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Numero do processo: 10821.000386/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A realização de perícia não é direito subjetivo da defesa e não se
presta à produção de prova que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor à acusação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação. O indeferimento
fundamentado para a sua realização descaracteriza o alegado cerceamento do direito de defesa.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Falta previsão legal para a imposição da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT sobre o valor lançado de ofício. Tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido apurado na declaração intempestiva, sobre a
qual incidirá o percentual de 1% (um por cento) ao mês ou fração, não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DITR ao seu valor mínimo de R$50,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A realização de perícia não é direito subjetivo da defesa e não se presta à produção de prova que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor à acusação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação. O indeferimento fundamentado para a sua realização descaracteriza o alegado cerceamento do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Falta previsão legal para a imposição da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT sobre o valor lançado de ofício. Tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido apurado na declaração intempestiva, sobre a qual incidirá o percentual de 1% (um por cento) ao mês ou fração, não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DITR ao seu valor mínimo de R$50,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão nº 04 11.026, proferido pela 1ª Turma da DRJ Campo Grande (fl. 76), que, por maioria de votos, indeferiu o pedido de perícia e de produção de provas e, no mérito, em considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Exigese, do Espólio de Joseph Albert Van Sebroeck, o pagamento de multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural — 1999, no valor de R$ 17.608,08, relativo ao imóvel rural com NIRF (Número do Imóvel na Receita Federal) 3.197.6930, conforme auto de infração de fl. 42. 2. A exigência fundamentase nos artigos 6° ao 9° da Lei n° 9.393/96. 3. Em sua impugnação, o representante do contribuinte, após qualificálo e mencionar a autuação, assim apresenta os argumentos de defesa: “(...) 2. DA IMPUGNAÇÃO O presente Auto de Infração não merece ser convalidado, face o mesmo incorrer em Nulidade, senão vejamos: 2.1. DOS ANTECEDENTES HISTÓRICOS Desde 1958 até idos de 1976, o `de cujus' vivia da terra, plantando bananas e produzindo aguardente, em terreno difícil de trabalhar, conforme se depreende da leitura da Escritura e Compra e Venda anexa. Juntamente com o `de cujus', sua esposa e nove filhos, todos viviam integrados ao serviço da terra, até que na data de 20 de janeiro de 1977, através do Decreto Estadual n° 9.414, foi criado o Parque Estadual de Ilhabela/SP, sendo disposto que toda área acima da cota 200, ou seja, toda área acima de duzentos metros acima do nível do mar constituirseia em Parque Estadual e conseqüentemente, área de preservação permanente. Assim sendo, a partir desta data o `de cujus' foi impedido de desenvolver suas atividades profissionais em sua propriedade, tendo sido obrigado a extinguir sua plantação e cessar sua produção de aguardente, fatos estes que obrigaram todos os seus filhos a dispersarem se, visando buscar novos empregos e funções, para proverem suas subsistências. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10821.000386/200481 Acórdão n.º 210101.847 S2C1T1 Fl. 2 3 2.2. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Conforme evidenciam os documentos anexos, na data de 20 de janeiro de 1977, o então Governador do Estado de São Paulo, Paulo Egydio Martins, através do Decreto Estadual n° 9.414, criou o Parque Estadual de Ilhabela/SP, dispondo que toda área acima da cota 200, ou seja, toda área acima de duzentos metros acima do nível do mar constituirseia em Parque Estadual e conseqüentemente, área de preservação permanente. Diante disso, toda área de preservação permanente é isenta do pagamento de impostos, nos termos do Código Florestal. Manifestamse nossos Tribunais neste sentido: `(..) se a área total compreende partes de preservação permanente, assim reconhecidas pelo artigo 2° do Código Florestal, não é possível a incidência do I.T.R. sobre o todo, uma vez que o artigo 5° da Lei n° 5.868172, isenta de tributação as àreas de Preservação Permanente.' (Tribunal Regional Federal, 4ª Turma, Apelação Cível, processo n° 9704463910, publicado no DJU, em 21 de janeiro de 1998, p. 289, relator Juiz Gilson Dipp) Não obstante, o Decreto Estadual n° 9414/77 é lastreado na Lei Federal nº ° 4.771, de 15 de setembro de 1965, a qual concede prerrogativas ao Poder Público para criar Parques Nacionais, Estaduais ou Municipais. Com efeito, conforme constam dos documentos anexos, qual sejam duas Declarações, realizadas pelo Instituto Floresta, datadas de 21 de outubro de 1985 e 19 de janeiro de 1987, respectivamente; e de um Atestado, emitido pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, constatamos que mais de 90% (noventa por cento) da área inscrita no INCRA sob o no 643.025.000.0271DV4, pertencem ao `de cujus' e encontramse abrangidos pelo Parque Estadual de Ilhabela/SP, sendo tributável, somente, 25 (vinte e cinco) hectares, que totaliza a importância de R$ 417,68 (quatrocentos e dezessete reais e sessenta e oito centavos) Assim, o valor aplicado, a título de multa é ilegal, pois este fora baseado na desconsideração da área de preservação permanente, quando deveria incidir sobre o valor correto do imposto que abrange a área tributável, sendo então, apurado que o débito, a este título, somente seria de R$ 12,53 (doze reais e cinqüenta e três centavos). Quanto à desconsideração da área de preservação permanente, realizada pela Receita Federal, esta, provavelmente, fora baseada na Instrução Normativa n° 67197SRF, face a não protocolização de Ato Declaratório Ambiental, no prazo previsto na citada normatização. No entanto, é de meridiana clareza de que os atos normativos constituemse em normas complementares, nos termos expressos no art. 100, inciso I do Código Tributário Nacional. Com efeito, a citada Instrução Normativa não é Lei, bem como não é reguladora da matéria, já que a citada regulamentação somente poderia ser realizada pelo Poder Executivo, através de DecretoLei e jamais através da forma utilizada pela Secretaria da Receita Federal, a qual tenta, deforma ardilosa, suprir a omissão do citado Poder, quando, poderia somente interpretar a Lei ou o Regulamento no âmbito das repartições fiscais. (ADIN3119/DF, Supremo Tribunal Federal, rel. Ministro Carlos Velloso, DJU 14.09.1990) Tal entendimento ainda é corroborado pelo Venerando Acórdão, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, através de sua 3ª Turma, tendo como Juiz relator, o Dr. Olindo Menezes, quando do julgamento da Apelação em Mandado de Segurança, processo no 199901000281011, datado de 2310512001 e publicado no DJU em 08 de agosto de 2001, página 07, nestes termos: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 (transcreve ementa de acórdão) E mais: (transcreve ementa de acórdão) Outrossim, tendo em vista que a Receita Federal, agindo em nome da Administração Pública, não poderia de observar o princípio da legalidade, previsto no artigo 37 da Constituição da República de 1988, nestes termos: (transcreve o dispositivo mencionado) Assim, o administrador público não pode atuar "contra legem' ou ‘praeter legem', mas tãosomente, `secundum legem'. " 4. Por fim, requer o seja julgada procedente a impugnação, declarando a insubsistência do auto de infração. Requer ainda provar o alegado por todos os meios de prova admissíveis, notadamente a prova documental, juntada posterior de documentos, perícias, expedição de ofícios, sem prejuízo das demais. Em sua peça recursal, o recorrente reportase às questões suscitadas em sede de impugnação, e requer a nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa e desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, ocasionado pelo indeferimento do pedido para realização de perícia contábil com o propósito de demonstrar o erro no cálculo do lançamento. É o relatório Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. De acordo com os artigos 113 e 115 do CTN, adiante reproduzidos, a apresentação da DITR tem natureza acessória, formal e autônoma, pois não tem como objeto o pagamento de tributo ou penalidade, mas prestar informações de natureza tributária para o Fisco (obrigação de fazer): Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória: § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. (g.n). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10821.000386/200481 Acórdão n.º 210101.847 S2C1T1 Fl. 3 5 Art. 115 Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Inicialmente, verificase que a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999, objeto do lançamento em exame (fl. 42), teve por base de cálculo o imposto devido apurado no Auto de Infração, fotocópia às fls. 57/66, no valor de R$586.518,63, impugnado no processo de nº 10821.000604/200305, em razão da desconsideração da área declarada como de preservação permanente/utilização limitada. Contudo, a jurisprudência mansa e pacífica deste Colegiado entende que a base de cálculo da multa por atraso é o valor do imposto devido apurado na declaração intempestiva (R$417,68 – fls. 43/44, 49 e 55). O prazo final para a apresentação da DITR do exercício de 1999 era em setembro/1999, mas o contribuinte cumpriu a obrigação acessória a destempo, em dezembro/1999, com três meses de atraso. Em sua impugnação ao lançamento a própria defesa entendeu que seria devido R$12,53 a título de multa por atraso – resultado da aplicação do percentual de 3% sobre o imposto apurado na DITR intempestiva. Contudo, o valor mínimo desta penalidade pecuniária deve ser de R$50,00, conforme expressamente determina o artigo 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Confirase: Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. No mesmo sentido dispõe o artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 88/99: Art. 4º A apresentação da DITR fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de: I 1% (um por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o imposto devido, não podendo seu valor ser inferior a R$ 50, 00 (cinqüenta reais), tratandose de imóveis sujeitos à apuração do ITR; II R$ 50, 00 (cinqüenta reais), nos casos de imóveis imunes ou isentos do ITR. Parágrafo único. A multa será lançada de oficio. A 2ª Turma da CSRF, em votação unânime, no julgamento referente ao processo de nº 10930.001545/200517, acórdão 920200.280, proferido em 22 de setembro de 2009, assentou o seguinte entendimento: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de ofício, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração. Cumpre observar que as alterações efetuadas pela fiscalização na DITR original, no exercício da sua atividade homologatória, em nada se relacionada com a infração apontada no lançamento em exame – que trata da exigência de penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. Não há conexão entre os processos, pois a exigência da multa por atraso na apresentação da DITR não tem por base de cálculo o novo imposto devido apurado pela fiscalização, os suportes fáticos são distintos e não dependem dos mesmos elementos de prova. Por fim, inexistente o cerceamento do direito de defesa alegado pelo recorrente, pois o pedido para realização de perícia não é um direito subjetivo da defesa. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação, indeferindo as que entender desnecessárias, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, o pedido para realização de perícia não atendeu ao disposto no artigo 16, inciso IV, do referido Decreto. Em verdade, o contribuinte solicita que se realize perícia para o fim de se obter prova que ele mesmo deveria ter produzido para se contrapor à acusação fiscal. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes, tal como consta das ementas a seguir transcritas: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999 ao seu valor mínimo de R$50,00 (cinqüenta reais). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10821.000386/200481 Acórdão n.º 210101.847 S2C1T1 Fl. 4 7 (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100163/2009-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
Ementa:
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003.
Numero da decisão: 3403-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003.
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NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 63 /2 00 9- 08 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 11 a 4) relativo a saldo credor da COFINS nãocumulativa apurado no período de 1/10 a 31/12/2008, no valor de R$ 1.715.554,36. Ao analisar a solicitação (fls. 133 a 136), a unidade local efetua glosa parcial (R$ 75.838,06), referente a “outras operações com direito a crédito” (detalhadas pelo contribuinte como assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros análise de situação cadastral, e honorários profissionais de PJ). Cientificada da decisão da unidade local (em 17/11/2009 fl. 148), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 14/12/2009 fls. 149 a 163). Na peça apresentada, discorda da glosa efetuada, alegando que o conceito de insumo “engloba todo o arcabouço de mercadorias e atividades intrínsecas ao ramo de atividade”, tais como as comissões (por representação comercial), depesas de marketing, serviços de consultoria, serviços de limpeza, vigilância, assistência médica e odontológica, transporte de pessoal, pagamentos a empresas de refeição coletiva, tratamento de resíduos industriais, despesas de exportação e manutenção de software, equipamento de limpeza e de proteção, uniformes, formação profissional dos funcionários, etc. Em suma, entende por insumo “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”, desde que tenha havido incidência das contribuições na etapa anterior, opondose ao conceito de insumo indicado na IN SRF no 247/2002 (com as alterações da IN SRF no 358/2003), que entende violar o princípio constitucional (art. 195, § 12) da nãocumulatividade. Solicita, por fim, que seja computada a atualização pela Taxa SELIC do mês de apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Em 17/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 189 a 194), acorda se que “existe vedação legal ao creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS”. Em relação à COFINS, a possibilidade de creditamento restringese aos casos previstos no art. 3o da Lei no 10.833/2003, e se encontra regulada pela IN SRF no 404/2004. Entre as despesas glosadas não se encontrou nenhuma que pudesse ser enquadrada como 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100163/200908 Acórdão n.º 3403001.894 S3C4T3 Fl. 215 3 insumo nesse contexto. No que se refere à correção, informouse que é expressamente vedada por dispositivo legal para a COFINS (art. 13 da Lei no 10.833/2003). Cientificada da decisão em 4/5/2011 (fl. 196), a empresa apresenta recurso voluntário em 13/5/2011 (fls. 197 a 211), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As matérias controversas em sede de Recurso Voluntário resumemse à inclusão ou não das despesas glosadas no conceito de insumos, e à (im)possibilidade de correção do montante a ser ressarcido pela Taxa SELIC. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com alicerce no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR. Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois o conceito expresso na legislação do IPI é demasiadamente restrito, e o encontrado na legislação do IR é demasiadamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegase à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicita em seu art. 3o que podem ser descontados créditos em relação a: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo legal já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação de calçados. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos calçados (v.g. o couro) constitui um insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às seguintes despesas, detalhadas pela própria contribuinte no curso da fiscalização (fls. 133/134): “Assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros (análise de situação cadastral Equifax), honorários profissionais PJ”. No recurso voluntário, argumentase que os seguintes custos são intrinsecamente necessários à atividade da empresa (alertandose que a lista é exemplificativa): “assistência médica e odontológica” (para promover a saúde física dos funcionários), “comissões s/ vendas” (para pessoas jurídicas que praticam a intermediação nas vendas), “tratamento de resíduos industriais” (por obrigação legal), “transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas” (pagos a empresas credenciadas perante o programa de alimentação ao trabalhador, para fornecer refeições coletivas aos funcionários), “despesas de exportação e manutenção de software” (a empresas intermediárias na exportação e empresas que prestam manutenção a software). A recorrente ainda relaciona outras despesas que enquadra como insumos (o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc.), poupandose elaborar relação exaustiva por entender como insumos “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100163/200908 Acórdão n.º 3403001.894 S3C4T3 Fl. 216 5 Não é preciso muito esforço para perceber que tal conceito não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação de calçados), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a argumentação da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Do montante a ser ressarcido Pleiteia ainda a recorrente a correção pela Taxa SELIC do montante a ser eventualmente ressarcido. Agrega em seu favor precedentes administrativos dos anos de 2002 e 2003. Há que se destacar, entretanto, que há expressa vedação legal à correção, introduzida pelo art. 13 da Lei no 10.833/2003: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. (grifo nosso) É exatamente por existir tal vedação legal que não foi encontrada jurisprudência posterior a 2003. Inadmissível, assim, a argumentação da recorrente nesse tópico. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000175/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA
Uma vez comprovada a efetiva retenção de valor a título de imposto de renda na fonte sobre rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial, há que se restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2101-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA Uma vez comprovada a efetiva retenção de valor a título de imposto de renda na fonte sobre rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial, há que se restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA Uma vez comprovada a efetiva retenção de valor a título de imposto de renda na fonte sobre rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial, há que se restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 01 75 /2 00 7- 96 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 40) interposto em 26 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), (fls. 34/36), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de abril de 2011 (fls.39), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 04, lavrado em 06 de outubro de 2006, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, pleiteada na DAIRPF – Exercício 2003, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 1.164,36 mais acréscimos legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Mantémse a glosa se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que a fonte pagadora efetuou a retenção do Imposto no valor informado na Declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Não se conformando, a viúva do contribuinte, interpôs recurso voluntário (fls. 40), aonde argumenta que o imposto já foi pago e, ao mesmo tempo, faz anexar documentos comprobatórios para análise (fls. 42/50). É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13707.000175/200796 Acórdão n.º 2101001.968 S2C1T1 Fl. 54 3 No tocante ao mérito, o litígio cingese à ausência de DARF para comprovação do recolhimento do IRRF no valor de R$ 4.879,06, declarado pelo contribuinte em sua DAIRPF relativa ao exercício de 2003, anocalendário 2002 (fls. 17), cuja fonte pagadora informada tratase do BANCO SANTANDER MERIDIONAL. Compulsandose os autos verificase que: a) Efetivamente o contribuinte movera ação trabalhista contra o referido banco, através do processo nº 014420003.1990.5.01.0001 (fls. 16, 42/48); b) Os documentos apensados às folhas 42/45 indicam que efetivamente houve a retenção pela fonte pagadora. Ressalto que a viúva do contribuinte vem se defendendo com os meios de que dispõe, diante da falta de DIRF e de comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, não podendo ser penalizada quando o conjunto probatório, apensados às folhas 42/45, comprovam que houve a retenção alusiva ao imposto correspondente à ação trabalhista, cujos rendimentos se deram em 2002. Assim, entendo como legítima a compensação do Imposto Retido na Fonte (IRRF) no âmbito de recebimento de verbas trabalhistas oriundas de ação judicial dessa natureza quando os elementos de prova juntados aos autos permitem concluir que houve a retenção alusiva ao anocalendário da autuação, suprindo a prova que ordinariamente é feita por meio de Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte emitido pela Fonte Pagadora ou pelo confronto com os dados declarados pela referida Fonte em DIRF. Voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.003013/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. DÉBITOS. LANÇAMENTOS IMPUGNADOS. INSCRIÇÃO EM DAU. A inscrição de débitos, objetos de lançamentos impugnados, em Dívida Ativa da União (DAU), sem que o sujeito passivo tenha desistido das impugnações, deve ser cancelada e suas cobranças efetuadas de conformidade com a decisão administrativa definitiva proferida no processo em que estão sendo discutidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 230 DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir a perícia solicitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Joyce Setti Parkins, OAB/SP 222.904.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. DÉBITOS. LANÇAMENTOS IMPUGNADOS. INSCRIÇÃO EM DAU. A inscrição de débitos, objetos de lançamentos impugnados, em Dívida Ativa da União (DAU), sem que o sujeito passivo tenha desistido das impugnações, deve ser cancelada e suas cobranças efetuadas de conformidade com a decisão administrativa definitiva proferida no processo em que estão sendo discutidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir a perícia solicitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Joyce Setti Parkins, OAB/SP 222.904. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ São Paulo I que julgou procedente os lançamentos das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro a dezembro de 2002, conforme termo de verificação e constatação de irregularidades às fls. 73/79. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos sobre o faturamento mensal, apurados com base na escrita contábil e fiscal da recorrente. Inconformada com a exigência dos créditos tributários, a recorrente interpôs a impugnação (fls. 110/121), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “1. Nos termos do art. 19, da Lei n° 3.470/1958, com a redação dada pelo art.71 da MP n° 2.15835/01, impunhase que à contribuinte, no início do procedimento fiscal, fosse dada a alternativa de pagamento do imposto, o que não Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003013/200662 Acórdão n.º 330101.440 S3C3T1 Fl. 231 3 ocorreu. Logo, na ausência da intimação de que se trata, há a nulidade do lançamento. 2. O lançamento improcede porque os créditos tributários correspondentes JÁ estavam constituídos por meio da DIPJ. 2.1. Se os valores corretos do faturamento estão registrados na contabilidade e declarados na DIPJ, tratase de créditos tributários declarados (DIPJ) e, como tal, descabe novo lançamento via auto de infração. 3. Além disso, o lançamento também improcede porque os valores dos autos de infração impugnados foram também objeto de pedido de parcelamento, nos moldes da MP n° 303, de 29 de junho de 2006, posteriormente convertida na Lei n° 11.371/06. Os valores objeto dos autos de infração já estavam sendo pagos, mensal e tempestivamente, à data de sua lavratura. 3.1. A impugnante aderiu ao Parcelamento Excepcional concedido pela MP n° 303/06 em 15/09/2006. Os valores em relação aos quais foi efetuada esta opção são exatamente aqueles objeto dos autos de infração do qual se originou o presente processo. 3.2. Em consulta ao sítio eletrônico da Receita Federal, relativa à situação do parcelamento em 130 vezes, opção feita pela impugnante, consta a situação ‘ativo aguardando consolidação’(fls.l 13/114). 3.3. Entretanto, os valores inclusos neste parcelamento foram discriminados em planilha feita pela impugnante, constante de petição de esclarecimentos relativa à sua conta PAEX, e protocolizada em dezembro de 2006 (fls.l 18/121), cujos valores são os mesmos objeto dos autos de infração. 3.4. Tendo em vista que a opção pelo parcelamento ocorreu em momento anterior à lavratura dos autos de infração, prevalece o efeito do parcelamento, qual seja, a suspensão da exigibilidade do crédito. 4. Em razão da adesão ao parcelamento excepcional em 15/09/2006, até a formalização dos autos de infração impugnados já tinham sido pagas três parcelas, cada uma no valor principal de R$5.104,12, acrescidas dos juros aplicáveis ao PAEX nos respectivos meses de pagamento (fls.l 15/117). Sendo assim, os autos de infração constituíram crédito tributário já pago, e, portanto, extinto, conforme o art.156, do CTN. 5. A impugnante protesta contra as multas aplicadas, em percentual de 75%, uma vez que não houve a ocorrência de infração. Digase ainda que os créditos tributários relativos às contribuições e aos períodos de apuração objeto dos autos de infração já haviam sido constituídos na DIPJ e no momento de adesão ao parcelamento, que tem por objeto os mesmos créditos. 6. A aplicação da taxa SELIC aos tributos vencidos ofende os conceitos jurídico e econômico de juros, bem como o §1°, do art.161, do CTN, e o §3°, do art.192, da CF.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo as exigências dos créditos tributários, conforme acórdão nº 1926.470, datado de 27/08/2010, às fls. 162/169, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. CANCELAMENTO. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. D1PJ. AUSÊNCIA DE ATRIBUTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A DIPJ, a partir do exercício de 2000, passou a ter caráter meramente informativo, não ostentando o atributo de constituição do crédito tributário. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTF. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL PAEX. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Eventuais diferenças de tributos apuradas entre DIPJ e DCTF, uma vez não comprovadas como integrantes, em tempo hábil, do Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 1/07, fundamentam sua exigibilidade de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 177/194), requerendo, em preliminar, a nulidade dos autos de infração sob os argumentos de violação aos princípios do devido processo legal, da estrita legalidade e da ampla defesa; e, no mérito, o cancelamento dos lançamentos sob a alegação de duplicidade de exigência dos créditos tributários, tendo em vista que os valores, objetos dos lançamentos em discussão, foram confessados mediante o pedido de inclusão no PAEX, processo administrativo nº 11610.002444/200701 que, embora indeferido, teve seus valores inscritos em Dívida Ativa União, inscrições nº 80 7 1000314610 (PIS) e 80 6 10 01086362 (Cofins), conforme provam os documentos em anexo. Contestou, ainda, a multa de ofício sob o argumento de que não houve infração à legislação tributária, e os juros de mora à taxa Selic, estes por expressa vedação constitucional. Para fundamentar sue recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I) A Tempestividade; II) A R. Decisão Recorrida; II) Nulidade por Afronta ao Princípio do Bis in Idem; III) A Nulidade do Auto de Infração; IV) A PréExistência de Constituição do Crédito Tributário; V) Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário, VI) As Multas; e VII) Os Juros, concluindo, ao final, em preliminar, que os lançamentos são nulos; e, no mérito, que os créditos tributários em discussão estão sendo exigido em duplicidade, pelo fato de já terem sido constituídos por meio de DIPJ e/ ou confissão de dívidas, mediante pedido de inclusão no PAEX, via processo administrativo nº 11610.002444/200701, a multa é indevida porque não cometeu infração e a exigência de juros de mora à taxa Selic é vedada constitucionalmente. Assim, requereu a nulidade dos lançamentos e, se mantidos, seja excluída a multa de ofício e a exigência dos juros de mora à taxa Selic. É o relatório. Voto Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003013/200662 Acórdão n.º 330101.440 S3C3T1 Fl. 232 5 Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente insiste na nulidade dos lançamentos sob o argumento de violação aos princípios do devido processo legal, da estrita legalidade e da ampla defesa; e, no mérito, que os débitos foram confessados, inclusive, inscritos em Dívida Ativa da União, além de contestar a multa punitiva e a exigência de juros de mora à taxa Selic. I – Nulidade dos lançamentos. Ao contrário da alegação da recorrente, na lavratura dos autos de infração foram obedecidos os princípios do devido processo legal, da estrita legalidade e da ampla defesa. Ela foi intimada do início do procedimento administrativo fiscal, a apresentar os documentos fiscais necessários à verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias e cientificada dos lançamentos. Nos autos de infração foram demonstradas: a ocorrência do fato gerador (o faturamento), determinada a matéria tributável (Cofins), a infração imputada (falta e/ ou recolhimento a menor da contribuição), e aplicada a penalidade cabível (multa de ofício), conforme estabelece o CTN, art. 142, e, ainda, foi atendido ao disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10. Assim, possíveis incorreções, como deficiências na descrição dos fatos e do enquadramento legal, não o tornam nulo nem anulável e sim defeituoso ou ineficaz até a sua retificação. Contudo, nenhuma incorreção e/ ou deficiência foi apontada e provada pela recorrente. Aliás, a própria recorrente reconhece a legalidade dos créditos tributários, sua discordância se restringe à alegação de duplicidade de exigência. Os valores lançados e exigidos não foram questionados. Assim, não há que se falar em nulidade dos lançamentos. II – Mérito A recorrente não discordou dos valores lançados e exigidos, limitandose à alegação de duplicidade de exigência dos créditos tributários e a combater a exigência de multa punitiva e dos juros de mora à taxa Selic. II.1 – Duplicidade de exigência dos créditos tributários Conforme consta da decisão recorrida, a autoridade julgadora de primeira instância manteve os lançamentos, sob os argumentos de que a recorrente não comprovou a inclusão dos respectivos débitos no PAEX. Nesta fase recursal, a recorrente alega e reconhece que o seu pedido de inclusão no PAEX dos débitos, objetos dos lançamentos em discussão, processo administrativo nº 11610.002444/200701, foi indeferido e os débitos inscritos em Dívida Ativa da União sob Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 os nº 80 7 1000314610 (PIS) e 80 6 10 01086362 (Cofins), conforme provariam os documentos anexados ao recurso voluntário. Realmente do exame das cópias do aviso de cobrança às fls. 195, dos darfs às fls. 196 e às fls. 197, e do extrato Histórico do Objeto às fls. 199, expedido pelos Correios, depreendese que os débitos, objetos dos lançamentos em discussão foram inscritos em Dívida Ativa da União em outubro de 2010. No entanto, tal inscrição, salvo melhor juízo, foi equivocada. Conforme se verifica dos autos, a recorrente foi notificada dos créditos tributários, objetos dos lançamentos em discussão, em 18/12/2006 (fls. 83 e fls. 91), apresentou a respectiva impugnação em 16/01/2007 (fls. 110). A decisão da DRJ São Paulo mantendo as exigências dos créditos tributários foi prolatada em 27/08/2010, mas a intimação somente se deu em 17/01/2011 (fls. 173 e 174). Assim, em outubro de 2010, os débitos, objetos dos lançamentos em discussão, não podiam ser inscritos em Dívida Ativa da União porque a impugnação interposta contra suas exigências ainda se encontrava pendente de decisão administrativa. Demonstrado o equívoco da inscrição, esta deverá ser cancelada e os débitos exigidos depois de proferida a decisão definitiva neste processo e de conformidade com o decidido nela. II.2 – multa de ofício A multa aplicada teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...); I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...).” A multa no lançamento de ofício tem como objetivo punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de lançamento, de declaração e de pagamento da contribuição). No presente caso, houve declaração e, conseqüentemente, pagamento a menor das contribuições para o PIS e Cofins. II.3) juros de mora à taxa Selic. A exigência de juros de mora à taxa Selic, constitui matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe: Súmula nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003013/200662 Acórdão n.º 330101.440 S3C3T1 Fl. 233 7 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Dessa forma, em relação a esta matéria, aplicase esta súmula. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito a suscitada preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário e determino que a autoridade administrativa competente, Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) em São Paulo, solicite à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em São Paulo, capital, o cancelamento das inscrições em Dívida Ativa da União dos débitos (fls. 196 e 197), objetos deste processo administrativo, e os exija por meio deste processo de conformidade com a decisão administrativa definitiva nele proferida. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.016136/2002-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-001.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Redator Designado Luciano Lopes de Almeida Moraes.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: PIS/PASEP Período:01/04/1989 a 31/08/1995 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorimrelatora e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Redator Designado Luciano Lopes de Almeida Moraes. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 61 36 /2 00 2- 53 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A contribuinte supraidentificada requereu (fls. 01/02) junto à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG, a compensação de crédito referente a valores recolhidos a título de PIS, obtido mediante a ação ordinária nº 94.000.78439, em que se pleiteou o reconhecimento do direito de não se submeter às disposições contidas nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988, e também do PIS Repique, previsto na LC 07/70, bem como o direito à compensação do pagamento a maior do PIS. A DRF Belo Horizonte reconheceu o direito creditório, no valor de R$ 827.820,94 (na data de referência de 02/01/96) e R$ 21.616,46 (na data de referência de 31/12/95), por intermédio do Despacho Decisório nº 235, de 21/02/2008, às fls. 227/239. Cientificada da decisão, a contribuinte manifestou sua inconformidade em 15/04/2008, às fls. 270/281, alegando, em síntese e fundamentalmente, que a DRF deduziu do direito creditório os débitos de PIS Repique referentes aos períodos de janeiro/94 a fevereiro/96, depositados e convertidos em renda da União conforme documentos de fls. 137/138. Tal procedimento caracterizaria a cobrança em duplicidade, por intermédio do abatimento desses valores do crédito passível de restituição/compensação. Em seqüência reivindica o direito de compensar o crédito de PIS com débito de Cofins, argumentando que deve ser aplicada a lei posterior ao ajuizamento da Ação, vigente no momento da compensação. Acrescenta que, embora a sentença transitada em julgado tenha limitado a compensação do PIS apenas com débitos do PIS, quando foi proferida encontravase em vigor o art. 74 da Lei nº 9.430/96, o qual possibilitava a compensação com quaisquer tributos e contribuições sobre a administração da então SRF. Solicita, ao final, caso não seja possível a compensação com débito de Cofins, seja autorizada a recomposição dos créditos de PIS para futuras compensações com débitos do próprio PIS. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0218.161 de 23/06/2008, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.016136/200253 Acórdão n.º 3201001.161 S3C2T1 Fl. 367 3 Período de apuração: 01/04/1989 a 31/08/1995 AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Solicitação Deferida em Parte. O julgamento foi no sentido de julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, devendo a DRF de origem recalcular o valor do direito creditório, considerando o valor convertido em renda da União e executar os procedimentos administrativos relativos à homologação da compensação, se for o caso, no limite do direito creditório e somente com débitos de PIS. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Em sede de recurso, o presente feito cingese à (im)possibilidade de o contribuinte compensar créditos de PIS com débitos de outros tributos. Inicialmente, fazse mister ressaltar que, na petição inicial, formulada na ação judicial citada pelo contribuinte, solicitouse, expressamente, que fosse declarado “o direito de compensação do que foi recolhido a título de PIS, posteriormente à CF/88, com outras contribuições sociais incidente sobre folha de salários, lucro e faturamento.” (fl. 99), o que foi admitido pela Justiça Federal de 1ª Instância (fl. 105). Ocorre que, em sede recursal, esse pedido foi negado, na medida em que o TRF limitou o direito do contribuinte de compensar os valores indevidamente recolhidos a maior a título de PIS, com os débitos da mesma contribuição (fl. 118). Ora, sempre sustentei que a coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário não pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a CRFB, a qual adota o modelo de jurisdição una, com a plena soberania das decisões judiciais. A decisão judicial representa lei entre as partes e por isso deve ser respeitada. Portanto, devo concordar com a decisão de primeira instância quando sustenta que: “(...) embora a interessada solicite a compensação do referido crédito de PIS com débitos de Cofins, só poderá fazêlo com débitos do próprio PIS, em estrita obediência à decisão judicial”. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Ante o exposto, voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Com a devida vênia, entendo diferente. Com efeito, a própria Receita Federal, por meio da Nota COSIT no 141, de 23 de maio de 2003, entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. Esse, aliás, é o entendimento mais recente do STJ, o qual, muito embora defenda que, nos casos de compensação de tributos a lei aplicável deve ser a vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente, reconhece o direito da parte de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas legais advindas em períodos subsequentes. A título de exemplo, cito os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 NÃO CARATERIZADA. AÇÃO PROPOSTA ANTERIOR AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA LC 118/2005 (9.6.2005). PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A PARTIR DE 1º.1.1996. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCLUSÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES STJ. (...) 5. No que concerne à compensação entre diferentes espécies tributárias, a Primeira Seção desta Corte já pacificou o entendimento no sentido de que a lei aplicável é vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo a causa ser julgada à luz do direito superveniente, ressalvandose o direito da parte de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas legais advindas em períodos subsequentes. (...) (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200801840562. Relator min. Benedito Gonçalves. Data da decisão: 17/02/2009. Data da Publicação: 05/03/2009) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.016136/200253 Acórdão n.º 3201001.161 S3C2T1 Fl. 368 5 Assim, voto por dar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lopes de Almeida Moraes – Relator designado Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13888.000910/00-98
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1989 a 31/01/1996
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1989 a 31/01/1996 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 09 10 /0 0- 98 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000910/0098 Acórdão n.º 9900000.530 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0262 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 02249, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos leis nos 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n° 49/Senado Federal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0275, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão contida no acórdão deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000910/0098 Acórdão n.º 9900000.530 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 04/1989 a 01/1996, fls. 003, e o pedido de restituição ocorreu em 11/09/2000, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000910/0098 Acórdão n.º 9900000.530 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 11/09/2000, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 11/09/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 11/09/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720343/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO.
Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 03 43 /2 01 0- 61 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) de saldos credores de Cofins não cumulativa, apurados para os 4 (quatro) trimestres do ano calendário de 2007. Por meio do Despacho Decisório nº 554/2010, às fls. 38/51, a Delegacia da Receita Federal em Goiânia, GO, indeferiu os pedidos de ressarcimentos transmitidos pela recorrente, sob o fundamento de que a revenda de produtos sujeitos ao regime monofásico não geram créditos de Cofins não cumulativa passíveis de ressarcimento. Inconformada com a decisão daquela DRF, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 59/92), alegando razões assim resumidas pela DRJ: “ no Estado Democrático de Direito a legalidade é principio que deve reger a tributação. O único instrumento com poder para criar restrições ou vedação ao direito a creditamento é a lei, havendo momento inicial em que realmente era negado; também é inegável a existência de norma que previu, expressamente, que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; posteriormente, pela mesma forma que se estabelece preceitos cogentes, foi introduzido no universo jurídico o art. 17 da Lei no 11:033/04, prevendo expressamente que mesmo quem faturasse com alíquota zero, ainda assim, poderia creditarse de PIS/COFINS; a Lei n° 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas; o art. 16 da Lei 11.116/05, ao invés de restringir direito de creditamento, adotou mais garantias ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações. Nas novas normas sempre se ressalva o que fica regulado na norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos, o que não aconteceu no presente caso, sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; o direito de creditamento é coerente com os objetivos desonerativos das inovações legislativas do PIS/COFINS e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na não cumulatividade, só não permite esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime de substituição; o art. 17 da Lei n° 11.033/04 é justamente norma geral para os casos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, ate porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; foram revogados os preceitos das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 que mandavam aplicar, para a contribuinte, as normas anteriores a não cumulatividade, agora ficando as mesmas inteiramente enquadradas neste regime que tem como pressuposto o creditamento; finalmente, vieram as MP 413 e 451, de 2008, tentar restringir creditamento para a contribuinte baseado no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foram mantidas no ordenamento jurídico. Logo, viola o Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.720343/201061 Acórdão n.º 3301001.714 S3C3T1 Fl. 173 3 arcabouço jurídico, reprimir ou indeferir a tomada dos créditos aqui discutidos, amparada legalmente e constitucionalmente.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0341.294, datado de 20 de janeiro de 2011, às fls. 109/115, sob a seguinte ementa: “Crédito de Cofins Incidência não cumulativa Tributação monofásica na aquisição de produtos para revenda Vedação legal. No regime da não cumulatividade da Cofins, a aquisição de automóveis e autopeças para revenda, sujeitos a tributação monofásica, não gera direito a créditos para o comerciante atacadista ou varejista desses produtos, por expressa vedação legal, não se aplicando, portanto, A disposição contida no art. 17 da Lei ri° 11.033, de 2004.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 119/154), requerendo sua reforma a fim de que se defiram os pedidos de ressarcimento em discussão, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, acrescidas de reforços quanto aos aspectos econômicos de fixação das alíquotas da Cofins não cumulativa e aos normativos que amparariam seu direito, os mesmos dispositivos legais citados e transcritos na manifestação de inconformidade e repetidos no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, a questão de mérito se restringe ao créditamento da Cofins sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração e pagamento desta contribuição e ao ressarcimento do saldo credor trimestral apurado em decorrência de tal creditamento. O regime de tributação não cumulativa da Cofins foi instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispões sobre os créditos desta contribuição: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Por sua vez o art. 2º, assim dispõe: “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já a Lei nº 10.485, de 2002, assim dispõe sobre a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas decorrentes de vendas de bens sujeitos à tributação monofásica: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.720343/201061 Acórdão n.º 3301001.714 S3C3T1 Fl. 174 5 PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o deste artigo, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) [...].” Ora, os bens revendidos pela recorrente se enquadram nos dispositivos legais citados e transcritos acima. Assim, suas aquisições não geram créditos de Cofins não cumulativa e, conseqüentemente, não dão direito a ressarcimento algum. Em julgamento desta mesma matéria pela Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 20313.466, os Membros daquela câmara, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de outro contribuinte no qual pleiteou o ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, apurados sobre aquisições de bens sujeitos ao regime de tributação monofásica desta contribuição. Também este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme comprova a ementa e o acórdão proferido no julgamento do REesp nº 1.217.828/RS, literalmente reproduzidos: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: ‘A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque.’ Os Srs. Ministros César Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de abril de 2011. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator ” Dessa forma, demonstrado que a legislação não ampara a apuração e a escrituração de créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens sujeitos ao regime monofásico de tributação desta contribuição, no presente caso, de veículos automotores e auto peças, não há que se falar ressarcimento do saldo credor trimestral apurado indevidamente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.720343/201061 Acórdão n.º 3301001.714 S3C3T1 Fl. 175 7 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16707.002705/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS. LEI 8.852/94. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Consoante se pode inferir de sua ementa, a Lei nº. 8.852/94 não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, mas, sim, dispõe sobre a forma de aplicação, no que toca à administração federal, dos artigos 37, XI e XII, e 39, §1º, da Constituição. Assim, as verbas recebidas pelo contribuinte, ainda que excluídas do conceito de remuneração para os fins da legislação em espécie, constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas pelo imposto de renda, sob pena de violação, inclusive, dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva.
Nesse exato sentido, aliás, é expressa a Súmula n.º 68 deste CARF, vazada nos seguintes termos: A Lei n.° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF n. 68).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS. LEI 8.852/94. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Consoante se pode inferir de sua ementa, a Lei nº. 8.852/94 não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, mas, sim, dispõe sobre a forma de aplicação, no que toca à administração federal, dos artigos 37, XI e XII, e 39, §1º, da Constituição. Assim, as verbas recebidas pelo contribuinte, ainda que excluídas do conceito de remuneração para os fins da legislação em espécie, constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas pelo imposto de renda, sob pena de violação, inclusive, dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Nesse exato sentido, aliás, é expressa a Súmula n.º 68 deste CARF, vazada nos seguintes termos: “A Lei n.° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física” (Súmula CARF n. 68). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 27 05 /2 00 8- 18 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 110 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 92/105) interposto em 04 de março de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) (fls. 84/89), do qual o Recorrente teve ciência em 25 de fevereiro de 2011 (fl. 91), que, por unanimidade de votos, houve por bem manter o despacho decisório de fls. 51/56, que indeferiu o pedido de restituição/compensação formulado pelo contribuinte fundado na alegação de não incidência de IRPF sobre os valores recebidos a título de adicionais de tempo de serviço e de compensação orgânica. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INDEFERIMENTO. Somente poderá ser restituído ou compensado imposto de renda retido na fonte, na hipótese de comprovado pagamento indevido. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Os valores pagos referentes à gratificação de compensação orgânica e adicional por tempo de serviço integram a base de cálculo do IR, não estando isentos de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” (fl. 84). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 92/105), pedindo a reforma do acórdão recorrido, alterandose, destarte, os termos do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação formulado. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a controvérsia gira exclusivamente em torno da tributação das verbas intituladas “Adicional por Tempo de Serviço” e “Gratificação de Compensação Orgânica”, recebidas pelo contribuinte. Confundindo preliminar e mérito, entende o Recorrente que a Lei n.º 8.852/94 impede expressamente a tributação pelo imposto de renda do “adicional por tempo de serviço” e da “gratificação de compensação orgânica”, tendo em vista a redação de seu artigo 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”: “Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; (...) n) adicional por tempo de serviço”. Aferindo as alegações do Recorrente, cumpre observar, primeiramente, que o imposto de renda, tal como delimitado pelo art. 153 da Constituição e, bem assim, pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional, tem como hipótese de incidência a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica (i) da renda, assim entendida como o produto do capital, do trabalho ou de ambos, e (ii) de proventos de qualquer natureza, isto é, acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda, propriamente. Outrossim, estatui, expressamente, a Constituição, mais especificamente em seu art. 153, §2º, I, que deverá o imposto de renda ser informado “pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei”. Analisandose em conjunto as disposições enumeradas, observase, nitidamente, que, especialmente com fundamento no chamado princípio da generalidade, consoante aduz Ricardo Mariz de Oliveira, “qualquer aumento patrimonial deve ser tratado por igual com todos os demais, sem distinções derivadas de quaisquer critérios discriminatórios” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2009. p. 254). Exatamente em virtude do princípio da generalidade, aliás, e, mais ainda, em razão de não ter atrelado o constituinte originário e o legislador, pela via da lei complementar, à hipótese de incidência do imposto de renda determinadas estruturas jurídicas, ou fatos Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 112 4 previamente qualificados pela legislação (art. 116, II, do CTN), o Código Tributário Nacional é expresso ao dispor, em seu art. 43, §1º, que a “incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção”. Por todas as razões expostas, portanto, afigurase despicienda, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda, a denominação da espécie de receita ou rendimento, bastando, destarte, para a apuração do tributo devido, a disponibilidade, econômica ou jurídica, do acréscimo patrimonial percebido pelo contribuinte. Analisandose, à guisa de todo o exposto, as alegações do contribuinte, percebese que não lhe assiste razão, no caso vertente. Com efeito, independentemente do fato de haver a Lei n.º 8.852/94 excluído do conceito de remuneração, para os fins específicos da lei em questão, as espécies de rendimentos elencadas nas alíneas “d” e “n” do inciso III do art. 1º do referido diploma legal, fato é que todas amoldamse, à perfeição, ao conceito de renda, isto é, de rendimentos oriundos do trabalho, na espécie com vínculo empregatício. Nesse sentido, portanto, percebese, com clareza meridiana, que todos os rendimentos excluídos da base de cálculo pelo contribuinte caracterizam o fato gerador do imposto de renda, não havendo que se falar, pois, em hipótese de nãoincidência. Com fundamento no exposto, cumpre perquirir, por sua vez, se as espécies de rendimentos contempladas pela lei em questão podem ser consideradas isentas, para fins de apuração do imposto de renda da pessoa física. No que tange a este ponto específico, pois, verificase que a isenção, notadamente no que toca ao imposto de renda, justamente por constituir regra voltada à mutilação de um ou alguns dos critérios da regramatriz de incidência, na forma como preleciona Paulo de Barros Carvalho, deve referirse, expressamente, à apuração e cálculo do referido imposto, sendo interpretada, portanto, de maneira não extensiva, nos termos do art. 111, I, do CTN. Por esta razão, inclusive, dispôs, expressamente, a Constituição da República, mais especificamente em seu art. 150, §6º, que “Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g”. À guisa de todo o exposto, portanto, não há de restar dúvidas de que a lei trazida à baila pelo contribuinte não se refere, especificamente, à exclusão de rendimentos da base de cálculo do imposto de renda de funcionários da administração pública, direta ou indireta, vinculada à União. De fato, compulsandose os termos da Lei n.º 8.852/94, verificase, ao contrário, que a lei em comento buscou, pura e simplesmente, regular o quanto disposto pelos artigos 37, XI e XII, e 39, §1º, da Constituição, isto é, fixar o teto de remuneração de seus funcionários, em comparação com os vencimentos percebidos pelos ministros do Supremo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 113 5 Tribunal Federal. Nada dispôs, portanto, a respeito da tributação de tais valores pelo imposto de renda. Aliás, fosse esse o intuito do legislador, isto é, o de conceder isenções no que toca a determinados rendimentos percebidos por funcionários da administração pública da União, estarseia diante de uma violação expressa e direta ao princípio da isonomia, capitulado expressamente no art. 150, II, da Constituição, eis que, em verdade, estaria a legislação criando distinção entre rendimentos percebidos por funcionários da administração pública da União e os demais contribuintes submetidos à tributação pelo imposto de renda, vulnerando, ainda, o princípio da capacidade contributiva estatuído pelo art. 145, §1º, da Constituição. Este tribunal administrativo tem entendido que referida lei não institui qualquer isenção do imposto de renda, mas tãosomente regula a estrutura remuneratória do Poder Público, discriminando os tipos de recebimentos dos funcionários/servidores públicos. Nesse sentido, dentre outros inúmeros julgados, pode ser citado o seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2003 RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTOS NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO DO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E DA GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei n° 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão 210200.736 de 28/07/2010) Esse entendimento está cristalizado na Súmula n.º 68 deste tribunal administrativo, que tem a seguinte redação: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.002705/200818 Acórdão n.º 2101002.088 S2C1T1 Fl. 114 6 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10280.005071/2001-42
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admite-se o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial.
No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido.
AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE PARCIAL. EFEITOS. O lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas.
In casu, a nulidade parcial do lançamento de ofício não atinge a parcela do crédito tributário relativo às matérias em que não se observou o cerceamento do direito de defesa, as quais não são objeto do litígio, sendo que os débitos foram incluídos em parcelamento.
Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admitese o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial. No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE PARCIAL. EFEITOS. O lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas. In casu, a nulidade parcial do lançamento de ofício não atinge a parcela do crédito tributário relativo às matérias em que não se observou o cerceamento do direito de defesa, as quais não são objeto do litígio, sendo que os débitos foram incluídos em parcelamento. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 50 71 /2 00 1- 42 Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.499 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório AGROPECUARIA RIO BRANCO LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referentes aos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 no valor total de R$ 12.694.857,75 (principal, multa e juros, calculados até 29.11.2002) – fl. 1.065). O termo de verificação fiscal consta das fls. 863/951 e o auto de infração, notificado à parte interessada em 20/12/2002, encontrase às fls. 952 e seguintes. Apresentada a impugnação de fls. 1.251 a 1.290, os autos foram encaminhados à DRJ que por meio do acórdão de fls. 1.313 e seguintes, julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão, de forma tempestiva, a parte interessada apresentou recurso alegando, dentre outros fundamentos, a nulidade do lançamento por impossibilidade de correlacionar os termos das acusações aos valores lançados. Ao apreciar o recurso, o Primeiro Conselho de Contribuintes, em julgamento da Sétima Câmara, por meio da Resolução n° 107 0.469, de 03 de dezembro de 2003 (fls. 1.506 ou 1.512 pela numeração digitalizada), converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse elaborasse demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação do item correspondente ao termo de verificação fiscal. aos valores objeto de lançamento. Neste sentido, para efeito de relato, transcrevo os seguintes fundamentos da Resolução: Fl. 6499DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.500 3 Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do TVF a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, de se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma vez que há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas os títulos adotados não batem com os dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos (fl. 1.547 numeração digitalizada). .... Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao TVF (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume o u anexo) onde se encontrem essas provas. (fl. 1.548 numeração digitalizada). O relatório da diligência consta das fls. 1.562 e seguintes (numeração digitalizada). Nesta ocasião o auditor fiscal elabora o demonstrativo de fl. 1.563 e seguintes especificando e correlacionando os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente à infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. (materialidade) Realizada a diligência, por meio do acórdão n° 107.08.108 (fl. 1645), retificado pela decisão dos embargos de declaração de fls. 1.653 e seguintes (acórdão 107 08.800), o Colegiado, de forma unânime, anulou a decisão de primeira instância que havia entendido que, da forma pela qual o auto de infração original tinha sido lançado, não tinha Fl. 6500DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.501 4 ocorrido cerceamento de defesa. Destacou o acórdão que a decisão da DRJ era nula porque simplesmente tinha ignorado as alegações da autuada acerca do cerceamento de defesa. Anulada a primeira decisão, os autos retornaram à DRJ que proferiu o acórdão de fls. 1.717 a 1.768, decidindo, por maioria de votos, julgar improcedente a alegação de cerceamento de direito de defesa do Contribuinte. Vencidos os julgadores ANTÔNIO MARCOS C. LIMA, e PAULO ROGÉRIO CARREIRO LIMA FERREIRA, que votaram pela nulidade do lançamento em decorrência de vícios na descrição dos fatos. E por unanimidade, no mérito, julgar parcialmente procedente o lançamento, cancelando parte dos créditos do IRPJ, IRRF, do PIS, da CSLL, e da COFINS. Intimada desta segunda decisão, a parte interessada apresentou o recurso de fls. 1.778 e seguintes1, reiterando os argumentos articulados quando da impugnação anterior, dando ênfase, dentre outras razões, ao argumento de que, ao atender ao que fora determinado na resolução a autoridade fiscal vez verdadeiro aperfeiçoamento do lançamento, visto que o anterior não se sustentava, fato este inclusive reconhecido por dois integrantes da DRJ. Os fatos até aqui expostos sintetizam as principais questões processuais. Contudo, em face à necessidade de descrever cada uma das infrações, procedimento já adotado pela decisão recorrida, doravante passo a transcrever o relatório daquela decisão, que apesar de extenso, sintetiza todos os detalhes. Como referido no parágrafo anterior Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): (fl. 1.720) 2.Antes de discriminar as infrações à legislação tributária verificadas pela fiscalização, fazse necessário esclarecer as transações imobiliárias que culminaram na presente situação patrimonial do contribuinte autuado. 3.A Agropecuária Campo Maior Ltda., com sede na Fazenda denominada “Chão de Estrelas”, foi vendida pelos proprietários originais (os Srs. Lutfala de Castro Bitar, Eduardo Cateb Bitar, Antônio Marcos Loureiro e a empresa Estacon Engenharia S.A.) à empresa Têxtil Saint Germany Ltda., de propriedade do Sr. José Osmar Borges. Conforme o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de fls. 37 a 43, verificase que o valor da transação foi de R$2.200.000,00, a serem pagos até 15.5.1996. A efetivação da venda se deu em 30.5.1996, como prova o ofício de fl. 45. 4.Em 15.8.1996, de acordo com a certidão de fl. 46, a Agropecuária Campo Maior Ltda. era controlada por dois sócios: a Têxtil Saint Germany Ltda (detentora do capital social de R$1.744.800,00), e a sóciagerente Sra. Márcia Cristina Zahluth Centeno (detentora do capital social de R$207,00). 5.Por meio do contrato de compra e venda de fls. 52 e 53, datado de 5.1.1998, a Têxtil Saint Germany Ltda., por meio de seu proprietário Sr. José Osmar Borges, vendeu a sua participação na Agropecuária Campo Maior Ltda. para a Fazenda Rio Branco Ltda., por R$600.000,00, a serem pagos até 5.1.2000. 6.Através da alteração contratual de fls. 56 a 61, datada de 31.5.2000, foi realizada a incorporação da Agropecuária Campo Maior Ltda. pela Fazenda Rio Branco Ltda. Pelo mesmo contrato, alterouse a denominação da Fazenda Rio Branco Ltda. para 1 Numeração digitalizada. Doravante passo a adotar a numeração atribuída em face da digitalização, pois o acórdão recorrido só contém a numeração digitalizada. Fl. 6501DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.502 5 Agropecuária Rio Branco. Porém, a fiscalização manteve a denominação original, por ser esta a que consta nos cadastros da SRF. 7. A Fazenda Rio Branco Ltda. foi autuada por diversas infrações à legislação tributária, a saber: a)omissão de receita caracterizada pela falta de escrituração de notas fiscais de vendas, avulsas e de produtor2; b)omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários; c)omissão de receita operacional caracterizada por diferenças apuradas em estoques de touros e matrizes; d) omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, efetuados mediante emissão de cheques com especificação da aplicação, passagem pelo caixa, e dele não saído; e)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas com ordenados e salários; f) omissão de receita de venda de gado apurada de acordo com controle paralelo denominado “Controle de Venda de Animais”; g)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, para valores pagos sem emissão de cheques ou com cheques sem discriminação de aplicações; h)omissão de receita caracterizada pela não contabilização da saída de caixa de pagamentos de despesas operacionais; i)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, cujos documentos foram obtidos por circularização; j)omissão de receitas na Declaração de Rendimento dos saldos das contas de recuperação de despesas; k) omissão de receita caracterizada pelas diferenças de pesagem de gado na venda e no abate; l)custos ou despesas não comprovados, referentes a animais vendidos; m) custos ou despesas não comprovados, referentes a ordenados e salários; n)custos ou despesas não comprovados, referentes a despesas comprovadas apenas com “sleeps” ou memórias de lançamentos; o) cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado não dedutíveis, valores apurados em decorrência da não comprovação, com documentos hábeis e idôneos, de todo o seu ativo permanente, alegando antiguidade dos bens; p) remuneração indireta a beneficiário não identificado, decorrente de pagamentos de arrendamento de aeronave, cuja utilização para os sócios e terceiros não identificados foi informada pelo próprio contribuinte; 2 Quanto a este item, conforme petição de fls. 1.554, datada de 26/11/2003, e documentos de fl. 1.555, houve desistência do recurso para inclusão no PAES. Fl. 6502DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.503 6 q) remuneração indireta a beneficiário não identificado, decorrente de pagamentos de despesas com avião; r)despesas indedutíveis, por estarem lastreadas em documentos não considerados hábeis e idôneos, tais como: inidoneidade, contabilização em dobro, referentes a despesas fora do exercício de competência e concernentes a outra empresa (Agropecuária Campo Maior Ltda.), antes da incorporação; s)ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor do imposto de renda debitado a despesas pela empresa, conforme DIPJ; t)ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contrapartida do ajuste dos investimentos em Imóveis Terrenos (conta 1.3.1.05.001), Edificações e Melhoramentos (1.3.1.05.002), Cercas (1.3.1.05.003) e Pastagem Artificial (1.3.1.05.004) da Agropecuária Campo Maior Ltda., em face da sua realização, em 31.1.2000, por estorno das contas na contabilidade da Agropecuária Campo Maior Ltda., sem a apresentação de qualquer laudo que comprovasse a redução do valor dos imóveis; u) redução indevida do lucro real, em virtude de débito a Conta de Resultado do Exercício de valor oriundo da conta Lucros do exercício; v) falta de realização do lucro inflacionário, pois o contribuinte, através de empresa incorporada, fez opção pela realização favorecida do lucro inflacionário acumulado, não o realizando quando da incorporação em 2000. 8.A descrição detalhada dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 863 a 951, do qual foi dado ciência ao contribuinte, juntamente com o auto de infração, em 20.12.2002. II – DA IMPUGNAÇÃO 1 Em 17.1.2003, a empresa apresentou impugnação de fls. 1.251 a 1.290, na qual aduz os seguintes argumentos: a) como preliminar, argúi a nulidade do auto de infração, porque a prorrogação do mandado de procedimento fiscal (MPF), com validade até 26.1.2002, somente se deu em 6.5.2002, em afronta ao art. 12 da Portaria SRF nº 3.007/2001, que determina prazo máximo de validade de 120 dias para os MPFs; b) também como preliminar, que houve cerceamento do seu direito de defesa, elencando uma série de motivos: que não foi obedecida a ordem cronológica para a arrumação das folhas integrantes do auto, bem como não foram numeradas e rubricadas; que a descrição dos fatos não está na mesma seqüência das infrações descritas no auto, e que não há uma precisa remissão do auto de infração em relação ao Termo de Verificação Fiscal; que por mais que se leia e releia o auto de infração, na vã tentativa de descobrir qual o fato e o seu relacionamento com o enquadramento legal e as provas de acusação, a frustração é enorme; que as tabelas que fazem referência a valores não se reportam às folhas do processo; que por ser o resultado de fiscalização de duas empresas, no texto da descrição dos fatos não há uma referência clara contra qual empresa é a acusação; cita, como exemplo, que a informação contida no parágrafo “c” da fl. 870 referese à Agropecuária Campo Maior Fl. 6503DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.504 7 Ltda., mas que o item V.1.1.2 ao que o parágrafo pertence, referese à Fazenda Rio Branco Ltda.; que este processo representa apenas um braço longo das aleivosias a que foi submetido o contribuinte Jader Barbalho e suas empresas, a partir de denúncias infundadas (como já provado na Justiça), procurandose de todas as formas impedirlhe a ampla defesa; que requer o saneamento do processo com as remissões consistentes, com a definição clara de quem está sendo acusado (se a Fazenda Campo Maior ou se a Fazenda Rio Branco); que há nos autos signos desconhecidos da língua portuguesa (##) utilizados no enquadramento legal; c) ainda a título de preliminar, pugna pela decadência do lançamento referente a fatos geradores ocorridos em 1996 e até 20.12.1997, por força do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN), por tratarse de tributo lançado por homologação; d) requer a exclusão de todas as multas aplicadas contra a Fazenda Campo Maior Ltda., que foram exigidas da Fazenda Rio Branco Ltda. na qualidade de responsável tributário por sucessão. Segundo a impugnante, o disposto no art. 132 do CTN diz respeito apenas à responsabilidade pelo pagamento do tributo, excluindose desse conceito as multas, que têm caráter punitivo. Cita farta doutrina e jurisprudência que ampara sua tese. 02.Após expor suas teses acima, a empresa passa a repelir uma a uma das 22 infrações que lhe foram imputadas. 03.Para as infrações correspondentes à omissão de receitas, enumeradas de 001 a 011 na peça impugnatória, o contribuinte apresenta uma negação geral, na forma da seguinte assertiva: “Não está demonstrada, pela fiscalização, a ocorrência das hipóteses previstas no art. 281, inciso II, do RIR/99, caracterizadoras da omissão de receita, que a seguir transcreveremos. Lançamento improcedente.”. 04.Relativamente às infrações de nº 012 (glosa de custos de animais vendidos), nº 015 (depreciação de bens do ativo imobilizado), nº 018 (despesas indedutíveis pela documentação não considerada hábil e idônea) e nº 021 (exclusões indevidas), a impugnante afirmou que “Não está demonstrado no Termo de Verificação Fiscal o valor tributável apontado no lançamento de ofício. O lançamento é improcedente.” 05.Para as infrações de nº 013 (glosa de despesas de ordenados e salários), nº 014 (glosa de despesas comprovadas com sleeps ou memórias de lançamentos), nº 019 (adições não computadas na apuração do lucro real relativas à despesas indedutíveis) e nº 022 (imposto sobre o lucro inflacionário acumulado), a defendente afirma que desconhece “os caracteres estranhos (##) utilizados no enquadramento legal, desconhecidos ao mundo das letras jurídicas”, o que implica o cerceamento de seu direito de defesa. 06.Quanto às infrações relativas à remuneração indireta a beneficiário não identificado, enumeradas no lançamento como as de nº 016 (decorrente de arrendamento mercantil) e de nº 017 (decorrente de despesas com avião), a impugnante sustenta que existe outro auto de infração onde se exige o pagamento do imposto retido na fonte, o que se constitui em inaceitável bis in idem . Afirma que a fiscalização presumiu ingresso de receitas inexistentes e que um bem não poderia ser ao mesmo tempo fonte de receita pela qual se exigiria do usuário o respectivo pagamento e fonte de despesas pelo mesmo uso; que a fiscalização adaptou o conteúdo e a definição dos institutos do arrendamento mercantil e da locação, definidos em leis especiais de direito privado, para acomodar o uso das aeronaves por terceiros às normas de direito tributário previstas nos regulamentos de imposto Fl. 6504DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.505 8 de renda vigentes em cada época do lançamento, transformando um Termo de Constatação e Intimação/Reintimação Fiscal em fonte de direito para definição de fato gerador do imposto; que não houve arrendamento nem locação, contratos típicos de direito privado a que se exige forma expressa e não tácita, com a fixação do valor da prestação que não pode ser presumida; que a resposta da empresa à intimação aludida no Termo de Verificação foi no sentido de que os aviões eram utilizados por cessão gratuita que nada tem a ver com a onerosidade dos contratos de arrendamento e locação que a fiscalização deseja adaptar com finalidade de criar fato gerador de imposto. 07.Em relação à infração identificada no lançamento como a de nº 020, resultante da falta da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contrapartida do ajuste dos investimentos da Agropecuária Campo Maior Ltda., a impugnante afirma que a redução do valor dos bens do ativo permanente da Agropecuária Campo Maior Ltda. deveuse às sucessivas invasões de trabalhadores semterra em fazenda de propriedade daquela agropecuária, e que o Relatório Técnico Agronômico produzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra – comprova as suas assertivas, assim como a ampla cobertura sobre o fato pela imprensa nacional. Afirma, também, que o ajuste contábil na contabilidade da Agropecuária Campo Maior Ltda. não foi entendido pela fiscalização, pois não houve uma operação contábil decorrente de reavaliação de bens do ativo de coligada ou controlada, mas, sim, o uso do termo “reavaliação” na conta utilizada para reduzir o patrimônio líquido, ao invés de ter sido alterado contabilizandose o prejuízo provocado pelas invasões. Prossegue a defendente, afirmando que nunca existiu uma relação do tipo coligada ou controlada entre a Agropecuária Campo Maior Ltda. e a Fazenda Rio Branco, pois assumiu o patrimônio daquela em virtude de contrato de cisão. Por fim, requer a realização de perícia para que seja verificada a avaliação do imóvel. 08.E, quanto à aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, afirma que “ A multa de 150%, que corresponde a uma infração qualificada, não guarda relação com um evento real de omissão de receita.”. III – DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Através do ACÓRDÃO DRJ/BEL Nº 1.127, de 27 de março de 2003, a impugnação do contribuinte foi julgada, e o lançamento foi considerado procedente em sua totalidade. Conforme ementas abaixo relacionadas(fls. 1.313 a 1.332): PRELIMINAR.NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não verificado no lançamento existência de vícios que impliquem prejuízo à defesa,e satisfeitos os requisitos do art. 142 do CTN, é de se afastar a preliminar argüida. DECADÊNCIA.Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, os termos para contagem de prazo é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, Fl. 6505DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.506 9 independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. NEGAÇÃO GERAL. A impugnação que apresentar simples negação da ocorrência dos fatos constatados pela fiscalização, não satisfaz as exigências do art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e não merece apreciação. REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos destinados ao pagamento de despesas com benefícios e vantagens a beneficiários não identificados devem ser tributados como remuneração indireta. LUCRO REAL. ADIÇÕES. Não comprovada com documentação hábil e idônea a efetiva redução do valor de bens do ativo permanente decorrente de depredações sofridas, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. IV – DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, com a decisão de primeiro grau, recorreu ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Recurso Voluntário, em 22/05/2003, de fls. 1342 a 1.389, anexando os documentos, às fls.1390 a 1.471, conforme abaixo discriminados: 1 – Cópias simples da Relação de Bens e Direitos para Arrolamento – fls. 1.390 a 1.400; 2 – Cópias simples de reportagens de retiradas de jornais – fls. 1.401 a 1.403; 3 – Cópias de Balancetes Analíticos, de 31/01/1996, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda. 1.404 a 1.414, e sem assinaturas; 4 – Balancetes Analíticos, de 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/05/2000, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., sem assinaturas. – fls. 1.415 a 1.451; 5 – Cópias simples do Contrato de Compra e Venda de Quotas de Agropecuária Campo Maior Ltda. – fls. 1452 a 1457; 6 – Cópias simples do Laudo de Avaliação dos bens abrangidos pelo processo de cisão entre a Fazenda Rio Branco e Agropecuária Campo Maior Ltda. – fls. 1458 e 1.459; 7 – Cópias simples do Livro Diário nº 19, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., referente ao período de 01 a 31/01/2000; À fl. 1.547 consta a petição datada de 26/11/2003 por meio da qual a parte interessada informa que desiste do recurso, para inclusão no PAES, em relação às matérias especificadas às fls. 1.548 a 1.550, correspondente aos itens 01; 06; 07; 09; 10; 11; 12; 14; 18; 19 e 21 do auto de infração, a seguir descritos: 01 – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS; Fl. 6506DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.507 10 06 – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS ( Controle de Venda de Animais); 07 – PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE(Documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 09 – PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE ( Documentos detidos por circulariazação); 10 – OMISSÃO DE RECEITA( recuperação de despesas); 11 – OMISSÃO DE RECEITA( recuperação de pesagem); 12 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS ( Custos de Animais Vendidos); 14 – CUSTOS DE DESPESAS NÃO COMPROVADA GLOSA DE DESPESAS (Comprovadas com “sleeps” ou memória de lançamentos); 18 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS – DESPESAS INDEDUTÍVEIS (Documentos não considerados hábeis e idôneos); 19 – ADICÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (Custos/Despesas indedutíveis); 21 – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS(Débito a Resultado do Exercício de Lucro Anterior). Os débitos referentes a estas infrações foram transferidos para o Processo nº 10280.002076/200466, tendo em vista a apartação dos créditos objeto da desistência do Recurso Voluntário. VII – DA MANIFESTAÇÃO DA DILIGÊNCIA Em 30/06/04, o contribuinte pronunciou a respeito da diligência e alega em síntese: 1 – que a responsabilidade da sucessora, Fazenda Rio Branco LTDA., está restrito aos tributos devidos, não havendo amparo legal para responsabilizála pelas penalidades (fl. 1602); 2 – que rechaça a interpretação maldosa da existência de casos de dolo, fraude ou simulação, nos itens e fatos administrativos que compõe as atividades executadas pela empresa, vez que, a documentação é hábil e idônea, não cabendo o alegado no julgamento de primeira instância, com a finalidade de negar que no ano calendário de 1996, está prescrito e conseqüentemente o direito de constituir o Crédito Tributário alcançado pela decadência, ainda que possível fosse identificar Fato Gerador(fl. 1603); 3 – que rechaça a cobrança da estimativa mensal, para os anoscalendário de 2001 e 2002, que tiveram como base a Lei nº 9.430/96, pois, ao ser intimado, apresentou os balancetes mensais, para suspensão ou redução na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95 ( fl. 1603); 4 – que os Autos de Infração foram entregues a autuada com as peças integrantes na mais completa desordem, dificultando sobremaneira o atendimento para a análise e preparo da defesa, que está sujeita a falhas na compreensão, prejudicando o contribuinte, que defrontase ainda com sinais gráficos estranhos, existentes nos componentes do processo oriundo da fiscalização(fl.1603); Fl. 6507DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.508 11 5 – que os Autos de Infração não guardam o mesmo ordenamento seqüencial e cronológico dos Termos de Verificação Fiscal colaborando para a elevação do grau de dificuldade ao exercício do direito de defesa; E em relação ao mérito impugna todos os itens lançados inclusive os que foram objeto de desistência do recurso voluntário. Vejamos a seguir as alegações: 6 – referente ao item I – OMISSÃO DE RECEITAS – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (NOTAS FISCAIS): a) Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que ocorreu emissão em duplicidade das notas fiscais emitidas no Posto Fiscal da SEFA em 16/09/1996; b) Nos anos calendários de 1996 e 1998, ocorreram emissão em duplicidade das notas fiscais emitidas no Posto Fiscal da SEFA, em 16/03/97, 10.02.98; e 02/12/98. E que a nota fiscal nº 295027 foi emitida para transporte de um cavalo levado à exposição; c) Que não consta, para o ano calendário de 1999, referencia a infração autuada no Termo de Verificação Fiscal; d) Que o valor da autuação, do ano calendário de 2000, referese as notas fiscais de saída que foram emitidas pela Fazenda Rio Branco Ltda., para casar com notas fiscais de compras, emitidas pelo Frigorífico Simental Ltda., gerando duplicidade de Receita de Venda de Gado Bovino; e) E aponta a multa de 150% como sem fundamentação legal. 7 – Referente ao item II – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Que nos anos calendários de 1996 (alcançado pela decadência), 1997 e 1998, houve entrada e saída de numerários nos BIC Banco, e Safra (1998) sem qualquer ganho ou perda para o Tesouro Nacional, e que as operações encontramse refletidas nos livros contábeis a débito e a crédito da conta Caixa; 8 – Referente ao item III – OMISSÃO DE RECEITA – Diferença de Estoque, fl 1.605. Que no ano calendário de 1996 (alcançado pela decadência), assim como nos demais, não conseguiu vislumbrar as diferenças de estoques, pois a fiscalização não demonstrou como apurou no Termo de Verificação Fiscal; 9 – Referente ao item IV OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques), fl. 1.606. a) Que no ano calendário de 1997 menciona fatos por suposição, pois, os recursos que derivam do Caixa, através de retiradas de Contas Bancárias, não diferem em nada, daquelas arrecadadas em espécie e registradas diretamente na Caixa, ou seja, contabilmente na conta Caixa, desta forma estas operações não devem ser considerados pagamentos efetivados e não contabilizado; b) Que no ano calendário de 1998, os recursos retirados das contas bancárias e levados a débito da conta caixa foram destinados a outros investimentos/aplicações e não a pagamentos de obrigações da empresa; Fl. 6508DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.509 12 c) Que no ano calendário de 1999, os recursos registrados na conta caixa, de dinheiro retirado do Banco através de cheque, nada espelha de estranho, e que as provas contidas no Processo contradizem as autuações por conclusões e deduções, sem fato gerador concreto, de tal forma que não incorpora as características exigidas por lei. 10 – Referente ao item V OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Ordenados e salários), fl. 1.607. a) Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que a descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal, da infração, confundiu o raciocínio, com intuito evidente de demonstrar a existência de Crédito Tributário; b) Que no ano calendário de 2000, o mapa demonstrativo, elaborado pela fiscalização, apresenta complexa disposição de dados com a conclusão de infração cometida pela empresa. E que a Fiscalização elaborou autos de infração com valores elevados, fora da realidade, e cuja prova é incoerente com a autuação. 11 – Referente ao item VI OMISSÃO DE RECEITAS – Receitas não contabilizadas(controle de vendas de animais), fl. 1.608. Que não conseguiu encontrar a infração caracterizada como omissão de receita, decorrente de Receita não contabilizada, estando prejudicada a autuação. 12 – Referente ao item VII OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamento não localizado na contabilidade), fl. 1.609. a) Que no ano calendário de 1997, a fiscalização não apresentou provas que a documentação base da autuação seja da empresa, pois, simples nota de balcão ou assemelhada não identifica ser o documento de responsabilidade da empresa; b) Que nos anos calendário de 1998 e 1999, a fiscalização não provou a entrada do material na empresa autuada; c) Que no ano calendário de 2000, o lançamento está prejudicado, por conter erro de valores, e divergências entre o valor constante no auto de infração e o apresentado no Termo de Verificação Fiscal. E que acha estranho, a infração com característica de existência de documentos, sem que a contabilidade tenha registrado, vez que a fiscalização diz ter obtido os documentos, mas não comprova a autenticidade, através de prova de entrada do material ou da prestação de serviços. 13 – Referente ao item VIII OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamento a Despesa), fl. 1.610. Que não prevalece a autuação, por erro de valores existentes entre o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração(mês de junho), e pelo fato de que, caso o dinheiro retirado do Banco, for levado a débito da conta Caixa se não utilizado, produziria a elevação do saldo da referida conta. 14 – Referente ao item IX OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos obtidos por circularização), fl. 1.611. Fl. 6509DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.510 13 a) Que no ano calendário de 1997, a Nota Fiscal avulsa, caracterizada, pela fiscalização, como omissão de receita, substitui a Nota Fiscal de receita, que por qualquer razão não foi emitida pela empresa, para casar com a Nota Fiscal de compra, que certamente encontrase contabilizada, logo improcedente a autuação; b) Que no ano calendário de 1998, e 2000, a fiscalização não comprovou a efetiva entrada do material que diz ter sido comprado ou serviços que supõe realizado; c) Que no ano calendário de 1999, o que o valor de R$ 50.633,98, que consta no quadro demonstrativo do Termo de Verificação, como relativo a abril/99, não foi incluído no Auto de Infração, o que demonstra a insegurança da Fiscalização, invalidando a autuação; 15 – Referente ao item X OMISSÃO DE RECEITAS – Omissão de Receita (recuperação de despesas), fl. 1.612. Que discorda do lançamento, pois caso confirmasse o entendimento da fiscalização, não haveria igualdade entre os valores do Prejuízo do exercício apontado no Balanço, constante no Livro Diário, e o apresentado na DIPJ; 16 – Referente ao item XI OMISSÃO DE RECEITAS – Omissão de Receita (diferença de pesagem), fl. 1.612. Que ocorre a perda do peso do gado, que é natural, entre o embarque e o abate, em função do tempo da condução e do descanso préabate; 17 – Referente ao item XII – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS( Custos de animais vendidos) fl. 1.613. Que o custo do produto vendido, no caso do gado bovino, é operacionalizado contabilmente com a finalidade de apuração do resultado líquido da exploração, logo não tem cabimento a tributação de diferença pela contabilização de valor a maior ou a menor, vez que, a contrapartida que vem creditada também varia pelo mesmo valor, produzindo o equilíbrio contábil. Não ocorrendo, desta forma, ganho ou perda para a tributação; 18 – Referente ao item XIII – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS (Ordenados e salários) fl. 1.613. Que é improcedente a autuação, pois em relação à diferença não contabilizada, apurada pelo comparativo entre RAIS e o Livro Razão, não houve elementos concreto de convicção, como sempre, ensejando o pleito de reconhecimento da improcedência da autuação, por absoluta inconsistência dos elementos que serviram de base ao procedimento. 19 – Referente ao item XIV – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS (Comprovadas com ‘sleeps” ou memória de lançamentos) fl. 1.614. Que não procede a autuação, pois o trabalho fiscal apresenta diferença entre a soma dos valores constantes do Termo de Verificação e o do Auto de Infração. Além de que, os documentos que serviram efetivamente de base para os lançamentos, foram corretamente escriturados, conforme provas constantes no Processo. 20 – Referente ao item XV – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Cotas de depreciação não dedutíveis)fl. 1.614.(anos 1996 a 1999) Fl. 6510DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.511 14 Que é improcedente a autuação, pois o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que os bens do ativo fixo têm mais de 05(cinco) anos, com alguns comprovantes de aquisição mantidos em arquivo. Concernente às instalações agropecuárias, afirma que são formadas gradativamente com construção a granel, ou seja, com compra de material e pagamento de mão de obra no decorrer do exercício financeiro. Sendo descabida a exigência da comprovação nos moldes desejados pela fiscalização. 21 – Referente ao item XVI – REMUNERAÇÃO INDIRETA Remuneração indireta a beneficiário não identificado (arrendamento mercantil)fl. 1.615. Que a legislação brasileira admite que as parcelas das operações de leasing sejam contabilizadas como aluguel ou arrendamento, registrando que a empresa deixou de lado a questão da propriedade formal do bem, dando mais valor a substância do bem, em obediência a regulamentações das operações de leasing(amparada pela Lei nº 6.099/7 com alterações da Lei nº7.132/83), como deduzse diante do custo do arrendamento mercantil, até 31/12/2000, de R$ 1.259.409,48, ficando um saldo residual de R$ 209.882,12 na conta 1.2.1.01.001 – Arrendamento Mercantil. A fiscalização não mencionou o amparo legal, concernente que a aeronave tenha que conduzir somente os tripulantes, sob pena de estarem os passageiros sujeitos a tributação pelo uso do aparelho. E ao mencionar o art. 297 do RIR/94, conclui que: A contraprestação de arrendamento mercantil constituise: Da execução dos serviços ou aluguel a que se destina o bem utilizado, produto do leasing, utilização de imóvel, assim como as despesas com benefícios e vantagens, contidas no inciso II, alíneas”a”, “b”, “c” e “d”; É inexistente, o enquadramento legal que determine a utilização das parcelas do pagamento do contrato de leasing seja fato gerador da infração identificada, senão em função de ilícitos do próprio instrumento mercantil, sendo irrelevante assim, a alegação de haver sido o pagamento contabilizado na conta patrimonial ou diferencial encerrada com a apuração do resultado do exercício; O que existe de “Fato” é um contrato de cessão gratuita, que deveria está formalizado em contrato revestido das formalidades legais, o que não invalidaria o uso e na prática não modificaria os procedimentos, vez que, não produz redução de receita, e nem elevação de despesa para conseqüente autuação, por cometimento de infração; O ramo de atividade da empresa está restrito a agropecuária, sendo inadmissível a exploração de outra atividade, como locação de aeronaves, razão pela qual as remunerações atribuídas, com valores aleatórios, não têm amparo legal definido para o lançamento. 21 – Referente ao item XVII – REMUNERAÇÃO INDIRETA Remuneração indireta a beneficiário não identificado (despesa com avião)fl. 1.618. Alega o contribuinte que não há base de cálculo precisamente definida para esta infração, pois as parcelas do contrato de leasing, nos três anos calendários, foram escrituradas algumas em conta patrimonial e outras em conta de resultado, além de que as despesas, com revisão, abastecimentos, e conservação de aeronaves, foram custeadas pela empresa e por terceiros, que se usuários, já pagam diretamente o Fl. 6511DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.512 15 aluguel, desta forma, a empresa a não foi onerada com custos/despesas das viagens, atendendo interesses interno da empresa, e as aeronaves foram conservadas pelo uso. Que há divergência entre os valores dos documentos, referente ao ano calendário de 1998, o constante no Termo de Verificação Fiscal, e o apresentado no Auto de Infração, e que os valores referentes ao ano calendário de 1999, elencados no Auto de Infração, apesar das buscas, 04 (quatro) não constam no Termo de Verificação Fiscal, prejudicando inteiramente o direito de defesa do contribuinte, quanto a esse item da autuação. Registrase, também, a alegação do contribuinte no sentido de que as documentações foram entregues pela própria empresa, e outros conseguidos em estabelecimentos de terceiros, que se considerados produzirão duplicidades de operações, por constarem dos registros contábeis representado despesas e custos da manutenção/conservação /operações dos aviões, e não devendo integrar a base de cálculo aleatória aplicada pela fiscalização como “despesas de aviões”. 22 – Referente ao item XVIII – DESPESAS INDEDUTÍVEIS – Despesas indedutíveis (documentos não considerados hábeis e idôneos)fl. 1619. Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência. Alem de que, a fiscalização apresentou um quadro complexo, sem controle numérico, de documentos avaliados como irregulares. Para o ano calendário de 2000, apresentou um demonstrativo confuso e sem relacionamento com a infração em lide, apresentando diferença glosada por encontrar valor excedente de Arrendamento Mercantil, o que na verdade na tem fundamento, por ser produto do entendimento fiscal, em referência a conta contábil utilizada na escrituração dos pagamentos do Contrato de leasing. 23 – Referente ao item XIX – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTOS/DESPESAS INDEDUTÍVEL.fl. 1620. Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência. Para os anos de 1996, 1999, e 2000 não existe valor a tributar, pois o resultado do exercício foi negativo; O valor apontado no ano calendário de 1998, consta na DIPJ de 1998; Logo, a fiscalização levantou elementos inconsistentes, tornando a autuação improcedente. 24 – Referente ao item XX ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – REAVALIAÇÃO DE BENS NA COLIGADA OU CONTROLADA – ALIENAÇÃO/LIQUIDAÇÃO DO INVESTIMENTO OU CAPITALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO.fl. 1620. Alega o contribuinte que, a fundamentação da fiscalização concernente ao estorno da Reserva de Reavaliação, na contabilidade da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., ocorreu 31/01/2000, antes do balanço de encerramento e incorporação definitiva pela Fazenda Rio Branco, que ocorreu em 31/05/2000”, e fundamentando a tributação por força do art. 132 do CTN, é sem fundamento, pois: O estorno foi procedido em igual momento estático da situação patrimonial, ou seja, logo após o levantamento do Balanço do ano calendário de 1999, após o qual nenhuma outra operação, foi realizada ou pudesse produzir modificação, então, a Fl. 6512DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.513 16 questionada Reavaliação, que segundo a fiscalização datava de 1993, teve os registros contábeis de origem revertidos, pura e simplesmente, por ter sido inócua não existindo razão que justificasse sua permanência na contabilidade, e ainda mais, prejudicial seria, transpor para a sucessora “ Agropecuária Rio Branco Ltda.”, a anomalia fisicamente inexistente. Não encontra cabimento sólido a alegação da existência de Lucro Inflacionário Realizada, quando na realidade suporta a empresa os representativos Perdas/Prejuízos, causados pelas sucessivas invasões sofridas”. 25 – Referente ao Item XXI – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÃO INDEVIDAS (débito a Resultado do Exercício de Lucro Anterior). FL. 1621. O entendimento da fiscalização não está correto, pois em ambos os anos, objeto do lançamento, ocorreram prejuízos fiscais nas DIPJ entregues via internet. 26 – Referente ao item XXII – IMPOSTO SOBRE LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO – Imposto sobre o lucro inflacionário acumulado. Fl. 1622. Em relação a este item alega o contribuinte: “Ano calendário de 2000, insistem os Auditores fiscais na existência de Lucro Inflacionário não realizado na incorporação, neste ano calendário, agora classificado de Diferido da Agropecuária Campo Maior Ltda., quando a incorporou em maio de 2000, alegando como documento prova, o Demonstrativo de Lucro Inflacionário da empresa Agropecuária campo Maior Ltda., cuja origem remonta ao ano calendário de 1993, ( fls. 3638/3695, do anexo XVII), conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. Com referência ao assunto, vamos recorrer a Lei nº 3000, ou seja ao Regulamento do Imposto de Renda, de 1999: Art.249.Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): I............. II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art.390.A contrapartida do ajuste por aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada, por esta utilizada para constituir reserva de reavaliação, deverá ser compensada pela baixa do ágio na aquisição do investimento com fundamento no valor de mercado dos bens reavaliados (art. 385, §2º, inciso I)(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24). Esta claro que, os dispositivos legais se aplicariam, se fosse a Agropecuária Campo Maior Ltda., uma Coligada ou Controlada, o que na realidade nunca foi e quando da incorporação, já não existia mais aquela reavaliação, por haver sido revertida após o Balanço de 1999 e antes da incorporação, ou melhor da fusão, tida como Cisão, e vejamos que não somente isso........ Art. 24, Parágrafo 2º, Do DecretoLei nº 1.598. de 1977 § 2º O valor da reserva constituída nos termos do parágrafo anterior, deverá ser computado na determinação do Lucro real, do período de Fl. 6513DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.514 17 apuração em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento, ou seja que usar a Reserva de Reavaliação para aumento do seu Capital Social Mais uma vez está claro que, os dispositivos legais se aplicariam, no caso da eliminação dos investimentos, o que não ocorreu, vez que os investimentos com seus valores base de custo permaneceram, não foram alienados nem liquidados, porém, apenas transferidos para a sucessora Agropecuária rio Branco Ltda., após destituídas e injustificáveis, pela inexistência de suporte aos valores esdrúxulos que ostentavam os Bens/Investimentos, comprovando se ao mesmo tempo, que as reservas de Reavaliação não foram usadas para aumento de Capital, mais sim também anuladas da reversão. Art.435.O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): Ino período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a)alienação, sob qualquer forma; b)depreciação, amortização ou exaustão; baixa por perecimento. Nenhuma das hipóteses ocorreu com se comprova pelo contido no Processo nº 10280.005071/200142, razão pela qual, é insubsistente a autuação, e deve ser o lançamento reconhecido improcedente pelas autoridades julgadoras. Das fls. 1624 a 1.628, da manifestação da diligência, o contribuinte destaca as bases de cálculos do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, e do IRRF. E nas fl. 1629, apresenta impugnação sobre a autuação por falta de antecipação mensal do IRPJ e da CSLL, instituída pela Lei nº 8.981/95, corroborada com a INSRF nº 93/97, que estabelece a faculdade de suspender ou reduzir o valor dos pagamentos mensais. E conclui: O procedimento acima exposto foi atendido pela autuada, com apresentação dos Balancetes mensais, não acatados pela fiscalização, para fins de suspensão, mas sim utilizado para o lançamento de ofício, razão pelo qual, com base no contido Processo nº 10280.005071/200142, deve ser a autuação declarada insubsistente, pela autoridade julgadora. VIII – DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A decisão de primeira instância foi anulada, por unanimidade, pelo ACORDÃO Nº 10708.108, de 15 de junho de 2005, por cerceamento do direito de defesa, pois, não considerou, a falta de vinculação adequada das infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração(fl. 1645). O Relator fundamentou o seu voto com as seguintes ponderações: Aqui também me reporto ao voto que proferi ao ensejo da resolução de fls. 1506/1544, oportunidade em que ficou demonstrada a dificuldade do Fl. 6514DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.515 18 contribuinte em defenderse da exigência fiscal, incorporando a este voto as razões ali apresentadas e leio perante o Plenário (lê). A elaboração do demonstrativo de 42 laudas para vincular o Auto de Infração ao Termo de Verificação Fiscal e Documentação demonstra a grande dificuldade que realmente enfrentou o contribuinte que, apesar disso, não pleiteou a nulidade do auto de infração, mas apenas melhor esclarecimento das infrações de que era acusado. Na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa porque o auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que poderá fazêla, inclusive para dizer que ele é insubsistente.(grifo nosso) Desta forma, o cerceamento somente ocorre após a lavratura da peça básica, seja pela repartição preparadora, seja pela autoridade julgadora. E o cerceamento do seu direito de defesa ocorreu no julgamento de sua impugnação, posto que as suas alegações de que não tinha condições de defenderse amplamente, sendo forçada a defenderse genericamente, foram simplesmente recusadas pela decisão de primeira instância.( grifo nosso). IX – DO EMBARGO DE DECLARAÇÃO Ao tomar conhecimento do Acórdão que anulou a decisão administrativa de primeira instância, o Procurador da Fazenda Nacional opôs Embargo de Declaração para que fosse sanada a contradição existente no referido acórdão( fl. 1651). A contradição foi sanada através Acórdão nº 10708.800, de 19 de outubro de 2006, (fl. 1653). Por não concordar com a decisão prolatada no Acórdão acima mencionado, o contribuinte interpôs o Recurso Especial de fl. 1662, o qual foi negado seguimento, conforme Despacho DDC nº 107135560_011. Cientificado da negativa de seguimento do Recurso Especial de Divergência, o contribuinte manifestouse as fls. 1687 a 1689 propugnando pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio até que proferida decisão administrativa em definitivo, encaminhandose os autos à DRJ. A nova decisão de 1a. Instância recorrida está assim ementada: PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Fl. 6515DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.516 19 DECADÊNCIA.Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadêncial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Caracterizamse omissão de receitas a não contabilização de notas fiscais de vendas, emitidas pela empresa, e de notas fiscais avulsas, e do produtor, emitidas pela a SEFA. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.Caracterizamse omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a sua contabilização, e o seu oferecimento à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA DE ESTOQUE.Caracterizamse omissão de receitas as diferenças de estoques de gado bovino, apuradas no comparativo entre os dados fornecidos pelo contribuinte e os apurados no decorrer da ação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE .Caracterizamse omissão de receitas, pagamentos de obrigações da empresa, com recursos estranhos à contabilidade, devidamente comprovado pela fiscalização. LUCRO REAL. ADIÇÕES CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Não comprovados, com documentação hábil e idônea, os custos e despesas com ordenados e salários, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. LUCRO REAL. ADIÇÕES DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva aquisição dos bens objetos da depreciação, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos destinados ao pagamento de despesas com benefícios e vantagens a beneficiários não identificados devem ser tributados como remuneração indireta. LUCRO REAL. ADIÇÕES. Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva redução do valor de bens do ativo permanente decorrente de depredações sofridas, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. LUCRO REAL. ADIÇÕES LUCRO INFLACIONÁRIO Não comprovado que no ato da incorporação, o lucro inflacionário da incorporada foi integralmente realizado, nos termos da legislação vigente, o referido valor deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Pela conduta do contribuinte em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. Fl. 6516DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.517 20 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou em 3/8/2009 extenso recurso voluntário, fls. 1768 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer (fls. 1861 e 1862, verbis): “IV Dos Pedidos Posto isso, a recorrente requer a esse Conselho: a) que seja recebido o presente recurso, por ser tempestivo e estar dentro das formalidades legais; b) que, desconsiderando a suposta convalidação do ato viciado, seja declarado nulo por vício material o procedimento fiscal ora combatido e o respectivo Auto de Infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário; c) que seja decretada a decadência de todas as exações retroativas ao qüinqüênio precedente ao aperfeiçoamento do auto infracional, realizado em junho de 2004. d) seja julgada insubsistente a imposição de multa de ofício ao sucessor e pelos motivos expostos a multa qualificada. e) descaracterizadas todas as demais alegadas inexações fiscais, suas cargas acessórias, reflexos e decorrências f) a realização da perícia. São os termos em que a par das razões supra e das que se anexam por cópia, acostadas às fls. 1.600/1.629), requerse sejam também incorporadas, integralmente, as razões de mérito, deduzidas no precedente recurso voluntário de fls. 1.342/1.389, porque totalmente compatíveis com a presente manifestação recursal, que são assim no seu incindível conjunto submetidas à doutíssima apreciação e julgamento dessa Colenda Corte, junto à qual nos penitenciamos pela extensividade do trabalho.” Ato continuo, os autos foram reenviados a este Conselho. Tendo em vista que o relator original deste processo no CARF, conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes (in memoriam), não mais compõe os colegiados, foi realizado no sorteio, sendo contemplado este Relator. É o relatório. Fl. 6517DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.518 21 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratamse de exigências tributárias decorrente de auditoria fiscal ampla do IRPJ e Reflexos, que foi apreciada neste Conselho anteriormente em 3 (três) oportunidades, tendo sido proferidos a Resolução nº. 10700.459 de 3/12/2003, o Acórdão 107 08.108 de 15/06/2005 e o Acórdão 10708.800 de 19/10/2006, que confirmou a nulidade da decisão de 1a. instância originalmente proferida pela DRJ Belém. De inicio, em longo arrazoado, suscita a recorrente as seguintes preliminares (verbis): 2.2 (...) NULIDADE MATERIAL DO PROCEDIMENTO FISCAL, POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, EM RAZÃO DA RECONHECIDA AUSÊNCIA DE VINCULACÃO ADEQUADA DAS INFRAÇÕES DESCRITIVAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL AO AUTO DE INFRAÇÃO, INOBSERVÂNCIA DOS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS E, NO MÍNIMO, DEVE SER RECONHECIDO QUE O LANÇAMENTO FOI "APERFEIÇOADO", ATRAVÉS DA DILIGÊNCIA DETERMINADA, EM JUNHO DE 2004, TORNANDO DECADENTES AS EXIGÊNCIAS RELATIVAS AOS ANOSCALENDÁRIO DE 1996, 1997, 1998 E PARTE DE 1999, ATÉ 30 DE JUNHO. (...) 2.3 (...)TENTATIVA DE SE PROVER À EMENDA DO AUTO DE INFRAÇÃO, MEDIANTE CONVALIDAÇÃO DE NULIDADE ABSOLUTA, DECORRENTE DE VÍCIOS FORMAIS E MATERIAIS, E' INÓCUA, POR SE TRATAR DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA, PORTANTO INSANÁVEL, DEVENDO SER CONHECIDA DE OFICIO PELA DIGNA AUTORIDADE JULGADORA. (...) 2.4 (...) DECADÊNCIA OU CADUCIDADE DO LANÇAMENTO DE TODAS AS EXAÇÕES E DECORRÊNCIAS DO PERÍODO COMPREENDIDO NO QÜINQÜÊNIO ANTERIOR A 30 DE JUNHO DE 2004, DATA EM QUE SE PROVEU AO "APERFEIÇOAMENTO" DO AUTO DE INFRAÇÃO, JÁ IMPUGNADO E SE INTIMOU A RECORRENTE PARA SE PRONUNCIAR (...). Pois bem, compulsando os autos, verifico que essas questões não foram apreciadas no acórdão10708.108, muito menos no 10708.800. Em verdade o Colegiado da 7a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes reconheceu o cerceamento do direito de defesa em face da precariedade do auto de infração, tal qual registrado no voto condutor da Resolução 107.0459, assim redigido (fls. 1541 e seguintes, verbis): “A autuada, desde a impugnação ao recurso, vem sustentando cerceamento do seu direito de defesa, dentre outras razões, pela concomitância de inúmeros atos em datas próximas que reduziram o prazo de defesa, além de falta de observância da ordem cronológica, dificuldade de compreensão dos fatos objeto da acusação fiscal, Fl. 6518DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.519 22 falta de vinculação das infrações apontadas no auto de infração com os itens do Termo de Verificação Fiscal, pelos motivos que descreve, confundindo a defesa, e em assim a adoção de simbologia imprópria no enquadramento legal. O exame detido dos autos revela que o contribuinte tem razão quando afirma a falta de vinculação das infrações apontadas no Auto de Infração ao item ou itens, quando mais de um, do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, registrese, possui 89 páginas, e que não se consegue com a necessária segurança, vincular os valores consignados na peça básica ao referido termo, dificultandolhe a defesa. Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do T V F a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, d e se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma v e z q u e há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas o s títulos adotados não batem com o s dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos. A dificuldade de se vincular cada parcela do auto ao T V F é manifesta, ainda porque o próprio termo, em alguns casos, não relaciona as parcelas referentes a cada infração. Atribuir a responsabilidade por deficiências do Auto de Infração e do Termo de Verificação à falta de colaboração do contribuinte "data vênia", não procede por dupla razão. Primeiro, porque ele não teve participação na elaboração dessas duas peças que são de autoria exclusiva da fiscalização, e que devem ser claras e precisas; em segundo lugar, porque a má qualidade de uma escrita não significa mávontade ou falta de colaboração da empresa. Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao T V F (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume ou anexo) onde se encontrem essas provas. Diante da dificuldade encontrada pela defesa, realmente não lhe restaria senão defenderse de forma a sucinta, como o fez nos itens 001 a 015, 018, 2 1 , dizendo, que o item não está vinculado a nenhum item do TVF que contém 89 páginas; o valor tributável indicado não corresponde a nenhum ponto do TVF. E ainda que desconhece o significado dos caracteres estranhos (##) utilizados no enquadramento legal dos itens 013, 019, 022, que a. multa de 150% que corresponde a uma infração qualificada, não guarda relação com um evento real de omissão de receita, etc. Em razão desses fatos, a empresa, em seu recurso a este Colegiado requer que se determine o retorno dos autos à origem para que ali sejam saneados os vícios de ordem do processo, reabrindose prazo à defesa, com novo julgamento de primeira instância, salvo se a Câmara, com base no princípio da eventualidade, dê provimento ao recurso (fls. 1362 e 1371). A Constituição Federal assegura no inciso LV do seu art. 5º , o contraditório e a amplitude do direito de defesa do acusado, seja em processo judicial ou administrativo. Deste modo, de nada adianta manter um julgamento de primeiro grau com preterição do direito de defesa, uma vez que inevitavelmente a exigência correspondente será anulada pelo Poder Judiciário, com custas e honorários de Fl. 6519DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.520 23 advogado para a Fazenda Nacional, mais ainda quando, na instância administrativa, se pode devolver à parte a ampla defesa e assegurar a certeza e liquidez do lançamento, como requerido expressamente pela Recorrente. Isto posto, voto no sentido de s e converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: 1 elabore demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação: a) do item correspondente no Termo de Verificação Fiscal; b) das folhas dos Volumes e Anexos d'onde figuram os documentos referentes às parcelas relacionadas. 2 dê ciência a o sujeito passivo desse demonstrativo, fixandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para que se pronuncie a respeito das infrações assim identificadas; 3 preste as informações que julgar necessárias a o perfeito esclarecimento da matéria e à realização da Justiça Fiscal.” (Grifei). Em atendimento à essa Resolução foi elaborado em junho/2004 o relatório da diligência fls. 1562 e seguintes3, composto 42 páginas, nas quais são correlacionadas os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente a infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. Na prática, ao descrever a infração cometida, quando esta ocorreu, especificar a base de cálculo imponível e os documentos caracterizadores da infração cometida, reabrindo o prazo de defesa, temse um novo lançamento, restando patente a insuficiência da descrição 3 numeração digitalizada. Fl. 6520DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.521 24 dos fatos do auto de infração original, não só comprometendo o direito de defesa, assim como maculandoo de eficácia para produzir os efeitos jurídicos previstos no ordenamento jurídico, quais sejam, constituir, de forma válida, o crédito tributário (art. 142, do CTN). Diante desse inconteste vício material, o então Colegiado da 7a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes poderia, já naquela ocasião, anular o lançamento. Contudo, para não suprimir o exame por uma das instâncias, optou por anular apenas a decisão da DRJ, pedindo que esta, por primeiro, analisasse as questões inerentes ao cerceamento do direito de defesa, em relação às quais o referido órgão havia tangenciado. Os fundamentos do acórdão nº 10708.108, (fl. 1645), podem ser sintetizados por meio da seguinte ementa: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE Comprovado nos autos que a fiscalização não vinculara adequadamente as infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração e que a decisão de primeira instância não considerou esse fato, caracterizase o cerceamento do direito constitucional do contraditório e da amplitude do direito de defesa do acusado, com a nulidade do julgado, "ex vi" do disposto no art 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAZENDA RIO BRANCO LTDA ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Do voto condutor da lavra do ilustre conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, destaco os seguintes fundamentos: “(...) A elaboração do demonstrativo em 42 laudas para vincular o Auto de Infração ao Termo de Verificação Fiscal e Documentação demonstra a grande dificuldade que realmente enfrentou o contribuinte que, apesar disso, não pleiteou a nulidade do auto de infração, mas apenas melhor esclarecimento das infrações de que era acusado. Na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa porque auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que sempre poderá fazêla, inclusive para dizer que ele é insubsistente. Desta forma, o cerceamento somente ocorre após a lavratura da peça básica, seja pela repartição preparadora, seja pela autoridade julgadora. E o cerceamento do seu direito de defesa ocorreu no julgamento de sua impugnação, posto que suas alegações de que não tinha condições de defenderse amplamente, sendo forçada a defenderse genericamente, foram simplesmente recusadas pela decisão de primeira instância. (Grifei). Aqui verificase fragrantes equívocos do nobre Relator. Isso porque, a Contribuinte havia sim pleiteado a nulidade do auto de infração desde a peça impugnatória, reforçada no recurso voluntário original, às fls. 1354 a 1362, seja pelo Fl. 6521DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.522 25 vícios do MPF (item 2, fls. 1354), seja pelo cerceamento do direito de defesa (item 3, fl. 1357). Por outro lado, a jurisprudência pacífica neste Conselho é no sentido de que o cerceamento do direito de defesa no auto infração pela insuficiência ou falta da descrição dos fatos, acarreta em descumprimento do disposto no artigo 142 do CTN e no art. 10, inciso IV do PAF (Decreto 70.235/1972), implicando em sua nulidade, por vicio formal ou material, conforme o caso. É certo que as decisões administrativas, tanto em 1a. instância, quanto neste Conselho, não têm o condão de refazer e muito menos aperfeiçoar o auto de infração para indicar a infração cometida; quando esta ocorreu; o montante correspondente a infração (base imponível); e os documentos caracterizadores das infrações. Constatados os vícios no auto de infração original, vícios estes relacionados à indicação da infração cometida; quando esta ocorreu; a base de cálculo imponível e os documentos ou provas materiais das infrações, o procedimento correto seria ter anulado o auto de infração, com lançamento complementar nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em 2004, optouse em manter o auto de infração original inserindo nele elementos para readequar ou permitir a identificação da descrição dos fatos; data da infração; da base de cálculo imponível e indicação das provas. Contudo, tal procedimento só é cabível mediante lançamento complementar e antes do prazo decadencial. Observo que no caso concreto o litígio foi retomado tendo por base o auto de infração original, sendo que seus vícios, detectados no curso do processo administrativo, não foram sanados mediante lavratura de competente auto de infração complementar, nos termos do art.18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse sentido é vasta a jurisprudência do CARF, inclusive da CSRF: “NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO É nula a exigência fiscal constituída através de lançamento que não atenda às normas previstas nos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto nº 70.235/72.” 1º Conselho de Contribuintes / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 10611.055 de 11/11/1999. “VÍCIOS DE NULIDADES Após formalizado o lançamento e instaurada a fase litigiosa com a impugnação tempestivamente apresentada, é defeso a autoridade lançadora rever de ofício o lançamento.” 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.170 em 24.05.2007. Publicado no DOU em: 20.08.2007. “REQUISITOS DO LANÇAMENTO A ausência de enquadramento legal, associada à deficiente descrição dos fatos, autorizam a decretação da nulidade do auto de infração por inobservância dos requisitos básicos para a sua validade, estatuídos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, propiciadores do exercício do amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo e livre formação de convencimento por parte dos julgadores.” CSRF 1ª Turma / ACÓRDÃO CSRF/0104.473 em 14.04.2003. Publicação DOU: 07.03.2005. No que diz respeito à imprecisão na descrição dos fatos, a título de exemplo, observo o item 02 do auto de infração, que trata de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários, tendo por fundamento legal os artigos 195, II, 197 e parágrafo único, 226, 229, do RIR de 1994, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 249, II; art. 251 e parágrafo único; artigos 279, 282, 287 e 288, do RIR de 1999. Em síntese, a matéria correspondente a esta infração diz respeito à presunção de omissão caracterizada por depósito bancário em relação aos quais o contribuinte, Fl. 6522DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.523 26 regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos. Destaca o parágrafo § 1º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e o artigo 287, § 1º, que as receitas serão consideradas auferidas no mês do recebimento. Assim, nas autuações caracterizadas com base na presunção de omissão de receita a autoridade fiscal deve especificar, no termo de verificação fiscal, que o contribuinte foi regularmente intimado e, no referido termo ou em planilha anexa, deve individualizar os depósitos em relação aos quais o contribuinte não logrou comprovar a origem. Nada impede que a totalização, no termo de verificação, seja feita de forma mensal, desde que Termo faça referência à planilha anexa. A especificação de valores totalizados por mês ou anocalendário, sem a correspondente planilha, impede a identificação individualizada do depósito, inviabilizando tanto a devesa quanto o exame por quem deve revisar o lançamento. Ao efetuar o lançamento com base em depósito bancário, ainda que considerando o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano, com base de fato imponível correspondente à soma de todos os depósitos durante o anocalendário, no termo de verificação fiscal, além da demonstração de intimação prévia para comprovar a origem, que no caso concreto se efetivou, deve a autoridade fiscal, ainda que em planilha vinculada ao termo, individualizar os depósitos cuja origem não foi comprovada. Fixadas estas premissas, verifico que no auto de infração, no que diz respeito aos depósitos bancários decorrente de presunção de omissão de receita, encontramse os seguintes lançamentos: De posse dos lançamentos acima referidos procurei identificar a respectiva individualização, quer no Termo de Verificação Fiscal, quer em planilha integrante deste, não localizando, conforme passo a demonstrar nos parágrafos seguintes. À fl. 900, cuja numeração antes de ser digitalizada era 894, encontrase o item V.1.5, identificado pelas expressões "ativo circulante" e, logo em seguida, o subitem V.1.5.1, identificado pela expressão Bancos. Neste item a autoridade fiscal destaca que, dentre outras solicitações, intimou a recorrente para apresentar justificativa da não inclusão na contabilidade da movimentação financeira constantes dos extratos do Banco BIC nos meses de Fl. 6523DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.524 27 dezembro de 1996 e dezembro de 1998. Procedimento semelhante foi realizado em relação à conta do banco Bradesco. nos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1997. Após tais destaques a autoridade fiscal elaborou o quadro existente à fl. 902, que segue transcrito,correspondente aos lançamentos de depósitos bancários de origem não comprovada. "in verbis": Os valores identificados como "débitos" no quadro acima correspondem, no auto de infração, a um lançamento feito a título de depósito bancário. Contudo, não há no Termo de Verificação Fiscal nenhuma planilha por meio da qual pudesse de chegar à individualização dos depósitos que compõem o montante lançado. A previsão legal de que as receitas consideramse auferidas no mês em que se efetivaram os depósitos, não dispensa a autoridade fiscal de, individualizar, no Termo de Verificação Fiscal, os valores considerados omitidos. À fl. 869 e seguintes, ou 863 e seguintes pela numeração não digitalizada, a autoridade fiscal ainda elabora o seguinte quadro: Fl. 6524DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.525 28 Observase que apesar de fazer referência aos meses de setembro e dezembro de 1886, no quadro que cita e que acima foi transcrito, a autoridade fiscal especifica a soma dos valores dos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1997. Procurando buscar alguma correlação fui ao extrato bancário do mês de março de 1997, que segue fotocopiado: Do exame do extrato acima referido, referente ao mês de março de 1997, aqui usado como exemplo, conjugado com o lançamento feito a título de depósito bancário, não é possível se identificar, com algum grau de precisão, de onde advém os valores lançados. Ao meu sentir e no entendimento dos dois votos vencidos da DRJ, a descrição dos fatos, no caso concreto, tanto estava deficiente que, convertido o processo em diligência a autoridade fiscal necessitou de termo composto de 42 laudas para especificar cada infração; quando esta ocorreu; a base imponível e os elementos de prova (documentos). A autoridade fiscal tem a prerrogativa para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, quando a infração ocorreu, a base imponível e as provas que caracterizam a materialidade da infração. Fora destas hipóteses, e o lançamento aqui analisado não se encaixa na exigência descrita, deve a autoridade competente, em procedimento de revisão, cancelar a exigência quanto as infrações contaminadas por tal vício. Fl. 6525DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.526 29 Repito: no caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. Outrossim, cumpre esclarecer que o lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas, tal qual aqui verificado. Reiterese: no caso concreto A anulação parcial do lançamento não contamina as matérias em relação às quais não houve a instauração do litígio e os débitos foram incluídos em parcelamento. Nesse diapasão, a nulidade aqui reconhecida não contempla as matérias em relação às quais não houve continuidade do litigio, tendo o contribuinte requerido a dos débitos em parcelamento, quais sejam: itens 001; 006; 007; 009; 010; 011; 012; 014; 018; 019 e 021 do auto de infração do IRPJ e dos Reflexos. Portanto, a exigência de tais valores permanece incólome. ISSO POSTO, voto no sentido de acolher a alegação de nulidade parcial dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, por vício material, em relação às infrações descritas nos itens 002 a 005; 008; 013; 015 a 017; 020 e 022 do auto de infração. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 6526DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13884.001448/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente ainda outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente ainda outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 14 48 /2 00 9- 31 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 09/11 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas (R$ 20.100,00) deduzidas por ela em sua DIRPF 2006. Com o lançamento, o resultado de sua Declaração de Ajuste naquele Exercício passou de Imposto a Restituir (R$ 1.328,81) para Imposto a Pagar – o qual, acrescido de multa de ofício e juros calculados até a data do lançamento totalizou R$ 7.547,08. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05, por meio da qual requereu o seu cancelamento, diante das robustas provas apresentadas, afirmando ainda que seria descabida a vedação de dedução de suas despesas com profissionais dentistas, já que a lei permitia tais deduções. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa fisica. Incabível a dedução de, despesas médicas ou odontológicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos feitos e dos serviços realizados e que o paciente ou o beneficiário dos serviços tenha sido o contribuinte ou os seus dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto condutor do referido julgado é possível extrair o seguinte trecho, que esclarece a motivação para a manutenção do lançamento: Além dos recibos apresentados o contribuinte traz em sua impugnação orçamentos com a especificação trabalhos a serem desenvolvidos, emitidos pelos pelo Dr. Francisco Rolando Issa e pelo Dr. Leonardo Luiz de Souza. No caso vertente, os recibos apresentados não indicam o endereço dos emitentes, em desacordo com a legislação de regência indicada anteriormente, motivo pelo qual deveria o contribuinte ter apresentado demais elementos de convicção da efetividade do pagamentos, como cópia de cheques compensados ou extratos de conta corrente indicando saques suficientes para tanto. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001448/200931 Acórdão n.º 2102002.356 S2C1T2 Fl. 66 3 0 defendente não apresentou recibos emitidos pelo Dr. Francisco Rolando Issa e apresentou recibos emitidos por Rejane Izabel Issa, que não foram objeto de glosa, tampouco foram informados os valores e prestadora na DIRPF em foco. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 39/42, por meio do qual reiterou os termos de sua Impugnação, acrescentando que por um equívoco fizera constar de sua DIRPF que contratara os serviços do Dr. Francisco Rolando Issa quando na realidade os serviços haviam sido prestados por REJANE IZABEL ISSA, no mesmo montante. Afirmou que, caso este Conselho não determinasse de ofício a alteração de sua Declaração de Ajuste para corrigir tal informação, ela mesma o faria. Alegou que a lei não determina que deva constar do recibo o endereço de seu emitente, razão pela qual o mesmo não poder ser desconsiderado por lhe faltar tal informação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 03.02.2011, como atesta o AR de fls. 36. O Recurso Voluntário foi interposto em 04.03.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pela Recorrente ao longo do anocalendário 2005 por falta de comprovação do efetivo dispêndio. Tais despesas seriam – segundo a Recorrente – comprovadas através de recibos acostados às fls. 20/23, bem como dos orçamentos de fls. 18. A decisão recorrida deixou de acolher tais documentos como comprobatórios das referidas despesas, ao entendimento de que os mesmos não preenchiam os requisitos da lei para tanto, e ainda porque a Recorrente anexara aos autos recibos que foram emitidos por profissional que não constava em sua Declaração de Ajuste. Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, a Recorrente esclareceu que se equivocara ao fazer constar de sua Declaração o nome do profissional Francisco Rolando Issa como beneficiário de um pagamento de R$ 10.100,00, eis que o pagamento fora efetuado em favor de Rejane Izabel Issa, profissional emitente dos recibos anexados aos autos. Acrescentou ainda que não haveria obrigação legal para que constasse o endereço do profissional no recibo emitido para que este pudesse ser utilizado para fins de dedução do IRPF. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Como se vê, é imperioso esclarecer, antes de mais nada, que a lei exige sim que o endereço do profissional emitente conste do recibo emitido. No entanto, tal obrigação pode até ser relevada nos casos em que o contribuinte logra comprovar – de forma contundente – que os serviços foram efetivamente prestados e pagos. Voltando ao caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos os recibos de fls. 20/23, dos quais realmente não constam os endereços dos profissionais emitentes. Caberia então a ela ter produzido outras provas que fossem suficientes a demonstrar que tais despesas foram efetivas. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001448/200931 Acórdão n.º 2102002.356 S2C1T2 Fl. 67 5 Porém, não só esta prova não foi feita, como parte dos recibos acostados sequer foi firmada pelo profissional que constava da Declaração de Ajuste da Recorrente (caso do Dr. Francisco Rolando Issa). Nem se alegue que se trata de mero equívoco ou descuido, pois além de ter feito constar a errônea informação de sua DIRPF, a Recorrente também fez constar o nome do Dr. Francisco ao longo de toda a sua Impugnação, insistindo que os serviços haviam sido por ele prestados – tanto é que o orçamento acostado às fls. 18 foi assinado por ele. Assim é que a despesa com o referido profissional – Francisco Rolando Issa, que foi objeto de glosa – é de ser considerada, de plano, como não comprovada, mantendose a referida glosa. Já no caso do profissional Leonardo Luiz de Souza, a Recorrente trouxe aos autos os recibos e orçamento firmados por ele. No entanto, tais documentos, por si sós, não são hábeis a comprovar o dispêndio pretendido. Antes de mais nada, porque os recibos não preenchem todos os requisitos da lei, mas também porque a Recorrente não logrou trazer qualquer outra prova da efetividade da referida despesa. Pelo fato de todos os seus tratamentos odontológicos aparentemente terem sido pagos em moeda corrente (de forma que o pagamento dos serviços não pode ser comprovado), caberia à Recorrente ter produzido outras provas conclusivas no sentido de que o serviço fora prestado. Não cabe a esta Turma – pela falta de conhecimento técnico para tal – indicar que outros documentos seriam estes; porém, ciente a Recorrente de que seu pleito vem sendo negado desde a época da fiscalização, caberia a ela ter diligenciado perante os profissionais emitente dos recibos para que estes fizessem o que estivesse ao seu alcance no intuito de comprovar que os serviços foram prestados. Tal prova, porém, não foi feita; a Recorrente sequer descreveu, ainda que de maneira simples e leiga, quais teriam sido os serviços prestados por tais profissionais. Além disso, uma análise da DIRPF de fls. 12 e seguintes demonstra que a Recorrente auferiu rendimentos totais de R$ 49.027,81. Assim, as despesas que foram glosadas pela autoridade lançadora correspondem a quase metade de seu rendimento bruto anual. Considerando a natureza destas despesas (com serviços de dentista) – que não são, em princípio, essenciais e sem a comprovação de que as mesmas eram imprescindíveis, não há como acolher a documentação trazida aos autos como suficiente a demonstrar a efetividade destas despesas. Pelos motivos expostos, estão corretas as conclusões tomadas pela autoridade fiscal e também pela decisão recorrida, que devem ser privilegiadas e mantidas. Em outras oportunidades, ao apreciar casos semelhantes, esta Turma julgadora vem assim decidindo, como se depreende do julgado a seguir transcrito, no qual são expostas, de maneira clara e precisa, as razões para a manutenção de lançamentos semelhantes ao que ora se analisa, verbis: DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; ou houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Recurso negado. (Acórdão nº 210201632, julgado em 26.10.2011) Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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