Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10314.006477/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006
DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007.
Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar, para fins de adimplemento do regime, os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações.
No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Inclusive, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-004.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006 DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007. Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar, para fins de adimplemento do regime, os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Inclusive, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.006477/2008-84
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830224
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.845
nome_arquivo_s : Decisao_10314006477200884.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10314006477200884_5830224.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7121233
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009603145728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 890 1 889 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.006477/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.845 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria Drawback Recorrente ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006 DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007. Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar, para fins de adimplemento do regime, os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Inclusive, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 64 77 /2 00 8- 84 Fl. 890DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Constatada a inadimplência no compromisso de exportar, cabível é a exigência dos tributos suspensos quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, modalidade suspensão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre a exigência de Imposto sobre a Importação (II), IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, juros de mora e multas de ofício, bem como multa ao controle administrativo das importações, prevista no art. 169, III, "d" e §2º, incisos I e II do DecretoLei n° 37/66, em face do descumprimento das obrigações assumidas por ocasião da aplicação do regime aduaneiro especial de drawback na modalidade suspensão. Com relação ao Ato Concessório n° 20050132458, apurou a fiscalização que o único Registro de Exportação (RE) apresentado para comprovar o compromisso de exportar, além de ser em valor inferior do que o previsto (diferença de US$906.170,00 a menor), possuía enquadramento como uma exportação normal (código 80000), portanto não amparado pelo regime de Drawback, para o qual também não foi informada nenhuma vinculação a algum Ato Concessório no campo 24 (Dados do fabricante). Ademais, o referido RE não poderia ser aceito para fins de comprovação do Regime, eis que a Receita Federal não é competente para aceitar exportações não apresentadas tempestivamente à Secex (item 10 do Parecer Cosit n° 53/99). Relativamente ao Ato Concessório nº 200403223943, foi apresentado um único RE para comprovar o compromisso de exportar na mesma situação acima e com um valor inferior ao previsto, mas com a diferença de US$145.970,00 a menor. Quanto ao Ato Concessório nº 20050132458, as transferências de mercadorias para a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) foram consideradas vendas no mercado interno com o fim especifico de exportação, sendo as exportações efetuadas pela CNO. Foram glosadas as notas fiscais de vendas da contribuinte para a CNO que foram Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 891 3 posteriores à última exportação efetuada pela CNO (RE 06/1614284001, registrado em 17/10/2006). A contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) efetuou os recolhimentos com os devidos acréscimos legais dos valores glosados relativos aos Atos Concessórios n° 20040323803 e 20040323943; e b) relativamente ao Ato Concessório n° 20050132458, as mercadorias relacionadas às notas fiscais n° 020178 e 020367 foram transmitidas à CNO com o fim específico de serem exportadas para o Equador, sendo que depois foram exportadas pelos RE’s n°s 06/1672891 001 e 07/0096138 001, que mencionam as notas fiscais citadas, o CNPJ e ato concessório em análise. O julgador de primeira instância não acatou as alegações da impugnante vez, que, as mercadorias descritas nas notas fiscais n°s 20178 e 20367 não possuem qualquer compatibilidade com as mercadorias objeto de autuação, bem como os registros de exportação apresentados foram modificados após o embarque das mercadorias, o que não há de se aceitar, eis que as informações equivocadas em relação à natureza da operação de exportação e aos dados do fabricante têm relação direta com o benefício pretendido. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/10/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/10/2015, aduzindo, em síntese: Houve nulidade do Acórdão recorrido por inovação nas razões que sustentaram o lançamento ou, então, a nulidade do Auto de Infração por falha na motivação. Valendose das normas da SECEX que estendem os benefícios do Drawback às vendas, no mercado interno, com destino específico de exportação, os referidos itens foram remetidos à CNO, por meio das Notas Fiscais n°s 20178 (doc. 09 da impugnação) e 20367 (doc. 10 da impugnação), que, ao recebêlos, emitiu dois Memorandos de Exportação (doc. 12 da impugnação). Ato contínuo, a CNO realizou a exportação dos itens ao Equador para compor os sistemas completos de supervisão e controle das unidades geradoras do Projeto San Francisco, conforme se depreende, respectivamente, dos Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 (doc. 12A da impugnação) e 07/0096138001/001 (doc. 12B da impugnação). Verificase, portanto, que, além desses procedimentos ratificarem a pertinência cronológica dos eventos ocorridos no caso concreto, sob o aspecto técnico, inclusive reforçado pelos Laudos Técnicos emitidos tanto pela pessoa jurídica sucedida da Recorrente quanto pela CNO (doc. 11 da impugnação), não há como se questionar a efetiva vinculação física dos itens importados às exportações refletidas nos Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 (doc. 12A da impugnação) e 07/0096138001/001 (doc. 12B da impugnação). Não há o menor sentido que a d. Autoridade Julgadora relativize a eficácia das alterações feitas Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 e 07/0096138001/001 (docs. 12A e 12B da impugnação), efetivamente acatadas pelo Siscomex, para afastar o reconhecimento da vinculação física dos itens exportados. Ademais, as alterações promovidas nos Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 e 07/0096138001/001 foram providenciadas antes de qualquer expediente de fiscalização, não havendo, assim, motivos para que não fossem acatadas, conforme precedente jurisprudencial deste CARF (Acórdão 3403003.054, Julgado em 23/07/2014). Fl. 892DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. A controvérsia cingese à verificação do adimplemento compromisso de exportar objeto do Ato Concessório nº 20050132458 no regime de Drawback Suspensão, no qual foram glosadas as notas fiscais de vendas da contribuinte para a Construtora Norberto Odebrecht de números 20178 (doc. 09 da impugnação) e 20367 (doc. 10 da impugnação), em face de não atendimento à ordem cronológica (ausência de exportação posterior à data da Nota Fiscal de venda para a CNO) e não vinculação física às exportações informadas à fiscalização, conforme quadros abaixo: Ocorreu que, em sede de impugnação, a contribuinte apresentou outras exportações (RE's n°s 06/1672891001/001 e 07/0096138001/001), as quais, a seu ver, preencheriam os requisitos para adimplemento do regime, conforme resumo abaixo: Como dito, o julgador da DRJ rejeitou liminarmente os novos RE's apresentados sob o argumento de que as Notas Fiscais não seriam compatíveis com as mercadorias objeto de autuação, bem como ao fato de que os registros de exportação apresentados foram retificados após o embarque das mercadorias para o enquadramento no regime. No que concerne ao primeiro fundamento, assiste razão à recorrente, eis que a fiscalização já tinha verificado a vinculação física das mercadorias objeto das Notas Fiscais nºs 20178 e 20367 às importações, conforme denota o trecho abaixo do Relatório Fiscal: (...) Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 892 5 Ato contínuo, com o auxílio do laudo técnico de produção apresentado pelo contribuinte (em resposta ao Termo de Intimação n° 26/2008), foram identificados todos os materiais importados que participaram da elaboração dos produtos transferidos, e respectivas DI's, donde se obteve a tabela abaixo: (...) Conforme ensinamentos dados pela fiscalização no Relatório Fiscal, abaixo transcrito, com relação às novas exportações apresentadas na impugnação, ficaram pendentes de análise apenas os passos 3 e 4: (...) Pois bem, considerando a existência de um par de agentes envolvidos no processo (fiscalizada e CNO), é de suma importância analisar, passo a passo, as operações realizadas por cada um deles para, então, consolidálas num fluxo ordenado, a fim de verificar a destinação que foi dada às matériasprimas importadas com suspensão de tributos. Assim, a análise do compromisso foi efetuada mediante os passos abaixo descritos: Passo 1) Importações realizadas pelo contribuinte; Passo 2) Transferências, para a CNO, de produto fabricado a partir de insumos importados; Passo 3) Exportações realizadas pela CNO; Passo 4) Apuração de eventual saldo remanescente de mercadorias importadas e sua destinação. (...) Também não pode prosperar o segundo fundamento utilizado pelo julgador a quo, relativamente à possibilidade de retificação do RE averbado para fins de inclusão de enquadramento no regime de Drawback suspensão. Sobre a possibilidade de alteração dos dados do Registro de Exportação (RE) após a averbação do embarque, assim dispunha o art. 40 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, DOU de 28.04.94, no âmbito da Receita Federal, à época dos fatos: Art. 40. Concluída a averbação, na forma dos arts. 46 a 49, as alterações nos dados de registro de embarque relativos à quantidade de volumes, peso e identificação da mercadoria embarcada, somente poderão ser efetuadas com autorização da fiscalização aduaneira. Parágrafo único. Enquanto não implantada, no Sistema, função que contemple o disposto neste artigo, os pedidos de alteração deverão ser apresentados, por escrito, pelo responsável pelo registro, no SISCOMEX, do dado a ser alterado acompanhados da respectiva documentação comprobatória, à unidade da SRF de embarque que, após análise e emissão de parecer, os Fl. 894DF CARF MF 6 encaminhará à CoordenaçãoGeral do Sistema de Controle AduaneiroCOANA, para as providências cabíveis. Dessa forma, como se vê, estava regulamentada a retificação do RE somente no que concerne à alteração relativa à quantidade, ao peso e à identificação da mercadoria após a averbação do embarque, nada havendo, entretanto, no âmbito da Receita Federal, acerca da possibilidade/impossibilidade de retificação de RE averbado para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campos 2a, envolvendo código de enquadramento referente a drawback, e 24, com vistas à comprovação desse regime. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou o art. 131 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, como se vê abaixo: PORTARIA SECEX Nº 12, DE 03 DE SETEMBRO DE 2003 DOU 04/09/2003 (Revogada pelo art 73 da PortariaSecex nº 15, DOU 23/11/2004) Art. 10. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. PORTARIA Nº 15, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2004 (Publicada no DOU de 23/11/2004) Art. 10. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. PORTARIA Nº 35, DE 24 NOVEMBRO DE 2006 (Publicada no DOU de 28/11/2006) Redação Original Art. 131. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. (...) Art. 167. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. (...) ANEXO “F” EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK 1. As exportações vinculadas ao Regime de Drawback estão sujeitas às normas gerais em vigor para o produto, inclusive no tocante ao tratamento administrativo aplicável. 2. Um mesmo RE não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 893 7 Operação do SISCOMEXExportação, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). (...) PORTARIA SECEX N° 33, DE 30 DE OUTUBRO DE 2007 (publicada no D.O.U. de 31/10/2007) Art. 4º O art. 131 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, passa a vigorar com a seguinte redação, com os parágrafos que se seguem, revogandose o atual § 4º: “Art. 131. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao regime, por intermédio do módulo específico de Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. § 1º As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório. § 2º. Não será permitida a inclusão de AC no campo 24, bem como no campo 2a de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação, exceto nas operações cursadas em consignação. § 3º Poderão ser admitidas alterações, solicitadas no Siscomex e por meio de processo administrativo, para modificar dados constantes do campo 24, desde que mantido o código de enquadramento do drawback.”(NR) (...) Art. 7º Fica alterada a redação do art. 167 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, para a que se segue: “Art. 167. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto quando: I envolverem inclusão de ato concessório no campo 24, bem como de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação; ou II – realizadas durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro.”(NR) Art. 8º Fica revogada a Circular n° 39, de 3 de agosto de 2007, da Secretaria de Comércio Exterior, publicada no Diário Oficial da União de 8 de agosto de 2007. Art. 9º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. [negritei] Inclusive, o teor da Circular SECEX nº 39 de 03/08/2007, abaixo transcrita, posteriormente revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, revela que a Secex vinha, até então, aceitando retificações de RE para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão: Circular SECEX nº 39 de 03/08/2007 (Revogada pela Portaria SECEX nº 33, de 30.10.2007, DOU 31.10.2007) (...) Fl. 896DF CARF MF 8 2. Para tanto, considerandose o previsto nos itens 3 e 4 do Anexo "F" da Portaria Secex nº 35, de 24 de novembro de 2006, fica limitado em 5 de outubro de 2007 o prazo para solicitação de alteração de RE efetivados e averbados para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campo 2a, quando envolver código de enquadramento referente a drawback, e 24, com vistas à comprovação do regime. 3. Os RE efetivados e/ou averbados, a partir da mesma data, deverão conter nos campos 2a e 24 as informações necessárias para comprovação do regime, conforme estabelecido na legislação citada no parágrafo anterior, uma vez que não será aceito pedido de alteração de RE após a averbação para esse fim. [grifos e negritos meus] No caso específico dos autos, os Registros de Exportação apresentados em sede de impugnação são anteriores a 31.10.2007 (Portaria Secex nº 33/2007), e também anteriores a 05.10.2007 (Circular SECEX nº 39/2007), eis que foram registrados em 26/10/2006 e 22/01/2007. Dessa forma à época dos Registros de Exportação não estava vigente a restrição de retificação para fins de enquadramento no regime de drawback. Assim, não obstante as relevantes preocupações do julgador de primeira instância acerca da alteração de dados da exportação após o embarque das mercadorias, quando essas não poderiam ser mais fiscalizadas pela Aduana, o fato é que tais questões não estavam previstas em nenhuma norma legal ou infralegal à época das exportações, devendo, então, no presente caso, serem aceitas as retificações de RE's para fins de enquadramento no regime após a averbação do embarque. No mais, observase o produto objeto da Nota Fiscal nº 020178 foi efetivamente exportado por intermédio do RE nº 06/1672891001, de 26/10/2006, conforme trechos abaixo da Nota Fiscal, Memorando Exportação e extrato do RE: Nota Fiscal nº 20178: Memorando Exportação (fl. 652): Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 894 9 Extrato do RE nº 06/1672891001: Da mesma forma, confirmase que o produto objeto da Nota Fiscal nº 20367, de 17/10/2007, foi exportado por intermédio do RE nº 07/0096138001, registrado em 22/01/2007, como se vê abaixo: Nota Fiscal nº 20367: Fl. 898DF CARF MF 10 Memorando Exportação (fl. 656): Extrato do RE nº 07/0096138001: Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 895 11 Com efeito, relativamente ao Ato Concessório nº 20050132458, é de se considerar o adimplemento pela recorrente do compromisso de exportar. Tendo em vista o acatamento das razões de mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente, nos termos do art. 59, §3° do Decreto nº 70.235/72. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.720236/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO.
A comprovação da transferência, do real adquirente para o importador ostensivo, dos recursos financeiros utilizados na quitação da operação de importação, cumulada com a ocultação do primeiro no despacho aduaneiro de importação realizado pelo segundo, configura interposição fraudulenta de terceiro (comprovada), definida no artigo 23, V, do Decreto-lei 1.455/1976.
OCULTA REAL COMPRADOR. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. POSSIBILIDADE.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXIGÊNCIA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. AFASTAMENTO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, quando a lei não prescrever forma determinada, os atos e termos processuais conterão somente o indispensável à sua finalidade. Esse é o mandamento que define como a regra a liberdade de forma e exceção o estabelecimento de forma ou formalidade, que necessita de prescrição legal.
2. O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra definido ou previsto em lei ou em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que o qualifica como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária.
3. Se todos os sujeitos passivos solidários foram cientificados do auto de infração por meio legítimo, a ausência do referido Termo não configura o descumprimento de formalidade essencial de modo afastar a condição de sujeição passiva solidária, por cerceamento do direito de defesa, de qualquer responsável solidário regularmente incluído no polo passivo da autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Avila e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação da transferência, do real adquirente para o importador ostensivo, dos recursos financeiros utilizados na quitação da operação de importação, cumulada com a ocultação do primeiro no despacho aduaneiro de importação realizado pelo segundo, configura interposição fraudulenta de terceiro (comprovada), definida no artigo 23, V, do Decreto-lei 1.455/1976. OCULTA REAL COMPRADOR. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. POSSIBILIDADE. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXIGÊNCIA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. AFASTAMENTO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, quando a lei não prescrever forma determinada, os atos e termos processuais conterão somente o indispensável à sua finalidade. Esse é o mandamento que define como a regra a liberdade de forma e exceção o estabelecimento de forma ou formalidade, que necessita de prescrição legal. 2. O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra definido ou previsto em lei ou em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que o qualifica como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária. 3. Se todos os sujeitos passivos solidários foram cientificados do auto de infração por meio legítimo, a ausência do referido Termo não configura o descumprimento de formalidade essencial de modo afastar a condição de sujeição passiva solidária, por cerceamento do direito de defesa, de qualquer responsável solidário regularmente incluído no polo passivo da autuação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10111.720236/2012-12
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841399
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.279
nome_arquivo_s : Decisao_10111720236201212.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10111720236201212_5841399.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Avila e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7170621
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009607340032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 482 1 481 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.720236/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.279 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2018 Matéria CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente THINETWORKS PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação da transferência, do real adquirente para o importador ostensivo, dos recursos financeiros utilizados na quitação da operação de importação, cumulada com a ocultação do primeiro no despacho aduaneiro de importação realizado pelo segundo, configura interposição fraudulenta de terceiro (comprovada), definida no artigo 23, V, do Decretolei 1.455/1976. OCULTA REAL COMPRADOR. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. POSSIBILIDADE. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXIGÊNCIA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. AFASTAMENTO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, quando a lei não prescrever forma determinada, os atos e termos processuais conterão somente o indispensável à sua finalidade. Esse é o mandamento que define como a regra a liberdade de forma e exceção o estabelecimento de forma ou formalidade, que necessita de prescrição legal. 2. O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra definido ou previsto em lei ou em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que o qualifica AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 02 36 /2 01 2- 12 Fl. 482DF CARF MF 2 como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária. 3. Se todos os sujeitos passivos solidários foram cientificados do auto de infração por meio legítimo, a ausência do referido Termo não configura o descumprimento de formalidade essencial de modo afastar a condição de sujeição passiva solidária, por cerceamento do direito de defesa, de qualquer responsável solidário regularmente incluído no polo passivo da autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Avila e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Contra a empresa THINNETWORKS PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA, ora d. Impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste processo, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília Pres. Juscelino Kubitschek DF, em sede de procedimento especial de fiscalização para averiguar a regularidade das importações por conta e risco próprios realizadas pela empresa LCE TECNOLOGIA DA INFORMÁTICA E INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS LTDA (CNPJ 09.286.571/000180), doravante denominada LCE, ao final da qual restou apurada a infração tipificada como “Dano ao Erário”, decorrente da ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, em face da impossibilidade de apreensão das mercadorias, vez que não foram localizadas ou já tinham sido consumidas, com um montante do crédito apurado no valor total de R$ 1.488.698,80. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 483 3 O procedimento teve início em 19 de agosto de 2011, com ciência à D. Impugnante e à empresa LCE do Termo de Início de Procedimento Especial, expedido em sede de cumprimento dos Mandados de Procedimento Fiscal n° 01176002011000811 e 0117600 2011000889, respectivamente, destinados a verificar a capacidade operacional, bem como a origem lícita, efetividade e transferência dos valores requeridos para o financiamento das operações do comércio exterior praticadas no período fiscalizado, consoante a disciplina prevista na IN SRF nº 228/2002. Na ocasião as pessoas jurídicas objeto de fiscalização foram intimadas a apresentar um rol de documentos fiscais e contábeis referentes ao registro de suas operações entre os anos de 2008 a 2011. Em síntese, a ação fiscal teve início após divergências verificadas por ocasião da conferência física de uma das importações da LCE (DI nº 11/14020062), assim registrada pela autoridade fiscal: “... em procedimento de verificação da mercadoria submetida a despacho de importação por meio da DI nº 11/14020062, ..., constatei que parte dos produtos importados traz a indicação da empresa “Thinnetworks” na embalagem ou em etiquetas afixadas ao produto ou gravadas no próprio produto...”. Na sequência, a fiscalização procedeu a diligência nas instalações da LCE e da d. Impugnante, reteve documentos fiscais e correspondências comerciais no interesse da ação fiscal (fls. 25 a 38) e tomou declaração a termo do Sr. Luiz Cláudio Maia Ferreira – fls. 24 a 25), sócio diretor das DUAS empresas. Alguns pontos da declaração do Sr. Luiz Cláudio destacavam: “1) A motivação para a criação da empresa LCE teve como finalidade a redução de custo e a utilização de benefícios fiscais (Pró DF);...3) Administrativamente os sócios e diretores são os mesmos, mas as folhas de pagamento são separadas; 4) Em termos contábeis e fiscais as duas empresas são separadas e que as duas empresas funcionam de maneira independentes entre si; 5) A LCE industrializa e vende seus próprios produtos e que a Thinnetworks vende produtos no atacado;... 7) O principal cliente da empresa LCE é a empresa Thinnetworks; 8) A justificativa para preços abaixo do mercado se deve pela utilização de tecnologia disruptiva, ou seja, peças sem continuidade de fornecimento, sem garantia e que estão, pelo menos, duas gerações atrás da tecnologia atual; ...11) Os recursos para as importações da LCE vêm de recursos próprios dos sócios advindos dos lucros distribuídos pela empresa Thinnetworks. São empréstimos dos sócios; ... 13) Os funcionários da LCE não trabalham fisicamente na área da Thinnetworks, pois a LCE possui espaço próprio. 14) Existe mais de um endereço no mesmo espaço físico.” A identificação da d. Impugnante em embalagens de mercadorias importadas pela LCE; a declaração do Sr. Luiz Cláudio; a localização das duas empresas “no mesmo espaço com pouca separação”, inclusive com estoque de mercadorias Fl. 484DF CARF MF 4 comum, localizado em área da empresa LCE; a localização de “documentos fiscais e operacionais da empresa LCE na área administrativa da empresa Thinnetworks”; o “gerente Administrativo da Thinnetworks, Sr. Alexandre Arci, é responsável pelos procedimentos administrativos referentes às importações da LCE, inclusive, pela relação com os despachantes aduaneiros”; a localização de “Contrato de exclusividade no Brasil da fabricante Peplink com a empresa Thinnetworks, sendo que os produtos da Peplink são importados pela LCE e integralmente repassados para a Thinnetworks” e a constatação de que a empresa LCE não recolhe o IPI devido na revenda das mercadorias importadas, fruto dos levantamentos iniciais e diligências realizadas, foram tomados pela fiscalização como indícios de interposição fraudulenta nas importações da LCE, com fim de ocultar seu real adquirente, no caso, a d. Impugnante, com “quebra da cadeia do IPI”, afastando da base de cálculo deste imposto a margem agregada na revenda dos produtos. Na mesma data de início da ação fiscal, o Diretor da LCE e da Thinnetworks, Sr. LUIZ CLAUDIO MAIA FERREIRA, constituiu através de procurações públicas o Sr. Alexandre Fragoso Arci (CPF nº 012.897.17621), procurador da D. Impugnante e da LCE. Após um extenso rol de providências relatadas pela fiscalização para a tomada e apresentação dos documentos objeto das intimações fiscais, ao final, após prorrogação de prazos e reintimações para partes faltantes, todo o objeto das intimações restou devidamente atendido (fls. 44 e 45). Por haver dúvidas quanto ao preço praticado pela empresa LCE em suas importações, a fiscalização intimou o importador LCE a apresentar correspondências comerciais que confirme a veracidade dos preços praticados. Em atendimento, a foram apresentadas faturas comerciais proforma e alguns emails que demonstraram ter existido negociação de preços para os produtos por ela importados. As correspondências eletrônicas de negociação com o fornecedor são assinados com o logotipo da Thinnetworks, conforme observou a fiscalização como mais um elemento indiciário da ocultação do real importador. A fiscalização ressaltou que, apesar dos fortes indícios encontrados, “não conseguiu alcançar provas suficientes que determinassem a ocorrência de subfaturamento nas importações analisadas qa\ uma vez que a legislação afasta o arbitramento dos preços sob suspeita quando a empresa apresenta documentos de instrução das declarações aduaneiras tais como correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, conforme o disposto no Artigo 86, inciso II, combinado com o Artigo 18 caput e §1º, todos do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro).” (fl. 46). No desdobramento da ação fiscal, mediante a tomada de informações, análise dos documentos apresentados e dos registros contábeis e fiscais efetuados pelas empresas, foi possível apurar diversos fatos e elementos indiciários, utilizados pela fiscalização para fundamentar e caracterizar a ocorrência da conduta autuada, dos quais destacaremos os principais, como Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 484 5 segue, divididos nos seguintes tópicos, igualmente adotados pela fiscalização: 1. Integralização do Capital Social da empresa LCE; 2. Financiamentos das operações de comércio exterior empréstimos dos sócios; 3. Pagamentos das vendas das mercadorias para a Thinnetworks; 4. Ambiente físico da empresa; 5. Vendas sem estoque próprio. 1. Integralização do Capital Social da empresa LCE: A) Que, conforme Contrato Social apresentado por ocasião da intimação fiscal, a integralização do Capital Social se deu em 03/12/2007, em moeda corrente, no valor de R$ 60.000,00, com 60% das cotas para o Sr. Luiz Cláudio Maia Ferreira e 40% restante para a Sra. Eliane Lignelli; B) Que a subscrição tomou assento nos registros contábeis da empresa em 03/01/2008, com lançamentos a crédito de conta do Patrimônio Líquido e a débito da conta Caixa, descritos como "RECEB. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE 36.000 COTAS DO CAPITAL SOCIAL LUIZ CLAUDIO MAIA FERREIRA" e "RECEB. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE 24.000 COTAS DO CAPITAL SOCIAL ELIANE LIGNELLI"; C) Que em seguida, nos dias 03/01/2008, 31/01/2008, 13/02/2008 e 02/06/2008, são registrados lançamentos que creditam a conta Caixa para pagamentos diversos, no valor total de R$ 1.169,13; D) Que em 04/06/2008 é registrado o lançamento 13, identificado como "VLR. DEPOSITO EM 04/06/2008 SALDO INICIAL DA C/C BCO. BRASIL", a crédito em Caixa e débito em Bancos C/ Movimento, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), quantia exata valor do capital integralizado; E) Que este lançamento, entretanto, é acobertado por documento apresentado pela LCE para comprovar a integralização do Capital Social e que corresponde, na verdade, a uma transferência bancária da THINNETWORKS para a LCE no valor de R$ 60.000,00 (fl. 51); F) Que tendo sido o lançamento anterior aquele atribuído à efetiva integralização do Capita Social, podese concluir que os dois lançamentos anteriores referentes à integralização, em 03/01/2008, são fictícios e que a disponibilidade inicial de caixa no valor de R$ 60.000,00 não existiu até cinco meses após o registro contábil de integralização e que, em decorrência, aqueles lançamentos a crédito da conta Caixa foram financiados com recursos de origem não comprovada; G) Que igualmente podese concluir da forma como o Capital Social foi efetivamente integralizado que os recursos que passam a financiar a operação da empresa a partir de 04/06/2010 são Fl. 486DF CARF MF 6 originados de terceiros, mais precisamente da empresa THINNETWORKS, e não dos sócios; H) Por sua vez, a d. Impugnante registra em seu Livro Caixa a transferência bancária para a LCE como "VLR. SUPRIMENTO DE CAIXA", a crédito na conta Bancos e débito em Caixa, não sendo localizado qualquer lançamento posterior no mesmo valor que refletisse a transferência para a LCE, ficando tal valor registrado de forma fictícia no Caixa da THINNETWORKS. 2. Financiamento das operações de comércio exterior – empréstimos dos sócios: I) Quando questionado sobre a origem dos recursos para financiamento das operações de importação da LCE, o Sr. Luiz Cláudio, sócio administrador da LCE e da THINNETWORKS, respondeu que como a LCE ainda não é lucrativa, os recursos da LCE vêm de recursos próprios e de empréstimos dos sócios; J) Que os lançamentos contábeis que a LCE registra como empréstimos de sócios na verdade correspondem a transferências bancárias provenientes da THINNETWORKS, conforme comprova os extratos bancários, sendo os registros contábeis realizados na THINNETWORKS sempre a crédito da conta Banco para debito na conta Caixa; K) Que a “distribuição de lucros da THINNETWORKS só acontece ao final do exercício na apuração do resultado do exercício. Neste momento, há um lançamento de "resultado do exercício" tendo como contrapartida a conta "caixa". Somente então a conta caixa tem seu saldo corrigido. Este lançamento, entretanto, também não encontra respaldo na realidade, pois os valores correspondentes aos suprimentos de caixa já haviam sido transferidos diretamente para a LCE.”; L) Que buscando uma aparência de legitimidade aos empréstimos dos sócios, a LCE apresentou três contratos de empréstimo com o sócio Sr. Luiz Cláudio, para os quais não “há qualquer contabilização referente à celebração dos contratos de empréstimos, assim como não há efetiva transferência dos valores contratados”; M) Na sequência de seu intuito probatório, a fiscalização destaca um extenso rol de casos analisados nos quais apresenta os valores lançados como empréstimos de sócios na LCE como “transferências de recursos advindos da Thinnetworks que financia assim todos as importações ditas como própria da LCE”, registradas na THINNETWORKS como suprimento da conta Caixa contra crédito na conta Bancos e registro de idêntico valor para Empréstimos de Sócios na LCE (fls. 56 a 118); N) Acrescenta ainda que “o total de valores ditos como empréstimos dos sócios, mas que conforme demonstrado acima são transferências diretas de recursos provenientes da Thinnetworks, assumiram o montante total em 2008, 2009, 2010 e 2011 de R$ 1.488.698,80 e o valor CIF das mercadorias importadas para o mesmo período atingiram o montante de R$ 1.552.101,43”, classificando tais empréstimos como uma ficção Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 485 7 contábil, para assim concluir que “as operações de importação realizadas pela LCE, na realidade foram custeadas pela THINNETWORKS, que é quem adquire os produtos importados ou produzidos pela LCE a partir de mercadorias importadas”. 3. Pagamento das vendas das mercadorias para a Thinnetworks. O) Que nas vendas da LCE para a THINNETWORKS, apenas parte do valor das notas fiscais é efetivamente liquidado pela adquirente, uma vez que tais operações na LCE já haviam sido financiadas pela Thinnetworks em suas transferências; P) Para comprovar a conclusão, a fiscalização cita vários registros contábeis levantados, destacados entre as fls. 119 a 132; 4. Ambiente físico da empresa: Q) Que a LCE e a THINNETWORKS mantêm, junto ao cadastro de pessoa jurídica da Receita Federal, o mesmo endereço de funcionamento; R) Que em diligências realizadas nas duas empresas foi apurado que ambas possuem apenas uma separação física parcial. Apesar de ocuparem espaços físicos separados, há passagens internas de uma para outra empresa, com compartilhamento de espaços comuns. Somente a THINNETWORKS mantém área de recepção e não há controle de acesso físico entre as empresas; S) Que na sala da gerência administrativa e financeira da THINNETWORKS, foi encontrada toda documentação original das importações da LCE; T) Que muito embora a THINNETWORKS declare que mantém estoque físico de mercadorias em sua sede, constatouse sua localização em área da LCE, no qual foram encontradas caixas de mercadorias identificadas para como de propriedade da LCE e da THINNETWORKS; U) Que no processo de habilitação ordinária da LCE (Processo n° 10111.000072/201114) junto à Receita Federal, a LCE apresenta contratos de aluguel do imóvel em que está instalado seu estabelecimento, sendo o primeiro contrato da Thinnetworks como locatária junto ao proprietário do imóvel e o segundo da LCE como locatário junto à Thinnetworks, este no valor mensal de R$ 5.500,00, parcela que em análise da contabilidade da LCE não consta lançada, inexistindo assim despesas com aluguel. 5. Vendas sem estoque próprio: V) Que a THINNETWORKS realiza vendas para o mercado interno de produtos importados pela LCE e ainda não revendidos para a mesma, demonstrando, mais uma vez, que as duas empresas funcionam como uma só; Fl. 488DF CARF MF 8 W) Que em tais operações, a THINNETWORKS sequer se preocupa que a LCE realize a venda interna para a THINNETWORKS, antes de revender o produto para terceiros; X) Que em levantamento realizado, verificase que a THINNETWORKS opera na totalidade do tempo com estoque negativo do referido produto, isto porque está, de fato, operando com o estoque da LCE e, de tempos em tempos, realiza aquisição de produtos da LCE para "repor" o estoque, conforme tabela anexada ao auto para determinado produto, aqui reproduzida apenas em sua parte inicial: [...] 6. Demais considerações da fiscalização: Y) Que em consulta aos sistemas informatizados da RFB em relação à LCE, constatase nenhum recolhimento de IRPJ (imposto de renda pessoa jurídica) para o ano de 2008, e apenas R$ 574,20 e R$ 4.248,29 para os anos de 2009 e 2010, respectivamente, sem recolhimento algum para os demais tributos e contribuições; Z) Que ao deixar a empresa LCE de cumprir requisitos e condições para a importação por conta e ordem de terceiro, um consequente prejuízo foi provocado ao controle aduaneiro e aos montantes devidos de IPI, PIS/PASEP e CONFINS, uma vez que o real adquirente deixou de figurar como contribuinte do IPI por ocasião da revenda das mercadorias e na base de cálculo das contribuições não foram incluídos o valor dos serviços prestados ao adquirente (para o importador) e a receita auferida com a comercialização da mercadorias importadas (para o adquirente); AA) Que por tudo que foi descrito neste relatório e apurado no curso do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 10111.720062/201280 resta comprovado que a empresa LCE ocultou dolosamente o real adquirente das mercadorias, empresa Thinnetworks; BB) Que na forma da presunção legal prevista no art. 27 da Lei 10.637/2002, uma vez comprovado que os recursos eram oriundos da empresa Thinnetworks, resta provado que a importação foi realizada por conta e ordem da Thinnetworks, sem a sua devida caracterização na declaração de importação, o que constitui infração punida com pena de perdimento dos bens, convertida em penalidade pecuniária pela impossibilidade de apreensão dos bens, na forma da legislação destacada; CC) Que as empresas THINNETWORKS, LCE e seus sócios devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, na forma prevista nos artigos 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/66. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela d. Impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 189 a 347). Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 486 9 (A) Arguiu a d. Impugnante, em sede preliminar, a reunião de 13 (treze) processos elencados, dizendo se tratar do mesmo contribuinte e mesma motivação, uma vez que foram desnecessariamente multiplicados, em desrespeito a princípios constitucionais da eficiência, tumultuando o trabalho fiscal e defesa do autuado; (B) Que a Thinnetworks surgiu da inviabilidade de operação de uma empresa individual, a LC Maia Ferreira, frente a uma ampliação dos negócios; (C) Que de uma incipiente iniciativa no aprimoramento de projetos junto a fornecedores, nasceu a oportunidade de criação de sua própria indústria, constituída através da LCE Tecnologia de Informação Ltda, aproveitandose de toda uma expertise profissional do sócio Sr. Luiz Cláudio e de necessidade do mercado; (D) Que para se tornar competitiva como indústria, tornavase necessário à LCE a obtenção de incentivos fiscais, conseguidos a altos custos administrativos junto ao governo do Distrito Federal. Até então, em quase seus dois anos de existência, importou pequenas quantidades de insumos, fabricando seus produtos, utilizando e difundindo a marca Thinnetworks; (E) Que diante da necessidade de ampliar seu montante de importação, requereu junto a RFB sua habilitação na modalidade ordinária no início de 2011, tendo sido o pleito indeferido após 168 dias de análise da documentação, em desacordo aos prazos legais previstos para conclusão do trâmite na IN SRF 605/2006; (F) Que o indeferimento da habilitação ordinária se deu pela desconsideração indevida dos empréstimos dos sócios à empresa LCE, por resultarem de transferências bancárias da Thinnetworks para a LCE, não os aceitando como distribuição de lucros aos sócios; (G) Que inexiste a obrigatoriedade de se guardar dinheiro em bancos ou até mesmo destas parcelas referentes aos lucros distribuídos circularem por mais de conta para assim estarem corretamente configuradas; (H) Que tais transferências foram realizadas de forma direta apenas para agilizar o processo de compensação bancária e reduzir tarifas; (I) Que para esclarecer a questão, anexaram a este recurso as declarações de rendimento que o sócio Luiz Cláudio auferiu da Thinnetworks nos anos de 2008, 2009 e 2010, além da Declaração de Informações EconômicasFiscais de Pessoa jurídica da citada empresa; (J) Que atribui o indeferimento de sua habilitação ordinária e todos os demais procedimentos fiscais realizados contra a empresa a arbitrariedade de servidor, conforme relatos que Fl. 490DF CARF MF 10 apresenta em exaustiva citação, inclusive com pedido de instauração de procedimento administrativo para apuração dos fatos e consequente punição do servidor, civil e criminalmente; (K) Que após obterem o deferimento da habilitação ordinária, mais uma vez voltaram a ser alvo da ação fiscal, com diligência à empresa e abertura de procedimento especial de fiscalização; (L) Que na valoração da carga que se encontrava no curso do despacho, para efeito de apresentação de garantia, não considerou a RFB os motivos que a levam a obtenção de baixos custos no mercado fornecedor, como a utilização de tecnologia disruptiva, o desenvolvimento de produtos customizados para o tipo especifico de aplicação e a compra em volume diretamente na origem, não lhe restando outra opção que não a via judicial, a qual determinou a liberação da carga; (M) Caracterizando toda a defesa até então apresentada como contextualização dos fatos, inicia sua impugnação, ressaltando que a fiscalização se utiliza dos mesmos fatos para aplicarlhe diversos enquadramentos legais possíveis, com o único propósito de punila a qualquer preço, como ato de vingança à denúncia que apresentou contra outro auditor; (N) Que os indícios que motivaram o início da ação fiscal estão fundados em equívoco da fiscalização com relação à indicação do nome Thinnetworks nos produtos exportados, estando corretamente destacado na declaração de importação a identificação do exportador, CHAM TOUGH TECNOLOGY (CHINA) LIMITED, ressaltando se tratar a Thinnetworks uma marca comercial, registrada no INPI, com circulação internacional, cabendo à LCE apenas a industrialização de bens sob encomenda; (O) Que o indício de subfaturamento igualmente apontado pela fiscalização para início da ação fiscal foi pela mesma afastado; (P) Que a alegação de ser a d. Impugnante a real adquirente das mercadorias advém da simples desconsideração da condição de fabricante da LCE, que utiliza seus produtos importados apenas como insumo para fabricação dos produtos finais encomendados pela D. Impugnante, daí ser a mesma o primeiro grande cliente da LCE. Ressalta, recorrentemente, que existe uma grande diferença em aquisição de mercadoria importada e posterior venda na mesma forma como foi adquirida e a aquisição de insumos para industrialização, para posterior venda de um produto final, totalmente diverso daquilo que se importou; (Q) Que a constituição de mais de uma empresa pela mesma base societária não representa qualquer pecado capital, não podendo ser este motivo para presunções; (R) Com relação ao funcionamento das empresas no mesmo espaço, ressalta que as mesmas funcionam apenas no mesmo lote, mas com endereços diferentes, conforme alvarás que anexa à defesa; (S) Com relação aos estoques de ambas as empresas encontraremse em depósito na área da empresa LCE, no qual Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 487 11 foram encontradas caixas identificadas como de propriedade da d. Impugnante, acusa o equívoco ao desconhecimento da fiscalização do que ocorre quando uma indústria elabora os produtos finais de uma encomendante, pois se a LCE é a responsável por construir o produto final encomendado pela D. Impugnante, a LCE deverá entregar o produto final, e não meio produto. E isso significa que no momento de produção, diversos insumos e caixas com a marca Thinnetworks serão encontrados na área de estoque e na esteira da LCE e isso está absolutamente dentro dos ditames legais, não significando nada mais do que isso; (T) Com relação aos documentos operacionais e fiscais da empresa LCE encontrados na área administrativa da empresa Thinnetworks, afirma que esses documentos só provam que a relação entre as empresas existe, é legal e tratase de encomendas da D. Impugnante contra a LCE; (U) Com relação ao Gerente Administrativo da Thinnetworks ser o responsável pelos procedimentos administrativos referentes às importações da LCE, inclusive pela relação como os despachantes aduaneiros, ressalta que o Sr. Alexandre Arei é procurador das duas empresas e tem procuração por instrumento público que lhe confere uma série de poderes e tudo isso conforme determina a lei, não havendo óbice legal, moral e ético para que esse tipo de relação não possa ocorrer; (V) Com relação ao contrato de exclusividade no Brasil da fabricante Peplink com a empresa Thinnetworks, sendo que os produtos da Peplink são importados pela LCE e integralmente repassados a Thinnetworks, ressalta que a Peplink fabrica os seus equipamentos para utilização no mercado asiático e para que tais equipamentos sejam utilizados no Brasil é necessária uma séria de adequações técnicas, tendo sido a LCE, como uma fornecedora de Serviços de Manufatura de Componentes Eletrônicos (EMS Electronic Manufacturing Services), contratada pela Thinnetworks para realizar tais adequações, típicas de uma atividade de industrialização; (W) Com relação ao não recolhimento de IPI, atribuilhe à compensação de créditos do imposto recolhidos na importação, na forma da legislação que trata da matéria; (X) Com relação aos emails utilizados nas negociações da LCE com o fornecedor, no que a fiscalização aponta como indício da ocultação do real importador a utilização de correspondências em nome da Thinnetworks, ressalta a inexistência de impedimento legal de pessoas que respondem pelas suas empresas e os seus parceiros comerciais em utilizar os emails que lhes forem convenientes, sejam das empresas que representam, sejam pessoais, sejam de terceiros, afinal quem se comunica são as pessoas e não as empresas; (Y) Na sequência, a d. Impugnante faz várias considerações alheias à autuação em questão, referentes à exigência de garantia para liberação de despacho de importação em curso; Fl. 492DF CARF MF 12 (Z) Que é inverídica a alegação que a LCE não faz qualquer consideração sobre a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas e repassadas integralmente à empresa Thinnetworks, pois apenas a d. Impugnante não tinha que fazer consideração alguma sobre aquilo que não estava sendo arguido e que em momento algum a D. Impugnante foi informada que estava sendo fiscalizada por um procedimento que procurava apurar ocultação do sujeito passivo; (AA) Que não há como se falar em quebra de cadeia do IPI, uma vez que a LCE é uma indústria, sendo assim o IPI monofásico, incidindo apenas na etapa de industrialização; (BB) Com relação à integralização inicial do capital social da LCE, em que a fiscalização aponta inveracidade nos registros em relação à situação fática, em relação a datas de registros e origem dos recursos, a d. Impugnante afirma que seu capital social foi registrado contabilmente como entrado pelo caixa, pois não havia como abrir conta no nome da empresa antes de sua constituição legal. De acordo com as normas dos bancos, para abrir uma conta em nome de pessoa jurídica é necessário o prévio registro de seus atos constitutivos e o número da sua inscrição no CNPJ; (CC) Que apesar do valor integralizado ter saído da conta corrente da Thinnetworks, as parcelas de integralização foram consideradas como empréstimos de sócios, pois a Thinnetworks tem lucros suficientes para serem distribuídos aos sócios, sendo que estes realizaram empréstimos à LCE. O que não houve foi a triangulação (Thinnetworks sócios LCE) para evitar cobranças de tarifas bancárias (TED, DOC, etc) em duplicidade; (DD) Que o funcionamento da LCE é financiado pelos sócios, os quais recebem da Thinnetworks como distribuição de lucros, recursos estes de origem comprovada, uma vez que a Thinnetworks é uma empresa idônea e devidamente constituída; (EE) Que as transferências de recursos da Thinnetworks foram nela registrados como suprimento de caixa, mas posteriormente repassada aos sócios como distribuição de lucros, tendo em vista que a empresa possui um montante na conta de Lucros Acumulados de exercícios anteriores, passível de ser usado a qualquer tempo. O fato dos lançamentos serem lançados a débito da conta caixa não interfere em nenhum momento no resultado da empresa, tendo cm vista que ao final do exercício é feita a distribuição de lucros; (FF) Que as entradas de recursos na LCE foram registradas como empréstimos dos sócios, por assim se tratar de transferência entre empresas distintas, porém com os mesmos sócios; (GG) Que todas as compras do exterior foram feitas de forma legal pela LCE, quitando todos os impostos sobre a importação e, após os insumos importados passarem pela fabricação de suprimentos de informática, os produtos são vendidos tanto para a Thinnetworks como para outros clientes no mercado interno; Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 488 13 (HH) Que os contratos de empréstimos foram realizados para registrar que tais valores foram repassados para a LCE a título de empréstimo, enquanto a empresa está numa fase inicial de operação; (II) Que as importações são realizadas pela LCE por ser ela a fábrica que irá utilizar os componentes eletrônicos, que de fato não possuiria recursos para financiar as importações, mas não se pode afirmar que a financiadora seria a Thinnetworks, uma vez que todos os recursos repassados correspondem a distribuição de lucros aos sócios, que por sua vez custearam a LCE; (JJ) Com relação ao tópico destacado pela fiscalização sobre os pagamentos das vendas das mercadorias para a Thinnetworks, rebate cada um daqueles casos apresentados, que pela especificidade a cada caso, estarão dentre os argumentos apresentados destacados por ocasião de sua análise no voto; (KK) Que nenhum documento indica que as importações foram realizadas pela Thinnetworks, uma vez que todas as declarações foram realizadas em nome da LCE; (LL) Que a fiscalização não considerou que a LCE é uma empresa enquadrada na apuração fiscal pelo lucro real e que se o aluguel estivesse sendo contabilizado seria pior para o fisco; (MM) Que nas conclusões levantadas pela fiscalização em relação à venda sem estoque próprio pela Thinnetworks, não foram considerados artigos pretéritos e a realidade fática daquilo que se encontrava. Em resumo, teria a fiscalização deixado de considerar: a separação de estoques do produto Roteador PePLink Balance 210 com um dos insumos que o compõe, qual seja, o tradutor de protocolos para interconexão de redes, ignorando seu processo de industrialização; não se considerou o estoque préexistente na empresa Thinnetworks; não se relaciona o número das NF’s citadas na tabela apresentada. Entre as fls. 333 e 334, destaca uma série de incorreções verificadas no levantamento da fiscalização. Ao final, requer que seja reconhecida a improcedência do lançamento, com o arquivamento do processo em questão e de todos os demais citados em sua preliminar, como ainda a apuração de possível ato de improbidade administrativa praticada pelo corpo fiscal na condução da fiscalização. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 385/427), em que, por unanimidade, a impugnação foi julgada improcedente, mantido integralmente o crédito tributário constituído contra a empresa Thinnetworks e, por maioria de votos, mantida a responsabilidade solidária atribuída aos sócios da empresa Thinnetworks, Luiz Cláudio Maia Ferreira e Eliane Lignelli, e à empresa LCE, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011 Fl. 494DF CARF MF 14 IRREGULAR IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO OCULTAÇÃO DO IMPORTADOR DE FATO. Não atendidos os requisitos legais para caracterizar importação regular em uma de suas modalidades possíveis. Aqui não se trata de regular importação por conta e ordem, nem tampouco se trata de regular importação por encomenda, mas sim de simulação de importação direta, com ocultação do real provedor dos recursos que custearam a operação de importação. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O ordenamento jurídico pátrio não determinou a forma por meio da qual o ato processual de cientificação do sujeito passivo solidário deve ser executado. O Processo Administrativo Fiscal limitase a definir as vias pelas quais o sujeito passivo deverá ser cientificado (pessoal, postal, edital ou eletrônica) e respectivos prazos a serem observados, não estabelecendo um instrumento formal específico a ser adotado para cada modalidade de sujeição passiva (principal ou solidária). O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra previsto em qualquer ato normativo, nem mesmo em normas internas da RFB, configurando meramente um dos instrumentos passíveis de eleição pela Administração para atribuição de responsabilidade ao sujeito passivo. Não há como entender que sua ausência possa configurar o descumprimento de instrumentalidade formal que cercearia o direito de defesa do contribuinte, quando se encontra comprovado nos autos que todos os devedores solidários foram devidamente cientificados da autuação e de sua responsabilização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No dia 25/7/2014, a autuada THINETWORKS e o responsável solidário Luiz Cláudio Maia Ferreira foram cientificados da decisão (fls. 438/439 e 467). Inconformada, em 27/8/2014, apenas a autuada THINETWORKS apresentou o recurso voluntário de fls. 442/462, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória, especialmente, em relação à alegação de que os recursos utilizados nas referidas operações de importação foram provenientes da integralização do capital e empréstimos dos sócios. No dia 29/8/2014, os outros dois responsáveis solidários, a empresa LCE e a Srª Eliane Lignelli, foram cientificados da citada decisão, porém, não apresentaram recurso. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 489 15 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com Termo Verificação Fiscal (TVF) de fls. 21/161, que integra o presente auto de infração, a fiscalização apurou que as operações de importação, objeto da presente autuação, realizadas e declaradas por conta própria pela responsável solidária TCE, de fato, foram realizadas por conta e ordem da autuada THINNETWORKS, indevida e ilicitamente ocultada dos correspondentes documentos que amparam as citadas operações de importação, conduta tipificada e sancionada nos termos do art. 23, V e §§ 1º e 3º, do Decreto lei 1.455/1976, que na data dos fatos, tinha a redação que segue transcrita: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3oA pena prevista no § 1oconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) [...] Conforme a seguir demonstrado, a infração apurada pela fiscalização subsumese perfeitamente à conduta descrita no inciso V do citado art. 23, pois, na condição de real compradora e responsável pelas citadas operações de importação, de forma intencional e Fl. 496DF CARF MF 16 deliberada, a autuada THINNETWORKS foi ocultada nos documentos que serviram de suporte para o processamento dos respectivos despachos aduaneiros de importação. Para alcançar tal propósito, a importadora LCE simulou operações de importação por conta própria, com a evidente finalidade de dissimular a real operação de importação por conta e ordem da autuada. As robustas e consistentes provas coligidas aos autos pela fiscalização, a seguir analisadas, não deixam qualquer dúvida de que nas referidas operações de importação, a importadora LCE utilizou recursos financeiros da autuada, fato presuntivo suficiente para configurar a importação por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001. (grifos não originais) Com efeito, após análise dos documentos relativos às operações de importação, apreendidos nos estabelecimentos da autuada e da importadora (relação de fls. 25/38) em cotejo com os dados dos registros contábeis e dos extratos bancários de ambas as empresas, de forma exaustiva, DI por DI, no subitem 4.2 do TVF, as autoridades fiscais demonstraram que os recursos financeiros utilizados nas respectivas operações de importação foram fornecidos, diretamente, pela autuada THINNETWORKS à importadora LCE. A fiscalização apurou que, embora na contabilidade da LCE os ingressos de recursos financeiros fossem registrados como originários de empréstimos de sócios, de fato, tais recursos era provenientes de transferências bancárias realizadas diretamente da contacorrente da autuada para a contacorrente da importadora. A título de exemplo, transcrevese a seguir os relatos da fiscalização sobre a movimentação bancária, respectivos registros contábeis e saldo de disponibilidades de recursos financeiros, realizados nos dias 28/10/2008 e 14/6/2011: 1) Em 28/10/2008 a LCE registra, em sua contabilidade apresentada a esta fiscalização, o valor de R$ 31.000,00 a débito da conta “BANCO HSBC” como ingressos de recursos advindo de empréstimo dos sócios, porém quando cotejamos este lançamento na contabilidade da Thinnetworks verificamos um lançamento na mesma data e no mesmo valor debitando Caixa e creditando a conta “BANCO HSBC” da empresa Thinnetworks, como uma transferência de recursos para o Caixa. Analisando os extratos bancários apresentados pela empresa Thinnetworks, verificamos que nesta data e neste valor realmente o recurso sai da empresa Thinnetworks (“TRANSF CONNECT BANK” como descrição em seu extrato) e não pode ser para o Caixa. Assim, concluímos que efetivamente este recurso proveniente deste suposto empréstimo dos sócios na verdade é um recurso proveniente da Thinnetworks para a empresa LCE e que deveria ser expurgado da conta Caixa da empresa Thinnetworks, uma vez que este valor não existe e está mantendo inflado artificialmente seu ativo [...] Em 14/06/2011, a empresa LCE registra a Declaração de Importação nº 11/10898306 que possui um valor de R$ 12.346,21. Se analisarmos na contabilidade, Livro Razão 2011, Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 490 17 a conta 1.1.1 – DISPONIBILIDADES Conta sintética do Ativo da empresa LCE que agrupa os recursos da empresa responsáveis pelos pagamentos a efetuados pela empresa tais como Caixa e as contas de Bancos, verificamos que nesta data, 15/04/2011, a empresa LCE possuía um saldo de R$ 200.831,09 e assim se eliminássemos todos os recursos anteriores advindos da empresa Thinnetworks, o saldo de Disponibilidade da LCE seria negativo de R$ 1.325.168,91, ou seja, a empresa não teria recursos, o que determina que de fato quem financiou esta importação da empresa LCE foi a empresa Thinnetworks que ficou oculta durante todo processo de importação da empresa. (grifos do original) No final, a fiscalização apurou que o total dos valores alegados como provenientes de empréstimos dos sócios, nos quatros anos fiscalizados, chegaram ao montante total de R$ 1.488.698,80, enquanto que o valor CIF das mercadorias importadas, no mesmo período, atingiram o montante de R$ 1.552.101,43, o que demonstrava “de maneira inequívoca que a empresa Thinnetworks foi a verdadeira responsável pelo importações registradas como próprias pela empresa LCE.” Esses relatos demonstram que os registros contábeis de ambas as empresas não correspondem aos fatos contábeis efetivamente ocorridos, que foram os seguintes: a) transferência de valores monetários da contacorrente da autuada para a contacorrente da importadora; e b) recebimento de valores monetários na contacorrente da importadora proveniente da transferência da contacorrente da autuada. Com efeito, embora os registros contábeis da LCE refiramse a empréstimos dos seus sócios, tendo como contrapartida às contascorrentes bancárias e poucas vezes a conta caixa, a análise dos extratos bancários da citada empresa e da ThinNetworks revela que os valores registrados, de fato, representavam transferências bancárias diretamente da conta corrente da ThinNetworks para a conta corrente da LCE. Portanto, tais registro não representam recursos financeiros provenientes de empréstimos ou integralização de capital dos sócios, como alegou a recorrente, mas adiantamentos de recursos da ThinNetworks para custeio das operações de importação. A recorrente alegou que tais recursos eram provenientes de distribuição de lucros da Thinnetworks, que foram transferidos diretamente entre as duas empresas para agilidade no processo de transferência dos recursos. Porém, a análise dos registros contábeis da ThinNetworks não confirma a alegação da recorrente, conforme bem relatou a fiscalização nos excertos que seguem transcritos: Ao longo de cada ano, a cada operação de transferência de recursos da Thinnetworks para a LCE, a Thinnetworks registra esta operação como uma retirada de bancos para suprimento de caixa da própria empresa Thinnetworks. Contabilmente cada uma das operações está registrada a débito na conta “caixa” e a crédito na conta “bancos c/ movimento” com identificação “VLR. SUPRIMENTO DE CAIXA”. Os extratos bancários comprovam que a cada operação o que ocorre na realidade é uma transferência bancária da Thinnetworks para conta corrente LCE, porém na contabilidade da Thinnetworks estes valores não saem da Fl. 498DF CARF MF 18 empresa ficando inflados artificialmente os valores da conta Caixa. Também não há qualquer registro de distribuição de lucros antecipada e os valores em caixa permanecem de forma artificial no ativo circulante da Thinnetworks, uma vez que estes recursos já foram transferidos. A distribuição de lucros da THINNETWORKS só acontece ao final do exercício na apuração do resultado do exercício. Neste momento, há um lançamento de “resultado do exercício” tendo como contrapartida a conta “caixa”. Somente então a conta caixa tem seu saldo corrigido. Este lançamento, entretanto, também não encontra respaldo na realidade, pois os valores correspondentes aos suprimentos de caixa já haviam sido transferidos diretamente para a LCE. Ora, não há que se falar em lucro sem que o resultado seja apurado e não há que se falar em distribuição de algo que não existe. Ainda, reforçando esta conclusão, não existem registros desta distribuição de lucros para os sócios ao longo do ano na contabilidade. Como os registros contábeis realizados em ambas as empresas não representam o fato contábil efetivamente ocorrido, em correspondência com a documentação respectiva obtida fiscalização (extratos bancários etc.), por força do disposto no art. 1.179 do Código Civil, tais registros são inidôneos, para fins de comprovação de ingressos de recursos na conta bancária da importadora, proveniente de supostos empréstimo bancários realizados pelos seus sócios, porque tais registros representam fatos contábeis distintos do alegado empréstimo. Em conformidade e complementação ao disposto no citado preceito legal, as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), em especial, a NBC “ITG 2000 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL”, aprovada pela Resolução CFC 1.330/2011, confirma a obrigatoriedade de a escrituração contábil da entidade registrar todos os fatos contábeis, com estrita observância dos Princípios de Contabilidade que devem, necessariamente, ser corroborados por documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem os fatos contábeis. Para mais detalhes, veja o teor os seguintes itens relevantes extraídos da referida Resolução, que seguem transcritos: 3. A escrituração contábil deve ser realizada com observância aos Princípios de Contabilidade. [...] 7. O registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento em ordem sequencial relacionado ao respectivo documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis. [...] 14. No Livro Diário devem ser lançadas, em ordem cronológica, com individualização, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. [...] Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 491 19 26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apóiam ou componham a escrituração. 27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnicacontábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. [...] (grifos não originais) Na tentativa atribuir aparência de legitimidade aos mencionados empréstimos, informou a fiscalizada que, no âmbito do processo nº 10111.000072/201114, em que formalizada o pedido de habilitação da LCE no Siscomex, foram apresentados três contratos de empréstimo do sócio Sr. Luiz Cláudio para a referida empresa. O primeiro, no valor de R$ 1.600.000,00 foi celebrado no dia 30 de dezembro de 2010, e os demais, nos valores de R$ 400.000,00 e R$ 600.000,00 foram celebrados no dia 3 de janeiro de 2011. O primeiro a fiscalização demonstrou que era inidôneo, porque não refletia a realidade contábil da importadora LCE e fora celebrado posteriormente à efetiva transferência dos recursos, com claro propósito de conferir legitimidade aos recursos utilizados nas operações de importação, mediante a simulação de que recursos eram originários do empréstimo do referido sócio. E concluiu a fiscalização: Ainda em relação aos contratos, não há qualquer contabilização referente à celebração dos contratos de empréstimos, assim como não há efetiva transferência dos valores contratados. A LCE, entre janeiro e fevereiro de 2011, registra 6 (seis) transferências bancárias entre a THINNETWORKS e a LCE e um lançamento a débito na conta “caixa”, todos a crédito na conta “empréstimos dos sócios”, no valor total de R$ 364.160,00 (trezentos e sessenta e quatro mil reais). A conta de passivo “empréstimos dos sócios”, em junho de 2011, apresenta saldo credor de R$ 1.964.160,00 (hum milhão, novecentos e sessenta e quatro mil, cento e sessenta reais). Para contrapor a esses fatos, baseados na escrituração contábil e documentação bancárias das referidas empresas, a recorrente limitouse em colacionar ao recurso voluntário em apreço esclarecimentos e justificativas prestados pela empresa terceirizada LTC CONTABILIDADE LTDA., que lhe prestara os serviços de escrituração contábil. Acontece que o referido documento não tem nenhum valor probatório, porque, além de não ter a assinatura do autor, não foi apresentado qualquer documento que corroborasse os supostos esclarecimentos e justificativas apresentados. Em razão dessa características e tendo em conta a suficiência do acervo probatório coligido aos autos, revelase de todo prescindível a conversão do julgamento em diligência, para juntada de novos documentos, conforme suscitado pela recorrente. No presente recurso, a recorrente alegou que só era possível chegar a conclusão de que houve simulação das operações de importação se fossem desconsideradas a Fl. 500DF CARF MF 20 existência de direito da LCE, a integralização de capital e a contabilização dos citados empréstimos. A desconsideração da existência de direito ou de fato da LCE, tratase de alegação estranhas ao motivo da presente autuação, portanto, não merece qualquer consideração a respeito. Já quanto a desconsideração das operações de empréstimos e de integralização do capital social, a fiscalização agiu com acerto ao desconsiderálas, para fins de comprovação das origens dos recursos utilizados nas operações importação em questão, pois, com respaldo em elementos probatórios consistentes, restou comprovado nos autos que os registros contábeis das citadas operações são inverídicos, pois a documentação que dava suporte documental aos supostos empréstimos correspondiam a transferências bancárias da autuada para a importadora, conforme anteriormente demonstrado. A recorrente ainda alegou que existia um erro material que contaminava todo o trabalho fiscal, porque a interposição fraudulenta somente poderia ser considerada presumida, nos casos em que não comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados, nos termos do § 2º do 23 do Decretolei 1.455/1976, a seguir transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] Não procede a alegação da recorrente, porque a presente autuação não foi motivada por presunção da infração por interposição fraudulenta, ou seja, aqui não se trata de interposição presumida, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei 1.455/1976, mas em razão da efetiva comprovação da infração, mediante a ocultação do real comprador das mercadorias importadas, no caso, a autuada THINNETWORKS. Diferentemente do alegado pela recorrente, na presente autuação, houve presunção da operação de importação por conta e ordem, prevista no art. 27 da Lei 10.637/2002, em razão da comprovada utilização de recursos da autuada nas correspondentes operações de importação objeto da presente autuação. Cabe ressaltar ainda que a fiscalização apurou e comprovou com elementos probatórios adequados e consistentes outros fatos que, em conjunto, corroboram que as operações de importação foram custeada com recursos financeiros da autuada THINNETWORKS, o que, por presunção, qualificam as correspondentes operações de importação por conta e ordem da autuada, conforme já asseverado. E nessa condição, para conferir, transferir e evitar a ocultação do real comprador, era obrigatória a celebração e a entrega à unidade RFB, de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre estabelecimento da importadora de contrato de prestação de serviços de importação por conta da real compradora, inserção dos dados da autuada nos documentos da operação (faturas e conhecimentos de carga), a inserção do nº do CNPJ da autuada nas respectivas DI, conforme exigem os arts. 1º a 3º da Instrução Normativa SRF 225/2002. Dentre os fatos relevantes que, em conjunto, contribuem para confirmar a conduta infracional em apreço, merecem destaque os seguintes: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 492 21 1) a integralização do capital social da importadora LCE foi feita com recursos financeiros transferidos da autuada THINNETWORKS. Entretanto, na sua escrituração contábil, a LCE fez um registro contábil inverídico, ou seja, ela registrou a transferência do capital integralizado em dinheiro, no valor de R$ 60.000,00, da conta caixa para a contacorrente bancária, em vez do verdadeiro fato contábil provado, que foi a transferência bancária da autuada THINNETWORKS para a contacorrente da LCE no valor de R$ 60.000,00. 2) várias inconsistências nos pagamentos das mercadoria vendidas para a autuada THINNETWORKS, tais como pagamento de apenas parte do valor da nota fiscal, registro dos valores das vendas em datas diversas daquela de emissão da nota fiscal, falta de lançamento dos valores das vendas, lançamentos contábeis fictícios etc. A análise dos registros contábeis dos registros e pagamentos das vendas feita, pormenorizadamente, pela fiscalização e relatada no subitem 4.3 do TVF, confirmam a artificialidade da situação financeira da importadora LCE, cujos recursos financeiros utilizados no custeio das operações de importação, inequivocamente, foram fornecidos/adiantados pela autuada THINNETWORKS. 3) as referidas empresas operam como se fossem uma só, compartilham espaço físico, armazém, recursos administrativos e mão de obra. A THINNETWORKS realizou vendas para o mercado interno de produtos importados pela LCE e ainda não revendidos para a THINNETWORKS é mais uma das evidência que as duas empresas funcionam como se fossem uma só. A separação formal foi feita apenas para ocultar o real interessado nas operações de importação. Em decorrência, apenas a LCE é penalizada por infrações e pelo não pagamento dos tributos devidos na operação de importação, por ser a única que aparece perante a fiscalização aduaneira. Por todas essas razões, chegase a conclusão que a recorrente era real compradora das mercadorias importadas e foi premeditada e intencionalmente omitida dos documentos que instruem e embasam as operações de importação objeto da presente autuação. Enfim, a recorrente alegou que a decisão recorrida havia inovado a autuação, ao abordar a questão da sujeição passiva solidária. No entanto, “em que pese o Relator ter afastado tal condição por entender que a RFB não obrou no sentido de ter notificado o contribuinte para que pudesse exercer o seu direito de defesa.” Para a recorrente, o direito pátrio exigia que o acusado fosse “cientificado de tal acusação e dos motivos que o levaram a ser acusado para que possa exercer o amplo direito de defesa, expressamente garantido pela Constituição Federal.” Previamente, cabe esclarecer que, diferentemente do alegado pela recorrente, no julgamento de primeiro grau não houve inovação dos fundamentos do auto de infração, mas apreciação de questão não suscitada na peça impugnatória e tampouco contestada pelos sujeitos passivos solidários, que sequer apresentaram peça defensiva. Até porque, todos os autuados foram devidamente cientificados do referido auto de infração, segundo os documentos de fls. 177/180. E na apreciação da questão não impugnada, o motivo apresentado pelo nobre Relator do voto vencido para a exclusão dos sujeitos passivos solidários não foi a falta de ciência ou notificação deles todos ou de algum deles, mas a suposta inobservância de requisito formal, atinente a ausência de lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de cada um dos sujeitos passivos solidários. Fl. 502DF CARF MF 22 E por se tratar de questão de ordem pública, a apreciação de ofício da referida questão, certamente, contraria o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/1972, que determina que considerase não impugnada “a matéria que tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Entretanto, ainda que inoportuna a abordagem da referida questão não impugnada pela recorrente e pelos sujeitos passivos, no mérito, a nobre Redatora do voto vencedor, fundamentadamente, demonstrou a improcedência do motivo apresentado pelo nobre Relator do voto vencido para afastar os sujeitos passivos solidários do polo passivo da presente autuação. E por se encontrar em consonância com entendimento deste Relator, com respaldo no art. 50, § 3º, da Lei 9.784/1999, aqui adotase, como razão de decidir, os fundamentos esposados no brilhante voto vencedor, cujos excertos relevantes e pertinentes sequem transcritos: Peço licença, outrossim, para discordar tão somente de suas conclusões acerca da sujeição passiva solidária, que, no seu entendimento, restara prejudicada por suposta inobservância de requisito formal, qual seja, a lavratura em separado de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Entendeu o i. relator que a indicação, no corpo do auto de infração, da atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário aos sócios da autuada e à empresa LCE, desacompanhada dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, não deixaria claramente evidenciada a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias. Defendeu, nesse trilhar, que teria havido inobservância de instrumentalidade formal na pretensão da fiscalização em atribuir às pessoas citadas responsabilidade tributária, o que resultaria em prejuízo ao direito de defesa e, por conseguinte, nulidade do feito quanto a tais pessoas. Com a devida vênia, tenho entendimento diferente nessa matéria. Voltando às lições dos doutrinadores, citados com pertinência no voto vencido, há que se reconhecer que, quando se trata de discutir nulidade procedimental, devese ter cuidado para que o exagerado processualismo não desvirtue a técnica e resulte em insegurança jurídica, ou para que a técnica não se sobreponha aos fins. Registro, nesse trilhar, a lição de Tércio Sampaio Ferraz Jr1, que esclarece os contornos da técnica de avaliação finalística do ato administrativo, em comparação com o que denomina validade condicional2: 16. Distinto é o caso da validação finalista. Aqui não é possível desvincular meios e fins, pois a prefixação dos fins exige que eles sejam atingidos. Para isto a autoridade tem de encontrar os meios adequados, sendo pois, responsável pela própria adequação, ou seja, não só pelos fins, mas pelos meios também. Neste caso, o efeito imunizador da fixação exige da autoridade um 1 A relação meio/fim na Teoria Geral do Direito Administrativo. texto extraído de http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoescientificas/111. Consulta realizada em 21/11/2008 2 Considera unicamente o meio de execução, ou seja, a norma que o instituiu. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 493 23 comportamento nãoautomático, mas participante, pois de mera utilização de um meio qualquer não segue necessariamente o fim. Neste sentido, para controlar se uma norma é válida não basta regredir no processo hierárquico, mas é preciso verificar, de caso para caso, se a adequação foi obtida. Se o controle da validade condicional é generalizante, o da finalista é casuístico. No caso em tela, é importante esclarecer que o mencionado Termo de Sujeição Passiva Solidária tratase de um instrumento de cunho administrativo que, por adotar um modelo pré formatado, confere clareza e organização ao Processo Administrativo Fiscal em que figuram um ou mais devedores solidários. É fato que tal modelo passou a ser adotado de forma quase generalizada pelos auditoresficais [sic], facilitando, certamente, o trabalho de controle do crédito tributário exercido no âmbito do Ministério da Fazenda, até o término do julgamento, o pagamento ou execução da dívida. É bem possível, inclusive, que o objetivo maior da uniformização do modelo para registro da existência de um ou mais sujeitos passivos solidários fosse justamente favorecer o controle fazendário, ante a um grande volume de processos aguardando pagamento, em julgamento ou em execução. Parece pouco provável que, do ponto de vista do contribuinte, tal padronização resultasse em grandes benefícios, na medida em que, é razoável supor, ele não tenha que lidar com um elevado número de processos fiscais simultâneos. Insta observar, por outro lado, que dito Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra previsto em qualquer ato normativo, nem mesmo em normas internas da RFB, configurando meramente um dos instrumentos passíveis de eleição pela Administração para atribuição de responsabilidade ao sujeito passivo. Por sua vez, o Processo Administrativo Fiscal ao tratar da cientificação do sujeito passivo, limitase a definir as vias pelas quais o sujeito passivo deverá ser cientificado (pessoal, postal, edital ou eletrônica) e respectivos prazos a serem observados, não prescrevendo um instrumento formal específico a ser adotado para cada modalidade de sujeição passiva (principal ou solidária). Uma vez que a legislação não previu a obrigatoriedade de adoção do Termo de Sujeição Passiva Solidária para atribuição de responsabilidade solidária ao contribuinte, nem sequer a sua a existência, não há como entender que sua ausência possa configurar o descumprimento de instrumentalidade formal. Com efeito, se o ordenamento jurídico não determinou a forma por meio da qual o ato processual de cientificação do sujeito passivo solidário deve ser executado, não se pode concluir que, pelo fato de freqüentemente, ou mesmo majoritariamente, utilizarse um determinado instrumento, a ausência deste instrumento em determinado processo venha a configurar Fl. 504DF CARF MF 24 cerceamento do direito de defesa e justifique a nulidade do lançamento. Como visto, as hipóteses de nulidade estão previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, que, por razão de clareza, transcrevemos novamente: Art. 59. São nulos: (destaquei) [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O cerne da questão, portanto, reside em se verificar se os devedores solidários teriam sido ou não efetivamente cientificados do lançamento e da responsabilidade a eles atribuída, sendo irrelevante, a meu ver, o instrumento adotado para tal ciência. Compulsando os autos, resta comprovado, às fls. 177 e seguintes, que todas as pessoas apontadas como devedoras solidárias foram cientificadas da autuação. Registrese que o senhor Luiz Cláudio Maia Ferreira assinou dois documentos de cientificação, um na condição de sócio da empresa LCE, também devedora solidária, e outro como pessoa física. A sócia Eliane Lignelli foi cientificada, também como pessoa física, pela via postal. Ressaltese, ainda, que consta do auto de infração, mais precisamente às fls. 160 e 161, a atribuição de responsabilidade solidária a tais contribuintes. Portanto, resta a meu ver caracterizado que todas as pessoas arroladas no pólo passivo tinham pleno conhecimento dos fatos e de suas conseqüências. Assim sendo, não vejo configurado cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de instrumento que não pode ser considerado requisito formal para a constituição do lançamento ou para a atribuição, a terceiros, de responsabilidade pelo crédito tributário constituído. Por fim, peço licença para registrar entendimento diverso quanto à suposta orientação jurisprudencial extraída pelo i. relator dos autos do RE 608426 PR. Naquele processo, como se depreende da leitura da ementa transcrita, pleiteava o contribuinte anular a sujeição passiva tributária a ele atribuída, em razão de divergência ocorrida entre o Termo de Sujeição Passiva Solidária, que o teria qualificado como contribuinte solidário, e o Termo de Verificação Fiscal, que o intitulara responsável solidário, alegando cerceamento de defesa. Alternativamente, pleiteava o direito de apresentar impugnação extemporânea para contestar o mérito do lançamento. Dentro desse contexto, destacou o Min. Joaquim Barbosa que “preexistindo Termo de Sujeição Passiva Solidária, assinado pela apelante, a simples menção nos autos de infração à necessidade de apresentação de defesa ao contribuinte e ao responsável Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 494 25 pressupõe sua cientificação e preserva seu direito à ampla defesa”. Não me parece que a decisão corrobore a exigência do Termo de Sujeição Passiva. Pelo contrário, a meu ver, restou claro que o Ministro admitiu que, restando caracterizado, qualquer que seja o meio, que o contribuinte foi cientificado da exigência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Em aditamento ao brilhante voto da nobre Redatora, cabe ressaltar que, assim como ocorre na esfera cível (arts. 104, III, e 107 do Código Civil), também no âmbito do processo administrativo fiscal, a formalidade dos atos e termos processuais é a exceção e não regra, conforme dispõe o art. 2º do Decreto 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) grifos não originais. Assim, se por força do disposto no referido preceito legal, a regra é a ausência de formalidade, a contrário senso, a exigência de formalidade é a exceção que, inequivocamente, necessita de expressa prescrição legal. Apesar dessa expressa orientação geral, que rege todo ordenamento jurídico do País, o nobre Relator do voto vencido aplicou o disposto na referida regra de forma invertida, ou seja, segundo o entendimento manifestado pelo nobre Relator, com a devida vênia, a regra é a exigência de formalidade e não o contrário, segundo determinação no citado preceito legal, que irradia efeito jurídico para todos os atos e termos processuais praticados no âmbito do processo administrativo fiscal. E nessa seara, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, a única formalidade exigida, para efeito de validade dos correspondentes atos processuais, é que todos os solidários sejam cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, nos termos do art. 56, § 3º, do Decreto 7.574/2011, que segue transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Fl. 506DF CARF MF 26 [...] (grifos não originais) E segundo o disposto no citado art. 2º do Decreto 70.235/1972, o regramento que norteia os atos e termos processuais não determina o tipo de ato processual por meio do qual a cientificação do sujeito passivo solidário deve ser realizada. Nesse sentido, o art. 23 do citado Decreto define apenas os meio ou as vias de cientificação/intimação do sujeito passivo, que pode ser por meio pessoal ou eletrônico e por via postal, telegráfica ou editalícia, mas não estabeleceu ou definiu um tipo de termo processual específico a ser utilizado para tal finalidade. E tampouco fez qualquer diferenciação quanto ao meio ou via cientificação/intimação, para diferentes tipos de sujeito passivo (contribuinte ou responsável) ou de sujeição passiva (principal ou solidária). Dessa forma, se não há prescrição legal que determine o tipo de ato ou termo processual, em consonância com o disposto no art. 2º do Decreto 70.235/1972, prevalece a liberdade para definir o tipo de ato ou termo processual, que deverá conter “somente o indispensável à sua finalidade”. Se atendida essa exigência, afronta determinação legal expressa o afastamento de validade de ato processual por ausência de forma não prescrita na legislação. Sabese que o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” não se encontra previsto em lei e em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da RFB existe tal previsão, o que o qualifica como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária na seara do processo administrativo fiscal federal. No caso, se não há na legislação exigência da lavratura do “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, para efeito de atribuição da condição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária, por conseguinte, se atendidas as demais condições exigidas em lei, a ausência do referido Termo não tem o condão de afastar a condição de sujeição passiva solidária de qualquer pessoa física ou jurídica adequadamente qualificada nos autos, por não representar formalidade essencial prescrita em lei. Por todas essas razões, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000857/00-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique, exclusivamente para os fatos geradores posteriores a 06/07/1990, se ainda estão disponíveis tais créditos para serem utilizados na compensação demandada ou restituídos, e se são efetivamente referentes, em sua totalidade, à inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.000857/00-31
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830254
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.330
nome_arquivo_s : Decisao_108650008570031.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 108650008570031_5830254.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique, exclusivamente para os fatos geradores posteriores a 06/07/1990, se ainda estão disponíveis tais créditos para serem utilizados na compensação demandada ou restituídos, e se são efetivamente referentes, em sua totalidade, à inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7121377
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009626214400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 643 1 642 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000857/0031 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.330 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2018 Assunto PER/DCOMP FINSOCIAL AÇÃO JUDICIAL Recorrente BRIGATTO INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique, exclusivamente para os fatos geradores posteriores a 06/07/1990, se ainda estão disponíveis tais créditos para serem utilizados na compensação demandada ou restituídos, e se são efetivamente referentes, em sua totalidade, à inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de fl. 31, protocolizado em 06/07/2000, invocando crédito de FINSOCIAL decorrente de sentença judicial no processo no 91.00026913, no valor de R$ 103.836,85, cumulado com o Pedido de Compensação genérico de fl. 5 (com explicação às fls. 9 a 17), de mesma data. Anexa a empresa cópias de peças 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 85 7/ 00 -3 1 Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 644 2 judicias às fls. 21 a 122. No processo informado como apensado, de no 10865.000556/200331 é que figuraria a Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 09/05/2003. No Despacho Decisório de fls. 300 a 306, o pedido de restituição é indeferido, e a compensação não é homologada, sob os seguintes fundamentos: (a) intimada a apresentar acórdão do TRF, visto que havia nos autos apenas a sentença de primeiro grau do processo judicial, percebeuse que a empresa desistiu da ação judicial, perante o TRF 3, não estando o pedido de restituição respaldado em ação judicial; (b) como os pagamentos foram feitos no período de novembro de 1989 a novembro de 1990, já teriam ocorrido mais de cinco anos até a data do protocolo do pedido de restituição, e o inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, já estando, na data do pedido de restituição, extinto o direito de pleiteála. Ciente do despacho decisório em 05/10/2007 (fl. 324), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 01/11/2007 (fls. 326 a 384), alegando, em síntese, que: (a) houve “decadência, impedindo a administração tributária de decidir sobre o pedido pleiteado pela requerente”, pois a empresa protocolou seu pedido de restituição/compensação em 06/07/2000, sendo o indeferimento datado somente de 01/10/2007, posteriormente ao decurso do período de cinco anos do pedido, conforme artigo 150, § 4o do CTN, combinado com o artigo 74, § 5o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003 (b) não ocorreu decurso de prazo para pleitear a restituição, pois o prazo para que o contribuinte venha a requerer a restituição/compensação, no caso em tela, é de cinco anos, contados a partir da data da publicação da Medida Provisória no 1.110/1995, que ocorreu precisamente no dia 31/08/1995, expirando o prazo para pedir em 31/08/2000; (c) a empresa desistiu de executar a ação judicial, com concordância da Fazenda, o que constitui requisito para o pleito administrativo, e, pela desistência, a empresa “abriu mão de prosseguir o processo em face da Fazenda Nacional, com a consequente execução, mas não abriu mão do direito material que possui perante a mesma, que, com sua anuência, uma vez homologada, equivale à sua procedência” (sic); e (d) o desembargador do TRF, “tomando conhecimento da pretensão formulada pela autora, ora Requerente, qual seja, a desistência dos autos em razão de não mais tem interesse em executar a condenação da Fazenda Nacional, em face da compensação administrativa de seu credito, praticou, embora numa só sentença, dois atos: a homologação da desistência, para que ela surta os efeitos de direito e, a declaração da consequente extinção do processo, em razão do ato homologado” (sic). A decisão de primeira instância, proferida em 06/12/2010 (fls. 527 a 549) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa confunde desistência da execução da ação judicial (de que trata a norma da RFB que versa sobre compensação/restituição) com a desistência da própria ação judicial de restituição de indébito; (b) não havendo amparo judicial, o pleito deve ser analisado segundo as regras estabelecidas no âmbito administrativo, obedecido o prazo de cinco anos a que se refere o artigo 168, I do CTN, conforme artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 e Ato Declaratório SRF no 96/1999; e (c) o pedido em análise, protocolizado em 2000, reportandose a recolhimentos ocorridos nos anos de 1989 e 1990, resta maculado pela prescrição. Após ciência da decisão da DRJ, em 01/06/2011 (fl. 552), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 554 a 636, em 29/06/2011, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando disposições sobre a Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 645 3 inaplicabilidade dos artigos 3o e 4o da Lei Complementar no 118/2005 ao caso, e sobre a necessidade de aplicar ao processo administrativo o entendimento pacificado nos tribunais superiores do Poder Judiciário (v.g., o RESp no 1.002.932SP). Em 02/12/2015 foi apensado ao presente o processo de no 10865.000556/2003 31 (com duas folhas, apenas informando a apensação), que seria referente à compensação calcada no pedido de restituição de que tratam estes autos. Em agosto de 2016 o processo foi a mim distribuído, por sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta no mês de dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. De fevereiro a junho de 2017 o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em julho, setembro e outubro de 2017 o processo foi pautado, e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento, não tendo sido incluído em pauta em agosto por não estar presente o relator, justificadamente, na sessão de julgamento. Em novembro e dezembro, não houve sessões de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São três as controvérsias suscitadas na peça recursal: (a) a existência de decadência; (b) a ausência de decurso de prazo para efetuar o pedido de restituição; e (c) a guarida judicial dos créditos. O primeiro deles não demanda maiores esforços, visto que não se está a tratar de lançamento, no caso em análise, mas de pedido de restituição. Ademais, se invocado o comando referente a homologação tácita de compensações (artigo 74 da Lei no 9.430/1996), não teria havido transcurso de prazo de cinco anos entre a transmissão da DCOMP informada 09/05/2003 e a ciência do despacho decisório (05/10/2007). Improcedente, assim, a alegação de “decadência”. Não se podem tomar compensações futuras e genericamente indicadas (fl. 5) como pedidos de compensação, ou, na dicção do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, como Declarações de Compensação (DCOMP), nem confundir homologação tácita de compensação com reconhecimento tácito de crédito a restituir. Cabe, no entanto, analisar mais detidamente os dois argumentos restantes, o que se efetua nos tópicos a seguir. Iniciamos pelo processo judicial narrado nos autos, porque tal análise constitui requisito à verificação do atendimento dos prazos normativamente estabelecidos para o pedido de restituição, e as compensações eventualmente dele decorrentes. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 646 4 Da ação judicial interposta Como bem narra a instância administrativa de piso, a recorrente (ou, ao menos seu patrono) lamentavelmente confunde dois conceitos basilares de direito processual: desistência da ação declaratória com desistência da ação de execução. Ao peticionar em juízo, para assegurar seu direito de restituir quantias entendidas como indevidas em função da declaração de inconstitucionalidade da majoração de alíquotas de FINOCIAL (ação de conhecimento), a empresa interpõe “Ação Declaratória c/c Repetição do Indébito” (petição inicial às fls. 21 a 37), demandando restituição de indébito de FINSOCIAL no valor de Cr$ 5.407.784,53. E, com base em tal pedido, obtém sentença judicial de piso parcialmente favorável (fls. 39 a 51), em 07/08/1996, no seguinte sentido: Os DARF anexos datam de 16/10/1989 a 16/11/1990 (fls. 55 a 63), e seu valor atualizado, conforme tabela de fl. 65, chegaria aos R$ 103.836,85 demandados no Pedido de Restituição administrativo. Por certo que tal sentença, submetida ao duplo grau de jurisdição, como resta, inclusive, expresso em seu corpo, foi encaminhada ao TRF jurisdicionante, em recurso necessário. Mas, antes que o TRF da 3ª Região analisasse o processo, a empresa desistiu da ação (fl. 67/69): Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 647 5 Nítida a confusão. A empresa desiste da ação declaratória acreditando equivocadamente que já teve algum direito definitivamente assegurado em juízo, quando obteve tãosomente sentença de piso, sujeita a duplo grau de jurisdição. A Fazenda, por óbvio, não se opõe ao pedido de desistência (fl. 79), e o juízo extingue a ação sem julgamento de mérito, conforme artigo 267, VIII do CPC, em 13/06/2000 (fl. 83): Assim, nada resta da ação judicial, sendo o pedido em análise um mero pedido administrativo, sem qualquer determinação judicial a cumprir. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 648 6 Peca, assim, a empresa, ao informar que a ação judicial transitou em julgado (fl. 9), ou que se trataria de “crédito decorrente de sentença judicial transitado em julgado” (sic) (fl. 11), ficando nítida ainda a confusão em excertos da defesa, reproduzidos abaixo (fls. 558, 588, 592, 594 e 596, entre outros): Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 649 7 E pior, imputa a desistência da ação judicial declaratória à exigência de norma da RFB (IN SRF no 21/1997, artigo 17) que trata de desistência da execução em ação judicial com trânsito em julgado (fl. 596): Equivocadas, assim, as alegações da recorrente acerca dos efeitos da ação judicial por ela proposta, concluindo que seus créditos teriam sido assegurados em definitivo na ação judicial interposta. No entanto, entendemos cabível a análise administrativa do pleito, desde que interposto o pedido administrativo de restituição no prazo permitido pela legislação. É o que se analisa, derradeiramente, a seguir. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 650 8 Do prazo para pedir restituição O pedido de restituição, recordese, foi efetuado em 06/07/2000, invocando créditos de FINSOCIAL decorrentes de recolhimentos indevidos efetuados de novembro de 1989 a novembro de 1990. A empresa entende lhe socorrer a tese dos dez anos para restituição do indébito (cinco do pagamento mais cinco referentes ao prazo de homologação tácita) enquanto o fisco sustenta a tese dos cinco anos. Um fator relevante, e que mitiga grande parte da jurisprudência apresentada pela defesa, é que a discussão é travada já à luz da Lei Complementar no 118/2005, publicada em 05/02/2005, e que, em seus artigos 3o e 4o, dispõe: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art.4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 566.621/RS, com reconhecida repercussão geral, superando o decidido no RESp no 1.002.932 SP (como se reconhece expressamente no REsp no 1.269.570/MG, de igual força vinculante), decidiu que o artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 não poderia ser aplicado retroativamente, como estabelecia a parte final do artigo 4o da mesma lei, devendo ser aplicado o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados a partir de 09/06/2005, conforme a parte inicial do referido artigo 4o: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4 o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (...). Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 651 9 consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. (...). Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3 o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL 0260502 PP00273 RTJ VOL0022301 PP00540) (grifo nosso) Ou seja, a segunda parte do artigo 4o da Lei Complementar no 118/2005 não seria aplicável, no entender vinculante do STF, a casos em que houvesse ajuizamento de ação judicial até 08/06/2005. A partir do dia 09/06/2005, já seria totalmente aplicável o mesmo comando legal. Para pedidos na via administrativa prevalece idêntico raciocínio, plasmado na Súmula CARF no 91, igualmente de observância obrigatória pelo colegiado administrativo: Súmula CARF no 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Verificandose os autos, percebese que, como relatado, o pedido de restituição, além de ser administrativo, e não judicial, é datado de 06/07/2000, dia em que ainda estava sujeito à contagem decenal, estando esta corte administrativa vinculada tanto pela decisão do STF, quanto pela súmula CARF, tendo em vista os artigos 62, § 2º, e 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015. As competências em relação ao FINSOCIAL considerado indevido pela empresa, conforme planilha de folha 65, confeccionada pela postulante ao crédito, são as seguintes: Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 652 10 Sendo o pedido de restituição datado de é datado de 06/07/2000, está extinto o direito de se pleitear restituição de FINSOCIAL com fatos geradores ocorridos antes de 06/07/1990, por superar o prazo decenal. Assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, recentemente, de forma unânime: FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE no 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Pela aplicação da Sumula CARF no 91, ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso, como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 06/04/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/10/1989 a 30/09/1991, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes 06/04/1990 por superar o prazo decenal.” (grifo nosso) (Acórdão no 9900000.993 a 9900001.002, unânime, sessão de 15 dez. 2016) (no mesmo sentido o Acórdão CSRF no 9303003.452, unânime, sessão de 23 fev. 2106) Deve, assim, ser analisado, no mérito, o direito de crédito referente aos fatos geradores posteriores a 06/07/1990, sendo insuficiente a alegação fiscal de decurso de prazo para pedir restituição, no que se refere a tais períodos. Nem a unidade local nem a DRJ ingressaram nessa análise de mérito, justamente por entendêla secundária diante da antecedente detecção (parcialmente equivocada) de decurso do prazo para pedir. No entanto, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL, aqui ventilada, já foi reconhecida pelo STF (como destacado na sentença judicial mencionada no processo, ainda que tenha havido desistência da ação) e pela própria Administração (Medida Provisória no 1.110/1995 e subsequentes, que culminaram na Lei no 10.522/2002, especificamente em seu artigo 18, III), e os DARF de pagamento estão anexados aos autos (fls. 55 a 63), assim como a tabela de correção (retrorreproduzida), fundada na Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR no 8/1997. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10865.000857/0031 Resolução nº 3401001.330 S3C4T1 Fl. 653 11 Assim, para os fatos geradores posteriores a 06/07/1990, cabe à unidade preparadora, preliminarmente ao reconhecimento do crédito, verificar se ainda estão disponíveis tais créditos para serem utilizados na compensação demandada ou restituídos, e se são efetivamente referentes, em sua totalidade, à inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique, exclusivamente para os fatos geradores posteriores a 06/07/1990, se ainda estão disponíveis tais créditos para serem utilizados na compensação demandada ou restituídos, e se são efetivamente referentes, em sua totalidade, à inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL. Após a realização da diligência deve ser elaborado relatório conclusivo, a ser notificado à recorrente, para que esta, desejando, apresente manifestação, na forma a que se refere o artigo 35 do Decreto no 7.574/2011, antes do reenvio do processo a este tribunal administrativo. Rosaldo Trevisan Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.015040/2004-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
Ementa:
DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte contrapor a exigência diante da suposta falta de informações do sítio da RFB.
Numero da decisão: 1002-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 Ementa: DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte contrapor a exigência diante da suposta falta de informações do sítio da RFB.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19679.015040/2004-43
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853254
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.071
nome_arquivo_s : Decisao_19679015040200443.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JULIO LIMA SOUZA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 19679015040200443_5853254.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7217177
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009650331648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.015040/200443 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.071 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 7 de março de 2018 Matéria Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração Recorrente FELICIANO SAKAE KUDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 Ementa: DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte contrapor a exigência diante da suposta falta de informações do sítio da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 50 40 /2 00 4- 43 Fl. 38DF CARF MF 2 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2000, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) (efl. 4). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efl. 3) alegando, nos próprios dizeres da impugnação: Informamos que nossa empresa desconhecia o prazo de entrega das declarações, atendendoas dentro da solicitação da notificação da Receita Federal as mesmas foram entregues espontaneamente entendemos que ao menos os valores aplicados em multa devem ser diminuídos. Senhor Julgador são estes, em síntese, os pontos de discordância apresentados nesta impugnação: a) Foi cumprida uma notificação em 14.10.2002, cumprimos no prazo assinalado a notificação da Receita Federal. b) Foram aplicados dois tipos de leis em nossa cobrança solicitamos que ao menos o auto de infração seja regido por uma única lei. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/SPOI proferise o Acórdão nº 1612.402 (efls. 19/21) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efl. 26), reiterando, basicamente, os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Preliminar Em sede preliminar, a recorrente pede um desconto na multa aplicada. Ocorre que foi concedida a redução de 50% (cinquenta por cento) no corpo da notificação de lançamento (efl. 3 itens 6/8), de modo que a montante a ser recolhido seria fixado em R$ 1.000,00 (mil reais). Não obstante, a recorrente optou por impugnar os lançamentos, abandonando essa possibilidade, haja vista que o incentivo ao pagamento seria válido até o vencimento. Mérito Adiante, sustentase genericamente discordância com o Acórdão da Delegacia de Julgamento, o que, de todo o modo, escapa a qualquer apreciação, em face da ausência de dialeticidade processual. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 19679.015040/200443 Acórdão n.º 1002000.071 S1C0T2 Fl. 3 3 Entretanto, em particular, a recorrente reitera o fato de que desconhecia os efeitos do cumprimento da obrigação acessória, atribuindo responsabilidade à Administração Fazendária, diante da suposta falta de informação no sítio da RFB acerca da matéria. Como é consabido, não é dado a qualquer pessoa, ainda mais aqueles que se propõe ao risco empresarial, a alegação de desconhecimento das leis. Há a presunção de publicidade dos atos normativos, face a publicação em Diário Oficial. Nesse sentido, as informações apresentadas no sítio da RFB nada mais são do que um espelho organizado das leis tributárias federais editadas no país. Tanto é assim que, quando se fala em efeitos da entrega em atraso da DCTF, deve se remeter ao art. 7º da Lei nº 10.426/2002: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da Fl. 40DF CARF MF 4 declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317/1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. Sendo de amplo e irrestrito conhecimento a disponibilidade do texto legal colacionado, alojado, inclusive, no bojo da fundamentação legal da notificação de lançamento, entendo que haja inexistência de retoques a fazer que impliquem na revisão dos lançamentos. Ante ao enfretamento das questões apresentadas, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 41DF CARF MF Processo nº 19679.015040/200443 Acórdão n.º 1002000.071 S1C0T2 Fl. 4 5 Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720465/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação a que está legalmente obrigado.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Impõe-se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2401-005.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação a que está legalmente obrigado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Impõe-se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.720465/2014-81
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840930
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.196
nome_arquivo_s : Decisao_10120720465201481.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10120720465201481_5840930.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7167891
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009653477376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1292; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720465/201481 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.196 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JR COMERCIO E TRANSPORTES DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação a que está legalmente obrigado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 65 /2 01 4- 81 Fl. 290DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidam os presentes autos de lançamentos relacionados às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, pessoa física, uma vez subrogada a empresa adquirente por determinação contida na Lei nº 8.212/91, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: Auto de Infração Debcad nº 51.045.9056, vide fls. 03/13, contendo o lançamento da contribuição devida por produtores rurais pessoas físicas, incidente sobre a comercialização de sua produção rural, devida pela empresa autuada em virtude da sub rogação da empresa adquirente, por força da legislação previdenciária, art. 25, I e II; artigo 30, III, ambos da Lei 8.212/91, período 01/2011 a 12/2012. Auto de Infração lavrado em 23/01/2014, tendo o valor consolidado de R$ 3.263.503,96. Auto de Infração Debcad nº 51.045.9064, fls. 14/24, relativo à contribuição de 0,2% destinada ao SENAR, incidente sobre a comercialização da produção rural por produtores rurais pessoas físicas, devida pelo sujeito passivo na condição de subrogado na obrigação respectiva, conforme determinação contida no inciso IV do artigo 30 da Lei 8.212/91, período 01/2011 a 12/2012. Auto de Infração lavrado em 23/01/2014, tendo o valor consolidado de R$ 318.390,71. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 42/46), da análise da documentação apresentada – livros Diários de 2011 e 2012 e GFIP e GPS consultadas no sistema da Receita – a Auditoria concluiu que a empresa não recolheu a totalidade das contribuições, nem as declarou com os respectivos totais dos fatos geradores em GFIP, motivo do lançamento das contribuições subrogadas da empresa adquirente da produção rural de pessoa física, quando da comercialização da produção, vide os Relatórios de Lançamentos RL, fls. 09/10 e 11/13 e Discriminativos do Débito – DD, fls. 04/08 e 15/19. A situação descrita ensejou a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, com comunicação à Autoridade competente, da prática, em tese do crime. Na sequência, o AuditorFiscal registrou que durante o procedimento fiscal o contribuinte apresentou liminar obtida em Mandado de Segurança, processo nº 30827 48.2013.4.01.3500, com trâmite na Justiça Federal em Goiás e que, em consulta ao site do Tribunal Regional da Primeira Região foi verificado que a data da autuação do MS (28/08/2013) e do deferimento da liminar (publicado em 27/09/2013) são posteriores ao período fiscalizado, razão pela qual não há impedimento à lavratura dos autos de infração segundo entendimento da Receita e Fazenda Nacional com fundamento na legislação vigente, pois a decisão só alcança fatos geradores futuros à liminar. No Relatório Fiscal ainda consta esclarecimento sobre a aplicação da multa (75%), com fundamento no art. 32A da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº Fl. 292DF CARF MF 4 449 de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/09 e referência ao já mencionado relatório Fundamento Legais do Débito, quanto às demais informações sobre os acréscimos legais. Devidamente cientificada, a Interessada apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 112/132), alegando, resumidamente, que o lançamento é nulo por ofender ao art. 63 da Lei nº 9.430/96, tendo em vista a decisão judicial obtida no Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato, não poderia ser autuada, a não ser para prevenção da decadência. Conclui que o lançamento é nulo por desrespeitar o referido dispositivo legal. Alega que não há cabimento no lançamento das contribuições eventualmente não retidas. Cita a legislação de regência e afirma que no caso concreto a Autuada deixou de reter o tributo, confirmando que em contrariedade ao mandamento legal, mas que não poderia suportar o ônus da contribuição não retida, cabendo ao contribuinte de fato suportar TAL ônus, pois é seu o dever legal de pagar o tributo. Nas condições de não retenção, entende que o responsável estaria sujeito a tão somente eventual penalidade, se prevista em lei. Neste sentido, cita o art. 9º da Lei nº 10.426/02 e deduz que o Auto de Infração é nulo. Sustenta a inconstitucionalidade dos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, matéria já enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 363.852/MG). Discorre sobre o tema demonstrando que embora o caput do artigo 25 esteja em consonância com o ordenamento vigente, seus incisos padecem do vício da inconstitucionalidade, pois veiculados por lei ordinária quando o texto Constitucional então vigente exigia lei complementar. Reforça, neste sentido, com a transcrição do julgamento do RE 363.852/MG pela Suprema Corte, articulando que somente o caput do referido artigo não legitima a cobrança da contribuição em debate, nem a Emenda Constitucional nº 20/1998 convalida o vício que teve origem em lei outrora declarada inconstitucional. Noticia, em acréscimo, que o § 2º do referido art. 25 já havia sido declarado inconstitucional e pacificado, no mesmo sentido, pelo CARF. Em adição, discorre sobre a inconstitucionalidade material do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 por ofensa ao princípio da equidade, prevista no artigo 194, V da Constituição Federal, em consonância, também, com o previsto no artigo 150 da Lei Maior. Neste sentido, afirma que a separação entre empregadores urbanos e rurais atenta contra o sistema previdenciário unificado Exemplifica com doutrina sobre a inconstitucionalidade do FUNRURAL, concluindo que não é constitucional a contribuição específica para o setor rural. Ademais, discorre sobre a ausência de definição, por lei, do fato gerador da contribuição. Neste sentido, lembra do artigo 97 do CTN; afirma que não existe lei descrevendo a hipótese de incidência no caso em questão, faltando, assim, o elemento material, tendo sido este estabelecido pela Administração Tributária por ato infralegal – Instrução Normativa – o que é desprovido de validade jurídica, por contrariar o princípio da reserva legal, razão pela qual, também por este motivo a exação em discussão não pode subsistir. Por fim, discorre sobre a não incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Alega que tal cobrança não deve prevalecer porque inexiste previsão legal para tanto e que, nos termos do § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, a incidência dos juros se dá apenas com relação ao principal, pleiteando que os juros de mora não incidam sobre o valor da multa de ofício. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 4 5 Em seus pedidos, requer a nulidade dos Autos de Infração e/ou a improcedência dos créditos tributários neles veiculados. Alternativamente, que a multa de ofício seja afastada ou a incidência dos juros sobre a multa, caso ela seja considerada devida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1658.492 da 13ª Turma da DRJ/SPO, às fls. 232/244, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. EMPRESA ADQUIRENTE. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. JUROS E MULTA. O lançamento fiscal de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pelo contribuinte dá ensejo à incidência de juros equivalentes à taxa Selic e multas moratória e de ofício, conforme legislação aplicável à espécie. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora se não for paga no vencimento. Fl. 294DF CARF MF 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 251/270, reprisando idênticos argumentos já lançados em sua peça de impugnação. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 10/07/2014 conforme tela às fls. 247/249, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/07/2014 (fl. 251), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Conforme relatado, a Recorrente, reprisa os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação sem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Todavia, extraise que, no mérito, a Recorrente discorre acerca da ilegalidade da exigência formulada contra o adquirente da produção rural, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física. Sustenta a inconstitucionalidade dos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, matéria já enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 363.852/MG). Discorre sobre o tema demonstrando que embora o caput do artigo 25 esteja em consonância com o ordenamento vigente, seus incisos padecem do vício da inconstitucionalidade, pois veiculados por lei ordinária quando o texto Constitucional então vigente exigia lei complementar. Reforça, neste sentido, com a transcrição do julgamento do RE 363.852/MG pela Suprema Corte, articulando que somente o caput do referido artigo não legitima a cobrança da contribuição em debate, nem a Emenda Constitucional nº 20/1998 convalida o vício que teve origem em lei outrora declarada inconstitucional. Noticia, em acréscimo, que o § 2º do referido art. 25 já havia sido declarado inconstitucional e pacificado, no mesmo sentido, pelo CARF. Sem razão. Mediante referido julgamento, o Supremo Tribunal Federal declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que previa o recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20, de 1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição) Fl. 296DF CARF MF 8 É que antes dessa emenda, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com a alteração promovida, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363.852/MG: “(...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de se ressaltar que a Lei 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possuir empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. (...) não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 6 9 A lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao caput do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, foi editada após a EC nº 20, de 1998. Ou seja, foi editada sob a vigência da nova redação do artigo 195, I, da Constituição, com expressa previsão da receita dos empregadores como nova fonte de custeio da seguridade social. Sendo assim, é evidente que o RE 363.852/MG tem aplicabilidade limitada ao artigo 25 da Lei nº 8.212 de 1991, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2011 e 2012, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212, de 1991. Tanto é que, quando da apreciação dos Embargos de Declaração opostos no RE 596.177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256, de 2001. Confirase: EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256, de 2001. Ante o exposto, não vislumbro razões de reforma no decisum de primeira instância, motivo pelo qual nego provimento ao recurso nesse ponto. 3. Do juros sobre a multa de ofício Por fim, a Recorrente sustenta que, em caso de procedência do lançamento, seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de Fl. 298DF CARF MF 10 punir o contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre multa de ofício, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuição. A respeito do tema, cumpre transcrever trecho do voto vencido no Acórdão 920201.806, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddaad, exarado pela 2ª Turma CSRF, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SEL1C; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de I% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de oficio por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei n°9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §10 do Código Tributário Nacional — CIN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 7 11 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento". "Crédito", por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: "Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de oficio, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão "penalidade pecuniária" incluída no parágrafo 1" art. 113. A meu ver a expressão "penalidade pecuniária" ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3' do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do oficio) já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderiase inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade Fl. 300DF CARF MF 12 (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de oficio, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser "corrigida" é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o C77V não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, mister se ftiz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3° da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 8 13 Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3' são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei 1209.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3° do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" a Lei n° 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de oficio lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão "débitos" constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de oficio, seria imperioso admitir que a multa de oficio, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que" os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso." Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3° do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o "caput". Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática — entendo que a Fl. 302DF CARF MF 14 melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos mora tórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Ora, se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" constante no "caput" do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do "caput" do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 9101 00.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio (...) No presente caso, os paradigmas apresentados pela recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10120.720465/201481 Acórdão n.º 2401005.196 S2C4T1 Fl. 9 15 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, DARLHE provimento parcial para afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, nos termos do voto e relatório. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905873/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.905873/2012-13
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840822
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.031
nome_arquivo_s : Decisao_10930905873201213.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10930905873201213_5840822.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7167201
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009700663296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.905873/201213 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.031 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 73 /2 01 2- 13 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.909. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905873/201213 Acórdão n.º 3302005.031 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002171/00-86
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.435
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200210
camara_s : Pleno
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13807.002171/00-86
conteudo_id_s : 5853088
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 202-00.435
nome_arquivo_s : Decisao_138070021710086.pdf
nome_relator_s : Gustavo Kelly Alencar
nome_arquivo_pdf_s : 138070021710086_5853088.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
id : 7213790
ano_sessao_s : 2002
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20200435_138070021710086_200210; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-08-04T16:47:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20200435_138070021710086_200210; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20200435_138070021710086_200210; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-08-04T16:47:32Z; created: 2017-08-04T16:47:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2017-08-04T16:47:32Z; pdf:charsPerPage: 578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-08-04T16:47:32Z | Conteúdo => • Processo n°Recurso n° Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13807.002171/00-86 119.262 PANIFICADORA E CONFEITARIA ROSA MARIA LTDA. DRJ em Curitiba - PR RESOLUÇÃO NQ202-00.435 ~Ld •• •• Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: PANIFICADORA E CONFEITARIA ROSA MARIA LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2002 d(,-?/t¥-.2 i?_/~~-S;;;;:;'7 M~iqúe Pinheiro Torres Presidente Imp/cf 1 '/ • Processo n°Recurso n° Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13807.002171/00-86 119.262 PANIFICADORA E CONFEITARIA ROSA MARIA LTDA. RELATÓRIO E VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELLY ALENCAR .~ ld • • A matéria objeto de litígio neste processo decorre de pedido de restituição/compensação de indébitos da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL. Assim, como a competência para julgar os recursos interpostos em processos fiscais da espécie foi transferida para o Terceiro Conselho de Contribuintes, por força do disposto no Decreto nO4.395, de 27.09.02 (DOU de 30.09.02), artigo l°, item 11, c/c o seu parágrafo únic02, voto no sentido de declinar da competência para julgamento deste processo e pelo seu encaminhamento àquele egrégio Conselho. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2002 (r1 ~ AVÓ5LY ALENCAR 1 '~rl. lI! Fica transferida do Segundo para o Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda a competência para julgar os recursos interpostos em processos administrativosjiscais de que trata o arl. 25 do Decreto nO70.235. de 6 de março de 197?. alterado pela f.-ei nO8.748, de 9 de dezen!bro qe 1993, cuja matéria, objeto de litígio. seja: I - a contribuição para Fundo de Investimento Social, quando sua exigência não esteja lastreada, no todo ou em parle. em fatos cuja apuração senJiu para detemlinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto sobre a Renda; (..) . 2Parágrafo único. Incluem-se na competência prevista neste artigo os recursos pertinentes a pedidos de restituição ou de compensação e a reconhecimento de direito a isenção ou a imunidade tributária. " ../( 2 00000001 00000002
_version_ : 1713050009706954752
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000318/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. REVOGAÇÃO POSTERIOR. NULIDADE INEXISTÊNCIA.
Consoante art. 144, caput do Código Tributário Nacional, o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, de modo que a referência a decreto ab-rogado à época da lavratura da autuação, mas vigente por ocasião dos fatos tributáveis, não implica qualquer nulidade, senão o fiel cumprimento da lei.
Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006
IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTUROS AUMENTOS DE CAPITAL - AFAC. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INCIDÊNCIA.
Os adiantamentos para futuros aumentos de capitais (AFAC) entre pessoas jurídicas interligadas, para que não configurem operações de crédito, devem ser precedidos de compromisso formal irrevogável, firmado por ambas as partes, que os recursos se destinam exclusivamente a aumento de capital e que esta integralização ocorra até a primeira Assembléia-Geral Extraordinária (AGE) ou alteração contratual, após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora, além, é claro, que os lançamento contábeis reflitam esta opção das entidades. Caso contrário, inobservadas essas condições, deve a entrega ou disponibilização de recursos financeiros caracterizar operação de crédito e sujeitar-se à incidência do IOF.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, em função de verificação de carência probatória por parte da recorrente.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. REVOGAÇÃO POSTERIOR. NULIDADE INEXISTÊNCIA. Consoante art. 144, caput do Código Tributário Nacional, o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, de modo que a referência a decreto ab-rogado à época da lavratura da autuação, mas vigente por ocasião dos fatos tributáveis, não implica qualquer nulidade, senão o fiel cumprimento da lei. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTUROS AUMENTOS DE CAPITAL - AFAC. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuros aumentos de capitais (AFAC) entre pessoas jurídicas interligadas, para que não configurem operações de crédito, devem ser precedidos de compromisso formal irrevogável, firmado por ambas as partes, que os recursos se destinam exclusivamente a aumento de capital e que esta integralização ocorra até a primeira Assembléia-Geral Extraordinária (AGE) ou alteração contratual, após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora, além, é claro, que os lançamento contábeis reflitam esta opção das entidades. Caso contrário, inobservadas essas condições, deve a entrega ou disponibilização de recursos financeiros caracterizar operação de crédito e sujeitar-se à incidência do IOF. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11052.000318/2010-81
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830028
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.338
nome_arquivo_s : Decisao_11052000318201081.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 11052000318201081_5830028.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, em função de verificação de carência probatória por parte da recorrente. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7120242
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009726877696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.000318/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.338 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria IOF Recorrente DOCAS INVESTIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. REVOGAÇÃO POSTERIOR. NULIDADE INEXISTÊNCIA. Consoante art. 144, caput do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, de modo que a referência a decreto abrogado à época da lavratura da autuação, mas vigente por ocasião dos fatos tributáveis, não implica qualquer nulidade, senão o fiel cumprimento da lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTUROS AUMENTOS DE CAPITAL AFAC. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuros aumentos de capitais (AFAC) entre pessoas jurídicas interligadas, para que não configurem operações de crédito, devem ser precedidos de compromisso formal irrevogável, firmado por ambas as partes, que os recursos se destinam exclusivamente a aumento de capital e que esta integralização ocorra até a primeira AssembléiaGeral Extraordinária (AGE) ou alteração contratual, após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora, além, é claro, que os lançamento contábeis reflitam esta opção das entidades. Caso contrário, inobservadas essas condições, deve a entrega ou disponibilização de recursos financeiros caracterizar operação de crédito e sujeitarse à incidência do IOF. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 03 18 /2 01 0- 81Fl. 500DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, em função de verificação de carência probatória por parte da recorrente. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, ano calendário 2006, apurado sobre valores registrados na contabilidade em contas indicativas de valores a receber de pessoas jurídicas interligadas. Narra a fiscalização que os lançamentos revelam operações de créditos, razão pela qual foram requeridos os contratos de mútuos respectivos, que, no entanto, não foram apresentados, esclarecendo que, ante a ausência de recolhimentos do imposto, foram constituídos os valores a partir das rubricas contábeis. Em impugnação o contribuinte arrolou preliminar de nulidade da autuação, por fazer referência a decreto já revogado. No mérito, asseverou inexistir operação de mútuo, informando destinaremse os valores registrados a adiantamentos para futuros aumentos de capital, havendo as empresas beneficiárias se comprometido a realizar a integralização, não havendo, na legislação de regência, fixação de prazo para sua realização. Na seqüência, discorreu sobre a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99. As provas colacionadas pelo contribuinte consistiram em correspondências enviadas aos beneficiários dos valores transferidos, onde se afirmou que os adiantamentos, a partir de então, destinarseiam exclusivamente a futuros aumentos de capital (efls. 213/234). A DRJ Rio de janeiro I/RJ manteve o lançamento, por entender que os documentos trazidos aos autos não provavam a destinação das verbas a futuros aumentos de capital, sendo insuficiente à finalidade almejada. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11052.000318/201081 Acórdão n.º 3401004.338 S3C4T1 Fl. 11 3 O recurso voluntário insistiu na nulidade do auto de infração e a inexistência de mútuo, destacando a complementação da prova pela apresentação dos atos societários que registraram os aumentos de capital realizados, posteriormente, pelas empresas envolvidas. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Preambularmente, quanto à pretensa nulidade do instrumento de lançamento, em violação ao art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72, por indicação de decreto já revogado, entendo que não merece acolhida. Como bem pontuado pela decisão recorrida, a remissão ao Decreto nº 4.494/2002 pela autuação, em 2010, quando já revogado pelo superveniente Decreto nº 6.306/2007, atendeu ao disposto no art. 144, caput do Código Tributário Nacional: “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Considerando que o lançamento referese a fatos geradores ocorridos em 2006, correta a indicação do Decreto nº 4.494/2002, ainda vigente por essa ocasião. Demais disso, o simples erro na indicação do enquadramento legal não tem o condão de provocar a nulidade do lançamento, porquanto o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados, não da qualificação legal que se lhes atribui. Respeitante ao meritum causae, defendeu o recorrente que os valores disponibilizados às empresas interligadas não correspondem a mútuo, que pressupõe a devolução dos recursos em dado momento, mas adiantamento para futuro aumento de capital, que, por sua natureza, não admite restituição, mas incorporação ao capital social da investida. Antes de adentrar o caso corrente, necessária a incursão sobre a qualificação do instituto denominado Adiantamento para Futuros Aumentos de Capital – AFAC, doravante simplesmente AFAC. Após pesquisa, constatei que esta figura, a despeito de conhecida e admitida na área contábil e fiscal, não possui tratamento legal específico, não existindo regulamentação em diploma de envergadura legal, mas apenas em atos opinativos e normativos da Secretaria da Receita Federal e Conselho Federal de Contabilidade – CFC. Nesse sentido, no longínquo ano de 1975, a SRF editou o Parecer Normativo CST nº 133, de 03/11/1975 (DOU 24/11/1975), que, abordando a classificação de algumas contas do ativo e passivo, assim se manifestou sobre o tema: Fl. 502DF CARF MF 4 “4.4. Lucro à Disposição da Assembléia Tal conta representa o resultado do exercício sem destinação específica, aguardando decisão da assembléia geral da empresa, por isso que habitualmente contabilizada no passivo pendente. Entretanto, o capital de giro próprio é calculado com base no balanço do início do períodobase (Decretolei nº 401/68, art. 19, § 1º; Decretolei nº 1.302/73, art. 3º, § 2º; e Decretolei nº 1.338/74, art. 15, § 1º) e, nessa época, tal valor é uma reserva livre da empresa, devendo ser considerada no Inexigível independentemente de qualquer decisão posterior da assembléia, conforme já definiu o Parecer Normativo CST nº 393, de 04 de agosto de 1971. 4.6. Saldo Credor de Sócio, Acionista ou Terceiro, Posteriormente Capitalizado Já aqui se aplica o fundamento do subitem 4.4, embora diversa a conclusão, porquanto, na data do balanço, tal saldo poderia ser exigido pelo titular. Assim, é irrelevante a capitalização posterior deste valor, devendo o mesmo compor o Passivo Exigível no cálculo do capital de giro próprio da empresa.” (destacado) Lastreado nesse parecer e objetivando esclarecer dúvidas relativas ao termo inicial de correção monetária, concernente a acréscimos a conta de capital, especialmente no que se refere a ingressos de recursos nas sociedades anônimas, representados por adiantamentos com finalidade específica para futuro aumento de capital social, a SRF expediu o Parecer Normativo CST nº 23, de 26/06/1981 (DOU 02/07/1981), fixando a seguinte orientação sobre os AFACs: “4. Ocorrendo a eventualidade de adiantamentos para futuro aumento de capital, qualquer que seja a forma pelas quais os ingressos tenham sido recebidos mesmo que sob a condição para utilização exclusiva em aumento de capital , esses ingressos deverão ser mantidos fora do patrimônio líquido, de conformidade com a legislação que rege a matéria e interpretação que decorre do subitem 4.6 do Parecer Normativo CST nº 133/75 (DOU de 24.11.1975) e Ato Declaratório (Normativo) CST nº 09/76 (DOU de 11.06.1976), por serem esses adiantamentos considerados obrigações para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital não se concretizar.” Seguindo a cadeia de fundamentação, o Parecer Normativo CST nº 17/1984 (DOU 22/08/1984), em exame dos efeitos das disposições do art. 21 do DecretoLei nº 2.065/83 sobre os AFACs, dispôs que a inaplicabilidade desse dispositivo exigiria a observância de certas condições, verbis: “Não é exigível a observância ao disposto no art. 21 do DecretoLei nº 2.065/83 à pessoa jurídica que fizer adiantamento de recursos financeiros, sem remuneração, Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11052.000318/201081 Acórdão n.º 3401004.338 S3C4T1 Fl. 12 5 para sociedade coligada, interligada ou controlada, desde que: 1) o adiantamento se destine, específica e irrevogavelmente, ao aumento do capital social da beneficiária, e 2) a capitalização se processe, obrigatoriamente, por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual posterior ao adiantamento ou, no máximo, até 120 dias contados do encerramento do períodobase da sociedade tomadora dos recursos.” O art. 21 do DecretoLei nº 2.065/1983, por seu turno, ostentava a seguinte redação: “Art. 21 Nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante deverá reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN. Parágrafo único. Nos negócios de que trata este artigo não se aplica o disposto nos artigos 60 e 61 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977.” Averbese que o preceptivo já fazia expressa referência a mútuo entre empresas do mesmo grupo econômico, nas disponibilizações de recursos recíprocas. A título de curiosidade, a fixação do prazo de 120 (cento e vinte) dias estabelecido no mencionado Parecer CST 17/1984 obedeceu ao raciocínio que o futuro aumento de capital, para que se concretizasse, demandava um termo fixo, não sendo possível conferir à pessoa jurídica a opção pela sua realização, por sua livre conveniência, daí porque o marco razoável seria o primeiro ato formal da sociedade após o recebimento dos recursos, entretanto, o indigitado lapso temporal de 120 dias foi estipulado de modo discricionário, o que a meu sentir, não se compaginava com o caráter vinculado da atividade fiscal. Por essa provável razão é que, em 1988, foi baixada a IN SRF 127 (DOU 09/09/1988), que eliminou referido prazo, mantendo os demais requisitos, nesses termos: “1. Os adiantamentos de recursos financeiros, sem remuneração ou com remuneração inferior às taxas de mercado, feitos por uma pessoa jurídica à sociedade coligada, interligada ou controlada, não configuram operação de mútuo, sujeita à observância do disposto no art. 21 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, desde que: a) entre a prestadora e a beneficiária haja comprometimento, contratual e irrevogável, de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; e b) o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira AssembléiaGeral Extraordinária ou alteração Fl. 504DF CARF MF 6 contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora.” Já o Conselho Federal de Contabilidade se manifestou especificamente sobre o assunto em 2009, através da Resolução CFC nº 1.159, que aprovou o Comunicado Técnico CTG 2000 que aborda como os ajustes das novas práticas contábeis adotadas no Brasil trazidas pela Lei nº. 11.638/07 e MP nº. 449/08 devem ser tratados, dispondo em seus itens 68 e 69 da seguinte forma: “Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) 68. Esse grupo não foi tratado especificamente pelas alterações trazidas pela Lei nº. 11.638/07 e MP nº. 449/08; todavia, devem ser à luz do principio da essência sobre a forma classificados no Patrimônio Líquido das entidades. 69. Os adiantamentos para futuros aumentos de capital realizados, sem que haja a possibilidade de sua devolução, devem ser registrados no Patrimônio Líquido, após a conta de capital social. Caso haja qualquer possibilidade de sua devolução, devem ser registrados no Passivo Não Circulante.” Importante acentuar que os posicionamentos do CFC e da RFB são, até o presente momento, distintos, opondo a contabilidade geral à fiscal, uma vez que o PN CST 23/81, alhures transcrito, entende que os AFACs, cumpridas as exigências, devem ser mantidos fora do patrimônio líquido, ao fundamento que, por serem esses adiantamentos considerados obrigações para com terceiros, podem ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital não se concretizar, enquanto a Resolução CFC 1.159/09 orienta a sua inclusão no patrimônio líquido, tendo em vista o princípio da essência sobre a forma. Mesmo diante da divergência, RFB e CFC concordam em um ponto: os adiantamentos de recursos, para que possam se qualificar como AFACs, devem possuir cláusula de irreverssibilidade de devolução, sendo essa opção irretratável. Nesse passo, entendo eu que a destinação de verbas a pessoas jurídicas interdependentes, dada a necessidade de registro expresso desta irreverssibilidade/irretratabilidade para caracterização da AFAC, deve ser precedido de instrumento contratual formal que preveja essa circunstância, seguida dos lançamentos apropriados que refletirão, na contabilidade dos interessados, a opção pelo futuro aumento de capital. Feitas essas considerações, passo a expor o meu entendimento sobre a questão, do ponto de vista da incidência do IOF sobre essas verbas transferidas e/ou disponibilizadas às interdependentes. De longa data a legislação, ainda que não explicitamente, e a Administração Tributária, em seu papel interpretativo, já tratavam esses repasses financeiros como mútuo, como se extrai da redação do art. 21 do DL 2.065/1983, o que exigiu a manifestação da Receita Federal acerca de suas disposições, ao passo que a própria SRF, anteriormente, através do Parecer Normativo CST 23/83 (DOU 24/11/1983), havia destacado que “os créditos, a qualquer título ou forma, verbal ou escrita, desde que colocados à disposição de empresas associadas, na forma disposta, caracterizam o mútuo a que aludiu o artigo transcrito acima (sic)”. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11052.000318/201081 Acórdão n.º 3401004.338 S3C4T1 Fl. 13 7 Por esta razão, após perscrutar sua finalidade legal, é que a SRF inferiu, através do já citado PN CST 17/1984, que, nas hipóteses de transferências de recursos para interdependentes, com destinação contratualmente prevista de aumento de capital, deveriam representar exceção à regra do indigitado art. 21 do DL 2.065/1983, sendo esse o arrazoado apresentado: “3. O caput do art. 21 do DecretoLei nº 2.065/83 dispõe, in verbis: ‘Art. 21. Nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas, coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante deverá reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN.’ 3.1. O Parecer Normativo CST nº 23/83 (DOU 24.11.1983) expendeu entendimento de que os créditos, a qualquer título ou forma, verbal ou escrita, desde que colocados à disposição de empresas associadas, na forma disposta, caracterizam o mútuo a que aludiu o artigo transcrito acima. 3.2. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 23/81 (DOU 02.07.1981), manifestandose sobre o critério de classificação desses créditos pela beneficiária, entendeu, no item 4, que, mesmo no caso de destinação específica para aumento de capital, devem eles ser classificados fora do patrimônio líquido. 3.3. Já o Ato Declaratório Normativo CST nº 09/76 (DOU 11.06.1976) classificou como empréstimos ativos os adiantamentos de recursos, mesmo com a destinação irrevogável para aumento do capital da beneficiária. 4. A ‘exposição de motivos’ que encaminhou o DecretoLei nº 2.065/83, ao justificar o teor do art. 21, argumenta que esse dispositivo tem em mira evitar a distribuição disfarçada de lucros entre pessoas jurídicas associadas. Tal procedimento deveuse aos favorecimentos recíprocos existentes entre empresas que, descaracterizando suas atividades próprias, distorciam seus resultados. 5. Embora os atos acima citados tenham considerado como empréstimos os repasses de recursos descritos no item 2, não restam dúvidas de que são complexas e demoradas as formalidades a serem operadas até a concretização do aumento de capital das sociedades. 6. Destarte, é de se admitir que não frustra o objetivo dos dispositivos legais vigentes o entendimento de que, nos casos onde haja a transferência de recursos para Fl. 506DF CARF MF 8 coligadas, interligadas ou controladas, sem remuneração ou com remuneração inferior à fixada em lei, com destinação contratualmente estipulada de forma irrevogável para aumento de capital, fique a investidora a salvo da obrigação prescrita no art. 21 do DecretoLei nº 2.065/83.” (destacado) Então é de concluir que, originariamente, a transferência de recursos para pessoas jurídicas interligadas, coligadas ou controladas para aumento de capital, enquanto não concretizado esse ato, caracteriza mútuo, e essa inferência é respaldada tanto pelo art. 13 da Lei nº 9.779/99, como pelo então Decreto nº 4.494/2002, como se observa cristalinamente do seu art. 7º, § 13, plenamente aplicável ao presente processo: “§ 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso.” O mesmo ato opinativo, trazendo uma ressalva interpretativa à lei, expôs a necessidade de se atender certos requisitos para que as transferências de recursos pudessem ser caracterizadas como AFACs, sintetizadas na IN SRF 127/88 como i) a existência de comprometimento, contratual e irrevogável, de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; e, ii) que o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira Assembléia Geral Extraordinária ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora. A despeito da ausência de lei em sentido estrito, deve ser reconhecido que há legislação que alberga o tema, tomada a acepção do termo “legislação” na forma do arts. 96 e 100, I do CTN, o que respaldaria a validade da IN SRF 127/88 ao assinalar os requisitos de validade do AFAC, para efeito de desqualificarse como mútuo, sem que, com isso, haja qualquer afronta às disposições do art. 97 do mesmo diploma legal, uma vez que não há instituição, extinção, majoração ou redução de tributos, fixação de alíquota ou base de cálculo, ou mesmo definição de fato gerador, mas tãosomente estipulação de obrigações acessórias. Poderseia questionar se o ato normativo em epígrafe não teria estabelecido, de forma enviesada, uma hipótese de exclusão de crédito tributário sem previsão em lei, todavia, essa tese em nada aproveitaria o recorrente e tampouco a vislumbro, porque o ato opinativo que originou a predita instrução normativa foi categórico em reconhecer a razoabilidade da medida e não aparenta representar ofensa ao texto legal, mas, a partir de uma interpretação teleológica de sua exposição de motivo, aclarar o seu alcance. Em arremate, a exigência do compromisso formal e irretratável, além de prévio à liberação do crédito, acrescentaria eu, assentase na necessidade de caracterizar que ditos recursos são, na data da liberação, adiantamentos para futuros aumentos de capital, pois se a decisão de integralizar os recursos no patrimônio interligada é superveniente, não se tem adiantamento e muito menos para futuro aumento, mas sim a opção contemporânea pela conversão em investimento de um crédito que, originariamente, já estava sendo utilizado pela beneficiária no exercício de suas atividades, o que, em minha concepção, configura mútuo entre pessoas jurídicas interdependentes. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11052.000318/201081 Acórdão n.º 3401004.338 S3C4T1 Fl. 14 9 Nesta senda, fixadas as diretrizes de direito, passo ao exame da situação vertente. A fiscalização, em seu relatório de autuação e nos demonstrativos que o acompanham (efls. 77/103), devidamente embasados na escrituração do contribuinte, assenta que as operações de crédito consistiram na quitação de despesas ordinárias das pessoas jurídicas interligadas (tributos, taxas e pagamentos diversos), assunção de dívidas perante terceiros e transferências de recursos, registradas em contas indicativas de valores a receber. Não houve apresentação de qualquer documento ou contrato que amparasse formalmente estas operações de crédito. Por ocasião da impugnação, o contribuinte sustentou cuidaremse ditas verbas de AFACs, juntando como prova de sua assertiva correspondências pretensamente enviadas aos beneficiários dos recursos, em tese mutuários, comunicando que estes valores destinarseiam exclusivamente a futuros aumentos de capital. Curiosa e estranhamente, digase, examinando os registros de reconhecimento de firma apostos no verso desses documentos, verifiquei que os mesmos foram realizados todos na mesma data – 29/07/2010 –, em que pese ditas correspondências estarem datadas de 2005/2006, sendo difícil crer que o cartório reconheceria firmas em documentos confeccionados há quase 05 (cinco) anos, mormente quando essa data (29/07/2010) coincide com o período do trintídio legal para interposição de recurso. Seja como for, o colegiado a quo, mesmo não atentando para essa “curiosidade”, não acolheu as alegações, diante da fraqueza do acervo documental colacionado, verbis: “Analisandose estas correspondências, verificase que as mesmas foram feitas pela Docas Investimentos S.A, ou seja, pela autuada e não pelas empresas que receberam os recursos. Tratase de prova produzida pela própria interessada , o que não tem valor probatório. Além disso, não consta do feito nenhum documento dessas investidas de que receberam efetivamente estas correspondências e de que se comprometeram em usar os recursos para aumento de capital. Aliás, as cartas não especificam os valores cedidos, ou seja, não há como se saber se estes recursos correspondem aos montantes autuados. Não foi acostado ao feito qualquer contrato ou outro documento que respalde a operação de adiantamentos para futuro aumento de capital, sendo certo que, devido ao porte das empresas envolvidas, tal operação não pode ser feita de modo informal. Também não consta do processo qualquer documento das empresas investidas que contenha o efetivo aumento do capital, nem as atas das Assembléias Gerais dessas empresas aprovando o suposto aumento de capital.” Fl. 508DF CARF MF 10 Diante desse posicionamento, trouxe o recorrente ao processo diversas AGEs que demonstrariam esse “aumento de capital”, por parte das interligadas, o que serviria para comprovar o cumprimento do compromisso assumido. Nada obstante, reputo esse novo conjunto ainda insuficiente ao desiderato pretendido, pois não foi coligido, nos termos da IN SRF 127/88, qualquer compromisso formal que impusesse às partes envolvidas o reconhecimento desses valores como AFACs e o compromisso de irretratabilidade, firmado previamente à transferência de recursos, não havendo ainda prova que esses valores, à época, tenham sido efetivamente lançados, na contabilidade dos beneficiários, como aporte para futuro aumento de capital; os lançamentos na contabilidade do recorrente revelam a intenção de devolução de parte desses valores, ao serem mantidos em contas a receber; não há qualquer documento que defina qual o montante destinado aos AFACs, eis que os repasses eram continuados; e, por fim, os valores indicados nas AGOs/AGEs apresentadas não guardam consonância com os valores registrados e objeto de autuação. Por conveniente, acentuo que é da defesa o ônus da produção da prova dos fatos modificativos, extintivos ou impeditivos da ocorrência dos fatos jurídicos tributários e a correspondente constituição do crédito tributário, por força do disposto no art. 373 do CPC e art. 36 da Lei nº 9.784/99. Outrossim, também entendo impertinente a conversão do julgamento em diligência, tendo em conta que esta providência não se presta à produção de provas das alegações postas, seja pela defesa ou pela Fazenda Nacional. Além do que, os documentos necessários à prova das alegações, principalmente, os compromissos formais irrevogáveis a que alude a IN SRF 127/88, foram listados como necessários na decisão recorrida, de maneira que o recorrente conhecia os elementos indispensáveis ao embasamento de suas alegações e não os trouxe. Como não bastasse, mesmos os aumentos de capital documentados teriam ocorrido, segundo essas AGOs/AGEs, em sua maioria, a partir de 2010, ou seja, cerca de 04 (quatro) anos após os registros contábeis, não sendo crível que aludidas assembléias de acionistas tenham sido as primeiras a se realizar após a data do aporte de recursos pela recorrente, o que já seria suficiente para profligar o seu argumento de transferência de recursos para aumentos futuros de capital, na linha da IN SRF 127/88, que adoto. Por outro lado, os próprios documentos juntados indicam que os aumentos de capital, em boa parte, foram provenientes de reversão de reservas, emissão de ações ou capitalização de créditos de outras pessoas jurídicas, não havendo menção específica a aporte de capitais pela autuada, DOCAS INVESTIMENTOS S/A, ou, em situações específicas, que esses aportes seriam provenientes de capitalização de direitos de crédito junto a essa empresa. As situações em que os instrumentos societários indicam aumento de capital oriundo de capitalização de créditos específicos da recorrente são as seguintes: 1) Aumento de capital patrocinado pela recorrente na pessoa jurídica PERÓ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ 05.037.207/0001 54, no valor de integralização de R$ 921.647,00 (efl. 372), em 05/12/2005, consoante primeira alteração contratual da sociedade por quotas de responsabilidade limitada (efs. 371/381); 2) Posteriormente, em 2008, na 4ª Alteração contratual, há registro de um aporte no valor de R$ 4.047.672,00, integralizado por meio de adiantamento para futuro aumento de capital (efls. 383/385); Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11052.000318/201081 Acórdão n.º 3401004.338 S3C4T1 Fl. 15 11 3) A CIA. BRASILEIRA DE MULTIMÍDIA, CNPJ 04.216.634/000137, em junho/2010, AGE/AGO de efls. 387 ess., registra aumento de capital por capitalização de direitos de créditos da ora recorrente, no valor de R$ 119.654.616,00; 4) Em 13/09/2011, há um novo aumento, por capitalização de créditos detidos pela recorrente, desta feita no montante de R$ 60.743.202,00 (efls. 392/395); 5) Da mesma forma ocorre em 25/07/2012, no valor de R$ 27.623.125,00 (efl. 407/408); 6) Às efls. 432/439, CBTV COMUNICAÇÕES LTDA., CNPJ 08.246.485/000100, 3ª alteração contratual, 12/12/2008, aumento de capital em R$ 23.084.797,00 Essas foram as referências diretas aos aumentos de capital pela integralização de créditos detidos pela recorrente, DOCAS INVESTIMENTOS S/A. Relativamente aos aportes na pessoa jurídica PERÓ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., o aumento realizado em dezembro de 2005 é anterior ao período autuado, logo, não interessa ao caso. O aumento concretizado em 2008, montou R$ 4.047.672,00, no entanto, os valores registrados na subconta 1.2.4.01.002, em 2006, pretensamente relativa aos AFACs, totalizaram ao final do período R$ 2.366.803,77, enquanto os lançamentos na rubrica 1.2.1.06.0236, referente aos pagamentos assumidos pela recorrente, somaram no mesmo período R$ 177.283,88. A CIA. BRASILEIRA DE MULTIMÍDIA, segundo o demonstrativo de apuração de IOF, recebeu na subconta 1.2.4.01.006 lançamentos que, acrescidos de saldos anteriores, alcançaram, no final de 2006, R$ 55.763.555,24; no entanto, os aumentos de capital, segundo as AGEs juntadas, somou R$ 208.020.943,00. A pessoa jurídica CBTV COMUNICAÇÕES LTDA. recebeu lançamentos, no exercício 2006, segundo levantamento fiscal, qualificados pela recorrente como AFACs, por assunção de dívidas, de R$ 4.716.645,71, enquanto o instrumento de alteração societária aponta, em 2008, um aumento de capital da ordem de R$ 23.084.797,00. Como se vê, os valores pretensamente aviados como adiantamentos para futuros aumentos de capital, nos lançamentos registrados, não guardam correlação aparente com os montantes indicados nos respectivos instrumentos de alteração societária. Poderseia, claro, supor que a divergência se deu pela consolidação de outros exercícios posteriores a 2006, entretanto, essa justificativa exigiria um demonstrativo claro dos valores componentes desses aportes – que não veio aos autos –, pois, como visto, a quitação de obrigações e assunção de dívidas alheias pela recorrente eram constantes ao longo do período. Assevero que essa circunstância apenas realça a inconsistência do argumento de defesa, pois, em minha opinião, o registro de repasses em rubricas contábeis atinentes a contas a receber, ou mesmo o registro em contas específicas de adiantamento para futuros aumentos de capital, mas sem os compromissos formais celebrados pelas partes com cláusula Fl. 510DF CARF MF 12 de irrevogabilidade já são razões suficientes para desqualificar a natureza dos créditos concedidos como AFAC. Nessa ordem de idéias, uma vez descaracterizados os AFACs, temse que a existência de operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, nos termos do art. 7º, § 13 do Decreto nº 4.494/2002, então vigente, sujeitam ditas operações à incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, razão pela qual deve ser mantido, na integralidade, o lançamento ora combatido. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905862/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.905862/2012-25
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840811
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.020
nome_arquivo_s : Decisao_10930905862201225.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10930905862201225_5840811.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7167179
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009753092096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.905862/201225 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.020 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 62 /2 01 2- 25 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.899. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905862/201225 Acórdão n.º 3302005.020 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721977/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.721977/2014-30
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850931
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.779
nome_arquivo_s : Decisao_11065721977201430.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 11065721977201430_5850931.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7196892
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009756237824
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-02T11:49:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-04-02T11:49:23Z; Last-Modified: 2018-04-02T11:49:23Z; dcterms:modified: 2018-04-02T11:49:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:9d54355d-d0f4-4f50-82f5-dff4ca570bde; Last-Save-Date: 2018-04-02T11:49:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-04-02T11:49:23Z; meta:save-date: 2018-04-02T11:49:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-04-02T11:49:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-04-02T11:49:23Z; created: 2018-04-02T11:49:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-04-02T11:49:23Z; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-04-02T11:49:23Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721977/201430 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301002.779 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria Multa por atraso na entrega DCTF Recorrente ZENGLEIN & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 19 77 /2 01 4- 30 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11065.721977/201430 Acórdão n.º 1301002.779 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório ZENGLEIN & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para julgar procedente a multa aplicada. Em decorrência de atraso verificado na entrega da DCTF, foi expedida Notificação de Lançamento contra a Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Cientificada da exigência, a Interessada apresentou impugnação em pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. Em julgamento, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente a Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Da medida extrema aplicada, com violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Da desproporcionalidade da multa aplicada; Da redução da multa para R$500,00. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.721977/201430 Acórdão n.º 1301002.779 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.776, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.776): A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e intimada ao recolhimento do débito em 12/06/2015, (ciência abertura de documento), e apresentou em 09/07/2015, recurso voluntário e demais documentos. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de auto de infração e notificação de lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF. A base legal da aplicação desta multa consta do art. 7º da Lei 10.426/02, conforme segue: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Primeiramente, ressaltese que não se discute aqui a entrega em atraso, fato que efetivamente ocorreu. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.721977/201430 Acórdão n.º 1301002.779 S1C3T1 Fl. 5 4 A Recorrente argumenta, tãosomente, que a multa aplicada seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios constitucionais. Ora, verifico que a norma legal acima citada e em pleno vigor foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que ensejou a aplicação da multa. O cálculo foi realizado nos moldes legais, contandose os meses de atraso e aplicandose o percentual sobre a base de cálculo que é o montante de tributos e contribuições informados na DCTF. Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos, o contribuinte que entregar em atraso pagará pelo menos R$500,00, não é o caso do recorrente. O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%, não podendo ultrapassando este montante. No que tange aos argumentos trazidos relativos à ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
