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Numero do processo: 10680.000262/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO
ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2202-001.961
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000262/200709 Acórdão n.º 220201.961 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, MAURO AMIR DE ALMEIDA, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 446.131,73, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até 29/12/2006. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em contas bancárias de titularidade do contribuinte, uma vez que o interessado, regulamente intimado, não comprovou, mediante documentação fail e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas as fls. 12 a 29). Cientificado em 26/01/2007 (Aviso de Recebimento, AR à fl. 148), em 23/02/2007, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 149 a 167, instruída com os documentos de fls. 168 a 171, argumentando, em síntese, que: a impugnação é tempestiva; contesta integralmente o lançamento, uma vez que não ocorreu omissão de rendimentos, pois os valores mencionados no Auto de Infração apenas circularam por sua conta; o impugnante. possuía aplicações financeiras no Banco do Brasil S.A. e no Citibank, conforme documento já; apresentados à fiscalização. Tais aplicações foram resgatadas, totalizando o montante de:R$1.376.341,00. Este valor foi reaplicado no Banco do Brasil S.A., Citibank e BankBoston. 0 resgate e reaplicação do dinheiro não caracteriza omissão de rendimentos; o restante,i:doscdepósitos efêtriados no Banco do Brasil teve como origem seus próprios recursos gacidoslè posteriormente depositados na mesma conta e ainda os rendimentos obtidos durante o ano e regularmente liriçados na Declaração de Ajuste Anual; o impugnante é apci§entado emardesenvolve atividade empresarial ou profissional, não tendo outras receitas que não aquelas lançadas em sua declaração; o contribuinte pessoi fisica rido "esta obrigado à escrituração fiscal ou contábil e assim também não tem obrigação de manter controle de cada cheque que deposita ou saca em sua conta corrente. Sua obrigação é de lançar a sua posição bancária, seja de saldo de depósitos ou de dividas em 31 de de26rribro de cada ano; o contribuinte impugna o lançamento em sua essência, argüindo a sua improcedência em razão da inexistência' de sinais exteriores de riqueza e ao fundamento da impossibilidade de utilização do somatório de depósitos bancários, sem outras provas para caracterização de rendimentos do contribuinfe. 0 expediente utilizado pela fiscalização fere o conceito de renda estabelecido pelo art 43 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional — CTN. A simples passagem de valores pela conta do contribuinte, sem agregação Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 destes ao seu patrimônio, não é suficiente para caracterizar a obtenção de disponibilidade jurídica e econômica de renda e proventos de qualquer natureza capaz de dar lastro ao lançamento como rendimentos omitidos; depósitos bancários não constituem renda tributável. E imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si sós, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; requer a aplicação do art. 112 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN; por meio do art. 9°, inc. VII do Decreto n° 2.471, de 1988, foi reconhecida a ilegalidade da exigência de créditos tributários com lastros em meros depósitos bancários. Ainda que a exigência seja relativa a período posterior à publicação do referido decreto, essa deve ser cancelada, por base o mesmo fundamento; a tributação, no Estado de Direito, postula inexoravelmente a presença de lei formal com conteúdo típico, taxativo, _ exclusivo e predeterminado, isto 6, ausência de arbitrariedade, exigência de racionalidade lei, segurança jurídica e proteção da boafé nas relações entre Estado e cidadão: 0 interesse público, neste regime constitucional, é um interesse público tipificado e selecionado; incompatível com cláusulas gerais e limites imprecisos ensej adores de uma supremacia estatal exercida discricionariamente, como se pretende no Auto de Infração ora impugnado; a presunção no campo_ tributário é inadmissível, salvo em casos excepcionais, explicitamente disciplinados em lei, em harmonia com a Constituição da República Federativa do Brasil. No caso, não há presunção que dispense a prova da Administração. A fiscalização competia demonstrar que os depósitos bancários questionados realmente constituem rendimentos tributáveis, como exige o principio da verdade material. A Constituição não autoriza instituir imposto de renda Sobre renda presumida ou renda ficta. 0 encargo administrativo da prova não é ilidido pelo fato de o contribuinte não ter prestado os esclarecimentos solicitados ou têlos prestado parcial ou integralmente; a fiscalização competia demonstrar os depósitos bancários questionados realmente Constituem rendimentos tributáveis, como o exige o principio da verdade material. Cabia à fiscalização demonstrar que os depósitos bancários espelham rendimento suscetível de incidência ,tributária; conforme declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte não houve acréscimo patrimonial a descoberto : O contribuinte, pessoa física, não tem a obrigação de escriturar diariamente a sua movimentação bancária. Portanto, não tem o dever de encontrar explicação relativa à origem de cada depósitos a Súmula n° 182, de 07/10/1985, do TRF, fixou definitivamente que é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000262/200709 Acórdão n.º 220201.961 S2C2T2 Fl. 3 5 é mister que se faça a dedução dos cheques emitidos, uma vez que, é sabido que na prática normal, as pessoas recebem cheques, depositaos em instituições financeiras, retira novamente através da emissão de cheques que podem ter destinações várias, como: empréstimo a outras pessoas, troca de cheques com terceiros, transferências para outros estabelecimentos de crédito, aplicações financeiras etc; a multa aplicada fere os princípios da capacidade contributiva e do nãoconfisco (art: 145, § 1° e art. 150, inc. V da Constituição da Republica Federativa do Brasil). Ao longo da peça impugnatória, cita doutrina e jurisprudência administrativa e judicial que entende virem ao encontro de seus argumentos e, por fim, requer que suas argumentações sejam julgadas procedentes. A DRJ Rio de Janeiro II julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2005 NULIDADE Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos, sujeitando se à apuração por presunção da disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada, cabendo lhe o ônus da prova em contrário. A omissão de rendimentos exteriorizada por depósitos bancários não justificados deve ser apurada no mês em que forem considerados recebidos, sem prejuízo, do ajuste anual. RENDIMENTOS OMITIDOS. Restando comprovado nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poder dever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre a parcela de rendimentos omitidos e excluir a parcela dos rendimentos tributáveis já declarados. BASE DE CÁLCULO. Os rendimentos omitidos na declaração de ajuste, apurados em procedimento de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Comprovada a ocorrência de erro na base de cálculo apurada, excluemse os valores correspondentes do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. JUROS. SELIC. Os créditos tributários vencidos e não pagos sofrem a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa disposição legal. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. A doutrina não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente, na esfera administrativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000262/200709 Acórdão n.º 220201.961 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Nulidade do Auto de Infração – Cerceamento do Direito de Defesa Formula o contribuinte preliminar de nulidade alegando que a autoridade administrativa promoveu um desvio de finalidade no seus atos administrativos, eivando de vício de nulidade o auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Ocorre que, nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Suscitou a autuada, o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que a autoridade fiscal não lhe propiciou a oportunidade para uma defesa plena. Entretanto no caso concreto, não ficou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Muito pelo contrário. A defesa foi exercida de forma absolutamente ampla. Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Não há que se falar em preterição do direito de defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram de contestar as acusações que lhe foram imputadas. Uma vez que também não se vislumbrando nenhuma das hipóteses do artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do auto de infração e do procedimento administrativo. Posto isso, rejeito tal preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Da Impossibilidade de Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, inserese na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: “Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5º, X e XII, da CF: Inexistência. (...). I A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5º, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (...). (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ 897/DF, rel. Min. Francisco Rezek, em 23.11.94).” Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n° 4.595, de 1964: “Art. 38 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servirse para fins estranhos à mesma. § 2° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000262/200709 Acórdão n.º 220201.961 S2C2T2 Fl. 5 9 Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente.” Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximirse de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão “processo instaurado” se refere ao “processo administrativo fiscal”, já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5º e 6º do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei nº. 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: “Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: ... II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras.” Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto nº. 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2º daquele ato legal foi estabelecido: "Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização.” Já no comando da Lei nº. 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: “Art. 7° A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei nº. 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º.” Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontrase legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeitase o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000262/200709 Acórdão n.º 220201.961 S2C2T2 Fl. 6 11 A Lei nº. 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei nº. 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5º e 6º que: “5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente.” Resta claro, portanto, a possibilidade de a administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo “processo”, empregado no artigo 38 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativofiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei nº 4.595, de 1964 , de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leiase a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: "O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis.” Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000262/200709 Acórdão n.º 220201.961 S2C2T2 Fl. 7 13 Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º Fl. 224DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 225DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16095.000286/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 20/12/1996 a 30/01/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Não há comprovação nos autos da ocorrência de dolo, fraude ou simulação capaz de atrair a incidência da regra contida no artigo 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado, aplica-se o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS – INFORMADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO LEGAL. JUROS E MULTA Inexiste o cerceamento de defesa quando a notificação de débito for lavrada de forma clara e precisa e em estrita consonância com a legislação previdenciária. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, deve incidir a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-002.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 20/12/1996 a 30/01/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Não há comprovação nos autos da ocorrência de dolo, fraude ou simulação capaz de atrair a incidência da regra contida no artigo 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado, aplica-se o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS – INFORMADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO LEGAL. JUROS E MULTA Inexiste o cerceamento de defesa quando a notificação de débito for lavrada de forma clara e precisa e em estrita consonância com a legislação previdenciária. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, deve incidir a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Não há comprovação nos autos da ocorrência de dolo, fraude ou simulação capaz de atrair a incidência da regra contida no artigo 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado, aplicase o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS – INFORMADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO LEGAL. JUROS E MULTA Inexiste o cerceamento de defesa quando a notificação de débito for lavrada de forma clara e precisa e em estrita consonância com a legislação previdenciária. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, deve incidir a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16095.000286/200817 Acórdão n.º 2301002.955 S2C3T1 Fl. 137 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados. Conforme Relatório Fiscal (fls. 42), o lançamento se refere à contribuição descontada da remuneração paga aos segurados empregados, conforme folha de pagamento, relativa ao período 13/1996, 13/97, 13/98, 01/99 a 12/99, 13/99, 01/00 a 04/00, 06/00, 07/00, 10/00 a 12/00, 13/00, 01/01, 04/01, 13/01, 05/02, 12/02, 13/02 e 01/03, e diferença de contribuição do segurado da competência 05/00, e não repassados ao INSS. Consta, ainda, que serviram de base ao lançamento as folhas de pagamento de salários, Recibos de Pagamento e GFIP, e que foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais a ser encaminhado à autoridade competente. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 21.4254/0240/2006 (fls 76), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 90), reiterando todos os argumentos e fundamentos contidos na defesa apresentada. Entende que merece integral reforma a decisão recorrida, argumentando que a autoridade julgadora não contestou a essência do alegado pela recorrente em sua defesa. Reafirma que houve violação ao devido processo legal e à ampla defesa, uma vez que a autoridade fiscal nada provou, ignorando a regra elementar do Direito de que há de fazer prova quem acusa, não quem é acusado de cometimento de infração à legislação, não merecendo, portanto, prosperar as exigências constantes da autuação. Transcreve o art 9o e o inciso II, do art. 59, ambos do Decreto 70.235/72, para tentar demonstrar que a ausência de provas que fundamentem a acusação da autoridade fiscal, representa vicio insanável que fulmina a autuação de nulidade. Insurgese contra a multa aplicada e a utilização da taxa SELIC para correção do débito lançado, argumentando ilegalidade e inconstitucionalidade de tais exações. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16095.000286/200817 Acórdão n.º 2301002.955 S2C3T1 Fl. 138 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 No caso em tela, ainda que existisse antecipação de pagamento, tratase de situação em que se caracteriza a conduta dolosa da notificada que, embora legalmente responsável, arrecadou e deixou de recolher contribuição de terceiros. Asseverese que o Egrégio Supremo Tribunal Federal tem decidido que, ao contrário do crime de apropriação indébita comum, o delito de apropriação indébita previdenciária não exige, para sua configuração o animus rem sibi habendi. Nesse sentido, tratase de dolo genérico que se caracteriza pela mera vontade livre e consciente da prática da conduta de não recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, independentemente de qualquer outra intenção do agente. A fim de corroborar o entendimento acima, transcrevo a seguinte ementa: “HC86478 / AC – ACRE HABEAS CORPUS Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 21/11/2006 Órgão Julgador: Primeira Turma EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. ART. 168A DO CÓDIGO PENAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO (ANIMUS REM SIBI HABENDI). IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. AÇÃO PENAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. PREJUÍZO. 1. A discussão sobre ausência de dolo não pode ser revista na via acanhada do habeas corpus, eis que envolve reexame de matéria fática controvertida. Precedentes. 2. Relativamente à tipificação, o Supremo Tribunal Federal decidiu que "o artigo 3º da Lei n. 9.983/2000 apenas transmudou a base legal da imputação do crime da alínea 'd' do artigo 95 da Lei n. 8.212/1991 para o artigo 168A do Código Penal, sem alterar o elemento subjetivo do tipo, que é o dolo genérico. Daí a improcedência da alegação de abolitio criminis ao argumento de que a lei mencionada teria alterado o elemento subjetivo, passando a exigir o animus rem sibi habendi". Precedentes. 3. O objeto da ação era o trancamento da ação penal, cuja decisão transitou em julgado. 4. Habeas corpus prejudicado(g.n.)” No mesmo sentido são as decisões exaradas nos processos RHC88144/SP, RHC 86072/PR e HC 76978/RS. Julgados do Conselho de Contribuintes também se apresentam no mesmo sentido, ou seja, restando caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Abaixo transcrevo, a título de exemplificação, as ementas de alguns acórdãos: “1º Conselho – 8ª Câmara Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16095.000286/200817 Acórdão n.º 2301002.955 S2C3T1 Fl. 139 7 Recurso 146870 – Acórdão 10809631 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN” “1º Conselho – 7ª Câmara Recurso 152994 – Acórdão 10709311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art. 173 inciso I, ambos do CTN. Verificase que a cientificação da NFLD ao sujeito passivo se deu 24/08/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 13/1996 a 11/2000, inclusive os décimos terceiros salários de 1997 a 2000. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Nesse sentido, reconheço a decadência de parte do débito. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. A notificada alega violação ao devido processo legal e à ampla defesa, argumentando que a autoridade fiscal nada provou. Entende que merece integral reforma a decisão recorrida, uma vez que a autoridade julgadora não contestou a essência do alegado pela recorrente em sua defesa. Contudo, não se observa as nulidades alegadas pela recorrente. A fiscalização constatou que a recorrente arrecadou, mediante desconto da remuneração de seus empregados, as contribuições previdenciárias por eles devidas e não recolheu aos cofres públicos o valor arrecadado. Consta, ainda, que os valores arrecadados foram informados em GFIP. Dessa forma, os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada ensejou a lavratura da NFLD em tela. No entanto, vem alegar que “a ausência de prova impede, inclusive, o regular exercício do direito de defesa garantido em virtude dos princípios já ventilados do contraditório e da ampla defesa”. Na verdade, a recorrente confessa uma dívida e depois a nega, transferindo o ônus de provar que o valor por ela confessado está equivocado para a fiscalização da Previdência Social. Porém, tal conduta não encontra amparo legal, já que o § 4º, do art. 225, do RPS determina que “O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa”. Assim, se a notificada concluir que se equivocou no preenchimento da GFIP ou da GPS, a ela cabe comprovar que de fato ocorreu o erro e proceder à sua retificação, consoante os normativos que regem a matéria. Ao agente fiscal cabe o lançamento da contribuição confessada e não recolhida pela empresa. Cumpre observar que, de acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Nesse sentido, não procedem os argumentos de nulidade do lançamento, mesmo porque, o Decreto 70.235, tantas vezes citado pela recorrente, dispõe, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16095.000286/200817 Acórdão n.º 2301002.955 S2C3T1 Fl. 140 9 No caso presente, verificase que não ocorrera as hipóteses de nulidade elencadas pelo Decreto, pois a NFLD foi lavrada por pessoa competente e a notificada não demonstrou que teve seu direito de defesa cerceado. Observase que o Relatório de Lançamento aponta, por competência, os valores relativos às contribuições retidas dos segurados, extraídos das folhas de pagamentos. Nesse sentido, como todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Assim, não há que se falar em nulidade da NFLD, que foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Da mesma forma, não se vislumbra nulidade da decisão recorrida, por meio da qual a autoridade julgadora monocrática demonstrou convicção diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela notificada. Vale ressaltar, ainda, que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Com relação às alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade da multa e taxa SELIC, é oportuno salientar que a utilização da taxa para atualizações e correções dos débitos apurados e a multa aplicada encontram respaldo nos art. 34 e 35, da Lei 8.212/91 vigentes à época Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica”. Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por decadência, os valores lançados entre 13/1996 a 11/2000 inclusive, bem como a competência 13/2000. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado Conforme decidido pela 1ª Turma, a divergência ora apontada limitase à questão relativa à decadência e à multa aplicada. Cabe salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16095.000286/200817 Acórdão n.º 2301002.955 S2C3T1 Fl. 141 11 No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16095.000286/200817 Acórdão n.º 2301002.955 S2C3T1 Fl. 142 13 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados mediante GPS foram considerados, conforme se comprova pelo RDA e RADA anexados aos autos. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Divirjo da posição adotada pela Ilustre Conselheira Relatora em relação à presença de dolo, fraude ou simulação, já que, a meu ver, não há comprovação nesse sentido nos autos. Partir para essa linha implicaria em violação ao artigo 146 do CTN, já que haveria uma inovação nos critérios jurídicos arrolados no ato de lançamento. Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre dezembro de 1996 a janeiro de 2003 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 24/08/2006, verificase que está decaído o período de dezembro de 1996 a julho de 2001. Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para acatar a decadência, nos termos do artigo 150, § 4º e decotar do lançamento o período de dezembro de 1996 a julho de 2001, bem como para, se mais benéfico ao contribuinte, aplicar a multa do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91. Adriano Gonzáles Silvério Redator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10425.001133/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 134 1 133 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.001133/201046 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.901 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente J MACEDO ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 11 33 /2 01 0- 46 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10425.001133/201046 Acórdão n.º 2401002.901 S2C4T1 Fl. 135 3 Relatório J MACEDO ENGENHARIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 1134.728/2011, às fls. 104/108, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do RPS, por não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, em relação ao período 01/2005 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/06, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/07/2010, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.431,79 (Um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autuada preparou as folhas de pagamento do período deixando de informar parte dos segurados empregados a seu serviço constantes das GFIP’s, bem como deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para cada obra de construção civil. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 110/123, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a autuação em meras presunções. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, requerendo novamente a apresentação de prova pericial e escrituração contábil da empresa, uma vez que esta é a técnica mais justa e adequada para aferir a idoneidade das atividades desenvolvidas pelo contribuinte e questionadas pelo fisco. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela autuada (livros diários, GFIP’s, etc...), sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Contrapõese ao lançamento fiscal em comento, especialmente em relação à aferição indireta procedida, argumentando que referido procedimento somente poderá ser Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 utilizado em situações extremas, quando inexistir escrita contábil ou outros casos devidamente dispostos na legislação de regência, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória e desproporcional, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do débito em questão, sobretudo por violar o princípio da capacidade contributiva. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10425.001133/201046 Acórdão n.º 2401002.901 S2C4T1 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Em suas razões recursais, em suma, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, propugnando pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório da Infração”, às fls. 05, e “Relatório Fiscal da Aplicação da Multa”, às fls. 06, não deixa margem de dúvida, recomendando o não acolhimento da nulidade suscitada, uma vez informarem que a contribuinte preparou folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a seu serviço em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, infringindo o disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso I, alínea “a”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (Valor alterado para R$ 991,03, a partir de 06/2003, conforme Portaria MPS nº 727/03) a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento ou mesmo em presunções. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, o fato gerador da penalidade imposta, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento e a conclusão fiscal foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos documentos contábeis e demais esclarecimentos fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10425.001133/201046 Acórdão n.º 2401002.901 S2C4T1 Fl. 137 7 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Neste sentido, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Relativamente às demais alegações da contribuinte que, em parte sequer guarda relação com a presente autuação, deixaremos de abordálas, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 35320.000186/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 12/2000 a 06/2005
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA
O pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, nítida a sua natureza indenizatória.
Numero da decisão: 2301-002.890
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso no que tange ao desconto do vale transporte no que exceder 6% (seis por cento).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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NATUREZA INDENIZATÓRIA O pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, nítida a sua natureza indenizatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso no que tange ao desconto do vale transporte no que exceder 6% (seis por cento). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35320.000186/200662 Acórdão n.º 2301 002.890 S2C3T1 Fl. 2 2 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em face de SUPERMERCADOS ALTO DA POSSE LTDA., referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, do SAT/GILRAT, além das destinadas aos terceiros, quais sejam: salárioeducação, INCRA, SENAC e SESC, totalizando o valor de R$ 4.341.032,19 (quatro milhões, trezentos e quarenta e um mil, trinta e dois reais e dezenove centavos), consolidado em 23.12.2005. O presente lançamento decorreu do pagamento do benefício de Vale Transporte aos segurados empregados, em virtude de ter sido destes descontados percentuais inferiores aos 6% estabelecido no art. 28, inciso I e §9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, bem como o art. 4º, paragrafo único da Lei nº 7.418/85, regulada pelo Decreto nº 95.247/87, no período de 01/1999 a 06/2005. Afirmou a fiscalização que foram descontados apenas os percentuais de 5,2% e 4,2%, devendo sofrer a incidência da contribuição previdenciária a diferença existente entre o estes e o percentual de 6%. Apresentada impugnação às fls. 100/200, foi mantido o lançamento fiscal pela decisão ora recorrida (fls. 204/210), cuja ementa assim dispôs: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. Pagamento de Vale Transporte ao segurado empregado, pela empresa, com desconto inferior à alíquota de 6%, em desacordo com a legislação vigente. Lançamento procedente Irresignada, interpôs o contribuinte Recurso Voluntário (fls. 227/251) contra a decisão acima transcrita, de modo que suas razões recursais podem ser resumidas às seguintes: 1) Cerceamento de defesa, requereu liminarmente produção de prova pericial, com o fim de comprovar a lisura e seu comportamento escorreito junto à legislação pertinente. 2) Nulidade da NFLD, tendo em vista sua dissonância com as condições estabelecidas pela norma jurídica prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional; 3) A não integração do pagamento efetuado a título de Vale Transporte ao saláriodecontribuição, para fins de incidência e exigência das contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91. Em 26.11.2010, foi realizada revisão do despacho decisório (fls.420/421), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35320.000186/200662 Acórdão n.º 2301 002.890 S2C3T1 Fl. 3 3 O Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91 através da Súmula Vinculante nº 08, passandose a aplicar, portanto, o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional CTN, fato que implica a revisão imediata dos créditos em fase de cobrança administrativa. O novo despacho decisório sugeriu a retificação do crédito tributário, para que se anulassem os valores lançados referentes ao período de 01/1999 a 11/2000, tendo em vista a decadência destes débitos, considerando a nova documentação anexada aos autos e as informações extraídas dos sistemas informatizados da RFB, mantendo a procedência do lançamento apenas quanto ao período de 12/2000 a 06/2005. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Do Mérito Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A ora Recorrente, em sede de preliminar, requereu produção de prova pericial, com o escopo de comprovar a lisura de seu comportamento e o escorreito proceder junto à legislação, bem como denunciar os valores arbitrados pelo agente fiscal, uma vez que, alega, foram lançados e extraídos a sua revelia, tendo sido ignorados os valores recolhidos a título de ValeTransporte. A perícia é um meio de prova com a finalidade de esclarecer fatos controvertidos que cujo conhecimento dependam de conhecimentos técnicos e científicos. Para o deslinde da questão do caso em epígrafe não se faz necessária prova pericial, uma vez que o fato indicado para a realização da perícia é apenas a comprovação da lisura do comportamento da empresa, bem como seu escorreito proceder junto à legislação, fato este que não demanda comprovação que dependam de conhecimento específico. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35320.000186/200662 Acórdão n.º 2301 002.890 S2C3T1 Fl. 4 4 Além do mais, não existem questões fáticas controvertidas nos autos, já que o próprio contribuinte não impugna a alegação da fiscalização de que não teria sido feito o desconto do vale transporte em todo o percentual previsto por lei. Assim, não deve ser acolhida a alegação de nulidade da Recorrente. Do ValeTransporte No presente caso a ora Recorrente efetuou desconto de percentual inferior ao determinado por lei quando do pagamento do benefício de ValeTransporte, ou seja, a empresa descontou percentual menor que 6% do salário dos seus empregados. O cerne da questão consiste, portanto, na incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de “vale transporte”, quando não tiver sido observado o percentual legal. No meu sentir, a origem da verba referente ao pagamento de ValeTransporte tem natureza jurídica indenizatória, pois destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, obrigação do empregador e despendida em proveito do trabalho. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (...) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. A Lei de Custeio da Previdência Social remete à legislação própria do vale transporte a disciplina do pagamento, o que poderia levar à conclusão que apenas nos seus termos é que os valores pagos não sofreriam a incidência da contribuição. Ocorre que os valores pagos não possuem natureza remuneratória, mas sim indenizatória, já que destinados a custear o transporte do empregado para o trabalho, em proveito do próprio empregador. O fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35320.000186/200662 Acórdão n.º 2301 002.890 S2C3T1 Fl. 5 5 Tratase, na verdade, de despesa da própria empresa, que é reembolsada ao empregado. E como tal, não possui natureza remuneratória. Com fulcro na natureza indenizatória da verba, o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária, in verbis: EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em vale transporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Por todo o exposto, entendo que o vale transporte, ainda que pago em dinheiro, não pode, por qualquer hipótese, sofrer a exação previdenciária, uma vez se tratar de verba indenizatória, ainda que assim não preveja o Regulamento da Previdenciária Social. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Conclusão Fl. 480DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35320.000186/200662 Acórdão n.º 2301 002.890 S2C3T1 Fl. 6 6 Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE TOTAL PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 481DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 15758.000059/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. VALES-BENEFÍCIO. CONCEITO DE RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os vales-benefício adquiridos por empresa que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transporte tendo como propósito exclusivo de repassar a preço de custo aos clientes e cujo repasse está contratualmente e legalmente bem delimitados nos autos enseja a exclusão desse ingresso do conceito de Receita bruta para efeito do Simples. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. LEGALIDADE. À luz do art.44, II, da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos geradores, cabia à fiscalização, para fins de qualificação da multa de ofício, comprovar o evidente intuito de fraude. Levando-se em conta a necessidade de o lançamento, pelo caráter vinculado, manter-se nos estritos limites da legalidade, os fundamentos que justificaram a aplicação do percentual de 150% podem ser apreciados de ofício no julgamento, e não apenas as alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.707
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, afastar da tributação os ingressos repassados para a aquisição dos vales-transporte e vales-benefício apenas no tocante aos fatos amparados por notas fiscais escrituradas nos livros contábeis; II) Por maioria de votos, DAR provimento para reduzir a multa de 150% para o patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. VALESBENEFÍCIO. CONCEITO DE RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valesbenefício adquiridos por empresa que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transporte tendo como propósito exclusivo de repassar a preço de custo aos clientes e cujo repasse está contratualmente e legalmente bem delimitados nos autos enseja a exclusão desse ingresso do conceito de Receita bruta para efeito do Simples. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. LEGALIDADE. À luz do art.44, II, da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos geradores, cabia à fiscalização, para fins de qualificação da multa de ofício, comprovar o evidente intuito de fraude. Levandose em conta a necessidade de o lançamento, pelo caráter vinculado, manterse nos estritos limites da legalidade, os fundamentos que justificaram a aplicação do percentual de 150% podem ser apreciados de ofício no julgamento, e não apenas as alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.091 2 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, afastar da tributação os ingressos repassados para a aquisição dos valestransporte e valesbenefício apenas no tocante aos fatos amparados por notas fiscais escrituradas nos livros contábeis; II) Por maioria de votos, DAR provimento para reduzir a multa de 150% para o patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.092 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0526.189, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto AlegreRS. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 02/2009, decorrente da apuração de receita nãodeclarada e/ou omitida no ano calendário de 2005, no âmbito do qual se formularam exigências das espécies tributárias compreendidas na sistemática do Simples Federal, instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social/INSS), tudo seguido da competente impugnação tal como apresentada em 16/03/2009 (fls. 1934/1951). Do "Termo de Verificação Fiscal", às fls. 18371846, extraise: 1) No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e em cumprimento às determinações do Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil em Santo André SP, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0811400.2008.003936 emitido em 14 de maio de 2008, fiscalizei o imposto SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2005, do contribuinte acima identificado. 2) A fiscalização foi aberta para que fosse realizada a operação movimentação financeira incompatível com a receita declarada, tendo em vista que no anocalendário de 2005 o fiscalizado teve uma movimentação financeira de R$ 18.398.108,87, de acordo com os sistemas da Receita Federal, e declarou uma receita bruta acumulada total de R$ 427.156,02 em sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, relativa ao anocalendário de 2005 exercício de 2006 PJSI/2006. Anexei a cópia da PJSI/2006 às folhas 03 a 20 deste processo. Verifiquei que o contribuinte fiscalizado declarou em sua PJSI/2006 que auferiu toda sua receita bruta, durante o ano de 2005, no valor de R$ 427.156,02, proveniente da prestação de serviços (folha 16). 3) Em 19/05/2008 lavrei Termo de Início de Fiscalização, anexo à folha 02 deste processo, intimando o contribuinte fiscalizado a apresentar, os documentos/elementos a seguir discriminados: a) Cópia autenticada da última alteração contratual consolidada; b) Livros contábeis e fiscais relativos ao ano de 2005; c) Documentação bancária contendo os extratos de todas as contas correntes, poupanças e investimentos, relativos aos períodos de janeiro/2005 a dezembro/2005, mantidas nas instituições financeiras a seguir discriminadas: Banco do Brasil SA, Banco Nossa Caixa SA, e Banco do Estado de São Paulo SA BANESPA. Caso o fiscalizado não possua os extratos solicitados poderá autorizar, por escrito, o acesso aos mesmos por parte da Receita Federal; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.093 4 d) Caso a empresa queira constituir um procurador para tratar com a Receita Federal assuntos relativos ao MPF n° 0811400.2008.003936, apresentar procuração com firma reconhecida onde sejam delegados poderes ao procurador para assinar Termos, Intimações, Autos de Infrações, e outros documentos relativos à fiscalização que ora se inicia. Na ocasião estive no estabelecimento do fiscalizado e atestei que o mesmo se dedica à prestação de serviços de entrega de documentos, em particular valebenefícios (vale transporte, cartão alimentação, cartão refeição, bilhete único SPTrans), conforme consta na sua PJSI/2006 e no seu contrato social O sóciodiretor da empresa, Sr. Paulo Rodrigues da Cunha, nos mostrou um sítio da empresa na internet (www.vianovane.com.br) através do qual seus clientes solicitam os valebeneficios que desejam adquirir, fazem o depósito na conta da empresa fiscalizada do valor referente aos valebenefícios a serem adquiridos mais a taxa de serviços cobrada pelo fiscalizado, e posteriormente a empresa fiscalizada adquire os vales e os entrega no estabelecimento do adquirente. 4) No dia 10/06/2008 o contribuinte fiscalizado apresentou os documentos questão discriminados na folha 21 deste processo, a saber: a) Livros Diário, Razão e de Registro de ISS relativos ao anocalendário de 2005; b) Procuração, anexa à folha 22 deste processo; c) Última alteração contratual consolidada, anexa às folhas 23 a 30 deste processo; d) Extratos dos seguintes bancos: • Banespa, anexos às folhas 31 a 44 deste processo; • do Brasil, anexos às folhas 45 a 84 deste processo; • Nossa Caixa, anexos às folhas 85 a 143 deste processo. 5) Analisandose os extratos bancários do contribuinte fiscalizado, relativos ao anocalendário de 2005, constatei que o mesmo teve créditos em suas diversas contas bancárias que totalizaram R$ 17.097.464,72, conforme discriminado às folhas 145 a 152 deste processo. 6) No dia 20/06/2008 lavrei Termo de Intimação Fiscal, anexo às folhas 144 a 152 deste processo, intimando o contribuinte fiscalizado a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante a apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados relativos aos créditos existentes em suas contas bancárias, durante o ano de 2005, que totalizaram R$ 17.097.464,72. 7) No dia 23/07/2008 o contribuinte fiscalizado nos encaminhou documento, anexo à folha 153 deste processo, solicitando prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias para atender ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/06/2008. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.094 5 8) No dia 20/08/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos discriminados na folha 154 deste processo, a saber: a) planilhas, anexas às folhas 155 a 165 deste processo, discriminando para cada crédito existente na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, no mês de julho de 2005, as notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados ao crédito, bem como a remuneração que lhe coube nos serviços prestados relativo ao crédito citado; b) notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados aos créditos existentes na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, no mês de julho de 2005; c) solicitou prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias para atender às demais solicitações existentes no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/06/2008 (folha 154). 9) No dia 05/09/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos discriminados na folha 166 deste processo, a saber: a) planilhas, anexas às folhas 167 a 231 deste processo, discriminando para cada crédito existente na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos meses de agosto, setembro e novembro de 2005, as notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados ao crédito, bem como a remuneração que lhe coube nos serviços prestados relativo ao crédito citado; b) notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados aos créditos existentes na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos meses de agosto, setembro e novembro de 2005; c) planilhas, anexas às folhas 232 e 233 deste processo, justificando os créditos existentes na sua conta no Banco Banespa S/A, nos meses de janeiro a novembro de 2005; d) planilhas, anexas às folhas 234 e 235 deste processo, justificando os créditos existentes na sua conta no Banco do Brasil S/A, nos mês de julho de 2005, bem como documentos (notas fiscais e recibos) que os comprovam. 10) No dia 17/09/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos discriminados na folha 236 deste processo, a saber: a) planilhas, anexas às folhas 237 a 297 deste processo, discriminando para cada crédito existente na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos meses de junho, outubro e dezembro de 2005, as notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados ao crédito, bem como a remuneração que lhe coube nos serviços prestados relativo ao crédito citado;. b) notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados aos créditos existentes na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos meses de junho, outubro e dezembro de 2005; c) solicitou prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias para atender às demais solicitações existentes no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/06/2008 (folha 236). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.095 6 11) No dia 14/10/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos discriminados na folha 298 deste processo, a saber: a) planilhas, anexas às folhas 299 a 338 deste processo, discriminando para cada crédito existente na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos meses de fevereiro, março, abril e maio de 2005, as notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados ao crédito, bem como a remuneração que lhe coube nos serviços prestados relativo ao crédito citado; b) notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados aos créditos existentes na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos meses de fevereiro, março, abril e maio de 2005; c) solicitou prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias para atender às demais solicitações existentes no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/06/2008 (folha 298). 12) No dia 04/11/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos discriminados na folha 339 deste processo, a saber: a) planilhas, anexas às folhas 340 a 347 deste processo, discriminando para cada crédito existente na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, no mês de janeiro de 2005, as notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados ao crédito, bem como a remuneração que lhe coube nos serviços prestados relativo ao crédito citado; b) notas fiscais e recibos dos serviços prestados associados aos créditos existentes na sua conta no Banco Nossa Caixa S/A, nos mês de janeiro de 2005; c) planilhas, anexas às folhas 348 a 361 deste processo, justificando os créditos existentes na sua conta no Banco do Brasil S/A, nos meses de janeiro a junho de 2005 e de agosto a dezembro de 2005, bem como documentos (notas fiscais e recibos) que os comprovam. 13) Analisandose todos os documentos entregues pelo fiscalizado à Receita Federal, em 20/08/2008, em 05/09/2008, em 17/09/2008, em 14/10/2008 e em 04/11/2008, com o objetivo de justificar os créditos existentes em suas contas bancárias no ano de 2005, verifiquei que: a) o fiscalizado escriturou nos seus livros contábeis e fiscais apenas a parcela da nota fiscal discriminada como "VALOR TOTAL DOS SERVIÇOS", que na verdade corresponde ao seu lucro bruto. De acordo com a legislação do SIMPLES deveria ter escriturado sua receita bruta (parágrafo 2o do artigo 2o da Lei n° 9.317/1996), que é o valor total da nota fiscal; b) em todas notas fiscais é citado o processo n° 26095/20049 na rubrica "VALOR TOTAL DOS SERVIÇOS"; c) há uma quantidade imensa de serviços prestados pelo fiscalizado durante o ano de 2005, cujos recibos dos pagamentos dos serviços Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.096 7 prestados foram apresentados pelo fiscalizado para comprovar os créditos existentes nas suas contas bancárias, porém não foram emitidas notas fiscais relativas a estes serviços e também os mesmos não foram escriturados nos seus livros contábeis e fiscais. Nas planilhas apresentadas pelo fiscalizado para justificar os créditos existentes em suas contas bancárias, durante o ano de 2005, estes serviços realizados sem nota fiscal aparecem discriminados com número da nota fiscal igual a zero, porém foram discriminados os clientes para os quais foram prestados os serviços bem como apresentados os recibos das vendas realizadas. 14) No dia 04/11/2008 lavrei Termo de Intimação Fiscal, anexo à folha 362 deste processo, intimando o contribuinte fiscalizado a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, os seguintes documentos: a) esclarecer o motivo pelo qual não escriturou em seus livros contábeis e fiscais relativos ao ano de 2005, o valor total das notas fiscais emitidas, escriturando apenas a parcela da nota fiscal que denomina de "valor total dos serviços (tributável processo 26095/20049) ". Qual o embasamento legal para tal procedimento? b) esclarecer a que se refere o processo 26095/20049, citado em todas notas fiscais emitidas pelo fiscalizado durante o ano de 2005. Apresentar cópia da petição inicial do mesmo, decisões, sentença, acórdão, e certidão de objeto e pé relativa ao mesmo; c) esclarecer o motivo pelo qual não emitiu nota fiscal e não escriturou em seus livros contábeis e fiscais relativos ao ano de 2005, uma quantidade imensa de vendas realizadas durante o ano de 2005, cujos recibos de vendas foram apresentados para comprovar os créditos existentes nas suas contas bancárias. Nas planilhas apresentadas pelo fiscalizado para justificar os créditos existentes em suas contas bancárias, durante o ano de 2005, estas vendas realizadas sem nota fiscal aparecem discriminadas com número da nota fiscal igual a zero, porém foram discriminados os clientes para os quais foram prestados os serviços bem como apresentados os recibos das vendas realizadas. 15) No dia 01/12/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos anexos às folhas 363 a 388 deste processo, onde resumidamente diz que: a) o processo n° 26.095/20049 de 14/07/2004 referese à solicitação feita pelo fiscalizado junto ao Departamento de Tributos da Prefeitura do Município de Santo André para que pudesse discriminar o valor dos vale transporte nas suas notas fiscais, destacando o valor dos serviços para cálculo do ISS (folha 368); b) o pedido do fiscalizado foi deferido pela Prefeitura do Município de Santo André em 20/08/2004 (folha 369); c) por ocasião da implantação da nota fiscal eletrônica, a fiscalizada tornou a obter a autorização da Prefeitura Municipal de Santo André, em 14/05/2008, através do processo n° 15.538/20089 (folha 375); d) o objeto social da empresa é o ramo de "prestação de serviço de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transportes e vales benefícios (distribuição)", e não de venda de valestransportes e valesbenefícios, cuja compra é por conta e ordem do cliente, conforme cópias dos 4 (quatro) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.097 8 contratos de prestações de serviços anexos. O cliente efetua o depósito na conta da empresa fiscalizada e esta adquire os vales benefícios conforme solicitação do cliente e executa os serviços de envelopamento, manuseio, separação e entrega dos vales solicitados, cobrando um valor pela execução da prestação de seus serviços; e) a atividade da empresa se assemelha à atividade de casa lotérica, cuja tributação se dá pela prestação de serviços e não pela venda de bilhetes de loterias, requerendo o mesmo tratamento tributário dado às lotéricas; j) anexou cópia da nota fiscal n° 918163 emitida em 13/05/2004 pela VB Serviços, Comércio e Administração Ltda, cnpj n° 00.288.916/000199, e da nota fiscal n° 158577 emitida em 23/04/2004 pela Ticket Serviços S/A, suas concorrentes, onde são discriminados os valores dos vales e dos serviços separadamente, como o fiscalizado faz. 16) Analisandose os documentos apresentados pelo fiscalizado à Receita Federal, em 01/12/2008, verifiquei que: a) a autorização dada pela Prefeitura Municipal de Santo André para o fiscalizado emitir sua nota fiscal de serviços com a discriminação no corpo da nota fiscal do valor dos vales transportes e vales beneficios, sendo somente tributado o ISS sobre o valor dos serviços prestados, não têm qualquer efeito quanto à tributação do SIMPLES; b) o fiscalizado deveria ter feito uma consulta à Receita Federal visando obter autorização para que pudesse considerar para efeito da receita tributável pelo SIMPLES apenas o valor dos serviços por ele prestados. Segundo informou verbalmente seu sóciogerente, Paulo Rodrigues da Cunha, não o fez; c) não encontramos qualquer exceção na legislação do SIMPLES para que possamos considerar, para a empresa fiscalizada, como sua receita bruta apenas a parcela da nota fiscal referente aos serviços prestados; d) as empresas concorrentes do fiscalizado na área de distribuição de vales, citadas pelo mesmo no item 15./) deste Termo, fazem sua apuração do imposto de renda pelo lucro real, o que lhes permite deduzir as despesas com as compras dos vales na apuração do seu lucro; e) quando o fiscalizado optou pelo SIMPLES deveria emitir nota fiscal em seu nome apenas com o valor dos serviços por ele prestados, e repassar ao seu cliente outra nota fiscal emitida diretamente da empresa emitente do vale beneficio para seu cliente; f) por fim o fiscalizado não justificou a quantidade imensa de vendas por ele realizadas de vales benefícios feitas sem a emissão de nota fiscal, conforme atestam os recibos por ele apresentados para justificar sua movimentação bancária. Estas vendas, sem a emissão de nota fiscal, caracterizam crime contra a ordem tributária, de acordo com o artigo Io da lei n° 8.137/90. 17) Para comprovar a omissão de receitas realizada pelo fiscalizado, durante o ano de 2005, anexei ao presente processo a cópia dos seguintes documentos: a) livro Razão N° 0003, relativo ao ano de 2005 (fls. 389 a 392). Verifiquei pela conta n° 311.01.0003 de Venda de Serviços que o fiscalizado Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.098 9 escriturou um total de vendas de serviços, realizadas durante o ano de 2005, no valor de RS 405.156,02, conforme discriminado na coluna (2) da planilha RECEITAS OMITIDAS PELO FISCALIZADO NO ANO DE 2005, anexa à folha 1832 deste processo; b) livro de Registro do ISS N° 2, relativo ao ano de 2005 (fls. 393 a 539). Constatei através do mesmo que o fiscalizado escriturou receitas auferidas, provenientes da prestação de serviços, durante o ano de 2005, no valor total de R$ 436.949,15, conforme discriminado na coluna (1) da planilha RECEITAS OMITIDAS PELO FISCALIZADO NO ANO DE 2005, anexa à folha 1832 deste processo. 18) DA OMISSÃO DE RECEITAS Analisei para cada banco onde o fiscalizado manteve conta no ano de 2005 as justificativas dos créditos nas contas destes bancos apresentadas pelo mesmo nas planilhas anexas às folhas 154 a 361 deste processo, bem como a documentação que a embasava. O banco Nossa Caixa S/A foi aquele onde o fiscalizado teve o maior valor de créditos a justificar durante o ano de 2005, num total de R$ 15.269.141,50, seguindose do banco do Brasil, num total de R$ 1.762.969,85, e o Banespa, num total de R$ 65.353,37, perfazendo o total de RS 17.097.464,72. Todos documentos apresentados pelo fiscalizado para justificar os créditos existentes na sua conta do banco Nossa Caixa, relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, foram anexados às folhas 540 a 986 deste processo. Os documentos apresentados são de dois tipos: a) Notas fiscais emitidas pelo fiscalizado onde o mesmo discrimina na descrição dos serviços da nota fiscal todos vales fornecidos, seu valor unitário e valor total, e num item separado o valor do "serviço de envelopamento, manuseio e entrega de cartão convênio alimentação/refeição". O valor total da nota fiscal é a soma dos vales vendidos mais o serviço prestado; b) Recibos de venda de valetransporte emitidos pelo fiscalizado onde o mesmo discrimina os tipos de vales vendidos, a quantidade, o valor unitário e o valor dos vales. Em um item à parte discrimina "Relatório/Envelopes/Entregas" e o valor deste, e no final o valor total dos vales, que é a soma dos vales vendidos mais o serviço de envelopes e entregas. Verifiquei que apenas o valor do "serviço de envelopamento, manuseio e entrega de cartão convênio alimentação/refeição" destacado pelo fiscalizado em cada nota fiscal foi por ele escriturado em seu livro de Registro do ISS, conforme podemos constatar através das cópias do livro citado, anexas às folhas 393 a 539 deste processo. A maior parte do valor de cada nota fiscal, que corresponde aos vales benefícios fornecidos pelo fiscalizado aos seus clientes, não foi escriturada pelo mesmo em seu livro do ISS, nem considerada como receita bruta em seu livro Razão e na sua PJSI/2006, em desacordo com o estabelecido no parágrafo 2o do art. 2° da lei n° 9.317/96. A apuração da receita omitida pelo fiscalizado nos seus livros contábeis e fiscais e na sua PJSI/2006 para cada nota fiscal emitida pode ser feita Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.099 10 através das planilhas elaborados pelo próprio fiscalizado para justificar os créditos em suas contas bancárias, anexas às folhas 154 a 361 deste processo. Nestas planilhas o fiscalizado dividiu o valor de cada nota fiscal em duas partes: a que ele chamou de serviço, corresponde ao seu lucro bruto, e é o valor por ele escriturado em seus livros e declarado em sua PJSI/2006; a que ele chamou de itens corresponde ao valor total dos vales benefícios por ele fornecidos aos seus clientes, que não foi por ele escriturado em seus livros contábeis e fiscais e declarado na sua PJSI/2006, sendo, portanto, receita omitida de acordo com o parágrafo 2o do artigo 2o da lei n° 9.317/1996. As receitas omitidas pelo fiscalizado, relativas às notas fiscais de janeiro e fevereiro de 2005, cujos pagamentos foram creditados no banco Nossa Caixa, podem ser atestadas através das cópias das notas fiscais destes meses anexas às folhas 540 a 986 deste processo. Deixamos de anexar a este processo as cópias das notas fiscais dos meses de março a dezembro de 2005, cujos pagamentos foram creditados no banco Nossa Caixa, bem como a cópia das notas fiscais de todo ano de 2005, cujos pagamentos foram creditados no banco do Brasil, pelo grande volume de documentos que seria trazido ao processo, sem necessidade, uma vez que a omissão das receitas relativas a estas notas pode ser, facilmente, verificada pelas próprias planilhas emitidas pelo fiscalizado, para justificar os créditos em suas contas nos bancos Nossa Caixa e do Brasil, como já citado. Constatei que todas as vendas de vales benefícios realizadas através dos Recibos de Venda de ValeTransporte não foram escrituradas pelo fiscalizado em seu livro de Registro do ISS, conforme podemos atestar através das cópias do livro citado anexas às folhas 393 a 539 deste processo. Estas vendas de vales benefícios, sem a emissão de nota fiscal e sem escrituração contábil e fiscal, são comprovadas pelos créditos existentes na conta bancária do fiscalizado, conforme planilhas por ele elaboradas, anexas às folhas 155 a 361 deste processo. Observese que nas planilhas elaboradas pelo fiscalizado para justificar os créditos existentes em suas contas correntes (fls. 155 a 361) ele vinculou a cada crédito em sua conta as notas fiscais e recibos de valetransportes que deram origem ao crédito em tela. Sendo os Recibos de Venda ValeTransportes emitidos sem nota fiscal, nas planilhas elaboradas pelo fiscalizado toda vez que aparece um Recibo de Venda de Vale Transporte ele o identifica como NF:0, porém cita o CNPJ do adquirente do vale transporte e sua razão social, o que faz com que o vinculemos aos Recibos emitidos. A prestação de serviço, efetivamente realizada, conforme atestam os Recibos de Venda de ValeTransporte, bem como os créditos na conta bancária do fiscalizado vinculados a este Recibos, sem o fornecimento de nota fiscal, visando reduzir o tributo (SIMPLES) pago, caracteriza crime contra a ordem tributária de acordo com o inciso V, do artigo Io da lei n° 8.137/90. O dolo do contribuinte fiscalizado fica caracterizado pela prática reiterada da emissão de recibos sem nota fiscal, tendo em vista que esta infração foi realizada durante todo ano de 2005. As cópias dos Recibos de Vendas de ValeTransporte emitidos pelo fiscalizado em janeiro e fevereiro de 2005, cujos créditos foram realizados no banco Nossa Caixa, foram anexadas às folhas 540 a 986 deste processo, junto com as notas fiscais deste período. Já as cópias dos Recibos de Vendas de ValeTransporte emitidos pelo fiscalizado no período de março a dezembro de 2005, cujos créditos foram realizado no banco Nossa Caixa, foram anexadas às folhas 987 a 1767 deste processo, e as cópias dos Recibos de Vendas de ValeTransporte emitidos pelo fiscalizado, durante o ano de 2005, cujos Fl. 10DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.100 11 créditos foram realizados no banco do Brasil, foram anexadas às folhas 1768 a 1826 deste processo. 19) Elaborei para cada banco onde o fiscalizado manteve conta no ano de 2005 uma planilha contendo um resumo dos créditos na conta do fiscalizado durante o ano citado. Para cada mês do ano de 2005 estas planilhas contêm as seguintes informações: a) total de créditos na conta do fiscalizado; b) créditos provenientes da receita de prestação de serviços com a emissão de nota fiscal; c) créditos provenientes da receita de prestação de serviços sem a emissão de notas fiscais, apenas com Recibos; d) créditos excluídos, que correspondem a transferências entre contas do próprio fiscalizado; e) créditos não justificados pelo fiscalizado, que correspondem a documentos não localizados pelo mesmo ou a empréstimos cujos comprovantes não foram apresentados; f ) créditos que devem ser tributados, que correspondem à soma dos créditos citados nos itens b), c) e e) acima. A planilha contendo o resumo dos créditos na conta do banco Banespa foi anexada à folha 1829 deste processo, aquela contendo o resumo dos créditos no banco do Brasil foi anexada à folha 1830 deste processo, e aquela contendo o resumo dos créditos no banco Nossa Caixa foi anexada à folha 1831 deste processo. 20) Tendo por base as planilhas contendo o resumo dos créditos nas contas do fiscalizado durante o ano de 2005, em cada banco onde o mesmo manteve conta, anexas às folhas 1829 a 1831 deste processo, elaborei a planilha – RECEITA OMITIDA PELO FISCALIZADO NO ANO DE 2005 anexa à folha 1832 deste processo, onde discriminei para cada mês do ano de 2005 as seguintes informações: a) receita escriturada pelo fiscalizado no seu livro do ISS; * b) receita escriturada pelo fiscalizado no seu livro Razão; c) receita bruta declarada pelo fiscalizado em sua PJSI/2006; d) receita de serviços prestados com a emissão de nota fiscal; e) receita de serviços prestados sem a emissão de nota fiscais, apenas com Recibos; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.101 12 f) outros créditos existentes nas contas do fiscalizado não justificados, que correspondem a documentos não localizados pelo mesmo ou a empréstimos cujos comprovantes não foram apresentados; g) total de receita auferida pelo fiscalizado a ser tributada conforme artigo 42 da lei n° 9.430/1996, que corresponde à soma das receitas discriminadas nos itens d), e) e f) acima; h) receitas omitidas pelo fiscalizado, que é o resultado da sua receita total auferida (item g) menos a receita declarada na sua PJSI/2006 (item c). 21) No dia 16/01/2009 lavrei Termo de Intimação Fiscal, anexo às folhas 1827 a 1833 deste processo, intimando o contribuinte fiscalizado a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, os seguintes documentos: a) cópia autenticada do contrato social vigente no ano de 2005; b) informar, por escrito, se possui alguma ação judicial que lhe autorize considerar como sua receita bruta para a tributação pelo SIMPLES apenas a parcela da nota fiscal correspondente à prestação de serviços, e não o valor total da nota fiscal conforme estabelece o parágrafo 2° do artigo 2° da lei n° 9.317/96; c) informar, por escrito, se possui consulta realizada junto à Receita Federal do Brasil que lhe autorize considerar como sua receita bruta para a tributação pelo SIMPLES apenas a parcela da nota fiscal correspondente à prestação de serviços, e não o valor total da nota fiscal conforme estabelece o parágrafo 2° do artigo 2° da lei n° 9.317/96; d) o fiscalizado justificou R$ 365.501,43 de créditos existentes em suas contas bancárias durante o ano de 2005, discriminados em planilha anexa a este Termo, como sendo provenientes de empréstimos recebidos. Apresentar os contratos originais destes empréstimos, comprovar a efetividade dos mesmos, juntando cópia dos extratos bancários de quem os forneceu, que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com os contratos de empréstimos, bem como cópia da declaração do imposto de renda de quem os forneceu; e) justificar / esclarecer quaisquer outros valores que constam da planilha de receitas omitidas que até o momento não foram esclarecidos. Informei ao contribuinte fiscalizado que se o mesmo não possuísse a ação judicial, citada no item b) do Termo lavrado, ou consulta, citada no item c) daquele Termo, que lhe autorizasse considerar como sua receita bruta para a tributação pelo SIMPLES apenas a parcela da nota fiscal correspondente à prestação de serviços, e também não justificasse os empréstimos citados do item d) daquele Termo, ou outros valores citados no item e) daquele Termo, seria feito o lançamento, através de auto de infração, da omissão das receitas não declaradas em sua PJSI/2006, no valor de RS 14.973.541,33, bem como representação fiscal para fins penais pela sonegação relativa às vendas realizadas sem nota fiscal 22) No dia 28/01/2009 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os seguintes documentos: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.102 13 a) contrato social da empresa vigente no ano de 2005; b) documento anexo às folhas 1834 a 1836 deste processo, onde menciona que: b. 1) recebeu autorização da Prefeitura Municipal de Santo André para a emissão da nota fiscal de serviços apontando nela o valor dos vales transportes e beneficios a que se refere o serviço prestado, sendo que os valores discriminados não compunham o preço de serviço para tributação como receita bruta pela empresa, sendo a prestação de serviços prestada pela requerente amparada pela legislação municipal e federal (lei n° 9.317/96 e lei complementar n° 123, de 14/12/2006 e na Resolução CGSNn° 10, de 28/06/2007); b.2) a empresa não efetivou consulta junto à Receita Federal do Brasil por entendêla desnecessária; b.3) a empresa não tinha acesso aos meios de créditos em instituições bancárias, recorrendo desta forma ao mercado informal para a obtenção dos mesmos. O fiscalizado não apresentou quaisquer documentos que comprovassem os R$ 365.501,43 de empréstimos supostamente recebidos que teriam sido creditados em suas contas bancárias, durante o ano de 2005, conforme planilhas com as justificativas de créditos apresentadas pelo fiscalizado anexas às folhas 154 a 361 deste processo. 23) Considerandose que: a) o contribuinte fiscalizado teve créditos em suas contas bancárias durante o ano de 2005 no valor total de R$ 17.097.464,72 conforme atestam os extratos bancários apresentados pelo mesmo durante a fiscalização, anexos a este processo; b) foi dado ao contribuinte fiscalizado mais de 6 (seis) meses para justificar os créditos em suas contas bancárias durante o ano de 2005. Após análise de toda documentação entregue pelo fiscalizado durante todo este período verifiquei que: b.l) R$ 316.181,80 não foram justificados pelo fiscalizado; b.2) R$ 365.501,43 foram justificados pelo fiscalizado como sendo empréstimos recebidos, porém não apresentou documentação hábil e idônea que os comprovassem; b.3) R$ 3.719.123,36 foram justificados pelo fiscalizado como receita bruta de serviços prestados sem a emissão de nota fiscal, referente a prestação de serviço de entrega de vales transporte e benefícios, não declarados pelo mesmo em sua PJSI/2006, e comprovados através dos Recibos de Vendas anexos a este processo; b.4) R$ 10.999.890,76 foram justificados pelo fiscalizado como receita bruta dos serviços prestados com a emissão de nota fiscal, referente a prestação de serviço de entrega de vales transporte e benefícios, sendo que o mesmo declarou em sua PJSI/2006 apenas R$ 427.156,02, relativo à soma dos valores do seu serviço prestado destacado em suas notas fiscais emitidas; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.103 14 b.5) R$ 1.696.767,37 foram justificados pelo fiscalizado como créditos referentes a transferências entre contas do mesmo; c) o artigo 42 da lei No. 9.430/96 estabelece em seu caput que se caracterizam como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O parágrafo 2° do mesmo artigo estabelece que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeito, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação; d) o parágrafo 2° do artigo 2° da lei n° 9.317/96 considera como receita bruta, para a tributação pelo Simples, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; e) o parágrafo 1° do artigo 4° da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, estabelece que para fins da receita bruta apurada mensalmente, para tributação pelo Simples, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequenos porte, de que trata esta Instrução Normativa; f) o fiscalizado não possui ação judicial ou consulta realizada à Receita Federal que lhe dê respaldo a excluir da sua receita bruta auferida para a tributação pelo Simples, discriminada em suas notas fiscais, o valor dos vales transporte e benefícios que o mesmo adquiri e repassa a seus clientes; Concluo que: g) o valor de R$ 316.181,80, relativo a créditos não justificados pelo fiscalizado,discriminado no item 23.b.l) deve ser tributado pelo Simples como omissão de receita por se enquadrar no artigo 42, caput, da lei n° 9.430/96; h) o valor R$ 365.501,43, relativo a créditos justificados como empréstimos pelo fiscalizado sem respaldo de documentos, discriminado no item 23.b.2) deve ser tributado pelo Simples como omissão de receita por se enquadrar no artigo 42,caput, da lei n° 9.430/96; i) o valor de R$ 3.719.123,36, relativo à receita bruta de serviços prestados pelo fiscalizado sem a emissão de nota fiscal, referente à prestação de serviço de entrega de vales transporte e benefícios, não declarados pelo mesmo em sua PJSI/2006, e comprovados através dos Recibos de Vendas anexos a este processo, discriminado no item 23.b.3) acima, deve ser tributado pelo Simples como omissão de receita por se enquadrar no artigo 42, parágrafo 2o da lei n°9.430/96; j) o valor de R$ 10.572.734,74, relativo à diferença existente entre o valor total das notas fiscais emitidas pelo fiscalizado no ano de 2005 (R$ 10.999.890,76) e o valor por ele declarado em sua PJSI/2006 (R$ 427.156,02), que Fl. 14DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.104 15 corresponde ao custo dos vales transporte e benefícios adquiridos pelo fiscalizado e repassados aos seus clientes, que constam das notas fiscais emitidas pelo mesmo, deve ser tributado pelo Simples como omissão de receita de acordo com o parágrafo 2° do artigo 2o da lei n° 9.317/96 c/c o parágrafo Io do artigo 4a da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, c/c artigo 42, caput, da lei n° 9.430/96, tendo em vista que o fiscalizado não possui ação judicial e/ou consulta à Receita Federal que lhe isente de tal tributação. A receita total omitida pelo fiscalizado em sua PJSI/2006, relativa ao anocalendário de 2005, é de RS, 14.973.54133, resultado da soma dos valores discriminados nos itens g), h), i) e j) acima, que será lançada através de auto de infração pelo presente processo. Na planilha RECEITA OMITIDA PELO FISCALIZADO NO ANO DE 2005, por nós elaborada, anexa à folha 1832 deste processo, discriminamos mensalmente os valores das receitas omitidas pelo fiscalizado a serem lançados neste processo. 24) DA MAJORAÇÃO DA MULTA 0 artigo 44, inciso 1, § 1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei No. 11.488, de 15/06/2007, estabelece que nos lançamentos de oficio serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § Iº O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Na fiscalização em tela o contribuinte, de modo reiterado e continuado, deixou de emitir nota fiscal em parte significativa nos serviços por ele realizados durante todo ano de 2005, emitindo apenas Recibos de Venda de Vale Transporte, conforme já relatado neste Termo. O total de Recibos de Venda de ValeTransporte . emitidos sem nota fiscal durante o ano de 2005 foi de R$ 3.719.123,36, conforme planilha anexa à folha 1832 deste processo, e cópias dos Recibos anexas às folhas 540 a 1826. Ao deixar de emitir nota fiscal relativa aos serviços prestados, bem como deixar de escriturar e declarar as receitas provenientes destes serviços prestados, o fiscalizado incorreu no crime estabelecido no artigo 71 inciso 1, da Lei n° 4.502/64, pois a venda sem nota tem o objetivo de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou seja, a prestação de serviços realizados. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.105 16 Concluo que para todas as vendas de serviços realizadas sem a emissão de nota fiscal, com o intuito de reduzir o tributo pago, deve ser imposto a multa qualificada de 150%. (destaques do original) Ao final, a exigência pôde ser dividida em dois tópicos: (1) insuficiência de recolhimento sobre os valores de receita originalmente declarados isso ocorreria em função do realinhamento de alíquotas aplicáveis desde que considerada a receita não ofertada à tributação (seja ela qualificada como omitida, nos termos do caput do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou simplesmente nãodeclarada, nos termos do § 2o do mesmo artigo e mesma Lei); e (2) exigências incidentes sobre dita receita não oferecida à tributação. Daí resultaram as exigências globais nos montantes de, incluídos juros de mora e multa de ofício (75% e 150%): R$ 274.356,81 de IRPJ; R$ 274.356,81 de Contribuição ao PIS; R$ 425.305,85 de CSLL; R$ 850.611,81 de Cofíns; e R$ 3.612.796,27 de INSS (fl. 1925). Na sua impugnação ao auto de infração o Contribuinte pondera: 1. A autuação seria nula, certo que (1) não permitiria identificar a "origem e composição dos débitos lançados" (fl. 1934), bem como (2) não estaria pautada "em fatos reais" (fl. 1934), mas senão em "meras suposições que refletem apenas a interpretação subjetiva do autuante", sem considerar os "dispendiosos esforços da autuada" (fl. 1935) no sentido de fazer demonstrar "a origem da movimentação financeira, detalhando cada cliente e valores repassados para compra em contra própria" (fl. 1943). 2. Ao contrário do que entendera a Fiscalização, não poderia ter computado como receita a totalidade de ingresso de numerário em suas contascorrentes bancárias, visto que respondia tãosó às ordens de compra de valetransporte por parte de seus clientes. De fato, destes cobrava e daí auferiria receita o preço do respectivo "serviço de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transportes" (fl. 1937). Por outra, tirante a porção dos depósitos bancários que responderiam pelo preço do serviço antes referido, o mais ingressaria em seu patrimônio a título temporário e não de modo definitivo. O tanto quanto lhe era repassado pelos seus clientes para a cobertura do preço de determinada quantidade de valetransporte seria exatamente o tanto quanto que ele, Contribuinte, repassaria aos emissores destes valestransporte. Inteligência contrária, como aquela disputada pela Fiscalização, ofenderia o princípio da vedação de confisco, da preservação da empresa e da segurança jurídica. E ainda, nessa mesma linha, argumenta que estaria obrigado, segundo cláusula de termo de credenciamento junto à São Paulo Transporte S/A SPTrans, a respeitar o "preço da tarifa vigente" (fl. 1942), donde se estimar que do objeto transacionado vale transportes não poderia receber "qualquer vantagem econômica" (fl. 1942). Enfim, que a hipótese seria análoga àquelas objeto da "Consulta n° 190/2008 da SRRF 9a Região Fiscal", e da "SC n° 78/2008" da 10a Região Fiscal (fl. 1946): SIMPLES NACIONAL. VENDA EM CONSIGNAÇÃO. VEÍCULOS USADOS. É facultado as pessoas jurídicas que vendem veículos em consignação por comissão (contratos de comissão, arts. 693 a 709, do Código Civil) o ingresso no Simples Nacional, por não configurarem estas atividades mera intermediação de negócios. Nesse caso, a receita bruta, para fins de determinação da "base de cálculo " do Simples Nacional, é a diferença entre o valor da receita de venda do veículo e o valor do custo de aquisição e deve ser tributada pelo Anexo III da Lei Complementar n° 123, de 2006. Dispositivos Legais: Lei Complementar Fl. 16DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.106 17 n" 123, de 2006, art. 3o, § Io, art. 17, XI, art. 18, §5o, VII; Lein°9.716, de 1998, art. 5o; INSRFn°247, de 2002, art 10, §5°. SIMPLES NACIONAL. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES RECEBIDOS EM CONSIGNAÇÃO. TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ANEXO III. A exploração de atividade de compra e venda de veículos automotores recebidos em consignação, desde que os contratantes preencham as condições previstas nos arts. 693 e 694 do Novo Código Civil (contrato de comissão mercantil) e demais exigências da legislação tributária, não se configura como intermediação de negócios para efeito do disposto no inciso XI do art. 17 da Lei Complementar n" 123, de 2006, e não veda o ingresso da empresa no Simples Nacional. A receita bruta decorrente da exploração dessa atividade (diferença verificada entre o preço de venda destacado em nota fiscal e o custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada) é tributada na forma do Anexo III da Lei Complementar n° 123, de 2006. Dispositivos Legais: Lei Complementar n" 123, de 2006, art. 17, XI e§ 2o, art. 18, VII; Lei n° 10.406, de 2002, arts. 693 a 709 e arts. 722 a 729; Lei n"9.716, de 1998, art. 5o; INSRFn" 152, de 1998, arts. Io e 2o. 4. Depósitos bancários não se prestariam de meio para identificar renda, como predito pelo DecretoLei n° 2.471, de Io de setembro de 1988, bem como pelo verbete n° 182 da súmula do exTFR. 5 As multas aplicadas teriam caráter confiscatório. A DRJ, manteve o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 NULIDADE. INTELIGÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Não é nulo a autuação a partir da qual é possível deduzir todos os elementos, bem como sua inter relação, que concorrem para a composição final da exigência. Mais ainda quando o próprio Contribuinte, antes mesmo da autuação, já demonstrava ciência o iter de dispositivos legais a percorrer de tal ordem a se chegar ao valor devido. RECEITA NÃODECLARADA. OMISSÃO DE RECEITA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES FEDERAL. Caracterizada a hipótese de receita nãodeclarada e/ou omissão de receita, seguese a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos no Simples Federal e não recolhidos, em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta, justamente, da receita nãodeclarada e/ou omitida), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a receita nãodeclarada e/ou omitida. LEGALIDADE. Cumpre à Administração aplicar a Lei tributária e a legislação tributária de ofício, sem desbordar para críticas sobre sua constitucionalidade e/ou legalidade. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.107 18 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, dessa feita sem pleitear a preliminar de nulidade, repisa os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduz em complemento: Se a Recorrente realizasse simplesmente a compra para revenda dos vales transporte, como quer fazer parecer na r. decisão de fls. 2.048 a 2060, seus clientes pagariam valor a maior, caso fossem comprar diretamente da SPTrans São Paulo Transporte S/A ou outra operadora de transporte público, não tendo qualquer benefício, pelo contrário, tendo prejuízo em tal operação. Além disso, a Recorrente estaria ferindo cláusula expressa do Termo de Credenciamento para Distribuição de Valestransporte, conforme transcrito as fls. 2058, que ora transcrevemos: "8.1 Fica vedado à "CREDENCIADA" efetuar compras de valestransportes que lhe propiciem ganhos especulativos". Diferente do que foi consignado na r. decisão de fls. 2048 a 2060, notadamente às fls. 2058, a Recorrente não é elemento estranho que se insere na cadeia de produção, distribuição e consumo dos valestransportes, mas sim, uma empresa idônea que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transportes, atividade lícita. Ainda, urge ressaltar que, diferente do que foi consignado no r. acórdão n° 0526.189 de fls. 2048 a 2060, não há confusão por parte da Recorrente no conceito de "receita", apenas consignou que toda sua movimentação bancária não poderia ser considerada como "receita" tributável, por que representam meros ingressos temporários em seu patrimônio, sem acréscimo nos ativos ou decréscimos nos passivos. Cita então doutrina para corroborar o seu conceito de receita. Por fim, alega o caráter confiscatório da multa de 150%. Chama a atenção para a desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica, atentando contra o patrimônio do contribuinterecorrente, em contrariedade a preceptivo constitucional federal. É o relatório. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.108 19 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de contribuinte optante pelo Simples Nacional, autuado por ter omitido receita no anocalendário de 2005, isso com base em sua movimentação bancária (art. 42 da Lei nº 9.430/96, reenquadrandoa assim em novas faixas de tributação do Simples). A fiscalização foi aberta em face da verificação de incompatibilidade entre a receita declarada (R$ 427.156,02), tendo em vista que no anocalendário de 2005 o fiscalizado teve uma movimentação financeira de R$ 18.398.108,87, de acordo com os sistemas da Receita Federal. Após a entrega dos extratos bancários através de autorização do contribuinte identificouse o montante de depósitos a serem justificados de R$ 17.097.464,72. O autuante elaborou para cada banco onde o fiscalizado manteve conta no ano de 2005 uma planilha contendo um resumo dos créditos na conta do fiscalizado durante o ano citado, contendo as seguintes informações: a) total de créditos na conta do fiscalizado; b) créditos provenientes da receita de prestação de serviços com a emissão de nota fiscal; c) créditos provenientes da receita de prestação de serviços sem a emissão de notas fiscais, apenas com Recibos; d) créditos excluídos, que correspondem a transferências entre contas do próprio fiscalizado; e) créditos não justificados pelo fiscalizado, que correspondem a documentos não localizados pelo mesmo ou a empréstimos cujos comprovantes não foram apresentados; f ) créditos que devem ser tributados, que correspondem à soma dos créditos citados nos itens b), c) e e) acima. Depósitos a serem comprovados Justificativa do Contribuinte Aceito pela Fiscaliz ação Recorrido (S/N) Fl. 19DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.109 20 (S/N)? 316.181,80 Não justificados de forma alguma N N 365.501,43 Justificados como Empréstimos, mas sem respaldo em documentos N N 3.719.123,36 Não declarados e justificados através de Recibos sem emissão de notas fiscais – alegação de receita de terceiros N S 10.572.734,74 Não declarados, mas justificados através de Notas Fiscais – alegação de receita de terceiros N S 1.696.767,37 Transferência entre contas da própria Recorrente S TOTAL 16.670.308,70 DELIMITAÇÃO DA LIDE Dessa forma, do Total de depósitos identificados pelos extratos bancários a justificar e não declarados totalizando o valor de R$16.670.308,70 (17.097.464,72 427.156,02), o valor de R$ 14.973.541,33 foi considerado pela fiscalização como não justificados e, portanto, como omissão de receitas o valor de RS 14.973.541,33. Não faz parte da lide por não ter sido contestado na impugnação e no recurso voluntário, os depósitos de R$ 365.501,43 que foram inicialmente justificados à fiscalização como empréstimos, mas não foi aceita a justificativa, por falta de comprovação documental, bem assim também não faz parte da lide o valor de 316.181,80, que nem ao menos foi justificado, a teor do art. 42 da Lei n. 9430/96. A lide, portanto, circunscrevese ao referido valor (RS 14.291.858,10 = 14.973.541,33 – 316.181,80 365.501,43), acrescidos de multa e juros. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.110 21 MÉRITO É sabido que a legislação de regência do SIMPLES (art. 18 da Lei nº 9.317/96) determina que se aplicam à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. O art. 42, da Lei nº 9.430/1996, por sua vez, é aplicável ao caso, sendo cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Toda a defesa da recorrente converge para a tentativa de afirmar que aquela movimentação bancária realizada apesar de se constituir em ingressos, não se constitui em receita. Eis suas próprias palavras: De fato, o agente fiscal reconhece a atividade exercida pela Recorrente, descrevendo precisamente as fls. 2049 da r. decisão, como sendo "a prestação de serviços de entrega de documentos, em particular valebeneficios (vale transporte, cartão alimentação, cartão refeição, bilhete único SPTrans) " Assim, não há o que se falar em "compra para revenda dos ditos "vales transportes", como consignado de forma equivocada no r. acórdão as fls. 2060. O fato é que a Recorrente, como amplamente exposto na sua peça de impugnação, tem como objeto social a prestação de serviço de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transportes (CNAE: 53.20201 Serviços de malote não realizados pelo Correio Nacional), através do qual a atividade empresarial consiste em três etapas que se efetivam, senão vejamos: 1º) o cliente da recorrente faz o pedido dos valestransporte através do site, onde é calculado o valor referente aos vales, bem como da prestação de serviços. Após, o cliente efetua o depósito do valor total, inclusive fio dos valestransporte, na conta da recorrente; 2°) a quantidade de valetransporte solicitada é adquirida pela recorrente conforme solicitação do cliente junto a SPTrans São Paulo transporte, pelo mesmo valor cobrado do cliente 3°) a recorrente executada o serviço de envelopamento, separação e entrega aos empregados do clienteempregador. Assim, verificase que a Recorrente não compra para revenda os vales transporte, apenas adquire junto à SPTrans São Paulo Transporte S/A ou outra operadora de transporte público os valestransporte em nome do seu cliente, motivo pelo qual não deve ser considerado faturamento todo o ingresso financeiro em sua conta corrente, mas apenas e tãosomente o valor cobrado para prestação do seu serviço, correspondente a 3% (três por cento), em média, do valor do pedido de cada cliente, acrescido da entrega/frete, dependendo do local. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.111 22 Ora, se a Recorrente realizasse simplesmente a compra para revenda dos valestransporte, como quer fazer parecer na r. decisão de fls. 2.048 a 2060, seus clientes pagariam valor a maior, caso fossem comprar diretamente da SPTrans São Paulo Transporte S/A ou outra operadora de transporte público, não tendo qualquer benefício, pelo contrário, tendo prejuízo em tal operação. Além disso, a Recorrente estaria ferindo cláusula expressa do Termo de Credenciamento para Distribuição de Valestransporte, conforme transcrito as fls. 2058, que ora transcrevemos: "8.1 Fica vedado à ´CREDENCIADA´ efetuar compras de valestransportes que lhe propiciem ganhos especulativos". De acordo com o art. 224 e parágrafo único do RIR/1999, a receita bruta das vendas ou serviços compreende “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos condicionais concedidos”. (grifei) Segundo José Antonio Minatel em seu livro “O Conteúdo do conceito de receita”, ed. MP, São Paulo: Saraiva, 2005, p.180, o conceito de receita: (...) pressupõe conteúdo material de mensuração instantânea, revelado pelo ingresso de recursos financeiros decorrente de esforço ou exercício de atividade empresarial, materializadora de disponibilidade pessoal para quem aufere que não guarda relação de pertinência que permita confrontálo com qualquer operação antecedente, contrariamente ao que sucede com valor da operação de produtos industrializados e de mercadorias. Em outro ponto Jose Antonio Minatel destaca por fim, ponto relevante do conteúdo do conceito de Receita: “O ingresso financeiro é um dos atributos que permitem qualificar o conteúdo material da receita, mas nem todo ingresso tem natureza de receita. É preciso caráter de definitividade da quantia ingressada, e que tenha como causa o exercício de atividade empesarial.” Como se vê, receita pressupõe conteúdo material de mensuração instantânea, significando dizer que o ingresso de numerário no patrimônio precisa acontecer de modo definitivo. A DRJ refuta esse conceituação, afirmando que apesar de se tratar de elemento novo, isso acontece tãosomente da perspectiva estática, pois definitivo seria lucro ou renda. Eis as suas palavras: Sobre este último aspecto, não rende melhor sorte o argumento do Contribuinte tendente a caracterizar como receita o ingresso de numerário no patrimônio que assim se fizesse de modo definitivo. Receita é, sem dúvida, elemento novo e positivo no patrimônio, mas, tãosomente de um ponto de vista estático, certo que dinamicamente, novo mesmo, positivo mesmo (ou até negativo) e, agora sim, com pretensão de definitividade, é a renda apurada num dado lapso de tempo. A se admitir a concepção do Contribuinte o conceito de receita como aquele numerário que venha a integrar o patrimônio da entidade a confusão com o conceito de renda Fl. 22DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.112 23 é evidente. Acréscimo, o que se soma/agrega ao patrimônio, é a renda (ou prejuízo), não a receita, já que esta última, no tempo, isto é, dinamicamente, tem parcela comprometida para fazer frente aos respectivos custos/despesas. De fato, o confronto de receita com custos de operações anteriores é o mesmo que transformar receita em lucro, porém não é isso que percebemos que tenha acontecido no caso concreto. O que se constata é que os ingressos financeiros em referência estão sempre atrelados a um repasse a ser efetuado a terceiros a fim de adquirir os valestransporte. Ora, um ingresso financeiro é condição necessária, mas não suficiente para caracterizar receita. É preciso que a esse pressuposto seja acrescido uma outra nota relevante, qual seja, que exista a mínima possibilidade de esses ingressos por si sós se reverterem em acréscimo patrimonial. Ora, mas isso não acontece justamente porque os referidos ingressos já têm endereço certo sem margem para especulação em cima do mesmo, pois existem contratos entre a Recorrente e seus clientes deixando assente essa questão. Nesse passo, o registro do ingresso financeiro no ativo deve ter como contrapartida registro imediato em conta do passivo, como obrigação da Via Nova, jamais podendo transitar como conta de resultado. Na verdade, tais contratos muito se assemelham aos contratos de comissão, podendo pelo contexto, serem equiparados, uma vez que seus clientes autorizam a compra desses vales junto aos órgãos competentes, ou seja, junto à. operadora do sistema de transporte público coletivo e participasse do sistema de transporte coletivo Outrossim, apesar de não existir um regramento específico como acontece em outras atividade que autorize tal exclusão da receita bruta, como acontece nas operações em consignação de pagamento ou mesmo no caso de revenda de carros usados a situação que se cuida está muito bem delimitada contratualmente e até mesmo legalmente que a receita não é da recorrente, havendo jurisprudência administrativa do CARF nesse sentido, senão vejamos. Contratualmente, a Recorrente estaria ferindo cláusula expressa do Termo de Credenciamento para Distribuição de Valestransporte, conforme transcrito as fls. 2058: "8.1 Fica vedado à "CREDENCIADA" efetuar compras de valestransportes que lhe propiciem ganhos especulativos". Acrescentese que o próprio Termo de Credenciamento junto à SPTrans também veda expressamente o repasse de valores acima do valor da tarifa praticada: Termo de Credenciamento da SPTrans Cláusula Quarta Das Obrigações da Credenciada 4.5. Efetuara distribuição dos ValesTransportes, no formato de papel, ao preço da tarifa vigente. 4.6.2. Os serviços adicionais prestados pela "CREDENCIADA" a seus clientes, vinculados à distribuição dos ValesTransporte, serão realizados por sua exclusiva conta e risco, ficando a "SPTRANS" totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer titulo, em relação a tais serviços. CLÁUSULA DÉCIMA DA RESCISÃO Fl. 23DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.113 24 10.1.5 Venda de ValesTransporte, peia "CREDENCIADA", por preço diverso da tarifa em vigor no Sistema Municipal de Transportes Coletivos, na data de sua realização. Legalmente, o regulamento da Lei do ValeTransporte também veda expressamente o repasse de valores acima do valor da tarifa praticada: Decreto n° 95.247/1987 Regulamento da Lei do VaieTransporte Art. 14. A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e comercializar o ValeTransporte ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em gerai e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. (...) § 3o A delegação ou transferência da atribuição de emitir e comercializar o ValeTransporte não elide a proibição de repassar os custos respectivos para a tarifa dos serviços Portanto, a receita e, por conseguinte, o lucro/acréscimo patrimonial da Recorrente não deriva do repasse dos valestransporte adquiridos por seus Clientes Empregadores, mas sim da prestação dos denominados "serviços adicionais", previstos no Termo de Credenciamento, é que agregam valor aos seus clientes. Em contraposição a isso tudo, alega a DRJ que se equiparação se pode fazer no caso que se cuida é apenas em relação ao concessionário, o franqueado, ou ainda o distribuidor por intermediação, certo que, Recorrente compra os valestransporte da São Paulo Transporte S.A. SPTrans para os revender aos seus clientes, assim como acontece com os outros objetomercância que ela transaciona. Por outras palavras, à luz do entendimento da DRJ, para que os “Vales transporte” não sejam considerados objeto de mercância seria preciso que a Recorrente fosse operadora do sistema de transporte público coletivo e participasse do sistema de transporte coletivo, situação em que aí sim se justificaria o não reconhecimento de receita, pois não estaríamos diante de uma usual operação de compra e venda, em que a operadora do sistema deixa de reconhecer receita na aquisição dos “Vales” por parte dos empregadores, sendo procrastinado esse reconhecimento para o momento do resgate dos “Vales”. É que nesse caso, por imposição legal, a operadora do sistema de transporte ficaria limitada exclusivamente à cobrança daquele preço préestabelecido. A DRJ, citando Fábio Ulhoa Coelho, afirma que não existe possibilidade do dos referidos contratos serem equiparados à contrato típico de comissão mercantil, contrato este cujo vínculo contratual: (...) em que um empresário (comissário) se obriga a realizar negócios mercantis por conta de outro (comitente), mas em nome próprio, assumindo, portanto, perante terceiros responsabilidade pessoal pelos atos praticados. O comissário concretiza transações comerciais do interesse do comitente, mas este não participa dos negócios, podendo até permanecer incógnito. (...) Acentuese que as negociações levadas a efeito pelo comissário atendem, na verdade, aos interesses do comitente, sendo, por esta razão, empreendidas por conta e risco deste último. Assim, todos os riscos comerciais do negócio cabem, em princípio ao comitente. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.114 25 Verificada a inadimplência do terceiro, as conseqüências decorrentes serão suportadas pelo comitente. (grifei) A esse mesmo respeito cabe transcrever as inquirições da DRJ: No caso, cabe perguntar: este Contribuinte, na sua relação com a São Paulo Transporte S.A. SPTrans, ao transacionar o objeto "valestransporte", executa contrato de comissão mercantil? Ou, de modo equivalente, este Contribuinte está na posição de comissário e a São Paulo Transporte S.A. SPTrans na de comitente? A resposta: não. E por que não? Porque o Contribuinte, como antes visto, compra para revender os ditos "valestransporte", quando, fosse mesmo o caso de comissão mercantil, tal não sucederia. Como bem alertou a fiscalização e, aí sim, estaria bem caracterizada a hipótese de comissão mercantil , o Contribuinte deveria "emitir nota fiscal em seu nome apenas com o valor dos serviços por ele prestados, e repassar ao seu cliente outra nota fiscal emitida diretamente da empresa emitente do vale beneficio para seu cliente" (fl. 1840). Na verdade, penso que a equação da inquirição acima deveria ser invertida. Temos também de perguntar na relação Recorrente, ainda como comissário, mas agora os seus clientes como comitente e não mais a SPTrans, se o contrato entre eles teriam a natureza de comissão mercantil, a resposta nesse caso, por equiparação, seria sim. Afinal apenas pelo fato de os clientes (comitente) não terem procurado a Recorrente (comissário) para encetar um contrato com natureza assemelhada a um mandato por si só não pode descaracterizálo, pois isso é um elemento acessório e não essencial do negócio jurídico, afeito muito mais à motivação. Outro aspecto que poderia levantar dúvida quanto à equiparação seria o grau de responsabilização. Nesse passo, então se pergunta, o comitente (Clientes da Recorrente) assumiriam alguma responsabilidade no caso de haver algum problema na transação perpetrada pela Recorrente de aquisição dos vales com a SPTTrans? Embora a resposta aqui seja “não”, o fato é que não estamos diante de um mandato, onde a responsabilização é absoluta, mas de uma equiparação a um contrato de comissão, onde essa responsabilização é em grau menor, portanto, a coerência ainda permanece. A fiscalização descaracterizou a hipótese de comissão mercantil, pois o Contribuinte deveria "emitir nota fiscal em seu nome apenas com o valor dos serviços por ele prestados, e repassar ao seu cliente outra nota fiscal emitida diretamente da empresa emitente do vale beneficio para seu cliente" (fl. 1840). Ora, esse erro formal por si só não autoriza à Fiscalização mudar a natureza jurídica do negócio, mormente quando tal procedimento foi permitido pelo fisco municipal através de resposta à consulta feita pela Recorrente. Por outras palavras, ainda que a terminologia utilizada nos documentos relativos à aquisição dos ValesTransporte se referiam à "compra e venda", não altera a natureza jurídica nem descaracteriza a operação. Outrossim, o art. 17 da IN SRF n° 480/2004 que trata da tributação na fonte de PIS, COFINS e CSLL na aquisição de valestransporte e assemelhados pela Administração Pública reconhece que a base de cálculo para a incidência seria apenas o valor da corretagem ou da comissão destacada na Nota Fiscal de Serviço caso os pagamentos sejam efetuados a intermediários, corroborando ainda mais com a tese da Recorrente. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.115 26 Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar da tributação os ingressos repassados para a aquisição dos valestransporte e valesbeneficio tão somente no caso em que há notas fiscais escrituradas nos livros contábeis. Isso quer dizer que as vendas de vales transporte e valesbenefício realizadas sem emissão de notas fiscais, através apenas dos Recibos de Venda de ValeTransporte e não tendo sido escrituradas pelo fiscalizado em seu livro de Registro do ISS, são consideradas omissão de receitas não se enquadrando na discussão acima trata e incidindo sobre sua base a multa qualificada. Multa confiscatória Deixo de entrar na questão da qualificação da multa, pois a matéria não foi enfrentada pela Recorrente, limitandose a enfrentar o aspecto confiscatório da mesma. Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa, com a ressalva de que o provimento parcial pode implicar em reconstituição das alíquotas que foram alteradas em função das novas faixas de receitas. Cabe ao órgão executor verificar esse aspecto. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar da tributação os ingressos repassados para a aquisição dos valestransporte e valesbenefício tão somente no caso em que há notas fiscais escrituradas nos livros contábeis (R$ 10.572.734,74 Principal). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 26DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.116 27 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Redator Designado. A divergência a justificar este voto vencedor restringese à qualificação da multa de ofício, cujos fundamentos, no entender da maioria, puderam ser apreciados de ofício sob o argumento de a atividade de lançamento ser vinculada, devendose ater aos limites da legalidade. A alegação posta no recurso voluntário acerca do seu suposto caráter confiscatório já foi devidamente equacionada no respeitável voto do Relator, Cons. Antonio Bezerra Neto. No Termo de Verificação Fiscal (fls.1.837/1.846), após discorrer sobre as condutas que levaram à constatação da omissão de receitas, a autoridade fazendária, em tópico específico, assim fundamentou a aplicação do percentual de 150% para a penalidade: [...] O artigo 44, inciso I, §1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei Nº 11.488, de 15/06/2007, estabelece que nos lançamentos de ofício serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Na fiscalização em tela o contribuinte, de modo reiterado e continuado, deixou de emitir nota fiscal em parte significativa nos serviços por ele realizados durante todo ano de 2005, emitindo apenas Recibos de Venda de ValeTransporte, conforme já relatado neste Termo. O total de Recibos de Venda de ValeTransporte emitidos sem nota fiscal durante o ano de 2005 foi de R$ 3.719.123,36, conforme planilha anexa à folha 1832 deste processo, e cópias dos Recibos anexas às folhas 540 a 1826. Ao deixar de emitir nota fiscal relativa aos serviços prestados, bem como deixar de escriturar e declarar as receitas provenientes destes serviços prestados, o fiscalizado incorreu no crime estabelecido no artigo 71 inciso I, da Lei n° 4.502/64, pois a venda sem nota tem o objetivo de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou seja, a prestação de serviços realizados. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.117 28 Concluo que para todas as vendas de serviços realizadas sem a emissão de nota fiscal, com o intuito de reduzir o tributo pago, deve ser imposto a multa qualificada de 150% [...]. Uma primeira observação se impõe. Considerando os fatos geradores ocorridos em 2005, a nova redação do art.44 da Lei nº 9.430/96, conferida definitivamente pela Lei nº 11.488/07, aplicarseia se fosse mais favorável ao sujeito passivo, o que não é o caso. Basta entender que, na atualidade, é suficiente para a qualificação da multa de ofício a caracterização, em tese, de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, como parece ter entendido a autoridade responsável pelos lançamentos. Antes, porém, o dispositivo legal exigia da fiscalização algo mais, que comprovasse o “evidente intuito de fraude” do contribuinte. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (destaquei) Assim, deveria a fiscalização ter carreado aos autos provas suficientes sobre a intenção fraudulenta do contribuinte de indevidamente se esquivar da tributação. Não se desconhece a reiterada falta de emissão de nota fiscal e de escrituração, a ensejar a exigência dos valores não recolhidos aos cofres públicos à época própria, inclusive acrescidos de multa de ofício. Contudo, à vista do relato fiscal, não se pode ultrapassar, com a devida licença aos demais Conselheiros que tão bem expressaram seus votos em sentido contrário, a caracterização de uma simples omissão de receitas, ainda que significativa quando considerada a totalidade dos serviços prestados em 2005. Incide na espécie o Enunciado nº 14 da súmula de jurisprudência predominante no CARF, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho (art.72 do Anexo II do Regimento Interno): A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Pelo exposto, voto no sentido de reduzir a multa de ofício ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Redator Designado Fl. 28DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15758.000059/200969 Acórdão n.º 140100.707 S1C4T1 Fl. 2.118 29 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10240.001615/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Data do fato gerador: 01/01/1999, 31/05/2000
Consolidado em 14/09/2007
Ementa. DECADÊNCIA
A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08.
No presente caso, seja qual for o dispositivo aplicado, o crédito tributário encontra-se decadente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-002.243
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente
julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recorrida DRJBELÉM/PA Data do fato gerador: 01/01/1999, 31/05/2000 Consolidado em 14/09/2007 Ementa. DECADÊNCIA A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. No presente caso, seja qual for o dispositivo aplicado, o crédito tributário encontrase decadente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes., Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Mores. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializada pelo n° 37.064.1299, consolidada em 14/09/2007, em desfavor da empresa Recorrente por apresentar documento a que se refere à Lei n° 8.212/91, art. 32, IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997 (Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP), em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, nas competências janeiro/1999 a maio/2000. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/29) a conseqüência dessa infração fere a Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, §§1° e 3º, combinado com o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99. Consta, ainda, que a empresa informou erroneamente em GFIP as remunerações do segurado empregado Francisco Carvalho Peixoto, inscrito no PIS 12583178654, do período 10/99 a 05/00, no PIS 12149882169, do segurado Francisco Clemilton de Souza Lobo. Além disso, deixou de excluir as remunerações informadas em GFIP da filial 04.281.036/000303, com situação cadastral baixada. Adiante, consta no Relatório Fiscal da multa aplicada (fls. 27/29) que a empresa está sendo autuada pela infração supramencionada, motivo pelo qual enseja a aplicação da multa disposta no artigo 283, "caput" e §3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, atualizada na forma do art. 373 do RPS, pela Portaria MPS n°142, de 11/04/2007, no valor mínimo de R$ R$ 1.195,13 (um mil e cento e noventa e cinco reais e treze centavos). No entanto, prevê o relatório fiscal da multa que existem autos de infração contra a Recorrente, resultante de ação fiscal anterior. Sendo assim, a empresa incorreu em reincidência de que trata o artigo 290, inciso V, do Regulamento da Previdência Social. Segundo o que dispõe o relatório fiscal, caracterizase reincidência quando: ‘A reincidência é definida como a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa e definitiva condenatória ou homologatória referente infração anterior, nos termos do artigo 290, parágrafo único do RPS.” Em decorrência disso, dáse o valor do auto de infração de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos). Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua Impugnação tempestiva (fls.64/69) onde, em síntese, pleiteia a anulação do Auto de Infração por carência de fundamentação legal, nos seguintes pontos: Preliminarmente: Dúvida sobre a autenticidade do auto, sob o fundamento de que apesar de ter recebido o fiscal auditor, ao acessar a internet para confirmar se o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF era legal, foi informado que não existe ação fiscal, tão pouco mandado de procedimento fiscal disponível para o CNPJ da empresa. Mérito: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10240.001615/200769 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 102 3 Nulidade da autuação, por vício insanável, nos termos da Ordem de Serviço n° 214 de 10 de junho de 1999, sob os seguintes motivos: No Auto em questão, não constou a identificação e qualificação da pessoa que ficou ciente da infração; Impossibilidade da incidência de multa, uma vez que não consta a discriminação clara e precisa da penalidade aplicada e os critérios de sua gradação. Não especificou as alíquotas aplicadas para se chegar aos valores das contribuições não declaradas. No entanto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão n° 0110.399, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BEL (fls. 81/88), julgou o lançamento fiscal procedente, conforme ementário abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2000 AUTODEINFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração apresentar a empresa GFIP (art. 32, IV, da Lei n° 8.212/91) em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. MPF. Não é o fato de o MPF não ser confirmado via internet que o torna ilegal. O MPF só é inválido se não contemplar todos os pressupostos legais. CIÊNCIA. A ciência do auto de infração ao contribuinte pode ser dada por via postal (art. 23, II, §3°, do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, c/c art. 662, da IN SRP n° 03/2005). PROVA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriores trazidas aos autos (o artigo 7° da Portaria Receita Federal do Brasil n° 10.875, de 16/08/2007). ATENUAÇÃO. RELEVAÇÃO. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Não há que se falar em atenuação ou relevação da penalidade aplicada quando o infrator não corrige a falta até o termo final do prazo para impugnação (caput do artigo 291 e §1°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99). Lançamento Procedente” Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, Pedido de Reconsideração (fls. 93/98) alegando, em síntese, o que se segue: Seja recepcionado, em caso de ser considerado como Recurso Voluntário, sem o depósito de 30% da dívida; A reconsideração da decisão proferida pela DRJ/Belém/PA, dando provimento às razões já mencionadas na impugnação para anular o Auto de Infração; Requer prazo posterior para juntar as retificadoras da GFIP, em decorrência disso, vênia para relevação da multa prevista no artigo 219, do RPS. E, caso não seja reconsiderada a decisão, que seja recebido como razões do recurso voluntário encaminhados ao Conselho de Contribuintes. Por fim, a Receita Federal se manifestou (fl. 100) no sentido de inexistir previsão legal para a apresentação do "Pedido de Reconsideração" da decisão proferida pela DRJ. Sendo assim, recebe o documento como razões do Recurso Voluntário. Eis o relato dos fatos. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’ sem o recolhimento do depósito ou arrolamento, o que permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF, ‘in verbis’ STF Súmula Vinculante nº 21 PSV 21 DJe nº 223/2009 Tribunal Pleno de 29/10/2009 DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009 DOU de 10/11/2009, p. 1 Constitucionalidade Exigência de Depósito ou Arrolamento Prévios de Dinheiro ou Bens para Admissibilidade de Recurso Administrativo. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. GN Como dizem os latinos: ‘na clareza da lei cessa sua interpretação’. Estando a impugnação e o recurso voluntário tempestivos, não havendo a necessidade de recolhimento de depósito recursal e tão pouco arrolamento de bens, em razão de Súmula Vinculante, os pressupostos extrínsecos encontramse adequados, merecendo avaliação o exame do mérito. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10240.001615/200769 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 103 5 Quanto ao pedido de reconsideração direcionado à DRJ/Belém/PA, acertada a decisão onde não a recepcionou por falta de previsão legal, tornandoo Recurso Voluntário. Referente a anular o AI, visto que impregnado de imperfeições, conforme reza o artigo 28 da Portaria 357/02, não vejo como prosperar, já que nos autos não há ao menos indícios de que tenha ocorrido qualquer afronta ao mencionado dispositivo. Ao contrário, foi obediente à legislação e seguiu a sua regular tramitação. Portanto improcede o pedido de anulação ao AI. Também impossível a requerida anulação por outros possíveis erros generalizados, pelas mesmas razões acima exposta, mormente porque o Auto de Infração lavrado obedeceu todas as determinações legais. Quanto ao pedido de prazo aviado no Recurso Voluntário para elaborar e juntar retificadora da GFIP e, por conseguinte, relevar a multa prevista do artigo 219 do RPS, tem que impossível dada a ausência de previsão legal, eis que precluso este direito, que poderia ser exercício até a impugnação. DECADÊNCIA A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, cedo à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, seja pelo artigo 150, § 4° ou 173, I, já que havendo ou não recolhimento transcorreu mais de cinco anos o Auto de Infração (AI) materializada pelo n° 37.064.1299, consolidada em 14/09/2007 com o período de apuração que foi de 01/01/1999 a 31/05/2000 Diante disto, urge dizer que se encontram atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência setembro de novembro de 2002, inclusive esta. Conclusão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10240.001615/200769 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 104 7 ‘Ex positis’, e tudo mais que dos autos consta, tenho que o Recurso Voluntário aviado deva ser recepcionado, dado que obediente a todos os requisitos extrínsecos, para julgálo procedente diante da decadência apontada. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 13702.000344/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos recebidos do INSS no valor de R$ 19.097,45, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos recebidos do INSS no valor de R$ 19.097,45, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 03 44 /2 00 8- 19 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13702.000344/200819 Acórdão n.º 2801002.860 S2TE01 Fl. 79 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 5.997,26, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, os seguintes fatos: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fonte Pagadora: Comando da Aeronáutica. Valor: R$ 8.480,98. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fonte Pagadora: Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Valor: R$ 19.097,45. Informa a Autoridade lançadora, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 11 deste processo digital), que na apuração do imposto devido foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos informado em DIRF pelo Comando da Aeronáutica. O imposto retido na fonte pelo INSS foi declarado pelo contribuinte. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 6, alegando, em síntese, que embora esteja correta a tributação do rendimento omitido relativo à fonte pagadora Comando da Aeronáutica, o lançamento deve ser revisto, considerando que os rendimentos pagos pelo INSS, por corresponderem a proventos de aposentadoria, são isentos e não tributáveis, tendo em vista que o contribuinte é portador de moléstia grave, conforme comprovam o Laudo Pericial, a Carta de Concessão e o Comprovante de Rendimentos cujas cópias foram anexadas. A decisão recorrida considerou como matéria não impugnada a omissão dos rendimentos recebidos do Comando da Aeronáutica e manteve a omissão dos rendimentos recebidos do INSS, uma vez que o laudo apresentado “não identifica que unidade de saúde da Prefeitura de Cabo Frio teria sido responsável por sua emissão, sendo, portanto, insuficiente para a comprovação de que o interessado seria portador de moléstia grave. Ademais, tal documento deixa de informar a partir de quando teria sido contraída a alegada enfermidade, sendo emitido em 2007, anocalendário posterior ao que trata a presente lide”. Cientificado da decisão de primeira instância em 11/07/2011 (fl. 55), o Interessado interpôs, em 05/08/2011, o recurso de fl. 57/62, acompanhado dos documentos de fls. 63/74. Na peça recursal, aduz, em síntese, que: É aposentado pelo INSS desde 12/02/1998 e portador de cardiopatia grave desde 31/05/2002, data da constatação da doença. O Laudo apresentado foi emitido pelo Sistema Único de Saúde – SUS, assinado pela Dra. Tânia T. Mazzeo Norte, CRM nº 52.245410, Departamento de Perícia Médica, Matrícula 29.51176. Tal documento é válido, sendo claro o registro do início da cardiopatia grave já no exercício de 2002. O Laudo emitido pelo SUS/Cabo Frio/RJ, assinado pela médica Dra. Eliane Donner, CRM 52469146, também registra a cardiopatia grave desde 2002. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13702.000344/200819 Acórdão n.º 2801002.860 S2TE01 Fl. 80 3 Ao final, pugna o Recorrente pelo acolhimento do recurso e pelo cancelamento do débito fiscal. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A intributabilidade dos proventos de aposentadoria do portador de moléstia grave encontra previsão no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe, ainda, como condição para a isenção do imposto de renda de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, a emissão de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, quais sejam: (a) o reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. A Carta de Concessão/Memória de Cálculo acostada aos autos em fl. 16 não deixa nenhuma dúvida de que o Recorrente está aposentado desde 12/02/1998. Assim, a questão se resume em saber se o Laudo Médico apresentado reveste a roupagem de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, uma vez que a doença do contribuinte (cardiopatia grave) está elencada no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13702.000344/200819 Acórdão n.º 2801002.860 S2TE01 Fl. 81 4 A decisão recorrida refutou o laudo médico anexado à peça impugnatória (fl. 17) por dois motivos: não identificação da unidade de saúde da Prefeitura de Cabo Frio que teria sido responsável pela emissão e não informação de quando a doença teria sido contraída. Observo, entretanto, que o Laudo foi emitido em papel timbrado do SUS, Prefeitura Municipal de Cabo Frio, Secretaria de Saúde, e a médica que o subscreveu, cujo registro está “Ativo” no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro – CREMERJ, atesta que o Recorrente é portador de cardiopatia grave, tendo sido submetido a duas cineangiocoronariografias com colocação de stents farmacológicos, cujo primeiro procedimento ocorreu em 31/05/2002. Nesse contexto, entendo que o Laudo Médico apresentado atende ao disposto no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 (laudo pericial emitido por serviço médico oficial do Município) e aplico a Súmula CARF nº 63, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para que seja cancelada a omissão de rendimentos recebidos do INSS no valor de R$ 19.097,45. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002620/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NA IN/SRF Nº 228/2002. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração em razão do descumprimento do prazo previsto no art. 9º da IN/SRF nº 228/2002.
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INVESTIGAÇÃO PELO FISCO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
São lícitas as provas coligidas pelo Fisco à observância do disposto na Lei Complementar nº. 105/2001. Não constitui violação do dever de sigilo das operações processadas pelas instituições bancárias a prestação de informações às autoridades fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, por tratarem-se de penalidades distintas.
Preliminares de nulidade do auto de infração rejeitadas. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer Castro de Souza .
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NA IN/SRF Nº 228/2002. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração em razão do descumprimento do prazo previsto no art. 9º da IN/SRF nº 228/2002. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INVESTIGAÇÃO PELO FISCO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. São lícitas as provas coligidas pelo Fisco à observância do disposto na Lei Complementar nº. 105/2001. Não constitui violação do dever de sigilo das operações processadas pelas instituições bancárias a prestação de informações às autoridades fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, por tratarem-se de penalidades distintas. Preliminares de nulidade do auto de infração rejeitadas. No mérito, recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer Castro de Souza .
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Recorrente BRASCOMPANY COMÉRCIO EXTERIOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NA IN/SRF Nº 228/2002. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração em razão do descumprimento do prazo previsto no art. 9º da IN/SRF nº 228/2002. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INVESTIGAÇÃO PELO FISCO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. São lícitas as provas coligidas pelo Fisco à observância do disposto na Lei Complementar nº. 105/2001. Não constitui violação do dever de sigilo das operações processadas pelas instituições bancárias a prestação de informações às autoridades fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, por trataremse de penalidades distintas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 26 20 /2 01 0- 75 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Preliminares de nulidade do auto de infração rejeitadas. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer Castro de Souza . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de RS 149.723,08 referente a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que ao se proceder à revisão da habilitação da empresa Brascompany Comércio Exterior Ltda para operar no Siscomex foram revelados indícios de incompatibilidade entre os valores transacionados no comércio exterior e sua capacidade econômica e financeira. Submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002, foram verificados dos livros contábeis e fiscais e dos extratos e comprovantes de depósitos bancários e demais documentos apresentados, que as importações declaradas como sendo por conta própria eram, em verdade, importações realizadas com recursos de terceiros, os quais permaneceram ocultos na transação comercial, caracterizandoos como os reais adquirentes das mercadorias importadas. As etapas do processo de importação, de modo geral, ocorriam da seguinte forma: Terceiras empresa (as reais adquirentes) transferiam recursos antecipados para a Brascompany, que somente posteriormente iniciaria a operação de importação. Depois de receber os recursos, a Brascompany efetuava o pagamento de diversos dispêndios do processo de importação, tais como câmbio, tributos e taxas aduaneiros. A Brascompany procedia ao registro de declaração de importação por conta própria e depois realizava os registros contábeis, com base em notas fiscais de entrada. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 780 3 O registro da saída das mercadorias se dava, na maioria das vezes, no mesmo dia de emissão da nota fiscal de entrada ou poucos dias depois, com base em notas fiscais de saída, cujos destinatários, em sua maioria, eram as empresas que haviam antecipado os recursos. Na venda das mercadorias não havia pagamento, pois os recursos já haviam sido transferidos à Brascompany antecipadamente. A utilização de recursos de terceiro para realizar a operação de comércio exterior remete à presunção legal de que a operação é por sua conta e ordem, de acordo com do artigo 27 da Lei n° 10.637/2002. Dessa forma, ficou caracterizada a simulação praticada pela Brascompany, ao registrar as operações de importação como próprias, a fim de permitir a ocultação dos reais adquirentes, mediante a interposição fraudulenta. O presente processo diz respeito às Declarações de Importação n° 08/10445420, n° 08/12436762, n° 08/14511648 e n° 08/18035190 (NP Bento Exportação e Importação Ltda); n° 07/10273783, n° 07/10516856, n°07/1083006 2 (Verdal Comércio Importação e Exportação Ltda); n° 06/01691240, n° 06/02293515, n° 06/03067080, n° 06/05882899, n° 06/06135388, n° 06/06782413, n° 06/06957892, n° 06/07765911 (Montanna Distribuidora de Peças Ltda); n° 06/07300358 (Punch Graphix Brasil Comércio de Máquinas Gráficas Ltda); n° 06/01937702 (Cared Comercial e Distribuidora Ltda), cujas mercadorias por elas amparadas foram objeto de pena de perdimento convertida em multa equivalente a seus valores aduaneiros, por terem sido consumidas ou não localizadas. Todas as Declarações de Importação referidas foram registradas como se a importação fosse por conta própria da Brascompany, todavia as reais adquirentes das mercadorias foram as empresas citadas. Os documentos fiscais, contábeis e bancários comprovam que os recursos utilizados na operação provieram das reais adquirentes que os transferiu à Brascompany antecipadamente à operação. A Brascompany utilizou os recursos das reais adquirentes para cumprir os compromissos da importação e depois de importadas as mercadorias foram a elas entregues e os ajustes contábeis realizados de forma irregular Em razão dos recursos utilizados na operação de importação terem provindo das reais adquirentes, se caracterizou a importação por sua conta e ordem, conforme previsão do artigo 27 da Lei n° 10.637/2002. Restou caracterizada a ocultação dos reais adquirentes, com base cm simulação na operação de importação e mediante interposição fraudulenta de terceiro. O terceiro oculto deixou, indevidamente, de ser equiparado a industrial para fins de apuração e recolhimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI). Também se caracterizou a falsidade ideológica dos documentos instrutivos dos despachos aduaneiros, pois as faturas e demais documentos trazem como adquirente das mercadorias a Brascompany Comércio Exterior Ltda e não as adquirentes de fato. A conduta da interessada caracterizou ainda a cessão de se nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Assim, foi lavrado o Fl. 787DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 auto de infração do presente processo para exigência da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Cientificada por via postal (AR fl. 542v) a interessada Brascompany Comércio Exterior Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 543 a 597 com os documentos de folhas 600 a 617 anexados. A impugnante faz as seguintes alegações, em síntese: O procedimento especial de fiscalização a que foi submetida ultrapassou o prazo previsto pela própria Receita FederaJ do Brasil nas normas que regem a matéria. Por essa razão o auto de infração é improcedente. A quebra de sigilo bancário da impugnante foi realizado com descumprimento dos requisitos da Lei Complementar n° 105/01, sendo obtido indevidamente os dados de sua movimentação financeira, o que torna essas provas ilícitas. Não houve motivação para a quebra de seu sigilo bancário, sendo atacado seu direito constitucionalmente previsto. A multa de 100% prevista no art. 23, § 3 o , do Decretolei n° 1.455/1976 não é possível de ser aplicada à impugnante, pois ao importador deve ser aplicada multa de 10 % prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, se for o caso. Houve motivação incorreta, pois a descrição fática não condiz com a realidade e, portanto, o auto de infração é nulo. Isso porque somente ao suposto sujeito passivo oculto, verdadeiro adquirente da mercadoria importada, e não ao importador que teria cedido seu nome na operação é aplicável o contido no § 3 o do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976. Requer seja anulado o auto de infração ou, em caso contrário, seja reduzida a multa para 10% como arguido.” A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a impugnação (fls. 636/670), mantendo integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constando do relatório fiscal e demais peças dos autos que a RMF foi emitida por agente competente e nas situações previstas na legislação, de forma a possibilitar ao contribuinte aferir a legalidade do procedimento administrativo, não há que se falar Fl. 788DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 781 5 em nulidade do procedimento, ainda que não conste dos autos um relatório circunstanciando a hipótese que determinou a emissão da RMF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, as autuada apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 636/670), alegando, em síntese nulidade do auto de infração em razão de autoridade fiscal não haver cumprido o prazo estipulado na IN/SRF nº. 228/2002 para encerramento do procedimento especial de fiscalização previsto naquela normativa. nulidade do auto de infração por ter sido fundamentado em prova ilícita, vez que a quebra do sigilo bancário deuse sem prévia autorização judicial. Afirma que “o § 1º do art. 145 da Constituição Federal, no que tange à quebra do sigilo bancário, não atribuiu nenhum poder especial à Administração Pública ou abrigou qualquer dispensa de buscar junto ao Judiciário autorização para afastar o direito constitucionalmente previsto do sigilo aos dados bancários, relacionados diretamente à intimidade e à vida privada das pessoas”. Aduz que o direito ao sigilo bancário é direito individual constitucionalmente assegurado; que a multa de 100% do valor aduaneiro, prevista no art. 23, §3º do Decretolei nº. 1.455/76, somente seria aplicável ao verdadeiro importador da mercadoria, ao “importador oculto”, e não ao importador que teria cedido seu nome na operação; a este importador, deveria ser aplicada a multa de 10% do valor da mercadoria, prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488/2007; e que como a multa do §3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976 é inaplicável àquele que cedeu o seu nome (importador ostensivo), o auto de infração traz descrição fática que não condiz com a realidade, sendo incorreta a sua motivação. Ao final, pediu a nulidade do auto de infração (i) por ter sido concluídos fora do prazo previsto na IN nº. 228/2002; (ii) em virtude da ilegalidade da quebra dos sigilos bancários e fiscal; e (iii) em razão da incorreta motivação. Subsidiariamente, pede a redução da multa para 10%. É o relatório Fl. 789DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais deles conheço. Ao teor do relatado, cuida a lide de Auto de Infração lavrado em desfavor de BRASCOMPANY COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, no valor total de R$ 149.723,08, em razão da conversão da pena de perdimento em multa. Diante dos fatos verificados em procedimento especial de fiscalização, instaurado em conformidade com a IN/SRF nº. 228/2002, a Fiscalização entendeu que diversas importações efetuadas pela Brascompany tiveram como reais importadores outras empresas, as quais seriam as verdadeiras adquirentes das mercadorias importadas, tratandose, na verdade, de importações por conta e ordem, vez que a Brascompany teria utilizado de adiantamento de recursos de terceiros para efetuar as operações de comércio exterior. Tal fato caracterizaria a interposição fraudulenta de terceiros (ocultação do real importador), a qual consiste na infração de dano ao Erário, punida com a pena de perdimento da mercadoria, que foi convertida em multa, em razão da impossibilidade de sua localização. Passo, pois, a analisar as alegações de defesa. Da Nulidade do Auto de Infração por descumprimento da IN/SRF nº 228/2002 Primeiramente, entende a contribuinte que o auto de infração seria nulo por ter sido lavrado em prazo superior àquele estabelecido na IN nº. 228/2002. Afirma que, quando do oferecimento da impugnação, em 09/12/2010, encontravase sob o procedimento especial previsto na normativa sem que este se houvesse finalizado. A IN/SRF nº. 228/2002, a qual dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, em seu art. 9º assim estabelece: Art. 9º O procedimento especial previsto nesta Instrução Normativa deverá ser concluído no prazo de noventa dias, contado da data de atendimento às intimações previstas no art. 4º. Parágrafo único. O titular da unidade da SRF responsável pelo procedimento especial poderá, em situações devidamente justificadas, prorrogar por igual período o prazo previsto neste artigo Logo de plano, observase que a norma especifica o prazo para conclusão do procedimento, mas não atribui qualquer consequência à sua inobservância, razão pela qual não se pode inferir que a conclusão do procedimento fora do prazo culmine com a nulidade do Auto de Infração. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 782 7 Independentemente de tal fato, conforme bem asseverou a decisão proferida pela DRJ, o prazo previsto na normativa foi cumprido, vez que, tendo sido expedido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF em 21/09/2010, determinando a conclusão do procedimento especial até 18/01/2011, a ciência do Auto de Infração, pela Brascompany, ocorreu em 11/11/2010 (fl.64). Demais disso, ainda que a ciência do Auto de Infração fosse em data posterior àquela consignada no MPF para a conclusão do procedimento especial, ainda assim tal fato não seria causa de nulidade da peça de autuação. O MPF tem caráter subsidiário em relação aos atos de fiscalização, vez que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, não podendo a autoridade fiscal deixar de exercêla diante da ocorrência do fato gerador do tributo, de forma que não possui o MPF, tampouco o prazo estabelecido na IN nº. 228/2002, o poder de retirar da autoridade lançadora a competência a ela atribuída por lei. Por fim, dispõem os artigos 59 e 60 do Decreto nº. 70.235/1972, Art. 59. São nulos: a) Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; b) Os despachos e decisões proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa §§ omissis. Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ao teor desse dispositivo, as irregularidades que tornariam nulo o lançamento fiscal resumemse aos casos de atos e termos lavrados por servidor incompetente e aos de despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com cerceamento do direito de defesa. Afora as hipóteses retrocitadas, as demais irregularidades que possam vir a ocorrer no processo fiscal não acarretam nulidade do lançamento fiscal. Concluise, pois, diante das considerações acima expendidas, que a inobservância do prazo de 90 dias, estabelecido na IN nº. 228/2002, não constitui nenhuma das circunstâncias previstas no PAF como passíveis da decretação de nulidade do ato, não sendo cabível, portanto, acolher nulidade suscitada. Da Nulidade do Auto de Infração por Fundamentarse em Prova Ilícita A contribuinte alega que o auto de infração seria nulo em razão de fundamentarse em prova ilícita. Entende que a quebra do sigilo bancário procedida pelo Fisco, sem a prévia autorização judicial, violaria o direito constitucionalmente assegurada ao sigilo das informações bancárias. A questão da constitucionalidade do fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Fl. 791DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Complementar nº 105/2001, é matéria com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em 23/10/2009, e, até o momento, encontrase sob a análise daquela Corte, sem que tenha sido proferida qualquer decisão definitiva nesse RE acerca da matéria, sendo o leading case o RE 601.314, de Relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. De outro giro, dispõe o art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (sublinhado não constante do original) Não tendo havido qualquer declaração de inconstitucionalidade pelo STF, por força do caput do art. 62 do RICARF, sob o fundamento de inconstitucionalidade, não há como se afastar a aplicação do art 6º da Lei Complementar nº. 105/2001, o qual dispõe: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º A autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 783 9 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Desta forma, a despeito do entendimento defendido pela querelantes, não há como recusar vigência à Lei Complementar nº 105/01, que dispôs sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e previu expressamente a possibilidade de os agentes fiscais examinarem documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes às contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que (i) houvesse processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e (ii) tais exames fossem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente – o que se aplica, perfeitamente, ao caso ora sob análise. Incabível, portanto, a pretendida nulidade do auto de infração em razão da quebra do sigilo bancário e fiscal pelo Fisco, sem prévia autorização judicial . Quanto à nulidade do auto de infração por erro na motivação, verificase que a questão, conforme tratada no recurso voluntário, confundese com o mérito, vez que a recorrente entende que a errônea motivação explicitada no auto decorre do fato de ser incabível a aplicação da pena de perdimento ao importador ostensivo, de forma que será abordado o assunto em seu todo, no tópico seguinte. Da Aplicação da Multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 Defende a Brascompany que a multa de 100% do valor aduaneiro, prevista no art. 23, §3º do Decretolei nº. 1.455/76, somente seria aplicável ao verdadeiro importador da mercadoria, ao “importador oculto”, e não ao importador que teria cedido seu nome na operação, caso no qual se enquadraria. Alega que, em razão do princípio da retroatividade benigna do art. 106 do CTN, deveria serlhe aplicada apenas a multa de 10% do valor da mercadoria, prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488/2007, vez que esta teria derrogado tacitamente a precitada multa do Decretolei nº. 1.455/76 em relação ao importador ostensivo. Entendo incabível o posicionamento da contribuinte e defendo a possibilidade da aplicação concomitante de ambas as penalidades. Pareceme incongruente a idéia de que o legislador pretendeu excepcionar uma das condutas que configura a infração de dano ao Erário e imputarlhe penalidade mais branda em relação às demais condutas que caracterizam a mesma infração. Tanto jamais essa foi a intenção do legislador que o novo Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 6.759/2009) consignou no §3º do art. 727: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) Fl. 793DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 § 3ºA multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Antes da Lei nº. 11.488/2007, à conduta de ceder o nome para acobertar o real importador da mercadoria cominava ao importador ostensivo a aplicação de duas sanções: (a) a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa no caso de sua não localização ou de ter sido consumida (com fundamento no §3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002); e (b) a proposição de inaptidão do CNPJ (com fundamento no art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN/RFB nº 748/2007). Após a edição da nova lei, substituiuse a propositura da inaptidão do CNPJ pela multa de 10% do valor da mercadoria, sem prejuízo, entretanto, da pena de perdimento anteriormente aplicável. O ato de ceder o nome para acobertar o real importador configura o cometimento das duas infrações, nas quais os bens jurídicos tutelados são distintos. Não há que se falar na ocorrência do bis in idem, vez que os bens jurídicos tutelados não se confundem: enquanto o art. 33 da Lei n.° 11.488/2007 objetiva tãosomente resguardar a integridade do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, coibindo o mau uso da inscrição no CNPJ pelas empresas, o art. 23, V, do DecretoLei n.° 1.455/76 visa proteger o próprio patrimônio da União. Isso porque a real importadora, de acordo com o inciso IX do art 9º do Decreto nº. 7.212/2010 (RIPI), caso tivesse figurado como adquirente das mercadorias no mercado interno em importação realizada por sua conta e ordem, seria considerada estabelecimento equiparado a industrial e, como tal, estaria sujeita ao recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que não ocorreu em virtude de ter omitido a realização da importação por conta e ordem, fazendose passar por simples comprador de mercadorias importadas. O reflexo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 sobre o inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.475/1976 foi muito bem enfrentada nos autos do processo nº. 10314.013716/200691, em voto proferido pelo i. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, o Conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, cujos fundamentos abaixo transcrevo e adoto como razão de decidir: “Matéria que recentemente tem sido trazida à consideração deste colegiado é o cabimento da aplicação retroativa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 20071 que, segundo defendido, teria derrogado tacitamente o inciso V do art. 23 do DL nº 1.455, de 19762, e , impondo penalidade mais branda à conduta descrita no ato derrogado, atrairia a aplicação do art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional3. Sustentase, equivocadamente, a meu ver, que, a partir da vigência do dispositivo novel, não mais seria possível aplicar a pena de perdimento às mercadorias alvo de operação maculadas pela ocultação das partes envolvidas. 1 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). 2 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 784 11 Tais conclusões, sinteticamente, estariam apoiadas na convicção de que, interpretandose tal dispositivo à luz do critério da mens legislatoris, chegarseia à conclusão de que a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 corresponderia materialmente à capitulada no 23, V do Decretolei nº 1.455, de 1976, diferenciandose exclusivamente no que se refere à individualização do infrator, já que a contida no dispositivo mais recente teria como agente apenas o importador ou exportador ostensivo. A se configurar tal identidade, a aplicação concomitante de duas penalidades implicaria violação ao princípio constitucional do non bis in idem, dogmatizado no art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966. Apesar da convicção com que essa conclusão foi repudiada, inclusive em acórdãos de primeira instância alvo de recurso de ofício, a pena instituída no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Para se chegar a tal convicção, fazse necessário realizar uma análise da legislação que dispõe sobre a inaptidão da inscrição no (CNPJ), especialmente na hipótese em que se configura sua inexistência de fato. Diz o art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (grifei) Como se observa, a legislação tributária, na esteira do consignado no novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), em seu art. 9664, que distingue a pessoa jurídica da empresa, atribui consequências à inscrição da contribuinte que, apesar de regularmente constituída junto aos órgãos de registro e da obtenção de número de cadastro junto ao Fisco, não preenche as condições para seu enquadramento como “existente de fato”, ou seja, que detenha os meios para a realização das operações comerciais que declarou ter realizado. Importante relembrar os contornos desse elemento distintivo da empresa, assim sintetizado pela professora Rachel Sztajn5 Organização parece ser o elemento central, essencial, necessário e suficiente, para determinar a existência da empresa, porque gera o aparato produtivo estável, estruturado por pessoas, bens e recursos, coordena os meios para atingir o resultado visado. Nessa esteira, diferenciando empresa de pessoa jurídica, esclarece o Des. Sérgio Campinho6: 4 Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 5 Teoria Jurídica da Empresa : Atividade Empresária e Mercados. São Paulo. Atlas, 2004, p. 129. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 Da inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis resulta a presunção de se ter alguém dedicado a exercer atividade própria de empresário. É uma prova prima facie, mas que pode ser elidida por prova mais robusta em sentido contrário. Desse modo, se determinadas pessoas celebram contrato de sociedade, tendo por objeto o exercício de atividade própria de empresário, promovendo o arquivamento do respectivo instrumento na Junta Comercial, estará a sociedade, enquanto pessoa jurídica, constituída. Todavia, somente passará a ostentar a condição de empresária se efetivamente iniciar a exploração de seu objeto, abdicando da inatividade. Enquanto não entrar em operação o seu objeto, teremos a pessoa jurídica, a sociedade constituída, mas não uma sociedade empresária. Por outro lado, acerca dos efeitos da verificação da inexistência de fato, fixa o art. 82 da Lei 9.430, de 1996, responsável pela instituição desse status cadastral: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (grifei) Ou seja, da mesma forma em que, se verificado que a sociedade não reúne os elementos caracterizadores da empresa, perde a sua escrituração comercial a presunção estabelecida no art. 226 do mesmo Código Civil7, se não apresenta condições mínimas de funcionamento, seus documentos fiscais perdem o poder de provar, por si só, a realização de um serviço ou a comercialização da mercadoria. Evidentemente, a atribuição de tal status à inscrição impõe um ônus significativo para o sujeito passivo, de sorte que a sua aplicação em dissonância com o que preceitua a norma que a instituiu, mais do que ilegal, afronta os princípios, implícitos e explícitos, norteadores da atuação da administração pública, gizados na Constituição Federal de 1988. De fato, a pretexto de fazer uso da delegação contida no caput do já transcrito art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, fixou o Fisco no art. 37, III da Instrução Normativa SRF nº 200, de 13 de setembro de 20028: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: (...) 6O Direito de Empresa à Luz do Novo Código Civil. Rio de Janeiro. Renovar, 2004, 4ª ed., pp.. 28 e 29. 7 Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 8 Redação idêntica à do art. 41, III da IN RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 785 13 III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; Seguindose tal ato ao pé da letra, bastaria que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que, apesar de possuir todos os meios para a realização de suas atividades, lhe ser atribuído o mesmo tratamento dispensado à pessoa jurídica que não reunia condições para enquadramento nos contornos do que a Lei Civil classificou de sociedade empresária. Além de desproporcional, tal dispositivo encontravase maculado de vício formal, pois foise muito além da delegação contida na lei que instituiu a inaptidão da inscrição, violando, por consequência, o princípio da legalidade, gizado no art. 379 da Carta Política de 1988. Com efeito, o já transcrito art. 81 somente autorizou o Ministro da Fazenda a disciplinar os termos e condições em que se dará a declaração de inaptidão, jamais a equiparar, por meio de presunção, a cessão do nome à inexistência de fato. Sabidamente, a instituição de tal ficção jurídica exigiria lei em sentido formal. Tal explicação é fundamental para que se estabeleça a verdadeira mens legislatoris que orientou a redação do recente art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, mais facilmente compreendida após sua leitura: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, a hipótese descrita no art. 33 da Lei nº 11.488 é exatamente a mesma do inciso III art. 37 da IN SRF nº 200, de 2002: ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações, com vistas ao acobertamento de determinada pessoa. Tal convicção é reforçada com a leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória nº 351/2007 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei nº 11.488, de 2007, seu relator, que também responde pela autoria do dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente renumerado para 33, quando da conversão definitiva10: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e 9 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte 10 Disponível em http://www.camara.gov.br/sileg/integras/.pdf Fl. 797DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.”(grifo nosso) Ora, tanto o âmbito de aplicação do dispositivo novel é a inaptidão cadastral que fez questão de inserir a ressalva do par. único: quem cede o nome, mas tem meios para a realização de sua atividade societária, sujeitase à multa de 10%. Caso contrário, à inaptidão cadastral. Essa é a adequação de que fala o legislador. Admitindo que a exegese baseada na mens legislatoris não fosse suficiente para demonstrar a ausência de sobreposição de infrações, não se poderia falar, no presente, de violação do princípio do non bis in idem, implícito no subsistema jurídicopenal norteado pela Constituição de 1988. Trazendo tal sobrenorma para o plano das regras jurídicas, diz o art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Duas ou mais infrações, portanto, devem dar ensejo a duas ou mais penalidades, salvo se tais infrações se revelarem idênticas. Tal identidade, como é cediço, não se revela exclusivamente pela semelhança ou unicidade da conduta. Ou seja, pelo menos no plano do direito aduaneiro, é legalmente possível que uma única ação viole mais de uma regra e seja apenada com mais de uma sanção. Para demonstrar esse raciocínio, relembro hipótese constantemente trazida a este Colegiado, materializada nas circunstâncias em que o sujeito passivo, ao se equivocar na informação do código da NCM comete duas infrações, uma que tutela a exatidão do recolhimento dos tributos incidentes na importação, capitulada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996 e outra que zela pela exatidão das informações prestadas na declaração, com vistas à efetividade do controle aduaneiro, capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Com efeito, a declaração inexata, quando o item declarado é a classificação fiscal, impõe a aplicação de duas penalidades diversas, eis que a mesma ação infringe mais de uma norma. Especificamente no âmbito do que se discute no presente recurso, a recorrente, ao ceder seu nome para a prática da atos por terceiros e, ao mesmo tempo, inserir informações falsas nas declarações prestadas ao Fisco, amparada em documento, no mínimo, ideologicamente falso, já que não reflete as partes envolvidas na transação comercial, infringe, igualmente, os dois dispositivos. Ou seja, assim como ocorre no plano do direito penal, é possível que, com uma única conduta, sejam violadas duas ou mais regras. No âmbito daquele ramo, aplicase a cláusula de aumento da pena prevista no art. 70 do Código Penal (Decretolei no 2.848, de 1940)11; no direito aduaneiro, cada 11 Art. 70 Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicamse, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 786 15 uma das penalidades correspondentes à cada norma infringida, nos termos do já transcrito art. 99 do DL nº 37/66. Finalmente, tal convicção é reforçada quando se observa a regulamentação do art. 33 no recente Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Vejase o que diz o seu art. 727: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) §3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Não custa destacar que o parágrafo 3º acima transcrito possui conteúdo evidentemente interpretativo, a reclamar a aplicação do inciso I, do art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)12, máxime em função de que, no presente processo, não se discute a inclusão da multa recéminstituída. Forçoso é concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e, nessa condição poderiam ser aplicadas, concomitantemente, as penas a ela correspondentes a fatos que, a partir da entrada em vigor da lei nº 11.488, incidirem na hipótese descrita no seu art. 33. Nesse ponto, convém registrar pronunciamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região nos autos da AMS nº 2005.72.08.005166613: Tenho, no entanto, que a disposição acima citada não tem o condão de afastar a pena de perdimento, ou seja, não revogou o art. 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, no caso a HBB, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. Quanto à declaração de inaptidão do CNPJ, o parágrafo único do aludido artigo estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996", e que consiste, exatamente, na declaração de inaptidão do CNPJ. É dizer, realmente, quanto a essa declaração houve a vedação de aplicação dessa sanção na hipótese de importação em favor de terceiro oculto. Não obstante, tal penalidade não 12 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 13 2ª Turma, Relator Des. Otávio Roberto Pamplona, publicado em 01/08/2007 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 foi aplicada pelo auto de infração objeto desta impetração, tanto que está sendo objeto de apreciação em outro mandado de segurança, que tramita na 1ª Região, em decorrência de outro ato de outra autoridade fiscal, de modo que, no particular, a questão é de ser tratada no seio da aludida ação mandamental. Aliás, o explicitação constante do parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, vem ao encontro do se que disse anteriormente, no sentido de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Ao contrário, confirma a assertiva, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. (os destaques não constam do original) Não há que se falar, portanto em derrogação tácita. Nesse ponto, precisa é a lição de Carlos Maximiliano14 que, analisando tal modalidade de antinomia, conclui: “442 — Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilatao, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, partindose do pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca da incompatibilidade entre os dispositivos, conforme sintetizou o renomado hermeneuta15: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula.(destaquei) Ou seja, o esforço hermenêutico próprio da interpretação sistemática pressupõe a coerência do ordenamento e somente em situações excepcionais pode conduzir à conclusão da derrogação tácita da norma.” Destaquese, por último, que no mesmo sentido foi o julgado proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, em janeiro deste ano, nos autos do processo nº. 12466.002615/201062, onde figura como recorrente a mesma empresa Brascompany. 14 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 292. 15 op. cit. p. 291. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002620/201075 Acórdão n.º 3202000.637 S3C2T2 Fl. 787 17 Pelas razões acima postas, REJEITO as prelimInares de nulidade do Auto de Infração suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 801DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10925.901319/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE.
A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão.
Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorim-relatora e Paulo Sérgio Celani.
Redator designado-Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE. A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão. Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorimrelatora e Paulo Sérgio Celani. Redator designadoLuciano Lopes de Almeida Moraes. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora. Luciano Lopes de Almeida MoraesRedator Designado. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, transmitida em 28/07/2003, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse por não homologar a compensação pleiteada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação de que os créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. O valor do crédito informado foi de R$ 196,81, sendo que o pagamento (indevido ou a maior) discriminado no PER/Dcomp, no valor de R$ 9.126,37, já teria sido utilizado para quitar débitos (2172) relativos ao período de apuração de 30/11/2002, com data de arrecadação em 13/12/2002. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual remete, inicialmente, ao fato de que, no período de fevereiro a novembro de 2002 apurou valores a pagar de PIS e de Cofins superiores aos efetivamente devidos, visto ter considerado na base de cálculo a receita de venda de veículos tributados pelo regime de Substituição Tributária de PIS e de Cofins. Argumenta que, como não existia o Dacon à época, o equívoco só foi notado com a apresentação da DIPJ em junho de 2003, sendo então apresentadas as PER/Dcomp de cada mês que apresentou diferenças de valores e o crédito foi compensado com IRPJ e CSLL devido em julho de 2003. No mérito, alega comprovar o acima relatado anexando os seguintes documentos: planilha detalhada comprovando o recolhimento a maior e a sua correção (documento 1); planilhas dos meses com diferença, demonstrando a base de cálculo considerada na época do recolhimento original do PIS e Cofins (doc. 2 a 6); cópia da DIPJ com a informação nas fichas 19A e 20A, demonstrando os valores realmente devidos ao PIS e Cofins (documento 7); balanços mensais dos meses com a diferença, para demonstrar a receita e as deduções que foram consideradas no Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901319/200680 Acórdão n.º 3201001.071 S3C2T1 Fl. 2 3 preenchimento da DIPJ (documentos 8 a 13); planilha demonstrando a origem das contas do balanço que originaram a Base de Cálculo do PIS e da Cofins realmente devidos (documentos 14 a 19); DCTF do 2º. trimestre de 2003, entregue em 13/08/2003, onde demonstra o valor compensado com o IRPJ (2362) e CSLL (2484) (documento 20). Requer, por fim, a homologação da compensação dos valores devidos.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.334, de 01/10/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, por meio da qual a recorrente procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Inicialmente, reza o art. 170 do CTN, para que a compensação seja válida, exige créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 No caso, a recorrente apresenta vários documentos com intuito de comprovar o pagamento a maior efetuado durante o ano de 2002, nos meses de fevereiro, junho, agosto, setembro, outubro e novembro. Porém, não consta que tenha apresentado as DCTF retificadoras relativas ao período em foco, ou seja, o ano de 2002, antes do procedimento de ofício. Consta que a recorrente ter retificado a DCTF relativa ao 2º. trimestre de 2003, onde restaria demonstrado o valor compensado com os seus débitos. Assim sendo, quando houve o rastreamento do pagamento (indevido), conforme o Darf discriminado pela recorrente no PER/Dcomp, observouse que não restavam créditos a compensar. Percebese que a recorrente não teria retificado a(s) DCTF(s) relativa(s) ao período do suposto crédito antes da apresentação do PER/Dcomp transmitido, objeto do Despacho Decisório proferido pela Delegacia. A DCTF é um documento com força de confissão de dívida, onde são declarados os valores dos tributos devidos. A apresentação da Dcomp tem como objetivo a de servir para fins de extinção imediata do débito do sujeito passivo, desde que haja créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida em termos de liquidez quanto de certeza, em razão dos efeitos atribuídos à DCTF. Pois bem, a retificação poderia até produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Destarte, como prescreve o art. 170 do CTN para que os créditos sejam compensados devem gozar de liquidez e certeza. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Voto Vencedor Luciano Lopes de Almeida MoraesRedator Designado. Com a devida vênia ao entendimento da Relatora, entendo que a decisão da DRJ está equivocada. Do relatório da DRJ vemos que a recorrente apresentou os documentos que, em tese, suportavam o crédito pleiteado. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901319/200680 Acórdão n.º 3201001.071 S3C2T1 Fl. 3 5 Como vemos daquela decisão, o pedido foi indeferido nestes termos: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF do período pelo qual afirma ter recolhimentos indevidos ou a maior, é que a contribuinte passaria a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei, evitando assim a não homologação do seu procedimento compensatório. Assim, a retificação poderia produzir efeitos em relação a Dcomp apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Ora, o contribuinte apresentou os documentos que comprovam o seu direito, devendo então a autoridade preparadora, ou julgadora, analisálos e proferir uma decisão de mérito. O fato de não ter retificado uma declaração apresentada não afasta o direito da recorrente. Não é a declaração que comprova o direito da recorrente, mas os documentos e a situação fática. A negativa de conhecimento e análise dos documentos não pode ser validade, sob pena de afronta de princípios constitucionais (devido processo legal, contraditório e ampla defesa), bem como infraconstitucionais, previstos na Lei n.º 9.784/99. A referida Lei n.º 9.784/99, que disciplina o processo administrativo federal, permite a apresentação de provas até o momento do julgamento. No mesmo artigo, somente permite a não apreciação da prova no caso de ilicitude, impertinência ou protelatórias, o que não é o caso: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Vemos então não haver momento de preclusão na apresentação de provas no processo administrativo. Não nos esqueçamos que os arts. 24 a 28 do novo PAF, Decreto n.º 7.574/2011, dispõem que, salvo no caso de provas ilícitas, todas as outras devem ser acatadas: Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. O CARF possui diversas decisões favoráveis à análise de documentos apresentados pelos contribuintes em processos administrativos, como é o caso: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 140200381 do Processo 10935004722200640 Data 26/01/2011 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJANOCALENDÁRIO: 2002FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ALEGADO ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE PROVA. PROVA NÃO REALIZADA. DECISÃO MANTIDA. Compete ao contribuinte provar suas alegações, podendo juntar provas em qualquer momento do processo administrativo. Recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Urn:lex:br:conselho.administrativo.recursos.fiscais;secao.julga mento.1;camara.4;turma.ordinaria.2:acordao:201101 26;140200381 As provas trazidas no processo são suficientes para demonstrar ao menos a fumaça do bom direito da recorrente, motivo pelo qual deveria a administração pública deveria, de ofício, analisar. Lembremos, as provas foram apresentadas junto com a primeira defesa, na forma exigida pelo PAF. Assim, caberia à administração tributária analisálas, não desconsiderálas. Ademais, não devemos nos esquecer que o processo administrativo busca sempre a verdade material e que, existindo a fumaça do direito, este órgão deve buscar esclarecer o caso, como vemos, analogicamente: Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 30238286 do Processo 13127000019200241 Data 06/12/2006 Ementa: SIMPLES. REVISÃO DO ATO DE EXCLUSÃO COM BASE EM PROVAS DOS AUTOS. POSSIBILIDADE. Diante da juntada de documentos que comprovam a aplicabilidade do disposto no Boletim Central Cosit nº 55 de 24 de março de 1997, bem como o atendimento dos requisitos previstos no Ato Declaratório Interpretativo nº 16, de 02 de outubro de 2002, o recurso deve ser provido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901319/200680 Acórdão n.º 3201001.071 S3C2T1 Fl. 4 7 Assim, são por todas estas razões que voto por anular a decisão recorrida, para que sejam apreciadas as provas apresentadas pela recorrente e, somente após este momento, seja apreciado o mérito da demanda. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13971.911865/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrente PROAÇO INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de insumos de empresas optantes do SIMPLES não geram direito ao crédito básico de IPI. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 2º trimestre de 2006. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Apresentou, como fundamento legal para as glosas efetuadas, os seguintes dispositivos legais: art. 11 da Lei n° 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) o direito à compensação é exercido na entrega da DCTF que informa os débitos compensados com créditos líquidos e certos, nos termos da legislação, não cabendo, por esta razão a cobrança de multa de mora; (ii).o despacho decisório é nulo por desrespeito aos princípios da estrita legalidade e da ampla defesa, tendo em vista que ele não observou formalidades essenciais para a produção de efeitos; (iii) não há qualquer dispositivo legal que vede a utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de empresas optantes pelo SIMPLES. Isso porque a Lei nº 9317/96 que trazia esta disposição foi revogada pela Lei Complementar nº 123/06; (iv) com a revogação da Lei 9.317/96 o art. 166 do RIPI/2002 perdeu sua eficácia, cuja redação somente foi alterada através do art. 228 do novo RIPI em 15/06/2010. Portanto, durante o período de 01/07/2007 a 14/06/2010 não havia legislação vigente vedando a utilização do crédito presumido previsto no art. 165, nas aquisições de micros e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional; (v) além disso, qualquer vedação a apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI fere flagrantemente o princípio da não cumulatividade bem como o art. 170, caput e inciso IX e 179 da Constituição Federal, além do CTN, que tem status de norma geral. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SORRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.911865/200912 Acórdão n.º 3301001.537 S3C3T1 Fl. 93 3 Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos é cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade e acrescentado o seguinte: O acórdão traz como fundamentação legal o art. 23 da Lei Complementar n° 123/2006, com a alegação de que tal artigo limita o alcance do aproveitamento do crédito presumido disposto no art. 165 do RIPI/2002. Tal fundamento não pode prosseguir haja visto que, o sistema "Simples Nacional" veio integrar a legislação tributária, a partir de Julho de 2007, com o intuito de simplificar, como diz o próprio nome, e unificar a arrecadação de vários impostos e contribuições que outrora vinham sendo recolhidos individualmente pelas microempresas e empresas de pequeno porte, implicando em pagamento mensal unificado de imposto e contribuições federais. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa sobre a aplicação da multa e dos juros de mora sobre os débitos já vencidos no momento da transmissão da DCOMP e sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. Pois bem. Restou incontroverso nos autos que o débito que o contribuinte pretende compensar fora confessado por meio de DCTF, já se encontrando vencido no momento da transmissão da DCOMP. Sendo assim, completamente cabível a aplicação de multa e juros de mora. Afinal, com o vencimento do débito sem que haja sua extinção por qualquer modalidade, devem incidir os acréscimos moratórios. Assim, diferentemente do que Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 alega a Recorrente, mesmo que tivesse optado pelo pagamento em dinheiro, os consectários legais seriam cabíveis em face da sua quitação fora do prazo legal, nos termos do art. 61da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por outro lado, não procede a alegação de que a multa de mora deveria ser afastada em face da denúncia espontânea do débito tributário. O art. 138 do Código Tributário Nacional é bastante claro ao prescrever que a regra de exclusão da responsabilidade por infrações somente se aplica quando a confissão é acompanhada do pagamento do tributo, o que não se verificou no caso concreto, haja vista que o pedido de compensação somente fora apresentado em momento posterior, quando já vencido o débito. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há dúvida que não assiste razão à Recorrente neste ponto. No que se refere ao direito ao crédito de IPI decorrente da compra de insumos de pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, vale esclarecer que a matéria foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava, igualmente, a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, em seu artigo 118: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.911865/200912 Acórdão n.º 3301001.537 S3C3T1 Fl. 94 5 Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Por outro lado, deixo de apreciar a alegação de que os dispositivos normativos acima citados seriam inconstitucionais, por violação ao princípio da não cumulatividade e aos arts. 170, caput, e inciso IX, e 179 da Constituição Federal, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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