Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10850.907775/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/04/1999
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO.
Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/04/1999 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado. Recurso Voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10850.907775/2011-11
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756433
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.635
nome_arquivo_s : Decisao_10850907775201111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10850907775201111_5756433.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6884606
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466280345600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907775/201111 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.635 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria Restituição. Direito creditório comprovado. Recorrente GREEN VEICULOS COMERCIO E IMPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/04/1999 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição, cumulado com declarações de compensação, de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração abril de 1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 75 /2 01 1- 11 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10850.907775/201111 Acórdão n.º 3301003.635 S3C3T1 Fl. 3 2 O despacho decisório emitido pela unidade de origem indeferiu o pedido de restituição e não homologou a Dcomp, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho propôs ainda a lavratura de auto de infração, para exigir a multa isolada de 50%, conforme o § 17 c/c o § 15, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, sobre o montante cuja compensação não foi homologada. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real do recolhimento a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tal pagamento seria devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Argumentou que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião destes autos com o processo nº 10850.721795/201288, o qual havia exigido a multa isolada sobre o montante cuja compensação foi não homologada. Concluiu, requerendo o reconhecimento do direito à restituição e a homologação da Dcomp. Caso o direito creditório não fosse reconhecido, propôs o cancelamento da multa de mora de 20%. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa. Ao analisar o caso, a DRJ em Ribeirão Preto (SP), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos nos termos do Acórdão 14 043.823. O contribuinte foi intimado do conteúdo desta decisão, e, insatisfeito com o seu conteúdo, interpôs Recurso Voluntário. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10850.907775/201111 Acórdão n.º 3301003.635 S3C3T1 Fl. 4 3 Este Conselho, então, através da Resolução nº 3801000.694, entendeu por converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil do contribuinte, relativa aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores a restituir inicialmente pleiteados, correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em atendimento à referida resolução foi elaborada a informação fiscal constante nos autos, através da qual a fiscalização propôs o reconhecimento do direito creditório decorrente do recolhimento a maior apurado, sendo o contribuinte intimado quanto ao teor desta e, posteriormente, encaminhado o processo para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.633, de 24 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10850.722388/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.633): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração de setembro de 2002, no valor de R$ 3.344,37. Como bem assentou este Conselho quando da Resolução nº 3801 000.677, quanto à matéria de direito, assiste razão ao contribuinte, visto que o alargamento da base de cálculo da COFINS inserta no art. 3º, parágrafo 1º da Lei n. 9.718/1998 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, ao contrário do que constou da decisão recorrida, tal entendimento deve ser observado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o que se extrai dos fundamentos da resolução abaixo transcritos, os quais adoto como razão de decidir: A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10850.907775/201111 Acórdão n.º 3301003.635 S3C3T1 Fl. 5 4 estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10850.907775/201111 Acórdão n.º 3301003.635 S3C3T1 Fl. 6 5 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10850.907775/201111 Acórdão n.º 3301003.635 S3C3T1 Fl. 7 6 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Ou seja, nos termos da resolução em questão, ainda que a matéria de direito fosse de fácil resolução, entenderam os julgadores naquela oportunidade que não havia nos autos elementos suficientes para que se confirmasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Isso porque, como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de tais características. Eventual dúvida existente, contudo, restou dirimida pela informação fiscal realizada em decorrência da diligência determinada por este Conselho. No caso concreto ora analisado, restou confirmada pela fiscalização a existência de direito creditório no montante de R$ 3.220,13, cuja conclusão transcrevo a seguir: Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Setembro de 2002 no valor de R$.6.509,48, e observado que o valor total recolhido foi de R$.9.729,61 (fls.13), concluímos que o valor recolhimento a maior é de R$.3.220,13. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10850.907775/201111 Acórdão n.º 3301003.635 S3C3T1 Fl. 8 7 Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição às fls.2, transmitido através do programa PERDCOMP sob o nº 38979.57407.160807.1.2.040345, no valor de R$.3.220,13. Mencionese ainda que, intimado para se manifestar sobre o resultado desta diligência, o contribuinte não se manifestou (vide despacho de fl. 277 dos autos), o que leva a crer que concordou com o valor identificado pela fiscalização, ainda que parcial ao seu pleito originário, no valor de R$ 3.344,37. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito creditório no importe de R$ 3.220,13, conforme apurado na informação fiscal de fls. 270 e seguintes dos autos, deferir parcialmente o pedido de restituição e, em consequência, determinar a homologação do pedido de compensação, no limite do crédito reconhecido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a unidade de origem, em atendimento a diligência requerida, conforme apurado na informação fiscal, propôs o reconhecimento do direito creditório pleiteado decorrente de recolhimento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado no importe de R$ 16,44, conforme apurado na informação fiscal constante nos autos, e, em consequência, determinar a homologação do pedido de compensação, no limite do crédito reconhecido. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901578/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.927
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13116.901578/2012-71
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757583
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.927
nome_arquivo_s : Decisao_13116901578201271.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13116901578201271_5757583.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6890587
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466286637056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901578/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.927 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 78 /2 01 2- 71 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.559, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901578/201271 Acórdão n.º 3201002.927 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720976/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.720976/2012-25
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5765826
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-000.661
nome_arquivo_s : Decisao_10830720976201225.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : FABIO PIOVESAN BOZZA
nome_arquivo_pdf_s : 10830720976201225_5765826.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6920272
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466314948608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 6.808 1 6.807 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720976/201225 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.661 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de julho de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório e Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 97 6/ 20 12 -2 5 Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 10830.720976/201225 Resolução nº 2301000.661 S2C3T1 Fl. 6.809 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Companhia Paulista de Força e Luz e de recurso de ofício interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/Campinas), que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado em parte. A fiscalização lavrou diversos autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, sobre as seguintes verbas relativas aos anos de 2007 e 2008: (i) pagamento de participações nos lucros ou resultados (PLR) a dirigentes empregados, por meio de instrumento de acordo individual, sem a participação e o arquivamento no sindicato; (ii) pagamento de gratificação de férias gozadas (“grat. férias ac. coletivo" e “dif. grat. férias ac. coletivo”); (iii) pagamento por serviços prestados por cooperativa de trabalho; (iv) pagamento de licença prêmio a empregados durante a vigência do contrato de trabalho; (v) pagamento a empresário individual – pessoa jurídica, com inscrito no CNPJ, considerado como contribuinte individual pela fiscalização; (vi) pagamento de remuneração indireta a diretores não empregados (aluguel, condomínio e IPTU de imóveis residenciais); (vii) glosa de compensação indevida, por falta de apresentação de documentos comprobatórios, relativa ao processo judicial nº 2000.61.05.0066240; (viii) falta de retenção de contribuição previdenciária sobre serviços prestados por empresa prestadora, os quais foram considerados pela fiscalização como sendo de cessão de mão de obra. A ciência das autuações ocorreu em 05/03/2012 e as exigências fiscais encontramse assim distribuídas: 1) DEBCAD nº 37.347.8240: contribuição patronal 2) DEBCAD nº 37.347.8259: contribuição dos empregados 3) DEBCAD nº 37.347.8267: contribuição de terceiros 4) DEBCAD nº 37.347.8275: falta de retenção do percentual de 11% sobre serviços de empreitada ou de cessão de mão de obra 5) DEBCAD nº 37.347.8283: falta de retenção do percentual de 11% sobre serviços de empreitada ou de cessão de mão de obra 6) DEBCAD nº 37.347.8232: multa por falta de declaração em GFIP (art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91) e Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 10830.720976/201225 Resolução nº 2301000.661 S2C3T1 Fl. 6.810 3 7) DEBCAD nº 37.347.1317: retenção e falta de repasse de contribuição previdenciária dos empregados. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/Campinas, excluindo apenas os lançamentos já decaídos relativos a 01/2007 e 02/2007, nos termos do art. 150, §4º do CTN, e os lançamentos relativos a empresários individuais constituídos como firmas individuais, tratados pela fiscalização como contribuintes individuais. Houve interposição de recurso de ofício, sendo que o acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO FISCAL. ENCERRAMENTO. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não configura hipótese de nulidade a ciência do sujeito passivo quanto ao Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal na vigência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal STF, por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros, mencionadas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172/66. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. ISONOMIA. INCIDÊNCIA. Constitui fato gerador de contribuições previdenciárias o pagamento de valores a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados – PLR fundamentado em instrumento de estabelecimento de metas desprovido da participação do ente sindical e mediante tratamento diferenciado entre segurados empregados do mesmo sujeito passivo. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL CONSTITUCIONAL. Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 10830.720976/201225 Resolução nº 2301000.661 S2C3T1 Fl. 6.811 4 Constitui fato gerador de contribuição previdenciária o pagamento de férias gozadas e respectivo adicional constitucional, não configurando hipótese de não incidência. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. LICENÇA PRÊMIO PAGA EM PECÚNIA. INDENIZAÇÃO. INCORRÊNCIA. Constitui fato gerador de contribuição previdenciária o pagamento em pecúnia de licença prêmio não gozada, ainda na vigência do contrato de trabalho, não havendo que se falar em indenização, porquanto ausente situação de prejuízo a justificar a reparação financeira. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. EMPRESÁRIOS INDIVIDUAIS. CARACTERIZAÇÃO COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REGULARIDADE FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a caracterização de empresários individuais, devidamente registrados junto ao Registro Público de Empresas Mercantis, como segurados contribuintes individuais, meramente à vista de possível irregularidade fiscal junto a outro ente federativo. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. É cabível o lançamento de contribuições previdenciárias devidas por segurados contribuintes individuais e pela empresa tomadora dos serviços destes uma vez comprovada a remuneração de segurados nesta qualidade. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ DO SALDO COMPENSADO. GLOSA. Procede o lançamento de contribuições compensadas pelo contribuinte, ante a ausência de demonstração por parte deste quanto à liquidez do valor compensado, impondose a glosa da compensação realizada. PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTO DE ALUGUEL A SEGURADO EMPREGADO. INCIDÊNCIA. Constitui matéria tributável os valores pagos a título de aluguel, condomínio e demais despesas locatícias, a segurado empregado contratado originariamente fora do domicílio fiscal do contribuinte. PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO. RETENÇÃO DE 11%. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. LEITURA E MEDIÇÃO DE CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA, INSTALAÇÃO E CORTE DE MEDIDORES. CONCEITO DE “DEPENDÊNCIAS DE TERCEIROS”. Configura prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra a execução, em logradouro público, dos serviços de leitura e medição de consumo de energia elétrica, instalação, ligação e corte de medidores. Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 10830.720976/201225 Resolução nº 2301000.661 S2C3T1 Fl. 6.812 5 O conceito de “dependência de terceiros” deve ser harmonizado à realidade da prestação dos serviços, podendo constituir em logradouro público. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. FATOS GERADORES. Constitui infração, passível de aplicação de penalidade pecuniária, a apresentação da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, como o pagamento de PLR em desacordo com a legislação, contribuintes individuais prestadores de serviço, férias gozadas e respectivo adicional, licença prêmio indevidamente indenizada, salárioutilidade e compensação não comprovada. Não configura fato passível de imposição de multa pecuniária a omissão, na GFIP, dos valores pagos a prestadores de serviço pessoas jurídicas, ainda que sob a forma de empresário individual. MULTA PECUNIÁRIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PARECER PGFN. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vinculante a observância de parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado, quanto à forma de cálculo das penalidades pecuniárias aplicáveis em face do descumprimento de obrigações acessórias e as multas de mora e de ofício em relação às obrigações principais, no tocante ao princípio da retroatividade benigna, previsto no Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. A contagem do prazo decadencial em relação à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória regese pelo disposto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional – CTN. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. No âmbito do lançamento fiscal, não configura atribuição de responsabilidade solidária a mera inserção das pessoas físicas e jurídicas integrantes do sujeito passivo no Relatório de Vínculos. Ainda irresignada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, argumentando: (a) nulidade das autuações por falta de observância do prazo do mandado de procedimento fiscal; (b) a PLR, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades, não perde a sua natureza não salarial; Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 10830.720976/201225 Resolução nº 2301000.661 S2C3T1 Fl. 6.813 6 (c) a PLR dos dirigentes empregados foi celebrada nos termos da previsão dos acordos coletivos, havendo regras próprias, definidas diretamente entre a empresa e tais beneficiários, sem a participação do sindicato; (d) a gratificação de férias não possui natureza salarial e tem por escopo reforçar financeiramente o empregado a fim de que ele possa usufruir plenamente o seu direito constitucional de descanso remunerado; (e) é inconstitucional a exigência de contribuição previdenciária sobre o valor das faturas de serviços emitidas por cooperativas de trabalho, por ser constitucionalmente proibido a exigência de duas contribuições sociais sobre a mesma base de cálculo (COFINS e contribuição previdenciária) e pela criação de novas fontes de custeio demandar a edição de lei complementar; (f) o fato de o pagamento de licençaprêmio ter sido realizado durante a vigência do contrato de trabalho não desnatura a respectiva natureza indenizatória, pela ausência de fruição do benefício; (g) os pagamentos feitos por serviços prestados teriam sido prestados por empresas e não por contribuintes individuais como aponta a fiscalização, exigindose a realização de perícia contábil para a devida apuração; (h) os créditos compensados foram reconhecidos na ação judicial nº 2000.61.05.0066240, sendo que a fiscalização não trouxe qualquer elemento que pudesse comprovar a irregularidade no procedimento; (i) os pagamentos referentes a aluguéis, condomínio e IPTU dos imóveis ocupados por diretores não correspondem a salários indiretos e somente foram realizados para possibilitar a execução do trabalho; (j) a exigência de retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais de empresas prestadoras de serviços é indevida, porque (i) é inconstitucional; (ii) a fiscalização simplesmente não discriminou os respectivos fatos geradores e bases de cálculo; (iii) inaplicável a serviço de entrega de contas e ligação e leitura de medidores, por não existir cessão de mão de obra e pelo fato de o serviço não ser realizado nas dependências da contratante, mas em vias públicas; (k) a multa a ser aplicada deveria ser a multa de mora (20%); (l) a aplicação da retroatividade benigna em virtude da edição da Lei nº 11.941/2009; (m) a não incidência de juros SELIC sobre a multa; (n) a exclusão dos representantes legais da empresa. Em 16/10/2003, sob a relatoria do Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, o julgamento dos recursos voluntário e de ofício foi convertido em diligência para que se providenciasse certidão judicial e cópia integral do processo judicial nº 2000.61.05.0066240. Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 10830.720976/201225 Resolução nº 2301000.661 S2C3T1 Fl. 6.814 7 Em 22/10/2016, agora sob a relatoria do Conselheiro Fábio Piovesan Bozza, o julgamento dos recursos voluntário e de ofício foi convertido em diligência para saneamento das peças dos processos nº 10830.720976/201225, 10830.721197/201247 e 10830.720975/201281, uma vez que documentos de um haviam sido juntados em outro. Pois bem. Tendo agora condições de analisar a acusação fiscal e confrontála com os argumentos de defesa e com as provas produzidas, percebo que os recursos ainda não se encontram em condições de julgamento, havendo questões fáticas que deverão ser previamente dirimidas. Com relação à glosa de compensação, com a juntada de cópia integral do processo judicial nº 2000.61.05.0066240, é possível verificar que transitou em julgado a decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de autônomos e administradores (art. 3º, I da Lei nº 7.787/89) e considerou indevidos os recolhimentos efetuados a tal título. Eventual compensação do indébito seria efetuada pela Recorrente no âmbito administrativo, mediante controle das autoridades fiscais. A decisão final afastou a prescrição para os recolhimentos devidamente comprovados nos autos. Nesse sentido, há guias de recolhimentos juntadas desde a competência 07/1990 (fls. 6372). Nos autos dessa ação judicial, foram apresentados cálculos para liquidação da execução dos honorários advocatícios, bem como planilha informando os valores compensados pela Recorrente até 06/2003 (fls. 6660). Enfim, segundo tal documento – e pelos critérios de atualização utilizados pela Recorrente – em 04/2008 haveria ainda saldo credor no montante de R$ 509.451,91. Tal saldo credor seria próximo aos valores dos débitos compensados em 06/2008 (R$ 429.000,00) e 07/2008 (R$ 99.505,61), exigidos na presente autuação. Todavia, a fiscalização não se pronunciou sobre tais documentos, nem sobre eventuais fatos impeditivos à efetivação da compensação realizada pela Recorrente (por exemplo, a inexistência de saldo credor ou a realização de compensação em outros períodos capaz que esgotar o suposto crédito). Com relação à retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços, seria também conveniente a manifestação da fiscalização sobre os motivos que levaram a formular exigência fiscal envolvendo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, considerando apenas os documentos acostados às fls. 40914092. Para os demais prestadores há cópia de contratos e/ou notas fiscais com a descrição dos serviços prestados. Após, abrase vista à Recorrente para se manifestar sobre a informação fiscal, no prazo de 30 dias. É como voto. Fábio Piovesan Bozza –Relator Fl. 6814DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012815/2007-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÀO DE RECEITAS - DkPOSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM
NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
PEDI DO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
Correto o indeferimento do pedido de perícia na primeira instância, onde os quesitos apresentados em nada afetavam o lançamento cam base no lucro presumido. A negativa deve ser mantida na segunda instância, urna vez que novo conteúdo do pedido versa sobre elementos precisamente demonstrados
nos autos, sobre os quais não paira qualquer ditvida„ Perícia que se revela totalmente desnecessária,
MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE AFRONTA AO CTN
O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe as autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional, Da mesma -forma, também não cabe afastar a aplicação de normas legais plenamente vigentes, cm razão de suposta afron.ta ao CTN.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e CONNS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e eleito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-000.766
Decisão: Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201101
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÀO DE RECEITAS - DkPOSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. PEDI DO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO Correto o indeferimento do pedido de perícia na primeira instância, onde os quesitos apresentados em nada afetavam o lançamento cam base no lucro presumido. A negativa deve ser mantida na segunda instância, urna vez que novo conteúdo do pedido versa sobre elementos precisamente demonstrados nos autos, sobre os quais não paira qualquer ditvida„ Perícia que se revela totalmente desnecessária, MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE AFRONTA AO CTN O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe as autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional, Da mesma -forma, também não cabe afastar a aplicação de normas legais plenamente vigentes, cm razão de suposta afron.ta ao CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e CONNS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e eleito que os vincula.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 11080.012815/2007-90
conteudo_id_s : 5749964
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.766
nome_arquivo_s : Decisao_11080012815200790.pdf
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
nome_arquivo_pdf_s : 11080012815200790_5749964.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
id : 6877496
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466320191488
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:10:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:10:13Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:10:14Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:10:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:e51a93f9-a34b-4ceb-adeb-722e47254ecb; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:10:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:10:14Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:10:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:10:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:10:13Z; created: 2011-03-10T13:10:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-03-10T13:10:13Z; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:10:13Z | Conteúdo => Si-1E02 1 , 1 .599 MINISTI■',R10 DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIM FIRA SEÇA.0 DE JULGAMENTO Processo n" 11080.012815/2007 -90 Recurso n" 500,936 Voluntário Acórdão n" 1802- 00.766 -- 2" Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2011 Matéria IRPI E OUTROS Recorrente DIVÉ, COMPLEMENTOS E COMÉRCIO DE JÓIAS LTDA. Recorrida la TURN' A/DR I-PO.RTO ALFGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÀO DE RECEITAS - DkPOSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVAD.A. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. PEDI DO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO Correto o indeferimento do pedido de perícia na primeira instância, onde os quesitos apresentados em nada afetavam o lançamento cam base no lucro presumido. A negativa deve ser mantida na segunda instância, urna vez que novo conteúdo do pedido versa sobre elementos precisamente demonstrados nos autos, sobre os quais não paira qualquer ditvida„ Perícia que se revela totalmente desnecessária, MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE k DE AFRONTA AO CTN O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta a.o Poder Judiciário. Descabe as autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional, Da mesma -forma, também não cabe afastar a aplicação de normas legais plenamente vigentes, cm razão de suposta afron.ta ao CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e CONNS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e eleito que os vincula. V istos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n 11080 012 8 15/2007-90 SI- 1E02 Acôrd1io n "1802-00„766 H 600 Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, our rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integrant o presente _julgado. - -- --_-_----,---.-__ .:--------_____.------ -. __--- - -.- ---- -- - (—Ester 'MarqUes Lilts de Sousa - Presid_ote -.---- — / Jose de Oliveira Ferraz Correa - Relato - / EDITADO Participaram da sessao de ju ame.nto os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Joao Francisco Bianco, José de iveira Ferraz Correa, Fdwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kiehel e André meida Blanco. Process° n'" 11080 012815/200T90 S 1 -1 . E02 Acórdi:io n." 1802-00.766 Fl 601 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delcgacia da 'Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao imposto sobre Renda da Pessoa da Jurídica — IRE!, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, á Contribuição Social sobre o Lucro Liquid° - CSIL e á Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFENS, conforme autos de infração de fls. 409 a 455, nos valores de R$ 130.688,05, R$ 62.852,33, R$ 87.519,90 e R$ 276.906,23, respectivamente, incluindo-se nesses montantes Os juros moratórios e as multas de 75% e 150%, conforme as infrações apuradas pela Fiscalização. Por muito bcm descrever os -fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n" 10-18.542, as tls.. 5 .19 a 523: Con/i rme O relatório fiscal que integ,ra. o lançamento (11. 456/461), firam identificados, nos anos-calendario de 2004 e 2005, créditos CM contas bancárias de titularidade do contribuinte em montante superior a receita por ele declarada em DIP.1 Registra a autoridade que muitos desses créditos provinham de administradoras de cartões dc crédito e débito e que a conta corrente mantida no Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) nem mesmo estava registrada na contabilidade do contribuinte. Intimado a comprovar a origem desses créditos (11. 352/380), o contribuinte respondeu não ter conseguido "obter sucesso em identificar os valores levantados nem tão pouco identificar os documentos .solicitados que comprovem tal movimentação" (1 1 383). Lin decorrência, a autoridade efetuou o lançamento dos tributos incidentes sobre os valores não comprovados, da seguinte forma: a) em relação aos valores recebidos das administradoras de cartões de crédito e débitos, considerando omissão de receitas das atividades, coin fulcra no art 25 da Lei no 9.430/96; b) em relação aos demais depósitos bancários, corn base Jul presunção legal dc omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9430, de 27/12/96 Em virtude da comprovação da pratica reiterada tie infração a legislação tributaria, a autoridade promoveu a exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das A4icrocmpresas e Empresas de Pequeno Porte ---- Simples (Ato Dechtratório DI?F/P0A n" 163, de 26/11/07, 11. 385). A vista disso, o contribuinte, em resposta à intimação especifica, optou por tributar seus resultados com base no lucro Process() n'' I 1080 012815/2007-90 S1-• E02 Acónkio n " 18112-00.766 Fl 602 presumida Sobre os tributos relativos aos créditos oriundo.s de administradoras de carões foi aplicada a muita qualificada (150%), em face de a autoridade ter entendido estar caracterizada a situação prevista no art. 7.1 da Lei n'' 4.502/64. Houve repre.scniação fiscal para fins penais (processo n" 11080. 000546/2008-08). O lancaniento foi cientificado cio contribuinte ern 07/02/08, o qual, em 0.3/03/08, apresentou impugnação ao lançamento na qual, após breve introdução e considerações acerco da empresa e stun atividades, protesta pela improcedência do feho com base nos seguintes argumentos: a) que somente foram analisadas as movimentações financeiras, sem qualquer outra análise .substancial capaz de caracterizar a existência de acréscimo patrimonial, - b) que, em . facc do art. 43 do Código Tributário Nacional, o registro dos ,ganhos indcy-tend.e da disponibilidade financeira, .fazendo-se a apuração dos resultados pelo regime de competência, e ndo pelo 61 etivo ingress() Neste .sentido, numa operaoo de venda de mercadoria o recebimento do preço de venda ocorre corn a tradição do bem móvel, que é o que importa para fins de tributação, sendo despiciendo o pagamento do preço,- c) que a empresa efetua o reccbirnento do preço das mercadorias por ela vendidas de várias jar 111(11, muitas delas mediante concessão de prazo, com recebimento em momento posterior entrega da mercadoria para o cliente, inclusive de forma parcelada Dessa forma, o recebimento ocorre em momento posterior ao reconhecimento da receita à contabilidade, d) diante disso, os depósitos em conta corrente sobre o.s- quais o auditor-fiscal alicerçou o lançamento não correspondem Coin as vencias das mercadorias no período analisado; e) que o FiSVO valeu-se de presunção, relinada pela doutrina e jurisprudência. calcando o lançamento em elemento.s e contraditórios, que não servem para constituir fato gerador de tributo. Para sustentar sua lose traz renomada doutrina, » que da farina como efetuado, o Fisco esta tributando duas vezes o mesmo fato jurídico, .situação vedada pelo Sistema Tributário Brasileiro, g) citando jurisprudência e a súmula n" 182 do Tribunal Federal de Recursos, que os depósitos bancários não caracterizam disponibilidade patrimonial, de modo que no caso vertente ci pretensão cio Fisco está ern desacordo corn o art 43 do CTN. Entende, ainda, não haver provas concretas e inequívocas que comprovem a am is de receitas; h) que há nece.s.sidade de perícia, indicando perito contábil e fbrmuhindo quatro quesitos; Process° I1" 11080 0128 15/2007-90 Acórdão 1802-00„766 SI- - I F,02 I 603 i) que o lançamento de ()licit.), sustentado en r frágeis .suposições de que os- valores depositados ei conta corrente correspondem as receitas arife. Tidds - no me s1110 exercicio,.fato que rid° ocorreu, obriga a impugnante indevidamente, do mesmo modo que a imprecisão e incerteza quanto aos valores impossibilitam a deksa que Ike gar-ante a Constituição .Federal Argumenta que o agente fiscal olvidou-se de analisar detalhadamente os depósitos emir conta com ente e informar qual a relctção comercial e o exercicio fiscal que 0.8 mesmos correspondiam, obstaculizando a defeca impugnanie, o que impãe a declaração de nulidade do kilo ante 0 cerceamento do direito de de/usa; j) ataca ainda a multa aplicada no percentual dc 150%, caracterizando confisco vedado pela Constituição Federal, impondo-.se ..sua exoneração ou redução para urna mais branda, compativel coin a hipótese do.s autos, - k) protesta, ainda, contra a cobrança dos . fitros corn have na Taxa em afronta ao art. .161 do (TN, .j; 1° do (]TN, trazendo, aqui também, doutrina e jurtspruikricia na qual se aprecia a ineonstitucionalidade dos juras calcados naquela taxa Com isto, e alertando que a decisão em relação ao IRP1 aplica- se também aos tributos reflexos, requer a declaração de improced&ncia do lançamento, ou, restando valor a ser tributado, pede a exclusão da multa e dos juros. Em 06/10/08 o processo retornou para a unidade de origem, ern dilige3neia, para que o contribuinte fosse intimado a, no prazo de 30 (has, demonstrar documentalmente sua alegação de que as receitas correspondentes aos créditos bancários . foram reconhecidas e tributadas em periodo.s anteriores UT 5 1 2). Clem!" ficado da diliOncia em 03/11/08, o contribuinte requereu prorrogação do prazo para atend6-1a, o que fi n concedido . Entretanto, passadas rinds de sessenta dias da eit:.ricia, nenhum documento foi apresentado pelo contribuinte.. Como .mencionado, a DRJ Porto Alegre/RS considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conc1us6cs corn a seguinte ementa: ASSUNTO IMPOST(.) SOBRE A RENDA DE PESSOA JUR1bICA- Ano-calendário.- 2004, 2005 CERCEAMENTO DE DETESA. NULIDADE INEXLS'TEWCLA Se o lançvmento tem ,tielt5 filildainentos detidamente descritos pela autoridade, suportado por cálculos que demonstram a apuração da receita omitida e dos tributos decorrentes, não há que se . falar em impossibilidade de defesa pela falta de definição do quantun debeatur. 0 equivoco na transposição de valores do relatório fiscal para os autos de infração, facilmente verifieavel, não importa em nulidade do lançamento, mas apenas implica exoneração da parcela indevida. Process() n' 1 I ON. 012815/2007-90 SI-TE02 AG6rd5o n 1802-00.766 Fl. 604 PERk1A. INDEFERIMENTO InaVerc-se a perícia que visa produção de provas que deviam ser apresentado.s pelo contribuinte C cujo resultado lido auxilia a litígio IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECETTAS DEPÓSITOS BANCÁ RIOS. Presume-se, por for -0 de lei, a omis.são de receitas quando O contribuinte, regularmente intimado, não comprova a origem do .s recurso.s (fife originaram OS créditos em conta con ente bancária. IRP,I E REELEXOS. OMISSÃO DL RECEITAS CRÉDITOS DE ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO Admitido pelo próprio contribuinte que as .571(1) vendas são efetuadas também por Mel() de canoes de crédito ou débito, confirmando que os créditos originados de administradoras de cartões de crédito e debito correspondem a receitas de vendas, não escrituradas nem esclarecidas pelo contribuinte, correta a conclusdo quanto a omissão de receitas. A mera alegação de que a,s receitas correspondente.s teriant sido reconhecidas em per iodos anteriores, desacompanhada de qualquer elemento conprobatório, não afasta essa conclusão, especialmente quando 0.5 elementos con.stantes dos autos apontam para. .situação diversa da alegada. IRPI CST.L. LUCRO PRESUMIDO /1(.1s)ÉSC7140 PATRIMONIAL. DESNECESSIDADE DE PROVA. NO lucro presumido, forma de tributação escolhida pelo contribuinte, o resultado tributável é apurado mediante aplicação de coeficientes especificos .sobre (7S receitas, não havendo que .se Mar em prom de acréscimo patrimonial ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONAL1DADE 0 colegiado administrativo não é competente para .se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TA XA SELIC A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no per iodo de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais Lançamento Procedente em Parte Inconfbrmada com essa decisão, da qual tomou eiencia em 19/06/2009, a Contribuinte apresentou em 17/07/2009 o recurso voluntário de Ps.. 560 a 594, onde desenvolve Os argumentos mencionados a seguir. Do cerceamento de defesa por indeferimento do pedido de perícia: - a Recorrente requereu perícia técnica, sob a tbrma de exame em sua documentação fiscal, com o fito de demonstrar os cálculos efetuados, bem como os indices utilizados para fins de correção monetária dos valores lançados. 'Entretanto, tal requerimento não recebeu acolhimento; Processo ri 11080 0! 2515/2007-90 Ac6rtkio n. ° I 802-00,766 S•1- I E112 14 } 60 - a realização da prova pericial é de curial importância, uma vez quo identificaria todas as operações realizadas, bem como comprovaria que Os indices utilizados para fins de atualização monetária destes créditos foram os oficiais, entre outras informações para o convencimento do julgador; - a negativa da prova pericial contraria uni dos InalS importantes princípios constitucionais brasileiros, o que garante a ampla defesa e o devido processo legal, contido no artigo5', inciso I,V, da Constituição Federal; - a faculdade de atuação do juiz, no caso, do Julgador Administrativo de Primeira Instância, é am phssinia.. Quaisquer provas, inclusive depoimentos, requisições de documentos, per leias, etc„, podem ser determinados pelo julgador, mediante requerimento das partes ou, cu officio, em qualquer fase do processo, quando julgar necessário para a formação de sea convencimento; - a Autoridade julgadora, sentindo a necessidade da realização de prova pericial para a formação de sua convicção, não pode deixar de determinar este ato, sob pena de nulidade da decisão que vier a praticar; - pelo exposto, a Recorrente requer que esse Egrégio Conselho de Contribuintes determine sejam remetidos os presentes autos novamente à primeira -instancia, fim de que seja anulada a decisão ora recorrida, determinando a realização da referida prova., para que seja prolatada nova decisão. Da improcedência do lançamento tributário com base apenas em.extratos ou depósitos bancários - ilegalidade da utilização de presunções: - a apuração das importâncias exigidas fti obtida através, e tão-somente, da analise dos Li vros Diário e Razão dos anos-calendários de 2004 e 2005, hem como dos extratos das contas bancárias mantidas em instituições financeiras, no mesmo período; somente foram analisadas as movimentações financeiras (ingresso em conta-corrente) correspondentes ao período fiscal de 2004 e 2005, sem qualquer outra análise substancial capaz de caracterizar a existência de acréscimo patrimonial; os tributos exigidos da Recorrente tem como fato gerador: (i) a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (IRPJ - aferição de renda); (ii) a receita ou o faturamento (PIS e COFINS) e (iii) o lucro (CS.LL); - a disponibilidade econômica de rendas (au proventos) ()cone com a incorporação destas ao patrimônio do contribuinte; - em relação as pessoas jurídicas, em consonância com o art.. 43 do CTN, a lei adota como principio o da aquisição da disponibilidade económica ou jurídica do ganho, independente da disponibilidade financeira, consagrando como regra o registro e a apuração dos resultados pelo regime de competência, desvinculando do efetivo ingresso ou dispêndio caixa/banco da pessoa jurídica; - o pagamento pode ter sid.o feito antes da entrega da mercadoria (e no caso [era ele natureza de inero adiantamento de preço e não de receita tributável); corno também pode ele ter sido realizado, como ocorre no caso em apreço, após a entrega da mercadoria (e, Process() n" I I 080 012815/2007-90 S1-1 E02 Acórao n." 1802-00,766 11 606 nessa hipótese, o pagamento terá natureza de mera realização de um direito de cre(it() antes reconhecido); - os depósitos em contas-correntes utilizados pelo Auditor Fiscal não correspondem as vendas de mercadorias apenas dos períodos autuados, sendo que inúmeros depósitos tiveram origem em operações mercantis realizadas em exercícios fiscais anteriores, sendo que tais valores não correspondem, necessariamente, a renda auferida pela Recorrente, tendo em vista os altos valores de suas mercadorias comercializadas; - observa-se claramente que o Fisco valeu-se de presunção, que amplamente refutada, mama e pacificamente, pela doutrina e pela jurisprudência (inclusive administrativa), haja vista que o lançamento não pode ser calcado em elementos insuficientes contraditórios, os quais não servem para constituir fato gerador de tributo; - com a afirmação, tão somente amparada pela simples presunção, de que os depósitos realizados em conta-corrente nos períodos de 2004 e 2005 tem correlação com a obtenção de receita nos mesmos periodos, esta o fisco, equivocadamente, tributando duas vezes o mesmo fato gerador (bis in idem), fenômeno vedado pelo Sistema Tributário Brasileiro, conforme preceitua a Carta Política de 1988; - o depósito bancário em si não é fato gerador do imposto, sendo necessário que o fisco demonstre a existência e o momento da. renda auferida pela ora Recorrente. Do caráter confiscatório da multa aplicada: - a aplicação da penalidade ao patamar de 150% do tributo supostamente devido é característico ato de excessiva penalização, incidindo em confisco, que é vedado pela Constituição Federal de 1988, especificamente em seu artigo l.50, inciso IV; - em um pais onde a multa maxima para o consumidor e de 2% (art. 52, § 1 0 , da Lei 8..078/90), não se pode continuar admitindo percentuais elevadíssimos imputados em desfavor do contribuinte (no caso, 75%), sob pena de violação ao .principio da. vedação do confisco (art. 150, IV, da CF), também aplicável as infrações; - legislação tributária não distingue a obrigação de pagar tributo e a imposta. para o pagamento de multa ou penalidade peculaidria. Portanto, scndo a multa fiscal Lana longa mantis do próprio tributo, criada apenas para lhe dar eletividade, todos os principios e vedações ao poder de tributar pertinentes ao tributo também terão incidência sobre a multa de natureza tri b utriria; - restou equivocado o auto de inflação ao D.50 observar a limitação da multa em 20% a partir de 1." dc janeiro de 1997, nos termos do art 61 da Lei n 9.430/96; - a redução da multa implica em cominação- de penalidade menos severa que prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, razão pela qual pode ser aplicada inclusive retroativamente, a teor da alínea "c" do inciso IT do art, 106 do CTN; - desta forma, imperioso se faz o provimento do presente recurso de apelação a fim de limitar a aplicação da multa ao percentual de 20%, nos termos do alt. 61 da Lei n" 9.430/96. Pioces.so n" 11080.012815/2007-90 si- 1 E02 Ac.6rchio n." 1302-00.766 1-; 1 607 Da ilegalidade DA. TAXA S.ELIC: - o § 40 do artigo 39 da Lei n' 9..250/1995, que estabeleceu a utilização da Taxa SELIC, é inconstitucional, uma vez que essa. taxa não fbi criada. por lei para fins tributários; - ern matéria de tributação, nesta incluídas as contribuições previdencidrias, os critérios para aferição da correção monetária e dos juros devem ser definidos com clareza pela lei. A Taxa SE1 1C foi introduzida , no sistema legal de forma capciosa, C já inserida em contexto diverso que é próprio do Sistema Financeiro Nacional guardando, pois, terna que só poderia ser cotejado em Lei Complementar, nunca em Lei Ordinária; -a Taxa SELIC, pela forma. matemática de sua apuração, possui naturez a. remuneratória própria dos títulos transacionados no mercado de capitais no sistema SELIC; - títulos e tributos são conceitos que não podem ser embaralhados, Ou sequel: arrolados em sistema legal comum, porque a razão de existência, origem e destinação de cada qual são distantes o suficiente a concluir-se que qualquer norma juridica, e/ou ato jurídico, e/ou negócio juddico constituído a partir da. nefasta unido destes conceitos resulta figura jurídica impossível de ser concebida, por total configuração anômala; - a Taxa SELIC aplicada sobre débitos fiscais cria a teratológica figura de tributo rentavel, títulos podem gerar renda; os tributos, nunca, ate por total falta de previsão legal e doutri nark"; - resta também indevida , a aplicação da laxa SEL1C sobre débitos fiscais, eis que a mesma ora serve como sucedâneo dos .juros moratórios, ora dos juros remuneratórios, e ora ate como índice de correção monetária, sem prejuízo de sua conotação de correção monetária que é concomitante com a Ii FIR , implicando, akin de tudo, na repulsiva figura do "Bis Mew", por qualquer lado que se critique, fato que enseja acrescentar mais esta peculiaridade de ilegalidade; - aplicada a Taxa SELIC sobre um debito fiscal advém como resultado o aumento de tributo sem lei especifica que o preveja, fazendo incidir sobre a -hipótese o controle de legalidade insculpido no artigo 150, inciso I, da. Constituição Federal, a par de ofender também os Princípios da Anterioridade, da Indelegabilidade de Competência Tributária e da Segurança Jurídica; - ainda que se admitisse a existência de leis ordinárias criando a Taxa SELIC para fins tributatios, ainda assim, a titulo de argumentação de reforço, a interpretação que melhor se afeiçoa ao artigo 161, § do CTN (que possui natureza de Lei Complementar - art., 34, § 5", do ADCT), é a de poder a Lei Ordinária fixar juros iguais op in feriores a 1% ao mês, nunca juros superiores a esse percentual; - para que a Taxa SEIJC pudesse ser albergada para fins tributários, haveria imperiosa necessidade de lei estabelecendo os critérios para. sua exteriorização, por ser notório e ate, vetusto o princípio de que o contribuinte deve de antemão saber como será apurado o "quantum debeatur" da obrigação tributaria. Diga-se a ilustrar a afirmação que não existe imposto com valor "in tese" ou sobre receita firtura. Fie sempre incide sobre fato gerador típico e definido, resultando em .proporcional e esperada fonte de arrecadação tributária; P1ocess() n" 11080 012815/2007-90 - . 1•E02 AcÓR15o n " 1802-00..766 H 608 - a amnia instituidora da taxa SEL1C editada na vigência dos paragralbs revogados pela Emenda Constitucional n° 40, o que a torna inconstitucional, pois -na época da. edição da referida norma não havia fundamento de validade na Constituição Federal, já que o § 3" do art, 192 estabelecia que quaisquer taxas de .juros reais nao podiam ser superiores a 12% ao ano; - cm que pcsc as alteraOes trazidas pela Emenda Constitucional n" 40, o caput do art, 192 foi mantido, e este estabelece de forma cogente que qualquer disposição legal que verse sobre o Sistema Einanceiro Nacional so pode ser implementada via Lei Complementar. A interpretação é sufragada, inclusive, pela festejada manifestação da Corte Suprema do Poder Legislativo Brasileiro que consta da A.D1N n° 04/91; - assim, resta indubitável a ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC sobre débitos relativos a tributos f.'ederais, "devendo ser esta totalmente excluída dos débitos da empresa Autora, tanto nos parcelamentos pactuados, quanto nos débitos espontaneamente confessados pela via judicial". Este é o Relatório.. Processo n" 11080 W 2815/2007-90 Acord5o n 1802 419.766 SI-IE02 Pl. 609 Voto Conselheiro Relator, .José de Oliveira Ferraz Corréa O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.. tanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a controvérsia submetida a este Conselho diz respeito à exigência de .1R.P.1 e reflexos por omissão de receitas ao longo dos anos de 2004 e 2005 . Tais receitas .foram apuradas corn base nos valores recebidos das administradoras de cartões de crédito/débito, e também por meio de depósitos bancários com origem não comprovada. No decorrer da fiscalização, em razdo das infrações apuradas, a Contribui Inc foi excluída do Simples, por meio do Ato Declaratório DRF/P0A IV 163, de 26/11/07 (11. 385). Após intimada do ato de exclusão, ela manifestou a opção pelo lucro presumido para os dois anos objeto da auditoria. A infração relativa às receitas auferidas por. meio das administradoras de cartões de crédito/débito foi punida com a multa de 150%, enquanto que no caso das receitas apuradas com base cm depósitos bancários a multa aplicada foi a de 75%, .Na primeira instância, houve redução parcial dos valores lançados, de modo que a exigência não recaísse sobre as receitas declaradas, restringindo-se apenas às receitas consideradas omitidas. Quanto à preliminar de cerceamento do direito de Mesa, pela negativa do pedido de perícia, cabe transcrever as considerações da decisão recorrida sobre a matéria: impugnante, argiiindo equivoco da fiscalização, requer perícia para provar o alegado, basicamente eon] elementos que já (NCR) ã sua disposição ,Tã aqui e de se negar o pedido, posto que prova das alegaçães deve instruir a própria impugnação, conforme prevêem os art 15 e lÓ, inciso IV, do Decreto n(-) 70235, de 1972. Nesse sentido, as perícias não se destinam a suprir essa obrigação do contribuinte, como demonstra jurisprudicia. administrativa ( Ademais, os quesitos formulados não colaboram para o deslinde da questdo, na medida em que não guardam relação com os pontos suscitados pelo contribuinte e. não 61i aplicação ao caso Explico. 0 contribuinte estava inscrito no Simples, recolhendo seus tributos nessa modalidade de tributação. Excluida do Simples, no recorreu e optou expressamente pela tributação dos _seus resultados com base no lucro presumido (11. 393), Não ha porquJ„ então, se examinar o La/rir e as prejuízos fiscais de anos anteriores, como quer o contribuinte nos seus quesitos, na Process() n [ 1080 012815/2007-90 St-I 1:02 Acórd5o n " 1802-00,166 Fl 610 medida em que as. respostay a CleN em nada afetariam lançamento, calcado no lucro presumido. Opino, portanto, po1. se indelern tam b6n o pedido de perícia, passando-se (10 exame do rujuito. Realmente, o exame do Lalur e de supostos prejuízos fiscais dc anos anteriores em nada afeta a apuração em 2004 e 2005, posto que realizada pelo lucro presumido, cord-brine opção manifestada pela própria Contribuinte após ser excluida do Simples. Em sedc de recurso voluntário, a Contribuinte já pede perícia "corn o .1'4o de demonstrar os cálculos efetuados, hem como os indices utilizados pan fins de conc.:0o monetária dos valores lançados". Apesar da modificação no conteúdo do pedido, ele continua se mostrando totalmente desnecessário, porque tanto a apuração dos tributos, quanto os elementos, dados e informações que lhe deram suporte, estão detalhadamente discriminados no auto de infração e seus anexos. 0 mesmo pode ser dito quanto à demonstração dos indices de correção monetária dos valores lançados . Basta examinar os demonstrativos que são parte integrante dos autos de in fração. Deste modo, cabe rejeitar a preliminar de nuljdadc, mantendo da mesma. -forma a negativa em relação ao pedido de perícia, posto que totalmente desnecessária ao caso sob exame. Quanto as criticas dirigidas ao lançamento corn base em depósitos •bancários, cabe primeiramente registrar que a exigência fiscal esta fundamentada no art. 42 da Lei 9/130/96: Art. 42. Caracterizam-se tambérn omissao de receita ou de rendimento os valerem creditados eai conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituicao financeita, em relaeào U05 quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, nao comprove, mediante documente1ciio hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações .sç 1" 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no ms do credito efetuado pela inytilui0o financeira. Durante a auditoria fiscal, a Contribuinte foi , intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e, não O fazendo, incorreu na referida -presunção legal de omissão de receitas, que configurou um dos .itens da autuação . Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte questiona. a aplicação da presunção legal acima, desenvolvendo sua defesa na linha do quo estava disposto na Snmula n" 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos . De acordo corn o seu entendim.ento, o deposito bancário em si não õ fato gerador de imposto, sendo necessário que o Fisco demonstre a existência. e o momento da. renda au ferida. ( i2 Proccso n" 1 1080 012815/2007-90 SI. U11;02 /16r(rio " 11802-W766 H 611 Quanto a esse ponto, é importante esclarecer que a defesa da Recorrente foi desenvolvida corn base no contexto normativo anterior A introdução do art. 42 da Lei 9.430/96. De fato, naquele outro contexto, era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização. Realmente, a tributação corn fulcro na Lei n" 8.021/1990 exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transfOrmar uma presunção em definitiva certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indicio de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Assim, na. ausência de uma presunção legal, cabia ã Fiscalização demonstrar, de forma cabal, que os valores depositados nas contas bancárias da Contribuinte correspondiam efetivamente a rendimentos próprios, não oferecidos a tributação. . Contudo, a partir da Lei n" 9„430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove COM documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados ern conta de deposito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, este fato, por si so, .já basta para caracterizar omissão de receita, por forya da presunção legal. Deste modo, não procedem os argumentos desenvolvidos na peça de defesa, porque atinentes a um contexto normativo diferente d.o atual, no qual a valoração da prova elm relação à omissão de receitas seguia outros critérios No que toca à alegação da Recorrente sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco das multas de oficio (75% e 150%), cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art 44 da Lei 9.430/96), por suposta inconstitueionalidade, cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, o cumpridos os requisitos do Decreto n" 2.346/97 ou do art 103-A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma Essa matéria, inclusive, já foi sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1" CC a" 2 - O Primeiro Conselho de Contrilmintes ado competente para se pronunciar sobre a ineonstitucionalidade de tributária O mesmo se pode dizer da aplicação da taxa "Sebe". Não compete a esse órgão administrativo de julgamento afastar a aplicação de norma legal em pleno vigor. O art, 161 da Lei n" 5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, estabelece que o crédito nâo integralmente pago no vencimento é acrescido dc juros de mora.._, e no seu parágrafo primeiro determina que se a lei ndo dispuser dc modo diverso, os juros de mora sao calculador a taxa de I% (um por cento) ao més. Portanto, a taxa de juros de mora a ser exigida. sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser definida em pereentual diferente de 1%. Basta que uma lei ordinária assim determine, 13 Process() n" 11080 012815/2007-90 SI- 1 - IA2 AL:61115o n.° 1802-00.766 Ft 612 Neste contexto, o artigo 61 da Lei II.° 9,430, de 27 de dezembro dc .1996, assim dispõe: Artigo 6 — 08 débitos para coin a Uniao, decorrentes de tributos e contribui(5cs administrados pela Secretaria de Receita Federal cujos linos geradores ocorrerem a partir de l" de janeiro de 1.997, nao pagos nos prazos previstos na legislacao especifica, .serao acrescidos de multa de mora, cakvlada e taxa de trinta e ires centésimos por cento, por dia de atra.so. § .3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirao. iuros de mora calculados a taxa a que se refere o § 3' do art 5", a Partir do primem dia tIo Ines .subseqiiente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no do pagamento E o § 3' do art, 5' da Lei n" 9,430/1996, por sua vez, estabelece que: § 3" As quotas do imposto ser ao aere.scidas de juros equivalente taxa referencial do Sistema Especial de Liquidaciio e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulado mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqiiente (10 do encerramento do período de apuraçao até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento Portanto, incumbe a esse órgão julgador cumprir a norma legal que se encontra ern pleno vigor, aplicando-a As situações concretamente verificadas, não lhe cabendo apreciação da alegada inconstitueionalidade ou ilegalidade da taxa SELIC. Apenas vale frisar que essa mesma taxa de juros é garantida aos Contribuintes nos casos de restituição de indébitos. O tratamento, portanto, é isonomico, OU seja, tanto vale para a cobrança, quanto para a devolução de valores, o que reforça a justeza de sua aplicação.. Registro que a matéria também jã se encontra sumulada no âmbito desse Conselho: Sumula I" CC n" 4 - A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal sao devidos, no period() de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidacao e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. osé de Oliveira Ferraz Correa
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722156/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
GLOSAS DE CUSTOS OU DESPESAS. INEXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES. FALTA DE PROVA.
Não subsistem as glosas de custos ou despesas devidamente contabilizadas pelo contribuinte, motivadas pela inexistência das operações, quando não houver nos autos provas suficientes que atestem o motivo invocado pelo Fisco.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao IRPJ estende-se à CSLL.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO.
É cabível a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. Todavia, não subsiste essa tributação quando o beneficiário do rendimento for devidamente identificado e haja causa para a operação.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ.
São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ.
São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas.
Numero da decisão: 1402-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. O julgamento foi iniciado no mês anterior e os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira já tinham votado. O Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa não participou do julgamento.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 GLOSAS DE CUSTOS OU DESPESAS. INEXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES. FALTA DE PROVA. Não subsistem as glosas de custos ou despesas devidamente contabilizadas pelo contribuinte, motivadas pela inexistência das operações, quando não houver nos autos provas suficientes que atestem o motivo invocado pelo Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao IRPJ estende-se à CSLL. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. Todavia, não subsiste essa tributação quando o beneficiário do rendimento for devidamente identificado e haja causa para a operação. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ. São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ. São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.722156/2012-40
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5770196
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.670
nome_arquivo_s : Decisao_13603722156201240.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 13603722156201240_5770196.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. O julgamento foi iniciado no mês anterior e os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira já tinham votado. O Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa não participou do julgamento.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6934084
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466346405888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2124; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6.962 1 6.961 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.722156/201240 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402002.670 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS Recorrente FAZENDA PÚBLICA. Interessado PROTOMINAS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GLOSAS DE CUSTOS OU DESPESAS. INEXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES. FALTA DE PROVA. Não subsistem as glosas de custos ou despesas devidamente contabilizadas pelo contribuinte, motivadas pela inexistência das operações, quando não houver nos autos provas suficientes que atestem o motivo invocado pelo Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao IRPJ estendese à CSLL. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. Todavia, não subsiste essa tributação quando o beneficiário do rendimento for devidamente identificado e haja causa para a operação. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ. São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 21 56 /2 01 2- 40 Fl. 6962DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.963 2 São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. O julgamento foi iniciado no mês anterior e os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira já tinham votado. O Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa não participou do julgamento. Fl. 6963DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.964 3 Relatório Adoto o relatório do v. acórdão recorrido, abaixo colacionado. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 02/96, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$2.145.087,29, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 09/2012. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$725.849,22, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 09/2012. Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$171.426,93, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 09/2012. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$789.603,08, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 09/2012. Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 6.880.527,11, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 09/2012. I.1 – DESCRIÇÃO DOS FATOS. IRPJ. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “LANÇAMENTO PRINCIPAL DO IPJ. 0001 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. COMPROVAÇÃO DA INIDÔNEA DE DESPESAS. Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo. (...) 0002 – CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS. COMPROVAÇÃO DA INIDÔNEA DE CUSTOS Contabilização de custos com base em documentos inidôneos, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF). (...) 0003 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CSLL DO PERÍODO Fl. 6964DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.965 4 Valor de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo.” I.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – TVF (FLS. 97/110). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. 1 – DOS FATOS PRELIMINARES. A Protominas Indústria e Comércio Ltda optou pela apuração do Imposto de Renda com base no lucro real trimestral no ano de 2008, conforme Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue ao fisco, cuja cópia encontrase anexa. (...) No período sob ação fiscal, a fiscalizada sofreu retenção na fonte de Contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) conforme Declaração de Imposto de Renda de Fonte (Dirf) anexa, na qual a Protominas consta como beneficiária. Valores estes que foram deduzidos na apuração das referidas contribuições pelo fisco. O sujeito apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), declarando tributos no período sob análise fiscal, conforme cópias anexas. Tais valores foram considerados pelo fisco na apuração dos valores devidos dos tributos objetos da presente fiscal. O presente procedimento fiscal originouse com a intimação, por via postal, do sujeito passivo em 04/10/2010, através do Termo de Intimação Fiscal nº 583/2010, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência (MPFD) nº 06.1.10.00.2010 00639 6. (...) (...) (...) foi instaurado novo procedimento de fiscalização amparado desta vez pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 06.1.10.002011000839, que se iniciou com a ciência do sujeito passivo, por via postal, em 28/02/2011, do Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF), conforme aviso de recebimento anexo. No referido termo foram solicitados livros e documentos ali citados. (...) Após análise da documentação apresentada verificouse a necessidade de circularizar as transações comerciais com os fornecedores Alges Indústria e Comércio de Estamparia Ltda e PH Transportes Ltda. DA ALGES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTAMPARIA. (...) Pelas informações constantes do sistema de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita Federal e contrato social apresentado, as sócias da Alges são Adriana Gomes Almeida, CPF nº 649.218.75634 e Maria Helena de Almeida Passos, CPF nº 813.234.25691. (...) Fl. 6965DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.966 5 Quando comparadas informações cadastrais dos sócios da Alges e da Protominas, verificase que Maria Helena de Almeida Passos (Alges), reside no mesmo endereço do Geraldo Tolentino Passos (Protominas) à rua Bernardo Monteiro, 1.000, Contagem, MG. Fatos que aliados ao sobrenome Passos, denotam uma relação de parentesco entre ambos. Na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), do exercício 2012, anexa, apresentada por Sergio de Almeida (sócio da Protominas), consta como dependente (filha) Letícia Gomes de Almeida, CPF nº 117.186.46631. Quando obtidas as informações cadastrais do CPF de Letícia Gomes de Almeida nos sistemas da Receita Federal, verificase ser Adriana Gomes Almeida (Sócia da Alges) é sua mãe. Fato que leva a concluir a existência de relação marital entre Adriana Gomes e Sérgio de Almeida. (...) DA PH TRANSPORTES LTDA. (...) As informações do quadro societário da PH Transportes Ltda no sistema CNPJ da Receita Federal informam como sócios Sabrina Almeida Passos, CPF nº 050.049.92681 e Silas de Almeida Passos, CPF nº 038.118.50601. (...) Pelo que se observa das informações do cadastro de CPF coladas acima, a mãe (Maria Helena de Almeida Passos) dos sócios da PH Transportes é sócia da Alges. Observase ainda que o endereço de mãe e filhos é à rua Bernardo Monteiro, 1.000, Contagem, MG. Coincidentemente Maria Helena, Sabrina e Silas residem no mesmo endereço do sócio da Protominas, Geraldo Tolentino Passos, fatos que denotam relação de parentesco entre eles. Suponho que sejam pais e filhos. Pelas Declarações de Imposto de Renda de Fonte (DIRF) apresentadas pela PROTOMINAS, Sabrina Almeida Passos e Silas de Almeida Passos, sócios da PH Transportes, constavam como funcionários da mesma em 2010 e 2011, conforme cópias das declarações anexas. (...) Na análise efetuada confirmouse que Maria Helena de Almeida Passos, Geraldo Tolentino Passos, Sabrina de Almeida Passos e Silas Almeida Passos, residem no imóvel sito a Rua Bernardo Monteiro, 1.000, bairro Camilo Alves, Contagem, MG. E que este imóvel foi comprado por Geraldo Tolentino Passos em 2010, conforme Declaração do Imposto de renda da Pessoa Física (DIRPF) anexa. (...) 2 – DO QUANDRO SOCIETÁRIO. A Protominas Indústria e Comércio Ltda encontrase registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais desde 10/02/1996 com o objetivo social de confecção, construção de protótipos, dispositivos de Fl. 6966DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.967 6 soldas, controles, montagens, matrizes, estampagem de peças em geral para indústrias, conforme contrato social e alterações contratuais anexas. 3 – FATOS APURADOS E LANÇAMENTO. A partir da documentação contábil e fiscal apresentada pela Protominas e Alges confrontada com os valores informados nas Declarações de Informações Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e dos valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no período fiscalizado, apurouse as seguintes irregularidades, descritas a seguir. É importante frisar que a fornecedora PH Transportes Ltda, não atendeu a intimação para apresentação da documentação fiscal e contábil. 3.1 – GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS E PAGAMENTOS SEM CAUSA. CUSTOS E DESPESAS INIDÔNEAS: NOTAS FISCAIS DE FAVOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS CONTRATADAS. Efetuamos a glosa do montante de R$ 3.478.750,39 contabilizado a título de custos de industrialização por encomenda, contas contábeis 2191 (Serviços Utilizados como Insumos), 2793 (Industrialização Efetuada por Terceiros), 2863 (Locação de Bens e Equipamentos), e despesas na conta contábil 2443 (Serviços Prestados por Pessoa Jurídica) no período de 1º/01/2008 31/12/2008, relativos às notas fiscais de entrada das empresas Alges Acabamento e Pintura Industrial Ltda e PH Transportes Ltda, criadas pelo mesmo grupo familiar ao qual também pertence a empresa Protominas Indústria e Comércio Ltda, com objetivo de majorar artificialmente custos e despesas para a fiscalizada e distribuir os “lucros” advindos destas transações comprovadamente simuladas, conforme exaustivamente detalhado no presente Termo de Verificação Fiscal (TVF). (...) DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.968 7 A glosa de custos e despesas alterou o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do período, cuja diferença foi adicionada ao lucro líquido do período para apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), conforme QUADROS Nº 01 e 02, anexo ao presente Termo de Verificação Fiscal (TVF). DA CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) A glosa de custos implicou na alteração dos valores devidos da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS), cujas bases de cálculo encontramse detalhadas no QUADRO Nº 03, anexo ao presente Termo de Verificação Fiscal (TVF). Além da glosa de custos, houve também utilização indevida de valores escriturados nas contas contábeis 2191 (Serviços Utilizados como Insumos) e 2863 (Locação de bens e Equipamentos). Isso porque a planilha demonstrativo da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins) apresentada pela fiscalizada utilizou valores inexistentes de saldos nessas contas, conforme encontrase demonstrado no QUADRO Nº 03, Anexo 05, no item Demonstração dos Valores Divergentes na Apuração do Crédito do PIS e da Cofins – Item Serviços Tomados – Contas Contábeis 2191 e 2863. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)) Houve também a exigência de Imposto de Renda de Fonte incidente sobre os valores pagos aos fornecedores Alges e PH Transportes, contas contábeis 1099 (Fornecedores Nacionais), 7406 (Fornecedor Alges), 7938 (Fornecedor PH Transportes ) e 4270 (Adiantamento a Fornecedor PH Transportes), uma vez que ficou amplamente comprovado no presente Termo de Verificação Fiscal (TVF) que foram pagamentos sem causa. Tais pagamentos encontramse detalhados no QUADRO Nº 4, bem como a memória de cálculo do Imposto de Renda de Fonte. (...) 3.2 – DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Os elementos constantes do presente Termo de Verificação Fiscal (TVF) não deixam dúvidas quanto ao fato de que os registros contábeis dos valores das supostas transações com os fornecedores Alges e PH Transportes Ltda teve o propósito deliberado de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador dos tributos aqui exigidos. As vultosas quantias envolvidas e a prática reiterada denotam uma atitude dolosa da fiscalizada em criar custos e despesas de forma artificial, através de empresas criadas no seio familiar, com ínfimo valor de capital social e tributação simplificada, como já comprovado anteriormente, para impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fiscal dos reais valores devidos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social. Fl. 6968DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.969 8 (...) 4 – CONCLUSÃO Diante dos fatos apontados no decorrer deste relatório fiscal foram efetuados lançamentos dos seguintes tributos, exigidos com a incidência de juros de mora até a data do lançamento e multa de ofício, agravada: (...) Todos os tributos foram exigidos com multa de ofício agravada, conforme ficou comprovada no Termo de Verificação Fiscal (TVF) a ocorrência de situações que caracterizam a sonegação e fraude. Fato que ensejou a formalização do processo de Representação Fiscal para Fins Penais nº 13603.722157/201294. II – DAS IMPUGNAÇÕES. Tendo sido dele cientificado pessoalmente em 02/10/2012, o sujeito passivo contestou o lançamento em 31/10/2012, mediante instrumentos de defesa para cada tributo. Adiante compendiamse suas razões. PARA O IRPJ fls. 4486/4748 (impugnação e anexos). 1. NOTAS INTRODUTÓRIAS. Inicialmente, a defesa ressalta a tempestividade da impugnação apresentada. 2. O AUTO DE INFRAÇÃO. Foram glosadas despesas operacionais deduzidas pela Impugnante na apuração do IRPJ, relativas aos custos da empresa com o pagamento dos fornecedores Alges Acabamento e Pintura Industrial Ltda e PH Transportes Ltda. Tais pagamentos foram contabilizados nas seguintes contas: 2191 – Serviços utilizados como insumos; 2793 – Industrialização efetuada por terceiros; 2863 – Locação de bens e equipamentos; 2443 – Serviços Prestados por Pessoa Jurídica. O Fisco verificou que a Alges possuía um saldo expressivo a receber da Protominas. Após análise da documentação fornecida, efetuouse a circularização das transações comerciais da Impugnante com as empresas Alges e PH. Segundo conclusão do Fisco, a Alges era uma das principais fornecedoras da Impugnante, tanto em termos de valores como de transações comerciais. A natureza da maioria das operações, conforme consignado na autuação era de prestação de serviços de industrialização até manutenção técnica em equipamentos. O Relatório Fiscal assevera que a Alges, à época fiscalizada, tributava o seu resultado pela sistemática do Lucro Presumido, com o percentual de 8%. Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.970 9 O Fisco concluiu que havia relações de parentesco entre os sócios da Alges e os sócios da Protominas, mais precisamente que as sócias Adriana Gomes de Almeida e Maria Helena de Almeida Passos são esposas dos sócios da Protominas. Esse fato, registrese de já, embora não viole nenhuma regra do nosso ordenamento jurídico, é um dos alicerces em que se amparou a autuação fiscal, conforme se tratará oportunamente. Segundo a autuação, no Livro Caixa da Alges foram verificadas diversas transferências de valores expressivos sem a identificação do beneficiário. Ocorre que esse fato é totalmente inócuo para a presente autuação, uma vez que a empresa autuada é a Impugnante e não a Alges, não cabendo ao Fisco perquirir, nesse procedimento, as operações da fornecedora da Impugnante. O Fisco afirma que a empresa PH faz diversas operações com a Protominas, como a locação de máquinas e equipamentos e prestação de serviços, embora, no seu contrato social, conste apenas o objeto de prestação de serviços de transporte rodoviário e locação de veículos. O Fisco afirma que a PH, embora locadora de veículos, não possui nenhum deles em seu nome e conclui que ela é composta pelos filhos de uma das sócias da Alges. Anota que entre 2010 e 2011 os sócios da PH eram funcionários da Protominas. Por fim, afirma que a empresa não foi localizada e não respondeu à intimação. Após confrontar as DIPJs e DCTFs da Protominas com a documentação contábil e fiscal, o Fisco aduz que foram apuradas irregularidades. O mote da autuação é a suposta tentativa de majorar artificialmente custos e despesas para a fiscalizada e distribuir os “lucros” advindos destas transações simuladas. Quanto à coexistência de saldos expressivos nas contas contábeis fornecedor e adiantamento a fornecedor Alges, a Impugnante explica: (i) Inicialmente, as empresas mantinham entre si uma conta corrente, de sorte que as quitações feitas pela Impugnante visavam quitar o débito que, à época, ela havia acumulado com a sua fornecedora. (ii) Em segundo lugar, por questões mercadológicas, notadamente pela mundialmente famosa crise de 2008, que assolou, fortemente, o setor mercadológico da Impugnante, a Alges, parceira e fornecedora, houve por bem dilatar os prazos de pagamento pelos serviços prestados e pelas mercadorias fornecidas, de sorte que havia uma dívida acumulada pela Impugnante com aquela empresa. (iii) A conta corrente mantida foi perfeitamente escriturada e afasta, de já, alegações de que houve simulação nas operações entre as empresas. (iv) De mais a mais, eventuais equívocos na escrituração das operações entre as empresas, com a coexistência dos saldos acima mencionados, não desnatura a realidade de que as operações eram reais, conforme se demonstrará, com maior vagar, a seguir. Quanto ao empréstimo da Protominas em favor da Alges, no valor de R$1.035.000,00, registrado na conta contábil nº 1.099 – Fornecedores Nacionais, em 26/06/2008, cumpre ressaltar que o empréstimo foi realizado pela Protominas justamente pra amortizar parte do seu Fl. 6970DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.971 10 débito com a Alges, havendo o comprovante de que esse valor foi transferido imediatamente àquela empresa (doc. 8). Conforme se demonstrará adiante, a empresa Alges existe e existiu, exercia as suas atividades em um galpão de 1.000m2 (doc. nº 10), possuía empregados, maquinário e toda a estrutura de uma empresa normal. Não se nega que se tratava de uma empresa do grupo da Impugnante, mas a sua cooperação era exclusivamente empresarial, ou seja, no âmbito dos negócios realizados entre as duas empresas e não havia qualquer tipo de utilização dessa empresa para distribuição dos lucros. Quanto às conclusões do Fisco acerca da empresa PH, alega, a esse caso aplicase a mesma resposta que se deu para a relação com a Alges, qual seja a de que se tratava de parceira comercial com a qual a Impugnante realizava as operações no formato “conta corrente”. A PH era uma empresa optante pelo SIMPLES Nacional à época, de sorte que possuía poucas obrigações acessórias, valendo, ainda, anotar que a empresa entregou ao Fisco a sua DASN, diferentemente do alegado na autuação fiscal (Doc. nº 11). Foram efetuadas as glosas de todos os custos contabilizados para as operações com as empresas Alges e PH Transportes. Quanto à multa, o Fisco entendeu por bem aplicála em sua forma qualificada, à alíquota de 150%. A glosa fiscal, todavia, dadas as vênias de estilo, incorre em uma série de ofensas ao ordenamento jurídico nacional, que impõem o seu pronto cancelamento, na medida em que: (a) O Fisco não comprovou, cabalmente, que as operações entre a Impugnante e as empresas Alges e PH, no ano de 2008, tiveram como objetivo, em suas palavras, “a criação de custos e despesas de forma artificial, através de empresas criadas no seio familiar (...)”. Na verdade, foram apresentados alguns indícios, cujo conjunto é superficial para a comprovação de uma autuação tão grave, cujo ônus probatório, insistase, é do Fisco. (b) A Alges existe há 8 anos, conforme se depreende de seu contrato social, possuía, no ano de 2008, 18 funcionários, conforme Resumo da Folha de Salários ora anexada, apresentou tempestivamente, todas as obrigações acessórias (DIPJ, DCTF, GFIP, dentre outras), estava estabelecida em um galpão de 1.000 m2, conforme contrato de locação e IPTU anexos (Doc. nº 10, cit.), pagava contas de luz compatíveis com o seu consumo e não detinha estoque porque a sua atividade, de industrialização por encomenda, não demandava um grande volume de matériasprimas. (c) A PH também existe além de seu contrato social, tendo sido criada em 2005. Não possuía veículos em sua frota, composta por veículos tercerizados, prática comum nesse ramo de negócios. (d) A Protominas e a Alges, em virtude do fluxo de mercadorias, notas fiscais, duplicatas e valores criaram uma conta corrente entre si, a qual era registrada na sua contabilidade. A Protominas passou a apresentar um saldo devedor expressivo na referida conta, quitada paulatinamente em 2008, tendo havido, até mesmo, a contratação de um empréstimo pela Protominas para amortizar o débito com a Alges. Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.972 11 (e) Todos os valores objeto de glosa foram efetivamente pagos pela Impugnante à Alges e à PH, sendo certo que foram escriturados, em ambas empresas, em observância à legislação. Além disso, a Alges e a PH quitaram, corretamente, os tributos devidos naquele ano, sendo certo que nada impedia, se quisesse, de distribuir os lucros acumulados. (f) O fato de as empresas possuírem parentes em seus quadros societários não é indício de nenhuma irregularidade. (g) Se as empresas realizaram a escrituração adequada de todas as suas operações, cumpriram as suas obrigações principais e acessórias, apresentaram os documentos que a fiscalização solicitou, sempre que intimadas para tanto, não se pode falar, nem de perto, em práticas para impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador. 3. DIREITO. 3.1. Breve introdução da legislação aplicável ao IRPJ na sistemática do lucro real. (...) O conceito de despesas operacionais está no art. 299 do RIR/1999. São necessárias, portanto, aquelas despesas que são imprescindíveis para que a empresa possa exercer a sua atividade, mantendose viável a existência da fonte pagadora. (...) No caso dos autos, cumpre anotar que as empresas Alges e PH eram, efetivamente, fornecedoras da Impugnante, conforme provas colacionadas aos autos. Os serviços prestados por essas empresas eram imprescindíveis para a consecução do objeto social da Impugnante. 3.2. NO MÉRITO: DA COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS PELAS EMPRESAS FORNECEDORAS DA IMPUGNANTE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DAS GLOSAS. 3.2.1. Da empresa Alges Indústria e Comércio de Estamparia Ltda. A empresa Alges prestava serviços de industrialização por encomenda à Protominas, consistentes na estamparia das peças e protótipos produzidos pela Impugnante. A estampagem é essencial para que o produto seja moldado para atender aos pedidos dos clientes e para aumentar a sua durabilidade e resistência, de sorte que se trata de despesa operacional da Impugnante. Sendo tais despesas dedutíveis, passase ao segundo ponto relevante: a comprovação de que inexistiam as “notas fiscais de favor” e que os serviços eram efetivamente prestados. Em primeiro lugar, não há nenhuma legislação que vede as relações comerciais entre Grupos Familiares. A Alges alugou um galpão de 1.000m2 situado na Rua Toyota, nº 654, Bairro Jardim Piemont, Betim/MG (Doc. nºs 03 e 10). No Fl. 6972DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.973 12 referido galpão, trabalhavam, à época a que alude a autuação, 18 (dezoito funcionários), gerando uma folha de salários de R$ 34.893,38 (Vide resumo de folhas do ano de 2008 – Doc. nº 05). A empresa possuía, à época, maquinário suficiente para as notas fiscais de prestação de serviços emitidas contra a Impugnante, conforme se verifica do acervo probatório anexo (Doc. nº 10). As empresas, dada a sua longa e constante relação, estabeleceram, para fins logísticos e até para economizarem taxas bancárias, uma conta corrente entre si. (Doc. nº 04). Quanto ao empréstimo, de R$1.035.000,00 (conforme contrato anexo), esse valor foi utilizado para amortizar o débito que a Impugnante possuía com essa empresa, conforme demonstrativo da conta corrente anexo (doc. nº 04, cit.) As empresas possuíam um controle bastante completo de todas as transações entre elas. A atuação da Impugnante em relação à Alges demonstra, claramente, que as despesas foram deduzidas da base de cálculo do IRPJ de forma correta, de sorte que se impõe o cancelamento das glosas efetuadas, com a conseqüente insubsistência da autuação. 3.2.2. Glosas de despesas com a PH TRANSPORTES. A referida empresa era parceira comercial da Protominas para ajudála no transporte de mercadorias e funcionários, uma vez que se tratava de uma demanda bastante considerável e a Impugnante precisava de uma parceira para auxiliála. Diferentemente do alegado, a PH Transportes apresentou sim a DANS – Declaração Anual do Simples Nacional (Doc. nº 11). E aquela declaração apontou que a empresa auferiu receita bruta no ano de 2008 e quitou os valores devidos a titulo de tributos do SIMPLES Nacional. As empresas mantinham também uma conta corrente, mas menos sofisticada que a acima apontada, de sorte que os pagamentos eram efetuados para amortizar os débitos acumulados da Protominas com a PH. Quanto ao não atendimento da empresa à diligência, calha destacar que era ônus do Fisco verificar, em seu sistema, se a empresa se mudou, e buscar o seu endereço correto, uma vez que o que se vê dos autos é que o Fisco criou presunção de que essa empresa não existia e aplicou as penalidades que reputou cabíveis. Caso, a par dos robustos elementos trazidos aos autos, permaneça alguma cobrança exigida na autuação combatida, cumpre anotar que não se pode aplicar, ao caso, a multa qualificada de 150%. 3.2.3. Do não cabimento e da natureza confiscatória da multa de 150%. Como visto acima, as duas fornecedoras da Impugnante, Alges e PH, apuraram corretamente os seus tributos, no período autuado, os Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.974 13 quitaram da forma correta, transmitiram as obrigações acessórias e realizaram todos os atos que a legislação tributária exigia. A atuação da Impugnante, tanto no período fiscalizado, quanto ao longo da fiscalização, não é a de uma empresa que pretende retardar o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador. Pelo contrário, confiante na regularidade das suas operações, a empresa cumpriu todas as obrigações a tempo e modo e foi diligente ao atender a Fiscalização. Tendo como diretriz o princípio do Direito no qual a fraude não pode ser presumida e, diante das explicações e documentos acima apresentados, quais sejam (i) comprovantes de diversas despesas da Alges e de que a empresa possuía 18 empregados, conta bancária regular, contabilidade regular; (ii) demonstração da conta corrente criada entre as empresas para facilitar o fluxo de capitais e serviços; (iii) demonstração da origem e motivo do empréstimo efetuado pela Impugnante no montante de R$1.035.000,00; (iv) comprovação de que a PH cumpriu as suas obrigações acessórias do Simples Nacional em 2008 (DASN) e que ela registrou faturamento naquele ano e quitou o tributo, dentre outros elementos, não se pode vislumbrar a caracterização de evidente intuito de fraude. Em face das diretrizes interpretativas estabelecidas pelo art. 112 do CTN e diante das circunstâncias relatadas e comprovadas pela Impugnante, fica evidente a ausência de elemento material suficiente para a caracterização da multa agravada. Constatase ainda que a multa aplicada no percentual de 150% do valor do imposto lançado se revela desproporcional e confiscatória. 4. DO PEDIDO. O Impugnante requer o julgamento procedente da sua impugnação; e sucessivamente, caso prevaleça algum ponto da autuação, a diminuição da multa para o percentual de 75%. PARA A CSLL fls. 4964/5227 (impugnação e anexos). O Impugnante repete as mesmas razões de defesa apresentadas para o IRPJ. PARA A COFINS E O PIS fls. 5443/5706 e 5921/6185 (impugnação e anexos). (...) 3. DIREITO. 3.1. Breve introdução da legislação aplicável ao PIS/COFINS não cumulativo. (...) No caso dos autos, cumpre anotar que as empresas Alges e PH eram, efetivamente, fornecedoras da Impugnante, conforme provas colacionadas aos autos. Os serviços prestados por essas empresas eram imprescindíveis para a consecução do objeto social da Impugnante, de sorte que eles devem ser considerados como insumos hábeis à tomada de créditos de PIS/COFINS. Fl. 6974DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.975 14 Nesse sentido, a legislação do PIS/COFINS é clara ao permitir o desconto no valor apurado dos créditos calculados em relação aos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Com efeito, a estampagem e pintura dos produtos comercializados pela Impugnante são necessárias à sua atividade. PARA O IRRF fls. 6408/6673 (impugnação e anexos). A Fiscalização considerou que os pagamentos efetuados pela Impugnante a dois de seus principais fornecedores não possuíam lastro na prestação de serviços ou fornecimento de mercadorias, tendo caracterizadoos como pagamentos sem causa, sujeitos, de acordo com o seu entendimento, ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. 3. DIREITO. 3.1. Breve introdução da legislação aplicável ao IRRF. (...) Ocorre que não se trata, nem de perto, de pagamentos sem causa. Pelo contrário, conforme se verá dos comprovantes de transferência anexados, todos os valores contabilizados pela Impugnante como pagamentos às empresas Alges e PH Transportes correspondem, na verdade, a pagamento pelos serviços prestados, considerandose que havia uma conta corrente entre as empresas, cabendo, desde já, ressaltar que as empresas estão identificadas em TODOS os comprovantes (doc. nº 08 e 12). O v. acórdão (fls.6918/6942) decidiu manter parte das exigências perpetradas nos Autos de Infração de PIS/COFINS, registrando a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GLOSAS DE CUSTOS OU DESPESAS. INEXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES. FALTA DE PROVA. Não subsistem as glosas de custos ou despesas devidamente contabilizadas pelo contribuinte, motivadas pela inexistência das operações, quando não houver nos autos provas suficientes que atestem o motivo invocado pelo Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao IRPJ estendese à CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 Fl. 6975DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.976 15 PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. Todavia, não subsiste essa tributação quando o beneficiário do rendimento for devidamente identificado e haja causa para a operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ. São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 Devem ser desconsiderados os efeitos das glosas de créditos da contribuição decorrentes de operações com insumos para industrialização, uma vez restabelecidos os custos glosados pela Fiscalização, no lançamento do IRPJ. São cabíveis as glosas de créditos pela utilização indevida de valores escriturados como insumos e locação de bens e equipamentos. A planilha apresentada utiliza saldos inexistentes nessas contas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ interpôs Recurso de Ofício para revisão da matéria cancelada. A autuada não interpôs Recurso Voluntário, quedandose inerte em relação aos créditos mantidos. É o relatório. Fl. 6976DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.977 16 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, cumpre ressaltar que em relação à parte dos créditos de PIS/COFINS mantidos pelo v. acórdão recorrido entendo que deve ser mantida, eis que a Recorrente não interpôs Recurso Voluntário e não ofereceu contrarrazões ao Recurso de Ofício, aceitando tacitamente os termos da decisão, restando precluso o direito de recurso. Assim, em relação à parte pertinente aos acréscimos às bases de cálculo dos valores escriturados nas contas contábeis 2191 e 2863 e tendo em vista a planilha "Demonstrativo" apresentada pela Fiscalizada, que utilizou valores inexistentes de saldos nessas contas, consoante o QUADRO Nº 03, Anexo 05, no item Demonstração dos Valores Divergentes na Apuração do Crédito do PIS e da Cofins – Item Serviços Tomados – Contas Contábeis 2191 e 2863, eis que as glosas de créditos ocorrem em função da inexistência de saldo nestas contas contábeis, deve ser mantida a exigência com a imputação da multa de 75%. Para não deixar dúvida, colaciono a parte do v. acórdão recorrido onde consta a parte que foi cancelada do Auto de Infração relativa ao PIS/COFINS. DO PIS E COFINS. LANÇAMENTO. MÉRITO. Como salientou o Fisco no TVF, a glosa de custos implicou na alteração dos valores devidos da Cofins e do Pis/Pasep. As bases de cálculo dessas contribuições foram detalhadas no QUADRO Nº 03, anexo ao presente Termo de Verificação Fiscal (TVF). Considerando que a legislação de regência tanto da Cofins como do Pis/Pasep (Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003) admite a possibilidade de créditos dessas contribuições serem deduzidos dos valores apurados mensalmente, nos casos em que se referem a insumos consumidos ou aplicados na produção de bens e produtos destinados à venda ou na prestação de serviços e afastadas as glosas de custos feitas pelo Fisco, tais créditos devem ser restabelecidos, notadamente, os decorrentes das notas fiscais contabilizadas na Conta Contábil 2793, constantes do QUADRO Nº 3 – ANEXO 03 (demonstrativos de fls. 130/136). Ainda, foram acrescidas às bases de cálculo valores escriturados nas contas contábeis 2191 e 2863, tendo em vista que a planilha demonstrativo apresentada pela Fiscalizada utilizou valores inexistentes de saldos nessas contas, consoante o QUADRO Nº 03, Anexo 05, no item Demonstração dos Valores Divergentes na Apuração do Crédito do PIS e da Cofins – Item Serviços Tomados – Contas Contábeis 2191 e 2863. Nessa parte da autuação, tendo em vista que as Fl. 6977DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.978 17 glosas de créditos ocorrem em função da inexistência de saldo nestas contas contábeis, mantémse o procedimento fiscal. Todavia, não subsistem os fundamentos invocados pelo Fisco para qualificar a multa de ofício, no percentual de 150%, que deve ser reduzido para o de 75%. Senão vejamos. O lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Entretanto, como já se viu, restou afastado o fundamento que justificou a imposição de multa qualificada, o qual segundo consta do TVF, foi o de que: “os registros contáveis dos valores das supostas transações com os fornecedores Alges e PH Transportes Ltda teve o propósito deliberado de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador dos tributos aqui exigidos”. O v. acórdão recorrido, após expor com tabelas as bases dos ajustes e quais os créditos excluídos (fl.6941), conclui da seguinte forma: DA CONCLUSÃO. Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, para: EXONERAR as exigências do IRPJ, CSLL e IRRF. MANTER a exigência da Cofins, no valor de R$115.159,01 (valores parciais discriminados em quadro acima), acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora cabíveis. MANTER a exigência do Pis, no valor de R$25.001,60 (valores parciais discriminados em quadro acima), acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora cabíveis. Finalmente, em razão da exoneração de crédito tributário acima do limite de alçada, cumpre ressaltar que cabe recurso de ofício. Sendo assim, face ausência de recurso da autuada, não resta alternativa senão manter os respectivos créditos desta parte da exigência fiscal, que foi confirmada no v. acórdão "a quo", proferido pela DRJ. Fl. 6978DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.979 18 Do Recurso de Ofício: Basicamente, a acusação se fundamenta na suposta criação de empresas pertencentes ao mesmo grupo e familiares, para gerar despesas e custos a serem deduzidos na empresa Recorrente e reduzir de forma irregular o imposto a pagar. Apesar de a Fiscalização constatar que o grupo foi formado com empresas pertencentes a familiares próximos, apontando indícios de planejamento tributário, tal fato isoladamente não tem força probatória suficiente para atestar a ocorrência de planejamento tributário abusivo, com intuito de fraudar a lei fiscal. No meu entender, seria necessário a Fiscalização ter se aprofundado mais; como por exemplo, obter provas ou indícios veementes de que (i) os documentos fiscais emitidos eram inidôneos (não há notícia no TVF acerca disso), (ii) inexistia estabelecimento industrial (a defesa provou o contrário, que as empresas existiam e tinham totais condições de prestar os serviços e atender à demanda), (iii) demonstrar que não existiam pagamentos para as operações comerciais objeto da infração tipificada no lançamento (a defesa provou a existência de pagamentos, ainda que não totalmente casados com as contas correntes mantidas entre as empresas) e (iv) demonstrar que as empresas fornecedoras eram inadimplentes no tocante às suas obrigações fiscais (a defesa provou o contrário, na medida em que foram entregues as declarações pertinentes e que tributos foram pagos). Assim, entendo que a Fiscalização não conseguiu apurar provas concretas de que as prestações de serviços não ocorreram ou de que as empresas não possuíam estrutura física e operacional compatível com os serviços prestados. Nem fez provas no sentido de que as despesas glosadas não eram normais, usuais e necessárias. A acusação se ateve apenas ao ponto de que as despesas e os pagamentos sem causa foram gerados por meio de operações que não existiram na realidade, utilizando como principal fundamento o fato de que o grupo era composto por empresas cujos sócios eram familiares. A Recorrente, em sede impugnação, demonstrou documentalmente que as operações de fato ocorreram com os respectivos pagamentos e registros contábeis e fiscais, bem como que as empresas que compõe o grupo realmente existem e tem autonomia operacional, com função específica dentro do procedimento comercial do grupo. Assim, devido a tais lacunas no trabalho da fiscalização, não está claro no TVF que a formação do grupo econômico familiar tenha resultado em planejamento tributário abusivo com fraude à lei fiscal, no intuito de sonegar ou fraudar. Como a questão dos autos é puramente de prova da efetividade da prestação dos serviços, haja vista que as empresas prestadoras dos serviços pertencem a familiares próximos dos sócios do contribuinte (esposas e filhos), a Fiscalização tinha que comprovar que os serviços não foram prestados ou que as empresas não tinham condições para arcar com os serviços e que os pagamentos não foram feitos. Fl. 6979DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.980 19 A Fiscalização deveria, no mínimo, demonstrar que tais fornecedoras foram criadas apenas para gerar os custos, que segundo narrado na acusação, seriam fictícios. Ocorre que na impugnação a Recorrente conseguiu por meio de documentos demonstrar que as empresas existiam há anos e que eram reais, com empregados, espaço físico e que realmente prestavam tais serviços para a autuada mediante pagamentos. Assim, como no lançamento de ofício, cumpre à autoridade fiscal fazer provas das infrações imputadas (art. 9º do PAF) que impliquem no aumento da base de cálculo tributável; e ao autuado cabe o ônus da prova dos custos, despesas e de outros fatos ou operações que impliquem na redução das bases de cálculo; entendo que neste processo em epígrafe a Recorrente satisfez sua obrigação de melhor forma do que a Fiscalização. Vejamos. A defesa apresentou provas robustas, demonstrando que a Alges possuía estrutura física e operacional compatível com os serviços prestados, conforme pode se verificar nos documentos juntados aos autos e que também estão apontados no v. acórdão recorrido como fundamento para cancelar estes créditos do lançamento de ofício, vejamos os documentos mais importantes juntados por ela, relativos à Alges: (a) cópia de contrato de locação de um Galpão localizado à Rua Vereador Jurandino Andrade, nº 618A – Bairro Jardim Piemonte – Betim/MG, destinado exclusivamente para fins comerciais (documento de fls. 4530/4535); (b) esse é o endereço cadastral da Alges, conforme consta da Ficha 02, da DIPJ 2009, ano base de 2008 (vide fls. 4645); (c) resumos das folhas de salário do pessoal contratado pela Alges nos períodos de janeiro a dezembro de 2008 (documento de fls. 4546/4581); (d) cópia da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do ano base de 2008 (documento de fls. 4582/4594); (e) relação de notas fiscais de entrada e saída (documento de fls. 4595/4639); (f) amostragem do Livro Razão da Protominas, contemplando as operações com a Alges, no ano de 2008 (documento de fls. 4640/4642); Ademais, como muito bem apontado no voto vencedor do v. acórdão recorrido e corroborando com os argumentos e provas acima apontadas, vejamos. Ainda, corroborando os serviços de industrialização prestados pela Alges à Protominas, constam dos autos notas fiscais de remessa para industrialização emitidas desta para aquela (vide fls. 468/505, 869/880); e notas fiscais de saída, cuja natureza da operação foi “Industrialização – CFOP 5124”, emitidas da Alges com destino à Protominas (vide fls. 819/831). Fl. 6980DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.981 20 Foram também juntados documentos pertinentes às obrigações fiscais da Alges: (g) cópia da DIPJ 2009/2008 enviada à RFB pela Alges, onde optou pela apuração do lucro presumido e apurou imposto e contribuição social a pagar nos períodos trimestrais de 2008 (documento de fls. 4644/4660); (h) cópia de Recibo de Transmissão do Arquivo – Valor Adicional Fiscal, à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (documento de fls. 4712); (i) cópia das DCTFs enviadas à RFB relativas ao ano de 2008 (documento de fls. 4713/4727); (j) cópia de DAPI transmitida pela Alges ao Estado de Minas Gerais dos meses de janeiro a dezembro de 2008 (documento de fls. 4728/4739); (k) cópia de comprovantes de arrecadação de receitas federais, DARFs recolhidos pela Alges, no ano de 2008 (documento de fls. 6187/6243); No que toca à empresa PH Transportes Ltda, diferentemente do que relatou pelo Fisco no TVF, ela entregou sim a DASN do período de 01 a 31/12/2008, conforme atestam os documentos anexados pela defesa (fls. 6363/6370), bem como o Extrato do Simples Nacional, buscado nos sistemas eletrônicos da RFB e juntado aos autos nessa fase de julgamento (vide documentos de fls. 6891/6914). O referido extrato comprova os correspondentes pagamentos efetuados pela empresa PH. Conforme relata o próprio Fisco no TVF e consoante documentos contábeis anexados pela defesa, o contribuinte contabilizou regularmente as notas fiscais objeto das glosas efetuadas no presente lançamento, a título de custos de industrialização por encomenda (contas contábeis especificadas no TVF). Ainda, a defesa apresentou uma conta corrente contábil onde eram registradas as operações comerciais e os adiantamentos efetuados pela Protominas para saldar o seu saldo devedor para com a Alges (fls. 4537/4545). Aliado a esse controle foram trazidos aos autos comprovantes dos pagamentos efetuados pela Protominas à Alges, conforme atestam as transferências bancárias eletrônicas (documentos de fls. 6245/6334). Verificase, não totalmente, entre os registros contidos na conta corrente, notadamente como “adiantamento para fornecedor Alges”, e os valores das transferências eletrônicas realizadas coincidência de datas e valores. Ocorre que para algumas das transferências bancárias não há exatamente o casamento com o registro de “adiantamento para fornecedor”. Tal fato não deixa de ser uma inconsistência nos registros contábeis efetuados pela Protominas. Contudo as transferências bancárias foram devidamente identificadas da Protominas (emitente) para Alges (favorecida), empresas que, segundo as provas dos autos, realizavam entre si operações comerciais, notadamente de industrialização por encomenda e emitiam os pertinentes documentos fiscais e efetuavam cada qual o correspondente registro contábil do custo ou receita. Faltou, no caso, ao Fisco aprofundar a investigação. Quanto às operações comerciais com a empresa PH Transportes, no mesmo passo, embora menos sofisticado, a defesa alega que a Protominas também mantinha uma conta corrente para saldar os seus Fl. 6981DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.982 21 débitos com essa empresa. Ainda, foram anexados aos autos (fls. 6372/6407), comprovantes de transferências bancárias eletrônicas devidamente identificadas da Protominas (emitente) para a PH (favorecido). Noutro ponto abordado pelo Fisco, realmente existem no Livro Caixa da Alges que contém as entradas e saídas de 01 a 31/12/2008 (fls. 358/399), registros de “TED”, ao longo desse período, sejam de entrada ou saída de recursos, normalmente casados (coincidência de datas e valores), nos quais consta anotado no histórico apenas a informação de “TED”. Ou seja, sem qualquer identificação da operação ou do beneficiário. Tais registros efetuados dessa forma são fortes indícios de infrações fiscais cometidas pela empresa Alges (que devidamente intimada não apresentou a documentação comprobatória dessas operações – vide fls. 627/633), sujeitas à verificação do Fisco, a quem cumpre, à luz do art. 142, “caput” e parágrafo único, do CTN, tipificálas, fundamentálas e lançar o correspondente crédito tributário, a princípio tendo como sujeito passivo a empresa Alges Indústria e Comércio de Estamparia Ltda. No sentido de uma circularização conjunta entre as empresas Alges e Protominas, cuja infração apurada afetasse também a Protominas, tal fato deveria estar devidamente provado nos autos. Entretanto, isso não foi feito. Faltou, mais uma vez, ao Fisco aprofundar a investigação. Vale dizer que esses registros estão no Livro Caixa da Alges; e não se ligam às glosas de custos ou despesas feitas na Protominas. O Fisco aborda como indício das infrações tipificadas o empréstimo, de R$1.035.000,00, datado de 26/06/2008, contraído pela Protominas em favor da Alges. Nas palavras da Fiscalização: “Tal fato é inexplicável e descabido de lógica, vez que desde janeiro daquele ano até a data do adiantamento milionário, a Protominas havia registrado na mesma conta adiantamentos a fornecedores, em todos os meses, sem que se estivesse pagando uma única duplicata ou nota fiscal, conforme se verifica no razão da referida conta”. A defesa, por sua vez, salienta que tal dívida foi contraída justamente para amortizar o débito que a Protominas possuía com a Alges; e apresenta cópia de contrato de empréstimo (documento de fls. 6337/6348). Conforme relata o próprio Fisco esse fato foi contabilizado na Protominas (conta contábil nº 1099 – Fornecedores Nacionais, em 26/06/2008), estando ainda registrada no Livro Caixa da Alges (fls. 382), a entrada no valor de R$1.035.000,00, em 26/06/2008, cujo histórico indica: “LIQUIDAÇÃO P/AMORTIZAÇÃO DUPL. A RECEBERPROTOMINAS IND. COM. LTDA”. Muito embora tenha alegado a defesa que há comprovante de que o referido valor fora transferido imediatamente à Alges e feitas as contabilizações pertinentes, a operação causa estranheza, notadamente porque não se vê nos autos a correspondente transferência eletrônica ou “TED” da instituição financeira (mutuante) para a Protominas ou mesmo diretamente para a Alges. A operação envolveu quantia considerável, o que afastaria a possibilidade de ter sido feita em espécie (conforme registrado no Livro Caixa da Alges). O usual nesses casos é a forma digital (“TED”), mesmo porque o mutuante foi o Banco ABN AMRO Real S/A, segundo documento juntado aos autos pelo Impugnante (fls. 6337/6348). Fl. 6982DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.983 22 Entretanto, salvo a estranheza do Fisco, ele não estabeleceu nenhuma relação direta ou mesmo indireta entre essa operação e as infrações apuradas (glosas de custos). A partir de tal operação, desacompanhada de outros indícios, não se pode inferir pela artificialidade das operações comerciais (industrialização por encomenda) efetuadas entre a Protominas e a Alges. Mais uma vez, faltou o aprofundamento da investigação pelo Fisco. (deveria comprovar que o empréstimo não existiu ou era simulado, mas não comprovou tais fatos nos autos lembrando que a autuada é a Recorrente Protamidas que tomou o empréstimo). Noutro ponto, o contribuinte não negou a existência do grupo familiar apontado no TVF. No entanto, ressaltou que não há restrição legal às relações comerciais entre grupo familiares. Neste toar, a contabilidade regular acompanhada da documentação pertinente e hábil faz prova a favor do Contribuinte/Recorrente, nos termos dos art. 923 a 925, do RIR/99. Como no processo em epigrafe a defesa carreou aos autos provas dos pagamentos das despesas glosadas e comprovou a efetividade da prestação dos respectivos serviços de industrialização, transporte, dentre outros, bem como diante da inexistência de argumentos da fiscalização de que os registros contábeis da empresa não estavam regulares, entendo que o Agente Autuante deveria aprofundar melhor sua investigação para comprovar o suposto planejamento tributário abusivo indicado no TVF (se o contribuinte apresentou registros e documentos regulares cumpre à Fiscalização infirmálos). Ademais, os valores objetos das referidas glosas foram efetivamente pagos; e, segundo as provas dos autos, as correspondentes receitas ou lucros auferidos foram oferecidas à tributação pelas empresas prestadoras/fornecedoras dos serviços, Alges e PH. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material e como a Fiscalização não comprovou de forma cabal a artificialidade das operações comerciais objetos das glosas efetuadas (glosa de custos e pagamento sem causa), não há como considerar os seus efeitos tributários apontados pela Fiscalização. A acusação de planejamento tributário abusivo versada no TVF devido ao "fatiamento" das operações da Recorrente, com a criação de empresas com regime tributário mais favorável, se enquadra melhor para infração de falta de pagamento do imposto, na hipótese de se comprovar a desnecessidade da divisão das operações por meio de criação de empresas ou quando restar comprovado a inexistência delas (na hipótese de se verificar que os serviços não foram prestados por ela ou que a empresa não tem porte físico e econômico compatível com os serviços prestados, dentre outros fatos dependendo da acusação), o que não restou demonstrado nos autos pela Fiscalização. Para a glosa de custos e a infração de pagamento sem causa (IRRF), quando a Recorrente demonstra que os serviços realmente foram prestados e que as empresas de fato existem, com porte físico e econômico compatíveis, com motivo e função dentro do grupo, com o regular registro em documentos fiscais e prova de pagamento do imposto incidente nas operações, não me parece jurídico, racional e correto, manter a acusação apenas pelo fato de as empresas pertencerem a pessoas da família grupo familiar. Fl. 6983DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.984 23 Desta forma, devem ser consideradas na determinação do crédito tributário as parcelas dos tributos recolhidas pelas prestadoras de serviços (Alges e PH) diretamente relacionadas com as infrações levantadas (custo glosado; receita ou lucro tributado na prestadora). Ante o exposto, entendo que não se sustentam as glosas efetuadas pela Fiscalização, devendo ser exoneradas as exigências do IRPJ e da CSLL, todas decorrentes desse procedimento adotado pelo Fisco. Seguindo a lógica da motivação do meu voto, entendo que em relação à acusação de glosa do IRRF devido a pagamento sem causa (beneficiário não identificado), nos termos do artigo 61 da Lei 8.981/95, também deve ser cancelada, eis que restou comprovado nos autos que os pagamentos foram feitos aos beneficiários identificados, a Alge e a PH (só seria possível manter esta infração se restasse comprovado nos autos que as empresas fornecedoras não existiam ou as operações tinham sido simuladas. Mas conforme item de glosa de custos do IRPJ e CSLL acima, tanto as empresas como a regularidade das operações foram comprovadas). Para evitar repetições, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. DO IRRF. LANÇAMENTO. MÉRITO. Afastadas as glosas feitas pelo Fisco, a mesma sorte deve ser dada ao lançamento do IRRF. Senão vejamos. Para lançar o IRRF, incidente sobre os valores pagos aos fornecedores Alges e PH, o Fisco anotou que: “ficou amplamente comprovado no presente Termo de Verificação Fiscal (TVF) que foram pagamentos sem causa”. Contudo, como visto acima, a premissa adotada de “pagamento sem causa” restou afastada. A tributação prevista no art. 674, do RIR/1999 (Lei 8.981, de 1995, art. 61), é exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada e alcança todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica, quando não for identificado o seu beneficiário, aplicandose também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Não subsiste, pois, o fundamento adotado pelo Fisco de “pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa”, devendo ser afastada a tributação prevista nesse dispositivo legal, porque, no caso, os pagamentos foram feitos a beneficiários devidamente identificados (empresas Alges e PH) e as causas seriam as operações comerciais existentes entre o contribuinte e essas empresas, devidamente contabilizadas e emitidos os respectivos documentos fiscais. Sendo assim, a exigência do IRRF deve também ser exonerada. Fl. 6984DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.985 24 Em relação à glosa dos créditos do PIS/COFINS, como o v. acórdão fundamentou adequadamente o cancelamento da exigência, colaciono abaixo esta parte do v. acórdão. DO PIS E COFINS. LANÇAMENTO. MÉRITO. Como salientou o Fisco no TVF, a glosa de custos implicou na alteração dos valores devidos da Cofins e do Pis/Pasep. As bases de cálculo dessas contribuições foram detalhadas no QUADRO Nº 03, anexo ao presente Termo de Verificação Fiscal (TVF). Considerando que a legislação de regência tanto da Cofins como do Pis/Pasep (Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003) admite a possibilidade de créditos dessas contribuições serem deduzidos dos valores apurados mensalmente, nos casos em que se referem a insumos consumidos ou aplicados na produção de bens e produtos destinados à venda ou na prestação de serviços e, afastadas as glosas de custos feitas pelo Fisco, tais créditos devem ser restabelecidos, notadamente, os decorrentes das notas fiscais contabilizadas na Conta Contábil 2793, constantes do QUADRO Nº 3 – ANEXO 03 (demonstrativos de fls. 130/136). Ainda, foram acrescidas às bases de cálculo valores escriturados nas contas contábeis 2191 e 2863, tendo em vista que a planilha demonstrativo apresentada pela Fiscalizada utilizou valores inexistentes de saldos nessas contas, consoante o QUADRO Nº 03, Anexo 05, no item Demonstração dos Valores Divergentes na Apuração do Crédito do PIS e da Cofins – Item Serviços Tomados – Contas Contábeis 2191 e 2863. Nessa parte da autuação, tendo em vista que as glosas de créditos ocorrem em função da inexistência de saldo nestas contas contábeis, mantémse o procedimento fiscal. Todavia, não subsistem os fundamentos invocados pelo Fisco para qualificar a multa de ofício, no percentual de 150%, que deve ser reduzido para o de 75%. Senão vejamos. O lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Entretanto, como já se viu, restou afastado o fundamento que justificou a imposição de multa qualificada, o qual segundo consta do TVF, foi o de que: “os registros contáveis dos valores das supostas transações com os fornecedores Alges e PH Transportes Ltda teve o propósito deliberado de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador dos tributos aqui exigidos”. Importante ressaltar que a Fiscalização não fundamentou adequadamente os motivos pelo quais entendeu que deveria ser qualificada a multa, deixando de apontar fatos que caracterizem motivos para o agravamento. Fl. 6985DF CARF MF Processo nº 13603.722156/201240 Acórdão n.º 1402002.670 S1C4T2 Fl. 6.986 25 Desta forma, além de ter sido constatado nos autos que as operações e as empresas existiam de fato, afastando a acusação de suposto planejamento tributário abusivo, entendo que a fiscalização não fundamentou suficientemente a qualificação da multa, devendo ser mantido o entendimento do v. acórdão no sentido de reduzir para 75% a multa em relação à parte do PIS/COFINS que foi mantida. O v. acórdão recorrido, após expor com tabelas, as bases, ajustes e quais os créditos excluídos (fl.6941), conclui da seguinte forma: DA CONCLUSÃO. Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, para: EXONERAR as exigências do IRPJ, CSLL e IRRF. MANTER a exigência da Cofins, no valor de R$115.159,01 (valores parciais discriminados em quadro acima), acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora cabíveis. MANTER a exigência do Pis, no valor de R$25.001,60 (valores parciais discriminados em quadro acima), acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora cabíveis. Finalmente, em razão da exoneração de crédito tributário acima do limite de alçada, cumpre ressaltar que cabe recurso de ofício. Assim, por todo exposto e por tudo que consta processado nos autos nego provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6986DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906959/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.929
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.906959/2011-74
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756522
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.929
nome_arquivo_s : Decisao_10183906959201174.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10183906959201174_5756522.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6884695
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466358988800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.906959/201174 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.929 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 95 9/ 20 11 -7 4 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10183.906959/201174 Resolução nº 3201000.929 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10183.906959/201174 Resolução nº 3201000.929 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10183.906959/201174 Resolução nº 3201000.929 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10183.906959/201174 Resolução nº 3201000.929 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.935224/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA - COMPENSAÇÃO
Conta-se a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial o prazo de cinco anos para que o sujeito passivo exerça administrativamente o direito reconhecido pelo Poder Judiciário.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA - COMPENSAÇÃO Conta-se a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial o prazo de cinco anos para que o sujeito passivo exerça administrativamente o direito reconhecido pelo Poder Judiciário. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.935224/2009-22
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5781638
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.610
nome_arquivo_s : Decisao_10680935224200922.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10680935224200922_5781638.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6964838
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466362134528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 143 1 142 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.935224/200922 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.610 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PERDCOMP REPETIÇÃO DE INDÉBITO Recorrente GERDAU AÇOMINAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA COMPENSAÇÃO Contase a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial o prazo de cinco anos para que o sujeito passivo exerça administrativamente o direito reconhecido pelo Poder Judiciário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 52 24 /2 00 9- 22 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.935224/200922 Acórdão n.º 3402004.610 S3C4T2 Fl. 144 2 Por bem descrever os fatos e atos processuais adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, documento de fls. 30, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP n° 24334.00812.150708.1.3.041794 (vide fls. 66/71). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP, tendo sido transmitida em 15/07/2008, com o objetivo de reconhecer o direito creditório correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior efetuado em 15/08/2002, para compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, analisadas as informações prestadas, não foi homologada a compensação declarada, em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PERD/DCOMP e a data de arrecadação do DARF. Diante do exposto, a compensação declarada no referido PER/DCOMP NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: Art. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 20 de outubro de 2009, o interessado apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/12, protocolada em 19 de novembro de 2009, na qual salientou a sua tempestividade e alegou: não procede a conclusão do despacho, pois o crédito utilizado para compensação, originário de pagamento a maior de Cofins no período de julho de 2002, o foi dentro do prazo estabelecido no art. 168,1, do CTN; o DARF em questão decorre do recolhimento no valor de R$ 2.415.390,62, realizado em 15/08/2002; a Manifestante veio a ser eximida judicialmente do pagamento da Cofins resultante da base imponível ampliada; tal decisão do STF transitou em julgado em 03/02/2006; a Manifestante, de acordo com o art. 26, da IN/SRF n° 600/2005, efetuou compensação de parte do montante do crédito apurado, referentes aos recolhimentos efetuados a maior nos últimos 5 (cinco) anos anteriores, valendose, para tanto, do Programa PER/DCOMP; em relação aos recolhimentos anteriores, tomou as medidas judiciais para pleitear o reconhecimento do seu direito à habilitação e posterior restituição ou compensação; em 27/04/2007, realizou compensação do crédito de pagamento a maior realizado em 15/08/2002, no valor de R$ 1.393.024,04, com débitos do IRPJ, do 1o trimestre/2007, no montante de R$ 2.483.761,86, por meio do PER/DCOMP original 28382.60142.270407.1.3.045595; Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.935224/200922 Acórdão n.º 3402004.610 S3C4T2 Fl. 145 3 no entanto, em junho/2008, verificou que o débito do IRPJ, do Io trimestre/2007, na verdade, era de R$ 915.817,67; assim, em face da compensação realizada A MAIOR, emitiu, em 09/07/2008, o PER/DCOMP retificador de n° 32120.33855.090708.1.7.045485, fazendose expressa referência ao original de n° 28382.60142.270407.1.3.045595; com relação ao novo saldo credor apurado (no valor de R$ 631.464,06), esse foi utilizado parcialmente para nova compensação de débitos do IRRF, por meio do PER/DCOMP de n° 15003.46834.090708.1.3.047388, novamente fazendose referência ao original de n° 28382.60142.270407.1.3.045595 (nessa compensação novo saldo a compensar foi gerado, no valor de R$ 247.911,35); no entanto, nesse último PER/DCOMP, embora feita referência ao original, não foi feita referência de que se tratava de PER/DCOMP retificador; a empresa, então, emitiu novo PER/DCOMP retificador, em 14/08/2008, sob o n° 16364.85217.140808.1.7.04 5904; por fim, o saldo credor dessa compensação foi utilizado para nova e última compensação com débitos de IPI, por meio do PER/DCOMP de n° 24334.00812.150708.1.3.041794 (o qual é o objeto do Despacho Decisório, ora contestado), novamente fazendose referência ao original de n° 28382.60142.270407.1.3.045595; sendo assim, o Despacho Decisório deve ser revisto, porque: (i) a utilização dos créditos reconhecidos efetivouse dentro do prazo legal previsto no art. 168,1, do CTN, pois afinal o pagamento se deu em 15/08/2002 e a emissão do PER/DCOMP original, do qual se originaram os novos saldos credores posteriormente, se deu em 27/04/2007; (ii) a emissão dos PER/DCOMP posteriores somente se deu em razão da revisão dos débitos compensados; (iii) tratandose de pagamento a maior e conforme pacífica jurisprudência do STJ, o prazo para pleitear a compensação ou restituição é DE 5 (CINCO) ANOS, contados da data de homologação do lançamento, ainda que tácita; e (iv), por último, tratandose de indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade de norma legal, o prazo prescricional apenas teria se iniciado na data do trânsito em julgado da decisão proferida pelo STF, em 03/02/2006. A DRJ/BHE (fls. 97/102), em 13/09/2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao fundamento que se passaram mais de cinco anos entre o pagamento repetível e o envio da DCOMP referida, sendo o termo fatal, em consequência, o dia 15/08/2007. Não resignada, a empresa recorreu (fls. 108/132) a este Colegiado, em síntese repisando os termos do articulado em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. A questão trazida ao nosso conhecimento diz respeito, exclusivamente, se a PERDCOMP a que se refere os autos foi apresentada ou não dentro do prazo decadencial, ou seja, uma prefacial de mérito. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.935224/200922 Acórdão n.º 3402004.610 S3C4T2 Fl. 146 4 Fato inconteste que o trânsito em julgado do mandamus interposto pela empresa no qual saiu vencedora com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, ocorreu em 03/02/2006. E a PERDCOMP em análise foi enviada/transmitida em 14/08/2008, portanto um pouco mais de 2 anos após o trânsito em julgado do MS 1999.38.00.0173560. E a jurisprudência deste CARF na hipótese de ação judicial entende que o prazo para eventual repetição de indébito lastreado em ação judicial tem como dies a quo a data do trânsito em julgado daquela. Vejase: REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS FINANCEIROS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. PRESCRIÇÃO. O direito à repetição/compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, reconhecido por meio de decisão judicial, prescreve em 5 (cinco anos contados da data do trânsito em julgado da respectiva ação judicial. Acórdão 3301001.701, de 30/01/2013. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. Contase a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial o prazo de cinco anos para que o sujeito passivo exerça administrativamente o direito reconhecido pelo Poder Judiciário. Acórdão 2101002.172, de 17/04/2013. Assim, quando do envio da PERDCOMP tal prazo ainda não havia escoado, o qual ocorreria somente em 03/02/2011. CONCLUSÃO Ante o exposto, dou provimento ao recurso para declarar que a PERDCOMP 24334.00812.150708.1.3.041794 foi enviada dentro do prazo decadencial. Contudo, fica resguardada à autoridade local da RFB conferir, a seu critério, a liquidez e certeza do crédito compensado, eis que o mesmo não foi objeto de análise. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.935224/200922 Acórdão n.º 3402004.610 S3C4T2 Fl. 147 5 Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000170/2004-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. REINCLUSÃO. ADE EMITIDO. EFEITOS.
Não é admissível pedido de inclusão retroativa no Simples quando a empresa sofreu exclusão por Ato Declaratório Executivo emitido e cientificado regularmente, para o período que o referido ato surtiu seus efeitos.
OPÇÃO PELO SIMPLES. CAUSA IMPEDITIVA CESSADA.
Constatado nos autos que a causa impeditiva e que deu azo à exclusão do contribuinte usufruir do Simples cessou, este pode optar novamente pela sistemática simplificada, diferenciada e favorecida de tributação.
OPÇÃO PELO SIMPLES. ATOS INEQUÍVOCOS.
O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/02 tem como atos inequívocos da opção realizada pelo contribuinte pelo Simples, a entrega de DSPJ e os recolhimentos de tributos efetuados pelo Darf - Simples, atribuindo à administração tributária adequar a realidade fática ao enquadramento legal devido, de ofício.
Numero da decisão: 1801-000.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir a recorrente no Simples a partir de 01/01/2005, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. REINCLUSÃO. ADE EMITIDO. EFEITOS. Não é admissível pedido de inclusão retroativa no Simples quando a empresa sofreu exclusão por Ato Declaratório Executivo emitido e cientificado regularmente, para o período que o referido ato surtiu seus efeitos. OPÇÃO PELO SIMPLES. CAUSA IMPEDITIVA CESSADA. Constatado nos autos que a causa impeditiva e que deu azo à exclusão do contribuinte usufruir do Simples cessou, este pode optar novamente pela sistemática simplificada, diferenciada e favorecida de tributação. OPÇÃO PELO SIMPLES. ATOS INEQUÍVOCOS. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/02 tem como atos inequívocos da opção realizada pelo contribuinte pelo Simples, a entrega de DSPJ e os recolhimentos de tributos efetuados pelo Darf - Simples, atribuindo à administração tributária adequar a realidade fática ao enquadramento legal devido, de ofício.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13027.000170/2004-70
conteudo_id_s : 5775361
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.374
nome_arquivo_s : Decisao_13027000170200470.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 13027000170200470_5775361.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir a recorrente no Simples a partir de 01/01/2005, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni
dt_sessao_tdt : Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
id : 6940644
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466378911744
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-17T00:05:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2009453_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-17T00:05:42Z; Last-Modified: 2010-11-17T00:05:42Z; dcterms:modified: 2010-11-17T00:05:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2009453_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:4994e1a7-2011-4e10-a6b0-bfed53dda047; Last-Save-Date: 2010-11-17T00:05:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-17T00:05:42Z; meta:save-date: 2010-11-17T00:05:42Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2009453_0.doc; modified: 2010-11-17T00:05:42Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-17T00:05:42Z; created: 2010-11-17T00:05:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-11-17T00:05:42Z; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-17T00:05:42Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 97 1 96 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13027.000170/2004-70 Recurso nº 140.621 Voluntário Acórdão nº 1801-00.374 – 1ª Turma Especial Sessão de 09 de novembro de 2010 Matéria Simples - Inclusão Retroativa Recorrente VITORINO HENRIQUE & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. REINCLUSÃO. ADE EMITIDO. EFEITOS. Não é admissível pedido de inclusão retroativa no Simples quando a empresa sofreu exclusão por Ato Declaratório Executivo emitido e cientificado regularmente, para o período que o referido ato surtiu seus efeitos. OPÇÃO PELO SIMPLES. CAUSA IMPEDITIVA CESSADA. Constatado nos autos que a causa impeditiva e que deu azo à exclusão do contribuinte usufruir do Simples cessou, este pode optar novamente pela sistemática simplificada, diferenciada e favorecida de tributação. OPÇÃO PELO SIMPLES. ATOS INEQUÍVOCOS. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/02 tem como atos inequívocos da opção realizada pelo contribuinte pelo Simples, a entrega de DSPJ e os recolhimentos de tributos efetuados pelo Darf - Simples, atribuindo à administração tributária adequar a realidade fática ao enquadramento legal devido, de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir a recorrente no Simples a partir de 01/01/2005, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Fl. 104DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe solicitou a sua inclusão formal como optante do regime de tributação simplificado, diferenciado e favorecido – Simples, a partir de 01/01/2002, anexando ao presente os contratos sociais e alterações posteriores e os DARF – Simples que comprovam que efetua os recolhimentos dos tributos federais por esta sistemática. Esclarece ainda que entregou as DSPJ pertinentes. O pedido está datado de 27/05/04. Analisados os contratos sociais e alterações posteriores, bem como os demais documentos, a autoridade competente juntou ao presente, fls. 33, o Ato Declaratório Executivo DRF/PFO nº 454398/03 - ADE, datado em 07 de agosto de 2003, o qual excluiu a empresa da sistemática do Simples por exercer atividade vedada, no caso, especificada como “representante comercial e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo.” – fls. 33. Em seguida exarou o despacho de fls. 35 indeferindo o pedido porque a contribuinte não se manifestou contra o ADE no prazo legal e que para ser novamente inclusa no Simples deveria ter removido a causa de vedação ao reingresso e formalizado a opção nos termos do artigo 16, §1º, da Instrução Normativa (IN) SRF nº 355/03. A empresa às fls. 38 manifesta-se argumentando que não foi cientificada do ADE nº 454398/03 e reitera o requerimento para sua inclusão no Simples a partir de 01/01/2002. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria exarou o Acórdão nº 18-7.674/07 indeferindo o requerimento da empresa pelas seguintes razões, in verbis – fls. 66 a 69: “No presente processo a matéria a ser examinada é a manifestação de inconformidade da empresa contra o Despacho do Sr. Delegado da DRF em Passo Fundo que indeferiu o pedido da interessada para ser incluída no Simples, por decisão administrativa, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2002. Assim, não será examinada qualquer questão proposta contra a exclusão da interessada do Simples que poderia ter sido questionada em processo especifico. Faz-se necessário, no entanto, verificar se houve algum vicio naquele ato administrativo que pudesse determinar a sua nulidade, especialmente no presente caso quando a interessada argumenta que não teria recebido a comunicação da sua exclusão do Simples. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13027.000170/2004-70 Acórdão n.º 1801-00.374 S1-TE01 Fl. 98 3 Consulta ao Sistema CNPJ indica que a empresa, em 21/05/2004, alterou seu endereço para a Rua Rui Barbosa, n° 105 — Centro — Erechim — RS — CEP 99700-000. Ainda, que até então o seu endereço era Av. José Oscar Salazar, n° 1641 — Centro — Erechim — RS — CEP 99700-000. O Ato Declaratório Executivo DRF/PFO n° 454.398, de 07 de agosto de 2003, foi encaminhado para a Av. José Oscar Salazar, n° 1641 — Centro — Erechim — RS — CEP 99700-000, em 27/08/20003, como se vê pela cópia do AR à folha 34, ou seja, para o endereço da empresa que constava, nessa época, no CNPJ. Assim, não se vislumbra qualquer vício que pudesse determinar a nulidade da exclusão da interessada do Simples. Da inclusão de oficio no Simples Trata-se de empresa que foi excluída do Simples Ato Declaratorio n° 454.398, de 7 de agosto de 2003, com efeitos que retroagem a data de 01/01/2002, pelo fato da contribuinte desempenhar atividades de "Representantes comerciais e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo" (Código CNAE 5117-9/00). Essa atividade estava entre os objetivos sociais da empresa que eram os seguintes: "comércio de balas, doces, velas, calçados e representação comercial a base de comissão" (Cláusula Terceira do Contrato Social), entre as quais a atividade de representação comercial que veda a opção pelo SIMPLES. Esses objetivos sociais se mantiveram até a Alteração e Consolidação Contratual de 10 de dezembro de 2003, registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul, em 06/05/2004. Tem-se, portanto, que até esta data (06/05/2004) a empresa tinha entre seus objetivos sociais a Representação Comercial, atividade para a qual esta vedada a opção pelo Simples. Ao menos a empresa não apresentou qualquer prova no sentido de que essa atividade não era mais exercida pela empresa. Esta seria a primeira razão para não aceitar o pedido da interessada. Outro aspecto a considerar é que se trata de empresa que foi regularmente excluída do Simples, com efeitos retroativos a 01/01/2002. Fato que, como já referido, não foi questionado pela interessada. No caso, trata-se de empresa que havia feito a opção pelo Simples com efeitos a partir de 01/01/1997. Foi regularmente excluída do Simples com efeitos a partir de 01/01/2002. A contribuinte pede a sua reinclusão no Simples com efeitos retroativos a essa data (01/01/2002). Contudo, inexiste previsão legal de reinclusão, com data retroativa, no caso de contribuinte que já havia sido optante do Simples. Nesse aspecto foi bem destacado no Despacho DRF/PFO, de 29/10/2004 (fl. 35), que "depois de remover a causa de vedação ao seu ingresso no Simples, cabia ao contribuinte formalizar, nos termos do artigo 16, parágrafo 1°, da Fl. 106DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, nova opção pelo mesmo". Cabe observar apenas, quanto ao referido despacho, que a Instrução Normativa SRF n° 355, de 2003, foi revogada pela Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, mas as normas continuam as mesmas, tratadas no mesmo artigo 16, parágrafo 1°.” Tempestivamente, a empresa apresenta o recurso voluntário de fls. 73 reprisando exatamente os mesmos termos da manifestação de inconformidade, ou seja, não haver recebido o ADE e que não se enquadra em nenhuma das vedações legais para optar pelo Simples, sistemática que sempre adotou, requerendo ser incluído a partir de 01/01/2002. Instrui o recurso com cópias de Notas Fiscais da empresa, cujo nome fantasia é “There Modas” (venda de vestuário) e cópia de contrato social já anteriormente juntada aos autos, no qual consta ser varejista. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. O cerne do litígio, preliminarmente, é a questão de admissibilidade do pedido de inclusão retroativa no Simples, visto a empresa ter sido excluída por ADE da referida sistemática de apuração de tributos federais e ICMS. A recorrente insiste em argumentar que não foi cientificada do ADE em questão, já discriminado no relatório, de fls. 33. Todavia, a ciência do referido ADE de exclusão está comprovada nos autos pela cópia do Aviso de Recebimento juntado às fls. 34, no qual apostou assinatura a sra. Vera Cantelli, identificando-se como ‘esposa’ do sr. Vitorino Henrique, em 27 de agosto de 2003. O ato administrativo de exclusão não contestado pelo contribuinte no prazo de trinta dias da sua cientificação torna-se, pois, ato jurídico perfeito e, por força do princípio da segurança jurídica, está precluso o direito do contribuinte em discutir a sua exclusão do Simples, que surtiu efeitos, justamente, a partir de 01/01/2002. Destarte não se pode conhecer o pedido de reinclusão no Simples a partir da própria data em que o contribuinte foi declarado excluído, por total incongruência na causa de pedir. Entendo que faltaria, pois, objeto ao presente processo administrativo fiscal, neste respeito. O contribuinte pretendeu, na verdade, discutir o ADE de forma intempestiva, apesar de alegar que não foi cientificado do ato. Faço coro com a argumentação já despendida nos autos feita pela autoridade a quo no despacho de fls. 35 e no acórdão ora vergastado, no que respeita aos anos-calendários de 2002 e 2003, quando foi emitido o ADE. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13027.000170/2004-70 Acórdão n.º 1801-00.374 S1-TE01 Fl. 99 5 Todavia, a empresa solicita, sem dúvida, que seja reincluída no Simples e demonstra que continua a observar a sistemática, reiteradamente. Entendo que não havendo mais a causa impeditiva que era a razão da exclusão da empresa do Simples – atos de representação comercial –, deve-se, pelos princípios do informalismo e da economia processual, adequar-se o pedido de inclusão formal na sistemática do Simples da empresa para a partir de 01/01/2005, ano subseqüente àquele em que a empresa alterou e consolidou o contrato social, retirando a causa da vedação legal, como a própria turma de julgamento de primeira instância destacou. Explico. Primeiro ponto: no meu entender o ato jurídico da exclusão está perfeito e inatacável. Repriso que a conseqüência jurídica desta premissa para a empresa recorrente é retratada pela máxima jurídica : “o direito não socorre a quem dorme”. Os prazos processuais são fatais e para a empresa a sua situação de excluída do Simples para os anos de 2002 e 2003 é irrecorrível. Deve, neste tocante, antes de sofrer fiscalização, oferecer os tributos federais por outra sistemática de apuração do lucro, e outros a que se sujeita, devendo os valores recolhidos serem computados como pagamentos parciais, visto a alteração de valores a serem recolhidos pela alteração no regime de tributação. Em segundo ponto: a empresa quer manter-se no Simples. Durante todos estes anos, desde a sua abertura procedeu aos recolhimentos pelo Simples e entregou as DSPJ respectivas, e, por derradeiro, protocolizou o pedido tentando, infrutiferamente, anular o ADE, matéria ora superada neste voto. Ocorre que uma vez estar constatado nos autos que a causa impeditiva de usufruir do Simples cessou em 06/05/2004, não há porque não deferir o pedido de inclusão no Simples a partir do ano-calendário subseqüente (artigo 8º, §2º, da Lei nº 9.317/96), concedendo ao requerimento o provimento parcial. Isto porque assim está a se evitar que a empresa adentre com novo processo administrativo fiscal apenas ajustando a data do pedido da inclusão dentro da formalidade. O princípio da economia processual se aplica perfeitamente à presente situação. Nada justificaria nova demanda administrativa. O fundamento jurídico de admitir a inclusão retroativa a 01/05/2004 está no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Ora, a recorrente comprova que a sua intenção inequívoca sempre foi de optar pelo Simples, procedendo à entrega das DSPJ e efetuando os recolhimentos através de Fl. 108DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 DARF-Simples. Uma vez cessada a causa impeditiva, pode a administração tributária, na inércia da contribuinte, retificar, de ofício, a sua situação e incluí-la no Simples. Destarte, pelo princípio da economia processual, voto em dar provimento parcial à inclusão retroativa da empresa no Simples a partir de 01/01/2005, permanecendo a exclusão para os anos-calendários de 2002, 2003 e 2004. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Relatora Fl. 109DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721692/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB.
Não demonstrada a correta tributação dos rendimentos de aluguéis considerados omitidos, há de ser mantida a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2201-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB. Não demonstrada a correta tributação dos rendimentos de aluguéis considerados omitidos, há de ser mantida a exigência fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.721692/2015-21
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5777405
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.922
nome_arquivo_s : Decisao_13888721692201521.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 13888721692201521_5777405.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 24/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6948175
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466386251776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 224 1 223 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.721692/201521 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.922 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria IRPF Recorrente JOSE NILTON DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB. Não demonstrada a correta tributação dos rendimentos de aluguéis considerados omitidos, há de ser mantida a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 24/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 16 92 /2 01 5- 21 Fl. 224DF CARF MF 2 Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativa ao ano calendário de 2012, fl. 43 47, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário consolidado, em 30 de abril de 2015, no valor de R$ 19.646,98, incluindo juros multa por lançamento de ofício. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 45 é possível identificar os motivos em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, a saber: omissão de rendimentos no valor de R$ 36.662,17, relativo à diferença entre o declarado como recebido de pessoas físicas e os valores informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB). Complementação da descrição dos fatos Em se tratando de bens comuns, e decorrência de regime de casamento, os rendimentos são tributados na proporção de 50% em nome de cada cônjuge ou, opcionalmente, poder ser tributados pelo total em nome de um dos cônjuges. Cônjuge não declarou os 50% de rendimento de aluguel, conforme declarado pelo contribuinte. Valor lançado para fins de apuração de IR. Ciente do lançamento em 22 de abril de 2015, fl. 49, inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2 e 9/13, onde alega, em síntese, que o montante considerado omisso, pelo menos, em parte (R$ 34.500,00) foi tributado pelo seu cônjuge, afirmando que a documentação teria sido apresentada em atendimento a intimação fiscal. No julgamento de 1ª Instância, fl. 54/55, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação, por entender que o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos considerados omitidos foram declarados pelo cônjuge, seja por não corresponder a 50% dos aluguéis, seja por não trazer documentos que comprovem a alegação de que a diferença seria decorrente de taxas de administração, seja por não ter sido apresentada comprovação da propriedade comum. Ciente do Acórdão da DRJ em 15 de dezembro de 2015, fl. 58, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 60 a 78, no qual apresenta suas razões para entender a necessidade de reforma do Acórdão recorrido, as quais serão tratadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Alega o recorrente que, quando da resposta à intimação, apresentou todos os rendimentos do período em tela, a matrícula de todos os imóveis, comprovantes de todos os Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.721692/201521 Acórdão n.º 2201003.922 S2C2T1 Fl. 225 3 recebimentos de aluguéis, bem como das taxas de administração cobradas e o recolhimento do carnê leão e afirma estar novamente juntado todos a documentação. Reafirma a convicção de que os rendimentos foram declarados em parte na declaração de sua esposa, reconhece que não observou o percentual de 50%, mas que a diferença teria sido fruto de erro de cálculo na elaboração da declaração, afirmando a juntada, ainda, do comprovante do recolhimento da diferença realmente omitida, com os devidos acréscimos legais. O Decreto 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), assim trata dos rendimentos produzidos pelo bens comuns na constância da sociedade conjugal: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de: I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Analisando os autos, notase que o contribuinte, a partir de fl 116, juntou documentos que comprovam a propriedade de dois imóveis, a saber: Matrícula 1085, adquirido em julho de 1977, onde atualmente existe um prédio constituído de apartamentos matriculados sob o número; Matrícula 33363 adquirido em setembro de 1992, onde atualmente existe um prédio comercial. Em fl. 124 consta a Certidão de Casamento do recorrente com a Sra. Ophelia Ribeiro Lima de Oliveira, datado de 18 de abril de 1961, em regime de comunhão de bens. Inicialmente, vale destacar que, a despeito dos diversos imóveis locados, o contribuinte não se deu ao trabalho de apresentar cálculos que pudessem corroborar seus argumentos de que os valores foram divididos e tributados em separado pelos cônjuges. Fl. 226DF CARF MF 4 Assim, a partir dos documentos juntados no Recurso Voluntário, foram montadas as planilhas abaixo, que objetivam, tão só, identificar indícios de que todo o rendimento de aluguel foi devidamente oferecido à tributação. Planilha 1 Informações da DIRPF Planilha 2 Informações de comprovantes de rendimentos A planilha 2 acima evidencia que o valor total informado em Dimob e considerado para fins de lançamento está compatível com os comprovantes de rendimentos apresentados (R$ 81.362,20). Não obstante essa primeira coincidência, tudo mais não faz sentido. Notase que, em nenhum dos meses, o valor correspondente a 50% (coluna planilha 2) do rendimento liquido recebido foi oferecido à tributação por nenhum dos cônjuges (colunas rendimento planilha 1). Da mesma forma, em nenhum dos meses houve coincidência entre valores declarados pelo casal, tampouco em relação aos recolhimentos efetuados a título de carnê leão. Por fim, e mais importante, o recorrente é profissional liberal autônomo, médico, ocupação que, por sua natureza, justificaria rendimentos recebidos de pessoa física, Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13888.721692/201521 Acórdão n.º 2201003.922 S2C2T1 Fl. 226 5 bem assim os valores de livrocaixa declarados, resultando incomum dedução a título de livro caixa incidente sobre rendimentos líquidos de aluguel. Assim, minha avaliação sobre o tema é que o recorrente teve rendimentos recebidos de pessoa física decorrentes de sua atividade profissional, os quais foram devidamente declarados, podendo ou não estarem incluídos em tal montante valores recebidos a título de aluguel. Ocorre que, quando os sistemas da RFB identificaram omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, não foi capaz de segregálos, em particular em razão dos valores dessa origem serem declarados em conjunto. Assim, considerando tudo o que foi acima exposto, não restando inequivocamente demonstrado que o contribuinte cumpriu os estritos termos da legislação, declarando efetivamente a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns em cada cônjuge, entendo que não merecem prosperar os argumentos recursais. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722469/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição.
AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETO-LEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS.
Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no Decreto-Lei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária.
O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no Decreto-Lei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS.
Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida.
GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
Numero da decisão: 2402-005.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETO-LEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS. Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no Decreto-Lei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no Decreto-Lei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11020.722469/2013-12
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5778516
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.952
nome_arquivo_s : Decisao_11020722469201312.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 11020722469201312_5778516.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6952763
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466503692288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.722469/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.952 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente IVO MENEGOTTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETOLEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS. Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no DecretoLei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no DecretoLei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 24 69 /2 01 3- 12 Fl. 345DF CARF MF 2 capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11020.722469/201312 Acórdão n.º 2402005.952 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 321/341) em face do Acórdão n. 02 51.479 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (fls. 307/316), que julgou improcedente a impugnação de fls. 251/291 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário 2009 no montante de R$ 1.935.640,80 sendo R$ 683.520,84 de imposto (Cód. Receita 2904), R$ 226.838,69 de juros de mora calculados até 07/2013 e R$ 1.025.281,27 de multa proporcional calculada sobre o principal (fls. 225/231) com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme Relatório Fiscal (fls. 232/243). De acordo com o Relatório Fiscal RF (fls. 232/243) a autoridade lançadora informa que em outubro de 2009 foi firmado Contrato de Cessão de Quotas de Pedreira Caxiense, por meio do qual Agostinho Luiz Menegotto, Eloy Menegotto, Ivo Menegotto e Plínio Menegotto alienaram sua participação societária a Fagundes Construção pelo valor total de R$ 22.459.274,69, ajustado pela primeira emenda contratual, a serem pagos em seis parcelas. O contribuinte entende que teria direito adquirido à isenção sobre a alienação das cotas que mantivesse desde cinco anos antes da revogação do DecretoLei n. 15/10/1976, ou seja, até o dia 31/12/1983. Com vistas ao reconhecimento do pretendido direito, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança (MS) n. 500229713.2010.404.7107, por meio do qual buscou o reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital oriundo da alienação de participação societária adquirida e mantida por cinco anos ou mais até 31/12/1988. O Mandado de Segurança foi denegado (pedido improcedente), e, não obstante esse fato, o contribuinte optou por recolher apenas uma parte do tributo devido. O contribuinte não demonstrou, no Mandado de Segurança impetrado, como chegou ao cálculo da parcela isenta, limitandose a dizer que “tais discussões (cálculo da apuração do custo de aquisição) escapariam à via estreita do Mandado de Segurança”. Entretanto, a Fiscalização da RFB obteve o valor considerado isento pelo sujeito passivo e pelos outros exsócios ao analisar os tributos por ele recolhidos espontaneamente. Em virtude da alegação do contribuinte de que não dispunha da planilha com memória de apuração do ganho de capital, a Fiscalização da RFB optou por efetuar o cálculo por duas vertentes: i) considerando a Instrução Normativa SRF n. 84/2001 e ii) considerando as alterações contratuais. Os valores finais do calculo considerando os índices oficiais ( Anexo Único da IN SRF n. 84/2001) e o do cálculo considerando as alterações sociais foram relativamente similares, a Fiscalização da RFB optou por considerar o primeiro (R$ 3.690,23 que corresponde a 24% das cotas existentes em 31/12/1983), em virtude de vícios detectados nos documentos que serviram de base para o cálculo com base nas alterações sociais (R$ 4.050,46). Fl. 347DF CARF MF 4 Assim, concluiuse que o valor correto sobre o qual o sujeito passivo está pleiteando, judicialmente, o direito à isenção é de uma parcela de R$ 3.690,23 cotas em 12/1983 corrigidas dentro das cotas por ele mantidas antes da alienação. Constatouse que o capital social da Pedreira Caxiense, de acordo com o Contrato Social no momento exatamente anterior à alienação, era de R$ 2.200.000,00, dividido entre os acionistas, cabendo ao contribuinte a participação de 29,62%, que corresponde a R$ 651.640,00. Em decorrência da impetração de Mandado de Segurança com vistas ao reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda prevista no artigo 4º. do DecretoLei n. 1.510/76, posteriormente revogado pela Lei 7.713/88, na apuração do ganho de capital, ele a exemplo dos outros sócios, considerou parte do valor de suas cotas R$ 427.515,72 do capital social de R$ 651.640,00, como isenta, reduzindo, proporcionalmente, a tributação sobre o ganho de capital. O contribuinte teve reconhecida judicialmente a isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. Após considerar o capital social em 31/12/1983 corrigido monetariamente no valor de R$ 3.690,23 e a ação judicial que reconheceu a isenção de quotas adquiridas até a referida data, a autoridade autuante entendeu que 0,56630% das quotas alienadas poderiam ser consideradas protegidas pela isenção e o restante ser objeto de tributação. Ou seja, considerando que o sujeito passivo tenha reconhecido o direito à isenção no ganho de capital das cotas mantidas em 31/12/1983, devese considerar que 0,56630% do ganho de capital total não será tributado. Como o valor pago ao sujeito passivo pela alienação foi de R$ 8.067.955,97, o ganho de capital tributável, num primeiro momento, é de R$ 7.416.315,97. Desse ganho de capital, com o reconhecimento do pleito do sujeito passivo pelo judiciário, aproximadamente 0,56630% serão isentos (ou R$ 41.998,51 de R$ 7.416.315,97). Sobre o restante, por conseguinte, não restam dúvidas quanto à incidência da tributação. Assim, há um ganho de capital indiscutivelmente tributável de R$ 7.374.317,46 e um ganho de capital de R$ 41.998,51 cuja isenção foi pleiteada pelo sujeito passivo. Ivo Valor de Alienação (A) R$ 8.067.955,97 Custo Total das Cotas (B) R$ 651.640,00 Ganho de Capital (C) = (A)(B) R$ 7.416.315,97 Porcentagem com isenção (D) 0,56630% Ganho de Capital com isenção (E) = (C) x (D) R$ 41.998,51 Ganho de Capital sem isenção (F) = (C) (E) R$ 7.374.317,46 IR devido considerando isenção (G) = (F) x 15% R$ 1.106.147,62 Nos termos do Contrato de Cessão de Cotas, o contribuinte recebeu os pagamentos e o ganho de capital finalmente foi apurado. Sobre o imposto apurado foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% com fundamento nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502/64, em razão da ação coordenada dos quatro sócios da Pedreira Caxiense. Segundo relata a autoridade autuante, para buscar judicialmente a isenção de parte do ganho de capital seria indispensável que o recorrente disponibilizasse os cálculos utilizados para corrigir monetariamente a sua participação societária mantida em 31/12/1983. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11020.722469/201312 Acórdão n.º 2402005.952 S2C4T2 Fl. 103 5 A autoridade fiscal afirma que durante a fiscalização o contribuinte mesmo intimado a apresentar a planilha ou memória dos cálculos que permitiram a apuração da parcela isenta, limitouse a informar que não dispunha dos cálculos. Conclui que a forma de apuração adotada pelo contribuinte decorreu de simples arbitramento, desprovido de qualquer parâmetro lógico, visando somente a obtenção de vantagem indevida. A conduta do contribuinte demonstra que não ocorreu erro, mas sim intenção de manipular os dados para reduzir a tributação do ganho de capital. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais Processo n. 11020.722473/201372 visando noticiar ao Ministério Público Federal a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido nos arts. 1º. e 2º. da Lei n. 8.137/90. Cientificado do lançamento em 18/07/2013 (fls. 247/248), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 13/08/2013, a impugnação de fls. 251/291, nos seguintes termos: 1. Salienta que ingressou com medida judicial visando o reconhecimento de seu direito à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente das quotas adquiridas até dezembro de 1983 e mantidas em sua propriedade por cinco anos ou mais. 2. Aduz que apesar de a fiscalização ter reconhecido o direito à isenção, apurou de forma errada o ganho de capital, pois na recomposição do valor das cotas adquiridas e mantidas em 31/12/1983 considerou que todas as cotas recebidas em bonificação, mesmo as decorrentes das cotas mantidas até 31/12/1983 seriam cotas novas. 3. Ressalta que a análise fiscal das alterações contratuais com o fim de apurar o correto ganho de capital e a parcela isenta, considerou como cotas novas aquelas atribuídas ao contribuinte em decorrência de reserva de lucro em suspenso, independentemente delas serem decorrentes das adquiridas em período anterior a 31/12/1983. 4. Cita o artigo 169 da Lei 6.404/76 para afirmar que o aumento de capital ali previsto importa em mera troca entre contas do balanço patrimonial, não havendo qualquer desembolso por parte do cotista e ingresso de valor de bens ou valores na empresa. Não haveria aumento do patrimônio da empresa ou do cotista, pois ambos continuam iguais. 5. Com base em doutrina considera que nos termos da determinação legal, não há subscrição de novas cotas pelo impugnante, pelo simples fato de não ser necessário o recebimento de cotas em bonificação. A nova quantidade de quotas em decorrência da bonificação representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. 6. Quanto à multa de ofício qualificada ao contrário do que afirma a fiscalização informa ter apresentado planilha e não é verdadeiro o argumento de falta de atendimento à intimação. Acrescenta ainda que a menção da ausência de livros contábeis decorre da falta de intimação para apresentálos. 7. Questiona onde estaria a ação dolosa de sua parte, já que foi apresentada planilha, mesmo não sendo o documento que a fiscalização desejava. Em nenhum Fl. 349DF CARF MF 6 momento ficou demonstrada e caracterizada a ação ou omissão que pudesse caracterizar a fraude. 8. Também refuta a existência de conluio com seus irmãos sob o fundamento de ação coordenada entre eles. 9. Ao final pugna pelo cancelamento da exigência fiscal. O crédito tributário foi mantido no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0251.479 (fls. 307/316), que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em prestar informações falsas na declaração de ajuste anual e durante o procedimento fiscal, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. 0251.479 (fls. 307/316) em 10/12/2013 (fls. 317/319) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 23/12/2013 (fls. 321/341), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de fls. 251/291. É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11020.722469/201312 Acórdão n.º 2402005.952 S2C4T2 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 321/341) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Conforme relatado, o recorrente obteve judicialmente o reconhecimento da isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76, verbis: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A decisão proferida em sede de apelação reconheceu o direito à isenção sobre a alienação de quotas mantidas desde cinco anos antes da revogação do referido artigo pela Lei n. 7.713/88, estando assim esta matéria fora do escopo da presente análise. Com base na decisão judicial a fiscalização efetuou os cálculos necessários à atualização até 31/12/1995 do capital social da empresa vigente em 31/12/1983, data limite para verificação do prazo de cinco anos de manutenção das participações societárias pelo contribuinte. Com efeito, assim dispõe o art. 17 da Lei n. 9.249/95 sobre correção monetária do custo de aquisição de bens e direitos: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição de bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A seu turno, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001, que trata dos Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe: [...] Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de Fl. 351DF CARF MF 8 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. [...] A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Assim, da leitura sistêmica da legislação acima reproduzida e considerando o criterioso trabalho desenvolvido no curso da ação fiscal, consubstanciado no RF (fls. 232/243), não há reparo a fazer nos procedimentos da Fiscalização da RFB no tocante à correção do custo de aquisição no valor original vigente em 31/12/2013, inclusive quanto à segregação da isenção judicialmente pleiteada. Resta evidenciado que o ponto central no qual se concentra a irresignação do recorrente é, sem dúvida, a não utilização das reservas de lucro em suspenso, bem assim o tratamento dado às cotas bonificadas como se novas fossem, uma vez sua repercussão na apuração do ganho de capital na alienação em apreço. Para enfrentálo, é oportuno destacar as evidências elencadas a seguir, extraídas dos autos: i) A Pedreira Caxiense não alterou o capital social no período de 29/11/1982 a 25/09/1989. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11020.722469/201312 Acórdão n.º 2402005.952 S2C4T2 Fl. 105 9 ii) Houve aumento de capital da Pedreira Caxiense decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro em suspenso e integralização em dinheiro na data de 26/09/1989, conforme consta da sétima alteração contratual (fls. 150/155). iii) Em 26/09/1989 já estava exaurido o prazo de cinco anos insculpido no art. 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. iv) Inexistindo aumento de capital social no período de 31/12/1983 a 31/12/1988, ocorreu tãosomente a correção do capital com base em índices oficiais para fins de atualizar o custo de aquisição existente em 31/12/1983 para a moeda vigente (REAL) e, por consequência, apurar o ganho de capital tributável. v) Não há registro de qualquer incremento no capital social da Pedreira Caxiense no período de 31/12/1983 a 31/12/1988 decorrente das reservas de lucro. vi) Não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária, vez que no período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988 nenhum aumento de capital social ocorreu na Pedreira Caxiense. vii) Foi identificada, de forma inequívoca, a parcela do custo de aquisição a ser alcançada pelo benefício fiscal da isenção. Os lucros em suspenso correspondem ao resultado positivo que, não tendo sido distribuído aos sócios, permanece retido em conta específica de retenção de lucros, conforme previsto no art. 196 da Lei n. 6.404/76. A sua distribuição é diferida para o futuro, vez que ainda sem destinação. A proposta de retenção de lucros é de responsabilidade da AssembléiaGeral. "Art. 196. A assembléiageral poderá, por proposta dos órgãos da administração, deliberar reter parcela do lucro líquido do exercício prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado. § 1º O orçamento, submetido pelos órgãos da administração com a justificação da retenção de lucros proposta, deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicações de capital, fixo ou circulante, e poderá ter a duração de até 5 (cinco) exercícios, salvo no caso de execução, por prazo maior, de projeto de investimento. § 2o O orçamento poderá ser aprovado pela assembléiageral ordinária que deliberar sobre o balanço do exercício e revisado anualmente, quando tiver duração superior a um exercício social. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)" No período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988, conforme demonstrado nos autos e denunciado no RF (fls. 232/243), não houve incorporação de reservas ao capital, muito menos a de retenção de lucros (lucros em suspenso). Na verdade, o evento contábil de aumento de capital mediante incorporação de reservas, consoante o art. 169 da Lei n. 6.404/76, só veio a ocorrer em 26/09/1989 (fls. 150/155), fora, portanto, do quinquênio isentivo conferido ao recorrente pelo Poder Judiciário. Fl. 353DF CARF MF 10 "Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação." É oportuno repisar que somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros possibilita o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida, em conformidade com o disposto no art. 16, § 3°. da Lei n. 7.713/88; no art. 10 da Lei n. 9.249/95 e no art. 135 do DecretoLei n. 3.000/99 (RIR/99). Destarte, consideradas em seu conjunto, as evidências ora destacadas comprovadas nos autos e amparadas pela legislação tributária, contábil e fiscal afastam a hipótese de ocorrência de vício ou defeito no lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 225/231), que, na sua constituição, amparouse na melhor leitura da Lei n. 9.249/95; da Lei n. 7.713/88; do Decreto Lei n. 3.000/99 e da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, bem assim em critérios técnicos e contábeis sobejamente demonstrados nos autos, inclusive em planilhas específicas e minucioso detalhamento dos procedimentos adotados. Em relação à multa qualificada, o § 1º. do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11020.722469/201312 Acórdão n.º 2402005.952 S2C4T2 Fl. 106 11 Entretanto, não obstante o diligente trabalho desenvolvido pela Fiscalização da RFB, não foram coligidos elementos de prova suficientes e inequívocos com força bastante a amparar a imputação da qualificação da multa de ofício, vez que os fatos relatados no RF (fls. 232/243) no que se refere ao atendimento aos termos de intimação expedidos; ao teor dos documentos apresentados; e ao próprio entendimento do recorrente quanto à utilização das reservas de lucro em suspenso e existência/extensão de quotas bonificadas, não se mostram suficientes para o mister. Por fim, é relevante informar que não recai sobre os órgãos de julgamento, em qualquer instância administrativa, o ônus de aduzir fatos novos quando da apreciação da lide tributária, notadamente quando carreados aos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no sentido do reconhecimento parcial do pedido do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 321/341) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
