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Numero do processo: 10166.728066/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente.
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO.
Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, § 2º da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a penalidade para o percentual de 50%. Designada Conselheira Milene de Araújo Macedo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flavio Franco Correa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO. Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, § 2º da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a penalidade para o percentual de 50%. Designada Conselheira Milene de Araújo Macedo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 80 66 /2 01 3- 51 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 520 2 (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flavio Franco Correa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Cuida o presente processo de exigência de ofício da penalidade qualificada, de 150%, no valor de R$ 5.957.836,94 (conforme fls. 3 dos autos), com fulcro no artigo 18 e seu § 2º, da Lei n° 10.833/2003, com a redação da Lei n° 11.488/2007. Conforme se depreende do detalhamento da autuação fiscal às fls. 04/07, a infração decorre da compensação indevida emitida pelo contribuinte, a qual teve o objetivo de compensar débitos diversos, que somam R$ 3.971.891,29, com suposto crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2009. Ocorre que, no referido anocalendário de 2009 o contribuinte foi optante pelo Lucro Presumido, conforme consta na DIPJ 2010, sendo defesa a compensação pleiteada. A infração se deu com a transmissão da declaração por terceiro autorizado, em 08/08/2001. Ainda, conforme às fls. 75/76, o contribuinte reconheceu que não tem ciência de nenhum crédito a ser restituído ou compensado, bem como desconhece o procedimento adotado por seu exempregado, ao transmitir a PER/DCOMP em referência. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 2ª Turma da DRJ/RJO (fls. 184/185): 1.2. A qualificação da penalidade se lastreou na transmissão de PER/DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630 em 08/08/2011, por pessoa devidamente habilitada, amparada a pretendida compensação nos aludidos créditos inexistentes. 1.2.1. Nos autos do processo n° 10166.725948/201365, acostado por cópia ao presente (processo n° 10166.728068/201341, de 19/09/2013), o sujeito passivo foi intimado em 06/03/2012, fls. 68 a retificar a DIPJ correspondente ou o PER/DCOMP, e, intimado em 29/07/2013 e reintimado a apresentar os comprovantes das retenções constantes do mesmo PER/DCOMP, fls. 71, permanecendo omisso. Apenas em 04/09/2013, alegou tentar fazer o cancelamento da PER/DCOMP sendo impedido pelo sistema de processamento de dados desta Receita Federal. 1.2.2. No despacho decisório que motivou a não homologação da pretendida compensação, ante os fatos relatados, deles constante, fls. 10/20 do presente feito (fls. 102/112 do processo n° 10166.728068/201341), a autoridade decisória Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 521 3 expressamente determinou a imposição da penalidade qualificada, objeto destes autos. 2. Ciente da exigência por AR em 31/10/2013, fls. 67, e recebido cópia integral do presente feito em 05/11/2013, fls. 61, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 71/100, protocolada em 27/11/2013, por meio da qual alega, em síntese: 2.1. a exigência do Mandato de Procedimento Fiscal como fundamento da legalidade e legitimidade do procedimento fiscal que redundou na autuação, conforme legislação e normas administrativas que regeriam a matéria, reproduzida nos autos, fls. 73/74 e 76/84; 2.1.1. a prévia exigência de MPF seria corroborada por decisões judiciais, igualmente reproduzidas nas alegações impugnatórias, fls. 86 e 88; 2.1.2. a ausência de cópia do MPF redundaria em nulidade processual por cerceamento do direito de defesa, conforme art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 e art. 2º da Lei n° 9748/93; 2.2. desrespeito ao art. 9° do Decreto n° 70.235/72 por inexistência nos autos de comprovação da compensação que originou a autuação; 3. No mérito se insurge contra a penalidade isolada, dada inexistência de prova de conluio ou fraude, e, a seu entendimento, possuir caráter confiscatório conforme artigo 150, IV, da Constituição de 1988 e RE640452, do STF, citado nos autos, fls. 95. 3.1. No contexto alega que a coibição do art. 82 da IN n° 900/2008 não tem envergadura de lei e não pode minimizar ao direito de petição; mesmo porque, ao indeferir o cancelamento da PER/DCOMP a autoridade administrativa suscitou a penalidade em total descompasso com fatos e direitos requeridos pela impugnante. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 185/188, julgou procedente o lançamento fiscal, retificando a exigência da penalidade imputada. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 195/231 e 234/243), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 522 4 O contribuinte aponta irregularidade no procedimento fiscal, a saber: ausência de cópia integral do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no processo. Nesse sentido, o contribuinte alega ser impossível a verificação da legalidade e legitimidade do procedimento fiscal em comento. Ainda, aduz que inexiste senha à sua disposição para a realização da consulta perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Dessa maneira, concluiu que teve seu direito de ampla defesa e contraditório cerceado, ante a ausência da cópia do inteiro teor do MPF, o que caracteriza infração quanto à inobservância ao princípio da legalidade, pois estaria impedida de analisar todos os elementos que lhe são imprescindíveis. Ademais, cita o Decreto nº 6.104/07, o qual diz que o procedimento fiscal, por parte da Secretaria da Receita Federal, se dará por força de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como estabelece as informações essenciais para sua expedição. Ainda, cita a Portaria RFB nº 3.014/2011, a qual dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de seus procedimentos. Por fim, cita algumas jurisprudências. Diante disso, requer a nulidade do feito sob o argumento da preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Nesse ponto, a decisão recorrida rebate a alegação do contribuinte no que tange aos objetivos e limites do MPF, uma vez que se trata de instrumento de controle operacional da Receita Federal, não sendo impeditivo ao procedimento fiscal, sobretudo, por ser indiscutível a competência legal do auditor fiscal para atuar em procedimentos fiscais, bem como lavrar auto de infração, nos termos legais. Outrossim, é equivocada a alegação de que a inexistência de MPF implicaria em cerceamento do direito de defesa. Apenas em decorrência de sua execução seria configurada ou não, a exigência tributária, objeto do processo administrativo a que alude o art. 5º, LV, da CF/88. Não bastasse tais considerações, cumpre mencionar que o MPF atrelado aos autos, consta, expressamente, do auto de infração à fls. 3, bem como de fácil verificação eletrônica pelo sujeito passivo perante a Receita Federal. Adicionalmente, as jurisprudências citadas dizem respeito exclusivamente ao contraditório e ao direito de defesa ante uma exigência administrativa. No caso em comento, o contribuinte atestou o recebimento integral do feito, conforme fls. 61. Logo, teve amplo conhecimento dos fundamentos legais e materiais da exação fiscal. Dessa maneira, concluiu que a fiscalização pode examinar a qualquer tempo o cumprimento das obrigações fiscais relativas a períodos não decaídos, desde que devidamente autorizada. Adicionalmente, explanou que a origem do lançamento fiscal ocorreu devido a pretensão compensatória de iniciativa do contribuinte, por meio do PER/DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630, o que carece o argumento da inexistência nos autos da comprovação da compensação, bem como da alegação de descumprimento do art. 11, IV, do Decreto nª 70.235/72, por não se tratar de notificação fiscal, mas de autuação fiscal. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 523 5 Pois bem, entendo que deve ser mantida a decisão da DRJ nesse ponto, conquanto não restou demonstrado o cerceamento de defesa que ensejasse a nulidade do presente feito. Cumpre ressaltar por oportuno que o MPF representa mero instrumento de controle administrativo, e que quaisquer irregularidades em relação ao aspecto meramente formal do MPF não tornariam nulo o lançamento conforme jurisprudência deste Colegiado. Confirase: Mandado de Procedimento Fiscal — Ausência. Com efeito, não obstante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle administrativo, não implicando nulidade do lançamento a eventual irregularidade relacionada com a sua emissão, (...) a existência do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização n° 01.2.01.00.2004.00027 0, no qual está prevista a realização das denominadas "verificações obrigatórias", representadas pelo confronto entre os valores declarados e os apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos cinco anos e no período de execução do procedimento fiscal. Portanto, nos exatos termos do parágrafo primeiro do art. 7° da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, (acórdão n° 10515.952 Relator Wilson Fernandes Guimarães) Destaco que o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães está em consonância com o meu entendimento sobre a matéria e com a posição mais recente adotada por este Colegiado. Ademais, ressaltase que foram capituladas, bem como foram descritos os motivos que levaram o agente fiscal a aplicar a penalidade em tela, dando a Recorrente o conhecimento do objeto da autuação fiscal. Portanto, não foi vislumbrada as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo. Dessa maneira, os argumentos alegados pela contribuinte não devem prosperar, não restando comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. Assim, julgo no sentido de não acatar a preliminar de nulidade argüida pela Recorrente. NO MÉRITO A Fiscalização concluiu pela falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte e aplicou a multa prevista do art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/2003 pelos seguintes motivos, a saber: 1. o crédito pleiteado na DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630 seria de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2009, apurado pelo Lucro Real. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 524 6 Entretanto, no anocalendário de 2009, a contribuinte foi optante pelo Lucro Presumido, conforme verificado na DIPJ 2010. Ademais, o sujeito passivo apurou, na DIPJ 2010 – Ficha 14A, imposto de renda a pagar nos quatro trimestres de 2009; 2. A contribuinte compensou, na DCOMP de n° 29783.13413.080811.1.3.02 3630, dentre outros débitos, débitos de IRPJ referentes ao 1° Trimestre de 2009, ao 2° Trimestre de 2009, ao 3° Trimestre de 2009 e ao 4° Trimestre de 2009. Ou seja, o sujeito passivo apurou IRPJ a pagar nos quatro trimestres de 2009 e compensou estes débitos com suposto saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2009; 3. Na Declaração de Compensação em tela, a requerente informa que o suposto saldo negativo seria originário de três retenções de IRPJ na fonte, sob código de receita 5204, que somam R$ 3.971.891,32. Entretanto, verificouse em DIRF que a contribuinte foi beneficiária de retenções que totalizam apenas R$ 115.754,79 no anocalendário de 2009. Ademais, não consta nenhuma retenção efetuada sob código de receita 5204, nem por um dos CNPJ indicados como fontes pagadoras das referidas retenções. Intimada, e reintimada, a contribuinte não apresentou nenhum comprovante das retenções que originaram o crédito pleiteado, nem sequer se manifestou acerca de tais retenções; 4. A contribuinte, intimada, alega desconhecer o crédito pleiteado; 5. A DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630 foi transmitida por terceiro autorizado pela contribuinte em 08/08/2011, dentro do período de validade da procuração eletrônica outorgada; 5. A contribuinte, intimada, alega desconhecer o crédito pleiteado. Todavia, a Recorrente entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Isso porque, tentou proceder ao cancelamento da declaração, embora fosse impedida pelo sistema da receita, por ter sido ulterior à intimação da empresa para que esta apresentasse os documentos comprobatórios quanto ao direito à compensação, por força do art. 82, parágrafo único da IN nº 900/2008. Ainda, apresentou petição informando que admitiu a não existência do crédito tributário, de forma a reconhecer a falha cometida, o que demonstraria, em última instância, a sua boafé. Primeiramente, ante a alegação do caráter confiscatório da multa, entendo que esta não merece prosperar, senão vejamos: Pois bem, vejamos a capitulação legal que orientou a multa qualificada imputada pelo fiscal autuante, a qual enquadrou a conduta do contribuinte como falsidade de declaração e imputou o agravamento de multa, in verbis: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 525 7 (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Entendo, contudo, que não restou caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, sobretudo, por não prejudicar o lançamento fiscal, bem como pelo fato ser de conhecimento da autoridade fiscal. De plano, pois, afasto a possibilidade de sonegação, fraude ou conluio, pois tais práticas pressupõe dolo, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ademais, inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei. Tal entendimento, é reforçado pelo fato do contribuinte ter pedido a desistência da declaração enviada em setembro de 2013, bem como pelo reconhecimento do erro cometido. Concluise, portanto, que no caso presente, o que restou demonstrado é a insubsistência da DCOMP transmitida, não havendo nenhuma comprovação no sentido de registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 50%, nos termos do art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de darlhe parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa aplicada à 50%, art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 526 8 Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo, Redatora Designada. Em que pesem os argumentos efetuados pelo I. Conselheiro Relator, divirjo do seu voto relativamente à aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/03. A aplicação da multa qualificada, prevista no art. 18, § 2º da Lei nº 10.833/03, restringese aos casos em que a nãohomologação da compensação tenha como motivo a comprovação da falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Veja a redação do referido dispositivo legal vigente à época dos fatos geradores: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Para todos os outros casos de compensação não homologada, aplicase a penalidade prevista no art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 527 9 No caso concreto, a recorrente defende a inaplicabilidade da multa de 150% face à não comprovação nos autos da ação dolosa e do intuito de fraude em sua conduta. Afirma que somente constatou a inexatidão da declaração, transmitida por profissional que não mais trabalhava na empresa, quando intimada para esclarecimentos e que o pedido de cancelamento da PER/DCOMP, apesar de impedido pelo sistema, revela o reconhecimento do erro e demonstra sua boafé. De fato, consta da autuação que, em 04/09/2013, a recorrente tentou efetuar o cancelamento da Declaração de Compensação transmitida em 08/08/2011, todavia, referido pedido não foi aceito pois foi realizado após a contribuinte ter sido intimada, em 29/07/2013, e reintimada, em 21/08/2013, a apresentar documentos comprobatórios e esclarecimentos acerca do crédito pleiteado. O início do procedimento do procedimento fiscal, nos termos do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, afasta a espontaneidade do sujeito passivo: Art. 7 O procedimento fiscal tem início com: [...] § 1º O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Assim, considerando que o reconhecimento do erro e o conseqüente pedido de cancelamento da DCOMP somente foram realizados em setembro/2013, ou seja, há mais de dois anos do envio da DCOMP e sem espontaneidade, pois efetuados após a intimação para prestar esclarecimentos, tais atos não são hábeis a demonstrar a boafé recorrente. Ao contrário, a conduta dolosa e a falsidade da declaração apresentada, revelamse pelos seguintes fatos acertadamente apontados pela fiscalização na autuação: "* O Crédito pleiteado na DCOMP de n° 29783.13413.080811.1.3.023630 seria de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2009, apurado pelo Lucro Real. Entretanto, no anocalendário de 2009, a contribuinte foi optante pelo Lucro Presumido, conforme verificado na DIPJ 2010. Ademais, o sujeito passivo apurou, na DIPJ 2010 Ficha 14A, imposto de renda a pagar nos quatro trimestres de 2009; * A contribuinte compensou, na DCOMP de n° 29783.13413.080811.1.3.02 3630, dentre outros débitos, débitos de IRPJ referentes ao 1o Trimestre de 2009, ao 2o Trimestre de 2009, ao 3o Trimestre de 2009 e ao 4o Trimestre de 2009. Ou seja, o sujeito passivo apurou IRPJ a pagar nos quatro trimestres de 2009 e compensou estes débitos com suposto saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2009; * Na Declaração de Compensação em tela, a requerente informa que o suposto saldo negativo seria originário de três retenções de IRPJ na fonte, sob código de receita 5204, que somam R$ 3.971.891,32. Entretanto, verificouse em DIRF que a contribuinte foi beneficiária de retenções que totalizam apenas R$ 115.754,79 no anocalendário de 2009. Ademais, não consta nenhuma retenção efetuada sob código de receita 5204, nem por um dos CNPJ indicados como fontes pagadoras das referidas retenções. Intimada, e reintimada, a contribuinte não Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 528 10 apresentou nenhum comprovante das retenções que originaram o crédito pleiteado, nem sequer se manifestou acerca de tais retenções; * A contribuinte, intimada, alega desconhecer o crédito pleiteado; * A DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630foi transmitida por terceiro autorizado pela contribuinte em 08/08/2011, dentro do período de validade da procuração eletrônica outorgada." Dessa forma, caracterizada a falsidade da Declaração de Compensação enviada, tenho por correta a decisão de primeira instância, que manteve o lançamento e nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 528DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.730153/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO E/OU ERRO MATERIAL.
Inexistindo omissão, obscuridade, contradição e/ou erro material no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-004.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos inominados.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO E/OU ERRO MATERIAL. Inexistindo omissão, obscuridade, contradição e/ou erro material no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos inominados. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 01 53 /2 01 2- 12 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 643 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal em Recife/PE às fls. 627/630, contra a Resolução nº 1301000.277, fls. 613/622, que foi assim relatado: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 8, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), relativamente ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 13.967.968,63, acrescido de multa de lançamento de ofício (75%) e de juros de mora, calculados até 28/09/2012, perfazendo um crédito tributário total de R$ 31.651.416,91. 2.A ação fiscal foi iniciada por meio do termo de início de fls. 18 a 19, para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos à situação fiscal no ano calendário de 2007, e às variações patrimoniais ocorridas junto à Administradora Baía Formosa S.A, CNPJ 08.104.051/000175, à Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, CNPJ 02.414.858/000128 e à Legacy Veículos Ltda, CNPJ 07.591.836/000157. 3. Conforme carta resposta de fls. 21 a 25, o contribuinte apresentou documentos, entre eles a 7ª (fls. 40 e 123 a 150) , a 11ª (fls. 63 a 74), a 12ª (fls. 75 a 85) e a 13ª (fls. 108 a 119), alterações contratuais da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, a ata da assembléia geral da Administradora Baía Formosa de 30/06/2007 (fls. 99 a 107) e o contrato social da Legacy Veículos Ldta (fls. 151 a 166). De acordo com a 11ª alteração contratual da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda ocorrida em 28/06/2007, o capital social da empresa teria sido elevado de R$ 494.539,00 para R$ 107.593.000,00, sendo R$ 13.334.282,73 em razão da incorporação de reservas de capital e R$ 93.764.178,27 em razão da incorporação de lucros acumulados (fls. 65). Em razão da referida alteração, a participação societária do contribuinte, mantida no percentual de 99,7434%, teria sido elevada de R$ 493.270,00 para R$ 107.316.916,00 (fls. 65 a 66). 4. De posse da referida documentação a fiscalização emitiu o termo de constatação de fls. 167 em que relata ter havido, por meio de procedimento fiscal autônomo, a glosa do aumento do capital social da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, no valor de R$ 93.764.178,27, entendendo assim deva haver o correspondente ajuste do valor da participação societária do contribuinte. 5. Em atendimento o fiscalizado forneceu os esclarecimentos de fls. 169 a 172, anexando a primeira folha do recurso voluntário interposto pela Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda (fls. 179) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais contra a decisão de primeira instância administrativa proferida no Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 644 3 julgamento da ação fiscal levada a efeito sobre a empresa acima mencionadas. 6. A autoridade fiscal, então, lavrou o auto de infração de fls. 2 a 8, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração, conforme descrita no relatório de encerramento de ação fiscal de fls. 187 a 190: 6.1 – ganho de capital na alienação de bens e direitos (omissão de ganho de capital no valor de R$ 93.119.790,90 no ano calendário de 2007 , fato gerador em 07/2007). 7. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 197 a 234, alegando em síntese que: 7.1 – que o lançamento é nulo por vício formal, em razão de fundamentação legal inadequada e da incorreta identificação dos fatos, pois o processo fiscalizatório não foi conclusivo. Que a fiscalização se valeu das supostas constatações fiscais resultantes da autuação referente à Vale verde Empreendimentos Agrícolas (Vale Verde), em que foram glosados valores contidos na conta de lucros acumulados, sem especificar quais os fundamentos pelos quais os valores lançados na conta da empresa não foram considerados. Que naquele procedimento fiscal a autoridade administrativa partiu de um valor de lucros acumulados arbitrado sem qualquer lógica ou razão expressa para o ano de 2006, desconsiderando todos os lucros auferidos entre 2003 e 2005, exercícios em que a Vale Verde havia apurado IRPJ com base no lucro presumido. Que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. Que a Vale Verde mantém duas formas de escrituração de sua atividade econômica, uma para fins societários e outra para fins tributários, do que decorre a apuração de dois resultados distintos: o contábil e o fiscal. Que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 645 4 No sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens III.2.1A Da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). Que o procedimento fiscal assim realizado, ainda que mais simples e célere, afronta diversos princípios constitucionais tributários, com destaque para os princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e da segurança jurídica. Que, em razão de o lançamento ser ato administrativo vinculado, como exigido pelo art. 142 do CTN, e em razão do princípio da legalidade, previsto nos arts. 5º, II, e 150, I, ambos da CF/1988, e no art. 9º, I, do CTN, é necessária a adequação dos fatos ocorridos a um tipo legal específico. Que o auto de infração impugnado encontrase eivado de capitulações vagas e imprecisas ferindo, portanto, o princípio da tipicidade fechada. 7.2 o lançamento é nulo por vício formal, igualmente, pois o autuado apresentou sua declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (doc. 13 de fls. 386 a 397) relativa ao ano calendário de 2007, com todas as informações corretas, tendo pago integralmente o imposto apurado, e no entanto foi imputada ao impugnante cobrança de IRPF que se baseia em acervo probatório decorrente de fiscalização do IRPJ e da CSLL; 7.3 – que a nulidade do lançamento por vício formal decorre aditivamente da utilização de prova emprestada do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103. Que não houve, em relação ao IRPF, procedimento fiscalizatório conclusivo, pois o lançamento está baseado exclusivamente em ação fiscal levada a efeito junto à Vale Verde, objeto do mandado de procedimento fiscal nº 04.2.01.002011018977 (doc. 08), sem que o impugnante jamais tenha sido intimado para responder às indagações do agente fiscal durante aquele procedimento. Que fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27, que acabou por ocasionar o indevido lançamento, evidenciando a precariedade das provas. Cita jurisprudência administrativa em favor de sua alegação. 7.4 – que o vício formal torna nulo o lançamento, ainda, porque o impugnante espera o cancelamento do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103, tornandose questão “prejudicial ao lançamento ora impugnado, de maneira que, se cancelado, o presente lançamento perde seu Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 646 5 substrato legal de validade, devendo por conseguinte, ser igualmente cancelado” (fls. 209). Que a Vale Verde apresentou defesa administrativa, processo nº 10480.731156/201103, ainda não definitivamente julgada, obstando a definitividade do lançamento contra ela efetuado. Logo, se aquela autuação é prejudicial a esta, e se ela for cancelada, o lançamento ora impugnado também deverá seguir a mesma sorte; 7.5 que operouse a decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário referente a julho de 2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, e do art. 146, III, ‘b’, da CF/1988, visto que o contribuinte somente foi cientificado em 25/10/2012. Que o fato gerador dos ganhos de capital considerase ocorrido no mês da alienação e se submete à tributação em separado, não integrando o imposto de renda na declaração de ajuste anual, nos termos do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.134/1990, do art. 21, § 2º, da Lei nº 8.981/1995 e do art. 117, § 2º, do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda. Que, tratandose de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos se inicia na data da ocorrência do fato gerador conforme art. 150, § 4º do CTN, não se aplicando ao caso o dies a quo previsto no art. 173, I, do citado Código. Que já houve pagamento parcial do imposto de renda pessoa física pelo impugnante relativamente ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 17.145,91, de modo que eventual lançamento do IRPF no mesmo ano deverá ser considerado residual, aplicando se, portanto, a regra prevista no já mencionado § 4º do art, 150 do CTN. Transcreve jurisprudencial judicial e administrativa nesse sentido; 7.6 – que, ainda que por absurdo não seja reconhecida a improcedência do lançamento relativo à Vale Verde, não cabe falar na existência de ganhos de capital na operação societária realizada pelo contribuinte, pois não houve a desconsideração do valor proveniente da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados utilizado para aumento do capital social da Vale Verde como informado pela própria fiscalização: [...]Que, se o recurso voluntário interposto pela Vale Verde for considerado procedente, a decisão terá reconhecido que o valor de R$ 93.764.178,27 representa lucros acumulados da sociedade, afastando a tributação da pessoa jurídica e, consequentemente, da pessoa física, pois o patrimônio da Vale Veserá aquele registrado em sua contabilidade. Que se, por outro lado, referido recurso voluntário for julgado improcedente, será mantida a tributação sobre o valor de R$ Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 647 6 93.764.178,27, de modo que o patrimônio da Vale Verde será igualmente aquele registrado em sua contabilidade. 7.7 – que a exorbitante multa de ofício aplicada, no percentual de R$ 75% do imposto, no valor de R$ 10.475.976,47, possui caráter confiscatório e desproporcional. Que a multa exigida afronta o princípio do não confisco insculpido no art. 150, IV, da CF/1988, como se depreende da leitura das decisões do STF e do STJ sobre a matéria. Que, ademais, a multa exigida com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, visa à coibição de atos infracionais lesivos ao erário. Que, em face de a autuação ter por base o lançamento fiscal ainda não definitivo em nome da Vale Verde, contra o qual foi interposto recurso voluntário pendente de julgamento no CARF representando, portanto, crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme art. 151, III, do CTN, ainda não se pode falar em ato lesivo por parte do impugnante capaz de tipificar a penalidade. Que, enquanto não definitivamente julgada a validade do ato que ensejou a tributação da pessoa jurídica, o Fisco teria o dever de proceder ao lançamento na pessoa física visando exclusivamente à prevenção da decadência, sem a incidência da multa nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1996; 7.8 Faz juntados de diversos documentos à impugnação. 7.9 – que protesta pela juntada posterior de provas, conforme previsto no § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; 7.10 que reivindica a realização de diligência para esclarecimento de pontos controversos, nos termos dos arts. 16, 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972; 7.11 – que, por fim, pede seja acolhida a impugnação para: (i) que seja determinada a suspensão do presente processo até que seja proferida a decisão administrativa definitiva relativa ao auto de infração lavrado contra a Vale Verde Empreendimentos AGrícolas Ltda, CNPJ 02.414.858/000128; e (ii) que seja integralmente cancelado o lançamento. A DRJ/RECIFE (PE) decidiu a matéria consubstanciada pelo Acórdão 1139.946, de 12 de março de 2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 648 7 Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de participações societárias, considerandose como custo de aquisição o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, desde que devidamente contabilizado e tributado do na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa calculada sobre o valor do tributo devido, no percentual de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento decorrente de falta de declaração e de declaração inexata. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O afastamento da penalidade pressupõe a prévia suspensão da exigibilidade do crédito lançamento por meio da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou ainda, do depósito integral do respectivo crédito, circunstâncias que, quando inexistentes, não permitem a não incidência da multa. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. PROVA EMPRESTADA. É lícito à autoridade fiscal valerse de informações colhidas e as conclusões produzidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e sejam levadas ao conhecimento do sujeito passivo dandolhe oportunidade para sobre elas se manifestar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: NULIDADE. VÍCIOS NO LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 649 8 seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Indeferese o pedido de realização de diligência quando desatendidos os requisitos legais previstos na sua solicitação. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. LANÇAMENTO. AGRAVAMENTO. COMPETÊNCIA. Não havendo competência para proceder ao agravamento da autuação em sede de julgamento administrativo tributário, nos termos do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser mantido o valor lançado equivocadamente a menor registrado no auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. É o Relatório." O voto proferido na ocasião foi pela conversão do julgamento em diligência, cujo teor é abaixo reproduzido: "O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Para melhor compreensão dos fatos se extrai dos competentes Termo de Constatação do Auto de Infração e Contrarrazões apresentadas pela PFN, que o citado contribuinte era sócio na empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, com 99,7434% das cotas da sociedade. No dia 28 de junho de 2007, os sócios da Vale Verde aprovaram um aumento de capital da sociedade com a utilização dos saldos contábeis das contas de reserva de capital e da conta de lucros acumulados. Com isso o capital social foi aumentado em R$ 107.098.461,00, passando a valer R$ 107.593.000,00. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 650 9 Em 30 de junho de 2007, foi admitida na Vale Verde, como sócia cotista, a Administradora Baía Formosa S/A, que recebeu do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Vale Verde, registrada como 106.339.132 cotas no valor global de R$ 106.339.132,00. Ainda em 30 de junho de 2007, os acionistas da Administradora Baía Formosa S/A aprovaram um aumento de capital no montante de R$ 106.015.343,32, mediante a emissão de 1.140.784 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 92,93, subscritas unicamente pelo acionista Eduardo José de Farias e totalmente integralizadas por meio da entrega das cotas que detinha no capital social da Vale Verde Empreendimentos. Consoante o TVF, no dia 30 de novembro de 2011, foi lavrado auto de infração de IRPJ e CSLL contra a pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Ltda, referente ao anocalendário 2007, no qual foi constatado que a empresa não tinha saldo de lucros acumulados para proceder ao aumento de capital realizado em 30/06/2007, no montante de R$ 93.764.18,27. Diz a fiscalização que: Assim, o valor do capital da Vale Verde após a décima segunda alteração contratual era de R$ 13.828.821,80 e não R$ 107.593.000,00. (...) Como o contribuinte alienou à Administradora Baía Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. Pois bem, nesta linha, o ora recorrente insurgese alegando: "Na fundamentação apresentada no v. acórdão ora combatido foi sustentado o entendimento de que o Recorrente teria obtido ganho de capital na alienação de suas quotas da Vale Verde à Administradora Baia Formosa S/A, sob o argumento de que a fiscalização no processo administrativo 10480.731156/201103 teria comprovado que o saldo da conta de Lucros Acumulados da empresa Vale Verde apresentaria número negativo, ou seja, prejuízo, o que tornaria impossível a incorporação de capital social descrita na 11a. alteração contratual citada na descrição das situações fáticas anteriores à autuação. ... Não poderia haver entendimento mais desvirtuado, pois, em primeiro lugar, é feito totalmente com base no processo administrativo 10480.731156/201103 que ainda não foi submetido a uma decisão final." Aduz mais: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 651 10 "que se reconhecido a impropriedade da glosa da conta de lucros acumulados na empresa Vale Verde, tal fato, representaria a desconstituição do presente auto de infração, na medida em que restará reconhecido o custo de aquisição necessário para neutralizar um possível ganho de capital na alienação futura das quotas daquela empresa por parte do Recorrente." Deixar claro que, nestes autos a lide diz respeito, tão somente, à tributação do ganho de capital, não se atendo as alegações de vícios do auto de infração lavrado contra a empresa Vale Verde (processo administrativo 10480.731156/201103). Não obstante, registrese, que em pesquisa no eprocesso constatase que o referido processo administrativo restou julgado por este Conselho, em 08 de outubro de 2013 (Acórdão 1302001.187), encontrandose, atualmente, pendente de apreciação ao Recurso Especial interposto pela PFN, quanto a matéria lucros ou prejuízos acumulados (item 4 do AI), exatamente o que interessa ao deslinde da questão em apreço nos autos do presente processo. Explico: No presente caso, é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas (caso se confirme glosa no processo da Vale Verde). No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Daí a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 652 11 Com essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103, retornando em seguida a esta Corte Administrativa para prosseguimento do julgamento." Os autos foram encaminhados para a repartição de origem em 05/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de fl. 623). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, então de acordo com os fundamentos antes descritos, requereu que a Turma retificasse a decisão proferida de modo a desfazer a vinculação entre os processos. O despacho de admissibilidade destes embargos inominados, assim tratou dos argumentos apontados nos Embargos e a manifestação do Despacho de fls. 634/636, do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, Waldir Veiga Rocha, como transcrito abaixo: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE opôs Embargos Inominados, fls. 627/630, contra a Resolução nº 1301 000.277, fls. 613/622, que determinou “converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103”. Em apertada síntese, verificase que a Turma Julgadora constatou que o presente processo seria decorrente de procedimento fiscalizatório realizado na pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, procedimento esse cuja conclusão teria sido formalizada nos autos do processo administrativo nº 10480.731156/201103. O fundamento para a decisão de declinar da competência foi, então, o inciso IV do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) então vigente, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Entretanto, de acordo com a Embargante, não há nenhuma vinculação entre os processos, já que a matéria sobre julgamento no processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) em nada afeta o resultado do julgamento do processo nº 10880.730153/201212 (IRPF). Transcrevese trecho dos Embargos: As infrações já mencionadas acima do processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) referemse: i) Alteração do resultado fiscal (Lucro Real e base de cálculo da CSLL) sem nenhum efeito no lucro/prejuízo contábil. ii) Cobrança de ofício diferenças de IRPJ e da CSLL em consequência da falta de tributação de lançamentos postergados (com efeito tributário) sem a comprovação do seu pagamento pela empresa. iii) Ajustes no sistema Sapli da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de prejuízos fiscais registrados na contabilidade da empresa e informados nas DIPJ em valores diferentes. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 653 12 Ressaltamos que para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007 não houve lançamento, e sim ajustes (aumento a favor da empresa) no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB – Sapli do prejuízo fiscal informado na sua DIPJ; e em relação ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, houve lançamento de redução prejuízo fiscal, porém tratase de período posterior ao aumento de capital não tendo nenhuma repercussão no saldo de lucros/prejuízos acumulados em 30/06/2007. DO PEDIDO Em face ao exposto, não existindo nenhuma dependência do processo da pessoa física nº 10880.730153/201212 com o processo na pessoa jurídica nº 10480.731156/201103, ou seja, o julgamento da procedência ou não do auto da pessoa jurídica não afeta em nada o auto na pessoa, requer esta Delegacia o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma retifique a decisão proferia por meio da Resolução nº 1301000.277 de modo a desfazer a vinculação entre esses processos. Nesses termos, pede deferimento. Por sua vez, houve também manifestação do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, Waldir Veiga Rocha, que por meio do Despacho, fls. 634/636, entendeu que em razão do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, inciso IV do art. 2º do Anexo II, o processo sob análise não se inclui entre as competências da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mas sim entre aquelas da 2ª Seção de Julgamento, conforme inciso I do art. 3º do Anexo II: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); (...) Conclui o Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção que: 13. Ressalto, finalmente, que entendo não se tratar de conflito negativo de competência, mas sim da superveniência de novo regimento interno, dispondo sobre a matéria de modo diferente. 14. Por todo o exposto, o presente processo deve ser encaminhado para a 2ª Seção de Julgamento deste CARF para a análise de admissibilidade dos Embargos Inominados (fls. 627/630) e, posteriormente, no momento processual que se mostrar adequado, também o julgamento do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. De fato, em razão da inexistência de correlação entre o processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) e o processo nº 10880.730153/201212 (IRPF), além de superveniência de novo Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 654 13 regimento interno processo (Portaria MF nº 343/2015), entendo que o processo sob análise se inclui entre as matérias de competências da 2ª Seção de Julgamento do CARF. Dessa forma, encaminhese os autos à SECAM/2ª Câmara/2ª SEJUL para que se proceda a um novo sorteio, dentre os integrantes da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, para relatar." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Os embargos inominados preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos os mesmos. No presente caso, nos termos da Resolução nº 1301000.277, é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas (caso se confirme glosa no processo da Vale Verde). No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, abaixo grifado, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, nos termos da Resolução nº 1301000.277, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. E disso decorre a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Salientase que o referido processo ainda não transitou em julgado conforme consta a seguinte movimentação processual que se extrai do site do CARF, abaixo reproduzido: 23/08/2017 ANALISAR RECURSO ESPECIAL 3ª CÂMARA1ªSEÇÃOCARFMFDF Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 655 14 23/08/2017 ENTRADA NO CARF Tipo de Recurso: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data de Entrada: 23/08/2017 Unidade: SERETCEGAPCARFMFDF Importa destacar que os embargos inominados apresentados inclusive refere que haveria impacto no saldo de prejuízo acumulado, vejamos: Todavia, no último parágrafo da fl. 3 dos embargos inominados, argumenta o embargante que não haveria "nenhuma repercussão no saldo lucros/prejuízos acumulados em 30/06/2007". Entendo que há contradição no que a embargante alega. Ao meu entender, conforme preceitua art. 135 do RIR/99, já acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. E disso decorre a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Diante disso, pelo que consta nos autos e pelo que foi dito nos embargos, não há nada que possa infirmar a Resolução nº 1301000.277 no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos inominados. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 655DF CARF MF
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Numero do processo: 36378.004044/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO.
Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea e, item 7 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão, substituindo a ementa referente às contribuições previdenciárias, para: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91".
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), João Bellini Junior (presidente).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea e, item 7 da Lei nº 8.212/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão, substituindo a ementa referente às contribuições previdenciárias, para: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91". (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), João Bellini Junior (presidente).
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão, substituindo a ementa referente às contribuições previdenciárias, para: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91". (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 37 8. 00 40 44 /2 00 6- 71 Fl. 1416DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), João Bellini Junior (presidente). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de embargos de declaração apresentados tempestivamente por Aperam Inox América do Sul S/A (sucessora de Acesita S/A) contra o acórdão nº 2301002.777, de 15/05/2012, cuja ementa é a seguinte (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301005.103 S2C3T1 Fl. 3 3 O abono pago pelo empregador aos segurados empregados não integra o saláriodecontribuição, e, como tal, não está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. A parte dispositiva do julgado encontrase assim redigida (grifos nossos): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em anular as decisões de primeira instância, devido ao disposto no II, Art. 59, do Decreto 70.235/1972; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em converter o julgamento em diligência; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; Redatores: Bernadete de Oliveira Barros e Adriano Gonzáles Silvério. Declaração de voto: Mauro José Silva. Alega a Embargante que, conforme consta do voto do conselheiro relator, no que tange ao julgamento quanto à natureza do abono, restou decidido, por maioria de voto, que esta parcela não integra a remuneração. Contudo, na parte dispositiva, constou que foi dado provimento parcial, quando, de fato, ele o foi totalmente. Fl. 1418DF CARF MF 4 Observa que o único voto que analisou expressamente a matéria referente à incidência do adicional de aposentadoria especial sobre os abonos pagos pelo empregador foi o do conselheiro relator, dando provimento ao recurso voluntário, dada a ausência da natureza remuneratória do abono, não constando qualquer divergência entre os demais membros do colegiado. Entende que, apesar de o recurso voluntário do contribuinte ter sido provido para reconhecer que os abonos não integram a remuneração, tal questão não constou no acórdão embargado, motivo pelo qual a omissão deve ser suprida. Requer, por fim, o conhecimento e provimento dos presentes embargos de declaração, a fim de que, sanandose a omissão apontada, seja extinto integralmente o crédito tributário autuado. Por meio do despacho exarado em 25/03/2014, o presidente da turma admitiu os presentes embargos para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A Embargante tem razão quanto à existência de omissão no acórdão embargado, mas não com as consequências que propaga em seus embargos. Isso porque o voto do relator foi vencedor, por maioria, com relação: (i) ao conhecimento e apreciação do recurso voluntário; (ii) à manutenção da multa; (iii) à aplicação da retroatividade benigna, limitandose a multa ao previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, o voto do relator foi vencido, por voto de qualidade, com relação: (iv) à contagem da decadência de acordo com a regra do art. 150, §4º do CTN (prevalecendo a regra do art. 173, I do CTN) e (v) ao provimento do recurso voluntário, no mérito (prevalecendo o improvimento). Designada para o voto vencedor a conselheira Bernadete de Oliveira Barros. A conselheira redatora deveria se pronunciar sobre dois pontos, quanto ao mérito da exigência fiscal. Primeiro, sobre a exposição dos empregados a agentes nocivos no ambiente de trabalho, capaz de justificar a cobrança de adicional ao SAT para fins de financiamento da aposentadoria especial. Segundo, passada essa fase, sobre a incidência do adicional ao SAT sobre pagamentos ou créditos aos seus empregados, a título de abono em acordo coletivo de trabalho, gratificação de retorno de férias e abono regime de trabalho. O voto vencedor da conselheira redatora cuidou do primeiro ponto, mas foi omisso com relação ao segundo. A ementa do julgado também não foi ajustada para refletir o entendimento. Cabe, portanto, suprir a omissão do voto vencedor. Mas devese respeitar a decisão majoritária do colegiado naquela assentada, independentemente do posicionamento atual da turma. Assim, de acordo com o relatório fiscal (efls. 120): Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301005.103 S2C3T1 Fl. 4 5 2.2.1. ABONO EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO Concedidos mediante Acordo Coletivo celebrado entre a ACESITA S/A e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas, Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Material Eletrônico, Desenhos/Projetos e de Informática de Tomóteo/MG e Coronel Fabriciano/MG METASITA, no período de 2000 a 2004. 2.2.2. ABONO REGIME DE TRABALHO O Abono Regime de Trabalho foi concedido mediante Acordo Coletivo de Trabalho, celebrado entre a Acesita S/A e o Sindicato METASITA; A Cláusula 1.9 deste Acordo prevê um abono de R$ 3.642,00, aos empregados, em compensação à implantação do novo regime de trabalho; em efetivo exercício de seus cargos no dia da implantação e que estavam, em 10/11/2000, trabalhando no regime de 6x2, quatro turmas. Este abono foi concedido somente no estabelecimento CNPJ: 001312. 2.2.3. FOLHA DE PAGAMENTO/RETORNO DE FÉRIAS Acordos Coletivos de Trabalho celebrados entre a ACESITA e o Sindicato META SITA, preveem que a ACESITA pagará aos seus empregados, quando da volta do gozo de férias, o adicional de RETORNO DE FÉRIAS, corresponde à importância equivalente ao máximo de 95% da remuneração de férias, excluída desta o adicional previsto no inciso XVII, do artigo 7º , da Constituição Federal. Os empregados que não fizerem jus ao gozo de 30 dias de férias, terão o valor do Retorno de Férias pago proporcionalmente ao número de dias de direito e não será devido na hipótese de férias não gozadas e/ou indenizadas. Os empregados que vierem a ser admitidos na ACESITA a partir de 01/11/1998, não farão jus RETORNO DE FÉRIAS. ’ Nos termos do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91, somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, o que não parece ser o caso. Por isso, o recurso voluntário deve ser rejeitado nessa parte. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração, com o objetivo de sanar a omissão no voto vencedor. A ementa do julgado passam a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA PARCIAL Fl. 1420DF CARF MF 6 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301005.103 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 1422DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.908047/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.941
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 04 7/ 20 11 -3 7 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901589/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.938
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 89 /2 01 2- 51 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.570, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900678/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.993
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 78 /2 01 2- 14 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.338, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000339/96-48
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ISENÇÃO PREVISTA NA LEI Nº 8.010/90.
Não caracterizada a hipótese de que trata o art. 137 do Regulamento Aduaneiro.
RECURSO DESPROVIDO
Numero da decisão: CSRF/03-03.001
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos. do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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Não caracterizada a hipótese de que trata o art. 137 do Regulamento Aduaneiro. RECURSO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos. do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ~ ~~~~ SONJ~"'-~ODRIGUES PRESIDENTE MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR FORMALIZADO EM: P12 tv1AR 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, UBALDO CAMPELLO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA e ISALBERTO ZAVÃO LIMA (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. '--'--- PROCESSO N° : 10660.000339/96-48 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.001 RECURSO N° : RP/302.654 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 28 CÂMARA DO 3°CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FUNDAÇÃO THEODOMIRO SANTIAGO RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional de decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: ISENÇÃOVINCULADA A QUALIDADE DO IMPORTADOR Confiar bens importados com isenção vinculada à qualidade do importador a funcionários da entidade beneficiária da isenção, não caracteriza, por si só, a hipótese de que trata o artigo 137 do RegulamentoAduaneiro. RECLRSO PROVIDO. Da ação fiscal realizada na Fundação, resultou a lavratura do Auto de Infração de fls. 03 a 24, para exigir-se da autuada o crédito tributário constituído dos Impostos de Importação e Sobre Produtos industrializados; da multa sobre o 1.1, capitulada tanto no inciso I, 4°, da Lei nO8.218/91, quanto no artigo 521, I, "b", do Regulamento Aduaneiro; da multa capitulada no inciso U, do art. 364, U, do RIPI, incidente sobre o IPI, juros moratórios e multa capitulada no art. 526, IX do Regulamento Aduaneiro, e teve por base o emprego dos bens importados, com isenção, em finalidade diversa daquela que condicionou a concessão do beneficio. A Fundação Theodomiro dos Santos, entidade devidamente credenciada pelo CNPq, importou, ao amparo da Lei 8.010/90, bens com isenção dos impostos incidentes na operação de importação, e partes desses bens tiveram seu uso cedido a Terceiros, professores da Escola Federal da Engenharia de Itajubá- EFEI, mediante contrato de comodato, o que contraria a legislação que rege a matéria. Em seu voto, a Conselheira Relatora Elizabeth Maria Violatto assim se pronunciou: ,I lf. i 1 PROCESSO N° : 10660.000339/96-48 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.001 importadora e desenvolvidos pela Escola a que pertencem. Não restou comprovado o intuito de proporcionar a tais pessoas a oportunidade de importar bens, sob os auspícios de uma isenção a que não faziam jus. O que se tem por fato é que tais bens foram entregues àqueles que deveriam operá40s, restando sem comprovação tanto o desvio de destinação dos mesmos quanto a intenção de transferi-los para terceiros, eis que estes permanecem integrando o ativo fixo da Fundação, embora encontrem-se em poder de funcionários da Escola, comprometidos com a execução dos programas mantidos pela autuada. Não se trata de terceiros quaisquer, sem vínculo com a beneficiária da isenção. Tenho em conta que, de fato, foi um equivoco o contrato de comodato firmado entre as partes, quando na realidade o adequado seria um termo de responsabilidade e guarda de bens. Entretanto, penso que outros aspectos devam a este conjugar':' separa que se tipifique a infração apontada, razão pela qual voto no sentido de prover o recurso interposto." A Fazenda Nacional, em seu recurso, alega, em síntese: "o Código Tributário Nacional determina, no seu art. 111 J que deve ser interpretada literalmente a outorga da isenção. A isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, só abrange os casos especificados, sem ampliações. Ao intérprete, então, é vedada a utilização da interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de se conceder a isenção. Ninguém pode se escusar às prestações _decorrentes de obrigação tributária, indicando pacto celebrado para substituir-se por outrem, isto é, nenhuma convenção entre particulares pode ser oposta ao Fisco para modificar a definição do sujeito passivo. A responsabilidade por infrações na legislação tributária é formal e de natureza objetiva, eis que, salvo disposições de lei em contrário, independe da intenção do agente de prejudicar a Fazenda Pública e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em face do exposto e dos doutos subsídios da decisão de primeiro grau, que se tem como aqui transcrita, requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente recurso para o fim de ser reformado o Acórdão Recorrido e integralmente restabeleci da . a decisão de primeira instância.," É o relatório. ~ ---======- --------_. l I I PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10660.000339/96-48 : CSRF/03-03.001 "VOTO A hipótese infracionada apontada nos autos refere-se à transferência de bem importado com isenção vinculada à qualidade do importador, a pessoas que não gozam de igual tratamento tributário. As disposições legais a respeito são absolutamente severas, pois que objetivam vedar qualquer possibilidade de que pessoas ou instituições que não fazem jus ao beneficio fiscal, venham, através de procedimentos espúrios, valer-se do nome de qualificada, para eximir-se do pagamento dos tributos normalmente devidos. Assim, o artigo 137 do RegulamentoAduaneiro estabelece que a transferência de propriedade ou uso dos bens a qualquer título, obriga ao prévio pagamento dos impostos incidentes na operação de importação, outrora dispensados em face da qualidade do importador. É evidente, no entanto, que uma instituição não pode operar seus equipamentos, a não ser através de seus funcionários e prepostos, capacitados para tal fim. Dessa forma, tem-se por inevitável que o uso efetivo dos bens será praticado por pessoas que não, necessariamente, fazem jus ao beneficio fiscal de que se trata, mas que, em nome da entidade a que servem, executarão as atividades a que esta se presta. Tem-se, portanto, que muito embora a isenção ora examinada vincule-se à qualidade do importador, indiretamente, prende-se igualmente á destinação dos bens, ao seu emprego na atividade que qualifica o importador para o beneficio fiscal. No caso vertente, restou comprovado nos autos que os usuários dos equipamentos importados pela autuada são professores, pertencentes ao quadro permanente da Escola Federal de Engenharia de Itajubá, em regime de dedicação exclusiva; que a Fundação Theodomiro Santiago trabalha em parceria com a referida Escola, tanto que a transferência de bens similares a esta entidade não foi objeto de autuação, tendo sido considerada licita a outorga de tal beneficio à Escola, que mantém em seu corpo docente os professores que receberam, em regime de comodato, os equipamento a que se referem os autos. Nada nos autos demonstra que os bens confiados aos professores, o tenham sido a eles entregues sem qualquer compromisso relativo ao seu emprego nas atividades típicas da Fundação. Pelo contrário, instruem o processo farto material indicando sua vinculação a projetos de pesquisa sustentados pela ~- ! ! J~' PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10660.000339/96-48 : CSRF/03-03.001 VOTO ~---I CONSELHEIRO RELATOR MOACYR ELOY DE MEDEIROS A Lei 8.010, de 29 de março de 1990, assim dispõe: "Lei nO8.01O-DE29 DE MARÇO DE 1990. Dispõe sobre importações de bens destinados à pesquisa científica e , tecnológica, e dá outras providencias. Faço saber que o Presidente da República adotou a Medida Provisória nO141, de 07 de março de 1990, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Nelson Carneiro, Presidente do Senado Federal, para os efeitos do disposto no parágrafo único, do artigo 62, da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei: Art. 1°. São isentas dos impostos sobre a Importação e sobre Produtos Industrializados e do adcional ao frete para renovação da marinha mercante, as importações de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, bem como suas partes e peças de reposição, acessórios, matérias-primas e produtos intermediários, destinados à pesquisa científica e tecnológica. 9 1°. As importações de que trata este artigo ficam dispensadas do exame de similaridade, da emissão de Guia de Importação ou documento de efeito equivalente e controles prévios ao despacho aduaneiro. S 2°. O disposto neste artigo aplica-se somente às importações realizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, e por entidades sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa científica e tecnológica ou de.ensino, devidamente credenciada pelo CNPq". A sua edição ocorreu após o Decreto-lei nO91.030/85 (Regulamento Aduaneiro), e o Decreto nO81.981/85 (Regu/amento do Imposto Sobre Produtos Industrializados). A norma especifica prevalece sobre a legislação com entendimento contrário, desde que da mesma hierarquia, e. não sendo prevista a hipótese de vedação de transferência a qualquer título (art. 137 do RA), entendo que não cabe o enquadramento apontado no AI. f, r PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10660.000339/96-48 : CSRF/03-03.001 Em entendimento contrário, caso os citados dispositivos continuassem vigendo para as situações semelhantes ao do presente, a lei isencional seria absolutamente inócua. Isto porque, feita a importação, quem iria utilizar os computadores? Os pesquisadores da Fundação, é claro, foram os visados pelo legislador no sentido de que tivessem participação no esforço do desenvolvimento da pesquisa científica no Brasil. A transferência fez-se dentro do espírito da lei. Não infringiu qualquer dispositivo legal, razão porque, nego provimento ao Recurso Especial. Sala das Sessões, DF em 20 de outubro de 1998. MOACYR ELOY DE MEDEIROS 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 18108.001350/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.663
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada dos Anexos I, II e III integrantes do Auto de Infração.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada dos Anexos I, II e III integrantes do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fabio Piovesan Bozza, Luís Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Andrea Brose Adolfo. Trata-se de Auto de Infração de Obrigação Principal Auto de Infração, (AI) DEBCAD nº 37.021.340-8, consolidado em 28/11/2007, no valor de R$ 2.680.754,75. O crédito está discriminado nos seguintes levantamentos: COP - COOPERADOS - diferenças de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos cooperados (contribuinte individual), período de 04/2003 a 12/2006; Fl. 901DF CARF MF Processo nº 18108.001350/2007-35 Resolução nº 2301-000.663 S2-C3T1 Fl. 3 2 SAL - EMPREGADO - diferença salário de contribuição de empregado nas rubricas segurado, empresa, sat, terceiros, período 05/2003 a 13/2006 DAL - DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS - diferenças de acréscimos legais nos períodos 06/2003, 08/2005 e 03, 04 e 09/2006. A DRJ julgou a impugnação improcedente mantendo o lançamento. Inconformada a cooperativa apresentou recurso voluntário (e-fls. 411/447) em que alega, em apertada síntese: a) necessidade de observância dos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, da legalidade objetiva, da verdade material e da razoabilidade; b) no mérito, que os valores constantes da base de cálculo para a autuação são indenizatórios, portanto sobre eles não incide contribuições previdenciárias; c) não há incidência de contribuições previdenciárias sobre a "antecipação de sobras" por se tratar de ato cooperativo; d) a IN SRP 03/2005 ampliou o conceito de salário de contribuição invadindo competência de lei complementar; e) o pagamento de todas as contribuições devidas pela cooperativa, com a juntada de GFIP e GPS, referente ao período 12/2003 e 07/2004 a 04/2005; f) improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais. Em 24/01/2013 o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução n º 2403-000.136 (e-fls. 828/838), para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: a) motivos que levaram a considerar como sc os valores de locação, alimentação, adiantamentos, diferenças de verbas, ajuda de custo, com a juntada de documentos probantes; b) se as sobras foram apuradas nos resultados dos exercícios e se referiam aos atos cooperativos do art. 79 Lei. 5764/71; c) após, ciência ao contribuinte. Após cumprimento da diligência, com a emissão de Relatório (e-fls. 874/878) no qual a autoridade fiscal demonstra a impossibilidade de juntada de novos documentos tendo em vista a falta de apresentação de esclarecimentos pela recorrente, os autos retornaram a este Conselho para julgamento. É o relatório. Analisando os autos verifica-se que não constam os Anexos I, II e III citados pela autoridade autuante no Relatório Fiscal da NFLD. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 18108.001350/2007-35 Resolução nº 2301-000.663 S2-C3T1 Fl. 4 3 Tal situação já havia sido mencionada na Resolução nº 2403-000.136 (e-fls. 828/838), da qual valho-me para justificar a necessidade de nova diligência: DAS RUBRICAS Titulado por “ Relação das Rubricas da Folha de Pagamento Não Integrantes da Remuneração Calculada pela Empresa ”, aparentando ter sido produzido pela Autoridade autuante, o documento “ Anexo II ” de fls. 243/250, foi aproveitado e trazido à colação pela recorrente. Registra, entre outros, pagamentos a título de ANTECIPAÇÃO DE SOBRAS. DAS BASES DE CÁLCULO O Relatório Fiscal registra às fls.89 que : “ As bases de cálculo mensais e as contribuições devidas pelos cooperados, ambas apuradas pela Fiscalização, estão relacionadas analiticamente, por segurado, na planilha "Anexo 1 desta NFLD", a qual foi entregue à Cooperoeste na forma de arquivo digital, devido o expressivo volume de páginas de relatório para impressão.” (...) 1.6 os cálculos de apuração das contribuições que deveriam ter sido retidas e descontadas dos cooperados, efetuados pela Fiscalização, foram realizados individualmente para cada segurado, utilizando-se a alíquota de 11% sobre as remunerações pagas aos mesmos, respeitando-se mensalmente os respectivos tetos dos salários de contribuição, como limite máximo da base de cálculo das contribuições de cada segurado cooperado ( Vide Anexo 1 desta NFLD ). (...) 2.2 O anexo 1 desta NFLD, entregue à Cooperoeste em meio digital, contém o demonstrativo dos cálculos das contribuições devidas, efetuados pela Fiscalização, analiticamente por cooperado em cada competência. 3 Base Legal A base legal que ensejou a presente notificação encontra- se na legislação constante do relatório "FLD Fundamentos Legais do Debito", que integra a NFLD, especialmente na Lei 8.212/91 e no Decreto 3.048/99.” ( grifos de minha autoria) Na parte final do Relatório Fiscal a Autoridade autuante registra quer: “A notificação e seus anexos, incluindo este relatório, foram entregues à Sra. Thais Rodrigues Fiore Presidente da Cooperoeste, que ficou ciente da origem e da natureza do débito, cabendo destacar que os anexos citados nas alíneas "b" a "g" do item 8, além das planilhas denominadas como "Anexo 1" , "Anexo 2" e "Anexo 3", as quais são mencionadas no Item 1 deste Relatório Fiscal, foram entregues em meio digital, mediante recibo” Relevante destacar que os sobreditos "Anexo 1" , "Anexo 2" e "Anexo 3" não se encontram colacionados nos autos. (...) Fl. 903DF CARF MF Processo nº 18108.001350/2007-35 Resolução nº 2301-000.663 S2-C3T1 Fl. 5 4 DA DILIGÊNCIA A necessidade de diligência tem fulcro na forma expressa no art. 63 do Decreto 7.574, de setembro de 2011, verbis: “ Art.63.Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36 (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 29 e 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º).” A Recorrente reitera que : “ os valores incluídos na Notificação Fiscal referentes às supostas contribuições devidas pela empresa à seguridade Social, diferenças apuradas são valores que realmente não integram à base de cálculo da contribuição por tratarem especificamente de parcelas para o trabalho, não havendo incidência tributária, como: a) os valores correspondentes a transporte, alimentação que se destinam a utilização em serviço; b) o valor relativo a vestuário e equipamentos utilizados no próprio local de trabalho; c) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados dos valores recebidos pela prestação de serviços; c) parcelas recebida a titulo de vale transporte; d) demais ajuda de custos como auxilio em caso de doença, ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo próprio no cumprimento de sua prestação de serviços, pagamento á título de plano educacional que visa à educação básica e cursos de capacitação relacionados as atividades exercidas pela cooperativa. Assim, proponho que retornem os autos à unidade de origem para que a fiscalização anexe ao presente processo os Anexos I, II e III citados no Relatório Fiscal desta NFLD. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora Fl. 904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000570/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que o processo pode ser julgado isoladamente. Vencida a preliminar, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/2009-17, bem como (ii) emita relatório conclusivo das verificações efetuadas.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que o processo pode ser julgado isoladamente. Vencida a preliminar, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/2009-17, bem como (ii) emita relatório conclusivo das verificações efetuadas. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que o processo pode ser julgado isoladamente. Vencida a preliminar, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/200917, bem como (ii) emita relatório conclusivo das verificações efetuadas. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 57 0/ 20 09 -8 6 Fl. 3025DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 3/54) de IRPJ e Reflexos, lavrados em decorrência de omissão de receitas relativas aos anos base de 2004 e 2005, nos seguintes termos: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, intimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação em anexo, deixou de apresentálos. [...] 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINANCEIROS: CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receitas da prestação de serviços financeiros apuradas com base nos créditos bancários não comprovados, oriundos de pagamentos dos empréstimos mútuos concedidos pelo contribuinte a seus diversos clientes, levantados conforme detalhadamente relatado no Termo de Verificação Fiscal e seus anexos, que fazem parte integrante desta descrição de fatos. Em síntese, os fatos mais relevantes e de destaque são: A As contas bancárias mantidas junto à CREDIPEU, Agência 31615, conta n° 30.3356 (Individual) e à CREDICOOP, Agência 31593, conta 1.1045 (conjunta com Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004, com rateio de 50% para cada um, nos termos do parágrafo 6o da Lei 9.430/96, introduzido pela Lei 10.637/2002), foram movimentadas para efetuar operações de empréstimos a terceiros, tendo como financiador (emprestador), Jamir de Souza Machado, CPF 445.016.41649; e como pessoas financiadas (tomador do empréstimo), diversas pessoas fisicas ou jurídicas; B Essas contas bancárias eram movimentadas com assinaturas do correntista ou de seus procuradores Srs. Anderson Ferreira de Freitas e Frank Corrêa Lacerda Campos e o contribuinte não comprovou a origem dos créditos bancários, mesmo regularmente intimado por várias vezes, o que caracteriza omissão de receita nos termos do artigo 42 e seus parágrafos da Lei 9.430/96, observado a nova redação dada pela Lei 10.637/2002; C Essas operações de empréstimos são atividades de pessoas jurídicas e sujeitam o responsável à inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ, voluntariamente ou de oficio; D As operações de empréstimos deverão ser escrituradas e individualizadas nos livros contábeis e fiscais, com base em documentos, e obedecidas as demais normas de controles e autorizações do Banco Central do Brasil estabelecidas pela Lei 4.595/64. A tributação desta atividade é pelo regime do Lucro Real ou na impossibilidade da apuração por esta forma, pelo Lucro Arbitrado; Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 4 3 E Jamir de Souza Machado foi intimado várias vezes a apresentar os documentos e livros onde mantém a escrituração dessas operações, inclusive a discriminação dos empréstimos concedidos e liquidados (livro razão), porém não apresentou qualquer documento ou escrituração. Deste modo, a única forma de tributação é o arbitramento, com base nos dados disponíveis. A tributação é feita com a base apurada em cada tipo de origem dos créditos, quando identificados, ou pelo arbitramento com aplicação do maior percentual relativo às atividades desenvolvidas, quando não é possível apurar cada atividade em separado, sobre os créditos relacionados com os valores dos empréstimos pagos pelos clientes, conforme preceituam os artigos 841 e 845 e seus Incisos c/c artigo 530 e seus incisos I, III e VI, artigo 532, 533 e artigo 537 e seu parágrafo único, todos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99; F. A multa de oficio cabível é de 150% (cento e cinqüenta por cento), tendo em vista: o montante omitido; a ocorrência, smj, de sonegação e fraude; o exercício de atividades financeiras sem autorização do Banco Central do Brasil. Após emitir várias intimações para esclarecimentos sobre a origem de diversos depósitos e movimentações bancárias, a autoridade fiscal redigiu minucioso Termo de Verificação Fiscal (fls. 55/89), o qual bem relata os fatos envolvidos e argumentos do contribuinte, para, ao final, concluir que: 15) Durante todo o período desta auditagem fiscal, o contribuinte não apresentou os extratos bancários e os comprovantes das origens dos créditos em suas contas bancárias, como também não comprovou as destinações das saldas de recursos dessas contas bancárias, previamente selecionados pela fiscalização. Assim sendo, com base na Lei Complementar n° 005/2001 e Decreto 3.724/2001 foram solicitados às instituições financeiras, documentos relativos às movimentações financeiras do Sr. Jamir de Souza Machado, e realizadas algumas diligências, com o objetivo de confirmar a realização de operações de mútuo, em todas as suas movimentações bancárias, como o próprio contribuinte vem sempre afirmando desde o inicio desta fiscalização. As contas bancárias objeto de auditagem neste procedimento fiscal foram: NOME DO BANCO AGÊNCI A CONTA TIPO SICOOB CREDIPEU 31615. 30.3356. Individual SICOOB CREDIMAC 31410. 6335. Individual SICOOB CREDICOOP 31593. 1.1045. Conjunta:Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004. SICOOB CREDICOOP 31593. 5.1004. Individual CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 1426. 2.7100. Individual BANCO DO BRASIL 24759. 16.2663. Individual Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 5 4 16) Os documentos solicitados às Instituições Financeiras, por amostragem, foram relacionados no "ANEXO 1: AMOSTRAGEM DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS" e compõe este Termo de Verificação Fiscal. 17) Realizamos diligências, solicitando informações a terceiros, com base nos documentos disponibilizados pela CREDICOOP, com o objetivo de confirmar os tipos de operações realizadas. Com relação à conta bancária n° 30.3356 junto à CREDIPÉU, já foram realizadas diligências e foram confirmadas as informações do contribuinte de que ele realizou operações de empréstimos mútuos a terceiros, pessoas fisicas ou juridicas, e foram constatadas movimentações em parceria na conta n° 31.6415, também da CREDIPÉU, em nome de Glauciane Maria de Sousa. Parceria, porque houve débito na conta da Glauciane e emissão de transferência bancária, com a citação da conta do Jamir, e transferências com débitos parciais nas duas contas, por intermédio de saques em cheques no caixa ou autorização de débito em conta. Pelas análises documentais, não surgiram evidências de que as demais contas bancárias foram também usadas de forma freqüente para operacionalizar empréstimos a terceiros, motivo pelo qual a tributação dessas contas será realizada em separado, juntamente com a conta n° 5.1004, junto à CREDICOOP, para a qual também não obtivemos dados objetivos e conclusivos que demonstrassem a realização de empréstimos freqüentes. As conclusões das diligências estão relacionadas no "ANEXO 2: DILIGÊNCIAS REALIZADAS PARA CRUZAMENTOS DE INFORMAÇÕES COM TERCEIROS" e os documentos inerentes às mesmas, anexadas aos respectivos procedimentos fiscais. Concluise que parte da movimentação da conta conjunta n° 1.1045 junto à CREDICOOP serviu para a prática de realização de empréstimos mútuos. As bases de cálculo dos impostos e contribuições devidas estão demonstradas nos itens posteriores. 18 Foram constatadas operações de empréstimos com freqüência durante a movimentação da conta n° 30.3356 do Sr. Jamir de Souza Machado junto à CREDIPÉU, confirmando as declarações do próprio contribuinte durante este procedimento fiscal. Também houve uma vinculação desta conta com a conta n° 31.6415, também da CREDIPÉU, em nome de Glauciane Maria de Sousa. Ocorreram saques parciais nas duas contas para a remessa de uma ou várias transferências a terceiros, por ocasião da concessão de empréstimos mútuos, através de débitos autorizados em conta ou saques de cheques pagos no caixa. Verificouse também, operação com débito na conta bancária da Glauciane e a remessa da transferência expedida como se fosse a débito da conta do Jamir e crédito do contratante da operação de empréstimo de mútuo. Resumimos alguns documentos da conta 31.6415 que demonstram esses fatos, no "ANEXO 3: Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 6 5 DOCUMENTOS REQUISITADOS A CREDIPÉU COM PARTICIPAÇÃO EM CONJUNTO DE TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS: CONTA 31.6415 EM NOME DA GLAUCIANE MARIA DE SOUSA E CONTA N° 30.3356 DO JAMIR DE SOUZA MACHADO". [...] 20) Os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissões de receitas e serão considerados auferidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, conforme dispõe o artigo 42 da Lei 9.430/96. Os valores das receitas omitidas serão analisados individualmente, eliminando as transferências entre contas da mesma titularidade. No caso da existência de conta em conjunto e não identificados os valores das movimentações individuais, os valores das omissões de receitas serão rateados em partes iguais entre os titulares das contas. Todos esses procedimentos estão previstos nos parágrafos do artigo 42 da Lei 9.430/96, com a observância das alterações introduzidas pelas Leis 9.481/97 e 10.637/2002. 21) As freqüentes operações de empréstimos com remuneração, como consta nos extratos bancários e documentos ora anexados e citados neste Termo, praticadas pelos responsáveis pelas movimentações bancárias, caracterizam serviços financeiros prestados, atividades de natureza comercial, similares às operações de instituições financeiras, nos termos do artigo 17 e seu parágrafo único da Lei 4.595/64, típicas de pessoas jurídicas no que diz respeito à aplicação da legislação tributária. Equiparase às pessoas jurídicas, para os efeitos do Imposto de Renda, "a pessoa física que, em nome individual, explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens e serviços", conforme dispõe o Inciso II do artigo 150 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. O lucro da operação é a base tributável, obtida pela diferença entre as receitas e os custos e despesas operacionais dedutíveis. É obrigatória a escrituração contábil completa para as atividades de instituições financeiras, bem como para as empresas equiparadas, cuja tributação deverá ser feita na forma de apuração de Lucro Real, como determina os incisos II e VI do artigo 246 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. No caso em questão, o lucro bruto é a diferença entre os recebimentos e as aplicações, onde os recebimentos são representados pelos créditos provindos das liquidações dos empréstimos mútuos, e os custos são representados pelas entregas dos numerários ao devedor. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 7 6 Quando inexiste a possibilidade de se apurar o ganho real, a base tributável é obtida pelo arbitramento do lucro, mediante os dados disponíveis, aplicandose o percentual legal para a obtenção do lucro tributável, conforme preceituam os artigos 529, 532, 533, 841 e 845, com seus parágrafos e incisos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. 22) Assim sendo, as omissões de receitas apuradas com base nos créditos bancários não comprovados nas contas bancárias do contribuinte JAMIR DE SOUZA MACHADO, CPF n° 445.016.4164 9, nos termos do artigo 42 e seus parágrafos da Lei 9.430/96, serão tributados através de dois procedimentos distintos: a) Tributadas na pessoa física do contribuinte, as omissões de receitas apuradas, cujas atividades não são típicas das pessoas jurídicas, ou a elas equiparadas, relativas às seguintes contas bancárias: NOME DO BANCO AGÊNCIA CONTA TIPO SICOOB CREDIMAC 31410. 6335. Individual SICOOB CREDICOOP 31593. 5.1004. Individual CAIXA ECON.FEDERAL 1426. 2.7100. Individual BANCO DO BRASIL 24759. 16.2663. Individual b) Tributadas na pessoa jurídica equiparada, as omissões de receitas vinculadas aos empréstimos mútuos realizados, observados com relevância nas contas bancárias abaixo relacionadas: NOME DO BANCO AGÊNCI A CONTA TIPO SICOOB CREDIPEU 31615. 30.3356. Individual SICOOB CREDICOOP 31593. 1.1045. Conjunta:Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004 50%. [...] 27) Com base em todo o exposto, verificamos a variação patrimonial a descoberto, com base nos valores declarados do contribuinte, com a glosa dos rendimentos isentos não comprovados, a inclusão dos rendimentos tributados exclusivamente na fonte e a adição dos rendimentos apurados da atividade rural, como demonstrado no "Anexo 7 DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO", nos valores de R$ 792.111, 85 e 78.424, 48, nos anos de 2004 e 2005, respectivamente, com base nos artigos 846 e 847 do RIR/99. [...] 29) Como já exposto, foi confirmado que o contribuinte realizou operações de empréstimos mútuos a terceiros, tanto a pessoas físicas quanto a jurídicas,. com utilização das contas movimentadas junto à CREDIPÉU, Agência 31615, conta n° 30.3356 (Individual) e à Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 8 7 CREDICOOP, Agência 31593, conta 1.1045 (conjunta com Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004, com rateio de 50% para cada um, nos termos do parágrafo 6o da Lei 9.430/96, introduzido pela Lei 10.637/2002). Relacionamos todos os créditos bancários de origens não comprovadas, vinculados a essas duas contas bancárias, pertencentes a Jamir de Souza Machado, relativos aos anoscalendário 2004 e 2005, no ANEXO 9: "CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJAS ORIGENS NÃO FORAM DISCRIMINADAS E COMPROVADAS MOVIMENTAÇÕES EM CONTAS BANCÁRIAS UTILIZADAS PARA A REALIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS MÚTUOS", sendo que a última coluna denominada "Vr. Jamir R$", apresenta o valor total dos créditos relativos a conta na CREDIPÉU ou a 50% dos créditos da conta conjunta na CREDICOOP. Também como já relatado, as operações, de mútuo são operações comerciais, tributadas na qualidade de pessoa juridica equiparada, cujo CNPJ foi inscrito de oficio, nos termos dos artigos 150 e 160 do RIR/99, c/c artigos 10 e 19 da Instrução Normativa da .RFB n° 748 de 28/06/2007. Pela falta da comprovação da origem dos créditos bancários movimentados em conta bancária do Sr. Jamir de Souza Machado, mesmo regularmente intimado, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96; pela falta de apresentação da escrituração e documentos relativos às operações de mútuo; pela equiparação das operações de mútuo às atividades de instituições financeiras, como dispõe o caput e parágrafo único do artigo 17 da Lei 4.595/64, já transcrito neste termo; pela equiparação de operações de mútuo a atividades comerciais e de prestações de serviços financeiros, tributadas em pessoas juridicas; e por tudo mais já mencionado neste Termo, apuramos a base de cálculo sujeita à tributação, na forma de arbitramento do lucro, com base nos Incisos I, II, III e VI do artigo 530, artigos 532, 533, 845 e seus incisos II e III, 849 com seus parágrafos c/c 247 e seus parágrafos, todos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. Os totais dos créditos bancários não comprovados apurados como supracitado, estão demonstrados no Anexo 9 deste Termo. 30)Tendo em vista as omissões de receitas verificadas, a relutância do contribuinte em informar os rendimentos da atividade rural, a inclusão de rendimentos isentos sem as comprovações das origens, a constatação de variação patrimonial a descoberto em montantes relevantes comparados aos rendimentos declarados, movimentações bancárias com créditos de R$18.224.666,82, para rendimentos tributáveis de R$ 120.514, 00, nos anos de 2004 e 2005, e ainda, os demais fatos citados neste termo, s..m.j., caracterizam omissão dolosa objetivando retardar o conhecimento e retardar parcialmente a ocorrência do fato gerador, o que enseja a qualificação da multa de oficio, aplicada sobre todo crédito tributário ora levantado, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do artigo 44, Parágrafo Io da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c o artigo 957 Inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, tendo em vista, s.m.j., a existência de sonegação e fraude, nos termos dos artigos 71, 72 da Lei 4.502/1964, a seguir transcritos: "Artigo 71: Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento por parte da Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 9 8 autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal". Artigo 72: Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Cientificado das autuações, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2222/2270), a qual, além de formular pedido de perícia, argumenta, em síntese, que: (i) as condutas praticadas pelos fiscais violam os princípios da legalidade, verdade material e "presunção de inocência". Ademais, a ausência de disponibilização de cópias legíveis do processo cerceia o direito de defesa; (ii) as atividades das instituições financeiras em nada se confundem com as operações realizadas pelo Impugnante. A alegada realização de empréstimos por meio da troca de títulos de crédito de terceiros ("troca de cheque pré datado”) deveria ter sido enquadrada no conceito de factoring; (iii) o fisco não poderia ter realizado o arbitramento, tendo em vista: (iii.i) a impossibilidade de exigência de escrituração contábil, nos termos do art. 160 do RIR, como fundamento jurídico para a realização do arbitramento; (iii.ii) a vedação à utilização deste método de tributação em face da possibilidade de se apurar o lucro (no caso representado pelo ganho efetivo com juros); (iv) não se trata de hipótese de aplicação de multa qualificada de 150%, uma vez que ela não tem base legal; é confiscatória; fere o princípio da tipicidade cerrada e deve ser revelada em face da Lei n° 11.488/2007. Em sessão de 21 de julho de 2009, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, após afastar o pedido de perícia, decidiu pela improcedência da impugnação, com a manutenção integral dos montantes. A ementa da decisão (fls. 2336/2369) foi assim redigida: PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, e o autuado, devidamente cientificado, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. PESSOA FÍSICA EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA As pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, equiparamse à pessoa jurídica, e devem inscreverse no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Legitimada a equiparação operada no lançamento, o contribuinte passa a estar obrigado a todos os procedimentos e à observância da Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 10 9 legislação próprios das pessoas jurídicas, inclusive no que atine às regras de tributação pelo lucro real, presumido ou arbitrado e às exigências de escrituração contábil e fiscal. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA X FACTORING Fica afastada a possibilidade de tributação sob as regras aplicáveis às empresas de factoring, quando constatado em procedimento fiscal que, dentre as atividades do contribuinte, está a realização de empréstimo de mútuo, de forma habitual e sistemática, própria de instituição financeira. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, na condição de instituição financeira, sujeito à tributação com base no lucro real, devidamente intimado, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O contribuinte que realiza operações de empréstimos de mútuo próprias das instituições financeiras e não apresenta nenhum documento comprobatório da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias especificadas no lançamento, fica sujeito ao coeficiente de arbitramento no percentual de 45%, específico dessas instituições. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada no percentual de 150% será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Após tomar ciência dessa decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 2.376/2.439). Reitera, basicamente, os argumentos de defesa; requer a nulidade da decisão de piso em face de cerceamento do direito de defesa; e busca demonstrar que a conta conjunta mantida junto a CREDICOOP, na verdade, foi aberta para movimentar recursos, devidamente tributados, de empresas das quais eram sócios (Ardósia Universal Ltda. e Alto da Boa Vista Mineração Ltda.), afinal a referida instituição financeira, na época dos fatos, não operava com conta de pessoa jurídica. O contribuinte, além disso, buscou comprovar no recurso voluntário que o seu sócio à época, Sr. Murilo Reis, que também era titular em conjunto de uma das contas objeto deste lançamento, apresentou impugnação em face de Auto de Infração de IRPF (fls. 2.724/2.757), nos autos do processo 10665.000737/200917, que discute matéria semelhante. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 11 10 Posteriormente, por meio da petição de fls. 2.770 e seguintes, o contribuinte informa que as instituições financeiras, por força das medidas cautelares que ajuizou, disponibilizaram novos documentos (cheques e controles internos de empréstimos), que foram anexados aos autos para apreciação. O processo acabou sendo sobrestado (cf. fls. 2.928/2.932), uma vez que a discussão sobre a quebra do sigilo bancário encontravase em fase de julgamento pelo STF. Superado este impeditivo, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 1202000.255 (fls. 2959/2972), "para que a unidade de origem, tomando por base os documentos apresentados pelo contribuinte às fls. 1778 e seguintes, verifique se, de fato, a documentação juntada comprova as alegações de defesa do Contribuinte". Em atendimento à Resolução deste Colegiado, a autoridade fiscal elaborou Termo de Diligência (fls. 2974/2977). Conclui que: "De todo o exposto, e após análise da documentação juntada aos autos do presente processo no recurso voluntário, entendemos que não foram apresentados novos elementos materiais que possam sustentar a argumentação da defesa ou modificar as conclusões da primeira instância, a qual manteve integralmente as exigências relativas a IRPJ, CSLL, COFINS e PIS consubstanciadas nos autos de infração de fls. 04 a 51 do processo digitalizado, acrescidas de multa de ofício de 150% e dos juros de mora pertinentes". Após chamado a se manifestar, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 2983/2995), afirmando que a auditoria não atendeu os questionamentos determinados pelo CARF. É o relatório. Voto Afasto, de plano, o pedido de conexão do presente processo levantado em tribuna, por entender ausentes seus pressupostos. O contribuinte comprovou que seu sócio em algumas empresas à época dos fatos, Sr. Murilo Reis, que possuía conta conjunta com o Recorrente no CREDICOOP (conta n° 1.1045, que foi objeto deste lançamento) também foi autuado por omissão de receita (na pessoa física), tendo apresentado defesa no dia 09/07/2009, data esta que é posterior à impugnação que foi apresentada neste caso. Da análise dessa defesa, noto que há um argumento comum invocado em ambos os casos, qual seja, o de que os valores movimentados dizem respeito aos movimentos financeiros decorrentes de atividades praticadas por empresas das quais eram sócios. Em consulta realizada, é possível aferir que no processo do Sr. Murilo Reis (10665.000737/200917), o julgamento do recurso voluntário por ele interposto foi convertido em diligência (Resolução nº 2102000.198), nos seguintes termos: Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 12 11 Entretanto, a despeito de não ter sido deferida pela decisão recorrida, entendo que a realização de uma diligência no caso concreto é medida que se impõe, a fim de que não haja qualquer cerceamento à defesa do Recorrente. É que o Recorrente busca justificar parte da origem dos depósitos bancários efetuados em duas contas que ensejaram este lançamento (Credicoop nº 1.1045 e 5.1810) sob a alegação de que tal movimentação seria decorrente da atividade comercial exercida em conjunto com Jamir de Souza Machado. Para comprovar que tal movimentação se referia à atividade de venda de ardósia, acostou aos autos documentação que comprovaria que a receita das empresas das quais era sócio transitavam pelas referidas contas de pessoas físicas. Segundo ele, as contas foram abertas em nome das pessoas físicas (e não da jurídica) porque o Credicoop não aceitaria contas de pessoas jurídicas. A decisão recorrida rejeitou tal alegação, sob o argumento de que os valores estampados nos cheques que supostamente serviriam à quitação de receitas das pessoas jurídicas não refletiam um depósito de igual montante nas contas bancárias em questão, razão pela qual careceriam de prova as alegações do Recorrente No entanto, em sede de recurso, o Recorrente esclareceu que as planilhas por ele elaboradas não teriam sido compreendidas pela autoridade julgadora, pois na realidade o banco (Credicoop) recebia a totalidade dos cheques de pagamentos de um dia, os transformava em dinheiro, usava este dinheiro para quitar obrigações (despesas) das pessoas jurídicas, e somente então depositava o saldo remanescente do dia nas contas bancárias. É o que demonstram as tabelas reproduzidas às fls. 5761 dos autos (no Recurso Voluntário). Ainda de acordo com a defesa do Recorrente, a farta documentação anexada aos autos não pôde ser anexada ainda durante o procedimento fiscal por falta de tempo hábil para arrecadála naquele momento. Assim, diante da quantidade de documentos a serem analisados (relacionados às fls. 857/858 dos autos digitais e anexados às fls. 863/5718 dos autos digitais), e diante da plausibilidade das alegações do Recorrente, entendo que deve ser deferida a realização de diligência, a fim de que tais documentos sejam devidamente apreciados. Vale ressaltar que não é suficiente a comprovação de que os cheques recebidos pelas pessoas jurídicas tenham sido depositados em suas contas bancárias, pois é necessário comprovar também que estes depósitos se refiram a uma receita tributada pela pessoa jurídica. Alega o Recorrente que os documentos trazidos aos autos são aptos a comprovar tais alegações. Diante de todo o exposto, proponho a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, a fim de que sejam analisados pela Delegacia de origem (DRF Divinópolis/MG) os documentos anexados às fls. 863/5718 dos autos digitais, devendo ser elaborado relatório esclarecendo: a) se os cheques de pagamentos destinados às pessoas jurídicas referidas nas planilhas elaboradas pelo Recorrente foram efetivamente Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 13 12 depositados nas contas correntes mantidas no CREDICOOP n° 1.1045 e 5.1810, indicando os respectivos valores e datas de depósito; b) caso a resposta seja afirmativa, indicar se é possível vincular os cheques recebidos a receitas contabilizadas pelas pessoas jurídicas, indicando o documento que o comprove; c) no que diz respeito à conta corrente da CREDICOOP n. 1.2300, esclarecer se os valores contabilizados pelas empresas Ardósia Universal Ltda., Alto da Boa Vista Mineração Ltda. e Lincar Pedras de Ardósia Ltda. como pagos ao Recorrente e sua esposa foram creditados na referida conta, indicando, se for o caso, as datas e valores em que ocorreram; d) intimar o recorrente para que colabore nas apurações acima, fornecendo as informações e cópia de documentos que porventura possuir; e e) caso proceda a alegação do Recorrente de que 50% dos depósitos efetuados na conta n° 1.1045, atribuídos ao Sr. Jamir de Souza Machado foram tributados de forma diversa (equiparando o Sr. Jamir à pessoa jurídica) que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento se pronuncie sobre o que motivou o tratamento diferenciado entre os cotitulares desta mesma conta. Nesse contexto, considerando a relevância desta diligência para o deslinde desta demanda, notadamente os quesitos previstos nos itens "a", "b", "d" e "e", conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade de origem, tomando por base o resultado da diligência solicitada nos autos do processo nº 10665.000737/200917, verifique a procedência ou não das alegações dos contribuintes. Para tanto, requerse que a fiscalização: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/200917, bem como (ii) emita relatório conclusivo para o presente processo, devendo o contribuinte ser cientificado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Após, retornem os autos ao CARF para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Fl. 3036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900456/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento.
BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA.
O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR.
CONFISSÃO DE DÍVIDA
A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1801-000.424
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CANCELAMENTO. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento. BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. CONFISSÃO DE DÍVIDA A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30/01/2004, fls. 01/02, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$28.952,13 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 30/12/2003, para compensação do débito de IRPJ, código nº 5993, referente ao fato gerador de dezembro de 2003 no valor de R$29.241,65. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 03/04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30/04/2008, fl. 05, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20/05/2008, fls. 06/07, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Trata-se de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. Acrescenta que procedeu a todos os pagamentos dos tributos devidos. Instrui o processo com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano- calendário de 2003, fls. 20/80, bem como com as cópias dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), fls. 81/94. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14-23.846, de 08/05/2009, fls. 96/98:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 173 3 Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Notificada em 30/07/2008, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/08/2009, fl. 102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Instrui o processo com a cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), fls. 125/155, onde estão escriturados os balancetes mensais, bem como cópia do Livro Diário, fls. 104/124, onde está transcrito o balancete de dezembro de 2003. Explica que a) A empresa, no ano base em causa, optou pela tributação pelo Lucro Real, com base em Balanço Geral Anual. Levantou mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à • pagar, tendo recolhido todos os meses que acusaram valor à pagar. b) Esta exigência fiscal decorreu de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolheu por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que não existe. Esse foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim, esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. c) E a DCTF Trimestral foi preenchida incorretamente, para corresponder aos valores impropriamente lançado no PER/DCOMP. d) Desta forma, pode-se concluir, força da realidade dos fatos, que a DCTF e PER/DCOMP relativos a este período são imprestáveis. e) Declara este contribuinte que não é titular dos créditos impropriamente lançados no PER/DCOMIP em questão. f) No acórdão epigrafado, afirma seu relator que a contabilidade regularmente executada, vale como prova à favor ou contra o contribuinte (Artigo 923 do RIR). No caso anexa, as peças mencionadas no item g, para demonstrar a inexistência de outro débito fiscal da empresa, que não os já pagos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 g) Para demonstrar que a empresa nada deve à Receita Federal do Brasil, e que os valores erradamente inscritos nos DCTFs e PER/DCOMPs, não tem origem válida, anexa a esta cópia dos Balancetes Mensais de Verificação, transcritos no Livro Diário n.° 45, autenticado sob n.° 1.200, no Cartório de Registro de Salto, mês a mês, e do Lalur e Demonstrativo de Cálculo correspondente a toda apuração do imposto e contribuições devidos, mês a mês, estes todos pagos, conforme cópias de guia que se anexa. h) Ao final, há de se constatar a inexistência de débito, que se comprova por este recurso. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que a Per/DComp deve ser cancelada por erro no preenchimento, uma vez que o crédito já foi corretamente utilizado e que o débito confessado é inexistente. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Sobre o Pedido de Cancelamento da Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 174 5 do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 145927 Número do Processo 14033.000033/2004-19 Turma 3ª Câmara Contribuinte PHD TRANSPORTES LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Outros Data da Sessão 08/08/2007 Relator(a) Paulo Jacinto do Nascimento Nº Acórdão 103-23143 Tributo / Matéria - Cofins- processo que não versem s/ exigências de credito tributário Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Paulo André Vacari Beloni, inscrição OAB/DF nº 12.671. Ementa COMPENSAÇÃO [...] PEDIDO DE CANCELAMENTO – Não merece ser acolhido o Pedido de Cancelamento de Compensação formulado após a ciência do despacho decisório que a indeferiu. Recurso improvido. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007. [...] Nº Recurso 148271 Número do Processo 10480.001708/2002-56 Turma 3ª Câmara Contribuinte COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 09/08/2007 Relator(a) Antonio Carlos Guidoni Filho Nº Acórdão 103-23167 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe em face das disposições do artigo 15, §1º, inciso II, do RI. A contribuinte foi defendida pelo DR. Ivo de Lima Barboza, OAB/PE nº 13.500D Ementa ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento, o que não ocorreu no presente caso. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157222 Número do Processo 10768.100409/2003-68 Turma 1ª Câmara Contribuinte BANCO FINIVEST SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Valmir Sandri Nº Acórdão 101-96829 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, no sentido de reconhecer o erro de fato no pedido interposto, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação das compensações pretendidas, considerando os créditos existentes relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 229272 Número do Processo 10283.009117/99-51 Turma 5ª Câmara Contribuinte IMPORTADORA BELMIROS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 14/09/2007 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 105-16675 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO - ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO - Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 175 7 homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999, prevê: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). A pessoa jurídica tributada com base no lucro real pode optar pelo recolhimento do tributo mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano-calendário (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Ainda, sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 97, de 24 de dezembro de 1997, prevê: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano- calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano- calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. [...] § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano- calendário; Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: I - a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário; II - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157989 Número do Processo 11522.000275/2005-93 Turma 3ª Turma Especial Contribuinte ETENGE EMP DE ENG ELET LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/10/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00014 Tributo / Matéria IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal) Decisão Por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) para excluir do IRPJ lançado o valor de R$ 1.450,00 e seus consectários, referente ao fato gerador de 31/12/2000, e II) quanto à multa isolada, reduzir o percentual de 75% para o percentual de 50% , em face da retroatividade benigna. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001. [...] SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ MENSAL - ESTIMATIVA - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, por estimativa, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 176 9 O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. Sobre a confissão de dívida, o Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, determina: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Em relação à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, determina: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas a fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: [...] § 1º Os valores relativos a impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício não deverão ser informados na DCTF. [...] Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa e, caso não sejam regularizados, enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. A DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito tributário declarado. No que se refere à DIPJ, foram editados atos normativos evidenciando que se trata de documento informativo (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Analisando os dados constantes na DIPJ do ano-calendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, tem-se que a CSLL devida mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 1.507,35 1.507,35 1.507,35 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 Setembro 6.826,53 6.826,53 6.826,53 0,00 Outubro 10.578,60 10.578,60 10.578,60 0,00 Novembro 11.341,65 11.341,65 11.341,65 11.341,65 Dezembro 4.216,40 4.216,40 4.216,40 4.216,40 Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o valor do débito informado em Per/DComp referente ao débito de CSLL, deve ser cancelado. Não consta nos autos a integralidade da cópia do Livro Diário comprovando a transcrição obrigatória do balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo, bem como não há prova de que todos os valores devidos estão corretamente confessados em DCTF. Pelo contrário, o referido crédito tributário não está regularmente constituído, embora possa existir DARF correspondente. Por esta razão, a PER/DComp não pode ser cancelada, já que é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do presente crédito tributário. Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. Em face do exposto voto: a) para que a DRF que jurisdicione a Recorrente fique alerta para a possível existência de pagamentos; b) no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 177 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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