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Numero do processo: 13888.003067/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR competência para a Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização da Resolução
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Mauricio Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR competência para a Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização da Resolução Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Mauricio Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR competência para a Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização da Resolução Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Mauricio Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 03 06 7/ 20 10 -9 0 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13888.003067/201090 Resolução nº 1401000.309 S1C4T1 Fl. 1.225 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte por bem resumir a questão, adoto o relatório da decisão a quo: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), conforme capitulação legal de fl. 19, foi lavrado o auto de infração de fls. 16 e 17, em 04/05/2010, pela AFRFB Fátima Regina Francisco Gomes da Costa, para exigir R$ 447.569,09 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 151.786,76 de juros de mora calculados até 30/04/2010 e R$ 671.353,57 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o credito tributário consolidado de R$ 1.270.709,42. Consoante a descrição dos fatos, de fls. 18 e 19, e o relatório fiscal de fls. 28/34, houve falta de recolhimento do IPI no período indicado na ementa deste acórdão. Foram constatadas discrepâncias entre os valores de receita bruta declarados em DIPJ e DACON (2006: R$ 69.287,06; 2007: R$ 88.219,12) e os valores (faturamentoIPI) escriturados no livro Registro de Saídas (2006: R$ 9.567.427,24; 2007: R$ 10.765.595,80). Tendo a empresa informado a condição de nãocontribuinte do IPI, todavia, foi verificada a escrituração do imposto nos livros Registro de Saídas do estabelecimento matriz e Registro de Apuração do IPI do estabelecimento filial 1, além do que, em notas fiscais de saída emitidas tendo como destinatária a empresa Indústria Metalúrgica Funperlita Ltda. (diligenciada), com copias extraídas e juntadas aos autos (fls. 246/514), houve o destaque de IPI a propósito de vendas de produção própria. 0 imposto devido é discriminado no demonstrativo de fl. 36, em que constam dados mensais extraídos da coluna "observação" nos livros Registro de Entradas e de Saídas do estabelecimento matriz. Por conta da conduta dolosa da contribuinte tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a exclusão das características essenciais, com o fito de evitar o pagamento do imposto (fraude Lei n° 4.502, de 1964, art. 72), foi imposta a multa de oficio majorada de 150% e formulada a imprescindível representação fiscal para fins penais (crime contra a ordem tributaria). Regularmente cientificado da peça acusativa em 12/05/2010 por via postal (cópia do aviso de recebimento à fl. 523), apresentou o sujeito passivo em 07/06/2010 a impugnação de fls. 525/531, subscrita pelo representante legal qualificado na cópia de alteração contratual de fls. 171/238 e instruída com a documentação de fls. 533/567, em que, basicamente, denuncia a existência de erro grosseiro no levantamento dos valores a pagar de IPI de 2006 e 2007 à luz do conteúdo do livro Registro de Apuração do IPI da filial 1, conforme demonstrativo com Fl. 639DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13888.003067/201090 Resolução nº 1401000.309 S1C4T1 Fl. 1.226 3 valores a maior de fls. 527 e 528, e, portanto, o auto de infração deve ser anulado, sendo o direito à ampla defesa e ao contraditório garantidos pela CF/88. art. 5°, XXXIV, e o lançamento (CTN, art. 142) deve demonstrar inequivocamente a base de cálculo, a aliquota e o montante devido; o formalismo exagerado da impugnada relativamente aos documentos apresentados, já em posição privilegiada perante os contribuintes em geral , não pode implicar a cobrança de tributo indevido, com excesso de poderes; comprovadas as operações pela impugnante, portanto, requer que o lançamento seja declarado como a multa incidente. Em face de tais argumentos, por unanimidade de votos, os membros da 2ª Turma de Julgamento julgaram improcedente o lançamento, nos termos do voto condutor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006, 01/09/2006 a 30/09/2006, 01/12/2006 a 31/12/2007 IMPOSTO LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO. É devido o imposto lançado nas notas fiscais de saída, escriturado, não declarado e não recolhido. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. Existente a circunstância qualificativa, traduzida na conduta dolosa de evasão tributária, é cabível a imposição de multa de oficio majorada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão de Primeira Instância a ADRIENGE MERCANTIL E SERVIÇOS LTDA. interpôs Recurso Voluntário. Consta no Despacho2ª TO/3ª Câmara/3ª SEJUL, de 02.05.2011: Trata o presente de auto de infração de IPI lavrado em face da constatação de que a empresa apresentou DIPJ informando que não era contribuinte do IPI e declarando receitas em valores muito inferiores aos apurados com base nos livros fiscais, ensejando a lavratura, também, de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS pelas mesmas razões, controlados no Processo nº 13888.003068/201034. Considerando que a lavratura do auto de infração de IPI foi lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, compete à Primeira Seção de Julgamento deste CARF a apreciação e julgamento do recurso voluntário do contribuinte, nos termos do art. 2º, inciso IV, do RICARF. Em face do exposto, encaminho o processo à 1ª Seção de Julgamento deste CARF para as providências de sua alçada. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13888.003067/201090 Resolução nº 1401000.309 S1C4T1 Fl. 1.227 4 É o Relatório. VOTO Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Trata o presente de Auto de Infração de IPI lavrado em face da constatação de que a empresa apresentou DIPJ informando que não era contribuinte do IPI e declarando receitas em valores muito inferiores aos apurados com base nos livros fiscais, ensejando a lavratura, também, de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS pelas mesmas razões, controlados no Processo nº 13888.003068/201034. Considerando que a lavratura do auto de infração de IPI foi lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, entendeu o ilustre Relator da 3ª Seção por declinar a competência para esta 1ª Seção, nos termos do art. 2º, inciso IV, do RICARF. Ocorre que o referido processo nº 13888.003068/201034 não foi distribuído perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em consulta do sistema Comprot1, verificase que o mesmo foi remetido para a Procuradoria da Fazenda Nacional de Piracicaba/SP: Data Tipo Seq Relação Origem Destino 06/07/2011 Movimentação 0005 10329 SERV CONTR ACOMP TRIBUTARIO DRFPCASP PROCUR SECC FAZ NAC PIRACICABASP 13/09/2010 Movimentação 0004 12218 SERV CONTROLE DO JULGAMENTO DRJRPOSP SERV CONTR ACOMP TRIBUTARIO DRFPCASP 21/06/2010 Movimentação 0003 10279 SERV CONTR ACOMP TRIBUTARIO DRFPCASP SERV CONTROLE DO JULGAMENTO DRJRPOSP 31/05/2010 Movimentação 0002 10138 SERVICO DE FISCALIZACAODRF PCASP SERV CONTR ACOMP TRIBUTARIO DRFPCASP 1 Disponível em:<http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp>. Acesso em: 01 jun.2014. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13888.003067/201090 Resolução nº 1401000.309 S1C4T1 Fl. 1.228 5 04/05/2010 Primeira Distribuição 0001 00000 PROTOCOLO DEL REC FED PIRACICABASP SERVICO DE FISCALIZACAODRF PCASP Dessa forma, na medida em que o fundamento da remessa dos autos para essa 1ª Seção não persiste no presente momento, entendo por devolver a competência do presente feito para a 3ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 642DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 11846.000134/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 6. 00 01 34 /2 01 0- 85 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11846.000134/201085, em face do acórdão nº 0346.934, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 22 a 25, em 14 de junho de 2010, referente ao exercício 2008, anocalendário de 2007, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2008, anocalendário de 2007, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – glosa de dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, ano calendário 2007. Valor: R$ 5.831,28. Motivo da glosa: Falta de comprovação. O contribuinte apresentou documentos onde são informados os recebimentos de 3 parcelas durante o ano calendário 2007 (documentos atualizados até 31/12/2007, 30/11/2007 e 31/12/2007), porém todas as parcelas apresentam imposto de renda no valor de R$ 0,00. Os enquadramentos legais encontramse às fls. 23 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 26, o impugnante foi cientificado da autuação em 29/06/2010. Em 28/07/2010, apresentou impugnação (fls. 02) ao lançamento alegando, em síntese, que: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11846.000134/201085 Acórdão n.º 2202003.350 S2C2T2 Fl. 83 3 conforme ata de audiência referente ao processo 0441995 80110007, que tramita no TRT da 10ª Região, o valor devido a contribuinte foi pago em parcelas, sendo que no ano de 2007 recebeu apenas 3 parcelas no valor total de R$ 3.000,00, conforme faz prova o demonstrativo constante do processo; foi feita retificação dos dados do imposto de renda 2008, conforme CD anexado aos autos, informando os dados reais recebidos pela contribuinte; Ao final, solicita a retificação dos dados da declaração de 2008, para correção dos valores que originaram a presente notificação, e solicita o ressarcimento dos valores pagos indevidamente constante do DARF anexado. Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 53/55, onde são reiterados os argumentos lançados na impugnação, bem como anexou novos documentos (fls. 58/79). É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. No presente caso, verificase que o contribuinte recebeu valores decorrentes de reclamação trabalhista movida pela contribuinte em face do seu exempregador, através de processo autuado sob o nº 044199580110007, com trâmite na Vara do Trabalho de Palmas/TO. Assim, somente o contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2007, de forma acumulada. Assim, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. (assinado digitalmente) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11846.000134/201085 Acórdão n.º 2202003.350 S2C2T2 Fl. 84 5 Martin da Silva Gesto Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.721861/2014-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibo complementado por declaração firmada pelo profissional e exames que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibo complementado por declaração firmada pelo profissional e exames que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 72 18 61 /2 01 4- 77 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11610.721861/201477 Acórdão n.º 2202003.331 S2C2T2 Fl. 68 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 40, complementandoo ao final: Contra o(a) contribuinte acima identificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 04/09, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2012, com lançamento de imposto suplementar no valor de R$ 6.651,61, por ter sido apurada Dedução Indevida de Despesas Médicas no montante de R$ 17.500,00. O(a) autuado(a) foi cientificado(a) do lançamento em 10/03/14 (fls. 21) e apresentou a impugnação em 14/03/14 (fls. 02/03), alegando que as deduções se referem a despesas médicas próprias para implantes dentários, conforme comprovam as chapas de raiox, cartão do dentista, hemograma e recibos. Na realidade a autuação decorre da glosa de apenas dois recibos de tratamento odontológico, conforme se verifica na Notificação: um do Dr. André Luís de Carvalho Rodrigues, no valor de R$ 12.500,00, e outro da Dra. Vanessa Cristina Rodrigues, no valor de R$ 5.000,00. O motivo da glosa foi que os recibos médicos apresentados não preenchiam as formalidades legais. Da mesma forma, ao considerar improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJ motivou seu ato no seguinte: Conforme os autos, da análise dos recibos apresentados pelo contribuinte (fls. 18) concluise que ambos não contém o endereço do emitente e o recibo emitido por Vanessa D. M. Rodrigues não contém a data de emissão, requisitos formais obrigatórios cuja ausência inviabiliza a sua aceitação como prova de dedução. Pelas razões expostas e considerando tudo mais que consta dos autos, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Regularmente cientificado da decisão de 1ª instância em 23 de setembro de 2014 (AR na folha 45), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 30 de setembro de 2014 (protocolo na folha 46). Em sede de recurso, diz que o tratamento efetivamente ocorreu, conforme exames de RaioX que anexa, e que as irregularidades apontadas nos recibos vêm agora sanadas pelos profissionais emitentes, conforme novos recibos que apresenta. PEDE o acolhimento de seu recurso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11610.721861/201477 Acórdão n.º 2202003.331 S2C2T2 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiramente, destaco que no presente caso não houve intimação fiscal para a comprovação do efetivo pagamento ou da efetividade dos serviços prestados, baseada nos ditames do artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR1999. Para a glosa dos recibos, tanto a Autoridade Fiscal autuante quanto o Julgador recorrido apresentaram a mesma motivação, qual seja, a ausência de requisitos formais (endereço e data de emissão) nos documentos. A jurisprudência deste CARF tem se orientado no sentido de que, na ausência de intimação para a apresentação de provas adicionais, são bastantes para a comprovação das despesas os recibos apresentados na forma da lei. Vejamos: Acórdão 2402004.766– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO PARA A DEMANDA DE COMPROVAÇÃO ADICIONAL. Devem ser restabelecidas as despesas médicas amparadas por recibos emitidos pelos prestadores de serviços que preencham os requisitos do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, salvo se demanda fundamentada de comprovação adicional não for atendida. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2101002.647 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Não se tendo intimado o contribuinte para comprovar a efetividade das despesas médicas deduzidas dos rendimentos tributáveis durante o procedimento fiscal, há que se aceitar os recibos de pagamento apresentados. Recurso Voluntário Provido Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, o Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11610.721861/201477 Acórdão n.º 2202003.331 S2C2T2 Fl. 70 4 Em sede de recurso, o contribuinte substitui os recibos originais, da folha 18, por outros dois, das folhas 49/50, onde o Dr. André Luís informa seu endereço e a Dra. Vanessa Cristina informa endereço e data de emissão. Além disso, consta a DIRPF/2013 do Dr. André Luís, onde informa ser domiciliado no mesmo endereço informado, declarações dos dois profissionais com a indicação do endereço e data da emissão do recibo, além de descrição do tratamento e dos exames radiográficos. Assim, complementadas e ratificadas as informações nos recibos e nada mais havendo nos autos que os desabone, VOTO por dar provimento ao recurso, para cancelar a Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10660.003798/2002-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997
DRAWBACK. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
No regime do Drawback Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997
PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
No regime de Drawback-Suspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO
Numero da decisão: 9303-003.465
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento; e
II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime do Drawback Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento; e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 37 98 /2 00 2- 00 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Adotarei o relatório da instância a quo, com as alterações pertinentes. Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto por ambas as partes ao amparo do art. 67, do Anexo II, do então Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 310200.667, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontrase sujeito à. regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo decadencial do inciso I do art. 173 do CTN. DRAWBACK. FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10660.003798/200200 Acórdão n.º 9303003.465 CSRFT3 Fl. 683 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Foi lavrado auto de infração para cobrança de diferenças de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), decorrentes do descumprimento dos compromissos assumidos pela autuada inerentes ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão. A Autuada promoveu a importação, sob o regime de drawback, de tampas semiacabadas para industrialização de latas de alumínio. De acordo com os Atos Concessórios, o Contribuinte deveria beneficiar tais tampas de , alumínio, exportandoas "acabadas", prontas. O lançamento originouse da conclusão da fiscalização de que não teriam sido cumpridos os respectivos Atos Concessórios de drawback. De acordo com a autoridade fiscal, os documentos apresentados pela Autuada não seriam suficientes para demonstrar o consumo de todo o material importado sob o regime especial aduaneiro no processo de produção das latas exportadas. A Autuada apresentou impugnação, na qual argúi, primeiramente, a decadência do direito da Fazenda Pública cobrar os créditos tributários, assim considerando as datas de importação como marcos iniciais do prazo decadencial. No mérito, aduz ser inaplicável o principio da vinculação física. A Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza julgou o lançamento integralmente procedente, por meio de acórdão assim ementado (fls. 413414): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/04/1995 a 02/02/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM ENCERRAMENTO DO REGIME O termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial, no caso do regime DrawbackSuspensão, deverá ser estabelecido de acordo com a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e como tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, da do encerramento do regime, e encerra após 5 anos. Não ocorreu a decadência , do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário se constatado que o regime DrawbackSuspensão encerrou no ano de 2000 e o autuado tomou ciência do lançamento em 16 de agosto de 2002. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 26/04/1995 a 02/02/1996 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS INSUMOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS DE CONTROLE. A ausência de apresentação do Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque, ou de qualquer outro tipo de controle equivalente, de modo a comprovar de que os insumos importados sob a égide do regime Drawback Suspensão foram efetivamente incorporados ao produto objeto de exportação, implica descumprimento do compromisso assumido no respectivo ato concessório, ensejando a exigência dos tributos suspensos, acrescidos dos acréscimos legais devidos. Lançamento procedente. Irresignado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário no qual pede a reforma da decisão regional. Para tanto, repisa os argumentos já expostos na impugnação. O recurso voluntário foi parcialmente provido, nos termos da ementa transcrita acima. Em seu recurso Especial a PGFN se insurge quanto ao acórdão recorrido ter aplicado a fungibilidade dos insumos importados e considerado que a exportação objeto do compromisso do importador no regime drawback foi implementada. Já no recurso da contribuinte a alegação é a mesma dos recursos anteriores e se pleiteia a reforma do acórdão recorrido em relação ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, no caso de operações de regime aduaneiro especial de Drawback, na modalidade suspensão. Ambas as partes apresentaram contrarrazões. É o Relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade legais e regimentais e dele conheço. As matérias trazidas à baila neste contencioso princípio da vinculação física e decadência no bojo do regime especial do Drawback são recorrentes nesta Câmara Superior, e já tive oportunidade de expressar minha visão acerca delas. DA DECADÊNCIA Em virtude de a decadência ser preliminar de mérito, merece ser tratada liminarmente. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10660.003798/200200 Acórdão n.º 9303003.465 CSRFT3 Fl. 684 5 A contribuinte sustenta que no Drawback, modalidade suspensão, o prazo de decadência aplicável é o definido no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, por se tratar de lançamento por homologação. Assim é que deve ser considerado como termo a quo a data do registro da DI, tomada como data de ocorrência do fato gerador. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Responsabilidade 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 712DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 713DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10660.003798/200200 Acórdão n.º 9303003.465 CSRFT3 Fl. 685 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Feita a explanação conceitual, passemos agora a análise detalhada do caso in concreto. Estando claro que devemos aplicar ao caso o art. 173, I do CTN, uma vez que não há pagamento, ainda cabe uma discussão acerca do termo inicial em caso de drawback suspensão. Nos parece lógico que o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao que a fiscalização poderia efetuar o lançamento, já que não houve qualquer tipo de recolhimento, até porque os tributos se encontravam com a exigibilidade suspensa. Ora, o fisco somente pode agir (lançar) trinta dias depois do término do prazo suspensivo. É impossível, juridicamente falando, a autoridade fiscal efetuar um lançamento sem saber se ocorreu o fato gerador, ou seja, o descumprimento do regime. Tal fato fere a lógica jurídica mais elementar. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Pelo texto legal do CTN podese depreender que houve uma condição suspensiva que é a concessão do regime. Ocorre o fato gerador quando se deixa de cumprir o regime, o que somente pode ser aferido após o término do regime. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II – tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I – sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II – sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Notas: teor dos artigos 121 e seguintes do Novo Código Civil Brasileiro, que tratam dessa questão das condições, como se segue: Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III as condições incompreensíveis ou contraditórias. Art. 124. Têmse por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. Art. 125. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10660.003798/200200 Acórdão n.º 9303003.465 CSRFT3 Fl. 686 9 Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extinguese, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boafé. O parecer Cosit nº 53/99, segue a mesma linha: “7.1 De conformidade com os arts. 1º e 23 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, regulamentados pelos arts. 86 e 87, inciso I, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro, o fato gerador do Imposto de Importação (II) é a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, considerandose ocorrido o fato gerador, para efeito de cálculo dos impostos, na data do registro da Declaração de Importação DI. Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com o art. 32, inciso I, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI), o fato gerador ocorre na data do desembaraço aduaneiro da mercadoria. 7.2 Segundo o art. 112 do RA matriz legal: art. 27 do Decretolei nº 37, de 1966 , para fins de pagamento do II, a data do vencimento é a data do registro da DI, sendo que, no caso do IPI, nos termos do art.185, inciso I, do RIPI, o imposto deverá ser recolhido antes da saída do produto da repartição aduaneira que processar o despacho. 7.3 Em cumprimento ao disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento do imposto reportase à data da ocorrência do fato gerador, assim, inadimplido o compromisso de exportação, os acréscimos legais referentes ao II serão calculados a partir da data do registro da DI, e, para o IPI, a contagem de prazo, para fins dos acréscimos legais, terá como termo inicial a data do desembaraço aduaneiro das mercadorias. 7.4 Quanto à contagem do prazo, para efeitos de decadência, observese que o Código Tributário Nacional, arts. 150, § 4º, e 173, fixa o prazo decadencial em cinco anos, e a doutrina, em geral, confirma, para todas as modalidades de lançamento a que esteja sujeito o tributo, variando contudo o termo inicial que se vincula à ciência da Fazenda Pública da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, com exceção da hipótese prevista no inciso II do art. 173 do CTN, o prazo Fl. 716DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 qüinqüenal começará a fluir após o conhecimento, pelo fisco, da prática, pelo sujeito passivo, do fato imponível. 7.5 No drawback, modalidade suspensão, por ser um incentivo fiscal concedido sob condição resolutiva, não adimplido o compromisso de exportação, embora o fato gerador ocorra na data do registro da DI do respectivo despacho aduaneiro, o pagamento do crédito correspondente somente será exigido do beneficiário, após constada a sua inadimplência em relação ao compromisso de exportação assumido.(grifei). No presente caso, andou bem o acórdão recorrido, pois adotou a posição externada supra: Isto posto, verificase que os Atos Concessórios tiveram estes marcos temporais: Ato Concessório n° Cumprimento até 003295/50 31/03/1996 alterado para 26/04/1997 (fl.62) 003295/092 06/07/1996 alterado para 20/08/1997(fl101) 003295/114 23/08/1996 alterado para 18/10/1997(fl182) 003295/149 03/10/1996 alterado para 20/10/1997(fl219) Apenas no primeiro dia útil do ano seguinte ao final do regime, tornouse possível ao Fisco verificar o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial. Assim, o prazo decadencial somente iniciou em 01.01.1998, porquanto nos quatro atos concessórios em exame o prazo final para cumprimento do regime findavase em 1997. 0 prazo final para o lançamento foi, portanto, em 01/01/2003. Considerando que o Contribuinte foi notificado dos lançamentos em 12/08/2002 (fl.2), temse que os lançamentos foram efetivados dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, não havendo, portanto, decadência sobre os respectivos créditos tributários. Desse modo, rejeitase a preliminar de decadência. Pelo exposto, nego provimento ao recuso especial interposto pelo contribuinte, nos termos acima expostos. DA VINCULAÇÃO FÍSICA Quanto ao recurso especial da PGFN, há a evocação do princípio da vinculação física para afastar a fungibilidade dos insumos importados consagrada na decisão recorrida. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10660.003798/200200 Acórdão n.º 9303003.465 CSRFT3 Fl. 687 11 O regime aduaneiro especial de drawback, previsto no art. 78 do DL 37/66 e restabelecido por força do art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.402/1992 foi, inicialmente, regulamentado pelo Decreto nº 68.904, de 12/07/1971, sendo que, atualmente, sua regulamentação consta dos arts. 314 a 319 do Regulamento Aduaneiro. É um estímulo à exportação e consiste na suspensão, isenção ou restituição de tributo incidente no ingresso da mercadoria (matériaprima ou produtos intermediários) utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de produto destinado à exportação. Na modalidade drawbacksuspensão, o importador se compromete a proceder à exportação dentro do prazo que lhe é concedido pelo Ato Concessório (condição resolutória futura). Se ao final deste prazo, a condição é satisfeita a contento, a suspensão da exigência do crédito tributário se transforma em isenção. Contudo, decorrido esse prazo sem que a referida exportação se efetive, o contribuinte deverá liquidar o débito em trinta dias, sendo que este débito corresponde à obrigação tributária nascida por ocasião do fato gerador e constituída através do termo de responsabilidade. O regime de drawback tem a natureza jurídica de um contrato, firmado entre a União e a empresa beneficiária, com direitos e obrigações de ambas as partes, no qual a União concede os benefícios de suspensão, restituição ou isenção de impostos e a beneficiária se compromete a cumprir sua obrigação de exportar, dentro dos limites, condições e termos pactuados. A finalidade deste Regime é propiciar ao exportador nacional condições competitivas em relação aos preços internacionais, desonerandoo dos encargos financeiros que caracterizam as importações comuns, sob a condição de que os produtos importados sejam empregados na industrialização de produtos nacionais a serem exportados. É neste aspecto que o princípio da vinculação física entre produtos importados e produtos a serem exportados revestese de fundamental relevância. No caso do Drawback modalidade Suspensão, como já destacado, os tributos que incidiriam na importação ficam com sua exigibilidade suspensa, sob condição resolutiva do regime, que é a exportação do produto final. Com o adimplemento desta, a suspensão dos tributos se transforma em isenção concreta. Ou seja, na modalidade Suspensão, o benefício é concedido anteriormente à ocorrência de um evento futuro, no caso, a futura exportação, estando intimamente ligado aos compromissos assumidos pela empresa, em conformidade com o projeto elaborado pelo próprio interessado e nos termos do Ato Concessório emitido pela SECEX. A sistemática do DrawbackSuspensão é bem diferente daquela que ocorre na modalidade Isenção, em relação à qual o importador utilizou produtos de importação comum, com o pagamento dos tributos devidos, na fabricação de produtos já exportados. Nesta hipótese, o benefício fiscal visa “compensar” os encargos financeiros anteriormente despendidos, possibilitando ao interessado importar com isenção de tributos a mesma mercadoria (qualidade, quantidade, etc.) para repor seus estoques. Por ser um incentivo à exportação, o controle a ser efetuado em relação ao cumprimento das condições e requisitos envolvidos deve ser mais cuidadoso e abrangente, sem, contudo, tornar impraticável ou impossibilitar o alcance do objetivo maior pretendido. Isto porque, ao se beneficiar determinadas empresas, devese sempre ter a precaução de não se criar uma situação de desigualdade e injustiça com outras empresas do Fl. 718DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão de tributos, em decorrência do Regime Drawback, fossem “desviados” para o mercado interno. No presente caso, houve a concessão do regime, surgindo um vínculo entre o fisco e o beneficiário do regime, pelo qual o primeiro desembaraçou mercadorias com suspensão da exigibilidade dos tributos, sob condição de que o segundo promovesse a sua aplicação em produtos destinados à exportação, no prazo e condições estipulados no ato concessório emitido pelo órgão competente. A condição básica para a obtenção do benefício é que a importadora se comprometa a atingir certas metas de exportação, utilizandose para tanto dos insumos importados sob o regime de Drawback, conforme visto. Não bastasse isso, o atual regulamento aduaneiro, contrariamente ao que assevera o acórdão recorrido, também prevê a total vinculação entre as mercadorias importadas e aquelas a exportar, conforme transcrição do artigo 341 do Decreto 4543/2002: “Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importadas, com os acréscimos legais devidos.” (grifei) Se, no entanto, a importadora descumpre o acordado, desrespeitando quaisquer condições previstas na legislação, perde a característica essencial que lhe confere o benefício previsto no Ato Concessório, devendo sujeitarse ao regime de importação comum. No regime de DrawbackSuspensão, é pressuposto essencial que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados, o que é o princípio da vinculação física citado. A auditoriafiscal aponta no auto de infração (sintetizado no relato da DRJ fls. 415416) as questões fáticas ocorridas: (...) A Inexistência de controle da produção e de estoques para os insumos importados e produtos exportados (fls. 3839). Embora intimada, a contribuinte não apresentou o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, e nem qualquer outro tipo de controle equivalente. B Não enquadramento da operação de exportação drawback no código próprio descumprimento do disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro falta de averbação no documento de exportação (fls. 3940). C Utilização de documentação vinculada à comprovação de outros regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação (fls. 41). O RE 95/0640830001 (fls. 8889) e o RE 97/0268203001 (fls. 261263) apresentados para fins de comprovação dos AC 0032 95/50 e 003295/149, respectivamente, foram vinculados a Fl. 719DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10660.003798/200200 Acórdão n.º 9303003.465 CSRFT3 Fl. 688 13 outros AC; Em relação ao RE 97/0268203001, apesar do contribuinte "declarar sob as penas da lei" (fls.263) que este não foi utilizado para comprovação do AC 003295/114, sendo apenas utilizado para a comprovação do AC 003295/149, esse RE está relacionado nos Anexos de Comprovação de Drawback dos dois AC (fls.200 e 238). D Descumprimento das quantidades pactuadas para a exportação nos atos concessórios (fls. 41). Embora intimada, a empresa não apresentou à fiscalização os laudos técnicos específicos de cada AC;(...) Como se depreende da descrição acima, a interessada praticou atos que indicam a não vinculação entre os produtos exportados e os insumos importados no regime Drawback. Quando da decisão recorrida, a ilustre relatora alicerçou seu voto, dando parcial provimento ao recurso voluntário, na fungibilidade dos insumos importados: (...) Ressaltese, por oportuno, que não é necessária para a comprovação do cumprimento do regime de Drawback a apresentação de Livro de Registro de Estoque ou de Controle da Produção, em face da natureza das mercadorias objeto dos Atos Concessórios em comento. A demonstração cabal de que foram utilizados, inequivocamente, as mesmas peças fisicas importadas a partir da operação de importação prevista no ato concessório de drawback, é dispensável se operacionalizada, a tempo e modo, a operação prevista naquele ato concessório, e uma vez importadas peças fungíveis. (...) No caso em tela, ficou caracterizado que a autuada não pautou suas ações de acordo com o pactuado com a Administração Tributária, e em sendo autuada, no decorrer do processo deixou de apresentar elementos de prova pertinentes, o que faz com que os tributos sejam exigíveis, além de seus acréscimos legais, inclusive penalidades por pagamento fora do prazo legal. Aqui o ônus probante é do beneficiado pela suspensão dos tributos.A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, no caso, o total cumprimento do regime. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o sujeito passivo é que teria interesse em provar o seu direito à fruição do benefício acordado no ato concessório, e não o fez. Assim não há como se decidir pelo cumprimento do regime. Assim, nego provimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte e dou provimento ao da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 721DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10380.732103/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO DA MULTA. PREVISÃO LEGAL.
A multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 será aumentada de metade nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218/91.
MULTA PUNITIVA. LEGALIDADE. ART. 92 DA LEI Nº 8.212/92.
As condutas típicas infracionais tributárias e a cominação das penas correspondentes encontram-se taxativamente previstas na Lei nº 8.212/91, a qual outorgou ao Poder Executivo a competência para a individualização da penalidade aplicável ao Infrator conforme a gravidade da infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. REGISTROS E ARQUIVOS DIGITAIS. FORMA ESTABELECIDA PELA RFB. DESCONFORMIDADE. AIOA CFL 21.
As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sob pena de multa correspondente a meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO VERDADEIRA. AIOA CFL 38.
Constitui infração às disposições inscritas nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir no prazo assinalado, qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE ARQUIVOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. AIOA. ERRO NA SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. VÍCIO MATERIAL.
Se o contribuinte é intimado à apresentar seus arquivos à fiscalização e assim não o faz, havendo previsão legal expressa de aplicação de multa pela não apresentação, esta deve ser a multa aplicada, devendo ser declarado nulo por vício material o auto de infração que, diante desta conduta, aplicada multa relacionada a apresentação de documentos fiscais em formato distinto do solicitado pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para retificar a base de cálculo da competência 11/2011, do estabelecimento CNPJ 70.001.87192/73, mediante a exclusão, tão somente, dos lançamentos em duplicidade das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, de 21/11/2011, retificando o valor lançado nessa competência/estabelecimento de R$ 1.675.407,10 para R$ 837.703,50, o que corresponde à retificação do valor apropriado de R$ 335.081,42 para R$ 167.540,70, e para declarar nulo o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.370-1, por vício material, consistente em erro manifesto na tipificação legal da infração efetivamente cometida pelo Contribuinte. Vencido o Relator exclusivamente por ter entendido haver vício formal na lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.370-1. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará o voto vencedor.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO DA MULTA. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 será aumentada de metade nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218/91. MULTA PUNITIVA. LEGALIDADE. ART. 92 DA LEI Nº 8.212/92. As condutas típicas infracionais tributárias e a cominação das penas correspondentes encontram-se taxativamente previstas na Lei nº 8.212/91, a qual outorgou ao Poder Executivo a competência para a individualização da penalidade aplicável ao Infrator conforme a gravidade da infração. AUTO DE INFRAÇÃO. REGISTROS E ARQUIVOS DIGITAIS. FORMA ESTABELECIDA PELA RFB. DESCONFORMIDADE. AIOA CFL 21. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sob pena de multa correspondente a meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO VERDADEIRA. AIOA CFL 38. Constitui infração às disposições inscritas nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir no prazo assinalado, qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE ARQUIVOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. AIOA. ERRO NA SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. VÍCIO MATERIAL. Se o contribuinte é intimado à apresentar seus arquivos à fiscalização e assim não o faz, havendo previsão legal expressa de aplicação de multa pela não apresentação, esta deve ser a multa aplicada, devendo ser declarado nulo por vício material o auto de infração que, diante desta conduta, aplicada multa relacionada a apresentação de documentos fiscais em formato distinto do solicitado pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para retificar a base de cálculo da competência 11/2011, do estabelecimento CNPJ 70.001.87192/73, mediante a exclusão, tão somente, dos lançamentos em duplicidade das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, de 21/11/2011, retificando o valor lançado nessa competência/estabelecimento de R$ 1.675.407,10 para R$ 837.703,50, o que corresponde à retificação do valor apropriado de R$ 335.081,42 para R$ 167.540,70, e para declarar nulo o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.370-1, por vício material, consistente em erro manifesto na tipificação legal da infração efetivamente cometida pelo Contribuinte. Vencido o Relator exclusivamente por ter entendido haver vício formal na lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.370-1. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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CABIMENTO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO DA MULTA. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 será aumentada de metade nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218/91. MULTA PUNITIVA. LEGALIDADE. ART. 92 DA LEI Nº 8.212/92. As condutas típicas infracionais tributárias e a cominação das penas correspondentes encontramse taxativamente previstas na Lei nº 8.212/91, a qual outorgou ao Poder Executivo a competência para a individualização da penalidade aplicável ao Infrator conforme a gravidade da infração. AUTO DE INFRAÇÃO. REGISTROS E ARQUIVOS DIGITAIS. FORMA ESTABELECIDA PELA RFB. DESCONFORMIDADE. AIOA CFL 21. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sob pena de multa correspondente a meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 21 03 /2 01 2- 19 Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO VERDADEIRA. AIOA CFL 38. Constitui infração às disposições inscritas nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir no prazo assinalado, qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE ARQUIVOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. AIOA. ERRO NA SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. VÍCIO MATERIAL. Se o contribuinte é intimado à apresentar seus arquivos à fiscalização e assim não o faz, havendo previsão legal expressa de aplicação de multa pela não apresentação, esta deve ser a multa aplicada, devendo ser declarado nulo por vício material o auto de infração que, diante desta conduta, aplicada multa relacionada a apresentação de documentos fiscais em formato distinto do solicitado pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para retificar a base de cálculo da competência 11/2011, do estabelecimento CNPJ 70.001.87192/73, mediante a exclusão, tão somente, dos lançamentos em duplicidade das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, de 21/11/2011, retificando o valor lançado nessa competência/estabelecimento de R$ 1.675.407,10 para R$ 837.703,50, o que corresponde à retificação do valor apropriado de R$ 335.081,42 para R$ 167.540,70, e para declarar nulo o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.3701, por vício material, consistente em erro manifesto na tipificação legal da infração efetivamente cometida pelo Contribuinte. Vencido o Relator exclusivamente por ter entendido haver vício formal na lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.3701. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.041 3 Carlos Alexandre Tortato Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 Relatório Período de apuração: 01/11/2007 a 31/03/2012. Data da lavratura dos Autos de Infração: 25/10/2012. Data da Ciência dos Autos de Infração: 31/10/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela DRJ/CGE que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo do crédito tributário aviado nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.032.3715, 51.032.3723 e 51.032.3731, consistentes em contribuições previdenciárias a cargo de segurados obrigatórios do RGPS, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, bem como contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 516/538. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Acessória Debcad nº 51.032.3707, CFL 21, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, e Debcad nº 51.032.3693, CFL 38, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. CFL 21 Deixar a empresa de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei nº 8.218, de 29/08/91, art. 11, parágrafos 3º e 4º, com redação da MP nº 2.158, de 24/08/2001. CFL 38 Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Consta do Relatório Fiscal que a POLY CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA EPP, doravante Poly, protocolizou Declaração e Informações sobre Obra de Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.042 5 Construção Civil – DISO para regularização de obra nova de sua responsabilidade cadastrada no CEI sob nº 70.002.11077/74, referente ao Contrato de nº 190/2009/PROCESSO 09198824 1 – SEDUC, a qual foi cadastrada e encontrase controlada no PAF de nº 10380.731.359/2011 10. Com a mesma finalidade, em 08/11/2011, protocolizou outra DISO cadastrada no PAF nº 10380.731.525/201188 sob CEI nº 70.001.87192/73. Para cumprir o determinado no art. 383 da IN RFB nº 971, de 2009, a POLY juntou às respectivas DISO, dentre outros documentos, a Declaração de Existência de Escrituração Contábil Regular e os Termos de Abertura e de Encerramento em livro manuscrito e autenticado na Junta Comercial sob nº 11/0024915. Informa a Autoridade Lançadora que a Poly foi intimada, mediante TIF, a apresentar dentre outros documentos, os livros contábeis Diário e Razão dos períodos de 2009 a 2010 e a escrituração de 2012, porém, NÃO apresentou nenhum livro ou documento que comprovasse a existência de escrituração contábil formalizada. Ou seja, apesar de o Contribuinte em tela não ser optante pelo Simples Nacional, não se houveram por apresentados nenhum dos livros contábeis do período solicitado, correspondente à execução das obras de construção civil contratadas com a SEDUC, mesmo tendo sido feita declaração de que possuía escrituração contábil formalizada. A Poly foi novamente intimada, mediante TIF a apresentar o LIVRO CONTÁBIL DIÁRIO Nº 06, autenticado na Junta Comercial do Estado do Ceará sob nº 11/0024915, cujos termos de abertura e encerramento estão reproduzidos nos processos administrativos (DISO) nº 10380.731.359/201110 e nº 10380.731.525/201188, as quais foram emitidas para regularização das obras de construção civil e consequente emissão de Certidão Negativa de Débitos – CND (obras cadastradas nos CEI nº 70002.11077/74 e 70001.87192/73). Todavia, o livro fiscal cujos termos de abertura e encerramento foram juntados aos processos das DISO acima citadas NÃO foi apresentado à autoridade administrativa requisitante. Por tais razões, com fundamento no §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, a base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução das obras de construção civil identificadas neste PAF houvese por aferida indiretamente, uma vez que a POLY NÃO apresentou ou NÃO possui Contabilidade escriturada de forma regular para o período de execução das obras em comento. Consta do Relatório Fiscal que a empresa NÃO apresentou arquivo digital da Contabilidade e das folhas de pagamento no formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12/2006 ou arquivos no formato do Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Contábil Digital ECD. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 542/545, 605/625, 702/721, 798/815 e 883/888. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0434.112 4ª Turma DRJ/CGE, a fls. 962/977, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/03/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 986. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário, a fls. 988/1002, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas seguintes alegações: · Nulidade do Lançamento, pela ausência de motivos para apuração da base de cálculo por aferição indireta; · Que houve a alocação, em duplicidade, de alguns documentos fiscais utilizados na apuração da base de cálculo por arbitramento; · Que a auditoria fiscal deixou de considerar os créditos de retenção formados nos estabelecimentos da Recorrente, considerados em conjunto, e a possibilidade de utilizálos para abatimento das contribuições supostamente devidas nos CEI objeto da presente autuação; · Que não é cabível a majoração em 50% da multa aplicada nos AIOP, em razão de a empresa já ter sido penalizada, pelas mesmas razões, mediante o Auto de Infração nº 51.032.3701 CFL 21. · Ilegalidade da multa aplicada mediante o Auto de Infração nº 51.032.369 3 CFL 38, pois a conduta e a penalidade respectiva somente restam expressas em Regulamento, violando o princípio da estrita legalidade; · Que a Recorrente está sendo cobrada em duplicidade por infração de mesma natureza; Ao fim, requer que a reforma integral da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.043 7 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 13/03/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08/04/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE O Recorrente alega a nulidade dos Autos de Infração, em razão de ausência de motivos para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Não procede. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos idealizados pelo Legislador ordinário nos quais o Sujeito Passivo, por força de lei, deve registrar, de forma precisa, a matéria tributável correspondente a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, todavia, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável a partir dos documentos apropriados, o ordenamento jurídico admite o emprego do arbitramento, como procedimento de reconstrução, por aferição indireta, da Base Imponível do tributo exigido. Citese por relevante que no procedimento de apuração da base de cálculo do tributo por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 Em muitas situações, alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringe se, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, contratos de prestação de serviços, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Muita vez, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Em outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. Inexiste regra geral. Cada caso concreto se configura como hipótese distinta cuja solução depende das condições de contorno do evento de per se considerado, bem como dos elementos de investigação de que dispõe o Auditor Fiscal. No caso dos autos, o Recorrente protocolizou Declaração e Informações sobre Obra de Construção Civil – DISO para regularização de obra nova de sua responsabilidade cadastrada no CEI sob nº 70.002.11077/74, referente ao Contrato de nº 190/2009/PROCESSO 091988241 – SEDUC, a qual foi cadastrada e encontrase controlada no PAF de nº 10380.731.359/201110. Com a mesma finalidade, em 08/11/2011, protocolizou outra DISO cadastrada no PAF nº 10380.731.525/201188 sob CEI nº 70.001.87192/73. Ambos os documentos foram firmados pelo representante legal, o sócioadministrador ANTONIO AUGUSTO PINHEIRO DE OLIVEIRA, CPF nº 208.817.38387, e pelo contabilista responsável pela escrituração contábil, ROBERTO LOPES DE SOUZA, CPF nº 278.147.93300. A obra, CEI nº 70.001.87192/73, classificada como alvenaria, nova, comercial salas e lojas, um pavimento e área total de 4.200 m2 , teve início em 25/09/2009, conforme Ordem de Serviço do DER e término em 20/10/2011, conforme Termo de Recebimento Definitivo. No entanto, para este CEI, constam declarações em GFIP do período compreendido entre 10/2009 e 04/2012, o que revela um descompasso entre as informações. Já a obra cadastrada no CEI nº 70.002.11077/74, classificada com alvenaria, nova, comercial salas e lojas, um pavimento e área total não informada na DISO, teve início em 13/11/2009 e término em 20/05/2011. Em GFIP, constam informações de 11/2009 a 02/2012, revelando a mesma divergência apontada na outra obra. Para cumprir o determinado no art. 383 da IN RFB nº 971/2009, a POLY juntou às respectivas DISO, dentre outros documentos, a Declaração de Existência de Escrituração Contábil Regular e os Termos de Abertura e de Encerramento em livro Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.044 9 manuscrito e autenticado na Junta Comercial sob nº 11/0024915. A empresa prestou a declaração, sob as penas da lei, de que possuía escrituração contábil regular formalizada em Livro Diário, durante todo o período de execução da obra e respectivo Livro Razão, observado o lapso temporal de 90 dias da ocorrência dos fatos geradores, conforme disposição normatizada no § 13 do art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Nada obstante, mesmo intimada para apresentar os Livros Diário e Razão dos períodos de 2009 a 2010 e a escrituração de 2012, a Poly NÃO apresentou nenhum livro ou documento que comprovasse a existência de escrituração contábil formalizada. Informa a Autoridade Lançadora que a Poly foi intimada, mediante TIF, a apresentar dentre outros documentos, os livros contábeis Diário e Razão dos períodos de 2009 a 2010 e a escrituração de 2012. Todavia, apesar de o Contribuinte em tela não ser optante pelo Simples Nacional, não se houveram por apresentados nenhum dos livros contábeis do período solicitado, correspondente à execução das obras de construção civil contratadas com a SEDUC, mesmo tendo sido feita declaração de que possuía escrituração contábil formalizada. A Poly foi novamente intimada, mediante TIF a apresentar o LIVRO CONTÁBIL DIÁRIO Nº 06, autenticado na Junta Comercial do Estado do Ceará sob nº 11/0024915, cujos termos de abertura e encerramento estão reproduzidos nos processos administrativos (DISO) nº 10380.731.359/201110 e nº 10380.731.525/201188, as quais foram emitidas para regularização das obras de construção civil e consequente emissão de Certidão Negativa de Débitos – CND (obras cadastradas nos CEI nº 70002.11077/74 e 70001.87192/73). Todavia, o livro fiscal cujos termos de abertura e encerramento foram juntados aos processos das DISO acima citadas NÃO foi apresentado à autoridade administrativa requisitante. Os fatos observados e relatados pela Fiscalização bem demonstram que a POLY não possui escrituração contábil regular e formalizada em livros próprios. Nessa prumada, avulta que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, circunstância que se apresenta como determinante para que a Fiscalização apure, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do §6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001) §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Notese que, de acordo com o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a empresa tem a Obrigação Tributária de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, aqui se incluindo, por óbvio, a remuneração dos trabalhadores a seu serviço, empregados nas obras de construção civil de sua responsabilidade. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.045 11 De acordo com o art. 206 do Código Civil, Os livros fiscais fazem prova em favor da empresa quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Nessa vertente, diante da ausência de escrituração fiscal regular e formalizada pelo sujeito passivo dos fatos geradores de Contribuições Previdenciárias, o §4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 autoriza que o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil possa ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. Deve ser trazido à balha que o Código Tributário Nacional reservou de forma privativa a competência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito tributário, mediante o lançamento, estatuindo expressamente a possibilidade de a respectiva base de cálculo ser apurada mediante aferição indireta sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91 estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Assim, diante da falta de prova regular e formalizada dos salários auferidos pelos seus empregados, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante dos salários pagos por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário, encargo este não adimplido pelo Recorrente. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrituração contábil. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Conforme descrito no item 23 do Relatório Fiscal, “com fundamento no §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, a base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução das obras de construção civil identificadas neste REFISC será aferida indiretamente, uma vez que a POLY NÃO apresentou ou NÃO possui Contabilidade escriturada de forma regular para o período de execução das obras em comento”. No caso dos autos, “O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde a 40% (quarenta por cento) do valor dos SERVIÇOS contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Por sua vez, quando há fornecimento de material para a execução dos serviços contratados, o valor dos SERVIÇOS contido na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo. Por consequência, aplicase para fins de aferição da remuneração da mão deobra utilizada o disposto no art. 450 da IN RFB nº 971, de 2009. Dessa forma, a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias será obtida da seguinte forma: primeiro, o valor dos serviços contidos nas NFS será obtido aplicandose o percentual de 50% sobre o valor total desses documentos. Segundo, do Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.046 13 resultado apurado (SERVIÇOS) será aplicado o percentual de 40% obtendose o valor da remuneração aferida indiretamente (BASE DE CÁLCULO). Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência da emissão das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços. No Anexo I do Relatório Fiscal constam relacionados os documentos fiscais emitidos pela POLY relativamente às obras de construção civil executadas. O cálculo das contribuições previdenciárias incidirá sobre a base de cálculo resultante da multiplicação do percentual de 20% (40% de 50% da NFS) sobre os totais das notas fiscais relacionadas nesse Anexo”. Presentes, portanto, todos os pressupostos motivadores da apuração por aferição indireta das bases de cálculo das Contribuições Previdenciárias objeto do vertente lançamento, razão pela qual rejeitamos a preliminar de Nulidade dos Autos de Infração suscitada pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA ALEGADA DUPLICIDADE Alega o Recorrente que houve a alocação, em duplicidade, de alguns documentos fiscais utilizados na apuração da base de cálculo por arbitramento. Parece ter razão o Recorrente. Com efeito, compulsando o anexo do Relatório Fiscal a fl. 72 percebemos que os lançamentos das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66 encontramse lançados em duplicidade, eis que ostentam a mesma data de emissão, 21/11/2011, os mesmos valores e correspondem à mesma obra, deferindo, tão somente, na referência à medição, final ou 24ª, na impedindo que a 24ª medição tenha sido a última. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 Observando a numeração sequencial das notas fiscais e comparando com a data de emissão, verificamos que a primeira aparição das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, de 21/11/2011, estão inseridas de maneira intercalada dentre as notas fiscais emitidas entre 30/03/2010 e 23/04/2010, o que vislumbra a existência de possível erro. Compulsando ainda o conjunto de notas fiscais acostado pela Fiscalização a fls. 168/211, verificamos a existência de uma única nota fiscal de nos 63, 64, 65 e 66. Corrobora tal entendimento a cópia da pagina 132 de 356 do livro razão, a fl. 1004, em que se procedeu aos lançamentos contábeis mediante registros em ordem cronológica crescente, que na data de 21/11/2011 ocorreu apenas um único lançamento das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, nos exatos valores expostos no anexo a fl. 72, contingência que é bastante indicativa da ocorrência de duplicidade na apuração da base de cálculo. Por tais razões, acatamos a alegação do Recorrente para retificar a base de cálculo da competência 11/2011, do estabelecimento CNPJ 70.001.87192/73, para excluir tão somente o lançamento em duplicidade das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, de 21/11/2011, retificando o valor lançado nessa competência de R$ 1.675.407,10 para R$ 837.703,50, o que corresponde à retificação do valor apropriado de R$ 335.081,42 para R$ 167.540,70 , conforme relatório de lançamentos – RL, a fl. 55. 3.2. DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO O Recorrente alega que a auditoria fiscal deixou de considerar os créditos de retenção formados nos estabelecimentos da Recorrente, considerados em conjunto, e a possibilidade de utilizálos para abatimento das contribuições supostamente devidas nos CEI objeto da presente autuação. Compulsando o conjunto de notas fiscais acostado pela Fiscalização a fls. 168/211, verificamos que nestes documentos não se houveram por realizados qualquer destaque de retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. De outro canto, do exame dos relatórios intitulados RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, a fls. 09/15, 27/33, 45/51 e 60/68, os quais registram os recolhimentos efetuados pelo Recorrente constantes no banco da Receita Federal do Brasil e apropriados pela Autoridade Lançadora, constatase a inexistência de qualquer recolhimento de Contribuições Previdenciárias sob o código 2631, específico para a retenção de 11% ora em trato. Por outro lado, o Órgão Julgador de 1ª Instância já havia rechaçado a pretensão do Impugnante pelas mesmas razões ora apresentadas, destacando a DRJ/CGE que o Impugnante não trazido aos autos as provas de suas alegações, não havendo como acolher os argumentos de sua impugnação. Nessa perspectiva, mesmo ciente de que sua pretensão não havia sido deferida pela carência de comprovação do direito alegado, o Recorrente permaneceu inerte, não fazendo acostar aos autos as provas reveladoras da efetiva ocorrência de recolhimentos a título de retenção de 11 de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.047 15 Por tais razões, não merece reparo a Decisão de 1ª Instância. 3.3. DO AUTO DE INFRAÇÃO nº 51.032.3701 CFL 21 Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à tipicidade da infração cometida pela Autuada. Consta no Relatório Fiscal que a empresa foi autuada, mediante o Auto de Infração nº 51.032.3701 CFL 21, pela NÃO apresentação dos arquivos no formato do MANAD relativos a escrituração contábil do período de 2011 e pela não apresentação dos arquivos das folhas de pagamento de todo o período fiscalizado, com fundamento legal no art. 11, §§ 1º, 3º e 4º, da Lei n° 8.218/91, c.c. art. 8º da Lei nº 10.666/2003. Consta também no item 4, in fine, do Relatório Fiscal, a fl. 518, que “A empresa NÃO apresentou arquivo digital da Contabilidade e das folhas de pagamento no formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 2006 ou arquivos no formato do Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Contábil Digital – ECD”. Mais adiante, resta consignado no item 13 do Relatório Fiscal a fl. 520 que “apesar de intimada para apresentar esses arquivos, assim como os da Contabilidade, na forma regulamentada nos atos normativos supramencionados, não apresentou nenhum arquivo digital no formato do MANAD e tampouco no formato do SPED ou em qualquer outro formato. Por consequência, infringiu o art. Art. 11, §§ 1º, 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 1991, e art. 8º da Lei nº 10.666, de 2003”. Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) §1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) §2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835/2001) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 §4º Os atos a que se refere o §3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835/2001) Em consequência de infração à Obrigação Tributária Acessória prevista no art. 11 da Lei nº 8.218/91, o Infrator pode ser autuado de três maneiras distintas, em função do tipo de infração cometida, conforme especificado nos incisos I, II ou III do art. 12 do mesmo Diploma Legal, consoante se vos segue: Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) Aplicase o Inciso I, correspondente ao CFL 21, àqueles que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos digitais. CFL 21 Deixar a empresa de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei nº 8.218, de 29/08/91, art. 11, parágrafos 3º e 4º, com redação da MP nº 2.158, de 24/08/2001. Em outras palavras: Aplicase o Auto de Infração CFL 21 para os casos em que os arquivos digitais solicitados foram efetivamente entregues à Fiscalização, contudo, a forma com que foram elaborados tais arquivos digitais não condiz com a forma exigida pela Legislação Tributária, no caso, o padrão MANAD. O vício aqui referese à forma dos arquivos. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.048 17 Aplicase o Inciso II, correspondente ao CFL 22, àqueles que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas. CFL 22 Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção. Em outras palavras: Aplicase o Auto de Infração CFL 22 para os casos em que os arquivos digitais solicitados foram efetivamente entregues à Fiscalização, na forma exigida pela Legislação Tributária, contudo, o conteúdo de tais arquivos digitais apresenta incorreções ou omissões. O vício aqui referese ao conteúdo substancial dos arquivos. Aplicase o Inciso III, correspondente ao CFL 23, àqueles que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. CFL 23 Deixar a empresa de cumprir o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei nº 8.218, de 29/08/91, art. 11, parágrafos 3º e 4º, com redação da MP nº 2.158, de 24/08/2001. Em outras palavras: Aplicase o Auto de Infração CFL 23 para os casos em que os arquivos digitais e os sistemas solicitados não foram efetivamente entregues à Fiscalização, no prazo por ela estabelecido. O vício aqui não se refere nem à forma, tampouco ao conteúdo substancial dos arquivos, mas, precisamente, à própria não apresentação dos arquivos. Conforme já salientado anteriormente, a empresa foi autuada, mediante o Auto de Infração nº 51.032.3701 CFL 21, pela não apresentação dos arquivos no formato do MANAD relativos a escrituração contábil do período de 2011 e pela não apresentação dos arquivos das folhas de pagamento de todo o período fiscalizado. Ou seja, pressupõese que a empresa apresentou os arquivos digitais solicitados, porém estes não estavam estruturados no padrão MANAD. Ocorre, todavia, que do que consta consignado no item 13 do Relatório Fiscal a fl. 520, extraise que a empresa não apresentou arquivo digital algum. “13. No entanto, apesar de intimada para apresentar esses arquivos, assim como os da Contabilidade, na forma regulamentada nos atos normativos supramencionados, não apresentou nenhum arquivo digital no formato do MANAD e tampouco no formato do SPED ou em qualquer outro formato. Por consequência, infringiu o art. Art. 11, §§ 1º, 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 1991, e art. 8º da Lei nº 10.666, de 2003”. (grifos nossos) Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 Não houve, portanto, vício de forma dos arquivos a justificar a inflição do Auto de Infração CFL 21, mas a própria não apresentação dos arquivos digitais solicitados, infração essa que se subsume à hipótese inscrita no inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218/91, à qual corresponde o Auto de Infração CFL 23. Merece ser destacado que a infração à obrigação acessória estabelecida no art. 11 da Lei nº 8.218/91 efetivamente ocorreu, haja vista que a empresa deixou de apresentar, no prazo estabelecido pela Fiscalização, os arquivos digitais a que fora intimada. Todavia, a tipificação expressa no Auto de Infração aplicado (CFL 21) não corresponde à infração tributária realmente cometida, encartada no inciso III do art. 12 da Lei nº 8.212/91, à qual corresponde o Auto de Infração CFL 23. O Auto de Infração nº 51.032.3701 encontrase contaminado, ao meu sentir, não de um vicio material, eis que a infração efetivamente existiu, a materialidade da conduta infracional encontrase perfeitamente descrita nos autos, da mesma forma que a autoria da conduta, bem como as circunstâncias materiais conformadoras da infração tributária cometida. Houve, contudo, um vício na formalização do Auto de Infração, que tipificou a infração efetivamente constatada no Código de Fundamentação Legal 21, quando o correto seria o Código de Fundamentação Legal 23, fato que prejudicou o direito de defesa do Autuado. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário ao lançamento de tributos em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. A situação fática retratada no presente caso, consistente na tipificação equivocada, pela Fiscalização, da infração perpetrada pelo Contribuinte, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Auto de Infração nº 51.032.3701, por vício formal, consistente em erro manifesto na tipificação legal da infração efetivamente cometida pelo Contribuinte. 3.4. DA MAJORAÇÃO DA PENALIDADE Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.049 19 O Recorrente alega que não é cabível a majoração em 50% da multa aplicada nos AIOP, em razão de a empresa já ter sido penalizada, pelas mesmas razões, mediante o Auto de Infração nº 51.032.3701 CFL 21. Deixamos de conhecer da alegação de duplicidade de penalidade em razão da perda do objeto, haja vista que o Auto de Infração nº 51.032.3701 CFL 21 foi declarado nulo por vício na tipificação legal. Quanto à majoração da multa de ofício, consta no Relatório Fiscal que a POLY utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar a folha de pagamento, assim como para gerar as respectivas GFIP. Da mesma forma, a empresa apresentou cópia do Balanço Patrimonial por ocasião da regularização das obras de construção civil cadastradas nos CEI supramencionados, demonstrando usar sistema eletrônico de registro de suas operações e prestações. No entanto, apesar de formalmente intimada a apresentar esses arquivos, assim como os da Contabilidade, na forma regulamentada nos atos normativos de regência, a Autuada não apresentou nenhum arquivo digital no formato do MANAD e tampouco no formato do SPED ou em qualquer outro formato, infringindo, assim, Obrigação Tributária Acessória assentada no art. Art. 11, §§ 1º, 3º e 4º da Lei n° 8.218/91. Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) §1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) §2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001) §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835/2001) §4º Os atos a que se refere o §3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835/2001) Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 Nessa esteira, conforme assinalado no Relatório Fiscal, em razão da constituição do crédito previdenciário da obrigação principal mediante lançamento de ofício houvese por aplicada a multa de ofício de 75% prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Em tal contexto, em decorrência do não atendimento da intimação para prestar esclarecimentos e apresentar arquivos ou sistemas digitais, a multa foi agravada em 50%, conforme estabelecido pelo §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) (grifos nossos) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) (grifos nossos) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (...) Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.050 21 Deflui da dicção do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 que, nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91, a inflição do agravamento da multa em 50% é mandatória, não facultativa, não estando condicionada, igualmente, a nenhum outro requisito ou situação, mas, tão somente, ao mero não atendimento da intimação acima mencionada. As circunstâncias motivadoras da majoração da multa de ofício, consistentes no não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91, encontramse plenamente descritas no bojo do Relatório Fiscal, não havendo o Autuado demonstrado qualquer fato novo ou produzido prova com aptidão de afastar tal imputação. Mostrase improcedente, portanto, o inconformismo do Recorrente. 3.5. DO AUTO DE INFRAÇÃO nº 51.032.3693 CFL 38 O Recorrente advoga a ilegalidade da multa aplicada mediante o Auto de Infração nº 51.032.3693 CFL 38, pois a conduta e a penalidade respectiva somente restam expressas em Regulamento, violando o princípio da estrita legalidade. Não é bem assim. Os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 estatuem taxativamente que a empresa é obrigada a exibir à Fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, sendo certo que a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, autoriza a Secretaria da Receita Federal do Brasil a lançar de ofício a importância devida, pode, sem prejuízo da inflição da penalidade cabível ao caso. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 22 §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) A violação à obrigação tributária acessória assentada no citado §2º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 é apenada com a multa cominada no art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713/2001) §1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fácil é perceber que tanto a obrigação tributária acessória quanto a penalidade pecuniária cominada à infração da obrigação tributária em realce encontramse plenamente previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. No que pertine à aplicação de penalidades, a CF/88 incorporou ao Ordenamento Jurídico o Princípio da Individualização da Pena, o qual determina tratamento diverso a infratores que se encontram em situações distintas. Cuidase, com efeito, de tratar os desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades, objetivandose a efetiva Justiça. No Direito Penal, o processo de individualização da pena desenvolvese em três momentos que se interligam e se complementam. O primeiro momento é o legislativo, em que o legislador ordinário, ao eleger uma conduta como típica, ou seja, contrária ao Ordenamento Jurídico, deve observar a gravidade da infração, de modo a estabelecer a pena abstrata, cominando os patamares mínimo e máximo da sanção aplicável. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.051 23 Segundo Rogério Greco (in Direito Penal: Lições, 2ª edição, Rio de Janeiro, Impetus, 2000, p. 71), “É a fase que cabe ao legislador, dentro de um critério político, de valorar os bens que estão sendo objeto de proteção pelo Direito Penal, individualizando a pena de cada infração penal de acordo com a sua importância e gravidade”. Como exemplo meramente ilustrativo, tomemos o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária tipificado no art. 337A do Código Penal. Decretolei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940. – Código Penal Sonegação de contribuição previdenciária (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 24 A pena aplicada à conduta típica – reclusão de 02 a 05 anos – encontrase cominada expressamente na lei, mas ainda não se encontra individualizada. O segundo momento é o da individualização judiciária: “ ...tendo presente as nuanças da espécie concreta e uma variedade de fatores que são especificamente previstos na lei penal, o juiz vai fixar qual das penas é aplicável, se previstas alternativamente, e acertar seu quantitativo entre o máximo e o mínimo fixado para cada tipo realizado, e inclusive determinar o modo de sua execução”. (Luisi, Luiz, Os Princípios Constitucionais Penais, Porto Alegre, Editora Sérgio Antonio Fabris, 1997, p. 37): No Direito Penal, o poder discricionário de aplicar a pena é confiado ao juiz pelo ordenamento jurídico, conforme leciona Luiz Regis Prado: “a individualização judiciária da sanção implica significativa margem de discricionariedade, que deverá ser balizada pelos critérios consignados no artigo 59 do Código Penal e pelos princípios penais de garantia. Tratase, pois, de discricionariedade juridicamente vinculada”. (Prado, Luiz Regis. Elementos de Direito Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 118). A terceira etapa na fixação da pena diz respeito às causas de aumento (majorantes) e de diminuição (minorantes) da pena, nos termos préfixados na Lei. No Direito Tributário não é diferente. A conduta infracional tributária e a cominação de pena correspondente encontramse taxativamente previstas na lei, conforme acima demonstrado. Todavia, as segunda e terceira etapas da fixação da penalidade houveramse por confiadas, pelo Ordenamento Jurídico, não ao Poder Judiciário, como sói ocorrer no Direito Penal, mas, sim, ao Poder Executivo que, mediante o Regulamento da Previdência Social, procedeu à individualização, para cada infração tributária cometida, em função de sua gravidade, da penalidade pecuniária a ser aplicada ao infrator, sempre dentro da cominação estatuída na lei, bem como os reflexos das circunstâncias agravantes e atenuantes presentes em cada caso concreto. Notese que, nos termos do art. 97, V, do CTN, apenas a atividade de cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a dispositivos legais, ou para outras infrações definidas em lei, constituise matéria de reserva legal. A individualização da pena, não. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.052 25 §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para retificar a base de cálculo da competência 11/2011, do estabelecimento CNPJ 70.001.87192/73, mediante a exclusão, tão somente, dos lançamentos em duplicidade das notas fiscais nº 63, 64, 65 e 66, de 21/11/2011, retificando o valor lançado nessa competência/estabelecimento de R$ 1.675.407,10 para R$ 837.703,50, o que corresponde à retificação do valor apropriado de R$ 335.081,42 para R$ 167.540,70, e para declarar nulo o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.032.3701, por vício formal, consistente em erro manifesto na tipificação legal da infração efetivamente cometida pelo Contribuinte. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 26 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Divirjo do Ilustre Relator somente quanto à conclusão da nulidade do Auto de Infração nº. 51.032.3701, para declarála de natureza material e não como vício formal apontado pelo nobre conselheiro em seu voto. Destaco o excerto do voto do Relator que define exatamente a controvérsia do referido Auto de Infração: Merece ser destacado que a infração à obrigação acessória estabelecida no art. 11 da Lei nº 8.218/91 efetivamente ocorreu, haja vista que a empresa deixou de apresentar, no prazo estabelecido pela Fiscalização, os arquivos digitais a que fora intimada. Todavia, a tipificação expressa no Auto de Infração aplicado (CFL 21) não corresponde à infração tributária realmente cometida, encartada no inciso III do art. 12 da Lei nº 8.212/91, à qual corresponde o Auto de Infração CFL 23. O ponto de divergência da tese vencedora pela maioria dos conselheiros presentes nesta sessão de julgamento é a de que o erro do Auditor Fiscal na tipificação legal da conduta do contribuinte, ora recorrente, que enseja a lavratura de auto de infração é um nítido vício de natureza material. O art. 142 do CTN estabelece: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ora, ao conjugar a "ocorrência do fato gerador" com a "aplicação da penalidade cabível", o AFRFB cometeu um equívoco ao apresentar o fundamento legal de uma conduta não realizada pelo ora recorrente. Tratase de requisito intrínseco e indispensável ao lançamento, o qual não fora corretamente observado pela autoridade lançadora e, assim, fulmina o lançamento de nulidade material, posto que se refere exatamente ao lançamento do crédito tributário e não a meros requisitos formais do lançamento. A subsunção do fato à norma é essencial para a validade do lançamento, sendo a pedra fundamental deste, ao passo que o lançamento deve se ater, exclusivamente, à conduta do contribuinte: se deixou de apresentar documento, deve ser aplicada a multa relacionada à falta de apresentação; se apresentou os documentos solicitados sem o cumprimento dos requisitos mínimos de validade, deve ser aplicada a multa para apresentação defeituoso de documentos. Ou seja, se a conduta especificada pelo AFRFB tem dispositivo legal expresso que a tipifique como infração, este deve ser o dispositivo aplicado, e não outro, ainda que parecido, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.732103/201219 Acórdão n.º 2401004.175 S2C4T1 Fl. 1.053 27 E este enquadramento do fato à norma não pode ser considerado como vício de forma, posto que não é passível de ser sanado dentro do mesmo processo administrativo fiscal. Não cabe à autoridade fiscal, tampouco aos julgadores administrativos, corrigir os lançamentos que incorreram em erro na tipificação. As hipóteses de revisão do lançamento de ofício estão expressamente previstas no art. 149 do CTN e, em nenhum dos seus incisos, verificase a correção da tipificação legal indicada pela autoridade fiscal no ato de lançamento. Por essas razões, embora concordando com o relator quanto à nulidade do lançamento, divirjo quanto à natureza desta para o fim de declarála como vício material, nos termos das razões expostas. Carlos Alexandre Tortato, Redator Designado. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 10850.003028/2003-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/09/1993 a 31/10/1998
ISENÇÃO. SOCIEDADE MERCANTIL.
A isenção prevista no inciso II do art. 62 da Lei Complementar n2
70/91 não alcança as sociedades mercantis exclusivamente
vendedores de serviços, devidamente registradas na junta
comercial.
TRIBUTAÇÃO DAS SOCIEDADES CIVIS.
Não há decisão do STF negando vigência ao art. 56 da Lei n2
9.430, de 1996. Conseqüentemente, não há que se cogitar em
pagamento indevido de Cofins feito com base neste dispositivo
legal.
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
À Cofins aplica-se, subsidiariamente, a legislação do Imposto de
Renda, inclusive quanto à repetição de indébito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.948
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Walber José Da Silva.
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SOCIEDADE MERCANTIL. A isenção prevista no inciso II do art. 62 da Lei Complementar n2 70/91 não alcança as sociedades mercantis exclusivamente vendedores de serviços, devidamente registradas na junta comercial. TRIBUTAÇÃO DAS SOCIEDADES CIVIS. _ Não há decisão do STF negando vigência ao art. 56 da Lei n2 9.430, de 1996. Conseqüentemente, não há que se cogitar em pagamento indevido de Cofins feito com base neste dispositivo legal. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. À Cofins aplica-se, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda, inclusive quanto à repetição de indébito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 440 0)7 \. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• CONFERE COMO On.c3INAL Processo n.° 10850.00302812003-01 Brasília, a.. y o CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.948 Fls. 121 Shbo S.) eosa Mai:Lace 91745 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. QMOZOU:a1 itik(0.-6011~• SE I A MARIA COELHO MARQUES Presidente WALBE OSÉ DA SI VA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Antônio Ricardo Accioly Campos e Gileno Gurjão Barreto. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10850.003028/2003-01 CONFERE COMO OF1IC:ML CCO2/C01 Acórdão n.°201-80.948 ezy o/ i7,90A) Fls. 122 Sii,do 'ata Mat . Sapo 91745 Relatório No dia 04/11/2003 a empresa DECAERO DE CARLI AEROAGRICOLA LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de restituição de Cofins, relativa a pagamentos efetuados no período de 20/10/1993 a 10/11/1998, alegando que a Lei Complementar n2 70/91, em seu art. 6, inciso II, isentou, expressamente, da Cofins as sociedades civis de que trata o art. 1 do Decreto-Lei ri' 2.397/87, sem exigir qualquer outra condição, senão as decorrentes da natureza jurídica das mencionadas entidades, tendo direito, a recorrente, de buscar o que recolheu indevidamente de Cotins, bem como pleitear a isenção consagrada na Lei Complementar ri2 70/91. Junto com o pedido de restituição vieram as Declarações de Compensação de fls. 01 e 02. A DRF em São José do Rio Preto - SP indeferiu o pedido de restituição da recorrente e não homologou as compensações, alegando que: - 1 - a isenção prevista no inciso II do art. 62 da Lei Complementar n' 70/91 somente se estende à sociedade civil quando esta se obriga a apurar o tributo na forma do Decreto-Lei nQ 2.397, de 1987. A interessada optou pelo Lucro Presumido no período compreendido de 1993 a 1998 (fl. 46); 2 - a empresa não se enquadra como sociedade civil de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, e registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídica. A empresa é registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo - Jucesp e sua atividade é a de "Serviços de Pulverização da Lavoura"; e 3 - os pagamentos de Cofins objeto de pedido de restituição ocorreram no período de 01/10/1993 a 10/08/1998 e o pedido foi apresentado no dia 04/11/2003, quando já se encontrava extinto o direito de pleitear a restituição, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, e Ato Declaratório SRF ri9 096/96.• Ciente da deCisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 85/89, cujas alegações estão resumidas no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1g Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão DRERPO n2 11.734, de 27/03/2006, cuja ementa abaixo transcrevo: "Ementa: COMPETÊNCIA DO DELEGADO - DECADÊNCIA - SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA - LUCRO PRESUMIDO - ISENÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE. É competente, consoante o Regimento Interno da SRF, o Delegado- Substituto para decidir acerca de pedidos de restituição/compensação, cabendo à DRJ apreciar eventual manifestação de inconformidade. Só tem direito à isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar 70191 as sociedades civis de prestação de serviços de •profissão legalmente regulamentada, devendo as sociedades ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10850.003028/2003-01 BrasHia. ,Q sÍt, tabo--:-I ate. CO32/C01Acórdão n.°201-80.948 Fls. 123 Mal: Sapo 9174$ comerciais recolher a exaçao como os demais contribuintes. A opção pelo lucro presumido afasta a aplicação do art. 6°, II, da LC 70/91. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. A isenção foi revogada pelo art. 56 da Lei n°9.430/96 Solicitação Indeferida". A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 12/05/2006, conforme AR de fl. 101, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 22/05/2006, o recurso voluntário de fls. 103/115, no qual alega que: 1 - o alheamento da decisão em relação aos fundamentos da defesa é patente e não deixa dúvidas quanto à nulidade da decisão monocrática, ora recorrida; 2 - possui o direito pleiteado, "pois o que está pacificado a respeito das empresas prestadoras de serviço é que, através do principio da hierarquia das leis, em seu art.- 56 da Lei n° 9.430/96 e art. 69, inciso II, da LC n9 70/90, onde se pleiteia a sua isenção, outorgada pelo art. 69 da LC n9 70/91, que não foi revogada pela Lei ir s2 9.430/96, pois Lei ordinária não tem força para revogar dispositivo de lei complementar". Cita jurisprudência do STJ; 3 - é líquido e certo o crédito pretendido e que inexiste dispositivo legal estabelecendo a decadência para haver contribuição paga indevidamente. A restituição pretendida não é de tributo e não está sujeita às normas pertinentes de Direito Tributário. Fixar prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição equivale, indiretamente, a cassar o próprio direito de crédito; e 4 - é inconstitucional o Ato Declaratório SRF n9 096/96 que inovou, a favor da Fazenda Pública, a prescrição qüinqüenal. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 20/11/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 119. É o Relatório. • ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTRINAbab Processo n.° 10850.003028/2003-01 CONFERE COM O ORIGINAI. CCO2/CO Acórdão n.° 201-80.948 sen nua • Fls 124 Uno 3r., :aça IML $i34* 91145 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. A recorrente está pleiteando a restituição do que pagou a título de Cotins no período de 01/10/1993 a 10/08/1998, alegando que tem direito a isenção prevista no inciso II do art. C da Lei Complementar rf 70/91. A DRF em São José do Rio Preto - SP indeferiu o pleito da interessada, alegando, em apertada síntese, que a mesma não é sociedade civil de profissão regulamentada, está registrada na Jucesp, não está registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídica, presta - -"serviço de pulverização da lavoura' _ e tributa seus resultados pelo Lucro Presumido, não fazendo jus à isenção do inciso 11 do art. 6° da Lei Complementar tf 70/91. Alega, ainda, a DRF em São José do Rio Preto - SP que o pedido de restituição - - foi apresentado depois de expirado o prazo previsto no art. 168, inciso I, do CTN, e no AD- SRF ri2 096/96. A empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ em Ribeirão Preto - SP, que a indeferiu. Não se conformando com a decisão de primeiro grau, a empresa ingressou com recurso voluntário, alegando, em apertada síntese, que: 1 - o alheamento da decisão em relação aos fundamentos da defesa é patente e não deixa dúvidas quanto à nulidade da decisão monocrática, ora recorrida; 2 - possui o direito pleiteado porque, pelo principio da hierarquia das leis, a Lei if 9.430/96 (lei ordinária) não pode revogar a isenção concedida pela Lei Complementar ri2 70/91. Cita jurisprudência do STJ; 3 - inexiste dispositivo legal estabelecendo a decadência para haver contribuição paga indevidamente. A restituição pretendida não é de tributo e não está sujeita às normas pertinentes de Direito Tributário. Fixar prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição equivale, indiretamente, a cassar o próprio direito de crédito; e 4 - é inconstitucional o Ato Declaratório SRF n Q 096/96 que inovou, a favor da Fazenda Pública, a prescrição qüinqüenal. Sobre a alegação de nulidade da decisão recorrida, a recorrente está equivocada, como se demonstrará. Relativamente à nulidade da decisão recorrida, a recorrente não apontou qual argumento não foi apreciado pela Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP. Ou, como ela mesma diz, que argumento ficou "alheio" ou não foi enfrentado pela decisão recorrida. NIF - SEGUNDO CONSELHO Dt CONTRMU'NTES Cor.FFILE COM O OR'Cll1NI. Processo n.° 10850.003028/2003-01 CCO2/C0i Acórdão n.° 201-80.948 Fls. 125 suo s51. -1/054 àtape 91145 Lendo o voto condutor do Acórdão recorrido, pode-se constatar que a decisão recorrida enfrentou os argumentos fundamentais da manifestação de inconformidade, não existindo argumento relevante que não tenha sido enfrentado pela Turma de Julgamento da DRJ recorrida. Pelas razões pretéritas, entendo desprovida de qualquer fundamentação legal e fática a alegação de nulidade da decisão recorrida. Sobre o direito pleiteado pela recorrente, entendo que a decisão recorrida está em perfeita harmonia com a legislação vigente. De fato, a recorrente não faz jus à isenção da Cofins prevista no inciso II do art. 6sa da Lei Complementar n2 70/91. E não o faz exatamente porque a recorrente: 1 - não é sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativo ao exercício de profissão legalmente regulamentada. Conforme Cláusula Terceira de seu Contrato Social (fl. 10), a sociedade terá "como atividade principal a exploração de serviços aéreos especializados de proteção à lavoura, constituídos de: inspeção, pulverização, polvilhamento, semeadura e adubação, e, terá como atividade secundária a: representação de adubos, inseticidas fungicidas, execução de projetos agropecuários, bem como a exploração agrícola em terras próprias ou de terceiros; a comercialização de produtos agrícolas e pecuários e o comércio em geral'. Todas estas são atividades mercantis (venda de mercadorias e serviços); e 2 - não está registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Como todas as empresas mercantis, está registrada na Junta Comercial, no caso, a Junta Comercial do Estado de São Paulo, sob o n? 35.211.504.890. Mesmo se *a recorrente fosse uma sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativo ao exercício de profissão regulamentada, devidamente registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e que ao seu pleito não se aplicasse as disposições do CTN sobre prazo para pleitear restituição, ainda assim não teria direito à restituição pleiteada. E não teria direito à restituição pleiteada porque, ao contrário do que entende a recorrente, a lei pode sim, é tanto que o faz, fixar prazo para a repetição de indébito. Não há nisto sequer alguma fumaça de inconstitucionalidade. Apenas para argumentar, se ao caso concreto não se aplicasse a legislação tributária, ainda assim estaria extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição, por força do que dispõe o art. 1 R do Decreto n 20.910/32, ainda em vigor, que assim dispõe: "Art. 1°- As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem." Mas é evidente que à Cofins aplica-se a legislação tributária, em especial as disposições do Código Tributário Nacional sobre a repetição de indébito, por força do comando contido no parágrafo único do art. 10 da Lei Complementar n 70/91, abaixo reproduzido, que estende a aplicação das disposições do Imposto de Renda à Cofins, conforme se pode constatar na redação deste dispositivo, abaixo transcrito: -SEGUUDOCONSEL110 oe wenail 'mut. coe • Processo n.° 10850.003028/2003-01 CCO2/C01 Acórdão n.° 201 -80.948 &Maga, 2-°_95t: Fls. 126 Mat.: .n0091745 "Art. 10. O produto da arrecadação da contribuição social sobre o faturamento, instituída por esta lei complementar, observado o disposto na segunda parte do art. 33 da Lei n° 8.212, de 14 de julho de 1991, integrará o Orçamento da Seguridade Social. Parágrafo único. A contribuição referida neste artigo aplicam-se as normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, bem corno, subsidiariamente e no que couber, as disposições referentes ao imposto de renda, especialmente quanto a atraso de pagamento e quanto a penalidades." (negritei) Em conseqüência, a legislação a ser aplicada à restituição de pagamento indevido de Cofins é a mesma do Imposto de Renda, ou seja, o Código Tributário Nacional e a legislação especifica deste imposto. Em conclusão, não há reparos a fazer na decisão recorrida que aplicou as _ disposições do art. 168 do CTN ao caso concreto e entendeu extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição de pagamentos tidos como indevidos, posto que os mesmos ocorreram antes do dia 04/11/1998. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do Ato Declaratório n Q 096/96 e de que a Lei n2 9.430/96 não poderia modificar dispositivos da Lei Complementar n 2 70/91, o Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes firmou entendimento de que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária, nos termos da Súmula n9- 2, abaixo reproduzida e publicada no DOU do dia 26/09/2007, Seção 1, pág. 28. "SÚMULA 1512 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." _ Não há decisão do STF negando vigência ao art. 56 da Lei n9 9.430, de 1996. Ao contrário, existem decisões do STF reafirmando que a Lei Complementar rIP 70/1991 não é uma lei materialmente complementar, mas, sim, ordinária, podendo ser modificada por lei ordinária posteriori. 40 Classe/Origem: Rcl 2620-5 MC/RS MEDIDA CAUTELAR NA RECLAMAÇÃO Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA RECLTE(S): UNIÃO ADV.(A/S): PFN - ALEXANDRE MOREIRA TAVARE.S DOS SANTOS E OUTRO(A/S) RECLD0.(4/S): SEGUNDA TURMA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 1NTDO.(A/S): TE1TELROIT ARQUITETURA S/C LTDA. ADK(A/S): V177áRIO LORENZEITI DJ07476/2004 P- 00007 Julgamento: 01/06/2004 Despacho "DECISÃO: Traia-se de reclamação proposta pela União em face de decisão, proferida pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, que concedeu isenção da Cotins à sociedade civil prestadora de serviços. No caso em apreço, o Superior Tribunal de .hatiça teria fundamentado sua decisão no pressuposto de que lei complementar somente pode ser revogada por outra lei complementar. Isso levaria à conclusão de que o ar% 56 da Lei ordinária 9.430/1996 não poderia ter revogado a norma de isenção do art 6*, II, da Lei Complementar 70/1991. Ponanto, estaria o STJ desconsiderando o efeito vinculante da ATIC 1 em ou, pl ena decidido aue a Lei Comotementar 70/1991 não é uma lei materialmente complementar. mas. sim, ordinária podendo ser modificada Por lei ordinária posterior Sustenta a União que o Superior Tribunal de Justiça, ao Julgar questão de índole manrestamente constitucional, leria incorrido em usurpação da competéncia do Supremo Tribunal Federal, uma vez que 'somente através da interpretação da Constituição Federal pode se extrair a existência, ou rio, de tal principio [principio da hierarquia das leis], para que se possa concluir se lei o/dinária pode, ou Mio pode, revogar lei complementar que não é materialmente desta natureza, como ocorre no caso vertente'. Por fim. pede-se a concessão de medida liminar para cassar ou suspender a eficácia da decisão reclamada. Informações prestadas a fls. 203-205. É o relatório. Decido. Ressalto, inicialmente, que estamos diante de ME - SEGUNDO CONSELHO DF CONTRIBUINTES CONFERE COM O OR:O1NAL • Processo n.° 10850.003028/2003-010CO2/C0 Acórdão n.° 201-80.948 Brns:lki, _4924( / Eis. 127 745SaV • ". aggr. '01.3 Quanto à jurisprudência trazida à colação pela defendente, esta não dá respaldo à autoridade administrativa divorciar-se da vinculação legal e negar vigência a texto literal de lei, até porque não tem efeito vinculante. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das S • sões, em 1 de março de 2008. ' WALBé JOSÉ DA SI VA Tyt• reclamação em que se alega usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. hipótese diversa da Rcl 2.317. de minha relataria, anteriormente proposta pela União sobre o mesmo tema, mas que versava sobre garantia da autoridade de dedilho desta Cone. In c.a entendo presentes os requisitos amansadores da concessão da medida oco zeladora, tendo em vista a relevância da questão constitucional em exame bem como 03 prejuízos à União decorrentes da decisão reclamada. Desse modo, defiro a liminar para suspender a (Seio da decisão do Superior Tribunal de Justiça até o julgamento final da presente reclamação. Abra-se vista à Procuradoria-Geral da República. Publique-se. Brasília. 01 de junho de 2004. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relatar Partes." Page 1 _0065900.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13502.000307/2004-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9303-000.096
Decisão: Resolvem os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conhece do agravo, por força de decisão judicial, e negar-lhe provimento, para manter o despacho que inadmitiu o recurso especial apresentado pelo sujeito passivo.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado Fazenda Nacional Resolvem os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conhece do agravo, por força de decisão judicial, e negar lhe provimento, para manter o despacho que inadmitiu o recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Tratase de decisão judicial que determinou a este Colegiado que proceda ao reexame de admissibilidade do recurso especial interposto pelo sujeito passivo. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, analisou o recurso especial do sujeito passivo que se insurgira contra decisão dessa câmara que mantivera o auto de infração de IOF lavrado para constituir o crédito tributário que a recorrente deixara de recolher. Conforme asseverado pelo Presidente da Câmara Recorrida, as controvérsias suscitadas cingemse ás seguintes questões: a) se remessas e recebimentos de dinheiro para e do exterior, realizados por meio de um contrato de conta corrente, podem ou não ser caracterizados como concessão de crédito (mútuo), para fins de incidência do 10F/Crédito; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 30 7/ 20 04 -3 3 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.114 2 b) na hipótese de ser devido o 10F, se o tributo seria devido na modalidade crédito ou na modalidade cambio, visto que as remessas e recebimentos de dinheiro ocorreram com o exterior. Como paradigmas da divergência, reportase a recorrente aos Acórdãos n° 107 07.173 e 20174.230, cujas comprovações foram feitas por meio dos inteiro teores, conforme fls. 792/805. Ao fazer o cotejo do acórdão recorrido com os trazidos como paradigmas, o Presidente entendeu que as situações tratadas no primeiro e nos demais não eram semelhantes, fato que o levou a não admitir o especial do sujeito passivo. Esse despacho foi submetido à apreciação do Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais para proceder ao reexame necessário, conforme determinação expressa do art. 71 do Regimento Interno do CARF. O Reexame de Admissibilidade efetuado pelo Sr. Presidente, manteve o despacho que inadmitira o Recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por entender que, o dissídio jurisprudencial não se formou no caso sob exame, como bem decidira o Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção. Incansavelmente irresignada, a Autuada apresentou agravo de reexame, com fundamento no artigo 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25.6.2007 (Portaria n° 147/2007). Para justificar a apresentação dessa peça recursal que não mais existia à época de sua interposição, o sujeito passivo, argumentou que: (...) por ocasião da interposição do seu Recurso Especial, a Agravante tinha o direito de recorrer da decisão que não o admitisse, por meio do Agravo. Entretanto, em 22.6.2009, foi publicada a Portaria no 256 ("Portaria no 256/09"), que instituiu o novo Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, suprimindo a possibilidade da interposição de Agravo. Assim, em 12.5.2010, quando proferido o r. Despacho n° 485/08 negando seguimento ao Recurso Especial da ora Agravante, pelas regras vigentes no novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não haveria a possibilidade de se apresentar recurso de Agravo. ......................................................................................................... Portanto, se a Agravante A época da interposição do Recurso Especial, conforme a legislação vigente, tinha o direito à apresentação de Agravo contra a decisão que negasse o seu seguimento, não pode norma superveniente pretender suprimir tal garantia, em atenção aos princípios do direito adquirido, previsto no artigo 5 0, inciso XXXVI da Constituição Federal, e da segurança jurídica. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.115 3 Nessa peça, a agravante, mais uma vez tenta demonstrar o cabimento do recurso, já que, no seu entender teria preenchido os requisitos de admissibilidade, inclusive o da divergência jurisprudencial. Essa petição não subiu ao CARF, tendo em vista que a autoridade Preparadora da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari BA, negoulhe seguimento, por entender que o agravo para reexaminar a admissibilidade do recurso especial não tem previsão legal à luz do novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para chegar a essa conclusão, a autoridade preparadora socorreuse do Principio do Tempus Regist Actum, As leis processuais são de efeito imediato frente aos atos pendentes. Só os atos posteriores à sua entrada em vigor é que se regularão por seus preceitos. Os autos foram então devolvidos para cobrança do crédito tributário, com inscrição em dívida ativa, e início da execução fiscal. Todavia, o Sujeito Passivo impetrou mandado de segurança, e obteve provimento jurisdicional, do Juiz Federal Titular da 7ª Vara Cível e Agrária da Justiça Federal da Bahia: CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar o processamento do agravo de que trata a inicial para exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ficando garantido ao impetrante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o direito à certidão positiva com eleitos de nega/ira e o não registro do seu nome nos órgãos de restrição ao crédito. As razões do agravo fora postas, nos termos dos excertos transcrito abaixo: (...) 0 r. Despacho n° 3401914 considera que a "dessemelhança entre as situações fáticas sopesadas pelo acórdão recorrido" e os paradigmas, impossibilita "estabelecer comparação para deduzir divergência". 16. 0 artigo 7ª, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministério da Fazenda n° 147/07, estabelece que cabe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais quando houver "decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais". 0 §2ª do artigo 15 do referido Regimento ainda complementa que a divergência deverá ser demonstrada de forma fundamentada. 17. A partir dos citados dispositivos, notase que para que o Recurso Especial seja admitido, é preciso, tão somente, a comprovação da ocorrência de dissenso jurisprudencial mediante confronto do Acórdão recorrido com os paradigmas. Tais decisões devem aplicar uma mesma legislação de forma distinta. 18. No Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais não há qualquer menção à necessidade de que a legislação seja aplicada de forma dispare sobre situações fáticas idênticas. A identidade fática não é um requisito exigido pelo Regimento como condição à admissão do Recurso Especial. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.116 4 19. Se na legislação não há previsão fazendo exigência dessa natureza, não pode o intérprete a fazer, sob pena de restringir direito legitimamente assegurado aos contribuintes. .............................................................................................................................................. Portanto, o Recurso Especial da ora Agravante não pode ter seu seguimento negado com fundamento na inexistência de identidade fática dos acórdãos recorrido e paradigmas, pois se trata de condição não prevista no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 21. E, ainda que se admita a necessidade de proximidade entre as situações fáticas tratadas nos acórdãos recorrido e paradigmas, há de se considerar que o que se exige é a similitude das situações, e não a perfeita identidade dos fatos. 22. Caberá Recurso Especial sempre que para fatos parecidos, aos quais deveria ter sido dada solução idêntica, houver decisões contrastantes. Nesse sentido, tem decidido o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DEMANDA PROPOSTA CONTRA AUTARQUIA FEDERAL (ANS). COMPETÊNCIA TERRITORIAL. ART. too, IV, 'A' E 'V, DO CPC. CASOS QUE APRESENTAM SINGULARIDADE. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FATICA. (.) Caracterizase a divergência jurisprudencial quando, da realização do cotejo analítico entre os acórdãos paradigma e recorrido, verificase a adoção de soluções diversas a litígios semelhantes (...)." (AgRg nos EREsp 884.572/PB, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 10.3.2010 não destacado no original). "PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ART. 535 DO CPC. FORNECIMENTO DE AGUA E ESGOTO. COBRANÇA INDEVIDA. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STJ. REEXAME FÁTICOPROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. (. ..) 4 Não procede a alegada divergência jurisprudencial, visto que, para o conhecimento do recurso especial pelo dissídio interpretativo, indispensável se faz a demonstração analítica de que os arestos divergiram na aplicação da lei em casos semelhantes, diante de fatos análogos, o que não se deu na espécie (...)."(AgRg no Ag 1013281/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 2.9.2008 não destacado no original). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDÊNCIA FÉRIASPRÊMIO NÃO GOZADAS CONVERSÃO EM PECÚNIA SÚMULA 136 STJ ADICIONAL ESTADUAL COMPETÊNCIA DO ESTADOMEMBRO MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.117 5 COMPROVADA VERBA HONORARIA REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 07/STJ PRECEDENTES. (...) A divergência jurisprudencial com súmula deste Tribunal não autoriza o conhecimento do recurso especial fundado na letra 'c', do permissivo constitucional devendo o recorrente indicar os julgados que diz dissidentes do aresto recorrido, transcrevendo as respectivas ementas e demonstrando os pontos assemelhados e discordantes entre os paradigmas colacionados e o acórdão que deseja ver desconstituido (...)." (REsp 256209/MG, Rel. Min. Francisco Pecanha Martins, Segunda Turma, DJ 20.11.2000 não destacado no original). 23. Da análise do disposto no artigo 70, inciso II, e no artigo 15, § 2°, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, juntamente com os julgados acima mencionados, fica claro que não é condição para o cabimento de Recurso Especial a perfeita identidade de fatos, mas, tãosomente, a existência de Acórdãos divergentes analisando questões fáticas assemelhadas (o que ocorre no presente caso). 24. Portanto, apesar de a situação fática descrita no Acórdão recorrido n° 20313.140 não ser perfeitamente a mesma, ela muito se assemelha às situações encontradas nos Acórdãos paradigmas. Dessa forma, há de ser reconhecida a divergência dessas decisões e admitido o Recurso Especial da Agravante, conforme se verá em maiores detalhes a seguir. ............................................................................................................... 31. E não se diga, como fez o r. Despacho n° 3401914, que a divergência entre o Acórdão recorrido n° 20313.140 e o Acórdão paradigma n° 10707.173 não teria restada caracterizada, visto que no primeiro as remessas e recebimentos de dinheiro com coligada foram tipificadas como mútuo, enquanto no segundo os créditos da empresa recorrente com sua coligada decorriam de operações mercantis. 32. Ao contrário da posição constante do r. Despacho n° 3401914, tanto no Acórdão recorrido n° 20313.140 quanto no Acórdão paradigma n° 10707.173, as movimentações financeiras de débito e credito realizadas em contacorrente foram caracterizadas pelo Fisco como operações de mútuo. A única distinção é que no Acórdão recorrido n° 20313.140 tal caracterização foi mantida por esse órgão julgador, enquanto no Acórdão paradigma no 10707.173 a classificação foi afastada, reconhecendose a figura da contacorrente com gestão única de caixa. 33. Assim, fica clara a total improcedência do entendimento manifestado no r. Despacho n° 3401914, isso porque em ambas as situações as remessas e recebimentos de dinheiro com coligada foram Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.118 6 tipificadas como mútuo pelas Autoridades Fiscais, sendo a única diferença que uma foi descaracterizada e outra não. Essa posição apenas corrobora a divergência jurisprudencial existente entre o Acórdão recorrido no 20313.140 e o Acórdão paradigma n° 107 07.173, especialmente porque, como comprovado acima, os Acórdãos fundamentamse em premissas exatamente idênticas. .......................................................................................................... 40. Em ambos os acórdãos confrontados verificamse situações idênticas, de ingressos e remessas de moeda do e para o exterior. Ocorre que no Acórdão recorrido n° 20313.140, entendese pela incidência do 'OF/Credito, enquanto que no Acórdão paradigma no 20174.730, defendese a incidência do IOF/Cãmbio, que no caso, só e afastada, em razão de não ter havido o efetivo ingresso de moeda no pais. Ou seja, se os recursos tivessem ingressado no Brasil, pela posição firmada no referido acórdão paradigma, haveria a incidência do I0F/Câmbio. 41. A semelhança fática, nos trechos confrontados, e evidente, conforme demonstrado pormenorizadamente no quadro acima. Assim, resta comprovada a divergência entre o entendimento manifestado no Acórdão recorrido n° 203 13.140 e o Acórdão paradigma n° 201 74.730, de modo que o Recurso Especial interposto deve ser admitido e regularmente julgado. .......................................................................................................... Ante o exposto, resta demonstrado o cabimento do presente Agravo, e que o Recurso Especial da Agravante reúne todas as condições necessárias ao seu regular processamento e julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 43. Ademais, a semelhança fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas não é uma exigência prevista no Regimento Interno Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não cabendo ao r. Despacho n° 3401914 restringir, sem qualquer fundamento, tal direito dos contribuintes. 44. A despeito disso, as situações fáticas constantes do Acórdão recorrido n° 20313.140 e dos Acórdãos paradigmas em muito se assemelham e verificase a existência de divergência jurisprudencial, na medida em que: (i) o Acórdão paradigma n° 10707.173 adota as mesmas premissas firmadas pela decisão recorrida sobre a natureza dos contratos de mútuo e de conta corrente mercantil e, diversamente da segunda, conclui pela caracterização das operações em tela como típicas de conta corrente mercantil; e (ii) o Acórdão paradigma n° 20174.730 defende que ingressos e remessas de moeda do e para o exterior estão sujeitos ao I0F/Câmbio, ao passo que a decisão recorrida conclui pela cobrança do IOF/Credito. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.119 7 45. Diante disso, requerse o provimento desse Agravo e o conseqüente julgamento do Recurso Especial, para que seja reformado o Acórdão recorrido no 20313.140 e, assim, seja afastada a cobrança de IOF/Crédito sobre resultados apurados de fevereiro de 2002 a março de 2004. Tendo em vista a determinação judicial, os autos foram então devolvidos à CSRF para exame do agravo interposto pelo Sujeito Passivo, e, por sorteio, foram a mim distribuídos. É o Relatório. Tendo em vista a decisão judicial determinando o exame do agravo por este Colegiado, não cabe a essa instância administrativa discutir a ordem judicial, mas tãosomente, cumprila. Assim, compelido pela determinação do Sr. Juiz Federal Titular da 7ª Vara Cível e Agrária da Justiça Federal da Bahia, conheço do agravo interposto pelo sujeito passivo. Registrese que não cabe aqui interpretar o princípio do Tempus Regist Actum, à luz das três teorias que explicam a aplicação do direito intertemporal. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinado, tampouco há dificuldade de entender os efeitos da lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, há alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária, faria com o processo por uma única lei, a nova ou a velha, mas como, em 1regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, o processo seria constituído de fases (postulatória, instrutória e de julgamento) autônomas, cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais, segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados, e passa a disciplinar os demais a partir de sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.120 8 Na linha desse raciocínio, temse que, se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. Se se pudesse aplicar a estes autos o comando do princípio do tempus regist actum, terseia que os atos processuais praticados na égide do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, as normas aplicáveis eram as veiculada nesse regimento. Assim, os requisitos de admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo foram examinados à luz do Regimento vigente à época da interposição desse apelo, já que eram contemporâneos. Todavia, os atos processuais posteriores, praticados constância do Regimento de 2009, por óbvio, deveriam obedecer ao novo rito processual. Desta feita, como o exame de admissibilidade foi efetuado sob a novel legislação regimental, o recurso contra ele cabível era o reexame de admissibilidade pelo presidente da CSRF. Todavia, por força da ordem judicial mencionada linhas acima, não podemos concluir assim, mas no sentido de que atos praticados posteriormente à revogação da norma devem ser por ela regido. Como dito, decisão judicial não se discute, cumprese. Passemos, então, à análise do agravo. Inicialmente, examino as legações da Agravante acerca da desnecessidade de haver identidade fática entre para admissão do recurso especial, transcritas a baixo i. identidade fática não é um requisito exigido pelo Regimento como condição à admissão do Recurso Especial. ii. de que seria preciso, tãosomente, a comprovação da ocorrência de dissenso jurisprudencial mediante confronto do Acórdão recorrido com os paradigmas. Tais decisões devem aplicar uma mesma legislação de forma distinta. iii. No Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais não há qualquer menção à necessidade de que a legislação seja aplicada de forma dispare sobre situações fáticas idênticas. iv. A identidade fática não é um requisito exigido pelo Regimento como condição à admissão do Recurso Especial. A meu sentir, a exigência da identidade fática, embora não venha explícita no dispositivo regimental suscitado pela Agravante, mas lá está, insofismavelmente, presente, de forma implícita, pois não há como deduzir divergência em situações distintas. A exigência da identidade fática, no tocante a exigência de dissídio jurisprudencial, decorre da lógica do sistema, que visa uniformizar a aplicação da lei, por parte de colegiados distintos, quando se estiver diante de uma mesma situação fática. Se se examina situações diferentes, provavelmente, a conclusão também seja diferente. As vezes, as situações são muito semelhantes, mas não guardam similitudes fáticas. A título de exemplo, imaginese que determinada operação comercial gozava de isenção do tributo x. Sobrevém alteração legislativa e a isenção é revogada. Ora, as situações são bastante similares, mas não guardam similitude fática. Uma ocorreu antes da lei revogadora da isenção, a outra, depois. Nesse caso, há um fato que as diferencia. A decisão que examinou a isenção, antes da alteração legislativa não serve de paradigma para outra que tenha Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.121 9 examinado a mesma operação comercial após a revogação da isenção. Apesar das situações serem absolutamente parecidas, uma circunstância de natureza fática, as desassemelha, de modo que, as decisões para um caso e outro podem e devem ser diferentes, sem que, no exemplo, tenha se formado qualquer dissídio jurisprudencial. De outro lado, ao contrário do alegado pela agravante, o despacho agravado não restringiu a possibilidade de divergência a casos de identidade fática, mas também aos similitude fática, ou seja a fatos idênticos ou semelhantes, como aliás, é o entendimento do STJ colacionado aos autos pela própria Contribuinte nas ementas transcritas em seu agravo. Em termos processuais, o cotejo de fatos distintos, por óbvio, não formam dissídio de entendimentos, pois mudandose as premissas, mudamse as conclusões, se não silogismo não está correto. Diante do exposto, é de se concluir que, ao contrário do alegado pela Agravante, a identidade ou similitude fática são sim requisitos exigidos pelo Regimento como condição à admissão do Recurso Especial, pois tal similitude ou identidade são condições sine qua non para a formação do dissídio, está no seu D.N.A. Esses breves comentários nada mais representam do que um introito para examinar a admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo, e o faço reproduzindo a admissibilidade realizada pelo Presidente da Câmara recorrida, já que o acórdão recorrido e os paradigmas tratados no agravo são exatamente os mesmos examinados no despacho de prelibação efetuado pelo mencionado Presidente, e as razões do agravo não inovam a ponto de modificar a decisão veiculada no despacho agravado . Exame que não merece reparo, já que bem fez o cotejo entre as decisões recorrida e as paradigmáticas. Eis o despacho agravado: Inicialmente, cumpre registrar que para configuração de hipótese capaz de ensejar a subida dos autos a. instancia superior, o recurso especial de divergência deve se apresentar absolutamente revestido dos requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para que reste caracterizado o dissídio jurisprudencial, na forma exigida pelo regimento, é necessário que os Acórdãos confrontados tenham interpretado a mesma norma jurídica quando aplicada a fatos iguais ou semelhantes, implicando a adoção de entendimentos distintos. No acórdão recorrido, foi mantida a exigência do I0F/Crédito em relação a remessas e recebimentos de dinheiro realizadas no âmbito de um contrato de conta corrente com uma sociedade coligada que é domiciliada no exterior. No paradigma 10707.173, conquanto se refira a contrato de conta corrente, o recurso do contribuinte foi provido porque os valores lançados na conta corrente se referiam a operações mercantis, que não tipificam contrato de mútuo. Confirase o seguinte excerto extraído do paradigma (fls. 798/799): "(..) Nesse contexto, um contrato de conta corrente poderia, entre suas remessas, conter adiantamentos ou reembolsos de despesas, dividas ou adiantamentos comerciais, remessas para gestão unificada de caixa e, Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.122 10 até mesmo, mútuos, sem que pelo fato de serem escrituradas em conta corrente se desvinculassem de suas origens. In casu, resta comprovado que o contrato de corrente (sic) compreende créditos da recorrente com sua coligada, decorrentes de vendas a ela realizadas de produtos de sua fabrica cão, sendo certo que, como afirma a recorrente, não precisaria ter feito nenhuma espécie de correção monetária, embora o tenha feito em bases mensais, estando a fiscalização, pois, equivocada ao exigir correção monetária em bases diárias, já que de mútuo não se trataria. Ora, por tudo que já se disse, tem razão a recorrente ao afirmar que os créditos em questão não se tipificam como operações de mútuo, não sendo cabível, assim, a correção monetária que se pretende. (..)" (grifei) É de clareza vítrea a total dessemelhança entre as situações fáticas sopesadas pelo acórdão recorrido e pelo paradigma 10707.173. Enquanto que no acórdão recorrido as remessas e os recebimentos de dinheiro com a coligada no exterior, lançados no conta corrente, foram tipificados como operações de mútuo sujeitas ao IOF/Crédito; em situação fática totalmente dessemelhante, o paradigma considerou que créditos da recorrente com sua coligada, decorrentes de operações mercantis, conquanto lançadas no conta corrente, não se tipificavam como mútuo, sendo excluída do lucro real a correção monetária sobre tais créditos. 0 mesmo se diga em relação ao paradigma 20174.730. Conforme se verifica no inteiro teor (fls. 802/804), aquele caso se tratava de um lançamento de I0F/Câmbio, sobre uma operação de câmbio contratada com o prazo de 6 anos, decorrente de empréstimo em moeda, mediante o lançamento de "fixed rate notes", no mercado externo, contendo cláusula possibilitando o credor requerer o pagamento no 2° ano (fl. 802). É inequívoco que o paradigma 20174.730 sopesou fatos que nada têm a ver com o contrato de contacorrente, não sendo possível estabelecer comparação para deduzir divergência. Além disso, não se decidiu se a operação era ou não era operação de câmbio, o recurso de oficio foi negado porque conquanto existisse cláusula possibilitando ao credor requerer o pagamento antecipado, este direito não havia sido exercido pelo credor até a data da lavratura do auto de infração. Portanto, sendo totalmente diferentes as situações fáticas sopesadas pelos julgados confrontados, não é possível estabelecer comparação e deduzir que houve divergência de entendimentos, não restando cumprido o art. 15, § 2° do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Desse modo, considerando que restaram preenchidos os requisitos regimentais, NEGO SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. Aliás, não é só este conselheiro que concorda, na íntegra, com o teor do despacho agravado, o Sr. Presidente desta Turma também chancelou o mencionado despacho, e o fez, nos termos seguintes: Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000307/200433 Resolução nº 9303000.096 CSRFT3 Fl. 1.123 11 O Presidente da Câmara recorrida negou seguimento ao recurso especial por entender que não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, urna vez que os julgados confrontados sopesaram situações fáticas dessemelhantes. Com base no art. 71 do RICARF, recepciono o recurso especial para reexame e passo a examinálo, juntamente com o despacho que lhe negou seguimento. Verificase que os acórdãos apresentados como paradigma não se prestaram para a comprovação da divergência de tese em relação àquela adotada no acórdão recorrido. Com efeito, o paradigma 10707.173, considerou que as remessas lançadas no contacorrente não se tipificavam como mútuo por serem decorrentes de operações mercantis. Já o paradigma 20174.730 nem sequer menciona o contrato de conta corrente e também não decidiu que a operação se sujeitava ao I0F/Câmbio em vez do 10F/Crédito. Destarte, por não atender o art. 15, § 2° do antigo RICSRF e nem o art. 67, caput, do RICARF o recurso especial não merece acolhida. Assim, decido por manter integralmente o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial de divergência interposto. Com essas considerações, voto no sentido de conhecer do agravo, e o faço premido por força judicial, e de lhe negar provimento, para manter o despacho que não conheceu do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722184/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. EVIDENTE PRETENSÃO MODIFICATIVA. QUESTÕES JÁ APRECIADAS NO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS REJEITADOS.
A via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado.
Na concreta situação dos autos, o que se procura, sob pretexto de vícios inexistentes, é o reexame da fundamentação do aresto que negou provimento ao recurso de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos Embargos, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente e relator) que conhecia e negava-lhe provimento. Designada para elaboração do voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Felipe Jim Omori, OAB/SP nº 305.304.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente e Relator.
Assinado Digitalmente
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. EVIDENTE PRETENSÃO MODIFICATIVA. QUESTÕES JÁ APRECIADAS NO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS REJEITADOS. A via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado. Na concreta situação dos autos, o que se procura, sob pretexto de vícios inexistentes, é o reexame da fundamentação do aresto que negou provimento ao recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos Embargos, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente e relator) que conhecia e negavalhe provimento. Designada para elaboração do voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Felipe Jim Omori, OAB/SP nº 305.304. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente e Relator. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 84 /2 01 1- 51 Fl. 4923DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado, tempestivamente, pela Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso de Ofício n° 2201002.658, de 10/02/2015. A fiscalização lavrou as seguintes infrações (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fls. 4336/4345): 1. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas 2. Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas 3. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas 4. Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Físicas 5. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada 6. Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê leão (grifei) A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP1 julgou parcialmente procedente a impugnação e, entre outros provimentos, reconheceu a decadência da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento do carnê leão. Transcrevese excerto da ementa do julgado: (...) DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativamente às multas isoladas por falta de recolhimento do carnêleão extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) Por sua vez, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acompanhando o entendimento da autoridade recorrida, negou provimento ao recurso de ofício e, consequentemente, reconheceu a decadência da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do carnêleão. Transcrevese ementa: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. Fl. 4924DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201003.072 S2C2T1 Fl. 3 3 A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnêleão submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta Embargos de Declaração, fls. 4902/4903, alegando que o voto condutor do Acórdão de Recurso de Ofício n° 2201002.658, de 10/02/2015, apresenta contradição, relativamente à aplicação da norma de regência do prazo decadencial. Assevera a Embargante que pela análise do parágrafo único do art. 173, a ciência do termo de início da ação fiscal interrompe a contagem do prazo decadencial, nos casos do art. 173, I. Conclui a Fazenda Nacional que “como o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Início da Fiscalização em 24/01/2011, não foi alcançada pela decadência nenhuma penalidade apurada em 2006. Logo, o acórdão ora embargado, ao declarar a decadência das multas apuradas até outubro de 2006, revelase contraditório, tendo em vista a tempestividade da autuação, segundo a regra estampada no 173, I do CTN e, sobre a qual se fundamentaram os julgadores em suas razões de decidir”. A presidente 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL após análise do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 4921/4922, entendendo que houve de fato contradição, acolheu os Embargos apresentados pela Fazenda Nacional e determinou o retorno dos autos à pauta de julgamento, para que seja sanado o vício apontado. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos são tempestivos e reúnem os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a controvérsia dos Embargos cingese ao reconhecimento da decadência da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do carnê leão, já que entendeu a Embargante que, consoante dispõe o parágrafo único do art. 173 do CTN, a ciência do termo de início da ação fiscal interrompe a contagem do prazo decadencial, portanto “... como o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Início da Fiscalização em 24/01/2011, não foi alcançada pela decadência nenhuma penalidade apurada em 2006”. Pois bem, diferentemente do que defende a Fazenda Nacional, o parágrafo único do art. 173 do CTN não tem o condão de determinar um segundo termo decadencial, ou melhor, interromper a contagem do prazo decadencial, fundamentalmente porque o parágrafo único do citado artigo tratase de regra de antecipação do termo inicial da decadência, já que apenas a notificação do próprio lançamento tem essa capacidade. Esse é o entendimento predominante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se extrai do julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n° 961.723/MG, cuja ementa transcrevese: Fl. 4925DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 4 PROCESSUAL CIVIL – DECADÊNCIA – ART. 173 DO CTN – AUSÊNCIA DE QUALQUER UM DOS VÍCIOS ELENCADOS NO ART. 535 DO CPC – IMPOSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES. 1. Conforme consignado no acórdão embargado, esta Corte Especial interpreta o parágrafo único do art. 173 do Código Tributário Nacional como regra de antecipação do termo inicial da decadência, e não como regra interruptiva do prazo decadencial. Somente a notificação do próprio lançamento tributário tem o condão de interromper o prazo decadencial. 2. O embargante, inconformado, busca, com a oposição destes embargos declaratórios, ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com sua tese. 3. A inteligência do art. 535 do CPC é no sentido de que a contradição, omissão ou obscuridade, porventura existentes, só ocorre entre os termos do próprio acórdão, ou seja, entre a ementa e o voto, entre o voto e o relatório etc, o que não ocorreu no presente caso. Embargos de declaração rejeitados. (grifei) In casu, como bem pontuado pelo voto condutor do acórdão embargado à fl. 4888, o lançamento das multas e juros isolados é privativo da autoridade administrativa, razão pela qual a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, concluiu o Conselheiro Relator que “... o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nessa conformidade, correto o entendimento da autoridade recorrida que excluiu da exigência a multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão, referente aos meses de janeiro a outubro de 2006, em face da decadência”. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados e, sanando a contradição apontada, manter a decisão original do Acórdão n° 2201002.658, de 10/02/2015, no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Redatora designada A oposição dos presentes embargos de declaração pretende a rediscussão da questão relativa à consideração da decadência das multas apuradas até outubro de 2006, conforme relatado. Fl. 4926DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201003.072 S2C2T1 Fl. 4 5 Sustenta a Embargante que, conforme o parágrafo único do art. 173, a ciência do termo de início da ação fiscal interrompe a contagem do prazo decadencial, nos casos do art. 173, I. Conclui a Fazenda Nacional que “como o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Início da Fiscalização em 24/01/2011, não foi alcançada pela decadência nenhuma penalidade apurada em 2006. Logo, o acórdão ora embargado, ao declarar a decadência das multas apuradas até outubro de 2006, revelase contraditório, tendo em vista a tempestividade da autuação, segundo a regra estampada no 173, I do CTN e, sobre a qual se fundamentaram os julgadores em suas razões de decidir”. Desse modo, sem maior esforço de interpretação, os embargos em análise procuram, sob pretexto de vício inexistente, o reexame da fundamentação do aresto que negou provimento ao recurso de ofício, pois não se vislumbra a ocorrência de contradição entre os fundamentos da decisão e a conclusão do acórdão recorrido. Ora, a via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado, pois ausentes os pressupostos da obscuridade, omissão ou contradição, conforme o disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Nesse contexto, rejeito os embargos de declaração. Assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 4927DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Numero do processo: 10860.720287/2014-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE JUROS DE MORA. ART.2º DA LEI 9784/99. RAZOABILIDADE.
Afigura-se irrazoável a não consideração do pagamento sob a sistemática da denúncia espontânea, apenas pelo não recolhimento dos juros de mora decorrente de dois dias de atraso. A Administração deve ser pautar, entre outros princípios, pela razoabilidade, que nesse caso determina o reconhecimento do pagamento como apto a afastar as multas decorrentes do atraso, haja vista que a finalidade do instituto foi plenamente alcançada.
NOTAS FISCAIS DE TRANSFERÊNCIA. MUDANÇA DA SEDE PARA FILIAL SEM MOVIMENTAÇÃO FÍSICA.
Não se pode considerar inidôneas as notas fiscais de transferência utilizadas para registrar a transferência da titularidade de produtos da sede para a filial, mas sem movimentação física, apenas pela ausência de requisitos da nota que decorrem da sua movimentação.
O contexto probatório evidencia ausência de intuito fraudatório, com a apresentação de planilhas de controle do estoque que refletem a transferência integral de titularidade dos produtos, apenas documentalmente registrada pelas supracitadas notas.
DIREITO AO CRÉDITO DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS
A aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus não legitima aproveitamento de créditos de IPI, vez que crédito não há.
Numero da decisão: 3402-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa de ofício de R$ 12.038,89, relativa ao atraso de dois dias e para excluir o crédito tributário lançado em decorrência das Notas Fiscais de Transferência. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas dos créditos da Zona Franca de Manaus. Designado o Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente o Dr. Maurício de Carvalho Silveira Bueno, OAB/SP 196.729.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Relator Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Jorge Olmiro Locke Freire - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE JUROS DE MORA. ART.2º DA LEI 9784/99. RAZOABILIDADE. Afigurase irrazoável a não consideração do pagamento sob a sistemática da denúncia espontânea, apenas pelo não recolhimento dos juros de mora decorrente de dois dias de atraso. A Administração deve ser pautar, entre outros princípios, pela razoabilidade, que nesse caso determina o reconhecimento do pagamento como apto a afastar as multas decorrentes do atraso, haja vista que a finalidade do instituto foi plenamente alcançada. NOTAS FISCAIS DE TRANSFERÊNCIA. MUDANÇA DA SEDE PARA FILIAL SEM MOVIMENTAÇÃO FÍSICA. Não se pode considerar inidôneas as notas fiscais de transferência utilizadas para registrar a transferência da titularidade de produtos da sede para a filial, mas sem movimentação física, apenas pela ausência de requisitos da nota que decorrem da sua movimentação. O contexto probatório evidencia ausência de intuito fraudatório, com a apresentação de planilhas de controle do estoque que refletem a transferência integral de titularidade dos produtos, apenas documentalmente registrada pelas supracitadas notas. DIREITO AO CRÉDITO DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS A aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus não legitima aproveitamento de créditos de IPI, vez que crédito não há. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 02 87 /2 01 4- 25 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa de ofício de R$ 12.038,89, relativa ao atraso de dois dias e para excluir o crédito tributário lançado em decorrência das Notas Fiscais de Transferência. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas dos créditos da Zona Franca de Manaus. Designado o Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente o Dr. Maurício de Carvalho Silveira Bueno, OAB/SP 196.729. Antônio Carlos Atulim Presidente. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Jorge Olmiro Locke Freire Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por razões de praticidade, repisase o elaborado relatório da decisão da DRJ: Tratase de impugnação aos autos de infração de fls. 3 a 15 e 16 a 18, lavrados pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté/SP no montante de R$ 23.781.936,24. A autuação correspondente ao IPI totalizou R$ 5.501.271,88, valor assim composto, observado o enquadramento legal discriminado no referido documento: Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75% ou 150%, nas hipóteses em que foi constatada a ocorrência de fraude; multa isolada de 75% incidente sobre o IPI não Lançado com Cobertura de Crédito. O auto de infração relativo à multa regulamentar totaliza R$ 18.280.664,36. De acordo com o Relatório Fiscal, a auditoria teve início com a verificação da legitimidade de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI, relativos aos quatro trimestres de 2009, objeto dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 424577088424040911011005, 185241541625021015011933, 326495847324110911016983 e 327106193129011011010769. No período em questão, a autuada industrializou garrafas, frascos e artigos semelhantes de plástico, classificados no código 7308.90.10 do Decreto nº 6.006/2006 Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2007, então vigente, tributado com Fl. 711DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10860.720287/201425 Acórdão n.º 3402003.023 S3C4T2 Fl. 3 3 alíquota de 15% e "préformas" ou esboços de garrafas de plástico, classificados no código 3923.30.00, Ex 01 da mesma Tabela, sujeito à alíquota zero. No curso da auditoria informou que os insumos utilizados são polietileno tereftalato, esboços do garrafas de plásticos, pigmentos, caixas de papelão, bandejas de papelão, filme de polietileno stretch, sacos plásticos e pallets de madeira. O insumo polietileno tereftalato e o pigmento seriam introduzidos em máquinas apropriadas, inclusive de injeção e de sopro, para gerar os produtos finais desejados, como as "pré formas" e as garrafas ou frascos. O insumo esboço de garrafa de plástico seria introduzido em máquina de sopro para gerar as garrafas ou frascos, enquanto as caixas e bandejas de papelão, filme de polietileno stretch, sacos plásticos e pallets de madeira seriam utilizados na embalagem e transporte dos produtos industrializados. (...) As infrações que motivaram a exigência de imposto e multa de ofício são as seguintes: saída de produtos indevidamente não tributados; aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos não considerados insumos; aproveitamento de créditos com amparo em Notas Fiscais que foram consideradas inidôneas; aproveitamento de créditos presumidos calculados sobre aquisições de insumos isentos feitas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. A exigência de multa regulamentar (fl. 17), decorre da utilização de notas fiscais que foram consideradas inidôneas, à vista dos requisitos estabelecidos no art. 322, inc. II do RIPI/2002. [com fundamento no art.83, inc. II da Lei 4502/64, reproduzido no art.490, II do RIPI 2002] Em sua impugnação, o contribuinte alega em síntese que: a) solicitou o parcelamento de parte dos débitos relativos ao item 001 do auto de infração, desistindo da discussão a esse respeito; b) nulidade do AIIM tendo em vista que os créditos glosados compõem saldo credo de PER/DCOMP pendentes de apreciação pela RFB. Quanto ao mérito, aduz: a) das 30 operações de saída de produtos classificados na TIPI sob o código NCM 3923.30.00 garrafas, frascos e artigos semelhantes, tributados com alíquota de 15%, 18 não tiveram o destaque do IPI na Nota Fiscal original por equívoco razão pela qual entraram no parcelamento , mas que as 12 restantes teriam tido o vício suprido tempestivamente, com a emissão de Nota Fiscal Complementar; b) as Notas Fiscais de Transferência entre o estabelecimento filial da empresa, CNPJ 00.485.985/000220 ("filial 000220"), localizado na cidade de Lorena/SP, e o estabelecimento inscrito no CNPJ sob n.° 00.455.985/000735 ('filial 000735') refletem apenas a mudança de titularidade, mas sem movimentação física dos produtos, já que esta apenas ocupou o lugar físico daquela, não havendo qualquer infração ou vício na escrituração, inclusive que planilhas descrevendo minuciosamente os produtos nas Notas; c) não há prova de intuito fraudulento que justifique a multa qualificada, tampouco Fl. 712DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 4 lesão ao Erário; d) defende o aproveitamento de crédito de IPI referente a aquisições do insumo “preformas pet para recipiente”, classificado no código 3923.30.00 da TIPI/2007, sujeito à alíquota de 15%, fornecido pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., isento com fundamento no art. 9º do Decretolei 288/1967 e do então vigente artigo 69, II, do RIPI/2002, com base no fato do STF ter excluído expressamente a ZFM no julgamento do REx 566.819/RS; e) alega que não incorreu em condutas que justifiquem a multa isolada regulamentar, e que essa multa configuraria bis in idem punitivo. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, nos seguintes termos: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar de nulidade e quanto ao mérito, julgar parcialmente procedente a impugnação, para, conforme especificado nas planilhas em anexo a este Voto: excluir a exigência do IPI no valor de R$ 3.043,67 (três mil e quarenta e três reais e sessenta e sete centavos) , no período de abril de 2009, e respectivos juros de mora e multa de ofício e manter o restante da exigência desse tributo, no valor de R$ 2.045.998,92 (dois milhões e quarenta e cinco mil novecentos e noventa e oito reais e noventa e dois centavos), acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, em todos os períodos da autuação; manter a exigência da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito no valor de R$ 12.038,89 (doze mil e trinta e oito reais e oitenta e nove centavos), no período de julho de 2009 e cancelar o restante da exigência dessa penalidade, nos demais períodos; cancelar integralmente a exigência formalizada no auto de infração relativo à multa regulamentar, no montante de R$ 18.280.664,36 (dezoito milhões duzentos e oitenta mil seiscentos e sessenta e quatro reais e trinta e seis centavos). A Recorrente apresentou Recurso Voluntário e Contrarazões do Recurso de Ofício repisando as razões de sua impugnação, pelo que não serão reproduzidas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. O Recurso de Ofício também deve ser conhecido, por ultrapassar o limite da alçada. 1. Da Nulidade do Acórdão da DRJ As hipóteses de nulidade dos atos processuais estão previstas no art. 59 e incisos, do Decreto nº 70.235/1972, que trata do processo administrativo tributário. O inciso I diz respeito à lavratura por pessoa incompetente, o que não ocorreu na situação presente. Da Fl. 713DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10860.720287/201425 Acórdão n.º 3402003.023 S3C4T2 Fl. 4 5 mesma forma, não há qualquer possibilidade de preterição do direito de defesa, hipótese a que se refere o inciso II, do art. 59 do mesmo Decreto. Tratase de uma preliminar arguida já na Impugnação, e acertadamente julgada improcedente, nos seguintes termos: De acordo com o art. 170 do CTN a lei somente pode autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional. De acordo com o art. 170 do Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) a lei somente pode autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional. Com base nisso, as normas administrativas a respeito, em especial a Instrução Normativa RFB 1.300/2012 prevêem a realização de auditoria para verificar a legitimidade de créditos pleiteados pelo contribuinte. Vejase a propósito, o teor do art. 76, caput , da citada IN: “Art. 76 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. ...” Assim, foi efetuada auditoria, cujo resultado foi a constatação de inexistência dos pressupostos de liquidez e certeza dos créditos pleiteados relativos aos quatro trimestres de apuração do ano calendário de 2009. Disso resultou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, pela inexistência de saldo credor a ser ressarcido e por consequência, a nãohomologação das compensações vinculadas. Além disso, ao ser reconstituída a escrita do contribuinte, foi verificado que as irregularidades praticadas resultaram em falta de recolhimento de IPI, além de caracterizarem, no entendimento da fiscalização, infrações passíveis de serem punidas com multa de ofício agravada e multa regulamentar. Assim, não restou ao autuante outra alternativa senão formalizar o lançamento, tendo em vista sua vinculação aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Nesses mesmos termos, nego procedência à preliminar arguida. 2. Da multa de ofício relativa à Nota Fiscal Complementar 882 Alega o contribuinte ser irrazoável a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora em relação à NF complmentar nº882, pelo fato dela ter sido emitida no dia 27/08/2015, isto é, dois dias depois do prazo para recolhimento do IPI. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 6 Sobre isto, decidiu a DRJ: Quanto à NFe 882, relativa ao período de apuração julho/2009, emitida após o vencimento do IPI, o correto seria que o contribuinte tivesse dado tratamento diferenciado, com o recolhimento do imposto e acréscimos moratórios correspondentes, mediante Darf específico, como requer o art. 205 do RIPI/2002. Diante da inexistência de comprovação de que foi adotado tal procedimento, deve ser mantido o lançamento da multa de ofício pelo IPI não lançado sobre esta parcela, o que corresponde a R$ 12.038,89 (visto que não há exigência de IPI nesse PA, decorrente da referida infração, conforme demonstrativo de fl. 14). Por fim, diante do parcelamento do restante da exigência relativa à citada infração, com multa de ofício de 75%, conforme referido, deve ser cancelada a exigência da multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito relativo aos valores parcelados. Ora, tendo o contribuinte voluntariamente pago o IPI devido, em apenas dois dias após o prazo, entendo que não há que se falar em multa de ofício, mas somente a cobrança de eventuais e residuais encargos moratórios. Haja vista que à época do pagamento do tributo devido não estava em curso qualquer procedimento fiscalizatório, fica esse pagamento sujeito aos efeitos do art.138 do Código Tributário Nacional, devendo ser afastada a aplicação de qualquer multa no caso. Mesmo que não haja a demonstração do pagamento dos juros de mora, entendo ser irrazoável fugindo aos mais comezinhos princípios da boa aplicação das leis negar tal afastamento da multa de ofício por conta de apenas dois dias de multas de mora não recolhidos junto com o pagamento do tributo. É consentânea essa interpretação com o art.2º da Lei 9784/99, bem como seu parágrafo único, inc. : Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; No caso em tela, a finalidade arrecadatória do IPI foi alcançada com o pagamento no dia 27/08/2009 o atraso de dois dias não certamente não é suficiente para causar qualquer quebra nessa finalidade, tampouco suficiente para afastar os efeitos do pagamento espontâneo do tributo devido. Dessa forma, julgo procedente o pleito do Recorrente, para afastar a multa de ofício no valor de R$ 12.038,89. 3. Da inidoneidade das Notas Fiscais de Transferência Fl. 715DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10860.720287/201425 Acórdão n.º 3402003.023 S3C4T2 Fl. 5 7 Verificase de pronto que parte da matéria em litígio diz respeito à consideração da inidoneidade nas Notas Fiscais de Transferência, geradas, conforme descrito pelo contribuinte, pela necessidade de registrar a transferência de titularidade dos produtos entre duas filiais da empresa, que se sucederam em um mesmo espaço físico. A DRJ manteve a glosa desses créditos sob os seguintes argumentos: Conforme relatado, as Notas Fiscais consideradas inidôneas teriam sido emitidas para documentar a troca de titularidade das mercadorias a que se referem, sem que houvesse movimentação física destas. O estabelecimento autuado, CNPJ 00.455.985/000735, foi constituído no mesmo endereço em que antes funcionava o estabelecimento que transferiu as mercadorias e insumos, inscrito no CNPJ sob nº 00.485 985/000220, o qual, por sua vez, mudou sua sede para a cidade de São Paulo. A orientação administrativa adotada pela RFB é no sentido de que, não havendo movimentação física de produtos, não há necessidade de emissão de Nota Fiscal, como foi alegado pelo contribuinte. Tal orientação foi externada, à época, no manual “DIPJ 2009 – Perguntas e Respostas”, disponível no site da RFB na internet, pergunta 006 relativa ao IPI, que a seguir se transcreve, e foi mantida nos períodos posteriores: “006 No desmembramento de estabelecimento industrial, com a criação de um novo estabelecimento industrial, é necessária a emissão de nota fiscal, na transferência de propriedade de bens (ativos, estoques de insumos etc)? Se os bens não forem movimentados fisicamente, permanecendo no mesmo local, é desnecessária a emissão de nota fiscal para documentar a referida transferência, uma vez que não ocorrerá fato gerador do imposto. Caso haja movimentação física, deverá ser emitida nota fiscal correspondente à operação.” A fundamentação legal apontada na citada orientação é o art. 34, inciso II, e o art. 333 do RIPI/2002. (...) A solução dada pela legislação para situações como a presente, em coerência com o princípio da nãocumulatividade do IPI, com o objetivo de possibilitar o aproveitamento de créditos referentes às aquisições dos insumos que passaram a ser de titularidade do novo estabelecimento, integrandose ao seu processo produtivo, encontrase no art. 377 do RIPI/2002 cuja redação é a seguinte: “Art. 377. Nos casos de fusão, incorporação, transformação ou aquisição, o novo contribuinte deverá transferir para o seu nome, por intermédio da repartição competente do Fisco Estadual, no prazo de trinta dias da data da ocorrência, os livros fiscais em uso, assumindo a responsabilidade pela sua guarda, conservação e exibição ao Fisco. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 8 Parágrafo único. A repartição poderá autorizar a adoção de livros novos em substituição dos usados anteriormente.” Em primeiro lugar, entendo que o artigo 377 do RIPI/2002 não é adequado à solução do caso em tela, por não se tratar de nenhum das situações descritas em seu caput. Caso tenha havido a transferência meramente simbólica dos produtos de um estabelecimento para o outro, sem que tenha havia um saída propriamente física, não vejo qualquer óbice na legislação à emissão de Notas Fiscais de Transferência para registro da operação, sobretudo pelo fechamento dos débitos de saídas e os créditos de entradas dos estabelecimentos, em relação às notas fiscais mencionadas. Não foi à toa que a Recorrente juntou, em sua Impugnação, cópia da Nota Fiscal e um "espelho" com detalhamento das informações dos produtos transferidos, bem como cópias dos livros de Registros de Saída e de Apuração do IPI do estabelecimento 000220 e dos Livros de Registros de Entrada e de Apuração do IPI do estabelecimento 000735, onde foram escrituradas as notas fiscais (fls.380499). Compulsando os respectivos livros, bem como dos dados das Notas Fiscais e da planilha anexa, se verifica um preciso encontro de contas entre os créditos do estabelecimento 000735 e dos débitos do estabelecimento 000220, de modo que não trouxe o Fisco, nos autos, outros elementos capazes de demonstrar a inidoneidade das notas, bem como qualquer intuito fraudatório ou de geração de créditos indevidos por parte da Recorrente. Quanto ao argumento de que certos dados das notas não estariam preenchidos, esclarece a Recorrente que eles se referem ao comprovante da entrega, bem como dados do transportador e hora de saída, é natural que os mesmos não estejam, haja vista que não houve a saída física, apenas simbólica. Certamente, a transferência meramente simbólica de uma filial para outra, mas com a manutenção do endereço físico, que passa a ser utilizado pela filial destinatária dos produtos, é uma situação pouco usual, razão pela qual o RIPI não dispensou tratamento específico para esta situação. Todavia, não podem pequenas formalidades como as mencionadas no parágrafo anterior justificarem a declaração de inidoneidade da Nota Fiscal, especialmente diante das especificidades do caso concreto. Diante de um lastro probatório sólido acerca da transferência, deveria o Auditor Fiscal ter diligenciado especificamente para demonstrar a não ocorrência da transferência, ou vícios nessa transferência, o que não ocorreu sequer foi analisado o estoque da Recorrente. Portanto, entendo procedente o Recurso Voluntário para afastar a cobrança fiscal relativa ao item 003 do Auto de Infração. 4. Aproveitamento de créditos oriundos de aquisições de insumos isentos, feitas a empresa situada na Zona Franca de Manaus Quanto ao aproveitamento dos créditos de aquisições de insumos isentos da ZFM, entendo que a mesma é peculiar em relação à sistemática habitual da não cumulatividade, tendo natureza de incentivo regional (benefício fiscal), isto é, norma tributária com função indutora. Isso foi expressamente reconhecido em obter dictum do julgamento do RE nº 566.819/RS. A tomada de créditos decorre da finalidade de incentivar a redução de Fl. 717DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10860.720287/201425 Acórdão n.º 3402003.023 S3C4T2 Fl. 6 9 desigualdades regionais, e não diretamente da sistemática da não cumulatividade interpretar essa isenção como qualquer outra é esvaziar a possibilidade dessa técnica de desagravamento ser manejada pela União para indução econômica. É essa a interpretação que nos parece mais consentânea para o teor do art.9º e incisos do Decreto 288/67. Nestes exatos termos, reverto a glosa sobre os créditos de insumos isentos adquiridos da ZFM. 5. Do Recurso de Ofício O enquadramento legal da exigência da multa de 150% indicado no auto de infração é o art. 80, caput e §6º, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) O Auditor Fiscal entendeu estar evidenciado o intuito de fraude da fiscalizada, ao registrar as notas fiscais consideradas inidôneas, aproveitando crédito de IPI no montante de R$ 1.002.084,70, e, por conseguinte, suprimindo ou reduzindo o pagamento desse tributo. Definiu fraude com base no art.72 da lei 4502/64: “Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Todavia, entendo não haver qualquer indício de ocorrência de fraude. Como mencionado anteriormente, o contribuinte utilizou dos meios mais formais e adequados para registrar a transferência dos produtos entre estabelecimentos. Dessa forma, não deve prosperar a qualificação das multas. Como foi demonstrado acima, não prospera a inidoneidade das Notas Fiscais de Transferência, razão pela qual a multa de ofício deve ser reduzida apenas àquela referente à tomada de crédito das aquisições isentas da ZFM. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 10 Quanto à multa regulamentar, ela não deve prosperar, haja vista que a Nota Fiscal de Transferência comprova a saída simbólica dos produtos de um estabelecimento para o outro, mesmo que sem a saída física. Ainda que se discuta se a saída que se refere o art.490, II do RIPI/2002 se refira apenas à saída física, a dubiedade interpretativa daria azo à aplicação do art.112, IV do CTN, afastando assim a multa pela interpretação mais favorável ao contribuinte. Desse modo, nego provimento ao Recurso de Ofício. 6. Conclusão Pelo exposto, dou provimento integral para o Recurso Voluntário, e nego provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 719DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10860.720287/201425 Acórdão n.º 3402003.023 S3C4T2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Fui designado pelo presidente para fazer o voto vencedor em relação aos créditos glosados de insumos adquiridos com isenção, uma vez que o i. relator restou vencido em seu voto em relação a esse específico item. A questão de fundo é que tratandose de operações isentas, onde não houve cobrança de IPI na saída, não há direito créditório a ser escriturado. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, com o julgamento do RE nº 566.819 e 398.365, este de 28/07/2015, reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM encontrase pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este Colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF, ou mesmo o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, para estender aquela interpretação ao caso concreto. A decretação da repercussão geral retira o caráter de definitividade do RE 212.484 porque o tribunal pode modificar seu entendimento. Assim, andou bem o Fisco ao glosar esses valores, que, erroneamente e sem fundamento legal ou ao amparo de título judicial, foram escriturados a título de crédito de IPI, vez que crédito não há. Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 720DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 16/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Numero do processo: 11634.720457/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver.
LANÇAMENTO DE TRIBUTOS DISTINTOS EM AUTO DE INFRAÇÃO ÚNICO. POSSIBILIDADE.
A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, referentes a tributos ou a infrações distintas, poderão ser objetos de um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Art. 9º, §1º, do Dec. nº 70.235/72.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS DISTINTOS EM AUTO DE INFRAÇÃO ÚNICO. POSSIBILIDADE. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, referentes a tributos ou a infrações distintas, poderão ser objetos de um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Art. 9º, §1º, do Dec. nº 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C4T1 Fl. 404 1 403 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720457/201165 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.298 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente HF INDUSTRIA E COMERCIO DE BATERIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS DISTINTOS EM AUTO DE INFRAÇÃO ÚNICO. POSSIBILIDADE. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, referentes a tributos ou a infrações distintas, poderão ser objetos de um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Art. 9º, §1º, do Dec. nº 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 57 /2 01 1- 65 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 405 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Data da lavratura dos AIOP: 17/08/2011. Data da Ciência dos AIOP: 13/08/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 50.000.0670 e 50.000.0689, consistentes em contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de segurados empregados e segurados contribuintes individuais no período de 01/2009 a 12/2010, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 37/42. Consta no Relatório Fiscal que a empresa ora recorrente foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (Lei nº 9.317/96), a partir de 01/01/2007, e do Simples Nacional (LC nº 123/2006), a partir de 01/07/2007, mediante os Atos Declaratórios Executivos nº 85 e nº 86, de 16/12/2010, respectivamente, a fls. 166/167, em razão de excesso de receita bruta em relação ao limite de R$ 2.400.000,00, no ano calendário de 2006. Em decorrência da exclusão do referido Sistema Simplificado, foram lançados de ofício as contribuições previdenciárias devidas pela empresa e aquelas devidas a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), apuradas por meio dos autos de infração acima citados. Os créditos previdenciários foram apurados através das Folhas de Pagamento e dos dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo próprio contribuinte através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, Social GFIP, e encontramse discriminados no relatório Discriminativo do Débito DD, em anexo ao Relatório Fiscal. Em razão de a autuada ter deixado de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (valores lançados nos Autos de Infração em questão), o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do Decreto Lei nº 2.848/1940 – Código Penal, houvese por formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (autos nº 11634.720458/201118, em apenso). Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Devidamente cientificado da lavratura dos mencionados Autos de Infração, em 23/08/2011, porém irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 172/213 e a fls. 221/261. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0639.863 – 6ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 271/282, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 291. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 293/337, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que não houve nenhum consentimento expresso ou equivalente autorizador da quebra do seu sigilo bancário. Assim, segundo a jurisprudência, permitir a possibilidade da sua quebra, sem processo judicial instaurado e a requisição do juiz, eiva de completa ilegalidade o presente auto de infração, vez que fulcrado em prova obtida por meio ilícito; · Que há requisitos infraconstitucionais para a autoridade administrativa promover a quebra de sigilo bancário dos contribuintes sem intervenção do Poder Judiciário (em que pese tais normas serem inconstitucionais e ilegais), conforme o disposto no art. 2º, § 5º, do Decreto nº 3.724/2001 (quando houver procedimento de fiscalização em curso e o exame das informações for considerado indispensável); · Que a autoridade administrativa também não demonstrou de forma individualizada, lançamento bancário a lançamento bancário, qual a receita omitida e qual a não omitida, detendose a produzir e anexar ao auto de infração mero resumo, em clara ofensa ao disposto no art. 287, do RIR/99, bem como aos princípios da verdade material, do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal, o que prejudicou a defesa da Impugnante; · Que a Impugnante utilizase de sistemática de escrituração contábil, fazendo com que todos os depósitos bancários tenham como contrapartida do lançamento contábil a conta caixa, de forma que não se sustentam exigências calçadas na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, cujo fato indiciário é a verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, quando as operações tenham sido contabilizadas. Embora a fiscalização não precise provar o fato presumido – a omissão de receitas, não está dispensada de fazer, de forma indireta e cabal, a prova da ocorrência do fato índice; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre verbas de natureza indenizatória, como auxílio doença (nos primeiros quinze dias de afastamento), salário maternidade, auxílio acidente de trabalho, aviso prévio indenizado, auxílio creche, adicionais (noturno, insalubridade, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 406 5 periculosidade e horas extras), abono de férias e terço de férias (relativo a férias gozadas e não gozadas), lançadas nos autos de infração em questão; · Que não houve falta de declaração ou declaração inexata; · Que o Dec. nº 70.235/72 exige a lavratura de Autos de Infração segregados para cada tributo e para cada multa; · Que foi aplicada multa abusiva e de juros extorsivos, configurando confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva; · Ausência de condutas que possa tipificar crime do art. 337 do Código Penal; Ao fim, requer a declaração de improcedência dos Autos de Infração. O Julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência, nos termos da Resolução nº 2401000.311 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, a fls. 343/349, para que a autoridade responsável acostasse aos autos a decisão definitiva, no Âmbito Administrativo, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/2010 95, onde tramitou o procedimento de exclusão da empresa recorrente da sistemática do Simples Nacional. Acórdão nº 1302001.128 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª SEJUL do CARF, Cópia a fls. 354/368, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, conheceu do Recurso Voluntário do Contribuinte, porém lhe negou provimento. Acórdão nº 1302001.372 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª SEJUL do CARF, Cópia a fls. 371/375, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, conheceu dos embargos de declaração opostos em desfavor do Acórdão de Recurso Voluntário citado no parágrafo anterior, porém rejeitouo no mérito. Consoante Despacho de Encaminhamento a fl. 376, “As exclusões do Simples Nacional e do Simples Federal foram apreciadas no processo 11634.001688/201095. As exclusões nos citados regimes de tributação foram mantidas. Foi negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte e os embargos de declaração foram rejeitados (acórdãos juntados ao processo). O crédito tributário vinculado foi enviado à PFN para inscrição em DAU.” Relatados, sumariamente, os fatos relevantes. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/04/2013. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 03/05/2013, há que se reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que não houve nenhum consentimento expresso ou equivalente autorizador da quebra do seu sigilo bancário. Assim, segundo a jurisprudência, permitir a possibilidade da sua quebra, sem processo judicial instaurado e a requisição do juiz, eiva de completa ilegalidade o presente auto de infração, vez que fulcrado em prova obtida por meio ilícito; Aduz haver requisitos infraconstitucionais para a autoridade administrativa promover a quebra de sigilo bancário dos contribuintes sem intervenção do Poder Judiciário (em que pese tais normas serem inconstitucionais e ilegais), conforme o disposto no art. 2º, § 5º, do Decreto nº 3.724/2001 (quando houver procedimento de fiscalização em curso e o exame das informações for considerado indispensável). Argumenta, também, que a autoridade administrativa não demonstrou de forma individualizada, lançamento bancário a lançamento bancário, qual a receita omitida e qual a não omitida, detendose a produzir e anexar ao auto de infração mero resumo, em clara ofensa ao disposto no art. 287, do RIR/99, bem como aos princípios da verdade material, do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal, o que prejudicou a defesa da Impugnante. Pondera, por fim, que a empresa utilizase de sistemática de escrituração contábil, fazendo com que todos os depósitos bancários tenham como contrapartida do lançamento contábil a conta caixa, de forma que não se sustentam exigências calçadas na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, cujo fato indiciário é a verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, quando as operações tenham sido contabilizadas. Embora a fiscalização não precise provar o fato presumido – a omissão de receitas, não está dispensada de fazer, de forma indireta e cabal, a prova da ocorrência do fato índice. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as questões ora suscitadas têm pertinência unívoca e direta com o Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, em cujos autos, após o exame minucioso de tais alegações de defesa, houvese por proferida Decisão Administrativa em que Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 407 7 restou consignada a exclusão da empresa ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a contar de 01/01/2007, decisão essa que se tornou definitiva no Âmbito Administrativo, não mais admitindo, nessa Instância, qualquer espécie de recurso. De fato, o mérito a respeito dos procedimentos de Fiscalização, do critério de caracterização de omissão de receita, da sistemática de escrituração contábil, etc., houvese por apreciado, debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, no qual foi proferida decisão administrativa que se tornou definitiva nessa Instância, configurandose, portanto, Coisa Julgada Administrativa. “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Nessa vertente, o forum processual, apropriado e único, para o exercício do contraditório e da ampla defesa relativos às questões de fato e de direito das quais resultaram a exclusão da empresa ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte concentrase no Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, circunstância que esvazia a competência deste Colegiado para apreciar e julgar as mesmas questões já decididas, em caráter definitivo, no Processo Administrativo apropriado. Não por outra razão, houvese o julgamento do vertente Recurso Voluntário convertido em Diligência Fiscal para que se aguardasse o Trânsito em Julgado Administrativo da decisão de mérito pertinente à exclusão da Empresa ora Recorrente do SIMPLES FEDERA/NACIONAL, dada à flagrante relação de prejudicialidade entre as demandas em foco, sendo certo que da decisão de mérito proferida no julgamento do PAF conexo irão irradiar efeitos a serem devidamente considerados no julgamento do presente Auto de Infração de Obrigação Principal. Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, a coisa julgada se figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Diante de tal cenário, já havendo sido decidido o mérito acerca da exclusão da Autuada do Sistema Simplificado em tela, mediante decisão administrativa em relação à qual não cabe mais recurso nessa Instância, não comporta o presente Processo Administrativo Fiscal mais qualquer debate em torno da questão, em virtude da Coisa Julgada Administrativa, providência essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, o julgamento do Auto de Infração ora em pauta já parte do mérito acerca da definitiva exclusão da Empresa ora Recorrente do Simples Federal/Nacional, proferido previamente no julgamento aviado no PAF nº 11634.001688/201095, não sendo mais admissível neste Processo Administrativo Fiscal qualquer discussão meritória acerca das mesmas questões de fato e de direito, em virtude da existência de coisa julgada administrativa. Diante de tal cenário, havendo sido a Empresa ora Recorrente excluída de maneira definitiva da sistemática do SIMPLES, a contar de 01/01/2007, ela passa a ter que observar, a contar de então, as regras de tributação das empresas em geral previstas na Lei nº 8.212/91. Da mesma forma, as GFIP entregues pela Autuada, a contar da data de exclusão, não mais poderiam ser preenchidas com a informação de que a Empresa ora Recorrente era optante de tal sistema simplificado de tributação, sendo certo que as GFIP já entregues deveriam ter sido objeto de retificação imediata, e consequente recolhimento das contribuições sociais devidas. Merece ser ressaltado que os fatos geradores e as respectivas bases de cálculo atávicas ao presente lançamento foram colhidos diretamente das Folhas de Pagamento e dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo próprio contribuinte através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, Social – GFIP, procedimento esse que passa ao largo, a longa distância, das alegações apostas nos primeiros parágrafos deste tópico, nada tendo a ver com eventual quebra de sigilo bancário, omissão de receitas, nem mesmo com a sistemática de escrituração contábil adotada pelo contribuinte, alegações essas que, inclusive, foram devidamente rechaçadas no Acórdão de Recurso Voluntário nº 1302001.128 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª SEJUL do CARF, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço parcialmente. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 408 9 Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente alega não incidirem Contribuições Previdenciárias sobre verbas de natureza indenizatória, como auxílio doença (nos primeiros quinze dias de afastamento), salário maternidade, auxílio acidente de trabalho, aviso prévio indenizado, auxílio creche, adicionais (noturno, insalubridade, periculosidade e horas extras), abono de férias e terço de férias (relativo a férias gozadas e não gozadas), lançadas nos autos de infração em questão. Merece se ressaltado ab initio que, apesar de o Recorrente enumerar as diversas verbas que considera como possuindo natureza “indenizatórias” e discorrer sobre a natureza jurídica destas, ele não logrou demonstrar ter efetivamente efetuado pagamento de tais verbas a seus segurados empregados, nem tampouco discriminar quais teriam sido os exatos valores relativos a tais rubricas. Além disso, o Recorrente não fez coligir aos autos qualquer documento com aptidão de demonstrar que na base de cálculo informada nas GFIP estavam inseridas verbas pagas a título de auxílio acidente de trabalho, auxílio creche, abono de férias e terço constitucional sobre as férias não gozadas. Tais deficiências na instrução do processo inviabiliza o atendimento ao pleito formulado. Allegatio et non probatio quasi non allegatio. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 2.2 – DA FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO Alega o Recorrente que o Dec. nº 70.235/72 exige a lavratura de Autos de Infração segregados para cada tributo e para cada multa; Não !!!! A determinação de lavratura de autos de infração ou notificações de lançamento distintos para cada tributo ou penalidade, para a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, houvese por assentada, expressamente, no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Se nos antolha, todavia, que o Recorrente se “esqueceu” de ler a parte restante do dispositivo legal em exame, máxime o disposto no seu parágrafo primeiro, que expressamente autoriza a formalização de autos de infração e de notificações de lançamento em um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 409 11 passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, como assim se trata, exatamente, o caso ora em análise. 2.3. DA MULTA E DOS JUROS COM EFEITO DE CONFISCO O Recorrente argumenta que foi aplicada multa abusiva e de juros extorsivos, configurando confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Por outro viés, a Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Em atenção à Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de natureza moratória decorrente do descumprimento tempestivo de Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 410 13 obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 35 estatuiu, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a juros moratórios de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não somente à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 411 15 que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante da previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Mostrase auspicioso destacar que escapa da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não tiveram, ainda, a sua constitucionalidade abatida, de forma definitiva, pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes à época dos fatos geradores, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Não se deslembre que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 412 17 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa e os juros moratórios aplicados na exata bitola dos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.4 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega ausência de condutas que possa tipificar crime do art. 337 do Código Penal; O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 413 19 Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 414 21 2.5. DA PERÍCIA Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil, bancária ou fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. Cabe enfatizar que, no que tange à apreciação da prova, o Direito Processual Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o sistema da persuasão racional do juiz, também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar, na decisão, os motivos que lhe formaram o convencimento. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 Chamamos a atenção para o fato de o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil ser, por força de lei, a autoridade pública competente para apreciar a documentação do sujeito passivo, aqui inserida sua escrita contábil e fiscal e, sendo o caso, dela extrair eventuais débitos previdenciários não devidamente adimplidos em suas épocas próprias, circunstância que mostra ser despicienda a chamada de eventual perito, para auditar, em paralelo à autoridade em foco, o objeto do seu dever de ofício. No caso vertente, o Recorrente requer a realização de perícia, ao argumento de que os lançamentos bancários não teriam sido analisados analítica e individualizadamente, tornando certa a presença de valores indevidos como omissão de receita, alterando de sobremaneira o deslinde do processo administrativo, inclusive quanto à exclusão da Empresa ora Recorrente do Simples Federal e do Simples Nacional, por excesso de receita bruta no ano calendário de 2006. Ora ... Conforme já salientado no item “1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO” supra, a questão atávica aos procedimentos de Fiscalização, ao critério de caracterização de omissão de receita, à sistemática de escrituração contábil, etc., não integra o litígio do vertente Processo Administrativo Fiscal, em razão de já ter sido apreciado, debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, no qual foi proferida decisão administrativa que se tornou definitiva nessa Instância, configurandose, portanto, Coisa Julgada Administrativa. Conforme já salientado, os fatos geradores e as respectivas bases de cálculo que fornecem o necessário e bastante esteio ao presente lançamento foram colhidos diretamente dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo próprio contribuinte através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, Social – GFIP, procedimento esse que não guarda qualquer relação com análise de lançamentos bancários, omissão de receitas, nem mesmo com a sistemática de escrituração contábil adotada pelo contribuinte, circunstância que torna despicienda a realização de perícia em torno desses elementos. Por tais razões, considero ser desnecessária a instauração da perícia pretendida pelo Recorrente, com fulcro no preceito inscrito no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. 2.6. DA DECLARAÇÃO INEXATA NAS GFIP O Recorrente alega que não houve falta de declaração ou declaração inexata. Não procede. Conforme consignado no Relatório Fiscal, a empresa apresentou no período de 01/2007 a 10/2010, as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) como empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Como consequência direta e imediata da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, o programa gerador deixa de calcular e registrar como devidas as contribuições sociais a cargo da empresa previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Dessarte, mediante a mera declaração incorreta nas GFIP do código de empresa optante do SIMPLES, resultou que a empresa deixou de informar mediante GFIP as Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720457/201165 Acórdão n.º 2401004.298 S2‐C4T1 Fl. 415 23 Contribuição Social Patronal a cargo da empresa, violando, assim, a Obrigação Tributária Acessória assentada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Assim, ao ser excluída do SIMPLES, a empresa deveria, necessariamente, proceder à retificação das GFIP já anteriormente entregues, nelas informando o código de não optante, e ter recolhido as Contribuições Sociais devidas, beneficiandose, assim, da denúncia espontânea. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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