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6744305 #
Numero do processo: 10314.001362/99-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do Fato Gerador: 20/01/1994, 03/11/1994 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidas no seu regulamento (art. 78 do Decreto-Lei n°37/66). O descumprimento das exigência em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança dos tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime especial acrescidos de encargos legais. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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3201­002.614  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de março de 2017  Matéria  REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS­DRAWBACK  Recorrente  DIXIE TOGA  SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do Fato Gerador: 20/01/1994, 03/11/1994   DRAWBACK  SUSPENSÃO.  INADIMPLEMENTO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES.  A  concessão  do  regime  condiciona­se  ao  cumprimento  dos  termos  e  condições estabelecidas no seu regulamento (art. 78 do Decreto­Lei n°37/66).  O  descumprimento  das  exigência  em  Ato  Concessório  e  na  legislação  de  regência  enseja  a  cobrança  dos  tributos  suspensos  relativos  às mercadorias  importadas sob esse regime especial acrescidos de encargos legais. Recurso a  que se nega provimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  negar  provimento ao recurso voluntário  (assinado digitalmente)  WINDERLEY MORAIS PEREIRA ­ Presidente Substituto.   (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira,  Mércia  Helena  Trajano  DAmorim,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos,  José  Luiz  Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana  Josefovicz  Belisário  e  Cássio  Schappo.  Ausência  justificada  de  Charles  Mayer  de  Castro  Souza.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 13 62 /9 9- 13 Fl. 687DF CARF MF     2 Relatório  O  interessado  acima  identificado  recorre  a  este  Conselho,  de  decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP.  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  o  julgamento  da  impugnação,  transcreve­se  o  relatório  da  instância  a  quo,  seguido  da  ementa  da  decisão  recorrida  e  das  razões do Recurso Voluntário ora examinado:  “Trata o presente processo de auto de infração, em face do contribuinte em  epígrafe,  formalizando  a  exigência  de  formalizando  a  exigência  (sic)  de  Imposto  de  Importação  e  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  acrescidos de multa e  juros de mora, perfazendo um  total de R$ 35.125,89,  em face dos fatos a seguir descritos.  A  empresa  acima  qualificada  foi  autuada  em  relação  à  procedimentos  de  importação e exportação na modalidade DRAWBACK SUSPENSÃO, no que  tange aos seguintes Atos Concessórios:   Da  análise  da  documentação  apresentada,  foi  observado  que  apenas  uma  parte  dos  Registros  de  Exportação  está  vinculada  ao  Drawback,  em  obediência ao artigo 325 do Regulamento Aduaneiro ­ Decreto 91.030/85.  Os seguintes Registros de Exportação não fazem menção ao regime:  RE cód. 80000 ( exportação normal )   94/1129684;  94/1176446;  94/1179956;  94/1225998;  94/1241908;  95/0031345;  RE cód. 81101 ( exportação drawback )  94/1267921;  95/0031385;  95/0066539;  Considerado os Registros de Exportação vinculados, chegou­se ao valor de  US$ 82.196,31 válidos para esse Ato Concessório.  A  SECEX  aceitou  o  compromisso  como  cumprido  apenas  para  US$  29.200,00 FOB ( 33,5054% do firmado no Ato Concessório).  Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 688          3 Aplicando  essa  proporção  para  as  exportações,  o  compromisso  seria  baixado de US$ 475.015,63 FOB para US$ 159.155,89 FOB (475.015,63 *  33,5054%) de mercadorias a exportar.  Todavia, dos US$ 159.155,89, a empresa exportou 82.196,31 válidos para o  Ato Concessório, conforme acima salientado. Desta feita, restam 48,3548%  descumpridos.  Aplicando o  índice 48,3548% na  importação  feita  ( DI 164.623  ), chega­se  ao valor do Auto de Infração em questão.  O lançamento está sujeito aos juros legais e a multa prevista no artigo 44, I,  da Lei 9.430.  Cientificado do auto de infração, pessoalmente em 29/03/1999 (fls. 1­verso),  o  contribuinte,  protocolizou  impugnação,  tempestivamente  na  forma  do  artigo  15  do  Decreto  70.235/72,  em  28/04/1999,  de  fls.  180  à  367,  instaurando assim a  fase  litigiosa do procedimento. Na  forma do artigo 16  do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que:;  Ato  Concessório  18­93/700­1  1)A  importação  foi  autorizada  pela  Guia  de  Importação  18­93/118183­9  e  efetivada  pela  declaração  de  importação  nº  4.022 de 20/01/1994;  2)O  adimplemento  da  operação  foi  comprovado  mediante  a  apresentação  dos Registros de Exportação nº 94/0615900 e nº 94/0609650;  3)Tais  exportações  foram  classificadas  como uma operação de  exportação  normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101);  4)Pelo erro material cometido, a fiscalização descaracterizou as exportações  realizadas  ao  amparo  do  anexo  3001  do Relatório Final  de Comprovação  18­94/001649­7;  Ato  Concessório  18­94/650­5  1)Ato  Concessório  com  validade  até  01/09/2005, cujo beneficiário era a antiga Dixie Lalekla S/A,  sucedida por  Dixie Toga S/A;  2)O relatório final de comprovação 18­96/628­8, de 20/06/96,  indica que a  importação  foi  realizada  através  da  DI  134.623  de  02/11/1994,  e  as  exportações arroladas no anexo 3001;  3)Do  fato  de  que  apenas  uma  parte  das  exportações  estaria  vinculada  ao  Drawback, explica­se que se procedeu incorretamente com uma operação de  exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód.  81101);  A impugnante ainda esclarece que:  1)O  presente  Auto  de  Infração  é  nulo  porque  os  Auditores  Fiscais  da  Secretaria  da  Receita  Federal  são  incompetentes  para  a  fiscalização  das  Fl. 689DF CARF MF     4 condições  e  requisitos  do  regime  especial  de  Drawback,  sendo  tal  competência  da  DECEX,  conforme  o  artigo  2o  da  Portaria  nº  4  de  11/07/1997;  2)As  importações  e  as  exportações  da  impugnante  atenderam  todas  as  normas pertinentes à matéria;  3)O entendimento da fiscalização é equivocado por desconsiderar o erro em  relação  às  exportações  foram  classificadas  como  uma  operação  de  exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód.  81101);  4)  Tal  erro  é  passível  de  correção,  inclusive  administrativamente,  não  podendo a impugnante ser penalizada;  5) O Banco do Brasil  informou que não existe compromissos de Drawback  em aberto, perante àquela instituição;  6 O erro em análise não causou qualquer dano;  7)A  legislação  permite,  nos  casos  de  sucessão  legal,  devidamente  comprovada, que seja autorizada a alteração da empresa beneficiária de Ato  Concessório  de  Drawback.  Entretanto,  não  foi  o  que  ocorreu,  devido  o  SISCOMEX,  não  permitir  tal  alteração  Pugna  a  impugnante  pelo  cancelamento  do Auto  de  Infração  e  da  exigência  fiscal  respectiva,  com  o  conseqüente  arquivamento  do  presente  Processo  Administrativo,  tal  qual,  seja  considerado  liquidado  o  compromisso  de  exportação  vinculado  ao  regime especial de Drawback.  É o Relatório.”  O pleito foi  julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos  termos do Acórdão DRJ/SPO II no 17­17.135, de 21/12/2006, proferido pelos membros da 1ª  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe,  verbis:  Assunto: Regimes Aduaneiros   Data do fato gerador: 20/01/1994   DRAWBACK Falta de vinculação do Registro de Exportação ao Ato Concessório.  Competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal  para  a  fiscalização  do  Regime  Especial de Drawback.   Responsabilidade  tributária  no Regime Especial  de Drawback  quanto  à  sucessão  legal.   Lançamento Procedente.  Inconformado, o  recorrente apresenta  recurso voluntário,  tempestivamente e  documentos, onde repisa basicamente os termos da impugnação.   Ressalta, dentre outros:  ­  A  fiscalização  simplesmente  descaracterizou  as  exportações  para  efeitos  fiscais de tal modo que a Recorrente passaria a não mais fazer jus ao benefício do drawback­ suspensão relacionado nos Atos Concessórios n° 18­93/799­1 e n° 18­94/650­5;  Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 689          5 ­Vale  dizer,  em  momento  algum  nos  presentes  autos  foi  suscitada  dúvida  acerca da interpretação da legislação tributária aplicável, o que daria ensejo à aplicação do  artigo 111 do CTN;  ­ A questão ora discutida se restringe ao direito da Recorrente fazer jus ao  benefício do drawback­suspensão independentemente do equívoco cometido no preenchimento  dos respectivos Registros de Exportação;  ­  No  entanto,  o  Banco  do  Brasil  aprovou  a  baixa  dos  respectivos  Atos  Concessórios, levando à conclusão pela correição no cumprimento das obrigações acessórias  atinentes ao drawback­suspensão. Além disso, importante lembrar que se houvesse pendências  o próprio Banco do Brasil teria "travado" o CNPJ da Recorrente junto ao SISCOMEX, o que  teria impossibilitado a recorrente de realizar operações futuras; o que não ocorreu;  ­ A  simples  análise  da  quantidade  importada  e  exportadaao abrigo  do Ato  Concessório n° 18­94/650­5 é suficiente para concluir pelo real cumprimento das obrigações  assumidas;  ­  Vê­se  que  as  35  toneladas  de  matéria  prima  importadas  por  meio  da  Declaração  de  Importação  n°  134.623  (doc.  05)  deram  lastro  à  exportação  de  também  35  toneladas,  conforme  Registros  de  Exportação  no  s  94/1129684­0001,94/1176446­0001,  94/1179956­0001, 94/1225998­0001. 94/1213908­0001. 94/1267921­0001, 95/0031345­0001.  95/0031385­0001 e 95/0066539­0001 relacionados no anexo a Relatório de Comprovação de  "Drawback" (doe. 06).  A Turma de  julgamento,  em  consenso,  decidiu,  converter  o  julgamento  em  diligência, através da Resolução de n° 3102­00.034, em 20/05/2009, para que a repartição de  origem, ou melhor, a fiscalização explicasse, nos termos abaixo:  ­ se quando, há a menção, no relatório fiscal, por exemplo, à fl.  13,  após  desconsideração  das  exportações,  desta  forma,  procedeu­se  a  nacionalização  “EX  OFFICIO”de  DI;  indago  quando  da  nacionalização  foi  considerado  extinto  o  regime  drawback na mesma proporção; e que o relator de decisão de 1ª  instância explicasse, quando menciona à fl. 382 no 3° parágrafo  sobre Resolução de n° 57, que a Resolução de n° 57 de 28/02/02  é  esta?  E,  onde  se  encontra  nos  autos?  Ou  seja,  diligência  solicitada  por  quem?  E,  por  derradeiro,  que  seja  solicitada  a  DECEX/SECEX/MDIC  se  os  atos  concessórios  referidos  nos  autos foram cumpridas as condições suspensivas, tendo em vista  alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa  dos respectivos Atos Concessórios.  Foi dada ciência à empresa do resultado da diligência e a mesma manifestou­ se, da mesma forma, a PGFN.  Antes de adentrar no  julgamento, observei, de  forma pertinente, à e­fl. 633,  que a PGFN se manifestou, nos seguintes termos:  Salvo melhor  juízo,  as  determinações  fixadas  na  r.  Resolução  nº  310200.034  não  foram  atendidas  ou  as  respostas,  acaso  apresentadas,  deixaram  de  ser  autuadas nos autos.  Fl. 691DF CARF MF     6 Em face disso, a Fazenda Nacional requer a reintimação das d. Autoridades do  MINFAZ  e  do  MDIC  para  que  atendam  as  determinações  fixadas  na  r.  Resolução nº 310200.034, a saber:  1)  ao  órgão  de  origem,  para  que  a  fiscalização  explique,  se  quando,  há  a  menção,  no  relatório  fiscal,  por  exemplo,  à  fl.  13,  após  desconsideração  das  exportações, desta forma, procedeu­se a nacionalização "EX OFFICIO"de DI;  indago quando da nacionalização  foi  considerado extinto o  regime drawback  na mesma proporção;  2)que o relator de decisão de I a instância explique, quando menciona à fl. 382  no  3  o  parágrafo  sobre  Resolução  de  n°  57,  que  a  Resolução  de  n°  57  de  28/02/02 é esta? E, onde se encontra nos autos? Ou seja, diligência solicitada  por quem?  3)  por  derradeiro,  que  seja  solicitada  a  DECEX/SECEX/MDIC  se  os  atos  concessórios  referidos  nos  autos  foram  cumpridas  as  condições  suspensivas,  tendo em vista alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa  dos respectivos Atos Concessórios.’   Após o atendimento pelas d. Autoridades do MINFAZ e do MDIC e a autuação  dessas  respostas,  a  Fazenda  Nacional  requer  vista  dos  autos  para  se  pronunciar a respeito das diligências levadas a efeito.  Em  ato  contínuo,  foi  encaminhado,  através  de  resolução,  à  repartição  de  origem para responder à demanda acima, onde remeto as devidas observações:  ­e­fl.607, o relator do acórdão da DRJ esclarece que não houve no âmbito de  primeira instância nenhuma solicitação de Resolução, apenas houve um equívoco;  ­e­fl. 640, despacho onde consta que o  item 1  já  tinha sido respondido pela  Sefia anteriormente (e­fls. 604 e 605);  ­e­fls.  644  a  659  referência  ao  item  3  da  indagação,  ou  seja,  a  resposta  ao  ofício  pela  Secex  informando  que  o  AC  (s)  1893/799­1  e  18­94/650­5  tiveram  baixa  considerada, na época regular com cumprimento do compromisso de exportar; e  ­e­fls 662/663, sobre a resposta do item 1, como se verifica:  Respondendo ao questionamento do CARF, tem­se, portanto, que  a  nacionalização,  mediante  recolhimento  de  todos  os  tributos,  adicionais e emolumentos, bem como, caso pertinente, multas e  demais acréscimos  legais, promove a baixa do compromisso de  exportar e, por conseguinte, a extinção do regime de drawback,  na mesma proporção   Em sendo assim,  e por  deliberação da Turma,  entendeu­se por  cientificar  a  PGFN,  tendo  em  vista  a  observação  realizada  à  e­fl.  633  foi  feita  por  esta,  que  quando  da  conclusão da diligência, existe a pretensão da mesma se manifestar do resultado da diligência  complementar.   Feito  todo  o  histórico,  o  processo  retornou  a  esta  Conselheira  para  prosseguimento.  É o relatório.  Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 690          7 Voto             Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM  O presente  recurso  é  tempestivo e atende aos  requisitos de admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.   Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à exigência de crédito  tributário de II, IPI, multa e juros de mora, decorrente de importação sob amparo do regime de  Drawback, modalidade suspensão.  Conforme relatado, foi convertido o julgamento do processo em diligência na  forma  da  Resolução  acima mencionada,  a  fim  de  que  a  repartição  de  origem  encaminhasse  alguns questionamentos para apreciação e manifestação da Secretaria de Comércio Exterior do  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  (DECEX/SECEX/MDIC),  tendo em vista de alegação de erro no preenchimento pela recorrente, enfim; para constatar ou  não a exportação dos produtos  finais,  tendo em vista que os  insumos  foram  importados com  suspensão de tributos e sob condição resolutiva.  As  importações  ocorreram  através  das  DIs:  004022/001  com  registro  em  20/01/94 e 134623/001 com registro em 03/11/94, sob operação de Drawback através dos Atos  Concessórios 18­93/799­1, DE 12/11/93 (importação de filme de polipropileno para exportação  de bobinas de polipropileno (filme de matéria­plástica estratificada) e 18­94/650­5, de 01/09/94  (importação de  resina de poliestireno para exportar embalagem de poliestireno para produtos  alimentícios).  De acordo com o Relatório da Fiscalização, às e­fls. 15­18, verifica­se:  1) Considerações do Ato Concessório n.° 18­93/799­1, de 12/11/93.  ....  Nota­se  pelo  teor  do  diploma  legal  que  se  trata  de  medida  emergencial,  sendo  de  interesse  uma  revisão  posterior.  Desta  maneira, analisando as exportações arroladas no referido anexo  3001,  constatei  serem  todas  classificadas  como  exportações  normais,  código  80000.  Nenhuma,  porém,  classificada  como  "Drawback  suspensão",  em  qualquer  de  suas  variantes,  conflitando  com  o  disposto  no  artigo  325  do  Regulamento  Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto 91.030, de 05/03/85:  Art. 325 ­ A utilização do benefício previsto neste Capítulo será  anotada no documento comprobatório da exportação.  Portanto,  para  efeitos  fiscais,  descaracterizei  as  exportações  (folhas  117  a  155  )  realizadas  ao  amparo  do  anexo  3001  do  Relatório  Final  de  Comprovação  18­94/01649­7,  de  22/12/94  (folha 104 ).  Fl. 693DF CARF MF     8 Desta  forma,  procedeu­se  a  nacionalização  "ex  offício"  da  Dl  relacionada a esta concessão, no anexo 2001 do Relatório Final  de Comprovação anteriormente citado.  Faz­se  necessário  ressaltar  a  importância  da  vinculação  preconizada no referido artigo 325, pois sua não realização pela  empresa  abre  a  possibilidade  do  uso  destas  exportações,  concomitante e indevidamente, em outros benefícios fiscais.  Então,  da  análise  dos  autos  do  presente  processo,  verifica­se  que  o  ato  concessório 18­ 93/799­1, de 12/11/1993 (fl 103) autoriza o contribuinte a importar 4.600 Kgs  de matéria  prima  e  a  exportar  8.333,33 Kgs  de  produto  acabado.  Este  Ato  possui  prazo  de  validade até 12/11/1994.  E conclui­se: para o ato concessório 19­93/799­1 não houve adimplemento da  operação Drawback suspensão em nenhum percentual.  2) Considerações do Ato Concessório n.° 18­94/650­5, DE 01/09/94  .....  Trata­se de Ato emitido em 01/09/94, com validade até 01/09/95,  cujo  beneficiário  era  a  antiga  DIXIE  LALEKLA  SA.,  sucedida  pela empresa DIXIE TOGA S.A.  Da análise destas exportações, cujos RE foram­nos apresentados  pela  empresa  (fls.50  a  52),  observamos  que  apenas  uma  parte  está vinculada ao Drawback, como reza o artigo 325 do RA.  ......  Considerando  os  RE  vinculados,  chegamos  ao  valor  de  US$  82.196,31 FOB válidos para este Ato concessório.  Como  a  SECEX  aceitou  o  compromisso  como  cumprido  com  apenas US$ 29.200,00 FOB (fls. 51  ), o originalmente disposto  fora diminuído para 33,5054% do firmado na folha de rosto do  Ato, ou seja, US$ 87.150,00 FOB (fls. 48 ). Transportando­se a  redução  também  para  as  exportações,  o  compromisso  seria  baixado, de US$ 475.015,63 FOB para US$ 159.155,89 FOB ( =  475.015,63 * 33,5054%) de mercadorias a exportar.  Entretanto,  dos  US$  159.155,89,  a  empresa  exportou  US$  82.196,31, como acima exposto, perfazendo 51,6452% do  total.  Desta forma, restam 48,3548% descumpridos.  Aplicando  o  índice  de  48,3548%  na  importação,  chegamos  ao  valor  tributável  aplicado  no  Auto  de  Infração,  utilizado  na Dl  134.623.  Observe­se  que  a  DECEX/SECEX  aceitou  o  compromisso  como  cumprido  com apenas US$ 29.200,00 FOB (fls. 51 ), bem como verifica­se, também, à e­fl. 653, através  do Relatório de Comprovação de Drawback.  Então, desta forma, a fiscalização já tinha aceito tal percentual, de 51,6452%  do total como adimplido,conforme exposto acima.  Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 691          9 Registre­se, de pronto, que, em nenhum momento, a fiscalização referiu­se à  questão da sucessão legal empresarial na autuação, a base do lançamento foi devido à falta de  vinculação  dos  Registros  de  Exportação  aos  Atos  Concessórios,  logo,  não  cabe  nenhum  argumento dessa matéria.  Em  ato  contínuo,  passo  a  registrar  os  ofícios  da  DECEX,  por  conta  da  demanda acima, ou seja:  ­Ofício n°625 da DECEX/SECEX, às e­fls. 611/612, que dispõe:  DRAWBACK SUSPENSÃO ­ Dixie Toga S.A. ­ Em atenção ao  Ofício n.° 2011­2616/DECEX/CGEX, de 28/11/2011, que reitera  o Ofício n.° 526/2010/DECEX/ SECEX, DE 09/12/2010,  item 4,  informamos  que  o  Banco  procedeu  a  baixa  total  dos  referidos  Atos  Concessórios  de  acordo  cem  as  Instruções  Normativas  repassadas pelo MDIC/SECEX/DECEX ao Banco do Brasil.  ­Ofício n° 170 da DECEX/SECEX, às e­fls 644 a 645 e doc. 646 a 658.  Em resposta aos  questionamentos,  o  Banco  do Brasil  informou  que  os  AC  18­93/799­1  e  18­94/650­5  tiveram  baixa  considerada,  na  época,  regular,  com  cumprimento  integral  do  compromisso  de  exportação.  As  respostas  do  Banco  do  Brasil  estão contidas nos documentos anexos, que foram recebidos por  este DECEX  em  sua  caixa  institucional  para  contato  exclusivo  com o Banco do Brasil.  Do exposto, não obstante a resposta da Carteira de Comércio Exterior­Cacex,  Banco do Brasil, responsável, à época, pela emissão dos Relatórios de Comprovação dos Atos  Concessórios, ter sido objetiva, quando afirma que a empresa cumpriu com os compromissos  assumidos nos Atos Concessórios, ensejando a baixa nos mesmo, entendo, que a  resposta da  Cacex foi bastante sucinta, como passarei a analisar, a seguir. Em primeiro plano, tem­se que a  Cacex  limitou­se  ao  reconhecimento  do  adimplemento  da  obrigação  de  exportar, mas  quem  tem  a  competência  para  fiscalizar,  acompanhar  o  controle  aduaneiro  é  a  Receita  Federal,  conforme, inclusive já pacificado através da Súmula CARF de n° 100, comentada abaixo.  Além do mais a documentação apresentada pela DECEX/SECEX, que são os  Relatórios de Comprovação dos Atos Concessórios já tinham sido apresentados à fiscalização;  enfim,  como  se  observa,  e  levado  em  conta  o  percentual  adimplido,  enfim,  não  foi  trazido  nenhum fato novo.  Pois bem, o benefício de drawback na modalidade de suspensão foi instituído  pelo art. 78, II, do Decreto­lei n° 37/1966 , e, à época do regime concedido à recorrente, tinha  seus  termos  e  condições  regulados  pelos  artigos  314  a  334  do  Regulamento  Aduaneiro  aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985 (RA/85).  Então,  comentemos,  antes,  sobre  as  normas  do  drawback  que  emanam  do  comando do art. 78 do Decreto­Lei no 37/1966, que dispõe:  “Art.  78.  Poderá  ser  concedida,  nos  termos  e  condições  estabelecidas no regulamento:  Fl. 695DF CARF MF     10 I ­ restituição,  total ou parcial, dos tributos que hajam incidido  sobre  a  importação  de  mercadoria  exportada  após  beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou  acondicionamento de outra exportada;  II ­ suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de  mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à  fabricação,  complementação  ou  acondicionamento  de  outra  a  ser exportada;  III  ­  isenção  dos  tributos  que  incidirem  sobre  importação  de  mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada  no  beneficiamento,  fabricação,  complementação  ou  acondicionamento de produto exportado. (...) (grifei)  O  Regulamento  Aduaneiro  de  1985  (Decreto  de  n°  91.030/85),  vigente  à  época do período de apuração, disciplinava sobre o regime em discussão, através dos artigos  314 a 334.   Verifica­se  que  o  art.  314,  I,  do  RA/85  manteve  a  mesma  redação  da  lei  instituidora do benefício, ao estabelecer que poderá ser concedido o benefício na modalidade  de  "suspensão  do  pagamento  dos  tributos  exigíveis  na  importação  de  mercadoria  a  ser  exportada  após  beneficiamento  ou  destinada  à  fabricação,  complementação  ou  acondicionamento de outra a ser exportada".  O mesmo requisito foi sedimentado no art. 315 do citado Regulamento, que  dispôs, verbis:  Art. 315 ­ O beneficio do "drawback" poderá ser concedido:  1)  à  mercadoria  importada  para  beneficiamento  no  País  e  posterior exportação;  II)  à  mercadoria  ­  matéria­prima,  produto  semi­elaborado  ou  acabado  utilizada  na  fabricação  de  outra  exportada,  ,  ou  a  exportar; (...)   Por sua vez, o art. 319, inc. I do RA/85 disciplina o seguinte:  Art. 319. As mercadorias admitidas no regime que, em seu todo  ou  em parte,  deixem  de  ser  empregadas  no  processo  produtivo  de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam  empregadas  em desacordo com este,  ficam sujeitas ao  seguinte  procedimento:  I ­ no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, no  prazo  de  até  trinta  dias  da  expiração  do  prazo  fixado  para  exportação:  a) devolução ao exterior ou reexportação;  b)  destruição,  sob  controle  aduaneiro,  às  expensas  do  interessado;  c)  destinação  para  consumo  interno  das  mercadorias  remanescentes;  Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 692          11 Logo, em se tratando de suspensão de crédito tributário, há que se interpretar  literalmente  as  normas  que  lhe  dizem  respeito,  conforme  o  art.  111,  I,  do  CTN).  A  interpretação  literal  não  permite  a  integração  extensiva  ou  restritiva,  e  sim,  determina  a  aplicação do significado gramatical que  lhe  respeita, podendo em certos casos o contribuinte  ser beneficiado, em outros não, dependendo da norma.  De observar­se que a norma expressa no art. 111,  I, do CTN, tem aplicação  abrangente aos casos a que se  refere e que para a mesma não  foi prevista qualquer  exceção,  bastando  que  o  pagamento  do  tributo  seja  afastado  pelo  instituto  da  suspensão,  independentemente  de  ser  esta  decorrente  de  simples  benefício  ou  de  benefício  considerado  incentivo fiscal, como é o caso de drawback.  Por  isso,  as  normas  de  drawback  estabelecidas  do  RA/85  e  na  legislação  pertinente  são  de  cumprimento  obrigatório,  porque  se  relacionam  a  casos  de  dispensa  de  pagamento  de  tributo  em  função  do  benefício  fiscal  referido,  considerado  incentivo  à  exportação.  Dessa forma, no Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) o  “drawback” foi tratado nos arts. 335 a 355.  Já no Regulamento Aduaneiro de 2009  (Decreto de n° 6.759/2009), em sua  redação original, possui poucas alterações em relação ao regulamento anterior (2002), no que  se refere a “drawback”.  Portanto, o RA/2002 e RA/2009 mantiveram o mesmo texto do RA/1985.  Passando à análise, a exigência de vinculação do Registro de Exportação ao  Ato Concessório de Drawback está previsto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro vigente  à época dos fatos (Decreto nº 91.030, de 05 de Março de 1985), verbis:  Art. 325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será  anotada no documento comprobatório da exportação.  Por  sua vez, o art. 440 do Regulamento Aduaneiro/85, com a redação dada  pelo Decreto n.° 661, de 1992, previa:  Art.  440. O  registro da  exportação, no SISCOMEX, é  requisito  essencial  para  o  despacho  aduaneiro  de  exportação  de  mercadorias nacionais ou nacionalizadas  e de  reexportação de  mercadorias importadas a titulo não definitivo.  Ressaltem­se, as exigências acima.  Discutia­se  se  a  Receita  Federal  teria  competência  para  fiscalizar  as  importações de mercadorias realizadas sob o regime de drawback, já que este se dá por meio  de ato concessório emitido por outro órgão da administração federal,  in casu, a Cacex/Secex.  Argumenta­se daqueles que entendem assim, que somente quem tem a competência para emitir  o ato concessório é que poderia fiscalizar o seu fiel cumprimento. No entanto, a matéria já se  encontra  pacificada  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  através  da  Súmula CARF de n° 100.  Fl. 697DF CARF MF     12 Súmula CARF n° 100: O Auditor Fiscal da Receita Federal do  Brasil  tem  competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  dos  requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí  compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão  em  razão  do  reconhecimento  de  beneficio,  e  a  verificação,  a  qualquer  tempo,  da  regular  observação,  pela  importadora,  das  condições fixadas na legislação pertinente.  Logo,  não  se  contesta  o  fato  de  a  requerente haver  efetivamente  exportado  mercadorias  em  cuja  industrialização  foi  utilizada  parte  dos  insumos  importados;  o  que  legitima  o  lançamento  é  exatamente  a  falta  do  mínimo  controle  necessário  à  aferição  do  adimplemento  do  regime.  No  tocante  às  exportações  apresentadas  pela  recorrente,  se  os  documentos  contidos  nos  autos  não  permitem  identificar  a  vinculação  ao  ato  concessório  de  drawback  suspensão,  e,  diante  disso,  a  recorrente  não  apresenta  documentos  capazes  de  esclarecer  essas  questões,  inevitável  a  exigência  integral  dos  insumos  importados  sob  a  dita  guarida do regime suspensivo de impostos na importação.   Portanto,  não  houve  tributação  por  mera  ficção  ou  lançamento  fundado  unicamente no descumprimento de requisitos formais, e outras afirmações de mesma ordem do  sujeito passivo. O que se viu foi a desvinculação de exportações conduzidas pela recorrente a  ato concessório de drawback suspensão objeto da lide, não tendo a reclamante sido capaz de  comprovar  eventual  erro  cometido  pela  mesma,  a  ponto  de  afastar  as  conclusões  da  fiscalização.  Por fim, quanto às aduzidas comprovações alicerçadas pela SECEX, cumpre  destacar que eventual aprovação da SECEX não exime a Receita Federal da análise quanto ao  devido adimplemento do regime, no exercício da competência desta.  A  fiscalização  desconsiderou  vários  dos  RE  apresentados  por  não  se  encontrarem vinculados  a nenhum Ato Concessório, e por não conterem o código específico  para exportações relacionadas ao Regime de Drawback.  Portanto, não comprovada a relação entre as exportações e o ato concessório,  seja pela  falta de vinculação da exportação ao Ato Concessório  respectivo,  seja pela  falta de  indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de  Exportação,  não  há  como  se  demonstrar  que  as mercadorias  importadas  foram  efetivamente  utilizadas  na  produção  dos  bens  exportados  e,  por  conseguinte,  não  há  como  atestar  que  o  contribuinte cumpriu o compromisso assumido.   Pois,  as  informações  no RE  são  importantes  para  a  fiscalização,  durante  as  etapas do despacho de exportação. É a forma como observar se a referida exportação é de fato,  vinculada ao regime de drawback, pois sendo nessa modalidade, seria apreciado com um olhar  diferente  de  uma  exportação  normal,  daí  a  necessidade  da  exatidão  e  preciosismo  nessas  informações.  Merecendo  tal  exportação,  certamente,  um  exame  mais  acurado  que  a  exportação  comum,  a  fim  de  evitar  que  os  insumos  outrora  importados  com  suspensão  tributária sejam utilizados de forma irregular. Portanto, um mínimo de informação deve estar  contido  no  RE  para  possibilitar  a  melhor  operacionalização  da  fiscalização  pela  autoridade  aduaneira e permitir os controles necessários ao incentivo à exportação em questão.   Frise­se que o Comunicado Decex nº 21, de 11/07/97, o qual, posteriormente,  foi  revogado  pelo  Comunicado  nº  6,  de  28/06/1999,  que,  por  sua  vez,  teve  nova  redação  Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 693          13 conferida  pelo  Comunicado  nº  2,  de  31/01/2000,  e  outros,  porém  todos  verificados  com  a  necessidade da vinculação, nos termos abaixo:  “Comunicado Decex nº 21/97  [...]  Anexo V  [...]  3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao  Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão.  4.  Somente  será  aceito  para  comprovação  do  Regime,  modalidade  suspensão,  Registro  de  Exportação  (RE)  contendo,  no campo 2­a, o código de enquadramento constante do Anexo  “I”  (Tabela  de  Enquadramento  da  Operação)  da  Portaria  SECEX nº 2, de 22/12/1992, bem como as informações exigidas  no campo 24 (dados do fabricante).”  Como constatado pela fiscalização, não houve comprovação da relação entre  as  exportações  e  o  Ato  Concessório,  seja  pela  falta  de  vinculação  da  exportação  ao  Ato  Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback  nos campos apropriados dos Registros de Exportação, no momento do despacho aduaneiro, não  há  como  se  demonstrar  que  as  mercadorias  importadas  foram  efetivamente  utilizadas  na  produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que a empresa cumpriu  com o compromisso assumido.   Por todo o exposto, e pela necessidade da vinculação, por ser uma exigência  legal,  não  merece  reparo  o  auto  de  infração,  quanto  à  descaracterização  das  exportações  correspondentes aos Registros de Exportação com o código de exportação comum e tampouco  a vinculação a Ato Concessório. Entendo que a ausência do enquadramento correto, inviabiliza  o controle aduaneiro específico dessas operações de drawback.  Essa  posição  vem  sendo  adotada  pela  CSRF,  a  exemplo  do  acórdão  de  n°  9303.002869,  de  relatoria  de  Henrique  Pinheiro  Torres.  A  título  de  exemplo,  confira­se  a  seguinte ementa:  Assunto: Regimes Aduaneiros   Período de apuração: 05/08/1999 a 02/09/1999   DRAWBACK  SUSPENSÃO  O  encerramento  do  regime  de  drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por  meio da apresentação dos documentos  fixados na  legislação de  regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados  sob  o  manto  do  regime  nas  mercadorias  exportadas  em  cumprimento  do  compromisso  assumido.  Ausentes  tais  elementos,  não  há  como  se  considerar  o  regime  adimplido.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.    Fl. 699DF CARF MF     14 Bem  como,  a  ementa  do  acórdão  de  n°  3102­00.607,  de  relatoria  de Celso  Lopes Pereira Neto:  IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II   Período de apuração: 27/04/1995 a 09/05/1997   REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE  EXPORTAÇÃO.  A  utilização  do  beneficio  de  Drawback  Suspensão  será  anotada  no  documento  comprobatório  da  exportação,  que  vem  a  ser  o  Registro  de  Exportação  (RE),  no  SISCOMEX. Não serão aceitos, para comprovação do regime de  Drawback,  registros  de  exportação  vinculados  a  outro  Ato  Concessório. Recurso Voluntário Negado  Assim como a ementa de n° 302­39028, de 16/10/2007, de relatoria de Rosa  Maria de Jesus de Castro, que versa sobre a mesma matéria:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Importação  ­  II   Período  de  apuração:  16/08/1995  a  05/02/1997   Ementa:  DRAWBACK.  DECADÊNCIA   A  contagem  do  prazo  de  decadência  para  o  regime  drawback  suspensão começa no primeiro dia  do  ano  seguinte ao  término  do regime.   CONCESSÃO.  FISCALIZAÇÃO.  CONFLITO  DE  COMPETÊNCIA.   É de competência exclusiva da SECEX a concessão do regime de  drawback  quando  efetivamente  cumpridas  a  formalização,  o  acompanhamento  e  a  verificação  do  adimplemento  do  compromisso de exportar, fase esta que confirma a condição do  regime,  que  até  então  se  encontrava  sob  condição  resolutória  (inteligência do art. 2º da Port. MF nº 594/92 c/c a Port. SECEX  nº  4/97).  É  da  competência  da  SRF  a  aplicação  do  regime,  a  fiscalização  dos  tributos  suspensos  e  a  constatação  do  regular  cumprimento  pela  importadora  dos  requisitos  e  condições  fixados  pela  legislação  pertinente,  compreendendo  esta  última,  após  a  verificação  da  SECEX  (inteligência  do  art.  3º  da  Port.  MF  nº  594/92  c/c  a  Port.  SECEX  nº  4/97).   ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA  Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de  Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de  Drawback.  (inteligência  do Comunicado DECEX nº  21/97,  tem  19.l). Na  falta de  vinculação dos Atos Concessórios do Regime  de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos  os  tributos  suspensos  na  importação,  acrescidos  de  multa  de  ofício  e  dos  juros  de  mora.   RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.  E, por fim, quanto à matéria­ilegalidade da cobrança de juros sobre multa de  mora, levantada em aditamento ao recurso voluntário, deixo de apreciar, por entender, tratar­se  de matéria preclusa.   CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO DO VOLUNTÁRIO.  Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10314.001362/99­13  Acórdão n.º 3201­002.614  S3­C2T1  Fl. 694          15  (assinado digitalmente)  MÉRCIA  HELENA  TRAJANO  DAMORIM  ­  Relator                               Fl. 701DF CARF MF

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6646602 #
Numero do processo: 10675.901746/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.311
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­003.311  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de janeiro de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO.  Recorrente  AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  DESPACHO  DECISÓRIO  ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.  Confirmada  a  existência  do  direito  creditório  utilizado  para  compensação  reputada  não  homologada  por  despacho  decisório  eletrônico,  mediante  diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua  procedência, mostra­se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do  ato administrativo denegatório.  Recurso voluntário provido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo  Trevisan,  Augusto  Fiel  Jorge  D’Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  André  Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi  e Leonardo Ogassawara de  Araújo Branco.  Relatório  Trata­se,  na  espécie,  de  despacho decisório  eletrônico  de  não  homologação  de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a  integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 17 46 /2 00 9- 08 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10675.901746/2009­08  Acórdão n.º 3401­003.311  S3­C4T1  Fl. 3          2 Em manifestação  de  inconformidade  o  contribuinte  informou  que  o  crédito  estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas.  A  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente  ao  argumento  que  a  compensação  pressuporia  a  certeza  e  liquidez  do  direito  creditório,  tal  como  evidenciado  nas  informações  prestadas  em  DCTF  anterior  ou  contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva.  Em  recurso  voluntário  o  contribuinte  pugnou,  preliminarmente,  pelo  julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/2009­17. No mérito, salientou que o crédito  originara­se  de  tributação  indevida  das  contribuições  (Cofins  e  PIS)  sobre  produtos  cujas  alíquotas  foram  reduzidas  a  zero  pelo  art.  1º  da  Lei  nº  10.925/04;  demonstrou  a  forma  de  apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o  excesso  de  formalismo,  citando  jurisprudência  administrativa;  e,  por  fim,  asseverou  a  procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada.  Na  sessão  de  24/04/2013,  mediante  Resolução  nº  3802­000.115,  o  julgamento  foi  convertido  em  diligência  para  aferição  da  procedência  do  direito  creditório  invocado.  Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando  a diligência realizada e as conclusões extraídas.  O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.296, de  25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/2009­72, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.296):  "Os  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso  já  foram  verificados  por ocasião da conversão do julgamento em diligência.  Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a  extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência:  'Compulsando  os autos, constata­se que a Recorrente  busca  reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota  da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da  juntada de diversos documentos comprobatórios.   Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10675.901746/2009­08  Acórdão n.º 3401­003.311  S3­C4T1  Fl. 4          3 Afirma  a Recorrente, no  capítulo  pertinente  de  suas  razões  (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de  tributação  do  IRPJ segundo o lucro presumido, de  modo  que  'procedia  à  apuração  dos  tributos  e  contribuições  federais,  considerando a  incidência da COFINS,  em  todos  os  produtos que  vendia, (...)’.   Prossegue  a Recorrente  explicando  que  a  lei  10.925/2004  alterou  a  forma de  recolhimento  do PIS  e  da COFINS,  reduzindo  a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto  de sua atividade­fim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”.   (...)  Ora, o  art.  1º  da  lei  10925/2004,  ao  reduzir  a  zero as  alíquotas  do  PIS  e  da  COFINS  para  diversos  produtos,  não  distingue  a  redução  das  alíquotas  do  PIS e da COFINS  para  os  regimes  cumulativo  ou  não  cumulativo,  nem  mesmo  para  contribuintes de  lucro  real ou presumido. Indo mais além, como tal  distinção  só  é  feita  pela  lei  no  que  tange  à  suspensão  de  PIS  e  COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica  mais  realçada  a  amplitude  da  abrangência  das  disposições  do  art.  1º.   Assim sendo, o  fato de a Recorrente  ter aplicado a alíquota  zero  somente  a  partir  do momento  em  que  optou  pelo  lucro  real,  não  significa que a lei tenha  condicionado a  redução das  alíquotas  para tal regime ­  o que  comprometeria  a  utilização  de  créditos  originados  de recolhimentos tidos  como  a  maior,  por  terem  sido  feitos em 2004.   A  única  questão  prejudicial  à  análise  do  crédito  fica, portanto,  superada. A  lide  restringe­se, destarte, à  análise  da  materialidade do crédito.   No que tange esse aspecto, tem­se que a Recorrente teve seu  crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o  despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de  inconformidade,  toda  a  documentação  necessária  para  a  materialidade do crédito.  Ocorre que, em sede recursal, a  Recorrente  apresenta  toda  sorte  de  documentos  hábeis  a  demonstrar  a  veracidade  das  suas  alegações, que são  muito simples: para  todos os casos  em que  houve  recolhimento  de  PIS e  COFINS sobre  vendas  de  produtos  indicados  nos  incisos  I a IV da  lei 10.925/2004, desde  o  início  de  sua  produção  de efeitos (26 de julho de  2004),  é  necessário  o  reconhecimento  de  recolhimento  indevido  –  o  que  permite  seu oferecimento à compensação.   Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te  é bem sucedida em sua tarefa de  comprovar  o  alegado.  E,  em  prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes  do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é  de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.'  Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10675.901746/2009­08  Acórdão n.º 3401­003.311  S3­C4T1  Fl. 5          4 Prestigiando  a  fundamentação  do  voto  condutor,  com  a  qual  concordo,  entendo  que  a  questão  de  direito  mostra­se  adequadamente  enfrentada  e  superada,  de  modo  que,  sem  maiores  delongas,  passa­se  ao  resultado da diligência determinada.  Nesta  senda,  a  informação  fiscal  coligida  aos  autos  atesta  quantia  disponível  de  crédito  no  período  de  apuração  informado  na  DCOMP  respectiva, oriunda de recolhimento  indevido, em montante  suficiente para  quitação do débito compensado.  Por conseguinte, mostra­se insubsistente o motivo apresentado como  fundamento  para  não  homologação  da  compensação,  consoante  despacho  decisório eletrônico expedido.  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto."  Retornando  ao  caso  deste  processo,  importante  ressaltar  que  a  informação  fiscal  coligida  nestes  autos  (fls.  1055/1056),  da  mesma  forma  que  no  caso  do  paradigma,  também  atesta  quantia  disponível  de  crédito  no  período  de  apuração  informado  na DCOMP  respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito  compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica­ se igualmente aos processos do PIS.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl                              Fl. 1067DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.911825/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2006 CIDE ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-royalties ou CIDE-remessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciou-se em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDE-royalties. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDE-royalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.714
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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3402­003.714  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de janeiro de 2017  Matéria  CIDE ROYALTIES  Recorrente  AUTOTRAC COMERCIO E TELECOMUNICACOES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO  DE  INTERVENÇÃO  NO DOMÍNIO ECONÔMICO  ­  CIDE  Ano­calendário: 2006  CIDE ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO.  PROGRAMA  DE  COMPUTADOR  (SOFTWARE).  AUSÊNCIA  DE  TRANSFERÊNCIA  DE  TECNOLOGIA  (CÓDIGO  FONTE).  NÃO  INCIDÊNCIA.  Nos  moldes  do  artigo  1º­A  da  Lei  nº  10.168/2000,  trazido  pela Lei  n.  11.452/2007,  somente ocorrerá  a  incidência  da Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  (CIDE­royalties  ou  CIDE­remessas)  sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou  distribuição  de  programa  de  computador  (software)  quando  tal  negócio  envolver a  transferência de  tecnologia. Esse é o  teor do artigo 20 da Lei n.  11.452/2007, cuja vigência iniciou­se em 1º de janeiro de 2006, por expressa  determinação do artigo 21 da mesma Lei.   A  transferência  de  tecnologia  implica  necessariamente  na  transferência  de  conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares,  são  considerados  como  contratos  de  transferência  de  tecnologia  aqueles  que  disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n.  9.609/1998.  Inexistindo  a  disponibilização  do  código  fonte  do  software  principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula  o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de  tecnologia e, portanto, na incidência da CIDE­royalties.   PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP.  Demonstrado  que  os  pagamentos  efetuados  a  título  de  CIDE­royalties  são  indevidos,  uma  vez  que  pautados  em  remessas  para  o  exterior  de  valores  relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois  do início da vigência da regra constante do artigo 1º­A da Lei nº 10.168/2000  (1º  de  janeiro  de  2006),  cumpre  reconhecer  o  indébito  tributário  e,  por  conseguinte,  o  direito  ao  crédito  de  tais  valores,  passível  de  compensação  pelo contribuinte.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 18 25 /2 00 9- 69 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          2  Recurso Voluntário Provido.       Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.   (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Jorge  Freire,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.        Relatório  O  presente  Processo  Administrativo  foi  objeto  da  Resolução  n.  3801­ 000.840, cujo relatório, por economia processual, será a seguir transcrito no que for relevante:  Trata  o  presente  processo  de  compensação  declarada  que,  conforme apontado pela Recorrente,  tem origem em crédito referente a  valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de  janeiro  de  2006  a  janeiro  de  2007  sobre  remessas  ao  exterior  para  pagamento  de  licença  de  uso  ou  de  direitos  de  comercialização  de  programas de computador.  A  compensação  não  foi  homologada,  sob  a  alegação  de  inexistência  do  crédito  informado,  em  virtude  de  o  pagamento  do  qual  seria  oriundo  já  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  outros  débitos da contribuinte.  A  Recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade  apontando  os  aspectos  legais  estabelecidos  em  conformidade  com  o  artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a  não­incidência  da  referida  contribuição  a  partir  de  janeiro  de  2006  e  informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos.  A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da  contribuinte,  entendendo  improcedente  sua  Manifestação  de  Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não  ter  juntado  aos  autos  documentos  fiscais e  contábeis  imprescindíveis  à  constatação  da  existência  do  crédito  solicitado,  fazendo­se  o  conjunto  probatório  incapaz  de  aferir  certeza  e  liquidez  do  crédito  pretendido,  bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data  posterior à ciência do despacho decisório.  Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          3  O acórdão da DRJ restou assim ementado:  APRESENTAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido,  é  imprescindível  que  seja demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  inexistência  do  valor  do  débito  correspondente  a  cada  período  de  apuração.  A  simples  entrega  de  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão de comprovar a existência de pagamento indevido.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe  ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada  das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que alega possuir  junto à Fazenda Nacional para que sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  Manifestação de Inconformidade Improcedente."  Irresignada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  fundamentando­se  no  princípio  da  verdade  material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o  fito de demonstrar que foram devidamente registradas na contabilidade  do  sujeito  passivo,  ponderando  serem  suficientes  para  constatação  da  certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam:  a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando  o  pagamento  indevido  no  período  de  junho  de  2006,  instruído  na  PER/DCOMP;  b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que  se  verifica  o  estorno  do  montante  recolhido  na  subconta  CIDE  –  Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP;  c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de  2006,  em  que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006;  d) Cópias das DCTFs original e retificadora.  Em  julgamento  datado  de  17  de  setembro  de  2014  (Resolução  n.  3801­ 000.840),  a  1ª  Turma  Especial  dessa  3ª  Seção  determinou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência para a DRF de origem, nos seguintes termos:  Conforme  relatado, o ponto  crucial da  lide  consiste na ausência  de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado  decorrente  do  suposto  pagamento  indevido  a  título  de  CIDE  incidente  sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela  licença de uso  ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20  e  21  da  Lei  11.452/2007  que  delimitou  expressamente  o  campo  de  abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a não­incidência da CIDE a  partir de janeiro de 2006, assim expresso: (...)  Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          4  Certo é que a supracitada norma contempla a não­incidência da  CIDE  para  remunerações  pagas  ao  exterior  vinculadas  a  contratos  de  licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, faz­ se necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo  que  os  pagamentos dos  contratos  relativos  ao  licenciamento  de  uso  ou  direito  de  software,  não  obrigam ao  pagamento  da CIDE,  desde  1º  de  janeiro  de  2006,  sendo  que,  tendo  havido  tal  pagamento  a  Recorrente  possui indébito possível de creditamento.  Entretanto,  apesar  da  Recorrente  ter  juntado  documentos  e  comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para  se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior  vinculadas  a  contratos  de  licenciamento  de  uso  de  programas  de  computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos  contábeis  com o contrato de  licenciamento,  licença de uso de  software  ou  documento  semelhante  é  que  essa  Turma  poderá  evidenciar  se  o  pagamento efetivamente se deu por esse motivo.  Nesse  sentido,  voto  para  baixar  em  diligência  à  Delegacia  de  origem para determinar ao contribuinte que apresente:  1. A cópia autenticada do Contrato  referente de Licença de Uso  ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o  efetivo  motivo  do  pagamento  e  cópia  das  notas  fiscais  (ou  invoices,  devidamente traduzidas) correspondentes;  2. Retorne o processo a este CARF para julgamento.  Foram  juntados  aos  autos  esclarecimentos  da  Recorrente,  bem  como  os  documentos solicitados pela Resolução supratranscrita.  É o relatório.      Voto             Antônio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.711, de  24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10166.911821/2009­81, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.711):  "Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram  anteriormente  analisados  e  acatados  por  este  Conselho,  de  modo  que  passo à apreciação do mérito.  Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          5  Como  bem  pontuado  na  Resolução  n.  3801000.837,  posteriormente ao advento da Lei n. 11.452/2007, não há dúvidas de que  somente ocorrerá a  incidência da conhecida CIDE­royalties  (ou CIDE­ remessas, instituída pela Lei n. 10.168/2000) sobre a remuneração pela  licença  de  uso  de  direitos  de  comercialização  ou  distribuição  de  programa de computador quando tal negócio envolver a transferência de  tecnologia.  Esse  é  o  teor  do  artigo  20  da  Lei  n.  11.452/2007,  cuja  vigência iniciou­se em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação  do  artigo  21  da  mesma  Lei.  Portanto,  como  no  presente  caso  a  Recorrente clama pela restituição de valores a  título de CIDE­royalties  de  período  posterior  a  janeiro  de  2006,  a  discussão  cinge­se  à  comprovação  de  que:  a)  os  valores  foram  efetivamente  pagos;  b)  tais  remessas tinham como base contratos sem a transferência de tecnologia.   Quanto ao item a descrito no parágrafo anterior, a Recorrente já  apresentou cópia do livro razão consolidado (fls 134), no qual se verifica  o  lançamento contábil dos valores indevidamente recolhidos a título da  CIDE­royalties  (R$  173.207,28);  cópia  do  DARF  referente  ao  mesmo  pagamento (código da Receita 8741, conforme fls 136), além de cópias  das DCTFs original (fls 138) e retificadora (fls 140), nas quais constata­ se  a  posterior  exclusão  dos  valores  referentes  à  CIDE­royalties  da  declaração, por  força do advento da Lei n. 11.452/2007. Assim,  restou  devidamente  comprovado  o  pagamento  da  CIDE­royalties,  que  a  Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação.   Cumpre então verificar o atendimento ao item b.  Para  tanto, é necessário, em primeiro lugar,  ter em mente que a  transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de  conhecimento, da técnica envolvida no produto. Especificamente para o  caso dos programas de computador (softwares) são considerados como  contratos  de  transferência  de  tecnologia  aqueles  que  disponibilizam  o  código  fonte,  ainda  que  parcialmente. O  código  fonte,  numa  síntese,  é  entendido  como  as  instruções  do  programa  de  computador,  as  quais  servem para operar o hardware. Em outros termos, o código fonte pode  ser entendido como o “segredo” do software para operar a máquina e  conferir  utilidades  ao  usuário.  Nesse  sentido,  o  artigo  11  da  Lei  n.  9.609/1998, que dispõe  sobre a proteção da propriedade  intelectual de  programas  de  computador,  sua  comercialização  no  País,  e  dá  outras  providências, determina que:  Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de  computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial  fará o  registro  dos  respectivos  contratos,  para  que  produzam  efeitos  em  relação a terceiros.  Parágrafo  único.  Para  o  registro  de  que  trata  este  artigo,  é  obrigatória  a  entrega,  por  parte  do  fornecedor  ao  receptor  de  tecnologia,  da  documentação  completa,  em  especial  do  código­ fonte  comentado,  memorial  descritivo,  especificações  funcionais  internas,  diagramas,  fluxogramas  e  outros  dados  técnicos  necessários à absorção da tecnologia. (grifei)  Também  a  Receita  Federal  apresenta  entendimento  sobre  ser  indispensável  a  entrega  do  código  fonte  para  que  reste  configurada  a  transferência  de  tecnologia  no  âmbito  dos  contratos  envolvendo  Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          6  softwares,  conforme  se  depreende  da  Solução  de  Consulta  nº  67  ­  SRRF10/Disit, de 14 de julho de 2010, cuja ementa e o item 9.1. possuem  o seguinte teor:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO DE  INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO  ECONÔMICO  ­  CIDE  Não  estão  sujeitos  à  incidência  de  Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  os  valores  remetidos  ao  exterior  pela  aquisição  de  “software  de  prateleira”  (cópias  múltiplas)  para  revenda  por  pessoa  jurídica  detentora  de  licença de comercialização outorgada por fabricante estrangeiro. É  irrelevante a forma de movimentação do programa do fabricante ao  distribuidor  ou  revendedor,  se  por  remessa  de  suporte  físico,  via  internet (download) ou por reprodução a partir de matriz. Caso, ao  invés de revenda, caracterizar­se licenciamento temporário do uso  de  software,  os  valores  remetidos  ao  exterior  em  pagamento  constituem remuneração de cessão de direito. Ainda assim, não há  incidência da Cide, em razão da edição da Lei nº 11.452, de 2007,  que acresceu o § 1º­A ao art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, e, assim,  estabeleceu  isenção no  caso  de  remuneração pela  licença  de uso  ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de  computador,  salvo  quando  envolverem  a  transferência  da  correspondente tecnologia. Esse dispositivo tem eficácia a partir de  1º de  janeiro de 2006. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964,  art. 22; Lei nº 9.609, de 1998, art. 11, caput e parágrafo único; Lei  nº  9.610,  de  1998,  art.  7º,  XII  e  §  1º  e  art.  49;  Lei  nº  10.168,  de  2000, art. 2º; Lei nº 11.452, de 2007, arts. 20 e 21.  (...)  9.1. Sendo assim, somente haveria a incidência da Cide no âmbito  da  presente  consulta  caso  houvesse  transferência  de  tecnologia  entre os fabricantes estrangeiros e a consulente. Com efeito, como  bem demonstra a interessada, no caso do software, a lei prevê que a  entrega pelo fornecedor do código­fonte dos programas é condição  indispensável para a ocorrência de transferência de tecnologia. É  o que dispõe o art. 11, parágrafo único, da Lei nº 9.609, de 1998  (Lei do Software),(...). (grifei)  Pois bem. Segundo o relato acima trazido, a Recorrente juntou aos  autos: i) cópia autenticada do contrato de licenciamento de uso de  software  entre  a  Autotrac  e  a  Qualcomm  que  fundamenta  os  pagamento  realizados;  ii)  planilha  elaborada  e  assinada  pelo  contador da contribuinte que demonstra a apuração do valor devido  à  Qualcomm  conforme  termos  estipulados  no  Contrato  de  Licenciamento de Uso de Software, dividida por PER/DCOMP; iii)  cópia  das  Notas  Fiscais  emitidas,  acompanhadas  dos  respectivos  contrato  de  câmbio  e  DARFs  de  IRRF  recolhido  na  remessa  por  ocasião  da  remessa,  organizadas  em  jogos  para  cada  uma  das  PER/DCOMP.  Pela análise do instrumento contratual em questão (de cessão de  direitos  da  Qualcomm  à  Autotrac,  denominado  Contrato  de  Licenciamento  e  Distribuição),  verifico  que  se  trata  de  contrato  que  envolve  uma  série  de  obrigações  relacionadas  à  concessão  de  licenciamento de softwares diversos.  Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          7  A  Recorrente  informa  que  a  remuneração  paga  à  empresa  Qualcomm, localizada no exterior, refere­se  tão somente ao pagamento  de licenciamento do software MCT/IMCT. A descrição desse produto no  instrumento contratual é a seguinte (fls 208 e 2010):  MCTs e IMCT  O  Terminal  de  Comunicações  Móvel  (MCT)  é  o  componente  móvel  do  Sistema OmniTRACS.  Instalado  em  um  veículo  ou  em  local  fixo,  o  MCT  permite  ao  motorista  ou  operador  enviar  mensagens  para  a  base  de  operações  do  cliente,  assim  como  receber mensagens deste.  (...)  PROGRAMA MCT/IMCT  O programa do  IMCT é  instalado  nas  interfaces  da EPROM do  IMCT com a Unidade de Display, a Unidade Externa e a NMF, o  que  permite  que  o  motorista  estabeleça  uma  interface  com  o  despachante  e  oferece  o  processamento,  a  detecção  e  a  codificação/decodificação  de  sinais  que  são  necessários  tanto  para  transmitir quanto para  receber usando o  enlace de  satélite  de banda C.  Com efeito, no tópico dedicado às definições dos termos utilizados  nas  cláusulas  contratuais,  ao  tratar  do  “software  licenciado”,  o  Contrato  traz à baila o Software MCT/IMCT,  colocando em definições  separadas  outros  produtos/serviços  que  fazem  parte  do  acordo,  dentre  eles o “Sistema OminisTRACS” e o “QTRACS Web”. Vejamos:  "Software  Licenciado"  significa  os  seguintes  programas  proprietários  da  QUALCOMM:  (i)  software  MCT/IMCT,  (ii)  FIRMWARE SensorTRACS e TrailerTRACS,  (iii)  software MapEX,  e (iv) quaisquer outros programas que a QUALCOMM, ao longo do  tempo, licencie à AUTOTRAC.  (...)  "Software  de  IMCT"  significa  o  software  proprietário  da  QUALCOMM  residente  em  cada  IMCT  ou  MCT,  incluindo  a  funcionalidade  SensorTRACS  e  TrailerTRACS,  tal  como  esse  software  é  mais  detalhadamente  descrito  no  Documento  B  deste  Contrato.  "Sistema OmniTRACS" significa um certo serviço de mensagens de  comunicações móvel, alfanumérico, proprietário, operando em dois  sentidos, transmitindo por satélite, usando transmissores­receptores  de  satélites da banda C  (ou da Banda Ku, quando disponível),  tal  como descrito em maior detalhe no documento B.  (...)  "QTRACS Web" significa a solução proprietária da QUALCOMM,  baseada  na  Rede  Internet,  residente  em  servidor.  O  serviço  QTRACS/Web permite  aos Usuários Finais  que  enviem e  recebam  mensagens e dados."  Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          8  Disto já é possível perceber que, de fato, o Software MCT/IMCT é  o  programa  de  computador  principal  que  está  sendo  objeto  do  licenciamento  de  uso,  sendo  os  demais  programas  acessórios  a  este,  todos  formando  uma  espécie  de  licenciamento  de  sistema,  bastante  comum nesse tipo de contrato.  Com  relação  à  forma  de  remuneração  pelo  uso  do  software,  dispõe  o  Contrato,  em  sua  Cláusula  4.2,  que  a  Autotrac  pagará  à  Qualcomm uma taxa de licenciamento mensal pelo uso do software igual  a quinze por cento (15%) da receita total líquida recebida pela Autotrac  por cobrança de Tráfego de mensagens (“Taxa mensal de licenciamento  de  Software  MCT/IMCT”).  Vale  dizer,  o  pagamento  está  atrelado  ao  software principal, e não aos acessórios.  Ainda,  pela  apreciação  do  texto  do  instrumento  contratual,  constato que a licença de uso do software não implica na transferência  de tecnologia, mas tão somente no simples uso direito em questão. Não  existe  o  fornecimento  de  qualquer  conhecimento  ou  técnica  específica,  tampouco quaisquer dos requisitos estabelecidos pelo artigo 11 da Lei n.  9.609/98.   Com efeito, o Software MCT/IMCT é inviolável e inalterável, por  determinação expressa do Contrato (cláusula 8.2. – “Limitações quanto  ao software licenciado” e cláusula 8.5 – “Aperfeiçoamento ao software  licenciado”). Ou seja, a Recorrente não tem a intenção de apropriar­se  do  conhecimento  e  da  técnica  contida  nos  programas  de  computador,  mas tão somente utilizá­los e distribuí­los. Daí já se torna bastante nítida  a  ausência  da  transferência  de  tecnologia  no  pacto  efetuado  entre  as  partes.   Finalmente, o instrumento negocial expressamente coloca que tão  somente  o  código  fonte  do  Software  QTRACS  Web  será  concedido  (cláusula  8.6),  mas  não  dos  demais  programas.  Isto  porque  o  único  software  licenciado  de  forma  onerosa  é  o  MCT/IMCT.  O  Software  QTRACS  Web,  de  outro  lado,  foi  oferecido  sem  custo,  conforme  a  Cláusula 8.6. do Contrato, de modo que não fez parte das remessas para  o exterior e, por conseguinte, do pagamento a título de CIDE­royalties.  Confirma tal conclusão a Cláusula 8.1, que estabelece que a concessão  da licença diz respeito tão somente ao “software licenciado”, dentro do  qual  não  se  inclui  o  QTRACS  web,  conforme  determinam  as  próprias  disposições  iniciais  de  “definição  de  termos”  do  contrato,  supra  destacadas.  Também  é  importante  repisar  que  a  citada  Cláusula  4.  2,  que trata da remuneração da empresa estrangeira pela cessão da licença  de  uso,  confirma  que  o  pagamento  diz  respeito  unicamente  ao  licenciamento do software MCT/IMCT.   Assim,  conclui­se  que  o  Contrato  firmado  entre  as  partes  tem  como  escopo  principal  tornar  a  Recorrente  um  “revendedor”  dos  programas de computador (vide Cláusula 2 – “Distribuidor exclusivo do  Sistema OmniTRACS” ­ e 2.2. – “Exigências mínimas de desempenho”),  e,  para  tanto,  foi­lhe  contratualmente  cedida  a  licença  do  uso  desses  softwares.   Sobre  esse  ponto,  destaco  que  o  INPI  (“Instituto  Nacional  de  Propriedade Industrial”), nos moldes do artigo 211 da Lei n. 9.279/96,  coloca  que,  por  não  caracterizarem  transferência  de  tecnologia,  os  contratos  de  Licença  de  uso  de  programa  de  computador  (software)  e  Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          9  Distribuição de programa de computador (software) são dispensados de  averbação pelo INPI. 1 Portanto, assim como pressupõe o artigo 1º­A da  Lei  n.  10.168/200,  a  princípio  tais  espécies  de  contratos  dão  acesso  unicamente  ao  código  objeto,  que  é  aquele  legível  pela  máquina,  mas  não  da  codificação  fonte,  que  é  a  tecnologia.  Poderia  haver  uma  “desvirtuação”  de  tais  contratos,  implicando  na  transferência  de  tecnologia,  caso o conteúdo do acordo  trouxesse a disponibilização do  código fonte do software licenciado, corroborando o intuito da empresa  brasileira  licenciada  de  ter  acesso  ao  conhecimento  tecnológico,  para  apropriá­lo e desenvolvê­lo no sentido que  lhe  interessasse. Entretanto,  no  presente  caso  concreto,  o  contrato  realmente  não  abarca  a  transferência de tecnologia, pelas razões expostas alhures, confirmando  a  natureza  tradicional  dessas  espécies  contratuais  de  cessão  de  uso  e  distribuição de software.  Por fim, a planilha elaborada pela Contribuinte ­ que demonstra a  apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no  Contrato  ­,  as  cópias  das  Notas  Fiscais  emitidas  pela  Qualcomm,  acompanhadas  dos  respectivos  contrato  de  câmbio  e  DARFs  de  IRRF  recolhido  por  ocasião  da  remessa  confirmam  a  correlação  entre  os  pagamentos  efetuado  a  título  de  CIDE­royalties  e  o  Contrato  em  questão,  com  as  respectivas  remessas  ao  exterior  para  pagamento  da  licença de uso de software.  Dispositivo  Por  tudo  quanto  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto  pela  Contribuinte,  reconhecendo  a  juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação  seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser  compensado."                                                              1 “Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia?  Por não  caracterizarem  transferência de  tecnologia,  nos  termos do Art.  211  da Lei  nº 9.279/96 alguns  serviços  técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços:   ­  Agenciamento  de  compras,  incluindo  serviços  de  logística  (suporte  ao  embarque,  tarefas  administrativas  relacionadas à liberação alfandegária, etc.);  ­  Serviços  realizados  no  exterior  sem  a  presença  de  técnicos  da  empresa  brasileira,  que  não  gerem  quaisquer  documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos;  ­ Homologação e certificação de qualidade de produtos;  ­ Consultoria na área financeira;  ­ Consultoria na área comercial;  ­ Consultoria na área jurídica;  ­ Consultoria visando participação em licitação;  ­ Serviços de marketing;  ­ Consultoria remota, sem a geração de documentos;  ­ Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação,  certificação,  migração,  configuração,  parametrização,  tradução,  ou  localização  de  programa  de  computador  (software);  ­ Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software);  ­ Licença de uso de programa de computador (software);  ­ Distribuição de programa de computador (software);  ­ Aquisição de cópia única de programa de computador (software).”  Disponível  em:  http://www.inpi.gov.br/servicos/perguntas­frequentes­paginas­internas/perguntas­frequentes­ transferencia­de­tecnologia#naocaracterizados  Acesso em 12/01/2017.     Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10166.911825/2009­69  Acórdão n.º 3402­003.714  S3­C4T2  Fl. 0          10  Retornando  ao  caso  deste  processo,  importante  ressaltar  que  todos  os  documentos  analisados  no  julgamento  do  paradigma  encontram  correspondência  com  os  documentos juntados ao presente processo (fls. 134/140 e 199/403), a saber:  a)  cópia  do  livro  razão  consolidado,  do  DARF  referente  ao  pagamento  (código  da  Receita  8741)  e  cópias  das  DCTFs  original  e  retificadora,  que  comprovam  o  pagamento  da  CIDE­royalties  que  a  Recorrente  reputa  como  indevido  e  passível  de  restituição/compensação;  b)  contrato  de  licenciamento  de  uso  de  software  entre  a  Autotrac  e  a  Qualcomm (mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma);  c) planilha elaborada pela Contribuinte ­ que demonstra a apuração do valor  devido  à  Qualcomm  conforme  termos  estipulados  no  Contrato  ­,  cópias  das  Notas  Fiscais  emitidas  pela  Qualcomm,  acompanhadas  dos  respectivos  contrato  de  câmbio  e  DARFs  de  IRRF  recolhido  por  ocasião  da  remessa,  que  confirmam  a  correlação  entre  os  pagamentos  efetuado a título de CIDE­royalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao  exterior para pagamento da licença de uso de software.  Portanto,  constata­se  que  neste  processo  a  Contribuinte  juntou  os  mesmos  documentos  que  foram  considerados  hábeis  à  comprovação  do  direito  creditório  no  caso  do  paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  a  juridicidade  do  crédito  alegado  pela  Contribuinte,  devendo  a  compensação  ser  analisada  pela  RFB  apenas  para  fins  de  apuração  do  quantum  a  ser  compensado.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                            Fl. 417DF CARF MF

score : 1.0
6707228 #
Numero do processo: 10280.902051/2012-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado

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Acórdão nº  9303­004.731  –  3ª Turma   Sessão de  22 de março de 2017  Matéria  COFINS. INSUMOS. CONCEITO.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A.    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  COFINS. CONCEITO DE INSUMO.  O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  denota  uma  abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado,  tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar  todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Sua  justa  medida  caracteriza­se  como  o  elemento  diretamente  responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  este  elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as  demais exigências legais.  No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200  Carbomil e inibidor de corrosão.  Recurso Especial do Procurador negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 20 51 /2 01 2- 74 Fl. 1181DF CARF MF     2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Andrada Márcio  Canuto  Natal,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Tatiana Midori Migiyama,  Vanessa Marini  Cecconello  e  Erika  Costa  Camargos Autran.    Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402­002.635, de 24/02/2015,  proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  RECURSO. CONHECIMENTO.  A  parte,  ao  recorrer,  deve  claramente  identificar  o objeto  e  os  motivos  de  sua  irresignação.  Não  se  conhece  do  recurso  genérico e desprovido de fundamentação.  PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS.  Considera­se  não  formulado  o  pedido  de  perícia  que  deixe  de  formular quesitos.  ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO  QUAL  SE  FUNDAMENTA  A  AÇÃO.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.  Insumos, para  fins de creditamento da Contribuição Social não  cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou  que  viabilizam o processo produtivo  e a prestação de  serviços,  que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes.  Gastos  com  a  aquisição  de  ácido  sulfúrico,  calcário  AL  200  Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer  Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10280.902051/2012­74  Acórdão n.º 9303­004.731  CSRF­T3  Fl. 1.182          3 de  produção  de  alumina,  ensejam  o  creditamento  das  contribuições sociais não cumulativas.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte    No  Recurso  Especial,  por  meio  do  qual  pleiteou,  ao  final,  a  reforma  do  decisum,  a  Recorrente  insurgiu­se  contra  a  concessão  de  crédito  oriundo  das  aquisições  de  ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, que, no seu entender, não  geram  direito  a  crédito.  Alega  divergência  de  interpretação  em  relação  ao  que  decidido  no  Acórdão nº 203­12.448 e 204­00.795.  O  exame  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial  encontra­se  às  fls.  1048/1050.   A  contribuinte  apresentou  as  contrarrazões  ao  recurso  especial  (fls.  1052/1064).  Também  interpôs  recurso  especial,  o  qual,  todavia,  não  foi  admitido  (fls.  1173/1175).  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos,  tal  como  proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido.  Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para  o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI,  o  acórdão  recorrido  consubstanciou  entendimento mais  amplo,  de  sorte  a  incluir,  no mesmo  conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte.  Conhecido,  entendemos  não assistir  razão  à douta Procuradoria da Fazenda  Nacional.  Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que,  justo, encontra­se encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento  coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique  Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/2006­47 (Acórdão 3ª  Turma/CSRF  nº  9303­01.035,  sessão  de  23/10/2010),  passamos  a  adotá­las,  também  aqui,  como razão de decidir. Ei­las:    A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade  ou não de  se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores  relativos  a  custos  com  combustíveis,  lubrificantes  e  com  a  remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o  alcance do termo insumo,  trazido no  inciso  II do art. 3º da Lei  10.637/2002.  A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do  termo insumo, previsto na legislação do IPI  (o conceito trazido  Fl. 1183DF CARF MF     4 no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para  a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo  insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela  legislação  dessas  contribuições.  No  âmbito  desse  imposto,  o  conceito  de  insumo  restringe­se  ao  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  de  material  de  embalagem,  já  na  seara  das  contribuições,  houve  um  alargamento,  que  inclui  até  prestação  de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado  na  legislação  do  IPI  não  tem  o  mesmo  alcance  do  aplicado  nessas  contribuições.  Neste  ponto,  socorro­me  dos  sempre  precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos,  em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003­ 61,  que,  com  as  honras  costumeiras,  transcrevo  excerto  linhas  abaixo:  Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que  restaria seria a confirmação da decisão recorrida.  Isso  a  meu  ver,  porém,  não  basta.  É  que,  definitivamente,  não  considero  que  se  deva  adotar  o  conceito  de  industrialização  aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a  restritiva  noção  de  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  lá  prevista  para  o  estabelecimento  do  conceito  de  ‘insumos’  aqui  referido.  A  primeira  e  mais  óbvia  razão está na completa ausência de remissão àquela legislação  na Lei 10.637.  Em  segundo  lugar,  ao  usar  a  expressão  ‘insumos’,  claramente  estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que  ai  incluiu  ‘serviços’,  de  nenhum  modo  enquadráveis  como  matérias  primas,  produtos  intermediários  ou  material  de  embalagem.  Ora,  uma  simples  leitura  do  artigo  3º  da  Lei  10.637/2002  é  suficiente  para  verificar  que  o  legislador  não  restringiu  a  apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados  no  creditamento  de  IPI.  No  inciso  II  desse  artigo,  como  asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito  de  insumos  os  serviços  contratados  pela  pessoa  jurídica.  Esse  dispositivo  legal  também considerou como  insumo combustíveis  e  lubrificantes,  o  que,  no  âmbito  do  IPI,  seria  um  verdadeiro  sacrilégio.  Mas  as  diferenças  não  param  aí,  nos  incisos  seguintes,  permitiu­se  o  creditamento  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos  para  utilização  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda,  bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc.  Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento  do  PIS/Pasep  as  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  ou  material  de  embalagens  (alcance  de  insumos  na  legislação  do  IPI)  utilizados,  diretamente,  na  produção  industrial,  ao  contrário,  ampliou  de  modo  a  considerar  insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa  jurídica precisa  incorrer na produção de bens ou serviços por  ela realizada.  Vejamos o dispositivo citado:  Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10280.902051/2012­74  Acórdão n.º 9303­004.731  CSRF­T3  Fl. 1.183          5 [...]As  condições  para  fruição  dos  créditos  acima mencionados  encontram­se reguladas nos parágrafos desse artigo.  Voltando  ao  caso  dos  autos,  os  gastos  com  aquisição  de  combustíveis  e  com  lubrificantes,  junto  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  pais,  bem  como  as  despesas  havidas  com  a  remoção  de  resíduos  industriais,  pagas  a  pessoa  jurídica  nacional  prestadora  de  serviços,  geram  direito  a  créditos  de  PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima.  Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento  ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos)    Passemos ao caso concreto.  A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido  sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.  Antes  de  concluirmos  o  voto  em  relação  a  cada  item  e  os  motivos  que  sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em  julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e  serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas.  Nestes  julgamentos,  acompanhamos  o  voto  do  relator,  porque  nos  pareceu  que  os  motivos  por  ele  adotados  encontravam­se  plenamente  compatíveis  com  a  tese  majoritária.  Referimo­nos  aos  Acórdãos  CSRF/3ª  Turma  nº  9303­004.378,  9303­004.379  e  9303­004.380, todos de 09/11/2016.  Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os  itens  cujo  creditamento  a  Recorrente  pretende  afastar,  formamos  a  convicção  de  que  andou  bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou:    No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido  sulfúrico  é  usado  em  refinarias  de  alumina  para  desincrustar  linhas  dos  trocadores  de  calor  e  outros  equipamentos.  É  utilizado  também  para  neutralização  de  efluentes  e  desmineralização  da  água  para  as  caldeiras.  O  calcário  (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo  de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre,  que é formado durante o processo de queima do carvão mineral.  O  inibidor  de  corrosão,  por  sua  vez,  é  usado  em  refinarias  de  alumina  para  desincrustar  linhas  dos  trocadores  de  calor  e  outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de  efluentes e desmineralização da água para as caldeiras.  Entendo  que  o  recorrente  demonstrou  de  maneira  satisfatória,  por  meio  de  sua  explicação,  a  relação  de  pertinência  e  essencialidade destes  três bens para com o processo produtivo,  nos  termos  do  conceito  de  insumo  que  se  adota  neste  voto,  devendo­se reverter as respectivas glosas.    Fl. 1185DF CARF MF     6 Sendo  claramente  necessário  ao  processo  produtivo,  na  linha  do  que  vem  sendo  aqui  mesmo  decidido,  reajustamos  o  nosso  voto  para  acompanhar  o  entendimento  adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial.  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  especial  e,  no  mérito,  nego­lhe  provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                     Fl. 1186DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.722592/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. VACINAS A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea "a", do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/1995, não compreendendo a aplicação e/ou aquisição de vacinas.
Numero da decisão: 2202-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.100,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. VACINAS A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea "a", do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/1995, não compreendendo a aplicação e/ou aquisição de vacinas.

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.100,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.

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2202­003.663  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de fevereiro de 2017  Matéria  IRPF ­ Despesas Médicas  Recorrente  JOÃO ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011  DIRPF.  DEDUÇÕES.  COMPROVAÇÃO.  REGULAMENTO  DO  IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.  Todas  as  deduções  na  base  de  cálculo  do  imposto  previstas  pela  legislação  estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora  (Decreto­Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).   DESPESAS MÉDICAS.  Poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  referentes  a  despesas  médicas  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  ao  próprio  tratamento  e  ao  de  seus  dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.  VACINAS  A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea  "a",  do  inciso  II,  do  art.  8º,  da  Lei  nº  9.250/1995,  não  compreendendo  a  aplicação e/ou aquisição de vacinas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de  R$ 15.100,00.  Assinado digitalmente  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 25 92 /2 01 3- 12 Fl. 108DF CARF MF     2 Assinado digitalmente  Cecilia Dutra Pillar ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto,  Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique  Sales Parada.  Relatório  Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto  sobre a Renda das Pessoas Físicas,  decorrente de  revisão da Declaração  de Ajuste Anual do  IRPF  do  exercício  de  2012,  ano  calendário  de  2011  em  que  foram  glosados  valores  indevidamente deduzidos a título de despesas médicas no valor de R$ 16.210,00, culminando  na alteração de ofício do resultado do ajuste anual, passando o imposto a restituir apurado de  R$ 3.998,25 para imposto a pagar de R$ 184,50, mais multa de ofício de 75% e juros de mora  calculados com base na taxa Selic, conforme demonstrado às fls. 34/35.  Na Notificação de Lançamento, fls. 03/07, a Autoridade Fiscal assim motivou  as glosas das despesas:  a) Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda, no valor de R$ 110,00  ­ falta de comprovação do pagamento;  b) André Luiz Zétola, no valor de R$ 15.100,00:  ­  falta  de  nominação  do  beneficiário  dos  serviços  prestados  por  este  profissional e a respectiva comprovação documental, e  ­  falta  de  comprovação  do  efetivo  desembolso.  O  contribuinte  apresentou  cheques do Banco do Brasil, nºs 850321 e 850322, nos valores de R$ 12.500,00 e 2.600,00,  ambos nominados a terceiros.  Inconformado  o  contribuinte  apresentou  impugnação  alegando  que  o  pagamento à Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik, NF 10439, no valor de R$ 110,00  foi realizado em dinheiro proveniente de saque com cartão no caixa eletrônico em 28/04/2011,  conforme  extrato  bancário  que  anexa.  Quanto  à  comprovação  do  pagamento  a  André  Luiz  Zétola, no valor de R$ 15.100,00, feito com os cheques nº 850321 e 850322,  informa que os  cheques foram emitidos ao portador e entregues ao prestador dos serviços que os negociou com  terceiros. Para comprovar o efetivo desembolso, apresenta declaração do profissional, de que  recebeu os cheques referentes aos recibos emitidos.   Anexou cópia da NF emitida em 28/04/2011 pela Clínica de Diagnóstico por  Imagem  Paciornik,  no  valor  de  R$  110,00  (fls.  08),  onde  se  lê  na  descrição  dos  serviços:  aplicação de vacina da gripe 2011. Extrato de conta corrente do Banco do Brasil onde assinalou  o  saque  realizado  em  28/04/2011  no  valor  de  R$  180,00  (fls.  09);  às  fls.  10/17,  anexa  declarações André Luiz Zétola, em que atesta ter recebido do notificado no ano de 2011 o valor  de R$ 2.600,00, referente ao cheque do BB nº 850322, conforme recibo datado de 12/12/2011  por  serviços  de  tratamento  odontológico,  juntando  cópia  do  cheque  nº  850322  emitido  em  05/12/2011; e outra declaração do mesmo prestador, atestando que o cheque do BB nº 850321,  de  R$  12.500,00,  se  refere  aos  recibos  emitidos  em  12/08/2011,  12/09/2011,  12/10/2011  e  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.722592/2013­12  Acórdão n.º 2202­003.663  S2­C2T2  Fl. 109          3 12/11/2011,  no  valor  de  R$  3.125,00  cada  um,  totalizando  R$  12.500,00  e  junta  cópia  de  cheque ilegível.   A  4ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba  (PR),  julgou  improcedente  a  impugnação,  conforme  acórdão  de  fls.  37/40,  nos  seguintes termos:  Quanto  à dedução de despesas médicas na declaração de  ajuste  anual, a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu art. 8º,  estabelece:  “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  I  –  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­ calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;  II – das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias.  (...)  § 2º ­ O disposto na alínea ‘a’ do inciso II:  (...)  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  feitos  pelo  contribuinte,  relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III – limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem  recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação  do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.”   (Grifou­se)  O  artigo  73  e  §  1º  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de  1999, com a correspondente matriz legal indicada, estabelece:  “Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­ Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).”   Fl. 110DF CARF MF     4 Conforme se depreende da análise dos dispositivos legais acima,  não  há  como  acatar  o  gasto  de  R$  110,00  com  a  Clínica  de  Diagnóstico  por  Imagem  Paciornik  Ltda.,  pois  o  conceito  de  despesas  médicas  para  fins  tributários  não  compreende  a  aquisição de vacinas.  As despesas com tratamento odontológico feitas com André Luiz  Zétola, no total de R$ 15.100,00, foram glosadas por não ter sido  comprovado  o  beneficiário  do  tratamento,  a  sua  efetiva  realização e respectivo desembolso das despesas. Declarações do  profissional  (fls.  10  e 13)  atestam ser o  autuado o paciente dos  procedimentos realizados.   Os  cheques  trazidos  pelo  contribuinte  não  se  prestam  a  comprovar  o  pagamento  das  despesas  questionadas.  Já  foram  apresentados  e  glosados  pela  fiscalização,  pois  se  tratam  de  cheques  nominais  a  terceiros.  A  cópia  juntada  à  fl.  16  nem  mesmo  corresponde,  em  datas  e  valores,  a  qualquer  um  dos  recibos emitidos.  Além disso, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos  que  demonstrassem  a  realização  do  tratamento  e  não  o  fez.  Também  não  os  apresentou  na  impugnação.  Vale  notar  que  quando se tratam de despesas médico­odontológicas dispendiosas  e continuadas há sempre um histórico da doença, de forma que os  contribuintes  independentemente  de  solicitação  por  parte  do  fisco,  costumeiramente  apresentam  sem  qualquer  parcimônia  exames, laudos médicos e periciais comprovando a sua patologia  e necessidade de tratamento especializado.   Com relação às declarações prestadas pelo dentista acostadas aos  autos, esclarece­se que os documentos não fazem prova perante  terceiros, neste caso, o Fisco, em face da disposição prevista no  art. 219 do Código Civil:  Art.  219.  As  declarações  constantes  de  documentos  assinados  presumem­se verdadeiras em relação aos signatários.   Parágrafo  único.  Não  tendo  relação  direta,  porém,  com  as  disposições  principais  ou  com  a  legitimidade  das  partes,  as  declarações  enunciativas  não  eximem  os  interessados  em  sua  veracidade do ônus de prová­las.   Neste  aspecto,  declarações  constantes  de  documento  particular  têm admissibilidade  restrita  em processo  administrativo  fiscal e  não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de provar  tais declarações, porquanto se presume sejam verdadeiras apenas  em relação aos signatários.  Isto posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o  crédito tributário exigido.  Cientificado pessoalmente dessa decisão em 24/05/2013, conforme termo de  fls. 44, o interessado apresentou Recurso Voluntário em 12/06/2013 (fls. 45/48), alegando em  síntese:  • que não procede a alegação da DRJ de que houve aquisição de vacina pois a  NF  10439  da  Clínica  de  Diagnóstico  é  NF  de  prestação  de  serviços­  Série  "F",  e  o  valor  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.722592/2013­12  Acórdão n.º 2202­003.663  S2­C2T2  Fl. 110          5 cobrado  se  refere  ao  serviço  de  aplicação  de  medicamento,  que  só  pode  ser  realizado  em  clínicas  ou  hospitais  privados,  mediante  pagamento  ou  nos  postos  de  saúde  do  SUS,  se  gratuitamente. Ressalta que na Notificação de Lançamento foi questionado tão somente a falta  de  comprovação  de  pagamento  das  despesas  médicas  à  esta  clínica,  que  foi  sanada  com  o  pagamento em dinheiro, oriundo de saque com cartão no caixa eletrônico em 28/04/2013 (sic),  conforme extrato bancário juntado às fls. 16;  •  da  mesma  forma  o  acórdão  da  DRJ  quando  fala  das  despesas  com  tratamento  odontológico  feitas  com  André  Zétola,  no  total  de  R$  15.100,00,  que  foram  glosadas por não ter sido comprovado o beneficiário do tratamento, a sua efetiva realização e  respectivo  desembolso  das  despesas.  Tais  alegações  não  podem  prevalecer  haja  vista  a  apresentação  do  completo  conjunto  probatório  constituído  por  recibos,  declarações  do  profissional bem como declarações da efetiva  realização do  tratamento e microfilmagem dos  cheques  utilizados  para  o  pagamento  do  profissional,  atestando  o  efetivo  desembolso  do  recorrente. O  acórdão  afirma  que  os  cheques  não  se  prestam  a  comprovar  o  pagamento  das  despesas questionadas, que já foram apresentados e glosados pela fiscalização pois se tratam de  cheques  nominais  a  terceiros  e  que  a  cópia  juntada  às  fls.  16  nem mesmo  corresponde,  em  datas e valores, a qualquer dos recibos emitidos.  Sustenta que o extrato bancário juntado às fls. 16 corresponde à comprovação  de pagamento em pecúnia à Clínica de Diagnóstico por Imagem Paciornik Ltda, no valor de R$  110,00 e não aos pagamentos dos cheques emitidos.  Destaca  que  os  cheques  e  recibos  foram  sim  emitidos  no  mesmo  mês,  apresentados à  fiscalização da malha fiscal e constam do dossiê digitalizado, mas não  foram  percebidos muito menos acatados pelos julgadores da DRJ.  A  DRJ  o  acusa  de  não  ter  apresentado  documentos  que  comprovassem  a  realização  do  tratamento.  O  recorrente  afirma  que  foi  intimado  a  apresentar  os  recibos  e  extratos bancários e  também as cópias dos cheques utilizados para os pagamentos. Nenhuma  comprovação  mais  lhe  foi  solicitada,  até  que  foi  surpreendido  com  a  Notificação  de  Lançamento.  Argumenta  que  a  idoneidade  dos  documentos  apresentados  deve  ser  presumida,  cabendo  ao  Fisco  provar  a  falsidade  ou  inexatidão  dos mesmos. Não  o  fazendo,  deve ser afastada a glosa e restabelecida a dedução das despesas médicas.  A fim de dirimir quaisquer dúvidas quanto a efetiva realização do tratamento  odontológico e do efetivo desembolso das despesas, além dos documentos comprobatórios  já  apresentados à fiscalização e na impugnação, junta também ao recurso cópia do orçamento, das  tomografias e laudos correspondentes às fases do tratamento.  Ao final requer o total provimento de seu recurso com a reforma da decisão  anterior e o restabelecimento das deduções pleiteadas.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora.  Fl. 112DF CARF MF     6 O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele  conheço.  O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal,  limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindo­a aos casos  previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no  sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos  anexados  aos  autos  após  a  defesa,  em  observância  aos  princípios  da  verdade  material  e  da  instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte  ou integralmente a pretensão fiscal.  Nesse  caso,  entendo  que  os  documentos  apresentados  em  sede  de  recurso  voluntário  devem  ser  recepcionados  e  analisados,  uma  vez  que  comprovam  os  argumentos  expostos pelo Contribuinte desde a  impugnação e  servem para  rebater a decisão de primeira  instância.  O  presente  recurso  resume­se  à  controvérsia  acerca  da  não  aceitação  pela  Autoridade  Fiscal,  de  recibos  e  declarações  de  despesas  médicas  desacompanhados  da  comprovação do efetivo desembolso dos valores pagos pelo declarante.  Às  fls.  94/104  dos  autos  está  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  2013/41,  lavrado em 07/03/2013, que antecedeu a Notificação Fiscal de Lançamento. Verifico que nesta  intimação  o  contribuinte  foi  instado  a  apresentar,  dentre  outros  documentos  que  não  dizem  respeito ao presente processo, "(1) comprovantes dos efetivos desembolsos (cópias de cheques  compensados, DOC, ordem bancária, depósito bancário, cartões de crédito ou débito, saques  com  cartões  ou  em  caixa  eletrônico,  etc),  compatíveis  em  datas  e  valores,  dos  pagamentos  efetuados  ao  profissional  André  Luiz  Zetola,  conciliando  com  os  respectivos  recibos  declarados na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2012 e (2) nomear o beneficiário  dos serviços prestados pelo mesmo profissional, apresentando documentos comprobatórios."  Em seguida, constam um extrato do Banco do Brasil, de conta corrente do Sr.  João Almeida, indicando a compensação, em 12/12/2011 do cheque nº 850322, no valor de R$  2.600,00; cópia/microfilme do cheque nº 850322, emitido em 05/12/2011 e cópia/microfilme  do cheque nº 850321, emitido em 07/11/2011, no valor de R$ 12.500,00.  Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas  realizadas,  quando  a  Autoridade  fiscal  assim  entender necessário, conforme previsão do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR,  aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito:  RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999   Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  n°  5.844, de 1943, art. 11, § 3°).  Com  relação  à  despesa  com  tratamento  odontológico  realizado  pelo  Dr.  André Luiz Zétola, a Notificação Fiscal descreve que a glosa foi por falta de identificação do  beneficiário dos serviços, comprovação documental e comprovação do efetivo desembolso, já  que não acolheu os cheques apresentados por estarem nominados a terceiros.  Pelos elementos dos autos,  entendo que  restou comprovado que os  serviços  foram prestados ao declarante, Sr. João Almeida (orçamento de fls. 49 indica ser ele o paciente,  identifica  os  serviços  a  serem  realizados,  contém  o  valor  total  do  tratamento  e  a  forma  de  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.722592/2013­12  Acórdão n.º 2202­003.663  S2­C2T2  Fl. 111          7 parcelamento  do  pagamento,  assim  como  os  exames  anexados  às  fls.  68/72  cujas  imagens  tomadas de 30/09/2011 a 03/05/2012, comprovam a realização de intervenções odontológicas  no mesmo paciente).  Quanto aos pagamentos, o contribuinte afirma  terem sido realizados através  dos cheques nº 850321  (R$ 12.500,00  ) e nº 850322  (R$ 2.600,00),  traz aos autos cópias de  microfilmes destes cheques, dos  extratos bancários  comprovando seu desconto e declarações  do  profissional  atestando  que  o  cheque  do  BB  nº  850321,  de  R$  12.500,00,  se  refere  aos  recibos  emitidos  em  12/08/2011,  12/09/2011,  12/10/2011  e  12/11/2011,  no  valor  de  R$  3.125,00 cada um, totalizando R$ 12.500,00 e que o cheque do BB nº 850322, no valor de R$  2.600,00 quitou o recibo emitido em 05/12/2011.  A decisão da DRJ  fundamentou a negativa de  aceitação destes documentos  no fato de se tratar de declaração unilateral que não faz prova perante terceiros e não admitiu  os cheques como comprovação do efetivo pagamento por estarem "nominados a terceiros".   O orçamento  de  fls.  49,  datado  de 24/10/2011,  identifica  os  procedimentos  orçados  que  totalizam  R$  38.500,00  e  especifica  a  forma  de  pagamento:  entrada  de  R$  12.500,00 e saldo em 10 parcelas de R$ 2.600,00 cada.  Os recibos apresentados então teriam sido assim quitados:  · Recibo  de  12/08/2011  de R$  3.125,00,  recibo  de  12/09/2011  de R$  3.125,00,  recibo  de  12/10/2011  de  R$  3.125,00  e  recibo  de  12/11/2011 de R$ 3.125,00, pagos com o cheque BB nº 850321 de R$  12.500,00, emitido em 07/11/2011.  · Recibo  de  12/12/2011  de  R$  2.600,00  ­  cheque  BB  nº  850322,  emitido em 05/12/2011.  Com  relação  aos  cheques,  entendo  que  o  emissor  do  documento  (o  declarante)  não  tem  qualquer  ingerência  na  destinação  que  seu  recebedor  lhe  dará.  Explico:  nada impede que o paciente efetue um pagamento em cheque não nominal a seu dentista e este  repasse  o  cheque  a  um  terceiro. No  caso  constata­se  que  a  pessoa  que  escreveu  o  nome  do  destinatário  do  cheque  não  tem  a  mesma  grafia  do  subscritor  deste  documento  (cópias  do  cheques  estão  às  fls.  12  e  16).  Portanto,  tenho  que  os  cheques  comprovam  os  pagamentos  realizados cujos valores e datas combinam com os previstos no orçamento.  Assim,  pelo  conjunto  probatório  dos  autos,  entendo  que  assiste  razão  ao  contribuinte, devendo ser afasta a glosa das despesas odontológicas apontadas (no valor de R$  15.100,00), pois prestadas ao próprio declarante, cujos pagamentos foram realizados por meio  dos cheques identificados, corroborados pelos recibos e declarações do dentista.  Com relação à despesa declarada para a Clínica de Diagnóstico por Imagem  Paciornik  Ltda,  percebe­se  que  a Notificação  de  Lançamento motivou  sua  glosa  na  falta  de  comprovação  do  pagamento  e  que  o  documento  comprobatório  da  despesa  foi  apresentado  apenas em sede de impugnação (NF nº 10439, emitida pela Clínica de Diagnóstico por Imagem  Paciornik Ltda e referente à aplicação de vacina). A DRJ analisou tal documento e manteve a  glosa  da  dedução,  justificando  que  vacina  não  está  compreendida  no  conceito  de  despesas  médicas dedutíveis para fins tributários.  Fl. 114DF CARF MF     8 A dedução de despesas com saúde deve se limitar àquelas descritas na alínea  "a",  do  inciso  II,  do  art.  8º,  da  Lei  nº  9.250/1995,  não  compreendendo  a  aplicação  e/ou  aquisição  de  vacinas.  Portanto,  correta  decisão  da DRJ,  devendo  ser mantida  a  glosa  de R$  110,00 deduzida à título de despesas médicas.    CONCLUSÃO  Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário,  para  afastar  a  glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.100,00, mantendo a  incidência sobre R$ 110,00 já que vacina é indedutível na DIRPF.     Assinado digitalmente  Cecilia Dutra Pillar ­ Relatora                                Fl. 115DF CARF MF

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6702600 #
Numero do processo: 11065.722073/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
Numero da decisão: 1301-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Preliminarmente, nos termos dos arts. 42 e 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, foi apreciada arguição de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, feita pela embargante, em documento juntado aos autos. Consultados, os Conselheiros cujo impedimento foi arguido não o reconheceram e farão juntar aos autos pronunciamento escrito como parte integrante do acórdão. Submetida a questão à deliberação do Colegiado, a arguição de impedimento foi REJEITADA por unanimidade de votos. Superada essa questão, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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1301­002.234  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de março de 2017  Matéria  IRPJ e CSLL ­ Ágio  Embargante  CONSERVAS ODERICH S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO.  CONTRADIÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  Ao  se  constatar  que  inexistiram  quaisquer  das  omissões  e  contradições  alegadas  pela  embargante,  os  embargos  declaratórios  devem  ser  rejeitados.  Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Preliminarmente,  nos  termos  dos  arts.  42  e  44  do Anexo  II  do  Regimento  Interno do CARF, foi apreciada arguição de impedimento dos Conselheiros representantes da  Fazenda Nacional,  feita  pela  embargante,  em  documento  juntado  aos  autos. Consultados,  os  Conselheiros  cujo  impedimento  foi  arguido  não  o  reconheceram  e  farão  juntar  aos  autos  pronunciamento escrito como parte integrante do acórdão. Submetida a questão à deliberação  do  Colegiado,  a  arguição  de  impedimento  foi  REJEITADA  por  unanimidade  de  votos.  Superada essa questão, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em  NEGAR provimento aos embargos.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente e Relator    Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Júnior,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 73 /2 01 1- 89 Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.894          2 Relatório  Trata  o  presente  de  embargos  de  declaração  (fls.  2851/2872)  opostos  pelo  Contribuinte  acima  identificado,  em  face  do  acórdão  nº  1301­001.982  (fls.  2825/2847),  prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 06 de abril de 2016.  No referido julgado, o Colegiado pronunciou­se à unanimidade no sentido de  rejeitar  as  preliminares  e,  no mérito,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário. A  decisão  foi  assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010   ÁGIO  INTERNO.  AMORTIZAÇÃO.  GLOSA.  LANÇAMENTO  PROCEDENTE.  Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação  em  que  referido  ágio  decorre  de  reorganizações  societárias  levadas  a  efeito  dentro  de  um  mesmo  grupo  empresarial,  sem  qualquer  propósito  negocial  ou  efeito  societário  a  não  ser  a  redução  da  carga  tributária,  e  sem  que  se  tenha  verificado  qualquer  pagamento  ou  outro  sacrifício  patrimonial  capaz  de  validar a alegada mais­valia.  ÁGIO.  COMPLEMENTARIDADE  DAS  LEGISLAÇÕES  COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS.  Os  resultados  tributáveis  das  pessoas  jurídicas,  apurados  com  base  no  Lucro  Real,  têm  como  ponto  de  partida  o  resultado  líquido  apurado  na  escrituração  comercial,  regida  pela  Lei  nº  6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio  é  fato econômico, cujos efeitos  fiscais  foram regulados pela  lei  tributária  com  substrato  nos  princípios  contábeis  geralmente  aceitos. Assim, os princípios  contábeis geralmente aceitos  e as  normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como  Conselho  Federal  de  Contabilidade  e  Comissão  de  Valores  Mobiliários,  têm  pertinência  e  devem  ser  observadas  na  apuração dos resultados contábeis e fiscais.  ÁGIO  INTERNO.  MODIFICAÇÃO  DAS  CARACTERÍSTICAS  ESSENCIAIS  DO  FATO  GERADOR.  CONDUTA  INTENCIONAL. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.  O  conjunto  de  operações  praticadas  para  constituição  e  transferência de ágio interno, por intentar conferir aparência de  legalidade  à  redução  de  tributos  devidos,  modificando  as  características  essenciais  do  fato  gerador  tributário  constitui  ação  dolosa  determinante  da  imposição  da  multa  de  ofício  qualificada.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.895          3 Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010   DECADÊNCIA. ALCANCE. INOCORRÊNCIA.  A  decadência  incide  sobre  o  direito  da  Fazenda  Nacional  de  constituir  créditos  tributários  ocorridos  em  determinado  período,  e  não  sobre  o  direito  de  examinar  fatos  econômicos  (não se  trata aqui de  fatos geradores  tributários), quando quer  que tenham ocorrido. Com isso, o que se pretende é permitir a  validação,  ou  não,  de  sua  influência  (dos  fatos  econômicos  pretéritos)  sobre  fatos  geradores  tributários  ocorridos  em  períodos não alcançados pela decadência. Não se verifica, pois,  a decadência, no caso concreto sob exame.  ENQUADRAMENTO  LEGAL  INADEQUADO.  FALTA  DE  MOTIVAÇÃO  E  FUNDAMENTAÇÃO  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Deve ser rejeitada a arguição de nulidade do lançamento, ao se  constatar  que  o  enquadramento  legal  é  adequado  à  infração  imputada  ao  contribuinte,  e  que  o  ato  administrativo  foi  devidamente motivado e fundamentado.  JUROS  MORATÓRIOS  INCIDENTES  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO. TAXA SELIC.  A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato  gerador e  tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional.  O  crédito  tributário  corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a  multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir  os juros de mora à taxa Selic.  Alega  a  embargante  que  o  aresto  combatido  padeceria  de  omissões  e  contradições várias, que especifica, tanto no que tange às preliminares quanto no que se refere  ao mérito. Seus argumentos podem ser sintetizados como segue.  1.  Omissão  ­  Da  preliminar  de  decadência  da  pretensão  fiscal  para  questionar  a  constituição do ágio.  Sustenta a embargante que "o objeto da decadência no presente caso não é o  lançamento de ofício da autoridade fiscal e, sim, a atividade do contribuinte e o prazo para o  Fisco verificar sua regularidade ou a suposta  fraude. Passados cinco anos da realização da  atividade do contribuinte  (da constituição e contabilização do ágio), extingue­se o direito de  revisão do fisco dos reflexos decorrente da operação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN".  Por  sua  ótica,  esse  argumento  não  teria  sido  devidamente  apreciado  pelo  acórdão embargado. Haveria,  ainda, contradição e obscuridade na afirmação de que "o prazo  decadencial  para  homologação  do  Fisco  na  suposta  infração  em  apreço  se  iniciaria  dia  31/12/2006,  quando  em  verdade  a  data  para  verificação  da  suposta  fraude  e  do  suposto  computo  indevido  das  despesas  dedutíveis  nos  exercícios  posteriores  se  iniciou  no  dia  31/12/2005,  quando  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  reestruturação  societária  da  Embargante".  Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.896          4 2. Omissão/contradição ­ Da preliminar sobre a capitulação legal.  A embargante  sustenta que o  acórdão embargado não  teria percebido que o  auto de  infração,  ao não  indicar  a capitulação  legal que  fundamentaria a  infração combatida,  teria descumprido requisito indispensável de validade.   Haveria,  ainda,  contradição quando a decisão  refere que, embora genéricos,  os  dispositivos  legais  seriam  adequados.  Por  sua  ótica,  caso  correto  o  fato  tributado,  o  enquadramento deveria ser de exclusão indevida das bases de cálculo do imposto de renda e da  contribuição social, e não no âmbito de despesas indedutíveis.  Outra  contradição  residiria  na  afirmação  de  que  "o  combatido  auto  de  infração demonstra de forma clara e adequada a infração constada, com base nos dispositivos  legais  pertinentes,  pois,  como  se  viu,  este  se  baseou  tão  somente  em  legislação  genérica,  deixando de aplicar a legislação específica que trata sobre a matéria em apreço".  Haveria,  finalmente,  omissão quanto  ao  suposto descumprimento do art. 50  da Lei nº 9.784/1999, o qual "estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem  obrigatoriamente, ser motivados".  3. Omissão ­ Da preliminar sobre o princípio da legalidade.  A alegada omissão residiria na afirmação do acórdão embargado de que este  ponto  seria  analisado  no  mérito.  Autoridade  Fiscal  teria  desconsiderado  um  ato  jurídico  perfeito,  sem  previsão  legal  que  lhe  conceda  essa  prerrogativa,  ponto  que  não  teria  sido  enfrentado pela decisão embargada.  4. Omissão/contradição ­ Da ausência de fraude.  Nas palavras da embargante:  [...] o r. acórdão recorrido incorreu em omissão/contradição, visto que deixou  de  se  manifestar  acerca  das  alegações  da  Embargante  no  tocante  a  ausência  de  fraude, em decorrência do permissivo legal contido nos artigos art. 20, § 2º, “b”, do  Decreto­Lei nº 1.598/1977 e art. 385, § 2º, II, do RIR/99 e, em relação a amortização  do ágio, que foi realizada com base no art. 7º, III, da Lei nº 9.532/1997 e art. 386,  III, § 6º, II, do RIR/99.   Ademais,  conforme  já  destacado,  a  reestruturação  societária  praticada  pela  Embargante estava amparada em na  legislação vigente à época do fato  (art. 36 da  Lei nº 10.637/02), conforme já mencionado, no entanto, de forma contraditória, o r.  acórdão embargado aduz que a Embargante teria buscado vantagens fiscais por mais  de uma vertente, o que, em verdade não ocorreu, haja vista que essa agiu conforme  determinava a legislação vigente à época do fato, acima destacada.  5. Omissão/contradição ­ Do propósito negocial e da ausência de fraude.  Sustenta  a  embargante  que,  a  decisão  embargada  afirma  que  as  operações  societárias não revelaram qualquer propósito negocial. Haveria omissão, diante do fato de que  o ágio teria substrato econômico lastreado em laudo de avaliação de rentabilidade futura, não  questionado pelo auto de infração nem pelo acórdão embargado.  Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.897          5 Haveria,  ainda, contradição no acórdão embargado "ao admitir, o propósito  negocial  na  incorporação  realizada  pelas  Irmão Oderich, mas  não  admitir  o  objeto  fim  da  incorporação pela Embargante que além de centralizar a estrutura administrativa financeira  passou a contar com duas novas fábricas".  6. Omissão ­ Da desclassificação da multa qualificada de 150%.  A alegada omissão residiria no fato de que "a Autoridade Fiscal não possui  autorização para  desconsiderar  um ato  ou  negócio  jurídico  perfeito,  sob  pena de ofender  a  segurança jurídica e o princípio da legalidade tributária, argumento trazido pela Embargante  em sede de Recurso Voluntário que não foi apreciado pela r. decisão embargada".  7. Omissão ­ Do afastamento da SELIC sobre a multa.  Alega  a  embargante  que  não  teriam  sido  apreciados  seus  argumentos  contrários  à  incidência  de  juros,  calculados  à  taxa SELIC,  sobre  outra  espécie  tributária  que  não tributos e contribuições, referindo­se, especificamente, à incidência de juros sobre a multa  de ofício.  Às  fls. 2881/2890 encontro documento datado de 18/01/2017 e protocolado  no  CARF  em  23/01/2017.  Trata­se  de  requerimento  da  interessada,  no  qual  é  arguido  o  impedimento dos Conselheiros indicados pela Fazenda Nacional.   Entende a requerente que, com a instituição do Programa de Produtividade da  Receita Federal e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira,  instituídos  pela  Medida  Provisória  nº  765/2016,  haveria  nítido  interesse  dos  Conselheiros  representantes  da  Fazenda Nacional  no  deslinde  das  causas  por  eles  julgadas.  Isso  porque  a  base  de  cálculo  do  bônus  que  perceberão  esses  Conselheiros,  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal do Brasil, dependerá diretamente do valor de tributos e multas arrecadados por aquele  órgão. Considera, desta forma, configurado o impedimento de que trata o art. 43, inciso II, do  Anexo II do RICARF e prejudicada a imparcialidade indispensável ao julgamento.  A  requerente  se manifesta,  ainda, no sentido da  ilegalidade da interpretação  dada ao  art.  42 do RICARF pela Portaria CARF nº 01/2017. Por  sua ótica,  tal  ato  teria sido  editado em desconformidade com a Lei nº 9.784/1999, e seu conteúdo afrontaria os princípios  da  moralidade  e  da  impessoalidade.  Por  esses  motivos,  a  Portaria  CARF  nº  01/2017  não  poderia ser aplicada no âmbito administrativo sob pena de nulidade dos atos decorrentes de sua  observância.  Ao  final,  em  razão da ausência de quorum mínimo previsto no RICARF,  a  requerente  solicita  a  suspensão  do  presente  julgamento  até  que  sejam  sanados  os  vícios  de  impedimento apontados.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.898          6 Preliminarmente, a arguição de impedimento dos Conselheiros indicados pela  Fazenda Nacional deve ser apreciada com a observância das disposições dos arts. 42 e 44 do  Anexo  II  do  RICARF  vigente,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015  e  alterações  supervenientes.  Os Conselheiros deste Colegiado indicados pela Fazenda Nacional, inclusive  este  Relator,  não  reconheceram  o  impedimento  arguido,  e  se  pronunciarão  por  escrito,  em  declaração que será juntada aos autos, como parte integrante deste acórdão.  Submetida a questão à deliberação do Colegiado, foi rejeitada a preliminar de  impedimento dos Conselheiros Fazendários.  Passo, então, à apreciação dos embargos declaratórios.  A ciência do acórdão ora embargado se deu em 20/04/2016, quarta­feira (AR  à fl. 2874). Considerando que o dia seguinte (21/04) foi feriado nacional, o prazo para oposição  de embargos teve início no dia 22/04/2016, sexta­feira. Tendo sido os embargos apresentados  em 26/04/2016, terça­feira (fl. 2850), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias  estabelecido  pelo  §  1º  do  art.  65  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RICARF),  aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes.   Ademais,  a  embargante  apontou  objetivamente  as  omissões  e  contradições  que pretende ver sanadas, atendendo, desta forma, o requisito regimental.  Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a  analisá­los, na sequência em que formulados os questionamentos.  1.  Omissão  ­  Da  preliminar  de  decadência  da  pretensão  fiscal  para  questionar  a  constituição do ágio.  Sustenta a embargante que "o objeto da decadência no presente caso não é o  lançamento de ofício da autoridade fiscal e, sim, a atividade do contribuinte e o prazo para o  Fisco verificar sua regularidade ou a suposta  fraude. Passados cinco anos da realização da  atividade do contribuinte  (da constituição e contabilização do ágio), extingue­se o direito de  revisão do fisco dos reflexos decorrente da operação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN".  Por  sua  ótica,  esse  argumento  não  teria  sido  devidamente  apreciado  pelo  acórdão embargado. Haveria,  ainda, contradição e obscuridade na afirmação de que "o prazo  decadencial  para  homologação  do  Fisco  na  suposta  infração  em  apreço  se  iniciaria  dia  31/12/2006,  quando  em  verdade  a  data  para  verificação  da  suposta  fraude  e  do  suposto  computo  indevido  das  despesas  dedutíveis  nos  exercícios  posteriores  se  iniciou  no  dia  31/12/2005,  quando  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  reestruturação  societária  da  Embargante".  Equivoca­se a embargante. Restou claro o entendimento do Colegiado de que  a decadência deve ser verificada em relação à data de constituição de créditos tributários, sendo  irrelevante, para tais fins, a ocorrência de fatos econômicos em períodos pretéritos. Confira­se  à fl. 2837 (grifos não constam do original):  O que se discute, nos presentes autos, são fatos geradores ocorridos nos anos­ calendário  2006,  2007,  2008  e  2009,  tendo  sido  o  lançamento  efetuado  em  24/05/2011. Claramente não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Nacional de  Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.899          7 constituir esses créditos tributários. Para o fato gerador mais antigo, completado em  31/12/2006, e considerando­se a hipótese mais favorável ao contribuinte (aplicação  da regra do art. 150, § 4º, do CTN), o prazo decadencial se iniciaria em 31/12/2006 e  se extinguiria em 31/12/2011.   A redução das bases de cálculo, em 2006 a 2009, se deu porque a fiscalizada  apropriou  ao  resultado  desses  anos  a  amortização  de  ágio  formado anteriormente,  em 2005. Ora, se fatos ocorridos em anos pretéritos vieram a influenciar os períodos  posteriores  sob  exame,  tenho  por  certo  o  direito  do  Fisco  de  examiná­los,  e  igualmente  certo  o  dever  da  fiscalizada  de manter  sob boa guarda os documentos  comprobatórios,  exibindo­os  quando  solicitada,  à  vista  do  art.  37  da  Lei  nº  9.430/1996.  A  decadência  incide  sobre  o  direito  de  constituir  créditos  tributários  ocorridos  em  determinado  período,  e  não  sobre  o  direito  de  examinar  fatos  econômicos (não se trata aqui de fatos geradores tributários), quando quer que  tenham ocorrido. Com isso, o que se pretende é permitir a validação, ou não, de sua  influência  (dos  fatos  econômicos  pretéritos)  sobre  fatos  geradores  tributários  ocorridos em períodos não alcançados pela decadência.  Não há, pois, omissão, contradição nem obscuridade. Evidencia­se a intenção  da  embargante de  rediscutir matéria  já decidida,  pelo que os  embargos devem ser  rejeitados,  quanto a este ponto.  2. Omissão/contradição ­ Da preliminar sobre a capitulação legal.  A embargante  sustenta que o  acórdão embargado não  teria percebido que o  auto de  infração,  ao não  indicar  a capitulação  legal que  fundamentaria a  infração combatida,  teria descumprido requisito indispensável de validade.   Haveria,  ainda,  contradição quando a decisão  refere que, embora genéricos,  os  dispositivos  legais  seriam  adequados.  Por  sua  ótica,  caso  correto  o  fato  tributado,  o  enquadramento deveria ser de exclusão indevida das bases de cálculo do imposto de renda e da  contribuição social, e não no âmbito de despesas indedutíveis.  Outra  contradição  residiria  na  afirmação  de  que  "o  combatido  auto  de  infração demonstra de forma clara e adequada a infração constada, com base nos dispositivos  legais  pertinentes,  pois,  como  se  viu,  este  se  baseou  tão  somente  em  legislação  genérica,  deixando de aplicar a legislação específica que trata sobre a matéria em apreço".  Haveria,  finalmente,  omissão quanto  ao  suposto descumprimento do art. 50  da Lei nº 9.784/1999, o qual "estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem  obrigatoriamente, ser motivados".  Mais uma vez, a embargante busca a rediscussão de matéria já decidida. Os  seguintes excertos do acórdão embargado mostram com clareza o entendimento do Colegiado  sobre a matéria (fl. 2837, grifos não constam do original):  Também aqui os  reclamos da  recorrente não merecem acolhida. Tratando o  lançamento de glosa de despesas com amortização de ágio,  tidas pelo Fisco como  indedutíveis, os dispositivos  legais que constam no auto de  infração à fl. 2211,  não  obstante  genéricos,  são  adequados.  Além  disso,  dispositivos  específicos  atinentes  à  formação,  registro  e  amortização  de  ágio  são  não  apenas  Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.900          8 mencionados  mas  também  transcritos  no  Relatório  da  Ação  Fiscal  (parte  integrante do auto de infração, vide fl. 2211), confira­se às fls. 2250/2260, no bojo  da minuciosa descrição da infração, conforme compreendida pelo Fisco. Corrobora  a conclusão pela inexistência de qualquer nulidade o fato de que a autuada se  defende  com desenvoltura  e  em detalhes,  revelando  perfeita  compreensão da  infração que lhe foi imputada.  Quanto  à  alegação  de  que  teria  sido  descumprido  o  dispositivo  da  Lei  nº  9.784/1999  que  obriga  a  motivação  e  a  fundamentação  dos  atos  administrativos,  melhor sorte não assiste à recorrente. A motivação de um auto de infração é, no caso  concreto, a constituição de créditos tributários, diante da constatação de infração à  legislação tributária que implicou redução dos tributos devidos. A fundamentação do  auto  de  infração  consiste  em  descrever  de  forma  clara  e  adequada  a  infração  constatada, sempre com base nos dispositivos legais pertinentes (os motivos de fato  e  de  direito),  o  que,  conforme  visto  no  parágrafo  anterior,  ocorreu  no  caso  sob  exame.  Observe­se: a capitulação  legal deve ser considerada como um  todo, aquela  que consta no auto de  infração (fl. 2211)  integrada e complementada pelo Relatório de Ação  Fiscal (fls. 2250/2260), parte integrante e inseparável do Auto de Infração. Assim considerado,  o enquadramento legal parte dos dispositivos genéricos para os específicos, os quais chegam a  ser mesmo transcritos no Relatório. Ainda que assim não fosse, a infração foi minuciosamente  descrita,  sendo  certo  que  o  contribuinte  se  defende  de  fatos  e  não  de  dispositivos  legais. O  Colegiado  considerou  correto  o  conjunto  de  enquadramento  legal  mais  descrição  dos  fatos,  diante  da  infração  autuada,  descabendo  cogitar,  em  sede  de  embargos,  de  hipotético  erro  no  enquadramento.  A  corroborar  o  exposto,  a  constatação  de  que  a  defesa  foi  igualmente  minuciosa e feita com desenvoltura, confirmando que a autuada compreendeu perfeitamente a  infração que lhe foi imputada e seus fundamentos, afastando qualquer hipotética nulidade.  Da mesma forma, inexiste qualquer omissão no acórdão embargado quanto à  motivação da autuação (art. 50 da Lei nº 9.784/1999). Embora alguma discussão exista sobre  esses conceitos, a melhor doutrina entende que motivo são os fatos e fundamentos jurídicos de  um ato e motivação é a explicitação desses fatos e fundamentos jurídicos,  indispensável para  que  se  possa  permitir  a  ampla  defesa.  Essa  explicitação  (motivação)  se  encontra  nos  autos,  como visto.  Por todo o exposto, também este ponto dos embargos deve ser rejeitado.  3. Omissão ­ Da preliminar sobre o princípio da legalidade.  A alegada omissão residiria na afirmação do acórdão embargado de que este  ponto  seria  analisado  no  mérito.  A  Autoridade  Fiscal  teria  desconsiderado  um  ato  jurídico  perfeito,  sem  previsão  legal  que  lhe  conceda  essa  prerrogativa,  ponto  que  não  teria  sido  enfrentado pela decisão embargada.  Também aqui não assiste razão à embargante.   Em  primeiro  lugar,  a  alegação  acerca  de  desconsideração  pela  autoridade  fiscal  de  um  ato  jurídico  perfeito,  sem  previsão  legal  que  assim  autorize,  foi  prontamente  afastada pelo acórdão embargado (fl. 2838):  A  esse  respeito,  diga­se  que  em  parte  alguma  do  auto  de  infração  ou  do  Relatório da Ação Fiscal se encontra qualquer referência à desconsideração de atos  Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.901          9 ou  negócios  jurídicos  feita  com  base  no  §  único  do  art.  116  do CTN. Quanto  ao  alegado  cumprimento  das  disposições  legais  pertinentes  à  situação  analisada  e  a  estar sofrendo imposição de infração não prevista em lei, é o que se há de analisar no  mérito, posto que a afirmação do Fisco é em sentido diametralmente oposto.  Em seguida, de se constatar que o acórdão embargado não deixou de apreciar  as  razões  da  recorrente. Ao  contrário,  a  discussão  do mérito  foi  exatamente  esta,  ou  seja,  a  verificação da afirmação do Fisco sobre o descumprimento das disposições  legais atinentes à  formação de ágio em operações societárias e seu aproveitamento fiscal, em face da defesa da  interessada em sentido oposto, a  saber,  a  regularidade das operações e do aproveitamento do  ágio.  Os  seguintes  excertos  dão  conta  do  entendimento  do  Colegiado  e  da  conclusão  a  que  chegou (fls. 2840 e 2842, grifos não constam do original):  Em tais circunstâncias, tenho que o cerne da questão não é a possibilidade,  ou  não  de  aproveitamento  do  ágio,  autorizado  pelos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/1997,  mas  sim  a  própria  formação  dessa  mais­valia,  desvinculada  de  qualquer fundamento econômico e originada de atos meramente aparentes, sem  substância ou existência real, ainda que formalmente regulares.  [...]  No caso  concreto, como visto, as operações  societárias  foram  integralmente  realizadas dentro do grupo econômico (mesmas pessoas físicas e jurídicas), em curto  espaço de tempo, sem qualquer desembolso, sendo que, ao final das operações, tudo  retornou  ao  statu  quo  ante,  no  que  toca  às  participações  societárias,  mas  com  a  apropriação de “ágio”. As operações não revelaram qualquer propósito negocial ou  necessidade societária, nem modificaram algum aspecto da organização empresarial  do grupo econômico. Em 10/10/2005 os irmãos Srs. Marcos e Cláudio Oderich eram  os únicos sócios da ODEPAR e esta controlava diretamente a IRMÃOS ODERICH.  Em 03/11/2005 a LUC PAR já havia entrado e saído do panorama, e novamente os  irmãos Srs. Marcos  e Cláudio Oderich  eram os únicos  sócios  da ODEPAR e  esta  controlava  diretamente  a  IRMÃOS  ODERICH.  Mas  agora  havia  um  ágio,  supostamente  amortizável,  registrado  na  IRMÃOS  ODERICH.  Nenhuma  riqueza  nova  foi  gerada,  nenhum  pagamento  foi  feito  para  a  aquisição  de  uma  riqueza  inédita, externa ao grupo econômico.  O  “ágio”  assim  criado,  registrado  e  amortizado  é  artificial,  não  corresponde a uma mais­valia surgida em operações de mercado entre partes  livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Trata­se, de fato,  de uma reavaliação espontânea de participação societária, à qual não se pode  atribuir  o  condão  de  reduzir  o  resultado  tributável.  Não  se  trata  do  ágio  apurado nos termos do art. 20 do Decreto­lei nº 1.598/1977, que por sua vez deve  ser  reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial  estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976.  Como se vê, descabida a alegação de omissão do acórdão embargado sobre  esse ponto. Não houve desconsideração de ato jurídico perfeito, mas a constatação, pelo Fisco,  de que os fatos ocorridos não correspondiam às normas legais que permitem o aproveitamento  fiscal de ágio. Nesse sentido foi a conclusão do Colegiado.  Pelo exposto, nego provimento aos embargos também quanto a este ponto.  4. Omissão/contradição ­ Da ausência de fraude.  Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.902          10 Nas palavras da embargante:  [...] o r. acórdão recorrido incorreu em omissão/contradição, visto que deixou  de  se  manifestar  acerca  das  alegações  da  Embargante  no  tocante  a  ausência  de  fraude, em decorrência do permissivo legal contido nos artigos art. 20, § 2º, “b”, do  Decreto­Lei nº 1.598/1977 e art. 385, § 2º, II, do RIR/99 e, em relação a amortização  do ágio, que foi realizada com base no art. 7º, III, da Lei nº 9.532/1997 e art. 386,  III, § 6º, II, do RIR/99.   Ademais,  conforme  já  destacado,  a  reestruturação  societária  praticada  pela  Embargante estava amparada em na  legislação vigente à época do fato  (art. 36 da  Lei nº 10.637/02), conforme já mencionado, no entanto, de forma contraditória, o r.  acórdão embargado aduz que a Embargante teria buscado vantagens fiscais por mais  de uma vertente, o que, em verdade não ocorreu, haja vista que essa agiu conforme  determinava a legislação vigente à época do fato, acima destacada.  Mais  uma  vez,  os  argumentos  da  embargante  evidenciam  seu  propósito  de  rediscutir  matéria  julgada.  Apesar  de  alegar  a  ocorrência  de  “omissão/contradição”,  em  momento  algum  torna  explícita  qualquer  contradição  entre  a  decisão  e  seus  fundamentos,  hipótese capaz de ensejar a oposição de embargos declaratórios1.  Quanto à alegação de omissão, seu argumento de que estaria amparada no art.  36  da  Lei  nº  10.637/2002  foi  rejeitada  pelo  acórdão  embargado,  por  não  ter  sido  esse  o  fundamento da autuação, confira­se (fl. 2840):  [...]  Fica  bem  claro,  agora,  que  o  mencionado  art.  36  seria  aplicável  ao  ganho  eventualmente auferido por ODEPAR na operação em questão. Mas o presente auto  de infração não pretende tributar essa diferença. E apenas uma razão já é suficiente  para que isso fique compreendido (embora seja possível demonstrar isso por outros  caminhos):  é  que  a ODEPAR não  é  o  sujeito  passivo  da  atuação, nem mesmo de  forma  indireta,  visto  que  não  há  notícia  de  que  tenha  sido  incorporada  por  outra  sociedade.  A menção ao art. 36 da Lei nº 10.637/2002, tanto no Relatório da Ação Fiscal  quanto  no  acórdão  recorrido,  se  faz  no  contexto  de  buscar  esclarecer  que  reestruturações  societárias  semelhantes  à  analisada  podem  ser  (e  de  fato  foram)  usadas como planejamento tributário na busca de vantagens fiscais por mais de uma  vertente. Hipoteticamente,  a parte que  entrega  a participação  societária  aufere um  ganho  com  tributação  diferida,  enquanto  que  a parte que  recebe  essa participação  registra um ágio amortizável. Todos ganham, e só o Fisco perde.   [...]  No que toca ao permissivo legal para apuração de ágio (DL nº 1.598/1977) e  sua amortização para fins fiscais (Lei nº 9.532/1997), o acórdão recorrido deixou claro que os  fatos descritos pelo Fisco e comprovados nos autos conduziam à conclusão de que as operações  societárias mais se assemelhavam a uma reavaliação espontânea de ativos, não se tratando do  ágio apurado nos termos do art. 20 do DL nº 1.598/1977 (fl. 1842):                                                              1 RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 345/2015, Anexo II:  Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a  decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a turma.  Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.903          11 O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a  uma mais­valia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes  e  confirmada  mediante  seu  pagamento.  Trata­se,  de  fato,  de  uma  reavaliação  espontânea  de  participação  societária,  à  qual  não  se  pode  atribuir  o  condão  de  reduzir o resultado tributável. Não se trata do ágio apurado nos termos do art. 20 do  Decreto­lei  nº  1.598/1977,  que  por  sua  vez  deve  ser  reconhecido  contabilmente  conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404,  de 1976.  Como  se  vê,  omissão  não  houve.  O  que  aconteceu  é  que  a  análise  e  as  conclusões  às  quais  chegou  o  Colegiado  não  coincidiram  com  as  expectativas  da  então  recorrente. A irresignação com a decisão não consiste em motivo para a oposição de embargos  de declaração, os quais devem, assim, ser rejeitados.  5. Omissão/contradição ­ Do propósito negocial e da ausência de fraude.  Sustenta  a  embargante  que  a  decisão  embargada  afirma  que  as  operações  societárias não revelaram qualquer propósito negocial. Haveria omissão, diante do fato de que  o ágio teria substrato econômico lastreado em laudo de avaliação de rentabilidade futura, não  questionado pelo auto de infração nem pelo acórdão embargado.  Haveria,  ainda, contradição no acórdão embargado "ao admitir, o propósito  negocial na  incorporação realizada pelas Irmão Oderich  (sic), mas não admitir o objeto fim  da  incorporação  pela  Embargante  que  além  de  centralizar  a  estrutura  administrativa  financeira passou a contar com duas novas fábricas".  De  fato,  não  houve  na  autuação  nem  no  acórdão  embargado  qualquer  questionamento acerca de um  laudo de avaliação de rentabilidade futura.  Isso porque não foi  esse o ponto central da autuação, mas sim o entendimento do Fisco (ratificado pelas instâncias  administrativas) de que o “ágio” apurado nas operações societárias não era de fato o ágio a que  se refere o DL nº 1.598/1977 e, por consequência, era indedutível para fins tributários. Confira­ se (fl. 2842, grifos não constam do original):  A  legislação  tributária  se  integra  e  busca  conceitos,  portanto,  na  ciência  contábil, pelo que não se pode aceitar que haja conceitos e efeitos distintos de ágio e  de  custo  de  aquisição  para  a  contabilidade  e  para  fins  tributários.  O  custo  de  aquisição deve ser aquele resultante de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial),  em operação de mercado, em negócio realizado entre partes independentes.  No caso  concreto, como visto, as operações  societárias  foram  integralmente  realizadas dentro do grupo econômico (mesmas pessoas físicas e jurídicas), em curto  espaço de tempo, sem qualquer desembolso, sendo que, ao final das operações, tudo  retornou  ao  statu  quo  ante,  no  que  toca  às  participações  societárias,  mas  com  a  apropriação de “ágio”. As operações não revelaram qualquer propósito negocial ou  necessidade societária, nem modificaram algum aspecto da organização empresarial  do grupo econômico. Em 10/10/2005 os irmãos Srs. Marcos e Cláudio Oderich eram  os únicos sócios da ODEPAR e esta controlava diretamente a IRMÃOS ODERICH.  Em 03/11/2005 a LUC PAR já havia entrado e saído do panorama, e novamente os  irmãos Srs. Marcos  e Cláudio Oderich  eram os únicos  sócios  da ODEPAR e  esta  controlava  diretamente  a  IRMÃOS  ODERICH.  Mas  agora  havia  um  ágio,  supostamente  amortizável,  registrado  na  IRMÃOS  ODERICH.  Nenhuma  riqueza  nova  foi  gerada,  nenhum  pagamento  foi  feito  para  a  aquisição  de  uma  riqueza  inédita, externa ao grupo econômico.   Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.904          12 Comprovada a  inexistência de  efetivo desembolso  (sacrifício patrimonial)  e  que  as  operações  se  deram  internamente  a  um  mesmo  grupo  empresarial,  em  curto  espaço  tempo  e  com  retorno  à  configuração  empresarial  inicial,  a  conclusão  foi  de  inexistência  de  propósito negocial e artificialidade das operações societárias.  Quanto  à  alegada  contradição,  estaria  no  parágrafo  a  seguir  transcrito  (fls.  2842/2843, grifos não constam do original):  Observe­se que, a partir de 03/11/2005, o ágio estava registrado na IRMÃOS  ODERICH  e,  se  dedutível  fosse,  já  poderia  ser  amortizado  ali.  Afinal,  aquela  empresa era operacional. Nesse sentido, o evento societário de 31/12/2005, a saber,  a  incorporação  de  IRMÃOS  ODERICH  pela  autuada  CONSERVAS  ODERICH  nada  introduziu  de  novo.  Até  se  poderia  admitir  que  essa  última  incorporação  guardasse  algum  propósito  negocial  relevante  para  o  grupo  econômico,  visto  que  ambas eram empresas operacionais que atuavam em áreas por vezes sobrepostas, por  vezes  complementares. Mas  o  vício  que macula  o  ágio  se  deu  na  etapa  anterior,  sendo certo que sua transferência não serve para tornar dedutível o que já antes era  indedutível.  Como se vê,  trata­se da última etapa da  sequência de operações societárias,  realizada em 31/12/2005. A afirmação é de que essa última etapa poderia se revestir de algum  propósito negocial relevante, mas que isso não seria capaz de validar a artificialidade do ágio,  formado  na  etapa  anterior.  O  que  já  era  antes  indedutível  assim  permanece.  Não  há  nessa  conclusão qualquer contradição com o raciocínio desenvolvido.  Por  todo  o  exposto,  nego  provimento  aos  embargos,  também quanto  a  este  ponto.  6. Omissão ­ Da desclassificação da multa qualificada de 150%.  A alegada omissão residiria no fato de que "a Autoridade Fiscal não possui  autorização para  desconsiderar  um ato  ou  negócio  jurídico  perfeito,  sob  pena de ofender  a  segurança jurídica e o princípio da legalidade tributária, argumento trazido pela Embargante  em sede de Recurso Voluntário que não foi apreciado pela r. decisão embargada".  O  argumento  da  então  recorrente,  acerca  da  "desconsideração  de  negócio  jurídico" e do "princípio da legalidade" mereceram menção do acórdão embargado à fl. 2844:  Os  argumentos  do  recurso  voluntário,  em  apertada  síntese,  reiteram  a  legalidade e correção da reorganização societária levada a efeito, com a consequente  dedutibilidade  do  ágio,  o  que  já  foi  afastado,  neste  voto. O mesmo ocorre  com a  alegação de que teria ocorrido a desconsideração de um negócio jurídico com base  em dispositivo legal não regulamentado (§ único do art. 116 do CTN).  Vê­se  com  clareza  a  insistência  da  embargante  em  que  teria  havido  desconsideração  de  atos  ou  negócios  jurídicos  perfeitos,  o  que  já  se  demonstrou  à  exaustão,  tanto no acórdão embargado quanto neste voto, que não ocorreu. E, ainda, que sua conduta, no  que se refere à apuração do ágio e aproveitamento para fins tributários estaria amparada em lei,  o  que,  de  igual  modo,  se  demonstrou  que  não  ocorreu.  Isso  restou  evidenciado  nos  tópicos  anteriores, neste voto, pelo que se rejeita a alegação de omissão.  Também aqui, a intenção de rediscutir matéria julgada não pode ter acolhida  pela estreita via dos embargos.  Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.905          13 7. Omissão ­ Do afastamento da SELIC sobre a multa.  Alega  a  embargante  que  não  teriam  sido  apreciados  seus  argumentos  contrários  à  incidência  de  juros,  calculados  à  taxa SELIC,  sobre  outra  espécie  tributária  que  não tributos e contribuições, referindo­se, especificamente, à incidência de juros sobre a multa  de ofício.  O  acórdão  embargado  tratou  da  matéria  às  fls.  2844/2847  com  clareza  e  objetividade, cabendo destacar o seguinte excerto (grifos não constam do original):  A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de  ofício,  conforme  procedimento  das  Autoridades  Administrativas,  encontra  seu  fundamento  no  artigo  61  da  Lei  nº  9.430/1996  e,  ainda,  no  art.  161  c/c  art.  139,  ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), [...].  [...]  A polêmica gira  em  torno da  abrangência que  se há de atribuir à expressão  “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da  Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se  restringir  ao  principal,  mas  igualmente  devem  abranger  os  débitos  pelo  descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas  de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a  União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O  débito  do  contribuinte  para  com  a  União,  visto  pela  ótica  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  é  o  crédito  tributário  em  favor  da União,  visto  pela  ótica  do  sujeito ativo da mesma obrigação.  Foram  ainda  expressamente  adotados  os  fundamentos  e  razões  de  decidir  empregados  no Acórdão  CSRF/04­00.651,  de  18/09/2007,  do  qual  foram  transcritos  trechos  que  bem  esclarecem  sobre  os  motivos  que  levaram  este  Colegiado  à  decisão  que  afinal  proferiu, rejeitando os argumentos da então recorrente.  Demonstrada  a  inocorrência  da  alegada  omissão,  transparece  o  intuito  da  embargante  de  reabrir  discussão  sobre  matéria  já  decidida,  para  o  que  não  se  prestam  os  embargos declaratórios. Rejeito os embargos, quanto a este ponto.  Conclusão  Em  conclusão,  por  todo  o  exposto,  voto  por  rejeitar  os  embargos  declaratórios,  ratificando  integralmente  o  quanto  decidido  no  acórdão  nº  1301­001.982,  de  06/04/2016.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 11065.722073/2011­89  Acórdão n.º 1301­002.234  S1­C3T1  Fl. 2.906          14                 Fl. 2906DF CARF MF

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6750661 #
Numero do processo: 16327.720508/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 775          1 774  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.720508/2013­16  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.474  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de março de 2017  Assunto  Saldo Negativo IRPJ  Recorrente  BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  CONVERTER o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator.  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alberto  Pinto  Souza  Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros  Fernandes Wipprich, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto  em  face da  decisão  de 1ª  instância,  que  negou  provimento  a  Impugnação  interposta  pela  recorrente,  a  qual  foi  autuada  por  insuficiência  de  recolhimento  do  ajuste  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  IRPJ  do  ano  calendário 2008 (código de arrecadação 2390), nos termos do artigo 841, IV, do Regulamento  do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999).   Para  a  devida  síntese  do  processo,  adoto  o  relatório  da  decisão  da  DRJ/SPO,  litteris:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 50 8/ 20 13 -1 6 Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 776          2 Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 777          3 Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 778          4     Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 779          5 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 780          6   Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 781          7    Fl. 781DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 782          8 A  8ª  Turma  Julgadora  da  DRJ  São  Paulo  (SP)  ao  apreciar  a  impugnação  do  contribuinte,  entendeu  por  sua  improcedência.  Vejamos  a  ementa  a  seguir  transcrita  (fls.  664/676):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Ano  calendário:  2008  IRPJ.  AJUSTE  ANUAL.  IMPOSTO  RETIDO  NA  FONTE.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO  RECEBIDO.  ANTECIPAÇÃO  DO  DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL.  A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital  Próprio  seja  considerado  como  antecipação  do  devido  no  ajuste  anual,  ou  compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração  a mesmo  título. A autorização  legal pressupõe o oferecimento à  tributação do  correspondente rendimento.  IRPJ.ESTIMATIVA  NÃO  PAGA.  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.  Impõe­se  a  aplicação  da  multa  no  percentual  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  imposto  de  renda  mensal  calculado  sobre base estimada  (IRPJ Estimativa) que deixar de ser recolhido, ainda que  tenha sido apurado prejuízo fiscal, no ano­calendário correspondente.  Cabe trazer a baila trechos da decisão da DRJ, litteris:    Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 783          9  (...)  Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 784          10   Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 785          11  Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 786          12 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 787          13     Cientificada da decisão  (fls.682/703),  a  interessada  interpôs  recurso voluntário  de fls. 682/703 suscitando o seguinte:   Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 788          14   Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 789          15   Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 790          16   Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 791          17   Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 792          18   Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 793          19  (...)    Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 794          20     Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 795          21   Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 796          22   (...)  Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 797          23   É o relatório.    Voto    Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA.  Como  se pode  inferir  do  relatado  acima,  o  cerne  da  controvérsia  reside  na  (i)  existência  (ou  não)  de  retenção  de  R$  658.847,70  à  título  de  IRRF,  sobre  R$  4.392.318,02  pago  pela  Cia.  Créd.  Fin.  Inv.  Renault  do  Brasil  (CNPJ  61.784.278/0001­91)  ao  Banco  Comercial e de Investimentos Sudameris S.A, à título de juros sobre capital próprio, além do  (ii) oferecimento da correspondente receita (JCP) à tributação no Ano­Calendário de 2008 por  esta, hoje sucedida pela Recorrente.  A DRJ bem constatou que a DIRF constante na fl. 660, de fato, confirma que a  instituição  financeira  Banco  Comercial  e  de  Investimento  Sudameris  S/A  recebeu,  no  ano­ calendário de 2008, a título de Juros sobre Capital Próprio, da Cia Créd. Fin. Inv. Renault do  Brasil (CNPJ 61.784.278/000191), o rendimento bruto no valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido  retido IRRF de R$ 658.847,70 sobre esta cifra.  No  entanto,  aquele  órgão  julgador  reconhece  que,  em  suas  declarações,  o  contribuinte  não  informa  nenhum  valor  à  título  de  juros  sobre  capital  próprio  (JCP),  o  que  confere razão ao lançamento.  Aqui,  faço  um  breve  registro  do  motivo  da  autuação  que,  segundo  a  própria  decisão recorrida é o seguinte:  Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 798          24    Fica  claro,  portanto,  que  o  lançamento  de  ofício  se  deu  em  função  da  insuficiência de recolhimento de IRPJ, que gerou um total de R$ 535.105,18 de diferença entre  o imposto recolhido e o efetivamente devido.  Com efeito, à época da impugnação, o contribuinte afirmou que, apesar de não  ter informado em linha própria de sua DIPJ do ano­calendário 2008 da receita proveniente de  juros sobre capital próprio, o valor de R$ 4.392.318,02, que teria sido pago à título de JCP, e de  onde proviria o pagamento antecipado do IRRF, estaria contido no valor de R$ 12.450.675,20  informado na linha 47 (Outras receitas operacionais) da Ficha 06B da DIPJ 2009.  Para  comprovar  suas  alegações,  anexou  aos  autos  deste  processo  o  Balancete  Patrimonial Analítico  (doc. 10 –  fls.  581/612) e  a DRE Analítica  (doc. 11  fls.  613),  em que  podem ser facilmente constatadas todas as receitas que compõem os R$ 12.450.675,20.  Da análise dessa documentação a primeira instância administrativa constatou o  seguinte, litteris:  “9.4.  No  documento  09  apresentado  com  a  impugnação  (“Balancete  Patrimonial  analítico  –  ref.  Dezembro/2008”),  à  fl.  586,  consta  a  conta  188450060047473000742988  –  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  A  COMP  –  DECORRENTES DE ANTECIPAÇÕES – IRRF S/ TJLP – EXERC. ATUAL, na qual foi  debitado  o  valor  de R$  658.847,70. No mesmo  documento,  às  fls.  603/604,  consta  a  conta 719990090052515565251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS  FINANCEIRAS S/ TJLP, na qual foi creditado o valor de R$ 4.392.317,02.  9.5. O documento extraído do sistema DIRF, à fl. 644, atesta que a “Cia Créd. Fin. E  Inv.  Renault  do  Brasil”,  CNPJ  nº  61.784.278/000191,  pagou  à  instituição  Banco  Comercial  e de  Investimento Sudameris S/A, CNPJ nº 61.230.165/000144, a  título de  Juros sobre Capital Próprio, no ano­calendário de 2008, o valor de R$ 4.392.318,02,  tendo sido retido na fonte o imposto no valor de R$ 658.847,70.  Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 799          25 9.6.  À  fl.  617,  no  Doc.  11“Composição  DRF  –  analítico”  consta  a  composição  da Conta  “Outras Receitas Operacionais”  informada  na  linha  47  da  Ficha  06B  da DIPJ  2009  da  instituição  BCI  Sudameris,  estando  inserido  no  valor  de  R$  12.450.675,20,  o  valor  de  R$  4.392.318,08, recebido a título de Juros sobre Capital Próprio de “Cia  Créd.  Fin.  E  Inv.  Renault  do  Brasil”,  CNPJ  nº  61.784.278/000191,  conforme excerto do documento abaixo:    Do trecho acima, notadamente do item 9.5, onde se faz menção ao documento  extraído  do  sistema DIRF  (onde  há  erro  na  indicação  da  fl.  644,  uma vez  que o  documento  descrito  se  reporta  à  fl.  660),  nota­se  que  a  DRJ  não  contesta  a  retenção  do  imposto,  pelo  contrário, faz menção à DIRF (fl. 660) que comprova a referida antecipação.  Ademais, o órgão julgador ainda traz à baila o §1º, do art. 668 do RIR/99, que  autoriza o reconhecimento do IRRF sobre JCP como antecipação do devido na declaração de  rendimentos.  Assim,  resta  claro que, quanto  à  existência de  retenção na  fonte  sobre o valor  recebido  à  título  de  JCP,  em  decorrência  da  ausência  de  contestação,  a  primeira  instância  administrativa aceitou como existente a referida retenção na fonte.  À  partir  disso,  a  DRJ  passou  à  análise  da  efetividade  do  oferecimento  à  tributação da receita correspondente aos juros sobre capital próprio, conforme trecho do item  9.7, seguinte:  “9.7. Cumpre pois verificar o saldo no Balancete Analítico (fls. 603/604) de cada uma  das contas acima relacionadas para poder ser considerado comprovado que a receita  correspondente a juros sobre capital próprio tenha de fato sido oferecida à tributação,  apesar do erro de preenchimento cometido por BCI Sudameris:”  • 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS,  no valor de R$ 623,83: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial  Analítico (fls. 603/604);  •  71930006  0054194  000000000  –  RECUPERAÇÃO  CUSTAS  JUDICIAIS  DCL,  no  valor  de  R$  64.648,53:  o  saldo  dessa  conta  é  de  R$  37.803,33  no  Balancete  Patrimonial Analítico (fls. 603);  • 71930006 0082259 000000000 – RECUP. ENC. DESP. –PRECATÓRIOS FISCAI, no  valor  de  R$  779.964,14:  encontrada  a  conta  e  o  valor  no  Balancete  Patrimonial  Analítico  à  fl.  603;  •  71999009  0050474  000703346  –  OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS,  no  valor  de  R$  4.281,92:  o  saldo  dessa  conta  (Outras  Rendas  Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 800          26 Operacionais – Acertos Financeiros) é de R$ 531,08, conforme Balancete Patrimonial  Analítico  à  fl.  603;  •  71999009  0050474  000704377  –  OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS, no valor de R$ 1.096,99: não encontrada a subconta, nem a cifra no  Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604);  •  71999009 0050474 000763219 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS,  no  valor  de  R$ 611.339,22: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais – INVEST. AVAIB.  FOR SALE TJLP) é de R$ 78.375,62, conforme Balancete Patrimonial Analítico à  fl.  604; • 71999009 0052215 000759711 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor  de  R$  353.534,76:  o  saldo  dessa  conta  (OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS  –  SUDAOUT. RDAS. OPER. ATUAL. MONET) é de R$ 176.948,75, conforme Balancete  Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 585251071 – OUTRAS RENDAS  OPERACIONAIS  RECEITAS  FINANCEIRAS  S/  TJLP:  o  saldo  dessa  conta  é  de  R$  4.392.318,02, conforme Balancete Patrimonial Analítico à  fl. 604 (vide parágrafo 9.4  do voto);  • 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, no valor de  3.762,43: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls.  603/604);  • 71999009 0081969 000764556 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no  valor de R$ 1.479.916,67: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISFISCAIS) é de  R$  649.037,23,  conforme  Balancete  Patrimonial  Analítico  à  fl.  604;  •  71999009  0081969 000764557 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$  2.614.185,07:  o  saldo  dessa  conta  (DEPÓSITOS  JUDICIAISTRABALH.)  é  de  R$  1.290.994,44, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969  000764558  –  ATUALIZAÇÕES  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  no  valor  de  R$  1.664.901,62:  o  saldo  dessa  conta  (DEPÓSITOS  JUDICIAISTRABALH.)  é  de  R$  1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 73920007 0080199  000000000  –  RENDAS  DE  ALUGUEISIMÓVEIS  RETOMADOS  no  valor  de  R$  480.000,00  –  o  saldo  dessa  conta  que  pertence  ao  sub  grupo  de  Receitas  não  Operacionais é de R$ 240.000,00, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604.  9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na  impugnação como componentes  do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ  2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a  inserção  da  receita  de  juros  sobre  capital  próprio  na  citada  linha,  os  dados  e  documentos apresentados pela impugnante revelam­se inconsistentes, conforme abaixo  demonstrado:  Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 801          27   9.9.  Portanto,  os  dados  alegados  e  documentos  contábeis  apresentados  por  se  encontrarem  inconsistentes  entre  si  não  demonstram  de  maneira  inequívoca  que,  na  linha 47 da Ficha 6A da DIPJ, está  inserida a receita de juros  sobre capital próprio  recebida no ano calendário de 2008 de Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil”, CNPJ  nº 61.784.278/000191.” (grifos aditados)  Pois  bem,  os  documentos  contábeis  reputados  inconsistentes  pela  DRJ,  são:  a  Composição da DRE Analítica e o Balancete referente a Dezembro do ano calendário  2008.  Quanto a isso, alega a recorrente que, por ter desviado o foco sobre o real problema da  autuação  (que  era  a  desconsideração  indevida  do  crédito  de  IRRF  sobre  receitas  de  JCP devidamente  tributadas), a DRJ equivocou­se ao analisar apenas o balancete de  dez/08,  e  não  a  DRE  (que  é  composta  da  somatória  dos  Balancetes  de  Jun/08  e  Dez/08),  cujos  valores  das  receitas  auferidas  pela  Recorrente  estão  devidamente  registradas na Linha 47 da Ficha 6B da DIPJ e oferecidos à tributação.  Isto  porque,  segundo  a  Recorrente,  o  procedimento  que  adota  é  o  de  efetuar  o  levantamento  de  balancete  semestralmente,  sendo  que,  para  demonstração  de  tal  procedimento,  anexou  aos  autos,  juntamente  com  o  Recurso  Voluntário,  o  balancete  analítico de 30/06/2008, 31/12/2008. Em sua peça, há excerto do referido documento,  abaixo reproduzido:  Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 802          28     Nota­se, do cotejo entre este balancete analítico e as constatações ínsitas no item  9.7 do Acórdão da DRJ (fls. 673/674), que as contas 71930006 0052386 000730596 – RECUP  ENCARGOS  E  DESPESAS  –  PRODUTOS;  71999009  0050474  000704377  –  OUTRAS  RENDAS OPERACIONAIS;  71999009  0055310  582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES  DE  SELIC,  cuja  DRJ  registrou  “não  ter  encontrado  a  conta,  nem  a  cifra  no  Balancete  Patrimonial Analítico de fls. 603/604”, são exatamente as contas que no Balancete de dez/08  (Balancete analisado pela DRJ) encontravam­se “zeradas”.  Tal fato confere força ao argumento da Recorrente de que a DRJ equivocou­se  ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (composta da somatória dos Balancetes  de Jun/08 e Dez/08), de forma a merecerem uma análise detida da veracidade das informações  ali prestadas.  Nada  obstante,  a  Recorrente  ainda  alega  que,  mesmo  que  os  valores  fossem  totalmente divergentes (e a quantia de JCP não fosse coincidente), a DRJ não poderia decidir  da forma como o fez, pois a DRJ não tem competência para modificar o lançamento tributário.  A esse respeito, é oportuno reforçar­se que o lançamento se deu por insuficiência  de  recolhimento  do  ajuste  do  IRPJ  do  ano­calendário  2008,  reconhecido  pela  própria  Recorrente que, por meio de sua  Impugnação e  reiterado em seu Recurso Voluntário, afirma  tratar­se de erro de fato no preenchimento da DIPJ.  Ora,  todo  o  procedimento  de  fiscalização  e  constituição  do  crédito  tributário  decorreu  de  uma  insuficiência  de  recolhimento  de  IRPJ,  devidamente  instruída  e  inclusive  reconhecida pela Recorrente que, em sua defesa, alega ter incorrido em erro no preenchimento  da DIPJ.  Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.720508/2013­16  Resolução nº  1302­000.474  S1­C3T2  Fl. 803          29 Sabe­se que o  lançamento  tributário constitui­se em uma presunção  relativa de  certeza  jurídica,  que  pode  ser  ilidida  caso  o  interessado  demonstre  por  meio  de  provas  necessárias  e  suficientes  a  desconstituir  tal  presunção.  Logo,  após  ocorrido  todo  o  procedimento  para  constituição  de  relativa  certeza  quanto  à  existência  do  crédito  tributário,  nada  mais  justo  que  a  detida  análise  quanto  à  veracidade  dos  documentos  que  geram  considerável dúvida ao órgão julgador.  A  verificação  da  congruência  entre  os  documentos  reputados  pela  Recorrente  como  aptos  a  desconstituir  a  exigência  do  Fisco  atende  a  princípios  constitucionais  como  a  indisponibilidade  do  interesse  público  e  a  capacidade  contributiva  que,  juntos,  orientam  a  atividade  obrigatória  e  vinculada  da  autoridade  fiscal.  Por  isso,  não  é  admitido  que  a  constituição do crédito tributário coexista com quaisquer incertezas.   Assim, para dirimir o conflito mister é que a unidade preparadora:  1.  Intimar o contribuinte a decompor, analiticamente, o valor da receita de  R$  12.450.675,20  informada  na  Linha  47  da  Ficha  6B  da  DIPJ  já  anexada  aos  autos,  destacando os valores que compõe a rubrica devidamente contabilizados (apontando as folhas  do Razão) e qual o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no ano­calendário de 2008;  2.  Verificar  se  o  balancete  analítico  de  30/06/2008  a  31/12/2008  (fls.  719/769)  é  válido.  Ou  seja,  as  informações  ali  contidas  descrevem  a  realidade  dos  fatos  ocorridos conforme relatado pelo contribuinte e escriturado na sua contabilidade;  3.  Caso  o  quesito  acima  possua  resposta  positiva,  responder:  Existe  divergência  entre  os  valores  declarados  na  Ficha  6,  Linha  47  da  Composição  da  DRE  DE  2008(fl. 617) e os valores declarados no Balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008?  4.  A  autoridade  fiscal  designada  ao  cumprimento  das  diligências  deverá  elaborar relatório fiscal demonstrando a veracidade, ou não, das indagações acima suscitadas,  confirmando ou não  ao  final,  se no valor de R$ 12.450.675,20 está  contido  a quantia de R$  4.392.318,02, e que tal montante (R$ 12.450.675,20) foi efetivamente oferecido à tributação.  A  recorrente deverá  tomar  a devida  ciência deste Relatório Fiscal,  podendo  se  manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro,  após expirar­se o prazo.  É o voto.  MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA ­ Relator  Fl. 803DF CARF MF

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6653519 #
Numero do processo: 10314.013819/2006-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 27/11/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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9303­004.593  –  3ª Turma   Sessão de  24 de janeiro de 2017  Matéria  IMPORTAÇÃO. MULTA. LICENCIMENTO.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL            Interessado  GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA.              ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 27/11/2002  MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO  DISPENSADO  DE  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  E  DE  LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.  É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da  importação por  falta de Licença de  Importação  (LI) que produto  importado  esteja sujeito ao controle administrativo e ao  licenciamento, previamente ao  embarque  no  exterior  ou  ao  despacho  aduaneiro,  conforme  o  caso.  Nos  presentes  autos,  inaplicável  a  multa  por  falta  de  LI,  pois  os  produtos  importados  estavam  dispensados  de  controle  administrativo  e  de  licenciamento.  Recurso Especial do Procurador negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 38 19 /2 00 6- 51 Fl. 295DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Andrada Márcio  Canuto  Natal,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Tatiana Midori Migiyama,  Vanessa Marini  Cecconello  e  Erika  Costa  Camargos Autran.  Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3802­000.400, de 06/04/2001,  proferido pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado:    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 21/10/2006  MULTA.  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  DAS  IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO.  Descabe  a  aplicação  da  multa  por  falta  de  licenciamento  de  importação  na  hipótese  em  que  a  alteração  da  classificação  fiscal não acarreta um controle administrativo específico sobre a  mercadoria importada.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.    No  Recurso  Especial,  por  meio  do  qual  pleiteou,  ao  final,  a  reforma  do  decisum,  a  Recorrente  insurgiu­se  contra  a  exoneração  da  multa  por  falta  de  licença  de  importação. Alega divergência de  interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº  301­33.363 e 301­32.955.  O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontra­se às fls. 261/264.   A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 286/292).  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Presentes os demais requisitos, entendemos, tal como proposto no exame de  admissibilidade, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido.  Com  efeito,  enquanto,  no  acórdão  recorrido,  entendeu­se  não  aplicável  a  multa  pela  falta  de  Licença  de  Importação  –  LI,  porque  os  produtos  importados  estavam  dispensados  de  controle  administrativo  e,  portanto,  da  obrigatoriedade  de  sua  emissão,  independentemente  da  classificação  fiscal  adotada,  nos  acórdãos  paradigmas  chegou­se  à  conclusão diversa: para afastar a exigência da mesma multa, seria imprescindível que o produto  importado houvesse sido corretamente descrito na Declaração de Importação ­ DI, com todos  os elementos necessários à classificação, independentemente de tratar­se, o caso examinado, de  licenciamento automático ou não automático.  Contudo, embora conhecido, ao recurso especial deve­se negar provimento.  Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10314.013819/2006­51  Acórdão n.º 9303­004.593  CSRF­T3  Fl. 296          3 É  que,  em  linha  com  o  que  já  decidido  nesta  mesma  Turma  da  CSRF  (Acórdãos  nº  9303­01.567,  sessão  de  06/07/2011,  9303­001.706,  de  05/10/2011  e  9303­ 002.780,  de  22/01/2014),  entendemos  que  o  mero  erro  na  indicação  da  classificação  fiscal,  ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição  da  multa  por  falta  de  licença  de  importação,  sendo  indispensável  que  reste  caracterizado  prejuízo ao controle administrativo das importações.  Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com os  fundamentos  expostos  no  voto  proferido  pelo  il.  Conselheiro Henrique  Pinheiro  Torres,  nos  autos do processo administrativo n.º 11128.007425/99­89 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303­ 01.567, sessão de 06/07/2011), passamos a adotá­los, também aqui, como razão de decidir. Ei­ los:  Passando  ao  julgamento  da  matéria  sobre  a  qual  deve  este  Colegiado  se  manifestar,  entendo  que  razão  assiste  ao  sujeito  passivo.  Como  é  cediço,  o  regime  de  licenciamento  de  importações  é  regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento  de  Importações  (APLI),  negociado  no  âmbito  da  Rodada  do  Uruguai,  aprovado  pelo  Decreto  Legislativo  nº  30,  de  15  de  dezembro de 1994,  e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30  de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê:  Artigo 1  Disposições Gerais  1.  Para  os  fins  do  presente  Acordo,  o  licenciamento  de  importações  será  definido  como  os  procedimentos  administrativos  utilizados  na  operação  de  regimes  de  licenciamento  de  importações  que  envolvem  a  apresentação de  um  pedido  ou  de  outra  documentação  (diferente  daquela  necessária  para  fins  aduaneiros)  ao  órgão  administrativo  competente,  como  condição  prévia  para  a  autorização  de  importações para o território aduaneiro do Membro importador.  (destaquei)  Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações  de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio,  que somente passa a ser exigido de maneira residual.  Com  efeito,  analisando  os  artigos  2  e  3  do  já  citado  acordo,  responsáveis,  respectivamente,  pelo  disciplinamento  do  Licenciamento  Automático  e  Não­Automático,  vê­se  que,  em  verdade,  ambas  as modalidades definidas naquele ato  negocial  alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma  modalidade  de  controle  administrativo.  Nas  hipóteses  em  que  esse  controle  não  é  exercido  não  há  que  se  falar  em  licenciamento.  Veja­se a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo:  (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de  importações  poderá  ser  necessário  sempre  que  outros  procedimentos  adequados  não  estiverem  disponíveis.  O  Fl. 297DF CARF MF     4 licenciamento automático de importações poderá ser mantido na  medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem  a  existir  e  seus  propósitos  administrativos  básicos  não  possam  ser alcançados de outra maneira.  Por outro lado, esclarece o art. 3:  Artigo 3  Licenciamento Não Automático de Importações  1.  Além  do  disposto  nos  parágrafos  1  a  11  do  Artigo  1,  as  seguintes  disposições  aplicar­se­ão  a  procedimentos  não­ automáticos  para  o  licenciamento  de  importações.  Os  procedimentos  não­automáticos  para  licenciamento  de  importações  serão  definidos  como  o  licenciamento  de  importações  que  não  se  enquadre  na  definição  prevista  no  parágrafo 1 do Artigo 2.  Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2:  1.  O  licenciamento  automático  de  importações  será  definido  como o  licenciamento  de  importações  cujo  pedido  de  licença  é  aprovado  em  todos  os  casos  e  de  acordo  com  o  disposto  no  parágrafo 2(a).  Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde  que  cumpridos  os  ritos  definidos  pela  legislação  do  Estado­ parte.  O  não­automático,  normalmente  utilizado  para  controle  de  cotas, pode ser concedido ou não.  Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento  realizado  no  âmbito  do  Siscomex,  disciplinado  pela  Portaria  Secex  nº  21,  de  1996,  cujos  procedimentos  foram  alvo  do  Comunicado Decex nº 12, de 1997, chega­se à conclusão de que  o  regime  que  se  convencionou  denominar  licenciamento  automático,  em  verdade,  representa  a  dispensa  desse  controle  administrativo,  o  qual  relembre­se,  segundo  o  art  1  do  APLI,  alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação  de  um  pedido  ou  de  outra  documentação  diferente  daquela  necessária para fins aduaneiros”.  Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art.  4º  da  Portaria  Interministerial  nº  109,  de  12  de  dezembro  de  1996, que trata do processamento das operações de importação  no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex.  Art.  4º Para  efeito  de  licenciamento  da  importação,  na  forma  estabelecida  pela  SECEX,  o  importador  deverá  prestar  as  informações específicas constantes do Anexo II.  §  1º  No  caso  de  licenciamento  automático,  as  informações  serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para  fins do despacho aduaneiro da mercadoria.  §  2º  Tratando­se  de  licenciamento  não  automático,  as  informações  a  que  se  refere  este  artigo  devem  ser  prestadas  Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10314.013819/2006­51  Acórdão n.º 9303­004.593  CSRF­T3  Fl. 297          5 antes  do  embarque  da mercadoria  no  exterior  ou  do  despacho  aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX.  §  3º  As  informações  referidas  neste  artigo,  independentemente  do  momento  em  que  sejam  prestadas,  e  uma  vez  aceitas  pelo  Sistema,  serão  aproveitadas  para  fins  de  processamento  do  despacho  aduaneiro  da  mercadoria,  de  forma  automática  ou  mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da  licença de importação, no momento de formular a declaração de  importação.  Extrai­se  do  referido  ato  interministerial  pelo  menos  três  elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora  defendido:  a)  no  “controle”  que  os  órgãos  governamentais  nacionais  denominaram  licenciamento  automático,  conforme  consignado  no  §  1º,  não  se  exige  qualquer  informação  ou  procedimento  diverso da declaração de instrução do despacho de importação;  b)  quando  necessárias,  as  providências  inerentes  ao  controle  administrativo,  por  definição,  são  sempre  adotadas  em  data  anterior  ao  embarque  da  mercadoria.  Cabe  aqui  lembrar  a  multa  especificada  no  art.  526,  VI,  do  regulamento  aduaneiro  vigente  à  época  do  fato.  Se  a  LI  automática  tivesse  realmente  substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas  àquela  modalidade  de  licenciamento  estariam  sujeitas  à  penalidade,  já  que  a  “LI”  é  “solicitada”  juntamente  com  registro  da  Declaração  de  Importação  que,  regra  geral,  só  ocorre após a chegada da carga;  c)  na  hipótese  do  chamado  licenciamento  automático,  não  é  gerado  qualquer  documento,  físico  ou  informatizado,  que  o  identifique,  até  porque,  como  se  viu,  nenhum  órgão  anuente  intervém nesse processo.  Dessa  forma,  forçoso  é  concluir  que,  sob  a  égide  da Portaria  Secex  nº  21,  de  1996,  aquilo  que  os  atos  administrativos  licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em  que a mercadoria não está sujeita a licenciamento.  Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à  importação de mercadorias  sujeitas  exclusivamente a  controle  tarifário.  Se  a  mercadoria  não  estava  sujeita  a  controle  administrativo,  salvo  melhor  juízo,  seria  um  contra­senso  aplicar  uma  penalidade  própria  do  descumprimento  deste  último controle.  Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado  diz  respeito  aos  efeitos  do  erro  de  classificação  sobre  o  licenciamento da mercadoria.  Uma  tese  recorrentemente  trazida  à  baila  é  a  de  o  erro  de  classificação  não  seria  suficiente  para  caracterizar  o  descumprimento do regime de  licenciamento e, nessa condição,  Fl. 299DF CARF MF     6 não  haveria  como  se  considerar  que  a  mercadoria  importada  não estava licenciada.  Na  esteira  do  que  se  discutiu  quando  da  diferenciação  entre  licenciamento  automático  e  não­automático,  em  que  se  demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou  a  tratar  o  controle  administrativo  das  importações  de maneira  seletiva,  penso que  essa  interpretação,  com o máximo  respeito,  não pode prosperar.  Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria  está ou não  sujeita a  licenciamento não­automático e,  em caso  afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para  sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal.  Veja­se o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio  de 1997, vigente à época dos fatos:  2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos  sujeitos  a  condições  ou  procedimentos  especiais  no  licenciamento  automático,  bem  como  os  produtos  sujeitos  a  licenciamento não automático.  2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referirem­se,  genericamente,  a  Capítulo,  posição  ou  subposição  da  Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado  o  tratamento  administrativo  específico  por  item  tarifário  consignado  na  tabela  "Tratamento  Administrativo"  do  Sistema  Integrado  de  Comércio  Exterior  SISCOMEX,  aplicável  ao  produto objeto do licenciamento.(grifei)  Ou  seja,  o  erro  de  classificação,  por  si  só,  de  fato  não  é  suficiente  para  caracterizar  a  conduta  sujeita  a  multa,  é  necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo  da  mercadoria,  como  ocorreria,  v.g.,  na  hipótese  do  código  tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a  não­automática.  Neste  caso,  forçoso  é  concluir  que  a  mercadoria  não  passou  pelos  controles  próprios  da  etapa  de  licenciamento  e,  conseqüentemente,  teria  sido  importada  desamparada  de  documento equivalente à Guia de Importação.  Por  outro  lado,  se,  tanto  a  classificação  empregada  pelo  importador,  quanto  definida  pela  autoridade  autuante  não  estiver sujeita a  licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo  tratamento administrativo da classificação original, não há que  se falar em falta de licenciamento por erro de classificação.  Da mesma  forma,  sem ao menos  saber  se  a mercadoria  estava  sujeita  a  licenciamento,  não  se  pode  assumir  que  a  descrição  inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo.  Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de  que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova  classificação  estaria  sujeita  a  algum  tratamento  administrativo  diverso do empregado, limitando­se a apontar como motivadora  da  autuação  a  prestação  de  declaração  inexata.  A  fim  de  Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10314.013819/2006­51  Acórdão n.º 9303­004.593  CSRF­T3  Fl. 298          7 demonstrar,  transcrevo  trecho da descrição dos  fatos que  trata  da infração:  Tendo  em  vista  que  o  produto  não  está  corretamente  descrito  com  todos  os  elementos  necessários  a  sua  identificação  e  ao  enquadramento  fiscal  pleiteado,  caracterizou­se  a  condição  de  declaração  inexata,  constituindo  infração  administrativa  ao  controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do  R.A.,  aprovado  pelo  Decreto  91.030/85  (Ato  Declaratório  nr.  12/97).    No  caso  ora  em  julgamento,  conforme  informado,  pelo  relator,  no  acórdão  recorrido  (fl. 237),  “ao  regime da então vigente Portaria Secex nº 14, de 2004,  temos que as  classificações  fiscais  adotadas  pelo  contribuinte  (original  e  retificada)  referem­se  a  produtos  que  não  estavam  sujeitos  a  licenciamento  automático  ou  não  automático,  caracterizando,  por  conseguinte,  uma  importação  dispensada  de  licenciamento”,  descabe  a  aplicação  da  multa  prevista no art. 169,  I,  “b”, do Decreto­lei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos requisitos  necessários a sua aplicação.  Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, nego­lhe provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                   Fl. 301DF CARF MF

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Numero do processo: 11065.720041/2015-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­003.316  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de janeiro de 2017  Matéria  IPI ­ RESSARCIMENTO ­ PRODUTO "NT"/IMUNE  Recorrente  GRUPO EDITORIAL SINOS SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013  CRÉDITO DE  IPI.  INSUMOS UTILIZADOS NA  INDUSTRIALIZAÇÃO  DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea  “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.  A  aquisição  de  insumos  utilizados  na  industrialização  de  produtos  cuja  imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal  (livros,  jornais,  periódicos  e  o  papel  destinado  a  sua  impressão)  não  gera  crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no  artigo  11  da  Lei  no  9.779/99  alcançar  apenas  insumos  utilizados  na  industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso  a imunidade decorra de exportação.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário apresentado.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl – Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José Bayerl  (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel  Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira,  Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 00 41 /2 01 5- 72 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.720041/2015­72  Acórdão n.º 3401­003.316  S3­C4T1  Fl. 3          2  Relatório  Versa  o  presente  sobre  o  Pedido  de  Ressarcimento  com  Declaração  de  Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados  (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado.  Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo,  o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de  que  o  valor  do  crédito  reconhecido  foi  inferior  ao  solicitado,  por  ter  havido  glosa  em  procedimento fiscal.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  interpôs  manifestação  de  inconformidade,  alegando,  em  síntese,  que:  (a)  não  houve mandado de  procedimento  fiscal  para  o  procedimento  de  análise  do  crédito,  sendo  inválido  o  ato  administrativo;  (b)  a  fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa  ser  abrangida  por  imunidade  objetiva;  (c)  para  aplicação  da  não  cumulatividade  constitucionalmente assegurada, pouco  importa se a última operação foi ou não onerada pelo  IPI;  e  (d) não  houve constituição  do  crédito  tributário,  e  embora o  documento  da  glosa  seja  intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de  ser o crédito glosado.  A manifestação de inconformidade foi  julgada improcedente pela Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14­ 057.389, que possui a seguinte ementa:   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013   IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T.  Inexiste  direito  de  crédito  pela  entrada  de  insumos  para  fabricação  de  produtos  que  estão  fora  do  campo  de  incidência  do  imposto,  pois  neste  caso  o  IPI  deve  ser  contabilizado como custo   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário,  sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão  de  validar  o  ato  praticado  ao  seu  desabrigo;  (b)  o  crédito  não  pode  ser  exigido  por  absoluta  ausência  de  lançamento;  e  (c)  a  imunidade  se  constitui  em  cláusula  pétrea  inserida  nas  limitações  constitucionais  ao  poder  de  tributar.  Pede,  ao  fim,  exame  para  fins  de  pré­ questionamento,  mormente  no  que  se  refere  aos  artigos  142  e  149  do  Código  Tributário  Nacional (CTN).  É o relatório.  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.720041/2015­72  Acórdão n.º 3401­003.316  S3­C4T1  Fl. 4          3  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.313, de  25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/2014­23, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.313):  "O  recurso  apresentado  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento.  No  Despacho  Decisório,  a  razão  para  o  indeferimento  do  direito  de  crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte  (fl. 22):  O  valor  do  crédito  reconhecido  foi  inferior  ao  solicitado/utilizado  em  razão do(s) seguinte(s) motivos(s):  ­ Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior  ao valor pleiteado.  ­  Ocorrência  de  glosa  de  créditos  considerados  indevidos,  em  procedimento fiscal.  Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na  página Internet da Receita Federal, e integram este despacho.  No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome  da  verdade  material)  sobre  como  encontrar  tais  "informações  complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu  principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho  decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP.  Nas  informações complementares, percebo que há link para o relatório  fiscal  (Clique  aqui  para  Download  do  arquivo:  RELATORIO  FISCAL  GRUPO SINOS.PDF).  Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove  processos  administrativos  de  ressarcimento,  e  que  ali  realmente  se  encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como  principal  atividade  a  edição  integrada  à  impressão  de  jornais,  sendo  detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes  de  seu  processo  de  industrialização  têm  a  classificação  "NT"  (não  tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de  imunidade  constitucional;  e  (b)  os  créditos  pleiteados  se  referem  à  aquisição  de  insumos  utilizados  para  produção  de  jornais  e  revistas  imunes,  no  período  considerado,  e,  portanto,  não  encontram  guarida  normativa para fruição.  Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.720041/2015­72  Acórdão n.º 3401­003.316  S3­C4T1  Fl. 5          4  Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as  razões de defesa são aptas a afastá­las, e a confirmar a regularidade do  crédito.  A  primeira  alegação  de  defesa  se  referia  à  ausência  de  Mandado  de  Procedimento Fiscal.  No  entanto,  o Mandado  de  Procedimento Fiscal,  como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio  relatório  da  ação  fiscal  a  informação  de  seu  número  (10.1.07.00­ 2014.00230­2) e a aposição de mensagem de que estava disponível para  consulta  no  endereço  <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>,  com  a  utilização do código de acesso 29365075.  Também  em  nome  da  verdade material  acessei  o  referido  sítio,  com  a  senha  de  acesso  concedida  na  ação  fiscal,  verificando  a  existência  do  MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa.  Improcedentes, assim,  tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada  na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido  juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário.  A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento  para  exigência  do  crédito,  é  absolutamente  desconectada  da  realidade  fática  destes  autos.  Veja­se  que  o  presente  processo  não  trata  de  lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito  de  crédito  pleiteado  pela  empresa.  As  glosas  efetuadas  impedem  a  fruição  do  crédito,  devendo  a  postulante  do  ressarcimento  (e  da  compensação)  carrear  aos  autos  documentação  que  comprovem  a  liquidez  e  a  certeza  do  crédito.  Descabe,  assim,  a  demandada  análise  (ainda  que  para  fins  de  prequestionamento)  dos  artigos  142  e  149  do  CTN, afetos ao lançamento.  Cabe  retomar,  então,  a  análise  no  sentido  de  ter  ou não  havido  prova  apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de  fundamento  normativo  para  tomada  de  crédito  em  relação  a  insumos  destinados a industrialização de jornais e revistas imunes).  Sobre  o  tema,  a  empresa,  em  seu  recurso  voluntário,  endossa  que  industrializa produtos  imunes  com os  insumos adquiridos, mas  entende  que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito.  Tais alegações  seriam  relevantes  se o  fisco  estivesse a  exigir o  IPI  em  relação aos produtos  imunes, mas  esse não é o caso  em análise nestes  autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação  à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está,  repita­se, a analisar  tributação de operação  imune, mas a avaliar se a  empresa  faz  jus  a  crédito  sobre  operação  não  tributada  em  função  de  imunidade.  E,  nesse  sentido,  cabível  verificar  o  teor  do  artigo  11  da  Lei  no  9.779/1999:  Art.  11.  O  saldo  credor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  acumulado  em  cada  trimestre­calendário,  decorrente  de  aquisição  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem,  aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado  Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.720041/2015­72  Acórdão n.º 3401­003.316  S3­C4T1  Fl. 6          5  à  alíquota  zero,  que  o  contribuinte  não  puder  compensar  com  o  IPI  devido  na  saída  de  outros  produtos,  poderá  ser  utilizado  de  conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro  de  1996,  observadas  normas  expedidas  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso)  Veja­se que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de  crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de  produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos  imunes  e  não  tributados).  E  veja­se  também  que  a  fruição  fica  condicionada à observância das normas expedidas pela RFB.  A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999,  que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes:  Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art.  11  da  Lei  No  9.779,  de  1999,  do  saldo  credor  do  IPI  decorrente  da  aquisição  de MP,  PI  e ME  aplicados  na  industrialização  de  produtos,  inclusive  imunes,  isentos  ou  tributados  à  alíquota  zero,  alcança,  exclusivamente,  os  insumos  recebidos  no  estabelecimento  industrial  ou  equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso)  Mas  a  própria  RFB,  no  Ato  Declaratório  Interpretativo  no  6/2008,  esclareceu que:  Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF  no  33,  de 4 de março de 1999,  são aqueles aos quais ao  legislação do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  garante  o  direito  à  manutenção  e  utilização  dos  créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0  Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999,  no art. 5o do Decreto­lei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da  Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica  aos produtos:  I  ­  com  a  notação  "NT"  (não­tributados,  a  exemplo  dos  produtos  naturais  ou  em  bruto)  na  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26  de dezembro de 2002;  II ­ amparados por imunidade;  III ­ excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no  art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 ­ Regulamento  do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI).  Parágrafo  único.  Excetuam­se  do  disposto  no  inciso  II  os  produtos  tributados  na  TIPI  que  estejam  amparados  pela  imunidade  em  decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso)  Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11  da  Lei  no  9.779/1999,  apenas  se  as  aquisições  de  insumos  fossem  efetivamente  para  um  processo  industrial  de  fabricação  de  produto  imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer  se  esforça  a  recorrente  para  demonstrá­lo,  pecando  em  seu  dever  de  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.720041/2015­72  Acórdão n.º 3401­003.316  S3­C4T1  Fl. 7          6  carrear  ao  processo  elementos  que  atestem  a  liquidez  e  a  certeza  do  direito de crédito.  Ainda  que  se  afaste  a  imperfeição,  às  vezes  presente  na  Tabela  de  Incidência  do  IPI,  de  considerar  como  "NT"  (não  tributados)  produtos  que,  em  verdade,  são  efetivamente  resultantes  de  um  processo  de  industrialização,  mas  imunes,  permanece  sem  amparo  o  direito  de  crédito,  visto  não  se  verificar,  nos  autos,  ser  o  produto  destinado  à  exportação.  Nesse sentido tem decidido este CARF:  CRÉDITO DE IPI.  INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO  DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea  “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI  a aquisição de  insumos utilizados na  industrialização de produtos  cuja  imunidade  decorra  do  art.  150,  inciso  III,  alínea  “d”  da  Constituição  Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da  Lei  no  9.779/99,  alcança  exclusivamente  aqueles  insumos  utilizados  na  industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes,  caso  a  imunidade  decorrer  da  exportação.  (Acórdão  no  3201­002.096,  Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar.  2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150  da  CF)  (No  mesmo  sentido,  e  também  unânime,  o  Acórdão  no  3301­ 002.280, de 27 mar. 2014)  Por derradeiro, destaque­se que também o Superior Tribunal de Justiça  tem  leitura  não  alargada  do  artigo  11  da  Lei  no  9.779/1999  (REsp  no  1.015.855/SP).  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário apresentado."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl                            Fl. 65DF CARF MF

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Numero do processo: 37284.004079/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. EMBARGOS INOMINADOS. Na existência de erro de fato no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. APROPRIAÇÃO DE GUIAS DE RECOLHIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. O pagamento do tributo extingue o crédito tributário constituído, art. 156, I, do CTN. As Guias de Recolhimento da Previdência Social apresentadas devem ser apropriadas nas respectivas competências. Levantamento DAL - Diferenças de Acréscimos Legais - a competência do fato gerador referente à cobrança de diferenças de acréscimos legais ocorre no mês do pagamento em atraso e não na competência paga em atraso.
Numero da decisão: 2301-004.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos do contribuinte e da Fazenda, para no mérito, rerratificar a decisão embargada, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela embargante (Clube de Golfe de Brasília), Dra. Joana Renata F. Miranda OAB 40.636. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 08/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora)Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO

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2301­004.998  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de abril de 2017  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Embargante  Delegacia da Receita Previdenciária e Clube de Golfe de Brasília  Interessado  Delegacia da Receita Previdenciária e Clube de Golfe de Brasília    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido  os embargos devem ser acolhidos.  EMBARGOS INOMINADOS.   Na existência de  erro de  fato no  acórdão proferido os  embargos devem  ser  acolhidos.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PAGAMENTO.  APROPRIAÇÃO  DE  GUIAS  DE RECOLHIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.  O pagamento do tributo extingue o crédito tributário constituído, art. 156, I,  do  CTN.  As  Guias  de  Recolhimento  da  Previdência  Social  apresentadas  devem ser apropriadas nas respectivas competências.  Levantamento DAL  ­ Diferenças de Acréscimos Legais  ­  a competência do  fato gerador  referente  à  cobrança de diferenças  de acréscimos  legais ocorre  no mês do pagamento em atraso e não na competência paga em atraso.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos do contribuinte e  da Fazenda, para no mérito, rerratificar a decisão embargada, nos termos do voto da relatora.   Fez  sustentação oral  pela embargante  (Clube de Golfe de Brasília), Dra.  Joana  Renata F. Miranda OAB 40.636.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 40 79 /2 00 5- 31 Fl. 339DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Andrea Brose Adolfo ­ Presidente em Exercício e Relatora.    EDITADO EM: 08/05/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alexandre  Evaristo  Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora)Fabio Piovesan Bozza, Jorge  Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato  dos Santos (suplente convocada).  Relatório  Trata­se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD ­ Debcad nº  35.722.561­9,  referente  às  contribuições  sociais  previdenciárias  (parte  patronal,  SAT  e  Terceiros)  e  diferenças  de  acréscimos  legais,  declarados  em GFIP,  do  período  de  06/2000  a  13/2004, totalizando R$ 150.049,97, consolidado em 31/03/2005 (e­fls. 3 e ss).  Cientificado do  lançamento, apresentou  impugnação alegando parcelamento  do  débito  objeto  da NFLD. Os  autos  foram  baixados  em  diligência  e,  conforme  informação  fiscal  de  e­fls.  124/126,  procedida  a  retificação  do  valor  do  débito  excluindo  os  valores  parcelados (tabela I) e novo demonstrativo de Guias de Pagamento apropriadas (tabela II).  A Delegacia da Receita Previdenciária ­ DRP em Brasília emitiu a Decisão­ Notificação nº 23.401.4/0006/2005, dando parcial provimento à impugnação determinando que  o débito fosse retificado no período compreendido entre as competências 10/2003 a 07/2004,  conforme  informado  pela  Fiscalização.,  mantendo  créditos  constituídos  no  valor  de  R$  58.783,64. (e­fls. 143/147)  A empresa apresentou Recurso Voluntário (e­fls. 152/156) alegando, em síntese que o auditor cometeu  vários equívocos, que não houve a apropriação de guias e a cobrança indevida de juros e multa  e que não houve apropriação dos recolhimentos relativos às competência 06/2000 a 12/2003.  Requereu o recebimento do recurso no efeito suspensivo, para reformar a Decisão­Notificação,  retificando o lançamento e expurgando a multa e juros SELIC sobre a diferença encontrada.  O INSS ofereceu contrarrazões (e­fls. 235/239).  A 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social ­  CRPS, julgou parcialmente procedente o recurso, nos termos do Acórdão.nº 2227/2006 (e­fls.  240/245), cuja ementa reproduzo:  EMENTA­  PREVIDENCIÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  CONTRIBUIÇÃO  DEVIDA A TERCEIROS. JUROS COM APLICAÇÃO DA TAXA  SELIC.  PREVISÃO  LEGAL.  1­  Nos  termos  do  disposto  no  art.  33,  c/c  o  art.  94  da  Lei  n°8212/91,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro Social ­INSS é competente para arrecadar e fiscalizar, as  contribuições devidas pela empresa a terceiros. 2­ nos termos do  art.  34  da  Lei  n°  8212/91,  as  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas  pelo  INSS,  incluídas  ou  não  em  notificação  fiscal  de  lançamento  de  débito,  pagas  com  atraso,  objeto  ou  não  de  parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  á  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Fl. 340DF CARF MF Processo nº 37284.004079/2005­31  Acórdão n.º 2301­004.998  S2­C3T1  Fl. 3          3 Liquidação  e  de  Custódia  ­  SELIC,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado, e multa de mora  todos de caráter irrelevável. 4­ Os  valores  recolhidos  devem  ser  deduzidos  dos  levantamentos  efetuados  na  competência.  RECURSO  CONHECIDO  E  PARCIALMENTE PROVIDO.  Transcrevo  excertos  do  voto  da  relatora  para  maior  clareza  acerca  do  decidido:  A  recorrente  em  suas  razões  de  recurso  alegou  que  os  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  não  foram  devidamente  analisados  e  considerados  no  cálculo  do  débito  apurado,  juntando  cópias  de  GPS,  bem  como  extrato  de  contribuição,  relativos às competências em que alega ter havido recolhimento  não deduzidos dos levantamentos.  Nesse  sentido,  após  análise  dos  documentos  constantes  dos  autos,  é  imperioso  reconhecer  que  alguma  razão  assiste  ao  contribuinte.  Com  efeito,  de  acordo  com  o  Discriminativo  analítico  do  Débito  Retificado  ­DADR,  de  fls.  128,  está  demonstrado o levantamento, para a competência 09/2000 juros  e multa  sobre  o  recolhimento  (706,55)  e  no DADR  de  fis  129,  está  demonstrado  o  levantamento,  para  a mesma  competência,  do valor de 1.866,26, relativo à contribuição da empresa, SAT e  terceiros. Todavia,  • como se pode verificar dos documentos às  fls.  203  e  209  (extrato  de  contribuição  e  cópia  da  GPS),  o  recolhimento  em  dia  do  referido  valor,  sendo,  portanto,  indevidos,  tanto  o  valor  levantado  relativo  às  contribuições  quanto aquele a titulo de juros e multa.  Com  relação  ao  levantamento  relativo  à  competência  02/2002,  envolvendo contribuições da empresa, SAT e terceiros, no valor  total  de  7.383,60  (DADR  133),  não  restou  demonstrado  a  apropriação da GPS recolhida em 19/07/2002, no valor total de  1.867,47  (doc.  fls.  214/215).  De  igual  sorte,  o  levantamento  relativo  à  competência  10/2002,  envolvendo  contribuições  da  Empresa, SAT e terceiros, no valor de 3.007,61 (DADR fls, 134),  não se verifica a apropriação das GPS recolhida em 04/11/2002,  com  valores  de  4.614,41;  1.591,62  e  2.731,04  (doc  de  fls  217/221).  Em  que  pesem  as  alegações  relativas  as  demais  competências,  vale  esclarecer  que  como  se  verifica  dos  documentos  de  fls.124/126,  os  recolhimentos  efetuados,  bem  como  as  contribuições  incluídas  no  parcelamento,  foram  devidamente  deduzidas  dos  levantamentos  e  outras  são  diferences  de  contribuições  relativas  ao  SAT  e  a  terceiros,  apuradas  em  conformidade  com  as  declarações  constantes  na  GFIP  e  de  acordo com o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls.  128/141).  Com  relação  aos  juros  de  mora  e  a  multa  exigidos  sobre  os  valores apurados no presente  lançamento, há que se esclarecer  que decorrem de  legislação específica,  conforme  fundamentada  nos  artigos  34  e  35  da  Lei  n°8212/91,  que  em  face  do  caráter  Fl. 341DF CARF MF     4 irrelevável,  imposto  pelos  dispositivos  legais  citados,  não  ha  possibilidade de seu expurgo, conforme quer a recorrente.   Isto posto e,   CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta,   CONCLUSÃO: pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER  DO  RECURSO,  para  no  mérito  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO, no sentido de que seja excluído do lançamento  os  valores  relativos  ao  levantamento  da  competência  09/2000  (DADR fls. 128/129) e sejam apropriados os recolhimentos das  competências  02/2002  e  10/2002,  para  que  sejam  igualmente  excluídos os valores efetivamente recolhidos. (doc. fls. 214/215 e  217/221).    A DRP/Brasília apresentou pedido de revisão do Acórdão 4ª CAJ Nº 2227/06  às e­fls. 252/256, alegando em síntese erro de fato da decisão proferida "ao considerar que nas  competências 09/2000 e 10/2002 não foram abatidos todos os valores efetivamente recolhidos,  cuja conclusão é equivocada, de acordo com as provas constantes dos autos".  Por  sua  vez,  a  recorrente  apresentou  pedido  de  revisão  às  e­fls.  267/269  alegando omissão do Acórdão quanto à competência 13/2004.  Os pedidos de revisão, ambos com fulcro no art. 60, IV do Regimento Interno  do  CRPS  (aprovado  pela  Portaria  MPS/GM  nº  88/2004),  foram  acolhidos  por  meio  do  Despacho de e­fls. 278/280, verbis:  Saliente­se que de acordo com o que preconiza o parágrafo 2º do  artigo  5º  da  Portaria MF  nº  147,  de  25  de  junho  de  2007,  ao  presente  pedido  será  aplicado  o  Regimento  Interno  do  CRPS,  aprovado  pela  Portaria  MPS/GM  nº  88,  de  22  de  janeiro  de  2004.  ...  No caso específico em questão, os pedidos de revisão de acórdão  foram propostos sob a alegação de ter havido vício insanável no  aresto atacado.  Segundo  a  SRP,  temos  que,  “No  caso  em  tela,  o  Acórdão  ora  questionado  funda  se  em  erro  de  fato  (inciso  IX  e §  1°  do  art.  485,  do  Código  de  Processo  Civil),  ao  considerar  que  nas  competências  09/2000  e  10/2002  não  foram  abatidos  todos  os  valores efetivamente recolhidos, cuja conclusão é equivocada, de  acordo com as provas constantes dos autos.”  O  contribuinte,  por  sua  vez,  vislumbra vício  insanável  por  não  ter  o  acórdão  recorrido  se manifestado  acerca  da competência  13/2004. Destaca o que segue:  “O Clube de Golfe de Brasília requereu no Recurso Voluntário a  exclusão  da  cobrança  da  competência  da  GPS  13/2004  da  quantia de R$6.700,31 (...) uma vez que, conforme cópia extrato  de  contribuições  anexa  no  processo  administrativo,  consta  no  Fl. 342DF CARF MF Processo nº 37284.004079/2005­31  Acórdão n.º 2301­004.998  S2­C3T1  Fl. 4          5 sistema  da  Receita  Federal  o  pagamento  de  R$8.884,06  (...)  referente à competência 13/2004.”  Mediante  análise  dos  autos,  entendo  estarem  preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  dos  presentes  pedidos,  ante  a  possível  ocorrência  de  vícios  insanáveis  no  acórdão  recorrido,  conforme  preconizado  no  inciso  IV  do  art.  60  do  Regimento  Interno do CRPS (aprovado pela Portaria MPS/GM nº 88/2004).  Ante ao exposto, ACOLHO os pedidos de revisão  formulados e  DESIGNO  relator  ad  hoc  o  Conselheiro  Marcelo  Freitas  de  Souza, para que adote as providências cabíveis.    É o relatório.    Voto             Conselheira Andrea Brose Adolfo ­ Relatora  Primeiramente,  cumpre  esclarecer  que  o  presente  processo  foi  objeto  de  sorteio eletrônico através do qual fui sorteada como relatora, tendo em vista que o conselheiro  designado relator ad hoc não integra mais este Conselho.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  dos  pedidos  de  revisão  formulados,  nos  termos  do  despacho  de  e­fls.  278/280,  passo  a  analisá­los  como  embargos  inominados, o da Fazenda Nacional  (extinta DRP/Brasília)  ­  art. 66, Portaria MF 343/2015  ­  RICARF) e como embargos de declaração, o do contribuinte (art. 65, Portaria MF 343/2015 ­  RICARF).  Embargos da Fazenda Nacional  Alega a Fazenda Nacional que o Acórdão da 4ª CAJ contém "erro de de fato  (inciso  IX  e  §  1°  do  art.  485,  do  Código  de  Processo  Civil),  ao  considerar  que  nas  competências 09/2000 e 10/2002 não foram abatidos todos os valores efetivamente recolhidos,  cuja conclusão é equivocada, de acordo com as provas constantes dos autos.”  O voto da relatora do Acórdão atacado apresenta as seguintes conclusões com  relação às competências 09/2000 e 10/2002, verbis:  Nesse  sentido,  após  análise  dos  documentos  constantes  dos  autos,  é  imperioso  reconhecer  que  alguma  razão  assiste  ao  contribuinte.  Com  efeito,  de  acordo  com  o  Discriminativo  analítico  do  Débito  Retificado  ­DADR,  de  fls.  128,  está  demonstrado o levantamento, para a competência 09/2000 juros  e multa  sobre  o  recolhimento  (706,55)  e  no DADR  de  fis  129,  está  demonstrado  o  levantamento,  para  a mesma  competência,  do valor de 1.866,26, relativo à contribuição da empresa, SAT e  terceiros. Todavia, como se pode verificar dos documentos às fls.  Fl. 343DF CARF MF     6 203  e  209  (extrato  de  contribuição  e  cópia  da  GPS),  o  recolhimento  em  dia  do  referido  valor,  sendo,  portanto,  indevidos,  tanto  o  valor  levantado  relativo  às  contribuições  quanto aquele a titulo de juros e multa.  (...)  De igual sorte, o levantamento relativo à competência 10/2002,  envolvendo contribuições da Empresa, SAT e terceiros, no valor  de 3.007,61 (DADR fls, 134), não se verifica a apropriação das  GPS  recolhida  em  04/11/2002,  com  valores  de  4.614,41;  1.591,62 e 2.731,04 (doc de fls 217/221).  Compulsando os autos, verifica­se que assiste razão em parte à embargante.  Vejamos.  Na competência 09/2000 realmente já foram apropriados os pagamentos de e­ fls. 205 e 206, conforme o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados ­ RADA (e­ fls. 38) (duas GPS totalizando o valor de R$ 6.095,09). Todavia constata­se que há um terceiro  recolhimento em 02/10/2000 no valor de R$ 1.866,27 que consta no Relatório de Documentos  Apresentados ­ RDA (e­fl. 32) na competência 08/2000.  Analisando  a  apropriação  na  competência  08/2000  (Relatório  RADA  e­fl.  37), verifica­se que do total de recolhimentos na competência de R$ 9.267,74, foi apropriado o  valor de R$ 7.401,46,  restando disponível o valor de R$ 1.866,28, exatamente o valor que o  contribuinte alega ter pago para a competência 09/2000, na data do vencimento 02/10/2000.Tal  situação  pode  ser  corroborada  pela  cópia  do  cheque  acostado  à  e­fl.206,  no  valor  de  R$  7.961,36  (correspondente  à  soma  das  3  GPS  quitadas  no  dia  02/10/2000)  com  o  histórico  "Pagto ref a INSS Mês 09/00".   Verifica­se, assim, tratar­se de erro na GPS constante do sistema.  Portanto,  deve  ser  feita  a  correção  na  competência  da  GPS  recolhida  em  02/10/2000 no valor de R$ 1.866,27 de 08/2000 para 09/2000,  após deve ser apropriada  tal  Guia à competência 09/2000, restando excluído o Levantamento GFP na competência 09/2000.  Entretanto, ainda em relação à competência 09/2000, o Levantamento DAL,  ao  contrário  do  decidido  pelo  Acórdão  embargado,  subsiste,  pois,  como  bem  explicado  no  pedido de revisão do INSS, a competência do fato gerador referente à cobrança de diferenças  de acréscimos  legais ocorre no mês do pagamento em atraso e não na  competência paga  em  atraso.  Assim,  na  competência  09/2000  são  cobradas  diferenças  de  acréscimos  legais  de  pagamentos  efetuados  em  atraso  no  mês  de  setembro  de  2000,  referentes  a  competências  anteriores.   Portanto,  o  Levantamento  DAL  na  competência  09/2000  não  deve  ser  excluído, como decidido pelo Acórdão embargado.  Na competência 10/2002, ao contrário do que concluiu o Acórdão da 4ª CAJ,  as GPS recolhidas em 02/11/2002, com valores de R$ 4.614,41; 1.591,62 e 2.731,04 (doc de fls  217/221), foram apropriadas na competência de referência, conforme se observa do Relatório  RADA (e­fl.45).   Portanto,  para  a  competência  10/2002  não  há  nenhum  pagamento  que  não  tenha  sido  apropriado  ao  débito,  devendo  também  ser  reformada  a  decisão  embargada,  mantendo o valor de R$ 3.007,61 Levanmento GFP.   Fl. 344DF CARF MF Processo nº 37284.004079/2005­31  Acórdão n.º 2301­004.998  S2­C3T1  Fl. 5          7   Embargos do Contribuinte (Clube de Golfe de Brasília)  O  contribuinte,  em  seu  pedido  de  revisão,  alega,  em  síntese,  omissão  do  órgão  julgador  na  análise  da  competência  13/2004.  Sustenta  que  apresentou  pagamento  referente  a  esta  competência  no  valor  de  R$  8.884,06  (GPS  às  e­fls.  93,  confirmação  de  pagamento  telas  de  sistemas  e­fls.  120  e  extrato  de  recolhimentos  e­fls.  202),  entretanto  o  Acórdão da 4ª CAJ nada mencionou sobre a competência.  Entendo que assiste  razão à embargante,  todavia, não por omissão, mas por  verificação de erro de fato. Explico.  O acórdão da 4ª CAJ, apesar de não mencionar expressamente a competência  13/2004, faz referência às "demais competências", além das mencionadas 09/2000, 02/2002 e  10/2002, concluindo que todos os pagamentos apresentados foram apropriados:  Em  que  pesem  as  alegações  relativas  as  demais  competências,  vale  esclarecer  que  como  se  verifica  dos  documentos  de  fls.124/126,  os  recolhimentos  efetuados,  bem  como  as  contribuições  incluídas  no  parcelamento,  foram  devidamente  deduzidas  dos  levantamentos  e  outras  são  diferences  de  contribuições  relativas  ao  SAT  e  a  terceiros,  apuradas  em  conformidade  com  as  declarações  constantes  na  GFIP  e  de  acordo com o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls.  128/141).  E aí, constata­se o erro material, pois a GPS referente à competência 13/2004  no valor de R$ 8.884,06 não foi apropriada na competência correspondente conforme DADR  de e­fl. 142, apesar da informação fiscal e tabelas de e­fls. 124 e 127.  Portanto,  para  a  competência  13/2004  deve  ser  apropriada  a  GPS  correspondente apresentada, restando excluído o Levantamento GFP na competência 13/2004,  conforme Informação Fiscal de e­fl. 124 e Tabela de e­fl. 127.     CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por acolher os embargos apresentados, para rerratificar a  decisão embargada, corrigindo o voto da relatora nos seguintes termos:  Nesse  sentido,  após  análise  dos  documentos  constantes  dos  autos,  é  imperioso  reconhecer  que  alguma  razão  assiste  ao  contribuinte.  Com  efeito,  de  acordo  com  o  Discriminativo  analítico  do  Débito  Retificado  ­DADR,  de  fls.  128,  está  demonstrado o levantamento, para a competência 09/2000 juros  e multa  sobre  o  recolhimento  (706,55)  e  no DADR  de  fls  129,  está  demonstrado  o  levantamento,  para  a mesma  competência,  do valor de 1.866,26, relativo à contribuição da empresa, SAT e  terceiros. Todavia, como se pode verificar dos documentos às fls.  203  e  209  (extrato  de  contribuição  e  cópia  da  GPS),  o  recolhimento em dia do referido valor, sendo, portanto, indevido  Fl. 345DF CARF MF     8 o  valor  levantado  relativo  às  contribuições,  permanecendo  apenas aqueles a titulo de juros e multa.  Com  relação  ao  levantamento  relativo  à  competência  02/2002,  envolvendo contribuições da empresa, SAT e terceiros, no valor  total  de  7.383,60  (DADR  133),  não  restou  demonstrado  a  apropriação da GPS recolhida em 19/07/2002, no valor total de  1.867,47  (doc.  fls.  214/215).  De  igual  sorte,  o  levantamento  relativo  à  competência  13/2004,  envolvendo  contribuições  da  Empresa,  SAT  e  terceiros,  no  valor  de R$  6.700,31  (DADR  fls  142),  não  se  verifica  a  apropriação  das  GPS  recolhida  em  17/12/2004, com valores de R$ 8.884,06 (doc de fls 228).  (...)  Isto posto e,   CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta,   CONCLUSÃO: pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER  DO  RECURSO,  para  no  mérito  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  no  sentido  de  que  seja  retificado  o  campo  Competência  de  08/2000  para  09/2000  da  GPS  recolhida  em  02/10/2000  no  valor  de  R$  1.866,27  e  sejam  apropriados  os  recolhimentos  das  competências  09/2000,  02/2002  e  13/2004,  para  que  sejam  igualmente  excluídos  os  valores  efetivamente  recolhidos. (doc. fls. 203/209, 214/215 e 217/221).  A ementa do Acórdão CaJ nº 2227/2006 permanece inalterada.  É como voto.  Andrea Brose Adolfo ­ Relatora                                Fl. 346DF CARF MF

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