em seu artigo, 10 as disposições, os requisitos pertinentes para a perfeita autuação fiscal. • O ato está eivado de vício em sua forma, vez que, no apontamento dos artigos, o autuante não indicou com veemência o dispositivo específico que de fato fora descumprido; ou seja, fez referência aos artigos de forma ampla, o que dificulta Fl. 422DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 4 7 a elucidação da suposta infração e prejudica o contraditório, por cercear o direito de defesa da contribuinte. • Dispõe o artigo 11 que "a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente [...] III a disposição legal infringida, se for o caso", ou seja, mais uma vez, a norma impõe ao agente fazendário a perfeita tipificação em sua autuação. • Os artigos 59 a 61 do Decreto n° 70.235/1972 consideram nulos "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa", ocasião que se compatibiliza com o caso. • Cabe aqui fazer alusão ao princípio constitucional da ampla defesa, o qual é preliminarmente previsto no artigo 5º, inciso LV, da Carta Magna de 1988. • O professor Fábio Soares de Melo, em sua obra Processo Administrativo Tributário: Princípio, Vícios e Efeitos Jurídicos, muito bem ponderou acerca deste instituto, onde arrazoa sobre o amparo constitucional ao contribuinte no sentido da garantia à ampla defesa em qualquer fase processual. • Leandro Paulsen também acompanhou este entendimento. • O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) vem mantendo o mesmo entendimento no sentido de tornar nulas as autuações que não observem os requisitos necessários para a comprovação e elucidação das infrações. • O autuante sequer especificou os artigos supostamente infringidos pela impugnante, pois tão somente pontuou dispositivo genérico, no sentido de tentar caracterizar, fragilmente, um ilícito. Tal ato está totalmente eivado de vício, vez que não deixa claro o que de fato ocorrera na relação tributária entre a fazenda e a empresa autuada. • O Auditor não atentou para a necessidade de juntar os elementos suficientes para a caracterização do suposto ilícito apontado na autuação, vez que fez tão somente alusão aos artigos supostamente infringidos, de forma ampla e generalizada, sem juntar quaisquer documentos e/ou indicação de norma específica e pertinente ao caso que atestem de fato a infração relatada. • Verifica-se que a autuação ora combatida não merece prosperar, pois o auditor fiscal não se ateve em indicar de forma precisa os reais artigos supostamente infringidos pela Impugnante. Em seu precário relatório fiscal, o agente fazendário apontou dispositivos amplos em relação à acusação da falta do recolhimento dos tributos fiscalizados. • Essa imprecisão na tipificação da infração se repetiu quando o fiscal tentou caracterizar que as condutas da contribuinte "em tese" caracterizam crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1° e 2ºo da Lei n° 8.137/1990. Mais uma vez, e inquestionavelmente, o enquadramento legal não foi feito de forma legítima, vez que os artigos apontados pelo auditor refletem mais de 10 (dez) tipos de condutas ilícitas, tornando-se assim impossível saber qual delas de fato foi atribuída à contribuinte, o que, mais uma vez, caracteriza a preterição do direito de defesa da empresa. • Neste escopo, compete fazer menção ao antigo brocardo jurídico "allegare sineprobare et non allegare paria sunt" — alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Apenas a existência de meros indícios ou presunções não pode servir de alicerce seguro para a caracterização do crédito tributário. O requisito primordial Fl. 423DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 para assegurar a certeza e liquidez do crédito tributário decorrente do lançamento de ofício, realmente, não se faz presente aos autos, desconstituindo-se portanto a materialidade da infração tipificada. • A insustentabilidade da exação fiscal sobressai de modo irrecusável e inquestionável, sem julgamento do mérito. • Não se tem o elemento probante de fato que motive a existência do ilícito descrito no libelo fiscal acusatório, minguando, assim o procedimento fiscal, por restar clara a omissão do autuante no que tange à instrução da ação fiscal. • Há que se destacar também que o ato administrativo do lançamento, regulado pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, será nulo se violar algum requisito de validade dos atos praticados pela Administração Pública. • Segundo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello, o ato administrativo, em uma visão mais resumida, possui apenas 2 elementos: conteúdo e forma. Desse modo, o administrativista identifica 5 elementos do ato administrativo: sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade. • A validade do ato administrativo se mostra ameaçada quando e constata um desrespeito e/ou não atendimento a um dos requisitos imprescindíveis à perfeita autuação fiscal, visto que o ato só será válido se todas as exigências forem cumpridas concomitantemente. • Assim, elenca seis requisitos, que devem ser respeitados simultaneamente: 1 Requisito Teleológico (Finalidade); 2 Primeiro Requisito Objetivo (Procedimental); 3 Requisito Subjetivo (Sujeito); 4 Segundo Requisito Objetivo (Motivo); 5 Requisito Lógico (Causa); e 6 Requisito Formalístico (Formalização). • O Processo Administrativo, sob pena de nulidade, deve obedecer aos princípios dispostos no artigo 37, caput, da Constituição Federal, presentes em toda atividade administrativa, que são os da legalidade, impessoalidade e moralidade, e aos princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos no artigo 5º, inciso LV; na inobservância de tais pressupostos, a nulidade deve ser, inquestionavelmente, pronunciada pelo órgão julgador. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA MAJORADA DE 150% E DA AUSÊNCIA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. • A aplicação gravosa da multa parte de suposto crime de sonegação, baseado em retificações de DCTF, onde o agente fiscal supõe que a Impugnante, de forma dolosa, "zerou" os débitos já declarados, referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no período de outubro de 2008 a dezembro de 2011. DO CONCEITO DE CRIME E SEU NEXO CAUSAL.. • Para caracterizar eventual crime contra a ordem tributária, há que se falar nos conceitos utilizados na esfera penal; num primeiro momento, cabe aqui ponderar sobre o dolo e o nexo de causalidade, no que tange à conduta criminosa equivocadamente atribuída à Impugnante. • O artigo 1º do Código Penal Brasileiro diz que "não há crime sem lei anterior que o defina", o que pressupõe que só se caracteriza como criminoso o ato que seja albergado por definição legal. • Para a legítima caracterização da conduta criminosa, é necessário que haja a vontade de se obter o resultado da ilicitude, no sentido de que tal vontade é anterior ao ato criminoso, logo, o agente sempre terá o desejo e o discernimento de atingir o resultado contrário à lei. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 5 9 DO ERRO NA TIPIFICAÇÃO DA SUPOSTA CONDUTA CRIMINAL E DA DESCARACTERIZAÇÃO DO CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.. • Havendo dolo ou não da Impugnante, o agente fiscal indicou equivocadamente os artigos que consubstanciaram a suposta conduta criminal, sem juntar provas concretas que, de fato, atestem a veracidade do crime de sonegação fiscal, razão pela qual não restou comprovada a consumação do crime. • Só há que se falar em crime, se realmente for comprovada a sua execução. • Percebe-se que nada, em esfera criminal, foi comprovado em desfavor da contribuinte; sendo assim, resta notório que não há que se falar de multa majorada, pois não foi devidamente demonstrado que a Impugnante está enquadrada em algum dos artigos que qualificam a penalidade aplicada. • O auditor fundamenta a existência do delito com base nos artigos 1° e 2º da Lei 8.137/1990, sem, contudo, determinar a tipificação específica do ilícito. • A conclusão acerca da existência de crime contra a ordem tributária decorrente de sonegação é tão absurda que sequer se sabe em qual tipo penal se insere a impugnante, na medida em que o agente fiscal cita na íntegra todo o teor dos artigos 1º e 2° da Lei 8.137/1990. Em outras palavras: o fisco acusa a Impugnante de todos os tipos penais de natureza tributária, sem provar a existência de nenhum deles. • Essa fundamentação genérica macula os princípios que regem o direito penal, obrigando a Impugnante a se defender de algo que desconhece. • A legislação penal brasileira não admite a imputação de um crime sem que haja a configuração de determinados requisitos legais, a saber: a tipicidade, a conduta, o nexo causal, o resultado e, especialmente, o dolo. • O ato de sonegar é definido por lei, portanto sua interpretação requer acuidade na aplicação ao caso concreto. • O auditor afirma que levantou o crédito tributário com base nas DIPJ e DACON apresentadas pela impugnante. Apesar de o Fisco não fazer qualquer menção em seu relatório, a contribuinte possui contabilidade e escrita fiscal. O mesmo auditor afirma que a empresa enviava, por meio de seu contador, as DCTF originais e que estas eram "zeradas" por um grupo de pessoas (cuja identificação consta nos autos, que não foram autorizadas pela empresa a realizar tal procedimento. • Pergunta-se qual a lógica (ou nexo de causalidade) existente entre as ações da impugnante e o suposto crime contra a ordem tributária, na medida em que a mesma informou todas as suas receitas por meio de DIPJ, contabilidade, DACON e DCTF originais? Vale frisar que a regularidade de sua escrituração contábil pode ser comprovada junto às DIPJ. • A conduta criminal é omitir informações que levem ao conhecimento do Fisco o valor do quantum tributário devido ou mesmo a omissão de valores ou das próprias declarações, o que se enquadra perfeitamente na tipificação penal prevista no artigo 71, inciso I da Lei 4.502/1964. Ou seja, em todos os anos-calendário fiscalizados, a autoridade fazendária detinha a informação correta sobre as receitas da impugnante, sabendo que a mesma era optante pelo regime de tributação pelo lucro presumido; e, no ano-calendário em que adotou o lucro real, o próprio agente do Fisco afirma que a mesma apurou prejuízo fiscal, não havendo naquele período Fl. 425DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 IRPJ ou CSLL a pagar; e, ainda, que o PIS e a COFINS se amoldara ao regime não cumulativo. Essa é a realidade fática descrita no relatório do auto de infração impugnado. • Observe-se que a conclusão do Fisco de que a impugnante teria incorrido em crime contra a ordem tributária obriga à perfeita tipificação da norma ao caso concreto. • A necessidade da conduta dolosa e o nexo de causalidade são pressupostos basilares para a tipificação delituosa. Assim, em matéria criminal, não se aplicam presunções; prova-se na íntegra a conduta criminal do agente. • Em razão do princípio da especialidade (ou especificidade), as normas aplicáveis aos casos de crime contra a ordem tributária são aquelas insertas nos artigos 1° e 2° da Lei 8.137/1990, em detrimento das normas insertas no Código Penal Brasileiro (CPB). Outrossim, as mesmas normas são guiadas pelos princípios e aspectos genéricos das normas penais. • A configuração do ilícito penal tributário requer os mesmos pressupostos gerais de um crime tipificado na legislação penal. Daí, a necessidade de demonstrar a correta tipificação que enseja a multa de 150%, ou seja, a suposta sonegação erroneamente atribuída à contribuinte. DA INEXISTÊNCIA DO NEXO CAUSAL E DO DOLO DE TERCEIRO. • A impugnante jamais teve a intenção de realizar quaisquer condutas criminosas, vez que suas manifestações no procedimento fiscal sempre apontaram o desconhecimento de todo e qualquer ato referente à retificação de suas declarações, conduta que lhe foi atribuída como eventual crime contra a ordem tributária. • Não há nexo causal da contribuinte em relação à acusação feita pelo autuante, conforme já amplamente arrazoado nos tópicos anteriores. A conduta que o auditor aponta como criminosa partiu de terceiro sem o consentimento da Impugnante, pois a empresa nunca pactuou contrato de prestação de serviços que tenha como objeto a retificação de suas declarações fiscais. • Resta plenamente caracterizado que a contribuinte foi alvo de estelionato por parte de terceiros, especificamente pela Sra. ELIANE SOUSA ARAÚJO. Esta conduta é classificada como crime econômico, capitulada no artigo 171 do Código Penal Brasileiro. • Não se verifica qualquer nexo de causalidade entre a Impugnante e este suposto crime contra a ordem tributária. • Se a impugnante teve a real intenção de fraudar o erário, no sentido de omitir seus tributos, qual a lógica que se encontra, vez que, preliminarmente, a própria contribuinte declarou corretamente seus débitos em suas DCTF? Porque, então, ela posteriormente teria omitido tais receitas? Essa regularidade é plenamente comprovada através do confronto entre a contabilidade da empresa e o que foi levantado pelo autuante, conforme se observa nas cópias das DIPJ anexas (doc. 02), o que mais uma vez afasta a possível conduta criminosa por parte da Impugnante, atestando assim a boa-fé da empresa no que tange à sua relação tributária perante o Fisco. • As retificações que anularam os valores declarados foram realizadas por pessoa estranha à contabilidade da Impugnante, pois o contador da empresa foi quem, inicialmente, informou os débitos corretos nas DCTF, sendo estes, posteriormente, "zerados" por outrem. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 6 11 DA PROIBIÇÃO LEGAL DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS • É imprescindível pontuar, na presente impugnação, que a representação fiscal para fins penais não é plausível no sistema jurídico brasileiro, vez que, conforme já explanado anteriormente, não há que se falar em crime ante a minuciosa análise das supostas condutas criminosas e a condenação criminal através do devido processo legal. • Assim, não se torna plausível a continuidade da representação penal até que seja, de fato, comprovado o eventual crime apontado na autuação em comento, ocasião em que deverá ficar suspensa tal acusação até o desfecho definitivo do processo administrativo tributário. • Requer por fim, que seja descaracterizada a suposta conduta criminal imputada à Impugnante, no sentido de revogar a multa majorada de 150%, e que seja mantida a suspensão da representação fiscal para fins penais, nos termos da Súmula Vinculante n° 24 do STF e Súmula n° 25 do CARF. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente quanto (a) à nulidade dos lançamentos, por erro na tipificação legal, o que teria implicado violação ao direito à ampla defesa; e (b) à inaplicabilidade da multa de ofício no percentual de 150% dos tributos devidos, pois não teria havido dolo e as retificações de suas DCTFs se deram à sua revelia, por ato de terceiro. Por fim, expõe longamente as razões pelas quais não se pode reputar como ocorrida prática criminosa no caso. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (a) Preliminarmente: da nulidade do lançamento Entende a Contribuinte que o lançamento padece de nulidade, pois “não deixa claro o que de fato ocorrera na relação tributária entre a fazenda e a empresa autuada”, entendendo que “o auditor fiscal não se ateve em indicar de forma precisa os reais artigos supostamente infringidos pela Recorrente”. A preliminar não procede. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 12 Diferentemente do quanto alegado em sede recursal, os lançamentos de fls. 5, 6, 34, 37, 38, 57, 62 apresentam descrição clara dos fatos e da infração praticada pela Contribuinte. O Termo de Verificação Fiscal às fls. 83/84 também não deixa dúvida sobre os fatos que levaram à autuação, verbis: “Constatou-se que a empresa, no período de outubro de 2008 a dezembro de 2011, vinha apresentando DCTF retificadoras anulando todos os débtos referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não tendo também efetuado qualquer recolhimento dos referidos tributos. No ano de 2011, cuja tributação se deu pelo lucro real anual, a empresa apresentou prejuízo fiscal, não tendo as DCTF retificadores abrangido o IRPJ e a CSLL. A empresa apenas efetuava os recolhimentos referentes aos tributos retidos na fonte (Imposto de Renda Retido na Fonte e Contribuição Social Retida na Fonte).” A Contribuinte teve plena compreensão dos fatos relacionados ao lançamento já no curso do procedimento de fiscalização, conforme se constata, por exemplo, da resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 3, por meio da qual (a) reconhece que suas DCTF´s foram “zeradas” e (b) imputa a terceiros a culpa por tal conduta (fls. 127/129). Ademais, em sua impugnação e recurso voluntário, a Contribuinte demonstra pleno conhecimento dos fatos e das acusações fiscais. No que tange à capitulação legal, os lançamentos (a) informam os dispositivos violados pela Contribuinte em relação a cada um dos tributos devidos e (b) fizeram menção ao fundamento da multa qualificada, razão pela qual também não há erro ou omissão no fundamento legal do lançamento. Quanto à alegação da Contribuinte de que a Fiscalização teria lhe imputado conduta dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990 e, por tal razão, seria nulo o lançamento, já que esses artigos mencionam mais de dez condutas indistintamente, diga-se que não se discute a existência (ou não) de crime tributário neste processo, mas sim a existência de sonegação, fraude ou conluio na forma do arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 para fins de qualificação da multa de ofício aplicada. Eventual apuração sobre a conduta para fins criminais deverá ocorrer em processo específico para essa finalidade. Rejeita-se, portanto, a preliminar de nulidade dos lançamentos. (b) Do mérito: da imputação de multa qualificada Reitere-se, primeiramente, que a Contribuinte não contesta os montantes principais dos tributos lançados, pois estes (tributos) constam de sua apuração fiscal e estão informados em suas DCTF´s retificadas. O mérito do recurso voluntário restringe-se à qualificação (ou não) da multa de ofício aplicada, ante a conduta da Contribuinte, ainda que por intermédio de terceiro, de retificar todas as suas DCTF´s para informar saldo zero de tributos a pagar. Em síntese, constatou-se que a Contribuinte enviava DCTFs originais com a informação correta sobre os tributos devidos, de acordo com o que constava em DIPJ e DACON. Após, sem efetuar recolhimentos ao Fisco, a Contribuinte retificava suas DCTFs, “zerando-as”, para afastar-se dos controles automáticos da RFB sobre os tributos apurados e não recolhidos. Filiei-me no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 7 13 para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anos-calendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, parece-me que a prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Em que pesem as razões da Contribuinte, a multa qualificada merece ser mantida. A intenção da Contribuinte de ocultar do Fisco a informação sobre a ocorrência do fato gerador, ou, no mínimo, de retardar ilegitimamente o recolhimento do tributo respectivo, é evidente diante das circunstâncias de que (a) a Contribuinte não apresenta razão plausível para as sucessivas retificações de DCTF, por meio da qual informava ao Fisco não haver tributo devido; (b) tais retificações ocorreram sistematicamente entre os anos- calendário de 2008 a 2011; (c) em todos esses anos, a Contribuinte não recolheu espontaneamente qualquer tributo que permitisse defender a tese que desconhecia o fato de sua DCTF estar sendo sistematicamente “zerada” após o envio da declaração original. Não há como admitir que, ao longo de três anos, a Contribuinte (que, conforme alegações do próprio recurso, é empresa que contrata mais de mil trabalhadores) tenha declarado e deixado de pagar tributos e jamais estranhou o fato destes valores não constarem como pendência em seu conta-corrente fiscal. A Contribuinte tinha pleno conhecimento das retificações que ocorriam em relação a todas suas DCTFs de outubro de 2008 a dezembro de 2011. Note-se, por relevante, conforme consta de fls. 120/121, que a própria Contribuinte informa que outorgou procuração aos responsáveis pelas retificações das DCTFs, não podendo afirmar que a conduta se deu à sua revelia. O ato doloso de retificar DCTFs, para que, em suas declarações, não constasse qualquer valor a pagar, com vistas a omitir os fatos tributáveis do conhecimento do Fisco, é conduta que impõe a lavratura dos lançamentos com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. - Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ - DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca-se do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entende-se por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano-calendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 14 exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia- se 1º de janeiro de 2001. CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO - RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO - VALIDADE - É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO PATENTE - Auferir vultosas receitas de exportação sem declará-las à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo- as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. (c) Dispositivo Diante do exposto, orienta-se voto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726438/2013-71 Acórdão n.º 1102-001.285 S1-C1T2 Fl. 8 15 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720441/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra exigido pelo artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c a redação original do artigo 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 1993.
Numero da decisão: 2201-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal de 8.381,2 hectares e o VTN-Valor da Terra Nua declarado. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que apenas admitiu o VTN de R$ 2.850.000,00.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Redator ad hoc
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (Suplente convocado), Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), Nathália Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra exigido pelo artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c a redação original do artigo 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 1993. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal de 8.381,2 hectares e o VTN Valor da Terra Nua declarado. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que apenas admitiu o VTN de R$ 2.850.000,00. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 41 /2 00 7- 69 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (Suplente convocado), Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), Nathália Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada Notificação de Lançamento objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2004, em decorrência da glosa do valor declarado a título de Área de Preservação Permanente, bem como arbitramento do Valor da Terra Nua. Cientificado do lançamento em 20/12/2007 (AR de fl. 43) o contribuinte apresentou, em 17/01/2008, a impugnação de fls. 113/117, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “4. QUANTO À ÁREA DE PRESERVAÇAO PERMANENTE e ÁREA DE RESERVA LEGAL: 4.1. O contribuinte comprovou a área de preservação permanente pois juntou o Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e Terra Nua, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo, ART e ADA; 4.2. O ADA possui informações convergentes com a DITR. O ADA foi entregue em 31/10/2000. Os dados do ADA são perfeitamente compatíveis com o Laudo. Mesmo que não se aceite os valores do Laudo, deveria prevalecer os valores constantes do ADA, convergentes com a DITR; 4.3. A responsabilidade pelas questões ambientais são do Estado de Mato Grosso, através da SEMA e não dos órgãos federais; 4.4. Não se pode admitir que a autoridade lançadora considere inexistente á área de preservação permanente e a área de utilização limitada em uma fazenda encravada no Pantanal Matorossense de forma aleatória, sem ter recebido visita in lovo dos Auditores Fiscais; 4.5. A decisão foi fruto de decisão absoluta e sem estar amparada em elemento fático; 4.6. QUANTO AO VALOR DA TERRA NUA: 4.6.1. Mesmo desprezando o laudo técnico, não se pode olvidar que o valor constante do ADA é merecedor de fé, não podendo assim ser desprezado.” A 4ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720441/200769 Acórdão n.º 2201002.270 S2C2T1 Fl. 245 3 “DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para comprovação da área de preservação permanente, há a necessidade de apresentação de laudo específico que comprove as áreas, com sua discriminação, localização, características e enquadramento legal. Não pode ser aceito laudo genérico. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. PANTANAL. INUNDAÇÕES SISTEMÁTICAS. Os imóveis que sofrem inundações sistemáticas, situados no Pantanal, devem ser declarados normalmente. DO VALOR DA TERRA NUA Não tendo o laudo apresentado cumprido os requisitos da Norma Técnica correspondente, é lícito o lançamento efetuado com atribuição do valor da terra nua com dados obtidos pelo Banco de Dados da Receita Federal (SIPT).” Cientificado da decisão de primeira instância em 18/02/2010, conforme AR de fl. 138, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 22/03/2010, o Recurso Voluntário de fls. 143/169, questionando o arbitramento do VTN com base no SIPT, bem como contestando a glosa da Área de Preservação Permanente. O Recurso Voluntário foi conhecido e colocado em pauta de julgamento. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão do Recurso Voluntário, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad – Relator ad hoc O presente processo tem como objeto a cobrança de Imposto Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2004, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Acori”, localizado no município de Barão do Melgaço/MT. O Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte questiona a glosa da área de Preservação Permanente e o arbitramento do VTN com base no SIPT. Área de Preservação Permanente O lançamento decorre da não comprovação pelo Recorrente dos valores declarados a título de APP. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Já me manifestei em diversas oportunidades no sentido de que o ADA é meio de prova, mas não exclusivo, à comprovação do direito à exclusão da área tributável sujeita ao ITR. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” A suposta obrigatoriedade do ADA estaria prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima verificase que o § 1º do art. 17 O acima instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, dependa do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorra diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720441/200769 Acórdão n.º 2201002.270 S2C2T1 Fl. 246 5 Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art. 2º e 16 da Lei n.4.771/65, da base de cálculo do ITR. Para fins de comprovação das áreas de preservação permanente o contribuinte apresentou o Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e de Terra Nua (fls. 47/97), assim como o Laudo Técnico Complementar (173/226), este último apresentado juntamente com seu recurso voluntário. Tais documentos, a meu ver, não preenchem os requisitos necessários para comprovar a existência da área de proteção permanente informada pelo contribuinte em sua DITR. O Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e de Terra Nua (fls. 47/97) tem como objetivo a “avaliação do imóvel rural para fins de fixação de Valor da Terra Nua” (fls. 51), não se prestando, portanto, para comprovar a existência de áreas de preservação permanente. Referido laudo se limita a informar o valor da APP, deixando de detalhar/identificar tais áreas. O Laudo Técnico Complementar, por sua vez, deixou de vincular claramente as áreas de preservação permanente às hipóteses previstas na legislação ambiental (ie. margens de rios, nascentes, encostas, etc), demonstrando o montante das respectivas áreas de preservação permanente. Ante à ausência de tais elementos entendo que não deve ser aceita exclusão da área tributável a título de área de preservação permanente. Arbitramento do VTN O Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal trazendo aos autos laudo técnico com o valor do VTN utilizado. Restou comprovado nos autos, no entanto, que a RFB não obteve junto aos órgãos competentes as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT. De fato, conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 03/04), a D. Autoridade Fiscal reconhece que utilizou como parâmetro a média dos VTNs declarados por contribuintes do município de localização do imóvel rural, in verbis: “6. Do Arbitramento do Valor da Terra Nua VTN: Para o município do imóvel rural em questão, apesar de solicitado às Secretarias de Agricultura Estadual e Municipal informações sobre o VTN para serem levados em consideração no estabelecimento do SIPT, não obtivemos resposta. Na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 lançamento de oficio do ITR, do preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município. Assim, os valores instituídos pela RFB para o SIPT,, conforme Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, com valores evidenciados abaixo, extratos do SIPT encontramse no processo de autuação. O VTN arbitrado é a média dos VTN declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural. VTN=138,32.” Tal constatação pode ser verificada também na tela do SIPT juntada aos autos pela D. Autoridade Fiscal (fls. 11) na qual está consignado que “NÃO EXISTE VTN PARA O EXERCÍCIO/MUNICÍPIO INFORMADOS”. Ocorre que o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720441/200769 Acórdão n.º 2201002.270 S2C2T1 Fl. 247 7 avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente na média de VTN declarados por outros contribuintes, cuja utilização não atende às exigências legais. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pelo Recorrente. Considerando o exposto acima a conclusão do presente voto é no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer o VTN Valor da Terra Nua nos termos como declarado pelo contribuinte. O recurso voluntário foi conhecido e julgado por este E. Colegiado tendo como relator o I. Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe e, nos termos da ata do julgamento ocorrido em 16/10/2013, foi dado parcial provimento ao recurso “para restabelecer a Área de Reserva Legal de 8.381,2 hectares e o VTNValor da Terra Nua declarado”. Com a renúncia do I. Conselheiro Relator ao seu mandato sem formalizar o acórdão fui designado como Relator ad hoc nos termos do art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 2009) e, ao examinar os autos verifiquei que a área de reserva legal declarada pelo contribuinte em sua DITR/2004 não foi objeto de glosa pela autoridade fiscal. Logo, a parte dispositiva do presente acórdão é contraditória com o voto, razão pela qual serão opostos Embargos de Declaração em apartado. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator ad hoc (Despacho de fl. 243) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13811.003338/99-70
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995
PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9900-000.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébito pertinente a pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo..
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995 PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido.
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PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébito pertinente a pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 33 38 /9 9- 70 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.. Relatório Tratase de recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional contra acórdão da então Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso especial apresentado pela PGFN, cuja decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO 0 prazo de decadência/prescrição para se requerer restituição/compensação de valores referentes a indébitos referentes à legislação em que, em sede de controle incidental, o STF declarou inconstitucional, começa a fluir para todos os contribuintes a partir do momento em que a decisão do Excelso Tribunal passou a ter efeitos erga omnes, in casu, 10 de outubro de 1995, data de publicação da resolução do Senado da República que suspendeu o dispositivo inquinado de inconstitucionalidade. Recurso Especial do Procurador Negado. Em seu extraordinário, a PGFN pede para que o termo inicial da contagem do prazo extintivo do direito à repetição do indébito seja contado a partir da data do pagamento indevido, e, com isso. pretende ver reconhecida a prescrição do direito à restituição pleiteada pelo sujeito passivo. O extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do Despacho nº 910000.639, fls. 338/339. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. o Colegiado recorrido afastou a prescrição, sob Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.003338/9970 Acórdão n.º 9900000.929 CSRFPL Fl. 452 3 entendimento de que o prazo para postular a repetição de indébito relativo ao PIS pago a maior com base nos DecretosLeis 2.445 e 2449, ambos de 1988, é de 5 anos contados a partir da Resolução do Senado nº 49, de 10/10/1995. Em seu recurso extraordinário, a Fazenda Nacional pede a aplicação do prazo quinquenal, previsto no art. 168 do CTN, cujo termo inicial seria a data do pagamento indevido, conforme interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A seu turno, o sujeito passivo, em contrarrazões, defende a manutenção da decisão recorrida. Analisando os autos, verificase que a compensação pertine a créditos de PIS referentes a pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Como dito linhas acima, a controvérsia que subiu para exame deste Colegiado cingese, tãosomente, à questão do prazo extintivo do direito à repetição dos alegados indébitos que teriam decorridos de pagamentos efetuados a maior em relação a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre outubro de 1989 e setembro de 1995. O pedido de compensação foi protocolado em 22 de dezembro de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.003338/9970 Acórdão n.º 9900000.929 CSRFPL Fl. 453 5 Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob o RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos relativos a fato geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive, na data em que apresentado o pedido de repetição, 22 de dezembro de 1999, encontravamse prescritos. Os créditos relativos a dezembro de 1989, cujo fato gerador ocorreu no último dia desse mês, não foram alcançados pela prescrição, pois, nessa data, ainda não havia ocorrido o exaurimento do prazo decenal da prescrição. Os valores referentes a fatos geradores ocorridos posteriormente, por óbvio, também não prescreveram. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para reconhecer a prescrição do direito à repetição dos indébitos pertinente a fatos geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13555.000232/2006-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO.
Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/específico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, limitando-se, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 5o da lei especifica retromencionada.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento em parte ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO. Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/específico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, limitandose, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 5o da lei especifica retromencionada. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento em parte ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 02 32 /2 00 6- 37 Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório WALDOMIRO MUNIZ COUTINHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 13/09/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da atividade rural, em relação ao anocalendário 2000 a 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/16, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, consubstanciada no Acórdão nº 1513.804/2007, às fls. 1.441/1.444, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 16/06/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.564, sintetizados na seguinte ementa: “IRPF RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL O lançamento relativo à omissão decorrentes de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita relativa a tal atividade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13555.000232/200637 Acórdão n.º 9202003.554 CSRFT2 Fl. 167 3 não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.474/1.480, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10246.647, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Acrescenta que o decisum combatido, além de malferir os preceitos contidos no decisório paradigma, contrariou, igualmente, o artigo 42, § 2o, da Lei nº 9.430/1996, o qual determina que apenas os depósitos bancários de origem comprovada devem ser submetidos à tributação específica, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que o ponto nodal da presente demanda centrase em determinar se aos depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, pode ser aplicada a tributação especial da atividade rural. Em defesa de sua pretensão, infere que a presunção legal inserida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus da prova e somente será afastada na hipótese do contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos depósitos bancários, o que não se vislumbra no presente caso. Alega que, inobstante a legislação de regência determinar que o produtor rural desprovido de escrituração regular será submetido a tributação via arbitramento no limite máximo de vinte por cento, não se pode confundir os dispositivos legais que regulamentam a matéria, uma vez que o § 2o, do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, em momento algum estabelece que os depósitos tidos como não comprovados, como é o caso dos autos, foram abrangidos ou mencionados pela norma. Nesse sentido, defende que somente os depósitos bancários de origem comprovada podem ser submetidos à tributação específica da atividade rural, com base no arbitramento da receita bruta. Já os depósitos cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, deverão ser tributados normalmente, como simples caso de omissão de rendimentos, conforme circunstanciadamente demonstrado no voto vencido. Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que não se pode admitir a conclusão levada a efeito pela Turma, ao determinar a tributação especial da atividade rural dos depósitos bancários que não tiveram sua origem comprovada pelo recorrido, ao arrepio da lei e das provas carreadas aos autos. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220000.440/2011, às fls. 1.502/1.507. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.511/1.518, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, senão vejamos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...]” Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13555.000232/200637 Acórdão n.º 9202003.554 CSRFT2 Fl. 168 5 Na hipótese dos autos, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar parcialmente a pretensão fiscal, sob alegação de que as pessoas físicas que exercem exclusivamente atividades rurais se submetem à tributação específica e diferenciada, razão pela qual o Acórdão guerreado alterou a base de cálculo do tributo devido, limitandoa a 20 % (vinte por cento) da omissão apurada, nos termos do artigo 5º da Lei nº 8.023/1990, in verbis: “Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no ano base. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase.” Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida pelo Acórdão nº 10246.647, bem como os preceitos contidos no artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96, o qual determina que somente nos casos de comprovação da origem dos depósitos bancários é que poderá ser levada a efeito tributação específica contemplada na legislação de regência vigente à época da ocorrência do fato gerador. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Destarte, consoante se infere do dispositivo legal supra (artigo 5º da Lei nº 8.023/1990), os contribuintes que comprovam exercerem exclusivamente a atividade de produtor rural, estão sujeitos à tributação específica, a qual determina que inexistindo escrituração regular, será procedido arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Tratase, em verdade, de legislação específica para os contribuintes que desenvolvem exclusivamente atividades rurais, vigentes à época do lançamento, e preexistente em relação ao artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, impondo, por conseguinte, à sua aplicação, independentemente da comprovação da origem dos valores tributados, para efeito do afastamento da omissão apurada por presunção legal. Como se verifica, o Acórdão recorrido não rechaçou a tributação das importâncias que transitaram nas contas bancárias do contribuinte, como omissão de rendimentos, mas tão somente impôs à observância ao limite máximo de 20 % (vinte por cento), reduzindo a base de cálculo àquele percentual, nos precisos termos do artigo 5o da Lei nº 8.023/1990, uma vez que o autuado se enquadra perfeitamente na hipótese contemplada naquele dispositivo legal. Com efeito, da simples análise dos documentos trazidos à colação pelo contribuinte, especialmente Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física, às fls. 23/47, demonstram cabalmente que sua fonte de renda declarada decorre exclusivamente das atividades rurais que desenvolve, com exceção dos rendimentos de aplicação financeira. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Na esteira desse entendimento, tornase inviável a tributação da totalidade dos depósitos realizados em suas contas bancárias como omissão de rendimentos relativa à outra atividade desenvolvida pelo contribuinte afora a de produtor rural, a qual goza de tributação mais favorecida, em face de suas nuances. Nesse sentido, peço vênia para me reportar aos termos do Acórdão nº 104 22.880, exarado nos autos do processo nº 1540.001336/200397, da lavra do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, o qual dissertou com muita propriedade a respeito da matéria, in verbis: “ [...] Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao principio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. Matéria já enfrentada pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na Sessão de julgamento de 13 de dezembro de 2006, conforme Acórdão n° CSRF/0400.487, tendo como redator do voto vencedor o Ilustre Conselheiro Remis Almeida Estol, ao qual peço permissão para adotálo na íntegra, verbis: [...]” Extraise do Acórdão encimado, que aquele Colegiado, ao reduzir a base de cálculo a 20% (vinte por cento), não afrontou os preceitos do artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96, ao contrário do que sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional. Na verdade, procurou o julgador guerreado compatibilizar àquele dispositivo legal com a legislação específica referente aos contribuintes que exercem unicamente atividades rurais, que em razão Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13555.000232/200637 Acórdão n.º 9202003.554 CSRFT2 Fl. 169 7 de suas peculiaridades limita a apuração por arbitramento da receita bruta ao percentual de 20%, quando inexistir escrituração contábil regular, em observância ao regime de tributação especial daqueles contribuintes. A jurisprudência deste Egrégio Colegiado não discrepa desse entendimento, como se constata dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei nº. 8.023, de 1990, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Recurso especial parcialmente provido.” (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Recurso nº 106135.060 – Acórdão nº CSRF/0400.468, Sessão de 13/12/2006) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990. Recurso especial negado.” (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Recurso nº 104142.038 – Acórdão nº CSRF/0400.801, Sessão de 03/03/2008) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM ATIVIDADE RURAL O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, é incompatível com o reconhecimento, por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese, eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação específica da atividade rural. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso provido.” (4a Câmara do 1o Conselho – Recurso nº 153.295 – Acórdão nº 10423.376, Sessão de 07/08/2008) Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 No presente caso, como acima alinhavado, não se cogita em contrariedade à lei (artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96), na forma que pretende fazer crer a Fazenda Nacional, mas tão somente compatibilização da apuração de omissão de rendimentos (exclusivos da atividade rural) com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com o regime de tributação especial dos produtores rurais, na forma prescrita pelo artigo 5º da Lei nº 8.023/1990. Não se pode confundir regime de tributação com a forma de apuração do crédito tributário. In casu, o regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, conquanto que seus rendimentos sejam exclusivos dessa atividade, impõe à observância aos ditames do regramento específico (artigo 5o da Lei nº 8.023/90), devendo a apuração de rendimentos – ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 – obedecer àquele regime especial, de maneira a manter a autuação, limitando, porém, a base de calculo a 20 % (vinte por cento) da omissão apontada. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722016/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício, não há que se falar em nulidade do lançamento.
INTIMAÇÃO FISCAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO.
Em relação à documentação apresentada pelo contribuinte, em atendimento a intimação efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor, descabe a alegação de quebra do sigilo bancário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS. NÃO JUSTIFICADO,
O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida.
MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICAÇÃO.
Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte usou intencionalmente de informação falsa e montou operações fictícias para acobertar os rendimentos omitidos sujeitos à tributação.
Numero da decisão: 2201-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOSO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício, não há que se falar em nulidade do lançamento. INTIMAÇÃO FISCAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. Em relação à documentação apresentada pelo contribuinte, em atendimento a intimação efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor, descabe a alegação de quebra do sigilo bancário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS. NÃO JUSTIFICADO, O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 20 16 /2 01 2- 05 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Aplicase a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte usou intencionalmente de informação falsa e montou operações fictícias para acobertar os rendimentos omitidos sujeitos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOSO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 113 a 122), exercício 2009, no qual se apurou R$ 875.886,60 de imposto por omissão de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas e jurídicas, com a aplicação de multa de 75% e Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD), com multa de 150%. No curso da ação fiscal, o contribuinte informou contratos de mútuo firmados com o Francisco Wisintainer, Nelson D’Arrigo, Ruy Reinert Júnior e Oscar de Azevedo, totalizando R$ 3.229.284,07, apresentando cópias referentes aos três primeiros. Posteriormente, intimado pela fiscalização para esclarecer a finalidade dos contratos de mútuos e para apresentar a comprovação da transferência bancária ou outro documento hábil idôneo, o contribuinte informou que os contratos serviam para comprovar a origem dos depósitos em VGBL no Bradesco Vida e Previdência S/A. Na ocasião, apresentou uma nota promissória emitida em 18 de dezembro de 2008 em favor de Oscar de Azevedo no lugar do contrato de mútuo faltante e declarou que os repasses foram feitos em espécie, motivo pelo qual não haveria documento comprobatório além dos já apresentados à fiscalização. Com o objetivo de convalidar as informações, foram realizadas diligências junto aos mutuantes. A fiscalização concluiu que além da necessidade de constar nas Declarações do IRPF do mutuário e dos mutuantes, o que no presente caso não se configurou plenamente, seria indispensável que o contrato de mútuo estivesse devidamente registrado, e que houvesse capacidade econômica e financeira do credor, na data do empréstimo, além da obrigatória comprovação da saída do numerário do patrimônio do credor e o respectivo ingresso no patrimônio do devedor. Essa comprovação, para que surtisse efeito, deveria ser feita por meio de documentação hábil, coincidente em datas e valores, e os elementos enumerados deveriam conferir veracidade aos contratos de mútuo. A Fiscalização destacou no Termo de Verificação que o contribuinte não declarou em sua DAA 2009 os aportes realizados em seu nome junto à instituição Bradesco Vida e Previdência S/A, no anocalendário 2008, nem os supostos contratos de mútuo na ficha Dívidas e Ônus Reais ou da nota promissória. Também, que os supostos mutuantes, nem o favorecido pela emissão da nota promissória, declararam em suas DAA's 2009 a existência de créditos junto a Cláudio Muraro nos montantes indicados; que não foi provada a efetiva saída do numerário do patrimônio dos credores e o coincidente ingresso no patrimônio do devedor; que os mutuantes, no anocalendário 2008, não teriam condições econômicas para os citados empréstimos; e que os contratos de mútuo não se revestiam de formalidades legais extrínsecas para serem considerados válidos perante terceiros, pois hes faltava o registro público. Os rendimentos de aluguéis, recebidos da pessoa jurídica Art Lustre Comércio e Iluminação Ltda. e da pessoa física Gilsee Ivan Régis Filho, não foram declarados na DAA 2009, motivo pelo qual foram lançados como omissão de rendimentos tributáveis. A qualificação da multa para o APD foi justificada pela autoridade fiscal em função simulação da origem dos recursos para os depósitos feitos pelo contribuinte em VGBL, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 junto ao Bradesco Vida e Previdência S/A, sendo tipificado nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964. Cientificado da autuação, o contribuinte impugnou o lançamento. As alegações de defesa foram assim resumidas no relatório da primeira instância: O impugnante entende que o seu direito de defesa foi maculado pela omissão de informações necessárias a elaboração da defesa, bem como a simulação da fiscalização levada a efeito no decorrer do processo administrativo. Relata que consta no Termo de Verificação Fiscal que: “Em virtude de em análises prévias junto aos sistemas informatizados da RFB – Receita Federal do Brasil –, ter se constatado indícios de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e jurídica, bem como omissão de informação de valores aplicados em VGBL junto a Bradesco Vida e Previdência S/A. (destaques pelo Impugnante).” Pergunta: “Mas, em qual documento a fiscalização constatou a omissão de valores aplicados junto ao VGBL do Bradesco, se esse documento não consta dos autos?” Entende que a fiscalização quebrou o sigilo bancário sem o prévio processo, isso porque já no Termo de Início constava a informação acerca do VGBL no Bradesco. A partir da premissa de que a fiscalização lavrou o Auto de Infração com base em documento que não está nos autos, o impugnante apresenta extenso arrazoado (inclusive com citações de entendimentos e transcrições de decisões judiciais e administrativas) sobre a não observância do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, configurando evidente inconstitucionalidade (fls. 168/176). Requer, portanto, o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração em razão de sua insubsistência. A seguir censura a presunção utilizada para lavrar o Auto de Infração, uma vez que a autoridade fiscal deveria descrever a conduta tributável, fazer a sua valoração jurídica e apurar o crédito tributário, eis que o lançamento tem função legal de exigir o pagamento do tributo devido pelo contribuinte e é dotado de força imperativa (art. 142 do CTN). A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe não só alegar, mas, principalmente, produzir provas que criem condições de convicção favoráveis à sua pretensão, devendo triunfar sempre a verdade material. Nas folhas 190 a 198, retorna a defender seu entendimento de que o Auto de Infração trata de meras presunções e por esse motivo deve ser cancelado. Referese que cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, sob pena de se instalar o arbítrio em matéria tributária e ao contribuinte cabe proceder aos devidos lançamentos nos livros fiscais e contábeis dos fatos relativos à sua movimentação empresarial, sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, servindo, à administração fazendária, de elemento de prova das irregularidades tributárias cometidas. Afirma que (fl. 178): “Dos Princípios dos Registros Contábeis extraise a preocupação com os registros escriturais que deverão ter preservados os elementos de comprovação necessários à verificação, não só quanto à precisão como à perfeita compreensão das demonstrações contábeis.” Entende que a Fiscalização, baseada unicamente na presunção de que os contratos de mútuos firmados pelo Impugnante com terceiros não são válidos e na mesma linha o empréstimo recebido via Nota Promissória não é válido, não considerou válidas as informações constantes em contratos e em Declarações de Imposto de Renda. Todos os contratos foram invalidados sem que ao menos uma razão plausível fosse lançada. Afirma que: “Todavia, no afã de lançar o crédito tributário, a Fiscalização apegouse ao fato de que não constava nas declarações os empréstimos firmados. Porém, em momento algum a fiscalização questionou o porquê de não ser relacionado nas respectivas declarações os empréstimos. A questão é muito simples. O Impugnante é sócio da Muraro e Cia Ltda., conforme referido no relatório e termo de arrolamento. Pois bem, referida empresa possuiu elevado passivo tributário, fato que inviabiliza a obtenção de linhas de créditos junto a instituições bancárias. Assim sendo, a proposta do Bradesco foi justamente abrir uma linha de crédito para a empresa na hipótese de ocorrerem aportes financeiros. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 4 5 Considerando esse fato, o Impugnante conseguiu empréstimo junto a pessoas próximas para aplicar em VGBL, condição imposta por esses, para que a empresa pudesse obter linhas de crédito. E assim foi feito. Tanto é assim que a empresa Muraro passou a operar com o Banco Bradesco, conforme documentos em anexo. Importante referir que a aplicação em VGBL e o fato de não constar na Declaração de Renda tinha exatamente o fim de não expor crédito que não era e não é de sua propriedade. Todavia, conforme referido, somente a presunção legal não é elemento suficiente para caracterizar a imputação da penalidade e, as discrepâncias apontadas entre os valores informados pelos mutuários em suas declarações no código do bem 51 créditos decorrentes de empréstimos e em alguns casos parte dos valores em outros códigos, 63 – moeda em espécie e 99 – outros bens e direitos, não declarando a quem disponibilizou tais valores são informações passíveis de correção, por tratarse tão somente de erro formal de preenchimento de declaração, o que não invalida a efetiva disponibilidade dos mutuantes para conceder tais empréstimos. Ou seja, o crédito efetivamente existe apenas a referência que não está de acordo com o entendimento da Fiscalização. Com efeito, todas as operações efetuadas entre os mutuários e o Impugnante aconteceram em dinheiro, portanto, de impossível comprovação da entrega destes recursos em determinada época. Ou seja, exige a fiscalização a prova diabólica. É a chamada prova impossível ou excessivamente difícil de ser produzida, como a prova de fato negativo. A prova diabólica existe muito na prática e fez a doutrina do ônus da prova ser repensada.” A partir daí, passa a discorrer sobre a questão do ônus da prova (fls. 181/183) para concluir que a fiscalização exige uma prova impossível. Afirma (fl. 183) que: “Na verdade o critério utilizado para lançar são os valores e não a existência ou não de contratos. Isso porque o Impugnante tinha lançado em sua declaração empréstimo de R$ 10.000,00, sem contrato de mútuo. Todavia, sobre esses valores a fiscalização nada questiona, por isso que se afirma que a fiscalização apegouse tão somente aos valores envolvidos e não na existência de elementos comprobatórios ou não do crédito e do débito. Ora, se a Fiscalização não reconhece os empréstimos significa dizer que entende ou insinua que a origem dos depósitos decorre de fatos ilícitos, vez que está comprovado que o Impugnante não possui renda suficiente a justificar tal acréscimo patrimonial.” E mais adiante (fl. 184): “Mas se assim fosse, como alegado pelo Fisco, que não é, ainda assim não haveria tributação. É ilegal a tributação de fatos ilícitos.” A seguir passa a apreciar a questão da tributação frente a atos ilícitos (fls. 184/198). A partir da folha 199 a 205, defende, em extenso arrazoado, que houve ilegal quebra de sigilo bancário, pois, havendo indícios de sonegação, a Administração deve, necessariamente, recorrer ao Poder Judiciário, e as autuações fiscais resultantes da utilização de dados bancários sem ordem judicial, poderão ser questionadas. No caso em tela a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a existência de processo administrativo e, por óbvio, sem ordem judicial. Quanto à imposição da multa em 150% sobre o valor do imposto, entende que não estão presentes elementos a justificar tal graduação e que além de indevida, tem nítido efeito confiscatório, vedado pelo artigo 150, inciso VI, da Constituição Federal. Portanto, ausente procedimento fraudulento ou qualquer espécie de conluio, segundo o Supremo Tribunal Federal, descabe a multa imposta, ainda mais no percentual draconiano de 150%. Nenhum documento de prova foi anexado à peça impugnatória. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre (RS), por unanimidade de votos, considerou o lançamento procedente. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Cientificado em 11 de março de 2013 (fls. 262), o contribuinte apresentou o recurso voluntário no dia 8 de abril, no qual repete os argumentos de defesa da impugnação, acrescentando o pedido de nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação. Nesse ponto, alega que se trata de uma decisão genérica. Nela, a questão da quebra do sigilo bancário não teria sido tratada de acordo com a realidade dos autos, pois essa quebra teria ocorrido em momento prévio à abertura de qualquer procedimento, e não no decorrer do processo, como informado na decisão. E, sendo matéria de mérito, requer a reforma da decisão recorrida com a devolução dos autos à primeira instância sob pena de afronta ao princípio do devido processo legal. Na impossibilidade disso, requer a extinção do auto de infração ou, alternativamente, a redução da multa aplicada. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e analiso os pontos questionados, a saber: (a) nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de matéria; (b) quebra ilegal do sigilo bancário; (c) nulidade do auto de infração; (d) lançamento baseado em presunção; e (e) aplicação da multa de ofício qualificada. O crédito objeto do litígio está relacionado apenas ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, já que a omissão dos rendimentos de aluguéis não foi impugnada. Nulidade da decisão de primeira instância O contribuinte rebate a decisão recorrida pelo fato de não ter enfrentado a questão da quebra do sigilo bancário, solicitando a devolução dos autos à instância a quo sob pena de afronta ao princípio do devido processo legal. Compulsando os autos, constatase que no acórdão da DRJ a referida matéria foi apreciada, entendendo a turma julgadora pela inexistência de nulidade no lançamento por quebra indevida do sigilo bancário, já que os documentos teriam sido apresentados pelo próprio recorrente, conforme se observa na transcrição a seguir: Quanto ao lançamento por variação patrimonial a descoberto e à alegada quebra de sigilo bancário, não assiste razão ao contribuinte uma vez que no Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 18/01/2012, é solicitada uma série de documentos relativos ao anocalendário de 2008, entre eles, no item 7: “Comprovantes de pagamentos efetuados a planos de Previdência Privada (VGBL, PGBL, FAPI,...) em todas as instituições financeiras que mantiver conta, dentre outras o Banco Bradesco S/A.” Em atendimento à intimação, em 09/03/2012, o Sr. Cláudio Muraro, apresenta parte dos documentos solicitados, entre eles, o Comprovante de Rendimento emitido por Bradesco Vida e Previdência S/A, CNPJ 51.990.695/000137 (fl. 29) no qual consta saldo, em 31/12/2008, de prêmios acumulados em VGBL no valor de R$ 3.184.000,00 e telas de consulta ao histórico de pagamento do Fundo Gerador de Benefício Individual no valor de R$ 1.550.000,00 com data do pagamento em 23/12/2008 (fl. 30) e no valor de R$ 1.650.000,00 com data de pagamento em 22/12/2008 (fl. 31). Portanto, o Fisco obteve a prova da aplicação financeira em VGBL, no decorrer do procedimento fiscal instaurado pelo por meio do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização 10.1.06.002012000330 de 17/01/2012, solicitada no Termo de Início de Procedimento Fiscal e apresentada pelo próprio contribuinte em resposta à intimação. (grifos do original). Ressaltese que o julgador não está obrigado a responder, uma a uma, às teses levantadas pelas partes, nem a se manifestar, expressamente, sobre todos os dispositivos legais apontados, devendo, apenas, referirse aos princípios e normas que entende ser, direta e necessariamente, aplicáveis ao caso concreto, mormente quando os fundamentos utilizados Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 tenham sido suficientes para embasar a decisão. Esse e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 125, 130, 165 E 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOHOSPITALARES. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. REEXAME PROBATÓRIO. TERMO INICIAL. (...) 1. Inexiste negativa de prestação jurisdicional ou ofensa ao art. 535, tampouco violação aos artigos 125, I, 130, 165, todos do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedentes: REsp n.º 600.218/RJ, Rel Min. José Delgado, DJ de 17/05/2004; e REsp n.º 503.205/SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 29/03/2004. (...)" (REsp 711812/SP, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 04/08/2005) "PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. ART. 485, V, DO CPC. INÉPCIA DA INICIAL. (...) O Juiz não está obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se obriga a aterse aos fundamentos indicados por elas e, tampouco, a responder um a um todos os seus argumentos. (...) Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no AgRg nos EInf na AR 2937/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, J. 25/05/2005) (grifos nossos) Ante ao exposto, não restou demonstrada a alegada omissão, mas sim a intenção, por parte do contribuinte, de ver a sua impugnação reexaminada quanto às razões de decidir, o não seria possível. Nulidade dos autos por quebra ilegal de sigilo bancário O contribuinte discorre sobre a quebra do sigilo bancário, ocorrida com a coleta ilegal das provas que deram origem ao crédito tributário, resultando assim na nulidade do procedimento. Após, longamente discorrer sobre o instituto do sigilo, defende a tese de que Administração deve necessariamente recorrer ao Poder Judiciário nos casos de ações fiscais resultantes da utilização de dados bancários. Ocorre que, pelo que consta dos autos, o comprovante de rendimento da previdência privada do Bradesco Vida e Previdência S/A foi entregue pelo próprio contribuinte, conforme registrado na folha 17, Termo de Recebimento de Documentação. O fato de constar no Termo de Início de Fiscalização, expedido em 18 de janeiro de 2012, a exigência de comprovantes de pagamentos relacionados a planos de previdência privada, inclusive do Banco Bradesco, não implica dizer que houve quebra de sigilo. A questão é muito simples: a Secretaria da Receita Federal do Brasil faz rotineiramente circularizações de informações das pessoas jurídicas, tanto dos pagamentos efetuados por elas, como dos pagamentos realizados a elas. Isso ocorre comumente com as empresas responsáveis, por exemplo, por planos de saúde e previdência privada, cujas transações interferem nas declarações prestadas pelas pessoas físicas, estando as empresas, nas condições em que a legislação especifica, obrigadas a fornecer as informações. A exigência dessa obrigação está consolidada no Regulamento do Imposto de Renda, no art. 927, como se verifica a seguir: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 6 9 Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). § 2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 1º). § 3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 2º). § 4º Na hipótese prevista no parágrafo anterior, a autoridade fiscal competente designará funcionário para colher a informação de que necessitar (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 3º). § 5º Em casos especiais, para controle da arrecadação ou revisão de declaração de rendimentos, poderá o órgão competente exigir informações periódicas, em formulário padronizado (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º, parágrafo único). E essa informação, de interesse fiscal, não está entre as situações abrangidas pelo sigilo bancário, pois não se tem acesso à movimentação financeira do contribuinte, e sim aos pagamentos efetuados ou recebidos por uma determinada empresa ou seguimento econômico. Tanto é que, por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.452, de 21 de fevereiro de 2014, foi regularmente estabelecida a prestação dessas informações (relativas aos recebimentos de contribuições, prêmios e aportes destinados ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e aos pagamentos de resgates aos participantes e beneficiários) à RFB, conforme se observa na citada norma Art. 1º As informações relativas aos recebimentos de contribuições, prêmios e aportes destinados ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e aos pagamentos de resgates aos participantes e beneficiários serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), na forma disciplinada nesta Instrução Normativa. Art. 2º As entidades de previdência complementar, sociedades seguradoras e administradoras de Fundos de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ficam obrigadas a prestar as informações de que trata o art. 1º, até o último dia útil do mês de abril de 2014, em meio digital, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no sítio da RFB, na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. [...] § 3º Para informações referentes aos anoscalendário de 2014 e de anos seguintes, o prazo mencionado no caput será até o último dia útil do mês de março do ano subsequente ao que se referirem as informações. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.509, de 4 de novembro de 2014) (grifos nossos). [...] Essas coleta de informações, seja por solicitação da autoridade fiscal ou por determinação normativa, tem o objetivo de efetuar cruzamentos com os rendimentos declarados pelos contribuintes pessoas físicas e jurídicas. Não custa nada lembrar que todas as Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 pessoas físicas e jurídicas têm seus rendimentos sujeitos à fiscalização pelo fisco. É inimaginável o fisco ser impedido de fiscalizar uma empresa sem verificar as relações comerciais de pagamentos ou recebimentos registrados na contabilidade apenas pelo fato de os fornecedores ou clientes serem pessoas físicas. Assim, pelo que se percebe, não causa estranheza o interesse da RFB, após três anos da data da obrigatoriedade da entrega da DAA pelo contribuinte, em iniciar um procedimento fiscal. Ainda que legalmente permitido, já que a situação em tela aparentemente se enquadraria no inciso I do §2º do art. 3º Decreto nº 3.724, de 2001, com montante transacionado superiores a dez vezes o valor declarado, não houve em momento algum, antes durante ou depois do procedimento, a emissão de Requisição de Movimentação Financeiras às instituições financeiras. Portanto, é completamente desnecessário fazer ponderações sobre a questão do sigilo bancário, por ser matéria estranha aos autos. A prestação de informações pelo contribuinte por meio das Declarações de Ajuste Anual ou em atendimento à intimação fiscal ou das fontes pagadoras por meio das DIRF ou das circularizações de pagamentos ou recebimentos efetuadas pelo fisco não implica, como pretende o contribuinte, quebra de sigilo fiscal. Nulidade do auto de infração O recorrente argui que o direito de defesa teria sido maculado pela omissão de informações. Novamente questiona o fato de como o fisco teria tomado conhecimento dos valores aplicados em VGBL no Bradesco Vida e Previdência S/A, querendo induzir que teria havia quebra do sigilo bancário antes do início do processo administrativo. Mais, uma vez, repetindo a questão, não cabe ao fisco informar nos autos toda a origem das informações constante em banco de dados da RFB decorrente do processo sistemático de sua alimentação. Essas informações oriundas de declarações obrigatórias e circularizações de informações e pagamentos formam o conjunto de indícios para a investigação das pessoas físicas e jurídicas. Aliás, na fase investigatória não cabe a participação do(s) contribuinte(s), limitandose as pessoas físicas e jurídicas a fornecer as informações, quando requisitadas pela autoridade fiscal ou determinadas por meio de ato normativo, pois nesse momento inexiste contraditório. O direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, ou seja, da fase litigiosa do procedimento fiscal, conforme dispõe o 14 do Decreto nº 70.235/1972. Esclarecimentos quanto às informações requisitadas ou aos documentos juntados, quando necessários, até podem ocorrer no curso da ação fiscal. Caso não sejam necessários tais esclarecimentos, dispondo a autoridade lançadora de todos os elementos necessários e entender dispensável a intimação, o lançamento pode ocorrer sem a ciência prévia. Por esse motivo é que somente podese falar em contencioso administrativo com a apresentação da impugnação. É nessa fase que o contribuinte tem acesso a integralidade dos autos e formaliza suas contestações e apresenta os elementos de prova para sua defesa. Assim, a tese da nulidade quando ao uso indevido de provas inidôneas obtidas sem a determinação judicial é desprovida de sustentação. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 7 11 Ao contrário do que entende o recorrente, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 (com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993), que assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Também, não se encontram presentes nos autos aspectos que implicam nulidade, dispostos nos arts. 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235/1972, por isso não cabem os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal, pois não há nele qualquer vício que comprometa a validade do lançamento. Assim sendo, considerando que os autos contêm a descrição detalhada do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o fundamento legal, a identificação da matéria e do sujeito passivo, bem como estão presentes todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, e que ao contribuinte foi possibilitado a defesa por meio da impugnação e do recurso, não há que se falar em nulidade do lançamento. Presunção para o lançamento O contribuinte argui a fragilidade do lançamento por estar baseado em presunção, não tendo sido utilizados os meios adequados para a apuração do eventual crédito tributário, já que o ônus da prova caberia à administração tributária. Nesse sentido, o lançamento estaria baseado unicamente na presunção de que os contratos de mútuos firmados pelo recorrente com terceiros, bem como a nota promissória, não seriam válidos. Justifica que a operação seria uma manobra para viabilizar a obtenção de créditos da empresa Muraro e Cia Ltda., do qual o recorrente é sócio, diante “do elevado passivo tributário” da pessoa jurídica. Assim, teria conseguido recurso de terceiros para fazer um aporte em VGBL na conta da pessoa física, atendendo condição imposta pela instituição financeira. Por essa razão os empréstimos não estavam registrados nas declarações das partes. Justifica também que as operações eram realizados em dinheiro em espécie, por pessoas de confiança, sendo impossível apresentar a comprovação da entrega dos recursos. E, se a fiscalização não reconhece os contratos, insinua ou entende que tais recursos teriam origem em fatos ilícitos. E, neste caso, citando uma ampla doutrina, diz que seria ilegal a tributação dos atos ilícitos. Entretanto, não foi aventada pela fiscalização ou pelo recorrente qualquer ilicitude como as citadas no recurso voluntário. Apenas foi apurada a omissão de rendimentos em função da aplicação de recursos superiores aos valores informados na Declaração de Ajuste Anual do ano 2008, demonstrada na evolução que resultou no Acréscimo Patrimonial a descoberto. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 Dito isso, vejamos dois pontos. A legalidade do lançamento com base no acréscimo patrimonial a descoberto e as provas apresentadas pelo recorrente. No que diz respeito ao acréscimo patrimonial a descoberto, quando verificado, demonstra a ocorrência da omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, já que, uma vez comprovada pelo contribuinte a efetividade dos rendimentos, restará afastada a presunção. Na forma do Art. 37 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/1999), constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. E, nos termos do 1º, § 2º, constatada a omissão, será devido o imposto à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Dispõe o § 4º do art. 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. O fisco, por sua vez, pode exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem e destino de recursos, conforme expresso no RIR/1999: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Na documentação apresentada pelo contribuinte, em atendimento à intimação fiscal, consta o Comprovante de Rendimento emitido por Bradesco Vida e Previdência S/A. (fl. 29), o qual registra o saldo de prêmios acumulados em VGBL em 31 de dezembro de 2008 de R$ 3.184.000,00, cujos depósitos ocorreram nos dias 22 e 23 de dezembro, nos valores, respectivamente, de R$ 1.650.000,00 e R$ 1.550.000,00 (fls. 30 e 31). Porém, tais valores são incompatíveis com os informados na declaração de rendimento entregue à RFB pelo recorrente. Ocorre que, diante do indício de patrimônio a descoberto, caberia ao contribuinte provar a inocorrência do fato ou justificar a sua existência, o que não ocorreu. Inicialmente buscou acobertar a operação por meio de contratos de mútuos e depois, na impugnação e no recurso, com a argumentação de que a não aceitação de tais contratos implicaria ilicitudes dos fatos e, por conseguinte, ilegalidade da tributação. Conforme prevê o artigo 333 do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O ônus de provar, por sua vez, implica trazer elementos que não deixem dúvidas quanto ao fato questionado. Logo, caberia apenas ao sujeito passivo, e não ao fisco, obter provas da inexistência do acréscimo patrimonial. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 8 13 O contribuinte apresentou três contratos de mútuos e uma duplicata informado que o valor aplicado seria proveniente de empréstimos obtidos juntos aos senhores Francisco Wisintainer, Nelson D’Arrigo, Ruy Reinert Júnior e Oscar de Azevedo, totalizando R$ 3.229.284,07. A autoridade fiscal, pela fragilidade da documentação apresentada como prova dos recursos, promoveu diligências e intimou os supostos mutuantes, chegando às seguintes conclusões: a) as dívidas não estavam declaradas pelo contribuinte na DAA 2009, apesar de constar outra bem menor, de R$ 10.000,00 com o senhor João Batista de Jesus; b) o contribuinte ou os supostos mutuantes não apresentaram provas de entrega dos numerários, apesar de significativo valor, restringindose a informar que as transações se deram em espécie; c) Os mutuantes não teriam origens de recursos suficientes para o suposto aporte no ano 2008; d) Os valores quando declarados pelos mutuantes são genéricos e incompatíveis com o supostamente emprestados no anocalendário, sequer havendo recursos em espécie declarados ou saques em contas para fazer face aos montantes emprestados; e) Parte dos valores informados nas declarações dos mutuantes já estava, integralmente ou parcialmente, declarados em 31 de dezembro de 2007 e, ainda, nas suas discrições mencionam notas promissórias e cheques pré datados, o que contraria a versão de repasse em espécie; f) Diferentemente dos registros dos supostos contratos de mútuos, que não são individualizados pelo devedor na declaração dos mutuantes, outros direitos de valor bastante inferior estão individualizados por devedor; g) Os contratos não foram registrados ou reconhecidos à época, mesmo sendo de expressivos valores; Assim, verificase nos autos que, ao contrário da alegação da parte recorrente, a não aceitação pelo fisco foi amplamente justificada, estando evidenciado que a autoridade fiscal se empenhou bastante para apurar a verdade material dos fatos, analisando todos os documentos apresentados pelo contribuinte e diligenciando junto às pessoas citadas como supostos mutuantes. Observase que o contribuinte ficou no abstrato terreno das alegações sem provas, apesar de ter sido intimado e reintimado a prestar esclarecimentos. Não foram apontadas quaisquer outras fontes de recursos, nem ressaltada a existência de erros no demonstrativo elaborado pela fiscalização. Assim, as alegações trazidas pelo recorrente não foram suficientes no sentido de cancelar o lançamento tributário efetuado dentro dos ditames legais que cercam a matéria. Por esse motivo, correto o procedimento que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 Multa de ofício A multa de ofício está fundamentada no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, que há época do lançamento, assim como atualmente com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, era de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou diferença do imposto lançado. Isso não significa confisco, como indica o recorrente. Como a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não pode se furtar em aplicar a lei. Alterar a alíquota da multa ou afastar a sua aplicação, invocando o principio do não confisco, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros. Ademais, a questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto á qualificação, após analise dos autos, chegase a conclusão que o contribuinte, não tendo como comprovar os rendimentos aplicados no plano de previdência privada, simulou operações com o objetivo de impedir o conhecimento dos fatos por parte do Fisco. Nessa simulação foram claramente envolvidos supostos mutuantes que não teriam disponibilidades financeiras no montante das operações indicadas. Assim, o que se vê não é uma mera omissão, erro ou equivoco do declarante, de direito ou de fato, que possa gerar dúvidas quanto à intencionalidade da operação, mas uma manobra detalhadamente planejada, como ele mesmo insinua ao dizer que seria uma ação para contornar a situação de “elevado passivo tributário” da sua empresa, cuja real intenção era esquivarse do pagamento do tributo devido. Portanto, não havendo dúvidas quanto à qualificação, deve ser mantida a multa de ofício à alíquota de 150%. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 16682.720731/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2010
VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA.
A Cofins incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA.
A Contribuição para o PIS incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A exigência de juros de mora sobre multa de ofício ocorre quando não é ele recolhido no prazo estabelecido para pagamento a partir da condição da definitividade do crédito tributário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual.
Numero da decisão: 3401-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator) quanto à exigência sobre resseguro e comissões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o Acórdão.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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INCIDÊNCIA. A Cofins incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 31 /2 01 2- 25 Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A exigência de juros de mora sobre multa de ofício ocorre quando não é ele recolhido no prazo estabelecido para pagamento a partir da condição da definitividade do crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator) quanto à exigência sobre resseguro e comissões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o Acórdão. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Robson José Bayerl Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuida este processo de Autos de Infração lavrados para constituir e exigir crédito tributário de PIS e de COFINS em decorrência da falta de recolhimento dessas contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 01/07/2007 a 30/06/2010. A autoridade fiscal identificou os seguintes fatos que considerou infrações: Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 3 3 · exclusão, pelo contribuinte, das bases de cálculo do PIS e da COFINS, dos rendimentos relativos a atualizações monetárias de depósitos judiciais; os rendimentos foram contabilizados nas contas integrantes do grupo RECEITAS FINANCEIRAS361 : CONTA 3619450010000 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA TRABALHISTA; CONTA 3619450020000 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA CIVIL; CONTA 3619450030000 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA FISCAL; a autoridade fiscal entende indevidas essas exclusões pois: (a) durante tal período encontravase em plena vigência o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, que expressamente determinava que a contribuição para o PIS e a COFINS deveriam incidir sobre “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”; (b) além disso, da base de cálculo do PIS e da COFINS somente era possível deduzir as exclusões também expressamente previstas legalmente art. 1º, IV, da Lei n° 9.701/1998 e § 5º do art. 3º da Lei n° 9.718/1998 dentre as quais não se inserem as RECEITAS FINANCEIRAS RELATIVAS À ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE VALORES REGISTRADOS NO ATIVO; (c) mas, em relação à competência maio/2009, considerando que a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 (publicada no D.O.U. de 28 de maio de 2009), que revogou o § 1º, do art. 3º da Lei n° 9.718/1998, entrou em vigor na data de sua publicação, os montantes das exclusões indevidamente efetivadas, relativas às atualizações monetárias de depósitos judiciais escriturados nas contas 361945002000 e 3619450030000, devem corresponder a 27/31 (vinte sete inteiros e trinta e um avos) do total lançado no mês. · Deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores das despesas denominadas pela fiscalizada como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA DIA E NOITE (24 H)", contabilizados nas contas a seguir relacionadas: CONTA 3127100000000 ASSISTÊNCIA 24 HORAS (período de 07/2007 a 09/2007); CONTA 3137100000000 ASSISTÊNCIA 24 HORAS (período de 10/2007 a 06/2010); mas a autoridade lançadora entendeu que elas são deduções indevidas uma vez que os SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA: • NÃO SE CARACTERIZAM COMO OPERAÇÃO SECURITÁRIA; • ESTÃO DISSOCIADOS DA COBERTURA DE SEGUROS; • SÃO ENTENDIDOS COMO DE CARÁTER SUPLEMENTAR E DE SUPORTE AO CONTRATO DE SEGURO; • NÃO ESTÃO VINCULADOS AO INSTITUTO DO SEGURO; • NÃO TÊM CARÁTER INDENITÁRIO; • NÃO ESTÃO PREVISTOS EM NOTA TÉCNICA ATUARIAL • NÃO SE CARACTERIZAM COMO DESPESAS RELATIVAS AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÕES. · falta de recolhimento pela não inclusão nas bases de cálculos da recuperação de despesas de resseguro, no caso o lançamento realizado em 31/05/2010 que apresenta o seguinte descritivo "RL REC. RESSARC. HO", apesar da codificação não ter sido explicada pela fiscalizada, denota a característica de registro de RESSARCIMENTO. RESSARCIMENTO é a compensação ou devolução de uma despesa ou de um prejuízo causado anteriormente. essa não inclusão foi indevida porque os valores ressarcidos, a título de recuperação de despesas, deverão integrar a base de cálculo da Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Contribuição para o PIS e da COFINS, pois não estão relacionados entre as exclusões legalmente permitidas, indicadas no art. 28, inciso IV, da IN SRF n° 247/2002; · falta de recolhimento do PIS e da COFINS correspondente à falta de inclusão nas bases de cálculo das comissões sobre prêmios cancelados e restituídos. A autoridade lançadora entende que, "na ocorrência de Cancelamento das Apólices ou Restituição dos Prêmios, conforme preceituado no art. 21 da CIRCULAR SUSEP n° 127/2000; os valores devolvidos ou restituídos pelas corretoras (Pessoas Jurídicas) e corretores (Pessoas Físicas) constituemse em RECUPERAÇÃO DE DESPESAS, com a consequente natureza de RECEITAS, devendo, portanto integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS"; A contribuinte impugnou o lançamento argumentando a legalidade e a correção de seus procedimentos questionados pela autoridade fiscal, o não cabimento da exigência de juros sobre multa e a ilegalidade da taxa selic sobre juros de mora. A Respeitável 16ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJRJ1 apreciou os auto de infração, a impugnação e demais documentos que instruem o processo, e, ao final, concluiu por considerar a impugnação improcedente e manter integralmente o crédito tributário exigido. O Acórdão n. 1257.951, de 18/07/2013, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2010 VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. A Cofins incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo irrelevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA. DESPESA INDEDUTÍVEL. Os valores pagos pela seguradora às empresas por ela contratadas para prestar serviços de assistência aos seus segurados constituem despesas da seguradora com a prestação de serviços de assistência por outra pessoa jurídica aos seus segurados, serviços esses por ela oferecidos como complemento do contrato de seguro. Tais despesas não se incluem na hipótese de dedução prevista no artigo 3°, § 6°, II, da Lei n° 9.718/98, já que não se referem a indenizações pagas a seus segurados em virtude da ocorrência dos sinistros previstos no contrato de seguro. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos representam recuperações de despesas, cuja natureza é de receita operacional. Por ser receita oriunda da atividade da empresa deve ser oferecida à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, independentemente da aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2010 VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo irrelevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA. DESPESA INDEDUTÍVEL. Os valores pagos pela seguradora às empresas por ela contratadas para prestar serviços de assistência aos seus segurados constituem despesas da seguradora com a prestação de Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 4 5 serviços de assistência por outra pessoa jurídica aos seus segurados, serviços esses por ela oferecidos como complemento do contrato de seguro. Tais despesas não se incluem na hipótese de dedução prevista no artigo 3°, § 6°, II, da Lei n° 9.718/98, já que não se referem a indenizações pagas a seus segurados em virtude da ocorrência dos sinistros previstos no contrato de seguro. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos representam recuperações de despesas cuja natureza é de receita operacional. Por ser receita oriunda da atividade da empresa deve ser oferecida à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, independentemente da aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2010 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A autoridade julgadora não deve se manifestar acerca da incidência de juros sobre multa de ofício, uma vez que tais valores não integram o crédito tributário lançado, tratandose de aspecto concernente à sua cobrança. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte ingressou com recurso voluntário autenticado em 14/10/2013 e nele apresenta as razões por que entende deva ser o auto de infração e o acórdão de primeiro grau revistos integralmente e o crédito tributário extinto. São elas, em breve resumo: · com relação à suposta infração de não incluir na base de cálculo das contribuições a atualização monetária de depósitos judiciais deve ser julgado improcedente o lançamento porque (a) ele se fundamentou no § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 declarado inconstitucional pelo E. STF no julgamento dos Recursos Extraordinários de n° 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840, entendimento que também foi adotado pelo mesmo Tribunal no Recurso Extraordinário n° 582.235, em regime de repercussão geral, motivo pelo qual vem a jurisprudência administrativa aplicando tal entendimento aos processos que lhe são submetidos; (b) ele se refere a eventual receita que somente existirá se e quando transitar em julgado decisão final favorável à contribuinte. · não procede a decisão da DRJ não conhecer a impugnação na parte referente à argüição de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, na alegação de que haveria concomitância com a ação ordinária n.º 2008.51.01.0218874, pois nessa ação se discute repetição de indébito relativo a pagamentos indevidos de PIS e de COFINS, logo não há concomitância. · com relação à suposta infração pelas exclusões das despesas com assistência dia e noite (24 horas das bases de cálculo deve ser julgado improcedente o lançamento porque elas foram legítimas. O artigo 3°, § 6°, II, da Lei n° 9.718/98, ao prever a exclusão do "valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos" e não do "valor das indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos", assim o faz justamente para não restringir a dedutibilidade ao valor das indenizações em sentido Fl. 8481DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 estrito, permitindo assim a dedução de despesas que sejam intrinsecamente vinculadas ao contrato de seguro. · com relação à suposta infração da não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores de comissão de prêmios devolvidos e cancelados deve ser julgado improcedente o lançamento porque (a) a exclusão em questão está expressamente prevista na legislação tributária, a saber: Lei nº 9701/98, art. 1º, IV, “b”; Lei nº 9718/98, art. 3º, § 5º; e IN SRF nº 247/2002, art. 28, II, onde consta a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos ''cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados"; (b) se há recuperação de despesas com os seguros cancelados ou restituídos, recuperação de despesas não é receita, e a pretensão de incluíla nas bases de cálculos do PIS e da COFINS afronta declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n, 9.718, de 1998, além dela não se inserir no conceito que as contribuições incidem sobre a venda de mercadorias e serviços (e recuperação de despesas não é nenhum dos dois); (c) as comissões não são receitas, mas meros ingressos de repasse entre segurado e corretor, não havendo composição com a base. · com relação à suposta infração da não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores de recuperação de despesas de resseguro deve ser julgado improcedente o lançamento porque não há que se falar na necessidade de que a recuperação de despesas esteja relacionada "entre as exclusões legalmente permitidas, indicadas no art. 28, inciso IV, da IN SRF n° 247/2002", já que a recuperação de despesa não é incluída na base de cálculo por não configurar receita, por não se tratar de riqueza nova, consistindo em mera recuperação patrimonial da Impugnante, como já visto anteriormente; e também por que ela não é receita da venda de mercadoria ou serviço, só podendo, assim, ser exigida se considerado o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS trazido pelo § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, que, como já visto, foi julgado inconstitucional pelo E. STF e não pode figurar como fundamento de validade dos lançamentos. o com relação à suposta infração da não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores recebidos pela seguradora a título de prêmio deve ser julgado improcedente o lançamento porque a análise da legislação reguladora da Contribuição para o PIS e da COFINS até a atual Lei nº 9.718/98, editada antes do advento da EC 20/98, com fundamento no artigo 195, I, da CF/88 na sua redação original, evidencia que essas exações sempre incidiram sobre receitas específicas e determinadas — decorrentes da venda de mercadorias, mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza que compõem o faturamento; e os prêmios não decorrem da venda de mercadorias (pois seguros não são mercadorias), nem da venda de serviços (pois seguros não envolvem qualquer obrigação de fazer), mas tão somente da assunção do risco do segurado quanto à ocorrência futura e incerta de um sinistro ou evento, razão pela qual o premio pago pelo segurado à seguradora em troca dessa assunção de risco não se insere no faturamento, que, como vimos, deve ser entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigir PIS e COFINS no caso concreto. o que não cabe a exigência de juros de mora sobre multa de ofício por que a única interpretação possível do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo está a disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. o há ilegalidade na utilização da taxa SELIC como juros de mora pois, no caso presente, eles jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida pela ilustre Fl. 8482DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 5 7 autoridade fiscal, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. Em 29 de novembro o contribuinte desiste de parte do seu recurso, conforme expediente de fls. 8420, no que se refere à infração pela exclusão das bases de cálculos do PIS e da COFINS das despesas com assistência dia e noite (24 horas), mas mantendo com relação às demais que constituem as autuações. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Relator Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, entendo o que já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § 1º, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Entretanto, essa declaração de inconstitucionalidade, face a diversidade de atividades das pessoas jurídicas, não definiu quais cujas receitas dela decorrentes estão incluídas ou não nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Tanto é assim, que, à Suprema Corte têm sido endereçados novos pedidos, questionamentos e argumentações para se obter o esclarecimento pacificador para se saber que receitas são as que devem ser tributadas. Portanto, afirmar que o § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, é inconstitucional não supre a demanda por estabelecer o significado do texto que descreve a hipótese de incidência. E, a meu ver, este é o caso das seguradoras, e das receitas provenientes da recuperação de despesas de resseguro, das comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, das variações monetárias de depósitos judiciais. O contribuinte ingressou com a ação judicial para obter (a) declaração de inexistência de relação jurídica ao recolhimento do PIS e da COFINS nas competências de Fl. 8483DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 janeiro/2006 a agosto/2008 com base no § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; (b) reconhecer como indevidos os pagamentos realizados a este título cuja receita computada nas bases de cálculo não seja exclusivamente proveniente de venda de mercadoria e prestação de serviços, estando fora desse conceito os prêmios de seguro, receitas financeiras, juros sobre capital próprio, dividendos, etc. Como se vê, o objeto da ação judicial se restringe a um período determinado, e tem por finalidade última que seja reconhecido ter havido pagamento a maior que o devido dessas contribuições nesse período, o que difere do objeto deste processo administrativo. Com relação à discussão da incidência do PIS e da COFINS sobre atualização monetária de depósitos judiciais: por conflitar com a declaração de inconstitucionalidade, entendo que não pode ser mantido o lançamento desses tributos cuja motivação e fundamentação legal tenha sido exclusiva e exatamente o teor desse § 1º do art. 3º, qual seja, "a totalidade das receitas auferidas pelas pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Este é o caso do lançamento com relação a essa infração (a não inclusão nas bases de cálculo das atualizações monetárias dos depósitos judiciais). Por isso, proponho que seja dado provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Além disso, a meu ver, a atualização monetária dos depósitos judiciais, quando seguir regime específico dependente e vinculado à decisão futura da autoridade judicial, pode ser considerado como passível de inclusão na base de cálculo de exação tributária, se assim dispuser a legislação própria, quando se der a decisão que justifica a liberação do depósito para que o valor dele decorrente possa vir a integrar de pleno direito o patrimônio do depositante e possa dele dispor como lhe aprouver, e serem assim consideradas como realmente auferidas. E não vejo conflito desse entendimento com o firmado no Ato Declaratório SRF n. 73/1999, pois esse não propõe proceder divergente para a especificidade do regime dos depósitos em autos dependentes de decisão judicial, inclusive por que tenho que depósito judicial nessa condição não se trata de direito de crédito ou de obrigação do contribuinte. Com relação ao questionamento de que os valores de recuperação de despesas de resseguro e os valores das comissão sobre prêmios cancelados e restituídos não integrariam a base de cálculo do PIS e da COFINS, creio que razão não assiste à recorrente. Até onde posso vislumbrar: (1º) a restituição à seguradora da comissão que havia sido inicialmente registrada na contabilidade como despesa motivada pelo cancelamento ou pela devolução de prêmio é recuperação de despesa e ela adquire natureza de receita para fins da incidência e apuração do PIS e da COFINS; (2º) o valor de recuperação de despesas de resseguro ingressa no patrimônio da contribuinte e está relacionada à atividade de operações de seguro atividades características do empreendimento e objeto social do contribuinte e , portanto, é receita que deve compor a base de cálculo para fins de determinação do PIS e da COFINS. A meu ver, não procede a argumentação que a inclusão das recuperações de despesas de resseguro e das comissões sobre prêmios cancelados e restituídos seria o entendimento de que "toda e qualquer receita independente da classificação contábil", ou seja, o do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, já declarado inconstitucional, e seria mais um caso de submissão ao indigitado alargamento da base de tributação. Ao contrário, essas inclusões na base de tributação é proceder necessário, afinal, o prêmio havia sido incluído nas bases e a comissão correspondente tratada como despesa. Ocorrendo o cancelamento e a restituição do prêmio e da comissão há que se deduzir Fl. 8484DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 6 9 o valor do prêmio das bases, mas também adicionar a comissão restituída. Raciocínio semelhante com a despesa de resseguro. Corretas as conclusões dos Julgadores a quo nesse particular, que aqui reproduzo para integrar este voto: 62. Também neste aspecto não assiste razão a impugnante. A despesa de comissões integra o resultado operacional da seguradora e está diretamente ligada à receita oriunda da sua atividade que é a receita de prêmio. Os registros contábeis desses valores são efetuados em obediência ao regime de competência, ou seja, na medida em que as receitas são auferidas e as despesas incorridas. No caso de cancelamento e restituições de prêmios, os valores cancelados e restituídos são registrados em contas de despesas específicas, podendo ser estes deduzidos para cômputo da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Simultaneamente, os valores das comissões sobre os prêmios cancelados e restituídos são registrados a crédito em contas específicas retificadoras da conta Despesa de Comissão, e a débito em conta do passivo denominada “Comissão sobre prêmios emitidos”, aumentando o lucro operacional da seguradora ou diminuindo o seu prejuízo, conforme o caso, e diminuindo a sua obrigação no que se refere ao pagamento de comissão sobre prêmios emitidos. 63. Como pode ser observado o valor das comissões sobre os prêmios cancelados e restituídos representa, de fato, uma recuperação de despesas cuja natureza é de receita operacional, já que foi incorporada de forma definitiva ao patrimônio da seguradora e está diretamente relacionada com as operações de seguro. Assim, ainda que se afaste a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tais receitas devem ser oferecidas à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, por serem receitas oriundas da atividade da empresa. .... 71. Não procede tal entendimento. Assim como o valor das comissões sobre os prêmios cancelados e restituídos, o valor de recuperação de despesas de resseguros é receita operacional da seguradora, já que foi incorporada de forma definitiva ao patrimônio da seguradora e está diretamente relacionada com as operações de seguro. Ademais, essa receita não se encontra dentre aquelas abrangidas pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, por ser receita oriunda da atividade da empresa, devendo ser oferecida à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins. Também não procede o argumento de que essa restituição de comissão são meros ingressos que transitam para repasse aos segurados. A seguradora não é mediadora entre corretor e segurado. São distintas, embora interdependentes, mas sem caracterizar uma mediação, as relações entre segurado e seguradora e seguradora e corretor, no âmbito dos prêmios contratados. A recorrente argumenta "que os prêmios não decorrem da venda de mercadorias (pois seguros não são mercadorias), nem da venda de serviços (pois seguros não envolvem qualquer obrigação de fazer), mas tão somente da assunção do risco do segurado quanto à ocorrência futura e incerta de um sinistro ou evento, razão pela qual o prêmio pago pelo segurado à seguradora em troca dessa assunção de risco não se insere no faturamento, que Fl. 8485DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 deve ser entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigir PIS e COFINS no caso concreto." Mas essa argumentação não convence, pois é fato que se está buscando a intervenção judicial, para que se tenha definição. Tenho como certo que o prosseguimento do debate nas Altas Cortes e entre os estudiosos da matéria têm proporcionado mais elementos para obtermos mais clareza e discernimento, especialmente considerando as peculiaridades dos tipos de atividades que geram as receitas versus as características dos tipos de pessoas jurídicas. Nesse âmbito não há definição judicial de observação compulsória que exclua os valores recebidos a título de prêmios das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Ao contrário do que explica a recorrente, esse tipo de valores deve ser considerado como receita operacional por corresponder a atividade típica de pessoa juridica dedicada ao ramo de seguros. Tendo em vista essas peculiaridades, esses valores constituiriam uma receita a ser considerada equivalente àquela proveniente da venda de mercadoria e de prestação de serviços. Considero que não assiste razão à recorrente nesse particular. Com relação à incidência de juros de mora sobre multa de ofício: A convicção que exponho e submeto a esse colegiado é que o § 3º do artigo 61 da Lei n. 9.430, de 1996, prevê juros de mora sobre os débitos, decorrentes de tributos federais, que não foram pagos no vencimento. A meu ver a exigência de juros de mora sobre multa de ofício ocorre quando não é ele recolhido no prazo estabelecido para pagamento a partir da condição da definitividade do crédito tributário. Proponho acolher o recurso voluntário nesse particular. Quanto às alegações da ilegalidade da taxa SELIC e que ela contraria o § 1º do art. 161 do CTN, creio que razão não assiste à recorrente. Compartilho do entendimento dos I. Julgadores a quo ao ponderarem que; "...em momento algum o citado dispositivo [§ 1º do art. 161 do CTN ] limita a taxa de juros de mora em um por cento ao mês. O artigo determina que cabe à lei ordinária estabelecer o percentual de juros de mora tributários, mas, na ausência ou no silêncio desta, os juros serão cobrados à taxa nele estabelecida. No caso, uma vez que os artigos 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e 61, § 3º da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 dispõem que os juros de mora são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, não merece acolhida a alegação de ilegalidade quanto à sua cobrança, sendo que, ademais, a natureza da taxa Selic em si não é relevante. Importa dizer que, conforme determinação legal, seu percentual foi adotado para o cálculo dos juros de mora. E, em sendo a atividade administrativofiscal do lançamento plenamente vinculada, não há outro procedimento possível que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, inclusive sob pena de responsabilidade funcional." Proponho que não seja acolhida a alegação da recorrente nesse particular. Fl. 8486DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 7 11 Submeto a este Colegiado: dar provimento ao recurso com relação (i) à infração de não inclusão de atualizações monetárias de depósitos judiciais nas bases de cálculo do PIS e da COFINS e (ii) com relação à incidência de juros de mora sobre multa de ofício antes do prazo para seu recolhimento depois de decidida a definitividade do crédito tributário sobre a qual ela incide; e proponho negar provimento aos demais itens do recurso. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Em que pese os fundamentos do voto vencido, com as costumeiras vênias, divirjo quanto à inclusão dos valores correspondentes à recuperação de despesas de resseguro e os valores das comissão sobre prêmios cancelados e restituídos na apuração do PIS/Pasep e Cofins. Ainda que acolha o argumento segundo o qual tais receitas guardariam pertinência com o resultado das atividades típicas da pessoa jurídica, tenho que, por se tratar de “recuperação de despesas”, como, aliás, reconhecem o próprio voto vencido e a decisão recorrida, não é possível qualificálas como “novas receitas”, no intuito de submetêlas novamente à incidência tributária, por força das disposições do art. 3º, § 2º, II da Lei nº 9.718/98, verbis: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Vigência” Notese que a lei faz menção à expressão “ingresso de novas receitas” para se referir aos valores que representem simples recomposição de patrimônio e que, anteriormente, já compuseram a base de cálculo das contribuições em comento, como sói ocorrer com o Fl. 8487DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 recebimento de créditos baixados como perda ou mesmo a reversão de provisões, nominalmente citados na lei, como também a recuperação de valores registrados como despesas. Os fatos jurídicos tributários sub examine dizem respeito à devolução da parcela da comissão dos intervenientes, corretores de seguros, nas hipóteses de restituição dos prêmios aos segurados. Segundo se extrai dos autos, quando do recebimento dos prêmios de seguros, ofertados integralmente à tributação, há uma parcela correspondente à comissão dos corretores, tal como previsto na legislação específica do ramo securitário, que não é abatida da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, de maneira que, nas hipóteses de cancelamento da apólice e conseqüente devolução proporcional do prêmio, há a reversão concorrente daquela comissão à seguradora. Portanto, uma vez tributada originariamente, sob a rubrica prêmio de seguros, como um de seus componentes, não faria sentido lógicojurídico sua reinserção na apuração das exações, sob pena de verdadeiro bis in idem. O mesmo raciocínio é aplicável à recuperação de despesas de resseguro. Com estas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso nesta parte. Robson José Bayerl Fl. 8488DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10120.720502/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.598
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 05 02 /2 01 1- 17 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 530 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO – COMIGO transmitiu, em 10/02/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 36326.82099.100206.1.1.115682, visando à extinção de débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) pela via de sua compensação com créditos da nãocumulatividade de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social mercado interno, apurados com base na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Foram consideradas, para utilização do credito pleiteado no PER em referência, as declarações de compensação DComp arroladas nas fls. 141. Para análise do pleito, a Fiscalização intimou a reintimou o interessado a apresentar documentação comprobatória. Após, uma primeira resposta, em que pediu prorrogação do prazo para atendimento do solicitado, este respondeu que se considerava desobrigado da apresentação dos documentos requisitados porque já se havia transcorrido o prazo decadencial. O Despacho Decisório n° 719/2011 – DRF/GOI (fls. 259 a 271) indeferiu o pedido. Em reclamação, fls. 287 a 351, o interessado invoca o princípio da verdade material, para requere a juntada posterior de documentos. No mérito, alega, em síntese, que: (i) em nenhum momento houve recusa de sua parte em apresentar documentos; (ii) suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, depois de decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 531 3 (iii) o crédito tributário que é objeto do despacho decisório, tem como nascituro a data da transmissão eletrônica do PER, que ocorreu em 10/02/2006; (iv) dispunha a Fazenda de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, realizado por meio de PER, a contar da ciência do órgão fazendário da realização desse pedido, ou seja, da sua transmissão eletrônica; (v) poderia o Fisco não homologar o pedido de ressarcimento até 09.02.2011, o que não ocorreu, decaindo o seu direito de se manifestar contrário e; (vi) com a ocorrência da homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente as declarações de compensação dos débitos também devem ser homologadas. A 17ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 12066.605, de 6/26/2014, fls. 409 a 430, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório não está sujeito a prazo decadencial, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 441 a 481, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, em preliminar a arguição da decadência do direito do Fisco de Fl. 531DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 532 4 proceder ao exame do PER. Entende que a Fazenda dispunha de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, contados da data de transmissão, em 10 de fevereiro de 2006. Encerrado o prazo em 09.02.2011, ocorreu a homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente os débitos utilizados nas DCOMPs, devem ser compensados. Pugna por que se interprete analogicamente o § 5° do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Reclama que informou pessoalmente ao Auditor Fiscal, que suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, após decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes. Informou ainda, que estava e está buscando resgatar os arquivos magnéticos apagados de seus sistemas eletrônico de dados. Conforme já dito, para ela, não mais existiam atos pendentes inerentes aos exercícios de 2003 a 2008, porquanto já fiscalizados e recolhidos pelo Fisco. Destaca que, se o Fisco tivesse cumprido sua obrigação no tempo certo, poderia ele próprio, buscar as informações em seus próprios sistemas e bancos de dados, visto que repassados tempestivamente, quando solicitados: Afirma que o descarte da documentação e sua não apresentação não foram mera opção da Recorrente, mas conseqüência de sua desobrigação de mantêla. Foi impossibilidade física momentânea, tendo em vista o decurso de prazo decadencial de seus efeitos tributários e necessidades operacionais de seus sistemas de processamento eletrônico de dados. Discorre sobre a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco. Repete a arguição de falta de fundamentação para as glosas procedidas. Na continuação, repete os termos da sua reclamação, inclusive o pedido de abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conclui, requerendo a intimação pessoal do patrono da causa da data e hora do julgamento do presente recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 441 a 481 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ117ª Turma nº 12066.605, de 6/26/2014. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 533 5 Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto n° 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, inc. II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Preliminar de decadência do direito do Fisco de apreciar pedido de ressarcimento Tema preliminar, mas que perpassa toda a discussão de mérito proposta pelo recurso voluntário, argúise a decadência do direito de o Fisco indeferir o ressarcimento em prazo superior a cinco anos contados do ingresso do respectivo pedido. Para tanto, a recorrente faz alusões à previsão de homologação da Declaração de Compensação, especificada no artigo 74, § 5° da Lei n°.430, de 1996, introduzido pelo artigo 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74 [...] § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação A tese construída traduzse na aplicação analógica desse prazo para a Fazenda rever os cálculos elaborados pela contribuinte, tendentes a lhe conferir o direito ao ressarcimento. Ora, o prazo a homologação tácita de DComp está expressamente definido em lei [justamente o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, transcrito acima, que se aplica exclusivamente à compensação do débito de tributo próprio que o contribuinte interessado declarou/confessou na DCOMP por ele transmitida à Receita Federal]. Já para o exame da legitimidade de créditos não há prazo legalmente estatuído. Em não havendo qualquer restrição temporal ao exame da legitimidade de créditos solicitados pelo contribuinte, conseqüentemente, não decai o direito de o Fisco examinar a escrituração da contribuinte com o fim de verificar o montante de crédito a que faz jus. Se coubesse, ao caso, avaliações de analogia, deverseia, então, buscar seus fundamentos na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, que em seus artigos 97, caput e inciso VI, e 156, caput e inciso II, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 534 6 II a compensação; Aplicandose, então, a analogia, verificase que se a compensação, que é hipótese de exclusão do crédito tributário, só pode ser disciplinada através de lei, do mesmo modo, o respectivo crédito que a ela conduz também só pode ser tratado através de lei. Assim, qualquer estipulação de prazo para o deferimento de pedido de ressarcimento também demanda a existência de lei definidora. Em não havendo a determinação legal concernente a prazo para a concessão do ressarcimento, válida é a averiguação, a qualquer tempo, do quantum a que faz jus o requerente de créditos contra a Fazenda Nacional. Hely Lopes Meirelles, em “O Processo Administrativo e em Especial o Tributário”, interpretando o alcance e as conseqüências do princípio da oficialidade, entende que “... a instância não perime, nem o processo se extingue pelo decurso de prazo, senão quando a lei expressamente o estabelecer”. Portanto, há que se indeferir a preliminar de decadência, em face da falta de disposição legal que obrigue a autoridade administrativa a ressarcir saldos credores independentemente de averiguar o real direito do interessado. Esse entendimento está amparado em sólida jurisprudência desta instância recursal: Acórdão n° 3402002.301, de 29 de janeiro de 2014: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 3403.002.568, de 1º de novembro de 2013: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 535 7 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 536 8 Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010 IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a.,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação". Muito embora o recorrente não o tenha alegado, convém destacar, incidentalmente, que tampouco há falar em homologação tácita de qualquer das declarações de compensações que se analisa. Ônus da prova em processos de iniciativa do contribuinte Quanto à possibilidade de se deferir pedido de ressarcimento e homologar compensações sem que o interessado tenha feito prova cabal da liquidez e certeza do crédito pleiteado, acolho integralmente os fundamentos da decisão recorrida e os adoto como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A decisão está em linha com o que vem decidindo este Colegiado. Ilustro (Acórdão n° 3403003.168, de 20 de agosto de 2014, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 537 9 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. A propósito, este Colegiado vem sufragando o entendimento de que não há violação do princípio da verdade material quando a Fiscalização denega pedidos do contribuinte que, intimado, não tenha feito prova cabal de seu direito. Transcrevo, nesse sentido, excerto do voto condutor do Acórdão n° 3403002.981, de 27 de maio de 2014, da lavra do ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan (unânime): Assim, não há que se falar em violação da verdade material (ou do devido processo legal), pois o fisco cumpriu com seu dever de diligência, somente não tendo logrado êxito na conclusividade da análise em função da falta de cooperação da própria recorrente. Há que se ter em mente que a verdade material conformase em duas feições, como ensina James Marins: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1” E igualmente refutada deve ser a alegação de violação à legalidade, ao direito à propriedade, ou à moralidade, visto que a empresa não faz prova contábil de ser detentora de direito creditório, o que impede o reconhecimento do crédito, até por questão de interesse público. Da mesma forma em que é incabível o locupletamento indevido pelo Erário, é inconcebível que se autorize crédito a contribuinte sem saber conclusivamente se este é devido. Atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusões À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 538 10 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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